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Estado da Paraíba

MUNICÍPIO DE UIRAÚNA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE Comissão do Processo Seletivo Público para os Cargos de ACS e ACE

do Processo Seletivo Público para os Cargos de ACS e ACE CURSO INTRODUTÓRIO DE FORMAÇÃO INICIAL

CURSO INTRODUTÓRIO DE FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA ACE

Uiraúna PB

2018

1
1

CURSO INTRODUTÓRIO DE FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA ACE

2
2

SUMÁRIO

Apresentação

 

6

Objetivos

6

Objetivo Geral

6

Objetivos Específicos

6

Metodologia

6

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO CURSO INTRODUTÓRIO DE FORMAÇÃO INICIAL

7

E CONTINUADA PARA O CARGO DE ACE UNIDADE 1

8

1. A SAÚDE E A DOENÇA Conceitos fundamentais

9

1.1

O PROCESSO SAÚDE DOENÇA

9

1.1.1. Doença

9

1.1.2. Saúde

9

1.1.3. Processo Saúde-Doença

9

1.1.4. Contexto histórico

10

2. POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE NO BRASIL

11

3. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE SUS

13

4. PRINCIPIOS E DIRETRIZES DO SUS

14

5. VISITANDO A HISTÓRIA DO SUS

15

6. DIFICULDADES EXISTENTES NO SUS

16

7. NOÇÕES DE LEGISLAÇÕES

17

7.1. O processo de implementação dos princípios e diretrizes organizacionais do SUS

17

7.2. O resgate do SUS constitucional

18

8. EDUCAÇÃO EM SAÚDE

20

9. PROMOÇÃO DA SAÚDE

24

9.1. Diretrizes

26

9.2. Estratégias de implementação

26

9.3. Divulgação e implementação da Política Nacional de Promoção da Saúde

28

10. VIGILÂNCIA EM SAÚDE (NOÇÕES DE AGRAVOS)

30

10.1. Componentes da vigilância em saúde

30

10.2. Noções de agravos

30

10.3. Vigilância Epidemiológica

32

10.3.1.

Diagnóstico de caso

33

10.4. Vigilância Sanitária

35

10.5. Vigilância Ambiental

35

UNIDADE 2

36

11. REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE

37

11.1 Atributos da rede de atenção à saúde

37

11.2 Redes temáticas de Atenção à Saúde

38

11.2.1

Rede de Atenção à Saúde Materno-Infantil

38

11.2.2.

Rede de Atenção à Urgência e Emergência (RUE)

39

11.2.3

Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)

39

11.2.4

Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas

40

11.2.5

Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência

40

12. POLÍTICA NACIONAL DA ATENÇÃO BÁSICA

42

12.1.

Conhecendo a PNAB

43

3
3

12.2.

Atribuições dos Profissionais das Equipes de Atenção Básica

48

 

12.2.1. Atribuições Comuns a todos os membros das Equipes que atuam na

48

Atenção Básica

12.2.2. Atribuições específicas dos profissionais das equipes que atuam na Atenção Básica

50

 

12.3.

Financiamento da Atenção Básica

58

13.

PERFIL E ATRIBUIÇÕES DO ACE

59

13.1. Diretrizes para o programa de qualificação do agente de combate às endemias

59

13.2. O trabalho do Agente de Combate as Endemias

60

13.3. Conceitos fundamentais à prática de trabalho

60

13.4. O controle das endemias no Brasil e sua história

61

13.5. Rotina de trabalho e atribuições do ACE

61

13.6. As atribuições do ACE na PNAB

62

UNIDADE 3

 

63

14. RELAÇÕES HUMANAS/INTERPESSOAIS

64

 

14.1.

Princípios de relações humanas

65

14.2.

O que são “relações humanas”?

65

14.3

“Empatia” e estilo de comunicação

66

15. ÉTICA PROFISSIONAL

67

 

15.1. Princípios da ética

68

15.2. Ética na história

68

15.3. Ética e Moral

69

15.4. Ética profissional

70

15.5. Código de ética profissional

71

15.6. Relações humanas e ética profissional

71

16. HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO EM SAÚDE

73

 

16.1. Política Nacional de Humanização - HumanizaSUS

73

16.2. Diretrizes do HumanizaSUS

74

16.3. Princípios do HumanizaSUS

76

17. CIDADANIA

 

77

 

17.1.

Exercício da cidadania

78

UNIDADE 4

81

18. TERRITORIALIZAÇÃO

82

 

18.1

Territorialização: base para a organização e planejamento em saúde

84

18.2.

Objetivos da territorialização em saúde

84

19. VISITA DOMICILIAR

86

 

19.1

Objetivos

87

19.2.

Planejamento

87

19.3.

Formalização da visita domiciliar

88

19.4

Visitas domiciliares do ACE e suas especificidades

89

19.5

Avaliação da vista domiciliar

89

20. TÉCNICAS DE ABORDAGEM

91

 

20.1.

Aspectos práticos da visita domiciliar

93

UNIDADE 5

94

21.

NOÇÕES DE LEVANTAMENTO DE ÍNDICE E PONTOS ESTRATÉGICOS

95

21.1. Noções de levantamento de índice (LI)

95

21.2. Pontos estratégicos (PE)

95

21.3. Criadouros e depósitos

96

 

21.3.1. Classificação dos criadouros

96

21.3.2. Tipos de depósitos trabalhados

97

4
4

22. TRATAMENTO FOCAL E PERIFOCAL

98

22.1. Tipos de controle dos vetores da dengue

98

22.2. Tipos de tratamento

98

 

22.2.1.

Tratamento Focal

98

22.2.2

Tratamento Perifocal

99

23. NOÇÕES DE INSETICIDAS

100

23.1.

Uso de larvicidas

100

23.2.

Inseticida Malathion Emulsão Aquosa - EA 44%

101

23.3

Inseticida Alfa cipermetrina 20% (p/p)

102

24. NOÇÕES DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

103

5
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Apresentação

Este curso foi pensado especialmente para entender a importância e as ações que são desenvolvidas pelo Agente de Combate às Endemias (ACE) e sua inserção no processo de melhoria da qualidade dos serviços de saúde prestados à população.

O papel social do ACE é de grande relevância no contexto de mudanças das práticas de

saúde junto à população brasileira. É também um dos muitos desafios colocados para o Sistema Único de Saúde (SUS), relacionados à qualidade de vida do cidadão. Neste sentido, o módulo explora temas relacionados a políticas públicas de saúde, controle social, territorialização, bem como ações de promoção de saúde e prevenção de doenças, visando a melhoria da qualidade de vida da população.

Objetivos

Objetivo Geral:

Qualificar o Agente de Combate às Endemias com conhecimentos iniciais para sua prática cotidiana com assuntos que contemplam e exploram a integração entre as equipes de saúde e a população adscrita à unidade básica de saúde, políticas públicas de saúde, controle social, bem como ações de promoção de saúde e prevenção de doenças.

Objetivos Específicos:

Conhecer o Sistema Único de Saúde (SUS)

Reconhecer o papel do ACE

Compreender a importância do Planejamento e do Controle Social no SUS

Conhecer as atribuições do ACE

Reconhecer a importância do trabalho do ACE

Compreender a ética e sua importância no ambiente de trabalho

Reconhecer a comunicação como ferramenta para o trabalho do ACE

Compreender a Técnica da entrevista

Reconhecer a importância do trabalho em equipe

Compreender a importância da visita domiciliar

Reconhecer a importância do cadastramento das famílias e compreender o fluxo das

informações

Reconhecer a representação do espaço geográfico da comunidade através de mapas

Metodologia

Serão utilizadas aulas teóricas e teórico-práticas com conteúdo que colaboram para atuação do ACE ao longo de sua carreira profissional. Recursos Utilizados

Aulas expositivas;

Textos de apoio;

Vídeos;

Formulários e impressos da prática profissional;

Leis e Portarias. Estratégia de Avaliação

A avaliação tem caráter processual. O aluno será avaliado de forma contínua no decorrer de

todo o módulo. Por intermédio de itens de auto avaliações ao final de cada unidade.

6
6

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO CURSO INTRODUTÓRIO DE FORMAÇÃO INICIAL E

CONTINUADA PARA O CARGO DE ACE

Unidades

Conteúdo/Bases Tecnológicas

Carga

horária

Unidade 1

O processo Saúde/Doença Educação em Saúde Promoção da Saúde Vigilância em Saúde (noções de agravos)

04

 

Políticas Públicas de Saúde Sistema de Saúde no Brasil Noções de Legislações

04

Unidade 2

Redes de Atenção à Saúde Política Nacional da Atenção Básica Perfil e atribuições do ACE

04

Unidade 3

Relações Humanas/Interpessoais Ética Profissional Humanização do cuidado em saúde Cidadania

08

 

Territorialização

04

Unidade 4

Visita Domiciliar Técnicas de abordagem

04

Unidade 5

Noções de levantamento de índice e pontos estratégicos Tratamento focal e perifocal Noções de EPI e Inseticidas

04

Prática Supervisionada

04

 

Total

40

7
7

UNIDADE 1

8
8

1. A SAÚDE E A DOENÇA Conceitos fundamentais

1.1. O PROCESSO SAÚDE DOENÇA

1.1.1. Doença

A doença não pode ser compreendida apenas por meio das medições fisiopatológicas,

pois quem estabelece o estado da doença é o sofrimento, a dor, o prazer, enfim os valores e sentimentos expressos pelo corpo subjetivo que adoece (CANGUILHEM; CAPONI apud BRÊTAS e GAMBA, 2006).

“Para Evans & Stoddart (1990) a doença não é mais que um constructo que guarda relação com o sofrimento, com o mal, mas não lhe corresponde integralmente. Quadros clínicos semelhantes, ou seja, com os mesmos parâmetros biológicos, prognóstico e implicações para o tratamento, podem afetar pessoas diferentes de forma distinta, resultando em diferentes manifestações de sintomas e desconforto, com comprometimento diferenciado de suas habilidades de atuar em sociedade. O conhecimento clínico pretende balizar a aplicação apropriada do conhecimento e da tecnologia, o que implica que seja formulado nesses termos. No entanto, do ponto de vista do bem-estar individual e do desempenho social, a percepção individual sobre a saúde é que conta (EVANS; STODDART, 1990).” (OLIVEIRA; EGRY, 2000).

1.1.2. Saúde

A Organização Mundial de Saúde propõe um conceito amplo de saúde como “estado de

completo bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente à ausência de doença ou enfermidade é um direito fundamental, e que a consecução do mais alto nível de saúde é a mais importante meta social mundial, cuja realização requer a ação de muitos outros setores sociais e econômicos, além do setor saúde” (OMS, 1976).

A saúde é silenciosa, geralmente não a percebemos em sua plenitude; na maior parte das

vezes apenas a identificamos quando adoecemos. É uma experiência de vida, vivenciada no âmago do corpo individual. Ouvir o próprio corpo é uma boa estratégia para assegurar a saúde com qualidade, pois não existe um limite preciso entre a saúde e a doença, mas uma relação de reciprocidade entre ambas; entre a normalidade e a patologia, na qual os mesmos fatores que permitem ao homem viver (alimento, água, ar, clima, habitação, trabalho, tecnologia, relações familiares e sociais) podem causar doenças. Essa relação é demarcada pela forma de vida dos

seres humanos, pelos determinantes biológicos, psicológicos e sociais. Tal constatação nos remete

à reflexão de que o processo saúde-doença-adoecimento ocorre de maneira desigual entre os

indivíduos, as classes e os povos, recebendo influência direta do local que os seres ocupam na sociedade (BERLINGUER apud BRÊTAS e GAMBA, 2006).

Nessa dimensão, a saúde torna-se a capacidade que o ser humano tem de gastar, consumir

a própria vida. Entretanto, é importante destacar que a vida não admite a reversibilidade, ela

aceita apenas reparações. Cada vez que o indivíduo fica doente, está reduzindo o poder que tem

de enfrentar outros agravos; ele gasta seu seguro biológico, sem o qual não estaria vivo (BRÊTAS

e GAMBA, 2006).

1.1.3. Processo saúde-doença

Muito se tem escrito sobre o Processo Saúde-Doença, no entanto um novo instrumento intelectual para a apreensão da saúde e da doença deve levar em conta a distinção entre a doença, tal como definida pelo sistema da assistência à saúde e a saúde, tal como percebida pelos

9
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indivíduos. Também, deve incluir a dimensão do bem-estar, um conceito maior, no qual a contribuição da saúde não é a única e nem a mais importante. O sofrimento experimentado pelas pessoas, suas famílias e grupos sociais não corresponde necessariamente à concepção de doença que orienta os provedores da assistência, como os profissionais da Estratégia Saúde da Família. Por outro lado, como alternativa para a superação dos modelos causais clássicos, centrados em ações individuais, como os métodos diagnósticos e terapêuticos, a vacinação, a educação em saúde, ainda que dirigidos aos denominados grupos de risco, haveria que privilegiar a dimensão coletiva do fenômeno saúde-doença, por meio de modelos interativos que incorporassem ações individuais e coletivas. Uma nova maneira de pensar a saúde e a doença deve incluir explicações para os achados universais de que a mortalidade e a morbidade obedecem a um gradiente, que atravessa as classes socioeconômicas, de modo que menores rendas ou status social estão associados a uma pior condição em termos de saúde. Tal evidência constitui-se em um indicativo de que os determinantes da saúde estão localizados fora do sistema de assistência à saúde (EVANS; STODDART, 2003; SCHRAIBER; MENDES-GONÇALVES, 1996 apud OLIVEIRA; EGRY, 2000).

Para Gadamer (apud BRÊTAS e GAMBA, 2006), saúde e doença não são duas faces de uma mesma moeda. De fato, se considerarmos um sistema de saúde, como, por exemplo, o SUS, é possível verificar que as ações voltadas para o diagnóstico e tratamento das doenças são apenas duas das suas atividades. Inclusão social, promoção de equidade ou de visibilidade e cidadania são consideradas ações de saúde. O entendimento da saúde como um dispositivo social relativamente autônomo em relação à ideia de doença, e as repercussões que este novo entendimento traz para a vida social e para as práticas cotidianas em geral e dos serviços de saúde em particular, abre novas possibilidades na concepção do processo saúde e doença.

1.1.4. Contexto histórico

Na antiguidade, quando das religiões politeístas, acreditava-se que a saúde era dádiva e a doença castigo dos deuses.

As religiões monoteístas a dádiva da saúde e o castigo da doença passou a ser da responsabilidade de um único deus.

Em 400 anos AC, Hipócrates desenvolve o tratado “Os Ares e os Lugares” onde relaciona os locais da moradia, a água para beber, os ventos, com a saúde e a doença.

Até o século XIX vigora a teoria miasmática que consiste na crença de que a doença é transmitida pela inspiração de “gases” de animais e dejetos em decomposição.

Ao final do século XVIII, predominavam na Europa como forma de explicação para o adoecimento humano os paradigmas socioambientais: surgem as primeiras evidências da determinação social do processo saúde-doença.

Com a descoberta dos micróbios, a Bacteriologia ganha forças e os microrganismos passam a ser identificados como causadores das doenças.

Com o avanço da tecnologia e o estudo dos condicionantes e determinantes para o processo de saúde doença atualmente vê-se o entendimento multifatorial para a saúde e consequentemente a doença.

Com o passar dos anos, as mudanças nas sociedades levaram à necessidade de uma ampliação do entendimento sobre saúde: é quando após a II Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU) cria a Organização Mundial de Saúde (OMS), composta por técnicos de vários países, com o objetivo de estudar e sugerir alternativas para melhorar a saúde mundial.

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2. POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE NO BRASIL

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3. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS

3. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS Anotações O artigo 200 da Constituição Federal aponta
3. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS Anotações O artigo 200 da Constituição Federal aponta
3. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS Anotações O artigo 200 da Constituição Federal aponta
3. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS Anotações O artigo 200 da Constituição Federal aponta
3. O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS Anotações O artigo 200 da Constituição Federal aponta
Anotações
Anotações

O artigo 200 da Constituição Federal aponta ao SUS como suas competências, além de outras atribuições, nos termos da lei:

I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos;

II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador;

III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde;

IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico;

V - incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação;

VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para

consumo humano; VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;

VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.

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4. PRINCIPIOS E DIRETRIZES DO SUS

4. PRINCIPIOS E DIRETRIZES DO SUS 14
4. PRINCIPIOS E DIRETRIZES DO SUS 14
4. PRINCIPIOS E DIRETRIZES DO SUS 14
4. PRINCIPIOS E DIRETRIZES DO SUS 14
4. PRINCIPIOS E DIRETRIZES DO SUS 14
4. PRINCIPIOS E DIRETRIZES DO SUS 14
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5. VISITANDO A HISTÓRIA DO SUS

5. VISITANDO A HISTÓRIA DO SUS A 8ª Conferência Nacional da Saúde , realizada em março
5. VISITANDO A HISTÓRIA DO SUS A 8ª Conferência Nacional da Saúde , realizada em março
5. VISITANDO A HISTÓRIA DO SUS A 8ª Conferência Nacional da Saúde , realizada em março
5. VISITANDO A HISTÓRIA DO SUS A 8ª Conferência Nacional da Saúde , realizada em março
5. VISITANDO A HISTÓRIA DO SUS A 8ª Conferência Nacional da Saúde , realizada em março

A 8ª Conferência Nacional da Saúde, realizada em março de 1986, é considerada um marco na história das conferências. Foi a primeira Conferência Nacional da Saúde aberta à sociedade e resultou na implantação do Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS), um convênio entre o INAMPS e os governos estaduais, mas o mais importante foi ter formado as bases para a seção Da Saúdeda Constituição Brasileira de 5 de outubro de 1988. Além disso desempenhou um importante papel na propagação do movimento da Reforma Sanitária. Convocada pelo ministro Carlos Santanna e realizada sob a gestão de Roberto Figueira Santos, a 8ª Conferência teve sua Comissão Organizadora presidida por Sergio Arouca, uma das principais lideranças do Movimento da Reforma Sanitária. Os eixos temáticos da conferência eram compostos por três itens: 1) saúde como direito; 2) reformulação do Sistema Nacional de Saúde; e 3) financiamento do setor. Um amplo processo de mobilização social, que articulou representação de diferentes segmentos e estimulou a realização de pré-conferências nos estados, permitiu a reunião de cerca de quatro mil pessoas em Brasília, dos quais mil eram delegados com direito a voz e voto, para discutir os rumos do sistema de saúde.

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6. DIFICULDADES EXISTENTES NO SUS

6. DIFICULDADES EXISTENTES NO SUS 16
6. DIFICULDADES EXISTENTES NO SUS 16
6. DIFICULDADES EXISTENTES NO SUS 16
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7. NOÇÕES DE LEGISLAÇÕES

O direito à saúde elevado ao patamar de direito essencial em função de sua ligação

intrínseca com o direito à vida e à dignidade da pessoa humana no âmbito da positivação dos direitos sociais atribuída pela Constituição de 1988, traduz-se no reconhecimento da saúde como

direito público subjetivo de eficácia plena e imediata. A tutela estatal e o agir positivo, ao ensejarem

a criação e efetivação de políticas públicas, fazem com que esses direitos adquiram caráter coletivo.

O SUS, responsável pela garantia do exercício do direito à saúde, tem como suportes

doutrinários o direito universal e dever do Estado (artigo 196 da Constituição Brasileira de 1988);

a integralidade das ações de saúde; a descentralização, com direção única em cada esfera de poder

e a participação da sociedade (artigo 198). Em termos operacionais, trata-se de um sistema unificado, regionalizado, com atribuições definidas por esfera de governo, financiamento compartilhado e áreas de competências e abrangência firmadas. A saúde passa a ter o estatuto de bem de relevância pública tal como previsto no artigo 197, que define a competência do poder público na regulamentação, fiscalização e controle das ações e serviços de saúde. O artigo 199 franqueia à iniciativa privada a participação nas atividades de saúde. As áreas de atuação e competência dos órgãos do sistema de saúde são definidas no artigo 200. Segundo este dispositivo,

o controle, fiscalização, execução e ordenamento das políticas, ações e programas referentes a itens diversos, tais como alimentos, medicamentos, equipamentos, hemoderivados, saneamento básico, formação de recursos humanos para a saúde, ambientes de trabalho, desenvolvimento científico e tecnológico e meio ambiente são atribuições do SUS.

O conteúdo constitucional do SUS é discriminado e detalhado em duas leis orgânicas, a Lei 8.080/90 e a Lei 8.142/ 90. A Lei 8.080/90 contém dispositivos relacionados com o direito universal, relevância pública, unicidade, descentralização, financiamento, entre outros, enfatizando a definição das atribuições de cada esfera de governo dentro do novo sistema. A Lei 8.142/ 90 dispõe sobre o caráter, as regras de composição, regularidade de funcionamento das instâncias colegiadas do SUS o conselho e a conferência de saúde e transferências intergovernamentais de recursos. Ao longo do tempo, a legislação ordinária foi complementada por decretos de autoria do poder executivo ou do legislativo e normas emanadas do Ministério da Saúde, entre as quais as normas operacionais básicas (NOBs) que determinaram as regras para o repasse dos recursos federais às esferas subnacionais. 7.1. O processo de implementação dos princípios e diretrizes organizacionais do SUS

Os questionamentos à Constituição de 1988, especialmente quanto à generosa e abrangente

perspectiva de organização de um sistema integrado de seguridade social e ao apoio às propostas

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de organização de seguros baseados na relação contribuição-benefício sob regime de capitalização emanadas do receituário de ajuste fiscal, alteraram o curso de implementação do SUS. No início dos anos 90, a conjuntura adversa aos projetos de corte universalista contribuiu para a fragmentação das bases de apoio político, não observância das normas sobre as receitas e destinos do orçamento da ‘seguridade social’ e distintas velocidades da regulamentação de cada um de seus componentes: saúde, previdência e assistência social. A fragmentação da seguridade social e, em especial, o não cumprimento dos preceitos constitucionais relacionados com o financiamento da saúde limitaram a plena implementação do SUS. Em 1993, o então Ministério da Previdência e Assistência Social retirou as transferências destinadas à saúde a partir da contribuição sobre a folha de salários. Desde então, a resistência contra o subfinanciamento da saúde tem sido a tônica de entidades da sociedade civil, parlamentares e integrantes do poder judiciário e do ministério público, e a participação das esferas subnacionais, principalmente os municípios, tem sido crescente. A mobilização permanente em torno da garantia de recursos para a saúde gerou compromissos governamentais com a estabilidade dos repasses tal como expressos na Emenda Constitucional 29. No que concerne ao desenho e à execução dos pactos intergovernamentais para consolidar

o processo de descentralização e reorganizar as redes do sistema de saúde, os avanços são notáveis. Nos marcos da democracia e do federalismo, o SUS construiu uma estrutura institucional complexa para coordenar as ações dos três níveis de governo: as ações de saúde pública e os serviços de saúde estatais, filantrópicos e privados. As Comissões Gestoras Bipartite e a Comissão Tripartite, integradas por representantes das três esferas de governo, são instâncias de decisão compartilhada sobre políticas de saúde. Os governos locais tornaram-se essenciais na organização da atenção à saúde, e os representantes dos usuários, profissionais de saúde e gestores civis dispõem de instrumentos para formular políticas de saúde, controlar e fiscalizar a ação das instituições de saúde. Contabilizam-se ainda, entre os expressivos avanços da estruturação de um sistema único e descentralizado, os êxitos do impacto sobre o controle/redução de agravos relacionados com a oferta de atenção universal a grupos populacionais definidos. Contudo, o SUS, no que concerne especialmente à oferta de assistência médico-hospitalar, não é universal. A preservação da segmentação das demandas condiciona e de certo modo legitima

o subfinanciamento público para a atenção universal à saúde e desafia permanentemente a lógica

da organização do SUS. A vigência da clivagem assistencial afeta a eqüidade do acesso aos serviços

de saúde, os valores sobre a qualidade do que é público e a própria definição de SUS. Os usos correntes do termo SUS, como sinônimo de um convênio de repasse de recursos ou órgão de compra de serviços e não como sistema de saúde, restringem drasticamente sua natureza e

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atribuições constitucionais. Alternativamente, a imunidade do direito à saúde tal como previsto pela Constituição de 1988 às tentativas de desfigurá-lo, bem como os efeitos favoráveis da inclusão e universalização das ações de saúde conferiram ao SUS o estatuto de política de Estado e modelo exemplar de sistema de saúde na América Latina.

7.2. O resgate do SUS constitucional As avaliações sobre a persistência de problemas de saúde e elevadas desigualdades econômico-sociais e no acesso a bens e serviços vis-à-vis o subfinanciamento, as distorções na estrutura dos gastos públicos e a subordinação das políticas sociais em face da ‘financeirização’ do orçamento público estimularam a realização do VIII Simpósio da Câmara Federal sobre Política Nacional de Saúde em 2005 O debate e a mobilização para o resgate do SUS constitucional implicam a defesa da seguridade social e a definição de uma política nacional de desenvolvimento e, portanto, revisão da política monetária. Recursos oriundos da desvinculação de receitas da União, inclusive das contribuições sociais e do elevado superávit fiscal, devem ser redirecionados para as políticas sociais. As iniciativas de criar e reunir um Fórum da Reforma Sanitária na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca e a realização de reuniões conjuntas da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), Rede Unida, Associação Brasileira de Economia da Saúde (Abres), Associação Nacional de Promotores do Ministério Público em Defesa da Saúde (Ampasa) e a Frente Parlamentar da Saúde permitiram ampliar e aprofundar a reflexão e as propostas de resgate do SUS constitucional. O documento “SUS pra Valer: universal, humanizado e de qualidade”, subscrito por essas entidades, elaborado no segundo semestre de 2006, contendo estratégias programáticas, reafirma a imprescindibilidade da compatibilização dos padrões de saúde dos brasileiros ao progresso tecnológico, cultural e político disponível. Por sua vez, as instituições responsáveis pela gestão do SUS definiram novas diretrizes para a descentralização no Pacto pela Vida, em Defesa do ‘SUS’ e de Gestão, proposto pelo Ministério da Saúde, Conselho de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) em 2006. Medidas como o reforço à organização das regiões sanitárias, a cogestão, a base do financiamento tripartite como parâmetro para o planejamento e definição de responsabilidades sanitárias compartilhadas aproximam a trajetória do SUS real a do SUS constitucional. Os esforços para corrigir o rumo e o prumo da trajetória do SUS, quer oriundos da esfera da sociedade civil, quer gerados na esfera governamental, ainda que até agora tenham logrado contra-restar plenamente obstáculos estruturais, expressam a vitalidade e perenidade de seus princípios e diretrizes.

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8. EDUCAÇÃO EM SAÚDE

Inicialmente, deve-se localizar a temática da educação em saúde como um campo de disputas de projetos de sociedade e visões de mundo que se atualizam nas formas de conceber e organizar os discursos e as práticas relativas à educação no campo da saúde. Para se compreender as concepções de educação em saúde é necessário buscar entender as concepções de educação, saúde e sociedade a elas subjacentes. Neste sentido, educação, saúde e trabalho são compreendidos como práticas sociais que fazem parte do modo de produção da existência humana. Nas sociedades capitalistas ocidentais a educação é vista como:

Ato normativo, com prescrição das práticas dominantes;

Pretensão de objetividade e neutralidade do conhecimento;

Razão cientifica.

Tal entendimento de educação repercute em todos os aspectos da vida e gera uma compreensão da saúde objetiva e majoritariamente biológica.

O educador passa a possuir um comportamento controlador, se reduz a um transmissor das

informações, e o aluno, um seu correspondente, um mero receptor passivo das informações

educativas. Por sua vez, o profissional de saúde pode tornar-se um operador de protocolos e condutas, e o ‘ doente’, um corpo onde se dá a doença e, consequentemente, o ato médico.

O desenvolvimento da educação sanitária, a partir dos EUA, deu-se de forma associada à

saúde pública, tendo sido instrumento das ações de prevenção das doenças, caracterizando-se pela

transmissão de conhecimento. Mesmo que realizada de forma massiva, como no caso das campanhas sanitárias no Brasil, a perspectiva não contemplava a dimensão histórico-social do processo saúde-doença. O movimento pela Reforma Sanitária no Brasil, fez uma crítica severa aos efeitos do distanciamento da saúde pública em relação ao social, que como o social não é considerado na prática da saúde pública, senão em perspectiva restrita, a educação passa a ser uma atividade paralela, tendo como finalidade auxiliar a efetivação dos objetivos eminentemente técnicos dos programas de saúde pública. Entretanto, numa perspectiva crítica, a educação parte da análise das realidades sociais, buscando revelar as suas características e as relações que as condicionam e determinam. Da mesma forma, no campo da saúde, a compreensão do processo saúde-doença como expressão das condições objetivas de vida, isto é, como resultante das condições de “habitação, alimentação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde” apontam a saúde e a doença como produções

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sociais, passíveis de ação e transformação, e aponta também para um plano coletivo e, não somente individual de intervenção. Na interação da educação e da saúde torna-se possível pensar educação em saúde como formas do homem reunir e dispor recursos para intervir e transformar as condições objetivas (habitação, alimentação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde), visando a alcançar a saúde como um direito socialmente conquistado, a partir da atuação individual e coletiva de sujeitos político- sociais. Quanto ao trabalho em saúde, a forma histórica mais frequente se baseia na biomedicina, organizando o processo de trabalho de forma centralizada na prática e saber médico, caracterizando-se pela hierarquização, reproduzindo a divisão intelectual e social do trabalho e do saber em saúde. Dessa forma, a educação em saúde, produzida nos serviços de saúde, esteve muito atrelada

a esse modelo, assim como, as práticas de educação sanitária, dirigidas à sociedade em geral e suas instituições, reproduziram em larga escala o poder biomédico, tendo funcionado, muitas vezes, como braços do controle do estado sobre os indivíduos e as relações sociais. Atualmente, considerando a importância adquirida pelo projeto de promoção da saúde, que busca atingir várias dimensões da vida social (família, escola, comunidade) e individual (cuidados com o corpo, desenvolvimento de hábitos saudáveis), a discussão sobre as dimensões individuais

e coletivas da saúde/doença torna-se oportuna e particularmente importante. O modelo da promoção, no qual a educação em saúde se apresenta como um dos seus eixos de sustentação, vê-se diante do desafio de corresponsabilizar o indivíduo pela dinâmica saúde- doença, acaba culpando o indivíduo, esvaziando a compreensão da dimensão social do processo saúde/doença. No movimento constante em defesa do Sistema Único de Saúde(SUS) como projeto de um sistema universal, público, equânime, integral e democrático, encontra-se a necessidade de se buscar uma concepção da relação educação e saúde que se configura como resultado da ação política de indivíduos e da coletividade, com base no entendimento da saúde e da educação em suas múltiplas dimensões: social, ética, política, cultural e científica. O potencial da educação para emancipação das pessoas, está presente nas teses que permeiam

o pensamento de Paulo Freire. Esse pensador exerceu forte influência no Movimento da Educação Popular em Saúde, na América Latina e, particularmente, no Brasil.

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São marcas da pedagogia freireana a concepção de processo ensino-aprendizagem como uma troca, como um processo dialógico entre educador e educando, que se dá numa realidade vivida. O conhecimento vem da reflexão crítica sobre essa realidade, construindo-se, ao mesmo tempo em que o homem vai se constituindo e se posicionando como um ser indivíduo. Nesse sentido, não cabem relações verticais de domínio entre educador e educando, ou a transferência de conhecimentos e a normatização de hábitos, que marcaram o pensamento prioritário da educação sanitária no século passado e que ainda hoje estão presentes nas práticas educativas em saúde. Como campo de disputas, a educação em saúde é permeada por essas várias concepções que se enfrentam, ainda hoje, nas práticas dos diversos trabalhadores da saúde que realizam o SUS. Em certa medida, cumpre reforçar que não são somente perspectivas ou correntes educacionais ou sanitárias que se defrontam, mas formas de conceber os homens, a relação entre estes, as formas de organizar a sociedade e partilhar os bens por ela produzidos. Assim quando falamos em educação em saúde existem dois tipos distintos:

1. Educação Popular em Saúde: que consiste nos processos de educação voltados à população realizados de forma individual e/ou coletiva que visam a promoção da saúde e a redução das doenças e agravos à saúde, direcionada prioritariamente pela Política Nacional de Promoção da Saúde, e;

2. Educação Permanente em Saúde: que consiste nos processos contínuos de formação em

serviço voltados aos trabalhadores dos serviços de saúde e do SUS, direcionada prioritariamente pela Política Nacional de Educação Permanente. A Educação Permanente em Saúde (EPS) é uma proposta ético-político-pedagógica que visa transformar e qualificar a atenção à saúde, os processos formativos, as práticas de educação em saúde, além de incentivar a organização das ações e dos serviços numa perspectiva intersetorial.

Nessa perspectiva, o Ministério da Saúde propôs a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) como estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) para a formação e o desenvolvimento dos seus trabalhadores, buscando articular a integração entre ensino, serviço e comunidade, além de assumir a regionalização da gestão do SUS, como base para o desenvolvimento de iniciativas qualificadas ao enfrentamento das necessidades e dificuldades do sistema.

base para o desenvolvimento de iniciativas qualificadas ao enfrentamento das necessidades e dificuldades do sistema. 22
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A PNEPS é uma estratégia que pretende promover transformações nas práticas do trabalho, com base em reflexões críticas, propondo o encontro entre o mundo da formação e o mundo do trabalho, através da interseção entre o aprender e o ensinar na realidade dos serviços. O Ministério da Saúde está em fase de preparação para dar início ao Processo de Revisão da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS). A iniciativa faz parte do conjunto de estratégias do Departamento em parceria com o Ministério da Educação (MEC), CONASS, CONASEMS, Conselho

Nacional de Saúde, Rede de Escolas Técnicas do SUS, Escolas de Saúde Pública, instituições de ensino, Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e demais secretarias do Ministério da Saúde.

O processo de revisão da PNEPS tem dentre seus objetivos, estabelecer de forma coletiva

estratégias para atualizar a Portaria GM/MS Nº 1996 do ano de 2007, que dispõe sobre as diretrizes

para a implementação da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde e dá outras providências, e que completa, em 2017, dez anos de publicação. Outras ações, como forma de reconhecer e implementar a Educação permanente nos territórios, frente às atuais demandas do

Sistema Único de Saúde (SUS), também estão previstas e serão definidas conjuntamente com todos

os envolvidos no processo.

(SUS), também estão previstas e serão definidas conjuntamente com todos os envolvidos no processo. ANOTAÇÕES 23
ANOTAÇÕES 23
ANOTAÇÕES
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9. PROMOÇÃO DA SAÚDE

As mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais, que ocorreram no mundo desde o século XIX e que se intensificaram no século passado, produziram alterações significativas para a vida em sociedade. Ao mesmo tempo, tem-se a criação de tecnologias cada vez mais precisas e sofisticadas em todas as atividades humanas e o aumento dos desafios e dos impasses colocados ao viver. A saúde, sendo uma esfera da vida de homens e mulheres em toda sua diversidade e singularidade, não permaneceu fora do desenrolar das mudanças da sociedade nesse período. O processo de transformação da sociedade é também o processo de transformação da saúde e dos problemas sanitários. Nas últimas décadas, tornou-se mais e mais importante cuidar da vida de modo que se reduzisse a vulnerabilidade ao adoecer e as chances de que ele seja produtor de incapacidade, de sofrimento crônico e de morte prematura de indivíduos e população. Além disso, a análise do processo saúde-adoecimento evidenciou que a saúde é resultado dos modos de organização da produção, do trabalho e da sociedade em determinado contexto histórico e o aparato biomédico não consegue modificar os condicionantes nem determinantes mais amplos desse processo, operando um modelo de atenção e cuidado marcado, na maior parte das vezes, pela centralidade dos sintomas. No Brasil, pensar outros caminhos para garantir a saúde da população significou pensar a redemocratização do País e a constituição de um sistema de saúde inclusivo. Em 1986, a 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS) tinha como tema “Democracia é Saúde” e constituiu-se em fórum de luta pela descentralização do sistema de saúde e pela implantação de políticas sociais que defendessem e cuidassem da vida (Conferência Nacional de Saúde, 1986). Era um momento chave do 10 movimento da Reforma Sanitária brasileira e da afirmação da indissociabilidade entre a garantia da saúde como direito social irrevogável e a garantia dos demais direitos humanos e de cidadania. O relatório final da 8ª CNS lançou os fundamentos da proposta do SUS (BRASIL, 1990a).

A promoção da saúde, como uma das estratégias de produção de saúde, ou seja, como um modo de

pensar e de operar articulado às demais políticas e tecnologias desenvolvidas no sistema de saúde brasileiro,

contribui na construção de ações que possibilitam responder às necessidades sociais em saúde. No SUS, a estratégia de promoção da saúde é retomada como uma possibilidade de enfocar os aspectos que determinam o processo saúde-adoecimento em nosso País como, por exemplo: violência, desemprego, subemprego, falta de saneamento básico, habitação inadequada e/ou ausente, dificuldade de acesso à educação, fome, urbanização desordenada, qualidade do ar e da água ameaçada e deteriorada; e potencializam formas mais amplas de intervir em saúde.

O cuidado em saúde envolve fundamentalmente o estabelecimento de uma rede de compromissos e

corresponsabilidades em favor da vida e da criação das estratégias necessárias para que ela exista. A um só tempo, comprometer-se e corresponsabilizar-se pelo viver e por suas condições são marcas e ações próprias

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da clínica, da saúde coletiva, da atenção e da gestão, ratificando-se a indissociabilidade entre esses planos de

atuação. Entende-se, portanto, que a promoção da saúde é uma estratégia de articulação transversal na qual

se confere visibilidade aos fatores que colocam a saúde da população em risco e às diferenças entre

necessidades, territórios e culturas presentes no nosso País, visando à criação de mecanismos que reduzam as situações de vulnerabilidade, defendam radicalmente a equidade e incorporem a participação e o controle sociais na gestão das políticas públicas. Entende-se que a promoção da saúde se apresenta como um mecanismo de fortalecimento e implantação de uma política transversal, integrada e intersetorial, que faça dialogar com as diversas áreas do setor sanitário, os outros setores do Governo, o setor privado e não-governamental, e a sociedade, compondo redes de compromisso e corresponsabilidade quanto à qualidade de vida da população em que todos sejam

partícipes na proteção e no cuidado com a vida. Vê-se, portanto, que a promoção da saúde se realiza na articulação sujeito/coletivo, público/privado, estado/sociedade, clínica/ política, setor sanitário/outros setores, visando romper com a excessiva fragmentação na abordagem do processo saúde-adoecimento e reduzir a vulnerabilidade, os riscos e os danos que nele se produzem. Nesse sentido, a elaboração da Política Nacional de Promoção da Saúde é oportuna, posto que seu processo de construção e de implantação/implementação nas várias esferas de gestão do SUS e na interação entre o setor sanitário e os demais setores das políticas públicas e da sociedade provoca a mudança no modo de organizar, planejar, realizar, analisar e avaliar o trabalho em saúde.

Objetivo geral: Promover a qualidade de vida e reduzir vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes modos de viver, condições de trabalho, habitação, ambiente, educação, lazer, cultura, acesso a bens e serviços essenciais

Objetivos específicos I Incorporar e implementar ações de promoção da saúde, com ênfase na atenção básica; II Ampliar a autonomia e a corresponsabilidade de sujeitos e coletividades, inclusive o poder público, no cuidado integral à saúde e minimizar e/ou extinguir as desigualdades de toda e qualquer ordem (étnica, racial, social, regional, de gênero, de orientação/opção sexual, entre outras); IIIPromover o entendimento da concepção ampliada de saúde, entre os trabalhadores de saúde, tanto das atividades-meio, como os da atividades-fim;

IV Contribuir para o aumento da resolubilidade do Sistema, garantindo qualidade, eficácia, eficiência e

segurança das ações de promoção da saúde;

25
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V

Estimular alternativas inovadoras e socialmente inclusivas/ contributivas no âmbito das ações de

promoção da saúde;

VI Valorizar e otimizar o uso dos espaços públicos de convivência e de produção de saúde para o

desenvolvimento das ações de promoção da saúde;

VII Favorecer a preservação do meio ambiente e a promoção de ambientes mais seguros e saudáveis;

18 VIII Contribuir para elaboração e implementação de políticas públicas integradas que visem à melhoria

da

qualidade de vida no planejamento de espaços urbanos e rurais;

IX

Ampliar os processos de integração baseados na cooperação, solidariedade e gestão democrática;

X Prevenir fatores determinantes e/ou condicionantes de doenças e agravos à saúde;

XI Estimular a adoção de modos de viver não-violentos e o desenvolvimento de uma cultura de paz no

País; e

XII Valorizar e ampliar a cooperação do setor Saúde com outras áreas de governos, setores e atores sociais

para a gestão de políticas públicas e a criação e/ou o fortalecimento de iniciativas que signifiquem redução

das situações de desigualdade.

9.1.Diretrizes

I Reconhecer na promoção da saúde uma parte fundamental da busca da equidade, da melhoria da qualidade de vida e de saúde;

II Estimular as ações intersetoriais, buscando parcerias que propiciem o desenvolvimento integral das

ações de promoção da saúde;

III Fortalecer a participação social como fundamental na consecução de resultados de promoção da saúde,

em especial a equidade e o empoderamento individual e comunitário;

IV Promover mudanças na cultura organizacional, com vistas à adoção de práticas horizontais de gestão e

estabelecimento de redes de cooperação intersetoriais;

V Incentivar a pesquisa em promoção da saúde, avaliando eficiência, eficácia, efetividade e segurança das

ações prestadas; e VI Divulgar e informar das iniciativas voltadas para a promoção da saúde para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS, considerando metodologias participativas e o saber popular e tradicional.

9.2. Estratégias de implementação I Estruturação e fortalecimento das ações de promoção da saúde no Sistema Único de Saúde, privilegiando

as

práticas de saúde sensíveis à realidade do Brasil;

II

Estímulo à inserção de ações de promoção da saúde em todos os níveis de atenção, com ênfase na atenção

básica, voltadas às ações de cuidado com o corpo e a saúde; alimentação saudável e prevenção, e controle ao

tabagismo;

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26

III

Desenvolvimento de estratégias de qualificação em ações de promoção da saúde para profissionais de

saúde inseridos no Sistema Único de Saúde; IV Apoio técnico e/ou financeiro a projetos de qualificação de profissionais para atuação na área de

informação, comunicação e educação popular referentes à promoção da saúde que atuem na Estratégia Saúde

da

Família e de Agentes Comunitários de Saúde;

V

Apoio a estados e municípios que desenvolvam ações voltadas para a implementação da Estratégia

Global, vigilância e prevenção de doenças e agravos não transmissíveis;

(Entre outras)

 

Responsabilidades das esferas de gestão

 

Federal

Estadual

 

Municipal

Divulgar a Política Nacional de Promoção da Saúde;

II Promover a articulação com os estados para apoio à implantação e supervisão das ações referentes às ações de promoção da saúde;

I

III

Pactuar e alocar recursos

I Divulgar a Política Nacional de Promoção da Saúde; II Implementar as diretrizes da Política de Promoção da Saúde em consonância com as diretrizes definidas no âmbito nacional e as realidades loco-regionais; III Estabelecer instrumentos e indicadores para o

Divulgar a Política Nacional de Promoção da Saúde;

I

II

Implementar as diretrizes da Política

de Promoção da Saúde em consonância com as diretrizes definidas no âmbito nacional e as realidades locais;

III

Pactuar e alocar recursos

orçamentários e financeiros para a implementação da Política de Promoção da Saúde;

orçamentários e financeiros para

implementação desta Política, considerando a composição

a

acompanhamento e a avaliação do impacto da

IV

Criar uma referência e/ou grupos

tripartite;

implantação/implementação desta

matriciais responsáveis pelo planejamento, implementação, articulação e monitoramento, e avaliação das ações de promoção da saúde nas secretarias de municipais de saúde; V Adotar o processo de avaliação como

IV

Desenvolvimento de ações

Política;

de acompanhamento e avaliação das ações de promoção da saúde para instrumentalização de processos de gestão;

parte do planejamento e da implementação das iniciativas de promoção da saúde, garantindo tecnologias adequadas;

VI

Participação efetiva nas iniciativas

dos gestores federal e estadual no que diz respeito à execução das ações locais de promoção da saúde e à produção de

dados e informações fidedignas que qualifiquem a pesquisas nessa área;

VII Estabelecer instrumentos de gestão

e

indicadores para o acompanhamento e

avaliação do impacto da implantação/ implementação da Política; VIII Implantar estruturas adequadas

para monitoramento e avaliação das iniciativas de promoção da saúde;

IX

Implementar as diretrizes de

capacitação e educação permanente em

consonância com as realidades locais;

X

Viabilizar linha de financiamento

para promoção da saúde dentro da política de educação permanente, bem como propor instrumento de avaliação de desempenho, no âmbito municipal;

27
27

9.3. Divulgação e implementação da Política Nacional de Promoção da Saúde

Alimentação saudável

I Promover ações relativas à alimentação saudável visando à

promoção da saúde e à segurança alimentar e nutricional, contribuindo com as ações e metas de redução da pobreza, a inclusão social e o cumprimento do direito humano à alimentação adequada; II Promover articulação intra e intersetorial visando à implementação da Política Nacional de Promoção da Saúde por meio do reforço à implementação das diretrizes da Política Nacional de Alimentação e Nutrição e da Estratégia Global:

de Alimentação e Nutrição e da Estratégia Global: Prática corporal/atividade física I – Ações na rede

Prática corporal/atividade física

e da Estratégia Global: Prática corporal/atividade física I – Ações na rede básica de saúde e

I Ações na rede básica de saúde e na comunidade:

a) mapear e apoiar as ações de práticas corporais/atividade

física existentes nos serviços de atenção básica e na Estratégia de

Saúde da Família, e inserir naqueles em que não há ações;

b) ofertar práticas corporais/atividade física como caminhadas,

prescrição de exercícios, práticas lúdicas, esportivas e de lazer,

na

rede básica de saúde, voltadas tanto para a comunidade como um todo quanto para grupos vulneráveis;

c)

capacitar os trabalhadores de saúde em conteúdo de promoção à saúde e práticas corporais/atividade

física na lógica da educação permanente, incluindo a avaliação como parte do processo;

d) estimular a inclusão de pessoas com deficiências em projetos de práticas corporais/atividades físicas.

Redução da morbimortalidade em decorrência do uso abusivo de álcool e outras drogas I Investimento em ações educativas e sensibilizadoras para crianças e adolescentes quanto ao uso abusivo de álcool e suas

consequências;

II Produzir e distribuir material educativo para orientar e

sensibilizar a população sobre os malefícios do uso abusivo

a população sobre os malefícios do uso abusivo do álcool. III – Promover campanhas municipais

do

álcool.

III

Promover campanhas municipais em interação com as

agências de trânsito no alerta quanto às consequências da “direção alcoolizada”;

IV Desenvolvimento de iniciativas de redução de danos pelo consumo de álcool e outras drogas que

envolvam a corresponsabilização e autonomia da população;

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Redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito I Promoção de discussões intersetoriais que incorporem ações educativas à grade curricular de todos os níveis de formação; II Articulação de agendas e instrumentos de planejamento, programação e avaliação, dos setores diretamente relacionados ao problema; e III Apoio às campanhas de divulgação em massa dos dados referentes às mortes e sequelas provocadas por acidentes de trânsito.

às mortes e sequelas provocadas por acidentes de trânsito. Prevenção da violência e estímulo à cultura
às mortes e sequelas provocadas por acidentes de trânsito. Prevenção da violência e estímulo à cultura

Prevenção da violência e estímulo à cultura de paz I Ampliação e fortalecimento da Rede Nacional de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde; II Investimento na sensibilização e capacitação dos gestores e profissionais de saúde na identificação e encaminhamento adequado de situações de violência intrafamiliar e sexual;

ANOTAÇÕES 29
ANOTAÇÕES
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10. VIGILÂNCIA EM SAÚDE (NOÇÕES DE AGRAVOS)

A expressão vigilância em saúderemete, inicialmente, à palavra vigiar. Sua origem – do latim vigilare

significa, de acordo com o Dicionário Aurélio, observar atentamente, estar atento a, atentar em, estar de sentinela, procurar, campear, cuidar, precaver-se, acautelar-se. No campo da saúde, a ‘vigilância’ está historicamente relacionada aos conceitos de saúde e doença presentes em cada época e lugar, às práticas de atenção aos doentes e aos mecanismos adotados para tentar impedir a disseminação das doenças.

A vigilância em saúde tem por objetivo a observação e análise permanentes da situação de saúde da

população, articulando-se em um conjunto de ações destinadas a controlar determinantes, riscos e danos à

saúde de populações que vivem em determinados territórios, garantindo-se a integralidade da atenção, o que inclui tanto a abordagem individual como coletiva dos problemas de saúde.

10.1. Componentes da vigilância em saúde

São as ações de vigilância, promoção, prevenção e controle de doenças e agravos à saúde, devendo- se constituir em espaço de articulação de conhecimentos e técnicas. O conceito de vigilância em saúde inclui:

Vigilância e o controle das doenças transmissíveis;

Vigilância das doenças e agravos não transmissíveis;

Vigilância da situação de saúde/epidemiológica;

Vigilância ambiental em saúde;

Vigilância da saúde do trabalhador;

Vigilância sanitária.

A vigilância em saúde deve estar cotidianamente inserida em todos os níveis de atenção da saúde. A

partir de suas específicas ferramentas as equipes de saúde da atenção primária e de vigilância ambiental podem desenvolver habilidades de programação e planejamento, de maneira a organizar os serviços com ações programadas de atenção à saúde das pessoas, aumentando-se o acesso da população a diferentes atividades e ações de saúde

10.2 Noções de agravos Propósitos e funções para identificação de agravos

AGENTE INFECCIOSO: agente biológico, capaz de produzir infecção ou doença infecciosa. Ex.: Vírus da gripe, vírus da dengue, bacilo de Hansen (causador da hanseníase).

AGENTE ETIOLÓGICO: é o agente causador ou responsável por uma doença. Pode ser vírus, bactéria, fungo, protozoário ou helminto. É sinônimo de “patógeno”.

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RESERVATÓRIO: é qualquer local, vegetal, animal ou humano onde vive e multiplica-se um agente etiológico e do qual é capaz de atingir outros hospedeiros. Alguns autores dizem que o reservatório vivo perfeito (animal ou humano) é aquele que possui o agente etiológico, mas não padece com sua presença; prefiro usar o termo reservatório, independentemente de apresentar ou não os sintomas. Ex.: os humanos são os reservatórios do S. mansoni.

VETOR: é um artrópode, molusco ou veículo que transmite um parasito entre dois hospedeiros.

Vetor biológico: quando o agente etiológico se multiplica ou se desenvolve no vetor.

Vetor mecânico: quando o parasito não se multiplica ou se desenvolve no vetor, esse simplesmente serve de transporte ao parasito. Ex.: a T. penetrans veiculando esporos de fungos.

VIRULÊNCIA: é a severidade e rapidez com que um agente etiológico provoca lesões no hospedeiro.

MODO DE TRANSMISSÃO: é a forma como o agente infecioso é transferido de reservatório ou fonte de infecção e o novo hospedeiro suscetível.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO: o tempo decorrido entre a exposição de um animal a um organismo patogénico e a manifestação dos primeiros sintomas da doença. Neste período não há doença e o hospedeiro não manifesta sintomas, pois todo o processo está acontecendo no âmbito celular.

PERÍODO DE LATÊNCIA: período no qual há presença do agente etiológico em um hospedeiro, sem aparecimento de qualquer sintoma clínico.

PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE:

ENDEMIA: presença contínua de uma enfermidade, ou agente infeccioso, em uma zona geográfica determinada; pode também expressar a prevalência usual de uma doença particular numa zona geográfica.

Hiperendemia significa a transmissão intensa e persistente, atingindo todas as faixas etárias;

Holoendemia, um nível elevado de infecção que começa a partir de uma idade precoce e afeta a maior parte da população jovem, como, por exemplo, a malária em algumas regiões do globo.

EPIDEMIA: manifestação, em uma coletividade ou região, de um corpo de casos de alguma enfermidade que excede claramente a incidência prevista. O número de casos, que indica a existência de Glossário Guia de Vigilância Epidemiológica 108 Secretaria de Vigilância em

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Saúde /MS uma epidemia, varia com o agente infeccioso, o tamanho e as características da população exposta, sua experiência prévia ou falta de exposição à enfermidade e local e época do ano em que ocorre. Por decorrência, a epidemia guarda relação com a frequência comum da enfermidade na mesma região, na população especificada e na mesma estação do ano. O aparecimento de um único caso de doença transmissível, que durante um lapso de tempo prolongado não havia afetado uma população ou que invade pela primeira vez uma região, requer notificação imediata e uma completa investigação de campo; dois casos dessa doença, associados no tempo ou espaço, podem ser evidência suficiente de uma epidemia.

SURTO: tipo de epidemia em que os casos se restringem a uma área geográfica pequena e bem delimitada ou a uma população institucionalizada (creches, quartéis, escolas, etc.).

DOENÇAS INFECIOSAS: são as consequências das lesões causadas pelo agente (vírus, bactérias e/ou fungos) e pela resposta do hospedeiro manifestada por sintomas e sinais e por alterações fisiológicas, bioquímicas e histopatológicas.

DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS: doença cujo agente etiológico é vivo e é transmissível, no qual organismo parasitante pode migrar do parasitado para o sadio, havendo ou não uma fase intermediária de desenvolvimento no ambiente.

DOENÇAS CONTAGIOSAS: Doenças contagiosas são doenças transmissíveis, por contato direto ou indireto com indivíduos infectado. Ex. Gripe

DOENÇAS PARASITÁRIAS: Doença parasitária ou parasitose é uma doença infecciosa causada por um parasito protozoário ou metazoário, no qual o parasita alimenta-se do hospedeiro. Ex.: Escabiose; Piolho; Ascaridíase (lombriga); Amebíase.

DOENÇAS CRÔNICAS: são aquelas geralmente de desenvolvimento lento, de longa duração e, por isso, levam um tempo mais longo para serem curadas ou, em alguns casos, não têm cura. A maioria dessas doenças está relacionada ao avanço da idade e ao estilo de vida hábitos alimentares, sedentarismo e estresse característico das sociedades contemporâneas.

DOENÇAS AGUDAS: são processos de perturbação da força vital que determinam moléstias que completam sua evolução pela cura ou pela morte num intervalo de tempo determinado e rápido.

MORBIDADE: expressa o número de pessoas doentes com relação a uma doença e uma população. Ex.: na época do inverno, a morbidade da gripe é muito elevada; ou seja, na época do inverno a incidência da gripe é muito grande.

10.3. Vigilância Epidemiológica A vigilância epidemiológica tem como propósito fornecer orientação técnica permanente para os profissionais de saúde, que têm a responsabilidade de decidir sobre a execução de ações de controle de

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doenças e agravos, tornando disponíveis, para esse fim, informações atualizadas sobre a ocorrência dessas doenças e agravos, bem como dos fatores que a condicionam, numa área geográfica ou população definida. Subsidiariamente, a vigilância epidemiológica constitui-se em importante instrumento para o planejamento, a organização e a operacionalização dos serviços de saúde, como também para a normatização de atividades técnicas correlatas.

A operacionalização da vigilância epidemiológica compreende um ciclo de funções específicas e

intercomplementares,

cada momento, o

comportamento da doença ou agravo selecionado como alvo das ações, para que as medidas de intervenção

vigilância

pertinentes possam epidemiológica:

desenvolvidas

ser

de

modo

com

contínuo,

permitindo

e

conhecer,

São

a

desencadeadas

oportunidade

eficácia.

funções

da

Coleta de dados;

Processamento de dados coletados;

Análise e interpretação dos dados processados;

Recomendação das medidas de prevenção e controle apropriadas;

Promoção das ações de prevenção e controle indicadas;

Avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas;

Divulgação de informações pertinentes.

10.3.1. Diagnóstico de caso

a) Como fazer diagnóstico de casos na área correspondente

A confiabilidade do sistema de notificação depende, em grande parte, da capacidade de os

profissionais e serviços locais de saúde responsáveis pelo atendimento dos casos diagnosticarem

corretamente as doenças e agravos. Para isso, deverão estar tecnicamente capacitados e dispor de recursos complementares para a confirmação da suspeita clínica.

b) Investigação epidemiológica

É um método de trabalho frequentemente utilizado em casos e epidemias de doenças transmissíveis, mas também aplicável a outros grupos de agravos. Consiste em um estudo de campo realizado a partir de

casos (clinicamente declarados ou suspeitos) e de portadores, objetivando avaliar a ocorrência do ponto de vista de suas implicações para a saúde coletiva. Sempre que possível, deve conduzir à confirmação do diagnóstico, à determinação das características epidemiológicas da doença, à identificação das causas do fenômeno e à orientação sobre as medidas de controle adequadas.

c) Roteiro de investigação - As seguintes indagações devem ser levantadas:

De quem foi contraída a infecção (fonte de contágio)?

Qual a via de disseminação da infecção, da fonte ao doente?

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Que outras pessoas podem ter sido infectadas pela mesma fonte de contágio?

Para quais pessoas o caso pode ter transmitido à doença?

A quem o caso ainda pode transmitir a doença?

Como evitá-lo?

d) Finalidade da Investigação - Adoção de medidas de controle em tempo hábil. Para que isso aconteça,

deve ser iniciada imediatamente após a ocorrência do evento.

e) Ficha de Investigação Epidemiológica - São os formulários, existentes nos serviços de saúde, específicos

para cada tipo de doença, que facilitam a coleta e consolidação de dados. Devem ser preenchidos cuidadosamente, registrando-se todas as informações indicadas, para permitir a análise e a comparação de dados. No caso de agravo inusitado, deve-se elaborar uma ficha própria, de acordo com as manifestações clínicas e epidemiológicas do evento. Os formulários contêm dados de identificação do paciente, anamnese, exame físico, suspeita diagnóstica, informações sobre o meio ambiente (de acordo com o agravo) e exames complementares de acordo com o(s) agravo(s) suspeitado(s). f) Busca de pistas - Visa buscar a origem da transmissão, cabendo ao investigador estabelecer quais as mais importantes e o caminho a seguir. Em geral, é importante definir: período de incubação; presença de outros casos na localidade; existência ou não de vetores ligados à transmissibilidade da doença; grupo etário mais

atingido; fonte de contágio comum (água, alimentos); modos de transmissão (respiratória, contato direto, etc.); época de ocorrência (estação). Por ser uma atividade que exige tempo e custos adicionais, nem todas as doenças são investigadas. Os critérios de definição para a investigação são: doença considerada prioritária pelo sistema de vigilância; excesso da frequência usual; suspeita de que os casos tenham origem numa fonte comum de infecção; gravidade clínica maior que a habitual; doença desconhecida na área (agravo inusitado).

g) Busca ativa de casos - Procedimento realizado com vistas ao conhecimento da magnitude de ocorrência

do evento, quando se suspeita que casos possam estar ocorrendo sem registro nos serviços de saúde. É mais restrita (domicílio, rua ou bairro) ou ampliada (cidade, municípios, acompanhando correntes migratórias, etc.), seguindo-se a área geográfica de abrangência da fonte de contágio.

h) Processamento e análise de dados - Os dados colhidos são consolidados (ordenados de acordo com as

características das pessoas, lugar, tempo, etc.) em tabelas, gráficos, mapas da área em estudo, fluxos de pacientes e outros. Essa disposição fornecerá uma visão global do evento, permitindo a avaliação de acordo com as variáveis de tempo, espaço e pessoas (quando? onde? quem?) e de associação causal (por quê?), e deve ser comparada com períodos semelhantes de anos anteriores.

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10.4.

Vigilância Sanitária

A Vigilância Sanitária um conjunto de ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e da circulação de bens e

da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo:

1) O controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde,

2)

compreendidas todas as etapas de processo, da produção ao consumo; O controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente coma saúde.

Como vem sendo pactuado com a Secretaria de Estado da Saúde, a Vigilância Sanitária local é responsável com o controle de bens de consumo que se relacionam com a saúde da população no que concerne a oferta direta ao consumidor, ou seja, em estabelecimentos comerciais e de representação. Neste sentido a Vigilância Sanitária tem como missão a proteção e promoção à saúde da população e defesa da vida. Entre os estabelecimentos pactuados para a realização de inspeções mencionamos: escolas, creches, açougues, restaurantes, lanchonetes, estabelecimentos comerciais, de estética e beleza, dentre outros.

10.5. Vigilância Ambiental

A vigilância ambiental, no atual contexto do SUS, tem por objetivo identificar as medidas de

prevenção e controle dos fatores de risco ambientais relacionados às doenças ou outros agravos à saúde,

através de um conjunto de medidas que resultam no conhecimento e detecção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana.

Neste sentido, o município de Uiraúna através dos agentes de Vigilância Ambiental desenvolveu suas atividades no controle das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti (Dengue, Zika, Chikungunia e Febre Amarela), Doença de Chagas e Leishmaniose Visceral e Tegumentar.

Os agentes de vigilância ambiental desenvolvem suas ações no controle dos criadores do Aedes aegypti

com visita domiciliares, orientações, identificação e eliminação de possíveis focos/criadouros do mosquito, procedendo à captura das formas evolutivas (larvas, pulpas e mosquito adulto) levando-as em seguida para análise laboratorial na referência estadual. Tais profissionais participam de Campanhas Educativas no combate ao mosquito transmissor da doença em escolas, creches, outros estabelecimentos públicos e

privados além de visitas domiciliares com caráter educativo. No combate a Leishmaniose (visceral e tegumentar) são pactuadas para visitações localidades para a realização de inquérito canino, além da captura de flebótomos para inquérito entomológico. Com relação ao combate à Doença de Chagas, o município encontra-se em estado de vigilância entomológica. Assim, após encontro do triatomíneo por algum morador de determinada localidade o mesmo entra em contato com o respectivo ACE, que, por sua vez, responsabiliza-se por remetê-lo à Vigilância Ambiental para que as amostras sejam examinadas por profissionais habilitados e, se necessário, encaminhadas ao laboratório de referência para análise mais completa do inseto em questão.

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UNIDADE 2

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11. REDES DE ATENÇÃO À SAÚDE

A Rede de Atenção à Saúde é definida como arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas, que integradas por meio de sistemas de apoio técnico, logístico e de gestão, buscam garantir a integralidade do cuidado O objetivo da RAS é promover a integração sistêmica, de ações e serviços de saúde com provisão de atenção contínua, integral, de qualidade, responsável e humanizada, bem como incrementar o desempenho do Sistema, em termos de acesso, equidade, eficácia clínica e sanitária; e eficiência econômica. Caracteriza-se pela formação de relações horizontais entre os pontos de atenção com o centro de comunicação na Atenção Primária à Saúde (APS), pela centralidade nas necessidades em saúde de uma população, pela responsabilização na atenção contínua e integral, pelo cuidado multiprofissional, pelo compartilhamento de objetivos e compromissos com os resultados sanitários e econômicos.

11.1. Atributos da rede de atenção à saúde

Considera-se que não há como prescrever um modelo organizacional único para as RAS, contudo as evidências mostram que o conjunto de atributos apresentados a seguir são essenciais ao seu funcionamento:

População e território definidos com amplo conhecimento de suas necessidades e preferências que determinam a oferta de serviços de saúde;

Extensa gama de estabelecimentos de saúde que presta serviços de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, gestão de casos, reabilitação e cuidados paliativos e integra os programas focalizados em doenças, riscos e populações específicas, os serviços de saúde individuais e os coletivos;

Atenção Primária em Saúde estruturada como primeiro nível de atenção e porta de entrada do sistema, constituída de equipe multidisciplinar que cobre toda a população, integrando, coordenando o cuidado, e atendendo as suas necessidades de saúde;

Prestação de serviços especializados em lugar adequado;

Existência de mecanismos de coordenação, continuidade do cuidado e integração assistencial por todo o contínuo da atenção;

Atenção à saúde centrada no indivíduo, na família e na comunidade, tendo em conta as particularidades culturais, gênero, assim como a diversidade da população;

Sistema de governança único para toda a rede com o propósito de criar uma missão, visão e estratégias nas organizações que compõem a região de saúde; definir objetivos e metas que devam ser cumpridos no curto, médio e longo prazo; articular as políticas institucionais; e desenvolver a capacidade de gestão necessária para planejar, monitorar e avaliar o desempenho dos gerentes e das organizações;

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Participação social ampla;

Gestão integrada dos sistemas de apoio administrativo, clínico e logístico;

Recursos humanos suficientes, competentes, comprometidos e com incentivos pelo alcance de metas da rede;

Sistema de informação integrado que vincula todos os membros da rede, com identificação de dados por sexo, idade, lugar de residência, origem étnica e outras variáveis pertinentes;

Financiamento tripartite, garantido e suficiente, alinhado com as metas da rede;

Ação intersetorial e abordagem dos determinantes da saúde e da equidade em saúde;

Gestão baseada em resultado.

A integração dos sistemas de saúde deve ser entendida como um contínuo e não como uma situação de extremos opostos entre integração e não integração. Dessa forma, existem graus de integração, que variam da fragmentação absoluta à integração total. Por sua vez, a integração é um meio para melhorar o

desempenho do sistema, de modo que os esforços se justificam na medida em que conduzam a serviços mais acessíveis, de maior qualidade, com melhor relação custo-benefício e satisfaçam aos usuários (OPAS, 2009).

11.2. Redes temáticas de Atenção à Saúde

Redes Temáticas priorizadas, com pactuação tripartite:

Rede de Atenção à Saúde Materno-Infantil

Rede de Atenção às Urgências e Emergências

Rede de Atenção Psicossocial: priorizando o Enfrentamento do Álcool, Crack e outras Drogas

Rede de Atenção às Doenças Crônicas: iniciando pelo enfrentamento do câncer de mama e do câncer de colo do útero

Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência

11.2.1.

Rede de Atenção à Saúde Materno-Infantil É uma rede de cuidados que assegura às MULHERES o direito ao planejamento reprodutivo, à atenção humanizada à gravidez, parto e puerpério e às CRIANÇAS o direito ao nascimento seguro, crescimento e desenvolvimento saudáveis. Objetivos:

Realização de pré-natal (de risco habitual e de alto risco) com captação

precoce da gestante, com realização dos exames preconizados e com acesso aos resultados destes em tempo oportuno.

e com acesso aos resultados destes em tempo oportuno.  Acolhimento às intercorrências na gestação; 

Acolhimento às intercorrências na gestação;

Prevenção e tratamento das DST/HIV/Aids e Hepatites;

Suficiência de leitos obstétricos e neonatais (UTI, UCI e Canguru);

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Práticas de atenção à saúde baseada em evidências científicas;

Acompanhamento da puérpera e da criança na atenção básica com visita domiciliar na primeira semana após a realização do parto e nascimento bem, como a busca ativa de crianças vulneráveis;

Orientação e oferta de métodos contraceptivos;

Promoção do acesso ao transporte seguro nas situações de urgência para as gestantes, as puérperas e

os recém-nascidos de alto risco;

Implantação e/ou implementação da regulação de leitos obstétricos e neonatais, assim como a regulação de urgências e a regulação ambulatorial (consultas e exames), entre outras.

11.2.2.

Rede de Atenção à Urgência e Emergência (RUE) Buscando sempre o acolhimento com classificação de risco e resolutividade, a organização da Rede de Urgência e Emergência (RUE) tem a finalidade de articular e integrar todos os equipamentos de saúde com o objetivo de ampliar e qualificar o acesso humanizado e integral aos usuários em situação de urgência/emergência nos serviços de saúde, de forma ágil e oportuna. São componentes e interfaces da Rede de Atenção às Urgências e Emergências:

da Rede de Atenção às Urgências e Emergências: • Promoção e prevenção. • Atenção primária:

• Promoção e prevenção.

• Atenção primária: Unidades Básicas de Saúde;

• UPA e outros serviços com funcionamento 24h;

• SAMU 192;

• Portas hospitalares de atenção às urgências – SOS Emergências;

• Enfermarias de retaguarda e unidades de cuidados intensivos;

• Inovações tecnológicas nas linhas de cuidado prioritárias: AVC, IAM, traumas;

• Atenção domiciliar – Melhor em Casa.

11.2.3. Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)

A Política Nacional de Saúde Mental busca consolidar um modelo de

atenção aberto e de base comunitária. A proposta é garantir a livre circulação das pessoas com problemas mentais pelos serviços, pela comunidade e pela cidade. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) estabelece os pontos de atenção para o atendimento de pessoas com problemas mentais, incluindo os efeitos nocivos do uso de crack, álcool e outras drogas. A Rede integra o Sistema Único

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mentais, incluindo os efeitos nocivos do uso de crack, álcool e outras drogas. A Rede integra

de Saúde (SUS). A Rede é composta por serviços e equipamentos variados, tais como: os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT); os Centros de Convivência e Cultura, as Unidade de Acolhimento (UAs), e os leitos de atenção integral (em Hospitais Gerais, nos CAPS III).

11.2.4. Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas

A Rede tem como objetivo fomentar a mudança do modelo de atenção à saúde, fortalecendo o cuidado às pessoas com doenças crônicas; garantir o cuidado integral às pessoas com doenças crônicas; impactar positivamente nos indicadores relacionados às essas doenças; contribuir para promoção da saúde da população e prevenir o desenvolvimento desses agravos e suas complicações. Dessa forma, a implantação dessa Rede pretende suscitar mudanças na atenção à saúde das pessoas com doenças crônicas, dentre elas, o câncer.

Nesse momento, o foco da Rede está em quatro temas, por serem epidemiologicamente mais relevantes, são eles:

As doenças renais e cardiovasculares (hipertensão arterial

As doenças renais e cardiovasculares (hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e insuficiência renal

sistêmica, diabetes mellitus e insuficiência renal crônica),

A obesidade,

O câncer,

As doenças respiratórias.

O elemento essencial para garantir a qualidade da atenção a essa população é a mudança no processo de trabalho das equipes em todos os pontos de atenção, desde a atenção básica passando pela especializada, pela urgência e pelo cuidado hospitalar e domiciliar. Esse processo implica a incorporação de tecnologias e de gestão do cuidado para atenção integral e longitudinal e também a articulação de ações e serviços para a constituição de linhas de cuidado em toda a rede

11.2.5. Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência

A Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência visa buscar e ampliar o acesso e qualidade o atendimento às pessoas com deficiência temporária ou permanente, progressiva, regressiva ou estável, intermitente

ou contínua no Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivos:

ou contínua no Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivos:  Ampliar o acesso e qualificar atendimento

Ampliar o acesso e qualificar atendimento às pessoas com deficiência no SUS, com foco na organização de rede e na atenção integral à saúde, que contemple as áreas de deficiência auditiva, física, visual, intelectual e ostomias.

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Ampliar a integração e articulação dos serviços de reabilitação com a rede de atenção primária e outros pontos de atenção especializada.

Desenvolver ações de prevenção de deficiências na infância e vida adulta.

Componentes da Rede de Reabilitação:

CER - Centro Especializado em Reabilitação.

Oficinas Ortopédicas: local e itinerante

Centros-Dia.

Serviços de Atenção Odontológica para Pessoas com Deficiência.

Serviço de Atenção Domiciliar no âmbito do SUS.

Atenção Hospitalar.

ANOTAÇÕES 41
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12. POLÍTICA NACIONAL DA ATENÇÃO BÁSICA

A Atenção Básica (AB) ou Atenção Primária atualmente é regulamentada no Brasil pela Portaria nº

2.436, de 21 de setembro de 2017 que “Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). As principais mudanças propostas para os principais temas da nova PNAB são:

Reconhecimento de outros formatos de equipe

A gestão municipal poderá compor equipes de AB de acordo com características e necessidades locais

e deverão ser compostas minimamente por médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e ou técnicos de enfermagem com financiamento também pelo Ministério da Saúde. Gerente de Unidade Básica de Saúde (UBS) Recomenda-se a inclusão do Gerente de Atenção Básica com o objetivo de contribuir para o aprimoramento e qualificação do processo de trabalho nas UBS, em especial ao fortalecer a atenção à saúde

prestada pelos profissionais das equipes à população adscrita. A inclusão deste profissional deve ser avaliada pelo gestor, segundo a necessidade do território e cobertura de AB. Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB)

O NASF foi criado com o objetivo de ampliar a abrangência e o escopo das ações da Atenção Básica,

bem como sua resolutividade. A nova PNAB propõe que essas equipes multiprofissionais passem a

complementar não só equipes de Saúde da Família, mas também equipes de AB “tradicionais”. Por isso, o nome mudou para Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB). Teto populacional

O texto proposto reduz a população adscrita por equipe de Atenção Básica e de Saúde da Família de

quatro mil pessoas localizadas dentro do seu território para 2.000 a 3.500, garantindo os princípios e diretrizes

da AB. Incorporação do Registro Eletrônico em Saúde Para a atualização da PNAB, o texto reforça e garante a continuidade do uso dos sistemas de informação em saúde da estratégia e-SUS AB, colocando como responsabilidades dos entes federados desenvolver, disponibilizar e implantar essas ferramentas e o prontuário eletrônico. A diretriz está em conformidade com o plano de informatização das UBS, uma das prioridades do Ministério da Saúde. Integração Vigilância em Saúde e Atenção Básica Essa medida pressupõe a reorganização dos processos de trabalho da equipe, a integração das bases territoriais (território único), o que melhoraria a cobertura, e a discussão das ações e atividades dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE), com definição de papéis e responsabilidades. Desta forma, abriria a possibilidade do ACE de compor a equipe de AB para ampliar o atendimento à população.

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12.1. Conhecendo a PNAB

Através da Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017 a AB é conceituada como o conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada, realizada com equipe multiprofissional e dirigida à população em território definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade sanitária.

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As UBS deverão assegurar o acolhimento e escuta ativa e qualificada das pessoas, mesmo que
As UBS deverão assegurar o acolhimento e escuta ativa e qualificada das pessoas, mesmo que

As UBS deverão assegurar o acolhimento e escuta ativa e qualificada das pessoas, mesmo que não sejam da área de abrangência da unidade, com classificação de risco e encaminhamento responsável de acordo com as necessidades apresentadas, articulando-se com outros serviços de forma resolutiva, em conformidade com as linhas de cuidado estabelecidas.

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Esta Política Nacional de Atenção Básica tem na Saúde da Família sua estratégia prioritária para

Esta Política Nacional de Atenção Básica tem na Saúde da Família sua estratégia prioritária para expansão e consolidação da Atenção Básica. Contudo reconhece outras estratégias de organização da Atenção Básica nos territórios, que devem seguir os princípios e diretrizes da Atenção Básica e do SUS, configurando um processo progressivo e singular que considera e inclui as especificidades locorregionais, ressaltando a dinamicidade do território e a existência de populações específicas, itinerantes e dispersas, que também são de responsabilidade da equipe enquanto estiverem no território, em consonância com a política de promoção da equidade em saúde.

da equipe enquanto estiverem no território, em consonância com a política de promoção da equidade em
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12.2. Atribuições dos Profissionais das Equipes de Atenção Básica

As atribuições dos profissionais das equipes que atuam na Atenção Básica deverão seguir normativas específicas do Ministério da Saúde, bem como as definições de escopo de práticas, protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, além de outras normativas técnicas estabelecidas pelos gestores federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal.

12.2.1. Atribuições Comuns a todos os membros das Equipes que atuam na Atenção Básica

Participar do processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe, identificando grupos, famílias e indivíduos expostos a riscos e vulnerabilidades;

Cadastrar e manter atualizado o cadastramento e outros dados de saúde das famílias e dos indivíduos

no sistema de informação da Atenção Básica vigente, utilizando as informações sistematicamente para a análise da situação de saúde, considerando as características sociais, econômicas, culturais, demográficas e epidemiológicas do território, priorizando as situações a serem acompanhadas no planejamento local;

Realizar o cuidado integral à saúde da população adscrita, prioritariamente no âmbito da Unidade

Básica de Saúde, e quando necessário, no domicílio e demais espaços comunitários (escolas, associações,

entre outros), com atenção especial às populações que apresentem necessidades específicas (em situação de rua, em medida socioeducativa, privada de liberdade, ribeirinha, fluvial, etc.).

Realizar ações de atenção à saúde conforme a necessidade de saúde da população local, bem como

aquelas previstas nas prioridades, protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, assim como, na oferta nacional de ações e serviços essenciais e ampliados da AB;

Garantir a atenção à saúde da população adscrita, buscando a integralidade por meio da realização

de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, prevenção de doenças e agravos e da garantia de atendimento da demanda espontânea, da realização das ações programáticas, coletivas e de vigilância em saúde, e incorporando diversas racionalidades em saúde, inclusive Práticas Integrativas e Complementares;

Participar do acolhimento dos usuários, proporcionando atendimento humanizado, realizando

classificação de risco, identificando as necessidades de intervenções de cuidado, responsabilizando-se pela continuidade da atenção e viabilizando o estabelecimento do vínculo;

Responsabilizar-se pelo acompanhamento da população adscrita ao longo do tempo no que se refere

às múltiplas situações de doenças e agravos, e às necessidades de cuidados preventivos, permitindo a longitudinalidade do cuidado;

Praticar cuidado individual, familiar e dirigido a pessoas, famílias e grupos sociais, visando propor intervenções que possam influenciar os processos saúde-doença individual, das coletividades e da própria comunidade;

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Responsabilizar-se pela população adscrita mantendo a coordenação do cuidado mesmo quando

necessita de atenção em outros pontos de atenção do sistema de saúde;

Utilizar o Sistema de Informação da Atenção Básica vigente para registro das ações de saúde na AB,

visando subsidiar a gestão, planejamento, investigação clínica e epidemiológica, e à avaliação dos serviços de saúde;

Contribuir para o processo de regulação do acesso a partir da Atenção Básica, participando da

definição de fluxos assistenciais na RAS, bem como da elaboração e implementação de protocolos e diretrizes clínicas e terapêuticas para a ordenação desses fluxos;

Realizar a gestão das filas de espera, evitando a prática do encaminhamento desnecessário, com base

nos processos de regulação locais (referência e contrarreferência), ampliando-a para um processo de compartilhamento de casos e acompanhamento longitudinal de responsabilidade das equipes que atuam

na atenção básica;

Prever nos fluxos da RAS entre os pontos de atenção de diferentes configurações tecnológicas a

integração por meio de serviços de apoio logístico, técnico e de gestão, para garantir a integralidade do cuidado;

Instituir ações para segurança do paciente e propor medidas para reduzir os riscos e diminuir os eventos adversos;

Alimentar e garantir a qualidade do registro das atividades nos sistemas de informação da Atenção Básica, conforme normativa vigente;

Realizar busca ativa e notificar doenças e agravos de notificação compulsória, bem como outras

doenças, agravos, surtos, acidentes, violências, situações sanitárias e ambientais de importância local, considerando essas ocorrências para o planejamento de ações de prevenção, proteção e recuperação em saúde no território;

Realizar busca ativa de internações e atendimentos de urgência/emergência por causas sensíveis à

Atenção Básica, a fim de estabelecer estratégias que ampliem a resolutividade e a longitudinalidade pelas equipes que atuam na AB;

Realizar visitas domiciliares e atendimentos em domicílio às famílias e pessoas em residências,

Instituições de Longa Permanência (ILP), abrigos, entre outros tipos de moradia existentes em seu território, de acordo com o planejamento da equipe, necessidades e prioridades estabelecidas;

Realizar atenção domiciliar a pessoas com problemas de saúde controlados/compensados com algum

grau de dependência para as atividades da vida diária e que não podem se deslocar até a Unidade Básica de Saúde;

Realizar trabalhos interdisciplinares e em equipe, integrando áreas técnicas, profissionais de

diferentes formações e até mesmo outros níveis de atenção, buscando incorporar práticas de vigilância, clínica ampliada e matriciamento ao processo de trabalho cotidiano para essa integração (realização de

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consulta compartilhada reservada aos profissionais de nível superior, construção de Projeto Terapêutico Singular, trabalho com grupos, entre outras estratégias, em consonância com as necessidades e demandas da população);

Participar de reuniões de equipes a fim de acompanhar e discutir em conjunto o planejamento e

avaliação sistemática das ações da equipe, a partir da utilização dos dados disponíveis, visando a readequação constante do processo de trabalho;

Articular e participar das atividades de educação permanente e educação continuada;

Realizar ações de educação em saúde à população adstrita, conforme planejamento da equipe e utilizando abordagens adequadas às necessidades deste público;

Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado funcionamento da UBS;

Promover a mobilização e a participação da comunidade, estimulando conselhos/colegiados,

constituídos de gestores locais, profissionais de saúde e usuários, viabilizando o controle social na gestão da Unidade Básica de Saúde;

Identificar parceiros e recursos na comunidade que possam potencializar ações intersetoriais;

Acompanhar e registrar no Sistema de Informação da Atenção Básica e no mapa de acompanhamento

do Programa Bolsa Família (PBF), e/ou outros programas sociais equivalentes, as condicionalidades de saúde das famílias beneficiárias; e

Realizar outras ações e atividades, de acordo com as prioridades locais, definidas pelo gestor local.

12.2.2. Atribuições específicas dos profissionais das equipes que atuam na Atenção Básica

Enfermeiro:

I - Realizar atenção à saúde aos indivíduos e famílias vinculadas às equipes e, quando indicado ou necessário,

no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações entre outras), em todos os ciclos de

vida;

II - Realizar consulta de enfermagem, procedimentos, solicitar exames complementares, prescrever

medicações conforme protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, ou outras normativas técnicas

estabelecidas pelo gestor federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal, observadas as disposições legais

da

profissão;

III

- Realizar e/ou supervisionar acolhimento com escuta qualificada e classificação de risco, de acordo com

protocolos estabelecidos;

IV - Realizar estratificação de risco e elaborar plano de cuidados para as pessoas que possuem condições

crônicas no território, junto aos demais membros da equipe; V - Realizar atividades em grupo e encaminhar, quando necessário, usuários a outros serviços, conforme fluxo estabelecido pela rede local;

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50

VI

- Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos técnicos/auxiliares de enfermagem, ACS e

ACE em conjunto com os outros membros da equipe;

VII - Supervisionar as ações do técnico/auxiliar de enfermagem e ACS;

VIII - Implementar e manter atualizados rotinas, protocolos e fluxos relacionados a sua área de competência

na

UBS; e

IX

- Exercer outras atribuições conforme legislação profissional, e que sejam de responsabilidade na sua área

de

atuação.

Técnico e/ou Auxiliar de Enfermagem:

I - Participar das atividades de atenção à saúde realizando procedimentos regulamentados no exercício de

sua profissão na UBS e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações, entre outros);

II - Realizar procedimentos de enfermagem, como curativos, administração de medicamentos, vacinas, coleta

de material para exames, lavagem, preparação e esterilização de materiais, entre outras atividades delegadas

pelo enfermeiro, de acordo com sua área de atuação e regulamentação; e

III - Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de atuação.

Médico:

I - Realizar a atenção à saúde às pessoas e famílias sob sua responsabilidade;

II - Realizar consultas clínicas, pequenos procedimentos cirúrgicos, atividades em grupo na UBS e, quando

indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações entre

outros); em conformidade com protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, bem como outras normativas técnicas estabelecidas pelos gestores (federal, estadual, municipal ou Distrito Federal), observadas as disposições legais da profissão;

III - Realizar estratificação de risco e elaborar plano de cuidados para as pessoas que possuem condições

crônicas no território, junto aos demais membros da equipe;

IV - Encaminhar, quando necessário, usuários a outros pontos de atenção, respeitando fluxos locais,

mantendo sob sua responsabilidade o acompanhamento do plano terapêutico prescrito;

V - Indicar a necessidade de internação hospitalar ou domiciliar, mantendo a responsabilização pelo

acompanhamento da pessoa;

VI - Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS e ACE em conjunto com os outros

membros da equipe; e

VII - Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de atuação.

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Cirurgião-Dentista:

I - Realizar a atenção em saúde bucal (promoção e proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico,

tratamento, acompanhamento, reabilitação e manutenção da saúde) individual e coletiva a todas as famílias,

a indivíduos e a grupos específicos, atividades em grupo na UBS e, quando indicado ou necessário, no

domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações entre outros), de acordo com planejamento da equipe, com resolubilidade e em conformidade com protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, bem como outras normativas técnicas estabelecidas pelo gestor federal, estadual, municipal ou

do

Distrito Federal, observadas as disposições legais da profissão;

II

- Realizar diagnóstico com a finalidade de obter o perfil epidemiológico para o planejamento e a

programação em saúde bucal no território;

III - Realizar os procedimentos clínicos e cirúrgicos da AB em saúde bucal, incluindo atendimento das

urgências, pequenas cirurgias ambulatoriais e procedimentos relacionados com as fases clínicas de moldagem, adaptação e acompanhamento de próteses dentárias (elementar, total e parcial removível);

IV - Coordenar e participar de ações coletivas voltadas à promoção da saúde e à prevenção de doenças bucais;

V - Acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde com os demais membros da equipe,

buscando aproximar saúde bucal e integrar ações de forma multidisciplinar;

VI - Realizar supervisão do técnico em saúde bucal (TSB) e auxiliar em saúde bucal (ASB);

VII - Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS e ACE em conjunto com os outros membros da equipe;

VIII - Realizar estratificação de risco e elaborar plano de cuidados para as pessoas que possuem condições crônicas no território, junto aos demais membros da equipe; e

IX - Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de atuação.

Técnico em Saúde Bucal (TSB):

I - Realizar a atenção em saúde bucal individual e coletiva das famílias, indivíduos e a grupos específicos, atividades em grupo na UBS e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações entre outros), segundo programação e de acordo com suas competências técnicas e legais;

II - Coordenar a manutenção e a conservação dos equipamentos odontológicos;

III - Acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com os demais membros da

equipe, buscando aproximar e integrar ações de saúde de forma multidisciplinar;

IV - Apoiar as atividades dos ASB e dos ACS nas ações de prevenção e promoção da saúde bucal;

V - Participar do treinamento e capacitação de auxiliar em saúde bucal e de agentes multiplicadores das ações

de

promoção à saúde;

VI

- Participar das ações educativas atuando na promoção da saúde e na prevenção das doenças bucais;

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VII

- Participar da realização de levantamentos e estudos epidemiológicos, exceto na categoria de

examinador;

VIII - Realizar o acolhimento do paciente nos serviços de saúde bucal;

IX - Fazer remoção do biofilme, de acordo com a indicação técnica definida pelo cirurgião-dentista;

X - Realizar fotografias e tomadas de uso odontológico exclusivamente em consultórios ou clínicas

odontológicas;

XI - Inserir e distribuir no preparo cavitário materiais odontológicos na restauração dentária direta, sendo

vedado o uso de materiais e instrumentos não indicados pelo cirurgião-dentista;

XII - Auxiliar e instrumentar o cirurgião-dentista nas intervenções clínicas e procedimentos demandados

pelo

mesmo;

XIII

- Realizar a remoção de sutura conforme indicação do Cirurgião Dentista;

XIV

- Executar a organização, limpeza, assepsia, desinfecção e esterilização do instrumental, dos

equipamentos odontológicos e do ambiente de trabalho;

XV - Proceder à limpeza e à antissepsia do campo operatório, antes e após atos cirúrgicos;

XVI - Aplicar medidas de biossegurança no armazenamento, manuseio e descarte de produtos e resíduos

odontológicos;

XVII - Processar filme radiográfico;

XVIII - Selecionar moldeiras;

XIX - Preparar modelos em gesso;

XX - Manipular materiais de uso odontológico.

XXI - Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de atuação.

Auxiliar em Saúde Bucal (ASB):

I - Realizar ações de promoção e prevenção em saúde bucal para as famílias, grupos e indivíduos, mediante

planejamento local e protocolos de atenção à saúde; II - Executar organização, limpeza, assepsia, desinfecção e esterilização do instrumental, dos equipamentos odontológicos e do ambiente de trabalho;

III - Auxiliar e instrumentar os profissionais nas intervenções clínicas,

IV - Realizar o acolhimento do paciente nos serviços de saúde bucal;

V - Acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com os demais membros da

equipe de Atenção Básica, buscando aproximar e integrar ações de saúde de forma multidisciplinar;

VI - Aplicar medidas de biossegurança no armazenamento, transporte, manuseio e descarte de produtos e

resíduos odontológicos;

VII - Processar filme radiográfico;

VIII - Selecionar moldeiras;

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IX

- Preparar modelos em gesso;

X - Manipular materiais de uso odontológico realizando manutenção e conservação dos equipamentos;

XI - Participar da realização de levantamentos e estudos epidemiológicos, exceto na categoria de examinador;

XII - Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de atuação.

Gerente de Atenção Básica Recomenda-se a inclusão do Gerente de Atenção Básica com o objetivo de contribuir para o aprimoramento e qualificação do processo de trabalho nas Unidades Básicas de Saúde, em especial ao fortalecer a atenção à saúde prestada pelos profissionais das equipes à população adscrita, por meio de

função técnico-gerencial. A inclusão deste profissional deve ser avaliada pelo gestor, segundo a necessidade

do território e cobertura de AB.

Entende-se por Gerente de AB um profissional qualificado, preferencialmente com nível superior, com o papel de garantir o planejamento em saúde, de acordo com as necessidades do território e comunidade,

a organização do processo de trabalho, coordenação e integração das ações. Importante ressaltar que o

gerente não seja profissional integrante das equipes vinculadas à UBS e que possua experiência na Atenção

Básica, preferencialmente de nível superior, e dentre suas atribuições estão:

I - Conhecer e divulgar, junto aos demais profissionais, as diretrizes e normas que incidem sobre a AB em

âmbito nacional, estadual, municipal e Distrito Federal, com ênfase na Política Nacional de Atenção Básica,

de modo a orientar a organização do processo de trabalho na UBS;

II - Participar e orientar o processo de territorialização, diagnóstico situacional, planejamento e programação

das equipes, avaliando resultados e propondo estratégias para o alcance de metas de saúde, junto aos demais

profissionais;

III - Acompanhar, orientar e monitorar os processos de trabalho das equipes que atuam na AB sob sua

gerência, contribuindo para implementação de políticas, estratégias e programas de saúde, bem como para

a mediação de conflitos e resolução de problemas;

IV - Mitigar a cultura na qual as equipes, incluindo profissionais envolvidos no cuidado e gestores assumem

responsabilidades pela sua própria segurança de seus colegas, pacientes e familiares, encorajando a identificação, a notificação e a resolução dos problemas relacionados à segurança;

V - Assegurar a adequada alimentação de dados nos sistemas de informação da Atenção Básica vigente, por

parte dos profissionais, verificando sua consistência, estimulando a utilização para análise e planejamento

das ações, e divulgando os resultados obtidos;

VI - Estimular o vínculo entre os profissionais favorecendo o trabalho em equipe;

VII - Potencializar a utilização de recursos físicos, tecnológicos e equipamentos existentes na UBS, apoiando

os processos de cuidado a partir da orientação à equipe sobre a correta utilização desses recursos;

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VIII

- Qualificar a gestão da infraestrutura e dos insumos (manutenção, logística dos materiais, ambiência da

UBS), zelando pelo bom uso dos recursos e evitando o desabastecimento;

IX

- Representar o serviço sob sua gerência em todas as instâncias necessárias e articular com demais atores

da

gestão e do território com vistas à qualificação do trabalho e da atenção à saúde realizada na UBS;

X - Conhecer a RAS, participar e fomentar a participação dos profissionais na organização dos fluxos de

usuários, com base em protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, apoiando a referência e contrarreferência entre equipes que atuam na AB e nos diferentes pontos de atenção, com garantia de encaminhamentos

responsáveis;

XI - Conhecer a rede de serviços e equipamentos sociais do território, e estimular a atuação intersetorial, com

atenção diferenciada para as vulnerabilidades existentes no território;

XII - Identificar as necessidades de formação/qualificação dos profissionais em conjunto com a equipe,

visando melhorias no processo de trabalho, na qualidade e resolutividade da atenção, e promover a Educação Permanente, seja mobilizando saberes na própria UBS, ou com parceiros;

XIII - Desenvolver gestão participativa e estimular a participação dos profissionais e usuários em instâncias

de controle social;

XIV - Tomar as providências cabíveis no menor prazo possível quanto a ocorrências que interfiram no

funcionamento da unidade; e

XV - Exercer outras atribuições que lhe sejam designadas pelo gestor municipal ou do Distrito Federal, de

acordo com suas competências.

Agente Comunitário de Saúde (ACS) e Agente de Combate a Endemias (ACE) Seguindo o pressuposto de que Atenção Básica e Vigilância em Saúde devem se unir para a adequada identificação de problemas de saúde nos territórios e o planejamento de estratégias de intervenção clínica e sanitária mais efetivas e eficazes, orienta-se que as atividades específicas dos agentes de saúde (ACS e ACE) devem ser integradas. Assim, além das atribuições comuns a todos os profissionais da equipe de AB, são atribuições dos ACS e ACE:

Atribuições comuns do ACS e ACE

I - Realizar diagnóstico demográfico, social, cultural, ambiental, epidemiológico e sanitário do território em

que atuam, contribuindo para o processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe;

II - Desenvolver atividades de promoção da saúde, de prevenção de doenças e agravos, em especial aqueles

mais prevalentes no território, e de vigilância em saúde, por meio de visitas domiciliares regulares e de ações

educativas individuais e coletivas, na UBS, no domicílio e outros espaços da comunidade, incluindo a investigação epidemiológica de casos suspeitos de doenças e agravos junto a outros profissionais da equipe quando necessário;

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III

- Realizar visitas domiciliares com periodicidade estabelecida no planejamento da equipe e conforme as

necessidades de saúde da população, para o monitoramento da situação das famílias e indivíduos do território, com especial atenção às pessoas com agravos e condições que necessitem de maior número de visitas domiciliares;

IV - Identificar e registrar situações que interfiram no curso das doenças ou que tenham importância

epidemiológica relacionada aos fatores ambientais, realizando, quando necessário, bloqueio de transmissão

de doenças infecciosas e agravos;

V - Orientar a comunidade sobre sintomas, riscos e agentes transmissores de doenças e medidas de prevenção

individual e coletiva;

VI - Identificar casos suspeitos de doenças e agravos, encaminhar os usuários para a unidade de saúde de

referência, registrar e comunicar o fato à autoridade de saúde responsável pelo território;

VII - Informar e mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental e outras

formas de intervenção no ambiente para o controle de vetores;

VIII - Conhecer o funcionamento das ações e serviços do seu território e orientar as pessoas quanto à utilização dos serviços de saúde disponíveis;

IX - Estimular a participação da comunidade nas políticas públicas voltadas para a área da saúde;

X - Identificar parceiros e recursos na comunidade que possam potencializar ações intersetoriais de

relevância para a promoção da qualidade de vida da população, como ações e programas de educação, esporte e lazer, assistência social, entre outros; e

XI - Exercer outras atribuições que lhes sejam atribuídas por legislação específica da categoria, ou outra

normativa instituída pelo gestor federal, municipal ou do Distrito Federal.

Atribuições do ACS:

I - Trabalhar com adscrição de indivíduos e famílias em base geográfica definida e cadastrar todas

as pessoas de sua área, mantendo os dados atualizados no sistema de informação da Atenção

Básica vigente, utilizando-os de forma sistemática, com apoio da equipe, para a análise da situação

de saúde, considerando as características sociais, econômicas, culturais, demográficas e epidemiológicas do território, e priorizando as situações a serem acompanhadas no planejamento

local;

II - Utilizar instrumentos para a coleta de informações que apoiem no diagnóstico demográfico e

sociocultural da comunidade;

III - Registrar, para fins de planejamento e acompanhamento das ações de saúde, os dados de

nascimentos, óbitos, doenças e outros agravos à saúde, garantido o sigilo ético;

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IV - Desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e a população adscrita

à UBS, considerando as características e as finalidades do trabalho de acompanhamento de

indivíduos e grupos sociais ou coletividades;

V - Informar os usuários sobre as datas e horários de consultas e exames agendados;

VI - Participar dos processos de regulação a partir da Atenção Básica para acompanhamento das

necessidades dos usuários no que diz respeito a agendamentos ou desistências de consultas e exames solicitados;

VII - Exercer outras atribuições que lhes sejam atribuídas por legislação específica da categoria, ou

outra normativa instituída pelo gestor federal, municipal ou do Distrito Federal.

Poderão ser consideradas, ainda, atividades do Agente Comunitário de Saúde, a serem realizadas

em caráter excepcional, assistidas por profissional de saúde de nível superior, membro da equipe, após treinamento específico e fornecimento de equipamentos adequados, em sua base geográfica

de atuação, encaminhando o paciente para a unidade de saúde de referência.

I - aferir a pressão arterial, inclusive no domicílio, com o objetivo de promover saúde e prevenir doenças e agravos;

II - realizar a medição da glicemia capilar, inclusive no domicílio, para o acompanhamento dos

casos diagnosticados de diabetes mellitus e segundo projeto terapêutico prescrito pelas equipes

que atuam na Atenção Básica;

III - aferição da temperatura axilar, durante a visita domiciliar;

IV - realizar técnicas limpas de curativo, que são realizadas com material limpo, água corrente ou

soro fisiológico e cobertura estéril, com uso de coberturas passivas, que somente cobre a ferida; e

V - Indicar a necessidade de internação hospitalar ou domiciliar, mantendo a responsabilização

pelo acompanhamento da pessoa;

VI - Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS e ACE em conjunto com os

outros membros da equipe; e

VII - Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de atuação.

Atribuições do ACE:

I - Executar ações de campo para pesquisa entomológica, malacológica ou coleta de reservatórios

de

doenças;

II

- Realizar cadastramento e atualização da base de imóveis para planejamento e definição de

estratégias de prevenção, intervenção e controle de doenças, incluindo, dentre outros, o

recenseamento de animais e levantamento de índice amostral tecnicamente indicado;

III - Executar ações de controle de doenças utilizando as medidas de controle químico, biológico,

manejo ambiental e outras ações de manejo integrado de vetores;

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IV - Realizar e manter atualizados os mapas, croquis e o reconhecimento geográfico de seu

território; e V - Executar ações de campo em projetos que visem avaliar novas metodologias de intervenção para prevenção e controle de doenças; e

VI - Exercer outras atribuições que lhes sejam atribuídas por legislação específica da categoria, ou

outra normativa instituída pelo gestor federal, municipal ou do Distrito Federal. O ACS e o ACE devem compor uma equipe de Atenção Básica (eAB) ou uma equipe de

Saúde da Família (eSF) e serem coordenados por profissionais de saúde de nível superior realizado

de forma compartilhada entre a Atenção Básica e a Vigilância em Saúde. Nas localidades em que

não houver cobertura por equipe de Atenção Básica (eAB) ou equipe de Saúde da Família (eSF), o ACS deve se vincular à equipe da Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (EACS). Já o ACE, nesses casos, deve ser vinculado à equipe de vigilância em saúde do município e sua supervisão técnica deve ser realizada por profissional com comprovada capacidade técnica, podendo estar vinculado à equipe de atenção básica, ou saúde da família, ou a outro serviço a ser definido pelo gestor local.

12.3. Financiamento da Atenção Básica

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13. PERFIL E ATRIBUIÇÕES DO ACE

13.1. Diretrizes para o programa de qualificação do agente de combate às endemias Com o processo de descentralização das Ações de Epidemiologia e Controle de Doenças - ECD, desencadeado pela publicação da Portaria GM/MS nº 1399, de 15 de dezembro de 1999, ocorreu também um processo de descentralização de diversos profissionais até então vinculados à FUNASA, que atuavam em atividades específicas de combate a endemias. Neste processo se observou a necessidade de qualificação destes profissionais tendo em vista a nova realidade de atuação descentralizada e com a necessidade de formação mais geral em vigilância em saúde. A partir desta nova realidade foi desencadeado um programa de qualificação denominado como “PROFORMAR”, que apesar de absorver um volume grande de recursos pouco se expandiu além do treinamento de parte dos profissionais descentralizados. Esta iniciativa sofreu muitas críticas direcionadas a provável envolvimento insuficiente dos estados e municípios, não tendo continuidade. Cabe destacar que já antes da descentralização das ações de ECD vinha ocorrendo contratação de profissionais de nível fundamental pelos municípios para o combate às endemias e que se ampliou bastante nos últimos anos. Esta situação somada à aposentadoria e afastamento progressivo dos profissionais com vínculo federal levou à situação atual de uma grande massa de trabalhadores contratados como Agentes de Combates às Endemias - ACE (ou com outras denominações como agentes de controle de endemias, de controle ambiental, de vigilância ambiental, de zoonoses, entre outras) pelos municípios e em sua imensa maioria sem qualquer processo de qualificação mais estruturado para exercer esta atividade. Os ACE têm suas atribuições previstas na Lei nº 11.350 de 05 de outubro de 2006, que estabelece como suas atribuições o exercício de atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e promoção da saúde, desenvolvidas em conformidade com as diretrizes do SUS e sob a supervisão do gestor de cada ente federado. Considerando estas atribuições já citadas, é consenso nas discussões já realizadas (com participação das áreas de VS e APS do Ministério da Saúde, CONASS e Conasems) que a denominação mais adequada para estes profissionais seria “Agentes de Vigilância em Saúde”. Considerando a legislação em vigor optou- se por manter a utilização do termo “Agentes de Combate às Endemias”. Na organização do trabalho de saúde na comunidade, o Agente Comunitário de Saúde - ACS e o ACE desempenham papéis fundamentais, pois tem contato direto e contínuo com a comunidade, e são na maioria das vezes os principais articuladores entre a comunidade e a unidade/serviços de saúde. Mais recentemente, com a publicação das Portarias GM/MS 3252 de dezembro de 2009 e GM/MS 1007 de maio de 2010 iniciou- se um processo de incorporação gradativa dos ACE nas equipes de Saúde da Família, com vistas a fortalecer a inserção das ações de vigilância e promoção da saúde na Atenção Primária à Saúde, com consequente integração dos processos de trabalho. Esta nova demanda, somada à situação já existente anteriormente deixa clara a necessidade urgente de qualificação destes profissionais, reivindicação antiga dos gestores e profissionais de saúde.

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13.2.

O trabalho do Agente de Combate as Endemias

O profissional atua nas ruas de uma comunidade prevenindo e ajudando a combater doenças que

podem causar epidemias.

O agente de combate a endemias fará um trabalho em equipe dentro de determinadas comunidades,

já que o profissional atua nas ruas em visitas em casas de moradores que podem ser acometidas por alguma

endemia.

O

profissional pode ser selecionado pelas prefeituras de todo o Brasil que realizam concurso para

selecionar profissionais para o cargo.

Os agentes visitam casas para informar a população de um determinado território como prevenir e

controlar doenças e tem papel fundamental no conhecimento do processo saúde e doença. O profissional precisa estar preparado para falar sobre o assunto e alertar a população. Antes das visitas é feita uma análise da região para saber como será feita a abordagem. Cada cidade ou bairro têm uma forma de trabalhar, mas na maioria das vezes as visitas são feitas em grupo. Para tanto é necessário possuir conhecimento técnico sobre sua área de atuação.

13.3. Conceitos fundamentais à prática de trabalho

A endemia se manifesta somente em uma determinada região, não se espalhando por outras

comunidades. Um exemplo no Brasil são as áreas de febre amarela e a dengue, que tem caráter contínuo e restrito. Lembrando que as pessoas que viajam para áreas endêmicas precisam ser vacinadas antes de ir para o lugar.

Já a epidemia é uma doença infecciosa transmissível que se espalha numa região rapidamente,

aparecendo vários casos da doença em um curto período de tempo, chamado surto epidêmico. Em geral, isso acontece pela mutação do agente transmissor da doença num local onde ela não existia ou não tinha conhecimento da mesma.

A Pandemia é quando uma doença contagiosa se espalha em grandes proporções, por um ou mais

continentes pelo mundo afora e, eventualmente, acabando com cidades e regiões inteiras. Quando aparece um vírus, por exemplo, e a população não tem o conhecimento ou se espalha facilmente, temos a AIDS, uma

doença que se não for prevenida, causa sérias consequências.

A grande diferença entre Endemia, Epidemia e Pandemia é pelos locais e pela forma que se espalha,

sendo que quando a doença existe apenas em uma determinada área é endêmica; se a doença é transmitida para outras populações é Epidemia; quando se espalha pelos continentes do mundo inteiro temos aqui uma pandemia. Em 2009, a humanidade viu uma variação do vírus da gripe colocar todo o mundo em estado de alerta. Chamado de gripe suína, o vírus surgiu no México e rapidamente se espalhou para outros continentes

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fora da América do Norte. Essa nova forma de gripe fez com que as pessoas alterassem seus hábitos, como disponibilizar álcool em gel nos mais diversos ambientes, lavar as mãos com frequência, entre outros.

13.4. O controle das endemias no Brasil e sua história

O início do controle das endemias ocorreu pelo século XIX e começo XX, uma enorme quantidade de agentes infecciosos e seus vetores, onde durante séculos o controle dessas doenças se fundamentava na medicina dos humores, que se tratava do coração, do sistema respiratório, fígado e por último o baço. Em 1899 chegou aos portos brasileiros a Peste Bubônica, ocasionando uma epidemia no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, situação que fez o governo se posicionar quanto as endemias e epidemias que vinham ocorrendo. A renovação sanitária foi uma grande resposta quanto ao maior apoio do governo central, empreendendo grandes obras de saneamento. Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, veio também a ideia que as doenças endêmicas podiam ter uma maneira de serem controladas, e até possível, erradicadas, onde o governo norte-americano através de agências de cooperação internacional, assim como os organismos internacionais de saúde implantaram uma série de ações globais e regionais, com foco no controle e na erradicação das doenças. No fim do século XX algumas endemias foram controladas pelos programas controladores, outras pela evolução da sociedade, como urbanização, saneamento básico e a melhoria das condições de vida, apesar de uma boa parte da população ainda viver na linha da pobreza.

13.5. Rotina de trabalho e atribuições do ACE

Na organização das atividades de campo, o agente é o responsável por uma zona fixa de 800 a 1.000

imóveis. Suas atribuições no combate aos vetores são:

Realizar a pesquisa larvária em imóveis para levantamento de índice.

Realizar a eliminação de criadouros.

Executar o tratamento focal e perifocal como medida complementar ao controle mecânico.

Orientar a população com relação aos meios de evitar a proliferação dos vetores.

Utilizar corretamente os equipamentos de proteção individual indicados para cada situação.

Repassar ao supervisor da área os problemas de maior grau de complexidade não solucionados.

Manter atualizado o cadastro de imóveis e pontos estratégicos da sua zona.

Registrar as informações referentes às atividades executadas nos formulários específicos.

Deixar seu itinerário diário de trabalho.

Encaminhar aos serviços de saúde os casos suspeitos de dengue.

Realizar visita domiciliar para inspeção de depósitos.

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13.6. Atribuições do ACE na PNAB

O ACE é o profissional que trabalha vinculado a uma equipe de vigilância em saúde, mas que deve

atuar de forma conjunta com a equipe de Atenção Básica sempre que possível. Além de promover ações de educação em saúde junto à comunidade e de informar à população sobre os riscos das doenças, o ACE também realiza visita aos imóveis e outras localidades com o objetivo de

prevenir e controlar doenças como dengue, malária, leishmaniose, doença de Chagas, controle de roedores, prevenção de acidentes por cobras, escorpiões e aranhas, participa das ações de vacinação de cães e gatos para prevenção e controle da raiva, entre outras ações de manejo ambiental. Neste sentindo são elencados alguns importantes pontos para a vigilância em saúde a serem garantidos para nova PNAB:

Realizar mapeamento de vulnerabilidades que considere necessariamente a identificação de fatores

determinantes e condicionantes de saúde individual e coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos, bem como das situações de riscos

à saúde decorrentes do ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de

interesse da saúde, e dos ambientes e processos de trabalho;

Priorizar a execução das ações, a partir do mapeamento de vulnerabilidades, considerando o perfil epidemiológico, a sazonalidade de doenças e agravos, os ciclos produtivos, bem como situações de emergência em saúde pública e de riscos à saúde, decorrentes dos ambientes e processos de trabalho;

Implantar, implementar, ampliar e fortalecer as Linhas de Cuidado para as doenças transmissíveis e não transmissíveis, crônicas, agravos e pessoas em situação de violência, tendo a Atenção Básica como coordenadora e ordenadora do cuidado, contemplando o enfrentamento dos fatores de risco e seus determinantes;

Rever o conceito de “território adscrito”, de forma a equacionar os seguintes aspectos: mapeamento de vulnerabilidades, de necessidades locais com base nos determinantes e condicionantes de saúde e planejamento local. Ao mesmo tempo, prever o trânsito do cidadão entre territórios, a depender de suas especificidades, necessidades e condições, buscando a organização dos serviços de saúde para definição das referências e contrarreferências;

Garantir a obrigatoriedade dos registros, em tempo oportuno, nos sistemas de informação relacionados às ações de vigilância em saúde;

Garantir que as ações de educação permanente dirigidas aos trabalhadores da Atenção Básica contemplem temas relacionados à Vigilância em Saúde.

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UNIDADE 3

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14. RELAÇÕES HUMANAS/INTERPESSOAIS

Não há quem duvide que o sucesso de um serviço de saúde ou outro qualquer, está intrinsecamente

ligada às boas Relações Humanas Interpessoais entre equipe de trabalho e os objetivos a serem alcançados, permitindo maior cooperativismo entre líder, por meio de conhecimentos, valorização do profissional alcançando uma integração real e um ambiente de trabalho direcionado a obtenção de qualidade. As nossas relações humanas estão sempre voltadas ao nosso convívio familiar, educacional ou

profissional e é no ambiente profissional que passamos a maior parte de nossas vidas. “[

as pessoas das organizações, e vice-versa [

de todas as pessoas: escolas, igrejas, vida social, trabalho. O ser humano é eminentemente social: ele não vive isolado, mas em continua interação com seus

semelhantes. Nas interações humanas, ambas as partes se envolvem mutuamente, uma influenciando a atitude que a outra irá tomar, e vice-versa. Devido às suas limitações individuais, os seres humanos são obrigados a cooperarem uns com os outros, formando organizações para alcançar objetivos. A organização

é um sistema de atividades conscientemente coordenadas de duas ou mais pessoas. A cooperação entre elas

é essencial para a existência da organização. As relações humanas interpessoais são fundamentais para o sucesso do nosso dia a dia nas empresas. Se vivermos harmoniosamente com nossos colegas de trabalho, tornar-se-á um círculo alegre, divertido e inspirador. Qualquer relacionamento envolve

expectativas, responsabilidades, vantagens, decepções, pois o fato de envolver ao menos duas pessoas já se faz disso um envolvimento algo excepcional

e ter de conviver eventualmente e ainda depender de outro indivíduo pode não ser muito confortável para

muitos, o que não é raro você encontrar pessoas que escolherem a solidão por ter outras prioridades. Delimitando-se o que se conceitua a cultura organizacional está às normas, valores e padrões sociais que influenciam este ambiente, absorvendo características de cada membro. O gestor deve criar condições de adaptação e mudanças nos serviços, onde o potencial humano é estimulado juntamente com a qualidade associada à produtividade. Em qualquer empreendimento em equipe (pessoal ou profissional), tudo se inicia com um contrato de expectativas e responsabilidades. Nesse contrato são definidas as normas de participação, as responsabilidades, as metas a alcançar, os prazos etc. Enquanto todos os envolvidos cumprem sua parte, tudo segue bem. No momento em que alguém quebra um item do que foi negociado, inicia-se o processo de conflitos. Muitas vezes, o processo é lento e as pessoas não se confrontam imediatamente, mas dão pistas de

] é difícil separar

As organizações estão presentes na nossa sociedade e na vida

].

mas dão pistas de ] é difícil separar As organizações estão presentes na nossa sociedade e
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sua insatisfação. Algumas mais visíveis (mau humor, agressividade no trato com o outro, atrasos, etc.) e outras pistas surgem de maneira mais velada, por boatos, fofocas, formação de “panelinhas” e redução do nível de produtividade.

14.1. Princípios de relações humanas

Inevitavelmente, em qualquer profissão e quase em qualquer outra atividade, o ser humano necessita estar em relacionamento com seus semelhantes. Quando este relacionamento é harmonioso, contributivo, espontâneo, gera-se satisfação e progresso. Ao contrário, quando é conflituoso, surgem obstáculos aos desenvolvimentos das atividades, gerando “emperramento” nos propósitos a alcançar.

14.2. O que são “relações humanas”?

É a arte do relacionamento humano, que surge quando dois ou mais indivíduos se encontram. Desta

forma, num ambiente de trabalho, em que duas pessoas partilham idéias e tarefas, gera-se um convívio que poderá resultar em cooperação, em atritos, comparações, etc.

A fim de minimizar os entraves nas relações pessoais e permitir que haja maior satisfação das pessoas

envolvidas no processo de convivência. Há dois tipos de relações humanas:

a) Comunicação interpessoal: é o relacionamento entre pessoas, caracterizada através dos eventos ou acontecimentos que se verificam no lar, na escola, na empresa, na igreja, etc. b) Comunicação intrapessoal: é a comunicação que mantemos conosco mesmo. É o diálogo interior. Exemplos: oração, meditação, etc. Verificamos algumas ações de relacionamentos com pessoas, uns benéficos e outros maléficos:

AÇÕES NEGATIVAS

AÇÕES POSITIVAS

Comodismo: torna tudo “morno” e sem sal

Aceitação: compreende que as pessoas são falhas e precisam de ajuda

Ouvir: permite entender os sentimentos dos outros

Paciência: permite suportar uns aos outros

Julgamento: destrói imediatamente qualquer relacionamento

Irritação: transfere a carga de algo errado para outra pessoa

Leviandade: desconsidera que os outros têm sentimentos e preocupações

Elogiar: auxilia nos laços de simpatia mútua

Mentira: acaba com a confiança entre duas pessoas

Interessar-se: mostra a outra pessoa que ela pode “contar conosco”

Críticas: forma uma “muralha da China” nos relacionamentos

Sorrir: o exercício mais relaxante e simpático que Deus criou

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Vamos analisar porque todos nós temos a ganhar com a melhoria de nossos relacionamentos e diversas formas de fazê-lo.

Reflexões:

1. “Antes de criticar alguém, pesquise porque a pessoa agiu/age daquela forma"

2. "Entender porque as pessoas agem de determinada forma não é concordar com suas atitudes"

3. "Relacionar-se com outros custa nosso tempo e paciência. Mas vale a pena, porque nós nos tornamos mais úteis aos nossos semelhantes."

14.3. “Empatia” e estilo de comunicação

14.3. “Empatia” e estilo de comunicação A seguir, as conclusões que chegou um grupo de psicólogos,

A seguir, as conclusões que chegou um grupo de psicólogos, num treinamento de Relações Humanas:

1. Grande parte do nosso trabalho é feito por meio do contato com os outros, quer como indivíduos, quer como grupo.

2. A eficiência em lidar com outras pessoas, é muitas vezes

prejudicada pela falta de habilidade, de compreensão e de trato interpessoal.

3. As pessoas que têm mais habilidade em compreender os

outros e traquejo interpessoal são mais eficazes no

relacionamento humano.

4. A experiência tem comprovado que as pessoas podem

aprender e aperfeiçoar a sua habilidade em compreender os outros e a si próprias, adquirindo traquejo nas relações interpessoais.

Às vezes nós não compreendemos por que temos certos tipos de comportamentos ou atitudes. Não tentamos verificar que isso pode acontecer, por que temos dentro de nós conflitos que não conseguimos resolver. Esses conflitos íntimos impedem nossa maneira eficiente de agir. Exemplo: o chefe “briga” com o subordinado, porque o patrão exige “eficiência” da equipe.

Se as pessoas descobrem como agem, por que agem e tentam descobrir maneiras para compensar tais

comportamentos, isso as ajudará a agir com mais eficiência no relacionamento interpessoal e na compreensão

intrapessoal.

A compreensão dos outros (um dos aspectos mais importantes nas Relações Humanas) é a aptidão

para sentir o que os outros pensam e sentem, sem portanto, envolver-se com tais sentimentos. Esta aptidão denomina-se empatia.

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15. ÉTICA PROFISSIONAL

A tolerância é a consequência necessária do reconhecimento de que somos falíveis; errar é humano, e todos nós cometemos erros permanentemente. Então, perdoemo-nos uns aos outros as nossas loucuras. Este é o fundamento do direito natural (Voltaire).

Ética é um ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais.

Em um sentido mais prático a ética pode ser compreendida ao se examinar certas condutas do dia a

dia, por exemplo, o comportamento de alguns profissionais, como um médico. É comum ouvir expressões

como “ética médica”.

A ética pode ser confundida com lei, embora a lei, frequentemente, tenha como base princípios éticos.

Ninguém pode ser obrigado, pelo Estado ou por outros indivíduos e cumprir as normas éticas, nem sofrer

qualquer sanção pela desobediência a elas.

A lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas pela ética, não a contemplando na sua elaboração,

a exemplo de questões quanto ao aborto e a eutanásia permitidos por lei em alguns países e condenados pela

ética profissional e pela legislação no Brasil.

A ética engloba diversos campos, como

antropologia, psicologia, sociologia, economia,

pedagogia, política, e até mesmo educação física. Ou seja,

abrange uma vasta área, incluindo a vertente profissional.

Há códigos de ética profissional que indicam como um

indivíduo deve se comportar no âmbito da sua profissão.

A inúmeras aplicações da ética, existindo desta

forma “diferentes éticas” a exemplo da ética moral, ética

ambiental, ética política, ética social, ética cultural, ética

profissional, etc.

Embora existam várias teorias éticas e modelos de análise teórica, não pretendo fazer uma revisão

sobre os diversos modelos existentes, nem tampouco entrar em definições, caracterizações e comparações

entre os diversos termos utilizados na ética aplicada à saúde - bioética; ética biomédica; ética da saúde e

outros. A proposta é oferecer fundamentos para a reflexão sobre a forma como temos agido e como temos

sido enquanto profissionais de saúde, independentemente do tipo de prática exercida - assistência, pesquisa,

educação.

O ponto de partida é a compreensão da ética como um ramo da filosofia prática que tem como

propósito refletir sobre o agir humano e suas finalidades; o estudo dos conflitos entre aquilo que podemos

considerar como moralmente justificável e aquilo que não pode ser assim considerado. Neste sentido, início

podemos considerar como moralmente justificável e aquilo que não pode ser assim considerado. Neste sentido, início
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apresentando um conceito mínimo de moralidade, após, destaco alguns aspectos históricos da ética vinculada a saúde e, a seguir, apresento uma noção da ética principialista. Finalmente, apresento três modos gerais de relação usuário/profissional de saúde, detendo-me no modo de abertura para o outro. Embora a abordagem dos problemas de saúde implique em intervenções em fatores sociais e políticos, comportamento humano e institucional, tradições e tecnologias, é no dia-a-dia da prática em saúde que exercemos nossa moralidade e nos deparamos com a finalidade e o sentido da vida humana, obrigações e deveres, e nos posicionamos acerca do bem e do mal. É nessa prática que, cotidianamente, nos é imposto decidir como devemos viver nossa vida, em relação a nós mesmos e em relação aos outros; e, como devemos ser enquanto profissionais de saúde.

15.1. Princípios da ética

Alguns dos princípios éticos são:

Respeito pelas pessoas;

Solidariedade;

Justiça;

Uso do diálogo;

Acolhimento do outro com suas diferenças, potencialidades e dificuldades;

Liberdade;

Responsabilidade;

Moral;

Beneficência (promover o bem);

Não maleficência (não gerar dano).

Geralmente os princípios éticos surgem à medida que novas situações são colocadas diante da sociedade. Por exemplo, a escravidão já foi considerada legal, moral e até ética, passando de legal a tolerável, até ser ilegal e chegar a ser inconcebível.

15.2. Ética na história

A ética nasceu na Grécia, embora seus preceitos fossem praticados entre outros povos desde o início da humanidade. Os preceitos da ética antigamente eram mesclados ao contexto mítico e religioso, procurando pautar regras de comportamento para o convívio entre indivíduos na sociedade. Os gregos foram os primeiros a racionalizar as relações entre as pessoas. Foi a partir daí que surgiram discussões que

fomentam até hoje reflexões éticas.

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Durante a Idade Média, a ética era vinculada com a religião e dogmas cristãos. Entre as concepções filosóficas que influenciaram o conceito de ética medieval estão as ideias de Santo Agostinho, Santo Anselmo e São Tomás de Aquino. Para Santo Agostinho, a verdade é uma questão de fé, superando a razão, subordinando tanto o Estado quanto a política à autoridade da Igreja. O catolicismo alterou a ética, introduzindo a ideia que uma vida virtuosa só poderia ser alcançada pela vontade de Deus, desvinculando a felicidade da racionalização do mundo. As discussões éticas, entre os séculos XVI e XVIII, estiveram centralizadas no embate entre racionalismo e empirismo. Durante a Idade Moderna a ética passou a ser vista novamente voltada para a busca da felicidade coletiva, vinculada com a política, retomando seu sentido grego original. Os preceitos religiosos começaram a perder força, e a ética passou a realizar uma reflexão sobre a construção dos valores que determinam a moral. Logo, a ética moderna, apesar de ainda estar vinculada com a religião, começou a tentar sobrepujar a moral, trazendo de volta discussões presentes na antiguidade. Ela também foi pensada como instrumento de sustentação do poder do Estado perante a vida coletiva e individual. Com o Iluminismo (século XVIII), ao separar o conhecimento da religião, fez uma releitura da ética, estabelecendo críticas que voltaram a centralizar o foco na razão. Foi estabelecido uma visão ética por um viés mais amplo, no contexto do conjunto da humanidade. Immanuel Kant, representante do iluminismo alemão, exerceu grande influência na universalização dos preceitos conceituais da ética humana. De acordo com eles, a ética possui caráter racional e é guiada pela boa vontade. Ela segue os mesmos parâmetros da moral.

A partir do século XX e principalmente no século XXI, ética passou a ser um termo comum, mas passou a ser conceitualmente interpretada pelo senso comum de forma equivocada. Ao mesmo tempo, a ética profissional passou a dominar o cenário globalizado, também contextualizada em um sentido específico. No século XXI, a ética vem englobando várias facetas de definição. Com o surgimento da internet e das redes sociais, a definição de ética abriu novos rumos, como por exemplo a ética da internet, que inclui respeitar as informações dos outros, as informações contidas em uma página pessoal, etc. A ética profissional também surgiu no século XXI. Este tipo de ética envolve o respeito, parceria, amizade, entre outros, para um bom relacionamento no convívio social.

15.3. Ética e Moral Ética é diferente de moral, embora sejam temas relacionados.

Ética busca fundamentar o modo de viver pelo pensamento humano. A ética, na filosofia, não se resume à moral, que geralmente é entendida como costume ou hábito, mas busca a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver. Ela está associada ao estudo fundamentado dos valores morais que orientam o comportamento humano em sociedade, enquanto a moral são os costumes, regras e convenções estabelecidas por cada sociedade.

A ética pode ser entendida como uma reflexão sobre a moral. É um conjunto de conhecimentos

extraídos da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional,

fundamentada, científica e teórica.

A palavra ética é derivada do grego ethose significa “aquilo que pertence ao caráter”. Já a palavra

moral se origina do temo latino morales”, que significa “relativo aos costumes”. Moral é o conjunto de regras que orientam cada indivíduo, suas ações e julgamentos sobre o que é moral, imoral, certo ou errado, bom ou mau. Tanto a moral quanto a ética são responsáveis por construir as bases que irão guiar a conduta do homem, determinando seu caráter e ensinando a melhor forma de agir e se comportar em sociedade. Ambos dizem respeito a uma realidade que é construída a partir das relações coletivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem.

15.4. Ética profissional

A ética se refere ao caráter e ela busca fundamentar as ações exclusivamente pela razão. A ética

profissional pode ser entendida como as práticas que determinam a adequação no exercício de qualquer profissão.

É o conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e representam imperativos de sua conduta.

O profissional ético é aquele que cumpre com todas as atividades de sua profissão, seguindo os princípios determinados pela sociedade e pelo seu grupo de trabalho.

Através da ética se dão as relações interpessoais no trabalho, visando o respeito e o bem-estar no ambiente profissional.

A ética é inerente à vida humana, isto é, é indispensável ser ético para conviver em sociedade.

Dentro do ambiente de trabalho a ética é essencial, pois atitudes inadequadas podem afetar o desempenho e a reputação de uma empresa.

Apesar de cada profissão possuir seu próprio código de ética, há elementos da ética profissional que são universais e aplicáveis a qualquer atividade profissional. Esses elementos importantes da ética profissional são:

Honestidade: preceito básico para a convivência tanto pessoal quanto profissional.

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Competência: além de talento para desenvolver uma tarefa, competência envolve compromisso, organização e capacidade de ajudar os demais, com o objetivo de realizar um bom trabalho.

Sigilo: dados confidenciais da empresa não devem ser compartilhadas fora da empresa.

Prudência: respeito às relações profissionais dentro do ambiente de trabalho.

Humildade: humildade é perguntar quando há dúvidas, no caso do líder, é ouvir os subordinados, é reconhecer erros e aprender com eles.

Imparcialidade: tratar as pessoas de maneira igual, independente do cargo que ocupam.

A ética profissional não depende do cargo, ela vale para todos. Para ser ético, basta agir com respeito

e responsabilidade. Uma conduta ética no trabalho é essencial para o alcance da excelência profissional.

15.5. Código de ética profissional

O código de ética profissional pode ser definido como o conjunto de normas éticas que devem ser

seguidas pelos profissionais no exercício de seu trabalho. Esse código profissional é elaborado pelos Conselhos, que representam e fiscalizam o exercício da profissão. Alguns exemplos são os Códigos de Ética dos médicos, da enfermagem, advogados, engenharias, etc. São códigos que se referem a procedimentos e normas padrões das áreas e são necessários por questões de

segurança. Estes códigos devem ser respeitados, do contrário, geralmente implicam em danos à sociedade, consumidores, humanos ou empresas.

O código é um conjunto de afirmações, descritivas ou normativas sobre um tema ou questão, sobre o

bem agir no campo profissional. O código de ética profissional é um instrumento para a tomada de decisão

frente a dilemas éticos, além de orientar a conduta dos profissionais no exercício da profissão. Um código de ética profissional pode ser normativo ou descritivo.

Normativo quando é composto de normas explícitas sobre a conduta do profissional. É comum que estes códigos explicitem sanções ou punições pelo não cumprimento das normas estabelecidas.

Descritivos expõem valores e princípios que devem nortear a conduta dos profissionais.

A maioria dos códigos são mistos, ou seja, normativos e descritivos.

15.6. Relações humanas e ética profissional

As relações sociais são influenciadas pela individualidade de cada pessoa, seus desejos, emoções, sentimentos, motivos, além das suas ideias políticas e ideológicas, crenças religiosas, tradições, entre outros.

As pessoas são diferentes umas das outras, mas uma coisa é comum a todos os seres humanos, a capacidade de se relacionar de forma consciente e voluntária uns com os outros. As relações humanas se estruturam através das interações entre as pessoas, interações aprendidas desde a infância, num processo que se prolonga através do tempo, em todos os estágios da vida, na escola,

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grupo de amigos, trabalho, não existindi processos unilaterais na interação humana. Para haver um inter- relacionamento são necessários dois elementos: o EU e o OUTRO (s). Um relacionamento existe quando há duas pessoas em interação. Ele pode ser harmonioso, permitindo o trabalho cooperativo, com interação de esforços, ou pode ocorrer conflitos. Isso porque qualquer tipo de relacionamento está subordinado às características que diferenciam um indivíduo do outro. A deficiência nas relações humanas no ambiente de trabalho é resultado de profissionais despreparados para atuar em um mercado competitivo e exigente. Entre os fatores que vêm contribuindo para isso estão a baixa escolaridade, falta de bons modos e de traquejo social. Entre as empresas, observa-se que os investimentos estão sendo destinados não apenas às novas tecnologias, mas em ações voltadas ao desenvolvimento do capital humano e das atitudes comportamentais. Isso ocorre porque há a necessidade de encontrar um diferencial significativo para o negócio, e a resposta está nas pessoas. As relações humanas estão vinculadas ao respeito pessoal, que compreende promover o relacionamento profissional baseado na ética, no respeito e no reconhecimento das diferenças de cada pessoa.

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16. HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO EM SAÚDE

A humanização tem sido abordada constantemente, nos atuais debates sobre o contexto de saúde e

nas recentes pesquisas da área da saúde, como tema relevante e como subsídio para a melhoria do cuidado

e para a consolidação dos princípios e valores do SUS, sendo enfocada nos textos analisados desde um

discurso que valoriza os aspectos emocionais e subjetivos até os aspectos que envolvem mudanças na gestão

e nas práticas de saúde.

Os conceitos de humanização, enfocam os seguintes aspectos:

O ser humano é um ser único e insubstituível, completo e complexo,

Inclui o respeito, o acolhimento, a empatia, a escuta, o diálogo, circunstâncias sociais, éticas, educacionais e psíquicas,

Valorização dos significados atribuídos pelo ser humano à sua experiência de adoecimento e sofrimento,

Prevalência da comunicação e do diálogo.

Atualmente, o termo humanização é aplicado àquelas situações em que, além de valorizar o cuidado em suas dimensões técnicas e científicas, reconhecem-se os direitos do paciente, autonomia e subjetividade, sem se esquecer do reconhecimento do profissional também enquanto ser humano, ou seja, pressupõe uma

relação sujeito/sujeito.

As ideias até aqui tratadas podem mostrar que a visão de humanização do cuidado em saúde pode

comportar algumas conotações distintas que se relacionam ao modo como são concebidos o ser humano e o processo saúde-doença, bem como a própria compreensão dos sujeitos sobre o SUS. A partir disso, podem

ser construídas diferenciadas práticas de ensino e atenção relativas à humanização. Considerando o contexto atual do SUS, que necessita que suas práticas sejam modificadas para que seja construído um sistema voltado à promoção e à prevenção da saúde, muitos textos enfatizam que é necessário investir na formação dos trabalhadores de saúde e que as instituições formadoras, as universidades, têm um importante papel nessa direção, sendo também delineados os limites dos modelos de formação ainda existentes, sendo apontadas necessidades de mudanças. Neste contexto nasce em 2003 a Política Nacional de Humanização.

16.1 Política Nacional de Humanização HumanizaSUS

A Política Nacional de Humanização (PNH)

– HumanizaSUS A Política Nacional de Humanização (PNH) existe desde 2003 para efetivar os princípios do

existe desde 2003 para efetivar os princípios do SUS no

cotidiano das práticas de atenção e gestão, qualificando

a saúde pública no Brasil e incentivando trocas

solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários. A PNH deve se fazer presente e estar inserida em todas

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as políticas e programas do SUS. Promover a comunicação entre estes três grupos pode provocar uma série de debates em direção a mudanças que proporcionem melhor forma de cuidar e novas formas de organizar

o trabalho. A humanização é a valorização dos usuários, trabalhadores e gestores no processo de produção de saúde. Valorizar os sujeitos é oportunizar uma maior autonomia, a ampliação da sua capacidade de transformar a realidade em que vivem, através da responsabilidade compartilhada, da criação de vínculos solidários, da participação coletiva nos processos de gestão e de produção de saúde.

Produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar, a PNH estimula a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários para construir processos coletivos de enfrentamento de relações de poder, trabalho

e afeto que muitas vezes produzem atitudes e práticas desumanizadoras que inibem a autonomia e a

corresponsabilidade dos profissionais de saúde em seu trabalho e dos usuários no cuidado de si.

16.2. Diretrizes do HumanizaSUS

a) Acolhimento Acolher é reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde. O acolhimento deve comparecer e sustentar a relação entre equipes/serviços e usuários/populações. Como valor das práticas de saúde, o acolhimento é construído de forma coletiva, a partir da análise dos processos de trabalho e tem como objetivo a construção de relações de confiança, compromisso e vínculo entre as equipes/serviços, trabalhador/equipes e usuário com sua rede sócio-afetiva. Com uma escuta qualificada oferecida pelos trabalhadores às necessidades do usuário, é possível garantir o acesso oportuno desses usuários a tecnologias adequadas às suas necessidades, ampliando a efetividade das práticas de saúde. Isso assegura,

por exemplo, que todos sejam atendidos com prioridades a partir da avaliação de vulnerabilidade, gravidade

e risco.

partir da avaliação de vulnerabilidade, gravidade e risco. b) Gestão Participativa e cogestão Cogestão expressa

b) Gestão Participativa e cogestão

Cogestão expressa tanto a inclusão de novos sujeitos nos processos de análise e decisão quanto a ampliação das tarefas da gestão - que se transforma também em espaço de realização de análise dos contextos, da política em geral e da saúde em particular, em lugar de formulação e de pactuação de tarefas e de aprendizado coletivo.

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A organização e experimentação de rodas é uma importante orientação da cogestão. Rodas para

colocar as diferenças em contato de modo a produzir movimentos de desestabilização que favoreçam mudanças nas práticas de gestão e de atenção. A PNH destaca dois grupos de dispositivos de cogestão:

aqueles que dizem respeito à organização de um espaço coletivo de gestão que permita o acordo entre necessidades e interesses de usuários, trabalhadores e gestores; e aqueles que se referem aos mecanismos que garantem a participação ativa de usuários e familiares no cotidiano das unidades de saúde.

A gestão participativa é operada em Colegiados gestores, Mesas de negociação, Contratos Internos

de Gestão, Câmara Técnica de Humanização (CTH), Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), Gerência de Porta Aberta, entre outros.

c) Ambiência Criar espaços saudáveis, acolhedores e confortáveis, que respeitem a privacidade, propiciem

mudanças no processo de trabalho e sejam lugares de encontro entre as pessoas.

A discussão compartilhada do projeto arquitetônico, das reformas e do uso dos espaços de acordo

com as necessidades de usuários e trabalhadores de cada serviço é uma orientação que pode melhorar o trabalho em saúde.

d) Clínica ampliada e compartilhada

A clínica ampliada é uma ferramenta teórica e prática cuja finalidade é contribuir para uma

abordagem clínica do adoecimento e do sofrimento, que considere a singularidade do sujeito e a complexidade do processo saúde/doença. Permite o enfrentamento da fragmentação do conhecimento e das ações de saúde e seus respectivos danos e ineficácia. Utilizando recursos que permitam enriquecimento dos diagnósticos (outras variáveis além do enfoque orgânico, inclusive a percepção dos afetos produzidos nas relações clínicas) e a qualificação do diálogo (tanto entre os profissionais de saúde envolvidos no tratamento quanto destes com o usuário), de modo a possibilitar decisões compartilhadas e compromissadas com a autonomia e a saúde dos usuários do SUS.

e) Valorização do Trabalhador

É importante dar visibilidade à experiência dos trabalhadores e incluí-los na tomada de decisão,

apostando na sua capacidade de analisar, definir e qualificar os processos de trabalho.

O Programa de Formação em Saúde e Trabalho e a Comunidade Ampliada de Pesquisa são

possibilidades que tornam possível o diálogo, intervenção e análise do que gera sofrimento e adoecimento, do que fortalece o grupo de trabalhadores e do que propicia os acordos de como agir no serviço de saúde. É importante também assegurar a participação dos trabalhadores nos espaços coletivos de gestão.

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f) Defesa dos Direitos dos Usuários

Os usuários de saúde possuem direitos garantidos por lei e os serviços de saúde devem incentivar o conhecimento desses direitos e assegurar que eles sejam cumpridos em todas as fases do cuidado, desde a

recepção até a alta. Todo cidadão tem direito a uma equipe que cuide dele, de ser informado sobre sua saúde e também de decidir sobre compartilhar ou não sua dor e alegria com sua rede social.

16.3. Princípios do HumanizaSUS

a) Transversalidade

A Política Nacional de Humanização (PNH) deve se fazer presente e estar inserida em todas as políticas e programas do SUS. A PNH busca transformar as relações de trabalho a partir da ampliação do grau de contato e da comunicação entre as pessoas e grupos, tirando-os do isolamento e das relações de poder hierarquizadas. Transversalizar é reconhecer que as diferentes especialidades e práticas de saúde

podem conversar com a experiência daquele que é assistido. Juntos, esses saberes podem produzir saúde de forma mais corresponsável.

b) Indissociabilidade entre atenção e gestão

As decisões da gestão interferem diretamente na atenção à saúde. Por isso, trabalhadores e usuários devem buscar conhecer como funciona a gestão dos serviços e da rede de saúde, assim como participar ativamente do processo de tomada de decisão nas organizações de saúde e nas ações de saúde coletiva. Ao

mesmo tempo, o cuidado e a assistência em saúde não se restringem às responsabilidades da equipe de saúde. O usuário e sua rede sócio-familiar devem também se corresponsabilizar pelo cuidado de si nos tratamentos, assumindo posição protagonista com relação a sua saúde e a daqueles que lhes são caros.

c) Protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos e coletivos

Qualquer mudança na gestão e atenção é mais concreta se construída com a ampliação da autonomia e vontade das pessoas envolvidas, que compartilham responsabilidades. Os usuários não são só pacientes, os

trabalhadores não só cumprem ordens: as mudanças acontecem com o reconhecimento do papel de cada um. Um SUS humanizado reconhece cada pessoa como legítima cidadã de direitos e valoriza e incentiva sua atuação na produção de saúde.

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17. CIDADANIA

A Cidadania é a prática dos direitos e deveres de um(a) indivíduo (pessoa) em um Estado. Os direitos

e deveres de um cidadão devem andar sempre juntos, uma vez que o direito de um cidadão implica

necessariamente numa obrigação de outro cidadão. Conjunto de direitos, meios, recursos e práticas que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Um cidadão é uma pessoa que se considera em uma fase madura o suficiente desenvolvido para agir consciente e responsavelmente dentro da sociedade.

O conceito de cidadania tem origem na Grécia antiga, sendo usado então para designar os direitos

relativos ao cidadão, ou seja, o indivíduo que vivia na cidade e ali participava ativamente dos negócios e das

decisões políticas. Cidadania pressupunha, portanto, todas as implicações decorrentes de uma vida em sociedade. Ao longo da história, o conceito de cidadania foi ampliado, passando a englobar um conjunto de valores sociais que determinam o conjunto de deveres e direitos de um cidadão. Juridicamente, cidadão é o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado. Em um conceito mais amplo, cidadania quer dizer a qualidade de ser cidadão, e consequentemente sujeito de direitos

e deveres.

A relação do cidadão com o Estado é uma via de mão dupla: de um lado, os cidadãos participam da

fundação do Estado e, portanto, estão sujeitos ao pacto que o criou, no nosso caso a Constituição Federal de 1988. Portanto, sendo o Estado dos próprios cidadãos, os mesmos têm o dever de zelar pelo bem público e participar, seja através do voto, seja através de outros meios, formais e informais, do acompanhamento e fiscalização da atuação estatal.

Ao mesmo tempo, os agentes estatais como cidadãos investidos de funções públicas, tem o dever de atuar com base nos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, prestando contas de todos os seus atos. Uma relação harmoniosa entre as expectativas dos cidadãos e a atuação estatal é o ideal

a ser alcançado por qualquer sociedade. Mas nem tudo depende apenas do Estado. O conceito de cidadania vai muito além, pois ser cidadão significa também tomar parte da vida em sociedade, tendo uma participação ativa no que diz respeito aos problemas da comunidade. Segundo Dalmo de Abreu Dallari: “A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo”. Colocar o bem comum em primeiro lugar e atuar sempre que possível para promovê-lo é dever de todo cidadão responsável. A cidadania deve ser entendida, nesse sentido, como processo contínuo, uma construção coletiva que almeja a realização gradativa dos Direitos Humanos e de uma sociedade mais justa

e solidária.

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Se, no campo do direito, somos todos cidadãos, na prática, isso ocorre? Em outras palavras, sobre o benefício do uso do espaço entre os nossos direitos, somos todos cidadãos? Infelizmente, nem todos. Existem muitos indivíduos que legalmente possuem cidadania, mas que não dispõem de condições sociais, estruturais e materiais para exercê-la. Existem muitos estudiosos no campo da Filosofia e das Ciências Sociais, como Henri Lefebvre, Theodor Adorno e muitos outros, que se portam de maneira crítica sob a pretensa ideia de que todos os indivíduos são cidadãos. Primeiramente, muitos são excluídos socialmente em função das desigualdades geradas pelo

sistema capitalista de produção. Em segundo lugar, ocorre, muitas vezes, a reificação isto é, a coisificação, a transformação do ser em mercadoria da figura do cidadão na sociedade contemporânea.

O geógrafo Milton Santos em sua obra O Espaço Cidadão – afirma que “Em lugar do cidadão formou-

se um consumidor, que aceita ser chamado de usuário”, ou seja, o processo de produção e reprodução capitalista transformou o indivíduo em consumidor e as relações de cidadania, em disputas pelo espaço da cidade.

17.1. Exercício da cidadania

pelo espaço da cidade. 17.1. Exercício da cidadania Exercer a cidadania é muito mais do que

Exercer a cidadania é muito mais do que ter direito ao voto! Envolve o exercício pleno dos chamados direitos de cidadania e cumprimentos dos deveres do cidadão.