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Conservatório Brasileiro de Música

Daniel Gomes Pinto

O processo do samba: migrações rumo ao Rio de Janeiro, influências externas, encontro de


classes.

Podemos considerar que desde o momento em que Pedro Alvarez Cabral pisou em terras
desconhecidas trazendo a influência portuguesa, africana e tendo contato com os que foram
denominados índios, se deu o início da confluência de culturas e ritmos que daria origem aos
futuros aspectos de nossos estilos nacionais. Da Europa herdamos o sistema tonal e
instrumentos de corda, assim como a prática do improviso, da influência africana a abundancia
de instrumentos de percussão e a malícia. Os portugueses estiveram sobre o domínio dos
árabes então esta também foi uma de nossas influências, além das emigrações do dos século
XIX e XX de italianos e alemães. Modinhas e Lundus eram as principais composições até
meados do século XVIII.

A chegada da corte portuguesa foi um grande salto no desenvolvimento do Rio de Janeiro. A


cultura erudita europeia foi gradativamente influenciada pela malícia da plebe. O choro foi um
estilo musical resultante dessa interação. A polca foi grande influenciadora desse gênero que
ia surgindo e sendo transformado por terras brasileiras.

O Rio de Janeiro passou a ser considerada capital a partir do período colonial, desde 1763,
tendo presenciado um crescimento gigantesco da sua população. Habitantes das províncias da
Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo migraram para a capital. O Rio passou a ser o
epicentro cultural, político e social do país. Com o crescimento urbano surgiram diversos
espaços de entretenimento mas não podemos deixar de perceber os batuques africanos.

O samba carioca teve forte influência das tias baianas, muito festeiras e nas suas casas se
davam os samba de roda a maneira baiana. A população do Rio de Janeiro em meados do
século XIX era 50% formada por Negros escravos, de modo que o Rio de Janeiro dentre outra
influências culturais apresentava se como espaço de forte aspecto afrodescente. Dentre os
grandes nomes que frequentaram festas do tipo Choro na sala e batuque no terreiro estão:
Ernesto dos Santos, o Donga e João Machado Guedes, o João da Bahia.

O carnaval das camadas populares eram restritas as regiões do Cais do Porto, Cidade Nova e
Praça Onze com agremiações conhecidas como cordões, ranchos e blocos que inicialmente
cantavam de tudo, de valsas a toadas do norte.
A palavra samba remete inicialmente a diversão e festa e com o tempo passou a ser
relacionada as disputa de versos que futuramente forma mais caracterizadas pelo estilo de
samba denominado partido alto.

Uma das possíveis origens da palavra samba seria a etnia quioco onde a palavra samba
significa cambriolar, brincar, divertir-se... outros mencionam a palavra semba, vinda do banto,
significando umbigo, coração; se relacionava com as danças nupciais de Angola, caracterizadas
pela umbigada.

Inicialmente o samba contava com a perseguição da polícia mas ao mesmo tempo aumentava-
se a receptividade por setores das classes dominantes. Além disso podemos tambe´m
especificar as relações do samba com questões litúrgicas originárias das descendências
africanas e seus cultos. Inicialmente focado nas festas de terreiros os sambas passaram a
habitar as casas festeiras da tias baianas, onde só se entrava com um certo conhecimento e
com o tempo surgio o samba de quadra, dando mais acesso aos setores da classe média na
reinserção popular.

Com o crescimento dos morros e dos subúrbios o Rio de Janeiro foi expandindo seus espaços e
suas relações com o samba. Bairros como Estácio, Tijuca e Morro de Mangueira passam a ser
considerados redutos do samba. Continuava um grande fluxo habitacional e moradores
fluminenses e mineiros, migrantes, passaram a resides em morros cariocas. Dava-se a
decadência da indústria do café e no Rio de Janeiro começa o desenvolvimento das fábricas
recém inaugurdas onde a mão de obra migrante se via amparada e a aglutinação dos bairros
vizinhos as fábricas era constante. Somam-se as tradições as culturas de cidades como
Miracena, Cantagalo, Vassouras, Santo Antonio de Pádua... Crescia também a dimensão
cultural relacionada aos subúrbios do Rio e suas transformações, inicialmente áreas de grande
terras e estilo rural, passaram a ser habitados pelos novos moradores frutos da imigrações e
apresentavam se como locais de traços de uma nova cultura que se opunha ao estilo burguês.
Os morros e os subúrbios cariocas passam a ser locais tanto de exclusão como de união de
grupos segregados e passam a compor a alma da canção popular brasileira,
consequentemente do samba carioca.

O bairro de Vila Isabel, representado por Noel Rosa passa a ter destaque na dimensão da
composição de novos sambas. O bairro da Penha e suas festas litúrgicas categorizadas pela
tradição portuguesa ganhava adornos das novas tradições cariocas. O processo de
modernização e urbanização da cidade movimenta a população em direção a zona norte.
Fatores sociopolíticos dominantes contribuem para as modificações do cenário do samba no
Rio de Janeiro. A crise de 29, provocando a migração de populações rurais para o Rio de
Janeiro, a construção da rodovia Rio-Bahia e a garantia das leis trabalhistas provocavam cada
vez mais a vinda para a capital e o desenvolvimento de novos hábitos e influências culturais
das mais diversas.

O conflito entre tradição e modernidade é acompanhado pelo samba no que se refere as


tradições do samba de roda e o despontamento do samba de quadra. Os novos cidadãos
cariocas passam a determinar seus espações e a constituir novos espaços de desenvolvimento
do samba. As principais escolas de samba do Rio tiveram como fundadores estes novos
cariocas.

O samba ganha dimensão de elemento de resistência cultural, além de relações com a história
das heranças afrodescendentes e de movimento de oposição as práticas burguesas.

O Samba diferente da modinha, do lundu e do maxixe, ganha novos espaços de apresentações.


A capital se desenvolvera e a indústria fonográfica ganhava espaço. Inicialmente reprimido o
samba passa a ganhar as rádios e ser aceito pelas classes mais abastadas. Donga grava “pelo
teledone” e grupos como “Os oito Batutas” lutavam contra o preconceito que aos poucos se
esvaia. Sinhô compõe músicas que cada vez mais caem no gosto popular, assim como Heitor
dos prazeres.

A indústria fonográfica brasileira e a radiodifusão crescia e a casa Edison foi criada


contribuindo para a primeira dinastia de cantores nacionais. Cadete, Eduardo das Neves, Mario
Pinheiro, Nozinho e Geraldo Magalhães fizeram parte dessa geração. Francisco Alves, o Rei da
voz e Mário Reis, o samba de black tie, tinham também seus espaços garantidos na indústria
do samba que adivinha.

Referências:

DREYFUS, Dominique . Raizes Musicais do Brasil. DREYFUS, Dominique . Raizes Musicais do


Brasil. Rio de Janeiro – SESC/RJ- 2005

DINIZ, André. Almanaque do Samba: a história do samba, o que ouvir, o que ler, onde curtir. –
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2006.

COELHO, Fábio André Cardoso. O SAMBA NO RIO DE JANEIRO: linguagem, estilo e relações
sociais. IDIOMA. Rio de Janeiro, nº26, pg. 45-59, 1ºsem. 2014.