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DGEMN

Castelo de Tomar

IPA
Monumento

Nº IPA
PT031418120006

Designação
Castelo de Tomar

Localização
Santarém, Tomar, São João Baptista

Acesso
Terreiro D. Gualdim Pais

Protecção
MN, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 Junho 1918, ZEP, DG 265 de 14
Novembro 1946.

Enquadramento
Urbano. Isolado, destacado. Assente no morro sobranceiro à cidade de Tomar,
a E. da mesma, adaptando-se as muralhas aos acidentes topográficos da
encosta, as quais se unem às estruturas do Convento de Cristo (v.
PT031418120002) classificado património da humanidade, rodeado pelos
Jardins e Mata dos Sete Montes (v. PT031418120016) e de onde se vê o
Aqueduto (v. PT031418040008) que corre paralelo ao muro da cerca do
convento acabando encostado à sua fachada S.

Descrição
Planta irregular. Cortina de muralhas ameadas sobre forte talude, com seteiras
crucíferas nos merlões, circundada por adarve; irregularmente angulosa, é
guarnecida de cubelos semicilíndricos e semiquadrangulares, rematada no
ângulo SE. por torre de planta rectangular (Torre da Rainha) e no ângulo SO.
por torre circular (Torre da Condessa); a Charola reforçava a cortina O.. Uma
porta rasga-se do lado S., numa reentrância do pano, entre cubelos
rectangulares, a Porta do Sangue, a outra, a porta do Sol, abre para o terreiro,
comunicando com uma porta exterior, a porta de Santiago, por calçada que
circunda a Alcáçova. Esta, de planta escudiforme, é reforçada a S. por torreão
de planta quadrangular, a E. por pesado contraforte triangular; no canto NO.
ergue-se a Torre de Menagem, de planta rectangular, em 3 andares. No pano
murário da Alcáçova rasgam-se janelas de sacada; o mesmo sucede na
cortina que se estende para N., até à fachada do convento. Na Torre da
Raínha rasgam-se janelas maineladas, nas 2 faces viradas para a vila.

Descrição Complementar
INSCRIÇÕES: E. M. LC. XXXV : Regnante : Alphonso Illustrissimo Rege
Portugalis: Magister Gualdinus : Portugalensium Militum Templi : cum fratribus
suis Primo die Marti : cepit : edificare Hoe Castellum : Nomine Thomar ; quod
Prefatus Rex obtuli Deo : et Militibus Templi. INSCRIÇÕES NA TORRE DE
MENAGEM: Na base da Torre de Menagem está deitada no cunhal S. / O.
uma ara romana votiva do espírito do lugar, contendo a inscrição "GENIO
MUNICIPI". Outras lápides de menor porte encontram-se incrustadas nas
paredes da mesma torre. Na torre de menagem, além das pedras epigrafadas
aparecem incrustadas nas suas paredes várias estelas ornamentadas, do
período visigodo, tardo-romano e árabe.

Utilização Inicial
Militar: castelo

Utilização Actual
Marco histórico-cultural: castelo

Propriedade
Pública: estatal

Afectação
DRC, Dec. N.º 34 de 29 Março 2007

Época Construção
Séc. 12 / 16 / 17

Arquitecto | Construtor | Autor


Desconhecido
Cronologia
1160, 1 de Março - Início construção do castelo, segundo inscrição na Torre
de Menagem; 1499 - abandono da população que vivia intramuros, por ordem
de D. Manuel; D. Manuel manda entaipar a porta de Almedina; 1533, c. de - D.
Catarina pretende adaptar a alcáçova do castelo e o paço henriquino a palácio
privativo; adaptações feitas no interior da Torre da Rainha, até então
conhecida como "torre do relógio"; 1536 - data inscrita na verga da porta da
cisterna existente na Torre da Rainha; 1618 - para se construir a portaria
filipina é destruída a torre do ângulo NO. da cortina (JANA, 1991); 1620, c. de -
são executados os ornamentos da entrada da porta principal do Castelo; séc.
19, finais - restauro de um trecho de muralha, do lado S., pelo Conde de
Tomar; 1935 / 1936 - os trabalhos de regularização do terreno (da mata)
executados pela Brigada Agrícola afectaram a muralha do castelo e
provocaram a derrocada de uma parte da sapata empedrada, o alambor onde
assenta a muralha; 1947 - cedência da Torre da Rainha para arrecadação das
alfaias agrícolas e instalação de residência de um guarda na Torre da
Condessa; 1955 - Ofício com recomendações e estimativas de custos sobre a
iluminação do Castelo de Tomar (DGEMN, DSMN, 5ª.Secção, Repartição
Técnica); 1992, 01 de Junho - o imóvel foi afecto ao IPPAR pelo DL 106F/92;
2006, 01 de Março - assinatura de protocolo entre o IPPAR e a Associação
Portuguesa dos Amigos dos Castelos (APAC) *1.

Tipologia
Arquitectura militar, românica, gótica, renascentista. Castelo de 2 cinturas de
muralhas (uma nascendo junto à entrada da Casa do Capítulo e terminando
na Torre de D. Catarina, outra ligando a fachada E. da Charola à zona S. da
Alcáçova) que delimitavam outrora o primitivo burgo intramuros e a praça de
armas; reforçadas a espaços regulares por cubelos semicirculares e
quadrangulares, repetem um modelo que terá sido importado pelos Templários
que utilizaram um esquema idêntico na Terra Santa: a sua fortaleza em
Saphyum repetia o esquema do Krak dos cavaleiros hospitalários, em Hom
(ROSA, 1965)

Características Particulares
A disposição dos cubelos semicirculares intercalados na cortina e abertos para
o interior constituiu uma grande inovação na arquitectura militar (ALMEIDA,
1986).

Dados Técnicos
Paredes autoportantes e estruturas autónomas (torres).

Materiais
Alvenaria nos panos murários, cantaria nos cunhais.

Bibliografia
VITERBO, F. Sousa, Diccionário Histórico e Documental dos Architectos,
Engenheiros e Constructores Portugueses ou ao Serviço de Portugal Lisboa,
Vol. I, 1899; MACHADO, Francisco Soares de Lacerda, Castelo dos
Templários, origem da cidade de Tomar, Tomar, 1936; SEQUEIRA, Gustavo
de Matos, Inventário Artístico de Portugal, Lisboa, 1949; ROSA, Amorim,
História de Tomar, vol. I, Tomar, 1965; ALMEIDA, C.A. Ferreira de, História da
Arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1986; CONDE, Manuel Sílvio Alves, Tomar
Medieval - o espaço e os homens (sécs. XIV - XV), Tese policopiada, UNL,
1988; PONTE, Maria La-Salete, Abordagem arqueo-histórica dos Paços do
Castelo dos Templários, Boletim Cultural e Informativo, nº 11 / 12, Tomar,
1989; JANA, Ernesto, O Convento de Cristo em Tomar e as obras durante o
período filipino, tese policopiada, Faculdade de Letras, Lisboa, 1990;
Património: Balanço e Perspectivas, 2000 - 2006, IPPAR, Lisboa, 2000;
PONTE, Salete, FERREIRA, Rui, MIRANDA, Judite, Intervenção arqueológica
no Castelo de Tomar, in: Mil Anos de Fortificações na Península Ibérica e no
Magreb (500-1500), CMP, 2001; BARBOSA, Álvaro José, Os Sete Montes de
Tomar: Recuperação da Cerca do Convento de Cristo, Casal de Cambra,
2003; Protocolo entre o IPPAR e a Associação Portuguesa Amigos dos
Castelos em Tomar, in Jornal de Abrantes, 2006 - 04 - 14.

Documentação Gráfica
IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Fotográfica
IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa
ANTT: Livro dos Mestrados, da Chancelaria de D. Manuel; IHRU:
DGEMN/DSID, DGEMN/Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa

Intervenção Realizada
DGEMN: 1934 - Restauro do muro e ameias entre as portas do Sol e de
Santiago; redução do talude da alcáçova em 15 x 12 m., a fim de facilitar o
acesso; a bandeira existente sobre o portão da porta do Sol é demolida; 1936 -
reconstrução da sapata da torre da Condessa, que desmoronou pela retirada
de terras junto às suas fundações; 1939 / 1944 - Obras de restauro do Castelo
de Tomar: reconstrução das muralhas,incluindo escavação de caboucos,
escavação de terras e escolha de materiais aproveitáveis, placas de betão
armado encobertas; 1954 - colocação de uma guarda em ferro na escada de
acesso ao mirante do castelo; 1959 - restauro e recuperação do pavimento,
incluindo assentamento de tijoleiras velhas; limpeza do recinto; construção de
uma porta em madeira de carvalho; 1960 - construção de escadas na torre de
Menagem e de respectiva guarda; reparação de alvenaria na entrada da torre
e de paramentos na torre pequena (?); 1961 - iluminação exterior do Castelo,
1ª. Fase); 1962 - reparação dos paramentos do lado sul, gateando a alvenaria;
1963 / 1964 - Torre da Rainha - recuperação da cobertura, arranjo e caiação
de paramentos, reparação do extradorso da abóbada, assentamento de
grades de ferro em duas aberturas; 1966 - iluminação exterior do Castelo (2ª.
fase); 1973 - restauro do piso do adarve na muralha entre a porta do Sol e a
Torre da Rainha: piso, degraus, encasque de paramentos e refechamento de
juntas; 1986 - consolidação das muralhas junto à Porta do Sangue; 1989 -
recuperação da sapata; IPPAR: 1986 / 1987 - realização de trabalhos
arqueológicos na Alcáçova e zona envolvente; 1996 / 1998 - realização de
trabalhos arqueológicos na Alcáçova e Paços do Infante (1ª. fase); 2003 /
2006 - recuperação da Alcáçova e Paços do Infante (2ª fase - em curso).

Observações
*1: no âmbito do protocolo estão previstas as seguintes actividades - 1)
Resgatar e valorizar a Porta da Almedina; 2) Valorizar a Torre de Menagem; 3)
Visitas de estudo especiais.

Autor e Data
Isabel Mendonça 1991

Actualização
Cecília Matias 2006