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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS


FACULDADE DE DIREITO

FICHA DE LEITURA DIRIGIDA

PROFESSOR: ANTONIO MAUÉS

ALUNAS: CRISTIANE GONÇALVES E GABRIELA CARDOSO

DISCIPLINA: ESTADO E DEMOCRACIA

AVRITZER, Leonardo. Impasses da democracia no Brasil. Rio de Janeiro:


Civilização Brasileira, 2016, cap. 1.

1. Qual o tema do texto?

O texto discorre sobre o presidencialismo de coalizão na democracia brasileira, no qual o


presidente é eleito por uma quantidade de votos superior a que seu partido recebe para o
Congresso Nacional, logo surge a necessidade de alianças políticas, objetivando uma
ampla capacidade de agenda no Congresso. Ao longo do capítulo 1 do texto, o autor
demonstra a importância do presidencialismo de coalização para a governabilidade, assim
como apresenta os problemas para a sua manutenção e de estabilidade do sistema político.

2. Qual a questão norteadora\ problema do texto?

A questão norteadora circunda o problema de manutenção do presidencialismo de


coalizão para a governabilidade no Brasil e a efetivação de uma agenda política
progressista, colocando em debate, também, a legitimidade e estabilidade do sistema
nessa relação.

3. Que argumentos o autor utiliza para embasar seu problema?

Para que as propostas do presidente sejam aprovadas no Congresso com mais assiduidade
formam-se coalizões, contudo há diversos problemas para manutenção dessas relações
institucionais, problemas esses que tornaram-se mais visíveis nos governos de Lula e
Dilma. O autor explana sobre o governo Lula, no qual o mesmo, a princípio, optou por
uma coalizão com partidos menores por conta de sua identidade política ligada aos
movimentos socais, evitando uma aliança explicita com o PMDB, o que teria acarretado
em uma base de governo extremamente precária.

Houveram, também, inúmeras crises internas no PT por conta da limitada capacidade do


partido de adaptar-se ao presidencialismo de coalizão e estabilizar a legitimidade do
sistema político, devido os elementos que formavam a concepção de partido dos
trabalhadores. Outros problemas também questionaram a efetividade do presidencialismo
de coalização no governo petista, por conta do esquema da crise do mensalão, o que levou
o, então, presidente Lula a mudar de estratégia em relação ao PMDB e ceder mais cargos
ao partido para uma maior estabilidade política e aprovação de suas pautas pelo
Congresso.

No governo de Dilma Rousseff, havia uma forte aliança do PT com o PMDB, o que
supostamente daria a presidenta estabilidade em relação à governabilidade, não obstante,
o apoio que recebera fora limitado, e o partido estava acomodado ao presidencialismo de
coalizão, o que gerou inúmeros casos de corrupção e a fragmentação partidária.

4. Existe argumento central?

O argumento central utilizado pelo autor diz respeito à crítica ao pressuposto de que o
presidencialismo de coalizão produz a governabilidade no sistema vigente. Ao final do
capítulo, Avritzer conclui que essa prática política acaba por acarretar mais pontos
negativos do que positivos e, no caso dos governos petistas, apesar de todos os avanços
referentes a direitos sociais conquistados, prejudicara enormemente seu índice de
aprovação. Ao longo do texto, ele dá estruturação a esse argumento citando diversos
momentos em que Lula e Dilma prezaram mais pela governabilidade por meio de acordos
entre políticos não-alhinhados às suas pautas de governo do que pela ampliação da
participação social como uma forma alternativa de ampliar sua capacidade de governar
efetivamente. Ele entende que, apesar de FHC também ter colhido as consequências do
precidencialismo de coalisão, o mesmo foi significativamente menos afetado do que o PT
em razão da convergência da base de governo e da agenda do PSDB com o Congresso.
Assim, por não se inserir em uma situação semelhante (afinal, o PT tinha suas bases em
movimentos sociais), os custos da instituição dessa prática no sistema foram
extremamente altos para o Partido dos Trabalhadores.

5. Existem argumentos periféricos?


Avritzer cita dois autores ao longo do texto: os cientistas políticos Fernando Limongi e
Marcos Nobre, ambos se posicionam em relação ao peemedebismo e a sua preocupação
para com a governabilidade de acordo com suas perspectivas. Além disso, o autor cita
alguns constituintes que defenderam o parlamentarismo e chegaram ao ponto de tratar a
Carta de 1988 como uma aberração, uma vez que a mesma havia sido pensada como uma
Constituição parlamentarista e acabou instituindo o presidencialismo.

Outros argumentos periféricos citados são os problemas do governo Lula e Dilma em


relação à manutenção do presidencialismo de coalizão. Nesse sentido, Avritzer, de
maneira visionária (dado que o livro fora publicado em 2015), discorre sucintamente
sobre acontecimentos que provocaram o impeachment da presidenta Dilma. Porém, é
importante ressaltar que, apesar das complicações enfrentadas pelos governos petistas,
suas pautas e as de FHC tiveram o maior índice de aprovação no Congresso Nacional.

6. Ele utiliza dados ou exemplos ilustrativos dos argumentos?

O texto de Avritzer é repleto de dados e exemplos que giram em torno da política


brasileira recente. Logo em suas primeiras páginas, o autor afirma que os governos
Fernando Henrique Cardoso e Lula, aprovaram 84,4 % e 89,9% de suas propostas no
Congresso Nacional, respectivamente. Além disso, o autor afirma que o PT de Lula, em
2002, foi o partido que mais elegeu parlamentares na história tupiniquim: 91
representantes no total (referente a 17% do Congresso Nacional).

Com relação à governabilidade do PT em seus primeiros anos de governo, Avritzer


exemplifica que foi a implementação de políticas como o programa Bolsa Família,
Reestruturação e Expansão das Universidades (Reuni), Enem, aumentos reais do salário
mínimo, Sisan e um conjunto de políticas de saúde para o idoso, todas geradas pela
permanência do PT em Ministérios estratégicos, que garantiu um bom rendimento
governamental.

Com relação aos problemas que afetaram os governos de Lula (e, posteriormente, os de
Dilma) e a legitimação do presidencialismo de coalização, o autor nos traz um quadro que
indica o número de Ministérios assumidos por Peemedebista em seus mandatos,
explicitando o aumento significativo de indicações que ocorrera entre o 1º e o 2º mandato
do presidente. Esse quadro é uma forma de ilustrar a institucionalização da prática em
questão ao longo do tempo.
7. Que categorias teóricas são abordadas no texto?

Numa análise do texto, percebe-se que o autor trabalha com algumas categorias
imprescindíveis para o desenvolver do texto, dentre elas o presidencialismo de
coalização, categoria essa que norteia o tema central; governabilidade, que é o que visa o
presidencialismo de coalização; legitimidade no qual é uma das categorias no cerne do
problema relacionado à coalizão, assim como a estabilidade política.

8. Existe algum vocabulário ou termo técnico que você desconheça no texto?


Esse desconhecimento comprometeu sua leitura?

Não houve nenhuma palavra que comprometesse o entendimento do texto, uma vez que
a argumentação do autor é bastante coerente e concisa.

AVALIE CRITICAMENTE O ARTIGO

1. Todas as questões problematizadas foram discutidas/abordadas ao


longo do texto? Algum aspecto foi mais/menos explorado que outros?

As questões foram muito bem desenvolvidas pelos autor, assim como exemplificadas. No
entanto, ficamos com dúvida com relação ao presidencialismo de coalização ser um
problema para a legitimação do Legislativo.

2. A discussão foi apresentada de forma clara, bem redigida e organizada?


(Mesmo que você não tenha algum conhecimento prévio sobre o assunto
pressuposto no texto, foi possível entender a argumentação
desenvolvida pelo autor?)

Em nossa concepção, o texto foi claro, utilizando-se de exemplos conhecidos relacinados


à política nacional (o que auxilia demasiadamente na compreensão da leitura). A maneira
como o autor discorre sobre as visões dos cientistas políticos que cita é bem planejada e
segue uma linha de argumentação bem definida, que apresenta peças importantes para o
entendimento de sua tese ao longo do texto e, ao final, associa-as de forma coerente na
conclusão do capítulo.

3. Como as reflexões resultantes se aplicam a outros contextos? (Quais as


implicações das ideias defendidas no artigo para a sua vida acadêmica,
profissional ou até mesmo pessoal? O texto traz esclarecimentos/novas
descobertas para a comunidade acadêmica? O que você aprendeu com
ele?)
As reflexões resultantes se aplicam em nossas vidas de inúmeras formas diferentes,
principalmente na esfera política. Afinal, meticulosamente, Avritzer explica processos
políticos com a seriedade que esse tipo de análise exige, fragmentando-os e explicitando
suas causas com os respaldo de argumentos históricos, sem deixar lacunas que deêm
aberturas para interpretações enviesadas. E, em uma realidade onde oligopólios
midiáticos manipulam informações com o auxílio de meias-verdades, pesquisas
cuidadosas e completas como essa são extremamente necessárias.

9. O autor foi capaz de respaldar adequadamente a sua interpretação dos


dados? Você consegue pensar em outras possíveis interpretações? Já leu
outros autores, acerca do mesmo tema, que contradizem, contra
argumentam ou corroboram o que é dito?

O autor é didático ao explicar as crises que assolaram o governo Dilma, além de relatar
com os contextos históricos que antecederam o impeachment da presidenta foram
essenciais para o ocorrido.

4. Analisando as referências utilizadas pelo autor, você teria interesse em


ler algum dos textos por ele utilizados? Existe algum texto nas
referências que você já tenha lido?

Infelizmente, nunca tínhamos tido contato com nenhum dos dois autores citados por
Avritzer anteriormente. Entretanto, apesar de termos achado as teses de ambos
interessantes, o que mais nos chamou atenção foi a tese de Avritzer em si (uma vez que
ele discorre sobre os custos que o precidencialismo de coalizão gerou, ao invés de
endossálo como uma prática necessária) e, futuramente, pretendemos pesquisar mais
sobre suas posições.