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Direito Administrativo para XXIII Exame OAB 2017

Teoria e exercícios comentados


Prof. Erick Alves Aula 13

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Teoria e exercícios comentados
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AULA 13
Olá pessoal!

O tema da aula de hoje é Intervenção do Estado na propriedade


privada. Estudaremos os seguintes assuntos:

SUMÁRIO

Intervenção do Estado na propriedade privada............................................................................................3


Modalidades de intervenção.....................................................................................................................................6
Servidão administrativa.............................................................................................................................................7
Requisição administrativa...................................................................................................................................... 12
Ocupação temporária............................................................................................................................................... 17
Limitações administrativas.................................................................................................................................... 19
Tombamento................................................................................................................................................................ 20
Desapropriação............................................................................................................................................................. 35
Bens desapropriáveis............................................................................................................................................... 37
Procedimento .............................................................................................................................................................. 39
Indenização .................................................................................................................................................................. 44
Imissão provisória na posse .................................................................................................................................. 46
Destino dos bens desapropriados....................................................................................................................... 46
Desapropriação sancionatória.............................................................................................................................. 46
Desapropriação indireta ......................................................................................................................................... 49
Direito de extensão ................................................................................................................................................... 51
Tredestinação.............................................................................................................................................................. 51
Retrocessão .................................................................................................................................................................. 52
RESUMÃO DA AULA..................................................................................................................................................... 76
Questões comentadas na aula............................................................................................................................... 76
Gabarito............................................................................................................................................................................. 90

Os temas desta aula estão entre os mais cobrados nas provas de


Direito Administrativo da OAB. Portanto, bastante atenção, especialmente
na parte sobre desapropriação. Para complementar o estudo, sugiro a
leitura do Decreto-Lei 3.365/1941, que dispõe sobre desapropriação.
Outro tópico importante da aula é o que aborda o tombamento.

Vamos lá?!

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INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE PRIVADA

Nesta aula estudaremos as principais modalidades de intervenção


do Estado na propriedade privada.
Mas, professor, como assim “intervenção” do Estado? O direito de
propriedade não é absoluto?
Pois bem, vamos por partes. De fato, à época dos Estados liberais
(séculos XVIII e XIX), o direito de propriedade era considerado absoluto.
Naquela época, da mesma forma que se pregava a ausência do Estado na
economia, também não se admitia a interferência estatal na propriedade
privada.
Porém, no século XX, esse entendimento começou a mudar. Passou-
se a considerar que o papel do Estado seria o de prover a sociedade com o
mínimo de conforto material, prestando-lhe serviços essenciais. Era o
período do Estado do bem-estar social. A partir de então, deixou-se de dar
tanta importância aos direitos de cada indivíduo para conferir maior
proteção aos interesses coletivos, de toda a sociedade. Por conseguinte,
passou-se a admitir que alguns direitos individuais, dentre eles o direito
de propriedade, pudessem ser mitigados ou restringidos em prol do
interesse da coletividade.
Na Constituição Federal, o direito de propriedade é reconhecido no
art. 5º, XII: “é garantido o direito de propriedade”. O dispositivo indica
que esse direito não poderá ser suprimido do nosso ordenamento jurídico,
mas, por outro lado, não impede que ele seja condicionado e limitado.
Em outras palavras, a propriedade não é mais um direito absoluto, como
ocorria na época medieval.
Com efeito, já no inciso seguinte do art. 5º, o texto constitucional
dispõe: “a propriedade atenderá a sua função social”. Ou seja, hoje, o
direito de propriedade só se justifica para atender a função social, vale
dizer, para proporcionar o bem-estar da coletividade em geral, e não
apenas do indivíduo que detém a posse do bem. Se a propriedade não
está atendendo a sua função social, o Estado deve intervir para amoldá-
la a essa qualificação, estabelecendo obrigações, limitações ou mesmo se
apropriando do bem, tudo com o intuito de impedir o uso egoístico e
antissocial da propriedade1.

1 Carvalho Filho (2014, p. 791).

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Como se nota, dois princípios fundamentais sustentam a possibilidade


de o Estado intervir na propriedade privada: a supremacia do interesse
público sobre o dos particulares e a função social da propriedade.
No que tange à supremacia do interesse público, o Estado,
quando intervém na propriedade de um particular, age de forma vertical,
ou seja, cria imposições que de alguma forma restringem ou até mesmo
impedem o uso da propriedade pelo seu dono. E faz isso exatamente pela
posição de supremacia que ostenta relativamente aos interesses privados,
com o intuito de defender o interesse público.
Em relação à função social, trata-se, na verdade, de um conceito
jurídico indeterminado. A Constituição, contudo, procurou dar-lhe alguma
objetividade em certas passagens.
No capítulo destinado à política urbana, diz a Constituição: “A
propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às
exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano
diretor” (art. 182, §2º). Portanto, no que tange à propriedade urbana,
o paradigma para a expressão da sua função social é o plano diretor do
Município. Por exemplo, o indivíduo adquire de um particular um terreno à
beira lago cuja destinação, no plano diretor do Município, é ser um espaço
para o lazer da população em geral, só que o novo proprietário coloca
uma cerca ao redor do terreno e resolve construir uma casa para sua
própria moradia. Nessa situação, a propriedade não está cumprindo sua
função social, mas apenas satisfazendo o interesse de seu proprietário, o
que autoriza a intervenção do Município. De fato, em caso de
descumprimento do plano diretor, a Constituição confere poderes
interventivos ao Município, os quais podem culminar na desapropriação do
bem (art. 182, §4º2), conforme veremos adiante.
Quanto à propriedade rural, a Constituição estabelece requisitos
mínimos para que se considere atendida a sua função social. Segundo o
art. 186, a função social é cumprida quando a propriedade rural atende,
simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos
em lei, aos seguintes requisitos:

2§ 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor,
exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado,
que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada
pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas,
assegurados o valor real da indenização e os juros legais.

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▪ Aproveitamento racional e adequado;

▪ Utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do


meio ambiente;
▪ Observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
▪ Exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.

Ademais, a CF considera que, automaticamente, há o cumprimento


da função social na pequena e média propriedade rural, bem como na
propriedade produtiva (art. 1853).
Caso a propriedade rural não cumpra a sua função social, a
Constituição autoriza a União a promover a respectiva desapropriação
por interesse social, para fins de reforma agrária (art. 184, caput4),
como também veremos na sequência da aula.
Ao condicionar o direito à propriedade ao atendimento da sua função
social, o texto constitucional, de um lado, assegura o direito do
proprietário, tornando inatacável sua propriedade caso ela esteja
cumprindo aquela função (o Estado tem o dever jurídico de respeitá-la
nessas condições), e, de outro, impõe ao proprietário o dever jurídico de
mantê-la ajustada à exigência constitucional, garantindo ao Estado
(abrangendo, aqui, todos os entes da Federação) o poder de intervenção
na propriedade que estiver em débito com a função social.
Na mesma linha, o Código Civil dispõe que o proprietário tem a
faculdade de “usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do
poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha” (art. 1.228).
Mas em seguida, faz a seguinte ressalva, condizente com o caráter social
da propriedade: “o direito de propriedade deve ser exercido em
consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo
que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei
especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico
e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar
e das águas” (art. 1.228, §1º). Por fim, o Código admite a perda da

3 Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:


I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra;
II - a propriedade produtiva.
Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o
cumprimento dos requisitos relativos a sua função social.
4 Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural

que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida
agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do
segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.

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propriedade por desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou


interesse social, bem como sua privação temporária na hipótese de
requisição, em caso de perigo público iminente (art. 1.228, §3º). Essas
disposições do Código Civil reforçam o sentido social da propriedade. Se o
proprietário não respeita essa função, nasce para o Estado o poder
jurídico de nela intervir e até de suprimi-la.
Resumindo essas noções, Carvalho Filho conceitua intervenção do
Estado na propriedade privada da seguinte forma:

Intervenção do Estado na propriedade privada: toda e qualquer


atividade estatal que, amparada em lei, tenha por fim ajustar a
propriedade aos inúmeros fatores exigidos pela função social a que está
condicionada.

Mas, como se dá a intervenção do Estado na propriedade privada? É


somente por meio da desapropriação ou existem outras formas? É o que
veremos em seguida.

MODALIDADES DE INTERVENÇÃO

Carvalho Filho ensina que existem duas formas básicas de


intervenção do Estado na propriedade, a saber:
 Intervenção restritiva
 Intervenção supressiva

A intervenção restritiva é aquela em que o Estado impõe restrições


e condicionamentos ao uso da propriedade, sem, no entanto, retirá-la de
seu dono. São modalidades de intervenção restritiva: servidão
administrativa, requisição, ocupação temporária, limitações
administrativas e tombamento.
A intervenção supressiva, por sua vez, é aquela em que o Estado,
valendo-se da supremacia que possui em relação aos indivíduos, transfere
coercitivamente para si a propriedade de terceiro, em virtude de algum
interesse público previsto na lei. Em outras palavras, o dono efetivamente
perde a sua propriedade em favor do Estado. A única modalidade de
intervenção supressiva é a desapropriação.

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pode o Estado fazê-lo em relação aos bens da União. Por outro lado
(desde que haja autorização legislativa), a União pode instituir servidão
em relação a bens estaduais e municipais, e o Estado em relação a bens
municipais. Na verdade, essa regra de “hierarquia” entre os entes
federados vale para todas as modalidades de intervenção que podem
incidir sobre bens públicos.
As servidões administrativas podem ser instituídas por meio de
acordo administrativo ou por sentença judicial. Por essa razão, diz-se
que, na servidão administrativa, não há autoexecutoriedade.
Pelo acordo administrativo, o Poder Público e o particular
proprietário do imóvel celebram um acordo formal permitindo que o
Estado utilize a propriedade para determinada finalidade de interesse
público. Esse acordo deve ser sempre precedido da declaração de
necessidade pública de instituir a servidão por parte do Estado. Essa
declaração é feita por meio de decreto do Chefe do Executivo.
Quando não há acordo entre as partes, a servidão pode ser instituída
por sentença judicial. O mais comum é o Poder Público entrar com ação
contra o proprietário. Mas também pode ocorrer o contrário, ou seja, o
proprietário entrar com ação contra o Poder Público caso, por exemplo, o
Estado passe a usar sua propriedade sem a instituição formal da servidão
e, consequentemente, sem lhe pagar a devida indenização.
Por falar em indenização, ela só é devida para ressarcir os danos
ou prejuízos causados pelo Poder Público durante o uso. Afinal, não
há transferência de propriedade. Portanto, se o Poder Público não
provocar nenhum dano ou prejuízo ao imóvel, o proprietário não fará jus a
qualquer indenização. Por outro lado, se houver prejuízo, o proprietário
deverá ser indenizado em montante equivalente ao prejuízo. E o ônus da
prova é do proprietário, ou seja, é ele quem deve demonstrar que o
Poder Público danificou seu imóvel e, por isso, lhe deve a indenização.
O prazo de prescrição para o particular pleitear indenização no caso
de servidão administrativa é de cinco anos, contados da efetiva restrição
imposta pelo Poder Público (Decreto-lei 3.365/1941, art. 10, parágrafo
único).
Sendo a servidão administrativa um direito real em favor do Poder
Público sobre a propriedade alheia, cabe inscrevê-la no Registro de
Imóveis para produzir efeitos erga omnes, ou seja, para assegurar o
conhecimento do fato por terceiros interessados.

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3. (FGV – OAB 2013) A fim de permitir o escoamento da produção até uma


refinaria, uma empresa pública federal, que explora a prospecção de petróleo em um
campo terrestre, inicia a construção de um oleoduto. O único caminho possível para
essa construção atravessa a propriedade rural de Josenildo que, em razão do
oleoduto, teve que diminuir o espaço de plantio de mamão e, com isso, viu sua
renda mensal cair pela metade.
Assinale a afirmativa que indica a instrução correta que um advogado deve passar a
Josenildo.
a) Não há óbice à constituição da servidão administrativa no caso, mas cabe
indenização pelos danos decorrentes dessa forma de intervenção na propriedade.
b) A servidão administrativa é ilegal e Josenildo pode desconstituí-la, pois o instituto
só tem aplicação em relação aos bens públicos.
c) A servidão administrativa é ilegal, pois o nosso ordenamento veda a intervenção
do Estado sobre propriedades produtivas.
d) Não há óbice à constituição da servidão administrativa e não há de se falar em
qualquer indenização.
Comentários: O caso ilustra uma situação típica de instituição de
servidão administrativa, que é a modalidade de intervenção utilizada quando o
Estado precisa utilizar a propriedade do particular para executar obras ou
prestar serviços de interesse coletivo. A servidão administrativa pode gerar o
direito de indenização ao proprietário, desde que provoque danos. No caso, a
renda mensal de Josenildo caiu pela metade em razão da servidão, ou seja, a
intervenção causou danos ao proprietário, de modo que a indenização é
devida. Detalhe é que a indenização deve ser prévia; sendo assim, antes de
instituir a servidão, o Poder Público deveria estimar o valor da perda de renda
de Josenildo em decorrência da intervenção e, com base nisso, pagar-lhe uma
indenização prévia. O ônus da prova, no caso, é do proprietário, ou seja, é
Josenildo quem deve pleitear a indenização, bastando, para tanto, demonstrar
que a servidão irá lhe causar prejuízo. Do exposto, é correto afirmar que “não
há óbice à constituição da servidão administrativa no caso, mas cabe
indenização pelos danos decorrentes dessa forma de intervenção na
propriedade” (alternativa “a”).
Nas opções “b” e “c”, a servidão administrativa é legal, e o instituto tem
aplicação em relação aos bens públicos e privados; aliás, é mais comum que a
servidão incida sobre bens privados. Já na alternativa “d”, o erro é que a
indenização é devida caso a servidão provoque danos ao proprietário.
Gabarito: alternativa “a”

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REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA

Requisição administrativa é a utilização coativa de bens e serviços


particulares pelo Estado em situação de perigo público iminente, com
indenização posterior, se houver dano.
A expressão-chave para a requisição, portanto, é “perigo público
iminente”, que é aquele perigo que não apenas coloca em risco a
coletividade, mas que também está prestes a acontecer.
Na Constituição Federal, o instituto está previsto em seu art. 5º,
XXV:

XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá


usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização
ulterior, se houver dano;

A requisição administrativa pode ser militar ou civil. A requisição


militar objetiva o resguardo da segurança interna e a manutenção da
soberania nacional, diante de conflito armado, comoção interna etc.; a
requisição civil, por sua vez, visa a evitar danos à vida, à saúde e aos
bens da coletividade, diante de inundação, incêndio, sonegação de
gêneros de primeira necessidade, epidemias, catástrofes etc5.
A requisição pode incidir sobre bens móveis e imóveis, assim como
sobre serviços particulares. Numa situação de iminente calamidade
pública, por exemplo, a Administração poderá requisitar o uso de imóvel
particular ou dos equipamentos e dos serviços médicos de um hospital
privado. Outros exemplos seriam a utilização de veículo particular pela
Polícia para a perseguição de criminosos ou o uso de uma escada
particular pelos Bombeiros para combater incêndio.
Diante da situação de perigo iminente, a requisição poderá ser
decretada de imediato, sem a necessidade de prévia autorização
judicial. Trata-se, portanto, de um ato autoexecutório. A única
condição é a existência do perigo público iminente e a observância das
formalidades legais quanto à competência para a prática do ato e ao
procedimento adequado.
A Constituição Federal estabelece que compete privativamente à
União legislar sobre requisições civis e militares, em caso de iminente
perigo e em tempo de guerra (art. 22, III). Tal competência, porém, é
apenas legislativa, ou seja, para editar leis sobre o assunto. De fato,

5 Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (2014, p. 1027).

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4. (FGV – OAB 2017) O Município Beta foi assolado por chuvas que provocaram
o desabamento de várias encostas, que abalaram a estrutura de diversos imóveis,
os quais ameaçam ruir, especialmente se não houver imediata limpeza dos terrenos
comprometidos. Diante do iminente perigo público a residências e à vida de
pessoas, o Poder Público deve, prontamente, utilizar maquinário, que não consta de
seu patrimônio, para realizar as medidas de contenção pertinentes.
Assinale a opção que indica a adequada modalidade de intervenção na propriedade
privada para a utilização do maquinário necessário.
A) Requisição administrativa.
B) Tombamento.
C) Desapropriação.
D) Servidão administrativa.
Comentários: A modalidade adequada de intervenção na propriedade
privada a ser aplicada no caso é a requisição administrativa, prevista no art. 5º,
XXV da Constituição Federal:
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de
propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver
dano;

Gabarito: alternativa “a”

5. (Cespe – DPU 2010) O poder público pode intervir na propriedade do particular


por atos que visem satisfazer as exigências coletivas e reprimir a conduta antissocial
do particular. Essa intervenção do Estado, consagrada na Constituição Federal, é
regulada por leis federais que disciplinam as medidas interventivas e estabelecem o
modo e a forma de sua execução, condicionando o atendimento do interesse público
ao respeito às garantias individuais previstas na Constituição. Acerca da intervenção
do Estado na propriedade particular, julgue o item subsequente.
No caso de requisição de bem particular, se este sofrer qualquer dano, caberá
indenização ao proprietário.
Comentário: A requisição administrativa consiste na utilização coativa de
bens e serviços particulares em situação de perigo público iminente, como um
conflito armado ou uma calamidade pública. A requisição só dá direito à
indenização se o Poder Público causar dano ao bem particular.
Gabarito: Certo

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perigo iminente, a requisição poderá ser decretada de imediato, sem a


necessidade de prévia autorização judicial.
b) ERRADA. A requisição é transitória, vale dizer, extingue-se tão logo
desapareça a situação de perigo. Ressalte-se que, com sua extinção, o bem ou
serviço retorna para o domínio total do particular; o item, portanto, erra ao
afirmar que Poder Público poderá destinar o imóvel para uso beneficente.
c) ERRADA. Di Pietro ensina que a requisição, em regra, é onerosa. De
fato, o proprietário terá direito à indenização se houver dano decorrente do
uso de seu bem ou serviço pelo Poder Público.
d) ERRADA. Como afirmado anteriormente, a requisição é transitória, e
não há transferência de propriedade para o Estado.
e) ERRADA. A requisição constitui ato autoexecutório, e, portanto,
independe do consentimento do proprietário.
Gabarito: alternativa “a”

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OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA

Ocupação temporária é a forma de intervenção pela qual o Poder


Público usa transitoriamente imóveis privados, como meio de apoio à
execução de obras e serviços públicos.
É o caso, por exemplo, de quando a Administração, em obras de
estradas, usa terreno particular como local para guardar máquinas e
equipamentos ou para montagem de barracas de operários. Ocorre
também quando o Poder Público usa escolas, clubes e outros
estabelecimentos privados como locais de votação nas eleições ou como
postos de vacinação nas campanhas públicas.
Detalhe é que a ocupação temporária só incide sobre bem imóvel.
A instituição da ocupação temporária é ato autoexecutório, ou seja,
não depende de prévia autorização do Poder Judiciário.
Já a sua extinção dá-se com a conclusão da obra ou serviço pelo
Poder Público, ou seja, com o fim da necessidade que lhe deu causa.
Na ocupação temporária, assim como na servidão e na requisição, a
indenização também é condicionada à ocorrência de prejuízo ao
proprietário, ou seja, em princípio não haverá indenização alguma; esta
só será devida se o uso do bem particular acarretar prejuízo ao seu
proprietário7.
Ocorre em cinco anos a prescrição para que o proprietário postule
indenização pelos prejuízos decorrentes da ocupação temporária.

7 Há casos em que a ocupação temporária incide sobre terrenos vizinhos a obras públicas vinculadas ao

processo de desapropriação. Nestes casos, a ocupação temporária será sempre indenizada,


independentemente de dano. É o que dispõe o art. 36 do Decreto 3.365/1941, que trata da desapropriação
por utilidade pública: É permitida a ocupação temporária que será indenizada afinal por ação própria de
terrenos não edificados vizinhos às obras e necessários à sua realização .

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LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS

Limitações administrativas são determinações de caráter geral,


previstas em lei ou em ato normativo, por meio das quais o Poder
Público impõe a proprietários indeterminados obrigações de fazer
(obrigações “positivas”), ou obrigações de deixar de fazer alguma coisa
(obrigações “negativas”, ou de “não fazer” ou de “permitir”), com a
finalidade de assegurar que a propriedade atenda sua função social.
No caso das limitações administrativas, o Poder Público não pretende
realizar qualquer obra ou serviço público. Pretende, ao contrário,
condicionar as propriedades à função social que delas é exigida, ainda que
contrariando o interesse individual dos respectivos proprietários.
São exemplos de limitações administrativas: a obrigação de observar
o recuo de alguns metros das construções em terrenos urbanos; a
proibição de desmatamento de parte da área de floresta em propriedade
rural; proibição de construir além de determinado número de pavimentos;
a obrigatoriedade de permitir vistorias em elevadores de edifícios ou o
ingresso de agentes para fins de vigilância sanitária etc.
Como se nota, as limitações administrativas possuem fundamento no
poder de polícia do Estado.
As limitações administrativas podem incidir tanto sobre bens
imóveis como sobre quaisquer outros bens e atividades
particulares.
Devem ser sempre gerais, dirigidas a propriedades
indeterminadas, e jamais a algum particular específico. Geralmente, têm
origem em leis e atos normativos de natureza urbanista.
Sendo imposições de caráter geral, dirigida a pessoas
indeterminadas, as limitações administrativas, de regra, não afetam
diretamente o direito subjetivo de alguém, razão pela qual não dão
ensejo à indenização em favor dos proprietários. Com efeito, os
prejuízos eventualmente ocorridos não são individualizados, mas sim
gerais, devendo ser suportados pelos prejudicados em favor da
coletividade.

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O patrimônio cultural brasileiro é constituído por bens de natureza


material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto,
portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes
grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem (CF,
art. 216):
▪ as formas de expressão;

▪ os modos de criar, fazer e viver;

▪ as criações científicas, artísticas e tecnológicas;


▪ as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados
às manifestações artístico-culturais;

▪ os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico,


arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Pelo tombamento, o Poder Público protege bens que são considerados


de valor histórico ou artístico, determinando a sua inscrição nos chamados
Livros do Tombo. Como consequência dessa medida, o bem, ainda que
pertencente a particular, passa a ser considerado bem de interesse
público, sujeitando o seu titular a uma série de restrições. Ou seja, no
tombamento, da mesma forma que nas demais modalidades de
intervenção já estudadas, os bens não passam para a propriedade do
Poder Público, mas apenas sofrem restrições e condicionamentos no seu
uso.
Geralmente, os bens tombados são imóveis que retratam a
arquitetura de épocas passadas. Mas também é comum o tombamento de
bairros ou até mesmo de cidades, quando retratam aspectos culturais da
nossa História. O tombamento pode ainda recair sobre bens móveis,
como documentos textuais e acervos de museus.
Detalhe é que o tombamento também pode incidir sobre
bens públicos, vale dizer, bens pertencentes às pessoas políticas (União,
Estados, DF e Municípios).
Não estão sujeitas ao tombamento as seguintes obras de origem
estrangeira (Decreto-lei 25/1937, art. 3º):
▪ que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas
no país;
▪ que adornem quaisquer veículos pertencentes a empresas estrangeiras,
que façam carreira no país;
▪ que pertençam a casas de comércio de objetos históricos ou artísticos;

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▪ que sejam trazidas para exposições comemorativas, educativas ou


comerciais:
▪ que sejam importadas por empresas estrangeiras expressamente para
adorno dos respectivos estabelecimentos.

Ressalte-se que os bens estrangeiros que não atendam a esses


requisitos podem ser objeto de tombamento.
A competência para legislar sobre a proteção ao patrimônio
histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico é concorrente entre a
União, os Estados e o Distrito Federal – os Municípios não estão
incluídos (CF, art. 24, VII).
Aos Municípios foi dada a atribuição de “promover a proteção do
patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação
fiscalizadora federal e estadual” (CF, art. 30, IX). Vale dizer, os Municípios
não têm competência legislativa nessa matéria 8 , mas devem utilizar os
instrumentos de proteção previstos na legislação federal e estadual.
O tombamento pode ser voluntário ou compulsório.
Ocorre o tombamento voluntário sempre que o processo for
provocado pelo próprio proprietário ou sempre que este consentir com a
proposta feita pelo Poder Público. Já o tombamento compulsório é feito
por iniciativa do Poder Público, mesmo contra a vontade do proprietário.
O tombamento pode, ainda, ser provisório ou definitivo.
Será provisório enquanto está em curso o processo instaurado pela
notificação do Poder Público, e definitivo quando, depois de concluído o
processo, o Poder Público procede à inscrição do bem como tombado, nos
respectivos registros oficiais. Para todos os efeitos, o tombamento
provisório se equiparará ao definitivo (exceto quanto ao registro nos
livros oficiais, que somente é feito por ocasião do tombamento definitivo).
Outra classificação do tombamento, quanto aos destinatários,
considera o individual, que atinge um bem determinado, e o geral, que
atinge todos os bens situados em um bairro ou cidade.
O tombamento é promovido mediante ato administrativo do Poder
Executivo. Tal ato deve ser sempre precedido de processo

8 Carvalho Filho ensina que a legislação federal e estadual poderá ser suplementada, no que couber, pela
legislação municipal, por força do art. 30, II da CF.

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administrativo no qual se assegure ao proprietário o direito ao


contraditório e à ampla defesa. Neste processo são obrigatórios9:
▪ O parecer do órgão técnico cultural (na esfera federal, é o Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN);
▪ A notificação ao proprietário, que poderá manifestar-se anuindo com o
tombamento ou impugnando a intenção do Poder Público de decretá-lo;
▪ Decisão do Conselho Consultivo da pessoa incumbida do tombamento,
após as manifestações dos técnicos e do proprietário. A decisão poderá ser
pela anulação do processo, se houver ilegalidade, pela rejeição da
proposta de tombamento ou pela homologação da proposta;
▪ Possibilidade de interposição de recurso pelo proprietário, contra o
tombamento, a ser dirigido ao chefe do Poder Executivo.

O tombamento produz diversos efeitos, especialmente sobre a


alienação, as transformações, a conservação e a fiscalização do
bem tombado. Os principais efeitos do tombamento são:
▪ É vedado ao proprietário, ou ao titular de eventual direito de uso, destruir,
demolir ou mutilar o bem tombado;
▪ O proprietário somente poderá reparar, pintar ou restaurar o bem após a
devida autorização do Poder Público;

▪ O proprietário deverá conservar o bem tombado para mantê-lo dentro de


suas características culturais; se não tiver para tanto, deverá comunicar
sua necessidade ao órgão competente;
▪ Independentemente de solicitação do proprietário, pode o Poder Público,
no caso de urgência, providenciar as obras de conservação;
▪ Os proprietários dos imóveis vizinhos não podem, sem a autorização do
Poder Público, fazer construção que impeça ou reduza a visibilidade do
imóvel tombado, nem nele colocar anúncios ou cartazes;
▪ O tombamento do bem não impede o proprietário de gravá-lo por meio de
penhor, anticrese ou hipoteca;

▪ No caso de leilão judicial do bem tombado, o Poder Público (União,


Estado e Município, nesta ordem) tem direito de preferência.

Por este último item, repare que não é vedada a alienação do


bem particular tombado. Porém, se essa alienação for feita em leilão
judicial (por exemplo, para executar uma dívida do proprietário), a
União, o Estado e o Município onde se situe – nesta ordem – terão direito
de preferência na arrematação, em igualdade de oferta (NCPC, art. 892,

9 Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo (2014, p. 1033-1034).

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12. (FGV – OAB 2010) Acerca do tombamento, como uma das formas de o Estado
intervir na propriedade privada, os proprietários passam a ter obrigações negativas
que estão relacionadas nas alternativas a seguir, à exceção de uma. Assinale-a.
(A) Os proprietários são obrigados a colocar os seus imóveis tombados à disposição
da Administração Pública para que possam ser utilizados como repartições públicas,
quando da necessidade imperiosa de utilização, a fim de suprir a prestação de
serviços pelo Estado de forma eficiente.
(B) Os proprietários são obrigados a suportar a fiscalização dos órgãos
administrativos competentes.
(C) Os proprietários não podem destruir, demolir ou mutilar o bem imóvel e somente
poderão restaurá-lo, repará-lo ou pintá-lo após a obtenção de autorização especial
do órgão administrativo competente.
(D) Os proprietários não podem alienar os bens, ressalvada a possibilidade de
transferência para uma entidade pública.
Comentários: vamos analisar cada alternativa à luz do DL 25/1937:
a) ERRADA. O tombamento é uma modalidade de intervenção restritiva,
ou seja, o proprietário permanece na posse do bem, podendo dele usufruir,
ainda que com algumas restrições e condicionamentos. Tais restrições e
condicionamentos, todavia, não incluem colocar o imóvel à disposição da
Administração Pública para que possam ser utilizados como repartições
públicas. Tal forma de intervenção está mais para uma ocupação temporária
ou uma requisição administrativa. No tombamento, ao contrário, a finalidade é
proteger bens que possuem valor cultural, histórico, artístico, científico,
turístico e paisagístico.
b) CERTA, nos termos do art. 20 do aludido decreto-lei:
Art. 20. As coisas tombadas ficam sujeitas à vigilância permanente do Serviço do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que poderá inspecioná-los sempre que fôr
julgado conveniente, não podendo os respectivos proprietários ou responsáveis criar
obstáculos à inspeção, sob pena de multa de cem mil réis, elevada ao dôbro em caso
de reincidência.
c) CERTA, conforme o art. 17 da referida norma:
Art. 17. As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum ser destruidas, demolidas
ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico
e Artistico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de
cincoenta por cento do dano causado.
d) ERRADA. Os proprietários podem sim alienar os bens tombados, não
havendo limitação de transferência apenas a entidades públicas. A única
limitação que existe, na verdade, é a obrigação de se dar direito de preferência
ao Poder Público caso a alienação seja feita em leilão judicial. Mas se o Poder
Público não desejar adquirir o bem, o particular poderá aliená-lo a outro
particular. Por outro lado, os bens públicos tombados são inalienáveis, e só

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poderão ser transferidas de um ente público a outro. Repare, contudo, que o


item não faz qualquer referência à qualificação dos bens, não sendo possível
presumir que ele se refere aos bens públicos. Enfim, como a alternativa “d”
também está errada, assim como a alternativa “a”, que foi o gabarito preliminar
da questão, a banca resolver anular o quesito.
Gabarito: anulada

13. (FGV – OAB 2011) Com relação à intervenção do Estado na propriedade,


assinale a alternativa correta.
(A) A requisição administrativa é uma forma de intervenção supressiva do Estado na
propriedade que somente recai em bens imóveis, sendo o Estado obrigado a
indenizar eventuais prejuízos, se houver dano.
(B) A limitação administrativa é uma forma de intervenção restritiva do Estado na
propriedade que consubstancia obrigações de caráter específico e individualizados a
proprietários determinados, sem afetar o caráter absoluto do direito de propriedade.
(C) A servidão administrativa é uma forma de intervenção restritiva do Estado na
propriedade que afeta as faculdades de uso e gozo sobre o bem objeto da
intervenção, em razão de um interesse público.
(D) O tombamento é uma forma de intervenção do Estado na propriedade privada
que possui como característica a conservação dos aspectos históricos, artísticos,
paisagísticos e culturais dos bens imóveis, excepcionando-se os bens móveis.
Comentários: vamos analisar cada alternativa:
a) ERRADA. A requisição administrativa é uma forma de intervenção
restritiva, e não supressiva. Ademais, a requisição pode incidir sobre bens
móveis e imóveis, e não apenas sobre bens imóveis. De qualquer forma, é
certo que o Estado é obrigado a indenizar eventuais prejuízos, se houver dano.
b) ERRADA. De fato, a limitação administrativa é uma forma de
intervenção restritiva do Estado na propriedade, mas ela consubstancia
obrigações de caráter geral, direcionadas a proprietários indeterminados,
jamais a algum particular específico.
c) CERTA. Na verdade, o item apresenta uma definição abrangente de
intervenção restritiva do Estado na propriedade, que se aplica a todas as
modalidades, inclusive à servidão administrativa.
d) ERRADA. De fato, o tombamento é uma forma de intervenção do
Estado na propriedade privada que possui como característica a conservação
dos aspectos históricos, artísticos, paisagísticos e culturais dos bens. O erro é
que ele pode incidir tanto sobre bens móveis como imóveis.
Gabarito: alternativa “c”

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14. (FGV – OAB 2012) O Município Y promove o tombamento de um antigo bonde,


já desativado, pertencente a um colecionador particular. Nesse caso,
a) o proprietário pode insurgir se contra o ato do tombamento, uma vez que se trata
de um bem móvel.
b) o proprietário fica impedido de alienar o bem, mas pode propor ação visando a
compelir o Município a desapropriar o bem, mediante remuneração.
c) o proprietário poderá alienar livremente o bem tombado, desde que o adquirente
se comprometa a conservá lo, de conformidade com o ato de tombamento.
d) o proprietário do bem, mesmo diante do tombamento promovido pelo Município,
poderá gravá lo com o penhor.
Comentários: vamos analisar cada alternativa:
a) ERRADA. O tombamento pode incidir sobre bens móveis ou imóveis.
Portanto, esse não é motivo para o proprietário se insurgir contra o
tombamento.
b) ERRADA. O proprietário não fica impedido de alienar o bem tombado.
A única restrição é que, caso a alienação se dê em leilão judicial, deve
conceder direito de preferência ao Poder Público na aquisição (União, Estado e
Município, nessa ordem).
c) ERRADA. Sob a vigência do antigo CPC, o proprietário não poderia
alienar livremente o bem tombado, pois deveria dar direito de preferência ao
Poder Público na aquisição, em qualquer hipótese. Daí, portanto, o gabarito do
item. Contudo, é importante atentar que, após a entrada em vigor do Novo
CPC, o direito de preferência passou a ser obrigatório apenas se a alienação
ocorrer em leilão judicial. Assim, caso a alienação ocorra extrajudicialmente, o
direito de preferência não precisará ser assegurado.
d) CERTA, nos termos do art. 22, §3º do DL 25/1937:
§ 3º O direito de preferência não inibe o proprietário de gravar livremente a coisa
tombada, de penhor, anticrese ou hipoteca.

Ressalte-se que esse dispositivo foi expressamente revogado pelo Novo


CPC.
Gabarito: alternativa “d”

15. (ESAF – PGFN 2007) Com relação aos bens públicos analise os itens a seguir:
I. as margens dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis de
expropriação e, por isso mesmo, excluídas de indenização.
II. servidão de trânsito não-titulada, mas tornada permanente, sobretudo pela
natureza das obras realizadas, considera-se não-aparente, não conferindo direito à

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proteção possessória.
III. uma das características das servidões públicas é a perpetuidade, entretanto, a
coisa dominante também se extingue caso seja desafetada, não podendo extinguir-
se pela afetação.
IV. em regra não cabe direito à indenização quando a servidão decorre diretamente
da lei.
V. o tombamento pode atingir bens de qualquer natureza: móveis ou imóveis,
materiais ou imateriais, públicos ou privados.
Assinale a opção correta.
a) Apenas os itens II e III estão incorretos.
b) Apenas os itens I e II estão corretos.
c) Apenas o item III está incorreto.
d) Apenas o item I está correto.
e) Todos os itens estão incorretos.
Comentários: Vamos analisar cada assertiva:
I) CORRETA. Trata-se da transcrição da Súmula 479 do STF:
Súmula 479 – STF: As margens dos rios navegáveis são de domínio público,
insuscetíveis de expropriação e, por isso mesmo, excluídas de indenização.
II) INCORRETA. A resposta está na Súmula 415 do STF
Súmula 415 – STF: Servidão de trânsito não titulada, mas tornada permanente,
sobretudo pela natureza das obras realizadas, considera-se aparente, conferindo
direito à proteção possessória.

Em suma, servidão de trânsito é aquela que incide sobre uma área


destinada a servir de passagem de um imóvel para outro. Segundo a
jurisprudência do STF, a servidão de trânsito pode ser adquirida por
usucapião, sobretudo se o usuário tiver realizado melhorias na passagem,
como uma pavimentação.
III) INCORRETA. De fato, uma das características das servidões é a
perpetuidade, no sentido de que perduram enquanto subsiste a necessidade
do Poder Público e a utilidade do imóvel objeto da servidão. Cessada esta ou
aquela, extingue-se a servidão. Por outras palavras, conforme ensina Maria
Sylvia Di Pietro, “se a coisa dominante perder a sua função pública, a servidão
desaparece”. “Coisa dominante”, no caso, é o imóvel sobre o qual incide a
servidão. A autora ensina, ainda, que a servidão “também se extingue se a
coisa dominante for desafetada ou for afetada a fim diverso para o qual não
seja necessária a servidão”. Exemplo: de acordo com o Decreto-lei 3.437/1941,

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incide servidão administrativa sobre as áreas em torno de fortificações


militares (é proibido construir nessas áreas); se as instalações utilizadas como
fortificações passam a ter fim diverso, ou seja, se forem desafetadas ou
afetadas a fim diverso (ex: passam a ser utilizadas como um hospital), as
servidões administrativas correspondentes cessarão.
IV) CORRETA. Segundo Maria Sylvia Si Pietro, “não cabe direito à
indenização quando a servidão decorre diretamente da lei, porque o sacrifício
é imposto a toda uma coletividade de imóveis que se encontram na mesma
situação. Somente haverá direito à indenização se um prédio sofrer prejuízo
maior, por exemplo, se tiver de ser demolido”. Por outro lado, ressalte-se que,
quando a servidão decorre de contrato ou de decisão judicial, incidindo sobre
imóveis determinados, a regra é a indenização, desde que a servidão tenha
causado dano ao bem.
V) CORRETA. Como observa Maria Sylvia Di Pietro, “o tombamento pode
atingir bens de qualquer natureza: móveis ou imóveis, materiais ou imateriais,
públicos ou privados”.
Gabarito: alternativa “a”

16. (ESAF – DNIT 2013) A respeito do tombamento e considerando a


jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acerca do tema, assinale a opção
incorreta.
a) Cabe ao proprietário a responsabilidade pela conservação e manutenção do bem
tombado.
b) É atribuição do Instituto de Patrimônio Histórico Nacional fiscalizar e proteger o
patrimônio histórico e cultural no uso regular de seu poder de polícia.
c) O Estado, em situação de emergência, somente tem obrigação de providenciar o
início dos trabalhos necessários à conservação do bem tombado após a
comunicação do proprietário.
d) A ação civil pública pode ser intentada para proteger os bens de valor histórico.
e) Na comprovação de incapacidade econômico-financeira do proprietário, compete
ao Poder Público o encargo de conservar e reparar o bem tombado.
Comentários:
a) CERTA. A princípio, compete ao proprietário o dever de conservar o
bem tombado para mantê-lo dentro de suas características culturais, salvo
quando provada a ausência de condições financeiras. Mas, se não dispuser de
recursos para proceder a obras de conservação e reparação, deve
necessariamente comunicar o fato ao órgão que decretou o tombamento, o
qual mandará executá-las a suas expensas. Independentemente dessa

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comunicação, no entanto, o Estado, em caso de urgência, tem o poder de


tomar a iniciativa de providenciar as obras de reparação. Vamos ver um
julgado do STJ sobre o tema (AREsp 176140 / BA):
PROCESSUAL. ADMINISTRATIVO. IMÓVEL TOMBADO. REPARAÇÃO. AUSÊNCIA
DE CONDIÇÕES ECONÔMICO-FINANCEIRA DO PROPRIETÁRIO NÃO
DEMONSTRADA. REVISÃO. SÚMULA 07/STJ.
1. A responsabilidade de reparar e conservar o imóvel tombado é, em princípio,
do proprietário Tal re pon abilidade é elidida quando ficar demon trado que o
proprietário não dispõe de recurso para proceder à reparação. Precedentes.
2. O acórdão recorrido concluiu pela inexistência de comprovação da incapacidade
econômico-financeira da ora agravante para a realização das obras emergenciais
indicadas pelo Iphan, a fim de evitar o desabamento do imóvel após o incêndio
ocorrido em 29/4/2003.
3. No caso, acolher-se a tese da recorrente acerca da sua incapacidade arcar com os
custos econômico-financeiros de reparar o imóvel tombado em questão exige análise
de fatos e provas.
4. Não cabe ao STJ, no recurso especial, rever a orientação adotada pelo aresto
recorrido quando tal procedimento exige perquirir o conjunto fático-probatório dos
autos. Inteligência da Súmula 07/STJ.
5. Agravo regimental não provido.

b) CERTA. O IPHAN é uma autarquia federal competente para fiscalizar e


proteger o patrimônio histórico e cultural. Para tanto, utiliza o poder de polícia.
c) ERRADA. Como sobredito, em caso de urgência, poderá o Estado
tomar a iniciativa de realizar a manutenção do bem, independentemente da
comunicação do proprietário. É o que está previsto no art. 19, §3º do Decreto-
lei 25/37:
§ 3º Uma vez que verifique haver urgência na realização de obras e conservação ou
reparação em qualquer coisa tombada, poderá o Serviço do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional tomar a iniciativa de projetá-las e executá-las, a expensas da União,
independentemente da comunicação a que alude êste artigo, por parte do proprietário.

d) CERTA. Como fundamento, vamos trazer mais um julgado do STJ


(REsp 1013008 MA):
Ementa: ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
TOMBAMENTO. 1. É da responsabilidade do proprietário o dever de conservar o
bem tombado para mantê-lo com as características culturais que o compõem
desde a origem. 2. Na ausência de recursos para conservar o bem tombado,
obriga-se o proprietário a comunicar ao órgão competente que decretou o
tombamento para arcar com as despesas necessárias à sua conservação. 3. O
Estado, em situação de emergência, mesmo sem comunicação do proprietário, tem a
obrigação de providenciar o imediato início dos trabalhos necessários para a

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conservação do bem tombado. 4. A ação civil pública pode ser intentada para
proteger os bens de valor histórico. 5. Recurso especial conhecido, porém, não-
provido.

e) CERTA. Como consta na ementa do julgado acima “na ausência de


recursos para conservar o bem tombado, obriga-se o proprietário a comunicar
ao órgão competente que decretou o tombamento para arcar com as despesas
necessárias à sua conservação”.
Gabarito: alternativa “c”

17. (ESAF – DNIT 2013) Segundo o Decreto-Lei N. 25, de 30 de novembro de


1937, “constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens
móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público,
quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu
excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico (artigo 1º)”.
Entre as afirmativas abaixo, sobre o patrimônio histórico e artístico brasileiro e sobre
o Decreto-Lei N. 25, 30/11/37, assinale a opção correta.
a) Não são sujeitos a tombamento sítios naturais e as paisagens.
b) Estão incluídas ao patrimônio histórico e artístico nacional as obras de origem
estrangeira que pertençam às representações diplomáticas ou consulares
acreditadas no país.
c) O tombamento de coisa pertencente à pessoa natural ou à pessoa jurídica de
direito privado se fará somente de forma voluntária.
d) As coisas tombadas, que pertençam à União, aos Estados ou aos Municípios,
inalienáveis por natureza, só poderão ser transferidas de uma à outra das referidas
entidades.
e) A coisa tombada não poderá sair do Brasil.
Comentários:
a) ERRADA. Segundo o Decreto-lei 25/37, os sítios naturais e as
paisagens também estão sujeitos a tombamento:
Art. 1º Constitue o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis
e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interêsse público, quer por
sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional
valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.
§ 1º Os bens a que se refere o presente artigo só serão considerados parte integrante
do patrimônio histórico o artístico nacional, depois de inscritos separada ou
agrupadamente num dos quatro Livros do Tombo, de que trata o art. 4º desta lei.
§ 2º Equiparam-se aos bens a que se refere o presente artigo e são também
sujeitos a tombamento os monumentos naturais, bem como os sítios e
paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham

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sido dotados pelo natureza ou agenciados pelo indústria humana.

b) ERRADA. Tais obras estrangeiras estão excluídas do patrimônio


histórico e artístico nacional, ou seja, não podem ser objeto de tombamento,
nos termos do art. 3º do Decreto-lei 25/37:
Art. 3º Exclúem-se do patrimônio histórico e artístico nacional as obras de
orígem estrangeira:
1) que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas no
país;
2) que adornem quaisquer veiculos pertecentes a emprêsas estrangeiras, que façam
carreira no país;
3) que se incluam entre os bens referidos no art. 10 da Introdução do Código Civíl, e
que continuam sujeitas à lei pessoal do proprietário;
4) que pertençam a casas de comércio de objetos históricos ou artísticos;
5) que sejam trazidas para exposições comemorativas, educativas ou comerciais:
6) que sejam importadas por emprêsas estrangeiras expressamente para adôrno dos
respectivos estabelecimentos.

c) ERRADA. O tombamento poderá ser feito de forma voluntária ou


compulsória:
Art. 6º O tombamento de coisa pertencente à pessôa natural ou à pessôa jurídica de
direito privado se fará voluntária ou compulsóriamente.

d) CERTA. Os bens públicos tombados são inalienáveis, mas podem ser


transferidos de um para outro ente da Federação. É o que prevê o art. 11 do
Decreto-lei 25/37:
Art. 11. As coisas tombadas, que pertençam à União, aos Estados ou aos Municípios,
inalienáveis por natureza, só poderão ser transferidas de uma à outra das
referidas entidades.
e) ERRADA. Nos termos do art. 14 do Decreto-lei 25/37, “a coisa tombada
não poderá saír do país, senão por curto prazo, sem transferência de domínio
e para fim de intercâmbio cultural, a juízo do Conselho Consultivo do Serviço
do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional”.
Gabarito: alternativa “d”

18. (Cespe – TJ/RR 2013) No que se refere ao tombamento, assinale a opção


correta.
a) A partir do tombamento, o bem torna-se inalienável.
b) A partir do tombamento, o bem somente poderá ser alienado à União, se ela for a
instituidora do gravame.
c) O tombamento de bens de valor histórico ou artístico é de competência privativa

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DESAPROPRIAÇÃO

Desapropriação ou expropriação é o procedimento administrativo


pelo qual o Poder Público transfere para si a propriedade de terceiro, por
razões de utilidade pública, de necessidade pública ou de interesse social,
mediante o pagamento de prévia e justa indenização.
Na Constituição Federal, a desapropriação está prevista no art. 5º,
XXIV:

XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por


necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e
prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta
Constituição;

Da leitura do dispositivo constitucional, ganham destaque os


possíveis pressupostos da desapropriação:
 Necessidade pública ou utilidade pública;
 Interesse social.

A necessidade pública ocorre quando há uma situação de


emergência cuja solução requeira a transferência da propriedade do bem
para o Poder Público. Por exemplo, numa calamidade pública, pode ser
necessário desapropriar imóveis que estejam em situação de risco.
Diversamente, na utilidade pública a transferência do bem é
conveniente e vantajosa ao interesse coletivo, mas não imprescindível. Ou
seja, não há uma situação de emergência que imponha o ato
expropriatório. Exemplo de utilidade pública seria a desapropriação de um
imóvel para a construção de uma escola ou para a abertura de vias
públicas.
Por sua vez, o interesse social ocorre quando as circunstâncias
impõem a distribuição ou o condicionamento da propriedade para seu
melhor aproveitamento, utilização ou produtividade em benefício da
coletividade ou de categorias sociais merecedoras de amparo específico do
Poder Público. Em outras palavras, na desapropriação por interesse social,
busca-se realçar a função social da propriedade, mediante a transferência
do domínio do bem. Como exemplo, pode-se citar a desapropriação de
terras rurais para fins de reforma agrária ou assento de colonos. Convém
assinalar, desde logo, que os bens desapropriados por interesse social não
se destinam à Administração, mas sim à coletividade ou a certos
beneficiários que a lei credencia para recebe-los e utiliza-los

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BENS DESAPROPRIÁVEIS

Em regra, todos os bens poderão ser desapropriados, incluindo bens


móveis ou imóveis, corpóreos ou incorpóreos, públicos ou privados,
até mesmo o espaço aéreo e o subsolo10.
Com relação aos bens públicos, existem duas exigências (Decreto-
lei 3.365/1941, art. 2º, §2º):
▪ Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios
poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados;
▪ Em qualquer caso, a desapropriação de bem público deve ser precedida de
autorização legislativa, emanada do ente que a está promovendo, e não
do que está sofrendo a desapropriação.

A primeira exigência implica dizer que a entidade política “maior” ou


“central” (isto é, a que representa os interesses mais abrangentes, quais
sejam, nacional, regional e local, nesta ordem) pode desapropriar bens da
entidade política “menor” ou “local” (que representa os interesses menos
abrangentes), mas o inverso não é possível.
Por exemplo, a União pode desapropriar um bem público estadual,
mas o Estado não pode desapropriar um bem público federal, embora
possa expropriar um bem público municipal, desde que se trate de um
Município situado no seu território.
Disso decorre que os bens públicos federais são inexpropriáveis e que
os Estados não podem desapropriar os bens de outros Estados ou de
Municípios situados em outros Estados, nem os Municípios podem
desapropriar bens de outras entidades federativas.
Essas regras também valem para os bens pertencentes às entidades
da administração indireta vinculadas a cada um dos entes federados,
inclusive no caso das entidades cujos bens se classificam formalmente
como bens privados (fundações públicas de direito privado, empresas
públicas e sociedades de economia mista).
Assim, por exemplo, um Estado não pode desapropriar os bens de
uma autarquia da União, mas pode desapropriar os bens de uma empresa
pública vinculada a um Município situado em seu território.
O art. 2º, §3º do Decreto-lei 3.365/1941 dispõe que é vedada a
desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios de
ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e
10 DL 3.365/1941, art. 2o, §1º A desapropriação do espaço aéreo ou do subsolo só se tornará necessária,
quando de sua utilização resultar prejuizo patrimonial do proprietário do solo

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empresas cujo funcionamento dependa de autorização do Governo Federal


e se subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização,
por decreto do Presidente da República.
Amparados nessa previsão legal, a doutrina e a jurisprudência
construíram o entendimento de que um Município ou um Estado pode
desapropriar bens de uma entidade da administração indireta
vinculada à União, desde que haja prévia autorização do Presidente
da República, concedida mediante decreto. Da mesma forma, um
decreto estadual pode autorizar um Município situado no respectivo
território a desapropriar bens de entidades administrativas vinculadas ao
Estado.
Em regra, um ente federado “menor” não pode
desapropriar os bens de entidades da
administração indireta vinculadas a um ente
federado “maior”, salvo se houver autorização do
chefe do Poder Executivo do ente “maior”,
mediante decreto.

É importante anotar que, de maneira semelhante, os bens de uma


pessoa privada (não integrante da Administração Pública) que seja
delegatária de um serviço público de titularidade de um ente federado
“maior” não podem ser desapropriados por um ente “menor”, salvo se o
ente “maior” autorizar a desapropriação, mediante decreto. O detalhe é
que, nessa hipótese, a vedação só alcança os bens da delegatária
efetivamente empregados na prestação do serviço público; dizendo
de outra forma, o decreto de autorização não é necessário para a
desapropriação de bens não empregados na prestação do serviço.
Ainda com relação ao objeto da desapropriação, cabe assinalar que
determinados tipos de bens não podem ser objeto de desapropriação, a
exemplo da moeda corrente do País e dos chamados direitos
personalíssimos, como a honra, a liberdade e a cidadania.

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Direito Administrativo para XXIII Exame OAB 2017
Teoria e exercícios comentados
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PROCEDIMENTO

A doutrina classifica a desapropriação como forma originária de


aquisição de propriedade, porque não provém de nenhum título
anterior, vale dizer, nasce de uma relação direta entre o expropriante e o
bem expropriado, sem a intervenção de um terceiro.
Por essa razão, o bem expropriado torna-se insuscetível de
reinvindicação, ou seja, não pode ninguém aparecer reclamando a
propriedade do bem. Disso decorre, inclusive, que a desapropriação pode
prosseguir mesmo que a Administração não saiba quem seja o
proprietário do bem; apenas no momento de levantar o valor da
indenização é que o interessado deverá provar que é o proprietário.
A desapropriação é efetivada mediante um procedimento
administrativo que possui duas fases:
 Fase declaratória
 Fase executória

Na fase declaratória, o Poder Público manifesta sua vontade na


futura desapropriação, declarando a existência de utilidade pública, de
necessidade pública ou de interesse social para fins de desapropriação.
A declaração expropriatória pode ser feita pelo Poder Executivo, por
meio de decreto do Presidente da República, do Governador ou do
Prefeito (regra), ou pelo Poder Legislativo, mediante lei11. Quando ela
é feita pelo Poder Legislativo, cabe ao Executivo tomar as medidas
necessárias à efetivação da desapropriação.
Detalhe é que a declaração, quando feita pelo Poder Executivo,
independe de autorização legislativa, em regra. Esta somente é
obrigatória quando a desapropriação recaia sobre bens públicos.
O ato declaratório, seja lei ou decreto, deve indicar: (i) a descrição
precisa do bem a ser desapropriado; (ii) a finalidade da desapropriação e
a destinação específica a ser dada ao bem; (iii) o fundamento legal;
(iv) os recursos orçamentários destinados ao atendimento da despesa
com a indenização.
A declaração de utilidade/necessidade pública ou de interesse social,
por si só, já produz alguns efeitos, dentre os quais se destacam:

11 Há na doutrina quem defenda que a declaração expropriatória do Poder Legislativo não deve ser feita

por meio de lei, e sim por decreto legislativo. A diferença fundamental é que, se o ato for um decreto
legislativo, não precisa passar pelo crivo do Poder Executivo para fins de sanção ou veto.

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▪ Fixar o estado em que se encontra o bem, isto é, indica suas


condições e as benfeitorias existentes, para fins de determinar o valor da
futura indenização;
▪ Conferir ao Poder Público o direito de penetrar no bem a fim de fazer
verificações e medições, sendo possível o recurso à força policial no caso
de resistência do proprietário;
▪ Dar início à contagem do prazo de caducidade da declaração.

Como assinalado acima, o estado do bem no momento da declaração


expropriatória é que será levado em consideração no cálculo da
indenização. Mas isso não impede a realização de obras e benfeitorias no
imóvel após a declaração. Todavia, na hipótese de realização de obras
posteriores, a indenização somente cobrirá as benfeitorias necessárias,
isto é, aquelas que têm a finalidade de conservar o imóvel para evitar a
sua deterioração, a exemplo do reparo de infiltrações ou da substituição
de sistemas elétricos danificados. Ademais, desde que autorizadas pelo
Poder Público, também poderão ser indenizadas as benfeitorias úteis,
isto é, aquelas que aumentam ou facilitam o uso do imóvel, como a
construção de uma garagem ou a instalação de travas eletrônicas nas
portas. Por outro lado, não são indenizáveis as benfeitorias
voluptuárias, que têm a finalidade apenas de tornar o imóvel mais
bonito e agradável, tais como obras de jardinagem e de decoração.
Cumpre salientar que as benfeitorias, de qualquer espécie, existentes
no imóvel antes da declaração, serão todas indenizadas, uma vez que a
declaração deve recompor integralmente o patrimônio expropriado12.
Quanto ao prazo de caducidade da declaração, em regra, é de
cinco anos, contados da data da expedição do decreto. Significa que, se
a fase executória da desapropriação não for efetivada nesse prazo, o
decreto caducará, ou seja, perderá a eficácia, e somente após um ano o
mesmo bem poderá ser objeto de nova declaração. Na hipótese de
desapropriação por interesse social, o prazo de caducidade é de
dois anos, também contado a partir da expedição do decreto.
Após a fase declaratória, em que o Poder Público manifesta a
intenção de desapropriar o bem, tem início a fase executória, a qual
compreende os atos pelos quais o Poder Público efetivamente promove a
desapropriação, ou seja, adota as medidas necessárias para transferir a
propriedade do bem para o expropriante e para assegurar ao antigo
proprietário a devida indenização.

12 Di Pietro (2009, p. 164).

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A competência para promover a desapropriação é tanto dos entes


competentes para editar o ato declaratório (União, Estados, DF e
Municípios) como também das entidades da administração indireta
(autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia
mista) e das concessionárias e permissionárias de serviços
públicos. Frise-se que, para as concessionárias e permissionárias de
serviços públicos, a competência é condicionada, visto que só podem
promover ação de desapropriação se estiverem expressamente
autorizadas em lei ou contrato (Decreto-lei 3.365/1941, art. 3º).

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A fase executória poderá ser administrativa ou judicial.


Será administrativa quando houver acordo entre as partes,
expropriante e expropriado, em relação à necessidade de transferir o bem
e ao valor da indenização a ser paga. É a chamada “desapropriação
amigável”. Havendo acordo na via administrativa, o negócio será
formalizado por meio de escritura pública ou por outro meio que a lei
venha especificamente indicar, sendo desnecessária a fase judicial.
Não havendo acordo, a fase executória será judicial (o que é mais
comum). No caso, o Poder Público deverá propor uma ação judicial de
desapropriação (o autor da ação deve necessariamente ser o Poder
Público13), tendo como réu o proprietário do bem a ser expropriado.
Iniciado o processo judicial, se as partes chegarem num acordo, a
decisão judicial será apenas homologatória, valendo como título para
transcrição no registro de imóveis.
No processo judicial só podem ser discutidas questões relativas ao
valor da indenização ou a vício processual. Não é possível discutir
outras questões como, por exemplo, os motivos que levaram o Poder
Público a declarar o bem como de utilidade pública ou de interesse social,
ou ainda, se foi feita a correta identificação do proprietário, se houve
algum desvio de finalidade etc.; a pessoa que queira discutir essas
questões pode até leva-las ao Poder Judiciário, mas em uma ação
autônoma, diferente da ação de desapropriação proposta pelo Poder
Público.
Detalhe interessante é que, antes de efetivada a transferência do
bem, o Poder Público pode desistir da desapropriação, caso desapareçam
as razões que a motivaram. A desistência pode ocorrer, inclusive, no
curso da ação judicial. Na hipótese de desistência, o proprietário faz jus à
indenização por todos os prejuízos causados pelo expropriante.

13O autor da ação de desapropriação poderá ser a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios,
uma entidade da administração indireta ou um concessionário ou permissionário de serviço público, estes
últimos quando autorizados em lei ou contrato.

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Quaisquer pessoas atingidas indiretamente pela desapropriação


também farão jus à indenização, a ser reclamada em ação própria. É o
caso, por exemplo, do locatário de imóvel desapropriado que tenha sido
prejudicado pelo ato.
Todavia, no caso de ônus reais eventualmente incidentes sobre o
bem expropriado (ex: penhor, hipoteca, anticrese), o Poder Público não
responde, porque tais direitos ficam sub-rogados no preço (Decreto-lei
3.365/1941, art. 31), ou seja, presume-se que a indenização devida ao
proprietário substitui essas garantias. Sendo assim, uma vez depositado o
valor indenizatório, são os próprios interessados que devem disputar suas
respectivas parcelas de acordo com a natureza e a dimensão dos seus
direitos14.
A regra é a indenização ser paga em dinheiro, mas há casos
previstos na Constituição em que o pagamento poderá ser efetuado de
outras formas (“ressalvados os casos previstos nesta Constituição”), quais
sejam:
✓ Desapropriação de propriedades urbanas que descumprem o plano diretor
do Município (CF, art. 182, §4º, III): a indenização será paga em títulos da
dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado
Federal, “com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais
e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais”;
✓ Desapropriação de propriedades rurais para fins de reforma agrária (CF,
art. 184): a indenização será paga em títulos da dívida agrária “com
cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte
anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será
definida em lei”;
✓ Desapropriação de terras em que sejam cultivadas plantas psicotrópicas
ilegais ou haja exploração de trabalho escravo (CF, art. 243): a
desapropriação se consuma sem o pagamento de qualquer indenização
(única hipótese de desapropriação sem indenização).

Ressalte-se que, na hipótese de desapropriação rural para fins de


reforma agrária (segundo item acima), as benfeitorias úteis e
necessárias serão indenizadas em dinheiro, ressalva que não consta na
hipótese de desapropriação urbanística (primeiro item acima). Veremos

14 Carvalho Filho (2014, p. 880). O autor ensina que, no caso de hipoteca ou penhor, a desapropriação

acarreta o vencimento antecipado da dívida. Dessa forma, caso, por exemplo, o imóvel expropriado
estivesse hipotecado como garantia de um financiamento imobiliário, o proprietário, ao receber a
indenização, teria que quitar a dívida ou constituir uma nova garantia.

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essas hipóteses de desapropriação com mais detalhes adiante, no tópico


“desapropriação sancionatória”.

IMISSÃO PROVISÓRIA NA POSSE

A desapropriação, em regra, somente se completa depois de efetuado


o pagamento da devida indenização; caso contrário, estaria sendo
desatendido o mandamento constitucional que exige prévia indenização.
Porém, desde que haja declaração de urgência pelo Poder
Público e depósito prévio, é possível ocorrer a chamada imissão
provisória na posse, isto é, o expropriante passa a ter a posse
provisória do bem antes de finalizada a ação de desapropriação.
A declaração de urgência pode ser feita pelo Poder Público na
própria declaração expropriatória ou, depois, a qualquer momento,
mesmo no curso do processo judicial.
Detalhe é que o valor do depósito prévio para permitir a imissão
provisória na posse será arbitrado pelo juiz segundo critérios
estabelecidos em lei, ou seja, não se trata do valor definitivo da
indenização, o qual somente será determinado ao final do procedimento
de desapropriação, com a transferência do bem. Para compensar a
diferença entre o valor do depósito prévio e o realmente devido ao final do
processo, são pagos juros compensatórios15 ao expropriado.

DESTINO DOS BENS DESAPROPRIADOS

Como regra, os bens desapropriados passam a integrar o patrimônio


das entidades que providenciaram a desapropriação e pagaram a
respectiva indenização, abrangendo, portanto, as pessoas políticas
(União, Estados, DF e Municípios), as entidades da administração indireta
ou as concessionárias e permissionárias de serviços públicos.
Quando o bem expropriado for destinado a integrar o patrimônio
público, dá-se o que a doutrina denomina integração definitiva.
No entanto, pode ocorrer de os bens desapropriados serem
transferidos a terceiros. Trata-se da chamada integração provisória,
de que são exemplos: a desapropriação para fins de reforma agrária, pois

15 Segundo a Súmula 618 do STF, na desapropriação direta ou indireta, a taxa dos juros
compensatórios é de 12% (doze por cento) ao ano . Na ADI 2.332/DF, o STF fixou o entendimento de
que a base de cálculo dos juros compensatórios deve corresponder à diferença entre 80% do preço
ofertado pelo Poder Público e o valor fixado na sentença. Ademais, na mesma ação, o STF entendeu
que os juros compensatórios são devidos independentemente de o imóvel produzir renda.

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os bens só ficam em poder do Estado enquanto não são repassados para


os futuros beneficiários; a desapropriação para abastecimento da
população, em que os bens são distribuídos para a população; a
desapropriação confiscatória, pois as glebas rurais são destinadas ao
assentamento de colonos, para cultivo de produtos alimentícios e
medicamentosos; a desapropriação para construção ou ampliação de
distritos industriais, pois os lotes são revendidos ou locados para
empresas previamente qualificadas etc.

DESAPROPRIAÇÃO SANCIONATÓRIA

A Constituição prevê três modalidades de desapropriação com


caráter sancionatório, quais sejam:
 Desapropriação urbanística (CF, art. 182, §4º)
 Desapropriação rural (CF, art. 184)

 Desapropriação confiscatória (CF, art. 243)

A desapropriação urbanística tem como fundamento o


descumprimento da função social da propriedade urbana, ou seja, o
não atendimento do plano diretor do Município. O expropriante, nessa
hipótese, será o Município, segundo as regras gerais de desapropriação
estabelecidas em lei federal. A indenização será paga mediante títulos da
dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado
Federal.
Na verdade, nos termos do art. 182, §4º da CF, a desapropriação é a
“última medida” que o Poder Público dispõe para obrigar a propriedade
urbana a cumprir sua função social prevista no plano diretor do Município.
Antes disso, o Município, mediante lei específica, deverá determinar o
parcelamento ou edificação compulsórios, fixando as condições e os
prazos para implementação; o proprietário deverá ser notificado para o
cumprimento da obrigação e a respectiva notificação deverá ser averbada
no registro de imóveis. Desatendida a notificação nos prazos legais, o
proprietário ficará sujeito a IPTU progressivo no tempo, mediante a
majoração da alíquota do imposto pelo prazo máximo de cinco anos
consecutivos ou até que cumpra a obrigação. Só após esse prazo é que
o Município poderá efetuar a desapropriação com pagamento em
títulos.
Já a desapropriação rural incide sobre imóveis rurais que não
estejam cumprindo a sua função social. Trata-se, na verdade, de

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desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária. O


expropriante, nesse caso, será exclusivamente a União16. A indenização
será paga em títulos da dívida agrária.
Lembrando que a desapropriação rural não pode incidir sobre a
pequena e média propriedade rural, desde que seu proprietário não
possua outra, nem sobre a propriedade produtiva (CF, art. 185).
Por fim, a desapropriação confiscatória incide sobre
propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde
forem localizadas:
▪ Culturas ilegais de plantas psicotrópicas; ou a
▪ Exploração de trabalho escravo.

O adjetivo “confiscatória” deriva do fato de que, nessa hipótese de


desapropriação, o proprietário não tem direito à indenização, ou seja,
trata-se, na realidade, de um “confisco” da terra pelo Estado.
Após a transferência da propriedade, as áreas expropriadas serão
destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular,
como dito, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de
outras sanções previstas em lei (CF, art. 243).
Qualquer bem de valor econômico que venha a ser apreendido em
decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da
exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a
fundo especial com destinação específica, na forma da lei (CF,
art. 243, parágrafo único).
Por fim, ressalte-se que não é qualquer cultura de plantas
psicotrópicas que dá margem a esse tipo de desapropriação, mas apenas
aquela que seja ilícita, por não estar autorizada pelo Poder Público.
Ademais, segundo a jurisprudência do STF, a expropriação motivada pelo
cultivo ilícito de espécies entorpecentes deve abranger a totalidade da
área do imóvel, e não apenas a área cultivada. Mesmo que a cultura
ilegal ocupe apenas uma pequena fração da superfície do imóvel, a
desapropriação deve recair sobre toda a propriedade, sem que isso
represente ofensa ao princípio da proporcionalidade17.

16 Maria Sylvia Di Pietro ensina que não é correto afirmar que a desapropriação de imóveis rurais é
sempre competência da União; somente o é quando o imóvel rural se destine à reforma agrária. Nesse
sentido, podem os Estados e Municípios desapropriar imóveis rurais para fins de utilidade pública; não
podem, frise-se, para fins de reforma agrária, privativa da União.
17 STF RE 543.974/MG

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DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA

Desapropriação indireta é a que se processa sem observância do


devido processo legal, vale dizer, a desapropriação é efetuada sem que
o Poder Público declare o bem como de interesse público ou pague a
devida indenização.
Caso o proprietário não conteste o ato no momento oportuno,
deixando que a Administração dê uma destinação pública ao bem, ocorre
um “fato consumado”, gerador da desapropriação indireta. A partir de
então, o ex-proprietário não mais poderá reivindicar o bem, pois, nos
termos do art. 35 do Decreto 3.365/1941, “os bens expropriados, uma
vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de
reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de
desapropriação”.
Imagine, por exemplo, hipótese em que o Poder Público construa
uma praça, uma escola, um cemitério ou um aeroporto em área
pertencente a particular; terminada a construção e afetado o bem ao uso
comum do povo ou ao uso especial da Administração, certa ou
erradamente, a situação torna-se irreversível, vale dizer, o bem passa à
categoria de bem público, incorporando-se definitivamente ao patrimônio
do Estado e, consequentemente, tornando-se insuscetível de
reivindicação. A solução que cabe ao particular é pleitear indenização
por perdas e danos.
Outra situação que pode acarretar a desapropriação indireta é quando
o Poder Público impõe a determinado bem particular restrições tão
extensas que impendem totalmente o proprietário de exercer sobre o
imóvel os poderes inerentes ao domínio, ou seja, é como se ele não fosse
mais o dono do bem (ex: o proprietário tem um terreno, mas não pode
construir nada nele).
Com efeito, as limitações e servidões somente podem, licitamente,
afetar em parte o direito de propriedade; caso extrapolem esse limite,
impedindo totalmente o exercício do direito, restará caracterizada a
desapropriação indireta.
Na verdade, o que a desapropriação indireta enseja é tão-somente a
afetação do bem, e não a efetiva transferência de propriedade, a qual se
sucede apenas após o pagamento de indenização ao proprietário ou,
caso prescrito o direito deste, por intermédio de ação de usucapião.

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DIREITO DE EXTENSÃO

O direito de extensão surge no caso de desapropriação parcial,


quando a parte não expropriada do bem se torna inútil, inservível, sem
valor econômico ou de difícil utilização. Nessa hipótese, o proprietário da
parte inservível pode exercer seu direito de extensão, exigindo que a
desapropriação, e a consequente indenização, seja estendida a todo o
bem.
O direito de extensão deve ser manifestado pelo proprietário durante
as fases administrativa ou judicial do procedimento de desapropriação,
não se admitindo o pedido após o término da desapropriação.

TREDESTINAÇÃO

Tredestinação ocorre quando o Poder Público confere ao bem


desapropriado uma destinação diferente da inicialmente prevista no ato
expropriatório, com desvio de finalidade, ou seja, com prejuízo ao
interesse público.
Seria o caso, por exemplo, de o Poder Público desapropriar uma área
para a construção de uma escola e, ao invés disso, permitir que certa
empresa se beneficie de tal área, utilizando-a para outros fins. Neste
caso, em que está claro o desvio de finalidade, temos a
tredestinação ilícita, que gera o direito de reintegração do bem ao
ex-proprietário (retrocessão).
Diversa é a hipótese da tredestinação lícita, em que o Poder
Público dá ao bem desapropriado um fim diverso daquele originalmente
declarado no ato expropriatório, porém sem deixar de observar o
interesse público. Seria o caso, por exemplo, de o Poder Público
desapropriar uma área para a construção de uma escola e, ao invés disso,
dado o interesse público superveniente, construir um hospital. Nessa
hipótese, não há ilegalidade.

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RETROCESSÃO

Retrocessão é o direito que tem o expropriado de exigir de volta o


seu imóvel caso o Poder Público não dê a ele o destino que motivou a sua
desapropriação, nem outro destino que atenda o interesse público.
O instituto é disciplinado no art. 519 do Código Civil, in verbis:

Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade


pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se
desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá
ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa.

O direito de retrocessão surge quando há desinteresse


superveniente do Poder Público pelo bem que desapropriou. Nesse caso,
o expropriante tem a obrigação de oferecer ao ex-proprietário o direito
de preferência na aquisição do bem. Detalhe é que, se o ex-proprietário
desejar exercer seu direito de preferência, deverá fazê-lo pelo valor atual
do bem (e não pelo valor da indenização que recebeu anteriormente).
O direito de retrocessão também surge para o expropriado quando
ocorre a denominada tredestinação ilícita, isto é, quando há desvio de
finalidade na destinação do bem expropriado.
Na hipótese de não ser possível o retorno do bem para o ex-
proprietário, este passa a ter direito à indenização por perdas e danos.
É importante ficar claro que o direito de retrocessão não pode ser
exercido quando o bem, embora não esteja sendo empregado na
finalidade para a qual foi desapropriado, o esteja em outra destinação
pública. Por outras palavras, desde que o imóvel seja utilizado para um
fim público qualquer, ainda que diferente do especificado
originariamente, não ocorre o direito de retrocessão.

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19. (Cespe – OAB 2010) Acerca da desapropriação e dos institutos a ela


relacionados, assinale a opção correta.
a) Tratando-se de desapropriação por utilidade pública para a realização de obra, as
áreas contíguas necessárias à execução da obra poderão ser abrangidas pela
desapropriação, independentemente da inclusão dessas áreas na declaração de
utilidade pública.
b) A fase declaratória, durante a qual o poder público manifesta sua vontade na
futura desapropriação, é iniciada com a declaração expropriatória e formalizada por
meio de ato exclusivo do chefe do Poder Executivo federal, estadual ou municipal;
por isso, não pode o dirigente máximo de autarquia ou de agência reguladora, por
exemplo, expedir declaração expropriatória.
c) O decreto expropriatório caduca no prazo de cinco anos caso a desapropriação
por utilidade pública não seja efetivada mediante acordo ou judicialmente, sendo o
termo final desse prazo, para as desapropriações que correrem na via judicial, o do
trânsito em julgado da ação de desapropriação.
d) No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou
utilidade pública e interesse social, havendo divergência entre o preço ofertado em
juízo e o valor do bem, os juros moratórios destinam-se a recompor a perda
decorrente do atraso no efetivo pagamento da indenização fixada na sentença;
desse modo, só serão devidos esses juros se o pagamento não for feito até 1.º de
janeiro do exercício seguinte àquele em que o pagamento deveria ter sido feito.
Comentários: vamos analisar cada alternativa:
a) ERRADA. A desapropriação por zona, também chamada de
desapropriação extensiva, ocorre quando o Poder Público expropria uma
extensão de área maior que a estritamente necessária para a realização de uma
obra ou serviço, com a inclusão de áreas adjacentes que ficam reservadas
para uma das finalidades seguintes:
✓ Ulterior continuação do desenvolvimento da obra ou do serviço;
✓ Para serem alienadas depois que, em decorrência da obra ou do serviço,
ocorrer a sua valorização.
A desapropriação por zona possui previsão no art. 4º do Decreto-lei
3.365/1941:
Art. 4o A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao
desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem
extraordinariamente, em consequência da realização do serviço. Em qualquer
caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-las, mencionando-se
quais as indispensaveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda.

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Portanto, é certo que, tratando-se de desapropriação por utilidade pública


para a realização de obra, as áreas contíguas necessárias à execução da obra
poderão ser abrangidas pela desapropriação. O erro do item é que essas áreas
devem ser incluídas na declaração de utilidade pública.
b) ERRADA. De fato, como regra, a competência para expedir a
declaração expropriatória é do chefe do Poder Executivo, podendo também ser
feita mediante lei. Todavia, é possível que a lei atribua competência para que
determinadas entidades da administração indireta promovam a declaração
expropriatória. É o que ocorre, por exemplo, com o DNIT (autarquia) e com a
Aneel (agência reguladora), os quais têm competência para declarar a utilidade
pública para fins de desapropriação, conforme estabelece as Leis 10.233/2001
e Lei 9.648/1998, respectivamente.
c) ERRADA. Nos termos do art. 10 do DL 3.365/1941, a desapropriação
deve ser efetivada mediante acordo ou "intentada judicialmente" dentro do
prazo de cinco anos, sob pena de caducar. Assim, o prazo de caducidade
começa a correr a partir da declaração expropriatória e cessa com a efetivação
da medida mediante acordo ou com o ajuizamento da ação judicial; neste
último caso, portanto, o mero ajuizamento basta, não sendo necessário
aguardar o trânsito em julgado da ação, daí o erro.
d) CERTA. Para compreender o gabarito, basta dar uma olhada na
literalidade dos artigos 15-A e 15-B do DL 3.365/1941:
Art. 15-A Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por
necessidade ou utilidade pública e interesse social, inclusive para fins de reforma
agrária, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem, fixado
na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de até seis
por cento ao ano sobre o valor da diferença eventualmente apurada, a contar da
imissão na posse, vedado o cálculo de juros compostos.
(...)
Art. 15-B Nas ações a que se refere o art. 15-A, os juros moratórios destinam-se a
recompor a perda decorrente do atraso no efetivo pagamento da indenização fixada na
decisão final de mérito, e somente serão devidos à razão de até seis por cento ao
ano, a partir de 1o de janeiro do exercício seguinte àquele em que o pagamento
deveria ser feito, nos termos do art. 100 da Constituição.

Gabarito: alternativa “d”

20. (FGV – OAB 2010) Nas hipóteses de desapropriação, em regra geral, os


requisitos constitucionais a serem observados pela Administração Pública são os
seguintes:
a) comprovação da necessidade ou utilidade pública ou de interesse social;
pagamento de indenização prévia ao ato de imissão na posse pelo Poder Público, e

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que seja justa e em dinheiro; e observância de ato administrativo, sem contraditório


por parte do proprietário.
b) comprovação da necessidade ou utilidade pública ou de interesse social;
pagamento de indenização prévia ao ato de imissão na posse pelo Poder Público, e
que seja justa e em dinheiro; e observância de procedimento administrativo, com
respeito ao contraditório e ampla defesa por parte do proprietário.
c) comprovação da necessidade ou utilidade pública ou de interesse social;
pagamento de indenização prévia ao ato de imissão na posse pelo Poder Público, e
que seja justa e em títulos da dívida pública ou quaisquer outros títulos públicos,
negociáveis no mercado financeiro; e observância de procedimento administrativo,
com respeito ao contraditório e ampla defesa por parte do proprietário.
d) comprovação da necessidade ou utilidade pública ou de interesse social;
pagamento de indenização, posteriormente ao ato de imissão na posse pelo Poder
Público, e que seja justa e em dinheiro; e observância de procedimento
administrativo, com respeito ao contraditório e ampla defesa por parte do
proprietário.
Comentários: Nas hipóteses de desapropriação, em regra geral, os
requisitos constitucionais a serem observados pela Administração Pública são
os seguintes:
▪ Comprovação da necessidade ou utilidade pública ou de interesse social;
▪ Pagamento de indenização prévia ao ato de imissão na posse pelo Poder
Público, e que seja justa e em dinheiro; e
▪ Observância de procedimento administrativo, com respeito ao contraditório e
ampla defesa por parte do proprietário.

Portanto, correta a alternativa “b”. Na opção “a”, o erro é dizer que a


desapropriação é feita sem contraditório; a alternativa “a” erra ao afirmar que a
indenização deve ser paga em títulos da dívida pública, pois deve ser paga, em
regra, em dinheiro (é admitido o pagamento em títulos da dívida pública
apenas no caso específico de “desapropriação de propriedades urbanas que
descumprem o plano diretor do Município” – CF, art. 182, §4º, III); por fim, na
opção “d”, o erro é que o pagamento da indenização deve ser prévio, e não
posterior ao ato de imissão na posse pelo Poder Público.
Gabarito: alternativa “b”

21. (FGV – OAB 2012) A desapropriação é um procedimento administrativo que


possui duas fases: a primeira, denominada declaratória e a segunda, denominada
executória. Quanto à fase declaratória, assinale a afirmativa correta.
A) Acarreta a aquisição da propriedade pela Administração, gerando o dever de
justa indenização ao expropriado.

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B) Importa no início do prazo para a ocorrência da caducidade do ato declaratório e


gera, para a Administração, o direito de penetrar no bem objeto da desapropriação.
C) Implica a geração de efeitos, com o titular mantendo o direito de propriedade
plena, não tendo a Administração direitos ou deveres.
D) Gera o direito à imissão provisória na posse e o impedimento à desistência da
desapropriação.
Comentários: vamos analisar cada assertiva:
a) ERRADA. A fase que acarreta a aquisição da propriedade pela
Administração, gerando o dever de justa indenização ao expropriado, é a fase
executória, e não a declaratória. Nesta, o Poder Público apenas manifesta sua
vontade na futura desapropriação, declarando a existência de utilidade
pública, de necessidade pública ou de interesse social para fins de
desapropriação.
b) CERTA. De fato, a fase declaratória importa no início do prazo para a
ocorrência da caducidade do ato declaratório e gera, para a Administração, o
direito de penetrar no bem objeto da desapropriação. É o que dizem os art. 7º e
10 do DL 3.365/1941:
Art. 7o Declarada a utilidade pública, ficam as autoridades administrativas
autorizadas a penetrar nos prédios compreendidos na declaração, podendo
recorrer, em caso de oposição, ao auxílio de força policial.
Àquele que for molestado por excesso ou abuso de poder, cabe indenização por
perdas e danos, sem prejuizo da ação penal.
Art. 10. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se
judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do respectivo
decreto e findos os quais este caducará. (Vide Decreto-lei nº 9.282, de 1946)
Neste caso, somente decorrido um ano, poderá ser o mesmo bem objeto de nova
declaração.
Parágrafo único. Extingue-se em cinco anos o direito de propor ação que vise a
indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público.

c) ERRADA. Com a declaração expropriatória, a Administração passa a ter


direitos e deveres. Como visto acima, passará a ter o direito de penetrar no
bem a fim de fazer verificações e medições, sendo possível o recurso à força
policial no caso de resistência do proprietário. Contudo, a Administração
possui o dever de agir sem excesso ou abuso de poder, sob pena de ter que
indenizar a pessoa prejudicada por perdas e danos.
d) ERRADA. De fato, a declaração expropriatória gera o direito à imissão
provisória na posse desde que haja declaração de urgência pelo Poder Público
e depósito prévio. Por outro lado, a declaração não impede que o Poder

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Público desista posteriormente da desapropriação, caso desapareçam as


razões que a motivaram. A desistência pode ocorrer, inclusive, no curso da
ação judicial. Detalhe é que, na hipótese de desistência, o proprietário faz jus à
indenização por todos os prejuízos causados pelo expropriante.
Gabarito: alternativa “b”

22. (FGV – OAB 2012) A União, após regular licitação, realiza concessão de
determinado serviço público a uma sociedade privada. Entretanto, para a efetiva
prestação do serviço, é necessário realizar algumas desapropriações. A respeito
desse caso concreto, assinale a afirmativa correta.
a) A sociedade concessionária poderá promover desapropriações mediante
autorização expressa, constante de lei ou contrato.
b) As desapropriações necessárias somente poderão ser realizadas pela União, já
que a concessionária é pessoa jurídica de direito privado.
c) O ingresso de autoridades administrativas nos bens desapropriados, declarada a
utilidade pública, somente será lícito após a obtenção de autorização judicial.
d) Os bens pertencentes ao(s) Município(s) inserido(s) na área de prestação do
serviço não poderão ser desapropriados, mesmo que haja autorização legislativa.
Comentários: Vamos analisar cada alternativa:
a) CERTA. Embora a declaração expropriatória somente possa ser feita
pelo chefe do Executivo ou mediante lei, a fase executória da desapropriação
poderá ser promovida por sociedade concessionária, mediante autorização
expressa, constante de lei ou contrato. É o que prescreve o art. 3º do DL
3.365/41:
Art. 3o Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de carater
público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover
desapropriações mediante autorização expressa, constante de lei ou contrato.
b) ERRADA. Como visto acima, as concessionárias de serviço público,
embora sejam pessoas jurídicas de direito privado, podem promover a fase
executória da desapropriação.
c) ERRADA. Nos termos do art. 7º do DL 3.365/1941, as autoridades
administrativas já podem ingressar nos bens a serem desapropriados logo
após a publicação da declaração de utilidade pública. Para tanto, não é
necessário obter autorização judicial.
d) ERRADA. Os bens pertencentes aos Municípios poderão ser
desapropriados pela União ou pelo Estado ao qual pertença. A desapropriação
de bem do Município, por ser um bem público, deve ser precedida de
autorização legislativa, emanada do ente que a está promovendo.
Gabarito: alternativa “a”

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23. (FGV – OAB 2012) A empresa pública federal X, que atua no setor de
pesquisas petroquímicas, necessita ampliar sua estrutura, para a construção de dois
galpões industriais. Para tanto, decide incorporar terrenos contíguos a sua atual
unidade de processamento, mediante regular processo de desapropriação.
A própria empresa pública declara aqueles terrenos como de utilidade pública e
inicia as tratativas com os proprietários dos terrenos – que, entretanto, não aceitam o
preço oferecido por aquela entidade. Nesse caso,
a) se o expropriante alegar urgência e depositar a quantia arbitrada de conformidade
com a lei, terá direito a imitir-se provisoriamente na posse dos terrenos.
b) a desapropriação não poderá consumar se, tendo em vista que não houve
concordância dos titulares dos terrenos.
c) a desapropriação demandará a propositura de uma ação judicial e, por não haver
concordância dos proprietários, a contestação poderá versar sobre qualquer matéria.
d) os proprietários poderão opor se à desapropriação, ao fundamento de que a
empresa pública não é competente para declarar um bem como de utilidade pública.
Comentários: As empresas públicas não possuem competência para
declarar a utilidade pública de bens para fins de desapropriação. Tal
prerrogativa pertence apenas ao chefe do Executivo, mediante decreto, ou pelo
Poder Legislativo, mediante lei (ou decreto legislativo, conforme defende parte
da doutrina). As entidades da administração indireta (autarquias, fundações,
empresas públicas e sociedades de economia mista), assim como as
concessionárias e permissionárias de serviços públicos, podem apenas
promover a fase executória da desapropriação, desde que expressamente
autorizadas em lei ou contrato (DL 3.365/41, art. 3º). Ou seja, tais entidades não
podem escolher quais bens serão desapropriados, mas apenas executar os
procedimentos operacionais necessários à transferência da propriedade dos
bens inseridos na declaração expropriatória.
Na situação descrita no item, portanto, a empresa pública não poderia
declarar os terrenos contíguos a sua unidade como de utilidade pública, de
modo que os respectivos proprietários poderão opor-se à desapropriação sob
este fundamento, conforme afirmado na alternativa “d”, que é o gabarito. Aliás,
a ilegitimidade da empresa pública para declarar a utilidade pública do terreno
também é a justificativa para o erro das demais opções.
Gabarito: alternativa “d”

24. (FGV – OAB 2013) Após regular procedimento de desapropriação, fundado no


Decreto Lei n. 3.365/41, um Estado da Federação assume o domínio do imóvel
anteriormente titularizado por Gilberto. A desapropriação foi realizada com a
finalidade de construir uma escola pública no local (Art. 5º, ‘m’, do Decreto Lei n.

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3.365 / 41). No entanto, após algum tempo, Gilberto descobre que a utilização do
imóvel foi transferida, sem qualquer formalidade, ao diretório regional do partido do
governador do Estado. Indignado com a situação, Gilberto procura um advogado
para orientá-lo. Nesse caso, assinale a afirmativa que indica o correto
esclarecimento a ser dado pelo advogado.
a) A conduta do Estado não é vedada pelo ordenamento jurídico, não obstante a
destinação diversa dada ao imóvel.
b) A conduta do Estado não é passível de controle judicial, porque diz respeito ao
mérito administrativo, o que é vedado segundo nosso ordenamento jurídico.
c) Uma demanda judicial deve ser ajuizada, visando declarar a nulidade do ato de
desapropriação ao argumento de ocorrência de tredestinação ilícita.
d) O ato não pode ser invalidado judicialmente, somente restando a Gilberto ajuizar
uma demanda, postulando reparação pelos danos materiais e morais sofridos.
Comentários: Não é vedado ao Poder Público alterar a finalidade a ser
dada ao bem desapropriado, desde que a nova finalidade também observe o
interesse público. Nesse caso, trata-se de uma tredestinação lícita. Todavia, se
a nova destinação conferida ao bem desapropriado ocorrer com desvio de
finalidade, ou seja, se o bem não for utilizado em obras ou serviços públicos,
temos a chamada tredestinação ilícita, que gera o direito de reintegração do
bem ao ex-proprietário, por intermédio do instituto da retrocessão.
Na situação descrita no enunciado, o bem foi desapropriado para a
construção de uma escola, mas, ao invés disso, foi utilizado para a instalação
do diretório regional do partido do governador, em clara afronta ao princípio
da impessoalidade e ao interesse público. Dessa forma, o advogado deve
orientar o ex-proprietário a ajuizar uma demanda judicial, visando declarar a
nulidade do ato de desapropriação ao argumento de ocorrência de
tredestinação ilícita (alternativa “c”).
Gabarito: alternativa “c”

25. (FGV – OAB 2014) Acerca da desapropriação, assinale a afirmativa correta.


a) Na desapropriação por interesse social, o expropriante tem o prazo de cinco anos,
contados da edição do decreto, para iniciar as providências de aproveitamento do
bem expropriado.
b) Na desapropriação por interesse social, em regra, não se exige o requisito da
indenização prévia, justa e em dinheiro.
c) O município pode desapropriar um imóvel por interesse social, mediante
indenização prévia, justa e em dinheiro.
d) A desapropriação para fins de reforma agrária da propriedade que não esteja

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cumprindo a sua função social não será indenizada.


Comentários: vamos analisar cada alternativa:
a) ERRADA. O prazo de cinco anos a contar da edição do decreto é para
expropriante efetivamente concluir a desapropriação, mediante acordo, ou
para ajuizar a ação judicial cabível, se não houver acordo. Ou seja, o prazo não
é apenas “para iniciar as providências de aproveitamento do bem
expropriado”.
b) ERRADA. Tanto na desapropriação por interesse social como por
necessidade ou utilidade pública se exige, em regra, o requisito da indenização
prévia, justa e em dinheiro. É o que prevê o art. 5º, XXIV da Constituição:
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou
utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em
dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;

c) CERTA. Todos os entes políticos – União, Estados, DF e Municípios –


são competentes para desapropriar um imóvel por interesse social, desde que
seja mediante indenização prévia, justa e em dinheiro.
d) ERRADA. A desapropriação para fins de reforma agrária da
propriedade que não esteja cumprindo a sua função social seria uma
desapropriação por interesse social que, como visto, deve ser feita mediante
justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na
Constituição.
Gabarito: alternativa “c”

26. (FGV – OAB 2015) O Município W, durante a construção de avenida


importante, ligando a região residencial ao centro comercial da cidade, verifica a
necessidade de ampliação da área a ser construída, mediante a incorporação de
terrenos contíguos à área já desapropriada, a fim de permitir o prosseguimento das
obras. Assim, expede novo decreto de desapropriação, declarando a utilidade
pública dos imóveis indicados, adjacentes ao plano da pista. Diante deste caso,
assinale a opção correta.
a) É válida a desapropriação, pelo Município W, de imóveis a serem demolidos para
a construção da obra pública, mas não a dos terrenos contíguos à obra.
b) Não é válida a desapropriação, durante a realização da obra, pelo Município W,
de novos imóveis, qualquer que seja a finalidade.
c) É válida, no curso da obra, a desapropriação, pelo Município W, de novos imóveis
em área contígua necessária ao desenvolvimento da obra.
d) Em relação às áreas contíguas à obra, a única forma de intervenção estatal da
qual pode se valer o Município W é a ocupação temporária.

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Comentário: Segundo o art. 4º do DL 3.365/1941, a desapropriação poderá


abranger a área contígua necessária ao desenvolvimento da obra a que se
destina. Portanto, é correto afirmar que é válida, no curso da obra, a
desapropriação, pelo Município W, de novos imóveis em área contígua
necessária ao desenvolvimento da obra (opção “c”). Todas as demais
alternativas afirmam que tal modalidade de intervenção (desapropriação de
áreas contíguas) não é válida, o que as torna erradas.
Gabarito: alternativa “c”

27. (FGV – OAB 2013) O Município de Barra Alta realizou a desapropriação de


grande parcela do imóvel de Manoel Silva e deixou uma parcela inaproveitável para
o proprietário. No caso descrito, o proprietário obterá êxito se pleitear
a) a reintegração de posse de todo o imóvel em função da má-fé do Município.
B) o direito de extensão da desapropriação em relação à área inaproveitável.
C) a anulação da desapropriação em relação à parcela do imóvel suficiente para
tornar a área restante economicamente aproveitável.
D) a anulação integral da desapropriação, pois a mesma foi ilegal.
Comentário: No caso descrito, o proprietário obterá êxito se pleitear o
direito de extensão da desapropriação em relação à área inaproveitável,
exigindo que a desapropriação, e a consequente indenização, seja estendida a
todo o bem. O direito de extensão surge no caso de desapropriação parcial,
quando a parte não expropriada do bem se torna inútil, inservível, sem valor
econômico ou de difícil utilização.
Gabarito: alternativa “b”

28. (Cespe – TJ/PI Juiz – 2012) A União pode desapropriar bens dos estados, do
DF e dos municípios, tendo os estados e os municípios, por sua vez, o poder de
desapropriar bens entre si, mas não bens da União.
Comentários: De fato, a União pode desapropriar bens dos estados, do
DF e dos municípios. Porém, os estados não podem desapropriar bens de
outros estados, mas apenas bens de municípios situados em seu território. Já
os municípios não podem desapropriar bens de outros municípios.
Gabarito: Errado

29. (Cespe – MPOG 2012) Com base na Lei n.º 3.365/1941 e suas alterações,
bem como nos instrumentos de controle urbanístico, julgue o item consecutivo.
A construção de um estádio está prevista no corpo da lei como caso de utilidade
pública, podendo ser feita desapropriação para a execução da obra. Ao Poder
Legislativo caberá decretar e tomar medidas de desapropriação, e ao Judiciário,

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O item erra ao afirmar que caberá ao Poder Legislativo decretar e tomar


medidas de desapropriação, e ao Judiciário, analisar e decidir se o caso de
utilidade pública se caracteriza ou não. Com efeito, de acordo com o art. 8º do
Decreto-lei, “o Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação,
cumprindo, neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua
efetivação”. Ademais, o art. 9º da norma preceitua que “ao Poder Judiciário é
vedado, no processo de desapropriação, decidir se se verificam ou não os
casos de utilidade pública”. A decisão sobre a utilidade pública do bem se
encontra na esfera de discricionariedade do responsável pela declaração -
Executivo ou Legislativo, conforme o caso -, não podendo ser apreciada pelo
Judiciário. Caso a desapropriação se efetive por meio de processo judicial, o
juiz apenas poderá se manifestar sobre o valor da indenização e sobre a
legalidade formal do procedimento administrativo.
Gabarito: Errado

30. (Cespe – AGU 2012) Sujeitam-se à desapropriação o espaço aéreo, o subsolo,


a posse, bem como direitos e ações, entre outros bens, desde que sejam privados e
se tornem objeto de declaração de utilidade pública ou de interesse social.
Comentário: Além dos bens privados, os bens públicos também podem
ser desapropriados, desde que exista lei, editada pelo ente federado que
procederá a desapropriação, autorizando que ele o faça. Ademais, a
desapropriação de bens públicos deve observar as seguintes regras:
✓ A União pode desapropriar bens dos Estados, do DF e dos Municípios;
✓ Um Estado pode desapropriar bens de um Município, desde que se trate de
Município situado em seu território;
✓ Os Municípios e o Distrito Federal não podem desapropriar bens das demais
entidades federativas;
✓ A União não pode ter seus bens desapropriados.

Gabarito: Errado

31. (Cespe – DP/DF 2013) Os juros compensatórios, que podem ser cumulados
com os moratórios, incidem tanto sobre a desapropriação direta quanto sobre a
indireta, sendo calculados sobre o valor da indenização, com a devida correção
monetária; entretanto, independem da produtividade do imóvel, pois decorrem da
perda antecipada da posse.
Comentário: A indenização pela desapropriação deve ser justa e prévia.
Ou seja, o pagamento deve ser realizado, em regra, antes da imissão na posse
pelo Poder Público. No entanto, desde que haja declaração de urgência pelo
Poder Público e depósito prévio, é possível ocorrer a chamada imissão
provisória na posse, isto é, o expropriante passa a ter a posse provisória do

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bem antes da finalização da ação de desapropriação. Assim, se ocorrer a


imissão provisória na posse pelo Poder Público, serão devidos juros
compensatórios de até 12% ao ano como forma de ressarcir a perda da posse
pelo proprietário antes do recebimento da indenização que lhe é devida. A
seguir, alguns entendimentos jurisprudenciais sobre o tema:
✓ Súmula 618 do STF: "na desapropriação, direta ou indireta, a taxa dos
juros compensatórios é de 12% (doze por cento) ao ano".
✓ Súmula 12 do STJ: “em desapropriação, são cumuláveis juros
compensatórios e moratórios".
✓ Súmula 69 do STJ: "Na desapropriação direta, os juros compensatórios
são devidos desde a antecipada imissão na posse e, na desapropriação
indireta, a partir da efetiva ocupação do imóvel".
✓ Súmula 113 do STJ: "Os juros compensatórios, na desapropriação direta,
incidem a partir da imissão na posse, calculados sobre o valor da
indenização, corrigido monetariamente".
✓ REsp 1.001.455 – STJ: “Os juros compensatórios são devidos
independentemente de se tratar de imóvel improdutivo, pela perda da
posse antes da justa indenização”.
Gabarito: Certo

32. (Cespe – TRF2 Juiz – 2013) Os juros compensatórios e moratórios, na


desapropriação, não são cumuláveis, sendo devidos apenas os juros
compensatórios, os quais são pagos na desapropriação direta, a partir da efetiva
ocupação do imóvel.
Comentário: Juros compensatórios e juros moratórios não se confundem.
Os primeiros servem para compensar a perda antecipada da posse, na
hipótese de imissão provisória da posse. Já os juros moratórios decorrem da
demora do Poder Público em indenizar o particular. Sobre a indenização
devida ao expropriado deve incidir tanto juros compensatórios como
moratórios, ou seja, eles são cumuláveis. Aliás, esse é o teor da Súmula 12 do
STJ: “em desapropriação, são cumuláveis juros compensatórios e
moratórios".
Gabarito: Errado

33. (Cespe – DP/DF 2013) A desapropriação é forma originária de aquisição de


propriedade que libera o bem de qualquer ônus que sobre ele incida, ou seja, se o
bem estiver gravado com algum encargo, será repassado para o poder público sem
nenhum ônus, não havendo, inclusive, a incidência de imposto sobre esse tipo de
operação de transferência de imóveis. Entretanto, segundo o STJ, incidirá imposto

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de renda sobre verba recebida pelo proprietário a título de indenização decorrente


de desapropriação.
Comentário: É certo que o Poder Público não responde por eventuais
ônus reais incidentes sobre o bem expropriado. Com efeito, dispõe o art. 31 do
Decreto-lei 3.365/41 que ficam sub-rogados no preço quaisquer ônus ou
direitos que recaiam sobre o bem desapropriado. O erro da assertiva é que,
para o STJ (REsp 1.116.460/SP), não incide imposto sobre a renda recebida a
título de indenização decorrente de desapropriação. Segundo o entendimento
daquela Corte Superior, a indenização decorrente de desapropriação não gera
qualquer ganho de capital, já que a propriedade é transferida ao poder público
por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não
ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado.
Gabarito: Errado

34. (Cespe – PGE/BA 2014) Caso um governador resolva desapropriar


determinado imóvel particular com o objetivo de construir uma creche para a
educação infantil e, posteriormente, com fundamento no interesse público e em
situação de urgência, mude a destinação do imóvel para a construção de um
hospital público, o ato deve ser anulado, por configurar tredestinação ilícita.
Comentário: Ao contrário do que afirma o item, a situação apresentada
retrata hipótese de tredestinação lícita, vez que o Poder Público deu ao bem
desapropriado um fim diverso daquele originalmente declarado no ato
expropriatório, porém não deixou de observar o interesse público (construiu
um hospital ao invés de uma escola).
Gabarito: Errado

35. (ESAF – GDF 2007) A desapropriação-confisco, disciplinada no art. 243 da


Constituição Federal de 1988, tem por objetivo a expropriação de glebas em que
sejam localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas, as quais passam a ser
destinadas ao assentamento de colonos para cultivo de produtos alimentícios e
medicamentosos, gerando ao Poder Público o dever de indenizar o proprietário, face
o princípio do enriquecimento sem causa Estatal, sem prejuízo das sanções
previstas em lei.
Comentário: A desapropriação-confisco, incidente sobre propriedades
urbanas e rurais em que sejam localizadas culturas ilegais de plantas
psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo, não dá direito à
indenização, conforme o art. 243 da CF:
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem
localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho
escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a
programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem

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prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no


art. 5º.

Perceba, ainda, que, segundo a redação atual do art. 243 da CF, dada pela
EC 81/2014, as propriedades expropriadas serão destinadas à reforma agrária
e a programas de habitação popular, e não mais ao assentamento de colonos
para cultivo de produtos alimentícios e medicamentosos.
Gabarito: Errado

36. (ESAF – CGU 2001) Em relação à desapropriação, não é correto afirmar:


a) Os ônus e direitos que existiam em relação ao bem expropriado extinguem-se e
ficam sub-rogados no preço.
b) A desapropriação é forma originária de aquisição de propriedade.
c) A prova de domínio deverá ser feita, pelo proprietário, apenas no momento de
levantar a indenização.
d) Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser
objeto de reivindicação.
e) Para propositura da ação judicial de desapropriação é essencial a identificação do
proprietário do bem.
Comentários:
a) CERTA, nos termos do art. 31 do Decreto-lei 3.365/1941:
Art. 31. Ficam subrogados no preço quaisquer onus ou direitos que recaiam sobre o
bem expropriado.
b) CERTA. A doutrina classifica a desapropriação como uma forma
originária de aquisição de propriedade, porque decorre apenas da vontade do
Estado, sem atribuir qualquer relevância à vontade do proprietário ou ao título
jurídico que ele possua sobre o bem. Conforme ensina Carvalho Filho, “a
desapropriação, assim, é considerada o ponto inicial da nova cadeia causal
que se formará para futuras transferências do bem”. Dessa premissa decorrem
dois importantes efeitos: (i) a irreversibilidade da transferência, ainda que a
indenização tenha sido paga a terceiro que não o verdadeiro dono do bem; (ii)
a extinção dos direitos reais de terceiros sobre o bem, como hipoteca e
penhor.
c) CERTA. Como dito, a desapropriação é forma originária de aquisição
de propriedade. Disso decorre, inclusive, que a desapropriação pode
prosseguir mesmo que a Administração não saiba quem seja o proprietário do
bem; apenas no momento de levantar o valor da indenização é que o
interessado deverá provar que é o proprietário. E se o Poder Público pagar a
indenização para a pessoa errada, isso não implicará a nulidade da

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desapropriação.
d) CERTA. A impossibilidade de reinvindicação decorre de a
desapropriação ser forma originária de aquisição de propriedade. Ademais,
possui previsão expressa no art. 35 do Decreto-lei 3.365/1941:
Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não
podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de
desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e danos.

e) ERRADA. Como forma originária de aquisição, a desapropriação pode


prosseguir mesmo que não se conheça o proprietário do bem. Nesse caso,
quando da propositura da ação judicial, o réu (proprietário) deverá ser citado
por edital, nos termos do art. 18 do Decreto-lei 3.365/1941:
Art. 18. A citação far-se-á por edital se o citando não for conhecido, ou estiver em
lugar ignorado, incerto ou inacessível, ou, ainda, no estrangeiro, o que dois oficiais do
juizo certificarão.
Gabarito: alternativa “e”

37. (ESAF – PGFN 2003) Assinale a opção correta.


a) A competência para desapropriar imóvel rural para fins de reforma agrária
pertence exclusivamente à União e aos Estados.
b) São imunes a impostos federais, estaduais, municipais e distritais, as operações
de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.
c) Na desapropriação de imóvel rural por interesse social, para fins de reforma
agrária, o pagamento da indenização, inclusive das benfeitorias úteis e necessárias,
será feito em títulos da dívida agrária.
d) Os títulos da dívida agrária não decorrem do sistema financeiro comum, motivo
pelo qual não são passíveis de negociação no mercado.
e) Apenas nos casos expressamente estabelecidos em lei, poderá a propriedade
produtiva ser desapropriada para fins de reforma agrária.
Comentários:
a) ERRADA. A competência para desapropriar imóvel rural para fins de
reforma agrária pertence privativamente à União, nos termos do art. 184 da CF:
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma
agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e
justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor
real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão,
e cuja utilização será definida em lei.
§ 1º - As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.
§ 2º - O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma

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agrária, autoriza a União a propor a ação de desapropriação.


§ 3º - Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito
sumário, para o processo judicial de desapropriação.
§ 4º - O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim
como o montante de recursos para atender ao programa de reforma agrária no
exercício.
§ 5º - São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de
transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.

b) CERTA, nos termos do §5º do art. 184 da CF, transcrito acima.


c) ERRADA. Na desapropriação para fins de reforma agrária, as
benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro, conforme o §1º
do art. 184 da CF.
d) ERRADA. Os títulos da dívida agrária podem sim ser negociados no
mercado.
e) ERRADA. A propriedade produtiva é insuscetível de desapropriação
para fins de reforma agrária:
Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu
proprietário não possua outra;
II - a propriedade produtiva.
Gabarito: alternativa “b”

38. (ESAF – PGFN 2006) Determinado Município pretende desapropriar direitos


representativos do capital de instituição cujo funcionamento depende de autorização
do Governo Federal, e que se submete à fiscalização deste. Tal pretensão
a) não poderá se concretizar, pois direitos representativos de capital de uma
determinada instituição não podem ser objeto de desapropriação.
b) não encontra amparo no Direito Brasileiro, pois os Municípios só têm competência
para desapropriar áreas urbanas.
c) não poderá se concretizar, pois somente a União poderia realizar a referida
desapropriação.
d) somente poderá se concretizar se houver prévia autorização do Presidente da
República, por meio de Decreto.
e) poderá se concretizar, desde que a instituição tenha funcionamento
exclusivamente no próprio Município, e independentemente de prévia autorização de
membros de outro ente da Federação, sob pena de violação do pacto federativo.
Comentário: A situação se enquadra na previsão do art. 2º, §3º do

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Decreto-lei 3.365/1941:
§ 3º É vedada a desapropriação, pelos Estados, Distrito Federal, Territórios e
Municípios de ações, cotas e direitos representativos do capital de instituições e
emprêsas cujo funcionamento dependa de autorização do Govêrno Federal e se
subordine à sua fiscalização, salvo mediante prévia autorização, por decreto do
Presidente da República.

Como se nota, para ser possível a desapropriação do capital de


instituição federal por parte do Município, é necessária prévia autorização do
Presidente da República, por decreto. Correta, portanto, a opção “d”.
Gabarito: alternativa “d”

39. (ESAF – PGFN 2006) A desapropriação que ocorre em uma área maior que a
necessária à realização de uma obra, com vistas a que seja reservada para posterior
desenvolvimento da própria obra, é hipótese de
a) desapropriação indireta, por já ter o Supremo Tribunal Federal pacificado o
entendimento de ser inconstitucional a perda de propriedade por alguém para que o
bem fique, simplesmente, reservado para utilização futura.
b) desapropriação indireta, vez que a desapropriação em área maior do que a
inicialmente necessária somente seria juridicamente viável para assentamentos
rurais, em atividades concernentes à Reforma Agrária.
c) direito de extensão, reconhecido ao poder público quando razões de utilidade
pública ou interesse social justifiquem a medida.
d) desapropriação por zona, expressamente prevista em legislação que disciplina a
desapropriação por utilidade pública.
e) desapropriação por interesse social, tendo em vista que a destinação do bem se
dará no interesse da coletividade.
Comentário: Trata-se da chamada desapropriação por zona (alternativa
“d”).
A desapropriação por zona, também chamada de desapropriação
extensiva, ocorre quando o Poder Público expropria uma extensão de área
maior que a estritamente necessária para a realização de uma obra ou serviço,
com a inclusão de áreas adjacentes que ficam reservadas para uma das
finalidades seguintes:
✓ Ulterior continuação do desenvolvimento da obra ou do serviço;
✓ Para serem alienadas depois que, em decorrência da obra ou do serviço,
ocorrer a sua valorização.

A desapropriação por zona possui previsão no art. 4º do Decreto-lei


3.365/1941:

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Art. 4o A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao


desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem
extraordinariamente, em consequência da realização do serviço. Em qualquer
caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-las, mencionando-se quais
as indispensaveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda.
Parágrafo único. Quando a desapropriação destinar-se à urbanização ou à
reurbanização realizada mediante concessão ou parceria público-privada, o edital de
licitação poderá prever que a receita decorrente da revenda ou utilização imobiliária
integre projeto associado por conta e risco do concessionário, garantido ao poder
concedente no mínimo o ressarcimento dos desembolsos com indenizações, quando
estas ficarem sob sua responsabilidade.

Detalhe é que o ato expropriatório deve especificar qual área que se


destina à continuidade da obra e qual a que se destina à revenda, em
decorrência da sua valorização. Nesta última hipótese, o bem não é
expropriado para integrar o patrimônio público, mas para ser revendido, com
lucro, depois de concluída a obra que valorizou o imóvel, evitando que os
proprietários daquelas áreas tenham ganhos extraordinários com a valorização
causada pelas obras ou serviços públicos.
Maria Sylvia Di Pietro ensina que o efeito da desapropriação por zona,
para o Poder Público, é o mesmo da contribuição de melhoria, tributo devido
pelo proprietário de imóvel que se valorizou em razão da execução de obras
públicas (CF, art. 145, III). Ora, tanto na desapropriação por zona quanto na
contribuição de melhoria há o fato de que o imóvel experimenta valorização em
decorrência de obras públicas. Portanto, havendo a previsão de valorização de
imóveis vizinhos, o Poder Público poderá escolher: (i) cobrar simplesmente a
contribuição de melhoria do proprietário após a valorização ou (ii) antes da
realização da obra, desapropriar a área contígua que será valorizada para,
após o término da obra, revende-la com lucro. Por óbvio, caso escolha a
segunda opção, os novos adquirentes não ficarão sujeitos ao pagamento da
contribuição de melhoria.
Gabarito: alternativa “d”

40. (ESAF – DNIT 2013) No que se refere à desapropriação por utilidade pública e
interesse social, com base no Decreto-Lei n. 3.365/41 e na Lei n. 4.132/62, é
incorreto afirmar que:
a) a desapropriação por interesse social será decretada para promover a justa
distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem estar social.
b) consideram-se de interesse social, entre outros, a proteção do solo e a
preservação de cursos e mananciais de água e de reservas florestais, além das
terras e águas suscetíveis de valorização extraordinária, pela conclusão de obras e
serviços públicos, notadamente de saneamento, portos, transporte, eletrificação,

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armazenamento de água e irrigação, no caso em que não sejam ditas áreas


socialmente aproveitadas.
c) são prerrogativas do Poder Executivo tomar a iniciativa da desapropriação e
praticar os atos necessários à sua efetivação.
d) a declaração de utilidade pública far-se-á por decreto do Poder Executivo.
e) aquele cujo bem for prejudicado extraordinariamente em sua destinação
econômica pela desapropriação de áreas contíguas terá direito a reclamar perdas e
danos do expropriante.
Comentários: Essa questão cobra apenas a literalidade das normas
citadas no enunciado. O Decreto-lei 3.365/1941 “dispõe sobre a
desapropriação por utilidade pública”, mas na verdade, apresenta as regras
gerais aplicáveis a todas as modalidades de desapropriação. Já a Lei
4.132/1962, “define os casos de desapropriação por interesse social e dispõe
sobre sua aplicação”. Ambas as leis, embora antigas, continuam em vigor.
Vamos analisar cada alternativa:
a) CERTA, nos termos do art. 1º da Lei 4.132/1962:
Art. 1º A desapropriação por interesse social será decretada para promover a justa
distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem estar social, na forma do
art. 147 da Constituição Federal.

b) CERTA, nos termos do art. 2º da Lei 4.132/1962:


Art. 2º Considera-se de interesse social:
I - o aproveitamento de todo bem improdutivo ou explorado sem correspondência com
as necessidades de habitação, trabalho e consumo dos centros de população a que
deve ou possa suprir por seu destino econômico;
II - a instalação ou a intensificação das culturas nas áreas em cuja exploração não se
obedeça a plano de zoneamento agrícola, VETADO;
III - o estabelecimento e a manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e
trabalho agrícola:
IV - a manutenção de posseiros em terrenos urbanos onde, com a tolerância expressa
ou tácita do proprietário, tenham construído sua habilitação, formando núcleos
residenciais de mais de 10 (dez) famílias;
V - a construção de casa populares;
VI - as terras e águas suscetíveis de valorização extraordinária, pela conclusão
de obras e serviços públicos, notadamente de saneamento, portos, transporte,
eletrificação armazenamento de água e irrigação, no caso em que não sejam
ditas áreas socialmente aproveitadas;
VII - a proteção do solo e a preservação de cursos e mananciais de água e de
reservas florestais.

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VIII - a utilização de áreas, locais ou bens que, por suas características, sejam
apropriados ao desenvolvimento de atividades turísticas.

c) ERRADA. De fato, o Poder Executivo pode, mediante decreto, tomar a


iniciativa da desapropriação, ou seja, declarar a utilidade/necessidade pública
ou o interesse social do bem. Porém, nos termos do art. 8º do Decreto-lei
3.365/1941, o Poder Legislativo também poderá ter a iniciativa, cabendo ao
Executivo, nesse caso, praticar os atos necessários à sua efetivação. A banca
parece ter considerado a literalidade do art. 8º, daí o erro:
Art. 8º O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo,
neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua efetivação.

d) CERTA, nos termos do art. 6º do Decreto-lei 3.365/1941:


Art. 6o A declaração de utilidade pública far-se-á por decreto do Presidente da
República, Governador, Interventor ou Prefeito.
e) CERTA, nos termos do art. 37 do Decreto-lei 3.365/1941:
Art. 37. Aquele cujo bem for prejudicado extraordinariamente em sua destinação
econômica pela desapropriação de áreas contíguas terá direito a reclamar perdas e
danos do expropriante.

Gabarito: alternativa “c”

41. (Cespe – TJ/BA 2012) Considerando a disciplina que rege a desapropriação,


assinale a opção correta.
a) A União poderá desapropriar bens para atendimento de necessidades coletivas,
urgentes e transitórias, decorrentes de situações de perigo iminente, de calamidade
pública ou de irrupção de epidemias.
b) Conforme entendimento sumulado pelo STJ, o prazo prescricional da ação de
desapropriação indireta é de cinco anos.
c) Caso recaia hipoteca sobre o imóvel a ser desapropriado, o poder público ficará
impedido de dar início ao processo expropriatório.
d) O Poder Legislativo pode tomar a iniciativa da desapropriação, cabendo, nesse
caso, ao Executivo praticar os atos necessários à sua efetivação.
e) Um município é competente para, presentes os requisitos legais, desapropriar
bens de empresa pública federal.
Comentários:
a) ERRADA. A desapropriação é a retirada da propriedade de forma
definitiva. Portanto, não se presta para satisfazer necessidades coletivas
transitórias. Para os casos apresentados no item – perigo iminente,
calamidade pública ou irrupção de epidemias – o instituto adequado é a

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requisição administrativa.
b) ERRADA. De fato, o STJ possui uma Súmula a respeito do prazo
prescricional para que o proprietário vítima da desapropriação indireta ajuíze a
ação visando à indenização pelas perdas e danos dela decorrentes. Trata-se da
Súmula 119, que diz: “a ação de desapropriação indireta prescreve em
vinte anos”. Portanto, o item erra ao falar em cinco anos. Não obstante,
ressalte-se que a referida Súmula foi editada com base no Código Civil antigo,
de 1916, aplicando por analogia o prazo prescricional de vinte anos então
previsto para a ação de usucapião extraordinário. O Código Civil atual, de
2002, reduziu esse prazo para dez anos, razão pela qual a jurisprudência do
STJ tem evoluído para considerar que a ação de desapropriação indireta
prescreve em dez, e não em vinte anos. Esse tema, porém, ainda não está
pacificado na jurisprudência.
c) ERRADA. A hipoteca não impede o prosseguimento do procedimento
de desapropriação. No caso de ônus reais (ex: hipoteca, penhor e anticrese),
esses ficam sub-rogados no preço da indenização.
d) CERTA, nos exatos termos do art. 8º do Decreto-lei 3.365/1941:
Art. 8o O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo,
neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua efetivação.
e) ERRADA. Em regra, é vedado ao Município desapropriar bens da União
e das respectivas entidades da administração indireta, exceto se houver
autorização do Presidente da República, mediante decreto. Essa ressalva não
possui previsão expressa na lei, mas constitui um entendimento doutrinário e
jurisprudencial pacífico. Perceba que a assertiva fala em “presentes os
requisitos legais”, o que reforça o erro.
Gabarito: alternativa “d”

42. (Cespe – MPTCE/PB 2014) Assinale a opção correta acerca da intervenção no


domínio econômico por meio da desapropriação.
a) No cálculo da verba advocatícia nas ações de desapropriação, devem ser
excluídas as parcelas relativas aos juros compensatórios e moratórios.
b) As concessionárias de serviços públicos, quando do exercício das funções
delegadas pelo poder público, poderão promover desapropriações mediante
autorização expressa, constante de lei ou contrato.
c) O poder público pode desistir do processo expropriatório, inclusive no curso da
ação judicial, sem a obrigação de pagar indenização ao expropriado.
d) O expropriado pode pleitear indenização, pelo instituto da retrocessão, em razão
de o imóvel não ter sido utilizado para os fins declarados no decreto expropriatório,
sendo-lhe vedado, contudo, reivindicar a propriedade expropriada, por se tratar de

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bem já incorporado ao patrimônio público.


e) Compete privativa e exclusivamente à União legislar sobre desapropriação,
competindo, no entanto, a todos os entes federativos declarar a utilidade pública ou
o interesse social de bem imóvel para fins de reforma agrária.
Comentário: vamos analisar cada assertiva:
a) ERRADA. A indenização paga nos processos de desapropriação deve
ser justa e, para tanto, deve abranger não só o valor atual do bem, como
também os danos emergentes e os lucros cessantes decorrentes da perda da
propriedade, além dos juros moratórios e compensatórios, da atualização
monetária, das despesas judiciais e dos honorários advocatícios. Em relação
aos honorários advocatícios, segundo a jurisprudência do STJ, devem ser
calculados sobre a diferença entre a oferta inicial e o valor da indenização,
acrescidos de juros moratórios e compensatórios, todas essas parcelas
corrigidas monetariamente.
b) CERTA. Importante lembrar que as concessionárias de serviços
públicos podem “promover” a desapropriação, isto é, adotar as medidas da
fase executória, incluindo o pagamento da indenização; por outro lado, elas
não podem “declarar” o interesse público na desapropriação (fase
declaratória), ato este exclusivo do Estado, emitido por intermédio de decreto
do Executivo ou de lei aprovada pelo Legislativo. Detalhe é que a competência
das concessionárias para promover a desapropriação deve estar autorizada
expressamente em lei ou contrato.
c) ERRADA. Antes de efetivada a transferência do bem, o Poder Público
pode desistir da desapropriação, caso desapareçam as razões que a
motivaram. A desistência pode ocorrer, inclusive, no curso da ação judicial. O
erro é que, na hipótese de desistência, o proprietário faz jus à indenização por
todos os prejuízos causados pelo expropriante.
d) ERRADA. Ao contrário do que afirma o item, o instituto da retrocessão
garante ao ex-proprietário reivindicar de volta a propriedade expropriada, em
razão de o imóvel não ter sido utilizado para alguma finalidade pública
(tredestinação ilícita). Apenas na hipótese de não ser possível o retorno do
bem para o ex-proprietário é que este passa a ter direito à indenização por
perdas e danos.
e) ERRADA. O primeiro erro é que a competência para legislar sobre
desapropriação é privativa da União, mas poderá ser delegada aos Estados e
ao Distrito Federal (não aos Municípios), para o trato de questões específicas,
desde que a delegação seja efetivada por meio de lei complementar (CF, art.
22, parágrafo único). O outro erro é que compete apenas à União declarar o
interesse social de imóvel rural para fins de reforma agrária (CF, art. 184).
Gabarito: alternativa “b”

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Pronto, ficamos por aqui. Espero que tenha aproveitado mais esta
aula.

Qualquer dúvida, poste lá no fórum, ok?

Erick Alves

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▪ Necessidade pública: a desapropriação é necessária (casos de urgência);


Pressupostos
▪ Utilidade pública: a desapropriação é conveniente e vantajosa, mas não imprescindível;
da
desapropriação ▪ Interesse social: melhor aproveitamento da propriedade em benefício da coletividade
(ex: reforma agrária).

▪ Exige autorização legislativa, emanada do ente que está promovendo a desapropriação;


▪ Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser
desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados;
Desapropriação
de bens ▪E menor não pode desapropriar os bens de entidades da
públicos administração indireta maior salvo se houver
P E ecreto;
▪ A mesma regra vale para bens de delegatárias de serviço público que estejam
diretamente empregados na prestação do serviço.

➢ Procedimento da desapropriação:
✓ Fase declaratória: por decreto do Poder Executivo ou por lei do Poder Legislativo. A declaração fixa o
estado do bem para fins de indenização. Caduca em 5 anos (se for por interesse social, caduca em 2 anos).
✓ Fase executória: pode ser promovida pelas entidades da administração indireta e pelas delegatárias de
serviços públicos (estas, se autorizadas por lei ou contrato). Pode ser administrativa ou judicial. No
processo judicial só se discute o valor da indenização ou vício processual.

➢ Indenização:
▪ Justa, prévia e em dinheiro (regra).
▪ Pode ser em títulos da dívida pública, no caso de desapropriação por descumprimento do plano diretor do
Município ou em títulos da dívida agrária, no caso de desapropriação rural para reforma agrária (neste
último caso, benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro).
▪ Abrange o valor total do bem, assim como danos emergentes, os lucros cessantes, juros moratórios e
compensatórios, atualização monetária, despesas judiciais e honorários advocatícios.
▪ Ônus reais (penhor, hipoteca) ficam sub-rogados no preço.
▪ Benfeitorias feitas após a declaração: cobrirá apenas as necessárias e, se autorizadas, as úteis; jamais as
voluptuárias.

➢ Imissão provisória na posse: desde que haja declaração de urgência pelo Poder Público e depósito prévio. Dá
direito a juros compensatórios.

➢ Desapropriação indireta: desapropriação sem observância do devido processo legal, que gera uma situação
fática irreversível. Dá direito a indenização por perdas e danos. Prazo de prescrição, segundo o STJ: 10 anos.

➢ Direito de extensão: em caso de desapropriação parcial, quando a parte não expropriada do bem se torna
inútil ou sem valor econômico. Pode pedir que a desapropriação seja estendida a todo o bem.

➢ Tredestinação: dar ao bem expropriado uma destinação diferente da prevista no ato expropriatório.
✓ Lícita: a destinação é diferente, mas não deixa de observar o interesse público; não dá direito a retrocessão.
✓ Ilícita: a destinação é diferente e não atende o interesse público (desvio de finalidade).

➢ Retrocessão: é o direito que tem o expropriado de exigir de volta o seu imóvel caso o Poder Público não dê a
ele o destino que motivou a sua desapropriação, nem outro destino que atenda o interesse público. O
proprietário, para reaver o bem, deve pagar o seu valor atual (e não o valor que recebeu de indenização).

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QUESTÕES COMENTADAS NA AULA

1. (Cespe – AGU 2009) Servidão administrativa é um direito real de gozo que independe
de autorização legal, recaindo sobre imóvel de propriedade alheia. Sejam públicas ou
privadas, as servidões se caracterizam pela perpetuidade, podendo, entretanto, ser extintas
no caso de perda da coisa gravada ou de desafetação da coisa dominante. Em regra, não
cabe indenização quando a servidão, incidente sobre imóvel determinado, decorrer de
decisão judicial.

2. (Cespe – DP/MA 2011) O poder público comunicou a Maria que, em atendimento a


interesse coletivo, precisaria erguer postes de energia elétrica dentro de sua propriedade
privada para levar luz a um vilarejo próximo, instituindo direito real sobre a área atingida.
Nessa situação hipotética, incide, sobre o bem de Maria,
a) concessão de uso.
b) limitação administrativa.
c) servidão administrativa.
d) ocupação temporária.
e) desapropriação indireta.

3. (FGV – OAB 2013) A fim de permitir o escoamento da produção até uma refinaria,
uma empresa pública federal, que explora a prospecção de petróleo em um campo terrestre,
inicia a construção de um oleoduto. O único caminho possível para essa construção
atravessa a propriedade rural de Josenildo que, em razão do oleoduto, teve que diminuir o
espaço de plantio de mamão e, com isso, viu sua renda mensal cair pela metade.
Assinale a afirmativa que indica a instrução correta que um advogado deve passar a
Josenildo.
a) Não há óbice à constituição da servidão administrativa no caso, mas cabe indenização
pelos danos decorrentes dessa forma de intervenção na propriedade.
b) A servidão administrativa é ilegal e Josenildo pode desconstituí-la, pois o instituto só tem
aplicação em relação aos bens públicos.
c) A servidão administrativa é ilegal, pois o nosso ordenamento veda a intervenção do
Estado sobre propriedades produtivas.
d) Não há óbice à constituição da servidão administrativa e não há de se falar em qualquer
indenização.

4. (FGV – OAB 2017) O Município Beta foi assolado por chuvas que provocaram o
desabamento de várias encostas, que abalaram a estrutura de diversos imóveis, os quais
ameaçam ruir, especialmente se não houver imediata limpeza dos terrenos comprometidos.
Diante do iminente perigo público a residências e à vida de pessoas, o Poder Público deve,
prontamente, utilizar maquinário, que não consta de seu patrimônio, para realizar as
medidas de contenção pertinentes.

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Assinale a opção que indica a adequada modalidade de intervenção na propriedade privada
para a utilização do maquinário necessário.
A) Requisição administrativa.
B) Tombamento.
C) Desapropriação.
D) Servidão administrativa.

5. (Cespe – DPU 2010) O poder público pode intervir na propriedade do particular por
atos que visem satisfazer as exigências coletivas e reprimir a conduta antissocial do
particular. Essa intervenção do Estado, consagrada na Constituição Federal, é regulada por
leis federais que disciplinam as medidas interventivas e estabelecem o modo e a forma de
sua execução, condicionando o atendimento do interesse público ao respeito às garantias
individuais previstas na Constituição. Acerca da intervenção do Estado na propriedade
particular, julgue o item subsequente.
No caso de requisição de bem particular, se este sofrer qualquer dano, caberá indenização
ao proprietário.

6. (Cespe – DP/DF 2013) A requisição administrativa é ato unilateral e autoexecutório


por meio do qual o Estado, em caso de iminente perigo público, utiliza bem móvel ou imóvel.
Esse instituto administrativo, a exemplo da desapropriação, não incide sobre serviços.

7. (Cespe – TCE/ES 2013) Considere que um imóvel particular localizado em área de


grande circulação seja objeto de requisição pela prefeitura para o atendimento de
necessidades coletivas urgentes e transitórias. Nessa situação,
a) ocorrerá utilização coativa por ato de execução imediata e direta da autoridade
requisitante.
b) o imóvel será destinado, após o atendimento à necessidade imediata, para uso
beneficente de acordo com o interesse público.
c) a utilização se dará de forma gratuita, sem indenização ao proprietário, em caso de
atendimento a calamidade pública.
d) o bem será alienado para a administração pública, que pagará o equivalente ao valor
venal do imóvel.
e) o proprietário poderá recusar a requisição.

8. (Cespe – DPU 2010) O poder público pode intervir na propriedade do particular por
atos que visem satisfazer as exigências coletivas e reprimir a conduta antissocial do
particular. Essa intervenção do Estado, consagrada na Constituição Federal, é regulada por
leis federais que disciplinam as medidas interventivas e estabelecem o modo e a forma de
sua execução, condicionando o atendimento do interesse público ao respeito às garantias
individuais previstas na Constituição. Acerca da intervenção do Estado na propriedade
particular, julgue o item subsequente.

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De acordo com a lei, denomina-se ocupação temporária a situação em que agente policial
obriga o proprietário de veículo particular em movimento a parar, a fim de utilizar este na
perseguição a terrorista internacional que porta bomba, para iminente detonação.

9. (Cespe – TJ/PI Juiz – 2012) As limitações administrativas, como forma de restrição da


propriedade privada, impõem ao Estado a obrigação de indenizar o proprietário pelo uso de
imóvel particular.

10. (Cespe – TJ/PI Juiz – 2012) O tombamento pode ser voluntário ou compulsório,
provisório ou definitivo, conforme a manifestação da vontade ou a eficácia do ato.

11. (Cespe – AGU 2009) O instituto do tombamento provisório não é uma fase
procedimental antecedente do tombamento definitivo, mas uma medida assecuratória da
eficácia que este último poderá, ao final, produzir. A caducidade do tombamento provisório,
por excesso de prazo, não é prejudicial ao tombamento definitivo.

12. (FGV – OAB 2010) Acerca do tombamento, como uma das formas de o Estado intervir
na propriedade privada, os proprietários passam a ter obrigações negativas que estão
relacionadas nas alternativas a seguir, à exceção de uma. Assinale-a.
(A) Os proprietários são obrigados a colocar os seus imóveis tombados à disposição da
Administração Pública para que possam ser utilizados como repartições públicas, quando da
necessidade imperiosa de utilização, a fim de suprir a prestação de serviços pelo Estado de
forma eficiente.
(B) Os proprietários são obrigados a suportar a fiscalização dos órgãos administrativos
competentes.
(C) Os proprietários não podem destruir, demolir ou mutilar o bem imóvel e somente
poderão restaurá-lo, repará-lo ou pintá-lo após a obtenção de autorização especial do órgão
administrativo competente.
(D) Os proprietários não podem alienar os bens, ressalvada a possibilidade de transferência
para uma entidade pública.

13. (FGV – OAB 2011) Com relação à intervenção do Estado na propriedade, assinale a
alternativa correta.
(A) A requisição administrativa é uma forma de intervenção supressiva do Estado na
propriedade que somente recai em bens imóveis, sendo o Estado obrigado a indenizar
eventuais prejuízos, se houver dano.
(B) A limitação administrativa é uma forma de intervenção restritiva do Estado na
propriedade que consubstancia obrigações de caráter específico e individualizados a
proprietários determinados, sem afetar o caráter absoluto do direito de propriedade.
(C) A servidão administrativa é uma forma de intervenção restritiva do Estado na
propriedade que afeta as faculdades de uso e gozo sobre o bem objeto da intervenção, em
razão de um interesse público.

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(D) O tombamento é uma forma de intervenção do Estado na propriedade privada que
possui como característica a conservação dos aspectos históricos, artísticos, paisagísticos e
culturais dos bens imóveis, excepcionando-se os bens móveis.

14. (FGV – OAB 2012) O Município Y promove o tombamento de um antigo bonde, já


desativado, pertencente a um colecionador particular. Nesse caso,
a) o proprietário pode insurgir se contra o ato do tombamento, uma vez que se trata de um
bem móvel.
b) o proprietário fica impedido de alienar o bem, mas pode propor ação visando a compelir o
Município a desapropriar o bem, mediante remuneração.
c) o proprietário poderá alienar livremente o bem tombado, desde que o adquirente se
comprometa a conservá lo, de conformidade com o ato de tombamento.
d) o proprietário do bem, mesmo diante do tombamento promovido pelo Município, poderá
gravá lo com o penhor.

15. (ESAF – PGFN 2007) Com relação aos bens públicos analise os itens a seguir:
I. as margens dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis de expropriação e,
por isso mesmo, excluídas de indenização.
II. servidão de trânsito não-titulada, mas tornada permanente, sobretudo pela natureza das
obras realizadas, considera-se não-aparente, não conferindo direito à proteção possessória.
III. uma das características das servidões públicas é a perpetuidade, entretanto, a coisa
dominante também se extingue caso seja desafetada, não podendo extinguir-se pela
afetação.
IV. em regra não cabe direito à indenização quando a servidão decorre diretamente da lei.
V. o tombamento pode atingir bens de qualquer natureza: móveis ou imóveis, materiais ou
imateriais, públicos ou privados.
Assinale a opção correta.
a) Apenas os itens II e III estão incorretos.
b) Apenas os itens I e II estão corretos.
c) Apenas o item III está incorreto.
d) Apenas o item I está correto.
e) Todos os itens estão incorretos.

16. (ESAF – DNIT 2013) A respeito do tombamento e considerando a jurisprudência do


Superior Tribunal de Justiça acerca do tema, assinale a opção incorreta.
a) Cabe ao proprietário a responsabilidade pela conservação e manutenção do bem
tombado.
b) É atribuição do Instituto de Patrimônio Histórico Nacional fiscalizar e proteger o patrimônio
histórico e cultural no uso regular de seu poder de polícia.

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c) O Estado, em situação de emergência, somente tem obrigação de providenciar o início
dos trabalhos necessários à conservação do bem tombado após a comunicação do
proprietário.
d) A ação civil pública pode ser intentada para proteger os bens de valor histórico.
e) Na comprovação de incapacidade econômico-financeira do proprietário, compete ao
Poder Público o encargo de conservar e reparar o bem tombado.

17. (ESAF – DNIT 2013) Segundo o Decreto-Lei N. 25, de 30 de novembro de 1937,


“constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis
existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a
fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou
etnográfico, bibliográfico ou artístico (artigo 1º)”. Entre as afirmativas abaixo, sobre o
patrimônio histórico e artístico brasileiro e sobre o Decreto-Lei N. 25, 30/11/37, assinale a
opção correta.
a) Não são sujeitos a tombamento sítios naturais e as paisagens.
b) Estão incluídas ao patrimônio histórico e artístico nacional as obras de origem estrangeira
que pertençam às representações diplomáticas ou consulares acreditadas no país.
c) O tombamento de coisa pertencente à pessoa natural ou à pessoa jurídica de direito
privado se fará somente de forma voluntária.
d) As coisas tombadas, que pertençam à União, aos Estados ou aos Municípios,
inalienáveis por natureza, só poderão ser transferidas de uma à outra das referidas
entidades.
e) A coisa tombada não poderá sair do Brasil.

18. (Cespe – TJ/RR 2013) No que se refere ao tombamento, assinale a opção correta.
a) A partir do tombamento, o bem torna-se inalienável.
b) A partir do tombamento, o bem somente poderá ser alienado à União, se ela for a
instituidora do gravame.
c) O tombamento de bens de valor histórico ou artístico é de competência privativa da
União.
d) A partir do tombamento, o bem somente poderá ser alienado depois de exercido o direito
de preferência pela União, pelos estados e pelos municípios, nessa ordem.
e) Os bens móveis públicos não são passíveis de tombamento.

19. (Cespe – OAB 2010) Acerca da desapropriação e dos institutos a ela relacionados,
assinale a opção correta.
a) Tratando-se de desapropriação por utilidade pública para a realização de obra, as áreas
contíguas necessárias à execução da obra poderão ser abrangidas pela desapropriação,
independentemente da inclusão dessas áreas na declaração de utilidade pública.
b) A fase declaratória, durante a qual o poder público manifesta sua vontade na futura
desapropriação, é iniciada com a declaração expropriatória e formalizada por meio de ato

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exclusivo do chefe do Poder Executivo federal, estadual ou municipal; por isso, não pode o
dirigente máximo de autarquia ou de agência reguladora, por exemplo, expedir declaração
expropriatória.
c) O decreto expropriatório caduca no prazo de cinco anos caso a desapropriação por
utilidade pública não seja efetivada mediante acordo ou judicialmente, sendo o termo final
desse prazo, para as desapropriações que correrem na via judicial, o do trânsito em julgado
da ação de desapropriação.
d) No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou utilidade
pública e interesse social, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do
bem, os juros moratórios destinam-se a recompor a perda decorrente do atraso no efetivo
pagamento da indenização fixada na sentença; desse modo, só serão devidos esses juros
se o pagamento não for feito até 1.º de janeiro do exercício seguinte àquele em que o
pagamento deveria ter sido feito.

20. (FGV – OAB 2010) Nas hipóteses de desapropriação, em regra geral, os requisitos
constitucionais a serem observados pela Administração Pública são os seguintes:
a) comprovação da necessidade ou utilidade pública ou de interesse social; pagamento de
indenização prévia ao ato de imissão na posse pelo Poder Público, e que seja justa e em
dinheiro; e observância de ato administrativo, sem contraditório por parte do proprietário.
b) comprovação da necessidade ou utilidade pública ou de interesse social; pagamento de
indenização prévia ao ato de imissão na posse pelo Poder Público, e que seja justa e em
dinheiro; e observância de procedimento administrativo, com respeito ao contraditório e
ampla defesa por parte do proprietário.
c) comprovação da necessidade ou utilidade pública ou de interesse social; pagamento de
indenização prévia ao ato de imissão na posse pelo Poder Público, e que seja justa e em
títulos da dívida pública ou quaisquer outros títulos públicos, negociáveis no mercado
financeiro; e observância de procedimento administrativo, com respeito ao contraditório e
ampla defesa por parte do proprietário.
d) comprovação da necessidade ou utilidade pública ou de interesse social; pagamento de
indenização, posteriormente ao ato de imissão na posse pelo Poder Público, e que seja
justa e em dinheiro; e observância de procedimento administrativo, com respeito ao
contraditório e ampla defesa por parte do proprietário.

21. (FGV – OAB 2012) A desapropriação é um procedimento administrativo que possui


duas fases: a primeira, denominada declaratória e a segunda, denominada executória.
Quanto à fase declaratória, assinale a afirmativa correta.
A) Acarreta a aquisição da propriedade pela Administração, gerando o dever de justa
indenização ao expropriado.
B) Importa no início do prazo para a ocorrência da caducidade do ato declaratório e gera,
para a Administração, o direito de penetrar no bem objeto da desapropriação.
C) Implica a geração de efeitos, com o titular mantendo o direito de propriedade plena, não
tendo a Administração direitos ou deveres.

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D) Gera o direito à imissão provisória na posse e o impedimento à desistência da
desapropriação.

22. (FGV – OAB 2012) A União, após regular licitação, realiza concessão de determinado
serviço público a uma sociedade privada. Entretanto, para a efetiva prestação do serviço, é
necessário realizar algumas desapropriações. A respeito desse caso concreto, assinale a
afirmativa correta.
a) A sociedade concessionária poderá promover desapropriações mediante autorização
expressa, constante de lei ou contrato.
b) As desapropriações necessárias somente poderão ser realizadas pela União, já que a
concessionária é pessoa jurídica de direito privado.
c) O ingresso de autoridades administrativas nos bens desapropriados, declarada a utilidade
pública, somente será lícito após a obtenção de autorização judicial.
d) Os bens pertencentes ao(s) Município(s) inserido(s) na área de prestação do serviço não
poderão ser desapropriados, mesmo que haja autorização legislativa.

23. (FGV – OAB 2012) A empresa pública federal X, que atua no setor de pesquisas
petroquímicas, necessita ampliar sua estrutura, para a construção de dois galpões
industriais. Para tanto, decide incorporar terrenos contíguos a sua atual unidade de
processamento, mediante regular processo de desapropriação.
A própria empresa pública declara aqueles terrenos como de utilidade pública e inicia as
tratativas com os proprietários dos terrenos – que, entretanto, não aceitam o preço oferecido
por aquela entidade. Nesse caso,
a) se o expropriante alegar urgência e depositar a quantia arbitrada de conformidade com a
lei, terá direito a imitir-se provisoriamente na posse dos terrenos.
b) a desapropriação não poderá consumar se, tendo em vista que não houve concordância
dos titulares dos terrenos.
c) a desapropriação demandará a propositura de uma ação judicial e, por não haver
concordância dos proprietários, a contestação poderá versar sobre qualquer matéria.
d) os proprietários poderão opor se à desapropriação, ao fundamento de que a empresa
pública não é competente para declarar um bem como de utilidade pública.

24. (FGV – OAB 2013) Após regular procedimento de desapropriação, fundado no


Decreto Lei n. 3.365/41, um Estado da Federação assume o domínio do imóvel
anteriormente titularizado por Gilberto. A desapropriação foi realizada com a finalidade de
construir uma escola pública no local (Art. 5º, ‘m’, do Decreto Lei n. 3.365 / 41). No entanto,
após algum tempo, Gilberto descobre que a utilização do imóvel foi transferida, sem
qualquer formalidade, ao diretório regional do partido do governador do Estado. Indignado
com a situação, Gilberto procura um advogado para orientá-lo. Nesse caso, assinale a
afirmativa que indica o correto esclarecimento a ser dado pelo advogado.
a) A conduta do Estado não é vedada pelo ordenamento jurídico, não obstante a destinação
diversa dada ao imóvel.

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b) A conduta do Estado não é passível de controle judicial, porque diz respeito ao mérito
administrativo, o que é vedado segundo nosso ordenamento jurídico.
c) Uma demanda judicial deve ser ajuizada, visando declarar a nulidade do ato de
desapropriação ao argumento de ocorrência de tredestinação ilícita.
d) O ato não pode ser invalidado judicialmente, somente restando a Gilberto ajuizar uma
demanda, postulando reparação pelos danos materiais e morais sofridos.

25. (FGV – OAB 2014) Acerca da desapropriação, assinale a afirmativa correta.


a) Na desapropriação por interesse social, o expropriante tem o prazo de cinco anos,
contados da edição do decreto, para iniciar as providências de aproveitamento do bem
expropriado.
b) Na desapropriação por interesse social, em regra, não se exige o requisito da indenização
prévia, justa e em dinheiro.
c) O município pode desapropriar um imóvel por interesse social, mediante indenização
prévia, justa e em dinheiro.
d) A desapropriação para fins de reforma agrária da propriedade que não esteja cumprindo
a sua função social não será indenizada.

26. (FGV – OAB 2015) O Município W, durante a construção de avenida importante,


ligando a região residencial ao centro comercial da cidade, verifica a necessidade de
ampliação da área a ser construída, mediante a incorporação de terrenos contíguos à área
já desapropriada, a fim de permitir o prosseguimento das obras. Assim, expede novo
decreto de desapropriação, declarando a utilidade pública dos imóveis indicados, adjacentes
ao plano da pista. Diante deste caso, assinale a opção correta.
a) É válida a desapropriação, pelo Município W, de imóveis a serem demolidos para a
construção da obra pública, mas não a dos terrenos contíguos à obra.
b) Não é válida a desapropriação, durante a realização da obra, pelo Município W, de novos
imóveis, qualquer que seja a finalidade.
c) É válida, no curso da obra, a desapropriação, pelo Município W, de novos imóveis em
área contígua necessária ao desenvolvimento da obra.
d) Em relação às áreas contíguas à obra, a única forma de intervenção estatal da qual pode
se valer o Município W é a ocupação temporária.

27. (FGV – OAB 2013) O Município de Barra Alta realizou a desapropriação de grande
parcela do imóvel de Manoel Silva e deixou uma parcela inaproveitável para o proprietário.
No caso descrito, o proprietário obterá êxito se pleitear
a) a reintegração de posse de todo o imóvel em função da má-fé do Município.
B) o direito de extensão da desapropriação em relação à área inaproveitável.
C) a anulação da desapropriação em relação à parcela do imóvel suficiente para tornar a
área restante economicamente aproveitável.
D) a anulação integral da desapropriação, pois a mesma foi ilegal.

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28. (Cespe – TJ/PI Juiz – 2012) A União pode desapropriar bens dos estados, do DF e
dos municípios, tendo os estados e os municípios, por sua vez, o poder de desapropriar
bens entre si, mas não bens da União.

29. (Cespe – MPOG 2012) Com base na Lei n.º 3.365/1941 e suas alterações, bem como
nos instrumentos de controle urbanístico, julgue o item consecutivo.
A construção de um estádio está prevista no corpo da lei como caso de utilidade pública,
podendo ser feita desapropriação para a execução da obra. Ao Poder Legislativo caberá
decretar e tomar medidas de desapropriação, e ao Judiciário, analisar e decidir se o caso de
utilidade pública se caracteriza ou não.

30. (Cespe – AGU 2012) Sujeitam-se à desapropriação o espaço aéreo, o subsolo, a


posse, bem como direitos e ações, entre outros bens, desde que sejam privados e se
tornem objeto de declaração de utilidade pública ou de interesse social.

31. (Cespe – DP/DF 2013) Os juros compensatórios, que podem ser cumulados com os
moratórios, incidem tanto sobre a desapropriação direta quanto sobre a indireta, sendo
calculados sobre o valor da indenização, com a devida correção monetária; entretanto,
independem da produtividade do imóvel, pois decorrem da perda antecipada da posse.

32. (Cespe – TRF2 Juiz – 2013) Os juros compensatórios e moratórios, na


desapropriação, não são cumuláveis, sendo devidos apenas os juros compensatórios, os
quais são pagos na desapropriação direta, a partir da efetiva ocupação do imóvel.

33. (Cespe – DP/DF 2013) A desapropriação é forma originária de aquisição de


propriedade que libera o bem de qualquer ônus que sobre ele incida, ou seja, se o bem
estiver gravado com algum encargo, será repassado para o poder público sem nenhum
ônus, não havendo, inclusive, a incidência de imposto sobre esse tipo de operação de
transferência de imóveis. Entretanto, segundo o STJ, incidirá imposto de renda sobre verba
recebida pelo proprietário a título de indenização decorrente de desapropriação.

34. (Cespe – PGE/BA 2014) Caso um governador resolva desapropriar determinado


imóvel particular com o objetivo de construir uma creche para a educação infantil e,
posteriormente, com fundamento no interesse público e em situação de urgência, mude a
destinação do imóvel para a construção de um hospital público, o ato deve ser anulado, por
configurar tredestinação ilícita.

35. (ESAF – GDF 2007) A desapropriação-confisco, disciplinada no art. 243 da


Constituição Federal de 1988, tem por objetivo a expropriação de glebas em que sejam
localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas, as quais passam a ser destinadas ao
assentamento de colonos para cultivo de produtos alimentícios e medicamentosos, gerando
ao Poder Público o dever de indenizar o proprietário, face o princípio do enriquecimento sem
causa Estatal, sem prejuízo das sanções previstas em lei.

36. (ESAF – CGU 2001) Em relação à desapropriação, não é correto afirmar:


a) Os ônus e direitos que existiam em relação ao bem expropriado extinguem-se e ficam
sub-rogados no preço.

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b) A desapropriação é forma originária de aquisição de propriedade.
c) A prova de domínio deverá ser feita, pelo proprietário, apenas no momento de levantar a
indenização.
d) Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto
de reivindicação.
e) Para propositura da ação judicial de desapropriação é essencial a identificação do
proprietário do bem.

37. (ESAF – PGFN 2003) Assinale a opção correta.


a) A competência para desapropriar imóvel rural para fins de reforma agrária pertence
exclusivamente à União e aos Estados.
b) São imunes a impostos federais, estaduais, municipais e distritais, as operações de
transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.
c) Na desapropriação de imóvel rural por interesse social, para fins de reforma agrária, o
pagamento da indenização, inclusive das benfeitorias úteis e necessárias, será feito em
títulos da dívida agrária.
d) Os títulos da dívida agrária não decorrem do sistema financeiro comum, motivo pelo qual
não são passíveis de negociação no mercado.
e) Apenas nos casos expressamente estabelecidos em lei, poderá a propriedade produtiva
ser desapropriada para fins de reforma agrária.

38. (ESAF – PGFN 2006) Determinado Município pretende desapropriar direitos


representativos do capital de instituição cujo funcionamento depende de autorização do
Governo Federal, e que se submete à fiscalização deste. Tal pretensão
a) não poderá se concretizar, pois direitos representativos de capital de uma determinada
instituição não podem ser objeto de desapropriação.
b) não encontra amparo no Direito Brasileiro, pois os Municípios só têm competência para
desapropriar áreas urbanas.
c) não poderá se concretizar, pois somente a União poderia realizar a referida
desapropriação.
d) somente poderá se concretizar se houver prévia autorização do Presidente da República,
por meio de Decreto.
e) poderá se concretizar, desde que a instituição tenha funcionamento exclusivamente no
próprio Município, e independentemente de prévia autorização de membros de outro ente da
Federação, sob pena de violação do pacto federativo.

39. (ESAF – PGFN 2006) A desapropriação que ocorre em uma área maior que a
necessária à realização de uma obra, com vistas a que seja reservada para posterior
desenvolvimento da própria obra, é hipótese de

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a) desapropriação indireta, por já ter o Supremo Tribunal Federal pacificado o entendimento
de ser inconstitucional a perda de propriedade por alguém para que o bem fique,
simplesmente, reservado para utilização futura.
b) desapropriação indireta, vez que a desapropriação em área maior do que a inicialmente
necessária somente seria juridicamente viável para assentamentos rurais, em atividades
concernentes à Reforma Agrária.
c) direito de extensão, reconhecido ao poder público quando razões de utilidade pública ou
interesse social justifiquem a medida.
d) desapropriação por zona, expressamente prevista em legislação que disciplina a
desapropriação por utilidade pública.
e) desapropriação por interesse social, tendo em vista que a destinação do bem se dará no
interesse da coletividade.

40. (ESAF – DNIT 2013) No que se refere à desapropriação por utilidade pública e
interesse social, com base no Decreto-Lei n. 3.365/41 e na Lei n. 4.132/62, é incorreto
afirmar que:
a) a desapropriação por interesse social será decretada para promover a justa distribuição
da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem estar social.
b) consideram-se de interesse social, entre outros, a proteção do solo e a preservação de
cursos e mananciais de água e de reservas florestais, além das terras e águas suscetíveis
de valorização extraordinária, pela conclusão de obras e serviços públicos, notadamente de
saneamento, portos, transporte, eletrificação, armazenamento de água e irrigação, no caso
em que não sejam ditas áreas socialmente aproveitadas.
c) são prerrogativas do Poder Executivo tomar a iniciativa da desapropriação e praticar os
atos necessários à sua efetivação.
d) a declaração de utilidade pública far-se-á por decreto do Poder Executivo.
e) aquele cujo bem for prejudicado extraordinariamente em sua destinação econômica pela
desapropriação de áreas contíguas terá direito a reclamar perdas e danos do expropriante.

41. (Cespe – TJ/BA 2012) Considerando a disciplina que rege a desapropriação, assinale
a opção correta.
a) A União poderá desapropriar bens para atendimento de necessidades coletivas, urgentes
e transitórias, decorrentes de situações de perigo iminente, de calamidade pública ou de
irrupção de epidemias.
b) Conforme entendimento sumulado pelo STJ, o prazo prescricional da ação de
desapropriação indireta é de cinco anos.
c) Caso recaia hipoteca sobre o imóvel a ser desapropriado, o poder público ficará impedido
de dar início ao processo expropriatório.
d) O Poder Legislativo pode tomar a iniciativa da desapropriação, cabendo, nesse caso, ao
Executivo praticar os atos necessários à sua efetivação.

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e) Um município é competente para, presentes os requisitos legais, desapropriar bens de
empresa pública federal.

42. (Cespe – MPTCE/PB 2014) Assinale a opção correta acerca da intervenção no


domínio econômico por meio da desapropriação.
a) No cálculo da verba advocatícia nas ações de desapropriação, devem ser excluídas as
parcelas relativas aos juros compensatórios e moratórios.
b) As concessionárias de serviços públicos, quando do exercício das funções delegadas
pelo poder público, poderão promover desapropriações mediante autorização expressa,
constante de lei ou contrato.
c) O poder público pode desistir do processo expropriatório, inclusive no curso da ação
judicial, sem a obrigação de pagar indenização ao expropriado.
d) O expropriado pode pleitear indenização, pelo instituto da retrocessão, em razão de o
imóvel não ter sido utilizado para os fins declarados no decreto expropriatório, sendo-lhe
vedado, contudo, reivindicar a propriedade expropriada, por se tratar de bem já incorporado
ao patrimônio público.
e) Compete privativa e exclusivamente à União legislar sobre desapropriação, competindo,
no entanto, a todos os entes federativos declarar a utilidade pública ou o interesse social de
bem imóvel para fins de reforma agrária.
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Referências:
Alexandrino, M. Paulo, V. Direito Administrativo Descomplicado. 22ª ed. São Paulo:
Método, 2014.
Bandeira de Mello, C. A. Curso de Direito Administrativo. 32ª ed. São Paulo: Malheiros,
2015.
Borges, C.; Sá, A. Direito Administrativo Facilitado. São Paulo: Método, 2015.
Carvalho Filho, J. S. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. São Paulo: Atlas, 2014.
Di Pietro, M. S. Z. Direito Administrativo. 28ª ed. São Paulo: Editora Atlas, 2014.
Furtado, L. R. Curso de Direito Administrativo. 4ª ed. Belo Horizonte: Fórum, 2013.
Knoplock, G. M. Manual de Direito Administrativo: teoria e questões. 7ª ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2013.
Justen Filho, Marçal. Curso de direito administrativo. 10ª ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2014.
Meirelles, H. L. Direito administrativo brasileiro. 41ª ed. São Paulo: Malheiros, 2015.
Scatolino, G. Trindade, J. Manual de Direito Administrativo. 2ª ed. JusPODIVM, 2014.

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