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UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO - UNINOVE

Material de Apoio com fins acadêmicos.

Leituras complementares devem ser realizadas conforme


sugestões apresentadas no planograma da disciplina.

ÉTICA APLICADA A ADMINISTRAÇÃO

Profº. Lucimar da Silva Itelvino

SÃO PAULO
2008
Contextualização histórica do ensino da ética nos cursos de
Administração de Empresas.

O Curso de Administração de Empresas surgiu da necessidade de formar


profissionais capazes de acelerar o processo de desenvolvimento que se instalou no país
em decorrência da transformação da sociedade de agrária em industrial, fruto de um
processo de modernização que culminou na busca de mão-de-obra qualificada e,
conseqüentemente, de profissionais aptos a exercer diferentes funções empresariais.
Percebeu-se, assim, a necessidade de formação de um profissional de administração que
deveria ser preparado dentro de um sistema escolar que atendesse a esse mercado
industrializado.

O ensino da Administração está relacionado ao processo de


desenvolvimento do país. Esse processo foi marcado por dois
momentos históricos distintos. O primeiro, pelos governos
Getúlio Vargas, representativos do projeto "autônomo", de
caráter nacionalista. O segundo, pelo governo de Juscelino
Kubitschek, evidenciado pelo projeto de desenvolvimento
associado e caracterizado pelo tipo de abertura econômica de
caráter internacionalista. Este último apresentou-se como um
ensaio do modelo de desenvolvimento adotado após 1964.
(www.crasp.org.br)

A formação do profissional de Administração de Empresas tornou-se


possível com a regulamentação da profissão, por meio da Lei nº 4.769, de 9 de setembro
de 1965, que garantia aos portadores de títulos expedidos pelo sistema universitário
acesso ao mercado de trabalho. Com a regulamentação da profissão e a expansão dos
cursos superiores, várias instituições abriram o curso de Administração no Brasil,
mediante orientação do Sesu/MEC, que institucionalizou um currículo mínimo para os
cursos de graduação em Administração em 1966 e 1993, estabelecendo um padrão
unitário entre as diferentes instituições.
Esse procedimento foi reformulado em 24 de novembro de 1995, com a Lei
9.131, art. 9º, § 2º, alínea “c”, que conferiu à Câmara de Educação Superior do
Conselho Nacional de Educação a competência para a elaboração do projeto de
Diretrizes Curriculares Nacionais – DCN, com propostas enviadas pela Secretaria de
Educação Superior do Ministério da Educação ao CNE, pelo inciso VII do art. 9º da
nova LDB 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, publicada em 23 de dezembro do
mesmo ano, concedendo mais liberdade às instituições e ao programa curricular do
curso de Administração, que tem sido reformulado por publicações que buscam
acompanhar os avanços e as vantagens do DCN sobre o currículo mínimo (Resolução
CFE nº 2, de 04/10/97).
O quadro abaixo mostra o panorama histórico do curso de Administração de
Empresas.
Ano Universidade Resumo
1941 Escola Superior de Criação do primeiro curso de Administração,
Administração de inspirado no modelo do curso da Graduate
Negócios – Esan School of Bussiness Administrations, da
Universidade de Harvard.
1946 Faculdade de Ministrava cursos de Ciências Econômicas e
Economia, de Ciências Contábeis, em que eram
Administração e apresentadas algumas matérias ligadas à
Contabilidade da Administração.
Universidade de São
Paulo – FEA/USP
1952 Fundação Getúlio Criação da Escola Brasileira de
Vargas – Administração Pública e de Empresas da
Ebape/FGV, no Rio Fundação Getúlio Vargas.
de Janeiro
1954 Escola Brasileira de Escola vinculada à FGV, onde surgiu o
Administração de primeiro currículo especializado em
Empresas de São Administração, com o objetivo de formar
Paulo – Eaesp especialistas em técnicas modernas de
Administração.
A partir da FGV Passa a ministrar cursos de pós-graduação
década de nas áreas de Economia, Administração
1960 Pública e de Empresas.
1963 FEA/USP Passa a oferecer cursos de Administração de
Empresas e de Administração Pública.
Fonte: www.crasp.org.br
. Cenário histórico da disciplina ética.
“Em 1992, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) sugeriu formalmente
que todos os cursos de administração, em nível de graduação e pós-graduação,
incluíssem em seu currículo a disciplina de Ética. Nessa ocasião, o Conselho Regional
de Administração (CRA) e a Fundação Fides reuniram em São Paulo mais de cem
representantes de faculdades de administração que, com boa disposição,
comprometeram-se a seguir a instrução do MEC”. (ARRUDA, 2001 et al.: 59)
A Fundação Fides (Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e
Social), desde a sua criação, em 1986, tem contribuído com a sociedade, reunindo
empresários e intelectuais para diversos debates, com a preocupação de gerar reflexões
sobre o comportamento ético e a humanização da sociedade. Foi o primeiro órgão a
debater em um simpósio internacional “Aspectos éticos e dívida externa”, além do
primeiro “Simpósio realizado em São Paulo, em 1992, sobre “A ética no mundo da
empresa”. Ambos deram origem a publicações, entre elas o livro da professora doutora
Laura Nash, da Universidade de Harvard, intitulado Ética empresarial: boas intenções
à parte, traduzido na época para o português. O Fides constantemente tem buscado
participar de processos que atraiam intelectuais e empresários a essa nova vertente ética,
com publicações, conferências e seminários, além de, no ano de 2001, ter dado
continuidade a novas reflexões com o tema “Ética, o desafio para as organizações do
século XXI”.
À medida que esses debates aconteciam, outras instituições se motivavam e
agregavam pessoas interessadas em desenvolver reflexões sobre a proposta do MEC,
em inserir no currículo a disciplina Ética, tendo mobilizado órgãos como a Secretaria
Municipal da Cultura, em abril de 1991, com um curso que tinha como título “Ética”.
Em 1992, a Fundação Getúlio Vargas (Cene) criou em São Paulo o primeiro
Centro de Estudos de Ética nos Negócios, vinculado ao curso de Administração de
Empresas, e que em 1997 passou a chamar-se Centro de Estudos de Ética nas
Organizações, tendo desenvolvido pesquisas, promovido seminários, feito publicações,
como resultado de eventos realizados, tais como o I Congresso Latino-Americano de
Ética, Negócios e Economia, em 1998. Em 2000 o Cene-FGV-Eaesp realizou o II
Congresso Mundial da Isbee – Internacional Society of Business, Economics, and
Ethics, com o tema “Os desafios éticos da globalização”.
Com o propósito de enfatizar os conteúdos de formação básica dos cursos
de Administração de Empresas e, conseqüentemente, a importância da disciplina Ética,
que durante muitos anos ficou agregada à disciplina Filosofia, o MEC aprovou
formalmente as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em
Administração estabelecendo que a disciplina Ética tornou-se independente.
Com o objetivo de alicerçar a busca do conhecimento dentro de um
processo pedagógico, adotou-se o livro como fonte de informações e principal recurso
para as pesquisas dos alunos dos cursos de Administração. Nesse sentido, em 1996, a
Comissão de Especialistas do Ensino da Administração – Ceead/Sesu/MEC, em
conjunto com o Conselho Federal de Administração – CFA e a Associação Nacional
dos Cursos de Graduação em Administração – Angrad apresentaram às instituições que
contemplavam os cursos de Administração de Empresas uma bibliografia de referência
denominada Biblioteca Básica dos Cursos de Administração (ALVAREZ &
ANDRADE, 2002: 11).
Na bibliografia básica dos cursos de Administração de Empresas constam as
disciplinas Filosofia e Ética como parte do mesmo ementário básico de referência
apresentado pela Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração
(Angrad), conforme texto abaixo:

“Fundamentos filosóficos. O conhecimento. A ciência. A política. A moral.


Estética. Antropologia filosófica. Filosofia e educação. Filosofia e
tecnologia. Lógica. Objetividade dos valores. Ética da administração, da
empresa e do gerente. Cenários novos. As correntes filosóficas
contemporâneas” (www.angrad.org.br).

Pode-se verificar que, mesmo tendo as diretrizes curriculares do curso de


Administração de Empresas apresentado as disciplinas Ética Profissional e Filosofia
separadas, os órgãos oficiais (CRA, CFA e Angrad) continuam apresentando as
disciplinas em um único ementário e uma mesma bibliografia básica.

Lucimar da Silva Itelvino – Mestrado em Educação(2005).


OBJETO E OBJETIVO DA ÉTICA E MORAL

Convivência em Sociedade

Relacionamentos

Objetivos
 
Natureza Individual Coletiva
(particular) (Toda a sociedade ou parte da mesma)

Comportamento Humano

Influência Ambiente
 
Crenças Valores

Conflitos

( ESQUEMA : Profa. Lucimar-(Mara)

DESAFIO : “ Ponto de Entendimento “


Valores, Moral e ética

Pitty - Anacrônico
Pitty
É claro que somos as mesmas pessoas
Mas pare e perceba como seu dia-a-dia mudou
Mudaram os horários, hábitos, lugares
Inclusive as pessoas ao redor
São outros rostos, outras vozes
Interagindo e modificando você
E aí surgem novos valores
Vindos de outras vontades
Alguns caindo por terra
Pra outros poderem crescer
Caem 1, 2, 3, caem 4
A terra girando não se pode parar

Outras situações em outras circunstâncias


Entre uma e outras vezes se vêem os mesmos defeitos
Todas aquelas marcas do jeito de cada um
Alguns ainda caem por terra
Pra outros poderem crescer
Caem 1,2,3 caem 4
A terra girando não se pode parar

Outro ciclo em diferentes fases


Vivendo de outra forma
Com outros interesses, outras ambições
Mais fortes, somadas com as anteriores
Mudança de prioridades
Mudança de direção
Alguns ainda caem por terra
Pra outros poderem crescer
DURKHEIM, E.. Sociologia, educação e moral [Éducation et sociologie –
L’éducation morale]. Porto, Portugal: RÉS, 1984. (pg. 21-22)Trad. Evaristo
Santos.

Pode-se-á dizer que, em cada um de nós , existem dois seres que, para serem
inseparáveis que não por abstração, não deixam de ser distintos. Um, é constituído por
todos os estados mentais que apenas se referem a nós próprios e aos acontecimentos
relacionados com a nossa própria vida pessoal: é aquilo a que poderíamos chamar o ser
individual. O outro, é um sistema de idéias, de sentimentos e de hábitos que expressam
em nós, não a a nossa personalidade, mas sim o grupo, ou diferentes grupos de que
fazemos parte; é o caso das crenças religiosas, credos e práticas morais, tradições
nacionais ou profissionais, opiniões colectivas de qualquer espécie. [...].

Com efeito, não só este ser social se não encontra totalmente formado na primitiva
constituição do homem, como também não resultou de um desenvolvimento
espontâneo. Espontaneamente, o homem não era propenso a submeter-se a uma
autoridade política, a respeitar uma disciplina moral, a dedicar-se e a sacrificar-se.[...]
Foi a própria natureza que, à medida que se foi formando e consolidando, extraiu do
próprio seio essas poderosas forças morais, perante a quais o homem sentiu a sua
inferioridade. Ora, se pusermos de parte as vagas e incertezas tendências que podem ser
devidas à hereditariedade, a criança, ao entrar na vida, apenas é portadora da sua
natureza de indivíduo. A sociedade encontra-se pois, aquando de cada nova geração,
em presença de uma quase tábua rasa em que terá de investir novos encargos. Torna-se
mais rápido que o ser egoísta e insocial que acaba de nascer, a sociedade lhe acrescente
um outro, capaz de levar uma vida moral e social.
REFLEXÕES SOBRE A ÉTICA E A SUA PRESENÇA

NOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

Lucimar da Silva Itelvino


Orientadora: Profa Dra Maria da Gloria Marcondes Gohn1

Resumo

Em decorrência do atual momento político brasileiro, nunca se ouviu falar e discutir


tanto sobre ética e a sua aplicação. Neste sentido, o principal objetivo deste artigo é
propor uma discussão sobre ética, acompanhando algumas das suas possíveis definições
que circulam no meio acadêmico, estabelecendo um paralelo com a definição do
conceito de moral, bem como localizá-la na grade dos cursos de graduação como
elemento formador dos profissionais que atuarão no mercado.

Palavras-chave

Ética. Moral. Ensino.

Reflections on Ethics and Its Presence in Graduation Courses

Abstract

In consequence of the Brazilian political moment nowadays we had never heard so


many discussions on ethics and its application before. The main proposal of this paper is
raise a discussion on ethics followed by some of its possible definitions which we are
used to in the academic scenario, trying to establish a parallel with the moral concept as
well as place it as a content for graduation courses as a formative element of the
professionals that will be in business.

Key words

Ethics. Moral. Teaching.

Introdução

1
Mestre em Educação pelo Centro Universitário Nove de Julho e professora do Departamento de
Gerenciais da mesma instituição.
O conceito de ética, embora sempre mencionado na mídia, nas ações
coletivas e nas discussões filosóficas, principalmente nos dias atuais por decorrência do
cenário político nacional, ainda é de difícil entendimento em função de uma forte
tendência a se aceitar conceitos preestabelecidos muitas vezes baseados no senso
comum, o que provoca, em algumas circunstâncias, interpretações ambíguas e
equivocadas. Para evitar essa situação, procurou-se neste artigo o entendimento do
termo ética perseguindo alguns autores.
Primeiramente, segundo o dicionário Hollanda (1999), ética é “o estudo dos
juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de
vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo
absoluto”.
Complementando, no dicionário Houaiss (2001: 1271), ética é a “parte da
filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem,
disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo a respeito da essência das
normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social”.

A palavra ética vem do vocábulo grego ethos, que significa ‘caráter, modo
de ser’. “O ethos é a casa do homem [...] o espaço do ethos, enquanto espaço humano,
não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído” (VAZ,
apud RIOS, 1999: 22)
Rios (1999: 23) afirma que:

A ética se apresenta como uma reflexão crítica sobre a


moralidade, sobre a dimensão moral do comportamento do
homem. Cabe a ela, enquanto investigação que se dá no interior
da filosofia, procurar ver [...] claro, fundo e largo os valores,
problematizá-los, buscar sua consistência.

Para Savater (1993: 31), a ética é “a arte de saber-viver, ou a arte de viver”,


pois está diretamente relacionada à liberdade que o sujeito tem de optar, e essa condição
é inerente ao ser humano, pois se concretiza no processo de inventar e escolher, e até
mesmo se enganar na descoberta pela vida.
No pensamento de Boff (1997: 90), “ética designa a morada humana”. Isto
é, os princípios e os valores necessários para a manutenção da vida humana reforçam a
importância da ética como alicerce.
Queiroz (1985: 86) complementa essa definição, ao escrever: “a ética deve
ser compromisso de vida, indo além dos códigos já estabelecidos, e nunca subterfúgio
para fugir ao incerto, ao novo, ao ainda não institucionalizado”.
Rios (2002: 87) também argumenta afirmado que:

Define-se aqui a ética como uma reflexão de caráter crítico


sobre os valores presentes na prática dos indivíduos em
sociedade. É no domínio da ética que se problematiza o que é
considerado bom ou mau numa determinada sociedade, que se
questionam os fundamentos dos valores e que se aponta como
horizonte o bem comum, sem dúvida histórico, mas diferente de
um bem determinado por interesses particulares e, muitas vezes,
insustentáveis.

Percebe-se, por essas definições, que a ética encontra-se no campo da


reflexão e estuda a moral (ou as morais, como preferem alguns) e as moralidades,
analisa criticamente as escolhas que os indivíduos fazem em situações reais. Ela é o
ponto de partida para se vivenciar princípios universais, tais como: justiça, integridade,
lealdade, bondade e outros.
O entendimento dessas raízes norteia a ação do homem em sociedade, pois
os comportamentos temporais são decorrentes do processo derivado do
desenvolvimento histórico-social. A relação social, que interliga os homens entre si, cria
a necessidade de se definir regras de convivência, normas de relacionamento que
estabeleçam limites a serem respeitados por todos. De acordo com Queiroz (1985: 88-
9):

As regras de condutas nem sempre devem ser consideradas


como sendo a própria ética, pois, muitas vezes, elas são
espontâneas, não sistematizadas, com total mobilidade em
decorrência das condições materiais da existência humana.

A vida em sociedade harmônica requer a existência de crenças morais que


sejam compartilhadas e aceitas, dando a cada indivíduo dessa sociedade a possibilidade
de conhecer o que é considerado uma conduta certa ou errada, lícita ou ilícita,
garantindo a pacífica sociabilidade.
A preocupação com a vida em comunidade remete à filosofia e à condição
básica de que o homem é um ser social e, portanto, precisa dos outros para sobreviver.A
ética se apóia principalmente na filosofia para refletir e buscar o entendimento da moral,
que não é fixa, assumindo diferentes conformações em diferentes espaços e tempos. Ela
é um princípio que possibilita a análise de aspectos da moral e da moralidade. Busca
responder às expectativas de uma sociedade com relação aos padrões entendidos como
‘certos ou errados’ socialmente, sendo no campo da moralidade que a sociedade faz
esses julgamentos.
A ética analisa os valores estabelecidos e reflete, dentro de um contexto
histórico, as relações humanas, objetivando a radical busca a favor da vida. O propósito
é a conscientização, e não a imposição que não se interioriza, deixando lacunas que
podem ser interpretadas com base em interesses pessoais, em detrimento dos sociais.
Ela pode ser entendida como uma espécie de teoria sobre a prática moral,
uma reflexão teórica que analisa e critica os fundamentos e princípios que regem
determinado sistema moral (ALENCASTRO, 1997 e RIOS, 1999).
Vasquez (1995: 12) assevera que:

A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos


homens em sociedade. Ou seja, é ciência de uma forma
específica de comportamento humano.
A ética depara com uma experiência histórico-social no terreno
da moral, ou seja, com uma série de práticas morais já em vigor
e, partindo delas, procura determinar a essência da moral, sua
origem, as condições objetivas e subjetivas do ato moral, as
fontes da avaliação moral, a natureza e a função dos juízos
morais, os critérios de justificação destes juízos e o princípio
que rege a mudança e a sucessão de diferentes sistemas morais.

A ética também estuda a responsabilidade do ato moral. A decisão de agir


em uma situação concreta é um problema prático-moral, mas investigar se a pessoa
pode escolher entre duas ou mais alternativas de ação e agir de acordo com sua decisão
é um problema teórico-ético, pois verifica a liberdade e as condições que afetam nossos
atos.

1. Panorama do conceito de moral


A ética e a moral, no senso comum, são entendidas como princípios ou
padrões de conduta, em decorrência de suas origens – mores, no latim, e ethos, no
grego, remetem ao sentido de costumes. Por moral entende-se uma prática moralmente
aceita por determinado grupo social, baseada em valores e normas que orientam o
comportamento dos indivíduos.
Para Rios (1999: 20), “o comportamento é o arranjo dos diversos papéis
que desempenhamos em sociedade”. Esse comportamento pode ser considerado certo
ou errado em diferentes culturas, pois o certo ou o errado se estabelecem
historicamente, em decorrência de uma escala de valores atribuídos pela sociedade.
O conceito de moral foi delimitado por vários investigadores, dentre eles,
Durkheim (1978), Bicudo (1982), Aristóteles (1991), Rios (1999) e Srour (2000), que se
revê a seguir.
Segundo Durkheim (1978: 45):

Se há hoje verdade histórica estabelecida é a que a moral está


estritamente relacionada com a natureza das sociedades, pois
que [...] ela muda quando as sociedades mudam. É que ela
resulta da vida em comum. É a sociedade que nos lança fora de
nós mesmos, que nos obriga a considerar outros interesses que
não são os nossos, que nos ensina a dominar as paixões, os
instintos, e dar-lhes lei, ensinando-nos o sacrifício, a privação, a
subordinação dos nossos fins individuais a outros mais elevados.

Sobre a moral, Bicudo (1982: 15) argumenta que: “Por um lado, verifica-
se que ela se encontra ligada aos usos, aos costumes, aos padrões, às regras sociais,
às leis; por outro, que se encontra ligada a princípios de decisões individuais sobre o
bom”.

Aristóteles (1991: 29) comenta que: “a excelência moral relaciona-se


com prazeres e dores; é por causa do prazer que praticamos más ações, e por causa
da dor que nos abstemos de ações nobres”.

Conforme Rios (2002: 102), a moral ӎ o conjunto de normas, regras e leis


destinado a orientar a ação e a relação social e revela-se no comportamento prático dos
indivíduos”.
Srour (2000: 18) explica que as morais são:

Sistemas de normas que expressam valores; códigos


formalizados; conjuntos internamente coerentes de princípios ou
de propósitos socialmente validados; discursos que servem de
trilhos às relações sociais e aos comportamentos dos agentes.

Diante do exposto até aqui, pode-se perceber que há uma significativa


diferença entre ética e moral, no sentido de que a moral é decorrente de determinada
sociedade e altera-se no tempo e no espaço, em conseqüência das transformações
sociais, o que não se confirma no caso da ética, que tem como enfoque central a vida,
devendo ter seus parâmetros fundados na intencionalidade universal que visa à
sociabilidade dos grupos. Esses grupos podem ter ou não morais distintas, em
decorrência da perspectiva relativista dos grupos sociais e das influências temporais,
que são eminentemente históricas.
A moral pode ser entendida, então, como um conjunto de práticas
cristalizadas pelos costumes e convenções histórico-sociais, e as normas são os meios
pelos quais os valores morais de um grupo social são manifestos e acabam adquirindo
caráter impositivo e obrigatório.
Essa dimensão histórica da moral torna-a, por natureza, sempre plural
(BOFF: 1997). Para amparar essa afirmação, pode-se observar que existem morais
diferentes em diferentes culturas, ou até mesmo a mesma cultura, morais de categorias
profissionais, morais religiosas, morais das classes sociais. O importante é observar que
as morais são reproduções da sociedade manifestando-se e elegendo comportamentos a
serem seguidos pelos indivíduos em um contexto coletivo.
Aristóteles (1982) reforça a idéia de diferentes morais, influenciado pela
política e pela sua condição de existência, quando analisa os princípios de igualdade de
posições e de justiça para pessoas equivalentes, que são os cidadãos que fazem o
Estado, excluindo dessa comunidade os estrangeiros, os escravos e as mulheres.
O princípio de justiça de Aristóteles ignora as contradições, justificando a
escravidão, o domínio do homem sobre a mulher e a relação entre dominantes
(governantes) e dominados (governados) como fatores para alcançar a estabilidade do
Estado.
Segundo Severino (2002: 96):

Os valores pessoais não são apenas individuais, pois só se é


humano quando a existência se realiza nos registros individual e
social simultaneamente. Assim, a avaliação ética de uma ação
não se refere apenas a um sujeito; é preciso reportá-la a um
índice coletivo.

Assim, a ética reflete com base na existência da moral, tomando como ponto
de partida a diversidade de morais no tempo, entendendo que cada sociedade que baliza
as relações entre indivíduos e instituições tem sido caracterizada por um conjunto de
regras, normas e valores. A ética possui elementos de caráter mais universal, embora
também seja afetada pela história e seu tempo. Por isso, não se identifica com os
princípios e as normas de nenhuma moral em particular, nem adota atitudes indiferentes
ou ecléticas diante delas (ALENCASTRO, 1997).
Para Durkheim (1978: 104): “Quanto à moral humana, essa reduz-se então a
um pequeno número de princípios cuja violação se limita a ser debilmente reprimida”.
Desse questionamento, pode-se concluir que a reflexão moral tanto agrega valor nas
ações do sujeito quanto reduz a liberdade de ação, pois existe uma relação direta entre
moral e comportamento humano determinado por uma sociedade, gerando o tempo todo
contradições entre os interesses do particular e do universal.
Essa contradição moral dá origem a normas e padrões de conduta do
indivíduo que podem ser classificadas como voluntárias ou involuntárias. As ações de
caráter involuntário podem ser classificadas como inatas. Ou seja, são atitudes que
surgem por compulsão ou por ignorância, e que dificilmente serão transformadas. Já os
comportamentos voluntários são aqueles sobre os quais o indivíduo tem controle.
Portanto, podem ser aprendidos e nascem de um processo de decisão que dependerá das
circunstâncias e da finalidade da ação. (ARISTÓTELES, 1991).
Segundo Aristóteles (1991: 43), “tudo o que se faz constrangido ou por
ignorância é involuntário, o voluntário parece ser aquilo cujo princípio motor se
encontra no próprio agente que tenha conhecimento das circunstâncias particulares do
ato”. Os comportamentos voluntários podem ser de dois tipos: vícios e virtudes que
juntos compõem o caráter da pessoa, sendo que as virtudes podem ser entendidas como
intelectuais e morais.
Ainda para Aristóteles, a virtude intelectual necessita ser desenvolvida por
um processo educativo, de formação e ensino, e a virtude moral é adquirida como
resultado do hábito, isto é, da repetição de atitudes moralmente aceitas.

A virtude moral é adquirida em resultado do hábito, donde ter-se


formado o seu nome (ethiké) por uma pequena modificação na
palavra êthos (hábito). Por tudo isso, evidencia-se também que
nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza
(ARISTÓTELES, 1991: 27).

Dentro dessa perspectiva, afirmar a importância da educação no processo de


desenvolvimento dos valores de sujeitos morais para a convivência em sociedade requer
o desenvolvimento de uma sociedade moral, que pelas ações práticas incute nesses
sujeitos hábitos que os tornam bons, enquanto cidadãos.
De acordo com Severino (2002: 46):

Pela práxis o homem opera e age. Ela é o movimento que


articula dialeticamente a operação e a reflexão, a teoria e a
prática. Para que a ação humana seja criadora e transformadora,
precisa ser uma prática intencionalizada pela teoria e pela
significação. A teoria, separada da prática, seria puramente
contemplativa e, como tal, ineficaz sobre o real; a prática,
desprovida da significação teórica, seria pura operação
mecânica, atividade cega.

Estudiosos como Durkheim (1978), Bicudo (1982) e Aristóteles (1991)


demonstram que há possibilidade de modificar as atitudes morais, em decorrência de
ações educativas que podem ser praticadas por meio de imagem, reflexão e aplicação de
normas, o pode ocorrer, por exemplo, na concepção de ética e a formação que os alunos
dos cursos de Administração de Empresas recebem em cursos de graduação.

Estudo de Caso : Um Dilema Ético

Eu estava em casa, sentado em minha poltrona predileta, mas com a cabeça


funcionando a mil. Eram quatro da manhã. Pela terceira noite seguida, eu
acordara de madrugada, confuso e agitado com um problema de trabalho que
me atormentava cada vez mais.
Se gerente da divisão de vendas de uma companhia de lata tecnologia, em
indústria muito competitiva, pode implicar momentos difíceis. Este ra, sem
dúvida, um deles. As vendas estavam baixas há quase seis meses e meu
chefe vinha me pressionando para que melhorasse os números de minha
divisão. Há um mês eu andava à procura de um vendedor de alto calibre,
experiente, para reforçar minha tropa de vendedores. Três dias antes
entrevistara um candidato que me parecia muito promissor.
Desde o momento em que entrou, cheio de confiança, em minha sala, senti
que era justamente a pessoa que eu precisava. À medida que se desenvolvia
a entrevista, eu ficava cada vez mais interessado. Teria sorte se conseguisse
contratá-lo. Ele possuía uma notável folha de serviços e conhecia nossa
indústria de cor e salteado. Mais estranho que tudo, acabava de demitir-se de
um cargo importante na empresa de nosso maior concorrente, após seis anos
de sucesso nessa companhia.
Durante a entrevista , reforçou-se minha certeza de que esse vendedor estava
muito acima de todos os demais candidatos, em todas as categorias. Eu já
havia resolvido contratá-lo ( dependendo apenas de um ou dois telefonemas
para checar as referências), quando ele sorriu, abriu a maleta 007 e tirou um
pequeno envelope e mostrou-o como se fosse uma jóia de valor inapreciável.
_ O senhor pode imaginar o que há neste disquete? - perguntou.
Sacudi a cabeça. Ainda sorrindo, a voz transbordando de autoconfiança,
explicou que o disquete continha um tesouro de informações confidenciais
sobre nosso concorrente, seu ex-empregador - incluindo perfis de todos os
seus clientes e dados de custos sobre grandes contratos de defesa, de cuja
licitação nossa companhia também participava. Terminando a entrevista,
prometeu-se que, se eu o contratasse, ele me daria o disquete, e muito mais
coisas do mesmo tipo. O que você faria?
Livro – está faltando a referência bibliográfica

REFLEXÕES SOBRE A ÉTICA E A SUA PRESENÇA

NOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

Lucimar da Silva Itelvino


Orientadora: Profa Dra Maria da Gloria Marcondes Gohn2

2
Mestre em Educação pelo Centro Universitário Nove de Julho e professora do Departamento de
Gerenciais da mesma instituição.
Resumo

Em decorrência do atual momento político brasileiro, nunca se ouviu falar e discutir


tanto sobre ética e a sua aplicação. Neste sentido, o principal objetivo deste artigo é
propor uma discussão sobre ética, acompanhando algumas das suas possíveis definições
que circulam no meio acadêmico, estabelecendo um paralelo com a definição do
conceito de moral, bem como localizá-la na grade dos cursos de graduação como
elemento formador dos profissionais que atuarão no mercado.

Palavras-chave

Ética. Moral. Ensino.

Reflections on Ethics and Its Presence in Graduation Courses

Abstract

In consequence of the Brazilian political moment nowadays we had never heard so


many discussions on ethics and its application before. The main proposal of this paper is
raise a discussion on ethics followed by some of its possible definitions which we are
used to in the academic scenario, trying to establish a parallel with the moral concept as
well as place it as a content for graduation courses as a formative element of the
professionals that will be in business.

Key words

Ethics. Moral. Teaching.

Introdução
O conceito de ética, embora sempre mencionado na mídia, nas ações
coletivas e nas discussões filosóficas, principalmente nos dias atuais por decorrência do
cenário político nacional, ainda é de difícil entendimento em função de uma forte
tendência a se aceitar conceitos preestabelecidos muitas vezes baseados no senso
comum, o que provoca, em algumas circunstâncias, interpretações ambíguas e
equivocadas. Para evitar essa situação, procurou-se neste artigo o entendimento do
termo ética perseguindo alguns autores.
Primeiramente, segundo o dicionário Hollanda (1999), ética é “o estudo dos
juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de
vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo
absoluto”.
Complementando, no dicionário Houaiss (2001: 1271), ética é a “parte da
filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem,
disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo a respeito da essência das
normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social”.

A palavra ética vem do vocábulo grego ethos, que significa ‘caráter, modo
de ser’. “O ethos é a casa do homem [...] o espaço do ethos, enquanto espaço humano,
não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído” (VAZ,
apud RIOS, 1999: 22)
Rios (1999: 23) afirma que:

A ética se apresenta como uma reflexão crítica sobre a


moralidade, sobre a dimensão moral do comportamento do
homem. Cabe a ela, enquanto investigação que se dá no interior
da filosofia, procurar ver [...] claro, fundo e largo os valores,
problematizá-los, buscar sua consistência.

Para Savater (1993: 31), a ética é “a arte de saber-viver, ou a arte de viver”,


pois está diretamente relacionada à liberdade que o sujeito tem de optar, e essa condição
é inerente ao ser humano, pois se concretiza no processo de inventar e escolher, e até
mesmo se enganar na descoberta pela vida.
No pensamento de Boff (1997: 90), “ética designa a morada humana”. Isto
é, os princípios e os valores necessários para a manutenção da vida humana reforçam a
importância da ética como alicerce.
Queiroz (1985: 86) complementa essa definição, ao escrever: “a ética deve
ser compromisso de vida, indo além dos códigos já estabelecidos, e nunca subterfúgio
para fugir ao incerto, ao novo, ao ainda não institucionalizado”.
Rios (2002: 87) também argumenta afirmado que:

Define-se aqui a ética como uma reflexão de caráter crítico


sobre os valores presentes na prática dos indivíduos em
sociedade. É no domínio da ética que se problematiza o que é
considerado bom ou mau numa determinada sociedade, que se
questionam os fundamentos dos valores e que se aponta como
horizonte o bem comum, sem dúvida histórico, mas diferente de
um bem determinado por interesses particulares e, muitas vezes,
insustentáveis.

Percebe-se, por essas definições, que a ética encontra-se no campo da


reflexão e estuda a moral (ou as morais, como preferem alguns) e as moralidades,
analisa criticamente as escolhas que os indivíduos fazem em situações reais. Ela é o
ponto de partida para se vivenciar princípios universais, tais como: justiça, integridade,
lealdade, bondade e outros.
O entendimento dessas raízes norteia a ação do homem em sociedade, pois
os comportamentos temporais são decorrentes do processo derivado do
desenvolvimento histórico-social. A relação social, que interliga os homens entre si, cria
a necessidade de se definir regras de convivência, normas de relacionamento que
estabeleçam limites a serem respeitados por todos. De acordo com Queiroz (1985: 88-
9):

As regras de condutas nem sempre devem ser consideradas


como sendo a própria ética, pois, muitas vezes, elas são
espontâneas, não sistematizadas, com total mobilidade em
decorrência das condições materiais da existência humana.

A vida em sociedade harmônica requer a existência de crenças morais que


sejam compartilhadas e aceitas, dando a cada indivíduo dessa sociedade a possibilidade
de conhecer o que é considerado uma conduta certa ou errada, lícita ou ilícita,
garantindo a pacífica sociabilidade.
A preocupação com a vida em comunidade remete à filosofia e à condição
básica de que o homem é um ser social e, portanto, precisa dos outros para sobreviver.A
ética se apóia principalmente na filosofia para refletir e buscar o entendimento da moral,
que não é fixa, assumindo diferentes conformações em diferentes espaços e tempos. Ela
é um princípio que possibilita a análise de aspectos da moral e da moralidade. Busca
responder às expectativas de uma sociedade com relação aos padrões entendidos como
‘certos ou errados’ socialmente, sendo no campo da moralidade que a sociedade faz
esses julgamentos.
A ética analisa os valores estabelecidos e reflete, dentro de um contexto
histórico, as relações humanas, objetivando a radical busca a favor da vida. O propósito
é a conscientização, e não a imposição que não se interioriza, deixando lacunas que
podem ser interpretadas com base em interesses pessoais, em detrimento dos sociais.
Ela pode ser entendida como uma espécie de teoria sobre a prática moral,
uma reflexão teórica que analisa e critica os fundamentos e princípios que regem
determinado sistema moral (ALENCASTRO, 1997 e RIOS, 1999).
Vasquez (1995: 12) assevera que:

A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos


homens em sociedade. Ou seja, é ciência de uma forma
específica de comportamento humano.
A ética depara com uma experiência histórico-social no terreno
da moral, ou seja, com uma série de práticas morais já em vigor
e, partindo delas, procura determinar a essência da moral, sua
origem, as condições objetivas e subjetivas do ato moral, as
fontes da avaliação moral, a natureza e a função dos juízos
morais, os critérios de justificação destes juízos e o princípio
que rege a mudança e a sucessão de diferentes sistemas morais.

A ética também estuda a responsabilidade do ato moral. A decisão de agir


em uma situação concreta é um problema prático-moral, mas investigar se a pessoa
pode escolher entre duas ou mais alternativas de ação e agir de acordo com sua decisão
é um problema teórico-ético, pois verifica a liberdade e as condições que afetam nossos
atos.

1. Panorama do conceito de moral


A ética e a moral, no senso comum, são entendidas como princípios ou
padrões de conduta, em decorrência de suas origens – mores, no latim, e ethos, no
grego, remetem ao sentido de costumes. Por moral entende-se uma prática moralmente
aceita por determinado grupo social, baseada em valores e normas que orientam o
comportamento dos indivíduos.
Para Rios (1999: 20), “o comportamento é o arranjo dos diversos papéis
que desempenhamos em sociedade”. Esse comportamento pode ser considerado certo
ou errado em diferentes culturas, pois o certo ou o errado se estabelecem
historicamente, em decorrência de uma escala de valores atribuídos pela sociedade.
O conceito de moral foi delimitado por vários investigadores, dentre eles,
Durkheim (1978), Bicudo (1982), Aristóteles (1991), Rios (1999) e Srour (2000), que se
revê a seguir.
Segundo Durkheim (1978: 45):
Se há hoje verdade histórica estabelecida é a que a moral está
estritamente relacionada com a natureza das sociedades, pois
que [...] ela muda quando as sociedades mudam. É que ela
resulta da vida em comum. É a sociedade que nos lança fora de
nós mesmos, que nos obriga a considerar outros interesses que
não são os nossos, que nos ensina a dominar as paixões, os
instintos, e dar-lhes lei, ensinando-nos o sacrifício, a privação, a
subordinação dos nossos fins individuais a outros mais elevados.

Sobre a moral, Bicudo (1982: 15) argumenta que: “Por um lado, verifica-
se que ela se encontra ligada aos usos, aos costumes, aos padrões, às regras sociais,
às leis; por outro, que se encontra ligada a princípios de decisões individuais sobre o
bom”.

Aristóteles (1991: 29) comenta que: “a excelência moral relaciona-se


com prazeres e dores; é por causa do prazer que praticamos más ações, e por causa
da dor que nos abstemos de ações nobres”.

Conforme Rios (2002: 102), a moral ӎ o conjunto de normas, regras e leis


destinado a orientar a ação e a relação social e revela-se no comportamento prático dos
indivíduos”.
Srour (2000: 18) explica que as morais são:

Sistemas de normas que expressam valores; códigos


formalizados; conjuntos internamente coerentes de princípios ou
de propósitos socialmente validados; discursos que servem de
trilhos às relações sociais e aos comportamentos dos agentes.

Diante do exposto até aqui, pode-se perceber que há uma significativa


diferença entre ética e moral, no sentido de que a moral é decorrente de determinada
sociedade e altera-se no tempo e no espaço, em conseqüência das transformações
sociais, o que não se confirma no caso da ética, que tem como enfoque central a vida,
devendo ter seus parâmetros fundados na intencionalidade universal que visa à
sociabilidade dos grupos. Esses grupos podem ter ou não morais distintas, em
decorrência da perspectiva relativista dos grupos sociais e das influências temporais,
que são eminentemente históricas.
A moral pode ser entendida, então, como um conjunto de práticas
cristalizadas pelos costumes e convenções histórico-sociais, e as normas são os meios
pelos quais os valores morais de um grupo social são manifestos e acabam adquirindo
caráter impositivo e obrigatório.
Essa dimensão histórica da moral torna-a, por natureza, sempre plural
(BOFF: 1997). Para amparar essa afirmação, pode-se observar que existem morais
diferentes em diferentes culturas, ou até mesmo a mesma cultura, morais de categorias
profissionais, morais religiosas, morais das classes sociais. O importante é observar que
as morais são reproduções da sociedade manifestando-se e elegendo comportamentos a
serem seguidos pelos indivíduos em um contexto coletivo.
Aristóteles (1982) reforça a idéia de diferentes morais, influenciado pela
política e pela sua condição de existência, quando analisa os princípios de igualdade de
posições e de justiça para pessoas equivalentes, que são os cidadãos que fazem o
Estado, excluindo dessa comunidade os estrangeiros, os escravos e as mulheres.
O princípio de justiça de Aristóteles ignora as contradições, justificando a
escravidão, o domínio do homem sobre a mulher e a relação entre dominantes
(governantes) e dominados (governados) como fatores para alcançar a estabilidade do
Estado.
Segundo Severino (2002: 96):

Os valores pessoais não são apenas individuais, pois só se é


humano quando a existência se realiza nos registros individual e
social simultaneamente. Assim, a avaliação ética de uma ação
não se refere apenas a um sujeito; é preciso reportá-la a um
índice coletivo.

Assim, a ética reflete com base na existência da moral, tomando como ponto
de partida a diversidade de morais no tempo, entendendo que cada sociedade que baliza
as relações entre indivíduos e instituições tem sido caracterizada por um conjunto de
regras, normas e valores. A ética possui elementos de caráter mais universal, embora
também seja afetada pela história e seu tempo. Por isso, não se identifica com os
princípios e as normas de nenhuma moral em particular, nem adota atitudes indiferentes
ou ecléticas diante delas (ALENCASTRO, 1997).
Para Durkheim (1978: 104): “Quanto à moral humana, essa reduz-se então a
um pequeno número de princípios cuja violação se limita a ser debilmente reprimida”.
Desse questionamento, pode-se concluir que a reflexão moral tanto agrega valor nas
ações do sujeito quanto reduz a liberdade de ação, pois existe uma relação direta entre
moral e comportamento humano determinado por uma sociedade, gerando o tempo todo
contradições entre os interesses do particular e do universal.
Essa contradição moral dá origem a normas e padrões de conduta do
indivíduo que podem ser classificadas como voluntárias ou involuntárias. As ações de
caráter involuntário podem ser classificadas como inatas. Ou seja, são atitudes que
surgem por compulsão ou por ignorância, e que dificilmente serão transformadas. Já os
comportamentos voluntários são aqueles sobre os quais o indivíduo tem controle.
Portanto, podem ser aprendidos e nascem de um processo de decisão que dependerá das
circunstâncias e da finalidade da ação. (ARISTÓTELES, 1991).
Segundo Aristóteles (1991: 43), “tudo o que se faz constrangido ou por
ignorância é involuntário, o voluntário parece ser aquilo cujo princípio motor se
encontra no próprio agente que tenha conhecimento das circunstâncias particulares do
ato”. Os comportamentos voluntários podem ser de dois tipos: vícios e virtudes que
juntos compõem o caráter da pessoa, sendo que as virtudes podem ser entendidas como
intelectuais e morais.
Ainda para Aristóteles, a virtude intelectual necessita ser desenvolvida por
um processo educativo, de formação e ensino, e a virtude moral é adquirida como
resultado do hábito, isto é, da repetição de atitudes moralmente aceitas.

A virtude moral é adquirida em resultado do hábito, donde ter-se


formado o seu nome (ethiké) por uma pequena modificação na
palavra êthos (hábito). Por tudo isso, evidencia-se também que
nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza
(ARISTÓTELES, 1991: 27).

Dentro dessa perspectiva, afirmar a importância da educação no processo de


desenvolvimento dos valores de sujeitos morais para a convivência em sociedade requer
o desenvolvimento de uma sociedade moral, que pelas ações práticas incute nesses
sujeitos hábitos que os tornam bons, enquanto cidadãos.
De acordo com Severino (2002: 46):

Pela práxis o homem opera e age. Ela é o movimento que


articula dialeticamente a operação e a reflexão, a teoria e a
prática. Para que a ação humana seja criadora e transformadora,
precisa ser uma prática intencionalizada pela teoria e pela
significação. A teoria, separada da prática, seria puramente
contemplativa e, como tal, ineficaz sobre o real; a prática,
desprovida da significação teórica, seria pura operação
mecânica, atividade cega.

Estudiosos como Durkheim (1978), Bicudo (1982) e Aristóteles (1991)


demonstram que há possibilidade de modificar as atitudes morais, em decorrência de
ações educativas que podem ser praticadas por meio de imagem, reflexão e aplicação de
normas, o pode ocorrer, por exemplo, na concepção de ética e a formação que os alunos
dos cursos de Administração de Empresas recebem em cursos de graduação.

Estudo de Caso : Um Dilema Ético

Eu estava em casa, sentado em minha poltrona predileta, mas com a cabeça


funcionando a mil. Eram quatro da manhã. Pela terceira noite seguida, eu
acordara de madrugada, confuso e agitado com um problema de trabalho que
me atormentava cada vez mais.
Se gerente da divisão de vendas de uma companhia de lata tecnologia, em
indústria muito competitiva, pode implicar momentos difíceis. Este ra, sem
dúvida, um deles. As vendas estavam baixas há quase seis meses e meu
chefe vinha me pressionando para que melhorasse os números de minha
divisão. Há um mês eu andava à procura de um vendedor de alto calibre,
experiente, para reforçar minha tropa de vendedores. Três dias antes
entrevistara um candidato que me parecia muito promissor.
Desde o momento em que entrou, cheio de confiança, em minha sala, senti
que era justamente a pessoa que eu precisava. À medida que se desenvolvia
a entrevista, eu ficava cada vez mais interessado. Teria sorte se conseguisse
contratá-lo. Ele possuía uma notável folha de serviços e conhecia nossa
indústria de cor e salteado. Mais estranho que tudo, acabava de demitir-se de
um cargo importante na empresa de nosso maior concorrente, após seis anos
de sucesso nessa companhia.
Durante a entrevista , reforçou-se minha certeza de que esse vendedor estava
muito acima de todos os demais candidatos, em todas as categorias. Eu já
havia resolvido contratá-lo ( dependendo apenas de um ou dois telefonemas
para checar as referências), quando ele sorriu, abriu a maleta 007 e tirou um
pequeno envelope e mostrou-o como se fosse uma jóia de valor inapreciável.
_ O senhor pode imaginar o que há neste disquete? - perguntou.
Sacudi a cabeça. Ainda sorrindo, a voz transbordando de autoconfiança,
explicou que o disquete continha um tesouro de informações confidenciais
sobre nosso concorrente, seu ex-empregador - incluindo perfis de todos os
seus clientes e dados de custos sobre grandes contratos de defesa, de cuja
licitação nossa companhia também participava. Terminando a entrevista,
prometeu-se que, se eu o contratasse, ele me daria o disquete, e muito mais
coisas do mesmo tipo. O que você faria?

REFLEXÕES SOBRE A ÉTICA E A SUA PRESENÇA

NOS CURSOS DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

Lucimar da Silva Itelvino


Orientadora: Profa Dra Maria da Gloria Marcondes Gohn3

Resumo

Em decorrência do atual momento político brasileiro, nunca se ouviu falar e discutir


tanto sobre ética e a sua aplicação. Neste sentido, o principal objetivo deste artigo é
propor uma discussão sobre ética, acompanhando algumas das suas possíveis definições
que circulam no meio acadêmico, estabelecendo um paralelo com a definição do
3
Mestre em Educação pelo Centro Universitário Nove de Julho e professora do Departamento de
Gerenciais da mesma instituição.
conceito de moral, bem como localizá-la na grade dos cursos de graduação como
elemento formador dos profissionais que atuarão no mercado.

Palavras-chave

Ética. Moral. Ensino.

Reflections on Ethics and Its Presence in Graduation Courses

Abstract

In consequence of the Brazilian political moment nowadays we had never heard so


many discussions on ethics and its application before. The main proposal of this paper is
raise a discussion on ethics followed by some of its possible definitions which we are
used to in the academic scenario, trying to establish a parallel with the moral concept as
well as place it as a content for graduation courses as a formative element of the
professionals that will be in business.

Key words

Ethics. Moral. Teaching.

Introdução
O conceito de ética, embora sempre mencionado na mídia, nas ações
coletivas e nas discussões filosóficas, principalmente nos dias atuais por decorrência do
cenário político nacional, ainda é de difícil entendimento em função de uma forte
tendência a se aceitar conceitos preestabelecidos muitas vezes baseados no senso
comum, o que provoca, em algumas circunstâncias, interpretações ambíguas e
equivocadas. Para evitar essa situação, procurou-se neste artigo o entendimento do
termo ética perseguindo alguns autores.
Primeiramente, segundo o dicionário Hollanda (1999), ética é “o estudo dos
juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de
vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo
absoluto”.
Complementando, no dicionário Houaiss (2001: 1271), ética é a “parte da
filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem,
disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo a respeito da essência das
normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social”.

A palavra ética vem do vocábulo grego ethos, que significa ‘caráter, modo
de ser’. “O ethos é a casa do homem [...] o espaço do ethos, enquanto espaço humano,
não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído” (VAZ,
apud RIOS, 1999: 22)
Rios (1999: 23) afirma que:

A ética se apresenta como uma reflexão crítica sobre a


moralidade, sobre a dimensão moral do comportamento do
homem. Cabe a ela, enquanto investigação que se dá no interior
da filosofia, procurar ver [...] claro, fundo e largo os valores,
problematizá-los, buscar sua consistência.

Para Savater (1993: 31), a ética é “a arte de saber-viver, ou a arte de viver”,


pois está diretamente relacionada à liberdade que o sujeito tem de optar, e essa condição
é inerente ao ser humano, pois se concretiza no processo de inventar e escolher, e até
mesmo se enganar na descoberta pela vida.
No pensamento de Boff (1997: 90), “ética designa a morada humana”. Isto
é, os princípios e os valores necessários para a manutenção da vida humana reforçam a
importância da ética como alicerce.
Queiroz (1985: 86) complementa essa definição, ao escrever: “a ética deve
ser compromisso de vida, indo além dos códigos já estabelecidos, e nunca subterfúgio
para fugir ao incerto, ao novo, ao ainda não institucionalizado”.
Rios (2002: 87) também argumenta afirmado que:

Define-se aqui a ética como uma reflexão de caráter crítico


sobre os valores presentes na prática dos indivíduos em
sociedade. É no domínio da ética que se problematiza o que é
considerado bom ou mau numa determinada sociedade, que se
questionam os fundamentos dos valores e que se aponta como
horizonte o bem comum, sem dúvida histórico, mas diferente de
um bem determinado por interesses particulares e, muitas vezes,
insustentáveis.

Percebe-se, por essas definições, que a ética encontra-se no campo da


reflexão e estuda a moral (ou as morais, como preferem alguns) e as moralidades,
analisa criticamente as escolhas que os indivíduos fazem em situações reais. Ela é o
ponto de partida para se vivenciar princípios universais, tais como: justiça, integridade,
lealdade, bondade e outros.
O entendimento dessas raízes norteia a ação do homem em sociedade, pois
os comportamentos temporais são decorrentes do processo derivado do
desenvolvimento histórico-social. A relação social, que interliga os homens entre si, cria
a necessidade de se definir regras de convivência, normas de relacionamento que
estabeleçam limites a serem respeitados por todos. De acordo com Queiroz (1985: 88-
9):

As regras de condutas nem sempre devem ser consideradas


como sendo a própria ética, pois, muitas vezes, elas são
espontâneas, não sistematizadas, com total mobilidade em
decorrência das condições materiais da existência humana.

A vida em sociedade harmônica requer a existência de crenças morais que


sejam compartilhadas e aceitas, dando a cada indivíduo dessa sociedade a possibilidade
de conhecer o que é considerado uma conduta certa ou errada, lícita ou ilícita,
garantindo a pacífica sociabilidade.
A preocupação com a vida em comunidade remete à filosofia e à condição
básica de que o homem é um ser social e, portanto, precisa dos outros para sobreviver.A
ética se apóia principalmente na filosofia para refletir e buscar o entendimento da moral,
que não é fixa, assumindo diferentes conformações em diferentes espaços e tempos. Ela
é um princípio que possibilita a análise de aspectos da moral e da moralidade. Busca
responder às expectativas de uma sociedade com relação aos padrões entendidos como
‘certos ou errados’ socialmente, sendo no campo da moralidade que a sociedade faz
esses julgamentos.
A ética analisa os valores estabelecidos e reflete, dentro de um contexto
histórico, as relações humanas, objetivando a radical busca a favor da vida. O propósito
é a conscientização, e não a imposição que não se interioriza, deixando lacunas que
podem ser interpretadas com base em interesses pessoais, em detrimento dos sociais.
Ela pode ser entendida como uma espécie de teoria sobre a prática moral,
uma reflexão teórica que analisa e critica os fundamentos e princípios que regem
determinado sistema moral (ALENCASTRO, 1997 e RIOS, 1999).
Vasquez (1995: 12) assevera que:
A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos
homens em sociedade. Ou seja, é ciência de uma forma
específica de comportamento humano.
A ética depara com uma experiência histórico-social no terreno
da moral, ou seja, com uma série de práticas morais já em vigor
e, partindo delas, procura determinar a essência da moral, sua
origem, as condições objetivas e subjetivas do ato moral, as
fontes da avaliação moral, a natureza e a função dos juízos
morais, os critérios de justificação destes juízos e o princípio
que rege a mudança e a sucessão de diferentes sistemas morais.

A ética também estuda a responsabilidade do ato moral. A decisão de agir


em uma situação concreta é um problema prático-moral, mas investigar se a pessoa
pode escolher entre duas ou mais alternativas de ação e agir de acordo com sua decisão
é um problema teórico-ético, pois verifica a liberdade e as condições que afetam nossos
atos.
Panorama do conceito de moral
A ética e a moral, no senso comum, são entendidas como princípios ou
padrões de conduta, em decorrência de suas origens – mores, no latim, e ethos, no
grego, remetem ao sentido de costumes. Por moral entende-se uma prática moralmente
aceita por determinado grupo social, baseada em valores e normas que orientam o
comportamento dos indivíduos.
Para Rios (1999: 20), “o comportamento é o arranjo dos diversos papéis
que desempenhamos em sociedade”. Esse comportamento pode ser considerado certo
ou errado em diferentes culturas, pois o certo ou o errado se estabelecem
historicamente, em decorrência de uma escala de valores atribuídos pela sociedade.
O conceito de moral foi delimitado por vários investigadores, dentre eles,
Durkheim (1978), Bicudo (1982), Aristóteles (1991), Rios (1999) e Srour (2000), que se
revê a seguir.
Segundo Durkheim (1978: 45):

Se há hoje verdade histórica estabelecida é a que a moral está


estritamente relacionada com a natureza das sociedades, pois
que [...] ela muda quando as sociedades mudam. É que ela
resulta da vida em comum. É a sociedade que nos lança fora de
nós mesmos, que nos obriga a considerar outros interesses que
não são os nossos, que nos ensina a dominar as paixões, os
instintos, e dar-lhes lei, ensinando-nos o sacrifício, a privação, a
subordinação dos nossos fins individuais a outros mais elevados.

Sobre a moral, Bicudo (1982: 15) argumenta que: “Por um lado, verifica-
se que ela se encontra ligada aos usos, aos costumes, aos padrões, às regras sociais,
às leis; por outro, que se encontra ligada a princípios de decisões individuais sobre o
bom”.

Aristóteles (1991: 29) comenta que: “a excelência moral relaciona-se


com prazeres e dores; é por causa do prazer que praticamos más ações, e por causa
da dor que nos abstemos de ações nobres”.

Conforme Rios (2002: 102), a moral ӎ o conjunto de normas, regras e leis


destinado a orientar a ação e a relação social e revela-se no comportamento prático dos
indivíduos”.
Srour (2000: 18) explica que as morais são:
Sistemas de normas que expressam valores; códigos
formalizados; conjuntos internamente coerentes de princípios ou
de propósitos socialmente validados; discursos que servem de
trilhos às relações sociais e aos comportamentos dos agentes.

Diante do exposto até aqui, pode-se perceber que há uma significativa


diferença entre ética e moral, no sentido de que a moral é decorrente de determinada
sociedade e altera-se no tempo e no espaço, em conseqüência das transformações
sociais, o que não se confirma no caso da ética, que tem como enfoque central a vida,
devendo ter seus parâmetros fundados na intencionalidade universal que visa à
sociabilidade dos grupos. Esses grupos podem ter ou não morais distintas, em
decorrência da perspectiva relativista dos grupos sociais e das influências temporais,
que são eminentemente históricas.
A moral pode ser entendida, então, como um conjunto de práticas
cristalizadas pelos costumes e convenções histórico-sociais, e as normas são os meios
pelos quais os valores morais de um grupo social são manifestos e acabam adquirindo
caráter impositivo e obrigatório.
Essa dimensão histórica da moral torna-a, por natureza, sempre plural
(BOFF: 1997). Para amparar essa afirmação, pode-se observar que existem morais
diferentes em diferentes culturas, ou até mesmo a mesma cultura, morais de categorias
profissionais, morais religiosas, morais das classes sociais. O importante é observar que
as morais são reproduções da sociedade manifestando-se e elegendo comportamentos a
serem seguidos pelos indivíduos em um contexto coletivo.
Aristóteles (1982) reforça a idéia de diferentes morais, influenciado pela
política e pela sua condição de existência, quando analisa os princípios de igualdade de
posições e de justiça para pessoas equivalentes, que são os cidadãos que fazem o
Estado, excluindo dessa comunidade os estrangeiros, os escravos e as mulheres.
O princípio de justiça de Aristóteles ignora as contradições, justificando a
escravidão, o domínio do homem sobre a mulher e a relação entre dominantes
(governantes) e dominados (governados) como fatores para alcançar a estabilidade do
Estado.
Segundo Severino (2002: 96):

Os valores pessoais não são apenas individuais, pois só se é


humano quando a existência se realiza nos registros individual e
social simultaneamente. Assim, a avaliação ética de uma ação
não se refere apenas a um sujeito; é preciso reportá-la a um
índice coletivo.

Assim, a ética reflete com base na existência da moral, tomando como ponto
de partida a diversidade de morais no tempo, entendendo que cada sociedade que baliza
as relações entre indivíduos e instituições tem sido caracterizada por um conjunto de
regras, normas e valores. A ética possui elementos de caráter mais universal, embora
também seja afetada pela história e seu tempo. Por isso, não se identifica com os
princípios e as normas de nenhuma moral em particular, nem adota atitudes indiferentes
ou ecléticas diante delas (ALENCASTRO, 1997).
Para Durkheim (1978: 104): “Quanto à moral humana, essa reduz-se então a
um pequeno número de princípios cuja violação se limita a ser debilmente reprimida”.
Desse questionamento, pode-se concluir que a reflexão moral tanto agrega valor nas
ações do sujeito quanto reduz a liberdade de ação, pois existe uma relação direta entre
moral e comportamento humano determinado por uma sociedade, gerando o tempo todo
contradições entre os interesses do particular e do universal.
Essa contradição moral dá origem a normas e padrões de conduta do
indivíduo que podem ser classificadas como voluntárias ou involuntárias. As ações de
caráter involuntário podem ser classificadas como inatas. Ou seja, são atitudes que
surgem por compulsão ou por ignorância, e que dificilmente serão transformadas. Já os
comportamentos voluntários são aqueles sobre os quais o indivíduo tem controle.
Portanto, podem ser aprendidos e nascem de um processo de decisão que dependerá das
circunstâncias e da finalidade da ação. (ARISTÓTELES, 1991).
Segundo Aristóteles (1991: 43), “tudo o que se faz constrangido ou por
ignorância é involuntário, o voluntário parece ser aquilo cujo princípio motor se
encontra no próprio agente que tenha conhecimento das circunstâncias particulares do
ato”. Os comportamentos voluntários podem ser de dois tipos: vícios e virtudes que
juntos compõem o caráter da pessoa, sendo que as virtudes podem ser entendidas como
intelectuais e morais.
Ainda para Aristóteles, a virtude intelectual necessita ser desenvolvida por
um processo educativo, de formação e ensino, e a virtude moral é adquirida como
resultado do hábito, isto é, da repetição de atitudes moralmente aceitas.
A virtude moral é adquirida em resultado do hábito, donde ter-se
formado o seu nome (ethiké) por uma pequena modificação na
palavra êthos (hábito). Por tudo isso, evidencia-se também que
nenhuma das virtudes morais surge em nós por natureza
(ARISTÓTELES, 1991: 27).

Dentro dessa perspectiva, afirmar a importância da educação no processo de


desenvolvimento dos valores de sujeitos morais para a convivência em sociedade requer
o desenvolvimento de uma sociedade moral, que pelas ações práticas incute nesses
sujeitos hábitos que os tornam bons, enquanto cidadãos.
De acordo com Severino (2002: 46):

Pela práxis o homem opera e age. Ela é o movimento que


articula dialeticamente a operação e a reflexão, a teoria e a
prática. Para que a ação humana seja criadora e transformadora,
precisa ser uma prática intencionalizada pela teoria e pela
significação. A teoria, separada da prática, seria puramente
contemplativa e, como tal, ineficaz sobre o real; a prática,
desprovida da significação teórica, seria pura operação
mecânica, atividade cega.

Estudiosos como Durkheim (1978), Bicudo (1982) e Aristóteles (1991)


demonstram que há possibilidade de modificar as atitudes morais, em decorrência de
ações educativas que podem ser praticadas por meio de imagem, reflexão e aplicação de
normas, o pode ocorrer, por exemplo, na concepção de ética e a formação que os alunos
dos cursos de Administração de Empresas recebem em cursos de graduação.
Estudo de Caso : Um Dilema Ético

Eu estava em casa, sentado em minha poltrona predileta, mas com a cabeça


funcionando a mil. Eram quatro da manhã. Pela terceira noite seguida, eu
acordara de madrugada, confuso e agitado com um problema de trabalho que
me atormentava cada vez mais.
Se gerente da divisão de vendas de uma companhia de lata tecnologia, em
indústria muito competitiva, pode implicar momentos difíceis. Este ra, sem
dúvida, um deles. As vendas estavam baixas há quase seis meses e meu
chefe vinha me pressionando para que melhorasse os números de minha
divisão. Há um mês eu andava à procura de um vendedor de alto calibre,
experiente, para reforçar minha tropa de vendedores. Três dias antes
entrevistara um candidato que me parecia muito promissor.
Desde o momento em que entrou, cheio de confiança, em minha sala, senti
que era justamente a pessoa que eu precisava. À medida que se desenvolvia
a entrevista, eu ficava cada vez mais interessado. Teria sorte se conseguisse
contratá-lo. Ele possuía uma notável folha de serviços e conhecia nossa
indústria de cor e salteado. Mais estranho que tudo, acabava de demitir-se de
um cargo importante na empresa de nosso maior concorrente, após seis anos
de sucesso nessa companhia.
Durante a entrevista , reforçou-se minha certeza de que esse vendedor estava
muito acima de todos os demais candidatos, em todas as categorias. Eu já
havia resolvido contratá-lo ( dependendo apenas de um ou dois telefonemas
para checar as referências), quando ele sorriu, abriu a maleta 007 e tirou um
pequeno envelope e mostrou-o como se fosse uma jóia de valor inapreciável.
_ O senhor pode imaginar o que há neste disquete? - perguntou.
Sacudi a cabeça. Ainda sorrindo, a voz transbordando de autoconfiança,
explicou que o disquete continha um tesouro de informações confidenciais
sobre nosso concorrente, seu ex-empregador - incluindo perfis de todos os
seus clientes e dados de custos sobre grandes contratos de defesa, de cuja
licitação nossa companhia também participava. Terminando a entrevista,
prometeu-se que, se eu o contratasse, ele me daria o disquete, e muito mais
coisas do mesmo tipo. O que você faria?
RESPONSABILIDADE DA FAMÍLIA PARA A FORMAÇÃO DO CARÁTER

Terceira semana
TUDO BEM, FILHO, TODO MUNDO FAZ ISSO
JACK GRIFFIN

Johnny tinha seis anos de idade e estava em companhia do pai


Quando este foi flagrado em excesso de velocidade. O pai entregou
Ao guarda, junto à sua carteira de habilitação, uma nota de vinte
Dólares. “Está tudo bem, filho”, disse ele, quando voltaram à
Estrada. “ Todo mundo faz isso”.

Quando tinha oito anos, deixaram que ele assistisse a uma reunião
De família, dirigida pelo tio George, sobre as maneiras mais
Seguras de sonegar o imposto de renda. “Está tudo bem, garoto”,
Disse o tio. “Todo mundo faz isso”.

Aos nove anos, a mãe levou-o pela primeira vez ao teatro. O bilheteiro
Não conseguiu lugares até que a mãe de Johnny lhe deu,
Por fora, cinco dólares. “Está tudo bem, garoto”, disse ela. “Todo mundo faz isso”.

Com doze anos, ele quebrou os óculos a caminho da escola. A tia Francine
convenceu a companhia de seguro de que eles haviam sido roubados e recebeu uma
indenização de 75 dólares. “Está tudo bem, garoto”, disse ela. “Todo mundo faz
isso.”

Aos quinze anos, foi escolhido para jogar como lateral-direito no time de futebol
da escola. Os treinamentos lhe ensinaram como interceptar e, ao mesmo tempo,
agarrar o adversário pela camisa sem ser visto pelo juiz. “ Tudo bem, garoto”,
disse o treinado. “Todo mundo faz isso”.
Aos dezesseis , arranjou seu primeiro emprego nas férias de verão, trabalhando
num supermercado. Seu trabalho: pôr os morangos maduros demais no fundo das
caixas e os bons em cima, para ludibriar o freguês. “Tudo bem, garoto”, disse o
gerente. “Todo mundo faz isso”.

Já com dezoito anos, Johnny e um vizinho candidataram-se a uma bolsa de


estudos. Johnny era um estudante medíocre. O vizinho era um dos primeiros da
classe, mas um fracasso como lateral direito no time de futebol. Johnny ganhou a
bolsa. “Está tudo bem, filho, disseram os pais. “Todo mundo faz isso”.

Quando tinha dezenove anos, um colega mais adiantado lhe ofereceu, por
cinqüenta dólares, as questões que iam cair numa prova. “Tudo bem, garoto, disse
ele. “Todo mundo faz isso”.

Johnny, flagrado colando, foi expulso da sala, e voltou para casa


Com o rabo entre as pernas. “Como foi que você pôde fazer isso com sua mãe e
comigo?, disse o pai. “Você nunca aprendeu essas coisas em casa”. O tio e a tia
ficaram também chocados.

Se há uma coisa que o mundo não pode tolerar, é um garoto que cola nos exames...

Atualizado com base no artigo do Chicago Sun Times

.
REFLEXÃO FREI LUIZ CARLOS SUSIN, OFM. Por uma ética da Liberdade e da
Libertação. São Paulo:Editora .
O ser humano não habita apenas uma casa feita de tábuas ou de tijolos. Como
ser “ humano “, vivendo junto com outros seres humanos, sua habitação – seu ethos – é
feito de hábitos, de costumes e tradições , de sonhos e de trabalho, formando um
verdadeiro habitat, um ambiente vital onde a vida humana pode nascer, crescer , se
multiplicar.
Como toda casa, há alicerces para a ética: são os princípios, os fundamentos da
ética, algo absolutamente necessário para que a ética se sustente. Há também vigas
mestras para apoiar os assoalhos e as paredes : são os padrões, os modelos que
determinam os espaços do que seja ético e do que fica do lado de fora da ética. Há,
evidentemente, o telhado, ou seja, aquilo que irá proteger a ética para que não fique
exposta continuamente às crises das intempéries e dos ventos de doutrinas estranhas.
Os detalhes e acabamento também são importantes. As repartições que
organizam de modo harmonioso o lugar de dormir, o lugar de comer, o lugar de acolher
o hóspede, podem ser comparadas com as diversas orientações da ética: a intimidade
das pessoas, a necessidade de economia, o desejo de relações sociais. Enfim, como na
casa, a ética ganha vida através de tantos pequenos detalhes cotidianos. O lar é feito de
um café da manhã, e uma música na sala, de um remédio à cabeceira, das fraldas do
menino, do chinelo na porta....E a ética acaba se dando através de tantos pequenos e
firmes costumes, que, afinal, como na casa, esquecemos os alicerces, as vigas mestras
internas às paredes até o telhado, para nos deixar tomar simplesmente pelo gosto de
abrir a janela e respirar as folhas orvalhadas ao primeiro raio de sol ou pelo costume de
tomar chá antes do repouso, ou de beijar a amada ao sair para o trabalho. Esquecemos a
ética e nos fixamos na moral, ou seja, nos hábitos e nas leis que governam nosso dia-a-
dia.
A palavra moral é considerada normalmente sinônimo da ética. Mas,olhando
com mais atenção para a casa e os pequenos detalhes que regulam o dia-a-dia da vida na
casa, podemos fazer uma distinção muito útil sobretudo para pequenos detalhes que
regulam o dia-a-dia da vida na casa, podemos fazer uma distinção muito útil sobretudo
para os tempos críticos, quando os ventos e os terremotos se abatem sobre a casa: Ética
é a casa, a estrutura global, feita de alicerces, paredes e telhados. Moral abrange os
costumes estabelecidos, as normas de funcionamento da vida dentro da casa, os detalhes
variados e às vezes tão arraigados de costumes.
O CAMPO DA ÉTICA

Os dilemas morais surgem como conseqüência do comportamento ( refletido


nas ações ) dos indivíduos.

No seio de uma mesma sociedade , é comum pessoas diferentes enxergarem


determinado fato através de óticas diferenciadas, muitas vezes conflitantes.

A existência de um dilema moral implica que a ação de determinado indivíduo,


ou mesmo de um grupo de indivíduos, contrariou aquilo que genericamente a
maioria da sociedade acredita ser o comportamento adequado para aquela
situação.
Estudo de Caso

Jodie é avaliador de bens em inventários. Ele está ajudando uma cliente a


separar e vender itens domésticos da falecida irmã dela. Ao examinar uma
antiga lareira, encontra duas caixas velhas usadas para guardar equipamento
de pesca. Quando abre uma delas, não pode acreditar no que vê. Embrulhados
em papel-alumínio há maços de notas de 100 dólares num total de 82 mil
dólares! Jodie está sozinho no quarto. O que deve fazer? Ficar com a caixa e
não dizer nada, ou contar à cliente que encontrou o dinheiro? O DILEMA de
Jodie destaca uma das características que nos diferencia dos animais. A
Enciclopédia Delta Universal declara: “Uma das características principais do
homem é fazer indagações profundas sobre o que deve ou não fazer.” Um cão
faminto que encontra um pedaço de carne numa mesa não se pergunta se
deve ou não comê-lo. Jodie, porém, tinha a capacidade de pesar o
aspecto moral da sua decisão. Se ficasse com o dinheiro, estaria roubando,
mas provavelmente não seria apanhado. O dinheiro pertencia à sua cliente,
que nem sabia da existência dele. Além disso, a maioria das pessoas na
comunidade o considerariam tolo se entregasse o dinheiro. O que você faria na
situação de Jodie?

www.watchtower.org
ÉTICA E LEI

O conceito ou preceito ético é uma regra aplicável à conduta humana. O


preceito possui duas características essenciais:

- Destina-se a adequar a ação humana ao conceito do bem e da moral.


- Pode ser aplicado pela simples determinação do ser humano,
independentemente de qualquer coação externa.

Como os preceitos éticos são regras, muitos estudiosos aplicam-lhes o


princípio – típico das normas jurídicas – da possibilidade de não atendimento
sem violação dos princípios. Essa corrente de pensamento aceita a idéia de
que um comportamento pode não ser exatamente de conformidade com a
regra ética, mas mesmo assim pode não contrariar esse preceito. Para
qualificar esse comportamento, tais pensadores utilizam a palavra aético, que é
um comportamento que não é ético, mas que também não contraria a regra
ética.

Não concordamos com tal corrente de pensamento . Por essa razão , para nós
os comportamentos valorados à luz das regras ética só podem ser éticos ou
antiéticos.

A lei é uma norma aprovada pelo povo de um país, que possui as seguintes
características fundamentais:
- Resulta de um processo formal de elaboração, do qual a sociedade
participa diretamente ou através de seus representantes.
- É dotada de sanção, ou seja, a sua desobediência gera uma penalidade.
- É sempre atribuída, o que significa que cada direito outorgado a alguém
impõe um dever, para a mesma ou para outra pessoa.
Relação entre as regras éticas e as legais

LEI

A
M
B
A
S
ÉTICA
ÉTIC
A
Reflexão
O que a ética almeja é procurar normas que tornem mais harmoniosa a
convivência entre s homens. Um homem ético não é apenas aquele que
obedece a normas. Vejamos, pois, a questão em torno do homicídio. Um
homem não mata simplesmente porque está proibido pelo Código Penal. Por
detrás disto, há um princípio maior a que todos devem obedecer: o direito à
vida, que é imanente ao homem. Tem-se por ético um homem que tenha um
comportamento justo e correto, mesmo em situações em que ele não esteja
tangido pelo Direto. Honestidade, integridade e justiça são valores que
transcendem ao Direito. A sociedade valoriza a honestidade da pessoa
cumpridora da sua palavra. Estas e outras virtudes éticas são altamente
enaltecidas pela sociedade. O importante a notar é que a Moral representa
esse mínimo que o homem percebe que ele tem de cumprir sob pena de estar-
se desqualificando perante a si mesmo e à sociedade.. O Homem precisa
sacrificar-se para que espécie humana ascenda, e este papel está mais
próximo da Moral do que do Direito. (MARTINS, org. 1999: 222)

Textos retirados do livro Ética no Direito e na Economia – Ives Gandra Martins


(org), 1999. Ed. Pioneira.pgs. 217-222).
Estudo de Caso
Texto : A ética nas Empresas – Francis J. Aguilar – Jorge Zahar Editor. 1994,
pg.12 -13).

Uma história de duas empresas

Sob pressão para reduzir prejuízos, a Beech-Nut, em 1977, dispensou seu


antigo fornecedor de concentrado de suco de maça, trocando-o por uma menos
cara. Em 1981, um cientista da empresa, especialista em controle de qualidade
de alimentos, que havia monitorado o fornecimento, enviou um memorando à
Administração, manifestando a suspeita de que o concentrado de maça usado
na produção do “suco 100% de fruta” era uma mistura de ingredientes
sintéticos. Na época, nenhum teste podia provar a adulteração. Como novo
executivo-chefe, porém, Hoyald sentiu-se pressionado a mostrar à nova
companhia-matriz, A Nestlé. Recusar o suprimento de baixo custo na base de
evidência circunstancial estava fora de cogitação. A administração podia achar
algum consolo no fato de que a questão de segurança não estava em jogo.
Em 1982, essa reserva mental foi derrubada quando a associação da indústria
de suco processado de maça começou a investigar acusações de adulteração
em grande escala. A fim de evitar acusações, a Beech-Nut suspendeu o uso do
concentrado sintético. Em vez de incorrer nas pedras que resultariam do
recolhimento e destruição do produto, como insistia o chefe de controle de
qualidade da firma e, mais tarde, servidores, da Administração de Alimentos e
Medicamentos. Hoyavald resolveu vender o estoque do produto., avaliado em
3,5 milhões de dólares. Procurando uma maneira de evitar um grande prejuízo
financeiro.
Após consultas com Hoyvald, executivos da empresa resolveram transferir todo
o estoque do suco contaminado para fora da jurisdição do Estado. E assim, na
noite de 12 de agosto, nove carretas...foram carregadas com 26.000 caixas de
suco e levadas em uma caravana fantasmagórica do Estado de Nova York
para um armazém em Secaucus, N.J. Uma das mais respeitáveis empresas de
alimentos da América fugia da lei como se fosse um contrabandista de bebidas.
Posteriormente, A Beech-Nut vendeu milhares de caixas do suco falsificado em
mercados do caribe, enquanto seus advogados usavam de táticas de
contemporização com órgãos com órgãos federais e estaduais.

O que você acha da decisão do executivo sob forte pressão financeira?


Quais as questões legais e éticas?

Resultado da Ação
ATIVIDADE
As teorias éticas: Convicção e responsabilidade ( Weber, Max, Lê Savant et lê
Politique. Paris, 1959: 172).

Propósito: Analisar os processos decisórios pelas vertentes da ética da


convicção e a ética da responsabilidade e suas possíveis conseqüências.

Tema: As linhas da demarcação

Uma mocinha de 15 anos procura o pai e pede-lhe ajuda para poder abortar.
Exige, no entanto, que a mãe não saiba. Abalado, o pai quer saber quem a
engravidou . Num rasgo de maturidade, a mocinha lhe mostra que o menino
tem 16 anos e, portanto, é tão criança quanto ela. Vamos consultar a mãe,
sugere o pai. "Para quê", pergunta a garota, "se já sabemos a resposta?"
Segundo a mãe, uma católica praticante, o aborto constitui um atentado contra
a vida e ponto final.
A moral católica abriga-se sob as asas de uma ética do dever e sentencia: "
Faça o que está prescrito." Como o pai é agnóstico, a filha aposta mo diálogo.
Ele não costuma repetir: " Respondo por meus atos?" Quem sabe possa
sensibilizar-se com a situação dela? Quiçá venha a considerar as implicações
de uma gravidez prematura e a hipoteca que recairá sobre seu futuro de
adolescente? " Não empate minha vida, pai; me dê uma chance", suplica a
garota.
O pai, então cai em si. Uma vez que sua esposa já tem posição tomada, -ara
que consultá-la? Diante de convicções religiosas que tacham o aborto como
um pecado abominável, não resta margem de manobra . A resposta será
sempre um não sonoro. Isso não corresponde ao modo de pensar e de agir do
pai que nunca deixou de avaliar as conseqüências do que faz. Assim, diante do
desamparo da filha, como não se comover? Algumas interrogações começam a
assaltá-lo: Faz sentido minha menina ter um bebê, fruto da imprudência? É
sensato criar uma criança que não foi desejada? Como reagirão os parentes,
as amigas, os vizinhos, os conhecidos do clube, os professores, as colegas da
minha filha? O que dirão as pessoas com as quais me relaciono? E aquelas
com as quais trabalho? Isso tudo não vai comprometer o destino dela? E se eu
concordar com o abordo, e alguém souber, o que vai acontecer?".
O pai reflete sobre as circunstâncias e mede os efeitos possíveis de cada uma
das opções que lhe apresentam. Sua avaliação é decisiva. A tensão , porém, o
deixa exausto, num processo de crescente angústia. Em que estado ficaria a
mulher dele se soubesse? Certamente não ficaria desnorteada, graças à
resposta pronta que tem . É provável que aceite com resignação a vinda
daquela criança ao mundo e que não venha a atormentar-se com os
desdobramentos do fato. Por que isso? Porque as implicações do cumprimento
do dever não são de sua alçada- simplesmente pertencem a Deus.

Srour, Robert Henry, Ética Empresarial, 2000: 49 e 50.


Tema: É preciso decidir com a consciência tranqüila

Há hospitais particulares em que os pacientes são levados a uma situação de


sofrido prolongamento da vida por motivos econômicos. O paciente fica
parecendo uma árvore de Natal, tantos são os penduricalhos tecnológicos que
são colocados. Eu acho correto tirar alguns suportes de vida, desde que haja
um consenso da equipe médica e da família de que isso é o que deve ser feito,
quando o paciente não tem condições de opinar. O médico tem de estar com a
consciência tranqüila no momento de decidir tirar um tratamento que não está
sendo eficaz e só está prolongando a vida do doente. Recentemente, chegou a
UTI um homem com cerca de 50 anos. Ele havia sido assaltado e levou um tiro
no abdome. O paciente teve uma septicemia, uma infecção que leva à morte
em quase 50% dos casos. Durante vinte dias, investimos em tratamentos fúteis
e que ele iria morrer. Decidimos tirar a diálise. O paciente ainda viveu mais 25
dias, mesmo sem esse suporte artificial, e depois morreu. Durante todo o
tempo, informamos à família sobre os procedimentos que estávamos tomando.
Depoimento: Maciel, Flávio Monteiro de Barros ,Veja, 4 de setembro, 2002: 87.
Tema: O que conta é a avaliação técnica do médico

Em medicina, usamos índices baseados em estatísticas para saber se um


paciente vai morrer ou se tem chance de recuperação. Só que você não pode
simplesmente encaixar a vida de uma pessoa em estatísticas. Por isso, analiso
cada caso e decido, sempre junto com os outros médicos da equipe, quando
interromper um tratamento que está sustentando a vida de um paciente de
forma artificial. Dependendo do caso, tiro o antibiótico, as drogas vasoativas, a
diálise ou alimentação artificial. Não acho correto tirar o respirador. Muitas
vezes, você tira um suporte de vida e o paciente ainda se sustenta por vários
dias. Na decisão de não adiar uma morte inevitável o que conta é a avaliação
técnica do médico. Fatores emocionais não podem influenciar. Já aconteceu de
eu achar que era melhor para uma paciente que ela morresse, porque se
sobrevivesse e saísse do coma iria sofrer muito. Mas o que eu achava do ponto
de vista emocional não tinha a menor importância . O que importava é que a
paciente estava respondendo aos tratamentos. Continuamos investindo, e hoje
ela está boa. Em outro caso, uma paciente de 52 anos, ex-bailarina, que tinha
câncer no pâncreas, pediu-me que não insistisse em tratamentos quando ela
piorasse. Ela teve uma peneumonia e , conforme combinamos , eu não tratei.
Ela não resistiu, mas teve uma morte digna.
Depoimento: Dias, Mariza D'Agostinho, Veja, 4 de setembro, 2002: 87.
TEXTOS COMPLEMENTARES
Estudo de Caso ( textos retirados para fins acadêmicos do livro ética
Empresarial: Robert Henry Srour , 2003 Campus – pgs. 109 e 112)

Qual matriz ética (Max Weber) corresponde ao texto?

1)Diante do avanço do exército alemão em junho de 1940, o cônsul português


Aristides Sousa Mendes do Amaral Abranches, lotado no porto francês de
Bordeaux, salvou a vida de 30 mil pessoas, entre as quais 10 mil judeus, ao
emitir vistos de entrada em Portugal a qualquer um que pedisse, em um ritmo
frenético. Chamado de volta a Portugal, o cônsul foi forçado ao exílio interno e
morreu na miséria em um convento franciscano. Preferiu ter compaixão a
obedecer cegamente a seu governo. Priorizou um valor em relação ao outro,
baseado em que:” devo agir como cristão, como manda a minha consciência”.

2) Tínhamos no passado cerca de 50 mil homens. Hoje temos a metade disso.


Fazer esses cortes não foi uma questão de ganância, de querer ganhar
dinheiro. Foi uma questão de sobrevivência. É lamentável ter de fazer isso.
Uma das coisas mais tristes que pode acontecer a um chefe de família é
chegar em casa e dizer à mulher “tenho 40 anos e perdi o emprego”. No Brasil,
um homem de 40 anos é um homem velho. Temos consciência de tudo isso. E
fizemos essas mudanças com muito sofrimento. O fato é que tínhamos de fazê-
las e as fizemos”.
A Dupla Moral do Brasileiro

Povo heróico oficialmente, como está no Hino Nacional, ouvimos sempre as mais
arroubadas alusões à nossa bondade, nossa fortaleza, nosso espírito de solidariedade,
nossa grandeza. O povo é generoso, o povo luta com honestidade e afinco por uma
sobrevivência cada vez mais difícil, grande povo. Quem não presta são os dirigentes,
essa corja de larápios aproveitadores e mentirosos, na qual ninguém é exceção. Não
passa dia sem que cidadãos indignados bradem isto retumbantemente, em cartas à
redação e conversas de bar. (...) O dono do laboratório que, em lugar de antibiótico,
botou talco dentro da cápsula e, pesarosíssimo, lê que alguns fregueses morreram de
septicemia também está revoltado. Se não fosse a burocracia e os preços absurdos da
matéria-prima, claro que ele não teria feito isso, foi uma contingência, forçada pela
corrupção dos políticos. Da mesma forma o pobre do empacotador de feijão que, por
causa da má qualidade das balanças e máquinas nacionais (o funcionário encarregado
da guia de importação só a solta se lhe molharem a mão, é uma vergonha, até porque
ele não leva em conta os brindes que vem recebendo todos esses anos), vende 800
gramas piamente convicto de que está vendendo um quilo, o que fabrica mortadela com
90% de amido e 10% de sebo, o que desconta do trabalhador o que este consome na
“cooperativa” da fazenda e assim sempre fica devendo, e assim prossegue a vida. No
tráfego, enquanto atravessa a rua uma velhinha atemorizada com uma criança ao lado,
o motorista, típico homem do povo, é obrigado a parar por causa do guarda, não
resiste e, na hora em que a velha está na frente do ônibus, dá uma acelerada em ponto
morto, somente para avivar um pouco o ambiente e ver se o sistema cardiovascular da
conterrânea está funcionando bem. No restaurante, O garçom, típico homem do povo,
calcula que sete vezes cinco são 82 e, quando o contestamos, somos obrigados a adotar
um discurso elitista, em que o fato de sabermos aritmética elementar avulta como mais
um símbolo de privilégio e opressão”. ( João Ubaldo Ribeiro - Enigma Brasileiro”:
"Precisa-se de Matéria-Prima para construir um País"

João Ubaldo Ribeiro

A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando
Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula
também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o
problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula.
O problema está em nós. Nós como POVO. Nós como matéria prima de um
país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA" é a moeda que sempre
é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite
para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada
em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente,
os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo
umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ
JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias


particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se
fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil
para o trabalho dos filhos ..e para eles mesmos. Pertenço a um país onde a
gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho,
onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou
pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um
hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde
há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e
depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem
"gatos" para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão
caros.

Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente,
que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência
nem memória política, histórica nem econômica. Onde nossos congressistas
trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem
para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só
a alguns.

Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos


podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa
de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um
inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que
dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para
o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa
errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. Quanto mais
analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como
pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito
para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor
sou eu como brasileiro , apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um
cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta como "Matéria Prima" de um país, temos muitas
coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que
nosso país precisa. Esses efeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA"
congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui
até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais
do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente
ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS.
Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço. Porque, ainda que Lula
renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que
continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo,
somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia
de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um
caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo,
ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando
Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e
por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa"
não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro
para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados,
igualmente estancados... Igualmente sacaneados!!! É muito gostoso ser
brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um
empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a
coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se
nos mandam um Messias.

Nós temos que mudar um novo governador com os mesmos brasileiros não
poderá fazer nada. Está muito claro. Somos nós os que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo;
desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e
francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da
estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o
responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que
melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O
ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO
PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO. E você, o que pensa?....
MEDITE!!!!!"

JOÃO UBALDO RIBEIRO


Você passaria no Teste da Honestidade?

Perguntamos aos brasileiros como eles reagiriam a várias situações do dia-a-dia. As respostas
foram fascinantes – e reveladoras. (Por Barbara Axt e Renata Klar - Publicado
originalmente na revista Seleções de agosto/2005)

No último dia de férias no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, você faz as malas. As belas
e felpudas toalhas do hotel, ainda limpas, estão penduradas ali perto. Você pega uma e guarda
na mala?

• Você paga por apenas um ponto de conexão da sua TV por assinatura, mas descobre como
conectar rapidamente as outras TVs da casa. Você faz isso?

• Ao deixar o supermercado, você percebe que a caixa lhe deu troco a mais. Você vai embora
ou volta e devolve o dinheiro?

Pesquisa encomendada ao Instituto Gerp

Mais cedo ou mais tarde, todos deparamos com situações como estas. Você faria o que é
certo? Por quê? Para descobrir, Seleções encomendou uma pesquisa ao Instituto Gerp,
realizada em dez capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte,
Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Curitiba, Recife e Belém. Em cada uma, 140 pessoas, com
pelo menos 18 anos, foram confrontadas com 12 situações do dia-a-dia, para testar sua noção
de certo e errado.
Os resultados não são um barômetro científico da virtude dos brasileiros, mas sim um
instigante exercício de auto-avaliação – talvez um teste para a capacidade de responder a
perguntas com honestidade. No geral, nós brasileiros não nos saímos mal.

Toalhas do hotel

Apenas 13% dos entrevistados, por exemplo, disseram que pegariam uma toalha do hotel. E
por que não pegariam? Adriano Cunha, 24 anos, advogado de Recife, disse: “Não levaria
porque as toalhas não são minhas.” Liliane Nogueira Paulo, de Curitiba, explicou: “Levar a
toalha daria prejuízo para o hotel, o que provavelmente encareceria o preço da hospedagem.”
Já Rutilene do Socorro Silva, estudante de enfermagem em Belém, não teve dúvidas na hora
de responder: “Levaria sim, com certeza! Elas são tão lindas! Vejo nas novelas aquelas toalhas
maravilhosas. Eu ia querer levar uma de lembrança. E uma só não ia fazer falta, não é?” Em
hotéis é fácil guardar as toalhas na bolsa sem maiores conseqüências. Em motéis, entretanto,
os quartos são revistados antes que o cliente seja liberado. Mas parece que nem todos se
lembram disso.
“Um amigo foi ao motel com a mulher, que guardou duas toalhas na bolsa. Na hora de pagar a
conta, as peças foram cobradas. Meu amigo ficou com tanta vergonha que fingiu que mal
conhecia a própria mulher, dizendo ‘A gente conhece cada pessoa por aí, não é mesmo?’”,
conta uma dentista de Porto Alegre.

“Gato” da TV por assinatura

O fato de estar fazendo algo errado não parece incomodar os 41% dos moradores de São
Paulo que declararam que fariam um “gato” da TV por assinatura. Não muito diferente dos 36%
de potenciais “gatos” de Belo Horizonte – que estão um pouco acima da média brasileira de
31%.
Diego Fonseca, de Belo Horizonte, é um dos que não teriam pudor em fazer um “gato” em
casa. “Não tenho TV a cabo, mas os meus amigos que têm fazem ‘gato’. Nenhum deles teve
problema por isso”, justifica.
Na hora de fazer a coisa certa, a diferença entre homens e mulheres é, na média nacional,
estatisticamente irrelevante: entre os brasileiros que declararam que fariam um “gato” da TV
por assinatura, 52% são homens e 48%, mulheres. A diferença entre o comportamento dos
sexos foi maior em Porto Alegre – 43% dos homens fariam um gato contra apenas 26% das
mulheres –, mas no Rio, o porcentual de homens e mulheres que fariam um gato foi o mesmo:
23%.

Honestidade coisa de jovens ou velhos?

Encontramos pelo país jovens (de 18 a 35 anos) que não acreditam ser menos honestos do
que os mais velhos. Diego Barbosa, promotor de vendas em Curitiba, tem 19 anos e afirma que
esta não é uma questão ligada à idade: “Honestidade depende da criação da pessoa. Tem
jovem que faz tudo direitinho, e gente mais velha que é bem malandra”, explica.
No entanto, em Recife, 25% dos jovens levariam canetas e envelopes do trabalho para usar em
casa, enquanto apenas 6% daqueles de mais de 45 anos o fariam.

Material de escritório

Ainda em relação ao material de escritório, quem se saiu pior foi São Paulo: 27% confessaram
que levariam artigos para casa – contra 4% em Belo Horizonte e 17% da média nacional.
Outro ponto perdido pelos paulistanos: parar o carro em espaços reservados para deficientes.
Dos entrevistados, 31% admitiram que fariam isso, caso fossem comprar apenas um artigo no
supermercado e o estacionamento estivesse lotado. Isso contrasta com os 23% de todos os
brasileiros e com apenas 14% das pessoas do Rio de Janeiro.

Vagas reservadas para deficientes

Lilian Mendonça estuda jornalismo em Brasília e, mesmo numa situação extrema, não
estaciona em vagas para deficientes. “Se existem essas vagas, temos de respeitar.” No
entanto, admite que muitos não agem assim: “Já vi gente que não é deficiente parar nessas
vagas”, diz ela. “Mas nunca falei nada. Não adianta, vai entrar por um ouvido e sair pelo outro.”

Respeitar ou furar fila

Digamos que você esteja numa longa fila à espera do ônibus. Chove muito e, quando o ônibus
chega, você percebe que não vai conseguir entrar – a menos que fure a fila. O que você faz?
Em Recife, 40% dos moradores disseram que furariam a fila, contra apenas 6% dos moradores
de Salvador e 17% da média nacional.
Uma das entrevistadas de Recife, Maria de Lourdes, 25 anos, admitiu que furaria a fila porque
“é horrível ficar molhada em um dia chuvoso”.
Em Belém, 32% afirmaram que furariam a fila. O que o técnico de informática Anderson Neves,
de Belo Horizonte, não faria. “Mesmo que meu ônibus tivesse fila, eu não passaria a frente. É
falta de respeito.”
Tem gente que procura justificativas: “Se tiver um monte de crianças fazendo bagunça, saindo
da escola e atrapalhando a entrada do ônibus, aí furo a fila”, afirma o motoqueiro José Alves,
29 anos, de Curitiba.

Sonegação de impostos

Perguntamos aos entrevistados se esconderiam parte do seu rendimento para sonegar imposto
de renda. A média nacional de respostas positivas foi de 29%. Em Curitiba, porém, 39%
sonegariam.
No Rio de Janeiro, um funcionário da UFRJ de 45 anos explica as razões que teria para
sonegar o imposto: “Sou funcionário público e a tributação sobre o meu salário é muito alta.
Mas a principal razão é que a gente não vê o retorno desse dinheiro em serviços públicos. Se
as pessoas vissem o imposto de renda sendo investido, pagariam com satisfação.”
Ele não é o único que pensa assim: no Brasil, a sonegação de impostos é vista como reação à
atitude dos políticos. “Apesar de nunca ter pensado em sonegar impostos, considero o imposto
de renda muito injusto. O dinheiro é meu, fui eu que trabalhei. Se, mesmo com as disparidades,
o dinheiro fosse utilizado para a educação e a saúde pública, eu até pagaria sem reclamar,
mas na verdade vai tudo para o bolso dos políticos”, revolta-se Simone, 39 anos, psicóloga do
Rio de Janeiro.

Limite de velocidade no trânsito

Perguntados se dirigiriam a uma velocidade 20 km/h acima do limite, às 21 horas, numa via
expressa quase vazia, 63% dos moradores de Recife admitiram que sim – comparados à
média nacional de 51%. O estudante de engenharia Djan Bernardo, de Recife, justifica sua
resposta: “Ultrapasso o limite por segurança. É melhor correr o risco por uma falha minha do
que ser assaltado. Ficar parado na rua à noite pode ser perigoso.”
E quanto a beber e dirigir? Suponha que você tenha bebido demais em uma festa, e suspeite
estar acima do teor de álcool permitido pela lei. Ainda assim, você volta para casa dirigindo?
Rio de Janeiro e São Paulo, com respectivamente 14% e 13%, ficaram em posição bem
parecida com a média nacional – 16% de respostas positivas –, contrastando com os 26% de
Fortaleza.
Raquel Brasileira (o nome dela é este mesmo!), 26 anos, é de Fortaleza, mas tem uma solução
segura para o impasse. “Não gosto de pegar o carro depois de beber. Costumo levar comigo
uma pessoa que não bebe, que volta dirigindo.”

Devolução de troco

Situação clássica: no supermercado, você percebe que a caixa lhe deu troco a mais. Você
devolve? Três quartos dos brasileiros responderam que sim, e os moradores do Rio de Janeiro
e de Salvador alcançaram marca ainda mais expressiva: 93%.
Uma analista de sistemas do Rio de Janeiro de 35 anos pensa no funcionário que errou na
conta. “Devolvo o troco a mais porque sei que é o atendente que vai ter de repor o dinheiro.”
Esse também é o argumento da estudante Fabiane Lopes, de Brasília. “Isso aconteceu comigo
uma vez. Voltei e devolvi para a caixa do supermercado porque no fim do dia o dinheiro ia estar
faltando e isso a prejudicaria no emprego.”
Isso é algo que nunca tinha passado pela cabeça de Isabela do Nascimento, advogada de
Fortaleza que já ficou uma vez com o troco a mais. “Acho errado ficar com o dinheiro, mas uma
vez já fiquei”, confessa. “Existe uma grande diferença entre o que a gente diz e o que faz na
hora. Foi bom responder a essas perguntas, porque tive a chance de parar para pensar no
assunto.”
Eda Zanatta, 35 anos, é uma dentista de Porto Alegre que usa uma situação semelhante para
ilustrar sua opinião sobre honestidade. “Estava no caixa de uma loja de roupas e a vendedora
retirava as etiquetas de proteção que apitam quando você passa pela porta. Ela tirou a etiqueta
de uma jaqueta, mas esqueceu de registrar o valor. Avisei à vendedora e, na mesma hora,
senti um chute na perna. Era o meu marido me repreendendo por ter avisado – e por ter
deixado de levar uma roupa de graça. Hoje ele é meu ex-marido. Isso prova que honestidade é
algo que faz parte de cada pessoa.”

Software pirata

Certas atitudes, como a utilização de um software pirata, são motivadas pela praticidade.
“Nunca comprei programas de computador. É muito fácil conseguir uma cópia de software com
um amigo”, explica Rafael Marques Risso, 24 anos, estudante de direito de Recife. “Mas sei
que não é certo.”
É mais ou menos a visão de 39% dos entrevistados em Curitiba, embora apenas 6% admitam
que utilizariam programas piratas em Belo Horizonte e 22% no Brasil como um todo. Em Porto
Alegre, com 32% de respostas positivas, um prestador de serviços de manutenção predial
explica: “Se o meu computador apresenta um problema, quero que o técnico resolva rápido.
Não pergunto se ele utiliza um software pirata. Mas se eu for comprar um programa, invisto
num original. Acontece que alguns softwares são caros demais e as pessoas não podem pagar
por eles. Meu irmão, engenheiro, precisou se juntar com quatro amigos para dividir o valor de
um programa original.”

Carteira encontrada na rua


Se você encontrasse na rua uma carteira com R$ 100, sem identificação, entregaria à polícia?
Vinte e quatro por cento dos brasileiros responderam que sim, mas com variações: de 56% dos
entrevistados em Brasília, a apenas 11% em Salvador.
As pessoas que não entregariam alegam falta de confiança. “Se a carteira tiver os documentos,
procuro a pessoa que perdeu. Não entrego na delegacia porque é capaz de os policiais ficarem
com o dinheiro...” Paulo Campelo, 48 anos, é motorista de táxi em Salvador, e por isso já está
acostumado a devolver desde carteiras até máquinas digitais e computadores portáteis
esquecidos em seu carro. “Uma vez presenciei um assalto e fui atrás do assaltante. Quando o
pegaram, ele jogou a bolsa roubada dentro do meu carro. Procurei documentos, mas não tinha
nada além de papéis e R$ 365. Na época, meu aluguel custava R$ 250 por mês. Rodei um
pouco para tentar encontrar a senhora que tinha sido assaltada, mas, como não a achei, fiquei
com os R$ 365. É mais justo do que entregar para um policial e ele ficar com o dinheiro.”
Já o guardador de carros José Carlos Freitas, 40 anos, de Porto Alegre, explica por que
entregaria a carteira na delegacia: “Faço a minha parte. Fica a critério dos policiais devolver o
dinheiro ou não. Cada um segue sua própria consciência.”

Delação

Pode não existir resposta certa ou errada, mas a pergunta que causou mais angústia foi se o
entrevistado contaria a uma amiga ou amigo ter visto seu marido/sua mulher de mãos dadas
com um(a) estranho(a). Em Fortaleza e Belo Horizonte, 46% disseram que sim, ao passo que
em São Paulo apenas 16% contariam. No Brasil todo, 27% abririam os olhos do amigo(a).
Raquel Rosário da Silva é de Belém e faz parte da maioria que não se mete no casamento dos
outros. “Se eu contasse uma coisa dessas, poderiam dizer que era intriga minha ou que eu
estava interessada naquela pessoa. Se a situação fosse o oposto e alguém viesse falar algo
assim do meu namorado, eu também ia desconfiar. Só acredito vendo.”
Paulo Cézar Souza, de Curitiba, tem 22 anos e afirma que não deixaria de alertar o amigo
mesmo correndo o risco de ser acusado de mentiroso: “Se ele não acreditar em mim, digo pelo
menos para ficar de olho na mulher.”
Foram poucas as questões que tiveram respostas tão divididas conforme a idade do
entrevistado. Enquanto 36% dos jovens brasileiros contariam ao amigo, apenas 15% daqueles
com mais de 45 anos interviriam.
O brasileiro vê a honestidade como algo que se aprende em casa, com a família. “Tento dar um
bom exemplo para os meus filhos porque acho que ser uma pessoa correta é algo que vem de
berço”, explica Luiz, 50 anos, comerciante de Porto Alegre.
A doméstica Vera Moraes, 48 anos, de Curitiba, complementa: “No trabalho, se você for
desonesto, alguém acaba desconfiando e você é demitido. No meu caso, para que eu possa
trabalhar, é preciso que o patrão tenha confiança. Ser honesto é uma questão de
sobrevivência.”

1. Ao sair de um supermercado, você percebe que a caixa lhe deu R$ 50 a mais de troco.
Você volta e devolve o dinheiro?

Sim Não
2. Você bebeu demais em uma festa e suspeita que está acima do limite legal para dirigir.
Você volta dirigindo para casa?

Sim Não
3. Você encontrou uma brecha para sonegar imposto de renda, escondendo parte do seu
rendimento. Você faz isso?

Sim Não
4. O estacionamento do shopping está lotado – exceto pelas vagas reservadas a
deficientes físicos. Você estaciona o carro numa dessas vagas?

Sim Não
5. Você descobre que é possível fazer um “gato” da sua TV por assinatura pagando
apenas um ponto. Você faz isso?

Sim Não
6. Você precisa de envelopes e canetas em casa. Você os pega na empresa em que
trabalha?

Sim Não
7. Você encontra uma carteira na rua com R$ 100, sem endereço do dono. Você entrega a
carteira numa delegacia?

Sim Não
8. Você vê o marido/a mulher de sua melhor amiga/seu melhor amigo andando de mãos
dadas com um estranho. Você se sente obrigado a contar ao seu amigo(a)?

Sim Não
9. As toalhas do banheiro do hotel em que você está hospedado são muito bonitas e de
boa qualidade. Você coloca uma delas na mala e a leva para casa?

Sim Não
10. Está chovendo e você espera pelo ônibus numa longa fila. Quando o ônibus chega,
você percebe que não há lugar para todos e você não vai conseguir entrar se não passar a
frente das pessoas. Você fura a fila?

Sim Não
11. Você está dirigindo, voltando para casa, às 9 horas da noite e a rua está quase vazia.
Você excede o limite de velocidade em 20 km/h para chegar em casa mais rápido?

Sim Não
12. Um amigo oferece a você, de graça, uma cópia ilegal de um caro software de
computador. Você o aceita e o instala no seu computador?

Sim Não
Consulta: 10/02/2006( www.eticaempresarial.com.br).
Poema: O Homem no espelho

Quando conseguir tudo o que quer na luta pela vida,


E o mundo fizer de você rei por um dia,
Procure um espelho, olhe para si mesmo
E ouça o que AQUELE homem tem a dizer.

Porque não será de seu pai, mãe ou mulher


O julgamento que terá que absolvê-lo.
O veredicto mais importante em sai vida
Será o do homem que o olha do espelho.

Alguns podem julgá-lo um modelo,


Considerá-lo um ser maravilhoso,
Mas ele dirá que você é apenas um impostor,
Se não puder fitá-lo dentro dos olhos.

É a ele que deve agradar, pouco importam os demais,


Pois será ele que m ficará ao seu lado até o fim.
E você terá superado os testes mais perigosos e difíceis
Se o homem no espelho puder chamá-lo de amigo.

Na estrada da vida, você pode enganar o mundo inteiro,


E receber palmadinhas no ombro ao longo do caminho,
Mas, seu último salário será de dores e lágrimas,
Se enganou o homem que o fita do espelho.
Dale Wimbrow
Estudo de Caso : O presente de casamento

O sr. "X" era executivo presidente da "Poderosa". Por ocasião do casamento


da sua filha mais velha, ele solicitou ao Centro de Processamento de Dados
que informasse os nomes de todos os fornecedores da Poderosa, com os
respectivos contatos e executivos principais. Em seguida, pediu à sua
secretária que enviasse convites do casamento da filha para todos eles. Para
os primeiros executivos dos fornecedores, o convite continha o nome completo.
Para os contatos, o convite era dirigido aos "amigos da empresas fornecedora".
A o todo foram oito mil convites. Para felicidade do Sr. "X", os destinatários dos
convites não compareceram nem ao casamento e nem à recepção. Mas a
grande maioria não se furtou de mandar presentes. Foram tantos que os
nubentes resolveram iniciar um comércio de presentes.

Questões para reflexão

a) Você acha que ao enviar os convites o sr. "X" queria apenas partilhar com os
parceiros comerciais a sua alegria pelo casamento da filha, ou estava
interessado nos presentes?

b) as empresas que enviaram presentes, neste caso, ainda que dentro de


valores razoáveis, a seu ver, agiram com moral?

c) Caso sua resposta à pergunta anterior seja negativa, ela mudaria em relação
às empresas nas quais o executivo principal mantivesse relações sociais com o
sr. "X".
Estudo de Caso : Os Miseráveis

Poderia ter acontecido em Paris, no século XVIII. No romance . Os miseráveis ,


Jean Valjean rouba pão e é condenado a 19 anos de prisão. Mas aconteceu
em São Bernardo do Campo, no final de 1995.

O operário J., 44 anos de idade, foi detido pelos guardas de segurança da


Forjaria São Bernardo, do grupo Sifco. Levava dois pãezinhos, que, segundo a
empresa, eram “três ou quatro “, furtados na lanchonete. J. foi chamado no dia
seguinte ao departamento de pessoal, para ser demitido. Fazia tempo que se
suspeitava de J., que, uma vez apanhado, confessara que sempre levava os
pães, para comer durante o horário de trabalho, porque sofria de gastrite e a
comida do refeitório lhe fazia mal. O fato, havia muito tempo, era de
conhecimento de seus colegas e de seu chefe.

J. era agora um ladrão desempregado. Seus 20 anos de serviços sem


repreensão na Sifco transformaram-se em nada. Foi para casa, dois quartos e
sala, ao encontro da família, mulher e dois filhos.

Para a administração de recursos humanos da Sifco, o caso estava encerrado.


No dia seguinte, porém, “os encrenqueiros do sindicato” começaram a fazer
barulho na porta da fábrica. Num comunicado ao público, a Sifco informou que
o metalúrgico J. cometera falta grave e havia sido demitido por justa causa.

O caso chamou a atenção da imprensa e saiu nos jornais. A diretoria da Sifco,


sediada em Jundiaí, São Paulo, viu o tamanho do problema e percebeu que
castigar quem rouba pães é má idéia desde Victor Hugo contou a história de
Valjean. Numa reunião, os diretores decidiram retroceder em sua decisão, por
causa da publicidade negativa. Alguns dias depois, novo comunicado nos
jornais informava que a Sifco considerava a demissão do senhor J. “um fato
isolado, lamentável e equivocado”. Ele estava sendo reabilitado e chamado de
volta ao emprego.

Ao voltar, disse o senhor J.:

“Eu gosto da empresa. Tudo que tenho foi dela que recebi. Não quero que ela
seja prejudicada”.

Questões :

1) Comente a decisão de demitir o senho J. É certa ou errada? Por quê?


2) Comente a decisão da empresa, de reconhecer o erro e reverter a decisão.
3) Se você fosse diretor da empresa, diria algo ao gerente de recursos
humanos, que demitiu o senhor J.?
4) Se você fosse o gerente de recursos humanos da fábrica, como teria agido?
O que ele deveria fazer agora que a diretoria modificou sua decisão?
5) Comente os aspectos éticos e comportamentais deste caso.

Maximiniano, Antonio Cesar Amaru, Teoria Geral da Administração. São Paulo


: Atlas, 1997: 317 e 318.
São Paulo, terça-feira, 17 de maio de 2005.
TRABALHO

Ministros admitem o uso dessas provas para dispensas por justa


causaEmpresa pode violar e-mail para demitir, decide TST SILVANA DE
FREITASDA SUCURSAL DE BRASÍLIA O TST (Tribunal Superior do Trabalho)
decidiu que, para obter provas que justifiquem a demissão por justa causa, o
empregador tem o direito de violar o sigilo de correspondência de caixa
eletrônica que ela tiver colocado à disposição do funcionário.A decisão, da 1ª
Turma do TST, beneficiou o HSBC Seguros Brasil em disputa judicial com um
ex-funcionário de Brasília, que fora demitido por justa causa após a instituição
descobrir que ele utilizava o correio eletrônico do trabalho para enviar aos
colegas fotos de mulheres nuas.
Essa foi a primeira vez que o TST julgou esse tema. Os tribunais regionais já
vêm adotando esse entendimento no julgamento de casos semelhantes. Em
tese, o ex-funcionário do HSBC Seguros ainda pode recorrer ao STF (Supremo
Tribunal Federal), alegando que há matéria constitucional na causa: o direito ao
sigilo de correspondência. Por falta de normas específicas sobre o uso de e-
mail de trabalho na legislação brasileira e de jurisprudência sobre o tema, o
relator no TST, ministro João Oreste Dalazen, citou decisão da Suprema Corte
dos Estados Unidos pela qual o direito dos empregados à privacidade no local
de trabalho não é absoluto. Ele também citou lei do Reino Unido que autoriza o
patrão a monitorar e-mails e telefonemas dos empregados. Controle moderado
Pela decisão do TST, o empregador pode exercer "de forma moderada,
generalizada e impessoal" o controle de mensagens enviadas e recebidas por
meio de caixa de e-mail fornecida por ela, porque ela poderia ser
eventualmente responsabilizada por eventuais abusos. Dalazen disse que o e-
mail criado pelo empregador tem natureza jurídica equivalente a uma
ferramenta de trabalho e, por isso, dependeria de autorização expressa para
ser usado para fins não-profissionais. Ele admitiu a "utilização comedida" do
correio eletrônico para interesses pessoais, desde que sejam respeitados a
moral e os bons costumes. Senha pessoal Para o ministro, a senha pessoal
fornecida ao funcionário não pode servir de proteção contra o acesso do
empregador ao conteúdo das mensagens, porque o sentido dela seria impedir
o acesso de terceiros a informações de interesse do empregador,
eventualmente confidenciais. O funcionário fora demitido em maio de 2000,
moveu ação contra o HSBC Seguros e chegou a obter, na primeira instância,
sentença favorável ao pagamento de indenização e de direitos trabalhistas só
assegurados nas demissões sem justa causa. A 13ª Vara do Trabalho de
Brasília considerou que as provas obtidas contra ele eram inválidas, porque
foram obtidas de forma indevida, por meio da violação do sigilo de
correspondência, assegurado pela Constituição.

O HSBC recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho do Distrito Federal e


conseguiu vitória já nessa instância. O processo chegou ao TST por meio de
um recurso do funcionário.

No TRT, os juízes disseram que a empresa pode rastrear os endereços


eletrônicos "porque não haveria nenhuma intimidade a ser preservada, posto
que o e-mail não poderia ser utilizado para fins particulares".

No TST, a linha foi a mesma. Os ministros entenderam que os direitos


constitucionais do cidadão à privacidade e ao sigilo de correspondência estão
relacionados apenas à comunicação estritamente pessoal.

Para o relator, isso permite que o empregador exerça controle sobre o


conteúdo de mensagens que trafegam em e-mails de trabalho utilizados por
seus funcionários.

Um dos objetivos desse controle seria verificar se informações comerciais


confidenciais não estariam sendo repassadas por empregados a outros
concorrentes.

ENTENDA
Especialistas afirmam que a decisão é correta

Advogados especializados em direito eletrônico ouvidos pela Folha concordam


com a decisão do TST, admitindo que uma empresa investigue o e-mail de
trabalho do empregado com a finalidade de obter provas que possam levar até
a demissão por justa causa.

Um dos aspectos ressaltados pelos advogados é que a empresa responde


solidariamente pelos atos praticados por seus empregados, conforme
estabelece o Código Civil em seu artigo 932, inciso 3º.

Para o advogado Renato Opice Blum, especialista em direito eletrônico do


escritório Opice Blum Advogados, "a decisão do TST vai pôr ordem nessa
questão". Ele entende que "o controle é legal e não viola a privacidade do
empregado".

José Augusto de Leça Pereira, advogado do escritório Barretto Ferreira,


Kujawski, Brancher e Gonçalves, o empregado não deve ter a expectativa de
privacidade absoluta sobre o seu correio eletrônico.

Pereira diz que o monitoramento por parte da empresa não deve incluir apenas
o uso do equipamento para fins considerados "moralmente censuráveis" -no
caso, o envio de fotos de mulheres nuas aos colegas de trabalho.

"Desde que [o envio de e-mail] atrapalhe o trabalho do empregado e prejudique


a empresa, esta pode valer-se do monitoramento, inclusive para demitir o
empregado por justa causa."

Antonio Carlos de Oliveira Freitas, advogado especialista em direito processual


civil do escritório Luchesi Advogados, diz que decisão do TST é absolutamente
correta. "Concordo em gênero, número e grau".
"A empresa nem precisa avisar o empregado de que ele poderá ser demitido,
ou seja, nem precisa criar um código de conduta. Se o empregado usa o e-mail
para outras finalidades que não as do trabalho, pode ser punido com a
demissão."
Patrões já monitoram na prática

DA REPORTAGEM LOCAL

As empresas já fazem, na prática, um "rastreamento indireto" dos e-mails de


seus empregados ao monitorar o uso do correio eletrônico e acessos que os
funcionários fazem à internet, segundo avaliação de consultorias de recursos
humanos.
"O monitoramento para evitar, por exemplo, a invasão de um vírus já ocorre em
várias empresas de diferentes portes e áreas de atuação. A empresa monitora
o conteúdo, de forma sigilosa, e verifica o que entra e sai no e-mail do
empregado. As áreas de tecnologia são as responsáveis por esse
monitoramento", diz Luciana Machado, diretora da consultoria AG5 -assessoria
de RH e gestão empresarial. "As empresas já davam indiretamente seu recado,
mas não existia uma decisão judicial que criasse uma norma e orientasse as
empresas. O assunto era tratado caso a caso."
Em 2002, a General Motors demitiu cerca de 30 funcionários de São Caetano e
de São José dos Campos e advertiu outros 111 que trocaram e-mails, durante
o trabalho, com fotos pornográficas. Procurada ontem, a empresa não quis
comentar o caso nem informar se reviu parte das dispensas.
Nos Estados Unidos e na Inglaterra, ao contratarem novos funcionários, as
companhias informam em seus manuais que o e-mail da empresa deve ser
usado para fins corporativos, segundo afirma a consultora.
Para Thomas Case, fundador do Grupo Catho, a decisão do Tribunal Superior
do Trabalho é correta. "A empresa custeia o sistema e paga o salário das
pessoas que usam esse sistema. Não vejo nada de errado no fato de a
empresa investigar e auditar o que está sendo enviado para todo mundo."
Case diz que a Catho, por exemplo, não faz isso, mas já ameaçou a
investigação de e-mails de alguns empregados. "Alguns funcionários fazem
"download" de músicas no horário de trabalho. Com as ameaças, eles param
por um tempo. Mas, depois, voltam a baixar as músicas", afirma.
Isso, segundo ele, tem custo para a empresa. "Ela paga o provedor e a
capacidade que é usada. Quando um empregado faz "download" de música,
isso tem custo. O sistema fica mais lento e atrapalha todos", diz. (CR e FF)

Estudo de caso

IMAGINE a seguinte cena. A porta da frente de uma loja de departamentos se


abre, e entram duas jovens bem-vestidas. Passam por um corredor e dirigem-
se à seção de cosméticos. Um segurança uniformizado segue as jovens, mas
pára a uns 10 metros de distância, numa posição de alerta, com os braços para
trás. Ele as observa enquanto examinam tranqüilamente os batons e os rímeis.
Elas olham de relance para o segurança, que está prestando atenção nelas.
Ficam eletrizadas. Uma das garotas vai até os esmaltes e pega dois frascos.
Ela parece indecisa entre duas tonalidades parecidas de vermelho. Deixa uma
e escolhe a outra, um pouco mais escura. O segurança olha para baixo e vira
de costas. Aproveitando a deixa, as jovens enfiam os batons e os frascos de
esmalte na bolsa. Elas mantêm a aparência calma, mas as emoções estão
fervilhando. Permanecem nessa seção por mais alguns minutos, uma olhando
as lixas de unha e a outra examinando os lápis de sobrancelha. As duas se
olham, acenam com a cabeça, e começam a andar em direção à frente da loja.
O segurança dá passagem, e elas sorriem para ele. Dirigindo-se aos
acessórios para telefones celulares, do lado oposto ao caixa, dão uma olhada
no mostruário. Elas cochicham alguma coisa sobre as capas de couro para
celular. Então, vão para a saída. A cada passo, o entusiasmo aumenta, e
cresce a tensão causada pelo medo e pelo suspense. Ao cruzarem a porta de
saída, elas sentem vontade de gritar, mas ficam caladas. Do lado de fora, uma
onda de emoção faz seus rostos ficarem mais corados do que qualquer
maquiagem poderia fazer. O turbilhão de emoções dentro delas se acalma, e
elas suspiram aliviadas. Caminham rapidamente, mas não conseguem parar de
rir. Elas só pensam numa coisa: ‘Conseguimos!’ Essas duas jovens são
imaginárias, mas infelizmente a cena é bem real. A estimativa é que os furtos
em lojas ocorram um milhão de vezes por dia, só nos Estados Unidos. Mas
esse problema é mundial. Como veremos, isso resulta em muito prejuízo. No
entanto, a maioria dos que praticam esse tipo de furto não estão nem um
pouco preocupados com o grande dano que causam. Até mesmo muitos que
têm condições de pagar preferem roubar. Por quê?

www.watchtower.org
ética e Pesquisa

Comite de ética
É um grupo de pessoas a quem a instituição onde se realiza a pesquisa atribui a função
de apreciar os aspectos éticos envolvidos na pesquisa. Essa apreciação tem como
objetivo principal proteger os direitos e interesses e garantir os benefícios dos sujeitos
da pesquisa, individual e coletivamente.

Na abordagem de um caso em Ética Aplicada à Pesquisa inúmeros pontos podem ser


utilizados, envolvendo aspectos legais, morais e éticos.

Aspectos Legais

Quando da elaboração de um estudo de caso ou parecer sobre um projeto de pesquisa


deve ser sempre verificada a sua adequação às leis, normas e diretrizes vigentes

Aspectos Morais

Os cientistas têm deveres institucionais, sociais e profissionais. Os deveres


institucionais básicos são: a honestidade; a sinceridade; a competência; a aplicação; a
lealdade e a discrição. Os deveres sociais são a veracidade, a não-maleficência e a
justiça. Por fim, os deveres profissionais são pesquisar adequada e independente, além
de buscar aprimorar e promover o respeito à sua profissão .

Os cientistas não devem fazer pesquisas que possam causar riscos não justificados às
pessoas envolvidas; violar as normas do consentimento informado; converter recursos
públicos em benefícios pessoais; prejudicar seriamente o meio ambiente ou conter erros
previssíveis ou evitáveis .

Aspectos Éticos

envolvimento de seres humanos;


· uso de animais;
· relação com outros pesquisadores e
· relação com a sociedade.
Relação com outros Pesquisadores

A relação com outros pesquisadores envolve as questões de autoria e de fraudes, que,


algumas vezes, são bastante complexas de serem resolvidas. O estabelecimento da
autoria dos trabalhos realizados envolve aspectos relativos a lealdade, honestidade,
justiça e autonomia. A fraude ocorre quando a honestidade e a veracidade são deixadas
de lado por alguns dos participantes do projeto.

Relação com a Sociedade

A relação da pesquisa com a sociedade pode ser abordada tanto nos aspectos relativos à
proteção dos indiviíduos (sujeitos da pesquisa, pesquisadores e trabalhadores
envolvidos), à divulgação de resultados e como na avaliação do retorno social da
mesma.
Goldim JR. Ética na pesquisa. Revista HCPA 1993;13(2):107-111.
TEXTOS COMPLEMENTARES

Ética e indiferença

A série Ser ou Não Ser traz hoje uma questão delicada e importante para nossa vida. O que é ética? Por
que ela é importante na vida em sociedade? Qual a relação entre ética e indiferença?

Uma foto, publicada no jornal "O Globo" no início de setembro, deixou os leitores indignados. O corpo
de um turista cego, que morreu afogado na Praia Vermelha, ficou horas no calçadão, enquanto não era
removido. Mas esse estranho elemento em um dos cenários mais bonitos do Rio de Janeiro não abalou os
outros visitantes. Eles simplesmente ignoraram o cadáver ao lado.

“Você vê que as pessoas estão sorrindo. Elas fotografavam, passavam, brincavam, transitavam ao lado
do corpo. É como se não estivesse ali. Essa indiferença, esse descaso, é que me chamou a atenção”,
conta o fotógrafo Michel Filho.

Por que esta cena não foi capaz de afetar as pessoas em volta? A relação entre ética e indiferença é o
tema de hoje em Ser ou Não Ser.

"Indiferença" é uma palavra que não faz parte da vida de Áurea, uma assessora parlamentar de Brasília
que hoje lida com a questão indígena. Ela já perdeu a conta de quantas vezes abriu a porta de casa para
índios, meninos de rua, ou qualquer um que precisasse de ajuda.

“A pessoa fala assim: ‘Ah, você mexe com índios, né? Você mexe com crianças de rua’. Eu falo: ‘Não,
eles é que mexem demais comigo’”, conta Áurea.

Áurea teve sete filhos de três casamentos. E assim, ela formou uma grande família de artistas e
músicos: Abaetê, Jandira, Flora, Zé, Caetano, Dario e Julia.

“O resultado disso, eu quero dizer, é de bênção. Eu sou uma pessoa sete vezes abençoada”, agradece
Áurea.

“A gente sempre foi criado muito solto, minha mãe estava sempre trabalhando, a gente ficava aqui
nesse caos. Agora, quando tinha alguma repreensão, era interessante porque - isso é uma coisa que eu
lembro até hoje - minha mãe sempre batia numa coisa de caráter”, lembra Zé, hoje designer gráfico.

Como tantas outras mães, Áurea sempre se esforçou para que os filhos tivessem uma postura ética na
vida.

“Escolhe o que você quiser, mas tem que ter dignidade”, ensina Áurea.

Mas o que é ética? Qual a relação entre ética e moral? Moral é o conjunto de regras, válidas para todo
mundo, que determinam nossa conduta em sociedade: como devemos agir para não ferir o direito do
outro e respeitar o bem comum.

Mas dessas regras universais - não matar, por exemplo - podem surgir dilemas particulares: a eutanásia
pode ser uma saída para aliviar o sofrimento de uma pessoa presa a uma cama?

Como agir diante dos diferentes desafios morais? É daí que nasce a ética.

“Uma atitude ética é um estado de atenção com a vida”, define Áurea.

A falta dessa "atenção" com a vida é o que a foto na Praia Vermelha sugere. Uma conduta ética é antes
de tudo uma tomada de posição. Uma atitude. Por isso, nada mais antiético do que a indiferença. Estar
indiferente é abandonar toda tentativa de interferir nas coisas, de mudar - o que acaba tornando a
violência, a corrupção, o desrespeito, um hábito. A indiferença é a banalização do mal.

“O que é a banalização? Se um de nós se deitar hoje à noite, ouve o tic tac do relógio durante poucos
segundos. Num determinado momento, desapareceu o tic tac. Sempre que alguém é exposto a um
estímulo repetido, semelhante, banaliza, não se percebe mais”, explica o psquiatra José Outeiral.

“Se alguém é exposto demasiadamente à violência, como acontece hoje, banaliza a experiência da
violência. Então, nós vivemos num mundo extremamente banalizado”, complementa o psiquiatra.

A banalização leva à indiferença. E o que a indiferença faz é desconsiderar e desqualificar o outro. Uma
pessoa ignorada é como um objeto, sem vida, sem importância.

“Quantas vezes passamos por uma criança no chão, dormindo, e sequer paramos para olhar para ela? Ao
contrário. Tratamos de virar o rosto”, alerta José Outeiral.

O psicanalista e filósofo Jurandir Freire Costa fala de três tipos de indiferença na nossa sociedade. O
primeiro é o das classes dirigentes e das elites em relação aos pobres, que são vistos como "coisas", não
como pessoas.

Um exemplo extremo disso é o assassinato do índio Galdino de Jesus, há nove anos. Foi para as
comemorações do Dia do Índio que o pataxó Galdino de Jesus foi a Brasília. Depois de se perder de seus
amigos, deitou num banco e adormeceu. De madrugada, cinco jovens da classe média de Brasília
desceram de um carro, atearam fogo em seu corpo e desapareceram.

Galdino morreu horas depois, vítima da indiferença e da banalização da vida humana. Todos os anos, os
pataxós se reúnem em um monumento, para realizar uma cerimônia em sua memória.

Todo esse processo gera uma reação. Quem não foi reconhecido como cidadão também passa a não
reconhecer o valor do outro. A explosão da violência urbana é o resultado do segundo tipo de
indiferença: a dos excluídos em relação às elites.

A vida dos privilegiados deixa de ser vista como algo importante por aqueles que estão à margem da
sociedade. E assim, pode-se matar para conseguir um tênis, por exemplo.

“A palavra barbárie pode se aplicar perfeitamente a isso. Nós vivemos, agora, a barbárie”, define
Outeiral.

O terceiro tipo de indiferença apontada por Jurandir Freire Costa é o das elites em relação a elas
mesmas. Enquanto o caos toma conta das cidades, multiplica-se o consumo de tranqüilizantes,
antidepressivos e drogas, como a cocaína.

“Por exemplo, se alguém se sente um pouco mais gordo, se falta desejo pelo companheiro ou pela
companheira, se alguém perdeu uma pessoa querida e está triste, rapidamente é medicado. A pílula vai
resolver o seu problema. E com isso, se plastifica o afeto das pessoas”, analisa Outeiral.

Diante de uma sociedade que parece desabar, a única coisa a fazer é salvar a si mesmo. Na falta de um
projeto coletivo, a busca pelo sucesso individual, pelo bem-estar e realização pessoal, se torna cada vez
mais importante. Da mesma forma, o horror ao fracasso.

O que choca no Brasil hoje não é tanto a quantidade de crimes e escândalos políticos que vemos todos
os dias nos jornais, mas a absoluta indiferença com que reagimos a tudo isso. Talvez este seja o sinal de
um desejo de destruir o que não temos coragem de transformar.

“Eu acho que as pessoas precisam pensar mais de forma coletiva”, diz o fotógrafo Michel Filho.

“Tem uma série de valores a serem preservados: a solidariedade, o respeito pelo outro, a tolerância
àquilo que é humano”, enumera José Outeiral.

“Isso é o nosso poder, para o bem e para o mal, é o nosso poder”, garante Áurea.
“Nós temos que parar e pensar. Pensar profundamente, por mais que isso seja difícil, provoque
sofrimento, provoque angústia, e que a curto e médio prazo nós não tenhamos nenhuma resposta. Mas é
fundamental parar e refletir sobre isso”, avisa Outeiral.

Da Grécia antiga ao pensamento oriental: qual a relação entre Sócrates e Buda? A discussão sobre ética
continua domingo que vem. Não perca!

Encontre essa reportagem em:


http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,AA1330756-4686,00.html
“De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver crescer as injustiças,
de tanto ver agigantar-se os poderes
nas mãos dos homens
o homem chega a desanimar-se da
virtude, a rir-se da honra e a ter
vergonha de ser honesto”
Rui Barbosa

Pra pensar.....
Fui criado com princípios morais comuns. Quando criança, ladrões tinham a aparência
de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os
“lanterninhas” dos cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão
quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de
domingo.
Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de
respeito e consideração. Quanto mais próximos, e/ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder deseducadamente à policiais, mestres,aos mais idosos,
autoridades.Confiávamos nos adultos porque todos eram pais e mães de todas as
crianças da rua, do bairro, da cidade.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.
Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo que perdemos. Por tudo que meus filhos um
dia temerão. Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos.
Matar os pais, os avós, violentar crianças, sequestrar, roubar, enganar, passar a perna,
tudo virou banalidade de notícias policiais, esquecidas após o primeiro intervalo
comercial.
Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de
multas. Policiais em blitz são abuso de autoridade.
Regalias em presídios são matéria votada em reuniões. Direitos humanos para
criminosos, deveres ilimitados para cidadões honestos.
Não levar vantagem é ser otário. Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os
caloteiros de plantão.Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos
de cabelos brancos.
O que aconteceu conosco?
Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades
em nossas janelas e portas.Crianças morrendo de fome de morte. Que valores são esses?
Carros que valem mais que abraço, filhos querendo-os como brindes por passar de ano.
Celulares nas mochilas dos recém saídos das fraldas.
TV,DVD, vídeo-games, o que vai querer em troca desse abraço, meu filho?
Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo. Mais
vale um baseado do que um sorvete. Mais valem dois vinténs do que um gosto.
Que lares são esses?
Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente e o presente uma droga.
O que é aquilo? Uma árvore, uma galinha, uma estrela, uma flor.
Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?
Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho?Quando foi que olhei nos olhos de
quem me pede roupa, comida, calçado sem sentir medo?
Quando foi que me fechei?
Quero de volta a minha dignidade, a minha paz. Quero de volta a lei e a ordem, a
liberdade com segurança. Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores.
Quero sentar na calçada e ter a porta aberta nas noites de verão. Quero a honestidade
como motivo de orgulho. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho.
Quero a vergonha, a solidariedade. Quero a esperança, a alegria. Teto para todos,
comida na mesa, saúde a mil
Não quero listas de animais em extinção. Não quero clone de gente, quero cópia das
letras de músicas, cultura e ciência.
Eu quero voltar a ser feliz! Quero dizer basta a esta inversão de valores e ideais.
Quero calar a boca de quem diz: “a nível de”, enquanto pessoa.
Abaixo o “TER”, viva o “SER”!
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um
céu de abril, leve como a brisa da manhã! E definitivamente comum, como eu.
Adoro o meu mundo simples e comum.
Vamos voltar a ser “gente”? Ter o amor, a solidariedade, a fraternidade como base. A
indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito... Discordar do absurdo.
Construir sempre um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas
respeitem as pessoas.
Utopia? Não...se você e eu fizermos nossa parte e contaminarmos mais pessoas, e essas
pessoas contaminarem mais pessoas...hein?
Quem sabe?... (Autor desconhecido....ou todos nós!)
Ana Carolina & Seu Jorge - Brasil Corrupção (unimultiplicidade)
Ana Carolina e Seu Jorge
Neste Brasil corrupção
pontapé bundão
puto saco de mau cheiro
do Acre ao Rio de Janeiro
Neste país de manda-chuvas
cheio de mãos e luvas
tem sempre alguém se dando bem
de São Paulo a Belém
Pego meu violão de guerra
pra responder essa sujeira
E como começo de caminho
quero a unimultiplicidade
onde cada homem é sozinho
a casa da humanidade
Não tenho nada na cabeça
a não ser o céu
não tenho nada por sapato
a não ser o passo
Neste país de pouca renda
senhoras costurando
pela injustiça vão rezando
da Bahia ao Espírito Santo
Brasília tem suas estradas
mas eu navego é noutras águas
E como começo de caminho
quero a unimultiplicidade
onde cada homem é sozinho
a casa da humanidade
Ana Carolina & Seu Jorge - Problema Social
Guará / Fernandinho
Se eu pudesse, eu dava um toque em meu destino
Não seria um peregrino nesse imenso mundo cão
Nem o bom menino que vendeu limão
E trabalhou na feira pra comprar seu pão
Não aprendi as maldades que essa vida tem
Mataria a minha fome sem ter que roubar ninguém
Juro que eu não conhecia a famosa funabem
Onde foi minha morada desde os tempos de neném
É ruim acordar de madrugada pra vender bala no trem
Se eu pudesse eu tocava em meu destino
Hoje eu seria alguém
Seria eu um intelectual
Mas como não tive chance de ter estudado em colégio
legal
Muitos me chamam de pivete
Mas poucos me deram um apoio moral
Se eu pudesse eu não seria um problema social
Ana Carolina - Notícias Populares
Ana Carolina
Tudo se acaba
Olho o noticiário
Água se acaba
Se acaba a prece do vigário

Eu quero ser a mendiga suja e descabelada


dormindo na vertical
Entender
Como a vida de alguém se acaba antes do final

Prefiro o Lou Reed no Velvet Underground


Gosto de Sylvia Plath, TS Elliot,
Emily Dickinson, Lucinda, Délia, Manoel de Barros
Ficam eternos por mim

Esqueço a crise da Argentina


Quebrando o pau com a menina no sinal
Em castelhano, ê
Eu furo os planos, ê
Eu furo o dedo, mando ver
Examinando, lanho o braço
Aperto o passo. Não sou louca!
É...

Tomei um tiro
No vidro do meu carro
É a pobreza
Tirando o seu sarro
Foi meu dinheiro
Foi meu livro caro
Que façam bom proveito
Da grana que roubaram
Porque eu trabalho
E outro dinheiro eu vou ganhar

Tomei um táxi
O motorista, me estigando,
Veio falando sobre o onze de setembro.
Havia um homem na calçada lendo o Código Da Vinci
Ou lia o código da venda?

E na parada havia um peruano


Cheio de badulaques, ô
Vendendo Nike, ô
Vendendo bike, Coca Light, canivete
Aceita cheque pros breguetes.
Notícias do Iraque na Tv da lanchonete.

Notícias populares
Voam pelos ares
E amanhã, meu nêgo, ninguém sabe
Se alguém recua ou se alguém invade
Se alguém tem nome ou se alguém tem fome.
Que façam bom proveito
Do pouco que restar
Se tanta gente vive
Só com o que dá pra aproveitar.

Tudo se acaba.
Olha o noticiário!

(by Felipe Aveiro)


Seu Jorge - Brasis
(Seu Jorge/ Gabriel Moura/ Jovi Joviniano)
Tem um Brasil que é próspero
outro não muda
Um Brasil que investe
outro que suga
um de sunga
outro de gravata
tem um que faz amor
e tem o outro que mata

Brasil do ouro, Brasil da prata


Brasil do Balacouchê, da mulata

Tem o Brasil que é lindo


outro que fede
o Brasil que dá
é igualzinho ao que pede

Pede paz, saúde, trabalho e dinheiro


Pede pelas crianças do país inteiro

Tem um Brasil que soca


outro que apanha
um Brasil que saca
outro que chuta
Perde e ganha, sobe e desce
Vai à luta, bate bola
porém não vai a escola
Brasil de cobre, Brasil de lata

(2x)
É negro, é branco, é nissae
é verde, é indio peladão
é mameluco, é cafuso, é confusão

(2x)
Oh Pindorama quero seu Porto Seguro
Suas palmeiras, suas pêras, seu café
suas riquezas, praias, cachoeiras
quero ver o seu povo de cabeça em pé
São Paulo, terça-feira, 17 de maio de 2005.
TRABALHO

Ministros admitem o uso dessas provas para dispensas por justa causa
Empresa pode violar e-mail para demitir, decide TST SILVANA DE FREITAS

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O TST (Tribunal Superior do Trabalho) decidiu que, para obter provas que
justifiquem a demissão por justa causa, o empregador tem o direito de violar o
sigilo de correspondência de caixa eletrônica que ela tiver colocado à
disposição do funcionário.

A decisão, da 1ª Turma do TST, beneficiou o HSBC Seguros Brasil em disputa


judicial com um ex-funcionário de Brasília, que fora demitido por justa causa
após a instituição descobrir que ele utilizava o correio eletrônico do trabalho
para enviar aos colegas fotos de mulheres nuas.

Essa foi a primeira vez que o TST julgou esse tema. Os tribunais regionais já
vêm adotando esse entendimento no julgamento de casos semelhantes. Em
tese, o ex-funcionário do HSBC Seguros ainda pode recorrer ao STF (Supremo
Tribunal Federal), alegando que há matéria constitucional na causa: o direito
ao sigilo de correspondência.

Por falta de normas específicas sobre o uso de e-mail de trabalho na legislação


brasileira e de jurisprudência sobre o tema, o relator no TST, ministro João
Oreste Dalazen, citou decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos pela qual
o direito dos empregados à privacidade no local de trabalho não é absoluto. Ele
também citou lei do Reino Unido que autoriza o patrão a monitorar e-mails e
telefonemas dos empregados.

Controle moderado
Pela decisão do TST, o empregador pode exercer "de forma moderada,
generalizada e impessoal" o controle de mensagens enviadas e recebidas por
meio de caixa de e-mail fornecida por ela, porque ela poderia ser
eventualmente responsabilizada por eventuais abusos.

Dalazen disse que o e-mail criado pelo empregador tem natureza jurídica
equivalente a uma ferramenta de trabalho e, por isso, dependeria de
autorização expressa para ser usado para fins não-profissionais. Ele admitiu a
"utilização comedida" do correio eletrônico para interesses pessoais, desde
que sejam respeitados a moral e os bons costumes.

Senha pessoal

Para o ministro, a senha pessoal fornecida ao funcionário não pode servir de


proteção contra o acesso do empregador ao conteúdo das mensagens, porque
o sentido dela seria impedir o acesso de terceiros a informações de interesse
do empregador, eventualmente confidenciais.

O funcionário fora demitido em maio de 2000, moveu ação contra o HSBC


Seguros e chegou a obter, na primeira instância, sentença favorável ao
pagamento de indenização e de direitos trabalhistas só assegurados nas
demissões sem justa causa.

A 13ª Vara do Trabalho de Brasília considerou que as provas obtidas contra ele
eram inválidas, porque foram obtidas de forma indevida, por meio da violação
do sigilo de correspondência, assegurado pela Constituição.

O HSBC recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho do Distrito Federal e


conseguiu vitória já nessa instância. O processo chegou ao TST por meio de
um recurso do funcionário.

No TRT, os juízes disseram que a empresa pode rastrear os endereços


eletrônicos "porque não haveria nenhuma intimidade a ser preservada, posto
que o e-mail não poderia ser utilizado para fins particulares".
No TST, a linha foi a mesma. Os ministros entenderam que os direitos
constitucionais do cidadão à privacidade e ao sigilo de correspondência estão
relacionados apenas à comunicação estritamente pessoal.

Para o relator, isso permite que o empregador exerça controle sobre o


conteúdo de mensagens que trafegam em e-mails de trabalho utilizados por
seus funcionários.

Um dos objetivos desse controle seria verificar se informações comerciais


confidenciais não estariam sendo repassadas por empregados a outros
concorrentes.

ENTENDA
Especialistas afirmam que a decisão é correta

Advogados especializados em direito eletrônico ouvidos pela Folha concordam


com a decisão do TST, admitindo que uma empresa investigue o e-mail de
trabalho do empregado com a finalidade de obter provas que possam levar até
a demissão por justa causa.

Um dos aspectos ressaltados pelos advogados é que a empresa responde


solidariamente pelos atos praticados por seus empregados, conforme
estabelece o Código Civil em seu artigo 932, inciso 3º.

Para o advogado Renato Opice Blum, especialista em direito eletrônico do


escritório Opice Blum Advogados, "a decisão do TST vai pôr ordem nessa
questão". Ele entende que "o controle é legal e não viola a privacidade do
empregado".

José Augusto de Leça Pereira, advogado do escritório Barretto Ferreira,


Kujawski, Brancher e Gonçalves, o empregado não deve ter a expectativa de
privacidade absoluta sobre o seu correio eletrônico.

Pereira diz que o monitoramento por parte da empresa não deve incluir apenas
o uso do equipamento para fins considerados "moralmente censuráveis" -no
caso, o envio de fotos de mulheres nuas aos colegas de trabalho.
"Desde que [o envio de e-mail] atrapalhe o trabalho do empregado e prejudique
a empresa, esta pode valer-se do monitoramento, inclusive para demitir o
empregado por justa causa."

Antonio Carlos de Oliveira Freitas, advogado especialista em direito processual


civil do escritório Luchesi Advogados, diz que decisão do TST é absolutamente
correta. "Concordo em gênero, número e grau".
"A empresa nem precisa avisar o empregado de que ele poderá ser demitido,
ou seja, nem precisa criar um código de conduta. Se o empregado usa o e-mail
para outras finalidades que não as do trabalho, pode ser punido com a
demissão."

Patrões já monitoram na prática

DA REPORTAGEM LOCAL

As empresas já fazem, na prática, um "rastreamento indireto" dos e-mails de


seus empregados ao monitorar o uso do correio eletrônico e acessos que os
funcionários fazem à internet, segundo avaliação de consultorias de recursos
humanos.
"O monitoramento para evitar, por exemplo, a invasão de um vírus já ocorre em
várias empresas de diferentes portes e áreas de atuação. A empresa monitora
o conteúdo, de forma sigilosa, e verifica o que entra e sai no e-mail do
empregado. As áreas de tecnologia são as responsáveis por esse
monitoramento", diz Luciana Machado, diretora da consultoria AG5 -assessoria
de RH e gestão empresarial. "As empresas já davam indiretamente seu recado,
mas não existia uma decisão judicial que criasse uma norma e orientasse as
empresas. O assunto era tratado caso a caso."
Em 2002, a General Motors demitiu cerca de 30 funcionários de São Caetano e
de São José dos Campos e advertiu outros 111 que trocaram e-mails, durante
o trabalho, com fotos pornográficas. Procurada ontem, a empresa não quis
comentar o caso nem informar se reviu parte das dispensas.
Nos Estados Unidos e na Inglaterra, ao contratarem novos funcionários, as
companhias informam em seus manuais que o e-mail da empresa deve ser
usado para fins corporativos, segundo afirma a consultora.
Para Thomas Case, fundador do Grupo Catho, a decisão do Tribunal Superior
do Trabalho é correta. "A empresa custeia o sistema e paga o salário das
pessoas que usam esse sistema. Não vejo nada de errado no fato de a
empresa investigar e auditar o que está sendo enviado para todo mundo."
Case diz que a Catho, por exemplo, não faz isso, mas já ameaçou a
investigação de e-mails de alguns empregados. "Alguns funcionários fazem
"download" de músicas no horário de trabalho. Com as ameaças, eles param
por um tempo. Mas, depois, voltam a baixar as músicas", afirma.
Isso, segundo ele, tem custo para a empresa. "Ela paga o provedor e a
capacidade que é usada. Quando um empregado faz "download" de música,
isso tem custo. O sistema fica mais lento e atrapalha todos", diz. (CR e FF)
Ética e Política: é possível algum ponto de encontro?

Ètica – Teoria do dever moral.


Política – Ciência do governo dos povos e dos negócios públicos.
Politicagem ou politiquice – Política mesquinha, interesseira. Politiqueiro.

Reflexão : Questão da Autoridade. Tradicional, carismática e Racional-Legal.( é


o ocupante de qualquer cargo público, de qualquer esfera de poder, federal,
estadual ou municipal.( Executivo, Legislativos e Judiciário).

* Contribuições para campanhas políticas nos limites das leis.


* Limites éticos dos brindes, presentes, despesas de viagens e outras
concessões.
* O planejamento tributário ético.
*
CARACTERÍSTICAS DA POLITICAGEM: MANIPULAÇÃO, USURPAÇÃO E
PROPINA

Todos os simpatizantes que fossem nobres ganhou-os tornando-os seus


nobres. Deu-lhes grandes pensões em dinheiro e honrou-os, segundo suas
qualidades, com postos de comando e de governo. Desse modo, em poucos
meses, a devoção aos antigos senhores voltou-se toda para ele. Depois,
esperou a oportunidade de destruir ... A ocasião surgiu e ele soube usa-la
bem ... A ocasião surgiu e ele soube usa-la bem...perceberam, tardiamente,
que a grandeza do duque e da Igreja significariam a própria ruína. (1996: 46).

Como esta parte é digna de nota e de ser imitada, não quero deixa-la para trás.
Tendo conquistado a Romanha e vendo-a controlada por senhores ineptos, os
quais mais haviam espoliado do que governado os súditos, que haviam
fomentado a discórdia, tanto que a região estava cheia de latrocínios, de
disputas e de todo tipo de violência, julgou ser necessário, para torná-la
pacífica e obediente à sua autoridade, dar-lhe um bom governo. Confiou-a
Remirro de Orço, homem duro e decidido, ao qual deu plenos poderes. Este,
em pouco tempo, tornou-a pacífica e unida, conquistando ótima reputação.
Depois, julgou o duque não ser necessária uma autoridade tão forte, pois
acreditava que se tornaria odiosa. Entregou a Romanha a uma assembléia
civil, no meio da região, com um presidente de grande prestígio e onde cada
cidade contava com um representante. Por saber que os rigores passados
haviam gerado alguns ódios, para purgar a alma do povo e conquista-lo
inteiramente, quis demonstrar que se houvera alguma crueldade, não era de
responsabilidade sua, mas da natureza acerba do ministro. Tomando uma
oportunidade, mandou exibi-lo, certa manhã, em Cesena, cortado em dois, com
um pedaço de madeira e uma faca ensangüentada ao lado. A ferocidade do
espetáculo deixou o povo, ao mesmo tempo, satisfeito e estupefato (1996: 47-
48).

Os homens esquecem mais rápido a morte do pai do que a perda do


patrimônio. Por outro lado, não faltam ocasiões para depredar alguém. Aquele
que começa a viver da rapina sempre tem um pretexto para se apoderar dos
bens dos outros .(1996: 101).

CARACTERÍSTICAS DA POLITICAGEM: MALDADE, JOGO DE


INTERESSES, OPRESSÃO E FALSIDADE
As dificuldades que tem para conquistar o principado, em parte, nascem de
novas leis e novos costumes que são forçados a introduzir para fundar o
próprio governo e torna-lo seguro.Deve-se considerar que não há coisa mais
difícil de tratar, nem mais incerta de obter, nem mais perigosa de manejar, do
que tornar-se um chefe e introduzir novas leis, pois terá como inimigos todos os
que se beneficiavam das antigas leis e como defensores tíbios todos os que se
beneficiarão com as novas leis. Esta tibieza nasce, em parte, por medo dos
adversários, que tem a lei do lado deles, em parte, da incredulidade dos
homens, que, na verdade, não crêem nas coisas novas até verem nascer uma
firme experiência. Desse modo, sempre que os inimigos tiverem ocasião de
atacar, fazem-no com ardor partidário e os outros defendiam tibiamente. De
modo que, com eles, corre-se perigo (1996: 39)

É preciso entender que um príncipe, sobretudo um príncipe novo, não pode


observar todas as coisas pelas quais um homem é considerado bom,
necessitando muitas vezes agir contra a lealdade, a caridade, a humanidade, a
religião, para manter o Estado...O prícipe deve tomar muito cuidade para que
não saia da boca uma palavra que não esteja imbuída das cinco qualidades
acima citadas. Deve parecer, vendo-o e ouvindo-o repleto de clemência, de
leadade, de integridade, de humanidade, de religião. E não há coisa mais
necessária de se ter do que essa última qualidade. (1996: p. 107).
Os príncipes devem deixar que outros administrem as decisões impopulares,
mantendo para si os atos de graça. Mais uma vez, concluo que um príncipe
deve estimar os nobre, mas não fazer-se odiar pelo povo.(1996: 113).

Aqui deve-se notar que o ódio é conquistado seja com as boas obras como
com as más. Mas, como já disse antes, querendo manter o Estado, muitas
vezes, um príncipe é forçado a não ser bom. Quando o grupo, seja o povo, os
soldados ou os nobres, que julgas precisar para te manter é corrupto, convém
que te adaptes ao humor dele para satisfaze-lo. Nesse caso, as boas obras são
prejudiciais ( 1996: 114).

Ética e Qualidade de Vida

• Educação para uma Qualidade de Vida para todos

A vida é um fenômeno difícil de descrever. Tomada em seu conjunto, ela inclui


toda forma de vida no planeta: animais e vegetais. Desse conjunto faz parte a
vida do ser humano. Nesse sentido, a vida do ser humano tem uma profunda
inter-relação com tudo aquilo que lhe cerca. O ser humano não consegue viver
em uma redoma, isolado do resto do mundo. Ele está inserido nesta vida
maior, de amplitude interdependente. O ser humano é uma totalidade, isto é,
corpo e espírito. Algo inseparável. Por isso não basta ao ser humano respirar
para viver.

Assim qualidade de vida significa recuperar conceitos importantes como " reino
das necessidades", " reino da liberdade", onde prevalecem a justiça, a paz, a
alegria; onde o ser humano vence a fome, a doença, a ignorância, a servidão,
a angústia e o medo.

Para que a vida seja vida é necessário ao ser humano um espaço físico
( moradia, pátio, áreas comuns de lazer, áreas verdes); vestimenta e casa
compatíveis com o clima quente ou frio; alimentação constituída de vitaminas,
proteínas e calorias e livre de agrotóxicos; Ter pessoas ao seu redor ( família,
vizinhos, amigos, colegas de trabalho e lazer); espaço/lugar para amar, sorrir,
brincar e chorar, para externar tudo aquilo que está relacionado com a sua
vida; viver em liberdade, produzir cultura, consumir cultura, produzir arte e
consumir arte; Ter o direito de escolher o ligar de morar e os direitos de
trabalhar, estudar, aprender, formar, informa-se e Ter garantias de saúde e
proteção. Para que tudo isso seja concreto é preciso emprego, cuja
remuneração possibilite este desenvolvimento da vida.

Qualificar a qualidade significa, pois, multiplicar tudo aquilo a que a maioria dos
incluídos do mundo da economia neoliberal ou sistêmico tem acesso. Por isso
a busca pela qualidade não pode estar dissociada da qualidade, da capacidade
de alcançar os excluídos do sistema.

Esses conceitos de qualidade de vida são fundamentais e urgentes para


contraporem-se a essa sedução da qualidade total que invade todas as
instituições públicas e privadas, totalmente dissociada de um compromisso de
vida integral e global que respeite o conjunto deste planeta. Essa é a grande
tarefa da educação.

Mas para isso ela deve ser reconstruída dentro de um novo critério. Par
Marques,
" O critério básico para a aferição da qualidade da educação deve, assim, ser
buscado a partir de determinada política, isto é, das opções fundamentais
éticas que se tomem frente à função que se pretende desempenhe a educação
no espaço das lutas sociais mais amplas.
Radicalmente se trata de valores éticos: que tipo de sociedade queremos
construir e que tipo de cidadão queremos educar essa sociedade?" (1994,p.82-
3).

Fonte: Ahlert, Alvori. A Eticidade da Educação: o discurso de uma Práxis


Solidária/Universal. 2 ed. Rio Grande do Sul: Unijuí, 2003.