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“ 35 SÚMULAS

comentadas
Coordenação: Roberval Rocha

Roberval Rocha Ferreira Filho


Albino Carlos Martins Vieira
Mauro José Gomes da Costa

INCLUI
• Mais de 1.400 julgados referenciados
• Quadro sinóptico no final de cada capítulo
• índice cronológico remissivo para localizar
rapidamente as súmulas
• índice alfabético remissivo de assuntos, com súmulas
aplicáveis, por palavra

EDITORA
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jtePODIVM 8aedição
www.editorajuspodivm.com.br r e v is t a , a m p lia d a e a tu a liz a d a
«ÊSUMULUS
comentadas
Coordenação: Roberval Rocha
k. À

SÚMULAS DO STF
Organizadas por assunto, anotadas e

INCLUI
• Mais de 1.400 julgados referenciados \
• Quadro sinóptico no final de cada capítulo V
• índice cronológico remissivo para localizar
rapidamente as súmulas
• índice alfabético remissivo de assuntos, com súmulas
aplicáveis, por palavra ^

2015 I
1^1 í » »aedição
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Diagramação: Caetê Coelho (caete1984@gmail.com.br)

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SUMARIO

SO BR E A COLEÇÃO ............................................... 9 6. Direitos de vizinhança............................... 113


7. Pena de comisso............................................ 114
APRESEN TAÇÃO ..................................................... 11 8. Prescrição.......................................................... 115
9. Proteção possessória.................................. 120
A ESTRUTURAÇÃO DO LIV R O ....................... 13 10. Regime de bens.............................................. 122
11. Responsabilidade c ivil............................... 125
LISTA DE SIGLAS E A B R E V IA T U R A S ......... 17 12. Sucessões........................................................... 137
13. Usucapião.......................................................... 137
Ca p ít u l o I 14. • Outros............................................i.................... 139
D IR E IT O A D M IN ISTR A TIVO .......................... 19 15. Çegislação revogada........................................ 139
^1. Atos administrativos..................................... 19 16. Quadrasinóptico........................................... 140
2. Bens públicos.................................................. 23
3. Concurso público.......................................... 27 Ca p ít u l o III

4. Desapropriação.............................................. 36 D IR EITO CON STITUCIO N AL.......................... 145

5. Poder de polida............................................. 45 1. Competência legislativa............................ 145

6. Prescrição administrativa........................ r>0 2. Direitos fundamentais............................... 149

7. Processo administrativo disciplinar ... 33 3. Direitos políticos........................................... 165

8. Servidor público............................................ 39 4. Imunidade parlam entar............................ 167

8.1. Demissão............................................. 39 5. Magistratura.................................................... 170

8.2. Disponibilidade................................ 61 6. Ministério Público........................................ 173

8.3. Mandato eletivo................................ 63 7. Precatórios....................................................... 176

8.4. Readaptação...................................... 64 8. Processo legislativo..................................... 180

8.5. Remuneração.................................... 65 9. Repartição de receitas tribu tárias....... 182


10. Sistema financeiro nacional..................... 184
8.6. Tempo de serviço............................. 84
8.7. Vitaliciedade...................................... 86 ^ l. Tribunal de Contas...................................... 185

8.8. Legislação revogada....................... 89 12. Legislação revogada.................................... 192


13. Quadrasinóptico........................................... 193
8.9. Nomeação........................................... 90
9. Quadro sinóptico........................................... 92
Ca p ít u l o IV
D IR EIT O DO TR A B A LH O ................................... 197
Ca p ít u l o II
1. Acidente do trabalho.................................. 197
D IR E IT O C IV IL ........................................................ 99
1.1. Indenização........................................ 197
1. Compromisso de compra e venda
de imóveis......................................................... 99 1.2. Seguro de acidente do trabalho 200

2. Concubinato..................................................... 191 1.3. Outros.................................................... 203

3. Contratos........................................................... 183 2. Estabilidade..................................................... 203

4. Desquite............................................................ 189 3. Falta grave........................................................ 205

5. Direito autoral................................................ 112 4. FGTS.................................................... 206


Roberval Rocha _ A lbino Carlos _ Mauro J osé G.
6 Ferreira Filho * Martins V ieira • da Costa

5. Habitualidade................................................. 207 3.5. S u rsis........................................ 282


6. Indenização...................................................... 209 4. Prescrição penal............................................ 284
7. Insalubridade.................... 212 5. Tipificação penal........................................... 293
8. Prescrição.............................. 214 6. Quadrasinóptico........................................... 305
9. Salário.................................................................. 214
10. Serviço noturno............................................. 218 Ca p ít u l o V lil

11. Servidor público............................................ 220 DIREITO PREVIDENCIÁRIO............................ 307

12. Sindicatos.......................................................... 221 1. Benefícios previdenciários....................... 307

13. Outros.................................................................. 223 2. Contribuições previdenciárias............... 309

14. Quadrasinóptico........................................... 229 3. Dupla aposentadoria................................... 312


4. Servidores Públicos..................................... 313
Ca p ít u l o V 5. Quadrasinóptico........................................... 315
D IR E IT O E M P R E S A R IA L........ .......................... 235
1. Dissolução de sociedade........................... 235 Ca p ít u l o IX ,

2. Exibição de livro s.......................................... 236 •'DIREITO PROCESSUAL CIVIL..................._... 3 1 7

3. Falência e concordata................................. 238 1. Ação direta de inconstitucionalidade.. 317

3.1. Concordata preventiva................. 238 2. ’ Ação popular................................................... 320

3.2. Crédito habilitado em falência.. 239 3. Ação rescisória............................................... 321

3.3. Restituição de coisas...................... 241 4. Citação e intimação...................................... 331

4. Responsabilidade no transporte 5. Competência.................................................... 334


mercantil............................................................ 244 5.1. Competência originária do STF 334
5. Títulos de crédito.......................................... 246 5.2. Intervenção da União...... 336
6. Quadrasinóptico........................................... 249 5.3. Sociedades de economia mista. 338
5.4. Outros...................................... 341
Ca p ít u l o VI 6. Embargos de terceiro................................. 345
D IR E IT O IN TERN ACIO N AL............................. 251 7. Execução........................................................... 346
1. Expulsão............................................................. 251 8. Execução fiscal................................................ 347
2. Extradição......................................................... 252 9. Extinção do processo................................... 351
3. Homologação de sentença estran­ 10. Honorários advocatícios............................ 353
geira...................................................................... 254
11. Lim inares........................................................... 358
4. Legislação revogada.................................... 256 12. Liquidação de sentença.............................. 359
5. Quadrasinóptico........................................... 257
13. Procurador....................................................... 360
14. Prova pericial.................................................. 360
Ca p ít u l o V II
15. Reclamação constitucional....................... 361
D IR E IT O P E N A L ..................................................... 259
16. Reconvenção.................................................... 362
1. Crim e continuado......................................... 259
17. Recurso extraordinário.............................. 363
2. Medida de segurança.................................. 260
17.1. Admissibilidade - vários
3. Pena...................................................................... 264 fundamentos...................................... 363
3.1. Aplicação da lei penal.................... 264 17.2. Fungibilidade..................................... 366
3.2. Execução penal................................. 265 17.3. Hipóteses de cabimento............... 367
3.3. Extinção da punibilidade............. 271 17.4. Medida cautelar em recurso
3.4. Regime de cumprimento da extraordinário.................................... 386
pena........................................................ 274
Sumário 7

17.5. Prazo..................................................... 389 6. Legitimidade.................................................... 506


17.6. Prequestionamento....................... 389 7. Liberdade provisória.................................. 508
17.7. Requisitos form ais......................... 392 8. Nulidades processuais............................... 510
17.8. Outros................................................... 395 9. Prazos................................................................. 523
18. Recursos............................................................ 398 10. Recursos............................................................ 523
18.1. Agravo.................................................. 398 11. Revisão crim inal............................................ 532
18.2. Agravo no auto do processo...... 404 12. Suspensão condicional do processo.... 533
18.3. Apelação.............................................. 405 13. Transação Penal............................................ 535
18.4. Embargos de declaração............. 405 14. Tribunal do jú ri............................................. 537
18.5. Embargos infringentes................ 407 14. Quadrasinóptico.......................................... 541
18.6. Prazos................................................... 413
19. Regimento Interno do S T F ..................... 415 Ca p ít u l o X II
19.1. Embargos de divergência......... 415 D IR E IT O T R IB U T Á R IO ____________________ 547
19.2^ Emendas ao Regimento.............. 424 1. Administração tributária........................... 547
19.3. Impedimentos............................... 424 1.1. Constrições indiretas ao
20. Remessa.necessária............ _______ .1__ 426 pagamento de tributos................. 547

21. Reserva de plenário..................................... 427 1.2. Fiscalização........................................ 551

22. Revelia................................................................ 431 1.3. Penalidades........................................ 553

23. Valor da causa................................................ 432 2. Contribuições.................................................. 554

24. Outros...................................................... 433 2.1. COFINS.................................................. 554

25. Quadrasinóptico.......................................... 439 2.2. Contribuição confederativa........ 555


2.3. Finsocial............................................... 556
Ca p ít u l o X 2.4. Salário-educação............................. 557
D IR EIT O PROCESSUAL DO TR A B A LH O - 4 4 9 3. Crédito tributário.......................................... 558
1. Ação acidentaria............................... 449 3.1. Concurso de preferência.............. 558
2. Competência................................................... 455 3.2. Prescrição e decadência............... 559
3. Execução trabalhista................................... 457 3.3. Repetição de indébito.................._ 561
4. Honorários advocatícios........................ 458 4. Empréstimo compulsório....................... 563
5. Isenção de custas......................................... 460 5. Impostos estaduais...................................... 564
6. Prescrição......................................................... 461 5.1. 1CMS....................................................... 564
7. Princípio da identidade física do juiz.. 462 5.2. ITCM D................................................... 577
8. Recursos............................................................ 462 6. Impostos federais......................................... 584
9. Quadrasinóptico.......................................... 464 6.1. Imposto de Renda........................... 584
6.2. IO F.......................................................... 588
Ca p ít u l o XI 6.3. IP I............................................................ 589
D IR E IT O PROCESSUAL PEN AL..................... 4 6 7 7. Impostos m unicipais.................................. 589
1. Ação penal........................................................ 467 7.1. 1PTU....................................................... 589
2. Competência................................................... 474 7.2. ISS........................................................... 595
3. Competência - prerrogativa de 7.3. IT B I........................................................ 600
função................................................................. 482 8. Im unidades..................................................... 607
4. Denúncia........................................................... 490 9. Isenções............................................................. 618
5. Habeascorpus............................................... 493 10. Princípios constitucionais tributários 620
Roberval Rocha _ Albino Carlos _ Mauro J osé G.
8 Ferreira Filho ® Martins Vieira • da Costa

10.1. Acesso à justiça............................ 620 5.3. Retomada para descendentes... 688


10.2. Anterioridade................................ 621 5.4. Retomada para uso próprio....... 688
10.3. Anualidade..................................... 622 5.5. Retomada pelo promitente
10.4. Coisa julgada.................................. 623 comprador......................................... 689
10.5. Repartição de competências 625 5.6. Outros................................................... 690
11. T a xas................................................................ 628 6. Outros................................................................. 692
12. Legislação revogada e tributos 7. Quadrasinóptico........................................... 697
extintos........................................................... 639
12.1. Imposto de consumo................ 639
Capítulo XV
12.2. Imposto de importação........... 639
MANDADO D E SEGURANÇA........................... 701
12.3. Imposto de indústria e pro­
1. Cabimento....................................................... 701
fissões................................................ 639
2. Citação de litisconsorte............................. 709
12.4. Imposto de lucro imobiliário 640
12.5. Imposto de vendas e consig- 3. Coisa julgada................................................... 711
’ nações................................................ 641 4. .Competência................................................... 713
12.6. Imposto estadual de selo........ 643 5. Direito líquido e certo..:....................... 718
12.7. Imposto federal de selo...'.;...... 643 6. ’ Jlonõrários advocatíciòsC........................ 719
12.8. Outros impostos.......................... 644 7. Legitimidade ativa........................................ 720
12.9. Isenções............................................ 645 8. Legitimidade passiva.................................. 720
12.10. Legislação aduaneira................ 646
9. Liminares.......................................................... 724
12.11. Taxa de despacho aduaneiro. 647
10. Mandado de segurança coletivo............ 727
12.12. 648
Taxa de previdência social.................
11. Prazo de'impetração................................... 730
12.13.0utras ta xas................................... 649
12. Recursos............................................................ 733
13. Quadro sinóptico....................................... 650
13. Via processual adequada.......................... 737

Ca p ít u l o X III 14. Quadro sinóptico................... .'...................... 740

JUROS.............................................................. 663
663 Ca p ít u l o XVI
1. Juros de m ora...............................................
2. Juros e desapropriação........................... 667 M IL IT A R ..................................................................... 745

3. Juros e tributação....................................... 667 1. Ministério Público M ilitar......................... 745

4. Taxa de juros................................................. 668 2. Processo penal m ilitar............................... 745


5. Quadro sinóptico........................................ 675 3. Servidor público m ilitar............................ 747
4. Superior Tribunal M ilitar......................... 752
Ca p ít u l o XIV 5. Quadrasinóptico........................................... 752
LOCAÇÃO IM O B IL IÁ R IA U R BA N A ......... 677
1. Ação revisional............................................ 677
ÍN DICE CRONOLÓGICO REM ISSIVO ........... 755
2. Arbitram ento de aluguel....................... 678
1. Súmulas.............................................................. 755
3. Purgação da mora...................................... 679
2. Súmulas Vinculantes................................... 786
4. Renovação de contrato........................... 679
5. Retomada do im óvel................................ 681
ÍN D IC E A LFA BÉTIC O R EM ISSIVO ________ 7 8 9
5.1. Prova da necessidade................. 681
5.2. Retomada para construção
mais útil............................................. 686 REFERÊNCIAS..................... 797
I

SOBRE A COLEÇÃO

"Importante ressaltar a difusão que teve a Súmula, como


método de trabalho, pois este parece ser o seu aspecto de
maior eficácia, suplantando mesmo a sua condição de re­
pertório oficial de jurisprudência da Alta Corte. Em certo
sentido, pode-se dizer que o conteúdo da súmula passa para
segundo plano, quando o comparamos com a sua função de
método de trabalho, revestido de alguns efeitos processuais,
que contribuem para o melhor funcionamento da Justiça."
, _ ' Florianópolis, 04/09/4981.
Victor Nunes Leal, in "Passado-e Futuro da Súmula do STF"

A c o le çã o S Ú M U L A S C O M EN T A D A S tr a z p a ra o s le ito re s in fo rm a ç õ e s o b je tiva s
e re le v a n te s , ta n to da d o u trin a com o da ju r is p r u d ê n c ia , so b re a a p licação d ada ao s
e n u n c ia d o s s u m u la re s d o s tr ib u n a is e d a s in s titu iç õ e s m a is im p o rta n te s do país.

Seu e sco p o é le var, aos e s tu d io so s , ao s o p e ra d o re s do d ire ito e àq u e le s que lid a m


com os ó rg ã o s d a s m a is d iv e rs a s e sfe ra s d e a tu a ç ã o g o v e rn a m e n ta l, as m á xim a s da
s is te m a tiz a ç ã o ju d ic ia l e a d m in is tra tiv a , c u jo s te xto s in te n ta m o rie n ta r, da m a n e ira
m a is ra c io n a l p o s s ív e l, a a tu a ç ã o dos en te s e s ta ta is no c u m p rim e n to de se m ú n u s
c o n s titu c io n a l. -

Súmulas do STF Enunciados do CJF Enunciados das CCR-MPF

Súmulas do STJ Enunciados do FONAJEF Súmulas da AGU

Súmulas dos TRF's Súmulas dos TJ's Súmulas do TCU

Súmulas da TNU Enunciados do FONAJE Súmulas do CARF

R O B ER V A L ROCHA

Co o r d e n a d o r
APRESENTAÇAO

A s re c e n te s re fo rm a s p ro c e ss u a is e a ch a m a d a R efornr.a do P o d er Ju d ic iá rio , im ­
p le m e n ta d a p e la E m e n d a C o n stitu c io n a l n 8 4 5 / 2 0 0 4 , m o d ific a ra m b a sta n te o pa­
n o ra m a do d ire ito b r a s ile iro , p rin c ip a lm e n te no que d iz re sp e ito aos p ro c e ss o s nos
tr ib u n a is . M a is do que is s o , e s sa s in o va çõ e s re sg a ta ra m e c o n so lid a ra m o p a p e l das
m a io re s C o rte s do p a ís - S u p re m o T r ib u n a l F e d e ra l e T r ib u n a is S u p e rio re s - , dando
à s su a s re s p e c tiv a s ju r is p r u d ê n c ia s c o n so lid a d a s o v a lo r e fe tiv o d o s precedentes ju ­
diciais.

0 e sfo rç o h is tó ric o n e c e s sá rio p a ra e ssa n o va c o n fo rm a ç ã o d a s in s titu iç õ e s ju d i­


c ia is d e p a ro u -se , logo a p ó s a cheg ad a da nova c rd e m c o n s titu c io n a l de 1 9 8 8 , com a
p o p u la rm e n te d e n o m in a d a crise do ju d iciá rio , p ro b le m a c rô n ico que a tra ía , e ain d a
a t ra i, c r ít ic a s d ê s e to re s d a s o c ie d a d e 'o rg a n iz a d a : ad vo g ad o s, ju r is ta s , e m p re sá rio s ,
in v e s tid o re s , p o lític o s , ju iz e s etc.

C o n tra a c ris e , h a v ia (h á ) u m a g rita , q u a se u n ís so n a , in c o n fo rm a d a com a le n ti­


dão, a p o u ca ra c io n a lid a d e , o ilo g ism o e a "fa lta de fo rça ” d a s d e cisõ es ju d ic ia is . E m
su m a , um in c o n fo rm ism o g e ra l a um s is te m a d o e n te , o u, m a is te cn ic a m e n te falan d o ,
a u m a e s tru tu ra ju r íd ic a in e fic ie n te e in e fic a z . C ris e in s titu c io n a l que, com o to d a s as
o u tra s, c a re c e de e sfo rç o s d iu tu rn o s , le g is la tiv o s e a d m in is tra tiv o s , p a ra s e r su p e ra d a .

A s m o d ifica çõ e s já im p le m e n ta d a s c a u s a ra m um a g u in a d a n o rm a tiv a : n o s ú ltim o s


c in co a n o s, in ú m e ra s le is p ro c e ss u a is c iv is e p e n a is fo ram a p ro va d a s, e u m n ú m ero
b a sta n te e x p re s s iv o de p ro je to s de lei a ir.d a se rá a p re c ia d o no C o n g resso N acio n al.
No â m b ito d o s tr ib u n a is s u p e rio re s e da C o rte S u p re m a , p a sso s a in d a m a io re s foram
d a d o s: sú m u la s v in c u la n te s e re p e rc u ss ã o g e ra l no re c u rs o e x tra o rd in á rio ( S T F ) e
p ro c e d im e n to p a ra ju lg a m e n to de re c u rs o s re p e titiv o s ( S T j) .

0 e sfo rç o le g is la tiv o e m p re e n d id o re c e n te m e n te p a ra re fo rç a r o d ire ito s u m u la r


b r a s ile iro é e v id e n te . U m a rá p id a a n á lise do C ódigo de P ro c e ss o C iv il m o stra os traço s
h is tó ric o s d e ssa m u d an ça .

Na re d a çã o o rig in a l de 1 9 7 3 , o te rm o “ sú m u la " estava r e s trito ao a rt. 4 7 9 e p a rá ­


g rafo ú n ic o , que p re v ia m , p a ra o ju lg a m e n to do in c id e n te de u n ifo rm iz a ç ã o de ju r is ­
p ru d ê n c ia , que o voto da m a io ria a b so lu ta dos m e m b ro s in te g ra n te s do tr ib u n a l se ria
o bjeto de sú m u la e c o n s titu ir ía p re ce d e n te na u n ifo rm iz a ç ã o da ju ris p ru d ê n c ia , sem
m a io re s re p e rc u ss õ e s p ro c e ss u a is.

A L e i n e 9 .7 5 6 p o s sib ilito u ao re la to r n e g ar se g u im e n to a re c u rso m a n ife sta m e n te


in a d m is s ív e l, im p ro ce d e n te , p re ju d ica d o ou em co n fro n to co m sú m u la ou co m ju r is ­
p ru d ê n c ia d o m in a n te do re sp e ctiv o trib u n a l, do S T F, ou de trib u n a l su p e rio r (a r t . 55 7,
c a p u t); ou, p o r o u tro lad o , d a r-lh e p ro v im e n to se a d e cisão re c o rrid a e s tiv e r em m a n i­
festo c o n fro n to com s ú m u la ou com ju r is p r u d ê n c ia d o m in a n te do ST F, ou de trib u n a l
s u p e r io r (a r t . 5 5 7 , § l e-A).
Roberval Rocha Albino Carlos M a u r o Jo sé G.
12 Ferreira Filho Martins Vieira da C o sta

E m 2 0 0 1 , a L e i n e 1 0 .3 5 2 in c lu iu d is p o s itiv o p a ra a fa s ta r a e xig ê n c ia da re m e s ­
sa n e c e s s á r ia - d u p lo g ra u o b rig a tó rio - a se n te n ç a fu n d a d a em ju ris p ru d ê n c ia do
p le n á r io do S u p re m o T r ib u n a l F e d e ra l ou em s ú m u la d e ste T r ib u n a l ou do trib u n a l
s u p e r io r c o m p e te n te (a r t . 4 7 5 , § 3 e).

E m 2 0 0 6 , a L e i n s 1 1 . 2 7 6 p o s sib ilito u ao ju iz não r e c e b e r o re c u rs o de ap elação


q u a n d o a se n te n ç a e s tiv e r em c o n fo rm id a d e com s ú m u la do STJ ou do ST F. (a r t . 5 1 8 ,
§1").

T a m b é m em 2 0 0 6 , o c o rre u a in c lu s ã o d o s a rtig o s 5 4 3 -A e 5 4 3 -B , que tra ta m da


re p e rc u s s ã o g e ra l no r e c u rs o e x t r a o r d in á r io , le va d a a cab o p e la L e i n s 1 1 .4 1 8 .

T o d a s e s sa s té c n ic a s p ro c e s s u a is , ultim a ratio, c o a d u n a m -se com o d ire ito fu n d a ­


m e n ta l de re c e b e r a p re s ta ç ã o ju r is id ic io n a l em tem p o ra z o á v e l. Isso po rq u e a com -
p a tib iliz a ç ã o v e r tic a l das d e c is õ e s ju d ic ia is d e v e rá d e c o r r e r da ra c io n a liz a ç ã o da a t i­
v id a d e ju d ic iá r ia no B r a s il, a p a r t ir do re d e se n h o do p a p e l in s titu c io n a l dos trib u n a is
s u p e r io rè s , com a e v id e n te v a lo riz a ç ã o de se u s ju lg a d o s ; '

A g o ra , o p a p el d a s s ú m u la s é e fe tivo , não com o m e ra d ir e t r iz do p e n sam en to das


c o rte s , m a s co m o a u to rid a d e dos tr ib u n a is a r e p e lir arg u m je n tação que lhes-seja c o n ­
t r á r ia , to rn a n d o m a is rá p id o o d e slin d e de q u e stõ e s q u e, não r a r o , no p a ssa d o , a r r a s ­
ta v a m -se a n o s a fio , e s c o ra d a s em e s tra té g ia s r e c u rs a is c u jo s o b je tiv o s, no m a is das
v e z e s , re s u m ia m - s e em p o s te rg a r a d e c is ã o fin a l p e lo m a io r p ra z o p o s sív e l.

N esse c o n te xto de re n o v a ç ã o , p o d e-se e s p e ra r, no c u rto p ra z o , m a is v ig o r na p ro ­


d u çã o s u m u la r no â m b ito d a s p r in c ip a is c o rte s. C om o a tiv id a d e r o tin e ira , não m a is
c íc lic a , co m o h is to r ic a m e n te o c o rria . H o je , o e stu d o d a s s ú m u la s da ju r is p r u d ê n c ia
p re d o m in a n te d o s tr ib u n a is p a ssa a to m a r a s se n to e n tre a s p r in c ip a is á re a s do d ir e i­
to, a lç a d a p e lo s n o v o s ru m o s d a d o s p e la s re c e n te s r e fo rm a s p ro c e s s u a is e c o n s titu ­
c io n a is .
A ESTRUTURAÇÃO
DO LIVRO

V is a n d o p o s s ib ilit a r ao le it o r que id e n tifiq u e ra p id a m e n te o tip o de in fo rm a ç ã o


c o n tid o n o s c o m e n tá rio s e a n o ta ç õ e s, sã o u tiliz a d o s d ife re n te s fo rm a to s d e te xto s,
a n te c e d id o s p o r s ím b o lo s q u e id e n tific a m o tip o d e in fo rm a ç ã o sob le itu ra : V re ­
fe rê n c ia s s u m u la re s , " 0 " ju r is p r u d ê n c ia e le g isla ç ã o , c o m o no exe m p lo a b a ixo :

SÚ M U LA Ns 6 8 4 - É INCONSTITUCIONAL O VETO NÃO MOTIVADO À PARTICIPAÇÃO DE CAN­


DIDATO A CONCURSO PÚ BLIC O .

• Súmula aplicável. ♦ Data: 24.9.2003. • Referência legislativo: CF/88. art. 5 P, XXXVI. • Precedentes“ RM$ J7999,
D) 1 ^ .1 9 6 8 ; R E J J 1400. Df 22.5.1987; R E 125556. D/ 1S.S.1992;AI 179S83AgR. DJ l ç.7 .]9 9 6 ; R E 200747 AgR. D)
19.1% 396.

c ” Símbolo que antecede as informações sobre base em critérios subjetivos, como


a ver o status da súmula (aplicável, vinculante, i e privada, e posterior exclusão do
certa superada, mitigada, revogada, cancelada) im inistrativo inconstitucional, que
atent e sobre referências legislativas e precedentes do conhecimento do Poder judici-
ário judiciais que embasaram o enunciado.

O exam e psicotécnico, especialm ente quando possuir natu reza elim inatória, deve
*'" " r r inntrti.n a em sua realização, à observância de cri-
destinada a via b iliza r o controle jurisd i-
“ H ” Símbolo que antecede os exemplos
lilidad e dos p arâm etros norteadores da
de jurisprudência que 'discorrem sobre as
estes psicológicos, sob pena de frustrar-
súmulas e sobre temas a elas correlatas. didato, da g arantia de acesso ao Poder
liciario , na nip otese oe lesão a direito. (..,] (STF. 2a Turm a. A I-A g R 539408/DF. Rei.:
Min. Celso de M ello. DJ 7.4.2006)

. A r t S ° , XXXV - a lei nâo excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou


neaça a direito.

Símbolo indicador dos textos


de legislação que normatizam o
assunto a que a súmula se refere.

A s s ú m u la s sã o a g ru p a d a s p o r a ssu n to em tó p ico s e s p e c ífic o s , em que se in d ic a


su a p e rtin ê n c ia com o o rd e n a m e n o ju ríd ic o a tu a l, com a c la s s ific a ç ã o de aplicáveis,
superadas, canceladas, revogadas, m itigadas ou vínculantes, de aco rd o com o e n te n d i­
m en to d a ju r is p r u d ê n c ia do p ró p rio S u p re m o T r ib u n a l F e d e ra l, da ap licação que lh e s
é d a d a p e lo S u p e rio r T r ib u n a l de Ju stiç a no to ca n te às m a té ria s in fra c o n s titu c io n a is ,
e, ta m b é m , p e la a n á lis e da d o u trin a m a jo ritá ria s o b re os te m a s que v e rsa m .

P a ra c a d a e n u n c ia d o h á c o m e n tá rio s o b je tiv o s , c a lc a d o s em e stu d o de o b ra s


ju r íd ic a s o m a is a t u a liz a d a s p o s s ív e l, s e g u id o s de e x e m p lo s - re s u m o d e e m e n ta s
d e ju lg a m e n to s im p o r t a n t e s e n v o lv e n d o o a s s u n to a n te s - p re c e d e n te s do S T F - e
Roberval Rocha , Albino Carlos t Mauro José 6.
14 Ferreira Filho Martins Vieira * da Costa

d e p o is d a e d iç ã o da s ú m u la - d e c is õ e s ta m b é m do S T J, a p lic a n d o o s p r e c e ito s da
C o rte S u p r e m a a s s im c o m o a s r e f e r ê n c ia s le g is la tiv a s h is t ó r ic a s q u e lh e s s e r v i ­
ra m de b a se n o r m a tiv a e os te x to s le g a is r e fe r id o s n a s d e c is õ e s ju d ic ia is .

N os tó p ico s em que são a p re s e n ta d a s , a s s ú m u la s estão d is p o sta s em o rd e m d e ­


c re s c e n te - das m a is a tu a is p a ra a s m a is a n tig a s exp o n d o , p rim e ira m e n te , o p e n s a ­
m e n to e os te m a s de re le vo a tu a l, p a ra d e p o is a d e n tra r na a n á lis e d a q u e la s e n u n c ia ­
d a s em c o n te xto h is tó ric o m a is d is ta n te .

0 n ú m e ro e x p re ssiv o de ju lg a d o s se le c io n a d o s - m a is de 1 .4 0 0 - v is a f a m ilia r iz a r
o le ito r co m a a p lic a ç ã o d a d a ao s e n u n c ia d o s s u m u la re s p e la s d u as m a is im p o rta n te s
c o rte s ju d ic ia is b ra s ile ira s , o ST J e o S T F , d e sc o rtin a n d o o p a n o ra m a dos litíg io s que as
e n v o lv e m , de m a n e ira que p e rm ita a c la r a r o p e n sa m e n to ju d ic ia l d e ssa s c o m p o siç õ e s
c o le g ia d a s de m a g istra d o s.

U m ín d ic e cro n o ló g ico r e m is s iv o e v id e n c ia a p á g in a do livÇ o e m que se e n ç o n tra m


os c o m e n tá rio s de c a d a um d o s e n u n c ia d o s do T r ib u n a l, p ro p o rc io n a n d o u m a rá p id a
lo c a liz a ç ã o d o s te xto s s u m u la re s . , • -■

ÍNDICE CRONOLÓGICO REMISSIVO

001 É vedada a expulsão de estran­ 003 ^ 'mun'dade concedida a de­


geiro casado com brasileira, ou
putados estaduais é restrita à
que tenha filho brasileiro, dependente
da economia paterna.» 233 Justiça do Estado. » 155

0Q2 Concede-se liberdade vigiada 0 0 4 Não perde a imunidade parla­


ao extraditando que estiver mentar o congressista nomea­
preso por prazo superior a sessenta
dias. » 236
do Ministro de Estado. » 154

O u tro ín d ic e , a lfa b é tic o r e m is s iv o , in d ic a to d as a s s ú m u la s do S T F q u e tra ta m de


d e te rm in a d o s a s s u n to s , s e p a ra d a s p o r p a la v ra s-c h a v e .

ÍNDICE ALFABÉTICO REMISSIVO

A Ação direta de inconstitucionalidade. »


Abono salarial. » Súms. 241, 230, 234, Súms. 360.614.642.
235,501,552. Ação penal. » Súms. 388,524, 554,601,
Ação civil pública.» Súms. 643. 607.608.609.
Ação cominatória. » Súms. 500. Ação popular. » Súms. 365.
Ação dcdaratória. >*Súms. 258. Ação previdenciária.» Súms. 689.

A o fin a l d e c a d a c a p ítu lo , é a p re s e n ta d o um q u a d ro sin ó p tic o com o sta tu s de


a p lic a b ilid a d e d a s s ú m u la s , p re p a ra d o co m o o b je tivo de fa c ilit a r a v is ã o te m á tic a
g e ra l, a s s im co m o p r o p ic ia r le itu ra s rá p id a s que e s tim u le m a m e m o riz a ç ã o te x tu a l e
a fix a ç ã o d o s e n u n c ia d o s .
A ESTRUTURAÇÃO DO LIVRO 15

9. QUADRO SIN O P TIC O


DIREITO ADMINISTRATIVO

11. ATOS ADMINISTRATIVOS

Súmula ns 473 - A administração pode anular seus próprios atos.


quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não
se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência aplicável
ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalva­
da, em todos os casos, a apreciação judicial.

A o rg a n iza ç ã o da o b ra é e s tru tu ra d a de fo rm a u t ilit á r ia p a ra a p re s e n ta r e d is c u tir


a s m á x im a s ju r íd ic a s do S u p re m o T r ib u n a l Fe d e ral em lin g u ag e m c la ra , c o n c is a e,
so b re tu d o , a tu a l.
LISTA DE SIGLAS
E ABREVIATURAS

ADC - Ação direta de co nstitucionalidade CPP - Código de Processo Penal


A D C T - Ato das Disposições Constitucionais CPPM - Código de Processo Penal M ilitar
T ra n sitó ria s
C SLL - Contribuição Social sobre o Lucro L í­
A D In - Ação direta de inconstitucionalidade quido
AFRM M - Adicional ao Frete para Renovação C TB - Código de Trân sito B rasile iro
da M arinha Mercante
CTN - Código Trib u tário Nacional
AG - Agravo
CVM - Comissão-de Valores Mobiliáçios.
AgRg - Agravo regim ental
D C TF - Declaração de Débitos e Créditos T r i­
A l - Agravo de instrum ento butários Federais •
ATP - A d icional de Tarifa Portuária DF - Distrito Federal
Bacen - Banco Central do B rasil DJ - Diário da Justiça
BTN - Bônus do Tesouro Nacional D L - Decreto-lei
CAT - Comunicação de acidente do trabalho EAg - Embargos de divergência em agravo
CC - Código Civil EOAB - Estatuto da Ordem dos Advogados
CCom - Código Comercial do Brasil

CDC - Código de Defesa do C onsum idor ■' EC - Emenda constitucional

CE - Constituição Estadual EDcl - Embargo de declaração

CF - Constituição Federal E R Esp - Embargos de divergência no recu r­


so especial
C ID E - Contribuição de intervenção no do­
m ínio econômico FGTS - Fundo de G arantia por Tempo de Ser­
viço
CIPA - Com issão Interna de Prevenção de
Acidentes Finsocial - Fundo de Investim ento Social

C LT - Consolidação das Leis do Trabalho HC - Habeas corpus

CND - C ertidão negativa de débitos ICM - Imposto sobre circulação de m ercado­


rias
Cofins - Contribuição para o Financiam ento
da Seguridade Social ICMS - Imposto sobre circulação de m erca­
dorias e serviços
Confaz - Conselho Nacional de Política Fa-
zendária IE - Imposto de exportação

CP - Código Penal II - Imposto de importação

CPC - Código de Processo C ivil INSS - Instituto Nacional do Seguro Social

CPM - Código Penal M ilitar IO F - Imposto sobre operações financeiras


Ro ber v a l Ro cha Albino Carlos Mauro José G.
18 F e r r e i r a F il h o Martins V ieira oa Costa

IPC - ín d ice de Preços ao Consum idor Refis - Program a de Recuperação Fiscal


IPI - Imposto sobre produtos industrializados Rei - Relator

IPM F - Im posto provisório sobre m ovim en­ R Esp - Recurso especial


tações financeiras R IR - Regulamento do Imposto de Renda
IP TU - Im posto predial e te rrito rial urbano RIST/ - Regimento Interno do Su p erio r T r i­
IPVA - Im posto sobre a propriedade de v e í­ bunal de Justiça
culos autom otores R IS T F - Regimento Interno do Supremo T r i­
bunal Federal
IR - Im posto de renda
RT - R evista dos Trib un ais
ISS - Im posto sobre serviços
SA T - Seguro Acidente de Trabalho
IT B I - Im posto sobre transm issão de bens
im ó veis Sebrae - Serviço Brasileiro de Apoio às Mi­
cro e Pequenas Em presas
ITCM D - Im posto sobre transm issão causa
m o rtis e doação Selic - Taxa Referencial do Sistem a de.Liqui-
dàção e Custódia - . , ,
IT R - Im posto te rrito ria l rural
l Senac - Serviço Nacional de Aprendjzagem
LC - Lei com plem entar Com ercial
L E F - Lei de Execução Fiscal Senai - Serviço Nacional de Aprendizagem
L E P - Lei de Execução Penal Ind ustrial

Sesc - Serviço Social do Comércio


LIN D B - Lei de Introdução às Norm as do Di­
reito B rasile iro Sesi - Serviço Social da ind ústria

Lom an - Lei Orgânica da M agistratura Siscom ex - Sistem a Integrado de Comércio


E x te rio r
Lom p - Lei O rgânica do M inistério Público
-STF - Suprem o Trib u n al Federal
L R F - Lei de Responsabilidade Fiscal
"STJ - Su p erio r Trib u n al de Justiça
LR P - Lei dos Registros Públicos
STM - Su p erio r T rib u n al M ilitar
MC - Medida cautelar
Súm. - Súmula
M E - M icroem presa
T C E - Trib u n al de Contas do Estado
Min. - M inistro
TCU - Trib u n al de Contas da União
MP - M inistério Público
T F R - Trib u n al Federal de Recursos
M PF - M inistério Público Federal TJ - Trib u n al de Justiça
M PT - M inistério Público do Trabalho T IP - Taxa de ilum inação pública
MS - Mandado de segurança T L P - Taxa de lim peza pública
OAB - Ordem dos Advogados do B rasil TR D - Taxa referencial diária
Pasep - Program a de Form ação do P atrim ô ­ T R E - Trib u n al Regional Eleitoral
nio do S e rvid o r Público T R F - Trib u n al Regional Federal
PIS - Program a de Integração Social T R T - Trib u n al Regional do Trabalho
QO - Questão de ordem T S E - T rib u n a l Su perior Eleitoral
RA - Regulam ento Aduaneiro T S T - T rib u n a l Su perior do Trabalho
R E - Recurso extrao rdinário U F - União Federal
C A P ÍT U L O I

DIREITO
ADMINISTRATIVO
SUMÁRIO

1. Atos administrativos 7. Processo administrativo 8.5. Remuneração


disciplinai
2. Bens públicos 8.6. Tempo de serviço
8. Servidor publico
3. Concurso publico 8.7. Vitaliciedade
8.1. Demissão
4. Desapropriação 8.8. Legislação revogada
8.2. Disponibilidade
5. Poder de polícia 8.9. Nomeação
8.3. Mandato eletivo
6. Prescrição 9. Quadro
administrativa 8.4. Readaptação sinóptico

1. ATO S A D M IN ISTRA TIV O S


S Ú M U LA N9 473 - A A D M IN IS T R A Ç Ã O P O D E A N U L A R S E U S P R Ó P R IO S A T O S , Q U A N D O E IV A D O S D E
V ÍC IO S Q U E O S T O R N A M I L E G A I S , P O R Q U E D E L E S N Ã O S E O R IG IN A M D I R E I T O S ; O U R E V O G Á - L O S ,
P O R M O T IV O D E C O N V E N IÊ N C IA OU O P O R T U N ID A D E , R E S P E IT A D O S O S D IR E IT O S A D Q U IR ID O S , E
R E S S A L V A D A , E M T O D O S O S C A S O S , A A P R E C IA Ç Ã O J U D IC I A L .

• Sú m u la a p lic á v e l. • Doca: 3.12.1969 • Referência legislativa: C F /1967, art. ISO, § § 2- e 3'-'. liC n- 1/1969, art. 153. § § 2 9 e
3 V. Dec. n'-' 52.379/1963. Dec. n‘-'53.410/1964.9 Precedentes: M i 27031, DJ 4.8.1955; MS 12512, DJ l ,J. l 0.1964; M S 13942, DJ
24.9.1964; RM S 16935, DJ 24.5. / 968.

0 p rin cíp io da au totu tela e s ta b e le c e q u e a A d m in is tra ç ã o pod e c o n tr o la r se u s


p r ó p r io s a to s, se ja p a ra a n u lá -lo s , q u a n d o ile g a is , ou re v o g á -lo s, q u an d o in c o n v e ­
n ie n te s ou in o p o rtu n o s , in d e p e n d e n te de re v is ã o pelo P o d e r J u d ic iá r io 1. É p rin c íp io
s e d im e n ta d o na S ú m u la n e 3 4 6 e na S ú m u la n 9 4 7 3 da C o rte S u p re m a , que se co m ­
p le m e n ta m .

D istin ç ã o e n tre revogação e a n u la ç ã o : a q u e la com p ete à p ró p ria a u to rid a d e ad ­


m in is tr a t iv a ; esta, à a u to rid a d e a d m in is tr a tiv a ou ao P o d er Ju d ic iá rio . A revo g ação se
dá p o r m o tiv o s de c o n v e n iê n c ia ou o p o rtu n id a d e , não se n d o p o ssíve l su a o c o rrê n c ia
q u an d o , do ato a d m in is tra tiv o , já h o u v e r n a sc id o um d ire ito su b je tiv o . A a n u la çã o
c a b e rá q u a n d o o ato c o n tiv e r v íc io que o to rn e ilegal (n ã o s e rá p o ssíve l falar, e n tã o , de
d ire ito su b je tiv o que h a ja n ascid o , p o is do ato ileg a l não n a sc e d ir e it o ).2

1. MARINELA, Fernanda. Direito administrativo. Vol. I. 3. ed. ampl., rev. e atual. Salvador: /usPODIVM,
2007, p. 32.
2. STF. I 3 Turma. RE 27031/SP. Rei.: Min. Luiz Gallotti. DJ 4.8.1955.
Roberval Rocha ,, Albino Carlos ... Mauro José G.
20 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

M Súmula Vinculante 3. Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o


contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de
ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato
de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

IS [...] 1. Ao Estado é facultada a revogação de atos que repute ilegalmente praticados; porém, se
de tais atos já decorreram efeitos concretos, seu desfazimento deve ser precedido de regular
processo administrativo. 2. Ordem de revisão de contagem de tempo de serviço, de cancela­
mento de quinquênios e de devolução de valores tidos por indevidamente recebidos apenas
pode ser imposta ao servidor depois de submetida a questão ao devido processo administra­
tivo, em que se mostra de obrigatória observância o respeito ao principio do contraditório e
da ampla defesa. [...]. (STJ, RE 594296, Rei. Min. Dias Toffoli, Pleno, repercussão geral - mérito,
DJe 13.2.2012)

® [...] A Min. Cármen Lúcia propôs a revisão da Súmula 473/STF, com eventual alteração do seu
enunciado ou com a concessão de força vinculante, para que seja acrescentada a seguinte
expressão "garantidos, em todos os casos, o devido processo legal administrativo e a apre-
. ciaçãó judicial". Advertiu que, assim, evitar-se-ia que essa súmula fosse invocada em decisões
' administrativas eivadas de vícios. (STJ, RE 594296, Rei. Min. Dias Toffoli, Pleno, repercussão
geral.-m érito, DJe 13.2,2012, Informativo 641) , - .

IS [...) 3. O instituto da cessão, regulamentado pelos arts. 64, 125 e 126 do DL 9.760/46, não
constitui modalidade de alienação. Na cessão o Poder Público permanece com o domínio do
bem cedido, podendo retomá-lo a qualquer momento ou recebê-lo ao término do prazo da
cessão. 4. A existência de cláusula resolutiva especial no termo de cessão não afasta sua pre­
cariedade, vez que subsiste a possibilidade de resolução do contrato em decorrência da cláu­
sula resolutiva geral inerente a qualquer contrato administrativo. A prevalência dessa cláusula
é afirmada no enunciado da Súmula 473/STF, na asserção de que a Administração pode revo­
gar seus próprios atos por motivo de conveniência ou oportunidade. Não se dá, na hipótese,
ofensa a ato jurídico perfeito ou a direito adquirido à posse do imóvel. [...]. (AR 1333, Rei. Min.
Eros Grau, Pleno, DJe 25.6.2010)

E [...) Não se revela constitucionalmente lícito, ao Legislativo, decretar a nulidade do proce­


dimento administrativo do concurso público, sob pretexto de infringência, por órgãos do
Poder Executivo, de prescrições legais. - A norma legal que invalida "todo concurso público
em que ficar comprovada a transgressão desta Lei", por qualificar-se como inadmissível sen­
tença legislativa, ofende o postulado da separação de poderes. É que, em tal hipótese, dar-
-se-á indevida substituição, pelo Legislativo, do Poder Judiciário, a cujos órgãos se reservou,
constitucionalmente, a função de dirimir conflitos de interesses, sem prejuízo, no entanto, do
reconhecimento de que se inclui, na esfera de atribuições da Administração, o poder de "(...)
anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais (...)" (Súmula 473/
STF), incumbindo, desse modo, o exercício de tal prerrogativa, ao órgão estatal competente
que promove referidos certames seletivos. [...]. (STF. Pleno. ADI-MC 776/RS. Rei.; Min. Celso de
Mello. DJ 15.12.2006)

E [...] A Administração Pública pode anular seus próprios atos, quando inquinados de ilegalidade
(Súmula 473); mas, se a atividade do agente público acarretou danos patrimoniais ou morais
a outrem - salvo culpa exclusiva dele, eles deverão ser ressarcidos, de acordo com o disposto
no art. 37, i 6o, da Constituição Federal. (STF. 1a Turma. RE 460881/MA. Rei.: Min. Sepúlveda
Pertence. DJ 12.5.2006)

E U I Esta Corte já afirmou ser inviável a tripla acumulação de cargos públicos. [...]. 2. Sob a
égide da Constituição anterior, o Plenário desta Corte, ao julgar o RE 101126, assentou que "as
fundações instituídas pelo Poder Público, que assumem a gestão de serviço estatal e se sub­
Direito Administrativo 21

metem a regime administrativo previsto, nos Estados-membros, por leis estaduais são funda­
ções de direito público, e, portanto, pessoas jurídicas de direito público". Por isso, aplica-se a
elas a proibição de acumulação indevida de cargos. 3. Esta Corte rejeita a chamada "teoria do
fato consumado”. (...) 4. Incidência da primeira parte da Súmula STF n° 473: "a administração
pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles
não se originam direitos". 5. O direito adquirido e o decurso de longo tempo não podem ser
opostos quanto se tratar de manifesta contrariedade à Constituição. [...]. (STF. 2a Turma. RE
381204/RS. Rei.: Min. Ellen Gracie. DJ 11.11.2005)

183 (...) 1. Pode a Administração Pública, segundo o poder de autotutela a ela conferido, retificar
ato eivado de vício que o torne ilegal, prescindindo, portanto, de instauração de processo
administrativo (Súmula STF n° 473). (...]. (STF. 2a Turma. RE-AgR 273665/RN. Rei.: Min. Ellen
Gracie. DJ 5.8.2005)

SI (...) A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de ilegalidade (Súm. 473),
não podendo ser invocado o princípio da isonomia com o pretexto de se obter beneficio
ilegalmente concedido a outros servidores. [...]. (STF. 1a Turma. AI-AgR 442918/PB. Rei.: Min.
Sepúlveda Pertence. DJ 4.6.2004) -
............... ’■................................................................................................................
0 Ato administrativo: erro de fato que redunda em vicio de legalidade e autoriza a anulação.
(Súmula 473): retificação de enquadramento de servidora beneficiada por ascensão funcional,
fundada em erro quanto a sua situação anterior: validade. 1. O poder de autotutela da admi­
nistração autoriza a retificação do ato fundado em erro de fato, quê, cuidando-se de ato vin­
culado, redunda em vicio de legalidade e, portanto, não gera direito adquirido. 2. Tratando-se
de ato derivado de erro quanto à existência dos seus pressupostos, faz-se impertinente a
invocação da tese da inadmissibilidade da anulação fundada em mudança superveniente da
interpretação da norma ou da orientação administrativa, que pressupõe a identidade de situ­
ação de fato em torno do qual variam os critérios de decisão. (STF. I a Turma. RMS 21259/DF.
Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 8.11.1991)

13 (...) Com efeito, segundo entendimento consolidado desta Corte Superior de Justiça e do
Supremo Tribunal Federal, consagrado nas súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Fede­
ral, pode a Administração, com base no seu poder de autotutela, anular seus próprios atos,
quando eivados de vícios que os tornam ilegais. Nos casos, contudo, em que a invalidação do
ato administrativo repercuta no campo de interesses individuais de servidores, firmou-se tese
neste Sodalicio segundo a qual é necessária prévia instauração de processo administrativo
que assegure o exercício da ampla defesa e do contraditório. Trata-se, portanto, de uma miti­
gação do referido enunciado da Súmula 473/STF, no intuito de conferir segurança jurídica ao
administrado, bem como resguardar direitos conquistados por este. [...]. (STJ, RMS 26261/AP,
Rei. Min. Maria Thereza de Assis Moura, voto, 6a T„ DJe 22.2.2012)

► Lei 9.784/1999. Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados
de vício de legalidade, e pode revogá-los por mótiVó de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos. ► A r t 5 4 .0 direito da Administração de anular.ói atos
administrativos de que decorram efeitos favoráveis para' os destinatários decai em Cirico
anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. ' * - ■

S ú m u l a n ® 3 4 6 - A A d m in is t r a ç ã o P ú b l ic a p o d e d e c l a r a r a n u l id a d e d o s s e u s p r ó ­
p r i o s a t o s .*1

• S ú m u la a p licá v e l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CC/1916, arts. 145 c 147. • Precedentes: RM S 1135, DJ
17.8.1950; R E 26565, DJ S.12.19S7; M S 4609, DJ 24.12.19S7; R M S 7983, DJ 7.8.1961: RM S 8731. DJ 2.7.1962; RM S 9217, DJ
1 ç.6.1962; RM S 9460, DJ 18.4.1963; ACi 77 0 4 ,0 / 10.8.1943; R E 9830, DJ 18.1.1950.

í
Roberval Rocha , Albino Carlos Mauro José G.
22 Ferreira Filho 84 Martins V ieira * da Costa

0 aspecto que se discute é quanto ao caráter vinculado ou discricionário da anu­


lação. Indaga-se: diante de uma ilegalidade, a Administração está obrigada a anular
o ato ou tem apenas a faculdade de fazê-lo? Há opiniões nos dois sentidos. Os que
defendem o dever de anular apegam-se ao princípio da legalidade; os que defendem a
faculdade de anular invocam o princípio da predominância do interesse público sobre
o particular. Parte da doutrina entende que a Administração tem, em regra, o dever de
anular os atos ilegais, sob pena de cair por terra o princípio da legalidade. No entanto,
poderá deixar de fazê-lo, em circunstâncias determinadas, quando o prejuízo resul­
tante da anulação puder ser maior do que o decorrente da manutenção do ato ilegal;
nesse caso, é o interesse público que norteará a decisão.3

A segurança jurídica, enquanto valor informante do Estado de Direito, possibili­


ta a revogação dos atos administrativos desde que tal possibilidade não se estenda
indefinidamente no tempo. Já o poder anulatório deve sujeitar-se a prazo razoável
para que a necessária estabilidade das situações criadas administrativamente seja
prestigiada juridicamente. A confiança, como elemento'da segurança j.urídiça,.fqrça a
presença de um componente de ética nas relações jurídicas de direito público.4 •

H Súmula Vinculante n° 3: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asse(juram-se


o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de
ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato
de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

SI Súmula STF n° 6: A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria, ou qual­


quer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes de aprovada por
aquele tribunal, ressalvada a competência revisora do Judiciário.

SI [...] Administração Pública autorizada a anular seus próprios atos ao reconhecer a existência
de ilegalidade. Súmulas 346 e 473/STF. [...]. (RMS 26119. Rei. Min. Cármen Lúcia, 1a T., DJe
10.5.20-11)

H [...] 1. A anistia política é ato vinculado. Comprovados os requisitos previstos na lei e no regula­
mento, é dever da Administração declará-la. A ausência de qualquer desses requisitos impede
o reconhecimento desse direito. 2. Decorre do poder de autotutela o dever das autoridades
de revisar, de ofício, os atos administrativos irregulares que impliquem ônus ao Estado, como
é o caso da declaração da condição de anistiado político (súmulas 346 e 473/STF). (...). 3. Não
há violação do disposto no art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei n. 9.784/99 quando o ato de
anulação for praticado com fundamento no poder de autotutela da Administração Pública. 4.
O parecer da Comissão de Anistia consubstancia um dos requisitos da declaração de anistiado
político, sendo necessário o enquadramento do requerente em uma das hipóteses do art. 2°
da Lei n. 10.559/02. A Comissão tem função meramente consultiva. O Ministro da Justiça não
está vinculado à manifestação do colegiado, nos termos do disposto nos arts. 10 e 12 da Lei n.
10.559/02. 5. A Portaria do Ministério da Aeronáutica n. 1.104/1964 não consubstancia ato de
exceção em relação aos militares que não integravam os quadros das Forças Armadas à época
em que foi editada. [...]. (RMS 25988, Rei. Min. Eros Grau, 2a T., DJe 14.5.2010)

3. Dl PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito adm inistrativo. 21. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 223.
4. STF. Plenário. MS 24268/MG. Rei. p/ acórdão: Min. Gilmar Mendes. D) 17.9.2004.
Direito A dministrativo 23

@ [...] 1. Ato do Secretário de Saúde do Estado do Ceará que determinou o bloqueio dos ven­
cimentos da recorrida, por entender que ela acumulava ilegalmente dois cargos públicos. 2.
A jurisprudência desta Corte sempre reconheceu o poder da Administração rever seus atos
para, observada alguma irregularidade, anulá-los (Súmulas STF n° 346 e 473). Essa capacidade,
todavia, não pode ser exercida de forma arbitrária, devendo respeitar os ditames constitucio­
nais e garantir aos atingidos a devida defesa. [...). (STF. 2a Turma. RE 292586/CE. Rei.: Min. Ellen
Gracie. DJ 4.3.2005)

® [...] 2. O ato municipal, retificando o ato de aposentação do impetrante, ora recorrente, redu­
ziu seus proventos aos limites legais, cumprindo, assim, o princípio constitucional da legali­
dade (art. 37, c a p u t, da CF). 3. Mantendo-o, o acórdão recorrido não ofendeu os princípios
constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, até porque tal
retificação prescinde de procedimento administrativo (Súmulas 346 e 473, 1a parte). 4. Nem
afrontou o princípio da irredutibilidade de vencimentos e proventos, pois só seriam irredutí­
veis os vencimentos e proventos constitucionais e legais. Não os ilegais. [...]. (STF. 1a Turma. RE
185255/AL. Rei.: Min. Sydney Sanches. DJ 19.9.1997)

SÚMULA Nfi 5 8 - É VÁLIDA A EXIGÊNCIA DE MÉDIA SUPERIOR A QUATRO PARA APROVAÇÃO EM


ESTABELECIMENTO DEENSINO SUPERIOR, CONSOANTE O RESPEC,TJVO REGIMENTO.

• Sú m u la su p e rad a. • Data: 13.12.1963. m Referência legislativa: Lei n- 7/1946, art. • Precedentes: RM S 8317, D J.
8.9.1961: RM S 929S, DJ 19.7.1962: RM S 9539, Dl 18.10.1962: RM S 9543, DJ 2.7.1962: RM S 10080, DJ 18.4.1963: RM S 10SS7,
DJ 17.12.1962.

Em razão da edição da Lei n8 5.540/1968 (que fixa normas de organização e


funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras
providências) e, posteriormente, do Decreto-lei n8 464/1969 (que estabelece normas
complementares à Lei n9 5.540), a presente súmula restou superada.

2. BEN S P Ú B LIC O S
SÚMULA N8 6 5 0 - OS INCISOS I E XI DO ART. 2 0 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL NÃO ALCANÇAM
TERRAS DE ALDEAMENTOS EXTINTOS, AINDA QUE OCUPADAS POR INDÍGENAS EM PASSADO
REMOTO.

• Sú m u la a p lic á ve l. 9 Data: 24 .9 .2 0 0 3 .9 Referência legislativa: CP/88, art. 2 0 ,1, IX. % Precedentes: R E 219983, D) 17.9.1999;
R E 249705, Dj 1-.10.1999.

Dentre os bens da União listados no art. 20, incs. I e XI, da CF/1988, encontram-se
os que atualmente lhe pertencem, os que lhe vierem a ser atribuídos, e as as terras
tradicionalmente ocupadas pelos índios.

A regra definidora do domínio dos incisos I e XI do art. 20 da Carta Magna não


alberga situações em que, em tempos memoráveis, as terras foram ocupadas por in­
dígenas (conclusão diversa implicaria, por exemplo, asseverar que a totalidade do Rio
de Janeiro consubstancia terras da União, o que seria um verdadeiro despropósito5).
A disposição constitucional requer ocupação atual.

5. STF. Plenário. RE 219983/SP. Rei.: Min. Marco Aurélio, voto. I)J 17.9.1999.
Roberval Rocha _ Albino Carlos _ Mauro José G.
24 Ferreira Filho ® Martins Vieira ® da Costa

Se r e c o rr e r m o s ao A lv a rá de l s de a b ril de 1 6 8 0 , q u e re c o n h e c ia ao s ín d io s as t e r ­
ra s q u e o c u p a v a m no s e rtã o , v e re m o s que a e x p re ssã o "o c u p a d a s tra d ic io n a lm e n te "
não s ig n ific a o cu p a çã o im e m o r ia l, re m o ta . O " tra d ic io n a lm e n te " re fe re -s e não a u m a
c irc u n s tâ n c ia te m p o ra l, m a s ao m o d o tra d ic io n a l de os ín d io s o c u p a re m e u tiliz a re m
as te rr a s e ao m o d o tra d ic io n a l de p ro d u çã o . E n fim , ao m o d o tr a d ic io n a l de com o e le s
se re la c io n a m com a t e r r a .6

SI 1. É pacífica a orientação desta Corte, consolidada por meio da Súmula STF n° 650, no sen­
tido de que os incisos I e XI do art. 20 da Constituição Federal não alcançam terras que
foram ocupadas por indígenas no passado remoto, donde a ilegitimidade da União Federal
para figurar como parte em ação de usucapião de imóvel compreendido no perímetro de
antigo aldeamento indígena. [...]. (STF. 2a Turma. AI-AgR 437294/SP. Rei.: Min. Ellen Gracie. DJ
24.3.2006)

H Recurso. Extraordinário. Inadmissibilidade. Usucapião. Antigos aldeamentos indígenas. Falta


de interesse da União. Incompetência da Justiça Federal. Agravo regimental não provido.
Aplicação da Súmula 650. As regVas definidoras de domínio da União, insertas no a rt,2 0 da
Constituição Federal de 1988, não abrangem as terras ocupadas, em passado remoto, por
antigos-aldeamentos indígenas. (STF. 1a Turma. AI-AgR 307401/SP. Rei.: Min. Cezar Peluso. DJ
29.4.2005) '■

► CF. Art. 231 São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças
e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, compe­
tindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. 5 í ° São terras
tradidonalménte ocupadas pelos índios as por eles habitadas èm caráter permanente, as
utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos
ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultu­
ral, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2o As terras tradicionalmente ocupadas
pelos índios déstinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das
riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 3o O aproveitamento dos recursos
hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em
terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas
as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na
forma da lèi. 5 4o Às terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, é os
direitos sobre elas, imprescritíveis. 5 5o É vedada a remoção dos grupos indígenas dé suas
terras, salvo, "ad referendum” do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia
que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após delibe­
ração do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo
que cesse o risco. § 6° São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que
tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo,
ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressal­
vado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, nãò
gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na
forma da lei, quanto ás benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé. § 7o Não se aplica às
terras indígenas o disposto no art. 174, 5 3o e 5 4o.

6. SILVA, )osé Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 30. ed. rev. e atual. São Paulo: Ma-
Iheiros, 2008, p. 8S7-8S8.
Direito Administrativo 25

S ú m u l a Nfi 4 8 0 - P e r t e n c e m a o d o m ín io e a d m in is t r a ç ã o d a U n iã o , n o s t e r m o s d o s a r t i ­
gos 4 S, IV, e 1 8 6 , da Co n s t it u iç ã o F e d e r a l d e 1 9 6 7 , a s t e r r a s o c u p a d a s p o r s il v íc o l a s .

• Súm uta a p lic á v e l. 9 Data: 3 .1 2.196 9,9 Referência legislativa: CF/1967, a r t 4 Ç, IV; a r t 186. E C n a 1/1969, art. 4 a. IV; a r t
19 8 .9 Precedentes: R E 44585, DJ 12.10.1961; M S 16443, DJ 29.3.1958; ACi 9620, DJ 27.6.1969

Desde o sistema constitucional de 1946, as terras ocupadas por silvícolas per­


tencem ao domínio e à administração da União. Já o art. 216 da CF/1946 reconhecia
as terras dos silvícolas como de domínio público, o que foi mantido na Carta de 1967
- que incluiu as terras ocupadas pelos silvícolas no rol dos bens da União (art. 49, IV)
e assegurou aos silvícolas a posse permanente das terras por eles habitadas, reconhe­
cendo seu direito ao usufruto exclusivo dos recursos naturais e de todas as utilidades
nelas existentes (art. 186).

Nossa atual Carta Magna, além de manter tais direitos (art. 231 e §§), também atri­
buiu, como bens da União, "as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios” (art. 20).

Vide comentários à Súmula n9 650, retrò. - ^

S ú m u l a n9 479 v As m a r g e n s d o s r i o s n a v e g á v e is s ã o d o m ín io p ú b l ic o , in s u s c e t ív e is
d e e x p r o p r ia ç ã o e , p o r i s s o m e s m o , e x c l u íd a s d e in d e n iz a ç ã o . . •

• Sú m u la a p lic á v e l.• Data: 3.12.1969. • Referência legislativa: CF/1946, a rt. 141, § 16; a r t 152. DL ne 21235/1932. Dec. nQ
24.643/1934,m Precedentes: R E 10042, D} 14.12.1950; R E 63206, D J26.4.1968; R E 59737, DJ 11.10.1968.

A CF/88 inclui, dentre os bens da União, os terrenos de marinha e seus acrescidos


(art. 20, VII).
Por seu turno, o Código de Águas (Dec. 24.643/34) discrimina, dentre os bens
públicos dominicais, os terrenos reservados nas margens das correntes públicas de
uso comum, e o faz de modo amplo.
Depreende-se, portanto, que os terrenos marginais, via de regra, presumem-se
de domínio público, caso não estejam na propriedade, comprovada a título legítimo,
de particulares. Uma vez públicos, são inalienáveis e, por conta dessa natureza, não
podem ser objeto de usucapião e, por isso mesmo, não são indenizáveis.

® (...) 1. Os terrenos reservados nas margens das correntes públicas, como o caso dos rios nave­
gáveis, são, na forma do art. 11 do Código de Águas, bens públicos dominiais, salvo se por
algum título legítimo não pertencerem ao domínio particular. 2. O título que legitima a pro­
priedade particular deve provir do poder competente, no caso, o Poder Público, quando se
tratar de bens públicos às margens dos rios navegáveis. Isto significa que os terrenos mar­
ginais presumem-se de domínio público, podendo, excepcionalmente, integrar o domínio de
particulares, desde que objeto de concessão legítima, expressamente emanada da autoridade
competente. 3. In casu, concluiu a instância ordinária, com base em laudo de avaliação elabo­
rado pelo perito judicial e em documento oriundo da Capitania dos Portos, que o Rio Cabuçu
de Cima não constitui via navegável, e, portanto, as suas áreas marginais não configuram ter­
renos reservados, na forma prevista pelos arts. 11 e 14 do Código de Águas, mercê da impos­
sibilidade de sindicância da questão pelo óbice da Súmula n° 07/STJ, é devida a indenização
aos expropriados. 4. Ainda que, ad argumentandum, fosse demonstrada a navegabilidade do
Rio Cabuçu de Cima, a indenização das áreas marginais não poderia ser afastada, porquanto
os expropriados comprovaram a titularidade do imóvel desapropriado, acarretando a ina-
plicabilidade da Súmula 479/STF, [...). (STJ. 1a Turma. REsp 812153/SP. Rei.: Min. Luiz Fux. DJ
25.2.2008)
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
26 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

H [...] 1. Controvérsia que gravita em torno da indenizabilidade de terrenos reservados, qual seja,
mata ciliar de preservação permanente, em sede de desapropriação. 2. Os terrenos reserva­
dos nas margens das correntes públicas, como o caso dos rios navegáveis, são, na forma do
art. 11 do Código de Águas, bens públicos dominiais, salvo se por algum titulo legitimo não
pertencerem ao dominio particular. 3. Em se tratando de bens públicos às margens dos rios
navegáveis, o título que legitima a propriedade particular deve provir do poder competente,
no caso, o Poder Público. Isto significa que os terrenos marginais presumem-se de domínio
público, podendo, excepcionalmente, integrar o domínio de particulares, desde que objeto de
concessão legítima, expressamente emanada de autoridade competente. 4. "São de proprie­
dade da União quando marginais de águas doces sitas em terras de domínio federal ou das
que banhem mais de um Estado, sirvam de limite com outros países ou, ainda, se estendam
a território estrangeiro ou dele provenham (art. 20, III, da Constituição). Por seguirem o des­
tino dos rios, são de propriedade dos Estados quando não forem marginais de rios federais.
Em tempos houve quem, erroneamente, sustentasse que sobre eles não havia propriedade
pública, mas apensa servidão pública. Hoje a matéria é pacificada, havendo súmula do STF
(n° 479) reconhecendo o caráter público de tais bens, ao confirmar acórdão do TJSP no qual
a matéria fora exaustivamente aclarada pelo relator, Des. O. A. Bandeira de Mello, o qual, em
trabalhos teóricos anteriores, já havia examinado ex professo o assunto. De resto, hoje, no art.
20, VII, da Constituição, a questão está expressamente resolvida. Os terrenos reservados sãb
bens públicos dominicais (art. 11 do Código de Águas)." (Celso Antonio Bandeira de Mello,
Curso de Direito Administrativo, 14a edição, Malheiros, 2002, p. 778) 5. O Supremo Tribu­
nal Federal, por intermédio da Súmula 479, consolidou o entendimento de que "as margens',
dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis de expropriaçâo e, pór isso mesmo,
excluídas de indenização. [...]. (STJ. 1a Turma. REsp 679076/MS. Rei.: Min. Luiz Fux DJ 13.2.2006)

SI [ .] 1. Seg undo o art. 11 do Código de Águas (Decreto n° 24.643/34), os terrenos que mar­
geiam os rios navegáveis são bens públicos dominicais, salvo se por algum título legítimo não
pertencerem ao domínio particular. 2. Até prova em contrário, presume-se que os "terrenos
reservados” pertencem ao domínio público, presunção que pode ser ilidida por documento
idôneo, comprobatório da propriedade particular. 3, A questão relativa à indenizabilidade dos
"terrenos reservados" passa pela definição do domínio. Se a titularidade é do Poder Público,
estas áreas devem ser excluídas do valor da indenização, tal corno preconizado na Súmula n°
479 da Suprema Corte, segundo a qual "as margens dos rios navegáveis são dominio público,
insuscetíveis de expropriaçâo e, por isso mesmo, excluídas de indenização". 4. Se o particular
comprova a concessão por título legítimo, nos termos do § I o do art. 11 do Código de Águas,
o valor dos terrenos reservados deve ser incluído na indenização, à semelhança do que ocorre
com os terrenos de marinha. 5. Hipótese em que não há informação ou documento nos autos
que afaste a presunção de que se trata de bens públicos dominicais. [...]. (STJ. I a Seção. EREsp
617822/SP. Rei.: Min. Castro Meira. DJ 21.11.2005)

► Dec. 24.643/1934. A rt. 11. São públicos dominicais, se não estiverem destinados ao uso
comum, ou por algum título legítimo não pertencerem ao domínio particular: 1o os ter­
renos de marinha; 2o os terrenos reservados nas margens das correntes públicas de uso
comum, bem como dos canais, lagos e lagoas da mesma espécie. Salvo quanto às cor­
rentes que, não sendo navegáveis nem flutuáveis, concorrem apenas para formar outras
simplesmente flutuáveis, e não navegáveis.

S Ú M U LA Na 477 - As C O N C E S S Õ E S D E T E R R A S D E V O L U T A S S IT U A D A S N A F A IX A D E F R O N T E IR A ,
f e it a s pelo s E s t a d o s , a u t o r iz a m , a p e n a s , o uso , perm an ecen d o o d o m ín io com a

U n iã o , a in d a q u e s e m a n t e n h a i n e r t e o u t o l e r a n t e , e m r e l a ç ã o a o s p o s s u id o r e s .

• Sú m u la m itig a d a .» Data: 3.12.1969. • Referência legislativa: CF/1891. art. 64. CF/1946. art. W .S 1": art. 34. II. I.ei Im pe­
ria l n ’ 601/1850. Ui 110 2.597/1955. U i n! 3.081/1955. DL n” 1.164/1939. art. 19. 01. n f 2.610/1940. Dl. n9 7.724/1945. Der.
n* 1.318/1854. •P rece d en te s: R E 52331 embargos, 0/25.6 .1 9 6 4 : R E 52331, DJ 25.6,1964: ACi 9621 embargas, 11/ 24.3.1965:
ACO 81. D j 17.6.1968.
Direito A dministrativo 27

Denomina-se faixa de fronteira a faixa de até cento e cinquenta quilômetros de


largura, ao longo das fronteiras terrestres do território brasileiro. São tidas por fun­
damentais à defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização devem ser re­
guladas por lei78(CF/88, art. 20, § 2S).
As terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, situadas nessa faixa,
são consideradas bens da União (CF/88, art. 20,11) e é sobre elas que incide o postu­
lado sumular em comento.
Para conciliar a Súmula nQ477 com o vigente texto constitucional, deve-se inter­
pretar que apenas as terras devolutas “indispensáveis à defesa das fronteiras" é que
ensejam a transferências do uso, o mesmo não ocorrendo com as demais, que podem
ser transferidas com observância das condições legais pertinentes.6

SI (...) Divergência do julgado hostilizado com precedentes versando a questão de venda a non
domino, tendo por objeto terras do patrimônio da União Federal (Súmula 477 - STF). [...]. (STJ.
1a Turma. REsp 3069/PR. Rei.: Min. Milton Luiz Pereira. DJ 16.11.1992)
) • -

3. CONCURSO P Ú B LIC O . . . ... ,


S ú m u l a V in c u l a n t e n 2 4 4 - S ó p o r l e i s e p o d e s u j e it a r a e x a m e p s ic o t é c n ic o a h a b i l i ­
ta çã o DE CANDIDATO A CARGO PUBLICO.

• Súm ula vinculante. • Data 17.4.2015. • Referência legislativa: CF, arts. S s, U, e 37, /. • Precedentes: A R E 736416 AgR,
Dje 26.11.2013. A I 677718 AgR, D Je 2 0 .ll.2 0 1 3 .A R E 760248 AgR, DJeS.112013. A R E 734234 AgR. DJe 29.10.2013. A I 746S37
AgR, Dje 1.8.2012. M S 30822, Dje 26.6.2012. R E 537795 AgR, Dje 11.4.2012. A t 78448S AgR, D je 8.3.2012. A I 746763 AgR, Dje
I. 12.2011. A I 746742 AgR, Dje 9.6.2011. R E S678S9 AgR, Dje 30.11.2010. R E 389879 AgR, Dje 29.11.2010. A I 758533 QO RG,
Dje 13.8.2010. A I 529219 AgR, Dje 26.3.2010. A I 595541 AgR, Dje 7.82009. A l 745942 AgR, Dje 1.7.2009. A I 660815AgR. Dje
23.11.2007. A I 636384 AgR, Dje 31.10.2007. R E 340413 AgR, DJ 16.122005. R E 342405 AgR, D J22.4.2005. R E 330546 AgR, DJ
23.8.2002. A I 182487 AgR, DJ 7.2.1997

No e n u n c ia d o , a Corte to rn a v in c u la n te o que antes dispunha no co n te ú d o d a S ú ­


m u la 6 8 6 (v id e c o m e n tá rio s a esse e n u n c ia d o , adiante).

S ú m u l a V in c u l a n t e nb 4 3 - É in c o n s t itu c io n a l to d a m o d a lid a d e d e p r o v im e n t o q u e p r o ­
p ic ie ao s e r v id o r in v e s t ir - s e , s e m p r é v ia aprovação em con curso p ú b l ic o d e s t in a d o ao
s e u p r o v im e n t o , e m cargo q u e não in t e g r a a c a r r e ir a na qual a n t e r io r m e n t e in v e s t id o .

• Súm ula vinculante. • Data 17.42015. • Referência legislativa: CF, a r t 37, II. • Precedentes: R E 602264 AgR, Dje 31.52013.
A R E 680296 AgR, Dje 11.12.2012. A l 528048 AgR, Dje 22.3.2011. A D I3342, Dje 29.52009. ADI 3857, Dje 27.2.2009. A D I 3819,
Dje 28.32008. ADI 3190, DJ 24.11.2006. ADI 3061, DJ 9.6.2006. ADI 2804, DJ 8.4.2005. ADI 3030, DJ 18.3.2005. ADI 1329, DJ
12.92003. A D I2186 MC, DJ 1.8.2003. ADI 1345, D J25.4.2003. A I 195022 AgR-AgR, DJ22.32002. M S 23670, D J8.2.2002. A D I2335
MC, DJ 31.8.2001. ADI 242, D J23.3.2001. ADI 837, DJ 25.6.1999. R E 173357, DJ 5.2.1999. ADI 1150, DJ 17.4.1998. R E 150453, DJ
II. 4.1997. M S22148, DJ8.3.1996. ADI 186, DJ 15.9.1995. ADI 970M C.DJ26.5.1995. A D I248, DJ8.4.1994. R E 129943, D J42.1994.
ADI 308, DJ 10.9.1993. R E 157538, DJ 27.8.1993. ADI 266, DJ 6.8.1993. M S 21420, DJ 18.6.1993. ADI 837 MC, DJ 23.4.1993. ADI
785 MC, DJ 27.11.1992. ADI 231, DJ 13.11.1992. ADI 245, DJ 13.11.1992. A D I368 MC, DJ 16.11.1990. ADI 308 MC, DJ 17.8,1990.

7. As restrições e as condições de uso e de alienação de terras situadas nessas faixas são disciplinadas
pela Lei n* 6.634/1979.
8. CARVALHO FILHO, José dos Santos, Manual de direito administrativo. 16. ed. rev., atual., ampl. Rio
de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 995.
Roberval Rocha * Albino Carlos ^ Mauro J osé G.
28 Ferreira Filho * Martins V ieira *■' da Costa

No enunciado, a Corte torna vinculante o que antes dispunha no conteúdo da Sú­


mula 685 (Vide comentários a esse enunciado, adiante).

SÚMULA Ns 6 8 6 - SÓ POR LEI SE PODE SUJEITAR A EXAME PSICOTÉCNICO A HABILITAÇÃO DE


CANDIDATO A CARGO PÚBLICO.

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 24.9.2003. • R eferência le g isla tiv a : C F/88, a rt. 5°, II ; a rt. 3 2 . 1. • P recedentes: R E 93275,
Dl 27 .2 .1 9 8 1 ; R M S 20997, D] 28.6.1991; M S 20966, D) 2 4 .4 .1 9 9 2 ; M S 20 973, D j 24 .4.1992; M S 20972, DJ 8.5 .1 9 9 2 ; R E
104395, D j 4.9 .1 9 9 2 ; A D I 1188 MC, DJ 20 .4.199 S; A l 182487 AgR, DJ 7.2.1997; R E 228356, DJ 26 .3.199 9; R E 23 0197, DJ
13.8.1999.

A teor do disposto no art. 3 7 ,1, da CF/88, somente a lei pode estabelecer requisi­
tos para o ingresso em cargos, empregos e funções públicas. Embora comum a asser­
tiva de que o "edital é a lei do concurso", exige-se lei em sentido formal, revelando-se
insuficiente a existência apenas de norma editalícia, porque só a lei em sentido for­
mal - ato normativo emanado do Poder Legislativo - pode estabelecer requisitos que
condicionem o ingresso no serviço públi,co. As restrições e exigências provenientes de
atos administrativos de carqter infralegal são inconstitucionais.

Posteriormente, oxronteúdo do enunciado foi transformado na Súmula Vinculante-


n«44. ' -

SI [•■
■] 2. Exame psicotécnico. Previsão em lei em sentido material. Indispensabilidade. Critérios
objetivos. Obrigatoriedade. 3. Jurisprudência pacificada na Corte. Repercussão Geral. Aplicabi­
lidade. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a juris­
prudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos
relacionados à repercussão geral. [...]. (AI-RG-QO 758533, Rei. Min. Gilmar Mendes, Tema 338,
DJe 13.8.2010)

SI [...] III. A Suprema Corte já fixou sua jurisprudência no sentido de que somente com auto­
rização de lei em sentido estrito pode-se se sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de
candidato a cargo público. Aplicação da Súmula 686 do Supremo Tribunal Federal. [...]. (STF. 1a
Turma. AI-AgR 666554/DF. Rei.: Min. Ricardo Lewandowski. DJE 19.12.2007)

SI [-1 Estado de Minas Gerais. Concurso para servidores públicos. Exame psicotécnico. [...]. Exi­
gência estabelecida na conformidade do disposto no art. 37, I, da CF. Lei editada antes da rea­
lização do concurso, não se podendo falar em direito adquirido. [...]. (STF. 1a Turma. RE 230197/
MG. Rei.: Min. limar Galvão. DJ 13.8.1999)

SI [...] Somente lei, ato normativo primário, pode estabelecer requisitos para o ingresso no ser­
viço público. CF, art. 37, I. No caso, o exame psicotécnico está previsto em ato administra­
tivo, apenas: ilegitimidade. [...]. (STF. 2a Turma. AI-AgR 182487/PR. Rei.: Min. Carlos Velloso. DJ
7.2.1997)

@ [...] "Apenas a lei em sentido formal (ato normativo emanado do Poder Legislativo) pode esta­
belecer requisitos que condicionem ingresso no serviço público. As restrições e exigências
que emanem de ato administrativo de caráter infralegal revestem-se de inconstitucionali-
dade." (Jose Celso de Mello Filho em "Constituição Federal Anotada"). [...]. (STF. Pleno. ADI-MC
1188/DF. ReL: Min. Marco Aurélio. DJ 20.4.1995)

► CF. Art 37, I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que
preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei.
Direito A dministrativo 29

SÚMULA N- 6 8 5 - É INCONSTITUCIONAL TODA MODALIDADE DE PROVIMENTO QUE PROPICIE AO


SERVIDOR INVESTIR-SE, SEM PRÉVIA APROVAÇÃO EM CONCURSO PÚBLICO DESTINADO AO SEU
PROVIMENTO, EM CARGO QUE NÃO INTEGRA A CARREIRA NA QUAL ANTERIORMENTE INVESTIDO.

• Sú m u la a p lic á v e l.# Data: 2 4 .9.200 3.9Referência legislativa: CF/88. art. 37, II. • Precedente:;: A ü l 308 MC, DJ 17.8.1990;
ADI 368 MC, DJ 16.11.1990; ADÍ 231, DJ 13.11.1992; ADI 245, DJ 13.11.1992; ADI 785 MC. DJ 27.11.1992; ADI 837 MC, DJ
23.4.1993; MS21420, DJ 18.6.1993; A D I266, DJ 6.8.1993; A D I308, DJ 10.9.1993: R E 129943, D J4.2.1994; A D I 248, DJ 8.4.1994:
ADI 970 MC, D J26.5.1995: ADI 186, DJ 15.9.1995; M S 22148, D J8 3 .1 9 9 6 ;R E 150453, DJ 11.4.1997; A D I U SO , DJ 17.4.1998; R E
173357, DJ 5.2.1999, ADI 837, DJ 25.6.1999: A D I 242, DJ 23.3.2001.

O art. 37, II, da CF/88 exige concurso público para investidura em qualquer car­
go público, salvo para os cargos em comissão declarado em lei de livre nomeação e
exoneração e para os cargos subsequentes da carreira, cuja investidura se faz pela
forma de provimento denominada "promoção”.

Não se admite, portanto, que o provimento ocorra por ascensão, acesso, trans­
ferência ou aproveitamento de servidor em cargos ou empregos públicos de outra
carreira diversa daquela para a qual prestou concurso público.9

Posteriormente, o conteúdo do enunciado foi transformado na Súmula Vinculante


na 43.

© (...) 1. O assunto corresponde ao Tema n. 612 da Gestão por Temas da Repercussão Geral do
portal do STF na internet e trata, “à luz dos incisos II e IX do art. 37 da Constituição Federal, da
constitucionalidade de lei municipal que dispõe sobre as hipóteses de contratação temporária
de servidores públicos". 2. Prevalência da regra da obrigatoriedade do concurso público (art.
37, inciso II, CF). As regras que restringem o cumprimento desse dispositivo estão previstas na
Constituição Federal e devem ser interpretadas restritivamente. 3. O conteúdo jurídico do art.
37, inciso IX, da Constituição Federal pode ser resumido, ratificando-se, dessa forma, o enten­
dimento da Corte Suprema de que, para que se considere válida a contratação temporária, é
preciso que: a) os casos excepcionais estejam previstos em lei; b) o prazo de contratação seja
predeterminado: c) a necessidade seja temporária; d) o interesse público seja excepcional; e) a
necessidade de contratação seja indispensável, sendo vedada a contratação para os serviços
ordinários permanentes do Estado, e que devam estar sob o espectro das contingências normais
da Administração. 4. É inconstitucional a lei municipal em comento, eis que a norma não respei­
tou a Constituição Federal. A imposição constitucional da obrigatoriedade do concurso público
é peremptória e tem como objetivo resguardar o cumprimento de princípios constitucionais,
dentre eles, os da impessoalidade, da igualdade e da eficiência. Deve-se, como em outras hipó­
teses de reconhecimento da existência do vício da inconstitucionalidade, proceder à correção da
norma, a fim de atender ao que dispõe a Constituição Federal. 5. Há que se garantir a instituição
do que os franceses denominam de "Ia culture de gestion", a cultura de gestão (terminologia
atualmente ampliada para 'cultura de gestão estratégica') que consiste na interiorização de um
vetor do progresso, com uma apreensão clara do que é normal, ordinário, e na concepção de
que os atos de administração devem ter a pretensão de ampliar as potencialidades administra­
tivas, visando à eficácia e à transformação positiva. [...]. (RE 658026, repercussão geral - mérito,
Rei. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJ 31.10.2014)

© (...) Impossibilidade de aproveitamento de servidor em disponibilidade em cargo com atri­


buição e remuneração diferenciada. Incidência da Súmula 685/STF. (...]. (ARE 656166 AgR, Rei.
Min. Cármen Lúcia, 1a T., DJe 14.12.2011)

9. STF. Plenário. ADI 242/RJ. Rei.: Min. Paulo Brossard. DJ 23.3.2001.


Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
30 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

SI [...] De outra parte, a Lei amapaense n. 538/02 é materialmente inconstitucional, porquanto


criou um diferenciado quadro de pessoal na estrutura dos Poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário para aproveitar servidores de outras unidades da Federação, oriundos de qualquer
dos três Poderes, Possibilitou, então, movimentação no espaço funcional em ordem a positi­
var um provimento derivado de cargos públicos. Mas tudo isso fora de qualquer mobilidade
no interior de uma mesma carreira. E sem exigir, além do mais, rigorosa compatibilidade entre
as novas funções e os padrões remuneratórios de origem. Violação, no particular, á regra
constitucional da indispensabilidade do concurso público de provas, ou de provas e titulos
para cada qual dos cargos ou empregos a prover na estrutura de pessoal dos Poderes Públi­
cos (Súmula 685/STF). - Ação direta julgada procedente, para declarar a inconstitucionalidade
do instrumento normativo impugnado. (ADI 3061, Rei. Min. Carlos Britto, Pleno, DJ 9.6.2006)

® [...] De outra parte, a Lei amapaense n° 538/02 é materialmente inconstitucional, porquanto


criou um diferenciado quadro de pessoal na estrutura dos Poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário para aproveitar servidores de outras unidades da Federação, oriundos de qualquer
dos três Poderes. Possibilitou, então, movimentação no espaço funcional em ordem a positi­
var um provimento derivado de cargos públicos. Mas tudo isso fora de qualquer mobilidade
. no interior de uma mesma carreira. E sem exigir, além do mais, rigorosa compatibilidade entre,
as ngvas funções e os padrões remuneratórios de origem. Violação, no particular, à regra
tonstitucional da indispensabilidade do concurso público de provas, ou de provas e titulos
para cada qual dos cargos ou empregos a prover na estrutura de pessoal dos Poderes Públi­
cos (Súmula 685 do STF). [...]. (STF. Pleno. ADI 3061/AP. Rei.: Min. Carlos Britto. DJ 9.6.2006)

E [...) Administrativo. Servidor público distrital. Resolução 170/01 da Câmara Legislativa do Dis
trito Federal. Transposição de cargos. Exigência de prévia aprovação em concurso público
(...]. 1. A Constituição Federal veda o denominado provimento derivado, consistente na trans
ferência interna ou transposição de cargos, [...]. Inteligência do art. 37, II [...], da Constituição
Federal. Súmula 685/STF. 2. Hipótese em que a recorrente, que ocupa o cargo de Assistente
Legislativo (nível médio), pretende a transposição para o cargo de Assessor Legislativo (nível
superior), com observância dos efeitos financeiros correspondentes, por aplicação do disposto
- na Resolução 170/2001 da Câmara Legislativa do Distrito Federal. [...]. (STJ. 5a Turma. RMS
1701S/DF. Rei.: Min. Arnajdo Esteves Lima. DJ 24. 4.2006)

S (...11. A transferência interna ou transposição de cargos públicos, anteriormente denominado


provimento derivado, foi vedada pela Carta Democrática de 1988, que ao consagrar o prin­
cípio da moralidade da Administração Pública, passou a exigir para o preenchimento de seus
cargos e funções a prévia aprovação em concurso público. (...]. (STJ. 5a Turma. RMS 3546/PB
Rei.: Min. Laurita Vaz. DJ 15.9.2003)

SÚ M U LA N- 684 - É IN C O N S T IT U C IO N A L O V E T O N Ã O M O T IV A D O À P A R T IC IP A Ç Ã O D E C A N D I­
D A T O A C O N C U R S O P Ú B L IC O .

• S ú m u la a p \icá ve\.9D a ta: 24 .9.200 3.9Referência legislativa: CF/88, art. 5'-’, XXXVI.9 Precedentes: RMS 17999. Dj 19.3.1908:
RR 111400, Dj 22.8.1987; RR 125856, 0/ 15.5.1992; A l 179583 AgR, DJ 1 7 .1 9 9 6 ; RF. 200747 AgR, DJ 19.12.1996

0 e xa m e ou a a v a lia ç ã o do c a n d id a to com b a se em c r it é r io s s u b je tiv o s , com o a


v e r ific a ç ã o s ig ilo sa de su a c o n d u ta , p ú b lic a e p r iv a d a , e p o s te r io r e xc lu s ã o do c e rta m e
se m e x p o siç ã o de m o tiv o s, é ato a d m in is tr a tiv o in c o n s t itu c io n a l, q u e a te n ta c o n tra o
p r in c íp io d a in a fa s ta b ilid a d e do c o n h e c im e n to do P o d e r Ju d ic iá r io d e lesão ou a m e ­
aç a a d ire ito .

Is s o p o rq u e , se a le sã o é p ra tic a d a co m b a se em c r it é r io s su b je tiv o s , ou em c r i ­
té rio s não re v e la d o s, fica o P o d e r Ju d ic iá r io im p o s s ib ilita d o d e p r e s ta r a tu te la ju-
Direito Administrativo 31

risdicional, já que não terá como verificar o acerto ou o desacerto de tais critérios.
Por via oblíqua, estaria sendo afastada da apreciação do Judiciário a lesão a direito10,
afrontando o art. 5S, XXXV, da CF/88.

© Não ofende a Constituição o edital que estabelece limite de idade para ingresso na atividade
policial militar. 3. O limite de idade previsto em edital para ingresso na carreira de policial
militar não é discricionário ou contrário a normas constitucionais, posto que a própria Carta
Magna prevê tal exigência, "ex vi" do art. 42, § 1o, c/c com o art. 142, § 3o, X. (ARE 637972 AgR,
Rei. Min. Luiz Fux, 1a T., DJe 19.12.2011)

© [...] II. Concurso público: exame psicotécnico: inadmissibilidade da oposição do sigilo de


seus resultados ao próprio candidato em consequência declarado inapto. A oposição
ao próprio candidato a concurso público do resultado dos elementos e do resultado do
exame psicotécnico em decorrência dos quais foi inabilitado no certame viola, a um só
tempo, o "direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular"
(CF, art. 5o, XXXIII), como também de submissão ao controle do Judiciário de eventual
lesãò de direito seu (CF, art. 5o, XXXV): [...]. (STF. 1a Turrrja. RE 265261/PR. Rei.: Min. Sepúl­
veda Pertence. DJ 10.8.2001)

© [...] Exame e avaliação de,candidato com base em critérios subjetivos, como, por-exemplo, a
verificação sigilosa sobre a conduta, pública e privada, do candidato, excluindo-o do con­
curso sem que sejam fornecidos os motivos. Ilegitimidade do ato, que atenta contra o prin­
cipio da inafastabilidade do conhecimento do Poder Judiciário de lesão ou ameaça a direito.
É que, se a lesão é praticada com base em critérios subjetivos, ou em critérios não revela­
dos, fica o Judiciário impossibilitado de prestar a tutela jurisdicional, porque não terá como
verificar o acerto ou o desacerto de tais critérios. Por via obliqua, estaria sendo afastada da
apreciação do Judiciário lesão a direito. (STF. Pleno. RE 125556/PR. Rei.: Min. Carlos Velloso.
DJ 15.5.1992)

S [-.] O exame psicotécnico, especialmente quando possuir natureza eliminatória, deve revestir-
-se de rigor cientifico, submetendo-se, em sua realização, à observância de critérios técni­
cos que propiciem base objetiva destinada a viabilizar o controle jurisdicional da legalidade,
da correção e da razoabilidade dos parâmetros norteadores da formulação e das conclusões
resultantes dos testes psicológicos, sob pena de frustrar-se, de modo ilegítimo, o exercício,
pelo candidato, da garantia de acesso ao Poder Judiciário, na hipótese de lesão a direito. [...].
(STF. 2a Turma. AI-AgR 539408/DF. Rei.: Min. Celso de Mello. DJ 7.4.2006)

► CF. Art. 5°, XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito.

SÚMULA N- 6 8 3 - O LIMITE DE IDADE PARA A INSCRIÇÃO EM CONCURSO PÚBLICO SÓ SE LEGI­


TIMA EM FACE DO ART. 7 S, XXX , DA CONSTITUIÇÃO, QUANDO POSSA SER JUSTIFICADO PELA
NATUREZA DAS ATRIBUIÇÕES DO CARGO A SER PREENCHIDO.

• Sú m u la a p lic á v e l.• D a ta :24.9.2003. • Referência legislativa: CF/88, art. S ç, "c a p u t a r t 7a, XXX: art. 39, § 3 Ç.9P receden ­
tes: RMS 21033, DJ 11.10.1991; RM S 21046, DJ 14.11.1991; R E 1S6404, DJ 1!. 10.1993; R E 16S30S, DJ 16.12.1994; A l 1S6S37
AgR, DJ 12.5.1995; R E 140945, DJ 22.9.1995; R E 142095, DJ 28.2.1997; R E 176369, DJ 20.6.1997; R E 176479, Df 5.9.1997; A l
208290 AgR, DJ 12.6.1998; R E 212066, DJ 12.3.1999.

10. STF. Plenário. RE 125556. Rei.: Min. Carlos Velloso. D| 15.5.1992.


Roberval Rocha ,,, Albino Carlos Mauro José G.
32 Ferreira Filho v‘ Martins V ieira da Costa

Para a jurisprudência dominante na Corte Suprema, salvo nos casos em que a


limitação de idade possa ser justificada pela natureza das atribuições do cargo a ser
preenchido, não pode a lei, em face do disposto no art. 1-, XXX, ex vi do art. 39, § 3S,
ambos da CF/1988, impor limite de idade para a inscrição em concurso público, por
ferir o princípio da razoabilidade.

BI [...] A ocupação de cargo ligado à saúde, ainda quando este componha o quadro da carreira
militar, não justifica a imposição de limite máximo de idade. (...]. (RE 581251 AgR, Rei. Min.
Ricardo Lewandowski, 1a T., DJe 22.2.2011)

SI [...] A fixação do limite de idade via edital não tem o condão de suprir a exigência constitucio­
nal de que tal requisito seja estabelecido por lei. [...]. (STF. 2a Turma. RE-AgR 559823/DF. Rei.:
Min. Joaquim Barbosa. DJE 01.2.2008)

SI [...] Esta Corte fixou o entendimento de que a norma prevista em Constituição Estadual
vedando a estipulação de limite de idade para o ingresso no serviço público traz em si requi­
sito referente ao provimento de cargos e ao regime jurídico de servidor público, matéria cuja
regulamentação .reilama a edição de legislação ordinária, de iniciativa do Chefe do PoderExe-
cutivo. [...]. (STF. Pleno.-ADI 2873/PI. Rei.: Min. Ellen Gracie. DJ 9.11.2007)

BI [...] A vedação imposta por lei de origem parlamentar viola a iniciativa reservada ao Poder
Executivo (CF, art. 61, § 1o, II, c), por cuidar de matéria atinente ao provimento de cargos públi­
cos. (STF. Pleno. ADI 776/RS. Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 6.9.2007)

BI |...]A lei pode limitar o acesso a cargos públicos, desde que as exigências sejam razoáveis e
não violem o art. 7o, XXX, da Constituição. A Lei 8.112/1990 prevê a idade mínima de 18 anos
para ingresso no serviço público. [...]. (STF. 2a Turma. AI-AgR 413149/DF. Rei.: Min. Joaquim
Barbosa. DJ 22.9.2006)

BI [...] 2. Edital que fixou idade máxima, em concurso para médico militar, apenas para inscrição
de candidatos civis. (...]. 3. Se o bom desempenho das atividades de médico da Polícia Militar
demanda a força física peculiar ao jovem, a exigência de 35 anos dé idade máxima deveria ser
atribuída a todo e qualquer candidato e não apenas aos civis. Fica claro que a distinção em
debate foi criada para favorecer os militares. [...]. (STF. 2a Turma. RE-AgR 215988/SP. Rei.: Min.
Ellen Gracie. DJ 18.11.2005)

W (...) Os pronunciamentos do Supremo são reiterados no sentido de não se poder erigir


como critério de admissão não haver o candidato ultrapassado determinada idade, cor­
rendo à conta de exceção situações concretas em que o cargo a ser exercido engloba
atividade a exigir a observância de certo limite [...]. Mostra-se pouco razoável a fixação,
contida em edital, de idade máxima - 28 anos -, a alcançar ambos os sexos, para ingresso
como soldado policial militar. (STF 1a Turma. RE-AgR 345598/DF. Rei.: Min. Marco Aurélio.
DJ 19.8.2005)

BI (-) Limite mínimo de idade para inscrição em concurso público de Auditor Substituto de Con­
selheiro do Tribunal de Contas do Estado. 2. Acórdão que entendeu ser ofensivo aos arts.
7°, XXX e 39, 5 2* da Constituição Federal, estabelecimento de limite mínimo de idade para
inscrição em concurso público de Auditor Substituto. 3. Inexistência de expressa referência na
lei a limite mínimo de idade para investidura em cargo de Auditor. 4. A Lei Orgânica limita-se
a definir em quais situações os Auditores substituirão os Conselheiros. Incabível, na espécie,
restringir, no Edital do Concurso, o que a lei não limitou. (...). (STF 2a Turma. RE 182432/RS.
Rei.: Min. Néri da Silveira. DJ 5.4.2002)
Direito Administrativo 33

El [...] Longe fica de vulnerar o § 9° do artigo 42 da Constituição Federal provimento que encerra
o desprezo a limite de idade estabelecido, em face de a Administração Pública não haver
observado o cronograma do concurso, vindo o candidato a alcançar a idade-limite para
ingresso por ocasião dos exames médicos. (STF. 2a Turma. AI-AgR 203133/DF. Rei.: Min. Marco
Aurélio. DJ 24.4.1998)

BI [-1 O Plenário desta Corte, ao julgar os recursos em mandado de segurança 21.033 e 21.046,
firmou o entendimento de que, salvo nos casos em que a limitação de idade possa ser jus­
tificada pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido, não pode a lei, em face do
disposto nos artigos 7°, XXX, e 30, 6 2°, da Constituição Federal, impor limite de idade para a
inscrição em concurso público. [...]. (STF. I a Turma. RE 176479/RS. Rei.: Min. Moreira Alves. DJ
5.9.1997)

BI MS. Concurso público. Oficiais temporários. Idade. Limite. - Trata-se de mandado de segu­
rança preventivo com objetivo de a impetrante garantir sua participação na formatura de
estágio de adaptação, após ser aprovada em concurso público para o quadro de oficiais tem­
porários da Aeronáutica, pois, apesar de na data da inscrição do certame contar com a idade
máxima de 42 anos prevista no édital, agora completou 43 anos. Para a Min. Relatora, é legí­
tima a limitação de idade para o ingresso nos quadros de oficiais temporários da Aeronáutica,
por força do art. 42, I 3o, X, da'CF/1988, entretanto, no caso dos autos, a exigência do edital
restou cumprida porque, no período de inscrição, a impetrante possuía a idade máxima como
exigido. Com esse entendimento, a Seção concedeu a ordem. MS 12.773-DF, Rei. Min. Lauritá
Vaz, julgado em 24/10/2007. 3a Seção. (Informativo STJ n° 337)

► CF/1988. Art. 7°. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que
visem à melhoria de sua condição social: [...] XXX - proibição de diferença de salários,
de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou
estado civil. ► Art. 39. 5 3o. Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o
disposto no art. 7o, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX,. XX, XXII e XXX,
podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando'a natureza do
cargo o exigir.

S ú m u l a n 2 3 7 3 - S e r v id o r n o m e a d o a p ó s a p r o v a ç ã o no c u r s o d e c a pa c ita çã o p o l ic ia l ,
INSTITUÍDO NA POLÍCIA DO DISTRITO FEDERAL, EM 1 9 4 1 , PREENCHE O REQUISITO DA NOMEA­
ÇÃO POR CONCURSO A QUE SE REFEREM AS LEIS 7 0 5 , DE 1 6 .5 .4 9 , E 1 .6 3 9 , DE 1 4 .7 .5 2 .

• Sú m u la su p e rad a. • Data: 3.4.1964. • Precedentes: R E 47110, 0/ 11.8.1961; RM S 10S92, D] 30.S.1963; RM S 11169, Dj


24.5.1963; R E S I 787 embargos, DJ 29.8.1963.

0 enunciado foi ditado para caso bastante específico, cuja legislação de referência
encontra-se revogada.

SÚMULA N2 1 7 - A NOMEAÇÃO DE FUNCIONÁRIO SEM CONCURSO PODE SER DESFEITA ANTES DA


POSSE.

• Súmula aplicável.• Data: 13.12.1963. •R eferê n cia legislativa: CF/1946, art. 188, II. í e i n 9 1.711/1952, a r t 26; art. 82, II.
• Precedentes: R E 48 917, DJ 29.11.1962; R E 51223, DJ 25.7.1963.

Nos precedentes dessa súmula, os casos analisados referiam-se à nomeação do


servidor sem concurso público. Fixou o Pretório Excelso o entendimento de que so­
mente a habilitação por concurso gera direito à posse.
Roberval Rocha . Albino Carlos Mauro José G
34 Ferreira Filho " Martins Vieira da Costa

Apesar de referir-se a permissivo constante na CF/1946, que admitia a existência


desses servidores efetivados sem concurso público", ainda hoje a súmula é referen­
ciada nos tribunais, principalmente no que diz respeito às contratações temporárias,
previstas na CF/88, art. 37, IX: “a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público".

© [...] A Administração Pública não obriga a contratar o profissional que se habilitou à vaga de
professor em caráter temporário sem prévio concurso público, eis que, ainda que satisfeitos
os requisitos legais, a teor do disposto no enunciado n° 17 da Súmula do Supremo Tribunal
Federal "a nomeação de funcionário sem concurso pode ser desfeita antes da posse". (...). (STJ.
6a Turma. RMS 3682/SC. Rei.: Min. Anselmo Santiago. DJ 15.3.1999)

S ú m u l a n - 1 6 - F u n c io n á r io n o m e a d o p o r c o n c u r s o t e m d i r e i t o a p o s s e .

•Súmula aplicável.* Data: 13.12.1963.%Referência legislativa: CC/1916, a rt. 1.512. L e i n9 1.711/1952, art. 1 3 .9 Preceden­
tes: MS 4609; DJ 24.12.1957; RM S 9289. DJ 23.8.1962; RM S 9326. DJ 20.8.1962; RM S 9780, DJ 7.11.1963.

0 candidato classificado em concurso público não tem o direito de exigir que a


Administração o nomeie, submetendo o juízo de conveniência do Poder Público à sua
pretensão. Mas, uma vez nomea‘do, completo estará o procedimento administrativo,
nascendo para o concursado o direito à posse, pois o juízo de conveniência e oportu­
nidade da Administração esgota-se com o ato de nomeação.
Registre-se que a jurisprudência assentada no Superior Tribunal de Justiça (STJ}
vai além desse enunciado sumular. Para a Corte, se o candidato foi aprovado dentro do
número de vagas previsto no edital, tem direito líquido e certo à posse.

© [...] 1. Em conformidade com jurisprudência pacífica desta Corte, o candidato aprovado em


concurso público, dentro do número de vagas previstas em edital, possui direito liquido e
certo à nomeação e à posse. 2. A partir da veiculação, pelo instrumento convocatório, da
necessidade de a Administração prover determinado número de vagas, a nomeação e posse,
que seriam, a princípio, atos discricionários, de acordo com a necessidade do serviço público,
tornam-se vinculados, gerando, em contrapartida, direito subjetivo para o candidato aprovado
dentro do número de vagas previstas em edital. [...]. (STJ. 6a Turma. RMS 20718/SP. Rei.: Min.
Paulo Medina. DJ 3.3.2008)

© [...] III. Não ofende qualquer direito liquido e certo o ato administrativo que tornou sem efeito
a posse e exercício de candidato a cargo de professor da rede estadual que não preencheu
os requisitos exigidos no instrumento convocatório. IV - Aplica-se, à espécie, o entendimento
consolidado na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal: "Administração pode anular seus
próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam
direitos...". [...]. (STJ. 5a Turma. RMS 21819/PR. Rei.: Min. Gilson Dipp. DJ 5.2.2007)

S ú m u l a n - 1 5 - D e n t r o d o p r a z o d e v a l id a d e d o c o n c u r s o , o c a n d id a t o a p r o v a d o t e m
o d i r e i t o a n o m ea ç ã o , q u a n d o o c a r g o f o r p r e e n c h id o s e m o b s e r v â n c ia d a c l a s s i f i ­
caçã o .

• Súmula aplicável. 9 Data: 13.12.1963.9Referência legislativa: CC/1916, art. 1.512. L e in s 1.711/1952, art. 13.9Preceden-
tes: ACI 7387 embargos, Dj 5.10.1954. RM S 8724, D j 8.9.1961: RM S 8578, D j 12.4.1962.

11. CF/1946, art. 188: "São estáveis: [...] II - depois de cinco anos de exercício, os Funcionários efetivos
nomeados sem concurso”.
Direito Administrativo 35

A aprovação em concurso público não gera, em princípio, direito à nomeação,


constituindo mera expectativa de direito, que, no entanto, concretizar-se-á se houver
o preenchimento de vaga oferecida no certame sem observância à ordem classificató-
ria daqueles aprovados em lista de espera, o que afronta gravemente norma constitu­
cional esculpida no art. 37, IV, da CF/1988, adiante transcrito.

® (...) Aplicação da Súmula 15. A aprovação em concurso público não gera, em princípio, direito
à nomeação, constituindo mera expectativa de direito. Esse direito surgirá se houver o pre­
enchimento de vaga sem observância de ordem classificatória. [...]. (STF. 2a Turma. RE-AgR
306938/RS. Rei.: Min. Cezar Peluso. DJ 11.10.2007)

S (...) Exaurido o prazo de validade do concurso, e não tendo ele sido prorrogado, os incisos
III e IV do artigo 37 da Constituição e o princípio consagrado na Súmula 15 desta Corte não
impedem - como decidido por esta Corte no RMS 23.517 - que a Administração abra pos­
teriormente outros concursos para o preenchimento de vagas dessa natureza, sem ter que
convocar os candidatos daquele concurso que não obtiveram classificação nele. [...). (STF. 1a
Turma. RMS 24196/DF. Rel.: Min. Moreira Alves. DJ 31.5.2002) •

® [...11. A doutrina e a jurisprudência têm-se orientado no sentido da djscricionariedade quanto ,


à oportunidade e conveniência de'prover os cargos públicos. I. /'lão jvid a,a’ legalidade, e’ a
legitimidade o ato administrativo que, fundamentado na inexistência de necessidade, decide
não prover os cargos vagos. II. A simples convocação, sem motivo explicitado, de candidato
classificado em situação inferior não significa certeza de nomeação nem demonstra interesse
da Administração em preencher as vagas existentes, não gerando direito ao provimento do
cargo. 2. Na interpretação da Súmula n° 15, desta Corte, o que se assegura ao concursado
habilitado é o direito à nomeação, no prazo de validade do concurso, quando ele é preterido
por candidato em situação inferior na ordem de classificação dos aprovados. 3. A norma cons­
titucional ínsita no art. 37, § 6o, refere-se à responsabilidade civil do Estado por danos cau­
sados a terceiros na prestação de serviços públicos, não ensejando qualquer indenização ao
candidato habilitado em concurso público mas não nomeado por interesse dá Administração.
(...]. (STF. 2a Turma. RMS 22063/RJ. Rel. p/ acórdão: Min. Mauricio Corrêa. DJ 7.12.1995)

© [...] 1. É cediço que os concursandos não possuem direito subjetivo à nomeação, mas apenas
expectativa. Contudo, essa expectativa se convola em direito subjetivo, com a imposição à
Administração de nomear o aprovado dentro do prazo de validade do certame, caso tenha
havido contratação a título precário para o preenchimento de vaga existente, em detrimento
da nomeação de candidato aprovado em certame ainda válido, exatamente como ocorrera na
espécie, daí a liquidez e certeza do direito. [...]. (STJ. 5a Turma. RMS 17302/MS. Rel.: Min. Lau-
rita Vaz. DJ 30.10.2006)

© (...) 2. Diante da evidente necessidade do serviço e da existência de vaga, bem como da


demonstração de contratação irregular para as mesmas atribuições, a candidata deixa de ter
mera expectativa de direito para adquirir direito subjetivo à nomeação e posse no cargo para
o qual foi habilitada e classificada. 3. Segurança concedida. (STJ. 3a Seção. MS 10941/AL. Rel.:
Min. Paulo Gallotti. DJ 15.5.2006)

► CF/1988. Art. 37. IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convo­


cação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será
convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego,
na carreira.
Roberval Rocha Albino Carlos _ Mauro José G.
36 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

SÚMULA N2 1 4 - NÃO É ADMISSÍVEL, POR ATO ADMINISTRATIVO, RESTRINGIR, EM RAZÃO DA


IDADE, INSCRIÇÃO EM CONCURSO PARA CARGO PÚBLICO.

• S ú m u la can c e la d a . • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CF/1946, a r t 184. L e i do Estado de São Paulo n9
S O I 7/19S8. • Precedentes: R E 48223, DJ24.S.1962; R E 48031, D j 26.7.1962; RM S101S0. DJ 18.10.1962; R E 48696 embargos,
Dl 2S.4.1963.

Constata-se, na leitura dos acórdãos referentes aos recursos extraordinários


74486 e 88968, que essa súmula foi cancelada.

Vide comentários à Súmula ns 683, que trata de assunto semelhante, retro.

E9 Súmula STF n ° 683: 0 limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em
face do art. 7o, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribui­
ções do cargo a ser preenchido.

4. D ES A P R O P R IA Ç Ã O
i

SÚMULA Nfi 6 5 2 - NÃO C0NTRA’RIA A CONSTITUIÇÃO O ART. 1 5 , § 1?, DO DL. 3 .3 6 5 / 4 1 (L E I DA


D e s a p r o p r ia ç ã o p o r Ut il id a d e P ú b l ic a ).
-- - - -

• Sú m u la a p lic á v e l.» Doto: 24.9.2003. • Referência legislativa: CF/88, art. 5 a', XXIV. DL nB 3.365/1941? a rt. 15, § I o. • P r e ­
cedentes: R E 144551/D j 6.2.1998; R E 176108, D j 26.2.1999; R E 185031, D j 5.3.1999; R E 185933, D j 5.3.1999; R E 170235, Dj
12.3.1999; R E 170931, D j 12.3.1999; R E 172201, D j 12.3.1999; R E 179179, D j 12.3.1999; R E 178215, D j 6.8.1999.

Os precedentes que embasaram essa súmula enfrentaram a questão jurídica de


saber se o depósito na imissão provisória na posse consubstanciaria ou não vulnera-
ção do princípio da justa e prévia indenização em dinheiro12, eleito pelo art. 52, XXIV,
da CF/1988 como garantia fundamental na proteção ao direito de propriedade.

„ . Tida por controvertida era, também, a questão de se saber se a imissão na posse


afastava a provisoriedade para dar lugar à definitividade da desapropriação. Em solu­
ção, o Supremo Tribunal Federal (STF) asseverou que a imissão na posse, quando há
desapropriação, é sempre provisória e, em decorrência, o § I a e alíneas do art. 15 do
DL n2 3.365/1941 são, sim, compatíveis com o princípio da justa e prévia indenização
em dinheiro, previsto no art. 5a, XXIV, da CF/88.

S] Desapropriação. Imóvel urbano. Justa indenização. Decreto-lei n. 1.075/70. Imissão na posse.


Depósito prévio. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal posiciona-se no sentido de
que a garantia constitucional da justa indenização, nas desapropriações, diz respeito ao paga­
mento do valor definitivo do preço fixado - seja por acordo das partes, seja por decisão jud i­
cial - em que ocorre a transferência do domínio. O deposito prévio permite ao desapropriante
a simples imissão na posse do imóvel. [...]. (STF. 1a Turma. RE 141795/SP. Rel.: Min. limar Galvão.
DJ 29.9.1995)

12. ARAÚJO, Edmir Netto de. Curso de direito administrativo. 3. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Saraiva,
2007, p. 1.042. Alerta: "com as exceções da própria Constituição Federal: do art. 182, § 4 S, III, e da Lei ns
10.257/2001 - Estatuto da Cidade (títulos da dívida pública, resgatáveis em até dez anos); do art. 184
(títulos da dívida agrária, resgatáveis em vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão) e do art.
243 (Lei n9 5257/1991, desapropriação sem indenização, como pena para o plantio de psicotrópicos)”.
Direito Administrativo 37

SI (...) A imissão na posse, quando há desapropriação, é sempre provisória. Assim, o § 1o e suas


alíneas do artigo 15 do Decreto-Lei 3.365/41 é compatível com o principio da justa e prévia
indenização em dinheiro previsto no art. 5°, XXIV, da atual Constituição. [...]. (STF. Pleno. RE
176108/SP. Rel. p/ acórdão: Min. Moreira Alves. DJ 26.2.1999)

► Decreto-lei n° 3365/1941. Art. 15, § 1° - A imissão provisória poderá ser feita, indepen­
dente da citação do réu, mediante o depósito: a) do preço oferecido, se este for superior
a 20 (vinte) vezes o valor locativo, caso o imóvel esteja sujeito ao imposto predial; b) da
quantia correspondente a 20 (vinte) vezes o valor locativo, estando o imóvel sujeito ao
imposto predial e sendo menor o preço oferecido; c) do valor cadastral do imóvel, para fins .
de lançamento do imposto territorial, urbano ou rural, caso o referido valor tenha sido atu­
alizado no ano fiscal imediatamente anterior; d) não tendo havido a atualização a que se
refere o inciso c, o juiz fixará independente de avaliação, a importância do depósito, tendo
em vista a época em que houver sido fixado originàlmente o valor cadastral e a valorização
ou desvalorização posterior do imóvel.

► CF/1988. A rt 5°. XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por neces­
sidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em
dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição.

SÚMULA N2 6 1 8 - Na d e s a p r o p r ia ç ã o , d i r e t a o u in d ir e t a , a t a x a d o s j u r o s c o m p e n s a ­
t ó r io s é d e 1 2 % ( doze p o r c en to ) ao a n o .

• Sú m u la a p lic á v e l.» Dato: 17. J0 .1 9B 4.» Referência legislativa: EC n1 1/1969, art. 153, § 2 2 . CC/1916, a rt. 1.063.• P r e c e ­
dentes: R E 85209, DJ 6.5.1977; R E 89574, DJ 29.9.1978: R E 89893. D/9.3.1979; RE92 447, D /6.6.1980; R E 90 949, D] 29.8.1980:
R E 93417, D j 19.12.1980.

A fixação dos juros compensatórios em 12% ao ano atende à finalidade de indenizar o


expropriado pelo não uso de sua propriedade, durante o período de que dela foi privado, e
não padece da.limitação legal dos juros moratórios, que têm finalidade diversa. ~

Trata-se de compensação pela perda antecipada da posse e constituem genuína cons­


trução jurisprudencial, sendo devidos desde o momento em que o expropriado perde a
posse do bem na desapropriação, fluindo até o pagamento da justa indenização.13

0 governo federal intentou modificar o disposto na súmula, via alteração legisla­


tiva; segundo o art. 15-A do DL ns 3.365/1941 (acrescentado pela Medida Provisória
- MP - n2 2.183-56/2001), no caso de imissão prévia na posse, na desapropriação
por necessidade ou utilidade pública e interesse social, inclusive para fins de reforma
agrária, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem, fixado
na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de até 6% ao
ano sobre o valor da diferença eventualmente apurada, a contar da imissão na posse,
vedado o cálculo de juros compostos. O STF, todavia, no julgamento da Ação Declara-
tória de Inconstitucionalidade (Adin) n2 2.332/DF (adiante transcrito), deferiu limi­
nar para suspender, no art. 15-A referido, a eficácia da expressão "de até 6% (seis por
cento)"14, mantendo íntegra a força do seu Enunciado n2 618.

13. GASPARINI, Diogenes. D ireito adm inistrativo. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 775.
14. CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de direito administrativo. 6. ed. Salvador: Juspodivm, 2007, p. 320.
Roberval Rocha Albino C a r l o s „ Mauro José G.
38 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

© Súmula STJ n° 408: Nas ações de desapropriação, os juros compensatórios incidentes após a
Medida Provisória n° 1.577, de 11/6/1997, devem ser fixados em 6% ao ano até 13/09/2001, e,
a partir de então, em 12% ao ano, na forma da Súmula n° 618 do Supremo Tribunal Federal.

JS Súmula STJ n° 114: Os juros compensatórios, na desapropriação indireta, incidem a partir da


ocupação, calculados sobre o valor da indenização, corrigido monetariamente.

SI Súmula STJ n° 113: Os juros compensatórios, na desapropriação direta, incidem a partir da


imissão na posse, calculados sobre o valor da indenização, corrigido monetariamente.

© Súmula STJ n° 69: Na desapropriação direta, os juros compensatórios são devidos desde a ante­
cipada imissão na posse e, na desapropriação indireta, a partir da efetiva ocupação do imóvel.

© Súmula STJ n° 12: Em desapropriação, são cumuláveis juros compensatórios e moratórios.

© Súmula TFR n° 74: Os juros compensatórios, na desapropriação, incidem a partir da imissão


na posse e são calculados, até a data do laudo, sobre o valor simples da indenização e, desde
então, sobre referido valor corrigido monetariamente.

© [...] 2. Desapropriação. Justa indenização.. 3. Redução do montante indenizatório. [...]. 4. Juros


, ’ compensatórios. Pretensão do agravante'de que a taxa de juros compensatórios seja alterada
para o percentual de 6% ao ano, nos termos da MP 1577/97. 5. Inaplicabilidade da MP 1577/97
e reedições. Medida provisória não convertida em lei no trintídio constitucional. Perda de
eficácia. 6. Taxa de juros compensatórios em desapropriações diretas ou indiretas é de 12%
(doze por cento) ao ano. Inafastável a Súmula 618 do STF. (...). (STF. 2a Turma. RE-AgR 419827/
PB. Rel.: Min. Gilmar Mendes. DJ 23.11.2007)

© (...) o Plenário desta Corte, ao examinar o pedido de liminar na ADIn 2332, suspendeu, no
art. 15-A do Decreto-lei 3365/41, introduzido pelo art. 1° da Medida Provisória 2027-43, a
eficácia da expressão "de até seis por cento ao ano" em face do disposto na Súmula 618
desta Corte. (...). (STF. 1a Turma. AI-AgR 278029/SP. Rel.: Min. Moreira Alves. DJ 5.4.2002)

© Ação direta de inconstitucionalidade. Artigo 1° da Medida Provisória n° 2.027-43, de 27 de


setembro de 2000, na parte que altera o Decreto-Lei n° 3.365, de 21 de junho de 194T, intro­
duzindo o artigo 15-A, com seus parágrafos, e alterando a redação do 5 1° do artigo 27.
(...) - Relevância da arguição de inconstitucionalidade da expressão "de até seis por cento ao
ano" no "caput" do artigo 15-A em causa em face do enunciado da Súmula 618 desta Corte. -
Quanto à base de cálculo dos juros compensatórios contida também no "caput" desse artigo
15-A, para que não fira o principio constitucional do prévio e justo preço, deve-se dar a ela
interpretação conforme à Constituição, para se ter como constitucional o entendimento de
que essa base de cálculo será a diferença eventualmente apurada entre 80% do preço ofer­
tado em juízo e o valor do bem fixado na sentença. - Relevância da arguição de inconstitu­
cionalidade dos 55 1° e 2° do mesmo artigo 15-A, com fundamento em ofensa ao princípio
constitucional da prévia e justa indenização. - A única consequência normativa relevante da
remissão, feita pelo 5 3° do aludido artigo 15-A está na fixação dos juros no percentual de
6% ao ano, o que já foi decidido a respeito dessa taxa de juros, - É relevante a alegação de
que a restrição decorrente do 5 4° do mencionado artigo 15-A entra em choque com o princí­
pio constitucional da garantia do justo preço na desapropriação. - Relevância da arguição de
inconstitucionalidade do 5 1° do artigo 27 em sua nova redação, no tocante à expressão “não
podendo os honorários ultrapassar R í 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais)". Deferiu-
-se em parte o pedido de liminar, para suspender, no "caput" do artigo 15-A do Decreto-Lei
n° 3.365, de 21 de junho de 1941, introduzido pelo artigo 1° da Medida Provisória n° 2.027-43,
de 27 de setembro de 2000, e suas sucessivas reedições, a eficácia da expressão "de até seis
por cento ao ano"; para dar ao final desse "caput" interpretação conforme a Constituição no
sentido de que a base de cálculo dos juros compensatórios será a diferença eventualmente
apurada entre 80% do preço ofertado em juízo e o valor do bem fixado na sentença; e para
Direito A dministrativo 39

suspender os §§ I o e 2o e 4° do mesmo artigo 15-A e a expressão "não podendo os honorá­


rios ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais)" do § 1o do artigo 27 em sua
nova redação. (STF. Pleno. ADI-MC 2332/DF. Rel.: Min. Moreira Alves. DJ 2.4.2004)

S [...1.2. A incidência de juros compensatórios na desapropriação de imóvel improdutivo. 2.1. A even­


tual improdutividade do imóvel não afasta o direito aos juros compensatórios, pois esses restituem
não só o que o expropriado deixou de ganhar co n a perda antecipada, mas também a expectativa
de renda, considerando a possibilidade do imóvel "ser aproveitado a qualquer momento de forma
racional e adequada, ou até ser vendido com o recebimento do seu valo' à vista" (EREsp 453823).
2.2. São indevidos juros compensatórios quando a propriedade se mostrar impassivel de qualquer
espécie de exploração econômica seja atual ou futura, em decorrência de limitações legais ou da
situação geográfica ou topográfica do local onde se situa a propriedade, nos termos do entendi­
mento sedimentado na I a Seção desta Corte nos autos dos EREsp 519355. 3. Princípio do tetrpus
regit actum. 3.1. A MP 1.901-30/99, incluiu o § 1o ao art. 15-A do DL 3.365/41, consignando que os
juros compensatórios só seriam devidos se houvesse perda de renda comprovadamente sofrida
pelo expropriado. Já a MP 2.027/00, inseriu o § 2C ao art. 15-A do DL 3.365/41, estabelecendo que
os juros compensatórios seriam indevidos quando o imóvel possuísse graus de utilização da terra
e de eficiência na exploração iguais a zerc. 3.2. O STF, nos autos da ADi 2332, com fundamento
nos princípios da prévia e justa indenização, concedeu medida cautelsr para suspender ex nunc
■ a efiçácia dos §§ 1o e 2° do art.. 15-A, do DL 3.365/41. 3.3. Para aferir a incidência dos juros com­
pensatórios em imóvel improdutivo, deve ser observado o princípio do tempus regit actum, assim
camo acontece na fixação do percentual desses juros. 3.4/ As restrições contidas nos §§ 1° e 2o do
art. 15-A, inseridas pelas MP's 1.901-30/99 e 2.02T-38/00 e reedições, as quais vedám a incidência
de juros compensatórios em propriedade improdutiva, serão aplicáveis, tão somente, às situações
ocorridas após a sua vigência. 3.5. Publicada a medida liminar concedida na ADI 2332, deve ser
suspensa a aplicabilidade dos §§ I o e 2o do art. 15-A do DL 3.365/41 até cue haja o julgamento de
mérito da demanda. 3.6. Na hipótese, os jurns compensatórios são devidos sobre o imóvel impro­
dutivo desde a imissão na posse até a entrada em vigor das MP's 1.901-30, 2.027-38 e reedições,
as quais suspendem a incidência dos refer dos juros. A partir da publicação da ADI-MC 2332 tais
juros voltam a incidir sobre a propriedade improdutiva, até a data da expedição dc precatório
original, segundo a dicção do § 12 do art. 100 da CF com a redação dada pela EC 62/09, salvo se
houver mudança de entendimento do STF quando do julgamento de mérito da referida ação de
controle abstrato. 4. Percentual dos juros compensatórios. 4.1. "Segundo a jurisprudência assen­
tada no STJ, a MP 1.577/97, que reduziu a taxa cos juros compensatórios em desapropriação de
12% para 6% ao ano, é aplicável no período compreendido entre 11.6.1997. quando foi editada, até
13.9.2001, quando foi publicada a decisão liminar do STF na ADI 2332, suspendendo a eficácia da
expressão 'de até seis por cento ao ano', do capjt do art. 15-A do DL 3.365/41, introduzida pela
referida MP. Nos demais períodos, a taxa dos jLros compensatórios é de 12% (doze por cento)
ao ano, como prevê a Súmula 618/STF" (REsp 1111829, repetitivo). 4.2. Nessa linha, foi editada a
Súmula 408/STJ, de seguinte teor: "nas ações de desapropriação, os juros compensatórios inci­
dentes após a MP n. 1.577, de 11.6.1997, devem ser fixados em 6% ao ano até 13.9.2001 e, a partir
de então, em 12% ao ano, na forma da Súmula 618/STF" 4.3. In casu, em razão de o ente expro-
priante ter-se imitido na posse durante a vigência da MP 1.577/97 e reedições e em data anterior à
liminar defenda na ADI 2332 os juros devem ser fixados no percentual de 6% ao ano entre a data
da imissão na posse até 13.9.01. Após essa data, o percentual volta a ser de 12% ao ano (Súmula
618/STF). [...]. (STJ, REsp 1116364, repetitivo, Rel. Min. Castro Meira, 1a Seção, DJe 10.9.2010)

SÚMULA N9 6 1 7 - A BASE DE CÁLCULO DOS HONORÁRIOS DE ADVOGADO EM DESAPROPRIAÇÃO É


A DIFERENÇA ENTRE A OFERTA E A INDENIZAÇÃO, CORRIGIDAS AMBAS MONETARIAMENTE.

• Sú m u la a p lic á v e l. • Data: 17.10.1984. • Referência legislativa: DL n ç 3 365/1941. art. 27. • Precedentes: R E 86903. DJ
29.5.1978: R E 86313, DJ 19.2.1979: R E 88713, DJ 11.5.1979: R E 92035, DJ 28.3.1980: R E 101221, DJ 18.5.1984: R E 100808,
DJ 16.12.1983.

Diversamente do que ocorre nas ações em geral, em que a parcela é calculada


sobre o valor da condenação, na desapropriação, a base continua sendo o valor da
diferença entre o quantum indenizatório fixado na sentença e o valor da oferta feita
Roberval Rocha A lbino Carlos Mauro Josá G.
40 Ferreira Filho *■' Martins Vieira v da Costa

pelo expropriante no início da ação. 0 dispositivo se funda no princípio processual do


ônus da sucumbência. De fato, se o expropriante oferece certo valor como indeniza­
ção, e a sentença fixa valor mais elevado, é claro que aquele se considera sucumbente
na parcela do valor final fixado que excede o valor ofertado. Em outras palavras, a
sucumbência ocorre em relação à diferença entre a oferta e a definição judicial da
indenização.15

SJ Súmula STJ n° 141: Os honorários de advogado em desapropriação direta são calculados


sobre a diferença entre a indenização e a oferta, corrigidas monetariamente.

® Súmula STJ n° 131: Nas ações de desapropriação incluem-se no cálculo da verba advocatícia
as parcelas relativas aos juros compensatórios e moratórios, devidamente corrigidas.

SI [...1 Desapropriação. Honorários advocatícios. Base de cálculo. Diferença entre a oferta e a


indenização, corrigidas ambas monetariamente. Súmula 617. [...]. A base de cálculo dos hono­
rários de advogado em desapropriação é a diferença entre a oferta e a indenização, corrigi-
.das ambas monetariamente. (STF. 2a Turma. RE-AgR 527971/RN. Rel.: Min. Cezar Peluso. DJ
22 . 6 . 200 /’ ) • • ,

S Ú M U L A Ne 5 6 1 - E m d e s a p r o p r i a ç ã o , é d e v i d a a c o r r e ç ã o m o n e t á r i a a t é a d a t a . d o
E F E T I V O P A G A M E N T O D A IN D E N IZ A Ç Ã O , D E V E N D O P R O C E D E R - S E À A T U A L IZ A Ç Ã O D O C Á L C U L O ,
A IN D A Q U E P O R M A IS D E U M A V E Z .

• Sú m u la a p lic á v e l. «D oto. 15.12.1976.» Referência legislativa: L e i n» 4 .6 8 6 /1 9 6 5 » Precedentes: R E 77375, DJ 21.5.1976;


R E 78502, D] 17.6.1974: R E 78757, 0/ 17.6.1974; R E 79585, DJ 6.12.1974; R E 79756, DJ 18.2.1975; R E 80030, 0 / 13.12.1974;
R E 79729, DJ 8.1.1975; R E 80044, DJ 21.3.1975.

A atualização monetária não constitui um plus ao preço do bem objeto da desa­


propriação, senão a recomposição da perda de valor em face da inflação. Portanto, tal
correção se impõe em razão do princípio da justa indenização.
Em períodos de processo inflacionário, o valor do bem objeto da desapropriação
só adquire foros de mais próxima correspondência se for devidamente atualizado.
Isso porque é morosa a ação expropriatória.16

SI Súmula STF n° 254: Incluem-se os juros moratórios na liquidação, embora omisso o pedido
inicial ou a condenação.

SI Súmula STJ n° 67: Na desapropriação, cabe a atualização monetária, ainda que por mais de
uma vez, independente do decurso de prazo superior a um ano entre o cálculo e o efetivo
pagamento da indenização.

@ [...] Desapropriação indireta. Indenização. Atraso no pagamento. Cálculo de atualização.


Súmula 561 -STF. Juros moratórios. Súmula 254-STF. - Em havendo atraso no pagamento de
indenização, cumpre, homenagear o princípio do justo ressarcimento, atualizando-se o seu
valor. Os juros moratórios, são devidos independentemente de pedido expresso. (Súmula 254/
STF). (STJ. 1a Turma. REsp 139103/SP. Rel.: Min. Humberto Gomes de Barros. DJ 17.8.1998)

15. C A R V A LH O F IL H O , J o s é d o s S a n t o s . Manual de direito administrativo. 1 6 . e d . r e v , a t u a l., a m p l. Rio


d e J a n e i r o : L u m e n J u r is , 2 0 0 6 , p . 7 1 8 - 7 1 9 .
16. C A R V A L H O F IL H O , J o s é d o s S a n t o s . Manual de direito administrativo. 1 6 . e d . re v ., a t u a l , a m p l. R io
d e J a n e i r o : L u m e n J u r is , 2 0 0 6 , p. 7 1 8 .
Direito Administrativo 41

BI Desapropriação. Correção monetária. Justo preço. [...]. Súmula 561-STF. 1. Cuidando-se de


desapropriação, em homenagem ao principio constitucional do "justo preço" (art. 5o, XXIV,
CF), impõe-se a correção monetária [...]. (STJ. 1a Turma. REsp 50584/SP. Rel.: Min. Milton Luiz
Pereira. DJ 2.10.1995)

BI (..J Em obediência ao preceito constitucional da justa indenização e diante da realidade infla­


cionária do país, a atualização do cálculo da indenização se impõe, ainda que dentro do prazo
de um ano, não significando incidência de correção monetária sobre correção monetária, mas
simples atualização desta. Na interpretação do 5 2° do art. 26 do Decreto-lei n° 3.36S, de
21.6.41 há que ser observada a Súmula n° 561 do Pretório Excelso e a jurisprudência pacífica
deste STJ. Os juros compensatórios, nas expropriatórias, são calculados desde a antecipada
imissão na posse até o efetivo pagamento da indenização e incidem sobre a expressão mone­
tária atualizada da verba indenizatória. [...). (STJ. 2a Turma. REsp 29854/SP. Rel.: Min. Peçanha
Martins. DJ 19.6.1995)

S ú m u la n ®476 - D e s a p r o p r ia d a s a s a ç õ e s d e u m a s o c ie d a d e , o p o d e r d e s a p r o p r ia n t e ,

IM IT ID O NA P O S S E , P O D E E X E R C E R , D E S D E L O G O , T O D O S O S D I R E IT O S IN E R E N T E S A O S R E S P E C ­
T IV O S T ÍT U L O S .

• Sú m u la a p lic á v e l. * Data: 3.12.1969.» Referência legislativa: D L n ’ 3.365/1941, arts. 5 f e J S . « Precedentes: RM S 9549. DJ.
2 2 .8 1963; RMS 9644; Dl 16.8.1963; R E 6S646, DJ 29.11.1968; RM S 10971. 0 / 81.1964.

A despeito de a imissão na posse não representar ainda a transferência de domí­


nio do bem sujeito à desapropriação, é inegável que, mesmo sendo provisória, seus
efeitos são severos para com o proprietário. Na prática, a imissão na posse provoca o
total impedimento para que o proprietário volte a usufruir a propriedade, ou seja, sob
visão de ordem prática, o que há realmente é a perda da propriedade.17

S ú m u la n ® 475 - A Le i 4 .6 8 6 , d e 2 1 . 0 6 .1 9 6 5 , t e m a p l ic a ç ã o im e d ia t a a o s p r o c e sso s em

C U R S O , IN C L U S IV E E M G R A U D E R E C U R S O E X T R A O R D I N Á R I O .

• Sú m u la s u p e ra d a . • Data: 3.12.1969. • Referência legislativa: Lei n e 4.686/1965. DL n 9 3.365/1941, a rt. 26, § 2°. • Pre-.
cedentes: A l 40224. D) 27.6.1967: R E 63318. DJ 28.6.1968; R E 63329, DJ 28.6.1968; R E 63268, DJ 23.8.1968; R E 63343, DJ
17.6.1968.

0 enunciado teve aplicação apenas temporal. A norma a que se refere, Lei n®


4.686/1965, alterou o Decreto n® 3.365/1941, relativo a desapropriações, ao es­
tabelecer que "decorrido prazo superior a um ano a partir da avaliação, o Juiz
ou o Tribunal, antes da decisão final, determinará a correção monetária do valor
apurado".

O Súmula TFR n° 75: Na desapropriação, a correção monetária prevista no §2°, do art.26, do


Decreto-Lei n® 3.365, de 1941, incide a partir da data do laudo de avaliação, observando-se a
Lei n° 5.670, de 1971.

17. CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 16. ed. rev., atual., ampl. Rio
de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 703.
Roberval Rocha . Albino Carlos M a u r o J o sé G.
42 Ferreira Filho Martins V ieira d a Co sta

S ú m u l a n 2 4 1 6 - P e l a d e m o r a n o p a g a m e n t o d o p r e ç o d a d e s a p r o p r ia ç ã o n ã o c a b e
IN D E N IZ A Ç Ã O C O M P L E M E N T A R A L É M D O S J U R O S .

• S ú m u la a p lic á v e l.• D a ta : í 9.6.1964. • Referência legislativa: CC/1916. art. 1.061. D L n9 3.365/1941. arts. 3 2 e 42 9 Prece­
dentes: R E 12986. D ]22.1.1953: R E 40317. D J8.8.1960; R E 40317 embargos. Dl 27.4.1961; R E 50840, D) 11.7.1963; R E 52226.
DJ 8.8.1963; R E 4549 embargos, DJ 19.8.1942.

Segundo entendimento expresso nos precedentes1" do enunciado, para a Corte


Suprema, as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem
nos juros de mora, conforme dispunha o texto do art. 1.061 do Código Civil de 1916
(CC/1916), atual art. 404 do novo diploma.

► C C /2002. Art. 4 0 4 . As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro,


serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente esta­
belecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogado, sem prejuízo da pena
convencional. Parágrafo único. Provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo,
e não havendo pena convencional, pode o juiz conceder ao credor indenização suple7
mentar.

Súm u la ' nb 3 7 8 Na in d e n iz a ç ã o p o r d e s a p r o p r ia ç ã o in c l u e m - s e h o n o r á r io s d o
A D V O G A D O DO E X P R O P R IA D O .

• S ú m u la a p l i á v c l .» Data: 3.4 .1964 .» Precedentes: R E 40177. D J8.9.1960; R E 54290. DJ 14.5.1964; R E 47887. D J26.9.1963.

Sendo a Fazenda condenada a pagar valor superior ao oferecido, são devidos ho­
norários advocatícios. Se assim não fosse, o expropriado teria que suportar um des­
falque patrimonial proveniente das despesas com seu patrono e, em consequência, a
indenização deixaria de ser 'justa', por não cobrir o ônus diretamente acarretado pela
desapropriação.1'1

Súmula STF n° 617; A base de cálculo dos honorários de advogado em desapropriação é a


diferença entre a oferta e a indenização, corrigidas ambas monetariamente.

IS Ação direta de inconstitucionalidade. Artigo 1° da Medida Provisória n° 2.027-43, de 27 de


setembro de 2000, na parte que altera o Decreto-Lei n° 3.365, de 21 de junho de 1941, intro­
duzindo o artigo 15-A, com seus parágrafos, e alterando a redação do parágrafo primeiro do
artigo 27. [...] Relevância da arguição de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 27 em sua
nova redação, no tocante á expressão "não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00
(cento e cinquenta e um mil reais)". Deferiu-se em parte o pedido de liminar para suspender
[...] a expressão "não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e
um mil reais)" do § 1° do artigo 27 em sua nova redação. (STF. Pleno. ADI-MC 2332/DF. Rel.:
Min. Moreira Alves. DJ 2.4.2004)1 9
8

18. STF. Plenário. RE 40317. Rei.: Min. Luis Gallotti. AD| 7.8.1961.
19. MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito adm inistrativo. 11. ed. São Paulo: Malheiros,
1999, p. 594.
Direito A dministrativo 43

SÚMULA N2 3 4 5 - Na ch a m a d a d e s a p r o p r ia ç ã o in d ir e t a , o s ju r o s c o m p e n s a t ó r io s sã o

D E V I D O S A P A R T I R D A P E R Í C I A , D E S D E Q U E T E N H A A T R I B U Í D O V A L O R A T U A L A O IM Ó V E L .

• Sú m u la su p e ra d a . • Data: 13.J2.1963. • Referência legislativa: CF/1946, art. 141, § 16. CC/1916, art. 1.059. DL nB
3.365/1941, art. 2 6 .» Precedentes: RE 48597, 0/ 18.10.1962: RE 46157embargos, DJ 18.10.1962; RE S137S, 0/9.5.1963; Al
28202, DJ 3.4.1963; RE 52086, DJ 8.8.1963; RE 48597 embargos, DJ 20.6.1963; RE 47009 embargos. DJ 22.8.1963.

Os juros compensatórios são devidos desde o momento em que o expropriado


perde a posse do bem na desapropriação, fluindo até o pagamento da justa indeniza­
ção, já não vigorando, portanto, o enunciado.20

Vide comentários à Súmula ne 618, retro.

0 Súmula STF n° 618: Na desapropriação, direta ou indireta, a taxa dos juros compensatórios é
de 12% (doze por cento) ao ano.

BI Súmula STF n° 164: No processo de desapropriação, são devidos juros compensatórios desde
a antecipada imissão de posse, ordenada pelo juiz, por motivo de urgência.
_ , , .V _ _ ........................................................................................................................................................................................................................................................................... ........................................................................^ ^^

0 Desapropriação. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, os juros compensa­


tórios são*.devidos desde a ocupação do imóvel, não-mais prevalecendo o princípio enCinciado
na' súmula 345. [...]. (STF. 1a Turma. RE 74803/SP. Rel.f Miri. Eloy da Rocha. DJ 4.3.197/) ' ‘ '

Desapropriação indireta. Juros compensatórios. Comprometido o enunciado da Súmula n°


345 (ERE n° 52441, Sessão Plenária de 20.8.1969), (...). (STF. 2a Turma. RE 67096/SP. Rel.: Min.
Thompson Flores. DJ 26.9.1969)

SÚ M U LA Ne 218 - É C O M P E T E N T E O J U Í Z O D A F A Z E N D A N A C IO N A L D A C A P I T A L D O E S T A D O ,'E
NÃ O O D A S IT U A Ç Ã O D A C O I S A , P A R A A D E S A P R O P R I A Ç Ã O P R O M O V I D A P O R E M P R E S A D E E N E R ­

G IA e l é t r ic a , se a U n iã o Fe d e r a l in t e r v é m c o m o a s s is t e n t e .

Súmula comentada no capítulo Processo civil - competência.

SÚ M U LA N 2 164 - N O P R O C E S S O D E D E S A P R O P R I A Ç Ã O , S Ã O D E V I D O S J U R O S C O M P E N S A T Ó R IO S
D E S D E A A N T E C IP A D A I M I S S Ã O D E P O S S E , O R D E N A D A P E L O J U I Z , P O R M O T I V O D E U R G Ê N C IA .

• Sú m u la a p lic á v e l.• D o w . 13.12.1963. • Referência legislativa: CF/1946, art. 141,§16. DL n 93.365/1941, a rt 15. Dec n»
22.785/1933, a rt 3 * .• Precedentes: RM S 7 8 4 6 , 0} 27.4.1961; Al 24805, DJ 28.9.1961; Al 2 6 9 4 7 , DJ 14.11.1963; RE 29293, DJ
19.1.1961.

Vide comentários a Súmula nB 618, retro.

SÚ M U LA N2 157 - É N E C E S S Á R I A P R É V I A A U T O R IZ A Ç Ã O D O P R E S I D E N T E D A R E P Ú B L I C A P A R A

D E S A P R O P R IA Ç Ã O , P E L O S E S T A D O S , D E E M P R E S A D E E N E R G IA E L É T R IC A .

• S ú m u la a p lic á v e l.• D a ta : 13.12.1963.9Referência legislativa: DL n9 5.764/1943. art. I 9, § l 9; art. 2°. Dec. n924.643/1934,
a rt 168. Dec. ns 41.019/1957, a rt 93. • Precedentes: MS 11075, DJ 6.6.1963; R E 52625, DJ 17.10.1963.

0 escopo do enunciado fica muito bem demonstrado na ementa do julgamento do


RE 172816/Rj, da Suprema Corte, abaixo transcrita.

20. GASPARINI, Diogenes. Direito administrativo. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 775.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
44 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

H Desapropriação, por Estado, de bem de sociedade de economia mista federal que explora
serviço público privativo da União. 1. A União pode desapropriar bens dos Estados, do Dis­
trito Federal, dos Municípios e dos territórios e os Estados, dos Municípios, sempre com
autorização legislativa específica. A lei estabeleceu uma gradação de poder entre os sujeitos
ativos da desapropriação, de modo a prevalecer o ato da pessoa jurídica de mais alta cate­
goria, segundo o interesse de que cuida: o interesse nacional, representado pela União, pre­
valece sobre o regional, interpretado pelo Estado, e este sobre o local, ligado ao Município,
não havendo reversão ascendente; os Estados e o Distrito Federal não podem desapropriar
bens da União, nem os Municípios, bens dos Estados ou da União, Decreto-lei n. 3.365/41,
art. 2o, § 2°. 2. Pelo mesmo princípio, em relação a bens particulares, a desapropriação pelo
Estado prevalece sobre a do Município, e da União sobre a deste e daquele, em se tra­
tando do mesmo bem. 3. Doutrina e jurisprudência antigas e coerentes. [...]. 4. Competindo
à União, e só a ela, explorar diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão,
os portos marítimos, fluviais e lacustres - art. 21, XII, f, da CF -, está caracterizada a natu­
reza pública do serviço de docas. 5. A Companhia Docas do Rio de janeiro, sociedade de
economia mista'federal, incumbida de explorar o serviço, portuário em regime.de exclusivi­
dade, não pode ter bem desapropriado pelo Estado. 6. Inexistência, no caso, de autorização
legislativa. 7. A norma do art. 173, § 1o, da Constituição aplica-se às entidades publicas que,
exercem atividade econômiça em regime de concorrência, não tendo aplicação às socieda­
des de economia mista ou empresas publicas que, embora exercendo atividade econômica,
gozam de exclusividade. 8. O dispositivo constitucional não alcança, com maior razão, socie­
dade de economia mista federal que explora serviço público, reservado à União. 9. O artigo
173, § 1o, nada tem a ver com a desapropriabilidade ou indesapropriabilidade de bens de
empresas públicas ou sociedades de economia mista; seu endereço é outro: visa a assegurar
a livre concorrência, de modo que as entidades públicas que exercem ou venham a exercer
atividade econômica não se beneficiem de tratamento privilegiado em relação a entidades
privadas quê se dediquem a atividade econômica na mesma áfea ou em área semelhante.
10. O disposto no § 2o, do mesmo art. 173, completa o disposto no § I o, ao prescrever que
"as empresas publicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios
fiscais não extensivos às do setor privado". 11. Se o serviço de docas fosse confiado, por
concessão, a uma empresa privada, seus bens não poderíam ser desapropriados por Estado
sem autorização do Presidente da República, Súmula 157 e Decreto-lei n. 856/69; não seria
razoável que imóvel de sociedade de economia mista federal, incumbida de executar serviço
público da União, em regime de exclusividade, não merecesse tratamento legal semelhante.
12. Não se questiona se o Estado pode desapropriar bem de sociedade de economia mista
federal que não esteja afeto ao serviço. Imóvel situado no cais do Rio de Janeiro se presume
integrado no serviço portuário que, de resto, não é estático, e a serviço da sociedade, cuja
duração é indeterminada, como o próprio serviço de que está investida. [...]. (STF. Pleno. RE
172816/RJ. Rel.: Min. Paulo Brossard. DJ 13.5.1994)

.► DL n° 3.365/1941. A rt. 2o. § 2o Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Fede­
ral e Territórios poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados,
mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa. § 3o É vedada a
desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de ações, cotas e
direitos representativos do capital de instituições e empresas cujo funcionamento dependa
de autorização do Governo Federal e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia
autorização, por decreto do Presidente da República.
Direito Administrativo

S ú m u l a n 2 2 3 - Ve r if ic a d o s o s p r e s s u p o s t o s l e g a is p a r a o l ic e n c ia m e n t o da o b r a , não o
I M P E D E A D E C L A R A Ç Ã O D E U T IL ID A D E P Ú B L IC A P A R A D E S A P R O P R IA Ç Ã O D O IM Ó V E L , M A S O V A LO R

D A O B R A NÃ O S E IN C L U IR Á NA IN D E N IZ A Ç Ã O , Q U A N D O A D E S A P R O P R IA Ç Ã O F O R E F E T IV A D A .

• S ú m u la a p lic á v e l.• D o t o : 13.12.1963.» Referência legislativa: DL n9 3.365/1941. arts. 7e, 1 0 ,15e26, parágrafo único.»
Precedentes: R E 49820, DJ 6.9.1962.

Declarado um imóvel como de utilidade pública para desapropriação, não se


veda ao proprietário a possibilidade de fazer construções, pois o decreto de desa­
propriação, em nosso direito, não importa alienação da propriedade, apenas declara
a utilidade pública do bem para os fins legalmente previstos. Antes de efetivar-se a
expropriaçâo, o particular tem direito de levantar, no seu imóvel, a construção que
lhe aprouver, não tendo, porém, direito de ser indenizado, salvo se o expropriante
assentir na construção21, ou se o acréscimo for de benfeitorias necessárias, a teor do
disposto no art. 26, § l s, do DL n9 3.365/1941, adiante transcrito.

® Administrativo. Desapropriação. Construção de benfeitorias úteis após a declaração de utili-


dade'pública. Sumula n° 23.do Supremo Tribunal Federal, Decreto-lei n° 3.365/41, art. 26, § 1o.
A declaração de utilidade pública que exonera a Fazenda Pública de indenizar as benfeitorias
•• - úteis, é a .qúe identifica--q imóvel e o respectivo proprietário; não tem esse efeito aquela que
tiesctevè mal o imóvel e'deixa de nominar quem no ofício imobiliário aparece como proprie­
tário. [...]. (STJ. 2a Turma. REsp 79401/SP. Rel.; Min. Ari Pàrgendler. DJ 13.10.1997)

© (...] Administrativo. Projeto de construção. Declaração de utilidade pública. Súmula 23 STF.


Inadmissibilidade de protelação de prazo de aprovação de projeto de construção apresentado
antes da declaração de utilidade pública. Súmula 23 do STF. Impossibilidade de dilatação do
alcance de matéria sumulada. [...]. (STJ. 2a Turma. REsp 571/SP. Rel.: Min. Miguel Ferrante. DJ
12.3.1990)

► DL n° 3.365/1941. A rt 26. S 1°. Serão atendidas as benfeitorias necessárias feitas após a.


desapropriação; as úteis, quando feitas com autorização do expropriante.

5. P O D E R D E P O LIC IA
S ú m u l a V in c u l a n t e n 2 3 8 - É c o m p e t e n t e o m u n ic íp io p a r a f i x a r o h o r á r io d e fu n c io ­
n a m e n t o d e e s t a b e l e c im e n t o c o m e r c ia l .

• Súm ula vinculante. • Data 20.3.2015. • Referência legislativa: CF, art. 30, i. Súm. 64S/STF. • Precedentes: Al 694033
AgR, Dje 9.8.2013. Al 62912SAgR, Dje 13.10.2011. ADI 3691, Dje 9.S.2008. ADI 3731 MC, Dje 11.10.2007. Al S6S882 AgR,
Dje 31.8.2007. Al 62240S AgR, Dje 15.6.2007. RE 441817 AgR, Dj 24.3.2006. Al 481886 AgR, Dj 1.4.2005. Al 413446 AgR, Dj
16.4.2004. RE 189170, 0/8.8.2003. R E 321796 AgR, D] 29.11.2002. Al 330536 ED, Dj 3.5.2002. Al 297835 AgR, DJ 3.5.2002. Al
274969 AgR, D j26.10.2001. RE2S2344AgR, Dj 21.9.2001. Al 310633 AgR, D j31.8.2001. RE 274028, Dj 10.8.2001. R E 285449
AgR, Dj 86.2001. RE 237965, Dj 31.3.2000. RE 174645, D j27.2.1998. RE 203358 AgR. DJ 29.8.1997.

No enunciado, a Corte torna vinculante o que antes dispunha no conteúdo da Sú­


mula 645 (vide comentários a esse enunciado, adiante).

21. ROSAS, Roberto. D ireito sum u lar - comentários às súmulas do Supremo Tribunal Federal e do Supe­
rior Tribunal de justiça. 13. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 34-35.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
46 Ferreira Filho Martins V ieira oa Costa

S ú m u la n s 646 - O f e n d e o p r in c íp io d a l iv r e c o n c o r r ê n c ia l e i m u n ic ip a l q u e im p e d e

A IN S T A L A Ç Ã O D E E S T A B E L E C I M E N T O S C O M E R C I A I S D O M E S M O R A M O E M D E T E R M I N A D A Á R E A .

• S ú m u la a p lic á v e l. + Data: 24.9.2003.9Referência legislativa: CF/88, art. 170, IV, V, parágrafo único; art. 173, § 4° Lei do
Município dc Compinus-SR n9 6.545/1991, art. 1v. Lei do Município de São Paulo-SP n9 10.991/1991, art. 19.+Precedentes: RE
199517, DJ 13.11.1998; RE 213482, DJ 11.12.1998; R E 198107, DJ 6.8.1999; R E 193749, DJ 4.5.2001.

A livre concorrência, expressamente acolhida no art. 170, IV, da CF/88, é tida


como princípio basilar da ordem econômica nacional. Trata-se de um direito nega­
tivo, de oposição ao Estado, para que não haja interferência na livre concorrência
entre os particulares. Nesse sentido, incorpora proibição, dirigida ao Poder Públi­
co, de criação de privilégios ou benefícios, de qualquer ordem, para determinados
agentes econômicos, o que os colocaria, imediatamente, em posição de vantagem
quanto aos demais.22

H Município: competência: Lei municipal que fixa distanciamento mínimo entre postos de
revenda de combustíveis, por motivo de segurança: legitimidade, conforme a jurisprudên­
cia do Supremo Tribunal. (...]. (STF. 1a Turma. RE 199101/SC. Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ
..3.0.9.2005) .

H [...] 1. A Constituição Federal assegura o livre exercício de qualquer atividade econômica,


independentemente de autorização do Poder Público, salvo nos casos previstos em lei. 2.
Observância de distância mínima da farmácia ou drogaria existente para a instalação de
novo estabelecimento no perímetro. Lei Municipal n° 10.991/91. Limitação geográfica que
induz à concentração capitalista, em detrimento do consumidor, e implica cerceamento do
exercício do princípio constitucional da livre concorrência, que é uma manifestação da liber­
dade de iniciativa econômica privada. [...]. (STF. Pleno. RE 193749/SP. Rel.: Min. Maurício Cor­
rêa. DJ 4.52001)

S (...) 1. A limitação geográfica à instalação de drogarias cerceia o exercício da livre concorrên­


cia, que é uma manifestação do princípio constitucional, da liberdade de iniciativa econômica
privada (CF/88, artigo 170, inciso IV e § único c/c o artigo 173, § 4°). 2. O desenvolvimento
do poder econômico privado, fundado especialmente na concentração de empresas, é fator
de limitação à própria iniciativa privada à medida que impede ou dificulta a expansão das
pequenas iniciativas econômicas. (...). (STF. Pleno. RE 199517/SP. Rel. p/ acórdão: Min. Maurício
Corrêa. DJ 13.11.1998)

SÚ M U LA N- 645 - É C O M P E T E N T E O M U N IC ÍP IO P A R A F I X A R O H O R Á R IO D E F U N C IO N A M E N T O
D E E S T A B E L E C IM E N T O C O M E R C IA L .

• Sú m u la a p lic à v c ].9 Data: 24.9.2003.* Referência legislativa: CF/88, art. 3 0 ,1.»Precedentes: R E 203358AgR. D/29.8.1997:
RE 167995, Dj 12.9.1997: RE 174645, Dj 27.2.1998: RE 182976, D/ 27.2.1998: RE 218749, Dj 27.3.1998: RE 169043 AgR, DJ
16.10.1998: RE 199520, Dj 16.10.1998: RE 194083 AgR, Dj 6.11.1998: R E 237965, Dj 31.3.2000.

Decorre da autonomia política constitucionalmente conferida aos municípios sua


capacidade de auto-administração e autolegislação. A primeira concerne ao exercício
das competências executivas próprias; a segunda, ao desempenho da competência
legislativa sobre assuntos de interesse local, conforme atribuição do art. 30 da CF/88.

22. MORO, Maitê Cecília Fabbri. In: DIMOULIS, Dimitri (Coord.). Dicionário b rasileiro de direito consti­
tucional. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 220.
Direito Administrativo 47

m Súmula STJ n° 19: A fixação do horário bancário, para atendimento ao público, é da compe­
tência da União.

S] Município: competência para a fixação de horário de funcionamento de estabelecimento


comercial: incidência da Súmula 645. (STF. 1a Turma. AI-AgR 565882/RS. Rel.: Min. Sepúlveda
Pertence. DJ 31.8.2007)

[BI Fixação de horário de funcionamento para farmácias no Município. [...]. - Em casos análogos
ao presente, ambas as Turmas desta Corte (assim a título exemplificativo, nos RREE 199.520,
175.901 e 174.645) firmaram entendimento no sentido que assim vem sintetizado pela ementa
do RE 199.520: "Fixação de horário de funcionamento para farmácia no Município. Lei 8.794/78
do Município de São Paulo. - Matéria de competência do Município. Improcedência das ale­
gações de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da livre concorrência, da defesa
do consumidor, da liberdade de trabalho e da busca ao pleno emprego. [...)". [...]. (STF. Pleno.
RE 237965/SP. Rel.: Min. Moreira Alves. DJ 31.3.2000)

SI (...) 1. A fixação de horário de funcionamento para o comércio dentro da área municipal pode
ser feita por lei local, visando o interesse do consumidor e evitando a dominação do rrvgr-
•cado por oligopólio, 2. Os estabelecimentos comerciais não situados em " shopping center"
estão sujeites à escala normal de plantão obrigatório, conforme lei municipal disciplinadora
da matéria, enquanto aqueles instalados no conglomeradocomercial são regidos pelãs hpr-
mas próprias de administração do condomínio comercial, princípio da isonomia'. [...]. (STF. 2a
Turma. RE-AgR 203358/SP. Rel.: Min. Maurício Corrêa. DJ 29.81997)

SI (...) 1. Os Municípios têm autonomia para regular o horário do comércio local, desde que não
infrinjam leis estaduais ou federais válidas, pois a Constituição Federal lhes confere competên­
cia para legislar sobre assuntos de interesse local. 2. Afronta aos princípios constitucionais da
isonomia, da livre iniciativa, da livre concorrência e ao direito do consumidor. Inexistência. Ao
governo municipal, nos limites da sua competência legislativa e administrativa, cumpre não
apenas garantir a oferta da mercadoria ao consumidor, mas, indiretamente, disciplinar a ativi­
dade comercial, e, evitando a dominação do mercado por oligopólio, possibilitar ao pequeno
comerciante retorno para as despesas decorrentes do plantão obrigatório. 3. Farmácias e dro­
garias não escaladas para o cumprimento de plantão comercial. Direito de funcionamento
fora dos horários normais. Inexistência em face da lei municipal que disciplina a matéria. [...].
(STF. 2a Turma. RE 174645/SP. Rel.: Min. Maurício Corrêa. DJ 27.2.1998)

► CF. A r t 30 Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local.

SÚ M U LA Ns 419 - O S M U N I C Í P I O S T Ê M C O M P E T Ê N C IA P A R A R E G U L A R O H O R Á R I O D O C O M É R C IO

L O C A L , D E S D E Q U E N Ã O I N F R IN JA M L E I S E S T A D U A IS O U F E D E R A I S V Á L I D A S .

• S ú m u la a p lic á v e l.• Data: l s.6.1964.9Referência legislativa: CF/1946, a rt. 5 5 XV. k: a rt. 28, II, b; a r t 149. • Precedentes:
RM S 7 421. DJ 17.8.1960: RM S 11291, DJ 11.7.1963.

Vide comentários à Súmula ns 645, retro.

Súmula STJ n° 19: A fixação do horário bancário, para atendimento ao público, é da compe­
tência da União.

(81 (...) Supermercados. Funcionamento aos domingos e feriados. Lei n° 605/49 e Decreto n.
27.048/49. Possibilidade. Competência da União. (...) 2. É permitido o funcionamento de super­
mercados aos domingos e feriados. 3. O STJ já firmou entendimento de que compete à União
legislar sobre as atividades comerciais varejistas no território nacional, inclusive no que tange
ao horário de funcionamento do comércio, uma vez que prevalece o interesse coletivo de
âmbito nacional em detrimento do interesse peculiar do município. [...]. (STJ. 2a Turma. REsp
506876/SP. Rel.: Min. João Otávio de Noronha. DJ 15.3.2007)
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro J osé G.
48 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

0 (...) Supermercados. Horário de funcionamento. Domingos e feriados. Autonomia municipal.


Art. 30, I, da Carta Magna. Lei n° 605/49. Decreto n° 27.048/49. Súmula 419/STF. 1. A Consti­
tuição Federal, em seu art. 30, inciso I, autoriza, dentro do princípio de autonomia municipal
e em observância a esse princípio, competência exclusiva ao legislativo municipal para legislar
sobre assuntos de interesse local. 2. O Decreto n° 27.048/1949, que regulamentou a Lei n°
605/1949, permite que o comércio de gêneros de primeira necessidade funcione nos dias de
repouso. Os atuais supermercados, gênero mais moderno dos mercados de outrora, bene­
ficiam-se de tal orientação. 3. Predomina a competência da União Federal, decorrente das
exigências sociais e econômicas contemporâneas, para legislar sobre as atividades comerciais
varejistas no território nacional. O interesse coletivo com alcance nacional prevalece sobre o
'peculiar interesse' do Município, cuja competência para legislar sobre o assunto é supletiva.
4. O ato vergastado - que proíbe o funcionamento dos supermercados nos domingos e feria­
dos - viola o princípio de livre concorrência, tendo em vista que impõe limitações a situações
idênticas de outros estabelecimentos comerciais e isso nâo se constata da lei. 5. Pacificado na
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que não comete qualquer
infração supermercado que abra as suas portas ao público em dias não úteis (domingos e
feriados). 6. A Súmula n° 419/STF (...) é clara e precisa-ao estabelecer até onde v a ia competên­
cia dos municípios sobre à matéria de regular hor.èrfo de funcioparnento do comércio local. In
casu, não se aplica o presente verbete aos supermercados. (...]. (STJ. 1a Turma. REsp 297358/PR.
Rel.: Min. José Delgado. DJ 30.4.2001) _ .

SÚ M U L A Ns 397 - 0 P O D E R D E P O L ÍC IA D A C Â M A R A D O S D E P U T A D O S E DO S E N A D O FED ERA L,

E M C A SO D E C R IM E C O M E T ID O N AS S U A S D E P E N D Ê N C IA S , C O M P R E E N D E , C O N S O A N T E O R E G I­

M E N T O , A P R I S Ã O E M F L A G R A N T E D O A C U S A D O E A R E A L IZ A Ç Ã O D O I N Q U É R I T O .

• S ú m u la a p lic á v e l . 9 Dato: 3.4.1964.% Referência lrn;siu(iva: CF/1946, arts. 3 6 .40e45. Regimento Interno da Câmara dos
Deputados, arts. 200 e 203. Regimento Interno do Senado Federal, arts. 397 e 40 0 .9 Precedentes: HC 40382, DJ 13.8.1964; HC
40398. DJ2.7.1964; H C 40400. DJ2S.6.1964.

Apesar de editada na década de 60, a discussão que cerca o enunciado ganhou


novo panorama, tendo em vista a interpretação que alguns setores tentaram impri­
mir ao art. 144, § l s, da CF/1988, para restringir a atividade investigativa somente
à polícia judiciária, não reconhecendo, assim, o poder de investigação do Ministério
Público.

Acontece que existem muitos exemplos de órgãos executivos que desenvolvem


atividade investigatória. Com frequência, os fiscos federai, estaduais e municipais, no
exercício de suas atribuições legais, implementam diligências investigatórias veicula­
das em "representações fiscais para fins penais", dirigidas ao Ministério Público, com
intuito de lastrear com material probatório a ocorrência de delitos contra a ordem
tributária (Lei n9 8.137/1990). Do mesmo modo, o Departamento de Combate a Ilíci­
tos Cambiais e Financeiros - Decif, da estrutura do Banco Central do Brasil, o Conse­
lho de Coordenação de Atividades Financeiras - Coaf, a Corregedoria Geral da União,
também realizam, cada qual no seu âmbito de atuação, investigações relacionadas a
infrações penais, o que deixa claro a ausência de exclusividade da polícia para a reali­
zação dessas "diligências investigatórias’’21.2
3

23. STRECK, Lenio Luiz. FELDENS, luciano. Crime e Constituição: a legitimidade da função investigató­
ria do Ministério Público. 3. ed. São Paulo: Forense, 2 0 0 6 . p. 80-82.
Direito A dministrativo

No Poder Legislativo, igualmente, ocorrem apurações promovidas por CPls, além


de inquéritos, como aqueles atribuídos às polícias legislativas, tanto da Câmara quan­
to do Senado, conforme preveem as resoluções dessas casas legislativas, adiante
transcritas,

A jurisprudência do STF acabou por reconhecer que a atividade investigatória


não é exclusiva da polícia judiciária, e, por seu turno, os tribunais federais vêm assen­
tando que, além disso, a condução do inquérito também não se reveste de exclusivo,
que abrange, tão somente, as atividades típicas de polícia judiciária, como as medidas
cautelares, a busca e apreensão, as quebras autorizadas de sigilo etc.

S] [-1 A questão da cláusula constitucional de exclusividade e a atividade investigatória. A


cláusula de exclusividade inscrita no art. 144, § 1o, inciso IV, da Constituição da República
- que não inibe a atividade de investigação criminal do Ministério Público - tem por única
finalidade conferir à Policia Federal, dentre os diversos organismos policiais que compõem o
aparato repressivo da União Federal (polícia federal, polícia rodoviária federal e polícia fer­
roviária federal), primazia investigatória na apuração dos crimes previstos no próprio texto
da Lei Fundamental ou, ainda, em tratados ou convenções internacionais. Incumbe, à Policia
Civil -dos Estados-membros e do.Distrito Federal, ressalvada a competência da União Fede-
• ral e exíétuada ^a apuração dos crimes militares, a função de proceder à investigação dos
ilícitos penais (crimes e contravenções), sem prejuízo do poder investigatório de que dispõe,
como atividade subsidiária, o Ministério Público. Função de polícia judiciária e função de
investigação penal: uma distinção conceituai relevante, que também justifica o reconheci­
mento, ao Ministério Público, do poder investigatório em matéria penal. [...]. É plena a legi­
timidade constitucional do poder de investigar do Ministério Público, pois os organismos
policiais (embora detentores da função de polícia judiciária) não têm, no sistema jurídico
brasileiro, o monopólio da competência penal investigatória. (...] (HC 94173/BA, Rel. Min.
Celso de Mello, 2a Turma, DJe 27.11.2009)

SI [...14. Diversamente do que se te.m procurado sustentar, como resulta da letra do seu art.
144, a Constituição da República não fez da investigação criminal uma função exclusiva da
polícia, restringindo-se, como se restringiu, tão-somente a'fazer exclusivo, sim, da Polícia
Federal o exercício da função de polícia judiciária da União (§ I o, IV). Essa função de polícia
judiciária - qual seja, a de auxiliar do Poder Judiciário -, não se identifica com a função
investigatória, isto é, a de apurar infrações penais, bem distinguidas no verbo constitucional,
como exsurge, entre outras disposições, do preceituado no § 4° do artigo 144 da Consti­
tuição Federal, verbis: "§ 4o às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira,
incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração
de infrações penais, exceto as militares." Tal norma constitucional, por fim, define, é certo,
as funções das policias civis, mas sem estabelecer qualquer cláusula de exclusividade. 5. O
poder investigatório que, pelo exposto, se deve reconhecer, por igual, próprio do Ministério
Público é, à luz da disciplina constitucional, certamente, da espécie excepcional, fundada
na exigência absoluta de demonstrado interesse público ou social. O exercício desse poder
investigatório do Ministério Público não é, por óbvio, estranho ao Direito, subordinando-se,
à falta de norma legal particular, no que couber, analogicamente, ao Código de Processo
Penal, sobretudo na perspectiva da proteção dos direitos fundamentais e da satisfação do
interesse social, que, primeiro, impede a reprodução simultânea de investigações; segundo,
determina o ajuizamento tempestivo dos feitos inquisitoriais e, por último, faz obrigatória
oitiva do indiciado autor do crime e a observância das normas legais relativas ao impe­
dimento, à suspeição, e à prova e sua produção. 6. De qualquer modo, não há confundir
investigação criminal com os atos investigatório-inquisitoriais complementares de que trata
o art. 47 do Código de Processo Penal. [...].(HC 24493/MG, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido,
6a Turma, DJ 17.1.2003)
Ro b e r v a l R o c h a A l b in o C a r l o s M a u ro J o sé G.
50 F e r r e ir a F il h o M a r t in s V ie ir a da C o sta

IS [...] Art. 4o, parágrafo único, do CPP. Súmula 397 do STF. Inquéritos extrapoliciais. Polícia
Legislativa Do Senado Federal. Atribuição. Procedimento investigatório interno. [...] II. O art.
4o, parágrafo único, do CPP, ao tratar do Inquérito Policial, atribui, também, à autoridade
administrativa, com função de polícia, a faculdade para apuração das infrações penais. III. O
enunciado da Súmula 397 do STF estabelece: [...]. (TRF1. 2a Seção. MS 2008.01.00.040753-0/
DF. Rel. Des. Cândido Ribeiro, j. 18.3.2009)

IS [...] 1. Os atos investigatórios destinados a apuração de crimes não são exclusivos da polícia
judiciária. 2. O Senado Federal tem atribuição constitucional para proceder investigação de
crimes ocorridos em suas dependências, instaurando inquérito. 3. As medidas cautelares,
a busca e apreensão, quebra de sigilos, autorizadas, evidentemente pelo juiz, deverão ser
cumpridas pela Policia Federal, por constituírem atividade de polícia judiciária. [...]. (TRF1. 2a
Seção. MS 2006.01.00.027250-1/DF. Rel. Des. Tourinho Neto. J. 22.11.2006)

► CF/1988. A rt 144. 5 1o. A polida federal, instituída por lei como órgão permanente, organi­
zado é mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a: I - apurar infrações penais
contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou
de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática
tenha repercussão interestadual.ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dis­
puser em lei; [...] IV - exercer, com exdysividade, as funções de polícia judiciária da União.
► Res. Cüfitara dòs Deputados n° 18/2003. Art. 3°. São consideradas atividades típicas de
polícia da Câmara dos Deputados: [...] VIII —a investigação e a formação de inquérito.
► Res. Senado Fèderál n° 59/2002. Art. 2a. § 1°. São consideradas atividades típicas de
policia do Senado Federal: [...] IX - ás dé investigação e de inquérito.

SÚMULA N2 3 6 2 - A CONDIÇÃO DE TER O CLUBE SEDE PRÓPRIA PARA A PRÁTICA DE JOGO LÍCITO
NÃO O OBRIGA A SER PROPRIETÁRIO DO IMÓVEL EM QUE TEM SEDE.

• Sú m u la s u p e ra d a . • D o ta : 13.12.1963.BReferência legislativa: Dec. n** 50.776/1961, art. í r . B Precedentes: R E 52151, D/


i ’,8.1963; R E 52179. DJ 1*8.1963; R E 51235, DJ 14.S.1964: R E 53078, D J6.12.1963; R E 52132. DJ 14.11.1963.

A legislação de referência da súmula encontra-se revogada.

SÚ M U L A N2 186 - N Ã O IN F R IN G E A L E I A T O L E R Â N C IA D A Q U E B R A D E 1% NO T R A N SP O R T E P O R
E S T R A D A D E F E R R O , P R E V IS T A NO R E G U L A M E N T O D E T R A N S P O R T E S .

• S ú m u la s u p e ra d a .BData: 13.12.1963.BReferência legislativa: DL n * 2.681/1912. arts. I s e9*. Dec. a<>19.473/1930. Dec.


nr 19.764/1931. Portaria n* 575/1939, art. 68, $ 3 *; art. 16S, h.BPrecedentes: R E 36764 embargos, DJ22.6.1961: R E 401S6
embargos. Dl 22.6.1961; RE 45412. DJ 11.8.1961; RE 42792 embargos. DJ 21.9.1961; R E 29315, DJ 7.6.1956; R E 35181 em­
bargos. DJ 13.1.1963.

A legislação de referência da súmula encontra-se revogada.

6. P R E S C R IÇ Ã O A D M IN ISTR A TIV A
SÚMULA N2 4 4 3 - A PRESCRIÇÃO DAS PRESTAÇÕES ANTERIORES AO PERÍODO PREVISTO EM LEI
NÃO OCORRE, QUANDO NÃO TIVER SIDO NEGADO, ANTES DAQUELE PRAZO, O PRÓPRIO DIREITO
RECLAMADO, OU A SITUAÇÃO JURÍDICA DE QUE ELE RESULTA.

• S ú m u la a p l i c á v e l .• Data: 1*10.1964.9Referência legislativa: CC/1916, art. 178, § 10, VI. Dec. n ç 20.910/1932, art. 3*.
• Precedentes: R E 20508 embargos, D] 11.11.1957; RE 37743, DJ 10.4.1958; RE 36735 embargos. DJ 24.6.1960; R E 46814,
DJ 24.7.1961; R E 51813 embargos, Dj 7.5.1964; A l 32428, DJ 29.10.1964. • Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao ST F
competência para o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis federais Hoje, essa competência é do
STJ (CF/88, a rt 105, III).
Direito Administrativo 51

A súmula baliza a prescrição contra a Fazenda Pública, descrita nos arts. I a e 3a


do Dec. nQ20.910/1932.
Aponta a incidência da prescrição quinquenal apenas sobre as prestações de trato
sucessivo em que a Fazenda Pública figure como devedora, vencidas até cinco anos
anteriores à propositura da ação.24

Nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como
devedora, se inexistir ato administrativo indeferindo, expressamente, a pretensão ou
o direito reclamado, não há que se falar em prescrição do fundo de direito, mas, tão-
-só, das parcelas vencidas, anteriores aos cinco anos da propositura da ação.25

g] Súmula STJ n° 85: Nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure
como devedora, quando não tiver sido negado o próprio direito reclamado, a prescrição
atinge apenas as prestações vencidas antes do quinquênio anterior à propositura da ação.

g] Súmula TFR n? 163: Nas relações jurídicas de {rato sucessivo, em que a Fazenda Pública figure
como devedota, somente prescrevem as prestações vencidas antes do quinquênio anterior à
propositura da ação'. ^ . . .

g] 1. A prescrição pressupõe lesão e inércia do titular na propositura da ação, e se inaugura


com o inadimplemento da obrigação. Tratando-se de obrigação de trato sucessivo, a violação
do direito ocorre de forma contínua. Consectariamente, o prazo prescricional é renovado em
cada prestação periódica não-cumprida, podendo cada parcela ser fulminada isoladamente
pelo decurso do tempo, sem, contudo, prejudicar as posteriores. (Súmulas 85 do STJ e 443 do
STF). (...]. (STJ. 1a Turma. AgRg no REsp 795002/PE. Rel.: Min. Luiz Fux. DJ 23.4.2007)

BI i A Egrégia Primeira Seção firmou entendimento no sentido de que são atingidas pela pres­
crição as parcelas anteriores ao prazo de cinco anos a contar da propositura da ação. Incidên­
cia das Súmulas n°s. 443 do STF e 85 do STJ. [...]. (STJ. 1a Seção. EDd no REsp 260096/DF. Rel.:
Min. Garcia Vieira. DJ 13.8.2001)

g] Administrativo. Classificação funcional. Prescrição. Fundo do direito. Prestações anteriores ao


quinquênio. Inexistência de ato indeferitório - Decreto federal 20.910/32. Lei complementar
estadual 7/76. Lei estadual 6.892/77. Súmula 443-STF. 1. Descogita-se da prescrição do fundo
do direito, se não foi, expressamente, indeferida pela Administração Pública a pretensão ou
direito vindicado judicialmente, somente prescrevendo as prestações anteriores ao quinquê­
nio precedente á citação para a ação. (...]. (STJ. 1a Turma. REsp 10717/PR. Rel.: Min. Milton Luiz
Pereira. DJ 7.2.1994)

BI Administrativo. Pensão. Recálculo. Hipótese em que no julgamento apontado como divergente


pleiteava-se gratificação de dedicação exclusiva que fora extinta por lei, havia mais de cinco
anos, enquanto no caso dos autos não fora baixado qualquer ato administrativo negando
o direito pleiteado pelos autores, pelo que inexiste a divergência justificadora do recurso.
De outro lado, também não diverge a decisão recorrida da Súmula 443 do STF, porque não
negado, por ato comissivo, o direito reclamado, tendo havido, tão-somente, omissão quando
da efetivação do cálculo das pensões. [...]. (STJ. 1a Turma. REsp 1174/SP. Rel.: Min. Armando
Rolemberg. DJ 18.12.1989)

24. OLIVEIRA, Lourival Gonçalves de. Comentários às súmulas do Superior Tribunal de fustiça. Vol.2.
São Paulo: Saraiva, 1995, p. 82.
25 ZIMMERMANN, Dagma. Súmulas do Superior Tribunal de Justiça comentadas. Porto Alegre: Ricar­
do Lenz, 2002, p. 358.
Robervai Rocha . Albino Carlos ... Mauro José G.
52 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

► Déc. n° 20.910/1932. Art. I o. As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios,
bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Muni­
cipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou
fato do qual se originarem. ► Art. 3o. Quando o pagamento se dividir por dias, meses ou
anos, a prescrição atingirá progressivamente as prestações, à medida que completarem os
prazos estabelecidos pelo presente decreto.

SÚ M U LA N - 3 8 3 - A P R E S C R I Ç Ã O E M F A V O R DA F A Z E N D A P Ú B L I C A R E C O M E Ç A A C O R R E R , P O R

D O I S A N O S E M E I O , A P A R T I R D O A T O I N T E R R U P T I V O , M A S N Ã O F IC A R E D U Z ID A A Q U É M D E C IN C O

A N O S , E M B O R A O T IT U L A R D O D IR E IT O A IN T E R R O M P A D U R A N T E A P R IM E IR A M E T A D E D O P R A Z O .

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 3.4.1964. • Precedentes: R E 12973 embargos. 0/ 3.8.1950: R E 43346 embargos. D/ 20.11.1961:
R E 45030 embargos. D/ 13.12.1962: R E 12973, 2.4.1952.

Trata-se de construção jurisprudencial feita para suprir uma inconsistência da


legislação que regulamenta os prazos prescricionais em favor da Fazenda Pública. É
que a regra geral, definida no art. l s do Dec. nB 20.910/1932, estipula prazo de cipco
anos para que o credor acione o Poder Público na cobranç£ de seus haveres.
Prazo prescricional este que, quando interrompido, volta a fluir pela metade do
prazo original, de acordo com o estabelecido no art. 9S do mesm'o decreto.
Entretanto, quando a interrupção ocorre antes de completada a metade do prazo
original (dois anos e meio), o reinicio da contagem, pela regra legal, impossibilita o atin-
gimento do prazo original de cinco anos, o que prejudica o credor da Fazenda Pública.26
Esse "furo" na contagem dos prazos fez com que a jurisprudência construísse a
solução disposta na súmula. Assim, o prazo prescricional mínimo sempre será de cin­
co anos, como prevê a regra geral. Sem isso, o credor diligente, que interrompe o pra­
zo prescricional, teria tratamento pior do que aquele que deixa transcorrer in albis o
curso da prescrição, o que aviltaria, de certa forma, a máxima jurídica "o direito não
protege aqueles que dormem" (dormientibus non sucurítjus).

SI (-1 A prescrição da ação executiva deve ser contada no prazo de cinco anos, a partir do trânsito
em julgado da sentença (art. 1o do Dec. 20.910/1932). No entanto, configurada causa interrup-
tiva, o prazo prescricional haverá de ter sua contagem reiniciada, pela metade, consoante dispõe
o art. 9o do Dec. 20.910/1932, a partir do ato que o interrompeu ou do último ato ou termo do
respectivo processo, resguardado o prazo minimo de cinco anos, nos termos do Enunciado 383
da Súmula/STF. In casu, o trânsito em julgado da sentença se dera em 5.3.2001, e o sindicato-
-autor apresentou ação coletiva (marco interruptivo) que transitou em julgado em 25.10.2004. A
execução de sentença, por sua vez, foi ajuizada tão somente em 4.6.2009, após decorridos mais
de dois anos e meio do ato interruptivo, pelo que configurada a prescrição da pretensão execu-
tória. [...]. (STJ, AgRg no AREsp 32.046/RS, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, 2a T„ DJe 3.11.2011)

© [...). Ação de indenização. Danos decorrentes do cancelamento de TDA's adquiridas no mer­


cado mobiliário. Prescrição quinquenal reconhecida pelo tribunal a quo. Termo "a quo" do
prazo prescricional. Ciência do cancelamento dos títulos. "Actio nata". Súmula 383/STF. [...]. 1.
Pretensão autoral voltada para a indenização pelos prejuízos decorrentes do cancelamento
de Títulos da Dívida Agrária, adquiridos no mercado mobiliário secundário. [...]. 3. O instituto

26. Exemplo: se a prescrição é interrompida após um ano, voltará a fluir pela metade do prazo original
(dois anos e meio). Ou seja: o exaurimento dar-se-á após três anos e meio, prazo inferior à regra
geral de cinco anos, o que prejudica o credor da Fazenda e avilta o escopo protetivo oferecido pela
interrupção do prazo prescricional.
Direito A dministrativo 53

da prescrição é regido pelo princípio da "actio nata", ou seja, o curso do prazo prescricional
tem início com a efetiva lesão ou ameaça do direito tutelado, momento em que nasce a pre­
tensão a ser deduzida em juízo. 4. In casu, não há como acolher a tese de que o termo inicial
do prazo prescricional somente se iniciou com a recusa da Administração em ofertar Certidão
de Regularidade dos TDA's (ocorrida em 29/7/1992), pois, antes desse fato, referidos títulos já
haviam sido anulados por Portaria do MIRAD publicada em 30.7.1988, com intimação pessoal
do recorrente em 13.3.1990, sendo que nesta data surgiu o seu interesse e a sua possibilidade
de requerer judicialmente o que entendia ser de seu direito. 5. Mesmo que contado o prazo
de outro modo, com o reconhecimento de que o direito de ação nasceu a partir da sua inti­
mação do cancelamento dos TDA's, e não da publicação da Portaria, como fez o Tribunal a
quo, inafastável o acolhimento da prescrição, nos termos do art. 9o. do Dec. 20.910/32 e da
Súmula 383/STF; isso porque, de 13.3.1990 até 30.11.1992 (data da impetração do mandado de
segurança contra a decisão administrativa, que interrompeu o prazo prescricional) transcorre­
ram 2 anos e 8 meses; por sua vez, de 31.8.1993 (trânsito em julgado do MS) até a propositura
da presente ação (9.10.1996), passaram-se 3 anos e 2 meses, totalizando, ao final, mais de S
anos. [...]. (STJ. REsp 1239027/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, 1a T„ DJe 26.10.2011)

BI Locação. Prescrição intercorrente. Execução. Fazenda Pública. Súmula 383 do STF. 1. A pres-
• crição em favor da Fazenda Pública recomeça a correr, por dois anos e meio, a partir do ato
interruptivo, mas .pão fica reduzida aquém de cinco anos (Súmula 383 do Supremo Tribunal
Federal). 2. A prescrição que começa a çorrér depois da sentença passada em julgado não é
mais a prescrjção da ação, mas a prescrjção da execução. 3. Recurso não conhecido. (STJ. 6a
Turma. REsp 4758J/SP.'Rel.: Min. Flamiltôri.Carvalhido. DJ 23.10.2000) >

BI Processual civil. Ação de execução. Prescrição. Interrupção. Súmula 383 do STF. Precedentes
do STJ. [...]. I. Na ação de execução, resultante de sentença que impôs o pagamento de inde­
nização ao Estado, sendo válida a citação, a prescrição é interrompida. II. Se o processo res­
tou paralisado, em virtude da inércia do autor quanto a providência de peças necessárias a
expedição de oficio requisitório, este fato, por si só, não é suficiente para operar a prescrição,
somente admitida na hipótese de paralisação do processo pelo prazo superior ao da pres­
crição da ação. Sumula 383 do STF e precedentes jurisprudenciais do STJ. [...]. (STJ. 1a Turma.
REsp 72465/SP. Rel.: Min. Demócrito Reinaldo. DJ 15.12.1997)

► Dec. n° 20.910/1932. A r t I o. As dívidas passivas da União, dos Estados e dós Municípios,,.


bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a FaZèrida Federal, Estadüál óü Municipal,"
seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco artos Contados dá dàtá do ato,oü.fató do
qual se originarem. ► Art 9°. À prescrição interrompida recomeça a correr, pela .metade do
prazo, da data do ato que a interrompeu ou do ultimo ato ou termp do respectivo processo.

7. PR O CESSO A D M IN ISTR A TIV O D IS C IP LIN A R


S ú m u la V in c u l a n t e n s 5 - A f a l t a d e d e f e s a t é c n ic a p o r a d v o g a d o n o p r o c e s s o a d m i­

n is t r a t iv o D I S C I P L I N A R N Ã O O F E N D E A C O N S T IT U IÇ Ã O .

• S ú m u la v in c u la n t e . 9 Data: 7. 52008.%Referência legislativa: CF/88. art. 5a, IMmPrecedentes: R E 434059, Dje 12.9.2008.
M S 24961, DJ 4.3.2005. RE 244027 AgR, DJ 28.5.2002. Al 207197AgR, DJ24.3.1998.

0 STF aprovou o enunciado para estabelecer que, em processo administrativo


disciplinar (PADJ, a defesa técnica por advogado não é indispensável. Como não há
o formalismo dos processos judiciais, pode o servidor comparecer sozinho ou ser re­
presentado por advogado.27

27. CARVALHO FILHO. )osé dos Santos. Manual de direito administrativo. 16. ed. rev. atual. ampl. Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2006, p. 829.
Roberval Rocha r Albino Carlos Mauro José G.
54 Ferreira Filho ' Martins Vieira da Costa

A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário ns 434059/DF, in­


terposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social e pela União Federal contra decisão
do Superior Tribunal de Justiça, que entendeu ser obrigatória a presença do advoga­
do no PAD. A Súmula foi uma rápida reação à jurisprudência fixada pela 3ã Seção do
Superior Tribunal de Justiça, que, em 12.9.2007, editou o Verbete ns 343, em sentido
diametralmente oposto a alguns precedentes analisados pela Corte Suprema.

O Pretório baseou-se em três de seus precedentes (adiante transcritos) que as­


sentavam ser a presença de advogado de defesa dispensável no desenrolar de proces­
sos administrativos disciplinares.

Os ministros entenderam que, no PAD, a presença do advogado é apenas uma


faculdade disponibilizada pelo art. 156 do Estatuto dos Servidores Públicos - Lei
8112/1990.

A obrigatoriedade do defensor técnico seria exceção, prevista para o caso de ser­


vidor que se encontfe em lugar incerto e não sabido: aí, compete à Administração de­
signar-lhe um procurador para efetivar seu direito à ampla defesa e^o contraditório.
Oú, ainda, nos casòg mUito complexos,.que extrapolem a compreensão do servidor,
não lhe permitindo defender-se de modo pessoal.

Deve-se observar que, segundo o STJ, a sindicância para apuração de falta grave
em execução penal não se equipara ao processo administrativo disciplinar para fins
de aplicação do verbete. Para a Corte, a judicialização da execução penal não compor­
ta mitigação à ampla defesa e, por isso, não pode prescindir de defesa técnica.

® Súmula STJ n° 343: É obrigatória a presença de advogado em todas as fases de processo


administrativo disciplinar, (superada)

m u i . A Tomada de Contas Especial não constitui procedimento administrativo disciplinar. Ela tem
por escopo a defesa da coisa pública. Busca a Corte de Contas, com tal medida, o ressarcimento
pela lesão causada ao Erário. A Tomada de Contas é procedimento administrativo, certo que a
extensão da garantia do contraditório (CF, art. 5o, LV) aos procedimentos administrativos não
exige a adoção da normatividade própria do processo judicial, em que é indispensável a atua­
ção do advogado [...]. (STF. Pleno. MS 24961/DF. Rel.: Min. Carlos Velloso. DJ 4.3.2005)

® (-.1 descabe falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório no fato de se con­
siderar dispensável, no processo administrativo, a presença de advogado, cuja atuação, no âmbito
judicial, é obrigatória. (STF. 1a Turma. RE-AgR 244027/SP. Rel.: Min. Ellen Gracie. DJ 28.6.2002)

® A extensão da garantia constitucional do contraditório (art. 5°, LV) aos procedimentos admi­
nistrativos não tem o significado de subordinar a estes toda a normatividade referente aos
feitos judiciais, onde é indispensável a atuação do advogado. (STF. I a Turma. AI-AgR 207197/
PR. Rel.: Min. Octávio Gallotti. DJ 5.6.1998)

® A judicialização da execução penal representa um dos grandes passos na humanização do sis­


tema penal. Como corolário da atividade judicial encontra-se o devido processo legal, de cujo
feixe de garantias se notabiliza a ampla defesa. Prescindir-se da defesa técnica no acompa­
nhamento da colheita da prova em sindicância para apuração de falta grave, invocando-se a
Súmula Vinculante n. 5, implica ilegalidade sob dois aspectos: a) os precedentes que a emba-
saram não se referem à execução penal; e, b) desconsidera-se a condição de vulnerabilidade
a que submetido o encarcerado. (STJ. HC 135082. Rel. Min. Maria Thereza A. Moura. 6a T. DJ
14.3.2011)
Direito Administrativo 55

► CF. Art. S°, LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em
geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela ine­
rentes.

► Lei n° 9784/1999. Art 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administra­


ção, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...] IV - fazer-se assistir, facultativa­
mente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei.

Ir- Lei n° 8.112/1990. Art 156. É assegurado ao servidor o direito de acompanhar o pro­
cesso pessoalmente ou por intermédio dé procurador, arrolar é reinquirir testemunhas, pro­
duzir provas e contraprovas e formular quesitos, quando se tratar de prova pericial:

Sú m u la n 9 21 - Fu n c io n á r io e m e s t á g io p r o b a t ó r io não po d e s e r exo n era d o n em d e m i­

t id o S E M I N Q U É R I T O O U S E M A S F O R M A L ID A D E S L E G A IS D E A P U R A Ç Ã O D E S U A C A P A C ID A D E .
I
• S ú m u la a p lic á v e l. • Dota: 13-12J963. • Referência legislativa: CF/1946, art. 188. Lei n- 1.711/1952, art. 15; a rt 82;-
art. 83, parágrafo único. • Precedentes: RE 4596Tembargos, DJ 6.12.1962; R E 45517 embargos, DJ 7.12.1961; RE 46363,
DJ 2.8.1962; RE 45518 embargos. DJ25.1.1962„RMS8222, DJ 25.1.1962; Al 25031. DJ 20.3.1963; MS 9146. DJ 22.6.1962; RE
45967 embargos. D} 8.9.1961; RM S ^ 5 9 3 : DJ 26.7.1962; R E 51238, DJ 8 .8 .1963.

Trata-sé de postulado que reafirma um dos pilares do Estado de Direito, a ga­


rantia de ser ouvido e de se defender no bojo de um procedimento em que estejam
asseguradas às partes todas as formalidades exigidas para se caracterizar o devido
processo legal, conforme exige o art. 5-, LV, do texto constitucional.

0 conteúdo do princípio constitucional do contraditório é sobejamente claro: ga­


rantir aos litigantes o direito de ação e o direito de defesa, respeitando-se a igualdade
das partes. Visa satisfazer, de um lado, a necessidade de levar aos interessados o co­
nhecimento da existência do processo e, de outro, ensejar a possibilidade de as partes
defenderem-se daquilo que lhes seja desfavorável. 0 princípio da ampla defesa, por
sua vez, fornece o amparo necessário para que sejam carreados ao processo os argu­
mentos necessários para esclarecer a verdade, ou, se for o caso, possibilitar o silêncio
e a não auto-incriminação.28

BI l i A ausência de processo administrativo para a apuração da culpa ou dolo do servidor. Prin­


cípio do contraditório e da ampla defesa. Inobservância. (...). À demissão do servidor público,
com ou sem estabilidade no cargo, deve preceder processo administrativo para a apuração da
culpa, assegurando-lhe a ampla defesa e o contraditório. (...]. (STF. 1a Turma. RE-AgR 217579/
PE. Rel.: Min. Cezar Peluso. DJ 4.3.2005)

® u É necessário o devido processo administrativo, em que se garanta o contraditório e a


ampla defesa, para a demissão de servidores públicos, mesmo que não estáveis. [...). (STF. 2a
Turma. RE 223904/AC. Rel. Min. Ellen Gracie. DJ 6.8.2004)

Bl Servidor estadual em estágio probatório: exoneração não precedida de procedimento espe­


cifico, com observância do direito à ampla defesa e ao contraditório, como impõe a Súmula
21-STF: nulidade. Nulidade da exoneração: efeitos. Reconhecida a nulidade da exoneração deve
o servidor retornar à situação em que se encontrava antes do ato questionado, inclusive no que

28. BULOS. Uadi Lammêgo. Curso de direito constitucional. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 537.
Roberval Rocha ,, Albino Carlos v Mauro José G.
56 Ferreira Filho !í Martins Vieira ' da Costa

se refere ao tempo faltante para a complementação e avaliação regular do estágio probató­


rio, fazendo jus ao pagamento da remuneração como se houvesse continuado no exercício do
cargo; [...]. (STF. 1a Turma. RE 222532/MG. Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 1.9.2000).

► CF/1988. Art. 5°. LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusa-
dòs pm geral sãò assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a
ela inerentes.

SÚMULA Nfl 2 0 - É NECESSÁRIO PROCESSO ADMINISTRATIVO, COM AMPLA DEFESA, PARA DEMIS­
SÃO DE FUNCIONÁRIO ADMITIDO POR CONCURSO.

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 13.12.1963.9 Referência legislativa: CF/1946, art. 188, II. Lei n* 1.711/1952. art. 15; a r t 82,
II; art. 83, parágrafo ú n ico.»Precedentes: RM S 9291, D j22.11.1962; RM S 9331, DJ 19.7.1962; RM S 9483, Dj 13.9.1962: RM S
949S, D j 28.9.1966; RM S 9780, D j 18.10.1962; A l 26618, D j 17.10.1963; A l 26944, Dj 7.11.1963.

Prevista no art. 127, UI, da Lei ns 8.112/1990 - Estatuto dos Servidores Públicos
Federais -, a demissão é a mais grave penalidade disciplinar aplicável ao servidor
público estável em atividade. É sanção que desfaz o vínculo esíatutário corrt o serviço
público. Os casos que ensejam sua aplicação estão descritos no art. 13*2 do mesmo
diploma legal.

Para sua aplicação, exige a CF/88 (art. 41, § 1° 11) que a perda de cargo seja obri­
gatoriamente declarada mediante processo administrativo em que seja assegurada
ampla defesa ao servidor, sob pena de nulidade.

► CF/1988. Art. 41. § 1o O servidor público estável só perderá o cargo: [...] II - mediante pro­
cesso administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;

► Lei n° 8.112/1990. À rt 127. São penalidades disciplinares: [...] III - demissão. ► A r t 132.
A demissão será aplicada nos seguintes casos: I - crime contra a administração pública;
II - abandono de cargo; III - inassiduidade habitual; IV - improbidade administrativa; V -
incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição; VI - insubordinação grave em
serviço; VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa
própria ou de outrem; VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos; IX - revelação de
segredo do qual se apropriou em razão do cargo; X - lesão aos cofres públicos e dilapida­
ção do patrimônio nacional; XI - corrupção; XII - acumulação ilegal de cargos, empregos
ou funções públicas; XIII - transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117

SÚMULA N9 1 9 - É INADMISSÍVEL SEGUNDA PUNIÇÃO DE SERVIDOR PÚBLICO, BASEADA NO


MESMO PROCESSO EM QUE SE FUNDOU A PRIMEIRA.

• S ú m u la a p lic á v e l.• D a ra ; 13 .12.19 63.»Referência legislativa: L e i !><• 1.711/1952. arts. 2 2 4 ,2 2 6 ,2 3 3 e 238.»P receden tes:
RM S 8048, DJ 26.4.1962.

Tendo o processo esgotado todas as fases previstas no seu rito próprio, impossí­
vel utilizá-lo, posteriormente, para nova apenação administrativa, sob pena de ma­
cular o princípio constitucional do due process o f law, salvaguarda fundamental do
direito à ampla defesa e ao contraditório também 11a seara administrativa (CF/88, art.
5S, ines. LIV e LIV). O enunciado impede que, no processo administrativo disciplinar,
possa ocorrer bis in idem relativamente às punições aplicadas.
Direito A dministrativo 57

© [...] Não tem incidência o disposto na Súmula 19/STF... quando se tratam de fatos e processos
diversos. [...]. (STJ, MS 14.598/DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 3a S„ DJe 11.10.2011)

© [...) A aplicação inadequada a servidor público federal da primeira penalidade administrativa


a ele imposta, quando anulada e em seu lugar imposta a pena de demissão prevista na Lei n.
8.112/91, não incorre na vedação estabelecida pela Súmula 19 do Excelso Pretório. [...]. (STJ, MS
14.040/DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 3a S., DJe 23.8.2011)

© [...] 1. A aplicação inadequada a servidor público federal da pena de suspensão, quando anu­
lada e em seu lugar imposta a pena de demissão prevista na Lei n° 8.112/91, não incorre na
vedação estabelecida pela Súmula 19 do Excelso Pretório [...]. (STJ. 3a Seção. MS 7034/DF. Rel.:
Min. Maria Thereza de Assis Moura. DJ 22.10.2007)

© [...] 1. Em havendo sido aplicada sanção disciplinar de prisão por 30 (trinta) dias, não pode
o servidor militar sofrer outra punição - exclusão dos quadros da corporação - se ambas as
medidas punitivas decorreram de um só ato infracional. 2. Incidência da Súmula 19-STF [...].
(STJ. 6a Turma. RMS 14626/GO. Rel.: Min. Paulo Medina. DJ 2.8.2004)

© [...] Nos termos da Súmula 19 do STF não é possível a aplicação de dupla sanção disciplinar ao
servidor público em deCorrêrfcia da mesma falta'discipllnar. - Nos termos do artigo 52, pará­
grafo único, da Lei Complementar'Estadual na 76/93, não se confunde a punição pelas faltas
administrativas anteriores com a demissão decorrente da contumácia na prática de infrações
disciplinares, por cuidarem de hipóteses fáticas distintas, inocorrente, no caso, o alegado bis
in idem. (...]. (STJ. 6a Turma. RMS 12S36/RO. Rel.: Min. Vicente Leal. DJ 19.12.2002)

© [...] Nos termos da Súmula 19 do STF não é possível a aplicação de duplo sanção disciplinar ao
servidor público em decorrência da mesma falta disciplinar. - Imposta a pena de suspensão a
servidor e efetivamente cumprida, não pode a autoridade administrativa, em momento poste­
rior, reativar o processo para aplicar a pena de demissão, por importar em bis in idem, vedado
em nosso sistema. [...). (STJ. 3a Seção. MS 7358/DF. Rel.: Min. Vicente Leal. DJ 6.5.2002)

© [...] Seg undo o pensamento jurisprudencial consolidado na Súmula 19, do Supiremo Tribunal
Federal, “é inadmissível segunda punição de servidor público baseada no mesmo processo em
que se fundou a primeira" - Anulado o primeiro ato administrativo que decretou a demissão
do servidor por decisão desta Corte, proferida em sede de mandado de segurança, que orde­
nou a sua reintegração no cargo, é inadmissível que nova sanção de demissão seja aplicada
pela Administração, sob pena de ocorrer bis in idem, vedado em nosso sistema. [...]. (STJ. 3a
Seção. MS 7400/DF. Rel.: Min. Vicente Leal. DJ 6.5.2002)

S ú m u l a n s 18 - P e l a f a l t a r e s id u a l , n ã o c o m p r e e n d id a n a a b s o l v iç ã o p e l o iu íz o c r i­
m in a l , É A D M IS S ÍV E L A P U N IÇ Ã O A D M IN I S T R A T IV A D O S E R V ID O R P Ú B L IC O .

• Sú m u la a p lic á ve l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CC/1916, art. 1.525. í e i n° 1.711/1952, art. 200. • Prece­
dentes: R E 42168 embargos, DJ 26.8.1961; A í 27358, DJ 18.4.1963; R E 50722 embargos, DJ 22.8.1963; AR 598, DJ 17.10.1963.

0 ordenamento jurídico brasileiro consagra a plena independência das instâncias


administrativa e penal em relação à apuração de fato ensejador da demissão do ser­
vidor público. Assim, o servidor pode ser demitido após o devido processo adminis­
trativo, mesmo que ainda esteja pendente ação penal sobre o mesmo fato. Somente
haverá repercussão da instância penal na administrativa nas hipóteses em que aquela
tenha concluído pela inexistência material do fato ou pela negativa de sua autoria.

Trata-se de postulado com assento no art. 935 do atual Código Civil brasileiro.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro J osé G.
58 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

Segundo as disposições do Estatuto dos Funcionários Públicos Federais - Lei nfi


8.112/1990, o servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício ir­
regular de suas atribuições (art. 121), podendo ser cumuladas as sanções civis, penais
e administrativas - independentes entre si - (art. 125), e sua responsabilidade admi­
nistrativa é afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou
sua autoria (art. 126). Se condenado na esfera criminal, a autoridade administrativa
não pode decidir de forma diferente, conforme prevê o Código Civil.

Por fim, cabe lembrar as hipóteses de absolvição em sentença penal dadas pelo
art. 386 do Código de Processo Penal.

® f..] A ausência de decisão judicial com trânsito em julgado não torna nulo o ato demissório
aplicado com base em processo administrativo em que foi assegurada ampla defesa, pois a
aplicação da pena disciplinar ou administrativa independe da conclusão dos processos civil e
penal; eventualmente instaurados em razão dos mesmos fatos. Interpretação dos artigos 125
da Lei n° 8.112/90 e 20 da^Lei n° 8.429/92 em face do artigo 41, § 1o, da Constituição. [...]. (STF.
Pleno. MS 22362/PR. Rel.: Min. Maurício Corrêa. DJ 18.6.1999)
......... •.................... .................... !.............^
[..J i. "As responsabilidades disciplinar, civil e penal são independentes entre si e as san­
ções correspondentes podem se cumular (art. 125); entretanto, a absolvição criminal, que
negue a existência do fato ou de sua autoria, afasta a responsabilidade administrativa (art.
126)". Mello, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 14. ed. São Paulo:
Malheiros, 2001. 2. O art. 23 da Lei 8.935/94 não resta violado quando o fato imputado
ao agente, que fundamentou a aplicação da pena de suspensão por 90 (noventa) dias,
restou declarado inexistente, não havendo conduta outra, cometida pelo servidor, capaz
de configurar-se como infração disciplinar, a justificar a aplicação daquela penalidade. 3.
É que a responsabilidade administrativa deve ser afastada nos casos em que declarada
a inexistência do fato imputado aó servidor ou negada sua autoria pela instância penal.
4. Destarte, afastada a responsabilidade criminal do servidor, por inexistência do fato ou
negativa de sua autoria, afastada também estará a responsabilidade administrativa, exceto
se verificada falta disciplinar residual, não abrangida pela sentença penal absolutória.
Inteligência, "a contrario sensu", da Súmula 18/STF [...]. (STJ, REsp1012647/RJ, Rel. Min. Luiz
Fux, 1a T„ DJe 3.12.2010)

SI (•••) 5. O ilícito penal é um plus. quanto ao administrativo, mas se aquele (penal) não ocor­
reu (negativa de autoria) ou não restou provado na via judicial própria, somente se pode
sancionar o segundo (administrativo), se sobejar infração punível, como leciona a Súmula
18/STF. 6. Refoge ao senso comum que se tenha o mesmo fato por não provado no crime
e provado na esfera administrativa punitiva, como se esta pudesse se satisfazer com prova
incompleta, deficiente ou inconclusiva; a necessária independência entre as instâncias
adm inistrativa e penal, não exclui o imperioso equilíbrio entre elas, capaz de impingir coe­
rência às decisões sancionatórias emanadas do Poder Público, sejam proferidas pelo Exe­
cutivo ou pelo Judiciário. [...]. (STJ, RMS 24.837/MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho,
5a T„ Dje 9.8.2010)

► CC. Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questio­
nar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões
se acharem decididas no juízo criminal.
Direito Administrativo 59

► CPP. A rt 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que
reconheça: I - estar provada a inexistência do fato; II - não haver prova da existência do
fato; III - não constituir o fato infração penal; IV - estar provado que o réu não concorreu
para a infração penal; V - não existir prova de. ter o réu concorrido para. a infração penal;
VI - existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu .de pena (arte. 20, 21,
22, 23, 26 e 5 1° do art 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida
sobre sua existência; VII - não existir prova suficiente para a condenação.

8. SERVIDOR PÚBLICO
8 .1 . D em issão
SÚMULA Ne 2 5 - A NOMEAÇÃO A TERMO NÃO IMPEDE A LIVRE DEMISSÃO, PELO PRESIDENTE DA
R e p ú b l i c a , d e o c u p a n t e d e c a r g o d ir ig e n t e d e a u t a r q u ia .

• Sú m u la m itig ad a. • Data: 13.12.1963.% Referência legislativa: CF/1946, arts. 87, V,e 188, parágrafo único. CC/1916, art.
1.3 16,1. • Precedentes: M S 8693, Dj 20.8.1962; MS 86S1, D] 20.9.1962; M S 8802, OJ 1,7.2.1962; M S 8876, D) 2.7.1962.

Há algumas décadas começou a ser instituída, via legislativa,'uma série de autar-


quias'de regime especial a cujos dirigentes a lei restringia o poder de exoneração do'
Chefe do Poder Executivo, ao estabelecer a sua nomeação por mandato determina­
do. O STF, contudo, à época, considerou inconstitucional este reforço de autonomia
por violar o poder de direção do Presidente da República sobre toda a Administra­
ção Pública. Esta posição jurisprudencial estava consolidada na Súmula em comento.
Apenas no julgamento da liminar requerida na ADI 1949 (adiante transcrita), este
entendimento foi revertido.

Assim, em termos estritos de organização administrativa, a novidade mais rele-


vante-que as agências reguladoras independentes trazem para o nosso direito, a par­
tir dessa histórica decisão do STF, é a sua independência, assegurada principalmente,
e aqui o modelo segue direito comparado, pela vedação da exoneração "ad nutum"
dos seus dirigentes (autonomia orgânica) e pela inexistência de ingerência hierárqui­
ca da Administração Central sobre seus atos decisórios29.

Hoje, portanto, pode-se afirmar que o enunciado não abrange a figura das chama­
das "agências reguladoras", que são autarquias especiais.

S I. Agências reguladoras de serviços públicos: natureza autárquica, quando suas funções não
sejam confiadas por lei a entidade personalizada e não, à própria administração direta. II.
Separação e independência dos Poderes: submissão à Assembléia Legislativa, por lei esta­
dual, da escolha e da destituição, no curso do mandato, dos membros do Conselho Supe­
rior da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do
Sul - AGERGS: parâmetros federais impostos ao Estado-membro. 1. Diversamente dos textos
constitucionais anteriores, na Constituição de 1988 - à vista da cláusula final de abertura do
art. 52, III -, são válidas as normas legais, federais ou locais, que subordinam a nomeação dos
dirigentes de autarquias ou fundações públicas à prévia aprovação do Senado Federal ou da
Assembléia Legislativa: jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal. 2. Carece, pois, de

29. Os dois parágrafos: ARAGÃO, Alexandre Santos. Agências reguladoras e a evolução do direito ad'
m inistrativo econômico. Rio de Janeiro: Forense, 2002. p. 264.
Rcberval Rocha ^ Albino Carlos „ Mauro José G.
60 Ferreira Filho Martins Vieira - da Costa

plausibilidade a arguição de inconstitucionalidade, no caso, do condicionamento à aprova­


ção prévia da Assembléia Leg slativa da investidura dos conselheiros da agência reguladora
questionada. 3. Diversamente, é inquestionável a relevância da alegação de incompatibilidade
com o principio fundamental da separação e independência dos poderes, sob o regime pre­
sidencialista, do art. 8o das leis locais, que outorga è Assembléia Legislativa o poder de des­
tituição dos conselheiros da agência reguladora autárquica, antes do final do período da sua
nomeação a termo. 4. A invest dura a termo - não impugnada e plenamente compatível com
a natureza das funções das agências reguladoras - é, porém, incompatível com a demissão
ad nutum pelo Poder Executivo: por isso. para conciliá-la com a suspensão cautelar da única
forma de demissão prevista na lei - ou seja, a destituição por decisão da Assembléia Legis­
lativa -, impõe-se explicitar que se suspende a eficácia do art. 8o dos diplomas estaduais
referidos, sem prejuízo das restrições à demissibilidade dos conselheiros da agência sem justo
motivo, pelo Governador do Estado, ou da superveniência de diferente legislação válida. [...].
(STF. Pleno. ADI-MC 1949/RS. Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 25.11.2005)

► CF/1988. Art. 37. II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação


prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza
e á complexicade do cargo cu emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomea­
çõ es para cargo em com ssão declarado em lei de livre nomeação e exoneração. ► Art.
84. Còmpete privativamente ao Presidente da República: [...] XIV - nomear, após aprovação
' * pêlo Sénacb Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores,
u os Governadores-de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidehte e os direto-
. res do banco central e outros servidores, quando determinado em lei.

S ú m u l a Na 24 - F u n c io n á r io in t e r in o s u b s t it u t o é d e m i s s í v e l , m e s m o a n t e s d e c e s s a r
A C A U S A D A S U B S T IT U IÇ Ã O .

• Sú m u la s u p e ra d a . 0 D a:a: 13 .12.1963.0Referência legisiativa: CF/1946, art. 188, parágrafo único. Lei n 9 1.711/1952, art.
12, !V ,a .0 Precedentes. R M S 9393, D j26.4.1962; M S 9198, D j 18.10.1962.

0 enunciado foi superado poucos anos após sua edição pelo DL ne 200/1967, cujo
art. 102 vedou a nomeação em caráter interino, por incompatível com a exigência de
prévia habilitação em concurso para provimento dos cargos públicos. Hoje, trata-se
de princípio constitucional expresso.

> CF/1988. Art 37. II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação
prévia err concurso público de provas ou de provas e titulos, de acordo com a natureza e
a complexidade do cargo òu emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações
para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração.

S ú m u l a n b 8 - D i r e t o r d e s o c ie d a d e d e e c o n o m ia m is t a p o d e s e r d e s t i t u í d o n o c u r s o
do m an dato .

• S ú m u la a p lic á v e l.• Doía: 1 3 .1 2 .1 9 6 3 .0 Referência legislativa: CF/1946, art. 87. V. Dl. n 9 2.627/1940, a rt. 87, parágrafo
único, o 0 Precedentes: M S3675, DJ 16.5.1963.

Por imposição do D Ln s 200/1967, as sociedades de economia mista devem, obri­


gatoriamente, ter a forma jurídica das sociedades anônimas'0, o que faz com que, sem3
0

30. 0 DL nc 200/1567, art. 5®, Ml, define a scciedade de economia mista como "a entidade dotada de per­
sonalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a
Direito Administrativo 61

prejuízo das disposições de leis especiais, sujeitem-se à Lei ns 6.404/1976, que dis­
põe sobre as Sociedades por Ações31, cujas normas não impedem a destituição de
diretores no curso de seus mandatos.

► Lei n° 6.404/1976. Art 142. Compete ao conselho de administração: [._] II - eleger e


destituir os diretores da companhia e fixar-lhes as atribuições, observado o que a respeito ,
dispuser o estatuto. ► Art. 143. A diretoria será composta por 2 (dois) ou mais diretores,
eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo conselho de administração, ou, se inexistente,
pela assembleia-geral [...].

8 .2 . D isponibilidade
SÚ M U LA N- 358 - O S E R V I D O R P Ú B L IC O E M D I S P O N IB IL ID A D E T E M D I R E I T O A O S V E N C IM E N T O S
IN T E G R A IS DO C A R G O .

• S ú m u la s u p e r a d a .* Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CF/1946>a r t 189, parágrafo único. L e in 9 1.711/1952, art.
174. • Precedentes: R E 28534, DJ 19.3.1964: R E 13837, Òf 15.6.1950.

A súmula não tem mais çespajdo constitucional, pois a norma encartada na


CF/1988 pela Emenda ConstitucitfnaÚEQ.n- 19/1998-disciplinou o caso de maneira
bem diferente. Hoje, o servidor em disponibilidade só tem direito a perceber proven­
tos proporcionais ao seu tempo de serviço.

► CF/1988. A rt 41. § 3°. Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor está­
vel ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu
adequado aproveitamento em outro cargo.

S Ú M U LA Ne 39 - À F A L T A D E L E I , F U N C IO N Á R IO E M D IS P O N IB IL ID A D E N Ã O P O D E E X I G I R , JUD1-
C I A L M E N T E , O S E U A P R O V E I T A M E N T O , Q U E F IC A S U B O R D IN A D O .A O C R I T É R I O D E C O N V E N IÊ N C IA
d a A d m in is t r a ç ã o .

• S ú m u la a p lic á ve l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislotiva: CF/1946, art. 189, parágrafo único. • Precedentes: R E
32972 embargos, DJ 13.4.1961; R E 31245 embargos, DJ 27.6.1963.

Vide comentários à Súmula ns 358, retro.

SI [...] 2. A extinção de empregos públicos e a declaração de sua desnecessidade decorrem de


juízo de conveniência e oportunidade formulado pela Administração Pública, prescindindo de
lei ordinária que as discipline (art. 84, XXV, da CF). [...]. (STF. Pleno. MS 21236/DF. Rel.: Min.
Sydney Sanches. DJ 25.8.199S)

® (...j 1. Dá-se a disponibilidade remunerada com a extinção ou a declaração de desnecessidade


do cargo que ocupava o servidor, por motivo de conveniência ou oportunidade administra­
tiva, até o seu adequado aproveitamento em outro, com idênticas atribuições. 2. O instituto
deve ser interpretado sempre levando em conta sua finalidade de proporcionar ao servidor,
compulsória e temporariamente afastado de suas atribuições funcionais, todos os direitos e

forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a
entidade da Administração Indireta".
31. Conforme preconiza o art. 235 da própria Lei das S.As.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
62 Ferreira Filho ' Martins V ieira da Costa

garantias que teria se estivesse em pleno exercício. 3. Recurso nâo conhecido. (STJ. 5a Turma.
REsp 173092/AL. Rel.: Min. Edson Vidigal. DJ 29.3.1999)

SÚMULA N2 2 2 - O ESTÁGIO PROBATÓRIO NÃO PROTEGE O FUNCIONÁRIO CONTRA A EXTINÇÃO


DO CARGO.

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CF/1946, arts. 65, IV, e 189, parágrafo único. Lei n-
1.711/1952, art. 174. • Precedentes: RM S 9900, 0/ 13.9.1962.

Contra a extinção do cargo, o art. 41, § 3a, da CF/88, só protege o vínculo funcional
do servidor estável.
A extinção do cargo vago não traz consequência. Já quanto aos cargos não va­
gos, seu titular, se estável, será posto em disponibilidade; se não estável - caso dos
ocupantes de cargo em comissão e daqueles ainda em período probatório - serão
exonerados32

® [...] Administrativo. Funcionalismo. Funcionário concursado. Estágio probatório. Extinção do


cargo. Estabilidade não comprovada.,É da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, con­
forme sua Súmula n° 22, que 'o estágio probatório não protege o funcionário contra a extin­
ção do cargo'. E cabe aplicá-la à espécie se não comprovou o autor já ser funcionário estável
quando de sua exoneração, errTdecófrêqcia da extinção do cargo. Dizendo o art. 102, § 3° da
Constituição, que 'o tetnpo de serviço público federal, estadual e municipal será computado
integralmente para os efeitos de aposentadoria e disponibilidade, na forma da lei', podendo
a lei estadual admitir tal computo também para outros efeitos desde que atendidos os parâ­
metros constitucionais, como resulta do art. 108 da Constituição Federal, tal contagem não
poderá ser efetuada para fins de estágio probatório, por haver a respeito norma expressa,
qual a do art. 100 da Lei Maior. Enquanto o art. 102, 5 3° assegura um direito minimo ao
funcionário, o art. 100, ao contrário, fixa uma restrição, estabelecendo um tempo de exercício
mínimo indispensável para a aquisição daqueles nomeados por concurso. [...]. (STF. 2a Turma.
RE 90181/SC. Rel.: Min. Aldir Passarinho. DJ 10.6.1983)

BI ( I Funcionário público. Extinção de cargo por lei. O estágio probatório nao impede a exo­
neração do funcionário cujo cargo foi extinto por lei. Aplicação da Súmula 22. (STF. 1a Turma.
AI-AgR 85090/RJ. Rel.: Min. Soares Munoz. DJ 18.12.1981)

► CF/1988. A r t 41.5 3°. Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor está­
vel ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu
adequado aproveitamento em outro cargo.

SÚMULA N2 1 1 - A VITALICIEDADE NÃO IMPEDE A EXTINÇÃO DO CARGO, FICANDO O FUNCIONÁ­


RIO EM DISPONIBILIDADE, COM TODOS OS VENCIMENTOS.

• Sú m u la s u p e ra d a . •D a ta : 13.12.1963. • Referência legislativa: CF/1946, art. 189. • Precedentes: R E 49824, DJ 16.5.1963.

São vitalícios apenas aqueles cargos que o Texto Magno expressamente indica:
magistrados, membros do Ministério Público, conselheiros e ministros de tribunais
de contas. A vitaliciedade, contudo, não impede a extinção do cargo, e os ocupantes
de cargos vitalícios podem ser colocados em disponibilidade, como permite a própria
CF/1988, em seus arts. 93 e 103-B, § 4S.

32. GASPAR1NI. Diogenes. Direito administrativo. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 289.
Direito Administrativo 63

Mesmo assim, o enunciado está superado por outro motivo: o regramento consti­
tucional atual da disponibilidade só confere direito aos vencimentos proporcionais do
cargo, a teor do art. 41, § 39, da Carta Magna.

SI Administrativo. Juiz de direito em disponibilidade. Pretendido pagamento de vencimentos


integrais, sob a alegação de que a pena de disponibilidade dos juizes com vencimentos pro­
porcionais não foi mantida pela Constituição Federal de 1988. Penalidade que, todavia, foi
mantida pela Loman que, ao ponto, é de ter-se por recepcionada pela nova Carta da Repú­
blica que só prevê proventos integrais nas hipóteses do inciso VI do art. 93, redação original.
[...]. (STF.RE 143776/SP. Rel. p/ acórdão: Min. limar Galvão. DJ 25.5.2001)

S l [-1 Princípio da inamovibilidade de magistrado. Juiz auditor substituto. Extinção do cargo. Lei
n. 8.719/93. Disponibilidade não punitiva. Aproveitamento compulsório em cargo equivalente
e no mesmo local, após ter recusado este e outros três em locais diferentes. - 1. A garantia
da inamovibilidade de magistrado está regulada nos casos de remoção, promoção e mudança
da sede do juizo, hipóteses em que ele ocupa um cargo, art. 95, II, 1a parte, da Constituição
Federal e arts. 30 e 31 da Loman, Lei Complementar n. 35/79; nem a Constituição nem a
LOMAN atribdíram a garantia da inarhovibjlidade ao_ magistrado em disponibilidade, que não
ocupa cargo. 2. Ressalvada a escolha do novo cargo pelo magistrado, ele deve ser adequa­
damente aproveitado, respeitando-se a equivalência do cargo, por força da necessária aplica­
ção subsidiária do art. 41, § 3°, da Constituição. Não emana da lei direito liquido e certo do
magistrado recusar o seu aproveitamento ou de permanecer em disponibilidade, porque alise
contém, antes, ordem vinculante para a Administração aproveitá-lo em cargo equivalente. 3.
O aproveitamento de magistrado em disponibilidade não punitiva no mesmo local e em cargo
idêntico ao que ocupava, não se aplicam às restrições previstas para a remoção ou promoção,
que alcançam os que estão em atividade, nem viola a garantia da inamovibilidade. [...]. (STF. 2a
Turma. RMS 21950/DF. Rel.: Min. Paulo Brossard. DJ 27.10.1994)

► CF/1988. Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá
sobre o- Estatuto da Magistratura, observados os seguintes-princípios: [...] VIII o ato de
remoção, disponibilidade e aposentadoria do magistrado, por interesse público, fundar-se-
-á em decisão por voto da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do Conselho Nacio­
nal de Justiça, assegurada ampla defesa.

► A r t 103-B. § 4°. Compete ao Conselho [Nacional de Justiça] o controle da atuação admi­


nistrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos
juizes, cabendo-lhe, além de outras atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da
Magistratura: [...] III - receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do
Poder Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores
de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou oficializa­
dos, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dos tribunais, podendo avocar
processos disciplinares em curso e determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposen­
tadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras
sanções administrativas, assegurada ampla defesa.

8 .3 . M andato eletivo
S ú m u l a n ® 34 - No E s t a d o d e S ã o Pa u l o , f u n c io n á r io e l e i t o v e r e a d o r f ic a l ic e n c ia d o
P O R T O D A A D U RA Ç Ã O DO M AN D ATO .

• Sú m u la s u p e ra d a .• Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CE/SP, arts. 18 e 77, § 2 9. Lei estadual n g 1.845/1952-SP,
art. I 9, parágrafo ú n ico.*P receden tes: R M S 4714, D J23.1.1958; RM S 9022, D J2.4.1962; R M S 9019, D J24.5.1962; R M S 9097,
DJ 19.6. í 962.
Roberval Rocha A lbino Carlos Mauro José G.
64 Ferreira Filho *' Martins Vieira da Costa

0 art. 38 da CF/1988, regra que, pelo princípio da simetria, deve obrigatoriamen­


te ser seguida pelas constituições estaduais, é incompatível com o enunciado.

► CF/1988. A r t 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional,


• nd-exercfcio de mandato elétivo,aplicam-se as seguintes disposições: (...] II - investido no
•'rtíãhclàtó dé Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado
• ' òptãr pela sua remuneração; III —investido no mandato de vereador, havendo compatibili-

' ■dade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo
da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma
do inciso anterior.

8 .4 . R ead ap tação
S ú m u l a n 2 566 - E n q u a n t o p e n d e n t e , o p e d id o d e r e a d a p t a ç ã o f u n d a d o e m d e s v io
FUNCIONAL NÃO GERA DIREITOS PARA O SERVIDOR, RELATIVAMENTE AO CARGO PLEITEADO.

• S ú m u la s u p e r a d a .• C a ía : 15 .1 2 .1 9 7 6 .*Referência legislativa: Lei ne 3.780/1960.% Precedentes: R M S 18034, DJ 28.3.1969:


R E 66725, D] 8.8.1969: R E 67907, D] S.12.1969: R E 72418, DJ 3.12.1971: R E 74808, DJ 8.6.1973: R E 74807, D) 29,6.1973: R E
76824, DJ 30.11.1973: R E 67783, DJ 15.5.1975 '' ’.

Trata-se de enunciado cuja legislação-base referia-se à antiga classificação de car-‘


gos do Serviço Civil do Poder Executivo33, cujas normas previam, sob determinadas
condições, a readaptação funcional, cabível quando comprovado o desvio de função
por necessidade do serviço (art. 44 da Lei na 3.780/1960), permitindo ao servidor
assumir as novas funções exercidas.
0 art. 24 do atual Estatuto dos Servidores Públicos Federais - Lei nB 8.112/1990
- da à readaptação características completamente diferentes daquelas mencionadas
nesta súmula.
Nessa lei, o que mais se aproxima da readaptação funcional é a redistribuição, pre­
vista no art. 37 e conceituada como o deslocamento de cargo de provimento efetivo,
ocupado ou vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade
do mesmo Poder, com prévia apreciação do órgão central do Sistema de Pessoal Ci­
vil da Administração Federal, desde que cumulativamente observados: o interesse da
Administração; a equivalência de vencimentos; a manutenção da essência das atribui­
ções do cargo; a vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das
atividades; o mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profissional;
a compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do ór­
gão ou entidade.
Verifica-se, assim, que, no âmbito da administração pública federal, a súmula per­
deu a pertinência.

^ Le), 8.112/90. Art. 24. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e


responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade tísica
‘ ou mental vérificada em inspeçãb médica.3

33. A classificação prevista nessa lei foi revogada em 1970 pela Lei n5 5.645.
Direito A dministrativo 65

8 .5 . R em u n eração
SÚMULA VlNCULANTE N - 4 2 - É INCONSTITUCIONAL A V1NCULAÇÂO DO REAJUSTE DE VENCIMEN­
TOS DE SERVIDORES ESTADUAIS OU MUNICIPAIS A ÍNDICES FEDERAIS DE CORREÇÃO MONETÁRIA.

• Súmula vinculante. • Dato 20 3.201 5 • Referência legislativa: CF, arts. 2 S, 2S, 2 9 ,3 0 ,1,e37, X III. Súm. 681/STF. • Prece­
dentes: A R E 675774 AgR, DJe 10.12.2012. A D Í285, D] 19.3.2010. A O 366, D J8.9.2006. AO325, D J8.9.2006. AO2S3, D J8.9.2006.
R E 368650 AgR. D] 18.11.2005. ADI 303, DJ 14.2.2003. ADI 1438, DJ 8.11.2002. R E 168086 AgR, DJ 4.10.2002. R E 2S1238,
DJ 23.8.2002. R E 269169, DJ 21.6.2002. R E 170361, DJ 28.9.2001. R E 174184, DJ 21.9.2001. ADI 2050 MC, DJ 1.10.1999. R E
219371, DJ 5.6.1998. R E 220379, DJ 29.5.1998. R E 213361, DJ 29.S.1998. R E 166581, D] 30.8.1996. AO 299, DJ 14.6.1996. AO
317, DJ 15.12.1995. AO 288, DJ 1 5 12.19 95 AO 293. DJ 24.11.1995. AO 280, DJ 24.11.1995 AO 294, D] 1.9.1995 AO 303, DJ
25.8.1995. A O 284, D J2 5 8 .1 9 9 5 R E 145018. DJ 10.9.1993. A D I2 8 7 MC, DJ 7.51993.

No enunciado, a Corte torna vinculante o que antes dispunha no conteúdo da Sú­


mula 681 (vide comentários a esse enunciado, adiante).

S ú m u la V in c u la n t e Ne 3 7 - Nã o c a b e a o Po der J u d ic iá r io , q u e n ã o t e m fu n ç ã o l e g is l a ­
t iv a , a u m e n t a r v e n c im e n t o s DE SERVIDORES PÚBLICOS SOB O FUNDAMENTO DE ISONOMIA.

• Súmula vinculante. • DJe 24.10.2014. • Referência leg isla tiva: CF, a rts. 2°, S 8.c a p u t e 11, e 3 7 ,X . Súm. 339/STF. • P re ­
cedentes: R E 711344 AgR, DJ 11.3.2013. A R E 762806 AgR, DJ 18.9.2013. R E 402467 AgR] D) 11.6.2013. R E 2 2 3 4 S 2 AgR, DJ
6.9.2012. R E 637136 A g R ,P J 11.9.2012. R E 5 9 2 3 1 7 R G .P j2 llO .2 0 1 0 , R E 173252, DJ 145.2001,KDJ 18.52001. R M S 21662,
D /20.5.1994. ' ‘ '

No enunciado, a Corte torna vinculante o que antes dispunha no conteúdo da


Súmula 339 (vide comentários a esse enunciado, adiante).

BI í Recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Administrativo. Servidor


público. Extensão de gratificação com fundamento no princípio da Isonomia, Vedação. Enun­
ciado 339 da Súmula desta Corte. [...]. (RE 592317, Rei. Min. Gilmar Mendes, Pleno, repercus­
são geral - mérito, DJe 10.11.2014)

SI 1-1 Esta Corte, como demonstram os precedentes invocados no parecer da Procuradoria-Geral


da República, tem entendido que continua em vigor, em face da atual Constituição, a súmula
339 [...], porquanto o § 1o do artigo 39 da Carta Magna é preceito dirigido ao legislador, a
quem compete concretizar o princípio da isonomia, considerando especificamente os casos
de atribuições iguais ou assemelhadas, não cabendo ao Poder Judiciário substituir-se ao legis­
lador. Contra lei que viola o princípio da isonomia é cabível, no âmbito do controle concen­
trado, ação direta de inconstitucionalidade por omissão, que, se procedente, dará margem
a que dessa declaração seja dada ciência ao Poder Legislativo para que aplique, por lei, o
referido princípio constitucional; já na esfera do controle difuso, vício dessa natureza só pode
conduzir à declaração de inconstitucionalidade da norma que infringiu esse princípio, o que,
eliminando o beneficio dado a um cargo quando deveria abranger também outros com atri­
buições iguais ou assemelhadas, impede a sua extensão a estes. [...]. (RE 173252, Rei. Min.
Moreira Alves, Pleno, DJ 18.5.2001)

© [...] O Poder Judiciário, que não dispõe de função legislativa, não pode conceder a servidores
civis, sob fundamento de isonomia, extensão de vantagens pecuniárias que foram exclusiva­
mente outorgadas por lei aos servidores militares. A Súmula 339 do Supremo Tribunal Federal
- que consagra, na jurisprudência desta Corte, uma especifica projeção do princípio da sepa­
ração de poderes - foi recebida pela Carta Política de 1988. Reveste-se, em consequência, de
plena eficácia e de integral aplicabilidade sob a vigente ordem constitucional. O mandado de
segurança não se qualifica como instrumento processualmente adequado a arguição da incons­
titucionalidade da lei, por omissão parcial, quando, resultando esta da exclusão discriminatória
de benefício de natureza pecuniária, vem o ato normativo estatal a ofender o princípio da iso-
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro J osé G.
66 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

nomia. A extensão jurisdicional, em favor dos servidores preteridos, do benefício pecuniário que
lhes foi indevidamente negado pelo legislador encontra obstáculo no princípio da separação
de poderes. A disciplina jurídica da remuneração devida aos agentes públicos em geral está
sujeita ao princípio da reserva legal absoluta. Esse postulado constitucional submete ao domínio
normativo da lei formal a veiculação das regras pertinentes ao instituto do estipêndio funcional.
O principio da divisão funcional do poder impede que, estando em plena vigência o ato legisla­
tivo, venham os tribunais a ampliar-lhe o conteúdo normativo e a estender a sua eficácia jurídica
a situações subjetivas nele não previstas, ainda que a pretexto de tornar efetiva a cláusula iso-
nômica inscrita na Constituição. (RMS 21662, Rei. Min. Celso de Mello, 1a Turma, DJ 20.5.1994)

[81 (...) Em relação à alegada ofensa ao princípio da igualdade, consubstanciado no direito à iso­
nomia entre os servidores, que justificaria o afastamento do óbice da Súmula 339/STF, tal
argumento não merece acolhimento. O verbete é claro ao afastar da cognição judicial a atri­
buição legislativa em matéria de aumento de vencimento de servidor público sob o funda­
mento de isonomia. [...]. (RE 637136 AgR, Rei. Min. Luiz Fux, I a Turma, DJe 11.9.2012)

► CF. A r t 2o São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo,


o Executivo e o Judiciário: ► Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à libe/dade, q igualdade, à segurança e à propriedade,
nos termos seguintes: (...) II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma
coisa senão em virtude de lei. ► Art. 37. X - a remuneração dos servidores públicos e o
subsídio de que trata o 5 4° do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei
específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual,
sempre na mesma data e sem distinção de índices.

S ú m u l a V in c u l a n t e ns 3 4 - A G r a t if ic a ç ã o d e D e s e m p e n h o d e At iv id a d e d e S e g u r i ­
dade S o c ia l e d o T r a b a l h o - GDASST, i n s t i t u í d a p e l a L e i 1 0 .4 8 3 / 2 0 0 2 , d e v e s e r
e s t e n d id a a o s in a t iv o s no v a l o r c o r r e s p o n d e n t e a 6 0 (sessen ta ) po n to s, d esd e o
a d v e n t o da M e d id a P r o v is ó r ia 1 9 8 / 2 0 0 4 , c o n v e r t id a na L e i ' 1 0 .9 7 1 / 2 0 0 4 , q u a n d o
t a i s in a t iv o s fa ça m j u s à p a r id a d e c o n s t it u c io n a l (EC 2 0 / 1 9 9 8 , 4 1 / 2 0 0 3 e 4 7 /2 0 0 5 ).
• Súmula vinculante. • DJe 24.10.2014. • Referência legislativo: CF. arts. S ç, caput, 40. § 8 Ç. E C 20/1998. EC 41/2003.
E C 47/2005. L e i 10.971/2004. L e i 10.483/2002. ♦ Precedentes: A l 804478 AgR. D) 11.9.2014. A R E 742684. DJ 15.8.2013.
A í 819320. DJ 1.4.2013. A R E 707872. DJ 30.10.2012. A R E 701006. DJ 7.11.2012. A R E 700898. DJ 6.9.2012. R E 703209. DJ
30.8.2012. A l 710317, DJ 28.8.2012. A R E 703382, DJ 17.8.2012. R E 695446. DJ 10.8.2012. A l 803164, DJ 1.8.2012. A R E 680791.
DJ 18.5.2012. A l 668446, DJ 9.12.2011. R E 634742, D J5.5.2011. A l 819286. D J4.5.2011. A R E 637514, D J25.4.2011. A l 836772.
DJ 22.2.2011. R E 626723. DJ 9.12.2010. A l 803170, DJ 3.12.2010. A I 803162, DJ 19.11.2010. A l 800834, DJ 18.8.2010. R E
572052, DJ 17.4.2009. R E 597154 QO-RG, DJ 29.5.2009

As leis que instituíram a GDASST, gratificação de desempenho para alguns qua­


dros de servidores públicos federais, iniciou uma celeuma entre servidores inativos
e a União Federal. Aqueles alegaram inconstitucional a discriminação de tratamento
engendrada nas normas, que previam pontuação em dobro para servidores da ativa,
em seu detrimento. A defesa da União Federal, por sua vez, alegava tratar-se de grati­
ficação de natureza "pro labore faciendo", isto é, devida exclusivamente em virtude do
exercício de atividade funcional por servidores na ativa.

0 enunciado reconhece que, embora de natureza "pro labore faciendo”, a falta de


regulamentação das avaliações de desempenho, transmuda a GDASST em uma grati­
ficação de natureza genérica, extensível, aos servidores inativos que tenham direito
adquirido à paridade constitucional.
D ireito A dministrativo 67

Tai como em tema assemelhado, veiculado na Súmula Vinculante 20, os debates leva­
ram em conta o respeito à equiparação entre ativos e inativos, tal como garantida no art.
40, § 8S, da CF, com redação dada pela EC nE 20/1998 (vide comentários a esse enunciado,
adiante).

Cabe ressaltar que, anteriormente, a Corte já havia apreciado o tema no âmbito da


repercussão geral (vide RE-RG-QO 597154 e RE 572052, adiante).

© [...] 2. GDATA e GDASST. 3. Servidores inativos. Critérios de cálculo. Aplicação aos servidores
inativos dos critérios estabelecidos aos ativos, de acordo com a sucessão de leis de regência. 4.
Jurisprudência pacificada na Corte. 5. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercus­
são geral, reafirmar a jurisprudência do tribunal, des prover o recurso, autorizar a devolução aos
tribunais de origem dos recursos extraordinários e agravos de instrumento que versem sobre o
mesmo tema e autorizar as instâncias de origem à adoção dos procedimentos do art. 543-B, 5
3°, do CPC. (RE-RG-QO 597154, Rei. Min. Presidente, repercussão geral - mérito, Tema 153, DJe
29.5.2009).

© (...) Gratificação de desempenho de atividade de seguridade' social e do trabalho - GDASST,


institüída pela Lei-10.483/2002. Extensão. Servidores inativos. Possibilidade. Recurso despro­
vido. I. Gratificação de desempenho que deve sefestendida aos inativos no valor de 60 (ses­
senta) pontos, a partir do advento da MPv 198/04, convertida na Lei 10.971/04, que alterou
a sua base de cálculo. II. Embora de natureza pro labore faciendo, a falta de regulamentação
das avaliações de desempenho, transmuda a GDASST em uma gratificação de natureza gené­
rica, extensível aos servidores inativos. III. Inocorrência, na espécie, de violação ao princípio da
isonomia. [...]. (RE 572052, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, repercussão geral - mérito, Tema
067, DJe 17.4.2009).

© [...] Para caracterizar a natureza "pro labore faciendo" da gratificação - GDASST, seria neces­
sária a edição de.nqrma regulamentadora que viabilize as avaliações d.e desempenho. Sem a
aferição de desempenho, a gratificação adquire um caráter de generalidade, que determina a
sua extensão aos servidores inativos. (A l 804478 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, 1a Turma, DJe
11.9.2014)

► CF. Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garan­
tindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...].
► A r t 40. § 8° É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, ém
caráter permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei.

► Lei 10.971/2004. A rt 6° A partir de 1° de maio de 2004 e até que seja editado o ato
referido no a rt 6° da Lei n. 10.483, de 2002, a Gratificação de Desempenho de Atividade
da Seguridade Social e do Trabalho - GDASST será paga aos servidores ativos que a ela
fazem jus no valor equivalente a sessenta pontos. ► Art. 7° Aos aposentados e pensio­
nistas que se enquadrarem no inciso II ou no parágrafo único do art. 8° da Lei n. 10.483,
de 2002, é devida a GDASST no valor correspondente a trinta pontos.

S ú m u l a V in c u l a n t e nb 2 0 - A G r a t if ic a ç ã o d e D e s e m p e n h o d e At iv id a d e T écn ico -
-A d m in is t r a t iv a - GDATA, in s t it u íd a p e l a L e i nb 1 0.404/2002, d e v e s e r d e f e r i d a aos

in a t iv o s n o s v a l o r e s c o r r e s p o n d e n t e s a 3 7 ,5 ( t r in t a e s e t e v ír g u l a c in c o ) p o n t o s
no p e r ío d o d e f e v e r e ir o a m a io d e 2002 E , n o s t e r m o s d o a r t ig o 5 b, p a r á g r a f o ú n ico ,
Roberval Rocha ... Albino Carlos . Mauro José G.
68 Ferreira Filho ' Martins Vieira da Costa

da L e i n ® 1 0 .4 0 4 / 2 0 0 2 , no p e r ío d o d e ju n h o d e 2002 a t é a c o n clu sã o dos e f e it o s

DO ÚLTIMO CICLO DE AVALIAÇÃO A QUE SE REFERE O ARTIGO 1® DA MEDIDA PROVISÓRIA N®


1 9 8 / 2 0 0 4 , A PARTIR DA QUAL PASSA A SER DE 6 0 (SESSENTA) PONTOS.

• S ú m u la v in c u la n te . • D ata: 10.11.2009. • Referência legislativa: CF/1988, a rt. 40, § 8 ° EC 20/1998. • Precedentes: R E


597154 RG-QO, DJe 29.5.2009. R E 476390, DJe 29.6.2007. R E 476279, DJe 15.6.2007.

Os precedentes do enunciado traziam discussões a respeito do direito de os ser­


vidores públicos inativos receberem a GDATA em seu valor máximo (cem pontos),
contrariamente ao que lhes havia sido legalmente atribuído (dez pontos). Os debates
levaram em conta o respeito à equiparação entre ativos e inativos, tal como garantida
na redação do art. 40, § 8®, da CF/1988, dada pela EC n® 20/1998.

Com a reforma previdenciária implementadad na EC n® 41/2003, o art. 4®, § 8®,


da CF/1988, foi alterado, e a equiparação entre ativos e inativos deixou de existir.
Apesar disso, o art. 7® da emenda estabeleceu regra de transição assegurando àqueles
que já estavam aposentados a manutenção da paridade. . „

Frente a tais normas, os aposentados alegavam inconstitucional a discriminação


de tratamento engedrada na lei. A União Federal, por sua vez, defendia-se alegando
que a gratificação era de natureza pro labore faciendo, sendo devida exclusivamentè
em virtude do exercício de atividade funcional por servidores na ativa.

Compondo a celeuma, o enunciado firma as regras de cálculo aplicáveis aos casos,


levando em consideração as alterações constitucionais e legais ocorridas no período,
e o respeito que seus reflexos devem ao direito adquirido, da seguinte forma: I a) a
GDATA deve ser deferida aos inativos nos valores correspondentes a 37,5 pontos no
período de fevereiro a maio de 2002; 2®) a partir de jun/2002, quando o patamar 37,5
pontos já não incide, aplica-se a regra da Lei n® 10.404/2002, que garante 30 pontos
a quem já era aposentado em 2002; 3®) após a conclusão dos efeitos do último ciclo
de avaliação, a GDATA é devida no patamar de 60 pontos, até sua extinção, em 2006,
pela Lei n® 11.357/200634.

181 Súmula AGU n° 43: Os servidores públicos inativos e pensionistas, com benefícios anteriores à
edição da Lei n° 1C.404/2002, têm direito ao pagamento da Gratificação de Desempenho de
Atividade Técnico-Administrativa - GDATA nos valores correspondentes a: (i) 37,5 (trinta e sete
vírgula cinco) pontos no período de fevereiro a maio de 2002 (art. 6° da Lei n° 10.404/2002 e
Decreto n° 4.247/2002; (ii) 10 (dez) pontos, no período de junho de 2002 até a conclusão dos
efeitos do último ciclo de avaliação a que se refere o art. 1o da Medida Provisória n° 198/2004
(art. 5°, parágrafo único, da Lei n° 10.404/2002, art. 1° da Lei n° 10.971/2004 e 7° da Emenda
Constitucional n° 41/2003; e (iii) 60 (sessenta) pontos, a partir do último ciclo de avaliação de
que trata o art. 1o da Medida Provisória n° 198/2004 até a edição da Lei n° 11.357, de 16 de
outubro de 2006.

34 Todos os parágrafos, cf: ALBUQUERQUE, Fabrício Sarmanho. Súm ula vinculante n® 2 0 (GDATA): Uma
crítica à metodologia do Supremo Tribunal Federal na aplicação do instituto. Disponível em: http://
jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=13894. Acesso em 2 9 .4 .2 0 1 0 .0 autor identifica lacuna no enun­
ciado, que não faz alusão ao fato - essencial no julgamento do leading case - que os aposentados benefi­
ciados com tais índices são apenas aqueles que já eram aposentados à data da edição da EC n® 41/2003.
Direito A dministrativo 69

@ [...] 2. GDATA e GDASST. 3. Servidores inativos. Critérios de cálculo. Aplicação aos servidores
inativos dos critérios estabelecidos aos ativos, de acordo com a sucessão de leis de regência. 4.
Jurisprudência pacificada na Corte. S. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercus­
são geral, reafirmar a jurisprudência do tribunal, desprover o recurso, autorizar a devolução aos
tribunais de origem dos recursos extraordinários e agravos de instrumento que versem sobre o
mesmo tema e autorizar as instâncias de origem à adoção dos procedimentos do art. 543-B, §
3o, do Código de Processo Civil. (RE 597154 QO-RG, Rel. Min. Presidente, DJe 29.5.2009)

® [...] 2. Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa - GDATA. Pontuação


de acordo com desempenho. 3. Servidores Inativos. Pontuação pela regra de transição. Artigo
6o da Lei n° 10.404/02. [...]. (RE 476390, Rel. Min. Gilmar Mendes, Pleno, DJ 29.6.2007)

[8 Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa - GDATA - instituída pela


L. 10.404/2002: extensão a inativos: pontuação variável conforme a sucessão de leis regentes
da vantagem. RE conhecido e provido, em parte, para que a GDATA seja deferida aos inativos
nos valores correspondentes a 37,5 (trinta e sete vírgula cinco) pontos no período de fevereiro
’ a maio de 2002 e nos termos do art. 5o, parágrafo.único, da L. 10.404/2002, para o período
de junho de 2002 até a conclusão dos efeitos do último ciclo de avaliação a que se refere o
art. I o da MPv. 198/2004, a partir da qual passa_a ser de 60 (sessenta) pontos. (RE 476279, Rel.
Min. Sepúlveda Pertence, Pleno, DJ 15.6.2007) ,• l \ '

► CF. Art. 40. § 8o. Observado o disposto no art. 37, XI, os proventos de aposentâdoria e as
pensões serão revistos na mesma propqrção e na mesma data, sempre qúesè modificara i
remuneração dos servidores em atividade, sendo também estendidos aos aposentados e
aos pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servi­
dores em atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou reclassificáçãoído
cargo ou função em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a conces- .
são da pensão, na forma da lei. (Incluído p/EC n° 20/1998)

► CF. Art. 40. § 8o. É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter
permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos em lei. (Redação da EC n°, 41/2003)

► EC n° 41/2003. Art. 7o. Observado o disposto no art. 37, XI, da Constituído Federal, os
proventos de aposentadoria dos servidores públicos titulares de Cargo fefétivõe as pensõés '
dos seus dependentes pagos pela União, Estados, Distrito Federal e'Municípios; incluídas
suas autarquias e fundações, em fruição na data de publicação desta Emenda,- bemcomo
os proventos de aposentadoria dos servidores e as pensões dos dependentes abrangidos
pelo art. 3o desta Emenda, serão revistos na mesma proporção e ná mesrria data, sempre
que se modificar a remuneração dos servidores em atividade, sendo .também estendidos
aos aposentados e pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens, posteriormente con­
cedidos aos servidores em atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou
redassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria òú que seVviu de refe­
rência para a concessão da pensão, na forma da lei.

► lei n° 10.971/2004. (conversão da MPv n° 198/2004). A rt 1o. Até que seja instituída nova
disciplina para a aferição de avaliação de desempenho individual e instítuciohal è coriduldo
os efeitos do último ciclo de avaliação, a Gratificação de Desempenho de Atividade Téchico-
-Administrativa - GDATA, instituída pela Lei n° 10.404, de 9 de janeiro de -2002, será paga
no valor correspondente a sessenta pontos aos servidores ativos alcançados pelo art 1o da
mesma Lei, inclusive os investidos em Funções Comissionadas Técnicas - FCT e Funções Gra­
tificadas - FG e os ocupantes de cargo èm comissão, respeitados os niveis do cargo efetivo e
os respectivos valores unitários do ponto, fixados no Anexo I desta Lei. .
Roberval Rocha „ Albino Carlos Mauro José G.
70 Ferreira Filho w Martins V ieira * da Costa

.'#r léi n? 1 0 .404/2002. A rt I o Fica instituída» a partir de fevereiro de 2002, a Gratifica-


;: v ção de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa - GDATA, dévida aos servidores
alcançados, pelo Anexo V da Lei n, 9.367, de 16 de,dezembro de 1996, e pela Lei n. 6.550,
d e ;5 de julho de 19.78, que não estejam organizados em carreira, que não. tenham tido
' alteração ,em sua estrutura remuneratória entre 30 de setembro de.2QQ1 ,e.a data da publi­
cação desta Lei,,bem comp não percebam qualquer outra espécie de vantagem que tenha
como fundamento o desempenho .profissional, individual ou institucional ou a produção,
quando lotados e em exercício das atividades inerentes às atribuições do respectivo cargo
,. , pos órgãos, ou entidades da administração, pública federal, ► A rt 5o. Parágrafo único.
Às aposentadorias e às pensões existentes quando da publicação desta Lei aplica-se o dis­
posto no inciso II deste artigo.

S ú m u la V in c u l a n t e n s 1 6 - Os a r t ig o s 7 a, IV, e 39, § 3 a (r ed a ç ã o d a EC 1 9 / 9 8 ) , da C o n s ­

t it u iç ã o , R E F E R E M -S E A O T O T A L DA R E M U N E R A Ç Ã O P E R C E B ID A P E L O S E R V ID O R P Ú B L IC O .

• Súmula vinculante. • Data: 1°.7.2009:% Referência legislativa: CF/1988, arts. 7o, IV, 39. § § 2 a (redação anterior à EC
19/1998} e § 3°. EC 19/1998.*P receden tes: R E 582019 RC-QO, DJe 30, em 13.2.2009. A l 601522 AgR. DJe 121.em 11.10.2007.
A l 492967 AgR, D) 8.4.2005. R E 265129, DJ 14.11.2002. R E 197072, DJ 8.6.2001. R E 199098, DJ 18.5.2001.
t.

O STF, por meia desta súmula vinculante, reafirmasuá consolidada jurisprudência,


que reconhece ser o total da remuneração do servidor público o valor a ser comparado
ao salário-mínimo, fixado em lei e unificado nacionalmente, para assegurar ao trabalha­
dor e a sua família a satisfação das necessidades vitais básicas com moradia, alimenta­
ção, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.

Para a Corte, como o servidor público não recebe apenas o vencimento-base, mas
a remuneração total (vencimentos, que compreendem o vencimento-base e demais
vantagens: adicionais e gratificações), é a essa importância que será acrescido o abo­
no salarial, se necessário for, para equipará-la ao salário-mínimo nacional.
Dessa forma, entende o Tribunal, assegura-se o princípio da autonomia da ini­
ciativa privativa do chefe do Poder Executivo, que exige a iniciativa de tal autoridade
para promover mudanças na remuneração dos servidores públicos. O abono salarial
é espécie de vantagem pecuniária, tipo de gratificação de caráter permanente, e será
incorporado aos vencimentos do servidor público, quando esse for fixado, mediante
lei própria, em valor acima do salário mínimo.

Por isso, apenas os servidores que percebam remuneração total (vencimentos)


inferior ao salário-mínimo teriam direito ao abono salarial, de modo a assegurar-lhes
uma renda mensal igual àquela provida pelo salário-mínimo nacional.

SI (...) Servidor público. Salário-base inferior ao salário mínimo. Possibilidade. Arts. 7o, IV, e 39,
5 3o (redação dada pela EC 19/98), da Constituição. I. Questão de ordem. Matéria de mérito
pacificada no STF. Repercussão geral reconhecida. Confirmação da jurisprudência. (...). II. Jul­
gamento de mérito conforme precedentes. [...]. (RE 582019 QO-RG, Rel. Min. Ricardo Lewan-
dowski, repercussão geral - mérito, DJe 13.2.2009)

IS [...] O dispositivo da Constituição do Estado de Santa Catarina que garante aos servidores
civis piso de vencimentos nunca inferior ao salário mínimo deve ser interpretado como
referido à remuneração do servidor. (...). (RE 199098, Rel. Min. limar Galvão, Pleno, DJ
18.5.2001)
Direito Administrativo 71

(9 U A razão de ser da parte final do inciso IV do artigo 7° da Carta federal - "...vedada a vin­
culação para qualquer fim," - é evitar que interesses estranhos aos versados na norma consti­
tucional venham a ter influência na fixação do valor mínimo a ser observado. (RE 197072, Rel.
Min. Marco Aurélio, Pleno, DJ 8.6.2001)

Bl (...) A decisão recorrida, ao reconhecer a servidor civil estadual direito a vencimento básico
nunca inferior ao salário mínimo, com base no art. 29, inciso I, da constituição do estado, con­
trariou orientação desta Corte de que a garantia do salário mínimo, prevista no art. 7°, inciso
IV, da Constituição Federal, sendo de aplicação obrigatória aos servidores civis, por força do
art. 39, § 2o, (redação original), da mesma Carta, deve ser entendida, neste caso, como alu­
siva ao total dos vencimentos, incorrendo em inconstitucionalidade material o dispositivo da
Constituição estadual que vincula tal garantia ao vencimento básico. (...]. (RE 265129, Rel. Min.
limar Galvão, Pleno, DJ 14.11.2002)

0 [...] Orientação do Plenário desta Corte no sentido de que o artigo 7°, IV combinado com o
artigo 39, § 2°, da Constituição do Brasil, se refere à remuneração total do servidor. (Al 492967
AgR, Rel. Min! Eros Grau, 1o Turma, DJ 8.4.2005) ' - >

► CF. A rt. 7°. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social: (...) IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unifi­
cado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia,
alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com
reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação
para qualquer fim. ► A rt 39. § 2°. Aplica-se a esses servidores o disposto no art. 7o, IV, VI,
VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII, XXIII e XXX. (revogado p/ EC 19/1998).
§ 3o. Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7o, IV, VII, VIII,
IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos dife­
renciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir.

S ú m u la V in c u la n t e n ® 1 5 - O cá lcu lo d e g r a t if ic a ç õ e s e o u t r a s v a n ta g en s d o s e r v i­

d o r P Ú B L I C O N Ã O IN C I D E S O B R E O A B O N O U T I L IZ A D O P A R A S E A T I N G I R O S A L Á R I O M ÍN IM O .

• Sú m u la v in c u la n te .• Data: 1 .7 .2 0 0 9 .* Referência legislativa: CF/1988. art. 79. IV .• Precedentes: R E S72921 RG-QO, DJe
6.2.2009. R E 512845 AgR. DJe4.4.2008. R E 51 8760AgR. 0/e 7.12.2007. R E 548983 AgR. DJe 14.11.2007. R E 4 9 0 8 7 9 A g R DJe
10.8.2007. R E 474381 AgR, DJe 29.6.2007. R E 436368 AgR. 0/ 3.3.2006. R E 439360 AgR, D J2.9.2005.

0 STF reconhece, no presente caso, que a possibilidade de computar o abono sa­


larial na base de cálculo das gratificações e das demais vantagens do servidor público
constitui utilização do salário-mínimo como indexador automático de remuneração,
ou seja, hipótese de vinculação da remuneração ao salário-mínimo expressamente
vedada no art. 7-, IV, última parte, da CF/1988.
De acordo com a Súmula Vinculante ns 16 (Vide comentários, retro), o abono sa­
larial somente é devido quando o total da remuneração do servidor público - somató­
rio do vencimento-base e gratificações - é inferior ao salário-mínimo nacional. Logo,
resta evidenciado que a determinação do abono salarial, se devido for, deve ser feito
ao final do computo das demais parcelas remuneratórias, com a anterior definição de
todas as vantagens financeiras do servidor público.
Trata-se de erro manifesto pretender incidir a gratificação eventualmente criada
ou majorada sobre o abono salarial, se este próprio abono deve ser calculado após fi­
xada a importância de todas as vantagens devidas ao servidor. Por essa razão, deve-se
Robervau Rocha _ A lbino Carlos Mauro José G.
72 Ferreira Filho • Martins V ieira 39 da Costa

ressaltar que o enunciado impede o "efeito repique" no cálculo ulterior das gratifica­
ções previstas nas leis remuneratórias posteriores do servidor público, evitando que
as gratificações e demais vantagens incidam sobre o abono salarial anteriormente
concedido.

SI [...] Servidor público. Vencimentos. Salário mínimo. Complementação por abono. Cálculo de gra­
tificações e outras vantagens sobre o abono utilizado para se atingir o salário mínimo. Impossi­
bilidade. I. Questão de ordem. Matéria de mérito pacificada no STF. Repercussão geral reconhe­
cida. Confirmação da jurisprudência. [...]. II. Julgamento de mérito conforme precedentes. [...). (RE
572921 QO-RG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, repercussão geral - mérito, DJe 6.2.2009)

SI (...) 1. É da jurisprudência do STF que a remuneração total do servidor é que não pode ser
inferior ao salário minimo (CF, art. 7o, IV). 2. Ainda que os vencimentos sejam inferiores ao
mínimo, se tal montante é acrescido de abono para atingir tal limite, não há falar em violação
dos artigos 7o, IV, e 39, 5 2o, da Constituição. 3. Inviável, ademais, a pretensão de reflexos
do referido abono no cálculo de vantagens, que implicaria vinculação constitucionalmente
vedada (CF, art. 7°, IV, parte final). (RE 439360 AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, 1‘ Turma. DJ
2.9.2005) ' ’ .

ISÍ (...) A pretensão de reflèxos do abono utilizado para atingir o salário minimo no cálculo de
vantagens individuais implicaria em vinculação constitucionalmente vedada (CF, art. 7°, inc. IV,
parte final). [...}. (RE 548983 AgR, Rel. Min. Menezes Direito, 1o Turma, DJ 14.11.2007)

BI [...] O cálculo das gratificações e outras vantagens não devem incidir sobre o vencimento
acrescido do abono, utilizado para atingir o salário mínimo, por importar vinculação vedada
pelo art. 7o, IV, da Constituição. [...]. (RE 490879 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 1o Turma,
DJ 10.8.2007)

► CF. A rt 7®. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social: (...) IV - salário minimo, fixado em lei, nacionalmente unifi-
' ’ cado) capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de su.a família com moradia,
' alihnentação,; educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com
reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação
para qualquer fim.

S ú m u l a V in c u l a n t e n s 4 - S a lv o n o s c a s o s p r e v i s t o s na Co n s t it u iç ã o , o s a l á r io
M ÍN IM O N ÃO P O D E S E R U S A D O C O M O IN D E X A D O R D E B A S E D E C Á LC U LO D E V A N T A G E M D E S E R V I­

D O R P Ú B L I C O O U D E E M P R E G A D O , N E M S E R S U B S T I T U Í D O P O R D E C IS Ã O J U D I C I A L .

• S ú m u la v i n c u la n t e . • D ata: 30,4.2008. • Referência legislativa: CF/88, arts. 7 ,lV e X X III; 39, § § l 9 e 3 9: 42, § l 9: 142. § 3 ° ,
X. • Precedentes: R E S6S714, DJe 8.8.2008. R E 439035, DJe 28.3.2008. R E 338760, DJ 28.6.2002. R E 221234. DJ S.S.2000. R E
217700, DJ 17.12.1999. R E 208684, DJ 18.6.1999. R E 236396, DJ 20.11.1998

O art. 7S, IV, in fine da Constituição, proíbe a vinculação do salário mínimo para
qualquer fim de indexação econômica, visando impedir pressões financeiras ou polí­
ticas que levem a reajustes menores no salário mínimo. Há diversos precedentes da
Corte, adiante exemplificativamente transcritos, que não aceitam a utilização do salá­
rio mínimo como indexador, seja de vencimentos, abonos, pensões, indenizações etc.
No julgamento do RE 565714/SP (primeiro Recurso Extraordinário com reper­
cussão geral apreciado pela Corte), o STF negou provimento ao recurso, entendendo
que a vinculação do adicional de insalubridade ao salário mínimo ofende o art. 7-, IV,
Direito Administrativo 73

da Constituição Federal, ressalvando, entretanto, que a alteração da base de cálculo


dessa vantagem, por via de interpretação jurídica, não é possível.
Decorrente deste julgado, exarou, no mesmo dia, o enunciado sumular em comen­
to, de forma mais abrangente, englobando quaisquer vantagens conferidas a servidor
público ou empregado.
Para a Corte, mesmo que o salário mínimo não possa ser usado como fator de
indexação, não pode ocorrer a substituição da base de cálculo da vantagem por
meio de simples interpretação judicial da legislação, mas apenas por meio de lei
ordinária. Foi a forma encontrada para solucionar os casos pendentes em litígio,
reconhecendo a inconstitucionalidade das normas indexadoras sem causar prejuízo
aos autores, que poderíam deixar de receber as vantagens por falta de uma base de
cálculo.
Dessa forma, o STF enuncia que as vantagens porventura indexadas serão cal­
culadas ?obre o valor, em reais, do salário mínimo vigente na data do trânsito em
julgado das respectivas ações, cabendo à lei ordinária fixar bs critérios de atualização.
Assim, os servidores atingidos pela súmula continuarão a receber exatamente como
recebem hoje. Para tanto, fixou-se calcular o valor do "salário mínimo na dà'ta do'trân-
sito em julgado da ação. A partir daí, esse valor fica desindexado do salário mínimo e
passa a ser atualizado de acordo com lei que venha a regular o tema.

IS [...] 1. O STF, no julgamento do RE 565714... reconheceu a proibição constitucional de utilização


do salário mínimo como base de cálculo para qualquer vantagem de servidor público ou de
empregado. Mais: decidiu que a base de cálculo existente era de. ser mantida até que nova
legislação a alterasse. Nessa mesma assentada, editou ainda a Súmula Vinculante 4 [...]. (RE
575668'AgR, Rel. Min. Ayres Britto, 2a T„ DJe 16.12.2011)

SI T...1 O Plenário deste Tribunal, apreciando o RE 565714... decidiu não’ser legítimo o çálculo do
adicional de insalubridade com base no valor da remuneração percebida pelo servidor. No
entanto, apesar de se também reconhecer a proibição constitucional da vinculação de qual­
quer vantagem ao salário mínimo, o Supremo entendeu que o Judiciário não poderia subs­
tituir a base de cálculo do benefício, sob pena de atuar como legislador positivo. [...]. (RE
642633 AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, 2a T., DJe 24.10.2011)

g] (...]. Art. 16 da Lei 7.394/1985. Piso salarial dos técnicos em radiologia. Adicional de insalubri­
dade. Vinculação ao salário mínimo. Súmula Vinculante 4. Impossibilidade de fixação de piso
salarial com base em múltiplos do salário mínimo. [...]. 2. Ilegitimidade da norma. Nova base
de cálculo. Impossibilidade de fixação pelo Poder Judiciário. [...]. Necessidade de manutenção
dos critérios estabelecidos. O art. 16 da Lei 7.394/1985 deve ser declarado ilegítimo, por não
recepção, mas os critérios estabelecidos pela referida lei devem continuar sendo aplicados,
até que sobrevenha norma que fixe nova base de cálculo, seja lei federal, editada pelo Con­
gresso Nacional, sejam convenções ou acordos coletivos de trabalho, ou, ainda, lei estadual,
editada conforme delegação prevista na LC 103/2000. 3. Congelamento da base de cálculo em
questão, para que seja calculada de acordo com o valor de dois salários mínimos vigentes na
data do trânsito em julgado desta decisão, de modo a desindexar o salário mínimo. Solução
que, a um só tempo, repele do ordenamento jurídico lei incompatível com a Constituição
atual, não deixe um vácuo legislativo que acabaria por eliminar direitos dos trabalhadores,
mas também não esvazia o conteúdo da decisão proferida por este STF. (...]. (ADPF 151 MC,
Rel. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, Pleno, DJe 6.5.2011)
Roberval Rocha A lbino C arlos M a u r o J o sé G.
74 Ferreira Filho Martins V ieira d a C o st a

® [...] 2. Decreto estadual que vinculava os vencimentos dos servidores da autarquia estadual ao
salário mínimo. 3. Utilização do salário minimo como fator de reajuste automático de remu­
neração dos servidores da autarquia estadual. Vedação expressa veiculada pela Constituição
do Brasil. Afronta ao disposto no artigo 7o, inciso IV, da CB/88. 4. Liminar deferida por esta
Corte em 7 de setembro de 2.005. 5. Arguição de descumprimento de preceito fundamental
julgada procedente para declarar o não-recebimento, pela Constituição do Brasil, do artigo 2o
do decreto n. 4.726/87 do Estado do Pará. (STF. Plenário. ADPF 47/PA. Rel.: Min. Eros Grau. DJE
18.4.2008)

@ [...] A vinculação ao salário mínimo do adicional de insalubridade previsto na LC n° 432/85-SP


ofende o art. 7o, IV, da Constituição Federal. (STF. 2a Turma. RE-AgR 561378/SP. Rel.: Min. Cezar
Peluso. DJE 18.4.2008)

SI [•■■] 1 . A inclusão do abono utilizado para atingir o salário-mínimo, na base de cálculo de grati­
ficações ou outras vantagens pessoais, consubstancia vinculação vedada pela Constituição do
Brasil. [...]. (STF. 2a Turma. RE-AgR-ED 482274/RN. Rel.: Mirr^Eros Grau. DJE 22.2.2008) .

Bl [...] O cálculo das gratificações e outras vantagens dão de'vem incidir sobre õv vencimento
acrescido do abono, utilizado para atingir o salário mínimo, por importar vinculação vedada
pelo art. 7o, IV, da Constituição. [...]. (STF. 1a Turma. RE-AgR 546277/RN. Rel.: Min. Ricardo
Lewandowski. DJ 19.12.2007)

S (...) O art. 7°, IV, da Constituição Federal, refere-se à remuneração, e não somente ao salário-
-base. [...]. (STF. 2a Turma. RE-AgR 503874/RN. Rel.: Min. Cezar Peluso. DJ 30.11.2007)

© [...] 1. A pretensão de reflexos do abono utilizado para atingir o salário minimo no cálculo de
vantagens individuais implicaria em vinculação constitucionalmente vedada (CF, art. 7°, inc. IV,
■ parte final). (...]. (STF. 1a Turma. RE-AgR 548983/RN. Rel.: Min. Menezes Direito. DJ 14.11.2007)

© (...) 1. E da jurisprudência do STF que a remuneração total do servidor é que não pode ser
inferior ao salário mínimo (CF, art. 7°, IV). 2. Ainda que os vencimentos sejam inferiores ao
mínimo, se tal montante é acrescido de abono para atingir tal limite, não há falar em violação
dos artigos 7°, IV, e 39, 5 2°, da Constituição. 3. Inviável, ademais, a pretensão de reflexos
do referido abono no cálculo de vantagens, que implicaria vinculação constitucionalmente
vedada (CF, art. 7o, IV, parte final). (...]. (STF. I a Turma. RE-AgR S11986/RN. Rel.: Min. Sepúlveda
Pertence. DJ 6.9.2007)

© (...) A incidência de vantagem sobre abono variável, criado para complementar a remunera­
ção do servidor que receba abaixo do salário mínimo, resulta na vinculação expressamente
vedada pela parte final do inciso IV do artigo 7o da Lei Maior. Isto em razão do acréscimo
sofrido pelo abono, toda vez que se majora o salário mínimo legal. (...]. (STF. I a Turma. RE-AgR
489947/RN. Rel.: Min. Carlos Britto. DJ 25.S.2007)

© (...) Diante da vedação contida no art. 7°, inciso IV, da Carta Magna, não é possível a vincu­
lação do salário-mínimo para qualquer fim. É possível que o vencimento-básico do servidor
seja inferior ao mínimo, desde que o montante total da remuneração seja igual ou superior ao
salário-mínimo. [...]. (STJ. 5a Turma. RMS 17697/PR. Rel.: Min. Felix Fischer. DJ 2.8.2004)

® (...) A Constituição Federal de 1988, em seu art. 7°, inciso IV, parte final, veda a indexação do
vencimento básico de servidor público a salário mínimo. (...). (STJ. 5a Turma. RMS 19525/RJ.
Rel.: Min. Gilson Dipp. DJ 2.5.2005)
Direito A dministrativo 75

► CF/1988. A r t 7o. São direitos dos traba hadores urbanos e rurais, além de outros que
visem à melhoria de sua condição social: [...] IV - salário mínimo, flxadó em leí, nacionàl-
mente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família
com moradia, alimentação, educação, saúde, lazeç vestuário, higiene,, transporte e previ­
dência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada
sua vinculação para qualquer fim. ► Art. 39. § 3o. Aplica-se aos servidores ocupantes de
cargo público o disposto no art. 7o, IV [...].

SÚMULA N® 6 8 2 - NÃO OFENDE A CONSTITUIÇÃD A CORREÇÃO MONETÁRIA NO PAGAMENTO COM


ATRASO DOS VENCIMENTOS DE SERVIDORES PÚBLICOS.

• S ú m u la a p lic á v e l.» Doto: 24.9.2003. • Precedentes: R E 107974. DJ 23.5.1986; R E 134230, Dl 16.8.1991; R E 135101. DJ
12.6.1992; A l 132379 AgR. D] 19.6.1992; ADI 176, DJ 9.10.1992; ADI 144 MC, DJ 26.3.1993; R E 146660 AgR, DJ 7.S.1993; R E
135313, DJ 25.B.1995; A l 138974 AgR, DJ 27.10.1995; A l 163936 AgR, DJ 162.1956.

Para o STF, a natureza alimentar dos vencimentos dos servidores públicos exige a
correção de sua expressão monetária em caso de atraso no recebimento.

BI [...] Rege-se pelo direito administrativo, comoreendico na competência legislativa dos Estados,
a obrigação, propriamente dita, da satisfação de vercimentos e,provéntos. Mas inadimplente
o devedor, transforma-se em responsabil aade essa obrigação originária, com novo conte­
údo informado pelo princípio da inteireza do ressardmento cuja regência ultracassa o campo
normativo do direito administrativo, legitimandc-se a correção monetária, pelos critérios do
direito comum. (STF. I a Turma. AI-AgR 163936/RS. Rel.. Min. Octávio Gallotti. DJ 16.2.1996)

@ [...] Correção monetária de vencimentos em atraso. A decisão que a concede não fere o prin­
cípio da irretroatividade das leis, nem o da reserva legal, tampouco o da separação des Pode­
res, visto que, antes de a Constituição paulista de 1989 vir a reconhecer o caráter alimen­
tar das dívidas daquela natureza, já o Supremo Tritunal admitia a atualização em causa (RE
108835, ERE 107794). (STF. 1a Turma.' RE 135313/SP. Rel.: Min. Octávio Gallotti. DJ 25.8.199S)

H [...] Correção monetária. Vencimentos. Gati hos. Extemporaneidadé. - Os vencimentos tem


nítido caráter alimentar. Visando os chamados gatilhos a reposição do poder aquisitivo por
eles revelado, a satisfação tardia atrai a incidência da correção monetária, sob pena ce esva­
ziar-se o objetivo do instituto. Do Estado espera-se procecimento exemplar, consentâneo com
a ordem jurídica em vigor, o que não se vehfica quando retarda a satisfação dos vencimen­
tos considerados os percentuais relativos aos reajustes, mpondo-se no caso, com base na
legislação atinente a estes últimos, reconhecer o direito à correção monetária sob pena de
consagrar-se algo que sempre se mostrou alvo de criticas - o enriquecimento sem causa. (STF.
2a Turma. RE-AgR 146660/SP. Rel.: Min. Marco Aurélio. DJ 7.5 1993)

® [■
■■] Funcionário público. Correção monetária. Incidência sobre diferenças de vencimentos
pagas com atraso. [...]. Cabe a atualização monetária sobre parcelas de vencimentos pagas
com atraso, diante da natureza alimentar destes. Jurisprudência há muito consolidada a res­
peito. [...]. (STF. 1a Turma. AI-AgR 132379/PR. Rel.: Min. limar Galvão. DJ 19.6.1992;

SÚMULA N® 6 8 1 - É INCONSTITUCIONAL A VINCULAÇÃO DO REAJUSTE DE VENCIMENTOS DE SER­


VIDORES ESTADUAIS OU MUNICIPAIS A ÍNDICES FEDERAIS D E CORREÇÃO MONETÁRIA.•

• Súmula a p lic á v e l.» Data: 2 4 .9 .2 0 0 3 .9 Referência legislativa: CP/88, arts. 25 e 61, § 1 !, II, a. • Precedentes: ADi 2 8 5 MC,
DJ 29.6.1990; ADI 377 MC, D] 23.11.1990; A D I 691 MC, DJ 15.61992; ADI 43 7 MC, DJ 19.2.1993; A D I287 MC. DJ 7.5.1993; RE
145018, DJ 10.9.1993; A D I 464, DJ 19.12.1994; R E 179554, DJ 2.6.1995; AO 253, DJ 24.11.199S; R E 166581, D J30.8.1996; ADI
1064, DJ 26.9.1997; R E 229397. DJ 9.4.1999; A D I2050 MC, Dl J 9. 10.1999- ADi 303 MC, DJ 6.9.2002.
Roberval Rocha , Albino Carlos Mauro José G.
76 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

Segundo a Corte, os índices de correção monetária, por serem fixados pela União,
implicam, caso sua adoção acarrete reajuste vinculado (automático) para servidores
de outras esferas federativas, aviltamento da autonomia desses entes, submetidos
que estariam a normas estranhas a seus respectivos poderes legislativos.

Posteriormente, o conteúdo do enunciado foi transformado na Súmula Vinculante


ns 42.

® U 5 , A Lei n° 9.064 e a Resolução 2.233, ambas de 1990, ao vincularem os vencimentos de


servidores estaduais a índices fornecidos por órgãos e entidades federais, violam o princípio
federativo e da autonomia dos Estados. [...]. (STF. Plenário. ADI 303/RS. Rel.: Min. Gilmar Men­
des. DJ 14.2.2003)

© [...] 3. É inconstitucional a norma de lei local que vincula a índice federal o cálculo de despesa
com servidores públicos estaduais. [...]. (STF. Plenário. ADI-MC 2050/RO. Rel.: Min. Mauricio
Corrêa. DJ 1.10.1999)

SI .[...] Klorma que, de outra parte, institui vinculação de vencimentos de servidores estaduais a
,.indicel ditado pelo Governo Federal, garantindo-lhes reajustamento automáticp, independen­
temente de lei específica do Estado, contrariando a norma do art. 37, XIII, da CF e ofendendo
a autonomia do Estado-membro. [...]. (STF. Plenário. ADI 1064/MS. Rel.: Min. limar Galvão. DJ,
26.9.1997)

BI U I . A lei estadual, que determina que o reajuste da remuneração dos servidores fica vincu­
lado automaticamente á variação do IPC, é inconstitucional, por atentar contra a autonomia
estadual em matéria que diz respeito a seu peculiar interesse. [...]. (STF. 2a Turma. RE 166581/
ES. Rel.: Min. Maurício Corrêa. DJ 30.8.1996)

SI [■••) Lei municipal, que determina que o reajuste da remuneração dos servidores do Município
fica- vinculado automaticamente a variação do IPC, é inconstitucional, por atentar contra a
autonomia do Município em matéria que diz respeito a seu peculiar interesse.' (...]. (STF. Pleno.
RE 145018/RJ. Rel.: Min. Moreira Alves. DJ 10.9.1993)

W [...] Reajuste automático de vencimentos dos servidores do estado, vinculado mensalmente ao


coeficiente de crescimento nominal da arrecadação do ICMS [...] e a indexador federal - IPC
[...] 2. Inconstitucionalidade das disposições legais impugnadas porque ferem a um só tempo
os seguintes preceitos constitucionais: [...] b) autonomia do Estado, por ficar submisso a Índice
de correção monetária fixado pela União (CF/69, art. 13; CF/88, art. 25); c) proibição de vin­
culação de qualquer natureza para efeito de remuneração do pessoal do serviço público, ao
conceder reajuste automático (CF/69, art. 98, par. único; CF/88, art. 37, XIII), e d) proibição de
vinculação da receita de impostos a despesa (CF/88, art. 167, IV). [...]. (STF. Pleno. AO 317/SC.
Rel.: Min. Maurício Corrêa. DJ 15.12.1995)

S Ú M U L A N® 680 - O D I R E I T O A O A U X Í L IO -A L IM E N T A Ç Ã O N Ã O S E E S T E N D E A O S S E R V I D O R E S IN A ­

T IV O S .

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 24.9.2003. • Referência legislativa: CF/88, art. 40, § 4 ‘ . • Precedentes: R E 220048, DJ 6.2.1998;
R E 220713, DJ 13.2.1998; R E 228083, D J25.6.1999; R E 231389, D J25.6.1999; R E 236449, DJ 6.8.1999.

O auxílio-alimentação (assim como o auxílio-combustível, diárias, ajuda de custo,


etc.) tem natureza indenizatória, prestado aos servidores da ativa, daí ser descabida a
pretensão de recebimento desse tipo de verba pelos inativos.
Direito Administrativo 77

0 (...) 2. Adicional de etapa alimentar. Extensão aos militares inativos. Impossibilidade. Verba de
natureza indenizatória. Inexistência de caráter genérico. [...). (STF. 2a Turma. RE 411998/SE. Rel.:
Min. Gilmar Mendes. DJ 10.2.2006)

0 (...] Administrativo. Vale-alimentação instituído para os servidores em atividade pela Lei n°


7.S32/94, do Município de Porto Alegre. Pretendida extensão aos servidores inativados. Bene­
ficio que a lei em tela restringiu aos servidores no exercício de suas funções, não se incorpo­
rando, por isso mesmo, à respectiva remuneração e, por óbvio, aos proventos da inatividade.
[...]. (STF. I a Turma. RE 228083/RS. Rel.: Min. limar Galvâo. DJ 25.6.1999)

BI (...) o direito ao vale-refeição e ao auxílio-alimentação não se estende aos inativos e pen­


sionistas, vez que se trata de verba indenizatória destinada a cobrir os custos de refeição
devida exclusivamente ao servidor que se encontrar no exercício de suas funções, não se
incorporando à remuneração nem aos proventos de aposentadoria. (...). (STF. 2a Turma. AI-AgR
58661S/PR. Rel.: Min. Eros Grau. DJ 1.9.2006)

0 (...) 3. Sendo assim, é procedente a ação em que se pleiteia pensão correspondente à totali­
dade dos vencimentos ou proventos do servidor. 4. A procedência, porém, é parcial, no caso,
. .pois a pretensão relativa ao "vale-alimentação" é descabida. (...). (STF. 1a Turma. RE 220713/RS.
Rel.: Min. Sydney Sanches. DJ 13.2.1998)

SÚMULA N- 6 7 2 - O REAJUSTE DE 2 8 , 8 6 % , CONCEDIDO AOS SERVIDORES MILITARES PELAS


L e i s 8 .6 2 2 / 9 3 e 8 .6 2 7 / 9 3 , e s t e n d e - s e a o s s e r v i d o r e s c i v i s d o P o d e r E x e c u t i v o , o b s e r ­
vad as a s e v e n t u a is co m pen sa çõ es d ec o r r en tes d o s r e a ju s t e s d if e r e n c ia d o s c o n c e ­

d id o s P ELO S m e s m o s d ip l o m a s l e g a is .

• Sú m u la a p lic á v e l.* P ara: 24.9.2003. % Referência legislativa: CF/88, a r t 37. X. I.ei n9 8.622/1993. Lei n9 8.6 27/199 3.0
Precedentes: RM S 22307. D] 13.6.1997; R E 217779, D] 14.11.1997: RM S 22307 ED, DJ 26.61998: RE'229162, DJ 4.9.1998; R E
236968, DJ 11.12.1998; A l 232233 AgR, DJ 14.S.1999; R E 21 1552 , DJ 13.8.1999; R E 224326. D J8.10.1999; R E 246606 AgR. DJ
15.10.1999; R E23 49S7. DJ 17.12.1999.

Para o STF, os aumentos concedidos aos militares, pelas leis referidas nessa sú­
mula, caracterizaram revisão geral de vencimentos e, como tal, deveríam ser estendi­
dos aos demais servidores federais, deduzidas as compensações com os percentuais
conferidos pelas mesmas leis.

0 (...) Direito constitucional e administrativo. Servidores públicos. Vencimentos. Reajuste de


28,86%, concedido a militares. Extensão aos civis. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal,
no julgamento do RMS n° 22.307, por maioria de votos, firmou entendimento no sentido de
que caracterizou revisão geral da remuneração dos servidores militares o reajuste previsto na
Lei n° 8.622/93. E que, por isso, nos termos do inc. X do art. 37 da C.F./88, é extensível aos
servidores civis. 2. Posteriormente, Embargos Declaratórios foram opostos ao mesmo aresto,
e recebidos, em parte, ou seja, apenas para se determinar a compensação do reajuste defe­
rido com outros concedidos, pela Lei n° 8.627/93. [...]. (STF. 1a Turma. RE 234742/SP. Rel.: Min.
Sydney Sanches. DJ 17.12.1999)

0 [...] Servidor público civil. Reajuste de vencimentos. índice de 28,86%. Isonomia. Militar.
2. O plenário do STF no julgamento do RMS n° 22.307-DF, por maioria, estendeu aos ser­
vidores civis o reajuste geral decorrente das Leis n°s 8.622 e 8.627. 3. Na espécie, não se
discutiu, no acórdão recorrido, ou em embargos de declaração, qualquer tema sobre com­
pensação de valores já concedidos com base nas leis em foco, no que concerne ao per­
centual em referência. (...]. (STF. 2a Turma. RE-AgR 219711/MG. Rel.: Min. Néri da Silveira.
DJ 1.10.1999)
Robbrval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
78 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

13 [...] Revisão de vencimentos (CF, art. 37, X): extensão do reajuste de 28,86% concedido pelas
LL. 8.622/93 e 8.627/93 aos servidores militares: acórdão recorrido que, na linha da decisão
plenária do STF no RMS 22.307, reconheceu o direito ao reajuste, sem, contudo, cogitar da
subtração do que houvesse sido concedido a cada servidor, questão, aliás, não suscitada pela
União, mediante embargos de declaração, como aqui ocorreu. (STF. 1a Turma. AI-AgR 232233/
DF. Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 14.5.1999)

18 (...] Revisão de vencimentos. Isonomia. "A revisão geral de remuneração dos servidores públicos,
sem distinção de índices entre servidores públicos civis e militares, far-se-á sempre na mesma
data" - inciso X - sendo irredutíveis, sob o ângulo não simplesmente da forma (valor nominal),
mas real (poder aquisitivo) os vencimentos dos servidores públicos civis e militares - inciso XV,
ambos do artigo 37 da Constituição Federal. RMS 22307/DF. Rel.: Min. Marco Aurélio. DJ 13.6.1997)

Bl [...] 1. A jurisprudência do STJ, seguindo a orientação do STF, reconhece o direito dos servi­
dores públicos civis ao reajuste em seus vencimentos no índice de 28,86%, concedido pelas
leis 8.622/93 e 8.627/93, devendo-se do referido reajuste, todavia, deduzir o percentual de
aumento já concedido a este título. 2. Conforme teor do Enunciado Sumular 672/STF, apenas
os reajustes concedidos pelas leis 8.622/1993 e 8.627/1993 são passíveis de dedução. 3. Por
consequência, quaisquer reajustamentos posteriores,, inclusive os-concèdidos a título de evo-
' ' lução funcional, por força da sua natureza, em nada repercutem na dedução do reajuste de
28,86%. [...]. (STJ, REsp 1254076/RS,. Rel. Min. Herman Benjamirv, 2a T„- DJe 31.8.2011)

SÚMULA N2 6 7 1 - Os SERVIDORES PÚBLICOS E OS TRABALHADORES EM GERAL TÊM DIREITO, NO


QUE CONCERNE À URP DE ABRIL/MAIO DE 1 9 8 8 , APENAS AO VALOR CORRESPONDENTE A 7 / 3 0
DE 1 6 ,1 9 % SOBRE OS VENCIMENTOS E SALÁRIOS PERTINENTES AOS MESES DE ABRIL E MAIO DE
1 9 8 8 , NÃO CUMULATIVA MENTE, DEVIDAMENTE CORRIGIDO ATÉ O EFETIVO PAGAMENTO.
• S ú m u la a p lic á v e l.» Data: 24 .9.200 3.*R eferên cia leg isla tiva:D L n v2.335/2987. art. 8 9. DL n v 2.425/1998. art. l 9.mPrece-
dentes: R E 146749, DJ 18.11.1994; R E 219533. D J20.3.1998; R E 223205, DJ 30.4.1998; R E 220798. D J29.5.1998; R E 220913,
DJ 29.5.1998; R E 226935, DJ 7.8.1998: R E 227116, DJ 11.9.1998; R E 224160, DJ 23.10.1998; R E 229042. DJ 9.4.1999.

Trata-se de súmula editada já sob a CF/88, que reconheceu aos servidores públi­
cos o direito de recuperação de perdas salariais provocadas por regras exaradas em
plano econômico adotado pelo governo federal.

13 (...] (1) Diferenças salariais resultantes de planos econômicos (2) URP's de abril e maio de 1988
(3) Jurisprudência do Tribunal no sentido de não estender o valor de 7/30 (sete trinta avos) do
percentual de 16,19% aos meses de junho e julho de 1988.(...]. (STF. 2a Turma. RE 229042/MG.
Rel.: Min. Nelson Jobim. DJ 9.4.1999)

Bl (...) Decreto-lei n° 2.425/88. URP referente aos meses de abril e maio de 1988. Reajuste. Direito
adquirido. Inconstitucionalidade. 1 - 0 Plenário desta Corte, ao apreciar a questão do reajuste
previsto no Decreto-lei n° 2.335/87, reiterou o entendimento de que não há direito adquirido a
vencimentos de funcionários públicos, nem a regime jurídico instituído por lei. Em se tratando
de norma de aplicação imediata, esta não alcança vencimentos já pagos ou devidos "pro labore
facto". Inconstitucionalidade inexistente. 2 - Decreto-lei n° 2.425/88 que, suspendendo o paga­
mento da URP prevista em Decreto-lei precedente, entrou em vigência em 8 de abril de 1988.
Existência de contraprestação de serviço. Direito adquirido ao reajuste referente aos dias efeti­
vamente trabalhados. [...]. (STF. 2a Turma. RE 223205/RN. Rel.: Min. Maurício Corrêa. DJ 30.4.1998)

® (...) Vencimentos. Reajustes. URPs. Abril e maio de 1988. Na dicção da ilustrada, em relação à
qual guardo reservas, o direito ao reajuste restringe-se ao valor correspondente a 7/30 avos
de 16,19% sobre os vencimentos de abril e maio de 1988, não cumulativamente, corrigidos
monetariamente desde a data em que se tornarem devidos até o efetivo pagamento. (...). (STF.
2a Turma. RE 189255/DF. Rel.: Min. Marco Aurélio. DJ 8.9.1995)
Direito Administrativo 79

SI [■
■•] Trabalhista. Planos Econômicos. URP's de junho e julho de 1988. Precedentes pela não
extensão do percentual de 7/30 (sete trinta avos) dos meses de abril e maio de 1988. [...]. (STF.
2a Turma. RE 273886/DF. Rel. p/ acórdão: Min. Nelson Jobim. DJ 20.9.2002)

SI [...] Recentemente, o Plenário desta Corte, ao julgar o RE n. 146749, decidiu que, não havendo
direito adquirido a vencimentos nem a regime juridico, o artigo 1°, "caput", do Decreto-lei
2.425/88 e de aplicação imediata, tendo os funcionários direito apenas ao reajuste, calculado
pelo sistema do artigo 8°, § 1°, do Decreto-lei 2.335, com relação aos dias do mês de abril
anteriores ao da publicação daquele Decreto-lei (ou seja, os sete primeiros dias do mês de
abril de 1988, uma vez que o referido artigo 1°, "caput", entrou em vigor no dia oito de abril
de 1988, data em que foi publicado, pois não sofreu alteração na republicação feita no dia
onze do mesmo mês), bem como ao de igual valor, não cumulativamente, no mês de maio
seguinte. (STF. 1a Turma. RE 180114/PI. Rel.: Min. Moreira Alves. DJ 4.8.1995)

3 [...] 1. É firme a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no Plenário e nas Turmas, no


sentido de que não há direito adquirido ao reajuste de 26,05%, referente à U.R.P. de fevereiro
de 1989. 2. E, quanto a U.R.P. de abril/maio de 1988, o Plenário e as Turmas têm decidido que
os servidores fazem jus, tão-somente, ao valpr correspondente a 7/30 (sete trinta avos) de
16,19% sobre os vencimentos de abril e maio de 1988, não cufnulativ&mente, mas corrigidos
monetariamente desde a data em que eram devidos até seu efetivo pagamento. 3. Observa­
dos os precedentes, o RE é conhecido e provido parcialmente, para deoegaçãô-do reajuste
de 26,05% e, quanto ao de 16,19%, para reduzi-lo a 7/30 (sete trinta avos) (desse percentual)
sobre os vencimentos de abril e maio de 1988, na forma referida no item anterior. (STF. 1a
Turma. RE 179760/AC. Rel.: Min. Sydney Sanches. DJ 4.8.1995)

Sú m u la n 9 359 - R e ssa l v a d a a r e v is ã o p r e v i s t a e m l e i , o s p r o v e n t o s da in a t iv id a d e
REGULAM-SE PELA LEI VIGENTE AO TEMPO EM QUE O MILITAR, OU O SERVIDOR CIVIL, REUNIU OS
REQUISITOS NECESSÁRIOS.

• Súmula aplicável. • Data: 1 3 .1 2 .1 9 6 3 .9 Referência legislativa: CF/1946, art. 193. Lei ns 2.622/1955. • Precedentes: R E
35059 embargos, DJ 13.4.1961; RM S 9813, DJ 20.3.1963: RM S 10870, Dj 11.7.1963; RMS 10609, DJ 1F.8.1963; RM S 11282, D f.
12.9.1963; RM S 9614, DJ 1*8.1963.

Consumado o prazo fixado para determinada aposentadoria, surge para o servi­


dor o direito adquirido ao benefício. Em face disso, pacificou-se, há muito, o entendi­
mento de que o direito à aposentadoria rege-se pela lei da época em que o servidor
reuniu os requisitos para sua obtenção, ainda que, por ser possível, não tenha formu­
lado o respectivo pedido35. É esse o sentido do enunciado.
Vale registrar que o texto dessa súmula foi alterado no julgamento dos RE-em-
bargos 72509/PR, adiante transcrito, que lhe suprimiu as palavras finais "inclusive a
apresentação do requerimento, quando a inatividade for voluntária", porque, para a
Corte Suprema, a afirmação do direito à aposentadoria conduz ao direito adquirido.
Assim, se já houve aquisição desse direito, não pode estar condicionado a outra exi­
gência.36

35. CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 16. ed. rev., atual., ampl. Rio
de Janeiro: Lumen Júris, 2006, p. 590.
36. ROSAS, Roberto. Direito sumular - comentários às súmulas do Supremo Tribunal Federal e do Supe­
rior Tribunal de justiça. 13. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 156.
Roserval Rocha Albino Carlos Mauro J osé G.
80 Ferreira Filho ^ Martins V ieira v da Costa

© Aposentadoria. Proventos. Cálculo. Cumpre observar o quadro mais favorável ao beneficiá­


rio, pouco importando o decesso remuneratório ocorrido em data posterior ao implemento
das condições legais. Considerações sobre o instituto do direito adquirido, na voz abalizada
da relatora, subscritas pela maioria. (RE 630501, Repercussão geral - mérito, Rel. p/ ac. Min.
Marco Aurélio, Pleno, DJe 26.8.2013)

© (...) I. Tendo o autor optado, por sua exclusiva conveniência, pela aposentadoria integral, não
pode a sua renda mensal ser calculada em data anterior, quando fazia jus à aposentadoria
proporcional ao tempo de serviço. [...). II. Não há qualquer contrariedade à Súmula 359/STF,
porquanto tal enunciado pressupõe alterações legislativas previdenciárias, os quais importem
em evidente prejuízo ao beneficiário que cumpriu os necessários requisitos à inatividade, em
momento anterior, quando havia legislação mais favorável ao segurado. [...). (Al 810744 AgR,
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 1a T„ DJe 1.2.2011)

© (...) 1. Servidor público: direito adquirido à contagem especial de tempo de serviço prestado
em condições insalubres, vinculado ao regime geral da previdência, antes de sua transfor­
mação em estatutário, para fins de aposentadoria: o computo do tempo de serviço e os
seus efeitos jurídicos regem-se pela lei vigente quando da sua prestação: incidência, mutqtis
mutandis, da' Súmula 359. [...], (STF. 1a Turma. RE-AgR 463299/PB. Rel.: Min. Sepúlveda Per­
tence. DJ 17.8.£007)

© (...) Benefício da pensão por morte. Concessão anterior à Lei n. 9.032/95. Impossibilidade de
retroação. Súmula 359 do Supremo Tribunal Federal. (...]. 1. Em matéria previdenciária, a juris­
prudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de que a lei de regência é a
vigente no tempo de concessão do benefício (tempus regit actum). 2. Lei nova (Lei n. 9.032/95
para os beneficiados antes do seu advento e Lei n. 8.213 para aqueles que obtiveram a con­
cessão em data anterior a 1991), que não tenha fixado a retroatividade de seus efeitos para
os casos anteriormente aperfeiçoados, submete-se à exigência normativa estabelecida no
art. 195, 5 5°, da Constituição: "Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser
criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total." (STF. Pleno. RE
420532/SC. Rel.: Min. Cármen Lúcia. DJ 23.3.2007)

© (...) Servidor público: a contagem recíproca de tempo de serviço na Administração Pública e


na atividade privada para fins de adicionais é regulada de acordo com a lei vigente quando
de sua prestação: incidência, mutatis mutandis, da Súmula 359. (STF. 1a Turma. AI-AgR-AgR
600210/MG. Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 9.2.2007)

© (...) I. Servidor público: direito adquirido à contagem especial de tempo de serviço prestado
em condições insalubres, vinculado ao regime geral da previdência, antes de sua transforma­
ção em estatutário, para fins de aposentadoria: incidência, mutatis mutandis, da Súmula 359.
[...). (STF. 1a Turma. RE-AgR 306933/PR. Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 9.2.2007)

© (...) 2. Aposentadoria: a apresentação do requerimento não é pressuposto de aquisição do direito


à aposentadoria, que se dá com a reunião dos seus requisitos substanciais (cf. supressão da parte
final da Súmula 359 conforme decidido no RE 72.509-Edv„ 14.2.73, Luiz Gallotti, RTJ 64/408; EC
20/98, art. 3o). (STF. 1a Turma. RE 451836/MG. Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 13.10.2006)

© (...) Aposentadoria previdenciária. Direito adquirido. Súmula 359. - Esta Primeira Turma (assim,
nos RREE 243415, 266.927, 231167 e 258298) firmou o entendimento que assim é resumido na
ementa do acórdão do primeiro desses recursos: "Aposentadoria: proventos: direito adqui­
rido aos proventos conforme à lei regente ao tempo da reunião dos requisitos da inatividade,
ainda quando só requerida após a lei menos favorável (Súmula 359, revista): aplicabilidade a
fortiori à aposentadoria previdenciária". [...]. (STF. 1a Turma. RE 258570/RS. Rel.: Min. Moreira
Alves. DJ 19.4.2002)
Direito Administrativo 81

© (...] Previdenciário. Proventos da aposentadoria calculados com base na legislação vigente ao


tempo da reunião dos requisitos que, todavia, foram cumpridos sob o regime da lei anterior,
em que o benefício tinha por base vinte salários de contribuição em vez de dez. Alegada
ofensa ao princípio do direito adquirido. Hipótese a que também se revela aplicável - e até
com maior razão, em face de decorrer o direito de contribuições pagas ao longo de toda a
vida laborai - a Súmula 359, segundo a qual os proventos da inatividade se regulam pela lei
vigente ao tempo em que reunidos os requisitos necessários à obtenção do benefício, não
servindo de óbice à pretensão do segurado, obviamente, a circunstância de haver permane­
cido em atividade por mais alguns anos, nem o fato de a nova lei haver alterado o lapso de
tempo de apuração dos salários de contribuição, se nada impede compreenda ele os vinte
salários previstos na lei anterior. [...). (STF. 1a Turma. RE 266927/RS. Rel.: Min. limar Galvão. DJ
10. 11. 2000 )

© (...) Servidor estadual. Proventos. Vinculação. Enquadramento em novo plano de carreira.


Ausência de direito adquirido. Súmula 359. Não pode o servidor invocar a garantia do direito
adquirido para reivindicar a percepção de proventos segundo o sistema vigorante ao tempo
da inativação. A Súmula 359 trata dá reunião dos requisitos necessários para regular os pro­
ventos da inatividade, e’ não de ulteriores revisões do valor do estipêndio. [...).. (STF. 1a Turma.
: RE 159-196/SE. Rel.: Min. limar Galvão. DJ 22.9.1995)

© .• (...) *Se, na vigência da lei anterior, o funcionário preenchera todos os rêquisitbs exigidps, o
fato de, na sua vigência, não haver requerido a aposentadoria não'o faz perder 0 seu direito,
que já havia adquirido. [...]. Alteração da Súmula 359, para se suprimirem as palavras "inclusive
a apresentação do requerimento, quando a inatividade for voluntária". (STF. Pleno. RE-embar-
gos 72509/PR. Rel.: Min. Luiz Gallotti. DJ 30.3.1973)

© (...) Com efeito, se a licença-prêmio não gozada foi computada para o fim de aposentadoria
como tempo efetivo de serviço, não pode, posteriormente, ser desconsiderada para efeito do
enquadramento previsto na Lei [...]. É o que se infere dos termos da Súmula 359/STF, segundo
a qual, ressalvada a revisão prevista em lei, os proventos da inatividade serão regulados pela lei
vigente ao tempo em que o militar ou o servidor civil reuniram os requisitos necessários para
tanto. Ressalte-se que, embora o referido enunciado trate da norma aplicável para a concessão
■ do benefício, também pode ser aplicado, mutatis mutandis, à hipótese de enquadramento em
plano de carreira. (STJ, REsp 1.336.566-RS, Rel. Min. Humberto Martins, j. 7.2.2013, 2a T, Informa­
tivo 516)

SÚMULA N® 3 3 9 - NÃO CABE AO PODER JUDICIÁRIO, QUE NÃO TEM FUNÇÃO LEGISLATIVA,
AUMENTAR VENCIMENTOS DE SERVIDORES PÚBLICOS SOB FUNDAMENTO DE ISONOMIA.

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: C F /1946. arts. 36 e 65, IV. • Precedentes: B E 40914, DJ
7.4.1960; R E 42186, D J21.9.1960; R E 41794 embargos, DJ 17.8.1961; RM S9122, DJ 26.10.1961; RE47340, D J26.10.1961; R E
46948, DJ 3.5.1962; RMS 9611, DJ 22.8.1963.

A CF/88 chegou a prever, em seu texto original, que cabia à lei assegurar, aos ser­
vidores da Administração Direta, isonomia de vencimentos para cargos de atribuições
iguais ou assemelhadas do mesmo poder ou entre servidores dos poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas à
natureza ou ao local de trabalho (art. 39, § l fi).

Era o que se denominava princípio da isonomia remuneratória, que, contudo, foi


abolido pela reforma administrativa promovida pela EC ns 18/1998, responsável por
profundas alterações ao Texto Magno, dentre as quais se pode mencionar o art. 37, X,
que passou a exigir lei específica para fixar ou alterar remunerações e subsídios.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
82 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

Assim, consagrou-se, de vez, a exigência de lei para alterar ou fixar remuneração


de servidor, contrariamente ao que dispunha o texto anterior, bastante generalista:
"X - a revisão geral da remuneração dos servidores públicos, sem distinção de ín­
dices entre servidores públicos civis e militares, far-se-á sempre na mesma data".

Essa mudança de regramento, como se vê, revigorou o postulado sumular em co­


mento, que já prestigiava a separação de poderes e a função precipuamente legislativa
do manejo orçamentário da remuneração dos servidores públicos.

© (...) 1. O reajuste de vencimentos concedido aos integrantes das Forças Armadas, à base de
45%, pela Lei n. 8.237/91, não configurou um aumento geral na remuneração dos servidores
militares que autorizasse, com fundamento no art. 37, X, da CB/88, a extensão aos servidores
civis. 2. A jurisprudência do STF fixou entendimento no sentido de que "não cabe ao Poder
Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos, sob
fundamento de isonomia". Incidência da Súmula n. 339 do STF. [...]. (STF. I a Turma. RE-AgR
554604/RJ. Rel.: Min. Eros Grau. DJE 14.3.2008)
.... .......................... ).......................................................................... '' V .......................
BI u q Poder Judiciário - que não dispõe de função legislativa - não pode conceder, a servido­
res públicos, sob fundamento de isonomia, mesmo que se trate de hipótese de exclusão de
\ benefício, a extensão, por via jurisdiciorral, de vantagens pecuniárià's qpe‘ foram outorgadas,’
por lei, a determinada categoria de agentes estatais. - A Súmula 339 do Supremo Tribunal
Federal - que consagra específica projeção do princípio da separação de poderes - foi rece­
bida pela Carta Política de 1988, revestindo-se, em consequência, de plena eficácia e de inte­
gral aplicabilidade sob a vigente ordem constitucional. [...]. (STF. 2a Turma. AI-AgR 676370/ES.
Rel.: Min. Celso de Mello. DJE 22.2.2008)

© [...] 2. A norma questionada aponta para a possibilidade de serem equiparados os servido­


res de toda e qualquer fundação privada, instituída ou mantida pelo Estado, aos das funda­
ções públicas. 3. Sendo diversos os regimes jurídicos, diferentes são os direitos e os deveres
que se combinam e formam os fundamentos da relação empregaticia firmada. A equiparação
de regime, inclusive o remuneratório, que se aperfeiçoa pela equiparação de vencimentos, é
prática vedada pelo art. 37, inc. XIII, da Constituição brasileira e contrária á Súmula 339 do
Supremo Tribunal Federal. [...]. (STF. Plenário. ADI 191/RS. Rel.: Min. Cármen Lúcia. DJE 7.3.2008)

© (...) Gratificação de Encargos Especiais atribuída aos Coronéis da Polícia Militar e do Corpo de
Bombeiros Militar do Rio de Janeiro (Lei Estadual n° 279/1979/RJ). Extensão da vantagem a
titulares de patentes distintas. Impossibilidade. Vantagem concedida a grupo determinado.
[...]. Aplicação da súmula 339. [...]. (STF. 2a Turma. RE-AgR 541S42/RJ. Rel.: Min. Cezar Peluso. DJ
7.12.2007)

© [...] 4. Reenquadramento de servidores ativos em nova carreira. Princípio da isonomia. Súmula


339 do STF. Extensão a pensionista. Impossibilidade. [...). (STF. 2a Turma. AI-AgR 423652/RS.
Rel.: Min. Gilmar Mendes. DJ 3.8.2007)

© U I Proventos de aposentadoria: Constituição, art. 40, § 4° (§ 8° na redação da EC 20/98):


regra de paridade com os vencimentos do cargo correspondente que tem precisamente o
sentido de dispensar que a lei estenda ao inativo, em cada, caso, o benefício ou vantagem
que outorgue ao servidor em atividade: logo, quando incide, o dispositivo constitucional ilide
a aplicação da Súmula 339. [...]. (STF. 1a Turma. RE-AgR 407271/PA. Rel.: Min. Sepúlveda Per­
tence. DJ 29.6.2007)

© [...] 1. A jurisprudência deste Tribunal firmou-se no sentido de que "continua em vigor, em


face da atual Constituição, a Súmula 339 [...], porquanto o § 1° do artigo 39 da Carta Magna é
preceito dirigido ao legislador, a quem compete concretizar o princípio da isonomia, conside­
Direito A dministrativo 83

rando especificamente os casos de atribuições iguais ou assemelhadas, não cabendo ao Poder


Judiciário substituir-se ao legislador". [...]. (STF. 2a Turma. RE-AgR 402364/PA. Rel.: Min. Eros
Grau. DJ 18.5.2007)

© (...) II. Agentes Fiscais de Renda: inviabilidade de buscar, no recurso extraordinário, ainda que
de forma indireta, a equiparação com o adicional previsto para os Policiais Militares Rodoviá­
rios, sob fundamento de isonomia: incidência da Súmula 339. (STF. 1a Turma. RE-AgR 463530/
SP. Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 2.6.2006)

© (...) Servidor público do Município de Fortaleza: agentes fiscais de urbanismo: gratificação


denominada Retribuição Adicional Variável - RAV: isonomia: inadmissibilidade de equiparação
por decisão judicial, sob o fundamento de identidade de atribuições: independentemente de
similitude ou não das funções comparadas, o direito à isonomia de vencimentos só se efetiva
por expressa previsão legal: incidência da Súmula 339. (...). (STF. 1a Turma. RE-AgR 423877/CE.
Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 19.5.2006)

► CF. A r t 37. X— a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o 5 4o do


art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por.lei específica, observada a Iniciativa
privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data'e'sem dis- .
tinção de índices. . . ■ ■ . '

SÚMULA N2 3 8 - RECLASSIFICAÇÃO POSTERIOR À APOSENTADORIA NÃO APROVEITA AO SERVI­


DOR APOSENTADO.

• Sú m u la s u p e ra d a .• D a ta ; 13.12.1963. • Referência legislotiva: CF/1946, art. 193.•P reced en tes: RM S 9208, D) 7.12.1961;
RM S 9992, DJ 25.10.1962; RMS 10SS6. DJ 6.12.1962.

A legislação a que se referia o enunciado foi revogada. Atualmente, em face das


reformas previdenciárias promovidas pelas emendas constitucionais n9 20/1998, n9
41/2003 e n9 47/2005, a extensão dos efeitos da reclassificação do cargo ou função
aos aposentados e pensionistas dó serviço público, um dos efeitos da paridade, só é
devida aos que já tinham adquirido esse direito, bem como aos futuros aposentados
com base no art. 7- da EC n9 41/2003 ou no art. 39 da EC n9 47/2005.

BI Proventos de aposentadoria: a regra de extensão aos inativos das melhorias da remuneração


dos correspondentes servidores em atividade (CF, art. 40, 5 8°, CF. EC 20/98) não implica a per­
manente e absoluta paridade entre proventos e vencimentos, dado que nos últimos se podem
incluir vantagens pecuniárias que, por sua natureza, só podem ser atribuídas ao serviço ativo.
(STF. Pleno. ADI 575/PI. Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 25.6.1999)

SÚMULA Na 2 7 - OS SERVIDORES PÚBLICOS NÃO TÊM VENCIMENTOS IRREDUTÍVEIS, PRERROGA­


TIVA DOS MEMBROS DO PODER JUDICIÁRIO E DOS QUE LHES SÃO EQUIPARADOS.

• Sú m u la s u p e ra d a .• D a ta : 13 .12.19 63.9Referência legislativa: CF/1946, arts. 65, IV. e 9 5 ,111. Lei n° 1.711/1952, a rt. 3*.9
Precedentes: RM S 11100, D j 17.12.1963; RM S 11118, DJ 19.9.1963: RM S 11136, DJ 27.6.1963: RM S 11174, DJ 12.9.1963; RMS
11381, DJ 11.7.1963; RE43 31Sem ba rg os, DJ 1!.6.1962; R E 4 4 7 4 6 embargos, D J2.9.1961; R E 4S 101 embargos. D J26.7.1962;
R E 46996, DJ 7.12.1961; R E 47612, DJ 6.5.1965; R E 48185, DJ 28.9.1961.

Hoje, a irredutibilidade salarial é postulado constitucional, prevista tanto para os


trabalhadores da iniciativa privada (art. 7-, VI) quanto para os servidores públicos
(art. 37, XV).
Roberval Rocha A lbino Carlos . Mauro José G.
84 Ferreira Filho (ç’ Martins V ieira da Costa

Assim, o enunciado, que se refere à sistemática adotada na CF/1946, não tem


mais referência com o ordenamento jurídico atual.

► CF/1988. A r t 7o. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que
visem à melhoria de sua condição social: VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto
em convenção ou acordo coletivo. ► Art. 37. XV - o subsídio e os vencimentos dos ocu­
pantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI
e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4o, 150, II, 153, III, e 153, § 2°, I.

8 .6 . Tem po de serviço
Sú m u la n9 726 - P a r a e f e it o d e a p o s e n t a d o r ia e s p e c ia l d e p r o f e s s o r e s , n ã o s e c o m ­
pu ta o tem p o d e s e r v iç o p r e s t a d o fo r a d a sa la d e a u la .

• S ú m u la su p e ra d a .» D a ta : 26.11.2003.m Referênaa legislativa: CF/88. a rt. 40, l l l , § 5 ç.U Precedentes: A D I 152, D J24.4.1992;
A D I 122, DJ 12.6.1992; R E 131736, DJ l ’ .10.1993; R E 171694, DJ 19.4.1996; R E 276040 AgR, DJ 19.10.2001; A D I 2253 MC. DJ
26.10.2001.

• . A CF/88 deferiu a algumas carreiras do serviço público regras especiais previden-


ciárias, que constituem ressalvas dentro do sistema geral dos servidores públicos. As
reformas promovidas no regime previdenciário dos servidores públicos, conforme as
emendas constitucionais n9 20/1998, n9 41/2003 e nB 47/2005, apesar das restri­
ções adotadas, não afastaram integralmente a sobrevivência de regras37 especiais de
aposentadoria para algumas carreiras.

0 STF, em recente julgamento proferido na Adin 3772/DF, afastou a incidência


do enunciado sumular. Na ocasião, a Corte conferiu interpretação conforme ao art.
I 9 da Lei n9 11.301/2006, para reconhecer que os professores no desempenho da-s-
atividades-meio também podem ser enquadrados como beneficiários da aposentado­
ria especial, prevista no art. 40, III, § 59, da CF/1988.

Em prol da valorização dos profissionais do ensino, conforme o art. 206, V, da


CF/1988, o STF, em interpretação ampliativa, afirmou não haver violação aos ditames
constitucionais, quando se reconhece aos professores a possibilidade de exercer as
funções de magistério, mesmo fora das salas de aula, nas atividades de direção da uni­
dade escolar, coordenação e assessoramento pedagógico. De acordo com essa nova
orientação, quer exerçam as atividades-meio ou as atividades-fim do ensino, no âmbi­
to de escolas de educação infantil ou de ensino fundamental ou médio, os professores
farão jus à aposentadoria especial.

Cabe ressaltar que, nesse mesmo julgamento, ficou expressamente afastada, a


possibilidade de extensão da aposentadoria especial aos especialistas em educação,
definindo que as regras estabelecidas na CF/1988 destinam-se exclusivamente aos
professores.

37. Disponível em: http://www.ifmg.edu.br/news/stf-modifica-sumula-sobre-aposentadoria-especial-


-para-professores-de-lc-e-2c-graus. Acesso em 14.abr.2010.
Direito A dministrativo

Cabe ressaltar que o tempo relacionado ao exercício de atividade que não esteja
diretamente ligada à sala de aula, ainda que relacionado ao magistério, como, por
exemplo, a participação em cursos de pós-graduação (em que o docente fica sem le­
cionar por um determinado período), não entra no cômputo para se chegar ao tempo
de serviço exigido para aposentadoria especial, não obstante seja considerado para
fins de concessão de aposentadoria ordinária38.

SI [...] No julgamento da ADI 3772/DF... o Supremo Tribunal Federal, por maioria, superou a juris­
prudência consolidada no verbete 726 da Súmula, para entender que o regime de aposentado­
ria especial previsto nos arts. 40, § 5°, e 201, § 8o, da Constituição permite o cômputo do tempo
de serviço prestado pelo professor em atividades de assessoramento pedagógico, coordenação
e direção de unidade escolar. [...]. (Al 59SS89 AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, 2a T., DJe 7.12.2010)

IS U I . A função de magistério não se circunscreve apenas ao trabalho em sala de aula, abran­


gendo também a preparação de aulas, a correção de provas, o atendimento aos pais e alu­
nos, a coordenação e o assessoramento pedagógico e, ainda, a direção de unidade escolar.
II. As funções de direção, coordenação e assessoramento pedagógico integram a carteira do
magistério, desde-que exercidos, em estabelecimentos de ensino básico, por profeáíores de
carreira, excluídos os especialistas em educação, fazendo jus aqueles que as desempenham ao
regime-especial de aposentadoria estabelecido nos arts. 40, 5 4°, e 201, § 1o, da'Constituição
Federal. [...]. (ADI 3772/DF Rel. p/ ac. Min. Ricardo Lewandowski. Pleno. DJe'27.3.2009)

► CF/1988. A r t 40. 5 5o. Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos


em cinco anos, em relação ao disposto no 5 I o, III, a, para o professor que comprove exclu­
sivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no
ensino fundamental e médio.

► Lei 11.301/2006. A rt 1o. O art 67,da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigo­
rar acrescido do seguinte § 2°, renumerando-se o atual parágrafo único para § 1°: "Art 67.... 5
2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art 40 e no 5 8° do art 201 da Constituição Federal,
são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educa­
ção no desempenho de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento de educa­
ção básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as
de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico." (NR)

S ú m u l a n 2 5 6 7 - A Co n s t it u iç ã o , a o a s s e g u r a r , no § 3 2, d o a r t . 1 0 2 , a c o n ta g em in t e ­
g r a l D O T E M P O D E S E R V I Ç O P Ú B L I C O F E D E R A L , E S T A D U A L O U M U N IC IP A L P A R A O S E F E I T O S D E
A P O S E N T A D O R I A E D I S P O N I B I L I D A D E N Ã O P R O Í B E À U N IÃ O , A O S E S T A D O S E A O S M U N I C Í P I O S

M A N D A R E M C O N T A R , M E D IA N T E L E I, P A R A E F E IT O D IV E R S O , T E M P O D E S E R V IÇ O P R E S T A D O A

O U T R A P E S S O A D E D IR E IT O P Ú B L IC O IN T E R N O .

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 15.12.J976. • Referência legislativa: E C n ° 1/1969, arts. 13, V, e 102, § 3 e. • Precedentes: R E
79179, D j 18.2.1975; R E 77993, DJ 14.3.1975; R E 80449, D j25.4.1975; R E 80078, D J2.6.1975.

Apesar de referir-se ao texto da EC na 1/1969, o enunciado permanece ativo no


ordenamento, sendo que sua legislação-base agora se assenta no art. 40, § 9®, da
CF/88, em tudo semelhante ao texto anteriormente vigente.

38. Disponível em: http://www.ifmg.edu.br/news/stf-modifica-sumula-sobre-aposentadoria-especial-


-para-professores-de-l2-e-22-graus. Acesso em 14.abr.2010.
Roberval Rocha A lbino Carlos .. Mauro José G.
86 Ferreira Filho Martins Vieira 4 da Costa

Segundo a súmula, o disposto nesse artigo é uma garantia mínima ao servidor, e


não impede que a legislação infraconstitucional utilize a contagem de tempo de ser­
viço para outros efeitos.

m u h . Servidor público municipal: contagem de tempo de serviço: incidência da Súmula 567,


do Supremo Tribunal [...]. 2. Servidor público: aposentadoria: os proventos regulam-se pela
lei vigente ao tempo da reunião dos requisitos da inatividade, ainda quando só requerida na
vigência da lei posterior menos favorável (Súmula 359, revista). [...]. (STF. 1a Turma. RE-AgR
234908/SP. Rel.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 17.3.2006)

BI [...] Servidor público estadual. Contagem de tempo de serviço prestado a outra pessoa de
direito público interno para todos os efeitos. Alegação de ofensa ao § 3o do artigo 40 da atual
Constituição. - Tendo em vista que o § 3° do artigo 40 da atual Constituição tem os mesmos
sentido e alcance do § 3° do artigo 102 da Emenda Constitucional n° 1/69, continua em vigor
o enunciado da Súmula 567 desta Corte. [...]. (STF. 1a Turma. RE 179181/SP. Rel.: Min. Moreira
Alves. DJ 29.11.1996)

-S] [...] Administrativo. Funcionalismo. Tempo de serviço prestado a. outra pessoa de direito
'público interfio. Contagem, de acordo com a lei estadual, para outros efeitos que não apenas
a' aposentadoria e a disponibilidade. Aplicação d.a Súmula S67. (STF. 2a Turma.-RE 92149/ Rel.:
• Min. Dêcio Miranda. DJ 11.4.1980) - . ■

► CF/1988. Art. 40. § 9° O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal será con­
tado pára efeito de aposentadoria e o tempo de serviço correspondente para efeito de
disponibilidade. ► A r t 201. S 9°. Para efeito de aposentadoria, é assegurada a contagem
reciproca do tempo de contribuição na administração pública e na atividade privada, rural e
urbana, hipótese em que os diversos regimes de previdência social se compensarão finan­
ceiramente, segundo critérios estabelecidos em lei.

8 .7 . V italiciedade
S ú m u l a n 2 4 7 - R e i t o r d e u n iv e r s id a d e não é l i v r e m e n t e d e m i s s í v e l p e l o P r e s i d e n t e
da R e p ú b l ic a d u r a n t e o p r a z o d e s u a in v e s t i d u r a .

• S ú m u la a p lic á v e l.• D o t e 13.12.1963.• Referência legislativa: CF/1946, arts. 87, V ,e l6 8 , VII. L e in ! 4024/1961, arts. S t
80, e 84. • Precedentes: M S 10213, D J27.3.1963.

Na CF/88, os cargos de professor não são vitalícios, diferentemente do que ocor­


ria sob a égide do texto constitucional de 1946, que embasou a súmula.
No entanto, por força do art. 207 da CF/88, está assegurada às universidades au­
tonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, o que
impede a intromissão de outras autoridades na condução dos assuntos de seu interes­
se, salvo previsão expressa em lei.
Dessa forma, a demissão somente ocorrería, se houvesse justa causa ou se a pró­
pria lei a admitisse sem necessidade de motivação.
Essa súmula confere aos reitores um tratamento excepcional ao instituído pela
Súmula 25 em relação aos demais ocupantes de cargos em comissão, em razão do
princípio da autonomia universitária.
Vide comentários à Súmula 25.
Direito A dministrativo 87

S ú m u l a n ® 4 6 - D e s m e m b r a m e n t o d e s e r v e n t i a d e j u s t iç a não v io l a o p r in c í p io d e
V IT A L IC IE D A D E D O S E R V E N T U Á R IO .

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CF/1946, arts. 65, IV, e 18 7 .0 Precedentes: RMS 9964, Dj
20.9.1962; R E 47657, D j 6.5.1963.

0 desmembramento e o desdobramento da serventia cartorária têm previsão no art.


29 da Lei dos Cartórios - Lei n®8.935/1994, que regulamentou o art, 236 da CF/1988.

© [...] Desanexação de serventias até então acumuladas. Inexistência de direito adquirido com
base no princípio constitucional da vitaliciedade do serventuário. - A Súmula 46 do STF tanto
se aplica a hipóteses de desmembramento territorial de serventia, quanto a de desmembra­
mento de serventias anteriormente acumuladas (desanexação). E assim tendo sido o entendi­
mento reiterado desta corte (RREE 70612, 70682, 71705), por ambas as suas Turmas. [...]. (STF.
2a Turma. RE 94542/PI. Rel.: Min. Moreira Alves. DJ 19.11.1982)

© (...) Desmembramento ou desanexação de serventia de justiça não viola direito subjetivo certo
de titular vitalício, mormente se acumulava funções de outro cartório. (Súmula 46). (STF..Pleno.
RE-embargos 70030/PR. Rel.: Min. Aliomar Baleeiro. DJ 1.6.1973)

© (...] II. Não atentam contra o princípio da vitaliciedade, assegurado pelo art. 194 da Constitui-'
ção, lei que outorga sua desanexação, nem ato que lhe dá execução. Aplicação da Súmula ns.
46 e 291. (...]. (STF RE 70682/PR. Rel.: Min. Thompson Flores. DJ 9.8.1971)

B] 1. Cuida-se de recurso ordinário interposto no qual se postula a nulidade de processo de des­


membramento de serventia extrajudicial, definida por meio de edital para o exercício de direito
de opção, determinado por lei estadual; o recorrente alega violação ao seu direito de defesa,
porquanto postula que deveria ter sido consultado. 2. A impetração se volta contra o desmem­
bramento de serventias, decorrente de reorganização dos serviços notariais e de registro deter­
minados por lei estadual, com atenção ao disposto no art. 38 da Lei 8.935/94, de caráter nacio­
nal. O ato indicado como coator é exatamente a outorga do direito de opção, tal como previsto
no art. 29, i; da mesma Lei 8.935/94. 3. Não há direito adquirido face ao desmembramento de
serviços notariais e de registro, conforme consolidado na Súm. 46/STF, repercutida na sua juris­
prudência histórica: [...]. O tema teve acolhida, também, no Superior Tribunal de Justiça. Prece­
dente: RMS 16.928/MG, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, publicado no DJ em 31.5.2004,
p. 331. 4. Outorgado o direito de opção - previsto na Lei n. 8.935/94 - e atendidos os demais
ditames legais, fica evidenciada a ausência de violação a direito líquido e certo. [...]. (STJ, RMS
41.465/RO, Rel. Min. Humberto Martins, 2a Turma, DJe 11.9.2013)

© !■
■■] 1. A fiel interpretação da Lei Federal n° 8.935/94 confere ao titular de serventia desmem­
brada o direito de optar por uma das serventias resultantes do desmembramento. 2. Admitir
que o titular da serventia desmembrada pudesse optar por uma serventia diversa, por meio
de remoção, ainda que vaga, representa ofensa ao principio da igualdade, uma vez que a
legislação determina que as delegações se deem por meio de concurso público. [...]. (STJ. 6a
Turma. RMS 12145/SP. Rel.: Min. Paulo Medina. DJ 2.5.2005)

© (...) 1. Em se tratando de acumulação precária de serventia anexada, não incidem as normas


dos artigos 39 e 49 da Lei n° 8.935/94, dirigidas aos titulares dos serviços notariais e de regis­
tros públicos, que possuam delegação efetiva. 2. Não estando as anexações, na espécie, com­
preendidas no suporte fático do artigo 49 da Lei dos Cartórios, há expressa vedação legal
à acumulação de serviços no artigo 26 da mesma lei. 3. "Desmembramento de serventia de
Justiça não viola o princípio de vitaliciedade do serventuário." (Súmula do STF, Enunciado n°
46). [...). (STJ. 6a Turma. RMS 14680/MG. Rel.: Min. Hamilton Carvalhido. DJ 22.9.2003)
Roberval Rocha A lbino Carlos M a u ro José G.
88 Ferreira Filho w Martins Vieira d a C o sta

S [...] 1. Por não se poder confundir o direito è efetivação do substituto que é garantido cons­
titucionalmente nas hipóteses previstas na Carta Magna, com o direito à acumulação e
manutenção de serviços, mantendo-os imunes à desanexação prevista em lei, não há falar-
-se em direito adquirido do substituto efetivado à manutenção de todos os serviços, cuja
desanexação tem previsão legal. [...]. (STJ. 5a Turma. RMS 7134/RS. Rel.: Min. Edson Vidigal.
DJ 6.9.1999)

® [...] O Supremo Tribunal Federal reconheceu, no verbete cristalizado em sua Súmula n° 46, que
a desanexação de serventias acumuladas não viola direito adquirido dos titulares em perma­
necer, vitalíciamente, no exercício das funções em que foram efetivados. (...]. (STJ. 6a Turma.
RMS 8786/RO. Rel.: Min. Vicente Leal. DJ 23.8.1999)

► CF/1988. Art' 236. Òs serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por
delegação dò Poder Público. § 1o. Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade
civil e criminal dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá á fiscali­
zação de seus atos pelo Poder Judiciário.

"V Lèi n° 8.935/1994. Art. .29. São direitos do notáfiò e do registrador: I - exercer opção, nos
casos de desmembramento ou desdobramènto de sua serventia.

S ú m u l a Ne 3 6 - S e r v id o r v it a l íc io e s t á s u j e i t o a a p o s e n t a d o r ia c o m p u l s ó r ia , e m
RAZÃO DA IDADE.

• Sú m u la a p lic á v e l.• D a to : 13.12.1963.»Referência legislativa: CF/1946, arts. 9 5 ,§ 1 ’ : 124; 187; 1 8 9 ,1, e 191, I I , § 4 ° . L e in *
1.711/1952, arts. 1 7 6 ,1; 177; 187 e 2S2 . II.•P rece d entes: MS 5422. D )2.10.1958; R M S8394. D] 24.7.1961.

A regra do art. 40, § I a, II, da CF/88, que abrange todos os servidores titulares
de cargos efetivos da Administração Pública, não distinguindo entre estáveis ou vi­
talícios, impõe aposentadoria compulsória aos setenta anos de idade, com proventos
proporcionais ao tempo de contribuição.

► CF. Á r t 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito
Federal e. dds Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de
previdência de caráter cóntributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente
públicò/ dos servldores ativos e inativos e dòs pensionistas, observados critérios qúe pre-
sérvehi o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. § 1o Os servidores abran-
; gidòs pelo fégime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os
seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos 55 3° e17: [.:.] II— compulsoria-
mente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.

SÚMULA Ne 1 2 - A VITALICIEDADE DO PROFESSOR CATEDRÁTICO NÃO IMPEDE O DESDOBRA­


MENTO DA CÁTEDRA.

• S ú m u la su p e ra d a .* D a to ; 13.12.1963.%Referência legislativa: CF/1946, art. 189.% Precedentes: RM S 10116, D) 13.9.1962

A legislação em que se baseou o enunciado encontra-se revogada.

Vide comentários à Súmula na 46, retro.

SÚMULA Na 1 1 - A VITALICIEDADE NÃO IMPEDE A EXTINÇÃO DO CARGO, FICANDO O FUNCIONÁ­


RIO EM DISPONIBILIDADE, COM TODOS OS VENCIMENTOS.

Súmula comentada no item Servidor - disponibilidade, retro.


Direito Administrativo 89

8 .8 . L e g is la ç ã o re v o g a d a

S Ú M U L A N 8 4 0 8 - OS S E R V ID O R E S F A Z E N D Á R IO S N Ã O T Ê M D IR E IT O A P E R C E N T A G E M P E L A A R R E C A ­
D A Ç Ã O D E R E C E IT A F E D E R A L D E S T IN A D A AO B A N C O N A C IO N A L D E D E S E N V O L V IM E N T O EC O N Ô M IC O .

• S ú m u la su p e ra d a .# Data: 1*6.1964. * Referência legislativa: Lei n ç 455/1948, art. 1°. L e i n* 1.293/1950, arts. 4 9 e S 0 . Lei
n9 1.474/1951, art. 3 o. Lei n* 2.973/1956, art. 7*. •Preced en tes: RM S 10809, DJ 11.6.1964; RM S 12985, DJ 9.7.1964.

SÚMULA N8 3 8 4 - A DEMISSÃO DE EXTRANUMERÃRIO DO SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL, EQUIPA­


RADO A FUNCIONÁRIO DE PROVIMENTO EFETIVO PARA EFEITO DE ESTABILIDADE, É DA COMPE­
TÊNCIA d o P r e s i d e n t e d a R e p ú b l ic a .

• S ú m u la s u p e r a d a .* Data: 3 .4 .1 9 6 4 .* Precedentes: R E 42233 embargos, DJ 13.1.1963; R E 24171 embargos, D J22.8.1963.

SÚMULA N9 SO - A LEI PODE ESTABELECER CONDIÇÕES PARA A DEMISSÃO DE EXTRANUMERÃRIO.

•Súm ula superada.* Data: 13.12.1963.9 Referência legislativa: CF/1946. a r t 67. V.Lei n* 2.284/19Í4 , art. I r. mPrecedentes: RMS
9609. D/ 6.9 .1 9 6 2 :M 24716. DJ 19A0.1?61; A l 24911. Df 26.10.1961; R E 4 6 0 S 7 .D J28.9.1961; RES1077em bargos. D] 17.10.196t.

SÚMULA N9 4 8 - É LEGÍTIMO O RODÍZIO DE DOCENTES LIVRES NA SUBSTITUIÇÃO DO PROFESSOR


CATEDRÁTICO.

• Sú m u la s u p e ra d a . • Dota: 1 3 .12.19 63.* Referência legislativa: DL n s 8.393/1945, a rt. 16, a, k, q. Dec. ne 2.1321/1946. •
Precedentes: R E 42235, DJ 10.12.1959; RMS 8460, DJ 12.7.1962.

S úm ula n 9 3 3 - A L e i 1 .7 4 1 , d e 2 2 . 1 1 . 1 9 S 2 , é a p l i c á v e l à s a u t a r q u i a s f e d e r a i s .

• Sú m u la s u p e ra d a . •D o ía: 13 .1 2 .1 9 6 3 .*Referência legislativa: L e in s 1.711/1952, art. 252, II. Dec. n*48.959-A/1960, art.
4 2 2 .* Precedentes: RM S 9224, DJ 5.7.1962; RM S 10858, DJ 19.9.1963.

S ú m u l a Ne 3 2 - P a r a a p l ic a ç ã o da L e i 1 .7 4 1 , d e 2 2 . 1 1 .1 9 5 2 , s o m a - s e o t e m p o d e s e r ­ ;
v iç o ININTERRUPTO EM CARGO EM COMISSÃO E EM FUNÇÃO GRATIFICADA.

• Sú m u la s u p e ra d a .*D a ta : 13.12.1963.*Referência legislativa: Lei n° 1.741/1952, a rt 1*. Lei n * 3-780/1960, a rt 1 3 .* Prece-


dentes: R M S 8489, Dj 17.5.1962; RM S8978, D j25.1.1962; RMS9233, DJ 17.4.62; RMS 10872, D J8.12.1964; RMS 11146, D J5.5.1964.

S ú m u l a n 2 3 1 - P a r a a p l i c a ç ã o d a L e i 1 .7 4 1 , d e 2 2 . 1 1 .1 9 5 2 , s o m a - s e o t e m p o d e s e r ­
v iç o in i n t e r r u p t o em m a is d e u m c a r g o e m c o m is s ã o .

• S ú m u la s u p e ra d a . • Data: 13.12.1963. * Referência legislativa: Lei n9 1.741/1952, art. 1 ° .* Precedentes: RM S 8090, DJ


8.7.1961; RMS 8978, DJ 25.1.1962; RM S 9959, D) 16.11.1962; RM S 10492, DJ 6.12.1962; RM S 10415, DJ 29.11.1962; RM S
10546. Dj 29.11.1962.

Sú m u la n 9 30 - S e r v id o r e s d e c o l e t o r ia s não têm d ir e it o a perc en ta g em p ela

C O B R A N Ç A D E C O N T R IB U IÇ Õ E S D E S T IN A D A S A P E T R O B R Á S .

• S ú m u la s u p e ra d a .• D o ta ; 1 3 .1 2 .1 9 6 3 .*Referência legislativa: Le i n ° 1.293/1950, arts. 49 e 5 0 . * Precedentes: RM S 6374,


Dl 11.6.1959; RM S 9838; Df 20.9.1962; R E 40017 embargos, D J26.8.1961; R E 41781, DJ 9.7.1959; R E 459S4, DJ 6.10.1961; RE
46 737. DJ 2 5 .1 1 9 6 1 ; R E 49548, D J25.10.1962; R E 52203, DJ 19.3.1964; R E 43159. D J5.11.1959.

S ú m u l a n 9 2 9 - G r a t if ic a ç ã o d e v id a a s e r v id o r e s do "s is t e m a f a z e n d á r io " n ã o s e
E S T E N D E A O S D O S T R IB U N A IS D E C O N T A S .

• S ú m u la s u p e ra d a .• Data: 13 .12.19 63.*Referência legislativa: L e in 9 830/1949, art. I 9. Lei n9 886/1949, arts. 2 9e 3 °. Lei
n 9 1.820/1953, a rt. l g. L e in 93.756/1960. arts. 8 9 e 99. Dec. n 948.656/1960, a r t 2 9.*P re c e d e n te s: M S 8212, D J6.12.1962.

L
Roberval Rocha _ Albino Carlos & Mauro J osé G.
90 Ferreira Filho ® Martins Vieira * ’ da Costa

SÚMULA N2 2 6 - OS SERVIDORES DO INSTITUTO DE APOSENTADORIA E PENSÕES DOS INDUSTRI-


á r io s não po d em a cu m u lar a s u a g r a t if ic a ç ã o b ie n a l c o m o a d ic io n a l d e t e m p o d e

SERVIÇO PREVISTO NO ESTATUTO DOS FUNCIONÁRIOS ClVIS DA UNIÃO.

• S ú m u la s u p e ra d a .• Data: 13.12.1963. «R eferên cia legislativa: L e i nB 1.711/1952, a rL 146. Lei nB 3.414/1958, art. 1 9 .»
Precedentes: R E 42950 embargos, D j 19.10.1960; RM S 8602, D ]2.4.1962; R M S 9978, 0 / 6.9.1962; RM S 10496. D J24.5.1963.

SÚMULA N2 1 3 - A EQUIPARAÇÃO DE EXTRANUMERÃRIO A FUNCIONÁRIO EFETIVO, DETERMI­


NADA p e l a L e i 2 . 2 8 4 , d e 0 9 . 0 8 .1 9 5 4 , não e n v o l v e r e e s t r u t u r a ç ã o , não c o m p r e e n ­
d e n d o , PORTANTO, OS VENCIMENTOS.

• Sú m u la s u p e ra d a .• Data: 13 .1 2 .1 9 6 3 .» Referência legislativa: L e i nB 2.284/1954. a r t 1B. » Precedentes: RM S 7719, DJ


25.5.1961; R E 46744, D J23.11.1961; R E 48 0 4 8 embargos. D J20.3.1963.

8 .9 . N o m e a ç ã o
S ú m u l a V in c u l a n t e n 2 1 3 - A n o m ea ç ã o d e c ô n ju g e , c o m p a n h e ir o o u p a r e n t e e m u n h a
RETA, COLATERAL OU POR AFINIDADE, ATÉ O TERCEIRO GRAU, INCLUSIVE, DA AUTORIDADE NOME-
ANTE OU DE SERVIDOR DA MESMA PESSOA JURÍDICA, INVESTIDO EM CARGO DE DIREÇÃO, CHEFIA
OU ASSESSORAMENTO, PARA O EXERCÍCIO DE CARGO EM COMISSÃO OU DE CONFIANÇA, OU, AINDA,
DE FUNÇÃO GRATIFICADA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA, EM QUALQUER DOS
P o d e r e s d a Ü n iã o , d o s E s t a d o s , d o D i s t r i t o F e d e r a l è d o s m u n ic íp io s , c o m p r e e n d id o ' o
A J U S T E M E D IA N T E D E S IG N A Ç Õ E S R E C ÍP R O C A S , V IO L A A C O N S T IT U IÇ Ã O F E D E R A L .

• Sú m u la v in c u la n te . • Data: 29.8.2008. • Referência legislativa: CF/88, art. 37, caput. • • Precedentes: ADC 12. Dfe
18.12.2008. R E 579951, DJe 24.10.2008. ADC 12 MC, DJ 1.9.2006. M S 23780, D J3.3.2006. A D Í 1521 MC, DJ 17.3.2000

Aprovada por unanimidade, o enunciado veda o nepotismo no âmbito dos três pode­
res de todas as esferas federativas - União, Estados, Distrito Federal e municípios - e, por
conta de sua natureza vinculante, deve obrigatoriamente ser seguido por todos os órgãos
públicos. Na prática, proíbe a contratação de parentes de autoridades e de funcionários
para cargos de confiança, de comissão e de função gratificada no serviço público. Veda
inclusive o denominado "nepotismo cruzado", que ocorre quando agentes públicos de di­
ferentes pessoas jurídicas empregam familiares um do outro como troca de favor.

As nomeações para os cargos de caráter político, exercido por agentes políticos,


tais como secretários estaduais, secretários municipais, e ministros não foram proi­
bidas pelo verbete.

A partir da publicação da súmula poderá ser utilizado meio processual próprio


para contestar, diretamente no STF, a prática do nepotismo na Administração Pública,
valendo-se o interessado da reclamação constitucional.

SI [...]• I. Embora restrita ao âmbito do Judiciário, a Res. CNJ 7/2005, a prática do nepotismo nos
demais Poderes é ilícita. II. A vedação do nepotismo não exige a edição de lei formal para coi­
bir a prática. III. Proibição que decorre diretamente dos princípios contidos no art. 37, caput,
da CF. [...]. (RE 579.951/RN, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Pleno, repercussão geral - mérito,
DJe 24.10.2008)

H Súmula vinculante 13 e agente político. [...]. Reportando-se ao que decidido no RE 579951/


RN (DJE de 12.9.2008), asseverou-se que a nomeação de parentes para cargos políticos não
implica ofensa aos princípios que regem a Administração Pública, em face de sua natureza
eminentemente política, e que, nos termos da Súmula Vinculante 13, as nomeações para car­
gos políticos não estão compreendidas nas hipóteses nela elencadas. Rel 6650 MC-AgR/PR,
rel. Min. Ellen Gracie, 16.10.2008. Pleno. (Informativo STF n° 524)
Direito Administrativo 91

@ Então, quando o artigo 37 refere-se a cargo em comissão e função de confiança, está tra­
tando de cargos e funções singelamente administrativos, não de cargos políticos. Portanto,
os cargos políticos estariam fora do alcance da decisão que tomamos na ADC n° 12, porque
o próprio Capítulo VII é Da Administração Pública enquanto segmento do Poder Executivo. E
sabemos que os cargos políticos, como por exemplo, os de secretário municipal, são agentes
de poder, fazem parte do Poder Executivo. O cargo não é em comissão, no sentido do artigo
37, com seus lapidares princípios. Então, essa distinção me parece importante para, no caso,
excluir do âmbito da nossa decisão anterior os secretários municipais, que correspondem a
secretários de Estado, no âmbito dos Estados, e ministros de Estado, no âmbito federal. (STF.
Pleno. RE 5799S1/RN. Min. Carlos Britto, voto. DJ e 24.10.2008)

Bl Ação dedaratória de constitucionalidade, ajuizada em prol da Resolução n° 7, de 18.10.2005,


do Conselho Nacional de Justiça. Medida cautelar. (...) A Resolução n° 07/05 do CNJ reveste-
-se dos atributos da generalidade (os dispositivos dela constantes veiculam normas proibiti­
vas de ações administrativas de logo padronizadas), impessoalidade (ausência de indicação
nominal ou patronímica de quem quer que seja) e abstratividade (trata-se de um modelo
normativo com âmbito temporal de vigência em aberto, pois claramente vocacionado para
renovar de forma continua o liame que prende suas hipóteses de ipcidència aos respec­
tivos mandamentos). A Resolução n° 07/05 se dota, ainda, de caráter normativo primário,
'dado que arranca diretamente do 5 4o do art. 103-B da Carta-cidadã e tem como finalidade
debulhar os próprios conteúdos lógicos dos princípios constitucionais de centrada regência
de toda a atividade administrativa do Estado, especialmente o da impessoalidade, o da efi­
ciência, o da igualdade e o da moralidade. O ato normativo que se faz de objeto desta açâo
dedaratória densifica apropriadamente os quatro citados princípios do art. 37 da Constitui­
ção Federal, razão por que não há antinomia de conteúdos na comparação dos comandos
que se veiculam pelos dois modelos normativos: o constitucional e o infraconstitucional.
Logo, o Conselho Nacional de Justiça fez adequado uso da competência que lhe conferiu a
Carta de Outubro, após a Emenda 45/04. Noutro giro, os condicionamentos impostos pela
Resolução em foco não atentam contra a liberdade de nomeação e exoneração dos cargos
em comissão e funções de confiança (incisos II e V do art. 37). Isto porque a interpretação
dos mencionados incisos não pode se desapegar dos princípios que se veiculam pelo caput
do mesmo art. 37.. Donde o juízo de que as restrições constantes do ato normativo do CNJ
são, no rigor dos termos, as mesmas restrições já impostas pela Constituição de 1988, dedu-
tíveis dos republicanos princípios da impessoalidade, da eficiência, da igualdade e da mora­
lidade. É dizer: o que já era constitucionalmente proibido permanece com essa tipificação,
porém, agora, mais expletivamente positivado. Não se trata, então, de discriminar o Poder
Judiciário perante os outros dois Poderes Orgânicos do Estado, sob a equivocada proposi­
ção de que o Poder Executivo e o Poder Legislativo estariam inteiramente libertos de peias
juridicas para prover seus cargos em comissão e funções de confiança, naquelas situações
em que os respectivos ocupantes não hajam ingressado na atividade estatal por meio de
concurso público. O modelo normativo em exame não é suscetível de ofender a pureza
do princípio da separação dos Poderes e até mesmo do princípio federativo. Primeiro, pela
consideração de que o CNJ não é órgão estranho ao Poder Judiciário (art. 92, CF) e não
está a submeter esse Poder à autoridade de nenhum dos outros dois; segundo, porque ele.
Poder Judiciário, tem uma singular compostura de âmbito nacional, perfeitamente compa­
tibilizada com o caráter estadualizado de uma parte dele. Ademais, o art. 125 da Lei Magna
defere aos Estados a competência de organizar a sua própria Justiça, mas não é menos
certo que esse mesmo art. 125, caput, junge essa organização aos princípios "estabelecidos"
por ela, Carta Maior, neles incluídos os constantes do art. 37, cabeça. Medida liminar defe­
rida para, com efeito vinculante: a) emprestar interpretação conforme para incluir o termo
"chefia" nos inciso II, III, IV, V do artigo 2° do ato normativo em foco b) suspender, até o
exame de mérito desta ADC, o julgamento dos processos que tenham por objeto questionar
a constitucionalidade da Resolução n° 07/2005, do Conselho Nacional de Justiça; c) obstar
que juizes e Tribunais venham a proferir decisões que impeçam ou afastem a aplicabilidade
Roberval Rocha _ Albino Carlos Mauro José G.
92 Ferreira Filho “ Martins Vieira da Costa

da mesma Resolução n° 07/2005, do CNJ e d) suspender, com eficácia ex tunc, os efeitos


daquelas decisões que, já proferidas, determinaram o afastamento da sobredita aplicação.
(STF. Plenário. ADC-MC 12/DF. Rel.: Min. Carlos Britto. DJ 1.9.2006)

► CF. Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...].

9. QUADRO SIN Ó P TIC O

DIREITO ADMINISTRATIVO

1. ATOS ADMINISTRATIVOS

Súmula ng 473 - A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios
que os tornajn ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de
aplicável
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos
os casos, a apreciação judicial. *

Sumula n9 346 - A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios
aplicável
atos.

Súmula ns 58 - Ê válida a exigência de média superior a quatro para aprovação em estabe­


superada
lecimento de ensino superior, consoante o respectivo regimento.

2. BENS PÚBLICOS .

Súmula n9 650 - Os incisos 1e XI do a rt 20 da Constituição Federal não alcançam terras de


aplicável
aldeamentos extintos, ainda que ocupadas por indígenas em passado remoto.

Súmula n9 480 - Pertencem ao domínio'e administração da União, nos termos dos artigos
aplicável
49, IV, e 186, da Constituição Federal de 1967, as terras ocupadas por silvícolas.

Súmula n9 479 - As margens dos rios navegáveis são domínio público, insuscetíveis de ex-
aplicável
propriação e, por isso mesmo, excluídas de indenização.

Súmula n9 477 - As concessões de terras devolutas situadas na faixa de fronteira, feitas pe­
los Estados, autorizam, apenas, o uso, permanecendo o domínio com a União, ainda que se mitigada
mantenha inerte ou tolerante, em relação aos possuidores.

3. CONCURSO PÚBLICO

Súmula Vinculante n9 44 - Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de


vinculante
candidato a cargo público.

Súmula Vinculante n5 43 - É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie


ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provi­ vinculante
mento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.

Súmula n9 686 - Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato
aplicável
a cargo público.

Súmula n2 685 - É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servi­


dor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, aplicável
em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.
Direito A dministrativo 93

Súmula n9 684 - É inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a con­


aplicável
curso público.

Súmula n" 683 - 0 limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em
face do art. 7” XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribui­ aplicável
ções do cargo a ser preenchido.

Súmula ns 373 - Servidor nomeado após aprovação no curso de capacitação policial, institu­
ído na polícia do Distrito Federal, em 1941, preenche o requisito da nomeação por concurso superada
a que se referem as Leis 705, de 16.5.49, e 1.639, de 14.7.52.

Súmula n9 17 - A nomeação de funcionário sem concurso pode ser desfeita antes da


aplicável
posse.

Súmula n9 16 - Funcionário nomeado por concurso tem direito a posse. aplicável

Súmula n9 15 - Dentro do prazode validade do concurso, o candidato aprovado tem o direi­


aplicável
to a nomeação, quando o cargo for preenchido sem observância da classificação.

Súmula n9 14 - Não é admissível, por ato administrativo, restringir, em razão da idade, ins­
cancelada
crição em concurso pârá cargo públiço. .

4. DESAPROPRIAÇÃO _

Súmula n9 652 - Não contraria a Constituição o art. 15, § l 9, do DL. 3.36S/41 (Lei da Desa­
aplicável
propriação por Utilidade Pública).

Súmula n9 618 - Na desapropriação, direta ou indireta, a taxa dos juros compensatórios é


aplicável
d e 12% ( d o z e porcento) ao ano.

S ú m u la n 9 617 - A base de cálculo dos honorários de advogado e m desapropriação é a dife­


aplicável
re n ç a e n tre a oferta e a indenização, corrigidas ambas monetariamente.

S ú m u la n 9 561 - Em desapropriação, é devida a correção monetária até a data do efetivo


p a g a m e n to d aindenização, devendo procederse à atualização do cálculo, ainda que por aplicável
m a is de u m a vez.

Súmula n9 476 - Desapropriadas as ações de uma sociedade, o poder desapropriante, imi­


aplicável
tido na p o s s e , pode exercer, desde logo, todos os direitos inerentes aos respectivos títulos.

Súmula n9 4 7 5 - A Lei 4.686, de 21.06.1965, tem aplicação imediata aos processos em superada
curso, inclusive em grau de recurso extraordinário.

Súmula n 9 416 - Pela demora no pagamento do preço da desapropriação não cabe indeniza­ aplicável
ção complementar além dos juros.

Súmula n 9 3 7 8 - Na indenização por desapropriação incluem-se honorários do advogado aplicável


do expropriado.

Súmula n9 3 4 5 - Na chamada desapropriação indireta, os juros compensatórios são devidos superada


a partir da p e r í c i a , desde que tenha atribuído valor atual ao imóvel.

Súmula n 9 2 1 8 - É competente o juízo da Fazenda Nacional da capital do Estado, e não o da


situação da c o i s a , para a desapropriação promovida por empresa de energia elétrica, s e a superada
União Federal intervém como assistente.

Súmula n9 164 - No processo de desapropriação, são devidos juros compensatórios desde a


aplicável
antecipada imissão de posse, ordenada pelo juiz, por motivo de urgência.
Roberval Rocha m Albino Carlos m Mauro J osé G.
94 Ferreira Filho • Martins Vieira w da Costa

Súmula n8 157 - É necessária prévia autorização do Presidente da República para desapro­


aplicável
priação, pelos Estados, de empresa de energia elétrica.

Súmula n8 23 - Verificados os pressupostos legais para o licenciamento da obra, não o im­


pede a declaração de utilidade pública para desapropriação do imóvel, mas o valor da obra aplicável
não se incluirá na indenização, quando a desapropriação for efetivada.

S. PODER DE POLÍCIA

Súmula Vinculante ne 38 - É competente o município para fixar o horário de funcionamento


vinculante
de estabelecimento comercial.

Súmula nfl 646 - Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a insta­
aplicável
lação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área.

Súmula n9 645 - É competente o município para fixar o horário de funcionamento de esta­


aplicável
belecimento comercial.

Súmula n9 415t -0 $ municípios tçm competência para regular o horário do comércio local,
aplicável
desde que nâo infrinjam leis estaduais ou federais válidas.

Súmula ne 397 -r Qpóder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso
de crime cometido nas suas dependências, compreende, consoante o regimento, a prisão em aplicável
flagrante do acusado e a realização do inquérito.

Súmula n8 362 - A condição de ter o clube sede própria para a prática de jogo lícito não o
superada
obriga a ser proprietário do imóvel em que tem sede.

Súmula n8 186 - Não infringe a lei a tolerância da quebra de 1% no transporte por estrada
superada
de ferro, prevista no regulamento de transportes.

6. PRESCRIÇÃO ADMINISTRATIVA

Súmula n° 443 - A prescrição das prestações anteriores ao período previsto em lei não ocor­
re, quando não tiver sido negado, antes daquele prazo, o próprio direito reclamado, ou a aplicável
situação jurídica de que ele resulta.

Súmula n8 383 - A prescrição em favor da Fazenda Pública recomeça a correr, por dois anos
e meio, a partir do ato interruptivo, mas não fica reduzida aquém de cinco anos, embora o aplicável
titular do direito a interrompa durante a primeira metade do prazo.

7. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR

Súmula Vinculante n9 5 - A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo


vinculante
disciplinar não ofende a Constituição.

Súmula n8 21 - Funcionário em estágio probatório não pode ser exonerado nem demitido
aplicável
sem inquérito ou sem as formalidades legais de apuração de sua capacidade.

Súmula n8 20 - É necessário processo administrativo, com ampla defesa, para demissão de


aplicável
funcionário admitido por concurso.

Súmula n8 19 - É inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no mesmo


aplicável
processo em que se fundou a primeira.

Súmula n8 18 - Pela falta residual, não compreendida na absolvição pelo juízo criminal, é
aplicável
admissível a punição administrativa do servidor público.
Direito A dministrativo

8. SERVIDOR PÚBLICO

8.1. DEMISSÃO

Súmula n9 25 - A nomeação a termo não impede a livre demissão, pelo Presidente da Re­ mitigada
pública, de ocupante de cargo dirigente de autarquia.

Súmula n9 24 - Funcionário interino substituto é demissível, mesmo antes de cessar a cau­ superada
sa da substituição.

Súmula nq 8 - Diretor de sociedade de economia mista pode ser destituído no curso do aplicável
mandato.

8.2. DISPONIBILIDADE

Súmula n9 358 - 0 servidor público em disponibilidade tem direito aos vencimentos inte­ superada
grais do cargo.

Súmula ne 39 - À falta de lei, funcionário em disponibilidade não pode exigir, judicial­


mente. o seu aproveitamento, que fica subordinado ao critério de conveniência da Ad­ aplicável
ministração.

Síimuía n- 2 2 - 0 estágio probatbrio não protege o funcionário contra a extinção do aplicável


cargo.

Súmula ne 11 - A vitaliciedade não impede a extinção do cargo, ficando o funcionário em superada


disponibilidade, com todos os vencimentos.

8.3. MANDATO ELETIVO

Súmula n9 34 - No Estado de São Paulo, funcionário eleito vereador fica licenciado por superada
toda a duração do mandato.

8.4. READAPTAÇÃO

Súmula nQ566 - Enquanto pendente, o pedido de readaptação fundado em desvio funcio­ superada
nal não gera direitos para o servidor, relativamente ao cargo pleiteado.

8.5. REMUNERAÇÃO

Súmula Vinculante ns 42 - É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de vinculan­


servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária. te

Súmula Vinculante n9 37 - Não cabe ao Poder judiciário, que não tem função legislativa, vinculan­
aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia. te

Súmula Vinculante n9 34 - A Gratificação de Desempenho de Atividade de Seguridade So­


cial e do Trabalho - GDASST, instituída pela Lei 10.483/2002, deve ser estendida aos inati­
vinculan­
vos no valor correspondente a 60 (sessenta) pontos, desde o advento da Medida Provisória
te
198/2004, convertida na Lei 10.971/2004, quando tais inativos façam jusà paridade cons­
titucional (EC 20/1998, 41/2003 e 47/2005).

Súmula Vinculante ns 20 - A Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Adminis­


trativa - GDATA, instituída pela Lei n9 10.404/2002, deve ser deferida aos inativos nos
valores correspondentes a 37,5 (trinta e sete virgula cinco) pontos no período de feverei­
ro a maio de 2002 e, nos termos do artigo 59, parágrafo único, da Lei n9 10.404/2002, no vinculante
período de junho de 2002 até a conclusão dos efeitos do último ciclo de avaliação a que
se refere o artigo l 9 da Medida Provisória n9 198/2004, a partir da qual passa a ser de 60
(sessenta) pontos
Roberval Rocha „ Albino Carlos M auro J osé G.
96 Ferreira Filho 9 Martins Vieira da C osta

Súmula Vinculante na 16 - Os artigos 7 a, IV, e 39, § 3 a (redação da EC 19/98), da Constitui­


vinculante
ção, referem -se ao total da remuneração percebida pelo servidor público.

Súmula Vinculante n* 15 - 0 cálculo de gratificações e outras vantagens do servidor público


vinculante
nâo incide sobre o abono utilizado para se atingir o salário mínimo.

Súmula Vinculante n9 4 - Salvo os casos previstos na Constituição Federal, o salário mínimo


não pode ser usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou vinculante
de empregado, nem ser substituído por decisão judicial.

Súmula n® 682 - Não ofende a Constituição a correção monetária no pagamento com atraso
aplicável
dos vencimentos de servidores públicos.

Súmula na 681 - É inconstitucional a vinculaçào do reajuste de vencimentos de servidores


aplicável
estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária.

Súmula na 6 8 0 - 0 direito ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores inativos. aplicável

Súmula na 6 7 2 - 0 reajuste de 28,86% . concedido aos servidores militares pelas Leis


8.622/93 e 8.627/93, estende-se aos servidores civis do Poder Executivo, observadas as
aplicável
eventuais compensações decorrentes dos reajustes diferenciados concedidos pelds mesmos
diplomas legais.

Súmula na 671 - Os servidores públicos e os trabalhadores em geral têm direito, no


que concerne à URP de abril/maio de 1988, apenas ao valor correspondente a 7/30 de
aplicável
16,19% sobre os vencimentos e salários pertinentes aos m eses de abril e maio de 1988,
não cumulativamente, devidamente corrigido até o efetivo pagamento.

Súmula na 359 - Ressalvada a revisão prevista em lei, os proventos da inatividade regulam-


-se pela lei vigente ao tempo em que o militar, ou o servidor civil, reuniu os requisitos ne­ aplicável
cessários.

Súmula n° 339 - Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar
aplicável
vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia.

Súmula n9 38 - Reclassificação posterior à aposentadoria não aproveita ao servidor apo­


superada
sentado.

Súmula na 27 - Os servidores públicos não têm vencimentos irredutíveis, prerrogativa dos


superada
membros do Poder Judiciário e dos que lhes são equiparados.

8.6. TEMPO DE SERVIÇO

Súmula 11a 726 - Para efeito de aposentadoria especial de professores, não se computa o
superada
tempo de serviço prestado fora da sala de aula.

Súmula na 567 - A Constituição, ao assegurar, no § 3 a, do art. 102, a contagem integral do


tempo de serviço público federal, estadual ou municipal para os efeitos de aposentadoria
e disponibilidade não proibe à União, aos Estados e aos Municípios mandarem contar, m e­ aplicável
diante lei, para efeito diverso, tempo de serviço prestado a outra pessoa de direito público
interno.

8.7. VITALICIEDADE

Súmula n® 47 - Reitor de universidade não é livremente demissível pelo Presidente da Re­


aplicável
pública durante o prazo de sua investidura.
Direito Administrativo 97

Súmula n9 46 - Desmembramento de serventia de justiça não viola o princípio de vitalicie-


aplicável
dade do .serventuário.

Súmula n° 36 - Servidor vitalício está sujeito a aposentadoria compulsória, em razão da


aplicável
idade.

Súmula n-' 12 - A vitaliciedade do professor cntcdrático não impede o desdobramento da


superada
cátedra.

Súmula n-' 11 - A vitaliciedade não impede a extinção do cargo, ficando o funcionário em


superada
disponibilidade, com todos os vencimentos.

8.8. LEGISLAÇÃO REVOGADA

Súmula n- 408 - Os servidores fazendários não têm direito a percentagem pela arrecadação
superada
de receita federal destinada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico.

Súmula n° 384 - A demissão de extranumerário do serviço público federal,'equiparado a


funcionário de provimento efetivo para efeito de estabilidade, é da competência do Presi­ superada
dente da República. • a * « ,

'Súmula n11 50 - A lei pode estabelecei- condições para a demissão de extranumerário. superada

Súmula n- 48 - É legítimo o rodízio de docentes livres na substituição do professor cate-


superada
drático.

Súmula n‘- 33 - A Lei 1.741. de 22.11.1952, é aplicável às autarquias federais. superada

Súmula n<; 32 - Para aplicação da Lei 1.741, de 22.11.19S2, soma-se o tempo de serviço
superada
ininterrupto em cargo em comissão e cm função gratificada.

Súmula n- 31 - Para aplicação da Lei 1.741, de 22.11.19S2, soma-se o tempo de serviço


superada
ininterrupto em mais de um cargo em comissão.

Súmula n” 30 - Servidores dc coletnrias não têm direito a percentagem pela cobrança de


superada
contribuições destinadas a Petrobras.

Súmula n" 29 - Gratificação devida a servidores do “sistema fazendário" não se estende aos
superada
dos Tribunais de Contas.

Súmula n° 26 - Os servidores do instituto de aposentadoria e pensões dos industiiários não


podem acumular a sua gratificação bienal com o adicional de tempo de serviço previsto no superada
Estatuto dos Funcionários Civis da União.

Súmula n" 13 - A equiparação de extranumerário a funcionário efetivo, determinada pela


Lei 2.204, dc 09.08.1954, não envolve reestruturação, não compreendendo, portanto, os superada
vencimentos.

8.9. NOMEAÇÃO

Súmula Vinculante n° 13 - A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha


reta, colateral ou por afinidade, até o'terceiro grau, inclusive, da auto ridade nomeante
ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou asses-
soram enlo. para o exercício de cargo cm comissão ou de confiança, ou, ainda, de função vinculante
gratificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal c dos municípios, compreendido o ajuste mediante desig­
nações recíprocas, viola a Constituição Federal.
i

í
]
CAPÍTULO II

DIREITO CIVIL
1. Compromisso de compra e 6. Direitos de vizinhança 12. Sucessões
venda de imóveis
7. Pena de comisso 13. Usucapião
2. Concubinato 8. Prescrição 14. Outros
3. Contratos 9. Proteção possessória 15. Legislação revogada
4. Desquite 10. Regime de bens
16. Quadro
5. Direito autoral 11. Responsabilidade civil sinóptico.

1. CO M PRO M ISSO D E COM PRA E V EN D A D E IM Ó V EIS


SÚMULA Ns 4 1 3 - O COMPROMISSO D E COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS, AINDA QUE NÃO LOTEA­
DOS, DÁ DIREITO À EXECUÇÃO COMPULSÓRIA, QUANDO REUNIDOS OS REQUISITOS LEGAIS.

• Sú m u la ap lic á ve l. • D ata: 2*.6.2964. 9 Referência legislativa: CC/2926, ares. 1.122 e 1.126. CPC/1939, arts. 346, § l s, e
2006, § 2 * . Lei n* 649/1949, art. 1*. DL n* 58/1937, arts 11, 16, 21 e 22. Dec. n* 3.079/1938, arts. 11 e 2 2 .9 Precedentes:
R E 15368. DJ 10.9.1951; R E 16677, D} 2.4.1952; R E 26411, D j 20.1.1955; R E 26411 embargos, DJ 29.11.19S6; R E 38436, DJ
21.1.1959; R E 40983, Df 22.1.1959; A ( 20SS3, Df 23.7.1959; R E 38297, D j 13.8.1959.9Enunciado so b a CF/1946, que atribuía
ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das ieis federais. Hoje, essa competên­
cia ê do ST } (CF/88, a r t 105, IU).

Vide comentários às súmulas 166 e 167, adiante.

(3 Ação de adjudicação compulsória. Entre os requisitos legais referidos na Súmula 413 está a
necessidade da inscrição do contrato no Registro de Imóveis, segundo a jurisprudência do STF
(...]. (STF, 1a Turma. RE 103S01/DF. Rei.: Min. Sydney Sanches. DJ 12.4.1985)

S ú m u l a n - 1 6 8 - P a r a o s e f e i t o s d o D e c .-L e i 5 8 , d e 1 0 . 1 2 . 1 9 3 7 , a d m it e - s e a in s c r iç ã o
I M O B I L I Á R I A D O C O M P R O M IS S O D E C O M P R A E V E N D A NO C U R S O D A A Ç Ã O .

• Sú m u la a p lic á ve l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: DL n ‘ 58/1937, art. 23. • Precedentes: At 25346, D)
28.9.1961: Al 25346 embargos, Df 25.1.1962; R E 40983 embargos. Dj 25.1.1962.

Vide comentários às súmulas 166 e 167, adiante.

S Ú M U L A N - 1 6 7 - N Ã O S E A P L I C A O R E G IM E D O D E C . - L E I 5 8 , D E 1 0 . 1 2 . 1 9 3 7 , A O C O M P R O M IS S O
D E C O M P R A E V E N D A N Ã O IN S C R IT O NO R E G IS T R O IM O B I L I Á R I O , S A L V O S E O P R O M IT E N T E V E N ­
D E D O R S E O B R IG O U A E F E T U A R O R E G IS T R O .

• Sú m u la a p l i c á v e l .* Data: 13.12.1963.• Referência legislativa: DL n9 58/1937, a rt 23. • Precedentes: R E 46988 embargos,


D} 20.11.1961; Al 25346, DJ 28.9.1961; Al 25346 embargos, D} 25.1.1962; RE 40983, Dj 25.1.1962; RE 5X302 embargos. D}
3.10.1963. • Enunciado sob a CF/1946, que atribula ao ST F competência para o controle da autoridade e do uniformidade de
interpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88, art. 105, UI).
Roberval Rocha . Albino Carlos Mauro J osé G.
100 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

0 DL ns 58/1937, que dispõe sobre o loteamento e a venda de terrenos para


pagamento em prestações, levando em consideração que as transações oriundas de
loteamento não transferiam o domínio ao comprador, uma vez que o art. 1.088 do
CC/1916 permitia a qualquer das partes arrepender-se antes de assinada a escritura
de compra e venda (o que deixava sem amparo os compradores de lotes, uma vez que
estes se escoravam somente na garantia da seriedade, da boa-fé e da solvabilidade das
empresas vendedoras), estatuiu normas que acautelaram o compromissário contra
futuras alienações ou onerações dos lotes comprometidos mediante contrato de com­
promisso de compra e venda, aumentando a segurança dessas transações.

A proteção que conferia, entretanto, era restrita aos contratos firmados sob re­
gistro: "nenhuma ação ou defesa se admitirá, fundada nos dispositivos desta lei, sem
apresentação de documento comprobatório do registro por ela instituído" (art. 23).
Posteriormente, o art. 25 da Lei nB 6.766/1979, que regulou o parcelamento do solo
urbano; ditou, de maneira assemelhada que "são irretratáveis os compromissos de
compra e venda, cessões"e promessas de cessão; os que atribuam direito a adjudica­
ção compulsória e, estando registrados, confiram çlireito real oponível a terceiros".
• , '* i
Vide comentários à Sumúlan9 166, adiante.

© Processual. Recurso especial. Ausência de pressupostos. Decisão que declara exigível a inter­
pelação prévia no rom pim ento de comprom isso de compra e venda não registrado, quando o
encargo do registro era do alienante. Esta decisão afina-se com o preceito da Súmula 167 do
STF. [...]. (STJ. 1a Turma. REsp 36140/SP. Rei.: Min. Humberto G om es de Barros. DJ 27.6.1994)

SÚ M U LA Nq 1 6 6 - É INADMISSÍVEL O ARREPENDIMENTO NO COMPROMISSO DE COMPRA E


VENDA S U J E IT O A O REGIME DO DEC.-LEI 5 8 , DE 1 0 . 1 2 .1 9 3 7 .

• Sú m u la a p lic á v e l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: DL n9 S8/1937, a rt. 15. • Precedentes: R E 49545, D)
2 4 .5.196 2.9 Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniform idade de
interpretação das leis federais. Hoje. essa competência é do STJ (CF/88. a rt. 105, lll).

O DL nQ 58/1937, que dispõe sobre o loteamento e a venda de terrenos para


pagamento em prestações, levando em consideração que as transações oriundas de
loteamento não transferiam o domínio ao comprador, uma vez que o art. 1.088 do
CC/1916 permitia a qualquer das partes arrepender-se antes de assinada a escritura
de compra e venda (o que deixava sem amparo os compradores de lotes, uma vez que
estes se escoravam somente na garantia da seriedade, da boa-fé e da solvabilidade das
empresas vendedoras), estatuiu normas que acautelaram o compromissário contra
futuras alienações ou onerações dos lotes comprometidos mediante contrato de com­
promisso de compra e venda, aumentando a segurança destas transações.

O art. 15 do referido decreto previa em seu texto que "os compromissários têm o
direito de, antecipando ou ultimando o pagamento integral do preço, e estando quites
com os impostos e taxas, exigir a outorga da escritura de compra e venda". Posterior­
mente, o art. 25 da Lei na 6.766/1979, que regulou o parcelamento do solo urbano,
ditou, de maneira assemelhada que "são irretratáveis os compromissos de compra e
venda, cessões e promessas de cessão, os que atribuam direito a adjudicação compul­
sória e, estando registrados, confiram direito real oponível a terceiros".
Direito C ivil 101

2. CONCUBINATO
SÚMULA N8 3 8 2 - A V ID A EM COMUM SOB O MESMO TETO, “MORE UXORIO", NÃO É INDISPENSÁ­
V E L À CARACTERIZAÇÃO DO CONCUBINATO.

• Sú m u la a p lic á v e l.» Dam 1 4 .1 9 6 4 » 1'ivm len tes: RF. 49212, D) 19.7.1962: RF.2004. />/ 6.9.1932.

Durante muito tempo, a união prolongada entre homem e mulher, sem casamen­
to, foi chamada de concubinato1'1.

0 art. 1.727 do CC/2002, porém, distingue o concubinato (concubinato impuro) da


união estável (antigo concubinato puro), adequando o instituto à sua origem, que repre­
senta a união decorrente de relações adulterinas, quando um dos concubinos mantém
convivência, também, com seu respectivo cônjuge. É o denominado "amantismo", que
não pode, em princípio, configurar entidade familiar, ficando submetido ao tratamento
das relações meramente obrigacionais, apartadas, pois, do direito de família'10.

' O intuito do enunciado sumujar foi garantir à concubina o direito ao reconheci­


mento da sociedade de falo, e de suas consequências patrimoniais, independente­
mente da convivência com o companheira sob o mesmo teto. Entendimento este que,
semelhantemente, aplica-se ao iíistituto da união estável, pois a coabitação também
não configura requisito essencial ao seu reconhecimento.

SI Sociedade de fato. Prova Súmula n° 07 da Corte.' 1. Afirmando as instâncias ordinárias a


existência comprovada da relação concubinária, que prosseguiu com a vida more uxorio, a
intervenção da Coite para rever o termo inicial encontra o óbice da Súmula n° 07. 2. O tema
da recepção da Súmula n° 382 do Colendo Supremo Tribunal Federal está fora do âm bito
do recurso especial, sendo certo que a Lei n° 9.278/96, invocada pelo recorrente, não impõe
com o requisito para a configuração da entidade familiar a vida sob o m esm o teto. [...]. (STJ. 3a
Turma. REsp 278737/MT. R e i: Min. Carlos Alberto M enezes Direito. DJ 18.6.2001)

® Previdenciário. Concubinato. Pensão. 1. As pessoas tem maneiras infindas de viver se amando;


o concubinato, não obstante a palavra que é feia, é apenas uma delas. Embora a configuração,
para fins legais, desse estado de em oções dispense endereços, (Súmula 382, STF), há no caso
d estes autos evidente tentação ao reexam e de provas, o que não se adm ite em recurso esp e­
cial, (Súmula 7. S T J ) (...]. ( S T J 5a Turma. REsp 27592/SP. Rei.: Min. Edson Vidigal. DJ 19.12.1994)

Sl U H . Não exige a lei especifica (Lei n. 9.728/96) a coabitação com o requisito essencial para
caracterizar a união estável. Na realidade, a convivência so b o m esm o te to pode ser um dos
fundam entos a dem onstrar a relação comum, mas a sua ausência não afasta, de imediato, a
existência da união estável. II. Diante da alteração dos costum es, além das profundas m udan­
ças pelas quais tem passado a sociedade, não é raro encontrar cônjuges ou companheiros
residindo em locais diferentes. III. O que se m ostra indispensável é que a união se revista de
estabilidade, ou seja, que haja aparência de casam ento, com o no caso entendeu o acórdão
impugnado. [...). (STJ. 4a Turma. REsp 474962/SP. Rei.: Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira. DJ
1.3.2004) 3940

39. GONÇALVES, Carlos Roberto. D ireito civil brasileiro. Vol. VI. 2. ed., rev. c atual. São Paulo: Saraiva,
2006, p. 53(1.
40. ALVES, Jones Figueiredo; DELGADO, Mário Luiz. Código Civil anotado. São Paulo: Método, 2005, p.
887, adcndam que tais relações, contudo, são submetidas a esse ramo do direito, no que diz respeito a
eventual prole, no que concerne aos direitos dos filhos e ao exercício do poder familiar pelos pais.
Roberval Rocha Albino C arlos Mauro José G.
102 Ferreira Filho ' Martins V ieira da C osta

► CC. Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e
a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com
o objetivo de constituição de família. ► A rt 1.727. As relações não eventuais entre o
homem e a mulher, impedidos de casar, constituem concubinato.

S ú m u l a n b 3 8 0 - C o m p r o v a d a a e x i s t ê n c i a d e s o c ie d a d e d e f a t o e n t r e o s c o n c u b in o s ,
é c a b ív e l a sua d is s o l u ç ã o j u d ic ia l , co m a p a r t il h a do p a t r im ô n io a d q u ir id o pelo

E S FO R Ç O COM UM .

• S ú m u la a p Iic á v e l.« D a (a :S .4 .1964»PrecedenCes: R E 29561, D J29.10.1953; R E 44108, DJ 4.8.1960; R E 26329, DJ 11.8.1961;


A l 24430, DJ 15.6.1961; R E 49064, Dj 18.1.1962; R E 52217, D] 12.9.1963; R E 9855, DJ 28.5.1948; A l 12991, DJ 21.8.1947. •
Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniform idade de interpreta­
ção das leis federais. Hoje, essa competência é do ST ) (CF/88, art. 105, lll).

As relações patrimoniais oriundas do concubinato não são normatizadas pelo


direito de família, mas, sim, pelo direito das obrigações41, pois constituem o que se
denomina sociedade de fato e, como tal, podem ser discutidas e resolvidas em juízo.
Dissolvida a relação-entremos concubinos,.cada qual fará jus à metade do patrimônio
adquirido pelo esforço conjunto.
já no caso de união estável/quanto ao regime de bens e à meação,-o art. 1.725
do CC/2002 manda aplicar, regra geral, o estatuto da comunhão parcial42'43 e admite,
também, a estipulação de contrato de convivência.

S] "Ação aponta descumprimento de súmula sobre dissolução judicial de sociedade". O min.


Ayres Britto é o relator da Rcl 11235 ajuizada contra decisão do STJ, que supostamente violou
a Súmula 380 da Suprema Corte. O enunciado afirma que é cabível a dissolução judicial, com
partilha do patrimônio adquiridos pelo esforço do casal, quando comprovada a existência de
sociedade de fato entre os concubinos. A reclamação é o instrumento jurídico apropriado para
garantir a autoridade das decisões do Supremo. O autor da ação alega que, no caso, houve a
“ dissolução judicial da sociedade de fato, mas ficarãm pendentes valores referentes a transfe-
- rências bancárias que agora estão sendo cobrados dele como sendo "supostos empréstimos
pessoais". O autor afirma que, na verdade, esses valores são referentes ao patrimônio constru­
ído em comum. Segundo ele, ao manter a cobrança dos "supostos empréstimos" e não aplicar
o entendimento do STF ao caso, o STJ "insiste em não fazer cumprir o que estatui a Súmula
380". O autor do processo afirma que a súmula foi aplicada pelo juiz da vara de família, mas
ignorada nos autos da ação de cobrança dos supostos empréstimos por todas as instâncias
do Judiciário. (STF, site, Notícias 8.2.2011)

© i 1 Sociedade de fato. Concubinato impuro. [...]. 2. Não destoa o v. acórdão recorrido da orien­
tação emanada desta Corte acerca da possibilidade de dissolução de sociedade de fato, ainda
que um dos concubinos seja casado, visto que o denominado concubinato impuro não consti­
tui circunstância impeditiva da aplicabilidade da Súmula 380 do Supremo Tribunal Federal. [...).
(STJ. 4a Turma. AgRg no Ag 746042/SP. Rei.: Min. Fernando Gonçalves. DJ 17.9.2007)

41. ALVES, jones Figueiredo; DELGADO, Mário Luiz. Código Civil anotado. São Paulo: Método, 2005, p.
887, adendam que tais relações, contudo, são submetidas a esse ramo do direito, no que diz respeito a
eventual prole, no que concerne aos direitos dos filhos e ao exercício do poder familiar pelos pais.
42. Ibid., p. 885: "A previsão legal do regime de bens, no que determina o regime da comunhão parcial de
bens, é inovação saudável, deixando de se aplicar a presunção de condomínio para ditas sociedades de
fato (Súmula 380 d» STF) não institucionalizadas, então, como entidades familiares”.
43. Enunciado n'J 115 da I jornada de Direito Civil - Art. 1.725: "Há presunção de comunhão deaquestos
na constância da união extramatrimoniaI mantida entre os companheiros, sendo desnecessária a pro­
va do esforço comum para se verificar a comunhão dos bens".
D ireito C ivil 103

I8l (...) Dissolução de sociedade de fato ocorrida antes da Lei n. 9.278/1996. Contribuição da
mulher para a consolidação do patrimônio comum. Comprovação. Matéria de fato. Súmulas n.
380-STF e 7-STJ. Aplicação. Partilha de bens. [...]. I. Comprovada a participação direta e indireta
da mulher na consolidação do patrimônio do casal enquanto perdurou a união estável, cujo
término ocorreu antes da vigência da Lei n. 9.278/1996, faz jus à partilha dos bens, adquiri­
dos durante a vida em comum, nos termos da Súmula n. 380 do STF. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp
623566/RO. Rei.: Min. Aldir Passarinho Junior. DJ 10.10.2005)

SI [...] 2. Admite o entendimento pretoriano a possibilidade da dissolução de sociedade de fato,


ainda que um dos concubinos seja casado, situação, aliás, não impeditiva da aplicabilidade
da Súmula 380 do Supremo Tribunal Federal que, no entanto, reclama haja o patrimônio, cuja
partilha se busca, tenha sido adquirido "pelo esforço comum". [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 257115/
RJ. Rei.: Min. Fernando Gonçalves. DJ 4.10.2004)

0 União estável. Partilha do patrimônio. Alimentos. Dissidio. 1. Não afirmando o Acórdão recor­
rido que a mulher deixou de prestar a sua colaboração indireta, que admitiu a participação,
sob pena de enriquecimento ilicito, não há falar em violação aos artigos 1.363 e 1.366, longe
o conflito com a Súmula n° 380 do Supremo Tribunal Federal, cabível, portanto, a partilha do'
patrimônio adquirido durante a convivência, afastada a parte que já pertencia ao varão. [...].
(STJ. 3a Turma-, RESp 214114/RS. Rei.: Min. Caslos Alberto Menezes Direito. DJ 9.6.2003)

0 (...) Causa decidida à base de fatos, segundo a solução pretoriana consolidada na Súmula n°
380 do Supremo Tribunal Federal, /n verbis. "Comprovada a existência de sociedade de fato entre
os concubinos, é cabível a sua dissolução judicial, com a partilha do patrimônio adquirido pelo
esforço comum". [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 92131/ES. Rei.: Min. Ari Pargendler. DJ 21.2.2000)

0 Sociedade de fato. Dissolução afirmando o acórdão que a autora dirigia seus rendimentos ao cus­
teio das despesas domésticas, ensejando, assim, que o companheiro adquirisse patrimônio, está
reconhecida colaboração, não havendo dissidio com o enunciado da Súmula 380 do Supremo Tri­
bunal Federal. (...). (STJ. 3a Turma. REsp 27219/RJ. Rei.: Min. Eduardo Ribeiro. DJ 9.11.1992)

181 Sociedade de fato entre concubinos. Dissolução judicial. Ação proposta por espólio. Súmula 380/
STF. 1. A criação pretoriana inscrita no verbete de n. 380 da Súmula do STF tem por referência os
arts. 1363 e 1366 do Cód. Civil; os efeitos patrimoniais, ali descritos, decorrem do direito das obri­
gações. 2. Em casos dessa ordem, ainda que tais efeitos alcancem sobrinhos de um dos concubi­
nos, não se pode aplicar, por analogia, para impedir esse alcance, norma que compõe o direito das
sucessões. (...). (STJ. 3a Turma. REsp 4599/RJ. Rei.: Min. Nilson Naves. DJ 20.5.1991)

0 [...] I. Verifica-se a sociedade concubinária quando resta comprovado que ambos os compa­
nheiros contribuíram para a formação do patrimônio comum, a teor do que consubstancia a
Súmula 380 do STF. (...]. (STJ. 3a Turma. REsp 8188/SP. Rei.: Min. Waldemar Zveiter. DJ 6.5.1991)

► C C Art. 1.725. Na união e^ vel, isàlvcifcõntríátò éscrito entre os companheiros,'aplicasse às


relações patrimoniais, no .que coubeí-o regime çla comunhão parcial de bens.

3. CONTRATOS
S Ú M U L A N® 489 - A C O M P R A E V E N D A D E A U T O M Ó V E L NÃO P R E V A L E C E C O N TR A T E R C E IR O S . D E

B O A - F É , S E O C O N T R A T O N Ã O F O I T R A N S C R I T O N O R E G I S T R O D E T Í T U L O S E D O C U M E N T O S . *•

• Sú m u la a p lic á v e l.» D a ra ; 3.12.1969. • Referência legislativa: DL n 9 1.027/1939. Dec. nç 4.857/1939, a rt. 136, § § 5 , e 7 9.
• Precedentes: R E 51952. 0 / 14.6.1963; R E 64291, DJ 31.5.1968; R E 66338, DJ 16.5.1969. • Enunciado sob a CF/1969, que
a tribu la ao S T F competência p ara o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação dos le is federais. Hoje, essa
competência é do STJ (CF/88, a r t 10S, III).
Roeerval Rocha >5) Albino Carlos Mauro José G.
104 Ferreira Filho * Martins V ieira : da C osta

0 conteúdo da súmula foi mantido pela Lei ns 6.015/1973 - Lei dos Registros
Públicos, adiante transcrito.

g] Direico civil. Responsabilidade civil. Súmula n. 489 do STF. Extensão. A jurisprudência sumu-
lada pelo STF no verbete n. 489 diz respeito aos efeitos do contrato de compra e venda sem
registro como documento probatório da alienação, e não a responsabilidade civil decorrente
de acidente causado pelo veiculo alienado. [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 35606/PA. Rei.: Min. Clau-
d o Santos. DJ 13.9.1993)

IS Furto de veiculo. Responsabilidade do depositário. Alegação de ilegitimidade do autor por


não registrado o instrumento de venda. As regras dos artigos 135 do Código Civil e 129, 5
5a da Lei cos Registros Públicos, assim como o entendimento consagrado na Súmula 489
co Supremo Tribunal Federal, visam a resguardar a boa-fé de terceiro, questão que não se
apresenta na hipótese em que por ele não foi praticado qualquer ato, na suposição de que
proprietário fosse ainda o alienante. (STJ. 3a Turma. REsp 12575/SP. Rei.: Min. Eduardo Ribeiro.
D.I 7.10.1991)

► L R P .A rt. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir
. efeitos em. relação a terceipos: [...17°) as quitações, recibos a contratos de compra e venda
. de-automóveis, bem .como o penhqr destes, qualquer que seja a forma que revistam.

S Ú M U LA Ns 4 1 2 - NO C O M P R O M IS S O D E C O M P R A E V E N D A CO M C L Á U S U L A D E A R R E P E N D I ­
M E N T O , A D EV O LU Ç Ã O DO S IN A L , P O R Q U EM O D E U , OU A S U A R E S T IT U IÇ Ã O EM D O B R O , P O R
Q U E M O R E C E B E U , E X C L U I IN D E N IZ A Ç Ã O M A IO R A T Í T U L O D E P E R D A S E D A N O S , S A L V O O S JU R O S
M O R A T Ó R IO S E O S E N C A R G O S D O P R O C E S S O .-

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 1ç 6.1964. • Referência legislativa: CC/1916, arts. 1.059, 1.088 e 1.0 9 5 ,2 aparte. • Precedentes:
A l 19927, DJ 4.6.1959; R E 41160, DJ 22.1.1959; R E 44122, DJ 8.9.1960; A l 30135, DJ 3.10.1963; R E 45040, DJ 3.10.1963; R E
41955, I j 28.1.1949. ê Enunciado so b a CF/1946, que atribula ao S T F competêncja para o controle da autoridade e do unifor­
midade de interpretação des leis federais. Hoje. esso competência é do STJ (CF/88, art. 105, III).

Koje. o enunciado dessa súmula consta, em linhas gerais, expressamente no art.


420 do CC/2002.

Nos casos em que o contrato estipular a possibilidade de arrependimento, o sinal


indenizará a parte prejudicada pelo exercício desse direito, de modo que sua natureza
será penitencial, ao punir o contratante que exerce o direito de se arrepender. Não
será possível indenização suplementar, pois o arrependimento já estava previsto des­
de a celebração do contrato, de maneira que o valor do sinal já foi avaliado pelos con­
tratantes com o objetivo de indenizá-los no caso de arrependimento da outra parte.44

BI : : Ordinariamente, as arras são simplesmente confirmatórias e servem apenas para início de


pagamento do preço ajustado e, por demasia, se ter confirmado o contrato, seguindo a velha
tradição do direito romano no tempo em que o simples acordo, desvestido de outras forma­
lidades, não era suficiente para vincu ar os contratantes. O arrependimento da promitente
compradora só importa em perda c'as arras se estas foram expressamente pactuadas como
penitenciais, (...) (STJ. 4a Turma. REsp 1'0528/MG. Rei.: Min. Cesar Asfor Rocha. DJ 1.2.1999)

44. BDINE JR., Hamid Charaf. In: PELUSO, Cezar. (Coord.j. Código Civil comentado. 2. ed„ rev. e atual.
Barueri: Manole, 2008, p. 406.
D ireito C ivil 105

® [...] Tratando-se de arras penitenciais, a restituição em dobro do sinal, devidamente corrigido,


pelo promitente-vendedor, exclui indenização maior a título de perdas e danos. Súm. 412-
STF e precedentes do STJ. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 34793/SP. Rei.: Min. Barros Monteiro. DJ
30.3.1998)

t§] [...] 1. Tratando-se de arras penitenciais, prevista no contrato a cláusula de arrependimento,


impõe-se a perda do valor a tal título pago, aplicando-se a Súm. 412 do colendo STF. (...). (STJ.
3a Turma. REsp 115155/RS. Rei.: Min. Carlos Alberto Menezes Direito. DJ 2S.2.1998)

81 Compromisso de compra e venda de imóvel. Arras. Perdas e danos. No caso de arras peniten­
ciais a devolução do sinal e de ser efetuado em dobro, por quem o tenha recebido, afastada
indenização maior a titulo de perdas e danos. Súmula n. 412 do Supremo Tribunal Federal. [...].
(STJ. 4a Turma. REsp 8651/RS. Rei.: Min. Fontes de Alencar. DJ 3.8.1992)

SI Arras. A Súmula 412 do Supremo Tribunal Federal refere-se aos compromissos com cláusulas
de arrependimento, não se aplicando àqueles em que as arras sejam apenas confirmatórias. O
artigo 1097 do Código Civil não há de ser interpretado como tratando as arras sempre como
penitenciais, equiparando as hipóteses.errí que se avença a faculdade’de a parte poder arre­
pender-se aquelas em que inexiste tal óláuslila. Inaplicáveis, de qualquer sorte, quando o des-
cumprimen.to deveu-se a quem recebeu o sinal. (STJ. 3a Turma. REsp 1267/RJ. Rei.: Min. Eduardo
Ribeiro. DJ 5.3.1990) . .• *

► CC. A rt. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das
partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu
perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devoÍvê-Ías-á, mais o equiva­
lente. Em ambos os casos, não haverá direito à indenização suplementar.

SÚ M U LA Ne 335 - É V Á L ID A A C L Á U S U L A D E E L E IÇ Ã O D O F O R O P A R A O S P R O C E S S O S O R IU N D O S
D O C O N T R A T O .-

• S ú m u la m itig a d a .« D u ra : 13.12.1963. •R eferê n cia legislativa: CC/1916, art. 42. CPC/1939, art. 133. Dec. n ° 4.857/1939,
art. 259, § l 9. • Precedentes: R E 34791, DJ 31.10.1957. • Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para
o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do STJ ( CF/88', art.
105, Ui).

A competência relativa, ditada nas normas processuais para atender aos interes­
ses das partes envolvidas, em atenção ao princípio dispositivo que a informa, pode ser
objeto de convenção, normalmente por meio de cláusula contratual de eleição de foro,
como permite o art. 111 do CPC.

Já a competência absoluta, consoante se depreende da lei processual, por ser ma­


téria de ordem pública, não pode ser derrogada pelas partes contratantes. Assim, a
cláusula contratual que sobre ela intentar disposições modificadoras é reputada não
escrita e não produz nenhum efeito processual.45

Registre-se, contudo, que o enunciado deve ser mitigado diante das disposições
do Código de Defesa do Consumidor (CDC), pois o foro de eleição previsto nos con-

45. NERY |R., Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil comentado e legislação
extravagante. 10. ed„ rev., aluai, e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 367.
Roberval Rocha „ Albino Carlos r Mauro José G.
106 Ferreira Filho 88 Martins V ieira * da C osta

tratos consumeristas não vale quando o consumidor é hipossuficiente ou quando o


contrato seja de adesão, conforme reiterada jurisprudência do STJ46 [vide julgados
exemplificativos colacionados adiante).

® [...] I. Não padece de ilegalidade a cláusula contratual, constante de cédula de crédito indus­
trial, em que as partes convencionaram a praça de Curitiba para os respectivos pagamentos.
Hipótese que não se refere a contrato de adesão, nem de hipossuficiente. II. Em tal caso, é
competente o juízo do foro do contrato para a execução da cédula de crédito industrial. Apli­
cação do art. 41, § 8o, do Decreto-lei n° 413/69 e da Súmula n° 335 do STF. [...]. (STJ. 3a Turma.
REsp 362397/PR. Rei.: Min. Antônio de Pádua Ribeiro. DJ 16.12.2002)

BB [...) II. O STF, por meio do enunciado da Súmula 335, pronunciou-se favorável à validade da
cláusula de eleição de foro. [...]. (STJ. 3a Turma. AgRg no Ag 278032/SP. Rei.: Min. Antônio de
Pádua Ribeiro. DJ 2.10.2000)

g] [...) I. O foro de eleição objetiva facilitar os contratos em caso de demanda. Não confundem a
eleição de foro e a eleição de juízo. [...). (STJ. 5a Turma. REsp 33331/SP. Rei.: Min. Gilson Dipp.
DJ 31.5.1999) -

SI Contraio de adesão. Eleição de foro. Possibiliçlade. Artigo 111 do CPC. Súmula n° 335 do STF.
Não há contrato de adesão quandp es partes contratantes, sendo economicamente iguais,
livres e conscientes assinam contrato concordando com a eleição do foro. (STJ. 1a Turma. REsp
161548/SP. Rei.: Min. Garcia Vieira. DJ 10.8.1998)

SI Processual civil. Recurso especial. Apontada negativa aos artigos 105, inciso III, 126 e 301,
inciso VII, todos do Código de Processo Civil e a Súmula n. 335, do Pretório-Excelso. Foro de
eleição. I. O denominado foro de eleição tem como objetivo facilitar os contratantes na even­
tualidade da demanda. São inconfundíveis a eleição de foro e a eleição de juízo. [...). (STJ. 6a
Turma. REsp 31517/SP. Rei.: Min. Pedro Acioli. DJ 27.9.1993)

@ [...] 1. Pacífico o entendimento no âmbito da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça de


que prevalece o foro de eleição, no caso de aquisição de "sofisticadíssimo equipamento des­
tinado à realização de exames médicos levada a efeito por pessoa jurídica nacional é pessoa
jurídica estrangeira". 2. O fato de o contrato submeter-se à disciplina do Código de Defesa do
Consumidor, por si só, não coloca em risco e nem exclui a validade da cláusula relativa ao foro
de eleição. [...). (STJ. 2a Seção. CC 42591/SP. Rei.: Min. Fernando Gonçalves. DJ 22.10.2007)

gj U M . Nas causas envolvendo relação de consumo, compreende-se como absoluta a compe­


tência, definida pelo foro do domicílio do consumidor, se reconhecida a sua hipossuficiência.
[...]. (STJ. 4a Turma. AgRg no REsp 821935/SE. Rei.: Min. Aldir Passarinho Júnior. DJ 21.8.2006)

g] [...) 1. Em se tratando de relação de consumo, tendo em vista o princípio da facilitação de defesa


do consumidor, não prevalece o foro contratual de eleição, por ser considerada cláusula abusiva,
devendo a ação ser proposta no domicílio do réu, podendo o juiz reconhecer a sua incompe­
tência ex officio. (STJ. 2a Seção, CC 48647/RS. Rei.: Min. Fernando Gonçalves. DJ 5.12.2005)

46. CARVALFfO SILVA, |orge Alberto Quadros de. Código de Defesa do Consumidor anotado. 4. ed. atu­
al. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 211: "A cláusula de eleição de foro, na relação jurídica de consumo, é
abusiva, permitindo que o juiz ex officio decline de sua competência, em favor daquele com jurisdição
sobre o foro do domicílio do consumidor, nos termos do art. 101,1, do CDC. [...] 0 STJ tem entendido
que o critério determinativo da competência, nas ações derivadas de relações de consumo, é de ordem
pública, razão por que não incidiría, nesses casos, a Súmula 33 daquele tribunal, nos termos: 'A incom­
petência relativa não pode ser declarada de ofício'."
Direito C ivil 107

SI [•■■] Contrato de compra e venda de unidades imobiliárias. Foro de eleição. Código de Defesa
do Consumidor. 1. Prevalece a cláusula de eleição de foro quando o acórdão, expressamente,
afirma que a recorrente não é hipossuficiente, trata-se de investimento patrimonial, deixando
de identificar qualquer dificuldade que possa servir de apoio para afastar o foro eleito livre­
mente pelas partes. (STJ. 3a Turma. REsp 698499/SP. Rei.: Min. Carlos Alberto Menezes Direito.
DJ 5.12.2005)

® (...] Em se tratando de relação de consumo e tendo em vista o princípio da facilitação da


defesa do hipossuficiente, não prevalece o foro contratual de eleição quando estiver distante
daquele em que reside o consumidor em razão da dificuldade que este terá para acompanhar
o processo. (STJ. 2a Seção. CC 41728/PR. Rei.: Min. Fernando Gonçalves. DJ 18,5.2005)

SI [...] 2. Como já decidiu esta Corte, as "ações pertinentes a relações de consumo, em geral,
devem ser ajuizadas no domicílio do consumidor quando reconhecida a dificuldade de se
defender em outra comarca, prevista em contrato de adesão”(CC n° 18.589/GO, de minha rela-
toria, DJ de 24.5.99). [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 586634/MT. Rei.: Min. Carlos Alberto Menezes
Direito. DJ 17.12.2004)

g] [...] A nulidade da ctáusula que coloque o consumidor em desvantagem exagerada há de ser


•reconhecida, não só-no plano do direito material, rças também no processual. Ineficaz será
' a-próteção deferida; com o reconhecimento de seus direitos, se a defesa em juízo pode ser
sensivelmente prejudicada. Hipótese em que o ajuizamento do processo no foro de eleição
praticamente inviabiliza a defesa. Possibilidade de declaração, de oficio, da nulidade da cláu­
sula em que se preestabeleceu o foro, bem como de que se decline da competência, ainda
sem prévia provocação. (STJ. 2a Seção. CC 20969/MG. Rei.: Min. Eduardo Ribeiro. DJ 22.3.1999)

► CPC. A r t 111. A competência em razão da matéria e da hierarquia é inderrogável por


convenção das partes; mas estas podem modificar a competência em razão do valor e do
território, elegendo foro onde serão propostas as ações oriundas de direitos e obrigações.

SÚ M U LA N2 165 - A V E N D A R E A L IZ A D A D I R E T A M E N T E P E L O M A N D A N T E A O M A N D A T Á R IO NÃO É
A T IN G ID A P E L A N U L ID A D E DO A R T . 1.133, I I , D O C Ó D IG O C l V I L .

• Sú m u la s u p e r a d a .* Data: 13.12.1963.%Precedentes: R E 42815 embargos, D J27.7.1961; AR 124 embargos, DJ 27.1.1949.%


Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniformidade de interpreta­
ção das leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (C F/88, art. 105, III).

A norma a que se refere o enunciado, o art. 1.133, II, do CC/1916, não foi mantida
no texto do CC/2002. Antes, a lei civil proibia que pudessem ser comprados, ainda que
em hasta pública, pelos mandatários, "os bens, de cuja administração ou alienação
estejam encarregados".

Agora, a regra é a do artigo 497,1, do novo diploma civil.

Antes, não se admitia a restrição quando as partes se faziam presentes no ato


realizado de forma direta; aí ocorria um ato negociai como qualquer outro (esse o
sentido da súmula).
O mandatário podia ser autorizado, no próprio mandato, a adquirir o bem, o que
fazia surgir a problemática do mandato em causa própria e do contrato consigo mes­
mo. O mesmo se aplica quando do mandato constam, precisamente, todas as condi­
ções de venda, o que não permite maior atividade voluntária do mandatário. Afora
Roberval Rocha A lbino Carlos Mauro José G.
108 Ferreira Filho Martins V ieira da C osta

essa situação, o que a lei hoje veda, em linhas gerais, é a aquisição pelo mandatário
com poderes gerais de administração, pois, nesse caso, a proibição decorre da própria
natureza das disposições sobre o mandato, uma vez que o art. 661 do CC/2002, de
modo semelhante ao art. 1.295 do sistema anterior, determina que "o mandato em
termos gerais só confere poderes de administração”, e que, "para alienar, hipotecar,
transigir, ou praticar outros quaisquer atos que exorbitem da administração ordiná­
ria, depende a procuração de poderes especiais e expressos” (art. 661, § 1B). Proibição
que alcança qualquer modalidade de mandato e que, hoje, nulifica o ato.'7

® (...) 1. Configurado pelo acórdão recorrido cenário fático que demonstra ter mesmo havido
a venda do mandante ao mandatário nas condições da Súmula n° 165 do Supremo Tribunal
Federal, não há falar em violação ao art. 1.133, II, do Código Civil. (...]. (STJ. 3a Turma. REsp
431395/ES. Rei.: Min. Carlos Alberto Menezes Direito. DJ 24.2.2003)

SI (...) A venda realizada diretamente pelo mandante ao mandatário não e atingida pela nulidade
do artigo 1.133, II, do Código Civil. A tese da Súmula 165 do Supremo Tribunal Federal aplica-
-se tanto aos casos de mandatários copT poderes de simples administração, como aqueles
com poderes para a venda do bem. Caso de venda não efetuada diretamente pelo mandante.
(...). (STJ. 4a Turma. REsp 1684/MG. Rei.: Mirj. Athos Carneiro. DJ,9.4.19J)0) '

► CC. A rt. 497. Sob pena de nulidade, não podem ser comprados, ainda que em hasta
pública: I - pelos tutores, curadores, testamenteiros e administradores, os bens confiados à
sua guarda ou administração.

Sú m u la n- 105 - S a l v o s e t i v e r h a v id o p r e m e d it a ç ã o , o s u ic íd io d o s e g u r a d o n o p e r í ­
odo C O N T R A T U A L D E C A R Ê N C IA NÃO E X IM E O S E G U R A D O R DO P A G A M E N T O D O S E G U R O .

• S ú m u la s u p e ra d a .• Data: 13 .12.19 63.9Referência legislativa: CC/1916, art. 1.440.9 Precedentes: A l 30858, D j S.S. 1964:
R E 31331 embargos, D j 9.7.1959: R E 47991, Dl 7.8.1961: R E 47991 embargos. Dj 12.4.1962: R E 50389, Dj 5.7 .1962 .9 En un ­
ciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para o cnntrnleda autoridade e da uniformidade dc interpretação das
leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88, ort. 105, III).

0 parágrafo único do art. 1.440 do antigo CC, que não possui correspondente no
atual diploma, considerava "morte voluntária a recebida em duelo, bem como o suicí­
dio premeditado por pessoa em seu juízo”.

Entende-se como premeditada a supressão da vida com predeterminação. Fato­


res externos que levem à alienação psicológica ou retirem o autocontrole emocional,
decorrentes de lesões psíquicas ou graves transtornos de humor, e que levem a pes­
soa a dar cabo da própria vida, contudo, não são tidos por razões voluntárias e não
eximem a seguradora de cumprir o contrato.

Com a CF/1988, houve a transferência de competência para a uniformização


da interpretação da lei federal ao STJ, que, exarou enunciado sobre o tema (adiante
transcrito), e, mais recentemente, o art. 798 do CC/2002 estabeleceu regras mais pre­
cisas para o caso.

g] Súmula STJ n° 61: O seguro de vida cobre o suicídio não premeditado.4


7

47. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil. Vol. III, 8. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 28-29.
Direito C ivil 109

BI Seguro. Acidentes pessoais. Suicídio involuntário. O suicídio desintencional está abrangido


pelo seguro de acidentes pessoais. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 16560/SC. Rei.: Min. Fontes de
Alencar. DJ 22.6.1992)

Bl Seguro. Acidentes pessoais. O suicídio não premeditado é de considerar-se abrangido pelo


conceito de acidente para fins de seguro. Invalidade da cláusula exdudente desse risco. (STJ.
3a Turma. REsp 6729/MS. Rei.: Min. Eduardo Ribeiro. DJ 3.6.1991)

SI Direito civil. Seguro. Suicídio involuntário. É inoperante a cláusula que, nos seguros de acidentes
pessoais, exclui a responsabilidade de seguradora em casos de suicídio involuntário. A seguradora,
ainda, compete a prova de que o segurado se suicidou premeditadamente, com a consciência de
seu ato. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 194/PR. Rei.: Min. Barros Monteiro. DJ 2.10.1989)

► CC/2002. Art. 798. O beneficiário não tem direito ao capital estipulado quando o segu­
rado se suicida nos primeiros dois anos de vigência inicial do contrato, ou da suá recondu­
ção depois de suspenso, observado o disposto no parágrafo único do artigo antecedente.
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese prevista neste artigo, é nula a cláusula contratual
que exclui o pagamento do capital por suicídio do segurado. >

4. D E S Q U IT E . ‘
SÚ M U L A N9 3 7 9 - No A C O R D O D E D E S Q U I T E N Ã O S E A D M I T E R E N Ú N C IA A O S A L I M E N T O S , Q U E

P O D E R Ã O S E R P L E I T E A D O S U L T E R I O R M E N T E , V E R I F I C A D O S O S P R E S S U P O S T O S L E G A IS .

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 3.4.1964.9 Precedentes: R E 24324 embargos, D J30.11.1959; R E 42700, DJ 12.3.1964; R E 52009
embargos, DJ 12.3.1964; R E 52582, DJ 30.4.1964; R E 42756 embargos, DJ 2 8 .4 .1 9 6 6 .* Enunciado sob a CF/1946, que atribuía
ao S T F com petência para o controle da autoridade c da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje, essa competên­
cia é do STJ (C F/88, art. 105, lll).

A súmula foi editada sob o império do art. 404 do CC/1916, que, no tocante às re­
lações de parentesco, afirmava a possibilidade de não ser exercido o direito a alimen­
tos, mas impedia a sua renúncia. Poucos anos após a edição do enunciado, seu conte­
údo foi reforçado na lei que regula a ação de alimentos (art. 23 da Lei n2 5.478/1968)
0 instituto jurídico do desquite foi abolido em 1977, pela Lei nB 6.515, chama­
da Lei do Divórcio, que substituiu sua denominação por "separação judicial", termo
herdado pelo novo CC/2002, que o mantém como uma das causas de dissolução da
sociedade conjugal (art. 1.571 e ss).
Hoje, a prestação de alimentos é regulada nos arts. 1.694 a 1.710 do CC/2002.
Este último artigo veda a renúncia ao direito de alimentos.
0 STF sempre entendeu que os alimentos devidos entre ex-cônjuges não podiam
ser renunciados, não obstante o silêncio das normas aplicáveis. No entanto, o STJ vi­
nha se posicionando pela possibilidade de os ex-cônjuges estabelecerem entre si a
renúncia recíproca à pretensão alimentar. Todavia, diante da redação dada a esse art.
1.707, deve-se reconhecer que a opção do legislador foi a de tornar insusceptível de
renúncia todo e qualquer crédito de natureza alimentar, seja entre parentes, ex-côn-
juges ou ex-companheiros.48

48. MONACO, Gustavo F. de Campos. In: MACHADO, Antônio Cláudio da Costa. (Org.). Código Civil inter­
pretado. Barueri: Manole, 2008, p. 1329-1330.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G
110 Ferreira Filho ® Martins V ieira da Costa

H Súmula TFR n° 64: A mulher que dispensou, no acordo de desquite, a prestação de alimentos,
conserva, não obstante, o direito a pensão decorrente do óbito do marido, desde que com­
provada a necessidade do benefício.

M [...] A cláusula de renúncia a alimentos, constante em acordo de separação devidamente


homologado, é válida e eficaz, não permitindo ao ex-cônjuge que renunciou, a pretensão de
ser pensionado ou voltar a pleitear o encargo. [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 701902/SP. Rei.: Min.
Nancy Andrighi. DJ 3.10.2005)

Bl [•■•] 4. Quanto aos demais aspectos, esta Corte tem entendimento pacífico no sentido de "ser
admissível a renúncia ou dispensa de alimentos por parte da mulher se esta possuir bens ou
rendas que lhe garantam a subsistência, até porque alimentos irrenunciáveis, assim o são em
razão do parentesco (iure sanguinis) que é qualificação permanente e os direitos que dela
resultam nem sempre podem ser afastados por convenção ou acordo." (v.g. Resp 95.267/DF,
Rei. Min. Waldemar Zveiter, DJ de 25/02/1998). [...). 5. Quanto ao último aspecto - violação à
Súmula 379 do STF insta salientar que verbetes ou enunciados de Tribunais não equivalem à
dispositivo de lei federal para fins de interposição de recurso especial. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp
578511/SP. Rei.: Min. Jorge Scartezzini. DJ 18.4.2Q05)

® [,..]1. Se há dispensa mútua entre os cônjuges' quanto à prestação alimentícia e na conversão


da separação consensual em divórcio não se faz nenhuma ressalva quanto a essa parcela, não
pode um dos ex-cônjuges, posteriormente, postular alimentos, dado que já definitiva mente
dissolvido qualquer vínculo existente entre eles. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 199427/SP. Rei.: Min.
Fernando Gonçalves. DJ 29.3.2004)

BI (...) Não pode o ex-cônjuge pretender receber alimentos do outro, quando a tanto renunciara
no divórcio devidamente homologado, por dispor de meios próprios para o seu sustento. (...).
(STJ. 4a Turma. REsp 226330/GO Rei.: Min. Cesar Asfor Rocha. DJ 12.5.2003)

BI (...) Previdenciário. Pensão por morte. Alimentos. Súmulas 379-STF e 64-TFR. A dispensa do
direito à pensão alimentícia, por ocasião de separação judicial, é ato irrelevante, sendo que,
uma vez demonstrada a necessidade econômica superveniente, correta seria a concessão do
benefício. Recurso não conhecido. (STJ. 5a Turma. REsp 202759/SP. Rei.: Min. Felix Fischer. DJ
16.8.1999)

► CC. A r t 1.7Q7 Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar ó direito a alimen­
tos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessâò, compensação óu pehhora.

► Lei n° 8971/1994. A r t I o A.companheira comprovada de um homem solteiro, separado


judicialmente, divorciado ou viúvo, que com ete viva há mais de çinco anos, ou dele tenha
prole, poderá valer-se do dispoistó na Lei n° 5.478, de 25 de júlhõde f968,‘ enquanto não
constituir nova união e desde que pròvé a ‘necessidade.- c,.

► Lei n° 6515/1977, A r t 39 O capítulo III do Título II do Livro IV do;Código deProcesso


Civil, as expressões "desquite ,por; mútuo consentimento* ."desquijte';£"desgujte litigipso"
são substituídas por "separação consensual" e "separação judicial".

► Lei n° 5.478/1968. A r t 23. A prescrição quinquenal referida no art 178, 5 10, inciso I, do
Código Civil só alcança as prestações mensais e não o direito a alimentos, que, embora
irrenunciável, pode ser provisoriamente dispensado.
D ireito C ivil 111

S ú m u l a ns 3 0 5 - A c o r d o d e d e s q u it e r a t if ic a d o p o r a m b o s o s c ô n ju g e s não é r e t r a -
T Á V E L U N IL A T E R A L M E N T E .

• Sú m u la a p lic á v e l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CPC/1939, arts. 643, § l s, e 824, § 2 o. • Precedentes: R E
35915, DJ 2.5.1958; R E 30698 embargos, DJ 17.7.1958; R E 41006, DJ 8.5 .1959 .9 En u rciad o sob a CF/1946, que atribuía ao
S T F competência para o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje, essa competência
é do STJ (CF/88, art. 105, III).

0 instituto jurídico do desquite foi abolido em 1977, pela Lei n8 6.515, chamada
Lei do Divórcio, que substituiu sua denominação por "separação judicial”, termo her­
dado pelo CC/2002, que o mantém como uma das causas de dissolução da sociedade
conjugal (art. 1571 e ss).
0 escopo da súmula mantém-se no ordenamento atuai, aplicável à separação ju­
dicial consensual, conforme regulado no art. 1.574 do CC/2002, adiante transcrito.

E Separação consensual. Prazo de reflexão - dispensa - retratação unilateral. O juiz dispensará


a ratificação do pedido de separação se verificar que os cônjuges estão firmes em sua dis­
posição. Sobrevindo retratação, antes da homologação, evidencia-se que não havia aquela
segurança de propósito. Hipótese em que não se aplica o entencimento traduzido na Súmula
305 do'Supremo Tribunal'Federal, elaborada na vigência do Código de 39, em que semprè
obrigatória a ratificação.'(STJ. 3a Turma. REsp 24044/RJ. Rei.; M h. Nilson Naves. DJ 8.3.1993)

E l- l O juiz, dando pela manifesta e grave inconveniência da convenção aos interesses de um


dos cônjuges, pode deixar de homologar a separação, sem afrontar lei federal nem destoar da
jurisprudência, inclusive do Pretório Excelso. Antes, garante a ircidência do artigo 34, 5 2°. da
Lei 6.515/77. Retratação unilateral, Súmula 305 do STF. A retratação é manifestação unilateral
da vontade do cônjuge, sem necessidade de motivação. A faculdade do artigo 3A, § 2C, da Lei
do Divórcio, é ato fundamentado do magistrado no exercício de seu munus, adotado com ou
sem manifestação do interessado, com o objetivo de 'esguarda- o interesse de filho ou de um
dos cônjuges. Retratação unilateral e negativa de homologação são realidades ju-ídicas diver­
sas e inconfundíveis. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 1116/RJ. Rei.: Min. Athos Carneiro. DJ 18.12.1989)

► CC/2002. A r t 1.574. Dar-se-á a separação judicial por mútuo consentimento dos cônjuges
se forem casados por mais de um ano e o manifestarem perante o juiz, sendo por ele devir
damente homologada a convenção.

► CPC. A r t 1.122. 5 1o- Convencendo-se o juiz de que ambos, livremente e sem hesita­
ções, desejam a separação consensual, mandará reduzir a termo as declarações e, depois
de ouvir o Ministério Público no prazo de 5 (cinco) dias, o homologará; em caso contrário,
marcar-lhes-á dia e hora, com 15 (quinze) a 30 (trinta) dias de intervalo, para que voltem á :
fim de ratificar o pedido de separação consensual.

► Lei n° 6515/1977. A r t 39 O capitulo III do Título II do Livra IV do Código de Processo


Civil, as expressões 'desquite por mútuo consentimento", “desquite" e 'desquite litiçioso"
são substituídas por "separação consensual' e "separação judicial".

SÚ M U L A Ns 226 - N A A Ç Ã O D E D E S Q U I T E , O S A L I M E N T O S S Ã O D E V I D O S D E S D E A IN I C I A L E NÃ O

D A D A TA D A D E C IS Ã O Q U E O S C O N C E D E . ____________________________________________

• S ú m u la a p lic á v e l.• D o ía : 13.12.1963.9Referência legislativa: CC/1916. arts. 320 e 321. CPC/1973. a rt. 6 7 6 .9 Precedentes:
R E 35288, D J29.8.1957: A l 24590, D l 5.7.1962: A l 28115, D l 1 6 .ll.1 9 6 2 .rn Enunciaco sob a CF/1946, q u e a trib u .c ao S T F
competência para o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis fe d e ra is Hoje, essa competência é d o
S T I (CF/88, a r t 105,111).
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
112 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

Poucos anos após a edição dessa súmula, seu conteúdo foi previsto na lei que
regula a ação de alimentos. Lei ns 5.478/1968, ainda vigente, cujas normas aplicam-
-se, no que couber, às ações ordinárias de desquite (separação judicial), nulidade e
anulação de casamento, à revisão de sentenças proferidas em pedidos de alimentos e
respectivas execuções, cujo art. 13, § 2-, dispõe que, “em qualquer caso, os alimentos
fixados retroagem à data da citacão".

0 instituto jurídico do desquite foi abolido em 1977, pela Lei na 6.515, chama­
da Lei do Divórcio, que substituiu sua denominação por "separação judicial”, termo
herdado pelo novo CC/2002, que o mantém como uma das causas de dissolução da
sociedade conjugal (art. 1.571 e ss).

SI [••■] I- Julgada procedente ação de modificação de cláusula, com majoração do "quantum


debeatur", este é devido a partir da citação, e não da sentença que os modificou. Aplicação
do art. 13, § 2°, da Lei de Alimentos. [...). (STJ. 3a Turma. REsp 72287 RJ. Rei.: Min. Cláudio San­
tos. DJ 5.2.1996)
>.................... ' .......................................................................................................; ........................................................................................
0 Ação de alimentos cumulada com investigação de paternidade. Fixação do "dies o quo" da
prestação alimentícia. A prestação alimentícia é devida a partir da citação. Entendimento con­
sagrado pela Lei n. 5.478/68'e consubstanciãdò^na’ Súnqula -226 do c. StF. (STJ 3a Turma.
REsp 34425/SP. Rei.: Min. Gáudio Santós. DJ 21.3.1994)

► Lei n° 6515/1977. Art. 39 O capítulo III do Título II do Livro IV do Código de Processo


Civil, as expressões “desquite por mútuo consentimento", "desquite" e "desquite litigioso"
são substituídas por "separação consensual" e "separação judicial".

5. D IR E IT O A U T O R A L
S ú m u l a n 9 3 8 6 - P e l a e x e c u ç ã o d e o b r a m u s ic a l p o r a r t is t a s r e m u n e r a d o s é d e v id o
D IR E IT O A U T O R A L , NÃO E X IG ÍV E L Q U AN D O A O R Q U E S T R A F O R D E A M A D O R E S .

• Súmula superada.*D ata. 3.4.1964.uPrecedm ltes: R E 23448, DJ 16.9.1954; R E 32181 embargos. D J31.10.1959; R E 37549
embargos, DJ 22.6.1961; R E 46742. DJ 9.11.1961. • Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T E competência para o con tro­
le da autoridade e da uniformidade de in terpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88. art. 105,111).

Súmula superada pelo texto da nova Lei de Direitos Autorais, Lei nB 9.610/1998,
que, diferentemente do estatuto revogado'19, não distingue mais, para incidência de
direitos de autor, entre execução ce obras musicais feitas por artistas remunerados ou
por artistas não remunerados.4 9

49. A anterior Lei dos Direitos Autorais, Lei n9 5.988/1973, só fazia alusão a artistas "remunerados". Alt. 73.
"Sem autorização do autor, não poderão sei' transmitidos pelo radio, serviço de alto-falantes, televisão ou
outro meio análogo, representados ou executados em espetáculos públicos e audições públicas, que visem
a lucro direto ou indireto, drama, tragédia, comédia, composição musical, com letra ou sem ela, ou obra de
caráter assemelhado. J l 9 Consideram-se espetáculos públicos e audições públicas, para os efeitos legais, as
representações ou execuções em locais ou estabelecimentos, como teatros, cinemas, salões de baile ou con­
certo, boates, bares, clubes de qualquer natureza, lojas comerciais e industriais, estádios, circos, restaurantes,
hotéis, meios de transporte de passageiros terrestre, marítimo, fluvial ou aéreo, ou onde quer que se re­
presentem, executem, recitem, interpretem ou transmitam obras intelectuais, com a participação de artistas
remunerados, ou mediante quaisquer p 'ocessos fonomecânicos, eletrônicos ou audiovisuais."
D ireito C ivil 113

► LDA. Art. 68. Sem prévia e expressa autorização do autor ou titular, não poderão ser utili­
zadas obras teatrais, composições musicais ou lítero-musicais e fonogramas, em represen­
tações e execuções públicas. [...] § 2o. Considera-se execução pública a utilização de com­
posições musicais ou lítero-musicais, mediante a participação de artistas, remunerados ou
não, ou a utilização de fonogramas e obras audiovisuais, em locais de frequência coletiva,
por quaisquer processos, inclusive a radiodifusão ou transmissão por qualquer modalidade,
e a exibição cinematográfica.

6. D IR E IT O S D E VIZIN H A N ÇA
SÚ M U LA N- 414 - N Ã O S E D IS T I N G U E A V IS Ã O D IR E T A D A O B L ÍQ U A N A P R O IB IÇ Ã O D E A B R I R
J A N E L A , O U F A Z E R T E R R A Ç O , E IR A D O , O U V A R A N D A , A M E N O S D E M E T R O E M E IO DO P R É D IO D E
O U TREM .

• Sú m u la s u p e ra d a . 9 Data: 1-.6.1964.% Referência legislativa: CC/1916. art. 573. % Precedentes: RI: 24422. Df 14.10.1957;
R E 24422 embargos. Df 22.12.1955: R E 41333, l)f 23.9.1959; R E 41333 embargos, Df 30.11.1960; R E 43102, Df 22.1.1962:
I1E 43102 embargos. I)f 11.6.1961; R E 49556, Df 4.4.1963; R E 49556 embargos. Df 7.11.1963. •E n u n c ia d o sob a CF/1946. que
atribuía ao S T E competência para. o controle da autoridade e da uniformidade J e in terpretação das leis federais. Ijoje, essa
competência é do S T J (CE/OB, art. 105.111). ' ,

No CC/1916, a proibição de abrir janelas, fazer eirado, terraço ou varanda a me­


nos de metro e meio do terreno vizinho não distinguia entre’ a visão direta e a oblí­
qua*", conforme asseverou a súmula. No art. 1.301, caput, do CC/2002, a proibição
permanece - com o mesmo texto do diploma revogado mas foi flexibilizada com a
regra de seu primeiro parágrafo.
Se o objetivo da proibição da construção de janelas ou similares muito próximas
aos limites entre os prédios é evitar a visão direta sobre o imóvel vizinho, preservada
a privacidade e a intimidade dos moradores, a nova regra estabelece distâncias me­
nores para a visão indireta, pois, nesse caso, entende-se que a vulneração do direito à
privacidade não é tão incisiva.
Esse parágrafo primeiío, como se vê, superou o conteúdo da Súmula ns 414.

► CC. Art. 1.301. § 1o As janelas cuja visão não incida sobre a linha divisória, bem como as
perpendiculares, não poderão ser abertas a menos de setenta e cinco centímetros.

Sú m u la n - 120 - P a r e d e d e t ij o l o s d e v id r o t r a n s l ú c id o p o d e s e r l e v a n t a d a a m e n o s
D E M E T R O E M E IO D O P R É D IO V I Z I N H O , NÃO IM P O R T A N D O S E R V ID Ã O S O B R E E L E .

• S ú m u la a p lic á v e l. • D aía: 13.12.1963.% Referência legislativa: CC/1916, a rt. 573, § § I o e 2°. % Precedentes: R E 26371,
Df 18.4.1963; R E 49474 embargas, Df 8.8.1963. % Enunciado sob a C F/1946, que a trib u ía ao S T F com petência para o
con trole da a utoridade e da uniform idade de interpretação das leis fe d era is. Hoje, essa com petência ó do STJ (C F/88,
a rt. 105, III).

50. CC/1916, art. 573: “O proprietário pode embargara construção do prédio que invada a área do seu, ou
sobre este deite goteiras, bem como a daquele, em que, a menos de metro e meio do seu, se abra janela,
ou se faça eirado, terraço, ou varanda. § 1" A disposição deste artigo não abrange as frestas, seteiras,
ou óculos para luz, não maiores de 10 (dez) centímetros de largura sobre 20 (vinte) de comprimento.
§ 2a Os vãos, ou aberturas para luz não prescrevem contra o vizinho, que, a todo tempo, levantará,
querendo, a sua casa, ou cnntramuro, ainda que lhes vede a claridade".
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
114 Ferreira Filho '' Martins V ieira da Costa

Essa súmula está coerente com o CC/2002. Apenas deve-se ressaltar que os tijolos
translúcidos devem preservar a finalidade explicitada pelo legislador no art. 1.301 e pará­
grafos do diploma civil, qual seja, impedir a visão direta e a invasão da privacidade alheia.51

Vide comentários à Súmula n9 414, retro.

► CC. Art. 1.301 É defeso abrir janelas, ou fazer eirado, terraço ou varanda, a menos de
metro e meio do terreno vizinho. § 1° As janelas cuja visão não incida sobre a linha divi­
sória, bem como as perpendiculares, não poderão ser abertas a menos de setenta e cinco
centímetros. 5 2o As disposições deste artigo não abrangem as aberturas para luz ou ven­
tilação, não maiores de dez centímetros de largura sobre vinte de comprimento e construí­
das a mais de dois metros de altura de cada piso.

7. PEN A D E COMISSO
SÚ M U LA Ne 169 - D e p e n d e D E S E N T E N Ç A A A P L IC A Ç Ã O P A P E N A D E C O M IS S O .

• S ú m u la m itig ad a. * D a ta : 13.12.1963.* Referência legislativa: CC/F916, àrts. 692, II, « 1.092, parágrafo ú n ic o .* Preceden­
tes: R E 43139 embargos, DJ 14.12.1961; R E 45398 embargos, DJ 19.10.1961;'RE 47985 embargos, DJ 29.11.1962; R E 49239,
DJ 24.5.1962; R E 49846 embargos, DJ 25.7.1963; R E 50339, DJ 6.5.1963; R E 5208% DJ 7.11.1963; R E 53118 embargos, DJ
3 1 .1 0 .1 9 6 3 .* Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniformidade
de Interpretação das leis federais. Hoje, essa competência ó do STJ (CF/88, art. 105, Hl).

0 comisso é uma das formas de extinção da enfiteuse previstas no CC/1916. Ocor­


re quando o foreiro deixa de pagar as pensões devidas ao senhorio por três anos con­
secutivos52. No silêncio da lei civil, interpretou o STF que essa modalidade de extinção
de direito real deve ser decretada por sentença judicial.

O art. 2.038 do CC/2002 veda a constituição de novas enfiteuses, mas mantém


aquelas já existentes submetidas ao antigo diploma civil e à legislação esparsa ante­
rior, do que se depreen.de que a Súmula n“ 169 ainda mantém sua força nesses casos.

EH Terreno de marinha. Aforamento. Comisso. I. Ao aforamento de terreno de marinha aplica-se


a norma caducaria do art. 101, 5 2°, do Decreto-lei n. 9760/46. II. As Súmulas n. 122 e 169 do
Supremo Tribunal Federal dizem com o aforamento do Código Civil; não, com o especial de
que trata o decreto-lei mencionado [...]. (STJ 2a Seção. EAR 480/RJ. Rei.: Min. Fontes de Alen­
car. DJ 9.10.1990)

► CC. Art. 2.038 Fica proibida a constituição de enfiteuses e subenfiteuses, subordinando-se


as existentes, até sua extinção, às disposições do Código Civil anterior, Lei n° 3.071, de 1°
de janeiro de 1916, e leis posteriores. § 1° Nos aforamentos a que se refere este artigo é
defeso; I - cobrar laudêmio ou prestação análoga nas transmissões de bem aforado, sobre
o valor das construções ou plantações; II - constituir subenfiteuse. 5 2° A enfiteuse dos ter­
renos de marinha e acrescidos regula-se por lei especial.

51. LOUREIRO, Francisco Eduardo. In: PELUSO, Cezar. (Coord.). Código Civil comentado. 2. ed. rev. e atu­
al. Barueri: Manole, 2008, p. 1262.
52. CC/1916. Art. 692: "A enfiteuse extingue-se: [„.| II - pelo comisso, deixando o foreiro de pagar as
pensões devidas, por 3 (três) anos consecutivos, caso em que o senhorio o indenizará das benfeitorias
necessárias."
Direito C ivil 115

SÚMULA N9 1 2 2 - 0 ENFITEUTA PODE PURGAR A MORA ENQUANTO NÃO DECRETADO O COMISSO


POR SENTENÇA.

• S ú m u la m itig a d a . • Data: J3.12.1963. •R eferê n cia legislativa: CC/1916. arts. 692.11; 9 5 9 .1, e 1.092, parágrafo único. •
Precedentes: R E 53118. DJ 31.10.1963; R E 43139 embargas, DJ 14.12.1961; R E 45398 embargos. DJ 25.6.1962; R E 46700, DJ
25. 6. 1962; R E 47985. D J2.10.1962; R E 49239, DJ24.5.1962; R E 50339, D J25.9.1962; R E 49846 embargos, DJ3.1.1964.9Enun-
ciado sob a CF/1946, que atribuía ao S1'Fcompetência para o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das
leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88, art. 105, lll).

Vide comentários à Súmula nQ 169, retro.

8. PRESCRIÇÃO
SÚMULA N9 4 9 4 - A AÇÃO PARA ANULAR VENDA DE ASCENDENTE A DESCENDENTE, SEM CONSEN­
TIMENTO DOS DEMAIS, PRESCREVE EM VINTE ANOS, CONTADOS DA DATA DO ATO, REVOGADA A
SÚMULA 1 5 2 .

• Súm ula s u p e ra d a .* Data: 3.1 2.1)69.9Referência legislativa: CC/1916. arts. 177e 1 .1 3 2 .*l,rccedentes: kl: 59417, DJ 17A.1970;
ItE 65237. DJ 19.9.1969±RE 36690. DJ 12.9.1969. 0 Enunciado sah a CE/1969. tpie atribaia ao STEcompetência para o controle da
autoridade e da uniformidade de interpretação das leis Jêdeivis. Hoje. essa competência é do STJ ( Cf/88. ait. 105.11IJ.

0 enunciado-teve por base os--arts.« 177 e 1.132 do CC/1916, cujas regras não
foram mantidas pela lef civil agora vigente. Anteriormente, vedava-se que os ascen­
dentes pudessem vender aos seus descendentes, sem consentimento expresso dos
demais descendentes (art. 1.132), sob pena de anulação, que poderia ser intentada
no prazo de vinte anos” .

Hoje, 0 art. 496 da lei civil apenas diz que este tipo de negócio é anulável no prazo
de dois anos a que alude 0 art. 179.

© 1. Na vigência do CC/1916, a venda de ascendente a descendente, por interposta pessoa e


sem consentimento dos demais descendentes, distancia-se da situação descrita pela Súm.
494/STF. Trata-se de situação que configura simulação, com prazo prescricional quadrienal
(178, § 9°, inc. V, letra "b", do CC/1916), mas o termo inicial é a data da abertura da sucessão
do alienante. 2. Entender de forma diversa significaria exigir que descendentes litigassem con­
tra ascendentes, ainda em vida, causando um desajuste nas relações intrafamiliares. Ademais,
exigir-se-ia que os descendentes fiscalizassem - além dos negócios jurídicos do seu ascen­
dente - as transações realizadas por estranhos, ou seja, pelo terceiro interposto, o que não se
mostra razoável nem consentâneo com o ordenamento jurídico que protege a intimidade e a
vida privada. 3. Não se mostra possível ainda o reconhecimento da decadência para anulação
somente parcial do negócio, computando-se o prazo a partir do óbito do primeiro ascen­
dente, relativamente a sua meação. Em tal solução, remanescería a exigência de os demais
descendentes litigarem contra seu pai ainda em vida, desconforto que, como antes assinalado,
justifica 0 computo do prazo a partir da abertura da sucessão do último ascendente. (STJ, 4°
Turma, REsp 999921/PR, Rei. Min. Luis F. Salomão, DJe 1.8.2011)*

► CC. A r t 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo
para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato.
► A r t 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descen­
dentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido.

53. Art. 177: "As ações pessoais prescrevem, ordinariamente, em 20 (vinte) anos, as reais em 10 (dez), entre
presentes, e entre ausentes, em 15 (quinze), contados da data em que poderíam ter sido propostas."
Roberval Rocha .. Albino Carlos Mauro José G.
116 Ferreira Filho Martins Vieira " da Costa

S ú m u la n 2 445 - A Le i 2 .4 3 7 , d e 0 7 .3 .1 9 5 5 , q u e r e d u z pr a z o p r e s c r ic io n a l , é a p l ic á v e l

À S P R E S C R IÇ Õ E S E M C U R S O NA D A TA D E S U A V IG Ê N C IA ( 1 . 1 .5 6 ) , SA LV O Q U A N T O A O S P R O C E S S O S
EN TÃ O P E N D E N T E S .

• S ú m u la s u p e ra d a .• D ata: 1H .10.J964.»Referência legislativa: CC/1916, arts. 17 7.179 ,481 , S 5 0 ,551, 619, 693, 698, 760.
8 1 7 ,8 3 0 e 1 .7 7 2 ,§2 *. L e i n » 2.437/1955, arts. l* ,2 H e 3 * .» P re c e d e n te s : R E 42766, D l 10.9.1959; R E 47802. D J26.8.1961; R E
51131, DJ 31.10.1963; R E 53919, D J30.7.1964; R E 51215 embargos, DJ 3 .9 .1 9 6 4 .» Enunciado sob a CF/1946, que a tribu ía ao
S T F com petência p ara o con trole da autoridade e do uniform idade de interpretação das leis federais. Hoje. essa competência
é do S T J (C F/88, a rt. 105,111).

A Lei ns 2.437/1955 reduziu vários prazos prescricionais no texto do CC/1916, o


que levou ao surgimento de inúmeras demandas sobre sua aplicação às prescrições
aquisitivas então em curso, uma vez que, por atecnicidade, não foi prevista nenhuma
regra de transição que esclarecesse tais casos54, o que levou o STF a exarar essa súmu­
la, de caráter evidentemente transitório, visando preencher essa lacuna normativa.

13 Súmula STF n° 152: A ação para anular venda de ascendente a descendente, sem consenti­
mento dos demais, prescreve em quatro anos, a contar da abertura da sucessão, (revogada)
' ‘ ................................................................................................................................ J«»................................................................................
® Civil. Ação -anulatória. Venda de ascendente a descendentes. Consentimento. Herdeiros.
Ausência. Prescrição vintenária. I. Conforme a dicção, da-Súmula 494 do SuprçmoiTribunal
Federal, no caso de ação visando á anulação,da venda>'direta de-ascendente a'descendente,
sem o consentimento de herdeiros, o prazo prescricional é vintenário, conforme previsto no
artigo 177 do Código Civil de 1916. II. A escritura pública que consolidou a venda não pode
ser considerada como justo título para fins de aquisição da propriedade por usucapião ordi­
nário, se sua lavratura decorreu de negócio fraudulento. [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 661858/PR.
Rei.: Min. Castro Filho. DJ 15.8.2005)

© Agravo regimental. Decisão do Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, limi­


tada pela predusão decorrente da não arguição de relevância. Súmula 494 do STF, abrangente
dos casos de infração tanto direta, como por interposta pessoa, à regra do art. 1132 do Código
Civil. [...]. (STJ. 4a Turma. AgRg no Ag 2791/MG. Rei.: Min. Athos Carneiro. DJ 6.8.1990),

SÚMULA N2 4 4 3 - A PRESCRIÇÃO DAS PRESTAÇÕES ANTERIORES AO PERÍODO PREVISTO EM LEI


NÃO OCORRE, QUANDO NÃO TIVER SIDO NEGADO, ANTES DAQUELE PRAZO, O PRÓPRIO DIREITO
RECLAMADO, OU A SITUAÇÃO JURÍDICA DE QUE ELE RESULTA.

Súmula comentada no capítulo Direito administrativo - prescrição administra­


tiva.

S ú m u la n 2 154 - S im p l e s v is t o r ia n ã o in t e r r o m p e a p r e s c r iç ã o .

• S ú m u la a p lic á v e l.• D ata: 1 3 .12.19 63.» Referência legislativa: CC/1916, a r t 172. CPC/1973, arts. 166, V; 676 e 7 2 0 .»
Precedentes: R E 42209 embargos, DJ 2 2 .6.196 1.» Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para o controle
da autoridade e do uniform idade de in terpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88, a r t 10S, 111).

A vistoria não é hipótese de interrupção da prescrição. As causas interruptivas


do prazo prescricional estão expressas no art. 202 do CC/200255, adiante transcrito.

54. Como procedida, por exemplo, no Código atual, que prescreve: Art. 2.028. "Serão os da lei anterior os
prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorri­
do mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada".
55. No CC/1916: Art. 172: "A prescrição interrompe-se: I - pela citação pessoal feita ao devedor, ainda que or­
denada por juiz incompetente; II - pelo protesto, nas condições do número anterior; III - pela apresentação
Direito C ivil 117

► CPC. Art. 219 A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa
a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e
interrompe a prescrição. § 1° A interrupção da prescrição retroagirá à data da propositura
da ação. § 2o Incumbe à parte promover a citação do réu nos 10 (dez) dias subsequen­
tes ao despacho que a ordenar, não ficando prejudicada pela demora imputável exclusiva­
mente ao serviço judiciário. 5 3o Não sendo citado o réu, o juiz prorrogará o prazo até o
máximo de 90 (noventa) dias. 5 4o Não se efetuando a citação nos prazos mencionados nos
parágrafos antecedentes, haver-se-á por não interrompida a prescrição. § 5o O juiz pronun­
ciará, de ofício, a prescrição. 5 6o Passada em julgado a sentença, a que se refere o pará­
grafo anterior, o escrivão comunicará ao réu o resultado do julgamento.

► CC/2002. Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dár-
-se-á; I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interes­
sado a promover no prazo e na forma da lei processual; II - por protesto, nas condições do
inciso antecedente; III - por protesto cambial; IV - pela apresentação do título de crédito
em juízo de inventário ou em concurso de credores; V - por qualquer ato judicial que cons­
titua em mora o devedor; VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que
importe reconhecimento dodireito pelo devedor. Parágrafo gnicõ. A prescrição interrom- ’
pida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, otl do'último ato do processo
para a interromper. • ‘

S ú m u l a n 2 1 5 3 - S i m p l e s p r o t e s t o c a m b iá r io não in t e r r o m p e a p r e s c r iç ã o .

• Sú m u la su p e ra d a . 9 Doto: 13.12.1963.0 Referência legislativa: CPC/1939. art. 166. V.e 720. Lei n a 2.044/1908. a r t 2 7 .»
Precedentes: R E 4.33 78, l>l 18.3.1961.» p.nunciadn snh a C.P/1946, que atribula ao S T F competência para o controle da autori­
dade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje. essa competência é do STJ (CF/88, art. 105,111).

Diferentemente do que dispunha o CC/1916, o art. 202, III, do diploma atual inova
e eienca expressamente o protesto cambial como causa interruptiva do prazo prescri­
cional, superando a súmula.
Vide comentários à Súmula n? 154, retro.

► CC/2002. Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-
-se-á: [...] III - por protesto cambial.

S ú m u l a n 2 1 5 2 - A açã o p a r a a n u l a r v e n d a d e a s c e n d e n t e a d e s c e n d e n t e , s e m c o n se n ­
t im e n t o DOS d e m a is , p r e s c r e v e e m q u a t r o a n o s , a c o n t a r da a b e r t u r a da s u c e s s ã o .

• S ú m u la re v o g a d a .• Data: 13 .1 2 .1 9 6 3 .» Referência legislativa: CC/1916. arts. 178, § 9°, V, b; 1.132 e 1 .7 7 5 .» Precedentes:


R E 46282, DJ 26.8.1961; R E 49470, l)J 3.5.1962; R E 49436, DJ 13.9.1962; R E 44534, Oj 17.12.1963; R E 37506 embargos, D]
23 .4.196 4.» Enunciada sob a C.F/1946, que atribula ao S T F competência para a controle da autoridade e da uniformidade de
interpretação das ieis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88, art. 105, lll).

Este enunciado foi expressamente revogado pela Súmula ns 494.

® Súmula STF n° 494: A ação para anular venda de ascendente a descendente, sem consenti­
mento dos demais, prescreve em vinte anos, contados da data do ato, revogada a Súmula 152.

do título de crédito em juízo de inventário, ou em concurso de credores; IV - por qualquer ato judicial que
constitua em mora o devedor; V - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reco­
nhecimento do direito pelo devedor."
Roberval Rocha A lbino Carlos . Mauro José G.
118 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

S ú m u l a Na 1 5 0 - P r e s c r e v e a e x e c u ç ã o n o m e s m o p r a z o d e p r e s c r iç ã o d a a ç ã o .

• S ú m u la a p lic á v e l.• D a ra : 13.12.1963.%Referência legislativa: CC/1916, art. 75.9 Precedentes: R E 34944, D j 19.9.1957; R E
49434, D j 24.5.1962; R E 52902, D j 19.7.1963.9 Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para o controle
da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do S T j (CF/88, art. 105, III).

0 enunciado assentava-se no art. 75 do revogado CC/1916: "a todo o direito cor­


responde uma ação, que o assegura", que não guarda correspondência no diploma
atual, cuja sistemática afirma "violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a
qual se extingue, pela prescrição, nos prazos legais específicos" (art. 189).
De toda forma, entende-se que o enunciado permanece íntegro, ao afirmar que a
pretensão de executar prescreve no prazo da ação. Assim a verificação de sua ocor­
rência depende da consulta a múltiplas e variadas disposições da lei material.56
É importante lembrar, quanto aos conceitos expressos na súmula, que o CC/2002
tornou mais lógica e coerente a disciplina dos prazos extintivos, dando-lhe cientifici-
dade. A definição dos institutos adotou o critério proposto por Agnelo Amorim Filho,
já que a antiga fórmula, segundo a qual a decadência e^tjnguiria o direito, enquanto a
prescrição extinguiria o direito à ação, não sustentava a complexi’dade do fenômeno
jurídico575. Na teoria processuâl moderna, a ação, direito adj.etivô, independe do direi­
8
to material objeto de litígio. Em outras palavras: mesmo que não haja o direito, pode
existir a ação. A ação é apenas direito ao processo, que pode não passar de mero di­
reito de demandar. Sua existência e seu exercício independem da existência do direito
subjetivo alegado pelo autor™.
Assim, falar que a prescrição extingue o direito à ação tornou-se uma improprieda-
de. O instituto, agora, é definido como causa extintiva da pretensão de direito material
pelo seu não exercício no prazo estipulado pela lei, ou seja, extingue-se a exigibilidade
do direito, não o direito de aç|p, que permanece incólume. Pode-se pleitear um direito
prescrito, pode-se demandar, jnas a ação carecerá de fundamento e não prosperará.

18 [...). 1. O STJ firmou entendimento no sentido de que é de cinco anos, contados a partir do
trânsito em julgado da sentença condenatória, o prazo prescricional para a propositura da
ação executiva contra a Fazenda Pública, em conformidade com a Súmula 150/STF. E este só
poderá ser interrompido uma única vez, recomeçando a correr pela metade, resguardado o
prazo mínimo de cinco anos, nos termos da Súmula 383/STF. 2. Na hipótese dos autos, o trân­
sito em julgado da ação ordinária ocorreu em 26.5.2000, e somente foi ajuizado o protesto
interruptivo da prescrição em 9.6.200S, ou seja, após o decurso do prazo prescricional de
cinco anos. [...]. (STJ, AgRg no AREsp 28.669/PR, Rei. Min. Mauro Campbell Marques, 2a T., DJe
13.10.2011)

BI [...) Considerando a autonomia da ação de execução contra a Fazenda Pública em relação ao


correspondente processo de conhecimento, autonomia ainda mantida no atual regime do
CPC, é de se prestigiar a aplicação ao caso da Súmula 150/STF [...]. (STJ, AgRg no AREsp 8.520/
SC, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, 1a T„ DJe 26.9.2011)

56. ASSIS, Araken. Manual da execução. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 440.
57. NERY |R., Nelson: NERY, Rosa Maria de Andrade. Código Civil anotado e legislação extravagante. 2.
ed., rev. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 260.
58. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. 1.5. ed., rev. e atual. São
Paulo: Malheiros, 2005, p. 231.
Direito C ivil 119

§] [...] Conforme entendimento deste STJ, o prazo prescricional para o ajuizamento da ação exe­
cutiva é o mesmo da prescrição da ação de conhecimento. Tal orientação, inclusive, encontra-
-se sedimentada na Súmula 150/STF [...]. (STJ. AgRg no AREsp 13.310/PR, Rei, Min. Mauro Cam­
pbell Marques, 2a T„ DJe 25.8.2011)

BI (,..] A jurisprudência do STJ, em consonância com o Enunciado 150 da Súmula do STF, fir­
mou-se em que o prazo prescricional para a propositura da ação executiva contra a Fazenda
Pública é de cinco anos, contados a partir do trânsito em julgado da sentença condenatória,
não sendo aplicável o prazo pela metade para ações ajuizadas contra a Fazenda Pública. (STJ,
AgRg no REsp 1,224.850/AL, Rei. Min. Hamilton Carvalhido, 1a T„ DJe 1S.3.2011)

S] [...] A jurisprudência do STJ tem proferido entendimento segundo o qual o prazo para a
propositura da ação executiva contra a Fazenda Pública é de cinco anos, a partir do trân­
sito em julgado da sentença condenatória, com fundamento, por analogia, no enunciado
Sumular 150/STF [...). (STJ, REsp 1217882/PR, Rei. Min. Mauro Campbell Marques, 2a T„ DJe
10.3.2011)

► CPC. A rt. 617 A prôpositura da execução, deferida pelo juiz, interrompe a prescrição, mas a
citação do devedor deve ser feita com observância do disposto no art. 219.

S Ú M U L A N® 149 - É I M P R E S C R I T Í V E L A A Ç Ã O D E IN V E S T IG A Ç Ã O D E P A T E R N ID A D E , M A S N Ã O O É
A D E P E T IÇ Ã O D E H E R A N Ç A .

• Sú m u la a p lic á v e l. • P u m .1 1 3 .1 2 .1 9 6 1 9 Referência legislativa: CC/1916, arts. 177, 179 e 363. L e iu'- 883/1949, a rt. 1“ •
Precedentes: IIC 47445 embargos, Dl 20.9.1962: R E 47859, Dl 2.4.1962: R E 48551 embargas, ü/ 19.7.1963; R E 49526 embar­
gos. ü j 29.11.1962; R E 54099. Df 13.12.1963.9 Enunciado sob a C E /1946, que atribuía ao S T E competência para o controle
da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do S T j (CF/88. art. 105.111).

0 filho não reconhecido voluntariamente pode obter o reconhecimento judicial,


forçado ou coativo, por meio da ação de investigação de paternidade, que é ação de
estado, de natureza declaratória e imprescritível51’, conforme explicita o art. 27 do
Estatuto da Criança e do Adolescente (EGA).

0 reconhecimento do status de herdeiro, ação de estado, é imprescritível, mas os


reflexos econômicos oriundos da relação jurídica porventura declarada só podem ser
pleiteados se não decorrido o prazo prescricional respectivo, pois os efeitos patrimo­
niais do estado da pessoa não são imprescritíveis.
A ação de petição de herança [petitio hereditatis), utilizada pelo herdeiro para
que se reconheça e torne efetiva essa sua qualidade, e, consequentemente, sejam-lhe
restituídos, total ou parcialmente, os bens da herança com os frutos, rendimentos e
acessórios, é ação real (CC, art. 80, II), intentada contra o possuidor de bens hereditá­
rios, com ou sem título de herdeiro5 60 (é prevista no art. 18.24 do CC).
9

59. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro. Vol. VI. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva,
2006, p. 304.
60. VELOSO, Zeno. In: SILVA, Regina Beatriz Tavares da (Coord.j. Código Civil comentado. 6. ed. rev. e
atual. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 2002-2003.
Roberval Rocha _ Albino Carlos , Mauro José G.
120 Ferreira Filho Martins V ieira * da Costa

Tal ação só pode ser intentada no prazo de dez anos - prazo geral definido no art.
205 do CC/2002 para os casos em que a lei não haja fixado prazo prescricional menor
contados não da abertura da sucessão - morte do suposto pai mas do momento
em que foi reconhecida a paternidade. É que o prazo de prescrição somente se inicia
quando surge a possibilidade do exercício da pretensão de direito material, e esta só
nasce com o reconhecimento.6162

► C C Art. 1,824. O herdeiro pode, em ação de petição: de herança, demandar o reconhe­


cimento de seu direito sucessório, para obter a restituição da herança, ou de parte dela,
contra quem, na qualidade de herdeiro, ou mesmo sem titulo, a possua.

► ECA. Art. 27. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível


e imprescritível, podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer
restrição, observado o segredo de Justiça.

9. P R O T E Ç Ã O P O SSESSÓ R IA
SÚMULA N- 4 8 7 - S e r á d e f e r id a a p o s s e a q u e m , e v i d e n t e m e n t e , t i v e r o d o m ín io , se
CO M B A S E N E S T E F O R E L A D IS P U T A D A . ■ t l ‘ '

• Súmula superada . 9 Data: 3.12.1969.* Referência legislativa: CC/1916, a r í 505. • Precedentes: R E 59943, DJ 30.11.1966;
R E 31329, Dj 6.10.1967; R E 63080, DJ 22.3.1968.9 Enunciado sob a C F /1969, que atribuía ao S T F competência para o con tro­
le da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88, art. 105, UI).

0 enunciado teve como base o art. 505 do CC/1916, cuja parte final aduzia que,
caso ambos os litigantes sustentassem sua pretensão invocando o-domínio da coisa,
não se deveria julgar a posse em favor daquele a quem evidentemente não pertences­
se o domínio/1*

0 árt. 1.210 do CC/2002 mudou esta regra6


64.
3
2
6
1

61. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito cfvil brasileiro. Vol. VI. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva,
2006, p. 304.
62. RIZZARDO, Arnaldo. Direito das sucessões. 3. ed. rev. e atual. Rio de janeiro: Forense, 2007, p. 146,
objeta, porém, que: "Efetivamente, esta a melhor exegese, porquanto não podia iniciar a prescri­
ção sobre um direito não formado judicialmente. Com o Código vigente altera-se o tratamento da
questão, pois resta evidente que a não inclusão dc herdeiro no inventário revela nulidade absoluta,
tornando a omissão suscetível de invocação a qualquer momento, por força do art. 169 da lei civil,
proclamando a impossibilidade de confirmação do negócio jurídico nulo, sequer convalescendo pelo
decurso do tempo. Em decorrência, sempre possível o aviamento da ação de descoberta de pater­
nidade, com posterior busca da herança sonegada. Àqueles que se encontram na posse e mesmo na
propriedade dos bens herdados resta a oposição por direito de usucapião, alegando o decurso do
prazo que acarreta a prescrição aquisitiva."
63. CC/1916. Art. 505: "Não obsta à manutenção, ou reintegração na posse, a alegação de domínio, ou de
outro direito sobre a coisa. Não se deve, entretanto, julgara posse em favor daquele a quem evidente­
mente não pertencer o domínio."
64. FIGUEIRA JR., Joel Dias. In: SILVA, Regina Beatriz Tavares da (Coord.). Código Civil comentado. 6. ed.
rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 1248: "A exceptio proprietatis, mesmo como regra de exceção,
sempre violou a pureza dos interditos, aforntando, assim, o senso maior dos puristas que preconiza­
vam a tutela possessória e o seu julgamento com base tão-somente na questão de mérito ancorada no
ius possessionis, visto que neste tipo de ação não se discute o título de propriedade. A exceção vinha
Direito C ivil 121

Foi suprimida a cláusula final do art. 505 do CC/1916, que versava sobre a ex-
cepcio domini, ou seja, sempre que houvesse conflitos de posses - duas pessoas bri­
gando pela posse do mesmo bem, sendo uma delas também proprietária -, deveria
a posse ser julgada a favor daquela que tivesse também o domínio. A cláusula foi
suprimida a pretexto de se manter rígida separação conceituai entre posse e pro­
priedade.

BI Enunciado CJF/Civil 79. A "exceptio proprietatis", como defesa oponível às ações possessórias
típicas, foi abolida pelo Código Civil de 2002, que estabeleceu a absoluta separação entre os
juízos possessório e petitório.

BI Enunciado CJF/Civil 78. Tendo em vista a não recepção, pelo novo Código Civil, da "exceptio
proprietatis" (art. 1.210, § 2o) em caso de ausência de prova suficiente para embasar deci­
são liminar ou sentença final ancorada exclusivamente no "ius possessionis", deverá o pedido
ser indeferido e julgado improcedente, não obstante eventual alegação e demonstração de
direito real sobre o bem litigioso.

0 [...] Reintegração de posse. Qualidade da posse exercida. Novo Código’ Cívíl e transfiguração
do bem. Incertezas incompatíveis com o juízo de verossimilhança do processo cautelar. [...].
Após o acurado exame dos autos, não se constata, de modo inequívoco, que. a hipótese ver­
tente envolve o efetivo exercício da posse. Em verdade, é de rigor aferír, no momento pro­
cessual oportuno, se se trata de posse ou de mera tolerância na ocupação do bem. Não é
possível visualizar, por meio do mero juízo de provisoriedade e verossimilhança inerente ao
processo cautelar, uma incontroversa identificação dos elementos imprescindíveis ao exercício
da posse direta, hábil a conferir a correspectiva proteção possessória. A rigor, também restam
substanciais dúvidas acerca da qualidade da posse exercida a partir da vigência do Código
Civil de 2002, uma vez que, a teor do artigo 99, parágrafo único, "não dispondo a lei em con­
trário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas juridicas de direito público
a que se tenha dado estrutura de direito privado". A tônica atinente a tantas questões contro­
versas a serem dirimidas não se coaduna com o processo cautelar. Sobreleva advertir, outros-
sim, que, além dos dois aspectos polêmicos supra referidos, ainda emergiu nos autos uma
arguição de exceção de domínio por parte.da municipalidade, o que, fatalmente, demandaria
o exame do Enunciado 487 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, bem assim do artigo
1.210, § 2o, do Código Civil de 2002. [...). (STJ. 2a Turma. AgRg na MC 8813/SP. Rei.: Min. Fran-
ciulli Netto. DJ 30.5.2005)

► CC. A r t 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso deturbação,
restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo recéió ide sèr-
molestado. § 1o O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se
por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não
podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse. § 2° Não obsta
à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito
sobre a coisa.

à baila somente quando ambos os litigantes postulavam a posse com base em direito real. ou quando
duvidosas as posses. Nesses casos aplicava-se a segunda parte do art. 505 doCCde 1916-excerto não
mais repetido no § 29 deste art. 1.210 do CC."
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
122 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

S ú m u l a n 9 4 1 5 - S e r v id ã o d e t r â n s it o n ã o t it u l a d a , m a s t o m a d a p e r m a n e n t e , s o b r e ­
tu d o PELA N ATUREZA DAS O BRAS R E A L IZ A D A S , C O N S ID E R A - S E A PAREN TE, C O N F E R IN D O
D I R E I T O A P R O T E Ç Ã O P O S S E S S Ó R IA .

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: I 1964. • R eferência leg isla tiva: CC/1916, a rts. 509, 562 e 698. CPC/1939, arts. 371
e 377. • P recedentes: A l 23553, DJ 8.9 .1961 ; A l 23660. Df 8.9.1961: 111: 51245. DJ 30 .5.196 3; R E 51245 embargos, DJ
17.10.1963; H E 45297, DJ 2.7 .1964 ; HE 4307, DJ 26.10.1943. • Enunciado sah a C E / 1946, que a trib u iu ao S T F com pe­
tência p a ra o co n tro le da uutoridade e da un iform idade de in terp reta ção das leis fe d era is. Hoje, essa cum petênciu é do
S T J (C F /8 8 , a rt. 105, U i).

Considera-se contínua a servidão se, para exercitá-la, o possuidor do imóvel do­


minante faz, no serviente, obras visíveis e permanentes, nas quais se concretiza o seu
direito de passagem através do prédio alheio, manifestando-se essa passagem nessas
obras visíveis e permanentes.05

É direito expressamente protegido no art. 1.379 do CC, cujo texto assemelha-se ao


do código anterior, que serviu de inspiração para a súmula.

@ Servidão de passagem. Caracterização. Sinais exteriores do antigo.caminho. Prova hábil.


Segundo enuncia a Súmula n° 415-STF, "servidão de trânsito não titulada, çnas tornada per­
manente, sobretudo pela natureza das obras realizadas, considera-sé’ aparente, conferindo
direito à proteção possessória". Admissão das provas pericial e testemunhai para fins de
caracterizar-se a existência da servidão, não se exigindo para tanto a efetivação de qual­
quer outro ato formal, [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 98695/MG. Rei.: Min. Barros Monteiro. DJ
17.12.1999)

► CC. A rt. 1.379 O exercício incontestado e contínuo de uma servidão aparente, por dez
anos, nos termos do art. 1.242, autoriza o interessado a registrá-la em seu nome no
Registro de Imóveis, valendo-lhe como título a sentença que julgar consumado a usuca­
pião. Parágrafo único. Se o possuidor não tiver titulo, o prazo da usucapião será de vinte
anos.

10. R E G IM E DE BEN S
S Ú M U L A N9 377 - No R E G IM E D E S E P A R A Ç Ã O L E G A L D E B E N S , C O M U N IC A M - S E O S A D Q U IR ID O S
N A C O N S T Â N C IA D O C A S A M E N T O .

• Súmula ap licável. 0 l)a ta : 3.4.1964.• Precedentes: HE 7243 embargos. DJ 12.6.1945; R E 9128. Df 17.12.1948; R E 10951.
DJ 9.4.1948; R E 8984 embargos, DJ 11.1.1951. • Enunciado sob a CE/1946. que atribuía ao S T F competência para o controle
da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje. essa competência é do STJ (C F/88, a rt. 105,111).

0 art. 1.641 do CC/2002, de maneira assemelhada ao diploma que o precedeu,


obriga que se adote o regime da separação de bens quando: (a) as pessoas se casem
sem observar as causas suspensivas da celebração do casamento; (b) a pessoa for
maior de sessenta anos; (c) a situação exija suprimento judicial para o ato.

Ocorre que a imposição desse regime pode trazer injustiças, prejudicando um dos
cônjuges, uma vez que se afasta a presunção de contribuição comum para a aquisição65

65. ROSAS, Roberto. Direito sum ular - comentários às súmulas do Supremo Tribunal Federal e do Supe­
rior Tribunal de Justiça. 13. ed., rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 188.
Direito C ivil 123

de patrimônio adquirido na constância do casamento, em especial naquelas situações


de evidente existência desse "patrimônio comum", que, por conta da vedação legal em
comento, não pode se comunicar ao outro cônjuge.66

A razão do enunciado foi contornar tal situação, o que a jurisprudência fez, ainda
ao tempo do CC/1916, tendo constatado que o regime da separação legal provocava
tais tipos de injustiça, passou a proclamar que, nesse regime, comunicavam-se os bens
adquiridos a título oneroso na constância do casamento, denominados "aquestos".67

As turmas que compõem a Seção de Direito Privado do STJ assentaram que,


para os efeitos dessa súmula, não se exige a prova do esforço comum para partilhar
o patrimônio adquirido na constância da união estável. Interpretando a evolução
jurisprudencial e legal, agora com o art. 1.725 do novo CC68, a Corte asseverou que
importante é a vida em comum, não sendo significativo avaliar a contribuição fi­
nanceira, mas, sim, a participação direta e indireta representada pela solidariedade
que deve unir o casal, medida pela comunhão da vida, na presença em todos os
momentos da convivência, base da família, fonte dõ êxito pessoal e profissional de
seus memb.ros.69 . . . . i

A exigência de outorga uxória ou marital para os negócios jurídicos de (presumida-


mente) maior expressão econômica previstos no art. 1647 do Código Civil (como a pres­
tação de aval ou a alienação de imóveis) decorre da necessidade de garantir a ambos os
cônjuges meio de controle da gestão patrimonial, tendo em vista que, em eventual disso­
lução do vínculo matrimonial, os consortes terão interesse na partilha dos bens adquiridos
onerosamente na constância do casamento. Nas hipóteses de casamento sob o regime da
separação legal, os consortes, por força da Súmula 377/STF, possuem o interesse pelos bens
adquiridos onerosamente ao longo do casamento, razão por que é de rigor garantir-lhes o
mecanismo de controle de outorga uxória/marital para os negócios jurídicos previstos no
art. 1.647 da lei civil. (STJ, REsp 1.163.074, Rei. Min. Massami Uyeda, DJe 4.2.2010)

m (...) 1. Se o TJ/PR fixou os alimentos levando em consideração o binômio necessidades da


alimentanda e possibilidades do alimentante, suas conclusões são infensas ao reexame do
STJ nesta sede recursal. 2. O regime de bens aplicável na união estável é o da comunhão
parcial, pelo qual há comunicabilidade ou meação dos bens adquiridos a título oneroso na
constância da união, prescindindo-se, para tanto, da prova de que a aquisição decorreu
do esforço comum de ambos os companheiros. 3. A comunicabilidade dos bens adquiri­
dos na constância da união estável é regra e, como tal, deve prevalecer sobre as exceções,
as quais merecem interpretação restritiva, devendo ser consideradas as peculiaridades de
cada caso. 4. A restrição aos atos praticados por pessoas com idade igual ou superior a 60
(sessenta) anos representa ofensa ao princípio da dignidade da pessoa humana. 5. Embora
tenha prevalecido no âmbito do STJ o entendimento de que o regime aplicável na união
estável entre sexagenários é o da separação obrigatória de bens, segue esse regime tem­
perado pela Súmula 377/STF, com a comunicação dos bens adquiridos onerosamente na

66. SOARES, Milton Delgado. O imposto sobre a transmissão causa mortis e doação (ITCMD). Rio de
Janeiro: Lumen Júris, 2006, p. 125-126.
67. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro. Vol. VI. 2. ed., rev. e atual. São Paulo: Saraiva,
2006, p. 411.
68. CC. Art. 1.725 "Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações
patrimoniais, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens".
69. ST). 3a Turma. REsp 736627/PR. Rei.: Min. Carlos Alberto Menezes Direito. D) l 9.8.2006.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
124 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

constância da união, sendo presumido o esforço comum, o que equivale à aplicação do


regime da comunhão parcial. 6. É salutar a distinção entre a incomunicabilidade do produto
dos bens adquiridos anteriormente ao inicio da união, contida no § 1o do art. 5o da Lei n.
9.278, de 1996, e a comunicabilidade dos frutos dos bens comuns ou dos particulares de
cada cônjuge percebidos na constância do casamento ou pendentes ao tempo de cessar a
comunhão, conforme previsão do art. 1.660, V, do CC/02, correspondente ao art, 271, V, do
CC/1916, aplicável na espécie. 7. Se o acórdão recorrido categoriza como frutos dos bens
particulares do ex-companheiro aqueles adquiridos ao longo da união estável, e não como
produto de bens eventualmente adquiridos anteriormente ao início da união, opera-se a
comunicação desses frutos para fins de partilha. [...]. (STJ, REsp 1171820/PR, Rei. p/ ac. Min.
Nancy Andrighi, 3a T„ DJe 27.4.2011)

@ [...] 1. Por força do art. 258, § único, inciso II, do Código Civil de 1916 (equivalente, em parte,
ao art. 1.641, inciso II, do Código Civil de 2002), ao casamento de sexagenário, se homem,
ou cinquentenária, se mulher, é imposto o regime de separação obrigatória de bens. Por
esse motivo, às uniões estáveis é aplicável a mesma regra, impondo-se seja observado o
regime de separarão obrigatória, sendo o homem maior de sessenta anos ou mulher maior
de cinquenta. 2. Nesse passo, apenas os bens adquiridos na constância dá união estável, e
cfesde que comprovado o'esforço comum, devem ser amealhados pela companheira, nos
termos da Súmula 377/STF. [...]. (STJ. R&sp 646.259/RS. Rei. Min. L-tiis Felipe Salomão, 4a T.,---
‘ DJe 24.8.2010) • • ■
’ - ‘ • "

H [...] I. O art. 1.725 do Código Civil preconiza que, na união estável, o regime de bens vigente
é o da comunhão parcial. Contudo, referido preceito legal não encerra um comando abso­
luto, já que, além de conter inequívoca cláusula restritiva ("no que couber"), permite aos
companheiros contratarem, por escrito, de forma diversa; II. A não extensão do regime da
separação obrigatória de bens, em razão da senilidade do de cujus, constante do artigo
1641, II, do Código Civil, à união estável equivalería, em tais situações, ao desestimulo ao
casamento, o que, certamente, discrepa da finalidade arraigada no ordenamento jurídico
nacional, o qual se propõe a facilitar a convolação da união estável em casamento, e não
o contrário; III. Ressalte-se, contudo, que a aplicação de tal regime deve inequivocamente
sofrer a contemporização do Enunciado n. 377/STF, pois os bens adquiridos na constân­
cia, no caso, da união estável, devem comunicar-se, independente da prova de que tais
bens são provenientes do esforço comum, já que a solidariedade, inerente à vida comum
do casal, por si só, é fator contributivo para a aquisição dos frutos na constância de tal
convivência; IV. Excluída a meação, nos termos postos na presente decisão, a companheira
supérstite participará da sucessão do companheiro falecido em relação aos bens adquiridos
onerosamente na constância da convivência (período que não se inicia com a declaração
judicial que reconhece a união estável, mas, sim, com a efetiva convivência), em concorrên­
cia com os outros parentes sucessíveis (inc. III, do art. 1.790, CC). [...]. (STJ, REsp 1090722/SP,
Rei. Min. Massami Uyeda, 3a T„ DJe 30.8.2010)

B] Embora prevalecendo o entendimento do STJ de que o regime aplicável na união estável


entre sexagenários é o da separação obrigatória de bens, segue esse regime temperado pela
Súm. 377/STF, com a comunicação dos bens adquiridos onerosamente na constância da união,
sendo presumido o esforço comum, o que equivale à aplicação do regime da comunhão par­
cial. Assim, consignou-se que, na hipótese, se o acórdão recorrido classificou como frutos dos
bens particulares do ex-companheiro aqueles adquiridos ao longo da união estável, e não
como produto de bens eventualmente adquiridos antes do início da união, opera-se a comu­
nicação desses frutos para fins de partilha. Observou-se que, nos dias de hoje, a restrição
aos atos praticados por pessoas com idade igual ou superior a 60 anos representa ofensa ao
principio da dignidade da pessoa humana. (STJ. REsp 1171820. Rei. p/ ac. Min. Nancy Andrighi.
3a T. j. 7.12.2010. Informativo 459)
Direito Civil 125

© Direito civil. Regime legal de separação legal de bens. Aquestos. Súmula 377. Esforço comum.
1. A viúva foi casada com o de cujus por aproximadamente 40 (quarenta) anos, pelo regime
da separação de bens, por imposição do art. 2S8, parágrafo único, I, do Código Civil de 1916.
2. Nestas circunstâncias, incide a Súmula 377 do Supremo Tribunal Federal que, por sinal, não
cogita de esforço comum, presumido neste caso, segundo entendimento pretoriano majoritá­
rio. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 154896/RJ. Rei.: Min. Fernando Gonçalves. DJ 1.12.2003)

© Casamento. Separação obrigatória. Súmula n° 377 do Supremo Tribunal Federal. [...). 1. Não
violenta regra jurídica federal o julgado que admite a comunhão dos aquestos, mesmo em
regime de separação obrigatória, na linha de precedentes desta Turma. [...). (STJ. 3a Turma.
REsp 208640/RS. Rei.: Min. Carlos Alberto Menezes Direito. DJ 28.5.2001)

© Direito de família. Regime da separação legal de bens. Aquestos. Esforço comum. Comunica­
bilidade. Súmula STF, enunciado n. 377. Correntes. Código Civil, arts. 258/259. Recurso inaco-
Ihido. I. Em se tratando de regime de separação obrigatória (Código Civil, art. 2S8), comuni­
cam-se os bens adquiridos na constância do casamento pelo esforço comum. II. O enunciado
n° 377 da Súmula STF deve restringir-se aos aquestos resultantes da conjugação de esforços
do casal, em exegese que se afeiçoa a evolução do peqsamento jurídico e repudia'o enrique­
cimento sem causa. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 9938/SP. Rei.: Min. Sálvio d'e Figueiredo Teixeira.
DJ 3.8/I992) .

© Casamento. Regime de bens. Separação legal. Súmula 377 do STF. Quando a separação de
bens resulta apenas de imposição legal, comunicam-se os aquestos, não importando que
hajam sido ou não adquiridos com o esforço comum. (STJ. 3a Turma. REsp 1615/GO. Rei.: Min.
Eduardo Ribeiro. DJ 12.3.1990)

11. R E S P O N S A B IL ID A D E C IV IL
SÚMULA N2 5 6 2 - Na in d e n iz a ç ã o d e d a n o s m a t e r i a i s d e c o r r e n t e s d e a t o i l í c i t o c a b e
A ATUALIZAÇÃO DE SEU VALOR, UTILIZANDO-SE, PARATESSE FIM, DENTRE OUTROS CRITÉRIOS, OS
ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA. ; - _________________________________

• Sú m u la a p lic á v e l.mData: 15.12.1976.%R eferência le g isla tiva: CC/1916, arts. 159. 1.541 e 1.543. • Precedentes: R E 79663,
D J26.11.1976; R E 81433, D J24.10.1975; R E 78996, D J28.11.1975; R E 82911, DJ 13.12.1976; R E 79745, D J2 0 .2.197 6.9Enun­
ciado sob a CF/1969, que atribuía ao S T F com petência p a ra o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das
leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (C F/88 , a r t 105, III).

De acordo com a lei civil, aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo (CC, art. 927, caput). Assim, havendo direito à reparação do
dano, surge a liquidação, que é a operação fixadora do montante devido e de seu con­
sequente modo de ressarcimento. A aestimatio damni tem por escopo tornar líquida a
obrigação, estipulando quanto o lesante deverá pagar ao lesado, por meio da recom­
posição do statu quo ante - operação que exige a atualização monetária dos valores
devidos, visando afastar os efeitos corrosivos da inflação sobre o dinheiro utilizado
para expressara indenização70, conforme preconiza o o art. 389 do CC/2002.

© Súmula STJ n° 362: A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde
a data do arbitramento.

70. DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. V. 7. 21. ed ., rev. e atual. São Paulo: Saraiva,
2007, p. 210-211.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
126 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

g] Súmula STJ 11o 43: Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a partir da data do
efetivo prejuízo.

H Indenização por perdas e danos. Ato ilicito. Coisa julgada. Correção monetária. Juros de mora.
Incidência. Termo "o quo". Código Civil, art. 962 e 1.111. Súmula 562 STF. [...]. Impõe-se a atuali­
zação da expressão monetária das indenizações decorrentes de ato ilícito, a partir da data da
avaliação das perdas suportadas, a serem apuradas na fase de liquidação.O termo inicial para
incidência da correção monetária e a data do laudo pericial.Os juros de mora são devidos, "in
casu", a partir do cancelamento das transcrições dos títulos de propriedade expedidos ilicita­
mente pelo Estado. [...]. (STJ. 2a Turma. REsp 22456/PR. Rei.: Min. Francisco Peçanha Martins. DJ
19.6.1995)

A Lei n° 6.899/81 não veio restringir as hipóteses em que já era considerada devida a cor­
reção monetária. Entre elas a relativa a indenizações por atos ilicitos (Súmula 562. STF). Não
se modifica a situação, em virtude de tratar-se de pretensão de reembolso formulada pela
seguradora. [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 6267/MG. Rei.: Min. Eduardo Ribeiro. DJ 3.6.1991)

Ação de indenização. Culpa contratual.-Súmula n° 562 do Supremo Tribunal* Federal.-1. As ins­


tâncias ordinárias não determinaram a correção monetária sobre o prejuízo*resultante do des-
cumprimento do contrato, mas condenaram a parte ora recorrente a reparar o*dano, inclusive
* a correção monetária que os autores deixaram de receber pqr culpa do inadimplente. II. Hipó­
tese que não se adequa ao verbete da Súmula ora referida. (...) (STJ. 4a Turma. RÊsp 1524/RS.
Rei.: Min. Fontes de Alencar. DJ 5.2.1990)

® [...) O valor de indenização por responsabilidade civil - acidente de trânsito - pode ser corri­
gido a partir da data do orçamento a data do efetivo pagamento. Lei 6.899/81, art. 1, § 2o. Já
antes desta lei a jurisprudência concedia a correção monetária (Súmula 562 do STF), conside­
rando-a implícita no pedido de perdas e danos (STJ. 4a Turma. REsp 1189/SP. Rei.: Min. Athos
Carneiro. DJ 11.12.1989)

ES [■
•■] Inocorrendo danos materiais consequentes â pratica do ato ilicito, nâo há o que corrigir
monetariamente, fato negativo que não enseja o recurso especial por dissídio com a Súmula
n° 562, do STF. (.. ). (STJ. 3a Turma. REsp 452/PR. ReL: Min. Gueiros Leite. DJ 4.12.1989)

► CC. Art. 389 Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais
juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e hono­
rários de advogado.

► Lei n° 6899/1981. Art. 1o A correção monetária incide sobre qualquer débito resultante
de decisão judicial, inclusive sobre custas e honorários advocatícios. 5 1o Nas execuções
de títulos de dívida líquida e certa, a correção será calculada a contar do respectivo venci­
mento. § 2o Nos demais casos, o cálculo far-se-á a partir do ajuizamento da ação.

SÚMULA N9 4 9 2 - A EMPRESA LOCADORA DE VEÍCULOS RESPONDE, CIVIL E SOLIDARIAMENTE


COM O LOCATÁRIO, PELOS DANOS POR ESTE CAUSADOS A TERCEIRO, NO USO DO CARRO LOCADO.

• S ú m u la a p lic á v e l. • Dato: 3.12.1969. • Referência legislativa: CC/1916. arts 159 e 1.521. • Precedentes: R E 60477, D)
10.8.1966; R E 62247, D) 18.8.1967; R E 63562, Df 24.5.1968. • Enunciado sob a 0 / 1 9 6 9 , que atribuía ao S T F competência
para o controle da autoridade e da uniformidade de in terpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88,
art. 105, III).

0 enunciado é criação jurisprudencial que consagrou, à época de sua edição e à


revelia de texto expresso, a teoria do risco, hoje embutida no parágrafo único do art.
927 do CC/2002, cujo texto, de certa forma, revigora o conteúdo da súmula.
Direito C ivil 127

É teoria do risco em sua genuína feição. Risco-proveito (a locadora, ao firmar contra­


tos onerosos de aluguel de veículos, recebe a contraprestação financeira por ela buscada);
risco-criado (a locadora, ao disponibilizar, no mercado, veículos seus para aluguel, cria
risco que deve ser indenizado, se houver dano). Nesse caso, a atividade normalmente de­
senvolvida (locação de veículos) implica, por sua natureza, risco para direitos de outrem,
impondo, à luz do parágrafo único do art. 927, o dever de reparar os danos causados.71

BB Acidente de trânsito. Responsabilidade da empresa locadora. Boletim de ocorrência feito


por policial rodoviário, o qual chegou poucos minutos após o evento. (...]. Súmula n° 492 do
Supremo Tribunal Federal. 1. O boletim de ocorrência feito por policial rodoviário federal,
o qual chegou ao local minutos após o acidente, serve como elemento de convicção para
o julgamento da causa, não se equiparando com aquele boletim decorrente de relato uni­
lateral da parte. 2. "A empresa locadora de veiculos responde, civil e solidariamente com o
locatário, pelos danos por este causados a terceiro, no uso do carro locado" (Súmula n° 492,
do Colendo Supremo Tribunal Federal). [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 302462/ES. Rei.: Min. Carlos
Alberto Menezes Direito. DJ 4.2.2002)

BI civil. Responsabilidade civil. Locação de veiculo. "A empresa locadora de veiculos responde,
civil e solidariamente com o locatário, .pelos danos por este. causados a terceiro, no uso do
carro-locado" (STF - Súmula n° 492). (...]. (STJ! 3a turma. REsp 90143/PR. Rei.: Min. Ari Pargend-
ler. DJ 21.2.2000)

BI Processo civil. Revelia. Incidência de efeitos não abrange questões de direito. Condições da
ação. Legitimatio ad causam. Conhecimento de ofício, em qualquer momento e grau de juris­
dição. Denunciação da lide. Inteligência do art. 75, CPC. - Os efeitos da revelia (art. 319, CPC)
não incidem sobre o direito da parte, mas tão-somente quanto à matéria de fato. O arren-
dante no contrato de leasing mercantil não se confunde com a empresa locadora de veículos,
afastando a incidência da Súmula 492 do Supremo Tribunal Federal. [...). (STJ. 4a Turma. REsp
S5/RJ. Rei.: Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira. DJ 6.11.1989)

► CC/2202. Art. 927. Parágrafo único. Flaverá obrigação de reparar o dano, independente­
mente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desen­
volvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

S Ú M U L A N 9 4 9 1 - É IN D E N IZ Á V E L O A C ID E N T E Q U E C A U S E A M O R T E D E F IL H O M E N O R , A IN D A
Q U E N ÃO E X E R Ç A T R A B A L H O R E M U N E R A D O .

• Sú m u la a p lic á v e l.• Data: 3.12.1969. • Referência legislativa: CC/1916, arts. 1.537, II, e 1.553. CPC/Í939. arts. 911 e912.
• Precedentes: R E 53404 embargos. Dl 8.6.1967: R E 65281, D j 22.11.1968: R E 59940, Dj 30.11.1966. • Enunciado sob o
C F /1969, que atribuía ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis fede­
rais. Hoje, essa competência é do ST} ( CF/88, art. 105, ill).

A jurisprudência brasileira é sedimentada na aceitação de que, se os pais perdem


um filho, serão devidos danos morais, cumulados, todavia, com danos materiais ape­
nas se o caso envolver família de baixa renda, ou se for produzida prova da existên­
cia de dependência econômica. Se a família não for de baixa renda, os pais poderão
pleitear danos materiais, desde que provem a perda havida. Não existirá, nesse caso,
presunção jurisprudencial, como se impõe em relação às famílias de baixa renda.72

71. BRAGA NETTO, Felipe Peixoto. Responsabilidade civil. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 86.
72. BRAGA NETTO, Felipe Peixoto. Responsabilidade civil. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 75.
Roberval Rocha A lbino Carlos Mauro José G.
128 Ferreira Filho Martins V ieira da C osta

É que, quanto à baixa renda, o STJ entende devidos danos materiais na presunção
de que o filho contribui para o sustento da família. Registre-se que essa presunção per­
manece ainda que o menor não exerça atividade alguma à época de seu falecimento.

® [...] Responsabilidade civil objetiva. Pleito de danos materiais e morais. Morte de menor em
decorrência de infecção generalizada. Atuação dos profissionais da entidade hospitalar muni­
cipal. Onus probandi. [...] 11. A indenização devida a titulo de danos materiais, segundo a
jurisprudência desta Corte e do STF, pacificada pela Súmula 491, implica o reconhecimento do
direito dos pais ao pensionamento devido pela morte de filho menor, independentemente de
este exercer ou não atividade laborativa, quando se trate de familia de baixa renda, como na
hipótese dos autos. [...]. 12. No que pertine aos danos morais, esta Corte, aplicando o principio
da razoabilidade, tem reconhecido o direito à referida indenização, nestes termos: "Adminis­
trativo. Responsabilidade civil do Estado. Danos morais e materiais. Indenização. 1. A juris­
prudência do STJ sedimentou-se no sentido de fixar a indenização por perda de filho menor,
com pensão integral até a data em que a vitima completaria 24 anos e, a partir dai. pensão
reduzida em 2/3, até a idade provável da vitima, 65 anos, [...]. (STJ. 1a Turma. REsp 674586/SC.
. Rei.: Min. Luiz Fux. DJ 2.5.2P06)
^............................................................................................. ...............
® Responsabilidade civil. Homicídio praticado por policial militar. Menor. Pensão. Dano moral
e mate.rial, Cumulação. I, Reconhecido o direito-dos pais á' indenização poT morfe -de filho,
• ' ainda que em tenra idade, como dispõe a SúmulS n. 491 do Excelso Pretório. II. Á indeniza'çâo
aos pais, por morte de filho menor, deve ser a mais ampla possível e alcançar todos os danos
sofridos. III. Correta a fixação da indenização na forma preconizada no v. acórdão recorrido.
IV. Proposta a ação apenas pelo pai da vitima, há que se excluir da indenização a genitora,
que não fez parte da relação processual. (...]. (STJ. 1a Turma. REsp 43488/SP. Rei.: Min. Garcia
Vieira. DJ 11.4.1994)

SÚMULA N- 4 9 0 - A PENSÃO CORRESPONDENTE À INDENIZAÇÃO ORIUNDA DE RESPONSABILI­


DADE CIVIL DEVE SER CALCULADA COM BASE NO SALÁRIO-MÍNIMO VIGENTE AO TEMPO DA SEN­
TENÇA E AJUSTAR-SE-Á ÀS VARIAÇÕES ULTERIORES.

• Súmula m itig a d a .» D a ta :3.12.1969.9Referência legislativa: CC/1916. arts. 1.537, II. e 1.539. CPC/1939, a ra . 911 e 912. Dec.
nB2 .68 1/1912,arts. 1 7 .2 0 e 21.^Precedentes: R E 42789 embargos. D J3.5.1967; R E 55284. D J8.6.1967; R E 57505,1)130.8.1967;
R E 64558, D j 7.6.1968; R E 64812, D) 11.10.1968. • Enunciado sob a CF/1969. que atribuía ao S T F competência para o controle
da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do S l j (CF/88, art. 105, III).

0 CC traz as seguintes hipóteses de pensionamento oriundo de responsabilidade


civil: no caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras reparações, na
prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se em conta a
duração provável da vida da vítima (art. 948); se da ofensa resultar defeito pelo qual
o ofendido não possa exercer seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade
de trabalho, a indenização incluirá pensão correspondente à importância do trabalho
para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu (art. 950). Disposições essas
que se aplicam, ainda, no caso de indenização devida por aquele que, no exercício de
atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causara morte do
paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho (art. 951).

A indenização, nesses e noutros casos de reparação civil, mede-se pela extensão


do dano (CC, art. 944). Trata-se de diretriz sensata que confere ao órgão judiciário
poderes para avaliar e compor, por arbitramento, o quantum devido à situação sub
judice, pondendo, para atingir esse desiderato, utilizar vasta gama de critérios para o
cálculo da indenização cabível.
D ireito C ivil 129

Se a obrigação for indeterminada e não houver, na lei ou no contrato, disposição


que fixe a indenização devida pelo inadimplente, o valor das perdas e danos é apurado
na forma que a lei processual determina (CC, art. 946). É o caso dos pensionamentos
decorrentes de ilícito civil, submetidos ao art. 475-Q, § 4S, do CPC.
Admite, agora expressamente, esse artigo, considerando que o valor da pensão
estabelecida a título de alimentos pode se perpetuar por longo período, já que se trata
de relação jurídica continuativa, a vínculação desse valor ao salário mínimo. Tal vin-
cuiação já vinha sendo admitida pelos tribunais, como forma de garantir a atualização
monetária.73
Essa regra não agride o art. 7-, IV, da CF/88, que veda o emprego do salário míni­
mo para qualquer fim de indexação, pois essa proibição diz respeito à sua utilização
como fator de indexação econômica, o que não é o caso tratado no CPC. No Código,
a intenção da norma é manter o padrão remuneratório da pensão em igualdade de
condições com o do salário mínimo.7''
0 princípio fundamental firmado na súmula é o de propiciar o ressarcimento-mais
eficaz possível à vítima do ilícito civil, e não o de estabelecer regra imutável quanto ao.
salário mínimo que incidirá no cálculo das parcelas vencidas75. Deve ser temperado,
pois, com as novas normas processuais e materiais que incidem sobre o tema.

® Súmula STF n° 562: Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilicito cabe a atuali­
zação de seu valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, os Índices de correção
monetária.

® Súmula STF n° 314: Na composição do dano por acidente do trabalho, ou de transporte, não é
contrário à lei tomar para base da indenização o salário do tempo da pericia ou da sentença.

Súmula STJ n° 43: Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a partir da data do
efetivo prejuízo.

SI [...] 4. "O principio fundamental firmado pela Súmula 490/STF, é o de propiciar o ressarcimento
mais eficaz possível à vítima do ilícito civil, e não o de estabelecer regra imutável quanto ao
salário mínimo que incidirá no cálculo das parcelas vencidas. Destarte, assegurada a plena
atualização, o que se dá pela determinação, no aresto a quo, de que o salário mínimo a ser
considerado é aquele vigente na data do pagamento, não se configura afronta ao aludido
enunciado, a justificar o cabimento do recurso especial pela letra "c" do permissivo constitu­
cional". (STJ, REsp 46.416/SP, Rei. Min. Aldir Passarinho Júnior, 4a T„ DJ S.6.2000 p. 161) [...). (STJ,
AgRg no Ag 1195520/RJ, Rei. Min. Luiz Fux, 1a T„ DJe 2.2.2010)

SI Indenização de direito comum. Dano moral. Critério de fixação. (...]. 2. Fixado o valor do dano
moral em salários mínimos, não tem substância a alegada violação da Súmula n° 490 do
Supremo Tribunal Federal. [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 336504/SP. Rei.: Min. Carlos Alberto Mene­
zes. DJ 26.8.2002)

73. A R M E L IN , D o naldo . e t a l. C o m e n t á r io s à e x e c u ç ã o c iv il. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 122.


74. 8 U E N O . C a s s io S c a rp in e lla . A n o v a e t a p a d a r e f o r m a d o C ó d ig o d e P ro c e s s o C iv il. V. 1. 2. ed. rev.,
atu al, e am p l. São P au lo : S a ra iv a . 2 0 0 6 , p- 2 0 9 .
75. STJ. 4 a T u rm a . R E s p 4 6 4 1 6 / S P . R ei.: M in. A ld ir P assarin h o Junior. DJ 5.6.2000.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
130 Ferreira Filho ‘ ’ Martins V ieira da Costa

@ Responsabilidade civil. Passageira de ônibus vítima de acidente. Juros de mora. Juros compos­
tos. Pretendida incidência da Súmula n° 490-STF. - Fixação do dano patrimonial com base no
salário efetivamente percebido pela vitima à época do evento, a ser solvido de uma só vez.
Inexistência de dissídio com a Súmula n° 490-STF. (...]. (STJ. 4a Turma. REsp 181151/SP. Rei.: Min.
Barros Monteiro. DJ 14.12.1998)

18 [...] Responsabilidade civil. Pensão. Início. Inaplicabilidade do entendimento consagrado


na Súmula 490 do Supremo Tribunal Federal que se refere ao cálculo do valor da pensão
e não a seu termo inicial. (STJ. 3a Turma. REsp 57172/MG. Rei.: Min. Eduardo Ribeiro. DJ
1.3.1999)

@ Responsabilidade civil. Vitima fatal. Indenização. Fixação da base de cálculo. Percentual. Termo
final. Considera-se como termo final do pensionamento, a sobrevida admissível da vítima,
qual seja sessenta e cinco (65) anos, eis que não se pode presumir que cessasse seu auxi­
lio aos familiares quando completasse vinte e cinco (25) anos. No que pertine à fixação da
prestação, não colide com a Súmula 490 do c. STF, a decisão que arbitra o percentual de dois
terços (2/3) sobre a remuneração que a vitima percebia a título de salário. (STJ. 3a Turma. REsp
32490/SP. Rei.: Min. Cláudio Santos. DJ 23.5.1994) - -t .

SI Administrativo. A anistia política x anistia penal. P-romoção de beneficiário de anistia. Art.


8° do ato das disposições constitucionais provisórias. Os dois preceitos contidosmo art. 8.
do ADCT: anistia e indenização. I. Na execução da anistia política os textos legais devem ser
interpretados de modo amplo; II. No art. 8° do ADCT convivem dois preceitos nitidamente
individuais: o que concede anistia e aquele que determina a indenização de quem sofreu
sanção política; III. Quando assegura aos anistiados as promoções "a que teriam direito se
estivessem no serviço ativo", a carta politica remete o executor ao plano do direito infra-
constitucional, onde desenvolvera atividade repristinatória semelhante a que se exercita no
direito privado, na liquidação da responsabilidade por atos ilícitos e que conduziu a edição
da Súmula 490 do STF; IV. O método de utilizar como paradigmas colegas de serviço do
anistiado é justo e racional. [...]. (STJ. I a Seção. MS 1067/DF. Rei.: Min. Humberto Gomes de
Barros. DJ 10.2.1992)

► CPC; A rt 475-Q. § 4o Os alimentos podem ser fixados tomando por base o saíário-mínimo.

SÚMULA N® 3 4 1 - É PRESUMIDA A CULPA DO PATRÃO OU COMITENTE PELO ATO CULPOSO DO


EMPREGADO OU PREPOSTO.

• S ú m u la s u p e ra d a .• D a ta ; 13 .12.19 63.*Referência legislativa: CC/1916, art. 1 .5 2 3 .9 Precedentes: R E 32043, DJ 11.7.1957;


R E 32043 embargos, DJ 31.7.1958; R E 41661, DJ 26.4.1962; R E 46716, DJ 24.7.1961; R E 25111, DJ 25.5.1961; R E 4 6 9 2 1 , DJ
2.6.1961; R E 38488, DJ 2.4.1959; R E 48421, DJ 9.11.1961; R E 48458, DJ 9.11.1961; R E 5 1 8 7 S , DJ 17.12.1962; R E S 4 2 7 .A D J
25 .2.194 7.9 Enunciodo sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniformidade de
in terpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88, art. 105, III).

0s arts. 932 e 933 do CC/2002, de modo distinto ao regulado no CC/1916 (arts.


1.521 e 1.523), estabelecem responsabilidade sem culpa por ato de terceiro, o que
afasta a possibilidade de qualquer dos responsáveis, uma vez demandado, procurar
se eximir de seu dever ressarcitório.

Cuída-se de apontar um responsável pela reparação, no caso de alguém que, de


alguma forma, possui autoridade ou direção sobre a conduta alheia, diretamente
causadora do dano. Por isso, vislumbram alguns, no caso, verdadeiro dever de ga­
rantia afeto ao responsável por terceiro com quem mantém relação especial, muito
Direito Civil 131

embora prefiram outros ver, na hipótese, um risco pela atividade ou pela conduta
de terceiro. De toda sorte, sempre será uma responsabilidade independentemente
de culpa.76

(9 Civil. Processual civil. Recurso especial. Ação de indenização. Danos morais. Acidente de trânsito.
Morte das vítimas. Culpa do empregado configurada na esfera penal. Presunção da responsabi­
lidade do empregador. Ausência de provas desconstitutivas da presunção. Culpa e nexos causais
configurados. Art. 1.521 do Código Civil/1916. Súmula 341/STF. 1. A jurisprudência desta Corte
é firme no sentido de reconhecer que o empregador responde objetivamente pelos atos ilícitos
praticados pelos seus prepostos. O Tribunal a quo, ao concluir pela responsabilidade civil da
empresa-recorrente, fundamentou-se nos elementos fáticos-probatórios analisados nas instân­
cias ordinárias, considerando que, ante a condenação criminal, transitada em julgado, imputada
ao preposto da recorrente, tem-se como presumida a culpa do empregador na esfera cível, a
teor do art. 1521 do Código Civil/1916, e da Súmula n° 341 do STF. ("E presumida a culpa do
patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto"). [...]. 2. As instâncias ordi­
nárias, com lastro nos aspectos específicos do caso, concluíram que a recorrente não trouxe
aos autos quaisquer provas que pudessem desconfigurar a presunção criada com o trânsito em
julgado do processo criminal, não demonstrando, assim, a sua não-culpa. 3. Recurso não conhe­
cido. (STJ. 4a Turma. REsp 528569/RN. Rei.: Min. Jorge Scartezzini. DJ 17.10:2005)

[9 Civil. Indenização. Morte. Culpa. Médicos. Afastamento .Condenação: Hospital. Responsabili­


dade. Objetiva. Impossibilidade. 1 - A resporisabilida‘de dos hospitais, no que tange à atuação
técnico-profissional dos médicos que neles atuam ou a eles sejam ligados por convênio, é
subjetiva, ou seja, dependente da comprovação de culpa dos prepostos, presumindo-se a dos
preponentes. Nesse sentido são as normas dos arts. 159, 1521, III, e 1545 do Código Civil de
1916 e, atualmente, as dos arts. 186 e 951 do novo Código Civil, bem com a Súmula 341 - STF
(É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto.).
2 - Em razão disso, não se pode dar guarida à tese dg acórdão de, arrimado nas provas colhi­
das. excluir, de modo expresso, a culpa dos médicos e, ao mesmo tempo, admitir a respon­
sabilidade objetiva do hospital, para condená-lo a pagar indenização por morte de paciente.
3 - 0 art. 14 do CDC, conforme melhor doutrina, não conflita com essa conclusão, dado que
a responsabilidade objetiva, nele prevista para o prestador de serviços, no presente caso, o
hospital, circunscreve-se apenas aos serviços única e exclusivamente relacionados com o esta­
belecimento empresarial propriamente dito, ou seja, aqueles que digam respeito à estadia
do paciente (internação), instalações, equipamentos, serviços auxiliares (enfermagem, exames,
radiologia), etc. e não aos serviços técnicos-profissionais dos médicos que ali atuam, perma­
necendo estes na relação subjetiva de preposição (culpa). (...]. (STJ. 4a Turma. REsp 258389/SP.
Rei.: Min. Fernando Gonçalves. DJ 22.8.2005)

(9 Direito civil e processual civil. Ação ordinária. Ato ilícito praticado por preposto. Falsificação.
(...]. Responsabilidade do empregador. Cabimento. Art. 1.521, III, do Código Civil/1916. Súmula
n° 341 do STF. (...]. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de reconhecer que o empre­
gador responde civilmente pelos atos ilícitos praticados por seus prepostos, a teor do art.
1.521 do Código Civil/1916 combinado com a Súmula n. 341 do STF - "É presumida a culpa do
patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto". [...]. (STJ. 2a Turma. REsp
206039/RJ. Rei.: Min. João Otávio de Noronha. DJ 15.8.2005)

{§] Responsabilidade civil. Queda de empregado da carroceria de caminhão durante a jornada de


trabalho. Demanda dirigida contra a empresas preponente, o proprietário do veículo e contra
o seu motorista. Ilegitimidade de parte ativa ad causam. Culpa dos réus. Extensão do pen­
sionamento. Honorários advocatícios. [...]. "É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo
ato culposo do empregado ou preposto" (Súmula n° 341 -STF). Responsabilidade atribuída ao

76. C 0 D 0 Y , C lá u d io L u iz B u en o de. In : P E L U S 0 , Cezar. (C oord.). C ó d ig o C iv il c o m e n ta d o . 2. ed. rev. e


atual. B a ru e ri: M anole, 2 0 0 8 , p. 871.
Roberval Rocha Albino Carlos ..... Mauro José G.
132 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

proprietário do caminhão, não só pelo dever de guarda que lhe incumbe, mas também por
ser o sócio-titular da empresa preponente. Segundo a jurisprudência do STJ, o pensionamento
dos beneficiários da vitima deve perdurar até a data em que esta, se viva fosse, completaria
65 anos. Manutenção da obrigação de constituir capital que assegure aos pais do ofendido a
renda mensal fixada na decisão recorrida. Alegação de idoneidade econômico-financeira da
empresa ré dependente da análise do quadro probatório. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 132473/SP.
Rei.: Min. Barros Monteiro. DJ 21.8.2000)

► CC. A rt A rt 932. São também responsáveis pela reparação civil: III - o empregador ou
comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes
competir, ou em razão dele; ► A rt 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo
antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados
pelos terceiros ali referidos.

SÚMULA Na 3 1 4 - Na c o m p o s iç ã o d o d a n o p o r a c id e n t e d o t r a b a l h o , o u d e t r a n s ­
porte, NÃO É CONTRÁRIO À LEI TOMAR PARA BASE DA INDENIZAÇÃO O SALÁRIO DO TEMPO DA
PERÍCIA OU DA SENTENÇA.

• Súmúla comentada no capítulo Direito do trabalho - acidente do trabalho - Inde­


nização. " .. .

SÚMULA N® 1 8 8 - O SEGURADOR TEM AÇÃO REGRESSIVA CONTRA O CAUSADOR DO DANO, PELO


QUE EFETIVAM ENTE PAGOU, ATÉ O LIMITE PREVISTO NO CONTRATO DE SEGURO.

• Súmula aplicável.* Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CCom/1850, art. 728. CC/1916. arts. 988 e 989. + Preceden­
tes: R E 26989 embargos. DJ 17.12.1963; R E 40747. DJ 16.1.1960; R E 48459. DJ 26.10.1961. • Enunciado sob a CF/1946. que
atribuía ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniform idade de in terpretação d as leis federais. Hoje. essa
competência é do STJ (CF/88, art. 105, III).

No art. 728 do Código Comercial (CCom), que se refere ao contrato de seguro marí­
timo, está previsto que "pagando o segurador um dano acontecido à coisa segura, ficará
sub-rogado em todos os direitos e ações que ao segurado competirem contra terceiro".

Por se tratar de cláusula bastante comum em contratos de seguro, a jurisprudên­


cia sedimentou o entendimento que posteriormente constou na súmula, uma vez que
o CC/1916 e a legislação esparsa não o disciplinavam.

Com a edição do CC/2002, contudo, a lacuna legal foi preenchida, e a sub-rogação


foi prevista expressamente na seção referente a seguro de danos (art. 786), revigo­
rando o enunciado em comento.

SI Civil. Ação regressiva. Indenização. Acidente de trânsito. Segurador. Seguro terrestre. I. Assen­
tado na jurisprudência o entendimento no sentido de que tem o segurador o direito a ação
regressiva contra o causador do dano, pelo que efetivamente pagou, até o limite previsto no
contrato de seguro (Súmula n° 188, do STF). II. Para este efeito, não se faz qualquer distinção
entre seguro marítimo e seguro terrestre. [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 64443/RJ. Rei.: Min. Walde-
mar Zveiter. DJ 13.11.1995)

SI Seguro de transporte rodoviário. Sub-rogação da seguradora. Ação regressiva contra o trans­


portador. Vistoria prévia. É licito, sem ofensa à Súmula 188 e a lei federal, julgar improcedente
a demanda de reembolso da seguradora contra o transportador, se não realizada a prévia
vistoria, consignada em cláusula do contrato de seguro e considerada, pelo acórdão, como
necessária ante o montante da pretensão indenizatória, nas circunstâncias do caso concreto.
[...]. (STJ. 4a Turma. REsp 3406/RS. Rei.: Min. Athos Carneiro. DJ 29.10.1990)
Direito C ivil 133

► Lei n° 6194/1974. A r t 8o Comprovado o pagamento,'^Sociedade'Seguradora quehouver -


pago a indenização poderá, mediante ação própria,' haver, do responsável a importância
efetivamente indenizada. i r

► CC/2002. A r t 786. Paga a indenização, o segurádOpspB-róga-se, nos limites do valor res­


pectivo, nos direitos e ações que competirem aò Segtirácic); Çoritrá o autor do dano.

SÚMULA N- 1 8 7 - A RESPONSABILIDADE CONTRATUAL DO TRANSPORTADOR, PELO ACIDENTE


COM O PASSAGEIRO, NÃO É ELIDIDA POR CULPA DE TERCEIRO, CONTRA O QUAL TEM AÇÃO
REGRESSIVA.

• S ú m u la a p lic á v e l.9 Data: 1 3 .12.19 63.9Referência legislativa: Dec. n * 2.681/1912, arts. 17 e 1 9 . * Precedentes: R E 42979
embargos, D j 2.6.1961; R E 45426, DJ 28.9.1961; R E 49149 embargos, DJ 20.9.1962; R E 36265 embargos, DJ 3.10.1963; R E
33144 embargos, DJ 7.11.1963; R E 52712 embargos, DJ 17.12.1963. * Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F compe­
tência para o controle da autoridade e da uniform idade de interpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do STJ
(CF/88, art. 105, lll).

0 conteúdo dessa súmula foi incorporado expressamente ao texto do art. 735 do


■CC/2002.

SI Indenização. Acidente. Transporte coletivo. Responsabilidade. Contratual. Valor. Razoabilidade.


Impossibilidade de revisão no STJ. Súmula 7. "A responsabilidade contratual do transportador,
pelo acidente com o passageiro não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação
regressiva." Súmula 187 do STF. - Em recurso especial somente é possível revisar a indeniza­
ção por danos morais quando o valor fixado nas instâncias locais for exageradamente alto, ou
baixo, a ponto de maltratar o art. 159 do Código Beviláqua. Fora desses casos, incide a Súmula
7, a impedir o conhecimento do recurso. A indenização deve ter conteúdo didático, de modo a
coibir reincidência do causador do dano sem enriquecer a vítima. (STJ. 3a Turma. AgRg no Ag
682690/DF. Rei.: Min. Humberto Gomes de Barros. DJ 2 9 .8 .2 0 0 5 )__

► CC/2002. Art. 735. A responsabilidade contratual, do transportador, por acidente com o


passageiro não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação -regressiva..

SÚMULA N a 1 6 1 - EM CONTRATO DE TRANSPORTE, É INOPERANTE A CLÁUSULA DE NÃO INDENIZAR

• Sú m u la a p lic á v e l. • D ata: 13.12.1963. * Referência legislativa: Dec. ns 2.681/1912, a r t 12. Dec. n ç 19.473/1930, a rt. l s.
• Precedentes: R E 26684, DJ 31.12.1957; R E 38094 embargos, DJ 22.6.1961; R E 38625 embargos, DJ 9.11.1961; R E 41931
embargos, DJ 22.6.1961; R E 43794 embargos, DJ 22.6.1961; R E 44165 embargos, DJ 5 .4 .1 9 6 1 .*Enunciado sob a CF/1946, que
atribuía ao S T F com petência p ara o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje, essa
com petência é do S T J (C F/88, a rt. 105, lll).

0 enunciado teve como premissa a evolução da jurisprudência, decorrente de an­


tigas normas presentes no Decreto ne 2.681/1912 e no Decreto n9 1.9473/1930 - do
primeiro, que estabelecia a responsabilidade objetiva das estradas de ferro; do segun­
do, que reputava não escrita qualquer cláusula restritiva da obrigação de entrega de
mercadoria constante em conhecimento de frete - por extensão, aplicadas a outros
meios de transporte.

Mais recentemente, o art. 734 do CC/2002 passou a regrar a responsabilidade no


contrato de transporte, incorporando a diretriz sumular.
Roberval Rocha A lbino Carlos Mauro José G.
134 Ferreira Filho 61 Martins V ieira da C osta

SI Súmula STJ n° 145: No transporte desinteressado, de simples cortesia, o transportador só


será civilmente responsável por danos causados ao transportado quando incorrer em dolo ou
culpa grave.

® Civil e comercial. Seguro. Transporte marítimo. Indenização. Cláusula limitativa da responsabi­


lidade do transportador. Súmula 161, do STF. I. Reputa-se não escrita qualquer cláusula limi­
tativa da obrigação de não indenizar, em contrato de transporte maritimo, o valor capaz de
tornar irrisória a indenização relativa aos danos causados. [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 29121/SP.
Rei.: Min. Waldemar Zveiter. DJ 22.3.1993)

H Transporte marítimo. Seguro, cláusula limitativa da obrigação de indenizar. [...]. A cláusula de limi­
tação da obrigação de indenizar em princípio não é incompatível com a Súmula 161 do Pretório
Excelso, mas cumpre a quem a invoca provar sua existência, na forma da lei, e comprovar que a
indenização previamente tarifada apresenta significação real ante o valor da mercadoria extraviada.
[...]. (STJ. 4a Turma. REsp 12220/SP. Rei.: Min. Athos Carneiro. DJ 28.10.1991)

► CC/2002. A rt. 734. O transportador responde pelos danos causados às pessoas transpor­
tadas e suas bagagens, salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula exçlu-'
dente da responsabilidade.

S ú m u l a n b 1 5 9 - C o b r a n ç a e x c e s s iv a , m a s d e b o a f é , n ã o d á l u g a r à s s a n ç õ e s d o a r t .
1 .5 3 1 do C ó d ig o C i v i l .

• Súmula aplicável. • Data: 13.12.1963. • Precedentes: A l 23317. DJ 8.7.1961; R E 48893. DJ 7.12.1961. R E 48986. Dj
20.11.1961; R E 46213, Dl 30.8.1962; A l 26478, Dl 7.11.1963; R c l461 prim eira, D j 12.9.1963. • Enunciado sub a CF/1946. que
atribuía ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniform idade de interpretação das leis federais. Hoje, essa
competência é do STJ (CF/88, art. 105, Ui).

O enunciado referia-se à regra constante no art. 1.531 do CC/1916, cujo texto foi
acolhido, de forma idêntica, no art. 940 do CC/2002.
Malgrado as críticas de boa parcela dos civilistas,‘ã jurisprudência exige que a
vítima prove a.malícia ou o dolo do autor da ação, sob'pena de não serem aplicadas
as sanções previstas na lei civil, ao argumento de que a interpretação literal, no caso,
criaria graves entraves ao direito de acionar, pelo receio dos litigantes quanto à apli­
cação de tais penalidades.77

SJ [...] 1. Aplicação restritiva da penalidade prevista no art. 1.531 do CC/1916, exigindo-se, além
da comprovação da má-fé do credor (Súmula 159/STF), também a cobrança de divida já
paga ou a exigência de valor maior ao efetivamente devido. 2. Não enquadramento nessas
hipóteses de incidência do art. 1.531 do CC/1916 da dívida declarada inexistente por decisão
judicial. [...]. (STJ, REsp 877.295/RS, Rei. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 3a T„ DJe 15.4.2011)

Direito Civil. Cobrança excessiva. Tese de má-fé e prática de ato ilicito afastada pelo acórdão
recorrido. Aplicação das Súmulas n° 159 do STF e n° 7 do STJ. I. "Cobrança excessiva, mas de
boa fé, não dá lugar às sanções do art. 1.531 do Código Civil" (Súmula n° 159/STF). II. Admi­

77. SILVA, Regina Beatriz Tavares da. In: Idem. (Coord.). Código Civil comentado. 6. ed. rev. e atual. São
Paulo: Saraiva, 2008, p. 907, que também lembra: "Criticas severas são realizadas a esse pensamento
jurisprudencial, baseadas nos princípios que norteiam a responsabilidade civil, na qual seus pressu­
postos são tanto o dolo quanto a culpa em sentido estrito: negligência, imperícia e imprudência, de
modo que sem sentido estabelecer uma exceção a tais princípios, impondo-se à vítima a difícil prova
da intenção do autor da ação."
Direito C ivil 135

tir a tese da prática de ato ilícito por parte do agravado, recusada pelo acórdão recorrido,
para que se caracterize a má-fé e se aplique a sanção do art. 1.531 do Código Civil de 1916
é inviável em recurso especial, dada a necessidade de reexame de prova para tanto. [...]. (STJ.
3a Turma. AgRg no Ag 501952/SC. Rei.: Min. Antônio de Pádua Ribeiro. DJ 12.4.2004)

H [...] I. A aplicação do art. 1.531 do Código Civil tem recebido da jurisprudência tratamento
afastado da mera exegese literal da norma, exigindo, para que a indenização tenha lugar,
comportamento doloso do exequente, pela cobrança maliciosa da dívida sobre a qual tem
plena consciência de que é indevida ou já está paga, este o caso dos autos. II. "Cobrança
excessiva, mas de boa fé, não dá lugar as sanções do art 1.531 do Código Civil" (Súmula 159
do STF). III. Não reconhecida, pelas instâncias ordinárias, tal procedimento, o que evidente­
mente também alcança a pretensão punitiva referente aos arts. 17 e 18 do CPC, correto o
acórdão o quo que afastou as cominações respectivas. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 403444/DF.
Rei.: Min. Aldir Passarinho Junior. DJ 24.3.2003)

Recurso especial. Execução fiscal. ICMS. Erro no preenchimento de guia de recolhimento. Alega­
ção de violação ao art. 1.531 do CC. Aplicação condicionada à má-fé do credor. Aplicabilidade da
’ Súmula 159 do STF. I. A sanção do art. 1531 apresenta/aráter de exceção e é imposta apenas nos
casos de comprovada malícia da parte (aplicação da Súmula 159 do STF). Justificado o equívoco
da Fazenda em ajuizar execução.fiscal para cobrança de dívida registrada copio não paga, por
equívoco do contribuinte ao preencher a guia de recolhimento-do ICMS, despropositada se revela
a imputação da pesada penalidade perpetrada pelo susomencionado dispositivo, visto que, da exa­
ção não se infere nenhum propósito doloso manifesto pelo Fisco no sentido de causar prejuízo ao
contribuinte. [...]. (STJ. 2a Turma. AgRg no REsp 130854/SP. Rei.: Min. Nancy Andrighi. DJ 26.6.2000)

► CC/2002. A rt 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em parte; sem
ressalvar às quantias recebidas ou pedir máis do que' fòr devido, fitará' obrigadoá pâgaY ào
'- devedor, nò primeiro1caso,-o dobro dd que hoüúèr cobrado e.- rio seguhda/ò eqtiiiraléhtê
do que dele exigir,salvo se.houver prescrição. : :■■>■
.■

SÚMULA N- 35 —E m c a s o d e a c id e n t e d o t r a b a l h o o u d e t r a n s p o r t e , a c o n c u b in a t e m

D IR E IT O D E S E R IN D E N IZ A D A P E L A M O R T E D O A M Á S IO , S E E N T R E E L E S NÃ O H A V IA I M P E D I ­

M E N T O P A R A O M A T R IM Ô N IO .

• S ú m u la m itig a d a .•D o ta ; 13.12.1963. • Referência legislativa: DL n * 7.036/1944, a r t 11, c. D ec.n 9 2.681/1912, a rt. 22.%
Precedentes: R E 47724, DJ 6.6.1963.%Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para o controle da a u tori­
dade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do S T J (CF/88, art. 105, III).

0 enunciado deve ser interpretado não como norma voltada ao concubinato, mas
à união estável, pois, à época da edição dessa súmula, não havia distinção entre os
dois institutos, como hoje pondera o art. 1.727 do CC/2002.
Aspecto importante nessa súmula é a inexistência de impedimento para o casa­
mento dos concubinos. Se um deles é casado, a relação é de adultério. Se um é se­
parado judicialmente, impedido para o casamento, porém já com a sociedade con­
jugal dissolvida, não é de indeferir-se a aplicação do enunciado ao caso, o que deve
abrandar o entendimento do disposto na sua parte final. Se o objetivo era proteger a
companheira que vivia sob a dependência econômica do marido, mais se aplica essa
intenção, diante do art. 225, § 3a, da CF/8878.

78. ROSAS, Roberto. Direito sumular - comentários às súmulas do Supremo Tribunal Federal e do Supe­
rior Tribunal de Justiça. 13. ed., rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 38-39.
Roserval Rocha „ Albino Carlos M au ro Jo sé G.
136 Ferreira Filho ® Martins Vieira da C o sta

► CF. Art. 226, S £9 Para efeito da proteção do.Estado, é reconhecida a união estável entre o
homem e a mulher como entidade familiar, devendo a .lei facilitar sua conversão em casa­
mento.

► CC. Art. 1.727- As relações não eventuais entre o.'homem e a mulher, impedidos de casar,
constituem concubinato.

S Ú M U L A N® 28 — 0 E S T A B E L E C IM E N T O B A N C Á R IO É RE SP O N SÁ V E L PELO PA G A M EN TO D E CH EQ U E

F A L S O , R E S S A L V A D A S A S H I P Ó T E S E S D E C U L P A E X C L U S IV A O U C O N C O R R E N T E D O C O R R E N T I S T A .

• Sú m u la ap lic á v e l. • D ata: 13.]2.1963. • Referência legislativa: CC/1916, a r t 159. • Precedentes: R E 3876, DJ 11.5.1953; R E
8740, DJ 5.1.1950; R E 47929 embargos, DJ 19.12.1963. • Enunciado sob a CF/1946, que atribuía ao S T F competência para o con­
trole da autoridode e da uniformidade de interpretação dos leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88, a r t 105, III).

0 STF, em julgamento de ação direta de inconstitucionalidade, declarou que as


instituições financeiras estão, todas elas, alcançadas pela incidência das normas vei­
culadas pelo CDÇ, e que, "consumidor" para os efeitos desse diploma legal, é toda
pessoa física ftu jurídica que utiliza, como destinatário final, atividade bancária, finan­
ceira e de crédito.7?

Vê-se, portanto,que a responsabilidade dos estabelecimentos bancários nas rela-


çõès com seus clientes é objetiva ex lege, porque prevista no art. 14 do CDC.

Essa evolução legislativa e jurisprudencial, entretanto, não afetou o escopo da sú­


mula, pois a responsabilidade civil, tanto objetiva quanto subjetiva, decorre do nexo
de causalidade entre o dano e a ação ou a omissão que o provocou. Dentre vários fatos
que afastam o nexo causai, e, por consequência, a responsabilidade civil, encontram-
-se a culpa exclusiva da vítima e a culpa concorrente. No primeiro caso, o correntista
deve arcar com os prejuízos provocados; no segundo, em conformidade com regra
expressa no art. 945 do CC/2002, a indenização deve ser fixada tendo-se em conta a
gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano (estabelecimento ban­
cário). É esse o sentido da súmula, que permanece hígida.

SI Súmula STJ n° 297: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras.

SI [...] I. A segurança é prestação essencial à atividade bancária. II. Não configura caso fortuito
ou força maior, para efeito de isenção de responsabilidade civil, a ação de terceiro que
furta, do interior do próprio banco, talonário de cheques emitido em favor de diente do
estabelecimento. III. Ressarcimento devido às autoras, pela reparação dos danos morais por
elas sofridos pela circulação de cheques falsos em seus nomes, gerando constrangimentos
sociais, como a devolução indevida de cheques regularmente emitidos pelas correntistas e
injustificadamente devolvidos. [...]. (STJ. 4a Turma. REsp 750418/RS. Rei.: Min. Aldir Passari­
nho Júnior. DJ 16.10.2006)

H Cheque falso. Pagamento. Responsabilidade. Culpa reciproca. Havendo as instâncias ordiná­


rias admitido que o correntista contribuiu para o fato, na medida em que facilitou a empre­
gada sua, o acesso aos talonários, do que se valeu para falsificar os cheques, a responsabili­
dade reparte-se entre ele e o banco. Este deverá indenizar metade do prejuizo. (STJ. 3a Turma.
REsp 7246/RJ. Rei.: Min. Eduardo Ribeiro. DJ 8.4.1991)7
9

79. STF. Plenário. ADI 2591/DF. Rei. p/ acórdão: Min. Eros Grau. D) 29.9.2006.
Direito Civil 137

IS Cheque falso. Responsabilidade pelo pagamento. Reconhecendo o acórdão ter havido culpa
concorrente, do estabelecimento bancário e do correntista, correta a conclusão ao declarar
ser aquele responsável pelo ressarcimento de metade do prejuízo. (STJ. 3a Turma. REsp 2539/
SP. Rei.: Min. Eduardo Ribeiro. DJ 6.8.1990)

► CDC. A r t 14. O fornecedor de serviços responde, indèpendentemènte da existência de


culpa, pela reparação dos danos causados aos consdfnidorês por defeitos relativos à pres­
tação dos serviços, bem como por informações ,insuficientes ou inadequadas sobre sua
. fruição e riscos, v- , ■,. .. ■,!:•

12 . S U C E S S Õ E S
S Ú M U L A Ns 447 - É V Á L ID A A D IS P O S IÇ Ã O T E S T A M E N T Á R 1 A E M P A V O R D E F IL H O A D U L T E R IN O
D O T E S T A D O R C O M S U A C O N C U B IN A .

• S ú m u la s u p e ra d a .• Data: 1 *1 0 .1 9 6 4 .9 Referência legislativa: CC/1916, arts. 1.719, III, e 1.720. L e i n9 883/1949, arts. 10
e_29.9 P re ce d e h te s: R E 5 7 5 5 embargos, D )S.1 1.19 S6 ; R E 48296, D )26.9,1963; R E 4 8 2 9 6 embargos, DJ 15.10.1964: R E 52986,
3.1 2.196 4; R E 9069, DJ 17.9.1948; R E & 7 4 , DJ 3.2.1944; R E 9 0 6 9 embargos, DJ 14.2.1952.9Enunciado sob a CF/1946, que
a tribu ía ao S T F com petência para o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis federais. Hoje. essa
com petência é do S T J (C F/88, a rt. 10S, III).

0 art. 227, § 69, da CF/88 proscreveu toda e qualquer disposição normativa discrimi­
natória do status jurídico de filiação, norma esta que foi repetida no art. 1.596 do CC/2002.
Assim, a disposição contida no enunciado tornou-se inócua, já que agora está ex­
plicitamente protegido no ordenamento o direito sucessório dos filhos, sem poder
a lei discriminar o tipo de relação de que decorre a filiação, se do casamento, se do
concubinato, se da adoção, se do incesto, etc.

► CF. A r t 227. 5 6° Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão,
os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relati­
vas à filiação. ... . ......

► C C A r t 1.596. Os filhos, havidos ou não da relação dè .casamento, ou por adoção, terão os mes­
mos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.

13 . U SU C A P IA O
Sú m u la n 2 340 - D e s d e a v ig ê n c ia d o C ó d ig o C i v i l , o s b e n s d o m in ic a is , c o m o o s d e m a is
B E N S P Ú B L IC O S , N Ã O P O D E M S E R A D Q U IR ID O S P O R U S U C A P IÃ O .

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 13.12.1963, • Referência legislativa: CC/1916, art. 67. DL n ‘ 710/1938, art. 12, § 17 DL n’
9.760/1946, art. 200. Dec. n> 19.924/1931, art. 17 Dec. n ' 22.785/1933, a r t 2 7 » Precedentes: R E 51265, D J28.11.1963: R E
4369, R F 97 /353; R E 7387, R F 109/105. 9 Enunciado sob a CF/1946, que atribula ao S T F competência para o controle da
autoridade e da uniform idade de interpretação d as leis federais. Hoje, essa competência é do STJ (CF/88, a rt. 105, lll).

Apesar de referir-se ao disposto no art. 67 do revogado CC/1916, que prescrevia


só poderem os bens públicos - de uso comum do povo, de uso especial e os dominicais
- ser alienados "nos casos e forma que a lei prescrever", o enunciado permanece em
vigor, porquanto o art. 102 da nova lei civil prevê, agora de forma bastante clara, que
"os bens públicos não estão sujeitos a usucapião".:
Roberval Rocha „ A lbino Carlos a Mauro José G.
138 Ferreira Filho w Martins Vieira -■ da Costa

® Civil. Ação de nulidade de título de venda de terras devolutas. Arguição em defesa. I. A usu­
capião, como prescrição aquisitiva que é, pode ser arguida em defesa na ação de nulidade
de titulo de venda de terras devolutas, desde que preenchidos os requisitos legais. [...]. II.
Incidência do disposto na Súmula n. 237, do STF. [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 85039/MG. Rei.: Min.
Waldemar Zveiter. DJ 23.6.1997)

SI Usucapião. Alegação em defesa. Reivindicatória. Dissídio. Súmula n. 237 do STF. [...]. Basta a
parte alegar na contestação a aquisição originria do domínio, com a demonstração do pre­
enchimento dos requisitos do usucapião do imóvel reivindicado, para que o julgador aprecie
o fato e examine as provas produzidas acerca daquela defesa indireta de mérito. [...]. (STJ. 3a
Turma. REsp 8324/SP. Rei.: Min. Cláudio Santos. DJ 23.9.1991)

BI (...) Ação ordinária reivindicatória de imóvel. Usucapião. Inexistência, por não caracterizado
quando alegado como defesa. Artigos 154, 244, 300 e 535, do CPC; 214, da Lei dos Regis­
tros Públicos; e 859, do Código Civil. Súmula 237. STF. I. Inocorrente a divergência, eis que o
aresto atacado não esposou tese contrária ao entendimento sumulado, segundo o qual "o
usucapião pode ser arguido em defesa". (Súmula 237. STF), apenas dispondo não compro-
i vàdos seus pressupostos. (...]. (STJ. 3a Turma. REsp 202/RJ. Rei.: Min. Waldemar Zveiter. DJ
4.12.1989)

S Ú M U L A Na 2 3 7 - 0 U S U C A P IÃ O P O D E S E R A R G U I D O E M D E F E S A .

• Súmula ap licável. • D o to : 1 3 .12.19 63.» Referência legislativa: CC/1916, arts. 550 e 551. CPC/1939, arts. 158,111, e IS O .»
Precedentes: R E 10544, DJ 19.10.1950; R E 18241, DJ 10.1.1952; R E 22656. DJ 17.12.1953; R E 10819, DJ 12.1.1949; R E 8952,
DJ 19.8.1948.» Enunciado sob a CF/1946, que atribula ao S T F com petência para o controle da autoridade e da uniformidade
de interpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do S T J (C F/88, art. 105, III).

A usucapião é fato que habilita a defesa de direitos, conforme expressão do art.


193 do CC/2002, cujo texto assevera poder a denominada prescrição aquisitiva "ser
alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita".

m Civil. Ação de nulidade de titulo de venda de terras devolutas. Arguição em defesa. I. A usu­
capião, como prescrição aquisitiva que é, pode ser arguida em defesa na ação de nulidade
de titulo de venda de terras devolutas, desde que preenchidos os requisitos legais. [...]. II.
Incidência do disposto na Súmula n° 237, do STF. (...]. (STJ. 3a Turma. REsp 85039/MG. Rei.: Min.
Waldemar Zveiter. DJ 23.6.1997)

Usucapião. Alegação em defesa. Reivindicatória. Dissídio. Súmula n° 237 do STF. [...]. Basta a
parte alegar na contestação a aquisição originaria do domínio, com a demonstração do pre­
enchimento dos requisitos do usucapião do imóvel reivindicado, para que o julgador aprecie
o fato e examine as provas produzidas acerca daquela defesa indireta de mérito. [...]. (STJ. 3a
Turma. REsp 8324/SP. Rei.: Min. Cláudio Santos. DJ 23.9.1991)

® [...] Ação ordinária reivindicatória de imóvel. Usucapião. Inexistência, por não caracteri­
zado quando alegado como defesa. Artigos 1S4, 244, 300 e 535, do CPC; 214, da Lei dos
Registros Públicos; e 859, do Código Civil. Súmula 237. STF. I. Inocorrente a divergência,
eis que o aresto atacado não esposou tese contrária ao entendimento sumulado, segundo
o qual "o usucapião pode ser arguido em defesa". (Súmula 237. STF), apenas dispondo
não comprovados seus pressupostos. [...]. (STJ. 3a Turma. REsp 202/RJ. Rei.: Min. Waldemar
Zveiter. DJ 4.12.1989)
Direito Civit 139

14. O U T R O S
SÚMULA N2 1 7 0 - É RESGATÁVEL A ENFITEUSE INSTITUÍDA ANTERIORMENTE À VIGÊNCIA DO
Có d ig o Civ il . ________________________________________________

• Sú m u la a p lic á v e l.• D a t a : 1 3 .1 2 1 9 6 3 .• Referência legislativa: CC /19Í6, art. 6 9 3 .• Precedentes: R E 47931 embargos. D/


25.1.1962: R E 50325. 0/ 20.9.1962; R E 51606. Dl 8.8.1963; R E 52060. 0/ 24.10.1963; R E 52089. D) 7.11.1963. •En u n cia do
sob a CF/1946. que atribuía ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniformidade de interpretação das leis
fe d era is Hoje, essa competência è do STJ (CF/88, art. 105,111).

Enfiteuse, aforamento ou aprazamento é o desmembramento da propriedade, do


qual resulta um direito real perpétuo, em que o titular (enfiteuta), assumindo o domí­
nio útil da coisa, constituído de terras não cultivadas ou terrenos por edificar (prazo,
bem enfitêutico ou bem foreiro), é assistido pela faculdade de lhe fruir todas as qua­
lidades, sem destruir a substância, mediante a obrigação de pagar ao proprietário
(senhorio direto) uma pensão, ou foro, anual, certo e invariável.

0 enunciado fazia referência ao CC/1916.0 novo cótíigò manteve a subordinação


legislativa das enfiteuses existentes às normas do código antigo, proibindo a consti­
tuição de novas enfiteuses o,ü sübenfiteuses. ,• ) i , •

► CC/2002. A rt. 2.038. Fica proibida a constituição de enfiteuses e sübenfiteuses, subordi­


nando-se as existentes, até sua extinção, às disposições dò Código Civil anterior. Lei n°
3.071, de 1° de janeiro de 1916, e leis posteriores, § 1°. Nos afóramentos a que se refere
este artigo é defeso: i - cobrar laudêmio ou prestação análoga nas transmissões de bem
aforado, sobre o valor das construções ou plantações; II - constituir subenfiteuse. 5 2°. A
enfiteuse dos terrenos de marinha e acrescidos regula-se por íei especial.

SÚMULA N2 4 9 - A CLÁUSULA DE INALIENABILIDADE INCLUI A INCOMUNICABILIDADE DOS BENS.

• Sú m u la a p lic á v e l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CC/1916, arts. 1.666 e 1.723. • Precedentes: R E 5108, D)
7.7.1942; R E 5316. R T 148/369; R E 13825, DJ 30.5.1950; R E 13856. DJ 12.3.1951; R E 14113, DJ 9.2.1951; R E 14113 embargos,
DJ 13.7.1950; R E 6720, DJ 2 U 2 .1 9 S 0 ; R E 49004 embargos. DJ 25.7.1963; R E 49475 embargos, DJ 5.9.1963; R E 49604, DJ
3 .5 .1 9 6 2 .* Enunciado sob a CF/1946, que atributa ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniformidade de
interpretação das leis federais. Hoje, essa competência é do S T J (C F/88. a rt. 105, III).

Hoje, essa regra está insculpida no art. 1.911 do novo Código Civil.

► CC/2002. Art. 1.911. A cláusula de inalienabilidade, imposta aos bens por ato de liberali­
dade, implica impenhorabilidade e incomunicabilidade. '

15. LEG ISLA Ç Ã O REVO GA D A


S ú m u la n 2 275 - Est á s u je it a a r e c u r so “e x o f f ic io " se n t e n ç a c o n c e s s iv a d e r e a ju s t a -

MENTO PECUÁRIO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 2 . 8 0 4 , DE 2 5 DE JUNHO DE 1 9 5 6 .

• S ú m u la s u p e ra d a . • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CPC/1939, art. 822, III. L e i nB 1.002/1949, a r t 27. Lei
2.804/1956, a rt. V>; art. 3 ‘, c • Precedentes: R E 39712, DJ 15.9.1961; R E 46676 embargos, DJ 9.11.1961; R E 40540. DJ
2.10.1962; R E 46283 embargos, DJ 19.7.1962; R E 34176 embargos, DJ 3.5.1962; R E 51911. DJ 17.10.1963.
Roberval Rocha n. Albino Carlos Mauro José G.
140 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

S ú m u la Na 1 8 5 - E m pro cesso d e r e a ju s t a m e n t o p e c u á r io , não r espo n d e a U n iã o


P E L O S H O N O R Á R IO S D O A D V O G A D O D O C R E D O R O U D O D E V E D O R .

• Sú m u la su p e ra d a . • Dato: 13.12.1963. • Referência legislativa: CPC/1939, art. 64. L e i n- 1.002/1949, art. 5 P. L e i n 9


2.282/1954, art. 19 § 2 9.9P receden tes: R E 31117, D J23.8.1956; A I 19038, DJ 11.10.1957; R E 37854, D J30.10.1958; R E 37858.
DJ 9.10.1958; R E 40082, DJ 3.8.1959; R E 40191, DJ 3.8.1959; R E 40077 embargos, DJ 24.7.1961; R E 39857, DJ 2.10.1962; R E
49109, DJ lt.6 .1 9 6 2 ; R E 51640, DJ 17.12.1962; R E 51985, DJ 14.6.1963.

SÚMULA Ns 1 8 4 - NÃO SE INCLUEM NO REAJUSTAMENTO PECUÁRIO DÍVIDAS CONTRAÍDAS POS­


TERIORMENTE A 1 9 .1 2 .4 6 .

• Sú m u la s u p e ra d a . 9 Data: 13.12.1963.9 Referência legislativa: Lei ns 209/1948, art. I 9. Lei n 9 1.002/1949, art. I 9. 9 Pre­
cedentes: A l 15561, DJ 16.4.1953; R E 46662, DJ 30.1.1961; R E 46816 embargos, DJ 13.9.1962.

SÚMULA Nfi 1 8 3 - NÃO SE INCLUEM NO REAJUSTAMENTO PECUÁRIO DÍVIDAS ESTRANHAS À ATI-


VIDADE AGROPECUÁRIA.

• S ú m u la s u p e ra d a . 9 Data: 13.12:1963.9 Referência legislativa: L e in f 209/1948, à rL 5 9. Lei n° 1.002/1949, art. 19.9 Prece-
cientes: A l 15783, DJ 1 7.9.1953~^A1'15,786, DJ 22.10.19,53; R E 31895, DJ 4.4.1957; R E 46816 embargos, DJ 6.9.1962.

SÚMULA Ns 1 8 2 - NÃO IMPEDE O REAJUSTAMENTO DO DÉBITO PECUÁRIO, NOS TERMOS DA LEI .


1 .0 0 2 , DE 2 4 . 1 2 . 1 9 4 9 , A FALTA DE CANCELAMENTO DA RENÚNCIA a MORATÓRIA DA LEI 2 0 9 ,
DE 0 2 . 1 .1 9 4 8 .

• S ú m u la s u p e ra d a .9 Data: 13 .12.1963.9Referência legislativa: L e in 9457/1948, a rt. 2 Ç, pará g rafo único. Lei n 9 1.002/1949,
a r t 7* art. 28 .9Preced en tes: R E 48704 embargos, DJ 13.1.1963; R E 4 6 8 1 7 embargos, DJ 18.10.1962; R E 50774, DJ 18.10.1962.

16. Q UAD RO SIN Ó P T IC O

1 DIREITO CIVIL

l í COMPROMISSO DECOMPRA E VENDA DE IMÓVEIS

Súmula ns 413 - 0 compromisso de compra e venda de imóveis, ainda que não loteados,
aplicável
dá direito à execução compulsória, quando reunidos os requisitos legais.
Súmula nc 168 - Para os efeitos do Dec.-Lei 58, de 10.12.1937. admite-se a inscrição imo­
aplicável
biliária do compromisso de compra e venda no curso da ação.
Súmula n° 167 - Não se aplica o regime do Dec.-Lei 58. de 10.12.1937, ao compromisso
de compra e venda não inscrito no registro imobiliário, salvo se o promitente vendedor se aplicável
obrigou a efetuar o registro.
Súmula n° 166 - É inadmissível o arrependimento no compromisso de compra e venda
aplicável
sujeito ao regime do Dec.-Lei 58, de 10.12.1937. |
|2. CONCUBINATO |
Súmula n° 382 - A vida em comum sob o mesmo teto, "more uxorio", não é indispensável à
aplicável
caracterização do concubinato.
Súmula n° 380 - Comprovada a existência de sociedade de fato entre os concubinos, é cabível
aplicável
a sua dissolução judicial, com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum.

3. CONTRATOS |

Súmula n° 489 - A compra e venda de automóvel não prevalece contra terceiros, de boa-fé,
aplicável
se o contrato não foi transcrito no registro de títulos e documentos.
D ir e it o C iv il 141

Súmula ne 412 - No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a devo­


lução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui inde­ aplicável
nização maior a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo.

Súmula n9 335 - É válida a cláusula de eleição do foro para os processos oriundos do


mitigada
contrato.

Súmula n9 165 - A venda realí2ada diretamente pelo mandante ao mandatário não é atin­
superada
gida pela nulidade do art. 1.133, II, do Código Civil.

Súmula n9 105 - Salvo se tiver havido premeditaçâo, o suicídio do segurado no período


superada
contratual de carência não exime o segurador do pagamento do seguro.

4. DESQUITE

Súmula ns 379 - No acordo de desquite não se admite renúncia aos alimentos, que poderão
aplicável
ser pleiteados ulteriormente, verificados os pressupostos legais.

Súmula n9 305 - Acordo de desquite ratificado por ambos os cônjuges não é retratávei
aplicável
uniiateralmente.

Súmula"na 226‘- Na ação de desquite, os alimentos são devidos desde a inicial e não da data
da decisão que os concede.
' aplicável

5. DIREITO AUTORAL

Súmula n5 386 - Pela execução de obra musical por artistas remunerados é devido direito
superada
autoral, não exigível quando a orquestra for de amadores.

6. DIREITOS DE VIZINHANÇA

Súmula n9414 - Não se distingue a visão direta da oblíqua na proibição de abrir janela, ou
superada
fazer terraço, eirado, ou varanda, a menos de metro e meio do prédio de outrem.

Súmula n9 120 - Parede de tijolos de vidro translúcido pode ser levantada a menos de
' aplicável
metro e meio do prédio vizinho, não importando servidão sobre ele.

7. PENA DE COMISSO

Súmula ng 169 - Depende de sentença a aplicação da pena de comisso. mitigada

Súmula n° 122 - 0 enfiteuta pode purgar a mora enquanto não decretado o comisso por
mitigada
sentença.

8. PRESCRIÇÃO

Súmula n5 494 - A ação para anular venda de ascendente a descendente, sem consentimento
superada
dos demais, prescreve em vinte anos, contados da data do ato, revogada a Súmula 152.

Súmula n5 445 - A Lei 2.437, de 07.3.1955, que reduz prazo prescricional, é aplicável às
prescrições em curso na data de sua vigência (1.1.56), salvo quanto aos processos então superada
pendentes.

Súmula n5 443 - A prescrição das prestações anteriores ao período previsto em lei não
ocorre, quando não tiver sido negado, antes daquele prazo, o próprio direito reclamado, ou aplicável
a situação jurídica de que ele resulta.

Súmula ng 154 - Simples vistoria não interrompe a prescrição. aplicável


Roberval Rocha a Albino Carlos M a u r o J o sé G.
142 Ferreira Filho ® Martins V ieira d a C o st a

Súmula n° 153 - Simples protesto cambiário não interrompe a prescrição. superada

Súmula na 152 - A ação para anular venda de ascendente a descendente, sem consentimen­
revogada
to dos demais, prescreve em quatro anos, a contar da abertura da sucessão.

Súmula na 150 - Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação. aplicável

Súmula na 149 - É imprescritível a ação de investigação de paternidade, mas não o é a de


aplicável
petição de herança.

9. PROTEÇÂOPOSSESSÓRIA .

Súmula n° 487 - Será deferida a posse a quem, evidentemente, tiver o domínio, se com base
superada
neste for ela disputada.

Súmula n° 415 - Servidão de trânsito não titulada, mas tomada permanente, sobretudo
pela natureza das obras realizadas, considera-se aparente, conferindo direito a proteção aplicável
possessória.

10. REGIME DE BENS

Súmula nB 377 - No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na


aplicável ■
constância do casamento.

11. RESPONSABILIDADE CIVIL

Súmula n° 562 - Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a atu­
alização de seu valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, os índices de aplicável
correção monetária.

Súmula n9 492 - A empresa locadora de veículos responde, civil e solidariamente com o


aplicável
locatário, pelos danos por este causados a terceiro, no uso do carro locado.

Súmula na 491 - É indenizável o acidente que cause a morte de filho menor, ainda que não
aplicável
exerça trabalho remunerado.

Súmula na 490 - A pensão correspondente à indenização oriunda de responsabilidade civil


deve ser calculada com base no salário-minimo vigente ao tempo da sentença e ajustar-se- mitigada
-á ás variações ulteriores.

Súmula n9 341 - É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empre­
superada
gado ou preposto.

Súmula n9 314 - Na composição do dano por acidente do trabalho, ou de transporte, não é


aplicável
contrário à lei tomar para base da indenização o salário do tempo da perícia ou da sentença.

Súmula n9 188 - 0 segurador tem ação regressiva contra o causador do dano, pelo que
aplicável
efetivamente pagou, até o limite previsto no contrato de seguro.

Súmula n9 187 - A responsabilidade contratual do transportador, pelo acidente com o pas­


aplicável
sageiro, não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva.

Súmula na 161 - Em contrato de transporte, é inoperante a cláusula de não indenizar. aplicável

Súmula n9 159 - Cobrança excessiva, mas de boa fé, não dá lugar às sanções do art. 1.531
do Código Civil. aplicável
Direito Civil 143

Súmula n9 35 - Em caso de acidente do trabalho ou de transporte, a concubina tem direito


de ser indenizada pela morte do amásio, se entre eles não havia impedimento para o ma­ mitigada
trimônio.

Súmula n9 28 - 0 estabelecimento bancário é responsável pelo pagamento de cheque falso,


aplicável
ressalvadas as hipóteses de culpa exclusiva ou concorrente do correntista,

12. SUCESSÕES

Súmula n9 447 - É válida a disposição testamentária em favor de filho adulterino do testa-


superada
dor com sua concubina.

13. USUCAPIÃO

Súmula n9 340 - Desde a vigência do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens
aplicável
públicos, não podem ser adquiridos por usucapião.

Súmula ne 237 - 0 usucapião pode ser arguido em defesa. aplicável

14. OUTROS

Súmula ns 170 - É resgatável a enfiteuse instituída anteriormente à vigência dó Cçdigo


aplicável'
Civil.

Súmula n9 49 - A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens. aplicável

15. LEGISLAÇÃO REVOGADA

Súmula n9 275 - Está sujeita a recurso "ex officio* sentença concessiva de reajustamento
superada
pecuário anterior à vigência da Lei 2.804, de 25 de junho de 1956.

Súmula n9 185 - Em processo de reajustamento pecuário, não responde a União pelos ho­
superada
norários do. advogado do credor ou do devedor.

Súmula n9 184 - Não se incluem no reajustamento pecuário dívidas contraídas posterior­


superada
mente a 19.12.46.

Súmula n9 183 - Não se incluem no reajustamento pecuário dívidas estranhas à atividade


superada
agropecuária.

Súmula n9 182 - Não impede o reajustamento do débito pecuário, nos termos da Lei
1.002, de 24.12.1949, a falta de cancelamento da renúncia a moratória da Lei 209, de superada
02.1.1948.
[
CAPITULO III

DIREITO
CONSTITUCIONAL
'^>V- fvi<f'5:>ff>
1. Competência legislativa

2. Direitos fundamentais

3. Direitos políticos 8. Processo legislativo 12. Legislação


4. Imunidade parlamentar revogada
9. Repartição de receitas
5- Magistratura tributárias 13. Quadro sinóptico.

■. As súmulas pertinentes ao direito propessual constitucional são comentadas po


' capítulo Direito processual civil.

1. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA
SÚMULA VlNCULANTE Na 4 6 - A DEFINIÇÃO DOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE E O ESTABE­
LECIMENTO DAS RESPECTIVAS NORMAS DE PROCESSO E JULGAMENTO SÃO DA COMPETÊNCIA
LEGISLATIVA PRIVATIVA DA UNIÃO.

• Súm ula vincutante, • Data: 17.4.2015. • Referência legislativa: CF, arte. 2 2 ,1, e 85, parágrafo único. • Precedentes: ARE
81 0812 AgR, Dje 10.12.2014. ADI 1440, DJe 6.11.2014. A l 515894 AgR, Dje 13.9.2012. ADI 2220, D}e 7.12.2011. R E 367297
AgR, Dje 25.2.2011. ADI 4,190 MC-REF, D}c 11.6.2010.

No enunciado, a Corte torna vinculante o que antes dispunha nó conteúdo da Sú­


mula 722 (vide comentários a esse enunciado, adiante).

SÚMULA VlNCULANTE N2 3 9 - COMPETE PRIVAT1VAMENTE À UNIÃO LEGISLAR SOBRE VENCI­


MENTOS DOS MEMBROS DAS POLÍCIAS CIVIL E MILITAR E DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO
D is t r it o Fed e r a l .

• Súm ula vinculante. • Data 20.3.2015. ♦ Referência legislativa: CF, art. 21, XIV. Súm. 647/STF. • Precedentes: RE 648946
AgR, D je 19.10.2012. ADI 3791. Dje 27.8.2010. A D I 3601, Dje 21.8.2009. A D I 2102, Dje 21.8.2009. A D I 1045. Dje 12.6.2009.
A D I 38 17, D je 3.4.2009. R E 549031 AgR, Dje 15.8.2008. AD I 3756, Dje 19.10.2007. A l 587045 AgR, D j 16.2.2007. A D I1 136, Dj
13.10.2006. A D I2752 MC. D j23.4.2004. A D I2881, D j2.4.2004. A D I2988, D j26.3.2004. ADI 1291 MC, D j 16.5.2003. RE241494,
D j 14.11.2002. A D I 1359, D j 11.10.2002. A D I 1475, D j 4.5.2001. A ! 206761 A g R D j 5.2.1999. R E 207440, D j 17.10.1997. SS
1154 AgR, D j 6.6.1997. SS 846 AgR. D j 8.11.1996. AD I 1359 MC, D j 26.4.1996.

No enunciado, a Corte torna vinculante o que antes dispunha no conteúdo da Sú­


mula 647 (vide comentários a esse enunciado, adiante).

S ú m u l a V in c u l a n te nq 2 - É in c o n s t itu c io n a l a l e i ou ato n o r m a tiv o esta d u a l o u d is t r i ­


t a l q u e d is p o n h a s o b r e s is t e m a s d e c o n s ó r c io s e s o r t e io s , in c l u siv e b in g o s e l o t e r ia s .

• Súmula vinculante.* Doía. 30.5.2007. • Referência Legislativa: CF/88, a r t 22, XX.%Precedentes: A D I 2847. D j26.11.2004.
A D I 3147. D j 22.9.2006. ADI 2996. DJ 29.9.2006. A D I 2690. DJ 20.10.2006. A D Í3183. D J20.10.2006. A D I3277. D J25.5.2007.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
146 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

0 art. 22, XX, da CF/88 atribui competência privativa à União para legislar sobre
sistemas de consórcios e sorteios, regra essa sobre a qual se debruçou a interpretação
do STF para declarar a inconstitucionalidade de várias leis estaduais e distritais que
dispunham sobre loterias e bingos, tidos, pela Corte, como abrangidos na terminolo­
gia generalista de "sorteios", prevista no texto normativo.

A jurisprudência dominante que levou à promulgação da súmula também enten­


deu que a exploração de loterias só é possível com a derrogação excepcional de nor­
mas de direito penal (também competência privativa da União: CF, art. 22, I), visto
tratar-se de jogo de azar, constituindo serviço público exclusivo da União, insuscetível
de concessão, nos termos do art. I 9 do DL n9 204/1967.80

EH (...) Súmula Vinculante 2/STF: inconstitucionalidade de lei ou ato normativo estadual ou dis­
trital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias. Inter­
pretação. Alegado descumprimento do preceito fundamental da separação de poderes. 1. A
exploração de loterias não se enquadra nas atividades inerentes ao Poder Público. 2. A argui-
ção de descumprimento de preceito fundamental não é a via adequada para se obter a inter­
pretação, a revisão ou o cancelamento de súmula vinculante. [...]. (ADPF 147 AgR, Rei. Min
. CármêVi-Lúcia, Pleno, DJe 8.4.2011)

H (...) - A cláusula de competência inscrita no art. 22, inciso XX, da Constituição da República
atribui máximo coeficiente de federalidade ao tema dos "sorteios" (expressão que abrange os
jogos de azar, as loterias e similares), em ordem a afastar, nessa especifica matéria, a possibi­
lidade constitucional de legítima regulação normativa, ainda que concorrente, por parte dos
Estados-membros, do Distrito Federal ou dos Municípios. - Não assiste, ao Estado-membro,
bem assim ao Distrito Federal, competência para legislar, por autoridade própria, sobre qual­
quer modalidade de loteria ou de serviços lotéricos. (...). - A usurpação, pelo Estado-membro,
da competência para legislar sobre sistemas de sorteios - que representa matéria constitu­
cionalmente reservada, em caráter de absoluta privatividade, à União Federal - traduz vício
jurídico qüe faz instaurar situação de inconstitucionalidade formal, apta a infirmar,,de modo
radical, a própria integridade do ato legislativo daí resultante. (...]. (STF. Pleno. ADI-2995/PE.
Rei.: Min. Celso de Mello. DJ 28.9.2007)

SI (•••] São inconstitucionais, por ofensa à competência da União para legislar sobre sistema de
consórcios e sorteios (art. 22, XX, da Constituição Federal), os decretos que compõem o sis­
tema normativo regulamentador do serviço de loterias e bingos no estado de Mato Grosso do
Sul. (...). (STF. Pleno, ADI 3183/MS. Rei.: Min. Joaquim Barbosa. DJ 20.10.2006)

® (...) Ação direta de inconstitucionalidade. 2. Criação de serviço de loteria por lei estadual (Lei
no 8.118/2002, do Estado do Rio Grande do Norte). 3. Vício de iniciativa. 4. Competência priva­
tiva da União 5. Expressão "sistemas de consórcios e sorteios" (CF, art. 22, XX) inclui serviço de
loteria. 6. Proibição dirigida ao Estado-membro prevista no Decreto-Lei no 204/67. 7. [...]. (STF.
Pleno. ADI 2690/RN. Rei.: Min. Gilmar Mendes. DJ 20.10.2006)

► DL n° 204/1967. A rt. 1° A exploração de loteria, como derrogação excepcional das nor­


mas do Direito Penal, constituiserviço público exclusivo da União não suscetível de conces­
são e só será permitida nos termos do presente Decreto-lei.

80. VAN HOLTHE, Leo. Direito constitucional. 3. ed. Salvador: (uspodivm, 2007, p. 241, aludindo à deci­
são prolatada pelo STP na ADIN 2847/DF.
Direito Constitucional 147

SÚ M U LA N - 722 - S Ã O O A C O M P E T Ê N C IA L E G IS L A T IV A D A U N IÃ O A D E F IN IÇ Ã O D O S C R IM E S D E
R E S P O N S A B IL ID A D E E O E S T A B E L E C IM E N T O D A S R E S P E C T I V A S N O R M A S D E P R O C E S S O E JU L G A ­
M EN TO .

• Sú m u la a p lic á v e l. • Dl!Ca: 26.11.2003. • Referência legislativa: CF/88, a rt. 22 .1; a r t 85. parágrafo único. • Precedentes:
ADI 1628 MC. D] 26.9.1997: A D I 2050 MC. D] 1710.1999: A D I 22 20 MC, DJ 7.12.2000: A D I 1879 MC, Df 14.5.2001: A D I 2592,
Dl 23.5.2003: A D I 1901. D19.5.2003.

Segundo o art. 85 da CF/88, são crimes de responsabilidade os atos do Presidente


da República que atentem contra a própria Constituição e, especialmente, contra: (a)
a existência da União; (b) o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário,
do Ministério Público e dos poderes constitucionais das unidades da Federação; (c) o
exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; (d) a segurança interna do País;
(e) a probidade na administração; (f) a lei orçamentária; e (g) o cumprimento das leis
e das decisões judiciais81.

0 parágrafo único desse mesmo art. 85 remete a tipificação penal-dessas condu­


tas e sua's normas de processo è julgamento para a lei ordinária.

• ■■ Apesar de historicamente serem tidas por infrações de. cunho político; subme­
tidas a julgamento político nos órgãos do Poder Legislativo, o STF entende que tais
condutas devem ser tratadas em processo de natureza penal, e, como tal, compete
privativamente à União legislar sobre seu procedimento (CF, art. 2 2 ,1)

Realmente, a natureza dessas infrações se reveste de traços peculiares, pois não


dizem respeito a simples faltas administrativas: envolvem condutas típicas, ilícitas e
culpáveis, surgidas da delinquência dos detentores de significativos postos do Estado,
titulares de altas funções públicas.82

Posteriormente, o conteúdo do enunciado foi transformado na Súmula Vinculante


n*>46.

® (...) Ao Estado-membro não compete inovar na matéria de crimes de responsabilidade - artigo


22, inciso I, da Constituição do Brasil. Matéria de competência da União. [...]. (ADI 341, Rei. Min.
Eros Grau, Pleno, DJe 11.6.2010)

SI (...) 1. A expressão "e julgar", que consta do inciso XX do artigo 40, e o inciso II do § 1o do
artigo 73 da Constituição catarinense consubstanciam normas processuais a serem observa­
das no julgamento da prática de crimes de responsabilidade. Matéria cuja competência legis­
lativa é da União. [...). 2. Lei federal n. 1.079/50, que disciplina o processamento dos crimes
de responsabilidade. Recebimento, pela Constituição vigente, do disposto no artigo 78, que
atribui a um Tribunal Especial a competência para julgar o Governador. [...]. 3. Inconstituciona­
lidade formal dos preceitos que dispõem sobre processo e julgamento dos crimes de respon­
sabilidade, matéria de competência legislativa da União. (...) (STF. Pleno. ADI 1628/SC. Rei.: Min.
Eros Grau. DJ 24.11.2006)

81. Há outras previsões de atos que constituem crimes de responsabilidade espalhadas no texto constitu­
cional: art. 29-A, §§ 2a e 3a.
82. RAGAZZI, |osé Luiz. In: DIMOULIS, Dimitri (Coord.j. Dicionário brasileiro de direito constitucional.
São Paulo: Saraiva, 2007, p. 96.
Roberval Rocha ,, Albino Carlos . Mauro José G.
148 Ferreira Filho 5 Martins V ieira da Costa

@ [...] 2. Crime de responsabilidade. Esta Corte firmou entendimento no sentido de que compete
à União Federal tanto a definição desse delito, quanto à regulamentação do respectivo pro­
cesso e julgamento. (STF. Pleno. ADI 2050/RO. Rei.: Min. Maurício Corrêa. DJ 2.4.2004)

SI [...] I. Crime de responsabilidade: tipificação: competência legislativa da União mediante lei


ordinária: inconstitucionalidade de sua definição em constituição estadual. 1. A jurisprudên­
cia do Supremo Tribunal Federal (malgrado a reserva pessoal do relator) está sedimentada
no sentido de que é da competência legislativa exclusiva da União a definição de crimes de
responsabilidade de quaisquer agentes políticos, incluídos os dos Estados e Municipios. 2.
De qualquer sorte, a Constituição da República reserva a tipificação dos crimes de respon­
sabilidade à lei ordinária: é regra de processo legislativo que, dada a sua implicação com o
regime constitucional de separação e independência dos poderes, se imporia à observância
do Estado-membro, ainda quando detivesse competência para legislar na matéria.[...). (STF.
Pleno. ADI 132/RO. Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 30.5.2003)

S ú m u l a N9 647 - C o m p e t e p r iv a t iv a m e n t e à U n iã o l e g i s l a r s o b r e v e n c i m e n t o s d o s
M E M B R O S D A S P O L Í C IA S C I V I L E M I L I T A R D O D I S T R I T O F E D E R A L . ’

• Sú m u la a p lic á v e l.• ü a ír ; 24.9.2003.9 Referência legislativa: CF/88, art. 21, XIV. 9 Precedentes: SS 846 AgR, D] 8.11.1996;
' S S 1154 AgR, DJ 6.6.1997; RK 20 7440, DJ 17.10.1997; RE2071SQ , DJ 28.11.1997; R E 215828. D] 12.12.1997; R E 218479. DJ
12.12.1997; A l 206761 AgR. DJ S.2.1999; R E 2 0 7627ED, D J '3.3.2000; R E 241494, DJ 14.11.2002.

0 inciso XIV do art. 21 da CF/88, com a redação que lhe foi dada pela EC ns
19/1998, atribui à União competência privativa para "organizar e manter a polícia
civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como
prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públi­
cos, por meio de fundo próprio".

O que, segundo a jurisprudência da Corte Suprema, abrange a competência legis­


lativa para, com exclusividade, legislar sobre a estrutura administrativa e o regime
jurídico do pessoal dos serviços distritais de segurança pública.

Desse modo, qualquer lei emanada da Câmara Legislativa do Distrito Federal a


esse respeito é inconstitucional, por usurpar a competência da União sobre a matéria.

Posteriormente, o conteúdo do enunciado foi transformado na Súmula Vinculante


ns 39.

S] (...) 1. Ao instituir a chamada "gratificação por risco de vida" dos policiais e bombeiros militares
do Distrito Federal, o Poder Legislativo distrital usurpou a competência material da União para
"organizar e manter a policia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito
Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de ser­
viços públicos, por meio de fundo próprio" (inciso XIV do art. 21 da Constituição Federal).
Incidência da Súmula 647/STF. (...) (ADI 3791, Rei. Min. Ayres Britto, Pleno, DJe 27.8.2010)

1H (...) 1. Os Policiais Militares do Distrito Federal têm seus vencimentos regulados por lei fede­
ral, em face do que dispõe o art. 21, inc. XIV, da Constituição Federal.(...]. (STF. 1a Turma. RE
207440/DF. Rei.: Min. Sydney Sanches. DJ 17.10.1997)

® (...) 1. Servidor policial do Distrito Federal. Vencimentos. Competência da União para organizar
e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo de bombeiros, tendo em vista o preceito
do artigo 21, XIV, da Constituição. [...). (STF. Pleno. RE 241494/DF. Rei.: Min. Octávio Gallotti. DJ
14.11.2002)
Direito Constitucional 149

2. D IR E IT O S FUN D A M EN TA IS
S Ú M U L A V lN C U L A N T E N a 2 8 - É IN C O N S T IT U C IO N A L A E X IG Ê N C I A D E D E P Ó S IT O P R É V IO CO M O
R E Q U IS IT O D E A D M I S S I B I L I D A D E D E A Ç Ã O J U D I C I A L N A Q U A L S E P R E T E N D A D IS C U T IR A E X I G I B I ­

L ID A D E D E C R É D IT O T R I B U T Á R I O .

• Sú m u la v in c u la n te . • Data: 17.2.2010, • Referência legislativa: CF/1908, art. 5 o, XXXV, LV. Lei n- 8.870/1994, art. 19.%
Precedentes: ADI 1074, Dje 25.5.2007.

A Corte, em modificação de sua jurisprudência, operada no julgamento da ADI


1976/DF, adiante transcrita, decidiu ser inconstitucional a exigência de depósito pré­
vio para recorrer na instância administrativa, por obstruir o direito fundamental de
defesa, posição essa que, posteriormente, foi seguida pelo STJ, que exarou seu Enun­
ciado de ns 373, sobre o tema.

Posteriormente, o próprio STF enunciou seu entendimento na Súmula Vinculante


n9 21. Agora, pelas mesmas razões, o Pretório também enuncia a inconstitucionalida-.
de desse tipo de exigência no processo judicial tributário.

' ,• 0 "depósito recurs.âr é o nome que se dá ao depósito exigível - constituição de


garantia - no curso do processo administrativo ou judicial, para que o sujeito passivo
recorra de decisão de instância inferior que lhe tenha sido desfavorável.

Como o art. 5a, XXXIV, da CF/1988 assegura o direito de petição aos poderes
públicos independentemente do "pagamento de taxas" - expressão que, em sentido
amplo, significa "sem ônus" -, não pode o legislador impor, como condição de admis­
sibilidade recursal, depósito de qualquer quantia, por ofender, também, a garantia
constitucional do contraditório e da ampla defesa, com os meios e os recursos a ela
inerentes, prevista no art.-59, LV, da Carta Magna8384.

Súmula STJ n° 373: É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso
administrativo.

SI 1...JO artigo 19 da Lei n° 8.870/94 impõe condição à propositura das ações cujo objeto seja a
discussão de créditos tributários. Consubstancia barreira ao acesso ao Poder Judiciário. (ADI
1074, Rei. Min. Eros Grau, Pleno, DJe 25.5.2007)

® [...] 2. A exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de recurso adminis­


trativo - assunto de indiscutível relevância econômica, social e jurídica - já teve a sua inconsti­
tucionalidade reconhecida por esta Corte [,..].(STF. AI-RG-QO 698626/SP. Rei.: Min. Ellen Gracie.
Pleno. DJe 5.12.2008)8 4
3

83 CAIS, Cleide Previtalli. O processo tributário. 4, ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 298.
84 KOEHLER, Frederico Augusto Leopoldino. A razoável duração do processo. Salvador: juspodivm,
2009. p. 209, critica a ideia contida na súmula, calcado em seu reflexo sobre a celeridade da prestação
jurisdicional. Segundo o autor, para o depósito recursal em processo judicial não vale o argumen­
to de vulneração do direito constitucional de petição "independentemente do pagamento de taxas"
(CF/1988, art. 59, XXXIV), visto que, nessa seara, existe cobrança de custas, preparo, porte de remessa
e retorno, dentre outras despesas, além do que, no julgamento da ADI 836/DF, o STF entendeu consti­
tucional a exigência desse tipo de depósito no processo trabalhista.
1

Roberval Rocha . A lbino Carlos _ Mauro José G.


150 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

BI [...] A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressu­
posto de admissibilidade de recurso administrativo. (STF. RE 389383. Rei.: Min. Marco Aurélio.
Pleno. DJ 29.6.2007)

BI (...) A exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos como condição de admis­
sibilidade de recurso administrativo constitui obstáculo sério (e intransponível, para conside­
ráveis parcelas da população) ao exercício do direito de petição (CF, art. 5o, XXXIV), além de
caracterizar ofensa ao princípio do contraditório (CF, art. 5o, LV). A exigência de depósito ou
arrolamento prévio de bens e direitos pode converter-se, na prática, em determinadas situa­
ções, em supressão do direito de recorrer, constituindo-se, assim, em nítida violação ao princí­
pio da proporcionalidade (...]. (STF. ADI 1976/DF. Rei.: Min. Joaquim Barbosa. Pleno. DJ 18.5.2007)

S (...) Após a revisão da posição adotada pelo Supremo Tribunal Federal, concluindo enfim pela
inconstitucionalidade da exigência do depósito prévio no recurso administrativo, o STJ reviu
seu entendimento para se adequar ao tema [...]. (AgRg no REsp 908165/SP. Rei.: Min. Eliana
Calmon. 2a Turma. DJ 19.11.2007)

"" ► CF. A rt. 5o. XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito; (...) LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em
, ' • , geral são assegurados o contraditório e ampla défesa, com os meios e recursos a ela ine­
rentes.

► Lei n° 8.870/1994. A rt. 19. As ações judiciais, inclusive cautelares, que tenham por objeto
a discussão de débito para com o INSS serão, obrigatoriamente, precedidas do depósito
preparatório do valor do mesmo, monetariamentè corrigido até a data de efetivação, acres­
cido dos juros, multa de mora e demais encargos.

S Ú M U L A V lN C U L A N T E N® 2 5 - É I L Í C I T A A P R I S Ã O C I V I L D E D E P O S IT Á R I O I N F I E L , Q U A L Q U E R
Q U E S E J A A M O D A L ID A D E D O D E P Ó S IT O .

• S ú m u la v in c u la n te . • D ata:23.12.2009. • Referência legislativa: CF/1988, art. S 9. LXVII, e § 2 9. Convenção Am ericana so ­


bre Direitos Humanos, art. 79, § 7B. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, art. 1 1 .9 Precedentes: HC 87585, Dje
26.6.2009. R E 349703, Dje 5.6.2009. R E 466343, Dje 5,6,2009. HC 95967. D je 28.11.2008. HC 96687 MC. Dje 19.11.2008. HC
91950, D je 14.11.2008. HC 93435, Dje 7.11.2008. HC 96582, Dje 7.11.2008. R E 562051 RG. Dje 12.9.2008. HC 95170 MC, Dje
4.8.2008. HC 90172, Dje 17.82007.

Vide comentários à Súmula n8 619, adiante.

Súmula STF n° 619: A prisão do depositário judicial pode ser decretada no próprio processo
em que se constitui o encargo, independentemente da propositura de ação de depósito.

Súmula STJ n° 419: Descabe a prisão civil do depositário judicial infiel.

® (...) Desde a adesão do Brasil, sem qualquer reserva, ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e
Políticos (art. 11) e à Convenção American a sobre Direitos Humanos - Pacto de San José da Costa
Rica (art. 7o, 7), ambos no ano de 1992, não há mais base legal para prisão civil do depositário
infiel, pois o caráter especial desses diplomas internacionais sobre direitos humanos lhes reserva
lugar especifico no ordenamento jurídico, estando abaixo da Constituição, porém acima da legis­
lação interna. O status normativo supralegal dos tratados internacionais de direitos humanos
subscritos pelo Brasil torna inaplicável a legislação infraconstitucional com ele conflitante, seja ela
anterior ou posterior ao ato de adesão. Assim ocorreu com o art. 1.287 do Código Civil de 1916
e com o Decreto-Lei n° 911/69, assim como em relação ao art. 652 do Novo Código Civil (Lei n°
10.406/2002). [...]. A prisão civil do devedor-fiduciante no âmbito do contrato de alienação fiduciá-

L ,
Direito Constitucional 151

ria em garantia viola o princípio da proporcionalidade, visto que: a) o ordenamento jurídico prevê
outros meios processuais-executórios postos à disposição do credor-fiduciário para a garantia do
crédito, de forma que a prisão civil, como medida extrema de coerção do devedor inadimplente,
não passa no exame da proporcionalidade como proibição de excesso, em sua tríplice configura­
ção: adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito; e b) o Decreto-Lei n° 911/69,
ao instituir uma ficção jurídica, equiparando o devedor-fiduciante ao depositário, para todos os
efeitos previstos nas leis civis e penais, criou uma figura atípica de depósito, transbordando os
limites do conteúdo semântico da expressão "depositário infiel" insculpida no art. 5°, inciso LXVII,
da Constituição e, dessa forma, desfigurando o instituto do depósito em sua conformação cons­
titucional, o que perfaz a violação ao princípio da reserva legal proporcional. [...]. (RE 349703, Rei.
Min. Carlos Britto, Pleno, DJe 5.6.2009)

H Prisão civil. Depósito. Depositário infiel. Alienação fiduciária. Decretação da medida coercitiva.
Inadmissibilidade absoluta. Insubsistência da previsão constitucional e das normas subalter­
nas. Interpretação do art. 5°, inc. LXVII e §§ 1°, 2o e 3o, da CF, à luz do art. 7°, § 7, da Conven­
ção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica). (...]. É ilícita a prisão
civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do dçpósito. (RE 466343, Rei. Min.
Cezar Peluso, Pleno, DJe 5.6.2089)

B) (...) A-subscrição pelo Brasil do Pacto de São José da Costa Rica, limitando a prisão civil por
dívida.ao descumprimento inescusável de prestação'alimentícia, implicou a derrógjaçãd das
rfprmas estritamente legais referentes à prisão do depositário infiel. (HC 87585, Rei. Min.
Marco Aurélio, Pleno, Dje 26.6.2009)

S (...) 1. A matéria em julgamento neste habeas corpus envolve a temática da (in)admissibilidade


da prisão civil do depositário infiel no ordenamento jurídico brasileiro no período posterior
ao ingresso do Pacto de São José da Costa Rica no direito nacional. 2. Há o caráter especial
do Pacto Internacional dos Direitos Civis Políticos (art. 11) e da Convenção Americana sobre
Direitos Humanos - Pacto de San José da Costa Rica (art. 7°, 7), ratificados, sem reserva, pelo
Brasil, no ano de 1992. A esses diplomas internacionais sobre direitos humanos é reservado
o lugar específico no ordenamento jurídico, estando abaixo da Constituição, porém acima
da legislação interna. O' status normativo supralegal dos tratados internacionais de direitos
humanos subscritos pelo Brasil, torna inaplicável a.legislação infraconstitucional com ele con­
flitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de ratificação. 3. Na atualidade a única hipótese
de prisão civil, no Direito brasileiro, é a do devedor de alimentos. O art. 5o, §2°, da Carta
Magna, expressamente estabeleceu que os direitos e garantias expressos no caput do mesmo
dispositivo não excluem outros decorrentes do regime dos princípios por ela adotados, ou
dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. O Pacto de
São José da Costa Rica, entendido como um tratado internacional em matéria de direitos
humanos, expressamente, só admite, no seu bojo, a possibilidade de prisão civil do devedor
de alimentos e, consequentemente, não admite mais a possibilidade de prisão civil do deposi­
tário infiel. [...). (HC 95967, Rei. Min. Ellen Gracie, 2° Turma, DJe 28.11.2008)

[§] (...) O Pleno do Supremo Tribunal Federal iniciou o julgamento do RE 466.343/SP, em que se
discute a constitucionalidade da prisão civil do depositário infiel. Foram proferidos oito votos
no sentido da inconstitucionalidade, ressalvada a prisão do sonegador de alimentos. Há, pois,
maioria formada, a justificar a concessão da ordem. [...]. (HC 91950, Rei. Min. Eros Grau, 2°
Turma, DJe 14.11.2008)

[§] Prisão civil. Decretação em execução fiscal. Depósito judicial. Depositário infiel. Inadmissibili­
dade. Questão objeto do julgamento pendente do Plenário no RE n° 466.343. Inconstitucio­
nalidade já reconhecida por nove (9) votos. Razoabilidade jurídica quanto à tese de constran­
gimento ilegal. HC não conhecido. Ordem concedida de ofício. O Supremo Tribunal Federal
inclina-se a reconhecer a inconstitucionalidade das normas que autorizem decretação da pri­
são civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito. (HC 93435, Rei.
Min. Cezar Peluso, 2o Turma, DJe 7.11.2008)
Roberval Rocha . Albino Carlos Mauro José G.
152 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

► CF. A r t 5°. LXVII - não haverá prisão civil por divida, salvo a do responsável pelo inadim-
plemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. S
2°. Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do
regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a Repú­
blica Federativa do Brasil seja parte.

► CADH/1969. A r t 7o. Direito á liberdade pessoal. [...] 7; Ninguém deve ser detido por dívi­
das. Este princípio não limita os mandados de autoridade judiciária competente expedidos
em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar.

S ú m u l a V in c u l a n t e n q 2 1 - É in c o n s t it u c io n a l a e x ig ê n c ia d e d e p ó s it o ou a r r o la ­
m en to P R É V I O S D E D IN H E I R O O U B E N S P A R A A D M I S S I B I L I D A D E D E R E C U R S O A D M IN I S T R A T IV O .

• S ú m u la v in c u la n te . • Data: 10.11.2009. Referência legislativa: CF/1988, a r t 5 e, incs. XXXIV, a. e LV. • Precedentes: Al-
-RC-QO 698626. Dje 5.12.2008. A l 687411, Dje 8.8.2008. AC-MC 1887, Dje l ’ .8.2008. R E 563844, Dje 21.5.2008. A l 649432,
Dje 24.4.2008. Al-AgR-ED 351042, Dje 18.4.2008. R l:.-AgR 370927, Dje 7.12.2007. AI-AgR 431017, D/e 17.8.2007. R E 388359,
Dje 22.6.2007. RE'389383, Dje 29.6.2007. R E 390513. Dje 29.6.2007. RE-ÁgR 504288, Dje 29.6.2007. Al-AgR 398933, Dje
29.6.2007. AI-AgR 408914, Dje 29.6.2007. ADI 1976,'DJe 18.52007] ' '

Vide comentários à Súmula Vinculante n.Q28, rètro.

® Súmula Vinculante n° 28: É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito


de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito
tributário.

IS Súmula STJ n° 373: É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de


recurso administrativo.

m [...) 1. Incompatibilidade da exigência de depósito prévio do valor correspondente à multa


como condição de admissibilidade de recurso administrativo interposto junto à autoridade
trabalhista (§ I o do art. 636, da Consolidação das Leis do Trabalho) com a Constituição de
1988. Inobservância das garantias constitucionais do devido processo legal e da ampla
defesa (art. 5o, incs. LIV e LV); do princípio da isonomia (art. 5o, caput); do direito de petição
(art. 5o, inc. XXXIV, alinea a). [,..]. Súmula Vinculante 21. 2. Ação julgada procedente para
declarar a não recepção do 5 I o do art. 636 da Consolidação das Leis do Trabalho pela
Constituição da República de 1988. (ADPF 1S6, Rei. Min. Cármen Lúcia, Pleno, DJe 28.10.2011)

@ (...) 1. Mostram-se atendidos todos os pressupostos de admissibilidade, inclusive quanto


à formal e expressa defesa pela repercussão geral da matéria submetida a esta Corte
Suprema. Da mesma forma, o instrumento formado traz consigo todos os subsídios neces­
sários ao perfeito exame do mérito da controvérsia. Conveniência da conversão dos autos
em recurso extraordinário. 2. A exigência de depósito prévio como requisito de admissibi­
lidade de recurso administrativo - assunto de indiscutível relevância econômica, social e
jurídica - já teve a sua inconstitucionalidade reconhecida por esta Corte, no julgamento do
RE 388359, do RE 389383 e do RE 390513... 3. Ratificado o entendimento firmado por este
Supremo Tribunal Federal, aplicam-se aos recursos extraordinários os mecanismos previstos
no parágrafo 1o do art. 543-B, do CPC. 4. Questão de ordem resolvida, com a conversão do
agravo de instrumento em recurso extraordinário, o reconhecimento da existência da reper­
cussão geral da questão constitucional nele discutida, bem como ratificada a jurisprudência
desta Corte a respeito da matéria, a fim de possibilitar a aplicação do art. 543-B, do CPC. (Al
698626 QO-RG, Rei. Min. Ellen Gracie, DJe 5.12.2008)

S [-.] 1. O depósito prévio ao recurso administrativo, para a discussão de crédito previdenciá-


rio, ante o flagrante desrespeito à garantia constitucional da ampla defesa (artigo 5o, LV, da
CF/88) e ao direito de petição independentemente do pagamento de taxas (artigo 5°, XXXIV,
Direito Constitucional

"a", da CF/88) é inexigível, consoante decisão do STF... RE 389383/SP, na qual declarou, por
maioria, a inconstitucionalidade dos §§ 1o e 2o, do art. 126, da Lei 8.213/91, com a redação
dada pela Medida Provisória 1.608-14/98, convertida na Lei 9.639/98 2. O art. 481, do Codex
Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, deter­
mina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão
especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou
do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". 3. Consectariamente, impõe-
-se a submissão desta Corte ao julgado proferido pelo plenário do STF que proclamou a
inconstitucionalidade da norma jurídica em tela, como técnica de uniformização jurispru-
dencial, instrumento oriundo do Sistema da "Common Law" e que tem como desígnio a
consagração da Isonomia Fiscal no caso sub examine. [...]. (STJ, REsp 894060/SP, repetitivo,
Rei. Min. Luiz Fux, 1a S., DJe 10.11.2008)

® (...) A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pres­
suposto de admissibilidade de recurso administrativo. (RE 388359, Rei. Min. Marco Aurélio,
Pleno, DJ 22.6.2007)

H [...] 1. O Supremo Tribunal, revendo entendimento anterior, assentou que a exigência do


depósito prévio do valor da multa questionada, como condição de admissibilidade de
recurso administrativo, ofende o açt. 5°,'LV, da Constituição da República, (RE 388359...). [....).
(Al 398933 A g R,.R ei. Min. Sepúlveda Pertence, Pleno, DJ 29.6.’2007)

® (...) A exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos como condição de


adm issibilidade de recurso administrativo constitui obstáculo sério (e intransponível, para
consideráveis parcelas da população) ao exercício do direito de petição (CF, art. 5o, XXXIV),
além de caracterizar ofensa ao princípio do contraditório (CF, art. 5°, LV). A exigência de
depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos pode converter-se, na prática, em deter­
minadas situações, em supressão do direito de recorrer, constituindo-se, assim, em nítida
violação ao princípio da proporcionalidade. Ação direta julgada procedente para decla­
rar a inconstitucionalidade do art. 32 da MP 1699-41 - posteriormente convertida na Lei
10.522/2002 -, que deu nova redação ao art. 33, § 2o, do Decreto 70.235/72. (ADI 1976, Rei.
Min. Joaquim Barbosa, Pleno, DJ 18.5.2007)

[81 [...] É inconstitucional toda exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou


bens, para admissibilidade de recurso administrativo. (Al 431017 AgR, Rei. Min. Cezar Peluso,
2o Turma, DJ 17.8.2007)

181 (...) A exigência legal de prévio depósito do valor da multa, como pressuposto de admissibi­
lidade de recurso de caráter meramente administrativo, transgride o art. 5o, LV, da Constitui­
ção da República. [...]. (RE 504288 AgR, Rei. Min. Celso de Mello, 2o Turma, DJ 29.6.2007)

SI (...) A exigência de depósito prévio de 30% do valor do débito, como condição de admissi­
bilidade de recurso administrativo, caracteriza desrespeito aos princípios do contraditório e
da ampla defesa e obsta o exercício do direito de petição. [...]. (AC 1887 MC, Rei. Min. Cár-
men Lúcia, 1o Turma, DJe 1.8.2008)

® (...) 1. A propositura de ação anulatória de débito fiscal não está condicionada à realização
do depósito prévio previsto no art. 38 da LEF, posto não ter sido o referido dispositivo legal
recepcionado pela CF, em virtude de incompatibilidade material com o art. 5o, XXXV [...]. 3.
Deveras, o depósito prévio previsto no art. 38, da LEF, não constitui condição de procedi-
Roberval Rocha .. Albino Carlos .. Mauro J osé G.
154 Ferreira Filho Martins Vieira ~ da Costa

bilidade da ação anulatória, mas mera faculdade do autor, para o efeito de suspensão da
exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN, inibindo, dessa forma, o
ajuizamento da ação executiva fiscal, consoante a jurisprudência pacífica do e. STJ. [...]. (STJ,
REsp 962838, repetitivo, Min. Luiz Fux, 1a Seção, DJe 2.10.2009)

► CF. Art. 5°. XXXIV- são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou
abuso de poder; [,,J LV - aos litigantés, em processo judicial ou administrativo; e aos .açu-
rsados em geral,são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os melosa recursos a
ela inerentes. -

S Ú M U L A V lN C U L A N T E N a 1 4 - É D I R E I T O D O D E F E N S O R , NO I N T E R E S S E D O R E P R E S E N T A D O ,
T E R A C E S S O A M P L O A O S E L E M E N T O S D E P R O V A Q U E , JÁ D O C U M E N T A D O S E M P R O C E D IM E N T O
IN V E S T IG A T Ó R IO R E A L IZ A D O P O R Ó R G Ã O C O M C O M P E T Ê N C IA D E P O L Í C I A J U D I C I Á R I A , D IG A M
R E S P E I T O A O E X E R C ÍC I O D O D I R E I T O D E D E F E S A .

• S ú p u la v in c u la n te . • Data: 9.2.2009. • Referência legislativa: C F/198 8,arts. 19, UI, e S 9, XXXIII, U V e LV. CPP, arts. 9e e
art. 10. Lei n e 8.906/1994, arts. 6S, parágrafo único, e 7S. X III e XIV. 9 9 Precedentes: HC 91684, D j 17.4.2009. HC 92331, Dje
1.8.2008. HC 8852.0, Dje 19.12.2007. HC $0232; Dje 2.3.2007. HC 88190, Dj 6.10.2006. HC 87827, D j 23.6.2006. HC 82354, D j
'24.9.2004. , • ' '

De acordo com os precedentes que firmaram a posição do STF, o que vai aos autos
subordina-se ao postulado da comunhão de provas e, portanto, fica sob o resguardo
da garantia constitucional da ampla defesa. Os elementos probatórios, uma vez docu­
mentados nos autos, tornam-se públicos.

Mesmo quando correm em segredo de justiça, em sigilo, é direito do investigado


saber o que já consta devidamente documentado sobre sua conduta. A restrição à
publicidade, se ocorrente, diz respeito a terceiros, não em relação ao próprio interes­
sado e, consequentemente, ao seu defensor.
0 enunciado resgata o alcance do art. 7°, XIII e XIV do EOAB, que institucionali­
zou, como direito do advogado, a vista aos autos de processos e inquéritos que não
estejam sujeitos a sigilo. Sigilo este, repita-se, oponível a terceiros, não ao próprio
interessado, que não pode deparar-se com processos secretos tendentes a restringir
seus direitos.
0 enunciado fulmina jurisprudência restritiva85 que, para alguns poucos casos,
sustentava o sigilo absoluto do inquérito policial e impedia até mesmo o acesso do ad­
vogado do investigado aos autos do procedimento, sob o argumento da prevalência do
interesse público sobre o privado, em afronta às normas do Estatuto da Advocacia86.

85. Um exemplo pode ser extraído em STJ. 5a Turma. RMS 17691/SC. Rei.: Min. Gilson Dipp. DJ 14.3.2005:
"Não é direito líquido e certo do advogado o acesso irrestrito a autos de inquérito policial que esteja
sendo conduzido sob sigilo, se o segredo das informações é imprescindível para as investigações. O
princípio da ampla defesa não se aplica ao inquérito policial, que é mero procedimento administra­
tivo de investigação inquisitorial. Sendo o sigilo imprescindível para o desenrolar das investigações,
configura-se a prevalência do interesse público sobre o privado”.
86. Távora, Nestor; ANTONNI, Rosmar. Curso de direito processual penal. Salvador: Juspodivm, 2008. p. 79.
Direito Constitucional 155

S) (...) . O Verbete n. 14 da Súmula Vinculante do Supremo não alcança sindicância administrativa


objetivando elucidar fatos sob o ângulo do cometimento de infração administrativa. (Rcl 10771
AgR, Rei. Min. Marco Aurélio, 1a Turma, DJ 18.2.2014)

® [...] II. A decisão ora questionada está em perfeita consonância com o texto da Súmula Vincu­
lante 14 desta Suprema Corte, que, como visto, autorizou o acesso dos advogados aos autos
do inquérito, apenas resguardando as diligências ainda não concluídas. III. Acesso que possi­
bilitou a apresentação de defesa prévia com base nos elementos de prova até então encar­
tados, sendo certo que aquele ato não é a única e última oportunidade para expor as teses
defensivas. Os advogados poderão, no decorrer da instrução criminal, acessar todo o acervo
probatório, na medida em que as diligências forem concluídas. IV. A reclamação só pode ser
utilizada para as hipóteses constitucionalmente previstas, não sendo meio idôneo para discu­
tir procedimentos ou eventuais nulidades do inquérito policial. (Rcl 10110, Rei. Min. Ricardo
Lewandowski, Pleno, DJe 8.11.2011)

SI Por reputar violada a Súmula Vinculante 14, o Plenário julgou procedente pedido formulado
em reclamação para conceder ao reclamante acesso aos documentos apreendidos na sede
de empresa, da qual diretor-presidente, em especial, ao conteúdo de mídias supostamente
vazias óu danificadas.'Na" espécie, o juízo de origem permitira a disponibilização de parte dos
arquivos recolhidas - em investigações procedidas na denominada "Operação Satiagrahat -,
selecionada pór peritos da polícia federal, sob a assertiva de-que o restante das mídias estaria
corrompido, a impedir o espelhamento pretendido pela defesa. Asseverou-se que, sendo o
espelhamento o meio adequado para viabilizar o acesso ao conteúdo das mídias danificadas
e para comprovar quais estariam realmente vazias, não podería o magistrado opor resistência
à efetivação dessa medida, para não inviabilizar o contato do reclamante com elementos de
prova, em cerceio a sua defesa. (Rcl 9324/SP, Rei. Min. Cármen Lúcia, 24.11.2011. Pleno. Infor­
mativo 649)

SI (...) 1. Não há como conceder vista do inquérito policial pela simples razão de o agravante não
figurar como indiciado, além é claro de o feito tramitar sob a etiqueta do segredo de justiça.
[...]. (Rcl 9789 AgR, Rei. Min. Ellen Gracie, Pleno, DJe 3.9.2010)

g] (...) I. O direito assegurado ao indiciado (bem como ao seu defensor) de acesso aos elementos
constantes em procedimento investigatório que lhe digam respeito e que já se encontrem
documentados nos autos, não abrange, por óbvio, as informações concernentes à decreta­
ção e à realização das diligências investigatórias, mormente as que digam respeito a terceiros
eventualmente envolvidos. II. Enunciado da Súmula Vinculante 14 desta Corte. [...]. (HC 94387
ED, Rei. Min. Ricardo Lewandowski, 1a T„ DJe 21.5.2010)

g] [-) Inquérito. Elementos coligidos e juntados. Acesso da defesa. Devido processo legal. Des-
cabe indeferir o acesso da defesa aos autos do inquérito, ainda que deles constem dados
protegidos pelo sigilo. (STF. 1a Turma. HC 92331/PB. ReL: Min. Marco Aurélio. DJe 1.8.2008)

g] (...) II. Inquérito policial: inoponibilidade ao advogado do indiciado do direito de vista dos
autos do inquérito policial. (...) 2. Do plexo de direitos dos quais é titular o indiciado - inte­
ressado primário no procedimento administrativo'do inquérito policial é corolário e instru­
mento a prerrogativa do advogado de acesso aos autos respectivos, explicitamente outorgada
pelo Estatuto da Advocacia (L. 8906/94, art. 7°, XIV), da qual - ao contrário do que previu
em hipóteses assemelhadas - não se excluíram os inquéritos que correm em sigilo: a irres­
trita amplitude do preceito legal resolve em favor da prerrogativa do defensor o eventual
conflito dela com os interesses do sigilo das investigações, de modo a fazer impertinente o
apelo ao princípio da proporcionalidade. 3. A oponibilidade ao defensor constituído esvaziaria
uma garantia constitucional do indiciado (CF, art. 5°, LXIll), que lhe assegura, quando preso,
e pelo menos lhe faculta, quando solto, a assistência técnica do advogado, que este não lhe
Roberval Rocha ... Albino Carlos Mauro José G.
156 Ferreira Filho ' Martins Vieira da Costa

poderá prestar se lhe é sonegado o acesso aos autos do inquérito sobre o objeto do qual haja
o investigado de prestar declarações. 4. O direito do indiciado, por seu advogado, tem por
objeto as infornações já ntroduzidas nos autos do inquérito, não as relativas à decretação
e às vicissitudes da execução de dil gências em curso (cf. L. 9296, atinente às interceptações
telefônicas, de possível extensão a outras diligências); dispõe, em consequência a autoridade
policial de meios legitimes para obviar inconvenientes que o conhecimento pelo indiciado
e seu defensor dos autos do nquérito policial possa acarretar à eficácia do procedimento
hvestigatório. 5 Habeas corpus de ofício deferido, para que aos advogados constituídos pelo
paciente se faculte a consjlta acs autos do inquérito policial e a obtenção de cópias perti­
nentes, com as ressalvas mencionadas (STF. 1a Turma. HC 90232/AM. Rei.: Min. Sepúlveda
Pertence. DJ 2.3.2007)

H Advogado. Investigação sigilosa do Ministério Público Federal. Sigilo inoponível ao patrono


co suspeito ou investigado. Intervenção nos autos. Elementos documentados. Acesso amplo.
Assistência técn.ca ao cliente cu constituinte. Prerrogativa profissional garantida. Resguardo
ca eficácia das investigações em curso ou por fazer. Desnecessidade de constarem dos autos
co procedimento investigatóric. HC concedido. Inteligência do art. 5°, LXIII, da CF, art. 20 do
CPP, art. 7o, XIV, da Lei nc 8.906/9^. art. 16 do CPPM, e art. 26.da Lei n° 6.368/76,Preceden­
tes. É direito do advogado) suscet vel de ser garantida por habeas .corpus, o de, em tutela
cu no interesse do cliente envclvído nas investigações, ter acesso amplo aos elementos que,
ja documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de
polícia judiciária ou por órgão dc Ministério Público; digam respeito ao constituinte. (STF. 2a
Turma. HC 88190/RJ. Rei.: Min. Cezer Péluso. DJ 6.10.2006)

a [...] 1. A teor do entendimento cesta Corte e do Pretório Excelso, mesmo na hipótese de


decretação de sigilo, afigura-se possível o acesso do investigado ou de seu advogado cons­
tituído aos autos do inquérito oclicial. 2. Há de se ressaltar, porém, que o acesso conferido
ao investigado ou aos seus causídicos deverá se limitar aos documentos já disponibilizados
nos autos, não sendo possível, assim, sob pena de ineficácia do meio persecutório, que a
defesa tenha acesso, "à decretação e às vicissitudes da execução de diligências em curso."
(HC n° 82354/PR, 1a Turma. Rei Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 24/09/2004). 3. No presente
caso, o Recorrente pretende, ustamente, obter vista dos autos da interceptação telefô­
nica em curso, que corre em cpartado dos autos do inquérito policial, com a possibilidade,
inclusive, de obtenção de cópias reprográficas, o que não se afigura possível, não havendo,
assim, que se falar em cerceamento de defesa. (...]. (STJ. 5a Turma. RHC 23422/SP. Rei.: Min.
Laurita Vaz. DJe 9.3.2009)

Bl [-] Conforme orientação firmada pelo Pretório Excelso e por este STJ, não se pode negar o
acesso do Advogado constituído aos autos de procedimento investigatório, ainda que nele
decretado o sigilo. Contudc, ta! pre'rogativa não se estende a atos que por sua própria natu­
reza não dispensam a mitigação da publicidade (v.g., futuras interceptações telefônicas, dados
relativos a outros indiciados) [...] (STJ. 5a Turma. HC 95979/SP, Rei.: Min. Napoleão Nunes Maia
Filho. DJe 18.8.2008)

► CF. A rt. 1° A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados
e Municípios e do Distrito Fede-al, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem
como fundamentos: [...] III - a dignidade da pessoa humana. ► A r t 5o, XXXIII - todos têm
direito a receber dos órgãos púbicos informações de seu interesse particular, ou de inte­
resse coletivo ou geral, que serão orestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja im prescindível à segurança da so ciedad e e d o Estado;
[...] LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.
Direito Constitucional 157

► CPP. A r t 9° Todas as peças do inquérito policial .serão,.num só processado, reduzidas a


escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. ► Art 10.0 inquérito
deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver
preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir dodiaem que se executar a
ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

► EOAB. Art. 6°, parágrafo único. As autoridades, os servidores públicos e os serventuários


da justiça devem dispensar ao advogado, no exercício.da profissão, tratamento compatí­
vel com a dignidade da advocacia e condições adequadas a seu desempenho. ► A r t 7°
São direitos do advogado: [...] XIII - examinar, em qualquer órgão: dos Poderes Judiciário
e Legislativo,, ou da Administração Pública em geral| àutos: dé processos fihdqs: ou em
andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a
obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos; XIV r examinar em qualquer repar­
tição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em
andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tornar aponta­
mentos. ■

S Ú M U L A V lN C U L A N T E N s 11 - SÓ É L ÍC IT O O U SO D E A L G E M A S E M C A S O S D E R E S IS T Ê N C I A E
D E F U N D A D O R E C E I O ' D E F U G A O U D E P E R IG O À I N T E G R ID A D E F ÍS I C A P R Ó P R IA OU A L H E I A , P O R
P A R T E D O P R E S O ' o u D E T E R C E IR O S , J U S T IF IC A D A A E X C E P C IO N A L ID A D E P O R E S C R IT O , S O B
P E N A D E R E S P O N S A B I L I D A D E D IS C IP L IN A R , C I V I L E P E N A L D O A G E N T E O U D A A U T O R ID A D E E D E
N U L ID A D E D A P R I S Ã O O U D O A T O P R O C E S S U A L A Q U E S E R E F E R E , S E M P R E J U ÍZ O D A R E S P O N S A ­
B IL ID A D E c i v i l d o E s t a d o .

• S ú m u la v in c u la n t e .* Data: 2 2 .8 .2 0 0 8 .9 Referência legislativa: CF/88, arts. J e, ll l e 5®, III, X e XLIX. CP, a r t 350. CPP, art.
284. CP PM, art. 234, § 1°. L e i n ’ 4.898/1965, art. 4°. a.mm Precedentes: HC 91952, Dje 19.12.2008. HC 89429.012.2.2007. HC
71195, Dl 4.8.1995. RHC 56465, Dj 6.10.1978.

O STF restringiu a utilização de algemas a casos excepcionais, reforçando que a


ilicitude e o abuso no manuseio do instrumento policial devem ser penalizados civil,
penal e administrativamente, por extrapolara razoabiiidade e causar constrangimen­
to físico e moral ao custodiado ou ao preso, que, não raras vezes, tem sua imagem
exposta de forma humilhante nos meios de comunicação, em flagrante violação aos
princípios constitucionais da presunção de inocência e da proteção à dignidade hu­
mana.

Para a utilização de algemas passa a ser necessário justificação escrita da autori­


dade. No julgamento que levou ao enunciado, o Ministro Cezar Peluso reconheceu que
o ato de prender um criminoso e de conduzir um preso é sempre perigoso e, que, por
isso, a interpretação da nova regra vinculante deve ser sempre em favor do agente do
Estado ou da autoridade.

A súmula consolida o entendimento do STF sobre as diversas normas legais e


constitucionais que regem o tema e que foram tomadas por referências legislativas
do enunciado.

Interessante registrar que neste mesmo julgamento o Tribunal decidiu, tam­


bém, dar a esta e às demais súmulas vinculantes um caráter impeditivo de recursos,
ou seja, das decisões tomadas com base nesses entendimentos do STF não caberá
recurso.
Roberval Rocha . A lbino Carlos , Mauro José G.
158 Ferreira Filho Martins V ieira oa Costa

SI [••-] 2. A leitura do ato ora reclamado evidencia que a excepcionalidade da medida foi deter­
minada em razão do perigo que o Reclamante representaria à integridade física daque­
les que participaram da audiência se estivesse sem as algemas. Pautou-se a autoridade
Reclamada na evidente periculosidade do agente. Fundamento consistente. Inexistência de
contrariedade à Súmula Vinculante n. 11 [...]. (Rcl 8712, Rei. Min. Cármen Lúcia, Pleno, DJe
17.11.2011)

® [...] 1. O "habeas corpus" tem previsão constitucional para aquele que sofre ou se acha ame­
açado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou
abuso de poder (art. 5o, inciso LXVIII, da Constituição Federal). 2. A impetração, tal como
posta nos autos, tem a finalidade afastar a aplicação do enunciado da Súmula Vinculante
11, não havendo previsão legal para a concessão da ordem nesses termos, pois totalmente
alheia à sua previsão constitucional. [...]. (HC 96238 AgR, Rei. Min. Dias Toffoli, Pleno, DJe
8 . 11. 2011)

SI [■■
■]■1- A questão de direito tratada no presente recurso diz respeito à fundamentação da
decisão, que determinou a utilização de algemas em desfavor da paciente durante a rea­
lização' das audiências de instrução e julgamento. 2. Não ha que se falar em desrespeito
ao enunciado da Súmula Vinculante 11,-já que os autos retratam situação fática diversa. 3.
O íuízg Criminal da ComarcV.de Piracicaba/SP, ao determinbr a manutenção das algemas
da paciente, fundamentou suficientemente a decisão, visto que tal diligência se mostrava
necessária à segurança dos presentes e ao desenvolvimento regular do próprio ato. 4. A
decisão atacada levou em conta a existência de fundado perigo consubstanciado no envol­
vimento dos acusados com facção criminosa, na deficiência da segurança do Fórum e, ainda,
no grande número de advogados e funcionários presentes à sala de audiência. 5. O uso de
algemas durante a audiência de instrução e julgamento somente afronta o enunciado da
Súmula Vinculante 11 quando impõe constrangimento absolutamente desnecessário, o que
não se verifica nos autos. 6. Não é possivel admitir-se, em sede de habeas corpus, qualquer
dúvida a respeito das questões de fato apontadas pela magistrada para determinar o uso
das algemas durante a realização das audiências. [...). (HC 103003, Rei. Min. Ellen Gracie, 2a
T„ DJe 24.8.2011)

® 1. A questão de direito tratada no presente recurso diz respeito à fundamentação da deci­


são que determinou a utilização de algemas em desfavor da paciente durante a realização
das audiências de instrução e julgamento. 2. Não há que se falar em desrespeito ao enun­
ciado da Súmula Vinculante 11, já que os autos retratam situação fática diversa. 3. O juízo
criminal, ao determinar a manutenção das algemas da paciente, fundamentou suficientemente
a decisão, visto que tal diligência se mostrava necessária à segurança dos presentes e ao
desenvolvimento regular do próprio ato. 4. A decisão atacada levou em conta a existência
de fundado perigo consubstanciado no envolvimento dos acusados com facção criminosa,
na deficiência da segurança do Fórum e, ainda, no grande número de advogados e funcio­
nários presentes à sala de audiência. 5. O uso de algemas durante a audiência de instrução e
julgamento somente afronta o enunciado da Súmula Vinculante 11 quando impõe constrangi­
mento absolutamente desnecessário, o que não se verifica nos autos. 6. Não é possível admi­
tir-se, em sede de habeas corpus, qualquer dúvida a respeito das questões de fato apontadas
pela magistrada para determinar o uso das algemas durante a realização das audiências. (HC
103003, Rei. Min. Ellen Gracie, 2a T„ DJe 24.8.2011)

BI [-J Incabimento. Uso de algemas no enfermo. Constrangimento. [...] "É assegurado aos pre­
sos o respeito à integridade física e moral." (Constituição da República, artigo 5°, inciso
XUX). [...]. (STJ. 6a Turma. HC 55421/SC. Rei. p/ acórdão: Min. Hamilton Carvalhido. DJ
26.11.2007)
Direito Constitucional 159

g] [...] o uso legitimo de algemas não é arbitrário, sendo de natureza excepcional, a ser adotado
nos casos e com as finalidades de impedir, prevenir ou dificultar a fuga ou reação indevida
do preso, desde que haja fundada suspeita ou justificado receio de que tanto venha a ocor­
rer, e para evitar agressão do preso contra os próprios policiais, contra terceiros ou contra si
mesmo. O emprego dessa medida tem como balizamento jurídico necessário os princípios
da proporcionalidade e da razoabilidade. [...]. (STF. 1a Turma. HC 89429/RO. ReL: Min. Cármen
Lúcia. DJ 2.2.2007)

g] (...) 1. O uso de algemas pela força policial deve ficar adstrito a garantir a efetividade da ope­
ração e a segurança de todos os envolvidos. 2. Demonstra-se razoável o uso de algemas,
mesmo inexistindo resistência à prisão, quando existir tumulto que o justifique. [...]. (STJ. 2a
Turma. REsp 571924/PR. Rei.: Min. Castro Meira. DJ 10.11.2006)

g] (...) O uso de algemas pelos agentes policiais não pode ser coibido, de forma genérica, porque
algemas são utilizadas, para atender a diversos fins, inclusive proteção do próprio paciente,
quando, em determinado momento, pode preÇender autodestruição. [...]. (STJ. 5a Turma. HC
35540/SP.. Rei.: lylirr. José Arnaldo da Fonseca. DJ 6.9.2004)

m [...) VI. Não há que se falar em constrangimento ilegal em decorrência da manutenção


das algemas do paciente durante o seu interrogatório, pois, nos termos da Lei Processual
Penal, "ao juiz incumbirá prover à regularidade do processo e manter a ordem no curso
dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar força pública.". VII. Se o magistrado
reputou necessária a manutenção das algemas para melhor regularidade do ato, não há
nulidade no interrogatório do réu. [...). (STJ. 5a Turma. HC 2S8S6/PR. ReL: Min. Gilson Dipp.
DJ 25 8.2003)

g] (...) A jurisprudência pretoriana tem afirmado o entendimento de que não configura cons­
trangimento ilegal a manutenção do réu algemado durante a sessão plenária do tribunal do
júri se esta medida for necessária ao bom andamento e segurança do julgamento, bem como
das pessoas que nele intervém. Enquanto não regulamentado por lei o uso de algemas, o
emprego deste meio de contenção, em nada incompatível com o principio da inocência, deve
ficar ao prudente arbítrio do juiz-presidente do júri, a quem compete a policia das sessões.
(STJ. 6a Turma. RHC 6922/RJ. ReL: Min. Vicente Leal. DJ 9.12.1997)

® (...) O uso de algemas durante o julgamento não constitui constrangimento ilegal se essencial
à ordem dos trabalhos e à segurança dos presentes. [...]. (STF. 2a Turma. HC 71195/SP. ReL: Min.
Francisco Rezek. DJ 4.8.1995)

H Não constitui constrangimento ilegal o uso de algemas por parte do acusado, durante a ins­
trução criminal, se necessário à ordem dos trabalhos e à segurança das testemunhas e como
meio de prevenir a fuga do preso. [,..].(STF. 2a Turma. RHC 56465/SP. ReL: Min. Cordeiro Guerra.
DJ 6.10.78)

► CF/1988. A r t 1o. A República Fedérativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e Municípios e do Distrito Federal* cónstitui-se em Estado Democrático de Direito e
tem como fundamentos: IIP—a dignidade da pessoa humana. ► A r t 5o. III - ninguém
será submetido a tortura nêrnatratàmento desumano ou degradante; X - sãò inviolá­
veis a intimidade, a vida privâda; a honra :e; a imagem das pessoas, assegurado o dirèito a
indenização pelo dahõ mãtèrial òü-ifioral decorrente de sua violação; [...] XUIX - é assegu­
rado aos presos o respeito á integridade'física e moral.
Roberval Rocha l( Albino Carlos Mauro José G.
160 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

► CP. A r t 350 [Exerdcio arbitrário ou abuso de poder] Ordenar ou executar medida privativa de
liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder: Pena - detenção, de
um mês a um ano. Parágrafo único. Na mesma pena incorre o funcionário que: I - ilegalmente
recebe e recolhe alguém a prisão, ou a estabelecimento destinado a execução de pena priva­
tiva de liberdade ou de medida de segurança; II - prolonga a execução de pena ou de medida
de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno ou de executar imediatamente a
ordem de liberdade; III - submete pessoa que está sob sua guarda ou custódia a vexame ou a
constrangimento não autorizado em lei; IV - efetua, com abuso de poder, qualquer diligência.

► CPP. A rt 284. Não será permitido o emprego de força, salvo a indispensável no caso de
resistência ou de tentativa de fuga do preso. ► Art 474. § 3o Não se permitirá o uso de
algemas no acusado durante o período em que permanecer no plenário do júri, salvo se
absolutamente necessário à ordem dos trabalhos, è segurança das testemunhas ou à garan­
tia da integridade física dos presentes.

► CPPM. A rt 234 O emprego de força só é permitido quando indispensável, no caso de


desobediência, resistência ou tentativa de fuga. Se houver resistência da parte de terceiros,
poderão ser usados os meios necessários para vencê-la ou para defesa do executor e auxir
liares seus, inclusive a prisão do dfensor. Oe tudo se lavrará au,to subscrito pelo executor e
por duas testemunhas. [Emprego de algemas] 1o O emprego de algemas deve ser evitado,
desde que não Haja perigo de fuga ou de agressão da parte do preso, e de modo algum
' será permitido, nos presos a que se refere o art. 242. >

► Lei n° 4.898. Art. 4 ° Constitui também abuso de autoridade: a) ordenar ou executar medida
privativa da liberdade individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder.

S ú m u l a V in c u l a n t e n 9 1 - O f e n d e a g a r a n t ia c o n s t it u c io n a l d o a to ju r íd ic o p e r ­
f e it o A DECISÃO QUE, SEM PONDERAR AS CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO, DESCONSIDERA
A VALIDEZ E A EFICÁCIA DE ACORDO CONSTANTE DE TERMO DE ADESÃO INSTITUÍDO PELA LEI
Co m p l e m e n t a r 1 1 0 / 2 0 0 1 .

• Súmula vinculante. • D a t a : 30.5.2007. iR g ferên cia Legislativa: CF/88, art. 5 Ç. XXXVI. LC n9 1 10/2001.9 Precedentes: R E
418918, DJ 1 9.7.2005; R E 427801 AgR-ED, QJ-2.12.2000:. R E 431363 AgR, DJ 16.12.2005.

O governo federal, em busca de uma medida que possibilitasse o pagamento de


imenso passivo, devido à incidência de complementos de correção monetária sobre
contas do FGTS, editou a LC n9 110/2001, com previsão de recebimento mais rápido,
para aquelas pessoas que acordassem receber, em suas contas vinculadas, pagamento
"com redução" do valor devido. De acordo com a lei, quanto maior a redução, mais
rápido o recebimento87.

87. LC n- 110/2001. Art. 4°: 'Fica a Caixa Econômica Federal autorizada a creditar nas contas vinculadas
do FGTS, a expensas do próprio Fundo, o complemento de atualização monetária resultante da aplica­
ção, cumulativa, dos percentuais de dezesseis inteiros e sessenta e quatro centésimos por cento e de
quarenta e quatro inteiros e oito décimos por cento, sobre os saldos das contas mantidas, respectiva­
mente, no período de l 5 de dezembro de 1988 a 28 de fevereiro de 1989 e durante o mês de abril de
1990, desde que: 1 - o titular da conta vincuiada firme o Termo de Adesão de que trata esta Lei Com­
plementar’’; Art. 6C "O Termo de Adesão a que se refere o inciso I do art. 4S, a ser firmado no prazo e na
forma definidos em Regulamento, conterá: 1- a expressa concordância do titular da conta vinculada
com a redução do complemento de que trata o art. 45, acrescido da remuneração prevista no caput do
art. S2, nas seguintes proporções: [...] II - a expressa concordância do titular da conta vinculada com a
forma e os prazos do crédito na conta vinculada, especificados a seguir: [...]’’.
Direito Constitucional 16 1

Ocorre que, para alguns juizes, o acordo firmado entre a gestão do FGTS e os tra­
balhadores era inválido, o que os levou a sentenciar a nulidade da transação efetuada.
No Rio de Janeiro, por exemplo, as turmas recursais da Seção Judiciária Federal da­
quele Estado chegaram até a pacificar o tema, exarando um enunciado888 9para tanto.

Levado o caso ao STF, foi enunciada essa primeira súmula vinculante do Brasil,
conforme a sistemática trazida pela EC n® 45/2004 ao art. 103-A e parágrafos da
CF/8888, regulamentado pela Lei n® 11.417/2006.

SI (...] 1. Aplica-se o regime da repercussão geral às questões constitucionais já decididas pelo


STF, cujos julgados sucessivos ensejaram a formação de súmula ou jurisprudência dominante.
2. Necessidade de pronunciamento expresso desta Corte sobre as questões constitucionais
dotadas de repercussão geral, para que, nas instâncias de origem, possam ser aplicados os
efeitos do novo regime, em especial, para fins de retratação de decisões e inadmissibilidade
de recursos sobre o mesmo tema. 3. Possui repercussão geral a discussão sobre a validade e a
eficácia de acordo constante de termo de adesão instituído pela Lei Complementar 110/2001,
para pagamento das djferenças relativas aos expurgos inflacionários sobre os saldos das con­
tas vinculadas de FGTS. 4. Matéria já enfrentada" por esta Corte em vários julgados, colegia-
dos e monocráticos, que consagraram o entendimento consolidado na Súmula Vinculante n°1,
segundo o qual, ofende a jgaçantia constitucional do ato jurídico perfeito a cfecisão que. sem
ponderar as circunstâncias do caso concreto, desconsidera a validez e a eficácia de acordo
constante de termo de adesão instituído pela LC 110/2001. 5. Questão de Ordem resolvida
no sentido de se negar a distribuição deste recurso extraordinário, bem como de todos os
demais versando sobre idêntica controvérsia, devolvendo-se os autos à origem, para a adoção
do novo regime legal. (RE 591068 QO-RG, Rei. Min. Presidente, DJe 20.2.2009)

® [...] I. FGTS: diferenças de correção monetária de contas vinculadas: Enunciado 21 das Tur­
mas Recursais do Rio de Janeiro, que desconsidera acordo firmado pelo trabalhador com
base na LC 110/2001: inconstitucionalidade reconhecida pelo plenário do Supremo Tribunal
no julgamento do RE 418.918, Ellen Gracie, DJ 1.7.2005, por ofensa ao art. 5°, XXXVI, da
Constituição Federal. [...]. (STF. I a Turma. RE-AgR-ED 427801/RJ. Rei.: Min. Sepúlveda Per­
tence. DJ 2.12.2005)

88. Enunciado 21 das T u rm as R ecursais do Rio de Janeiro: 0 trabalhador faz jus ao crédito integral,
sem parcelamento, e ao levantamento, nos casos previstos em lei, das verbas relativas aos expurgos
de índices inflacionários de janeiro de 1989 (42,72%) e abril de 1990 (44,80%) sobre os saldos das
contas de FGTS, ainda que tenha aderido ao acordo previsto na Lei Complementar n. 110/2001,dedu­
zidas as parcelas porventura já recebidas.
89. CF, art. 103-A. "0 Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de
dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula
que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante cm relação aos demais óigãos
do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal,
bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § l s A súmula terá por
objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja contro­
vérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegu­
rança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 22 Sem prejuizo do que
vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada
por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 39 Do ato administrativo ou
decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação
ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a
decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula,
conforme o caso."
Roberval Rocha Albino Carlos .. Mauro José G.
162 Ferreira Filho “ Martins V ieira da Costa

BI [...] 2. Inconstitucionalidade do Enunciado n° 21 das Turmas Recursais da Seção Judiciária do


Rio de Janeiro, que preconiza a desconsideração de acordo firmado pelo trabalhador e pre­
visto na Lei Complementar n° 110/2001. Caracterização de afastamento, de ofício, de ato ju rí­
dico perfeito e acabado. Ofensa ao princípio inscrito no art. 5o, XXXVI, do Texto Constitucio­
nal. [...]. (STF. Pleno. RE 418918/RJ. ReL: Min. Ellen Gracie. DJ 1.7.2005)

S Ú M U L A N® 654 - A G A R A N T IA D A I R R E T R O A T I V I D A D E D A L E I , P R E V I S T A N O A R T . 5 9, XXXVI,
d a C o n s t it u iç ã o da R e p ú b l i c a , n ã o é in v o c á v e l p e l a e n t i d a d e e s t a t a l q u e a t e n h a
E D IT A D O .

# S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 24.9.2003. • Referência legislativa: CF/88, art. 5 8, XXXVI. • Precedentes: A D I 712 MC. DJ
19.2.1993; R E 172249. DJ 28.4.1995; R E 206965. DJ 24.10.1997; R E 177888. DJ 6.8.1999; R E 153662. DJ 7.4.2000; R E 167887.
DJ 18.8.2000.

Na aplicação de leis retroativas, não pode o ente federado que promulgou a nor­
ma alegar o princípio constitucional da irretroatividade da lei para prejudicar os
destinatários da_nova regra. A irretroatividade é garantia do cidadão contra o Poder
Público: só a este é oponível, não podendo ser invocada pelo próprio Estado contra o
.cidadão.90 .- .'

Kl [...] Não se pode vedar a aplicação de regime legal relativo à pensões a uma situação ocorrida
sob o império de regra anterior, ao argumento de que deve continuar por ela a ser regulada,
em face da intangibilidade do ato jurídico perfeito. É que se a nova legislação, editada em
consonância com preceito da Carta gaúcha, admitiu expressamente a possibilidade de res­
tabelecimento do benefício que havia cessado anteriormente, evidentemente que alcançou
situações preexistentes. [...]. (STF. 1a Turma. RE 212060/RS. ReL: Min. limar Galvão. DJ 23.4.1999)

SI [...] - O exercício do poder tributário, pelo Estado, submete-se, por inteiro, aos modelos ju rí­
dicos positivados no texto constitucional que, de modo explícito ou implícito, institui em
favor dos contribuintes decisivas limitações á competência estatal para impor e exigir, coati-
vamente, as diversas espécies tributarias existentes. Os princípios constitucionais tributários,
assim, sobre representarem importante conquista político-juridica dos contribuintes, consti­
tuem expressão fundamental dos direitos individuais outorgados aos particulares pelo orde­
namento estatal. Desde que existem para impor limitações ao poder de tributar do Estado,
esses postulados tem por destinatário exclusivo o poder estatal, que se submete à impera-
tividade de suas restrições. - O princípio da irretroatividade da lei tributária deve ser visto e
interpretado, desse modo, como garantia constitucional instituída em favor dos sujeitos pas­
sivos da atividade estatal no campo da tributação. Trata-se, na realidade, à semelhança dos
demais postulados inscritos no art. 150 da Carta Política, de princípio que - por traduzir limi­
tação ao poder de tributar - é tão-somente oponível pelo contribuinte à ação do Estado. - Em
princípio, nada impede o poder público de reconhecer, em texto formal de lei, a ocorrência
de situações lesivas à esfera jurídica dos contribuintes e de adotar, no plano do direito posi­
tivo, as providências necessárias à cessação dos efeitos onerosos que, derivados, exemplifica-
tivamente, da manipulação, da substituição ou da alteração de índices, hajam tornado mais
gravosa a exação tributária imposta pelo Estado. A competência tributária da pessoa estatal
investida do poder de instituir espécies de natureza fiscal abrange, na latitude dessa prerro­
gativa jurídica, a possibilidade de fazer editar normas legais que, beneficiando o contribuinte,
disponham sobre a suspensão ou, até mesmo sobre a própria exclusão do crédito tributário.
[...]. (STF. Pleno. ADI-MC 712/DF. ReL: Min. Celso de Mello. DJ 19.2.1993)

90. ROSAS, Roberto. Direito sum ular - comentários às súmulas do Supremo Tribunal Federal e do Supe­
rior Tribunal de Justiça. 13. ed., rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 321.
Direito Constitucional 163

@ (...) Previdência Social: aposentadoria por tempo de serviço: conversão em aposentadoria


especial: aplicação da lei nova (L. 6.887/80) a situação pretérita: não invocável a garantia cons­
titucional da irretroatividade da lei pela entidade estatal que a tenha editado (Súmula 654), [...]
(STF. 1a Turma. RE 118074/SP. ReL: Min. limar Galvão. DJ S.11.2004)
muffiittga

© (...) 1. Consolidou-se a jurisprudência do Supremo Tribunal no sentido de que "a garantia da


irretroatividade da lei, prevista no art. 5o, XXXVI, da Constituição da República, não é invo­
cável pela entidace estatal que a tenha editado" (Súmula 654). 2. Dai não se extrai, porém,
que, não possa o Estado impugnar em juízo, com base na referida norma constitucional
do art. 5o, XXXVI, a decisão que a tenha indevidamente aplicado a hipótese onde não haja
direito adquirido a garantir [...]. (STF. 1a Turma. RE 4155C5/DF. ReL: Min. Sepúlveda Fertence.
DJ 4.6.2004)

SÚMULA N9 6 1 9 - A PRISÃO DO DEPOSITÁRIO JUDICIAL PODE SER DECRETADA NO PRÓPRIO


PROCESSO EM QUE SE CONSTITUI O ENCARGO, ENDEPENDENTEMENTE DA PROPOSITURA' DE
AÇÃO DE DEPÓSITO. .

• S ú m u la revogada. • Data- 17.10?198419 Referência legislativa: CC/1916. art. 1.287. CPC/1939. a r t 945. CPC/1973, art.
666.•P rece d en te s: R H C 49752. D J5.5.1972; R H C 55271. D J26.8.1977; R E 88834. D J31.3.1978; R E 86311, DJ 11.8.1973. RHC
58005. D] 12.8:1980. . .

0 texto do enunciado foi expressamente acrescentado ao art. 666, § 3a, do CPC,


pela Lei ns 11.382/2006: "A prisão de depositário judicial infiel será decretada no
próprio processo, independentemente de ação de depósito".

Entretanto, em 3.12.2008, com fundamento no Pacto Internacionai dos Direitos


Civis Políticos, promulgado pelo Dec. ns 592/92 e no Pacto de San José, promulgado,
sem reservas, pelo Dec. n2 687/92, o STF, no julgamento dos RREE 349703 e 466343
e do HC 87585, reconheceu a impossibilidade de aplicação da pena de prisão ao de­
positário infiel e revogou a súmula.
A Corte inovou na interpretação da possibilidade de prisão civil do depositário
infiel e declarou haver um caráter especial do Pacto Internacional dos Direitos Civis
Políticos (art. 11] e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos - Pacto de
San José da Costa Rica (art. 7®, 7), ratificados, sem reserva, pelo Brasil, em 1992.
Por esse entendimento, a esses diplomas internacionais sobre direitos humanos é
reservado lugar específico no ordenamento jurídico: abaixo da Constituição e aci­
ma da legislação interna (natureza supralegal). Se eles forem ratificados mediante
o quorum previsto no art. 5a, § 3a da CF/88, terão força equivalente às emendas
constitucionais.

0 (...) Prisão civil do depositário infiel. Pacto de São José da Costa Rica. Alteração de o-ientação
da jurisprudência do STF. Concessão da ordem. 1. A matéria em julgamento neste habeas cor­
pus envolve a temática da (in)admissibilidade da prisão civil do depositário infiel nc orcena-
mento jurídico brasileiro no período posterior ao ingresse do Pacto ce São José da Costa Rica
no direito nacional. 2. Há o caráter especial do Pacto Internacional dos Direitos Civis Políticos
(art. 11) e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos - Pacto de San José da Costa Rica
(art. 7°, 7), ratificados, sem reserva, pelo Brasil, no ano de 1992. A esses diplomas internacio­
nais sobre direitos humanos é reservado o lugar específico no ordenamento jurídico, estando
abaixo da Constituição, porém acima da legislação interna. O status normativo supra,egal dos
tratados internacionais de direitos humanos subscritos pelo Brasil, torna inaplicável a leg sla-
ção infraconstitucional com ele conflitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de ratificação.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
164 Ferreira Filho 1 Martins Vieira da Costa

3. Na atualidade a única hipótese de prisão civil, no Direito brasileiro, é a do devedor de


alimentos. O art. 5o, § 2o, da Carta Magna, expressamente estabeleceu que os direitos e garan­
tias expressos no caput do mesmo dispositivo não excluem outros decorrentes do regime dos
princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do
Brasil seja parte. O Pacto de São José da Costa Rica, entendido como um tratado internacional
em matéria de direitos humanos, expressamente, só admite, no seu bojo, a possibilidade de
prisão civil do devedor de alimentos e, consequentemente, não admite mais a possibilidade
de prisão civil do depositário infiel. [...]. (STF. 2a Turma. HC 95967/MS. Rei.: Min. Ellen Gracie
DJe 28.11.2008)

[§] [...] 1. A Convenção Americana sobre Direitos Humanos, em seu art. 7o, 5 7o, vedou a prisão
civil do depositário infiel, ressalvada a hipótese do devedor de alimentos. Contudo, a ju ris­
prudência pátria sempre direcionou-se no sentido da constitucionalidade do art. 5o, LXVII,
da Carta de 1988, o qual prevê expressamente a prisão do depositário infiel. Isto em razão
de o referido tratado internacional ter ingressado em nosso ordenamento jurídico na quali­
dade de norma infraconstitucional, porquanto, com a promulgação da Constituição de 1988,
inadmissível o seu recebimento com força de emenda constitucional. (...]. 2. A edição da
EC 45/04 acresceu ao art. 5o da CF o § 3o [...], inaugurando novq panorama nos acordos
internacionais relativos a direitos humanos em território nacional. 3. Deyeras, "a"ratificação,
pelo Brasil, sem qualquer reserva do pacto Internacional dos Direitos Civis e. Políticos (art.
11) e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos - Pacto de-Sán'José da Costa Rica,
(art. 7°, 7), ambos do ano de 1992, não há mais base legal para prisão civil do depositário
infiel, pois o caráter especial desses diplomas internacionais sobre direitos humanos lhes
reserva lugar específico no ordenamento juridico, estando abaixo da constituição, porém
acima da legislação infraconstitucional com ele conflitante, seja ela anterior ou posterior ao
ato de ratificação. Assim ocorreu com o art. 1.287 do CC/1916 e com o DL 911/1969, assim
como em relação ao art. 652 do novo Código Civil (Lei 10.406/02)." (RE 466343, voto). A CF,
de índole pós-positivista, e fundamento de todo o ordenamento jurídico, expressa, como
vontade popular, que a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados, Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito
e tem como um dos seus fundamentos a dignidade da pessoa humana como instrumento
realizador de seu ideário de construção de uma sociedade justa e solidária. 5. O Pretório
Excelso, realizando interpretação sistemática dos direitos humanos fundamentais, promoveu
considerável mudança acerca do tema em foco, assegurando os valores supremos do texto
magno. O Órgão Pleno da Excelsa Corte, por ocasião do histórico julgamento do RE 466343,
reconheceu que os tratados de direitos humanos têm hierarquia superior à lei ordinária,
ostentando status normativo supralegal, o que significa dizer que toda lei antagônica às
normas emanadas de tratados internacionais sobre direitos humanos é destituída de vali­
dade, máxime em face do efeito paralisante dos referidos tratados em relação às normas
infralegais autorizadoras da custódia do depositário infiel. Isso significa dizer que, no plano
material, as regras provindas da Convenção Americana de Direitos Humanos, em relação às
normas internas, são ampliativas do exercício do direito fundamental à liberdade, razão pela
qual paralisam a eficácia normativa da regra interna em sentido contrário, haja vista que
não se trata aqui de revogação, mas de invalidade. (...]. (STJ, REsp 914253, repetitivo, Rei.
Min. Luiz Fux, Corte Especial, DJe 4.2.2010)

► CF. A rt 5o. S 3o Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que


forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos
dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.

► Pacto Internacional dos Direitos Civis Políticos. Art. 11 Ninguém poderá ser preso ape­
nas por não poder cumprir com uma obrigação contratual.
Direito Constitucional 165

► Pacto de San José da Costa Rica. A rt. 7°, 7 Ninguém deve ser detido por dívidas. Este
princípio não limita os mandados de autoridade judiciária competente expedidos em vir­
tude de inadimplemento de obrigação alimentar.

SÚMULA N® 5 6 8 - A IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL NÃO CONSTITUI CONSTRANGIMENTO ILEGAL,


AINDA QUE O INDICIADO JÁ TENHA SIDO IDENTIFICADO CIVILMENTE.

• Sú m u la s u p e ra d a .• Data: 15.12.1976.9Referência legislativa: CPP/194Í, a r t 6-, VIII. • Precedentes: R E 80732, D ]6.8.1976;


R E 82341. D) 24.10.1975; R E 82279, l)J 10.10.1975; R E 82351, 0/ 10.10.1975; R E 82374, D) 10.10.1975; R E 82662. D} 19.3.1976.

Esse enunciado está superado por colidir frontalmente com garantia fundamen­
tal encartada no art. 59, LVII1, da CF/88, pois, ressalvadas as hipóteses admitidas em
lei, "o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal".
Nesse sentido, o art. 3S da Lei 12.037/2009 (adiante transcrito), que dispõe sobre
identificação criminal, prevê algumas hipóteses nas quais se deve admitir a identifica­
ção criminal do civilmente identificado por documento original.
..................................................................................................................................
SI [...] II. A identificação criminal não será feita se apresentada, ante a autoridade policial, a iden-
•tidade civrl da indiciada (art.- 5 °,'LVIII da .Carta de -T988). (...]. (STF. Pleno. RHC 6618Q/SP. Rei.:
Min. Francisco Rezek. DJ 10.3.Í9891 ‘

S] [...] Recurso de ‘habeas corpus'. Identificação criminal. Aplicação do art. 5°, LVIII, do novo texto
constitucional. Acórdão que, à época, decidiu corretamente (Súmula 568). Recurso de ‘habeas
corpus' improvido, mas deferido o 'writ', de ofício. (STF. Pleno. RHC 66979/DF. Rei.: Min. Oscar
Corrêa. DJ 9.12.1988)

BI (...) Identificação criminal. Recurso a que se nega provimento, porque o acórdão recorrido dene-
gou o 'habeas corpus' em consonância com a jurisprudência consolidada pelo Supremo Tribunal'
(Súmula n° 568). Concede-se, porém, a ordem, de oficio, ante a garantia inserta no art. 5], LVIII,
da Constituição de 1988, ulteriormente promulgada e tendo em vista que a paciente já se acha
civilmente identificada. (STF. Pleno. RHC 66881/DF. ReL: Min. Octávio Gallotti. DJ 11.11.1988)

► Lei n° 12.037/2009. A r t 3o. Embora apresentado documento de identificação, poderá


ocorrer identificação criminal quando: I - o documento apresentar rasura ou tiver indício
de falsificação; II - o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente
o indiciado; III - o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações
conflitantes entre si; IV - a identificação criminal for essencial às investigações policiais,
segundo despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante
representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa; V - constar de
registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações; VI - o estado de
conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento apre­
sentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.

3. D IR E IT O S P O L ÍT IC O S
S ú m u l a V in c u l a n t e n ® 1 8 - A d i s s o l u ç ã o d a s o c ie d a d e o u d o v ín c u l o c o n ju g a l , no
C U R S O D O M A N D A T O , NÃO A F A S T A A IN E L E G IB IL ID A D E P R E V IS T A NO § 7® D O A R T IG O 14 DA

Co n s t it u iç ã o F e d e r a l .•

• S ú m u la v in c u la n te .• D a ta ; 10.11.2009. • Referência leg isla tiva : CF/1988, art. 14. § § I o e 7°. E C 16/1997. • Precedentes:
R E 568596, Dje 21.11.2008. R E 433460. Df 19.10.2006. R E 446999. Df 9.9.2005.
Roberval Rocha - A lbino Carlos _ Mauro J osé G.
166 Ferreira Filho • Martins V ieira • da Costa

A jurisprudência do TSE entendia possível a candidatura de ex-cônjuge de chefe


do Poder Executivo para cargo semelhante em eleição imediatamente subsequente,
desde que houvesse decisão transitada em julgado da separação ou do divórcio e não
subsistissem no caso hipóteses de simulação ou de fraude.

Essa posição foi revista na resposta negativa à Consulta nfi 888/DF, que não per­
mitiu candidatura nessas condições, visando evitar o comprometimento da lisura do
processo eleitoral, que poderia submeter o pleito a situações de benefício pessoal
criadas pela peculiar situação do candidato.

Ademais, para a aplicação do art. 14, § 7a, da CF/1988, que proíbe a elegibilidade
de parentes de autoridades no território da jurisdição do titular, torna-se irrelevante
perquirir se a autoridade exerceu todo o mandato ou apenas parte dele. Ou seja, se em
algum momento do mandato existiu a relação de parentesco, tem lugar a restrição cons­
titucional.

181 (...) 1. O que orientou Medição da Súmula Vinculante 18 e os recentes precedentes do STF foi a
preocupação de inibir que a dissolução fraudulenta ou simulada de sociedade conjugal seja uti­
lizada como mecariísmp de- burla à norma da"’írreleg'ibilidade reflexa prevista nó 5 7o do art. 14
da Constituição. Portanto, dão atVai a aplicação do entendimento constante da referida súmula
a extinção do vínculo conjugal pela morte de um dos cônjuges. [...]. (RE 758461, Rei. Min. Teori
Zavascki, Pleno, repercussão geral - mérito, DJ 30.10.2014)

SI A morte do detentor do mandato, no curso deste, torna distinta a situação em análise daque­
las que levaram o TSE e o STF a firmar jurisprudência no sentido de que a dissolução da socie­
dade ou do vínculo conjugal não afasta a inelegibilidade do cônjuge. A circunstância descrita
nos autos não se enquadra no teor da Súmula Vinculante 18, uma vez que o referido verbete
teria cuidado da dissolução da sociedade conjugal por separação de fato, para fins de vedar
ao cônjuge a possibilidade de burlar e fraudar o dispositivo constitucional da inelegibilidade,
por meio de separações fictícias que garantissem um terceiro mandato inconstitucional. É dis­
tinta a dissolução do vínculo conjugal por morte, matéria não tratada na Súmula Vinculante
18. (AC 3298 AgR/PB, rei. Min. Teori Zavascki, 24.4.2013, 2a T, Informativo 703)

H (...) I. A dissolução da sociedade conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade


prevista no art. 14, § 7o, da CF. II. Se a separação judicial ocorrer em meio à gestão do titular
do cargo que gera a vedação, o vínculo de parentesco, para os fins de inelegibilidade, per­
siste até o término do mandato, inviabilizando a candidatura do ex-cônjuge ao pleito sub­
sequente, na mesma circunscrição, a não ser que aquele se desincompatibilize seis meses
antes das eleições. [...]. (RE 568596, Rei. Min. Ricardo Lewandowski, Pleno, RG Mérito, DJe
21.11.2008)

BI [...] 1. A regra estabelecida no art. 14, 57°, da CF, iluminada pelos mais basilares princípios
republicanos, visa obstar o monopólio do poder político por grupos hegemônicos ligados por
laços familiares. 2. Havendo a sentença reconhecido a ocorrência da separação de fato em
momento anterior ao início do mandato do ex-sogro do recorrente, não há falar em pereni-
zação no poder da mesma família (Cta. 964/DF - Res./TSE 21.775, de minha relatoria). [...). (RE
446999, Rei. Min. Ellen Gracie, 2a Turma, DJ 9.9.2005)

Sl (...) O regime jurídico das inelegibilidades comporta interpretação construtiva dos preceitos
que lhe compõem a estrutura normativa. Disso resulta a plena validade da exegese que,
norteada por parâmetros axiológicos consagrados pela própria Constituição, visa a impe­
dir que se formem grupos hegemônicos nas instâncias políticas locais. O primado da ideia
republicana - cujo fundamento ético-político repousa no exercício do regime democrático
Direito Constitucional 167

e no postulado da igualdade - rejeita qualquer prática que possa monopolizar o acesso


aos mandatos eletivos e patrimonializar o poder governamental, comprometendo, desse
modo, a legitimidade do processo eleitoral. (RE 158314, Rei: Min. Celso de Mello, 1a Turma,
DJ 12.2.1993)

@ [...) Quando a separação judicial ocorre durante o exercício do segundo mandato do titular
do cargo eletivo, o ex-cônjuge não poderá eleger-se, no mesmo município, na eleição ime­
diatamente subsequente, sob pena de se infringir o dispositivo constitucional do art. 14, §
7°, que busca impedir a permanência indefinida de uma mesma família no poder. Porém,
quando a separação de fato ocorreu há mais de dez anos, havendo sido reconhecida na
sentença da separação judicial, o ex-cônjuge pode candidatar-se na eleição subsequente,
pois a ruptura do vínculo conjugal se deu antes mesmo do primeiro mandato, sem haver,
portanto, violação ao preceito constitucional. (TSE. Cta 964/DF, Res. 21775, Rei. Min. Ellen
Gracie, DJ 21.6.2004)

® [...] É inelegível, no território de jurisdição do titular, o ex-cônjuge do chefe do Executivo ree­


leito, visto que em algum momento do mandato existiu o parentesco, podendo comprome-
• ter a lisura do processo eleitoral.'(TSE. Cta. 888/DF, Res. 21441, Rei. Min. Carlos Velloso, DJ
29.9.2003)

► CF. A r t 14. § 7°. São inelegíveis, no-territôrio de jurisdição do titular, o cônjuge èos.paren-
tes consanguíneps ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da-Repú­
blica, de governador de estado ou território, do Distrito Federal, de prefeito ôu de quem os
haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de -mandato
eletivo e candidato à reeleição. :

4. IM U N ID A D E PARLA M EN TA R
SÚMULA N fi 2 4 5 - A IM U N ID A D E PARLAMENTAR NÃO S E E S T E N D E AO C O R É U S E M E S S A P R E R R O ­
GATIVA.

• Sú m u la a p lic á v e l.• D o ía . 13.12.1963. • Referência legislativa: C F /1946, art. 45. CP/1940, a r t 26.%Precedentes: A i 27890,
DJ 16.5.1963.

A imunidade parlamentar é prerrogativa concedida ao membro do CongressoNa-


cional e de outras casas legislativas para proteger a função política exercida. Não é
prevista em benefício da pessoa do parlamentar. Ela visa garantir a independência
do legislador no desempenho de suas funções e pode ser classificada em material,
quando garante ao parlamentar a não responsabilização nas esferas penal, civil, dis­
ciplinar ou política por suas opiniões, votos e palavras, ou formal, quando concedida
para fins de regular as hipóteses de prisão e a competência para o processo criminal
do parlamentar.

A imunidade parlamentar é pessoal, portanto não se estende a outras pessoas,


ainda que partícipes ou coautoras do mesmo crime cometido pelo parlamentar
imune.91

91. ROSAS, Roberto. Direito sumular - comentários às súmulas do Supremo Tribunal Federal e do Supe­
rior Tribunal de justiça. 13. ed., rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 108.
Roberval Rocha _ A lbino Carlos - Mauro José G.
168 Ferreira Filho • Martins Vieira • oa Costa

® [...] STF: competência penal originária por prerrogativa de função: atração, por conexão ou
continência, do processo contra coréus do dignitário, que, entretanto, não é absoluta, admi-
tindo-se a separação, entre outras razões, se necessária para obviar o risco de extinção da
punibilidade pela prescrição, cujo curso só se suspende em relação ao titular da imunidade
parlamentar [...]. (STF. Pleno, Inq-QO 1720/RJ. Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 14.12.2001)

SI (•••) A separação do processo, ordenada em razão da existência de motivo relevante, permitirá


que a ação.penal tenha curso, perante órgão judiciário competente, contra aqueles que não
possuem a garantia da imunidade parlamentar e nem dispõem, "ratione muneris", da prerro­
gativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal. (...]. (STF. Pleno. Inq-QO 736/MS. ReL: Min.
Celso de Mello. DJ 13.10.1995)

► CR '•...gfenadpraf são invioláveis,, civil e perialméhtorpbi' quaisquer . .


;;i .-,; ;..,7 ide:suas;opin]6 e 5i;,palavras e votos. 5 1o-Os Deputados e Senadores, desde, a;expedirão; do
^ ^ydipIqfnapSefSÒ^ubfnétiWsá julgámento perantè o SUprerfio Tfibünal Federai.á 2®'Desde áví
'-'''"-'‘-eXp^içai^deíidtôfõftia/tjS^WémBfos-do COngiesso-NacionaLnãó p0 dèrâd1 sér.presos,:sálv0
-^ em Áã^'rânte:-:]i^Vç^if^è'.4|fta1iànçável, ^eisée^casô, oVaiitòs'Serão rêmetidós dentidrdá%itd i
>5 qüatto-ltók^^^ásÉr-resjpeetfyaC pára qué, peló voto dá maioria de seus membroá) resolva .
- -sobre aA|^iii0ÍQ^5; 3P 'ftébebldà a denúncià-contra o Senador õuOèpütadQ/rpofrcjbriniv. ôdor»-
o Supremp Tribuo.al.'f|eçleral dará ciência à.Casa.JestfeçíK»;‘que,
por uiiclaÇ^Lde partido político nela representado e pelo voto da.'ina.iQi1 á'Í|é'^^'nwnit
í,i - bros, poderá’, até a decisão final, sustar o andamento da ação. 5 4° O .p.edidò. de sustaçãò
! ’• será apreciado pelá Càsa respectivà no prazo improrrogável de quarenta e cinto; diás do
seu recebimento pela Mesa Diretora. 5 5o A sUstação do processo suspende a prescrição,
enquanto; durar .o mandato.

S Ú M U L A N® 4 - N Ã O P E R D E A I M U N I D A D E P A R L A M E N T A R O C O N G R E S S I S T A N O M E A D O M I N I S T R O

d e E st a d o .

• S ú m u la c a n c e la d a . • D ata: 13.12.1963. • Referência legislativa: CF/1946, arts. 44 e 45. • Precedentes: Q C 140 AgR, DJ
6.12.1962.

Em 1981, no processamento do Inquérito n® 104/RS (adiante transcrito), o STF


cancelou a Súmula n® 4.

É que, afastando-se, voluntariamente, do exercício do mandato, para ocupar cargo no


Poder Executivo, o parlamentar não leva consigo a prerrogativa conferida a membros do
Poder Legislativo, no desempenho das funções específicas. Nem seria possível entender
que, em funções executivas, continuasse inviolável, por suas opiniões, palavras e votos, ou
com a isenção de permanecer preso, sem autorização de sua Câmara, ou poder ter sobres-
tada sua ação penal, de modo diverso, assim, do que sucede com os altos dignitários do
Poder Executivo, que veio integrar, deixando de exercera função legislativa.92

O afastamento do Parlamento para assunção de outras funções, como se vê, causa


a perda da imunidade parlamentar material - inviolabilidade por palavras, opiniões
e votos mas não a prerrogativa de foro em matéria penal, uma vez que permanece
o vínculo que o une ao mandato legislativo, que, a qualquer hora, pode retomar em
exercício.

92. M O R A ES , A le x a n d re de. D ir e it o c o n s t it u c io n a l. 17. ed. São Paulo: Atlas, 2 0 0 5 , p. 415

J
Direito C onstitucional 169

CH [...] Tramitação e processamento de representação por quebra de decoro parlamentar. Deputado


federal licenciado e investido no cargo de ministro de estado. (...) 3. O membro do Congresso
Nacional que se licencia do mandato para investir-se no cargo de Ministro de Estado não perde
os laços que o unem, organicamente, ao Parlamento (CF, art. 56, I). Consequentemente, conti­
nua a subsistir em seu favor a garantia constitucional da prerrogativa de foro em matéria penal
(INQ-QO 777-3/TO, rei. min. Moreira Alves, DJ 1.10.1993), bem como a faculdade de optar pela
remuneração do mandato (CF, art. 56, 5 3o). Da mesma forma, ainda que licenciado, cumpre-lhe
guardar estrita observância às vedações e incompatibilidades inerentes ao estatuto constitucional
do congressista, assim como às exigências ético-juridicas que a Constituição (CF, art. 55, S 1o) e
os regimentos internos das casas legislativas estabelecem como elementos caracterizadores do
decoro parlamentar. 4. Não obstante, o princípio da separação e independência dos poderes e
os mecanismos de interferência recíproca que lhe são inerentes impedem, em princípio, que a
Câmara a que pertença o parlamentar o submeta, quando licenciado nas condições supramencio-
nadas, a processo de perda do mandato, em virtude de atos por ele praticados que tenham estrita
vinculação com a função exercida no Poder Executivo (CF, art. 87, parágrafo único, incisos I, II, III
e IV), uma vez que a Constituição prevê modalidade específica de responsabilização política para
os membros do Poder Executivo (CF, afts. 85, 86 e 102, I. c). 5. Na hipótese dos autos, contudo,
embora afastado do exercício do mandato parlamentar, o Impetrante foi acusado de haver usado'
de sua. influência, para levantar furxdos jupto a bancos "com a.finalic(ade de pagar parlamentares
para que, na Câmara dos Deputados,ívotqssem. projetos em favor do Governo" (Representação
n° 38/2005, formulada pelo PTB). Tal imputação se adequa, em tese, ao que preceituado no art.
4°, inciso IV do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados que qualifica
como suscetíveis de acarretar a perda do mandato os atos e procedimentos levados a efeito no
intuito de "fraudar, por qualquer meio ou forma, o regular andamento dos trabalhos legislativos
para alterar o resultado de deliberação". [...]. (STF. Pleno. MS-MC 25579/DF. Rei. p/ acórdão: Min.
Joaquim Barbosa. DJ 24.8.2007)

SI (...) II. Imunidade parlamentar formal e foro por prerrogativa de função: o afastamento do
deputado ou senador do exercício do mandato, para investir-se nos cargos permitidos pela
Constituição (art. 56, I) suspende-lhes a imunidade formal (cf. Inq. 104, 26.8.81, RTJ 99/477,
que cancelou a Súmula 4), mas não o foro por prerrogativa de função (Inq. 780, 02.9.93,.RTJ
153/503). (STF. Pleno. Inq-QO 1070/TO. Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 11.10.2001)

S3 (...) Não assiste a prerrogativa da imunidade processual ao deputado estadual, licenciado, à


época do fato, para o exercido do cargo de secretário de Estado (cfr. Inq. 104, RTJ 99/487),
mesmo havendo, após, reassumido o desempenho do mandato (cfr. Inq. 105, RTJ 99/487). (STF.
I a Turma. HC 78093/AM. Rei.: Min. Octávio Gallotti. DJ 16.4.1999)

S] (...) Queixa contra deputado federal, investido na função de ministro de Estado, imputando-lhe
crime de difamação (art. 139 do Código Penal). O deputado que exerce a função de ministro
de Estado não perde o mandato, porem não pode invocar a prerrogativa da imunidade, mate­
rial ou processual, pelo cometimento de crime no exercício da nova função. [,..]. Rejeição da
prelim inar suscitada pela Procuradoria-Geral da República e cancelamento da Súmula n °4 (...).
(STF. Pleno. Inq 104/RS. Rei.: Min. Djaci Falcão. DJ 2.10.1981)

S Ú M U L A Na 3 - A IMUNIDADE CONCEDIDA A DEPUTADOS ESTADUAIS É RESTRITA À JUSTIÇA DO


Estad o .

• S ú m u la s u p e r a d a .* Dora: 1 3 .1 2 .1 9 6 3 .» Referência legislativa: CF/1946, art. 7C, VII, b: art. 18, art. 4 5 .» Precedentes: HC
35041, DJ 14.11.1957.

No julgamento do RE n2 456679/DF, adiante transcrito, o STF declarou superado


esse enunciado.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José 6.
170 Ferreira Filho * Martins V ieira ® da Costa

SI (...) Parlamentar distrital: imunidade formal: CF, art. 53, 5 2o c/c os arts. 27, § 1o, e 32, 5 3o: inci­
dência. Com o advento da Constituição de 1988 (art. 27, 5 1o), que tornou aplicáveis, sem res­
trições, aos membros das Assembléias Legislativas dos Estados e do Distrito Federal, as nor­
mas sobre imunidades parlamentares dos integrantes do Congresso Nacional, ficou superada
a tese da Súmula 3/STF ("A imunidade concedida a deputados estaduais é restrita à Justiça
do Estado"), que tem por suporte necessário que o reconhecimento aos deputados estaduais
das imunidades dos congressistas não derivava necessariamente da Constituição Federal, mas
decorrería de decisão autônoma do constituinte local. (STF. Pleno. RE 456679/DF. Rei.: Min.
Sepúlveda Pertence. DJ 7.4.2006)

► CF. A r t 27, S 1° Será de quatro anos o mandato dos deputados estaduais, aplicando-
-sê-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades,
remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.

5. MAGISTRATURA
SÚMULA N® 6 4 9 - É INCONSTITUCIONAL A CRIAÇÃO, POR CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, DE ÓRGÃO
DE CONTROLE ADMINISTRATIVO' DO. PÓDER JUDICIÁRIO tio QUÁL PARTICIPEM REPRESENTAN­
TES DE OUTROS PODERES OU ENTIDADES.

• S ú m u la su p e ra d a . % Data:24.9.2003.*Referência legislativa: CF/88, art. 2 Ç.9 Precedentes: ADl 135. DJ 15.8.1997; ADI 137,
Dj 3,10.1997; ADI 98. DJ 31.10.1997.

Após a EC ns 45/2004, que criou, na estrutura do Poder Judiciário, o Conselho


Nacional de Justiça, delineando suas funções no art. 103-B da Carta Magna, o STF foi
instado a se pronunciar a respeito da constitucionalidade dessa inovação institucio­
nal, no bojo da Adin ns 3367/DF (adiante transcrita), oportunidade em que a Corte
afirmou carecer aos Estados-membros competência para instituir, como órgão inter­
no ou externo do Judiciário, conselho destinado ao controle da atividade administra­
tiva, financeira ou disciplinar da respectiva Justiça.

Assim, é de se entender que a Súmula nfi 649 está superada, pois permitia, me­
diante emenda à constituição estadual, a criação de órgão interno de controle ad­
ministrativo do Poder Judiciário, desde que composto exclusivamente por membros
desse mesmo Poder.

H [...] 2. Inconstitucionalidade. Ação direta. Emenda Constitucional n° 45/2004. Poder Judiciá­


rio. Conselho Nacional de Justiça. Instituição e disciplina. Natureza meramente administrativa.
Órgão interno de controle administrativo, financeiro e disciplinar da magistratura. Constitucio­
nalidade reconhecida. Separação e independência dos Poderes. História, significado e alcance
concreto do princípio. Ofensa a cláusula constitucional imutável (cláusula pétrea). Inexistência.
Subsistência do núcleo político do princípio, mediante preservação da função jurisdicional,
tipica do Judiciário, e das condições materiais do seu exercício imparcial e independente. Pre­
cedentes e Súmula 649. Inaplicabilidade ao caso. Interpretação dos arts. 2o e 60, § 4o, III, da
CF. Ação julgada improcedente. Votos vencidos. São constitucionais as normas que, introdu­
zidas pela Emenda Constitucional n° 45, de 8 de dezembro de 2004, instituem e disciplinam
o Conselho Nacional de Justiça, como órgão administrativo do Poder Judiciário nacional. 3.
Poder Judiciário. Caráter nacional. Regime orgânico unitário. Controle administrativo, finan­
ceiro e disciplinar. Órgão interno ou externo. Conselho de Justiça. Criação por Estado mem­
bro. Inadmissibilidade. Falta de competência constitucional. Os Estados membros carecem de
competência constitucional para instituir, como órgão interno ou externo do Judiciário, con­
Direito Constitucional 171

selho destinado ao controle da atividade administrativa, financeira ou disciplinar da respectiva


Justiça. 4. Poder Judiciário. Conselho Nacional de Justiça. Órgão de natureza exclusivamente
administrativa. Atribuições de controle da atividade administrativa, financeira e disciplinar da
magistratura. Competência relativa apenas aos órgãos e juizes situados, hierarquicamente,
abaixo do Supremo Tribunal Federal. Preeminência deste, como órgão máximo do Poder Judi­
ciário, sobre o Conselho, cujos atos e decisões estão sujeitos a seu controle jurisdicional. Inte­
ligência dos art. 102, caput, inc. I, letra "r", e § 4o, da CF. O Conselho Nacional de Justiça não
tem nenhuma competência sobre o Supremo Tribunal Federal e seus ministros, sendo esse
o órgão máximo do Poder Judiciário nacional, a que aquele está sujeito. (...]. (STF. Pleno. ADI
3367/DF Rei.: Min. Cezar Peluso. DJ 17.3.2006)

@ [...] Separação e independência dos Poderes: freios e contra-pesos: parâmetros federais


impostos ao Estado membro. I. Os mecanismos de controle reciproco entre os Poderes, os
"freios e contrapesos" admissíveis na estruturação das unidades federadas, sobre constituírem
matéria constitucional local, só se legitimam na medida em que guardem estreita similaridade
com os previstos na Constituição da República: precedentes. II. Consequente plausibilidade da
alegação de ofensa do princípio fundamental por dispositivos da L est. 11.07S/98-RS (inc. IX
do art. 2o e arts. 33 e 34), que confiam a organismos burocráticos de segundo e terceiro graus
do Poder Executivo a função de ditar parâmetros e avaliações do funcionamento da Justiça
. [...]. (STF. Pleno. ADI-MC 1905/RS. ReL: Min. Sepúlveda-Pertence. DJ 5.11.2004)

SI [...] Ação direta de inconstitucionalidade. Conselho Estadual de Justiça integrado por membros
da magistratura estadual, autoridades pertencentes aos outros Poderes, advogados e repre­
sentantes de cartórios de notas de registro e de serventuários da Justiça. - A criação, pela
Constituição do Estado, de Conselho Estadual de Justiça com essa composição e destinado à
fiscalização e ao acompanhamento do desempenho dos órgãos do Poder Judiciário é incons­
titucional, por ofensa ao princípio da separação dos Poderes (art. 2o da Constituição Federal),
de que são corolários o auto-governo dos Tribunais e a sua autonomia administrativa, finan­
ceira e orçamentária (arts. 96, 99 e parágrafos, e 168 da Carta Magna). [...]. (STF. Pleno. ADI
137/PA. ReL: Min. Moreira Alves. DJ 3.10.1997)

Criação, pela Constituição do Estado da Paraíba (art. 147, e seus parágrafos), de Conselho
Estadual de Justiça, composto por dois desembargadores, um representante da Assembléia
Legislativa, o Procurador-Geral da Justiça, o Procurador-Geral do Estado e o Presidente da
Seccional da OAB, como órgão da atividade administrativa e do desempenho dos deveres
funcionais do Poder Judiciário. Inconstitucionalidade dos dispositivos, declarada perante o
princípio da separação dos Poderes - art. 2o da Constituição Federal - de que são corolários o
auto-governo dos Tribunais e a sua autonomia administrativa, financeira e orçamentária (arti­
gos 96, 99, e parágrafos e 168 da Carta da República). (...]. (STF. Pleno. ADI 13S/PB. ReL: Min.
Octávio Gallotti. DJ 15.8.1997)

► CF/1988. A r t 103-B. § 4o. Compete ao Conselho o controle da atuação administrativa e finam


ceira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juizes, cabendo-lhe,
além de outras atribuições que lhe forem conferidas pelo Estatuto da Magistratura.

S ú m u l a nb 6 2 8 - I n t e g r a n t e d e l is t a d e c a n d id a t o s a d e t e r m in a d a vaga d a c o m p o s i ­
ção DE TRIBUNAL É PARTE LEGÍTIMA PARA IMPUGNAR A VALIDADE DA NOMEAÇÃO DE CONCOR­
RENTE.

• Súmula aplicável. • P a r u ; 24.9.2003. • Referência legislativa: Lei nB 1.533/1951, art. 1s. § 2 S. • Precedentes: MS21103, DJ
22.5.1992: M S 21357, DJ 12.3.1993: AO 70, DJ 18.6.1993; M S 21814, DJ 10.6.1994; M S 21570, DJ21.6.1996.

Vide comentários à Súmula ns 627, no capítulo Mandado de segurança - legitimi­


dade passiva.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
172 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

SI Súmula STF n° 627: No mandado de segurança contra a nomeação de magistrado da compe­


tência do Presidente da República, este é considerado autoridade coatora, ainda que o funda­
mento da impetração seja nulidade ocorrida em fase anterior do procedimento.

® (...) 4. Magistrado. Promoção por merecimento. Vaga única em Tribunal Regional Federal.
Lista tríplice. Composição. Escolha entre três únicos juizes que cumprem todos os requisitos
constitucionais. Indicação de dois outros que não pertencem à primeira quinta parte da
lista de antiguidade. Recomposição dessa quinta parte na votação do segundo e terceiro
nomes. Inadmissibilidade. Não ocorrência de recusa, nem de impossibilidade do exercicio
do poder de escolha. Ofensa a direito liquido e certo de juiz remanescente da primeira
votação. Nulidade parcial da lista encaminhada ao Presidente da República. Mandado de
segurança concedido, em parte, para decretá-la. Inteligência do art. 93, II, "b" e "d", da CF,
e da interpretação fixada na ADI n° 581-DF. Ofende direito líquido e certo de magistrado
que, sendo um dos três únicos juizes com plenas condições constitucionais de promoção
por merecimento, é preterido, sem recusa em procedimento próprio e específico, por outros
dois que não pertencem à primeira quinta parte da lista de antiguidade, na composição de
lista tríplice para o preenchimento de uma única'vaga. (STF. Pleno. MS 24414/DF;- R çi.: Min.
Cézar Peluso. DJ 21.11.2003)

H [■••] Mandado de segurança. Direito público subjetivo a proteger. Impugnação a decrêto de


nomeação. Tem-no em patrimônio qualquer daqueles que formaram na clientela de esco­
lha, pouco importando que o provimento judicial não alcance a nomeação, em si, do impe­
trante. Do fato decorre, em tese, o atendimento às condições da ação, que são o interesse de
agir e a legitimidade. A simples circunstância de o impetrante encontrar-se aposentado em
cargo diverso do relativo à nomeação impugnada não afasta o interesse aludido, porquanto
a ordem jurídica contempla o retorno à atividade, mormente quando a hipótese envolve a
aposentadoria por tempo de serviço. (STF. Pleno. MS 21357/BA. Rei.: Min. Marco Aurélio.
DJ 13.3.1993)

® [...] Legitimidade e interesse processual do impetrante,_a quem não se pode recusar o direito
de concorrer a vaga existente no TRT tão-somente na companhia de candidatos que preen­
chem os requisitos legais. Relação processual que, não obstante tratar-se de ato complexo, e
de ter-se por completada com a notificação da autoridade que efetivou a nomeação impug­
nada. Nulidade absoluta do mencionado ato, por haver recaído em quem não possuia os
requisitos pessoais exigidos por lei. [...). (STF. Pleno. MS 21103/RJ. R ei : Min. lim ar Galvão. DJ
22.5.1992)

S Ú M U L A N - 4 7 8 - 0 P R O V IM E N T O E M C A R G O S D E J U IZ E S S U B S T IT U T O S DO T R A B A L H O D E V E S E R
F E I T O IN D E P E N D E N T E M E N T E D E L IS T A T R Í P L I C E , N A O R D E M D E C L A S S IF IC A Ç Ã O D O S C A N D ID A T O S .

•S úm u la superada. •D ara: 3.12.1969.9 R e fe rê n c iu legislativa: Cl.T, art. 654, § 3 ”. L e iii*3 .4 1 4 /1 9 S tt.n n .2 4 . 1)1. n ° 229/1967.
• P r e c e d e n te s : M S 18672, DJ 29.11.1968; M S 18972, DJ 22.11.1968; M S 19003, DJ 22.11.1 9611.

A legislação de referência desse enunciado (CLT, art. 654) foi tacitamente revoga­
da pelo art. 9 3 ,1, da CF/88, que disciplina o ingresso na magistratura.

► CF/1988. A rt. 93. I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto,
mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advoga­
dos do Brasil em todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no minimo, três anos
de atividade jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação.
Direito Constitucional 173

6. MINISTÉRIO PUBLICO
Súm ula 6 4 3 - 0 M i n i s t é r i o P ú b l ic o t e m l e g it im id a d e p a r a p r o m o v e r a ç ã o c iv il
P Ú B L I C A C U JO F U N D A M E N T O S E J A A I L E G A L I D A D E D E R E A J U S T E D E M E N S A L ID A D E S E S C O L A R E S .

• Súmula aplicável.9 Data: 2 4 .9 .2 0 0 3 .9 Referência legislativa: CF/88, art. 129, III. CDC/1990, art. 2 e, parágrafo único. Lei n-
8.623/1993, art. 2 5 .9 Precedentes: R E 190976. O) 6.2.1998: R E 185360, D120.2.1998: R E 163231, DJ 29.6.2001.

Baseados em interpretações restritivas do art. 129, III, da CF/1988, os tribunais


vinham negando legitimidade ao Parquet para intentar ação civil pública em matéria
de direitos individuais homogêneos. 0 enunciado veio ha esteira de jurisprudência
mais flexível, pois foi editado na busca da identificação dos interesses individuais
homogêneos de relevância social sob uma ótica constitucional. No mesmo sentido,
a composição plenária da Corte já afirmou outras vezes que os direitos individuais
homogêneos, desde que revelem interesse social, independentemente de expressa
autorização legal para a proteção da matéria versada, podem ser objeto de tutela ju-
risdicional pleiteada pelo Ministério Público, diante da concepção finalística da tutela
coletiva’3.
..... . •• . * . - , 4
® [...1 Ministério.Público. Ação civil pública. Direitps de. Vitimas equiparadas a consumidores.
Possibilidade. [...]. Enunciado 643 da Súmula/STF. [...]. Primeiramente, padece de inconsistên­
cia a tese segundo a qual o Ministério Público não teria legitimidade para ajuizar a ação civil
pública proposta na origem, dada a natureza dos direitos tutelados (individuais homogêneos,
de caráter supostamente disponível). Ora, trata-se nada menos que a ação reparatória pro­
posta pelo Parquet no interesse das inúmeras vítimas da explosão ocorrida no Osasco Plaza
Shopping, em 1996. Em caso muito menos grave do gue este, o Plenário do STF (RE 163231...)
decidiu que o Ministério Público tem legitimidade ad causam para propor ação civil pública
quando a controvérsia envolver a defesa de direitos individuais homogêneas de consumido­
res. [...]. Assinalo que, atualmente, essa orientação consta inclusive da jurisprudência sumu-
lada, nos termos do Enunciado 643. Aplica-se à espécie o entendimento exposto acima, uma
vez que as vítimas favorecidas equiparam-se a consumidores, nos termos do art. 17 do CDC.
[...]. (Al 496854 AgR, Rei. Min. Joaquim Barbosa, voto, 2a T„ DJe 13.4.2011)

SI [...] 1. A Constituição Federal confere relevo ao Ministério Público como instituição perma­
nente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica,
do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (CF, art. 127). 2. Por
isso mesmo detém o Ministério Público capacidade postulatória, não só para a abertura do
inquérito civil, da ação penal pública e da ação civil pública para a proteção do patrimônio
público e social, do meio ambiente, mas também de outros interesses difusos e coletivos (CF,
art. 129, I e III). 3. Interesses difusos são aqueles que abrangem número indeterminado de
pessoas unidas pelas mesmas circunstâncias de fato e coletivos aqueles pertencentes a gru­
pos, categorias ou classes de pessoas determináveis, ligadas entre si ou com a parte contrária
por uma relação jurídica base. 3.1. A indeterminidade é a característica fundamental dos inte­
resses difusos e a determinidade a daqueles interesses que envolvem os coletivos. 4. Direitos
ou interesses homogêneos são os que têm a mesma origem comum (art. 81, III, da Lei n°
8.078, de 11 de setembro de 1990), constituindo-se em subespécie de direitos coletivos. 4.1.
Quer se afirme interesses coletivos ou particularmente interesses homogêneos, stricto sensu,9 3

93. VENTURI, Elton. P ro cesso civil coletivo: a tutela jurisdicional dos direitos difusos, coletivos e indivi­
duais homogêneos no Brasil: perspectivas de um código brasileiro de processos coletivos. São Paulo:
Malheiros, 2007, p. 189.
Roberval Rocha Albino Carlos . Mauro J osé G.
174 Ferreira Filho ® Martins V ieira * da Costa

ambos estão cingidos a uma mesma base jurídica, sendo coletivos, explicitamente dizendo,
porque são relativos a grupos, categorias ou classes de pessoas, que conquanto digam res­
peito às pessoas isoladamente, não se classificam como direitos individuais para o fim de ser
vedada a sua defesa em ação civil pública, porque sua concepção finalística destina-se à pro­
teção desses grupos, categorias ou classe de pessoas. 5. As chamadas mensalidades escolares,
quando abusivas ou ilegais, podem ser impugnadas por via de ação civil pública, a reque­
rimento do Órgão do Ministério Público, pois ainda que sejam interesses homogêneos de
origem comum, são subespécies de interesses coletivos, tutelados pelo Estado por esse meio
processual como dispõe o artigo 129, inciso III, da Constituição Federal. 5.1. Cuidando-se de
tema ligado à educação, amparada constitucionalmente como dever do Estado e obrigação
de todos (CF, art. 205), está o Ministério Público investido da capacidade postulatória, patente
a legitimidade a d causam, quando o bem que se busca resguardar se insere na órbita dos
interesses coletivos, em segmento de extrema delicadeza e de conteúdo social tal que, acima
de tudo, recomenda-se o abrigo estatal. Recurso extraordinário conhecido e provido para,
afastada a alegada ilegitimidade do Ministério Público, com vistas à defesa dos interesses de
uma coletividade, determinar a remessa dos autos ao Tribunal de origem, para prosseguir no
julgamento da ação..(STF. Pleno. RE 163231/SP. Rei.: Min. Maurício Corrêa. DJ 29.6.2001)
...................................................................................................................................................................*•> — ................................................................................ ; ............................................................................................

H [•■
■] O Ministério público tem legitimação para ação civil pública em tutela de interesses indi­
viduais homogêneos, dotados de alto celevo social, como os de,mutuários em contratos de
financiamento pelo Sistema Financeiro da Habitação. (...). (STF. 2a Turma. RE-AgR-ED 470135/
MT. Rei.: Min. Cézar Peluso. DJ 29.6.2007)

S9 [...] O Ministério Público é parte legítima na propositura de ação civil pública para questio­
nar relação de consumo resultante de ajuste a envolver cartão de crédito. (STF. 1a Turma. RE
441318/DF. Rei.: Min. Marco Aurélio. DJ 24.2.2006)

® [...] O Ministério Público é parte legítima para propor ação civil pública voltada a infirmar
preço de passagem em transporte coletivo. (STF. 1a Turma. RE 379495/SP. Rei.: Min. Marco
Aurélio. DJ 20.4.2006)

► C D C Art. 81. Á defesa dos interesses e'direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser
exercida em jufzo individualmente, òu a titulo coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva
será exercida quando se tratar de: I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos,

para efeitos déste código, os transiridividuais/ de natureza indivisível, de qué sejam titulares pes­
soas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ó.u dirèitos coleti­
vos, assiriv entendidos,' para èfêitòs destê código, os transindividúais, dé haidrèZa indiviáivel
dé que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si OU com a parte
contrária pór uma relação jurídica base; III - interesses ou direitos individuais'homogêneos,
assim entendidos os decorrentes de origem comum. ► A r t 82. Para ps fins do art 81,
parágrafo único, são legitimados coriCorrentemente: I - o Ministério Público, II - a União,
os Êstádds, os .Municfpiós' è ó biStritó Féderal; III - as entidades e órgãòs daAdhiinistra-
ção Pública, direta óü'ihdirèta.áihda que sem personalidade juridiCa/éspecificamèhte des­
tinados â défesa dós interesses e direitos protegidos por è‘ste códigò;}l\f -asásso dações
legalmente constituídas há*pèiò menos um anò e que incluam entiiè séüsfinis institucionais
á defesa dos intêressés e direitos protegidos por este código, dispensáda a autorização
assembjeat

► CF/19?8. A rt 129. São funções institucionais do Ministério Público: (;..J III ^ prornover o
inquéritoicivil e. a ação civil- pública. para a proteção do patrimônio pübliçó eiáõcial, do
meio arnbienteede:p.ufrps'interesses difusos e coletivos. ’< ■■■■••■
Direito Constitucional 175

S ú m u l a Na 321 - A C o n s t it u iç ã o E s t a d u a l p o d e e s t a b e l e c e r a i r r e d u t i b i l i d a d e d o s
V E N C I M E N T O S D O M I N I S T É R I O P Ú B L IC O .

• S ú m u la re v o g a d a • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CF/1946. arts. 18 e 128. • Precedentes: R E 48067, DJ


17.12.1962: R E 52244, DJ S.3.1964.

No julgamento da Rp 1428/RO (adiante transcrito), o STF asseverou a revogação


do enunciado.

Segundo o art. 128, § 59,1, c, da CF/1988, a garantia de irredutibilidade dos ven­


cimentos dos membros do Parquet deve ser veiculada, obrigatoriamente, nas respec­
tivas leis complementares orgânicas do Ministério Público.

Curioso notar que noutro artigo (61, § l 9, II, d), o texto constitucional diz ser de
"iniciativa privativa" do Presidente da República as leis que disponham sobre a orga­
nização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas
gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados,
do Distrito Federal e dog Territórios. „ ' ■ ’
Essa dicotomia, na interpretação do STF, é apenas aparente94. Para a Corte, o cons­
tituinte estabeleceu uma concorrência entre_o.Chefe‘ do Executivo e o Procurador-
-Geral para a iniciativa do projeto.de lei complementar.95

SJ [-1 A atribuição, exclusivamente ao Chefe do Poder Executivo estadual, da iniciativa do projeto


de Lei Orgânica do Ministério Público, por sua vez, configura violação ao art. 128, § 5°, da
Constituição Federal, que faculta tal prerrogativa aos Procuradores-Gerais de Justiça. [...]. (STF.
Pleno. ADI 852/RR. ReL: Min. limar Galvão. DJ 18.10.2002)

IS 1
I. Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. É que esse - porquecompreendidono
Ministério Público da União (CF, art. 128, d) - se insere, nessa condição, no campo normativo
da lei complementar federal que estabelecerá "a organização, as atribuições o estatuto* e de
todo o Ministério da União - por iniciativa concorrente do Procurador-Geral da República, que
lhe chefia o conjunto de ramos (CF, art. 128, § 1o) e do Presidente da República (CF, art. 61, 5
1o, II, d, primeira parte): simultaneamente, contudo, na parte final dessa alínea d, a Carta Fun­
damental previu a edição, mediante iniciativa privativa do Presidente da República, de "nor­
mas gerais para a organização", não só "do Ministério Público dos Estados", mas também do
mesmo "Ministério Público do Distrito Federal e Territórios". [...]. (STF. RE 262178/DF. ReL: Min.
Sepúlveda Pertence, voto. DJ 24.11.2000)

94. STF. Plenário. MS 21239/DF. ReL: Min. Sepúlveda Pertence, voto. DJ 23.4.1993:"[...] 15. Sem embargo,
o caso convence de que, no capítulo dedicado ao Ministério Público, espaços significativos foram dei­
xados à complementação infraconstitucional, particularmente, [...] no tocante à demarcação de fron­
teiras entre as esferas de autonomia e auto-governo da instituição e das interferências remanescentes
do Poder Executivo. J6. Não é que a Constituição de 1988 - a exemplo das anteriores -, tenha relegado
o Ministério Público a um segundo plano: ao contrário, as imprecisões e lacunas intencionais de sua
ordenação constitucional hão de explicar-se pela tensão dialética entre o manifesto propósito cons­
tituinte de convocá-lo ao proscênio dos órgãos constitucionais de primeira linha e a resistência do
status quo ante de marcada dependência em relação à chefia do Governo. 17. Testemunho eloquente
desse esforço de composição entre o futuro projetado e o passado renitente, é a esdrúxula concor­
rência de iniciativa entre o Procurador-Geral e o Presidente da República para a lei complementar de
organização do Ministério Público da União (CF, art. 128, § 5° e 61, § l 5, II, d). [....]".
95. MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil interpretada e legislação constitucional. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 2003, p. 1552.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
176 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

0 [...) Atribuições do Ministério Público: matéria não sujeita à reserva absoluta de lei comple­
mentar: improcedência da alegação de inconstitucionalidade formal do art. 66, coput e § 1o,
do Código Civil (L. 10.406, de 10-1-2002). O art. 128, § 5o, da Constituição, não substantiva
reserva absoluta a lei complementar para conferir atribuições ao Ministério Público ou a cada
um dos seus ramos, na União ou nos Estados-membros. A tese restritiva é elidida pelo art. 129
da Constituição, que, depois de enumerar uma série de "funções institucionais do Ministério
Público", admite que a elas se acresçam a de "exercer outras funções que lhe forem conferi­
das, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a
consultoria jurídica de entidades públicas". Trata-se, como acentua a doutrina, de uma norma
de encerramento', que, à falta de reclamo explícito de legislação complementar, admite que
leis ordinárias — qual acontece, de há muito, com as de cunho processual — possam aditar
novas funções às diretamente outorgadas ao Ministério Público pela Constituição, desde que
compatíveis com as finalidades da instituição e às vedações de que nelas se incluam "a repre­
sentação judicial e a consultoria jurídica das entidades públicas". [...]. (STF. Pleno. ADI 2794/DF.
Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ de 30.3.2007)

© (...) Inconstitucionalidade das normas estaduais que concedem ao Ministério Público irreduti­
bilidade de vencimentos. A Súmula 321 está revogada. [...]. .(STF. Pleno. Rp 1428/RO. ReL: Min.
Moreira Alves. DJ 17.2.1989)

► CF/1988. A rt. Í2 8 . § 5o. Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é
facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as. atribuições
e o estatuto de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros: I - as
seguintes garantias: (...) c) irredutibilidade de subsídio, fixado na forma do art. 39, § 4o, e
ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 150, II, 153, III, 1 5 3 ,1 Z°, l.

7. PRECATÓRIOS
S ú m u l a V in c u l a n t e n s 17 - D u r a n t e o p e r ío d o p r e v is t o n o p a r á g r a f o 1- d o a r t ig o

100 d a C o n s t it u iç ã o , n ã o in c id e m iu r o s d e m o r a s o b r e o s p r e c a t ó r io s q u e n e l e s e j a m
pago s .

• S ú m u la v in c u la n te . • Data: 10.11.2009.» Referência legislativo: CF/1988, art. 100, § 5 " . EC 3 0 /2 0 0 0 .» R m e tlc iile s: l)E
591085 RG-QO, Dje 17.12.2008. R E 583871, D je 2.9.2008. R E 589345, Dje 7.8.2008. R E 571222 AgR. D/e 16.5.2008 R E 393737
AgR, DJ 6.2.2004. R E 372190 A g R DJ 7.11.2003. R E 298616, DJ 3.10.2003. R E 305186, DJ 18.10.2002.

A redação original do art. 100, § l s, da CF/1988 determinava como prazo para pa­
gamento do precatório, "até o final do exercício seguintem,f’. Só pelo descumprimento
deste é que se poderia falar de mora da Fazenda Pública a ensejar a fluência dos juros
a ela relativos.

No período compreendido entre as datas de expedição do precatório e de seu


efetivo pagamento, se respeitado aquele prazo constitucional, não se verifica inadim­
plência por parte do Poder Público.9
6

96. CF/1988. A r t . 100. § l s: É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público, de
verba necessária ao pagamento de seus débitos constantes de precatórios judiciários, apresentados
até l s de julho, data em que terão atualizados seus valores, fazendo-se o pagamento até o final do
exercício seguinte (redação original, revogado pela EC n“ 30/2000)
Direito Constitucional 177

0 dispositivo constitucional tomou nova redação com a EC ns 30/2000, que tor­


nou mais clara a não incidência de juros moratórios na situação aludida, afirmando
e x p r e s s a m e n t e q u e o s p r e c a tó r io s " te r ã o s e u s v a lo r e s a tu a liz a d o s m o n e ta r ia m e n te ”

até o seu adimplemento, no final do exercício seguinte97.

Mais recentemente, a EC n8 62/2009 manteve a mesma regra, apenas renumeran-


do o parágrafo do dispositivo constitucional.

® (...) Conforme prescreve o art. 15-8 do DL 3.365/41, introduzido pela MP 1.997-34, de 13.1.2000,
o termo inicial dos juros moratórios em desapropriações é o dia " Io de janeiro do exercício
seguinte àquele em que o pagamento deveria ser feito, nos termos do art. 100 da Constitui­
ção". É o que está assentado na jurisprudência da 1a Seção do STJ, em orientação compatível
com a Súmula Vinculante 17. (...]. (STJ, REsp 1118103, repetitivo, Rei. Min. Teori A. Zavascki, 1a
S „ DJe 8.3.2010)

® (...) 4. A Excelsa Corte, em 29.10.2009, aprovou a Súmula Vinculante 17, que cristalizou o enten­
dimento jurisprudencial retratado no seguinte verbete [...). 5. Consequentemente, os juros
moratórios não incidem entre a data da elaboração da' conta de liquidação e o efetivo paga­
mento dó precatório, desde que satisfeito o débito no prazo constitucional .para seu cumpri­
mento [...), exegese aplicável à Requisição de Pequerto Valor, por força da princípio jierrrienêu-
tico "ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositio". [...]. 6. A bodiernà jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça, na mesma linha de entendimento do Supremo Tribunal Federal, pugna
pela não incidência de juros moratórios entre a elaboração dos cálculos e o efetivo paga­
mento da requisição de pequeno valor - RPV [...]. (STJ, REsp 1143677/RS, Rei. Min, Luiz Fux,
Corte Especial, Dje 4.2.2010)

® (...) A situação tratada nos autos distingue-se das hipóteses regradas pela Súmula Vincu­
lante n. 17..., pois o título judicial transitado em julgado expressamente previu a incidência
dos juros moratórios até o efetivo pagamento. Nessa mesma linha, veja-se o seguinte pre­
cedente do STF: RE 486579 (...) (STJ, EREsp 673.866/RS, Rei. Min. Castro Meira, Corte Especial,
DJe 18.2.2013)

§] (...) 2. Os juros moratórios não são devidos dentro do prazo estabelecido no art. 100, § I o,
da CF. Precedente do Plenário quando do julgamento do RE 591085-QO..., e posterior edição
da Súmula Vinculante n. 17 [...]. 3. “In casu", não há que se aduzir à violação à coisa julgada,
porquanto há incidência de juros moratórios sempre que houver demora injustificada para
quitação do montante devido. A demora no pagamento do precatório decorre da própria
Constituição, que determina a inclusão de previsão orçamentária para quitação do débito até
o final do exercício financeiro posterior, incidindo apenas a atualização monetária, em regra.
(...]. (Al 764975 ED, Rei. Min. Luiz Fux, 1a T„ Dje 17.6.2011)

SI (...) Tratando-se de precatórios judiciais, não cabe a incidência de juros de mora durante o
período a que alude o 5 1o do art. 100 da Constituição da República, pois, enquanto não supe­
rado o prazo estabelecido em referida norma constitucional, a entidade de direito público não
poderá ser considerada em estado de inadimplemento obrigacional. [...]. (Al 386700 AgR-ED,
Rei. Min. Celso de Mello, 2a T„ DJe 16.11.2010)

97. CF/1988. Art. 100. § 1°: "É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público,
de verba necessária ao pagamento de seus débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado,
constantes de precatórios judiciários, apresentados até 1B de julho, fazendo-se o pagamento até o
final do exercício seguinte, quando terão seus valores atualizados monetariamente". (Redação da EC
n° 30/2000, revogado pela EC n5 62/2009)
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
178 Ferreira Filho Martins V ieira oa Costa

SI (...) O entendimento firmado no julgamento do RE 298616/SP..., no sentido de que, não


havendo atraso na satisfação do débito, não incidem juros moratórios entre a data da expe­
dição e a data do efetivo pagamento do precatório, também se aplica ao periodo entre a
elaboração da conta e a expedição do precatório. [...]. (AI-AgR 713551/PR, Rei. Min. Ricardo
lewandowski, 1a Turma, DJe 14.8.2009)

SI Constitucional. Precatórios. Juros de mora. Incidência durante o prazo previsto na constituição


para seu pagamento. Impossibilidade. Art. 100, § 1o (redação original e redação dada pela EC
30/2000), da Constituição. I. Questão de ordem. Matéria de mérito pacificada no STF. [...] II.
Julgamento de mérito conforme precedentes. [...). (RE-RG-QO 591085/MS, Rei. Min. Ricardo
Lewandowski, repercussão geral, Dje 20.2.2009)

m u Tratando-se de precatórios judiciais, não cabe a incidência de juros de mora durante o


periodo a que alude o 6 1o do art. 100 da Constituição da República (na redação anterior à
EC n° 30/2000), pois, enquanto não superado o prazo estabelecido em referida norma cons­
titucional, a entidade de direito público não poderá ser considerada em estado de inadim-
! plemento obrigacional. [...]. (AI-AgR-ED 396790/SC, Rei. Min. Celso de Mello, 2a Turma, DJe
6.3.2009) "

SI [-1 No caso dos autos o pagamento se deu após o prazo' constitucional. Findo o prazo cons­
titucional para. a liquidação do pre.catório, os juros de mora voltam'a correr. (...]. (RE-AgR
502901/MG, Rei. Min. Eros Grau, 2a Turma, DJe 15.8.2008)

SI [...] Não obstante a jurisprudência pacifica desta Corte ser no sentido de que, não havendo
atraso na satisfação do débito, não incidem juros moratórios entre a data da expedição e
a data do efetivo pagamento do precatório, transitou em julgado a sentença, proferida no
processo de conhecimento, que estipulou a incidência .de juros moratórios até o depósito da
integralidade da dívida. (...). (RE-AgR 504197/Rs, Rei. Min. Ricardo Lewandowski, 1a Turma, DJ
19.12.2007)

BI (...) 1. O Pleno do Supremo firmou entendimento no sentido de que não caracteriza mora
ou inadimplemento pelo Poder Público o lapso temporal previsto no texto normativo para
a inclusão da verba necessária à satisfação da obrigação e o seu cumprimento. (...). (RE-AgR
411465/RS, ReL Min. Eros Grau, 2a Turma, DJ 20.10.2006)

BI (...) Firmou-se o entendimento do Supremo Tribunal, a partir da decisão plenária do RE


298616/SP..., no sentido de não serem devidos os juros moratórios no período compreen­
dido entre a data de expedição do precatório e a do efetivo pagamento, se realizado dentro
do prazo constitucionalmente estipulado. (RE 393737 AgR, ReL Min. Sepúlveda Pertence, 1°
Turma, DJ 6.2.2004)

BI (...) Hipótese em que não incidem juros moratórios, por falta de expressa previsão no texto
constitucional e ante a constatação de que, ao observar o prazo ali estabelecido, a entidade
de direito público não pode ser tida por inadimplente. Orientação, ademais, já assentada pela
Corte no exame da norma contida no art. 33 do ADCT. [...]. (RE 305186, ReL Min. limar Galvão,
1o Turma, DJ 18.10.2002)

► CF. A r t 100. § 5°. É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público,
de verba necessária ao pagamento de seus débitos, oriundos de sentenças transitadas em
julgado, constantes de precatórios judiciários apresentados até 1 o de julho, fazendo-se o
pagamento até o final do exercfcio seguinte, quando terão seus valores atualizados mone­
tariamente. (Redação da EC n° 62/2009).

Ui
Direito Constitucional 179

SÚMULA N - 6 5 5 - A E X C E Ç Ã O P R E V I S T A NO A R T . 1 0 0 , C A P U T , D A C O N S T IT U IÇ Ã O , E M F A V O R D O S
C R É D IT O S D E N A T U R E Z A A L I M E N T Í C I A , NÃO D IS P E N S A A E X P E D IÇ Ã O D E P R E C A T Ó R IO , L IM I­
T A N D O - S E A IS E N T Á - L O S D A O B S E R V Â N C IA D A O R D E M C R O N O L Ó G IC A D O S P R E C A T Ó R IO S D E C O R ­
R E N T E S D E C O N D EN AÇÕ ES D E O U TR A N A TU R EZA .

• Sú m u la a p lic á v e l.9 D ata: 24.9.2003. 9ReJ'ercncia legislativa: CF/88, art. 1 0 0 .9 Precedentes: A D I 571 MC, D J26.2.1993; R E
167051, DJ 8.10.1993; R E 181445, DJ 8.3.1996; R E 199373, DJ I " 7 /996; R E 205491, DJ 6.6.1997; ADI 47, DJ 13.6.1997; R E
188156, Dl 7.5.1999.

0 enunciado veio esclarecer interpretações equivocadas que vinham sendo da­


das ao caput do art. 100 da CF/88, na sua redação original: "à exceção dos créditos
de natureza alimentícia, os pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou
Municipal, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cro­
nológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida
a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adi­
cionais abertos para este fim."
Para alguns, o termo "à exceção dos créditos de natureza alimentícia [...]" qxcluía
esses créditos da exigência de serem pagos por prècartórios pel^s fazendas públicas.
A exegese do Supremo, porém, foi a de que essa exceção não dizia respeito ao paga­
mento por precatórios em si, mas à ordem cronológica desteS, o que levou à fixação
de duas ordens cronológicas distintas de precatórios judiciais: uma exclusiva para a
satisfação de obrigações de caráter alimentar e outra, residual, para todas as demais
hipóteses de obrigações devidas pela fazenda pública.
Posteriormente, a EC 62/2009 reformulou toda a sistemática de precatórios, ago­
ra, dentre os precatórios de natureza alimentar, existe preferência de recebimento
para os credores com sessenta anos de idade ou mais.

© [...] 1. Ao interpretar o art. 100 da Constituição da República, a jurisprudência do STF firmou-se


no sentido de que "mesmõ^s prestações de caráter alimentar (submetem-se) ao' regime cons­
titucional dos precatórios,-ainda que reconhecendo a possibilidade jurídica de se estabelece­
rem duas ordens distintas de precatórios, com preferência absoluta dos créditos de natureza
alimentícia (ordem especial) sobre aqueles de caráter meramente comum (ordem geral)" (STA
90-AgR...). 2. Incidência da Súmula 655/STF. (AC 2193 MC-Ref, Rei. Min. Cármen Lúcia, 1a T„
DJe 23.4.2010)

© [...] II. Execução por precatório: créditos de natureza alimentar: exigibilidade. A orientação
dominante do STF é que o art. 100 da Constituição não dispensa o precatório, na execução
contra a Fazenda Pública, ainda quando se trate de créditos de natureza alimentícia, aos quais
apenas se assegura ordem cronológica própria (L. 8.197/91, art. 4o, parág. único) [...]. (STF. 1a
Turma. RE 188156/SP. Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 7.5.1999)

© [...] 4. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao interpretar o disposto no caput do


art. 100 da Constituição da República, firmou-se no sentido de submeter, mesmo as presta­
ções de caráter alimentar, ao regime constitucional dos precatórios, ainda que reconhecendo
a possibilidade jurídica de se estabelecerem duas ordens distintas de precatórios, com prefe­
rência absoluta dos créditos de natureza alimentícia (ordem especial) sobre aqueles de caráter
meramente comum (ordem geral). [...). (STF. Pleno. SL-AgR 158/CE. ReL: Min. Ellen Gracie DJ
9.11.2007)

© (...) Precatório. Prestações de natureza alimentícia. Artigo 100, “caput", da Constituição Fede­
ral. - O Plenário desta Corte, ao julgar a ação direta de inconstitucionalidade 47, decidiu, por
maioria de votos, que a exceção estabelecida, no artigo 100, "caput", da Constituição Federal,
Roberval Rocha . Albino Carlos Mauro José G.
180 Ferreira Filho !j Martins V ieira da Costa

em favor dos denominados créditos de natureza alimentícia, não dispensa o precatório, mas
se limita a isentá-los da observância da ordem cronológica em relação as dividas de outra
natureza, porventura mais antigas. [...]. (STF. I a Turma. RE 156111/PE. Rei.: Min. Moreira Alves
DJ 26.3.1993)

► CF. A rt. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e
Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronoló­
gica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a desig­
nação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais aber­
tos para este fim. 5 1o Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decor­
rentes de salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios
previdenciários e indenizações por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade
civil, em virtude de sentença judicial transitada em julgado, e serão pagos com preferência
sobre todos os demais débitos, exceto sobre aqueles referidos no § 2o deste artigo. 5 2° Os
débitos de natureza alimentícia cujos titulares tenham 60 (sessenta) anos de idade ou mais
na data de expedição do precatório, ou sejam portadores de doença grave, definidos na
forma da lei, serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, até o valor equi­
valente ao triplo do fixado em lei para os fins do disposto no § 3o deste artigo, admitido o
fracionamento para essa finalidade, sendo que o restante será pago na ordfem cronológica
de apresentação do precatório.

8. P R O CESSO LEG IS LA T IV O
S Ú M U L A N s 6 5 1 - A M E D ID A P R O V IS Ó R IA N Ã O A P R E C IA D A P E L O C O N G R E S S O N A C IO N A L P O D IA ,
ATÉ A EC 32/2001, S E R R E E D IT A D A D E N T R O D O S E U P R A Z O D E E F I C Á C IA D E T R I N T A D IA S , M A N ­
T ID O S O S E F E I T O S D E L E I D E S D E A P R I M E I R A E D IÇ Ã O .

• Sú m u la a p licá vel.m D a ta : 24.9.2003. • R ejeréncia legislativa: CF/1938. art. 62, parágrafa único. E C n ° 32/2001. • Prece­
dentes: A D I 1397 MC, DJ 27.6.1997: A D I 1617 MC. DJ 15.8.1997; AD I 29 5 MC, DJ 22.8.1997; ADI 1533 MC. DJ 7.11.1997: ADI
1647, DJ 26.3.1999; A D I 1610, DJ 28.5 1999; AD! 1612, DJ 18.6.1999; ADI 1614. DJ 6.8.1999; R E 239287 AgR, DJ 24.9.1999

Antes da EC ns 32/2001 - que regulou extensamente a matéria -, o art. 62, pará­


grafo único, da CF/88 dispunha, de forma lacônica, que as medidas provisórias que
não fossem convertidas em lei no prazo de trinta dias, a partir de sua publicação,
perderíam sua eficácia, desde a edição.

A omissão do texto por longo tempo permitiu a reedição de medidas provisórias,


desde que não tivessem sido rejeitadas pelo Congresso Nacional, e que a reedição
houvesse ocorrido dentro do prazo previsto na Constituição.

m U i . É da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que não perde a eficácia a medida pro­
visória que, no sistema anterior à EC 32/2001, fosse reeditada no prazo de trinta dias [...]. (STF.
I a Turma. AI-AgR 321629/MG. Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 6.10.2006)

0 Medida Provisória com força de lei. Cautelar indeferida, por insuficiência, ao primeiro exame, da
relevância jurídica dos fundamentos da arguição de inconstitucionalidade do dispositivo (art. 6°
da MP 1523-1-96) que preserva a eficácia da Medida anterior, reeditada antes da exaustão do
seu prazo de validade. (STF. Plenário. ADI-MC 1533/UF. Rei.: Min. Octávio Gallotti. DJ 7.11.1997)

0 Não perde eficácia a medida provisória, com força de lei, não apreciada pelo Congresso
Nacional, mas reeditada, por meio de outro provimento da mesma espécie, dentro de seu
prazo de validade de trinta dias. (...). (STF. Plenário. ADI-MC 1617/MS. Rei.. Min. Octávio
Gallotti. DJ 1S.8.1997)
Direito Constitucional 18 1

0 (...) 3. A Medida Provisória não apreciada pelo Congresso Nacional pode ser reeditada dentro
do seu prazo de validade de 30 dias, mantendo a eficácia de lei desde a sua primeira edição.
(...). (STF. 2a Turma. RE-AgR 231630/PR. Rei.: Min. Néri da Silveira. DJ 24.9.1999)

S Ú M U L A N 5 5 - A S A N Ç Ã O D O P R O J E T O S U P R E A F A L T A D E IN IC IA T IV A D O P O D E R E X E C U T I V O .

• S ú m u la s u p e ra d a . a Data: 13.12.1963. a Referência legislativa: CF/1946. art. 7a, VII, b; arts. 67 e 70. • Precedentes: RM S
9619. Dl 18.10.1962: RMS 96 28.1)1203.1963; RM S 10806, D) 18.4.1963.

Costunia-se distinguir a iniciativa geral da iniciativa reservada ou privativa. Esta


última consiste na reserva a determinado titular do poder de apresentar projeto de
lei sobre certa matéria. Tem, assim, esse titulara exclusividade quanto à proposição
de normas sobre essa matéria. O aspecto fundamental da iniciativa reservada está em
resguardar a seu titular a decisão de propor direito novo em matérias confiadas à sua
especial atenção ou de seu interesse preponderante.911

0 rito esjtabelecido na CF/88 para o processo legislativo deve ser seguido à risca,
sob pena de invalidação da norma produzida em desrespeito às’ formalidades exigidas
para tal mister. Isso porque a afronta ao Texto Magno traz a mácula da inconstitucio­
nalidade, que, como tal, não po.de ser convalidada nem 'mqgmo pçla vontade dç>.Chefe
do Executivo, titular primário da iniciativa usurpada.

ei i i - O modelo estruturador do processo legislativo, tal como delineado em seus aspectos


fundamentais pela Constituição da República, impõe-se, enquanto padrão normativo de com­
pulsório atendimento, à observância incondicional dos Estados-membros. [...]. - A usurpação
do poder de instauração do processo legislativo em matéria constitucionalmente reservada à
iniciativa de outros órgãos e agentes estatais configura transgressão ao texto da Constituição
da República e gera, em consequência, a inconstitucionalidade formal da lei assim editada. (...).
A sanção do projeto de lei não convalida o vicio de inconstitucionalidade resultante da usur­
pação do poder de iniciativa. - A ulterior aquiescência do Chefe do Poder Executivo, mediante
sanção do projeto de lei, ainda quando dele seja a prerrogativa usurpada, não tem o condão
de sanar o vicio radical da inconstitucionalidade. Insubsistência da Súmula n° S/STF. (...]. (STF.
Pleno. ADI 2867/ES. Rei.: Min. Celso de Mello DJ 9.2.2007)

0 [...] Diploma legal que, tendo resultado de projeto de lei de autoria de parlamentar, viola a
iniciativa privativa do Chefe do Executivo para leis que disponham sobre aumento de remu­
neração de servidores, em vicio de inconstitucionalidade formal não convalidado pela sanção,
não mais sendo aplicável a Súmula 5 desta Corte. [...]. (STF. Pleno. ADI 1438/DF. Min. limar Rei.:
Galvão. DJ 8.11.2002)

0 (...) 2. É firme na jurisprudência do Tribunal que a sanção do projeto de lei não convalida o
defeito de iniciativa. [...). (STF. Pleno. ADI 700/RJ. Rei.: Min. Maurício Corrêa. DJ 24.8.2001)

98. FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de direito constitucional. 34. ed. São Paulo: Saraiva,
2008, p. 191-192.
Roberval Rocha ^ Albino Carlos Mauro José G.
182 Ferreira Filho ‘ Martins Vieira ' da Costa

9. R EP A R TIÇ Ã O D E R E C E IT A S T R IB U T Á R IA S
S Ú M U L A VlNCULANTE N® 30 - É INCONSTITUCIONAL LEI ESTADUAL QUE, A TÍTULO DE INCEN­
TIVO FISCAL, RETÉM PARCELA DO ICMS PERTENCENTE AOS MUNICÍPIOS.
9 S ú m u la a p ro v a d a , mas não publicada.

O enunciado versa sobre a retenção do repasse de parcelas do ICMS aos municí­


pios, efetuada pelos estados. Ocorre que, muitas vezes, o estado institui leis conceden­
do incentivos fiscais relacionados ao imposto para atrair a instalação de empresas em
seu território, e, por outro lado, baseado na mesma lei, retém parcela da repartição
de ICMS devida ao município que recebe o empreendimento, sob argumento do be­
nefício direto que o local usufrui com o aumento de arrecadação em consequência da
situação ocorrida.
A súmula, contudo, sequer chegou a vigorar, pois a Corte suspendeu sua publica­
ção, devido à necessidade de melhor estudar as consequências que o texto vinculante
poderá trazer às finanças dos entes federativos, já que existe precedente judicial en­
volvendo situação que não trata, especificamente, de incentivos fiscais (o caso versa
sobre lei estadual que normatiza processo administrativo tributário, cobrança e com­
pensação de créditos para com o fisco, em que ocorreu úma dação em pagamento de
bens que não foram repartidos com o município).
m Súmula STF n° 578: Não podem os Estados, a título de ressarcimento de despesas, reduzir a
parcela de 20% do produto da arrecadação do imposto de circulação de mercadorias, atribuí­
das aos Municípios pelo art. 23, § 8°, da Constituição Federal.

@ [...] Por ocasião do julgamento do RE 572.762..., decidiu que o repasse de parcela do ICMS
devida aos municípios não pode ficar sujeita aos planos de incentivo fiscal do Estado, sob
pena de violar o sistema constitucional de repartição de receitas. [...]. (RE-AgR 531566/SC, Rei.
Min. Joaquim Barbosa, 2a Turma, DJe 1.7.2009)

SI [■••] Concessão, pelo estado, de incentivos fiscais e creditícios, com recursos oriundos da arre­
cadação do ICMS. Pretensão do município ao repasse integral da parcela de 25%, sem as
retenções pertinentes aos financiamentos do Prodec. Controvérsia em torno da definição da
locução constitucional "produto da arrecadação" (CF, art. 158, IV). Pretendida distinção, que
faz o Estado de Santa Catarina, para efeito da repartição constitucional do ICMS, entre arre­
cadação (conceito contábil) e produto da arrecadação (conceito financeiro). Parcela de receita
tributária (25%) que pertence, por direito próprio, ao município. Consequente inconstituciona-
lidade da retenção determinada por legislação estadual [...]. Direito do município ao repasse
integral. (RE-AgR 495576/SC, Rei. Min. Celso de Mello, 2a Turma, DJe 19.12.2008)

S [...] I. A parcela do imposto estadual sobre operações relativas à circulação de mercadorias e


sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação,
a que se refere o art. 158, IV, da Carta Magna pertence de pleno direito aos municípios. II. O
repasse da quota Constitucionalmente devida aos municípios não pode sujeitar-se à condi­
ção prevista em programa de benefício fiscal de âmbito estadual. III. Limitação que configura
indevida interferência do Estado no sistema constitucional de repartição de receitas tributá­
rias. [...]. (RE 572762/SC, Rei. Min. Ricardo Lewandowski, Pleno, repercussão geral, DJ 5.9.2008)

® [...] 1. É vedado ao estado impor condições para entrega aos municípios das parcelas que lhes
compete na repartição das receitas tributárias, salvo como condição ao recebimento de seus
créditos ou ao cumprimento dos limites de aplicação de recursos em serviços de saúde (CF,
art. 160, parágrafo único, I e II). 2. Município em débito com o recolhimento de contribuições
previdenciárias descontadas de seus servidores. Retenção do repasse da parcela do ICMS até
Direito Constitucional 183

a regularização do débito. Legitimidade da medida, em consonância com as exceções admi­


tidas pela Constituição Federal. 3. Restrição prevista também nos casos de constatação, pelo
Tribunal de Contas do Estado, de graves irregularidades na administração municipal. Incons-
titucionalidade da limitação, por contrariar a regra geral ditada pela Carta da República, não
estando a hipótese amparada, numerus clausus, pelas situações excepcionais previstas. Decla­
ração de inconstitucionalidade dos §§ 1o e 2° do artigo 20 da Constituição do Estado de Ser­
gipe. [...). (ADI 1106/SE, Rei. Min. Maurício Corrêa, Pleno, DJ 13.12.2002)

S Ú M U L A N- 5 7 8 - NÃO P O D E M OS ESTADOS, A TÍTULO DE RESSARCIMENTO D E DESPESAS, REDU­


Z I R A PARCELA DÉ 2 0 % DO PRODUTO DA ARRECADAÇÃO DO IMPOSTO DE CIRCULAÇÃO DE MER­
CADORIAS, ATRIBUÍDAS AOS MUNICÍPIOS PELO ART. 2 3 , § 8 a, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

• Sú m u la a p lic á v e l.• D a ta ; lS.12.1976.9Referência legislativa: ECn'J 1/1969, art. 23, l l , § 8 9.9 P re c e d e n te s:A I5 5 9 8 9 A g R .
D j 24.11.1972: R E 75042, DJ 4.5.1973: A l 55288 AgR, DJ 16.2.1973.

Via de regra, a Constituição Federal (art. 160) proíbe restrições aos repasses de
recursos oriundos do mecanismo de repartição de receitas tributárias. Daí serem es­
tas partilhas comumente denominadas de "transferências compulsórias”. Trata-se de ’
norma que protege as autonomias financeiras dos entes federados. • •

Mesmo tendo como referência o antigo ordenamento cojistituòional, o intuito


do enunciado, lato senso, permanece íntegro, qual seja, impedir que essa premissa
de preservação do pacto federativo possa ser ladeada por normas infraconstitucio-
nais.

SI Súmula Vinculante n° 30. É inconstitucional lei estadual que, a titulo de incentivo fiscal, retém
parcela do ICMS pertencente aos municípios.

m Imposto de circulação de mercadorias. Parcela atribuída aos municípios. Desconto de percen­


tagem pelo estado, a título de retribuição das despesas de arrecadação do tributo. Ilegitimi­
dade. Aplicação do art. 23, § 8o, da CF. [...). (Al 5S288, Rei. Min. Rodrigues Alckmin, 1a T„ DJ
16.2.1973)

Em uma palavra, as parcelas da receita tributária em questão não poderão ser reduzidas
pelos estados-membros (que sequer têm qualquer poder de disposição sobre elas), não lhes
cabendo manipular o repasse de tais parcelas devidas as municípios (CF, art. 158, IV), ainda
que sob o pretexto (claramente inconstitucional) de que, em decorrência de um programa de
desenvolvimento estadual..., tenha sido concedido às empresas contribuintes, como modali­
dade de beneficio fiscal, a postergação do recolhimento do próprio ICMS. (...] Vale relembrar,
neste ponto, que o Supremo Tribunal Federal, já sob o regime constitucional anterior, decidiu,
ainda que em perspectiva diversa, que a parcela de receita tributária (federal ou estadual),
constitucionalmente devida as municípios, a estes pertence, integralmente, por direito pró­
prio, rejeitada, por isso mesmo, por inconstitucional, qualquer redução, supressão ou exclusão
de valores pertinentes aos tributos submetidos, pela própria Constituição, ao sistema de parti­
lha. São diversos, a esse respeito..., os precedentes que esta Suprema Corte firmou na matéria
ora em exame..., vindo até mesmo, a sumular a jurisprudência em torno da questão pertinente
à distribuição de receitas tributárias aos municípios (Súmula 578/STF). Em conformidade com
essa diretriz jurisprudencial, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que a indevida retenção,
pelo Estado-membro, a qualquer título, da parcela que constitucionalmente por ele deveria
ser repassada ao município faz instaurar, em favor deste, quando compelido a ingressar em
juízo para reclamar a quota faltante, o direito à percepção da parcela devida, monetariamente
atualizada e acrescida dos juros moratórios. [...]". (RE 572762, Min. Celso de Mello, voto, reper­
cussão geral - mérito DJe 5.9.2008)
Rcberval Rocha „ Albino Carlos Mauro José G.
184 Ferreira Filho “ Martins V ieira da Costa

H [...] I. A parcela do imposto estadual sobre operações relativas à circulação de mercadorias e


sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação,
a que se refere o art. 158, IV, da Carta Magna pertence de pleno direito aos Municípios. II. O
repasse da quota constituc onalmente devida aos Municípios não pode sujeitar-se à condição
prevista em programa de benefício fiscal de âmbito estadual. III. Limitação que configura inde­
vida interferência dò Estado no sistema constitucional de repartição de receitas tributárias. [...).
(RE 572762, Rei. Min. Ricardo Lewandowski, Pleno, repercussão geral - mérito DJe 5.9.2008)

'• ► CF. A r t 160. É vedada a retenção ou qualquer restrição à entrega e ao emprego dos
recursos atribuídos, nesta seção,: aos estados,, ao Distrito Federal e aos municípios, neles
’ compreendidos adicionais e acréscimos relativos a impostos. Parágrafo único. A vedação
. prevista neSte'artigo não impede a União e os estados de condicionarem á entrega de
recursos: I - ao pagamerto de seus créditos, inclusive de suás autarquias; II - ao cumpri-
. , mento do disposto no art 198, § 2o, incisos II e III.

ÇF/1969. Art, 2 3. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
[...} II - operações relativas à circulação de mercadorias, realizadas por produtores,
industriais e comerciantes, impostos que não serão cumulativos e dos quais se aba-
•'-terá lios termos do disposto em lei complementar, o montante cobrado nas'anteriores
’ pelo mesmo ou por outro Estado, t...] § 8 o Do produto da arrecadação do imposto
" ’’ mencionado !nd item II, oitenta por cento constituirão receita dos Estados e vinte por
' cento, dós municípios. As parcelas pertencentes aos municípios serão creditadas em
constas especiais, abertas em estabelecimentos oficiais de crédito, na forma e nos
prazos fixados em lei federal.

10. S IS T E M A FIN A N CEIRO NACIO N AL


SÚMULA Na 7 2 5 - É CONSTITUCIONAL O § 2 9 DO ART. 6 a D A L. 8 .0 2 4 / 9 0 , RESULTANTE DA C O N ­
VERSÃO DA MPR 168/90, QUE FIXOU O BTN FISCAL COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA
APLICÁVEL AOS DEPÓSITOS BLOQUEADOS PELO PLANO COLLOR I.

• Sú m u la a p lic á v e l.* Data: 26.11.2003. • Referência legislativa: U i n ’ 8.024/1990, a r t 6°, § 2 ° . M P n s 16 8/1 990 .»Prece-
d e ite s. R E 206048, DJ 19.10.2901; R E 264672, Dl 10.5.2002; R E 256303 AgR, DJ 31.5.2002; R E 241324 AgR, DJ 14.6.2002; RE
335539 AgR, DJ 23.8.2002; R E 256089 AgR. DJ 18.10.2002.

0 STF não reconheceu a existência de direito adquirido à correção monetária dos


saldos de cadernetas de poupança bloqueados pelo Plano Collor I, pelo índice de Pre­
ços ao Consumidor (1PÇ). Para a jurisprudência que se sedimentou no enunciado, a
MP n6 168/1990. que impôs a correção dos referidos saldos de poupança com a uti­
lização de outro índice, qual seja, o BTN Fiscal - índice criado pela Lei n9 7.799/1989
para servir como referencial de indexação de tributos, contribuições federais, bem
como referencial de correção monetária de balanços contábeis -, observou os princí­
pios constitucionais da isonomia e do direito adquirido.

@ (...) Os cruzados novos bloqueados, atualizáveis pelo BTN Fiscal, foram mantidos em
conta individualizada no Banco Central. O Supremo Tribunal Federal já firm ou o enten-
d mento de que a Medida Provisória 168/1990 respeitou os princípios da isonomia e do
direito adquirido. [...]. (STF. 2a Turma. AI-AgR 579616/BA. Rei.: Min. Joaquim Barbosa. DJ
9.6.2006)
Direito C onstitucional 185

BI [...] O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 206.048-RS, Rei. p/ o acórdão o


Min. Nelson Jobim, confirmou a validade constitucional do art. 6o, 5 2o da MP 168/90 (conver­
tida na Lei n° 8.024/90), repelindo, em consequência, no que concerne a essa norma legal, as
alegações de que o Plano Collor teria desrespeitado os princípios da isonomia e da intangi-
bilidade do direito adquirido. (STF. 2" Turma. RE-AgR 241324/PR. Rei.: Min. Celso de Mello. DJ
14.6.2002)

1 1 . T R IB U N A L D E CONTAS ^
SÚMULA VlNCULANTE Na 3 - NOS PROCESSOS PERANTE O TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO
ASSEGURAM-SE O CONIHADITÓRIO e a a m p l a d e f e s a q u a n d o da d e c isã o p u d e r r e s u l t a r
\ a n u l a ç ã o \o u R e v o g a ç ã o q e a t o a d m in is t r a t iv o q u e b e n e f ic ie o in t e r e s s a d o , e x c e -
''TÜÃDA A APREtíÃÇÃO DA LEGALIDADE DO ATO DE(cONCESSÂO INICIAL^DE APOSENTADORIA,
REFORMA E PÉNSÃÓ. " '

• S ú m u la v tn c u la n te .%Data: 30.5.2007.•R eferê n cia Legislativa: CF/88, art. 5o, U V e L V ; a r t 71, UI. L e in e 9.784/1999, a r t
2 eJ9 P recedentes: M S 24268! DJ 17.9.2004. M S 24728. D\ 9.9.2005. M S 24754. DJ 18.2.2005. M S24742..DJ 11.3.2005.

Modernamente, o contraditório e a ampla defesa foram bastante densificados


. pêla CF/88, deixando de ser mera formalidade - simples direifo de manifestação a ser',
verificado no processo -, para se transformar em ferramenta que possibilita amparar,
com efetividade, o status jurídico da parte no litígio.

0 direito de defesa foi bastante ampliado na CF/88, e seu escopo de garantia deve
abarcar todos os tipos de processo, sejam judiciais, sejam administrativos. A preten­
são à tutela estatal deve instrumentalizar-se para salvaguardar o direito de manifes­
tação processual com escopo de possibilitar realmente que os argumentos apresenta­
dos sejam contemplados pelo órgão julgador.
No procedimento administrativo, mormente naqueles que envolvem direitos pa­
trimoniais em fruição ou expectativa de fruição pelo administrado, compete aos ór­
gãos da Administração possibilitar garantir o contraditório, a ampla defesa e o devido
processo legal, pois, no entendimento do Pretório Excelso, o exercício pleno do con­
traditório não se limita à garantia de alegação oportuna e eficaz a respeito de fatos,
mas implica a possibilidade de ser ouvido também em matéria jurídica.

O STF, no entanto, ressalvou a inexigibilidade de observância ao contraditório e à


ampla defesa, quando o TCU atua na formação do ato complexo da concessão inicial
da aposentadoria, pensão ou reforma, previsto art. 71, UI, da CF/88. Nesses casos, o
TCU atuará, independentemente da audiência do interessado, que poderá, ao final do
ato administrativo, impugnar a decisão da corte de contas.

Não foram incluídas todas as hipóteses previstas de atução do TCU no art. 71, III,
em razão de os precedentes julgados pelo STF não as abrangerem. Por isso, a súmula
restringiu os casos relacionados no enunciado.

BI f .J Supressão pela Fiocruz de adicional de insalubridade sem observância do contraditório e


da ampla defesa. Violação da Súmula Vinculante 3. Não ocorrência. Aplicabilidade da teoria da
transcendência dos motivos determinantes rejeitada pelo Supremo. [...]. I. Só é possível veri­
ficar se houve ou não descumprimento da Súmula Vinculante 3 nos processos em curso no
Tribunal de Contas da União, uma vez que o enunciado, com força vinculante, apenas àquela
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
186 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

Corte se dirige. II. Este Supremo Tribunal, por ocasião do julgamento da Rcl 3014/SP... rejeitou
a aplicação da chamada "teoria da transcendência dos motivos determinantes". [...). (Rcl 9778
AgR, Rei Min. Ricardo Lewandowski, Pleno, DJe 11.11.2011)

@ (...) 1. O Tribunal de Contas da União considerou legal o ato de concessão inicial de pensão
do montepio civil da União em favor da impetrante e de sua irmã, ordenando o seu registro.
2. A Corte de Contas também determinou a adoção de medidas com o objetivo de efetuar
a alteração dessa pensão para que a irmã da impetrante passasse a ser a única beneficiária,
com fundamento em suposta ocorrência de união estável superveniente. 3. Necessidade de
garantir-se à impetrante o exercicio do contraditório e da ampla defesa quanto à suposta
união estável por ela mantida. 4. Incidência na espécie da Súmula Vinculante 3. 5. Cassação do
acórdão do Tribunal de Contas da União para restabelecer o pagamento integral da pensão
até que seja proferida nova decisão pela Corte de Contas. [...]. (MS 28061 AgR, Rei. Min. Ellen
Gracie, Pleno, DJe 11.4.2011)

@ [•• ] 3. A inércia da Corte de Contas, por sete anos, consolidou de forma positiva a expectativa
da viúva, no tocante ao recebimento de verba de caráter alimentar. Este aspecto temporal diz
. intimamente com o princípio da segurança jurídica, projeção objetiva do principio da digni­
dade da pessoa humana e elemento conceituai do Estado de Direito. 4. O prazo de cinco anqs
é de ser aplicado aos processos/de contas que tenham por objeto ò exame de legalidade dos
atos concessivos de aposentadorias, reformas e pensões. Transcorrido in albis o interregno
quinquenal, é de se convocar os particulares para participar do processo de seu interesse, a
fim de desfrutar das garantias do contraditório e da ampla defesa (inciso LV do art. 5o). [...].
(STF. Pleno. MS 24448/DF. Rei.: Min. Carlos Britto. DJ 14.11.2007)

S (...) III. Contraditório, ampla defesa e devido processo legal: exigência afastada nos casos em
que o Tribunal de Contas da União, no exercicio do controle externo que lhe atribui a Consti­
tuição (art. 71, III), aprecia a legalidade da concessão de aposentadoria ou pensão, só após o
que se aperfeiçoa o ato complexo, dotando-o de definitividade administrativa. (...). (STF. Pleno.
MS'25409/DF. Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 18.S.2007)

ra (...) 2. Mandado de segurança. Pensão previdenciária. Cancelamento. Ato determinado em


acórdão do Tribunal de Contas da União. Conhecimento pelo interessado que não partici­
pou do processo. Data da ciência real, não da publicação oficial. Ação ajuizada dentro do
prazo. Decadência não consumada. Preliminar repelida. (...]. No processo administrativo do
Tribunal de Contas da União, em que a pessoa prejudicada pela decisão não foi convidada a
defender-se, conta-se o prazo para ajuizamento de mandado de segurança a partir da ciên­
cia real do ato decisório, não de sua publicação no órgão oficial. 3. Servidor público. Ven­
cimentos. Pensão previdenciária. Pagamentos reiterados à companheira. Situação juridica
aparente e consolidada. Cancelamento pelo Tribunal de Contas da União, sem audiência
prévia da pensionista interessada. Procedimento administrativo nulo. Decisão ineficaz. Inob­
servância do contraditório e da ampla defesa. Violação de direito líquido e certo. Mandado
de segurança concedido. Ofensa ao art. 5o. LIV e LV, da CF. [...]. É nula a decisão do Tribu­
nal de Contas da União que, sem audiência prévia da pensionista interessada, a quem não
assegurou o exercício pleno dos poderes do contraditório e da ampla defesa, lhe cancelou
pensão previdenciária que há muitos anos vinha sendo paga. (STF. Pleno. MS 24927/RO. Rei.:
Min. Cézar Peluso. DJ 25.8.2006)

SI (...) O processo de aposentadoria revela atos complexos, sem o envolvimento de litigantes,


ficando afastada a necessidade de observância do contraditório, isso em vista do ato final, ou
seja, a glosa pela Corte de Contas. [...). (STF. Pleno. MS 24754/DF. Rei.: Min. Marco Aurélio. DJ
18.2.2005)
Direito Constitucional 187

► CF.tArt 71. 0 Mntjolp^xtçmo, alargo do'Çopgressó Nacional, será exercido com o adxí-áf
■.lio d ç Trlbunal.dèvG^rttas.da UnlSoj ao. qual compete:'[...] Iltr- apretiar. pára fins de.registroj:
.... ; aÍ e 0 a l i ç ( a d ç . d e , p e s s o a l , . % ^ u g t 9 ^erJ'jtftulo,vna..adrninlstrac8os,ditçta:-e'''£'
indireta, Inclufcías as fundaçôés lnstltgidas e manticjas pelo Podér Público,^xcetuadas as
como-á das cohcessõesdeapo-H*
seritadprias, reformas e pensôés,Ressalvadas as melhorias' posteriores que nâp alte/em ç > .
. fundamento legal do afo còncessorlo. / . 1 .•1 - ...' ■.£ •

S ú m u l a Na 6 5 3 ^ - N o T r ib u n a l d e Co n t a s e s t a d u a l , c o m p o s t o p o r s e t e c o n s e l h e i ­
ro s, QUATRtJ^DEVEM SER ESCOLHIDOS PELA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA E TRÊS PELO CHEFE
do P o d e r E x e c u t iv o e s t a d u a l , c a b e n d o a e s t e in d ic a r u m d e n t r e a u d it o r e s e o u t r o
DENTRE MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO, E UM TERCEIRO À SUA LIVRE ESCOLHA.

• Sú m u la a p lic á v e l.• D a t a : 24.9.2003. • Referência legislativa: CF/88, art. 73, § 2 o; art. 75. • Precedentes: A D I 419 MC. DJ
19.4.1991; A D I219, D J23.9.1994; ADI 419, D J24.11.1995; A D I 1068, D J24.11.1995; A D I 1190 MC, D J23.2.1996; AD1892MC,
DJ 7.11.1997; A D I 1566, D J23.4.1999; ADI 2013 MC, DJ8.10.1999.

A composição das cortes de contas estaduais deve tomar por modelo constitucio-
nàl obrigatório aquele imposto ao Tribunal de Contas da União (TCU]. .

SI [•••] I- O modelo federal de organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Con­


tas, fixado pela Constituição, é de observância compulsória pelos Estados, nos termos do
caput art. 75 da Carta da República. [...]. II. Estabelecido no artigo 73, 5 2o, da Carta Maior o
modelo federal de proporção na escolha dos indicados às vagas para o TCU, ao Governador
do Estado, em harmonia com o disposto no artigo 75, compete indicar três Conselheiros
e à Assembléia Legislativa os outros quatro, uma vez que o parágrafo único do mencio­
nado artigo fixa em sete o número de Conselheiros das Cortes de Contas estaduais. III. Em
observância à simetria prescrita no caput do art. 75 da Carta Maior, entre os três indicados
pelo Chefe do Poder Executivo estadual, dõis, necessariamente e de forma alternada, devem
integrar a carreira de Auditor do Tribunal de Contas ou ser membro do Ministério Público
junto ao Tribunal. Súmula 653/STF. [...]. (ADI 4416 MC, Rei. Min. Ricardo Lewandowski, Pleno,
DJe 28.10.2010)

Lei do Estado de Pernambuco que prevê que a escolha de membros indicados para o
tribunal de contas do estado será feita do seguinte modo: as três primeiras pela Assembléia
Legislativa e as três seguintes pelo Governador. A aplicação pura e simples do critério crono­
lógico permite que vagas ocupadas originalmente por membros indicados pela Assembléia
Legislativa sejam posteriormente ocupadas por membros indicados pelo Governador, ferindo
assim o entendimento desta Corte, exposto na Súmula 653, de que nos tribunais de contas
estaduais que contêm sete membros, a seguinte proporção deverá ser respeitada: 4/7 indica­
dos pela Assembléia Legislativa e 3/7 indicados pelo Governador. A determinação acerca de
qual dos poderes tem competência para fazer a escolha dos membros dos tribunais de contas
estaduais deve preceder à escolha da clientela sobre a qual recairá a nomeação. A aplicação
irrestrita do inciso II do art. 1° da lei atacada é anacrônica e posterga a transição do antigo
regime de composição dos tribunais de contas para o novo regime estabelecido pela CF/1988.
Ação direta julgada parcialmente procedente para: (1) emprestar interpretação conforme ao
inciso II do art. 1° da Lei n. 11.192/1994, do Estado de Pernambuco, para entender que a
expressão "as três últimas vagas" somente se refere às vagas pertencentes à cota do Gover­
nador, ou seja, às vagas que originalmente foram preenchidas por indicação do Governador;
(2) declarar a inconstitucionalidade do art. 2° da mesma lei. (ADI 3688, Rei. Min. Joaquim Bar­
bosa, Pleno, DJe 24.8.2007)
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
188 Ferreira Filho ' Martins V ieira da Costa

© [...] 1. Nos termos do Enunciado n. 653 da Súmula desta Corte, nos Tribunais de Contas estadu­
ais, compostos por sete Conselheiros, três deles serão escolhidos pelo Governador do Estado,
cabendo-lhe indicar um entre auditores e outro entre membros do Ministério Público Especial,
o terceiro sendo da sua livre escolha. Os demais são escolhidos pela Assembléia Legislativa.
2. Quanto aos dois primeiros, apenas os auditores e membros do Ministério Público junto ao
Tribunal de Contas podem figurar entre os possíveis Conselheiros. [...]. (STF. Pleno. ADI 2959/
MG. Rei.: Min. Eros Grau. DJ 11.11.2005)

© (...) 1. A nomeação livre dos membros do Tribunal de Contas do Estado e do Tribunal de


Contas dos Municípios pelo Governador dar-se-á nos termos do art. 75 da Constituição do
Brasil, não devendo alongar-se de maneira a abranger também as vagas que a Constituição
destinou aos membros do Ministério Público e aos auditores. (...). 2. O preceito veiculado
pelo artigo 73 da Constituição do Brasil aplica-se, no que couber, à organização, compo­
sição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como
dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. Imposição do modelo federal nos ter­
mos do artigo 75. 3. A inércia da Assembléia Legislativa cearense relativamente à criação
de cargos e carreiras do Ministério Público Especial e de Auditores que devam atuar junto
ao Tribunal, de *Contas estadual consubstancia omissão inconstitucional.-4. Ação dire-ta de
inconstitucionalidade por omissão julgada procedente. (STF. Pleno. ADI 3276/CE. Rei.: Min.
Eros Grau. DJ 31.2.2008)

m u i . É firme o entendimento de que a estrutura dos Tribunais de Contas dos Estados-mem-


bros deve ser compativel com a Constituição do Brasil, sendo necessário, para tanto, que, dos
sete Conselheiros, quatro sétimos sejam indicados pela Assembléia Legislativa e três sétimos
pelo Chefe do Poder Executivo. [...). 2. Há igualmente jurisprudência consolidada no que tange
à clientela à qual estão vinculadas as nomeações do Governador. Apenas um provimento será
de livre escolha; as duas vagas restantes deverão ser preenchidas, necessariamente, uma por
■ ocupante de. cargo de Auditor do Tribunal de Contas e a outra por membro do Ministério
Público junto àquele órgão. 3. Medida cautelar deferida. (STF. Pleno. ADI-MC 3361/MG. ReL:
Min. Eros Grau. DJ 22.4.2005)

© (...) 1. Ofende a Constituição Federal a norma estadual (constitucional ou infraconstitucional)


que altera a possibilidade de o Governador indicar dois nomes para prover os cargos de con­
selheiro do Tribunal de Contas do Estado, alternadamente, entre auditores e membros do
Ministério Público, além de um terceiro de sua livre escolha. 2. Sendo o Tribunal de Contas do
Estado integrado por sete conselheiros, três devem ser escolhidos pelo Governador e quatro
pela Assembléia Legislativa. (...). (STF. Pleno. ADI-MC 2013/PI. ReL: Min. Maurício Corrêa. DJ
8.10.1999)*I

► CF/1988. Art. 73. § 2° Os Ministros do Tribunal de Contas da União serão escolhidos;


I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo
dois alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tri­
bunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antiguidade e
merecimento; II - dois terços pelo Congresso Nacional. ► Art. 75. As normas estabele­
cidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização, composição e fiscalização
dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e
Conselhos de Contas dos Municípios. Parágrafo único. As Constituições estaduais dis-
porão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que serão integrados por sete Conse­
lheiros.
Direito Constitucional 189

S ú m u l a iv 0 T r i b u n a l d e Co n t a s , n o e x e r c í c i o d e s u a s a t r i b u i ç õ e s , p o d e a p r e ­
c ia r A CO TONALIDADE DAS LEIS E DOS ATOS DO PODER PÚBLICO.
• S ú m u la e fic a z .• D o ía : 1 3 .1 2 .1 9 6 3 .*Referência legislativa: CF/1946, a r t 7 7 .9 Precedentes: R M S 8 3 7 Z , D j Z 6 .4 .i 9 6 Z .

De acordo com o enunciado, as cortes de contas, embora não detenham com­


petência para declarar a inconstitucionalidade das leis ou dos atos normativos em
^abstrato,^>ois essa prerrogativa é do STF, podem, no caso concreto, reconhecer a des-
conformidade formal ou material de normas jurídicas incompatíveis com a manifesta­
ção constituinte originária. Do que decorre poderem os tribunais de contas deixar de
aplicar ato por considerá-lo inconstitucional, bem como sustar outros atos praticados
com base em leis vulneradoras da Constituição."

Não pretende o Tribunal de Contas julgar a constitucionalidade de lei com o


mesmo objetivo do STF, que diz o seu valor objetivo no ordenamento jurídico. A
competência do Supremo abrange a própria lei, emprestando-lhe validade ou supri-
jniiido a sua existência no Campo dá realidade jurídica. A Corte de Contas, ppr outro
lado, aprecia a 'constitucionalidade. Não é o fato de ser incidéntal, ou não, que retira
a faculdade do julgamento, o que importa é.que o efeito decorrente deste, diver­
samente do que o STF impõe, é tão somentero de conduzir a interpretação dá lei a
parâmetros centrados na Constituição Federal, sem, de fato, implicar efeito objetivo
sobre a norma9 100.
9

S] [...] Não me impressiona o teor da Súmula n. 347 desta Corte (...]. A referida regra sumular
foi aprovada na Sessão Plenária de 13.12.1963, num contexto constitucional totalmente
diferente do atual. Até o advento da Emenda Constitucional n. 16, de 1965, que introdu­
ziu em nosso sistema o controle abstrato de normas, adm itia-se como legítima a recusa,
por parte de órgãos não-jurisdicionais, à aplicação da lei considerada inconstitucional.
No entanto, é preciso levar em conta que o texto constitucional de 1988 introduziu uma
mudança radical no nosso sistema de controle de constitucionalidade. Em escritos doutri­
nários, tenho enfatizado que a ampla legitimação conferida ao controle abstrato, com a
inevitável possibilidade de se submeter qualquer questão constitucional ao Supremo Tri­
bunal Federal, operou uma mudança substancial no m odelo de controle de constituciona­
lidade até então vigente no Brasil. Parece quase intuitivo que, ao ampliar, de forma signifi­
cativa, o círculo de entes e órgãos legitimados a provocar o Supremo Tribunal Federal, no
processo de controle abstrato de normas, acabou o constituinte por restringir, de maneira
radical, a amplitude do controle difuso de constitucionalidade. [...]. Assim, a própria evolu­
ção do sistema de controle de constitucionalidade no Brasil, verificada desde então, está a
dem onstrar a necessidade de se reavaliar a subsistência da Súmula 347 em face da ordem
constitucional instaurada com a Constituição de 1988. [...]. (MS 27796 MC, Pres. Min. Gil­
mar Mendes, DJe 9.2.2009)

99. BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de direito constitucional. 2. ed. São Paulo: Saraiva. 2008, p. 1010, que,
também, alerta que essa faculdade é na via de exceção - controle difuso -, e não em abstrato, mediante
controle concentrado de normas.
100. FERNANDES. Jorge Ulisses Jacoby. Tribunais de contas do Bra sil. 3. ed. Belo Horizonte: Fórum, 2012.
p. 384.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
190 Ferreira Filho Martins Vieira da Costa

.J
S Ú M U L A T V Ç 4 2 - É L E G ÍT IM A A E Q U IP A R A Ç Ã O D E J U ÍZ E S D O T R I B U N A L D E C O N T A S , E M D IR E IT O S
E G A R A N T IA S , A O S M E M B R O S D O P O D E R J U D IC I Á R I O .

• S ú m u la s u p e ra d a .• Data: 13.12.1963. •R eferê n cia legislativa: C F /1946. art. 22; art. 76, § l ü; art. 187. • Precedentes: R E
21198, D ]24.9.1953.

A súmula não tem mais referência com a CF/1988, que prevê regras rígidas, apli­
cáveis ao TCU, e, por simetria, às demais cortes de contas.

► CF/1988. A rt. 73. 5 3o Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas


garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Supe­
rior Tribunal de Justiça, aplicando-se-lhes, quanto à aposentadoria e pensão, as normas
constantes do art. (40^)► A rt. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que
couber, à organizaçao, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do
Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios. Parágrafo
único. As Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que
serão integrados por sete Conselheiros.

S ú m u i X n s 7 - S e m p r e j u í z o d e r e c u r s o p a r a o C o n g r e s s o , n ã o .é e x e q u í v e l c o n t r a t o
■A D l d l N I S T h A T Í v O A Q U E O T R I B U N A L D E C O N T A S H O U V E R N E G A D O R E G I S T R O . - ‘ :

• S ú m u la su p e ra d a . « D o ía . 1312 1963. • Referência legislativa: CF/1946, art. 77. III. Lei ns 830/1949. art. 35. Código de
Contabilidade, art. 54. I. • Precedentes: M S 4791, D] 21.11.1957; M S 8632, 0/ 6.12.1963.

A CF/1946 continha norma (art. 77, § l e) segundo a qual os contratos que, por
qualquer modo, interessavam à receita ou à despesa só seriam exequíveis depois de
registrados pelo Tribunal de Contas. A recusa do registro suspendia a execução do
contrato até o pronunciamento do Congresso Nacional.

Atualmente, não mais subsiste a exigência de registro prévio de contrato.adminis­


trativo perante as cortes de contas, visto que a CF/88 não fez referência a esse respeito.

S Ú M U L A N e 6 - A R E V O G A Ç Ã O O U A N U L A Ç Ã O , P E L O P O D E R E X E C U T I V O , D E A P O S E N T A D O R IA , O U
Q U A L Q U E R O U T R O A TO A P R O V A D O P E L O T R IB U N A L D E C O N T A S , NÃO P R O D U Z E F E IT O S A N T E S
D E A P R O V A D A P O R A Q U E L E T R I B U N A L , R E S S A L V A D A A C O M P E T Ê N C IA R E V IS O R A D O J U D IC I Á R I O .

• S ú m u la a p lic á v e l.• D a ta : 13.12.1963. •R e fe rê n cia legislativa: CF/1946. art. 77. III. Lei n* 830/1949, art. 34, III. • P r e c e ­
dentes: R M S865 7, D/ 9.11.1961: RM S 9076, Dj 9.11.1961; R M S922S, D j 30.11.1961; RM S8610, D j 17.4.1962: RM S 10454, Dj
18.4.1963.

Ato composto é o que resulta da manifestação de dois ou mais órgãos, em que a


vontade de um é instrumental em relação à de outro, que edita o ato principal. São
aqueles atos que, em geral, dependem de autorização, aprovação, parecer, laudo téc­
nico, homologação, etc.101

É o caso do ato administrativo submetido a registro no Tribunal de Contas, que só


se perfaz pela conjugação de vontades da Administração e da própria Corte de Con­
tas, e, como ato composto, não pode ser desfeito pela ação exclusiva de um só desses
órgãos, exigindo, identicamente, ação conjugada.

101. Dl PIETRO, Maria Sylvia Zaneila. Direito administrativo. 21. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 211-212.
Direito Constitucional 19 1

Como os atos do Poder Executivo que dependem de registro no Tribunal de Con­


tas102 são instrumentais em relação ao provimento final a ser exarado por este último
órgão, sua anulação, quando efetuada pelo Poder Executivo, também o será, pois de­
penderá, tal como o ato original, de apreciação pela Corte de Contas.

Isso não vilipendia o poder de autotutela da Administração Pública, que conti­


nua apta a anular seus próprios atos, só que a anulação de ato anteriormente apro­
vado pelo Tribunal de Contas necessita (o ato de anulação mesmo) ser tarr. oém sub­
metido ao crivo da Corte de Contas, porque, caso contrário, estaria aberta a porta
para que a Administração pudesse, indiretamente, anular provimentos emanados
do Tribunal.

BI ( I O ato de aposentadoria configura ato administrativo complexo, aperfeiçoando-se somente


com o registro perante o Tribunal de Contas. Submetido à condição resolutiva, nãc se operam
os efeitos da decadência antes da vontade final da Administração. (...] (STF. Pleno. MS 24997/
DF. Rei.: Min. Eros Grau. DJ 1.4.2005).

BI (...) Vantagem pecuniária incluída nos proventos ce aposentadoria de servidor públ co federal,
por força de decisão judicial transitada em ju gadc.'Impossibilidade de o Tribunal de Contas
da União impor à autoridade administrativa sujeita à sua fiscalização a suspensão-dò respec­
tivo pagamento. Ato que se afasta da competência reservada à C trte de ContEs. [...]. (STF.
Pleno. MS 23665/DF. Rei.: Min. Mauricio Corrêa. DJ 20.9.2002).

Sl (...) II. Tribunal de Contas: registro da concessão inicial de aposentadoria (CF, art. 7', III): natu­
reza administrativa da decisão, susceptível de revisão pelo próprio Triounal - :om c subjacente
à Súmula 6 -, garantidos o contraditório e a ampla defesa do interessado (...). (STF. 1a Turma.
RE 163301/AM. Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 28.11.1997)

BI [...] No exercício da sua função constitucional ce controle, o Tribunal de Contas da União pro­
cede, dentre outras atribuições, à verificação da legalidade da aposentadoria, e determina;
tal seja a situação jurídica emergente dc respectivo ato concessivo; a efetivação, ou não, de
seu registro. O Tribunal de Contas da União, no desempenho dessa específica atribuição, não
dispõe de competência para proceder a qualquer inovação no título jurídico de aposentação
submetido a seu exame. Constatada a ocorrência de vício de legalidade no ato cccicessivo de
aposentadoria, torna-se licito ao Tribunal de Contas da União, especialmente ante a amplia­
ção do espaço institucional de sua atuação -iscalizadora. recomendar ao órgão ou entidade
competente que adote as medidas necessárias ao exato cumprimente da lei. evitando, desse
modo, a medida radical da recusa de registre. Se o órgão de que proveio o ato ju- dicamente
viciado, agindo nos limites de sua esfera de atribuições, recusar-se a dar execução a diligên­
cia recomendada pelo Tribunal de Contas da União, reafirmando, assim, o seu entendimento
quanto a plena legalidade da concessão da aposentadoria, caberá a Corte de Co-tas, então,
pronunciar-se, definitivamente, sobre a efetivação do registro. (...]. (STF. Pleno. MS 21466/DF.
Rei.: Min. Celso de Mello. DJ 6.5.1994)

BI l...) A conotação jurídico-disciplinar de que se acha impregnada a cassação de apesentadoria


- que constitui pena administrativa - torna maplicável. quando de sua imposição, a Súmula
n° 6 do STF, que só tem pertinência nas hipóteses de revogação ou anulação do ato conces­
sivo da aposentadoria. O Presidente da República, para exercer competência disdplinar que

102. Como são exemplos aqueles concernentes a admissão de pessoal e de concessão de aposentadorias, refor­
mas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório
(CF, art. 71, III).
Roberval Rocha , Albino Carlos Mauro José G.
192 Ferreira Filho ' Martins V ieira da Costa

privativamente lhe compete, não necessita de prévio assentimento do Tribunal de Contas da


União para impor ao servidor inativo a pena de cassação de aposentadoria, não obstante já
aprovado e registrado esse ato administrativo pela Corte de Contas. (STF. Pleno. MS 20882/DF.
Rei.: Min. Celso de Mello DJ 23.9.1994)

® [...) Regí stro de aposentadoria: mandado de segurança posterior para compelir a autoridade
administrativa a alterar o ato concessivo já registrado não impõe ao Tribunal de Contas deferir
o registro da alteração: aplicação da Súm. 6/STF, não elidida pela circunstância de o ato admi­
nistrativo subsequente ao registro ter derivado do deferimento de mandado de segurança
para ordenar a sua prática à autoridade competente retificar a aposentadoria que concedera,
mas não para desconstituir a decisão anterior do Tribunal de Contas. (STF. Pleno. MS 22658/RJ.
Rei.: Min. Sepúlveda Pertence. DJ 27.3.1998)

► CF. A rt 71 O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio
do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: [...] III - apreciar, para fins de registro, a
legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indi­
reta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nome­
ações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentado­
rias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento
legal do ato concessório. •

12. LEG ISLA Ç Ã O REVO GA D A


SÚMULA N- 4 9 6 - SÃO VÁLIDOS, PORQUE SALVAGUARDADOS PELAS DISPOSIÇÕES CONSTITU­
CIONAIS TRANSITÓRIAS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1 9 6 7 , OS DECRETOS-LEIS EXPEDIDOS
ENTRE 2 4 DE JANEIRO E 15 DE MARÇO DE 1 9 6 7 .
• Súmula superada.» Data: 3.12.1969. 9 Referência legislativa: C F/1967. art. 1 7 3 .1. III. I X n " 1/1969. art. 181.1. I I I . 9 Prece­
dentes: M S 17957. DJ 23.8.1968; RHC. 46624, DJ 88.1969.

SÚMULA Ne 4 4 0 - OS BENEFÍCIOS DA LEGISLAÇÃO FEDERAL DE SERVIÇOS DE GUERRA NÃO SÃO.


e x ig ív e is d o s E s t a d o s , s e m q u e a l e i e s t a d u a l a s s im d i s p o n h a .
• Súmula superada. • Data: 1710.1964. 9 Referência leg isla tiva: CF/1946, art. 57 XV, f. U i n” 288/1948, arts. 17 5 ° e 6°. U i
ns 616/1949, art. 17 U i n s 1.156/1950,art. 1 7 9 Precedentes: R E 45332, Df 27.7.1961: R E 45364, DJ 27.7.1961; R E 50143. DJ
25.4.1963: R E 50143 embargos, D J30.7.1964.

SÚMULA Na 4 4 - O EXERCÍCIO DO CARGO PELO PRAZO DETERMINADO NA LEI 1.3 4 1, DE 30 .0 1 .1 9 5 1 ,


ART. 91, DÁ PREFERÊNCIA PARA A NOMEAÇÃO INTERINA DE PROCURADOR DA REPÚBLICA.
• Súmula superada.» Dnío; 13 .12.1963.9Precedentes: M S 9296, D J23.8.1962; M S 901S. D J20.3.1963.

SÚMULA Ns 4 3 - NÃO CONTRARIA A CONSTITUIÇÃO FEDERAL O ART. 6 1 DA CONSTITUIÇÃO DE SÃO


Pa u l o , q u e e q u ip a r o u o s v e n c im e n t o s d o M i n i s t é r i o P ú b l ic o a o s d a M a g is t r a t u r a .
• Súmula superada. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CF/1946, a rt. 18: a rt. 95,111; a r t 128. • Precedentes: R E
48067, DJ 17.12.1962.

SÚMULA Na 4 1 - JUÍZES PREPARADORES OU SUBSTITUTOS NÃO TEM DIREITO AOS VENCIMENTOS


DA ATIVIDADE FORA DOS PERÍODOS DE EXERCÍCIO.•

• Súmula superada.»Dato. 13.12.1963.9Rcferência legislativa: C F/1946. arts. 95. § 3 S; 1 2 2 ,§ § 4 ’ e 5 7 124, X I.9 Preceden­
tes: RMS 9757, DJ 14.6.1963; R E 54526, DJ 5.3.1964.
Direito Constitucional

SÚ M U LA N * 40 - A E L E V A Ç Ã O D A E N T R Â N C I A D A C O M A R C A N Ã O P R O M O V E A U T O M A T IC A M E N T E

O JU IZ , M A S N Ã O IN T E R R O M P E O E X E R C ÍC IO D E S U A S F U N Ç Õ E S NA M E S M A C O M A R C A .

• S ú m u la s u p e ra d a .• D a ta : 13.12.1963.m Referência leg isla tiva : C F/1946, a r t 9 5 ,1, U ;a rt. 124, IV .0 P reced en tes:R M S 7689,
D/ 25.5.1961; RM S 10570. D j 4.7.1963: RM S 11086, D] 8.8 .1963 ; R M S 11111, D l20.6.1963.

BI ( 1 O concurso de remoção pressupõe encontrar-se vago o cargo envolvido. [...]. Ocorrendo a


modificação da natureza do Juízo, passando este a ser de entrância de maior envergadura, cum­
pre preservar a situação do magistrado que o exerce. "Ante a garantia da inamovibilidade que
possuem os magistrados, não se pode admitir a abertura de concurso - seja para promoção,
seja para remoção - sem que o cargo a ser ocupado esteja vago. No caso, ainda que a Comarca
de Batalha tenha sido elevada à terceira entrância pela legislação estadual, nada obstava a per­
manência do juiz que anteriormente a ocupava na condição de titular, a gozar de todas as prer­
rogativas do cargo, inclusive a inamovibilidade, a teor do Verbete n. 40 da Súmula do Supremo:
"[...]". Em outras palavras, embora não promovido automaticamente, o Juiz tem o direito de per­
manecer na Comarca". (MS 26366, Rei. Min. Marco Aurélio, 1a Turma, DJ 23.9.2014)

13. Q UAD RO SIN Ó P T IC O "


DIREITO CONSTITUCIONAL

1. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA , ,:. . . l v :

Súmula Vinculante ns 46 - A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento


das respectivas normas de processo e julgamento são da competência legislativa privativa vinculante
da União.

Súmula Vinculante n®39 - Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos
vinculante
membros das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros m ilitar do Distrito Federal.

Súmula Vinculante n®2 - É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que
vinculante
disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.

Súmula ns 722 - São da competência legislativa da União a definição dos crimes de responsa­
aplicável
bilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento.

Súmula n®647 - Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros
aplicável
das polícias civil e militar do Distrito Federal.

| 2. DIREITOS FUNDAMENTAIS |

Súmula Vinculante n5 28 - É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito


de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito vinculante
tributário.

Súmula Vinculante n® 25 - É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a vinculante
modalidade do depósito.

Súmula Vinculante n®21 - É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento pré­ vinculante


vios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.

Súmula Vinculante n® 14 - É direito do defensor, no interesse do representado, ter aces­


so amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório vinculante
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do
direito de defesa.
Roberval Rocha Albino Carlos Mauro José G.
194 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

Súmula Vinculante n8 11 - Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado


receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de
terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade discipli­ vinculante
nar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a
que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

Súmula Vinculante n8 1 - Ofende a garantia constitucional do ato jurídico perfeito a


decisão que, sem ponderar as circunstâncias do caso concreto, desconsidera a validez
vinculante
e a eficácia de acordo constante de termo de adesão instituído pela Lei Complementar
110/2001.

Súmula n9 654 - A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 59, XXXVI, da Cons­
aplicável
tituição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado.

Súmula n8 619 - A prisão do depositário judicial pode ser decretada no próprio processo
revogada
em que se constitui o encargo, independentemente da propositura de ação de depósito.

Súlnula nfi 568 - A idenuficação trim inal não constitui constrangimento ilegal, ainda qu^
superada
‘o Indiciado já tenha sido identificado civilmente.

3, DIREITOS POLÍTICOS ' ' " '

Súmula Vinculante n8 18 - A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do


vinculante
mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 1" do artigo 14 da Constituição Federal.

4. IMUNIDADE PARLAMENTAR

Súmula n8 245 - A imunidade parlamentar não se estende ao coréu sem essa prerro­
aplicável
gativa.

Súmula n8 4 - Não perde a imunidade parlamentar o congressista nomeado Ministro de


cancelada
Estado.

Súmula n8 3 - A imunidade concedida a deputados estaduais é restrita à justiça do Estado. superada

5. MAGISTRATURA

Súmula n8 649 - É inconstitucional a criação, por constituição estadual, de órgão de con­


trole administrativo do Poder Judiciário do qual participem representantes de outros superada
poderes ou entidades.

Súmula n8 628 - Integrante de lista de candidatos a determinada vaga da composição de


aplicável
tribunal é parte legitima para impugnar a validade da nomeação de concorrente.

Súmula n9 478 - 0 provimento em cargos de juizes substitutos do trabalho deve ser feito
superada
independentemente de lista tríplice, na ordem de classificação dos candidatos.

6. MINISTÉRIO PÚBLICO

Súmula n8 643 - 0 Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública
aplicável
cujo fundamento seja a ilegalidade de reajuste de mensalidades escolares.

Súmula n8 321 - A Constituição Estadual pode estabelecer a irredutibilidade dos vencimen­


revogada
tos do Ministério Público.
Direito Constitucional 195

7. PRECATÓRIOS

Súmula Vinculante n8 17 - Durante o período previsto no parágrafo l 8 do artigo 100 da


vinculante
Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos.

Súmula n8 655 - A exceção prevista no art. 100, caput, da Constituição, em favor dos créditos de
natureza alimentícia, não dispensa a expedição de precatório, limitando-se a isentá-los da ob­ aplicável
servância da ordem cronológica dos precatórios decorrentes de condenações de outra natureza.

8. PROCESSO LEGISLATIVO

Súmula n® 651 - A medida provisória não apreciada pelo Congresso Nacional podia, até a
GC 32/2001, ser reeditada dentro do seu prazo de eficácia de trinta dias, mantidos os efei­ aplicável
tos de lei desde a primeira edição.

Súmula n8 5 - A sanção do projeto supre a falta de iniciativa do Poder Executivo. superada

9. REPARTIÇÃO DE RECEITAS TRIBUTÁRIAS

Súmula n8 578 - Não podem os Estados, a título de ressarcimento de despesas, reduzir a


parcela de 20% do produto da arrecadação do imposto'de circulação"de mercadorias, atri­ aplicável _
buídas aos Municípios pelo art. 23, § 8°, da Constituição Federal

Súmula Vinculante n8 30 - É inconstitucional lei estadual que, a título de incentivo fiscal,


retém parcela do ICMS pertencente aos municípios. vinculante

10. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

Súmula n8 725 - É constitucional o § 28 do art. 68 da L. 8.024/90, resultante da conversão


da MPr 168/90, que fixou o BTN fiscal como índice de correção monetária aplicável aos aplicável
depósitos bloqueados pelo Plano Collor 1.

9. TRIBUNAL DE CONTAS

Súmula Vinculante n8 3 - Nos processos perante o Tribunal de Contas’da União asseguram-


-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revoga­
vinculante
ção de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade
do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

Súmula n8 653 - No Tribunal de Contas estadual, composto por sete conselheiros, quatro
devem ser escolhidos pela Assembléia Legislativa e três pelo chefe do Poder Executivo es­
aplicável
tadual, cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério
Público, e um terceiro à sua livre escolha.

Súmula n8 347 - 0 Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a


constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Público. aplicável

Súmula-ríf^íi” - É legítima a equiparàçãcTdírjufeas-do Tribunal de Contas, errudrrieitos e


garantias, aos membros do Poder Judiciário. superada

Súmpfiín^7 - Sem prejuízo de~re£ürso-para£ Congresso, não é exequíveietíntrato adminis-


tratjvo a que o Tribunal de Contas houver negado regisfrõ superada

Súmula n8 6 - A revogação ou anulação, pelo Poder Executivo, de aposentadoria, ou qual­


quer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes de aprovada por aplicável
aquele tribunal, ressalvada a competência revisora do Judiciário.
Roberval Rocha A lbino Carlos M auro J osé G
196 Ferreira Filho *' M artins Vieira da C osta

10. LEGISLAÇÃO REVOGADA

Súmula ns 496 - São válidos, porque salvaguardados pelas disposições constitucionais


transitórias da Constituição Federal de 1967, os decretos-leis expedidos entre 24 de janeiro superada
e 15 de março de 1967.

Súmula ns 440 - Os benefícios da Legislação Federal de Serviços de Guerra não são exigí-
superada
veis dos Estados, sem que a lei estadual assim disponha.

Súmula n®44 - 0 exercício do cargo pelo prazo determinado na Lei 1.341, de 30.01.1951,
superada
art. 91, dá preferência para a nomeação interina de Procurador da República.

Súmula n®43 - Não contraria a Constituição Federal o art. 61 da Constituição de São Paulo,
superada
que equiparou os vencimentos do Ministério Público aos da Magistratura.

Súmula n® 41 - Juizes preparadores ou substitutos não tem direito aos vencimentos da


superada
atividade fora dos períodos de exercício.

Súmula n®40 - A elevação da entrância da comarca não promove automaticamente o juiz,


superada
mas não interrompe o exercício de suas funções na mesma comarcà.
CAPÍTULO IV

DIREITO
DO TRABALHO
1. Acidente do trabalho 3. Fa lta g ra v e 9. Sa lá rio

1.1. Indenização 4. F G T S 10. S e rv iço noturno

1.2. Seguro de acidente do 5. H a b itu a lid a d e 11. S e rv id o r público

trabalho 6.1 n d e n iz a ç â o 12. Sin dicato s

1 .3 . O u tro s 7. In s a lu b r id a d e 13. Outros


..........)...........................
. 2. E s t a b ilid a d e 8. P r e s c r iç ã o 14. Q uadro sinó ptico.

1. A C ID E N T E DO T R A B A LH O
Vide súmulas sobre ação acidentária no capítulo Direito processual do trabalho.

1.1. In d e n iza çã o
SÚMULA Ne 4 6 4 - NO CÁLCULO DA INDENIZAÇÃO POR ACIDENTE DO TRABALHO IN C L U I-S E ,

QUANDO DEVIDO, O REPOUSO SEMANAL REMUNERADO.

• Sú m u la su p e rad a. • Data: l p.10 .1964.9R eferên cia leg isla tiva: L e i n ç 605/1949, a r t l p. DL n° 7.036/1944, arts. 19, p a ­
rágrafo único, e 33. Dec. nç 2.7048/1949, arts. l ç, 10 e 12, d. 9 P recedentes: R E 26359 embargos, DJ 24.12.1958; R E 39686,
DJ 16.4.1959; R E 22642 embargos, DJ 30.4.1959; R E 22840 em bargos, DJ 30.4.1959; R E 26160 embargos, DJ 30.4.1959; R E
41380, DJ 16.4.1959.

O repouso semanal remunerado é sempre devido porque se trata de garantia


constitucional do trabalhador, e, portanto, ingressa na base de cálculo das indeniza-
tórias obrigatoriamente, não podendo ser excetuado por regra infraconstitucional.

SI (■
■•] no que tan ge ao valor do benefício, a regra insculpida no art. 7°, XIII da Lei Maior, apenas
cuida da jornada de trabalho e é de inspiração eminentemente social. Daí não se pode, em
sã consciência, admitir que o direito ao descanso semanal remunerado possa prejudicar o
obreiro, limitando o cálculo de sua remuneração, uma vez que o mês de trabalho é conside­
rado com tendo 30 dias de 8 horas, perfazendo um total de 240 horas mensais de trabalho
normal. Por isso que o art. 28, § 2o da Lei n° 8.213/91, vindo ao encontro do fim social do
texto constitucional lembrado, manda seja o salário-hora multiplicado por 240. (STJ. 6a Turma.
REsp 197632/SP. Rei.: Min. Fernando Gonçalves, voto. DJ 20.3.2000)

► Lei n° 8213/1991. Art 28 O valor do benefício de prestação continuada, inclusive o regido


por norma especial e o decorrente de acidente do trabalho, exceto o saláriò-famllia: e o
salário-maternidade, será calculado com base no salário-de-benefício.
tf

Roberval Rocha .... A lbino C arlos Mauro José G.


198 Ferreira Filho “ Martins V ieira da C osta

► CF/1988. A rt. 7°. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que
visem à melhoria de sua condição social: [...] XV - repouso semanal remunerado, preferen­
cialmente aos domingos.

S ú m u la Na 3 1 4 - Na c o m p o s iç ã o d o da n o p o r a c id e n t e d o t r a b a l h o , ou d e t r a n s ­

p o r t e , N Ã O É C O N T R Á R IO À L E I T O M A R P A R A B A S E D A IN D E N IZ A Ç Ã O O S A L Á R I O D O T E M P O D A

P E R ÍC IA OU DA SE N T E N Ç A .

• Súmula aplicável. • D a ta : 13.12 .1 96 3 .m R e fe rê n c ia le g isla tiv a : D L n 9 7 .0 3 6 /1 9 4 4 , a r ts . 3 3 , 3 7 . 4 4 e 4 6 . Dec. n 92 .6 8 1 /1 9 1 2 .

a rts. 1 9 , 2 0 , 2 1 e 2 2. • P re c e d e n te s: R E 4 2 2 5 0 em b a rg o s, DJ 1 8 .5 .1 9 6 1 ; R E 4 6 9 2 1 . D} 2 .6 .1 9 6 1 ; R E 5 0 7 4 7 , DJ 2 0 .6 .1 9 6 3 ; R E

5 2 8 5 0 , DJ 2 7 .6 .1 9 6 3 ; R E 5 34 7 7, D j 1 9 .7 .1 9 6 3 ; R E 5 3 4 7 6, DJ 1 9 .7 .1 9 6 3 ; R E 5 2 4 0 9 , DJ 8 .8 .1 9 6 3 ; R E 5 4 1 7 6 , DJ 2 4 .1 0 .1 9 6 3 ; R E

5 4 3 1 0 , D) 7 .1 1 .1 9 6 3 ; R E 5 10 4 6, DJ 1 4 .1 1 .1 9 6 3 ; R E 5 4 3 0 8 , D j 2 1 .1 1 .1 9 6 3 .

A lei fixa critérios relativamente objetivos para a fixação da indenização por da­
nos materiais103. Impõem os arts. 949 e 950 do novo CC que:
Art. 949 No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das des-.
• pesas do tratamçnto e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro
pr è>uízo que o ofendido prove haver sofrido.

,Art.-9S0. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exerce.ro seu ofíolo ou
profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do
tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à
importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.

Já a indenização por dano moral decorrente de iesão acidentária é aferida por ju­
ízo de equidade, sob o manto do art. 944 do CC/2002, diretriz sensata que confere ao
órgão judiciário poderes para avaliar e compor, por arbitramento, o quantum devido
à situação sub judice-,
Art. 944 A indenização mede-se pela extensão do dano.

As balizas legais acima referidas não afastam o conteúdo generalista da súmula,


que é aberta à utilização de vasta gama de critérios para o cálculo da reparação aci­
dentária.

► CF, art. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à
melhoria de sua condição social: [...] XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo
do empregador, sem excluir á indenização a que este está obrigado, quando incorrer em
dolo ou culpa.

SÚ M U L A Ns 2 3 2 - E m ca so D E A C ID E N T E do t r a b a l h o , sã o d e v id a s d iá r ia s a té d o ze

M E S E S , A S Q U A IS N Ã O S E C O N F U N D E M C O M A IN D E N IZ A Ç Ã O A C ID E N T Á R IA , N E M C O M 0 A U X Í L I O -

-E N F E R M 1 D A D E .

• Súmula superada. • D a ta : 13.12 .1 96 3 . • R e fe rê n c ia le g is la t iv a : D L n 9 7 .0 3 6 /1 9 4 4 , a rt. 26. • P re c e d e n te s: A l 2 3 7 7 7 , D j

2 .4 .1 9 6 2 : R E 4 2 3 1 1 em b a rg o s, DJ 7 .8 .1 9 6 1 ; R E 4 2 6 S 1 , D j 2 6 .1 0 .1 9 6 1 ; R E 137 9 5, D j 2 3 .1 1 .1 9 6 1 ; A l 2 9 4 S 6 , D j 3 .1 0 .1 9 6 3 .

103. DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 2. ed. São Paulo: LTR, 2003, p. 610.
Direito do T rabalho 199

Dizia respeito à norma encartada na antiga Reforma da Lei de Acidentes do Tra­


balho, DL ne 7.036/1944, art. 26, in fine: "a indenização a que por esta fizer jus o
acidentado independerá sempre de qualquer outra prevista nesta lei”, que não foi pre­
vista pela Lei nfi 8.213/1991, que hoje regula a matéria.

S Ú M U L A N® 2 2 9 - A IN D E N IZ A Ç Ã O A C I D E N T Á R I A N Ã O E X C L U I A D O D I R E I T O C O M U M , E M C A SO D E
DO LO OU CU LPA G RA V E DO E M P R E G A D O R .

• Súmula superad a.•D ata; 1 3 .1 2 .1 9 6 3 .• R e f e r ê n c ia le g is la t iv a : Dec. n e 7 .0 3 6 /1 9 4 4 , a r t . 3 1 . • P r e c e d e n t e s : R E 2 31 9 2 em ­

b a rg o s, D J 2 7 .7 .1 9 6 1 ; R E 4 8 8 9 4 , D J 2 3 .1 1 .1 9 6 1 ; R E 4 9 4 6 2 , DJ 1 7 .5 .1 9 6 2 ; R E 4 3 9 8 4 , D J 1 1 .7 .1 9 6 3 ; R E 4 6 6 4 3 em b a rg os, DJ

3 0 .8 .1 9 6 2 ; R E 4 9 4 6 2 em b a rg o s , D J 2 9 .1 1 .1 9 6 2 ; R E 5 0 2 9 7 , DJ 5 .1 1 .1 9 6 2 .

É direito constitucional do trabalhador o "seguro contra acidentes de trabalho,


a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando
incorrer em dolo ou culpa" (CF, art. 7®, XXVIII).

Desta norma, depreende-se não haver referência à gradação da culpa para efeito
de atribuir-se responsabilidade subjetiva pelo acidente de trabalho ao empregador.
Assim, mesmo sua culpa levíssima gera a obrigação de reparação jurídica.
a ....................................................................................- ........................................................................................................ ; ............................................................................................................................

® [...] A jurisprudência da 3a e da 4a Turmas firmou-se no sentido de que, desde a edição da Lei


n. 6.367/1976, para a responsabilidade do empregador basta a demonstração da culpa, ainda
que de natureza leve, não sendo mais aplicável a Súmula 229/STF, que previa a responsabili­
zação apenas em casos de dolo ou culpa grave. [...]. (STJ, REsp 406815/MG, Rei. Min. Antonio
Carlos Ferreira, 4a T„ DJe 22.6.2012)

© Responsabilidade civil. Indenização. Queda de andaime. Não-uso do cinto de segurança pelo


obreiro. Falta de fiscalização da empresa. Concorrência de culpas. Reconhecimento. Súmula n.
229-STF. [...] Após a edição da Lei n° 6.367/76, é admissível o pleito de reparação civil, decor­
rente de sinistro laborai desde então verificado, mediante a ocorrência de simples culpa do
empregador, prescindindo-se do dolo ou culpa grave. (STJ. 4a Turma. REsp 125948/RJ Rei.:
Min. Barros Monteiro. DJ 10.3.2003)

® Civil. Indenização. Acidente do trabalho. Desde a integração do seguro de acidentes do tra­


balho no sistema da Previdência Social, não mais releva a gradação da culpa, para o efeito de
indenização fundada no direito comum, na esteira da jurisprudência que se consolidou no STJ.
Se os termos do acórdão evidenciam que se atribuiu a culpa pelo acidente exclusivamente à
empresa, não há dizê-lo carente de fundamentação por não ter apreciado alegação de culpa
concorrente. Esta, evidentemente, restou repelida. A fixação da indenização não esta sujeita
aos parâmetros da legislação acidentária, tendo, no caso, sido rigorosamente observado o art.
1539 do Código Civil, em face da perda de capacidade de trabalho apurada pela perícia. [...).
(STJ. 3a Turma. REsp 67496/SP. Rei.: Min. Paulo Costa Leite. DJ 16.10.1995)

© Acidente no trabalho. Indenização. Direito comum. Autonomia. [...]. 1. A indenização devida


pelo empregador, fundada na responsabilidade civil do direito comum, por seu dolo ou culpa,
mesmo leve. é autônoma em relação à indenização paga pelo seguro obrigatório, que são
parcelas cumuláveis. Para o seu cálculo não se leva em consideração o que é devido em razão
da outra. Súmula 229/STF e art. 7°, inc. XXVIII da Constituição da República. [...]. (STJ. 4a Turma.
REsp 17738/SP. Rei.: Min. Ruy Rosado de Aguiar. DJ 22.5.1995)

© Direito civil. Indenização (art. 159, CC). Acidente do trabalho. Culpa leve. Enunciado 229 da
sumula/STF. Lei 6.367/76. Direito adquirido. [...]. - Segundo entendimento da Turma, a partir da
edição da Lei 6.367/76 passou a não mais prevalecer o enunciado n. 229 da sumula/STF, que
restringia a responsabilidade do empregador pela indenização de direito comum aos casos de
Roberval Rocha _ A lbino Carlos M a u r o J o s é G.
200 Ferreira Filho ® Martins V ieira da C o sta

dolo ou culpa grave. Pela reparação civil devida como decorrência de sinistros laborais desde
então verificados, passaram a responder todos aqueles que para os mesmos tenham concor­
rido com culpa, em qualquer grau, ainda que leve, independentemente da existência, ou não,
de vínculo empregatício com a vítima. - Ocorrente o acidente em abril de 1988, não se há de
cogitar de pretenso direito adquirido a só indenizar nos casos preconizados pelo superado
verbete. (STJ. 4a Turma. REsp 12648/SP. Rei.: Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira. DJ 30.8.1993)

® [...] I. Na ação de indenização, fundada em responsabilidade civil comum (art. 159, CC), promo­
vida por vitima de acidente do trabalho, cumpre a esta comprovar dolo ou culpa da empresa
empregadora. II. Somente se cogita de responsabilidade objetiva (sem culpa) em se tratando
de reparação acidentária, assim considerada aquela devida pelo órgão previdenciário e satis­
feita com recursos oriundos do seguro obrigatório, custeado pelos empregadores, que se
destina exatamente a fazer face aos riscos normais da atividade econômica no que respeita
ao infortúnio laborai. (STJ. 4a Turma. REsp 10570/ES. Rei.: Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira. DJ
14.12.1992)

► C C A r t j 9 2 7 - , Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente


de culpa, hos casos especificadps em lei, ou quando a atividade nórmalmente desenvolvida
pelo autor do dano.implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

SÚMULA N93 5 - EM caso de acidente do trabalho ou de tra n spo rte , a concubina tem
DIREITO DE SER INDENIZADA PELA MORTE DO AMÁSIO, SE ENTRE ELES NÃO HAVIA IMPEDI­
MENTO PARA O MATRIMÔNIO.

Súmula comentada no capítulo Direito civil - responsabilidade civil.

1 .2 . Seguro de acid en te do trab alh o


SÚMULA Ne 6 1 2 - A O TRABALHADOR RURAL NÃO SE APLICAM, POR ANALOGIA, OS BENEFÍCIOS
PREVISTOS NA L E I Ne 6 . 3 6 7 , DE 1 9 . 1 0 . 7 6 .
•S ú m u la su p e ra d a .* D a ta : 1 7 .1 0 .1 9 8 4 .• R e ferên cia le g is la t iv a : E C n ° 1 /1 9 6 9 , a r t. 165, p a r á g ra f o ú n ic o . L e i n ° 6 .1 9 5 /1 9 7 4 ,

a r t 2 *. L e i n ° 6 .3 6 7 / 1 9 7 6 . Dec. n* 8 .3 0 8 0 /1 9 7 9 , a rts . 2 2 6 e 3 2 1 . • P re c e d e n te s: R E 9 7 2 9 0, DJ 1 7 .1 2 .1 9 8 2 ; R E 9 7 8 6 5, DJ

1 7 .1 2 .1 9 8 2 ; R E 9 66 0 2, DJ 2 5 .3 .1 9 8 3 ; R E 972 8 8, DJ 8 .4 .1 9 8 3 ; R E 9 9 4 6 9, D J 3 .6 .1 9 8 3 .

O art. 7®, XXVIII da CF/88 estatuiu quase plena paridade jurídica entre os empre­
gados urbanos e os rurais do País104.

Assim como manteve integrado o seguro de acidente do trabalho ao sistema


da Previdência Social (art. 201, § 10). Em ambas as searas, trabalhista e previden-
ciária, as diferenciações de tratamento jurídico permitidas entre as categorias de
trabalhadores urbanos e rurais devem estar amplamente sedimentadas em crité­
rios constitucionais, sob pena de invalidação. Assim, as disposições sobre direitos
trabalhistas contidas em leis ordinárias - como é o caso do seguro de acidentes
do trabalho previsto na Lei n9 6.367/1976 - não devem excluir de sua proteção o
trabalhador rural.

104. D ELG A D O , M au rício G o din ho. C u r s o d e d ir e it o d o t r a b a lh o . 2. ed. São Paulo: LT R , 2 0 0 3 , p. 3 78.


Direito do T rabalho 201

► CF. Art. 7o São direitos dos trabalhadoresrurbanosí efuraistialérn de outros quevisem à.=í;
melhoria de sua: condição,social: [...] XXVIII - seguro contra ãçidentes de trabalho, axBrgo
do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em
dolo ou culpa. '► A rt. 201. A previdência social :será (Organizâda 'sòbúa 'fontià' de:regimé "
geral, de caráter çpntributivb e d e filiaçSonobrigátória/óbsetvados cntérios'quef preservem
o equilíbrio financeiro é atuarial, e atenderá, dá lei, a: § lO Lei dlsciplinárá a
coBèKüra do risíb-dè ácidèntédò tfàbálhoVá^è^ímdidà^cbrtcÔTOfifèrtfentè^pelò-rfegiifie
geral de previdência social e pelosètónpilvfedc&fa&íwia w ; ; í K ‘,-o?

S úmula n2 5 2 9 - S u b s is t e a respo n sa bilid a d e do em pregador pela indenização


DECORRENTE DE ACIDENTE DO TRABALHO, QUANDO O SEGURADOR, POR HAVER ENTRADO EM
LIQUIDAÇÃO, OU POR OUTRO MOTIVO, NÃO SE ENCONTRAR EM CONDIÇÕES FINANCEIRAS, DE
EFETUAR, NA FORMA DA LEI, O PAGAMENTO QUE O SEGURO OBRIGATÓRIO VISAVA GARANTIR.
• Súmula superada.•D oto: 3 .1 2 .1 9 6 9 .% R e fe rê n c ia le g is la t iv a : D L n 6 7 .0 3 6 / 1 9 4 4 , a r t 100. Dec. n e 1 8 .80 9 /1 94 5 >a r t. 10.%

Precedentes: A l 43767 A gR, DJ 1 8 .1 0 .1 9 6 8 ; R M S 18392, DJ 1 8 .1 1 .1 9 6 8 ; R E 6 5 9 8 8 , DJ 1 1 .4 .1 9 6 9 ; R E 642 9 3, DJ 2 3 .5 .1 9 6 9 ; R E

64118 EDv-AgR,D J 1 2.9 .1 9 6 9 ; R E 6 6 8 4 1 , DJ 1 9.9 .1 9 6 9 . >

Desde a integração do segilro‘de acidente do trabalho ao sistema da Previdência


Social, não mais subsistem as enunciados que faziam referência às seguradoras pri­
vadas. '
Vide comentários à Súmula n9 434, adiante.
S Ú M U L A N 2 4 3 4 - A C O N T R O V É R S IA E N T R E S E G U R A D O R E S IN D IC A D O S P E L O E M P R E G A D O R NA
AÇÃO D E A C ID E N T E DO T R A B A L H O N Ã O S U S P E N D E O P A G A M E N T O D E V I D O A O A C ID E N T A D O .

•S ú m u la superada.^ D a ta : 1 9.6 .1 9 6 4 .% R e fe rê n c ia le g is la t iv a : D L n v 7 .0 3 6 / 1 9 4 4 , a r t . 4 8 , p a r á g r a f o ú n ic o .% P rece d en te s: R E

5 3 8 0 2 , DJ 5 .3 .1 9 6 4 ; R E 5 3 1 3 4 , D J 5 .3 .1 9 6 4 ; A l 3 1 3 4 0 , DJ 1 6 .7 .1 9 6 4 .

À época da edição dessa súmula, o Seguro Acidente de Trabalho (SAT) era privado,
sob responsabilidade dos antigos institutos de previdência e empresas seguradoras,
situação que perdurou até 1967. De lá para cá, o benefício ficou a cargo da Previdência
Social. Entretanto, a Reforma Previdenciária de 1998 - EC n8 20/1998 - possibili­
tou à iniciativa privada participar do sistema, com a inclusão do § 10 ao art. 201 da
CF/1988: "lei disciplinará a cobertura do risco de acidente do trabalho, a ser atendida
concorrentemente pelo regime geral de previdência social e pelo setor privado".
Dispositivo este que ainda não foi regulamentado infraconstitucionalmente.
De qualquer modo, o enunciado está superado, uma vez que sua legislação-base
foi revogada.

SI Súmula STF n° 337: A controvérsia entre o em pregador e o segurador não suspende o paga­
mento devido ao empregado por acidente do trabalho.

© Súmula STF n° 188: O segurador tem ação regressiva contra o causador do dano, pelo que
efetivamente pagou, até o limite previsto no contrato de seguro.

S Ú M U L A N - 3 3 7 - A C O N T R O V É R S I A E N T R E O E M P R E G A D O R E O S E G U R A D O R NÃ O S U S P E N D E O

PAGAM EN TO DEVIDO A O E M P R E G A D O P O R A C ID E N T E D O T R A B A L H O .

• Súmula superada. • D o ta : 1 3 .1 2 .1 9 6 3 . • R e fe rê n c ia le g is la t iv a : D L n s 7 .0 3 6 / 1 9 4 4 , a r t s . 9 ‘ , 12 e 100. • P rece d en te s: A l

2 6 2 4 2 . D ) 2 .4 .1 9 6 2 : A l 2 9 4 2 7 , DJ 7 .1 1 .1 9 6 3 : A l 3 0 6 6 3 , D J 1 3 .1 2 .1 9 6 3 .

Vide comentários à Súmula na 434, retro.


Roberval Rocha A lbino Carlos Mauro José G.
202 Ferreira Filho Martins V ieira 65 da C osta

H Súmula STF n° 434: A controvérsia entre seguradores indicados pelo empregador na ação de
acidente do trabalho não suspende o pagamento devido ao acidentado.

Súmula STF n° 188: 0 segurador tem ação regressiva contra o causador do dano, pelo que
efetivamente pagou, até ao limite previsto no contrato de seguro.

S Ú M U L A Ns 2 4 0 - O D E P Ó S IT O P A R A R E C O R R E R , E M A ÇÃO D E A C ID E N T E D O T R A B A L H O , É E X IG Í-

V E L D O S E G U R A D O R S U B - R O G A D O , A IN D A Q U E A U T A R Q U IA .

• Súmula su p e rad a.•D ara: 1 3 .1 2 .1 9 6 3 . • R e fe rê n c ia le g is la t iv a : D L n 9 7 .0 3 6 /1 9 4 4 , a rts . 64, § 2 9, e 100 . • P re c e d e n te s: R E

4 2 9 6 9 e m b a rg o s , D J 2 7 . 7 .1 9 6 1 ;R E 4 3 3 1 3 e m b a r g o s , D J 2 1 .9 .1 9 6 1 ;R E 4 S 8 1 0 e m b a r g o s ,D J 2 8 .9 .1 9 6 1 ; R E 4 8 2 4 4 ,0 1 9 .1 1 .1 9 6 1 :

R E 4 S 7 3 3 e m b a rg o s . D J 9 .1 1 .1 9 6 1 ; R E 4 5 8 6 3 e m b a rg o s , DJ 9 .1 1 .1 9 6 1 .

Desde a integração do seguro de acidente do trabalho ao sistema da Previdência So­


cial, não mais subsistem os enunciados que faziam referência às seguradoras privadas.

Vide comentários à Súmula n2 434, retro.

► Lei n° 8213/1991. A rt 129'Os litígios e medidas cautelares relativos a acidentes do trabalho


sérão apreciados: I - na esfera administrativa, pelos órgãos da Previdência Social, segundo as,,
regras e prazos aplicáveis às demais prestações, coin prioridade.para conclusão; e II - na via
judicial, pelá Justiça dos Estados e do Distrito Federal, segundo o rito sumarfssimo, inclusive
durante as férias forenses, mediante petição instruída pela prova de efetiva notificação do
evento à Previdência Social, através de Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT. Pará­
grafo único. O procedimento judicial de que. trata o inciso II deste artigo é isento do paga­
mento de, quaisquercustas, e de verbas relativas à sucumbência.

SÚ M U L A N2 2 3 8 - Em c a s o D E A C ID E N T E d o T R A B A L H O , a M U LTA P E L O R E T A R D A M E N T O DA

L IQ U ID A Ç Ã O É E X I G Í V E L D O S E G U R A D O R S U B - R O G A D O , A IN D A Q U E A U T A R Q U IA .

• Súmula superada.^DaCa; 1 3 . 1 2 .1 9 6 3 .9 R e fe rê n c ia le g is la t iv a : D L n 9 7 .0 3 6 /1 9 4 4 , a rts. 1 00 e 102.9 P re c e d e n te s: R E 5 3 6 7 3,

DJ 2 2 .8 .1 9 6 3 ; R E 5 3 8 6 2 , DJ 3 1 .1 0 .1 9 6 3 ; R E 4 3 4 7 3 em b a rg o s, DJ 9 .1 1 .1 9 6 1 ; R E 5 4 5 5 6 , DJ 7 .1 1 .1 9 6 3 ; R E 4 5 9 1 5 , DJ 4 .1 0 .1 9 6 1 .

Desde a integração do seguro de acidente do trabalho ao sistema da Previdência So­


cial, não mais subsistem os enunciados que faziam referência às seguradoras privadas.
Vide comentários à Súmula n2 434, retro.

S Ú M U L A N 2 2 3 6 - E m A Ç Ã O D E A C I D E N T E D O T R A B A L H O , A A U T A R Q U IA S E G U R A D O R A N Ã O T E M

IS E N Ç Ã O D E CUSTAS.

• S ú m u la sa pera da.9 D a ta : 1 3 .1 2 .1 9 6 3 .9 R e fe rê n c ia le g is la t iv a : L e i n 9 3 .8 0 7 / 1 9 6 0 , a r t. 119. D L n ° 7 .0 3 6 /1 9 4 4 , a r t. 100. D L


n 9 9 .6 8 3 / 1 9 4 6 , a r t 1 2.9 P r e c e d e n te s : R E 4 3 4 7 3 e m b a rg o s , D J 9 .1 1 .1 9 6 1 ; R E 4 4 8 3 6 , D J 9 .1 1 .1 9 6 1 ; R E 4 4 3 6 1 , D J 9.1 1.1 9 61 .

Desde a integração do segufo de acidente do trabalho ao sistema da Previdência


Social, não mais subsistem os enunciados que faziam referência às seguradoras priva­
das ou autárquicas. Vide comentários à Súmula n2 434, retro.
Quanto ao recolhimento de custas pelo INSS, segundo o art. 129, parágrafo único,
da Lei n2 8.213/1991, o procedimento judicial da ação acidentária é isento do paga­
mento de quaisquer custas e de verbas relativas à sucumbência.
Acontece que as custas judiciárias têm natureza tributária: são taxas, e como o art.
151,111, da CF/88 proibiu a União de instituir isenções de tributos da competência dos
demais entes políticos - a chamada "vedação de concessão de isenções heterônomas"
o disposto no mencionado art. 129, no tocante à isenção de custas e emolumentos
Direito oo T rabalho 203

judiciais, só é aplicável ao INSS quando atuante na justiça federal. Assim, no âmbito


da justiça estadual, a União deve arcar com as custas, já que são taxas estipuladas por
outro ente federado, e não submetidas à imunidade recíproca prevista no art. 150, VI,
a, da Carta Maior, que só imuniza impostos.

g] Súmula STJ n° 178: O INSS não goza de isenção do pagamento de custas e emolumentos, nas
ações acidentárias e de benefícios, propostas na justiça estadual.

1.3. Outros
SÚMULA N® 3 1 1 - NO TÍPICO ACIDENTE DO TRABALHO, A EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL NÃO
EXCLUI A MULTA PELO RETARDAMENTO DA LIQUIDAÇÃO.

• Sú m u la s u p e ra d a .« D a ta ; 1 3 .12.19 63.9Referência legislativa: DL n ff 7.036/1944, arts. 52, 55 e 102. • Precedentes: R E


53673. D j 22.8.1963; R E 53862, D J31.10.1963.

O enunciado refere-se a disposições normativas do antigo DL n® 7.036/1944, re­


vogadas pela Lei n® 6.367/1976, que dispõe sobre o seguro de acidentes do trabalho.

SÚMULA N® '1 9 8 - As AUSÊNCIASaMOTIVADAS POR ACIDENTE DOTRABALHO NÃO SÃO DESCON-


TÁVEIS DO PERÍODO AQUISITIVO DAS FÉRIAS.
• Sú m u la a p lic á v e l. • Data: 13.12.1963. • Referência legislativa: CLT, a rt. 132, a ; a rt. 134. • Precedentes: R E 23217, Dj
25.8.1955; R E 46640 embargos, D J27.7.1961; R E 48471, DJ 18.10.1962; R E 48486, D) 3.5.1962; R E 51577, DJ 17.12.1962.

Trata-se de regra expressa da CLT.

► CLT. A r t 131. Não será considerada falta ao serviço, para os efeitos do artigo anterior, a
ausência do empregado: [...] III - por motivo de acidente do trabalho ou enfermidade ates­
tada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, excetuada a hipótese do inciso IV do
art. 133. ► A r t 133. Não terá direito a férias o empregado que, no curso do período aqui-
■sitivo: [...] IV - tiver percebido da Previdência Social prestações de acidente de trabalho ou de
auxilio-doença por mais de 6 (seis) meses, embora descontínuos.

2. ESTABILIDADE
SÚMULA N® 6 7 6 - A GARANTIA DA ESTABILIDADE PROVISÓRIA PREVISTA NO ART. 1 0 , 11, A , DO
ADCT, TAMBÉM SE APLICA AO SUPLENTE DO CARGO DE DIREÇÃO DE COMISSÕES INTERNAS DE
PREVENÇÃO DE ACIDENTES (CIPA).

• Súm ula a p licáve l. • Data: 24.9.2003• Referência legislativa: ADCT/1988, art. 10, II, a. • Precedentes: A l 191864 AgR, Dj
14.11.1997; R E 205701, DJ 27.2.1998; R E 208405 AgR, DJ 26.6.1998; R E 220519, DJ 7.8.1998; A l 182431 AgR, D) 4.9.1998; R E
217144, DJ 11.9.1998; R E 208166 AgR, D j 6.11.1998; R E 212169 AgR, DJ 4.12.1998; R E 227011 AgR, Dj 4.12.1998; R E 213473,
DJ 19.3.1999.

A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) é um órgão paritário, for­


mado por representantes do empregado e do empregador, constituído dentro de cada
estabelecimento das empresas, com o objetivo de prevenir acidentes do trabalho e
doenças ocupacionais, mantendo o bem-estar psicofisiológico do trabalhador no seu
ambiente de trabalho105.

105. CAIRO JUNIOR. José. Curso de direito do trabalho: direito individual e coletivo do trabalho. 2. ed.
Salvador: Juspodivm, 2008, p. 521.
Roberval Rocha s Albino Carlos Mauro José G.
204 Ferreira Filho Martins V ieira da Costa

De acordo com o art. 165 da CLT, os titulares da representação dos empregados na


CIPA não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se
fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro, regra essa que, com
nuances, foi incorporada ao texto do art. 10, II, do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT) de 1988.

A norma do ADCT, apesar de não fazer referência expressa à figura do suplente,


foi interpretada extensivamente pelo STF, com intuito de assegurar a eficácia do
seu caráter protetivo, uma vez que o suplente deve gozar das mesmas garantias do
titular para que, nas substituições, não se sinta intimidado a tomar providências
que possam desagradar o empregador. Para a Corte, também, como a norma consti­
tucional não excetua nem diferencia suplente de titular, não compete ao intérprete
fazê-lo.

© Súmula TST n° 339: I - O suplente da CIPA goza da garantia de emprego prevista no art. 10,
II, "a", do ADCT a-partir da promulgação da Constituição Federal de 1988. II - A estabilidade
provisória do cipeiro não constitui vantagem pessoal, mas garantia para as atividades dos

■ membros da 0P A , que somente tem razão dê ser quando em atividade a empresa. Extinto
o estabelecimentò, não sé verifica a despedida arbitrária, sendo impossível a reintegração e
indevida a indenização do período estabilitário.

© [...] O artigo 10, inciso II, alínea a, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, ao se
referir à estabilidade provisória do empregado eleito para cargo de direção de comissões
internas de prevenção de acidente, desde o registro de sua candidatura até um ano após o
final de seu mandato, embora sem fazer referência textual ao suplente, não teve o efeito de
excluir dele a referida garantia, porquanto o suplente poderá exercer, em substituição, a titu­
laridade do cargo de direção na defesa dos interesses dos trabalhadores. [...]. (STF. Pleno. RE
213473/SP. Rei.: Min. limar Galvão. DJ 19.3.1999)

© [...] Estabilidade provisória: membro da CIPA - Comissão Interna de Prevenção de Acidente


- art. 10, II, "a" do ADCT-CF/88. Extensão ao suplente. 1. A norma constitucional transitória
não fez qualquer distinção entre o titular e o suplente, eleitos como representantes dos
empregados para o exercício de cargo de direção de comissão interna de prevenção de aci­
dente. 2. Estabilidade provisória. Extensão ao suplente. Indeferir a ele essa garantia e permi­
tir a sua dispensa arbitrária ou sem justa causa é dar oportunidade a que o empregador, por
via oblíqua, tendo em vista os interesses patronais, esvazie a atuação do representante dos
empregados, frustrando a expectativa de direito daquele que, eventualmente, poderá vir a
exercer a titularidade do cargo. [...]. (STF. 2a Turma. RE 205701/SP. Rei.: Min. Maurício Corrêa.
DJ 27.2.1998)

. .►CF. Art. 8o, Vlll - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro
da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que
suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos
■■ da lei.

► CLT. Art. 543, S .3° Fica vedada a dispensa do empregado sindicalizado ou associado, a
partir do momento do registro de sua candidatura a cargo de direção ou representação de
eritidáde sindical ou de associação profissional, até 1 (um) ano após o final do seu man­
dato, caso seja eleito inclusive como suplente, salvo se cometer falta grave devidamente
apurada nos termos desta Consolidação.
Direito do Trabalho 205

► ADCT. Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementara que se refere o a rt 7o, I, da
Constituição: [...] II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: a) do empregado
eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes, desde o
registro de sua candidatura até um ano após o final de-séu mandato.

3. FALTA GRAVE
SÚMULA N9 4 0 3 - É DE DECADÊNCIA O PRAZO DE TRINTA DIAS PARA INSTAURAÇÃO DO INQUÉ­
RITO JUDICIAL, A CONTAR DA SUSPENSÃO, POR FALTA GRAVE, DE EMPREGADO ESTÁVEL.

• S ú m u la a p lic á v e l.* Dota: 3 .4 .1 9 6 4 .0 Referência legislativa: CLT, a rt. 8 5 3 .mPrecedentes: R E 52845, DJ 1 *.8.1963: R E 53685,
DJ 17.12.1963.

Apesar de eficaz, o enunciado tem pouca aplicação prática, pois a CF/88 extin-
guiu a estabilidade decenal, ao prever como direito trabalhista "a relação de emprego
protegida contra despedida arbitrária ou sem justa,causa, nos termos de lei comple­
mentar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos" (CF/88, art.
7°, I). Ainda assim, para os poutos estáveis ainda remanescentes da iniciativa privada,
trata-se de direito adquirido; fazendo com que eles só possam ser dispensados caso a
falta grave seja apurada mediante inquérito.

SI Súmula TST n° 62: O prazo de decadência do direito do empregador de ajuizar inquérito em


face do empregado que incorre em abandono de emprego é contado a partir do momento
em que o empregado pretendeu seu retorno ao serviço.

SI [...] Decadência. O prazo estipulado no art. 853 da CLT para o ajuizamento do inquérito judicial
é de natureza decadencial e seu curso se inicia com o afastamento do empregado de suas
funções, a in d a q u e sem perda da percepção de salário. [...]. (TST. RR 717574/2000. Rei.: JCMPS.
DJ 11.11.2005)

0 Inquérito para apuração de falta grave. Decadência. O pagamento dos salários durante o perí­
odo de suspensão para apuração de falta grave não o descaracteriza, para os fins da norma
consolidada. O prazo decadencial erigido no art. 853 da Consolidação das Leis do Trabalho
visa a resguardar não apenas o direito do obreiro à sua subsistência, mas também ao trabalho
e à preservação do seu conceito profissional, sobre o qual não pode pairar dúvida por tempo
indeterminado. [...]. (TST. RR 739743/2001. Rei.: 6M LBC. DJ 30.9.2005)

0 Prazo decadencial. Inquérito para apuração de falta. Art. 853 da CLT. O ajuizamento de inqué­
rito destinado à apuração de falta grave deverá ser feito dentro de trinta dias a contar da
suspensão do empregado estável, sob pena de decadência, a rigor do art. 853 da CLT e Enun­
ciado n° 403 do STF. [...]. (TST. RR 803594/2001. Rei.: GMJSF. DJ 10.10.2003)

► CLT. Art. 494. O empregado [estável] acusado de falta grave poderá ser suspenso de suas
funções, mas a sua despedida só se tornará .efetiva após o inquérito e que se verifique a
procedência da acusação. ► Art. 853. Para a instauração do inquérito, para apuração d e ,.
falta grave contra empregado garantido com estabilidade, o empregador aprèseritará, recla­
mação por escrito à Junta ou Juízo de Direito, dentro de 30 (trinta) dias, contados da data
da suspensão do empregado. ' ■’ 1; '■
Roberval Rocha .. Albino Carlos _ Mauro José G.
206 Ferreira F ilho ^ Martins V ieira v oa Costa

S Ú M U L A N s 3 1 6 - A S IM P L E S A D E S Ã O À G R E V E N ÃO C O N S T IT U I F A LT A G R A V E .

• S ú m u la a p lic á v e l.• D a to : 13.12.1963.% Referência le g isla tiv a :C F/1 9 4 6 , a rt. 158. CLT, a rt. 482, a rt. 723. D L n 9 9.070/1946,
a rt. 10.% Precedentes: R E 32434 embargos-embargos, DJ 14.12.1961; R E 48805, DJ 7.12.1961; R E 51529, DJ 7.11.1963; R E
53841, DJ 17.10.1963; R E 46019, D J21.11.1963; R E 53698, DJ 19.9.1963.

A CLT elenca diversos fatores que podem motivar a rescisão do contrato de traba­
lho por conta de abusos ou infrações cometidos pelo empregado, denominados gene­
ricamente de "justa causa" (art. 482). A "falta grave" nada mais é do que a reiteração
dos fatos ensejadores da justa causa, ou o seu cometimento em situações que violem
seriamente os deveres laborais (art. 493).

A adesão a greves não consta do rol de faltas graves da CLT, nem poderia, pois
tanto para os trabalhadores da iniciativa privada quanto para os servidores públicos
o direito de greve é respaldado na CF/88 (arts. 9- e 37, VII, respectivamente). Seu
exercício, no entanto, pode ser regulamentado por lei, mas não tolhido totalmente.

'► CF/1988, Art. 9o. | assegurado o djreito de greve, competindo aos trabalhadores decidir
sobre a oportunidade de exercê-la e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§ 1°. Á lei definirá os serviços *ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das
necessidades inadiáveis dá comunidade. S 2°. Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis
às penas da lei. ► A r t 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Pode­
res da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,. também, ao seguinte: (..J
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica.

► CLT. A rt 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empre­
gador: a) ato de improbidade; b) incontinência de conduta ou mau procedimento; c) nego­
ciação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador, e qUando cons­
tituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o empregado, ou for prejudicial
ao serviço; d) condenação criminal do empregado, passada em julgado, caso não tenha
havido suspensão da execução da pena; e) desídia no desempenho'das respectivas fun­
ções; f) embriaguez habitual ou em serviço; g) violação de segredo da empresa; h) ato
de indisciplina ou de insubordinação; i) abandono de emprego; j),ftp. lesjyo da honra ou
da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas.fisicas, nas mesmas
condições, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem;, kjáço lesivo da honra
ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e,superiores hierárqui­
cos, salvo em cáso de Íegítima defesa, própria ou de outrem; |jprátic^ tiópStarité de jogos
de azar. Parágrafo único. Constitui igualmente justa causa pára dispensade empregado a
prática, devidamente comprovada em inquérito administrativo, dè atbs atentatórios à segu­
rança nacional. ► Art. 493. Constitui falta grave a prática de qualquer dos fatos a que se
refere o art. 482, quando por sua repetição ou natureza representem séria: violação dos
deveres e obrigações do empregado. :í;

4. FGTS
S ú m u l a Nfi 5 9 3 - I n c id e o p e r c e n t u a l d o F u n d o d e G a r a n t ia d o T e m p o d e S e r v iç o
( F G T S ) S O B R E A P A R C E L A D A R E M U N E R A Ç Ã O C O R R E S P O N D E N T E A H O R A S E X T R A O R D IN Á R IA S
D E TRA BA LH O .

• Sú m u la a p lic á v e l.% Data: 15.12.1976.% Referência leg isla tiva: L e i n e 5.107/1966, art. 2 B. Dec. n8 59.820/1966, a rt. 9 9.%
Precedentes: R E 76700, Dj 2.1.1974; R E 78687, DJ 28 .6.197 4; R E 78017, DJ 23.8.1974; R E 83650, D J2.4.1976.
Direito do Trabalho 207

A base de cálculo do FGTS deve englobar a remuneração total do empregado, ou


seja, com integração de todas as parcelas de caráter salarial, incluindo o salário in
natura (habitação, vestuário, alimentação, etc.). Excluem-se, consequentemente, as
verbas indenizatórias, conforme preveem os arts. 457 e 458 da CLT106.
A súmula foi revigorada por enunciado semelhante do Tribunal Superior do Tra­
balho (TST), adiante transcrito, e, também, expressamente, pelo art. 15 da lei que
dispõe sobre o FGTS.

@ Súmula TST n° 63: A contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço incide sobre
a remuneração mensal devida ao empregado, inclusive horas extras e adicionais eventuais.

► Lei n° 8.036/1990. Art. 15. Para os fins previstos nesta lei, todos os empregadores ficam
obrigados a depositar, até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a
importância correspondente a 8 (oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês
anterior, a cada trabalhador, incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts.
457 e 458 da CLT e a gratificação de Natal a que se refere a Lei n° 4.090, de 13 de julho de
1962, com as modificações da Lei n° 4.749, de 12 de agosto de 1965.

5. HABITUALIDADE
SÚ M U LA Ng 459 - N O C Á L C U L O D A IN D E N IZ A Ç Ã O P O R D E S P E D ID A IN J U S T A , IN C L U E M - S E O S A D I­
C IO N A IS , O U G R A T IF IC A Ç Õ E S , Q U E , P E L A H A B IT U A L I D A D E , S E T E N H A M IN C O R P O R A D O A O S A L Á R IO .

• Súm ula a p lic á v e l.• D a ta ; l ç. 10.1964. • Referência legislativa: CLT, art. 457, § 19; art. 477. Lei nç 2573/1955, arts. l ç.2 - e
J* . Dec. n? 4.0119/1956, arts. 4 9e 9s.m Precedentes: A l 25537, D) 24.5.1963; R E 51068, D} 5.11.1962; A l 27993, D j 16.11.1962;
R E 48231, Dj 19.9.1963; R E 55590, D )23.7.1964.

0 enunciado tomou por base o art. 477 da CLT, que assegura ao empregado, em con­
trato de trabalho por prazo indeterminado, e quando não haja ele dado motivo para ces­
sação das relações de trabalho (justa causa), o direto de haver do empregador üma inde­
nização, paga na base da maior remuneração que tenha percebido na mesma empresa.
Com a instituição do FGTS, pela Lei n9 5.107/1966, a indenização por despedida
injusta praticamente desapareceu, pois foi substituída pelos depósitos fundiários107.

Quanto às incorporações por habitualidade, Vide comentários à Súmula n9 207,


adiante.

106. CAIRO JUNIOR. José. Curso de direito do trabalho: direito individual e coletivo do trabalho. 2. ed.
Salvador: Juspodivm, 2008, p. 506.
107. MARTINS, Sérgio Pinto. Comentários à CLT. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2005, p. 147: "Antes de 1966, a
indenização era a única forma de compensação que o empregado recebia pela perda do emprego. Com
a instituição do FGTS, por meio da Lei n2 5.107/66, os empregadores somente passaram a admitir tra­
balhadores que optassem pelo novo sistema, com a finalidade de que o empregado não adquirisse a
estabilidade no emprego aos 10 anos de serviço. Com isso, desapareceu também a indenização pelo
período anterior à opção do FGTS, que foi substituída pelos depósitos fundiários. Somente uns poucos
trabalhadores ainda possuem tempo de serviço anterior ao FGTS ou são estáveis. Aqueles trabalhado­
res que não optaram pelo FGTS até 5.10.88, ou que optaram pelo FGTS, mas têm tempo anterior ao da
opção, é que terão direito à indenização".
Roberval Rocha A lbino Carlos Mauro José G.
208 Ferreira Filho 1j Martins V ieira da Costa

13 Súmula STF n° 207: As gratificações habituais, inclusive a de Natal, consideram-se tacitamente


convencionadas, integrando o salário.

[SI Súmula TST n° 240: O adicional por tempo de serviço integra o cálculo da gratificação prevista
no art. 224, § 2o, da CLT.

0 Súmula TST n° 172: Computam-se no cálculo do repouso remunerado as horas extras habitu­
almente prestadas.

0 Súmula TST n° 148: É computável a gratificação de Natal para efeito de cálculo de indeniza­
ção.

0 Súmula TST n° 139: Enquanto percebido, o adicional de insalubridade integra a remuneração


para todos os efeitos legais.

S] Súmula TST n° 132: I - O adicional de periculosidade, pago em caráter permanente, integra o


cálculo de indenização e de horas extras. [...].

0 Súmula TST n° 24: Insere-se no cálculo da indenização por antiguidade o salário relativo a
serviço extraordinário, desdequehabitualmenteprestaçio. '

S Ú M U L A N 2 2 0 9 - O S A L Á R IO - P R O D U Ç Â O , C O M O O U T R A S M O D A L ID A D E S D E S A L Á R IO - P R Ê M IO , É

D E V ID O , D E S D E Q U E V E R IF IC A D A A C O N D IÇ Ã O A Q U E E S T I V E R S U B O R D IN A D O , E N Ã O P O D E S E R
S U P R I M I D O U N IL A T E R A L M E N T E P E L O E M P R E G A D O R , Q U A N D O P A G O CO M H A B I T U A L I D A D E .

• S ú m u la a p lic á v e l.• P o ta .- 1 3 .1 2 .1 9 6 3 .» Referência legislativa: CLT, art. 442: art. 457, § l s.m Precedentes: R E 40231 em ­
bargos, Dl 27.4.1961; R E 40567 embargos. D] 28.11.1963: R E 45202, DJ 25.5.1961: R E 48483, D j 7.12.1961; R E 49306, D j
1 8 10.19 62: R E 50799 embargos. Dl 2 8 11.19 63; R E 51705. DJ 21.11.1963: R E 52219, DJ 14.6.1963.

Vide comentários à Súmula n2 207, adiante.

SÚMULA N® 2 0 7 - AS GRATIFICAÇÕES HABITUAIS, INCLUSIVE A DE NATAL, CONSIDERAM-SE TACI-


TAMENTE CONVENCIONADAS, INTEGRANDO O SALÁRIO.

• S ú m u la a p lic á v e l.• Data: 13.12.1963. •R e fe rê n cia legislativa: CLT. art. 442: a rt. 4S7, § )>’. • Precedentes: R E 39902, D j
17.10.1963; R E 44940, D J28.9.1961; R E 45 6 4 0 embargos, D j 15.6.1962; R E 48241, DJ 28.9.1961.

De maneira pacífica, a jurisprudência brasileira pauta-se em postura objetiva no


exame do requisito necessário para a integração salarial e contratual da parcela grati-
ficatória. A simples reiteração da parcela, tornando-a habitual, produz sua integração
ao contrato e, em consequência, ao salário, independentemente da intenção de libera­
lidade afirmada no ato contratual instituidorda gratificação10B.

Segundo o art. 457, § l s, da CLT, integram o salário não só a importância fixa es­
tipulada como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias
para viagens e abonos pagos pelo empregador.

® Súmula STF n° 459: No cálculo da indenização por despedida injusta, incluem-se os adicionais,
ou gratificações, que, pela habitualidade, se tenham incorporado ao salário.1
8
0

108. DELGADO, Maurício Godinho. C u r s o d e d ir e ito d o tr a b a lh o . 2. ed. São Paulo: LTR, 2003, p. 735.
Direito do T rabalho 209

BI Súmula TST n° 253: A gratificação semestral não repercute no cálculo das horas extras, das
férias e do aviso prévio, ainda que indenizados. Repercute, contudo, pelo seu duodécimo na
indenização por antiguidade e na gratificação natalina.

SI Súmula TST n° 203: A gratificação por tempo de serviço integra o salário para todos os efeitos
legais.

BI Súmula TST n° 152: O fato de constar do recibo de pagamento de gratificação o caráter de


liberalidade não basta, por si só, para excluir a existência de ajuste tácito.

Súmula TST n° 115: O valor das horas extras habituais integra a remuneração do trabalhador
para o cálculo das gratificações semestrais.

6. INDENIZAÇÃO
Sú m u la n - 463 - P a r a e f e i t o d e i n d e n i z a ç ã o e e s t a b i l i d a d e , c o n t a -s e o t e m p o e m q u e
o em preg a d o estev e a fa sta d o , em s e r v iç o m il it a r o b r ig a t ó r io , m esm o a n t e r io r -

M E N ÍE À L e i 4.072, d e 01.06.62. „ >

• Sú m u la ap lic á ve l. • Data: 19.10.1964. • Referência Je g isla tiv a ; CLT. a r t 4 9, parágrafo único. Lei 4072/1962, a r t í 9. •
Precedentes 'R E 43238, D} 19.1.1961; R E 46089, D j 5.4.1961; R E 51486. D j 4.4.1963; R E 56323, D j 5.11.1964; A l 13J64, A D j
10.11.1948.

Trata-se de regra prevista expressamente na CLT.

► CLT. A rt 4o. Parágrafo único. Computar-se-So, na contagem de tempo de serviço, para


efeito de indenização e estabilidade, os períodos em que o empregado estiver afastado do
trabalho prestando serviço militar [...] (vetado) [...] e por motivo de acidente do trabalho.

Sú m u la .n2 462 - No cá lcu lo d a in d e n iz a ç ã o p o r d e s p e d id a in j u s t a i n c l u i -s e , quando


d e v id o ,.o r e p o u s o s e m a n a l r e m u n e r a d o .

• S ú m u la s u p e ra d a .• Data: 1°. 10.1964. •R eferê n cia legislativa: CLT, a rt. 477. L e in 9 605/1949, a r t 10,parágrafo único. Dec.
n> 27.048/1949, arts. 10 e 13.% Precedentes: A l 14904, DJ 9.3.1953; R E 15438 EDv. 0 / Z 7 .ll.1 9 5 2 ; A l 16SB7, D]5.B.1954; A l
15328 embargos, Dj 18.8.1956; A l 32552, Dj 24.9.1964; A l 15438, DJ 27.11.1952.

Não cabe mais a restrição "quando devido" feita pelo enunciado, pois o repouso
semanal remunerado é sempre devido: trata-se de garantia constitucional do traba­
lhador, e, portanto, ingressa na base de cálculo das indenizatórias obrigatoriamente,
não podendo ser excetuado por regra legal, conforme preconiza a própria Carta Maior.

BI Súmula STF n° 464: No cálculo da indenização por acidente do trabalho inclui-se, quando
devido, o repouso semanal remunerado.

SI [-1 no que tange ao valor do benefício, a regra insculpida no art. 7°, XIII da Lei Maior, apenas
cuida da jornada de trabalho e é de inspiração eminentemente social. Dai não se pode, em
sã consciência, admitir que o direito ao descanso semanal remunerado possa prejudicar o
obreiro, limitando o cálculo de sua remuneração, uma vez que o mês de trabalho é conside­
rado com tendo 30 dias de 8 horas, perfazendo um total de 240 horas mensais de trabalho
normal. Por isso que o art. 28, § 2° da Lei n° 8.213/91, vindo ao encontro do fim social do
texto constitucional lembrado, manda seja o salário-hora multiplicado por 240. (STJ. 6a Turma.
REsp 197632/SP. Rei.: Min. Fernando Gonçalves, voto. DJ 20.3.2000)
Ro b er v a l R o c h a A l b in o C a r l o s M a u r o José G.
210 F e r r e ir a F il h o M a r t in s V ie ir a d a C o sta

► CF/1988. Art. 7®. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que
visem à melhoria de sua condição social: [...] XV - repouso semanal remunerado, preferen­
cialmente aos domingos.

SÚMULA N9 2 2 0 - A INDENIZAÇÃO DEVIDA A EMPREGADO ESTÁVEL, QUE NÃO É READMITIDO AO


CESSAR SUA APOSENTADORIA, DEVE SER PAGA EM DOBRO.

• S ú m u la a p lic á v e l. • Data: 13.12.1963.9Relêrência legislativu: CLT, art. 475, § 1*. 9 Precedentes: R E 51525 embargos, D j
4.7.1963.

0 enunciado refere-se à aposentadoria por invalidez, que pode ser provisória, du­
rante a qual o contrato de trabalho fica suspenso. Recuperada a capacidade laborai, é
direito do trabalhador retornar ao emprego e exercer as mesmas funções que antes
desempenhava. 0 empregador, porém, pode optar por rescindir o contrato de traba­
lho, com indenização calculada de acordo com os preceitos da CLT.

► CLT. Art. 47S. O empregado que for aposentado por invalidez terá suspenso o seu con­
trato de trabalho durante o prazo fixado, pelas leis de previdência social para a efetivação
- do benefício. 5 1°. Recuperando o empregado a capacidade de trabalho e sendo a apo­
sentadoria cancelada, ser-lhe-á assegurado o direito à função que ocupava ao tempo da
aposentadoria, facultado, porém, ao empregador, o direito de indenizá-lo por rescisão do
contrato de trabalho, nos termos dos arts. 477 e 478, salvo na hipótese de ser ele portador
de estabilidade, quando a indenização deverá ser paga na forma do art. 497. 5 2°. Se o
empregador houver admitido substituto para o aposentado, poderá rescindir, com este, o
respectivo contrato de trabalho sem indenização, desde que tenha havido ciência inequí­
voca da interinidade ao ser celebrado o contrato. ► Art. 497. Extinguindo-se a empresa,
sem a ocorrência de motivo de força maior, ao empregado estável despedido é garantida a
indenização por rescisão do contrato por prazo indeterminado, paga em dobro.

S ú m u l a n 9 2 1 9 - Pa r a a in d e n iz a ç ã o d e v id a a e m p r e g a d o q u e t in h a d i r e i t o a s e r r e a ­
d m it id o , E NÃO FOI, LEVAM-SE EM CONTA AS VANTAGENS ADVINDAS A SUA CATEGORIA NO PERÍ­
ODO DO AFASTAMENTO.

• Sú m u la a p lic á v e l.9 Data: 13.12.1963.9Referência legislativo: CLT. art. 4 7 5 ,§ í 9. 9 Precedentes: R E 47001, D j21.9.1961: R E
48490, Dl 7.12.1961: M 26193, D/ 22.6.1962: R E 51525, D/ 22.11.1962: R E 53622 embargos, D] 9.4.1964.

Vide comentários à Súmula n9 220, retro, e à Súmula ns 217, adiante.

S ú m u l a n 9 2 1 7 - T e m d i r e i t o d e r e t o r n a r ao e m p r e g o , o u s e r in d e n iz a d o e m c a so
d e r e c u s a do e m p r e g a d o r , o a p o s e n t a d o q u e r e c u p e r a a c a p a c id a d e d e t r a b a l h o

d e n t r o d e cin co a n o s , a c o n t a r d a a p o s e n t a d o r ia , q u e s e T O R N A D E F I N I T I V A A P Ó S E S S E
prazo.

• Sú m u la su p e ra ria . • Data: 13.12.1963. 9 Referência legislativa: CLT, a n. 475. 9 Precedentes: R E 43252 embargos, DJ
21.8.1961; R E 42217 embargos, Dj 28.9.1961; R E 45063, DJ 8.9.1961; R E 43848, DJ 14.6.1963.9 Enunciado sob a CF/1946,
que atribuía ao S T F competência para o controle da autoridade e da uniform idade de interpretação das leis federais. Hoje.
essa competência é do STJ ( CF/88, art. 105,111).

0 prazo para retorno do aposentado por invalidez às atividades no anterior em­


prego, antes que a aposentadoria torne-se definitiva, é de cinco anos a contar do en­
cerramento do respectivo processo administrativo e não da sentença do juízo de aci­
Direito do Trabalho 211

dentes. Após esse prazo, ao empregado não será mais facultado o direito de retorno às
funções, podendo, todavia, ele iniciar atividades em outro emprego, quando cessará o
benefício por circunstância superveniente justificadora, a recuperação da capacidade
de trabalho do aposentado.

Após a edição da súmula, o legislador alterou a redação do art. 475 da CLT, para
ressalvar que a indenização dos empregados que tinham estabilidade no emprego de­
veria observar a forma prescrita no art. 497 da Consolidação, qual seja, a indenização
deveria ser paga em dobro.

A Lei ne 8.213/1991 estabelece um cronograma de redução progressiva do bene­


fício quando o empregado não tem mais direito a retornar à função que desempenha­
va na empresa quando se aposentou, na forma da legislação trabalhista.

► CLT. A rt. 475 O empregado que for aposentado por invalidez terá suspenso o seu con
trato de, trabalho durante o prazo fixado pelas leis dé previdência social para a efeti­
vação do benefício. $ 1° Recuperando o. empregado a capacidade de trabalho e sendo
a aposentadoria.cancelada, ser-lhe-á assegurado o direito à função que,ocupava ao.
. ■ . tempo da aposentadoria, facultado, porém, ao empregador, o direito de indenizá-lo por
rescisão do contrato de trabalho, nos termos dos arts. 477 e 478, salvo na hipótese de
ser ele portador de estabilidade, quando a indenização deverá ser paga na form a'do
art. 497.

► Lei n° 8213/1991. A r t 47 Verificada a recuperação da capacidade de trabalho do apo- -


sentado por invalidez, será observado o seguinte procedimento: I - quando a recuperação
ocorrer dentro de 5 (cinco) anos, contados da data do início da aposentadoria por invalidez
ou do auxílio-doença que a antecedeu sem interrupção, o benefício cessará: a) de imediato,
para o segurado empregado que tiver diréito a retomar à função que desempenhava na
■empresa quando se aposentou, na forma da legislação trabalhista, valendo como docu­
mento, para tal fim, o certificado de capacidade fornecido pela Previdência Social; ou b)
após tantos meses quantos forem os anós de duração do auxílio-doença ou da aposen­
tadoria por invalidez, para os demais segurados; II - quando a recuperação for parcial, ou
ocorrer após o período do inciso I, ou ainda quando o segurado for declarado apto para o
exercício de trabalho diverso do qual habitualmente exercia, á aposentadoria será mantida,
sem prejuízo da volta à atividade: a) no seu valor integral, durante 6 (seis) meses contados
da data em que for verificada a recuperação da capacidade; b) com redução de 50% (cin­
quenta por cento),ho‘períôdosegúíntède6 (seis) meses; c) com redução de 75% (setenta
e cinco por cento), também: por igual período de 6 (seis) meses, ao término, do qua! cessará
definitivamente. ......

S Ú M U LA Na 200 - N Ã O É IN C O N S T IT U C IO N A L A L e i 1.530, DE 26.12.51, Q U E M A N D A I N C L U IR N A


IN D E N IZ A Ç Ã O P O R D E S P E D ID A IN JU S T A P A R C E L A C O R R E S P O N D E N T E A F É R I A S P R O P O R C IO N A IS .

• S ú m u la s u p e ra d a .• D a fa : 13.12.1963. • Referência legislativa: CLT, art. 142. L e in 9 1.530/1951.mPrecedentes: A í 19727, Dj


23.7.1959: A í 24371, D }25.7.1962; A I 26880, D J22.6.1962; R E 46065, DJ 8.9.1961; R E 48733, DJ 11.1.1962.

0 enunciado dizia respeito à constitucionalidade formal da Lei nQ1.530/1951, já


revogada, que incorporou à CLT norma hoje encartada no art. 146

SI Súmula TST n° 261: O empregado que se demite antes de complementar 12 (doze) meses de
serviço tem direito a férias proporcionais.
Roberval Rocha ,, Albino Carlos Mauro José G.
212 Ferreira Filho