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Ciência Política

Administração Pública

Professor Nivaldo Vieira Lourenço

Pró-reitoria de EaD e CCDD

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Conversa inicial
Quando ouvimos nos noticiários informações sobre mudanças de governo, novos
planos de governo, ou reformas administrativas para diminuir o custo do Estado, o que
vem em nosso pensamento?
Esta pergunta eu deixo para vocês responderem.
Nesta aula iremos contextualizar o cenário das reformas administrativas no Brasil.
Para tanto, fizemos um levantamento bibliográfico com os seguintes temas:

 Reformas Administrativas no Brasil.

 Da Revolução de 1930 até 1945: primeiro governo de Getúlio Vargas.

 O Estado propulsor do desenvolvimento pós-1945.

 Os governos militares.

 A Nova República e a reforma Collor.

 A reforma Bresser Pereira

 As reformas nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Contextualizando
Vamos buscar contextualizar o cenário das reformas administrativas, fazendo
reflexões importantes, especificamente no período compreendido entre 1930 a 2015.
Deveremos considerar o contexto histórico mundial e nacional. Este tema gera
questionamentos, fazendo desta temática um assunto sempre relevante e importante
para o avanço dos estudos referente a reformas administrativas.
Iremos concluir que as reformas administrativas decorrem do esgotamento dos
modelos anteriores e têm como objetivo a compreensão das mudanças implantadas no
processo de mudanças tanto no âmbito político como no administrativo.
O ponto de partida dos nossos estudos será o período conhecido como
Revolução de 1930, início do governo de Getúlio Vargas, no qual tinha como plataforma
implementar reformas institucionais básicas para o Brasil. A principal reforma no
período 1930/1945 foi a criação do Departamento Administrativo do Serviço Público em
1938. Veremos ainda a promulgação da Constituição Federal de 1946.

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As reformas, neste período, sempre tiveram como preocupação central a
burocracia pública, e, em 1956, no governo de Juscelino Kubitschek, foi criada a
Comissão de Simplificação Burocrática – Cosb.
O Presidente João Goulart, em 1963, nomeou Ernâni do Amaral Peixoto ao cargo de
Ministro Extraordinário para a Reforma Administrativa, que teve como função a elaboração de
quatro projetos com o objetivo de reorganizar a administração federal.
Em 1964, início do período do regime militar, no governo do presidente Humberto de
Alencar Castelo Branco, foi criada a Comissão Especial de Estudos da Reforma Administrativa
Econômica – Comestra, que após três anos de estudos levou ao surgimento do Decreto-Lei n°
200, de 25 de fevereiro de 1967. Ao finalizar o regime militar, surgiu a Nova República,
marcada pela eleição para Presidente da República por meio de processo indireto, ou
seja, votação interna do Congresso Nacional. O presidente eleito foi Tancredo Neves,
que faleceu antes da posse, e, por esse motivo, tomou posse o seu vice, José Sarney,
nesse período foi aprovada a Constituição de 1988, que apresentou um enrijecimento
burocrático extremo.
O governo de Fernando Collor de Mello promoveu um amplo rearranjo estrutural,
sendo um governo com propostas voltadas ao neoliberalismo. Em dezembro de 1992,
o Presidente Collor, devido à instabilidade política, passou por um processo de
impeachment, culminando em sua renúncia em dezembro de 1992, assumindo o
governo o seu vice, Itamar Franco, cuja sua maior reforma foi na política econômica,
por meio do Plano Real.
No ano de 1995, assume a Presidência da República Fernando Henrique
Cardoso, criando o Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, Luiz
Carlos Bresser Gonçalves Pereira, assume esse ministério com o objetivo de
apresentar propostas de um modelo de administração gerencial. Em 2003, Luiz Inácio
Lula da Silva toma posse como Presidente da República, sua sucessora, Dilma
Rousseff, mantem a mesma visão de governo voltada para o social.

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Tema 01: Revolução de 1930
No período de ascensão de Getúlio Vargas ao poder, ocorrido em 1930, sua
principal plataforma foi a implantação de reformas associadas à quebra do modelo
patrimonialista de Administração Pública.
Para compreendermos o processo de modernização da administração pública
brasileira, é importante observar que neste período a administração pública utilizada
era a que possuía um forte traço autoritário, sendo a fonte de privilégios pessoais. O
novo regime por meio das reformas visava a controlar o poder oligárquico no processo
decisório, tendo como desdobramento a criação do Estado administrativo no Brasil por
meio de estatutos e órgãos normativos e fiscalizadores, surgindo assim o modelo
burocrático de Administração Pública.
O Presidente Getúlio Vargas em 1930 criou a Comissão Permanente de
Padronização, com atribuições voltadas para a área de material e, em 1931, a
Comissão Permanente de Compras, e 1934 com a promulgação da nova Constituição
apresenta um título específico voltado aos funcionários públicos, no qual apresentou a
estabilidade e o concurso público.
Em 1935, foi criada a Comissão Especial do Legislativo e do Executivo, sob a
presidência do Ministro da Fazenda, Artur de Souza Costa, no qual designou o
diplomata Maurício Nabuco para a sua subcomissão com a tarefa de estudar o
reajustamento dos quadros do serviço público. Essa subcomissão ficou conhecida
como Comissão Nabuco. O Ministério da Fazenda não satisfeito com os resultados
determinou uma nova subcomissão, que se ativeram especificamente ao impacto
financeiro, os dois relatórios foram encaminhados ao presidente da república, o qual
designou uma nova comissão para apresentar sugestões para a solução do
reajustamento. Esta terceira comissão, ficou conhecida como Comissão do
Reajustamento. A Comissão do Reajustamento apresentou ao Presidente da
República parecer que preservava em linhas gerais o projeto apresentado pela
Comissão Nabuco, que deu origem à Lei nº 284, de 28 de outubro 1936 (Brasil, 1936),
criando o Conselho Federal do Serviço Público Civil – CFSPC, considerado o marco
inicial e histórico da reforma da administração de pessoal.

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Em 1937, criava o Departamento Administrativo do Serviço Público – Dasp, que
foi efetivamente organizado em 1938, por meio do Decreto-Lei nº 579. O Dasp tinha os
seguintes objetivos:
 centralizar e reorganizar a Administração Pública;
 racionalizar procedimentos e processos administrativos;
 redefinir políticas para a administração de pessoal.
Ao longo do governo Vargas, fortaleceu-se a tendência de centralização
administrativa, surgindo novas características: além de centralizador, o Estado passa a
ser intervencionista, por meio da criação de autarquias e de empresas que criaram a
base para o Estado se tornar desenvolvimentista. Ao final do governo Vargas inicia-se
uma nova linha de pensamento, com o processo da promulgação da nova Constituição
de 1946.

Sugestão de leitura
Fazer a leitura do capítulo 3 do livro base.

LOURENÇO, N. V. Administração Pública: modelos, conceitos, reformas e avanços


para uma nova gestão. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2015.

Tema 02: O Estado propulsor do desenvolvimento


Este é um período em que a preocupação governamental é com o
desenvolvimento nacional e a promulgação da Constituição de 1946 trouxe pouca
contribuição para a profissionalização dos serviços públicos devido à existência de
cargos de livre nomeação e exoneração, declarados em lei, que não dependiam de
concurso público, porém em 1951, com o segundo governo Vargas, foi retomado o
espírito reformista e novamente foram traçadas metas para corrigir as distorções
existentes e elevar a profissionalização na Administração Pública. Em 1952, foi
aprovada a Lei nº 1.711, de 28 de outubro de 1952, instituindo o segundo Estatuto dos
Funcionários Públicos Civis da União – o primeiro Estatuto fora aprovado no primeiro
governo Vargas, por meio do Decreto-Lei nº 1.713, de 28 de outubro de 1939, também
em 1952 foi elaborado um anteprojeto de reforma geral da administração federal,

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abordando o tema da descentralização, da institucionalização do planejamento e da
coordenação.
Em 1956, no governo de Juscelino Kubitschek, foi criada a Comissão de
Simplificação Burocrática – Cosb com o intuito de apresentar reformas à administração
pública. As medidas propostas são: descentralização, delegação de competências e
prestação de contas, neste mesmo ano foi criada a Comissão de Estudos e Projetos
Administrativos – Cepa, com o objetivo de assessorar o Presidente da República sobre
temas pertinentes à reforma administrativa.
O governo de Kubitschek é marcado pelo conhecido Plano de Metas, sendo o
slogan desenvolvimentista “50 anos em 5”. O Plano de Metas tinha como ideal o projeto
desenvolvimentista. Com isso o governo cria em 1956 o Conselho do Desenvolvimento,
vinculado diretamente à Presidência da República. JK também se notabilizou pela
construção da nova capital federal, Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960.
Jânio Quadros teve um governo breve não apresentou nenhuma proposta de
reforma administrativa. Ele iniciou seu governo lançando um programa anti-inflacionário
que previa a reforma do sistema cambial e anunciou a criação da Comissão Nacional
de Planejamento e a preparação do Primeiro Plano Quinquenal, que viria a substituir o
Plano de Metas do governo de JK. Jânio Quadros renunciou à Presidência do Brasil em
25 de agosto de 1961 por questões políticas.
Em 1963, no governo de João Goulart, os trabalhos da Cosb e da Cepa foram
retomados com a criação do Ministério Extraordinário para a Reforma Administrativa,
sob o comando do ministro Ernâni do Amaral Peixoto, sendo constituída a Comissão
Amaral Peixoto com o objetivo de ditar as normas para a preservação do sistema de
mérito, revisar a política salarial e estudar a criação de novos cargos públicos, a
descentralização, as limitações no processo dos regimes autárquicos e a
institucionalização do planejamento.
Os estudos originaram o Projeto de Lei Orgânica do Sistema Administrativo
Federal e um projeto de lei referente ao Conselho de Defesa do Sistema de Mérito,
enviado ao Congresso Nacional, mas nenhum dos dois projetos foi convertido em lei,
pois, em 1964, no início do regime militar, o governo de Castello Branco retirou de pauta
todos os projetos em trâmite no Congresso Nacional.

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Sugestão de leitura

Fazer a leitura do capítulo 3 do livro base.

LOURENÇO, N. V. Administração Pública: modelos, conceitos, reformas e avanços


para uma nova gestão. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2015.

Tema 03: Os governos militares


O primeiro Presidente do período militar foi Marechal Humberto de Alencar
Castelo Branco, no qual em outubro de 1964, foi constituída a Comissão Especial de
Estudos da Reforma Administrativa e Econômica – Comestra, sob a presidência do
Ministro Extraordinário para o Planejamento e Coordenação, Roberto Campos. A
reforma propôs medidas como:
 a valorização da função pública;
 a profissionalização do funcionário;,
 a observância do sistema de mérito; e
 a remuneração satisfatória do servidor público.
Com o trabalho da Comissão, o anteprojeto se transformou em Decreto-Lei nº
200, de 25 de fevereiro de 1967, apesar de já ter sido promulgada a Constituição de
1967 e nessa época se governava por Atos Institucionais – AI. Os princípios norteadores
apresentados pelo Decreto-Lei nº 200/1967, para a reforma foram:
1. planejamento, descentralização, delegação de autoridade, coordenação e
controle;
2. expansão das empresas estatais;
3. fortalecimento e expansão do sistema de mérito;
4. diretrizes gerais para um novo Plano de Classificação de Cargos;
5. o reagrupamento de departamentos, divisões e serviços.
No governo de Castelo Branco, a Secretaria de Planejamento da presidência
passou a ter amplos poderes, pois, a partir do Decreto-Lei 200/1967, ocorreram
revisões em diversos órgãos da administração federal e a Constituição de 1967
concedeu estabilidade a todos os funcionários que contassem com pelo menos cinco
anos de serviço público. Ainda no governo de Castelo Branco, no ano de 1967, surgiu

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a distinção entre administração direta e administração indireta. As administrações
indiretas surgem com autonomia e com o processo de fortalecimento do sistema de
mérito e a descentralização administrativa.
O Marechal Arthur da Costa e Silva enfrenta ondas de protestos, e o autoritarismo
e a repressão aumentam na mesma proporção que a oposição se radicaliza, sendo que
em 1968, alguns municípios e as capitais foram transformados em áreas de segurança
nacional e seus prefeitos passaram a ser nomeados pelo Presidente da República e foi
instituído o Ato Institucional nº 5, que abrangia medidas como: pena de morte para
crimes políticos, prisão perpétua, fim da imunidade parlamentar, transferência de
inúmeros poderes do Legislativo para o Executivo. Na prática, o AI 5 revogou os
dispositivos constitucionais de 1967.
O governo do General Emílio Garrastazu Médici foi marcado pela repressão
política, pela censura aos meios de comunicação e pelas denúncias de torturas
políticas. Mas, em relação à reforma administrativa nos anos de 1970, houve um grande
número de planos de cargos e salários, especificamente de autarquias em regime
especial e fundações.
O governo do General Ernesto Geisel foi marcado por um processo denominado
de distensão lenta, gradual e segura, com vistas à reimplantação do sistema
democrático no país.
No período compreendido entre 1979 e 1982, a Administração Pública federal, no
governo do General João Baptista de Oliveira Figueiredo, abriu novas frentes de
atuação, sendo: a desburocratização, regulada pelo Decreto nº 83740, de julho de
1979, com o objetivo de simplificar e racionalizar a burocracia e a desestatização. O
Programa Nacional de Desburocratização expediu mais de 100 normas regulatórias e
visava a aumentar a eficiência e a economia de recursos por meio da melhoria dos
processos administrativos, além de atender às demandas dos cidadãos, e teve um
importante papel com o objetivo de conter a expansão das administrações indiretas. Ao
finalizar o regime militar, o Brasil vivenciava uma forte recessão com a alta da inflação
e do desemprego.

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Sugestão de leitura

Fazer a leitura do capítulo 3 do livro base.

LOURENÇO, N. V. Administração Pública: modelos, conceitos, reformas e avanços


para uma nova gestão. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2015.

Tema 04: A Nova República, a reforma Collor e o emendão.

Eleito Tancredo Neves, porém o mesmo faleceu antes de sua posse, e assume
a Presidência da República José Sarney, e devemos considerar que este governo tinha
três tarefas importantes para o momento de transição do regime de governo militar para
o regime democrático, sendo:
A discussão sobre reforma administrativa a partir de 1985 passa a ter novo
enfoque. Isto ocorre porque o País vivencia o processo de transição democrática, tento
como tarefas:
1) a reconstrução da democracia;
2) o enfrentamento da crise inflacionária;
3) a necessidade de uma reforma administrativa.
Em relação à reconstrução do processo democrático, em 1º de fevereiro de 1987,
foi instalada a Assembleia Nacional Constituinte; para o enfrentamento inflacionário,
em 1º de março de 1986 iniciou-se uma reforma monetária, conhecida como Plano
Cruzado; e referente a reforma administrativa, podemos afirmar que seu início se deu
com a criação –, ou podemos chamar de recriação – do Ministério Extraordinário para
Assuntos de Administração, instalando-se em seguida a Comissão Geral do Plano de
Reforma Administrativa, que, após um ano de formada, apresentou três princípios
básicos para a reforma:
1) a racionalização das estruturas administrativas;
2) a formulação de uma política de recursos humanos; e
3) a contenção dos gastos públicos.
O então Ministro Extraordinário para Assuntos da Administração, Aluísio Alves,
apresentava os seguintes objetivos para o processo de reforma administrativa:

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 a modernização da Administração Pública;
 a adequação do serviço público a padrões de eficiência; e
 a eficiência dos serviços públicos aos cidadãos.
Importante salientar que em setembro de 1986 foi criada a Secretaria de
Administração Pública da Presidência da República (Sedap), que passou a ser o órgão
central para a reforma administrativa, com responsabilidades de modernizar e reformar
a administração federal.
Devemos reconhecer que algumas medidas tiveram resultados imediatos e
práticos: o Decreto-Lei nº 2.300, de novembro de 1986, extinguiu oito estatais, dentre
elas o Banco Nacional da Habitação, e estabeleceu novas bases para os processos de
licitações. Também nesse mesmo período surgiram o Cadastro Nacional de Pessoa
Civil, tornando-se um importante instrumento para a administração de pessoal, e o
Sistema Integrado de Administração de Pessoal – Siape. Essa reforma acabou se
transformando em dispositivo do Ato das Disposições Transitórias da Constituição
Federal de 1988, reconhecendo assim a necessidade de uma reforma administrativa.
No governo de José Sarney, na área econômica, apresentou o Plano Cruzado II
e o Plano Bresser, nome do Ministro da Fazenda que assumira em abril de 1987, Luiz
Carlos Bresser Gonçalves Pereira (veremos adiante que Bresser Pereira assumiu
também o Ministério da Administração e Reforma do Estado no governo de Fernando
Henrique Cardoso, em 1995). Nesse governo foi promulgada a Constituição Federal de
1988.
O governo de Fernando Collor de Mello iniciou no ano de 1990, tendo como
objetivo implantar uma reforma da modernização do Estado, privilegiando:
 o ajuste econômico;,
 a desregulamentação;
 a desestatização; e
 a abertura da economia.
Criou dois megaministérios: o Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento
e o Ministério da Infraestrutura.

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Na área de pessoal, outra medida polêmica foi a instituição do Regime Jurídico
Único, por meio da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, que permitiu a todos os
celetistas poderem optar pelo regime de servidor estatutário. Em 1991 por meio da
apresentação de uma emenda constitucional, a PEC nº 59, de 11 de outubro de 1991,
conhecida na época por “emendão”, visava mudanças constitucionais relativas à
garantia de estabilidade ao servidor público, e ao regime previdenciário. Foi retirada
de pauta pelo presidente em março de 1992.
O Programa Nacional de Desestatização – PND, previsto no Plano Collor, foi
regulamentado em 16 de agosto de 1990, e a primeira empresa a ser privatizada foi a
Usiminas. Até o final de 1993, já no governo de Itamar Franco, 25 empresas estariam
privatizadas. O Presidente Collor sofreu um processo de impeachment e, em seu lugar,
assumiu o Vice-Presidente Itamar Augusto Cautiero Franco (1992-1994).
Nesse curto período de governo, o debate se ateve à estrutura ministerial, à criação ou
reestruturação de órgãos da administração direta e de algumas autarquias. Foi criada a
Secretaria Federal de Controle, órgão do sistema de controle interno, e reestruturado o Sistema
Federal de Planejamento e Orçamento.
Importante lembrarmos que foi no governo de Itamar Franco que se iniciaram os estudos
referentes ao Plano Real. Nessa época, o Ministro da Fazenda era Fernando Henrique Cardoso
que, sob o impacto do êxito do Plano Real, elegeu-se Presidente da República em 1993.

Sugestão de leitura

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Tema 05: A reforma Bresser Pereira, os governos Lula e Dilma


Fernando Henrique Cardoso (1995) cria o Ministério da Administração e da
Reforma do Estado – Mare, no qual assume como ministro Luiz Carlos Bresser
Gonçalves Pereira. Ao ministério, caberia a formulação das políticas e diretrizes para a
reforma do Estado, a reforma administrativa, a modernização da gestão e a promoção

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da qualidade no serviço público. Todas estas formulações deveriam estar descritas no
Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado.
Bresser Pereira passou a defender medidas de flexibilização no âmbito do
serviço público, medidas em relação à estabilidade, ao regime jurídico único, à isonomia
e às formas de organização da administração.
Bresser Pereira defendia um processo de superação do modelo burocrático pela
adoção da chamada administração gerencial, a qual previa, por meio de organizações
sociais, que determinadas atividades fossem transferidas ao setor privado,
permanecendo ao Estado a responsabilidade pelo financiamento de algumas áreas:
saúde, educação, cultura e ciência e tecnologia. Tais mudanças foram discutidas em
linhas gerais e apresentadas ao Congresso Nacional por meio de duas propostas de
emendas constitucionais: PEC nº 173, de 18 de agosto de 1995, e a PEC nº 174, de 18
de agosto de 1995, no qual apresentavam duas premissas básicas:
1. a crise do Estado e a falência do modelo burocrático de Administração Pública;
2. que a Administração Pública brasileira já havia passado pelas fases
patrimonialista e burocrática e estava apta a entrar na fase gerencial.
Essas premissas fundamentaram a elaboração do Plano Diretor da Reforma do
Aparelho do Estado. O Plano Diretor dá o fundamento teórico da reforma e divide a
Administração Pública em quatro núcleos
1. O núcleo Estratégico: responsável pelo exercício das funções
indelegáveis do Estado, correspondendo ao Poder Legislativo, ao Poder
Judiciário, ao Ministério Público e, no Executivo, responsável pelo
planejamento e formulação das políticas públicas e regulações, defesa
nacional, segurança pública, relações exteriores, arrecadação de impostos,
administração financeira e administração de pessoal do Estado.
2. O núcleo de Atividades Exclusivas: responsável pela prestação dos
serviços públicos típicos e indelegáveis, genericamente classificados como
de fiscalizar, regulamentar, fomentar, descentralização de atividades.
3. O Núcleo de Serviços Não-Exclusivos: o Estado atua
concomitantemente com o setor privado: prestação de serviços na área de

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ensino, saúde, pesquisa científica, nos quais a intervenção do Estado
decorre do interesse social no serviço.
4. O Núcleo de Produção para o Mercado: corresponde à área de atuação
das empresas, como infraestrutura, onde o Estado atua substitutivamente ao
capital privado.
O Plano Diretor da Reforma Administrativa no Brasil define o aparelho de Estado
da administração pública em sentido amplo, na estrutura organizacional do Estado, em
seus três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e três níveis (União, Estados-
membros e Municípios). O aparelho do Estado é constituído pelo governo, isto é, pela
cúpula dirigente nos Três Poderes, por um corpo de funcionários, e pela força militar.
O Estado, por sua vez, é mais abrangente que o aparelho, porque compreende
adicionalmente o sistema constitucional-legal, que regula a população nos limites de
um território. O Estado é a organização burocrática que tem o monopólio da violência
legal, é o aparelho que tem o poder de legislar e tributar a população de um determinado
território.
Na primeira década do século XXI, em 2003, assumiu a Presidência da República Luiz
Inácio Lula da Silva, que se reelegeu para um segundo mandato, ficando no governo até 2010.
Em 2011, iniciou-se o primeiro governo de Dilma, cuja reeleição permitiu a ela iniciar seu
segundo mandato em 2015.
O governo Lula foi marcado pelos processos de conferências municipais,
estaduais e nacionais das políticas públicas. De 2003 a 2005 a prioridade foi recuperar
a estabilidade monetária e fiscal, o que começou com a adoção de uma série de
medidas restritivas. Do lado monetário, O Banco Central (BC) elevou a taxa SELIC para
combater o aumento da inflação; do lado fiscal, o BC elevou a meta de resultado
primário para conter o crescimento da dívida pública. De 2006 a 2008, o salário mínimo
teve aumento no seu valor real, e em 2007 surgiu o Programa de Aceleração do
Crescimento – PAC, que consistia em uma série de investimentos em infraestrutura
econômica e social com objetivo de eliminar os gargalos logísticos do país, em energia
e na exploração da produção de petróleo na plataforma continental brasileira,
denominada de camada do pré-sal.

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Ainda no governo Lula foi aprovado o Estatuto das Cidades, Lei nº 10.257, de 10
de julho de 2001, o qual regulamentou os artigos 182 e 183 da Constituição Federal,
estabelecendo diretrizes gerais da política urbana e apresentando a importância de
políticas públicas voltadas às cidades e principalmente aos cidadãos.
Em 2011, tomou posse na Presidência da República Dilma Rousseff. Seu
governo dá continuidade às ações do governo Lula. No campo das “minirreformas”
institucionais, o governo Dilma completou três medidas importantes iniciadas pelo seu
antecessor: a reforma do sistema brasileiro da defesa da concorrência, a autorização
para a criação do cadastro positivo de pessoas físicas do sistema financeiro e a
regulamentação da margem de preferência para produtos nacionais nas compras do
Governo Federal.
Os governos Lula e Dilma priorizaram políticas contínuas, tais como:
 os processos de integração regional;
 o papel do Estado como indutor do crescimento econômico e da distribuição de renda;
 as políticas sociais.
Estamos no segundo mandato do governo Dilma, iniciado em primeiro de janeiro de
2015, e nos próximos quatro anos, deveremos acompanhar muitas ações da presidente.

Sugestão de leitura

Fazer a leitura do capítulo 4 do livro base.

LOURENÇO, N. V. Administração Pública: modelos, conceitos, reformas e avanços


para uma nova gestão. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2015.

Trocando ideias
Leia o artigo: Democracia, Estado Social e Reforma Gerencial de Luiz Carlos
Bresser-Pereira. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-75902010000100009&script=sci_arttext
>. Acesso em 10 fev. 2016.
O artigo trata de três instituições que estão relacionadas e apresenta um histórico
temporal destas relações, principalmente no período da transição do modelo

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burocrático de Administração Pública para o modelo gerencial. Apresenta, ainda,
duas experiências consideradas positivas em relação ao processo de transição para o
modelo gerencial, sendo uma no governo de Fernando Henrique Cardoso, sobre o SUS
– Sistema único de Saúde, e outra no governo de Luis Inácio Lula da Silva, o Bolsa
Família.
Após a leitura do artigo faça suas análises e compartilhe com seus colegas
através do fórum de discussões sobre temas polêmicos.

Síntese
Foi apresentado nesta aula um histórico das reformas administrativas no Brasil
a partir de 1930 e concluindo-o em 2015 com a perspectiva que você continue suas
pesquisas acompanhando os futuros governos.
Iniciamos com a Revolução de 1930 até 1945, no primeiro governo de Vargas,
após abordamos o Estado propulsor do desenvolvimento, pós-1945, até chegarmos ao
período do regime militar.
Após um período de 21 anos de regime militar, o Brasil passa a clamar por
democracia e, em 1985, surgiu a Nova República, com o governo de José Sarney. Após
esse período, é eleito para a Presidência Fernando Collor, o qual implementou a
reforma Collor e, devido à crise política, fiscal e de governabilidade, retirou da pauta do
Congresso Nacional a PEC n° 59/1991 conhecia como “emendão”. Collor sofre o
processo de impeachment e assume seu vice, Itamar Franco, que não apresentou
nenhuma proposta significativa à reforma administrativa.
Fernando Henrique Cardoso assumiu a Presidência da República em 1995,
nomeando para o recém-criado Ministério da Administração e Reforma do Estado –
MARE, Bresser Pereira, com uma visão de reforma administrativa gerencial. O Mare
tinha como atribuições a responsabilidade de formular políticas para a reforma do
Estado, e a reforma administrativa e modernização da gestão. Por fim, traçamos
considerações sobre os governos de Lula e Dilma Rousseff.
Referências
BRASIL. Decreto-Lei n. 200, de 25 de fevereiro de 1967. Diário Oficial da União, Poder
Executivo, Brasília, DF, 27 mar. 1967. Disponível em:

Pró-reitoria de EaD e CCDD

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<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0200.htm>. Acesso em: 04 fev.
2016.

BRASIL. Ministério da Administração e Reforma do Estado. Plano Diretor da Reforma


Administrativa do Aparelho do Estado, de 21 de setembro de 1995. Brasília: MARE, 1995d.
Disponível em:
<http://www.bresserpereira.org.br/documents/mare/planodiretor/planodiretor.pdf>. Acesso em:
04 fev. 2016.

BRESSER, P. Democracia, Estado Social e Reforma Gerencial. São Paulo. RAE, v. 50.
nº 1, p. 112-116, jan/mar. 2010. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-75902010000100009&script=sci_arttext>.
Acesso em 10 fev. 2016.

FAUCHER, Philippe. Restaurando a Governabilidade: O Brasil (afinal) se Acertou?


vol. 41 no. 1, Rio de Janeiro, 1998. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52581998000100001&script=sci_arttext>.
Acesso em 04 fev. 2016.

LOURENÇO, N. V. Administração Pública: modelos, conceitos, reformas e avanços


para uma nova gestão. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2015.

SOUSA, Rainer Gonçalves. "O regime liberal populista"; Brasil Escola. Disponível em
<http://brasilescola.uol.com.br/historiab/o-regime-liberal-populista.htm>. Acesso em 04
fev. 2016.

SOUSA, Rainer Gonçalves. "Revolução de 30"; Brasil Escola. Disponível em


<http://brasilescola.uol.com.br/historiab/revolucao-30.htm>. Acesso em 04 fev. 2016.

Vídeo: ERA VARGAS (Revolução Constitucionalista de 1932) #2


Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=VsmajbkthRo>. Acesso em 04 fev.
2016.

Vídeo: FHC explica o plano.


7 de dezembro de 1993. Fernando Henrique Cardoso explica as medidas para controlar
a inflação que serão tomadas em 1994. TV Globo/G1
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=elyZhvXWuGU>, Acesso em 04
fev. 2106.

Vídeo: Gastos Públicos e Reforma Administrativa - Bloco 1 - Publicado em 10 de


dezembro de 2015 - TV Senado.
José Matias-Pereira, economista e professor de Administração Pública da UnB, analisa
a atual conjuntura da gestão pública no Brasil. Ele opina sobre as reformas

Pró-reitoria de EaD e CCDD

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administrativas já efetivadas pelo poder público no País, os programas de redução de
gastos e da cultura burocrática dos governos. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=DETwWb0g2Yo>. Acesso em: 04 fev. 2016.
Vídeo: Jornal Nacional - anúncio do Plano Collor
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=KI9wSrrm0QI> Acesso em: 04 fev.
2016.

Vídeo: Os anos da Ditadura Militar no Brasil (Record News)


Publicado em 10 de jul de 2013.
Imagens originalmente exibidas em 10 de outubro de 2009, no programa "Arquivo
Record", pela Record News (BRA).
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=bukJvTdhibE>. Acesso em 04 fev.
2016.

Vídeo: pronunciamento da Presidenta Dilma Roussef publicado em 2 de outubro de


2015.
A presidenta Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira (02) uma ampla reforma
administrativa do governo federal, com o objetivo de melhorar a gestão pública, elevar
a competitividade do País e continuar assegurando a igualdade de oportunidade aos
cidadãos.
Íntegra - Dilma anuncia Reforma Administrativa do governo. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=yJ5566I2DKA>. Acesso em: 04 fev. 2016.

Vídeo: Gastos Públicos e Reforma Administrativa - Bloco 2 - Publicado em 10 de


dezembro de 2015 - TV Senado.
José Matias-Pereira, economista e professor de Administração Pública da UnB,
analisa a atual conjuntura da gestão pública no Brasil. Ele opina sobre as reformas
administrativas já efetivadas pelo poder público no País, os programas de redução de
gastos e da cultura burocrática dos governos. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=Exh4e-CUnoE>. Acesso em 04 fev. 2016.

Pró-reitoria de EaD e CCDD

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Na Prática
As posições que são elaboradas por economistas, administradores,
juristas e professores em relação às reformas administrativas no Brasil são
muitas, e estas opiniões muitas das vezes guardam relativa autonomia, e
também contradições. Sendo assim, quase sempre, os estudos referentes às
reformas são analisados visualizando um tripé, sendo: primeiro a ascensão do
Estado moderno, segundo trata-se dos modelos genéricos das reformas e
terceiro se discute amplamente projetos de reformas para o Brasil.
O professor José Matias-Pereira tem vários estudos em relação a
Administração Pública no Brasil, sendo assim, vamos analisar uma entrevista
sua concedida a TV Senado.

Siga os seguintes passos:

1 - Assista ao vídeo:

Gastos Públicos e Reforma Administrativa - Bloco 2 - Publicado em 10 de


dezembro de 2015 - TV Senado.
José Matias-Pereira, economista e professor de Administração Pública da
UnB, analisa a atual conjuntura da gestão pública no Brasil. Ele opina sobre
as reformas administrativas já efetivadas pelo poder público no País, os
programas de redução de gastos e da cultura
burocrática dos governos. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=Exh4e-CUnoE>. Acesso em 04 fev.
2016.

2 – Identifique quais são os pontos apresentados pelo entrevistado referente


ao tema reforma administrativa.

Comentário:
Em relação aos pontos apresentados pelo Professor José Matias, podemos
identificar as seguintes considerações:
1 - Refundação da Administração Pública.
2 – Apresentar as carreiras típicas de Estado, que nasceram na reforma do
Estado no governo FHC.
3 – Questionamentos sobre: os políticos têm uma visão do que vem a ser uma
reforma administrativa?
4 – A Administração Pública tem dificuldade de trabalhar com mudanças?

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5 – Há necessidade de possuir uma base política sólida. – esta é uma
afirmação do entrevistado.
6 – Não adianta somente trocar os gestores. – esta é uma afirmação do
entrevistado.
7 – Há necessidade de existir a coalizão presidencial. – está é uma afirmação
do entrevistado.
8 – O Estado tem que ser um ente regulador, um ente que garanta os
contratos. – esta é uma afirmação do entrevistado.

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