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Foto de Ryan Somma

Baratas de Madagáscar – insecto de estimação


pode causar alergia
2008-03-24
As Baratas de Madagáscar, grandes mas pacíficas, conhecidas pelo assobio
que produzem quando se sentem ameaçadas, são bastante apreciadas como
bicho de estimação nos Estados Unidos.

Não têm asas, são muito grandes e é bastante fácil tratar delas, pelo que também são
perfeitas para fins educativos. Mas como não há bela sem senão, também parece não
haver barata sem desvantagens e estas, descobriu-se agora, podem provocar
alergias. O exterior da sua rígida carapaça, bem como as fezes, são muito propícios
ao desenvolvimento de fungos que podem provocar alergias às pessoas que lhes
toquem.

Foto de clocker no flickr

Um estudo realizado pela Universidade Estadual do Ohio identificou 14 fungos


diferentes e alguns deles são reconhecidamente alergénicos, enquanto outros podem
causar infecções secundárias se entrarem no trato respiratório ou numa ferida.
Joshua Benoit, o principal autor do trabalho, salienta que com este estudo quer
chamar a atenção para o perigo, mas não está a sugerir que as baratas deixem de ser
mantidas em casa ou nas escolas, apenas que se devem lavar bem as mãos depois
de lhes tocarmos. Sugere também uma boa manutenção e limpeza do recipiente em
que se mantém as baratas, pois o acumular de fezes amplifica a concentração de
bolores.

O ciclo de vida natural da Barata de Madagáscar, Gromphadorhina portentosa, não é


ainda bem compreendido mas em cativeiro estes insectos alimentam-se de fruta e de
comida para cão, reproduzem-se com bastante facilidade e não mordem. Crescem
bastante e produzem o seu silvo característico se são apertadas ou se, de alguma
forma, se sentem ameaçadas.

Algumas pessoas são alérgicas às baratas que por vezes infestam as habitações.
Nesses casos o próprio corpo do bicho contém fungos. A Barata de Madagáscar
mantém fungos muito alergénicos à superfície e à sua volta.
No caso deste estudo, foram analisados animais de diversas lojas, classes de ciência
e colecções particulares. Os investigadores analisaram as fezes primeiro e, como
esperavam, encontraram fungos. Depois analisaram os próprios animais, por fora e
por dentro. À superfície encontraram Rhizopus, Penicillium, Mucor, Trichoderma e
Alternaria. Dentro do próprio corpo das baratas não foram encontrados muitos fungos.

Foto de clocker no flickr

Todos estes fungos se desenvolvem melhor em meio húmido e reproduzem-se através


da produção de esporos. Estes esporos podem espalhar-se pela pele de quem pega
nas baratas e podem mesmo ser inalados, causando reacções alérgicas como
congestão nasal e ocular, espirros, irritações na pele. Pessoas mais alérgicas podem
apresentar reacções mais acentuadas.
Joshua Benoit vai agora continuar a sua investigação para esclarecer um aspecto que
o intrigou – a presença de ácaros na superfície da barata é benéfica porque ao
consumir restos de comida que ficam na carapaça, os ácaros estão a eliminar o
terreno propício ao desenvolvimento dos fungos.