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HISTÓRIA DO ESTADO DE RONDÔNIA

HISTÓRIA DO ESTADO DE RONDÔNIA

APOSTILAS OPÇÃO

APOSTILAS OPÇÃO 1. As bases da ocupação colonial da Amazônia; 2. As políticas do Estado português
1. As bases da ocupação colonial da Amazônia; 2. As políticas do Estado português para
1. As bases da ocupação colonial
da Amazônia; 2. As políticas do
Estado português para as regiões
dos vales do Guaporé e Madeira;
3. A questão das fronteiras entre
América Portuguesa e o império
hispânico e a criação da Capitania
de Mato Grosso; 4. A economia
colonial nos vales do Guaporé e
Madeira: mineração, drogas do
sertão, o escravismo, o
contrabando e as rotas fluviais;

Colonização da Amazônia 1

Chegada dos Europeus: primeiras explorações: A terceira fase 2 da ocupação humana da Amazônia corresponde ao povoamento europeu da região. O lendário e mítico, rico reino do Eldorado. Inicialmente, as duas superpotências da

época, Portugal e Espanha, obedeciam à divisão territorial estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas, com as bênçãos da Igreja Católica. Por esse acordo, grande parte do que hoje conhecemos como Amazônia brasileira pertencia aos espanhóis. Somente no final da primeira metade do século XVI, no entanto, os espanhóis deram início ao reconhecimento da região. A primeira expedição europeia ao grande rio que corta

a região foi realizada entre 1540 e 1542 pelo destemido

navegador espanhol Francisco de Orellana. O escrivão dessa expedição, Gaspar de Carvajal, fez os primeiros registros escritos sobre a floresta amazônica e sua diversidade de ambientes e culturas. Apesar de seu caráter pioneiro, a expedição de Orellana não deixou outros frutos que fossem duradouros. A região voltou a pertencer exclusivamente aos cerca de 5 milhões de índios (segundo uma das estimativas existentes) que ali habitavam e que também haviam sido motivo da admiração nos relatos de Carvajal, tal sua quantidade e organização. Muitas décadas se passariam antes que novas investidas à região fossem realizadas.

Colonização Portuguesa: Apesar de os espanhóis terem seus direitos garantidos pelo Tratado de Tordesilhas, não se interessaram por povoar a Amazônia. Por sua vez, os portugueses não vacilaram em tomar a iniciativa de seu efetivo controle. A Amazônia já começava a sofrer ameaças de invasão de ingleses, franceses e holandeses. A expulsão dos franceses do Maranhão, que ali tentaram estabelecer a França Equinocial alertou os portugueses para a importância da defesa da região. Assim, coube a Francisco Caldeira Castelo Branco fundar, em 1616, na foz do rio Amazonas, o Forte do Presépio que, além

de proteger possíveis invasões estrangeiras por via fluvial, deu

origem à atual cidade de Belém e serviu como base para o povoamento da Amazônia. Era necessário alargar os domínios

1 Texto adaptado de “História da Ocupação da Amazônia”

portugueses para oeste, para assegurar a exploração das riquezas ocultas da floresta. Para tanto, foi organizada uma grande expedição, decisiva para a conquista portuguesa da Amazônia. Coube ao capitão Pedro Teixeira, em 1637, o comando da expedição composta por cerca de duas mil pessoas, sendo a grande maioria índios. Apesar das dificuldades enfrentadas, ela conseguiu estabelecer marcos de ocupação territorial portuguesa ao longo do rio. Além da proteção contra outros europeus, os fortes também serviam para estabelecer núcleos de povoamento a partir dos quais pudesse ser estabelecida a colonização. Na Amazônia, os principais recursos explorados pelos portugueses foram a mão-de-obra indígena e as drogas do sertão, especiarias de alto preço no mercado europeu.

Escravidão Indígena De uma área com uma multiplicidade de povos ameríndios que seguiam seu desenvolvimento próprio, a Amazônia havia se tornado, em menos de dois séculos, território anexo ao reino português. Além de serem capturados pelos soldados portugueses, os índios amazônicos passaram a sofrer a ação dos missionários de diversas ordens religiosas que se dedicavam a convertê-los à fé cristã boa parte da ação jesuítica dizia respeito à produção de riquezas com o emprego da mão-de-obra indígena. Os diversos povos amazônicos resistiram o quanto puderam, mas a “avalanche” europeia trazia muitíssimas armas desconhecidas. Os europeus trouxeram doenças contra as quais os índios não possuíam resistência. Sarampo, gripe, tuberculose e outras enfermidades rapidamente se alastraram entre os grupos indígenas da região, dizimando aldeias inteiras diante de pajés que não sabiam como curar aquelas moléstias desconhecidas. Logo de início ficou claro que nem mesmo toda a tecnologia europeia seria capaz de superar as dificuldades apresentadas pelo povoamento da Amazônia. As enormes distâncias, a selva impenetrável, perigos de diferentes naturezas perturbavam quem quer que tivesse coragem de ali entrar. As doenças da selva ganhavam fama, as condições climáticas se revelavam extremas para os europeus e o imenso esforço necessário para a extração das riquezas ocultas na floresta tornaram a Amazônia um lugar indomável, indecifrável, impiedosamente selvagem no imaginário do colonizador. Um “inferno verde”. Passou a predominar por toda a Amazônia o uso de uma língua geral, de origem Tupi, que auxiliava na incorporação dos índios à empresa colonial. A mestiçagem foi estimulada dando origem à população cabocla, tão marcante nas terras amazônicas. Calcula-se que, em 1740, havia cerca de 50 mil índios vivendo em aldeias formadas por jesuítas e franciscanos. O inevitável resultado do processo de escravidão, imposto pelo colonizador ou por meio da ação dos jesuítas, foi a redução maciça da população indígena amazônica.

Os Africanos: Pela dificuldade de aprisionamento e pela vulnerabilidade às doenças, os índios não se adaptavam a muitas atividades econômicas necessárias ao colonialismo. A partir da segunda metade do século XVIII, assim como em outras regiões da colônia, a carência da mão-de-obra foi suprida, ou pelo menos amenizada, com a chegada dos negros trazidos da África na condição de escravos. No Baixo Amazonas, os negros foram empregados nas construções, cada vez mais numerosas, nas plantações de cacau, na agricultura de subsistência e na pecuária. Mas também, como no Nordeste, o negro incorporou-se ao ambiente das casas senhoriais e nas atividades domésticas. Poucos subiam o Amazonas. A colonização portuguesa que os transportava ainda se concentrava nas proximidades da foz do rio. Assim, a presença

2 “Terceira fase” pois entende-se que as primeiras fases foram representadas por grupos nômades e posteriormente tribos sedentárias milhares de anos atrás. Ambos não são pedidos no edital.

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dos negros na população amazônica ficou concentrada no Pará

e no Amapá. Os escravos negros que conseguiam fugir se

embrenhavam pela floresta e criavam pequenas comunidades conhecidas como quilombos.

Amazônia Portuguesa

O estabelecimento do Tratado de Madri e o início da

administração de Marquês de Pombal em Portugal, ambos ocorridos em 1750, marcaram uma nova fase na qual a Amazônia brasileira foi, em linhas gerais, definida. Vale lembrar que, nessa época, o conhecimento que se possuía do interior do continente americano ainda era muito impreciso. O Mapa das Cortes, elaborado a pedido do rei de Portugal, serviu de base para as negociações do Tratado de Madri e possuía forte distorção do curso dos rios que cortam as terras a oeste do Brasil. Essas distorções eram propositais, puxando o traçado dos rios para leste, diminuindo artificialmente a área

pretendida pelos portugueses e cumpriram perfeitamente o

objetivo de desorientar os negociadores espanhóis. Não menos importante do que o Tratado de Madri para a inauguração de uma nova fase da história amazônica foi a administração empreendida pelo Marquês de Pombal. Tão logo subiu ao poder, ainda em 1750, Pombal pretendia tirar Portugal da situação de atraso que experimentava frente às demais potências europeias e da dependência da Inglaterra, país do qual recebia proteção contra a França e a Espanha. Pombal criou a Companhia Geral do Comércio do Grão- Pará e Maranhão que deveria oferecer preços atraentes para

as mercadorias ali produzidas a serem consumidas na Europa,

tais como cacau, canela, cravo, algodão e arroz. Começou também a introduzir na Amazônia a mão-de-obra escrava de origem africana. Em 1759, Pombal determinou a expulsão dos jesuítas de Portugal e seus domínios, com o confisco de todos os seus bens. Os missionários, e em especial a Companhia de Jesus, eram acusados de tentar criar um estado próprio dentro do reino português. Pombal pretendia também consolidar o domínio português nas fronteiras do Norte e do Sul do Brasil

através da integração dos índios à civilização portuguesa. Essa jogada política garantiria o aumento das terras portuguesas de acordo com o Tratado de Madri. Por isso, proibiu a escravidão indígena, transformou aldeias amazônicas em vilas sob administração civil e implantou uma legislação que estimulava

o casamento entre brancos e índios. Consolidava-se assim a

presença portuguesa no imenso território que hoje constitui o Brasil.

Amazônia Brasileira Na metade do século XIX, findo o período das “drogas do sertão” e iniciada uma ocupação mais sistemática da Amazônia, temos uma nova base cultural estabelecida. A fronteira do território da Amazônia brasileira permaneceria móvel até o início do século XX, quando os contornos políticos do Brasil seriam definidos com a conquista dos territórios do Amapá e de Roraima, ao Norte, e do Acre, no extremo Oeste. Estes extremos, especialmente as regiões dos altos rios, na parte mais ocidental da floresta, permaneciam como área de refúgio dos primeiros habitantes, os povos indígenas mais arredios que não foram incorporados aos empreendimentos colonialistas, nem de Portugal nem da Espanha. Esta Amazônia profunda retinha suas riquezas em segredo e realimentava o mito do “inferno verde”.

Tratados e acordos

A colonização em Rondônia foi um processo iniciado no

século XVII, no qual colonizadores portugueses e espanhóis percorreram a região pelo rio Madeira e Rio Guaporé. Expedições seguintes de Raposo Tavares em 1647 e Francisco Melo Palheta 1722 ajudaram a consolidar o até em tão território português. Outras missões subsequentes tinham o objetivo de localizar ouro, mas não obtiveram sucesso e

somente após o final do século XIX a região recebeu atenção externa com o ciclo da borracha. Em 1943 foi constituído o então território de Guaporé na região e já nas décadas de 1960 incentivos fiscais do governo federal aceleram a migração aumentando em até oito vezes a população local. No final do século XVI, europeus de origem holandesa, inglesa e francesa navegaram pelos rios da Amazônia, tentando fixar núcleos de povoamento e colonização. Em 1559, os holandeses estabeleceram fortificações no encontro das águas do Xingu com o Amazonas. Os fortes de Orange e Nassau serviam de base para o contato e comércio com indígenas, bem como para que se desse início de plantio de cana-de-açúcar e tabaco. Em 1610, o inglês Thomas Roe fundou núcleos de colonização próximos à foz do Amazonas. Por volta de 1620, já se encontravam núcleos holandeses na ilha de Porcos, ingleses entre os rios Jari e Paru, holandeses nos rios Gurupá e Xingu e franceses no Maranhão. Tal situação motivou a intervenção dos portugueses que, entre 1612-1615, lutaram contra a presença francesa no Maranhão. Vitorioso sobre os franceses, Francisco Caldeira Castelo de Branco (em 1619) fundou, na baía de Guajará, em 12 de janeiro de 1616, o forte do Presépio, a partir do qual surgiu a cidade de Sant Maria de Belém do Grão-Pará. Portugal, então sob o domínio da União Ibérica (1580-1640), atuou decisivamente na expulsão dos demais europeus do vale do Amazonas, cabendo especial destaque a atuação de Pedro Teixeira, que consolidou a presença portuguesa na região. A partir de uma busca tão áspera, mas com obstinada fixação na ideia de grandes tesouros, as metrópoles ibéricas, agora unidas sob a dominação da Espanha, iniciam um grande esforço para manter a integridade de suas posses territoriais. As ameaças estrangeiras constituíram-se em importante motivo para que se ampliassem os esforços colonizadores. No entanto, a Espanha estava por demais envolvida com as colônias andinas, platinas e mexicanas. Caberia ao Estado Português a tarefa de resguardar, em benefício da União Ibérica, o vale do Amazonas. Pelo Tratado de Tordesilhas quase todo o conjunto da atual região norte do Brasil ficava sob o domínio espanhol. No entanto, a partir de meados do século XVII, os portugueses fixaram aí sua presença. Com a criação do Estado do Maranhão e Grão-Pará em 1624 pelo rei Felipe IV (1605-1665), monarca da Espanha entre 1621 e 1665 que governou também Portugal entre 1621 e 1640 durante o período da União Ibérica, foram lançadas as bases da conquista e povoamento da costa e do extremo norte pelos luso-brasileiros. Tendo em vista o aprofundamento da ocupação, a Coroa constitui algumas capitanias na região como Cametá, Gurupará e Cabo do Norte. Em léguas de terras e costas, contava-se, por volta de 1637, a presença de 1400 a 1500 homens brancos na região. Em seu relato (Novo descobrimento do grande rio Amazonas), o padre Cristóbal Acuña (1597-1675), cronista da viagem de Pedro Teixeira, fala dos grandes núcleos de colonizadores existentes na região:

Belém, onde existia um grande castelo para sua defesa; Cametá: decadente e que em décadas passadas fora famosa por seus muitos moradores; Curupatuba e o forte do Desterro localizado na foz do rio Genipapo, com 30 soldados e algumas peças de artilharia. A necessidade de imprimir à Amazonas os símbolos da colonização ibérica possibilitaram a expedição de Pedro Teixeira. As autoridades hispânicas em Quito e Lima, no entanto, não se sentiam tranquilas com essa aventura portuguesa por uma tão vasta e rica região até então unicamente reservada à Espanha. A frágil aliança entre as duas potências estava próxima de seu fim. Mesmo com a União Ibérica, Portugal e Espanha mantiveram-se sempre como nações distintas. Nesse momento (1638), embora pelo Tratado de Tordesilhas a Amazônia fosse espanhola, os portugueses expulsaram os estrangeiros que haviam se instalado com sucesso em terras coloniais espanholas. Os relatos, tanto dos

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cronistas Rojas e Acuña, quanto os do próprio Pedro Teixeira deixaram clara a necessidade de se iniciar imediatamente o aproveitamento colonial da região, inserindo-a no contexto de uma economia mercantilista, uma vez que suas terras eram férteis, ricas em recursos minerais, caça, pesca e estavam densamente povoadas por indígenas que, a partir de um trabalho missionário, poderiam vir a ser eficientes vassalos de Sua Majestade. Estabelecidos os marcos da posse portuguesa no Amazonas por Pedro Teixeira, a exploração e ocupação continuou pelos séculos XVII e XVIII, cabendo aos missionários jesuítas, mercedários, carmelitas e franciscanos a função de catequese, pacificação e fixação do indígena em aldeamento. A atuação dessas ordens e congregações religiosas foi regida pelo Regimento das Missões, datado de 1686. Esse instrumento jurídico buscava estabelecer as bases de uma atuação catequética harmonizada com o processo colonizador,

fixando o caráter interdependente das duas atuações. Reinando em Portugal Dom Pedro II (1667-1706), a atuação dos missionários foi extremamente favorecida. Pela Carta Régia de 19 de março de 1693, o território da Amazônia foi dividido entre as diversas instituições religiosas que atuavam na região. Coube aos jesuítas a catequese no distrito sul do rio Amazonas até os limites com as colônias espanholas, incluindo-se o Vale do Guaporé; ainda atuariam no vale do rio Negro e em todo o trecho entre o Urubu e o Negro. Essas determinações foram alteradas pela Carta Régia de 29 de novembro de 1694, que reformava a anterior e estabelecia como área de catequese dos carmelitas o rio Negro, entregando o Urubu aos mercedários e a margem esquerda do Amazonas até o Urubu aos religiosos da Piedade e de Santo Antônio. Os primeiros colonizadores portugueses começam a percorrer o atual estado de Rondônia no século XVII. Na região da foz do Rio Amazonas havia intensa atuação de contrabandistas, holandeses, ingleses e franceses, que tentavam fundar núcleos de colonização. Na ocasião, os portugueses viram nas especiarias amazônicas denominadas drogas do sertão -, como cravo, canela, castanha-do-pará, cacau, urucum, plantas medicinais e outras, um meio de compensar as perdas no comércio com as Índias. Por isso, resolveram colonizar a região. A primeira expedição a explorar

a região dos rios Guaporé, Mamoré e Madeira foi a comandada

por Antônio Raposo Tavares, que partiu de são Paulo em 1647.

A expedição comandada por Francisco de Melo Palheta partiu

de Belém, no Pará, em 1723, com a intenção de marcar presença na região do Mamoré e Guaporé, chegando às missões jesuítas espanholas, às quais alertou que não ultrapassassem os rios Guaporé e Mamoré. Após a viagem de Francisco Palheta à região guaporeana, o vice-rei do Peru forneceu armas de fogo aos índios mojos. Indígenas das províncias de Mojos e Chiquitos desciam até as margens do Rio Madeira em busca de cacau e drogas do sertão. Por volta de 1728, o padre Jesuíta João Sampaio funda nas proximidades da primeira cachoeira do Madeira a aldeia de Santo Antônio. Ainda no início do século XVIII, os jesuítas espanhóis fundaram as missões de São Miguel e São Simão, na margem esquerda do Rio Guaporé. Além disso, o avanço espanhol sobre os rios Guaporé, Mamoré e Madeira representava uma ameaça às pretensões dominiais portuguesas sobre o Vale Amazônico. A fundação de mais duas missões jesuíticas hispânicas na margem do Guaporé era uma ameaça às minas de ouro em Cuiabá. Somente no século seguinte, com a descoberta e a exploração de ouro em Goiás e Mato Grosso, aumenta o interesse pela região. Em 1776, a construção do Forte Príncipe da Beira, às margens do rio Guaporé, estimula a implantação dos primeiros núcleos

3 NERI P. CARNEIRO. A colonização do Vale do Guaporé. Disponível em: <

http://webartigos.com/artigos/a-colonizacao-do-vale-do-guapore/5116>

coloniais, que só se desenvolvem no final do século XIX com o surto da exploração da borracha.

Colonização do Vale do Guaporé 3 Ainda no século XVI representantes da coroa portuguesa se aventuraram pelas brenhas amazônicas, tendo, passado pelos vales do Madeira-Guaporé-Mamoré. Na realidade se pensava em utilizar essa região como ponte de passagem e ligação entre as colônias do Sul e as do extremo Norte. Uma ligação extremamente arriscada e difícil de ser realizada. Um dos primeiros passos de Portugal para assegurar sua posse sobre a região do Guaporé foi a ocupação desses vales, de onde extraia ouro e as drogas do sertão. Essa ocupação se deu pela ação dos bandeirantes que, ao mesmo tempo, explorava e ocupava. Além disso, a ocupação se realizou pela presença militar o que pode ser comprovado pelas inúmeras construções fortificadas. Era necessária, entretanto uma ocupação estável, para assegurar a posse. Somente as expedições aprisionando indígenas e colhendo as drogas do sertão não assegurava a presença colonizadora e definitiva. Ale disso, não cessava a constância dos conflitos, tanto com os índios como com os castelhanos, que também estavam ocupando a região de oeste para leste. Foi com vistas nessa presença constante que, ainda antes da assinatura do Tratado de Madri, d. Antônio Rolim de Moura recebeu a incumbência de povoar a região do Guaporé. Nessa ocasião foi criada a capitania de Mato Grosso e Rolim de Moura coordenou a estruturação da capital daquela província, às margens do Guaporé. E cidade, Vila Bela da Santíssima Trindade, além de assegurar a presença portuguesa, seria um ponto de coleta de impostos sobre a mineração. Em 1734, quando da descoberta de ouro nas proximidades do Guaporé a produção do Mato Grosso já estava em declínio. Para melhor explorar os novos locais o governo da capitania de São Paulo promoveu uma "guerra justa" conta os índios a fim de conseguir escravos para a mineração. Essa empreitada, como outras tantas, dizimou alguns grupos indígenas. Vale a pena destacar que nessa época a tecnologia de mineração era muito rudimentar o que fazia cada faisqueira ou lavra possuir uma vida útil muito curta, o que, por sua vez, provocava um processo migratório constante, em busca de novos veios auríferos. Também é preciso destacar que os trabalhos nas lavras e faisqueiras era extremamente insalubre. Mesmo assim os "campos d'oro" como era conhecido o vale do Guaporé sobreviveu, em virtude da abundância de minério; mas não prosperou, pois a abundância era aparente. Não se

ergueram cidades ao redor da febre do ouro guaporeano. E a febre passou logo. Entretanto no final do século XVII o vale do Guaporé foi sendo abandonado: pelos mineradores que procuravam regiões mais ricas, pela falta de investimento, visto ser improdutiva e também pelos governadores Gerais que passavam a maior parte de seu tempo em Cuiabá. No vale permaneciam apenas os negros libertos, entregues à própria sorte. E com isso estava sendo decretada a sorte da região: o abandono. Nesses anos dos séculos XVII e XVIII, a agricultura era apenas de subsistência. Raramente se explorava algum excedente e quando havia o mesmo era levado para o Pará ou contrabandeado para a região castelhana, do outro lado do rio.

A terra era fértil, mas a extração de ouro era mais promissora

e de rentabilidade maior e mais imediata. O mesmo vale para a Pecuária. Havia demanda por carne, mas não havia interesse em criar concorrentes para os produtores do sul. As poucas cabeças de gado que entrou na região vieram de São Paulo ou do contrabando espanhol. Havia possibilidade de se expandir os engenhos, mas nem isso

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prosperou. O fato é que no vale do Guaporé havia falta de gente, de comida, de gado e de minerais valiosos. Só sobrava escravidão e penúria.

O abastecimento da região, inicialmente era feito através

de caravanas paulistas. Com a descoberta da possibilidade da

rota fluvial, o abastecimento passou a ser feito a partir de Belém, pelos rios Amazonas, Madeira, Mamoré, Guaporé. Mas isso só depois de 1754, quando foi franqueada a navegação. Nessa época os rios que serviam de rota para o contrabando passaram a servir de caminho de integração e rota de colhimento de impostos. Entretanto essa forma de abastecimento não barateou o custo das mercadorias. Mesmo com a criação da Companhia de Comércio do Grão Pará e Maranhão o abastecimento continuou insuficiente, caro e

mantendo o endividamento dos mineradores, ampliando o ciclo da escravidão: passavam a ser escravos, além do negro e

do índio, o colono branco que dependia desses meios e vias de

transporte.

O vale do Guaporé, principalmente a partir do séc. XVIII

transformou-se em uma espécie de abrigo de indesejáveis e depósito dos proscritos do sistema. Prisão sem paredes ou grades, onde os desclassificados poderiam ser úteis para o poder. Brancos endividados e criminosos viriam a ser a elite dos colonizadores do vale. Em contrapartida o conjunto de anônimos era formado por indigentes de outras áreas, prevalecendo a população negra e mestiça. Muitos romances poderiam ser escritos contando as sagas e epopeias de quantos

se aventuraram, desbravaram e morreram nas brenhas amazônicas e de Rondônia.

A política dos governadores da província do Mato Grosso

permitia que brancos, mamelucos e mestiços, mais claros conseguissem o prestígio que seria impossível em outras regiões. A sociedade poderia ser assim descrita: a elite branca, formada pelos governadores e seus auxiliares, os ricos proprietários e os comerciantes; as camadas médias era formada pelos pequenos e médios comerciantes e alguns ex- escravos já donos de lavras, homens pobres e livres, mineradores e agricultores e homens que compunham as expedições dos sertanistas. Por fim os escravos negros em menor número e índios. Como a maioria da população era constituída de homens era comum e elevado o índice de violência. As péssimas condições sanitárias mais o ambiente natural ocasionavam um elevado número de doenças, fazendo com que a morte acompanhasse o dia-a-dia das pessoas. As principais causas de doenças eram: malária, corruções, febres catarrais, pneumonia, diarreia, tuberculose, febre amarela, tifo

e cólera. E quase todas mortais, por falta de acesso a

tratamento. Os escravos eram usados em diferentes atividades: nas faisqueiras, nas lavras e sesmarias. Nas grandes propriedades eram controlados pelos feitores em geral de origem negra mas entre os pequenos proprietários havia uma relação mais próxima, mas nem por isso menos sujeita a revoltas, fugas e insurreições. Também havia os "pretos Del Rey" propriedade

da coroa, que estavam a serviço do governador, para a edificação de obras públicas. Esses escravos podem ser vistos como verdadeiros equipamentos de serviço público, eram poucos e os governadores se obrigavam a alugar mais escravos junto aos proprietários. Em 1752 Rolim de Moura criou a Companhia dos Homens Pretos e Mulatos. Suas condições de vida não sendo boas os escravos do vale do Guaporé tendiam a se revoltar individual e coletivamente. Durante a segunda metade do século XVII eram comuns as fugas de escravos, formando quilombos, com um destaque para o de Quariterê (do Piolho) que existiu de 1752 a 1795, ano em que foi destruído. Os escravos aprisionados pela bandeira de Francisco Melo Palheta acabaram sendo

4 Texto adaptado de Eduardo de Araújo Carneiro.

libertados por Cáceres que lhes ordenou fundarem a aldeia de Carlota. Entre as principais causas de decadência do vale do Guaporé podem ser mencionadas: insalubridade, decadência do ouro, dificuldade de acesso e permanência, hostilidade índia. Além disso nas primeiras décadas do século XIX a capital foi transferida para Cuiabá, onde os capitães generais já passavam a maior parte do tempo, permanecendo Vila Bela abandonada, como herança aos negros que ali ficaram abandonados.

5. Colonização e povoamento no vale do Madeira e do Guaporé nos séculos XIX e
5. Colonização e povoamento no
vale do Madeira e do Guaporé nos
séculos XIX e XX; 6. O advento da
exploração seringueira e a
questão das fronteiras; 7. As
diversas etapas da construção da
Ferrovia MadeiraMamoré; 8. A
Comissão Rondon e a instalação
das linhas telegráficas; 9. A
criação dos Territórios Federais
do Guaporé e de Rondônia; 10. Os
novos surtos de povoamento e a
ampliação do extrativismo
mineral; 11. A implantação do
Estado de Rondônia; 12. Os
projetos de colonização estatais e
privados; 13. A instalação da
rodovia federal BR-364.

O Primeiro Ciclo da Borracha (1850-1912) 4

A Hevea Bralisiensis (nome Científico da seringueira) já era conhecida e utilizada pelas civilizações da América Pré- Colombiana, como forma de pagamento de tributos ao monarca reinante e para cerimônias religiosas. Na Amazônia,

os índios Omáguas e Cambebas utilizavam o látex para fazer

bolas e outros utensílios para o seu dia a dia. Coube a Charles

Marie de La Condamine e François Fresneau chamar a atenção dos cientistas e industriais para as potencialidades contidas na borracha. Dela, podia ser feito, borrachas de apagar, bolas, sapatos, luvas cirúrgicas, etc. Precisamente no ano de 1839, Charles Goodyear descobriu o processo de Vulcanização que consistia em misturar enxofre com borracha a uma temperatura elevada (140º /150º) durante certo número de horas, Com esse processo, as propriedades da borracha não se alteravam pelo frio, calor, solventes comuns ou óleos, Thomas Hancock, foi o primeiro a executar com sucesso um projeto de manufatura de borracha em larga escala. Em 1833 surgiu a primeira indústria americana de borracha, a Roxbury Índia Rubber Factory, posteriormente outras fábricas se instalaram na Europa. Com

o processo de vulcanização, as primeiras fábricas de

beneficiamento de borracha e com a indústria automobilística surgindo nos Estados Unidos (Henry Ford- carros Ford T-20) possibilitou o crescimento da produção de borracha nos seringais amazônicos. A região amazônica era uma área privilegiada por ter diversos seringais.

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Apesar desse surto econômico favorável para a Amazônia brasileira, havia um sério problema para a extração do látex, a falta de mão-de-obra, o que foi solucionado com a chegada à região de nordestinos (Arigós) que vieram fugindo da seca de 1877 e, com o sonho de enriquecer e voltar para o nordeste. A grande maioria cometeu um ledo engano, pois encontraram uma série de dificuldades como: Impaludismo (Malária), índios e, sobretudo, a exploração dos seringalistas, o que impossibilitou a concretização deste sonho. Em relação ao número de nordestinos que vieram para a Amazônia brasileira, há uma divergência entre os diversos historiadores amazônicos. Alguns chegam a escrever que vieram 300.000 nordestinos e outros, 150.000 nordestinos nesse ciclo.

A exploração dos seringalistas sobre o seringueiro é

evidente neste período. Os seringalistas compravam das Casas Aviadoras, sediadas em Belém do Pará e Manaus os mantimentos para os seringais e, pagavam a essas casas, com a produção de borracha feita pelos seringueiros, que, por sua vez, trabalhavam exaustivamente nos seringais para poder pagar sua dívida contraída nos barracões dos seringais. Os seringueiros dificilmente tinham lucro, porque eram enganados pelo gerente ou pelo seringalista, esse sim, obtinha lucro e gastava o dinheiro em Belém do Pará, Manaus ou Europa. Os seringais amazônicos ficavam às margens de rios como: Madeira, Jaci-Paraná, Abunã, Juruá, Purus, Tapajós, Mamoré, Guaporé, Jamary, etc.

Economia

- Por causa da crescente demanda internacional por

borracha, a partir da segunda metade do século XIX, em 1877, os seringalistas com a ajuda financeira das Casas Aviadoras de

Manaus e Belém, fizeram um grande recrutamento de nordestinos para a extração da borracha nos Vales do Juruá e Purus.

- De 1877 até 1911, houve um aumento considerável na

produção da borracha que, devido às primitivas técnicas de extração empregada, estava associado ao aumento do emprego de mão-de-obra.

- O Acre chegou a ser o 3° maior contribuinte tributário da

União. A borracha chegou a representar 25% da exportação do Brasil.

- Como o emprego da mão-de-obra foi direcionado à

extração do látex, houve escassez de gêneros agrícolas, que

passaram a ser fornecidos pelas Casas Aviadoras.

Sistema de Aviamento

- Cadeia de fornecimento de mercadorias a crédito, cujo

objetivo era a exportação da borracha para a Europa e EUA. No 1° Surto, não sofreu regulamentações por parte do governo federal. AVIAR = fornecer mercadoria a alguém em troca de

outro produto.

as

negociações eram efetuadas, em sua maioria, sem a intermediação do dinheiro.

- O

Escambo

era

usual

nas

relações

de

troca

-

- Era baseado no endividamento prévio e contínuo do

seringueiro com o patrão, a começar pelo fornecimento das passagens.

- Antes mesmo de produzir a borracha, o patrão lhe

fornecia todo o material logístico necessários à produção da borracha e à sobrevivência do seringueiro. Portanto, já começava a trabalhar endividado. Nessas condições, era quase impossível o seringueiro se libertar do patrão.

"O sertanejo emigrante realiza ali, uma anomalia, sobre a qual nunca é demasiado insistir: é o homem que trabalha para escravizar-se". Euclides da Cunha.

Sociedade (Seringalista X Seringueiro)

Seringal: unidade produtiva de borracha. Local onde se travavam as relações sociais de produção.

Barracão: sede administrativa e comercial do seringal. Era onde o seringalista morava.

Colocação: era a área do seringal onde a borracha era produzida. Nesta área, localizava a casa do seringueiro e as "estradas" de seringa. Um seringal possuía várias colocações.

Varadouro: pequenas estradas que ligam o barracão às colocações; as colocações entre si; um seringal a outro e os seringais às sedes municipais. Através desses trechos passavam os comboios que deixavam mercadorias para os seringueiros e traziam pelas de borracha para o barracão.

Gaiola: navio que transportava nordestino de Belém ou de Manaus aos seringais acreanos.

Brabo: Novato no seringal que necessitava aprender as técnicas de corte e se aclimatar à vida amazônica.

Seringalista (coronel de barranco): dono do seringal, recebiam financiamento das Casas Aviadoras.

Seringueiro: O produtor direto da borracha, quem extraia o látex da seringueira e formavam as pelas de borracha.

Gerente:

"braço-direito"

do

seringalista,

todas as atividades do seringal.

inspecionava

Guarda-livros: responsável por toda a escrituração no barracão, ou seja, registrava tudo o que entrava e saía.

Caixeiro:

Coordenava

os

depósitos de borracha.

armazéns

de

viveres

e

dos

Comboieiros: responsáveis de levar as mercadorias para os seringueiros e trazer a borracha ao seringalista.

Mateiro: identificava as áreas da floresta que continha o maior número de seringueiras.

Toqueiro: Abriam as "estradas".

Caçadores: abastecia o seringalista com carne de caça.

Meeiro: seringueiro que trabalhava seringueiro, não se vinculando ao seringalista.

para

outro

Regatão: negociantes fluviais que vendiam mercadorias aos seringueiros a um preço mais baixo que os do barracão.

Adjunto: Ajuda mútua entre os seringueiros no processo produtivo.

- Havia alta taxa de mortalidade no seringal: doenças, picadas de cobra e parca alimentação.

- Os seringueiros eram, em sua maioria, analfabetos;

- Predominância esmagadora do sexo masculino.

APOSTILAS OPÇÃO

- A agricultura era proibida, o seringueiro não podia

dispensar tempo em outra atividade que não fosse o corte da

seringa. Era obrigado a comprar do barracão.

Crise (1913)

- Em

1876,

sementes

de

seringa

foram

colhidas

da

Amazônia e levadas a Inglaterra por Henry Wichham.

- As sementes foram tratadas e plantadas na Malásia, colônia inglesa.

- A produção na Malásia foi organizada de forma racional,

empregando modernas técnicas, possibilitando um aumento

produtivo com custos baixos.

- A borracha inglesa chegava ao mercado internacional a

um preço mais baixo do que a produzida no Acre. A empresa gumífera brasileira não resistiu à concorrência Inglesa.

- Em 1913, a borracha cultivada no Oriente (48.000

toneladas) superava a produção amazônica (39.560t). Era o fim do monopólio brasileiro da borracha.

- Com a crise da borracha amazônica, surgiu no Acre uma

economia baseada na produção de vários produtos agrícolas como mandioca, arroz, feijão e milho.

- Castanha, madeira e o Óleo de copaíba passaram a ser os produtos mais exportados da região.

- As normas rígidas do Barracão se tornaram mais flexíveis.

O seringueiro passou a plantar e a negociar livremente com o regatão.

- Vários seringais foram fechados e muitos seringueiros tiveram a chance de voltar para o nordeste.

- Houve uma estagnação demográfica;

- Em muitos seringais, houve um regresso a economia de subsistência.

Consequências

- Povoamento da Amazônia.

- Genocídio indígena provocado pelas "correrias", ou seja, expedições com o objetivo de expulsar os nativos de suas terras.

- Povoamento do Acre pelos nordestinos;

- Morte de centenas de nordestinos, vítimas dos males do "inferno verde".

- Revolução Acreana e a consequente anexação do Acre ao Brasil (1889-1903);

- Desenvolvimento econômico das cidades de Manaus e Belém;

- Desenvolvimento

amazônica;

dos

transportes

fluviais

na

região

O Segundo Ciclo da Borracha (1942 - 1945 2ª Guerra Mundial)

Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) o Japão, aliado da Alemanha e da Itália (países do Eixo) conquista e ocupa o

Sudeste Asiático área que produzia borracha e, os aliados ficam sem esse importante produto para a sua indústria. Os Estados Unidos que entraram na guerra em decorrência do ataque japonês a base americana de Pearl Harbour no Havaí, necessitava da borracha para a sua indústria. O presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt e o presidente do Brasil Getúlio Dorneles Vargas, assinaram os Acordos de Washington (1942), pelo qual o Brasil comprometia-se a reativar os seringais amazônicos, através de uma operação conjunta com os EUA. O Brasil entrou com os seringais, mão- de-obra e 58% de capital para a criação do Banco de Crédito da Borracha. Os EUA entraram com 42% de capital para o Banco de Crédito da Borracha e, forneciam meios para a produção, transporte e escoamento.

Inicialmente, os norte-americanos investiram 5 milhões de dólares para serem aplicados pelo Instituto Agronômico do

Norte, nas pesquisas científicas para a melhoria e fomento da produção e mais 5 milhões de dólares para o saneamento a ser feito pela Fundação Rockfeller. Esses acordos proporcionaram

à região, a montagem de um esquema logístico institucional do

qual participou ativamente o governo brasileiro com o apoio norte-americano, abrindo-se muitas frentes operacionais e estratégicas na área. Os objetivos no entanto, de um e de outro governo, eram em certo ponto conflitante, os norte- americanos tinham seus interesses marcado pela urgência e pelo prazo curto, enquanto o governo brasileiro tinha o

interesse voltado para o permanente e o duradouro desejo de manter na Amazônia uma política de desenvolvimento. Com o apoio financeiro dos EUA, o governo brasileiro montou uma infraestrutura que possibilitou aos seringais uma expressiva produção. A infraestrutura criada foi a seguinte:

- SEMTA (Serviço de Encaminhamento de Trabalhadores

para a Amazônia) e CAETA (Comissão Administrativa de Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia) com o objetivo de recrutar, encaminhar e colocar trabalhadores, principalmente nordestinos, nos seringais, sob a supervisão do Departamento Nacional de Imigração.

- SAVA (Superintendência de Abastecimento da Vale Amazônico) que fazia o abastecimento direto dos seringais com gêneros de primeira necessidade.

- RRC (Rubber Reserve Company) que passou a posteriormente a denominar-se RDC (Rubber Development Company) encarregada de transporte de passageiros e de suprimentos através da SAVA.

- SESP (Serviço Especial de Saúde Pública): foi criado para promover o melhoramento urbano, o combate à Malária e o saneamento.

Banco da Borracha - 1942: Que realizava operações de crédito, fomento à produção e financiamento aos seringalistas.

O Banco exercia o monopólio da compra e venda da borracha.

Criação de Territórios: Território do Guaporé (hoje Rondônia), Rio Branco (hoje Roraima) e Amapá, em 1943, iniciando-se assim o processo de reorganização do espaço político amazônico. O movimento migratório da Batalha da Borracha, que se desenvolveu no decorrer dos anos de 1941 e início de 1943, adquiriu um novo colorido com a chegada a partir de 1943 e durante os anos de 1944/1945, de novos contingentes humanos, os nordestinos que ficaram sendo conhecidos como soldados da borracha. A diferença entre essas duas correntes de migrantes era flagrante, enquanto a primeira se constituía na sua maioria de cearenses que se deslocavam do interior. A partir de 1943 até 1945, provinha dos centros urbanos, geralmente composta de homens

APOSTILAS OPÇÃO

solteiros ou desgarrados de sua parentela, muito deles desempregados ou sem profissão definida, vinham para a Amazônia pelo simples sabor da aventura e para fugir à convocação para a FEB (Força Expedicionária Brasileira) que lutava na Itália. Com o término da Guerra em 1945, foram liberadas as plantações de borracha da região asiática, cessando o interesse norte-americano pela borracha produzida na Amazônia, que passou a acumular em estoques crescentes, já que o mercado interno não tinha capacidade de absorver toda a produção. A tentativa de produzir borracha ainda permaneceu até os idos de 1960. A partir desta data, paulatinamente a produção de borracha cai, ocasionando o fim desse ciclo.

 

Segundo

Ciclo

da Borracha-

Numero

de Migrantes

Nordestinos

 
 

Ano

Homens

Mulheres

Total

 

1941

13.910

8.267

22.177

1942

17.928

9.023

26.951

1943

24.399

9.419

33.818

1944

27.139

10.287

37.426

1945

21.807

9.959

31.766

Total

105.183

46.955

152.138

Fonte: Benchimol, Samuel.Amazônia: um pouco antes-além depois.

Ditadura Militar O início deste período, em meados de 1960, trouxe novas e profundas modificações para a Amazônia. Os militares, amparados por um suposto perigo eminente de internacionalização, iniciaram um período marcado pela implantação de grandes projetos que, segundo se dizia, visavam desenvolver economicamente o Norte do país. “Integrar para não entregar”. Esse era o discurso oficial do governo militar, estimulando um novo movimento de ocupação da Amazônia a partir de grandes projetos mineradores, madeireiros e agropecuários. Para tanto, em 1965, o presidente Castelo Branco anunciou a Operação Amazônia e, em 1968, criou a Sudam (Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia) com amplos poderes para distribuir incentivos fiscais e autorizar créditos para investimentos na indústria e na agricultura. O objetivo principal era criar polos de desenvolvimento espalhados por toda a bacia amazônica, expandindo a fronteira pioneira.

O período do “milagre econômico” acelerou ainda mais a velocidade dos investimentos em infraestrutura. Teve início a construção da rodovia Transamazônica, que deveria integrar todo o sul da Amazônia ao cortá-la no sentido Leste-Oeste, assegurando, pelo menos em teoria, o controle brasileiro da região. A expansão da fronteira pioneira na Amazônia aconteceu simultaneamente em diversas frentes, com a abertura de várias estradas e grandes projetos de colonização. Com esse discurso o presidente Emílio Médici prometeu resolver o problema do Nordeste, oferecendo terras amazônicas. Estabeleceu então o PIN (Plano de Integração Nacional) segundo o qual deveriam ser reservados 100 km de cada lado da estrada para o assentamento prioritário de nordestinos. Ao mesmo tempo, a Sudam começou a aprovar grandes projetos agropecuários e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) aumentou o índice de distribuição de terras para os fazendeiros. Isso fez com que a taxa de desmatamento subisse assustadoramente. Apesar dos amplos financiamentos concedidos na época que abrangiam a mineração na serra dos Carajás, a construção de hidrelétricas, a implantação do polo tecnológico e industrial da Zona Franca de Manaus e a construção de rodovias o resultado mais evidente da nova política desenvolvimentista não foi a prosperidade econômica da Amazônia, mas a

degradação e o acirramento das relações sociais em toda a região.

Projetos Integrados de Colonização de Rondônia

O processo de ocupação humana de Rondônia ligado ao

Ciclo da Agricultura, foi executado pelo INCRA, inicialmente, através dos Projetos Integrados de Colonização, PIC, e dos Projetos de Assentamento Dirigido, PAD, estrategicamente criados para cumprir a política destinada à ocupação da Amazônia rondoniense. Nesse contexto, o governo federal implantou o primeiro Projeto Integrado de Colonização no Território Federal de Rondônia: O PIC Ouro Preto, em 19 de junho de 1970. Esse projeto constituiu-se no principal responsável pelo surgimento de Ouro Preto d'Oeste como núcleo habitacional, e para o desenvolvimento da então Vila de Rondônia, hoje Ji-Paraná. Implantado em terras férteis, na

região central de Rondônia, às margens da BR-364, o PIC Ouro Preto, alvo de divulgação oficial em todo o País, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, atraiu o mais intenso fluxo migratório dirigido a Rondônia em todos os tempos. A explosão demográfica provocada pela ocupação humana, das terras rondonienses, vinculada ao ciclo da agricultura, além de agricultores, constituiu-se de técnicos, comerciantes e profissionais liberais de todas as áreas, em busca de melhores condições de vida. Esses novos povoadores fixaram-se nos núcleos surgidos nas cercanias das estações telegráficas da Comissão Rondon, e expandiram suas áreas urbanas.

Estrada de ferro Madeira-Mamoré, Cândido Rondon e a integração nacional.

O declínio do Ouro na região do Guaporé provocou um

êxodo populacional de graves proporções do final do século XIX. Sua maior povoação, Vila Bela da Santíssima Trindade de Mato Grosso, perdeu a maioria de seus habitantes e a condição de capital da capitania de Mato Grosso, haja vista a sede do governo haver sido transferida para Cuiabá. Entretanto, na segunda metade do século XIX, outra atividade econômica começou a despontar na Amazônia: a produção de borracha silvestre em larga escala. Surgia o Ciclo da Borracha que atraiu milhares de trabalhadores oriundos do Nordeste brasileiro, notadamente dos Estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco, tangidos pela grande seca de 1877, que flagelou aquela região, e pelo avanço das grandes usinas açucareiras.

A situação econômica, demográfica e política da Amazônia

rondoniense começavam a se modificar em decorrência da entrada de dois novos personagens: os seringueiros e os seringalistas. As terras rondonienses passaram então a ser povoadas pela ação dos seringueiros, que penetravam na floresta através dos rios Madeira, Jamary, Machado, Guaporé e Mamoré, em busca de látex, a matéria-prima da borracha nativa. O Brasil destacava-se como o maior produtor de borracha silvestre do mundo. Nesse contexto, a área geográfica que forma o Estado de Rondônia respondia por considerável parcela dessa atividade econômica. Porém, não era somente o Brasil que produzia borracha em larga escala na Amazônia. A Bolívia também despontava como grande produtor e se ressentia da necessidade de escoar seu produto, cuja maior concentração ficava no Oriente boliviano, isolado do restante daquele país. Foi exatamente em função da carência de um porto onde pudesse escoar sua produção de látex, que o governo boliviano criou, em 1846, uma comissão de estudos destinada a viabilizar uma rota fluvial através do rio Mamoré, ou do Madeira, a fim de permitir ao país acesso ao oceano Atlântico.

APOSTILAS OPÇÃO

Esses estudos resultaram em dois projetos apresentados ao governo boliviano. O primeiro, visava a construção de canais nos trechos encachoeirados do Madeira, o rio escolhido pela comissão de estudos. O segundo, de 1861, previa a construção de uma ferrovia da margem direita do rio Mamoré até a fronteira das províncias de Mato Grosso e do Amazonas. O governo boliviano entendeu ser mais viável a execução do primeiro projeto, que contemplava uma rota fluvial pelo rio Madeira, com a canalização de seus trechos encachoeirados. No dia 27 de agosto de 1868 a Bolívia concedeu ao engenheiro- militar norte-americano, coronel George Earl Church, autorização para que fosse constituída, sob sua direção, uma empresa de navegação entre os rios Mamoré e Madeira. O coronel George Earl Church fudou então a National Bolivian Navigation Company, com a finalidade de explorar o transporte de passageiros em ambos os rios e construir os canais necessários nas cachoeiras do Madeira. Entretanto, ao buscar financiamento junto aos bancos da Inglaterra, deparou- se com a resistência dos financistas londrinos, que preferiam apoiar a construção da estrada de ferro, prevista no segundo projeto boliviano. Essa decisão dos banqueiros ingleses foi baseada, principalmente, no fato de a Inglaterra ser, na época, o maior produtor de vagões e locomotivas do mundo, além de controlar toda a importação de borracha da Amazônia. Nesse sentido, a construção de uma ferrovia daria aos ingleses excelente oportunidade de ampliar sua influência política e econômica na região. Em função do trajeto da estrada de ferro ser totalmente em território brasileiro, tornava-se necessário que o Brasil desse autorização para que as obras fossem iniciadas. Isto ocorreu no dia 20 de abril de 1870, através do Tratado de Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição, firmado entre o governo brasileiro e a República da Bolívia, em La Paz. Por esse tratado, o Brasil exigiu que a razão social da empresa National Bolivian Navigation Company fosse mudada para The Madeira and Mamoré Railway Company. Em consequência, no dia 1º de março de 1871, foi constituída a empresa The Madeira and Mamoré Raiway Company Ltda., sob a presidência do Coronel George Earl Church, que levantou, junto aos banqueiros ingleses, um financiamento, com aval do governo boliviano, para a construção da ferrovia. Por exigência desses banqueiros, o coronel George Earl Cchurch contratou a empreiteira Public Works Construction Company, de Londres, por 600 mil libras esterlinas. Essa empresa instalou seu canteiro de obras na localidade de Santo Antônio, em 06 de julho de 1872, e deu início à primeira fase de construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Para facilitar o acesso à localidade de Santo Antônio do Rio Madeira o governo imperial brasileiro, sob pressão da Inglaterra e dos Estados Unidos da América, baixou o decreto- lei nº 5.024, de 15 de janeiro de 1873, que permitia aos navios mercantes, de todas as nações, subirem o rio Madeira e atracarem no porto conhecido como “Porto dos Vapores”, para embarque e desembarque de cargas destinadas ou procedentes da Bolívia. Em seguida, instalou um posto da alfândega brasileira para a arrecadação de tributos originados das importações e exportações. Mas, os serviços da Public Works Construction Company duraram apenas um ano. Em 09 de julho de 1873 a empresa rompeu o contrato, pressionada por enormes prejuízos, pelas dificuldades estruturais do local onde deveria ser instalada a estação inicial da ferrovia, pelos violentos ataques dos índios Caripunas aos trechos em obra, e pelas doenças regionais que mataram dezenas de trabalhadores. Para piorar a situação, os acionistas da extinta National Bolivian Navigation Company, inconformados com a construção da ferrovia, moveram diversas ações na justiça inglesa, pelo embargamento das obras. Essas adversidades levaram a Public Works Construction Company a abandonar máquinas e equipamentos e deixar a região, definitivamente, em janeiro de 1874. Essa foi a única

vez na história da estrada de ferro Madeira-Mamoré em que houve a participação de uma empresa inglesa em sua construção. Após o fracasso da Public Works Construction Company, o coronel George Earl Church contratou, em 17 de setembro de 1873, a empreiteira norte-americana Dorsey and Caldwell, que chegou em Manaus em 1874. No entanto, essa empresa não se instalou na região. Informados das imensas dificuldades estruturais do local e das graves condições sanitárias do povoado de Santo Antônio, os diretores da Dorsey and Caldwell decidiram retornar aos Estados Unidos e transferiram o contrato para a empreiteira inglesa Reed Brothers and Company, que apenas pretendia especular e receber possíveis indenizações contratuais. Com o apoio do imperador D. Pedro II, o coronel Geroge Earl Church contratou, em 25 de outubro de 1877, a empresa norte-americana P.T Collins, da Filadélfia, com larga experiência no ramo de construção de ferrovias. A 19 de

fevereiro de 1878, a P.T Collins instalou seu canteiro de obras na localidade de Santo Antônio do Rio Madeira. Apesar de enfrentar problemas semelhantes ao da empreiteira que a antecedeu, a P.T. Collins deu um novo impulso às obras da ferrovia. Primeira empreiteira norte-americana a realizar uma grande obra dos Estados Unidos da América, essa empresa trouxe para a região a primeira locomotiva e contratou os primeiros operários brasileiros para as obras da ferrovia, cerca de quinhentos cearenses, que chegaram ao canteiro de obras em outubro de 1878. A despeito de todos os esforços para cumprir seu contrato, a P.T. Collins não resistiu aos graves problemas que teve de enfrentar. Com o crédito cortado, envolvida em pesadas dívidas, revoltas e fugas de operários, doenças regionais e ataques de índios, viu-se forçada a encerrar suas atividades na região. Por outro lado, os insistentes acionistas da empresa National Bolivian Navigation Company conseguiram na justiça inglesa sentença favorável ao embargo das obras da ferrovia.

O proprietário da empresa, Mr. Philips Thomas Collins, em

razão das graves dificuldades financeiras e operacionais, instalou-se na região para dirigir os trabalhos pessoalmente. Entretanto, foi flechado pelos índios Caripunas e ficou gravemente ferido. Em seguida, a empresa abandonou as obras, e, posteriormente, entrou em concordata, devido aos enormes prejuízos e às diversas ações judiciais que teve de defender nas justiças inglesa e norte-americana. Após todos esses fracassos, o governo imperial brasileiro cancelou a permissão concedida ao coronel George Earl Church. Mas, em 15 de maio de1882, se restabeleceram os estudos para a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Em 25

de novembro do mesmo ano, foi criada uma comissão de estudos chefiada pelo engenheiro sueco, naturalizado brasileiro, Carlos Morsing, com a finalidade de projetar uma nova rota para a ferrovia. A Comissão Morsing, como ficou nacionalmente conhecida, instalou-se em Santo Antônio do Rio Madeira em 10 de janeiro de 1883. Dois meses depois,

retornou ao Rio de Janeiro com o resultado de 112 quilômetros

de trecho explorado e a recomendação técnica para que fosse

alterada a localização da estação inicial da ferrovia. Apesar de ter permanecido somente dois meses na região, a Comissão Morsing sofreu pesadas baixas, entre as quais as mortes dos engenheiros Pedro Leitão da Cunha, Alfredo Índio do Brasil e Silva, E Thomas Pinto Cerqueira, vítimas de doenças regionais. Outra comissão foi criada sob a chefia do engenheiro austríaco Júlio Pinkas. Entretanto o resultado dos seus estudos

foram colocados sob suspeita pelo governo brasileiro. O governo boliviano foi obrigado a arquivar seu ambicionado projeto de construir a estrada de ferro Madeira-Mamoré, que, nesta primeira fase, teve como saldo diversos contratos rompidos, vários técnicos e operários mortos e inúmeros processos nas justiças americana, inglesa e brasileira.

APOSTILAS OPÇÃO

 

A Guerra do Acre

tornavam-se mais frequentes e acirrados. No entanto, foi somente quando o presidente da Bolívia, general José Manuel Pando, organizou, sob seu comando, uma poderosa expedição

O

espaço físico que constitui o Estado do Acre, era, até o

início deste século, considerado uma zona não descoberta, um território contestado pelos governos boliviano e brasileiro. Por sua vez, o Brasil utilizava aquela região como um grande

militar para combater os brasileiros do Acre, que o presidente

do

Brasil, Rodrigues Alves, ordenou que tropas do Exército e

da

Armada Naval, acantonadas no Estado de Mato Grosso,

presídio a céu aberto, para onde enviava prisioneiros políticos

avançassem para a região em defesa dos seringueiros

criminosos comuns. Entretanto, rico em seringueiras, o Acre

recebeu na segunda metade do século XIX, milhares de nordestinos em busca de trabalho em seus seringais. Prisioneiros, exilados políticos e trabalhadores nordestinos misturavam-se nos seringais do Acre, fundavam povoações, avançavam e se estabeleciam em pleno território boliviano. Isto, naturalmente, desagradava ao governo daquele país que invocou velhos tratados, de duvidosa interpretação, e resolveu tomar posse definitiva do Acre. Fundou a vila de Puerto Alonso, em 03 de janeiro de 1889, e instalou postos da

e

acreanos. O enfrentamento de tropas regulares do Brasil e da Bolívia gerou a Guerra do Acre.

As

tropas brasileiras, formadas por dois regimentos de

infantaria, um de artilharia e uma divisão naval, ajudaram Plácido de Castro a derrotar o último reduto boliviano no Acre, Puerto Alonso, hoje Porto Acre. Ao alvorecer do dia 24 de janeiro de 1903, às margens do rio Acre, tremulou vitoriosa a

bandeira acreana. O acre era do Brasil. Em consequência, no

dia

17 de novembro de 1903, na cidade de Petrópolis, à rua

Westphalia, nº 05, no Rio de Janeiro, a repúblicas do Brasil e

alfândega para arrecadar tributos originados da comercialização de borracha silvestre. Essa atitude causou revolta entre os quase sessenta mil brasileiros que trabalhavam nos seringais acreanos. Liderados pelo seringalista José Carvalho, do Amazonas, os seringueiros rebelaram-se e expulsaram as autoridades bolivianas, em 03 de maio de 1889. Mas, foi um espanhol chamado Luiz Galvez Rodrigues de Aurias quem liderou outra rebelião, de maior alcance político, proclamou a independência e instalou o que ele chamou de República do Acre, no local conhecido como Seringal Volta da Empresa, em 14 de julho de1889. Galvez, o “Imperador do Acre “, como auto proclamava-se, contava com o apoio político do governador do Amazonas, Ramalho Junior. Entretanto, a República do Acre durou apenas oito meses. O governo brasileiro, signatário do Tratado de Ayacucho, de 23 de março de 1867, reconheceu o direito de posse da Bolívia, prendeu Luiz Galvez Rodrigues de Aurias e devolveu o Acre ao governo boliviano. Todavia, a situação continuava insustentável. O clima de animosidade persistia e aumentava a cada dia. Em 11 de julho de 1901, o governo boliviano decidiu arrendar o Acre a um grupo de capitalistas americanos, ingleses e alemães, formado pelas empresas Conway and Withridge, United States Rubber Company, e Export Lumber. Esse consórcio constituiu o temível Bolivian Syndicate que recebeu da Bolívia autorização para colonizar a região, explorar o látex e formar sua própria milícia, com direito de utilizar a força para atender seus interesses. Ou seja. Obteve plenos poderes para assumir o controle econômico e exercer a autoridade civil nas terras do Acre. Os seringueiros brasileiros, a maior parte formada por nordestinos, não aceitaram aquela situação. Estimulados por

da

Bolívia firmaram o Tratado de Petrópolis, através do qual o

Brasil ficou de posse do Acre, assumindo o compromisso de

pagar uma indenização de dois milhões de libras esterlinas ao governo boliviano e mais 114 mil ao Bolivian Syndicate.

O

tratado de Petrópolis, aprovado pelo Congresso

brasileiro em 12 de abril de 1904, também obrigou o Brasil a

realizar o antigo projeto do governo boliviano de construir a estrada de ferro Madeira-Mamoré. A Bolívia, aproveitando-se

do

momento político, colocou na pauta de negociações seu

ambicionado projeto. Em contrapartida, reconheceu a

prioridade de chegada dos primeiros brasileiros à região e renunciou a todos os direitos sobre as terras do Acre.

O

Tratado de Petrópolis proporcionou o surgimento no

Brasil, do primeiro Território Federal: o Acre, em 1903. Com o

crescimento da produção de látex, a região acreana produziu 47 mil toneladas de borracha silvestre, somente em 1910, o que representou cerca de sessenta por cento de toda a produção amazônica.

A Ferrovia Madeira-Mamoré fica pronta

O

Tratado de Petrópolis, firmado pelos governos brasileiro

e boliviano em 17 de novembro de 1903, definiu a situação política, administrativa e geográfica do Acre e obrigou o Brasil

a

construir a ferrovia Madeira-Mamoré, em terras

pertencentes ao estado do Mato Grosso. Sua estação inicial deveria localizar-se na vila de Santo Antônio do Rio Madeira, última fronteira do Mato Grosso com o Amazonas, e a estação terminal na localidade de Porto Esperidião Marques, às margens do rio Mamoré. Portanto, quarenta e dois anos depois

das

primeiras tentativas, a Bolívia finalmente iria conquistar

caminho para o Oceano Atlântico, via rio Madeira. Para cumprir as determinações do Tratado de Petrópolis o governo brasileiro realizou a licitação das obras da ferrovia, cujo edital foi publicado em 12 de maio de 1905. Aberta somente a empresários brasileiros, a concorrência teve dois participantes, os engenheiros Raimundo Pereira da Silva e Joaquim Catramby. Contemplado, soube-se que Joaquim

seu

grandes seringalistas e apoiados pelos governadores do Amazonas e do Pará, deram início, no dia 06 de agosto de 1902,

a

uma rebelião armada: a Revolta do Acre. Os seringalistas

entregaram a chefia do movimento rebelde ao gaúcho José Plácido de Castro, ex-major do Exército, rebaixado a cabo por haver participado da Revolução Federalista do Rio Grande do

Sul, ao lado dos Magaratos. Plácido de Castro tinha, na época, 29 anos de idade e estava auto exilado há três anos no Acre, trabalhando como seringueiro.

Catramby concorreu com intuitos meramente especulativos,

qualidade de testa-de-ferro do poderoso magnata norte-

americano Percival Farquhar, a quem transferiu o contrato tão logo recebeu a homologação da concorrência.

na

 

A

Revolta por ele liderada, financiada por seringalistas e

por dois governadores de Estado, fortalecia-se a cada dia, na medida em que recebia armamentos, munições, alimentos, além de apoio político e popular. Em todo o país ocorreram manifestações em favor da anexação do Acre ao Brasil. A imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo exigia do governo brasileiro imediata providências em defesa dos acreanos. Por seu lado, o governo brasileiro procurava solucionar o impasse pela via diplomática, tendo à frente das negociações o diplomata José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco. Mas, todas as tentativas eram inócuas e os combates entre brasileiros e os combates entre brasileiros e bolivianos

O

objetivo de Percival Farquhar era controlar todo o

sistema ferroviário da América Latina. Por isso, ele constituiu

a

EMPRESA Madeira-Mamoré Railway Company, na qual

investiu, inicialmente, onze milhões de dólares, financiados pelo Bank of Scotland, e contratou os serviços do grupo de

empreiteiras Robert May e ªB. Jeckyll. A esse grupo associou-

se

posteriormente o empreiteiro John Randolph. Desta forma

constituiu-se a empresa May, Jeckyll & Rondolph que, em 1906, instalou seu canteiro de obras na localidade de Santo

Antônio do Rio Madeira.

APOSTILAS OPÇÃO

A empreiteira May, Jeckyll & Rondolph enfrentou sérias

dificuldades operacionais, devido à localização geográfica do povoado de Santo Antônio e de suas péssimas condições sanitárias, ao trecho encachoeirado do rio Madeira e às doenças regionais, como a malária e o beribéri, que mataram centenas de operários em pouco tempo. Por tudo isto, a direção da empresa decidiu modificar o cronograma da ferrovia, mesmo ferindo cláusulas contratuais, haja vista as condições gerais da localidade de Santo Antônio do Rio Madeira inviabilizarem completamente a execução e a administração da obra. Autorizada por Percival Farquhar e pelo governo brasileiro, a May, Jeckyll & Randolph transferiu, em 19 de abril de 1907, suas instalações para o porto amazônico situado sete quilômetros da jusante da cachoeira de Santo Antônio, no local conhecido como Porto Velho, onde implantou o centro administrativo, construiu o cais, residências para técnicos, e

deu início, em junho do mesmo ano, a construção da estação

inicial da ferrovia Madeira-Mamoré. Com essa atitude, foram alterados o cronograma inicial da ferrovia em sete quilômetros, sua rota e, sobretudo, a localização de sua estação inicial, antes prevista para ser construída em terras pertencentes ao estado de Mato Grosso, passava então a situar-se em terras do Amazonas. Através do decreto-lei nº 6.775, de 28 de novembro de 1907, o governo brasileiro autorizou à empresa The Madeira-Mamoré Railway Company Ltda., a funcionar no Brasil.

É muito difícil avaliar as dificuldades enfrentadas pela

empresa May, Jeckyll & Randolph para executar este grandioso empreendimento em condições tão adversas para técnicos e operários. A construção da ferrovia Madeira-Mamoré bateu o recorde mundial de acidentes de trabalho, e teve centenas de homens mortos ou desaparecidos na imensidão da floresta e nas viagens para a região. No ano de 1908, a May, Jeckyll & Randolph contratou operários espanhóis dispensados das construções ferroviárias que o grupo realizava em Cuba. No entanto, de um total de trezentos e cinquenta homens, somente setenta e cinco chegaram a Porto Velho. O restante desistiu no Porto de Belém, em razão das notícias sobre as doenças regionais que ceifavam a vida dos operários e dos constantes ataques dos índios Caripunas aos trechos em obras. Realmente era muito grave a questão de saúde na região. Em apenas três meses de trabalho já existiam inúmeros operários doentes, o que levou à empresa a construir, entre os povoados de Porto Velho e de Santo Antônio, o Hospital da Candelária, que chegou a ter onze médicos. Mas, nem eles resistiram. Três morreram e dois ficaram inválidos. Em 1909, os médicos do hospital da Candelária, todos norte-americanos, declararam-se sem condições de combater as doenças regionais, por desconhecerem os tipos de males que afetavam os operários da Madeira-Mamoré. Por isto, solicitam que a empresa contratasse os serviços do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz. Aos 37 anos de idade, o Dr. Oswaldo Cruz chegou a Porto Velho no dia 09 de julho de 1910, acompanhado por seu médico particular, Dr. Belizário Pena. Após profundos estudos sobre a região, o grande sanitarista concluiu que as doenças regionais, como a malária e o beribéri, eram conhecidas e tinham tratamento. Em seu relatório, afirmou que o lento progresso das obras da ferrovia, que avançava apenas cerca de cento e noventa metros por semana, não era provocado por essas doenças e sim pelas péssimas condições de vida e trabalho a que eram submetidos os operários da Madeira-Mamoré. Outro problema de saúde que afetava os operários eram os “demônios”, um tipo desconhecido de loucura que os atacava sistematicamente nos trechos em obra e provocava terríveis alucinações. Para combater os índios Caripunas, que, além de flechar os operários também arrancavam os trilhos e dormentes da ferrovia à noite, a direção da empresa mandava a segurança eletrificar os trilhos ao final de cada jornada diária de trabalho.

Em pouco tempo, centenas de índios foram mortos eletrocutados, o que provocou um verdadeiro genocídio.

No dia 30 de abril de 1912, a May, Jeckyll e Randolph

entregou a estação terminal Mamoré, localizada no porto mato-grossense de Esperidião Marques, onde está situada a cidade de Guajará-Mirim. Entre entusiasmados discursos das autoridades presentes que saudavam o término da construção dos 364 quilômetros de via férrea, um prego de ouro foi simbolicamente batido no último dormente. A ferrovia Madeira-Mamoré foi inaugurada no dia 1º de agosto de 1912. A soma de dificuldades que acompanhou toda a construção da ferrovia Madeira-Mamoré deu-lhe um aspecto

exageradamente catastrófico, no Brasil e no exterior. Por tudo

o que ocorreu, a Madeira-Mamoré recebeu várias

denominações que procuravam identificá-la muito mais com seus graves problemas do que com seus posteriores benefícios sociais, políticos e econômicos. Entre os diversos epítetos que

recebeu, estão: “Estrada dos Trilhos de Ouro”, “Ferrovia do Diabo”, “Ferrovia de Deus”, e “Ferrovia da Morte”, que serviram para ligar sua construção aos seus dramas. Dizia-se também que cada um dos seus dormentes representa uma vida, para avaliar de forma exagerada o número de trabalhadores mortos durante suas obras. Entre 1920 e 1922, a ferrovia Madeira-Mamoré sofreu uma modificação de rota. Nesse período foi construída uma variante entre os quilômetros 237 e 242, no setor Penha Colorada, devido à proximidade do barranco do rio Madeira e ao perigo que isto causava. Essa nova rota acrescentou 2.485 metros à extensão da ferrovia, que passou a ter os 366.485 metros atuais. Considerada maldita desde a primeira fase de sua construção, a Madeira-Mamoré manteve esse estigma mesmo após ter sido festivamente inaugurada. A conclusão de suas obras praticamente coincidiu com o fim do Ciclo da Borracha na Amazônica, e quase nada mais havia para ser transportado para Manaus e Belém. Na verdade, a Madeira-Mamoré não atingiu os objetivos para os quais fora construído. Vários

fatores contribuíram para isso. A Bolívia, maior interessada, não ligou por rodovias o Departamento (estado) do Beni, principalmente a cidade de Guaramirim, com os centros mais importantes do país, como Santa Cruz de La Sierra e La Paz, o que deixou a estação terminal Mamoré completamente isolada. Além disso, outras duas ferrovias foram construídas

na Cordilheira dos Andes: a La Paz / Arica, em 1913, e a

Tupiza/Buenos Aires, em 1915, e o Canal do Panamá também já estava em pleno funcionamento. Tudo isto facilitava o acesso da Bolívia ao Oceano pacífico, e tornava desnecessário

investir na antiga rota do Oceano Atlântico, via rio madeira. Conforme previsto no contrato de construção, o controle da ferrovia, assim como a exploração do transporte de carga e passageiros, ficou por conta da empresa norte-americana The Madeira-Mamoré Railway Company. O governo brasileiro concedeu a administração da ferrovia a essa empresa por um prazo de sessenta anos, a contar de 1º de julho de 1912, de acordo com o contrato de arrendamento firmado nos termos do decreto-lei nº 7.344, de 25 de fevereiro de 1909.

A Madeira-Mamoré finalmente ficou pronta. Nela

trabalharam cerca de vinte e dois mil operários, recrutados em portos de vinte e cinco países, e até em prisões. Eram portugueses, espanhóis, italianos, russos, cubanos, mexicanos, porto-riquenhos, libaneses, sírios, índios norte-americanos, nordestinos brasileiros, antilhanos, granadenses,

tobaguenses, barbadianos, noruegueses, poloneses, chineses e indianos. Estigmatizada, polêmica, criticada no Brasil e no exterior, com má fama e sem ter atingido seus objetivos, a estrada de ferro Madeira-Mamoré tornou-se, paradoxalmente, fundamental para a formação econômica, social, geográfica e política de Rondônia, por ter estimulado a fixação do primeiro povoamento urbano desta região.

APOSTILAS OPÇÃO

Ao longo do seu trecho surgiram núcleos habitacionais como Porto Velho, Jaci-Paraná, Vila Murtinho, Mutum-Paraná, Abunã, e Guajará-Mirim. Destes, os que mais se desenvolveram foram Porto Velho, onde ficou sua estação inicial, e Guajará- Mirim, sede de sua estação terminal. Durante muitos anos a maior reta ferroviária do mundo ficava no trecho Mutum- Paraná / Abunã, como cinquenta e um quilômetros de extensão.

O Magnata que perdeu um Império - Percival Farquhar

Filho de pais milionários, o norte-americano Percival Farquhar nasceu na Pensilvânia, dia 19 de outubro de 1864. Engenheiro civil, formado pela Universidade de Yale, EUA, desfrutava de grande prestígio em Wall Street, na Bolsa de Valores de Nova York. Foi graças a esse prestígio que se tornou vice-presidente da Atlantic Coast Elétrica Railway Company e

da Staten Island Eletric Railway, que controlavam o serviço e

bondes na cidade de Nova York. Ao raiar do século XX, Percival Farquhar já era diretor da Companhia de Eletricidade de Cuba

e vice-presidente da Guatemala Railway, e lançou-se à

construção de seu grande sonho: controlar todo o sistema ferroviário da América-Latina. A partir de 1904, começou a construir seu império brasileiro, quando, ainda sem conhecer o Brasil, comprou a Rio de Janeiro Light & Power Company e

as concessões da Societé Anonyme du Gaz. No ano seguinte, comprou, na Alemanha, a Brasilianische Elektriztatsgesellshft, empresa que deu origem à Companhia Telefônica Brasileira. Em 1905, organizou a Bahia Tramway Ligth & Power Companhy e obteve a concessão das obras do porto de Belém do Pará. No ano seguinte, ganhou a licitação para a construção da estrada de ferro São Paulo / Rio Grande

do Sul, comprou vinte e sete por cento das ações da ferrovia Mogiana e trinta e oito por cento das da Paulista, ambas em São Paulo. Em seguida, constituiu as empresas Companhia de Navegação do Amazonas, Amazon Development Company, e Amazon Land & Colonization Company. Em 1907 fundou a empresa The Madeira-Mamoré Railway Company e adquiriu do brasileiro Joaquim Catramby, os direitos de construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré,

na qual aplicou, inicialmente, onze milhões de dólares. Empreendedor decidido, o “Último Titã”, como era chamado pela imprensa norte-americana, além de comandar a épica construção da ferrovia Madeira-Mamoré foi o responsável pelo surgimento da cidade de Porto Velho, na madeira em que, naquele ano autorizou à empreiteira May, Jeckyll & Randolph a transferir a estação inicial da estrada de ferro Madeira-Mamoré, do povoado de Santo Antônio, pertencente ao mato Grosso, para o local situado a sete quilômetros cachoeira abaixo, em terras do Amazonas. Com essa decisão, ele não apenas alterou a rota e a distância dos pontos extremos da ferrovia, como proporcionou o surgimento de Porto Velho como núcleo habitacional. Para isto, contratou, em Belém, mais de uma centena de trabalhadores para o desmatamento da área onde seriam implantados o centro administrativo, a estação inicial da ferrovia, as oficinas e as casas para técnicos e operários. Em 1908, ordenou que fossem traçadas ruas e avenidas com a finalidade de organizar a cidade que ele imaginava surgir. No entanto, o criador de Porto Velho jamais esteve na região. Baseava-se exclusivamente em Belém, de onde comandava seu império amazônico. Percival Farquhar continuou ampliando seus domínios no Brasil. Em 1911, fundou a Southern Brazil Lumber & Colonization, com o objetivo de explorar madeira em larga escala no Paraná. Para construir a estrada de ferro São Paulo / Rio Grande do Sul, recebeu do governo federal uma faixa de terra de trinta quilômetros de largura, equivalente a 180 mil hectares, que atravessava quatro Estados, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grandes do Sul, onde instalou dezenas

de serrarias e explorava o comércio de madeira. A partir de então, gerou-se um problema de graves proporções. A Southern Brazil Lumber & Colonization, subsidária da Brazil Railway Company, também de propriedade de Farquhar, utilizou em exército de jagunços e expulsou os posseiros da região para, mais tarde, vender as terras a colonos portugueses e alemães. Além disso, essa empresa contratou milhares de homens no Rio de Janeiro e em Pernambuco, para trabalharem nas obras da ferrovia São Paulo / Rio Grande do Sul e na exploração da madeira. No final das obras, demitiu oito mil operários e não os reconduziu aos seus Estados de origem. Formou-se assim, uma massa de desempregados, humilhados e arruinados que reacenderam a velha questão do Contestado, uma briga de limites entre Santa Catarina e o Paraná, iniciada em 1747, de caráter religioso, que haja sido ganha pacificamente por Santa Catarina, em 1904. Percival Farquhar, na ânsia de dominar tudo, foi um dos principais responsáveis pela reativação da guerra civil do Contestado, que custou ao Brasil três mil contos de réis, uma verdadeira fortuna na época, cinco anos de luta e vinte mil homens mortos. Visando ampliar seus domínios nas terras rondonienses e dinamizar as ações da empresa The Madeira-Mamoré Railway Company, ele comprou dois grandes seringais: o Seringal Júlio Muller State, que se estendia do rio Mutum-Paraná até Guajará-Mirim, e o Seringal Guaporé Rubber State, cuja área abrangia de Guajará-Mirim à localidade de Príncipe da Beira. Também comprou em 1912, a Fazenda do Descalvado com cem mil reses, no sertão dos Parecis, adquirida do sindicato belga “Produtis Cibilis”. É inegável que ele desfrutava de imenso prestígio no Brasil. Em reconhecimento por seus serviços, o governo brasileiro concedeu-lhe sessenta mil quilômetros quadrados de terras no extremo norte do país. Nada menos que todas as terras formadoras do Amapá. Mas, o azar de Percival Farquhar foi a bolsa de valores de Nova York. Em 1913, por dificuldades financeiras ou ambição, não se sabe ao certo, ele jogou todos os seus títulos e perdeu tudo. Ficou arruinado, mas não se afastou do Brasil. Seis anos depois, fundou a Itabira Iron Ore Company e, como última investida, criou a Acesita. No dia 04 de agosto de 1953, o ex-dono da Madeira-Mamoré, responsável pelo surgimento de Porto Velho como núcleo habitacional, faleceu em Nova York, aos 89 anos de idade, após uma cirurgia mal sucedida no cérebro, na simples condição de diretor assalariado de suas ex-empresas, que fundou e perdeu em Wall Street.

A Comissão Rondon

Paralelamente à construção da ferrovia Madeira-Mamoré e a ocupação da região do Alto Madeira, uma outra ação política contribuiu para aumentar a densidade demográfica das terras que constituem o Estado de Telegráficas Estratégicas do Mato Grosso ao Amazonas, seção Cuiabá/Santo Antônio do Rio Madeira, com ramal em Guajará- Mirim. Criada pelo presidente da República, Afonso Pena, essa Comissão tinha por finalidade implantar linhas e estações telegráficas nos sertões mato-grossenses. Seus pontos extremos ficavam em Cuiabá e na Vila de Santo Antônio do Rio Madeira, localizada à margem direita do rio Madeira, à sete quilômetros da fronteira do Estado do Mato Grosso com o do Amazonas. O comando de tão importante missão foi entregue ao militar e sertanista Cândido Mariano da Silva Rondon, oficial do Exército e engenheiro-militar, de quem a Comissão herdou o próprio nome. Ficou nacionalmente conhecida como Comissão Rondon. Além de implantar as linhas telegráficas, a Comissão Rondon exerceu outras importantes funções nos sertões mato- grossenses, como o reconhecimento de fronteiras, inclusive entre os seringais da região, as determinações geográficas, o

APOSTILAS OPÇÃO

estudo e a pesquisa de riquezas minerais, do solo, do clima, das florestas, dos rios conhecidos e dos que foram descobertos. O estudo do meio-ambiente e do ecossistema também fazia parte

de suas ações. Entre 1908 e 1915, a Comissão catalogou 350

espécies de árvores e colecionou 752 tipos de animais e insetos. Outra proposta da Comissão Rondon era estimular a ocupação humana da região, definitivamente, a partir de suas estações telegráficas e da construção de trechos de estradas que lhe davam acesso. Formada basicamente por militares e civis indicados pelo governo ou escolhidos por seu próprio chefe, a Comissão Rondon também recebia prisioneiros políticos e criminosos comuns, desterrados para o Amazonas ou Acre. Estes, eram requisitados nos navios ou já vinham previamente destinados para realizar os serviços mais pesados. Portanto, era comum ocorrerem motins, deserções e sabotagens. Esses casos eram severamente punidos com castigos físicos, muitas vezes aplicados pelo próprio Rondon. O principal objetivo da Comissão Rondon era o de ligar, pelo fio telegráfico, os territórios do Amazonas e do Mato Grosso, completando o trecho Cuiabá / Rio de Janeiro. Para cumprir sua missão, Cândido Mariano da Silva Rondon penetrou nos sertões dos Parecis com destino ao vale do Madeira, no início de 1907. No dia 1º de agosto daquele ano, alcançou o vale do Juruena. No dia 7 de setembro de 1908 foi inaugurado o destacamento central de Juruena, sob o comando do tenente Joaquim Ferreira da Silva. Em 12 de outubro de 1911, era inaugurada a Estação Telegráfica de Vilhena, cuja denominação foi uma homenagem de Rondon ao seu ex-chefe, Álvaro Coutinho de Melo e Vilhena, maranhense, engenheiro- chefe da Organização da Carta Telegráfica Pública. A partir de então, formou-se uma coincidência histórica: no mesmo período em que na região do Alto Madeira ocorria a épica construção da ferrovia Madeira Mamoré e Porto Velho surgia como núcleo habitacional, uma outra epopeia tinha início nos sertões do Parecis que deu origem ao povoamento da região onde se ergueria a cidade de Vilhena. A Comissão Rondon empreendeu várias expedições. A que

se dirigiu a Santo Antônio do Rio Madeira, conhecida como

Seção Norte, ficou constituída por quarenta e dois homens, comandada pelo próprio Rondon e tinha os seguintes chefes:

Dr. Alípio Miranda Ribeiro, geólogo; Dr. Joaquim Augusto Tanajura, médico; tenentes João Salustiano Lira, astrônomo; Emanuel Silva do Amarantes e Alencarliense Fernandes Costa, topógrafos, além de Antônio Pirineus de Souza, chefe de comboio. Todas as atividades da Comissão Rondon eram documentadas pelos fotógrafos Luiz Leduc e Benjamim Rondon e pelo cinegrafista Luiz Thomas Reis. Posteriormente, formou-se uma segunda expedição para o mesmo percurso, na qual foram incluídos o farmacêutico Canavários e o tenente Antônio Vilhena. Em 13 de junho de 1913 a Comissão Rondon inaugurou a Estação Telegráfica do Jamary. No ano seguinte era inaugurada a Estação Provisória de Santo Antônio do Rio Madeira. Para instalar os postes, os fios telegráficos e as estações, a Comissão Rondon levou, somente no ano de 1914, sete meses e nove dias para percorrem o trecho Vilhena / Vila de Santo Antônio. Foram 1.297 quilômetros por terra e 1.138 por via

fluvial, em canoas. Destes, 713 pelo rio Ji-Paraná, 135 pelo Jaru,

e 290 pelo Jacy-Paraná. Acrescentem-se ainda duzentos

quilômetros percorridos nas variações estudadas. No total foram 2.635 quilômetros explorados em terras dos sertões mato-grossenses. Entre abril e dezembro de 1914 foram construídos 372.235 metros de linha telegráfica e inauguradas as estações de Jaru, Pimenta Bueno, Presidente Hermes e Presidente Pena.

5 Texto adaptado de Pioneiros. Ocupação Humana e Trajetória Política de Rondônia - Francisco Matias (1998).

No dia 1º de janeiro de 1915, em solenidade na Câmara Municipal de Santo Antônio do Rio Madeira, o então major

Cândido Mariano da Silva Rondon inaugurou a Linha Telegráfica Estratégica Cuiabá / Santo Antônio, com ramal em Guajará-Mirim. A missão estava cumprida. Naquele dia, Rondon recebeu uma comitiva da associação comercial da Vila de Santo Antônio, que lhe entregou um cartão de ouro, simbolizando a gratidão dos munícipes. Em 1916, Rondon inaugurava a Estação Telegráfica de Ariquemes, na região que os seringueiros denominavam “Papagaio”, às margens do rio Jamary. Os objetivos da Comissão Rondon foram alcançados. As linhas telegráficas foram implantadas e o processo de ocupação humana da região ganhou um novo modelo, a partir das estações telegráficas que geraram em suas cercanias importantes aglomerados urbanos. Ao longo do tempo, a maioria desses núcleos foram transformados em vilas, cidades

e em grandes municípios como Vilhena, Pimenta Bueno,

Presidente Hermes, (hoje Presidente Médici). Presidente Pena,

(hoje Ji-Paraná), Jarú, e Ariquemes. O povoamento inicial ao redor das estações telegráficas era feito através dos picadões de quarenta metros, abertos para que em seu eixo fossem plantados os postes que sustentavam os fios telegráficos. Assim, a Comissão Rondon constituiu-se em uma nova via de comunicação terrestre, na medida em que modificou as trilhas primitivas então existentes. A esta nova via de acesso os seringueiros chamavam “O Fiel de Rondon”, posto que, passaram a orientar-se pelos picadões, pelos postes,

e, sobretudo, pelos fios telegráficos que chamavam de “As

Línguas de Mariano”, em virtude do grande desbravadores preferir ser tratado pelo seu segundo nome, Mariano. Coube ao etnólogo Roquette Pinto, legionário da Comissão Rondon, o entendimento da função política dos picadões abertos pela comissão chefiada por Cândido Mariano da Silva Rondon, ao designa-los “A Estrada de Rondon” ou simplesmente “Rondônia”, que se construiu a partir de 1932, a rodovia BR-364, a estrada de Rondon. Mas, a Comissão Rondon teve sérias complicações de ordem política. Foi severamente criticada e perseguida pelo governo revolucionário de Getúlio Vargas, a partir de 1930, que culminou com a prisão do general

Rondon e a quase destruição das estações e linhas telegráficas.

O governo Vargas transformou a estrutura das estações

telegráficas da Comissão Rondon, setor Cuiabá / Santo Antônio do Rio Madeira, no 3º Distrito Telegráfico de Mato Grosso, sob a chefia do capitão Aluízio Pinheiro Ferreira.

O Marechal Rondon 5

Cândido Mariano da Silva, nasceu na sesmaria do Morro Redondo, localidade de Mimoso, arredores de Cuiabá, MT, no dia 05 de maio de 1865. Aos 16 anos de idade era professor primário. Órfão de pai, foi adotado por um tio, de quem incorporou o nome Rondon, aos 25 anos de idade. Formou-se oficial do Exército e engenheiro-militar, diplomado em matemática e ciências físicas e naturais na Escola Militar do Rio Vermelho, no Rio de Janeiro. Como 2º tenente participou

da proclamação da República, ao lado do Marechal Deodoro da

Fonseca. Em 1890 retornou a Cuiabá e, por indicação do tenente-coronel Benjamin Constante, foi nomeado ajudante- de-ordem do tenente-coronel Antônio Ernesto Gomes Carneiro, chefe da Comissão Construtora das Linhas Telegráficas Estratégicas de Goiás ao Mato Grosso. No ano de 1900, no posto de major, Rondon assumiu a chefia desta Comissão em substituição a Gomes Carneiro, destacado para comandar as tropas federativas que lutavam no Rio Grande do Sul, onde veio a falecer. Nesse cargo, que exerceu até 1906, Rondon instalou 11.800 quilômetros de linhas telegráficas. Em 1907, o presidente da República,

APOSTILAS OPÇÃO

Afonso Pena, em reconhecimento aos seus serviços, nomeou-o chefe da Comissão Construtora das Linhas Telegráficas Estratégicas do Mato Grosso ao Amazonas, com a missão de ligar a Bacia do Prata à do Amazonas. Essa comissão ficou internacionalmente conhecida por Comissão Rondon. Para implantar a linha telegráfica, seção Cuiabá / Santo Antônio do Rio Madeira, com ramal em Guajará-mirim, a primeira expedição da Comissão Rondon chegou ao sertão dos Parecis em 07 de setembro de 1907, fixou acampamento às margens do rio Juruena e implantou a primeira estação telegráfica. No ano seguinte, Rondon organizou sua segunda expedição. Em 1908, com a terceira, alcançou o vale do Madeira. No dia 25 de dezembro daquele ano, já estava na Vila de Santo Antônio do Rio Madeira, ponto final da sua missão. Por volta de 1916, o mato Grosso e parte do Amazonas estavam ligados ao restante do país por linhas telegráficas. Foram 2.270 quilômetros de linhas e vinte e oito estações telegráficas implantadas. Militar e sertanista, Cândido Mariano da Silva Rondon realizou um trabalho de vinte anos, cujos resultados incluem um levantamento de cinquenta mil quilômetros, duzentas novas coordenadas geográficas, doze rios descobertos, além de minas de ouro, diamante e manganês. Suas expedições penetraram em várias direções, cerca de 1.500 km nos sertões mato-grossenses, que incidem a maior parte das terras formadoras do Estado de Rondônia, e 1.800 km no Amazonas. Descendente dos índios Terenas, Guanás e Bororos, Rondon considerava desumana a exploração do trabalho indígena por particulares. Tanto quanto possível, procurou evitar a utilização de índios no trabalho de implantação da rede telegráfica. Tinha como lema em relação aos povos indígenas, “morrer se preciso for, matar nunca”. Por tudo isto, fundou em 1910, o Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais, SPI, do qual foi o primeiro diretor. Os índios o chamavam de “O Grande Chefe”. Sempre à altura da confiança indígena, implantou, em 1952, o Parque Nacional do Xingu. A Comissão Rondon, além de implantar as linhas e estações telegráficas, realizou importantes pesquisas geográficas e científicas, estudando a fauna, a flora, o solo e o subsolo dos sertões mato-grossenses. Entre suas descobertas, destacam-se as legendárias Minas de Urucumacuã, no sertão dos Parecis. Mas Rondon foi mais além. Em 1913 acompanhou o ex- presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt, em sua expedição à Amazônia, que teve seu ponto alto no mapeamento do rio da Dúvida, afluente do rio madeira, hoje denominado rio Roosevelt. Acusado de punir fisicamente os membros insubmissos de suas expedições foi submetido a um Conselho de Guerra que terminou por absolvê-lo. Em 1924, aos 59 anos de idade, foi promovido a general- de-brigada. Em 1927, assumiu o cargo de Inspetor de Fronteiras. Mas, foi duramente perseguido pelo governo Vargas por não haver apoiado a revolução de 1930. Positivista, Rondon não admita golpes contra governos constituídos e Manteve-se fiel ao presidente deposto, Washington Luiz. Em consequência, o governo provisório o destituiu dos cargos de chefe da Comissão Estratégica do Mato Grosso ao Amazonas, da Inspetoria-geral de Fronteiras, do 3º Distrito Telegráfico de Mato Grosso, e o prendeu. Libertado, ingressou na reserva, na patente de general-de-divisão, após 47 anos de serviços. Militar de carreira brilhante, numa época conturbada politicamente, só esteve em combate durante a revolução tenentista de 1924, quando comandou as tropas federais, derrotadas pela estratégia dos revolucionários. Na vida civil, ingressou no Itamaraty sob o comando do chanceler José Maria Silva Paranhos Junior, o Barão do Rio Branco. Como diplomata, sua mais importante atuação foi como mediador entre o Peru e a Colômbia na questão de porto de Letícia, em 1934, aos 70 anos de idade. Mas o velho bandeirante amargava uma frustação: não ter alcançado a

patente de Marechal, o topo da carreira militar na época. Foi o Congresso Nacional que outorgou-lhe essa patente no dia 05 de maio de 1955, quando completou 90 anos de idade, em reconhecimento por seus serviços prestados ao País. O Marechal Rondon, “o homem que tinha na sola dos pés o mais longo caminho já percorrido”, faleceu no dia 19 de janeiro de 1958, no Rio de Janeiro, aos 93 anos de idade, onde foi enterrado com honras de chefe de Estado. Seu nome está escrito em letras de ouro maciço na Sociedade de Geografia de Nova York, EUA, como desbravador e herói dos sertões mato- grossenses, ao lado de outros grandes exploradores mundiais.

Território federal de Guaporé e a criação do estado de Rondônia.

O Território Federal do Guaporé é a denominação antiga

do Estado de Rondônia, dada quando do desmembramento deste do Estado do Amazonas de do Estado do Mato Grosso, ocorrido em 13 de setembro de 1943. O nome antigo era uma referência ao Rio Guaporé, que divide o Brasil da Bolívia. Conforme o Decreto-lei nº 5812/54, que o criou, seus

limites foram assim estabelecidos:

- a Noroeste, pelo rio Ituxí até à sua foz no rio Purús e por este descendo até à foz do rio Mucuim;

- a Nordeste, Leste e Sueste, o rio Curuim, da sua foz no rio

Purús até o paralelo que passa pela nascente do Igarapé Cuniã, continua pelo referido paralelo até alcançar a cabeceira do

Igarapé Cuniã, descendo por este até a sua confluência com o rio Madeira, e por este abaixo até à foz do rio Gi-Paranã (ou Machado) subindo até à foz do rio Comemoração ou Floriano prossegue subindo por êste até à sua, nascente, daí segue pelo divisor de águas do planalto de Vilhena, contornando-o até à nascente do rio Cabixi e descendo pelo mesmo até à foz no rio Guaporé;

- ao Sul, Sudoeste e Oeste pelos limites com a República da

Bolívia, desde a confluência do rio Cabixí no rio Guaporé, até o limite entre o Território do Acre e o Estado do Amazonas, por cuja linha limítrofe continua até encontrar a margem direita do rio Ituxí, ou Iquirí.

Em 1944 houve um reordenamento territorial. Um dos seus municípios à época, Lábrea, e toda a região a que este pertence e suas adjacências foi transferida para o Estado do Amazonas. A Lei Ordinária nº 2731, de 17 de fevereiro de 1956, muda a denominação do Território Federal do Guaporé para Território Federal de Rondônia, em homenagem ao sertanista Marechal Cândido Rondon (1865-1958).

Lei nº 2.731, de 17 de Fevereiro de 1956

Muda a denominação do Território Federal do Guaporé para Território Federal de Rondônia.

O Presidente da República: Faço saber que o Congresso

Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º É mudada a denominação de Território Federal do Guaporé para Território Federal de Rondônia.

Art. 2º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1956; 135º da Independência e 68º da República. JUSCELINO KUBITSCHEK Nereu Ramos

APOSTILAS OPÇÃO

Implantação do Estado de Rondônia 6

O Estado de Rondônia foi criado através da lei

complementar 041, de 22 de dezembro de 1981, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República João Baptista de Oliveira Figueiredo. Seu primeiro governador foi o coronel do Exército Jorge Teixeira de Oliveira, nomeado no dia 29 de dezembro de 1981, pelo presidente da República João Baptista de Oliveira Figueiredo. A instalação do Estado (posse do governador e secretariado) ocorreu no dia 04 de janeiro de 1982. No ano de sua criação o Estado de Rondônia estava constituído por 13 municípios (Porto Velho, a capital, Guajará- Mirim, Ariquemes, Jaru, Ouro Preto do Oeste, Ji-Paraná,

Presidente Médici, Cacoal, Espigão do Oeste, Pimenta Bueno, Vilhena, Colorado do Oeste e Costa Marques). Área Geográfica: 238.512,8 km2, representando 6,19% da região Norte e 2,80% do País. É o 3º Estado em extensão territorial da região Norte. No contexto nacional, constitui-se o 15º em extensão territorial e o 23º em termos populacionais.

Instalação da rodovia federal BR-364 7

Em 1944, uma comissão chefiada pelo engenheiro Yêdo Laza organizou um plano rodoviário e incluiu nele uma ligação rodoviária entre o Acre e as regiões do Centro Sul do País. Tal ligação recebeu o nome de “rodovia acreana” e a designação de BR-029, cruzando as cidades de Cuiabá, Porto Velho, Rio

Branco e Cruzeiro do Sul, até a fronteira com o Peru, fazendo a conexão com a rodovia Pan-Americana.

No dia 13 de janeiro de 1945, o então governador do

Território do Guaporé, Aluízio Ferreira, criou a 2ª Companhia Independente, que tinha a missão de construir a rodovia no rastro da linha telegráfica de Rondon que ligaria Porto Velho à Vilhena.

A construção de uma estrada ligando Mato Grosso à

Rondônia era necessária para o povoamento e colonização da área. Os sertões e a floresta virgem seriam vencidos para que os tesouros da região pudessem ser escoados. Sob o comando do capitão engenheiro Ênio Pinheiro, chegou em 09 de julho do mesmo ano o primeiro grupo de homens para construir a estrada. Dois anos mais tarde, a companhia dava por encerrada as atividades, com apenas 55 quilômetros explorados e o desaparecimento de um de seus homens mais ilustres, o tenente Fernando Gomes de Oliveira.

A BR-029 foi obra do governo de Juscelino Kubitschek,

num grande esforço para tirar a Amazônia do isolamento. “Demonstrou o Sr. Kubitschek perfeita compreensão do problema da falta de ligação da mais rica região do País com o resto do território nacional” – disse na época o governador Paulo Leal. Foram grandes as dificuldades encontradas pelas firmas empreiteiras contratadas. Durante muito tempo a estrada era apenas um “rasgão” mal acabado nas selvas de Rondônia. Verdadeiras trilhas de lama e pinguelas, onde só os pioneiros se atreviam passar. O percurso de Vilhena à Porto Velho chegava a ser feito em 12 dias, como relata o escritor Amizael Gomes da Silva em “No Rastro dos Pioneiros”.

O recomeço Durante uma reunião de governadores com o Presidente da República, nos primeiros dias de fevereiro de 1960, o então governador do Território, Paulo Leal, demonstrou a necessidade de reiniciar a construção da BR-029. Juscelino Kubitschek, empolgado com uma série de recortes de jornais e

em:

http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Historia-De-Rondonia/32490058.html

7 ARRUDA. SÔNIA. BR-364. A rodovia rasga a floresta. História e Geografia de

Rondônia.

<

6

(2013,

09).

Historia

de

rondonia.

Disponível

TrabalhosFeitos.com.

em:

Disponível

mapas levados pelo governador, ordenou ao DNER Departamento Nacional de Estradas de Rodagem a imediata execução dos trabalhos. A meta era inaugurar a rodovia no final do mesmo ano. No dia 04 de janeiro já haviam sido distribuídos os trechos pelas companhias: Nacional, Viatécnica, Sérgio Marques de Souza, Cib. CC., Camargo Corrêa, Triângulo Mineiro e CC. BE., até o local denominado Alto Paraguai, no estado do Mato Grosso, onde estava assentada uma companhia do Exército. O presidente Kubistcheck tinha por norma avançar no tempo, já que seu mandato estava chegando ao fim, por isso ao encontrar o primeiro obstáculo no transporte das máquinas entre o Rio de Janeiro e Porto Velho, mandou descarregar o navio Rio Tubarão, que estava designado para viagem ao Oriente Médio, e ordenou que nele fossem transportadas as máquinas das companhias empreiteiras. No dia 03 de janeiro de 1961, chegava à Porto Velho a primeira leva de construtores da BR-29 para realizar em 9 meses e 14 dias a desmatação e terraplanagem, permitindo em época de verão realizar em 30 horas uma viagem de Cuiabá à Porto Velho.

A pavimentação Quando Rondônia alcançou sua autonomia, transformando-se em Estado, apenas o trecho Ariquemes/Porto Velho, com 192 quilômetros, era asfaltado. Destes, 48 ainda em barro, onde estava a reserva para a represa de Samuel. Os trabalhos ali foram executados pelo 5º BEC, mas toda a rodovia já estava sofrendo reparos. Ao chegar à Porto Velho para tomar posse como governador do Território, Jorge Teixeira de Oliveira estabeleceu metas de trabalho, entre elas a pavimentação da BR-364. Como nenhum outro governador havia conseguido atingir o objetivo, imediatamente os opositores fizeram correr uma onda de boatos para que Teixeira caísse em descrédito. Jorge Teixeira não se deixou abater pelas críticas da oposição. Depois de várias viagens e contatos com autoridades ligadas ao Território, conseguiu que fossem assinados, pelo ministro Eliseu Resende, na presença do então presidente João Baptista Figueiredo, 19 contratos para a pavimentação da BR- 364, rodovia Cuiabá-Porto Velho, no trecho que vai de Cáceres, no Mato Grosso, a Ariquemes, numa extensão de 1.040 quilômetros. De importância decisiva não só para o abastecimento de Porto Velho e do Território, mas também para o surto de desenvolvimento da agricultura e da criação de gado, foi a abertura da BR-364, que ocasionou um grande movimento migratório com destino à região. Na década de 70 do século XX, em decorrência do alto tráfego (migração e transporte de madeiras), as condições da BR-364 eram deploráveis. Por incumbência do governo militar, em 1966 o 5º batalhão de engenharia e construção assumiu as obras de manutenção e conclusão da rodovia.

Ao 5º batalhão deve-se também a construção do trecho da BR 425, ligando Porto Velho e Guajará-Mirim, que veio substituir a EFMM, desativada em 1972.

Questões

01. (História e Geografia de Rondônia/Cesgranrio/TJ- RO/Economista) A abertura do eixo viário BR-364 trouxe para Rondônia um aumento em seu crescimento populacional, colocando um fim ao isolamento rodoviário do Estado em relação às demais regiões do país. Entretanto, a partir de 1980,

http://rondoniaemsala.blogspot.com.br/2012/03/br-364-rodovia-rasga-

floresta.html>

APOSTILAS OPÇÃO

(A)

os problemas provenientes do caos urbano pelo afluxo

influenciaram a alteração na matriz energética brasileira, cuja principal característica é o estímulo ao transporte de cargas via rede fluvial.

da população desempregada de Brasília, Cuiabá e Goiânia

cresceram.

(B)

os garimpeiros, através da extração de cassiterita,

 

estimularam a presença de grupos multinacionais que preservaram antigos núcleos coloniais.

04. O início da exploração da borracha amazônica foi próspero, mas a bonança durou pouco. Em 1912, a produção atingia o pico de 42 mil toneladas. A borracha representava 40% de todas as exportações nacionais. Em um segundo momento, entre 1942 e 1945, a borracha teve uma sobrevida que não foi com a mesma pujança do início do século, e logo voltou a perder em expressão no cenário econômico nacional. Nas duas fases mais expressivas da produção, um fator apontado abaixo pode ser considerado como responsável pelo declínio da borracha brasileira:

(C)

a estrada, ao contrário do previsto, representou para os

trabalhadores locais uma via de saída para as grandes capitais do Sudeste.

(D)

a colonização foi acelerada com a vinda de migrantes

nordestinos como mão-de-obra para os seringais da Amazônia.

(E)

a concentração fundiária expulsou os pequenos

agricultores das melhores terras, situadas nas proximidades

das vias de circulação, provocando, assim, zonas de tensão.

 

(A)

falta de crédito à extração e ao beneficiamento do látex.

(B)

precariedade da mão de obra usada pelos seringueiros.

02. (História e Geografia de Rondônia/Cesgranrio/TJ- RO/Economista) As tentativas de construção da Estrada de

(C) dificuldade para escoar a produção até o porto de

Belém.

 

Ferro Madeira Mamoré foram muitas durante o século XIX, porém somente com a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903, a obra foi finalmente incrementada. Em 1912, concluía- se a ferrovia cuja saga da construção havia se iniciado em 1872. Sobre a saga da construção, assinale a afirmativa correta. (A) Os ataques indígenas aos acampamentos e as doenças tropicais que dizimavam os trabalhadores somaram-se à dificuldade de transpor as regiões de mata fechada e rios encachoeirados.

 

(D)

concorrência da borracha produzida pelos asiáticos.

(E)

população indígena dificultava o acesso aos seringais.

05. (TCE-RO - Técnico em Informática Cesgranrio) A região do atual Estado de Rondônia passou a integrar oficialmente a colônia portuguesa na América somente em 1750, quando foi firmado o Tratado de Madri, cuja base para determinações acerca de territórios foi o princípio do uti possidetis, segundo o qual:

 

(A)

a aquisição dos territórios reivindicados só pode ser

(B)

O capital utilizado foi exclusivamente nacional, o que

realizada através da compra.

explica os diversos períodos de paralisação da obra pela dificuldade de investimento, consequência de períodos críticos da economia nacional.

 

(B)

as terras situadas às margens dos rios Guaporé e

Mamoré passam a pertencer aos proprietários das minas de

Potosí.

 

(C)

A construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré

 

(C)

os territórios anteriormente ocupados pelos

interrompeu o processo de integração regional em curso na época, já que deslocou para a obra contingentes militares

espanhóis ficam protegidos por expedições marítimas e terrestres.

empenhados no desbravamento da Amazônia.

 

(D)

os territórios devem pertencer a quem realmente os

(D)

A Bolívia dificultou a obra criando obstáculos diversos,

ocupa.

desde o simples não-cumprimento dos trâmites legais até a ocupação militar do Acre, em 1899.

todos os acidentes geográficos devem alterar sua

denominação, se mudarem os proprietários dos respectivos territórios.

(E)

(E)

A maior parte da mão-de-obra utilizada na construção

da ferrovia constituiu-se de indígenas apresados, provocando

 

extermínio da população nativa ao longo do trajeto da ferrovia.

 

06.

(SESAU-RO - Técnico em Enfermagem - Funcab) A

construção da ferrovia Madeira-Mamoré, situada no Estado de

03. (História e Geografia de Rondônia/Cesgranrio/TJ- RO/Economista) As discussões em torno das obras da hidrelétrica de Santo Antônio a primeira do complexo

Rondônia, beneficiou o Brasil e outro país da América do Sul. Este país é:

 

(A)

Bolívia;

(B)

Peru;

hidroviário e hidrelétrico no Rio Madeira, em Rondônia, permitem refletir sobre a necessidade de crescimento econômico e os danos que isso pode provocar ao meio ambiente. Sobre estes fatos, é correto afirmar que

(C)

Chile;

(D)

Paraguai;

(E)

Argentina.

(A)

os danos que este projeto provoca ao meio ambiente

07.

(SESAU-RO - Assistente Administrativo Funcab)

podem levar a uma intervenção norte-americana na região, sob o argumento de desrespeito ao Protocolo de Kioto.

A

construção da ferrovia Madeira-Mamoré, onde hoje é o

Estado de Rondônia, resultou de um acordo feito entre Brasil

(B)

os maiores danos que o projeto causará serão

e

Bolívia em 1903. Esse acordo ficou conhecido como o

relacionados aos monumentos que constituem o patrimônio

Tratado:

 

histórico, já que a aldeia de Santo Antonio foi a primeira do atual Estado de Rondônia.

 

(A)

de Guaporé;

(B)

da Amizade;

(C)

a construção de eclusas e barragens necessárias ao

(C)

de Navegação;

projeto implicará maior dimensão dos impactos ambientais, dos problemas sociais e do desmatamento na Amazônia, apesar da grande malha hidrográfica e da necessidade de

(D)

Amazônico;

(E)

de Petrópolis.

modernização econômica da Amazônia Ocidental.

08.

(MP-RO - Oficial de Diligências Cesgranrio) A

(D)

a implantação de projetos desse porte na rede

migração para Rondônia, a partir da década de 70, foi resultado de um grande êxodo rural ocorrido no centro-sul do país ocasionado pelos fatores abaixo relacionados, EXCETO um. Assinale-o.

hidrográfica da Amazônia ocidental facilitará o escoamento e o transporte de produtos agropecuários da região, contendo o avanço da fronteira agrícola e os conflitos fundiários em direção a Rondônia.

(E)

a presença de elevado potencial hidrelétrico e a recente

 

demanda urbano-industrial da Amazônia Ocidental

APOSTILAS OPÇÃO

(A) Evasão dos trabalhadores rurais, a partir da

introdução das leis trabalhistas no campo.

(B) Ênfase na agricultura comercial com a mecanização

das lavouras.

(C) Substituição da produção agrícola tradicional, como

a do café, pela plantação de soja.

(D) Expansão do capitalismo no campo e especialização

da produção.

(E) Reativação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

09. Desde o período colonial, a ocupação e a colonização da região dos vales dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé foram focos de preocupação dos governos brasileiros porque essa área:

(A) representava importante polo de atividade mercantil,

vinculado à formação de lavouras e exportação de cacau.

(B) representava importante via de rota comercial e seu

controle garantia a posse territorial e a integridade de fronteira.

(C) foi dominada por missões jesuíticas que passaram a

constituir um "Estado religioso dentro do Estado". (D) estava sujeita às frequentes inundações da Bacia

Amazônica, que destruíam qualquer tentativa de ocupação da região.

(E) viabilizou o apresamento de indígenas para trabalhar

nos seringais da Amazônia Ocidental.

10. (DER-RO Procurador-Autárquico FUNCAB) Muitos consideram a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré como precursora da rodovia BR-364. O início da sua construção está vinculado ao Tratado de Petrópolis que resolveu as disputas

territoriais entre o Brasil e a Bolívia, ficando a construção da ferrovia como contrapartida para concretizar uma aspiração boliviana no que diz respeito ao problema de:

(A)

realizar a ligação ao Pacífico.

(B)

integração ao Centro-Oeste.

(C)

acessibilidade ao rio Amazonas.

(D)

escoamento de sua produção mineral.

(E)

ocupar a fronteira como Peru.

Respostas

01.E / 02. A / 03. C / 04. D / 05. D / 06. A / 07. E / 08. E / 09. B / 10. C

02. A / 03. C / 04. D / 05. D / 06. A / 07.

Anotações