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GT Seiva Setembro 2015

Consenso Progressivo
Guia com sugestões de práticas
para busca da tomada de decisão
através do consenso progressivo

Primeira versão

Objetivos Referências
Esse guia pretende trazer
orientações sobre o processo Material consultado durante a elaboração desse documento:
de decisão utilizando
consenso progressivo.
Trata-se de um primeiro passo https://pt.wikipedia.org/wiki/Decisão_por_consenso
na busca por uma
metodologia e não de uma http://www.seedsforchange.org.uk/resources
regulamentação ou regimento.
http://www.revistaforum.com.br/brasilvivo/2014/01/28/cons
Ao aplicarmos as práticas
contidas aqui, certamente enso-progressivo-a-pratica-de-uma-nova-cultura-politica/
surgirão novas ideias e
sugestões que serão utilizadas http://www.consensusdecisionmaking.org/
na próxima versão do guia.
https://www.youtube.com/watch?v=LzQJZ42wpKA

A palavra “consenso” tem origem no latim "cōnsēnsus" (conformidade ou


concordância), que, por sua vez, deriva de "cōnsentiō", que significa literalmente
"sentir junto". E é essa nossa intenção: tomar decisões coletivas sentindo junto,
crescendo junto, construindo junto.
Guia para Consenso Progressivo Primeira Versão - Setembro 2015

Consenso
Diferente da decisão com imposição da vontade da maioria, essa é uma busca pela solução que melhor se
adequa às necessidades do grupo como um todo. É trabalhar com o outro e não para ou contra o outro,
assim, é necessário o comprometimento de cada indivíduo em encontrar soluções que todos apóiam, ou ao
menos, aceitam.
A visão de cada componente do grupo tem o mesmo peso e é muito importante que diferentes opiniões
sejam ouvidas e incorporadas na solução. Dessa forma, o resultado final agrega e une o coletivo ao invés de
segregar e formar facções. Assim, o processo de busca pelo consenso pode demandar um tempo
consideravelmente maior do que outras formas de tomada de decisão, no entanto, por acomodar a maior
quantidade possível de opiniões e visões, o comprometimento dos membros do grupo é muito maior,
levando a uma redução no tempo de execução daquilo que foi decidido conjuntamente.
Por ser um processo mais complexo e exigir um maior investimento de tempo, mente e alma, é natural que
apareçam o cansaço, frustração e desmotivação. Nesses momentos, devemos lembrar que o caminho que
trilhamos é tão ou mais importante que o destino final, e que enquanto investimos nesse modelo de decisão,
crescemos como indivíduo e como coletivo.
Consenso é resultante do ato de consentir, de não criar obstáculos ou impedimentos. É fruto de um gesto de
generosidade e grandeza ao mesmo tempo; generosidade porque expressa desapego; grandeza porque se
cede no menor para se ganhar no maior, se abre mão do que não é significativo para se ganhar no futuro,
naquilo que realmente importa.
Para colocar em prática a busca pelo consenso, precisamos de ferramentas adequadas. Necessitamos,
obviamente, de metodologias para exposição de ideias e argumentos e para tomada de decisões. Mas tão
importante quanto esses instrumentos organizacionais, são as habilidades dos envolvidos em falar, escutar,
sentir, refletir, ceder, aceitar, respeitar e esperar.
A alma do consenso está na interação entre as pessoas, que deve se dar sempre de forma respeitosa e
construtiva. Assim, é essencial ter em mente que a opinião alheia é tão importante quanto a própria, e que
confiança, cooperação e paciência são imprescindíveis para o sucesso.

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Comprometimento
Para iniciar o processo do consenso
progressivo é necessário, acima de tudo,
comprometimento com algo, com um objetivo
maior que nos auxilie a termos um foco que
nos facilite o processo de exercitar de maneira
continua o desprendimento de pequenas
verdades por um grande objetivo em comum.

Para isso, é necessário entender a diferença entre Nesta perspectiva, se um grupo tem um mesmo grande
ouvir e escutar. O ato de ouvir está relacionado objetivo, o olhar generoso e não acusativo tem muito a
com o sentido da audição. Quando percebemos auxiliar. Neste trabalho de tentar entender as posições
qualquer som, estamos apenas ouvindo. Isso não das outras pessoas, uma busca primeira de uma
exige nenhum esforço ou relação com um possível intencionalidade positiva para as mensagens terem
ser que fala. O ouvir simplesmente acontece com sido proferidas, pode facilitar muito o diálogo.
todos que possuem esta capacidade.
Este caminho faz parte de um processo de construção
Já o ato de escutar exige de nós uma presença, um de confiança. Confiar que o outro dará sempre o seu
esforço em relação ao que se está ouvindo. melhor mesmo que não seja o que acreditamos
Quando estamos em uma conversa, precisamos naquele momento ser o melhor. É necessário tentar
interpretar não só os códigos linguísticos, mas o sempre a busca do entender o outro, do apreender o
que o ser humano que fala está querendo dizer contexto, as falas, ações e seus porquês.
com as palavras que vocaliza. O escutar esta
relacionado a esta interpretação. O processo se dá em uma busca incansável por uma
perfeição processual a qual nunca se chegará. É
Apesar de ouvirmos muito, exercitamos pouco importante ter isso em vista para não se frustrar com
uma interpretação ativa, profunda e generosa. Um os muitos tropeços que daremos e veremos nesta
escutar na busca de entender de fato que caminhada. Tudo bem. É mais fácil se já os aceitamos,
mensagem os outros estão realmente querendo mas caminhemos apesar dos tombos. Temos sempre
passar. Perguntar para outro e para si próprio o um outro a nos ajudar.
porque das palavras terem sido ditas, antes de
qualquer tentativa de contra argumentar. Este comprometimento constante na busca pelo
consenso progressivo não é algo simples que
Todos nós temos vivências necessariamente acontecerá naturalmente. Exige muito esforço no
diferentes. Isto traz uma riqueza incomensurável despreendimento de algumas pequenas verdades e no
de perspectivas e de aprendizados que, quando entender as verdades e dificuldades dos outros, mas,
estamos tentando construir algo juntos, pode principalmente, no acreditar que muitas pessoas, se
amplificar significativamente a nossa visão de juntas, conectadas, presentes e com objetivos em
mundo. Se estivermos dispostos a nos embriagar comum podem construir saberes diferentes, potenciais
pelos múltiplos olhares a disposição à nossa volta, e muito mais ricos do que separadas ou seguindo a
podemos sair de nosso lugar comum para um nossa pequenez “iluminada”.
indescritível novo.

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Comunicação
Devemos buscar ferramentas de comunicação que
facilitem o processo de tomada de decisão por Consenso
Progressivo e evitem, ao máximo, as celeumas que
podem vir a ser geradas no decorrer dos debates,
sobretudo quando estes ocorrerem em plataformas
virtuais nas quais não se tem acesso ao tom de voz ou às
expressões faciais sendo, por isso mesmo, mais
suscetíveis aos erros de interpretação. Mas que também
possam ser aplicadas nos encontros presenciais.

Para tanto, buscaremos práticas que transformem nossa maneira de interagir e que resultem numa
comunicação conciliadora. Para isso, alguns passos são primordiais:

1. Se expressar com honestidade e gentileza;


2. Escutar ativamente e com empatia;
3. Certificar-se que compreendeu o argumento alheio antes de posicionar-se contrariamente.

1. Para nos expressarmos com 2. Para escutar ativamente 3. Para certificar-se que
honestidade, é preciso: devemos nos esforçar para entendeu o outro é
compreender conteúdo e importante:
a. Observar de maneira reflexiva e não sentimentos.
julgadora, pois ao contrário do a. colocar em suas palavras
julgamento, que cria reações adversas, a A escuta ativa pressupõe o que você conseguiu
observação tem o efeito de aproximar as disponibilidade, interesse captar do que foi exposto;
pessoas porque não taxa ou fecha alguém pela pessoa e pela
em um rótulo. comunicação. b. apresentar a sua
interpretação para a pessoa
b. Expressar, com clareza e gentileza, Procuramos aceitar as que expôs e perguntar se
como estamos nos sentindo em relação ao expressões e sentimentos, foi isso mesmo que ela
que estamos observando, uma vez que tanto positivos quanto realmente quis passar.
dialogar a partir de um sentimento negativos, sem fazer
sincero, desarma uma contra-reação julgamentos. Utilizando essa nova
hostil. Mas é importante realçar que maneira de interagir, será
devemos assumir a responsabilidade pelos No caso de reuniões mais fácil obter uma
nossos sentimentos. presenciais e por áudio e comunicação clara e
vídeo, perceber o tom de voz, compassiva, que vá de
c. Expressar com clareza e gentileza quais a fluidez do discurso, as encontro às nossas
são as nossas necessidades e desejos, sem pausas, construção das frases, necessidades coletivas.
deixá-los ocultos em nossos observar a linguagem não-
reinvidicações. verbal (postura, expressão
facial, gestos, olhar,
d. Fazer pedidos práticos e específicos movimentação das mãos,
buscando manter o foco naquilo que pernas e pés, respiração).
queremos ao invés de mantê-lo no que
não queremos.

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Sugestão de Práticas
Sugerimos como primeira tentativa de implementação de
práticas para tomada de decisão por consenso
progressivo, as seguintes etapas:

1. Construção da Proposta

A proposta deve ser construída,


preferencialmente, de forma
colaborativa, se possível, através da
Teia Virtual.
a) A proposta é sempre do grupo, não
deverá ter nomes ou proponentes.
b) Os debates deverão ser realizados no
local onde a proposta está sendo
construída. Discussões em quaisquer
outros meios como demais fóruns de
internet, email, inbox, etc. deverão ser
desencorajadas, pois poderão dar e) Antes de assumir uma posição
origem a suspeitas e quebras de contrária a um argumento, se certificar
confiança. que entendeu corretamente o que o
outro expôs (item 3 da seção
c) Deve-se iniciar um tópico com a Comunicação).
apresentação de uma preocupação e
não com uma proposta pré-formulada. f) Caberá aos jardineiros (quem
apresentou a preocupação e voluntários
d) O grupo deverá apresentar que participam do diálogo) interferirem
argumentações e informações para a retirada de argumentações que
referentes, apenas, ao tema em questão. não se referem ao assunto da proposta.
g) Os jardineiros também deverão listar
as argumentações, ponderações e
preocupações, e com base nelas
harmonizar uma proposta.
h) Uma vez aceita a proposta pelos
participantes, os jardineiros a
encaminharão para a tomada de
decisão.
i) Esse processo deverá durar de 3 à 15
dias.

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2. Processos para tomada de Decisão f) Também não serão aceitos, em hipótese


Colaborativa alguma, comentários contendo qualquer
tipo de preconceito (machismo, homofobia,
a) Os debates deverão ser realizados no racismo, opção religiosa, classe social, grau
local onde a proposta foi colocada. de instrução, entre outros).
Discussões em quaisquer outros meios g) Não se admitirá qualquer consideração
O objetivo da
como demais fóruns de internet, email, que não seja referente à proposta.
decisão é que seja
inbox, etc. deverão ser desencorajadas,
alcançada a
pois poderão dar origem a suspeitas e
unidade e não
quebras de confiança.
necessariamente a
unanimidade. b) As pessoas deverão dizer se
concordam ou têm alguma preocupação
em relação à proposta.
Para este tópico
são necessários, no c) As que concordam poderão
mínimo, dois argumentar seu consentimento e as
demais deverão apresentar h) Caberá aos jardineiros interferirem para
jardineiros.
argumentações referentes à sua a retirada de argumentações que não se
preocupação em relação à proposta em referem ao assunto da proposta, bem
Os jardineiros são questão. Deverão ser apresentados como monitorar o clima emocional, a fim
aqueles que argumentos com embasamento e serão de assegurar um debate objetivo, em que a
envidarão esforços desconsiderados argumentos somente divergência é claramente identificada.
a fim de que a do tipo “não gostei”, “não aceito”. i) Os jardineiros deverão identificar os
decisão seja
pontos convergentes e divergentes.
alcançada através
do consenso. j) Os pontos convergentes deverão ser
consolidados.
k) Os pontos divergentes serão objeto de
É papel dos
jardineiros se uma nova rodada de debates, onde serão
encarregarem de explicitados de forma a aprofundar o
avisar o tempo debate, a fim de que as preocupações
restante para a fiquem claras.
conclusão da l) Baseado na rodada de debates do ponto
d) Antes de assumir uma posição
proposta e divergente, a proposta será modificada
estimular o debate contrária a um argumento, se certificar
que entendeu corretamente o que o quantas vezes forem necessárias a fim de
a fim de manter o que seja gerado o maior grau de
prazo estipulado na outro expôs (item 3 da seção
Comunicação). concordância possível.
agenda.
m) Sempre que a proposta for modificada,
e) Os argumentos deverão ser
impessoais e não será aceito qualquer volta-se ao item “b” deste tópico.
tipo de ofensa e/ou desmerecimento da n) Se ainda houver quem discorda da
pessoa que expõe e/ou defende uma proposta construída, ele poderá, se quiser,
proposta ou argumento; o diálogo deve registrar que tem uma forte discordância
sempre permanecer em torno do que é pessoal com a proposta, mas está
dito (escrito) e não de quem diz propenso a deixá-la passar pelo bem do
(escreve). todo ou bloquear a decisão.

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2.1 Bloqueio
a) O veto a uma decisão tem que ser um ato de extrema
responsabilidade.
b) Só poderá ser utilizado como medida extrema. Será
apresentado apenas quando a pessoa considerar que a
proposta vai contra os princípios expressos na Carta
Cidadanista ou no Estatuto da RAiZ.
c) O bloqueio deverá vir acompanhado de
argumentação substanciada.
d) Não serão aceitos bloqueios que simplesmente vetem
a proposta somente pela pessoa discordar do fato sem
nenhuma argumentação. 3. Quando não se atinge o consenso no
tempo estipulado:
e) Para a proposta ser rejeitada através do bloqueio
deverá haver, no mínimo, 10% dos participantes a) Prorrogação do prazo da discussão;
solicitando o bloqueio. b) Apresentação de novos argumentos a fim
de tentar o consenso.