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Coisas de criança.

Paulo Ricardo Meira


Técnico Superior em Trânsito
e Professor do UniRitter

O risco de acidentes de trânsito aumenta na faixa dos oito aos nove anos de
idade. Nesta fase a compreensão das crianças é diferente da dos adultos e os
estudantes
começam a sair das escolas sozinhas. Eles não têm a perfeita noção de quando
podem
ou não atravessar a rua, o que pode causar o acidente.
De acordo com as pesquisas do Prof. Reinier Rozestraten, palestrante em um
congresso de educação para o trânsito promovido pelo Detran-RS e Secretaria da
Justiça
e da Segurança, uma criança não é capaz de avaliar corretamente dimensões como
o
tempo, distância e velocidade. Seu campo visual é estreito. Vê somente o que está
diante dela, e confunde tamanho e distância. Por ser baixa, a criança não vê o que
está
acima dos automóveis estacionados, não sendo também vista pelos motoristas. Ela
tem
que ter muito cuidado ao atravessar no meio de carros estacionados. Além disso,
ela vê
por contrastes: precisa de 4 segundos para distinguir se um carro está em
movimento ou
parado. Por causa do tamanho, um carro menor de passeio lhe parece mais longe
que
um caminhão.
Ao conversar com as crianças sobre trânsito, entenda que, para elas, vida e
morte são uma coisa só, elas não crêem na morte. Para uma criança, vida e morte
são
brincadeiras e por isso ela não teme a morte. É melhor dizer que vai se machucar
muito
e que vai doer bastante, em caso de um acidente.
A rua é para ela um lugar de brincar. O automóvel “parece gente” e, a
passagem de pedestre, um lugar seguro. A criança pensa que nada pode lhe
acontecer,
principalmente perto dos pais, das babás, dos amigos, de sua casa ou da escola.
A criança sempre imita os adultos: se eles atravessam a rua, ela também
acredita que pode. E se duas crianças estão juntas, de mãos dadas, ignoram o
perigo.
Uma criança sempre procura satisfazer suas próprias necessidades. Por exemplo,
chegar
aos pais ou aos amigos que estão do outro lado da rua.
Segure sempre firmemente a mão da criança, ao atravessar uma rua, pois
caso contrário ela poderá soltar-se e ficar indecisa ou assustada no meio da pista.
Aguarde a vez de atravessar a rua sem descer da calçada.
Ensine que a rua não é lugar apropriado para brincadeiras. Insista que lugar
de pedestre é na calçada, longe do meio-fio. Pequenos “toques” como esse podem
ser
uma lição de vida para nossas crianças.