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Método dos Elementos Naturais Aplicado à Modelagem das Bandas de


Cristais Fotônicos Bidimensionais

Conference Paper · July 2016

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3 authors:

Fidel Souza Renato Cardoso Mesquita


Federal University of Minas Gerais Federal University of Minas Gerais
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Elson José da Silva


Federal University of Minas Gerais
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Analysis of electric field distribution on artificial magnetic conductor: Via bowtie shape. View project

Discontinuous Galerkin Time Domain Simulations Applied to Devices Based on Photonic Crystals View project

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Método dos Elementos Naturais Aplicado à
Modelagem das Bandas de Cristais Fotônicos
Bidimensionais
∗ Fidel Souza, † Renato C. Mesquita, ‡ Elson J. Silva
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica, Universidade Federal de Minas Gerais
Av. Antônio Carlos 6627, 31270-901, Belo Horizonte, MG, Brasil
∗ fidelsouza00@gmail.com † renato@cpdee.ufmg.br ‡ elson@cpdee.ufmg.br

Resumo—Cristais fotônicos são estruturas periódicas que po- Wave Expansion-PWE) [3], diferenças finitas no domı́nio do
dem apresentar band gaps fotônicos, sendo então de grande tempo (FDTD) [4], o método dos elementos finitos (FEM) [5]
importância para projetos de dispositivos ópticos de várias e mais recentemente métodos sem malhas [6], [7]. A escolha
áreas. Uma importante etapa do projeto destes dispositivos é
o levantamento do diagrama de estrutura de bandas do cristal, do método usado deve levar em conta as caracterı́sticas do
para determinar os parâmetros que fornecerão o gap na região fenômeno associado ao cristal que se deseja estudar. Para o
desejada do espectro. Aqui será mostrado que o método dos levantamento do diagrama de estrutura de bandas, os mais uti-
elementos naturais apresenta caracterı́sticas que o tornam uma lizados são os que permitem modelar o problema no domı́nio
boa alternativa no estudo de bandas de cristais fotônicos. Assim, da frequência, PWE e FEM. Estes métodos são capazes de
este trabalho apresenta uma modelagem das bandas de um cristal
fotônico bidimensional, pelo NEM. Também é proposta uma calcular cada frequência ωn (k) associada a cada banda n e
maneira simples e eficiente de impor as condições periódicas, cada vetor k na zona de Brillouin.
que mantém a caracterı́stica Hermitiana e o baixo custo compu- O método PWE foi o primeiro usado no cálculo das
tacional. Os resultados apresentados comprovam a eficiência da estruturas de bandas. Apesar de seu sucesso inicial, ele possui
modelagem. sérias limitações computacionais. Primeiramente, pelo fato
Keywords: NEM; Cristais fotônicos; estrutura de bandas; da permissividade elétrica da estrutura ser uma função des-
condições periódicas contı́nua, o que torna a convergência do método muito lenta.
Um outro problema surge quando o método é aplicado a
I. I NTRODUÇ ÃO
estruturas finas com alto ı́ndice de refração. Devido a reflexão
Há décadas vêm se desenvolvendo estruturas que têm revo- total interna, surgem modos de baixa frequência. Tais modos
lucionado a forma com que se controla o fluxo da luz em uma são muito difı́ceis de serem determinados usando o método de
escala microscópica. Estas estruturas são conhecidas como expansão em ondas planas. Um outro problema deste método
cristais fotônicos e apresentam periodicidade de seu ı́ndice de é que gera matrizes densas. Isto torna os algoritmos muito
refração em pelo menos uma dimensão, possibilitando assim a custosos computacionalmente [8], [9].
proibição total ou parcial da propagação luminosa, em certas O FEM também é utilizado com sucesso para o cálculo
direções de interesse [1], [2]. das estruturas de bandas de cristais fotônicos. Este método
Assim como nos semicondutores, que possuem bandas proi- tem eficiência comprovada e gera matrizes esparsas, o que
bidas à condução de elétrons, nos cristais fotônicos existem favorece um baixo custo computacional. O FEM usa malhas
bandas proibidas à propagação luminosa, chamadas Band não estruturadas, podendo se ajustar a qualquer geometria.
Gaps. Estas regiões são seletivas em frequência, ou seja, Contudo, a precisão da aproximação depende da qualidade
permitem a passagem de certos comprimentos de onda e da malha.
proibem a de outros. Portanto, é possı́vel criar Band Gaps Já o método dos elementos naturais (Natural Element
fotônicos especı́ficos para uma faixa do espectro luminoso. Method - NEM) possui algumas boas caracterı́sticas do FEM
Esta propriedade permite o uso destas estruturas no projeto de e algumas boas caracterı́sticas dos métodos sem malha. O
vários dispositivos ópticos. Alguns exemplos são: biosensores, NEM é baseado na forma fraca global e no método de
transistores ópticos, guias de onda, entre outros [1], [2]. Galerkin. Utiliza como funções de forma os natural neigh-
A modelagem matemática usada para o estudo dos cris- bors coordinates, desenvolvidos por Sibson em 1980 para
tais fotônicos é obtida a partir das equações de Maxwell, interpolação de dados [10]. Sendo essas funções interpolantes,
resultando em equações diferenciais parciais, escalares ou as condições essenciais podem ser inseridas diretamente, de
vetoriais, dependendo da abordagem utilizada. Essas equações forma forte. Elas também possuem consistência de ordem 0
normalmente não possuem soluções analı́ticas, sendo ne- e 1, ou seja, conseguem reproduzir exatamente polinômios
cessário lançar mão de métodos numéricos. Entre as diferentes de grau 1 e constantes [11]. Apesar das funções do NEM
técnicas numéricas disponı́veis na literatura para modelagem serem construidas com base em uma triangulação, a precisão
de cristais fotônicos estão: expansão em ondas planas (Plane da aproximação não depende da qualidade dos triângulos,
que é uma caracterı́stica dos métodos sem malha. Além
disso, o NEM pode oferecer maior precisão que o FEM,
quando aplicado a problemas eletromagnéticos [12]. Ainda
não encontramos na literatura a aplicação do método dos
elementos naturais no cálculo de diagramas de estrutura de
bandas de cristais fotônicos. Portanto, a principal contribuição
deste trabalho é demonstrar a eficiência deste método neste
tipo de aplicação e também propor uma alternativa simples e
eficiente de impor as condições de contorno periódicas.
Afim de promover um bom entendimento ao leitor, o
restante deste texto foi estruturado em seções. A seção II traz
os fundamentos das funções de forma do NEM. A modelagem
usada, é apresentada na seção III e os resultados obtidos com
as simulações na seção IV. Finalmente, a seção V traz as
conclusões acerca deste trabalho.
II. NEM - F UNÇ ÕES DE F ORMA
Os natural neighbor coordinates, como são chamadas as
funções de forma do NEM, são construı́das a partir do dia-
grama de Voronoi e da triangulação de Delaunay.
Fig. 1. 1(a): Diagrama de Voronoi de primeira ordem de um conjunto de M
A. Diagrama de Voronoi nós. 1(b): Triangulação dual de Delaunay e circuncı́rculos. 1(c): Célula de
Voronoi de segunda ordem de x.
O diagrama de Voronoi é a decomposição de um domı́nio
em subdomı́nios. Cada subdomı́nio é chamado de célula de
Voronoi e é associado a um nó contido no domı́nio. Seja Ω C. Célula de Voronoi de Segunda Ordem
uma região no espaço Euclidiano, onde estão distribuı́dos um Seja Ω uma região no espaço Euclidiano, onde está dis-
conjunto de M nós. A célula de Voronoi TI , associada a um tribuı́do um conjunto de M nós. A célula de Voronoi TIJ
nó xI em Ω é dada por [10], [11], [13]: associada aos nós xI e xJ em Ω é dada por [10], [11], [13]:
TI = {x ∈ R : ||x − xI || < ||x − xJ || ∀ xI 6= xJ } (1) TIJ = {x ∈ R : ||x − xI || < ||x − xJ ||
A célula de Voronoi TI é a região onde todos os pontos nela < ||x − xK || ∀ xK 6= xI , xJ } (2)
contidos, são mais próximos de xI do que qualquer outro nó.
Um diagrama de Voronoi de um conjunto de nós é a união de A célula de Voronoi de segunda ordem, TIJ , é a região
todas a células de Voronoi associadas a cada nó pertencente onde todos os pontos nela contidos, são mais próximos de xI
ao domı́nio. Fig. 1(a) ilustra um diagrama de Voronoi. e xJ do que qualquer outro nó, mas ainda são mais próximos
Considerando o conjunto de nós, M , o menor polı́gono de xI . Para obter a célula de segunda ordem é inserido um
convexo que contém estes nós é chamado de feixe convexo, ponto x no interior de um diagrama de Voronoi, depois é feita
CH(M ) (convex Hull). As células associadas aos nós internos a tesselação de Voronoi como para os demais nós, como pode
de CH(M ) são fechadas e convexas, e as células associadas ser visto em Fig. 1(c).
aos nós da fronteira de CH(M ) são abertas. As arestas que Em Fig. 1(c) também temos:
delimitam as células de Voronoi são bissetores perpendicula- • O polı́gono abc é a célula de Voronoi de primeira ordem
res. associada ao ponto x(Tx ).
• O polı́gono abd é a célula de Voronoi de segunda ordem
B. Triangulação Dual de Delaunay associada ao ponto x e ao nó x1 (Tx1 ).
Como pode ser visto em Fig. 1(b), os triângulos de Delaunay • O polı́gono acd é a célula de Voronoi de segunda ordem
são construı́dos pela conexão dos nós cujas células de Voronoi associada ao ponto x e ao nó x2 (Tx2 ).
possuem fronteiras comuns. A triangulação de Delaunay é • O polı́gono bcd é a célula de Voronoi de segunda ordem
feita de forma que o cı́rculo escrito ao triângulo de Delaunay, associada ao ponto x e ao nó x3 (Tx3 ).
chamado de circuncı́rculo, não pode possuir nenhum nó em Os nós que compartilham as arestas da célula de Voronoi
seu interior. No chamado caso não-degenerado, só existem de x são chamados de vizinhos naturais de x.
três nós no bordo do cı́rculo, os nós que formam os vértice
do triângulo de Delaunay. O centro do circuncı́rculo é um D. Construção das Funções de Forma
vértice de Voronoi. Pelo critério do circuncı́rculo vazio: se a Como citado anteriormente, as funções de forma do NEM
distância euclidiana entre um ponto x e o vértice de Voronoi são construı́das com base no diagrama de Voronoi e na
é menor que o raio do circuncı́rculo, os vértices do triângulo triangulação dual de Delaunay. Estas funções são definidas
de Delaunay são vizinhos naturais de x [11]. utilizando medidas de Lebesgue normalizadas (comprimento,
área ou volume) [11], [13]. Então, sendo A(x) a área da célula ao longo da direção z e variam em função de x e y. Isso
de Voronoi de primeira ordem de x e AI (x) a área da célula garante a condição de ortogonalidade e evita o aparecimento
de segunda ordem associada a x e ao nó xI , a função de forma de modos espúrios com frequência nula [1].
e suas derivadas parciais são dadas por: 2) Condições quasi-periódicas: Fig. 2(a) traz a
representação topológica de uma célula unitária com
AI (x) AI,j (x) − φI (x)A,j (x) simetria quadrada, de lado a. Então, sendo a a constante de
φI (x) = ; φI,j = (3) rede, temos o vetor de rede dado por: R = ax̂ + aŷ. Na figura
A(x) A(x)
também é possı́vel identificar o contorno: Γb ∪ Γr ∪ Γu ∪ Γl .
onde a notação ’, j’ define uma derivada parcial de primeira A célula unitária representa a menor porção da estrutura
ordem na direção j. Percebe-se pelas equações (3) que as periódica, de forma que o perfil de campo nela é repetido por
funções de forma e suas derivadas parciais dependem do dia- toda a estrutura do cristal. Logo, não é necessário resolver o
grama de Voronoi, que por sua vez dependerá da distribuição problema em todo domı́nio, reduzindo significativamente o
dos nós no domı́nio e da posição de x. Dentre os algoritmos custo computacional.
conhecidos para o cálculo de φ e suas derivadas parciais
está o algoritmo de Watson [14], que foi implementado neste y
trabalho. Γu

III. M ODELAGEM M ATEM ÁTICA


Esta sessão descreve a modelagem de um cristal fotônico
a Γl Γr
bidimensional com rede de simetria quadrada. As bandas de
frequência e os perfis de campo dos modos do cristal são mo-
delados como um problema de autovalor. Para isso, primeiro
é determinada a forma forte e a partir dela desenvolvemos a Γb x
forma fraca. Esta é discretizada pelo método de Galerkin. Por
fim, impomos as condições periódicas. a
(a)
A. Forma Forte
Para que a forma forte seja determinada é necessário definir π4 γ3 π5 γ4 π6
a equação governante e as condições de fronteira.
1) Equação governante: Considerando o meio sem perdas,
livre de correntes e cargas. Sendo os campos harmônicos, das ζ1 I1 ζ2 I2 ζ3
equações de Maxwell e das relações constitutivas podemos
derivar:
ω 2
∇ × ∇ × E(r) = εr (r)( ) E(r) (4)
c π1 γ1 π2 γ2 π3
1 ω 2 (b)
∇× ∇ × H(r) = ( ) H(r) (5)
εr (r) c Fig. 2. 2(a): Representação topológica das fronteiras da célula unitária. 2(b):
Representação topológica da distribuição dos nós no domı́nio com duas células
que são as equações de Helmholtz, na forma vetorial, em adjacentes.
função dos campos. Em (4) e (5) E e H são respectivamente
os campos elétrico e magnético, r é a posição, εr é a Pelo teorema de Floquet-Bloch, os campos que se propa-
permissividade relativa e c a velocidade da luz. As duas gam por um cristal fotônico possuem comportamento quasi-
equações possuem operadores Hermitianos, garantindo que as periódico e podem ser representados na forma:
frequências ω’s sejam reais e positivas e os modos ortogonais.
Por simetria os campos são desacoplados, nos permitindo lidar U (r) = u(r)ejk·r (8)
com os modos TE e TM separadamente. Consequentemente, onde k = kx x̂ + ky ŷ é chamado de vetor de onda de Bloch.
as equações vetoriais podem ser reduzidas a: Sendo u(r) periódica em R:
1 ω 2 u(r) = u(r + R). (9)
−∇ · ∇Hz (r) = ( ) Hz (r) (6)
εr (r) c Utilizando o teorema de Floquet-Bloch são derivadas as
ω 2 condições de contorno para o problema. Estas são chamadas
−∇2 Ez (r) = εr (r)( ) Ez (r) (7) de condições quasi-periódicas e são dadas por:
c
que são as equações de Helmoltz na forma escalar para os
U (r + ax̂) = U (r)ejkx a (10)
modos TE e TM respectivamente. Nas equações (6) e (7)
Ez e Hz são componentes escalares dos campos elétrico e
magnético. Em ambas as situações, os campos são orientados U (r + aŷ) = U (r)ejky a (11)
C. Discretização
∂U (r + ax̂) ∂U (r) jkx a
=− e (12) A discretização foi feita utilizando o método de Galerkin,
∂n ∂n ou seja:
X
∂U (r + aŷ) ∂U (r) jky a u(x, y) = di φi (x, y)
=− e (13)
∂n ∂n i
X
v(x, y) = cj φj (x, y) (19)
de posse das equações e das condições de fronteira, temos a j

formulação forte do problema proposto. onde as funções φ são os interpolantes do NEM. Quando as
funções u e v são substituı́das em (17) ou (18), temos um
B. Forma Fraca problema de autovalor, que pode ser representado na forma
Para utilizar o método dos elementos naturais na solução do matricial:
problema é necessário encontrar a forma fraca para o mesmo. (A(k) − λB)d = 0. (20)
Assim, nesta sessão, será desenvolvida a forma fraca para os
As matrizes A e B mudam de acordo com (17) e (18). Para
modos TE e TM.
gerar o diagrama de estrutura de bandas do cristal, esse sistema
1) Modo TE: A forma forte para o modo TE é dada pela
deve ser resolvido para cada k discretizado nas arestas da
equação (6), juntamente com as condições quasi-periódicas
zona irredutı́vel de Brillouin. A zona irredutı́vel de Brillouin
(10,...,13). Aqui a forma fraca é obtida pelo método dos
é a região do espaço recı́proco onde as frequências ω(k) e
resı́duos ponderados. Considerando V (r) = v(r)ejk·r , ou seja,
os perfis de campo Ek e Hk , associados aos valores de k
que essa função tem as mesmas caracterı́sticas do campo
contidos nela, são repetidos por todo o espaço. Esta região é
procurado, onde v ∈ W e W = {v(r) ∈ H 1 ; v(r+R) = v(r)}.
dada pelo triângulo com vértices Γ = (0, 0), X = (0, π/a) e
Pelo método dos resı́duos ponderados temos:
M = (π/a, π/a), que é ilustrado em Fig. 3.
Z Z
1 ω 2
− (∇ · ∇Hz )V ∗ dΩ = ( ) Hz V ∗ dΩ (14) D. Imposição das Condições Periódicas
Ω εr Ω c
As condições naturais aparecem na forma fraca, mas as
a aplicação do teorema da divergência, e um pouco de álgebra condições essenciais devem ser impostas. Uma forma seria
leva à: construir funções de forma que sejam naturalmente periódicas,
como em [7]. Contudo esse não é o caso das funções do NEM.
Z Z
1 1
(∇ · (V ∗ ∇Hz )dΩ = (V ∗ ∇Hz ) · n̂dΓ = Porém, pelo fato de serem interpolantes, essa periodicidade
Ω εr ΓΩ εr
Z
1 ∂H pode ser facilmente imposta. Para a função de teste v, basta
z
V∗ dΓ. (15) que a triangulação que representa o domı́nio de integração seja
ΓΩ εr ∂n
periódica. Neste trabalho foram usadas duas células unitárias
onde n̂ é o vetor unitário normal a fronteira. Sabendo que adjacentes como domı́nio, que é ilustrado topologicamente em
V ∗ = v(r)e−jk·r e que v(r + R) = v(r), é fácil mostrar que Fig. 2(b). Isso garante a periodicidade e ainda mantém o baixo
V ∗ (r + ax̂) = V ∗ (r)e−jkx a e V ∗ (r + aŷ) = V ∗ (r)e−jky a . custo computacional. No caso da função de forma u, devemos
Assim, integral de contorno dada por (15) se anula em função impor a periodicidade dos coeficientes di ’s, para isso foi feita
de (12,13) e a equação (15) se reduz a: uma fatoração.
Z Z Primeiramente, consideremos a matriz d dos autovetores,
1 ω podendo ser representada como:
∇Hz · ∇V ∗ dΩ = ( )2 Hz V ∗ dΩ (16)
ε
Ω r c Ω
d = [dπ1 , dπ2 , dπ3 , dπ4 , dπ5 , dπ6 ,
como Hz = uejk·r e V ∗ = ve−jk·r , a forma fraca para o modo dγ1 , dγ2 , dγ3 , dγ4 , dζ1 , dζ2 , dζ3 , dI1 , dI2 ]T (21)
TE é dada por:
dπ` sendo os autovetores associados aos nós π` , com ` =
Z Z 1, ..., 6. Temos ainda que:
1 ω
(∇u + jku) · (∇v − jkv)dΩ = ( )2 uvdΩ (17) • dγ` ⇒ autovetores associados aos nós que residem em
Ω εr c Ω
γ` , com ` = 1, 2, 3, 4.
2) Modo TM: No modo TM, a equação governante é dada • dζ` ⇒ autovetores associados aos nós que residem em
por (7) e as condições de fronteira são dadas pelas equações ζ` , com ` = 1, 2, 3.
(10,...,13). Seguindo os mesmos procedimentos apresentados • dI` ⇒ autovetores associados aos nós que residem em
na subseção anterior, chegamos a forma fraca para o modo I` , com ` = 1, 2.
TM: Aplicando as condições periódicas, podemos reescrever a
matriz d como:
Z Z
ω
(∇u + jku) · (∇v − jkv)dΩ = ( )2 εr uvdΩ (18) d = Pdf (22)
Ω c Ω
onde: Em Fig. 3, as curvas tracejadas em vermelho representam
  as bandas do modo TE, enquanto que as curvas contı́nuas
dπ1 em azul representam as bandas do modo TM. Os marcadores
 dγ1 
df =   (23) circulares e quadrados representam pontos selecionados nas
 dζ1  curvas apresentadas em [1], pg. 67-68 e 72. Observamos que
dI1 há uma grande concordância nos resultados.
V ones
 
0 0 0

 0 Iγ 0 0 


 0 Iγ 0 0 


 0 Iγ 0 0 

 0 Iγ 0 0 
P= . (24)

 0 0 Iζ 0 


 0 0 Iζ 0 


 0 0 Iζ 0 

 0 0 0 II 
0 0 0 II

Na equação (24), V ones é um vetor de 1’s de dimensão 6,


I representa matrizes identidade e 0 matrizes de zeros. As
dimensões dessas matrizes devem ser escolhidas com cuidado,
afim de garantir a consistência da fatoração. Reescrevendo a
equação (20), e substituindo a forma fatorada de d temos:

APdf = λf BPdf (25)


para conservar as caracterı́sticas Hermitianas do sistema, mul-
tiplicamos os dois lados da equação (25) pela matriz complexo Fig. 3. Estruturas de Bandas. 3(a): Estrutura de bandas de um cristal formado
conjugada de P: de colunas dielétricas com constante εr = 8, 9 e raio r = 0, 2a. 3(b):
Estrutura de bandas de um cristal formado de veias dielétricas com constante
(PH AP)df = λf (PH BP)df (26) εr = 8, 9 e espessura l = 0, 165a.

se Af = PH AP e Bf = PH BP podemos reescrever a equação Nos diagramas das figuras 3(a) e 3(b), podemos verificar
(26) como: a ocorrências de gaps fotônicos com razão gap-midgap de
(Af − λf Bf )df = 0. (27) 38% e 18.9% respectivamente. Em 3(a) o gap ocorre no
modo TM enquanto que em 3(b) ocorre no modo TE, mas
É importante notar que essa fatoração reduz o número de em ambos os casos ocorrem entre as duas primeiras bandas.
incógnitas a uma quantidade menor que o número de graus Isto se deve principalmente a dois fatores: a ortogonalidade
de liberdade de uma única célula unitária. Portanto, dessa entre os autovetores e a tendência do campo elétrico de se
forma é possı́vel inserir as condições essenciais, reduzir o concentrar nas regiões de maior constante dielétrica. Para sa-
número de incógnitas do sistema e ainda conservar o sistema tisfazer o teorema variacional, os autovetores devem minimizar
Hermitiano. Uma observação deve ser feita acerca do uso um funcional energético [1]. Por esse teorema sabemos que,
desse procedimento: devemos garantir que a triangulação seja quando o campo elétrico se concentra em regiões de mais alta
periódica em a, garantindo que o número de nós nas fronteiras constante dielétrica, temos modos de mais baixa frequência,
paralelas sejam iguais. minimizando o funcional energético.
Tomemos como exemplo o cristal representado em Fig. 3(a),
IV. R ESULTADOS que é formado de colunas dielétricas ao longo da coordenada
Com o objetivo de validar a formulação, foram realizadas z. No modo TE o campo elétrico tem suas linhas paralelas
simulações com códigos implementados no Matlab, utilizando ao plano xy dificultando sua concentração nas regiões de
dois tipos de cristais bidimensionais com rede de simetria elevado εr . Já no modo TM, o campo elétrico tem suas linhas
quadrada. O primeiro é formado por colunas dielétricas in- orientadas ao longo de z propiciando a concentração do campo
finitas de raio r = 0, 2a e imersas em ar. O segundo cristal elétrico nas colunas. Assim, na primeira banda do modo TM,
é formado por veias dielétricas com espessura l = 0, 164a, a tendência é que o campo elétrico concentre a maior parte
também imersas em ar. Em ambos os cristais, o dielétrico de sua energia nas regiões de elevado εr , mantendo suas
usado tem constante dielétrica εr = 8.9. Fig. 3 mostra os frequências mais baixas. Contudo, pelo fato do perfil de campo
diagramas de estrutura de bandas dos modos TE e TM para da segunda banda ser ortogonal ao da primeira, uma grande
os dois cristais. Os resultados foram comparados com soluções parte da energia que era concentrada nas colunas, agora se
de referência encontradas na literatura [1]. concentra na região com ar. Isso faz com que as frequências
associadas a banda 2 tenham um grande aumento, em relação onde os resultados demonstraram grande concordância com
a banda 1, causando o gap fotônico. trabalhos encontrados na literatura. Depois foi feito um estudo
Fig. 4 traz a distribuição de energia de campo elétrico εr E2 da distribuição da energia de campo elétrico e foi verifi-
das bandas 1 e 2 ao longo de um domı́nio com nove células, cada a relação entre o contraste da concentração de energia
para k = Γ, X e M. Observamos que na banda 1, a energia entre bandas adjacentes e a ocorrência do gap fotônico. A
está quase toda concentrada na região com constante dielétrica modelagem com o NEM se mostrou eficiente, pois manteve
mais elevada. Isto faz com que suas frequências sejam baixas. as caracterı́sticas Hermitianas do sistema, possibilitou o uso
Já na banda 2, observamos que parte da energia é distribuı́da de uma triangulação não estruturada que se ajustou bem
pela região de baixa constante dielétrica, fazendo com que suas aos contornos das estruturas estudadas e com a produção de
frequências sejam bem maiores e gerando o gap fotônico. Os matrizes esparsas, garantiu um baixo custo computacional na
resultados estão de acordo com o esperado teórico, validando solução do problema de autovalor.
a formulação e a implementação.
VI. AGRADECIMENTOS
O presente trabalho foi realizado com o apoio financeiro da
FAPEMIG, CNPq e CAPES - Brasil.
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Fig. 4. Energia: Distribuição da energia de campo elétrico εr E2 (x, y) de um [11] N. Sukumar, “The natural element method in solid mechanics,” Ph.D.
domı́nio formado por 9 células unitárias. dissertation, Northwestern University, 1998.
[12] A. Bruyère, L. Illoul, F. Chinesta, and S. Clénet, “Comparison between
nem and fem in 2-d magnetostatics using an error estimator,” IEEE
V. C ONCLUS ÕES Transactions on Magnetics, vol. 44, no. 6, pp. 1342–1345, 2008.
[13] N. Sukumar, B. Moran, A. Yu Semenov, and V. Belikov, “Natural neigh-
Este trabalho apresentou uma modelagem das bandas de bour galerkin methods,” International journal for numerical methods in
cristais fotônicos bidimensionais, usando o Método dos Ele- engineering, vol. 50, no. 1, pp. 1–27, 2001.
mentos Naturais - NEM. Foi desenvolvida uma formulação [14] D. F. Watson, “Computing the n-dimensional delaunay tessellation with
application to voronoi polytopes,” The computer journal, vol. 24, no. 2,
baseada na forma fraca e no método de Galerkin. Também pp. 167–172, 1981.
foi demonstrada uma forma simples e eficiente de impor
as condições periódicas essenciais mantendo o baixo custo
computacional. A validação da proposta foi feita a partir de
simulações computacionais. Primeiro foram gerados os diagra-
mas de estrutura de bandas de dois cristais com rede quadrada,

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