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Administração Pública

Aula 5

Professor Nivaldo Vieira Lourenço

CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico


Conversa Inicial
Já estudamos os modelos de Administração Pública, em especial a
transição entre o modelo burocrático e o gerencial, ocorrida na década de
1990. Esses temas nos remetem ao estudo da descentralização político-
administrativa, conforme prevê a Constituição Federal de 1988.
Sendo assim, iremos analisar as relações entre o público e o privado
por meio do desenvolvimento social, político, jurídico, econômico e ético no
contexto do Estado, da Administração Pública e dos agentes públicos. Assim,
estudaremos nesta rota o terceiro setor e as parcerias público-privadas.

Contextualizando
Para iniciarmos os estudos sobre as regulações entre o público e o
privado, será importante debatermos o surgimento do terceiro setor e
considerar que as parcerias público-privadas também são propostas de
regulação entre o público e o privado, mais precisamente no contexto histórico
de redefinição do papel do Estado para os direitos sociais.
O debate sobre essas regulações nos levará a questionamentos
importantes, entre eles o da teoria neoliberal, porque essa teoria é muito clara
quando explana a retirada do Estado das políticas sociais universais,
defendendo em seu discurso o aprofundamento da Democracia e o
fortalecimento da sociedade civil.
Deveremos também aprofundar as diferenças entre as teorias do
terceiro setor e as parcerias público-privadas, com o objetivo principal de nos
ajudar na análise do atual papel do Estado para com as políticas sociais e os
serviços públicos oferecidos à população. Veremos, em especial, a relação
entre o público e o privado, que ocorrem tanto na execução quanto no
financiamento das políticas públicas.

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Para analisar essas questões, organizamos esta aula em cinco temas:
Regulações entre público e privado;
Terceiro setor;
Organização Social (OS);
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP);
Parcerias público-privadas (PPP).

Neste contexto, é importante questionarmos como o Brasil está


vivenciando esse processo e qual é a relação entre o público e o privado nas
políticas públicas após a transição do modelo burocrático de Administração
Pública para o modelo gerencial.
Além disso, devemos entender qual a importância de um novo
instrumento de parceria: o contrato de gestão. Este contrato possibilita sua
utilização pelo Poder Público com órgãos da Administração Indireta, com as
agências executivas e com as organizações sociais.
O contrato de gestão é considerado um elemento estratégico para a
reforma do aparelho administrativo do Estado, pois fixa metas e prazos com o
objetivo de permitir melhor controle de resultados. Esta é a reflexão que
deveremos fazer para compreender o processo de descentralização político-
administrativa vivenciada em nosso país.

Tema 1: Regulações entre público e privado


Na década de 1990, o modelo de Administração Pública passou por uma
transição do burocrático para o gerencial. A formação de um novo modelo nos
remete às características encontradas no período da transição, mais
especificamente em 1995, início do governo do Presidente Fernando Henrique
Cardoso. A formação e a estruturação destas regulações são caracterizadas
pela conjugação de fatores peculiares, refletindo nos elementos políticos,
culturais e socioeconômicos do país.
Importante saber que a reforma de 1995 foi dividida em duas principais
estratégias: na primeira foram realizadas a descentralização, a privatização e a

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desregulamentação; na segunda foi feita a estruturação de capacidade
administrativa institucional.
Por meio das ações desse governo, surgiram as políticas de
privatizações, de repassar as estruturas burocráticas existentes para o setor
privado, assim como alguns dos serviços também foram terceirizados, com o
objetivo de resolver as demandas sociais com mais agilidade.
Nesse período de transição, surgiram como entes da administração
indireta as agências reguladoras, as agências executivas, as organizações
sociais e as organizações da sociedade civil de interesse público.
As parcerias público-privadas são mais recentes, pois sua
regulamentação ocorreu no ano de 2004, no governo de Luiz Inácio Lula da
Silva, tratando-se de um contrato a longo prazo de prestação de serviços
firmado entre Administração Pública e o setor privado.
Podemos aqui fazer a seguinte consideração: se o Estado está de um
lado, a sociedade de outro e no meio encontra-se a administração pública,
então devemos concluir que este modelo de gestão tem a responsabilidade de
atender às demandas da comunidade com serviços públicos de qualidade, com
eficiência e transparência.
Já estudamos as reformas administrativas ocorridas em diversos
governos no Brasil a partir da década de 1930 e pudemos concluir que a
grande maioria dos governos em processo de reforma busca desenvolver uma
governança que contribua para tornar o Estado mais democrático e eficiente.
Neste contexto, o objetivo é assegurar a participação dos cidadãos na
formulação e implementação das políticas públicas.
É importante para estes estudos identificar, ainda, os principais
argumentos utilizados para o processo de descentralização:
Permite aumentar a governabilidade;
Favorece a competitividade econômica na economia globalizada;
Contribui para o aumento da Democracia;
Podemos também considerar as seguintes razões em relação ao

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processo de descentralização das políticas públicas:
Aproximar a Administração Pública do cidadão;
Limitar o poder do governo central;
Legitimar o Estado;
Privatizar funções que são exercidas pelo Estado;
Racionalizar os investimentos públicos;
Facilitar o desenvolvimento regional;
Melhorar a administração do Estado.

Vale ressaltar as diferenças entre os modelos políticos descentralizados


e centralizados, conforme Queiroz:
a. Nos modelos descentralizados de Estado, as políticas públicas se
caracterizam por um padrão horizontal, isto é, são desenhadas e
implementadas de acordo com as características específicas dos
espaços geográficos. Já nos modelos centralizados, as políticas públicas
se caracterizam por um padrão vertical, no qual as políticas são ditadas
pelos governos centrais.

b. Nos modelos descentralizados, as políticas públicas são pactuadas e


definidas em consenso com os atores locais. Nos modelos
centralizados, os agentes locais não são consultados.

c. Os modelos descentralizados se caracterizam pela seletividade das


políticas públicas, enquanto os centralizados se caracterizam por
políticas públicas genéricas.

d. Nos modelos descentralizados, as políticas públicas incorporam a


dimensão da territorialidade; nos modelos centralizados, prevalece a
visão setorial para planejamento nacional.

Agora que entendemos este processo de regulação entre o público e o


privado, poderemos seguir em frente.

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Leia o capítulo 5 do livro base dessa disciplina:

LOURENÇO, N. V. Administração Pública: modelos, conceitos, reformas e


avanços para uma nova gestão. Curitiba: InterSaberes, 2015.
Tema 2: Terceiro setor
As organizações da sociedade civil estão presentes na conjuntura
brasileira há muitos anos, desde o Brasil Colônia, por meio das religiões e das
questões étnicas. O processo de regulação entre o Estado e o terceiro setor
teve seu início a partir da crise do Estado de Bem-Estar Social na década de
1970 e se aprofundou a partir dos anos de 1990, devido à crise mundial.
Nos anos 1970, a oposição ao regime autoritário, com o objetivo de
contribuir com a redemocratização, foi a característica principal para o
surgimento do terceiro setor. Até meados da década de 1980, os movimentos
populares e de apoio às minorias lutavam pelos seus direitos individuais e
também pela redemocratização do país.
A partir de 1985, a forma de representação e participação política foi
alterada, pois ocorreu a conquista dos objetivos almejados pelos movimentos
sociais, que era a democratização do país, e iniciou-se um processo de
individualização dos anseios de cada grupo da sociedade, surgindo assim
vários grupos sociais lutando por direitos. Nesse contexto, podemos dizer que
o terceiro setor brasileiro se fortaleceu por meio de conquistas provenientes
dos movimentos sociais atuantes nos anos de 1970 e 1980.
Então vamos agora definir o que é “terceiro setor”.
Esse termo é uma tradução literal de third sector, muito utilizado nos
Estados Unidos. Outra importante consideração é saber que a sociedade civil é
dividida em três setores:

 O primeiro setor é formado pelo governo;

 O segundo setor são as empresas privadas;

 O terceiro setor são as associações sem fins lucrativos.

O terceiro setor é composto por um amplo conjunto de organizações e

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instituições, como as ONG (Organizações não Governamentais) e OSCIP
(Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). Ele é mantido com
iniciativas privadas e até mesmo incentivos do governo, por meio do repasse
de verbas públicas. É composto por associações e fundações que geram bens
e serviços públicos, mas sem fins lucrativos, e atuam como uma
complementação e um auxílio na resolução de problemas sociais presentes na
sociedade.
O terceiro setor possui os seguintes atributos estruturais:

 É não governamental;

 Realiza sua própria gestão;

 Não tem fins lucrativos;

 É formalmente constituído.

As formas jurídicas para a organização das instituições do terceiro setor


são a associação e a fundação, que são caracterizadas como entidades sem
fins lucrativos. Vejamos a definição de cada modalidade:

 Associação: pessoa jurídica que não tenha finalidade lucrativa, ou seja,


a associação existe quando não há lucro ou intenção de dividir o
resultado, embora ela tenha patrimônio formado por contribuições de
seus membros para obtenção de ações culturais, esportivas,
educacionais, recreativas, entre outras.

 Fundação: conforme o Código Civil, as fundações perseguem o bem


comum na medida em que as finalidades são religiosas, morais,
culturais ou assistenciais. As fundações são destinadas a servir sem o
intuito de lucro.

Neste contexto, estudaremos as Organizações Sociais (OS) e as


Organizações da Sociedade Civil de Interesse Social (Oscip), pois elas são o
que existe de mais recente na regulação entre o Estado e a sociedade civil.

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Tema 3: Organização Social (OS)
A OS, segundo a legislação, é uma pessoa jurídica privada, sem fins
lucrativos, cujas atividades são dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao
desenvolvimento tecnológico, à proteção e à preservação do meio ambiente, à
cultura e à saúde, instituída por meio da Lei n. 9.637, de 15 de maio de 1998.
Confira o artigo 1º e 2° dessa lei:
Art.1° O Poder Executivo poderá qualificar como organizações sociais
pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas
atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao
desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio
ambiente, à cultura e à saúde, atendidos aos requisitos previstos
nesta Lei.
Art.2° São requisitos específicos para que as entidades privadas
referidas no artigo anterior habilitem-se à qualificação como
organização social:
I - comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre:
a) natureza social de seus objetivos relativos à respectiva área de
atuação;
b) finalidade não lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de
seus excedentes financeiros no desenvolvimento das próprias
atividades;
c) previsão expressa de a entidade ter, como órgãos de deliberação
superior e de direção, um conselho de administração e uma diretoria
definidos nos termos do estatuto, asseguradas àquele composição e
atribuições normativas e de controle básicas previstas nesta Lei;
d) previsão de participação, no órgão colegiado de deliberação
superior, de representantes do Poder Público e de membros da
comunidade, de notória capacidade profissional e idoneidade moral;
e) composição e atribuições da diretoria;
f) obrigatoriedade de publicação anual, no Diário Oficial da União, dos
relatórios financeiros e do relatório de execução do contrato de
gestão;
g) no caso de associação civil, a aceitação de novos associados, na
forma do estatuto;
h) proibição de distribuição de bens ou de parcela do patrimônio
líquido em qualquer hipótese, inclusive em razão de desligamento,
retirada ou falecimento de associado ou membro da entidade;
i) previsão de incorporação integral do patrimônio, dos legados ou
das doações que lhe foram destinados, bem como dos excedentes
financeiros decorrentes de suas atividades, em caso de extinção ou
desqualificação, ao patrimônio de outra organização social qualificada
no âmbito da União, da mesma área de atuação, ou ao patrimônio da
União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, na
proporção dos recursos e bens por estes alocados;
II - haver aprovação, quanto à conveniência e oportunidade de sua
qualificação como organização social, do Ministro ou titular de órgão
supervisor ou regulador da área de atividade correspondente ao seu
objeto social e do Ministro de Estado da Administração Federal e
Reforma do Estado (BRASIL, 1998c).

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Ainda há a necessidade de firmar um contrato de gestão com o Poder
Público. Conforme os artigos 5° ao 7° da Lei n. 9.637/1998:

Art.5° Para os efeitos desta Lei entende-se por contrato de gestão o


instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada
como organização social, com vistas à formação de parceria entre as
partes para fomento e execução de atividades relativas às áreas
relacionadas no art. 1°.
Art.6° O contrato de gestão, elaborado de comum acordo entre o
órgão ou entidade supervisora e a organização social, discriminará as
atribuições, responsabilidades e obrigações do Poder Público e da
organização social.
Parágrafo único. O contrato de gestão deve ser submetido, após
aprovação pelo Conselho de Administração da entidade, ao Ministro
de Estado ou autoridade supervisora da área correspondente à
atividade fomentada.
Art.7° Na elaboração do contrato de gestão, devem ser observados
os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade,
economicidade e, também, os seguintes preceitos:
I - especificação do programa de trabalho proposto pela organização
social, a estipulação das metas a serem atingidas e os respectivos
prazos de execução, bem como previsão expressa dos critérios
objetivos de avaliação de desempenho a serem utilizados, mediante
indicadores de qualidade e produtividade;
II - a estipulação dos limites e critérios para despesa com
remuneração e vantagens de qualquer natureza a serem percebidas
pelos dirigentes e empregados das organizações sociais, no exercício
de suas funções.
Parágrafo único. Os Ministros de Estado ou autoridades supervisoras
da área de atuação da entidade devem definir as demais cláusulas
dos contratos de gestão de que sejam signatários (BRASIL, 1998c).

Você percebeu que neste momento dos estudos aparece a definição


do contrato de gestão, então fique atento para acompanhar os demais temas e
questionamentos que serão feitos sobre esse tipo de contrato.

Tema 4: Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP)


A OSCIP é uma pessoa jurídica de direito privado criada na forma de
associação sem fins lucrativos e que adquire essa condição ao ser registrada
no Ministério da Justiça. De acordo com os artigos 1° e 3° da Lei n. 9.790, de
23 de março de 1999:
Art. 1º Podem qualificar-se como Organizações da Sociedade Civil de
Interesse Público as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins
lucrativos, desde que os respectivos objetivos sociais e normas
estatutárias atendam aos requisitos instituídos por esta Lei.
§ 1º Para os efeitos desta Lei, considera-se sem fins lucrativos a

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pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre os seus
sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou
doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos,
dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu
patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que
os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social.
[...]
Art. 3º A qualificação instituída por esta Lei, observado em qualquer
caso, o princípio da universalização dos serviços, no respectivo
âmbito de atuação das Organizações, somente será conferida às
pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujos
objetivos sociais tenham pelo menos uma das seguintes finalidades:
I - promoção da assistência social;
II - promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio
histórico e artístico;
III - promoção gratuita da educação, observando-se a forma
complementar de participação das organizações de que trata esta
Lei;
IV - promoção gratuita da saúde, observando-se a forma
complementar de participação das organizações de que trata esta
Lei;
V - promoção da segurança alimentar e nutricional;
VI - defesa, preservação e conservação do meio ambiente e
promoção do desenvolvimento sustentável;
VII - promoção do voluntariado;
VIII - promoção do desenvolvimento econômico e social e combate à
pobreza;
IX - experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-
produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio,
emprego e crédito;
X - promoção de direitos estabelecidos, construção de novos direitos
e assessoria jurídica gratuita de interesse suplementar;
XI - promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos,
da democracia e de outros valores universais;
XII - estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias
alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos
técnicos e científicos que digam respeito às atividades mencionadas
neste artigo. [...] (BRASIL, 1999b).

Diante destas considerações e legislações sobre OS e OSCIP, é


possível afirmar que a crescente atuação do terceiro setor na conjuntura
brasileira ocorre devido à transferência de determinadas políticas públicas, que
estavam sob a responsabilidade do Estado, para o terceiro setor, sob os
seguintes argumentos:

 Escassez de recursos públicos;

 Má administração ou “falhas de governo”;

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 Maior eficiência de gestão das organizações do terceiro setor.

Tema 5: Parcerias público-privadas (PPP)


As PPP consistem em um novo formato de administração e são
utilizadas pelo Estado brasileiro para realizar investimentos em infraestrutura.
Conforme a legislação brasileira, o conceito de PPP é mais restrito, pois
considera apenas os casos em que os projetos têm viabilidade econômica, mas
não têm viabilidade financeira. Isso quer dizer que os projetos requerem algum
tipo de subsídio governamental.
A legislação brasileira também diferencia os projetos financeiramente
viáveis que são conceituados como “concessões comuns” daqueles projetos
que requerem algum tipo de complementação financeira estatal, que são
conceituados como PPP e que são divididos em duas modalidades:

 As patrocinadas: o parceiro privado obtém sua remuneração mediante


a cobrança de tarifas e subsídios estatais;

 As administrativas: a remuneração do parceiro privado é paga


integralmente pelo governo.

Às Parcerias público-privadas se aplicam os dispositivos da Lei


n. 11.079, de 30 de dezembro de 2004:
Art. 1º Esta Lei institui normas gerais para licitação e contratação de
parceria público-privada no âmbito dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Parágrafo único. Esta Lei aplica-se aos órgãos da administração
pública direta dos Poderes Executivo e Legislativo, aos fundos
especiais, às autarquias, às fundações públicas, às empresas
públicas, às sociedades de economia mista e às demais entidades
controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito
Federal e Municípios.
Art. 2º Parceria público-privada é o contrato administrativo de
concessão, na modalidade patrocinada ou administrativa.
§ 1º Concessão patrocinada é a concessão de serviços públicos ou
de obras públicas de que trata a Lei n° 8.987, de 13 de fevereiro de
1995, quando envolver, adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.
§ 2º Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços
de que a Administração Pública seja a usuária direta ou indireta,
ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de
bens.

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§ 3º Não constitui parceria público-privada a concessão comum,
assim entendida a concessão de serviços públicos ou de obras
públicas de que trata a Lei n° 8.987, de 13 de fevereiro de 1995,
quando não envolver contraprestação pecuniária do parceiro público
ao parceiro privado. [...] (BRASIL, 2004).

Os contratos de PPP são claros quando afirmam que o parceiro privado não vai
simplesmente construir uma obra, mas que construirá e operará parte ou todos os
serviços oferecidos por aquela infraestrutura. Ou seja, para caracterizar uma PPP, o
setor privado atuará na provisão dos serviços públicos vinculados àquela
infraestrutura. Importante aqui ressaltar a Lei n. 11.079/2004, em seu parágrafo 4°:
§ 4º É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:
I – cujo valor do contrato seja inferior a R$ 20.000.000,00 (vinte
milhões de reais);
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco)
anos; ou
III – que tenha como objeto único o fornecimento de mão de obra, o
fornecimento e instalação de equipamentos ou a execução de obra
pública (BRASIL, 2004).

A prestação dos serviços deve perdurar no mínimo por 5 anos. A previsão


apresentada em forma de lei é uma garantia para que a Administração Pública
amortize o investimento e exponha o responsável pela obra ou serviço ao risco do
prejuízo econômico da má execução da infraestrutura.
O Poder Público tem o dever de fiscalizar os serviços e a realização de obras,
e essa nova maneira de regulação entre Estado e sociedade nos remete a uma nova
gestão pública.

Trocando ideias
Estamos avançando em nossos estudos e agora já podemos afirmar
que o Plano de Reforma do Estado no Brasil propôs a privatização das
empresas públicas ou que a prestação de serviços seja oferecida por
organizações sociais, considerando que estas organizações serão mais
eficientes e competitivas, objetivando atender melhor os cidadãos. Porém, o
Estado continuará financiando estes serviços, apesar do controle administrativo
e político passar para organizações públicas não estatais.
Sabendo disso, você tem condições de aprofundar seus
questionamentos sobre o tema reformas administrativas. Para tanto, vamos

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trabalhar duas questões:
Se o Estado Social-Liberal é social porque mantém responsabilidades
pela área social, mas também é liberal porque acredita no mercado e
contrata a realização dos serviços sociais de organizações públicas não
estatais — como educação, saúde, cultura e pesquisa científica — por
que fazer essas reformas?

O Plano Diretor da Reforma do Estado propõe a administração


gerencial, que tem a lógica do mercado e teve influências do
neoliberalismo, pois a estratégia de privatizações são parte do plano. Ao
mesmo tempo, sofreu influências da social democracia, devido ao
período político que o país vivenciava nos anos de 1990.

Analise e discuta o seguinte tema: se a ideia é a parceria público-privado


para as execuções das políticas sociais e também para o mercado, através de
uma nova economia que propõe sinergia entre os setores público e privado,
qual é o significado destas mudanças para a Administração Pública Brasileira?

Na Prática
Para resolver a questão, siga os seguintes passos:
Assista ao Vídeo: Pílulas Jurídicas #11 - Contrato de Gestão, com o
Prof. Rafael Oliveira, publicado em 11 de junho de 2013. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=LyHosszK4ko>.

Importante pesquisar as leis indicadas no vídeo: Lei n. 9.637, de 15 de


maio de 1998; Lei n. 9.790, de 23 de março de 1999 e Lei n. 11.079, de
30 de dezembro de 2004.

Identifique quais são os conteúdos explanados pelo professor Rafael no


vídeo.

Explique o contrato de gestão celebrado com os órgãos públicos, com


as agências executivas, com as Organizações Sociais (OS) e com as

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Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).

Comentário:
Os conteúdos apresentados são: definição de contrato de gestão,
contrato de gestão junto aos órgãos públicos, contrato de gestão e as agências
executivas, contrato de gestão e as OS, contrato de gestão e as OSCIP.
Para facilitar a resposta, você poderá responder seguindo a ordem
apresentada no quarto passo, vejamos:

Contrato de gestão e os órgãos públicos


Na Constituição Federal de 1988, mais precisamente no artigo 37,
admite-se a possibilidade de que os órgãos públicos possam celebrar contratos
de gestão, sendo realizados pela administração direta ou indireta.
O Direito Administrativo adotou a teoria do órgão, que significa dizer que
a vontade da pessoa jurídica deverá ser atribuída aos órgãos que a compõem.
Os órgãos são o próprio Estado, destinados ao melhor desempenho das
funções estatais.

Contrato de gestão e as agências executivas


As agências executivas são uma forma especializada de Autarquia ou
Fundações de Direito Público, que prestam serviços públicos específicos, sob a
égide de algum fomento público.

Contrato de gestão e as organizações sociais


As entidades paraestatais são aquelas que atuam ao lado do Estado sem
que façam parte de sua estrutura organizacional. São entidades privadas que
prestam serviços para o Poder Público, através de delegações, tendo em
contrapartida o fomento estatal. A Lei n. 9.637, de 15 de maio de 1998,
disciplina a matéria.

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Contrato de gestão e as organizações da sociedade civil de interesse
público (OSCIP)
A lei que disciplina a matéria acerca das organizações da sociedade civil
de interesse público (OSCIP), Lei n. 9790/99, tipifica que o ajuste firmado por
essas organizações como termo de parceria.

Importantes diferenças entre OS e OSCIP


Há a presença de agentes do Poder Público na estrutura das
organizações sociais, sendo dispensadas para as OSCIP;

A terminologia que para OS é contrato de gestão, para OSCIP é termo


de parceria;

Nas OSCIP, exige-se a comprovação da situação contábil, do balanço


patrimonial, dentre outros requisitos para que receba do Poder Público
tal denominação, exigência que não se faz necessário para as
organizações sociais.

Síntese
Estudamos as novas regulações entre o setor público e o privado, tendo
como meta de aprendizado o estudo sobre o terceiro setor e as parcerias
público-privadas. Essas modalidades surgiram no processo de transição do
modelo burocrático de Administração Pública para o gerencial, iniciado na
década de 1990.
Definimos o que vem a ser o terceiro setor, citando duas novas
modalidades de regulação: as OS, instituídas por meio da Lei n. 9.637/1998; e
as OSCIP, instituídas por meio da Lei n. 9.790/1999. Também tratamos das
parcerias público-privadas instituídas por meio da Lei n. 11.079/2004.

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Referências
AGU Explica - Terceiro Setor (vídeo). Disponível
em:<https://www.youtube.com/watch?v=G9W9uREkIsA>. Acesso em: 11 fev.
2016.

BRASIL. Lei n. 9.637, de 15 de maio de 1998. Diário Oficial da União. Poder


Legislativo. Brasília, DF, 18 maio 1998c. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9637.htm>. Acesso em: 11 fev.
2016.

BRASIL. Lei n. 9.790, de 23 de março de 1999. Diário Oficial da União. Poder


Legislativo. Brasília, DF, 24 mar. 1999b. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9790.htm>. Acesso em: 11 fev.
2016.

BRASIL. Lei n. 11.079, de 30 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União,


Poder Legislativo. Brasília, DF, 31 dez. 2004. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l11079.htm>.
Acesso em: 11 fev. 2016.

CONCESSÃO Patrocinada - Parceria Público-Privada, com o Professor Marcus


Bittencourt (vídeo). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=Cl5bnTPJKLE>. Acesso em: 11 fev. 2016.

CONCESSÃO Administrativa - Parceria Público Privada, com o Professor


Marcus Bittencourt (vídeo). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=zDcsVm-P9AI>. Acesso em: 11 fev. 2016.

DESCENTRALIZAÇÃO Política, com o Professor Marcus Bittencourt (vídeo).


Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=lPM814yzEXw>. Acesso
em: 11 fev. 2016.

LOURENÇO, N. V. Administração Pública: modelos, conceitos, reformas e


avanços para uma nova gestão. Curitiba: InterSaberes, 2015.

MINUTO Portal – Organização Social X OSCIP, publicado em 12 de set de


2014 com o Professor Matheus Carvalho (vídeo). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=jn8dBOgUBNA>. Acesso em: 11 fev. 2016.

ORGANIZAÇÕES Sociais palestra com Justino de Oliveira. Disponível em:


<https://www.youtube.com/watch?v=aDfKh91cLjY>. Acesso em: 11 fev. 2016.

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OK 2 - A história do Terceiro etor no Brasil e os movimentos da sociedade civil,
Publicado em 19 de ago de 2015, elaborado por: Captamos Org. (vídeo)
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=8p4_3-46UqY>. Acesso
em: 11 fev. 2016.

PÍLULAS Jurídicas #11 - Contrato de Gestão com o Prof. Rafael Oliveira,


publicado em 11 de jun de 2013 (vídeo). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=LyHosszK4ko>. Acesso em: 11 fev. 2016.

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