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Knesset sanciona projeto de deseducação em Israel

ago 3, 2016 José Roitberg 0 comentários Educação, Israel, Judaísmo, Judeu, política
israelense, Religião Judaica

O Knesset cancelou ontem (02/ago), por 48 votos a 21, uma maioria expressiva, a lei do
currículo mínimo escolar. Esta lei obrigava TODAS AS ESCOLAS, a ensinarem Matemática,
Ciências (incluindo aí História) e Inglês, que é praticamente uma segunda língua do país.

Desde que a lei entrou em vigor, a maior parte das yeshivot, as escolas de ensino religioso, se
recusaram a cumpri-la, alegando que o currículo geral obrigatório “forçava padrões morais
externos ao enclave cultural” (ortodoxo).

Ao longo dos anos isso formou uma legião de jovens, hoje já adultos, que não possuem
conhecimentos básicos que qualquer pessoa num estado democrático possui para entrar no
mercado de trabalho ou ter acesso a uma universidade.

E por desconhecer INTENCIONALMENTE a história dos judeus (que para a maior parte dos
setores ortodoxos é apenas o que está na Torá) o establishment ortodoxo como um todo, não
compreende e jamais irá compreender que o que eles chamam de “tradição ideal”, ensinar
Torá, íidishe e hebraico, NÃO É ALGO ORIUNDO DOS JUDEUS, e sim LEI IMPOSTA PELO
IMPÉRIO RUSSO quando da formação do Pale, no século 18. Os russos cristãos ortodoxos, para
proibir os judeus de se inserirem na comunidade maior, baniram os alunos judeus das escolas
públicas e permitiram que as escolas judaicas ensinassem apenas a Torá e as duas línguas. Em
meados do século 19, essa situação já persistia por 100 anos, para o maior agrupamento
judaico europeu. Já nos países muçulmanos, como dhimmis, cidadãos de segunda categoria, os
judeus não tinham acesso a educação fora de suas ‘melahs’, de seus guetos.

E foi neste ambiente que ocorreu a grande reforma judaica no Pale russo, extinguindo o
judaísmo que havia até então e traçando dois rumos divergentes e impossíveis de conviver
juntos. O hassidismo místico judaico que ACEITOU AS REGRAS IMPERIAIS RUSSAS de bom
grado e a haskalá, o iluminismo judaico que foi buscar educação de outras formas e até
mesmo em outros países.

Esta é a verdade histórica. Mas quem não reconhece a existência da história, vai continuar
com a decisão hassídica posterior, votada em assembleia, que decidiu que o mundo precisa se
adaptar ao Talmud. Em “o mundo”, não estão compreendidos apenas os judeus, mas todas as
pessoas. E esta visão arrogante e impossível teve uma grande vitória no Knesset na manhã de
ontem, porque derrubada a lei do currículo geral, qualquer escola, inclusive as não religiosas
podem deixar de ensinar o que bem entenderem, o que dificilmente irá acontecer, muito pelo
contrário, a vida dos dois grupos gerais de escolas continuará a mesma, só que as ortodoxas
não poderão mais ser questionadas.

É a contramão da democracia e da modernidade, o que não é de se espantar em relação a


setores que pregam o fundamentalismo. Enquanto o mundo inteiro implemente cada vez mais
educação para sua população, Israel, um dos países com a maior qualidade de educação que
existem, revogou uma lei, sancionando a DESEDUCAÇÃO de parcela de sua população.

Dizem por aí que a culpa é dos partidos e políticos mais à esquerda do espectro israelense que
se recusaram a manter a coalização política com o Likud, de Bibi Netanyahu, e assim para se
manter no poder, em sua recente reeleição, voltou a fazer coalizão com os partidos políticos
ortodoxos. Assim negociando aprovações, o Likud acaba cedendo espaço estranho para os
desejos de uma ortodoxia fundamentalista.

Quando se escuta pessoal do movimento Chabad falar de como o Rebe Menachem Mendel
Schneerson era sábio, era inteligente, era visionário, as pessoas que não fazem parte do
Chabad nunca assistiram sequer um de suas centenas de vídeos gravados com palestras,
debates e sermões. Eu assisti uns cinco deles, voltados à tecnologia e ouvi de rabinos,
formados e educados no “conceito do Pale”, que o Rebe era um visionário falando de camada
de ozônio, falando de crise do petróleo, falando de fontes alternativas de combustíveis.
Praticamente um profeta! Sabem por que?

Então se surpreendam! O Rebe era um filho do Pale. De família que lá estava há gerações e
para as quais, a má formação educacional geral vinha de seus pais, avós, bisavós, trisavós ou
tataravós, portanto era a vida normal, a vida como ela é. Os antepassados não precisaram de
educação formal, então porque alguém nascido em 1902 precisaria?

As Leis do Pale são de mais de 100 anos antes da Revolução Industrial e não podem prevalecer
até hoje no seio do povo que foi ferrado pelos russos, que foi passado ao fio da espada dos
cossacos, morto à pauladas, estuprado e roubado… As Leis do Pale eram para uma economia
agrícola de subsistência, para artesãos, para padeiro, sapateiro, leiteiro, alfaiate, shoichet,
para pequenos serviços, e nem para o mundo do século 20, muito menos para o do século 21.
As leis eram para os ‘Tevie’ e seus amigos, e para as ‘Anatevkas’ do Pale, tão criticadas por
Sholem Aleichem, expoente da haskalá, em seus contos humorísticos.
Menachem Mendel Schneerson é um EXEMPLO PERFEITO QUE NÃO É SEGUIDO, de que a
ortodoxia NÃO É um fator que impeça um engrandecimento cultural ou intelectual geral. Há
prêmios nobel judaicos ortodoxos, inclusive, oriundos de outro setor ortodoxo, o Bnai Akiva,
prega e preza o estudo no mais alto grau.

Menachem Mendel Schneerson z'l líder espiritual do maior

Menachem Mendel Schneerson z’l líder espiritual do maior

Pois bem, Schneerson vivia em Berlim totalmente dedicado à Torá e ao Talmud, mas também à
engenharia mecânica. Quando o Partido Nazista assumiu o poder em 1933, teve a inteligência
de se mudar para Paris com a família. E lá, continuou a estudar engenharia mecânica e elétrica
na École Spéciale des Travaux Publics, onde se formou em julho de 1937 (era o nível
universitário daquele momento). Alguns meses depois, em novembro, ingressou na prestigiosa
Sorbone onde estudou matemática até o início da guerra em 1939.

Portanto, o Rebe profeta e visionário, nada mais era que alguém que conhecia a religião
judaica com uma enorme profundidade e também alguém que recebeu uma completa
educação científica, destas que a ortodoxia israelense repudia hoje em dia, um judeu ortodoxo
que conviveu com rapazes e moças de todos os tipos na RSTP e na Sorbone, nunca tendo
perdido se caráter ortodoxo, nunca se assimilando, e por isso o Rebe sabia mais do que seu
rebanho, sabia mais que os outros rabinos e era o homem correto para liderar aquele
movimento.

E se precisarmos falar de pelo menos mais um expoente do judaísmo ortodoxo que tinha
ensino elevado, não podemos deixar de fora um, cujos pensamentos, estudos e escritos dentro
na religião judaica, nos define até os dias de hoje. Pois é. Maimônides, no século 12, além de
rabino e estudioso, formou-se médico, sobreviveu financeiramente da medicina no Egito. A
região como uma das principais conquistas de seu Império Muçulmano, viu o Rambam ser
médico e conselheiro do grande vizir Al Qadi al Fadil, de toda a sua corte, e do próprio sultão
Saladino, o Flagelo (ele era muçulmano curdo), líder do Império. Após a morte do sultão,
Maimônides permaneceu como médico da família real.

Maimônides o grande definidor do judaísmo árabe e sefaradi era médico no século 12 tendo
escrito livros que revolucionaram não só o judaísmo, mas também a medicina.

Maimônides o grande definidor do judaísmo árabe e sefaradi era médico no século 12 tendo
escrito livros que revolucionaram não só o judaísmo, mas também a medicina.

Se se pensa muito em Maimônides como rabino que indicou um rumo moderno oriental para
o judaísmo, contraposto ao rumo que os rabinos franceses davam na Europa, esquece-se, ou
deixa-se de lado as contribuições dele à medicina, que no século 12 já descrevia doenças como
a asma, diabetes, hepatite e pneumonia e seus tratamentos então possíveis. Gerações de
médicos posteriores foram treinados a partir de seus tratados sobre estas doenças.

Felizes são os ortodoxos que conseguem perceber que suas habilidades e seu intelecto tem
mais a fazer no mundo dos homens que jamais irá se adaptar ao Talmud, que passar sua vida
enaltecendo a vinda de um Messias, que também jamais virá, até porque no Talmud está
expressamente escrito que militar ativamente pela vinda do Messias, apenas afasta.