Вы находитесь на странице: 1из 940

-- →→→=--~~~~ -----

----
#--
- --- - - -
= --!= = = = =, ) ----_----
\\
COLLECÇÃO
LEGISLAÇÃO PORTUGUEZA
DEs D E A ULTIMA co M PILAÇÃo D As
O RDENAÇOES,
R E D E G ID A

PELO D Es EM BAR G A D O R
ANTONIO DELGADO DA SILVA,
-

. . . LEGISLAÇÃo DE 1750 A 1762.

L I S B O A:
—=>$3$5$i$$$#%$é=–

NA TY PO GRAFIA MA IGR E N S E.

ANNO l 830.

Com licença da Meza do Desembargo do Paço.

Rua do Outeiro ao Loreto N.° 4. Primeiro andar.


- -"…".--- * *

- . .
#
{####RC
:
} G] A
- ……… vs Is.
, \,

.:. . Leis .... depois da ultima Compilação das


Ordenações, se falta á observancia dellas, por
que, como andão Extravagantes, se ignorão . . . .
ficando por este modo frustrado aquelle bom fim,
para o qual pelos Principes forão ordenadas.
***
• •


Dec. dº 14 de Jul -
de 1679.
*7 *:
<##
*# «A
I N D I C E.

A N N O D E 175 0.

Janeiro 7 Al… augmentando os Ordenados dos Minis


tros, e obviando alguns abusos.............
9
Decreto creando mais dous Lugares de Desem
bargadores para a Casa da Supplicação.....
24 Assento declarando, que falecendo Desembarga
dor depois de tencionar, para receber os em
bargos deve conhecer do Feio o Ministro, que
º substituir ..............................
Fevereiro Decreto para se sentenciarem para a India réos
de certa qualidade............ • • • • • • • • • • • •

2l Alvará concedendo ao Correio Mór nomear Mei


rinho, e Escrivão para as suas diligencias,
tendo só recurso a El-Rei os que elle mandar
prender...... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

2l Decreto para se ultimar em tres mezes huma


Causa Civel, procedendo-se a sequestro em os
bens litigiosos, e a prizão do Executado, se
calumniosamente demorar a Execução....... |0
Abril 28 Assento sobre a nomeação dos Advogados para
Mordomos da Festa das Justiças............ ]0
Junho Assento declarando a quem com pita conhecer
das suspeições postas aos Ministros da Cidade
do Porto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1I
|2 Alvará concedendo aos Moradores do Algarve
isenção de Dizima de Centeio, e Sevada..... 12
Julho | 7 Decreto mandando sentenciar na Casa da Sup
plicação summarissimamente huma Devassa de
propinação de veneno..................... |3

Agosto Aviso para se tomar luto por dous annos pela


morte do Senhor Rei D. João V............. 13
Aviso ao Cardeal Patriarca para ordenar aos
Prelados das Religiões roguem a Deos o acer
to e justiça do Governo de Sua Magestade... l4
|8 Lei prohibindo appellar-se ou aggravar-se das In
formações extrajudiciaes............. . . . . . . . | 4
2l Assento sobre as propinas aos Desembargadores
do Porto por occasião do luto...............
Decreto declarando quem nomeie Serventua
• A
II I 750

rio ao Ouvidor impedido das Terras da Rai


nha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • I5
|
…º
Agosto 25 Regimento dos Salarios dos Oficiaes do Desem
bargo do Paço............ • • • • • • • • • • • • • • • • |6
Setembro 12 Alvará para que nas devassas geraes de Janeiro
se procure pelos Daninhos, e Formigueiros... 18
Outubro 6 Assento sobre as propinas dos Desembargadores
do Porto por occasião da Acclamação....... 19

Dezembro 2 Lei para que os Corregedores, e Ouvidores per


guntem nas devassas geraes pelo procedimen
to dos Juizes dos Orfãos, e seus Oficiaes.... 20

Lei dando nova forma á arrecadação dos Quin


tos. .. . . . . . . . . . . . . - - - - - - - - - - - - - - • • • • • • • • • • • 2l
] ] Decreto augmentando o Ordenado do Regedor
28
da Casa da Supplicação...........
A NNO DE 1 75 1.

Janeiro | | Decreto mandando por em Administração os ge


neros, que na Alfandega se despachão por
Estiva. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. .. . . .. . . .. . 29
16 Regimento dos direitos do Tabaco, e Assucar,
Carga, e descarga dos Navios do Brazil no
Reino ......... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 32
27
Decreto regulando a forma do despacho do As
sucar, e Tabaco......... • • • • • • • • • • • • • • • • • 33

Março 4 Regimento das Intendências, e Casas de Fundi


ção no Brazil......... • • • • 40

Lei fazendo caso de devassa o de pôr cornos ás


22
Decreto para se guardarem os privilegios dos Of
ficiaes, e Soldados, pagos, e Auxiliares.....
29 Alvará para que na Relação do Porto se não pas
se Carta de Seguro no crime de defloração... 53
Abril ] Regimento das Casas de Inspecção no Brazil... 54

Assento declarando não ser necessario o parecer


do Regedor para a condemnação dos Aimo
tacés. .......... • • •• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 59
Maio 21 Alvará declarando varios Capitulos da Pramatica
de 24 de Maio de 1749....................
2 ]
Alvará estabelecendo a nova Administração do
Deposito Publico........ • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 62

Assento regulando a maneira de avocar autos de


outro Juízo...............................
• • • • • • • • • • • • • • 67
Portaria participando a Resolução, para não se
Tem sentenciados em visita, mas sim em Re
lação os Reos das terras do Estado e Casa da
Rainha ............ • • 68

Regimento dos Pinhaes,


de Leiria .......... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •* * * 68
Julho |3
Decreto declarando que hum Desembargador da
Supplicação era obrigado a cumprir huma Por
taria da Meza da Consciencia; e que o Pro
+
1751 III

curador dos Captivos não devia ser condem


pado em custas......... • • • • • • • • • • • • • • • • • • 90
Julho Alvará regulando os Ordenados, e Ordinarias
da Junta dos Tres Estados................. 9O
l4 Decreto favorecendo huma Fabrica de refinar
assucar . . . . . . . . . - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 95
|5 Decreto mandando sentenciar na Supplicação hu
ma Causa de alimentos dentro em dous mezes. 98
28 99
Alvará contra os que tirarem presos á Justiça...
3I Decreto declarando ter mandado julgar camara
riamente tres Reos de Resistencia á Justiça. |100
A gosto Decreto creando huma Commissão para julgar
em a Supplicação os Reos de roubos de estra
da, e outros insultos em a Provincia do Alem
|100
14

nal de alguns Ministros, e permittindo aos


particulares, prenderem os Salteadores, e pes
soas suspeitas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . | 0 |
Setembro 28
Assento ácerca da restituição de condemnações,
se acaso as sentenças se reformão....... ". . . . | 02
Outubro I3 Regimento da Relação do Rio de Janeiro...... | 02
}4 Alvará ácerca da exportação de Pretos para pai
Zes estrangeiros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2 l Alvará applicando as penas pecuniarias da Co
marca de Evora para a obra dos canos da agoa
da prata. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . | 20
30 Alvará para que vindo as partes com embargos
de ob, e sub-repção sejão remettidos aos Tri
bunaes, a que tocar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . |2 |

A N NO D E I 7 5 2.

Fevereiro Alvará regulando as despezas para as Fortifica


ções das Praças.................... • • • • • • • ] 23

Resolução para que se não paguem Novos Di


reitos daquelles Oficios, de que Sua Mages
tade faz mercê como Governador e perpetuo
Administrador das Ordens Militares. = N. B
J'ai com a Portaria de 21.
20 . Lei concedendo privilegios pela plantação de
Amoreiras, e prohibindo a exportação da seda. 128
2] Portaria com a Resolução de 9 do corrente mez. ] 30
28 Decreto declarando que o Lugar de Procurador
da Fazenda do Ultramar pertence a hum De
sembargador Extravagante da Supplicação... ] 30
Abril I9 Decreto augmentando o numero dos Advogados
da Casa da Supplicação.............. • • • • • • • |3|

Alvará para que se não tome conhecimento de


suspeições postas a Ministros, que estejão ti
rando devassas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Maio 18 Assento sobre a formalidade do Acordão, quan
do as suspeições se excluem por nulidade....
IV 1752
…)
Junho 5 Alvará de Regimento da arrecadação das Sizas
com a relação dos Ordenados dos Recebedores. 133
| 0 Assento como seja requerida a commutação de
pena de degredo, e em que maneira tenha
lugar..... • • • • •• • • 137
Julho ] Alvará ácerca do pezo, e travessia dos pannos
de palha em Lisboa........ • • • • • • • • • • • • • • • 138
6 Decreto ácerca da decisão dos embargos dos con
demnados a pena ultima........ • • • • • • • • • • • |140

Agosto ] Alvará confirmando, e declarando a Doação do


hum por cento para a Obra Pia............. 14 |
Outubro 12 Decreto para que o azeite, que entrar pela foz
em Lisboa, pague Siza e Dizima na Alfandega. 144
13 Lei para que nenhum Conservador passe con
tramandados vagos, e geraes para embaraça
| 44
rem as diligencias da Justiça...............
I3 Alvará para que se não suspenda a execução das
sentenças com o pretexto de erros de custas.
23 Alvará ordenando, que os Ministros peção os au
tos por Cartas Avocatorias, ou Precatorias aos
outros Ministros, e os não mandem tirar por
mandado................... • • • • • • • • • • • • • • 146
Novembro 9 Alvará regulando a fórma dos pagamentos dos
Contratos Reaes de Minas................. | 47
Dezembro 7 Decreto augmentando o Ordenado do Chancel
ler Mór do Reino, e do da Casa da Suppli
cação. . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • | 48
2 | Alvará revogando o de 9 de Novembro deste
all I1O . . . . . . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • | 48

Decreto declarando o Lugar de Chanceller da


Casa da Supplicação incompativel com o de
Procurador da Coroa...... • • • • • • • • • • • • • • • • | 49

ANNO DE 1 7 8 3.
Janeiro 8 Decreto declarando o Conselho da Fazenda Jui
zo privativo sobre Presas
Março 24 Assento para se continuar em os mesmos autos
a execução da sentença depois de liquidada...
30 Alvará para se pagar aos Correios hum por cen
to pelas remessas...... • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

Abril 7 Decreto prohibindo aos Ouvidores do Crime da


Casa da Supplicação appellarem os Feitos não
appellados pelos Juizes inferiores............
7 Decreto declarando nullamente creado o Oficio #
de Rodeiro do Sal em Aldea-Galega, e ser a
creação de Oficios hum Direito Real.......
17 Provisão declarando, que pela Pragmatica não
são os Cortadores inhibidos de trazer espada.
Junho 22 Decreto exigindo nas Residencias dos Ministros
Certidão da Secretaria de Estado, de have
rem desempenhado as deligencias ácerca da
travessia de palhas, e cevadas de Riba Téio, | 55
1753
Junho 22 •

Resolução em Consulta da Junta dos Tres Es


tados declarando que aos Governadores das
Armas das Provincias he que pertence exa
minar, e approvar os mantimentos para a Tro
pa. = N. B. Vai na Portaria seguinte de 30
deste mez. * **

30 Portaria da Junta dos Tres Estados com a Re


solução de 22 do corrente mez........... • •

30 Decreto mandando fabricar polvora por conta


Julho , 5
gues de Lisboa o privilegio de Aposentadoria
passiva. . . . . . . . . . . . . ::: :: :: :: : :: • • • • • • • • •

Agosto 3- Decreto para se reputarem vagos os Oficios pa


ra que se requer industria pessoal pela morte
dos Proprietarios.............. • • • • • • • • • • • |-

Alvará ordenando que os Proprietarios sirvão


por si seus Oficios............. - - - - - - - - - - - l 59
11 Alvará fixando o com mercio exclusivo dos Dia
mantes do Brazil, que fica debaixo da Pro
tecção Real... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ..... |6 |
23 Alvará extinguindo o Lugar de Juiz dos Contos,
e os dous Oficios de Executores, creando
164
25

Crime. . . . . . . . . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • } 66
Setembro - 4 Decreto para o Procurador da Fazenda ser ou
vido nas Causas da Patriarcal, que se trata
rem na Casa da Supplicação............... 167
6 Alvará de confirmação dos Privilegios dos Cor
tadores, e Esfoladores..................... •

167
Outubro 2 Alvará fazendo caso de devassa a publicação de
Satyras, e Libellos famosos........ I 68
Novembro 5 Decreto para se sentenciar dentro de hum mez,
em o Juizo da Coroa, huma Causa de reivin
dicação..... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • } 69
12 Alvará approvando,
rendimento da pesca das Baleas............. l 69
28 Decreto regulando as épocas das sahidas das
Frotas do Brazil. -. . . . . . . . . . . . . ........... • I 73
29 Alvará declarando o Regimento da Alfandega
do Tabaco de 16 de Janeiro de 1751......... |172
Dezembro 10 Portaria da Junta dos Tres Estados com a Re
solução de 17 de Novembro deste anno ácer
ca do cabimento das Tenças............... I 76
29 Alvará de Regulamento dos Ordenados dos Ve
dores, Conselheiros, e Oficiaes da Fazenda. " 176
VI 1754

A NNO DE 1 754.

Janeiro 4 Alvará de Regimento dos Ordenados dos Secre


tarios de Estado, e seus Officiaes........... 237
16 Decreto para que os Ministros de Capa, e Es
- pada da Junta do Tabaco gozem dos privile
gios de Desembargador......; .... • • • • • • • • • • 240

3o Alvará declarando as diligencias, que podem


fazer os Alcaides, e Escrivães dos Bairros... 240
Fevereiro 3 Decreto prohibindo tomar-se conhecimento no
Juizo da Coroa de hum recurso interposto do
Conselho Geral do Santo Oficio...... • • • • • • • 24 1
15 Decreto declarando a quem se remettão as De
vassas de morte tiradas em Terras da Rainha. 242
Março 23 Alvará de Regimento dos Ordenados do Senado
da Camara de Lisboa..................... 242
23 Alvará de Regimento dos Ordenados da Meza
da Consciencia, e Ordens.................. 256
23 Alvará de Regimento dos Ordenados da Junta
} da Bulla da Cruzada........... • • • • • • • • • • • 271
23 Alvará de Regimento dos Ordenados do Conse
lho Ultramarino.......................... 275
Abril 20 Decreto prohibindo todas as renuncias de Ofi
• cios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 280
22 Alvará de Regimento dos Ordenados da Junta
do Tabaco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 l
22 Alvará de Regimento dos Ordenados da Junta
da Casa de Bragança..................... 289
Maio 14 Assento declarando o Capitulo XVIII, da Prag
matica de 24 de Maio de 1749........ - - - - - 298
Julho•
6 Alvará
rar o declarando
dinheiro do aDeposito
maneira Pnblico..........
como se ha de ti 299

9 Alvará prohibindo a venda de polvora em casas


particulares. . . . . . . . . . . ................... 300
25 Decreto para se sentenciarem para Angola os
Reos presos Pedreiros, ou Carpinteiros que
- estejão nessas circunstancias............... 303
Agosto
|- •
8 Alvará
dor, de Regimento
e Oficiaes dasdos ObrasOrdenados do Prove
dos Paços Reaes. 303
30 Decreto declarando a maneira como se ha de
arrematar os Assentos e provimento dos ar
II137CIlS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 || ||
30 Decreto extinguindo os tres Oficios de Almo
xarifes, dos Materiaes, Mantimentos, e Ri
beira, dos Armazens de Guiné, e India..... 3 14
Outubro 10 Alvará de Regimento dos Salarios dos Ministros,
e Officiaes de Justiça da America, na Beira
mar, e Sertão, excepto Minas............. 3 || 5
10 Alvará de Regimento dos Salarios, e emolu
mentos dos Ministros, e Oficiaes de Justiça
de Minas, no Brasil....... . . .. . • • • • • • • • • • 327
1754 VII

Outubro Decreto mandando pôr silencio em huma Causa


de força intentada contra o Senado......... 340
19 Lei mandando observar o § 14 da Reformação
da Justiça sobre as prisões antes de culpa for
mada............... • • • • • • • • • • •• • • • • • • • • • • 340
29 Lei para que se não tomem dividas, para se
cobrarem como Fazenda Real.............. 34 1
Novembro Alvará determinando, que por morte do faleci
do a posse de seus bens passe logo, a quem
pertencer................. • • • • • • • • • • • • • • • 342
20 Alvará declarando o Regimento de 29 de De
zembro de 1753 ácerca do premio aos Execu
tores das dividas Reaes........ • • • • • • • • • • • • 343
22 Alvará igualando as Assignaturas dos Ministros
das Relações do Ultramar ás dos da Casa da
Supplicação. ............................. 344
Dezembro 16 Resolução declarando, que as Igrejas das Pra
ças se reputão pertencerem ás Fortificações
para os seus reparos. N. B. Vai na Portaria
de 8 de Janeiro de 1755.
16 Decreto para a prompta execução dos Devedo
res das Agoas-Livres................. • • • • • 344

A N N o D E 17:5.
Janeiro Portaria da Junta dos Tres Estados com a Re
solução de 16 de Dezembro de 1754......... 346
25
Alvará declarando o Capitulo VI., e X, da Lei
de 3 de Dezembro de 1750 ácerca da cobran
ça dos Quintos........................... 346
25 Alvará sobre a partida, e tornaviagem das Fro
tas do Brasil............................. 347
Fevereiro Decreto para que na Meza dos Aggravos da Ca
sa da Supplicação se decidão as questões ácer
ca da antiguidade dos Ministros............ 349

Alvará de Regimento dos Ordenados dos Mi


nistros, e Oficiaes do Dezembargo do Paço. 350
Alvará de Regimento dos Ordenados, Propinas,
e Ajudas de custo da Casa da Supplicação... 357
13 Assento declarando que ao Corregedor do Civel
da Cidade mais antigo pertence a Conserva
363

Março Aviso declarando a maneira como se hão de fa


zer as descargas de fato e encommendas que
\
vierem em Náos de guerra, e Comboios dos
Brazis, India, Mina, e Guiné............. 364
10 Aviso sobre a descarga do dinheiro que vinha
em huma Náo de guerra chegada do Rio de
Janeiro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 364
10 Decreto obviando á introducção dos generos pro
hibidos, e ao extravio do Ouro, e pedras pre
ciosas, vindas do Brasil, e Conquistas...... 365
%.

VIII 1755

I8 Decreto, para se pagar sómente quatro e meio


Março
por cento das terças partes dos Ordenados
estabelecidos nos Alvarás de 4 de Fevereiro
deste anno pelos actuaes Proprietarios....... 366
Abril Decreto prohibindo conhecer-se no Juizo da Co
roa de Recursos sobre Dizimos, que pagão as
Ordens Religiosas das Conquistas........... 367

Alvará concedendo privilegios aos que na Ame


rica casarem com Indias naturaes do Paiz... 367
18 Decreto prohibindo aos Oficiaes dos Tribunaes
o exercicio dos seus Empregos, antes de ti
rarem Carta, e pagarem os Novos Direitos... 368
Junho Lei para se restituir aos Indios do Pará, e Ma
ranhão a liberdade de suas pessoas, e bens.. 369

Instituição da Companhia do Grão-Pará e Ma


ranhão....... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 376

Alvará confirmando e approvando a Instituição


da Companhia do Grão-Pará e Maranhão.... 39 |
Alvará ácerca do Governo, e Administração das
Indias........ • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 392
|0 Alvará franqueando o Commercio para Moçam
bique. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 394
Julho |5 Alvará regulando o Ordenado dos Provedores }
das Capellas, e declarando a Lei de 10 de
Janeiro de 1750................. • • • • • • • • • 395
Agosto Decreto declarando que os Réos presos embar
gão as sentenças sem deposito.............. 396

Decreto extinguindo a Meza do Bem Commum, "…

e creando a Junta do Commercio........... 396


Setembro Decreto degradando para dentro, e fóra do Reino
varios Réos presos á ordem de Sua Magestade. 398 ·
Outubro Decreto declarando que a occupação de Guar
da das Cadêas he mera serventia, que não
exige provimento, nem pagamento de Novos
Direitos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 398
Novembro Decreto estabelecendo a forma de processar os
crimes de furto........................... 399 *

">
400
Alvará isentando de direitos as madeiras vindas
do Brasil em embarcações Portuguezas...... 401
Decreto regulando o Plano das Praças e Casas
de Lisboa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 |
Dezembro Decreto prohibindo o alterar o preço do aluguer
das Casas em Lisboa................. • • • • • 402
Alvará prohibindo o irem Commissarios volantes
ao Brasil................ • • • • • • • • • • • • • • • • • 404
|0 Edital para que as peças que se encontrarem
no incendio do Terremoto irem para o Depo
sito Geral. . . . . . . . . . . ..................... 406
30 Edital prohibindo levantarem-se casas em Lis
boa sem finalizar o Tombo, e medição das
incendiadas..................... • • • • • • 406
1756 IX

A NNO DE 1 75 6.

Janeiro 2 Decreto aceitando a oferta dos Negociantes de


quatro por cento para a reedificação da Al
fandega de Lisboa........................ 407
|9 Lei sobre as audiencias das Chancellarias nas
Comarcas........ * • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 409
20 Decreto com a fórma da arrecadação do Dona
tivo dos quatro por cento............... • • 41 |
24 Lei impondo novas penas aos Escravos, que no
Brasil forem achados com faca......... • • • • • 4 l I.
Fevereiro Edital ácerca da reedificação de Lisboa....... 4|2
Março Decreto ácerca do Donativo dos quatro por
cento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4|2
20 Alvará creando o Lugar de Juiz Executor das
dividas das Alfandegas, e Junta do Tabaco
com predicamento de Primeiro Banco....... 4 || 3
22 Decreto para que o Conselho da Fazenda man
de examinar os Cofres da sua Repartição.... 4l6
Abril 14 Decreto confirmando as Instrucções sobre a co
brança do Donativo dos quatro por cento.... 4 |7
Maio 20 Instrucções para os Recebedores dos quatro por
cento nas Alfandegas do Reino. N. B. Vão
com o Decreto de 2 de Junho.
22 Alvará isentando de direitos as madeiras crea
das no Reino. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 420
Junho Decreto confirmando as Instrucções para a arre
cadação do Donativo dos quatro por cento
nas Alfandegas do Reino................... 42 |

Alvará declarando o de 20 de Março deste an


422
|3 Decreto declarando o de 22 de Março deste
a II DO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . - - - - - - - - - - - - 423
|3 Decreto ácerca do salario dos Ceifeiros do Alem
téjº. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 424

Agosto Decreto nomeando huma Commissão para de


vassar contra os que proferirão, que poderia
haver quem attentasse contra a vida de al
guns Ministros, que despachavão com Sua
" Magestade ................. • • • • • • • • • • • • - 425
31 Instituição da Companhia Geral da Agricultura
das Vinhas do Alto Douro. N. B. Vai com o
Alvará de 10 de Setembro.................. 426
Setembro Alvará confirmando a Instituição da Companhia
Geral das Vinhas do Alto Douro........... 441
|0 Alvará isentando de Direitos as madeiras que
qualquer mandar vir por sua conta para as
suas obras.......................... • • • • • 443
27 Alvará prohibindo aos homens do mar. assolda
darem-se sem licença com Nação estrangeira. 443
30 Carta Regia ácerca da navegação do porto de
Viana para o Brasil.…...................... 445
C
X 1756
Outubro Alvará providenciando ao estabelecimento da
Companhia do Grão-Pará e Maranhão....... 446
Novembro Alvará ácerca dos Negociantes falidos; e crean
do hum Conservador Geral da Junta do Com
mercio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 447
20 Alvará ácerca da avolumação dos fardos, e va
silhas que se carregão para a America, e seus
fretes......... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 455
Dezembro Alvará declarando os generos, que poderão le
var e trazer por sua conta os Marinheiros e
mais pessoas, que embarcão para o Brasil... 456
12 Estatutos da Junta do Commercio............ 458
|6 Alvará approvando os Estatutos da Junta do
Commercio.................... . . . . . . . . . . . .479

A N N O D E 1757.

Janeiro Alvará concedendo faculdade a toda a Nobreza,


e Empregados Publicos para poderem nego
ciar por meio da Companhia do Maranhão... 481
10 Alvará abolindo o Contrato do Tabaco no Rio
de Janeiro........ : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : 482
I I
Decreto estabelecendo a fórma da cobrança dos
direitos da madeira do Oficio de Tanoeiro... 483
|3 Alvará extinguindo as diversas Thesourarias em
Lisboa, e mandando que as suas importan
cias entrem no Deposito Publico........... 484
l5
Alvará determinando a quantia de ouro que se
deve conservar nos Registos de Entrada para
Minas................ • • • • • • • • • • • • • • . .... 485
17
Alvará prohibindo dar-se dinheiro a juro senão
a cinco por cento....... • • • • • • • • • • • • • • • • • • 486
27
Aviso ácerca do processo dos roubos, e homici
dios praticados na Cidade e seus arrabaldes. 488
27 Aviso ao General das Armas da Corte sobre o
mesmo objecto ................ • • • • • • • • • • , 489
Fevereiro Alvará estabelecendo nas Alfandegas huma Con
tribuição para a Junta do Commercio....... 489
|0
Alvará ampliando os privilegios da Companhia
do Grão-Pará, e Maranhão................. 49 0
28
Carta Regia creando huma Commissão para co
nhecer do Motim, e tumultos na Cidade do
Porto................. • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 492
28
Carta Regia ao Governador das Justiças do Por
to sobre o mesmo objecto................. < 494
28 Carta Regia ao Juiz da Alçada sobre o mesmo
ºbjecto. . . . . . . . . . . . . ..................... 49 4
Março 2
Aviso para se guardarem os privilegios do Mon
teiro Mór, e Monteiros pequenos ácerca de
Jugadas, e Oitavos....................... 495
Carta Regia á Camara da Cidade do Porto, pa
ra aquartelar a Tropa que for convocada em
1757 XI

auxilio do Juiz da Alçada alli mandada por


occasião do Motim daquella Cidade......... 495
Março 16 Alvará creando Cadetes em os Regimentos..... 496
24 Decreto sobre os Directores da Tropa...... • 4 • 498
Abril Alvará isentando de direitos os legumes do Rei
no importados em Lisboa....... • • • • • • • • • • • 499
Decreto para se sellarem as peças de seda na
Alfandega, e se darem livres de direitos..... 499
10 Carta Regia á Camara da Cidade do Porto ácer
ca do Aquartelamento da Tropa alli estacio
nada por occasião da Alçada para castigar o
Motim, e tumulto sedicioso daquella Cidade. 500
14 Alvará estabelecendo o preço dos fretes dos cou
ros vindos do Brasil....................... 50 I
14 Decreto declarando o Direito Real de fundar

502
14 Decreto declarando que á Junta do Commercio
pertence decidir, se as fazendas são, ou não
prohibidas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 502
15 Alvará prohibindo suspender-se a viagem de Na
vios principiados a carregar, por embargos,
ou pinhoras. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 503
|6 Carta Regia isentando de direitos o pão que en
tra de Castella........................... 504
19 Decreto regulando a fórma da arrecadação dos
direitos do Carvão, e Lenha............... 505
20 Edital prohibindo a exportação de Courama
verde......... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 506
22 Decreto estabelecendo ao Juiz da Balança da Al
fandega de Lisboa novo Ordenado alem do
que leva pelo Alvará de 29 de Dezembro de
1753. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 506
25
propriedades para as Obras de Agoas-Livres. $07
Maio Directorio para as Povoações dos Indios do Pa
rá, e Maranhão.......................... 507
Resolução prohibindo varios generos estrangei
ros: N. B. Vai no Edital de 24 do corrente.
Alvará ampliando a Lei dos Depositos; e para
os não haver na mão dos particulares........ 530
12 Alvará prohibindo o apenarem-se, ou embarga
rem-se os materiaes necessarios para obras... 53I
|6 Alvará permittindo entrar com fundos vincula
dos nas Companhias de Commercio......... 533
24 Edital com Resolução de 3 do corrente mez... 533
Junho lO Alvará declarando a preferencia das soldadas
dos Marinheiros entre os mais credores dos
534
10 Alvará facultando á Junta do Commercio a no
meação de Meirinho, e Escrivão da sua
Vará. . . . , • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
XII 1757

Junho |0 Alvará prohibindo aos Juizes das Alfandegas, o {iº


intrometterem-se na cobrança dos quatro por
cento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 536

Decreto para que a venda de bens para paga


mento de credores feita em acto de Partilhas se
ja feita pelo Juiz do Inventario, e na casa
em que os mesmos bens se acharem pro indi 537
15 Witt
do seu despacho............... • • • • • • • • • • • 537
Julho 23 Decreto distinguindo as Jurisdicções, Militar,
e Politica, para evitar as controversias no
. Serviço da Marinha............ • • • • • • • • • • • 538
24 Decreto declarando os de 4 de Novembro de
1775 ácerca dos delictos commettidos nas ve
sinhanças de Lisboa....................... 533
Agosto Alvará declarando o de 30 de Outubro de 1756
540
sobre dinheiros a juro.....................
6 Estatutos da Real Fabrica das Sedas......... 540

Alvará approvando os Estatutos da Real Fabri


ca das Sedas............................. 545
Decreto nomeando Directores para a Real Fa *
brica das Sedas........................... 546 #
Alvará mandando fé aos Livros da Fabrica das
Sedas sobre as obrigações feitas á mesma Fa
brica pelos seus Devedores.......... • • • • • • • 546
27 Decreto para a Junta do Commercio nomear as
Capatazias, que não forão especificadas nos
Capitulos XIV., e XV. dos seus Estatutos. 547
, 30 Alvará providenciando á fidelidade dos Condu
ctores do Vinho do Douro................. 547
Setembro 1 Alvará ácerca dos falidos, declarando o Alvará
de 13 de Novembro de 1756.............. •

Outubro 3 Alvará declarando quem nomeie os Guardas pa


ra os Navios............................. 55 1
Decreto ácerca da administração do rendimen
to e contribuição para obras............... 553
2 l Carta Regia modificando a sentença de condem
nação a alguns Réos do Motim sedecioso da
Cidade do Porto....... • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

21 Carta Regia favorecendo os filhos innocentes


dos Réos do Motim do Porto............... 554
2l Carta Regia como a despeza da Tropa da Guar
nição do Porto se faça por conta da Cidade
em castigo do Motim que na mesma teve
lugar. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 555
2l Carta Regia estranhando os Ministros que se
attreverão a proferir não ser o Motim do Por
to Crime de Lesa Magestade da primeira ca
beça… . . . . . . . . . . . . . . .....................
24 Alvará sobre os homens do trabalho da Alfan
dega serem sujeitos á Junta do Commercio.
1757 * XIII

Outubro 24
Decreto para as peças de seda fabricadas no
Reino serem selladas na Alfandega, e livres
de direitos...................... • • • • • • • • • 557 |
26 Alvará ácerca da terça dos Denunciantes de fa
zendas de contrabando.................... 558
29 Decreto para se levantarem no Algarve cinco
Companhias de Dragões............ • • • • • • • 559
Novembro Alvará ácerca dos arrendamentos por dez, e fº
II) alS BI)I1OS. . . . . . . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • • • 560
12 Alvará mandando preferir na carregação das fro
tas os navios fabricados no Brasil........... 561
|4 Alvará ampliando os §§. 5. 6. e 7. do Cap. XVII.
uos Estatutos da Junta do Commercio sobre
os Contrabandistas...................... • 562
|3 Decreto ácerca da medição do Sal, que se car
rega para o Brasil........ • • • • • • • • • • • • • • • • • 566
19 Decreto para que aos Estrangeiros vagabundos,
e desconhecidos se não dê licença, para ven
derem pelas ruas......................... $ 67
2l Decreto para que o dinheiro que vem do Brasil
nas Frotas ir em Cofres á Casa da Moeda... 569
Dezembro 13 Estatutos dos Mercadores de Retalho......... 570
}6 Alvará approvando os Estatutos dos Mercadores
de Retalho........................ . . . . . . . 580
16 Decreto nomeando Intendente, Deputados, Pro
curadores, e Escrivão para a Meza do Bem
Commum..................... • • • • • • • • • • •

20 Assento declarando, que os aggravos, e appel


lações sobre direitos reservados por sentença
da Relação, distribuem-se de novo......... 582

A NNO DE 1 7 5 8.

Janeiro Alvará para que o Administrador d'Alfandega pos


sa dar licença para ir abordo de certos navios.
11 Alvará para ser livre o commercio de Angola,
e dando certas providencias ao mesmo res
peito......... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

25 Alvará regulando os direitos dos Escravos, e do


Marfim que vem de Angola... ............ •

28 Decreto declarando isentas de direitos as ma


deiras importadas para as Obras Reaes ... ;. 588
28 Decreto declarando o Alvará de 1 de Abril de
1757 ácerca da isenção dos direitos dos le
589
30 Añº prohibindo aos Oficiaes da Fundição de
Minas sugerirem ás Partes a fazerem os ma
nifestos em diversos nomes................. 589
Fevereiro 1 Alvará mandando erigir seis Faróes nas Barras,
e Costas do Reino....... • • • • • • • • • • • • • • • • • 590

Fórma do Despacho dos Navios das Carreiras


da Africa, da America, e da Asia.......... 593 |
D
:XIV 1758
Fevereiro 3 Decreto providenciando á exportação das fazem
das novamente prohibidas, que se achavão
no Reino..... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 595
Decreto obviando ás extorsões que a titulo de
emolumentos fazião os Oficiaes da Alfandega
do Rio de Janeiro aos Capitães de Navios... 596
Decreto providenciando á prisão dos réos de
homicidios, e roubos, fugidos do Limoeiro... 596
2l Aviso providenciando ás doenças dos presos do
Limoeiro.................. • • • • • • • • • • • • • • 597
2 l Aviso para a segurança dos presos doentes..... 598
27 Edital de promessa aos Oficiaes, e Soldados,
que voluntariamente forem servir á India.... 598
Março ] Decreto declarando o como se prova o Lugar
de Chanceller da Supplicação, e de Procura
dores Regios, e do Ultramar; e do como es
tes deixem os seus Lugares, sendo despacha
dos para Tribunaes..... ................. 599

Decreto declarando isento do hum por cento o


ouro, e dinheiro da Companhia do Pará e Ma
ranhão, que dalli vier..................... 599
Assento declarando, que da sustentação das
pronuncias ainda feita por Acordão, se pode
agºra Var. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 600

Instrucções para os Oficiaes da arrecadação das


contribuições para os Faróes. N. B. Vai de
pois do Decreto de 24 de Abril.
Abril 8 Decreto prohibindo a Sóla, e Atanados fabrica
dos fóra do Reino......................... 60 |

Decreto approvando as Instrucções de 29 de


Março deste anno......................... 60 |
Maio 8 Alvará declarando livres os Indios do Brasil... 604

Alvará regulando a reedificação da Cidade de


Lisboa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Decreto estabelecendo novos Ordenados aos Mi
nistros, e Oficiaes da Casa do Infantado... 608

Assento declarando que recurso compete em re


forma de autos........................... 6|2
Junho 7 Decreto para os Ministros Inspectores dos Bair
ros de Lisboa sentenciarem em Relação os
Réos, que mandarem prender, na forma da
sua commissão...... • • • • • • • • • • •• • • • • • • • • • • 6 13
|0 Decreto regulando os Ordenados e propinas da
Meza Prioral do Grão Priorado do Crato..... 614
12 Plano para a reedificação da Cidade de Lis
boa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6|7
12 Decreto authorisando o Duque Regedor com
jurisdicção para a reedificação de Lisboa.... 624
16 Aviso ao Duque Regedor remettendo-lhe o De
creto de 12 deste mez..................... 625
21 Alvará regulando o Ordenado dos Ouvidores das
Capellas................ . . . . . . . . . . . . . . . . .
1758 XV

Julho 4 Alvará prohibindo aos Moradores das Ilhas o sa


hirem dalli sem Passaporte........…......... 626
lI Alvará declarando o armazem em que devem
ser recolhidas as fazendas que forem appre
hendidas pelos Oficiaes da Junta do Com
mercio... . . . . . . . . . . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • 628
14 Decreto declarando certos Empregos do Real
Arquivo de natureza amovivel...... - - - - - - - - 629
|5 Regulamento da Casa dos Seguros de Lisboa:
N. B. Vai com o Alvará de 11 de Agosto de
| 79 ] .
18 Decreto impondo pena ordinaria aos presos das
= Galés que se amotinarem.................. 629
20 Alvará permittindo, que das Ilhas se possão só
mente expedir annualmente tres, ou quatro
navios para o Brasil......... • • • • • • • • • • • • • • 630
29 Alvará prohibindo, que os Empregados, e As
salariados da Companhia do Grão-Pará possão
negociar. . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 631
Agosto } Alvará declarando a jurisdicção dos Governado
res Militares e Ministros do Maranhão ácer
ea dos Marinheiros, e Militares, que alli fo
rem embarcados.......................... 632
Assento declarando a Ord. do liv. 5, tit. 115.
§ 25, ácerca dos que fazem carneiradas..... 633

Alvará approvando o Directorio dos Indios do


Pará e Maranhão de 3 de Maio de 1757..... 634
Setembro 14 Decreto prohibindo a exportação de assucar pa
ra fóra do Reino......... • • • • • • • • • • • • • • • • • 635
Outubro 3 Alvará ácerca do direito dos Quintos......... 636

Alvará para se arbitrar o sustento dos Escra


VOS DrºSO8. . . . - - - - - - - - - . . . . . . . . . . . . . . . . . . 637

Decreto mandando pagar no Paço da Madeira


os direitos da aduella...................... 638
Dezembro 9 Decreto promettendo premios aos denunciantes
dos Réos do sacrilego insulto de 3 de Setem
bro contra a Pessoa d'El-Rei............... 639
11 Decreto concedendo mais tres dias para embar
gos a sete Réos condemnados á morte, e tre
ze a outras penas.......... • • • • • • • • • • • • • • • 64 |
22 Assento providenciando ao descobrimento dos
Réos do sacrilego insulto contra a Pessoa de
El-Rei................... • • • • • • • • • • • • • • • • 642

A N N O D E 1759.

Janeiro 15 Alvará declarando, e ampliando a Lei dos Tra


tamentos. . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 644
16 Alvará revogando hum Assento da Supplicação,
e declarando, que a causa da liberdade ad
mitte avaliação, para se receber, ou não, a
643
appellação.............. . . . . . . . . . . . . . . . . .
XVI 1759

Janeiro Alvará confirmando a sentença proferida contra


os Réos do sacrilego insulto contra a Pessoa ||
de El-Rei........... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 646
|8 Decreto encarregando ao Juiz da Inconfideneia
a arrecadação, e administração dos bens con
fiscados aos Réos do insulto contra a Pessoa
de El-Rei......... . . . . . . . . . . . . . . • • • • • • • • • 647
Fevereiro Decreto encarregando ao Chanceller servindo {
de Regedor a inspecção das obras da reedifi
cação de Lisboa........................ • • 648
1 ••

}
Março Decreto derogando o de 14 de Setembro do an
no antecedente, para se poderem exportar
até setecentas caixas de assucar............ 648
12 Decreto ácerca das Capatazias, e homens do
trabalho da Alfandega do Tabaco, e do As
14 Decreto mandando edificar casas para teares de
seda no sitio das Agoas-Livres.............
28 Alvará declarando o de 14 de Abril de 1757
ácerca dos preços dos fretes dos couros vin
dos do Brasil...................... . . . . . . .
Abril Decreto isentando do direito do hum por cento
os cabedaes da Thesouraria Geral da Cruza
da remettidos do Ultramar................. 6 62
ll Alvará creando a Cidade de Aveiro: N. B. Vai
incluido na Lei de 25 de Julho deste anno.
19 Estatutos da Aula do Commercio confirmados
pelo Alvará de 19 de Maio deste anno: N. B.
Fão juntos ao Alvará.
20 Edital ácerca da reedificação da Cidade de
Lisboa........ • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

Maio Alvará declarando, que os juros estipulados das


dividas dos Mercadores falidos se não possão
contar mais do que até ao dia da sua apre
sentação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 654
19 Alvará confirmando os Estatutos da Aula do
Commercio.............................. 655
20 Decreto mandando computar o direito domini
cal de hum Prazo pelo valor do foro, e dous
Laudemios............................... 660
30 Alvará para se devassar dos Falidos que se apre
sentarem na Junta do Commercio........... 66 |
Junho Edital sobre a adjudicação dos Terrenos para
a reedificação da Cidade de Lisboa......... 662

Alvará declarando o de 12 de Maio de 1758


ácerca da reedificação da Cidade de Lisboa. 663
19 Aviso, e Instrucções para a reedificação da
Praça do Rocio, e adjudicações de Terre
DOS - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - . . . . . . . . . . . . . . . . 665
2l
669
23
1759 XVII

soureiros da Junta dos Tres Estados, suppos


ta a falta de papeis por occasião do Terremoto. 672
Junho 28 Alvará de Regulamento dos Estudos Menores. 673
28 Decreto regulando a formalidade da arrecada
ção, e entrega do Ouro, vindo nas Frotas... 679
30 Decreto dando destino aos embrulhos de dinhei
ros vindos nas Frotas, a que se não acharem
donos. . . . . . . . . . . . ....................... 679
30 Aviso ácerca da adjudicação dos terrenos incen
diados pelo Terremoto............ • • • • • • • •-• 680
Julho Decreto demarcando o Terreno de hum novo
Palacio; e mandando delinear as ruas confi
68 |
Decreto declarando nulla huma sentença da Sup
plicação, por ser dada contra hum interessa
do na Companhia do Grão-Pará, que tem pri
vilegio de Foro.................. • • • • • • • • • 682
14 Decreto dando a forma para se tomarem as con
tas aos Almoxarifes, e Thesoureiros, emba
raçadas por causa do Terremoto............ 683
25 Carta de Lei da creação da Cidade de Aveiro. 687
30 Instituição da Companhia de Pernambuco, e Pa
raiba: N. B. Vai junta ao Alvará de 13 de
695
Agosto deste anno, que a confirma...........
Lei fazendo caso de devassa o crime de tirar
Agosto 689
presos á Justiça..........................
Alvará extinguindo as duas Thesourarias dos
Defuntos do Ultramar, e India Oriental; e
regulando a fórma das habilitações dos her
deiros dos mesmos bens................... 689
ll Alvará creando o Lugar de Conservador das
Fabricas da Covilhã, e favorecendo os Fabri
cantes, que fornecem pannos para o farda
692
mento das Tropas... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
13 Alvará confirmando o estabelecimento da Com
7 12
panhia de Pernambuco, e Paraiba. . . . . . . . . .
Setembro Lei exterminando os Jesuitas, e prohibindo a
com municação com os mesmos. . . . . . . . . . . . . 7 13

Alvará mandando guardar a Collecção dos Bre


ves Pontificios, e Leis Reis ácerca da expul
são dos Jesuitas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 16
25 Decreto comprehendendo o de 31 de Outubro
de 1718, por se ter incendiado no Terremoto
o Original do mesmo... .. . . . . . . . . . . . . . . . . . 721

Outubro Decreto isentando por dez annos de direitos os


frutos de Castello-Branco, e Guarda, embar
cados para Lisboa em Villa-Velha........, - •
722

23 Decreto regulando a fórma das Consultas para


os Lugares de Letras. . . . . . . . … :: : : : : : : : : : 722

25 Decreto para o Regedor nomear Ministros Ser


ventuarios para o Deposito Publico no impe
dimento dos Proprietarios. . . . . . . . . . . . . . . . . .
XVIII 1760

ANNO DE 1760. #

Jsneiro Alvará declarando o de 7 de Julho de 1759


ácerca do Director Geral dos Estudos, e Ex
H II) º S. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • 724

Março Alvará ácerca dos Commissarios Volantes aos


portos do Brasil......... • • • • • • • • • • • • • • • • • 726 lat
12 Alvará declarando o de 13 de Novembro de 1756
ácerca dos Falidos de boa fé........ • • • • • • • 727
Abril Alvará favorecendo os Fabricantes de Seda, pa
ra pagarem nas Alfandegas tamsómente a im
728
posição do sello...........................
Junho 14 Aviso ao Nuncio para sahir immediatamente de
Lisboa, e em quatro dias do Reino......... 729
25 Alvará da Creação da Intendencia Geral da Po
licia, e seu Regulamento.................. 73 ]
25 Alvará regulando os emolumentos dos Ministros,
e Oficiaes nos processos da Policia......... 737 #10
28 Assento ácerca das propinas da Relação do Por
to por occasião do Casamento da Princeza... 739
Julho Aviso para se registar o Alvará da Creação da
Policia em as Camaras, e recommendando o #
seu exacto cumprimento................... 740

Alvará prohibindo o corte das arvores Mangues


em algumas Capitanias do Brasil........... 741
14 Carta Regia concedendo á Intendencia da Ba
hia dous por cento da cobrança das dividas
antigas dos Fallidos................ • • • • • • • 742 u.
#",
+
Agosto Tres Decretos ácerca da Ruptura com a Corte
dº Roma. . . . . . . . . . . . . . . . . ............... 743
I3 747
Alvará regulando a expedição dos Passaportes.
19
Decreto determinando que Juizes, julguem sum
mariamente os crimes, que antes da Lei de
25 de Junho erão ordinarios; e com que as
signaturas ............................... 749
Setembro Alvará providenciando á regulação de vida e em
pregos dos Ciganos do Brasil............... 5749
Outubro Decreto mandando demolir as Barracas de Ma
deira em Lisboa..........................
15 Alvará declarando os §§. 6. e 7. dos Estatutos
da Junta do Commercio ácerca dos Cantra
bandos, e Descaminhos no Ultramar........
I8
Alvará taxando os emolumentos dos Juizes, e }
Oficiaes nas Execuções da Real Fazenda.... #
28
Edital ácerca da adjudicação de terrenos aos in
teressados para a reedificação de Lisboa.....
Novembro Assento sobre o vencimento das braçagens pe
los Desembargadores Extravagantes da Sup
plicação, que estiverem ausentes........... 7 56

Decreto, e Plano para a reedificação de Lisboa. 75 7


Alvará declarando os Estatutos dos Mercadores
das cinco Classes.........................
176O XIX

Novembro 16 Alvará prohibindo o exercício da arte da Musi


ca em Lisboa aos que não forem da Irman
dade de Santa Cezilia..................... 760
20
Assento da Relação do Porto ácerca do Salario
do Medico, e Cirurgião do Partido da Rela
ção nos exames a que se mandar proceder... 76 I
Dezembro 16 Alvará facultando á Companhia dos Vinhos do
Douro estabelecer fabricas de Agoas-ardentes. 762
19 Edital sobre a reedificação de algumas ruas de
Lisboa......... "* * • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 765
30 Alvará para que o Conservador da Companhia
dos Vinhos tire Devassa annualmente dos
Transgressores da Instituição e mais leis da
mesma Companhia........................ 766

A N N O D E 176 1.

Janeiro 5 Decreto para se entregarem na Casa da India


ao Fiel das Tomadias da Junta do Commer
cio aquellas, que forem julgadas por boas por
sentença do respectivo Conservador......... 768
Fevereiro 9 Decreto ácerca dos Artifices Nacionaes, e Es
trangeiros de obras de Latão, e Estanho.... 768
14 Decreto ácerca da Administração da Casa de
Trimoul.............. • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 769
25 Alvará determinando a applicação e destino dos
bens dos Jesuitas, ........................ 770
Março 3 Alvará concedendo Aposentadoria passiva aos
Fabricantes de seda, que tiverem pelo me
nos dous teares.......... • • • • • • • • • • • • • • • • • 772
Decreto mandando conservar os Guardas aos
Navios em franquia......... • • • • • • • • • • • • • • 773
Carta de Lei com os Estatutos do Real Colle
gio dos Nobres.............. • • • • • • • • • • • • • 773

Edital ácerca de Passaportes................. 793


Abril Alvará declarando os Naturaes da India habeis
para Empregos Publicos, e Honras......... 793
|8 Decreto para que o Senado dê licença aos Ar
tifices Estrangeiros para trabalharem em obras
de nova invenção...... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 795
27 Decreto regulando o Uniforme dos Generaes, e
Oficiaes Militares....... • • • • • • • • • • • 795
Maio 4 Decreto favorecendo a Companhia
Maranhão na forma de despachar as suas fa
zendas na Alfandega de Lisboa............. • 796

Alvará abolindo o Estanque do Vellorio, ou


Missanga no porto de Moçambique......... 797
30 Decreto ampliando o de 27 de Abril ácerca dos
Uniformes dos Oficiaes Militares..... • • • • • • 798
Junho 9 Alvará concedendo privilegio exclusivo a huma
Fabrica de Gomas......* • • • • • • • • • • • • • • • • • • 798
Alvará dando preferencia á Companhia do Grão
XX 1761

Pará, e Maranhão no producto da venda dos


Escravos, que ella tiver vendido fiados...... • 799
Julho 2 Decreto creando vinte e quatro Guardas-Ma
rinhas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 800
24 Decreto nomeando dous Desembargadores para
irem ao Senado julgar causas alli demoradas. 80 1
29 Alvará ácerca do producto das Tomadias do
Bem Commum dos Mercadores........ • • • • • 80 l

Agosto Decreto dando varias providencias. ao bom re


802
gulamento da Casa da Moeda..............
Decreto regulando os Uniformes dos Auxiliares,
e Ordenanças............................ 803
*

17 ''; }
Lei regulando os Dotes das Filhas das Pessoas }

da primeira Grandeza........ • • • • • • • • • • • • • 804


17 Alvará occurrendo aos abusos de despezas nos
Casamentos de Pessoas da primeira Grande
za, e luto das Viuvas.................. • • • 807 }
2l Decreto isentando de direitos a exportação de
Solla, e Atanados.................. • • • • • • • 808
2
28 Decreto de perdão aos presos pelo Nascimento
do Principe da Beira........ • • • • • • • • • • • - 809
28
Decreto mandando soltar os presos por dividas
civeis por occasião do Nascimento, e Bapti
sado do Principe da Beira, pagando-se aos
Credores pela Real Fazenda............... 8]O
Setembro Decreto nomeando hum Medico para as Torres
de S. Julião da Barra, e S. Lourenço, Forte
da Maia, e Paço de Arcos com o Ordenado
de cincoenta mil réis.............. • • • • • • • 8]O
19 Alvará prohibindo o transporte de Negros escra
vos do Brasil para o Reino................. 8| 1
28
Decreto prohibindo tomar-se conhecimento no
Juizo da Coroa de Recursos interpostos do
Executor das Bullas, e Indultos da Santa
Igreja Patriarchal ........................ 8|2
Novembro 17 Decreto mandando fazer escala em Angola ás
Náos, e mais Embarcações, que voltarem da
India... . . . . . . .......... . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 |3
24

Fragatas oferecida pelos Negociantes do


Porto....................... • • • • • • • • • • • • • 8 |3
Dezembro Lei extinguindo os Contos do Reino, e Casa, e }
creando o Erario Regio............ • • • • • • • 8 |6
22
Lei declarando a jurisdicção do Conselho da Fa
Zenda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 835
29

de Ordenado ao Guarda-Mór dos Contos, e


outros Officios, que se tinhão extinguido....
30 Decreto regulando o modo de tomar as contas
aos Almoxarifes e Thesoureiros da Real Fa
Zenda …..................... 853
1762

A NNO DE I 7 62.

Janeiro $
Alvará concedendo ás Embarcações Portugue
zas que forem carregar sal a Setubal, o pode
rem ali desembarcar as fazendas, que qui
ZGSSCII) . . . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

|6 Decreto declarando quem sirva aonde não hou


ver Almoxarife, ou Thesoureiro, e que o Juiz
de India e Mina conhece das Denuncias, e
Tomadias, em diversas Repartições.........
Março 12 Decreto estabelecendo a fórma do pagamento
das despezas miudas do Conselho da Fazenda.
Abril 2 Alvará prohibindo o uso de mais de huma Pa
relha em as Carruagens em Lisboa.........
Decreto prohibindo o luxo da Mesa dos Gene
raes em Campanha............. • • • • • • • • • •

Decreto regulando as Salvas entre as Náos de


8uerra. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . • • • • • • •

Decreto ácerca da compra de Cavallos para a


remonta do Exercito................ • • • • • •

Decreto sobre a denominação, que devem ter


os Officiaes Generaes...................... 860

Alvará creando o Regimento da Artilheria da


Corte ; e extinguindo os Pés de Castello,
Presidios, e Troço..................... • • • 860
14 Decreto regulando a divisa, de que devem usa
os Generaes....... • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 862
|6 Decreto augmentando as Companhias de todos
os Regimentos do Alemtéjo.......... • • • • • • 863

16 Decreto augmentando quatro Companhias a cada


hum dos Regimentos de Cavallaria......... 863
16 Decreto augmentando oito Companhias a cada
hum dos Regimentos de Infanteria.......... 863
19 Decreto para os Mestres de Campo Auxiliares
da Beira, e Partido do Porto terem seu exer
cicio. . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 863
20 Decreto creando mais tres Regimentos de In
fanteria... . . . . . . . . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • • 864
21 Decreto mandando formar de novo mais quatro
Regimentos de Cavallaria........ • • • • • • • • • • 864
21 Decreto permittindo aos Oficiaes de Cavallaria
trocarem seus Postos dentro de hum anno... 965
Maio
866
Alvará perdoando os criminosos ausentes deste
Reino, alistando-se na Tropa, ou na Marinha. 866
18 Assento sobre a mudança da Relação do Porto,
e segurança do seu Cofre, e Cartorio na occa
sião da invasão dos Castelhanos.............
18 Decreto de declaração de guerra a Castella, e
França. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . • • • 868
F
XXII 1762

Junho 2 Decreto facilitando Carta de Naturalisação aos


Estrangeiros de certas classes, que se quize
rem naturalisar. . . . . . . . . . . . . . . . ........... 369
12 Condições com que se levantaráõ os dous Bata
lhões de Suissos. N. B. Kão com o Decreto
de 27 deste mez.
27 Decreto mandando levantar dous Batalhões de
Suissos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ........... 870
Julho I Decreto creando no Erario a Junta das Muni
ções de boca.......................... * * *
875
30 Decreto creando doze Tenentes do Miar, e dezoi
to Guardas-Marinhas para as Fragatas da Ci
dade do Porto............................ 878
30 Decreto prohibindo a passage dos Artilheiros
para os outros Corpos.................. • • • 878
3 | Decreto regulando o pagamento da Tropa..... 373

Agosto 24 Decreto ácerca dos Uniformes dos Auxiliares, e


Ordenanças................ • • • • • • • • • • • • • • 88 |
25 Decreto sobre a antiguidade dos Oficiaes Mili
* tares. . . . . . . . . . . . . . . . . • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 88 |
Setembro 11 Decreto ácerca da jurisdicção dos Officiaes Go
vernadores de praças, concorrendo com ou
tros de Superior Graduação................ 882
26 Alvará estabelecendo a Decima em lugar dos
quatro e meio por cento........... • • • • • • S• • 882
Outubro |8 Decreto e Instrucções para o Lançamento, e
Cobrança da Decima.............. • • • • • • • • 885
Supplemento ás Instrucções supra............. 393
Decreto nomeando Ministros para a Cobrança
da Decima do Termo de Lisboa............ 893

Alvará concedendo ao Conservador da Compa


nhia do Pará e Maranhão a mesma jurisdic
ção do da Junta do Commercio............. 894
30 Alvará aceitando a oferta dos Negociantes de
vinte e quatro contos de réis em lugar da De
cima do seu Maneio, e Juros.............. 895
Novembro 22 Decreto para que os Almoxarifes e Thesoureiros
paguem, os Ordenados, que forem lançados
nas suas Folhas........ • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 897

&#3
—==>$30@l?$#@$@$é_==-

ANNO D E 1750.

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará de Lei virem, que sen
do-me presente não bastavão para congrua sustentação dos Desembarga
dores do Paço, Casa da Supplicação, e do Porto, e mais Ministros de
Justiça os ordenados, e emolumentos, que em diversos tempos lhes fo
rão taxados, pela carestia, a que tem subido todos os generos ; e por
convir ao serviço de Deos, e Meu, e bom despacho das partes, que os
referidos Desembargadores, e Ministros tenhão o necessario para se tra
tarem decentemente , e com independencia : Hei por bem que do pri
meiro de Janeiro deste anno de mil setecentos e sincoenta em diante se
jão os ordenados, e emolumentos na fórma seguinte.
Os Desembargadores do Paço haverão de seu ordenado quatrocen
tos mil réis, e cincoenta pelas assignaturas dos papeis; em que se pro
hibe outro algum emolumento ; e cada hum que for Juiz, ou assignar,
levará das revistas nove mil e seiscentos: das Cartas de legitimação de
filhos adulterinos, sacrilegos, e incestuosos, tres mil e duzentos réis, e
dos filhos puramente naturaes mil e seiscentos réis: dos Supprimentos de
idade quatrocentos réis: das licenças para espingardas, ou outras armas,
oitocentos-réis: das Provisões para prova de direito commum, appellar,
ou aggravar , e commissões em fórma , duzentos e quarenta réis : das
Emancipações , trezentos réis : das Provisões para terras coimeras, e
Privilegios para se não imprimirem livros, ou outros inventos, oitocen
tos réis; das Provisões para os Clerigos possuirem bens em reguengos,
mil e duzentos réis; e para os comprarem para si, na fórma da Lei,
quatrocentos réis: da dispensa da Lei para as Igrejas possuirem bens de
raiz, mil e seiscentos réis : das Cartas de administração de Capellas,
mil e seiscentos réis: dos Alvarás de fiança, e suas reformações, e das
Cartas de Seguro, quatrocentos reis : das Cartas de Oficios, e Confir
mações dos appresentados pelos Donatarios, seiscentos réis : dos Provi
mentos para as serventias, cento e vinte: das Cartas para Escrevente,
2 1750

ou Provisões para Ajudante, trezentos réis : das Cartas de Estalajadei


ro, ou Recoveiro, quatrocentos réis: dos Alvarás de opere demoliendo,
quatrocentos réis : dos do Tombo, oitocentos réis : das Cartas de Juiz
dos Orfãos, seiscentos réis: das de Privilegio de regue ogueiro, quatro
centos réis: das tuitivas, oitocentos réis: das de insinuação de doação,
quatrocentos réis : das Provisões de perdão, exceptuados os da semana
Santa, que serão graciosos, duzentos e quarenta : das de subrogação,
aforamento, ou empenho de morgado até a quantia de quatro contos de
réis, quatrocentos e oitenta ; e passando da dita quantia, se dobrará a
assignatura: dos Alvarás de manter em posse, dous mil e quatrocentos;
das Provisões para Juizes privativos, ou moratorias, oitocentos réis: de
toda a dispensa da Lei, além dos casos acima declarados, quatrocentos
réis ; das Vestorias levará cada Ministro , que for a ella , dous mil e
quatrocentos réis: das Habilitações dos Bachareis, mil réis; porém o Re
lator, e Escrivão da Meza levarão dous mil réis; dos Aggravos do Se
nado da Camara levará o Relator quatrocentos réis, e cada hum dos Mi
nistros, que assignar a sentença, duzentos réis. Não levará emolumen
to algum das Provisões, que respeitarem ao Meu Real Serviço, Tutelas
de Mãis, ou outros Ascendentes, para se pedirem esmolas, ou por que
se mande informar qualquer materia, ainda a requerimento de Parte.
O Chanceller Mór levará nas suspeições por cada huma das tes
temunhas, que inquirir, cento e sincoenta réis; e por assignar cada hu
ma das Sentenças, dous mil réis.
Os Desembargadores da Casa da Supplicação , ou tenhão Oficio
na Casa , ou sejão Extravagantes, haverão indistinctamente trezentos
mil réis de ordenado, e cada hum dos que forem nomeados pelo Desem
bargo do Paço para informar Revistas levará oito mil réis; e nas já con
cedidas levarão os Adjuntos o mesmo que o Relator. E porque a expe
riencia tem mostrado, que o deposito, que na fórma da Ordenação Liv.
3. Tit. 95. § 2. , são obrigados os impetrantes de Revistas a fazer na
Chancellaria, raras vezes tem a applicação, a que se ordena: Hei por
Meu serviço relevar aos ditos impetrantes do referido deposito. Os Desem
bargadores de Aggravos, que com o parecer do Regedor arbitrão as es
portulas nas causas de commissões, em que na fórma de Ordenação Liv.
3. Tit. 97. se podem levar, poderão extender a seu arbitrio até a quan
tia de quarenta mil réis, guardando em tudo o mais o disposto na refe
rida Lei. O Chanceller da mesma Casa levará nas suspeições de cada
huma das testemunhas, que inquirir , cem réis; e de assignar as sen
tenças, mil e duzentos. Os Desembargadores de Aggravos levarão as as
signaturas, que presentemente tem, e lhe forão reguladas pelo Decreto
de vinte e dous de Março de mil setecentos e quatorze, e pela Resolu
ção de nove de Setembro de mil setecentos quarenta e cinco em Consul
ta do Desembargo do Paço de seis de Fevereiro do sobredito anno, em
que houve por bem mandar levassem a mesma assignatura nos Aggravos
ordinarios, que pelo referido Decreto lhe era concedida nas Appellações;
porém excedendo as Causas de hum conto de réis, e chegando a dous,
levarão seis mil e quatrocentos réis; e oito mil réis, se chegarem a tres
contos ; nove mil e seiscentos, chegando a quatro, e nada mais. Nos
embargos levarão a terça parte da assignatura, que tiverão pela primei
ra sentença: dos dias de apparecer, e Aggravos de instrumento, seis
centos réis; e nos Embargos a terça parte, não sendo inferior a assigna
tura, que presentemente tinhão; porque sendo-o, levarão esta, e de ca
da huma das petições de Aggravo haverão quatrocentos e oitenta réis,
1750 3

que com ellas se entregarão ao Guarda Mór, quando se houverem de


metter na Relação ; e no fim de cada mez se repartirá a importancia,
que produzirem, por todos os Desembargadores de Aggravos actuaes.
Das Cartas levarão de assignatura, cem réis: dos Mandados sin
coenta; e cada hum delles pelas Vestorias, ou sejão dentro, ou fóra da
Cidade , em distancia de huma legoa, levará mil e seiscentos réis ; e
sendo em maior distancia de huma ou mais legoas, haverão por cada
hum dos dias, que gastarem, tres mil e duzentos.
Com os Desembargadores Juizes dos Cativos se observará o mes
mo, que fica disposto a respeito dos Desembargadores de Aggravos.
Na Correição do Crime da Corte levarão os Corregedores, e Des
embargadores Extravagantes pelas sentenças definitivas, e Cartas de Se
guro, que se despachão em Relação, o mesmo, que até o presente ti
nhão, e lhes foi regulado pelo Decreto de vinte e dous de Março de mil
setecentos e quatorze; porém huns, e outros haverãa pelos Embargos
ametade da assignatura, que tiverão pela primeira sentença; e dos Ag
gravos de instrumento terão os Corregedores seiscentos féis de assigna
tura, e outro tanto os Extravagantes, não se levando cºusa alguma pe
las sentenças de Desaggravo, que se extrahirem: levarão porém huns,
e outros meia assignatura, no caso que esta sentença se embargue. Nas
Petições de Aggravo se observará o mesmo , que fica disposto com os
Desembargadores de Aggravos; porém o que produzirem se repartirá en
tre os Corregedores , e Extravagantes : levarão os Corregedores pelas
Cartas de Seguro, que por si passarem, quatrocentos réis de assignatu
ra; e pelas mais Cartas, e Mandados o mesmo que os Desembargadores
de Aggravos. Nas querélas levarão sessenta réis por cada huma das tes
temunhas, que inquirirem, e trezentos réis pelas pronuncias, ou obri
guem, ou não, e nada mais, e o mesmo levarão das devassas que tira
rem, havendo parte, ou culpados.
Na Ouvidoria do Crime em as Sentenças definitivas, Cartas, e
Mandados, se observará o mesmo, que fica disposto com as Correições
da Corte.
No Juizo dos Feitos da Coroa , e Fazenda levarão os Juizes , e
Desembargadores Extravagantes a mesma assignatura, que até agora ti
nhão os Desembargadores de Aggravos; e nos Embargos a terça parte
da primeira Sentença ; e para o referido efeito se avaliarão as Causas.
Destas assignaturas terá a terça parte o Juiz da Coroa respectivo, e as
duas partes para os Extravagantes; porém se as Causas pela sua avalia
ção não tiverem maior assignatura que seiscentos réis, os levarão os Jui
zes da Coroa , e nos Embargos cento e cincoenta réis. Nos Recursos,
seiscentos réis; nos despachos sobre as Cartas rogatorias, trezentos réis,
e outro tanto em todos estes casos haverão os Extravagantes. Nos Ag
gravos de instrumento , e petição , e Cartas de Seguro se observará o
mesmo , que fica disposto com os Corregedores do Crime da Corte; e
das mais Cartas, e Mandados levarão os ditos Juizes da Coroa o mesmo,
que os Desembargadores de Aggravos.
Os Corregedores do Civel da Corte haverão as mesmas assignatu
ras, que presentemente levão das Sentenças, não excedendo as Causas
de quinhentos mil réis; e dahi para sima, levarão seiscentos réis, e na
da mais : e a mesma assignatura levarão das Cartas de arrematação.
Das Sentenças sobre Embargos , ametade da assignatura da primeira
Sentença: das de preceito, duzentos réis; das de nobreza, oitocentos
réis: das Cartas, de qualquer qualidade que sejão, cem réis; dos Man
A 2
4 1750

#,
dados, cincoenta réis; das Vestorias o mesmo, que os Desembargadores
de Aggravos; das Inquiridorias de testemunhas, a requerimento de Par ºlá
te, cincoenta réis por cada huma; das Sentenças de absolvição de ins ##
tancia, Artigos de habilitação, Declinatorias, Justificações, e Excep #
ções, que se lhe fazem conclusas, levarão a mesma assignatura, que #Vºtº

até agora levavão, e a dos Embargos de terceiro será na fórma declara gº


da sobre as mais Sentenças definitivas, arbitrando-se o valor da Causa {*}}

pela importancia da parte da execução impedida. Das partilhas, em que


tiverem levado esportula, não levarão assignatura: mas em dobro a que
vai dada aos Juizes dos Orfãos dos Inventarios, e Partilhas, quando não
houverem esportulas.
No Juizo da Chancellaria , levarão o Juiz, e Desembargadores
Extravagantes as mesmas assignaturas, que vão dadas aos Corregedores
do Crime da Corte nas Sentenças, Suspeições, Aggravos de instrumen
to, e Cartas de Seguro, mandadas passar em Relação; porém das que
o Juiz conceder por despacho seu, levará sómente duzentos réis, e na
da de Inquiridoria nas devassas geraes, que he obrigado a tirar ; mas
nas Suspeições, e Denuncias particulares, que perante elle se fizerem
de alguns Oficiaes de Justiça, haverá quarenta réis de inquirir cada hu
ma das Testemunhas, e duzentos réis de pronúncia; e pelas Cartas, e
Mandados, que não forem da obrigação de seu Cargo, o mesmo que fi
ca disposto com os Corregedores do Crime da Corte.
Nos Juizos dos Contos, e Feitos da Misericordia levarão os Jui
zes, e Extravagantes o mesmo , que se acha disposto pelo Decreto de
vinte e dous de Março de mil setecentos e quatorze. O Promotor da Jus
tiça levará por cada hum dos Libellos, que formar contra culpados em
devassas, seiscentos réis; e contra os culpados em querélas, trezentos
réis; e por cada huma das Visitas, que he obrigado a fazer nas Cadêas
todos os mezes, mil e duzentos, constando que elle com efeito fez as
ditas Visitas.
As assignaturas, que vão dadas aos Extravagantes nas Correições
do Crime da Corte, Ouvidorias do Crime, Juizo dos Feitos da Coroa, e
Chancellaria, e as que já tinhão nos Juizos dos Contos, e Feitos da Mi
sericordia, e esportulas, que levão nos das Capellas da Coroa na confor
midade do Decreto de vinte e dous de Março de mil setecentos e qua
torze , declarado pelo Avizo de vinte e nove de Maio do dito anno, a
que o mesmo Decreto se refere, se repartirão na fórma determinada nos
sobreditos Decreto, e Avizo.
Os Desembargadores do Porto, ou tenhão Oficio na Casa, ou se
jão sómente Extravagantes, haverão indistinctamente o ordenado de du
zentos mil réis, e os emolumentos, que vão dados aos Ministros da Casa
da Supplicação, na parte, que lhes for respectiva, na conformidade do
que Fui servido determinar por Resolução de dezesete de Dezembro de
mil setecentos e trinta e cinco em Consulta da Meza do Meu Desembar
go do Paço , sobre o accrescentamento feito no anno de mil setecentos
e quatorze.
Todos os Corregedores, Provedores, Ouvidores, Juizes de Fóra,
e dos Orfãos Letrados, e mais Ministros desta Cidade, Reino, e do Al
garve, haverão mais a terça parte do ordenado, que até ao presente ti
verão , e todos os ditos Ministros até Ouvidores dos Mestrados inclusi
vè levarão das sentenças definitivas duzentos réis; e das de preceito, e
juramento da alma, cem réis, não cabendo na alçada, que pelo tempo
tiverem; e cabendo, o mesmo que até agora; sendo porém de primeiro
I750 5

banco, e servindo na Corte, levarão a assignatura, que lhe está dada


pela Lei de sete de Outubro de mil setecentos quarenta e cinco, a fa
ber: duzentos réis de cada huma sentenças definitivas, posto que caibão
na alçada, ou sejão de preceito, sendo elas de qualidade, que se devão,
ou costumem extrahir dos processos, e em virtude dellas passar manda
do de solvendo; e embargando-se as sentenças, levarão ametade da assi
gnatura, que por ellas lhes vai assignada.
Das Cartas, e Precatorios sessenta réis; dos Mandados quarenta
réis; das Inqulridorias, nas Causas Cíveis, cincoenta réis de cada tes
temunha, que perguntar; e nas devassas, havendo requerimento de par
tes, ou culpados,
cia, duzentos réis, cincoenta réis; o mesmo nas querélas, e da pronun
e nada mais. •

Das Vestorias nas terras, em que se acharem, e huma legua ao


redor, oitocentos réis; e sendo mais longe, mil e duzentos; e dos In
ventarios, e partilhas, o mesmo que vai dado aos Juizes dos Orfãos, não
havendo esportulas: sendo porém Ministros de primeiro banco, levarão
das Vestorias fóra das Cidades, ou Villas, em que assistirem, e maior
distancia de huma legua, mil e seiscentos réis, em cada hum dos dias,
que gastarem na diligencia; e dos Inventarios, e partilhas, que lhe fo
rem commettidos
Juizes dos Orfãos.a requerimento de parte, o dobro do que vai dado aos

Os Porvedores, nas contas dos Testamentos, Capellas, Confra


rias, e Conselhos, não levarão residuo, senão da Importancia, que fize
rem cumprir nos Testamentos á custa dos Testamenteiros negligentes e
não dos bens das Testamentarias, como até agora contra a mente da Lei
do Reino se praticou; e nas Capellas á custa dos Administradores: nas
Confrarias, e Conselhos levarão residuo sómente das addições glosadas á
custa de quem mal as dispendeo, fazendo primeiro cumprir o que estiver
por julgar: cumprindo qualquer Testamento, haverão a mesma assigna
tura, que tem por outra qualquer sentença entre partes: das contas, que
tomarem das Capellas de Missa quotidiana, e d’ahi para cima, duzem
tos réis, e d’ahi para baixo cem réis; e se as Missas não passarem de
cincoenta, ou os encargos não importarem mais, não tomarão mais de
huma conta de tres em tres annos. Das contas dos Conselhos, Confrarias,
Albergarias, e Hospitaes, não excedendo a receita de cincoenta mil réis,
levarão cem réis, e de cincoenta até cem, duzentos réis; e de cem até
quatrocentos mil réis, quatrocentos réis, e de quatrocentos para cima,
seiscentos réis, e nada mais, nem ainda pela assignatura das quitações,
que as partes pedirem: nem mandarão pôr sello, nem clausula, de que va
lerá sem elle, em papel algum, que não seja sentença, ou carta, que na
fórma da Ordenação deva passar pela Chancellaria; nem outro sim dentro
da sua Comarca mandarão citar por Precatorios, mas só por Mandados em
as causas, que pertencem ao seu Juizo. Não levarão dos Conselhos aposen
tadoria alguma a dinheiro, ou em especie, mais que de casas, cama, le
nha, e louça para a cozinha, e meza, e tudo o mais será á sua custa;
nem consentirão que os Corregedores, Ouvidores, e outros quaesquer
Ministros, e Oficiaes levem mais que a referida aposentadoria: e em
huns, e outros será o excesso culpa especial de residencia, com as pe
nas de restituirem em dobro o que de mais levarem, e de dez annos de
suspensão de Meu Real serviço. Não levarão os ditos Provedores salarios
alguns dos Conselhos pelas audiencias de revista, ou sejão feitas aos mes
mos Conselhos, ou aos Rendeiros; poderão porém levar vinte réis por
cada huma das coimas appelladas, que condemnarem, ou absolverem
6 1750

Este mesmo salario de vinte réis levarão os Corregedores, e Ouvidores


pelas acções, que condemnarem, ou absolverem nas audiencias da Chan
cellaria, que só farão nos termos, que a Ordenação permitte: e não con
demnarão mais que aos comprehendidos, que lhes constar tem sido legi
timamente citados com pregão, e termo competente, nem multiplicarão
processos, e culpas a respeito dos condemnados, posto que o sejão por
diferentes causas pertencentes á Chancellaria; nem procederão contra
os Officiacs de Oficio, que tem Juiz, e Cartas de examinação por per
tencer ás Justiças ordinarias, e Camaras; nem applicarão para os Mei
rinhos penas de se não terem concertado estradas, ou feito outras obras
úblicas ordenadas em o Capitulo de Correição; nem consentirão que o
Mºinhº seja rendeiro da Chancellaria; e constando-lhe, o suspenderão:
nem admittirão ao rendeiro acções, que toquem ao Meirinho, nem a es
te as que pertencem ao rendeiro; nem no caso de huma pessoa exercitar
diferentes ministerios, por cada hum dos quaes possa ser chamada para
a mesma audiencia: dividirão a condemnação por cada hum dos minis
terios com multiplicação de custas, por não haver mais que huma só ac
cusação e hum só condemnado; e nas condemnações de huma, e ou
tra audiencia, farão declarar o motivo dellas, que sempre será justo, e
bem examinado; e excedendo, ou contravindo ao sobredito, se lhe dará
em culpa especial de residencia, e restituirão em dobro, o que levarem
de mais, e terão a pena de seis annos de suspensão de Meu Real serviço.
Os Corregedores, Provedores, Ouvidores, Juizes de Fóra, e dos
Orfãos não rubricarão mais Livros, que os determinados pela Ordenação,
e Leis, que depois della emanárão; e pela rubríca de cada folha levarão
sómente dez réis.
Os Corregedores, Provedores, e Ouvidores, nas diligencias a que
forem mandados fóra das Cidades, ou Villas, em que servirem a reque
rimento de parte, levarão por cada hum dos dias, que gastarem, mil e
duzentos; e sendo Ministros de primeiro banco, mil e seiscentos; e pos
to que estes, e outros quaesquer Ministros, que por ordens immediata
mente Minhas, ou dos Tribunaes, a que pertencer, forem fazer infor
mações a requerimento de Partes, possão levar os salarios, que lhes vão
concedidos; sendo Ministros de Correição, não levarão cousa alguma,
quando fizerem as informações, e diligencias nas terras, em que se acha
rem: e huns, e outros, quando forem fóra fazer muitas, ratearão por to
das o salario. Os Provedores pelas revistas das contas dos Inventarios,
e provimentos, que nelles devem fazer, levarão o mesmo salario, que os
Juizes dos Orfãos. Os Juizes de Fóra, e dos Orfãos Letrados, levarão pe
las sentenças definitivas, que não couberem na alçada, que pelo tempo
tiverem, cem réis; e cincoenta réis das de preceito, e alma: mas ca
bendo na alçada, levarão o mesmo que presentemente tem ; e nos em
bargos em hum, e outro caso, levarão ametade da assignatura da pri
meira sentença, da inquiridoria das testemunhas, que devem tirar, e ain
da das devassas, em que houverem culpados, ou partes, levarão de ca
da huma das testemunhas, que perguntarem, quarenta réis, e das pro
nuncias o mesmo que os Corregedores das Comarcas: das vestorias nas
terras de sua residencia, seiscentos réis; e no termo, oitocentos; e nas
diligencias, a que forem mandados fóra dos Lugares da sua residencia,
mil e duzentos. Dos Inventarios, e termos delles, não passando a sua im
portancia de trinta mil réis, levarão cem réis; e d’ahi até quatrocentos
mil réis, duzentos réis; e de quatrocentos mil réis para cima, quatro
centos réis, e nada mais. Das partilhas, chegando o Inventario a hum
I750 7.

conto de réis, mil e duzentos: e chegando a dous contos, e d’ahi para


cima, dous mil réis; e não chegando a hum conto, o salario da Lei.
Não levarão cousa alguma, havendo esportulas, que não se concederão em
caso algum por bens de Menores: não levarão caminhos de irem fazer
Inventarios fóra dos lugares de sua residencia; nem de irem tomar com
tas aos Tutores dentro de duas leguas de distancia, nem ainda sendo es
ta maior, querendo os Tutores vir dallas ao lugar da residencia do Juiz,
e indo tomallas fóra do caso referido, levarão por cada dia quinhentos
réis, e se ratearão pelas coutas que no dito dia se tomarem. •

Destas contas até quantia de trinta mil réis de renda, levarão os


Juizes o mesmo que até agora; e chegando a renda a cem mil réis, le
varão duzentos réis, e trezentos réis, se chegar a trezentos mil réis;
e d’ahi até quatrocentos mil réis, quatrocentos réis, e nada mais.
Os Juizes dos Orfãos desta Cidade, usarão deste Regimento, e
o das Propriedades, na parte que se póde applicar ao exercicio do seu
lugar.
Os Juizes dos Orfãos, que não forem Letrados, não levarão maior
assignatura, ou salario que o taxado pela Ordenação.
Mando ao Presidente do Desembargo do Paço, Regedor da Casa
da Supplicação, Governador da Casa do Porto, e a todos os Desembarga
dores das referidas Casas, Corregedores, Provedores, Ouvidores, Juizes,
Justiças, Oficiaes, e Pessoas destes Meus Reinos, cumpräo, e guardem,
e fação inteiramente cumprir, e guardar este Meu Alvará de Lei, como
nelle se contém, sem embargo de quaesquer Leis, Regimentos, Capitulos
de Cortes, Provisões, Cartas particulares, ou geraes, e opiniões de Dou
tores em contrario, que todas derogo, e Hei por derogadas de Minha
certa sciencia, e Poder Real, ainda que dellas se houvesse de fazer ex
pressa, e declarada menção; e para que venha á noticia de todos, Man
do ao Doutor Francisco Luiz da Cunha de Ataide, do Meu Conselho,
e Chanceller Mór destes Reinos, e Senhorios, o faça logo publicar na
Chancellaria, e envie Cartas com o treslado della sob Meu sello, e seu
signal aos Corregedores das Comarcas destes Reinos; e aos Ouvidores das
Terras dos Donatarios, em que os Corregedores não entrão por Correi
ção, aos quaes Mando o publiquem logo nos Lugares, em que estive
rem, e que o fação publicar em todas as suas Comarcas, e Ouvidorias
para que a todos seja notorio: o qual se registará no Livro da Meza do
Meu Desembargo do Paço, e no da Casa da Supplicação; e este pro
prio se lançará na Torre do Tombo. Dado em Lisboa aos 7 de Janeiro
de 1750. (1) = Com a Assignatura de ElRei, e a do Marquez Mordo
mo Mór,
Regist, na Chancellaria Mór da Córte, e Reino no
Livro das Leis a fol. 145, e impr. na Oficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

# >{v<>n} #

{ • +

S……Me presente, que na Casa da Supplicação por causa dos quatro


Lugares de Aggravos, que fui Servido crear, ficão sendo necessarios
mais alguns Desembargadores Extravagantes : Hei por bem crear dous
(1) Vid. o Regimento de 25 de Agosto de 1750, os dous de 4 de Fevereiro de 1735,
e o Alvará de 15 de Julho do mesmo anno.
8 1750

Lugares de Desembargadores Extravagantes da dita Casa da Supplica


ção; e Sou Servido nomear para Corregedores do Civel da Corte a An
tonio José da Fonceca Lemos, e Bento da Costa de Oliveira Sampaio,
para Juiz da Chancellaria a João Pacheco Pereira , para Ouvidores do
Crime, a Sergio Justinianno de Oliveira , e Sebastião Mendes de Car
valho, para Promotor da Justiça, a Francisco Galvão da Fonceca; e de
aposentar ao Desembargador Antonio Pires da Silveira. O Duque Re
gedor da Casa da Supplicação o tenha assim entendido, e o faça execu
tar pela parte que lhe toca. Lisboa 9 de Janeiro de 1750. = Com a Ru
bríca de Sua Magestade.

Regist. na Casa da Supplicação no Livro XIV. dos


Decretos a fol. 54 vers.

# #*<>"+--+
[…

A… 24 de Janeiro de 1750 , na presença do Illustrissimo e Excellen


tissimo Senhor Dom Pedro, Duque de Lafões, e Regedor das Justiças,
se propoz em Meza Grande perante os Desembargadores de Aggravos
abaixo assignados a dúvida , que tinha o Desembargador de Aggravos,
Manoel de Sequeira e Silva, que quando morre hum Desembargador de
Aggravos, que tem tencionado hum Feito sobre Embargos recebidos,
em que já tinha certeza pela primeira Tenção , dada antes do recebi
mento dos Embargos, se havia o Feito ir á Commissão, para se dar Juiz
em lugar do falecido, ou se havia correr pela certeza dos seguintes, fi
cando extincta a certeza, e lugar do falecido: e a razão da sua dúvida
consistia em que posto os Feitos não retrocedão a casa do Ministro fal
lecido, procede na conformidade da Ordenação Liv. 1. Tit. 6. S. 18., e
Assento de sete de Julho de mil seiscentos e trinta e sete a fol. 5 deste Li
vro, a respeito daquelles Feitos, em que não havia certeza anteceden
te, o que fazia diferença a respeito dos Feitos, que já senão regulavão
pelas casas seguintes, mas pela certeza dos Ministros vencedores no re
cebimento dos Embargos; porque nestes se necessitava de Commissão pa
ra se tencionar de novo em lugar do falecido : E pela maior parte dos
votos se venceo, que no caso proposto, por ser diferente do da Lei, e
Assento referido , se devia dar Commissão para Juiz , que dissesse em
lugar do falecido, ainda que já tivesse tencionado, e passado o Feito;
porque poderião do contrario acontecer maiores dúvidas, como quando
no recebimento dos Embargos houvesse votos de receber todos os Arti
gos, outros em receber parte, outros outra parte dos ditos Artigos, ca
sos, em que não podíâo os Ministros da certeza seguinte deliberar mais,
do que no respectivo ao seu recebimento, razão pela qual com geralmen
te se dar Commissão a Juiz, que substitua a certeza do falecido , se
suppria todo o inconveniente: E para não vir mais em dúvida se fez es
te Assento, que o dito Senhor Regedor assignou com os Desembargado
res de Aggravos, que presentes estavão. = Duque Regedor. = Castel
lo. = Velho. = Lopes de Carvalho. = Fonceca e Sequeira. = Cunha.
= Ribeiro. = Xavier. = D’antas. = Doutor Martins. = Castro. =
Doutor Figueiredo. = Cordeiro. = Pinna. = Doutor Velho. = Corrêa. =
Carvalho.
Livro II. da Supplicação fol. 83 vers. ; e na Collecção
dos Assentos a fol. 329.
Z

1750 9

§ #t <>$ §

Sesos preciso mandar na monção de Março do anno presente hum soc


corro ao Estado da India : Hei por bem, que nesta Cidade e seu Ter
mo, se prendão os vadios, que constar pela sua occiosidade, e procedi
mento devem ir para aquelle Estado ; sendo primeiro sentenciados ; e
Sou Servido, que os presos , que se acharem nas Cadêas desta Corte,
não sendo por crimes, que irroguem infamia, ou de morte, ou falsida
de, e tendo idade, que não passe de quarenta annos, e saude capaz de
viagem, sejão sentenciados para irem servir naquelle Estado, achando
se, que merecem serem mandados para elle; o que senão entenderá com
aquelles, que tiverem mulheres e filhos a que fação falta suas ausencias;
e os que se acharem nas ditas Cadêas sentenciados para outras partes
das Conquistas, que não seja a Praça de Mazagão, se lhe commutarão
os degredos para a India, tendo as circumstancias sobreditas, propor
cionando-se estes em tal fórma , que sem se faltar á Justiça se acuda á
necessidade do Estado. O Duque Regedor da Casa da Supplicação o te
nha assim entendido, e nesta conformidade o faça executar. Lisboa 10
de Fevereiro de 1750. = Com a Rubríca de Sua Magestade.
Regist, na Casa da Supplicação no Liv. XIV. dos De
cretos a fol. 57 vers.

# %Coººº };

EU ELREI Faço saber aos que este Meu Alvará virem , que tendo
consideração ao que Me representou o Correio Mór do Reino para efei
to de lhe haver de crear no seu Oficio hum Meirinho, e Escrivão, pa
ra que estes com mais diligencia e brevidade de que , a que se experi
mentava nos Oficiaes do Geral, podessem fazer todas as diligencias per
tencentes ao seu Oficio, e executar as ordens , que o Supplicante pelo
seu Tenente mandar passar, e para haverem de ser prezos, quando por
sua omissão , e negligencia o merecerem , os Tenentes assistentes de
todas as terras, Oficiaes dos Correios, Mestres de Postas, seus Posti
lhões , Pioens, Correios, e todas as mais pessoas de sua Jurisdicção,
para que assim com mais satisfação , e eficacia se satisfizesse ao Meu
Real Serviço, e ao bem commum das partes : E visto seu requerimen
to, resposta do Meu Procurador da Corôa, informações, que se mandá
rão formar pelos Desembargadores Luiz Borges de Carvalho, e Gonçalo
José da Silveira Preto , e o mais que Me foi presente em Consulta do
Meu Desembargo do Paço: Sou Servido crear os dous Oficiaes de Mei
rinho e Escrivão, que o Supplicante pede: E Hei por bem conceder-Lhe
faculdade, e jurisdicção a elle Correio Mór, e a seus Successores no di
to Officio, para poderem nomear o tal Meirinho, e Escrivão, não poden
do estes fazer outra alguma diligencia mais do que as que pertencerem
ao expediente do Oficio do Correio Mór, sendo pagos de seus ordena
dos pela fazenda do mesmo Supplicante: E outro sim; Hei por bem, que
as pessoas mandadas por elle prender , ………… delle a Mim na mes
1O 1750

ma fórma, que he concedido aos que recorrem do Almotacé Mór, e A


posentador Mór, na fórma que o Supplicante Me pedio; e Mando a to
dos os Juizes, Justiças, Oficiaes, e Pessoas a quem este for mostrado,
e o conhecimento deste pertencer, lhe cumprão e guardem inteiramente
este Alvará como nelle se contém, que valerá, posto , que seu efeito
haja de durar mais de hum anno, sem embargo da Ordenação Livro Se
gundo Titulo quarenta, em contrario : E pagou de novos Direitos vinte
mil réis, que forão carregados ao Thesoureiro delles no Livro primeiro
delles a folhas duzentas e cincoenta e sete , como se vio de seu Conhe
cimento em fórma registado no Livro primeiro do Registo geral a folhas
duzentas e treze. Dado em Lisboa aos 21 de Fevereiro de 1750. = Com
a Assignatura da Rainha, e a do Ministro.
Regist, na Casa da Supplicação no Livro XIV, dos De #
cretos a fol. 89.

# *# …>, ºk #

Pou justas razões, que me forão presentes: Hei por bem, que o Des
embargador Ignacio da Costa Quintella , na fórma da Commissão, que
Fui Servido dar-lhe sobre a casa do Marquez de Louriçal, sentenceie
no termo prefixo de tres mezes todas as dependencias, que correm en
tre o dito Marquez, e Agostinho da Silva, sobre o arrendamento de hu
m a casa, que servio de Opera com outras adjacentes , procedendo logo
a sequestro em todos os rendimentos das mesmas casas, de sorte, que
no mesmo termo acima declarado, se execute a Sentença, que tem ha
vido , e as mais, que houver ; e se o dito Agostinho da Silva impedir
calumniosamente a execução , será preso, até que se finalize na fórma
da Lei. O Duque Regedor, o tenha assim entendido, e o faça cumprir,
sem embargo de qualquer Lei , ou Ordem em contrario. Lisboa 21 de
Fevereiro de 1750. = Com a Rubríca de Sua Magestade.
Regist. na Casa da Supplicação no Livro XIV, dos De
cretos a fol. 59 vers.

X: # <>º% #

A… 28 dias do mez de Abril de 1750, diante do Illustrissimo e Ex


cellentissimo Senhor Dom Pedro, Duque de Lafões, e Regedor das Jus
tiças, se propoz em Mesa Grande , na presença de todos os Desembar
gadores abaixo assignados o requerimento da maior parte dos Advoga
dos do Número desta Casa da Supplicação, no qual dizião, que para a
Festa das Justiças, que todos os annos se fazia na primeira Outava do
Espirito Santo em a Igreja do Mosteiro de S. Domingos desta Corte,
erão nomeados para Mordomos quatro dos ditos Advogados, os quaes
erão os que só concorrião para a dita Festa com toda a despeza necessa
ria, no que cada hum delles gastava perto de quinze moedas, e muitas
vezes lhe accrescião outros gastos, de que se lhes seguia o empenharem
se, e faltarem a outras suas precisas obrigações; sendo que a dita Fes
1750 II

tividade se faria com muito menos oppressão, se fosse feita concorrendo


todos os Advogados para a sua despeza; e pela maior parte dos votos se
assentou não haver inconveniente algum em que, fazendo-se a dita Fes
tividade com a Solemnidade costumada, fosse com a menos oppressão,
que pedião os ditos Advogados, concorrendo para o gasto necessario os
Advogados sómente do Número da Casa, e os mais, que nella advogão
com Portaria do dito Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Duque #"
gedor, dos quaes todos constaria pelo registo, ou das suas Cartas, ou
das suas Portarias; porém que sempre se elegerião os mesmos quatro
Advogados por Mordomos, os quaes com o Escrivão, Thesoureiro, e Pro
curador farião a mesma Festividade assim, e da maneira, que até agora
se fazia; e feita que fosse, se repartiria pro rata entre todos os ditos
Advogados do Número, e os mais, que tivessem Portarias, toda a des
peza da dita Festa, e que o que tocasse a cada hum dos sobreditos, se
ria obrigado o solicitador das Justiças a cobrallo, e entregallo ao The
soureiro da dita Festa para o restituir aos ditos Mordomos; e que duvi
dando algum dos sobreditos Advogados pagar a quantia, que por rata lhe
fosse distribuida, se cobraria delle executivameute, e pelo mesmo mo
do, que se cobrão as condemnações para as despezas da Relação: do que
tudo se fez assento, que o dito Illustrissimo e Excelentissimo Senhor
Duque Regedor assignou com os mais Desembargadores da Casa, que
se achavão presentes. Duque Regedor. = Moura. = Carvalho. = Cor
rêa. = Velho. = Lopes de Carvalho. = Bexiga. = D’antas. = Dou
tor Souto. = Doutor Martins. = Fonceca e Sequeira. = Martim. =
Cogominho. = Doutor Vasconcellos. = Castro. = Ribeiro. = Doutor
Pinheiro. = Pinna. = Galvão. = Vidigal. = Meirelles. = Torel. =
• Silva. = Valle. = Moraes. = Borva. = Justiniano. = Pacheco. = Oli
veira. = Almeida. = Caria. = Xavier. = Mendes.

Regist. no Livro 2.° da Supplicação fol. 84 vers., e


na Colleção dos Assentos a fol. 331.

+…+<>aºk #

A ssENTou-se pelos Desembargadores dos Aggravos assinados, em pre


sença do Senhor Jesé Pedro Emauz, Fidalgo da Casa de Sua Magesta
de, e Chanceller, que serve de Governador desta Relação, que ao De
sembargador Juiz da Chancellaria desta Casa pertencia o conhecer das
suspeições postas ao Juiz de Fóra, dos Orfãos, e mais Ministros desta
Cidade, e que não erão comprehendidos na Folhinha da Alçada, que de
termina aos Corregedores, e Provedores das Comarcas, sejão Juizes das
suspeições postas aos Juizes de Fóra, porque se entende dos Ministros,
que estão fóra dos Lugares, em que ha Relações, e assim se ter prati
cado, não só na Cidade de Lisboa, mas tambem nesta Relação, e nas
mais em que ha Juizes da Chancellaria; e assim se entende a Ord. Liv.
1. Tit. 42., em quanto determina, que seja Juiz das Suspeições daquel
les, que não tem Juizes certos, como são os Ministros desta Cidade,
que se não comprehendem na dita Folhinha das Alçadas, que falla dos
Ministros das Comarcas do Reino, e veio a tirar os Juizes arbitros, que
se elegião na fórma da Ordenação Liv. 3. Tit. 21, §. 8., como se colhe
do dito Alvará da Folinha das Alçadas, "g" ausencia do Corregedor,
2
12 1750 *

estando fóra do Lugar, manda remetter a suspeição posta ao Juiz de Fó ER

rá mais visinho, o que não póde ter lugar aonde ha Relação, e mais =tº
quando, não obstante a dita Folhinha das Alçadas, sempre assim se pra
ticou, e actualmente conhece o dito Juiz da Chancellaria das suspeições
postas aos Escrivães, e com maior razão o deve ser tambem do Juiz, e
assim se determinou. Porto 9 de Junho de 1730. Como Governador, =
Emauz. = Barrozo. = Santhiago. = Barreto. = Menezes. = Doutor
Dias. = Machado. = Torres. = Azevedo. = etc.

Regist. no Livro dos Assentos da Relação do Porto


} 91., e na Colleção dos Assentos a fol. 333.

# # LOº% #

EU ELREI Faço saber os que este Alvará em fórma de Lei virem:


Que tendo respeito ao que Me expôs o Conselho de Miaha Fazenda, em
Consulta de desoito de Abril de mil setecentos quarenta e nove, sobre
obrigar o Provedor da Alfandeda desta Cidade o Desembargador Anto
nio da Costa Freire a Theodosio Lopes da Silva, que levasse a ella a Ce
vada, que lhe veio do Reino do Algarve, para pagar a Dizima, confor
me a disposição expressa do Foral da mesma Alfandega, no Capitulo se
tenta e dous, no paragrafo antepenultimo, que ordenava: Que o Trigo,
Cevada, Centeio, Farinha, Legumes, e Carnes, que vinhão do dito Rei
no do Algarve a esta Corte, devião pagar Dizima; sendo que havia mui
tos annos, que nem entrada davão na dita referida Aifandega, hindo em
direitura a descarregar no Terreiro desta Cidade, como a que vinha das
Ilhas: em consideração do que, e das informações que deu o mesmo Pro
vedor da Alfandega, e o Desembargador Caetano Alberto de Ossuna,
servindo de Juiz dos Feitos de Minha Fazenda, ouvindo por escrito o
Procurador dos Homens de Negocio, que procurão o bem commum do
Commercio, de que houve vista o Procurador de Minha Fazenda: Hei
por bem, por graça especial, e attendendo á pobreza dos Moradores do
Algarve, e Ilhas, que do Centeio, Milho, Cevada, Farinha, Legumes,
Carnes, que trouxerem a esta Cidade, não paguem na Alfandega a Di
zima, que erão obrigados pelo Capitulo setenta e dous, paragrafo sexto do
Foral della, que para este fim revogo, assim como já a não pagão do Tri
go, por Lei de vinte e cinco de Maio, de mil seiscentos quarenta e se
te: observando-se porém na descarga, e despacho, para se evitarem des
caminhos, a ordem dada no Foral da mesma # e levando o Pro
vedor, e Officiaes della os emolumentos, que por Carta, ou Regimen
to lhes tocarem, como Fui servido resolver na dita Consulta, em dez
de Março, deste anno de mil setecentos e cincoenta.
Pelo que Mando aos Védores de Minha Fazenda fação dar intei
ro cumprimento a este Meu Alvará em fórma de Lei, que o Provedor
da Alfandega cumprirá inteiramente, como nelle se contém; o qual man
dei passar a requerimento do Provedor, e Deputados da Meza do Espi
rito santo dos Homens de negocio, que procurão o bem commum do
Commercio nesta Cidade, que será publicado na Chancellaria Mór da
Corte e Reino; e na Torre do Tombo, e na Alfandega, e nas mais par
tes a que pertencer. Registada no Livro do Registo das Leis, e Regi
+
1750 13

mentos do Conselho de Minha Fazenda. Lisboa 12 de Junho de 175o.


= Com a Assignatura da Rainha, e a do Conde de Unhão.
Regist. na Leis,
vro das Chancellaria Mór edaimpr.
a fol. 152., Corteae vulso.
Reino no Li •

# *kv_>,ºk #

S……M. presente a Devassa, que tirou o Corregedor do Crime do


Bairro do Rocio sobre a morte feita com veneno a Diogo Ribeiro da Ga
ma e outros, e as mais diligencias, que em continuação da mesma De
vassa Mandei fazer pelo Desembargador Corregedor do Crime da Corte
e Casa: Hei por bem, que o mesmo Desembargador, em Relação com
os Desembargadores Francisco Galvão da Fonceca Xavier de Oliveira,
João Antonio de Oliveira Amador, Antonio de Souza Bermudes, e José
Ricalde Pereira de Castro, e nas faltas, ou impates, com os Desembar
gadores Estevão Gallego Vidigal, e Ignacio Ferreira Souto, Julguem a
dita Devassa e sua continuação summarissimamente, sem ordem nem fi
gura de Juizo, e constando pela dita Devassa, que a Ré pronunciada
nella Joanna Maria Joaquina presa na Cadeia do Limoeiro se acha em
termos de ser absolvida, se profirirá a Sentença, sem a dita Ré, ser ou
vida, e havendo alguma dúvida sobre a absolvição, se lhe determinará
o tempo, que parecer conveniente para dizer de seu direito. O Duque
Regedor da Casa da Supplicação, o tenha assim entendido, e o faça exe
cutar. Lisboa o 17 de Julho de 1750. = Com a Rubríca de Sua Mages
tade. • •

Regist, na Casa da Supplicação no Livro 14 dos


Decretos a folhas 78.

# # LOºk #

Seu embargo, de que ontem avisei a Vossa Excellencia sobre a de


monstração do sentimento, que se devia ter pela Morte de ElRei Dom
João Quinto Nosso Senhor, que está em Gloria: Foi Sua Magestade Ser
vida determinar, que o despacho dos Tribunaes se suspendesse por oito
dias como está mandado, mas que se tome Luto nesta Corte, e em to
do o Reino, por tempo de dous annos, hum rigoroso de Capa cumprida,
e outro aliviado; e que as Mezas dos Tribunaes se cubrão de Luto, o
que Vossa Excelencia fará executar pela parte, que lhe toca. Deos guar
de a Vossa Excelencia. Paço o 1.° de Agosto de 1760. = Senhor Du
que Regedor = Pedro da Motta e Silva.

Regist. na Casa da Supplicação no Livro 14. dos


Decretos e Avisos a fol. 81.
14 1750

Eminenti…imº e Reverendissimo Senhor. = Sua Magestade me man


da dizer a Vossa Eminencia escreva aos Prelados das Religiões, que
encommendem a Deos Nosso Senhor o acerto, e direcções do seu gover
no, para que se sirva de ajudar, e favorecer a sua Real Intenção , e
desejo de governar a todos os seus Vassallos com justiça , e igualdade;
e assim o encarreguem a todos os seus Subditos, Deos guarde a Vossa
Eminencia. Paço 6 de Agosto de 1750. = Eminentissimo Senhor Car
deal Patriarcha. = Diogo de Mendonça Corte Real.
Impresso avulso.

$kam=$k**>"#=}:

DoM JOSE por graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algar


ves, d'quém, e d’além mar, em Africa Senhor de Guiné, e da Conquis
ta, Navegação, Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India &c.
Faço saber a quantos esta Minha Lei virem, que sendo Me presente que
nas informações extrajudiciaes, e outros semelhantes actos, que se man
dão fazer pelos Tribunaes, e só servem de instrucção, costumão as par
tes aggravar, e appellar dos Ministros, a que se commettem, por occa
sião de qualquer incidente, misturando por este modo os meios Ordina
rios dos Auditorios com os papeis do expediente dos Tribunaes, em que
não ha figura de Juizo, e se se introduzir; não chegarão os negocios a ter
despacho, em grande prejuizo da expedição delles, e das partes : Hei
por bem se não admitta Appellação, e Aggravo, ou outro algum meio
judicial dos incidentes, que resultarem das informações extrajudiciaes,
e outros semelhantes actos, que pelos Tribunaes se commetterem a
quaesquer Ministros, como preparatorios dos despachos, que se reque
rem, e só na execução dos despachos finaes poderão as partes usar do
remedio, que pela Lei lhe competir. Mando ao Presidente do Desem
bargo do Paço, Regedor da Casa da Supplicação, Governador da Ca
sa do Porto, e a todos os Desembargadores de Minhas Relações, Cor
regedores, Provedores, Ouvidores, Juizes, Justiças, Oficiaes, e Pes
soas destes Meus Reinos, e Senhorios, cumpräo, e fação inteiramente
cumprir, e guardar esta Minha Lei, como nella se contém , sem em
bargo de quaesquer Leis, Regimentos, Alvarás, Provisões, ou Cartas,
que o contrario disponhão; e para que venha á noticia de todos: Man
do ao Doutor Francisco Luiz da Cunha de Ataide do Meu Conselho , e
Chanceller Mór destes Reinos, e Senhorios, a faça logo publicar na Chan
cellaria, e envie Cartas com o traslado della sob meu Sello, e seu signal
a todos os Corregedores das Comarcas destes Reinos, e aos Ouvidores
das Terras dos Donatarios, em que os Corregedores não entrão por Cor
reição, aos quaes Mando que a publiquem logo nos lugares, em que es
tiverem, e a fação publicar em todos os das suas Comarcas, e Ouvido
rias, a qual se trasladará no Livro da Meza dos Desembargadores do Pa
ço, e nos das Casas da Supplicação, e Relação do Porto, onde se cos
tumão, e devem registar semelhantes Leis; e esta se lançará na Torre
*
1750 - 15
*

do Tombo. Dada em Lisboa aos 18 de Agosto de 1750. = Com a assig


natura de ElRei, e a do Ministro.

Regist,
Livro na
das Chancellaria Mór edaimpr.
Leis, a fol. 153, Córte, e Reino no
avulso. •

# #t-Oº% #

A… 21 dias do mez de Agosto de 1750, em Meza, Grande, propoz o


Senhor José Pedro Emauz, Fidalgo da Casa de Sua Magestade, Chan
celler, e Governador das Justiças desta Relação, e Casa do Porto, que
havendo-lhe o dito Senhor feito saber , que sendo em 31 do mez de Ju
lho passado, ElRei Dom João Quinto, com geral sentimento da Corte,
e Reino, falecido, recommendando-lhe todas as demonstrações de sen
timento , e que fizesse praticar os lutos, que se costumão em subditos
pela morte do seu Soberano, dous annos continuados, em o primeiro de
luto rigoroso, e o segundo de luto aliviado, e era preciso darem-se aos
Ministros da mesma Relação as propinas costumadas para os lutos ; e
por não haver dinheiro prompto do producto das despezas, parecia se
devia recorrer ao meio , de que já em outras occasiões se usára , que
fôra tirar-se por emprestimo, do dinheiro applicado ás obras da Relação,
o preciso para satisfazer a esta despeza , com declaração de que não o
havendo assim por bem o dito Senhor, o que senão devia esperar da sua
innata Clemencia, e Real Magnanimidade, se restituir ao mesmo efei
to este emprestimo , ou pelo dinheiro das despezas , havendo-o então,
ou por cada huma das pessoas, em cujo favor cedia o dito emprestimo,
como já se havia declarado nas occasiões passadas, em que se usára des
te meio: e como era preciso tomar-se Assento nesta materia, mandou o
dito Senhor Governador , que votassem os Ministros, que se achavão
presentes, o que entendessem, porque o Assento, que se tomasse, não
só obrigaria aos presentes, mas tambem aos ausentes. E votando-se, foi
por todos uniformemente assentado , que se usasse do dito emprestimo
com as referidas condições , e se obrigavão por este mesmo Assento a
restituir cada hum o que cobrasse deste emprestimo , no caso de que
Sua Magestade o não houvesse por bem , e não houvesse nas despezas,
com que se satisfizesse ; e de como assim se assentou , mandou o dito
Senhor Governador escrever aqui este Assento, que assignárão. Porto,
dia, e era ut supra. Como Governador, Emauz. = Barrozo. = Sant
Iago. = Carvalho. = Azevedo. = Oliveira. = Doutor Dias. = Lei
tão. = Nunes, &c. |-

Livro dos Assentos da Relação do Porto fol. 92, e na


Collecção dos Assentos a fol. 333 vers.

4 #…>, ºk *

S……M. presente a contenda, que se tem movido entre os Ministros


do Conselho da Rainha Minha Mãi e Senhora, com o Duque Regedor da
Casa da Supplicação, sobre quem nos impedimentos do Ouvidor das suas
16 1750

Terras lhe deve nomear substituto, por não haver sobre esta prerogati
va clausula alguma expressa em as suas doações: Sou Servido fazer-Lhe
no caso, que por ellas lhe não pertença , nem ao seu Conselho a referi
da prerogativa, mercê especial della, para que daqui em diante se lhe
não dispute a faculdade de poder o mesmo Conselho nomear quem sirva
de Ouvidor das Terras nos impedimentos do Proprietario: E por quanto
na referida dúvida , e com a incerteza da sua Jurisdicção, não podia
validamente nenhum dos dous Ouvidores, que se nomeárão exercitar
acto algum judicial: Hei por bem attendendo á utilidade pública, e erro
commum, validar tudo o que obrou o Ouvidor nomeado pelo Duque Re
gedor; e Ordeno, que o Chanceller da sua Casa, passe pela Chancella
ria, todos os papeis, que se achão impedidos pelo referido defeito: E á
Rainha Minha Mãi e Senhora mandei fazer presente esta Resolução, que
o Duque Regedor terá entendido, e fará executar pela parte, que lhe !
toca. Lisboa 25 de Agosto de 1750. = Com a Rubríca de ElRei.

Regist, na Casa da Supplicação no Livro XIV, dos De


cretos a fol. 82 vers.

* }kº42"?k=}

EU ELREI Faço saber aos que este Regimento virem , que tendo
consideração a ser conveniente, que os Escrivães de Minha Camera d'an
te os Desembargadores do Paço sejão provídos de sallarios competentes,
quaes não são os que em outros tempos lhe forão conhecidos, mandei ver
esta materia pelos mesmos Desembargadores do Meu Conselho; e porque
me consultárão ser congruentes os sallarios abaixo declarados: Hei por
bem , que os ditos Escrivães os possão levar daqui em diante na fórma
seguinte.
Quanto aos Escrivães da Mesa, e repartição das Justiças.
Levará de cada huma das Cartas, que se passarem aos Juizes de
Fóra da primeira intrancia, mil e duzentos réis.
Das que se passarem aos Juizes de Fóra das Cabeças das Comar
cas, mil e seiscentos réis.
Das Cartas de Ouvidores, e Auditores geraes, que não tiverem
outro predicamento, pelo qual se haja de regular o sallario, levará dous
mil e quatrocentos réis. •

Das Cartas dos Corregedores provídos em correição ordinaria, tres


mil e duzentos réis; e este mesmo sallario levará pelos Alvarás, que se
passarem aos Provedores desta mesma graduação , se a huns, e outros
se não der a de primeiro banco.
Das Cartas de Corregedores das Comarcas de primeiro banco tres
mil e seiscentos, e o mesmo pelos Alvarás, que se passarem aos Prove
dores das ditas Comarcas; com tal declaração porém, que se algum dos
sobreditos Corregedores, ou Provedores for despachado com beca , ou
com assenso a qualquer Relação, pagará pelo feitio da sua Carta qua
tro mil réis.
Das Cartas dos Ministros, que forem promovidos para as Relações
de Goa, e da Bahia, quatro mil réis.
1750 17

Das Cartas dos Ministros, que forem despachados para a Casa da


Supplicação, ou para a Casa do Porto, e tambem dos que nas mesmas
Casas forem providos em Oficios, de que devão tirar Carta, quatro mil
réis por cada huma.
Dos Alvarás de novas Mercês de Oficios, ou de denúncias, des
tes levará o dito Escrivão da Camara o seu salario conforme a lotação
dos mesmos Oficios; de sorte que sendo lotado o rendimento até trinta
mil réis, levará oitocentos réis, desta quantia até sessenta mil réis, le
vara mil e duzentos réis, desta quantia até cem mil réis, levará mil e
seiscentos, e desta importancia para diante em qualquer quantia, dous
mil réis, e para este efeito irão sempre declaradas nos Alvarás as lota
ções dos Oficios, e o sallario, que conforme a ellas se pagar.
Porém quanto aos Alvarás, que não contiverem nova Mercê, co
mo se reputão todos aquelles, que se passão por força do direito consue
tudinario do Reino, haverá o dito Escrivão da Camara metade tao só
mente do sallario assima concedido, e regulado conforme as lotações dos
Oficios.
Dos provimentos, ou Provisões, que se passarem para serventias
de Oficios,dolevará
formidade em dobro o sallario, que até o presente levava na con
seu Regimento. •

De todos os outros papeis, que se não comprehendem nos que as


sima vão declarados, levará o mesmo sallario, que aos outros Escrivães
da Camara vai abaixo concedido; porque em tudo aquillo, sobre o que
se lhe não der especial providencia, deve guardar? e cumprir uniforme
mente o que a respeito dos mais Escrivães se declara em seu titulo.
Quanto aos outros Escrivães da Camara das repartições
das Comarcas.

Pelas Cartas de doações, e quaesquer outras, que se passão em


pergaminho, levarão novecentos e sessenta réis de cada lauda, posto que
a ultima dellas não seja inteiramente escrita; com tanto porém, que nem
as folhas serão de menor marca, que a do papel imperial, nem cada
lauda constará de menos de quarenta e oito regras.
Pelas Provisões, Alvarás, ou apostillas, a que preceder consulta,
levarão quatrocentos e oitenta réis de cada huma, sem distincção de me
nor, ou maior escrita, em quanto não exceder de duas laudas; porque
excedendo, levarão mais por cada huma das outras cento e vinte réis,
posto que a ultima se não escreva toda.
Pelos mais papeis, assim como Alvarás de Tombo, supplementos
de idade, e quaesquer outras Cartas, ou Provisões, que se passão por
despachos da Meza, ou dos Meus Desembargadores do Paço, de que
até o presente levarão tres vintens, hum tostão, e dous, levarão este
mesmo sallario em dobro, exceptuadas sómente as Provisões, porque se
mandar tomar alguma informação, porque destas levarão hum tostão só
Inente.
Das buscas, que fizerem a requerimento de partes, ou em bene
ficio dellas, levarão por cada hum anno dos que as mesmas partes, ou
os despachos apontarem, hum tostão, não se havendo porém respeito ao
anno immediatamente presente ao requerimento, ou despacho.
Por quaesquer certidões, que passarem a requerimento de par
fºs, levarão duzentos e quarenta réis, não passando a escrita de duas
laudas, porque passando levarão cento e vinte réis por cada huma, sem
sº haver respeito, a que a ultima conste "… , ou menos escrita.
18 I750
s!
Nenhum dos sobreditos Escrivães da Camara poderá mandar la #
vrar os papeis assima declarados, ou outros quaesquer do seu expedien ; I'll
te por pessoas, que não sejão Oficiaes, ou Escreventes approvados, e &#.
habilitados pela Meza com juramento, que devem prestar na Chancella #
ria em observancia do Decreto de vinte e tres de Setembro de mil seis \.\
centos quarenta e dous annos, que Mando se cumpra. rs !
E posto que os sobreditos Escreventes, e Oficiaes sem distincção É, e
de maiores, ou menores hão de ser propostos pelos Escrivães da Cama M.
ra respectivos, não poderão estes por si suspendellos, ou expulsallos, e k|
só a Meza poderá ter contra elles este procedimento, intervindo causa #
justa, sobre a qual a mesma Meza se haverá com a circunspecção que
convem, e della confio.
Todos os sobreditos Oficiaes, e Escreventes levarão por satisfa
ção do seu trabalho metade do sellario dos papeis, que lavrarem, e por
nenhum modo se consentirá, que nas Secretarias tenha outra alguma pes
soa qualquer occupação, ou incumbencia. -

Este Regimento se imprimirá, e se mandarão cópias delle aos


Tribunaes, e Ministros, que necessario for, e aos que forem impressos,
e assignados por dous Desembargadores do Paço, e do Meu Conselho,
se dara tanta fé, e credito, como se fossem por Mim assignados; e que } {
ro que valha, como Carta passada em Meu Nome, sem embargo do seu
efeito haver de durar mais de hum anno, e de não passar pela Chancel \#}
laria, não obstantes as Ordenações liv. 2. tit. 39. e 40. que para este ef """
feito com todas as mais Leis, Ordenações, Privilegios, e Provisões ge kh.
raes, ou especiaes Hei por derogadas de Minha certa sciencia, poder &##
Real, e absoluto, para que só este Regimento, e nenhum outro tenha # le
efeito; porque quero, que se cumpra, e guarde assim, e da maneira,
que nelle he conteúdo, e declarado. Lisboa 25 de Agosto de 1750. =
O Desembargador do Paço Ignacio da Costa Quintella o fez, e sobscre
veo. = Com a Assignatura de Sua Magestade, e de dous Desembarga
dores do Paço.
Impresso avulso.

# ºk…>…ºk-+

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará de Lei virem: Que ten
do consideração a se Me representar pela Meza do Meu Desembargo do
Paço, que para evitar-se os grandes damnos, que em todas as terras destes
einos commettem os damninhos, e formigueiros, será conveniente que
contra os sobreditos se proceda, perguntando-se por elles nas Devassas
geraes do mez de Janeiro: Hei por bem Mandar que nas sobreditas De
vassas, que todos os Juizes das terras destes Reinos, e Ilhas adjacentes
devem tirar todos os annos no mez de Janeiro, se pergunte pelos damni
nhos, e formigueiros, contra os quaes se procederá a arbitrio dos Julga
dores, com as penas que pelos casos merecerem: e para este efeito se
accrescentará este Capitulo aos que estão declarados na Ordenação pa
ra as taes Devassas; e isto mesmo se observará nesta Cidade pelos Cor
regedores dos Bairros della: e esta mesma Lei Mando se cumpra, e
guarde, como nella se contém. E Ordeno ao Regedor da Casa da Sup
plicação, Governador da Casa do Porto, e a todos os Desembargadores
das ditas Casas, Governadores, Provedores, Ouvidores, Juizes, Justi
I750 19

ças, Oficiaes; e pessoas destes Meus Reinos, e Senhorios, a cumpräo,


e guardem, e fação inteiramente cumprir, e guardar: o para que venha
á noticia de todos: Mando ao Doutor Francisco Luiz da Cunha de Atai
de, do Meu Conselho, e Chanceller Mór destes Reinos, e Senhorios,
a faça publicar na Chancellaria, e envie Cartas com o traslado della sob
Meu Sello, e seu signal, a todos os Corregedores, e aos Ouvidores das
terras dos Donatarios, em que os Corregedores não entrão por Correi
ção, e se trasladará nos Livros do Desembargo do Paço, Casa da Su
plicação, e Relação do Porto; e esta propria se lançará na Torre do Tom
bo. Dada em Lisboa aos 12 de Setembro de 1750. = Com a Assigna
tura de ElRei, e a do Mordomo Mór P. do Desembargo do Paço.
Regist, na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no
Livro das Leis, a fol. 162. vers., e impr. avul
SO.

ºk #«…»*-+

A… 6 dias do mez de Outubro de 1750, em Meza grande, propoz o


Senhor José Pedro Emauz, Chanceller, e Governador das Justiças nes
ta Relação, e Casa do Porto, que o dito Senhor fôra Servido por Seu
Real Decreto fazer-lhe saber, que tinha determinado o dia 7 do mez de
Setembro passado, para a Exaltação ao Throno destes Reinos de Portu
gal, recommendando todas as demonstrações de alegria por occasião tan
to do seu agrado, e ordenando no dito Decreto ao Conselho da Fazen
da celebrassem esta festividade com hum dia de luminarias, levando a
propina costumada, como tambem a da Exaltação do Throno; o que se
praticou no dito Conselho da Fazenda, e nos maís Tribunaes, e Casa da
Supplicação, de cujo Regimento participa esta Casa do Civel, que ce
lebrou a mesma festividade; e supposta a demonstração, que os Minis
tros actuaes desta dita Casa havião feito com as luminarias, e acção pú
blica, a que assistírão por esta occasião, parecia justo se lhes satisfizes
sem as ditas propinas, e a falta de dinheiro continuava nas despezas,
em cujos termos parecia justo, recorrer ao meio, de que já em outras
occasiões se usára, que fôra tirar-se por emprestimo do dinheiro applica
do ás obras desta Relação, o preciso para se satisfazer estas despezas,
com a declaração, que não o havendo assim por bem o dito Senhor, o
que se não devia esperar da Sua Real Grandeza, se restituir ao mesmo
efeito este emprestimo, ou pelo dinheiro das despezas, havendo-o então,
ou por cada huma das pessoas , em cujo favor cedia este emprestimo,
como já se havia declarado nas occasiões passadas; e como era preciso
tomar-se Assento, mandou o dito Senhor Governador, que os Ministros,
que se achavão presentes, votassem o que entendião ; porque o Assen
to, que se tomasse, não só obrigaria aos presentes, mas tambem aos au
sentes; e votando-se foi uniformemente por todos assentado, que se usas
se do dito emprestimo com as referidas condições , e que se obrigavão
por este mesmo Assento a restituir cada hum, o que lhe tocasse do dito
emprestimo no caso, em que Sua Magestade o não houvesse por bem, e
não houvesse nas despezas dinheiro, com que se satisfizesse; e de como
assim se assentou , mandou o dito Senhor Chanceller escrever este As
sento. Porto, era ut supra. Como •
cº………
\
Emauz. = Barrozo. =
2
20 1750

Carvalho. = Sant-Iago. = Vellozo. = Monteiro. = Figueiredo. =Dou


•••••

tor Dias. = Silva.

Livro dos Assentos da Relação do Porto fol. 93; e na


Collecção dos Assentos a fol. 336.

# # …>, ºk #

DoM JOSÉ por Graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algarves,


d'aquem, e d’além mar, em Africa Senhor de Guiné, e da Conquista,
Navegação, Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India, &c.
Faço saber aos que esta Minha Lei virem, que tendo consideração a
que sem embargo do que dispoem a Ordenação liv. 1. tit. 58. S. 84, e
a Lei Extravagente de 26 de Julho de 1602., se tem alcançado algumas
provisões, e sentenças, pelas quaes se ordena, que os Juizes dos Orfãos
perpetuos, e os mais Oficiaes destes Juizos, sejão isentos das devassas
das Correições, por se lhes tomar residencia de tres em tres amios, e
disto não só resultão os inconvenientes apontados na dita Extravagante,
mas tambem o proferir-se muitas sentenças contrarias, o que se deve e
vitar, como se Mê representou pela Meza do Desembargo do Paço: Hei
por bem que todos os Corregedores, e Ouvidores, a que he concedido
fazer Correição, inquirão pelo auto della em quaesquer terras, sobre o
procedimento dos Juizes dos Orfãos perpetuos, e seus Oficiaes, como
tambem dos que servirem com os Juizes de Fóra dos Orfãos; perguntam
do porém pelos erros, e culpas sómente, que houverem commettido no
anuo, em que a Correição se fizer, e no antecedente a ella, sem em
bargo de haverem de dar residencia, a que sempre ficarão sujeitos; e só
os Juizes de Fóra dos Orfãos, posto que sirvão em falta dos Ordinarios,
serão isentos das devassas das Correições, e não os Oficiaes: e para es
te efeito Hei por derogadas quaesquer Leis, Provisões, ou Sentenças
em contrario, como se dellas fizesse expressa, e individual menção. Pelo
que Mlando ao Regedor da Casa da Supplicação, e Governador da Casa
do Porto, e aos Desembargadores das ditas Casas, e a todos os Corre
gedores, Provedores, Ouvidores, Juizes, Justiças, Oficiaes, e pessoas,
a que esta Minha Lei for apresentada, e á sua noticia vier, que a
cumpräo, e guardem, e fação inteiramente cumprir, e guardar, porque
assim o hei por Meu serviço. E para que venha á noticia de todos, Man
do ao Doutor Luiz da Cunha e Ataide, do Meu Conselho, e Chanceller
Mór destes Meus Reinos, ou a quem seu cargo servir, a faça publicar na
Chancellaria: e envie o traslado della sob Meu Sello, e seu signal, a to
dos os Corregedores, Provedores, Ouvidores de Meus Reinos, para que
cada hum delles a faça apregoar, e publicar nos lugares de suas Correi
ções, e Ouvidorias: a qual Hei por bem, e Mando, que se registe no
lívro do registo da Meza do Desembargo do Paço, e nos das Casas da
Supplicação, e do Porto, onde as taes se custumão registar, e esta pro
pria se lançará na Torre do Tombo. Dada em Lisboa aos 2 de Dezem
bro de 1730. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Marquez Mordo
mo Mór P. do Desembargo do Paço. |-

Regisl. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no


Livro das Leis a fol. 163., e impr. avulso.
1750 21

+ ** Cººk %

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará com força de Lei virem,
que, tendo consideração ás repetidas súpplicas, com que os Póvos de
Minas Geraes me tem representado que em se cobrar por Capitação o Di
reito Senhoreal dos Quintos recebem molestia, e vexação, contrarias ás
pias intenções, com que ElRei meu Senhor, e Pai, que santa Gloria
haja, houve por bem permittir aquelle methodo de cobrança, em razão
de lhe haver sido proposto como o mais suave: E desejando não só alli
viar os referidos Póvos na aflicção, que Me representárão, removendo
delles tudo o que póde causar-lhes oppressão , mas tambem soccorrellos
ao mesmo tempo de sorte, que experimentem os efeitos da Minha Real
Benignidade; do Paternal amor, com que ólho para o bem commum dos
meus fiéis Vassallos ; e do desejo, que tenho, de fazer mercê aos que
concorrem com os seus fructuosos trabalhos para a utilidade pública do
Meu Reino, sendo entre os benemeritos delle dignos de huma distincta
attenção os que se empregão em cultivar, e fertilizar as referidas Minas:
Fui Servido deputar algumas pessoas do Meu Conselho, para que, ven
do, examinando, e combinando attenta e favoravelmente todos os doze
methodos de arrecadação do referido direito que para ella forão estabele
cidos desde o Alvará do mez de Agosto de 1618 até agora, me propuzes
sem entre todos os ditos methodos aquelle que se achasse que era mais
benigno, e mais distante de tudo o que póde ser, ou parecer extorção,
ainda preferindo a tranquillidade, e o commodo dos ditos Póvos ao maior
interesse do Meu Real Erario. E porque entre todos os sobreditos me
thodos se achou que o mais conforme ás circumstancias do tempo presen
te , e ás Minhas Reaes Intenções, foi o que os Procuradores dos ditos
Póvos de Minas propuzerão, e oferecêrão em 24 de Março de 1734 ao
Conde das Galvêas André de Mello; e que, sendo por ele acceito, foi
praticado desde então até o tempo, em que a Capitação teve o seu prin
cipio: Hei por bem annullar, cassar, e abolir a dita Capitação, para
que cesse inteira, e absolutamente desde que esta Lei for publicada nas
Cabeças das Comarcas das Minas onde será feita a sua publicação logo
que a ellas chegar, sem demora alguma: E Sou Servido excitar, e res
tabelecer o dito methodo proposto pelos referidos Póvos em 24 de Março
de 1734 reintegrando-o ao mesmo estado, em que se achava quando foi
suspendido pela Capitação, confirmando-o com a Minha Authoridade Re
gia, e estabelecendo-o por esta Lei geral, modificado com tudo em be
neficio dos mesmos Póvos, que o oferecêrão, pela maneira que será ex
pressa nos Capitulos seguintes. +

C A P I T U L O I.

1 Regulando a precepção do mesmo Direito Senhoreal pelo sobredito


methodo, que Sou Servido reintegrar, e restituir inteiramente ao esta
do, em que se achava, quando foi suspendido: Ordeno que logo que se
findar o tempo, que os moradores das Minas houverem pago anticipada
"ente pela Capitação ; e logo que principiarem a laborar as Casas de
ºndição que restabeleço, todo o Ouro, que nellas ficar pelo Direito dos
uintos, se accumule em cada hum anno, reduzindo-se á totalidade de
22 I750

huma só somma o que se achar nos Cofres de todas as respectivas Co


marcas: para assim se concluir, se ha excesso, ou diminuição na quota
das cem arrobas de Ouro, que os sobreditos Póvos das Minas Geraes se
obrigárão a segurar annualmente á Minha Fazenda; tomando sobre si o
encargo de que, não chegando o producto dos Quintos a completar as
mesmas cem arrobas, as completarião elles Póvos por via de derrama;
e excedendo os mesmos Quintos aquella importancia, cederia o accres
cimo em beneficio do Meu Real Erario. -

2 Porém por fazer mercê aos mesmos Póvos, aliviando-os em parte


até do mesmo, que por elles foi oferecido, e pago com tanto contenta
mento seu, estabeleço que naquelles casos, em que no fim do anno ao
fazer da conta se acharem accrescimos que excedão as ditas cem arro
bas, ficarão esses accrescimos no Cofre da Intendencia, onde se fizer a #
computação, até o fim do anno, que proximamente se seguir: para que, 10
havendo nelle diminuição nos Quintos, se suppra o que nelles faltar pa
ra complemento da referida Quota, antes pelos sobejos do anno proximo #
precedente , do que pela derrama sobre os moradores, na concorrente li!
quantidade, a que os sobreditos sobejos poderem extender-se. Haven
do-os com tudo tambem no outro anno proximo seguinte, neste caso Or
deno, que, ficando no Cofre da Intendencia estes segundos sobejos pa
ra o efeito assima declarado , se remettão ao Meu Thesouro os outros
sobejos, que houvessem ficado do anno proximo precedente. E isto mes
mo se observará nos casos semelhantes, todas quantas vezes succeder nos
annos, que forem decorrendo. •

3 E porque tive informação de que no tempo, em que os Quintos se


pagárão por via da contribuição repartida pelos moradores, houve quei
xas dos Póvos contra os que os quotizárão , para que no caso de haver
em alguns annos falta na somma do Ouro, que ficar nas Casas da Fun
dição , e nos Residuos dos annos precedentes , seja necessario prefaze
rem-se as sobreditas cem arrobas por via de derrama: Ordeno, que es
tas em taes casos se não fação nunca pelas respectivas Camaras, separa
damente, mas sim por ellas, concorrendo juntamente a assistencia, e a
intervenção do Ouvidor , Intendente , e Fiscal de cada Comarca. Aos
quaes todos encarrego, e mando que com os olhos em Deos, e na Jus
tiça ponhão todo o cuidado, e toda a diligencia, para que cada hum pa
gue á proporção do que tiver: e evitando a grande desordem de se alli
viarem os ricos com a consequencia de serem os pobres vexados: sob pe
na de que , tendo informação desta desigualdade , me darei por muito
mal servido , e mandarei proceder contra os que para ella concorrerem
por com missão , ou ainda omissão, segundo o merecer a gravidade do
caso, e a culpa dos que nelle achar comprehendidos.
C A P I T U L O II.

1 Em cada huma das Cabeças de Comarcas das Minas do Brasil se


fabricará, e estabelecerá logo á custa da Minha Fazenda huma Casa,
na qual se haja de fundir o Ouro extrahido das mesmas Minas.
2 Naquellas Casas se reduzirá todo o Ouro bruto a barras marcadas
com as marcas dos respectivos Lugares, ou Casas, onde se fizer a fun
dição , das quaes não poderão sahir ainda assim as barras, senão com
Guias, que legitimem as suas marcas, fazendo constar que não são fal
S3 S.

3 Em ordem a evitar mais eficazmente este perigo, e o damno, que


1750 23

ele ameaça ao commum dos Póvos, haverá tambem em cada huma das
ditas Casas de Fundição hum livro de Registo, no qual fiquem lançadas
todas as ditas Guias, antes de se entregarem ás partes.
4, Eetes Registos se repartirão em todos os lugares, em que os tem
os Contratadores das Entradas, sendo obrigadas todas as pessoas, que
passarem por elles, a tirarem nova Guia, com que se apresentarão nas
Casas de Moeda do Rio, Bahia, e Lisboa. Em cujas Casas haverá ou
tro livro de Registo, no qual se lancem por memoria as entradas das re
feridas barras, para que todos os annos se possão conferir, e se possa
examinar por este meio, se ha barras falsas. E os Intendentes respecti
vos, como tambem os Vice-Reis do Brasil, e Governadores do Rio, e
das Minas, darão em todas as Frotas conta no Conselho Ultramarino com
o theor das ditas conferencias.
5 Estabeleço, e Mando, que as ditas Guias, e Registos se fação, e
entreguem ás partes pelos respectivos Intendentes, e seus Oficiaes, sem
salario algum ; sob pena de suspensão dos seus Officios contra os trans
gressores, que levarem qualquer emolumento, por minimo que seja. E
esta suspensão será de seis mezes pela primeira vez; de hum anno pela
segunda; e pela terceira incorrerão os transgressores em perpétua priva
ção dos seus Officios. •

6 E porque as mesmas partes, em razão de serem aviadas gratuita


mente, não sejão por isso vexadas com demoras: Ordeno, que em cada
huma das ditas Casas de fundição, haja Livros, e Bilhetes impressos, e
numerados, os quaes se remetterão em cada Frota pelo Conselho Ultra
marino, para ficarem servindo até á Frota proxima seguinte, com a qual
se remetterá sempre regular, e successivamente a conta dos Bilhetes do
anno preterito, que forem empregados, combinada com os Livros Origi
naes do Registo, restituindo-se então os outros Bilhetes, que ainda se
acharem brancos por falta de emprego.
7 Para mais prompta expedição serão os ditos Registos, e Bilhetes,
ordenados em fórma que neles não haja que accrescentar de letra de mão
mais, do que as importancias das barras, os nomes das partes, e o dia,
mez e anno da data, com os signaes dos respectivos Oficiaes, perante
os quaes se fizer o Registo: a saber: do Intendente, e do Fiscal de ca
da huma das referidas Casas. Aos quaes ordeno sob pena de se proceder
contra elles com severidade respectiva á negligencia, em que forem acha
dos , que fação dar ás partes prompta expedição pela mesma ordem do
tempo, pela qual receberem dellas o Ouro em pó, sem discrepancia al
Ul III a.

8 8 E para que esta ordem do tempo se possa observar sem confusão


nem dúvida, serão expressas nos Livros da Receita das referidas Casas
as horas, em que cada huma das partes entregar nellas o Ouro bruto. E
porque em huma mesma hora podem concorrer diferentes partes, se gra
duarão por sortes (tiradas entre ellas) as preferencias, para serem avia
das, sem disputa, nem queixa.
C A P I T U L O III.

l Por quanto nas Minas se acha presentemente hum grande número


de Intendentes, e de Oficiaes, os quaes pelo restabelecimento das Ca
sas da Fundição nas Cabeças das Comarcas ficão sendo superfiuos: Or
deno, que daqui em diante, em quanto Eu não mandar o contrario,
não haja mais Intendentes, e Oficiaes, do que os seguintes.
24 1750
!#
2 Em cada Cabeça de Comarca, ou em cada Casa de Fundição ha #
verá hum Intendente, e hum Fiscal. Este porém não será perpétuo, nem
Ministro de Letras por qualidade requisita , mas sim hum homem bem #
## !
dos principaes da terra, nomeado cada tres mezes pelas respectivas Ca
maras por pluralidade de votos , e approvado pelos Ouvidores, perante ##
kk
os quaes prestarão juramento estes Fiscaes, para terem o decoroso exer (EM?
cicio de cuidarem no interesse público dos seus Póvos, e em que se não #
fação descaminhos ás Casas de Fundição , lembrando aos Intendentes
tudo o que lhes parecer util ao Real Serviço, e ao bem commum. Bem
entendido, que a mesma pessoa não poderá ser reeleita em hum só an
no duas vezes; e no fim de cada trimestre se darão a cada hum dos di
tos Fiscaes cem mil réis de ajuda de custo sem outro Ordenado.
3 Cada Intendente , e Fiscal terão hum Meirinho, e hum Escrivão
para as diligencias, que forem necessarias.
4 Na Bahia, e Rio de Janeiro, haverá tambem dous Intendentes ge
raes com os seus Meirinhos, e Escrivães, para examinarem os descami
nhos, que muitas vezes se percebem melhor nos pórtos do mar, a que
se dirigem, do que nos mesmos lugares, donde sahem.
5 Em ordem ao mesmo fim , haverá tambem em cada huma das pa
ragens, onde estão os Administradores dos Contratos, hum fiel eleito pe
lo Intendente, e Fiscal do districto, desempatando o Ouvidor a eleição
em caso de discordia, para fazerem os segundos Registos, e expedirem
as segundas Guias na fórma sobredita, sem por isso levarem algum emo
lumento das Partes, debaixo das penas, que ficão estabelecidas. Estes
Fieis vencerão sómente os ordenados, que lhes forem determinados pelo
Regimento das Intendencias, sem poderem além delle pertender cousa
alguma das Partes; ás quaes devem expedir ou pela ordem do tempo,
em que se apresentarem, ou pela decisão das sortes, chegando ao mes
mo tempo diferentes passageiros, como he assima ordenado.
C A P I T U L O IV.

l Porque dentro nas Minas se póde commodamente fazer o commer


cio em grosso com barras approvadas na fórma assima referida; e se pó
de fazer grande parte do commercio por miudo com Ouro em pó, redu
zido aos diversos pezos pequenos, e ás diversas denominações, com que
os mesmos pezos correm alli actualmente, segundo os seus respectivos
valores. Ordeno que daqui em diante não corra dentro nas Minas moeda
alguma de Ouro, nem ainda até o valor de oitocentos réis, sob pena de
serem reputadas por falsas as taes moedas, e de ficarem sujeitas ás pe
nas irrogadas por Direito, contra os fabricadores de moeda falsa aquel
les em cujas mãos forem achadas taes moedas de Ouro , depois de pas
sado o termo preciso, e peremptorio de seis mezes, que estabeleço para
a extracção de todo o dinheiro de Ouro, que se achar dentro nos terri
torios das referidas Minas, ao tempo da publicação desta Lei.
2 Para a outra parte do commercio por miudo , que he inferior aos
pezos pequenos do Ouro : Ordeno que em todos os ditos territorios pos
sa correr, e com efeito corra, moeda Provincial de prata, e de cobre,
que para este efeito será cunhada nas Casas da Bahia, e do Rio de Ja
neiro , nas competentes quantidades , que os respectivos Governadores
das Minas, ouvindo os Procuradores dos Póvos dellas, avizarem que lhes
#6vos.
necessaria para a maior facilidade do commercio interior dos mesmos
1750 25

3. Para que estas providencias sirvão tambem á commodidade dos pas


sageiros, sem com tudo se deixar lugar a se fazerem fraudes: Ordeno,
que toda a pessoa, de qualquer qualidade, e condição que seja , que
houver de sahir dos territorios das Minas para fóra, querendo levar Ou
ro em pó, seja obrigada apresentar-se na Casa da Fundição perante o
Intendente, e Fiscal, declarando-lhes a jornada, a que se dirige, e a
comitiva de gente, e bagagem que leva ; , á vista de cuja declaração os
referidos Ministros taxarão a cada hum dos ditos Viandantes a compe
tente quantidade de Ouro em pó, que racionavelmente lhes parecer ne
cessaria para as despezas da dita jornada, aonde não poder chegar a
moeda Provincial de prata, e cobre, cuja introducção, e extracção fi
carão sempre livres.
4 E porque alguns dos Viandantes, que vierem de fóra para entrar
nos territorios das Minas, poderão não trazer nem Ouro em pó, nem
moeda Provincial de prata, ou de cobre para sua passagem : Ordeno,
que os Fieis das Casas da Fundição, que estiverem nos lugares, onde
os Contratadores dos caminhos tem Registos, recebendo o Manifesto do
dinheiro prohibido , que trouxerem os ditos Viandantes, lho permutem
logo em moeda Provincial, e em Ouro em pó, para que assim continuem
os mesmos Viandantes a sua jornada sem perigo, ou incommodidade.
C A P I T U L O V.

Estabeleço, que todo o Ouro, ou seja em barra, ou em pó, ou


o que vulgarmente se chama de folheta, corra daqui em diante dentro
das Minas, e fóra dellas, pelo justo valor que tiver, segundo o seu to
que , sem alguma diferença. Para cujo efeito Hei por derogada a Lei
de 11 de Fevereiro de 1719, com todas as mais Constituições, que a es
ta se acharem contrarias.

C A P I T U L O VI.

1 Toda a pessoa, de qualquer qualidade, estado, ou condição que


seja , que levar para fóra do districto das Minas Ouro em pó, ou em
barra, que não seja fundida nas Casas Reaes de Fundição, e que não
seja approvada por legitimas Guias, incorrerá na pena de perdimento de
todo o Ouro desencaminhado, e de outro tanto mais ; ametade para o
denunciante ou descobridor do descaminho , e a outra ametade para o
Cofre dos Quintos abaixo declarado ; a cujo monte accrescerá, assim o
descaminho achado, como as penas delle, naquelles casos, em que não
houver denunciante, nem descobridor, a quem se adjudiquem as ame
tades, que por esta Lei lhes ficão pertencendo.
2 Porém por evitar toda a collusão, e calumnia, que póde haver nes
tas denuncias; e para que em nenhum caso padeção os innocentes de
baixo do pretexto de se accusarem os culpados: Ordeno, que daqui em
diante se não proceda contra pessoa alguma denunciada , em quanto se
não seguir á denunciação a real apprehensão do descaminho : salvo, se
for por efeito das devassas geraes, que devem tirar os Intendentes, pro
seguindo-se algum descaminho, do qual nas mesmas devassas haja sufi
ciente prova, para então se proceder por elle pelos termos de Direito es
tabelecidos no Regimento das Intendencias. |-

D
26 1750

#
C A P I T U L O VII. R.: 1

• Nas sobreditas penas incorrerão todas as pessoas, de qualquer


qualidade, e condição que sejão, que concorrerem por obra ou para des
encaminhar Ouro em pó, ou para se occultar á Justiça o descaminho,
depois de haver sido feito ; porque serão em taes casos havidos por so
cios dos delictos, para se lhes impôr a mesma pena do principal desen
caminhador.

C A P I T U L O VIII.
• E para obviar ainda mais os ditos contrabandos, hei por repetidas
nesta Lei todas as prohibições, que até agora se estabelecêrão contra os
que entrão nas Minas, ou dellas sahem por atalhos, ou caminhos parti *--*
## !
culares. Ordenando de mais que toda a pessoa, que for achada com Ou
li#
ro em pó, que exceda hum marco, seguindo algum caminho diverso da
quelles, onde se achão, e acharem estabelecidos os Registos do contra
to das entradas, seja havido por desencaminhador, e condemnado como
tal na sobredita fórma ; salvo , se apresentar Guia da Intendencia do
Lugar, donde sahio com Ouro em pó, pela qual conste que teve legiti
ma causa para se extraviar contra o estabelecido nesta Lei. *#
#
C A P I T U L O IX. km.
#->

1 Todas as pessoas, por cuja industria se fizerem tomadias de Ou


ro desencaminhado ás Casas de Fundição na quantidade de duas arro
bas, ou dahi para cima, junta ou separadamente, víndo a ser julgadas #:::
por boas as ditas tomadias, além da meação, haverão os premios se
guintes.
2 . Se forem Corpos das Ordenanças, ficarão dalli em diante os seus
Oficiaes, e Soldados, gozando de todos os privilegios, de que gozão os
Oficiaes, e Soldados das Tropas pagas, e regulares.
3 Se forem Juizes Ordinarios , e Officiaes das Camaras, ou pessoas
particulares, se lhes passarão Certidões pelos respectivos Governadores,
para que segundo a qualidade de suas pessoas, e segundo a importancia
do descobrimento que fizerem , desde logo os mesmos Governadores os
prefirão no provimento dos cargos públicos, e honrosos, e depois me pos
são requerer as mercês, e as honras, que costumo fazer aos que proce
dem com zelo, e fidelidade no Meu Real Serviço. •

4 A mesma preferencia , e as mesmas Certidões darão tambem os


respectivos Governadores a todas as pessoas, que dentro no espaço de
hum só anno metterem em alguma Casa de Fundição oito arrobas de Ou
ro, ou dahi para cima, sem que examinem, se o dito Ouro era proprio
dos que o trouxerem a fundir, ou alheio; porque todos os que no seu no
me fizerem fundir dentro de hum só anno as referidas oito arrobas, go
zarão dos sobreditos beneficios em gratificação de seu louvavel trabalho,
e da sua benemerita industria.
5 Todos os habitantes das referidas Minas, que fizerem o descobri
mento de alguma nova Beta, ou Pinta fertil, e rica, além dos Privile
gios, que lhes são concedidos pelas Leis deste Reino, tirarão Certidão
da Intendencia, e do Governador, que lhas passarão, declarando a qua
lidade, e importancia do tal descobrimento, para os interessados me re
1750 | 27

quererem as honras, e mercês, que for servido fazer-lhes conforme os


SeuS II) eTCC1IllentOS.

C A P I T U L O X.

E para que ao mesmo tempo, em que os bons forem convidados


com o premio a preseverar nos seus legitimos intentos, sejão os máos cons
trangidos com o castigo a não pôrem por obras as suas preversas inten
ções: Ordeno que todas as pessoas, de qualquer qualidade, e condição
que sejão , que forem comprehendidas nos crimes de contrafazer barras
de Ouro, ou Bilhetes de approvação, e de Registo dellas, sendo-lhes
estes crimes suficientemente provados, conforme o Direito, fiquem su
jeitas ás penas irrogadas pelas Leis deste Reino; a saber : no primeiro
crime contra os que fabricão moeda falsa ; e no segundo contra os que
furtão o Meu signal; executando-se irremissivelmente estas penas con
tra os culpados, desde que forem por legitimo modo convencidos.
C A P I T U L O XI.

Considerando os graves inconvenientes, que résultão de se admit


tirem na America denuncias de escravos contra seus senhores: Sou ser
vido suspender por ora este meio. Se porém os Póvos das Minas o pedi
rem a bem da quota das cem arrobas de Ouro, que se obrigárão a segu
rar-me cada anno; e se apontarem meios taes, que fação cessar os so
breditos inconvenientes, terei attenção á utilidade, que se achar nos
meios, que me forem propostos, para serem admittidos em termos com
petentes. A mesma attenção terei a quaesquer outros expedientes, que
os Governadores, e Procuradores dos referidos Póvos me representarem,
achando que são uteis para se praticar o systema restabelecido por esta
Lei com maior segurança do Cabeção , e com maior vantagem do bem
commum dos meus fiéis Vassallos. •

Este meu Alvará se cumpra, e guarde inteiramente, como nelle


se contém; e quero que tenha força de Lei, sem embargo de seu efei
to haver de durar mais de hum anno , e da Ordenação do Livro segun
do Titulo quarenta, que dispõem que as cousas, cujo efeito ha de du
rar mais de hum anno, passem por Cartas, e não por Alvarás ; e não
obstantes quaesquer outras Leis a esta contraria, as quaes Hei por de
rogadas, como se dellas fizesse aqui expressa menção, sómente para ef
feito de que esta se cumpra, e observe inteiramente, como nella tenho
estabelecido, sem dúvida, nem contradicção alguma. Pelo que Mando
ao Duque Regedor da Casa da Supplicação; ao Governador da Relação,
e Casa do Porto ; ao Vice-Rei do Brasil; aos Capitães Generaes; aos
Governadores de todas as Conquistas; aos Desembargadores das ditas Re
lações, Oficiaes , e pessoas destes Meus Reinos, e Senhorios, que a
cumpräo, e guardem, e fação inteiramente cumprir, e guardar, como
nella se declara. E outro sim mando ao Doutor Francisco Luiz da Cu
nha, e Ataide do Meu Conselho, e Chanceller Mór destes Meus Reinos,
e Senhorios; que a faça publicar na Chancellaria Mór do Reino, na fór
ma costumada, e enviar logo os traslados della onde he costume, para
*Que a todos seja notoria. E se registará nos livros da Mesa do Desembar
So do Paço, e nos da Casa da Supplicação, Relação do Porto, e Bahia,
nos do Conselho de Minha Fazenda, e do Ultramar, e nas mais partes,
ºnde semelhantes Leis se costumão "sg"; ;2
e esta propria se lançará
28 1750

na Torre do Tombo. Dada em Lisboa, a 3 de Dezembro de 1750. = Com


a Assignatura de ElRei, e a do Ministro. -

Regist, na Chancellaria Mór da Córte, e Reino no


Livro das Leis a fol. 154 , e impr. na Oficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

• A

Hel por bem, que o Regedor das Justiças, vença de ordenado cada
hum anno oitocentos mil réis, que lhe começárão a correr do primeiro
de Janeiro do presente anno, e serão pagos pela mesma Repartição,
porque até agora se lhe pagava o ordenado, que tinha, que fica inclui
do nos ditos oitocentos mil réis. Lisboa 11 de Dezembro de 1750. = Com
a Rubríca de Sua Magestade.

Regist. na Casa da Supplicação no Livro XIV. dos


Decretos a fol. 96 vers.

\
29

ANNO DE 1751.

S………Me presente que, pelo grande augmento, a que tem chegado o


Commercio nesta Corte, não póde dar-se expedição competente ao des
pacho da Alfandega, principalmente ao do mar, que pelos Foraes deve
preferir ao da terra, para que os mercadores, e navegantes não sintão o
incommodo das despezas, que lhes causão as demoras, e perdas das mon
ções de suas viagens, e da avaria que podem receber as fazendas nos bar
cos, esperando de noite na ponte da Alfandega; no que tambem se in
teressa a maior arrecadação de Meus Direitos: e desejando atalhar todos
estes inconvenientes a beneficio de Meus Vassallos, e dos Estrangeiros,
que commercêão nesta Corte: Hei por bem pôr em admininistração, e
despacho separado, e prompto todos os generos, que se despachão por
estiva, que são os conteúdos no rol, que baixa assignado pelo Secretario
S

de Estado Sebastião José de Carvalho e Mello. E Mando que na dita


ponte se levante huma balança, e junto della assista o Administrador,
ou Administradores, que Eu for Servido nomear, com hum dos Feitores
da Alfandega, que o Provedor lhe distribuir, e Escrivão das marcas, e
todos os mais Feitores, e Officiaes, que os ditos Administradores nomea
rem, por lhes parecerem precisos, sendo provídos pelo Provedor da dita
Alfandega. E tanto que os barcos chegarem á mesma ponte, sem nenhu
ma demora lhes fação as estivas de pezo, ou conta, e lhes passem bilhe
tes assignados por hum dos Administradores, Feitor, e Escrivão das mar
cas, e os mande á Meza grande para se pagarem os Direitos, e tirarem
O despacho da sahida. E logo que os bilhetes baixarem correntes, man
dará o Administrador sahir os barcos, nomeando hum dos Feitores no
Vamente provídos, que com hum Sacador da Alfandega vão presencear
à descarga na praia, em que se fizer, para examinarem se ha mais vo
umes, ou peças nos barcos, que as que forão estivadas, e as conduzi
tem por perdidas para a mesma Alfandega. E os bilhetes das ditas esti
Vas tornarão para poder do dito Administrador, para os conferir á noite
3O 1751

com o Contador da Conferencia, e se desmanchar todo, e qualquer er


ro, que se descobrir contra as partes, ou contra a Minha Fazenda, pon
do-se as verbas necessarias assignadas pelo Provedor da Alfandega na fór
ma do Foral. Para que na Meza grande não haja demora, haverá nella
hum Livro separado, em que se lance a Receita das estivas. E para es
crever nelle, distribuirá o Provedor hnm dos Escrivães da mesma Meza,
como distribue para as outras occupações della. Junto do dito Escrivão
assistirá outro Administrador, que lhe servirá de Conferente, tomando
os despachos em outro Livro pela sua propria mão, para se encher o que
está disposto no Capitulo quarenta e hum do Foral. Aos ditos Adminis
tradores pertencerá privativamente mandarem fazer tomodias de todas as
fazendas, que se acharem de mais nos barcos estivados; e assim tambem
de todas as que forem tiradas por alto de bordo de quaesquer embarca
ções grandes, ou pequenas, desde que entrarem da Barra de Cascaespa
ra dentro, ou as ditas fazendas sejão apprehendidas no Mar, ou na Ter
ra. E o Provedor da Alfandega, ouvidas as partes, as sentenceará logo
verbal, e summariamente, dando Appellação, e Aggravo, nos casos em
que couber, para a Meza dos feitos da Fazenda. E fará lançar todo o
rendimento líquido, que dellas proceder, no Livro da Receita das esti
vas, que ha de estar separado na Meza, sem embargo do que em con
trario está disposto a este respeito do Capitulo noventa e tres, até o Ca
pitulo cento e oito do Foral, e do Decreto da Commissão das tomadias
de nove de Maio de mil setecentos e vinte cinco, que para este fim só
mente revogo. E para a vigia do mar, e terra, poderão os ditos Admi
tradores nomear todos os Oficiaes, e pessoas, que lhes parecerem pre
cisas, sendo approvadas, e providas pelo Provedor da Alfandega, o qual
conhecerá das resistencias, que lhes forem feitas, do mesmo modo que
conhece das que se fazem aos Oficiaes da dita Alfandega : e outro sim
poderão trazer no Rio, para esse fim, huma ou mais embarcações ligei
ras com as Armas Reaes, que naveguem de dia, e de noite, para vigia
rem, e apprehenderem os descaminhos, e descaminhadores. Os ditos Ad
ministradores, Oficiaes, e Pessoas, que por elles forem nomeadas para
esta Administração das estivas, e tomadias, não levarão salario algum á
custa das Partes, porque estas sómente hão de pagar os emolumentos de
vidos aos Oficiaes da Alfandega, como de antes pagavão; e todos os Of
ficiaes, e Possoas, que de novo accrescerem, hão de ser satisfeitos, e
remunerados do seu trabalho á custa da Minha fazenda. E constando que
levão qualquer interesse das Partes, haverão a pena que tem os Ofi
ciaes, que levão mais do conteúdo no seu Regimento, pela Ordenação
Livro quinto, titulo setenta e dous. E para servirem de Administrado
res os tres annos, que principião no primeiro de Janeiro de mil setecen
tos cincoenta e hum, e hão de acabar no ultimo de Dezembro de mil se
tecentos cincoenta e tres, nomeio José Machado Pinto, e Joaquim José
Vermeule, os quaes assistirão promptamente na Alfandego todos os dias,
e horas, que dispoem o Foral, com pena de privação, e de pagarem o
prejuizo, que pela sua falta causarem ás Partes; por quanto sem elles es
tarem presentes, nem o Provedor, nem a Meza da Alfandega poderão
dar despacho ás fazendas de estiva; como tambem não poderão despa
char os bilhetes, em quanto os ditos Administradores neles não concor
darem, e assignarem. E para que se consiga o fim da brevidade intenta
da, qualquer dos ditos Administradores in solidum poderá servir todas
as occupações desta Administração, quando por algum impedimento não
estiverem juntos na Alfandega para servirem distribuidos. O Conselho
175| 31 |

da Fazenda o tenha assim entendido, e faça executar por este Decreto


sómente, sem dependencia de outro algum despacho, passando as ordens
necessarias ao Provedor da Alfandega para assim o observar por hora, e
em quanto Eu não for Servido dar sobre esta materia outra mais ampla
providencia. Lisboa 11 de Janeiro de 1751. = Com a Rubrica de Sua
Magestade.

Regist. no Conselho da Fazenda a fol. 255.

RELAÇÃO DAS FAZENDAS, QUE NA ALFANDEGA SE


DESPACHARÃo ATE AGORA, E HÃO DE DESPACHAR D'Aqui EM
{ DIANTE POR ESTIVA.

Linho, que vem em porquinhos, e Figo em ceiras, lios, e barris,


feixes.
Chumbo de munição em barris, e Gesso em pães, e saccos.
barrilinhos. Murrão em feixes.
Dito em pães e rolos. Cominhos em saccas.
Arroz em sacas, e barris. Caparrosa em barris.
A mendoa de dita sorte. Enxofre em barris, e caixas, º
Aço em caixões. Herva doce em saccas, e saccos.
Breu em barris. Enxarcea.
Ferros em barras, e em feixes pa Rezina.
T3 BICOS. •

Tambem se despachão nos barcos com licença as Fazendas


• seguintes.

Frascos, e garrafas de vidro a gra Couros tamados de Inglaterra, em


nel, e em caixas. lios, e soltos.
Vinho, vinagre, agua-ardente, a Alpiste em saccas, e barris.
zeite em pipas, e barrris. Alcatrão em barris.
Papel em ballas, e ballotes. Azeitonas em paroleiras, barris,
e pipas.
Frasqueiras
vasios.
com frascos de vidro

Esteiras de palma do Algarve, ca
pachos, e vassouras.
Lisboa em 11 de Janeiro de 1751. = Sebastião José de Carvalho
e Mello.

Impressa com o Decreto antecedente, na Oficina de


Antonio Rodrigues Galhardo.
32 1751
&#*\
tº #
3k # LOººk # li#{\}
di
!#
NOVO REGIMENTO DA ALFANDEGA DO TABACO. #
## d
Willº |
###
EU ELREI faço saber, que tendo consideração á súpplica, com que kºis
o Provedor, e Deputados da Meza dos Homens de negocio, que procu li# ºte
rão o bem commum do Commercio, Me representárão o deploravel esta !sk a.
do, a que se acha reduzido o trafico do Tabaco: E desejando ajudallo, #
de sorte que ao mesmo tempo os Lavradores deste genero se animem a { &## #
fabricallo; os Commerciantes possão achar lucro em o extrahirem; e os ! |1
donos dos Navios, em que he transportado do Brazil a este Reino, pos #
são tamqem fazer na carregação do mesmo genero aquelle justo e hones Eita!
to interresse, que he necessario para sustentar a navegação, sem que EE; fºr
huns prestem reciprocos impedimentos aos outros, por aquelle mal en ###
tendido desejo de maiores avanços particulares, que he destructivo de ## Ilê
todo o Commercio geral, e do bem commum que delle resulta: Fui Ser * #cto
vido ordenar, que vendo-se no Conselho da Fazenda, e na Junta da Ad "l. de
ministração do Tabaco, este importante negocio, se Me consultassem * #fe.
sobre elle os meios, que parecessem mais proprios, para se conseguirem
os referidos fins, e beneficio, que delles resultará a Meus Vassallos, ain
da quando para lho conferir fosse necessario cortar-se pelos Direitos, que
até agora percebeo o Meu Real Erario. E conformando-Me com as Con
sultas dos ditos Tribunaes, e com outros pareceres de Pessoas do Meu
Conselho, que tambem Fui servido ouvir sobre esta matería: Hei por
bem ordenar, que daqui em diante os Direitos, Despachos, primeiros
Preços, e Fretes do Tabaco, sejão regulados, e arrecadados na fórma,
que será expressa pelos Capitulos seguintes:
C A P I T U L o I.
1 Nos Tabacos, que se despacharem na Alfandega deste genero pa
ra o contrato geral, e consumo do Reino, quanto aos emolumentos dos
Oficiaes, pagas dos serventes, e fórma da entrada e sahida se observará o
que vai adiante ordenado. Porém quanto á importancia dos Direitos de en
trada e sahida; e quanto aos favores dos mesmos Direitos, se não inno
vara em cousa alguma o que se está praticando, antes pelo contrario se
cobrará o mesmo, que actualmente se cobra, para se applicar ás mesmas
Estações, a que até agora se applicou na maneira seguinte: +

2 Cada arroba de Tabaco pagará em tudo por Direitos de entrada,


e sahida, para o Meu Erario mil seiscentos e setenta e cinco réis e meio,
a saber: na entrada mil e duzentos rêis para a Alfandega do Tabaco;
duzentos réis para Alfandega do assucar; cento e dez réis para o Comboy,
que até agora se achava a cargo dos donos dos Navios; trinta réis para
o Consulado; doze réis para as obras; oito réis, e tres quartos mais pa
ra o Comboy; substituidos no lugar dos cem réis, que até gora se pa
gou por cada rolo; e por sahida cincoenta réis, ficando abolidos os cem
réis que até agora se pagavão por arroba, imaginando-se sómente seis
arrobas em cada rolo; sessenta e quatro réis de Consulado, abolindo-se
*#
J75 | 33
os cento e vinte e oito réis, que até agora se pagavão ao dito respeito;
e tres quartos de real de Portagem: que tudo junto faz completa a som
ma dos ditos mil seiscentos e setenta e cinco réis e meio, acima decla
rados. |- |-

3 Pagará mais cada huma das ditas arrobas, por proes, e precalços
dos Ministros, e Officiaes das Alfandegas; a saber: Para o Provedor da
Alfandega do dito genero hum real, que Sou servido conceder-lhe de no
vo a titulo de Tara: Para o Provedor da Alfandega do Assucar hum real,
ficando abolidos os dez réis, que até agora cobrou de cada rolo: Para os
Escrivães do mesmo Provedor hum quarto de real, tambem abolido o que
atégora recebêrão de Tara: Para o Feitor da dita Alfandega tres quar
tos de real: Para o Escrivão das marcas da mesma hum quarto de real,
abolida tambem a outra Tara, que actualmente percebe: fazendo em tu
do estes proes, e precalços, mais tres réis e hum quarto de accrescimo.
4 Item além do referido, cada arroba de Tabaco, que entrar na Al
fandega, e della sahir, pagará mais de salarios ás companhias, que cos
tumão conduzir este genero; a saber: desde o Barco até o Armazem cin
coréis por entrada, e desde o Armazem até o Barco indo por agoa, ou
até a porta indo por terra, cinco réis por sahida ; bem visto que o Ta
baco em nenhum destes dous casos poderá sahir da Alfandega, sem que
os conductores o levem pela balança, onde ha de ser pesado na maneira
abaixo ordenada : e pelo trabalho do peso vencerão tambem os pesado
res
maismeio
dez real
reis de cada por
e meio arroba, que for á balança, fazendo estes salarios
arroba. •

5 Nos Direitos acima declarados se não comprehende o donativo, que


atégora pagava cada rolo ; porque a referida contribuição Sou servido
que cesse a todos os respeitos desde a publicação deste Regimento em
diante.

C A P I T U L O II. . .

1 Pelo que respeita á fórma do peso, estabeleço que daqui em dian


te nenhum Tabaco possa ser computado para pagar Direitos nem por
calculo imaginario de tantas arrobas por rolo; nem tão pouco por núme
ro de rolos ; nem menos por pesadas de tantos, ou quantos rolos cada
huma: mas todos serão reduzidos a arrobas e arrateis, e ao certo, de
terminado, e preciso número das ditas arrobas e arrateis, que tiver ca
da partida pelo seu peso natural, incluida a Tara, sem excesso ou di
minuição. Antes pelo contrario, se fará cada peso exacto com a balança
no Equilibrio, ou no fiel, sem alguma diferença.
2 Os Oficiaes , e Pessoas , que ou pedirem, ou receberem emolu
mentos maiores, ou diversos dos que ficão acima estabelecidos; ou fize
rem , ou contribuirem para que se faça qualquer peso de Tabaco por
fórma diversa da que tambem fica acima ordenada; ou pesando na refe
rida fórma, fraudarem, ou permittirem que se fraudem os Direitos Reaes,
ou os beneficios do Contratador geral, e do Commercio ahaixo declara
dos; sendo-lhes qualquer destes crimes suficientemente provado confor
me a direito, pela primeira vez incorrerão em suspensão dos seus oficios,
por seis mezes; pela segunda por hum anno; e pela terceira em priva
cão dos ditos Oficios, para me ficar devoluto o seu provimento. E sen
do o criminoso serventuario, não será mais admittido a servir Oficio al
gum de Fazenda. Porém se for proprietario , perderá irremissivelmente
a propriedade, posto que tenha filhos. Reservando sempre os casos maio
34 175 |

res de fraudes taes, que requeirão as outras mais severas penas, que
se lhe imporão cumulativamente conforme a Lei do Reino, e Regimen
to da Fazenda.
3 A totalidade de número de arrobas e arrateis que tiver cada par
tida de Tabaco, computada na sobredita fórma , será declarada no li
vro da sahida, e nella computada para pagar os Direitos que dever nes
ta conformidade. , *

4 Se o dito Tabaco for despachado para o Contrato geral , e consu


mo do Reino, pagará os Direitos acima ordenados. Porém nelles se lhe
abaterão quatro arrateis de Tara em cada arroba, que fui servido con
ceder a favor do Contrato. -

5. Mas quando o mesmo Tabaco for despachado para fóra do Reino,


neste caso a partida que se trouxer ao Despacho, será dividida em duas
partes iguaes, ou ametades, incluidas as Taras. Huma das ditas partes
pagará os Direitos, proes, e precalços acima ordenados. A outra parte :
se dará absolutamente livre de todos os referidos encargos, por Tara, e
por premio, a favor do Commercio. De tal sorte que se a partida for de
quarenta arrobas brutas , se darão vinte dellas por Tara e por premio,
e se pagarão das outras vinte, que restarem, os Direitos liquidos, e com
pletos acima ordenádos.
C A P-I T U L O III.
# -

1. Para melhor expedição dos referidos Direitos, proes, precalços,


e salarios, Ordeno que a importancia dos mil seiscentos oitenta e nove
réis e hum quarto, que som mão os ditos tres Artigos em cada arroba de
Tabaco das que devem pagar na sobredita fórma, se reduzão no livro da
receita da Alfandega a huma só e unica addição de conta para a carga
do despachador; e a hum só e unico Bilhete para a sua descarga : evi
tando-se assim os diferentes circuitos, e diversos registos e descargas,
que atégora se praticárão com grave prejuizo do Commercio deste gene
ro, e com igual detrimento das pessoas que nelle traficavão.
2 . Em ordem ao mesmo fim Ordeno que os ditos Livros , e Bilhetes
se achem na Mesa da Alfandega impressos, e numerados, em fórma que
nelles não haja que accrescentar de letra de mão , mais que o nome do
Despachador; o número das arrobas de Tabaco nelles conteudas; a quan
tia que pagou de Direitos; e o dia, mez, e anno da data do despacho,
# os signaes dos Oficiaes, que nelle deverão intervir
tilo. •
na fórma do es

} C A P I T U L O IV.

1 Para que na descarga, conducção, e arrumação deste genero, pos


sa haver a mesma facilidade, e expedição, que deixo estabelecidas para
o seu despacho: Sou servido ordenar que daqui em diante se pratique a
este respeito o seguinte: -

2 Os Barcos que trouxerem os Tabacos de bórdo dos Navios á ponte


da Alfandega na entrada, e que della os levarem na sahida a bórdo dos
mesmos Navios, não poderão vencer por frete mais de doze réis e meio
por cada rolo; sob pena de que provando-se que levárão maior frete, ou
que se escusárão do transporte deste genero, por pertenderem que o pa
gamento delle lhe fosse feito em outra fórma , incorrerão pela primeira
vez em vinte mil réis, ametade para o Hospital, e ametade para o de
175 I 35

nunciante; pela segunda vez no dobro; e pela terceira, serão presos na


cadeia por tempo de seis mezes, e della pagarão cem mil réis, applica
dos na referida fórma.
3. Desde que o Tabaco chegar ao caes, ou ponte da Alfandega, fi
cará a cargo das companhias da mesma Alfandega tirarem-no do Barco,
e conduzirem-no via recta ao Armazem abaixo declarado ; sem por isso
poderem pedir, ou acceitar outros salarios, que não sejão os acima or
denados, debaixo das mesmas penas, que tambem ficão acima estabele
cidas contra os barqueiros, que levarem mais do que lhes he devido.
4 Os Tabacos que desembarcarem no caes, ou ponte da Alfandega,
passarão della em direitura ao Armazem sem exame algum, nem a res
peito do peso, nem pelo que pertence á bondade: porque para se reco
lher no dito Armazem se lançará em receita por lembrança no livro das
entradas sem salario algum, presentemente pelas Guias e arrecadações,
que trouxer das Alfandegas do Brasil, e depois pelas marcas, e Guias
das Casas de Inspecção, que Mando estabelecer nos Portos principaes
daquelle Estado: defendendo, que os Direitos deste genero se possão ar
bitrar, ou que a sua qualidade se possa controverter senão ao tempo da
sua sahida.
5 O dito Armazem onde presentemente se costuma recolher o Taba
co, será logo separado, de sorte que ficando no meio delle a coxia, que
for necessaria para serventia das fazendas que entrarem, e sahirem, se
dividirão os dous lados nos diversos repartimentos iguaes, que couberem
na sua proporção, numerando-se todos , e colocando-se no alto , e na
parte exterior de cada hum delles, o respectivo número que lhe for com
petente ; de sorte que a todo o tempo o possa ver claramente quem for
pela coxia.
6 Ao mesmo passo que os Tabacos forem entrando na Alfandega, se
irão accommodando a favor dos seus respectivos donos, nos ditos repar
timentos, pela ordem dos seus respectivos números: em tal fórma que,
por exemplo, só depois de estar no repartimento número = Primeiro =
todo o Tabaco de Pedro, se poderá metter nelle o Tabaco de João , e
assim gradualmente nos mais repartimentos á mesma imitação : decla
rando-se nos Livros, e Bilhetes das respectivas entradas o certo reparti
mento, em que fica o Tabaco de cada hum dos Despachadores, para que
todos saibão sempre onde está o seu Tabaco, para o acharem e fazerem
ver per si mesmos, cada vez que quizerem , e lhe acharem comprado
res, sem que para isso tenhão a menor dependencia de terceiras pessoas.
7 E quando a experiencia venha a fazer ver que no actual Armazem
não ha toda a capacidade necessaria para conter os Tabacos, que a ella
vierem do Brasil, julgando-se preciso , ou ampliar-se o mesmo Arma
zem, ou ainda fazer-se outro de novo, se me fará tudo presente, para
dar a providencia que for servido em beneficio do Commercio deste ge
IleTO.

C A P I T U L O V.

l Por favorecer de toda a sorte o mesmo genero, ainda ao tempo da


sahida delle, em que deve ser computado o seu peso na fórma sobredi
ta, ou haja de ser vendido para o Reino, ou para os Paizes Estrangei
ros, Ordeno que em nenhum destes casos se faça vestoria, ou exame na
sua qualidade, senão naquelles termos em que o vendedor, ou compra
dor, o requererem, e não de outra "É
2
36 1751

2 Se as partes requererem o referido exame , será feito logo imme


diatamente dentro no Armazem , sem demora alguma, vencendo cada
hum dos Mestres, que o fizerem, duzentos e quarenta réis de salario á
custa da Parte, por quem for requerido, sem outro estipendio. E cons
tando que os ditos Mestres ou levárão salario maior do referido, ou de
morárão as partes, debaixo de qualquer pretexto, para as dilatarem,
sendo-lhe este crime provado conforme o Direito, incorrerão nas penas
acima estabelecidas no Capitulo II, § 4. ficando além dellas salvo ás Par
tes seu direito, para pedirem aos sobreditos a satisfação da perda, que
lhe houverem causado na demora , a qual lhes poderá ser julgada sum
mariamente pelo Provedor da mesma Alfandega , com appellação e ag
gravo para a Junta da Administração do Tabaco, nos casos, que não
couberem na sua alçada.
3 Nos casos, em que as Partes requererem o referido exame, tanto
que elle for feito; e nos casos, em que o não requererem, desde que as
mesmas Partes pedirem despacho de sahida, e disserem que estão prom
ptas para extrahirem os seus Tabacos, passarão estes immediatamente
do Armazem, e divisão delle, onde estiverem guardados, á balança que
está defronte da Mesa do Provedor. Nella serão pesados na maneira aci
ma referida , em ordem a pagarem os Direitos que ficão ordenados. E
parecendo ás Partes, passarão os mesmos Tabacos de caminho, ou abor
do do Navio, onde houverem de ser embarcados, levando as Guias e
cautelas, que se achão estabelecidas para segurar que com efeito saião
do Reino, se delle houverem de sahir; ou para o lugar, onde o Contra
tador geral os destinar, se houverem de ficar dentro no mesmo Reino.
Porém se as Partes quizerem levar os seus Tabacos da dita balança ou
para o Jardim, ou para o Armazem delle, o poderão fazer, sendo-lhe
necessario. E neste caso o não poderão depois extrahir , senão debaixo
das costumadas Guias.

C A P I T U L O VI.

I Sendo certo que nem o Lavrador póde continuar o seu trabalho,


senão vender o Tabaco com o lucro necessario para sustentar a lavoura,
nem ha de achar quem lhe compre, se o comprador o não tiver a preço,
que o possa transportar do Brasil a este Reino , para delle o fazer pas
sar a outros Paizes com ganho que lhe faça util a sua extracção : nem
esta se poderá conseguir em termos cenvenientes, se a bondade do ge
nero lhe não segurar a reputação commua dos que devem gasta-lo: Sou
servido prover a estes respeitos na maneira seguinte:
2. O Tabaco da primeira folha, vulgarmente chamado Escolha de Hol
landa. não poderá exceder no Brasil o valor de mil réis por arroba , li
vres e liquidos para o Lavrador, nem o Tabaco da segunda folha, e da
segunda sorte, o preço de novecentos réis. Destes dous preços para bai
xo poderão com tudo ser vendidos os referidos Tabacos, conforme o ajus
te e avença das Partes Porém os vendedores , que excederem os ditos
preços, depois de ser passado hum anno, contado do dia da publicação
desta Lei nos respectivos Portos do Brasil, pagarão em tresdobro o pre
co do Tabaco, que houverem vendido por maior preço, ametade para o de
nunciante e a outra ametade para as obras públicas do Estado.
3 Nenhum outro Tabaco, que não seja das referidas duas qualidades,
nellas bem fabricado , bom e de receber , depois de passado o referido
anno, poderá ser embarcado nos Portos do Brasil para passar a este Rei
1751 37

mo, debaixo das penas, que ao diante serão estabelecidas. Porém ficará
livre aos Lavradores, e compradores do Tabaco inferior, ou da terceira
qualidade, poderem gastallo na terra, ou embarcallo para a Costa de A
frica, como bem lhes parecer, na conformidade do que se acha ordena
do pelo
dens do Regimento da Junta da Administração do Tabaco, e pelas or
Conselho Ultramarino. •

4 E para obviar ao prejudicial engano, com que de certos annos a es


ta parte se tem achado falsificados os Tabacos que vem a este Reino,
tenho resoluto que no Rio de Janeiro, na Bahia, Pernambuco, e no Ma
ranhão, se estabeleção logo quatro Mezas de Inspecção, compostas de
Ministros e Pessoas, pagas á custa de Minha fazenda, para nellas se exa
minarem e qualificarem os Tabacos, que se dirigirem a esta Corte, an
tes de serem embarcados.
5 Todos os Tabacos destinados a embarque para este Reino, serão
primeiro apresentados nas referidas Mezas. Os que nellas se acharem taes
quaes se houver dito na manifestação que delles se fizer, sem trazerem
mistura, nem engano, serão approvados; marcados com o Sello da Hns
pecção; serão recolhidos no Armazem da mesma Inspecção, para delle
se embarcarem; e serão pela mesma Inspecção dirigidos gratuitamente
á Alfandega desta Cidade com a Guia do seu Proprietario, peso, e qua
lidade. Porém os Tabacos que se acharem ou de qualidade diversa da
quela com que forão manifestados, ou misturados, ou de inferior quali
dade, serão queimados irremissivelmente.
6 E sobre tudo o Provedor da Alfandega desta Cidade com os Ofi
ciaes della, ao tempo em que fizerem os exames que pelas Partes lhe fo
rem requeridos, terão grande cuidado em averiguarem, se os Tabacos
que trouxerem as marcas das respectivas Inspecções, são conformes ao
que fica assima ordenado. E nos casos em que acharem o contrario, Me
darão conta da falta que houver, para nella prover como for mais con
veniente ao bem do Commercio.

C A P J T U L O VII.

l Por Me ser presente que os Fretes do Brazil para este Reino, por
hum abuso contrario á razão, e ao interesse do Commercio, se encare
cêrão em repetidas occasiões com tal exorbitancia, que o valor dos ge
neros não podia sofrer o custo do transporte, Ordeno que daqui em di
ante nenhum Mestre de Navio ouse pedir, ou receber por frete do Ta
baco de qualquer dos Pórtos do Brazil para este Reino, preço algum,
que exceda a trezentos réis arroba, ou a dezaseis mil e duzentos réis por
tonelada de cincoenta e quatro arrobas. Este preço ficará porém livre e
líquido a favor do Navio, a cujo fim já fica transferido no genero o Di
reito, que antes se pagava na Alfandega desta Cidade a respeito do cas
co. E os que levarem fretes maiores dos assima taxados, perderão toda
a importancia do transporte, que fizerem, a favor da pessoa, a quem
extorquirem a dita maioria. E ficarão sujeitos ás mais penas que mere
cerem, segundo a gravidade da maior culta, em que forem incursos.
em2 diante
O mesmo ordeno,
a respeito dos que se do
fretes observe tambem inviolavelmente daqui
Assucar. •

3 E para mais suave e facil observancia desta disposição, estabeleço


que nenhum Navio, que passar em lastro de hum Porto do Brazil a qual
quer outro do mesmo Estado, para procurar carga, a possa receber, se
não subsidiariamente, depois de haverem sido carregados os outros Na
38 175I

vios, que houverem levado carga deste Reino para o mesmo Porto, on
de concorrer o Navio, que se achar que nelle entrou de vasio, ou em
lastro, sob pena de que toda a importancia dos fretes, que este ultimo
Navio receber, cederá a favor dos Mestres dos outros Navios, a quem
direitamente pertencia a carga, ou daquelles que o denunciarem, e se
habilitarem na causa desta pena, com o direito de que os seus Navios
levarão carga para o Porto, onde a carregação se achar feita.
3 Semelhantemente os Navios pertencentes á Praça da Cidade do
Porto, que navegarem para os Pórtos do Brazil, não tomarão nelles car
ga pertencente a esta Cidade de Lisboa, senão depois de haverem sido
carregados os Navios da mesma Cidade de Lisboa: nem pelo contrario
os Navios poderão receber carga para o Porto, senão depois de se acha
rem carregados os Navios pertencentes á dita Cidade do Porto, tudo de
baixo das mesmas penas assima ordenadas.
Pelo que: Mando ao Presidente da Junta da Administração do
Tabaco, e Deputados della, que ora são, e aos que ao diante forem ,
cumpräo, e guardem este Regimento, e o fação inteiramente cumprir e
guardar assim pelos Ministros e Oficiaes da sua Repartição, como por
todos os mais do Reino, como nelle se contém. E Mando que depois de
ser por Mim assignado, se imprima, para que seja notorio a todas as pes
soas, a quem tocar a sua observancia. E o mesmo Regimento Hei por
bem que tenha força e vigor de Lei, sem embargo de quaesquer Leis,
ou Ordenações que o encontrem, que por este derogo, como se de cada
huma dellas fizera expressa menção; e quero que valha, como se fosse
Carta passada pela Chancellaria, posto que por ella não passe, sem em
bargo das Ordenações do Livro segundo titulo trinta e nove, quarenta,
e quarenta e quatro, que dispoem o contrario. Lisboa a 16 de Janeiro
de 1751. (1) = Com a Assignatura de Sua Magestade.
Impresso avulso.
} # …>, ºk #

Sºsno informado da grande decadencia, em que se achão, a lavoura,


e o Trafico do Tabaco, e Assucar, que são os dous generos, em que
consiste o principal Commercio destes Reinos com o Estado do Brazil:
E desejando animar eficaz, e efectivamente o fabríco, e a extracção dos …
*
mesmos generos, em beneficio commum dos Meus fiéis Vassallos, assim
da America, como da Europa, em ordem a remover delles os impedi
mentos, que lhes obstão para se utilisarem com a Agricultura, e com a
Navegação destas duas consideraveis producções daquelle Continente:
\,
Sou servido ordenar a estes respeitos, o seguinte. Quanto ao Assucar.
Pelo que pertence á fórma dos Despachos nas Alfandegas destes Reinos
(cessando toda a fraude) se expedirão daqui em diante as caixas, e fei
xos, pelas arrobas, que trouxerem por cabeça, e se tirarão direitamen
te dos Armazens para a rua, sem que por esta expedição paguem ou
tros alguns emolumentos, que não sejão, em Lisboa o Bilhete ao Feitor,
o Despacho da Casa de cima, e á porta. Na Cidade do Porto se prati
cará o mesmo por modo respectivo. E havendo quem queira despachar,
ou a bordo dos Navios, ou na Ponte da Alfandega, ou para baldearem
(1) Vid, o Alvará de 29 de Novembro de 1753.
175 | 39

para fóra, ou para levarem as Partes para suas casas o referido genero,
não sómente se lhes dará Despacho na sobredita fórma, e não sómente
se lhes darão a Tara, e favor abaixo declarados; mas tambem se lhes a
baterão de mais dez tostões de premio em cada caixa na conta dos Bi
lhetes; e se lhes darão mais seis mezes de espera para o pagamento dos
Direitos, além do espaço, que tiverem para o mesmo efeito os mais Des
pachadores. Pelo que pertence ao favor das Taras se praticará o mesmo,
que ate agora se praticou, abatendo-se de cada cinco arrobas huma em
beneficio dos Despachadores; ou estes despachem os Assucares para o
consumo do Reino, ou para o extrahirem delle para os Paizes Estrangei
ros. Pelo que pertence aos Direitos, os Assucares, que se despacharem pa
ra o consumo destes Reinos, pagarão por cada arroba do Branco, limpa
da Tara, o mesmo cruzado, que pagárão até agora; e por cada arroba
do Mascavado dous tostões, na conformidade da Lei de treze de Setem
bro de mil setecentos e vinte e cinco; excepto o Donativo, que cessara
inteiramente desde a publicação do presente Decreto. Porém o Assu
car, que se despachar para fóra, constando por ligitimo modo, que he
extrahido para qualquer Paiz estrangeiro, se dividirá na conta por cabe
ça em duas partes iguaes, ou ametades, depois de ser abatida a Tara
assima ordenada. Huma das ditas ametades pagará o Direito na mesma
fórma, em que o pagar o Assucar, que for despachado para o con
sumo do Reino: A outra ametade, que restar, se dará aos Despachado
res livre de todo o encargo a favor do Commercio, o qual gozará deste
beneficio quanto ao preterito desde o dia doze de Agosto do anno pro
ximo passado; e quanto ao futuro até que Eu seja servido dar sobre esta
matereria outras mais amplas providencias. Pelo que pertence aos Fre
tes dos Navios, que transportão do Brazil este genero, Sou servido or
denar, que a respeito delle se observe em tudo, e por tudo o mesmo,
que tenho estabelecido a favor do Tabaco, e sua navegação pelo Capi
tulo setimo do Novo Regimento da Alfandega deste segundo genero,
desde o §. Primeiro até o §. Final inclusivè. Frºm os seiscentos réis de
cada caixa, que até agora pagárão os Donos dos Navios do preço, que
recebião dos Fretes, ficarão daqui em diante transferidos no genero a
cargo dos que o despacharem para se haver delles nos termos, e nos ca
sos em que pagarem os mais Direitos assima declarados. Pelo que per
tence aos primeiros preços no Brazil, sendo certo, que todos os sobredi
tos favores nos Despachos, Direitos, e Fretes, se farião inuteis se o As
sucar se não podesse achar no agro, com tal proporção no custo, que o
Lavrador ganhasse em o fabricar, e o Homem de negocio achasse a sua
conta em o extrahir; estabeleço, que daqui em diante na Bahia de to
dos os Santos, nem cada arroba de Assucar branco fino possa exceder o
valor de mil e quatrocentos réis; nem do Branco redondo o valor de mil
e duzentos réis; nem do Branco batido o valor de novecentos réis; nem
do Mascavado macho o valor de seiscentos réis; nem do Mascavado ba
tido o valor de quinhentos réis; nem do Mascavado broma o valor de
quatrocentos réis; livres, e liquidos para os Lavradores. Os Assucares
do Rio de Janeiro, Pernambuco, e Maranhão, serão vendidos ao mes
mo respeito, com a diferença de cem réis de menos por arroba em todas
as qualidades, e preços assima estabelecidos. Tudo isto sob pena de que
as pessoas, que excederem os sobreditos preços, em qualquer dos refe
ridos Estados, depois de ser passado hum anno, contado do dia da Pu
licação, que nelles se fizer deste Decreto, incorrerão nas mesmas pe
mas estabelecidas pelo Capitulo sexto, §, segundo do Novo Regimento da
40 • I75 |

Alfandega do Tabaco contra os que venderem este genero nos pórtos do


Brazil por preços maiores dos que lhe forão por Mim determinados. Suc
cedendo porém aperfeiçoarem-se os Assucares do Rio de Janeiro, Per
nambuco, e Maranhão, de sorte, que venhão a ter proporção na bonda }m
de com os Assucares da Bahia, se Me representará pelas Partes interes #
sadas, o que houver a este respéito, para dar a providencia que for con
veniente. E no caso, em que tambem succeda haver nos sobreditos Es
tados alguns annos de taes esterilidades, que os Lavradores não cheguem
a recolher nelles pelo menos meia safra, nestes casos poderão os mesmos
Lavradores recorrer ás Mezas da Inspecção, que novamente Mando es
tabelecer, as quaes pelo Regimento, que lhe Mando dar, terão a juris
dicção necessaria para conhecerem da legitimidade da causa, que lhes
for allegada, e para sobre a notoriedade della poderem accrescentar des
de cem até trezentos réis por arroba, conforme a exigencia dos casos,
que lhe forem presentes. As mesmas Casas de Inspecção terão tambem
a jurisdicção necessaria para evitarem as fraudes, que se tem introduzi
do nas qualidades, e pezos dos mesmos Assucares em ordem a que todos
cheguem a este Reino qualificados, de sorte, que os enganos dos parti
culares venhão a cessar inteiramente com o beneficio commum da Ari
cultura, e do Commercio geral. Quanto ao Tabaco tenho deferido com
o Novo Regimento da Alfandega, que na data de dezeseis do corrente
baixou á Junta da Administração deste genero. O Conselho Ultramarino
o tenha assim entendido, e o faça executar na parte que lhe toca por este
Decreto sómente, o qual Mando, que valha, não obstantes quaesquer Leis,
Regimentos, ou Ordens contrarias, que para esse efeito sómente Hei
por derogadas, como se dellas fizesse expressa menção; e quero que tam
bem este valha, e tenha força de Lei, como se fosse Carta passada pe
la Chancellaria, posto que por ella não passe, sem embargo das Ordena
ções do Livro segundo, Titulo trinta e nove, e quarenta, que dispoem
o contrario. Salvaterra de Magos em 27 de Janeiro de 1761. = Com a
Rubríca de Sua Magestade.

Impresso avulso.

# %vo…?: #

DoM José por Graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algarves,


d'aquem, e d’além Mar, em Africa Senhor de Guiné, e da Conquista,
Navegação, Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India, &c.
Faço saber, que por quanto na Lei, que Mandei publicar em tres de
Dezembro do anno proximo passado, Fui servido resolver, que se for
masse Regimcnto para o bom governo das Intendencias, e Casas de Fun
dição, que Mandei estabelecer no Estado do Brazil, e reservar para o
mesmo Regimento algumas providencias, e individuações, que tendo
nelle competente e amplo lugar, serião menos proprias na referida Lei:
e para que o conteúdo nella se observe e cumpra inteiramente, sem que
a prática de hum methodo tão solido, e tão favoravel aos Meus Vassal
los, possa ser interrompida com qualquer pretexto: Estabeleço a todos os
ditos respeitos o seguinte.
175 I 41

C A P I T U L O T.

Do modo, em que os Intendentes Fiscaes, e mais Ministros se devem


governar na intelligencia das disposições da dita Lei, que podião
ser objectos de interpretação; e dos salarios, que hão de
vencer os Ministros, e mais Oficiaes.

§. 1. Quando venha a succeder o caso de se fazer derrama pelo Po


vo, na fórma estabelecida no Cap. 1. da referida Lei, Ordeno que a
igualdade e justiça estabelecida pelo § 3. do dito Cap. seja em tudo re
gulada pelo que se acha disposto no Regimento dos encabeçamentos a
favor dos Póvos deste Reino, para o que haverá o dito Regimento em
todasfez
que as aIntendencias, e Camaras
base da referida Lei. comprehendidas na proposta de 1734.,
• -

§. 2. Por obviar a toda a contraria intelligencia do Cap. 4, § 1. da


dita, Ordeno que a prohibição nelle conteúda seja geral e absoluta, com
prehendendo todas as especies de moedas de ouro, ainda de oitocentos
réis para baixo.
§. 3. Achando-se depois de haver sido impressa e publicada a referi
da Lei, que no mesmo Cap. 4. §. 3. se não escrevêrão as palavras, que
fazião o seu verdadeiro sentido, trocando-se a palavra Comarcas pela pa
lavra Minas: e sendo que o uso do Ouro em pó sómente foi por Mim
permittido dentro do Territorio das Minas, e aos Viandantes, que den
tro nelle passassem de humas para outras Comarcas: Hei por bem Orde
nar, que assim se observe inviolavelmente, e que por nenhum pretexto,
nem ainda em pequenas quantidades, por modicas que sejão, se possão
extrahir Ouro em pó dos respectivos Registos para fóra, debaixo das pe
nas estabelecidas na referida Lei: E Mando que nos ditos Registos ha
jão as moedas de Ouro necessarias para os Viandantes, que sahirem fóra
delles, poderem trocar o que lhes for necessario para o seu caminho.
§. 4. Porque não succeda entender-se, que as segundas Guias, or
denadas no Cap. 3. §. 5. da dita Lei se hão de multiplicar, fazendo-se
novas Guias, Ordeno que as ditas segundas Guias sejão sempre feitas no
verso das primeiras, sem mais do que a gratuita intervenção dos Ofi
ciaes dos respectivos Registos.
§ 5. Não he da Minha Real Intenção innovar cousa alguma sobre os
salarios, que se achão estabelecidos por resoluções Minhas para os res
pectivos Intendentes, nem tão pouco os que pela referida Lei novissima
se achão estabelecidos a favor dos Ficaes. Semelhantemente os Thesou
reiros, Escrivães, Ensaiadores, Fundidores, e os seus respectivos Aju
dantes, se regulem pela Provisão expedida pelo Conselho Ultramarino
em dous de Fevereiro de 1726, em virtude da Resolução, que ElRei
meu Senhor e Pai foi servido tomar em 31 de Janeiro do dito anno.

C A P I T U L O II.

Hei por bem, que em cada huma das Casas da Fundição, além
do Intendente, Fiscal, Meirinho, e seu Escrivão, nomeados na Lei,
que para arrecadação dos Quintos do Ouro Mandei publicar em tres de
Dezembro do anno proximo passado de 1750, haja de mais hum Thesou
reiro, hum Escrivão da sua receita, hum Escrivão da Intendencia, ou
tro das Fundições, dous Fundidores, ou hum com seu Ajudante, hum
42 1751

Ensaiador com seu Ajudante, para que assim se faça com mais seguran
ça a arrecadação da Minha Real Fazenda, e se expeção as Partes com
maior brevidade.
C A P I T U L O III.

Dos Intendentes.

§ 1. As Pessoas, que na fórma das Minhas Reaes Resoluções se Me


devem propôr para Intendentes, serão sempre as de cujo zelo, probida
de, e desinteresse houver melhor noticia, e de quem se possa confiar,
que igualmente cuide na exacta arrecadação da Minha Real Fazenda,
em fazer Justiça aos Póvos, e em procurar que se tratem sem vexação,
ou extorsão alguma, que perturbe o socego e quietação pública.
§. 2. Os ditos Intendentes irão todos os dias, que não forem Santos,
com os seus Officiaes ás Casas da Fundição respectivas, aonde assistirão
tres horas de manhã, e tres de tarde, e todo o mais tempo que for pre
ciso, para que sem vexação, nem demora alguma se receba, funda, e
entregue o Ouro, que entrar nas mesmas Casas, sem que haja difficul
dade, dilação, ou embaraço, de que resnlte ás Partes a menor incom
modidade.
3. A primeira diligencia, que os ditos Intendentes devem fazer
todos os dias, quando entrarem nas Casas da Fundição, he visitarem as
Oficinas, para vêr se nellas estão os Oficiaes promptos, e tudo expedi
to, para se fundir o Ouro, e marcarem as barras: e no primeiro dia de
cada semana os mesmos Intendentes com o Fiscal e Thesoureiro exami
narão as balanças, e conferirão os pesos com os Padrões, que se lhe re
metem desta Corte. •

§. 4. Aos mesmos Intendentes encarrego o especial cuidado, com que


devem vigiar, se os Oficiaes subalternos fazem a sua obrigação, exami
nando o seu procedimento, o modo com que tratão as Partes, e procu
rando que todos cumprão, pela parte que lhes toca, o que está determi
nado na referida Lei de tres de Dezembro, e o que mais se lhes encar
regar neste Regimento.
. § 6. Em observancia do Capitulo 2. da sobredita Lei, farão os di
tos Intendentes todos os annos as conferencias, que nelle se determinão,
e darão conta no Conselho Ultramarino com o theor dellas, e juntamen
te com huma distincta informação não só do que resulta desta conferen
cia, mas de todas as mais diligencias, que tiverem feito, para a exacta
arrecadação dos Direitos dos Quintos, e para se evitarem todas as falsi
dades; e quando para isto seja necessaria alguma nova providencia, nes
ta mesma conta a devem pedir, para se lhes conceder, se for justa.
§. 6. Quando por força das averiguações se venha no conhecimento
de que ha barras, ou bilhetes falsos, os mesmos Intendentes tirarão lo
go huma exacta devassa, procurando por meio della averiguar a verda
de, e descubrir os Réos, sem culpar nem infamar os que o não forem;
para cujo efeito sem escusa alguma inquirirão pessoalmente as Testemu
nhas com o cuidado, e circumspecção, que pede materia tão grave.
§. 7. Da mesma fórma, tendo noticia, ou por denúncia (a qual sem
pre se deve tomar em livro para esse efeito destinado), ou por outro
qualquer modo, de que ha extravio, ou descaminho de Ouro, sem hir ás
Casas da Fundição, procederá logo a devassa com as caustelas referidas;
e porque estas devem ser maiores em receber as denúncias no caso, e
pela fórma, em que sómente as permitte a Lei sobredita de tres de De
1751 • 43

zembro, cuidarão os ditos Intendentes muito seriamente na qualidade dos


denunciantes, e em que não sejão pessoas inimigas, nem que tenhão ou
tro motivo, que osque
ta conveniencia, de se
evitarem o prejuizo público, e conseguirem a jus
lhes concede. •

§. 8. As ditas devassas se hão de tirar dentro do tempo determinado


na Lei do Reino: mas quando haja alguma razão justa, para se não fe
charem no termo de trinta dias, os # poderão dilatar a sua
conclusão por mais outros trinta, declarando no encerramento o motivo
e causa, que tiverão para a dita extensão, para que assim nas Instan
cias superiores se possa conhecer da legalidade della, devendo-se enten
der causa justa para este fim a ausencia de alguma Testemunha, referi
da em ponto essencial, ou que provavelmente tenha plena noticia do facto,
ou impedimento do Intendente, por causa do serviço público, por estaº
em tempo de maior occurrencia de Ouro, ou em que por visinhança de
frota seja precisa maior expedição.
§. 9. Se em consequencia das sobreditas devassas houver alguns cul
pados, os Intendentes os pronunciarão, e lhes darão livramento com ap
pelação e aggravo para a Relação competente; o que porém se deve en
tender naquelles casos em que pela Lei novissima não tem lugar a pena
de morte; porque nestes segundos, depois de pronunciados, e presos os
Réos, se devem remetter com as suas culpas á Relação, para serem sen
tenciados nas Ouvidorias geraes do Crime, segundo o seu merecimento.
§. 10. Todas as ditas causas criminaes contra os falsificantes das
Barras, e Bilhetes, e desencaminhadores do Ouro, serão sentenciadas
no tempo preciso e improrogavel de dous mezes depois de fechada a de
vassa: e nas residencias dos Intendentes se procurará especialmente pe
la observancia deste Capitulo , por cuja transgressão serão castigados,
conforme a qualidade della, sem se lhes admittir escusa alguma. #
§. 11. A respeito dos Réos, que forem remettidos ás Relações, se
praticará o mesmo , sentenciando-se dentro de dous mezes depois de se
recolherem nas cadêas das mesmas Relações ; e os Governadores dellas
terão cuidado de me darem parte de qualquer omissão que houver nesta
materia; e se deve entender que as pessoas, que pela sua qualidade po
dem ser condemnadas na pena de morte nas mesmas Comarcas, confor
me o Regimento das Ouvidorias, serão nestas sentenciados, sem se re
metterem á Relação.
§. 12. Para se acautelar mais o extravio do Ouro, ordenarão os In
tendentes aos Provedores dos Registos das suas respectivas Comarcas,
que todos os mezes lhes remettão listas dos Comboeiros, e Commercian
tes, que por ellas entrão, com os seus nomes, e declaração das terras,
donde vem, e do número dos Negros, Cavallos, Gados, e cargas que
trazem, para se valerem desta noticia, para as diligencias, que houve
rem de fazer , e as mesmas listas se farão dos que sahirem , por modo
respectivo.
§. 13. Em tudo o mais que respeitar á arrecadação do Quinto do Ou
ro, e ao cumprimento do disposto na Lei novissima sobre esta matereria,
terão os ditos Intendentes a jurisdicção, que nella se lhes concede, e a
de fazerem as mais averiguações, e diligências, que julgarem precisas,
com tanto que nem directa, nem indirectamente causem alguma vexa
ção ao Povo, e embaraço ao Commercio; e os Governadores e Ministros
darão aos Intendentes toda a ajuda, e favor que lhes pedirem, ordenan
do que os Soldados, Oficiaes Militares, e os das Justiças ordinarias lhes
ºbedeção, e cumpräo seus Mandados em quanto se dirigirem ao refe
F 2
44 1751
rido fim de evitar os descaminhos do Ouro , e arrecadar o Direito dos
Quintos.
$ 14. No fim de cada hum anno os Intendentes, cada hum nas Ins
tendencias que lhes tocão, com os seus Fiscaes, Thesoureiros, e Escri
vães, examinarão o Cofre, em que na fórma abaixo declarada ha de es
tar o producto dos Quintos; e de tudo o que se achar , se fará huma
somma, e della se tomará hum assento, ou termo no livro da Receita,
em que com toda a distincção se declare o número das Oitavas , e va
lor dellas , o qual termo será assignado por todas as pessoas sobreditas,
e se passará huma certidão com o seu theor assignada pelo Intendente,
e acompanhará o dito Ouro até ser entregue nesta Corte.
§. 15. O Ouro, que na fórma dita se achar do Quinto em cada hu
ma das Intendencias do Governo das Minas Geraes se metterá em Bor
rachas, e com a marca da sua respectiva Intendencia, e com a dita cer
tidão, e hum mappa exacto do número total das Oitavas, e das que re
partidamente vem em cada Borracha, será remettido á Casa Real da Fun
dição de Villa Rica com toda a arrecadação, e conduzido pela pessoa,
e com a escolta que lhe der o Governador.
§. 16. Nesta Casa de Villa Rica se deve fazer o cumulo determinado
no Cap. 1. §. 1. da mencionada Lei de 3 de Dezembro ; e tornando-se
alli a pesar o Ouro das outras Intendencias sobreditas, se fará huma som
ma total de todo o Ouro das Minas Geraes, para se saber se chega, ou
excede ás cem arrobas do encabeçamento; e quando exceda, se fará na
mesma o deposito do sobejo e excesso , carregando se em Receita sepa
rada ao Thesoureiro; e quando não chegue, dará o Intendente parte ao
General, para se proceder á derrama, na fórma da Lei.
§. 17. Desta Casa Real da Fundição de Villa Rica sahirá toda a im #
portancia do encabeçamento, que nella se deve ter junto, na fórma re
ferida, á ordem do General, com a escolta que elle lhes assignar, e com
hum distincto mappa das Borrachas do Ouro, do número das Oitavas,
que vem em cada huma, e das que pertencem a cada Intendencia ; o
qual mappa se remetterá ao Governador com o dito Ouro, que se ha de *
entregar no Rio de Janeiro na Casa dos Contos, e nella aos Capitães de
Mar e Guerra, tudo na fórma, e com as mesmas clarezas, que até aqui
se praticava com a remessa do Ouro; e outro mappa semelhante remet
terão os Intendentes de Villa Rica todos os annos ao Conselho Ultra
marino.
§. 18. Nas Minas dos outros Governos , que se não comprehendem
no encabeçamento, feita a conta á importancia do Quinto, que se tiver
satisfeito em cada huma das Casas da Fundição, se mandará o seu pro
ducto com as mesmas declarações , e ordem acima dada ao Rio de Ja
neiro ; praticando-se em tudo pelos Governadores respectivos a formali
dade, e cautelas acima ditas, e até aqui observadas na remessa do Ouro
da Capitação ; e no Rio de Janeiro se fará o mesmo , que fica disposto
no §. antecedente: e pelo que respeita ás Minas, que ficão no Governo
da Bahia, hirá da mesma fórma o seu Ouro para esta Cidade, para del
la ser remettido com a mesma arrecadação até o presente praticada.
§. 19. Quando aos Intendentes pareça necessaria alguma interina
providencia , a pedirão aos Governadores do Districto , que lhes con
cederão as que couberem nas suas faculdades , dando-me logo conta de
tudo o que determinarem : e aos mesmos Governadores encarrego o es
pecial cuidado que devem ter nos mesmos Intendentes, para os adverti
rem de tudo o que convier ao Meu serviço, e me participarem as faltas,
175 I 45

omissões, ou descuidos, que nelles houver, tendo os mesmos Governa


dores enteudido , que por força desta recommendação ficão responsa
veis das desordens, que houver nas Intendencias, e na arrecadação dos
Quintos. • -

§. 20. Os dous Intendentes Geraes da Bahia e Rio de Janeiro obser


varão este Regimento na parte, que lhes póde tocar: e como a sua prin
cipal obrigação he examinarem os descaminhos, que se efectuão, e or
dinariamente se dirigem aos Portos de mar, terão nesta materia hum
grande cuidado e vigilancia, de que se necessita, e a este fim farão as
averiguações e diligencias, que julgarem convenientes.
§. 21. Os mesmos Intendentes Geraes usarão de toda a jurisdicção,
que aos outros he concedida, para tirarem as devassas, pronunciarem,
e sentenciarem os Réos ; e farão todos os annos as conferencias com os
livros das Casas da Moeda das ditas Cidades da Bahia, e Rio de Janei
ro, e da mesma
se derem perantefórma
elles. que os outros, poderão receber as denuncias, que

§. 22. Estes Intendentes Geraes communicarão aos das suas Comar


cas respectivas todas as noticias que tiverem , e considerarem precisas,
ou para se acautelar, ou para se proseguir algum descaminho, e quaes
quer outras noticias, que convenhão ao bem de Meu serviço, e interes
se público ; e da mesma fórma os Intendentes das Comarcas terão sem
pre huma correspondencia com o Intendente Geral do seu Districto, pa
ra que tenhão individual noticia do que se passa nas Intendencias, e de
tudo
nhos. o que possa conduzir para o mesmo intento de evitar os descami

§. 23. A estes dous Intendentes hirão remettidos os livros, caixões


de Bilhetes, materiaes, cunhos, e tudo o mais que desta Corte se manº
dar para o serviço das Casas da Fundição, para os fazerem conduzir pa*
ra ellas com a brevidade, e commodidade possivel: e todas as frotas da
rão conta no Conselho Ultramarino, do que tiverem feito, e das notiº
cias, que alcançarem das outras Intendencias, e do bem ou mal, qué
nellas se serve, remettendo ao mesmo Conselho as Relações de tudo o
que enviárão, ás ditas Casas de Fundição, como tambem as copias das
cartas, que houverem escripto ás Intendencias, e que dellas houverem
recebido, com hum catalogo chronologico das referidas cartas. •

§. 24. Se alguns Oficiaes das Intendencias tiverem qualquer omis


são, ou descuido, os Intendentes com o parecer dos Fiscaes os adverti
rão; e se não se emendarem, ou commetterem alguns erros, ou culpas
nos seus Oficios , os mesmos Intendentes os auctuarão, e procederão
contra elles, como for justiça, dando appellação e aggravo das suas sen
tenças, excedendo a pena de hum mez de suspensão, que he a que de
claro cabe na alçada dos ditos Intendentes. •

§. 25. Sendo porém commettido algum crime ou desordem pelos Fis


caes, os Intendentes os advertirão; e não se emendando, darão conta aos
Governadores respectivos, para que achando-os em culpa, os suspendão,
e pelo Conselho Ultramarino me dem conta, para mandar proceder con
tra elles, conforme a sua gravidade, não sendo esta de qualidade que
tenha pena estabelecida na Lei, porque nestas se lhe poderá impôr sem
se me dar parte. • •

§. 26. Para o caso em que venha a succeder, que algum Fiscal seja
suspenso na sobredita fórma, as respectivas Camaras farão sempre elei
ção dos dous, que hão de servir nos seis mezes successivos a ella, para
que o que estiver immediato a entrar, possa substituir o que for suspen
46 1751

so, ou impedido por qualquer incidente. E no caso de suspensão, pro


cederão as mesmas Camaras a nova eleição dos outros dous Fiscaes, que
se hão de seguir, para que os que exercitarem tenhão sempre substitu
tos em todos os casos que occorrerem.
C A P I T U L O IV.

Dos Fiscaes.

§. 1. Os Fiscaes são as Pessoas, a quem abaixo dos Intendentes en


commendo com mais especialidade o cuidado na arrecadação do Direito
Senhoreal do Quinto; e como a elles principalmente pertence o evitarem
o prejuizo público, e o que póde receber o commum na furtiva extrac
ção do Ouro, procurarão com a mais eficaz actividade todos os meios de
acautelar este damno, promovendo a causa pública, e requerendo a be
neficio desta tudo o que julgarem conveniente.
$. 2. Os ditos Fiscaes serão nomeados pelas Camaras respectivas,
para servirem por tempo de tres mezes, na fórma que dispõem o Cap. 3.
§ 2. da Lei novissima; e como este Oficio he de tanta confiança e au
ctoridade, as mesmas Camaras elegerão para elle as Pessoas mais dignas,
e mais distinctas em qualidade e procedimento , as quaes se não pode
rão escusar em razão de idade, de Oficio, ou de Privilegio algum.
§. 3. Ao Oficio de Fiscal toca o assistir juntamente com o Inten
dente todos os dias nas Casas da Fundição pelas mesmas horas acima
declaradas no Cap. 3., para juntamente com elle visitar as Oficinas, e
cuidar no procedimento dos Officiaes da dita Casa, e requerer as provi
dencias, que julgar necessarias a bem da Fazenda Real, dos Póvos, e
da expedição das Partes.
§. 4. E quando os mesmos Intendentes lhes não defirirem , lhes re
presentarão quanto convém ao público, e ao Meu Real serviço, o cum
prirem com as suas obrigações; e quando sem embargo disto continuem
em os não attender , darão logo conta aos Governadores do Districto,
para estes ou applicarem a providencia, que couber na sua jurisdicção,
ou me fazerem presente o descuido, omissão, ou culpa dos Intendentes,
para determinar o que for conveniente ao Meu Real serviço; e da mes
ma fórma, quando algum dos ditos Fiscaes achar, que seus immediatos
Antecessores não cumprírão com o que devião, o farão presente aos mes
mos Governadores, para que dando-me conta disto, haja sobre esta ma
teria de tomar a resolução que me parecer mais justa.
§. 5. Os mesmos Fiscaes serão obrigados a hir o tempo que puderem
assistir ás Fundições, procurando com todo o cuidado, e vigilancia, que
os Oficiaes e Trabalhadores, que assistirem nas Casas, em que se de
vem fazer, não commettão algum descaminho, e terão outro sim cuida
do na arrecadação dos materiaes necessarios para a Fundição, e instru
mentos pertencentes á mesma Casa.
§. 6. Na falta, ou impedimento dos Intendentes, supprirão as suas
vezes os Fiscaes dentro das Casas da Fundição, assim para terem as cha
ves dos Cofres, como para governarem a economia das mesmas Casas:
porém no que respeita a tirar devassas, e ao mais procedimento judicial
servirão pelos Intendentes os Ouvidores das respectivas Comarcas, e só
os ditos Fiscaes poderão neste tempo receber as denuncias , remetten
do-as depois de tomadas aos Ouvidores para as pronunciarem e julgarem.
175| 47

C A P I T U L O V.

Dos Thesoureiros.

§. 1. Os Thesoureiros serão nomeados pelas Camaras, e servirão por


tempo de tres annos, dando primeiro as fianças determinadas pelo Regi
mento da Fazenda, e em cada hum dos ditos annos se fará o recenseamen
to da sua conta.
§. 2. A estes Thesoureiros pertence receber o Ouro dos Quintos, co
mo tambem fazer as despezas ordinarias das Casas da Fundição no pa
gamento dos jornaes, concertos de Instrumentos, e alguns materiaes,
como carvão, azeite, e outros de semelhante qualidade, que se devem
comprar na mesma terra.
§. 3. Estas despezas se devem fazer por despacho dos Inténdentes,
ouvidos os Fiscaes; e os mesmos mandados dos Intendentes com recibo
das Partes, a quem se fizerem os pagamentos, servirá de descarga pa
ra a despeza dos Thesoureiros.
§ 4. Em cada huma das Casas da Fundição haverá hum livro da en
trada, em que se carregue todo o Ouro, que entre na mesma Casa, de
clarando nelle a hora, em que entrou; outro em que se faça lembrança
separada do Ouro depois de quintado, pertencente ás Partes, que entra
para a Casa das Forjas; e outro para se fazer nelle a receita de todo o
Ouro pertencente aos Quintos.
§. 5. Haverá mais outro Livro de Registo das Guias na fórma, que
se determina no Cap. 2. §. 3. da mencionada Lei; e todos os ditos Li
vros, ou quaesquer outros que sejão precisos para o serviço destas Ca
sas, serão rubricados pelos Ministros do Conselho Ultramarinos.
§. 6. Aos mesmos Thesoureiros se entregarão os caixões de Bilhetes,
que por ordem do Conselho Ultramarino se devem remetter todos os an
nos; e no fim de cada hum delles, feita a conferencia com o Livro do
Registo, na fórma pela dita Lei novissima ordenada, remetterão os di
tos Thesoureiros os Bilhetes, que restarem, ao mesmo Conselho, e co
brarão recibo do Secretario dele, que juntarão ás suas contas, sem o
que se lhes não darão por correntes.
§. 7. Da mesma fórma se carregarão em receita aos mesmos Thesou
reiror os Cunhos, que desta Corte se hão de remetter, para cada huma
das Casas da Fundição, os quaes estarão em Casa fechada, e em Cofre
de tres chaves diferentes, das quaes terão huma os ditos Thesoureiros,
e as outras as pessoas, que devem ter as do Cofre do Ouro, as quaes todas
juntas devem concorrer para se tirar, ou guardar o Cunho, haveudo-se
nesta materia com grande cuidado, para se acautellarem as desordens,
que da falta delle podem resultar. Ultimamente se devem lançar em re
ceita aos ditos Thesoureiros os materiaes e instrumentos necessarios para
a Fabrica das Fundições, e tudo o mais, que por qualquer modo vá á di
ta Casa, pertencente á Minha Real Fazenda, para de tudo darem con
ta, quando se lhes pedir.
C A P I T U L O VI.

Dos Escrivães da receita, e despeza.


§ 1. Os Escrivães da receita e despeza devem ser escolhidos das pes
48 * , 175 |

soas mais abonadas das terras respectivas, e destas se hão de propôr pe


la Camara tres ao Governador respectivo, e para escolher hum de quem
tiver melhor informação e noticia, a quem passará provimento por tem
de hum anno, e findo este farão as Camaras novas propostas com fa
culdade de incluir nellas os mesmos Escrivães que acabão, os quaes no
caso de virem propostos, serão preferidos pelos Governadores a todos os
outros, que não tiverem servido.
§. 2. Estes Escrivães devem escrever nos Livros da receita e despe
za, no da entrada do Ouro, da carga que se faz ao Thesoureiro do Quin
to; e no Livro, em que se poem por lembrança o Ouro, que entra para
a Casa da Fundição pertencente ás Partes, e em todos os papeis, que
possão respeitar á dita receita e despeza.
C A P I T U L O VII.

Do Escrivão da Intendencia.

§. 1. Os Escrivães das Intendencias, que o serão tambem da confe


rencia, serão nomeados do mesmo modo que assima fica determinado a
respeito dos Escrivães da receita, e servirão de escrever no Livro im
presso, para o registo das barras; de assistir a todas as conferencias,
que hão de fazer os Intendentes, assim em os Livros do Registo, como
nas que todos os dias se devem fazer com a receita dos Thesoureiros, e
as mais determinadas na dita Lei, e neste Regimento; e servirão tam
bem de encher os Bilhetes impressos, que hão de servir de Certidão,
para correrem com as barras.
§. 2. Além destas conferencia farão os ditos Escrivães huma cada
mez dos Livros do Registo, com os da receita, despeza, e fundição,
para ver se entre si estão concordes; e no caso de acharem alguma dif
ferença, a farão presente aos Intendentes e Fiscaes, para fazerem as di
ligencias, que lhes parecer convenientes á arrecadação da Fazenda; e a
este mesmo fim se fará cada anno huma conferencia geral em presença
dos Intendentes e Fiscaes, de que se mandará Copia ao Conselho.
§. 3. Aos mesmos Escrivães pertencerá o escreverem nas diligencias,
e devassas, que tirarem os Intendentes, e nos autos que perante elles,
ou os Fiscaes, e Ouvidores, nos casos prevenidos no Cap. 3. § 6. deste
Regimento se processarem; e nestes levarão os mesmos emolumentos,
que por Lei, e Regimento, ou ordens minhas levarem os Escrivães das
Ouvidorias, em cujo Districto estiverem as Intendencias.
C A P I T U L O VIII.

Do Escrivão das Fundições.

§. 1. Ao Escrivão das Fundições, que será nomeado da mesma fór


ma que os outros, toca o escrever em seu Livro separado todo o Ouro,
que entrar nas Casas da Fundição, fazendo de cada parcela seu assento
com a declaração da hora, em que entra, deixando logo ao pé do dito
assento hum claro, para depois de fundido o Ouro, se pôr o peso da bar
ra; que elle produzio, e os quilates que tiver pelo seu toque, ou ensaio.
§. 2. Estes tres Escrivães servirão huns pelos outros no caso da falta
ou ímpedimento; e de todas as diligencias pertencentes ás Casas de Fun
dição, ou respeitem ao Meu serviço, ou ao expediente das Partes, não
levarao cousa alguma, debaixo das penas comminadas na dita Lei,
175I 49"

C A P I T U L O IX.

Dos Fundidores.

§. 1. Os Fundidores estarão sempre F"# na Casa da Fundição


ao tempo, que nella houver de entrar o Intendente, e com o maior cui
dado, promptidão, e desvelo darão aviamento ás Partes, pela ordem e
formalidade regulada na mencionada Lei de tres de Dezembro.
§ 2. Todas as despezas da Fundição se farão por conta da Minha
Real Fazenda, sem que em razão dellas, e do trabalho de fundir se le
ve cousa alguma ás Partes, nem com o pretexto de gratificação, ou por
outro algum, de qualquer qualidade que seja, debaixo das penas decla
radas no Cap. 2. § 6. da dita Lei.
C A P I T U L O X.

Dos Ensaiadores.

§ 1. Os Ensaiadores servirão para ensaiarem, ou tocarem o Ouro,


conforme as Partes quizerem, ficando ao arbitrio dellas escolherem qual
dos dous exames lhes parecer melhor; e nas barras, e Guias, que del
las se passarem, se fará a declaração do Ouro por toque, ou ensaio, con
forme for feito. •

§. 2. Estes ensaios se farão gratuitamente, sem se levar delles cou


sa alguma aos particulares, da mesma fórma, e debaixo das mesmas pe
nas assima mencionadas a respeito dos Fundidores.
C A P I T U L O XI.

Dos Meirinhos, e seus Escrivães.


§. 1. Os Meirinhos hão de fazer todas as diligencias, que lhes orde
narem os Intendentes, procurando que pela sua ommissão, ou desçuido
se não percão, ou mal logrem as diligencias. E este mesmo cuidado te
rão os seus Escrivães.
. 2. E porque na maior parte das terras, onde as Casas da Fundi
ção hão de ser estabelecidas, ha Oficiaes dos Juizos ordinarios: Hei por
bem ordenar, que os Meirinhos, e Alcaides com os seus Escrivães, sir
vão por distribuição aos mezes á ordem do Intendente, ou quem seu car
go servir. E as causas, que huma vez principiarem com os ditos Es
crivães, ficarão perpetuadas nos seus respectivos Escriptorios.
§ 3. O Meirinho, e seu Escrivão hão de servir alternativamente de
Porteiros, e quando ambos estejão occupados em alguma diligencia, os
Intendentes nomearão huma das Pessoas do serviço da mesma Casa, pa
ra que inteíramente faça as vezes de Porteiro.
§ 4. E pelas diligencias, que os sobreditos Oficiaes fizerem, e pa
peis que escreverem nas Intendencias, levarão os mesmos emolumentos,
que se achão estabelecidos nos outros Juizos ordinarios.
50 I75 |

C A Fºº I T U L! O. XII,

Das Casas de Fundição, e do modo em que esta se ha de fazer.


§. r. Nas Casas destinadas para a Fundição deve haver huma em
que ha de estar a Meza da Intendencia : na cabeceira desta se porá a
éadeira do Intendente, e nos lados em bancos de espalda se hão de as
sentar em primeiro lugar o Fiscal, depois o Thesoureiro, e os dous Es
crivães, precedendo-se estes pela antiguidade do Provimento.
- §. 2. Na mesma Meza estará armada a Balança, em que se ha de
pesar o Ouro em pó, que as Partes vierem fundir, sendo a dita Balan
ça, e pesos concertados, e aferidos com aquella, igualdade, que se re
quer em materia tão importante, e examinados todas as semanas na fór
ma acima dita.
§. 3. Tanto que as Partes entrarem com o Ouro em pó nas ditas Ca
sas, o apresentarão em a referida Meza; e o Thesoureiro, estando pre
sente a pessoa, que trouxer o mesmo Ouro, o pesará; e lançando a con
ta ás Oitavas, tirará logo as que pertencerem ao Quinto Real: bem en
tendido que este Ouro do Quinto se ha de tirar de toda a parcella, que
se apresentar, e não de algum Ouro separado , que se traga para este
pagamento, e se metterá a importancia do mesmo Quinto em hum pe
queno Cofre, que deve estar na dita Meza. -- •

§. 4. A parcella que liquidamente ficar pertencendo ás Partes, se


mandará para a Casa da Fundição pelo Ajudante do Ensaiador, e estan
do impedido, pelo segundo Fundidor, e acompanhado da mesma Parte
com hum Bilhete do Escrivão da receita, em que declare o nome do do
no, ou da pessoa, que trouxe aquella parcella, e a sua importancia de
pois de quintada, o qual Bilhete se ha de entregar ao Escrivão da Fun
dição, para fazer o assento no seu livro.
§ 5. Em se fazendo o dito assento, o mesmo Escrivão entregará le
go o Ouro ao Fundidor, para o reduzir a barra, e a Parte poderá assis
tir, se lhe parecer ; e o mesmo Oficial, que tiver levado o Ouro para
a Casa da Fundição trará a barra para a do despacho, para se tocar, ou
ensaiar na fórma sobredita. • •

§ 6. O Ensaiador dará hum Bilhete, em que declare os quilates,


que toca a dita barra; e ficando esta declaração no livro das Fundições,
se pesará novamente, e logo se cunhará, e marcará com a declaração
do seu número, do seu peso, e dos quilates que toca. -

“ §. 7. Tanto que assim estiver feito, se entregarão as barras aos In


teressados com as suas Guias impressas do theor seguinte = O Intendem
te, e Fiscal da Casa da Fundição de N. abaixo assignados: Fazemos sa
ber, que F. morador em N. metteo nesta Casa da Fundição de N. tan
tos Marcos — onças — oitavas — e grãos de Ouro, de que se tirou de
Quinto para a Fazenda Real Marco — onça — oitava, e grão de Ouro,
e o mais se fundio, e delle se fez huma barra, que pesou Marco — onça
— oitava — e grão de Ouro de vinte, e — quilates, grãos — por ensaio
(ou toque) que nelle se fez, e se entregou com esta Certidão assignada por
nós = As quaes Guias ficarão registadas no livro do Registo impresso.
§. 8. Estas Guias serão remettidas todos os annos por ordem do Con
selho Ultramarino impressas, e sommadas com seus numeros e ornatos,
que se mudarão em cada hum anno, em Cofre fechado com tres chaves,
das quaes se enviará huma ao Intendente, outra ao Fiscal, e a outra
175 | 5|

ao Thesoureiro respectivo , aos quaes se ha de fazer a receita delles na


fórma, que fica disposto no Cap. 4. § 1o. deste Regimento, remetten
do-se desta Corte os caixões em direitura aos dous Intendentes da Ba
hia, e Rio, para elles os enviarem ás Intendencias a que tocão, das quaes
se lhes mandarão tambem os caixões de Bilhetes, que se não gastarem
para se remetterem ao Conselho.
§. 9. Em cada hum dia á tarde, quando cessar o trabalho, o The
soureiro na presença do Intendente, do Fiscal, e do Escrivão da recei
ta , entregará todo o Ouro do Quinto Real daquelle dia ; e pesando-o,
e achando-o certo com as receitas, que estão lançadas no livro dellas
(fazendo alguma declaração do accrescimo, se o houver, no que vai dos
pesos miudos ao peso total) se recolherá o dito Ouro ao Cofre de quatro
chaves abaixo declarado.
§. 1o. A Casa , em que se ha de fazer a Fundição , estará sempre
fechada com duas chaves, das quaes terá huma o Fundidor , e outra o
Fiscal; e a porta desta Casa ha de estar na do Despacho, e se for pos
sivel será a dita Casa construida de fórma, que se possa observar o que
nella se passa da Mesa da Intendencia, para que assim com mais cui
dado se evite qualquer desordem ou descaminho, que nela se possa
fazer. \ -

§ 11. O mesmo Ajudante do Ensaiador, ou segundo Fundidor, que


na fórma declarada no § 4. deste Cap. ha de levar o Ouro á Fundição,
e trazer a barra, servirá tambem de a cunhar, e marcar , e pôr o nú
mero, e quilates. |-

C A P I T U L O XIII.
Dos Cofres.

§. 1. Haverá em cada Casa da Intendencia dous Cofres: hum, em


que se metta o Ouro das partes em pó, ou em barra, em quanto ha al
guma pequena e precisa demora da sua entrega ; e outro, em que se
guarde o Ouro , que se tirar do Quinto Real : os quaes Cofres estarão
com toda a segurança, e arrecadação possivel, e cada hum delles terá
quatro chaves.
§. 2. Estas chaves serão distribuidas na fórma seguinte : terá huma
o Intendente, outra o Fiscal, outra o Thesoureiro, e a quarta o Escri
vão da receita; e cada huma destas chaves será diferente, excepto as
do Intendente e Fiscal, que serão identicas, visto que ao Fiscal toca
servir de Intendente, na fórma deste Regimento, para que se não pos
são abrir os ditos Cofres, sem estarem presentes as referidas quatro pes
soas, a quem se confião as ditas chaves. •

§. 3. Estando impedido o Intendente, usará da sua chave o Fiscal,


visto que he identica ; e no impedimento do Thesoureiro, dará este a
chave á pessoa, que lhe parecer, abonando-a; e a do Escrivão impedi
do se dará ao que servir por elle.
C A P I T U L O XIV.

Das Escovilhas.

§. 1. Como Sou servido dar livremente ás Partes os materiaes neces


sarios para a fundição, ordenando na fórma sobredita, que nem em ra
G 2
52 I75 I

zão delles, nem do trabalho se lhes leve cousa alguma; em justa recom #Meu C
pensação desta despeza: Hei por bem declarar, que o producto das Es #Lia,
covilhas pertence á Minha Real Fazenda. #Nykaç;
§. 2. A importancia destas Escovilhas se carregará em receita aos lº, para
Thesoureiros, com distincção e separação do producto dos Quintos, e =\s? As
com a mesma distincção se metterá nos Cofres; e quando se remetter # Dis
o Ouro delles, virá tambem o procedido das mesmas Escovilhas com dif
ferença, para se conhecer que he procedido dellas.
§. 3. Quando a experiencia e conhecimento prático mostre que ha
necessidade de mais providencias das que se expressão neste Regimen
to, assim para a conveniente arrecadação dos Quintos, como para a se
gurança, expedição, e commodo dos particulares, os Governadores, e
Intendentes respectivos, mo farão logo presente, havendo-se nesta par
te com o prompto cuidado, que muito lhes recommendo.
Este Regimento se cumpra e guarde inteiramente, como nelle se
contém, não obstante quaesquer outras Leis, Regimentos, ou Resolu
\,…
… iria
ções em contrario, que hei por derogados para este efeito, como se del
&# Mçºs
les fizesse expressa e individual menção. Pelo que Mando ao Meu Con filº em
selho Ultramarino, Vice-Rei, Governadores, e Capitães Generaes do
Estado do Brasil, Ministros, e mais Pessoas dos Meus Reinos, e Do #
# Ofi
minios, que o cumprão e guardem , e o fação inteiramente cumprir e ("l C00
guardar, como nelle se contém; e ao Desembargador Francisco Luiz da
Cunha e Ataide do Meu Conselho, e Meu Chanceller Mór do Reino, #0 d.
Mando que o faça publicar na Chancellaria, e o faça imprimir e regis * # Tºt
tar nos lugares, onde se costumão fazer semelhantes registos, e enviar ## !
ás partes costumadas: e este proprio se lançará na Torre do Tombo. Es #*#
criptoeem Lisboa a 4 de Março de 1751. = Com a Assignatura de El *# )
Rei, a do Ministro. - •

####
*s,
Regist, na Chancellaria Mór da Córte, e Reino no "intº
Divro das Leis, a fol. 164, e impr. avulso. #, A
# titut
###
# #vo"# *#

DoM JOSE por graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algar


ves, d'quém, e d’além mar, em Africa Senhor de Guiné, e da Conquis
ta, Navegação, Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India &c.
Faço saber aos que esta Lei virem , que, por Me ser presente que de
alguns tempos a esta parte se frequenta o delicto de se pôrem córnos nas
portas, e sobre as casas de pessoas casadas, ou em partes, em que cla
ramente se entende se dirige este excesso contra as mesmas pessoas; e
por desejar evitar estes delictos, de que resulta atrocissima injúria áquel
Hes, contra quem se commettem, e grande perturbação á paz, e quie
tação necessaria entre os casados; e tendo outro sim consideração ao que
sobre esta materia Me Foi presente em Consulta da Meza do Meu Des
embargo do Paço: Hei por bem que este caso seja de Devassa: E Man
do a todos os Corregedores, Ouvidores, Juizes, e mais Justiças, a que
o conhecimento disto pertencer, que, succedendo este caso, ou tendo
succedido de dous annos a esta parte, tirem Devassa delles na fórma,
que o devem fazer dos mais, de que por seus oficios são obrigados a De
vassar: E outro sim Mando ao Doutor Francisco Luiz da Cunha de Atai
1751 53

de do Meu Conselho, e Meu Chanceller Mór faça publicar esta Lei na


Chancellaria, a qual se imprimirá, e enviará por elle assignada á Casa
da Supplicação, e Relação do Porto, e a todos os Julgadores dos Meus
Reinos, para que procedão na fórma della. Lisboa 15 de Março de 1751,
= Com a Assignatura de ElRei, e a do Marquez Mordomo Mór Presi
dente do Desembargo do Paço.
Regist, na Chancellaria Mór da Córte, e Reino no
Livro das Leis a fol. 175 , e impr. na Oficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

# #*<>"+--+

Sesos-M. presente por Consulta do Conselho de Guerra , que a expe


riencia havia mostrado, que de se obrigarem os Officiaes Militares e Sol
dados pagos e Auxiliares a servirem os cargos da Republica nas terras,
em que tem os seus domicilios, resultavão inconvenientes, que se fazem
mais dignos da Minha Real attenção em tempo, no qual Mando recolher
os ditos Oficiaes e Soldados aos seus respectivos Corpos , para os exer
citarem com a disciplina , que he tão necessaria para a conservação e
reputação das tropas, e para segurança de Meus Reinos e Vassallos del
les: Hei por bem Ordenar, que os ditos Oficiaes e Soldados, assim pa
gos, como Auxiliares, sejão isentos de todos os empregos Civís e carre
gos da Republica, para não serem constrangidos a servir nelles involun
tariamente , excitando e restituindo a toda a integridade os privilegios
dos sobreditos (1), não obstantes quaesquer Resoluções, ou Decretos
contrarios, que por este derogo, como se de cada hum delles fizesse de
clarada menção , sem embargo da Lei, que requer esta individual ex
pressão. A Meza do Desembargo do Paço o tenha assim entendido, e o
faça executar. Lisboa 22 de Março de 1751. = Com a Rubríca de Sua
Magestade.
Regist no Livro XXVIII. das Ordens da Contadoria
Geral de Guerra a fol. 102. , e impr. na Collecção
da Universidade por J. J. de F.

+--|#*Cººk # /*

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará em fórma de Lei virem,
que tendo consideração aos inconvenientes, que resultão de se praticar
na Relação, e Casa do Porto o Assento, que nella se tomou em quinze
de Julho de mil seiscentos setenta e cinco sobre a Ordenação Livro 5.
Tit. 23. no principio: Hei por bem Mandar que daqui em diante se ob
serve na dita Relação, e seu districto o mesmo, que se pratíca na Casa
da Supplicação, e que nem por dezoito dias se conceda Carta de seguro
para caucionar; porque segundo a dita Ordenação, que inteiramente se
deve guardar, a caução, com que os Réos podem ser relaxados da Ca
dêa, se deve arbitrar, e prestar estando elles realmente prezos, e não
podem de outra maneira ser ouvidos; e para este mesmo efeito Sou ser
vido revogar, e abolir o dito Assento: Pelo que Mando ao Regedor da
(1) Vid. Alv. de 24 de Novembro de 1645.
54 175 |

Casa da Supplicação, Governador da Casa do Porto, e aos Desembarga


dores das ditas Casas, Corregedores, Provedores, Ouvidores, Juizes,
Justiças, Officiaes, e pessoas destes Meus Reinos, cumpräo, e guar
dem, e fação inteiramente cumprir, e guardar este Meu Alvará, como
nelle se contém ; e para que venha á noticia de todos: Mando ao Dou
tor Francisco Luiz da Cunha de Ataide, do Meu Conselho, e Chancel
ler Mór destes Reinos, e Senhorios, o faça publicar na Chancellaria, e
envie Cartas com o treslado delle sob Meu Sello, e seu signal aos Corre
gedores das Comarcas, e aos Ouvidores das Terras dos Donatarios, em
que os Corregedores não entrão, por Correição , e este se registará nos
Livros da Meza do Meu Desembargo do Paço , Casa da Supplicação,
Relação do Porto. E este proprio se lançará na Torre do Tombo. Dado
em Lisboa aos 29 de Março de 1751. = Com a Assignatura de ElRei,
e a do Marquez Mordomo Mór. P. do Desembargo do Paço.
Regist, na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no
Livro das Leis, a fol. 10. vers., e impr. na QIji
cina de Antonio Rodrigues Galhardo.

*-+…+-+

DoM JOSE”, por Graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algarves,


d'aquém, e d’além Mar, em Africa Senhor de Guiné, e da Conquista,
Navegação, Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India, &c.
Faço saber: que por quanto no novo Regimento da Alfandega do Taba
co, que Mandei publicar em dezeseis de Janeiro , e no Decreto , que
tambem Mandei publicar em vinte e sete do dito mez deste presente an
no, sobre a Lavoura, e Commercio do Assucar , Fui Servido Ordenar
que nos principaes Portos do Estado do Brazil, se estabelecessem Casas
de Inspecção, nas quaes não só se examinasse, qualificasse, e regulas
se em beneficio commum dos Meus Vassallos a bondade, e o justo pre
ço destes dous importantes generos, para assim se conservar a sua cons
tante reputação, e se segurar a sua successiva extracção, mas tambem
se considerasse para Me ser proposto tudo o mais que a experiencia fos
se mostrando que seria conveniente para melhor se promover, e animar
a referida Agricultura, e Commercio: E considerando quão util, e ne
cessario he, que as ditas Casas de Inspecção sejão assistidas de Minis
tros aptos, e competentes para os negocios, a que são destinados, e
que tenhão Regimento , que lhes sirva de regra para se bem regerem:
Hei por bem Ordenar a estes respeitos o que será expresso nos Capitu
los seguintes.
C A P I T U L O I.

Das Casas que hão de ser estabelecidas.

1. Na Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, e Maranhão, serão lo


go estabelecidas as quatro Casas de Inspecção, que Fui Servido Orde
nar pelo Cap. VI. S. 4, do novo Regimento da Alfandega do Tabaco,
para conhecerem, não só do que pertence a este genero, mas tambem ao
do Assucar na maneira abaixo declarada.
2. E ainda que em algum dos ditos Pórtos se ache menos cultivada
.… 1751 55

a Lavoura de qualquer dos referidos dous generos ( como presentente


succede com o do Tabaco no Rio de Janeiro) sempre com tudo se esta
belecera nelle a respectiva Casa de Inspecção; não só para reger o com
mercio do outro genero, que, se cultivar no seu districto; mas tambem
para Me dar annualmente conta pelo Meu Conselho Ultramarino, e pela
Secretaria de Estado, dos impedimentos, que achar que obstão ao pro
gresso da Lavoura do outro genero, que se não fabricar; em ordem a que
Eu, sendo informado, possa remover os taes impedimentos com tudo o
que couber na paternal providencia, que tenho applicado ao beneficio
commum dos Meus Póvos do Estado do Brazil. •

3. Pelo estabelecimento das ditas Casas cessarão inteiramente as Su


perintendencias do Tabaco nos Portos daquelle Estado: transferido-se nos
Inspectores, que Sou Servido crear de novo, toda a jurisdição, que até
agora tiverão os Superintendestes pela Lei intitulada: = Regimento que
se ha de observar no Estado do Brazil na arrecadação do Tabaco = E
na conformidade das mais Leis, e ordens, que forao expedidas sobre a
arrecadação do dito genero depois daquelle Regimento. As quaes Leis
todas Hei por bem approvar, e mandar observar pelos mesmos Inspecto
res no que não encontrarem o que Ordeno pelo presente Regimento em
tudo o que pertence á arrecadação do referido genero. •

C A P I T U L O II.

Dos Ministros, e Oficiaes de que se hão de compor as ditas Casas.


1. Em cada huma das ditas Casas de Inspecção haverá tres Inspe
ctores, dous Escrivães, e os mais Oficiaes abaixo declarados.
C A P I T U L O III.

Dos Inspectores.
1. Os Inspectores serão na Bahia, e no Rio de Janeiro os dous In
tendentes geraes do Ouro, que Fui Servido crear de novo pela Lei que
mandei publicar em tres de Janeiro do anno passado de mil setecentos,
e cincoenta; e em Pernambuco, e no Maranhão os dous Respectivos Ou
vidores, os quaes todos servirão debaixo do juramento dos seus cargos.
Haverá mais em cada Meza hum homem de nogocio dos que costumão
comprar Assucares, ou Tabacos para remetter a este Reino: e hum See
nhor de Engenho, ou Lavrador de Tabaco dos que costumão mandar fa
bricar hum, ou ambos estes dous generos; aos quaes será dado juramenr
to pelos referidos Inspectores Letrados ao tempo da posse. , ,
2. Os quatro Intendentes Ministros de letras serão invariaveis em
quanto occuparem as respectivas Intendencias, e Ouvidorias assima der
claradas.
vido E servirão
Mandar com os mesmos ordenados, que a seu favor Fui Ser
estabelecer. •

3. Os outros Inspectores, que não forem Ministros de letras, serão


eleitos; os Senhores de Engenho, ou Lavradores de Tabaco pelas res
pectivas Camaras por pluralidades de votos; e os homens de negociope
lo corpo dos da sua profissão. Em cada hum dos que forem eleitos deve
rão concorrer precisamente as profissões assima declaradas: preferindo
sempre os Eleitores entre os que as tiverem aquelles candidatos, em quem
concorrerem copulativamente as outras qualidades, de boa reputação»
56 I751

justiça, inteireza, independencia, e zelo do bem público: considerando as t:istº


sobreditas Camaras, e corporações de homens de negocio, que na boa, LER#
ou má eleição, que fizerem destes Deputados consiste, ou a sua felici ## !
dade no augmento da Agricultura, e do commercio dos referidos gene Film
ros, ou a sua ruina, se a Lavoura se esterilisar, e o commercio vier a pe #,
recer: e tendo entendido que com estes serios motivos Me darei por mui !#
to mal servido, e mandarei proceder como Me parecer justo contra os {{#
que nas ditas eleições derem os seus votos em pessoas, nas quaes não con Estet
correm as sobreditas qualidades. &#
4. Os mesmos Inspectores não Letrados serão eleitos para servirem li##
por tempo de hum anno; sem poderem nunca ser reeleitos se não depois #
de serem passados tres annos contados do dia em que acabarem de ser ***
vir. Vencerão de ordenados tambem á custa da Minha Fazenda a saber:
No Rio de Janeiro duzentos mil réis annuos cada hum, attendendo ao #2
#sh
menos trabalho que terão presentemente em quanto a Lavoura se não fer
tilizar: Na Bahia quatrocentos mil réis; e duzentos mil réis em Pernam #
buco, e no Maranhão: sem outro algum emolumento, nem á custa da
Minha Fazenda, nem á custa das Partes. |A
# II
5. Os ditos Inspectores se juntarão com os seus Oficiaes nas respe
ctivas Casas de Inspecção por todo o tempo do anno duas tardes de ca #gl
da semana que não sejão de dias Santos, nem feriados: para ouvirem os ## !
requerimentos das Partes: e para conferirem entre si o que lhes occorrer ##
sobre a Agricultura, e commercio destes dous importantes generos, que ºu
confio á sua administração. Porém desde que chegarem as Frotas deste *#
Reino até que tornem a fazer-se á véla para voltarem a elle, serão obri sa
gados ajuntar-se todos os dias que não forem de guarda tres horas de
manhã, tres de tarde, e todo o mais tempo, que necessario for para se
dar expedição ás Partes; de sorte que pela demora do Despacho não pa
deça o commercio dos referidos generos a menor dilação de que venha a
resultar empate.
6. Encarrego aos sobreditos o especial cuidado, com que se devem
applicar a executarem, e fazerem observar, o que a respeito das quali
dades, preços, bondades, e fretes dos referidos dous generos Fui Servi
do estabelecer pelos Capitulos VI. e VII. do referido Novo Regimento da
Alfandega do Tabaco, e pelo dito Decreto, em que Fui Servido dar no
va fórma á navegação, e ao commercio do Assucar.
7. E para melhor observancia, e mais facil execução do que tenho
estabelecido a estes respeitos, Ordeno, que nas sobreditas Casas de Ins
pecção, não possa ser recebido para se examinar, e qualificar algum As
sucar, ou Tabaco, que não traga as marcas abaixo indicadas sendo sem
pre postas com ferro ardente: para que no caso de se achar fraude se
possa a todo o tempo saber quem foi o seu Author: e no caso de haver
maior bondade, e exactidão nos generos deste, ou daquelle Agricultor,
possa este colher o devido fructo da maior applicação, que tiver em a
perfeiçoallo, e reputallo em beneficio público.
8. Em ambos os ditos generos será sempre a primeira marca a do Se
nhor de Engenho, ou Lavrador de Tabaco que os fez fabrícar. E a se #
gunda será a da qualidade dos mesmos generos na maneira seguinte. O
Assucar branco Fino trará de mais sobre a trará BF; o branco Redon
do trará BR; o branco batido trará BB; o mascavado macho trará MM;
o mascavado batido, ou redondo MR; o mascavado broma MB. No Ta
baco por modo respectivo depois da marca do Senhor da Rossa onde foi
fabricado, trará o da primeira Folha FP, o da segunda FS; e o da ter
175 | • 57

ceira dos campos da Cachoeira FT. Trarão mais os referidos generos hu


ma terceira marca da Capitanía donde sahirão: a saber o do Rio de Ja
neiro hum R. o da Bahia hum B. o de Pernambuco hum P. e o do Ma
ranhão hum M: sendo cada huma das ditas tres marcas posta em dife
rente linha, para que assim se evite a confusão.
9. Em ordem aos mesmos fins estabeleço que nenhuma pessoa de qual
quer qualidade, ou condição que seja, ouse contrafazer, ou imitar as
marcas de cada hum dos referidos "Senhores de Engenho, ou Lavradores
de Tabaco debaixo das penas estabelecidas pela Ordenação do livro 5.
titulo 52. §. 2. com tal declaração, que sendo o crime provado conforme
a Direito, a confiscação dos bens será dividida para pertencer ametade
ao accusador, e a outra ametade ao Senhor de Engenho, ou Lavrador,
cuja marca se houver provado que foi falsificada. E deste crime conhe
cerão os Inspectores Letrados em primeira Instancia com Appellação, e
Aggravo para as Relações dos Districtos onde tiverem as suas residen
ClaS.

10. Attendendo a que a bondade da Folha, de que se compoem o


Tabaco vulgarmente chamado Escolha de Hollanda, não depende sem
pre da industria dos homens, mas que muitas vezes succede depender dos
acasos do tempo; a que delles he tambem dependente a abundancia, ou
diminuição das colheitas, e a que nestes primeiros tempos não pode
rão ser muito abundantes de Tabacos, desta superior qualidade; per
mitto que nos Tabacos della possão os Inspectores augmentar o preço,
que lhe taxei pelo sobredito Regimento, acrescentando a elle desde hum
tostão até trezentos réis por arroba, o que a sua prudencia lhes dictar,
quando a exigencia dos casos occurrentes assim o requerer. •

11. Tambem permitto que no caso de estirilidade commua, e notoria


possão os mesmos Inspectores acrescentar no Tabaco da segunda Folha
desde meio tostão até cento e cincoenta réis por arroba na referida fór
ma, conforme a melhor, ou peior qualidade que acharem no Tabaco des
ta Folha, que lhes for trazido a exame.
12. E porque tambem Fui informado de que o Tabaco da terceira
Folha produzido nos campos da Cachoeira do districto da Cidade da Ba
hia iguala em bondade o da segunda Folha que produzem os outros Ter
renos do Brazil: Sou Servido ordenar, que os Tabacos da terceira Folha,
que forem da producção dos sobreditos campos, sendo aliàs bons, e de
receber, sem trazerem mistura nem fraude, sejão approvados pelos Ins
pectores da mesma Cidade da Bahia para ficarem equiparados aos Taba
cos da segunda Folha que vierem dos outros Territorios: entendendo-se
nesta fórma o novo Regimento da Alfandega do Tabaco no Capitulo VI.
# 3. sómente pelo que pertence ao Tabaco dos referidos campos da Ca
CIlOCIT3. • •

13. O que se acha estabelecido a respeito do Tabaco pelo §. 5. do


mesmo Capitulo VI. do dito Regimento Ordeno, que semelhantemente
se observe a respeito do Assucar, confiscando-se para a Minha Fazenda
todas aquellas caixas, ou fechos nos quaes se achar, ou Assucar de qua
lidade diversa daquella que for manifestada nas referidas Mezas de Ins
pecção pela marca dos Senhores de Engenho, ou mistura de Assucar de
qualidades diferentes. Porém os que nas referidas Mezas se achar que
assim no dono, como na qualidade são taes quaes constar da sua marca
serão nellas pezado; serão selados como bons, e legaes com o sello da
dita Inspecção; e serão debaixo delle dirigidos gratuitamente a Alfan
dega desta Cidade com a guia do seu Periºr , pezo, e qualidade.
58 1751

14. Porque Fui informado de que em algumas partes do Brazil (prin


cipalmente em Pernambuco) costuma haver demoras, huma vezes ne
cessarias, e outras afectadas, na conducção dos Assucares, e Tabacos,
com que são retardados de sorte que não chegão a tempo habil para se
rem carregados nas Frótas, cuja partida tem determinado termo: encar
rego ao cuidado, e zelo dos Inspectores de todas as ditas Casas vigia
rem sobre esta materia: evitando que daqui em diante não haja seme
lhantes desordens tão prejudiciaes ao bem commum, ao augmento da A
gricultura, e á expedição do commercio: e dando-Me conta naquelles
casos em que julgarem necessaria a Minha Real Providencia, para que
as referidas desordens venhão a cessar inteiramente.
15. Com os mesmos fins estabeleço que pelo pezo, exame, e averi
guação dos referidos Inspectores, se esteja inviolavelmente nas Alfande
gas, e outras quaesquer Casas de Despacho do Estado do Brazil, cobran
de-se o que os sobreditos generos costumão pagar por sahida pelo que
constar dos livros das respectivas Inspecções, sem que se repezem os mes
mos generos, nem se dispute sobre a sua qualidade, ou se admitta a es
te respeito dúvida alguma por quaesquer Oficiaes, ou estes sejão da Mi
nha Real Fazenda, ou de quaesquer Contratadores, ou Administrado
res: por que a jurisdição dos sobreditos Inspectores a respeito destes
dous generos, será privativa, e exclusiva de toda, e qualquer outra ju
risdição, e incumbencia.
16. Quando nas referidas Mezas houver discordia de votos se vence
rá pela pluralidade de dous contra hum. Porém o que ficar vencido sen
do a materia tal que tenha consequencias, poderá fazer o seu voto se
parado, e fazer-Mo presente com a primeira Fróta pelas vias que tenho
indicado para que Eu possa dar a necessaria providencia achando que he
digno della o caso que se Me fizer presente.
C A P I T U L O IV.

Dos Oficiaes das ditas Casas de Inspecção nos differentes Pórtos


assima declarados.

1. Na Bahia, e em Pernambuco ficarão conservados os mesmos Of


ficiaes que até agora servirão nas Superintendencias para daqui em di
ante servirem debaixo das ordens dos Inspectores naquelles Ministerios,
e diligencias, que a bem da arrecadação, utilidade pública, e observan
cia deste Regimento, lhes forem determinados pela Meza da Inspecção.
2. No Rio de Janeiro os mesmos Oficiaes que hão de servir com o
Intendente geral do Ouro serão tambem por semelhante modo Oficiaes
da Casa de Inspecção, que alli mando estabelecer.
3. No Maranhão se praticará identicamente o mesmo a respeito dos
Escrivaes, e Oficiaes daquella Ouvidoria.
4. . Todos os sobreditos Officiaes se regularão respectivamente pelo que
se acha determinado em ordem a salario, e limpeza de mãos, pelo Re
gimento das Intendencias, e Casas de Fundição, que Fui Servido Man
dar publicar em quatro de Março proximo precedente.
Este Regimento se cumpra, e guarde inteiramente como nelle se
contém, não obstantes quaesquer Leis, Regimentos, ou ordens em con
trario, e ainda dos das Alfandegas, de quaesquer Casas de Despacho,
e de outros que requeirão especial menção, porque todos Hei por der
rogados no que a este se acharem contrarios. Pelo que Mando ao Meu
175 | 59

Conselho Ultramarino, Vice-Rei, Governadores , e Capitães Generaes


do Estado do Brazil, Ministros, e mais Pessoas dos Meus Reinos, que
o cumprão, e guardem, e fação inteiramente cumprir, e guardar como
nelle se contém. E ao Desembargador Francisco Luiz da Cunha e Atai
de do Meu Conselho, e Chanceller Mór do Reino Mando que o faça pu
blicar na Chancellaria, e o faça imprimir, e registar nos lugares aonde
se costumão fazer semelhantes registos, e enviar ás partes costumadas,
e este proprio se lançará na Torre do Tombo. Dado em Lisboa no I de
Abril de 1751. (1) = Com a Assignatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist. na Chancellaria Mór da Corte e Reino no Li
vro das Leis, a fol. 2, e impr. por ordem da mes
ma Chancellaria.

*# #t <>$ #

Aº primeiro dia do mez de Abril de 1751, em Mesa Grande, se as


sentou pelos Desembargadores abaixo assignados, com o parecer do seu
Governador, o Senhor José Pedro Emauz, que a Ordenação do Liv. 1.
Tit. 65. §. 9., em quanto determina, que quaesquer Juizes, que forem
condemnados na Relação, o não possão ser, senão com o parecer do Go
vernador, não comprehende aos Almotacés das Villas e Cidades, ainda
notaveis, em razão de que nelles não concorrem os requisitos da Lei,
e por isso podem ser condemnados sem o dito requisito, assim como po
dem ser citados, e constrangidos pelos mesmos Juizes Ordinarios a cum
prirem seus Oficios, e ainda a serem condemnados pelo Corregedor, e
Provedor nos casos, que a Lei determina. Porto, dia e anno, ut supra.
Como Governador, Emauz. = Barrozo. = Sant-Iago. = Machado. =
Silva. = Barreto. = Figueiredo.

Livro dos Assentos da Relação do Porto fol. 94, e na


Collecção dos Assentos a fol. 337.

# #ºcººk \}

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará com força de Lei virem,
que , sendo-Me presente que depois da promulgação da Pragmatica de
vinte e quatro de Maio de mil setecentos quarenta e nove, se tem acha
do na prática della alguns inconvenientes tão dignos da Minha Real At
tenção, como forão esterilizarem-se diferentes obras das fabricas destes
Reinos, e faltarem assim os empregos ao util, e necessario trafico dos
Artifices, e pessoas que delle se costumavão sustentar : Considerando
que semelhantes Leis forão sempre susceptiveis de todas as declarações,
modificações, e limitações, que a experiencia mostra necessarias para a
maior utilidade pública, em que consiste o seu essencial objecto: E pro
curando promover o bem commum de Meus Vassallos, e facilitar os meios
de viverem do seu util trabalho aos que a elle louvavelmente se appli
(1) Vid. o Alvará de 15 de Julho de 1775. H
2
|
60 1751 •

cão: Hei por bem declarar, modificar, e limitar a dita Pragmatica, fi


cando ela aliás sempre em sua força, e vigor, na maneira seguinte.
Primeiramente pelo que pertence ao Capitulo I. em quanto per
mitte que se possão trazer botões, e fivelas de ouro, prata, e de outros
metaes sendo batidos, ou fundidos, declaro que devem as ditas fivelas,
e botões, ser precisamente fabricados dentro nos limites destes Reinos,
e seus Dominios, por Vassallos Meus naturaes, ou naturalizados, e isto
ou sejão lizos, ou lavrados os ditos botões, e fivelas. E para o que se ti
ver introduzido determino o termo de anno e meio de consumo. Porém
depois de seis mezes contados da publicação deste Alvará se não pode
rão dar aos ditos generos despachos nas Alfandegas, debaixo das penas
comminadas pela dita Pragmatica. \

Item da prohibição do mesmo Capitulo I. exceptuo todas as ren


das, que se fizerem dentro nos limites do Continente de Portugal, e do
Algarve, por Vassallos Meus, nascidos nos referidos Reinos: permittin
do que estas ditas rendas possão servir assim na roupa branca do uso das
pessoas, como nas toalhas, lençoes, e outras Alfaias da casa, como se
praticava antes da publicação da dita Pragmatica. Porém para as ditas
rendas serem introduzidas nesta Cidade de Lisboa, daqui em diante de
verão trazer Guias dos Escrivães das Camaras dos Lugares donde sahi
rem, para na conformidade das mesmas Guias se lhes dar despacho , e
pôr selo pelos Oficiaes da Alfandega: sob pena de que todas as rendas
que forem achadas nas ditas duas Cidades sem a marca do sello, serão
tomadas por perdidas a favor do Hospital Real. E porque nesta manu
factura se empregão sómente pessoas pobres, que vivem do trabalho das
suas mãos, Ordeno que assim as Guias, como os despachos , e sellos,
sejão feitos, e póstos sem por isso se levar algum emolumento, sob pe
na de suspensão, até a nova mercê Minha, contra os transgressores.
Item Sou Servido declarar os Capitulos III. e IV., ordenando que
nenhuma mulher, de qualquer qualidade, e condição que seja , use de
manto, que não seja tecido, e fabricado no Continente dos ditos dous
Reinos, tambem por Vassallos delles naturaes, ou naturalizados: E isto
debaixo das mesmas penas estabelecidas pela dita Pragmatica. E para
consumo de mantos de Fabrica estrangeira, que se achão já feitos, de
termino
vará em odiante.
termo preciso de tres annos contados da publicação deste Al

Item da geral prohibição do Capitulo VI, exceptuo todas as car


ruagens, arreios, e guarnições dellas, que se acharem feitas nestes Rei
nos ao tempo da dita publicação. Porém para evitar que, com o pretexto
das carruagens usadas, se possão introduzir outras de novo, Sou Servi
do estabelecer, que em cada Bairro desta Cidade, e em cada huma das
outras Cidades das Provincias tenhão os Corregedores do Crime , e das
Comarcas, hum livro de Registo, no qual, em Lisboa dentro de vinte
dias, e nas Provincias dentro de quarenta dias peremptorios, e conti
nuos, contados da mesma publicação desta Lei, se descrevão , e con
frontem todas as ditas carruagens, que se acharem nos respectivos dis
trictos de cada hum dos ditos Corregedores, com declaração dos donos
a quem tocão, para que a todo o tempo venha a constar em caso de dú
vida a identidade das ditas carruagens. E aquelas que, depois de pas
sados os ditos termos, se não acharem manifestas, e registadas na refe
rida fórma , ficarão por este mesmo facto comprehendidas na geral pro
hibição da Pragmatica, e sujeitas ás penas que ella estabelece. Sobre o
que ordeno aos Ministros, e Oficiaes, a quem pertence, que sem de
175 | 6.I.

morarem as Partes, nem lhes levarem salarios, recebão logo as ditas


manifestações, e passem dellas as necessarias resalvas, sob pena de sus
pensão, até nova mercê Minha, contra os transgressores.
Item pelo que toca ás pinturas das ditas carruagens exceptuo da
mesma prohibição geral do Capitulo VI. as figuras, mascaras, paizes,
e outras semelhantes obras, que forem pintadas dentro nestes Reinos por
Artifices delles Vassallos Meus naturaes; ou naturalizados; e a pregaria
das mesmas carruagens poderá ser da mesma fórma em que o era antes
da dita Pragmatica, sendo fabricada nestes Reinos na maneira acima
declarada.
Item exceptuo da mesma geral prohibição os arreios, e jaezes que
forem guarnecidos com peças de latão, ou de outro metal dourado , ou
prateado, fundidas, batidas, e douradas, ou prateadas no Reino pelos
ditos Meus Vassallos naturaes, e naturalizados.
Item, declarando o Capitulo X, da dita Pragmatica, Sou Servido
Ordenar debaixo das mesmas penas nella estabelecidas, que daqui em
diante de
meias se seda,
não possa
ou deusar com as
chapeos librés dos criados de escada abaixo de
finos. • |-

Item, declarando da mesma sorte o Capitulo XI, permitto que as


seges á boleia possão ser acompanhadas por dous criados de pé além do
Boleeiro,
rodas. como se acha estabelecido a respeito das carruagens de quatro

Item, pelo que pertence ao Capitulo XIV. declaro que na prohi


bição de trazer espada", ou espadim á cinta comprehendo todos os Man
cebos obreiros, que trabalhão por jornal. Della exceptuo porém todos os
Artifices, e Mestres encartados, e embandeirados, todos os donos, Mes
tres, ou Arraes de Caravellas, e Barcos de transporte, e de pescaria;
e todos os Pescadores aggregados ás Confrarias dos Maritimos do Reino;
porque aos referidos he Minha intenção honrar como pessoas uteis a Meu
serviço, e ao bem commum dos Meus Reinos. Não entendo porém alte
rar em cousa alguma a generalidade da prohibição que defende a todas,
e quaesquer pessoas trazerem espada, ou espadim não sendo posta á
Clinta. . .

Item , declarando mais o mesmo Capitulo XIV. permitto que os


criados de pé, aos quaes he defendido usar de espada , e espadim, se
possão servir destas armas na presença, e na companhia de seus respe
ctivos Amos, quando forem com elles pelas estradas, e sómente em quan
to durar a jornada a que se dirigirem, a qual finda tornará a dita prohi
bição a ficar em toda a sua força, e vigor.
Item, declarando da mesma sorte o Capitulo XVIII. extendo a
sua geral prohibição ás lojas volantes, que se costumão armar nas ruas,
e nos lugares públicos, á semelhança das Feiras, até nos Domingos, e
dias Santos dedicados a Deos, não sem escandalo da Religião , e com
grave prejuizo do Commercio, e dos Mercadores que devem sustentallo.
Exceptuo porém da prohibição de vender pelas ruas os homens vul
garmente chamados de Panno de Linho, que forem Vassallos naturaes
destes Reinos; e as Collarejas, os quaes com fardos ás costas, e teigas
á cabeça costumão apregoar, e vender pelas ruas: com tanto porém que
não possão vender mais do que pannos brancos, botões da mesma espe
cie, linhas, agulhas, alfinetes, didaes, tisouras, fitas de lã, e de li
nho, e pentes, com tanto que tudo isto seja da fabrica do Reino, e dos
seus Dominios, porque não o sendo ficarão os ditos homens ainda natu
raes sujeitos á prohibição, e penas da Pragmatica. As quaes se pratica
62 175 |

rão contra as ditas pessoas em todos os casos em que forem achadas com
fazendas (ainda das que acima lhe permitto vender) debaixo de capotes,
ou mantos, ou em outro lugar fóra dos referidos fardos que trouxerem ás
costas, ou cabeça descubertos, e públicos.
- Este Alvará se cumprirá tão inteiramente como nelle se contém.
Pelo que Ordeno ao Duque Regedor da Casa da Supplicação, Governa
dor da Casa do Porto, Vice-Reis, e Capitães Generaes, Governadores
destes Reinos, e mais Dominios, que o fação guardar inteiramente. E
Mando ao Desembargador Francisco Luiz da Cunha e Ataide do Meu
Conselho, Chanceller Mór do Reino, que o faça publicar na Chancella
ria, e enviar as copias delle pelas Comarcas; e se registará nos livros da
Mesa do Desembargo do Paço, Casa da Supplicação, e Relação do Por
to, e nos mais Tribunaes desta Minha Corte, onde semelhantes Leis se
costumão registar. Dado em Lisboa aos 21 de Abril de 1751. = Com a
Assignatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist, na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no
Livro das Leis a fol. 7., e impr. na Oficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará com força de Lei virem,
que sendo-Me presente em Consultas da Meza do Desembargo do Paço,
do Conselho da Fazenda, e do Senado da Camara, as successivas que
bras, com que tem faltado de credito os Thesoureiros dos Depositos da
Corte, e Cidade, com grave escandalo da fé pública, e com intoleravel
jactura do Commercio interior dos Meus Reinos; sem que bastassem as
diversas providencias que se tomárão em diferentes tempos para obviar
a estas grandes desordens: E desejando com estes justos motivos occor
rer em beneficio commum dos Meus Vassallos a hum mal de tão perni
ciosas consequencias: Sou Servido extinguir para sempre, como se nun
ca houvessem existido, ou dous Officios de Depositario da Corte, e Ci
dade, e crear, e estabelecer no lugar delles para a guarda, e direcção
dos referidos Depositos a Administração abaixo declarada; e dar-lhe pa
ra o seu estabelecimento, e governo o Regimento conteúdo nos Capitu
los seguintes.
C A P I T U L O I.

I A sobredita Administração será composta dos seis Deputados abai


xo declarados.
2 - Dous delles serão Desembargadores: A saber hum Vereador do Se
nado da Camara pela parte da Cidade, outro Extravagante da Casa da
Casa da Supplicação pela parte da Corte; sendo-Me proposto o segundo
pela Meza do Desembargo do Paço, e primeiro pelo sobredito Senado da
Camara. •

3 Outros dous Deputados serão homens de negocio daquelles que ti


verem servido , sem quebra, nem compromisso na Meza do Bem-Com
mum. A qual semelhantemente proporá tres sujeitos ao Desembargo do
Paço, e ousros tres ao Senado da Camara, para me serem consultados»
1751 63

e Eu entre elles escolher os dous que devem servir de Inspectores não


só dos Cofres mas tambem dos Livros abaixo ordenados.
4 Os outros dous Deputados, que terão o titulo de Thesoureiro, se
rão homens Oficiaes dos que houverem servido na Casa dos Vinte e Qua
tro com os requisitos que ordenão os Alvarás da dita Casa. A qual tam
bem na mesma conformidade proporá tres pessoas ao Desembargo do Pa
ço, e outras tres ao Senado da Camara, para me serem semelhantemen
te consultados, e Eu entre estes propostos escolher os dous que hão de
servir nas duas respectivas Repartições da Corte, e Cidade.
C A P I T U L O II.

1 Todos os referidos Deputados serão propostos, e escolhidos para ser


virem por tempo de hum anno, não podendo ser reeleitos se não com o
intervallo de tres annos contados do dia em que acabarem de servir. At
tendendo porém a que os primeiros, que hão de estabelecer a dita Ad
ministração, além de que devem ter maior trabalho na sua creação, he
muito natural que nos primeiros tempos não consigão emolumentos com
petentes pela menos frequencia dos Depositos: Hei por bem que fiquem
reconduzidos para servirem no segundo anno; com tanto porém que nem
possão servir, por mais tempo, nem esta prorogação sirva em nenhum ca
so de exemplo aos mais Deputados que se seguirem depois de serem fin
dos os ditos primeiros dous annos.
2 Todos os sobreditos seis Deputados terão voto igual nas materias
pertencentes aos Depositos de ambas as Repartições, não podendo em
alguma dellas tomar-se resolução sem o concurso de todos os votos pre
sentes para ficar decidido o que se vencer pela pluralidade delles.
3 E no caso de doença, ou de impedimento nomearão os Deputados
enfermos, ou impedidos as pessoas das suas respectivas Profissões , que
acharem mais dignas da sua confiança , e que lhes parecerem mais ca
pazes de os substituirem , ficando os Nominantes obrigados a responder
pelos seus Nomeados.
C A P I T U L O III.

1 A Jurisdicção que esta Administração ha de exercitar consiste em


tudo o que pertence á guarda, conservação, e direcção dos Depositos,
fazendo que estes se mettão logo nos referidos Cofres, e Armazens onde
tocar; e fazendo-os
delles ás carregar empelos
Partes conhecimentos receita nos Livros
respectivos competentes; e dar
Escrivães. •

2 Mandará fazer os devidos pagamentos ás Partes, que lhe apresen


tarem Mandado dos competentes Juizes para cobrarem o que por elles
lhes pertencer : não consentindo que os ditos pagamentos se retardem
com replicas, ou escuzas depois de decidida a legitimidade dos referi
dos Mandados, cuja qualificação se não poderá retardar mais de vinte e
quatro horas contínuas, e contadas da hora, em que qualquer Mandado
for apresentado para ser satisfeito.
3 Fará com que o dinheiro, peças de ouro, e prata, joias, e pedras
preciosas, sejão guardadas na sobredita fórma, sem que destes bens in
corruptiveis se possa dispôr cousa alguma se não for por despachos dos
respectivos Juizes onde tocarem os Depositos.
4 Porém dos outros móveis que com o tempo recebem damnificação
disporá sempre a sobredita Administração depois que for passado humanº
64 - 175 |

no, e hum dia, contado da hora em que o Deposito for recebido : fa


zendo-os vender em leilão com citação das Partes interessadas para as
sistirem á venda parecendo-lhes : a qual será em todo o caso feita pelo
maior lanço que houver depois de andarem os bens a pregão os nove
dias da Lei, que neste caso serão continuos, e successivos; com tanto
que não principiem, nem acabem por dia feriado em honra de Deos, ou
dos seus Santos.
5 Os bens semoventes serão tambem vendidos na referida fórma de
ois de serem passados dez dias, que ssmelhantemente se contarão da
Fºi, em que o Deposito for feito.
6 O dinheiro que os ditos efeitos vendidos produzir se metterá nos
respectivos Cofres, para nelle ficarem subsistindo ipso jure as mesmas
pinhoras antecedentes sem outras algumas diligencias, que não sejão as
de se porem verbas nas primeiras receitas dos sobreditos dinheiros dos
quaes se mandarão Conhecimentos em fórma para os Auctos em ordem a
evitar ás Partes novos circuitos, e despezas superfluas.
7. No caso em que quaesquer Depositos de outra Repartição diversa,
ou ainda de Pessoas particulares, sejão levados á Administração para os
fazer guardar, poderá recebe-los com arrecadação em Livro, e Cofre se
parado, e com os emolumentos abaixo ordenados.
8 Para guarda do dinheiro, e peças preciosas haverá na dita Admi
nistração tres Cofres de ferro fortes, e bem seguros : hum para os De
positos da Corte: outro para os da Cidade: e o terceiro para os Deposi
tos das Repartições estranhas, e Pessoas particulares. Cada hum dos di
tos Cofres terá seis chaves ; pertencendo as primeiras duas, que serão
identicas, aos respectivos Desembargadores; as segundas, entre si di
versas, aos respectivos Inspectores; e a terceira, e quarta, tambem di
versas, aos dous respectivos Thesoureiros acima nomeados.
9 Os ditos seis Deputados em todas as tardes, que não forem de dias
feriados na maneira acima declarada, se ajuntarão, no Inverno das duas
horas até as Ave Marias, e no Verão das tres horas até a noite: porém
achando que he necessario congregarem-se em outras horas de manhã,
confio do seu zelo que não faltarão em concorrer, para o bem commum,
com tudo o que nelles estiver nas occasiões em que assim for preciso.
10 Os dous respectivos Desembargadores presidirão sempre (por al
ternativa) ás Semanas; principiando pelo Vereador da Camara; seguin
do-se-lhe na subsequente Semana o Desembargador da Casa da Suppli
cação : e continuando-se successivamente na mesma alternativa, sem
precedencia , nem attenção ás qualidades que nos ditos Ministros con
correrem sendo estranhas da Administração, em que hão de exercitar.
11 A mesma Administração dará conta no fim de cada mez no Des
embargo do Paço, e na Camara, do estado dos Depositos que se acha
rem nella : remettendo os extractos do recenseamento , ou balanço da #*
sua conta, nos quaes vá conferida a receita com a despeza. E no fim de
cada anno a Meza do Desembargo do Paço, e o Senado da Camara, me
farão presente por Consultas o que houver passado na referida Adminis
tração, incluindo as copias dos recenseamentos, que lhe houverem sido
enviados em cada hum dos doze mezes do referido anno.

C A P I T U L o IV.
1 Para maior clareza, e facilidade das sobreditas conferencias, e ba
lanços, haverá em cada Cofre tres Livros separados: A saber: hum Li
1751 65

vro de entrada: outro de sahidas: e o terceiro será de razão, ou de cai


xa, segundo a frase mercantil.
2 . Todos estes Livros serão numerados, e rubricados pelos dous De
putados Desembargadores cada hum na sua repartição, e os que perten
cerem ao Cofre dos Depositos voluntarios se dividirão igualmente ; de
sorte que o lugar de Desembargador ao qual no primeiro anno coubernu
merar, e rubricar hum só destes Livros, que será o Extravagante da Ca
sa da Supplicação,
se praticará numere,
nos outros e rubrique
annos por dousmodo.
semelhante no anno seguinte, e assim •

3. Todos os referidos Livros serão guardados nos mesmos respectivos


Cofres sem delles poderem sahir em nenhum caso. Nos de entradas , e
sahidas, escreverão os termos, e verbas que necessarios forem os dous
actuaes, e respectivos Escrivães dos Depositos da Corte, e Cidade. E
nos de razão ou de caixa carregarão os tres Inspectores o que os Cofres
deverem por entrada, e houverem de haver por sahida, em termos con
cisos, e fórma mercantil, para que todos os dias se possa saber o que se
acha em cada hum dos sobreditos Cofres.

C A P I T U L O V.

1 Os bens levados ao Deposito por ordem judicial se forem móveis


corruptiveis pagarão dous por cento deduzidos do dinheiro porque forem
vendidos ao tempo das arrematações que delles se fizerem: se forem pe
ças de ouro, prata, pedras preciosas, e dinheiro liquido pagarão sómen
te hum por cento deduzido do capital no tempo da entrada.
2 Os Depositos voluntarios que costumão fazer as pessoas , que ou
sahem de suas casas por occasião de alguma jornada; ou não considerão
na casa em que habitão toda a segurança que lhes he necessaria , só
mente se admittirão, sendo de dinheiro liquido; de ouro, e prata lavra
da, ou pedras preciosas. E destes Depositos se não poderá levar nunca
mais de meio por cento.
3 Todos os referidos direitos serão pagos por huma vez sómente, sem
que além delles se possa pertender das partes outra alguma cousa debai
xo de qualquer titulo que seja , não indo expresso nesta Lei ; e serão
computados a respeito do valor dos Depositos, os quaes antes de serem
recolhidos serão qualificados, e avaliados por Certidões do Contraste da
Corte, sendo de peças de ouro, prata, e pedras preciosas.
C A P I T U L O VI.

1 O producto dos ditos direitos do Deposito se accumulará em huma


caixa que para este efeito será estabelecida na Casa da Administração
debaixo da Inspecção dos Deputados. A somma que no fim de cada tres
mezes se achar na referida caixa será dividida em oito partes iguaes. Seis
delas se repartirão pro rata pelos seis Deputados, para lhe ficarem ser
vindo de emolumentos, sem poderem vencer outros alguns, nem ainda
pelas rubricas dos Livros, assignaturas de papeis, e actos semelhantes.
2 Os dous Escrivães da Corte , e Cidade vencerão á custa das par
tes seis vintens por cada termo de entrada, ou sahida , e dous vintens
Por cada verba de penhora, ou embargo que se fizer no dinheiro, ou pe
Gas depositadas : bem entendido que os ditos termos , e verbas se não
Poderão dividir para se multiplicarem as despezas ás Partes , mas que
Pelo contrario cada hum dos ditos actos se reduzirá a hum só termo , e
• I
66 175 |

a huma unica verba posto que sejão muitos os Exequentes que requei
rão a entrada , ou sahida dos Depositos , ou as penhoras, e embargos
que nelles se fizerem, se estes forem requeridos contra hum mesmo Réo
executado por huma só acção em que concorrão diferentes litis consor
tes, ou diversas partidas. •

3 O Porteiro da Administração deve ser pessoa de bom procedimen


to, e digna de confiança, e será annualmente eleito pelos seis Deputa
dos por pluralidade de votos: podendo reconduzillo no fim de cada anno
se parecer aos Deputados que entrarem a servir que devem conservallo
em razão da experiencia, e fidelidade que nelle considerarem. Vencerá
de ordenado cincoenta mil réis pagos pela reserva dos dous oitavos, que
deixo estabelecido que se separem cada tres mezes do que produzirem os
Direitos do Deposito.
4 O que restar dos mesmos dous outavos remanecentes se poderá ap
plicar pelos sobreditos Deputados aos Homens que arrimarem, e alimpa
rem os móveis depositados, e ás mais despezas miudas da mesma quali
dade : dando conta no fim do anno os que acabarem aos que entrarem
de novo das applicações que houverem feito do sobredito remanecente;
de sorte que fiquem sempre constando as faltas, ou sobejos que houver
nesta applicação.
C A P I T U L O VII.

1 Attendendo á necessidade que ha de se estabelecer a dita Admi


nistração em lugar que não sómente seja commodo para a condução dos
bens que forem depositados, mas que ao mesmo tempo seja público, e
como tal proprio para os leilões dos móveis que hão de ser vendidos : e
considerando que para a boa arrecadação dos bens desta especie, e pa
ra a segurança de todos os que forem levados ao sobredito Deposito, se
rão necessarias diferentes casas de guarda que tenhão capacidade para
os recolherem, e que fiquem ao mesmo tempo separadas quanto for pos
sivel da visinhança das ruas estreitas, e casas miudas habitadas por mui
tos Inquilinos, onde os incendios costumão ser mais frequentes, e o re
medio delles mais difficultoso: Hei por bem fazer mercê á sobredita Ad
ministração para os referidos usos, e para ter as suas Sessões das Casas
sitas na Praça do Rocio, onde actualmente se fazem as Conferencias do
Senado da Camara. As quaes Conferencias Ordeno que sejão transferi
das para as outras Casas sitas sobre a Igreja de Santo Antonio onde o
mesmo Senado
tas Casas se costumava congregar antes da compra que fez das di
do Rocio. •

2 E para que nestas além do referido fiquem os Depositos públicos


com toda a maior segurança que nelles se deve procurar : Sou servido
Ordenar que as janellas, e porta da Casa, ou casas em que estiverem
os Cofres do dinheiro, ouro, prata, pedras preciosas, e alfaias de valor
consideravel, sejão logo gradadas de ferro com grades fortes, e bem se
guras, da mesma sorte que se pratíca na Casa do Meu Real Thesouro:
E hei por bem conceder de mais á dita Administração huma guarda Mi
litar , continua , e identica no número, e na qualidade com a guarda
que costuma metter-se todos os dias na Casa da Moeda.
E este Alvará se cumprirá tão inteiramente como nelle se contém,
sem embargo de quaesquer Leis, Regimentos, Resoluções de Direito,
ou costumes contrarios, que todos hei por derogados para este efeito só
mente como se delles fizesse expressa, e declarada menção. Pelo que Or
1751 67

deno ao Duque Regedor da Casa da Supplicação , Governador da Casa


do Porto, Vice-Reis, e Capitães Generaes, Governadores das Armas
destes Reinos, e mais Dominios que o fação cumprir , e guardar. E
Mando ao Desembargador Francisco Luiz da Cunha e Ataide do Meu
Conselho, Chanceller Mór do Reino, que o faça publicar na Chancella
ria, e enviar as Copias delle onde se costumão remetter. E se registará
nos Livros da Meza do Desembargo do Paço, Casa da Supplicação, Se
nado da Camara, e Casa do Civel, e nos mais Tribunaes, e lugares on
de semelhantes Leis se costumão registar. Dado em Villa Viçosa aos 21
de Maio de 1751. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no Li
vro das Leis a fol. 10 vers., e impr. avulso.

A… 29 de Maio de 1751, em presença do Senhor José Vaz de Carvalho,


do Conselho de Sua Magestade, e seu Secretario, Desembargador do Paço,
e Chanceller da Casa da Supplicação, que serve de Regedor, se poz em
dúvida, sobre a intelligencia da Ordenação do Liv. 1. Tit. 13. §. 3., que
permitte ao Procurador da Fazenda poder oppôr-se , e assistir em todas
as Causas, em que a Fazenda Real possa ter interesse, fazendo-as re
metter ao Juizo dos Feitos, em quaesquer termos, em que se acharem,
sem mais os Juizes dellas poderem tomar conhecimento; se tendo-se pas
sado Carta Avocatoria a requerimento do mesmo Procurador da Fazen
da, para se remetterem alguns Autos, que correm em algum outro Jui
zo, e não estando ainda a Carta cumprida pelo Juiz, a que se dirigio,
por este para sua instrucção ter mandado ouvir a parte , se a requeri
mento do mesmo Procurador da Fazenda podia o Juiz, que passou a Car
ta Avocatoria, mandar tirar os Autos da casa do Escrivão, ou Advoga
do, e leva-los ao seu Juizo, com o fundamento de ser esse o estilo practi
cado, quando logo se não remettião os Autos pela Carta Avocatoria, o
que de proximo succedêra com o Desembargador dos Aggravos, João Pi
nheiro da Fonceca, que sendo Juiz em huma Causa sobre a successão
de huns Morgados, que pendia com Embargos á Chancellaria, e tendo
se passado do Juizo das Capellas da Coroa Carta Avocatoria a requeri
mento do Procurador da Fazenda , e tendo mandado dar vista á parte
para melhor se instruir no cumprimento da mesma remessa, sem se es
perar outro algum despacho, se tirárão os Autos de casa do Advogado a
requerimento do Procurador da Fazenda por mandado do Juiz das Ca
pellas da Coroa. E assentou-se pela maior parte dos Desembargadores dos
Aggravos abaixo assignados, que a dita Ordenação Liv. 1. Tit. 13. §.
3., não facultava esta fórma de levar os Autos, e muito mais, quando
se tinha pedido a remessa ao Juiz por Carta Avocatoria, e que o Estilo
alegado era repugnante ás regras de Direito, e ainda ofensivo á autho
ridade do Juiz, a quem se tinhão primeiro pedido os Autos por Carta A
vocatoria, e que como abuso, se não devia continuar nelle , e que se
devião restituir os Autos, que violentamente se tinhão levado , até se
cumprir a Carta : e por não vir mais em dúvida, se mandou fazer este
Assento, que assignou o dito Senhor cºrº, 2
que serve de Regedor,
68, 1751
com os Desembargadores dos Aggravos. Como Regedor = Vaz de Car
valho. = Cordeiro. = Moura. = Velho. = Moura e Silva. = Lopes de
Carvalho. = Fonceca e Sequeira. = Castro. =Doutor Martins. =D'an
tas. = Porcille.

Regist. no Livro 2.° da Supplicação fol. 87, e na


Colleção dos Assentos a fol. 338.

*k-kton% #

O Guarda Mór da Relação a quem toca chamar aos Prezos das Ca


deias do Limoeiro para serem apresentados nos actos de Visita, e nella
sentenciados, não chamará mais prezo algum, que pertencer ás Terras
do Estado da Serenissima Senhora Rainha Mãi, por ElRei Meu Senhor
Servido resolver, que os taes prezos sómente sejão sentenciados em Re
lação na fórma ordenada; e registará esta minha Portaria, e na minha
ausencia a apresentará ao Desembargador Chanceller da Casa da Suppli
cação, para que assim se observe. Quinta de Alpriate a 16 de Junho de
1751. = Duque Regedor.
Regist, na Casa da Supplicação no Livro 14 dos
ADecretos a folhas 12o. •

# >$1<>#---+

EU ELREI Faço saber, aos que este Regimento virem que tendo
consideração, a que os Oficiaes que servem com o Guarda Mór de Meus
Pinhaes de Leiria, estavão sem Regimento, sem saberem as obrigações,
a que cada hum devia acodir, e ainda o mesmo Guarda Mór usava do
que lhe foi dado na era de mil e quinhentos e vinte, o qual além de di
minuto se acha alterado com o decurso de tantos annos: Fui Servido
Mandar fazer este novo Regimento, não sómente para o Guarda Mór,
e seus Oficiaes, mas tambem para o Superintendente da fabrica da ma
deira da Marinha, seus Oficiaes, e mais pessoas, que tem emprego na
dita fabrica, no qual se dá fórma para o bom governo, e boa arrecada
ção de Minha Real Fazenda, conservação, e augmento de Meus Pinhaes,
que Mando se cumpra, e dê á sua devida execução assim, e da manei
ra que nelle se contem.

REGIMENTO DO GUAR DA MóR DO PINHAL


D E L E IRIA.

§. 1. O Guarda Mór no mez de Outubro fará huma vestoria Geral


no Pinhal com seu Escrivão, Meirinho, e todos os Couteiros, e no auto
da Mle
ra vestoria mandará
dar conta peloexpender
Conselhoo da
estado, em todos
Fazenda que achou o dito Pinhal pa
os annos. •

§ 3. Na mesma vestoria deixará assignados os sitios, em que se hão


1751 69

de fazer os córtes de madeira para a Ribeira das Náos, Tenencia, e ou


tras obras de Meu Real serviço no seguinte anno.
§. 3. Deixará juntamente assignados os sitios em que se hão de fazer
os córtes para as datas que Eu haja de fazer mercê a alguns particula
res, ficando advertido que estes córtes os deve mandar fazer, aonde os
páos estiverem mais bastos, não consentindo que se cortem a eito, mas
sim por desbaste em fórma que o Pinhal não fique por partes calvo, an
tes com páos, que possão criar-se com grandeza.
§. 4. Hade examinar o aseiro para saber se anda roto, e bem lim
po, e se convem alargar-se o Pinhal em razão de alguma nova creação
de picotos, que tenhao nascido, os quaes deve mandar alimpar, e guar
dar com cuidado limitando logo a parte, por onde se hade mudar o aseiº
ro, e no mesmo Pinhal, onde houver largueza, e capacidade, e naquel
les sitios, que descobrir mais acomodados, e mais visinhos ao porto da
Pederneira, mandará semear Pinheiros, tendo o mesmo cuidado de os
mandar alimpar, e guardar.
§. 5. Na mesma vestoria hade examinar as terras da Coutada, para
saber, se os marcos estão em seu lugar, ou se ha terras cultivadas dem
tro dos ditos marcos, para as fazer restituir á mesma Coutada.
6. Feita a vestoria tirará huma devassa geral, em que pergunte
pelos Capitulos deste Regimento, procedendo com todo o rigor delle con
tra os culpados.
§ 7. O Guarda Mór tem obrigação de mandar fazer todos os annos
pela Pascoa os aseiros ao Pinhal; e vespora de S. Bernardo deve hir ao
lugar da Marinha, aonde estarão todos os Couteiros para efeito de lan
çarem fogo ás charnecas, que partem com os aseiros; e primeiro que se
entre nesta diligencia, mandará fazer pelo Eserivão dos Pinhaes hum ter
mo, em que os Couteiros se obriguem a pagarem por sua fazenda o dam
no, que possa receber o Pinhal por seus descuidos, para acautelar que
o fogo por causa do vento contrario não entre no Pinhal, o que muito
encarrego ao Guarda Mór no caso, que não tenhão assignado este ter
mo ao tempo, que tomárão posse do Officio de Couteiro.
$ 8. Ao Guarda Mór pertence a nomeação dos Couteiros, os quaes
deve eleger com as qualidades de serem moradores nos lugares mais vi
sinhos do Pinhal, Lavradores abastados, e robustos; e quando lhes der
posse, os fará assignar termo de pagarem por sua fazenda o damno, que
receber o Pinhal por seus descuidos na occasião de pôr o fogo ao aseiro,
para o acautelarem.
§. 9. Os Couteiros, que não fizerem as suas obrigações, formando
lhe primeiro culpa, os privará do Privilegio nomeando outros, em quem
concorrão os requisitos necessarios, e sendo comprehendidos em crime
commettido nos Pinhaes não sómente serão privados do Privilegio, mas
pagarão o dobro da condemnação, que levão neste Regimento os mais
transgressores, e da mesma fórma commettendo erro no seu oficio serão
privados delle, e do Privilegio, e haverão as penas cominadas em seu
Regimento. •

§. 10. Os Couteiros, que tiverem servido bem, e o Guarda Mór en


tender que estão incapazes de servir por causa de annos, ou de acha
ques, os aposentará com seus Privilegios nomeando outros Couteiros,
que tenhão as qualidades referidas, os quaes só depois de falecidos os
aposentados entrarão a gozar dos Privilegios, preferindo porém a esta no
*eação os filhos dos aposentados, tendo-os, que sejão capazes.
§ 11. Vagando o lugar de Almoxarife, ou Cabo maior dos Coutei
70 | 175 1

ros, o proverá o Guarda Mór no Couteiro, que for mais benemerito, a


quem os outros obedecerão em tudo, que por elle lhes for ordenado a
bem de Meu serviço, e faltando dará conta o Almoxarife, ou Cabo ao
Guarda Mór para o castigar, como lhe parecer justo.
§. 12. O Guarda Mór he Juiz Conservador dos quarenta Couteiros,
como se contém nos privilegios, que forão concedidos pelos Senhores Reis
Meus antecessores, e das sentenças em qualquer qnantia, apellando as
partes, lhe dara apelação para o Juizo dos feitos da Fazenda; as quaes
sentenças não proferirá sem assistencia, e assignatura do Juiz Accessor,
não sendo formado. ,4 *

- §. 13. E por que Fui informado, que os Cabos, Oficiaes de Guerra,


e Ministros de Justiça procedem contra os ditos Couteiros por ordens,
que levão em occasiões de aperto, attendendo Eu que os ditos Couteiros
não tem ordenado, nem emolumentos alguns: Mando que nenhum Ca
bo, Official de Guerra, ou Ministro de Justiça proceda contra os ditos
Couteiros, ainda que levem ordem Minha para quebrar quaesquer privi
legios, para dar desta sorte os livrar da oppressão, que padecem em vi
rem á Corte a tratar de seu requerimento, o que resulta em prejuizo gra
ve da Minha Fazenda, por não poderem acudir nesse tempo as muitas
obrigações do seu oficio. E assim mando ao Guarda Mór faça presente
este Capitulo de Regimento a qualquer Cabo, Oficial de Guerra, ou
Ministro, que forem com semelhantes, e quando não queirão estar por
elle, Me dará conta, para lho estranhar, como for justo. •

§. 14. Mando que nenhum Couteiro possa tomar de empreitada, nem


rematar lavramentos de madeira, ou fabrica alguma de Pez, on Breu,
pelo prejuizo, que póde rezultar á Minha Real Fazenda, sobpena de nu
lidade da arrematação, e perdimento do privilegio de Couteiro.
§. 15. O Guarda Mór quando der posse, e juramento aos Couteiros,
que nomear, aos quaes não deve levar cousa alguma pela tal nomeação,
lhe fará lêr os Capitulos deste Regimento, entregando-o a cada hum,
para estarem certos nas suas obrigações.
§. 16. Mando, que nenhuma pessoa de qualquer qualidade que seja,
possa ter fornos de Pez, duas legoas em redondo dos Meus Pinhaes, ex
cepto aquellas pessoas, a quem for rematado o mesmo Pez, as quaes hão
de observar as condições, que se apontão no Regimento do Superinten
dente da Fabrica da Marinha; e todo o que o contrario fizer, será de
gradado para hum dos lugares de Africa por trez annos, e pagará pela
primeira vez vinte mil réis, e pela segunda quarenta mil réis, e seis an
nos de degredo; ametade da condenação para quem denunciar, e a ou
tra para as despezas da Fabrica do Engenho, que se carregará em recei
ta ao Recebedor della, e lhe serão demolidos os Fornos.
§. 17. Toda a pessoa, que quizer usar de Fórnos de Pez no termo de
Leiria, o não poderá fazer sem primeiro pedir licença ao Guarda Mór,
que lha concederá com a informação do Meirinho, porque conste ficar fó
ra do termo da prohibição, o qual não levará cousa alguma pela dita in
formação; e os que o contrario fizerem, serão prezos por tempo de trin
ta dias, e lhe serão demolidos os Fórnos.
18. Toda a pessoa, que for romper mato para semear nas Couta
das do Pinhal, pagará pela primeira vez dez mil réis, e pela segunda
vinte mil réis, e trinta dias de cadeia, ametade da condenação para o
Denunciante, e a outra para as despezas da Fabrica do Engenho, que se
carregará ao Recebedor na fórma assima, em todo o caso será restituido
o chão á mesma Coutada.
175I 71

$ 19. . Toda a pessoa que tiver covão de Abelhas trèzentos passos do


Aseiro a dentro, será condenado em dez mil réis, metade para o Denun
ciante, e a outra para as despezas da Fabrica do Engenho na fórma a
cima, a qual condenação pagará da cadeia, donde assignará termo de
mudar no termo de oito dias o tal covão de Abelhas.
§ 2o. Mando que nenhuma pessoa de qualquer qualidade, que seja,
possa caçar dos aseiros adentro dos Meus Pinhaes com armas de fogo:
e todo que o contrario fizer, pagará pela primeira vez dez mil réis, e
pela segunda vinte mil réis, com trinta dias de cadeia, applicada a con
denação na fórma atraz declarada.
§. 21. E Querendo os Coudeis fazer montarias aos Lobos nos ditos
Pinhaes, não as farão sem licença do Guarda Mór, o qual mandará as
sistir os Couteiros, ordenando que as buchas sejão de musgo, e não de
pano, ou papel, pelo prejuizo, que póde rezultar de fogo no Pinhal, no
que terão particular cuidado os ditos Couteiros.
22. Toda a pessoa, que for comprehendida em arrancar, ou mu
dar os marcos das Coitadas dos Meus Pinhaes, será condenada pela pri
meira vez em vinte mil réis, e pela segunda em quarenta mil rêis, com
trinta dias de cadeia, applicada a condenação na fórma atraz declarada.
§. 23. Concedo faculdade, para que toda, e qualquer pessoa possa
livremente entrar nos Meus Pinhaes, e delles possa tirar lenha seca, ou
rama, mato, e sepa, sem que por isso lhe leve o Guarda Mór, ou seus
Oficiaes emolumento algum, com tanto porém que sendo a sepa para carvão,
nunca as covas se farão se não fóra dos aseiros pelo prejuizo, que póde
rezultar
mil réis de
na alguns incendios;
fórma atraz e todo o que o contrario fizer, pagará dez
applicada. •

24. O Guarda Mór tomará as denuncias, e procederá contra os


culpados fazendo diligencia pelos prender, e lhe dará livramento até fi
mal sentença com apelação, que inviolavelmente seguirão da mesma ca
deia. ** ! * *

§. 25. Toda a pessoa de qualquer qualidade, que seja, que for com
prehendida em cortar páo de algum dos Meus Pinhaes, pagará pela pri
meira vez cinco mil réis, e pela segunda dez mil réis; e sendo porém
páo Real capaz de servir nas Minhas fabricas, pagará pela primeira vez
vinte mil réis, e pela segunda quarenta mil réis, e dous annos de degre
do para a Africa, e em todo o caso perderá as alfaias, os Bois, e os
carros, que forem achados no Pinhal carregando madeira; tudo applica
do na fórma assima dita. E Mando que se dê por provado o delicto to
das as vezes, que se acharem dentro do Pinhal os Bois sem campainhas,
ou com ellas prezas. |-

§. 26. O Guarda Mór por nenhum caso poderá applicar, nem fazer
mercê das madeiras, que forem reprezadas aos Denunciantes, antes man
dará que, por inuteis que sejão, se restituão á custa dos transgressores
na fabrica do Engenho, aonde o Escrivão della as carregará em receita
ao Recebedor, para as vender com as mais do seu recebimento.
27. Tanto que ao Guarda Mór se lhe apresentar mandado do Vé
dor da Minha Fazenda com relação da madeira, que se ha de cortar, e
entregar ao Feitor da Pedreneira, o fará logo registar, e autuar, e as
signando o sitio, em que se ha de fazer o córte, que será o destinado
na vestoria geral, mandará passar outro para se fazer o dito córte com
dia certo.
§ 28. Quando porém Eu for servido fazer Mercê a pessoas particu
lares de alguma madeira, fará o Guarda Mór registar, e autuar o mandaº
72 • 175I

do Védor de Minha Fazenda, e mandará passar outro para se cortar, de


clarando nelle a quantidade de madeira, e o sitio, que será tambem o
rezervado na vestoria geral, e que sejão páos do cogumello inuteis para

as Minhas Reaes Fabricas, e por desbaste na fórma, que no § 3. deste
Regimento se declara. -

§. 29. O Guarda Mór nomeará hum Couteiro, que assista aos lavra
mentos das madeiras, ou sejão para as Reaes Fabricas, ou para parti
culares, não consentindo que entrem os homens de machada no Pinhal,
sem que assista o Couteiro aos ditos lavramentos.
§. 30. E fazendo Eu mercê a alguma pessoa de alguns páos, e que
rendo esta abri-los em madeira , nunca o Guarda Mór lhe dará licença
para a serrar dentro dos Pinhaes, nem em terras da Coitada, mas será
obrigada a hir serralla dentro dos muros do engenho por serras de mão
á sua custa salvo Eu expressamente mandar que se serre no moinho.
§. 31. Os páos encostados que até agora com errada intelligencia a
titulo de bicadas se entregárão ás pessoas , a quem Eu fazia mercê de
alguns páos, os quaes ao cahir na occasião do córte derribavão outros,
e os encostavão: Mando que os taes páos assim encostados, ou derriba
dos se aproveitem no Engenho para a Minha Real Fazenda, não levan
do as ditas pessoas, mais que o número de páos concedidos nos man
dados. •

§. 32. O Guarda Mór não dará licença, para se cortarem páos para
madeira de consumo, sem que primeiro se informe, se estão aproveita
das as bicadas, os páos cahidos no chão , e os que se cortarem para a
tirada de outros; e só depois de todos estes aproveitados, dará licença,
para que se cortem, os que forem necessarios para o consumo com tan
to que sejão de cogumello inuteis para as Reaes Fabricas, e por des
baste. \ |
§. 33. O Guarda Mór tirará todos os annos em Janeiro huma devassa
do procedimento dos Officiaes, perguntando pelos Capitulos deste Regi
mento, e procederá contra os culpados, e no caso que o Guarda Mór es
teja ausente, ou legitimamente impedido, Mando que sirva em seu lu
gar o Corregedor de Leiria.
§. 34. Mando que o Alcaide, Meirinhos, e Escrivães, e mais Ofi
ciaes de Justiça da Cidade de Leiria, e sua Comarca cumpräo as ordens
do Guarda Mór, e lhe assistão em tudo, que por elle lhe for ordenado a
bem de Meu serviço, pena de prizão, a que procederá o Guarda Mór,
e ás mais, que lhe parecerem justas.
§. 35. Havendo no Pinhal algum incendio , mandará o Guarda Mór
tocar o relogio da Cidade, e fará avizo ao Corregedor da Comarca, Juiz
de Fóra, e Capitão Mór, para que com toda a pressa lhe assistão com
tudo, o que for necessario, para se apagar o fogo , e do contrario que
observarem Me dará parte, para lho estranhar, como Me parecer justo,
assistindo em todo o caso o dito Guarda Mór , e o Superintendente da
Fabrica com seus Officiaes deixando nella , os que forem precisos para
sua guarda, e extincto o fogo mandará tirar o referido Guarda Mór hu
ma exacta devassa dos delinquentes, para proceder contra os que forem
culpados. •

Regimento do Escrivão dos Pinhaes.


§. 1. O Escrivão do Pinhal ha de assistir á vestoria geral de Outu
bro, e fazer o Auto na fórma, que se diz no Regimento do Guarda Mór
1751 73

§. 1. e ha de fazer tambem os autos da devaça pela maneira, que se diz


no mesmo Regimento do Guarda Mór $. 6. e 33.
§. 2. Ha de passar as Cartas dos privilegios aos Couteiros, que o
Guarda Mór nomear, e fazer a pauta, e distribuição da vigia, dando a
cada Couteiro bilhete dos dias, que lhe tocão, e terá mais, além do seu
ordenado seis mil e quatrocentos para papel.
§. 3. O Escrivão dos Pinhaes ha de assistir pela Pascoa, ao fazer do
aseiro, repartindo o mesmo aseiro em quarenta regos pelos quarenta Cou
# e vespora de S. Bernardo ha de assistir ao pôr do fogo ao dito
aseiro, fazendo primeiro hum termo, no qual se obriguem os Couteiros
a pagar por seus bens a perda, que receber o Pinhal por seu descuido,
como se diz no Regimento do Guarda Mór $. 7.. 8.
§ 4. O Escrivão dos Pinhaes deve estar sempre prompto para tomar
º as denuncias, que lhe vierem dar os Couteiros, e Meirinho, e fazer as
buscas, e tomadias, de que lhe derem parte, sendo mui diligente na exe
cução das ordens do Guarda Mór; e nos seus impedimentos Mando que
sirva o Escrivão mais antigo do Juizo geral.
§. 5. O Escrivão do Pinhal, logo que os Corregedores da Comarca
de Leiria tomarem posse do lugar, lhe dará rol dos culpados; e nas cor
reições lhe levará o livro das denuncias, e os feitos Crimes, para serem
por elle vistos em correição, e apellados aquelles, que o não estiverem
pelo Guarda Mór.
. 6. Da mesma maneira em chegando o Sindicante do Corregedor,
lhe fará saber, que na fórma do Alvará de vinte e hum de Abril de
mil e seiscentos e noventa, e por este Regimento lhe he ordenado que
tirem residencia ao Guarda Mór, a quem deve suspender, e a todos seus
Oficiaes tirando-lhe com efeito residencia; e o Escrivão lhe entregará
assim mesmo rol dos culpados, livros, feitos crimes, e este Regimen
to, para fazer por elle o auto da residencia, e perguntar pelo conteúdo
nelle.
§. 7. O Escrivão do Pinhal ha de assistir aos córtes, que se fizerem,
ou sejão para as Reaes Fabricas, ou para datas, ou para consumo, as
sim para ver, se se excede o número dos páos, e se he nos sitios desti
nados, como para fazer a entrega da madeira ao Feitor da Pedreneira,
ou á pessoa, a quem se fez a graça, ou ao Recebedor das bicadas, não se
ausentando sem estarem os córtes findos; fazendo logo termo de entre
ga nas mesmas ordens, e mandados, que assignarão as partes, e encos
tará aos autos; e guardará tudo em seu Cartorio.
§. 8. Pela assistencia, que fizer aos córtes da madeira para particu
lares, levará de salario por dia quatrocentos réis.
Regimento do Meirinho, e Fiscal.
§. 1. O Meirinho da he assistir na vestoria geral para requerer, co
mo fiscal, o que lhe parecer conveniente, e mais a proposito para a boa
conservação, e augmento dos Pinhaes, tendo especial cuidado na guarda
dos Picotos, requerendo com actividade a sementeira nas partes mais a
commodadas, e de que se possa esperar melhor conveniencia; e quando
pelo Guarda Mór lhe não sejão attendidos seus requerimentos, os deve fa
zer ao Conselho da Fazenda, para lhe dar a providencia necessaria.
§ 2. Ao Meirinho toca vigiar continuamente o Pinhal, e terras da
Coitada, denunciando os que cultivão dentro dos marcos para se restitui
rem logo á mesma Coitada as terras, que ……… usurpadas.
74 1751

§ 3. O Meirinho terá grande cuidado de saber, se os Couteiros ser- #


vem com satisfação, zelo, e verdade, dando parte ao Guarda Mór dos
seus descuidos, para os advertir, ou suspender, como tambem denun
ciando dos mesmos Couteiros no caso, que comettão crime no Pinhal, e
outros erros de seu oficicio, para serem castigados na fórma do Regi
ImentO. •

4. O Meirinho tem obrigação de prender os transgressores acha


dos em fragante delicto, denunciar delles, e dos mais, de que tiver no
ticia que fizerão alguns descaminhos no Pinhal, e Fabrica, e proseguir
a acusação até final sentença, sem fazer com os réos contrato, ou aven
ça alguma, pena de perdimento do oficio; e da mesma fórma prosegui
rá nas denúncias dos descaminhos, que lhe descubrirem os Couteiros.
§. 5. Nas madeiras, que achar dentro, ou fóra do Pinhal, sem mar
ca, ou guia, fará tomadia, e nos Bois, e carros, fazendo-as logo con- º
duzir nos mesmos carros á Fabrica do Engenho da Madeira, para se car
regarem em receita ao Recebedor na fórma do §. 26. do Regimento do
Guarda Mór, e prezos os delinquentes dará conta ao Guarda Mór, e de
nunciará delles.
6. Ha de assistir pela Pascoa ao fazer do aseiro, para ver, se os #
Couteiros dão os regos da sua obrigação; e vespora de S. Bernardo ha #
de assistir ao pôr o fogo ao mesmo aseiro, tendo muito cuidado, em que …
não entre fogo no Pinhal, nem padeção os Picotos o minimo detrimen- ##
to, e da mesma maneira assistirá ás montarias, que os Coudeis fizerem
no Pinhal para examinar as buchas das espingardas, evitando todo o #
damno, que possa ter o mesmo Pinhal, em observancia do que expoem # !

o Regimento do Guarda Mór $ 21. º

§ 7. O Meirinho Fiscalha de assistir a todos, e quaesquer córtes,


que se fizerem, e estorvar com toda a força, que se não excedão as ordens,
as quaes
tes lheemostrará
findos, o Escrívão,
pela assistencia, que não
fizerseaos
ausentando
córtes de sem estarem
madeira para os cór-
os par- \

iticulares, levará quatrocentos réis por dia. -

§. 8. O Meirinho deve ter todo o cuidado, em que os Lavradores


carreguem com brevidade as madeiras, e que vão em direitura ao porto }
da Pedermeira, e achando algumas desencaminhadas, escondidas no ma- +

to, ou mal aproveitadas, notificará os Lavradores, a quem forão lança


das para se verem condenar pelo Superintendente da Fabrica, o qual os
condenará em duzentos réis para o mesmo Meirinho.
§. 9. O Meirinho ha de requerer como Fiscal ao Guarda Mór a in
teira observancia deste novo Regimento, dando-lhe parte das faltas, que
descubrir nos Oficiaes, e dos abusos, que se forem introduzindo, para
que o Guarda Mór os emende, e quando lhe não queira dar attenção, o
fará presente ao Meu Conselho da Fazenda, para determinar, o que for
justo; e nos seus impedimentos Mando que sirva o Alcaide da Cidade.
Regimento dos Guardas menores, e Couteiros
§. 1. Os Couteiros hão de assistír á vestoria geral, para informarem
- ao Guarda Mór do estado, em que se acha o Pinhal, e dos sitios, que
nelle ha mais capazes para os córtes da Ribeira das Náos, e das datas,
e do consumo, apontando-lhe logo as partes, que no Pinhal houver mais
capazes para a sementeira de novos Pinheiros.
d '# Pela Pascoa hão de fazer o aseiro conforme determinar o Guar
a Mór. >
175| 75

§. 3. Vespora de S. Bernardo hão de lançar o fogo ao aseiro assignan


do primeiro termo de pagarem por sua fazenda o damno, que possa re
ceber o Pinhal por seus descuidos, como se diz no Regimento do Guar
da Mór no § 7. e 8. - -, -

§. 4. Hão de assistir dous a dous, de Sol a Sol, á borda do Pinhal


todos os dias guardando-o com grande zelo, e cuidado, para o que se ha
de fazer a distribuição, como se diz no Regimento do Escrivão $. 2.
§. 6. Achando os Couteiros alguma pessoa no Pinhal cortando algum
páo, fazendo falcas achas para Pez, ou outro algum descaminho a devem
prender, dar conta ao Guarda Mór, e depois denunciar, como se diz no
Regimento do Meirinho § 4.
§. 6. Porém achando no Pinhal, ou fóra delle madeira sem marca,
ou guia, farão tomadias nellas, e nos bois, e carros conduzindo as ma
deiras logo ao engenho, como se diz no Regimento do Meirinho § 5.
§. 7. Os Couteiros devem guardar com todo o zelo, e cuidado as no
vas criações de Pinheiros, defendendo que o gado não as destrua, e da
rão parte ao Guarda Mór da limpeza, e desbaste, de que necessitarem,
para se lhe acudir a tempo com o serviço.
§. 8. Os Couteiros hão de assistir a todos os lavramentos de madei
ra, que se fizerem dentro no Pinhal pela nomeação do Guarda Mór, e
terãofação
nem muitoo cuidado, que os homens
menor descaminho de machada
no mesmo Pinhal.não cortem páo algum, •

§. 9. Pela assistencia, que fizerem aos lavramentos das madeiras dos


particulares, haverão duzentos réis por dia. -
§ 1o Os Couteiros hão de cumprir com promptidão as ordens do
Guarda Mór, e Superintendente, e obedecer em tudo, o que lhe for or
denado pelo Almoxarife, ou Cabo maior dos mesmos, Couteiros, que for
a bem do Real serviço, pena de serem castigados pelo Guarda Mór, e
Superintendente,
cias dando
ao dito Guarda Mór,o mesmo Almoxarife conta das suas desobedien
e Superintendente. •

§. 11. Os Couteiros hão de acompanhar ao Meirinho, todas as vezes


que este lho requerer para alguma diligencia pertencente aos Pinhaes, e
Fabricas. #
« ,

|- Regimento do Superintendente da Fabrica da Madeira | #


. ** * da Marinha. . * * ** *

- " … | - - - - 1}

§ 1. Ao Superintendente toca dar licença para o engenho trabalhar;


e ém primeiro lugar mandará serrar as madeiras, que forem necessarias
para a Ribeira das Náos, Tenencia, e outras obras do Meu Real servi
ço, e em quanto não estiverem todas satisfeitas, não consentirá que º
Engenho serre as madeiras de venda, nem outras algumas de particula
res, para
porque lheo fiz
queMercê
irá todas as semanas
do dito a elle, como
oficio, fazendo-o se declara
prover de tudo,nao Alvarº»
que for
necessario em ordem á sua conservação. * * * *

§ 2. O Superintendente mandará serrar no Engenho toda a casta de


madeiras, assim taboas de cuberta como miudas, que corresponderem
ás bitolas das serras do mesmo Engenho, mandando aproveitar os Páos,
que se acharem cahidos, e espalhados pelo Pinhal, e os que crião co
cumello, e bicadas dos córtes, que se fizerem. . .
§. 3. Terá particular cuidado, que o Engenho não esteja parado por
omissão, ou descuido dos Oficiaes, e lhe ordenará o fação trabalhar, nãº
só de dia, mas tambem de noite, quando *# vento certo,
2
e não hou
76 I75]

ver tormenta ; mandando-lhe pagar pela duzia de taboado de cuberta,


que se serrar de noite a duzentos e quarenta réis, e pela de meudo a
cento e vinte réis, além dos seus salarios.
§. 4. O Superintendente todas as vezes que o Recebedor do Enge
nho lhe der parte, de que não póde trabalhar por se achar desconcerta
do, sendo o concerto de limitada despeza, e a que possa supprir o pro
ducto das madeiras meudas, o mandará fazer logo, e sendo de maior des
peza dará conta no Conselho de Minha Fazenda com relação do dito Re
cebedor, porque conste, o que he preciso, para se mandar fazer.
§ 5. Mandara fazer hum Cofre com tres chaves tendo huma em seu
poder, outra o Escrivão da Fabrica, e a terceira o Recebedor , em o
qual se metterá o dinheiro, que produzirem as madeiras, que se vende
rem, e todo o mais, que deve entrar cada tres mezes no mesmo Cofre;
mandando-o carregar em receita ao Recebedor da mesma Fabrica na fór
ma, que se declara nos Capitulos 7. e 8. do Regimento do Escrivão, a
qual rubricará para constar a todo o tempo, em como se metteo em sua
presença, praticando o mesmo em todas as mais receitas, que se fizerem.
§. 6. Dentro no referido Cofre fará tambem guardar os ferros das mar
cas, não consentindo que andem pelas mãos dos Marcadores fóra das oc
casiões precisas.
§. 7. O Superintendente elegerá para o ministerio de marcar , ho
mens intelligentes, fartos, e de boa consciencia, escolhendo sempre pa
ra avaliador hum daquelles Mestres, que for aos córtes, pela experien
cia, que tem de gavilar, e tomar polegadas, e lhe dará juramento para
marcarem , e avaliarem no justo valor , e não consentirá que nenhum
Marcador carregue per si, nem por interposta pessoa madeira alguma,
e carregando pagarão vinte mil réis da cadeia metade para o denuncian
te, e a outra metade para as despezas da Fabrica, a qual se carregará
emi receita ao Recebedor della. º , , , … • "" ;

§ 8. Mando que a marca, e avaliação das madeiras se faça em di


reitura do Pinhal até o porto de S. Martinho , ficando os Lavradores, e
Carreiros da Marinha com duas partes da avaliação, e os das Villas dos
Coutos com a terceira parte. --

§. 9, Mando que o Superintendente não guarde privilegio algum aos


Lavradores na condução das Minhas madeiras, antes faltando algum a
conduzi-la no tempo , que lhe for assignado, pagará pela primeira vez
tres tostões, e pela segunda dez tostões applicados ao Meirinho.
§. 10. Mando que o Superintendente não obrigue aos Lavradores,
que forem conduzir madeiras, a trazer escrito de descarga ao Escrivão,
nem pagar-lhe o vintem, que até agora lhe pagárão, por esta cauza: e
Ordeno que o Feitor, assim como reparte pelos Juizes Ordinarios as or
dens para a condução das madeiras, tenha o cuidado de mandar-lhe pe
dir os escritos da descarga com certidões dos Escrivães das Camaras,
por onde conste achar-se servida a madeira, e as faltas dos Lavradores,
para serem punidos pelo Superintendente, a quem o mesmo Feitor ha
de remetter tudo. ** , , . } ,, , , …, f } *

§. 11. Os Carreiros, a quem se provar , que maliciosamente deixá


rão madeiras escondidas nos matos, para se aproveitarem depois dellas,
pagarão o preço , em que forão marcadas em dobro , que se carregará
em receita ao Recebedor da Fabrica na fórma acima, com trinta dias
de cadeia. • . .
§. 12. O Superintendente tem jurisdicção para mandar lançar ma
deiras em todas as Villas da Comarca de Leiria, e os Juizes Ordinarios
/*

{
1751 77

darão inteiro cumprimento ás suas ordens, e faltando procederá contra


elles a prizão. *

§. 13. . O Superintendente tem obrigação de mandar pôr a pregão na


Praça de Leiria todos os lavramentos de madeira, ou outro qualquer ser
viço, quando entenda que he mais conveniente á Minha Real Fazenda
fazer-se por arrematação, do que por jornaes, mandando pôr Editaes nas
Freguezias mais visinhas ao Pinhal, em que declare o dia, em que se
ha de fazer a arrematação, que será na Fabrica do Engenho em o dia
de maior concurso.
§. 14. . Da mesma maneira mandará pôr a pregão o Pez, rematando
os sepos dos páos cortados ás pessoas, que mais derem por elles, com
condição de não exceder o espaço de hum anno, e de se não cortar páo
algum, nem fazer os fornos, se não hum quarto de legoa fóra dos asei
TOS.

$. 15. A's arrematações dos lavramentos de madeiras ha de assistir o


Superintendente, Escrivão da Fabrica, e Feitor da Pederneira, man
dando fazer termo em hum livro, que terá o dito Escrivão deputado pa
ra esse ministerio, em que declare o tempo, em que se devem fazer, e
o preço, porque se rematão, cujo termo assignará o Rematante, e seu
fiador, depois de reconhecido, e acceito pelo Feitor, e o rubricará tam
bem o Superintendente mandando passar certidão delle ao dito Feitor,
para a ajuntar aos mais papeis de sua conta, que tambem rubricará.
§. 16. O Superintendente ha de recensear a conta do Recebedor de
pois de feito o encerramento pelo Escrivão no fim de cada hum anno,
para continuar a servír os tres do seu recebimento , e findos eles man
dará fazer entrega da caza, ao que lhe succeder, assim do Engenho de
serrar, como dos seus sobrecelentes, ornamentos, e tudo o mais, que
pertencer á Capella da Fabrica, mandando-lhe carregar tudo em recei
ta viva, passando-se conhecimento em fórma para a conta, do que tiver
acabado, para a vir dar nos meus Armazens. * ,

§ 17. - Da mesma sorte se farão os das rematações dos sepos dos páos
cortados para Pez, a que não assistirá o Feitor da Pederneira, mas sim
o Recebedor da Fabrica, e declarará tambem o Escrivão a importancia,
porque se rematão, e o tempo, em que ha de fazer entrega do dinheiro
o Rematante, o qual assignará o dito termo com o seu fiador , que será
reconhecido, e acceito pelo Recebedor, a quem o dito Superintendente
mandará carregar em receita todo o dinheiro que receber do Rematante,
fazendo-lhe passar conhecimento em fórma para sua descarga. -

§ 18. O Superintendente nomeará o Guarda do Engenho com as obri


gações, que leva em seu Regimento, e haverá de ordenado duzentos
réis por dia. -

§. 19. Sou servido de extinguir inteiramente todas, e quaesquer ser


rarias de mão que haja no Pinhal, ou na vieira. E Mando que toda a
madeira, que for necessario serrar-se por serras de mão, por não abram
ger o serviço do Moinho, seja serrada dentro dos muros do Engenho, re
commendando muito ao Superintendente não consinta serras de mão em
outra alguma parte , excepto em algum caso fortuito de tempestades,
em que costumão cahir muitos páos, ou de alguns córtes grandes , em
que as bicadas fazem com a sua conducção para o Moinho consideravel
despeza, por se fazerem em partes remotas.
§ 2o. O Superintendente ha de tirar todos os annos huma devassa
geral, em que pergunte pelos Capitulos deste Regimento, para exami
nar o procedimento do Feitor da Pederneira, seu Escrivão, e mais Offi
78 175 |

ciaes da Fabrica, e pelos descaminhos, que nella tenha havido proce


dendo contra os culpados. #
§ 21. O Superintendente fará ornar com decencia a Capella do En
genho, mandando dizer nella Missa todos os Domingos, e dias Santos {},
de Guarda pela alma do Fidelissimo Senhor Rei D. João o Quinto, Meu V
Senhor, e Pai, que Santa Gloria haja, dando-se ao Sacerdote de esmo (II

la cada anno quarenta mil réis.


§. 22. O Superintendente mandará pagar com promptidão pelo di F.
nheiro do recebimento do Recebedor as ferias do Mestre, Contramestre, fºi
e Oficiaes, Guardas, e Moços, que assistirem na Fabrica, e os carre
tos, e lavramentos das madeiras que vierem para ella, e toda a mais #
despeza, que por este Regimento se lhe ordena, mandando lançar tudo Sºl

que ella importar , em despeza ao Recebedor pelo Escrivão da dita Fa ! #


brica na fórma, que se declara no seu Regimento ; cujos termos assig
nará, para por elles se lhe tomar conta nos Meus Armazens, quando fin #
dar o seu tempo. #{
§. 23. O Superintendente examinará todos os seis mezes o dinheiro, #
que sobejar ao Recebedor do seu recebimento depois de feitas as despe #
zas, que pelo seu Regimento se lhe ordena, e apresentando-lhe o Feitor
da Pedermeira o orçamento da despeza , em que poderá importar o cór tº,
te, e conducção das madeiras, que Eu mandar fazer aos Pinhaes para
a Fabrica da Ribeira das Náos , ordenará ao dito Recebedor lhe entre
gue a sua importancia pelo dinheiro de seu recebimento ; e não tendo
todo, o que for necessario , lhe mandará passar certidão pelo Escrivão
da Fabrica, que rubricará, declarando nella a quantia que he precisa,
e que no Cofre da dita Fabrica a não ha , para este a fazer presente ao
Conselho da Fazenda na fórma, que se lhe determina no Capitulo 2. de
seu Regimento. • - •

§. 24. Fará conferir o livro, em que o Escrivão da Fabrica tomar em


lembrança as marcas, e avaliações da madeira, que o dito Feitor man
dar conduzir dos Pinhaes para o porto de São Martinho, dos córtes aci
ma declarados, com o em que as lançar tambem o Escrivão do dito Fei
tor, e depois de feita a conferencia, achando-a certa porá signal della
em ambos os ditos livros que rubricará, para por elles se lhe tomar con
ta ao referido Fei-or, na que der de seu recebimento.
§. 25. Ha de rubricar todos os livros de receita, e despeza, que ser
virem com o Recebedor da Fabrica , e os mais que forem precisos, e
constão do Regimento do Escrivão. |

Regimento do Recebedor.

§. r. O Recebedor ha de assistir efectivamente na Fabrica do Enge


nho de serrar, e necessitando o Moinho de algum concerto, dará conta
ao Superintendente para este o mandar fazer, e sendo de pouca entida
de o poderá mandar concertar, com o seu Escrivão, para que não pade
ça prejuizo a Minha Fazenda, em não trabalhar o dito Moinho por cau
za de alguma demora; fazendo-o porém sempre saber ao Superintenden
te, para lhe mandar fazer despeza da sua importancia. ** .

§ 2. O Recebedor ha de ter carregado em sua receita o Moinho, com


todo o seu inventario, e sobrecelentes, ornamentos, e mais cousas per
tencentes á Capella da Fabrica, e assim mais todos os materiaes , que
se comprarem para os concertos, de que necessitar o dito Moinho, e os
1751 79

que para o mesmo efeito receber dos Almoxarifes da Ribeira das Náos,
a quem dará conhecimento em fórma para as suas contas.
§. 3. Da mesma fórma se lhe ha de carregar em receita todas as fal
cas, ou vigas de pinho, taboas, barrotes, ripas, cerneiras, e costeiros;
que produzirem as bicadas dos córtes, que se fizerem, páos cahidos por
tormenta, e dos que se derem a particulares, e os tocados de cocumel
lo, que se cortarem no Pinhal, depois de se tomarem em lembrança no
livro de ementa, como se declara nos Capitulos 5 e 6 do Regimento do
Escrivão. •

§ 4. O Recebeder ha de vender as madeiras, que pelo Capitulo as


sima se lhe hão de carregar em receita pelos preços declarados no fim de
seu Regimento, cujo dinheiro se lhe ha de tambem carregar em receita
na fórma, que se ordena no Capitulo 7 do Escrivão da Fabrica.
§. 5. Ao Recebedor se lhe ha de carregar tambem em receita todo o
dinheiro, que receber dos sepos dos páos cortados, que se rematarem
para o Pez, e da mesma sorte todo, o que pelo Regimento do Superin
tendente, e Guarda Mór dos Pinhaes se lhe manda entregar para as des
pezas da Fabrica das condemnações, que se fizerem.
§. 6. O Recebedor ha de metter no Cofre todos os tres mezes o di
nheiro, que na fórma assima se lhe ha de entregar para o que terá em
seu poder huma das tres chaves, que hão de haver, e pelo dito dinhei
ro fará as despezas seguintes. •

S. 7. Ha de pagar todos os tres mezes os ordenados do Superinten


dente, Escrivão, e Reeebedor da Fabrica, e todas as semanas as ferias
ao Mestre, Contramestre, Oficiaes, Guardas, e Moços, que trabalha
rem nellaoccasião
rem por não só no
de exercicio de serrar,
algum concerto, que mas tambem os que a ella fo
for preciso. •

§ 8. Ha de pagar todas as semanas os lavramentos, e conduções das


madeiras, que vierem dos Pinhaes para se reduzirem a taboas , e mais
madeira de venda; e da mesma fórma ha de satisfazer aos serradores das
serras braçaes (quando os houver) os seus jornaes, que serão pelos pre
ços, que vão no fim deste Regimento, observando nesta despeza a arre
cadação, que Ordeno ao Escrivão no Capitulo 5 de seu Regimento.
§. 9. O Recebedor ha de assistir ás rematações, que se fizerem dos
sepos dos páos cortados para o Pez aceeitando á sua satisfação o fiador,
que lhe der o Rematante, e assignará no livro, em que o Escrivão fizer
o termo da arrematação, tendo cuidado que o dito fiador seja pessoa abo
nada, e que tenha bens, com que possa pagar a falta , que houver no
Rematante; porque constando observa o contrario, se haverá por seus
bens todo o prejuizo, que resultar á Minha Fazenda.
§ 1o. Mando que o Recebedor não possa receber, nem dispender cou
sa alguma, sem assistencia do Escrivão da Fabrica, e que em todos os
pagamentos, que fizer , seja mui prompto de sorte , que por nenhum
principio experimentem as partes demora.
§. il. Ordeno que o Recebedor não venda nos Pinhaes cerneiras,
mas sim se aproveitem no Engenho, e que querendo alguem compra-los
inteiros, lhos venda dentro do mesmo Engenho.
§. 12. Não poderá o dito Recebedor vender madeira de qualidade al
guma sem assistencia do Escrivão, e da mesma sorte conferirá com elle
os preços porque pagar os lavramentos , e carretos das falcas, e páos
que se conduzirem dos Pinhaes para se reduzirem a madeira de venda.
SO 175 |

Preços porque se hão de vender as Madeiras.


M A D E T R A D E T o D o o PA'o.

Solho de 12 palmos de comprido, e palmo, e torno de largo, 3

duzia — — — — — — — — — — — — — — — — *{550
Solho de 15 palmos, a duzia - Á685
Solho de 18 palmos, a duzia - 8825
Solho de 21 palmos, a duzia - 3960
Solho de 24 palmos, a duzia - 13100
Solho de 12 palmos de comprido, e palmo e meio de largura,
duzia - - - - -
Solho de 15 palmos, a duzia —
Solho de 18 palmos, a duzia — — —
- - - - •


— —
• •


• • •

: 13200
1 3 500
13800
Solho de 21 palmos, a duzia - - - - - - - - - 23100
Solho de 24 palmos, a duzia - - - - - - 23400
Couceiras de 12 palmos de comprido, a duzia - - - 1,5680
Couceiras de 15 palmos, a duzia — — — — — — — 23100
Couceiras de 18 palmos, a duzia — — — — — — — 23520
Couceiras de 21 palmos, a duzia — — — — — — — 2,3940
Couceiras de 24 palmos, a duzia — — — — — — — 3,5360
Molduras de 12 palmos, a duzia - 1 3200
Molduras de 15 palmos, a duzia - l 3 600
Molduras de 18 palmos, a duzia - 13800
. Molduras de 21 palmos, a duzia — 23 100
Molduras de 24 palmos, a duzia - 2,3400
Forro de 12 palmos, a duzia - - 23 500
Forro de 15 palmos, a duzia - - 3625
Forro de 18 palmos, a duzia - #3750
Forro de 21 palmos, a duzia - g3875
Forro de 24 palmos, a duzia - 13000
Barrotes de 15 palmos, a duzia 3600
Barrotes de 20 palmos, a duzia 13200
Barrotes de 25 palmos, a duzia 1 3800
Barrotes de 30 palmos, a duzia 2,5400
Ripas de 12 palmos, a duzia - 3 100
Ripas de 15 palmos, a duzia - 23 120
Ripas de 18 palmos, a duzia - 3 140
Ripas de 21 palmos, a duzia - 4 160
Ripas de 24 palmos, a duzia - 3200

Madeiras de Cerne.

Solho de 12 palmos de comprido, e palmo, e torno de largura,


a duzia - - - - - - - - - - - - - - - 1 3200
Solho de 15 palmos, a duzia 1 3 500
Solho de 18 palmos, a duzia - - - - - - - - - 1,3800
Solho de 21 palmos, a duzia 2,3 100
Solho de 24 palmos, a duzia - - - - - - - - - 2,3400
Solho de 12 palmos de comprido, e palmo e meio de largo,
duzia - - - - - - - - - - - - - - - - 25400

}
8]

Solho de 16 palmos, a duzia - - - - - - - - - - - - - 3 3 000


Solho de 18 palmos, a duzia - - -- - - - - - - - - 3 3 600
Solho de 21 palmos, a duzia -- - - - - - - - - - -
4 3200
Solho de 24 palmos, a duzia — — — — — — — — — — —
4 3 800
Couceiras de 12 palmos, a duzia - - - - - - - - - -
2 3 400
Couceiras de 16 palmas, a duzia - - - - - - - - - -
3 3 000
Couceiras de 18 palmos, a duzia — — — — — — — — — —
3 3 600
Couceiras de 21 palmos, a duzia - - - - - - - - - -
4 3200
Couceiras de 24 palmos, a duzia — — — — — — — — — —
4 3 800
Molduras de 12 palmos, a duzia - - - - - - - - - - -
2 3 400
Molduras de 15 palmos, a duzia — — — — — — — — — —
3 3 000
Molduras de 18 palmos, a duzia — — — — — — — — — —
3 3 600
Molduras de 21 palmos, a duzia — — — — — — — — — —
4 3200
Molduras de 24 palmos, a duzia — — — — — — — — — —
4 3 800
Barrotes de 15 palmos, a duzia - - - - - - - - - -
1 3200
Barrotes de 20 palmos, a duzia - - - - - - - - - -
1 5800
Barrotes de 25 palmos, a duzia - - - - - - - - - -
2 3 400
Forro de 12 palmos, a duzia — — — — — — — — — — — 3 700
Forro de 15 palmos, a duzia — — — — — — — — — — — ,3875
Forro de 18 palmos, a duzia - - - - - - - - - - -
1 3 050
Forro de 21 palmos, a duzia — — — — — — — — — — —
1 3 225
Forro de 24 palmos, a duzia — — — — — — — — — — —
1 3400
Ripas de 12 palmos, a duzia — — — — — — — — — — — 3 150
Ripas de 15 palmos, a duzia — — — — — — — — — — — 3 185
Ripas de 18 palmos, a duzia — — — — — — — — — — — 3 225
Ripas de 21 palmos, a duzia - - - - - - - - - - - 3240
Ripas de 24 palmos, a duzia - - - - - - - - - - - ,3260

Preços porque se hão de pagar os jornaes aos Serradores das serras


braçaes, quando os houver.

Taboas de solho, e forro de todo o páo, ou de cerne de 12 pal


mos de comprido, e da largura ordinaria, a duzia a - - -
E o mesmo se entenderá a respeito das mais madeiras, pois pe
lo mesmo preço, que se serrão as de todo o páo, se serrão as
de cerne.
Ditas de 15 palmos, a duzia a - - - - - - - - - - - 3 240 |
Ditas de 18 palmos, a duzia a - - - - - - - - - - - ,3 300
Ditas de 24 palmos, a duzia a - - - - - - - - - - - 3400
Taboas do dito solho de 12 palmos de comprido, e palmo e meio
de largo, a duzia a - — — — — — — — — — — — — — ,3 300
Ditas de 15 palmos a duzia a - - - - - - - - - - - 3360
Taboas de molduras de 12 palmos de comprido, e largura ordi
naria, a duzia - - - - - - - - - - - - - - - 3200
Ditas de 15 palmos, a duzia a - - - - - - - - - - - #3240
Ditas de 18 palmos, a duzia a - - - - - - - - - - - 23 300
Ripas de 12 palmos, a duzia a - - - - - - - - - - - 3 040
• • • •

Barrotes de 12 palmos, a duzia a - • • • • •

3060
Ditos de 15 palmos, a duzia a - 3080
Ditos de 18 palmos, a duzia a - 3 100
Ditos de 20 palmos, a duzia a - 3 120
82 1751

Ditos de 25 palmos, a duzia a - - - - - - - - - - - 32oo


Ditos de 30 palmos, a duzia a - - - - - - - - - - - - 3240
Dutos de 35 palmos, a duzia a - - - - - - - - - - - - 3 300
De abrirem huma viga de 20 palmos em frechaes. - - - - 3 02o
De abrirem huma dita de 25 palmos. - - - - - - - - 3 040
De abrirem huma dita de 30 palmos. - - - - - - -- - 3 060
De abrirem huma dita de 35 palmos. — — — — — — — — 3 060
De abrirem huma dita de 40 palmos. - - - - - - - - 3 060
De abrirem huma dita de 45 palmos. — — — — — — — — 3 060
• •• •

De abrirem huma dita de 6o palmos. • • • • •

3080

Regimento do Escrivão da Fabrica, e Apontador.

§ 1. O Escrivão da Fabriea ha de assistir efectivamente nella fa


zendo todas as receitas, e despezas ao Recebedor, para o que terá em
seu poder os livros necessarios para a boa arrecadaçao da Fazenda, os
quaes hão de ser rubricados, e encerrados pelo Superintendente, e se
rão os seguintes.
§ 2. Terá hum livro de Receita, em que se carregue ao Recebedor
o Moinho com todo o seu inventario, e sobrecelentes, ornamentos, e
mais cousas pertencentes á Capella da Fabrica.
§ 3. No livro lhe carregará tambem em receita todos os materiaes,
que se comprarem para os concertos, de que necessitar o dito Moinho,
e os que para o mesmo efeito receber dos Almoxarifes da Ribeira das
Náos, ou materiaes, a quem passará conhecimento em fórma para as
suas contas. - • •

§. 4. Terá outro livro, que sirva de ponto, em o qual ha de apon


tar de manhã, e tarde o Mestre, e Contramestre, Oficiaes, Guardas,
e Moços, que trabalharem na dita Fabrica, assim no exercicio de ser
rar, como os que a ella forem por occasião de algum concerto, que for
preciso; e no fim de cada semana fará huma feria de todos por seus no
mes distintos, dias, que trabalhárão, em que ministerios, e o que ven
cêrão, descontando aquelles, que deixarem de trabalhar os dias, ou
meios dias, que não assistirem, no que terá grande cuidado; e depois
de assignarem na dita feria todas as pessoas, que nella forem, para cons
tar de como recebêrão o seu pagamento, fará no fim della encerramen
to, que assignará, declarando, que a sua importancia a pagou o Rece
bedor pelo dinheiro de seu recebimento, e que a tal quantia lhe vai lan
çada em despeza em seu livro della, a folhas tantas, cujo termo se fará
na maneira seguinte.
Despendendo o Recebedor das madeiras do Engenho da serraria
a quantia de tanto (sahindo com ela fóra) pela feria que pagou aos Of
ficiaes, e mais pessoas que assistírão, e trabalhárão no dito Engenho, e
sua Fabrica de tantos até tantos de tal mez, e anno em os ministerios
nella declarados, de que eu Escrivão fiz este termo, que assignei em
tantos de tal mez, e anno, e será rubricado pelo Superintendente.
§. 6. Terá dous livros de ementa; hum que sirva para se tomar em
lembrança todas as bicadas, que ficarem dos córtes, que se fizerem pa
ra a Ribeira, páos cahidos por tormenta, e dos que se derem a particu
lares, e tocados de cocumello, que se cortarem no Pinhal, e se condu
zirem para o Engenho, para se reduzirem a madeira de venda; e outro,
em que tambem se tomará em lembrança toda a madeira, que produzi
I75I 83.

rem os taes páos, ou bicadas, que se serrar no dito Engenho, a qual


madeira receberá o Recedor aos serradores no fim de cada semana, fa
zendo o dito Escrivão assento no referido livro com toda a distinção, as
sim das taboas, e barrotes, como das ripas, cerneiros, e costeiros, em
razão de haver diferença nos preços, porque se hão de vender, como no
capitulo delles se declara, e os ditos assentos serão na fórma seguinte.
Fulano de tal parte serrador com seus companheiros serrárão tan
tas duzias de taboado de tal qualidade, ripas, barrotes &c, que lhe forão
recebidos nesta Fabrica pelo Recebedor della, e importou a dita serra
gem tanto a respeito de tanto por duzia, ou por cada ripa, ou barrote
(e sahindo fóra de huma parte com o dinheiro, e da outra com a ma
deira) fará as folhas todas as semanas aos taes serradores, e ás pessoas
que conduzirem os páos, ou falcas, e as lavrárão para o seu pagamen
to, dizendo em cada huma.
Folha do pagamento, que o Recebedor do Engenho da serraria faz
ás pessoas, que lavrárão, e conduzirão dos Pinhaes tantas falcas, ou páos
de tal comprimento, e largura para se reduzirem a madeira, e tiverão
principio em tantos, e findárão em tantos; e da mesma sorte fará a dos
serradores, observando no assento de cada hum a fórma seguinte.
. Fulano de tal parte lavrou, e conduzio do Pinhal para o Engenho
tantas falcas, ou páos de tal comprimento, ou serrou tantas duzias de
madeiras de tal qualidade, que a tanto por cada falca, ou páo, ou por
cada duzia de madeira importa tanto, que recebeo, e assignou; e fazem
do encerramento no fim de cada huma das ditas folhas da mesma fórma,
que se manda praticar nas ferias dos Oficiaes, lhe lançará em despeza
as suas quantias no livro della, pondo primeiro verba deste pagamento
á margem dos assentos, que se tiver feito da dita madeira nos livros de
ementa, de que passará certidão nas referidas folhas; e os assentos de
despeza serão da maneira seguinte.
Despendeo o Recebedor do Engenho da serraria a quantia de tan
to (sahindo com ella fóra) que pagou ás pessoas que lavrárão, e condu
zírão dos Pinhaes para o dito Engenho tantas falcas, ou páos de tal com
primento, e largura para se reduzirem a madeira de venda ou dos serra
dores das serras braçaes, que serrárão tantas duzias de madeiras de tal
qualidade, e comprimento como parece da folha, por onde se lhe fez os
referidos pagamentos, a qual assignada pelas ditas pessoas, ou pelos re
feridos serradores vai a linha da conta do dito Recebedor, de que eu Es
vão fiz este assento de despeza, que assignei; e se poz verba á margem,
dos que se fizerão nos livros de ementa da dita madeira de como se fez
o dito pagamento. Tantos de tal mez, e anno.
§. 6. E logo que na referida fórma tiver feito os ditos assentos de
despeza, carregará em Receita ao Recebedor toda a madeira, que pro
duzem as ditas falcas, e páos, e o que lhe entregarem os referidos ser
radores com a distinção com que no Capitulo 6.° se lhe manda tomar em
lembrança no livro de ementa, cuja receita lhe fará no livro, em que
lhe tiver carregado
los separados o Moinho,
na fórma seguinte.e mais materiaes, que receber em titu

Carrego em receita ao Recebedor do Engenho da serraria tantas


duzias de falcas, ou taboas de tal comprimento, barrotes, ou ripas, cer
neiros, ou costeiros de tal qualidade, que se serrárão no engenho, ou
consta receber pela folha dos pagamentos, que fez ás pessoas que as la
Vrárão, e conduzírão do Pinhal, ou dos Serradores das serras braçaes,
que as serrárão, a qual vai a linha da conta }dito Recebedor, de que
2
84 I75 I

eu Escrivão fiz esta receita, que comigo assignou, e porá verbas nos li
vros de ementas á margem dos assentos, que tiver feito de taes falcas,
e madeiras, em que declare ficarem-lhe carregadas em receita em seu
livro della a folhas tantas.
§. 7. Terá outro livro, que ha de servir, para se tomar em lembran
ça todas as madeiras, que o Recebedor vender, o que fará em titulos se
parados conforme as suas qualidades na fórma seguinte.
Vendeo o Recebedor tantas duzias de taboas de tal qualidade, ou
comprimento, ou barrotes, ripas, cerneiros, ou costeiros, que a preço
de tanto, importa tanto, cujo assento assignará o dito Escrivão com o
Recebedor, sahindo á margem delle com a sua importancia, dando guia
á parte, que a comprar, para a conduzir com segurança, e lhe não ser
tomada por perdida. -

E no fim de cada tres mezes somará o Escrivão os ditos assentos,


e carregará, o que importarem em receita ao Recebedor em outro li
vro, que terá mais para este ministerio, dizendo.
Carrego em receita ao Recebedor do Engenho da Serraria a quan
tia de tanto, procedida de tantas duzias de taboas de tal qualidade, bar
rotes, ou ripas, cerneiros, ou costeiros, que vendeo na Fabrica do En
genho a preço de tanto, como se mostra do livro das vendas de folhas
tantas até tantas, de que eu Escrivão fiz esta receita, que comigo as
signou o dito Recebedor.
E depois de feitas nesta fórma as referidas receitas porá verba no
dito livro das vendas, em que declare que a importancia daquella soma
fica carregada ao Recebedor em seu livro de receita a folhas tantas.
§. 8. No dito livro lhe carregará tambem em titulos separados o di
nheiro, que produzirem os sepos dos páos cortados, que se rematarem
para Pez,as edespezas
car para as condenações,
da mesmaque por este Regimento se mandão appli
Fabrica. • •

§. 9. Ha de assistir ás arrematações dos lavramentos das madeiras


com o Superintendente, e Feitor da Pederneira, fazendo termo em outro
livro, que terá mais para esse ministerio, e declarando nelle o tempo,
em que se devem fazer, e o preço, porque se rematão, cujo termo as
signará com o Feitor, e Rematante, e seu Fiador depois de reconheci
do, e aceito pelopara
Superintendente dito aFeitor, a quem passará Certidão rubricada pelo
sua conta. •

§. 10. Da mesma sorte fará os das rematações dos sepos dos páos cor
tados para o Pez, a que ha de assistir o Recebedor da Fabrica, e não o
Feitor da Pederneira; e declarará nos termos, que fizer o preço, porque
se rematão, e o tempo, em que o Rematante ha de fazer entrega do di
nheiro, o qual assignará com o seu Fiador na fórma assima, que tambem
terá reconhecido, e aceito pelo Recebedor, a quem carregará em recei
ta todo o dinheiro, que receber do Rematante, passando-lhe conhecimen
to em fórma della para sua descarga.
§. 11. No fim de cada tres mezes fará huma folha dos ordenados do
Superintendente, seu, e do Recebedor, para por ella serem pagos, em
que todos assignarão, de como recebêrão o seu pagamento; e fará da sua
importancia hum termo no livro da despeza em titulo separado, declaran
do, que o Recebedor dispendeo a quantia de tanto, pelo pagamento,
que fez dos ordenados do Superintendente, Escrivão, e Recebedor da
Fabrica em os tres mezes de tantos até tantos, como consta da folha dos
ditos ordenados, em que todos assignárão, e vai a linha do dito Rece
bedor. ?
|-
1751 • 85

$ 12. O Escrivão ha de ter huma das tres chaves do cofre, em que


se ha de meter todo o dinheiro, que se carregar em receita ao Recebe
dor, assim do producto da venda das madeiras, como dos sepos dos páos
cortados, que se rematarem para o Pez, e condenações, que se mandão
applicar para as despezas da mesma Fabrica, e os ferros, com que se hão
de marcar as madeiras.
§. 13. Ha de assistir ás marcas, e avaliações da madeira, que por
ordem do Conselho mandar vir o Feitor da Pederneira, e São Martinho,
ara a Fabrica da Ribeira das Náos, tomando-as em lembrança em hum
RE: que terá mais para esse efeito; e conferindo com ele os assentos,
que das mesmas ha de fazer o Escrivão do dito Feitor em outro, os apre
sentará ao Superintendente, para pôr sinal de Conferencia em ambos, e
os rubricará na fórma, que se lhe declara no Capitulo 24. do seu Regi
ImentO. •

§. 14. Terá em cada hum anno, além de seu ordenado, seis mil e
quatrocentos réis por huma vez sómente para o papel, que lhe for pre
ciso para o expediente do seu oficio, os quaes serão levados em conta
ao Recebedor por termo separado feito em seu livro de despeza.
Regimento do Mestre da Fabrica, e Engenho.
§. 1. O Mestre ha de estar á ordem do Superintendente, Recebe
dor, e Escrivão da Fabrica, e será pessoa, que tenha conhecimento de
tudo, quanto he preciso para o Engenho serrar com facilidade toda a cas
ta de madeira, e que saiba introduzir as serras á proporção das falcas,
especulando os desconcertos mais interiores do mesmo Engenho, dos
quaes dará conta ao Recebedor, para o fazer presente ao Superinten
dente.
§ 2. Deve assistir actualmente no Engenho, e zelar os Oficiaes não
sómente, para que se não descuidem das suas obrigações, mas para ver,
se trabalhão, como deve ser em modo, que não tenha o Engenho pre
juizo.
§. 3. E porque o Mestre tem obrigação de procurar que se não le
vem ordenados, ou jornaes indevidamente, achando alguns carpinteiros,
ou Oficiaes, que por preguiça, ou falta de sciencia não são capazes;
dará conta ao Recebedor, para que informando o Superintendente da in
capacidade delles os despeça, ou suspenda.
§. 4. Ha de ter todo o cuidado, em que o Engenho ande sempre lim
po, e concertado, como tambem as tercenas, e mais officinas do dito
Engenho, dando parte ao Recebedor dos concertos, que forem necessa
rios com relação, do que for preciso para elles, para ser presente ao Su
perintendente. - (

§. 5. Ha de assistir ao pagamento das ferias , para que os Oficiaes


não possão fazer engano algum, quando o receberem, e se descontar os
dias, ou meios dias daquelles, que não trabalharem.
Regimento do Contramestre do Engenho.
§ 1. O Contramestre deve ser o primeiro, que appareça todos os dias
a trabalhar no Engenho, para que os Oficiaes a seu exemplo procurem
vir cedo, e assistirá com o Mestre ao pôr das falcas ás serras, enchen
do estas, quanto for possivel, e accommodando as falcas ao lugar, que
lhe corresponder para que o Engenho não trabalhe debalde.
86 1751
§. 2. O Contramestre ha de observar as determinações do Mestre,
concertar, e apontar as serras, fazendo tudo o mais, que elle lhe man
dar a bem do serviço do mesmo Engenho.

Regimento do Guarda do Engenho.


§. 1. O Guarda assistirá continuamente no Engenho de muros a den
tro de dia, e de noite, para abrir, e fechar as portas ás suas horas.
§ 2. Ha de guardar com muito cuidado as madeiras, que estiverem
recolhidas dos muros a dentro do Engenho, e todos os mais aprestos do
mesmo Engenho , e faltando alguma cousa será privado da sua occupa
ção, e castigado, como parecer ao Superintendente.
§. 3. O Guarda ha de marcar toda a madeira, que sahir do Enge
nho, e ajudar ao Contramestre no concerto, e apontamento das serras.
§. 4. O Guarda não deixará tirar madeira, ou cousa alguma do En
genho sem ordem do Superintendente, e fazendo o contrario será priva
do da occupação, e punido, como parecer ao Superintendente.
+

Regimento do Moço do Engenho, ou Continuo.


§. 1. O Moço do Engenho ha de assistir actualmente nelle, para acu
dir a tudo, o que se lhe encarregar a bem do serviço do mesmo Enge
nho, e ao Superintendente recommendo prôva este Oficio em pessoa de
verdade, e intelligencia, que não seja criado de nenhum dos Officiaes,
nem sirva ou lhe faça recados, que respeitem ás suas conveniencias par
ticulares.
§ 2. Ha de tanger o sino , para se ajuntarem os Oficiaes, e mais
pessoas, que trabalharem na Fabrica do Engenho, que será de Verão ás
seis horas, e de Inverno ás sete.

Regimento do Feitor das Madeiras dos Portos da Pederneira, e


S. Martinho.

$. 1. O Feitor das Madeiras da Pederneira, terá hum livro rubrica


do pelo Provedor dos Armazens, em que se lhe carregue em receita to
do o dinheiro, que receber do Recebedor da Fabrica do Engenho da ser
raria para os córtes, e conducções das Madeiras, que Eu mandar fazer
nos. Pinhaes para a Ribeira das Náos, em o qual lhe lançará o seu Es
crivão em despeza toda, a que ele fizer na fórma , que se declara no
seu Regimento, para o que não dispenderá cousa alguma, sem ser em
sua presença. -

§. 2. Tanto que o Concelho da Fazenda ordenar , que se faça córte


nos Pinhaes de Leiria, e o Provedor dos Armazens lhe remetter o man
dado do Védor da Fazenda com relação da Madeira, que he necessaria,
a mandará registar pelo seu Escrivão, e o dito Mandado no principio do
livro de sua receita, e fará hum orçamento do dinheiro, que poderá im
portar o dito córte , e conferindo-o com o Superintendente da Fabrica
lhe requererá, ordene ao Recebedor della lhe entregue o dito dinheiro,
pelo que tiver carregado em sua receita, a quem passará Conhecimento
em fórma para a sua conta, e não o tendo o dito Recebedor com Certi
dão do seu Escrivão rubricada pelo referido Superintendente, em que se
declare, o que he preciso, e que o Recebedor o não tem , o fará pre
sente ao Concelho da Fazenda, para se lhe remetter pelos Armazens de
175I 87

Guiné, e India, e hirá ter com o Guarda Mór dos Pinhaes, para deter
minar o dia, e o sitio, em que se ha de fazer o dito córte, ao qual de
ve assistir pessoalmente. •

§. 3. O Feitor, quando entender, ser mais conveniente á Minha Real


Fazenda dar os lavramentos antes por empreitada do que por jornaes, re
quererá ao Superintendente, que o mande pôr a pregão, para se rema
tar, a quem por menos a fizer, assistindo ás rematações, para approvar
os empreiteiros, e seus fiadores, e assignará os termos, que das mes
mas se fizer, recebendo Certidão delles para ajuntar á sua conta, e obri
gar por ella aos empreiteiros, quando seja necessario , a quem pagará
com promptidão na fórma, que se declara no Capitulo 3 do Regimento
do Escrivão.
§. 4. Ha de assistir ás marcas, e avaliações de toda a Madeira, que
se conduzir dos Pinhaes para o Porto de S. Martinho com o seu Escri
vão, e o da Fabrica do Engenho presenciando as conferencias, que es
tes fizerem na fórma que se declara nos Capitulos 6 e 13 de seus Regi
II) e IllOS. - •

§ 5. Ao Feitor pertence o cuidar na conservação dos Pinhaes, re


querendo ao Guarda Mór a sementeira de novos Pinheiros, a limpeza,
e boa guarda dos Pinhaes. \

§ 6. O Feitor ha de repartir pelos Juizes Ordinarios as ordens do Su


perintendente para as conducções das Madeiras, e remetter-lhe Certi
dão dos Escrivães da Camara, de que se achão servidos na fórma, que
se diz no Regimento do Superintendente § 1o. não procedendo por si a
condemnação alguma contra os Lavradores, nem a outro qualquer pro
cedimento, pois só lhe toca requerer ao Superintendente, e Guarda Mór,
em quem está toda a jurisdicção. +

§. 7. Ha de pagar todos os tres mezes o seu ordenado do Escrivão,


e Meirinho da Feitoria, e todas as semanas as ferias dos Officiaes que
fizerem o córte, e lavramento das Madeiras, quando estes senão derem
de empreitada, e aos Carreiros, que a conduzirem para o porto de S.
Martinho na fórma , que se declara nos Capitulos 3.4.7. e 8. do Regi
mento do Escrivão.
$ 8. E a cada lancha, das que os Mestres dos Hiates requererem,
para os botarem de barra em fóra , pagará a mil e duzentos réis cujos
donos assignarão o termo de despeza, que o Escrivão fizer do dito paga
mento, para constar de como o recebêrão.
§. 9. O Feitor terá de salario oitocentos réis por dia , e no tempo,
que durar o córte, que Eu for servido mandar fazer, vencerá quatrocen
tos e oitenta réis tambem por dia , para huma cavalgadura , os quaes
não excederão nunca o termo de tres mezes em cada hum anno, e fa
zendo mais alguma despeza, se lhe não levará em conta.
§ 1o. E porque pelo Regimento, que o dito Feitor tinha encorpora
do no dos Armazéns, se lhe ordenava que todos os tres annos seria obriga
do a dar conta nos Contos do Reino, e Casa; Sou servido declarar, que
daqui em diante as venha dar nos Meus Armazens da mesma sorte, que
são obrigados a da-las os Feitores das Madeiras de Pinho, e Sobro, por
convir a Meu serviço, que as ditas contas se lhe tomem nelles; e assim
Hei por derogado nesta parte o dito Regimento , ficando em seu vigor
tudo o mais, que não encontrar este.
88 |175 |

Regimento do Escrivão das Madeiras dos Portos da Pederneira, e


S. Martinho.

§. 1. O Escrivão da Feitoria das Madeiras ha de ter em seu poder


os livros, com que deve servir o Feitor, os quaes háo de ser rubricados
pelo Provedor dos Armazens, e serão os seguintes.
§ 2. Terá hum livro, em que carregue em receita ao dito Feitor to
do o dinheiro, que receber do Recebedor da Fabrica do Engenho da ser
raria, ou do Thesoureiro dos Armazens para os córtes, que se manda
rem fazer nos Pinhaes de Leiria para a Fabrica da Ribeira, cujos assen
tos serão na fórma seguinte = Em tantos de tal mez, e anno carrego em
receita ao Feitor das Madeiras, Fulano, tanta quantia de dinheiro que
recebeo de Fulano para córtes de Madeiras, lavramentos, e conducções
dellas, e de como recebeo a dita quantia assignou aqui comigo, e des
ta receita se passou Conhecimento em fórma ao dito Fulano para a sua
conta feito por mim, e assignado por ambos. .… "

§ 3. No dito livro fará os termos de despeza, assim de jornaes dos


Oficiaes, que fizerem os córtes, e lavramentos das Madeiras, quando
estes senão derem de empreitada, como das mais despezas, que pelo
Regimento do dito Feitor se lhe manda pagar, os quaes termos serão fei
tos na fórma seguinte.
Despendeo o Feitor das Madeiras dos portos da Pederneira, e S.
Martinho a quantia de tanto, que pagou aos Oficiaes que trabalhárão
nos córtes, e lavramentos das Madeiras , em a semana de tantos até
tantos de tal mez, como consta da feria, em que todos assignárão : ou
com os carreiros, que conduzírão do Pinhal tantos páos, falcas, ou ta
boas, como consta da folha, que delles se fez , em que todos assigná
rão, de como recebêrão o seu pagamento, a qual com os mais papeis
vai a linha.
E sendo os córtes , e lavramentos das Madeiras de empreitada,
lançará da mesma sorte no dito livro o dinheiro , que o Feitor entregar
aos empreiteiros, os quaes assignarão, para constar de como o recebêrão
§. 4. Terá outro livro, em que apontará os ditos Oficiaes, quando
os lavramentos forem feitos por jornaes, e as carradas que trouxerem os
carreiros com distincção, do que importão, segundo as marcas, e qua
lidades das Madeiras, que conduzirem , e no fim de cada semana fará
huma feria dos Oficiaes, e huma folha dos carreiros por seus nomes dis
tinctos com as clarezas acima declaradas no termo da despeza , pondo
verba do pagamento, que se fizer aos Oficiaes no livro do ponto, e aos
carreiros á margem dos assentos, que se tiver feito das ditas Madeiras
no livro das marcas. •

§. 5. Ha de assistir aos córtes, que se fizerem tomando as marcas


de todas as Madeiras em outro livro , que terá mais para esse ministe
rio, e depois de lançadas nelle o conferirá com o do Escrivão da Fabri
ca, e o apresentará ao Superintendente, para lhe pôr signal de confe
rencia , e o rubricar na fórma , que se declara no Capitulo 24. de seu
Regimento.
§. 6. Terá outro livro, que sirva de ementa, em que tomará em lem
brança toda a Madeira, que constar das Guias, que passar aos Mestres
dos Hiates, que a conduzirem para a Ribeira das Náos, os quaes serão
obrigados entregar-lhes as ditas Guias na sua torna-viagem, com Certi
dão do Escrivão do Almoxarifado da dita Ribeira passada nellas, para
175 I 80

constar, de como entregárão no dito Almoxarifado toda a Madeira, que


ellas continhão; e poder o dito Feitor, findo o córte, requerer seu co
nhecimento em fórma.
§. 7. No fim de cada tres mezes fará huma folha dos salarios do Fei
tor, seu, e do Meirinho da Feitoria, para por ella serem todos pagos,
e depois de assignarem, de como recebêrão, fará hum termo da sua im
portancia em titulo separado declarando, que o Feitor despendeo a quan
tia de tanto pelo pagamento, que fez dos seus salarios, Escrivão , e
Meirinho da Feitoria em os tres mezes de tantos, até tantos, como cons
ta da folha, em que todos assignárão, e vai a linha.
§. 8. . Da mesma sorte lhe lançará em despeza o que pagar aos donos
das lanchas, que deitarem de barra em fóra os Hiates, que forem á con
ducção das Madeiras dos córtes, que se fizerem para a Ribeira das Náos,
fazendo-os assignar, para constar de como recebêrão.
§. 9. O Escrivão ha de ter quatrocentos réis por dia de salario, e no
tempo, que durarem os córtes, que Eu for servido Mandar fazer, ven
cerá quatrocentos e oitenta réis tambem por dia para huma cavalgadura,
os quaes não excederão nunca o termo de tres mezes, em cada hum an
no, como se declara no Capitulo 9. do Regimento do Feitor, e terá mais
seis mil e quatrocentos cada anno para a despeza do papel, que lhe ha
de ser preciso para o expediente do seu oficio.

Regimento do Meirinho da Ribeira, e Portos da Pedermeira, e


S. Martinho.

§. 1. O Meirinho ha de executar com promptidão as ordens, que o


Feitor lhe entregar do Superintendente, e Guarda Mór, assistindo com
cuidado ao descarregar das Madeiras, para que senão desencaminhem.
§ 2. Deve denunciar dos Carreiros, que maliciosamente esconderem
Madeiras, para se aproveitarem dellas; e aos Carreiros, que não forem
em direitura com a Madeira ao porto , e as largarem no meio do cami
nho em risco, de se perderem, notificará, para se verem condemnar pe
lo Superintendente; o qual os condemnará por cada vez, que as desen
caminharem em quinhentos réis, e que as deixarem no caminho em du
zentos réis para o Meirinho.
§ 3. Terá de ordenado vinte mil réis cada anno, e quatrocentos e
oitenta réis da carga de cada Hiate, a que assistir.
Pelo que Mando aos Védores da Minha Fazenda , e Conselheiros
della, fação cumprir , e guardar este Regimento pelo Guarda Mór, e
Superintendente, Feitor, Recebedor, e mais Oficiaes do Pinhal de Lei
ria, e Fabrica da Madeira da Marinha, como nelle se declara, e todos
os mais Regimentos, Privilegios, e Ordens, que encontrarem , o que
neste Regimento se contém, derogo, e Hei por derogados, porque des
te sómente Quero que se uze, por assim convir ao Meu serviço: E Man
do que depois de ser por Mim assignado se imprima ; e este me praz,
que tenha força, e vigor, como se fosse Carta passada em Meu Nome,
posto que não passe pela Chancellaria sem embargo das Ordenações em
contrario Livro 2. Tit. 39.40. e 44. em que Ordeno se não faça obra por
Carta, ou Alvará, que não seja passado pela Chancellaria. Lisboa em
25 de Junho de 1751. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist, na Secretaria de Estado no Livro X, das Pa
tentes a fol. 246, e impr. avulso.
90 175 |

# #<>$ #

Sesºs-Me presente a dúvida, que se moveo sobre informar o Desem


bargador João de Souza Caria em virtude de huma Portaria passada pe
la Meza da Consciencia, sobre a representação feita á mesma Meza pe
lo Promotor, e Procurador Geral dos Captivos, e ter mandado sobre es
ta materia ouvir os Tribunaes competentes : Sou Servido declarar, que
na fórma do Capitulo sessenta e quatro do Regimento da Meza da Con
sciencia, e o costume sempre observado, devia não entrar em dúvida o
dito Desembargador João de Souza Caria para informar, como lhe esta
va mandado, e tambem requerido pelo Procurador da Coroa; o que com
efeito executará: E pelo que respeita a juntar o dito Promotor e Procu
rador dos Captivos os Autos á conta que deo na Meza : Fui Servido
mandar-lho estranhar pela referida Meza , a qual lhe ordenará os resti
tua ao Juizo a que tocão: E Sou Servido declarar, que o dito Promotor,
não deve ser condemnado em custas nas Sentenças , que se proferirem
na Relação : O Duque Regedor, ou quem seu cargo servir o tenha as
sim entendido, e o mande executar. Lisboa 13 de Julho de 1751. = Com
a Rubríca de Sua Magestade.

Regist. na Casa da Supplicação no Livro XIV. dos De


cretos a fol. 123 vers.

#=}} * @*% #

EU ELREI Faço saber, aos que este Meu Alvará de Regimento vi


rem, que sendo-Me presentes varias Consultas da Junta dos Tres Esta
dos sobre se levantar a suspensão das propinas, que os Officiaes do mes }
mo Tribunal, e de, outras Casas, e Estações suas subalternas levavão
até ao anno de mil setecentos e trinta e sinco, dos assentos de munição
de bocca; e sobre se concederem de novo , e se accrescentarem outras
a outros Oficiaes, que não as tinhão, ou as levavão diminutas, sendo
fundamento de todas as súpplicas, e votos, que persuadião a concessão
pertendida, a tenuidade dos ordenados, que os mesmos Oficiaes tinhão,
para se poderem honestamente sustentar pela carestia do tempo presen
te em comparação do antigo, em que lhe forão concedidos com respeito
ao trabalho, e graduação de seus oficios: Fui servido Mandar conferir,
e examinar esta materia ; e considerando , que todas as ditas propinas
são pagas de Minha Fazenda, ainda as que pagão os Contratadores, que
certamente fazem conta com a sua despeza tanto para baixerem os Con
tratos de rendas, como para levantarem os preços dos assentos; e que
ficando sempre os ordenados nas quantias da sua primeira criação , já
mais cessaria a cauza de se pedirem propinas, nas quaes se descobrião
muitas irregularidades, levando-as alguns Oficiaes, a que não estavão
concedidas, por despachos, que lhas não podião conceder, e inventan
do se varios Oficios, que propriamente são incumbencias da obrigação
dos Officiaes , para com este titulo duplicarem , e treplicarem as pro
# a huma só pessoa contra a disposição do Decreto, que as con
CCCICO !
175 | 91

Hei por bem extinguir todas as propinas , e ajudas de custo or


dinarias, assim de dinheiro, como de generos, ou especies, que se pa
gão pelos Thesoureiros, Almoxarifes, e outros Oficiaes de Minha Fa
zenda, ou pelos Rendeiros, e Assentistas, ao tempo dos arrendamentos
seja qualquer que for o titúlo, porque se concedêrão, e cobravão até ao
presente na Junta dos Tres Estados, e em todas as Casas, Mezas, Jui
zos, e Estações suas subalternas, e para este fim de Meu motu proprio,
poder Real, e absoluto revogo, e annulo todas as Leis, e Alvarás, Pro
visões, Decretos, e Resoluções Minhas, e dos Reis meus predecessores,
pelas quaes forão concedidas, como se de cada huma fizesse expressa
menção; e Mando, que no Registo de todas, se ponhão verbas de co
mo forão derogadas por este Alvará. E para que os Ministros, e Ofi
ciaes do dito Tribunal, e suas repartições subalternas, Me possão bem
servir : Hei outrosim por bem Ordenar a este respeito, para ter a sua
execução desde o primeiro de Julho deste presente anno em diante, o
seguinie. -

Aos Deputados da Junta Sou servido conceder a cada hum, no


vecentos e sessenta mil réis de ordinaria annual, pagos aos quarteis de
tres mezes, supprimidas todas as outras Ordinarias, propinas, e ajudas
de custo, que até ao presente levavão de dinheiro, e especies , assim
por Minha Fazenda, como pelos Rendeiros, e Assentistas della, e o que
levavão a titulo das assignaturas, e rubricas de livros, que mais não le
varão. •

E esta mesma Ordinaria estabelecida para cada hum dos Deputa


dos levará o Secretario de Estado desta repartição, em lugar das propi
nas, e Ordinarias extinctas , que igualmente levava com os ditos De
P utados.
Os Oficiaes da Junta, e suas repartições subalternas, haverão
os ordenados seguintes. O Secretario da Junta, hum conto de réis : o
Procurador Fiscal, seiscentos mil réis: o Oficial Maior da Secretaria,
quinhentos e sincoenta mil réis : cada hum dos Officiaes numerarios da
mesma Secretaria, quatrocentos mil réis, e os emolumentos que direi
tamente lhes pertencerem levar das partes; mas pelas incumbencias, e
occupações della não levarão mais cousa alguma , e as servirão por dis
tribuição entre todos. Os Praticantes que Eu for servido criar para a
mesma Secretaria , em quanto não passarem para Oficiaes , vencerão
cem mil réis de ordenado. O Porteiro da Junta , que tambem serve de
Thesoureiro das despezas della , e tem obrigação de cuidar do aceio do
Tribunal, por todos estes empregos, seiscentos e cincoenta mil réis.
Cada hum dos dous Continuos da Junta, duzentos mil réis. O Solicita
dor das causas da Junta, duzentos mil réis. O Meirinho da Junta, que
tambem o he da Védoria, e Fortificações, e do Juizo do Tombo dos con
fiscados, e hum dos dous Procuradores do mesmo Juizo, por todos estes
oficios, quatrocentos e oitenta mil réis, e levará das partes os emolu
mentos, que direitamente lhe pertencerem. O Escrivão do dito Meiri
nho, que com elle serve na Junta, Védoria, e Fortificações, trezentos
e vinte mil réis, e os emolumentos das partes, que direitamente lhe per
. tencerem.
O Thesoureiro Mór da Junta, hum conto e duzentos mil réis. O
Escrivão do Thesoureiro quinhentos e sincoenta mil réis. O Pagador do
Thesoureiro trezentos mil réis. O Continuo do Thesoureiro duzentos se
tenta mil réis. O Fiel do Thesoureiro trezentos mil réis. O Escrivão do
Registo geral, hum conto de réis. O "M Oficial
2'
trezentos mil réis. O

92. 1751

Escrivão dos Assentos, quinhentos e trinta mil réis, e os emolumentos,


que direitamente lhe tocarem das partes; a que passar Conhecimento.
O Superintendente da Contadoria Geral de Guerra, e Reino hum
conto e quatrocentos mil réis. O Provedor dos Exercitos com as incum
bencias de Escrivão da Meza do Despacho, e do real da agoa, que sem
pre deve servir, hum conto do réis. O Provedor das Revistas, com a
incumbencia do dobro das Cizas, que sempre deve servir, setecentos e
vinte mil réis. O primeiro Provedor das ementas, com as incumbencias
dos novos direitos das Comarcas, receita, e despeza do Thesoureiro das
despezas da Junta que sempre deve servir , oitocentos e vinte mil réis.
O segundo Provedor das ementas, com a incumbencia de Escrivão da
receita dos Executores, que sempre deve servir, seiscentos e noventa
mil réis. Cada hum dos Contadores, quatrocentos mil réis. E servirão to
dos por distribuição as incumbencias, que atégora se davão a Contado
res certos, sem que por ellas levem mais cousa alguma ; e os Contado
res, que Eu despachar em Provedores supranumerarios, haverão mais
cem mil réis de ordenado. * * •

Cada hum dos Executores , seiscentos e vinte mil réis. E sendo


algum delles Provedor supranumerario haverá mais cem mil réis de or
denado, como dito he dos Contadores. Cada hum dos Escrivães das Exe
cuções, trezentos mil réis; e hum delles, que tambem he Guarda-Li
vros, haverá por este oficio mais cem mil réis. Cada hum dos Escrivães
da Contadoria Geral, trezentos mil réis; e servirão entre todos por dis
tribuição as incumbencias, que atégora se davão a certos Escrivães, sem
que por ellas levem mais cousa alguma , como fica disposto nos Conta
dores. Cada hum dos Praticantes do número, cento e sincoenta mil réis,
e servirão entre todos por distribuição as incumbencias, que atégora se
davão a certos. Praticantes, sem que por ellas levem mais cousa alguma,
como dito he, e dos Escrivães. Cada hum dos Praticantes supranumera
rios, vencerá seis mil réis de Ordinaria, pagos polo Natal de cada hum
anno. O Porteiro da Contadoria, que tambem serve de Thesoureiro das
despezas della, por ambos os empregos, trezentos e trinta mil réis. O
Ajudante do Guarda-Livros, que tambem serve de Porteiro da Casa, em
que residem os Deputados da Junta quando vão á Contadoria, por am
bos os empregos, duzentos e sincoenta mil réis. Cada hum dos Conti
nuos cem mil réis. O Meirinho da Contadoria oitenta mil réis. O Escri
vão do dito Meirinho oitenta mil réis. E todos estes Oficiaes da Conta
doria Geral haverão das partes os emolumentos, que direitamente lhe
pertencerem. •

O Védor Geral da Corte, além de duzentos e quarenta mil réis,


que venoe de soldo como tal , e como Védor das Fortificações , haverá
mais pelo ordenado de Conservador do Assento, e propinas extinctas,
setecentos e sessenta mil réis, que ao todo faz hum conto de réis. O Of
ficial Maior da mesma Védoria, entrando o soldo, quatrocentos mil réis.
Cada hum dos Commissarios de Mostras, entrando o soldo, duzentos e
quarenta mil réis. O Eserivão do Hospital do Castello, sessenta mil réis.
Cada hum dos Oficiaes da Védoria , entrando o soldo, cento e oitenta
mil réis. O Official, que servir de Escrivão das Fortificações, por este
emprego haverá mais noventa e seis mil réis. O Oficial, que servir de
Escrivão da Conservatoria dos Assentos, haverá mais por este emprego
cento sessenta e oito mil réis. O Oficial, que servir de Contador, e de
Inquiridor haverá mais por este emprego, setenta mil réis. O Oficial do
Registo entrando o soldo, cento e vinte mil réis. O primeiro Escrivão
I75| • 93

dos mantimentos, entrando o soldo, i cento e vinte e cinco mil réis. O


segundo Escrivão dos mantimentos, entrando o soldo, cento e vinte mil
réis. Cada hum dos Praticantes do número, entrando o soldo, e servin
do de Oficiaes, cento e dezoito mil réis. Cada hum dos Praticantes su
pranumerarios, quarenta e cinco mil réis. O Porteiro, e Guarda-livros,
por ambos os oficios, cento e vinte e cinco mil réis. O seu Ajudante,
cento e dez mil réis. O Continuo cem mil réis. O Pagador geral da Cor
te, entrando o soldo trezentos e oitenta mil réis. Cada hum dos dous
Fieis do Pagagor geral, entrando o soldo, cento e vinte réis. O Almoxa
rife do Hospital do Castello, entrando o soldo, cento e cincoenta mil réis.
O Meirinho, e seu Escrivão, já vem deferidos na repartição, e titulo
da Junta. E todos estes Oficios da Védoria, Fortificações, e Conserva
toria dos assentos, levarão das partes os emolumentos, que direitamen
te lhes tocarem.
O Superintendente dos novos direitos, que tambem he Juiz pri
vativo dos devedores da Fazenda Real da mesma repartição, quinhentos
e cincoenta mil réis. O Thesoureiro dos novos direitos que he Executor
da sua receita, attendendo-se ás quebras do seu recebimento, quinhen
tos, e setenta mil réis. O Escrivão da receita, e despeza do Thesourei
ro, que tambem serve de Executor das fianças, quatrocentos e cincoen
ta mil réis. O Escrivão do Registo geral, cento e oitenta mil réis. O
Continuo cento e vinte e cinco mil réis. E todos levarão os emolumen
tos, que direitamente lhes tocarem. •

O Superintendente Geral dos quatro e meio por cento da Corte,


e termo, quinhentos mil réis. O Escrivão do dito cargo, cento e oiten
ta mil réis, e os emolumentos das partes, que direitamente lhe perten
CCl'CII]. |- * ** * *

O Juiz do Tombo dos bens dos ausentes, e confiscados, duzentos


e quarenta mil réis, e as assignaturas das partes, que por direito lhe to
carem. O Escrivão do dito cargo, cento e cincoenta mil réis, e os emo
lumentos das partes, que lhe pertencerem. O Official papelista do dito
Juizo, sessenta mil réis, e os emolumentos, que lhe tocarem. O Portei
ro, e Continuo, por ambos os Oficios qnarenta mil réis. Hum dos Pro
curadores do Juizo, trinta e cinco mil réis, e outro, que he Meirinho da
Junta, vai pago na mesma repartição em seu titulo.
O Tenente General de Artilharia do Reino, além dos duzêntos,
e quarenta mil réis, que tem do soldo, haverá outros duzentos e quaren
ta mil réis de ordenado pelas propinas extintas, e augmento, e faz por
tudo quatrocentos, e oitenta mil réis. O Escrivão da Meza grande da
Tenencia, cento e vinte mil réis. O Escrivão dos Armazens, e Torre da
Polvora, a que toca insolidum escrever a receita, e despeza do Almoxa
fe da dita Torre, cento e oitenta mil réis. O outro Escrivão dos Arma
zens, e Torre da Polvora, cento e quarenta mil réis, além do ordenado,
que tem pela repartição da Coroa. O Escrivão do cargo do Tenente Ge:
neral, que tambem serve de Oficial do Registo, cento e quarenta mil
rêis, além do ordenado, que leva pela repartição da Coroa. O Almoxa
rife dos Armazens do Reino, cem mil réis, e ametade das taras dos ge
neros, que receber. O Contador da Tenencia, cento e cincoenta mil
réis. O Escrivão das separações, cento e cincoenta mil réis. O Oficial
papelista da Tenencia quarenta mil réis, além do que leva pela reparti
cão da Coroa. O Porteiro, e Guarda-livros, quarenta mil réis, além do
que leva pela repartição da Coroa. O Meirinho da Tenencia; cento e dez
mil réis. O Fiel, e Guarda-chaves dos Armazens oitenta mil réis. O Fiel
94. 175 I

do Pateo dos Armazens oitenta mil réis. O Apontador da Fabrica das


Armas oitenta mil réis. Cada hum dos dous Continuos vinte e cinco mil
réis. E todos os ditos Oficiaes da Tenencia, e o Escrivão do Meirinho,
que não tem ordenado separado, por ser hum dos Continuos, levarão os
emolumentos das partes, que direitamente lhes deverem.
O Almoxarife da Torre da Polvora, noventa e seis mil réis. O
Fiel do dito Almoxarife sessenta mil réis. E os dous Escrivães da mes
ma Torre, já vem pagos no titulo da Tenencia.
As propinas dos assentos de munição de boca, que estão suspen
sas, e depositadas desde o anno de mil setecentos e trinta e cinco: Sou
servido, que se repartão pelos Oficiaes respectivos a que tocão, ou a
seus herdeiros, e que nunca mais se levem.
Não se levará mais propina alguma extraordinaria, sem nova re
solução, ou Decreto Meu; e quaudo Eu for servido de a conceder, se
regulará a hum por cento da importancia dos ordenados dos Oficiaes;
porém para os Deputados será a dous por cento da importancia da sua
ordinaria, e a mesma propina, que tocar a cada hum dos Deputados,
levará o Secretario de Estado desta repartição. Os Oficiaes menores,
que tiverem menos de cem mil réis de ordenado, se regularão, como se
os tivessem. E quando Eu for servido mandar, que os Tribunaes, e suas
Estações subalternas tomem luto, se regulará, o que se ha de dar a ca
da hum dos Deputados da Junta a dez por cento da importancia da sua
ordinaria, e outro tanto para o Secretario de Estado da Repartição: po
rém para os Officiaes a cinco por cento, com tanto, que aos Oficiaes
menores, que não chegarem a ser regulados em sete mil réis, se lhes dê
sempre esta quantia para luto.
Quando algum dos Deputados da Junta, ou Secretario de Estado
da Repartição estiver doente sangrado, poderá a mesma Junta com cer
tidão de Medico mandar-lhe dar huma ajuda de custo de sessenta mil
réis: e quando do mesmo modo estiver doente algum Oficial da mesma
Junta, e Casas Subalternas, poderá mandar-lhe dar de ajuda de custo
até quarenta mil réis aos de maior predicamento, e d’ahi para baixo res
pectivamente conforme a graduação dos seus Officios, não baixando de
dez mil réis.
E porque as sobreditas Ordinarias, e Ordenados devem princi
piar no primeiro de Julho deste presente anno, para serem pagos aos
quarteis pelo Thesoureiro Mór dos tres Estados: Hei por bem que sejão
pagos, não obstante, que os seis mezes deste presente anno não vão em
folha, cessando no pagamento dos antigos emolumentos.
Para os novos Ordenadas se vencerem, servirão os Proprietarios
os seus oficios na fórma da Lei do Reino, e Regimento da Fazenda; e
quando por alguma justa causa, Eu for servido conceder-lhes, que pos
são meter Serventuarios, haverão estes duas partes, e os Proprietarios
huma terça parte dos ditos ordenados, sem poderem receber mais cousa
alguma directa, ou indirectamente, nem ainda dinheiro emprestado sem
juro, pelo tempo que durarem as serventias. E os Proprietarios, que ti
verem filhos, Alvarás, para estes servirem nos seus impedimentos, não
vencerão mais que hum só ordenado. E não poderão os F#, OUl

Serventuarios levar das partes emolumentos, ou gratificação alguma,


;*
postoque livremente lha ofereção depois das suas dependencias findas,
excepto os salarios, que por Lei lhes forem concedidos; e em qualquer
dos casos, que contravierem este Alvará, perderão os oficios, para nun
ca mais os haverem, os quaes se darão em vida aos denunciantes: E sen
I75 | - 95

do os transgressores Serventuarios, pagarão o seu valor, ametade pa


ra os ditos denunciantes, e a outra para o Hospital Real de todos os San
tos desta Cidade; e estas denunciações tomarão os Juizes dos feitos da
Coroa, e Fazenda, assim em público, como em segredo: e havendo nas
transgressões descaminhos da Minha Fazenda, procederão contra os Reos
criminalmente, e a final os condenarão nas penas da Ordenação, e Re
gimento da mesma Fazenda, conforme a gravidade de culpas.
Pelo que: Mando aos Deputados da Junta dos Tres Estados, e a
todas as mais Justiças, e Oficiaes, e pessoas, a que o conhecimento per
tencer, fação muito inteiramente cumprir, e guardar este Regimento,
como nelle se contém; e o fação imprimir, e repartir por todos os Mi
nistros, Oficiaes, e pessoas, a que tocar a sua observancia, conservan-.
do-o sempre na Meza do mesmo Tribunal, e em todas as Casas, e Es
tações suas subalternas, para que a todos seja presente, o que nelle te
nho ordenado. O qual Alvará, e Regimento quero que valha perpetua
mente como Lei, ou Carta feita em Meu Nome, e por Mim assignada,
e passada pela Minha Chancellaria, posto que por ella não passe, sem
embargo da Ordenação em contrario L. 2." tit. 4o., que para este fim
dispenso. Dado em Lisboa aos 13 de Julho de 1761. = Com a Assigna
tura de Sua Magestade, e a do Ministro.

Impresso avulso.

#…-kuo, é #

S… Me presente por Consulta do Conselho da Fazenda em Reque


rimento de Christiano Henrique Smitz, que o suplicante procura esta
belecer nesta Corte huma Fabrica de refinar Assucar: E considerando a
grande utilidade de que o estabelecimento de semelhantes Fabricas pó
de ser para o augmento da lavoura, e do commercio deste genero, que
fizerão os objectos do Decreto de vinte e sete de Janeiro, e da Resolu
ção participada ao mesmo Coneelho pelo Aviso de quatorze de Fevereiro
proximos passados: Hei por bem conceder ao sobredito Christiano Hen
rique Smitz toda a faculdade necessaria para estabelecer a referida Fa
brica que tem principiado com tanto, que o faça debaixo das condições
seguintes. Primeira: Na dita Fabrica se não refinará assucar, que não
seja comprado na Alfandega, e Armazens desta Corte, do que a ella he
transportado das diferentes Capitanías do Brazil sobpena de ser tomado
por perdido a favor dos denunciantes, por quem for descuberto, todo o
assucar, que não for da cultura daquelle continente. Segunda: O dito
assucar depois de refinado não poderá nunca exceder os quatro preços;
de tostão, cento e vinte, cento e quarenta, e cento e sessenta réis; res
#### ás suas quatro diferentes qualidades conteúdas nos Padrões a
aixo declarados. Terceira: Em cada huma das ditas qualidades conser
vará sempre o mesmo assucar refinado toda a sua priminiva bondade, que
manifestão as amostras, que o suplicante agora apresentou relativas aos
quatro preços assima estabelecidos. Quarta: O suplicante será obriga
do a pôr no Senado da Camara desta Cidade, e em casa do Juiz Conser
vador, que será nomeado, huma fórma de assucar refinado de cada hu
ma das ditas quatro qualidades para servirem de Padrões, pelos quaes
(em caso de queixa, e de dúvida ) se possão combinar as bondades, e
96 175 I

respectivos preços assima declarados. Quinta: Todo o assucar refinado


que se achar nos Armazens do suplicante, ou diferente das ditas qua
tro qualidades, ou inferior em cada huma dellas ao dos Padrões assima
declarados, será tomado por perdido a fovor dos denunciantes, por quem
for descuberto; com tanto que esta pena não tenha lugar sem se mostrar
a contravenção perante o Juiz competente, e privativo com o facto da a
chada do mesmo assucar, que se arguir que foi falsificado. Sexta: Os re
feridos quatro preços serão publicados nas Gazetas duas vezes no anno.
E o suplicante terá sempre á vista do Povo sobre o mostrador de cada
hum dos Armazens que estabelecer para a venda, outros quatro identi
cos Padrões, em cada hum dos quaes se achem apensos (de sorte que
se não possão alterar) os preços a elles respectivos, e a marca da Cida
de com a data do dia, em que for expendida no Senado da Camara de
baixo da Rubrica de dous Senadores: Repetindo-se estas marcas no prin
cipio de cada anno, sem que o suplicante pague por ellas cousa alguma,
e sem que o despacho se lhe possa dilatar no Senado mais de vinte e
quatro horas sob pena de suspenção por seis mezes daquelle Official, ou
Pessoa por quem for demorado. Setima: O suplicante será obrigado a
admittir desde logo na Fabrica hum Oficial Portuguez do Oficio de Con
feiteiro, qual lhe for destinado por ordem Minha, e a dallo ensinado no
termo de hum anno, de sorte que se ache habil, e expedito para refinar
perfeitamente o assucar em todas as quatro qualidades assima indicadas:
e assim o praticará o mesmo suplicante no principio, e fim de cada hum
dos annos, que conservar a dita Fabrica. Oitava: Os ditos Aprendizes
trabalharão para o suplicante, e este será obrigado a dar-lhes casa, ca
ma, e sustento, sem outro algum ordenado, durante o anno do referido
ensino. Nona: Exceptuados os dous Oficiaes Estrangeiros, com que o
suplicante actualmente funda a dita Fabrica, não poderá nella admittir
daqui em diante Oficial, ou Trabalhador algum, que não seja Vassallo
nascido nos Dominios deste Reino, e delles natural, ou ao menos natu
ralisado por graça especial Minha. Decima : O suplicante será obrigado
a imprimir em cada fôrma huma marca que diga Lisboa: F. P. cujas
letras hão de significar Fabrica Primeira: para assim se distinguir não
só o assucar de fóra, que se pertender intruduzir por contrabando, mas
tambem entre o da Fabrica do Reino o que for refinado nas outras Ofli
cinas, que se forem estabelecendo, as quaes se irão graduando pela or
dem das suas antiguidades com os Titulos de Fabrica Segunda; Tercei
ra; E semelhantemente nas mais, que forem acrescendo. Undecima: O
suplicante, ou algum outro Proprietario das referidas Fabricas, ou ou
tra pessoa de qualquer qualidade, e condição que seja, não poderão em
nenhum caso introduzir nestes Reinos assucar refinado fóra delles: sob
pena de que pela primeira vez perderão para os denunciantes todo o as
sucar da Fabrica Estrangeira, que lhes for por elles descuberto: pela se
gunda vez pagarão a mesma pena em dobro na referida fórma: pela ter
ceira vez triplicada: e semelhantemente nas mais vezes augmentando
sempre a pena á mesma porporção: estas penas porém nunca terão lu
gar se não no sobredito caso de ser o contrabando achado, e mostrado
com real aprehensão pelos sobreditos denunciantes, em beneficio dos
-

quaes deve ser confiscado: a cujo fim Ordeno a todos os Oficiaes de Jus
tiça destes Reinos, que sendo requeridos pelos mesmos denunciantes dem
logo as necessarias buscas nos lugares, que por elles lhe forem aponta
dos, na mesma fórma, que se pratíca com o Tabaco; sobpena de sus
pensão até nova mercê Minha contra os que ou recusarem fazer as ditas
175] • 97
*

buscas, ou as dilatarem, depois de lhe serem requeridas, ou pertende


rem que se lhes declare o lugar, onde hão de ser feitas antes de chega- .
rem a elle para sequestrarem o assucar de contrabando, no qual perten
cerá a sexta parte aos ditos Oficiaes pelo trabalho da sua diligencia.
Duodecima: Nem o suplicante poderá pertender em algum tempo Pri
vilegio exclusivo, que embarace as mais Fabricas de refinaria, que quaes
quer outros meus Vassallos intentarem estabelecer; nem a outra alguma
pessoa será por Mim concedida a faculdade de erigir Fabricas semelhan
tes por preços inferiores, ou condições diversas das aqui declaradas; se
não igualando sempre o suplicante em tudo com os que forem por Mim
mais privilegiados. Decima terceira: Tambem he defendido assim ao
suplicante como a todos, e quaesquer outros Proprietarios das sobredi
tas Fabricas usarem de quaesquer Privilegios, que se achem concedidos
a favor de Estrangeiros; antes pelo contrario se sugeitárão ás Leis, e
costumes destes Reinos, como se fossem nascidos Vassallos naturaes del
les, pelo que pertencer ás referidas Fabricas, e todas as suas dependen
cias. Decima quarta: Debaixo das sobreditas condições Hei por bem to
mar na Minha Real, e ímmediata protecção assim o suplicante, como a
nova Fabrica, que intenta estabelecer, e as mais que pele mesmo mo
do, e pelo mesmo methodo forem estabelecidas, com faculdade tambem
immediatámente emanada de Mim: concedendo-lhes a cada huma dellas
as liberdades, e Privilegios seguintes. Primeiro Privilegio: Os Oficiaes,
e pessoas empregadas nas referidas Fabricas serão isentos de todo o ser
viço Militar, e Civil para não serem obrigados a servir contra suas von
tades , nem por mar, nem por terra. Segundo Privilegio: Em todas as
suas causas civis, e crimes (exceptuados sómente os casos de serem a
chados em fiagrante delicto, e de ser a culpa tal que mereça summario)
não rerão constrangidos os sobreditos Officiaes, e pessoas a responder na
primeira Instancia, em outro lugar que não seja perante o Juiz Conser
vador, que Sou servido criar-lhes com Jurisdição privativa nas referidas
causas, e pessoas, e a favor dellas exclusiva de toda, e qualquer outra
jurisdição; sobpena de nullidade dos actos, e de suspensão por seis me
zes aos Oficiaes, que o fizerem sem ordem do dito Juiz Conservador,
cujas ordens, e mandados cumprirão debaixo da mesma pena todos os Of
ficiaes, a quem forem apresentados. Terceiro Privilegio: Pela Minha
Real, e Immediata Protecção, de que ficão gozando as sobreditas Fa
bricas, defendo que por dividas civeis, não se possa proceder a prizão con
tra as pessoas dos seus Proprietarios, e dos Artifices, e Trabalhadores
dellas; ou se possa fazer sequestro, penhora, ou embargo em nenhum
dos moveis, ferramentas, e mais cousas a ellas pertencentes: E ainda
nos casos crimes (exceptuando os dous assima declarados) se não pode
rá proceder contra os sobreditos senão por ordem do Juiz Conservador,
que Fui servido conceder-lhes: O qual antes de proceder a prizão, Me
dará sempre conta pela Secretaria de Estado dos Negocios Estrangeiros,
e da Guerra, para preceder a Minha Regia, e immediata faculdade. Não
he porém da Minha intenção eximir as ditas Fabricas da Jurisdição do
Senado da Camara, pelo que pertence a pezos, e medidas, porque nes
ta materia de aferimento não deve ninguem ser isento das Correições or
dinarias. Quarto Privilegio: Todo o assucar de refinaria Estrangeira,
que for achado nestes Reinos, e seus Dominios depois de passados tres
Inezes, contados da data deste, será confiscado a favor do suplicante,
ou de qualquer outro Proprietario de Fabrica, por quem for delatado, se
primeiro não houver sido denunciado por "lºgº Terceiro, que nelle
98 1751

tenha acquirido seu Direito. O Conselho da Fazenda o tenha assim en riº


tendido, e o faça executar na parte, que lhe toca por este Decreto só * Se

mente: o qual Mando que valha, e tenha força de Lei, não obstantes #
quaesquer outras Leis, Regimentos, Compromissos, Posturas, ou Or #
dens em contrario, que para este efeito sómente Hei por derogadas, co #
mo se dellas fizesse expressa menção. E tambem que este sempre se ob V\,
serve, posto que o seu efeito haja de durar mais de hum anno, como se *#
fosse Carta passada pela Chancellaria, ainda que por ella não passe sem #
embargo das Ordenações do Livro segundo, Titulo trinta e nove, qua "It
renta, e quarenta e quatro, que dispoem o contrario. Lisboa em 14 de #*
Julho de 1761. (1) = Com a Rubríca de Sua Magestade. ta[.
t>
Regist. no Conselho
liv. 19., e impressodaavulso.
Fazenda a fol. 277. vers. do

}
te
#
"…
*k #«…>, ºk #
#
a!
Sesos-Me presente em Consulta do Desembargo do Paço, que fazem
do transacção e amigavel Composição Dona Catharina Leonor de Mene
zes com seu Sobrinho José Antonio de Brito e Menezes por Escritura
pública, pela qual lhe largou todos os bens, e Morgados que possuia,
reservando para seus alimentos cincoenta mil réis cada mez, que elle lhe
satisfaria em dinheiro de contado; cinco porcos, tres marrãs, e tres du
zias de gallinhas pelo carnaval de cada hum anno, e moio e meio de tri
go, que pagaria de ordenado ao seu Procurador João Marques de Deos
Prisbitero do Habito de São Pedro em cada hum dos annos da Vida da
dita doadora, e por sua morte, lhe mandaria dizer quatrocentas Missas;
e tendo o dito contrato reciproco efeito por mais de tres annos, se le
vantará o mesmo seu Sobrinho com os alimentos reservados sem lhe pa
gar muitas mezadas e pitanças vencidas, e pelas que futuramente se ven
cessem, lhe pozera a Escritura em Juizo perante o Corregedor do Civel
da Corte o Desembargador Antonio José da Fonceca Lemos por assigna
ção de dez dias, e formando ele os seus embargos, o dito Ministro os re
cebêra sem condemnação, fundado em hum grande número de recibos,
que ajuntou com elles, que ainda não chegavão a cubrir a divida ven
cida, e sem o condemnar nos alimentos que se hião vencendo, fican
do ella distituida de todo o remedio, e sem outros bens, ou rendas
de que possa subsistir, nem ter com que suprir os gastos da demanda:
Sou Servido Ordenar, que esta Causa se sentencei a final no preciso ter

(1) Em virtude deste Decreto se lavrou no Conselho da Fazenda o Termo seguin


te = Aos vinte e quatro de Julho do corrente appareceo neste Conselho Christiano Hen
rique Smitz, e sendo-lhe mostrado o Decreto de Sua Magestade de quatorze do dito
mez, e anno presente em consequencia da Resolução de huma Consulta do mesmo dia
que baixou com o dito Decreto sobre pertender o sobredito estabelecer huma Fabrica de
refinar assucar, e sendo-lhe lido o mesmo Decreto, e Resolução do mesmo Senhor el
le dito Christiano Henrique Smitz declarou que em tudo se conformava com o dis
posto do dito Decreto, e Resolução, e se obrigava a cumprir tudo sem falta, ou omis
são sua, e o aceitava com todas as condições, com que Sua Magestade fôra servido
conferir-lhe a mercê concedida de que assignou este Termo em presença dos Senhores
Vedores da Fazenda, e Conselheiros della. Lisboa 24 de Julho de 1751. = Com nove
Rubrícas. = Christiano Henrique Smitz. = Christovão Paes Pacheco de Alpoim.
I75 | 99

mo de dous mezes, procedendo-se sem fórma nem figura de Juizo; e


se se profirir a sentença a favor da dita Dona Catharina Leonor de
Menezes, e vier o mesmo José Antonio de Brito com embargos a ella,
proceda logo o Juiz da Causa a fazer sequestro em todos os bens que el
la cedeo, arbitrando do rendimento sequestrado a porção que lhe parecer
congruente para alimentos provisionaes da dita doadora, até á decisão
dos mesmos embargos: E como obtendo ella na Causa, de que se trata,
fica evidente, que o dito José Antonio de Brito não encheo da sua parte
a convenção, e esta se póde rescendir, principalmente havendo (como
ha) para este efeito pacto expresso: Sou Servido conceder faculdade á
dita Dona Catharina Leonor de Menezes, para que querendo riscindir a
transação, possa tractar esta materia perante os Juizes, que o forem da
primeira Causa, conhendo tambem da segunda breve e summariamente;
e que de huma e outra seja Juiz o mesmo Corregedor do Civel da Corte
para as sentenciar com os adjuntos, que o Duque Regedor lhe nomear.
O mesmo Duque, ou o Ministro que seu Cargo servir o tenha assim en
tendido, e o faça executar. Lisboa a 16 de Julho de 1751. = Com a Ru
bríca de Sua Magestade.

Regist, na Casa da Supplicação no Livro 14 dos


Decretos a folhas 124 vers.

*# } LOn% $

EU ELREI Faço saber, aos que este Alvará de Lei virem, que
tendo consideração a que as penas estabelecidas na Lei do Reino contra
os que tirão presos do poderº da Justiça, nem podem ser em parte exe
cutadas, nem tem sido bastantes a impedir a escandalosa liberdade,
com que tantas vezes se commettem estes dilictos; como tambem, a que
sendo este igualmente ofensivo do Meu Alto, e Real respeito, e da boa
ordem, e administração da Justiça, não deve ser diferentemente casti
gado em attenção á graduação, e diversa qualidade dos Ministros, e Of
ficiaes, de cujo poder se tirão os prezos: Querendo sobre este materia
dar huma providencia, que possa proporcionar-se, e igualar a pena, e
evitar com temor della que se repita hum crime de tão máo exemplo, e
prejudiciaes consequencias: Sou Servido determinar que geralmente, e
em todo o caso, em que toda a pessoa de qualquer qualidade, preemi
nencia, estado, e condição que seja, tirar prezo de poder de Justiça, ou
der para este efeito ajuda, e favor, se for peão, seja irremisivelmente
açoutado, e condemnado por dez annos para as Galés; sendo nobre, se
ja degradado por dez annos para Angola; praticando-se esta pena sem
diferença alguma, nem respeito á qualidade dos Ministros, e Oficiaes,
que levarem os prezos. E Mando aos Regedores da Casa da Supplicação,
e Governador da Casa do Porto, e aos Desembargadores das ditas Rela
ções, e a todos os Corregedores, Ouvidores, Juizes, Justiças, Oficiaes,
e pessoas destes Meus Reinos, e Senhorios, cumpräo, e guardem este
Meu Alvará de Lei, como nelle se contém; e para que venha á noticia
de todos, e se não possa allegar ignorancia, Mando ao Doutor Francis
co Luiz da Cunha de Ataide do Meu Conselho, e Chanceller Mór do
Reino o faça publicar na Chancellaria, e enviar a copia dele sob Meu
Sello, e seu signal a todos os Corregedores, º#…2
das Comarcas,
1oo 175 |
e aos das terras dos Donatarios, em que os Corregedores não entrão por
correição; e se registará nas partes, em que semelhantes se costumão
registar; e este proprio se lançará na Torre do Tombo. Dado em Lis
boa a 28 de Julho de 1751. = Com a Assignatura de ElRei, e a do
Marquez Mordomo Mór Presidente.
Regist. na Chancelaria Mór da Corte, e Reino no
Livro das Leis a fol. 15, e impr. avulso.

# **<>$ # •

Pelas Devassas, que Mandei se tirassem para averiguação do excesso


com que no dia onze de Junho se tirou hum prezo do poder do Juiz do
Julgado de Odivellas, e do Quadrilheiro Bento Gonçalves, injuriando-se
e mesmo Juiz, e commettendo-se neste acto outros insultos, ficárão cul
pados Carlos José, Martinho João, e Manoel Lopes, e como neste deli
cto ficou ofendida a Justiça, e o inviolavel respeito que a ella se deve,
por estas, e outras justas considerações: Fui Servido, que senão proce
desse contra estes Réos pelo modo ordinario , ainda que não fosse com
todo o rigor, que para semelhantes crimes se acha estabelecido por Di
reito, e mandando camarariamente sentenciar este negocio, attentas to
das as circumstancias delle , se assentou , que os ditos Réos devião ser
castigados com as penas declaradas no papel incluso, assignado pelo Se
cretario de Estado dos Negocios da Marinha , e Dominios Ultramarinos
Diogo de Mendonça Corte Real, as quaes Mando, que tenhão o seu de
vido efeito, e se executem promptissimamente. O Duque Regedor, ou
quem seu cargo servir, o tenha assim entendido pela parte, que lhe to
ca, e o faça logo cumprir. Belém 31 de Julho de 1751. = Com a Rubrí
ca de Sua Magestade.

Regist, na Casa da Supplicação no Liv. XIV. dos De


cretos a fol. 126 vers.

# #L@º # \:

Pos me ser presente, que na Provincia de Além-Tejo grassão muitos


furtos qualificados, passando a tal excesso os delinquentes, que não só
se atrevem a saltear as estradas, mas tambem a escallar os montes dos
Lavradores, roubando-os, e espancando-os com horrorosa impiedade, e
pelo escandalo, e ofensa, que tem resultado ao Povo, e á Justiça , se
faz preciso proceder-se contra os culpados com o mais prompto, e seve
ro castigo; e para este efeito convém nomear-se Ministro, que por me
nos occupado possa expedir com maior brevidade os processos das devas
sas , que estão tiradas, e se vão tirando em cumprimento das ordens,
que Tenho feito passar aos Ministros da dita Provincia , e juntamente
participe aos mesmos Ministros as diligencias, que lhe parecerem con
ducentes para averiguação de todos os criminosos: Hei por bem nomear
para Juiz Commissario de todas as culpas , que da Provincia de Além
Tejo se tem remettido, e houverem de remetter , pertencentes a rou
1751 IO1

bos, o Desembargador Ignacio da Costa Quintella, a cuja ordem serão


postos todos os réos presos, sendo remettidos com as suas culpas, as
quaes o dito Ministro sentenciará em Relação por via de summario, com
os Desembargadores Manoel Gomes de Carvalho, Paulo José Correa,
Gonçalo José da Silveira Preto, Antonio Velho da Costa, José Cardozó
Castello, que Sou servido nomear para adjuntos; e para desempates os
Desembargadores Pedro Gonçalves Cordeiro , e José de Carvalho Mar
tens: Com tal declaração, que havendo ainda empate entre os ditos oi
to Ministros, o Regedor da Casa da Supplicação lhe nomeará os mais
Juizes, que forem necessarios até se vencer o Feito. E o dito Commis
sario em vista das culpas, que se lhe remetterem, ordenará aos Minis
tros da dita Provincia todas as diligencias, que lhe parecerem conve
nientes a bem da Justiça , e para escrever nos Autos desta commissão
elegerá dos Escrivães actuaes o que lhe parecer mais apto. A Mesa do
Desembargo do Paço o tenha assim entendido, e o faça executar pelo
que lhe pertence. Lisboa em 7 de Agosto de 1751. = Com a Rubríca
de Sua Magestade. •

Impresso avulso.

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará com força de Lei virem,
que sendo-Me presente que a divisão dos Territorios do Reino do Algar
ve, da Provincia do Além-Tejo, e das Comarcas de Santarem , e de
Setubal impedem a prizão, e facilitão a impunidade dos Delinquentes,
que tem commettido os escandalosos roubos , que grassão na dita Pro
vincia ; animando-se os Réos de tão de testaveis crimes, não só com a
esperança de passarem do districto, em que commettem hum roubo, a
outro districto, onde não tem ainda delinquido, mas tambem com as de
moras, e formalidades, que passão, em quanto as Justiças se deprecão
reciprocamente: Sou servido Ordenar que nesta especie de delictos seja
cumulativa a jurisdicção Criminal de todos os Juizes, e Ministros dos so
breditos Territorios ; de sorte que huns possão prender os Réos no dis
tricto dos outros, e na mesma fórma tomar Querelas , e formar Devas
sas; havendo-se todo o Reino do Algarve, Provincia de Além-Tejo, e
Comarcas de Santarem , e de Setubal por foro do delicto em ordem aos
referidos fins; pois que os Processos se não podem instruir, e julgar se
não na Casa da Supplicação pela Commissão , que Tenho estabelecido
para o dito efeito. Outrosim sou servido dar plena liberdade, em quan
to Eu não mandar o contrario, a todos os Particulares do sobredito Rei
no, Provincia, e Comarcas, para lançarem mão não só dos Delinquen
tes, que por taes forem conhecidos, mas tambem das Pessoas desconhe
cidas, que se fizerem suspeitosas, para que levando-as seguras aos Ma
gistrados dos Lugares mais visinhos, examinem estes promptamente o
merecimento dos Presos; de sorte que achando-lhes culpas formadas, os
remettão á sobredita Commissão; e achando que são meros Vadios, Me
dem conta. E para que estas providencias tenhão o seu prompto, e cum
prido efeito em beneficio do socego público, Sou tambem servido Orde
nar, que ellas se pratiquem , pelo que pertence aos sobreditos crimes,
não obstantes quaesquer Leis, e Privilegios contrarios, e que este va
lha, posto que seu efeito haja de durar mais de hum anno, como se fos
|102 1751

se Carta passada pela Chancellaria, ainda que por ella não passe. E es
te se registará nos livros do Desembargo do Paço, nos da Casa da Sup
plicação, e onde mais se costumão registar semelhantes Leis. Belém em
14 de Agosto de 1751. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist. na Secretaria de Estado dos Negocios do Rei
no no Livro dos Decretos, e Alvarás a fol. 177, e
impr. avulso.

# #ed2n% #

A… 28 dias do mez de Setembro de 1751, nesta Cidade do Porto, e


Casa da Relação della, em presença do Senhor José Pedro Emauz, Chan
celler, e Governador da mesma, se assentou em Mesa Grande pelos De
sembargadores abaixo assignados, que os Réos, que por Sentenças da
Relação forem condemnados, além de outras penas, na de dinheiro pa
ra as despezas da Relação , e com efeito pagarem a condemnação das
despezas da Relação, fazendo-se dellas receita viva sobre o Thesoureiro,
ainda que depois embarguem as Sentenças, e consigão o serem reforma
das, e absolutos dos crimes, porque forão accusados, que nem por isso
podessem repetir do Thesoureiro as despezas, que tiverem pago, por
que nesta parte se achará a Sentença executada inteiramente, pelo pa
gamento feito pelo mesmo Réo simplesmente, e assim não póde ser já
revogada nesta parte pelo meio dos Embargos, e sómente poderião ser
attendidos no que respeitasse a outras perdas; e os Juizes do Feito de
vem advertir, se as despezas forão pagas, se depositadas, porque só
mente no caso do deposito poderá haver repetição, e conhecimento dos
Embargos nesta parte, em que o Réo não he visto consentir , e appro
var a Sentença. Dia e anno, ut supra. Como Governador, Emauz. =
Barrozo. = Sant-Iago. = Machado. = Nunes. = Vellozo. = Franco.
= Jacome. = Lobo, &c.

Livro dos Assentos da Relação do Porto fol. 94 vers.,


e na Collecção dos Assentos a fol. 340.

DoM JOSE por Graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algar


ves, d'quém, e d’além mar, em Africa Senhor de Guiné, e da Conquis
ta, Navegação, Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India &c.
Faço saber a Vós.......... que Eu mandei fazer o Regimento para a
nova Relação da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, do qual o
treslado he o seguinte.

Regimento da Relação do Rio de Janeiro.


DoM JOSE”, por Graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algarves,
d'aquém, e d’além Mar, em Africa Senhor de Guiné, e da Conquista,
Navegação, Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India, &c.
1751 1O3

Faço saber, aos que este Regimento virem , que tendo consideração a
Me representarem os Póvos da parte do Sul do Estado do Brasil, que
por ficar em tanta distancia a Relação da Bahia, não podem seguir nel
la as suas Causas, e Requerimentos, sem padecer grandes demoras,
despezas, e perigos, o que só podia evitar-se, creando-se outra Relação
na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que os ditos Póvos se of
ferecião a manter á sua custa, Fui servido mandar vêr esta materia no
Concelho Ultramarino, e no Meu Desembargo do Paço, que se confor
márão no mesmo parecer; e por desejar, que todos os Meus Vassallos se
jão provídos com a mais recta, e mais prompta administração da Justi
ça, sem que para este efeito sejão gravados com novos impóstos, Hou
ve por bem de crear a dita Relação, á que Mando dar este Regimento,
de que foi encarregada a dita Mesa do Desembargo do Paço, para sé
ordenar pelo modo, e fórma mais conveniente; fazendo-se por conta da
Minha Fazenda, e das despezas da dita Relação, as que forem necessa
rias para a sua creação, e estebelecimento.
T I T U L O I.

Do governo da Relação em commum.


1 Desta Relação será Governador o mesmo, que pelo tempo o for da
Cidade, e Capitania do Rio de Janeiro.
2 O corpo da mesma Relação se comporá de dez Desembargadores,
em que se inclue o seu Chanceller, dividindo-se os seus lugares de sor
te, que sejão cinco os de Aggravos, hum de Ouvidor Geral do Crime,
e outro de Ouvidor Geral do Civel, hum de Juiz dos Feitos da Coroa, e
Fazenda, e hum de Procurador da mesma Coroa, e Fazenda.
3 O Chanceller servirá juntamente de Juiz da Chancellaria. O Ouvi
dor Geral do Crime servirá juntamente a Ouvidoria delle em todo o dis
tricto da Relação. O Ouvidor Geral do Civel será tambem Juiz das Jus
tificações, e o Procurador da Coroa , e Fazenda ha de servir tambem
de Promotor da Justiça; assim como o Juiz da Coroa o será do Fisco.
4 Todos os sobreditos Ministros, exceptuado sómente o Chanceller,
não só hão de servir de Adjuntos huns de outros mas tambem servir re
ciprocamente nos seus impedimentos, conforme as occurrencias dos Fei
tos, e dos casos, para que o despacho se continue sem interrupção, tan
to a respeito do Civel, como de Crime; e para este efeito o Governa
dor, ou quem por elle servir, logo que vagar a propriedade de qualquer
lugar, ou estiver impedido o Ministro que o servir, encarregará a ser
ventia a outro Desembargador que lhe parecer.
5 O despacho se fará na casa que tenho ordenado, e vêr-se-ha se a
cadeia da dita Cidade de São Sebastião he forte , e segura para que os
–"
prezos estejão nella a bom recado; porque sendo de outra sorte, se or
denará outra cadeia com a extensão , accommodação , e instrumentos
que convém.
6 Na casa do despacho haverá as mesmas mesas, a mesma ordem de
assentos, e a mesma fórma de ornato que ha na casa da Relação da Ci
dade do Salvador da Bahia, tomando o Governador, e Ministros os lu
gares, que lhes competirem, segundo a formalidade observada naquella
elação.
7. Para o expediente do despacho haverá na Relação as Ordenações
do Reino, com seus Repertorios; e haverá tambem hum jogo de Textos
104 1751

de Leis, com as Glossas de Acursio, e outro de Canones; como tam


bem hum jogo de Bartholos da ultima edição.
8 Todos os sobreditos Desembargadores andarão vestidos na mesma
fórma,
Relaçãoque
comandão
armasosalgumas.
da Casa da Supplicação; e não poderão entrar na
• -

9 Antes de entrarem em despacho , se dirá todos os dias Missa por


hum Capellão, que o Governador para isso escolher, e será pago a cus
ta das despezas da Relação , e acabada a Missa , começarão a despa
char, em que se demorarão ao menos quatro horas por hum relogio, que
estará na Mesa, em que o Governador estiver.
10 Terá esta Relação por seu districto todo o territorio, que fica ao
Sul do Estado do Brasil, em que se comprehendem treze Comarcas a
saber, Rio de Janeiro, S. Paulo, Ouro preto, Rio das mortes, Sabará;
Rio das Velhas, Serro do frio, Cuyabá, Guyazes, Pernaguá, Espirito
Santo, Itacazes, e Ilha de Santa Catharina, incluindo todas as Judica
turas, Ouvidorias, e Capitanias, que se houverem creado, ou de novo
se crearem no referido ambito , que Hei por bem separar inteiramente
do districto, e jurisdicção da Relação da Bahia.
11 Os Ministros da mesma Relação terão por districto, como os da
Corte, cinco legoas em circunferencia da Cidade do Rio de Janeiro.
12 Cada hum dos Ministros, sem distincção alguma servirá na dita
Relação por espaço de seis annos, se Eu antes não mandar o contrario,
e por todo o mais tempo, até que lhe chegue successor, que occupe o
seu lugar respectivo.
13 Na fórma dos despachos, e dos processos, guardarão inteiramen
te as Ordenações do Reino, accommodando-se porém sempre aos estilos
praticados na Casa da Supplicação, em quanto se puderem applicar ao
uso do paiz, se por este Regimento se não dispuzer o contrario.
14 Os ordenados de todos os Ministros, e Oficiaes desta Relação se
rão pagos por conta de Minha Real Fazenda ; e só as propinas ordina
rias, e mais despezas hão de ser satisfeitas do recebimento das despezas
da dita Relação, e quando por estas senão possa satisfazer, Hei por bem,
e por fazer mercê aos Ministros da dita Casa , que se lhe pague pela
Provedoria da Fazenda, na fórma que tenho ordenado a respeito da Re
lação da Bahia.
T I T U L O II.

Do Governador da Relação.

15 O Governador hirá á Relação as vezes que lhes parecer; e ao en


trar, e sahir della se usará com elle o mesmo ceremonial praticado com
o Governador da Relação da Bahia.
16 O primeiro que occupar este cargo, o servirá debaixo de mesmo
juramento, que houver tomado para o governo da Capitania ; e a cada
hum dos que se lhe seguirem lhe será dado juramento na mesma fórma
que se observa com o Governador da Bahia.
17 Não votará, nem assignará as Sentenças, porque só deve assignar
os papeis que abaixo se declarão, e praticará o Regimento de que usa
o Regedor da Casa da Supplicação em tudo o que se puder applicar.
18 Terá particular cuidado em que senão falte com o pagamento dos
ordenados aos Desembargadores a seus tempos devidos: de maneira que
sem dilação sejão pagos aos quarteis no fim de cada hum delles ; e não
175I 105

poderá tirar da folha Desembargador algum , sem que primeiro Me dê


Conta.

19 O Governador proverá as serventias dos Oficios de Justiça, e Fa


zenda quando vagarem, por qualquer causa , ou impedimento que suc
ceder, nomeando sempre as pessoas mais benemeritas, entre as quaes
serão preferidos os Meus criados, e de tudo me dará conta, para Eu
confirmar os provídos, ou provêr de novo, e mandar o que mais for ser
vido. -
20 . As condemnações de dinheiro, que se fizerem em Relação se ap
plicarão inalteravelmente para as despezas della, sem que por sentenças,
ou outras ordens se possão applicar para outra parte; e das mesmas con
demnações haverá hum Recebedor de sua receita, e despeza, a qual se
fará por ordem do Governador; e para huma, e outra ser lançada, have
rá hum livro assignado, e numerado pelo Desembargador, a quem o Go
vernador commetter a intendencia que convem haja sobre a arrecadação
das mesmas condemnações.
21 Terá especial cuidado, de que o Chanceller, como Juiz da Chan
cellaria, devasse todos os annos dos Oficiaes de Justiça, na fórma que se
dirá no Titulo seguinte do dito Chanceller, e em que todos os Ministros
fação per si sós as audiencias a que são obrigados, sem que as possão
commetter a outrem; e quando algum for impedido, o fará a saber ao
Governador, ou quem seu cargo servir, para que a commetta precisa
mente ao outro Desembargador, sem que a possa commetter em caso al
gum a Ministro da Cidade, ou Advogado, ainda que seja da Relação,
e a todas as audiencias assistirá hum Meirinho com seus homens, para
acudir ao que for necessario.
22 O Governador fará todos os mezes audiencias geraes aos prezos,
na fórma que se tem mandado ao Regedor da Casa da Supplicação, com
declaração porém, que para o despacho das ditas áudiencias assistirão
sómente tres Ministros, vencendo-se os despachos pelo parecer da maior
parte, e entre elles serão certos o Ouvidor Geral do Crime, e o Procu
rador da Coroa, como Promotor da Justiça, e o outro Ministro será no
meado pelo Governador, e nestas visitas se observarão as Leis Extrava
gantes, que ha nesta materia, especialmente a de 31 de Março de 1742.
23 E para que se não retardem na cadeia os prezos, a que se não po
derá deferir nas visitas geraes, Sou servido Mandar, que se as partes,
a cujos requerimentos forem prezos alguns Réos, dentro de trinta dias não
começarem contra elles a sua accusação, que Hei por bem possão fazer por
seus Procuradores, morando em maior distancia, que a de cinco leguas
do lugar da accusação, se tome logo o feito por parte da Justiça; e ca
so, que por bem desta, sem requerimento da parte, se haja formado a
culpa, e dentro do dito termo não apparecer parte que queira accusar,
se procederá pela da Justiça, porque tanto em hum, como em outro ca
s o podem, e devem os Juizes condemnar os Réos na satisfação que se
dever ás partes ofendidas.
24 Contra todos os delinquentes, que dentro de trinta dias, depois
de cerrada a devassa, e processo de sua culpa não forem prezos, se pro
cederá indefectivelmente
AMando na fórma da Ordenação Liv. 5." tit. 126, que
se cumpra inteiramente. •

26 A primeira vez que os autos crimes forem á Relação poderá o Go


vernador com os Juizes dos mesmos autos, não só supprir em bem da
justiça os defeitos, e nullidades delles; mas tambem fazer que sejão sum
marios, attenta a gravidade do caso, e urgencia da prova; e esta mes
106 1751

ma fórma de proceder se observará, quando os Réos, que não forem me


nores de vinte e cinco annos, quizerem fazer, e assignar termo de estar
pelos autos, para que se lhe julguem summariamente: o que porém se
não admittirá, quando os delictos forem de qualidade tal, que por elles
se incorra em pena de morte natural, ou de infamia, e ainda nos que
incorrerem em pena corporal.
26 Não sendo o Governador presente em Relação, ou sendo ausente
da Cidade de São Sebastião, servirá em seu lugar o Chanceller, ou quem
por este servir.
27 Terá o Governador muito cuidado, que os Oficiaes desta Casa,
e Relação, e seus criados não fação damno, nem oppressão alguma aos
moradores da dita Cidade de São Sebastião, ou de outros lugares aonde
forem enviados, tomando-lhes os mantimentos contra suas vontades, ou
or menores preços que valerem pelo estado da terra: de maneira que
he não fação vexação alguma: do que se informará as vezes que lhe pa
recer necessario, e mandará proceder contra os culpados, como for jus
tiça. -

28 Favorecerá os Gentios de paz do districto da Relação, não con


sentindo por modo algum, que sejão maltratados; mas antes mandará
proceder com rigor contra quem os molestar, ou maltratar; e dará or
dem, com que se possão sustentar, e viver junto das povoações dos Por
tuguezes, ajudando-se dellas de maneira, que os que andão no Sertão,
folguem de vir para as ditas povoações, e entendão, que tenho lembran
ça delles: para o qual efeito se guardarão inteiramente a Lei, que sobre
esta materia mandou fazer o Senhor Rei Dom Sebastião no anno de qui
nhentos e setenta, e todas as Leis, Provisões, e ordens, que se tem pas
sado sobre esta materia.
29 Terá o Governador especial cuidado sobre as lenhas, e madeiras,
que se não cortem, nem queimem para fazer roças, ou outras cousas
em partes, que se possão excusar; e para este mesmo efeito fará guar
dar inteiramente as ordens, que se tem passado sobre a repartição dos
Lavradores nas plantas do tabaco, e assucar, e mantimentos da terra,
para que huns se não intrometão a plantar os ditos generos na repartição
dos outros.

T I T U L O III.

. Do Chanceller da Relação.

30 Posto que o Chanceller nomeado para crear esta Relação deva


servir debaixo do juramento, que prestou ante o Meu Chanceller Mór,
como Hei por bem, a todos os mais, antes que sirvão, lhe será dadoju
ramento em Relação pelo Governador, e em sua ausencia pelo Desem
bargador mais antigo.
31 Terá o primeiro lugar no banco da Meza grande da parte direita;
e quando acontecer, que entre na Relação, ou saia della presente já,
ou ainda o Governador, não só se levantarão todos os Ministros, sem sa
hir dos seus lugares; mas tambem o Governador se levantará do seu lu
gar, recebendo-lhe deste modo as cortesias que o Chanceller lhe deve fa
zer á entrada, e sahida da porta, e ao tomar, e deixar o seu lugar.
32 O Chanceller, que pelo que pertence a este cargo, e porque tam
bem faz de Chanceller Mór em alguns casos, não só verá todas as car
tas, e sentenças que forem dadas pelos Desembargadores da Relação,
1751 IO7

passando-as, ou glosando-as na mesma fórma, que por seu Regimento o


faz o Chanceller da Casa da Supplicação; mas tambem passará pela Chan
cellaria todas as Cartas, e Provisões, assim de graça, como de justiça,
e Fazenda, assignadas pelo Governador, conforme o seu Regimento,
guardando nesta parte o do Chanceller Mór, e de huns, e outros papeis
levará as mesmas assignaturas concedidas, ou que ao diante se concede
rem aos dous sobreditos Chancelleres.
3.3 Ao despacho das glosas dos papeis, que forem assignados pelo Go
vernador não será presente o Chanceller, assim como o mesmo Governa
dor não será presente; mas hum, e outro o poderão estar ao despacho
das glosas de todos os outros papeis.
34. E porque as sentenças, que o Chanceller assignar, como Juiz da
Chancellaria, se não podem passar por elle, se passarão pelo mais anti
go Desembargador da Relação, que no passar, e glosar guardará a mes
ma ordem assima dada ao Chanceller.
35 O Chanceller não consentirá, que os Escrivães em quaesquer Carr
tas, ou Provisões ponhão clausula, de que não passem pela Chancellaria,
e contra os que tal clausula puzerem, procederá na fórma da Ordena
ção. |-

36 A ele pertence por bem deste cargo conhecer das suspeições, que
se puzerem ao Governador, Ministros, e Oficiaes da Relação, assim co
mo por ser tambem Juiz da Chancellaria ha de conhecer de todas as sus
peições, que se puzerem a todos os outros Ministros, e Oficiaes da Cida
de de São Sebastião do Rio de Janeiro dentro della sómente; e para o des
pacho das suspeições, que se puzerem ao Governador, que deve não es
tar presente, nomeará o Chanceller os dous Adjuntos que lhe parecer;
porque para o despacho de todas as outras suspeições lhe serão nomeados
pelo Governador os seus Adjuntos.
37 E quando as suspeições forem postas ao mesmo Chanceller como
Juiz das que se houverem posto contra as pessoas assima ditas, se toma
rá logo assento entre os dous Adjuntos, e hum Desembarhador mais,
que o Governador nomear para que se proceda na fórma da Ordenação
Livro 1.° tit. 2. § 8." tit. 4º §. 5.º e tit. 14, §, 3.°
38 Porém quando o Chanceller houver de julgar outros feitos, assim
como o ha de fazer, por ser Juiz da Chancellaria, e lhe forem postas sus
peições, nomeará o Governador outro Desembargador que faça proces
sar, e despachar as mesmas suspeições.
39 E para se evitarem muitas dúvidas, que podem occorrer, Sou ser
vido, que sendo postas as suspeições a algum Desembargador, ou outro
Ministro, senão commetta o feito a outro algum, e fique suspenso intei
ramente o conhecimento delle: tendo-se entendido, que o despacho das
suspeições se deve terminar em trinta dias, e que estes serão improro
gaveis, sem embargo da Ordenação em contrario.
40 Porém se as suspeições forem postas a algum oficial que no feito
«escreva, o commetterá o Governador a outro, em quanto durar o conhe
cimento da suspeição, e este mesmo continuará o processo, se a suspei
qão se julgar contra o recusado, para o que ficará em seu vigor o termo
de quarenta e cinco dias que a Ordenação concede.
4i O mesmo Chanceller, como Juiz da Chancellaria, conhecerá por
acção nova dos erros de todos os Oficiaes de Justiça da Cidade de São
Sebastião do Rio de Janeiro, e quinze legoas ao redor; e por appellação
conhecerá tambem dos erros de todos os outros Oficiaes de Justiça do
districto da Relação, e a todos elles passará as gº de seguro nos ca
108 • 1751

sos que por direito se puderem conceder, dando-as para si aos Oficiaes
da Relação, e Cidade, e quinze legoas ao redor, e para os Ministros
das terras aos outros culpados nos mesmos delictos, e deste Juizo senão
poderá declinar para outro por privilegio algum, posto que seja incorpo
rado em direito. |-

42 - Passará todas as cartas de execuções das dizimas das sentenças,


guardando em tudo o Regimento que se tem dado para esta arrecadação,
é de que se usa na Chancellaria da Casa da Supplicação, e conhecerá de
todos os feitos que sobre isto se ordenarem, despachando-os em Relação.
43 Quando algum contador das custas, que servir na Relação, ou
no lugar em que ella estiver for suspeito, ou impedido, de sorte, que
não deva, ou possa fazer a conta, a cometterá o Chanceller, como Juiz
da Chancellaria á eutra pessoa, que bem lhe parecer.
44. E quando as partes quizerem allegar erros contra as contas das
custas, se guardará tal ordem, que se o erro provier de ser mal enten
dida pelo Contador a sentença, recorrerão as partes ao Juiz, ou Juizes
que a proferirão; e se o erro tiver origem em ser mal lavrada a dita sen
tença, requererão a sua emenda ao Chanceller, como Chanceller, para
que o faça emendar; e consistindo o erro tão sómente em armar a con
ta, ou, carregar nella salarios maiores, ou indevidos, conhecerá então o
dito Chanceller, como Juiz da Chancellaria, commettendo a revista da
-conta a huma pessoa intelligente, que bem possa aprovalla, ou emendal
la; e neste caso proferirá per si os despachos, de que as partes poderão
sómente aggravar por petição.
45 Em tudo o mais, a que neste Regimento não for dada especial
providencia, usará o Chanceller, das que são dados aos da Casa da Sup
plicação, e ao Juiz da Chancellaria; levando em todos os papeis, e sen
tenças, que assignar como Juiz da Chancellaria, as mesmas assignatu
ras, que são concedidas, ou em qualquer tempo se concederem ao Juiz
da Chancellaria da Casa da Supplicação.
46 As sentenças, que proferir como Chanceller serão publicadas na
audiencia dos Aggravos, e Appellações pelo Ministro, a que tocar; e as
mais sentenças que proferir, como Juiz da Chancellaria, serão publica
das na Ouvidor
mente audiencia, que fizer o Ouvidor Geral do Crime, por ser junta
delle. •

47 Quando o Chanceller for ausente, ou impedido de maneira, que


por isso não possa servir, ficarão os selos ao Desembargador mais anti
go da Relação; o qual conhecerá de tudo, o que o dito Chanceller po
dia conhecer.

T I T U L O IV.

Da Meza, em que se devem despachar alguns negocios pertencentes


ao Desembargo do Paço.
48 Por fazer favor aos Vassallos, que assistem nos Dominios do Ul
tramar, se servirão os Senhores Reis Meus antecessores determinar,
que na Relação de Goa, e ao depois na da Bahia houvesse huma Me
za, em que se expedissem alguns negocios, que pertencem ao despa
cho, e expediente do Desembargo do Paço; e Sou servido, que o mes
mo se pratique em esta Relação, estabelecendo nella a mesma Meza.
49 Esta se comporá do Governador da Relação, Chanceller, e do De
sembargador de aggravos mais antigo; e se ajuntará na mesma Relação
I75 | 109

todas as vezes, que o Governador julgar conveniente. Os papeis, que


nella se despacharem serão assignados pelo Governador, e os ditos dous
Ministros; e em Meu nome, como abaixo se declarará, se passarão os
Alvarás, e Provisões, e quando haja alguma dúvida, ou negocio tal, em
que ao Governador pareça conveniente chamar mais algum Ministro, se
rá este o Ouvidor Geral do Civel.
50 Na dita Mesa se despacharão os Alvarás de fiança, para cujo ef.
feito se darão as petições ao Governador, estando em Relação; e os Al
varás concedidos se passarão em Meu nome, e se darão assignados pelo
Governador, levando todas as clausulas, que levão os Alvarás de fian
qa, que se passão pelos Meus Desembargadores do Paço, de que se lhes
dará a minuta.
51 Os ditos Alvarás se não concederão em casos de resistencias com
armas, falsidade, força de mulher, injúria feita á pessoa tomada as mãos,
ou delicto commettido em Igreja, injúria atroz feita em Juizo, ou em lu
gar público; cutilada pelo rosto com tenção de se dar, ferimento de bes
ta, ou espingarda, ainda que não seja de proposito; morte, ou crime
de fazer abortar; uso de faca, ou outra qualquer arma curta, com que
se possa fazer ferida penetrante; e tambem se não concederão em outro
algum caso maior que os acima referidos, ou dos contheudos na Ordenação
do Livro 1. no Titulo dos Desembargadores do Paço no §. 24, e isto se pra
ticará assim em todos os sobreditos casos, posto que haja perdão da par
te; e em todos os mais se poderão conceder os Alvarás de fiança, ainda
que se não junte o dito perdão, nem o Réo esteja prezo, se dous dos
ditos Desembargadores forem em parecer que se concedão.
52 Os Alvarás de fiança se concederão por tempo de hum anno, e se
poderão reformar até duas vezes sómente, concedendo-se por cada huma
o mesmo tempo de hum anno; e se despacharão as reformações na mes
ma fórma , que por este Regimento se devem despachar as concessões
destes Alvarás. •

53 Na mesma Mesa se podem receber tambem petições, e perdões,


e despacha-las na mesma fórma , que se despachão os Alvarás de fian
ça, oferecendo-se perdão da parte , e não sendo as petições de penas
pecuniarias ; e poderá tambem commutar as condemnações, ou penas,
que pelas culpas se merecião em pecuniarias, ou outras, como melhor
lhe parecer: não sendo porém as de degredo de Angola, ou Galés; por
que estas senão poderão commutar. E tambem não tomará petições de
perdões em os casos abaixo declarados. Blasfemar de Deos, e dos seus
Santos: Moeda falsa, falsidade, testemunho falso: Matar, ou ferir com
besta, usar de arcabuz, ou espingarda, e qualquer arma curta, princi
palmente faca, ou outra, com que fazer se possa ferida penetrante; pos
to que se não seguisse morte, ou ferimento: Propinação de veneno, ain
da que morte se não seguisse, ou de qualquer remedio para abortar, se
guindo-se o aborto: Morte commettida atraiçoadamente, quebrantar pri
zões por força: Pôr fogo acintemente : Forçar mulher: Fazer, ou dar
feitiços: Carcereiro que soltar prezos por vontade, ou peita: Entrar em
Mosteiro de Freiras com proposito deshonesto : Fazer damno, ou qual
quer mal por dinheiro : Passadores de gado: Salteadores de caminhos:
Ferimento de proposito em Igreja, ou Procissão, onde for, ou estiver o
Santissimo Sacramento: Ferimento, ou pancadas de qualquer Juiz, pos
to que padaneo, ou ventanario seja, sendo sobre seu Oficio: Ferir, ou
espancar alguma pessoa tomada as mãos : Furto que passasse de marco
de prata: Manceba de Clerigo , ou Frade, quer seja de portas a den
I 10 175 I

tro, quer de portas a fóra, se pedir perdão segunda vez: , Adulterio,


sendo levada a mulher de casa de seu marido: Ferida dada de proposito
pelo rosto, ou mandato para se dar, se com efeito se deo: Ladrão for
migueiro a terceira vez: Condemnação de açoutes: Incesto em qualquer
grão que seja, salvo se pedir dispensa para efeito de casar; mostrando cer
tidão do banqueiro pelo qual tiver impetrado dispensação, para a qual ser
alcançada, se lhe concedera o tempo de anno e meio sómente, com clau
sula, que não viva no mesmo lugar, e seu termo. E assim mais se não
tomará petição de perdão de Carcereiro da cadêa da Relação, ou da Ci
dade de S. Sebastião do Rio de Janeiro , nem de outro qualquer caso,
e culpa maior, que as acima referidas; e em todos os outros casos, pa
recendo ao Governador, e Ministros acima ditos, que ha causa para al
gumas culpas, ou penas deverem ser perdoadas livremente, em conside
ração da qualidade das pessoas, occasião do delicto, tempo, e lugar
delle, ou outras circumstancias, poderão ser perdoadas sem outra com
mutação alguma. •

54. Da mesma fórma por despacho da mesma Mesa, e com a forma


lidade referida, se passarão em Meu nome Alvarás para os culpados em
alguns crimes se poderem livrar por procurador, em caso que aliás se li
vrem soltos; e assim mesmo Alvarás de busca a Carcereiros, e para se fa
zerem fintas para obras públicas dos Conselhos até a quantia de 100$000
réis, e para entregar fazendas de ausentes até a quantia de 2003000
réis, e para se poderem seguir appellações, e aggravos, sem embargo
de se não appellar, nem aggravar em tempo, e de serem havidas por
desertas, e não seguidas; e para se poderem provar pela prova de direi
to commum contratos até a quantia de 100$000 réis.
55 A dita Mesa terá igualmente jurisdicção para mandar passar Pro
visões para se citarem os prezos em caso que pela Lei he necessario Pro
visões de supplemento de idade, cartas de emancipação, e reformas de
cartas de seguro.
56 Em a mesma Mesa se elegerão as pessoas, que devem servir de
Vereadores na Cidade do Rio de Janeiro, praticando-se o mesmo, que
se observa na Bahia. •

57 Nella se tomarão tambem os assentos sobre as cartas, que por a


cordão do Juizo da Coroa se tiverem passado aos Juizes Ecclesiasticos,
sendo ouvidos na mesma Mesa os ditos Juizes (quando compareção) os
da Coroa , e o Procurador della , observando-se tudo, como se pratíca
no Desembargo do Paço desta Corte, tanto nesta parte, como nos mais
casos acima referidos, nos quaes sómente usará a dita Mesa da sua ju
risdicção, sem que por motivo de igualdade de razão, estilo, ou outro
algum, o possa exceder, sem especial mercê Minha.
T I T U L. O V.

Dos Desembargadores dos Aggravos, e Appellações.


58 Os Desembargadores dos Aggravos guardarão a ordem, que por
Minhas Ordenações, e Extravagantes se tem dado aos Desembargadores
dos Aggravos , e Appellações da Casa da Supplicação para o despacho
dos aggravos ordinarios, e das appellações das sentenças definitivas, e
interlocutorias, dias de apparecer, e instrumentos de aggravo, petições,
e cartas testimunhaveis, e terão alçada nos bens móveis até tres mil cru
zados; e nos de raiz, até dous mil cruzados inclusivè, attendida sómen
1751 ||}

te a quantia principal, sem comprehensão dos frutos, e custas; e pas


sando as ditas quantias na maneira acima declarada, poderão as partes
aggravar ordinariamente para a Casa da Supplicação.
59 Quando as partes aggravarem ordinariamente para a Casa da Sup
plicação , e os Juizes que forem na sentença se não conformarem todos
em receber o aggravo, se ajuntarão na Mesa grande com todos os outros
que na Relação estiverem ; e do que pela maior parte dos votos se ven
cer sobre negar, ou conceder o aggravo, se fará assento no Feito, e se
cumprirá inteiramente. • -

6o Aos Desembargadores dos Aggravos, e Appellações pertence,


quanto ás causas civeis, conhecer dos Aggravos ordinarios que se tira
rem dos dous Ouvidores geraes do crime, e civel, em conformidade de
seus Regimentos, e de todas as appellações, que sahirem dante quaes
quer Juizes, assim da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro , co
ma de todas as outras Comarcas do districto da Relação, ainda que se
jão interpostas dos Provedores, e outros quaesquer Juizes dos bens dos
defuntos, e ausentes, e dos residuos, e captivos.
61 E bem assim quanto ao Civel conhecerão tambem de todos os ou
tros aggravos que se tirarem , não só dos Ministros acima ditos , mas
tambem dos que despacharem em Relação, quando os aggravos se inter
puzerem dos despachos que estes mesmos Ministros proferirem, ou deve
rem proferir per si sós; com tal declaração porém , que dos Ministros,
que residirem na Cidade, e quinze legoas ao redor, se aggravará por pe
tição;
mento,e ou
doscarta
que residirem fóra do dito termo, se aggravará por instru
testemunhavel. •

62 E quanto ao Crime, só poderão os ditos Desembargadores conhe


cer dos aggravos, que por petição se tirarem dante os outros Ministros,
que despachão em Relação, se os despachos forem, ou deverem ser pro
feridos por elles sómente; porque todas as appellações, e os mais aggra
vos crimes, se devem interpôr para o Ouvidor geral do crime , para o
Juiz da Chancellaria, e para o Juiz dos feitos da Coroa, e Fazenda, co
mo em seus titulos se declarará.
63 Quando na fórma sobredita se aggravar de algum Ministro que
despacha em Relação, a tempo que já no Feito tenha Adjuntos certos,
estes mesmos o serão no despacho do aggravo, mettendo-se de novo hum
Ministro, que o relate, e vote nelle, em lugar do Relator do Feito de
que se aggravar.
64 Tomarão tambem conhecimento dos aggravos, que se tirarem do
Governador: o que sómente terá lugar nos mesmos casos em que do Re
gedor da Casa da Supplicação se póde aggravar para ella; e no despacho
destes aggravos votarão o Chanceller , e todos os Desembargadores dos
aggravos, e sendo iguaes os votos, votarão outros Desembargadores, que
na Relação se acharem presentes; e o que pela maior parte dos votos for
acordado, se cumprirá.
65 Nas Appellações, que não excederem de cento e cincoenta mil
réis, bastarão dous votos conformes em confirmar , ou revogar para se
vencer o feito; e desta quantia para cima, serão para o dito efeito ne
cessarios tres votos conformes em o mesmo parecer de confirmar, ou re
vogar.
66 Todas as Appellações, dias de apparecer , aggravos de instru
mentos, e cartas testemunhaveis, se repartirão por distribuição entre os
Desembargadores dos aggravos, começando-se pelo mais antigo, na mes
*a fórma que se observa na Casa da Supplicação ; com tal declaração,
|112 1751

que os dias de apparecer , se despachem por conferencia , e todos os


mais Feitos por tenções; posto que para o despacho dos aggravos, ins
trumentos, e cartas testimunhaveis bastem duas tenções conformes.
67 As Appellações, e Aggravos, que ao tempo em que esta Rela
ção começar o seu exercicio se acharem interpostas para os da Bahia, se
expedirão para esta nova Relação; e para que assim se cumpra, se pu
blicará este novo estabelecimento em todas as Comarcas do districto res
pectivo por pregões, e editaes ; porém acontecendo que por ignorancia
desta Minha determinação, se interponha, e expida alguma appellação,
ou aggravo para a dita Relação da Bahia: Hei por bem, que as senten
ças, que na mesma Relação se proferirem , se hajão por valiosas , sem
que por isto se fique contrahindo certeza para os mais incidentes , que
na execução sobrevierem; porque os destas, e quaesquer outras senten
ças, se hão de expedir para a Relação do Rio de Janeiro.
68 Os Desembargadores dos Aggravos, e Appellações levarão as
mesmas assignaturas, que presentemente levão, ou em qualquer tempo
se concederem aos da Casa da Supplicação : cujos estilos devem seguir
em tudo o que não for provído neste Regimento, e nas Ordenações do
Reino em quanto se puder praticar.
T I T U L O VI.

Do Ouvidor Geral do Crime desta Relação.


69 A este Ministro pertence o conhecer por acção nova de todos os
delictos, que se commetterem na Cidade de S. Sebastião do Rio de Ja
neiro, ou outro qualquer lugar onde a Relação estiver, e quinze legoas
ao redor, procedendo por devassas, e querelas, ou por seu oficio; e os
Feitos que se processarem em seu Juizo, os despachará em Relação.
70 Nos crimes de traição, moeda falsa, falsidades, sodomia, tira
das de prezos da cadeia, morte, resistencia á justiça com ferimento, e
todos os outros, a que pela Lei for imposta pena de morte natural, sen
do commettidos na Cidade sobredita, ou outro lugar, em que a Relação
esteja, e quinze legoas ao redor, será privativa do Ouvidor Geral do Cri
me a jurisdicção de proceder pelos modos sobreditos; e em todos os ou
tros casos pelos quaes for imposta menor pena, será a sua jurisdicção
cumulativa com os outros Ministros , que dos crimes poderem conhecer
de sorte que neste caso terá lugar a prevenção.
71 E acontecendo o tal caso, que por suas circunstancias pareça ao
Governador ser vonveniente, que delle se tire devassa pelo Ouvidor Ge
ral do Crime, sem embargo de estar preventa a jurisdicção pelo Minis
tro, com quem o dito Desembargador a tiver cumulativa, poderá o dí
to Governador , sendo no mesmo parecer o Chanceller , commetter ao
Ouvidor Geral da Relação o tirar devassa, e a que elle tirar se cumulará
á que pelo outro Ministro estiver tirada, e por ambas assim juntas ha
verão os Réos o seu livramento perante o dito Ouvidor Geral.
72 Nos casos, que provados merecerem pena de morte, sendo com
mettidos fóra do lugar, em que estiver a Relação, e quinze legoas ao re
dor, quando os Réos houverem de ser remettidos, se remetterão com el
les as proprias devassas, ficando no lugar de que for remettido, os tres
lados sómente das ditas devassas, que serão concertadas pelo Escrivão
da culpa com o Juiz, o que tambem se praticará nos mais casos, em
que os Réos se remetterem; porque bastará, que se remettão os tresla
1751 | 13

dos com o sobredito concerto; e no lugar em que a Relação estiver, e


#*
ado.
legoas ao redor, se remetterá a propria culpa, sem ficar tres

73 Ao Ouvidor Geral do Crime pertence privativamente o passar em


todos os casos as cartas de seguro, pedidas pelos delinquentes, que
commetterem qualquer delicto na Cidade de São Sebastião do Rio de Ja
neiro, ou outro lugar, em que a Relaçãe estiver, e quinze legoas ao re
dor; com tal declaração, que nos casos de morte, ou que provados me
recerem pena de morte natural, ou civel, ou cortamento de membro,
passará as Cartas em Relação com adjuntos, junta a culpa; e nos mais
casos as passará per si só.
74 . E na mesma fórma, quanto aos sobreditos casos de morte, ou que
provados merecerem pena de morte natural, ou civil, ou cortamento de
membro, ainda que os delictos sejão commettidos fóra do districto acima
apontado, nenhum outro Ministro poderá passar as Cartas de seguro, se
não o dito Ouvidor Geral, que as despachará em Relação á vista da cul
pa; e para este efeito hei por derogado nesta parte o Regimento de to
dos os Ouvidores da Cidade, e das Comarcas do districto da Relação:
de sorte , que os Ouvidores dellas só poderão passar Cartas de seguro
nos mais casos não exceptuados: e o Ouvidor do Rio de Janeiro, ou ou
tro lugar, em que a Relação estiver, em nenhum caso.
75 Quando para se passarem as Cartas de seguro se remetterem á
Ouvidoria Geral do Crime as culpas, o que se fará pelo treslado dellas,
não poderá o dito Ouvidor por seu despacho , nem ainda por despacho
proferido em Relação, haver por avocada a culpa para o Réo correr nes
te Juizo o seu livramento; mas será necessario para este efeito, que a
culpa se remetta em fórma, citada a parte, se a houver.
76 Não se concederão mais que duas reformações das Cartas de se
guro, as quaes se concederão, e despacharão na mesma fórma, que se
devem por este Regimento despachar os Alvarás de fiança; entregando
se as petições ao Governador em Relação, ou a quem nella seu cargo
SCIV] T.
77 De todos os Juizes inferiores da Cidade de São Sebastião do Rio
de Janeiro, ou outro lugar, em que a Relação estiver, e quinze legoas
ao redor, poderá o Ouvidor Geral do Crime avocar todas as culpas nos
casos sómente, que provados merecerem pena de morte natural, ou ci
vel, ou cortamento de membro.
78 Conhecerá de todas as Appellações Crimes, que vierem á dita
Relação; e tambem de todos os Aggravos, que se tirarem de quaesquer
Ministros, que dos crimes conhecerem: com tal declaração, que os mes
mos Aggravos se expedirão por petição, quanto aos Ministros de qual
quer lugar, em que a Relação estiver, e quinze legoas ao redor; e quan
to a todos os outros Juizos, se expedirão os Aggravos por instrumento,
e guardará a respeito dos que se interpuzerem da injusta pronunciação,
o mesmo que acima se determina , e recommenda aos Desembargadores
dos Aggravos, e Appellações.
79 O mesmo Ouvidor Geral do Crime poderá despachar per si só nos
mesmos casos, em que o póde fazer o Corregedor do Crime da Corte; e
quando assim despachar , se poderá aggravar delle ordinariamente pa
ra a Relação, na mesma fórma, em que do dito Corregedor do Crime da
Corte se póde aggravar para a Casa da Supplicação.
80 Em tudo o mais, que neste Regimento não vai declarado,, guar
dará o dito Ouvidor Geral o Regimento do gº……… do Crime da Cor
I14 1751

te, e as mais Leis extravagantes, que depois do dito Regimento se pro


mulgárão; e tambem levará as mesmas assignaturas, que presentemen
te levão os Corregedores do Crime da Corte, ou ao diante se lhe conce
derem.
81 - Fará duas audiencias cada semana, nas segundas, e sextas feiras
de tarde, a que assistirá o Meirinho das cadêas, e em falta deste, por
algum justo impedimento que lhe sobrevenha, o Meirinho da Relação.
T I T U L O VII.

Do Ouvidor Geral do Civel.

32 A este Ouvidor Geral pertencerá conhecer por acção nova de to


dos os Feitos civeis, que se tratarem na Cidade de São Sebastião do Rio
de Janeiro, ou outro qualquer lugar, em que a Relação estiver, e quin
ze legoas ao redor; e de todos os que abaixo não forem exceptuados co
nhecerá, despachando-os per si só até final sentença, de que dará Ag
gravo ordinario para os Desembargadores dos Aggravos da mesma Rela
ção, se a causa não couber na sua alçada : assim como dos despachos
interlocutorios, que o mesmo Ouvidor proferir, se poderá aggravar no
processo, ou por petição, conforme o que no caso couber.
83 Tambem não poderá avocar as causas começadas em outros Jui-º
zos fóra das sobreditas quinze legoas, nem ainda de dentro deste distri
cto, se as taes causas se tratarem perante os Juizes de Fóra, ou Ouvi
dores da Cidade de S. Sebastião, e das Comarcas, posto que possa co
nhecer, como lhe compete de todos, e quaesquer Feitos, que por Meu
especial mandado, ou por expressa disposição da Lei se houverem de re
metter á Relação ; assim como o Corregedor da Corte dos Feitos civeis
conhece de todos os que na fórma sobredita se devem remetter á Corte
antes de sentenciados.
84. Ele terá de alçada até cento e cincoenta mil réis nos bens móveis,
e até cento e vinte mil réis nos de raiz.
85 Tomará conhecimento das causas dos Prelados, que não tem Su
perior no Reino, e das viuvas, e mais pessoas miseraveis, que o quize
rem escolher por seu Juiz; como tambem de todas as pessoas declaradas
na Ordenação Liv. 1. Tit. 8. desde o § 4. em diante; porém todos os
Feitos das sobreditas pessoas serão sentenciados em Relação com os Ad
juntos, que o Governador lhe nomear, procedendo-se em tudo da mes
ma fórma, que o faz o Juiz das acções novas da Casa do Porto.
86 - Fará per si duas audiencias em cada semana nas terças, e quin
tas feiras de tarde, a que assistirá o Ministro, que deve assistir ás au
diencias, que o Ouvidor Geral do Crime deve fazer, e levará as mesmas
assignaturas, que são concedidas ao Corregedor da Corte dos Feitos ci
veis, ou ao diante se lhe concederem. {

87. Ao mesmo Ouvidor Geral pertence passar as certidões das justi


ficações na maneira, que por seus Regimentos as passão o Juiz das Jus
tificações no Conselho da Fazenda, e o Juiz de India, e Mina, segun
do a qualidade dos casos a que poder applicar-se o Regimento dos ditos
Ministros. • -
1751 115

T I T U L O VIII.

Do Juiz dos Feitos da Coróa, e Fazenda.

88 Este Ministro conhecerá de todos os feitos da Corôa, e Fazenda


por acção nova, e por aggravos de petição na Cidade de S. Sebastião
do Rio de Janeiro, ou outro lugar em que a Relação estiver , e quinze
legoas ao redor; e fóra deste districto conhecerá por appellação, e por
instrumentos de aggravos, ou cartas testemunhaveis de todos os ditos fei
tos, posto que sejão entre partes ; e os ditos feitos despachará em Re
lação, conforme a ordem que tenho dado por Minhas Ordenações , e
extravagantes ao Juiz dos feitos da Corôa , e Fazenda da Casa da Sup
plicação: cujo Regimento deve guardar em tudo o que se lhe poder ap
plicar. +

89 Porém das sentenças difinitivas, que assim proferir em Relação,


poderão as partes aggravar ordinariamente para a Casa da Supplicação,
e Juizes da Corôa, e Fazenda, se a causa não couber na sua alçada,
que he a mesma concedida a esta Relação.
90 Conhecerá tambem, e despachará em Relação todas as appella
ções, e aggravos que se tirarem dos Provedores da Fazenda, não caben
do as causas na alçada dos sobreditos; os quaes no receber , e expedir
as mesmas appellações, e aggravos guardarão a ordem que lhes fôr dada
por seus Regimentos; com tanto porém, que nos casos em que se poder
appellar, ou aggravar de hum Provedor para outros, se se não achar pre
sente no mesmo lugar aquelle para quem se devia appellar, ou aggravar,
se interporá, e expedirá a appellação, e aggravo para o Juiz dos feitos
da Corôa, e Fazenda. -

91 Das interlocutorias que despachar per si só poderão as partes ag


gravar por petição para a Relação, se no caso couber este recurso, con
forme a Ordenação.
92 Conhecerá outrosim por appellação, e aggravo de todos os feitos
crimes pertencentes á Fazenda Real; e pelo que toca a esta mesma, lhe
pertencerá o tirar todos os annos huma devassa dos Oficiaes da Alfande
ga, e dos mais da mesma Fazenda da Cidade de S. Sebastião do Rio
de Janeiro, e quinze legoas ao redor, e sem embargo de quaesquer or
dens em contrario.
93 Pertencerá especialmente a este Ministro o conhecer, e determi
nar em Relação os Aggravos, que por via de recurso se intentarem con
tra os procedimentos dos Juizes, e Prelados Ecclesiasticos nos casos,
em que pela Ordenação, e concordata do Reino, se póde usar deste re
medio: o que fará, guardando-se em tudo a fórma que se pratíca na Ca
sa da Supplicação.
94 Se os recorridos não cumprirem a primeira, e segunda cartas ro
gatorias, que se lhes deve passar, quando forem provídos os recurrentes,
se dará a estes certidão, para que sobre o caso se tome assento, o qual
será tomado em presença do Governador, não o sendo algum Bispo: ou
viedo o Prelado, ou Juiz Ecclesiastico de que se recorrer ; se ele sendo
chamado, quizer ser presente per si, ou pela pessoa Ecclesiastica que
deputar para alegar suas razões: ouvidas juntamente as do Juiz, e Pro
curador da Coroa, que neste acto devem concorrer, e não apparecendo
o Prelado, e Juiz Ecclesiastico, se procederá, sem embargo disto, a se
| 16 1751

tomar o assento; guardando-se em tudo a fórma praticada no Meu Des


embargo do Paço.
95 Nestes assentos terão votos o Chanceller, e os dous Desembarga
dores dos Aggravos mais antigos, que não houverem sido Adjuntos no
despacho dos recursos, e o que por elles, ou pela maior parte se assen
tar, se cumprirá inteiramente ; de sorte, que assentando-se serem mal
passadas as cartas, ficará supprimido o recurso; e pelo contrario, as
sentando-se, que as cartas forão bem passadas, se fará cumprir o pro
vimento, na mesma fórma que se observa na Casa da Supplicação.
96 Porém se a parte, ou o Prelado, e Juiz Ecclesiastico, quizer re
correr ao Meu Desembargo do Paço o poderá fazer , sem que por este
recurso se suspenda na execução do assento, que se tiver tomado, para
o que se lhe darão os treslados dos autos, pelos quaes na Mesa do Des
embargo do Paço se examinará novamente o merecimento do recurso, e
do assento, que na fórma sobredita se houver tomado, e o que se assen
tar se mandará dar á execução pelo Juiz dos Feitos da Coroa desta Re
lação.
97 O Juiz dos Feitos da Coroa, e Fazenda , servirá juntamente de
Juiz s do Fisco, usando em tudo do Regimento dado ao Juiz do Fisco,
que despacha na Casa da Supplicação.
98 Na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro , ou outro qual
quer lugar, em que a Relação estiver, servirá de Aposentador Mór, pa
ra fazer aposentar os Ministros, e Officiaes da Relação sómente, e ser
virá tambem de Almotacé Mór, para fazer prover a Cidade, ou outro
lugar sobredito de mantimentos, expedindo por seus Officiaes as diligen
cias precisas; guardando em tudo o que se puder applicar os Regimen
tos dos sobreditos Oficios deste Reino ; e procederá ouvidas as partes
breve, e summariamente; e ellas poderão recorrer ao Governador, que
mandará ver por dous Desembargadores dos Aggravos o processo; e pe
lo assento, que se tomar , se continuarão , ou supprimirão os procedi
mentos, sem que seja necessario tirar-se sentenças.
99 Fará per si duas audiencias, que serão nas Quartas feiras, e Sab
bados de tarde; e levará as mesmas assignaturas, que presentemente le
vão,Supplicação
da ou em qualquer
servemtempo se concederem
os Oficios aos Ministros, que na Casa
acima ditos. •

T I T U L O IX.

Do Procurador dos Feitos da Coroa, e Fazenda.

loo Usará inteiramente do Regimento dado aos dous Procuradores,


que na Casa da Supplicação servem estes Oficios; procurando saber se
alguma pessoa Ecclesiastica, ou secular do districto desta Relação usur
pa Minha Jurisdicção, Fazenda, e Direitos, para proceder, e requerer
na fórma, que por Minhas Ordenações, e outras ordens lhe está encar
regado.
lo I Saberá particularmente das causas, que pertencem á Minha Co
roa, e Fazenda, para fazer , que se prosigão em seus termos devidos,
e requerer, ou fazer, que nellas se requeira tudo, o que for a bem da
justiça; e para este efeito se lhe dará vista de todos os processos; com
tanto porém, que os requerimentos das audiencias serão feitos pelo Soli
citador das causas da Coroa, Fazenda, e Fisco: de que o dito Ministro
será tambem Procurador.
175 | I 17

102 Servirá tambem de Promotor das Justiças, de que haverá os mes


mos emolumentos concedidos aos da Casa da Supplicação, cujo Regi
mento guardará inteiramente; e ao Governador encarrego, que tenha
especial cuidado, em que assim se cumpra.
T I T U L O X.

Da Fazenda, que pertence á Relação.


103 De todos os paramentos da Capella, e cousas pertencentes á com
postura, e expediente da Relação se fará inventario; pelo qual se carre
garão em receita ao Guarda Mór da mesma Relação, que de tudo dara
conta, quando o Governador lha mandar tomar.
104 Haverá hum cofre de duas chaves, em que se receba todo o di
nheiro, que Sou servido applicar para as despezas da Relação; e deste
se fará receita ao Thesoureiro das mesmas despezas, que será o Guarda
Mór, em quanto Eu não mandar o contrario; e das ditas chaves terá
huma o Juiz, que o Governador nomear, e outra o sobredito Thesourei
ro, que de tres em tres annos dará conta, tomando-lha o Contador, que
o mesmo Governador nomear, e armando-lha o Escrivão desta receita,
que será o Escrivão mais antigo das Appellações, e Aggravos.
105 Todas as despezas se farão por folhas assignadas pelo Governa
dor, ou quem seu cargo servir, ou por seus mandados, em que o Juiz
porá seu cumprimento.
106 Pertencerão a este recebimento todas as condenações pecunia
rias, impostas aos Réos por satisfação da Justiça, e aos Advogados por
castigo de alguma calumnia, ou ignorancia da Lei; e para que seja mais
facil, e certa a cobrança das mesmas condenações, se farão Livros, em
que sejão lançadas por lembrança pelos Relatores dos Feitos, quando os
despacharem, da mesma fórma, que se pratica na Casa da Supplicação;
e se as taes condenações se fizerem nos Feitos, que fóra da Relação se
despachão, será obrigado cada hum dos Escrivães delles a fazer registar
dentro em vinte e quatro horas a condenação, pena de ser suspenso por
tres annos, sendo o Feito processado na Cidade, em que a Relação es
tiver. •

107 Porém quanto aos Feitos, que se processarem fóra do dito lu


gar, em outro qualquer do districto da Relação, tambem Sou servido,
que as condenações sobreditas se appliquem para as despezas da Rela
ção; e para se tratar da sua arrecadação, serão obrigados os Ministros,
que proferirem as sentenças, e impuzerem as multas a remeter de tres
em tres mezes ao Juiz das despezas da Relação, hum rol de todas as con
denações por elles assignados; e não o cumprindo assim, se lhe não pas
sará a Certidão, que se deve juntar com a sua residencia, em que terá
especial cuidado o Corregedor do Crime da Corte, a que for commeti
da a mesma residencia.
108 Pertencerão ao mesmo cofre as quantias de dinheiro, que se hou
verem dos perdões, e commutações de penas, que se fizerem conforme
este Regimento.
109 E assim mais a importancia das fianças, que se perderem, de
que será Juiz o mesmo, que o for das despezas da Relação, servindo
lhe de escrivão o da receita, e despeza deste cofre.
110 Na arrecadação do que pertence ás despezas se procederá por
mandados do Juiz dellas no lugar, em que a Relação estiver, e quinze
1 18 1751
legoas ao redor; e para fóra deste districto sè passarão Cartas pelo dito
Juiz assignadas, dirigindo-se ás Justiças das terras, sem que se enviem
por Caminheiros; porque para não serem omissos os Ministros, a que as
Cartas forem dirigidas, se lhe comminará nellas, que se o forem, se Me
dará conta, para Eu mandar, que no Desembargo do Paço se lhe po
nha em seu assento huma nota, que se Me fará presente nas Consultas
dos lugares, a que forem oppositores.
T I T U L O XI.

Do Guarda Mór da Relação.

111 O Guarda Mór, além do mais, que por este Regimento lhe es
tá encarregado, terá cuidado dos Feitos, petições, e mais papeis, que
forem á Relação, ou nella ficarem; e servirá tambem de Distribuidor
de todos os Feitos, Crimes, e Civeis, que á Relação vierem; guardan
do em tudo os Regimentos, que são dados, aos que servem estes Ofi
cios na Casa da Supplicação.
112 Elle passará os Alvarás de fiança, e perdões, e todas as Cartas,
em que assignar o Governador, ou se houverem de expedir immediata
mente pela Relação.
T I T U L O XII.

Dos mais Oficiaes pertencentes á Relação. *

113 Havera hum Solicitador da Justiça, que usará do Regimento da


do, ao que serve na Casa da Supplicação; e o será juntamente dos Fei
tos da Coroa, Fazenda, e Fisco: e como tambem servirá de Fiscal das
despezas da Relação. • •

114 O Governador nomeará dous Guardas menores, que assistão ao


Guarda Mór no expediente da Relação: hum dos quaes será Porteiro das
Audiencias dos aggravos, e Ouvidoria Geral do Civel, e do Juizo da
Coroa, e Fazenda; e elles servirão como taes em tudo, o que pertencer
aos ditos Juizos: exceptuados sómente os pregões das execuções da jus
tiça, que para estes servirá, o que for pregoeiro da Cidade.
116 . Haverá hum Escrivão da Chancellaria, que servirá tambem no
Juizo dos Feitos da Coroa, Fazenda, e Fisco; o qual servirá tambem de
Porteiro da Chancellaria.
116 Haverá dous Escrivães das Appellações, e Aggravos Crimes, e
Civeis, que escrevão por distribuição com os Desembargadores dos Ag
gravos; e o mais antigo será Escrivão da receita, e despeza do cofre
das despezas da Relação. -

117 Mais hum Escrivão da Ouvidoria Geral do Crime, e outro da


Ouvidoria Geral do Civel.
113 Dous Meirinhos: hum da Relação, que será obrigado a acompa
nhar o Governador quando for á Relação, e della se recolher; e outro das
cadeias que da mesma acompanhará o Chanceller; e ambos elles serão
do General, e terão seus Escrivães. •

119 Haverá hum Inquiridor dos Feitos Crimes, e outro dos Civeis.
120 E assim mais haverá hum Carcereiro; e todos estes Oficiaes usa
rão dos Regimentos dados, ou que ao diante se derem, a outros taes da
Casa da Supplicação, em quanto se lhe poderem applicar, assim quanto
aos emolumentos, como a respeito das obrigações de seus Oficios.
/*
175| |119
\,

Pelo que: Hei por bem, que este Regimento se guarde, e cum
pra na fórma, e maneira nelle declarada; e que delle se use, sem em
bargo de quaesquer outros Regimentos, Leis, Provisões, ou costumes
em contrario; porque todos Hei por derogados, como se delles fizera ex
pressa menção; e que este se registe nos Livros desta Relação, e Chan
cellaria della, como tambem nos Livros da Camara da Cidade de São Se
bastião do Rio de Janeiro, aonde se guardará o proprio, e nos das mais
Camaras do districto da mesma Relação a que se enviarão cópias authen
ticas; sendo primeiro registado nos Livros do Desembargo do Paço,
Conselho Ultramarino, e Casa da Supplicação; e assim Mando ao Go
vernador, Chanceller, e mais Ministros desta Relação, e a todos os mais
Governadores, Ouvidores, e Justiças das Comarcas respectivas, que o
cumpräo, e fação cumprir inteiramente. Dado em Lisboa aos 13 de Ou
tubro de 1751. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Ministro.
\ Com o qual mandei passar esta Carta, pela qual vos Ordeno, que
tanto que a receberes a façaes registar nos livros ....... . . . . . Para
constar o que no dito Regimento Ordeno, o qual Mando se cumpra, e
guarde muito exactatamente, como nelle se contém; e por Decreto Meu
de vinte de Fevereiro do presente anno Ordenei ao Meu Conselho Ultra
marino o mandasse á dita Relação do Rio de Janeiro, e a todos os Go
vernadores, e Ministros do Ultramar, e onde mais convier, tendo o de
vido cuidado, em que o mesmo Regimento se execute. •

Pelo que, pela parte que vos póde tocar o executareis, e fareis
executar, sem dúvida alguma, e sem embargo de quaesquer Leis, Or
denações, ou Regimentos em contrario, e especialmente da Ordenação
do livro 2." tit. 39. e 40. — ElRei nosso Senhor o mandou pelo seu re
ferido Decreto, e por aviso do seu Secretario de Estado da Marinha, e
Conquistas Diogo de Mendonça Corte Real; e pelos seus Concelheiros
do Concelho Ultramarino abaixo assignados. Antonio de Cubellos Perei
ra a fez em Lisboa aos 14 de Março de 1652.

Impresso avulso.

# #LOººk #

EU ELREI Faço saber os que este Alvará em fórma de Lei virem :


que sendo-Me presente em Consulta do Meu Conselho Ultramarino a
grande desordem, com que no Brazil se estão extrahindo, e passando ne
gros para os Dominios, que Me não pertencem, de que resulta hum no
torio prejuizo ao bem público, e á Minha Real Fazenda, a que he pre
ciso dar o remedio conveniente: Hei por bem Ordenar geralmente, que
se não levem negros dos pórtos do mar para terras, que não sejão dos
Meus Reaes Dominios, e constando o contrario, se perdera o valor do
escravo em tresdobro, ametade para o denunciante, e a outra para a Fa
zenda Real, e os Réos de contrabando serão degradados dez annos pa
ra Angola; ordenando outro sim, que se não dê despacho para a Colo
mia do Sacramento, ou outros lugares visinhos á Raia Portugueza, sem
ficar em livro separado ( que deve haver nas Provedorias ) regista
do o nome, e signaes do escravo, passando-se huma guia para a Pro
Vedoria, ou Justiça Ordinaria do lugar, para que se despacha, a qual
120 1751

deve ser obrigado a descarregar dentro em hum anno; e todas as Justi


ças dos mesmo lugares da Raia serão obrigados a mandar todos os annos
lista ás Provedorias da Cidade da Bahia, e Rio de Janeiro de todos os
Escravos, que entrarão, e dos que se achão, e existem nelles, declaran
do-se os que morrerão, ou faltárão por causa justa, ou por passarem pa
ra terras das Minhas Conquistas. Pelo que Mando ao Meu Vice-Rei, e
Capitão General de mar, e terra do Brazil, e a todos os Governadores,
Capitães Móres do mesmo Estado, e Provedores de Minha Real Fazen
da delle, fação publicar este Meu Alvará, o qual se registará nas Rela
ções do Brazil, e em todas as Provedorias da Fazenda Real, e mais par
tes, onde convier, para que se tenha noticia, do que pelo mesmo Alva
rá Ordeno, e se cumpra, e guarde inteiramente, como nelle se contém
sem dúvida alguma, o qual valerá como Carta, posto que seu efeito ha
ja de durar mais de hum anno, sem embargo da Ordenação do liv; 2.°
tit. 40, em contrario, e se publicará, e registará na Minha Chancellaria
MórdedoElRei,
ra Reino.e Lisboa a 14 dede
a do Marquez Outubro de Presidente.
Penalva, 1751. = Com a Assignatu •

Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no Li


vro das Leis a fol. 17 vers., e impr. na Oficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

{ #«Oº# #

EU ELREI Faço saber, que o Provedor do Aqueducto, e Canos da


Agoa da Prata da Cidade de Evora Me representou por sua petição,
que entre os mais Privilegios concedidos para a conservação, e reparo
dos ditos Canos, era hum delles de que se fazia menção no Capitulo
Quinto, que as penas pecuniarias, em que os Réos da dita Comarca fo
rem condemnados por sentença da Relação, ou de outro qualquer Tri
bunal, ou Ministro, se applicassem para os reparos, e Fabrica dos ditos
Canos: e tendo este Capitulo sempre observancia, succedera, que vindo
do Juizo do geral da Villa de Estremoz, que era da Comarca da dita Ci
dade, appellados para a Relação huns Autos crimes, entre partes Ma
noel Rodrigues Grogulho, contra João Rodrigues, Sombreireiro, fôra
este por sentença da Relação condemnado na pena pecuniaria de vinte
mil réis para as despezas da Relação, e o Escrivão da inferior instancia
fôra tambem condemnado para as mesmas despezas em dous mil réis; de
que tendo o supplicante noticia não se observar o dito Capitulo, se op
puzera com embargos ao Acordão, para se reformar naquella parte das
condemnações, na fórma em que o dito Capitulo dos Privilegios manda
va applicar para os reparos dos sobreditos Canos; e por serem desatten
didos os embargos, requerera ao Regedor das Justiças, e este lhe man
dára o fizesse immediatamente a Mim; e porque de se não applicarem
as penas pecuniarias, como até agora se applicárão, com que se repara
vão os Canos, se seguia grande prejuizo dos moradores da dita Cidade,
que não tendo outra agoa que bebessem, mais que a que se encaminha
va por aquelles Aqueductos, perecerião á sede; e por falta de concertos,
e reparos se perderia huma obra tão util, que fizera tanta despeza; nes
tes termos, em que perigava o bem público daquella Cidade, Me pedia
fosse servido Mandar expedir ordens para a observancia dos Privilegios
1751 • 12I

dos Aqueductos, applicando-se para os seus reparos, e Fabrica as pe


nas pecuniarias, em que forem condemnados os Réos daquella Comarca.
E visto o seu requerimento, e o que constou por informação do Desem
bargador Sergio Justiniano de Oliveira, Ouvidor do Crime da Relação,
e Juiz da causa sobredita, e a reposta do Procurador da Minha Coroa,
a quem se deo vista, sobre o que se Me fez pela Meza do Desembargo
do Paço Consulta, em resolução della de cinco do mez de Agosto proxi
imo passado do presente anno, attendendo a que na fórma do sobredito
Capitulo do Regimento do Aqueducto, que o Supplicante juntou, todas
as referidas condemnações devem ser para a Fabrica no seu juizo, sen
do o contrario interpretações torcidas a favor da pobreza das despezas da
Relação, que não basta para alterar a Lei: Hei por bem, e Mando por
este Meu Alvará, que se observe inviolavelmente o sobredito Capitulo
Quinto do Regimento do mesmo Aqueducto, pelo qual se ordena, que
todas as condemnações impostas por Sentenças da Relação, ou de qual
?" Tribunal, ou Ministro, em penas pecuniarias aos Réos da mesma
omarca de Evora, sejão applicadas para a Fabrica dos Canos do dito
Aqueducto, assim, e na mesma fórma, que pelo dito Capitulo Quinto
do Regimento he determinado. Pelo que: Mando ao Regedor da Casa
da Supplicação, Ouvidores della, e a todas as mais Justiças, a quem
este Meu Alvará for apresentado, e o conhecimento delle pertencer,
cumprão, e guardem o que por elle lhes Ordeno; para o que, sendo pas
sado pela Chancellaria Mór da Corte, e Reino, e nos livros della regis
tado, o será tambem nos livros da mesma Relação, e em todas as ter
ras da dita Comarca de Evora, para a todos os Ministros ser constante
esta Minha resolução, e em sua observancia se fazer executar o nella refe
rido, assim, e na mesma fórma, que por este Meu Alvará Hei por bem
declarado: e se pagou de novos direitos quinhentos e quarenta réis, que
se carregárão ao Thesoureiro delles a fol. 303 do livro 3.° da sua Recei
ta, como se vio do seu Conhecimento, registado no livro 3.° do registo
geral a folhas 236 vers. Lisboa 21 de Outubro de 1751. = Com a As
signatura de Sua Magestade.
Regist. na Chancellaria Mór da Corte e Reino no Li
vro de Officios, e Mercês a fol. 121 e na Supplica
ção no Livro dos Decretos a fol. 137; e impr. na
Regia Typografia Silviana.

#
*k %vCººk }

EU ELREI Faço saber, aos que este Alvará em fórma de Lei vi


rem, que tendo consideração á indecencia, e perturbação, que resulta
de se conhecer em quaesquer Juizos dos embargos de obrepção, e sub
repção, ou outros semelhantes, que se oppoem contra os Meus Reaes De
cretos, Resoluções de Consultas, e despachos dos Meus Tribunaes; o
que se deve evitar, para que a Ordenação do Reino se conforme a res
Peito destes embargos, com o que dispoem sobre os embargos oppostos
contra as sentenças proferidas nas Relações: Hei por bem, que vindo as
Partes com quaesquer embargos, posto que sejão de obrepção, ou sub
repção contra as Cartas, Alvarás, Provisões, e outros despachos, que
Por Meus Reaes Decretos, Resoluções de Consultas, ou despachos dos
Q
|22 1751

Tribunaes se houverem expedido, se remettão logo os mesmos embar


gos aos Tribunaes respectivos com suspensão, ou sem ella, segundo o
estado, em que se achar a execução das Cartas, Alvarás, Provisões, e
despachos sobreditos, (1) conforme a pratica, que nesta parte se obser
va, e em nenhuns outros Juizos, posto que sejão os das Relações, se to
mará conhecimento dos mesmos embargos: e se nos Tribunaes, a que
forem remettidos, se entender que por sua materia necessitão de dispu
ta contenciosa, os farão remetter ao Juizo da Coroa, para que nella se
jão ouvidas as partes. Pelo que: Mando ao Regedor da Casa da Suppli
cação, Governador da Casa do Porto, e aos Desembargadores das duas
Casas, Corregedores, Provedores, Ouvidores, Juizes, Justiças, Ofi
ciaes, e pessoas destes Meus Reinos, cumprão, e guardem este Meu
Alvará inteiramente, como nelle se contém, e para que venha á noticia
de todos Mando ao Doutor Francisco Luiz da Cºmº de Ataide do Meu
Conselho, e Chanceller Mór destes Reinos, e Senhorios, o faça publi
car na Chancellaria, e envie Cartas com o treslado delle sob Meu Sello,
e seu signal aos Corregedores, das Comarcas, e Ouvidores dos Donata
rios, e se registará nas partes costumadas: e este se lançará na Torre
do Tombo. Dado em Lisboa aos 30 de Outubro de 1751. = Com a As
signatura de ElRei, e a do Marquez Mordomo Mór Presidente.
Regist, na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no
Livro das Leis, a fol. 18. vers., e impr. na Qji
cina de Antonio Rodrigues Galhardo.

(1) Se o Diploma embargado não tem surtido o seu efeito, suspendem os embar
go., aliás não segundo Mendes a Castro Arest. 2.° n. 1. ad fin. Themud. p. 3." q
19. Cab. p. 1." Dec. 112, n.° fin. » e outros Praxistas.
123

—==>$60ê>$$$#%$<=–

A NNO D E 1752. :

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará virem, que sendo util, e
necessario, que as Praças deste Reino se reparem, e fortifiquem, ap
plicando-se as contribuições, com que os Meus fiéis Vassallos me assis
tem para tão indispensavel despeza, com huma administração regulada,
e tal, que, mediante ella, se convertão todas as ditas contribuições no
bem commum, que resulta da segurança da Marinha, e das fronteiras,
sem a dependencia de accrescentar, nem ainda com tão justos motivos,
novos gravames aos Póvos, que o Meu Regio, e Paternal animo procura
antes aliviar em quanto he possivel; Sou servido de ordenar, que daqui
em diante se observe a este respeito o seguinte:
I. As obras, que consistem na reparação daquellas ruinas, que o tem
po costuma fazer ordinariamente nas Fortificações, nos Corpos de Guar
da, e nos Quarteis de Infanteria, e de Cavallaria, tendo a consignação
de vinte e sete contos de réis annuos para se dividirem pelas diferentes
Provincias do Reino , pertencem á inspecção dos Governadores das Ar
mas na conformidade do Titulo sexto do Novo Regimento da Receita , e
despeza da Junta dos Tres Estados, que derogou todas as precedentes
constituições. E ordeno que a este respeito se observe daqui em diante o
contheudo no sobredito Titulo desde o paragrafo primeiro até o paragrafo
sexto inclusivè pelo que respeita a terem os sobreditos Governadores das
Armas a inspecção das referidas obras na maneira abaixo declarada.
II. Os mesmos Governadores das Armas, ou quem seus cargos ser
vir, nomearão no fim de cada anno dous Engenheiros, os quaes acom
panhados do Védor geral na Corte, e nas Praças onde houver Védorias,
e nas outras Praças acompanhados de hum Commissario de mostras visi
tem todas as Fortificações, Corpos de guarda, Quarteis, Hospitaes, e
casas pertencentes ás Védorias, examinando, e autuando o estado, em
que se achão, e os reparos, de que necessitão para se conservarem. No
124 1752

caso de acharem alguma ruina, que não seja causada por culpa dos Of
ficiaes, que governarem cada hum dos sobreditos edificios, darão conta
ao respectivo Governador das Armas para a mandar logo reparar antes
de crescer de sorte, que obrigue a maiores despezas. Se porém acharem
que a tal ruina foi feita, ou causada por algum dos sobreditos Oficiaes,
o Védor geral, ou Commissario de mostras mandarão logo fazer hum au
to; declarando nelle a ruina que achárão; as circumstancias, e medidas
della; e a despeza, que se poderá fazer no seu reparo ; o qual auto se
remetterá ao Governador das Armas, que Me dará conta com elle para
determinar o que for servido, segundo a exigencia do caso.
III. Antes de se arrematar qualquer reparação, que seja necessario
fazer-se nos sobreditos edificios , ordenarão os Governadores das Armas
aos Engenheiros, que destinarem para directores da obra, que fação hum
papel de apontamentos, no qual descrevão com toda a especificação as
ruinas, que houver com todas as suas circumstancias, e medidas , e
com a declaração dos lugares do edificio, onde as mesmas ruinas estive
rem, repetindo o sobredito papel em tres cópias authenticas; huma para
ficar ao General; outra para se incorporar no acto de arrematação, que
se fizer na Védoria; e outra para se entregar ao Empreiteiro para o seu
governo. /

IV. Quando se houver de pôr em lanços qualquer reparação, que se


ja do valor de quatrocentos mil réis para cima, os Engenheiros, que del
la forem encarregados, visitarão o lugar, em que se deve fazer a obra,
e os sitios, dos quaes se hão de conduzir os materiaes para ella : exami
nando, e determinando a bondade, liga, e preço dos que se houverem
de empregar, e os custos das suas conducções : para com estas prévias
noticias não só se escolherem os materiaes melhores, e mais commodos,
mas tambem se arbitrarem os justos preços, que póde ter (por exemplo)
cada braça de parede; cada vara de lagedo, e enxelharia ; cada palmo
de lancil; cada carro, vara, e palmo de madeira; e cada duzia de ta
boado: especificando-se tudo isto em hum papel, que deve estar presen
te na Védoria ao tempo, em que se tratar da arrematação, e ficar jun
to aos autos della, a fim de que chegando os lanços aos preços compe
tentes, se possa arrematar a obra; a qual excedendo a dita quantia, se
não poderá com tudo arrematar pelos Védores geraes antes de darem con
ta com os lanços, e autos delles aos respectivos Governadores das Ar
para Eue determinar
mas, de estes Meo fazerem
que me tudo presente pela Secretaria de Estado,
parecer. •

V. Estas maiores arrematações se não poderão nunca fazer com a as


sistencia de hum só Engenheiro; antes pelo contrario serão chamados pa
ra ellas todos os que se acharem na Corte, ou Provincia, onde se hou
ver de arrematar a obra, com o posto de Capitão para cima: sendo avi
zados por ordem do Governador das Armas do dia , e hora, em que as
arrematações houverem de ser feitas, para assistirem a ellas.
VI. Para cada huma das referidas obras se nomeará hum Engenhei
ro dos mais habeis, o qual assista continuamente á sua execução, de
sorte, que se não possa fabricar cousa alguma, que não seja por elle vis
ta, e approvada. E defendo que a hum só Engenheiro se possão encar
regar diversas obras, para que cada hum delles possa melhor cumprir
com as obrigações da que estiver a seu cargo, e que por isso deve sem
previsitar a miudo para observar se os Empreiteiros cumprem as condi
ções dos seus contratos, e para emendar, dando conta , as faltas que
achar, sobpena de responder por ellas nos casos em que a obra se ache,
1752 125

ou feita contra a arte, e contra a fórma da arrematação, ou viciada nos


materiaes, que nella se houverem empregado.
VII. Prohibo que daqui em diante haja Mestres, e Empreiteiros de
terminados para as sobreditas reparações: Ordenando que para cada hu
ma das que se houverem de fazer se ponhão Editaes nos lugares públi
cos, onde he costume fixarem-se semelhantes escritos : arrematando-se
as obras, depois de andarem a lanços os dias do estilo, a quem as fizer
pelos preços mais baixos; sendo pessoa apta, e segura, que bem cum
pra o que estipular; e lançando-se as arrematações nos livros das Emen
tas das obras, que serão sempre numerados, e rubricados na fórma or
dinaria.
VIII. Nenhuma das referidas obras será feita por jornal, por avalia
ção, ou por lanço fechado, mas todas serão sempre dadas de empreita
da na maneira seguinte. As que pertencerem ao oficio de Pedreiro serão
feitas por braças de parede, de roço, de abobada, de telhado, de fase
quiado, de reformação, de ladrilho, de azulejo, de desentulho; por va
ras de excelaria, de lagedo, de simalha de pedraria, ou alvenaria, de
degráos de escada, e por palmos de lancil. As que pertencerem ao ofi
cio de Carpinteiro serão arrematadas por peças de portas , e janellas,
por duzias de taboado, por carros de madeira, por varas de degráos de
escada, e por braças de fasquiados ; exceptuando em tudo as obras de
esculptura, assim em pedra, como em madeira, porque estas se pode
rão arrematar á vista dos debuxos, que dellas se fizerem, por lanços fe
chados, que sejão respectivos á justa estimação, que merecerem. O mes
mo se observará nas obras de pintura.
IX. E porque se tem introduzido pelos Juizes dos oficios de Pedrei
ro, e Carpinteiro na medição das obras destes oficios, medirem-se na
de Pedreiro as paredes de menor grossura de dous palmos e meio, como
se tivessem esta mesma grossura os vãos de portas, e janellas, arcos,
chaminés, armarios; o que occupão cunhaes, pilares, arcos, e sobre ar
cos de tijolo, por abobada, e parede; e na de Carpinteiro cimalhas,
guarnições, molduras, cordões, e mais ornatos, por taboas inteiras do
comprimento dellas, ficando ao arbitrio de cada hum dos ditos Juizes
dos oficios referidos dar mais, ou menos taboas pelos feitios das ditas
obras, o que os Empreiteiros sempre requerem ; ordeno que se não ob
servem daqui em diante semelhantes estilos; porque todos são contrarios
ás Leis, e prejudiciaes á Minha Real Fazenda, e ás partes; estabele
cendo que a este respeito se proceda na medição das obras de Pedreiro,
conforme as regras da Geometria prática, medindo-se sómente assim as
superficies, como os corpos, que se acharem fabricados, e fazendo-se
lhes abatimento de todos os vãos, que em huns, e outros houverem; e
que na de Carpinteiro se avaliem todas as referidas peças respectivamen
te ao trabalho, com que estiverem fabricadas.
X. As referidas obras do oficio de Pedreiro serão sempre medidas em
tosco , antes de serem rebocadas, para que pelo material se possa ver
claramente se foi terçada com hum cêsto de cal a cada dous cêstos de
arêa, sendo todos iguaes, como devem ser, conforme a arte, cuja re
gra ficará sendo impreterivel em todas as obras, que se arrematarem,
sob pena de que, apresentando-se á medição depois de rebocadas, fica
rão havidas por mal feitas, para se demolirem á custa dos Empreiteiros,
sem a dependencia de outra alguma prova. •

XI. Em todas as referidas obras, que se principiarem, irá o Escri


vão das Fortificações com os Engenheiros, que as devem medir, tomar
126 1752 |

as alturas dos alicerces, e obras, que ficarem occultas, e todas as mais


cousas, que seja necessario medirem-se por lembrança, e que se não po
dem ver ao tempo da final medição , as quaes mandarão medir os ditos
Engenheiros, e o Escrivão as lançará em hum livro, que terá rubrica
do na fórma acima referida, para que quando se houver de fazer a me
dição final , conste nella com toda a clareza o que ficou cuberto , e do
mesmo modo o que se fez de novo, e o que era velho. Nas Praças, em
que não houver Escrivão das Fortificações, irá o Escrivão dos mantimen
tos, que nellas ha, com os referidos Engenheiros a fazerem as mesmas
lembranças , e no fim dellas se fará hum termo pelos ditos Escrivães,
que será assignado por elles, pelos Engenheiros, que forem mandados,
e pelos Mestres da obra; no que terá particular cuidado o Védor geral,
e que se não tomem as taes medidas por Apontadores ignorantes; por
que destes as tomarem tem resultado , e podem resultar prejuizos á Mi
nha Real Fazenda. -

XII. Os referidos Apontadores servirão debaixo das ordens dos Enge


nheiros, observando se os materiaes , que os Empreiteiros empregarem
nas obras, são conformes ao que houverem estipulado nos autos de arre
matação , dos quaes se lhes darão cópias para o dito efeito assignadas
pelo Védor geral, sendo muito vigilantes nesta obrigação, e dando con
ta de qualquer falta, que observarem, aos Engenheiros, que estiverem
encarregados da obra, para irem examinar, e emendar qualquer vicio,
que nella se intente fazer. Não poderão porém os mesmos A pontadores
tomar alguma medida de alicerces, ou de obras, que hajão de ficar oc
cultas, senão por ordem, e em presença dos Engenheiros, e Escrivães
das Fortificações na maneira acima ordenada , sob pena de que, cons
tando que ou faltárão em dar conta aos Engenheiros de qualquer vicio,
que se intente fazer nos materiaes , ou se intromettêrão em fazer as
ditas medições, serão privados dos oficios para nelles mais não entrarem,
sem especial ordem Minha; e ficarão obrigados, além desta, ás mais pe
nas arbitrarias, que Eu for servido mandar-lhes impôr, segundo a culpa,
ou negligencia, em que forem achados.
XIII. Succedendo que, depois de ser principiada qualquer obra, se
ja preciso fazer-se nella algum accrescentamento, ou desmancho, defen
do que daqui em diante os possão fazer os Empreiteiros , sem que para,
isso preceda justa informação , e positivo despacho do Governador das
Armas, e intervenção do Védor geral, que se ajuntarão aos autos da ar
rematação ; e o sobredito accrescentamento , ou desmancho serão tam
bem especificados pelos Engenheiros, que forem mandados examinallos,
tudo na conformidade do que tenho acima ordenado , e de sorte que os
sobreditos Empreiteiros não possão accrescentar ao seu arbitrio algumas
obras, além daquellas, que estiverem determinadas pelos Planos, que
lhes houverem sido entregues.
* XIV. Para a mediação de todas as obras precederá sempre despacho
por escrito do respectivo Governador das Armas , , e intervenção do Vé
dor geral. As que não excederem a quatrocentos mil réis se farão com a
assistencia de dous Engenheiros dos mais capazes; e nas que excederem
a dita quantia concorrerão pelo menos tres dos ditos Engenheiros, sob
pena de que as medições feitas em outra fórma serão nullas, para se não
poder por ellas liquidar conta, da qual se haja de seguir efectivo paga
mento. •

XV. Os Engenheiros, e Escrivães das Fortificações, que com elles


forem nomeados para medir as obras, antes de principiarem a medição
1752 127

devem examinar se elas se achão fabricadas na fórma das Condições ex


pressas no auto da arrematação, e dos apontamentos, que se houverem
entregado aos Empreiteiros. Não achando cousa, que faça dúvida, en
tregará o Escrivão das Fortificações os termos, que se houverem feito
para lembrança dos alicerces, e mais obras occultas; e mandando os En
genheiros medir tudo o mais, que nos sobreditos termos se não achar
lançado, ira o Escrivão assentando em hum caderno as medidas, que se
forem tomando. O mesmo fará hum dos Engenheiros em outro caderno
separado ; e no fim da medição se conferirão as medidas , que se acha
rem lançadas nos sobreditos dous cadernos , para que, achando-se con
formes , entregue o Escrivão o seu caderno ao outro Engenheiro , que
não escreveo na medição, para fazer as contas da obra com o outro En
genheiro, de sorte que , passando assim por diferentes mãos , se não
deixe materia tão importante aos acasos do cuidado, ou descuido, que
póde haver em hnma só pessoa.
XVI. Porque na conformidade do sobredito Titulo sexto, paragrafo
oitavo do Regimento da receita, e despeza da Junta dos Tres Estados os
setenta e tres contos de réis, que no quinto cofre restão dos reparos das
ruinas, que o tempo costuma ordinariamente fazer, se achão applicados
á fortificação de huma só Praça , qual Eu for servido determinar, para
serem dispendidos com o methodo, e ordem , que agora devo estabele
cer: Sou servido ordenar, que a inspecção de todas as obras, que da
qui em diante se fizerem por esta consignação , pertença á Junta dos
Tres Estados, a qual se regulará a este respeito na maneira seguinte.
XVII. Logo que Eu determinar qualquer das sobreditas obras, man
dará a Junta, que della se tire huma exacta planta pelos Engenheiros,
que Eu for servido nomear ao mesmo tempo , descrevendo-se nella não
só todo o plano do que se houver de fabricar , mas tambem as alturas,
larguras, e grossuras de cada parte da obra, especificando-se com a fór
ma do trabalho, que se deve fazer, a qualidade dos materiaes, e tudo
o mais , que pertencer á completa construcção, e perfeição da obra;
de tal sorte, que estas instrucções possão servir de regra assim para se
regerem as arrematações, e para os Empreiteiros edificarem na fórma do
contrato, como para, depois de feita a obra, se julgar se elles cumprí
rão com o que estipulárão, não ficando omissão, ou equivoco, que pos
sa dar lugar a allegarem os ditos Empreiteiros alguma razão attendivel,
para se lhes satisfazer por avaliação este, ou aquelle trabalho , com o
motivo de se não ter considerado no acto da arrematação : em ordem a
cujo fim se farão sempre tres das referidas plantas com suas instrucções;
huma dellas para ficar na Junta incorporada nos autos da arrematação:
outra para se entregar ao Védor geral da Provincia, onde se fizer a obra:
e a terceira para governo dos Empreiteiros, que a arrematarem.
XVIII. Todas as sobreditas plantas serão invariaveis , não podendo
pertender os Mestres , que se lhes pague obra alguma, que nellas não
esteja delineada, a menos que o accrescimo não seja feito por despacho
da Junta até o valor de quatrocentos mil réis, e dahi para cima por Mi
nha Real Resolução.
XIX. Para se arrematarem as referidas obras precederão tambem as
mais diligencias, que ficão estabelecidas nos paragrafos quarto e quinto
deste Regimento, fazendo-se as arrematações na Junta dos Tres Estados
na mesma fórma, que se pratíca nos contratos, que nella se arrematão;
consultando-se-Me os lanços, em que ultimamente se houver de arrema
tºr, com os papeis a elle pertencentes, para Eu resolver o que for ser
128 1752

vido; e lançando-se depois as arrematações, que se fizerem, em hum lí


vro de Ementas, que haverá para este efeito. E para que os Engenhei
ros, que se acharem na Corte, assistão ás ditas arrematações, se Mie fa
rão presentes pela Secretaria de Estado os dias, e horas, em que elas
houverem
to respeito.de ser feitas, para mandar expedir as ordens necessarias ao di

XX. O mesmo se praticará quando for necessario nomearem-se En


genheiros para as assistencias, e mediações das obras, nas quaes se ob
servará inviolavelmente o que deixo assima estabelecido nos paragrafos
sexto, decimo quarto, e decimo quinto do mesmo Regimento, o qual se
observará tambem nos paragrafos setimo, oitavo, nono, decimo, undeci
mo, duodecimo, e decimo terceiro, pelo que pertence á fórma dos con
tratos com os Empreiteiros, e ao modo da administração das obras, e
das mediações, que dellas se devem fazer.
XXI. Excitando a observancia do que se acha disposto no sobredito
Regimento da receita, e despeza da Junta dos Tres Estados pelo Titu
lo sexto, paragrafo sexto, e Titulo setimo, paragrafo nono: Sou servido
Ordenar, que a Junta na Consulta, que Me deve fazer no mez de Fe
vereiro de cada hum anno, para Me informar do estado das applicações
de todas as seis caixas militares, e dos sobejos, que nellas se acharem,
e nas relações, que subirem com a mesma Consulta, faça resumir em
dous separados artigos a despeza, que se houver feito no anno preceden
te em todas, e cada huma das Provincias com os reparos, a que se a
chão applicados os vinte e sete contos de réis assima referidos, e com a
fortificação da Praça, a que Eu houver applicado a outra consignação
dos setenta e tres contos de réis tambem assima declarados.
E este Alvará se imprimirá, e se mandarão cópias delle aos Tri
bunaes, e Ministros, que necessário for; e aos que forem impressos, e
assignados por dous Ministros da Junta dos Tres Estados se dará tanta
fé, e credito, como se fossem por Mim assignados; e Quero que valha,
como Carta passada em Meu Nome, sem embargo de que o seu efeito
haja de durar mais de hum anno, e de não passar pela Chancellaria, não
obstante as Ordenações do livro segundo titulo trinta e nove, e quaren
ta, que para este efeito com todas as mais Leis, Ordenações, Privile
gios, Capitulos de Cortes, Alvarás, Decretos, ou Provisões geraes, ou
especiaes, que em contrario fação, Hei por derogados, cassados, e an
nullados de Minha certa sciencia, poder Real, e absoluto; e nenhum
Alvará, e Regimento, Decreto, ou Provisão sobre esta materia tera ef
feito algum na parte, que encontrar este; porque Quero que se cumpra,
e guarde assim, e da maneira, que nelle he conteúdo, e declarado. Es
crito em Salvaterra de Magos a 7 de Fevereiro de 1752. = Com a As
signatura de Sua Magestade, e a do Ministro.
Na Imprensa de Galhardo.

3k #«…>, ºk #

DoM JosÉ por Graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algarves,


d'aquem, e d’além mar, em Africa Senhor de Guiné, e da Conquista,
Navegação, Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India, &c.
1752 129

Faço saber aos que esta Lei virem, que tendo consideração á utilidade
pública, que resulta de se cultivar nos Meus Dominios toda a Seda, que
elles podem produzir em beneficio da manufactura deste genero, que
Houve por bem Mandar conservar, e ao interesse que ao bem commum
se póde seguir de que se augmente a sobredita Fabrica: Hei, por bem
Ordenar que todas as pessoas, que lavrarem dez arrates de Seda em ra
ma, ou d’ahi para cima, a possão livremente vender, sem que della, e
da terra, em que voluntariamente houverem plantado tantas Amoreiras,
que produzão pelo menos a dita quantidade de Seda, sendo huma só ter
ra, paguem siza, dizima, portagem, quatro e meio por cento, nem ou
tro algum Tributo velho, ou novo, assim nas Alfandegas, como fóra
dellas. As Pessoas que lavrarem huma arroba de Seda em rama, ou d’a-
hi para cima, e seus filhos, #…, que occuparem na dita cultu
ra, gozarão, além da referida isenção, dos Privilegios, que pela Orde
nação do livro segundo, titulo cincoenta e tres, são concedidos aos ca
zeiros encabeçados dos Fidalgos; sendo tambem excusos de servirem con
tra suas vontades nas Companhias das Ordenanças, dos Auxiliares, ou
ainda pagas, posto que seja em tempo de guerra, que Deos não permit
ta. Os que lavrarem tres arrobas de Seda, e d’ahi para cima, se forem
mecanicos, ficarão habilitados nas suas Pessoas, e nas de seus filhos, e
descendentes, para servirem todos os empregos das Cidades, e Villas do
Reino, que requerem nobreza; e se forem nobres, poderão recorrer a
Mim, que lhes farei mercês proporcionadas á utilidade pública, que con
siderar nos seus serviços, acrescentando as suas nobrezas. E os que la
vrarem menos de dez arrates de Seda em rama, em qualquer quantida
de que seja, sempre a poderão vender livre de Direitos do referido ge
nero, posto que não gozem das mais franquezas assima ordenadas.
Estes Privilegios lhes guardarão inteiramente todos os Ministros
de Justiça, Fazenda, e Guerra de Meus Reinos, e será Conservador
delles o Ministro, que o for da dita Fabrica da Seda na Cidade de Lis
boa; e nas Provincias os Corregedores das Comarcas, procedendo con
tra quem os quebrantar do mesmo modo que pela Ordenação livro segun
do, titulo cincoenta e nove, paragrafo quatorze procede o Corregedor
da Corte contra os que quebrantão, ou não guardão os Privilegios dos Des
embargadores. Porém para que estes Privilegios lhes compitão fará cada
hum dos Lavradores de Seda tomar razão, e registo na Camara respe
ctiva em hum Livro numerado, e rubricado que para este efeito Mando
que haja, de todas as Amoreiras que tiver, e da Seda que cada human
no lavrar da sua cultura, para se conhecer a quantidade a que chega, e
com Certidões authenticas dos Vereadores, e Escrivães das Camaras,
porque conste do pezo da Seda, apuradas pelos Corregedores das Comar
cas, se lhes guardarão os respectivos Privilegios que lhes são concedidos
nesta Lei. Bem entendido que todos os concedidos aos Lavradores de
menor quantidade, e pezo, competem aos de quantidade maior, e não
pelo contrario. Os mesmos Escrivães das Camaras, dos districtos passa
rão guias assignadas pelos Vereadores de todas as Sedas, que delles sa
hirem para a Cidade de Lisboa, ou para outra qualquer do Reino, de
clarando nellas se vem por conta dos mesmos Lavradores, ou se vem já
compradas, e por quem : para assim gozarem da liberdade dos Direitos
que nesta Lei lhes vai concedida, e para se evitarem os descaminhos des
1 e genero. E achando-se nas Alfandegas, e Casas, em que se dá entra
da, menos Seda do que aquella que constar das referidas guias, se repu
tará desencaminhada a que faltar, para ser pºiº o valor della a favor
I30 1752

do Hospital Real de todos os Santos. E Sou servido Ordenar que da pu


blicação desta Lei em diante não possa mais sahir deste Reino para fó
ra Seda alguma em rama, fio, casulo, ou de outra qualquer sorte que
seja antes de ser tecida, ou lavrada, isto ou a dita Seda seja creada nes
te Reino, ou nelle introduzida. E não sómente se lhe não dará nas Al
fandegas despacho de sahida, mas toda a que for achada para sahir por
contrabando, e as bestas, ou carruagens, em que for, serão tomadas por
perdidas a favor dos denunciantes.
Pelo que: Mando a todos os Tribunaes, Ministros, e Oficiaes de
Justiça, Fazenda, e Guerra de Meus Reinos, e Senhorios cumprão, e
guardem inteiramente esta Lei, como nella se declara. E ao Doutor
Francisco Luiz da Cunha de Ataide do Meu Conselho, e Chanceller
Mór dos Meus Reinos Mando que a faça publicar na Chancellaria Mór,
e a mande imprimir, e remetter não só para as Comarcas do Reino na
fórma costumada, mas tambem a todas as Camaras das Villas, para nel
las se observar, remettendo tambem ao Conselho da Fazenda quantas fo
rem necessarias para este Tribunal distribuir pelas Estações, e Casas
suas subalternas; e se registará tambem no Desembargo do Paço, Casa
da Supplicação, e Relação do Porto; e a propria se lançará na Torre do
Tombo. Salvaterra de Magos em 20 de Fevereiro de 1752. = Com a
Assignatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no
Livro das Leis a fol. 2o., e impr. na Oficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

*# #aç>}} #

F oi Sua Magestade servido por Resolução de 9 do corrente em Con


sulta desta Junta, registada a fol. 119 do liv. 28 declarar, que se não
devem novos direitos daquelles oficios, de que faz mercê por direito pro
prio de Governador e perpetuo Administrador das Tres Ordens Milita
res: dos outros oficios porém, que são nomeados por Sua Magestade,
como direito, que as referidas Ordens tem, como Donatarias da Coroa,
se deve pagar o sobredito imposto. E como o cargo de Chanceller das
Ordens he da natureza dos primeiros, deve ser restituido ao Supplicante
o que seu irmão pagou sem o dever. Na Contadoria geral de Guerra se
veja e registe esta Resolução de Sua Magestade; e em seu cumprimen
to se aponte o que se oferecer, Lisboa 21 de Fevereiro de 1762. := Com
duas Rubricas. ", * * * * *

• * *) *

Regist. no liv. 29 da Contadoria Geral a fol. 42 vers.,


impressa na Collecção da Universidade por J. I. F.
{ - •

*-alkuonºk-k
# * , - -

\,

A TTENDENDo a que o lugar de Procurador da Fazenda do Ultramar he


hoje dos de maior confiança e consideração, e que não sendo convenien
te, que haja diferença alguma entre elle, e o Procurador da Fazenda do
* * *
1752 131

Reino de que foi desannexado, muito menos deve haver de ser hum da Casa }
da Supplicação, e não o outro, que mella tem igual exercicio: Sou Servido
determinar, que o dito lugar seja hum dos do número da Casa da Sup
plicação, occupando-se com elle hum dos lugares Extravagantes que pa
ra este efeito, Hei por bem supprimido, ficando o Ministro que nelle es }
tava em lugar supranumerario, em quanto o não houver ordinario: Hei
outro sim por bem, que o Desembargador Gonçalo José da Silveira Pre
to, do Meu Conselho que actualmente he Procurador da Fazenda do Ul
tramar, conserve na mesma Casa da Supplicação a antiguidade, que ti
nha como Desembargador dos Aggravos ao tempo em que foi despacha
do para o Conselho da Fazenda como senão tivesse sahido da dita Casa.
O Duque Regedor o tenha assim entendido e o mande executar. Lisboa
28 de Março de 1762. = Com a Rubrica de Sua Magestade.
Regist. na Casa da Supplicação no Livro 14. dos
ecretos a fol. 109 vers.

#=$<<>$=$

Pos ser conveniente ao Meu Serviço e ao bem público, que se obser


ve a disposição da Ordenação do Reino, sobre o número dos Advogados
da Casa da Supplicação favorecendo-se o fim e intenção, que ella se pro
poz de evitar por este meio, que na mesma Casa hajão pleitos injustos,
e requerimentos calumniosos: Sou Servido Ordenar, que a dita Lei se
cumpra muito inteiramente: attendendo porém a que quarenta Advogados
não podem dar expedição ás causas tendo crescido tão consideravelmente
o seu número, e a que augmentando já nesta attenção o dos Ministros da re
ferida Casa, he igualmente necessario, que seja maior o dos seus Advoga
dos: Hei outro sim por bem accrescentar mais vinte ao número antigo
de sorte, que sejão daqui por diante sessenta Advogados da Casa da Su
plicação, gozando todos dos mesmos privilegios, e passando-se-lhes suas
Cartas na fórma da Lei; e porque póde succeder, que haja alguns de
conhecida, e distincta Literatura, que presentemente não possão satis
fazer ao exame, que nella se determina: Ordeno, que nos vinte que se
crião de novo possão sem esta solemnidade ser admittidos aquelles, que
pela maior parte de votos dos Desembargadores dos Aggravos se julga
rem merecedores desta distinção, dispensando a seu favor e por esta vez
sómente na Lei em contrario. O Duque Regedor o tenha assim entendi
do, e o faça executar. Lisboa 19 de Abril de 1762. = Com a Rubrica
de Sua Magestade.
Regist na Casa da Supplicação no Liv. XIV. dos De
cretos a fol. 168 vers.

TE U ELREI Faço saber aos que este Meu Alvará de Lei virem, que
por Me ser presente, que algumas pessoas para descobrirem o segredo
das devassas, ou por alguns outros motivos menos justos, abervão desus
2
132 1752

peitos os Ministros, que estão tirando as ditas devassas, embaraçando


a sua continuação com grande prejuizo da boa ordem , e administração
da Justiça, não o havendo em se negar este meio, que não compete nes
te caso ás partes, ás quaes fica sempre o de allegarem na sua defeza as
razões de suspeição, que tiverem: Sou servido determinar, que em ne
nhum caso se receba, nem tome conhecimento de suspeição alguma pos
ta a Ministro, que esteja tirando devassa, ou esta seja geral, ou espe
cial; conservando-se só o estylo, que nesta materia ha nas residencias.
E mando ao Regedor da Casa da Supplicação, Governador da Casa do
Porto, ou a quem seus cargos servir, Desembargadores das ditas Casas,
e aos Corregedores do Crime, e das Comarcas, e a todos os mais Juizes
respectivos destes Meus Reinos, e Senhorios, "cumprão, e guardem, e
fação inteiramente cumprir, e guardar este Meu Alvará de Lei, como
nelle se contém. E para que venha á noticia de todos, Mando ao Dou
tor Francisco Luiz da Cunha de Ataide, do Meu Conselho, e Chancel
ler Mór destes Reinos, e Senhorios, o faça publicar na Chancellaria, e
enviar a copia delle sob Meu Sello, e seu signal aos Corregedores, e
Ouvidores das Comarcas, e terras dos Donatarios , e mais pessoas , a
quem tocar a sua execução ; e se registará nos livros da Mesa do Meu
Desembargo do Paço, e nos da Supplicação, e Relação do Porto; e es
te proprio se lançará na Torre do Tombo. Dado em Lisboa, aos 26 de
Abril de T752. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Marquez Mor
domo Mór P. - |-

-- Regist. na Chancellaria Mór da Córte, e Reino no


* - , Livro das Leis a fol., 22 , e impr. na Oficina de
… ; Antonio Rodrigues Galhardo.
*-*

# #*<>"# %

A… 18 do mez de Maio de 1752, diante do Illustrissimo e Excellen


tissimo Senhor Dom Pedro Duque de Lafões, e Regedor das Justiças,
se propoz em Mesa Grande, na presença de todos os Desembargadores
de Aggravos abaixo assignados, se nas Causas de suspeições, quando se
excluem por causa de nullidades, se devem estas por fundamento decla
rar nos do Acordão, ou se se ha de escrever o mesmo Acordão na fórma,
em que se costumão lançar ordinariamente, quando não procedem. E se
assentou pela maior parte dos Desembargadores, que o Acordão se deve
lançar na mesma fórma, em que se costumão lançar, quando não proce
dem ordinariamente ; do que tudo se fez este Assento , que o dito Ex
cellentissimo Senhor Duque Regedor assignou , e os mais Desembarga
dores da Casa , que se achavão presentes. Duque Regedor. = Velho.
= Carvalho. = Correa. = Cogominho. = Cunha. = Doutor Pinheiro.
= Porcille. = Fonceca. Sampaio. = D’antas. = Doutor Martins. =
Lopes de Carvalho. = Ribeiro. = Fragozo.
Livro II. da Supplicação fol. 89 ; e na Collecção dos
Assentos a fol. 341.
1752 • I33

…; …" , , ' ' - º


* * ; * *«…>, ºk
W: • ; º | , "

EU ELREI Faço saber aos que este Regimento virem, que conside
rando o que Me representou o Conselho da Fazenda em Consultas de
vinte e sete de Outubro de mil setecentos quarenta e nove , e de nove
de Outubro de mil setecentos cincoenta e hum, a respeito da má arre
cadação, que havia na cobrança, e despeza das Sizas pelos Almoxarifes
delas: Fui servido mandar fazer este Regimento para com elle evitar as
desordens, que atégora se tem experimentado, e reduzir esta arrecada
ção a methodo, em que experimentem os filhos das folhas os seus paga
mentos promptos, e que com facilidade se dem as contas destes recebi
mentos. -

1 Sou servido que daqui em diante haja nesta Corte hum Thesourei
ro geral das Sizas com seu Escrivão para o recebimento dellas de todo o
Reino, o qual será Executor geral das suas Receitas.
2 O Thesoureiro geral terá de ordenado em cada hum anno setecem
tos mil réis, sem que possa ter outro emolumento, propinas, ou ordina
rias, não só da Minha Real Fazenda, como tambem das partes por titu
lo algum, nem ainda o de que falla o Regimento da Fazenda, que hei
por derogado nesta parte: e fazendo-o pelo contrario, se lhe dará em cul
pa, sendo a pena arbitraria; e o seu Escrivão terá duzentos mil réis de
ordenado, e oitenta réis de cada conhecimento, que fizer, com as mes
mas clausulas acima declaradas.
3 Hei por bem extinguir todos os Almoxarifes, e Executores das Co
marcas, Cidades, e Villas destas cobranças neste Reino , e no do Al
garve: e por fazer mercê a algum proprietario, que haja sem culpa, e
que tenha quitações: Sou servido que se lhe pague em sua vida sómen
te, o ordenado, que leva na folha ; e ordeno que do primeiro de Julho
deste anno em diante se abstenhão todos dos exercicios dos ditos Oficios,
ainda aquelles que os estiverem servindo por titulo assignado pela Minha
Real Mão, ou dos Senhores Reis destes Reinos Meus Predecessores; por
que por este Regimento lhes hei por extinctas suas Cartas, Alvarás, ou
Provimentos, para que não possão mais exercitallos, por lhes haver por
extinctas as mercês, com que nellas se conservavão."
4 Para que a arrecadação da dita contribuição nos césse; e se conti
nue como até o presente se fazia, e Meus Vassallos recebão com prom
ptidão ao tempo dos seus vencimentos as quantias, que Eu, e os Reis
Meus Predecessores lhes applicarão nas folhas daquelles rendimentos, as
sim em ordenados, como em juros, ou tenças: Hei por bem que as Ca
meras destes Reinos nas cabeças das Comarcas elejão todos os annos hum
Recebedor, que arrecade as mesmas Sizas dos mais Recebedores dos Ra
mos de cada huma das Comarcas ; e os Recebedores assim eleitos, te
rá cada hum o ordenado, que vai declarado na relação junta, e assigna
da pelo Secretario de Estado Diogo de Mendonça Corte Real, que será
incorporada neste Regimento como parte delle.
5 Os Recebedores eleitos todos os annos, como acima fica disposto,
serão afiançados pelos Vereadores, que os elegerem, ficando seus bens
obrigados a qualquer falencia do Recebedor; e morrendo alguns dos Re
cebedores, serão logo eleitos outros pelas Cameras respectivas, as quaes
requererão sequestros nos bens do Recebedor defunto ao Provedor da Co
Imarca, até se dar por quite o seu recebimento pelo mesmo Provedor.
134 1752

6 Os Recebedores das Comarcas pagarão sómente nellas do rendimen


to que cobrarem os ordenados dos Ministros, Oficiaes, Recebedores dos
Ramos, e Escrivães das Sizas dellas; para o que o Conselho da Minha
Fazenda remetterá todos os annos com hum Mandado huma relação ao
Provedor da Comarca, em que irão declaradas as quantias, que o dito
Recebedor deve cobrar naquella Comarca, como atégora se fazia; e na
despeza irão lançados sómente os ditos ordenados em addições separadas,
de fórma, que por baixo dellas se possão fazer conhecimentos: porque os
mais pagamentos de juros, tenças, e consignações as ha de pagar nesta
Cidade o dito Thesoureiro Geral.
7 O Provedor da Comarca, vencido que seja o quartel das ditas Si
zas, deixará ficar em poder do Recebedor nomeado o que importar o quar
tel dos ordenados; e o resto o remetterá pelo Correio ao dito Thesourei
ro Geral, e este mandará carregar pelo seu Escrivão a quantia, que re
ceber, no livro da folha daquella Comarca, e passará conhecimento em
fórma para descarga do dito Recebedor.
8 O Provedor da Comarca no fim de cada anno obrigará o dito Re
cebedor a que satisfaça todos os ordenados com conhecimento na folha,
que se lhe remetter do Conselho ao pé de cada addição, e lhe recensea
rá o dito Provedor a conta, e o dito recenseamento com a despeza, que
tiver feito, e o resto do seu recebimento remetterá ao Meu Contador Mór
dos Contos do Reino, e Casa, que logo mandará entregar o dinheiro ao
dito Thesoureiro Geral, e o recenseio o commetterá ao Contador para o
examinar, e lhe juntará o conhecimento , que o dito Thesoureiro Geral.
passar do ultimo recebimento; e achando certo o recebimento, e despe
za, passará certidão, que o mesmo Contador Mór mandará entregar ao
dito Thesoureiro Geral para a encostar á folha daquella Comarca, e com
ella se ajustar o cumputo do seu recebimento.
9 Para que não haja confusão nos pagamentos, e recebimentos na
mão do dito Thesoureiro Geral, o Conselho de Minha Fazenda mandará
processar todos os annos folhas para cada Almoxarifado, como se ainda
existissem os Almoxarifes; as quaes mandará entregar ao dito Thesou
reiro Geral, e nellas se lhe declarará o que o Recebedor na Comarca ha
de dispender, e o que lhe fica a elle para pagar; porque, ainda que os
Recebedores das Comarcas hão de receber, e dispender, não ficão, nem
podem ficar obrigados a mais que ao recenseio , que o Provedor da Co
marca lhe fizer, e á falencia, que houver na arrecadação; pois aos mes
mos Recebedores fica, e concedo a mesma jurisdicção executiva, que
tinhão os Almoxarifes para poderem cobrar dos mais Recebedores dos Ra
mos, e examinar na falta do prompto pagamento as cobranças, que ti
verem feito: e caso que por suas negligencias succeda haver divida, a
pagarão por seus bens, e seus fiadores : e havendo embaraço tal, que
faça demora na cobrança, então com os autos da execução, e mais do
cumentos, porque conste da diligencia feita para a cobrança, a remet
terá o dito Provedor da Comarca ao dito Contador Mór para a mandar
carregar a hum dos Executores dos Contos, que ficarão obrigados a aca
bar a execução dentro de seis mezes.
10 E porque poderá succeder que os Ministros, a quem os ditos Exe
cutores commetterem as ordens, sejão morosos no findar as execuções, o
Executor, a quem estiver carregada a divida, dará conta no Conselho
da Fazenda, e este a pedirá ao dito Ministro da razão que teve , para
logo não cumprir a ordem que se lhe passou a qual ficará notada para a
sua residencia.
1752 135

11 Terá grande cuidado o Conselho da Fazenda de mandar remetter


ao Thesoureiro Geral todos annos, nos tempos devidos as folhas de cada
Almoxarifado, e cada huma de per si se trasladará em hum livro com as
addições separadas para ao pé dellas se fazerem os conhecimentos das par
tes; e findo que seja o anno , e acabados de satisfazer os filhos das fo
lhas, e entregues as consignações fará o mesmo Escrivão no livro de ca
da Almoxarifado cabeça de receita , e despeza, e o levará á Mesa do
Contador Mór, que commetterá o recenseio daquelle anno, e Almoxari
fado ao Contador, que tiver o recenseio do Recebedor delle, o qual, de
pois de examinar a despeza, e receita, passará certidão na fórma do es
tilo, declarando o que se recebeo, e dispendeo, o que existe por satis
fazer, e a divida, caso que a haja, e de que procede, ficando-lhe os pa
peis, folha, e livro em seu poder ; e aquellas quantias, que as partes
não tiverem cobrado, ficarão em cofre separado de tres chaves, que te
rá para isso o Thesoureiro Geral nas Sete Casas, aonde terá os mais co
fres, de que necessitar para a sua receita; e as quantias depositadas se
pagarão depois do
mo Thesoureiro recenseio á ordem do Conselho da Fazenda pelo mes
Geral. - - •

12 Praticado o referido em todos os recebimentos do dito Thesourei


ro Geral nos primeiros dous annos de seu recebimento , no ultimo dos
tres o chamará o Contador Mór a contas, seis mezes depois do tercei
ro anno; e com a mesma ordem dos recenseios commetterá as contas dos
Almoxarifados aos mesmos Contadores, e estes as tomarão dentro de ou
tros seis mezes, de sorte que dentro delles, ha de ter de todos os rece
bimentos o dito Thesoureiro Geral quitação; e as quantias, que estive
rem por pagar , se depositarão na fórma que ordeno no Capitulo onze
deste Regimento.
13 Para que Meus Vassallos não experimentem vexação, antes com
esta nova arrecadação sejão mais bem pagos, e se evitem as dividas, em
que até o presente ficavão alcançados os Oficiaes de recebimento, terá
o dito Thesoureiro Geral cofres com tres chaves. -

14 Sou servido ordenar que a assistencia do dito Thesoureiro Geral,


e seu Escrivão seja nas Sete Casas, onde o Contador da Fazenda lhe
mandará fazer Mesa para elle assistir com o seu Escrivão, e ahi terá os
seus cofres de tres chaves, tendo huma o mesmo Contador da Fazenda,
e as outras duas o Thesoureiro Geral, e o seu Escrivão.
15 Ordeno, e mando que se não receba, nem dispenda cousa, algu
ma, senão á boca do cofre, que haverá todos os dias, que não forêm de
guarda, e terá o mesmo Thesoureiro Geral jurisdicção sobre todos os Re
cebedores das Comarcas, e contra elles passará ordens no caso que nos
tempos devidos não remettão as importancias, que deverem ; e as cus
tas, que se fizerem na dita arrecadação, se descontarão do Rendimen
to, em cuja arrecadação se gastarem sem rateio. •

16 Como em muitos dos Almoxarifados do Reino ha consignação de


cera ao Guarda-resposta de Minha Casa, e com esta nova fórma fica mais
dificil a remessa, supposto que muitos a entregavão a dinheiro: por es
te hei por declarado que os ditos Recebedores quando fizerem arrecada
ção da dita consignação, seja a dinheiro, e o remettão com separação
para logo ser entregue ao Guarda-resposta. * * * * * - - - •

17 Por ser preciso que as remessas dos referidos rendimentos se fa


<ão com segurança, promptidão, e sem despeza, ordeno ao Correio Mór
de Meus Reinos passe ordem a todos os Correios das Comarcas que logo
que por ordem dos Provedores dellas, ou dos Recebedores, lhes for en
|36 • 1752

tregue qualquer quantia, a conduzão sem dilação, e a entreguem ao di


to Thesoureiro Geral, que para sua descarga lhe dará conhecimento em
fórma, que o Correio entregará ao dito Provedor da Comarca, ou ao Re
cebedor, e com elle resgatará a sua cautela, que tiver dado quando re
cebeo o dinheiro.
18. O Thesoureiro Geral será o particular das Sizas do Termo desta
Cidade; e o dinheiro, que crescer dos ordenados dos Executores, que
levavão nas folhas, não se dispenderá sem ordem Minha expressa.
19 Pelo que Mando aos Védores de Minha Fazenda, e Conselheiros
della, e aos mais Ministros a que tocar, e com mais especialidade aos
Provedores das Comarcas, cumprão, e guardem este Regimento em tu
do, e por tudo como nelle se contém, sem embargo de quaesquer Orde
nações, Regimentos, ou Ordens, que haja em contrario, que tudo hei
por derogado, e derogo como se de cada huma das ditas cousas fizera
expressa menção. "M"?
que venha á noticia de todos, e se não possa
allegar ignorancia, Mando ao Meu Chanceller Mór do Reino o faça pu
blicar na Chancellaria, enviar a copia delle, sob Meu Sello, e seu sig
nal aos Corregedores, Provedores, e Ouvidores das Comarcas, e Juizes
de Fóra, e aos das terras dos Donatarios. E este Regimento se regista
rá nos livros do Conselho da Fazenda, e nos da Casa da Supplicação, e
nas Cameras destes Reinos; e este proprio se lançará na Torre do Tom
bo. Dado em Lisboa aos 5 de Junho de 1752. (1) = Com a Assignatura
de ElRei, e a do Ministro.

Regist, na Chancellaria Mór da Córte, e Reino no


Livro das Leis, a fol. 23, e impr. avulso.

Relação dos Ordenados, que hão de ter em cada anno os Recebedores das
Sizas deste Reino, e do Algarve, que forem nomeados, e approva
dos pelas Camaras respectivas. \

Recebedor da Cidade do Porto, cincoenta mil réis.


Recebedor da Cidade de Viseu, quarenta mil réis.
Recebedor da Cidade de Lamego; quarenta mil réis.
Recebedor da Cidade da Guarda, cincoenta mil réis.
Recebedor da Cidade de Coimbra, cincoenta mil réis.
Recebedor da Cidade de Leiria, vinte e quatro mil réis.
Recebedor da Cidade de Portalegre, cincoenta mil réis.
Recebedor da Cidade de Miranda, cincoenta mil réis.
Recebedor da Cidade de Béja, quarenta mil réis.
Recebedor da Cidade de Evora, quarenta mil réis.
Recebedor da Cidade de Elvas, trinta mil réis.
Recebedor de Estremôs, trinta mil réis.
Recebedor de Campo de Ourique, setenta mil réis.
Recebedor de Villa Real, cincoenta mil réis.
Recebedor de Guimarães, cincoenta mil réis.
Recebedor de Vianna, cincoenta mil réis.
Recebedor de Ponte de Lima, cincoenta mil réis.

(1) Pela Lei de 22 de Dezembro de 1761 foi alterado em parte, e em parte revo
gado este Alvará. *
I752 137

Recebedor de Moncorvo, cincoenta mil réis.


Recebedor de Santarem, trinta mil réis.
Recebedor da Tabola de Setubal, trinta mil réis.
Recebedor de Pinhel, cincoenta mil réis.
Recebedor de Castello-Branco, cincoenta mil réis.
Recebedor de Aveiro, cincoenta mil réis. -

Recebedor de Cintra, vinte mil réis. {

Recebedor de Abrantes, trinta mil réis.


Recebedor de Thomar, quarenta mil réis.
Recebedor de Torres Vedras, trinta mil réis.
Recebedor do Reino do Algarve, cincoenta mil réis.
Diogo de Mendonça Corte-Real.
Impresso avulso com o Alvará antecedente.

ºk-ke…ºk #

A… 10 dias do mez de Junho de 1752, nesta Casa da Relação do Por


to, em Meza grande propoz o Senhor José Pedro Emauz, Chanceller
Governador desta Relação, que entre os Ministros della havia varieda
de no modo, e tempo de aliviar, e commutar degredos aos condemna
dos em causas crimes, persuadindo-se, huns, que em todo o tempo, e
por qualquer modo, ainda por huma simples petição, podião alliviar, e
commutar os degredos: outros porém, que supposto a todo o tempo pos
sa ter lugar a commutação, com tudo, que o alivio do mesmo degredo
só podia ter lugar por embargos, nos tempos, em que elles conforme a
Direito, devessem ser admittidos; e que para evitar a dissonancia, que
resulta das diferentes resoluções, que se observão nos Juizos Criminaes,
segundo a diferente opinião dos Juizes, convinha pacificar-se esta con
troversia por hum Assento, que estabelecesse uniformidade no tempo, e
modo de aliviar, e commutar degredos; e juntamente declarar-se, quan
do, e como podião os réos, condemnados em degredos, pedir por embar
gos o alivio delles. E sendo a materia ponderada, e proposta pelos Mi
nistros dos Aggravos abaixo assignados, por pluralidade de votos se as
sentou, que a commutação de degredo em todo o tempo se podia pedir,
e conceder, posto que a condemnação delle passasse em julgado; por
que a commutação não ofende a Sentença, antes no efeito he execução
della por modo equivalente, por virtude da Graça, que Sua Megestade
foi servido conceder a esta Relação. E quanto ao alivio, que este de
nenhuma sorte se podia pedir, nem conceder, senão por meio de embar
gos, que incluão o merecimento da defeza do condemnado; e isto ainda
que o degredo fosse de hum anno sómente, imposto com animo de ser
aliviado, pagando o réo a condemnação das despezas, como se tem pra
ticado muitas vezes; por que ainda neste caso tem o dito alivio impli
cita condição de ser pedido por meio legitimo, qual o de embargos: de
sorte, que não se allegando estes no tempo, e modo, em que podendo
allegar-se, se deve executar, ou commutar o degredo, que sempre se
considera imposto com respeito ao merecimento da culpa. E quanto ao
lugar, e tempo, em que os condemnados devião ser ouvidos com
• * * * O "T" | ">
embar
Ord. Li

gos, ponderando-se a Ordenação Liv. 3.º Tit. 79. § 6., e a Ord. Liv.
S
188 1752

5.° Tit. 126, § 7., e as Doutrinas, que os Doutores referem, sobre pas
sarem, ou não passar em causa julgada as sentenças proferidas em cau
sas crimes, pelo que respeita a pena pública, em que se comprehende
a de degredo, se assentou, que os condemnados nesta qualidade de pe
na, tenhão, ou não tenhão parte mais, que a Justiça, poderão embar
gar, ainda depois de passados os 10 dias, assim nos proprios autos, co
mo na Chancellaria, e ainda na execução, huma só vez, se lhe não com
petir restituição, por virtude da qual possão conforme a Direito ser ad
mittidos com segundos embargos. Porém, que se o condemnado tiver
consentido na Sentença por actos positivos, ordenados para a sua execu
Qão, como tirar Sentença do processo para registar na culpa, e ser rela
xado da prisão, ou tomar o pregão, ou requerer Carta de Guia para ir
cumprir o degredo, e outros semelhantes, não poderá allegar embargos,
ainda que sejão primeiros: e para que assim se observe, serião obriga
dos os Escrivães a informar aos Ministros Criminaes, quando concede
rem vista para embargos, se os condemnados tirárão Sentença, e o Es
crivão dos degradados nas Audiencias será obrigado dar bilhete aos Es
crivães dos livramentos, declarando os réos condemnados, a que passou
Carta de Guia para cumprirem o degredo, e estes farão termo nos au
tos dos mesmos livramentos, declarando o dia, mez e anno, em que lhe
deo o Escrivão dos degradados aquelle bilhete; e nesta fórma se mandou
se observasse. Porto, era ut supra. Como Governador = Emauz. = Bar
roso. = Santhiago. = Machado. = Barreto. = Figueiredo. = Doutor
Sá. = Vasconcellos. = Lobo, &c. +

Livro dos Assentos da Relação do Porto fol. 95 vers.;


e na Collecção dos Assentos a fol. 342.

# * LO2}} *

EU ELREI Faço saber os que este Alvará virem, que sendo-Me pre
sente o grande prejuizo, que resulta assim aos Lavradores, como aos Mo
radores desta Cidade de nella se vender a palha por pannos sem pezo,
que certa, e determinadamente mostre a quantidade, que se vende, ou
compra; ficando na vontade dos conductores o prejudicarem, ou aos La
vradores que a vendem, ou aos Moradores que a comprão: sem que bas
tem o cuidado, e a providencia, que cabe no Senado da Camara, para
evitar os referidos inconvenientes: sendo-Me outro sim presente a que
bra, que tem as palhas depois de postas em palheiros, e não ser por esta ra
zão justo que se vendão por todo o anno pelo preço taxado no tempo das
colheitas: E considerando tambem o grande prejuizo, que resulta ao pú
blico, de se atravessarem as palhas, fazendo-se dellas armazens particu
lares, donde pelo discurso do anno se vendem ao Povo por grandes pre
ços: Sou servido Ordenar o seguinte.
I. Cada hum dos pannos de palha, que se venderem terá sempre qua
tro arrobas perfeitas, incluido o pezo do mesmo panno, em que he con
duzida; ou cento e vinte arrates livres para o comprador.
II. Posto que o referido pezo se ha de fazer sem intervenção de ou
tra alguma pessoa, que não seja o comprador, e vendedor, ou as pes
soas; a quem eles commetterem a compra, ou venda: com tudo, para
maior expedição das partes, o Senado da Camara fará entregar a cada
I752 • 139;

hum dos Capatazes das Companhias dos conductores da palha huma ba


lança com os pezos necessarios para pezarem a dita palha, fazendo-a pas
sar pela balança ao sahir do barco, para o fim abaixo ordenado, sem que
por esta diligencia levem algum emolumento. E serão obrigados cada
hum dos Capatazes a conservar as balanças no mesmo estado, em que
as receberem.
III. Das referidas balanças se poderão servir os compradores, que
voluntariamente o quizerem fazer; porque querendo comprar sem pezo,
ou pezar em suas casas os pannos, que comprarem por balanças, que pa
ra isso tenhão com pezos aferidos, o poderão livremente fazer.
IV. E porque póde succeder que alguns dos pannos, que se peza
rem, tenhão mais, ou menos das sobreditas quatro arrobas; ajustando
se a respeito dellas no fim de cada conducção o número dos pannos, que
se tiverem comprado; e conferindo-se com o pezo da palha, que se tiver
recebido, se abaterá a falta a favor do comprador, e se accrescentará o
excesso a favor do vendedor, para o primeiro pagar de menos, e o se
gundo receber de mais toda a diferença, que se achar na totalidade do
pezo competente.
V. O Senado da Camera fará em cada hum dos annos duas taxas: a
primeira no tempo da colheita, com attenção á abundancia, ou falta, que
houver deste genero, e durará até o ultimo de Dezembro. A segunda no
primeiro de Janeiro, em que de mais haverá respeito á quebra, que a
palha costuma ter depois de recolhida, e durará até nas colheitas seguin
tes se fazer nova taxa.
VI. Toda a pessoa, de qualquer qualidade, e condição que seja, que
por modo de travessia comprar palha para tornar a vender, ou seja nesta
Corte, ou em qualquer lugar do Riba-Téjo, pela primeira vez perca a palha
para quem o accusar, e tenha dous mezes de prizão em casa, ou no Li
moeiro conforme a sua qualidade, e além disso seja degradado por hum
anno para a Cidade de Miranda: Pela segunda vez, além das referidas
penas corporaes em dobro, não só perderá a palha, mas será condemna
do em outra tanta quantia da que ella valer, tudo para o accusador: E
pela terceira vez, além da palha perdida, será condemnado em cinco an
nos de degredo para a mesma Cidade de Miranda, e em quatrocentos
mil réis para o accusador. Não se poderá neste crime conceder Carta de
seguro, nem Alvará de fiança. E nas mesmas penas incorrerão todas a
quellas pessoas, que consentirem que em suas casas; e armazens, e es
pecialmente debaixo dos seus nomes, se recolhão palhas para vender por
modo de travessia.
VII. E porque alguns Ecclesiasticos fiados na sua isenção mais fa
cilmente se animão a ir contra as Leis, e ficaria frustrada a disposição
desta, se lhes ficasse aberta a porta para poderem atravessar palha: Sou
servido (não por via de Jurisdicção, mas por defeza de Meus Vassallos,
e conservação do bem commum) declarar que todo aquelle Ecclesiasti
co, que for achado, ou comprehendido em comprar palha por modo de
travessia, ou emprestar o seu nome, ou armazens para o mesmo fim; pe
la primeira vez o mandarei sahir setenta legoas fóra da Corte, para nella
mais não entrar sem beneplacito Meu; e sendo comprehendido segunda
vez - sahirá da mesma Corte para a distancia de oitenta legoas; pela ter
ceira vez o mandarei lançar fóra de Meus Reinos. E assim o Mandei si
gnificar aos Prelados respectivos para ser notorio a todos.
VIII. Je
E sendo algumas das pessoas culpadas neste delicto de tal
rarchia, que pareça ao Ministro, que lhes formou
• S 2 a culpa, ser conve
14O 1752
niente á boa administração da Justiça fazer-Mo presente, Me dará con
ta pela Secretaria de Estado dos Negocios do Reino, referindo inteira
mente o caso com toda a prova, que delle houver, ou a pessoa compre
hendida seja Ecclesiastica, ou Secular, para que informado da verdade
possa mandar o que for mais conveniente ao bem público, e Meu ser
viço. •

IX. Os Corregedores dos Bairros desta Cidade tirarão todos os annos


duas devaças, huma no tempo da primeira taxa, e outra no da segunda,
pelas quaes procurarão averiguar os atravessadores, de que poderem ha
ver noticia, e as pessoas que lhes dão, ou emprestão os seus armazens,
ou os seus nomes: Prendendo, pronunciando, e dando livramento aos
culpados com Appellação, e Aggravo para a Correição do Crime da Cor
te: dando-Me conta pelo Desembargo do Paço de como assim o tem
cumprido, com as declarações do que resultou de cada huma das ditas
devaças para Me ser presente em Consulta do dito Tribunal, que Me
não consultará hum dos ditos Corregedores, ainda depois de darem resi
dencia, sem lhe constar, depois de hum muito serio exame, que elles
cumprírão com todo o referido. \

X. O Corregedor, e Provedor da Comarca de Santarem, Ouvidor


de Alemquer, e os Juizes de Fóra da Castanheira, Benevente, Salva
terra, e o de Villa-Franca tirarão tambem nos mesmos tempos outras se
melhantes devaças das pessoas que nos seus respectivos districtos com
prarem palhas para revenderem, dando-Me conta do que a este respei
to obrarem na sobredita fórma, e debaixo das comminações assima or
denadas.
Este Alvará se cumprirá como nelle se contém. E para que as
providencias por elle estabelecidas tenhão o seu cumprido efeito: Sou
servido derogar a favor do bem commum quaesquer Leis, Costumes,
Privilegios, ainda concedidos por titulo onoroso, que obstarem, sómen
te na parte, em que se acharem contrarios a este. E para que venha á
noticia de todos, Mando a Francisco Luiz da Cunha Ataide do Meu Con
selho, e Meu Chanceller Mór o faça publicar na Chancellaria, e enviar
a cópia delle sob Meu Sello, e seu signal a todos os Ministros assima re
feridos, para o executarem. E se registará nos livros do Desembargo do
Paço, Senado da Camara, e Casa da Supplicação. E o proprio se lança
rá na Torre do Tombo. Belem em 1.° de Julho de 1752. = Com a As
signatura de ElRei, e a do Ministro. •

Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no Li


vro das Leis a fol. 26 vers., e impr. na Oficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

3k ºk…>, ºk #

Tespo consideração a que os delinquentes, que pela atrocidade de seus


crimes são condemnados em pena capital, tem menos tempo do que he
preciso para se disporem a morrer com a devida conformidade e pacien
cia Christã, por lhes durar até a efectiva execução da sentença a espe
rança de melhoramento pelos embargos, ou pelo recurso immediato á Mi
nha Real Pessoa; querendo evitar este inconveniente, e que os crimino
sos, aos quaes, pelo impedir a justa severidade das Leis e saude públi
1
1752 I4 I

ca, não podem aproveitar os benignos e paternaes efeitos da Minha Real


piedade para a conservação da vida temporal, se utilisem delles para al
cançarem a felicidade eterna por meio do ultimo desengano, havido em
tempo, que lhes reste o competente para pedirem a Nosso Senhor per
dão de seus peccados, depois de receberem os Sacramentos da Peniten
cia e Eucharistia, e fazerem os mais actos Catholicos, conducentes a im
petrar da Misericordia Divina o perdão de suas culpas, e acabarem jus
tiçados com a graça final: Hei por bem, que pendente a conferencia,
em que se julgarem os embargos á Sentença, por que forem condemna
dos á morte quaesquer delinquentes, se trate no mesmo tempo do recur
so immediato á Minha Real Pessoa, e não havendo alteração na senten
ça, por qualquer dos ditos meios, até o fim da dita conferencia, cessa
rá, e não será mais admittido requerimento algum, que se encaminhar
a impedir a execução da dita sentença; porque irremissivelmente se ha
de executar na manhã do dia seguinte, ainda que seja feriado, não sen
do Domingo, ou dia Santo dos que a Igreja manda guardar; porque se
o for, se fará a execução no dia, que se lhe seguir, em que não houver
este embaraço. O Duque Regedor da Casa da Supplicação o tenha as
sim entendido, e o faça executar, sem embargo da Ordenação, ou de
outra qualquer Lei, ou estilo em contrario, que hei por derogados por
este Decreto. Belém 6 de Julho de 1752. = Com a Rubríca de Sua Ma
gestade.
Regist. na Secretaria de Estado dos Negocios do Rei
no no Livro dos Decretos a fol. 221, e impr. na Col
lecção da Universidade por J. I. F.

# -*->, ºk-}}

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará de Lei declaratoria vi


rem, que sendo-Me presente em Consultas do Desembargo do Paço, e
Conselho Ultramarino a omissão, que ha na arrecadação do hum por cen
to dos Contratos, e Rendas Reaes, applicado para obras meritorias pelo
Senhor Rei D. Manoel, que santa gloria haja, pela Doação feita no an
no de mil e quinhentos e tres, incorporada nas Ordenações da Fazenda,
confirmada pelos Senhores Reis meus Predecessores em os annos de mil
e quinhentos setenta e nove, e mil e quinhentos e oitenta e quatro, e
mil e seiscentos e noventa e dous , por se não pagar tudo o que he de
vido, com pretextos afectados , especialmente por falta de observancia
da referida Doação em alguns Contratos, e Rendas, como tambem por
se não declarar aos Contratadores, e Rendeiros no acto da arrematação
a obrigação de pagarem o dito hum por cento á sua custa, o que he con
tra a intenção do dito Senhor Rei Doador, que expressamente obrigou á
satisfação do dito hum por cento todas as Rendas, e Contratos presen
tes, e futuros destes Reinos, e suas Conquistas, Dominios, e Senhorios,
e que os Rendeiros o devião pagar á sua custa , posto que no arrenda
mento se não declarasse esta obrigação : e porque semelhante desordem
he em grande prejuizo do serviço de Deos, e Meu, por se diminuirem
com ella as obras meritorias, a que esta applicação foi destinada, con
siderando os continuos, e extraordinarios beneficios com que Deos Nosso
Senhor, por sua infinita bondade, he servido proteger, e augmentar es
tes Reinos, e seus Dominios, e que em reconhecimento de tão sobera
142 1752

nas mercês, devo não só promover a inteira observancia da referida Doa


ção, mas accrescentar os seus efeitos, removendo tudo o que encontra
a sua efectiva execução.
Hei por bem declarar que a dita Doação comprehende todos , e
quaesquer Contratos, e Rendas Reaes, presentes, e futuros, que se ar
rendarem a Contratadores, ou se administrarem por conta da Minha Real
Fazenda, ou por outro qualquer modo, e fórma, que se praticarem as
sim nestes Reinos, como em suas Conquistas, Dominios, e Senhorios;
e que de todos se deve pagar hum por cento na fórma da referida Doa
ção, sem embargo de que de alguns nunca se pagasse, e de que nas re
matações se não declarasse a obrigação deste pagamento, ou se duvidas
se della; porque a falta de observancia da dita Doação, por estes, ou
outros pretextos, declaro nulla, e de nenhum efeito, como contraria á
sobredita Doação, a qual não só confirmo em tudo, e por tudo, como
nella se contém; mas, se a não houvesse, a faria Eu novamente, como
faço, se necessario he, oferecendo a Deos Nosso Senhor, para se dis
pender em seu santo serviço, esta pequena parte dos opulentos Thesou
ros, com que a sua immensa, e infinita bondade tem enriquecido esta
Monarquia. •

E da fórma, em que se deve tirar o dito hum por cento, estabe


lecida na referida Doação, exceptuo sómente aquella parte dos Dizimos
Reaes da America, Ilhas, e mais partes Ultramarinas, que nas folhas
se acha applicada para a sustentação dos Ecclesiasticos, ou se applicar
daqui em diante; porque só do residuo se deve tirar hum por cento, por
que só ele foi secularizado, e applicado á Minha Real Fazenda nas con
cessões Pontificias.
E para que com mais promptidão, e segurança se pague o dito
hum por cento; Mando que nos Contratos, e Rendas, que se remata
rem nesta Cidade, ainda que estejão fóra della nestes Reinos, ou no Ul
tramar, se pague o hum por cento nesta mesma Cidade ao Thesoureiro
das Obras pias , ao qual se dará noticia da rematação pelo Corretor da
Fazenda, ou pelo Escrivão, que assistir á rematação nas partes em que
não assistir o dito Corretor, e se não passará Alvará de correr aos rema
tantes sem Certidão do Escrivão das Obras pias, assignada pelo Thesou
reiro, de como lhe fica carregado por lembrança o hum por cento, para
o cobrar a seu tempo.
E nos Contratos, e Rendas, que se rematarem no Ultramar, ou
em outra qualquer parte fóra desta Cidade, se pagará o hum por cento
no mesmo lugar em que se pagar o preço dos Contratos, e Rendas, e
aos mesmos Oficiaes, que o receberem, os quaes no Ultramar serão obri
gados a remetter o dito hum por cento nos Cofres Reaes ao Thesoureiro
da Casa da Moeda desta Cidade , para elle o entregar ao Thesoureiro
das Obras pias, livre do hum por cento da conducção, que se paga na
dita Casa: e o que se cobrar no Ultramar em partes donde se não remet
ta a importancia das Rendas, e Contratos Reaes, para vir nos Cofres a
esta Cidade, ou nestes Reinos, será remettido o sobredito hum por cen
to pelos ditos Oficiaes, que o receberem, ao Thesoureiro das Obras pias;
porém nos Contratos, e Rendas do Estado da India se observará o cos
tume, que atégora se tem praticado, no que respeita á distribuição do
hum por cento. •

E como o grande augmento desta consignação faz necessario que


na sua arrecadação , e despeza se guarde huma nova, e diferente for
malidade da que ao presente se pratíca: Sou servido ordenar que na Ca
1752 143

sa do Conselho da Fazenda haja hum Cofre de tres chaves, em que se


faça o recebimento de tudo o que produzir o hum por cento, e que á bo
ea do dito Cofre se satisfação os filhos da folha , e todas as mais despe
zas necessarias, não se levando estas em conta, nem se abonando entre
ga alguma, que se não fizer na referida fórma; e das ditas tres chaves
terá huma o Thesoureiro, outra o seu Escrivão, e a terceira o Desem
bargador Gonçalo José da Silveira Preto, do Meu Conselho , ou outro
qualquer Conselheiro da Fazenda, que em sua falta houver de nomear,
ao qual recommendo faça cumprir o que fica determinado, assignando os
dias, que lhe parecer para entrar no Cofre o dinheiro que houver, e
mandando pôr Editaes no tempo de se pagarem os quarteis, para que
os tencionarios os venhão receber na sua presença , não consentindo se
altere em cousa alguma esta ordem, de que lhe encarrego a execução.
Hei outrosim por bem que no fim de cada triennio o Thesoureiro
da Obra pia , que acabar , dê no Conselho da Fazenda huma distincta
conta dos tencionarios, que no seu tempo falecêrão, da quantia em que
a receita excedeo a despeza, e do dinheiro que fica no Cofre, e o Con
selho me fará logo presente esta conta, para determinar o que for ser
vido.
Como as diversas obrigações deste Thesoureiro fazem necessario,
que haja quem o possa ajudar em applicar as causas, e execuções, que
correm sobre a cobrança do hum por cento , e em algumas outras dili
gencias conducentes ao mesmo fim : Sou servido que os dous Solicitado
res da Fazenda cuidem tambem nesta materia, satisfazendo a tudo aquil
lo de que a este respeito os encarregar o Thesoureiro, havendo-se esta
como huma das suas obrigações, sem que por isso possão perceber, nem
requerer cousa alguma, nem a titulo de ajuda de custo.
Attendendo ultimamente a que o rendimento do hum por cento
que novamente se deve pagar em observancia desta Lei, póde importar
tanto, que chegue a cobrir a importancia da folha actual, e a pagar por
inteiro as tenças aos filhos della , e considerando que esta fórma de pa
gamentos não só he contraria á prática , que houve sempre na Thesou
raria da Obra pia , mas tambem á Minha Real intenção quando deferi
aos tencionarios, que recebêrão as mercês, que lhes fiz, na supposição
de cobrarem só parte das tenças, segundo o estado, e observancia cer
ta da dita Thesouraria ; e havendo juntamente respeito a que de outra
sorte se não guardava aquella proporção, e igualdade, com que premeio
os serviços dos Meus Vassallos, e outros motivos, que Me representárão
as pessoas por quem mandei examinar esta materia : Sou servido decla
rar, que as referidas tenças se não paguem daqui em diante por inteiro,
mas que no primeiro anno, contado da data deste Alvará, se continua
rão a pagar, como atégora, e pelo rendimento antigo desta Thesouraria,
fazendo-se separada receita do procedido dos novos Contratos , para se
averiguar a sua importancia, e que dentro do mesmo anno os tenciona
rios apresentem os seus Alvarás no Conselho da Fazenda , para Me se
rem presentes, e para que, attendendo aos serviços, e motivos da gra
ca, haja novamente de a regular pelo merecimento, e qualidade delles,
determinando as tenças, que lhes correspondem, e que se hão de pagar
por inteiro; e na conformidade da nova mercê, que lhes fizer, se lavra
rão as postillas nos mesmos Alvarás, fazendo-se nova folha, segundo es
ta ultima Declaração ; e se neste meio tempo fizer mercê de algumas
tenças na Obra pia , se entenderão concedidas , com a condição de se
poderem reduzir, quando fizer o dito geral regulamento.
144 I752

E este Alvará se cumprirá inteiramente como nelle he disposto,


sem embargo de qualquer Lei, Regimento, Privilegio, ou costume em
contrario , que tudo Hei por derogado : e para que venha á noticia de
todos, Mando a Francisco Luiz da Cunha de Ataide, do Meu Conselho,
Meu Chanceller Mór, o faça publicar na Chancellaria, e enviar a cópia
delle sob Meu Sello, e seu signal a todos os Tribunaes destes Reinos, e
suas Conquistas, e aos mais Ministros, e pessoas, que o devem execu
tar, aos quaes Hei por muito recommendada a sua observancia, e se re
gistará nos Livros do Desembargo do Paço, Conselho da Fazenda , e
Conselho Ultramarino, e na Casa da Supplicação; e o proprio se lança
rá na Torre do Tombo. Belém, o 1 de Agosto de 1752. = Com a As
signatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no
Livro das Leis a fol. 28 vers., e reimpr. por or
dem da mesma Chancellaria.

# } -->, ºk #

Sesºs-Me presente em Consulta do Conselho da Fazenda a dúvida, que


havia sobre pertencer o despacho do Azeite, que vem de fóra, e entra
nesta Cidade pela Foz, á Alfandega, ou á Mesa dos Azeites: Fui Ser
vido resolver em sete do presente mez, que o dito genero devia pagar
Dizima e Siza na referida Alfandega, observando-se a este respeito in
violavelmente o Capitulo setenta e dous do seu Foral, e nesta conformi
dade Ordeno se julguem todas as Causas, que nesta materia se tracta
rem na Casa da Supplicação. O Duque Regedor da mesma Casa o tenha
assim entendido, e o faça muito inteiramente cumprir. Belém 12 de Ou
tubro de 1752. = Com a Rubríca de Sua Magestade.

Regist, na Casa da Supplicação no Livro XIV. dos De


cretos a fol. 170.

* #«Oºk #

DoM JOSE por Graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algar


ves, d'aquém, e d’além mar, em Africa Senhor de Guiné, e da Conquis
ta, Navegação, Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India &c.
Faço saber aos que esta Lei virem, que sendo-Me presente a grande des
ordem , que resulta á boa administração da Justiça de se impedirem as
diligencias, que se mandão fazer pelos Ministros ordinarios, quando se
dirigem contra privilegiados, com intempestivos contramandados, expe
didos antes de se averiguar se no caso de cada huma das ditas diligen
cias tem lugar o privilegio, para em razão delle ser o privilegiado legi
timamente soccorrido; e considerando quão justo, e necessario seja que
nem o ministerio dos Juizes, e mais Ministros ordinarios, seja illudido,
e embaraçado por semelhante modo, nem os privilegiados, que tem Jui
zes privativos , sejão privados do uso do seu privilegio naquelles casos,
em que elles conforme a direito tem lugar : Ordeno, e mando, que da
1752 I45

publicação desta Lei em diante nenhum Conservador passe contraman


dados vagos, e geraes para se deixarem de fazer com qualquer pessoa as
diligencias de Justiça, sob pena de seis mezes de suspensão dos lugares,
que occuparem no Meu Real serviço por cada contramandado, que ex
pedirem na referida fórma ; e na dita suspensão incorrerão ipso facto;
sem mais fórma de processo , que o reconhecimento do signal, ou sig
naes do Ministro, ou Ministros, que assignarem os taes contramanda
dos ; porque , sendo estes apresentados aos Presidentes dos Tribunaes
respectivos, ao Regedor da Casa da Supplicação, ou ao Governador da
Casa do Porto; e constando-lhes por verdadeira informação, que com ef
feito forão assignados pelos Ministros, em cujos nomes se acharem expe
didos , lhes farão logo intimar a dita suspensão , para se absterem dos
seus empregos em quanto ella durar : e pelas mesmas causas annullo, e
declaro por de nenhum efeito todos os contramandados, que até ao pre
sente se tiverem expedido, na fórma, que por esta Lei se reprova. Po
rém as partes, que se acharem gravadas nas diligencias, que lhes fize
rem de mandado das Justiças ordinarias, poderão, entendendo se lhe of
fendem os seus privilegios , usar do remedio da declinatoria, ou de pe
dir Precatorios aos seus respectivos Conservadores, que lhos poderão pas
sar depois de verificada a legitimidade do privilegio, e a competencia
delle, nos termos de cada hum dos casos, em que se requerer o Preca
tario. E Mando aos Presidentes dos Tribunaes respectivos, e ao Rege
dor da Casa da Supplicação, e Governador da Casa do Porto, e a todos
os Desembargadores, Corregedores, e mais Justiças, fação inteiramen
te cumprir, e guardar esta Lei; e ao Doutor Francisco Luiz da Cunha
de Ataide, do Meu Conselho, e Meu Chanceller Mór, a publique na
Chancellaria, e envie a cópia della com o Meu Sello, e seu signal, a to
dos os Corregedores, Provedores, Ouvidores dos Mestrados, e Donata
rios, aonde não entrar Corregedor, para a fazerem publicar por suas Co
marcas E se registará nos Livros dos Meus Desembargadores do Paço,
e dos da Casa da Supplicação, e Relação do Porto ; e esta se lançará
na Torre do Tombo. Dada em Lisboa aos 13 de Outubro de 1752. =
Com a Assignatura de ElRei, e a do Marquez Mordomo Mór P.
Regist, na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no
Livro das Leis, a fol. 31, e impr. avulso.

# #uo"?--}}

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará de Lei virem, que sen
do-Me presente que a ultima calúmnia, com que os Réos condemnados
em causas civeis costumão embaraçar as sentenças , e levallas, com o
pretexto de erros nas contas das custas, ao Juizo da Chancellaria, não
só com notorio abuso da Ordenação liv. 1. tit. 14. §. 2. , mas contra a
utilidade pública , que em grande parte consiste na prompta execução
das sentenças: e considerando o prejuizo dos crédores, e por Pedir a boa
administração da Justiça, se remova inteiramente o dito abuso: Hei por
bem, que a expedição, e execução das sentenças se não suspenda com
sobre estes, se
o pretexto de erros de custas ; e que, havendo questão
reserve a decisão della, e cobrança das ditas custas para depois de se
146 1752
acabar a execução das sentenças, quanto ao principal. Pelo que Mando
ao Regedor da Casa da Supplicação, Governador da Casa do Porto, Des
embargadores das ditas Casas , Governadores , e Desembargadores das
Relações das Conquistas, e a todos os Corregedores, Provedores, Ouvi
dores, Juizes, e mais Justiças destes Mens Reinos, e Senhorios, cum
prão, e guardem este Meu Alvará de Lei, como nelle se contém. E ao
Doutor Francisco Luiz da Cunha de Ataide, do Meu Conselho, e Meu
Chanceller Mór, o faça publicar na Chancellaria , e enviar o traslado
delle sob Meu Sello, e seu signal, a todos os Corregedores das Comar
cas destes Reinos, e Ilhas adjacentes, e aos Ouvidores das Conquistas,
e terras dos Donatarios, em que os Corregedores não entrão por Correi
ção, para que o fação publicar nas suas Jurisdicções. E se registará nos
Livros do Desembargo do Paço, Casa da Supplicação, e da Relação do
Porto, e nas mais partes, onde semelhantes Alvarás se costumão regis
tar; e este proprio se lançará na Torre do Tombo. Dado em Lisboa aos
18 de Outubro de 1752. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Mar
quez Mordomo Mór P.
Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no Li
vro das Leis, a fol. 32 vers., e impr. na Oficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

# 3ke<>"# #

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará de Lei virem , que sen
do-Me presente que alguns Ministros, por se lhes dilatar o cumprimen
to das Avocatorias, ou Precatorios, porque pertendem lhes sejão remet
tidos, ou trazer perante si alguns autos, que pendem em outros Juizos,
tem rompido no excesso de os fazer tirar violentamente dos Cartorios dos
Escrivães, em que corrião, ofendendo com este procedimento não só o res
peito dos Juizes, perante quem servem os Escrivães, a que pelo referi
do modo se extrahem os autos, mas a fórma, que as Leis prescrevêrão
para se avocarem, ou pedirem autos dos Juizos, em que pendem, e a
determinação do assento da Relação de vinte e nove Maio de mil sete
centos sincoenta e hum: e desejando atalhar tão prejudicial, e escanda
loso abuso : Hei por bem, que nenhum Ministro, de qualquer qualida
de, ou graduação que seja, e ainda o Contador Mór, mande com pre
texto algum tirar autos dos Cartorios dos Escrivães dos Juizos, em que
penderem ; e no caso de lhes serem necessarios, ou para negocio do Meu
Real Serviço, ou por entenderem lhes pertence privativamente o conhe
cimento das causas, que em outros Juizos se tratão, os peção por Car
ta a vocatoria, ou Precatorio, na fórma determinada na Lei, e Regimen
to dos Contos; e não se cumprindo as ditas Cartas, e Precatorios, dei
xem usar as partes dos meios competentes; e não podendo estes ter lu
gar, se recorra a Mim, abstendo-se de todo, e qualquer procedimento
contra os Escrivães dos pertendidos autos, por se achar prohibido por
Decretos Meus , ainda aos Tribunaes, o proceder contra os Oficiaes
alheios em competencias de jurisdicção. E succedendo o caso, que se
não espera, de se contravir ao sobredito, ficará o transgressor, por esse
mesmo feito, suspenso do lugar, que servir até mercê Minha. Pelo que
Mando aos Presidentes dos Tribunaes respectivos, Regedor da Casa da
*
1752 147

Supplicação, Governador da Casa do Porto, Desembargadores das ditas


Casas, e a todos os Corregedores, Provedores, Ouvidores, Juizes, e
mais Justiças destes Meus Reinos, e Senhorios, cumpräo este Meu Al
vará de Lei como nelle se contém. E ao Doutor Francisco Luiz da Cu- .
nha de Ataide, do Meu Conselho, e Meu Chanceller Mór, o faça pu
blicar na Chancellaria, e enviar o traslado delle sob Meu Sello , e seu
signal, a todos os Corregedores, Provedores, e Ouvidores das Comar
cas, e aos Donatarios, em que não entrão os Corregedores por correi
ção, para que o fação publicar nas suas Jurisdicções; e se registará nos
Livros do Desembargo do Paço, Casa da Supplicação, Relação do Por
to, e nas mais partes, onde semelhantes Alvarás se costumão registar;
e este proprio se lançará na Torre do Tombo. Dado em Lisboa aos 23
de Outubro de 1752. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no
Livro das Leis a fol. 33, e impr. na Officina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

# }{ug>n% #

EU ELREI Faço saber a todos os que este Alvará com força de Lei
virem, que sendo-Me presente a dúvida, que tem havido nas Minas so
bre a fórma de se fazerem os pagamentos das dividas pertencentes á Mi
nha Real Fazenda, e tambem as ordens, que interinamente se tem dado
sobre esta materia; e querendo remover todo o embaraço, que haja a es
te respeito, pelo modo mais favoravel aos meus Vassallos , e mais con
forme ás resoluções de Direito, praticando igualmente a Real clemencia,
com que attendo aos moradores das Minas: Sou servido determinar, que
nos Contratos Reaes, ajustados por quantias de arrobas, e oitavas de
Ouro, que se houverem de satisfazer dentro no districto das Minas, on
de he permittido correr Ouro em pó, se receba a satisfação, e paga da
mesma fórma , que foi estipulada, e na mesma especie, e quantidade
promettida no termo de arrematação , sem que os Contratadores sejão
obrigados a fundir, e quintar o dito Ouro ; porém tanto que elle entrar
na Provedoria , o Provedor da Fazenda o mandará logo á Casa da Fun
dição reduzir a barra, tirando-se o quinto ; porque em favor, e benefiº
cio dos Póvos encabeçados, Hei por bem sujeitar o Ouro, que me per
tence , a esta satisfação, a que não estava obrigado ; o que porém se
não praticará nas Minas, em que se não tiver feito semelhante ajuste
com os Póvos. •

Sou outrosim servido, que a respeito dos ditos Contratos, cele


brados antes de se abolir a Capitação, que se ajustarão a dinheiro, e a
preço certo de reaes, se faça o pagamento attendendo ao valor, que o
Ouro tinha ao tempo do Contrato ; mas quanto ás dividas, procedidas
das Capitações, que estavão vencidas, e que se não satisfizerão a tem
po devido: Hei por bem, que se paguem a Ouro por quintar; o que con
cedo por pura graça, e por favorecer aos devedores deste direito, e ex
tender mais em seu beneficio os efeitos da Minha Real Piedade.
Tudo o que acima fica determinado a respeito das dividas Reaes,
se observará respectivamente ás particulares, não só por se achar já des •

ta fórma determinado na Lei do Reino, e na mais certa, e seguida dou


T 2
148 1752

trina, mas porque de novo assim o resolvo, e estabeleço, para que não
haja
cego,embaraço,
que deve ehaver
dúvida,
entreque
os perturbe o Commercio, a união, e o so
Meus Vassallos. • •

E este Alvará se cumprirá inteiramente como nelle se contém,


sem dúvida, nem contradicção alguma, e sem embargo de qualquer Lei,
Regimento, ou ordem em contrario, que tudo Hei por derogado; e pa
ra que venha á noticia de todos, Mando a Francisco Luiz da Cunha de
Ataide, do Meu Conselho, Meu Chanceller Mór, o faça publicar na
Chancellaria, e enviar a cópia delle sob Meu Sello, e seu signal, a to
dos os Tribunaes destes Reinos, e suas Conquistas, e aos mais Minis
tros, e pessoas, que o devem executar, aos quaes Hei por muito re
commendada a sua observancia; e se registará nos Livros do Desembar
go do Paço, Conselho da Fazenda ; Conselho Ultramarino, e na Casa
da Supplicação; e o proprio se lançará na Torre do Tombo. Belém aos
9 de Novembro de 1752. (1) = Com a Assignatura de ElRei , e a do
Ministro.
Regist, na Chancellaria Mór da Córte, e Reino no
Livro das Leis, a fol. 34 , e impr. na Q/icina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

# ** Orººk #

A…………… ao que Me representárão o Chanceller Mór do Reino, e


o Chanceller da Casa da Supplicação, e a não ser justo que em dous lu
gares de maior graduação, se conservem os ordenados e emolumentos
antigos, que havendo respeito á diferença dos tempos, Fui Servido augmen
tallos em os lugares de inferior predicamento: Hei por bem ordenar, que
daqui por diante tenha cada hum dos ditos Chancelleres quatrocentos mil
réis de ordenado por anno, e que por qualquer papel ou Sentença, que
passe pelas duas Chancellarias do Reino, e Casa da Supplicação, senão
pague menor assignatura, que a de hum tostão, porém estando já per
mittida outra maior a respeito de alguns papeis, se levará delles dobrada
assignatura do que atégora se percebia. O Duque Regedor o tenha as
sim entendido, e pela parte que lhe toca o faça executar. Lisboa 7 de
Dezembro de 1752. = Com a Rubríca de Sua Magestade.

Regist na Casa da Supplicação no Livro XIV. dos De


cretos a fol. 177.

#-* * *<>º% #

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará de Lei virem , que sen
do-Me presente , que o outro Alvará, que com a mesma força foi pu
blicado em onze de Novembro proximo passado na Chancellaria Mór da
Corte, e Reino, sobre a fórma de se fazerem no territorio das Minas Ge
raes com Ouro em pó os pagamentos das dividas pertencentes assim á
Minha Real Fazenda, como aos particulares; sahio da estampa com al
(1) Vid. o Alvará de 21 de Dezembro deste anno,
1752 149

gumas expressões, em que houve excesso, e omissões, contrarias á Mi


nha Real Mente, restringindo-a a casos, que o não erão de constituição
nova : Sou Servido cassar , e annullar o sobredito Alvará publicado em
onze de Novembro; prohibindo, que delle se possa fazer uso em Juizo,
e fóra delle ; e reservando os casos nelle expressos, para a respeito de
cada hum delles dar as providencias, que achar , que mais convém ao
Meu Real serviço, e ao bem commum dos Póvos das Minas Geraes. E
este se cumprirá inteiramente, como nelle se contém, sem embargo de
quaesquer Leis, Alvarás, Regimentos, Decretos, ou Resoluções em
contrario. E para que seja notorio a todos, Mando a Francisco Luiz da
Cunha de Ataide, do Meu Conselho, e Chanceller Mór de Meus Reinos,
o faça publicar na Chancellaria , e enviar por cópias sob Meu sello , e
seu signal, a todos os Tribunaes destes Reinos, e suas Conquistas, e a
todos os Ministros, e pessoas, que o devem executar: e se registará nos
livros do Desembargo do Paço, Conselho da Fazenda, Conselho Ultra
marino, Casa da Supplicação, e Relação do Porto; e o proprio se lan
çará na Torre do Tombo. Lisboa, 21 de Dezembro de 1752. = Com a
Assignatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no li
vro das Leis, a fol. 41, e impr. na Q/icina de An
tonio Rodrigues Galhardo.

# #<>' + #

Fe, Servido nomear ao Doutor Paulo José Corrêa para Procurador da


Corôa, que vaga pela promoção do Doutor Manoel Gomes de Carvalho a
Chanceller da Casa da Supplicação. O Duque Regedor das Justiças o te
nha assim entendido. Lisboa 26 de Dezembro de 1752. = Com a Rubrí
ca de Sua Magestade.

Regist. na Casa da Supplicação no Livro XIV, dos


Decretos a fol. 178.
ANNO D E 1753.

Como Tenho determinado, que no Conselho da Minha Fazenda se co


nheça privativamente de todas as Causas, que se moverem sobre a va
lidade das Prezas: Sou Servido Ordenar, que, as que pendem na Casa
da Supplicação sobre a Preza feita no Navio Fani, de que era Capitão
João Varrem; e outra que corre no Juizo da Conservatoria Hespanhola
sobre a que fez Martim Perita, se remettão logo ao dito Conselho para
nelle se sentenciarem, como forjustiça, e em execução das Minhas Reaes
Ordens. O Duque Regedor das Justiças o tenha assim entendido, e o
faça executar, Lisboa 8 de Janeiro de 1753. (1) = Com a Rubríca de
Sua Magestade.
Regist. na Casa da Supplicação no Livro XIV, dos De
cretos a fol. 179.
*

$ *ktCººk %

A os 24 dias do mez de Março de 1753, nesta Relação, em Meza gran


de, o Senhor José Pedro Emauz, Chanceller, e Governador desta Re
lação, propoz aos Ministros abaixo assignados, que por se evitarem dú
vidas sobre se extrahirem sentenças a respeito das Causas de liquidação,
sobre o que tem havido alteração, de que se seguia vexação das partes,
se devia tomar Assento nesta materia, para se não experimentar várida
de de julgar; e se assentou que na causa de liquidação feita por sentem
(1) Vid. o Alvará de 7 de Dezembro de 1796,
I753 I5 I

ça em sua execução se não devia tirar sentença, tanto no caso, em que


se faz aliquidação por certidões como por Artigos, testemunhas, ou ar
bitros: mas que feita a liquidação se passe mandado de penhora, e cor
ra a execução nos mesmos autos, em que se acha a sentença liquidada;
por que a liquidação he exordio, disposição, e parte necessaria, e inse
paravel dessa execução, e não he nova sentença, mas declaratoria da
primeira, que he a que se executa; por quanto, na sentença de liquida
ção sómente se declara explicitamente, o que na verdade se contém im
plicitamente, em fórma, que o Juiz executor está obrigado na liquida
ção a regular-se pela sentença, que se liquída, sem alterar, nem refor
dar, ou interpretar a primeira sentença; e se se extrahisse nova senten
ça da causa de liquidação, seguir-se-hia, que a execução feita no mes
mo Juizo, e por a mesma sentença, se dividiria em dous processos, prin
cipiada em hum, e finda em outro, como na causa de reivindicação, en
tregando-se a posse na primeira sentença, e ao depois executando-se a
condemnação dos fructos em outro processo separado da primeira senten
ça, de que he inseparavel, e accessoria; e quanto se appella, ou aggra
va ordinariamente, se recebe a appellação no efeito devolutivo sómente,
e se expede por traslado, ficando os autos proprios da execução no mes
mo Juizo; por que com a dita liquidação tem cessado o impedimento por
que estava suspenso o efeito da sentença naquella parte, e como no ca
so de Aggravo ordinario, ou Appellação ficão os proprios autos da exe
cução no mesmo Juizo da liquidação, e inutil a tal sentença, e faz des
peza, e gravame ás partes, que tem mais utilidade, e he conforme a
Direito, que se continue a execução, e finde no mesmo processo, que
se tem principiado, e sómente se tira sentença de líquidação na instan
cia superior, para se hir executar áquelle Juizo onde se acha a execu
ção; e he este o Estilo mais pratico neste Senado por sentenças em Jui
zo contraditorio, em que forão ouvidos os Escrivães: e para constar do
referido, se fez este Assento, que assignárã. Porto, era ut supra. Co
no Governador = Emauz. = Barreto. = Barroso. = Santhiago. = Xa
vier da Silva. = Machado. = Lobo. = Mendes. &c.

Livro dos Assentos da Relação do Porto fol. 101; e na


Collecção dos Assentos a fol. 345.

3k ºk… # #

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará virem, que tendo consi
deração ás representações, que o Correio Mór do Reino, e os seus As
sistentes nelle, Me fizerão sobre o Regimento de cinco de Junho do an
no proximo passado, em que dei nova fórma á arrecadação das Sizas; e
ao prejuizo, que os sobreditos Me representárão, que se lhes seguiria
de tomarem sobre si o perigo das remessas, sem algum emolumento, que
fosse compensativo destes riscos; ao mesmo tempo, em que de todo o
dinheiro, que até agora transportárão os seus Estafetas, levárão sempre
por inveterado costume hum por cento de conducção: Hei por bem de
clarar o dito Regimento; ordenando, que o referido hum por cento seja
pago aos sobreditos pelo Thesoureiro Geral de todo o dinheiro, que pe
los Correios vier ao seu cofre, descontando-o aos Filhos da Folha, que
voluntariamente quizerem cobrar em Lisboa as suas respectivas porções.
I52 1753

Porém aquelles, que quizerem receber nas Comarcas, apresentando os


Conhecimentos ao Thesoureiro Geral para lhes pôr a sua intervenção, e
ordem para os Recebedores das Comarcas, serão nellas embolsados sem
desconto algum, e os Recebedores farão paga ao dito Thesoureiro geral
com estes Conhecimentos, como dinheiro liquido sendo expedidos na so
bredita fórma. O que tudo se praticará respectivamente com o dinheiro
applicado ás consignações da Minha Real Fazenda, que tem o seu as
sentamento nos Almoxarifados, que se comprehendem no recebimento
do mesmo Thesoureiro geral.
Pelo que Mando aos Vedores de Minha Fazenda, e Conselheiros
della, e aos Ministros, a que tocar, e com mais especialidade aos Provedores
das Comarcas, cumpräo, e guardem este Alvará em tudo, e por tudo,
como nelle se eontém; sem embargo de quaesquer Ordenações, Regimen
tos, ou Ordens, que haja em contrario; que tudo Hei por derogado, e
derogo, como se de cada huma das ditas cousas fizera expressa menção:
E para que venha á noticia de todos, e se não possa allegar ignorancia,
Mando ao Meu Chanceller Mór do Reino, o faça publicar na Chancella
ria, e enviar a cópia delle sob Meu Sello, e seu signal aos Corregedo
res, Provedores, e Ouvidores das Comarcas, e Juizes de Fóra, e aos
das Terras dos Donatarios. E este Alvará se registará nos livros do Con
selho da Fazenda, e nos da Casa da Supplicação, e nas Camaras destes
Reinos: e este proprio se lançará na Torre do Tombo. Dado em Lisboa
aos 30 de Março de 1753. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Mi
nistro. |-

Regist, na Chancellaria Mór da Corte e Reino no Li


vro das Leis, a fol. 35 vers., e impr. avulso.

# #«…>>> *

Sºsno Me presente em Consulta da Meza do Desembargo do Paço, a


Conta que deo o Ouvidor, e Provedor da Comarca de Ourique, de que
hum Fiel das Appellações Crimes, com o caracter de Solicitador das Jus
tiças, lhe apresentára huma ordem expedida pela Meza da Ouvedoria do
Crime da Casa da Supplicação, em que se lhe dava faculdade para exa
minar todos os réos das culpas, e processos Crimes daquella Comarca,
sentenciados de vinte annos a esta parte, e Appellar por parte da Justi
ça aquelles, que devendo na fórma da Lei do Reino ser Appellados pe
los Juizes, o não forão: a qual ordem tinha ja executado nas Comarcas
de Beja, Evora, Aviz, e outras, e dava occasião a grandes vexações, e
inconvenientes: Fui Servido Resolver, que se suspendesse na execução
da sobredita ordem, e que os Ouvidores se abstivessem de as passar pa
ra semelhante efeito até nova Resolução Minha. O Duque Regedor das
Justiças o tenha assim entendido, e nesta conformidade o faça execu
# Lisboa a 7 de Abril de 1753. = Com a Rubríca de Sua Magesta
C.

Regist. na Casa da Supplicação no Livro XIV. dos


Decretos a fol. 203.
I753 153

# #tó>}} #

S……M. presente a queixa dos Mestres; e Arraes das Barcas do Cáes


da Villa de Aldegalega, de que Lourenço Vieira morador na mesma Vil
la, fundado na permissão do Conselho da Fazenda, e em huns Provimen
tos, que obteve do Provedor da Comarca de Setubal, se introduzíra com
o titulo de Rodeiro a dar por distribuição Licenças aos barqueiros, que
conduzião o Sal das Marinhas para bordo dos navios Estrangeiros, e Por
tuguezes, extorquindo por cada distribuição cem réis, do que resultavão
muitos inconvenientes, e grande perturbação ao Commercio: e que re
sistindo os barqueiros a esta sujeição, e perjuizo, se originárão varias de
mandas, nas quaes obtivera sempre o dito Lourenço Vieira Sentenças
contra elles, com o fundamento suposto, de ser legitimo o seu Provimen
to, sendo aliás pelo contrario; porque nenhum Tribunal, ou Magistrado
póde prover serventia de Oficio não creado, e a creação ser de Direito
Real reservada para o Supremo Poder, e assim invalidas as ditas Sen
tenças por serem proferidas contra Direito expresso, e contra a disposi
ção do Regimento do Sal nos Capitulos oito, nove, e vinte e cinco, que
privativamente commettem esta juriscção ao Guarda Mór, sem levar sa
lario algum pelas taes Licenças: Sou Servido Mandar, pôr perpétuo si
lencio nos processos, que sobre esta materia se moverão, declarando nul
las as Sentenças, que nelles se proferírão, para que em nenhum tempo
se possão allegar, ou ter algum efeito, e extinguindo, e abolindo o le
vantado Oficio de Rodeiro de Aldegalega; e que o Regimento dos Di
reitos do Sal se observe inviolavelmente. O Duque Regedor o tenha as
sim entendido, e faça executar pela parte, que lhe toca. Lisboa a 7 de
Abril de 1753. Com a Rubríca de Sua Magestade.

Regist, na Supplicação no Livro XIV. dos Decretos


a fol. 203 vers.

* #<>}} #

J • !

DoM JOSE por Graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algarves,


d'aquem, e d’além Mar, em Africa Senhor de Guiné, &c. Faço saber
a vós Corregedor do Crime do Bairro de Andaluz, que o Juiz, Escrivão,
e mais Oficiaes do Oficio de Cortador de carnes desta Cidade de Lis
boa, Me representárão por sua petição, que exercitando os supplican
tes o seu Oficio, havia muitos seculos, em beneficio do público, e uti
lidade commua, trabalhando todos os dias com incansavel fadiga, e promp
ta diligencia, para distribuir ao Povo da mesma Cidade o alimento das
carnes, que na ordem dos que pertencião ao sustento, e á conservação
da vida do homem, tinha o lugar immediato ao alimento do pão, deven
do por este principio gozar o Oficio dos supplicantes dos grandes, e dos
mesmos Privilegios, que o direito concedia aos que se exercitavão na A
syricultura; Fora concedido ao Oficio dos supplicantes no livro dos Re
gimentos dos Oficios mecanicos, que no Reinado do Senhor Rei D. Se
bastião compilara o Desembargador Duarte Nunes de Leão, e se acha
V
I54 1753

va no Cartorio do Senado particular Regimento, na mesma fórma, que


o tiverão os Ourives do ouro, os Livreiros, os Pintores, e outros Offi
cios mecanicos, dando-se juntamente ao dos supplicantes precedencia,
na ordem dos Regimentos, aos Confeiteiros, aos Cirieiros, e aos Pastel
leiros, por serem sem dúvida estes Oficios menos uteis ao Povo, que o
dos supplicantes; que por esta causa ficára o Oficio dos supplicantes in
corporado com todos os outros Oficios mecanicos da Republica, debaixo
do regimen, e governo do Senado, fazendo eleição dos seus Juizes, e
Escrivães, os quaes tomavão juramento em Camara, visitavão os talhos,
e reprovavão as obras, que julgavão incapazes, e sendo examinados pe
los Juizes, os Oficiaes de Cortador tiravão a sua Carta assignada pelo
Senado da Camara, observando-se nesta pratica com o Oficio dos sup
plicantes o mesmo, que se observava, e praticava, sem diferença algu
ma, com os outros Oficios mecanicos da Cidade; que em attenção a es
tes motivos, e ao da utilidade pública que resultava do Oficio e ministerio
dos supplicantes, lhe concedèrão repetidas vezes os Senhores Reis deste
Reino muitos, e destinctos Privilegios (além dos que gosavao por direito
commum) como entre outros erão certos, o que lhe concedèra o Senhor Rei
D. João o IV, em dez de Novembro de mil seiscentos quarenta e qua
tro, da isenção dos encargos da guerra; o que lhe facultara o Senado da
Camara da isenção das contribuições da Almotaçaria, e o que declara a
Meza do Meu Desembargo do Paço em vinte e hum de Janeiro de mil
setecentos cincoenta e hum no seu despacho, deferindo as súpplicas, que
fizera o Mestre Cortador Felix Antonio, para usar de espada; declaran
do, que não necessitava de licença por ter Carta de Oficio examinado,
contra quem se não entendia a prohibição da Lei novissima, e ultima
Pramatica do Senhor Rei D. João o V, Meu Senhor, e Pai, que está
em Gloria: que ornado destes Privilegios o Officio dos supplicantes, e
comparado para o efeito de gozar dos mesmos concedidos a outros Offi
cios mecanicos, por serem todos iguaes, trazendo os supplicantes publi
camente a sua espada á cinta, indo com ella requerer ás Minhas Reaes
Audiencias, por tempo de mais de tres annos, sem que Ministro algum
os incommodasse, ou lhes intentasse prohibir o uso da mesma espada,
reconhecendo-se, que os supplicantes gosavão da dita graça, e Privile
gio; Vós haveis obrado o procedimento injusto de mandares prender no
Limoeiro ao Mestre Cortador Manoel Loureiro por trazer espada, pra
ticando as penas da Lei; E porque este procedimento era injusto, e con
tra o determinado no Capitulo quatorze da Lei da Pramatica, como pe
la declaração feita no referido requerimento de Felix Antonio, e da que
se fizera por despacho do mesmo Tribunal do Desembargo do Paço, de
dez de Março do presente anno, em requerimento do Mestre Cortador
Filippe Fernandes, em que pedia licença para usar de espada, prece
dendo informação do Doutor José Justino da Gama, Corregedor do Ci
vel da Cidade, declarando-se, que não necessitava de licença, por ter
Carta de Oficio examinado contra quem se não entendia a Lei; por es
tes, e outros fundamentos: Me pedião Fosse Servido Declarar-vos, que os
supplicantes, como Oficiaes encartados no Ollicio de Cortador, não ne
cessitavão de liceuça para trazer espada, como se declarava nos requeri
mentos dos Mestres Cortadores Felix Antonio, e Filippe Fernandes, e
tendo consideração ao referido: Hei por bem Declarar-vos, que os sup
plicantes não necessitão de licença parn usarem de espada, visto mostra
rem serem encartados no Oficio, que exercitão, por cuja razão ficão isen
tos da prohibição da Lei novissima. Pelo que vos Mando, e ás mais Jus
I753 155

tiças, a que o conhecimento disto pertencer, cumpräo, e guardem esta


ordem, como nella se contém. ElRei Nosso Senhor o mandou pelos Mi
nistros abaixo assignados do seu Conselho; e seus Desembargadores do
Paço, José Anastacio Guerreiro a fez em Lisboa a 17 de Abril de 1753.
Antonio Pedro Virgolino a fez escrever. = Com a Assignatura de dous
Desembargadores do Paço.
Regist, na Casa da Supplicação no Liv. XIV. a fol.
208, e no Liv. IX, da Torre do Tombo a fol. 127;
e impr. avulso.

3. %*@"# #

Poa quanto, com o motivo do grande prejuizo, que resultava assim aos
Lavradores do Riba-Téjo, como aos moradores desta Cidade, das Tra
vessias, que se fazião nas Palhas, e Cevadas das Lezirias, Mandei ex
citar a observancia das Leis estabelecidas sobre esta materia, acrescen
tando algumas conformes ao presente tempo; e dando outras providen
cias mais amplas, entre as quaes se comprehendeo a de que os Ministros
executores das sobreditas Leis, e ordens, que constão da Relação, que
baixa com este além das Contas, que dessem pela Meza do Desembargo
do Paço, serião obrigados a dallas tambem na Minha Real Presença no
fim de cada dous mezes pelo Secretario de Estado Sebastião José de Car
valho e Mello; apontando particularmente quaesquer meios que lhes pa
recessem mais convenientes; assim para a averiguação das culpas, como
para a prizão dos criminosos, que houvesse; e que sem Certidão do mes
mo Secretario de Estado, pela qual constasse, que havião cumprido com
a execução das ditas ordens, se lhes não poderião mandar passar Certi
dões de correntes: Sou Servido Ordenar, que os sobreditos Ministros
em quanto não apresentarem as referidas Certidões, de que bem cum
prírão as ordens, que lhes Mandei expedir pelo dito Secretario de Esta
do, não possão ser julgados por habeis, para requererem na Minha Real
Presença. O Duque Regedor o tenha assim entendido, e faça executar
pela parte que lhe toca. Lisboa 22 de Junho de 1753. = Com a Rubri
ca de Sua Magestade.

*# na Casa da Supplicação no Livro XIV. dos


ecretos a fol. 213.

# #…>…ºk #

F oi Sua Magestade Servido por Resolução de 22 do corrente em Con


sulta desta Junta, registada a fol. 268 declarar, que aos Governadores
das Armas he a quem pertence examinar e approvar os mantimentos,
que se derem ás Tropas, e escusar os requerimentos dos Assentistas,
abservando-se iuviolavelmente o Cap. 185 das Ordenanças, na confor
midade da Resolução de 19 de Fevereiro de 1711. e Carta de 9 de Mar
go daquele anno, e na do § 4.° do Titulo 3.° do Regimento das Caixas
4Militares: cujas disposições em tudo se devem concordar, não só entre
V 2
156 1753

si, mas tambem com a approvação de 29 de Novembro de 1704, para


o efeito de não ser privativa a jurisdicção, que tem a Junta para contra
tar os Assentos, e obrigar os Assentistas a que cumpräo os seus contra
tos: mas sim deve ser e foi a mesma jurisdicção cumulativa com as dos
Governadores das Armas, pertencendo tambem a estes toda a jurisdicção
necessaria para reprovarem os mantimentos, que não forem de receber,
conforme as condições estipuladas; e para constrangerem os Assentistas,
a que, em lugar dos mantimentos inferiores e corruptos, que taes forem
achados, nas datas delles, forneção ás Tropas outros mantimentos capa
zes de lhe servirem de sustento: evitando todas as occasiões de fraude
em tão importante materia, como bem praticou neste caso o Marquez
Estribeiro Mór, procedendo segundo as suas obrigações em não permit
tir, que as datas, que devião ser puramente de cevada da terra, se ac
ceitassem com mistura do mar, para se confundirem aquellas duas qua
lidades, que erão e devem sempre ser em si distinctas na obrigação dos
Assentistas: e que fique entendendo a Junta, que a respeito dos Gover
nadores das Armas e das pessoas, que seus cargos servirem, ainda quan
do estes incompetentemente determinarem nas materias de fazenda con
tra o que dispoem os Regimentos e Ordens, devem sempre dar conta a
Sua Magestade, para Elle determinar o que for servido; e não proceder
pelo seu expediente, mandando pôr notas nos Assentos de semelhantes
Officiaes de Guerra, em que não tem alguma jurisdicção, ou superiori
dade. Na Contadoria geral de Guerra se veja e se registe esta Resolução
de Sua Magestade, e em seu cumprimento se aponte o que se oferecer.
Lisboa 30 de Junho de 1763. = Com duas Rubrícas.

Regist. no liv. 30 das Ordens da Contadoria Geral


a fol. 135. vers., e impr. na Collecção dos Decre
tos e Cartas da Universidade, por J. I. de F.

# #«…>>}} #

M ANDANDo considerar os pontos reflectidos pela Junta dos Tres Esta


dos na Consulta de 2 de Maio do anno presente, que juntamente baixa
com todos os papeis, que lhe pertencem, sobre as Condições, com que
D. Catharina Sofia Cremer Vanzeller pertendia arremattar o contrato da
Polvora: se assentou ser mais seguro para a conservação e defensa de
Meus Reinos, que a Fabrica da mesma Polvora se administrasse por
conta de Minha Fazenda; e que deste modo cessavão todos os prejuizos
considerados nas mesmas reflexões: e como a maior segurança do Esta
do e causa pública devem prevalecer a quaesquer commodidades particu
lares, ainda de Minha Fazenda: Sou Servido derogar o Decreto de 29 de
Janeiro deste anno, por que mandava proceder na dita arrematação, que
não teve efeito; e ordenar, que a Polvora se fabrique por administra
ção á custa de Minha Real Fazenda; entregando-se logo as Fabricas,
seus instrumentos, e materiaes a huma pessoa, que a Junta interina
mente nomeará, em quanto Eu não for Servido de prover; ao Governo
da qual fiquem sujeitos todos os Mestres, Oficiaes, e Serventes das mes
mas Fabricas; os quaes todos se conservarão com salarios, que actual
mente vencem; e se acautelarão com penas comminadas, para que se
não ausentem sem licença da Junta: e por que a dita D. Catharina So
1753 | - 157!

fia Cremer Vanzeller por causa da Administração, que acaba, e do fu


turo contrato, que pertendia, terá feito emprego de alguns materiaes, e
instrumentos necessarios para as Fabricas: Mando que se lhe recebão,
tendo a bondade precisa; e se lhe paguem pelo custo original e fretes,
com mais cinco por cento por huma só vez para seu interesse: e como
he preciso, que esta administração se regule por hum Regimento práti
co de omnimoda providencia : A Junta, tomando todas as informações,
que lhe forem necessarias, Me consultará com a possivel brevidade to
das as Regras, que julgar convenientes para o dito Regimento, salvam
vando nellas todos os prejuizos, e perigos, que ponderão nas reflexões
inclusas; e continuando no entanto a Fabrica da Polvora pelo modo mais
conforme e seguro, que convem. A mesma Junta o tenha assim enten
dido, e faça executar. Lisboa a 30 de Junho de 1753. = Com a Rubrí
ca de Sua Magestade.

Regist. no liv. 30 das Ordens da Contadoria Geral


a fol. 114., e impr. na Colleção dos Decretos, e
Cartas da Universidade, por J. I. de F.

#…kuon é #

E U ELREI Faço saber que os Juizes, e Mestres encartados do Ofi


cio de Cortador dos Assougues desta Cidade, Me representárão por
sua petição, que pelo Alvará, que oferecião, passado em vinte e cin
eo de Maio de mil setecentos e oito , lhe concedêra o Senhor Rei
D. João o V, Meu Senhor, e Pai, que está em Gloria, o Privilegio
de Aposentadoria passiva, para não serem lançados fóra das casas, em
que morassem os Cortadores dos ditos Assougues, attendendo ao tra
balho, que em razão da sua occupação tinhão da assistencia nos talhos
desde o principio até o fim do dia, provendo as Ocharias Reaes des
ta Cidade , e tambem os Armazens da Coroa , das Carnes precisas, e
acompanharem a Corte, quando hia fóra desta Cidade, para fazerem o
preciso provimento; e porque desejavão, que a dita graça fosse por Mim
confirmada: Me pedião lhes fizesse mercê confirmar o dito Alvará ; e
visto o que allegárão, informação, que se houve pelo Desembargador
Luiz Manoel de Pinna Coutinho, Juiz dos Feitos da Coroa, e respos
ta do Procurador della, a quem se deo vista, e não teve dúvida: Hei
por bem fazer mercê aos supplicantes de lhes confirmar, como com efei
to confirmo, e Hei por confirmado o dito Alvará, para que os Cortado
res dos Assogues desta Cidade gosem do Privilegio da Aposentadoria
passiva ; e não poderem ser lançados fóra das casas em que morarem,
e Mando ao Conde Meu Aposentador Mór, e ás Justiças, a que o co
nhecimento disto pertencer, cumprão, e guardem este Alvará, e o ou
tro referido, como nelles se contém, e valerá, posto , que seu efeito
haja de durar mais de hum anno, sem embargo da Ordenação do Li
vro segundo titulo quarenta, em contrario, e pagárão de novos Direi
tos tres mil e seiscentos réis, que se carregárão ao Thesoureiro delles a
folhas quatorze verso do Livro segundo de sua receita , e se registou o
158 1753

conhecimento no Livro sexto do registo geral a folhas dezesete Lisboa


a 5 de Julho de 1753. = Com a Assignatura de ElRei.

Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no


Livro de Oficios, e Mercês, a fol. 257. vers., e
impr. avulso. A

Sesºs-Me presente, que os filhos das pessoas, que em sua vida serví
rão os oficios e ministerios, para que se requer a propria industria, ar
te e experiencia pessoal, como são Pilotos do Alto e das Barras, Patrões,
Marinheiros, Architectos, Mestres de Oficios e outros desta semelhan
ça, costumão depois da morte de seus pais pedir Cartas dos mesmos of
ficios e ministerios, sendo aliás imperítos delles, e se tem mandado pas
sar a muitos , de que resulta detrimento grave ao Meu serviço , e bem
público : Hei por bem declarar em todos e quaesquer oficios e ministe
rios, assim maritimos, como terrestres, para que se requer a propria in
dustria, arte e experiencia pessoal, ou sejão liberaes , " ou mechanicos,
não tem lugar o costume do Reino, e com a morte das pessoas, que os
servirem em dia pela sua pericia, ficão totalmente vagos, para livremen
te se proverem nas pessoas mais peritas e experimentadas, que os per
tenderem ; sem que os filhos dos proprietarios tenhão direito algum de
os pedirem : praticando-se o mesmo nestes oficios, que se observa nos
Contos do Reino e Casa, salvo pelo proprio merecimento, arte, indus
tria e experiencia, com que serão admittidos em concurso. Pelo que or
deno, que mais se não passem cartas, por costume do Reino, de taes
oficios aos filhos dos proprietarios, nem para este fim se admittão a jus
tificar no Juizo das Justificações do Reino; nem se acceitem petições de
graça para se me consultarem sobre esta materia, por quaesquer causas
de equidade, que se representarem : e as pessoas, que já estiverem en
cartadas por semelhante modo, sejão logo mandadas examinar nas Re
partições, a que pertencer; e achando-se imperítos e inha beis para pes
soalmente exercitarem os oficios e ministerios, em que estiverem encar
tados, sejão privados delles, e recolhidas as Cartas, que se desnotarão
em seus Registos : e os oficios serão provídos por concurso nas pessoas
mais habeis, perítas e experimentadas, que os pertenderem, e pessoal
mente houverem de exercitar. A Junta dos Tres Estados o tenha assim
entendido, e o faça executar pela parte, que lhe toca. Belém 3 de A
gosto de 1753. = Com a Rubríca de Sua Magestade.
Regist, no Livro XXX, da Contadoria Geral a fol.
163I., dee F.
J. impr. na Collecção da Universidade por

1753 159

# #*Cººk *#

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará virem, que a vinte e tres
do mez de Novembro de mil seiscentos e doze se expedio o Alvará, cu
jo theor he o seguinte = Eu ElRei Faço saber aos que este Alvará vi
rem, que vendo Eu os grandes damnos, faltas, e inconvenientes, que
ha de andarem ordinariamente de serventia os mais dos Officios menores
de Justiça deste Reino, concedendo-se serventias por leves causas de
com modidades dos proprietarios delles; e desejando Eu de prover de re
medio em materia de tanta ponderação, e importancia ao serviço de
Deos, e Meu, e boa administração da Justiça, a estes, e outros incon
venientes, que disto se seguem : Hei por bem , e Mando, que os pro
prietarios de todos os Oficios de Justiça, assim de todos os Juizos, e
Tribunaes desta Cidade, como da Cidade, e Casa do Porto; e das Co
marcas do Reino , e do Algarve, sirvão seus Oficios por suas proprias
pessoas dentro de hum mez, que começará do dia da publicação deste
Alvará em diante; e não o fazendo assim dentro do dito termo, me praz
que cessem todas as serventias, que de seus Oficios estiverem dadas,
e as sirvão os Oficiaes companheiros dos mesmos Oficios, aonde os hou
verem, até os proprietarios delles estarem desempedidos para o fazerem;
e não havendo companheiros, que por elles possão servir, se haverão os
ditos Oficios por vagos, e Eu mandarei tratar logo da provisão delles,
sem que por isso fique a Minha fazenda com obrigação de satisfação al
guma aos proprietarios. E Mando aos Corregedores, Ouvidores, Prove
dores, Juizes de Fóra das Cidades, Villas, e Lugares deste Reino, que,
passado o dito termo de hum mez, avizem com suas cartas a Mesa do
despacho do Desembargo do Paço, dos que assim o não fizerem, decla
rando os impedimentos, que para isso tem ; as quaes cartas enviarão a
Pedro Sanches Farinha, meu Escrivão do despacho da dita Mesa, para
Eu as mandar ver, e prover em tudo, como mais for servido: porém se
alguns dos ditos proprietarios estiverem justamente impedidos, e disso
houverem informação certa dos ditos Ministros acima nomeados, a quem
tocar o dallas, em tal caso se não tratará de prover seus Officios , e as
serventias delles se proverão na fórma, que atégora se usou: e outrosim
mando aos ditos Julgadores, a cujo cargo estiver dar as informações dos
Oficios deste Reino, a todos em geral, e a cada hum em especial, que
no particular dellas tratem de fazer todas as diligencias necessarias para
mui distinctamente terem noticia das causas, e razões, porque os pro
prietarios estão impedidos, e que por nenhuma via os ditos Julgadores
possão prover , e nem provejão as serventias dos ditos Oficios mais que
o tempo, que a Ordenação lhes concede, tendo os proprietarios justos
impedimentos; e passado o dito tempo, e durando ao proprietario o im
pedimento, eles não poderão prover mais por tempo algum, e avisarão
á Mesa do Desembargo do Paço pela via, que fica dita, para nelle man
dar prover como for servido , e se lhes dará em culpa em suas residen
cias. E Mando ao Presidente, e Desembargadores do Paço, que cum
prão, e guardem este Alvará, e o fação cumprir, e guardar, como nel
Je se contém , e se registará no livro da dita Mesa, e valerá como Car
ta feita em Meu Nome, por Mim assignada, posto que seu efeito haja
de durar mais de hum anno, sem embargo da Ordenação em contrario
16o 1753
E ao Regedor da Casa da Supplicação, e ao Governador da Cidade, e
Relação do Porto, o fação publicar em seus Tribunaes, e dar á sua de
vida execução, e registar nos livros delles. E ao Doutor Damião de A
guiar, do Meu Conselho, e Chanceller Mór destes Reinos, que o faça
publicar na Chancellaria , e envie logo cartas com o traslado delle sob
Meu Sello, e seu signal, a todos os Corregedores, e Ouvidores das Co
marcas destes Reinos, aos quaes outrosim Mando o publiquem logo nos
lugares aonde estiverem , e o fação publicar em todos os das suas Co
marcas, e Ouvidorias, para que a todos seja notorio. Diogo Martins de
Medeiros o fez em Lisboa a vinte e tres do Novembro de mil seiscentos
e doze. E eu Pedro Sanches Farinha o fiz escrever. = E porque sou infor
mado, que o dito Alvará se não cumpre, e executa; e que os Ministros,
e Julgadores contra o disposto nelle prorogão muito as serventias dos Of
ficios de Justiça, além do tempo, que lhes he permittido pela Ordena
ção ; de que se seguem grandes inconvenientes ao Meu Real serviço,
querendo dar providencia para que mais se não continuem estes abusos:
Hei por bem , que o dito Alvará se observe inteiramente , e que além
das penas nelle estabelecidas contra os Ministros transgressores, quaes
quer Oficiaes, que servirem por provimento dos Ministros, ou Julgado
res, depois do tempo, em que estes, conforme a Ordenação , podem
prover as serventias, sejão castigados, como se servissem sem provimen
tos, e que os possa denunciar na Mesa do Desembargo do Paço qual
quer pessoa, em quem a mesma Mesa proverá a serventia, tendo os re
quisitos necessarios para bem servir. E Mando ao Presidente, e Desem
bargadores do Paço , que cumprão, e guardem este Alvará, e o fação
cumprir, e guardar, como nelle se contém ; e se registará no livro da
dita Mesa, e valerá como Carta feita em Meu Nome, e por Mim assig
nada, posto que seu efeito haja de durar mais de hum anno, sem em
bargo da Ordenação em contrario. E ao Regedor da Casa da Supplica
ção, e ao Governador da Cidade, e Relação do Porto, o fação publicar
em seus Tribunaes, e dar á sua devida execução, e registar nos livros
delles. E ao Doutor Francisco Luiz da Cunha de Ataide, do Meu Con
selho, e Chanceller Mór destes Reinos, que o faça publicar na Chancel
laria, e envie logo Cartas com o traslado delle sob Meu Sello, e seu si
gnal, a todos os Corregedores, e Ouvidores das Comarcas destes Rei
nos, aos quaes outrosim Mando, que o publiquem logo nos lugares, aon
de estiverém, e o fação publicar em todos das suas Comarcas, e Ouvi
dorias, para que a todos seja notorio. Lisboa, 8 de Agosto de 1753. =
Com a Assignatura de ElRei.

Regist, na Chancellaria Mór da Córte, e Reino no


Livro das Leis a fol. 38, e impr. na Oficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.
1753 161

*|$ + …>, ºk #

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará de Lei virem, que sendo
informado da eminente ruina , a que se achão expostos o Contrato, e o
Commercio dos Diamantes do Brasil, não só pelas desordens, que até
gora se commettêrão na administração, e no maneio delles, preferindo
se os interesses particulares ao bem público, que se segue da reputação
deste genero; mas tambem pelos consideraveis contrabandos, que delle
se fizerão, com grave prejuizo do Meu Real Serviço, e do cabedal dos
Meus Vassallos, que licita, e louvavelmente se empregão neste negocio,
em commum beneficio dos Meus Reinos, e das suas Conquistas: E tem
do consideração a que no estado, a que tem chegado as sobreditas des
ordens, não podia caber o remedio dellas, nem na applicação dos meios
ordinarios, nem nas faculdades dos particulares, que nelle tem interes
ses: Hei por bem tomar o referido Contrato, e Commercio debaixo da
Minha
guinte. Real, e immediata Protecção, ordenando a respeito delles o se
# •

I. Nenhuma pessoa de qualquer qualidade ; ou condição, que seja,


depois do dia da publicação desta Lei em diante, poderá contratar nes
te Reino, ou seus Dominios, sobre Diamantes brutos por compra, ou
por venda, nem introduzillos nos mesmos Reinos, vindo fóra dos cofres
Reaes, e do seu Manifesto, nem extrahillos da Terra, nem fazellos trans
portar para os Reinos estrangeiros por qualquer modo, que seja, sem es
pecial commissão, e guia do Contratador, e Caixas do presente Contra
to, em cujo favor Hei por bem fazer exclusivo o commercio dos referidos
Diamantes brutos, sob pena de perdimento dos que forem extrahidos,
ou contratados; e do dobro do seu valor commum, ametade para o de
nunciante, e ametade a beneficio do mesmo Contratador, e Caixas, pa
ra entre elles se repartir igualmente: incorrendo de mais os transgresso
res desta Lei nas penas corporaes de dez annos de degredo para Ango
la, sendo pessoas livres, que morem no Brasil; e para o Maranhão, ou
Pará, morando neste Reino: sendo porém escravos, serão condemnados
a trabalhar com braga nas obras do Contrato pelos referidos annos; e o
mesmo exceptuada a braga, se praticará com os pretos e homens pardos,
que delinquirem, sendo forros.
II. Estabeleço, que esta prohibição, e as penas por ella ordenadas,
se executem sem alguma diferença, não só nos principaes transgresso
res, que fizerem as compras, vendas, conducções, ou remessas; mas
tambem contra todas, e quaesquer pessoas, que para isso concorrerem
por terra, ou por mar, sendo Corretores, Conductores, ou Fautores,
dos que fizerem o contrabando, ou admittindo-o em suas casas, carrua
gens, embarcações ou cargas ; porque em qualquer tempo, que isto se
prove, se procederá contra elles, ainda depois do facto, na maneira abai
xo declarada. ••

III. Para que mais eficazmente seja esta Lei observada, Sou servi
do ordenar que as denuncias sejão tomadas em segredo, como se pratí
ca no Fisco dos ausentes; e que, sendo os denunciantes escravos, se li
bertem pela competente parte do premio da denuncia; entregando-se-lhes
o resto para delle uzarem, como bem lhes parecer.
IV. Bem entendido, que em todos os sobreditos casos, sendo os trans
X
162 1753
gressores desta Lei estrangeiros, não terão contra elles lugar as penas de
degredo para os Meus Dominios da America, ou Africa; mas antes em
lugar das referidas penas se executará nelles a de prizão até Minha mer
cê, e a de confiscação de todos os bens , que lhes forem achados nos
Meus Dominios, sendo exterminados para nelles mais não serem admit
tidos. E sendo caso, que nestes Reinos não tenhão bens equivalentes ao
valor do descaminho, e dobro delle acima ordenados , ficarão na cadêa
até que com efeito seja esta pena pecuniaria satisfeita com o inteiro pa
gamento dos interessados nella. * . .

V. As condemnações pecuniarias, que deixo estabelecidas, passarão


com os bens dos transgressores como encargo Real a seus herdeiros , e
successores, para se executarem nos referidos bens, sendo o crime des
cuberto , e a pena delle pedida até o espaço de vinte annos, contados
desde o tempo, em que for commettida a transgressão.
VI. Em tudo o que não encontrar esta Lei ficarão em seu vigor to
dos os bandos, ordens, e cautellas estabelecidas pelos Governadores das
Minas contra os que distrahem Diamantes, e nelles negoceão furtiva, e
clandestinamente.
VII. Todos os Commerciantes de fazendas em grosso, e por miudo,
que entrarem nas Terras Diamantinas, ou sinco legoas ao redor dellas,
serão obrigados a dar entrada na Intendencia dos Diamantes, e perante
os Commissarios, que forem nomeados para este efeito ; declarando as
fazendas, que levão, e sua importancia, e dando fiança segura a mos
trarem depois ao tempo da sahida os efeitos, em que levão os productos
do que tiverem introduzido , debaixo das mesmas penas acima orde
nadas.
VIII. O mesmo se observará debaixo das mesmas penas a respeito
das pessoas, que forem cobrar dividas nas referidas Terras Diamantinas,
e seu districto acima declarado. E a estes se lhes assignará pelos Inten
dentes para a cobrança das suas dividas o termo, que lhes parecer com
petente, para; findo elle, serem obrigados a sahir das referidas Terras;
a menos que não alleguem, e provem alguma justa causa, para lhes ser
o termo prorogado, como parecer justo.
IX. Prohibo, que nas mesmas Terras, e seu districto, se permitta
alguma especie de faisqueira. Para que porém se possa occupar a gen
te, que alli vive deste trabalho, se lhes concederão mais algumas lavras
daquellas que estão prohibidas ; com tanto , que primeiro sejão exami
nadas pelo Intendente, e Contratador, verificando , que nellas se não
achão Diamantes.
X. Nas mesmas Terras, e seu districto, se não consentirá pessoa al
guma, que não tenha nellas oficio, emprego, ou modo de vida, que se
ja permanente, e notorio a todos com pena, de que, sendo nellas acha
dos, pela segunda vez, depois de haverem sido expulsos pela primeira,
com termo que devem assignar, serão condemnados por dez annos para
Angola.
XI. Todas as lojas de fazendas, tendas, tabernas, e mais casas pu
blicas, que se acharem estabelecidas, ou vierem estabelecer-se no Ar
raial do Tejuco, e na distancia da demarcação das Terras Diamantinas
acima declarada, serão approvadas, e legitimadas (sem salario algum )
pela Camara com o concurso do Intendente ; de sorte, que as pessoas,
que se permittirem em semelhantes casas publicas, conste que são de
bom viver. E achando-se, que são de outra qualidade, requererá o Con
tratador a sua expulsão á sobredita Camara, e ao Intendente, aos quaes
1753 l63 |

Hei por muito recommendado o cuidado, que devem ter sobre esta ma
ter 1a.
XII. A Companhia de Dragões destinada á guarnição , e guarda do
Serro do Frio será sempre rendida no fim de cada seis mezes com todos
os seus Oficiaes: fazendo-os o Governador substituir por outros Oficiaes
dos Governos visinhos, que lhes parecerem mais dignos da sua approva
ção, e confiança.
XIII. Semelhantemente serão rendidos os Càpitães do Mato , dos
quaes o Governador nomeará, á custa da Minha Real Fazenda, os que
justamente lhe parecerem necessarios para a competente guarda das Ter
ras demarcadas.
XIV. Os Intendentes, além de conservarem sempre abertas as devas
sas que lhes tenho ordenado contra os contrabandistas de Diamantes, vi
sitarão pessoalmente, as mais vezes, que lhes for possivel, a Villa do
Principe, e os Arraiaes do districto, que tenho declarado, para maior
exame do que se passar naquelles lugares.
XV. Não só os referidos Intendentes , mas tambem todos os Minis
tros dos Territorios das Minas, e dos Pórtos do Brasil, perguntarão cui
dadosamente nas correições, e devassas, pelos descaminhos dos Diaman
tes , para por elles procederem contra os culpados na fórma desta Lei:
inquirindo-se nas residencias dos sobreditos Ministros se bem fizerão es
ta diligencia: Não sendo admittidos a despacho sem certidão de que cum
prírão com ella: e dando-se-lhes em culpa qualquer negligencia, em que
forem achados.
XVI. Porque não he da Minha Real Intenção prohibir a entrada dos
Diamantes, que o Commercio deste Reino traz a elle da India Oriental:
e para prevenir todo o abuso, que da entrada dos mesmos Diamantes se
podia seguir: Estabeleço, que os sobreditos Diamantes venhão da mes
ma sorte, que os do Brazil em cofre com arrecadação: registando-se cui
dadosamente na Casa da India , e fazendo-se nella assignar termos aos
seus respectivos donos de os não venderem neste Reino, e de os manda
rem para fóra delle debaixo das guias que Mando se lhes passem para
este efeito. O que tudo se observará debaixo das mesmas penas acima
ordenadas.
XVII. O mesmo determino a respeito de todas as pessoas, que nes
te Reino tiverem ao tempo da publicação desta Lei Diamantes brutos:
Ordenando , que no termo de hum mez, continua, e successivamente
contado do dia da mesma publicação, os venhão manifestar aos Admi
nistradores do Contrato, para se lhes permittir a extracção para fóra do
Reino, com termo competente, debaixo das guias, e segurança neces
S3T13S,

XVIII. Ordeno outrosim, que em nenhum Tribunal, ou Auditorio


deste Reino, e suas Conquistas, se tome conhecimento destes Contra
tos, e suas dependencias, porque reservo privativamente a Mim todo o
conhecimento sobre este negocio, como tambem dar as providencias,
que Me parecerem necessarias para a boa administração do Contrato pre
sente, ao qual darão toda a ajuda, e favor os Oficiaes, e Ministros de
Guerra, de Justiça, tendo entendido, que do contrario Me darei por
muito mal servido.
Pelo que mando ao Presidente do Desembargo do Paço, Presiden
te do Conselho de Ultramar, ao Regedor da Casa da Supplicação, Go
vernador da Relação, e Casa do Porto, ao Vice-Rei do Brasil, aos Ca
pitães Generaes, aos Governadores de todas as Conquistas, aos Minis
X 2
164 {753

tros dos sobreditos Tribunaes, aos Desembargadores das ditas Relações,


e das da Bahia, e Rio de Janeiro, e mais pessoas destes Reinos, e Se
nhorios, cumpräo, e guardem inteiramente este Alvará, como nelle se
contém, sem embargo de que seu efeito durará por mais de hum anno,
e de que não passe, pela Chancellaria, não obstantes as Ordenações em
contrario, que Hei por derogadas, como se dellas fizesse expressa men
ção ; sómente para o efeito de que o disposto neste Alvará se observe
inteiramente sem dúvida, nem contradicção alguma, a cujo fim Hei tam
bem por derogadas quaesquer Leis, Ordenações, Resoluções, e Ordens
sómente no que o encontrarem. E este se registará nos livros do Desem
bargo do Paço, Casa da Supplicação, Relações do Porto, Bahia, e Rio
de Janeiro, nos dos Conselhos de Minha Fazenda , e do Ultramar, e o
proprio se lançará na Torre do Tombo. Dado em Belém a 11 de Agosto
de 1753. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Ministro.

Regist, na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no Li


vro das Leis a fol. 63, e impr. na Officina de An
tonio Rodrigues Galhardo.

# #<>"# }

*
#

EU ELREI Faço saber a quantos este Meu Alvará em fórma de Lei


virem, que por justas causas, que Me forão presentes : Hei por bem
extinguir o lugar de Juiz , e os dous Oficios de Executores dos Contos
do Reino, e Casa ; e para este fim sómente revogo os Capitulos do Re
gimento, Leis, e Alvarás da sua creação ; e em lugar de todos : Sou
servido crear hum só Juiz Executor dos mesmos Contos, Ministro de le
tras dos approvados, para Me servirem com graduação de primeiro ban
co, o qual conhecerá na primeira instancia de todas as execuções, e
causas, de que conhecião até o presente o Juiz, e Executores supprimi
dos, dando appellação, e aggravo nos casos, em que couber, para o Jui
zo dos Feitos da Fazenda; e terá a mesma alçada, e assignatura, que
tem os Corregedores do Civel da Cidade, e haverá cento e oitenta mil
réis de ordenado, pagos pelo Thesoureiro da Alfandega , sem que pos
sa levar, nem pertender outra alguma propina, ordinaria, ou ajuda de
CUSLO.
E para que com maior diligencia execute as dividas de Minha Fa
zenda, mando , que de todo o dinheiro , que por execução fizer met
ter no cofre dos Contos, tire dez por cento, dos quaes leve para si qua
tro, e faça entregar dous ao Advogado, que ha de servir de Procurador
da Fazenda no seu Juizo, tres ao Escrivão da causa, e hum ao Solicita
dor. Assistirá na Mesa do despacho dos Contos , como Juiz delles , na
fórma do Regimento; mas não conhecerá das appellações das penas im
postas pelo Contador Mór, de que trata o Capitulo 104 do mesmo Regi
mento ; porque só lhe pertence conhecer das causas da primeira instan
cia : e as ditas appellações da publicação deste Alvará em diante fica
rão pertencendo aos Juizes dos Feitos da Fazenda : e do mesmo modo
conhecerá na primeira instancia dos casos crimes, de que trata o Capi
tulo 105, dando delles appellação, e aggravo na referida fórma.
Será consultado este lugar no Conselho da Fazenda, preferindo
<1753 . 165

sempre o Ministro de maior inteireza, literatura, e experiencia da arre


cadação de Minha Fazenda. * * *

Servirá por tempo de tres annos, no fim dos quaes dará residen
cia em fórma regular. . . - }

Tanto que entrar a servir se lhe fará receita de todas as execu


ções, que actualmente correrem, e das dividas, que de novo se houve
rem de executar no tempo, em que se vencerem ; escrevendo-se em ti
tulo separado as que pertencerem a cada hum dos Escrivães da Execu
toria : e será obrigado a fazer executar , e recolher no cofre dentro de
hum anno, contado do dia, em que se lhe fizer receita, todas as divi
das, que forem exigiveis, dando conta no Conselho da Fazenda de todas
as que se não poderem cobrar por falta de bens, com a justificação pre
cisa, para se Me fazerem presentes, com as mais informações, que no
Conselho parecerem necessarias, para Eu as mandar riscar das receitas:
e faltando a qualquer destas obrigações, se lhe dará em culpa na sua re
sidencia. E para o fim desta brevidade, ordeno a todos os Ministros, Of
ficiaes, e Pessoas de Meus Reinos, e Dominios, que com toda a prom
ptidão cumpräo, e executem os Precatorios, e Mandados, que o dito
Juiz Executor dos Contos lhes passar, nos termos, que lhes forem pre
finidos , com pena de virem emprazados ao Conselho da Fazenda dar a
razão de suas omissões, ou culpas, e sustentarem as penas, que Eu for
servido applicar-lhes em consulta do mesmo Tribunal, além de se lhes
negarem certidões para as suas residencias. E aos Juizes dos Feitos da
Fazenda mando, que prefirão o despacho dos feitos, e causas dos Con
tos a outro qualquer despacho , na fórma da Ordenação livro primeiro,
titulo dez, expedindo os aggravos de petição na mesma Conferencia, em
que subirem, e as appellações no termo de dous mezes peremptorios;
tendo entendido que, não obrando assim, incorrerão no Meu Real des
agrado, e lho mandarei estranhar com a demonstração, que o caso me
TeCer.

Poderá o dito Juiz Executor autuar, suspender, e sentencear os


Escrivães, Solicitadores, e mais Oficiaes dos Contos, que culpavelmen
te demorarem os autos, e diligencias precisas para o expediente, dando
appellação, e aggravo para o Juizo dos Feitos da Fazenda, e conta no
Conselho della , para logo se proverem os Oficios nas pessoas, a que
pertencerem.
O Advogado mais antigo da Casa da Supplicação responderá nos
feitos deste Juizo, como Procurador da Fazenda , , e haverá o premio de
dous por cento, que neste Alvará lhe vai constituido.
E porque os feitos da Executoria das Terras do Reino, em que
era preciso haver conhecimento de causa, se remettião ao Desembarga
dor Juiz dos Contos para os sentencear com Adjuntos na Casa da Suppli
cação, mando, que daqui em diante se remettão ao Juizo dos Feitos da
Fazenda, para nelle se julgarem. Usará o dito Juiz Executor, novamen
te creado, de todos os Regimentos, Alvarás, Ordenações, Leis, De
cretos, Resoluções, e Ordens, que estiverem passadas a favor das juris
dicções do Juiz, e Executores supprimidos, em tudo o que forem appli
caveis ao seu conhecimento de primeira instancia, como se para elle fos
sem dirigidos. •

- Pelo que; Mando aos Védores da Minha Fazenda, Presidente do


Desembargo do Paço, Regedor da Casa da Supplicação, Governador da
Casa do Porto, e a todos os Desembargadores das ditas Casas, Correge
dores, Provedores, Ouvidores, Juizes, Oficiaes, e Pessoas destes Meus
166 1753
|

Reinos, e Senhorios, cumprão, e guardem inteiramente, e fação cum


prir, e guardar este Meu Alvará, como nelle se contém ; sem embargo
de outro qualquer Alvará, Lei, ou Regimento em contrario , que de
Meu Poder Real, e certa sciencia, para este fim revogo, ainda que del
les houvesse de fazer expressa menção. E ao Doutor Francisco Luiz da
Cunha de Ataide, do Meu Conselho, e Chanceller Mór de Meus Reinos,
e Senhorios, Mando, que o faça publicar na Chancellaria, e enviar có
ias impressas aos Tribunaes, Ministros, e mais Pessoas, a que seme
hantes Leis se costumão remetter , para que logo a fação publicar nas
Comarcas, e Ouvidorias das suas jurisdicções. E este se registará nas
Casas referidas , e o proprio se lançará na Torre do Tombo. Dado em
Belém a 23 de Agosto de 1753. = Com a Assignatura de ElRei , e a
do Ministro.

Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no Li


vro das Leis, o fol. 41 ; e impr. na Oficina de An
tonio Rodrigues Galhardo.

# # LOº% #

E U ELREI Faço saber aos que este Alvará virem, que havendo-Me
representado o Barão Conde, Presidente do Senado da Camara, que pe
la mudança, que se fizera dos Juizes do Crime, e do Civel desta Cida
de em Corregedores, pelo Alvará de vinte e cinco de Março de mil se
tecentos quarenta e dous, e Decreto de dezenove de Dezembro de mil
setecentos quarenta e tres, ficarão sem exercicio as Doações da dita Ci
dade, segundo as quaes pertencia ao mesmo Senado a nomeação dos re
feridos Juizes do Crime, e do Civel: E desejando Eu conservar á sobre
dita Cidade, e Povo della (em quanto for possivel, e o seu maior bem
o puder permittir) os privilegios, e prerogativas, com que os Senhores
Reis Meus Predecessores o honrarão: Sou Servido, que dos doze Corre
gedores do Crime, que presentemente ha na mesma Cidade, se fiquem
conservando sómente os cinco, que sempre houve: a saber, o da Rua
Nova, do Rocio, de Alfama, do Bairro Alto, e dos Remolares; e que
os sete, que restão, a saber, do Castello, do Limoeiro, da Ribeira, da
Mouraria, de Andaluz, do Monte de Santa Catharina, e do Mocambo,
se extingão, subrogando-se nos seus lugares igual número de Juizes do
Crime. Assim estes, como os Corregedores, terão os mesmos districtos,
que forão assignados aos seus respectivos Bairros pelo dito Alvará de
vinte e cinco de Março de mil setecentos quarenta e dous. Todos servi
rão com os mesmos Oficiaes, com que até agora servirão os Corregedo
res conservados, e extinctos. E por fazer mercê ao sobredito Senado da
Camara, e Povo desta Cidade: Hei por bem, que os referidos sete Jui
zes do Crime, que Mando substituir nos lugares abolidos, Me sejão con
sultados pelo mesmo Senado, na mesma fórma, em que até agora se con
sultavão os Corregedores pelo Desembargo do Paço; e haverão os ordena
dos, e emolumentos, que havião antes do referido Alvará de vinte e cin
co de Março de mil setecentos quarenta e dous; cobrando-os pela mes
ma estação, por onde então lhes erão pagos, e o serão com os accres
centamentos, que forão feitos aos lugares da sua graduação pela Lei de
sete de Janeiro de mil setecentos e cincoenta; guardando os Regimen
1753 167

tos dos Ministros Criminaes desta Cidade, e muito especialmente o dos


Bairros: e indo ao Senado despachar as causas das injúrias verbaes, co
mo o praticavão antes do sobredito Alvará de vinte e tres de Março de
mil setecentos quarenta e dous, que Hei por derogado sómente no que
a este for contrario, ficando para tudo o mais no seu vigor.
E Mando, que o disposto neste Meu Alvará, se cumpra inteira
mente, como nelle se contém, e tenha força de Lei, que passará pela
Chancellaria, e valerá, posto que o seu efeito haja de durar mais de
hum anno, sem embargo da Ordenação livro segundo, titulo quarenta
em contrario. Dado em Belém aos 25 de Agosto de 1753. = Com a As
signatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist, na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no *

Livro das Leis a fol. 40. e impr. na Oficina de


Antonio Rodrigues Galhardo.

*—*< * #

H Ei por bem, que o Procurador da Fazenda seja ouvido, e presente


em todas as Causas da Santa Igreja Patriarchal, e da Reverenda Fabri
ca, que se julgarem no Juizo dos Feitos da Coroa, juntamente com o
Procurador della, que já por outro Decreto, he ouvido, e presente nas
mesmas Causas. O Duque Regedor o tenha assim entendido, e faça exe
cutar. Belém a quatro de Setembro de 1733. = Com a Rubríca de Sua
Magestade.

Regist. na Casa da Supplicação no Livro XIV, dos De


cretos a fol. 226 vers.

#-%*@*% #

EU ELREI Faço saber, aos que este Meu Alvará virem, que tendo
consideração a Me representarem por sua petição os Juizes actuaes do
Officio de Cortador dos Assougues desta Corte, que pela Certidão, que
juntavão, e constava confirmar-lhe o Senhor Rei D. João o V, Meu Pai,
que está em Gloria, os Privilegios, que por resolução de quatro de No
vembro de mil seiscentos e quarenta e quatro se lhe havião concedido,
em consideração do beneficio que fazião os Marchantes, em trazerem ga
dos para mantimentos desta Cidade, para que não fossem obrigadas ás
companhias, nem a outros efeitos de guerra, e que o mesmo se prati
casse com os Cortadores da carne e esfolladores della, por cuja razão sem
pre forão isentos os supplicantes, e seus filhos de se proceder contra el
les para Soldados, e para se lhe observarem os ditos Privilegios, neces
sitão de confirmação, Me pedem lhes faça mercê mandar-lhes passar Al
vará de confirmação delles, na fórma do estilo, o que visto: Hei por bem
confirmar, aos supplicantes os sobreditos Privilegios na fórma que pe
dem, em virtude deste Alvará, a que farão dar inteiro cumprimento os
Governadores das Armas, Generaes, que governão as Armas das Pro
vincias pelos Cabos, e Oficiaes de Guerra, Ministros, e Officiaes de
168 • 1753

Justiça, e de Minha Fazenda, e mais pessoas, a que o conhecimento


delle pertencer, e valerá, posto que seu efeito haja de durar mais de hum
anno, dado na Cidade de Lisboa aos 6 do mez de Setembro de 1753. =
Com a Assignatura de Sua Magestade.
Impresso avulso.

#«…>…} %

DoM JOSÉ por Graça de Deos Rei de Portugal, e dos Algarves,


d'aquem, e d’além mar, em Africa Senhor de Guiné, e da Conquista,
Navegação, Commercio da Ethiopia, Arabia, Persia, e da India, &c.
Faço saber aos que este Meu Alvará de Lei virem, que por Me ser pre
sente que, sem embargo das penas, com que pela Ordenação, e ainda
por Direito commum, devem ser castigados os que fazem, ou publicão
Sátiras, ou Libellos famosos, ou por qualquer modo concorrerem para
que elles se fação, ou publiquem, he em grande prejuízo da honra de
Meus Vassallos muito frequente este delicto, pela dificuldade de se pro
var quaes forão os seus Authores , e mais pessoas, que concorrerão para
os ditos Libellos, ou Sátiras se fazerem, e publicarem; e tambem por
que as pessoas ofendidas tem muitas vezes por melhor dissimularem a
atrocissima injúria, que pelo referido modo se lhes faz, ou vingarem-se
illicita, ou occultamente, do que queixarem-se ás Justiças: e porque he
da Minha Real intenção, que delicto tao atroz não continue mais, an
tes se extinga com o justo temor do castigo: Hei por bem fazer este ca
so de devaça, e que os Juizes de Fóra, e Ordinarios a tirem em razão
do seu oficio, ainda que não haja queixa de parte; com pena de se lhes
dar em culpa. Pelo que Mando ao Presidente do Desembargo do Paço,
Regedor da Casa da Supplicação, e ao Governador da Casa do Porto,
Desembargadores das ditas Casas, Governadores, e Desembargadores
das Relações das Conquistas, e a todos os Corregedores, Provedores,
Ouvidores, Juizes, e mais Justiças destes Meus Reinos, e Senhorios,
cumpräo, e guardem este Meu Alvará de Lei, como nelle se contém.
E ao Doutor Francisco Luiz da Cunha de Ataide, do Meu Conselho, e
Meu Chanceller Mór, o faça publicar na Chancellaria, e enviar o tras
lado delle sob Meu Sello, e seu signal, aos Corregedores das Comarcas,
e Ouvidores dos Donatarios, em que os Corregedores não entrão por Cor
reição, para que o fação publicar. E este se registará nos Livros do Des
embargo do Paço, Casa da Supplicação, e Relação do Porto, e mais
partes, onde semelhantes se costumão registar; e este proprio se lança
rá na Torre do Tombo. Dado em Lisboa aos 2 de Outubro de 1753. =
Com a Assignatura de ElRei, e a do Marquez Mordomo Mór Presidente.
-
\ -

Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no Li


vro das Leis a fol. 42 vers., e impr. na Oficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.
1753 169

# #«…>, ºk N:

P oR justas e particulares razões do Meu Serviço: Hei por bem, que a


Causa, que no Juizo da Coroa tem intentado Dona Maria Magdalena de
Portugal contra o Almirante Dom Antonio José de Castro sobre a Rei
vendicação da Capitanía das Ilhas se processe, sentencei, e conclua no
termo imprerogavel de hum mez, que principiará do dia da data deste,
sendo Juiz Relator o Desembargador Simão da Fonseca e Sequeira, e
adjuntos os Desembargadores Francisco Xavier Morato Broa, e Fran
cisco Antonio Marques Giraldes de Andrade, e para empates José de
Carvalho Martins, e Antonio José da Fonseca Lemos. O Duque Rege
dor o tenha assim entendido, e o mande executar. Belém 6 de Novem
bro de 1753. = Com a Rubríca de Sua Magestade.

Regist. a fol. 230 vers. no Livro XIV. na Casa da


Supplicação. •

# #t <>>$k…->R

EU ELREI Faço saber aos que este Meu Alvará virem, que sendo
Me presentes os Contratos atraz escritos, que se fizerão no Meu Con
selho Ultramarino com Pedro Gomes Moreira, do rendimento da pesca
das Baleas do Rio de Janeiro, Ilhas de Santa Catharina, e S. Sebastião,
Santos, e S. Paulo, por tempo de seis annos, que hão de começar fin
dos os Contratos actuaes, em preço cada anno de quarenta e oito mil
cruzados, e cem mil réis, livres pára a Minha Real Fazenda, a saber:
vinte e oito mil cruzados, e cem mil réis pela pesca da Capitanía do Rio
de Janeiro, dez mil cruzados pela de Santa Catharina, e dez pela de S.
Sebastião, Santos, e S. Paulo, com as condições, e obrigações declara
das nos mesmos Contratos. Hei por bem approvar, e ratificar os ditos
Contratos na pessoa do referido Pedro Gomes Moreira, e Mando se cum
prão, e guardem inteiramente como nelles, e em cada huma de suas Con
dições se contém, por este Alvará, que valerá como Carta, e não pas
sará pela Chancellaria sem embargo da Ordenação do liv. 2.º tit. 39, e
40 em contrario. Lisboa 12 de Novembro de 1753. = Com a Assignatu
ra de ElRei, e a do Marquez de Penalva, Presidente do Conselho Ul
tramarino.

Contrato a que se refere o Alvará antecedente,

A NNo do Nascimento de Nosso Senhor JEzus CHRIsto de mil setecen


tos cincoenta e tres, aos dezoito dias do mez de Maio do dito anno, nes
ta Corte, e Cidade de Lisboa nos Paços de Sua Magestade, e Casa, em
que se faz o Conselho Ultramarino, estando presentes os Senhores Con
selheiros, e o Procurador da Fazenda delle o Desembargador Gonçalo José
170 1753

da Silveira Preto, appareceo Pedro Gomes Moreira, pelo qual foi dito
fazia lanço (como com efeito fez) nos Contratos da pesca das Baleas do
Rio de Janeiro, Ilhas de Santa Catharina, e S. Sebastião, Santos, e S.
Paulo, por tempo de seis annos, que hão de principiar findos os Contra
tos actuaes, em preço cada hum anno de quarenta e oito mil cruzados,
e cem mil réis, livres para a Fazenda Real, a saber: vinte e oito mil
cruzados, e cem mil réis pela pesca da Capitanía do Rio de Janeiro; dez
mil cruzados pela de Santa Catharina, e dez pela de S. Sebastião, San
tos, e S. Paulo, que se devem satisfazer na Provedoria de Santos, com
as condições, e obrigações dos Contratos actuaes, e de pagar só as pro
pinas devidas por ordem de Sua Magestade. E para esta rematação pre
cederão editaes, e as mais solemnidades, que dispoem o Regimento, e
resolução do dito Senhor para se rematarem por menos do em que anda
vão, é se lhe declarárão os Decretos de Sua Magestade sobre os Con
luios, e Companheiros, e a Resolução do mesmo Senhor de 27 de Setem
bro de 1746; e deo por fiador á decima a Caetano do Couto Pereira; e
na Provedoria da Fazenda Real do Rio de Janeiro dará elle Contratador
as fianças necessarias a estes Contratos, o qual mostrou ter-se carrega
do em lembrança o preço delles ao Thesoureiro da obra pia, para dos
mesmos pagar a que dever.
PRIMEIRA CONDIÇÃO.
Que poderá elle Contratador haver tudo, o que produzirem estes
Contratos confórme as Leis, Alvarás, e Provisões, porque elles se esta
belecerão, como até ao presente se observou, sem alteração alguma, e
por tempo dos ditos seis annos sómente, que hão de principiar findos que
sejão os Contratos que correm, os quaes lhe fará cumprir o Provedor da
Fazenda Real do Rio de Janeiro, dando das suas determinações appel
lação, e aggravo para os Juizes dos Feitos da Fazenda da Relação do
mesmo Rio.
II. Que elle Contratador dará as fianças necessarias a estes Contra
tos no Rio de Janeiro, as quaes hão de ser approvadas pelo Almoxarife
da Fazenda Real, a quem se ha de carregar em receita a sua importan
cia, de que o mesmo Almoxarife fica sendo Executor para deste rendi
mento dar conta, e ter cuidado de o cobrar aos quarteis em cada anno,
observando o que dispoem a Ordenação do Reino liv. 2." tit. 63, e o Re
gimento da Fazenda, e Contos sobre a fórma da arrecadação, e o modo
das execuções; com declaração, que os dez mil cruzados cada anno per
tencentes á Ilha de S. Sebastião, Santos, e S. Paulo, terá elle Almoxa
rife cuidado, de que o mesmo Contratador os satisfaça promptamente aos
quarteis na Provedoria de Santos, de cuja entrega lhe apresentará co
nhecimento do Almoxarife daquella Praça, para constar de como assim
o cumprio, e quando o não faça o obrigar a isso na fórma do dito Regi
mento, e no caso que haja dúvida sobre o Almoxarife acceitar as fianças,
que o dito Contratador lhe oferecer, as decidirá o Provedor da Fazenda
Real, ficando obrigado na mesma fórma, que o Almoxarife pela falta,
que nellas possa haver, e das suas sentenças sómente se poderá appel
lar, e aggravar para os Juizes dos Feitos da Fazenda da Casa da Sup
plicação. • |-

III. Que elle Contratador gozará de todos os privilegios concedidos


pelas Ordenações do Reino aos Rendeiros das rendas Reaes, não estàn
do derogadas em parte, ou em todo, e se lhe dará pelo Governador, e
1753 17I

mais Ministros de Justiça, e Fazenda toda a ajuda, e favor licito, ejus


to para a cobrança das dividas deste Contrato durante o tempo delle, e
o mais que lhe permitte a Lei, e Regimento da Fazenda.
IV. Que por conta delle Contratador serão todas as despezas feitas
na arrecadação deste Contrato, e sómente por conta da Fazenda Real
os ordenados dos Oficiaes nomeados por Sua Magestade, que tiverem
Cartas, Alvarás, ou Provisões suas; e não poderá elle Contratador alle
gar perdas, e damnos, nem usar de incapação alguma ainda nos casos,
que o Regimento da Fazenda os admitte, ou sejão sólitos, ou insólitos;
e contra o estabelecido nesta Condição se não admittirá interpretação al
guma.
V. Que elle Rematante gozará de todas as Condições, e Privilegios
neste Contrato, assim mesmo como se achão estabelecidas no Contrato
actual do Rio de Janeiro, Santos, e S. Paulo sem dúvida alguma.
VI. Que poderá elle Contador ter no Rio de Janeiro tanque, ou tan
ques, em que recolha o azeite que produzir o seu Contrato, a fim de o
poder navegar com mais brevidade para este Reino, e Ilhas dos Asso
res, Bahia, e Pernambuco, sem que o Contratador do Rio de Janeiro o
possa embaraçar em cousa alguma, da mesma fórma, e sem diferença
alguma, do que actualmente se pratíca, e está concedido ao Erector des
ta Fabrica. - -

VII. Com condição, que na Ilha de Santa Catharina será seu Juiz
Conservador o Ministro que nella se achar para lhe cumprir as Condi
ções do seu Contrato, não se embaraçando nelle o Governador, e ménos
se lhe poder impedir a sua pesca naquella Costa; e no Rio de Janeiro
será seu Conservador o Provedor da Fazenda, ou o Ouvidor Geral da
quella Cidade, havendo-o Sua Magestade assim por bem, para o que se
lhe fará Consulta.
E sendo visto pelos Senhores Conselheiros do Conselho Ultrama
rino, presente o Procurador da Fazenda delle, o conteúdo nestes Con
tratos, condições, e obrigações delles o houverão por bem, e se obrigá
rão por bem, e se obrigárão em Nome de Sua Magestade a lhe dar intei
ro cumprimento, e o dito Pedro Gomes Moreira que presente estava, dis
se, os acceitava, e se obrigava a cumprir inteiramente os ditos Contra
tos na fórma da sua rematação, com todas as condições, e obrigações
nelles declaradas, e que não o cumprindo elle em parte, ou em todo,
pagaria, e satisfaria por todos os seus bens, assim moveis, como de raiz,
havidos, e por haver toda a perda, que a Fazenda de Sua Magestade re
ceber os quaes para isso obrigava. E por firmeza de tudo, mandárão fa
zer estes Contratos no livro delles, em que todos assignárão com o dito
Pedro Gomes Moreira, de que se lhe deo huma cópia assignada pelos
Senhores Desembargadores Alexandre Metelo de Sousa e Menezes, e
Rafael Pires Pardinho, Conselheiros do Conselho Ultramarino. Antonio
de Cobellos Pereira, Oficial Maior da Secretaria do dito Conselho, o
fez em Lisboa a 12 de Novembro de 1753. O Conselheiro Antonio Lo
pes da Costa as fiz escrever. = Alexandre Metelo de Sousa e Mene
zes. = Rafael Pires Pardinho.

No Liv. III. de Contratos da Secretaria do Conselho


Ultramarino, a fol. 20, e impr. com o Alvará an
tecedente na Regia Typografia Silviana.

Y 2
172 I753

{ #«…>, # §

EU ELREI Faço saber aos que este Alvará de Lei virem, que entre
as providencias, que em beneficio da Navegação, e do Commercio, que
os Meus Vassallos fazem para o Estado do Brazil, Fui Servido dar no
Novo Regimento da Alfandega do Tabaco, escrito na Cidade de Lisboa
a dezeseis de Janeiro de mil setecentos cincoenta e hum, são as que se
contém nos Paragrafos primeiro, segundo, terceiro, e quarto do Capi
tulo sete, cujo theor he o seguinte: » Paragrafo primeiro: Por Me
ser presente, que os fretes do Brazil para este Reino por hum abuso
contrario á razão, e ao interesse do Commercio se encarecêrão em
repetidas occasiões com tal exorbitancia, que o valor dos generos não
podia sofrer o custo do transporte: Ordeno, que d’aqui em diante
nenhum Mestre de Navio ouze pedir, ou receber por frete de Tabaco
de qualquer dos pórtos do Brazil para este Reino preço algum, que
exceda a trezentos réis por arroba, ou a dezeseis mil e duzentos réis
por tonelada de cincoenta e quatro arrobas. E este preço ficará po
rém livre, e líquido a favor do Navio, a cujo fim já fica transferido
no genero o Direito, que antes se pagava na Alfandega desta Cida
de a respeito do casco. E os que levarem fretes maiores dos assima
. taxados, perderão toda a importancia do transporte que fizerem, a
º favor da pessoa, a quem extorquirem a dita maioria. E ficarão sujei
º tos ás mais penas, que merecem, segundo a gravidade da maior cul
º pa, em que forem incursos. Paragrafo segundo: O mesmo Ordeno,
” que se observe tambem inviolavelmente d’aqui em diante a respeito dos
fretes do Assucar. Paragrafo terceiro: E para mais suave, e facil ob
servancia desta disposição, estabeleço, que nenhum Navio, que pas
sar em lastro de hum porto do Brazil a qualquer outro do mesmo Esta
do para procurar carga, a possa receber, senão subsidiariamente de
pois de haverem sido carregados os outros Navios, que houverem le
vado carga deste Reino para o mesmo porto, onde concorrer o Navio,
que se achar que nelle entrou de vasio, ou em lastro; sob pena de que
toda a importancia dos fretes, que este ultimo Navio receber, cederá
a favor dos Mestres dos outros Navios, a quem direitamente pertencia
a carga; ou daquelles, que o denunciarem, e se habilitarem na causa
desta pena com o direito de que os seus Navios levárão carga para o
porto, onde a carregação se achar feita. Paragrafo quarto: Semelhan
mente os Navios pertencentes á Praça da Cidade do Porto, que nave
garem para os pórtos do Brazil, não tomarão nelles carga pertencente a
esta Cidade de Lisboa, senão depois de haverem sido carregados os
Navios da mesma Cidade de Lisboa: Nem pelo contrario os Navios de
Lisboa poderão receber carga para o Porto, senão depois de se acha
rem carregados os Navios pertencentes á dita Cidade do Porto: Tudo
23
debaixo das mesmas penas assima ordenadas.
E porque o tempo tem mostrado, que estas uteis Providencias
se fraudão com os mesmos perniciosos fins, que tinhão sido prevenidos,
e reprovados no Preambulo da referida Lei: a saber, os ditos Paragra
fos, primeiro, e segundo; porque nos casos, em que succeder ser a car
ga redundante, e superior ás forças dos Navios, que devem transportal
la, estabelecem os Mestres delles fretes exorbitantes, com os quaes ar
1753 173

ruinão a lavoura, absorvendo os lucros, que ella podia produzir aos A


gricultores: E nos casos contrarios quando a carga he pouca, e inferior
aos Navios, que se achão para a receber, se barateão os fretes de tal
sorte, que se arruina a Navegação, por se tirarem aos Navios os meios
necessarios para se costearem: Praticando-se ambas estas fraudes por con
venções occultamente simuladas, a que as partes são constrangidas para re
mirem as vexações, que se lhes procurão fazer: Sou Servido ampliar, e
declarar a sobredita providencia, ordenando, como por este Ordeno, que
da publicação delle em diante nenhuma pessoa, de qualquer qualidade,
ou condição que seja ouze alterar os fretes, que pelo dito Novo Regi
mento forão estabelecidos, accrescentando, ou diminuindo o preço del
les, debaixo das penas de nullidade de qualquer Letra, Escrito, Acto,
ou Contrato, ainda verbal, que resulte do accrescentamento, ou dimi
nuição do referido preço por Mim estabelecido; do perdimento de todo
o excesso, ou baratiamento, que se fizer, e do tresdobro delle: sendo
tudo pago da cadeia pelo Mestre do Navio, que assignar a Letra, ou
Papel, ou pagar, ou receber em dinheiro ao Carregador, ou do Carre
gador, o preço do excesso, ou diminuição, em que se ajustar.
No caso, em que os donos dos Navios, Carregadores, Procura
dores, Commissarios, e os mais interessados, e intervenientes naquelles
illicitos Contratos, os manifestarem nesta Corte perante o Juiz de India,
e Mina, na Cidade do Porto perante o Corregedor do Civel da Corte; e
no Brazil, ou perante os Inspectores nos pórtos , onde houver Casas de
Inspecção, ou perante os Ouvidores geraes, onde as não houver ; no
preciso termo de oito dias, continuos, successivos, e contados daquel
le, em que entrar , ou sahir a Frota , serão relevados das sobreditas
penas.
Porém no caso de não manifestarem na referida fórma dentro do
dito termo, se transferirão tambem em todos os sobreditos pelo lapso do
tempo as mesmas penas, para todas ellas se executarem cumulativamen
te em cada hum delles, além das que já forão estabelecidas no sobredi
to Regimento. -

O que tudo será applicado a favor das pessoas, que denunciarem,


e descobrirem as sobreditas fraudes; sem que estas condemnações pecu
niarias possão ser rateadas, quando no mesmo caso concorrerem diferen
tes Co-réos ; porque cada hum delles pagará sempre in solidum assim o
valor principal do que houver accrescentado, ou diminuido aos fretes,
como o tresdobro delle, na fórma assima ordenada.
Bem visto, que todo o referido se entenderá pela primeira vez;
porque pela segunda incorrerão os transgressores desta Lei além da re
petição das sobreditas penas, na de cinco annos de degredo para o Rei
no de Angola, que nelles se executará irremissivelmente; e pela tercei
ra no dobro de todas estas penas, assim pecuniarias, como corporaes:
sendo sempre as primeiras dellas applicadas a favor dos Denunciantes,
havendo-os; e não os havendo, a favor das despezas da Casa da Inspec
ção do respectivo porto, onde as fraudes se fizerem.
E pelo que respeita aos sobreditos Paragrafos terceiro, e quarto,
havendo tambem certas informações de que a perferencia, e ordem por
elles estabelecida se tem igualmente fraudado com afectados pretextos;
como por exemplo, o de se fingir materialmente contra o genuino, e na
tural sentido dos mesmos Paragrafos, que nelles se ordenou, ou se podia
permittir que, para ter efeito a dita perferencia, fossem os Navios car
regados por hum gradual, e rigoroso progresso de tempos diferentes; de
174 1753

sorte, que sómente depois de estar o primeiro delles inteiramente carre


gado , principiaria então a carregar o segundo, para assim se praticar
nos mais por modo semelhante: Sou Servido outrosim declarar, que pe
lo que pertence á fórma da carregação dos ditos Navios se ha de proce
der na maneira seguinte.
Tanto que as Frotas descarregarem nos respectivos portos, a que
são destinadas, farão os Inspectores extrahir logo huma exacta relação
dos Navios, que as constituirem, declarando-se nella com inteira certe
za a arquiação, e lotação de todos, e de cada hum delles.
As quaes relações ficarão reservadas para por ellas se regularem
as carregações ao tempo da partida das referidas Frotas. Em tal fórma,
que assim como forem chegando os generos, que devem carregar-se, se
irá fazendo delles outra respectiva relação , pela qual os irão repartindo
os sobreditos Inspectores pro rata aos Navios, a cujo favor estiver a pre
ferencia; deixando-se sempre ás partes a escolha do Navio, que melhor
{
lhe parecer entre os preferentes; e desde que estes tiverem segura a sua
carga , ou esta se ache a bordo delles, ou ainda dentro nos armazens,
destinada, e contramarcada para se carregar, se publicará por Editaes,
que he livre a todos carregarem como bem lhes parecer.
Todo o referido se entenderá pelo que respeita aos generos prin
cipaes, que fazem o capital de cada hum dos respectivos pórtos : a sa
ber: no Rio de Janeiro Assucar, Madeira, e Coiros; na Bahia Assucar,
Tabaco, Coiros, e Sola: em Pernambuco Assucar, Tabaco, Sola, Coi
ros, e Páo Brazil; e no Maranhão, e Pará, Cacáo, Café, Salsa Parri
lha, Cravo, Algodão, e Coiros, para o caso, em que alli venha com o
tempo a ter lugar a dita preferencia. Todos os outros generos, e encom
mendas miudas, se poderão em todo o tempo carregar livremente, ain
da que a carga dos Navios preferentes se não ache completa.
E nesta conformidade se observará a dita preferencia inviolavel
mente de tal sorte, que os que contra ella carregarem, incorrerão, além
das penas já estabelecidas pelo dito Novo Regimento, na da condemna
ção do tresdobro do valor dos fretes, que usurparem, para ser repartida
a favor dos donos dos Navios preferentes, aos quaes se houver prejudica
do. E não querendo estes habilitar-se nas causas desta pena, cederão as
ditas condemnações a favor das despezas da respectiva Casa de Inspec
ção do lugar, onde as transgressões se commettem. E as referidas penas
se executarão cumulativamente com as do Regimento pela primeira vez:
dobrarão pela segunda com cinco annos de degredo para o Reino de An
gola : e nellas não terá lugar o rateio, mas tambem serão executadas
integralmente contra cada hum dos Co-réos, que serão todos , os que
concorrem para a transgressão dos fretes directa, ou indirectamente; não
manifestando os originarios transgressores no termo, e no modo assima
declarados.
E pela grande importancia, de que será o bem commum dos Meus
Vassallos destes Reinos, e do Estado do Brazil, a total extirpação de to
das as sobreditas fraudes: Sou Servido outro sim ordenar, que dellasti
rem devassa em cada hum anno os Inspectores Letrados, logo depois de
serem passados oito dias, contados daquelle, em que sahirem as Frotas;
e que assim as taes Devassas, como as Denuncias, que se lhes derem,
sejão julgadas em huma só instancia, breve, e summariamente, sendo
para esse efeito remettidas á Relação do lugar , para nella serem sen
tenciadas pelo Juiz da Coroa com os Adjuntos, que o Regedor, Gover
nador , ou quem seus cargos servir, lhes nomear, e remettendo-se os
1753 175

Autos originaes com as sentenças, que nelles forem dadas, ao Meu Con
selho Ultramarino, para Mos fazer presentes, ficando os traslados delles
nos Cartorios dos respectivos Escrivães. O mesmo respectivamente pra
ticará nesta Corte, ao tempo da chegada das Frotas, o Juiz de India, e
Mina, por semelhante modo.
E este se cumprirá, e guardará inteiramente, como nelle se con
tém, não obstante quaesquer. Leis, Regimentos, ou Ordens em contra- .
rio , ainda que sejão das Alfandegas, e de quaesquer Casas de despa
cho, e de outras, que requeirão especial menção; porque todos Hei por
derogados no que a este se acharem contrarios. Pelo que, Mando ao Meu
Conselho Ultramarino; Regedor da Casa da Supplicação; Governadores
da Relação, e Casa do Porto, e das Relações da Bahia, e Rio de Janei
ro; Vice-Rei, Governadores, e Capitães Generaes do Estado do Brazil,
Ministros, e mais Pessoas dos Meus Reinos, e Senhorios, que o cum
prão, e guardem, e fação inteiramente cumprir, e guardar, como nelle
se contém. E ao Doutor Francisco Luiz da Cunha de Ataide do Meu
Conselho, e Chanceller Mór do Reino, mando, que o faça publicar na
Chancellaria, e o faça imprimir, e registar no lugar, onde se costumão
fazer semelhantes registos , e enviar ás partes costumadas. E este pro
prio se lançará na Torre do Tombo. Dado em Belém a 29 de Novembro
de 1753. = Com a Assignatura de ElRei, e a do Ministro.
Regist. na Chancellaria Mór da Corte, e Reino no Li
vro das Leis, a fol. 43 vers., e impr. na Qficina de
Antonio Rodrigues Galhardo.

# #*<> "$k #

Sespo-Me presentes os graves prejuizos, que se tem seguido ao bem


commum dos Meus Vassallos destes Reinos, e do Estado do Brazil, da
falta de observancia dos Decretos, e Ordens, que regulárão a partida
das Frotas, e o grande beneficio, que o Commercio, e Agricultura de
huns, e outros Vassallos receberão de partirem as mesmas Frotas tão op
portunamente, que sahindo sempre a tempo de deixarem recolhidos os
fructos deste Reino, que nellas costumão carregar-se, e voltando dos dif
ferentes Portos do Brazil, com a mesma opportunidade, de trazerem fres
cos os fructos delles, depois de se haverem completado as colheitas, se
recolhão ao Téjo antes das tormentas do Inverno, que ameação perigos
sobre as Costas, e avarías aos generos, quando são descarregados pelo
tempo das chuvas: Sou Servido ordenar, que a Frota do Rio parta para
aquelle Estado no primeiro dia do mez de Janeiro, e volte precisamente
delle até os principios de Junho de cada hum anno, que a Frota da Ba
hia parta semelhantemente no primeiro de Fevereiro, e volte daquelle
Estado até o fim de Junho: Que a Frota de Pernambuco parta em quin
ze de Novembro , e volte daquelle Estado até vinte de Maio, e que a
Frota do Pará, e Maranhão parta na mesma fórma de Lisboa no primei
ro de Março , e volte daquelles Estados até á primeira Lua do mez de
Agosto, sahindo, e voltando em todos os annos regularmente os Com
boios nos referidos tempos, sem que se detenhão a esperar quaesquer
Navios. Porém nos casos, em que nos referidos Pórtos do Brazil se fa
ção promptas as Frotas antes de serem findos os sobreditos termos, po
176 1753

derão livremente voltar logo que se acharem completamente expeditas,


e carregadas, e porque a experiencia tem mostrado, que a causa de se
não observarem as Ordens, que atégora se expedírão a este respeito,
consistio em se não reduzirem as Frotas dos primeiros annos aos termos
devidos, e em ficarem por isso desordenadas desde o principio dos esta
belecimentos, que se fizerão para a regular. Sou outro sim Servido orde
nar, que as Frotas, que se achão fóra se vão retendo, assim como fo
rem chegando , ainda que seja preciso fazerem aqui maior dilação , do
que a ordinaria, para depois sahirem nos tempos que deixo assim a regu
lados. O Conselho Ultramarino o tenha assim entendido, e faça pontual
mente executar pela parte que lhe toca, sem embargo de quaesquer Re
gimentos, Resoluções, Decretos, Ordens, ou estilos contrarios. Belém,
28 de Novembro de 1753. = Com a Rubríca de Sua Magestade.

Impresso avulso.

*k-Y …>, ºk-}}

For Sua Magestade Servido por Resolução de 17 de Novembro deste


anno, em Consulta desta Junta , registada a fol. 185 vers. do liv. 29,
não deferir ao requerimento do supplicante: e que a Junta fique enten
dendo, que aonde as Tenças forão assentadas, assim tem efeito as mer
cês, por que são concedidas, ainda que não cheguem a ter cabimento
os Tencionarios. Na Contadoria geral de Guerra se veja e registe esta
Resolução de Sua Magestade , e em seu cumprimento se aponte o que
se oferecer. Lisboa 10 de Dezembro de 1753. = Com tres Rubrícas.

Regist. no Livro XXX das Ordens da Contadoria Ge


ral a fol. 272, e impr. na Collecção da Universida
de por J. I. F.

# #«On% +

EU ELREI Faço saber aos que este Meu Alvará de Regimento virem,
que sendo-Me presente a desigualdade, com que os Vedores, Conselhei
ros, Procuradores e Oficiaes de Minha Fazenda são remunerados pelo
trabalho de seus empregos, em razão das propinas, ordinarias e ajudas
de custo , que se tem introduzido, e prevalecido mais em humas esta
ções, que em outras, succedendo interessarem mais alguns dos que tra
balhão menos; contra a razão da justiça natural : E desejando, que se
jão todos correspondidos igualmente á proporção do serviço, que Me fa
zem, e da graduação de seus empregos, com ordenados competentes pa
ra sua honesta e congrua sustentação: Hei por bem extinguir no Conse
lho da Fazenda, e em todas as Casas, Juizos e Mezas da sua repartição,
todas as propinas, ajudas de custo e ordinarias, assim de dinheiro, co
mo de generos, ou especies, que se pagão pelos Thesoureiros, Almoxa
rifes, Oficiaes e Contratadores de Minhas rendas, seja qual for o titu
lo, por que se concedêrão , e por que até ao presente se cobrárão : E
para este fim, de Meu motu proprio, Poder Real e absoluto, revogo e
1753 177

annullo todas as Leis, Alvarás, Provisões, Decretos e Resoluções Mi


nhas, e dos Reis Meus Predecessores, pelas quaes forão concedidas, co
mo se de cada huma fizesse expressa menção ; e mando, que no regis
to de todas se ponhão Verbas de como forão derogadas por este Alvará,
e aos mesmos Vedores, Conselheiros, Procurador e Oficiaes do Conse
lho de Minha Fazenda, e de todas as Casas, Juizos e Mesas, suas su
balternas: Sou Servido constituir os ordenados seguintes, que hão de le
var do 1 de Janeiro de 1754 em diante.

C A P I T U L O I.

Cada hum dos tres Vedores da Fazenda haverá de seu ordenado


quatro contos de réis: e cada hum dos Conselheiros dous contos de réis:
e o Procurador da Fazenda por esta repartição dous contos e quatrocen
tos mil réis: o Juiz das Justificações do Reino hum conto e quatrocentos
mil réis , e de assignatura das sentenças , que julgar justificadas, tre
zentos réis, sem que leve cousa alguma das interlocutorias : e dos pre
catorios, mandados, inquiridorias, e mais papeis do seu oficio, levará
a mesma assignatura, ultimamente concedida ao Chanceller da Casa da
Supplicação (1), regulando a assignatura das certidões de reconhecimen
to, pela que deve levar dos precatorios. Cada hum dos quatro Escrivães
da Fazenda numerarios, haverá de seu ordenado hum conto e seiscentos
mil réis: e cada hum dos Escrivães supernumerarios, seiscentos e qua
renta mil réis. O Provedor do Assentamento haverá de seu ordenado tre
zentos e cincoenta mil réis: e o Capellão do Conselho haverá pela esmo
la das Missas, que nelle celebrar, quatrocentos mil réis. Cada hum dos
quatro Oficiaes maiores das Repartições haverá de seu ordenado setecem
tos mil réis , com declaração , que o Oficial maior da Repartição dos
Contos e Africa não levará emolumento algum pelo ajustamento dos sol
dos da gente de Tangere, nem pelos Decretos das Viuvas da mesma Pra
ça: e com mais declaração, que o Official maior da Repartição das llhas
e Ordens servirá juntamente de Official do Assentamento da mesma Re
partição , sem que leve outro algum ordenado. Cada hum dos Officiaes
do Assentamento das Repartições do Reino, India e Contos, haverá de
seu ordenado quinhentos mil réis: e cada hum dos Oficiaes papelistas,
e do Registo das mesmas Repartições, quatrocentos e cincoenta mil réis;
e o segundo Oficial da Repartição das Ilhas e Ordens haverá de seu or
denado quatrocentos mil réis ; e o Oficial do Registo desta mesma Re
partição duzentos mil réis. O Porteiro e Guarda-livros da Repartição do
Reino haverá de seu ordenado por ambos os oficios setecentos e sessenta
mil réis : e o Porteiro da Casa do Assentamento quinhentos e sessenta
mil réis: e o Porteiro e Guarda-livros da Repartição dos Armazens sete
centos e sessenta mil réis. Cada hum dos dous Solicitadores da Fazenda
da Repartição do Reino e India haverá de seu ordenado quatrocentos e
vinte mil réis, e hum por cento do dinheiro, que fizer metter no cofre.
O Corretor da Fazenda haverá de seu ordenado cento e quarenta mil réis,
e o meio por cento, que lhe toca do preço dos contratos, á custá dos Ar
rematantes. O Solicitador dos feitos da Corôa haverá de seu ordenado
cento sessenta e seis mil réis; e hum por cento do dinheiro , que fizer
arrecadar. O Meirinho do Conselho haverá de seu ordenado quatrocentos
mil réis; e oitenta mil réis para quatro homens da Vara: e o Escrivão do
(1) Vid. o Alvará de 7 de Janeiro de 1750. * *
Z
178 1753

dito Meirinho haverá outros quatrocentos mil réis de ordenado. Cada hum
dos Moços do Conselho de qualquer das Repartições haverá de seu orde
nado duzentos e cincoenta mil réis; e servirão todos distribuidamente na
Junta da reformação. O Moço, que ajuda o Guarda-livros, por este ex
ercicio, e pela despeza, que faz no aceio da Capella do Conselho, ha
verá cento e vinte mil réis.
I Por justas causas, que me forão presentes : Sou Servido extinguir
os oficios de Thesoureiro mór do Reino, Executor mór do Reino, The
soureiro das Ordinarias e Obras da Conceição, Thesoureiro do meio por
cento dos contractos , e todos os Escrivães , Fieis e Officiaes das ditas
Thesourarias e Executoria: E mando , que o Thesoureiro das despezas
do Conselho da Fazenda arrecade todas as receitas, pertencentes ás di
tas Thesourarias, do 1.° de Janeiro de 1754 em diante; carregando-se-lhes
em titulos separados, para por ellas satisfazer as despezas das folhas cor
respondentes ás mesmas Thesourarias; as quaes do dito dia em diante
se passarão direitamente para o mesmo Thesoureiro na sua mesma folha,
com titulos tambem separados. E do mesmo modo fará todas as execu
ções, que houvera de fazer o Thesoureiro mór do Reino, servindo-se pa
ra a receita e processos do seu mesmo Escrivão; ao qual ficão accumula
das todas as outras Escrivaninhas das Thesourarias e Executoria: e pa
ra as diligencias se servirá do Meirinho do Conselho, e do seu Escrivão.
E attendendo ao maior trabalho , que accresce ao dito Thesoureiro das
despezas do Conselho, haverá este de seu ordenado novecentos mil réis:
e o seu Escrivão pela mesma causa haverá de ordenado seiscentos mil
réis: e o seu Fiel duzentos mil réis.
2 Por ser informado, que o Medico e Cirurgião do partido do Conse
lho não curão, como devem, aos Vedores, Ministros e Officiaes delle:
Hei por bem extinguir estes partidos, e ordeno , que quando estiver
doente, sangrado, ou com outro remedio maior , qualquer dos Vedores
da Fazenda , ou qualquer dos Secretarios de Estado desta Repartição,
lhe possa o Conselho mandar dar de ajuda de custo sessenta mil réis : e
aos Conselheiros, Procurador e Escrivães da Fazenda, cincoenta mil réis:
e aos outros Oficiaes do mesmo Conselho e Casas subalternas, da dita
quantia para baixo, o que parecer justo, regulado pelas graduações de
seus officios, não baixando nunca de dez mil réis.
3 Não levarão do dito dia em diante mais cousa alguma pela Repar
tição do Conselho da Fazenda , o Presidente do Conselho Ultramarino;
os Secretarios de Estado dos Negocios do Reino e Ultramar, o Secreta
rio do Conselho Ultramarino ; os Oficiaes maiores, ordinarios e Portei
ros das Secretarias de Estado ; o Contador da Fazenda ; e os dous Mo
ços, que passárão do Conselho da Fazenda a servir no Conselho Ultrama
rino; porque todos vão provídos por outro Alvará dos ordenados, que de
vem haver, em razão dos seus empregos e oficios,
4 Todos os ordenados , acima constituidos , se repartirão em doze
partes iguaes, e dellas se assentarão tres na Alfandega grande desta Ci
dade, duas na Casa da Moeda, duas nos Almoxarifados da Contadoria
da Fazenda, em que melhor couberem; duas na Thesouraria das despe
zas do Conselho: duas na Thesouraria dos Armazens de Guiné e India;
meia parte na Thesouraria da Casa da India ; e a ultima meia parte na
Chancellaria mór da Corte e Reino.
5 A Mesa da Criação dos Enjeitados, pelo rendimento, que lhe ces
sa na Repartição do Conselho, haverá em cada hum anno pelo Thesou
reiro das despezas do mesmo Conselho, setecentos e trinta mil réis.
1753 179

6 Cada hum dos dous Juizes dos feitos da Fazenda e Corôa, além do
ordenado, assignatura e esportulas, que levão na Casa da Supplicação,
haverá mais de ordenado pelo Thesoureiro das despezas do Conselho, tre
zentos e vinte mil réis; e cada hum dos dous Escrivães dos feitos da Fa
zenda haverá do mesmo modo dez mil réis.
7. O Juiz da Chancellaria, além do que leva na Casa da Supplicação,
na fórma da dita Lei, haverá mais de seu ordenado pelo Thesoureiro das
despezas do Conselho, cento e trinta mil réis : o Executor das Dizimas
quarenta mil réis: o Escrivão das causas do Juizo cincoenta e dous mil
réis : e o Thesoureiro e Oficiaes desta Chancellaria vão provídos no ti
tulo della.
a . O Escrivão das Justificações do Reino haverá de seu ordenado, pe
lo Thesoureiro das despezas do Conselho, cento e sessenta mil réis : e
o Informador
outros dez mil de Mazagão
réis. dez mil réis : e o Porteiro das arrematações

9 O Contador do Mestrado da Ordem de Christo, além do que leva


por outra Repartição, vencerá mais de seu ordenado, pago pelo Thesou
reiro das despezas do Conselho, duzentos mil réis.
10 E para que o Thesoureiro das despezas do Conselho tenha com
que pagar as maiores despezas, que por este Regimento lhe accrescem :
mando, que de todos os contratos, que se arrematarem, ou já estiverem
arrematados no mesmo Conselho, cobre tres por cento cada hum anno do
preço principal, porque forem contratados; os quaes se descontarão aos
Contratadores nas Thesourarias, ou Almoxarifados, em que deverem pa
gar logo no primeiro quartel, pelos conhecimentos em fórma , que hão
de levar da receita do dito Thesoureiro; o qual principiará esta cobran
ça do 1.° de Janeiro de 1754 em diante.
C A P I T U L o II.
Alfandega grande desta Cidade.
Por quanto ao Provedor e Feitor mór, e mais Oficiaes da Alfan
dega grande desta Cidade, assim da Mesa grande, como das mais Me
sas, descargas, portas e guardas, por onde corre a arrecadação de meus
Direitos, não foi dado Regimento algum, para levarem emolumentos de
partes, e sómente se lhe consignárão ordenados competentes para suas
congruas e sustentações, excepto alguns próes e precalços, especialmen
te concedidos por Cartas, Alvarás e Decretos, e outros emolumentos,
que ao diante serão declarados; e excepto tambem aquelles Oficiaes,
que se empregão nas causas e diligencias entre partes, que dellas levão
emolumentos pelos Regimentos geraes: Hei por bem, que na mesma fór
ma continuem por favorecer o Commercio na despeza ; e na expedição
do despacho, reprovo e annullo todos e quaesquer emolumentos, que le
vavão até ao presente, para supprirem o que lhe faltava nos ordenados:
e mando , que mais não levem das partes, nem á custa de minha Fa
zenda, outro algum ordenado, propina, ajuda de custo, ordinaria, ou
emolumento algum mais, que os que ao diante lhe vão constituidos; com
que ficão competentemente satisfeitos, segundo a graduação e trabalho
de seus oficios.
1 De todas as receitas indistinctamente, assim de Direitos, como de
imposições, donativos, comboios, tomadias, e obras, que actualmente se
lanção, e arrecadão, e ao diante se lançarem e arrecadarem pela Meza
Z 2
I80 • 1753 |

grande da Alfandega, reservará o Thesoureiro geral della seis por cento,


com preferencia a toda e qualquer consignação, folha, ou Decreto, pa
ra com elles pagar os ordenados ao Provedor e Feitor Mór, e mais Ofi
ciaes da mesma Alfandega.
2 No fim de cada quartel irá o Thesoureiro á Meza grande, e ahi em
presença do Provedor e Feitor Mór, com o Contador da conferencia, e
dous Escrivães da mesma Meza , farão conta da importancia dos ditos
seis por cento, tirados de todas as receitas nos tres mezes do quartel,
que estiver findo, e repartirão a sua importancia em cento e oitenta e
tres partes, das quaes entregará o dito Thesoureiro a cada hum dos di
tos Oficiaes, ao diante declarados, as partes, que lhe constituo para
seus ordenados e sustentação, pela divisão seguinte, que confere com o
que de antes levavão, e de novo se lhes accrescenta.
3 Ao Provedor e Feitor Mór por todos os quatro Oficios da sua Car
ta, em que se inclue os do Provedor e Feitor Mór das Alfandegas do
Reino , entregará seis partes e meia de seus ordenados. E mais haverá
o dito Provedor e Feitor Mór o precalço das taras de todas as fazendas,
que se despachão na Alfandega. na fórma, que pela sua Carta, e por
sentenças dadas em confirmação della lhe pertencem. E das causas cri
mes e civeis, de que póde conhecer entre partes, e dos feitos das toma
dias
Crimelevará a mesma
da Côrte (1). assignatura, que levão os Corregedores do Civel e

4 A cada hum dos oito Escrivães da Meza grande entregará seis par
tes, para seu ordenado e congrua. •

5 Receberá para si sete partes. Ao Guarda Mór entregará seis par


tes. Ao Contador da conferencia quatro partes: Porém será este obriga
do daqui em diante a servir de Fiscal na Meza das avaliações das fazen
das, segundo as suas qualidades, e os aforamentos, que tiverem na Pau
ta; e não os tendo, requererá, que se avaliem pelo estado presente na
fórma do Foral; e achando, que na avaliação vai prejudicada Minha Fa
zenda, recorrerá ao Conselho della, suspenso no entanto o despacho do
bilhete, sobre o qual se mover a dúvida. E tambem será obrigado de as
sistir ao despacho dos feitos das tomadias; e appellar logo por parte de
Minha Fazenda, indistinctamente de todas as que se absolverem, e não
couberem na alçada do Provedor e Feitor Mór, e mais Oficiaes, que a
julgarem.
6 Ao Procurador da Fazenda dos feitos da Alfandega entregará hu
ma parte e hum quarto de parte. Ao Escrivão das marcas entregará hu
ma parte e tres quartos de parte; o qual Escrivão levará mais os emolu
mentos das partes, na fórma da sua Carta e do Regimento, que lhe foi
dado por Decreto Meu. A cada hum dos seis Feitores da abertura en
tregará quatro partes. Ao Feitor da descarga entregará tres quartos de
parte ; o qual Feitor haverá mais a parte , que lhe está concedida por
Decreto Meu, no ganho da companhia dos homens da descarga, que el
le governa, chamados Colleitores. Ao Juiz da balança entregará quatro
partes. Ao Escrivão da mesma balança outras quatro partes. A cada hum
dos dous Porteiros da porta de cima e do pateo entregará outras quatro
partes. A cada hum dos tres Escrivães da descarga entregará tres par
tes. A cada hum dos dous Porteiros e Guardas dos Armazens da fazen
da de cima entregará huma e meia parte. A cada hum dos dous Conti
nuos dos bilhetes da abertura e balança entregará huma parte e meia.
(1) Vid, o Alvará de 7 de Janeiro de 1790.
1753 181

Ao Sellador entregará huma e meia parte: e haverá mais este Oficial os


emolumentos das partes, que actualmente leva, que são quatro réis por
cada selo maior, e tres réis por cada selo menor ; pagando elle á sua
custa a todos os homens, que trabalhão no sello, o sallario, em que se
ajustar com elles; e não podendo pertender mais cousa alguma de Mi
mha Fazenda, para lenha, carvão e chumbo, nem para outros alguns
instrumentos do sello, excepto os cunhos, que sómente serão feitos e
guardados á custa de Minha Fazenda, com as cautelas do Foral e ordens,
que ha, sobre esta materia; as quaes novamente recommendo ao Prove
dor e Feitor Mór, para que as faça executar. E não poderá sellar fazen
da alguma, senão nas proprias peças, com pena de perdimento do ofi
cio, excepto chapeos, meias e luvas, que serão selladas em fio, e ou
tras algumas cousas miudas, que o Provedor e Feitor Mór mandar sel
lar em fio, por lhe parecer, que se perderão, se forem selladas nos mes
mos corpos.
7 Ao Recebedor dos miudos entregará huma parte e tres quartos de
parte. E deste oficio não haverá nunca já mais proprietario ; porque se
requer para ele huma pessoa de grande actividade, expedição e prática
dos bilhetes e despachos da Alfandega; e de tanta confiança , que dê
conta com a entrega todas as semanas, ou todos os dias, se possivel for,
ao Thesoureiro geral, como faz o que actualmente serve. Será este offi
cio provído por Mim, e a pessoa, que for provída, servirá, em quanto
der a dita conta com a entrega ao Thesoureiro geral todas as semanas,
ou todos os dias, conforme este lha pedir, e no dia, em que faltar em
todo, ou em parte, será logo suspenso pelo Provedor e Feitor Mór, e
sequestrado em seus bens pela importancia da falta; e o Thesoureiro ge
ral nomeará pessoa, que por elle receba, em quanto se Me faz presen
te pelo Conselho da Fazenda, para prover, como for servido. E pela boa
informação , que se Me fez presente , do que actualmente serve : Hei
por bem, que continue na fórma referida.
8 Ao Meirinho da Alfandega, que serve no porto de Belém, entre
gará tres partes. Ao Escrivão da Alfandega, que serve no mesmo por
to, entregará duas partes. Ao medidor da Alfandega entregará tres par
tes : e não levará cousa alguma dos despachantes, como intrusamente
levava, em damno de Minha Fazenda, pois vai soccorrido com ordenado
competente para sua congrua. A cada hum dos treze Guardas do núme
ro entregará huma parte e meia. A cada hum dos quatro Guardas do nú
mero de Belém entregará duas partes. A cada hum dos seis Guardas dos
Armazens do pateo entregará huma parte. A cada hum dos seis Sacado
res entregará huma parte. •

9 Em cada huma das portas da Casa do despacho e do pateo, ha


hum olheiro, qua está de pé, fazendo suspender as partes, ou trabalha
dores, que sahem com a fazenda, até se conferir com os bilhetes do des
pacho, que estão nas portas, para se tomar por perdida a que não con
ferir com os mesmos bilhetes na fórma do Foral. Destes oficios não de
ve haver proprietarios em tempo algum : deve o Provedor e Feitor Mór
nomear para elles duas pessoas de provada confiança, que promptamen
te assistão ao abrir das portas, até que se fechem; aos quaes dará jura
mento de fidelidade : e tanto que tiver noticia que faltão a ella, ainda
que seja em parte minima, os lançará fóra, posto que estejão nomeados
por Mim , e nomeará outros das mesmas condições, e de pagarem os
damnos, que derem á Minha Fazenda, na fórma do Regimento della e
Lei do Reino. Conservará porém, o que actualmente serve aa porta do
|
182 +
1753

pateo, pela boa informação, que delle tenho, em quanto proceder na


fórma referida.
10 A cada hum dos ditos dous olheiros entregará o Thesoureiro hu
ma parte das repartidas.
11 Ha na Alfandega outros oficios e empregos, a que não pertence
a arrecadação dos Direitos; e estes devem ter ordenados certos á custa
de Minha Fazenda, além dos emolumentos, que devem levar das partes,
os quaes lhe constituo na seguinte fórma.
12 O Ouvidor da Alfandega haverá de seu ordenado quinhentos mil
réis, e as assignaturas, que lhe estão concedidas pelas Leis geraes; e
não haverá mais cousa alguma á custa de Minha Fazenda, nem por es
ta, nem por outra alguma repartição. \
13 O Thesoureiro da Alfandega, aposentado, levará sómente o que
que lhe pertencia ao tempo, que foi aposentado.
14. O Capellão da Alfandega haverá de seu ordenado trezentos e ses
senta mil réis. •

16 O Escrivão da Provedoria e tomadia haverá de seu ordenado, por


ambos os oficios, duzentos e cincoenta mil réis, e os emolumentos das
partes, que lhe pertencerem pelos Regimentos geraes.
16 O Guarda-Livros, Contador e Inquiridor haverá de seu ordenado,
por todos os tres oficios, quatrocentos e cincoenta mil réis, e os emolu
mentos das partes, que lhe pertencerem pelo Regimento geral.
17 O Meirinho geral da Alfandega haverá de seu ordenado duzentos
mil réis, e sessenta mil réis, que já tem, para quatro homens da Vara,
e os emolumentos das partes, que direitamente lhe pertencerem.
18 O Escrivão do dito Meirinho haverá de seu ordenado cento e cin
coenta mil réis, e os emolumentos das partes, que lhe tocarem.
19 O Official do Thesoureiro, que lhe regista os escritos, haverá de
seu ordenado cem mil réis: e ficará este oficio de minha data do 1.° de
Janeiro de 1754 por diante.
2o O outro Oficial do Thesoureiro, que lhe cobra os escritos, have
rá de seu ordenado, á custa de Minha Fazenda, cincoenta mil réis: e
será este oficio da nomeação do Thesoureiro.
21 O Official do Guarda-Livros, que fecha os mesmos livros, e tra
ta do aceio da Meza grande, haverá de seu ordenado, á custa de Mi
nha Fazenda, cem mil réis: e será de hoje em diante da minha data.
22 O Porteiro das arrematações da Alfandega haverá de seu ordena
do vinte e cinco mil réis, e os emolumentos das partes, que pelo Regi
mento lhe tocarem.
23 Por justas causas, que Me forão presentes: Sou Servido extinguir
o oficio de Feitor da Alfandega , que reside na Villa de Cascaes , por
ter mostrado a experiencia, que não tem exercicio algum para a arre
cadação de Minha Fazenda : E Mando , que o Provedor e Feitor Mór
commetta a vigia dos naufragios e descaminhos daquelle districto ás jus
tiças ordinarias; ás quaes applicará o terço das tomadias, que fizerem,
e o premio das fazendas naufragadas, que salvarem , trazendo humas e
outras fazendas para a Alfandega desta Cidade. E em quanto o Feitor
actual não for provído de outro oficio de Fazenda , ou Justiça de lote
igual, de que Hei por bem fazer-lhe promessa sem concurso, por com
pensação do oficio extincto, haverá cento e cincoenta e cinco mil réis
em cada hum anno, pagos pelo Thesoureiro da Alfandega , que tanto
he o rendimento, que lhe cessa do mesmo oficio.
1753 183

Executoria.

24 O Executor da Alfandega haverá de seu ordenado cento e oiten


ta mil réis, e cinco por cento de todo o dinheiro, que por execução da
sua receita fizer entregar ao Thesoureiro da mesma Alfandega; porém
será obrigado a executar todas as dividas, que se lhe carregarem em re
ceita dentro de hum anno; e dentro de outro tanto tempo fará concluir
as execuções, que actualmente correm, com pena de perder o dito sala
rio de cinco por cento, como tambem o Escrivão e Solicitador perderão
o salario, que abaixo lhe vai constituido; mas no dito anno se não com
putará o tempo, que os Autos correrem perante o Provedor e Feitor Mór
da Alfandega, ou perante os Juizes dos feitos da Fazenda por conheci
mento de causa de terceiros; aos quaes Juizes encarrego muito a brevi
dade do despacho dos ditos feitos das execuções com a mesma recom
mendação e comminação, feita no Alvará de 23 de Agosto de 1753, so
bre as execuções dos Contos do Reino e Casa.
25 Poderá o Executor proceder contra o seu Escrivão e Solicitador
por toda a negligencia, erro e culpa, até suspensão e prisão, fazendo
auto com o Escrivão da Provedoria da Alfandega, e dando com ele con
ta ao Provedor e Feitor Mór, para proceder contra elles, como for jus
tiça, e prover outros Officiaes, para que não páre o expediente das exe
cuções. E do mesmo modo dará conta ao Provedor e Feitor Mór todos os
mezes do estado das mesmas execuções na fórma do Foral; e lhe reque
rerá, que no fim de cada mez, em sua presença e delle Executor faça
examinar na Meza grande, por hum Escrivão della, e pelo Contador da
conferencia, as fianças, que estiverem vencidas e não pagas, fazendo
as logo passar para a sua receita, dando conta de toda a falta, que hou
ver a este respeito, no Conselho da Fazenda, para lhe dar a providencia
IlCCCSSal'la. |-

26 Examinará o dito Executor na sua receita todas as dividas, que


estiverem fallidas, dando parte por escrito ao Provedor e Feitor Mór; o
qual se informará das causas das fallencias, e dará conta ao Conselho da
Fazenda, para Me consultar as dividas, que se devem mandar riscar da
dita receita, e as que se devem mandar arrecadar pelos Oficiaes, que
forão negligentes na sua execução. E quando acontecer pelo tempo fu
turo, que algum devedor desta repartição, seus fiadores e abonadores,
não tenhão com que paguem em parte, ou em todo, se procederá logo
da mesma fórma, para que se não amontoem receitas inuteis, que mais
embaração o expediente desta Executoria.
27 Deste oficio de Executor não haverá proprietario em tempo al
gum, e servirá o que actualmente existe pelo tempo de sua vida, em
que está provído. #

28 Para que os feitos das execuções corrão com a brevidade precisa:


Hei por bem, que o Escrivão dellas, que juntamente o he da descarga
da Alfandega, não tenha a este respeito ordenado, ou propina alguma,
e sómente leve tres por cento de todo o dinheiro, que por execução se
entregar ao Thesoureiro da Alfandega, e as custas das partes, que pe
lo Regimento geral lhe forem contadas.
29 OSolicitador das execuções e tomadias, e das de mais causas, que por
bem de Minha Fazenda se tratão perante o Provedor e Feitor Mór da Al
fandega, pela obrigação, que tem de as solicitar em todas as instancias,
haverá quatro por cento de todo o dinheiro, que por execução fizer arre
I84 1753

cadar dos devedores da mesma Alfandega: e o mesmo salario haverá nas


tomadias e execuções do Paço da madeira, de que tambem he Solicita
dor pela mesma Carta, sem que em alguma destas repartições possa le
var mais algum ordenado, ou propina.
- Obras.

30 Por quanto Fui Servido extinguir a Thesouraria do rendimento


das obras da Alfandega, e commetter o recebimento ao Thesoureiro ge
ral da mesma Alfandega, este o receberá perpetuamente, sem que por
este trabalho leve ordenado, nem emolumento algum; porque já vai at
tendido a este respeito, no ordenado principal, constituido neste Regi
mento, em que entra a receita das obras. •

31 O Escrivão das obras será precisamente obrigado a vêr juntamen


te com o Fiel todos os materiaes que se gastão nas mesmas obras, por
suas quantidades e qualidades ; e juntamente todos os Oficiaes , que
entrão no ponto, para passar certidão no fim dos róes e das folhas, nas
quaes assigne tambem o Fiel, antes que se mandem pagar. E terá hum
livro numerado e rubricado pelo Provedor e Feito Mór, no qual lance todos
os materiaes, que os Mestres receberem para as obras, quando se com
prarem por conta da Casa, para que, averiguado o consumo dos mesmos
materiaes, se possa pedir conta do resto aos Mestres, que o receberem.
E não fará receita do rendimento das obras, porque esta pertence aos
Escrivães da Meza grande da Alfandega, e pelo livro della se ha de to
mar conta nos Contos. Haverá o dito Escrivão de seu ordenado, pago no
rendimento das mesmas obras, duzentos e quarenta mil réis. -

32 O Fiel, A pontador das mesmas obras, será obrigado a residir nel


las continuamente, para fazer ponto, e presenciar a entrega e consumo
dos mesmos materiaes, juntamente com o Escrivão, e passarem suas cer
tidões na fórma referida. E quando as obras se fizerem de jornal por con
ta da Casa, não metterá no ponto Oficial algum, que não estiver na
obra de manhã e tarde, ás horas costumadas, e achando, que algum dos
Oficiaes apontados se retira da obra, he negligente, ou imperito, dará
logo parte ao Provedor e Feitor Mór, para o mandar tirar do ponto, e
lançár fóra. Haverá o dito Apontador de seu ordenado quarenta mil réis,
e hum cruzado por dia, que residir nas obras, pelo tempo, que elas du
rarem por conta da Casa; porque sendo arrematadas será pago por con
ta de Empreiteiros deste soldo diario.
33 Cada hum dos Mestres Carpinteiro e Pedreiro haverá de seu or
denado quarenta mil réis, pagos pelo rendimento das obras, e hum cru
zado por dia, quando fizerem obras, cada hum de seu oficio, por conta
da Casa de jornal; porque se a fizerem por arrematação de mãos, ou jun
tamente de materiaes, assistirão e trabalharão por sua conta, sem leva
rem salario algum dos dias, por conta do rendimento das obras: Hei por
bem, que d'aqui em diante não haja mais Architecto proprio da Alfan
dega pela inutilidade, com que vence ordenados sem prestimo algum;
pois as obras commuas desta repartição consistem nos reparos quotidia
nos das ruinas da ponte, paredes e telhados da mesma Alfandega. E
quando se houver de fazer alguma obra nova, ou na conformidade do De
creto de 8 de Março de 1751, ou por outra alguma fórma, que Eu for
Servido ordenar, nomeará o Conselho da Fazenda o Architecto, que for
mais perito para a delinear, riscar e medir, pagando-se-lhe por huma
só vez o que parecer justo.
I753. 185

34 O oficio de Escrivão das obras será sempre da Minha data. E os


oficios de Fiel e Mestres Carpinteiro e Pedreiro serão da data do Védor
da repartição. - • |

35 Os reparos da ponte, parede e casas da mesma Alfandega, se fa


rão de jornal, como até o presente se costuma, comprando-se os mate
riaes por conta da Casa, # tudo por mandados do Provedor e
Feitor Mór. As obras de alguma accommodação nova e precisa, que cou
berem no rendimento annual, se farão por ordem do Védor da Fazenda
da repartição, com parecer do dito Provedor e Feitor Mór, e as que não
couberem no rendimento, annual, se Me farão presentes em conta do
Conselho, para Eu resolver, como devem ser feitas e pagas.
Companhias do trabalho da Alfandega.
36 . Ao Provedor e Feitor Mór pertence nomear os homens, que hão
de trabalhar nas Companhias da Casa, assim da arrumação, como da a
bertura, Colleitores, sola, ferro e caixas, ou outros generos do pateo e
ponte, e taxar-lhes os salarios, ou jornaes, que devem haver das partes;
a qual taxa fará no mez de Dezembro de cada hum anno, ouvindo pri
meiro os Consules das Nações Estrangeiras, e o Procurador dos homens de
negocio desta Cidade : e sentindo-se agravados da taxa os mercadores,
ou os homens de trabalho, poderão appellar e aggravar para o Conselho da
Fazenda; e em quanto a appellação, ou aggravo se não decidir, se pa
garão os mesmos salarios, que antes da taxa se pagavão. •

37. Se algum dos trabalhadores nomeados não proceder, como deve,


assim a respeito de Minha Fazenda, como das partes, o poderá lançar
fóra livremente o dito. Provedor e Feitor Mór, e nomear outro em seu
lugar, sem appellação, nem aggravo.
38 Ao Sellador da Alfandega pertence nomear os homens, que tra
balhão no sello, porque lhe paga á sua propria custa: porém se algum
delles proceder mal, poderá o Provedor e Feitor Mór lançallo fóra, e
obrigar ao Sellador, que nomêe outro de bom procedimento. E pelo que
toca á Companhia dos Colleitores, será sempre ouvido o Feitor da des
carga, sobre se acceitar, ou lançar fóra qualquer dos homens, que nel
la trabalhão, como sempre se costumou. -

39 Se alguma das ditas Companhias tiverem Regimento de salarios,


dado por Decreto Meu, ou dos Reis Meus Predecessores, se lhe guar
dará inteiramente, sem outra alguma taxa. -

4o Quando acontecer, que na taxa geral não esteja comprehendido


algum carreto, ou jornal, pela diversidade dos volumes, do tempo, ou
do lugar, será pago pela convenção das partes, e discordando estas, se pa
gará pelo arbitrio do Provedor e Feitor Mór.
41. Quando pela occurrencia do despacho em tempo de Frotas não
bastarem os trabalhadores das Companhias para a boa expedição das par
tes, o Provedor e Feitor Mór nomeará todos os trabalhadores, que lhe
parecerem necessarios, que venhão de fóra servir em cada huma das Com
panhias, taxando-lhes o jornal, que for justo, e obrigando aos Capata
zes, que lho paguem do monte maior. …
42 No tempo das Frotas do Brazil se fórma huma Companhia de Pre
tos, para descarregarem na Ponte as caixas de assucar, aos quaes o Pro
vedor e Feitor Mór, arbitrará salario competente, e encarregará a hum
dos Guardas do pateo, que lho arrecadem das partes, e lhe faça conta e
-Pagamento todos os Sabbados, para que não #…"
à
do serviço, levam
1861 1753

do pelo seu trabalhbhum quinhão, como levão os outros Capatazes: e


este Guarda será obrigado a fazer ajuntar os Pretos, todas as vezes que
forem necessarios para a dita descarga; e achando que alguns são negliº
gentes, ou mal procedidos, dará parte ao Provedor e Feitor Mór, para
os mandar lançar fóra, e admittir outros de bom procedimento. . , , 1
43 Os Capatazes das Companhias da Alfandega não haverão cousa
alguma á custa de Minha Fazenda, nem das partes, e sómente levarão
hum quinhão igual no ganho da Companhia com os trabalhadores della."
* * * . * . . . . ….….…… …
Empregos e procedimentos extraordinarios da Alfandega. º
\ * . * . * . " .. * • • • #

44. Na Alfandega se arrecada o Consulado da entrada e outras con


tribuições, além dos Direitos grandes, com Oficiaes providos por outras
repartições, ou nomeados pelos Contratadores e Administradores das rem
das; os quaes perturbão muitas vezes o expediente do despacho, por não
entrarem e sahirem nas horas, que determina o Foral, persuadindo-se,
que não estão sujeitos ao Provedor e Feitor Mór, nem ao ponto ordena
do, para os mais Oficiaes da Alfandega: Hei por bem Declarar, que
todos os Officiaes, que servem da porta da Alfandega para dentro, ain
da que sejão providos por outras repartições, estão sujeitos ao ponto del
la, e ao governo e jurisdicção do Provedor e Feitor Mór, que póde pro
ceder contra elles por culpas e erros, como procede contra os outros Of
ficiaes da mesma Alfandega. " , {$ , , , , !

45 Pelo grande concurso, que ha na Alfandega no tempo presente,


acontece introduzir-se nella muita gente vadía, sem outro fim mais, que
o de furtarem as fazendas, que puderem, com grande prejuizo dos mer
cadores; e pela mesma causa se levão da dita Alfandega muitas fazem
das sem pagarem os Direitos, que Me, são devidos, e para se evitar es
te damno: Sou Servido Ordenar, que os Guardas e Porteiros dos Arma
zens, assim de cima, como do pateo, os tenhão sempre fechados, e as
sistão continuamente ásportas dos mesmos Armazens, não deixando entrar
nelles mais, que os proprios donos das fazendas ou seus caixeiros despa
chantes, notoriamente conhecidos. E quando outras algumas pessoas es
tranhas, disserem, que tem fazendas dentro para despachar, os mesmos
Guardas com os homens das suas Companhias buscarão os volumes pelas
marcas e numeros dos conhecimentos, e as mandarão para a Meza da
Abertura, sem que as taes pessoas estranhas entrem dentro dos mesmos
Armazens. E os Guardas, que o contrario fizerem, serão suspensos de
seus oficios pela primeira vez, e pela segunda os perderão; havendo mais
em ambos os casos as penas estabelecidas na Lei do Reino, pelo damno,
que derem á Minha Fazenda. … …" …! :| - | * . . . .
46 E para que o despacho das fazendas e arrecadação dos Meus Di
reitos se pratiquem com toda a igualdade, e com o maior socego, que
for possivel, o Provedor e Feitor Mór limitará o número das pessoas,
que cada dia hão de entrar na Casa do despacho, na fórma do Capitulo
XXIX, do Foral: e o Guarda de mez e os Oficiaes da porta de cima não
deixarão entrar outras algumas pessoas, compena de suspensão de seus
oficios pela primeira vez, e de perdimento pela segunda. E do mesmo
modo nomeará e limitará as pessoas, que hão de entrar nos Armazens do
pateo a buscar caixas, e outras encommendas, que nelle se recolhem;
e os Guardas debaixo da referida penal não deixarão entrar outras pes
soas. E não consentirá, que se abrão mais fazendas algumas, que aquel
das, que no mesmo dia se poderem recolher na Casa do sello, para se sel
* *
1753 187

larem no dia seguinte, de modo, que não fique na Casa do despacho fa


zenda alguma aberta de hum dia para outro: entendido assim o Capitu
lo XXXIII, do Foral, com esta ampliação pelo augmento, que hoje tem
o Commercio. •

47 Das pessoas, a quem se prohibe a entrada na Alfandega, se ex


ceptua a gente do mar, que terá a entrada livre a qualquer hora, e se
rá preferida a todos os despachantes para despacharem por entrada e sa
hida seus Navios e embarcações. E tambem se exceptuão todos os liti
gantes sobre tomadias e outras causas ; os quaes sempre terão adito li
vre para requererem sua justiça perante o Provedor e Feitor Mór.
48 Para o Guarda Mór da Alfandega, e para as mais diligencias do
serviço do mar, ha hum escaler com hum Patrão e oito Remeiros , os
quaes devem ser provídos, sem limitação de tempo, pelo Provedor e Fei
tor Mór; porque em qualquer tempo, que achar que não tem fidelidade,
ou prestimo para bem servirem, por informação do Guarda Mór, os man
dará despedir, e proverá outros, que bem sirvão. Vencerá o Patrão du
zentos e quarenta réis por dia , e cento e cincoenta réis cada hum dos
Remeiros, e não poderão pertender mais cousa alguma de Minha Fazen
da, nem das partes, tomando todos juramento de fidelidade , e obser
vancia deste Regimento: e o Provedor e Feitor Mór lhe mandará pagar ,
todos os mezes pelo rendimento dos miudos, constando-lhe primeiro por
certidão do Guarda Mór, de como servírão sem falta, nem culpa: e pe
lo mesmo rendimento poderá concertar o dito escaler, todas as vezes que
for preciso, e fazer outro de novo , quando o antecedente já não tiver
prestimo; e nas occasiões de Frotas lhe poderá accrescentar dous Remei
ros de fóra, para melhor expediente do Commercio; como tambem, quan
do forem necessarios para dar corso ás embarcações dos descaminhos, pa
gando-se aos Remeiros os dias, que servirem, pelo mesmo rendimento
dos miudos. E este mesmo procedimento fará o Provedor e Feitor Mór
com a falúa, que serve no porto de Belém ; a qual terá commummente
hum Patrão e seis Remeiros : e nas occasiões de Frotas , ou em outro
qualquer concurso de embarcações se metterão mais dous de fóra, achan
do o Provedor
partes. " e Feitor Mór, que convém a Meu serviço , e bem das

Guardas de Bórdo. *

49 Aos quarenta Guardas de bórdo Fui Servido assignar salarios, que


hão de levar á custa das partes , em consulta do Conselho da Fazenda:
Mando, que a dita resolução se observe inviolavelmente, em quanto Eu
não Mandar o contrario; e que os ditos Guardas não levem outro algum
emolumento das partes, nem pertendão haver ordenado , propina, ou
ajuda de custo por conta de Minha Fazenda, conforme a criação de seus
oficios.

Festa de Nossa Senhora.

5o Pelo antigo milagre, com que a Virgem MARIA Nossa Senhora,


com o Titulo da Atalaia, colocada na sua Ermida do Termo de Aldea
Gallega de Riba-Téjo, livrou esta Côrte de peste, pelas preces, que os
Oficiaes da Alfandega lhe oferecêrão em devota Procissão, se erigio hu
ma Confraria da mesma Senhora, em que servião os mesmos Oficiaes
alternadamente , celebrando-lhe cada hum
• Aa 2anno duas festas, huma na

/
188 1753

mesma Ermida com Sermão e Missa solemme e hum caritativo jantar aos
pobres na Dominga da Santissima Trindade , e outra em dia da Expe
ctação na Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Freires desta Cida
de , com Vesperas solemnes, e com o Santissimo Sacramento exposto;
para cujas despezas concorrêrão sempre os Reis, Meus Predecessores,
com esmolas competentes. E porque o trato do tempo extinguio a dita
Confraria, e se continuárão as festas á custa de Minha Fazenda, reco
nhecendo os Reis, Meus Predecessores, a mesma Senhora, como Pro
tectora Soberana das Alfandegas deste Reino: Hei por bem, que as di
tas festas se continuem perpetuamente, por ordem do Provedor e Feitor
Mór das mesmas Alfandegas; o qual deputará cada hum anno quatro Of
ficiaes da Alfandega grande, que as ordenem e disponhão nos tempos
destinados: e obrigará todos os Oficiaes da mesma Alfandega e das Ca
sas subalternas, que acompanhem a Procissão pública , que se faz na
Vespera da Santissima Trindade com a Imagem da mesma Senhora, sem
que por este trabalho e assistencia levem propina alguma á custa de Mi
nha Fazenda; e sómente lhe poderá mandar distribuir Rosarios bentos,
para o exercicio da sua devoção. No Sermão, Missa solemne, armação
da Igreja e jantar dos pobres, que se faz na Ermida da mesma Senho
ra, poderá o dito Provedor e Feitor Mór mandar dispender pelo Thesou
reiro da mesma Alfandega trezentos e cincoenta mil réis ; e quatrocen
tos mil réis na festa do dia da Expectação, que cada anno se celebra na
Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Freires desta Cidade. E ha
vendo de se renovar a Confraria extincta, se poderá dispender nas ditas
festas, ou em obras de caridade todas as importancias das esmolas, com
que concorrerem os Fieis.
C A P I T U L O III.

Casa dos Cincos.

O Almoxarife da Casa dos Cincos não levará emolumento algum


das partes, e haverá de seu ordenado trezentos mil réis, sendo elle, e
os mais Oficiaes da dita Casa obrigados a residir nella todos os dias de
manhã e tarde, que não forem Domingos, ou outros, mandados guardar
pela Igreja, com sujeição ao ponto de todos os outros Oficiaes da Alfan
dega, pelo qual procederá contra elles o Provedor e Feitor Mór.
1 O Escrivão da Meza haverá de seu ordenado cento e cincoenta mil
réis, e de emolumentos das partes levará tres réis por cada peça, que
levar sello, e cinco réis por cada costal, que o não levar ; e por cada
despacho de liberdade, que houver de pagar de Direitos mil réis, leva
rá hum vintem, e dahi para cima dous vintens, e nada mais; e das cer
tidões,
levará o que passar,
mesmo, que elevarem
de outros quaesquer pelo
os Tabelliães autosRegimento
judiciaes, geral.
que fizer,

2 O Feitor da Abertura, que tambem serve de Medidor e Escrivão


das Marcas, haverá de seu ordenado, por todos os tres oficios, cem mil
réis, e de emolumentos das partes levará dez réis por cada marca, e ou
tro tanto por cada peça, que não tiver raviagem, e cinco réis por cada
bilhete, e nada mais.
3 - O Porteiro e Guarda da Casa haverá de seu ordenado, por ambos
os oficios, cem mil réis, e de emolumentos das partes levará hum vin
tem por cada despacho, que pagar de Direitos até mil réis, e dahi para
cima dous vintens, e nada mais.
I753 189

4. O Sacador haverá de seu ordenado oitenta mil réis, e das citações


e diligencias judiciaes , que fizer levará o mesmo, que levarem os Ofi
ciaes de justiça pelo Regimento geral; e de caminhos por dia levará
seiscentos réis, mas não vencerá caminho algum dentro da Alfandega.
5 O Sellador haverá de seu ordenado sessenta mil réis , e de emolu
mentos das partes levará quatro réis por cada sello das fazendas, que
pagarem Direitos,
dos, e nada mais. e cinco réis por cada sello das fazendas de privilegia

6 O Capataz da Companhia dos homens do trabalho desta Casa (1)


não levará cousa alguma á custa de Minha Fazenda , nem das partes,
mais que sómente o quinhão, que lhe toca no ganho dos trabalhadores;
cujos salarios ficão sujeitos á taxa , que cada hum anno ha de fazer o
Provedor e Feitor Mór.
7 Em quanto os Direitos desta Casa andarem arrendados, serão to
dos os ordenados dos Oficiaes della pagos á custa dos Contratadores,
obrigando-se estes nos termos das arrematações; e em quanto de novo
se não arrendarem , serão pagos pelo Almoxarife á custa de Minha Fa
zenda. Porém todas aquellas propinas, ou ordinarias, que o Contratador
actualmente he obrigado pagar aos ditos Oficiaes, as pagará ao Almo
xarife , a quem se carregarão em receita , igualmente com o preço do
contrato.

C A P I T U L O IV.

Pórtos Seccos.

O Thesoureiro geral dos Pórtos Seccos, que juntamente he Exe


cutor da sua receita, haverá de seu ordenado seiscentos mil réis, e hum
por cento de todo o dinheiro, que arrecadar por execução; e não have
rá mais cousa alguma de Minha Fazenda, nem das partes, e pagará á
sua custa os pórtes das cartas dos Correios.
I O Escrivão da Meza haverá de seu ordenado duzentos e cincoenta
mil réis, e os emolumentos das partes, que pelo Regimento, Decretos
e Resoluções Minhas lhe estiverem concedidos.
2 O Feitor e Recebedor haverá de seu ordenado trezentos mil réis,
e os emolumentos das partes, que se lhe concedêrão por Resolução Mi
nha.
3 Cada hum dos dous Guardas de Casa haverá de seu ordenado cin
coenta mil réis.
4 Em quanto o rendimento dos Pórtos Seccos andar arrendado, pa
garão os Contratadores á sua custa todos os referidos ordenados aos Ofi
ciaes da Casa, obrigando-se nos termos das arrematações; e em quanto
de novo se não arrendarem, serão pagos pelo Thesoureiro geral á custa
de Minha Fazenda. Porém o mesmo Thesoureiro arrecadará dos Contra
tadores todas as propinas, ordinarias, ou ajudas de custo, que actual
mente são obrigados a pagar aos ditos Oficiaes, e fará carregar tudo em
sua receita a bem de Minha Fazenda.

(1) V. supra Cap. II. §.36.


190 1753

C A P I T U L o v.
Meza do Sal.

O Guarda Mór da Meza do Sal haverá de seu ordenado trezentos


mil réis, e os emolumentos das partes, que pelo Regimento, ou por Mi
nhas Resoluções lhe estiverem, ou forem concedidos. |-

1. O Thesoureiro, que juntamente he Executor da sua receita , ha


verá de seu ordenado, por ambos os oficios, quinhentos mil réis; e hum
por cento de todo o dinheiro, que fizer arrecadar por execução.
2 O Escrivão da receita, que tambem serve de Escrivão da Execu
toria, haverá de seu ordenado, por ambos os oficios, quatrocentos mil
réis; e os emolumentos das partes, que pelo Regimento, Decretos, e
Resoluções Minhas lhe estiverem concedidos.
3 Cada hum dos Guardas menores haverá de seu ordenado cento e
trinta mil réis; e os emolumentos das partes, que pelo Regimento lhes
tocão.

C A P I T U L O VI.

Paço da Madeira.

O Almoxarife do Paço da Madeira, que juntamente he Juiz dos


Direitos Reaes, e das tomadias da sua repartição na primeira instancia
não levará emolumento algum das partes, nem dos Contratadores; e ha
verá de seu ordenado por todos estes oficios setecentos e vinte mil réis,
e dous por cento de todo o dinheiro , que fizer arrecadar por execução,
assim das dividas dos Direitos, como das tomadias.
1 Cada hum dos dous Escrivães da receita e execuções do Paço da
Madeira haverá de seu ordenado trezentos e oitenta mil réis ; e levarão
das partes os emolumentos seguintes, que se repartirão por ambos. Por
entrada de Navio e certidão della duzentos réis : por entrada de Cara
vela, Hiate, ou outra embarcação semelhante, que vier pela Foz, cem
réis: por entrada de barco de Riba-Téjo vinte réis : por cada hum ter
mo de obrigação de Direitos, ou fiança a elles, duzentos réis: por cada
Verba de desobrigação, ou outra qualquer, causada pelas partes, qua
renta réis : por cada conhecimento da addição da folha , ou em fórma,
quarenta réis, sendo de hum só quartel, ou de menos tempo ; e sendo
dos quatro quarteis, levará a este respeito cento e sessenta réis: por ca
da Gavia de embarcação grande , duzentos réis, e de embarcação me
nor cem réis: por cada hum auto de vestoria, ou denunciação, reque
ridos pelas partes, duzentos réis, de caminho por dia em diligencia de
partes mil e duzentos réis: pelas certidões, que passarem de addições de
livros, levarão quarenta réis por cada huma addição, por ser este o cos
tume julgado na repartição da Alfandega. Dos processos de causas, exe
cuções, tomadias, buscas de livros e autos, levarão as custas, que lhe
forem contadas pelo Regimento geral. De todo o dinheiro, que se arre
cadar por execução, ou seja de Direitos, ou de tomadias, levará cada
hum dos ditos Escrivães hum por cento. Pelas receitas, declarações de
descargas, e contas dos Direitos não levarão cousa alguma das partes,
nem dos Contratadores; pois por todo o trabalho do despacho, e expe
# da arrecadação de Minha Fazenda he que levão ordenados á cus
ta della
I753 191

2 Cada hum dos tres Feitores, e hum Escrivão da descarga haverá


de seu ordenado duzentos mil réis; e á custa das partes, levarão os emo
lumentos seguintes , para se repartirem por todos quatro. Por cada ca
minho de descarga, estando a embarcação na postura, que se entende
da Casa da India até á Ribeira , levarão duzentos réis; e estando fóra
da postura, levarão em dobro : de cada navio, que trouxer até mil ta
boas, levarão quatro mil e oitocentos réis para todos quatro; e chegan
do a quatro mil, levarão seis mil e quatrocentos réis; e de quatro mil
para cima, levarão sete mil e duzentos réis, e nada mais: de cada mi
lheiro de aduéla, levarão duzentos réis, e cem réis de cada pipa de car
vão, e sessenta réis por cada milheiro de esparto. E o Escrivão da des
carga não levará cousa alguma por entrada das embarcações , que vie
rem pela Foz, ou de Riba-Téjo, porque lhe não toca, nem as embar
cações devem pagar na mesma Meza duas entradas. •

3 Cada hum dos dous Sacadores haverá de seu ordenado cento e vin
te mil réis (1); e os emolumentos das partes , pelas diligencias, que fi
zerem, assim como vão concedidos aos Sacadores da Alfandega.
4 O Solicitador das causas e tomadias do Paço da Madeira vai pro
vído no Regimento da Alfandega (2), donde tambem he Solicitador das
causas. E os Oficiaes do Consulado desta mesma Casa, irão provídos no
Regimento dos Armazens. -

5. Em quanto andar arrendado o rendimento do Paço da Madeira,


será o Contratador obrigado a pagar á sua custa todos os ordenados dos
Oficiaes da mesma Casa, obrigando-se no termo da arrematação: e em
quanto de novo se não arrendar, serão pagos pelo Almoxarife á custa de
Minha Fazenda; porém o mesmo Almoxarife cobrará do Contratador to
das as propinas, ordinarias e ajudas de custo, que actualmente he obri
gado a pagar aos mesmos Oficiaes, e as fará carregar em sua receita a
bem de Minha Fazenda.

C A P I T U L o VII.
contadoria da Fazenda desta Cidade de Lisboa.
O Contador da Fazenda desta Cidade , que tambem he Chancel
ler da Chancellaria dos Contos e Cidade , Juiz Executor da Dizima da
mesma Chancellaria, Presidente dos lançamentos das Sizas, e Juiz Con
servador dos Estanques das Cartas de jogar e Solimão, haverá de seu or
denado por todos estes oficios e empregos hum conto e duzentos mil réis,
repartidos pelos Almoxarifados da Contadoria na maneira seguinte. Du
zentos mil réis no Almoxarifado da imposição dos vinhos, cento e cin
coenta mil réis no Almoxarifado das Tres Casas, cento e cincoenta mil
réis no Almoxarifado da Fruta, trezentos mil réis no Almoxarifado da Si
za do Pescado, cento e cincoenta mil réis no Almoxarifado da Portagem,
cento e cincoenta mil réis no Almoxarifado da Casa das Carnes, e cem
mil réis na Dizima da Chancellaria. Mais haverá hum por milhar do pre
co principal, por que forem arrematados no Conselho da Fazenda os con
tratos da sua Contadoria e Repartição; mas não levará cousa alguma dos
arrendamentos dos ramos dos mesmos contratos, que os Rendeiros prin
cipaes perante elle fizerem. Mais haverá o rendimento das tres lojas, que
(1) V. supra Cap. II, § 8.
. (2) V. supra Cap. II. §. 29. |- * * ** • • .
192 1753 |

ficão por baixo das Sete Casas, e doze mil réis na imposição dos vinhos,
e vinte e quatro mil réis no Pescado, para com este rendimento mandar
fazer os reparos miudos annuaes das Casas da Contadoria e Almoxarifa
dos. Pelo trabalho de rubricar os livros da Contadoria e Almoxarifados
subalternos, haverá quarenta mil réis na imposição dos vinhos, dous mil
réis no Almoxarifado de Algés, outros dous mil réis no Almoxarifado de
Oeiras, e outros dous mil réis no Almoxarifado do Pescado fresco. Das
partes levará todas as assignaturas, que pelo Regimento, Decreto, ou
Resoluções Minhas lhe estiverem concedidas. E não haverá mais cousa
alguma, nem por esta, nem por outra repartição á custa de Minha Fa
zenda dos Contratadores, ou das partes: e será obrigado a pagar á sua
custa ao Ouvidor da Contadoria, que propriamente o serve e ajuda; e a
fazer os lançamentos das Sizas, sem levar emolumento algum dos que
até o presente levava; porque todo o trabalho lhe vai attendido no orde
uado, que lhe concedo.
1 Para Procurador da Fazenda desta repartição da Contadoria prove
rá o Conselho da Fazenda hum dos Corregedores do Crime da Cidade,
que mais apto lhe parecer; o qual servirá pelo tempo, que durar o seu
lugar, com cento e vinte mil réis de ordenado, pagos pela imposição dos
vinhos,
os mais,e que
tirará Provisão
dever cada hum anno, pagando os Direitos novos e
na Chancellaria. •

2 O Solicitador dos feitos da Fazenda desta repartição haverá de seu


ordenado sessenta mil réis, pagos no Almoxarifado da imposição dos vi
nhos, e dous por cento de todo o dinheiro, que por execução fizer arre
cadar em qualquer dos Almoxarifados, ou este proceda de direitos, ou
de tomadias. •

3 O Escrivão da Contadoria haverá de seu ordenado quatrocentos mil


réis, repartidos igualmente pelos seis Almoxarifados da imposição dos
vinhos, das Tres Casas, da Siza da Fruta, da Siza do Pescado, da Por
tagem, e da Siza das Carnes. Haverá mais hum por milhar do preço prin
cipal de todos os contratos das cabeças dos Almoxarifados desta Conta
doria na fórma do Regimento da Fazenda, ainda que actual e futura
mente não seja Escrivão destas arrematações, que se tirarão para o Con
selho da Fazenda, por ser mais conveniente a Meu serviço. E não po
derá pertender, nem levar cousa alguma mais dos outros contratos, que
se arrematão no mesmo Conselho, pertencentes a outras Contadorias,
Provedorias e Casas, como abusiva e industriosamente tem levado de al
guns contra as sentenças, que ha nesta materia, e contra a clara dispo
sição do Regimento e lotação, que deste oficio está na Chancellaria Mór
do Reino. Pela Pauta e termos, que faz cada hum anno, perante o Con
tador da Fazenda dos oficios mechanicos desta Cidade, que pagão Siza
por encabeçamento ao contrato da mercearia, levará quarenta réis de
cada hum dos Oficiaes encabeçados. Dos processos, que escrever entre
partes, levará as custas, que lhe forem contadas pelo Regimento geral,
e as mais, que lhe tocarem pelo Regimento da Fazenda. Pelo trabalho
de escrever e trasladar os lançamentos das Sizas do termo, e das Villas
de Alverca e Alhandra, levará á custa dos póvos os mesmos salarios, que
actualmente leva, sem que já mais os possa exceder. , º * *

4 O Escrivão da Conservatoria das Cartas de jogar e Solimão haverá


de seu ordenado cem mil réis, e hum por milhar do preço principal, por
que se arrematar o contrato de seis em seis annos; e os emolumentos das
partes, que pelo Regimento geral direitamente lhe pertencerem.
5 O Escrivão das fianças da Fazenda haverá de seu ordenado vinte
I753 | 193

mil réis, pagos na Alfandega desta Cidade; e mais haverá meio por cen
to do preço, por que se arrematar a Siza das Carnes desta Cidade, o
contrato da Tabula Real de Setuval, o contrato dos Pórtos Seccos, o
contrato da Casa dos Cincos, o contrato da Chancellaria dos Contos, o
contrato do Pescado, o contrato da Siza dos Azeites, o contrato da Siza
da Fruta, e o contrato do Paço da Madeira, como até ao presente levou
á custa de Minha Fazenda, por orsamento, nas folhas dos Almoxarifa
dos. E das fianças, que escrever, traslados, que der, e certidões, que
passar, levará os emolumentos do Regimento geral.
6 O Porteiro, Contador e Inquiridor da Contadoria da Fazenda, e
da Chancellaria dos Contos e Cidade, haverá de seu ordenado por todos
estes oficios trezentos e quarenta mil réis, a saber: duzentos mil réis
pela renda da Chancellaria dos Contos e Cidade, cento e vinte mil réis
no Almoxarifado da Siza dos vinhos, dez mil réis no Almoxarifado das
Tres Casas, e dez mil réis no Almoxarifado da Siza das Carnes. Será
porém obrigado de cumprir *"sua custa todas as obrigações, que actual
mente tem, assim na Contadoria, como na Chancellaria, conforme o Re
gimento e estilo. Haverá mais meio por milhar do preço, por que se ar
rematarem os contratos dos Almoxarifados desta Contadoria no Conse
lho da Fazenda; pois, ainda que pelo Capitulo XCIX, do Regimento da
Fazenda lhe toca hum por milhar dos ditos contratos, esta disposição
procedia, tendo sómente de ordenado tres mil e trezentos e vinte e hum
réis; e levando agora trezentos e quarenta mil réis de ordenado, não só
vai satisfeito do outro meio por cento, mas vai muito accrescentado. E
das partes levará os emolumentos, que pelo Regimento expressamente
lhe tocarem.

C A P I T U L O VIII.

Almoxarifados da Imposição

dos Vinhos desta Cidade e seu
Termo.

O Almoxarife, Juiz dos Direitos Reaes da Imposição dos Ví


nhos desta Cidade e seu Termo, haverá de seu ordenado setecentos e
vinte mil réis, e meio por cento do preço, por que se arrematar a im
possição velha.
I O Recebedor do dito Almoxarifado haverá de seu ordenado trezen
tos e vinte mil réis.
2 O Escrivão da Fazenda e Contos da Imposição velha haverá de seu
ordenado trezentos e cincoenta mil réis, e hum e meio por cento do pre
ço, por que se arrematar a dita Imposição, pelo trabalho das fianças; e
das partes e Rendeiros levará os emolumentos, que pelo Regimento ex
pressamente lhe tocarem.
3 O Escrivão da Imposição nova haverá de seu ordenado cento e vin
te mil réis: e como depositario da Contadoria e seus Almoxarifados, ha
verá mais de ordenado sessenta mil réis, pagos pela Chancellaria dos Con
tos; e das partes e Rendeiros levará os emolumentos, que expressamen
te lhe deverem pelo Regimento.
4 O Escrivão da Siza dos Vinhos, entradas e carregações, haverá de
seu ordenado cento e vinte mil réis; e das partes levará os emolumentos
seguintes. De hum despacho de embarque de vinho, cinco réis; de hu
ma marca de vasilha, cinco réis; de hum caminho á praia, cem réis;
de hum termo de obrigação, ou de fiança e de certidão, que delle pas
194 • 1753

sar, duzentos réis por tudo; e de certidão solta, quarenta réis; de cer
tidão, que passar ao Carregador para desobrigar a fiança no lugar, don
de tirou o vinho para embarque, duzentos réis; do Alvará, que passar
aos Mestres das embarcações grandes para poderem sahir, e da licença
para carregarem, duzentos réis por tudo: por entrada de Navio, duzen
tos réis: de Caravela, ou Hiate, cem réis; e de Barco, cinco réis: por
cada titulo, que abrir ás pessoas, que hão de metter vinhos na Cidade,
cento e vinte réis: por cada despacho de vinho, que se der livre, dez
réis por almude, e pagando Siza, sem ter titulo aberto, cinco réis: por
cada Verba de descarga, ou desobrigação de fiança, quarenta réis: por
cada pipa de vinho, que se consumir atavernada nesta Cidade, levará
dez réis. E dos processos e buscas levará, á custa das partes, os emo
lumentos, que lhe forem contados pelo Regimento geral. -

5 Os quatro Escrivães das portas da Cidade devem tomar entrada e


razão, não só dos vinhos, mas de todos os generos, que não tiverem ou
tros Escrivãos separados, e deverem Direitos por entrada, ou por sahi
da em qualquer dos Almoxarifados da Contadoria da Fazenda, ou das
Alfandegas, Casas e Mezas, a ellas pertencentes, e levarão das partes
os emolumentos seguintes. Por entrada e despacho de carga de qualquer
genero, vinte réis; e sendo duas, ou mais as cargas, levarão quarenta
réis, e nada mais; e não chegando a carga, levarão dez réis; e pela car
ga de homem de pé, alforge, mala, ou dianteira, cinco réis; e sendo
pipa inteira quarenta réis, e sendo vasilha menor, vinte réis; por abrir
titulo, ou fazer Verba de descarga, quarenta réis; e o mesmo por cada
huma das Verbas, que passarem por certidão: e das buscas dos livros
levarão o salario do