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para. a.
z·;tCÕi\tCóRDI

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UMA REVISTA PARA OS


ADULTOS --EM--·CRtSro

VERÃO - OUTONO 1978


IGREJ ..•.. LUTERANA

Revista Teológica-Pastora!
da Igreja Evangé!ica Luterana do Brasil
·Uma revista para os adultos em Cristo»
Ano: 38
Número: 1'·' e 2° trimestre de 1978
Assinatura anual:
Cr$ 80,00 para 1978
No exterior: US$ 9,50
NÚmero avulso: Cr$ 15,00

REDAÇÃO CENTRAL:

Rev. Leopoldo Heimann, Diretor de Publicações


Av. Pernambuco 2688, 90.000 PNto A!egre, RS,
a quem devem ser remetidos os manuscritos, car-
tas, críticas e sugestões.

CONSELHO REDATORIAL:

Dr. Johannes Rottmann


Dr. Dona!do Schüler
Rev, Leopoldo Heimann

QUADRO DE COLABORADORES:

Rev. Hans Horsch


Rev. Rudi Zimmer
Rev. Acir Raymann
Rev. Gerhard Grasel

EXPEDiÇÃO E ENCOMENDAS:

Concói"dia S. A. - Artes Gráficas e Embalagens


a quem devem ser dirigidos os pedidos de assi-
naturas, bem como os valores correspondentes à
assinatura.

ENDEREÇO:

Qualquer mudança de endereço eu


no número de assinaturas da revista
comunicados à Concórdia S. A. - A.:tes G:"à'ces
e Embalagens, Avenida do FOlie, 586, Ce;xs p",,-
tal 6150, 90.000, Porto Aleg:'e, RS.
s-dade - Um homem estabe-
sstado - Ortodoxia e pietis- APRESENT ANDO
;3 morávios de Herrnhut - O
passo para o ecumenismo.
=azão e Fé: O iluminismo - A
Apenas em casos muito especiais o
:orna-se independente - Pre- Departarnento de Comunicação progra-
2S ruas - As grandes igrejas ma edições duplas de algum dos diver-
::entes - Reavivamento é ati- sos periódicos da Igreja Evangélica Lu-
terana ·do Brasil.
A mensagem para o mundo
A presente edição da Igreja Lute-
o Caminho à Diaconia: \nter- rana é um destes casos especiais. A
-.;ssiano - União e liturgia - matéria é ampla demais para uma edi-
.-, e a «Missão Interna» - A ção simples e importante demais para
aparecer em série. Daí este número
[idade do papa» - O Kultur- duplo.
- Restauração e a questão so-
A época das obras sociais.
Além das seções normais --- men-
sagens, comentários, estudos homiléti-
O Século da «Maioridade»: As cos, informações eclesiásticas, recensões
no mundo - A grande guerra bibliográficas - esta edição tem como
onscientização das assim deno- destaque especial três estudos teológi-
s igrejas jovens - Luta eclesiás-
greja confessional - Catástro- o luteranismo celebrou, em 1977, o
NO início - Fraternidade na fé. 40" centenário de uma das mais im-
Jma caminhada milenar nos le- portantes confissões luteranas a
Fórmula dB Concórdia. Da:'la a impor-
stes 15 capítulos. Porém a lei- tância deste acontecimento histórico pa-
:oma-se para nós como se fosse ra uma igreja confessional «que aceita
'1e realmente cativante. Não de- todos os livros canônicos elas Escritu-
ras Sagradas como palavra infalível,
esquecer as ilustrações (geral- revelada por Deus; e como única ex-
desenhos ou, em muitos casos posição correta da Sagrada Escritura
,plícas de documentos antigos) aceita os livros 'simbólicos, reunidos no
)mamentam todos os capítulos. Livro de Concórdia de 1580», a Igreja
Evangélica Luterana do Brasil realizou
Jibliografia, de aproximadamente cultos, seminários e conferências espe-
);OS e um registro detalhado de ~'
ciais; enviou estudos às congregações
3 e assuntos, enriquecem o valor e publicou uma série de artigos em
ro que cordialmente recomendá- seus periódicos; escolheu como lema de
suas atividades para 1977-1978 as pala-
, cujo preço de, aproximadamen- vras de 1 Co 4.13: «Cremos, por isso
JO cruzeiros torna sua compra também falamos}); editou o livro come-
tive\. morativo «Fórmula de Concórdia
Johannes H. Rottmann Cremos, por isso Falamos», escrito pe-
lo Professor O. A. Goerl.
Lembrando ainda as festividades do
4" centenário da Fórmula de Concór-
dia e já pensando nas comemorações
do 4" centenário, em 1980, do Livro
de COllcórdia- que contém todas as
confissões luteranas - julgamos neces-
sário e oportuno publicar estes três es-
tudos teológicos que falam sobre ·,a

1
base, o caminho e a celebração da dos os que «são adultos em Cristo;;,
concórdia na igreja», Lembramos ainda que estes estudos po- f""'\ :&. ~ j

A IgTeja Luterana - Sinodo de Mis-


dem ser adquiridos em forma ,de livro,
pois formam o primeiro volume da sé-
BASE ~~~~}.

80uri, nos Estados Unidos. também. ela- rie «Ensa,ios Teológicos» que o Depar-
borou extenso programa paroquial em tamento de Comunicação está lançando.
torno do 4'1 centenário da Fórmula de
Concórdia, no período compreendido en- «(Três grandes pl'incípio.s bíblicos es-
"e os anos 1977-1979, sob o lema ge- tão envolvidOS na comemoração da con-
«Pm'u quP CTPsç.mnos», córdia: verdade. unidade e amol'),. afir- Kari Ran'.e' .
ma Bohlmann, ~ continua dizendo: "No
fosse ensinace -o
."- Comissão de Teologia e Relações Novo Testamento, a igreja não somen-
.'"siais promoveu, dentro das come- te fica sabendo quem ela é, mas ouve nenhuma muds", ~
~'.',:;:'ações especiais, uma «Gonvoca.ção o Senhor da igreja que, através de seus temporânec-::
de Teólogos)} no Seminário Concórdia evangelistas e apóstolos, a eX01~taa pro- doutrina
ele St. Louís, USA. durante os dias 7-9 clamar a sua verdade, isto é, a doutri-
de novembro de 1977 Sob a temática na pura do evangelho em todas as trina e p:-2~,:~.
«Fórmula. para a Concórdia» foram suas partes; a manter a unidade do Es- o mundo
apresentados e discutídos estes três en- pírito no vínculo da paz; e a manifes- plicações C:~
saios: tar o amor para com todos 0'8 homens. à vida s :,-0'
Ao examinarmos os princípios ecumê-
A Base para a Concórdia, pelo nicos e confessionais e suas implicações hoje em c
DI', Robert Preus, Diretor do Seminá- para nós, atualmente, sel'-nos-á pro- mula pare,
rio Concórdia de Fort vVayne, USA; veitoso tel' em mente que trê.s grandes terana PC
princípios bíblicos estão fundamental- conduzide
o Oaminho para a Concórdia, mente envolvidos em nosso relaciona-
pelo DI'. Martim C. Warth, Diretor do mento conl outros cristãos: verdade,
Seminário Concórdia de Porto Alegre, unidade e anlon" se a 19re,:2
RS. Brasil; cornparáve
A presente ediçào da Igreja Lute- Um Ç"~_::
- A Celebração da ConcÚrdia, pelo l'ana fala da «verdade, unidade e amor»
DI'. Ralph Bohlmann, Diretor do Semi- porque uma intime
nário Concór:lia de St, Louis, USA.
- Cremos, por isso também falamos, córdia dou te - c .
Conhecendo a profundidade, atuali- tendo por alvo o ttutivo. u,,' " o.
dade e importância destes três estudos,
reconlendamos o seu e.studo a todos os Para que ('resranlOS! Quando 2 ':::
colegas de ministério bem como a to- L. cüenteme"~2
sentido de - -:-::
o pr'Co::' o

esta relaçã,= "--


doutrinária e
também atue

---;0:- o
que é '-
fundamental de
flssão de Augsbuc;:
pode falal' sob,s : -,'
coisa que diz ee=:~ ':
cisão o que é ",
Confissão de Aus::;~-::
no artigo VIII,

2
d Jultos em Cristo>.
que estes estudos po-
':'3 em forma ,de livro,
limeiro volume da sé- BASE PARA A CONCÓRDIA
,lÓgicos» que o Depar-
,.::icação está lançando.
Escrito por Robert Preus
c~ ::nincípios biblicos es- Traduzido por Paulo W. Buss
:'omemoração da con-
'"idade e amor» afir-
:·:,ntinua dizendo'; "No Karl Rahner disse certa vez 1 que se a doutrina da Trindade não mais
a igreja não somen- fosse ensinada hoje na igreja católica romana, pt'ovavelmente não haveria
'_" e111 ela é, mas ouve nenhuma mudança real no culto e na prática dos católicos-romanos con-
c:", que, através de seus temporâneos. Com algumas modificações, o mesmo poderia ser dito da
. "·~tolos, a exorta a. pro-
.",,:hHle,isto é, a doutri- doutrina luterana da igreja na medida em que ela afeta a moderna dou-
:.:':g'elho em todas as trina e prática luterana. No decurso de gerações os luteranos de todo
,..c,,,ter a unidade do Es- o mundo agiram e viveram sem consciência aparente das necessárias im-
da paz; e a manifes- plicações da nossa eclesio!ogia luterana histórica confessional em ;-elação
:'0111 todos os homens.
os princ.ípios ecumê- à vida e prática da igreja, Em parte alguma este fato se evidencia tanto
:'3i5 e suas implicações hoje em dia quanto em discussões e atividades luteranas referentes à fór-
":ente, ser-nos-á pro- mula para concórdia no luteranismo contemporâneo e na participação lu-
"',.:':lte que três grandes terana no ecumenismo como um todo. Essa atividade foi muitas vezes
estão fundamental-
e 111 nosso relaciona- conduzida como se não houvesse uma doutrina luterana da igreja, como
-,~ cristãos: verdade, se não houvessem clat'as e infalíveis notas da igreja verdadeira, ou como
se a igreja nada mais fosse do que alguma espécie de societas externa,
comparável a um clube ou loja ou nação.
c'çào da Igreja Lute-
"ade, unidade e amor» Um estude das confissões luteranas indicará com clareza que eXiste
UlTla intima relação entre aquilo que é a igreja de Jesus Cristo entre o que
será a sua atividade em seus constantes empenhos pela unidade e con-
bso também falamos,
córdia doutrinária. Na verdade, a natureza da igreja é um elementc cons-
ttutivo, um pal'adigma, ou modelo, na fórmula para a concórdia da igreja,
Quando a' doutrina da igreja' é ignorada ou distorcida não haverá, conse-
Güentemente, nenhum empenho efetivo ou agradável a Deus (luterano) no
sentido de obter pureza de doutrina e unanimidade na doutrina.
O propósito deste ensaio será demonstl'ai' a partir das confissões
esta I'elação entre a natureza da igreja e sua busca por pureza e unidade
doutrinária e de apresentar a posição das confissões nessa questão que
também atualmente é crLlcial.

I, O Que é a Igreja?

o que é a igreja? Quais são os membros da igreja? Essa é a questão


fundamental de toda a eclesiologia, reconhecida por Melanchton na Con-
fissão de Augsburgo e, pelos católicos romanos, na Confutação. Não se
pode falal' sobre o assunto da unidade, concórdia, notas ou qualquer outm
coisa que diz I'espeito à igreja sem que se tenha estabelecido com pre-
cisão o que é a igreja. Devido a isso, Melanchton inicia o Artigo VII da
Confissão de Ausburgo com uma definição da igreja e repete a definição
no artigo VIII.
Essa definição da igreja é muito simples e franca, tanto assim que De acordo com a CJC - ~:

um teólogo poderia erroneamente concluir que a doutrina da igreja nunca vam a fé cristã, que ~::
foi totalmente examinada a fundo e que nunca foi apresentada uma defi- sob a autoridade eiS '::':":-;
nição finai em nossas confissões. Mas a doutrina da igreja nas nOssas mano Essa dout,-:,-::
confissões é urna posiçÊ'o fina! e bem refletida. E a posição luterana re- um critério para oue:, .. _, -
ferente à maneira correta de alcançar a unidade também está clara em a submissão à aUlC'::;:' ~
nossas confissões, enlbora colocada sucintamente. E a relação entre a na- pudesse ser membr:: ~;-
tureza da igreja e sua busca por unidade doutrinária, apesar de não esta- mente uma entidaes
belecida explicitamente. está, acredito eu, esboçada com suficiente força e forma que irregene-e:.::,
Clareza para que não houvesse dúvida a respeito. igreja". Em todos :::' :::
A, igreja, de acordo com Melanchton na Confissão de Ausburgo, é a tólico-romana. e e .tipo:;::
;'eunii'ío de todos os crentes (CA VII, 1; Viii, 1; Ap Vii. 1, 8, 28), ou sino de Roma de
comunhão dos santos (congregatia sanctorum). Essa é a simples definição. que, por consegu
Na mesma linha Lutero define a igreja como "um pequeno rebanho santo 16-19, 22, 29).
cu comunidade de santos genuinos sob uma cabeça, Cristo>' (CM 11, 51),
uma «comunidade santa ou povo cristão» (CM 11, 49-50, 53). Em outra 11. A 19;'e]a
ocasião ele derine a içFeia como os "crentes santos e ovelhas que ouvem
a voz do seu pastor» (A,E 111, Xiii, 2; cf. Ap VII, 14). Em cada caso. na Mas se hc"s"o ~c

definição de igreja que eles apresentam, r,lie!anchton e Lutero procuram mesma, eles. C::-:_::
ser fLjjs aos credos catóPccs, n18S especialmente às Esct~jturas como elas externa (externa SCC2-:: ~
falaram da ekkiesia e a compararam ao corpo de Cristo (Ap Vii, 7, 29; tistas, Melanc!"':: o _ c' ~

eM 11,47-50). hipócritas S?O '~ = -:' u:,


Tendo defnldo a igreja como os cristãos ou comunidade de crentes. Essa 003:2: '~
as Confissões descrevem mais completamente a igreja, especialmente em ficativa em sue e: e: ,
re!ação ao Espf\-:tc Santo e à justiça de Cristo) que a igreja e seus tllem-
igreja iate d1cta.
bras possuem atr-avés da fé. A igreja não é ITleramente uma 8.ssociação belecer de "C;.:
(GeseHschaft) de vínculos externos (rerum) e ritos, semeihante a alguma a conore02C~: --=
organização política, embora ela possa externamente se assemelhar a algo
ccmo isso, mas ela é principa!:ter uma comunidade (Gemelnschaft) de fé e
Espi t'ito ':' 2-- ,
do Espirito Santo nos corações dos homens (Ap VII, 5). Cristo renova,
Espí rito S::--::
santifica e governa esta igreja através do seu Espírito (ibid. Ef 1.22,23). O
externo (exte-""
Espíl'ito traz para a igreja todas as bênçãos que Cristo, através de sua
mundo I,..,te;·':. _.-~
obediência, adquiriu para a igreja, especialmente perdão e a justiça (obe-
Cristo, o mes~: ::::: --,
diência) de Cristo oferecida através do evangelho (CM li. 54-59; Ap V!I, as mesmas t(e;jçcs~ -
8, 36). ,t\,través do evangelho o Espírito cria, chama e congrega a igreja
cristã (CM 11, 45, 53). A igreja é o lugar da ação do Espírito; através dela Ao mesmo :2"
ele congl'ega crentes e por ela cria e aumenta a santificação (CM 11, 53), num sentido 'ate ~:- c::
«e fora dela ninguém pode vir ao Senhor Cristo» (CM 11, 45, cf. 56). ções. Este é. se'"
A igreja é um "povo espiritual, separado dos gentios. sendo o na Confissão de .[:..UGS~c.':::
verdadeiro povo de Deus, renascido pelo Espírito Santo» (Ap VII, 14). As- rnidade (Cl'-.
sim encontramos Melanchton chamando, muitas vezes, a igreja o «reinO (CA I, 5; 11.3
de Cristo», ou comparando-a ao reino de Cristo, «que é justiça do co- 14, 16; AE li. ',\;' .. ::_.-
ração e o dom do Espírito Santo» (Ap VII, 13; cf. 16). Obviamente o reinO tidade externa .. _2 :'... ~~
de Cristo não é aigo externo, mas é espiritual, algo que ainda não foi Cristo. Este se":::: -::- õ ,-

I'evelado (ibid. 17). I'8nas emprega,o' ··e,;,_ :'


Este é exatamente o ponto de debate com os católicos romanos. E conhecido e este: ::-
justamente nesse ponto a Confutação critica a Confissão de Ausburgo. aprovação um esc.;;-: -

4
: -:3, tanto assim que De acordo com a opinião romana a igreja consistia daque!e's que professa-
- _:'-ina da igreja nunca vam a fé cristã, que se reuniam em torno dos sacramentos e que estavam
ê:; cesentada uma defi- sob a autoridade de pastores legitimos e especialmente do pontífice ro-
- ê igreja nas nossas mano. Essa doutl-ina, que tornava somente a profissão da fé dogmática
- , 'Josição !uterana re- um uitério para que alguém pudesse ser membro na igreja e que tornava
e ,- 'Jém está clara em a submissão à autoridade jurídica do papado um sine qua non para que se
t"e!ação entre a na- pudesse ser membro, significava, na realidade, que a igreja era essencial-
?Gesar de não esta- mente uma entidade visível, palpável e empírica. E significava da mesma
--, suficiente força e forma que irregenerados, maus e hipócritas são verdadeiros membros da
igreja '. Em todos os pontos Melanchton objeta fortemente a doutrina ca-
,~20 de Ausburgo, é a tólico-romana, e a Apologia VII é, na verdade, uma polêmica contra o en-
Vil, 1, 8, 28), ou sino de Roma de que a igreja é um tipo de sociedade externa (politia) e
? sirnpies definição. que, por conseguinte, hipócritas podem ser membros da mesma (Ap VI!,
: ,.eno rebanho santo 16-19, 22, 29).
::>i8tO» (OA I!, 51),
- :-50, 53). Em outra 11. A Igreja Proprie Dieta e Late Dieta (Invisível e Visível)
-J'/e!has que ouvem
::n1 cada caso, na Mas se homens maus e hipócritas não são a igreja ou uma parte da
3 Lutem pl'Ocuram mesma, eies, contudo, não devem ser separados dela e de sua socíedade
::ôcrituras como elas externa (externa soeietas) (Ap VII, 1, 9, 28). E, contra os antigos dona-
.. - ô:O (Ap VII, 7, 29; tistas, Me!anchton sustenta que os sacramentos administrados por maus e
hipócritas são realmente válidos e eficazes (Ap VII, 2, 3).
_'-idade ele crentes,
Essa posição de Melanchton leva a uma distinção altamente signi-
~ e especialmente em
ficativa em sua eclesiologia: a distinção entre a igreja proprie dieta e a
- ;ceja e seus mem-
igreja late dieta. Contra a doutrina papal, Melanchton é forçado a esta-
3-:8 uma associação
belecer de novo o que a igreja, estritamente falando, realmente é, ou seja,
'3 "eihante a alguma
a congregação dos santos (Ap VI, 8, 16), o corpo vivo de Cristo (12, 29),
:3 3ssemelhar a algo
um povo espiritual, que é o verdadeiro povo de Cristo, renascido pelo
:'=~"leinschaft) de fé e
Espírito Santo (14). A igreja, propriamente falando, é aquela que tem o
::' Cristo renova,
Espírito Santo (22, 28). O termo «igreja católica" não denota um governo
1;'c1. Ef 1.22,23). O
através de sua externo (externa politia) "mas é constituída de homens dispersos pelo
mundo inteiro, que estão de acordo quanto ao evangelho, e têm o mesmo
: c: e a justiça (obe-
Cristo, o mesmo Espírito Santo, e os mesmos sacramentos, quer tenham
54-59; Ap VII,
as mesmas tradições ou não" (10).
, =:ongrega a igreja
:: <to; através dela Ao mesmo tempo, Melanchton é compelido a usar o termo «igreja"
-_: :?ção (CM 11, 53), num sentido lato, significando igrejas territoriais ou grupos de congrega-
45, d. 56), ções. Este é, sem dúvida, o significado da frase muitas vezes empregada
:3-:Ios ... sendo o na Confissão de Augsburgo: "Nossas igrejas ensinam com grande unani-
:.L.,p VII, 14), ;::',s- midade, , ." (CA I, 1; 11, 1; 111, 1 etc.), ou «nossas igrejas condenam.,."
" Igreja o "reino (CA I, 5; 11,3; V, 4 etc.; cf. também o Sumário da CA, 1; Ap IX, 2; Tr 12,
3 é justiça do co- 14, 16: AE 11, IV, 4). Em tais casos o termo, sem dúvida, denota uma en-
=: c ·/iamente o reino tidade externa que a si mesma se denomina igreja e professa crer em
: _8 ainda não foi Cristo. Este sentido mais amplo do termo que todas as confissões lute-
ranas empregam regularmente e com uma variedade de conotações era re-
: e -:; . cos romanos. E •
E
conhecido e estava em voga antes da Reforma, e Melanchton cita com
: : _: ::20 de Ausburgo. aprovação um decreto de Graciano que diz que "8 igreja, no sentido lato
(Iate dieta), inclui os bons e os maus e que os maus fazem parte da igreja
apenas nomi,nalmente e não de fato, enquanto que os bons fazem parte
da igreja tanto de fato como também de nome,» (Ap VII. 10), Embora 2,
illente conheci C;,? ==
Talvez a melhor explicação da distinção é encontrada na Apologia
dade e todos OS',,",':
VI I, 12·13 que nós citamos: "Hipócritas e maus estão realmente associa-
lidade e preSerC? s"=
dos com a verdadeira igreja segundo os ritos externos Mas quando se
XIV, 3; tambê'"
trata de definir a ig;-eja, nós devemos defini-Ia como o corpo vivo de Cristo:
audiveis, empi",c?S
e esta é a igreja ele fato e ele nome, "lós devemos entender- o que é
terna (externa mena
Cjue, antes de rnais nada (principa!!ter), nos torna membros, isto é,
cessidade de r~C",,': ':' '~
membros vivos da ig!'eja, Se definíssemos a :,greja como sendo apenas
Quais sã::: é:S - ==::.:
uma organização externa de bons e P18U8, então 08 hornens não entende~
duas, Elas seco c: _'
riam que o !'eino de Cristo é a Justiça do cOl'ação e o dom do Espirito
dos quais O::SC - c: ::
Santo, tTl8S jU!IJartam que é somente urna observâncie. externa ele certas
Melanchton
forrnas cultua!s e ritos». É írnportante obse!~var no decurso da discussão
bém notas e>'te"::" -.;
de i\1eianchton que eie nunca usa o adjetivo externa pala descrever a igreja
no sentido próprio, rné\S antes para descrever o que a verdadeira igreja
pala.vi"a de =,~~ .=.

midade cc
não é, ou uma c8ricatura da igreja, ou aquilo que se mistura conl a igreja
cristãos
per acc~dcns (tais corno os maus; os hipÓCrjtas, ritos da igreja, o papada.
sete
trsdiçÕ8E nurnanas e adiáfoi'os, cf. C,~, XXV]: Ap \Jll, 34: 37; XXVII, 27; Tr
do B8t:s''''~
li: DS X, 15; 27). Entretanto a Igreja, no sentido estrito, permanece sendo
elas Cn3.e5 =
a congregação dos crentes. Por isso, Melanchton fala de hipócritas e maus
sendo misturados com a igreja (admixtj ecclesíae, i\p Viii, 47), estando na
cruzes e t;-_::~ ~ - =-:--
rgl-eja (9) e exercendo ofícios na igreja. eccles~a, '17)1 de lobos e ensi-
entre Lute:(; ~
nadares ímpios salteando na igreja (22), e de hipócritas e maus partilhando
tanto das
cani a igreja uma clSSOCtôç5.o de notas externas e sendo membros da ig(eja
a igreja 8.s.ta
segundo uma tal associação de notas e><ternas (28), Neste último caso é
presentes
óbvio que hipócritas não pooenl se!~ rnenlbros da igreja, estritamente ra-
e cOndiçOE'5
Iando, mas somente no sentido metonímico de que a palha estará presente
Qua ~ _
entre o trigo (1), Muitas vezes é feita a distinção de que os hipócritas
lanchton, :'é: ,8' ':"C 0-
estão na igreja mas não são da igreja,
externo pec :_::" ~
Essa clara distinção existente nas confissões !uter-anas entre a una reconhecido (agr1CSC ===75:
sancta (ecc!esia proprie dieta) e igrejas locais e territoriais, entidades pos' os próprios ""'2:5 e'.;
sUindo ordem empírica externa, disciplina, ritos e sociedade (ecdesia late ilumina e ser,:: C? é: __
dicte), concorda precisamente com a posterior distinção luterana entre a falíveiS, como Gs"c-e-:
igreja invisível e visível, E essa é uma distinção muito útil e necessária, para nós que a ~
Tanto Walther como Pieper empregam a distinção como sendo confessio-
mente ~~~te (exis,te,e', e = __

na! com base na Apologia Vil, 14-19 que o adjetivo "invisível" deve ser crêem e são justlc,c e = =, ~
atribuído à igre~a proprie dieta, visto que a igreja, como enfatlza a p.,po- tônica (ApVlí, ---
!ogia, é uma congregação espiritual de crentes dispersas pelo mundo in .. lanchton e seu 9!'? = e
teiro (i",p Vi!, 10) e muitas vezes oculta sob a cruz (18) e é somente co- tantos partidos ce-'o-
nhecida por Deus ;;, Luteranos de hoje que denominam a distinção de não- a igreja é e que c
confessional simplesmente porque sua posterior formulação não é encon- per-manece o func:e~e-c=
trada nas Confissões expressis verbis parecem não haver compreendido as quando o artigo oe=_~
implicações totais da doutrina lutera.na da igreja proprie dieta. A distinção o fundamento tamce- " .:_
entre a igreja proprie dicta (invisível) e late dieta (visível) somente nos As notas não :e ':'
ajuda a ter em mente a todo o momento o que a igreja realmente é, vem ser consider-sdes -
.. ,= 'azem parte da igreja 111, As Notas da Igreja
~ ~ 2 bons razem parte
i 10). Embora a igreja seja invisível e, como a comunhão dos santos, so-
mente conhecida por Deus, ela é uma realidade juntamente com sua uni-
-trada na Apologia
realmente associa- dade e todos os seus atributos, exatamente como Deus é real. Sua rea-
_.' lv1as quando se lidade e presença são conhecidas por certas notas (notae Ap VII, 5, 7, 20;
XIV, 3; também IV, 400). Estas notas são externas (externae), visíveis,
~:)(PO vivo de Cristol
: = en'cender o que é audíveis, empíricas. Se a igreja fosse visivei, uma mera associação ex-
'2: membros, isto é,
terna (externa monarcnia, externa politia, Ap VII, 23, 13), não haveria ne-
cessidade de notas externas (empíricas).
:Jr!lO sendo apenas
Y'ens não entende- Quais são as notas da igreja? Melanchton enumera consistentemente
"o dom do Espírito duas. Elas são a doutrina pura do evangelho e os sacramentos através
• : c,ex.tern a de ce rtas dos quais o Espírito Santo, principalmente, cria e mantém a igreja. Diz
=<:U(80 da discussão lv1elanchton (Ap VII, 5): "E esta mesma igreja (a una sancta) possui tam-
bém notas externas pelas quais se pode reconhecê-Ia, a saber: onde a
=? :, descrever a igreja
palavra de Deus é pura e os sacl'amentos são administrados em confor-
~ ~: verdadeira Igreja
midade com a mesma, ali certamente está a igl'eja e ali certamente há
'-stma com a igreja
cl'istãos" (texto alemão). Lutero, ao falar das notas da igreja, menciona
igreja! o papado
37; XXVII, 27; Tr sete 1) a verdadeira pregação do evangelho, 2) a correta aclministração
cio Batismo, 3) o COrl"eto uso do Sacramento do Altar, 4) o correto uso
- permanece sendo
das Chaves, 5) o legitimo chamado de ministros para ensínar e administrar
~ hipócritas e maus
os sacl'amentos, 6) oração, salmodia e instrução feitas publicamente, 7)
47), estando nô
de lobos e ensi- cruzes e tribulações de rora e de dentro~. Não há direrença, nesse ponto,
entre Lutero e lv1e!anchton na Apologia. Lutera está obviamente falando
maus partilhando
tanto das notas acidentais como das essenciais. /'\S primeiras indicam que
'nembros da igreja
este último caso é a igreja está presente, mas elas não são infalíveis e não estão sempre
estritamente Ta- presentes (as LlÍtimas quatro de Lutel'O), uma vez que dependem de épocas
e condições. ,/:",súltimas são constantes, essenciais e infalíveis ".
-a estará presente
Qual é a função exata de uma nota (nota)? De acordo com lv1e-
'.0 Que os hipócritas
lanchton, na declaração anteriormente citacla, ela é simplesmente um sinal
externo pelo qual algo (de outra forma não percebido ou visto) pode ser
_~~"'::.nas entre a una reconhecido (agnosci potest). Visto que no presente caso estas notas são
28, entidades pos- os próprios meios através dos quais o Espírito Santo chama, congrega,
o :õ:cie (ecclesia late ilumina e santifica a igreja, elas são de fato constantes, essenciais e in-
,,~ iuterana entre a falíveis, como Gerhard havia dito, As [Lolas-externas são o que indica
..
('til e necessária. para nós que a igreja, apesar de toda sua dispersão e ocultação, real-
sendo conressio-
=
mente existe (existere) e é constituída daqueles que verdadeiramente (vere)
.. isivel" deve ser' cl'êem ~-~são justificados (justos). Ela não é mera idéia, ou sociedade pla-
: = .' ~ enfatlza a Apo- tônica (Ap VII, 20). Pode-se ver a importância prática da doutrina de lv1e-
- ,''O pelo mundo i.'1- lanchton e seu grande conforto em tempos de aflição e perseguição quando
e é somente co- tantos partidos clamam: nós somos a igreja. Pois as notas revelam o que
e ::'istinção de não- a igreja é e que o "fundamento» (1 Co 3,12) é Cristo; e enquanto Cristo
_ :: 20 não é encon- permanece o fundamento, a igreja existe e está em pé (20, 21). Mas
~ compreendido as quando o al'tigo de que o perdão de pecados é recebido por fé é negado,
dieta, A distinção o fundamente também é subvertido .
. e) somente nos As notas não devem ser confundidas com a própria igreja, nem de-
c:amente é. vem ser consideradas meros atributos da igr-eja. Roma estabeleceu certas

7
~

notas - não apenas doutrina e sacramentos, mas também jurisdição papal nenhuma unio2ce
e certos ritos da igreja - como uma parte da verdadeira natureza da de que Melanc'-:c-
igreja. Com isso eles obscureceram a doutrina da igreja, negando que ela relaclona tuac: '::--
fosse simplesmente a congregação total dos crentes, e tornaram sua uni- pela fé. Por ec'-oco:
dade e a possibilidade de ser membro na mesma dependentes da submis- sjrnp]csiTiente ;:.~._
são à autoridade jurídica do papado e de outras tradições e ritos humanos. e aqu!!ü qus 2':~~_ ~

IV. A Unidade da Igreja \111, 30.


concordânc:s_
o que é a unidade da igreja? O termo unidade, quando aplicado à
igreja, é análogo ao significado que possui quando aplicado a Deus, que dade ela igrejc' :: - õ ê-~
trouxe a igreja à existência. Como há somente um Deus, pode haver so- tejr·o têm o
mente um evangelho, um caminho de salvação, uma fé, um batismo (Ef rnentos (Ap
4.5-6) - uma igreja (C/.\ VII, 4)." A igreja é, portanto, una e indivisa em
essência e em n(ínlei'O, "sem seita ou cisma", como Lutero o coloca (CM
unrdade, e Te .- - 7
il, 51). Não pode haver duas ou três ou quatro igrejas de Cristo, mas
das confssÔs.~
apenas uma. Em analogia com a unidade de Deus, a igreja é una também
no sentido de que ela é singular', sui generis, I~ão há nada, nenhuma
soc:etas OLl entidade qualquer que seja, que é igual à igreja. E ela é,
ser baseada
assim como aquele que a t;-ouxe à existência, indivisível. Possivelmente ne-
píetaçê.o ref:et~ - -:--~~~-~
nhum luterano falaria em "fracionar» ou dividir a igreja, o corpo de Cristo,
nlic8 CO(lt(3 S
apesar de que possa facilmente haver divisões em suas manifestações
a Cluestão_,,~
externas. A igreja é um "santo rebanho ou comunidade de puros santos
sob uma cabeça, Cristo» (ibkl). «Gemeine», que Lutem usa nesse con-
Cr',Sto
texto, é uma interpr-etação muito consciente da frase bíblica "corpo de
um peCé:lCiOí /)~>_
Cristo». Assim como um corpo tem apenas uma cabeça, e uma cabeça
trina do e\/Bi:C:S
um corpo, assim é com a igreja (Gemeine) e Cristo, sua cabeça.
gtega 8 igrej2 S ~
A igreja foi reunida pelo uno Deus, o Espíríto Santo, para ·,uma fé, está ce;-t:J C:Y?·-=-=
mente e entendimento» (ibid). ,f:"qui nós temos uma descrição da unidade justificacsc :::E o:
da igreja. Lutem se refere aqui tanto à fé objetiva (doutrina) como à fé
subjetiva pela qual alguém é justificado e trazido para dentro da igreja. de Deus strs_ '" o : ê-
. -
Os meios, com os quais a igreja é reunida, são a palavra e os sacra- e a concepC2C'
mentos, e a igreja (percebida pelos seus sinais, ou notas) se torna o lugar unidade"
em que o Espírito Santo reúne e santifica sua igreja (CM 11, 56). Uma
fé, uma doutrina, um evangelho, um batismo, um perdão de pecados, uma • Fagerbe'-·;: es:? :: - ~
igreja, um Deus. A unidade da igreja, assim como a própria igreja, é mo- ção confessionE,-: cE "- -

nergisticamente a obra do Espírito que continuamente sustém, perdoa e o faz, que o ev·?~ -;:e -: - _ - ::'.
doutr!nário. (r1E;S -:- :.-=-
conforta a igreja (CM 11, 52-5, 57-9) "através da palavra de Deus na uni-
dade da igreja cristã" (55), e continuamente traz à igreja todos os tesouros a verdadei -a '9'-'= E E ~ ~

00 mundo. oeu~:- -:- -,:.


e bênçãos que Cristo obteve para ela (54).
por consegui(cts
Melanchton, na Apologia, descreve a unidade da igreja quase da também L!ma:=~ _~ ::-: =

mesma forma. É: uma unidade, consistindo de fé e da justiça de Cristo, que a confissão :=.
que é recebida pela fé (Ap VII, 31). Esta unidade não é afetada por di- fé e tem a 'c: :::=
ferenças de ritos ou costumes (33, 34, 36), embora uniformidade de ritos unidade 02 iq:-S2 .::
!itúrgicos seja benéfica para a tranqüilidade na igreja, Sem fé em Cristo conclusão de. e se
e no evangelho e sem a justiça imputada de Cristo no coração, não há de unidade e "'G>.

8
"',sdição papal nenhuma unidade na igreja, assim como não há igreja (31). Não há dúvida
3 natureza da
de que Melanchton, em toda a sua discussão sobre a igreja e sua unidade,
-:; gando que ela relaciona tudo com seu artigo anterior na Apologia sobre a justificação
. =- ,-~ aram sua uni-
pela fé. Por conseguinte, o que é necessário para a unidade da igreja é
. ~'les da submis- simplesmente aquilo que efetua a justificação do homem diante de Deus,
" ,':tos humanos.
e aquilo que efetua a própria unidade, a saber, a palavra do evangelho
(doctrina evangeiii) e os sacramentos (administration8 sacramentorum, veja
Àp \/11, 30; d 5; CÀ VII, 2). E a unidade da igreja é simplesmente a
conco;'Clância (consentire) nesta doutrina do evangelho e na administração
. .:,do aplicado à dos sacramentos (CÀ VII, 2). Ou, pma colocá-Ia diferentemente, a uni-
:'::0 a Deus, que dade da igreja consiste no fato de que homens dispersas pelo mundo in-
code haver so- teiro têm o mesmo Cristo, o mesmo Espírito Santo, os mesmos sacra-
m batismo (Ef mentos (/\p VII, 10). É uma unidade espiritual de fé.
~. e indivisa em
J o coloca (CM Esta doutrina da unidade da igreja é evangélica. O evangelho cria a
: 5 ele Cristo, mas unidade, e fé no evangelho a constitui. Francis Pieper reflete o espirito
7.? é una também das confissões quando diz que sempre que há uma negação ou diminuição
:; nada: nenhuma da satisfação 'Iicária de Cristo, resulta uma falsa doutrina da igreja e uma
Q(eja. E ela é,
disÍ'crcão daquilo que constitui sua unidade '. À unidade poderia, então,
:J-Jssivelmente ne- sei' baseada na jurisdição humana e na lei, não no evangelho. Essa inter-
: corpo de Cristo, p;'etação ;'eflete fielmente a ênfase constante de Melanchton em sua polê-
?,.?S manifestações mica contra a doutrina romana sobre a unidade da igreja. O interesse e
:" de puros santos a Questão de Melanchton na sua discussão sobre a unidade da igreja é
: ,,' J usa nesse con- simp:esmente: O que traz a um pobre pecador perdão e a justiça de
e, .o :)iblica "corpo de Cristo (!~p VII, 31, 34, 36, 39)? De que maneira o Espírito Santo torna
::; :a. e uma cabeça um pecador justo diante de Deus? É através dos meios da graça, da dou-
? a cabeça.
trina do evangelho e nada além disso. É desta forma que o Espírito con-
grega a igreja e é assim que ele a torna una. Por conseguinte, Fagerberg'
~?~to, para "uma fé. está certo quando diz: ,Às conseqüências da concepção luterana sob;'e a
: ?suição da unidade justif;cacão. os sacramentos e o ministério são reveladas na doutrina da
:' .cutrina) corno à fé iCJ:'sJa Que a igreja é concebida em todos os pontos como obra direta
,,2 dentro da igreja. de Deus através de palavra e sacramento sem mediação própria de graça
'caiavra e os sacra-
é a concepção básica da essência e sociedade da igreja, SUô origem e
::23) se torna o lugar- unidade» .
a (CM 11, 56). Uma
.o.
c cão de pecados, uma Fagerbe;'g está correto em outro ponto quando ele reflete na posi-
, ' yópria igreja, é mo- ção confessional referente à unidade da igreja. Ele indica, como Sch!ink"
c. :e sustém, perdoa e o faz, que o evangelho nunca é mera proclamação desprovida de conteúdo
-, a -a de Deus na uni- doutrinário, mas é sempre doutrina (doctrína evangelii). Por isso a igreja,
a.8 todos os tesouros a verdadeira igreja e una sancta, mesmo que possa estar dispersa através
cio mundo, oculta e sofrendo sob perseguição e ensinadores heréticos, e,
por conseguinte, invisível, não será somente uma comunidade que crê, mas
, :? da
igreja quase da também uma comunidade que confessa. Como diz Schlink: "Uma vez
c .o justiça de Cristã,
::21
que a confissão emana da unanimidade da pregação do evangelho e da
: o • se é afetada por di- fé e tem a finalidade de preservar a pregação do evangelho e a fé, a
, .;·,:formidade de ritos
unidade da igreja, é essencialmente também a unidade de confissão». Essa
Sem fé em Cristo conclusão deve ser tirada do consentire da CA VII, 2. Os dois atributos,
- ,.: "o coração, não há de unidade e aposto!icidade, atl'ibuidos à igt'eja, são, portanto, intimamente
conectados, se não identificados, pelas confissões iuteranas. Pois a uni- dutora: Ecciesiae
dade da igreja consiste em concordância na doutrina apostólica (Ap Vii,
a fórmula paro". ,_
38-39). senso na dout,··- ~

V. Concórdia na Igreja: A Fórmula para Concórdia


explicitamente 3':: _:'_:
pregada e exec~:c_c
tante' a Confissãü :s "'-_:,,~
A fórmuia para concórdia na igreja como elaborada, tão cuidadosa-
O que é '2:"c-c"-~-
mente, peios Ci!t;mos escritores das confissões luteranas está solidamente tão cUldados3--oc-"s o -
baseada na ec!esio!ogiô dos sfrnbolos luteranos anteriores. A eclesio!ogia
ja aolica eSS3 :e-~ ~ :'
das primeiras conTissÔes, lnc\u\ndo a definlção da igrejs., a unidad.e da foi indicado 3-:'" c
igreja e as notas da igreja) se torna o pe.radigma ou padrão para posteriores mam a ecles:
!uteranos confessionais e fiéjs em sua luta sob Deus para encontrar con-
VII (e tamber'
cordância doutrinária e unidade agradável a Deus entre as divididas e liti- ti da e modeio'
gantes igrejas da Confissão de Augsburgo em sua época. Essa fórrnuta De accrc:::
para concórdia nas ·igrejas é tanto bfb!~ca quanto ecumênica (i.e. aplicávei
Que 8St80 des'....'~
à ![!reja universal, não aponas ur-na situaç8.o na Saxônia nurna certa época
ministração Ô:s
da histÓ(la). Os eSCf\t.ores ela Fórn1ula de Concórcllâ conscientemente e mula de Co!,cc'
consistentemente aclotarn 8. eclesiologia das conr1ssões anteriores quando
~<A, exigência l="
P!~ocu(am resoiver sob Deus o problen13 de igJejô.s desunidas (lute(anislTio)
igreja é uma S0
nos seus dias. Eles próprios nã.o apresent8.(ll nenhui-na eclesiologia básica
sensu approbatus).
- n80 há necessidade de fazê-ia - mas eles claramente assurnenl a
pelas igrejas Oé':.-OC
doutrina da igreja articulada nas confissÔes anter-iores. também Prefáco
As prinleiias confissões, por outro lado, não se dirigem explicita- consiste de conse-se c ,
nl8nte ao pnJb!erí,a de encontrar unidade doutrinária e harmon(;} entre 19re-
confissão formal eco = ~'-: S
jas desunidas, apesar de que !mpHc~tamente na sua doutrina do. igreja e
pre e somente da eo"·?
através dos próprios docurnentos há urn interesse por consenso na dou-
e Norma, 5, 9). E e .:. s
trina e um prog(anla idêntico àquele pronunciado expressamente pelos sím-
e sem ressalva (unan,;;-
bolos posteriores. Esse rato é per'cebido quando essas primeiras confis-
sões adve;-tern contra hereges e falsas doutrinas. Embora haja falsos en-
Esse consenso sig" 3 <:
das confissões fo~·:~?: -
sinadores na igreja, eles são uma maldição e flagelo para ele. Misturados
Essa -fórn ....
tu ;S:=:S :-
como eles estão com a igreja (admlxti eccleslae), esses falsos ministros
tidos nas igrejas _
adrninJstram os sacranlentos eficazmente; não obstantet (doe h) eles não
com base na .. _ . n

devem ser recebidos nem ouvidos (.4p Vii, 47-48 (r./:t 7.15; G\ 1.9). Cf
de Concórdia 0=
também TI' .38, 41-44, 54. 56, 72; CM 111, 5; CM i, 558S., ill, 47). Me-
ele foi concl-etarne~-:'" :: - - -
lanchton e Lutero estão dirigindo tais advertências contra romanistas e
{{De maneira crisld 7: 7:~
zl'Jinglinianos, bem como contra antigos hereges tais como donatistas, pe-
cutiram entre si os = -: :: '
lagianos e outros semelhantes, que são condenados explicitamente na
acordo escrito cc"":::C':
Augustana.
o Deus onipoter:s
Obviamente, assim como hipócritas e maus ministros (maii ministrO,
cuidadosa diligê"c:" e =,
misturados com a igreja devem ser evitados (Ap Vil, 22), assim também
Espírito Santo Ler:.
a doutrina falsa. Apenas a verdadeira doutrina deveria ser ensinada na
igreja e aceita. Esse fato é apresentado nas primeiras confissões através
fim e o dlspuse'a~ 5- _,-
posição e inte!'c"': 5'"
de seu profundo interesse por pureza de doutrina, mesmo em minúcias,
doutrina fosse ce-:_=:= ~
mas também através do próprio processo de elaboração das confissões.
e igre jas do (jUS é:: _.= ,
E o alvo desse interesse e desse processo, a saber, o consenso na dou-
e está sintetizad3- 3=: "
trina por parte das igrejas evangélicas, é realmente alcançado através das
entendidas. S Oc'''' .. ~,
próprias confissões. Os Catecismos, os Artigos de Esmalcalde são teste-

10
:ei'anas. Pois a uni- munho desse fato. E também a Augustana, com sua solene fórmula intro-
dutora: Ecc!esiae magno consensu apud nos docent ... (c'4 i, 1). Assim
apostólica (,4p VII
a fórmula para concórdia, que abrange o evitar de doutrina falsa e o con-
senso na doutrina pura do evangelho e todos os seus artigos, mais tarde
Concórdia explicitamente articulada, está sendo, peia graça de Deus, claramente em-
pregada e executada por aquela primitiva Magna Carta da Reforma protes-
-ad8. tão c idados8- tante a Confissão de Augsburgo.
- S3 está so idamente O que é exatamente a fórmula para concórdia na medida 8m que é
tão cuidadosamente elaborada pelos escritol'es da Fórmula? E como a igre-
:85. A ec esioiogia
ja aplica essa fÓI-mula (ou modelo de ação) numa dada situação? Como
~'2Ja, a unidade da
foi indicado antes, os escritores da Fórmula de Concórdia claramente to-
~ :- =- ",30 para posteriores
o )2(a encontrar con- mam a eciesiologia das confissões anteriores, especificamente Augustana
- ." 2S divididas e litl- VII (e também Apologia Vil e talvez AE 11, IV, 9) como seu ponto de par-
tida e modelo 10
~:Gca. Essa fÓiTilUla
De acordo com esse modelo, a fórmula para concórdia para igrejas,
"ênica (i.e. aplicável
que estão desunidas, é simplesmente encontíSr consenso na doutrina e ad-
::: :!uma certa época
ministração dcs sacramentos. Esse fato é claramente colocado pela Fór-
o:: ·:=:onscientemente e
mula de Concórdia na sua formulação sumária (DS: Regra e Norma 1):
'c, e,nteriores quando
"A eXigência primária para a concórdia básica e permanente dentro da
': c'das (Iuteranismo)
igreja é uma sumária fórmula e padrão, unanimemente aprovada (lInanimi COI1-
eciesíoiogia básica
er~ente assumem a S8nSll approbatus), na qual a doutrina resumida, comumente confessada
peias igrejas da pura religião cristã, é extraída da palavra de Deus" (d.
também Prefácio, Tappert, p. 6). Em outíaS palavras, concórdia na igreja
:::.o dirigem explicita-
consiste de consenso, e esse consenso é expresso e representado por uma
. -? ,"rnon;a entre 191e-
:::Jt;-ina da igreja e
confissão formal (Ep: Regra e Norma, 3-4). Essa confissão é extraída sem-
Gonsenso na dou- pre e somente da palavra de Deus, a Escritura (Tappert, p. 6; DS Regra
e Norma, 5, 9) E ela é unanimemente, isto é, com total comprometimento
~osamente pelos sim-
e sem ressalva (unanimi conensu), subscrita pelas igrejas libido 1, 2, 6, 8).
-: se primeiras confis-
Esse consenso significa que as igrejas nunca irão afastar-se nem desviar-se
a haja falsos en-
-, '8. ele. Misturados das confissões formais (Tappert, p. 9; DS XII, 40).
- "~,, faisos ministros Essa fórmula para concórdia, que se encarrega de artigos controver-
tidos nas igrejas e os resolve em um documento (o Livro de Concórdia)
:.o (doch) eles não
com base na palavra de Deus, é claramente delineada no Prefácio ao Livro
~ 15; Gli .9). Cf.
de Concórdia (Tappert, p. 7ss.). Nós podemos traçar esse processo como
::::35., li!, 47). Me-
ele foi concretamente conduzido, citando, com certa extensão, o Prefácio.
- - -tra romanistas e
"De maneira cristã eles (mestres cristãos representando as igrejas) dis-
-J donatistas, pe-
cutiram entre si os artigos em controvérsia e também o há pouco citado
:::: -s"plicitamente na
acordo escrito composto em referência a isso. Finalmente, após invocar
o Deus onipotente para seu louvor e glória e após madura reflexão e
::::':5 (malí ministrO,
assim também cuidadosa diligência, eles reuniram em boa ordem, pela singular graça do
-::: ser ensinada na Espírito Santo, tudo aquilo que pertence a, e é necessário para, esse
::-,fissões através fim e o dispuseram em um livro» (p. 7). "Como indicado acima. nossa dis-
posição e intenção sempre foi dirigida no sentido de que nenhuma outra
.o, --.0 em minúcias,
doutrina fosse conduzida e ensinada em nossas terras, territórios, escolas,
- õ::: das confissões.
::::::·'lsenso na dou- e igrejas do que aquela que está baseada nas Sagradas Escrituras de Deus
c -:::300 através das e está sintetizada na Confissão de Augsburgo e sua Apologia, corretamente
:aide são teste- entendidas, e que não seja permitida entrada a nenhuma doutrina contrária

11
a estas» (p. 12). "Nós desejamos especialmente que os jovens que estão
sendo treinados para serviço na igreja e para o santo ministério sejam vés ela
fiel e diligentemente instruídos nisso, assim que o puro ensino e confissão e outros m8:CS 5~.
da fé possam ser preset'vados e perpetuados entre nossa posteridade atra- cristã contl i' U 3 'e ~ __ .o

vés eia ajuda e assistência do Espírito Santo até o glorioso advento de acalmadas e hc:,'--: .
nosso único Redentor e Salvadol- Jesus Cristo» (ibid.). "Visto que a si- paihadas, a fln: Ce : >
tuação é essa, e visto que nós temos certeza de nossa confissão e fé 13-14).
cristã com base na divina, profética e apostólica Escritura e temos sido Eu citei ex~e-,,:
adequadamente assegurados disso em nossos corações e consciências córdia porque toco :
cristãs através ela graça do Espírito Santo, a mais aguda e urgente neces- exteriorizado aqLi~.
sidade requer que em presença de tantos erros importunos, escândalos aplica esses orirlO'o:::
agravados, dissenções, e cismas antigos, uma explicação e reconciliação aos adiá.foros na2
cristã de todas as disputas que surgiram, fosse estabelecida. Uma tal riam ser feitas doe
explicação deve ser inteiramente baseada na palavra de Deus de modo a.s confissões d~ze:~
que doutrina pura possa ser reconhecida e distinguida de doutrina adulte- partes.
rada. (p. 13) "Por conseguinte, exatamente como desde o início deste 1, O consenso
nosso acordo cristão nunca foi nossa tendência ou intenção - como não sornente pela sua 9'-2 =-~
o é agora -. conservai' esse salutar e muito necessário empenho dirigido aceitas com base ré'
pai-a a concórdia ocuito e encoberto em escuridão, longe da vista de toeios,
2. As confissões
ou de colocar a luz da divina verdade debaixo de um cesto ou de uma
estabelecem doutl-ina s =~
mesa, nós não devemos suspender ou adiar por mais tempo sua impressão
e publicação. Nós não temos a minima dúvida de que todas as pessoas 3. i\queles que ss
vem o fazem sem ress- :.0
piedosas que têm um sincero amor pela verdade divina e pela concórdia
cristã, agradável a Deus, irão, juntamente conosco, sentir satisfação cristã teridade e pma todos :"
com este salutar, muito necessário, e cristão empenho, e não permitirão 30-31).
que coisa alguma seja empecilho para essa causa e para a promoção da 4. Esse sumário ~_
glória de Deus e elo bem-estar comum, tanto eterno corno temporal. Em regra e juiz para tooCoS
conciusão, repetimos mais uma vez que nós não pretendemos produzir (DS, Regra e Norma,
qualquer' coisa nova através desse trabalho que visa o acordo nem pre- 5. Uma confissão c: -~ :
tendemos nos afastar de alguma fOl'ma, seja em conteúdo ou em formu- senso nas igrejas, não é:~- êS
lação, da verdade divina que nossos piedosos antepassados e nós temos 1'8, mas também irá ae S~
conhecido e confessado no passado, pois nosso acordo está baseado nas (1 Tm 3.9; Tt 1 .9; 2 Tm :::
Escrituras proféticas e apostólicas e está compreendido nos três credos 6. A aceitação de:."
bem como na Confissão de Augsburgo, submetida no ano de 1530 ao im- mo a base pa;-a concóro:=
perador Carlos V, de saudosa memória, na Apologia que a seguiu, e nos Tappert, p. 9 passim) aes': =

Artigos de Esmalcalde e nos Catecismos Maior e Menor daquele homem kenntnis se torna bekennec:
altamente iluminado, DI'. Lutem. Pelo contrário, pretendemos, pela graça a igreja conressional se ::--.::
do Espirito Santo, continuar e permanecer unanimemente nesta confissão E este é o verdade
de fé e regular todas as controvérsias religiosas e suas reconciliações de testemunhar a pura dout- -.::
acordo com ela. Em adição, nós resolvemos e nos propomos a viver em (Ap Vil, 8), pregar o eVé' .~~
genuína paz e concórdia com nossos co-membros, os eleitores e governos do mesmo e administrar::: o~

no Sacro ImpériO Romano, e também com outros potentados cristãos, de (CA V!I, 2). Por consegu~:e :
acorelo com o conteúdo das ordenações do Sacro Império e dos tratados formidade com o padrão G2 :;.::
especi.ais que estabelecemos com eles, e a demonstral- em relação a cada 7. Embora seja o e.o-:.
um. de acordo com seu ofício, toda a afeição, serviço e amizade. Da a una sancta, como cem:':; ~
mesma forma nos propmnos a cooperar uns com os outros no futuro na gelho no sentido lato (" a
execução desse empenho para a concórdia em nossos territórios, de acor- duzido pelo Espírito, que ~ o

12
2-,8 que estão do com as nossas próprias circunstâncias e as de cada comunidade, atra-
-- -stério sejam vés da diligente visitação de igrejas e escolas, a supervisão de tipografias,
- ó- J e confissão
e outros meios salutares. Caso as atuais controvérsias acerca da religião
: s,eridade atra- uistã continuarem ou surgirem novas, nós cuidaremos para que elas sejam
: Ó:.Jadvento de acalmadas e harmonizadas em tempo, antes que estejam perigosamente es-
S!O que a si- palhadas, a fim de que todo o tipo de escândalo possa ser evitado» (pp.
: J'lfíssão e fé 13-14).
c e temos sido Eu citei extensamente essas palavras do Prefácio ao Livro de Con-
'O consciências córdia porque todo o programa luterano para a concórdia é claramente
~ Agente neces- exteriorizado aqui. O artigo X da Fórmula de Concórdia simplesmente
:8. escândalos aplica esses princípios básicos ao responder à controvérsia concernente
2 reconciliação aos adiMoros nas igrejas luteranas. Algumas poucas observações pode-
e~ 'O:::da. Uma tal riam ser feitas acerca da base para a concórdia de acordo com o que
- :Jeus de modo EiS confissões dizem a respeito dela nas citações acima e em outras
_'O Joutrína adulte- partes.
c, _2 o início deste
1. O consenso na igreja é claramente obra do Espírito Santo, e é
c:?:: - como não
somente pela sua graça e orientação que confissões são fOI'muladas e
2 oenho dirigido aceitas com base na palavra divina.
õ/ista de todos,
: 'Osto ou de uma 2 As confissões, que são elaboradas pela graça de Deus, realmente
estabelecem doutrina e se tornam a base, ou fórmula, para a concórdia.
_:: sua impressão
- e: J 3.S as pessoas 3. Aqueles que se identificam com essas confissões e as subscre-
e pela concórdia vem o fazem sem reservas; e eles entregam essas confissões a sua pos-
satisfação cristã teridade e para todos os tempos (OS Regra e Norma, 16; cf. DS VII,
e não permitirão 30-31).
:: a promoção da 4. Esse sumário comum e unânime da fé das ig(ejas se torna uma
:_MJ temporal. Em regra e juiz para todos os demais livros e escritos de qualquer época
~-e -demos produzir (OS, Regra e Norma, 10, 11).
: 3cordo nem pre- 5. Uma confissão formal, produzindo concórdia e testemunhando con-
~ _:0 ou em formu- senso nas igr-ejas, não apenas irá apresentar corretamente a doutrina pu-
,,:' C:JS e nós temos !'a. Illas também irá acusar adversários que ensinam de outra maneira
está baseado nas (1 Tm 39; Tt 1.9; 2 Tm 2.24; 3.16) e condenar doutrina falsa (ibid. 14ss.).
:: '10S três credos 6. A aceitação de confissões baseadas na Escritura que servem co-
0-:: de 1530 ao im- mo a base para concórdia sempre requer uma certeza (unanimi consensu,
_'O a seguiu, e nos Tappert, p. 9 passim) acerca da doutrina nelas contida; desse modo Be-
~- : - daquele homem kenntnis se torna bekennen, uma fórmula para confessar e testemunhar,
- c -:8nos, pela graça a igreja confessional se torna uma igreja que confessa.
2 - e'O nesta confissão E este é o verdadeiro encargo e missão da igreja: compartilhar e
-econciliações de testemunhar a pura doutrina do evangelho contida em suas confissões
- -: ::"Jmos a viver em (Ap VII, 8), pregar o evangelho de acordo com uma compreensão pura
2 ",.tores e governos do mesmo e administrar os sacramentos de acordo com a palavra divina
-2 - :ados cristãos, de (CA VII, 2). Por conseguinte, as notas da igreja encontrar-se-ão, em con-
,20 e dos tratados formidade com o padrão da sã doutrina, nas confissões formais das igrejas.
'" relação a cada 7. Embora seja o evangelho no sentido restrito que cria a igreja,
::: e amizade_ Da a una sancta, COIllO demonstramos anteriormente, é o acordo no evan-
: __ ,'-os no futuro na gelho no sentido lato ("a doutrina e todos os seus artigos")' que é pro-
'õ--ítórios, de acor- duzido pelo Espírito, que estabelece concordia na igreja visível.
______________________ '111JIjiII •. ---.--.

8. Empregando a terminologia de Chemnitz, dos dogmáticos do sé- viamentee:-:. -~ :>~


culo dezessete e dos pais do nosso Sínodo de Missouri (Waither, Pie- está ernorec:c-=::.
per, et aI), é bem apropriado dizer que os escritores das confissões viam texto aie·~·2::, c,
as iweJas da Confissão de ,L\ugsburgo como a verdadeira igreja visível nla igrejs
de Cristo na terra, e isso devido aos seus símbolos ortodoxos formais. emprego
Se não se acredita que uma igreja or·todoxa visível é possível, iria pa- fórmulas
ecclesiae :1 - .-.--~
rece!' que também não se considera a pOSSibilidade ele consenso (teste- '....;-::::-

munhado em uma confissão forma!) na doutrina e todos os seus artigos. 3. i i_


Em tal case não se pede ser um luterano verdacleirarnente confessional. indiscrim:,.a::c - ~
f\Jovamente vemos a relação entre a eclesiologia de nossas confissões e
gelho no 2'0'--=::'
o programa para concórdia em igr'ejas desunidas.
ex., na Ao
samento -:JC'~ -= ~:

Apêndice em seus G "~ °õ


gam indisc,~-,
A semelhança entre CA VII e OS X. 31 é notável e os escritores
(die reine Lehe
da Formula deliberadamente levam a efeito as implicações da CA VII ao
ela pertence d:s
ti'atarem do problema da sociedade na igreja e consenso na doutrina no trina iuxta verbu"
Artigo X e em outras partes na FC (especialmente, Regra e Norma e tinet, 10), sin-c eõ
Introdução ao Livro de Concórdia). Ambas as declarações (C.A VII e OS
ar'tigos" (die Ler,,,:
X. 31) se dirigem ao problema dE! unidade da igreja. Ambas afirmam
il!ius partibus, ~.,
que diferenças em costumes eclesiásticos e adiáfol'Os não aFetam aque- sentido lato.
la unidade .. Ambas fazem referênci,a às notas da igreja e ao acordo nes-
Entende ', _
sas notas. Mas, existem também diferenças entre as duas declarações?
Vil, 2? Eu acredtc = _~
Entende e Inte;-preta a declaração da FC, coít'etamente, em todos os pon-
pretação que eu?=- õ o
tos, a CÁ. VII? Emprega ela os te!mos cruciais (igreja, unidade, evan-
mentos E há -õ o
gelho) precisamente como o faz a CA Vil? Farei agora a comparação en-
em VII, 2 no se~'-::.
tre essas duas declarações forrnativas, destacando aquilo que aparece
como sendo paralelos, semelhanças, dessemelhanças e dificuldades em in- Se Melanchtc- _õ'-
terpretar as duas, harmoniosamente. Poderemos, então, entender melhor no sentido lato. ':';---Õ_

a relação entl'e as duas. uma nota da i9rej2'


1. ,As duas passagens não faiam para a mesma situação. A CA, tamente com o e'.:::- :.~
embora considerada como sendo tão ecumênica corno os credos, é es- contrária à teologia c:::
uita como uma apologia ou confissão da posição doutrinái'ia e do enten- peito que eruditos
dimento do evangelho mantido pelos luteranos. I:;, FC serve para acal- sagradáveis conseq0s'
mar controvérsias doutrinárias entre um iuteranismo desunido. Essas dife- de "doctrina evange!ii
renças de situação e pl'opósito não devem, porém, ser super-enfatizadas. ram com a possib!!:d:c::.-,=,
j\mbas as confissões são conscientemente católicas e evangélicas (em- vezes minimalístico. e c.~~
bora A FC não seja tão abrangente em escopo, confinando-se apenas à sa poderia ser um", ,=,.-
consideração de artigos controvertidos). E ambas são escritas e conside- lidando apenas con-: ::: -
radas como sendo símbolos adequados no sentido restrito da palavra córdia_ Melanchton,
de Deus. doxo na medida em ,_:::
2. O termo «igreja» nao pode ter o mesmo ponto de referência (a doutrina cristã) a ,,,; ~'o ='

em ambas as declarações. Melanchton define a igreja proprie dieta em nunca teria feito inte-::. c - =- -

CA VII e sem dúvida usa o termo naquele sentido através de todo o função de operar a ;é õ~ ,
breve artigo_ A FC, caso não esteja usando o termo no habitual sen- chton estaria então '"õ:c - ::.: _
tido late dieta, como o número total daqueles que exteriormente profes- que certamente o raz "
sam ser cristãos e se reúnem em torno dos meios da graça, está ab- V, 1-2.

H
_ ~3 dogmáticos cio sé- viamente empregando-o como algo diferente do que a una saneta. Ela
3souri (Walther, Pie- está empregando o termo no sentido de igrejas locais ou territoriais. O
33 das confissões viam texto alemão apresenta «igrejas» no plural e o latim diz que «nenhu-
.:.::adeira igreja visível ma igreja» pode condenar outra devido a diferenças cerimoniais. Esse
~ ~3 ortodoxos formais. empl'ego aqui parece exatamente o mesmo que o plural na CA I, 1 e
3 '3 possível, iria pa- fórmulas introdutórias semelhantes através de toda a CA (cf. Ep X, 4
, :.:. de consenso (teste- ecclesiae (Gemeine) in ubivis terrarum).
- - - 80S os seus artigos.
's:T,ente confessionai. 3. Os termos «evangelho» e "doutrina» parecem ser empregados
indiscriminadamente e alternadamente nos dois contextos como o evan-
.:. 'essas confissões e
gelho no sentido lato e não apenas em contraste com a lei (como, p.
ex., na Ap IV, 5; OS V, 1, 17-20 passim). Este é, precisamente, o pen-
samento dos escritores da FC neste ponto quando eles pl'Ocuram aplicar
em seus dias as implicações da Ap VII, 2-4. No Artigo X eies empre-
. ~:3\1e\ e os escritores gam indiscriminadamente e alternadamente tel'mos como "doutrina pura»
(die reine lehre; sincera doetrina, 3, 14), "a doutrina e tudo o que a
- :ações da CA VII ao
::-3;:80 na doutrina no ela pertence» (die lehre und was zur ganzen Religion gehõret; pia doe-
trina iuxta verbum Dei et quiequid omnino ad sinceram religionem per-
.3 Regra e Norma e
tinet, 10), simplesmente "doutl'ina» (16), ou "a doutrina e todos os seus
?:ões (CA VII e OS
.
?a. A m b as anl'mam

artigos» (die Lehre und allen derselben Artikel; doctrina et in omnibus
illius partibus, 31); e em cada caso eles têm em mente o evangelho no
~': não afetam aque-
sentido iato, como a doutrina cristã inteira (Veja OS V, 3-6).
ce.3 e ao acol'do nes-
- : ': duas declcll'ações7 Entende Melanchton a mesma coisa com "doctrina evangelii» na CA
- '.3 em todos os pon- VII, 27 Eu aCl'edito que sim. Mas há algumas dificuldades na minha inter-
-?ja. unidade, evan- pretação que eu gost8l'ia de mencionar antes de apresentar meus mgu-
: 'a a compmação en- mentos. E há alguns al'gumentos para se tomar "doutl'ina do evangelho»
?::juilo que aparece em Vil, 2 no sentido restrito que precisam seI' mencionados primeiro.
? dificuldades em in- Se Melanchton usa o termo «doctrina evangelii» como o evangelho
'~. entender melhol' no sentido lato, então ele está tomando o evangelho, nesse sentido lato,
uma nota da igreja. POI' outro lado, a lei sel'ia um meio da gl'sça jun-
_ situação. A CA. tamente com o evangelho, uma posição completamente não-evangélica e
: os credos, é es- contrária à teologia de Me!anchton (Ap IV; XII; Cf. FC IV, V, VI). Eu sus-
-: .:-nária e do enten- peito que el'uditos luteranos pel'cebel'am que essas são de fato as de-
=-::: sel've para acal- sagradáveis conseqüências de se intel'pretar aqui no sentido lato o uso
,"3'.mido, Essas dife- de "doctrina evangelii» por parte de Melanchton Por isso e!es concorda-
super -enfatizadas ram com a possibilidade de interpretar o tel'mo no sentido restrito (e às
" evangélicas (em- vezes minimalístico, e até mesmo anti-doutrinál'io) (Grane, op. cit., 74). Es-
;'sndo-se apenas à sa poderia ser uma explicação pel'feita e consistente caso se estivesse
,,30l'itas e conside- lidando apenas com a CA e não com a Apologia ou a FÓl'mula de Con-
estrito da palavra córdia. Melanchton, por conseguinte, é coel'entemente evangélico e Ol'to-
doxo na medida em que ele nunca atribui ao evangelho no sentido iato
:yto de referência (a doutrina cristã) a tarefa de conduzir um pecador à fé, algo que ele
3? proprie dieta em nunca teria feito intencionalmente (Veja CA V, Ap XII); atl'ibuir à lei a
O"'-avés de todo o função de operal' a fé seria uma negação da fé cristã. Ademais, Melan-
:,0 habitual sen- chton estal'ia então usando o termo «evangelho» no mesmo sentido em
, :3(;OI'mente profes- que c8l'tamente o faz na CA VII, 1 e indubitavelmente o emprega na CA
graça, está ob- V, 1-2.

15
Mas contra essa interpretação popular e fácil quero oferecer uns futação n5,'-", -~ - -
poucos argumentos sólidos para se interpretar «doctrina evangelii" no sen- Chemnitz. Se:'~e:--õ'
tido lato nesse contexto. deliberadams'-t-õ :"
eles cita::"! C? <:,
a) O fato de que Melanchton fala da doutrina do evangelho aqui,
lho no sent:cL:;
enquanto ele sempre fala apenas do evangelho quando se refere a ele
os seus arte::--::
no sentido rest:-ito como aquilo através de que o Espírito Santo converte
entre as
o pecador e produz a fé poderia ter peso (veja também o texto alemão);
embora uma exegese tão minuciosa do uso de termos nas confissões seja 4. O
muitas vezes perigosa e não possa persistir por si só. concordia. cons,:
b) Essa intel'pretação não atribui a Melanchton um lapso com o qual pregado eS2e~:." -.. c' 'o
ele atribui à le! ou à doutrina cristã como um todo a tarefa de declarar mente o acorde - -- .. - - -,
perdão ou operar fé. Eu estou sugerindo que «doctrina evangeiíi» de- artigos e:. .. ~ o -'

veria se:' tomado como evangelho no sentido lato no parágrafo 2 e "evan- (consentire) > ..
gelho" na sentença anterior no sentido restrito. O parágrafo 1, no texto Einigkeit e t·2:'."
alemão, usa o termo «Evangelium» duas vezes, obviamente em dois sen- etc., nunce 0'-::- .~ .c:
tidos diferentes, assim não é nada estranho encontrar Melanchton trocan- que MeianchL>"
do significados repentinamente (Veja CA XVIII, 5).
a FC de force
c) Melanchton ensina em todos os seus escritos confessionais que
o evangelho no sentido resti"ito e limitado não pode realizar sua obra ínente de inteç/' -::.::
cOillunhão, uni~:c.::~~:::
salvadora e justificadora sem que a lei tenha primeiramente efetuado
Esta é uma te:.:
sua opus alienum de mostrar ao pecador sua condição de perdido e de
a FC realmente :.: :.:.:. .. _
conduzi-Ia à contrição (Ap X/I, 49ss passim). Além do mais, Melanchton
FC não é aloo 0:::2. =~:::
insiste, particularmente em suas monumentais discussões sobre justifica-
na doutíina e tc:jcs -=:.
ção e alTependimento (Ap IV e X/I), que um e:'ro concernente à lei e
falava na C.D,. Eu ec-õ ~=
sua função resultará 60 ipso em um erro na compreensão e aplicação do
evangelho no sentido restrito. Essa é também a ênfase de Lutero quan- quer· algum signif:c's'-' =

do ele demonstra nos Artigos de Esmalcalde que as aberrações romanas o ternlO ~{jgreJa)}

concernente á invocação de santos, mosteiros, o papada, etc. são con- já observamos, nãc
confissões. Em U'T
trárias ao evangelho no sentido restrito, i.e. o artigo concernente a Cris-
sancta a unidade 82-::'~_
to e sua obra (AE 1/, IIss.). Poderia Melanchton, que era tão anti-anti-
nomiano quanto Lutero ou qualquer um dos luteranos posteriores, e que outro (FC X) é refs' (:' :
via claramente a unidade orgânica de toda doutrina cristã, ter excluído geiii et de aclrninistraLc ,-:;; ~
tel'ritoriais.
toda a consideração da lei e todos os principais artigos da fé que não
faziam parte do evangelho no sentido restrito quando ele fala do consen-
so no evangelho e na administração dos sacramentos como essencial pa-
ra a unidade da igreja e mais tarde denomina a doutrina do evangelho
1 - Karl Rehn-õ
e a correta administração do evangelho de notas da igreja? O Artigo 11
Burns & Oates, Ltda
na CA sobre o pecado original não fazia, em sentido algum, parte do
evangelho no sentido restrito. E, todavia, é evidente que Melanchton pen- 2 - Henrick D8~: ;C' _
sa que uma negação dessa doutrina ou uma irregularidade concernente 424; 484ss.; 588; 627· :
a mesma fragmenta a unidade da igreja e mina o próprio evangelho (Ap 3 - Veja C F.
11, 33. Cf. AE 11/, I, 11 e DS I, 34-48 e DS V, 20 onde a pregação da Th. Blasing, 1852, p. ':::':' =
lei é inserida na definição do evangelho no sentido restrito). /\Ibrech, trad. St. Loul2:::,
d) Tanto os adversários na Confutação e os luteranos posteriores, Eu não entendo por Cc ~ :::.
pelo que eu posso concluir, entendem «doctrinae evangelii» na CA co- apresentada nas Confl2: .t~:. :.'
mo uma designação do evangelho no sentido lato. Caso contrário, a Con- cusam a chamar a una ;;,,- ::=

16
: _5(0 oferecer uns futação não teria deixado de comentar a questão. E é inacreditávei que
· - e evangelih no ser- Chemnitz, Selnecker, Chytraeus e outros colaboradores da FC tivessem
deliberadamente ou erroneamente interpretado mal a Melanchton quando
-, :: evangelho aqui, eles citam da CA VII e ao fazê-I o se ref8l'em consistemente ao evange-
: se refere a ele lho no sentido lato, quando eles falam de consenso na doutrina e todos
-:J Santo converte os seus 31'tigos como sendo necessário à comunhão e reconhecimento
:: texto alemão); entre as igrejas.
.e 3 confissões seja 4. O termo «unidade» (alemão. Einigkeit; latim: unitas na CA e Ap,
cOllcordia, consonantia, consensio, consensus na FC) é, acredito eu, em-
- apso com o qual Pl'egado essencialmente no mesmo sentido na CA VII e FC X. Certa-
, :arefa de declarar mente o acordo (miteinander elni9; concordes Tuirint) na doutrina e seus
;; :;~ina evangelii" de·· artigos é o mesmo na intenção dos escritores da FC X que o acordo
: c'3grafo 2 e "evan- (col1sentire) da CA VII. É evidente, como indica Piepkorn, que o alemão
"'a;;rafo 1, no texto ElnigkeH é traduzido POI- unitas na CA e Ap e por concordia, consensus,
: -- '= ~,te em dois sen- etc, nunca por unitas, na FC X (op. cit., 759). Piepkorn também mostra
/eianchton trocan- que Meianchton normalmente fala de Einigkeit der Kircne, não Einigkeít
in der Klrcne. Com base nessas diferenças de expressão ele conclui que
éi FC de forma nenhuma está falando da unidade da igreja, mas mera-
o ::onfessionaís que
, . e-ealizar sua obra mente de integridade organlzacional e harmonia, união externa ou inter-
2 ~amente efetuado comunhão, unificação externa na qual «nistãos têm uma participação».
:": de perdido e de Esta é uma teoria simples e fascinante. Mas ela não faz justiça ao que
:: mais, Melanchton a FC I'ealmente diz sobre Einigkeit (coflcordia) na igreja. Concórdia na
':: ~33 sobre justifica- FC n2'0 é algo organizacional, não é nenhuma união extema, mas acordo
. : -cernente à lei e na doutrina e todos os seus artigos, precisamente do que Melanchton
- ~ 3 so e aplicação do falava na CA. Eu aceitaria que a diferença na expressão, caso tenha si-
.':: de Lutero quan-
2 quer algum significado, se deve ao fato de que a FC está empregando
, cJsrrações romanas o termo «igreja» num sentido diferente do que a Augustana VI!, como
:.::':0. etc. são con- já observamos, não que o conceito de unidade seja diferente nas duas
· :: "cernente a Cris- confissões. Em um dos casos (CA VII) é referida a unidade da una
• _ e e;-a tão antl-anti- sancta a unidade espiritual da fé, percebida pelas notas da igreja; no
. : o :osteriores, e que outro (FC X) é referida a mesma unidade (consentire de doctrina evan-
: -istã, ter excluído gelii at de administratione sacramentorum) nas igrejas e congregações
. ;-:s da fé que não territoriais,
2 2 fala do consen-
_: :Jmo essencial pa-
Notas
. _:·"a do evangelho
;"eja? O Artigo II 1 -- Karl Rahner. The Trinity. Trad por Joseph Doncee! Londres,
: _ algum, parte do Burns & Oates, Ltda., pp, 9-10.
, : _3 Melanchton pen- 2 - Henrick Denziger. Enchiridion Symboiarum. Friburg, HerdeI', 1957,
=
'""';
e dade concernente 424; 484ss.; 588; 627; 629; 631; 838; 1422-25; 1515.
: : J'O evangelho (Ap 3 - Veja C. F. W. Walther. Kirche und Arnt. Erlangen, C. A. Ph.
: - ~e a pregação da Th. Blasing, 1852, p. 16ss. Francis Pieper. Christian Dogmatics. Walter
33t(lto).
Albrech, trad. S1. Louis, Concordia Publishing House, 1953, 111, 401 passim.
~ _:2 -anos posteriores, Eu não entendo por que Schlink, cujo entendimento da doutrina da igreja
11:''' er'gelii,> na CA co- apresentada nas Confissões parece ser bem perceptivo, e Piepkorn se re-
': ::ontrário, a Con- cusam a chamar a una sancta de invisível com base nas Confissões lu-
teranas, especialmente visto que o termo invisivel foi tão clal'8mente de-
finido pelo vasto número de luteranos ortodoxos a partir de Chemnitz e
identificado exatamente com a definição confessional da una sancta. Veja
Edmund Schlink Theo!ogy or the Lutheran Confessions. Irad. por Paul F.
Koehneke e Herbe(t J. A.. Bouman. Philadelphia, Muhlenberg Press, 1961,
p. 218; Piepkorn, op, cito À luz da história a partir da Refo(ma, a insis-
tência no sentido de que o adjetivo "invisivel" seja atribuído à igreja
proprie dieta ilustra não apenas uma compreensão cO(l'eta da doutrina da A tentativa as s
igreja contl'a a heresia católico romana, mas também indica que não se
"dos sérios prob!e~:'.,
fiucumbiu diante das pressões da constante caricaturização romana da po-
reza e base para ec"
sição luterana.
é natural para um3ç's
4 - Von den Konziliis und Kirchen, Wa 50, 628. ta busca através de _-::
5 - Essa é a explanação de Gerhard, e está total.mente correta. tenção é examinare
Veja Loci Theo!ogici Loc. XXHi, Capo X, Par. 126. da unidade da ig re. c
6 - unidade
,!:", de Deus pressupõe a unidade da igreja na teo- de decisão. Alguns :: ~ ,~'
logia luterana e f'equer unidade de culto e doutrina na igreja. Veja Abra- dos dUl'ante a histcy" "'
ham Calov. Systema Locorum Theoiogicorum. Wittenberg, 1655-77, 11, 290. cesso. Que o Senhc'
ciosamente visando
7 - Christian Dogmatics, 111, 405
bre nosso caminhe ~'"
8 - Holsten Fagerb8l'g. A new look at the lutheran confessions,
1529-1537. Gene J. Lund, trad. St. Louis, Concordia Publishing House, 1. Há uma distj!;~s:
1972, p. 251. e unidade ou concÓrd'e. ': 'C~
9 - Op. cit., p. 270. Cf. Schlink, op. cit., p. 206. Cf. Leif Grane. de acontece através de
Confessio Augustana. Copenhagen, 1903, pp. 74-5 acel'ca da opinião con- ao campo da santificcC2:
trária.
Quando a SagrE::= :.:::
10 - Veja Apêndice. pre o faz em termos ':_"
O próprio Jesus prc'''é'::'
do ouvir da voz de ,"o',
I'em a crer em mim. ::
seJanl Ulll)) (João 17 2:':: ~
unidade espiritual atra. s"
muitos, somos um so: - ': :
manos 12.5). Nesta v-
em conta, já que ele ': s:: "
tes batizados em C(s:c: .:::
3.27,28). Os efé8io8 S'.: " -
--:0:-- uma vez que "há 80'~é' -' = _
uma só fé, um só bat"
Esta unidade ex . ,-.':' :::: ':
Espíl'íto», concedida 2:> ",
qual "pela graça 80'S ô:';
8ios 2.8). É aquela CE
pela fé" (Romanos 3 2::
reto da justificação pc
precioso dom do Esc ::: ::::
reúne os homens, fO""": - ::

18
-o: tão claramente de-
:' partir de Chemnitz e
:' 2 da una saneta. Veja CAMINHO PARA A CONCÓRDIA
. ~ 5 ~.ons. Trad. por Paul F.
~',ienberg Press, 1961,
da Reforma, a insis- Escrito por Martim C. Warth
Traduzido por Vilson Scholz
ó~.a atribuído à igreja
:o:"(eta da doutrina da
.A tentativa de encontrar uma "Fórmula para a Concórdia» em face
- :':'''1 indica que não se
.,dos sérios problemas que estão diante de nós com respeito a natu-
;;ação romana da po-
reza e base para comunhão», segundo o programa para esta reunião,
é natural para uma igreja confessante. Este estudo pretende colaborar nes-
ta busca através de uma análise do "caminho para a concórdia». A in-
totalmente cOrl'eta tenção é examinar o «caminho para a concórdia" partindo do conceito
da unidade da igreja, e comparando-o ao processo cristão de tomada
"~ da igreja na teo- de decisão. Alguns aspectos dos caminhos para a concórdia percorri-
-a igreja. Veja Abra- dos durante a história serão apresentados no sentido de ilustrar o pro-
:'Org, 1655-77, 11, 290. cesso. Que o Senhol- da concórdia guie nossos esforços e os use gra-
ciosamente visando uma cada vez mais intensa e abençoada reflexão so-
:utheran confessions. bre nosso caminho para a concórdia.

3 Publishing House. 1. Há uma distinc;ão a ser feita entre unidade espiritual da igreja
e unidade ou concórdia externa. Ambas são dons de Deus. Mas unida-
206. Cf. Leif Grane, de acontece através da justificação, enquanto que a concórdia pertence
c :'2'ca da opinião con- ao campo da santificação.
Quando a Sagrada Escritura se refere à unidade da igreja, ela sem-
pre o faz em termos que relacionam esta unidade à fé em Jesus Cristo.
O próprio Jesus promete formar "um rebanho com um pastor», através
do ouvir da voz de Jesus (João 10.16). Ele roga "por aqueles que vie-
I"em a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos
sejam um" (João 17.20.21). Paulo sabe perfeitamente que existe uma tal
unidade espiritual através da fé em Cristo; ele diz que "nós, conquanto
muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros» (Ro-
manos 12.5). Nesta unidade, as diferenças raciais e sociais não entram
em conta, já que ele escreve aos gálatas: "porque todos quantos fos-
tes batizados em Cristo todos vós sais um em Cristo Jesus» (Gálatas
3.27,28). Os efésios são exortados a "preservar a unidade do Espírito»,
uma vez que "há somente um corpo e um Espírito um só Senhor,
uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos" (Efésios 4.3-6).
Esta unidade existe apenas "em CI'isto". Trata-se da «unidade do
Espírito», concedida àqueles "que crêem em mim». Esta fé, através da
qual "pela graça sois salvos», «não vem de vós, é dom de Deus» (Efé-
sios 2.8). É aquela da qual Paulo afirma que «o homem é justificado
pela fé" (Romanos 3.28). A unidade da igreja é, portanto, resultado di-
reto da justificação por graça através da fé. A unidade da igreja é aquele
precioso dom do Espírito Santo em que, através da fé em Cristo, ele
reúne os homens, formando o corpo de Cristo.

19
Justificação, o ato de se declarar o pecador justo diante de Deus estes (os discip~ =::
em vista do que ele é pela fé em Cristo, por causa da fidelidade de
pOi' interméd;,o C2 ,,_,
Cristo à aliança e de seu sofrimento e morte vicários pro nobis, confor-
dos sejam um C~
me apresentado e prometido no evangelho, é apenas o início de uma concórdia na 00:"S2'.
nova existência coram Dei. 1 Com a criação desta unidade espiritual pas-
que não é ou"crêõ",' ='
sa a existir um novo relacionamento entre o pecador justificado e seu transmitido" (João .-
Deus gr-acioso Os dons de Deus continuam a se manifestar na vida
palavra de Deus ':;
do pecador declarado santo visando uma resposta em fé. Surge uma dado a tua paia\. ,'é'.
nova vida, e esta deseja viver segundo os dons recebidos do Deus Espírito Santo, "0 C":'õ:
gracioso Esta santificação de vida é fruto da fé, a fé através da qual meu nome", dize"cc
é estabelecicia a unidade da igreja. p, justificação é perfeita e absoluta bral' de tudo o que
em vista da obra de Cristo pro nobis.'A santificação, por seu turno, é que é a palavra eie
uma constante luta do cristão que se estende até o dia em que o pe· palavra dos apóstoos ::
cador morre para ressuscitar em perfeita santidade. que a oração de Jese.: C.:=::;
Pode·se distinguir três áreas fundamentais da vida santificada de já que ele orou "po" e e ..'- ~ '-
um cristão. Em primeiro lugar, pode-se falar da identificação do e da tanto, a Sagrada Esc ... ': o;,

confiança no Deus gracioso que declarou o homem justo. Em segundo igreja e para a cone: ::
lugar, pode-se falar de sua vida em mrependimento e amor. Finalmente, a concórdia são do~ õ ::0 :::0
pode·se falar de sua esperança escatológica. pelo Espírito atl"avéõ ec, -,
A primeira área é importante pal"a o nosso tema uma vez que As fórmulas de ::. ee
trata da identificação do Deus gracioso e, conseqüentemente, do cami· relaCionadas com a c:_-=:o'-':
nho para a concórdia. A fé, que no âmbito da justificação, é conside· requer confissão de '", ':"
rada tão somente como o órgão receptor através do qual Deus canaliza concordar com a pai2.'ê -~ :::
sua graça, é, na verdade, um poderoso agente dentro do cristão no O Credo Apostólico - ã: õ
decurso de sua santificação. Esta fé tem objeto que deve ser identifi- ções escritul"Ísticas aee-:: = : ê
cado corretamente: Jesus Cristo e sua obra pro nobis. Ela continua sen· do Jesus Cristo, objete : ~
do fé salvadora na medida em que houver uma correta identificação de interpl"etado, a igreja õ",-' _ :-
sua ol"igem, fundamento e objeto, bem como confiança nos mesmos Por trinitário em termos eie
esse motivo o cristão precisa de uma correta instrução a respeito do tantinopolitano e o Qu ic:..:-:: _~
objeto da fé. Além e em conseqüência disso é necessário uma correta tava por trás destas ':: -
confissão desta fé. Não pode ser qualquer fé em Jesus ou qualquer Jesus Cristo e a uniae> e.:
conceito do mesmo; deve ser a fé que é um dom de Deus Espírito
Santo através dos mefos"Ôá-"graça, que também identificam Jesus Cris- 2, Concordância n2 c::·:;
to, o Filho de Deus, nosso Salvador. Em face desta identificação Paulo salvadora, mas tem um ês-:e ~
pode dizer aos romanos: "Se com a tua boca confessares a Jesus co· da unidade da igreja atrsi2-=
mo Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os
mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça, e com A Escritura Sag:-2':'2
a boca se confessa a respeito da salvação» (Romanos 10,9,10). objeto da fé. A EscriL'2 ::õ-
Confissão é, portanto, fruto direto da unidade da igreja. Por esse Espírito Santo, ela é se -: "-
motivo não pode ser uma confissão qualquer, e, sim, a confissão da podemos ler a Sagrad.:; Eõ:':
igreja. Concórdia, no aspecto da confissão, não é algo opcional para o seu juizo e sua graç2
cristão; é resultado da ecumenicidade e unidade da igreja. " A base pa' homem quem toma a Eõ:"' _ =
ra a concórdia na confissão devem ser os meios que geraram e que que se apossa do home-
sustentam a fé salvadora através do dom gratuito do Espírito. Se o Es- Deus, a Escritura é o~e : : =
pírito gerou fé através da palavra de Deus e dos sacramentos, então es· de lei e evangelho. Se"
tes devem ser a origem e o fundamento de toda a concórdia ecumênica, Espírito Santo atinge o
Uma vez que o próprio Jesus orou ao Pai: "Não rogo somente por a unidade da igreja,
20
c. ~~~~.·_ -~~_~~~ ~~ __
~"o~ _

_o::: diante de Deus


estes (os discípulos), mas também por aqueles que vierem a crer em mim,
-.:: da fidelidade de
pOI' intermédio da sua palavra (a saber, dos discípulos); a fim de que to-
:: pro nobis, confor-
dos sejam um" (João 17.20), parece evidente que a unidade da igreja e a
-:: o início de uma
concórdia na confíssão devam acontecer «por intermédio da sua palavra»,
::~de espiritual pas-
que não é outra senão «a palavra que me deste» e que «eu Ihes tenho
ustlrlcado e seu
transmitido» (João 17.8). Jesus igualmente define o processo pelo qual a
-snirestar na vida
palavra de Deus roi transmitida aos discípulos. Ele diz: «Eu Ihes tenho
3" fé. Surge uma
dado a tua palavra» (João 17.14). Ao mesmo tempo Jesus promete-Ihes o
3::ebidos do Deus
Espíríto Santo, «o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em
'3 através da qual meu nome», dizendo: «esse vos ensinará todas as causas e vos fará lem-
Jerfeita e absoluta
brar de tudo o que vos tenho dito» (João 14.26). Essa palavra de Deus,
por seu turno, é
que é a palavra de Jesus, que é a palavra do Espírito Santo, que é a
::,a em que o pe- palavl'a dos apóstolos, roi-nos transcrita e transmitida pelos apóstolos para
que a oração de Jesus pudesse sel- uma realidade também em nossas vidas,
::;a santificada de
já que ele orou "por aqueles que vierem a crer em mim» (Jo 17.20). ': Por-
'3-tificação do e da
tanto, a Sagrada Escritura, soia Scriptura, é a base para a unidade da
Jsto. Em segundo igl'eja e para a concórdia na conrissão da mesma. Tanto a unidade quanto
: amor. Finalmente, a concórdia são dons de Deus, uma vez que ambas provêm da fé dada
pelo Espírito através da palavra de Deus.
'3 '~a uma vez que As rórmu!as de concórdia elaboradas pela igreja sempre estiveram
~'-:elTiente, do cami- relaCionadas com a questão da identiricação. Já que a própria Esuitu re
": ;cação, é conside- requer conrissão da fé em Jesus Cristo, essa conrissão da igreja deve
: Jual Deus canaliza
concordar com a palavra de Deus que identirica e gera a unidade da igreja.
: ~-::'O do cristão no
O Credo /.l,postólico não é outra causa senão a fiel repetição das afirma-
:; c1eve ser ídentjri-
ções escrituristicas acerca da obra graciosa da Santíssima Trindade. Quan-
:: s. Ela continua sen-
do Jesus CI'isto, objeto central e fundamento da fé, começou a ser mal
--",ta identiricação de interpretado, a igreja sentiu a necessidade de rormular o gracioso dogma
, : ~ nos mesmos. Por trinitário em termos de novos credos ecumênicos, o Credo Niceno-Cons-
. ,,- ~cão a respeito do tantinopolitano e o Quicunque ou Atanasiano. O aspecto central que es-
~. sssário uma cOrl-eta
tava por trás destas formulações era a correta identiricação da fé em
.ssus ou quaiquer Jesus Cristo e a unidade da igreja.
de Deus Espirito
>'-~ificam Jesus Cris-
2. Concordância na confissão não envolve apenas identificação da fé
dentificação Paulo salvadora, mas tem um aspecto dinâmico: ela tem por alvo a preservação
': ssares a Jesus co-
da unidade da igreja através da confissão de suas origens.
-s ~suscitou dentre os
" :~ra justiça, e com A Escritura Sagrada não se resume a uma descrição estática do
cs 10.9,10). objeto da fé. A Escritura tem um caráter dinâmico: como instrumento do
~ c 3 igreja. Por esse Espírito Santo, ela é sempre juizo e graça de Deus sobre o homem. Não
o -no a conrissão da
podemos ler a Sagrada Escritura e então decidir se vamos ou não aceitar
opcional para o seu juízo e sua graça. Juízo e graça são prerrogativas divinas. Não é o
;;reja." A base pa- homem quem toma a Escritura para manejá-Ia e manipulá-Ia; é a Escritura
" c~e geraram e que que se apossa do homem e age sobre ele. Na qualidade de palavra de
:: Espírito.- Se o Es- Deus, a Escritura é o meio pelo qual Deus trata com o homem em termos
" ": -smentos, então es- de lei e evangelho. Sempre que, através da proclamação do evangelhO-, o
: :-,córdia ecumênica.
Espírito Santo atinge o homem e transforma a sua vida pela ré, restabece-se
'c rogo somente por a unidade da igreja.

21
dissidente." Ele S~'~ :
Já que a confissão da igreja necessariamente harmoniza com a Es-
pondo em risco 5'-e,
c!'itura - isto se ela identificar corretamente a fonte e o objeto da fé sal-
ram as portas pC:'2 '~.
vaGora - ela tem o mesmo objetivo em vista: estabelecer e preservar a
atingir a neoessá"? ~ ~-' ~ -
unidade da igreja Neste sentido a confissão da igreja pertence à viva vox
damento para a u~
evangelii, a continua proclamação do evangelho salvado!' de Jesus Cristo. e discórdia criades :~ _ ~
/'\s proposições do credo têm em mira o cerne de toda confissão cristã, verdade, .;
Visando a pureza do evangelho. A pureza do 8\/angeiho visa o estabe!e- Mesmo não
cimento e a Ixeservação da unidade ela ig!'eja. a concórdia na 2 7
.A, refcíma de Lutero não pode ser encarada corno urn nlovirnento I1UOU a oferecer a - ':::~__
dissidente Sua preocupação em a unidade da Igreja. Ele sentia a neces- fessar em concórde
sidade ele encontrar um carT1!nho para a concórdia para preservar a uni-
mensagem fundame'-:e
c1a~le. O que estava envolvido não era uma questB.o de prestígio, política tão valiosos no CC:~ - - ~
eciesiást:ca ou sofístca. Estava em jogo a própria ecumenicidade e uni- titulo "a bíblia dos s:: ~
dade da igreja Lutero sentiu que sua própria participação na unidade da ressar a «mesma \I;o;':=e-: c
estava seriamente ameaça da devido à discordância confessional pre-
definidas, que até :'~s:'
valecente na época. O conteúdo que alguns na igreja estavam ensinando a
nor a adoção de '-'''"'2 'e
e:e e a outros através de sua confissão não harnlonizava com a Escritura,
agrada, e desde entsc ": _
a pa:3vra de Deus e o fundamento para toda a unidade. Sofismas huma-
formulações por sab=-
nos, política ec\eslá,stlcQ e urna tradi,ção apoiada sobre falsas identificações
confissão de fé de: :;;~s :
de unl objeto de fé colocado 81T1 bases subjetivas apresentavam-se como
As arneaças a unidEi:;-:: --
constante arneaça à unidad'2 da igreja e à justrf1cação do pecador diante mantidas concorde''"'s -:s
de Deus.
Mas Lutera 00':
soa!
O
de
méFCO inicial
Lutero em que
no
eie
caminho
sentiu 3
para
ira
a concórdia
e a graça de
foi
Deus
a experiência
em sua própria
pes-
a concórdia na igre. e s-
fessavam em conoó"c ô

vida Não se tmtava de questão acadêmica: envolvia sua própria salvação


Augsburgo, que tem -=c::
e 2, rie seus seiTle!hantes. Tt'atava-se da unidade da igreja, a unidade com
escreveu os Artigos éS
C(jsto. A Ureríebnis de Lutero. isto é, sua experiência primitiva, no dizer
cola os f\rtigos de S:- : ,.
de Werne!' E!ert, !'esume-se na compreensão ele que ele estava diante ele
1530 PO!' Lutero, 1\·'e~.- : '~: ~
um Deus "que endurece o coração de Faraó e odeia Esall antes ele seu
três artigos fo:-am 2 CC ~~
nascimento, o olei(O que molda vasos repugnantes - e, apesar de tudo 1530. Os confesSüre~ s':::: e
isso, troveja sobre essas infelizes criaturas de maneira brutalmente des-
nossa parte, não nos:
pótica: Teia culpai»" Elert entende que esta foi a chave da questão: «Aqui
cristã, dentro daqulic; e _" =- c
a ética e a ratio não têm sai da. E é necessário acompanhar Lutero até também estavam cenc= e"
este ponto para se poder apreciar o que ele entende por revelação, graça
gociada tendo por base
e fé". O próprio Lutera disse a Erasmo: «Mais de uma vez isso me levou
expressão da "mesma
ao mais profundo abismo do desespero e me fez desejar nunca ter nas- nós declaramos co:~,t"_e
cido - até que apreneli quão salutar este desespero é e qU80 próximo
posição através des'a=
da graça ele está".:3 Eis o motivo porque ele teve de combater o pelagia-
A unidade da igreja '=S:" -
nismo sectário dentm da igreja. Suas teses sobre a impossibilidade hu- viável: a concórdia c=,::c:c=
mana de colaborar na salvação eram tão incômodas que até mesmo Me-
unidade da igreja. P :::.~ =
ianchton teve problemas para aceitá-Ias. Lutem voltou para a Escritura
pressupostos dos Ii,::'s ~c::
e o consol.o que há no «conceito paulino de justificação". Elert sabe que
igreja.
"é neste conceito que se desenvolve a derradeira oposição à igreja me-
Lutero preocupe s _,
dieval»." Lutero sentiu a necessidade de opor-se à igreja medieval de seus disposto a reve!' SU2S
cHas porque ela ameaçava e destruía a unidade da igreja.
em 1537, o qual te ..·s
Lutera buscou um caminho para a concórdia oferecendo ajuda atra- Lutero escreveu !1c;. 'esc-
vés de Lima série de teses que estava disposto a discutir com a igreja

22
dissidente.·' Ele estava pronto a participar de debates e dietas, mesmo
- c-cconiza com a Es-
pondo em risco sua segurança pessoal." No momento em que se fecha-
c o objeto da fé sal-
ram as portas para debates públicos, Lutera valeu-se de sua pena para
- ,-' : 'Oscer e preservar a
atingir a necessária concórdia_ Era necessário não apenas colocar o fun-
- = oertence à viva vox
damento para a unidade da igreja como também apontar para a desunião
de Jesus Cristo.
e discórdia criadas pelas falsas promessas que haviam tomado o lugar da
- :==9 confissão cristã, verdade, 7
- c -~ 'lisa o estabe!e-
1'v1esmonão tendo sucesso na tentativa de encontrar um caminho para
a concórdia na igreja em geral, ele não desanimou_ Pelo contl-ál-io, conti-
:Y:iO um movimento
nuou a oferecer a instrução que o povo de Deus precisava para poder con-
Eie sentia a neces-
fessar em concórdia_ Por meio dos dois Catecismos ele apresentou a
:,:8
preservar a uni-
mensagem fundamental da palavra de Deus_ Ambos foram instrumentos
': :'8 prestígio, política tão valiosos no caminho para a concórdia que mereceram o significativo
.o:umenicidade e uni-
titulo «a bíblia dos leigos»_" Lutera tinha tanta certeza que se pode con-
:sção na unidade da fessar a "mesma verdade simples, imutável e permanente» em proposições
: c -::a confessional pre-
definidas, que até mesmo chegou a sugerir, no prefácio ao Catecismo Me-
- - estavam ensinando a
nor a adoção de uma formulação permanente: "Escolha a forma que lhe
- =sva com a Escritura,
agrada, e desde então adira a ela». 1" Lutera pôde estar tão segUl'o das
cce. Sofismas huma-
formulações por saber que não era apenas sua confissão de fé mas a
o "als8.s identificações
confissão de fé da igreja que estabelece e mantém a unidade da igreja.
-esentavam-se como
As 8meaças à unidade da igreja desapareciam onde estas confissões eram
do pecador diante mantidas concordemente
Mas Lutero continuou a se empenhar na busca de um caminho para
d experiência pes-
'"""" ' . a concórdia na igreja em gera!. Aliado a homens que, ao seu lado, con-
_J8US em sua propna fessavam em concórdia, Lutero colaborou na preparação da Confissão de
, SUEi própria salvação
Augsburgo, que tem redação final de Filipe Melanchton. Em 1529 Lutera
a unidade com
escreveu os Artigos de Marburgo, e com Melanchton, Jonas, Brenz e Agri-
c- : a primitiva,
no dizer cola os Artigos de Schwabach. Os AI-tigos de TOI-gau foram elaborados em
.o es estava diante de
1530 por Lutera, iv1elanchton, Bugenhagen, e possivelmente Jonas. Estes
-::? Esaú antes de seu
três artgos fcram a base para a confissão final em Augsburgo no ano de
c, - a, apesar de tudo 1530. Os confessores estavam dispostos a negociar Lima concórdia: "De
~-::::~2, brutalmente des-
nossa parte, não nos omitiremos em nada que possa favorecer a unidade
e da questão: «Aqui cristã, dentro daquilo que Deus e a consciência permitlrem".l1 Mas eles
= ::nnpanhar Lutaro até também estavam certos de que uma concórdia somente poderia ser ne-
-:: oor revelação, graça gociada tendo por base a confissão que tinham em mãos, a qual era-Ihes
, _ -'2< vez isso me levou
expressão da «mesma verdade simples, imutável e permanente" "A estes
"sejar nunca ter nas-
=
nós declaramos continuada lealdade, e não seremos movidos de nossa
: o :: é e quão próximo
posição através destas nem quaisquer outras negociações posteriores ..." ,"
: s combater pe lagia- ° A unidade da igl-eja estava em jogo_ Por isso, apenas uma concórdia era
o :: impossibilidade hu- viável: a concórdia baseada na palavra de Deus, o fundamento para a
__ 'o 'Iue até mesmo Me- unidade da igreja_ A igl'eja oficial recusou a concórdia nestes termos. Os
: :JU para a Escritura
pressupostos dos líderes de Roma continuavam a ameaçar a unidade da
: '~3.0". Elert sabe que igreja
:c:osição à igreja me- Lutera preocupava-se com o caminho para a concórdia. Ele estava
~-ela medieval de seus disposto a revel' suas formulações no concílio programado para Mântua
;reja. em 1537, o qual teve lugar apenas mais tarde, em Trento (1545 a 1563).
:'erecendo ajuda atra-· Lutero escreveu no prefácio aos Artigos de Esmalcalde que ele os pre-
scutir com a igreja
2",)
parara "para indicar, de um lado, em quê e até que ponto estamos dis-
da des(:; ç-~= == __
postos e podemos ceder aos papistas, e, por outro lado, a que preten- Deus. cs,-,-c, -:-
demos nos agarrar e no que pretendemos perseverar»,1:: Ao mesmo tempo
ele sabia que "estes são os al-tigos que devo defender e que defenderei, tica. r--

se Deus quisel-, até minha morte. Não sei como poderia mudar ou abrir sem
mão de qualquer causa neles. Se alguém estiver disposto a fazer algumas
concessões, que ele o faça colocando sua própria consciência em pe- este
I-igo».': Para Lutem havia apenas um caminho que levava à concórdia: debate :=::::--

a consciência apegada ao fundamento da unidade da igreja.


Quando se tomava necessário reiterar a concórdia na confissão, da 8ib' :-
Lutera estava proi-ito a fazê-to Ele escolheu dois caminhos para a con-
córdia. Por um lado ele podia apelar para as fórmulas de concórdia já tero 82.':02-
existentes, como ele o fez em 1532, juntamente com lustus lonas e Bu- corretoE. ~--
genhagen, no estabelecimento das exigências para aqueles que desejassem o critéi'ic --2= ~~~. -
assumir o oficio do ensinar e desejassem ser ordenados. Eles deveriam
cipios de~c-: ::'
garanti r que concordavam com "a doutrina do evangelho inalterada e com- gras exegé:c::::: :
pi-eenc!ê-Ia da mesma maneira como ela é compreendida nos Símbolos
tral) pois est2,~ =-. ~

Apostó!ico, Niceno e Atanasiano, e da maneira como é apresentada na da analogia fidei'


Confissão que nossas igrejas ie;-am ante o imperador Cmlos na Dieta de Paulo e".>~c:, 7'
Augsburgo no ano de 1530,," Por outro lado Lutera reconhecia que, em segundo a p~o::>~
face de novas controvél-sías ou novas situações, também seria necessário somente corno 2'_
apresentar novas fórmulas da mesma concórdia. Nas «normas" de 1532 proclamação gs"s:: = = c: _
ele acrescenta: "Além disso, caso surgirem novas controvérsiêlS, eles de- pretação da Esc:,'s
vem aconselhar-se com homens mais idosos e experimentados de nossa harrnonjzar CO;l!3 ::~ ~
igreja e daquelas igrejas ligadas a nós". 1Ii O próprio Lutera escreveu uma que o intérpl-ets ::':6 e
nova fórmula para a concórdia ao elaborar, cinco anos mais tarde, os Ar- Mas, isso pode se - - _ ::
tigos de Esmalcal,de em face de uma nova situação que ameaçava a uni- bém apelStil PS(2 S::::7 - ~:: - ::
dade da igreja I'egra objetiva P8.I-2 _
Este também foi o modo de proceder da segunda geração de con- na mesma express2': : = ':.,
fessores que elabol-ou a Fórmula de Concórdia. Antes de mais nada eles da fé, conformes/c s:: o c
voltaram-se para as fórmulas de concórdia existentes e mantiveram-se em como ela deve se·
harmonia com as mesmas. Como surgissem novas controvérsias, aconse- igreja. "E o evange .'
lharam-se «com homens mais idosos e experimentados de nossa igreja e e o sola fide que s
daquelas ligadas a nós» para reafirmar a concórdia baseada na unidade pretação escritu dSI c:'
da igreja. Sua preocupação não foi apenas identificar a fé salvadora mas, Lutero percebe~
também, preservar a unidade da igreja através da confissão de seus prin- parte elevem ser cC':-B.:: o' ,
cípios.
encontra ioci de ope·16,/,
Pode-se falar de quatro aspectos diferentes deste caminho para a icei de fide e ents-::: o
concórdia: o fator invariável, o contexto histórico, a necessária humildade,
e proclamação da
e a coragem para confessar. que cria a fé, pede.'s :'
unidade da igreja C :,_
3. O caminho para a concórdia pressupõe um fator invariável: a pa-
magisterium da igre.a: ..
lavra de Deus em \Iei e evangelho:' entusiastas. O prirc::: : B. , _
conforme estabelece: ,": c-
Toda verdadeira confissão deve ser boa obra resultante da fé. Con-
Em seus p,rt:;c, ::: ::,
fissão é a conscientização e expressão verbal da fé elo indivíduo. Entre-
afirma que o artige s ~: ~
tanto a fé salvadol-a (fides qua) não pode ser expressa a não ser através "Nada deste artigc :: ~ C ~ : c
24
conto estamos dis-
da descrição do objeto da fé (fides quae), que é revelado na palavra de
"do, a que preten-
Deus, conforme formulado objetivamente nas Escrituras Sagradas. A con-
Ao mesmo tempo
fissão de fé depende necessariamente de uma correta exegese escritmís-
e que defenderei,
tica. Por esse motivo o caminho para a concórdia não pode ser trilhado
a mudar ou abrir
sem que se tenha princípios bíblicos de interpretação.
:: :s:o a fazer algumas Lutera estava bem consciente desta necessidade. Otto Hof ressalta
) Jnsciência em pe- este fato: "Para Martinho Lutero estava clara que o ponto alto no seu
~.'ava à concórdia:
debate com os adversários, de um lado Roma e de outro os entusiastas,
;,'eja, não era tanto a questão de princípios referentes à importância e relevância
::-oia na confissão,
da Bíblia e, sim, a questão iigada à correta interpretação da Escritura
- ',hos para a con-
Sagrada»." Todos os grupos apelavam pma a Escritura. Como podia Lu-
? s de concórdia já
tero saber que sua interpretação bíblica e sua identificação da fé estavam
..•stus Jonas e Bu-
corretos, em contl'aposição a seus podel'osos adversáriOS? Ele abandonou
~ es que desejassem
o critério do magisterium e conS8nSll8 patrum da igreja e buscou os prin-
, : os. Eies deveriam
cipios dentl'O da própria Escritma. Lutero conseguiu detectar algumas re-
-: 'nalterada e com-
gras exegéticas fundamentais," uma das quais em definitivamente cen-
e e. -. da nos Símbolos
tral, pois estava dil'etamente I'elacionada à unidade da igreja, i o pl'incipio
.:. é apresentada na da analogia fideL'
:=:si'los na Dieta de
Paulo emprega esta expressão em Romanos 12.6 "se profecia, seja
econhecia que, em segundo a pl'opol'ção (analogia) da fé». Lutera entendeu "profeCia" não
:s seria necessário
,"'1

somente como anunciação de eventos futul'Os, mas, especialmente, corno


normas» de 1532
proclamação generalizada da palavm, a exemplo do que acontece na inter-
: :' :-ovérsias, eles de-
pretação da Escritura. 1D Segue-se que a interpretação da ESCl'itura deve
e.--entados de nossa
harrnonizm com a analogia da fé. Para Lutel'O isto significa, por um lado,
__,era escreveu urna
que o intérprete deve ter a fé salvadora para poder interpl'etar a Escritura_
,~ -"ais tarde, os Ar-
Mas, isso pode ser muito subjetivo, já que todos os falsos intérpretes tam-
: .,e ameaçava a uni- bérn apelam para este mesmo aspecto. Toma-se necessário uma norma e
I-egra objetiva para o intérprete. Esta regra Lutel'O encontrou, por sua vez,
geração de con- na mesma expl'essão de Paulo. Ele entende que Paulo fala da identificação
'c ::'8 mais nada eles
da fé, confOi'me expl'essa na revelação da própria palavra de Deus: a fé
-, " ''Y1antiveram-se em
corno ela eleve ser confessada pela igreja para estabelecel' a unidade da
, : '-'-ovérsias, aconse-
igíeja. «É o evangelho, é a mensagem da justificação com o solus Christus
: ,.: ce nossa igreja e e o sola fide que é central neste ponto e é o critério pma a correta intel'-
~sseada na unidade
pretação escriturística,;."n
t:o.

s. fé salvadora mas,
Lutero percebeu que as "passagens retativas à fé sempre e em toda
'ssão de seus prin- parte elevem ser contrapostas à confiança nas obras». "1 E «quando se
encontra ioei de operibus na Escritura, eles devem ser I'elacionados aos
eo:;õ caminho pam a loei de fide e entendidos à luz destes». éC isto quer dizer que a confissão
'~:~ssária humildade,
e proclamação da igreja deve estar de acordo com a palavra de Deus
que cria a fé, palavra através da qual o Espírito Santo gel'a e mantém a
unidade da igreja. O que temos aí não é algo inventado, a exemplo do
invariável: a pa- magisterium da igreja ou dos principios arbitrariamente estabelecidos pelos
entusiastas. O princípio da analogia fidei pertence ao fundamento da igreja,
confOl'me estabelecido pelo próprio Jesus Cristo.
C: ~ :ante da fé. Con-
Em seus Artigos de Esmalcalde, Lutero aplica isto diretamente. Ele
e. :c indivíduo. Entre-
afirma que o artigo sobre Cristo e a fé é "o primeiro e principal artigo».
':: " não ser através
d-,jada deste al'tigo pode ser deixado de lado ou compmmetido» e «tudo

25
o que ensinamos e praticamos repousa sobre este artigo». "Por isso de- fator invariável. :'S:2
vemos estar absolutamente certos e não ter dúvidas a seu respeito»," personalidades, -"55 ---
Já que é o fundamento da igreja e "sua santidade» que estabelece a uni- lanchton. É vere",::::s
dade da mesma. Por esse motivo ele diz que <,sua santidade consiste Melanchton, mas s::;cÕ c: - -
na palavra de Deus e na fé verdadeira». 21 Lutera estava convencido de variável da correts -:'5:
que «a palavra de Deus deve estabelecer artigos de fé e ninguém mais, e Maior de Lute'-o .;"
nem mesmo um anjo», c., e de que não se poderia apresentar uma con- seus esc!'itos pes.s:= 5
córdi.a na confissã.o que «conflitasse com o artigo principal e fundamental no ano de 1533 __
sobre a i'edenção em Cristo Jesus». 2,; Seu constante ataque contra as e sua respectivs L 2: : ~é
dout:r-inôs da cÚr;rG. romana estava baseado no rato de que ali «não se Tiveram, enLeta",:: ,:::
tem nem fé nem Cristo,,·, c~ e que tal ensinamento "perverte o conheci- opinião que ~/e.2·-:--·:- 5:-_
mento de Cristo»."' Lutero analisa as doutrinas em controvérsias e mostra saber, que o hc~cÕ u

corno todas as doutrinas confessadas em concórdla corll a igreja devem para iniciar 0" 'SE
estar relacionadas ao fundamento e fonte da unidade da igreja: Cristo e tido,
a f·
,e. Uma vez
Para Lutei'O o caminho rumo à concó!'dia não era apenas uma ques-
tõo de principios. a simples pretensão de conseguir uma confissão unlfi- os 'outi'CS "c_·
cada conlO tal; esteVE!. isto sim, envolvida a questão da salvação, urna forerr: se:..; s
vez que através de sua confissão a igreja igualrnente iria pregar e assim grade =- -=: r-.

mantel'-se de pé ou sucumbir. Há um caráter missionário na confissão da jLl1Z.

igreja ela compreende também pi'Ociamação da palavra de Deus, através ser ''''
ela qual o Espírito Santo pode continuar a escolhei' pessoas que irão inte-
ÇJre.r 9 unidade da igreja e ser salvas. :: Para Lutero, confessa( ern concórdia «O consensc ~ ~:,--
el'(] uma questão ecumênica bem como escatológica."" sent3cão :)5 --::55= -5
O mesmo princípio da analogia fldei já foro. sustentado pela ApO\Og·18. esta .-~::: ,:,-~
justus lonas, na tradução alemã, afirma que a analogia da fé é básica para fé subjetiva (fides G:..;2"

a compreensão das Escritura.8. Tendo constatado que «ninguém é recon- é atempora·' ec_··~~--c
ciiiado com Deus, ninguém recebe perdão de pecados exceto tão SOiTlente que eles pesscs.-- cÕ --'-
através da fé em Cristo», ele 8crescenta que este artigo é importante paro. que dizia resps,:c: :' 2 _.;
a "clara e correta compreensão de toda a Sagrada Escritura» e que «ape- .: Era a questdc c·::: =:;:

n3S ele 3bre as portas para toda a Bíblia».··l> Quando Melanchton acres- evangelho.
centa que 1"toda Escritura deveria ser distribuída nestas duas doutrinas, a
lei e as promessas»'; ':t ele não está estabelecendo novos padrões; apenas 4. O caminho 03-e 2 ::~,
confirma o critério da analogia da fé. Diz ele que "a lei sempre acusa e tórico defínido, que o'';
aterroriza consciências,,'" e "por causa disso a lei não pode libertar-nos do
pecado ou justificar-nos, mas a promessa de perdão de pecados e justifi- A exemplo c:
cação foi feita por causa de Cristo». 'Isto significa que também a lei minho para a corec:-c: =

deve ser interpretada segundo a analogia da fé: ela não pode substituir terminado por fat,:-== _
a fé; deve sel-vir à fé. Uma vez que lei e evangelho são a chave da pratica boas obrss -- ~-
Escritura, segue-se que tudo na Escritura deve ser interpretado em função ordens, estados e . Co "-

da unidade da igreja.~ Uma confissão em concórdia que de uma ou outra em relação ao csc'" ---:
maneira conflitue com a honra e glória do Senhor Jesus e a unidade que se volta pSía pesses.; __ :-
ele criou atmvés de sua obra por nós é impossivel. Neste sentido ss c:-" :;:;",,:,c s.
Este é o fator invai'iáve! no caminho para a concórdia. Os confes- do fator invariável,. ss c--" :,:':
sores ida segunda geração, que há 400 anos atrás prepararam a Fórmula embora se possa c-t: = - ::
de Concórdia, respeitaram e honraram este princípio da analogia fidei. concórdia foi alcancs2s :::- -- --
Todas as controvérsias eram analisadas e tratadas tendo por base esse tenham tentado seg_

26
"Por isso de- rator invariável. Estava de todo excluido qualquer compromisso para com
. _ seu respeito»,'
=' personalidades, mesmo que fossem tão estimadas quanto Lutero e Me-
s estabelece a uni- lanchton. É verdade, os confessores valeram-se de escritos de Lutero e
dade '" consiste Melanchton, mas apenas na medida em que harmonizavam com o fator in-
c: :3'/0. convencido de variável da correta interpretação bíblica. Aceitaram os Catecismos Menor
c 's e ninguém mais, e Maior de Lutero, seus Artigos de Esmalcalde e até mesmo alguns de
3 Ji'esentar uma con- seus escritos pessoais, como "o sermão proferido no castelo em Torgau
e fundamental no ano de 1533".:;; De Melanchton aceitaram a Confissão de Augsburgo
'5 ataque contra as e sua respectiva Apologia, e o Tratado sobre o poder e primado do papa .• ::,
,. -
=2 que 81! «nao se Tiveram, entretanto, toda a liberdade de proferir um damnamus contra a
~6rverte o conheci- opinião que Melanchton estava inclinado a defender em seus escritos, ;c,; a
~(ovét~sjas e nlostra sabel-, que o homem tem «a faculdade, aptidão, habilidade ou capacidade
==~:'l a igreja devem para iniciar ou realizar algo no terreno espiritual, ou cooperar nesse sen-
:'a igreja: Cristo e tido». ::,
Uma vez que, para estes confessol-es, "os escritos proféticos e apos-
? apenas uma ques- tólicos do Antigo e Novo Testamento são a única regra e norma», todos
'-'10. confissão unifi- os ·,outros escritos de mestres do passado e da atualidade, sejam quais
da salvação, uma forem seus nomes, não deveriam ser colocados ao mesmo nível da Sa-
:a pregar e assim grada Escritura»." Embora a «Escritura Sagrada permaneça como único
'0 na confissão ela juiz, regra e norma», eles entendem que a Escritura Sagrada só pode
? de Deus, através ser devidamente confessada em concórdia quando ela é confessada como
::-~;oas que irão jnte- o fundamento da unidade da igreja. Por esse motivo sua preocupação era
:: -'63;:.81' em concórdia "o consenso e exposição unânimes de nossa fé cristã", "a unânime apre-
sentação ele nossa fé", e os "testemunhos e exposições da fé". li)
::= -tado pela ,~po:ogia. Esta não era uma questão de opiniões históricas emanadas de sua
- ::a fé é. básica para fé subjetiva (fides qual, mas o problema da analogia da fé (fides quae) que
ninguém é recon- é atemporal, ecumênica e escatológica. Não era uma questão ligada ao
s;<ceto tão somente que eles pessoalmente criam, embora também o fosse, mas era a questão
. C::: é importante para que dizia respeito àquela fé que estabelece e mantém a unidade da igreja .
~õ~,·'tura" e que "ape- 'Era a questão do fatol" invariável: a santa palavra de Deus em lei e
: jv!e!anchton acres- evangelho.
õ ::~s duas doutrinas, a
:::s padrões; apenas 4. O caminho para a concórdia acontece dentro de um contexto his-
cei sempre acusa e tórico definido, que o influencia e determina.
'code libertar-nos do
': ~e pecados e justifi- A exemplo do que acontece com todas as nossas boas obras, o ca-
, :? que também a lei minho para a concórdia, na qualidade de fruto da fé, é influenciado e de-
:: ê ',ão pode substituir terminado por fatores circunstanciais na história. Ninguém simplesmente
-:--,0 são a chave da pratica boas obras num vácuo, em abstração, mas sempre segundo as
':-,:"pretado em função ordens, estados e relacionamentos em que vive. O mesmo é verdaeleiro
de uma ou outra em relação ao caminho para a concórdia. A confissão da igreja sempre
-=-=.5 e a unidade que se volta para pessoas ou situações que ameaçam a unidade da igreja.
Neste sentido as confissões são historicamente condicionadas. Em vista
. ~. :::órdia. Os confes- do fator invariável, as confissões são atemporais e têm significado perene,
:'soararam a Fórmula embora se possa criticar alguns aspectos relacionados à maneira como a
~ da analogia fideL concÓI-dia foi alcançada. Embora os confessores, na qualidade de cristãos,
:õ<do por base esse tenham tentado seguil' o conselho de Paulo, "para que vivamos no

27
presente século, sensata, justa e piedosamente» (Tito 2.12), há, sem dLi- Augsburgo em 1555 e:" ~ ':'':
vida alguma, certos aspectos políticos, sociais e pessoais na história do mas o incidente tar:'b",~ ~~.:
caminho para a concórdia que dizem mais respeito ao lado peccator do logos luteranos A ::::.: ~
confessor que é simul justus et peccator. mente, pois novas s .~:: ~=
Os temas, a extensão e forma das confissões sempre foram deter- organizou o ColóquiO c,,-
minados pela controvérsia histórica que reclamava um caminho para a os grupos católico 8
concórdia. Os confessores tiver'am de ler os sinais dos tempos, as causas este resultante da 'T"
e as implicações dos tópicos em questão, Não Ihes era possível combater cipes procuraram, às ,,·s::·
todas as heresias e responder a todas as perguntas, Mas eles trilharam conta própria na reul'~< ~.:
o caminho da concórdia tão longe quanto necessário era, na época, para esse motivo o Colóquc
manter a unidade da igreja. O grande número de confissões que surgi- roram convocados per.: =-'':
I'am são mostra de que um confessor não pode durante sua vida abordar nas VOltOU 2, revelar (: :-_~ :: - =,

todas as questões que exigem uma tomada de posição e confissão por da Saxônia convocou
parte da igreja. Mas, dentro dos aspectos abordados, as confissões foram Então, em 1559, ele :)2'
e S20 confissões válidas da igreja. futaçâo. Este apenas :'~ _ -
A história dos credos ecumênicos não está livre de pressões alheias Disputa de Weimar. :"2
ao conteúdo invariável dos mesmos. O Concílio de Nicéia foi convocado pologia e perdeu a C~':.
pelo imperador Constantino, que «em maior ou menor escala foi forçado a buscar um caminh:"
a consid8l'ar a possibilidade de convocar um grande concílio», e «quer Augsburgo numa reu,-~: c.

agindo sob persuasão ou intimidado, o imperador Constantino certamente rada de dois principe~ • ";:
colaborou para levar os debates a uma conclusão r'ápida e bem sucedida». e Flácio voltaram a se .:.
Foi aclotadci a base para o Credo Niceno e aqueles que não podiam con- indicava que o camin"'C - =

cordar "foram mandados para o exílio». " Esse modo de agir não é de Quando Jacó e,...t"
todo estranho a outros contextos históricos onde se procurava um caminho procur'ou encontrar urr :.:'"
para a concórdia, seu duque Cristoph. ::
O próprio Lutero, de um lado estava sob a proteção de poderes sentação de um docu-.: n •

políticos, de outro lado era pressionado por políticos opostos. A Confis- discussão. O docurr:e~': ':
são de ,ó,ugsburgo, bem como a Apologia, resultaram de grande pressão assinado.'" Os discc.:'
política. Lutero escreveu os Ar'tigos de Esmalcaide após ter sido «instruído luteranos sequidores C'Õ =-.::
(peio Eleitor João Freder'ico da Saxônia) no sentido de redigir e reunir Andreae. Embora fosse
artigos de nossa fé".'~ Também quando da eiaboração e subscrição da os gnésio-Iuteranos e~:=': =
Fórmula de Concórdia as pressões políticas desempenharam papel impor- palavras da instituição c= ::.=--
tante no caminho para a concórdia. Essas pressões políticas tanto foram rígido na questão da.::::
benéficas quanto maléficas ao caminho para a concórdia, mós de qualquer alterou o documento se'.: ec'
maneira foram instrumentos imporiantes nas mãos de Deus para recon- para trazer-lhe calún'as
duzir a igreja à concórdia na confissão. Andreae persuec ~
Mesmo interferindo no caminho para a concórdia, as pressões polí- Zerbst em 1570, onde "- "- ."
ticas não puderam condicional' o conteúdo das confissões. Determinaram ILlção. Esta foi ums "8 _' ";:
apenas alguns métodos empregados no caminho para a concórdia, As em número de três ~: 3: .
assinaturas dos príncipes, que deram à Confissão de Augsburgo um aspecto nos".'<; Concordare'" ::.:=
legal, de forma alguma determinaram o seu conteúdo. Quando João Fre- Ecumênicos, a COnr3?c:
derico aconselhou Lutero a escreveu os Artigos de Esmalcalde ele não Augsburgo, os Artigc:= := =
determinou os artigos de fé. escritos de Lute t"O".
Pressão politica perturbou a concórdia na igreja quando o imperador de W:ttenberg a rece-.: ='
Carlos V e Maurício da Saxônia quiseram impor uma concórdia através dos reunidos no Corpus doct"~== '"
dois ínterins. Os ínterins de Augsburgo e Leipzig apenas criaram descon- desgostar os de Wtte" ~ .:
fiança e discórdia. O Tratado de Passau em 1552 e a Paz Religiosa de caminho para a co"::·" c

28
: .:. 12), há, sem dú- Augsburgo em 1555 anularam os ínterins. "Os ínterins estavam anulados», '
o,:: ss na história do mas o incidente também pôs fim à liderança de Melanchton entre os teó-
edo peccator do logos luteranos. A liderança passou então às mãos de Flácio, temporaria-

: ~-- ore foram deter-


mente, pois novas pressões suprimiram o líder. ° imperador Fernanclo
organizou o Colóquio de Worms em 1557 para pressionar a concórdia entre
caminho para a os grupos católico e luterano. Já que os luteranos estavam desunidos, fato
:: :2'llpOS, as causas este resultante da liderança antagônica de Melanchton e Flácio, os prín-
c '~ossivel combater cipes procuraram, às pl'essas, encontrar um caminho para a concórdia por
'as eles trilharam
conta própria na reunião de Frankfurt em 1557 mas não tiveram êxito. Por
2'? na época, para esse motivo o Colóquio de Worms fracassou. No ano seguinte os teólogos
.. - ssões que surgi- foram convocados para Frankfurt; entretanto, o Recesso de Frankfurt ape-
sua vida abordar
e confissão por
nas voitou a revelar o abismo que os separava. ° duque João Frederico
da Saxônia convocou um sinodo para Magdeburgo, mas o plano fracassou
_ confissões foram Então, em 1559, ele pediu aos teólogos que redigissem o Livro da Can-
futação. Este apenas trouxe maior desunião, uma vez que foi seguido pela
.'_ pressões alheias Disputa de Weimar, na qual Flácio se mostrou extremado em sua antro-
:sa foi convocado pologia e perdeu a condição de líder luterano.'l Os príncipes voltaram
2scala foi forçado a buscar um caminho para a concórdia, subscrevendo a Confissão de
::,ncílio», e «quer Augsburgo numa reunião em Naumburg em 1561; entretanto, com a reti-
,'s'ltino certamente mda de dois príncipes não houve acordo. Os seguidores de Melanchton
,: 2 bem sucedida". e Flácio voltaram a se reunir no Colóquio de Altenburg em 1568, mas tudo
~ 'ião podiam con- indicava que o caminho para a concórdia estava obstruido.
:2 agir não é de Quando Jacó entrou em cena no ano de 1568, ele imediatamente
"3va um caminho procurou encontrar um caminho para a concórdia, sob pressão politica de
seu duque Cristoph. Em 1569 ele fez uma nova tentativa através da apre-
: :sção de poderes sentação de um documento que abordava os cinco principais tópicos em
:::)stos. A Confis- discussão. O documento foi entregue a príncipes e teólogos para ser
: 2 grande pressão assinado. Os discípulos de Melanchton em Wittenberg e os gnésio-
, :-er sido «instruído luteranos seguidores de Flácio em Jena, não aceitaram a "Confissão" de
:2 "edigir e reunir ,Ll,ndreae. Embora fosse uma boa tentativa no caminho para a concórdia,
~: e subsc~ção da os gnésio-Iuteranos entenderam que o documento era vago demais nas
'23m papel impor- palavras da instituição da Santa Ceia, e para os de Wittenberg era muito
: cas tanto foram
rígido na questão da ubiqüidade da natureza humana de Cristo. Andreae
;las de qualqLler alterou o documento para satisfazer as facções, mas isto apenas serviu
.Jeus para recon- para trazer-lhe calúnias.
Andreae persuadiu os príncipes a convocarem uma reunião para
ss pressões poli- Zerbst em 1570, onde ele tentou levar as questões em pauta a uma so-
:: = 2S Determinaram lução. Esta foi uma reunião notável uma vez que as facções, na ocasião
c ~ concórdia. As em número de três, discutimm «os padrões confessionais para os lutera-
~s .:urgo um aspecto nos"."; Concordaram que «as Escrituras são interpretadas pelos Credos
:)Jando João Fre- Ecumênicos, a Confiss2,o de Augsburgo, a Apologia da Confissão de
~: "a !cal de ele não Augsburgo, os Artigos de Esmalcalde, os Catecismos de Lutera e outros
escritos de Lutero".·17 A inclusão de «outros escritos de Lutero" levou os
..Sido o imperador de Wittenberg a reclamar igualmente a aceitação de escritos de Melanchton,
, - ::rdia através dos reunidos no Corpus doctrinae Misnicum. Para satisfazer os flacianos e não
s criaram descon-
=
desgostar os de Wittenberg, Andreae cometeu um erro maior ainda neste
: ='ez Religiosa de caminho parE' a concórdia. «Ele sugeriu que as obras de Melanchton, ao

29
lado das de Brenz, fossem reconhecidas como valiosas interpretações dos fessou a Carlowitz.
outros documentos confessionais»." a «até certo ponto de~_
Esta foi uma típica negociata teológica, jamais uma concórdia. As eminentes documentos ~c
facções estavam satisfeitas uma vez que cada uma das três podia inter- logia e o Tractatus. \' ": =
preta;' o documento como bem lhe conviesse. Os flacianos jamais fariam Visitação e os primeiro~ l...::
uso do Corpus doctrinae Misnicum, pois não passava de «va!iosa inter- do pmcUl'ou libertm-se :' ô
pi'etação "para aqueles que dele quisessem fazer uso. Os de Wittenberg nismo, Melanchton pass:_
não gostaram que Me\anchton e Brenz tivessem sido igualados, visto que A história da co-' : ~ -
Bi'enz era o «ubiqüicista» antagônico. Mas, decídiram-se pela paz, uma vez ilustram a diferença e""'Õ _ "

que continuar,am de quaiquer' forma a interpretar como bem entendessem. ressor na Universidade -~
E l\ndreae não estava suficientemente disposto a ver seu equivoco. Pu- didas com Melanchton.
blicou um r'eiatório otimista da reunião em Zerbst. Quando os de Wittenberg vadora, um ponto por: '0--
i:assaram a atacar o reiatório de Andreae, ele finalmente conciuiu que, à igreja. Cordatus e An'~::: ,c -
vista deles, os flacianos eram "pai' demais iuteranos e não suficientemente de Cruciger e conside,e' -~ --, _
papistas ou calvinistas».';0 Quando Lutero foi info'~ ~: :
Andreae concluiu que não havia meios de buscar uma concórdia estava sendo ameaça de' ::
ajustada com os de Wittenberg, já que falhavam parcialmente no fator logia ele Erasmo; não "-
lnvar-iável do caminho para a concórdia. Eles estavam por demais incli- isso». Lutero mostl'ou-s'O
nados para a paz com Roma e Genebra, sem alcançar a concórdia que blicD!Tlente, Cruciger de. ~-:
emana da unidade da igreja. A partir de então Andreae rompeu com o cientemente honesto o::· ô c c ='
espírito pacificador dos de Wittenberg e com a muitas vezes suspeita uma vez que já tinham 2-: ô -,,:
agl'essividade dos fiacianos. optando pelo caminho para a concórdia de os ataques se tornara:""
Lutera. Universidade, mas ,i'::
Lutera, na busca da concórdia, seguiu suas convicções, tendo por junho de 1537, Lutero
base a analogia fidei. Quando estava em jogo a questão da «mesma ver- lanchton e Cruciger. :. -- ::
dade simples, imutável e permanente», ele não se pl'eocupava em honrar meteu "tomar providênc c =
figuras humanas nem procurava. a paz externa. Isso fez com que, poste- bem da paz ele asse\;e =_
riormente, Melanchton o criticasse, em carta do dia 28 de abril de 1548 de duas maneiras. Poc _-
dil'igida ao diplomata Chl'istoph von Carlowitz: «Em dias passados eu tinha ções, embora Lutem t'e=~~
de agüentar uma até certo ponto desonrosa servidão a Lutera, quando ele são do mesmo problen-s --:
agia segundo sua natureza briguenta e não de acordo com sua dignidade outro lado, Melanchton cc- -
e o bem-estar público». o" Lutem não hesitava em censurar e pronunciar oposição à concórdia 02 ~ ~
um damnamus,'] mesmo contra seus próprios coopemdores na obm da da Confissão de Augst, -::
Reforma. Sua preocupação pela concórdia sobrepujava qualquer glorifica- É compreensívei :: "'"
ção ele figuras humanas. lanchton. Flácio pretenc ::
Melanchton, por sua vez, tinha outras convicções. Era mais dado a Melanchton insistia nu"'",
humanista. ao contrário de Lutem. Na mesma carta a Cmlowitz ele diz: fessores em Wittenberg 00

"Por natureza não sou dado a polêmicas e aprecio a paz entre os homens os interins, Flácio foi
tanto quanto qualquer outra pessoa".;J" Na qualidade de humanista, estava recebeu então o caréte" - - --
convencido de que um homem, quando honesto para consigo mesmo, teria Ele era um brilhante :c' ='~=: =-
de permanecer aberto para a verdade e, portanto, estar em constante bus- praeceptor Germaniae.
ca da mesma. Melanchton nunca chegava ao fim nesta busca. Ele ve- sonrosa servidão» e c~:- = õ --:
nerava as grandes personalidades, a exemplo do grande Erasmo, o qual público». Desenvolveu-:;"
finalmente influenciou sua posição sobre as causas da conversão. Ele se estendeu para até .'"~~-, -
honrava os pais eclesiásticos, nos quais encontrava uma interpretação mais Wittenberg pretendialT ~_~
figurada das palavras da Santa Ceia,ol semelhante à de Calvino, cuja fi- ao mesmo nível das Cc'-' ~ =" =
gura também apreciava. Nas mãos de Lutero ele sofreu, conforme con- pinho na carne de Iv;e:':-

30
-~erpretações dos fessou a Carlowitz. Mas, por estranho que pareça, enquanto esteve sob
a «até certo ponto desonrosa servidão», Melanchton elaborou os mais pro-
-" concórdia. As eminentes documentos de concórdia: a Confissão de Augsburgo, a Apo-
:,-ês podia inter- logia e o Tractatus. Mesmo seus escritos práticos, como os Artigos de
c-cs jamais fariam Visitação e os primeiros Loci, são brilhantes documentos de fé. Mas, quan-
:e «valiosa inter- do procurou libertar-se da «servidão a Lutei-o» e apelou para seu huma-
]::: de Wittenberg nismo, Melanchton passou a comprometer a verdade.
"iados, visto que A história da controvérsia majorística apresenta algumas cenas que
:ela paz, uma vez ilustram a diferença entre Lutero e Melanchton. Caspar Cruciger Sr., pro-
:8'1, entendessem. fessor na Universidade de Wittenberg, estava ensinando doutrinas apren-
:OS) equívoco. Pu- didas com Melanchton. Tratava-se da relação entre boas obras e fé sal-
-: os de Wittenberg vadola, um ponto por demais central e que dizia respeito à unidade da
-~" conciuiu que. à igreja. Cordatus e Amsdorf tiveram chance de examinar as formulações
- ~o suficientemente de Cl'uciger e consideraram-nas falhas, segundo a concórdia na confissão.
Quando Lutero foi informado a respeito, percebeu que a unidade da igreja
uma concórdia estava sendo ameaçada. Eis seu veredito: «Esta é a pura e simples teo-
~a!mente no fator logia de Erasmo: não existe nada mais oposto à nossa doutrina do que
por demais incli- isso». Lutero mostrou-se então um severo censor: «O que ensinou pu-
a concórdia que b!ic8mente. Cruciger deverá I'enegar publicamente»." Melanchton foi sufi-
s "s rompeu com o cientemente honesto para assumir a responsabilidade pelas formulações,
_ ~?S vezes suspeita uma vez que já tinham aparecido nos seus Loci, editados em 1535. Quando
a a concórdia de os ataques se tornaram mais intensos, Melanchton ameaçou abandonar a
Universidade, mas não O fez. Num debate público, realizado a 10 de
cções. tendo por junho de 1537, Lutero «destruiu e condenou» as teses defendidas por Me-
':O:~:J da «mesma ver- lanchton e Cruciger. Embora não totalmente convencido, Melanchton pro-
-secupava em honrar meteu «tomar providências» visando a «manutenção da unidade». Para o
:sz com que, poste- bem da paz ele asseverou: «Modificarei tudo que puder»." Ele o fez
.:.;) de abril de 1548 de duas maneiras. Por um lado, evitou a terminologia em suas publica-
:' S passados eu tinha ções, embora Lutero tivesse de voltar a corrigi-Io quanto a uma nova ver-
_utero, quando eie são do mesmo problema na reunião em Regensburg no ano de 1541. Por
:: com sua dignidade outro lado, Melanchton continuou a «mudar tudo» o que podia, mesmo em
: s surar e pronunciar oposição à concórdia da igreja, a exemplo do que fizera na edição variata
: "'-"dores na obra da da Confissão de Augsburgo um ano antes.
s qualquer glorifica- t: compreensível a amargura de Flácio em seus ataques contra Me-
lanchton. Flácio pretendia a concórdia baseada na analogia fidei de Lutero;
__ Era mais dado a Melanchton insistia numa concórdia baseada na paz. Ambos eram pro-
Carlowitz ele diz: fessores em Wittenb8l'g, mas, depois que Melanchton se comprometeu com
:sz entre os homens os ínterins, Flácio foi para Magdeburgo e depois para Jena. Wittenberg
::e humanista, estava recebeu então o caráter comprometedor da natureza irênica de Melanchton.
consigo mesmo, teria Ele era um brilhante professor, o grande humanista, reconhecido como o
o:~?" em constante bus- praeceptor Germaniae. Com a morte de Lutero ele estava livre da "de-
- esta busca. Ele ve- sonrosa servidão» e pôde então cultivar «sua dignidade e o bem estar
-·.:~de Erasmo, o qual público». Desenvolveu-se uma espécie de culto à sua personalidade, que
,~s da conversão. Ele se estendeu pam até mesmo depois de sua morte m 1560, já que os de
- _- a interpretação mais Wittenberg pretendiam que o Corpus doctrinae Misnicum fosse colocado
- :' de Calvino, cuja fi- ao mesmo nivel das Confissões, na reunião em Zerbst em 1570. O es-
, :o c~reLi, conforme con- pll1ho na carne de Melanchton era Flácio e sua insistência em que hou-
vesse arrependimento por causa da atuação de Melanchton no tempo dos i'elatório final, no da ;:.=
ínterins. Melanchton queria paz. Assim sendo, a 5 de setembro de 1556,
lagos proeminentes. ê.
escreveu uma carta pessoal a Flácio pedindo paz: "Suas acusações jamais cumento: Jakob A.no',::",::
terminam ... Eu me rendo. Não discuto sobre aqueles ritos, e com toda
!-<oerner, David Chy"'-'-,':
a sinceridade desejo que as igrejas estejam em agradável concórdia. Tam-
A, concórdia '/0 'o '':
bém admito que errei nesta questão, e peço o perdão de Deus ... "
Mas quando Flácio insistiu numa espécie de arrependimento público atra-
solicitadas as assinaL >
Em 1580, 50 anos
vés dos artigos de Coswig em 1557, a exemplo do que Lutero exigira
pressa a Fórmula 02 C'
no caso de Cruciger, Melanchton e seus discípulos não concordaram .• ",
Nessa época a divergência entre os luteranos era total. Mas o espírito /1.0 longo de toe:: --
irênico dos de Wittenberg aproximou-os mais e mais de Calvino. A Paz fissão encontranl-SE ia -:: ~ ::
Religiosa de Augsburgo (1555) não dava reconhecimento legal aos calvi- 8contece dentro de ;...: ~ -= = - -~"

nistas. Logo, estavam sujeitos à perseguição. Por esse motivo, dizem al- ternlina. Até mesnlC ::::.~~-:-: ~
guns, os de Wittenberg "hesitaram em provocar uma tão cruel situação naram a concói'dia tiVE"" - .:_::
para seus irmãos reformados (e) viram-se forçados, ou a comprometer suas fracuezas humanas.
convicções teológicas, ou a «descobrir» que não havia diferenças teoló- córdia, convenceram-s,:: _7
gicas significativas entre eles e os reformados».·a Uma tal pressão para tura e que podiam ec" '.cc:,
a paz, além de outras, perturbou a igreja no caminho para a concórdia. rnanente» a Llnica QUE =-::
O caminho para a concórdia finalmente se abriu quando as tendên- aconteceu nos dias eis
cias que levaram ao reconhecimento de grandes nomes e estudiosos, bem problemas: aqueles c:-.:
como os esfoi'çOS unionísticos foram abandonados. Jacó Andreae fizera continuaram a ameac:e~ ~
tentativas em ambos os caminhos, mas logo percebeu que apenas fomen-
tavam a discórdia. Ele fez nova tentativa, desta vez sem tendências com- 5. O caminho para " __
prometedoras. Empregou o método de Lutero, o da analogia fidei, que da qual se reconhece De~5
traz implícito o damnamus. Ele redigiu as teses e antíteses em forma de
Seís Sermões dedicados ao duque Júlio, para quem trabalhara durante A primeira confiss~, ~
certo tempo, no dia 17 de fevereiro de 1573. "Andreae fez um breve re- ao Senhor da concórc?
sumo da história da controvérsia e apresentou os argumentos básicos de importância que um hc'-'--
cada um dos lados, bem como a base escritudstica advogada. A seguir, cabeça certa. toda a. e:
valendo-se do catecismo, mostrou aos leigos como saber que grupo es- deve perceber a part" :.::' _:
tava ensinando corretamente». ,'" Mas, «ele não apelou ao catecismo como que confiam em quaic ~.:
fonte da sabedoria da igreja; seu argumento de modo algum parte da cioso ele é para con- ?:_= C"
tradição. Ele apelou, antes pelo contrário, para a _aJlalogia da fé». tão somente nele».
Vários teólogos, entre eles Martin Chemnitz, revisara-m-Os Seis' Ser- e crer, Onde se tem2'':.-i'-,-
mões, Partindo de suas sugestões, Andreae elaborou ao final do ano sua e a fé certa, ali toe e ?
Schwabische Konkordie (Concórdia Suábica). Foi abandonada a forma de manifesta na resposta e ::: " -
sermão, e as teses e antíteses apareceram em forma adequada. No ano através da qual o Cri':'::':
seguinte os saxões voltaram a revisá-Ia e ela foi devolvida a Andreae como Deus. A oração está "_
a Schwabisch-Sãchsische Konkordie (Concórdia Suábico-Saxã). Um outro a confissão em co:cc:: ':.: -
grupo de Wuerttenberg redigiu os mesmos tópicos na Fórmula de Maul- fessar em concórdia 2
bronn. Ambas foram reunidas no Livro Tórgico (Torgísehes Bueh), de cuja em oração.
revisão surgiu o Livro Bérgico (Bergisehes Bueh) em 1557. O Livro Bér- Isto toma oco"'':':::
gico acabou sendo a Declaração Sólida da Fórmula de Concórdia. Andreae ele é capaz de conres.:s ~--
fez um pequeno extrato do Livro Tórgico, o qual se tornou a base do vés da fé, estabelece:.. .: _
Epítome. Tanto a Declaração Sólida quanto o Epítome foram finalmente tomar possível uma u:" .:se: _
aprovados no dia 28 de maio de 1577 na biblioteca de um mosteiro de que providenciou: Sl.? :.::
Bergen e apresentados ao Eleitor Augusto da Sax6nia, juntamente com o do Espírito Santo. '" .:
32
. :"ton no tempo dos I-elatório final, no dia 29 de maio de 1577. Estava assinada por seis teó-
::~ setembro de 1556, logos proeminentes, aqueles que por último haviam trabalhado no do-
:: _3S acusações jamais cumento: Jakob Andreae, Nicolaus Selnecker, Andreas Musculus, Christoph
7 ~s ritos, e com toda Koerner, David Chytraeus e Martin Chemnitz.
: :3.el concórdia. Tam-
_3::~odeDeus "c,s A concórdia voltara a reinar. Durante os três anos seguintes foram
solicitadas as assinaturas daqueles que se identificavam com a concórdia.
~ . : 'cento público atra-
Em 1580, 50 anos depois da leitura da Confissão de Augsburgo, foi irn-
::: que Lutero exigira
:: --ão concordaram. uu pressa a Fórmula de Concól'dia, com um apêndice de 8.188 nomes.
:::~3i. Mas o espírito Ao longo de todo o processo que levou a esta concórdia na con-
': de Calvino. A Paz fissão encontram-se falhas e erros humanos. O caminho para a concórdia
.. 3-'~O legal aos calvi- 2contece dentro de um contexto histórito definido, que o influencia e de-
3333 motivo, dizem al- termina. lÜé mesmo os seis homens que elaboraram e por primeira assi-
.. = tão cruel situação naram a concórdia tiveram suas discórdias e receios pessoais devido a suas
: _ " comprometer suas fraouezas humanas. Mas quando chegou o momento de confessa;- em con-
- õ. e diferenças teoló- córdia, convenceram-se de que haviam encontrado o caminho na EsC(i-
_ ·',a tal pressão para tura e que podiam confessar "8 mesma verdade simples, imutável e per-
- -:: para a concórdia. manente", a única que identifica a unidade da igreja. A exemplo do que
quando as tendên- aconteceu nos dias de Lutera, essa concórdia não solucionou todos os
= 3 e estudiosos, bem problemas: aqueles que não podiam concorda;-, de uma maneira ou outra
. 3CÓ Andreae fizera continumam a ameaça!- a unidade da igreja .
: _ ::,ue apenas fomen-
-:: : 7 m tendências com- 5. O caminho para a concórdia deve ser buscado em oração, através
e analogia fidei, que da qual se reconhece Deus como o Senhor da concórdia.
,- ::eses em forma de
trabalhara durante A primeira confissão na qual a igreja precisa concordar diz respeito
338 fez um breve re- ao Senhor da concórdia. Lutera diz no Catecismo Maior «que é da maior
>",entos básicos de importância que um homem tenha a cabeça certa. Porque onde se tem a
c :vogada A seguir, cabeça certa, toda a vida será assim também, e vice-versa. Portanto, você
: 3ber que grupo es- deve perceber a partir destas palavras quão irado Deus fica com aqueles
- : _ ao catecismo como que confiam em qualquer outra coisa menos nele, e quão amável e gra-
- :::0 algum parte da cioso ele é para com aqueles que de todo o coração confiam e crêem
analogia da fé". tão somente nele". ,,. A cab~aj;:E;rtsLg; Deu"" em quem se deve confiar
3 sY<;J-m'os- Seis Ser- e crer. Onde se tem ãcab8ça certa, e isto implica em se ter a confiança
e::: final do ano sua e a fé certa, ali toda a vida está bem. ,6., vida principia com a fé e se
:õ-:onada a forma de manifesta na resposta a Deus. A evidência desta resposta se vê na oração,
:' adequada. No ano através da qual o cristão reconhece que sua vida provém e depende de
:3
a Andreae como Deus. ,4, oração está no princípio de todas as boas obras, dentre as quais
': ::::-Saxã). Um outro a confissão em concól-dia é um aspecto importante e necessário. Con-
_: - e Fórmula de Maul- fessar em concórdia é, portanto, um dom de Deus que deve ser buscado
~= -, ~ s::hes Buch), de cuja em oração.
,-- "557_ O Livro Sér-
~".
Isto torna o confessor humilde. Não se lhe deve dar crédito quando
- ~ :oncórdia. Andreae
ele é capaz de confessar em concórdia. O Senhor da concórdia, que atra-
,3 tornou a base do vés da fé, estabeleceu a unidade da igreja em Cristo, é o único que pode
. 3 foram finalmente tomar possível uma confissão em concórdia. Isto ele faz através dos meios
:8 um mosteiro de que providenciou: sua palavra revelada como o meio da graça, a ação
untamente com o do Espírito Santo, e a fé, que é seu dom.

33

~
..
Os confessores da Confissão de Augsburgo bem sabiam que o Es- seus instrumentos pe':- c
mudança vemos em \'s ~
pirito Santo não pode ser manipulado. Confessaram que Deus «nos deu
soro ," Sua Confissão =':' .:. _:~
o evangelho e os sacramentos, meios pelos quais dá o Espírito Santo, que
opera a fé naqueles que ouvem o evangelho, onde e quando lhe aprouver, A Apologia já el'a U,," "
mensagem esta que ensina possuirmos um Deus gracioso não pelos nossos posição agressiva err',:, ::
fessional, Melanchto:,
próprios merecimentos, senão pelos de Cristo, sempre que o crermos". fi",
O "onde e quando lhe aprouver» diz respeito não somente ao início da igualmente possível a:;: -:~
fé mas também a todo o tempo em que a fé existe e transforma nossas atividade de alguns 005:. - ':-'
rém, suas vidas e e8C::::- ~o
vidas. Mesmo as boas obras e a confissão em concórdia pertencem à
e. sim, sua confissãc
área do "onde e quando lhe aprouvel'". Paulo diz que "Deus é quem
Deus. Não se tratava
efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa von-
confissão pessoal de'es
tade" (Fp 2.13). O Senhor deseja ser reconhecido também no caminho
Essas confissões :-'-: -"
para a concórdia.
Ocupam-se com as eu,:,s: ~c ,
Lutera conhecia a arte de orar E!e tlilha a cabeca certa E ninguém
surgiram as controvÉi":;:.::,-:
pode negar que se OI'OU muito dmante todo o tempo em que a segunda
dinâmico. Não são se,:,':-:-
geração de confessores pl"Ocurava o caminho para a concórdia. No en-
cem à histól'ia. Por un° =::
tanto pal"3 Deus a hora certa para a concórdia chegou onde e quando
lhe aprouve. Ele teve de preparar os confessores, ° tempo e a ocasião. clamação e confissão:::~
outro lado, devem se,::
_
- ~ -:-
Quando Jacó Andreae, pela segunda vez, procurou o caminho pma a con-
trabalho contínuo no C2"
cól'dia, agora baseado nos Seis Sermões, ele escreveu ao duque Júlio
não são estacionárias ':'
que os evangélicos da A,lemanha deveriam agora «aguardar o tempo dete!'-
igreja necessariamente ::.
minado (Ec 3.1) de Deus para o I'estabelecimento da unidade que a!me-
já conquistadas, a igre,2
javam. Eles de sua parte podiam apenas plantar e regar; o crescimento
mando novas posições :: ,""=
viria de Deus (1 Co 3.6).,," O Senhor da concórdia, para o bem da uni-
/1, igreja sempre :'2: :::
dade da igreja, atendeu às orações dos confessores.
nem confessores nas ncs: ':
devem continuamente c _
6. O caminho para a concórdia exige homens decididos, que, uma
a unidade da igreja.
vez recebida a cabeça certa, partem em busca da concórdia.

O Senhor da concórdia dirige os homens passo a passo. Mas esse


passo a passo implica em viver por tomada de decisões. Viver com Deus
1 - John R. Loes: - s
uma vida de santíficação compreende os seguintes aspectos: Antes de
Publishing House, 1976'
tudo, o fator invariável através do qual se consulta e conhece a vontade
tantemente que o home,,'
de Deus expressa em sua Santa Palavra. Segue-se então o exame e a
('na presença de, diante
avaliação das circunstâncias em que se vive e nas quais a nova vida em
ser uma outra manei'2
Cristo deve se!' manifestada. O terceiro elemento é a oração, através da
Deus') como também é
qua! se pede que o Senhor dirija, guie e encoraje a tomada de decisão.
2 - Werner Eie": 7,..,: 3t
O último passo é a decisão e a ação no temor do Senhor.
Walter A. Hansen (8t
O caminho para a concórdia, um dos aspectos da vida cristã, exige
1962), p. 22.
que se tenha coragem pam decidir. Uma vez recebida a cabeça certa, não
3 - Ibid" p. 22.
se pode simplesmente ficar sentado e esperar: é necessário lutar pela
WA 1, 354, 15.
concórdia. Os confessores não optaram por esta condição. Deus, POI' sua
4 - Elert. p.
graça, fê-Ios confessores: eles tiveram de procurar a concórdia.
5 - Franz L.c-_, L;.;t~:-=:"
Nem Lutera, nem Melanchton, nem Andreae decidíram ser confes-
The Westminstel' P,e:-:-
sores por conta própria, Deus tomou-os em suas mãos e preparou-os para
formulou algumas Teses::~-',i
que fossem homens corajosos para confessar. Deus venceu a fraqueza,
rígidos e sólidos e e':-:: "
a pecaminosidade, o orgulho e as falhas deles para transformá-Ios em

34
:;:; 3.m que o Es- seus instrumentos para a concórdia na confissão. O maior exemplo desta
,c Jeus "nos deu mudança vemos em Melanchton. Ele era pacificador e tornou-se confes-
::' :'ro Santo, que sor. Sua Confissão de Augsburgo era um documento brando e delicado.
. ::; lhe aprouver, A Apologia já era um ataque à Confutação. Mas o Tractatus toma uma
. =c pelos nossos posição agressiva em relação aos erros do papa. Findo seu periodo con-
__::- o crermos».Ii;l fessional, Melanchton voltou a manifestar sua tendência pacificadora. É

3-~e ao início da igualmente possível apontar falhas em Lutero, e especialmente na vida e


- ' 3~sforma nossas atividade de alguns dos confessores da segunda geração. Não foram, po-
:3 pertencem à rém, suas vidas e escritos pessoais que se tornaram modelo para a igreja,
Deus é quem e, sim, sua confissão, conforme oficialmente entregue à iQ(eja diante de
:, sua boa von- Deus. Não se tratava, conseqüentemente, apenas de uma concórdia na
cem no caminho confissão pessoal deles; era a concórdia na confissão da igreja. ns
Essas confissões são definitivas dentro dos aspectos que abordam.
C 2 (ta. E ninguém Ocupam-se com as questões que estavam em discussÊÍ.o nos dias em que
surgiram as controvérsias. No entanto essas confissões têm um caráter
que a segunda
:oi'dia. i\!o en- dinâmico. Não são apenas descrições estáticas de situações que perten-
cem á história. Por um lado, são padrões definitivos para a contínua pro-
- : _ onde e quando
'~ 00 e a ocasião. clamação e confissão da igreja de hoje visando a unidade da igreja. Por
outro lado, devem ser considerados também como pontos de partida do
: " nho para a con-
trabalho continuo no caminho para a concórdia. Já que as controvérsias
ao duque Júlio
não são estacionárias e estendem-se a diferentes áreas, a confissão da
o tempo deter-
,<dade que alme- igreja necessariamente também terá de ser dinâmica. Partindo de posições
.~ o crescimento já conquistadas, a igreja deve continuar no caminho para a concórdia, to-
:2'2, o bem da uni- mi3.ildo novas posições diante das controvérsias modernas.
A igreja sempre precisa de homens humildes, corajosos que se tor-
nem confessores nas mãos de Deus «onde e quando lhe aprouver». Estes
" cecidídos, que, uma devem continuamente dirigir a igreja no caminho para a concórdia, visando
:::;~córdia. a unidade da igreja.

Notas
2 passo. Mas esse
. c s Viver com Deus
c õ :)ectos: Antes de 1 - John R. Loeschen, Wrestling with Luther (St. Louis: Concordia
c :onhece a vontade Publishing House, 1976), p. 19. Loeschen afirma que Lutera "repete cons-
'c s~tÊÍ.O o exame e a tantemente que o homem está, vem a estar e sempre permanece coram deo
. _3S a nova vida em ('na presença de, diante de Deus') - uma locução que não apenas pode
~ o oração, através da ser uma outra maneira de expressar o conceito regnum dei ('reino de
- ê comada de decisão. Deus') como também é uma boa definição da consciência do homem".
::7- ~or, 2 - Werner Elert, The Structure of Lutheranism, VaI. 1, traduzido por
, : 3 vida cristã, exige
Waiter A Hansen (St. Louis and London: Concordia Publishing House,
1962), p. 22.
: ê ê cabeça certa, não
3 - Ibid., p. 22. Tradução de WA 18, 719. Cf. WA 18, 729, 14 ss. e
- - scessário lutar pela
WA 1, 354, 15.
_- : ção. Deus, por sua
ê concórdia.
4 - Eiert, p. 73.
:s:;'diram ser confes- 5 - Franz Lau, Luther, traduzido por Robert H. Fischer (Philadelphia:
The Westminster Press, 1963), p. 68. Lau afirma que "em 1517 Lutero
_~ e preparou-os para
_ , _ õ',;enceu a fraqueza, formulou algumas Teses contra a teologia escoiástica em termos bastante
transformá-Ios em rígidos e sólidos e endereçou-as a um estudante, Francis Günther, para

35
~------,~-----------====~--_
....•........................
_----------
que as defendesse". O mesmo Lutero publicou e defendeu. entre outras, 19 - Hof, pp. 2~~ = _ -7

as 95 teses contra as indulgências. da Escritura, este é c ~'~::


6 - Lau, pp. 76 ss. Especialmente importantes sã,o a Disputa de E na \NA 34 I, 104. ';:
i_eipzig (junho e julho de 1519) com Eck, e a Dieta de Worms em 1521. pl'Ofetas, (falar) ele cc ~~õ
7 - A esta época pertencem os escritos reformatórios como por mos, como nós o te''':õ
exemplo Sobre o Cativeiro Babilônico da Igreja de 1520. Até mesmo o tí- 20 - Hof, P 2C:2
tulo enseja liberdade dos poderes enganosos e destrutivos que ameaça- Justificação pela grec:s s
vam a unidade da igreja. Seu tratado Sobre a Liberdade do Cristão (1520) tos vitais para a rts'C
é um dos mais importantes documentos de concórdia na igreja. Em 1525 «(As Confissões) c1e;és--
ele escreveu De servo arbítrio contra Erasmo, urna espécie de testamento estão inclissoluvelme-:,:,
final no legado que ele deixou para a concól-dia de confissão na igreja. Ecumenical CharactercC
S - FC, Ep, Prefácio, 15. Convention of the L~tr:e,=,: :;.~
9 -. FC, DS, Prefácio, 20. Publishing House. 1g;:C
10 - CMe, Prefácio, 8. pelo fato de serem 2SC - ' _ . :::
11 -. CA, Prefácio, 13. fessionai, a doutrins cs :::~
12 -. CA, Prefácio, 23. ete, são verdadeiroC:' C:'
13 - Artigos de Esmalcalde, Prefácio, 1. ChdshH:;'j sola grati8 3:::=-=

14 - Ibid., 111,XV, 3. dEi Deus».


15 - C. F. W. Walthel', "Porque deveriam nossos pastmes, mestres 21 - WA 38.
e professol'es subscrever incondicionalmente os livros simbólicos de nossa 22 - Hof, p.
=
igl'eja», CTM XViii, Abril de 1947, p. 250. CR Xli, 6,7. 23 - AE, 11,
16 - Ibid. 24 - AE, 111
17 - Otto Hof, "O princípio exegético da analogia da fé de Lutem», 25 - AE, 11.
traduzido por Richard Jungkuntz, CTM XXXVIII, Abril de 1967, p. 242. 26 - AE. 11.
18 - ibid, p. 242. Hof diz que "os critérios formais para a correta 27 - AE, III
compreensão da Escritu!'a (segundo Lutero) são as seguintes proposições: 28 - .AE, 11, I:.
A Escritura Sagrada a si mesmo se intel'preta; ela própria é sujeito bem 29 - Eugene "
como objeto da exegese, e urna interpretação da Escritura é correta apenas of COi1cord (St Lcc;s
na medida em que observa fielmente a auto-interpretação da Escritura; afirma que neste me",:' ~
cada passagem isolada deve ser compreendida a partir de tota Scriptura, de fé ecumênico. - s~
a Escritura no seu todo, e não deve contradizê-Ia nem ser posta em con- guintes equações: ec~
flito com eia; as passagens obscuras devem ser explicadas pelas mais -:c
----escriturístico =0 perrr:~- C:'
claras, fazendo com que a Escritura interprete a Escritura. - Prof. Di'. Raiph doutl'ina luterana é çé'
A. 80hlmann reúne das Confissões os seguintes princípios de interpretação 30 - Ap, IV, 3
bíblica: Princípios de exegese gramatical, Que a Escritura se interprete ganz viel gelegen :st
a si mesma, e A função hermenêutica de Lei-Evangelho e Justificação. ganzen heiligen Sc:-""
Ralph A. Bohlmann, Princípios de interpretação bíblica nas Confissões Lu- allein die Tür auftut
teranas, tradução ele Mário L. Rehfeldt (Porto Alegre: Casa Publicadora 31 - Ap, IV. ~
Concórdia S.A.., 1970), p. 47 ss. - Prof. DI'. Robert D. Preus vê estes 32 - Ap, IV. 3~.
mesmos princlpios aplicados pelos dogmáticos luteranos: «As passagens 33 - Ap, IV LC
claras da Escritura devem lançar luz sobre as obscuras que tratam do 34 - Fel Ep. :'~
mesmo assunto. Isto se faz aplicando a assim-denominada analogia da fé, DS, li, 89.
A analogia da fé, segundo todos os antigos teólogos luteranos, era sim- 35 - °
ponto
plesmente os artigos ele fé que podiam ser reunidos sob as categorias é honrado na FC, DS
de lei e evangelho». Robert D. Preus, The Theology of Post-Reformation 36 - CR XXi t::::
lutneranism, I (St. Louis and London: Concordia Publishing House, 1970), Melanchton (1535 e 1 S..:::
p. 330. de Augsburgo (15401.
- _';;u, entre outras, 19 - Hof, pp, 243 s. Lutero diz na WA 17 11,39, 26: "A interpretação
da Escritura, este é o mais nobre, elevado e grandioso dom da profecia",
o~J a Disputa de E na W A 34 I, 104, 16: "Profetizar não significa, a exemplo dos antigos
:Vorms em 1521. pr-ofetas, (faiar) de coisas futuras, e, sim, interpretar os Profetas, os Sal-
u ~tórios como por mos, como nós o temos feito aqui em INittenberg; nós somos profetas".
b..té mesmo o tí- 20 - Hof, p. 248. Bohlmann, p. 78: "Desse modo, a doutrina da
iOS que ameaça- justificação pela graça e o contraste entre lei e evangelho são pressupos-
_ do Cristão (1520) tos vitais para a interpretação correta da Escritura». Bohlmann, p. 80:
'~ igr'eja. Em 1525 ,,(As Confissões) deixam ver claramente que soius Christus e sola scriptura
,= o-=8 de testamento estão indissoluvelmente entrelaçados. - Herbert J. A. Boumann. "The
'/fissão na igreja. Ecumenicai Character of Lutheran Doctrine», Proceedings of the Forty-Sixth
Conventfon oÍ the Lutheran Synodical Conference (St. Louis: Concordia
Publishing House, 1960), p. 24: ", .. as Confissões deveriam ser aceitas
pelo fato de serem escr'iturísticas. Isto significa que o soia Scriptura con-
fessional, a doutrina de Deus, do homem, da igreja, dos meios da graça,
etc., são verdadeiros e válidos por toda a eternidade porque o solus
Christus, sola gratia e sola fide confessionais são fiéis à auto-revelação
de Deus»,
: o pastores, mestres 21 - WA 38, 488, 18.
o"-'bólicos de nossa 22 - Hof, p. 252.
23 - AE, 11, I, 1,5.
24 - AE, lil, XII, 3.
_ c da fé de Lutero», 25 - A.E, li, li, 15.
: ~ 1967. p. 242. 26 -- ./'"E. 11, 111, 2.
: '~sís para a correta 27 - AE, lli, 111, 14, 18, 19, 23. AE, 11, IV, 14.
c; >,tes proposições: 28 - AE, 11, 11, 25.
:' ::yia é sujeito bem 29 - Eugene F. Klug e Otto F. Stahlke, Getting into The Formula
é correta apenas
.=:
of Concord (St. Louis: Concordia Publishing House, 1977), p. 23. Klug
, =:~ção da Escritura; afirma que neste mesmo sentido a Fórmula de Concórdia é um documento
de tota Scriptura, de fé ecumênico. - Boumann, p. 26: "Podemos, então, encadear as se-
u sei' posta em con- guintes equações: ecumênico = católico = universai = apostólico = evangélico
e = csdas pelas mais =escrituristico permanente». Boumann, p. 27: "Não obstante afirma-se:
'- - Prof. Dr. Ralph doutl'ina luterana é de natureza ecumênica».
::8 de interpretação 30 - Ap, IV, 3 (texto alemão): " .. also dass an diesem Artikel
::' ::Ui'8 se interprete ganz viel gelegen ist, welcher auch zu klarem richtigen Verstande der
" " : ~"'O e Justificação. ganzen heiligen Schrift fürnehmlich dienet, ... auch in die ganze Bibel
: ~ ..,as Confissões Lu- aliein dle Tür auftut .. »
Cssa Publicadora 31 - Ap, IV, 5.
J Preus vê estes 32 - Ap, IV, 38.
_s, "As passagens 33 - Ap, IV, 40,
, : ,'3S que tratam do 34 - FC, Ep, IX, 1. Há também uma referência a Lutem na FC,
- ~da analogia da fé. OS, li, 89.
Jteranos, era sim- 35 - O ponto de vista de Melanchton sobre a justificação pela fé
" sob as categorias é honrado na FC, OS, !lI, 4, 9, 19.
:-f Post-Reformation 36 - CR XXI, 658, 659. Veja as edições post6l'iores dos Loci de
õ';:ng House, 1970), Melanchton (1535 e 1543), e o artigo XVIII da edição variata de Confissão
de Augsburgo (1540).

37
37 - FC, OS, I, 23. Cf. também FC, OS, 11, 3,86, 90. 53 - Manschrec,'
38 - FC, Ep, Prefácio, 1.2. é seu reconhecimento c",
39 - FC, Ep, Prefácio, 7. está de posse da vere ~::
40 - FC, Ep, Prefácio, 4,6,8. e de que o evangeihc' > -.
41 - Jean Denié!ou e Henri Marrou, The Christian Centuries, vol. I. samento e ação humê-::
The First Six Hundred Years (New York: McGraw-HiI! Sook Company, mento de fé pam co:'- ~.~ _:
1964), pp. 251 e 253. mana, fazendo com GU? _
42 - AE, Prefácio, 1. bert D. Preus, "Meianc·': - -
43 - Robert Ko!b, Andreae and the Formula of Concord (St. Louis' p. 475: -Uma das gl'a,':",O
Corcordia Publishing House, 1977), p. 25. Melanchton) e seu pos:s':
44 - Koib, pp 29-30 L. Luecker, «Luther anê .' c
45 - Kolb, p 43. O documento era entitulac!o "Confissão e breve «Com certa dose de rêZ~: -'
explanação de certos artigos controvertidos, através do que pode ser a!- logia e filosofia estão e- ::'-
cançada unidade cristã nas igrejas que subscrevem a Confissão de Augs- as Educator and Huma'-s:
burgo e eliminada a escandalosa e incômoda divisão». quel' que tenham sido ~" .:
46 - Koib, p. 44. falta ele senso de hU" c .
47 - Kolb, p. 45. merece nosso reconhec -"
48 - ibid. - Theodore R. Jungkuntz, Formulators of the Formula of cador do século XVI"
COl1cord (St. Louis. Concordia Publishing House, 1977), p. 36. 54 - Carl Meuse "',
49 - Kolb, p. 48. Naumann, 1894), p. 533
50 - Clyde Leonard Manschreck, Melanchton The Quiet ReformeI' 55 - Sente, p. l' ~
(New York e Nashvilie: Abingdon Press, 1958), p. 282. - Heinz Scheible, 56 - Ibid. - POS:"'" : ,-
"Me!anchthons Srief an Carlowitz», em Archiv für Reformaticnsgaschichte, tere sobre 2 Ceia de Se- -:
editado por Gerhard Ritter aí a!. (Gütersioher Veriagshaus Gerd Mohn), 57, ta mente com sua famP's
1966, Heft 1/2, p. 116: ,<lch el'trug auch vordem eine fast entehrende própl'io Lutero, em 154'" ,_ "
i<.nechtschaft, da Luther oft mehr seinem Temperament fo!gte, in welchem sem intenção de volta, "
eine nicht gering phHoneikia lag, ais auf sein Ansehen und auf das Ge- encontl'Ou Lutero e °
:,'c,
meinwohl achtete". - F. Sente, Histcricai introductions to the Book or 57 - Sente, p. l'c:
Concord (St. Louis: Concordia Pub!ishing House, 1965), p. 106: "Tuli etiam 58 - Sente, p.
antea servitutem paene deformem, cum saepe Lutherus magis suae na- 59 - Manschreck c
turae, in qua philoneikia erat non exígua, quam vel personae suae ve! utiii- 60 - Kolb, p. 26
tati communi serviret". 61 - Jungkuntz, p::
51 - Hans-Wemer Gensichen, We Condemn, traduzido por Herbert 62 - Kolb, p. 54
J. A. Soumann (St. Louis: Concordia Publishing House, 1967), p. 62: «Lu- 63 - Kolb, p. 55
tero de modo geral dava muito valor à admoestação fratemal do faltoso 64 - CMa, I, 31,3::
e praticamente colocou-a ao lado do ofício ministerial. Julgamento de dou- 65 - CA, V, 2-3.
trina necessariamente deve ser bastante severo: 'Você deve afiar seus 66 - Karl von he
dentes e cortar tudo que seja contrário à sã doutrina». Ao mesmo tempo, (Leipzig: Doerffling une ~'':-'':
'Você deve corrigir, não castigar!'» E p. 67: "Para Lutero, a palavra, o huemer, Grafschaften /:, :':2
evangelho era o critério pelo qual ele traçava a linha distintiva entre en- dieser Entwurf (die 822:-":::
sino verdadeiro e falso, entre igreja verdadeira e falsa. A partir da pa- und Zustimmung erfah·",·'
lavra ele estabeleceu para si mesmo e para todos os cristãos a obrigação oeffent!ich und im Kae- - ~ .0.-
de eliminar ensinos falsos através do veridito condenatório». der Kirche Aufsteigen r.' - - -
52 - Harold H. Lentz, Reformation Crossroads (Minneapolis: Augs- than werden .. Ehrllch
burg Publishing House, 1958), p. 59: «Desprovido da fé heróica e da fir- 67 - Kolb, p. Se.
meza de Lutero, ele (Melanchton) estava disposto a assinar a paz por qual- 68 - Al'thur Ca" --
quer preço». Setembro de 1960, p. 5':'

38
53 - Manschreck, p, 18: "A chave para o mistério de Melanchton
é seu reconhecimento de que os seres humanos são finitos, de que ninguém
está de posse da verdade final, de que nenhuma ação humana é definitiva,
e de que o evangelho não pode ser traduzido de modo absoluto em pen-
Centuries, vol. I: samento e ação humanos, de que o homem se encontra num relaciona-
300k Company, mento de fé para com Deus que rompe todas as formas de finitude hu-
mana, razendo com que o homem não contenha mas seja contido», - Ro-
bert D, Preus, "Melanchton the Theologian», CTM XXXI, Agosto de 1960,
- :" cord (St, Louis: p, 475: ,Uma das grandes tragédias da história é que sua vacilação (de
Melanchton) e seu posteriol' sinergismo solaparam este artigo», - Erwin
L, Luecker, "Luther and Melanchton», CTM XXXI, Agosto de 1960, p, 477:
::::;·'fissão e breve «Com certa dose de razão tem sido dito que em Lutero e Melanchton teo-
: :'-'8 pode ser al- logia e filosofia estão em conflito entre si», - Carl S. Meyer, "Melanchton
- --.iissão de Augs- as Educatoi' and Humanist», CTM XXXI, setembro de 1960, p. 540: «Quais-
quer que tenham sido as falhas como teólogo, ou como professor (sua
falta de senso de humor, por exemplo), ou como humanista, Melanchton
merece nosso reconhecimento como o proeminente humanista e edu-
:" the Formula of cador do século XVI».
36, 54 - Carl Meusel, Kirchliches Handlexikon, VaI. IV (Leipzig: Justus
Naumann, 1894), p, 533,
~ Quiet Reformer 55 - Bente, p, 113,
- Heinz Scheible 56 - Ibid, - Posteriormente quando começou a discussão com Lu-
: o':"mationsgeschichte, tere sobl'e 2 Ceia do Senhor, «Melanchton de fato planejava exilar-se jun-
- :_5 Gerd Mohn), 57, tamente com sua família». Manschreck, p, 245, Manschreck afirma que o
c - e fast entehrende próprio Lutero, em 1544, «desgostoso e desesperado ". deixou Wittenberg
':[gte, in welchern sem intenção de voltar", e que "Melanchton se deslocou até Merseburg,
'-,nd auf das Ge- encontrou Lutero e o trouxe de volta», Manschreck, p. 247,
s to the Book of 57 - Bente, p, 114.
= 106: "Tuli etiam 58 - Bente, p, 112, CR 8, 839,
" magis SLiae na- 59 Manschreck, p, 291.
,,= -ae suae vel utili- 60 - Kolb, p, 26,
61 - Jungkuntz, pp, 15 s.
: :_izido por Herbert 62 - Kolb, p. 54,
:" 1967), p, 62: "Lu- 63 - Kolb, p, 55,
"'atemal do faitoso 64 - CMa, I, 31-32,
. -,Igamento de dou- 65 - CA, V, 2-3,
::ê deve afiar seus 66 - Karl von Helmolt, Tiieman Hesshus und seine sieben Exilia
~o mesmo tempo, (Leipzig: Doerffling und Franke, 1859), p, 97: "Darauf werden die Fuerstent-
_",era, a palavra, o huemer, Grafschaften und Staedte Niedersachsens aufgezaehlt, in welchen
- :::'stintiva entre en- dieser Entwurf (die Saechsisch-Schwaebische Formei) allgemeine Billigung
; o'" A partir da pa- und Zustimmung erfahren, und wird der bruenstigen Gebete gedacht, die
: :'stãos a obrigação oeffentlich und im Kaemmerlein zu dem Mittler Jesus Christus, dem Haupte
_:-,-:::ório}). der Kirche Aufsteigen, damit noch mehr Kirchen dieser Einigung herzuge-
.'.!inneapolis: Augs- than werden, , Ehrlich und ol-dentlich ist es bei der Sache zugegangen»,
-:: 'é. heróica e da fir- 67 -. Kolb, p, 50.
'" -ar a paz por qual- 68 - Arthur Carl Piepkorn, "Melanchton the Confessor», CTM XXXI,
Setembt'O de 1960, p, 541.

39
69 - Robert D. Preus, "Confessional Subscription», Evangelical Di-
rection for the lutheran Church, editado por Erich H. Kiehl e Waldo J.
Werning (Chicago: The Lutheran Congress, 1970), p. 46:" a confissão
não é a doutrina de um indivíduo mas sim da igreja». - Holsten Fagerberg,
A New Look ai the Lutheran Confessions (1529-1537), traduzido por Gene
J. Lund (SI. Louis e London: Concordia Publishing House, 1972), p. 12:
"Surgiram dentro de um curto período de tempo, escritas por homens pes-
soalmente próximos entre si, e pretendiam representar a igreja e não ape-
nas teólogos em particular».

Principios Básicos ~

A.pós constate: 2' ~ ~ ::-:::

sonlente nos Estados :


vez, observou: «p., :--,....-.-:~:-
gioso reduzido a átc--- '- ~
plicielade das eleno--- ~:: ~,,::
pensem uma vez !"i2 'c_é.
crenças pmvenientes :::: _,
às vezes sem a me-.:.· . c c.,:
quisesse, a Igrejô L..j:::Õ o:: -.:. -
manecer indiferente '2- ~ .:. -
e ela discórdia dout- -.:. .:.
mam por soluçãol - ':'-õ---:: -
na - Sinodo ele tIss.:..
com outros cristãos ':-- .:._:: .:.
--·0:--
Estamos reun'c.:.s ~.:._
para que nós possa-'-.:.'
dia. Havendo estuo:õ::: ::
na igreja, sugerimos 2 ~.:: =
cipios bíblicos e cor":,:-s:: ::
siásticas uns nos cut,.-,::: ~
se comemora o quad:" ~-'-- -~:: -
uma motivação toda e:::".:. ::
confessionais do secC. :':-':" _
fundamentais sobre.:. -c,,-
como pela publicaci"::c,cc :c :: _ -

ra a nossa prática r,:::: .:.:::: _


queremos lembrar--ncs -:'.:. .:.::- ".
volvidos na comeSC-2::~_
mente, queremos e"C.--õ-,,- _ -'"
para ilustrar a comp2:'. c =: ~ ~

em dia. Longe de o'''''-õ:e


de relações eclesiast:"s
porcionar uma estrc.'- ':C
para o proveitoso esL::.:
-----------~~~--- - ~'.,--,-----
.. "'--,~- -.------------------.---

-- ~-'''. Evangelical Di-


Kiehl e Waldo J.
« ... a confissão CELEBRACÃO
, DA CONCÓRDIA
- Holsten Fagerberg,
t'aduzido por Gene
_ -Juse, 1972), p. 12:
c: : - :~s por homens pes- Escrito por Ralph Bohimann
a igreja e não ape- Traduzido por Gastão Thomé

Principios Básicos e implicações do Ecumenismo Conressional

Após constatar a existência de mais que 250 denominações religiosas,


somente nos Estados Unidos, um teólogo da igreja católica romana, certa
vez, observou: «A impressão geral que se tem é a de um mundo reli-
gioso reduzido a átomos e cujo segredo ele coesão se perdeu.» 1 A multi-
plicidade das denominações, no entanto, é apenas metade do problema:
pensem uma vez na atua! proliferação de doutl'inas, teologias, ideologias e
crenças provenientes de denominações e clérigos nominalmente cristãos,
às vezes sem a menor ligação com a doutl'ina cristã histórica. Mesmo se
quisesse, a Igreja Luterana - Sinodo de Missouri não poderia hoje, per-
manecer indiferente face o duplo problema da fragmentação eclesiástica
e da discórdia doutrinária. Não somente tais problemas existem - e cla-
mam por' solução! -. dentro da nossa própria igreja, mas a igreja Lutera-
na - Sinodo de Missouri chegou à conclusão de que precisa envolver-se
com outros cristãos em busca de soluções para os mesmos.
Estamos reunidos aqui na qualidade de teólogos e líderes do Sínodo,
para que nós possamos crescer, e ajudar outros a crescerem, na concór-
dia. Havendo estudado a base e modelo confessionais para a concórdia
na igreja, sugerimos agora que se revisem e ponham em prática os prIn-
cípios bíblicos e confessionais subjacentes, incutindo nossas relações ecle-
siásticas uns nos outros e em outros grupos cristãos. Neste ano, em que
se comemora o quadringentésimo aniversário da Fórmula de Concórdia, há
uma motivação toda especial para fazermos isso com base nos escritos
confessionais do século dezesseis, tanto pela análise dos seus princípios
fundamentais sobre o inter-relacionamento de evangelho, igreja e unidade,
como pela publicação de algumas implicações deste enfatismo especial pa-
ra a nossa prática nos dias atuais. 2 Contudo, antes de assim procedermos,
queremos lembrar-nos rapidamente dos três grandes princípios biblicos en-
volvidos na comemoração da concórdia: verdade, unidade e amor. Final-
mente, queremos enumerar uma série de questões e problemas especiais
para ilustrar a complexidade e sensitividade das relações ecumênicas hoje
em dia. Longe de oferecer soluções definidas para problemas específicos
de relações eclesiásticas, o alvo bem mais modesto deste trabalho é pro-
porcionar uma estrutura bíblica e confessional e um fundamento lógico
para o proveitoso estudo e debate das controvérsias.

41
nos induz a um3::'",~ "
Preâmbulo: Verdade, Unidade e Amor
Fp 4.15; 1 jo 1.3.5-
nam evidente o; ne~s"c
No f\Jovo Testamento, a igreja não somente fica sabendo quem ela
nifestarem a sua 2::5: _~:.
e, mas ouve o Senhor da igreja que, através dos seus evangelistas e após-
O princípio de "'.::
tolos, a exorta a proclamar e preservar a sua verdade, isto é, a doutrina
os cristãos a man:~e~:: c
pura do evangelho em todas as suas partes; a manter a unidad.e do Es-
no vinculo da paz; e a manifestar o amor para com todos os homens. à igreja, de é.tnS Pê,?~ ~-
de todas as virtudes c' :.
/\0 examinarmos os principios ecumênicos e confessionais e suas implica-
rem da mesma mêne-2
ções para. nós, atualmente, ser-nas-é. proveitoso ter em mente que trê·s
cumpl'ir toda a lei (F;,-'
grandes princfpios biblicos estão fundamentalmente envolvidos em nosso
re\acionanlento com outros cristãos: verdade, unidade e amor. ;', A iT18-
outros, pelo amor (Gi3
neira como os grupos Cl'istãos enfatizam um ou mais destes princlpios e seguir a verdade em ê~::- C" __

nos amou (Ef 5.2). P::'


os relacionam entre si revela, muitas vezes, o fundamento lógico para os
encorajados a cresce'e--
seus esfmços ecurnênicos. O ecumenismo confessional de hoje, como o
particuta!" ênfase a este :>_
seu paradigm3 do século XVI, deve tomar a sério cada um destes princí-
EI Deus, ame também 2' S:'_
pios e relacioná-Ias de maneira correta.
mera afeicão sentimento:.
O princípio da verdade é o mandato bíblico à igreja no sentido de
Paulo, o amor não adm'e . ::
exalta!-, proclamar e defender a sua mensagem divinamente revelada em
é tolerante e longânime
sua inteireza. HaveiT10s de permanecer n3. palavra de Cristo com a pro-
r-nessa de que sonrente assim conhecerenlos a verdade e a verdade nos
não apenas nega a verC2~C
Assim o amol' constrange "
liberta:-á (10 8.31-32). Somos autorizados a ensinar todas as cousas orde-
todos os irmãos.
nadas por Cristo (Mt 28.1920). O apóstolo Paulo anunciou todo o desígnio
ConvÓm recordar c.;e ~:õ
de Deus (At 20.27-28) As Epístolas Pastorais ressaltam amilJde a neces-
XVI também manifestam ;e - -e
sfdade que os cristãos têrn de se apegarem à palavra fiel (Tt 1.9) e de
mentais. Praticamente toe:? _~
n5.o se ocuparem com m2,naamentos de homens desviados da verdade (Ti
cessiclade que a igreja ti, : :=
1 . 13-14). Timóteo deve admoestar a certas pessoas a não ensinarem outra
ta r-se com doutrina falsa
doutrina ( I Tm 1.3-4). Do mesmo modo como Jesus advei-tiu contra os
pecificamente contra todes :-:
falsos profetas (Mt 7.15,16; 24.24), assim os apóstolos advertem contra
nas. Ademais, os confesse -,::
doutrinas falsas e mestres enganadores (G! 1.6-9; 2 jo 9.11; Rm 16.16-20;
essencial da igreja, como::- -
1 1m 1.19-20; 1 Tm 4.1-12). Muitos exemplos poderiarn ser acrescentados
exterior. De fato, os livres :.-.
para iiustrar a verdade simples mas decisiva de que o Senhor conta com
consumar tal unidade. E,: _: -,
a sua igreja no sentido de lutar pela fé, de manter-se fiel aos seus ensi-
namentos e de rejeitar a doutrina falsa. amol' é urna conseqüêncie ::: .
slonais, freqüentemente, ress: ..,
O principio da unidade é o ensinamento bíblico que exorta os cristãos
fruto intrínseco da fé. Re? - ='
a manifestarem a união que eles têm uns com os outros em virtude de
blime forma de amor ao se -:-:
terem um cabeça comum, jesus Cristo. Em sua oração sumo-sacerdotal,
se sentem oprimidos e atc'-:'
Jesus rogava que seus discípulos fossem um só, assim corno ele e o Pai
cimento ou fé ainda são ('2 .?
são um, de sorte que o mundo pudesse crer que ele foi enviado pelo Pai
(jo 17.21-23). Na igreja não pode haver judeu nem grego; nem escravo Ao mesmo tempo que = ~_

nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos são um em Cristo Je- tionavam a importância de .-
navam a atribuír a cada u" =-':
sus (GI 3.26-28). A igreja é o único corpo de Cristo, o Cabeça, unida a
modo diferente entre si ao e?- ='
ele pela fé e, destarte, a todos os outros cristãos (1 Co 12; Rm 12). Há
ticularmente quando parece~ _-':
somente um corpo, um Espírito, uma espe;-ança, um Senhor, uma fé, um
batismo, um só Deus e Pai de todos (Ef 4.5-6). Além disso, sendo um em conflito com o amor de a';;."-
minário Concórdia, Dr. F. E
Cristo, os cristãos são admoestados a falarem todos a mesma cousa, a
a comunhão cristã se ma-- :~"
evitarem divisões e a estarem inteiramente unidos, na mesma disposíção
Lehre" (preocupação pela c: _:
mental e no mesmo parecer (1 Co 1.10-11). A nossa koinonia com Cristo

42
nos induz a uma imediata koinonia com todos os outros cristãos (At 2.42;
Fp 4.15.: 1 Jo 1.3,6,7). Dezenas de referências no Novo Testamento tor-
'ê)endo quem ela nam evidente a necessidade que os cristãos têm de reconhecerem e ma-
nifestarem a sua absoluta unidade em Jesus CI'isto.
~ -2elistas e após-
,,:::; é, a doutrina O princípio do amor é o grande tema do Novo Testamento que exorta
.: u:;idade do Es- os cristãos a manifestarem o mesmo amor desprendido que Cristo deu
::,::os os homens. à igi"e]a, de uns para com os outros. Tal amor é exaltado como a maior
" e suas implica- de todas as vil'tudes cristãs (1 Co 13). Jesus anima os cristãos a se ama-
-, ""ente que três rem da mesma maneira como ele os ama (Jo 13,34; 15.12,17). Amar é
-.·,dos em nosso cumpi'ir toda a lei (Rm 13.8-10). Os cristãos devem ser servos uns dos
- 7 anlor.:' ,A. rns- outros, pelo amor (GI 5.13), suportar-se uns aos outros em amor (Ef 4.2),
: ~"t8S principios e seguir a vel'dade em amor (Ef 4.15) e andar em amor, como também Cristo
- :: lógico para os nos amou (Ef 5.2). Praticamente em todas as epístolas os cristãos são
:'8 hoje, como o encorajados a crescerem no seu amor mútuo. As epístolas de João dão
- . 'ii destes princi- pal'ticuiar ênfase a este ponto, lembrando aos cristãos que aquele que ama
a Deus, alT!e também a seu irmão (1 Jo 4.21). Certamente, tal amor não é
",3 no sentido de mera afeição sentimental. Como mostra o exemplo do próprio apóstolo
. s'-,te revelada em Paulo, o amor não admite dissimulação num irmão (GI 2.11 ss.). O amor
JistO com a pro- é tolerante e longânime, mas intolerante quanto ao erro, pois que o erro
- . -'- e a verdade nos não apenas nega a verdade de Deus, mas põe em xeque a fé do irmão.
_~: 3S causas orde- Assim o amo i" constrange os cristãos a se preocuparem sincel'amente com
todos os irmãos.
: ~,: todo o desígnio
8!YIÍLide a neces-
u
Convém recordar que os escritos confessionais luteranos do século
e' (Tt 1.9) e de XVI também manifestam grande interesse por estes três princípios funda-
mentais Praticamente todos os livros simbólicos foram o resultado da ne-
da verdade (Tt
::;8
ensinarem outi"3
- ~.G cessidade que a igreja tinha de confessar as verdades divinas ao confron-
, advertiu conti"a os tar-se com doutrina falsa. As antíteses, nas confissões, são dirigidas es-
: ::s advertem contra pecificamente contm todas as heresias, tanto as antigas como as moder-
:; 11; Rm 16.16-20; nas. Ademais, os confessores se davam vivamente conta tanto da união
5. -- sel- acrescentados essencial da igreja, como da necessidade de trabalhar pela sua unidade
3enhor conta com exterior. De fato, os livros simbólicos foram, na maior parte, escritos para
,~ c'el aos seus ensi- consumar tal unidade. Enquanto rejeitavam a noção medieval de que o
amor é uma conseqüência da justificação do homem, os escritos confes-
_'" eXOi"ta os cristêi.os sionais, freqüentemente, ressaltam sua importância e força atuante como um
: _:'os em virtude de fruto intrínseco da fé. Realmente, os confessores manifestam a mais su-
: : ~)) sumo-sacerdotal, blime forma de amor ao se preocuparem com os fracos na fé, aqueles que
s' - como ele e o Pai se sentem oprimidos e atormentados pelo pecado e aqueles cujo conhe-
cimento ou fé ainda são fracos.
- - -'- ':: enviado pelo Pai
~-ego; nem escravo Ao mesmo tempo que alguns cristãos ou denominações cristãs ques-
'o:: um em Cristo Je- tionavam a importância de um ou outro destes princípios, eles se incli-
navam a atribuir a cada um deles um valor diferente e a relacioná-Ias de
::;, Cabeça, unida a
:::0 12; Rm 12). Há modo diferente entre si ao estabelecer suas relações de comunhão - par-
.. 3enhor, uma fé, um ticuiarmente quando parece que uma preocupação com a verdade entra em
-:sso, sendo um em conflito com o amor de alguém pelo irmão. O falecido professor do Se-
_: :; mesma cousa, a minário Concórdia, Dr. F. E. Mayer, observou, há vinte e cinco anos, que
:,1esma disposição a comunhão cristã se manifesta tanto na «Aengstlichkeit um die reine
~oinonia com Cristo Lehre" (preocupação pela doutrina pura) como na «weltumfassende Liebe"

43
=
(amor universal). "Em coisas da fé e doutrina», escreveu ele, "devemos ter
nossa fiiiação a um8
uma consciência extremamente exata e aguça da, ao passo que, em ques-
nós uma "igreja». A
tões do amor, devemos ser abertos e tolerantes, sim, tão abertos que o
les, e somente aquei __
nosso amor abraçará o mundo inteiro.'" Como podemos resolver a tensão em Cristo lesus. Da
entre urna consciência confessionalmente exata e um coração ecumeni- estrutura ou estl'uturas
camente aberto? De que maneira o cristão, a congregação ou a igreja está fundamentada na fé.
manifestam o verdadeiro amor cristão para com o irmão desviado? Por
trito não podem ser ~ys:= =: ::
outw lado, podem os cristãos, as congregações cristãs e as igrejas ma- avalIado estatisticanlent·~
nifestar unidade em Cristo e amol' para com os irmãos cristãos ao mesmo
somente Deus sabe qus-
tempo que testificam, por pa',avras e ações, contra a falsificação da pala- Filho Jesus Cristo.
vra de Deus? Convém que não nos esqueçamos dessas perguntas ao vol-
2. j)~ ~gre,~a é cham2c::, _
vermos agora nossa atenção para as Confissões Luteranas. maneira
1-\
sacramentos. /~ igreja s
confessional de I'e!acionar verdade, unidade e amor nos depara um para-
nossa própria razão e L.'
digma pl'Oveitoso para nossas dissençôes nos relacionamentos cristãos da
o Espírito Santo nos c'>- o -
época atual.
dons. Quando se prega .::-
tos' Deus realiza COU:~2= --
L Principios Confessionais sobre Igreja, Evangelho e Unidade destes meios 8 fim d:3 ~':
ern Jesus Crjsto. A,o aGe ~-
No seu estilo inconfundível, o DI'. iVlartinho Lutem escreve, nos Ar-
ch2iTiacL::i igreja. t\ igrejs -
tigos de Esmaícalcle: "G,-aça.s a Deus, uma criança com a idade de sete treç.3G intelectual.
anos sabe o que é a igreja, isto é, a comunhão dos crentes santos e ove- L8nlLJÉnTi os rneios peios
íhas que ouvem a voz do seu Pastor» (.l\S, 111, xii, 2). Muitos, hoje em
confiança na obra de D:: _:. -
dia, embora sejam provavelmente mais sábios do que as crianças de sete C(S:í19ntos, que ternos c:
anos do tempo de Lutero, evidentemente se esqueceram das duas carac-
quer parte onde os seus
",·r· ..
terísticas principais desta definição, ou seja, que a igreja é constituída de
ou lc:erHiTicar a Jgi'8J8, s"
crentes e que os crentes seguem a palavra do Pastor, o evangelho. As dcvenlc':s anda.r atrás de -
confissões tratam minuciosamente da relação íntima entre igreja, evangelho e bem projet8.d88 orDc},("':::'~
E'; unidade."
ou na sublitT1id,3de elo 2T:':::
1, A igreja; no sentido restrito ou próprio, é a «reunião dos crentes~> S2r. Devenlos, isso sin'l
(C/" Vil). É "principalmente uma associação de fé e do Espírito Santo» crarilentos são usados p~
(.D.p VII, 5) e não sirnpiesnlente uma "associação de laços e cerimônias ex- como o autor da igreja 2
teriores». A grande verdade de que a igreja é constituida pela fé foi arti- corno nossa própria. Ela
culada por Lutero e seus colegas no século XVI não somente com vistas sua pa!8V(8 não \foftará
à situação polêmica daquela época, ou seja, para dar a Lutem o I'espaldo 55.11).
de afirmar nos Artigos de Esmalcalde: "Não admitimos que os papistas 3. A igreja está un~df 7~'-:
sejam a igreja, porquanto não o são» (1\1, xii, 1). Ivlais ainda, a interpre- mediante a fé no
tação
organização
de que a igreja
externa,
está
decorre
fundamentada
da grande verdade apostólica
na fé e não na filiação
e da Reforma,
a uma
numa única santa igreja c~ c

250 igrejas na Arnér-jca, r;'":::


quai seja a de que o homem é justificado somente pela fé. A.ss\rn como os cr'istãos que ViverTl ou
é sonlente pela fé ern Jesus Cristo (ou, o evangelho no sentido restílto) cristã nada mais é que:
que o homem é just\ficado perante Deus, assim a igreja nada mais é do 80 seu Senhor Jesus
que a totalidade daqueles que têm ta! fé. A igreja é o Corpo de Cristo, EXJste apenas urna reunisc
porque se encontra numa estreita ligação com ele, que é o Cabeça. Se Ub~ eccie5ia~ ibi unnas~ diz :---
não houver uma estreita união com o Cabeça, nã.O haverá estreita relação sua unidade.» Quando a C= - -
com outros membros do Corpo (Ap V!I, 5). Onde não há fé, não existe mo· ,~Para a verdadeira u~ ~::-::
igreja. Assim corno somente a fé justifica, assim também somente a fé dâncla quanto ao ensino d·::
constitui a igreja O que isto significa não pode ser ignorado! Não é tos», ela não pretende, en-: ~~

44
3e, "devemos ter
nossa fiiiação a uma congregação ou denominação religiosa que faz de
, :" o que, em ques-
nós uma «igreja». A igreja propriamente dita é a comunhão de todos aque-
:~.J abertos que o les, e somente aqueles, nos quais o Espírito Santo criou a fé salvadora
:" -e solver a tensão
em Cristo Jesus. Daí se conclui que ela não é coextensiva a qualquet'
coração ecumeni- estrutura ou estruturas denominacionais. Sua realidade é espiritual, pois
::~?ção ou a igreja está fundamentada na fé. Os limites exatos da ig(eja em seu sentido res-
ÕJ desviado? Por
trito não podem seI' precisados pelo hom,em, nem pode o seu alcance Sei'
, e as igrejas ma- avaliado estatisticamente, constitucionalmente ou sociologicamente; pois
.: :"stãos ao mesmo
somente Deus sabe quem verdadei(amente uê nele por intermédio de seu
': =,f:cação da pala- Filho Jesus C(isto.
ê ,:erguntas ao vol- 2. A igreja é chamada e identificada pelo uso do evangelho e dos
:?:nas, A maneira
sacramentos. A ig(eja é instituição de Deus. Porque não podemos, paI'
: ê depam um para- nossa próp(ia r2zão ou força, crer em jesus Cristo nem vil' a ele, mas
'Me~,tos cristãos da
o Espírito Santo nos chan18 pelo evangelho e nos ilumina com os seus
dons. Quar1c1o se prega o evangelho e se faz uso correto dos sacre.men-
tos >', Deus realiza cousas maravilhosas! O Espírito Santo ape,'a atl'avés
- '~ -:: e Unidade destes rneios a f:rn de transformar pecadores ern santos! crjando a fé
ern Jesus (~risto. P,o operar a fé, ele cOloca o crente numa comunidade
o : escreve, nos A(-
char-nada igreJG. igreja é uma reunIão de pessoas: não urna mera abs-
j:::.,
, .. a idade de sete
traç§o inte!ectuaL Porque os nieios pelos quais a igreja é chamada, são
~- :as santos e ove-
tarnbérn os rnelos pelos quais ela é ide;-;tifk:ada. Tão gr8nde G a nossa
~l1uitos, hoje em conria(,;ça na obra de Deus Espírito Santo através do evangeiho e 88-
: ~ ci-ianças de sete cr8rnentos, que tenlOS a plena certeza de que a igreja existe ern qua\-
das duas cmac-
qU8( p2Tte onde os seus meios são usados. A.ssinl, se quisermos achar
é constltu;aa de
ou identificar a igreja, segundo as normas das nossas confissões: não
o evangelho. As develTlc,s 3nd2r atrás de gr3ndes prograrn3s, edjficios inlponentes, vastas
egreja, evangelho e bern projetadôs organizações; nenl il18smo reparar na pureza de vida
ou na subHrn:d8.de do anlO!~ - por mais import2nte que tudo isso possa
"'~ nião dos crentes»
ser. Devemos, isso sirn, procu(ar a igreja lá onde o evangelho e os 88-
:::Espírito Santo» crG.rnentos são usados pura e tetamente. Esta irnportância honra a Deus
: 3 e ce(imônias ex-
como o autor da igreja e reconhece a igreja corno jnst~tuição sua e não
::. pela fé foi arti- como nossa próp(ia. Eia toma a sério a promessa de Deus de que a
, : ~:ente com vistas
sua palavra não voltará vazia. para ele r-nas fará o que lhe apraz (18
r

__:te(o o respaldo 55.11 ).


: 3 que os papistas 3. A igreja está un;da espidtua!mente; a sua unidade é conced~da
= ainda, a inte:-pre- mediante a fé no evangelho. No C(edo I'Jiceno confessamos que cremos
, :- e filiação a uma numa única santa igreja cristã e apostólica. Pensando bem, não existem
:'::" e da Reforma,
2L=jO igrejas na /.-\rnéric8, mas uma ún~c2 igreja. Nós somos um com todos
'o o fé. Assim como
os cristãos que ViVelTl ou já viveram sobre a face da terra. A unidade
':sentido (estrito) cristã nada mais é que o vínculo espiritual que une todos os crentes
'00 nada mais é do DO seu Senhor jesus Cristo e, conseqüentemente! uns aos outros.
Corpo de Cristo, EXIste apenas urna reunis.o de crentes, tanto no espaço como no tempo.
s o Cabeça. Se Ubi eCCL3S!a~ 1b~ un~tasj djzjarn nossos pais: «Onde está a igreja, ali está
- a estreita relação sua unidade,,, Quando a Confissão de Augsbu(go afinlla, no .Artigo Séti-
-é, fé, não existe mo: "Pa(a a verdadeira unidade da igreja é suficiente que haja concor-
,?,', somente a fé
dância quanto ao ensino do evangelho e à administração dos sacramen-
;norado! Não é tos"> eia não p(etende, em pi'imeiro lugar, fazer uma exposição programá-

45
'''1111'1'

tica a r'espeito do nosso moderno problema ecumênico,' Citar a Apolo-


para a igreja no S6 -: : :
gia é, ele certo modo, descrever "O verdadeira unidade espiritual, sem
terio(es». A Confjs2s~ ~-:-
a qual não pode haver fé no coração, nem justiça no coração, perante
saltm o fato de q~ s :
Deus (Ap VII, 31). Nesta passagem, a unidade está correlacionada com
presente entre OS3S=
a fé e a justiça - realidades espirituais e não objetos empiricos. Ta!
restauração da unidaoe : _~ ,~
unidade se encontra onde o evangelho e os sacramentos são usados de
,L\ugsburgo derxa bei""r; :=:: = -::-:
forrna pura e reta, isto é. onde eles são, ern prirneiro lugar, quaHtativa- devetnos aceitar e aoe
nlente puros e retos, onde o evangelho é pregado e os sacramentos são
ern união, e numa cory:_ - ~~ =

usados senl serenl poluídos e contaminados por acréscimos ou diminui-


ç:ces da parte elo hornern ou por adrnistões legaHstas. Pois é SOtllente
gimentaclos sob um só C'
está subordinada a um ::.::
por m:3io do eV3:ige\ho puro que Deus instítui a única igreja de Jesus c(amentos em conforme"-:-~
Cristo aqUi na terra l'-lesta conexão, torna-se necessário fazer uma dis-
ferindo aqui E1 um acer:,:
tinção entre a unidade da ig(eja (a qual todos os crentes têm entre si) ",obre a doutrina e todc;e
e a unidade na ig(eJa (a qua! todos os crentes buscam), I'·Jossos pais, fre- necessário?
CjLiI3nten18(Üe: usavam o tenno latino concordia
quando se rereriaill a esta
A resposta a esse'
última, e urdtas ao iTlsnc]onarem 8. primeira. '::
tãos desejam ser fiéis s
4. A íg~~eja?no sentido restrito, é encontrada somente dentro da ~greja
igreja a "guardar todas
no sentido amp!o. Onde somente encontralTIOS esta única igreja dos c(en-
TEV), e cujas santos
tes? .t:\ resposta nos é dada pelas conrissÔes: Sornente nurna reunião
inúme(as passagens b:b " __
mais vasta de pessoas, incluindo hipócritas e incrédulos. os qU3rs, por
cias acima).
l~é:lZÔeS as rn2is variadas. se reúnem em torno da palavra e dos sacra- Mas existe també"C' _-- :
f11entos: Juntamente com os verdadeiros crentes. p,s confissões denominam na doutrina e todos os se.-'
tal reunião de "associação de laços e prerrogativas exte(iores» (Ap Vil,
no sentido restrito (a ·,8:::.
5), ou a igreja no sentido amplo Os hipóuitas e incrédulos que se en-
sus Cristo par-a a nosse""
contrarll nesta reunião, não são membros VlVOS do corpo de Cristo; íf'l,as
os artigos da fé, Como c::: e
são apenas o que a J\pologia charna ele {:jl1embros da igreja de acordo
cedentes ou conseqüente:: :::" ~
COill as assoc:ações e>deriores dos sinais da igreja» (.~p Vil, 3), ou ~(no
gelho no sentido (estrito s
que se refere 2!8 cer\môn\as exteriores}} (/~\p \/il, 12). A. igreja: neste sen-
seus artigos», e todos 0': ,,- ~
tido amplo, pode ser rnedida e desc;-ita de for-rna empirica e sociológica,
reta com o evangelho r'O'2-"
/1, respeito dela podem ser elaboradas listas de membros e anuários com
tente, a contestaçe.o ou cs: - :
dados estatístiCOS. No entanto, ela só leva o nome de "ig[eja» PO( causa
prejudica seriamente a O'é- =::"
cios verdadeir-os c(entes que se encontram no seu meio. Ela se iden-
clara interpretação do mes-'
tifica, também, pelo uso do evangelho e dos sac(arnentos em seu meio,
t: importante obse"',s' :_
os quais continuam fll'eservando seu poder e eficácia divinos mesmo quan-
VII, requer um evangelho =, ~ =.i
cio a sua ministração é reita paI' incrédulos. Não se trata, po(ém, de uma
sejam ministrados retamente- =3
segunda igreja, pois existe apenas uma ig(eja. Mas a igreja dos verda-
reza qualitativa, mas co'-':s-
deir'os c:'entes - pessoas reais, não alguma idéia platônica ou mera abs-
o evangelho, por meio cc
tr-ação inteiectual - existe no seio da igreja geral, não sendo apenas
mina a sua igreja, ab's
coextensiva a ela. Mas é a igreja, no sentido amplo, que de fato identi-
revelados nas Sag(adas E,,·
fica a palavra "igr-eJa" hoje em dia. Em outr-as palavras, reconhecemos
Em conexão com c " ::8
que nossas congregações e nosso sinodo não são formados exclusiva-
cia no evangelho, em Ice:" :'
mente de crentes, e, por isso, não podem ser considerados, simplesmente,
humanas, ou rituais e ce - -: o'
coextensivos com "igl'eja» no sentido próprio.
em toda parte" (CA., \'
5, A unidade exterior da igreja, no sentido ampio, deve basear-se
seI' benéfica, mas as
num acordo sobre o ensino puro do evangelho e a aplicação correta dos
nhunla relação orgânicc
sacramentos, isto é, "na doutrina e em todos os seus artigos, bem como
servir de critérios P,y" se' ê: :
no uso correto dos santos sacramentos» (Fe, Ep, X, 7). Conquanto a uni-

46
da de é uma "dádiva» da igreja no sentido próprio, é também uma meta
Citar a Apoio-
para a igreja no sentido ampio, a «associação de laços e cerimônias ex-
. ~ espiritual, sem
teriores». A Confissão de Augsburgo não foi escrita unicamente para res-
~J'ação, perante
: : "sacionada com saitat o fato de que a única santa igreja católica e apostólica estava
presente entre os seguidores de Lutero, mas também para colaborar na
:" empíricos. Ta:
._" são usados de restauração da unidade que se havia perdido. O prefácio da Confissão de
Augsburgo deixa bem claro este propósito ao afirmar que «todos nós
Jaí, quaHtativa-
- ,,3cramentos são devemos aceitar e aderir a uma única religião verdadeira e viver juntos
~os ou diminui- em união, e numa comunhão e igreja, assim como estamos todos arre·
::'cis é SOlllente
gimentados sob um só Cristo» (CA Prefácio, 4). Uma tal unidade exterior
está subordinada a um acordo no tocante ao evangelho e uso dos sa-
::Feja de Jesus
cramentos em conformidade com a instituição de Cristo. Estamos nos re·-
(-azer un13 c!!s-
ferindo aqui a um acordo sobre o evangelho no sentido amplo, isto é,
- -:~s têm entre si)
sobre a doutrina e todos os seus artigos." Por que razão tai aoordo é
(]SSOS pais. f(e-
necessário?
-aferiam a esta
A resposta a essa pergunta é simples, observando-se que os cris-
tãos deselam ser fiéis e obedientes ao seu Senhor que ordenou à sua
.~ dentro da ~greja
igreja a «guardar todas as cousas que vos tenho ordenado» (Mt 28.19,
';Jreja dos cren-
(}Urn8 reunião
TEV), e cujos santos profetas, evangelistas e apóstolos nos exortam em
inúmeras passagens biblicas a preservar a sã doutrina (veja as referên-
__ os quais; por
·a e dos sacra- cias acima).
- 3sÔes denominam Mas existe também uma razão "evangéiica» para tentar um acordo
na doutrina e todos os seus artigos. E essa é o fato de que o evangelho
~e-iores" (Ap VII,
no sentido restrito (a «Boa Nova» da vida, morte e ressurreição de Je-
=-=~:os que se en-
sus Cristo para a nossa salvação) se relaciona integralmente com todos
_-: de Cristo, mas
os artigos da fé. Como diziam os pais, muitas vezes, eles são ou ante-
greja de acareio
cedentes ou conseqüentes da doutrina da justificação pela graça. O evan-
\/11, 3), ou ({no
gelho no sentido restrito é fundamental dentro da «doutrina e todos os
~~'eja, neste sen-
seus artigos", e todos os artigos da fé têm uma relação direta ou indi-
':a e sociológica.
-" e anuários com reta com o evangelho no sentido restrito. 10 Em vista desta relação exis-
tente, a contestação ou falsificação de qualquer um dos artigos da fé
g~eja" por causa
",). Ela se iden- prejudica seriamente a pregação do evangelho no que se refere a uma
·::2 em seu meio. olara Interpretação do mesmo.
É importante observar que a Confissão de Augsburgo, no Artigo
~,os mesmo quan-
VII, requer um evangelho que seja ensinado puramente e saoramentos que
_._ porém, de uma
sejam ministrados retamente. Estes advérbios não descrevem somente pu-
;Jreja dos verda-
: -: -oa ou mem abs- reza qualitativa, mas contêm igualmente um significado quantitativo; pois
o evangelho, por meio do qual o Espírito Santo chama, congrega e ilu-
- ~o sendo apenas
: ~e de fato Identi- mina a sua igreja, abrange, em última análise, todos os artigos da fé
?S reconhecemos revelados nas Sagradas Escrituras.
': '-mados exclusiva- Em conexão oom o exposto, deve ficar bem claro que concordân-
cia no evangelho, em toclos os seus artigos, não Significa que "tradições
,,: os, simplesmente,
humanas, ou rituais e cerimônias instituídas por homens, devam ser iguais
. --: 'o. deve basear-se em toda parte" (CA. VII) A uniformidade nas oerimônias não deixa de
ser benéfica, mas as cerimônias não ordenadas por Deus não têm ne-
-icação correta dos
nhuma relação ol-gânica com o evangelho e, por conseguinte, não podem
__.. 3rtigos, bem como
servil- de critérios para estabelecer a unidade extel-ior da igreja. Mas a
Conquanto a uni-
47
antítese na Confissão de Augsburgo, ,4rtigo VII, é entre o evangelho cli- parte, que, não sendo s
V~riO e as cerimônias humanas, e não entre o evangelho e <~out(OS enSI- isso se identifica com e _
namentos das Sagradas Escrituras». nicas trans-denominacio'-e e

6. Somente enquanto preserva e emprega os meios da graça em de que os verdadeiros c:-.o---~::


suú pureza essenciall tai unidade exter~or pode servir à verdadeira unkia~ Ias atividades que dão
de~ preservação e e)~pansão da igreja. O Espi(ito Santo edjfica a igreja derrarnente ecutTlênicas" 2: = ==

nlediante o evangelho e sacramentos. Crer, ensinar e confessar o evan- dadeira natureza da igreja ::
gelho enl conforrnidade com as Escrituras Sagradas é tarefa essencial da consiste somente de us-:,,:: -
igreja e o único rneio dado por Deus no sentido de busca(-se e encon- Cr·jsto! não deixa de S8( ~;
trar-se 8 verdadelra unidade cristã. Ern outras palavras, a rnissão precí- de ve(-se «os enormes ;::s-::::::
pua da igreja se identifica com o fiel uso dos meios da graça. A uni- (/:>..pVil, 9). Mais ainda ;:"
dade exterior na igreja não é, pois, um meio em si mesmo, mas deve nas uma organização cxtE'· .=.

favo(ecer a incumbência primordial da igr-eja. A atribuição da COi1códia então não poderíamos er,te- ==
(!le..nnonia. unidade exterior ou unidade na igreja) é a de aprofundar e ração e o dom cio Espi,:: :: o
drnp!iat a urdtas (a v8r-dadeira unidade espiritual, ou seja! a unidade da vância de certas atitudes
igi-eja), o que acontece apenas quando o evangelho é preservado fiel- outras palavras, a nlá inte
tnente e usado de rorn18 coerente. POi isso, não se pode admitir auto- terpretação do próprio e\is-::
maticamente que a formação de denominações, fusões organizacionais, par- tureza da igreja espiritua:
ticipação em federações de igrejas, ou mesmo acordos eclesiásticos de gatóna a fusão. a unidade ::
comunhão de aitar e p(;lpito, em si mesmos, possam promover a causa trutufal por mais dese:,
eia \lel~dadeira unfdade cristã. Em empreendirnentos desta natureza, o que razÔes.
realmente é impmtante e decisivo é a since(idade e a fidelidade ao evan- 2. O eClimenjsmo corE~5~~
pelho. De acordo com este critério, nem toda separação entre cristãos unidade cristã entre todos C~. :;
deve ser condenada (mesmo sendo profundamente iamentável), pois o pró-
o pressuposto e base pera
prio Deus ordena a separação de quaisquer alianças que obstinadamente
unidado. Expressemos iss;::. -,
falsificam o evangelho ou se most.-am tolerantes para com tais falsificações.
por sermos um com todos - o
Sintetizando: A igreja, no sentido restrito, sendo formada dos cren- os cristãos. Por ser c
tes em Jesus Cristo, está espiritualmente unida por sua fé comum no
em Cristo, por exemplo, é
evangelho, tomado no sentido l-estrito. Ela. no entanto, existe dentro da
ele faz acerca das atribuiç c"::
ig(eja no sentido amplo, cuja unidade exterior deve fundamentar-se num Pelo rato de o crente bs:e::o
acordo que tem por base o evangelho no sentido amplo. O evangelho
a concepção que ele tem "-
no sentido restrito se relaciona com todos os aspectos do evangelho no
nos induz a esforços franc: e "-
sentido amplo, e é o meio pelo qual o Espírito Santo cria e difunde a
tido de ajudá-Ias a preser'_:, -.0---
igreja aqui na terra. Por isso a igreja, sob a égide das Escrituras, é ins-
vador e partilharem o arr:
tituída pelo ensinamento puro do evangelho e pela administração reta
teresse de sua fé comur-c : -:o
dos sacramentos, ficando comprometida com os mesmos. 11
manecer separados, indivki_:,
tãos. É que tal separaçã:
li. implicações do Ecumenismo Confessionai na Atualidade
de fraternal admoestação ê:::
tegral plano de Deus em c-::
1. O ecumenismo conresslonal se fundamenta na interpretação de
vel que um tão grande S("
que a igreja é a reunião dos crentes e não na interpretação errônea, ge- dere a unidade cristã a c-"
ralmente aceita, de que a igreja o define unicamente em função dos ter-
forças ecumênicos.
mos sociológicos e empiricos. Eis um dos erros mai,s graves do ecume-
nismo contempo(Êlneo_ Conseqüência desta interpretação é a idéia que 3.
O ecumenismo co!""s=~
equaciona comunhão confessional e unidade cristã. Este tipo de racio- z8nte. Ele reconhece que ::
cinio esquece, ou rejeita, a unidade espiritual da igreja na base de sua difunde a igreja e, por :~o ~
fé comum em Jesus Cristo. O ecumenismo confessiona! sabe, de outra e administrar este evangs - ~ ::
-3.angelho di- parte, que, não sendo a igreja uma mera abstração ideológica, nem por
Jutl"os ensi- isso se identifica com a igreja institucional ou suas organizações ecumê-
nicas trans-denominacionais. O ecumenismo confessional reconhece o fato
__ da graça em de que os verdadeiros crentes são a igreja. Em face disto, somente aque-
~-dadeira unida- las atividades que dão prior'idade a este fato são realmente e verda-
:.:.'ica a igreja deir'amente ecumênicas. É, pois, ela máxima importância reconhecer a ver-
: - -'3ssar o evan- dadeira natUíeza da igreja. Segundo a ,Ll.pologia, sabendo-se que a igreja
-'-':. essencial da consiste somente de cr'entes que desfrutam as dádivas prometidas por
: ::' '-se e encon- Cristo, não deixa de ser um grande consolo contra a desesperança o fato
"lissão precí- de ver-se «os enormes perigos que ameaçam a igreja com a destruição»
, =-;r-aça. A uni- (Ap Vii, 9). Mais ainda: "Se fôssemos definir a igreja como sendo ape-
-'-:-,0, mas deve Ilas uma organização exterior, abrangendo tanto os bons como os maus,
.
_ ca C CnCOQia
,,. então não poderiamos entender que o reino de Cristo ·é a justiça do co-
::' aprofundar e iação e o dom do Espírito Santo, mas veríamos nela apenas a obser-
a unidade da vância de certas atitudes devocionais e cerimoniais» (,Ll.p VII, 13). EI'll
:'eservado fiei- outras palavras, a má interpretação da igreja pode levar a uma má in-
: : :'e admitir auto- terpretaçã.o do próprio evangelho. Além do que, sendo a verdadeira na-
- =--izacionais, par- tureza da igreja espiritual, não se pode admitir corno meta última e obri-
sciesiásticos de gatória a fusão, a unidade orgânica e outras fOi-mas de consolidação es-
:c-nover a causa trutural - por mais desejáveis que as mesmas possam ser por outras
"'.3.tureza, o que razões.
,2'dade ao evan-
2. O ecqmenismo confessional se firma na existência da verdadeira
-: ~:' entre cristãos
unidade cristã entre todos os crentes. A unidade espiritual dos crentes é
-'- :a:el), pois o pró-
, _= obstinadamente o pressuposto e base para buscar-se as exteriorizações empíricas dessa
unidade. Expressemos isso de forma menos acadêmica, É precisamente
: , - tais falsificações.
-"i'nada dos cren- por sermos um com todos os cristãos que nos preocupamos com todos
:. _:3 fé comum no os cristãos. Por ser o crente da igreja católica romana meu irmão
existe dentro da em Cristo, por exemplo, é que estou preocupado com a interpretação que
, _ - camentar-se num ele faz acerca das atribuições da Virgem Maria ou da autoridade papai.
Peio fato de o crente batista sel- meu irmão é que me preocupo com
--:0. O evangelho
a concepção que ele tem a respeito dos sacramentos. A unicidade da fé
:iO evangelho no
, -': cria e difunde a nos induz a esforços francos e sinceros junto a outros cristãos, no sen-
tido de ajudá-Ios a preservarem a fé, crescerem no conhecimento do Sal-
::. Escrituras, é ins-
vador e partilharem o amor de Cristo com outros. Por outro, é no in-
:' :ministração reta
--~JS. 11
teresse de sua fé comum que os cristãos precisam, muitas vezes, per-
manecer separados, individualmente e confessionalmente, de outros cris-
__ .".tua!idade tãos. É que tal separação, sendo ordenada pelo próprio Senhor, serve
de fraternal admoestação aos irmãos separados a darem atenção ao in-
tegral plano de Deus em prol da sua salvação. E profundamente lamentá-
:: -a interpretação de
vel que um tão grande acervo de literatura ecumênica moderna consi-
: "etação errônea, ge-
dere a unidade cristã a meta e não o pressuposto para os nossos es"
~-':' em função dos ter-
forças ecumênicos.
3: ::"aves do ecume-
-'-'3=30 é a idéia que 3, O ecumenismo confessiona! é tanto evc••igélico como evangeli-
::ste tipo de racio- zante. Ele reconhece que o evangelho de Jesus Cristo cria, sustenta e
::? na base de sua difunde a igreja e, por isso. não poupa esforços no sentido de pregar
31 sabe, ele outra e administrar este evangelho. Eie mantém o evangelho no centro (fun-

49
ção eVélrlgélica); ele o reparte com outi'os (função evangelizante). Certa-
certo que a ind:,';s'-s
mente, os cristãos devem interessar-se pelas grandes questões morais e
bU8(Tl péH'3 !~ernove:-
sociais da nossa época, mas não como um sucedâneo para o evangelho
iTlunhão, canlO ainc,:; -;:
ou um meio para promover a verdadeira unide,de cristã. A missão pre-
cípua da igreja para consigo mesma e pai'a com outros só é cumprida 5. O ecumenismc .:: - _
se der ao evangelho primazia em tudo o que faz. De fato, o ecumenis-
lavra escrita de Deus,
mo confessional pode ser corretamente interpretado como sendo a práti- qUâ~~ corno critério Ún1cc + _

ca do evangelismo dentro da cristandade visível. (Isto não significa que lufgadas como b08s o~;
o valor do testemunho da ação social cristã conjunta deva ser minimi- rna., 7}~ Tambérn reje~t8 _~
zado, de vez que, em certas circunstâncias, o mesmo pode transformar- ridade ou autenticidade
se num importante depoimento do amor e unidade cristã.) dente que as Sagl"ad2s -
qual a igreja aprende ~. -
4. Ecumenismo confessional é ecumenismo doutrinário. Sua incum- os sacranlentos «PUr'c: '::-

Denc,a é procul"ar pleno acordo doutrinário, ou seja, acordo no evan- à tentação de jogal- c e ::
gelho no sentido amplo, como base pôm a comunhão entre igrejas cris- sabe que Crlsto é o ::e ,-- - :: -
tãs. Porque ele sabe que a doutrina, em todos os seus artigos, está g;-ada é a maneira
relacionada com o evangelho. por meio do qual a igreja vive, se move :38 razão o ecumenisn':::
, ... '
e subsiste. Conseqüentemente, ele se opõe tanto às aproximações dou- «ernUSI8smo}} ou m1SIiC:SU ~

trinárias minimaiistas quanto às plum!istas para o ecumenismo. Aquelas clara das Sagradas Esc'" _ -::::
ocorrem quando se apeia para a prática da comunhão eclesiástica sim- te sob o pretexto de se··
plesmente com base numa afirmação da autoridade de Cristo, no evan- Espírito Santo). Sem du-
ge'I:o "pum e simples», numa declaração trinitária, no caso do batismo toda a verdade e dar-i;"e
ou, talvez, na filiação a uma igreja nominalmente c:-istã. "" Como lutera- pírito Santo através da ==::
nos, devemos ser particularmente cautelosos para que não se use er- !4!énl do nlals, o eCUf-;~e~'::
radamente o Artigo VII da Confissão de Augsburgo, como se os requi- nária das Sagradas EsC"-_
sitos para a filiação e união à una sancta, a igreja no sentido restrito, mênica contelTlporãnee c:o : _ =
fossem suficientes para a unidade exterior ou filiação à igreja no sen- tura justifique a divers\f\c2:~ ~ ~
tido amplo. 1; Intimamente relacionada é a afirmativa pluralista, tão co- ma que e autoridade da '= __
mum na literatura ecumênica, de que muitas posições doutrinárias podem vemos responder que :3 =: o

coexistir. lado a lado, dentro da mesma cOlllunhão, sem que haja quebra de todos os artigos da -e
da comunhão 11 Este acordo pat"a discordar é muitas vezes defendido mos e ensinamos. IT

com a alegação capciosa de que tradições dlvel'sificadas de doutrina po- 6. O ecumenisrno


dem enriquecer-se e ajuda:--se lTlutuamente. Tanto as posições minimalis- comunhão eclesiástica é 0= - :,.
tas como as p'lura!istas refletem um indiferentismo para com a doutrina tuidas por homens, p" C: - - ""
revelada, desonrando, destarte, a palavra de Deus, enfraquecendo o evan- «Não é necessário que ,'~: ::õ
gelho que sustenta a igreja e sua verdadeira unidade, ofendendo os ir- tituídas por homens, U - 0=
mãos e, enfim promovendo a desunião extema das igrejas. Tais posi- veria impor outras rest-: ~ e:: "-
ções, muitas vezes firmadas sobre uma falsa noção do amor cristão, próprio Senhor impôs. -:
não servem nem à causa do amor, nem á causa da verdade. O amor nas questões referentes = : e - --
exige que nosso irmão seja servido pela verdade e não pelo erro, por- gica e urna uniformid2C::O ~o--_:
quanto o erro não aproxima de Jesus Cristo, mas dele afasta. A indi- rias razões, mas, de fc,-::
ferença doutrinária acaba por destrUir a verdadeira unidade cristã, pro- da igreja ou à sua un'c;.o:"
duzindo cismas, divi,s;'88 e polarização dentro da cristandade. Igualmente ção, tanto de separaçãc::
deve ser enfatizada que é a concordância no evangelho - não em ou- sados de que consíde-~ __::0::
tra coisa qualquer. como ação social, liturgia ou estrutul-a - que serve tares determinantes.
de base para a vel-dadeira comunhão cristã. "' Admitindo-se que as di- 7. O ecumenismo C0"-===·~
visões existentes na cristandade sejam urna grave ofensa, não é menos
no tei.mpo e horizontal ""
50
· >õ :zante). Certa-
cÕ3:ões morais e certo que a indiferença ou complacência não somente em nada contri-
buem para remover os reais obstáculos para o estabelecimento da co-
o evangelho
: õ·2
munhão, como ainda geram uma orensa adicional.
~ missão pl'e-
., sÓ é cumprida 5. O ecumenismo confessionai aceita as Sagradas Escrituras, a pa-
;3::. o ecumenis- lavra escrita de Deus, como "o único juiz, regra e norma segundo a
: sendo a práti- qual, como critério único, todas as doutrinas devem ser interpretadas e
· ~: significa que juigadas como boas ou más, certas ou erradas" (Fe, Ep, Regra e Nor-
:s;a ser minimi- ma, 7). Também rejeita de forma enérgica tudo quanto contesta a auto-
· :Cie transrormar- ridade ou autenticidade da Biblia. Para os luteranos conressionais é evi-
dente que as Sagradas Escrituras são o LiIlico meio dado por Deus, pelo
qual a igreja aprende a pregar e a ensinar o evangelho e a administrar
-~río. Sua incum- os sacramentos "pura e retamente». O ecumenismo conressional resiste
o ::ordo no evan- à Ientação de jogar o evangelho ou Cristo contra as Escrituras, porque
c . ~'e igrejas cris- sabe que Cristo é o centro de toda a Escritura e que a Escritura Sa-
0.0,.5 artigos, está grada é a maneira pela qual Deus revela Cristo a nós homens. Por es-
c" vive, se move sa razão o ecumenismo confessional se opõe ao movimento do novo
':'oximações dou- "entusiasmo» ou misticismo religioso, que pretende substituir a palavra
"nismo. Aquelas clara das Sagradas Escrituras por idéias puramente subjetivas (geralmen-
"clesiástica sim- te sob o pretexto de ser guiado individualmente ou corporativamente pelo
c:::risto, no evan- Espirito Santo). Sem dúvida, nosso Senhor prometeu guiar a igreja em
: 3S0 do batismo toda a verdade e dar-lhe o seu Santo Espírito. Ele, porém, dá o seu Es-
, Como lutera- pírito Santo através da palavra da sua verdade, e não separado dela. 1"
c "ão se use er- Além do mais, o ecumenismo confessional reconhece a unidade doutri-
:: -'o se os requi- nária das Sa9l'adas Escrituras, opondo-se, por conseguinte, à idéia ecu-
sentido restrito, rnênica contemporânea de que a diversiricação teológica dentro da Escl'i-
3 igreja no sen- tura justifique a diversiricação teológica dentro da igreja. Quando se afir-
-",alista, tão co- ma que a autoridade da Bíblia não é fundamento da comunhão, então de-
. : ~t(inárias podem vemos responder que a Bíblia é a base e o contexto, corno sempre roi,
:,ue haja quebra de todos os artigos da fé e, portanto, a norma do evangelho que prega-
Jezes defendido mos e ensinamos. 17
: o~. de doutrina po- 6. O ecumenismo confessional está ciente de que o fundamento da
: ~,ções minimalis- comunhão eclesiástica é o acordo na doutrina, não em cerimônias insti-
-' = com a doutrina tuídas por homens. A Confissão de Augsburgo, no Artigo VII, declara:
:~~ecendo o evan- "Não é necessário que tradições, ou ritos, ou cerimônias exteriores, ins-
:Jendendo os ir- tituídas por homens, devam ser iguais em toda parte.» Jamais se de-
~·eJas. Tais posi- veria impor outras restrições à comunhão cristã além daquelas que o
::' amor cristão, próprio Senhor impôs, o que ratalmente ocorre quando se exige acordo
· "rdade. O amol' nas questões referentes a cerimônias humanas. Um acordo na parte litúr-
o: pelo erro, por- gica e uma uniformidade estrutural bem que seriam desejáveis por vá-
:.0" afasta. A indi- rias I'8zões, mas, de forma alguma, tais práticas pertencem à essência
:,ade cristã, pro- da igreja ou à sua unidade. Meditando sobre a importância da declara-
. -' ~acle. Igualmente ção, tanto de separação como de comunhão, os irmãos devem estar avi-
.: - não em ou- sados de que considerações de ordem externa e humana não são ra-
_:_·3 - que serve tores determinantes.
. : :-se que as di-
7. O ecumenismo confessionai cultiva uma comunhão que é vertical
~';. não é menos
no te\.mpo e horizontal no espaço. Por isso, ele conserva carinhosamente

.51
sua herança doutrinária e transforma suas confissões históricas em suas desviados - Sejê~-
próprias. Mais ainda, ele repete o desejo dos confessores luteranos no reais esforços no S6": .~~ -
sentido de que nossa posteridade participará da nossa fé. Ele sabe que lamentável passo d2 52:: ,-,-
este objetivo pode ser alcançado quando, pela graça de Deus Espírito cessál"ia para a pr6S6"
Santo, os homens de todas as idades buscam e encontram seu comum senlinação ou toler'â--:c::.

acordo no evangelho de Jesus Cristo, na base de sua palavra. Por essa pois, da máxima'""c.~-~2-
eclesiástica, dent-o S 2 -:
razão, o ecumenismo confessional deplora a atual ênfase que se dá às
mudanças e novidades teológicas em prejuízo da continuidade, mormente e simples quanto ec""
quando tal argumentação se estriba no entendimento errôneo de que a pública da doutrina ""_
própria doutrina deva mudar como parte do processo evolutivo e revo- sem hostil ização. e : _2
bem informados sob-e ~
lucionário pelo qual Cristo, como se diz, estaria exercendo a sua autori-
dade no mundo. na igreja, de modo c..:s - - 7"-
laclonamento de uns pE· -:- ~_
8. O ecumen1smo confessionai reconhece a importância da prática mãos a permanecere:-:- '~= -
como a aplicação da doutrina para a vida. Formulações adequadas a res- homens verdadeirame"te c..
peito do significado do evangelho, com base nas Escrituras, necessárias
Denota faita de "
como tais formulações são, elas não são substitutivos para pregar, ensi-
igreja e fechar os oihc2
nar e viver o evangelho e usar os sacramentos de maneira eficiente. A
prática é um sinal insofismável de fidelidade para com o evangelho. igreja com a qual se es:" e-- :
trinária de uma outra
Pouco ou nada adiantaria, por exemplo, chamar a atenção para uma ex-
erro não dissolve a c: ~ _ - - ~:
celente exposição do problema maçônico numa constituição sinodal, se.
dos nossos pais, auto-e.o
de fato, tal orientação não fosse observada nas paróquias e congrega-
vil-us da discórdia dOl.e :-
ções. Significa muito pouco illesmo apontar para uma bela declaração
particularmente oneres?·
sobre a infaiibilidade elas Sagradas Escrituras no Brief Statement ou no
cumbência de super.s:
United Testimony ar Faith and Life se, na realidade, essa posição já
não mais é praticada de forma coerente. Devemos lembrar-nos de que a igreja.
Confissão de Augsburgo (VII) faia do evangelho que é efetivamente en- 10. Ecumenismo GO~':::':',
sinado e proclamado, e dos sacramentos que são administrados de ma- mentais. Ele abrange c:' c. c
neira eficiente. Por qué? Porque é pela "prática» do evangeiho, notem permanecerem doutrin: -- 2 -::
bem, que o Espírito Santo institui e sustenta a sua igreja. É certo, nem sua fé a outros cristec: _::
todos os itens na esfera da prática estão claramente delineados na pa- com outros cristãos '-'~: : 2
lavra de Deus, fato este que precisa ser reconhecido. Mas onde eles lagos da igl'8ja, a ·:::eS:2::
estão nitidamente definidos, ou onde eles estão claramente relaCionados comunhão na igreja. "C oc.·-
com o evangelho, ali não pode haver guarida para a incolumidade de que os crentes, sejar-, s
formulações escritas à custa do que está realmente acontecendo nas pa- cOl-des na interpretaçã~ 2 - - --
róquias da igreja, bem como nos seus seminários, colégios, casas publi- tíssimo mais precisa 5.0-
cadol'as, conselhos e comissões. Esta é uma das principais razões por nossas paróquias ind:, : _2 :'
que a Igreja Luterana - Sinodo de Ivlissouri mantém discussões doutri- 11. O ecumenismo ::-'"",
nárias com outros grupos luteranos, antes de com eles estabelecel- co- munhão de altar e púip":: ~s
munhão de altar e pLdpito. teriores, do outro. P :: - _ - - ~ :
9. O eGumenismo confessionai emprega tanto a lei como o evan- altar ou à pregaçsc >- ~ c c
nante dos esforços:::: 2 ::- :
gelho, numa prática fraternal e evangélica de cHsdplina cristã, para com
aqueles cuja vida ou dO<ltr!na contraria o ensinamento da Sagrada Es- ços conjugados na. 2~ s: ~~
afetam diretamente 2
critura e corn:H11pe ou nega o evangelho de Jesus Cristo, prejudicando
levados a efeito s",~-
assim a comunhão dentro da igreja de Jesus Cristo. Decerto, a existên-
os cristãos não ce. 2 -~:
cia de erro numa igreja não é motivo suficiente para interromper a co-
munhão . .A heresia consiste na persistente defesa do erro, e os irmãos mentos conjuntos. e

52
- ::,Yicas em suas desviados - sejam indivíduos, sejam igrejas - necessitam de nossos
: : -es luteranos no reais esrorços no sentido de corrigi-Ias antes de chegarmos ao derinitivo e
3, Ele sabe que lamentável passo da separação. A disciplina doutrinária é, contudo, ne-
_6 Deus Espírito cessária para a preservação do evangelho entre nós, de vez que a dis-
-:'3m seu comum seminação ou tolerância do erro não edifica nem sustenta a igreja. É,
:3,a'lra. Por essa pois, da máxima importância que os processos por causa de disciplina
. '- ôs que se dá às eclesiástica, dentro e entre igrejas, sejam tratados de rorma tã.o direta
cade, mormente e simples quanto possível; que as pessoas responsáveis pela censura
~"'Ôneo de que a pública da doutrina, exerçam essa responsabilidade sem agressividade e
3/olutivo e revo- sem hostilização, e que todos nós, pastores e ieigos, nos mantenhamos
. ~--::o a sua autori- bem informados sobre o que está sendo ensinado, pregado e publicado
na igreja, de modo que possamos exercer um ministério conjunto de re-
lacionamento de uns para com os outros. Pelo contrário, ela ajuda os ir-
-: -·tanGia da prática mãos a permanecerem fiéis à verdade que, unicamente, pode tornar os
e::iequadas a res- homens verdadeiramente livres.
_: : - :~ ras, necessárias
, : o rEl pregar, ensi- Denota ralta de responsabilidade o fato de ser membro de uma
- c . eira ericiente. A igreja e fechar os olhos para o erro da sua própria igreja ou de outra
::', o evangeiho. igreja com a qual se está em comunhão. Reconhecer que a posição dou-
. : oCo para uma ex- trinária de uma outra igreja é errônea e, não obstante, sustentar que o
. : _ cão sinodai, se, erw não dissolve a comunhão, contraria frontalmente a maneira de agir
: :_2S e congrega- dos nossos pais, autores das confissões. Numa igreja contaminada pelo
_-:- beia declaração vírus da discórdia doutrinária e atividade cismátíca, uma responsabilidade
Statemel'1t ou no particularmente onerosa pesa sobre os ombros daqueles que têm a in-
essa posição já cumbência de supervisionar pastores, professores e conwegações da
'u-nos de que a igreja.
efetivamente en- 10. Ecumenismo confessional é ecumenlsmo de princípios funda-
- --- -istrados de ma- mentais. Ele abrange os esforços de todos os cristãos no sentido de
3/angelho, notem permanecerem doutrinalmente bem informados e de darem testemunho de
-=.3. É certo, nem sua fé a outros cristãos. Os esforços para alcançar acordos doutrinários
- :eiineados na pa- com OLltros cristãos não deveriam restringir-se aos funcionários ou teó-
'vias onde eles logos da igreja, a despeito da importância destes. Porque a verdadeira
ente relaCionados comunhão na igreja, no sentido amplo, se fundamenta no pressuposto de
incolumidade de que os crentes, sejam eles pastores ou leigos, estejam realmente con-
_::ecendo nas pa- cordes na interpretação e confissão do evangelho, no sentido amplo. Mui-
:-~'os, casas publi- tíssimo mais precisa ser feito para estender o movimento ecumênico às
- c pais razões por nossas paróquias individuais. 1"
:scussões doutri-
11. O ecumenismo confessional faz distinção entre fusão ou co-
~ 3: estabelecer co-
munhão de altar e púlpito, de um lado, e cooperação em assuntos ex-
teriores, do outro. A comunhão com outros cristãos no que se refere ao
Si como o evan- altar ou à pregação da palavra de Deus é, certamente, o ponto culmi-
'- cristã, para com nante dos esforços cooperativos dos cristãos, ao passo que os esfor-
• - - - da Sagrada Es- ços conjugados na ação ou bem-estar social e noutras áreas que não
=<sto, prejudicando afetam diretamente a palavra e os sacramentos, podem, às vezes, ser
:: c:erto, a existên- levados a ereito sem que haja pleno acordo doutrinário. Mesmo assim,
-terromper a co- os cristãos não deverão dar a impressão de que, em tais empreendi-
C"êO, e os irmãos mentos conjuntos, exista perreito acordo doutrinário. A Fórmula de Con-

53
córdia nos advel-te de que há situações em que não deve haver «com- (1) Conse:;;,
placência nem concordância em cousas exteriores onde não se alcançou, COlll os jrrnâ.OS c.c::
previamente, um acordo cristão na doutrina» (FC SD, X, 16). Essa arir- tanto no nível cs:::::: ~-
mação signirica que, mesmo as adiMoras, coisas que não são nem or- comprometidos e~ =:::
denadas nem proibidas por Deus, podem constituir-se numa causa legíti- trinários diverge">" o
ma de contenda e separação entre cristãos, quando o evangelho está e fraternal. Os :--e-':'::
em perigo. Não deveríamos rical- indecisos em cooperar com outros cris- com e,e, não os 3
tãos nestes assuntos, sempr-e que isto pode ser reito sem causar orensa CJue este errou. ::-_
ou mal-entendido. Tal atividade, porém, não deve Sei' considerada como rigir o problema :
um substitutivo par-a alcançar acordo doutrinário, pois isto serviria ape- nado. 'lU
nas para conrundir um ecumenismo puramente secular com o autêntico
ecumenismo confessional_ (2) Mantel-s e-'
associadas e igreJs20
12. O ecumenismo confessional faz distinção entre fusão ou co- a Igreja Luterana d:: :c-= _: =
munhão de altar e púlpito, de um lado, e participação eclesiástica em mos encorajar a C:y- 3: ': -
federações e concíiios de igrejas do outro. Fusão, união orgânica e co- twvérsias e a pron-: e' : ::_:
munhão de altar e púlpito se baseiam num pleno acordo doutrinário, ou áreas. Onde existe"-, :::-
seja, no evangelho no sentido amplo, ao passo que as federações ou paciente e fratema: 3=-:'3 :.
concílios, de outra parte, representam, ordinariamente, os esrmços no sen- - tanto em se trata'-:::_
tido de prover as estrutucas para a conclusão de tal acordo. Filiação a sob protesto» deve:":: 3=·'
este último tipo de organização (p_ ex. LCUSA, LWF) seria possível COITIO uma ação fon:""~: ~~~
(embora não obrigatórío) sem um pleno acordo doutrinário (1) todas as de responsabilidade c=
vezes que tal filiação suscitasse importantes discussões doutl-inárias com pretende neutralizar e
vistas à obtenção de um pel-reito acordo doutr-inário, (2) quando a fe- cordando publicaments
deração ou concílio, como tais, não se entregam a atividades que os iden-
tificam como igreja, (3) quando a filiação ao concílio ou federação não (3) Tentar o lest=::: = 3: --
visa a identificar as igrejas filiadas como estando em acordo doutrinário as quais nos encont-e·: _:
se realmente isso não ocon-e, e (4) quando a filiação a uma dessas WELS, a ELS e os r:::s:: o
organizações não identifica uma igl-eJa filiada com os pontos de vista in- (4) Tentar a reo::=:~: -
convenientes e discutíveis da organização como um todo ou com qual- com aquelas igrejas '..0_
quer de suas igrejas filiadas. Quando tais assuntos forem devidamente como a igreja Lutera·-=
conhecidos, a filiação se toma, fundamentalmente, uma questão de pra-
ticabilidade. Quando tais organizações não estão preenchendo a sua real (5) PrOITlOver -e =::3: -
utilidade para o estabelecimento da unidade exterior, então deveriam ser
(6) Fazer uso c:=: _
dispendidos esforços para transformar a organização, antes de retirar-se
evangelho com relig<ts: :_
dela ou ingressar nela, conforme o caso. Porque essas organizações,
tatos proporcionem e~:: = : -,
ideal mente consideradas, oferecem uma estrutura ímpar para buscar-se
gelho. É claro que ta s
um acordo doutrinário mais amplo e para promover a cooperação em
cousas externas_ concessão às religiõ>S3 - õ

13. Tomando em consideração o tempo e os recursos disponíveis, Em todos este3 e - : : - --:


bem como as exigências e oportunidades em outras áreas do trabalho da ticipação é tão imp:::-:s---:,
igreja, chega-se à conclusão de que as igrejas cristãs devem fixar-se em os porta-vozes repre3e-:::e-
prioridades bem definidas quando procuram estabelecer laços mais estrei- jas e que discutarT
tos com outros cristãos. Com base no princípio de que aqueles que são embora as áreas c= =:::
considerados os domésticos da fé, merecem nossa especial atenção e apoio a uma escala de 0-
constante, sugeriríamos a seguinte escala progressiva de prioridades em todas essas 2:ea: :
ecumênicas: cunstâncias o per"':::'8
~.8 haver "com- (1) Conseguir relações mais estreitas e a conciliação de direrenças
. 3J se alcançou. com os irmãos apartados dentro de nossa própria comunhão confessiona!.
16). Essa afir- tanto no nivel de congregação como no de ig;-eja Com aqueles que estão
. 3J são nem 01'- comprometidos 8111 atividades CiS1T!áticas ou defendenl pontos de vista dou,~
,',acausa legíti- tr'inários divergentes dos do sinodo. deveria tratal'-se de maneira paciente
, evangelho está e fraternal. Os membl'os do sinodo que estão em pleno acordo doutrinário
JJill outros cris- com eie. não deveriam afastar-se ou separar-se do sinodo quando acham
,~'" causar orensa que este errou. Deveriam, isso sim, envidar todos os esrorços para cor-
JJ -siderada como rigir o problema, seguindo os processos e métodos estipulados pelo si-
==0 serviria ape- nado.
Jom o autêntico
(2) Manter e enriquecel' nossas relações de comunhão com igrejas
associadas e igrejas irmãs de todo o mundo. No caso da relação entre
~~,re fusão ou co- a Igreja Lutemna da .L\mérica e a Igreja Luterana-Sinodo de Missouri, deve-
__ : :: J eclesiástica em mos encorajar a Comissão de Comunhão a ocupar-se eretivamente das con-
- Drgânica e co- trovérsias e a promover discussões doutrinárias de alto nivel em todas as
:: doutrinário, ou áreas. Onde existem problemas, convém não esquecer que a exortação
c ~ federações ou paciente e fraternal sempre deve preceder a qualquer ação mais drástica
, "ósforços no sen- - tanto em se tratando de indivíduos como de igrejas. À atua! «comunhão
e :xdo. Filiação a sob protesto» deveria ser interpretada como urna exortação rraternal e não
~. seria possivel como uma ação formalista ou negativa. PaI' essa razão, considera-se falta
'eCO (1) todas as de responsabilidade da parte de qualquer runcionário sinodal, quando ele
c = joutrinárias com pretende neutralizar a força dessa exol'tacão. deformando-a ou dela dis-
quando a fe- cOl'dando publicamente.
:" :es que os iden-
. J federação não (3) Tentar o restabelecimento da comunhão com aquelas igrejas com
c :o!'do doutrinário as quais nos encontrávamos anteriormente em comunhão, tais como a
:: a uma dessas WELS, a ELS e os nossos irmãos finlandeses.
: : -tos de vista in-
(4) Tentar a realização de um acol'do, com base doutrinária suriciente.
:::: ou com qual-
com aquelas igrejas luteranas que não estão em comunhão conosco, tais
. :ern devidamente
como a Igreja Luterana na Austrália e a Igreja Luterana na América:2O
c::uestão de pra-
: 'endo a sua real (5) Promover relações mais estreitas com cristãos não luteranos.:21
~ '=3D deveriam ser
= ':es de retirar-se (6) Fazer uso das oportunidades que se oferecem para discutir o
evangelho com religiões ou ideologias não cristãs, contanto que tais con-
~: =:os organizações,
tatos proporcionem ampla oportunidade para um testemunho vivo do evan-
:: para buscar-se
gelho. É claro que tais discussões não devem ser consideradas como uma
cooperação em
concessão às religiões não cristãs de um direito igual à verdade.:2"

= :ursos disponíveis, Em todos estes encontros e tentativas, o aspecto qualitativo da par-


: 'aas do trabalho da ticipação é tão importante quanto o aspecto quantitativo. É importante que
,; cevem fixar-se em os porta-vozes representem a posição doutrinária de suas respectivas igre-
, : : - laços mais estrei- jas e que discutam as controvérsias de maneira franca e leal. Demais.
"ó aqueles que são embora as áreas da atividade ecumênica, anteriormente citadas, obedeçam
atenção e apoio a uma escala de prioridades, o pensamento deve ser o de empenhar-se
de prioridades em todas essas áreas simultaneamente, na medida que o tempo e as cir-
cunstâncias o permitirem.

55
111. Problemas e Questões Especiais para os Luteranos de Hoje em todas as c.u~s::~"
igreja luterana». --
É inevitável que muitos estudos e discuss6es deverão ser realizados ainda, que outras : _~ 5 ~'.o. 7
a respeito de numerosas e complexas quest6es que envolvem relaç6es especiricadas nas:: -, 55 : ~,
inter-Iuteranas, particularmente na América. Em seguida veremos uma bre- cuss6es subseqüe~:e.
ve caracterização de alguns destes problemas: a comunhão. c' C:; -~- :;: = -::

zar que a nossa


1. Terminologia. Existe considerável discrepância e conrusão no uso
mútuo na doutrin2
de termos rreqüentemente empregados para descrever relações cristãs. A
tt-ação correta dcs
distinção unitasíconcórdia é pouco usada rora da Igreja Luterana-Sínodo
conrormidade co!' ":o :::_
de Missouri. Maior conrusão e diriculdade, porém, ainda existem no uso
do termo "comunhão». Urna das diriculdades tem sua origem no fato de
Sagrada Escritura ê:' __
mna Americana te'-'- 2' _.
que seu uso principal na linguagem eclesiástica dos luteranos da nossa
época, incluindo a Igreja Luterana-Sínodo de Missouri, é para situações de
Igreja Luterana-Sinc:::: :7
compreensivo na de ~~
concardia quando, na realidade, é um conceito de unitas no Novo Testa-
estabelecida a corn'~ - - ~::
mento.2:1 Todos os cristãos têm comunhão uns com os outros; não é algo
parte desta questão
que nós estabelecemos I Outra dificuldade, com rererência ao uso eclesiás-
CC':-

existe uma acentuac'Õ'


tico do termo "comunhão", é Que relativamente poucas das principaiS igre-
ricano, que vai mu ;to _
jas luteranas empregam o termo na mesma acepção com que o raz a Igre-
ja Luteí8na-Sinodo de Missoun. Para outros luteranos, «comunhão» geral- 3. A Autoridade 02 :cS:~
mente indica urna t'elação bastante superficial entre cristãos, ao passo que sado problemas pare ê _ C" ;

a Igreja Luterana-Sinodo de Missouri a considera a mais compreensiva e autoridade da Sagrac2 :: o: -


compieta relação que possa existir entre cristãos. ê i Por esta razão, entre Sínodo de Missouri e : _- ::::
outras, as discussões luteranas sobre «comunhão" têm-se caracterizado, gentes sobre a auto":s:5-
muitas vezes, por divergências a respeito dos elementos práticos da co- quase todas as disc,-,s:;: 7::
munhão denominacionai. '" Talvez seja este o momento oportuno para se principais igrejas lutere'- ê:;
pensar seriamente na necessidade de estabelecer uma terminologia nova, derável desacordo qU2'-::
para melhor esclarecer e caracterizar os diferentes tipos de relações cris- são pertinentes às ['2:;7:; ::::
tãs. Para esse fim, seria de bom alvitre examinar a terminologia usada zada pouco tempo ate2: .o.

em outras partes da cristandade. ên luteranas, abordou e:;:7 : :: ~


rossem poupados 68'e :: 5 -
2. Bases da Comunhão. Esta questão é do máximo interesse nas dis-
cussões ecumênicas de âmbito mais amplo e continua sendo suscitada nas 4. O Papel das Cc"'::s,
discussões que envolvem a nossa própria igreja. Tem sido uma importan- ranismo americano. c e': ~ :
tíssima questão no Lutheran - Rerormed Dialog, na LCUSAíDTS Consul- pretação da assinat/:- ::: - '7
tatian on lhe Function or Doctrine and Theology in Light of the Unity af tal assinatura abrange :: .:: -'.
lhe Church (FODT), e nas relaç6es com a Igmja Luterana Americana. A to outras igrejas lute's-:;5 :::
fim de ilustrar o pt'oblema, recordemos que, em 1971, a Igreja Luterana- mais, as principais 'ç;"S? =
Sinodo de Missouri dit-jgiu um pedido à Igreja Luterana Americana a que a assinatura conresse-::: :5-::
reconsiderasse sua decisão, permitindo a ordenação de mulheres para o a sua precursora, S U _ C-
ofício pastoral. No mesmo ano, a Igreja Luterana Americana deu a sua mesma em comunhã: :::
resposta, perguntando se Missouri havia mudado a sua posição t-ererente ranas, opondo-se, pc- 5:::
às bases para a comunhão, posto que o acordo de comunhão entre as oficial com outras 'T?2? _~e
duas igrejas rora oficialmente rirmado em 1969. Este problema mereceu, considera em comur, r ~: ::::-
da parte da Comissão de Comunhão, especial atenção em suas discussões. está disposta a rn2r:s> _ : __
Em sua declaração de 1971, a Igreja Luterana Americana afirma que está do de Missouri, por:; _::
decidida a manter comunhão com «toda e qualquer igreja luterana que formal das conrissc S 5 -.o. ~
conressa sua fidelidade às Sagradas Escrituras, como palavra de Deus, teúdo doutrináriO ds:; ::: -, ::s

56
: 'cs de Hoje em todas as questões de fé e vida, e que subscreve as confissões da
igreja luterana".27 O documento da Igreja L.uterana Americana afirmava,
ser realizados ainda, que outras questões de prática ou interpretação da Escritura «não
Jivem relações especificadas nas confissões" poderiam continuar corno assuntos para dis-
~ 'emos uma bre- cussões subseqÜentes, sem se constituírem em motivo de desavença para
a comunhão. ê' Os representantes de Missouri não se cansam de enfati-
: Jnfusão no uso zar que a nossa interpretação das bases para a comunhão é «o acordo
~ :'::ões cristãs. A. mútuo na doutrina do evangelho e todos os seus artigos, e na adminis-
_uterana-Sínodo tração correta dos sacramentos com base nas Sagradas Escrituras e em
-, existem no uso conformidade com as Confissões L.uteranas, como uma fiel exposição da
;;em no fato de Sagrada Escritura". Nestes últimos meses, o presidente da Igreja Lute-
_:,,-anos da nossa rana Americana tem afirmado, publicamente e de forma reiterada, que a
. : -a situações de Igreja Luterana-Sinodo de Missouri está insistindo agol'8 num acordo mais
':S'O Novo Testa- compreensivo na doutrina do que aquele que fora decidido quando ficou
:. ;'os; não é algo estabelecida a comunhão entre as duas igrejas, em 1969. Inteiramente à
ê 20 uso eclesiás- parte desta questão de alteração do acordo, está o simples fato de que
: 's principais igre- existe uma acentuada divergência de opinião no seio do luteranismo ame-
ricano, que vai muito além desta questão fundamental. 2"
.:e o faz a Igr8-
geral-
::::J(!lunhão)} 3. A Autoridade da Escritura. As mesmas divergências que têm cau-
õ :3.
ao passo que sado problemas para a Igreja Luterana-Sinodo de Missouri, no tocante à
: õ compreensiva e autoridade da Sagrada Escritura, também existem entre a igreja Luterana-
esta razão, entre Sinodo de Missouri e outras igrejas luteranas. Os pontos de vista diver-
u se caracterizado,
_
gentes sobre a autoridade da Sagrada Escritura se tornam evidentes em
-: s oráticos da co- quase todas as discussões oficiais que envolvem representantes das três
: portuno para se pt-incipais igrejas luteranas. Mas não somente isso. Existe também consi-
:e'rninologia nova, derável desacordo quanto à alegação de Missouri de que tais divergências
, cie relações cris- são pertinentes às bases da comunhão. Uma importante discussão reali-
:~'-:Tlinoiogja usada zada pouco tempo atrás entre representantes das três principais igrejas
luteranas, abordou este dilema com toda franqueza, instando a que não
:teresse nas dis- fossem poupados esforços no sentido de resolvê-I o satisfatoriamente.;:"
, ~ - do suscitada nas 4. O Papel das Confissões. Também existem, dentro e rara do lute-
, >J uma importan- ranismo americano, divergências de um caráter profundo quanto á inter-
_CUSA/DTS Consul- pretação da assinatura confessional. De sua parte, Missouri acentua que
_ ~"t oí the Unity of tal assinatura abrange o total conteúdo doutrinário das confissões, enquan-
::·-a Americana. A to outras igrejas luteranas têm um ponto de vista mais limitado. "" Ade-
:: igreja Luterana- mais, as principais igrejas luteranas na América discordam do modo como
::. Americana a que a assinatura confessional pertence à comunhão eclesiástica. A LCA, como
_c- mulheres para o a sua precursora, a ULCA, na sua resolução de Savannah, considera a si
- - ~'cana deu a sua mesma em comunhão com todos aqueles que aceitam as confissões lute-
_: :::;osição referente ranas, opondo-se, por isso, a discussões doutrinárias de caráter formal e
: :cnunhão entre as oficial com outras igrejas luteranas, inclusive a LCMS. A ALC também se
- : 'oblema mereceu, considera em comunhão com praticamente todas as igrejas luteranas, mas
suas discussões. está disposta a manter discussões doutrinárias. 3" A Igreja Luterana-Síno-
~ afirma que está. do de Missouri, por sua vez, nunca deixou de enfatizar que a assinatura
~'e ja luterana que formal das confissões deve redundar numa eficiente confissão do con-
=alavra de Deus, teúdo doutrinário das confissões na vida da igreja. Na realidade, as dis-

57
cussões oficiais dentro do luteranismo americano deixaram bem claro que 8. Comunh2.G .3-=:=-

os teólogos destas igrejas têm, de fato, liberdade para discordar das po- litiGa. de comu;:f"':~._ -:~ ~
sições doutrinárias contidas nas Conrissões Luteranas. Em outras pa- 1947, Lima resolu:"-": ::
lavras, os luteranos não concordam em dois pontos: a natureza e signifi- i'omadas pelas coe"' ,>
cado da assinatura conressional, e o papel das confissões como base ade- .
Apesal~ d'e taiS. --
~-- ----- -
quada para o estabelecimento da comunhão. qL!entemente
çóes e funciona:-
5. Limites das Divergências. Um dos resultados da interpretação
a comunhão con~ ·--7·~·-
histórico-crítica do Novo Testamento, largamente aprovado, é a ilação de
que o Novo Testamento contém teologias divergentes, senão contraditó- outros grupos cc:-:- C..:;
rias. Não rmas vezes ouve-se teólogos argumentar que divergência no bé(n se poderia e:-;;
Novo Testamento justifica a unidade ecumênica, sem a solução de di- atualmente, restr. '~'':' ,
ferenças doutrinárias.:'.' No úitimo congresso da Federação Luterana Mun- tI:6smos pontos ~:!e
seletiva é a ún,ics 2
diai, recentemente realizado, mereceu espeCial atenção o conceito de «di-
vergência conciliada". Semelhantemente, alguns conceitos de "conciliaris-
tros continuam suste'-:~,' - ,
mo» garantiram a coexistência pacífica de pontos de vista doutrinários di-
vergentes. sem qualquer tentativa de solução. Em certo sentido, a ques- de uma Igreja, O'T:_ -~-::
munhão eclesiástica
tão dos limites da divergência dentl'o de igrejas confessionais e da co-
munhão é um problema antigo; o que é novo, ao menos para as discus- g. Excessivo
sões interluteranas nos Estados Unidos, é a pergunta sobre até que pon- terana-Sinodo de Mi~~: _-
to a divergência doutrinária é abertamente permitida ou mesmo defen- nomia e independênc;:..
dida ::.' Em outl'as palavras, a uniformidade na doutrina deixou de ser ofuscar a inte(depe~-:::~·-:
uma meta primordial no pensamento ecumênico, também entre os luteranos. para com a igreja me s -
mo são consideráveis
6. Denominacionalismo Ambíguo. Já houve um tempo em que a
conlunhão ecleslástc?
maioria das denominações cristãs reconheciam uma posição doutrinária
bastante unificada. Embora haja, naturalmente, louváveis exceções, é um gregacionalismo radic~c
fato impressionante da vida eclesiástica contemporãnea que a divergência inorais assunlidos pe .?::-
doutrinária é. muitas vezes. tão alarmante dentro de uma denominação uma comunhão mate. ç.
como o é entre as denominações. Este rato se evidencia cada vez mais principios.) :;,
nas três principais igrejas Luteranas, incluindo a Igreja Luterana - Si- 10. Separação ,li,:, S __
nodo de Missouri Nessa situação, há um problema que precisa ser en- O presidente da :: _,
carado com muita seriedade. Trata-se do significado das declarações con- importância desta pcss
fessionais de comunhão com outras denominações, principalmente em vis- terano de Envian, e 1',-· . ?-= ::
ta da interpretação de Missouri a respeito das bases para a comunhão, atenção da parte de, _:'=' c 'c
exigindo um acordo bastante compreensivo na doutrina e prática. tatar que uma idéie -ôS -
7. Movimentos e Encraves. Estreitamente relacionado com o acima nodo. O objetivo de ~:'
exposto, temos o fato de que milhares de cristãos contemporâneos, in- munhão de púlpito ",,,, ~
cluindo cristãos luteranos, manifestam sua comunhão com outros cris- de altar. Devido à s_:: ;: : ~
tãos sem se preocuparem com os tradicionais limites da confissão, Tal- o fato de que a '9,8,"
comunhão de altar c:--
vez o exemplo mais significativo de comunhão não-conressional ou trans-
confessional se encontre no movimento carismático, se bem que outros negar o reconheci",,,,-:: -'" -
exemplos poderiam ser citados Na outra extremidade do espectro, mui-
ceitável, ,"" Uma out,·", = _ s::,
tos cristãos julgam encontrar suas mais Significativas e rreqüentes ex-
derável interesse e-
se a Santa Ceia eis. e c : c
pressões de comunhão encravadas dentl'o de uma denominação. Ambas as
mento da comunhã.: - ---
tendências têm em comum o rato de que o confessionalismo denomina-
cional não é considerado como necessário para estabelecer os limites pa- 11. Níveis de Lh::2C:""
ra a prática ela comunhão. "conceito de unidade e

58
c -, bem claro que 8. Comunhão Seletiva. Após a antiga .4LC ter estabelecido uma po-
: scordar das po- lítica de comunhão seletiva, em 1946, o Sinodo de Missouri adotou, em
Em outras pa- 1947, uma resolução contra esta prática. Semelhantes resoluções foram
'~tureza e signifi- tomadas pelas convenções do Sínodo de iv'iissouri em anos anteriores. ,';'
camo base ade- !\pesar de tais resoluções, sabe-se com cei'teza, como também foi fre-
qÜentemente publicado nos periódicos luteranos. que algumas congrega-
~~ ::21 interpretação
ções e funcionários da Igreja Luterana-Sinodo de Missouri têm praticado
c:~. é a ilação de a comunhão com membros da Igreja Luterana ela ,4mérica e, talvez, com
~2'-;ão contraditó- Outi'OS grupos com os quais o Sinodo não estabeleceu a comunhão. Tam'
- . 3. divergência no bém se poderia argumentar que várias congregações dentro de Missouri,
~ solução de di- atualmente, restringem sua pl"ática de comunhão àqueles que esposam os
e:?o Luterana Mun- mesmos pontos de vista. ,4iguns, hoje em dia, afirmam que a comunhão
~onceito de "di- se:etiva é a (miea aproximação respeitéve! para congregações e pastOl'es
~ ': õ de «conciliaris- que pe(tencelTl a denOi!linações doutrinarianlente div\didasl enquanto ou-
: ~ 'c doutrinários di- tl'os continuam sustentando que a comunhão seletiva debilita o testemunho
õentielo, a ques- de uma igreja, dificultando, destarte, um eventual estabelecimento de co-
1'Y'iUnháoeclesiástica.
·:~õ·onais e da co-
': pma as discus- g. Excessivo Congregacionalismo. Em certos setores da Igreja Lu-
"e até que pon- terana-Sinoelo de Missouri existe um grande entusiasmo a respeito de auto-
: J mesmo defen- nomia e independência congregacional, fato este que tem contribuído para
~? deixou de ser ofuscar a interdependência das congregações e suas responsabilidades
:·'tre os luteranos. para com a igi'eja mais ampla. As conseqÜências de tal congregacionalis-
:7·"'po em que a mo são consideréveis para a doutrina da igreja e o estabelecimento de
: :sição doutrinária comunhão eclesiéstica. (Dai se conclui que alguns defensores do con-
o õ exceções, é um gregacionalismo radical também tenham perdido de vista os compromissos
:' Je a divergência moraiS assumidos peias conwegações quando se tornaram membros de
_. '11 a denominação uma comunhão mais ampla e se comprometeram a permanecer fiéis a seus
" cada vez mais principias.)
" Luterana - Sí- 10. Separação entre Comunhão de Altar e Comunhão de Púlpito.
. e precisa ser en- O presidente da Igreja Luterana na América, Robert Marshall, defendeu a
: õ declarações con- importância desta possibilidade, a propósito do Congresso Mundial Lu-
~: oalmente em vis- terano de Envian, em 1972. Esta proposição parece que não recebeu muita
e ,::::;I'a a comunhão. atenção da parte do luteranismo mundial. No entanto, é interessante cons-
. ': e prática. tatar que uma idéia semelhante fOi proposta para a consideração do sl-
: .."do com o acima nado. O objetivo de tal proposição seria o de tomar a prática de co-
: :-:emporâneos, in- munhão ele púlpito mais limitada em confronto com a prática de comunhão
:om outros cris- de altar. Devido à sua força coerciva, tal proposição tende a obscurecer
e: :8 confissão. Tal- o fato ele que a igreja, durante toda a sua existência, tem identificado a
. - 'essional ou trans- comunhão de altar com a comunhão de igreja, chegando ao ponto de
e c. bem que outros negar o reconhecimento de comunhão para aqueles cuja doutrina era ina-
~o :0 espectro, mui- ceitável. ;;!1 Uma outra questão, de certa forma relacionada e de consi-
: e freqÜentes ex- derável interesse em cei'tas partes da comunidade cristã, é a pergunta
: -~ cação. Ambas as se a Santa Ceia deveria ser entendida como um meio para o estabeleCi-
~. "ismo denomina- mento da comunhão ou como um objetivo da comunhão. lU
. _:5" os limites pa- 11. Níveis de Unidade. Existem muitos luteranos que acham que o
«conceito de unidade" emitido pelo Sínodo de Wisconsin, que coloca todas

59
as formas de relações eclesiásticas praticamente num mesmo nível, con- 15. Triângulos __
tém muitas coisas que o recomendam." Outros argumentam que as pro- [,ário compreens', - =
porções cio acOl'clo doutrinário entre gr'upos cristãos é que determina até do, por exemplo
que ponto eies podem cooperar ou praticar comunhão recíproca. Esta úl- cern a igreja C. e:-::: _ =
tima forma de aproximação parece que caracteriza a situação de facto igrejas, A e C. Se'-" -:-'~ =

para a Igreja Luterana-Sinodo de Missouri, que ainda agora está envolvida tl~e 83 três princ!Q22
em algumas formas de cooperação com igrejas que não estão em comu- ti'adicional do Sinc,::;:::
nhão. Sendo assim, urna exposição de princípios claramente definidos ele- timas. \", Também escs " _,
veria ser articulada para orientação do sinodo, em todos os níveis. 16. Comunhão em p~::::~s
12. O Dilema da AELC. A Igreja Luterana - Sinoelo de Missouri lação com a Igreja '--_c=-s - =
está assistindo, hoje, a um fenômeno bastante depressivo: são pastores nada mais fez do :::.,8
e congregações abandonando o sínodo, aconselhando outros a também se outi'OS membros da c=--= 0,=
apartarem do sínodo e até mesmo fazendo proselitismo entre os mem- ções da resolução ee = c c c
bros do sinodo, enquanto alegam que ta! comportamento não visa a um rana Americana e por C _,' =2
rompimento da cornunhão. Se ta! separação acontece por causa de ra- tido deste conceito cc:- ~ - ,
zões doutrinárias. é óbvio que
a comunhão deveria ficar suspensa até tre Igrejas, bem cor:::: =
que as difet;erlças doutrinárias tenhanl sido resolvidas; de outra parte, antes, pelo contrário ,,:--
se a separação não se dá por- razões doutrinár-ias, ela só pode ser de é bom lembrar que c 2 ~
caráter dissidente e cisnlático. Enl 8rTibos os casos! porérn, a situação planado na própria ~es::: _ ='::
não pode ser tratada sinlplesmente como um problema constitucional ou fundamento lógico p.3~= ~ ==
organizaciona!. É preciso tornar em conta as implicações profundas que para as congregações = :::s s'
daí decorrenl para a nossa interpretação de comunhão eclesiástica. riosa revisão.
13. O Unionismo Atual. A posição de íViissouri quanto à cornunhE\O
IV Algumas Consde~=:::c;
eclesiástica tem sido a de contestar, de forma correta, o «unionismo".'c
Visto lidarmos com P(c: = =
ConSiderando que este termo teve a sua Oíigem na preocupação de Mis-
cristãos, é imprescinc:,8
souri com as implicações da união prussiana no começo do século de-
ção doutrinária e ecv~'~'
zenove, e considerando ainda que o termo recebeu outras conotações nodo de Missouri é :~~:::
em nossa sociedade, certamente seria oportuno criar um termo novo pa-
tantes no mundo que ".-
m identificar o mesmo mal. A propósito disso, seria bom perguntar se doutrinário das conf:ss ~= 2
as diversas atividades realizadas, hoje, em conjunto, por cristãos que nodo de Missouri e s=
não estão em comunhão. reveiam as mesmas conseqüências de indife-
ria dentro da cristance:s
rença doutrinária que podiam ser constatadas no século dezenove.
de objetivo do movin-e - c=
14. Situações de Emergência. Depois da 20 Guerra Mundial, a Co-
significação de aoor:c=
missão do Sínodo para Serviço Militar teve, junto ao Concílio Luterano.
cristãos a se dare:e; == ..
dos Estados Unidos, um entendimento que permitia aos capelães ou pas-
Deus, sem perguntar ·se
tores dar a Santa Ceia, «em situações excepcionais", aos membros do
nhecendo que os IY:::::: = ", c
serviço militar que eram filiados a outras igrejas iuteranas. iR Semelhan-
encontrados em igu2
temente, a convenção sinodal, de 1975, examinou a situação pastoral em
o fato é que a situa:::§:::
que, às vezes, se encontram os ministros que servem às forças arma-
ge a Igreja Luteran2-~ - ::::::= -
das. 44 Ademais, tem-se admitido como legítimas certas situações de cura
ponsabilidade e com: ~- = -.
pastoral que podem ocorrer em várias outras circunstâncias justificando
munho, nestes assu:t:::s ô c
a celebração da Santa Ceia com cristãos que pertecem a outras igrejas
que não estão, oficialmente, em comunhão com a nossa. É, pois, impre- Os problemas S'=:2< =
terível que se estabeçam normas práticas para tais situações, normas por vezes, bastante cc~'::: e
estas que tomem em consideração tanto a necessidade de autonomia res- mos em mente e Si:;'2 -, =:
ponsável nos casos de cura pastoral, como o testemunho confessional biicos: verdade, amo- "
da igreja. da máxima import§rc ê =
-:õ":,o nivel, con- 15. Triângulos de Comunhão. Sendo a comunhão um acordo doutri-
0--0"'1 que as pro- nário compreensivo e envolvente, pode surgir um p(Qblema sério quan-
-'- determina até do, por exemplo, a igreja A está em comunhão com a igreja 8 mas não
0- :: -oca Esta úi- com a igreja C, enquanto a igl-eja B está em comunhão com ambas as
'-.ação de facto igrejas, .A e C. Semelhante situação existe, atualmente, nas relações en-
: '" está envolvida tre 8.S três principais igl-ejas luteranas nos Estados Unidos. Â posição
,,8:ão em comu- t,-adicional do Sínodo tem sido a de considerar tais relações como ilegi-
-:e definidos de- timas. " Também esta situação está à espera de uma elucidação cuidadosa.
- _: :8 níveis.
16. Comunhão em Protesto. Quando Missouri declarou que a sua re-
::::) de Missouri
lação com a Igreja Luterana Âmericana era a de comunhão em protesto,
são pastores nada mais fez cio que I'8tificar uma atitude anteriormente assumida por
-:s a também se
outros membros da conferência sinoda!. Embora algumas das interpreta-
entre os mem-
ções ela resolução de Dalias, externadas peio presidente da Igreja Lute-
-ão visa a um
rana Americana e por outros, tenham, aparentemente, traduzido mal o sen-
- : c causa de rs-
tido deste conceito, convém ressaltar o fato de que a admoestação en-
:? - suspensa até tre igrejas, bem como entre pessoas cristãs, não tem caráter punitivo,
:8 outra parte, antes, pelo contrário, tenciona apenas corrigir o problema .. Além disso,
s:: pode ser de é bom lembrar que o significado deste protesto está exaustivamente ex-
- em, a situação
::nstitucional ou
planado na própria resolução de Dallas."; Parece, no entanto, que °
fundamento lógico para esta resolução, bem como suas conseqüências
;~s profundas que para as congregações e pastores do sinodo, necessitam de uma crite-
-,-::iesiástica. riosa I-evisão _
_ _ ? -to à comunhão
: "unionismo». IV Algumas Considerações Finais sobre Verdade, Unidade e Amor.
Visto lidarmos com problemas atinentes às nossas relações com outros
: : Jpação de Mis-
: : do século de- cristãos, é imprescindível que reconheçamos a natul'eza critica da situa-
ção doutrinária e ecumênica em que vivemos .. b.. Igreja Luterana - Sí-
- _toas conotações
nodo de Missouri é uma das pouquissimas igrejas luteranas mais impor-
-- termo novo pa-
tantes no mundo que ainda confessam e se apegam a todo o conteúdo
- :-- perguntar se
doutrinário das confissões luteranas_ Afol-a isso, a Igreja Luterana - Si-
:::: r cristãos que
",,-cias de indife- nado de ~.;1!ssouri e as igrejas irmãs se encontram numa flagrante mino-
: dezenove. ria dentro da cristandade mundial em sentir, com reprovação, que o gran-
- =. Mundial, a Co- de objetivo do movimento ecumênico dos dias atuais é o de diminuir a
:::oncílio Luterano significação de acordos doutrinários, encorajando, ao mesmo tempo, os
cristãos a se darem as mãos e juntos trabalharem e prestarem culto a
-::spelães ou pas-
membros
::::-8 do Deus, sem perguntar se há acordo na doutrina ou não. ~,.1esmo reco-
- :·-ss. 1;) Semelhan- nhecendo que os problemas existentes no nivel do oficiaiismo não são
: : _ação pastoral em encontrados em igual escala entre os membros militantes das igrejas,
o fato é que a situação doutrinária e ecumênica dos dias atuais constran-
38 forças arma-
:: S :uações de cura ge a igreja Luterana-Sinodo de Missouri a agir com muito senso de res-
,- o :cias justificando ponsabilidade e com pleno conhecimento do fato de que o nosso teste-
munho, nestes assuntos, será ouvido, quer queiram, quer não queiram.
3 outras igrejas
É, pois, impre- Os pl'Oblemas a respeito de nossas relações com outros cristãos são,
s :uações, normas por vezes, bastante complexos_ Por isso, é necessário que sempre tenha-
::e autonomia res- mos em mente e sigamos as implicações dos três grandes principias bí-
_,fio confessional blicos: verdade, amor e unidade. Como devemos fazer isso é uma questão
da máxima importância. Existem, naturalmente, várias opções. ,Alguns gru-

61
pos cI'lstãos e, às vezes, nós mesmos, agimos como se não houvesse ne-
porte.nte de que
nhum outro princípio envolvido além do princípio da verdade. Outros ten-
ser jnterpretada
tam a aproximação pelo lado oposto, isto é, enfatizam que o único caminho de, unidade e 2"'-,- -7
que conduz à unidade, é o amor, usando, por vezes, lemas como estes: ao Senhor e !,/s ,,:;:,
"Leve unites, doctrine divides» (o amor une, a doutrina separa), ou «Let
cutar aqueles o,~ :-_~-
om deeds be our creeds» (Façamos de nossos atos nossa profissão de
mento que Faze":.~
fé). Tais grupos mostram-se, muitas vezes, indiferentes para com os gran- representações 02' ,2':" - ~ -
des imperativos da verdade contidos no Novo Testamento. Para muitos posições histónca.s
outros, ainda, especialmente nos nossos dias, o princípio da unidade, fre-
estudarmos juntes 2' :2" ': -
qüentemente empregado num sentido superficial ou puramente sociológico,
da ação do Espf'to ':C ,-
é, evidentemente, considerado o principal critério para a prática ecumê- 2. Formula"e"'>:;:, : 2' :,

nica. Isto não ocorre apenas no plano teórico dos teólogos, mas, igual- vet'mos indecisos 2 -""<~': -
mente, nas decisões práticas de funcionários, congregações e pastores no nicas: É a nossa 02'-:::::: ~:
sentido de tolerar divergências doutrinárias, a fim de manter unido o grupo evangelho? O teste"'-,.- -:
ou organização a todo custo. Mas como, então, vamos relacionar verdade, festará a espécie de ::
amor e unidade entre si?
posição doutrinária?
Nossa herança confessional luterana estabelece claramente que ne- Cristo?
nhum dos três grandes princípios deve ser omitido na atividade ecumê- 3. O uso fiei C::2' -~
nica dos cristãos. Mas a nossa herança confessional nos lembra, igual- sencial de nossa teo,·;:, .,.
mente, que o pl'incipio da verdade é principal em relação aos outros dois. nos dias atuais. Por 8':52 =_=
É através da proclamação e administração da verdade de Deus na palavra nítida distinção entre coop~-:::,
e sacramentos que a unidade eclesiástica é instituída e nutrida. Além do e cooperatio in externis
mais, é através da operação do Espírito Santo, mediante a mesma verdade sinônimo da mais sub, -'" ~ -
de Deus na palavl'8 e sacramentos, que os cristãos são capacitados e mo-
enquanto a última :-eo",,;:,o
tivados a manifestar o amor para com Deus e de uns para com os outros.
que compartilhamos 00- :, - -
Num ensaio pt'évio, este principio foi enunciado da seguinte maneira: 4. Por sermos u
Considerações a t'espeito da verdade são mais importantes do que ma dos a amar-nos L1:',S ::: =

considerações a respeito do amor, caso eles entrem em conflito, visto que cios meios para exp'es ô'=
o amor está sempre subordinado à verdade do evangelho. Quando se
organizacionais da ::
pr-ecisa escolher entre a unidade exterior e a verdade do evangelho, a tanto, a de realizarmos - -,'O"
unidade deve submeter-se à verdade. Porque é preferível estar dividido por sem manifestar ou ;"2
causa da vel'dade do que estar unido no erro. 47 Deus.
Não há dúvida de que o verdadeiro amor cristão jamais entra em 5. Deixaremos -, ':,,:
conflito com a verdade, porque o amor se alegra na verdade. Contudo, a
migos do evangelho. ,~::
ação ecumênica cristã precisa reconhecer e expressar a primazia da ver-
falsos, e não para os ': -7 _ =

dade do evangelho, tanto na concessão da unidade como na atividade do


pela fé, uma vez entre;;,s = "
amor cristão. Entretanto, não existe «ou ... ou» para o ecumenismo con-
o amor, nem contra 2 _ - :::::'
fessional; pelo contrário, devemos, em todos os tempos, permanecer fiéis 6. Tentaremos
aos três principias: verdade, unidade e amor.
veis, tanto para a igre2' :: - :
Essa fidelidade se manifestará nas atitudes, aproximações e ações, e amor ao irmão, e-o';: ,:
tais como as seguintes (e a lista está longe de ser completa):
7. Queremos '2:S'
1. Procuraremos participar ativamente de discussões com outros
um lado, e situaçõe,: ,,,'Oc:-::
cristãos que estão dispostos a debater a doutrina do evangelho em todos estabelecem o funes"'s :. ;:
os seus artigos, e a reta administração dos sacramentos com base na pa- cionários do sinodo. :"'- , --
lavra de Deus, as Sagradas Escrituras. Nessas discussões, os nossos ob-
de teologia, deve",
Jetivos são testemunhar, ouvir e estudar. Deveríamos dar testemunho de
mente interpretada:::
nossa posição doutrinária e explaná-Ia a outros, ressaltando o ponto im-
rização dos pontos '-
c _houvesse ne-
portante de que nossa separação ou protesto frente a outros cristãos deve
<:9. Outros ten-
ser Interpretada como uma admoestação afetuosa e ir! benefício da verda-
~ 3 ::: único caminho
de, unidade e amor, e não como uma contestação dos laços que nos unem
~~'?S como estes:
ao Senhor e uns aos outi'OS no Corpo de Cristo (unitas). Deveríamos es-
3::lpma), ou "Let
cutar aqueles com quem dialogamos para termos certeza de que o julga-
: 3 53 profissão de
mento que fazemos a seu respeito é correto, para removermos quaisquer
: "'e com os gran-
representações caricatas que possamos conceber e para aprender se as
.:::: Para muitos
posições históricas possam ter mudado. J!I Deveríamos esforçar-nos por
::::3 unidade, fre- estudarmos juntos a palavra de Deus nessas situações, pois é por meio
-- ~:~,te sociológico,
da ação do Espírito Santo, na palavra, que se dá o crescimento.
3 orática ecumê-
2. Formularemos perguntas como estas que seguem, quando esti,
-: : ;os, mas, igual-
vermos indecisos a respeito de nossa participação em situações ecumê-
~: , ~7S e pastores no
nicas: t: a nossa participação fiel à palavra de Deus? Ela compromete o
:~~ unido o grupo
evangelho? O testemunho que vai dar será falso ou obscuro? Ela mani-
~ 3cionar verdade,
festará a espécie de amor pelo irmão que inclui a preocupação pela sua
posição doutrinária? Ela favorecerá a verdadeira unidade da igreja de
,a mente que ne- Cristo?
, a:lvidade ecumê-
':8 lembra, igual-
3. O uso fiel dos meios da graça deve continuar sendo °
ponto es-
sencial de nossa teoria e prática a respeito do ecumenismo confessional
. : ': aos outros dois.
nos dias atuais. Por essa razão, é da máxima importância estabelecer uma
~ ')eus na palavra
nítida distinção entre cooperatio in sacrls (cooperação em coisas sagradas)
~ 'utrida. Além do
e cooperatio in externis (cooperação em coisas externas). A primeira é
'-:- ? mesma verdade
sinônimo da mais sublime e profunda espécie de comunhão eclesiástica,
: e pacitados e mo-
enquanto a última representa uma legítima forma de expressar a unitas
: 'a com os outros.
que compartilhamos com outros cristãos.
c seguinte maneira: 4. Por sermos um com todos os demais cristãos e por sermos cha-
-, :::ortantes do que
mados a amar-nos uns aos outros, nós devemos empenhar-nos na busca
:onflito, visto que
dos meios para expressar essa união e esse amor em todos os níveis
'~-:- ho. Quando se organizacionais da igreja. Nossa constante pl'eocupação deve ser, por-
~ do evangelho, a
tanto, a de realizarmos o nosso trabalho em conjunto com outros cristãos,
-:-star dividido por
sem manifestar ou insinuar qualquer transigência para com a verdade de
Deus.
'amais entra em
5. Deixaremos nossa justa cólera, quando necessário, para os ini-
~·::ade. Contudo, a
migos cio evangelho, não para os irmãos em Cristo; para os ensinamentos
e pl'imazia da ver-
falsos, e não para os seus eventuais ministradores inocentes. A contenda
: ..-:. na atividade do
pela fé, uma vez entreQue aos santos, não justifica o pecado, nem contra
ecumenismo con-
o amor, nem contra a unidade.
permanecer fiéis
6 Tentaremos interpretar qualquer separação ou protesto impreterí-
veis, tanto para a igreja como para o mundo, como fidelidade ao evangelho
: c ~,ações e ações,
e amor ao irmão, e não como vaidade, indiferença ou falta de interesse,
: : ",oleta):
7. Queremos fazer distinção ent(e ação e testemunho coletivos, de
: : _5sões com outros
um lado, e situações pastorais particulares, do outro. Estas últimas não
-:-.sngelho em todos
estabelecem o fundamento lógico para os primeiros, E por sinal, os fun-
. : s com base na pa-
cionários do sinodo, bem como os pastores, congregações e professores
e" ~ -:-s, os nossos ob-
de teologia, devem conscientizar-se de que suas ações são illui propria-
., :2; testemunho de
mente interpretadas, por parte de muitos cristãos, como sendo a exterio-
'~:?ndo o ponto im-
rização dos pontos de vista coletivos do sínodo.

63
8. Queremos cultivar o sentimento de confiança e respeito fraternais tes (cf CA VII ~
de uns para com os outros, na igreja. Isso nos levará a I'econhecer que bém hipócritas e
as situações diferem de lugar para lugar, de época para época, e que I,no no sen t'd
I iO re-s~-~=

algumas decisões, nesta área, não são nem evidentes nem fáceis. Pode dos pecados pOr" a'"
haver situações de um tipo pastoral, em que a simples confissão de que pio, Inclui toda õ ::::_:'
Jesus é o Senhor é inteiramente fiel aos princípios bíblicos da verdade, 6. Os saCl"õn-e-::::õ
unidade e amor, ao passo que, em outras circunstâncias e situações, nada gelho pregado ou ;2. see
menos do que a aceitação de uma exposição muito detalhada de nossa so Deus gracioso ':::'e 'c _
posição doutrinária será suficiente. Iv). Deve-se, pois. =::: - ~
9. Medidas de separação ou pi'etesto, em vista da posição ou prá- "Palavra visível" (.L;
tica de outros cristãos, Jamais deveriam ser tomadas de maneira apres- 7 - Tem hevic:c
sada ou impaciente. Quando igrejas cristãs discordam a respeito de con-
artigo da parte de .. , __
trovérsias doutrinárias de vulto, suas I'elações deveriam caracterizar-se
foi a de especificar o c. 'c .,.
por uma disciplina pastoral paciente, fraternal e evangélica, e nunca por
S8 existir e, como I,,;e-'o-::: -
ações precipitadas. E por sinal, a protelação em dar testemunho fraternal e
apostólica também e2+~. o
franco a outros, não favorece nem à causa da verdade, nem a do amor.'"
8 - A versão _
10. Finalmente, queremos alegrar-nos com tudo o que promove o
mo «concordia» quandc: 'a
evangelho de Jesus Cristo, e sentir pesar por todas as cousas que deson-
e a :'eservar o termo
ram o seu nome e suscitam dúvidas a respeito da sua verdade, a qual, SO'
os verdadeiros crentes __
mente, tmz a eterna salvação - onde quer que isto possa ocorrer na cris-
tandade. O erro e a discórdia devem ser deplorados; a concórdia, porém, to, veja o documento C-C = •

deve ser exaltada como uma preciosa dá.diva do Senhor da igreja, o qual,
9 e ss.
diariamente, nos perdoa a nossa negligência em amarmos uns aos outros. 9 - Este senlid::; ~.
em manifestmmos a nossa união em seu Filho, e em confessarmos a sua riva do relato dos q',1 se :::
verdade perante as nações, sem temor ou compromisso. OOITente no séc, XVI e :::::::::'e
fissões. As expressõe2_ "2
Notas gundo o evangelho») t:2: ::::
do Novo Testamento :::, s
1 - Bemard Lambert. Ecumenicism, Theology and History, traduzido referências confessio,~a:' :, o ~,
do francês por Lancelot C. Sheppard (New York: HerdeI' and HerdeI', 5; Ap, Xi, 4; Ap, Xli. "-.:.
1967), pág. 54. mo «evangelho» é, à2
2 - As seções I e " deste ensaio foram transcritas de ensaios rnento, ou aos ensinarre-:::, -
anteriores pelo autor e ligeiramente revisadas. Pma a seção :, veja "A lanchton escreve que 26 e õ -
igreja à luz das Escrituras», em A Natureza e Função da Sagrada Escri- do com o evangelho' e~
tura, distribuída pela Igreja Luterana - Sinodo de Missouri, 1975, pág. Quando a Apologia af-~ s :::, =
24-28, Para a seção 11, veja "Ecumenismo Confessional", em Normas Evan- mente, por causa de C- :":
gélicas para a Igreja Luterana, compilada por Erich Kiehl e Waldo J, "ensinamentos da EsC": _-s '
Werning (n.p., 1970), pág. 85-90 evangelho» (Ap, XV 2:
3 - Neste ensaio, verdade, unidade e amor são chamados "prin, damento do evangei,..c
cípios,,- pmque estão sendo usados como uma espécie de taquigrafia I-etratam este sentido s-'
teológica para identificar idéias largamente relacionadas e não como es- ta o fato de que os ,~:::'~:, c
tudos de palavras ou conceitos no sentido restrito. em seguida, afirma c"e ::: e
4 - F. E. Mayer, "O Conceito de Comunhão do Novo Testamento», da justificação, mas ta-': e"
Concordia Theological Monthiy, XXIII (SeI., 1952), 644. obras que são orde~8=s= :::.-
5. Os parágrafos seguintes refletem a distinção confessional entre o clero aprendeu tdo :::: _ ~:
o sentido resti'ito e amplo quer de «igreja» quer de «evangelho». A igre' cargos, com a cor.2se, ~- :
Ja no sentido restrito consiste de todos os crentes e somente dos cren- Prefácio, 3-4),
~ 3 peito fraternais tes (d. CA VII; Ap Vil, 28), mas a igreja no sentido amplo inclui tam-
'econhecer que bém hipócritas e incrédulos (d. CA VIII e Ap VII, passim). O evange-
C? época, e que lho no sentido restrito identifica a mensagem ou promessa do perdão
- ~ '~i fáceis. Pode cios pecados por alTlor de Jesus Cristo, ao passo que, no sentido am-
_:;-,fissão de que pio, inclui toda a doutl'ina cristã (Ap IV. 43. 345; FC, 5D, V, 3-6).
:os da verdade, 6. Os sacramentos têm o mesmo propósito e efeito como o evan-
~ situações, nada gelho pregado ou falado, pois também eles são meios pelos quais nos-
.c': hada de nossa
so Deus gracioso «oferece conselho e ajuda contra o pecado» (SA, 111,
iv). Deve-se, pois, considerá-Ias como o «Evangelho simbolizado» ou a
- c :)osição ou prá- "Palavra visivel" (Ap, XIII, 5), não como algo distinto do evangelho.
~ :l;aneira apres-
7 - Tem havido uma má interpretação e abuso generalizados deste
'espeito de con-
C". caracterizar-se artigo da parte de luteranos contemporâneos. A sua finalidade primária
fOI a de especificar o que é necessário para que a verdadeira igreja pos-
===8. e nunca por
·.c-,unho fraternal e sa existir e, como inferência, afirmar que a uma santa igreja católica e
'"CT1 a do amor.
apostólica também estava presente entre os seguidores de Lutero.
= Jue promove o 8 - A versão latina da Fórmula de Concórdia tende a usar o tel'-
:=~sas que deson- mo «concordia» quando fala da comunhão ou unidade externas na igreja,
3 'jade, a qual, so- e a reservar o termo «unitas» para a comunhão espiritual existente entre
e:,? ocorrer na cris- os verdadeiros crentes na una sanda. Para ulterior elaboração deste pon-
=Jncórdia, porém, to, veja o documento CTCR, A Lutheran Stance Toward Ecumenism, pág.
. ' I 9 e ss .
J.3 Igreja, o qua"
- : 3 uns aos outros. 9 - Este sentido amplo de «evangelho», que, sem dúvida, se de-
, =- 'essarmos a sua riva do relato dos quatro «evangelhos» do !\lovo Testamento, era uso
corrente no séc. XVI e ocorre numa multiplicídade de maneiras nas con-
fissões. ,6.,s expressões iuxta evangelium ou secundum evangelium (<<se-
gundo o evangelho») tradicionalmente se referiam aos quatro evangelhos
do Novo Testamento ou a uma passagem específica contida neles. As
- - History, traduzido referências confessionais seguintes são exemplos deste uso: CA, XXVIII,
- 3c:el' and HerdeI', 5; Ap, XI, 4; Ap, Xli, 122; LC, I, 65, 81, 276, 285. Por extensão, o ter-
mo «evangelho» é, às vezes, aplicado a outl'8S partes do Novo Testa-
:' >itas de ensaios mento, ou aos ensinamentos bíblicos em geral. Por exemplo, quando Me-
38Çê,0 I, veja "A lanchton escreve que as leis cerimoniais mosaicas não justificam «de acor-
:::a Sagrada Escri- do com o evangelho», ele se refere a Colossenses 2.16-17 (Ap, XV, 30).
3 sou ri, 1975, pág Quando a Apologia afirma que recebemos perdão dos pecados graciosa-
3m Normas Evan- mente, por causa de Cristo, é possível basear esta afirmação tanto nos
ehi e Waldo 1. «ensinamentos da Escritura» (Ap, XII, 157) como nos «ensinamentos do
evangelho» (Ap, XV, 30). De igual forma, tais expressões como «man-
chamados «prin- damento do evangelho» ou «mandamentos do evangelho» evidentemente
3 de taquigrafia retratam este sentido amplo do termo (p.ex. Ap, 172). Melanchton lamen-
3 não como es- ta o fato de que os monges «nem ouvem, nem pregam o evangelho», e,
em seguida, afirma que o evangelho não se ocupa apenas do perdão e
ovo Testamento ... da justificação, mas também «a respeito da verdadeira penitênCia e das
obras que são ordenadas por Deus» (Ap, XXVII, 54). Lutero deplora que
: cnfessional entre o clero aprendeu tão pouco do «evangelho» sobre a conduta dos seus
-'- :.":1gelho». A igre- cargos, com a conseqüência de abusarem da sua liberdade cristã LC,
- e::; ",ente dos cren- Prefácio, 3-4)

65
É compreensível que «evangelho» neste sentido amplo também foi 11 -- L
usado para a proclamação ou ensino da igreja contemporânea, Lutero, p!exidade e
por exemplo, sustenta que «o evangelho inteiro é uma proclamação ex-
terna, oral" (LC, IV, 30), A Apologia equipara «evangelho» com «doutri- Evangelho
na" ao definir a igreja como a reunião dos santos que participam do mes-
mo evangelho ou ensinamento e do mesmo EspÍl-ito Santo (Ap, VII, 8),
Outrossim, um dos frutos decorrentes do fato de que «o evangelho é Evangelho sente:
ensinado pura e diligentemente entre nós» é que nenhum anabatista apa-
receu nas igrejas da Confissão de Augsburgo, O ensino do batismo se Há sornente
baseia em Mateus 28,19, mas o conteúdo e efeito como ensinado na (nas cada urn dsstss
igreja é «evangelho» (Ap, IX, 2), Muitas vezes torna-se difícil traçar uma fundamentalmente, ~_
linha exata entre o evangelho bíblico e sua proclamação contemporânea, a uma exata defin,c2:
Quando, por exemplo, as confissões falam a respeito da «doutrina prin- 12 - Estranhe __
cipal do evangelho», é claro que se referem ao perdão dos pecados por C01Tetanlente, deve-se:::: ~':::~ -
amol' de Jesus Cristo (p ex, CA, XXVIII, 52; Ap, XII, 3, 10), Mas "evan- nhão eclesiástica 30t·,-~ ~
gelho» nesta expressão se refere em primeiro lugar à doutrina inteira e}~clusão de outras.
do Novo Testamento e depois à proclamação desta doutrina na igl'eja, Es- o ierna dos ar!tlgos ;-:,c:-::
ta expressão, inicialmente, indica que o evangelho no sentido restrito é não essenciais lib13(d:::c-~
o ponto mais importante e o principal tópico do evangelho no sentido 13 - Resulta nu'-'·'~
amplo,
a unidade espiritual 2
Os estudantes das confissões precisam ser muito suscetíveis às vá- ::
aconteceu, por exern()(
I'ias ênfases no uso do termo «evangelho", porque as confissões empre-
Wítness Reporter, \10'.
gam o termo sem grande precisão, chegando a usá-Io em diferentes sen- , 4 : ({J,-\qUi
na pago A '[ o que 7 ~~ -,
tidos no mesmo contexto (p, ex, CA, VII; CA, XXVIII, 5: Tr, 60),
espiritual da igreja, é :2
O evangelho tem sido comparado a uma vestimenta sem costura,
altar e púlpito,,, A dec c-c:c:
a um anel de ouro, ou a uma roda de carreta cujo eixo é Jesus Cristo
espiritual ou muito POi,CC ~
e cujos raios são os artigos da fé, A correlação dos artigos da fé e
hora, felizmente, o co!':e<'
sua relação com o evangelho no sentido restrito está explicado no se-
'14 -, Veja a disc~~~~.
guinte: "Umél Revisão da Pergunta: O que é uma Doutl'ina?», 111, 7, nas
15
. - [,'-Jem se '
:=:s'.,::=-
Atas da Convenção da Igreja Luterana - Sínodo de Missouri, em 1969,
pág, 506-507; Teologia da Comunhão, Parte 11, B 2, nas Atas da Conven- ooiógica com a verdao:;:
mais nós nos reunir".::
ção da ILSM, em 1969, pág, 535; e «A Doutrina da Igreja nas Confis-
sões Luteranas, Ensaio Adotado peios Delegados da Igreja Luterana Ame- ecumenismo, estão po' :c'
ricana e a Igreja Luterana - Sínodo de Missouri", nas Atas da Conven- 16 - O apelo PC" =
ção da ILSM, em 1967, pág, 417-419, tiva do momento, pai'e _u
Esta correlação pode ser constatada meditando, através do evan- ele experiência à p9":8
ge!ho "simples», sobre a base de uma passagem como João 3,16, Pergun- (Schwarmerei), Lute'c
tas como as seguintes levam a lima consideração de toda a teologia, poder de toela heres':,
desde a criação até a escatologia, e indica por que um acordo no evan- b!emas ecumênicosi
gelho abrange um integral acordo doutrinário: Quem é Deus? Qual a 17 - Vinte e c-c: _
origem do «mundo»? Por que ele necessitou do «amor» de Deus? Quem mente: "A fé é enQe-:'=:= -=
é o "Filho» de Deus e por que ele é chamado o "unigênito,,? Que fez sobre a palavra de De c' ~

ele quando o Pai o "deu", e como isto realmente mudou a situação do destruir a fé e, frecc:e-:~- ~-'8
homem? Que significa "crer nele" e como se alcança tal fé? Que signi- é o centro de toda 0'= 2' ~ _

fica que o mundo havia de «perecer" sem ele? Que é "vida eterna»? cristã, 1 Co 2.2-1(;
Baseados em que podemos estar certos de que as nossas respostas são não essencial, er1"':'- -- =

as respostas de Deus? evangelho, A corr_--~, ~'=


>0 também fOI 11 - Talvez o seguinte diagl'ama nos ajudará a entender a com-
::,·ânea. Lutero, oie)(idade e a correlação dos conceitos conressionais:

++
.~ u

~-oclamação ex-
',
Evangelho
com "doutri-
sentido amplo
Igreja v senliOO Igreja
sentido
Evangelho
f'il'f
.;VIsentido
J amploI
Â\ restrito
restrito Concórdia
~ ~ uniras
1 '" :

-: cipam do mes-
:0 (Ap, VII, 8).
t
J evangelho é
?nabatista apa-
GO batismo se Há somente um evangelho, uma igreja e um vínculo entre os cristãos,
. : UJ ensinado na mas cada um destes têm aspectos restritos e amplos que se influenciam
'icil traçar uma fundamentalmente. Conseqüentemente, cada um destes conceitos resiste
~::ontemporânea. a uma exata definição quantitativa.
doutrina prin- 12 - Esti'anho como possa ser, usar a paiavra «fundamentalístico"
::'8 pecados por corretamente, deve-se observar que é «fundanlentalístico» basear a comu-
Mas «evan- nhão eclesiástica sobre o acordo em certas doutrinas fundamentais com
ô ::Joutrina inteira
exclusão de outras. Esta e(a a posição do Funda!ismo histórico bem como
? na igreja. Es-
.. o lema dos antigos morávios: "Em coisas essenciais unidade, em coisas
õÕ'·,tido restrito é
não essenciais liberdade: enl todas as coisas caridade.))
.. :"ho no sentido
13 - Resulta numa séria confusão quando se faz dos requisitos para
ê. scetíveis às vá- a unidade espiritual a única base para a. comunhão de altar e púlpito. Isto
aconteceu, por exemplo, no Suplemento de Comunhão do The Lutheran
.:.cr,ssões empre-
Wítness ReporteI', Vol. 4, No 22, 17 de novembro de 1968, onde se lê
c u diferentes sen-
na pág. 4: «Aquilo que é necessário e suficiente para a verdadeira unidade
Tr, 60).
espiritual da igreja, é também necessário e suficiente para a comunhão de
:3 sem costura,
c
~ : é Jesus Cristo altar e púlpito." A declaração ou exige demais para a verdadeira unidade
espiritual ou muito pouco para a comunhão de altar e púlpito (muito em-
.' srtigos da fé e
bora, felizmente, o contexto que segue esclareça um pouco o assunto).
~':p!icado no se-
-a?», 111,7, nas 14 _. Veja a discussão sobre "Limites da Divergência», abaixo, pág. 26.
s8ouri, em 1969, 15 - Nem se deve confundir a compatibilidade sociológica ou psi-
6,tas da Conven- cológica com a vel'dadeira unidade cristã. Os defensores da fmse «quanto
:eja nas Confis- mais nós nos reunirmos, tanto mais felizes seremos", uma espécie de
Õ'.3 Luterana Ame- ecumenismo, estão por demais em evidência,
.~tas da Conven- 16 - O apelo para a verdade ou ação na base de uma leitura intUI-
tiva do momento, para um pmcesso de grupo dinâmico, ou outras formas
,:'avés do evan- de experiência à parte da palavra, nada mais é do que «entusiasmo»
:~o 3.16. Pergun- (Schwarmerei). Lutero nos lembra que o entusiasmo «é a fonte, força e
~ :oda a teologia, poder de toda heresia» (S/\, li!, viii, 9). E a heresia é o centro dos pro-
?cordo no evan- blemas ecumênicosi
~ Deus? Qual a 17 - Vinte e cinco anos atrás, o ProL F, E. Mayer observou correta-
:,e Deus? Quem mente: "A fé é engendrada pela palavra de Deus, e se firma tão somente
~ê'-,;to"? Que fez sobre a palavra de Deus. Qualquer intromissão na palavra ele Deus pode
. _~ a situação do destruir a fé e, freqüenternente, isso de fato acontece. Uma vez que Cristo
., ;é? Que signi- é o centro de toda revelação cristã e de toda proclamação dentro da igreja
c ~ «vida eterna,,? cristã, 1 Co 2.2-10, qualquer desvio da palavra, ainda que possa parecer
: ' õ? 3 respostas são não essencial, em última análise, atacará o próprio coração e centro do
evangelho. A cOi!lunhão espiritual é algo tão delicado que não pode per-

61
mitir qualquer desvio do evangelho de Cristo: Em ,,0 Conceito de Co- ministério nos se·" -" : ô
munhão no Novo Testamento», CTM, XXIII (Set., 1952), 640. e LCA, desde 1962 :~
18 - A resolução 3-26 da convenção sinodal de 1971 chama a aten- I'eferem todos estes ôe ':
26 - A sec,-, ,,:-,- :-'-
ção a este fato quando declam que nosso primeim passo ao tentar a
comunhão com outras igrejas luteranas, deve ser a "discussão em níveis e Ordem, em Lunc
múltiplos» da Escritura e das Confissões Lutemnas. Nas Atas de 1971, (1) Comunhão Pie,,,
pág. 139. adjetivo): onde as
'19 - Embora as relações intel'denominacionais não estejam comu- da mesma família co:,'es':
mente incluídas no «ecumenismo», a distinção conressional entre a igreja íivremente, participa-e-
no sentido amplo e a igreja no sentido restrito ou próprio, nos habilita a dade para os ministro,:
pensar em todas as estruturas eclesiásticas em runção de sua contribuição (i. é, intercelebraçãc; o
para a verdadeira unidade espiritual entre os crentes. Vale a pena lembrar Luterana e Reformade ,=e:: ''ô
que o objetivo primordial da Igl'8ja Luterana - Sínodo de Missouri é "A (2) Intercomunhão e -:e-:
conservação e promoção da unidade da fé verdadeira (Er 4.3-6; 1 Co 1.10) da mesma família coc",o"
e a defesa conjunta contra o cisma e o sectarismo (Rm 16.17).» Em "A membros comungantes :e
Constituição da Igreja Luterana - Sinodo de Missouri», Handbook, pág. 15. cada igreja, e onde há
20 - A riliação a tais organizações como a Federação Luterana Mun- mentos em uma ou c~:':
dial e o Concilio Luterano nos Estados Unidos da América deveria ser
-
e Reformadas na Frar.ç?
aquilatada em conexão com este quarto objetivo, Alguns Cl'itérios para tre a igreja do Sul ds
esta avaliação roram enumel'adas acima, na tese 12, especial deste tipo, ac'?-~~-O
21 - Dentro desta imensa série de denominações, deveríamos cul- (3) Intercomunhão: 0-::
tivar laços mais estreitos com igrejas evangélicas cristãs em primeiro lugar, sional, por um acordo. 0-:
e depois com grupos mais liberais. É importante para nós constatar que participarem do Sacra:'é: '::
mudanças signiricativas aconteceram nos tradicionais pontos de vista de comunhão Anglicana e
algumas denominações. incluindo cenos grupos reformados e o Catolicis- Igreja Católica Naciona =
mo Romano ças de linguagem, etc ..
22 - Como definimos o termo, esta atividade é, tecnicamente, não também intercelebração
«ecumênica". mas evangelística. Veja a discussão deste problema, com (4) Comunhão Abem
especial referência ao Judaismo, em Lambert, pág. 445 ss. bros de outras igrejas s
23 - Veja o excelente e ainda utilissimo estudo do conceito bíblico a seu culto com celebre:,,: -2
de comunhão na Parte I da Teo!ogia da Comunhão, aceita pelo Sínodo em gregacionalista, e a m5 0-
1967 (à disposição em forma de panfleto da Casa Publicadol'a Concórdia (5) Comunhão Abert2 'J"
de St. Louis, Mo.). cípios, convidam os se,,; s -,-' - e
24 - Este fato pode explicar a declaração reita numa entrevista da aceitar o convite, Nes:s :.:::
imprensa, durante a Convenção de Dallas, pelo Dr. Arnold Mickelsen da celebração.
Igreja Luterana Americana, com o intuito de que as preocupações expres- (6) Comunhão Aberts _ ~;
sas por Missouri com relação à "comunhão» eram o tipo de coisas dis- sação): a admissão ae ô?:"-
cutidas pela ALC quando tratavam de "fusão». É bom lembrar que as estão em plena comur~-=: -_
preocupações identiricadas pela resolução em questão (3-02A, Atas de 1977, em outras circunstânc?s sôoe,:
pág. 125-126) são primordialmente doutrinárias, (7) Comunhão Fechsc "-
25 -
cio Presidente,
Num panfleto publicado
seis elementos
em princípios
da comunhão
de 1969 pelo gabinete
de altar rOI'am enumerados °
Santa Ceia a seus proo - : ô
Dr, Vilmos \ls.::
Federação Luterana \'" -:: ?
na pág. 13: (1) cultos conjuntos; (2) permuta de púlpito entre sínodos; (3)
membros de um sinoelo participando ela Santa Ceia com outros sínodos; A. Comunhão (comT_ ~
(4) transferência de membros entre congregações de dois sínodos; (5) o 1. Comunhão e08ô :ô: :s
chamado de pastores ele um sínodo para outro; e (6) a pregação para o fé e na administração o: s

68
_ : ':eito de Co- ministério nos seminários de um ou outro sinodo. Discussões com a ALC
e LCA, desde 1969, têm revelado que pouco acordo existe hoje a que se
:-,ama a aten- !'ererem todos estes seis elementos.
; :::: ao tentar a 26 - A seguinte terminologia roi proposta pela Conrerência de Fé
õsão em níveis e Ordem, em Lund, no ano de 1952:
Atas de 1971, (1) Comunhão Plena (embora haja pouca necessidade de se usar o
adjetivo): onde as igrejas que mantém acordo doutrinário ou que são
::stejam comu- da mesma ramília conressional, permitem a seus membros comungantes de,
~ntre a igreja livremente, participarem da Santa Ceia em cada uma, e onde existe liber-
'os habilita a dade para os ministros oficiarem os sacramentos em uma ou outra igreja
- ::..53 contribuição (i. é, intercelebração), p. ex., as "ramílias» das igrejas Ortodoxa, Anglicana,
c 3 pena lembrar Luterana e Reformada (Presbiteriana), respectivamente.
: õv"ssoun é "A
(2) Intercomunhão e Interce!ebração: onde duas igrejas que não são
5; 1 Co 110)
da mesma ramilia conressional, estabelecem um acordo permitindo aos
':;, 17).» Em "A
membros comungantes de, livremente, participarem da Mesa do Senhor em
-:. ~dbook, pág. 15. cada igreja, e onde há liberdade para os ministros de oriciarem os sacra-
': c.uterana Mun-
mentos em uma ou outra igreja, como por exemplo, as igrejas Luteranas
~':a deveria ser
e Reformadas na França. N.B. As relações que presentemente existem en-
õ cl'itérios para tre a Igreja do Sul da índia e a Igreja da Inglaterra constituem um caso
especial deste tipo, abrangendo certas limitações específicas.
:::everíamos cu!-
(3) Intercomunhão: onde duas igrejas não do mesmo grupo conres-
~-- primeiro lugar, sional, por um acordo, permitem aos membros comugantes a, livremente,
_:: constatar que
participarem do Sacramento do Altar em cada igreja. P. ex., igrejas da
. : ':JS de vista de
comunhão Anglicana e Antigos Católicos, Igreja Episcopal Protestante e
, ::: e o Catolicis-
igreja Católica Nacional Polonesa, nos Estados Unidos. Sujeito a diferen-
ças de linguagem, etc., a inter comunhão, na maioria dos casos, abrange
'-:<;'1icamente, não também intercelebração.
''c oroblema, com
(4) Comunhão Aberta: onde uma igreja, por principio, convida mem-
bros de outras igrejas a receberem a Santa Ceia quando estão presentes
_: :conceito bíblico a seu culto com celebração da mesma. P. ex., as igrejas Metodista, Con-
c '~, oeio Sinodo em gregacionalista, e a maior parte das igrejas Reformadas .
. : :3dom Concórdia
(5) Comunhão Aberta Mútua: onde duas ou mais igrejas, por prin-
cípios, convidam os seus respectivos membros, e estes têm liberdade para
- ,'Ia entrevista da aceitar o convite. Neste caso, não precisa haver, necessariamente inter-
, :: d Mickelsen da celebração.
~:::;Jpaç6es expres- (ô) Comunhão Aberta Limitada: (Comunhão por Economia ou Dispen-
: ::::; de coisas dis- sação): a admissão ao sacramento de membros de outras igrejas que não
embrar que as estão em plena comunhão ou intercomunhão, em casos de emergência ou
: -: 2::'" Atas de 1977, em outras circunstâncias especiais.
(7) Comunhão Fechada: onde uma igreja limita a participação à
:=-59 pelo gabinete Santa Ceia a seus próprios membros.
'::;cam enumerados O Dr. Vilmos Vajta, outrora diretor do Departamento de Teologia da
~-,tre sínodos; (3) Federação Luterana Mundial, sugeriu a seguinte terminologia:
:.,. outíOS sinodos; A. Comunhão (communio)
:::s sinodos; (5) o 1. Comunhão eclesiástica: comunhão na pregação, na conrissão da
= pregação paíS o fé e na administração dos sacramentos.
2. Intercomunhão: duas igrejas de diferentes confissões, que não es- 29 -
tão em comunhão recíproca, permitem a urna e outra a comungarem reci- ferente à CO'-s_:::
procamente nas suas igrejas e a praticarem intercelebração com base num dade da Igreja
costume implícito ou em acordos convencionais. sob os
auspic~C5 =~ _
B. Admissão (admissio) no nos Estados ; :- ~.-
'1. Admissão geral: uma igreja admite todos os cristãos batizados a e ALC tomaram
tornarem parte na Santa Ceia, que ela celebra de acordo com sua própria sagem ou promess? ::
praxe e por seus próprios ministros ordenados. to. Os represent2,":s.:'
2. Admissão ocasional: uma igreja admite à Santa Ceia somente 'evangelho', n18S e:e~ ~=:-=
seus próprios membros, enquanto os membros de outras igrejas somente damente. Pa.ra es:s·:-:..c -
são admitidos sob circunstâncias especiais. acol'do na doutrine s"
Em Vilmos Vajta: "A Unidade da Igreja e a Santa Comunhão»,
Convém igual:Ts':s
Igreja em Comunhão, editada por Vilmos Vajta (Mineápolis: Casa Publi-
da ALC - LCA
cadora Augsburgo, 1963), pág. 225-226, 228.
missão à Ceia do Se"':
27 - A resposta do Sinodo de Missouri, escrita pelo autor, diz:
"Sempre que for cee~ c::- c
"Certamente, esta declaração é uma declaração satisfatória daquilo que a
todos os comungantes :: :::. c
Igreja Luterana - Sinodo de Missouri igualmente considera uma base su-
ficiente para a comunhão, contanto que o interpretemos da mesma ma- JO - O supra","s:,:
neira. O que, pOl' exemplo, está incluído na 'aderência à Sagrada Escri- ções divergentes da~':::::
tUl'a como a palavra de Deus em todas as questões de fé e vida'? Está conclusões amplamente '
o ensinamento do apóstolo Paulo a respeito da relação entre homem e existência de discreps-::::.
mulher incluído entre as 'questões de fé e vida'? 'Aderência' inclui ape- divergentes dentro das :=:0 -, .
nas rormulações doutrinárias próprias, ou uma prática que é. da mesma dispostas a falar sobe
fOITila, coincidente com tais formulações? As 'Sagradas Escrituras' incluem da Bíblia, incluindo a::,:,::
tudo o que as Sagradas Escrituras ensinam, ou existem ai ensinamentos da e de contradições a0S'S' .__~
Sagrada Escritura que não são 'questões de fé e vida'? Questões como inclui esta diversidade s :,,,
estas foram, certamente, discutidas pelos delegados de ambas as igrejas conhecendo uma var'e:' 'O:::
antes do estabelecimento da comunhão, e nós podemos, sem dÚvida, admi- tra da Escritura, enret: ....
tir aqui que um acordo a respeito delas roi alcançado." sugestões de teologies :::: _-_
28 - A resposta do Sinodo de Missouri, referente a este ponto, 31 - O relato:? "'_=-
diz: "Como deve-se entender a declaração quando afirma que outras ques- sas igrejas sobre as
tões de prática ou interpretações da Escritura 'não especificadas nas terpretação bíblica, 1,0:":::
confissões' poderiam permanecer como temas de conversações sucessi- nhararn que todo c c :-:e, : :
vas sem serem dissentâneas com a comunhão? Pretende este fraseado I'8nos, incluindo as
sugerir que as confissões, de algum modo, determinem o que está ou da natureza e inte"vete:~.: ::
não está incluido na base para a comunhão, ou que qualquer ponto dou- válido hoje, porque s s : : ::::
trinário não explicitamente abordado nas confissões seja uma questão riel exposição da Se;:":::::: ::::
aberta? Se for assim, nós da Igreja Luterana - Sinodo de Missouri te- tes das outras igreje,,: s-:: _:.-:::
ríamos um sério problema com esta interpretação da base para a co- o evangelho de Jesus:
munhão. No nosso entendimento, a nosse: base confessional é tão abran" nals luteranos, tencs-::- :: :-"
gente como as próprias Escrituras. Nad8 nas Sagradas Escrituras pode sei' a manter a poss ib ~:e::?
declarado uma questão aberta, quer conste ou não nas Confissões Lu- se ocupam direta:'-,:":,: ::-
tel'8nas, a menos que as próprias Escrituras assim o considerem. Qual- tos de posições GC-:??:
quer prática que contesta a autoridade das Sagradas Escrituras, presta, natureza e Interp;-e-s:,,: :::.
desse modo, um desserviço ao evangelho, às Escrituras e à subscrição forças para aica-ce-
das Confissões Luteranas, uma prática desse gênero teria, pois, sérias dar uma crescente :::e-::~::
implicações para a comunhão.» taçâo do sentido
70
c :~es. que não es-
29 - Isto rica bem claro no recentemente completado parecer re-
c :::i1iungarem reci-
ferente à Consulta sobre a Função da Dout(Ina e Teologia à Luz da Uni-
e ::: com base num
dade da Igreja, trabalho este realizado durante os Ciltimos cinco anos,
sob os auspícios da Divisão de Estudos Teológicos do Concilio Lutera-
no nos Estados Unidos. Esse pal'ecer akma: "Os rep(esentantes da LCA
= ~30S batizados a
e ALC tomaram 'evangeiho num sentido r'estrito para identificar a men-
Jom sua própria
sagem OLi promessa. do pet'dão dos pecados por amor ele Jesus Cris-
to. Os representantes da LCMS concordam com esta interpretação de
,~ Ceia somente
'evangelho', mas eles asseveram que não é possível considerá-Io isola-
_~grejas somente
damente. Para estabelecer comunhão, é, pois, necessário estabelecer
acordo na doutrina em todos os seLls artigos (FC, SD, X, 31).»
:: ~ 'ta Comunhão»,
Casa Publi- Convém igualmente notar que o documento "Práticas de Comunhão»
da A,LC - LCA, (ainda em discussão nestas duas igrejas) advoga a ad-
oe 10 autor, diz: missão à Ceia do Senhor «daqueles que são batizados", e afirma que:
3 daquilo
que a "Sempre que ror celebrada a Santa Ceia, ela deveria ser rranqueada a
2:
;Cuma base su- todos os comungantes presentes."
:: da mesma ma- 30 - ° supramencionado relato da FODT arirma: "Estas aproxima-
ca Sagrada Escri- ções divergentes da metodologia da interpretação bíblica, resultaram em
_~ 'é e vida'? Está conclusões amplamente divergentes sobre a legitimidade em conrirmal- a
'. = entre homem e existência de discrepâncias, contradições, noções errôneas ou teologias
- =~,:cia' inclui ape- divergentes dentro das Escrituras." Mais ainda: "A ALC e a LCA estão
:,03 da mesma
é. dispostas a ralar sobre Lima série mais ampla de divergências dentro
::scrituras' incluem da Bíblia, incluindo a possibilidade de expressões e teologias direrentes
:: o3nsinamentos da e de contmelições apmentes. A unidade ela EscritUl-a, argumentam eles,
Questões como inclui esta diversidade e tem um caráter mosaico. A LCIViS, mesmo re-
3'Tlbas as igrejas conhecendo uma variedade de imagens, concepções e importâncias den-
~elll dúvida. admi- tro da Escritura, enratizou uma unidade orgânica que torna inaceitáveis
sugestões de teologias bíblicas divergentes e de contradições aparentes."
- '"'~e
u:
a este ponto,
='ue outras ques-
31 - ° relato da FODT diz: "Surgiram diferenças dentro de nos-
sas igrejas sobre as implicações da subsuiÇão confessional para a in-
"': pecifjcadas nas
terp!'etação bíblica, nos nossos dias Os representantes da LCMS subli-
;c"sações sucessi-
nharam que todo o conteúdo doutrinário dos escritos confessionais lute-
~- : e este fraseado
renos, incluindo as implicações de declarações conressionais que tratam
o que está ou
ela natureza e interpretação da Sagrada Escritura, é aceito e permanece
- , 3:uer ponto dou-
válido hoje, porque é extraído da palavra de Deus, ou seja, por ser uma
'"',s uma questão
: :: de tv1issouri te- fiel exposição da Sagrada Escritura, De outra parte, alguns representan-
tes das outras igrejas, enquanto conrirmam seu inalterado compromisso com
-ase para a co-
o evangelho de Jesus Cristo como testemunhados nos escritos conressio-
o o : -a! é tão abran-
nais luteranos, tenderam a enratiza:' o caráter histórico desses esuitos e
::::'ituras pode se!-
a manter a possibilidade de discordar de posições conressionais que não
oS Conrissões Lu-
se ocupam diretamente com o próprio evangelho, tais como alguns aspec-
:: -siderem. Qual-
tos de posições confessionais sobre a queda do homem em pecado e a
::scrituras, presta,
natureza e interpretação da Sagrada Escritura. Em seus continuados es-
.: e à subscrição
forços para alc~mçar um consenso teológico, nossas igrejas precisarão
3 pois, sérias
'Ó"
dar uma crescente atenção às implicações de tais direrenças na interpre-
tação do sentido da subscrição confessional."

71
32 - A resolução de Savannah, em 1934, diz: "Visto que nossas CTCR deste
igrejas luteranas, ora separadas, todas subscrevem estas mesmas confis- e a ResolLiçã:. ::-:::
sões, é nossa crença sincera que já possuímos uma base firme sobre a repudiavam o ::C:':'~-~-'.
qual nos possamos unir em uma Igreja Luterana na América, e não existe 36 - \íeJa2~ A.:2·~ =-=

nenhuma razão doutrinária por que uma tal união não deveria efetuar-se" nado critica a ccc~·,_,- '.: c ~ ~
Citado em Vajta, op. cito na nota 26, pág. 34. paciente e abenc02c::,:, ::
Numa tendência semelhante, o A.rtigo II da Constituição da Igreja a Igreja Luterana .L~",· :ê- ê -:
Luterana na América afirma que a LCA "reconhece como um com eia na do Sínodo prossegc.."
so Sínodo é a deres2 0:0- _ -'"
fé e doutrina todas as igrejas que igualmente aceitam os ensinamentos des-
tes simbolos". Declarações oficiais da ALC e de seus funcionários refle- O que Deus orde~c,. c
tem uma orientação semelhante (d., por exemplo, a Resolução da A.LC, tão que fizessem 2 õ:':."
de 1964 ou as declarações do falecido Presidente Kent Knutson, em se- sas contrárias a dOe.:' - c
tembro de 1971, publicado no The Lutheran Standard). Sínodo, temos o cor-:: : _.-
A posição defendida pelo Dr. John H. Tietjen no seu trabalho Qual o Defesa conjunta si9:':' ê
Caminho para a Unidade Luterana? (St. Louis: Casa Publicadora Concór- nhão com outras igre.2õ :_
dia, 1966), é, basicamente, a mesma. Ele escreve: "Qual deveria ser a pendente no estabeie:. ~",--:
base para unir os luteranos da Amél-!ca? Eu suponho que deveria ser o eluais. deve ser co"s:::cÕ :. c
consenso em reconhecer as Sagradas Escrituras como a norma e padrão promisso que cada u~ :' õ: _-
do ensino e em considerar as Confissões Luteranas como a exposição cor- bra de confiança, a c~ 2
I'eta das Escrituras - só isso e nada mais (pág. 151).» ração ou à ruptura.
33 - Veja, por exemplo, o relato da FODT citado na nota 31. Neste princípio ccõ
34 - Veja, por exemplo, ° conhecido ensaio do Dr. Ernst Kaese- determinado o direito ccõ
mann, publicado em 1951: "O Cânone do Novo Testamento e a Unidade dentemente, se baseie -2 .<'"
da Igreja», em Ensaios sobre Temas do Novo Testamento (Londres: SCM ação pode ser empree'-::: :'
Editora, 1969), pág. 95-107. De modo análogo, o teólogo Católico Roma- zesse vistas grossas a:. ':,::
violentando a deCisão e ~,
no John Charlot argumenta que a desunião teológica e histórica do No-
vo Testamento oferece um ponto de partida para desenvolver um novo terior (oração, pCilpito c. :'::
modelo para relações cristãs na atual idade; veja o seu trabalho: Desu- pírito de Comunhão"
nião do Novo Testamento (New Vork: E. P. Dutton, 1970). 37 - Veja, espe::,
35 - Isto se tornou evidente nas discussões da FODT realizadas 97 -98), a Resolução 2-: "
durante os últimos cinco anos. O parecer diz: "Tanto a ALC como a 3-18 de 1969 (Atas, pc ~
LCA são o resultado de fusões de diferentes elementos dentro do lute- 132-133). Estas reSOiUCCêcô
ranismo, ao passo que o Sinodo de Missouri tem uma história teoló- Convenção de 1973.
gica e institucional mais homogênea. O resultado é que a ALC e a LCA 38 - O falecic:c ::
têm, como igrejas, um caráter mais diverso, considerando essa diver- msa e convincente cor:':,
sidade uma importante vantagem em sua interpretação e proclamação do mento da comunhão. Es
evangelho de Jesus Cristo" Veja também as notas 29, 30 e 31. sinoelo, o amor frate- ê
Nesta altura, convém lembl-ar que o documento «.Abertura e Con- 'fracos' - quem quer : _~
fiança", elaborado por alguns membros da LCMS, em princípios de 1970, das, mas que a boa c:. cÕ
argumentava que certas diferenças na doutrina não deveriam causar di- não pode servir devjds-"'-:ê
visão da comunhão cristã, nem servir de base para excluir pessoas do que é «impossível se:::s-s
rol de membros do Sínodo. O documento defendia, de forma específica, entre corporações de
urna maior amplitude nas seguintes áreas: a maneira da criação do uni- Seletiva", A Revista Teçç~; ..
verso por Deus; a autoria e forma literária de alguns livros da Bíblia; 39 - Sepa:'acã:
a definição da presença de Cristo na Ceia do Senhor; a obrigação mo- sel'ia o resultado :::'2::: -
ral dos cristãos na ação individual ou coletiva; a questão do erro real recentes pelo Diste:: ~ --
na Bíblia; e o papel e autoridade do clero na igreja. Veja a avaliação da veja a Proposta 3-' -:
o:: ,ue nossas CTCR deste documento no Temário da Convenção de 1971, pág. 37-39,
--:05--;as confis- e a Resolução 2-50 da convenção sinodal de 1971 (Atas, 128-129), que
7:e sobre a iepudiavam o documento.
s não existe 36 - Veja as Atas de 1947, pág. 497-499 e 519-520. A ação do Si-
" eretuar-se." nado critica a comunhão seletiva, porque ela entravará "o esforço sério,
pEleiente e abençoado do Sinodo, no sentido de estabelecer a comunhão com
_ :ão da Igreja a Igreja Luterana Americana na base de acordo doutrinário». A resolução
com eia na do Sinodo prosseguia: "Não se deve esquecer que o propósito do nos-
'","',entos des- so Sínodo é a defesa conjunta contra o cisma e o sectarismo, Rm 16.17.
cnários I'efle- O que Deus ordenou a cada pastor, a cada congregação e a cada cris-
-~<
- >:ao- d a ALC , tão que fizessem, a saber, evitar aqueles que causam divisões e oren-
-":30n, em se- sas contrárias a doutrina que temos aprendido, nós, como membros do
Sinodo, temos o compromisso de fazê-Io em conjunto ou coletivamente.
:'=:3Iho Qual o Defesa conjunta significa e exige ação conjunta ao estabelecer comu-
-~:::'ora Concór- nhão com outras igrejas ou com suas partes componentes. Ação inde-
jeveria ser a pendente no estabelecimento de cOIT1Unhão da parte de membros indivi-
. " :!everia ser o duais, deve ser considerada como ofensa contra a fidelidade ao com-
'c "-na e padrão promisso que cada um assumiu como membro da corporação, uma que-
= ~>(oosição cor- bra de confiança, a qual, persistindo-se nela, certamente levaria à sepa-
ração ou à ruptura.
_,ota 31. Neste princípio de que todo membro do Sínodo tem previamente
Ernst Kaese- determinado o direito de estabelecer comunhão com outra igreja, indepen-
e a Unidade dentemente, se baseia na repetida advertência do Sinoelo .. que nenhuma
._ondres: SCM ação pode ser empreendida por qualquer pastor ou congregação que fi-
:atól ico Roma- zesse vistas grossas ao fato de que não estivéssemos ainda unidos, ..
- s:órica do No- violentando a decisão e estabelecendo qualquer forma de comunhão ex-
s '.'er um novo terior (oração, púlpito ou altar). pesaria contra a lei do amor e o es-
:'3balho: Desu- pírito de Comunhão.»
37 - Veja, especialmente, a Resolução 2-16 de 1965 (Atas, pág.
=-: DT rea Iizadas 97-98), a Resolução 2-18 e 2-19 de 1967 (Atas, pág. 92-93); a Resolução
.4LC como a 3-18 de 1969 (Atas, pág 101); e a Resolução 3-11 de 1971 (Atas, pág .
, : entro do lute- 132-133) Estas resoluções foram reimpressas na pág, 44 do Temário da
,istória teoló- Convenção de 1973.
" "',LC e a LCA 38 - O falecido DI'. Hermann Sasse argumentava de forma vigo-
c ,- c c essa diver- rosa e convincente contra o excessivo congregacionalismo no estabeleci-
c_ 'oclamação do mento da comunhão. Ele observava: «Se uma congregação se uniu a um
:: e 31. sínodo, o amor fraternal exige que não somente as consciências dos
-::ertUi'a e Con- 'fracos' - quem quer que possam ser estes - deveriam ser respeita-
" 's'pios de 1970, das, mas que a boa ordem deveria ser mantida, pois sem ela o sinodo
- ~. s "n causar di- não pode servir devidamente a congregação local.» Ele ressaltou tambéfl'l
c : _: pessoas do que é «impossível separar a comunhão entre igrejas locais da comunhão
- ': -'11a específica, entre corporações de igrejas às quais elas pertencem». Em "Comunhão
_:.c "ação do uni- Seletiva», A Revista Teológica Australiana, XXVIII (Set., 1957), 51-52.
-os da Bíblia; 39 - Separação da comunhão de altar da comunhão de púlpito
ccbrigação mo- seria o resultado prático de várias propostas submetidas a convenções
õ - do erro real recentes pelo Distrito Sudeste, pelo Distrito Flórida-Geóriga e outros;
- , ~ avaliação da veja a Proposta 3-173 (Temário de 1977, pág. 118-119), Proposta 2-147
(Temário de 1973, pág, 90), Proposta 3-225 (Temário de 1975, pág. 128), 43 - ..::.-:
Proposta 3-182A (Temário de 1977, pág. 120-121) e Proposta 3-245 (Te- e errado ern y::_==-
má rio de 1971, pág. 184). admissão a CSê =

Wemer Elert, Comunhão Eclesiástica e Eucarística nos Primeiros Qua- os rnernbros cs -=:::~ .; _- - "7_

tro Séculos, traduzido por Norman Nagel (St. Louis: Casa Publicadora (epíesentantes ,:::2,:: ~ ~
Concórdia, 1966), propol'ciona uma demonstração convincente de que co- Em situ2Cõ::o:õ ê': ê : :
munhão de altar era comunhão eclesiástica na igreja primitiva. seriamente aces':: ê,-
40 - Muitos protestantes respondem à pergunta afirmativamente, caso particular· 2-,- :::_.:::
enquanto os católicos romanos tendem a reafirmar sua tradicional res- sado. Ficou estabe:::~ _.- -
posta negativa. Nos circulas luteranos, o problema foi abordado num ar- um luterano nas
tigo escrito em 1963 pelo Dr. John H. Tietjen, entitulado "Comunhão San- adrnissElo à Ceia
ta: Fim ou Meios para a Unidade Eclesiástica», em Liturgia e Renovação Estabeleceu-s8
(Univel'sidade de Vai paraíso, 1968), pág. 34-41. Tietjen argumenta contra tais hOíllens e illU!f-,2:-==:' -": - -
acordos de intercomunhão, porque» devemos deixar que o escândalo de sidade de arrepend::~'2'
aitares di'/ididos permaneça a fim ele nos estimular a alcançar o consenso» a doutrina da Rea! pces 'ê - ::

Ele obsei"/8, porém. que "Este pal'ecer não exige uma prática rigorosa professa.ndo a ace:tc»~~
de comunhão fechada. É possível dar a Santa Ceia a não !uteranos nos 44 - A Reso'c1::':: __ -.
altares !uteranos», pág, 40. tosalllente com a inc .. c C:

41 - Este aspecto da posição do Sínodo de Wisconsin, conforme de- Ceia dos capelães /'0::_:
clarado em 1960, diz o seguinte: "Podemos classificar estas expressões 45 - Um doc~;;-~s'-'
de fé conjunta de vé.rias maneiras, segundo a esfera particular de atividade Seis Pontos de 1946
n2 qual elas ocon'em; por exemplo, comunhão de altar, comunhão de púl- Illunhão abençoada n§: 'ê

pito, comunhão de oração, comunhão de cultos, comunhão no trabalho da doctdna e prática es~sc .:.
igreja, em missões, em educação cristã, em caridade cl'istã. Agora, na está em comunhão cc- - c

medida em que elas são expl'essões de fé conjuntas, elas todas são uma adere a doutrinas nso se:'
e a mesma coisa, e são todas devidamente incluídas numa denominação que se omjte a teste:-'- _ -
comum, EI sabei', comunhão eclesiástica. Por essa razão, a comunhão ecle- Rm 16.17. A mesma -e;--=
siástica deveria ser conSiderada como um conceito de unidade, abrangendo mas que insistem are
toda expressão, manifestação e demonstração conjunta de uma fé comum. Citado em Meuser, aç;. c" -.
Portanto, a Escritura pode dar a admoestação geral 'evita-os' quando a 46 - Veja esce: e
comunhão eclesiástica é para chegar a um fim, Rm 16.17. Portanto, a Es- segunda Resolução os = =

critura vê uma demonstração de comunhão eclesiástica também quando se 47 -- «A Igreja ': ~ =


estende a destra da comunhão, G! 2,9, e quando existe a saudação mútua 48 - Duas dec: =' = ~,

com o óscuio fraternal, Rm 16,16. Por outro lado, ela mostra que uma re- F. E. Mayer (oj:!. cito -:::
cusa de comunhão eclesiástica pode ser indicada igualmente quando não essa razão, eu gostar =
se dá as boas-vindas aos que estão em erro e quando se não Ihes deseja se separassem de 'r-"
feliz viagem, 11 João 10.11. Cf. 111 João 5-8.» Citado de Quatro Declarações se tornasse meu in:r7"',;:::
sobre Comunhão, apresentado pelos sínodos componentes da Conferência palavra pura e se U'OS2 =:
Sinodal para estudo e discussão, novembro de 1960, pág. 9. para mim cio que nu~e-: ê s
42 - Veja, por exemplo, o Artigo VI da Constituição da LCMS, a ist mir groesser a s / ~ .. _
qual afirma que uma condição para adquirir e conservar filiação no Sinodo "Não, meu ca(~ - ~: :_
é "a renúncia de unionismo e sincretismo de qualquer tipo». O Brief State- a palavra de Deus·
meí1t afirma igualmente: «Repudiamos o unionismo, isso é, comunhão ecle- perdidas. Aqui não c: =~- : s
siástica com as aderências de doutrina falsa, como desobediênCia aos man- mente e apenas re--:",',
damentos de Deus, como causando divisões na igreja (Rm 16.17: I! João cristã foram dadas ::::
9,10), e como envolvendo o constante perigo de perder a palavra de Deus Onele isto foi obte:
inteiramente (11 Tm 2.17-21).» há unidade espií'iLs

74
pág. 128), 43- As palavras chaves no seu acordo (como esboçado em 1951
3-245 (Te- ~ citado em Meuser, op. ciL, pág. 62) são as seguintes: "Nos assuntos de
adrnissão à Ceia do Senhor. o procedir-nento nOiTrls! deve ser esse: que
:" =,imeiros Qua- os membros de cada grupo assjstan-i o culto de Santa Ceia dirigido pelos
. ,= Pub!icadora ;'epresentantes desse grupo particular
'Õ' je que co- Em situações excepcionais. onde um membro de um grupo procura
seriamente acesso à Ceia do Senhor dirigido por do outro grupo, o
~, -~,ativamente, caso particular em cada situação será considerado peio pastor interes-
'2c ::Lcional res- sado. Ficou estabelecido que em tais casos a filiação sinodal particular de
':: _300 num ar- um luterano nas forças armadas, não será uma condição exigida para a
~>"unhão San- a0!11issão à Ce~a do Senhor.
;: e Renovação Estabe!eceu-se que um capelão ou pastor pode dar a Santa Ceia a
')_"lenta contra tais homens e mulheres nas forças armadas que estão cônscios da neces-
- : escândalo de sidade de arrependimento e que possuem a parte essencial da fé, incluindo
~- ,) consenso)}. a dout:'ina da Real Presença e da Ceia do Senhor como um Meio da Graça,
~.~ca rigorosa professando a aceitação disso.»
Jteranos nos 44 - A Resolução 2-07 A (Atas de 1975, pág. 88-89) foi corrigida exi-
Losamente com a inclusão das palavras «e aplicando as normas da Santa
conforme de- Ceia dos capelães institucionais e militares lutel'3nos" na quarta Resolução.
~:' 3s expressões LJ5 - Um documento do Sinodo de Missouri de 1946 entitulado "Os
2c.' de atividade Seis Pontos de 1946" expressava esta atitude sinodal assim: "Uma co-
: : - _,hão de púl- munhão abençoada não é viável quando se trata de uma igreja cuja publica
'o trabalho da doctrína e prática estão em consonância com a palavra de Deus, mas que
Agora, na está em cOlllunhão com uma organização eclesiástica que persistentemente
:Jc1aS são uma adere a doutrinas não escriturísticas e tolera pt"áticas não escriturísticas e
"a denominação que se omite a testernunhar contra tais erros. i'v1t 10.32 sS.; Jo 8.31 ss.;
,)Jmunhão ecle- Rm 16.17 .. A llleSllla regra se aplica às congregações que são ortodoxas.
'::8 abrangendo mas que insistem em manter comunhão com uma igreja não ortodoxa.»
c,a fé comum. Citado em i'v1euser, ep. cito na nota 2, pág. 38.
,-os' quando a 46 - Veja especialmente a primeira Resolução e o ponto dois da
=xtanto, a Es- segunda Resolução da Delibei'ação 3-02A (Atas de 1977, pág. 125-126)
cem quando se 47 - "A Igreja sob as Escrituras», op. cito na nota 2, pág. 38
saudação mútua 48 - Duas declarações do DI'. Martinho Lutera, citadas pelo Prof
°:-3 que uma re- F. E. Mayer (op. cito na nota 4, pág. 640-641), são oportunas aqui: "Por
.. =-:e quando não essa razão, eu gostaria muito mais que os desviados e o mundo inteiro
,~ -so Ihes deseja se separassem de mim do que eu me separaria de Cristo. assim que ele
.::~2!rO Declarações se tornasse meu inimigo. Isto seria o caso se eu me separasse de sua
~: JS Conferência palavra pura e seguisse sonhos vãos. Este um Cristo tem mais importância
para mim do que inumeráveis unidades no amor. (Der eine (unus) Christus
:SJ da LCMS, a ist mir gi"Oesser ais unzaelig vie! Einheiten in der Liebe. St. Louis, iX: 727.)
ação no Sinodo "Não, meu caro. não quero paz e unidade em troca do que se perde
O Brief State- a palavra de Deus; pois então a vida eterna e todas as coisas estariam
comunhão ecle- perdidas. Aqui não podemos transigir nem no último ponto. Podemos so-
: - Õ':: é',cia aos man- mente e apenas render-nos à palavra de Deus. A Palavra e a doutrina
= '1617; 11 Joâo cristã foram dadas para que pudesse se realizar a unidade e a comunhão.
: a avra de Deus Onde Isto foi obtido, tudo o mais sucederá em perfeita ordem; onde não
há unidade espiritual, ali também não existe unidade de qualquer espécie

75
Por favor, não me fa!e de amor e comunhão, que destruirá (periclitatur) a
palavra de Deus e a fé, Pois não podemos continuar nos preocupando com DISPOSl~
o amor, mas com a palavra de Deus, que traz a vida eterna, a graça de
Deus e todos os tesouros celestiais, (Mir nicht des Friedens und der
Einigkeit, darueber man Gottes Ward verliert, denn damit waere schon das
ewige Leben und alies verloren, IX: 831,)
49 - O Dr, C, F, vValther certa vez observou: ,,~~ão pertencemos
àqueles que acreditam que o seu conhecimento (Erkenntnis) não exigem
desenvolvimento ou correção (Berichtigung», em Der Lutheraner, XIII, 1,
50 - O Dr, Charles Porterfieid Krauth, distinto contemporâneo de
Walther, colocou isto muito bem: "Separação verdadeira é muitíssimo me-
lhor do que união desonesta, e duas igrejas são mais felizes e mais amá-
veis em suas relações mútuas quando suas diferenças são confessadas com
franqueza cio que quando são encobertas com frases ambíguas e de duplo
sentido as reais divergências», em A Reforma Conservativa (Filadélfia: 1913:
pela primeil-a vez publicado em 1871), pág, 326,

--:0:--

76
tatu r) a
.:-~.-=.
>"=:ca
com
de
DISPOSICÕES
• PARA SERMÕES
'--0 der
c -~~.n das
Domingo Septua.gesima - 1Ht 5.1-12
" ó:e'"1cemos
~J exigem Este evangelho é dirigido aos que
são filhos de Deus, e mostra como eles
·,<'~er. XIII. 1. viven1.
-=:=,.-âneo de
. 331'110 me- Quereis ser aihençoados?
ó --,ais amá-
I. Com certeza nós queremos.
":-=33das com 1. As bênçãos que nós desejamos
. : c " de duplo são: a excitação das riquezas, satisfa-
"r·
C:ST!a: 1913 ; ção, o poder, a auto-gratificação, su-
perioridade, obter o que desejamos, usar
as pessoas. a popularidade (tudo oposto
ao que é abrangido pelas bem-aventu-
ranças).
2. São estas cousas, porém, real-
mente bênçãos? Tais «bênçãos» nos
destroem a nós e a nossa ,sociedade.
rI. Deus nos deve abençoar.
1. Sua bênção é apenas uma: Jesus,
que nos é dado da parte de Deus, por
graça somente. Olha o evangelho.
2. Esta. bênção é l'ealmente bênção.
a. -- Preenche as nossas necessida-
des:
- Torna-nos pobres em espírito e nos
enriquece segundo o critério de Deus,
que torna a vida realmente plena.
Fa.z-nos chorar, ansiando que
Deus endireite a situação de nossa vi-
da, dando-nos o conforto de ver como
Deus age em nossa vida e no mundo.
-"- Torna-nos mansos (não fracos).
confiando corajosamente em Deus e na
sua vontade em favor de nós, e nos
dá a terra e uma vida abundante .
.- Torna-nos famintos e sedentos
pela justiça e nos dá a satisfação do
perdão e o poder do amor.
b. -- Promete glória.
-- Torna-nos misericordiosos, como
é nosso Senhor. e promete misericórdia
no dia do julgamento. Nada precisa-
mos temer. Também não nos precisa-
mos sentir superiores. Nem tememos a
própria morte.
- Torna-nos puros de coração, hu-
mildes em nossa devoção a Deus, e
promete que veremos a Deus na res-
surreição, o que nós realmente dese-
jamos.

77
.-'- Tarna-nas pacificajores, apren- Veja quão valiasa Deus a fez. Veja 2. Ele n:-;~
dendo. da Príncipe da Paz, e pramete o que ele fez a Paulo.. 2 Ca 11.19-12.9. diência já
que seremas filhos de DEUS. Cama a TI. Seja valiasa. não está ex~:~ ~
Filha de Deus nós não. queremas usar 1. Não. frustre a Espirita de Deus, severo. Efeti'.-?:'--.o:-.
~ =

as pessaas. recusando. ser sal au escandenda a sua para cumprir ;, :-":..."


- Faz que sejamas perseguidas e luz. Se fizermas isto.. nós nas destrui- 8jTI nós Ele d.s.
pl'amete a paz da apravaçãa de Deus, ren1as. a. ~ Não 3pe:-:;::::: -:-'
Se queremas ser abençaadas, deve- nlas viver en1 l·eC'c:':--~,:.:::_..::.
_.=.
2. Deus fez de você sal. Seja. pais
mas desejar as bênçãas que Deus nas sal. Torne de ,,-bam gasta» a vida de b. - Não. apel:;'S c'.',,,_
quer dar em Crista Jesus. n1as viver como -'-,:','.0:.
ta das cam as quais você tem canta ta.
amanda-as cama Deus os amau. Pre- raçàa.
Donúngo Sexagesima - 'lU 5.13-16 serve a mundo de «se estragar;" total- c. Não ape:·.'c.s c
mente. sendo a cansciência deste mundo, ta falsa. mas que :,:."
o evangelho. nas interpela a que re- 3. Deus fez de você luz. Brilhe. pais.
a vida sejam nJ1'? ..-'
flitamos a graça de Deus em nós, isto. bilidade para cam De'
é, a que sejamas a que ele nas tarnau,
Através de sua boca espante a igna- Não desespel'es s"" :_"-
a praduzirn10s frutas: «vós sais a luz rãncia e a pecado ao. seu redor. Brilhe cer, nem pretenda:" faz~·,
do mundo. .,. assim brilhe a vassa luz> na Caminha, que é Cristo. para quc au- ma. Abre o teu CO-8.'~f-..
tros possam aeampanhá-Ia também no de Deus em Cristo ,-'~:
,<Quanto vacê vale ?) caminho para a vida.
--. ,;Mais au menas 50 mib, Isto é moclificar sua vida. --;-~~e.
Seja valioso, sendo justamente aqui- pm·a. obedecer.
tuda? O seu vaiar é de apenas alguns lo qUe Deus quel' de voeê. em ta da o
cruzeiras par tada a seu trabalha e por lngal' onde vacê estiver. Domingo Invocavit - :Yíl ~
ta:la a agania de viver?
-'. ,(Eu sau apenas uma dana de ca- Domingo Quinquagesima - JHt 5.17-:32 A melhar maneil'a (c ':-__
sa Não. valha muita Uma empregada. do de quaresma é COTo: : :-.-
Um pauca mais». Este evangelho. de Jesus, que nas .Jesus. Ele fai tatalme,,:o C'"c
- «Sau ainda uma criança. Talvez tl'az a graça e cumpriu par nós a lei tentado cama nós. On::'" .'-.",
um dia eu valha alguma causa. mas aga- e as prafetas. nos eanelama a uma abe- fracassaram" ele foi "'iêe-::
l'a sau samente um, traste,,'. diência total. abediência à palavra de :::c
.,- «Nada. Eu estau muito velha. Sou apenas cumpriu o qc:e
apenas um fardo para todos. Está na Cmnprinrlo a Lei sabediente deixau de I2.2=_
hara de marrer:·,. sua obediência ele p,"':l::.
I. As acusações da lei. desobediente. Para nós L'~'_,
Quanto é que você vale? Por que você não. obedece a Deus? algo tatalmente difeT",:-:c
Duas respastas passiveis: Cristo.
I. Pela graça de Deus. vacê é 1. Eu abedeço. Isto não é verdade.
valias a, Aquele que diz isso, engana-se a si mes- Elf' é totalmente outro
1. Aas alhas das hamens. não te- mo. O que ele está querendo dizer é
remos muita vaIar. nem tampauca di- que ele está tentando. ou ao menos fa- Ele foi tentada a se"
ante de nassas próprias alhas. zendo o melhar que puder, au fazendo do que foi. a ser alg'c- ::
2. ]l,i[as Deus nas tarnou valiasas. a mesma causa que autros. au melhar obediente e amado de :::c_
a. - O sacrifício. de Jesus nas tar- que alguns. Mas ele não está obedecen- 1. Fazer pão em ''-02
nau valiasas--· e nas mastra a que do. a Deus. crifíeio.
samas. O pader da Espírita de Deus 2. Eu não posso. Isto. leva ou ao. Moço, par quanto
na pregação. da evangelho. faz eam que desespero e medo., ou então., que se en- ainja cantinuar nesta _
alcancemas riea messe. Lc 8.4-15; Is trega ao pecado. deixando. que a pecado de Deus? Se eu fasse .:: '-
55.10-13. domine tada a sua vida. varia muito longe. Y:<", __
b. - Ele nas tarna sal; nós vive- Ir. O cumprimenta da lei. vida. Além disso.. você S'._
mas uma vi:1a de «bam gasta» para 1. Jesus a cumpre. Ele não. veio vo é de opinião que te:':
tadas as que nas canhecem. Além dis- pal'a nas condenar ao inferno, Ja 3.17. filha de Deus deve ,.,0' ~,: ~
so., senda 'sal, temas a tarefa de pre- Também não veio para abalir a lei. bêm filhas de Deus. :0:-. o
servar a mundo. da destruição. tatal, permitindo-nas fazer o que bem enten- Mas vacê e eu saberr:'J- -,
c. - Ele nas tarna luz: nós aca- demos. desculpando a nassa pecado. Ele existem muitos que ,,2..
bamas eam as trevas da perversidade expia a nossa pecado. sob a lei, Rm J\1:as se vacê insi5:,o
em qUe as hamens trapeçam. se ferem 8.3,4. Pela pader do seu amar par nós. que tal apresentar
e são. feridas. Nós levamas a seguran- ele nos madifica interiarmente e nos prava de que você
ça e a paz quando refletimos a luz na capacita a obedecer a Deus de tado de Deus? Que tal
«caminha:.' o eoração, 1 Ca 18 .1-13. pedras em pão.. Por' 'T'e

78
\_Teja 2. Ele nos chama para uma obe- Unto como você precisa passal' fome,'
: Ci_J 2.9. diência já totalmente cumprida. Ele Você merece sem dúvida nenhuma. al-
não está exigindo um moralismo mais go melhor.
I)eus, severo. Efetivamente ele no,s chama O homem não vive apenas de pão,
a sua para cumprir a nova vida qne ele criou mas da palavra que vem da boca de
,ê2tnti- em nós. Ele dá o exemplo: Deus. Minha comida é fazer a vontade
a. -- Não apenas evitar o matar. daquele que me enviou. Eu passo fo-
- 0- ':. pois mas viver em reconciliação. me. agora, porque assumi o corpo da
'::da de b. Não apenas evitar o adultério. raça que procura afirrnar-se pelo co-
_Jntato. mas viver conlO (;Ull1a carne" no co- mer. mas quando este corpo for par-
Pre- raçã.o. t\do, será pão para alirnentar multidões.
total- c. - Não apenas evitar o juramen- Z. De ser espetáculo, em vez de ser
mundo. to falso. mas que todo o falar e toda rnensageln,
____ .2. pois.
a vida sejam uma vida de responsa- Filho, não é nada fácil você hoje
])ilidade para com Deus. convencer alguém a aceitar que você foi
-- :.~,igno- Não desespel'es se não podes obede- realmente enviado por Deus. O mundo
Brilhe
·:-:ue ou-
cer. nem pretendas fazê-lo por ti mes- ê hoje tão perverso, e será que alguém
ném no mo. Abre o teu coração para o amor vai conseguir mudar isto? Segundo mi-
de Deus em Cristo Jesus e para ele nha opinião em nada adianta você se
modificar sua vida. Então terás poder ligar a esta's pessoas perversas, Você
.:=-_:e aqui- paneL obedecer. apenas piora ainda mais a situação.
,:ado o Se eu fosse você, faria a.lgo sensa-
Domingo Invoeavit - ITlt 4.1-11 cional aqui e agora no centro da ci-
da:1e. algo que realmente meche com a
_ \H- ;).17-32
A melhor maneira de inicial' o perío- gente. Você sabe que eles perguntam
do de quaresma é com o ministério de por sinal da presença de Deus. Por que
nos Jesus. Ele foi totalmente diferente. Foi não saltar deste templo e cair ileso?
a lei tentado como nós. Onde Adão e Israel Não seria algo fabuloso para impres-
--'-.aobe- fracassaram. ele foi vitorioso em total sionar as pessoas? Você sabe que a Bí-
obediência à palavra de Deus. Ele não blia garante a proteção dos anjos de
apenas cumpriu o que cada filho de- Deus. E você acredita na Bíblia, não é?
sobediente deixou de fazer, mas pela As Escrituras também dizem que
sua obediência ele perdoa cada filho não devemos tentar o Senhor nosso
desobediente. Para nós Deus agora tem Deus. Esta geraçào quer um sinal, mas
Dens? algo totalmente diferente em Jesus não haverá outro sinal a nào ser o do
Cristo. profeta Jonas. Como Jonas esteve três
··~l'dade. dias no ventre do peixe. assim o Filho
,,1 111es- do homem ficará três dias no seio da
Ele fi totalmente outro
dizer é
d =::05 fa- terra. Deus não quer impressionar com
:'azendo Ele foi tentado a ser alguém outro trovão e relâmpago, mas ele tem uma
T:lelhor do que foi, a ser algo mais que Filho mensagem para o mundo na minha mor-
obediente e amado de Deus. te e ressurreição.
'-~d~cen- 1. Fazer pão em vez de trazer sa- 3. De dominar o mundo, em vez de
crifício. salvá-Ia.
ou ao
Moço, por quanto tempo você vai Vamos falar com franqueza. Você
"e en- ain::!a continuar nesta questão de Filho e eu sabemos por que você está aqui.
')ecado de Deus? Se eu fosse você, não o le- Uma profecia antiga fala qUe você es-
varia muito longe. Pode lhe custar a magaria minha cabeça, mas fala tam-
veio vida. Além disso, você sabe qUe o po- bêm sobre algo de eu ferir seu cal-
:3.17. vo é de opinião que todo que quer ser canhar. Não seria melhor fazermos um
filho de Deus deve ver nos outros tam- acordo? Seria melhor para nós ambos,
a lei, bém filhos de Deus. amá-los a todos. se você abandonasse o plano da cruz.
enten-
'.,10. Ele
Mas você e eu sabemos muito bem que sangue, suor. lágrimas e mesmo esta
existem muitos que não Se pode amar. ferida do calcanhar. Você está desti-
Rm nado a algo melhor.
nós.
Mas se você insiste nesta questão,
que tal apresentar perante mim uma Satanás, você está totalmente enga-
-? nos prova de que você é realmente Filho nado. Você é um mentiroso desde to-
"C todo de Deus? Que ti' 1 transformar estas do o sempre e quer agora indicar um
pedras em pão. Por que um homem dis- caminho maís cômodo para a glória?
79
Deus somente deve ser adorado. O me- 2. Ele se apresenta como realmen- p:toCU1'anlO;::
lhor nlOdo de adorar a Deus é servi-lo. te é, mais que esperamos dele. esforço pl'O"::,:s:',:
Quando eu subir ao Pai, não estarei O judaismo queria um Cristo que 1110 a nlulhê~ m~3-=-
só. Estarão comigo todos os remidos. reivindicasse suas leis. Ele, no entan- dessa água p2~:"-E...:_-~~
Então haverá júbilo no céu e na tena. to, veio para cumprir as leis. Seus con- nha sede. nem ~-
Ele é totalmente diferente. temporãneos queriam um Cristo que ('8.-13\'.
respeitasse suas tradições, ele, no en- Estes que se q'.:i< ~:--
Domingo Reminiscere - :\'H ] "1.1-9 tanto, veio para substitui-Ias. Eles que- un1a vez e que pr€C1S2. _
riam uma teologia da glória, ele ofe- prazer que poden.'22. ~~
Os discípulos viram em sua visão receu uma teologia da cruz. soas sedentas. Isto ~
cousas maravilhosas. Demais para uma Ele tomou sobre si os pecados do não é a questão. J es'." =:'.,
vez só. E o que viram parecia não se mundo, nossa idolatria e falta de hu- sidade. mas é ele
enquadrar na realidade. Lá estavam os manismo, e trouxe expiação. Pouco in- gal' venl para
dois heróis do passado. Moisés e Elias, teressa Se foi isto que dele esperamos lição do evangelho. "
que simbolizavam a esperança do povo ou se o merecemos, mas foi o que ele cessidades hurnana8 té.s:'
judeu. (Muitos até aguardavam o re- decidiu fazer. Ele não oculta nada. E tisfaz, como nossa :--.:.e('~~.~~
torno de mIl deles, como o lVlessias seu propósito revelar-se como ele é, o I. De Deus. J es,~
dos últinlOs tempos). Depois Cristo se Filho &cnado do Pai, o qual, por oca- dom de Deus" (v. 10
lhes mostrou em todo o resplendor de sião do batismo confiou-lhe o encargo viva na sua própria pe;:s: =
sua majestade, prefigurando seu lugar de tirar os pecados dos homens, e que é.ncia do amor e do p e·' = ~ .

futUl'o no reino. (Eles não sabiam co- abençoou seu ministério como o do Ser- em nossa vida é nossa :::c-'
mo enquadrar isto). A seguir, de volta vo sofredor. sidade. Aí está a mai~,; =. =

ã realidade do mundo, Jesus anuncia- A redenção e a ressul'l'eição identi- você pode obter.
lhes seu próximo sofrimento e morte. ficam a Cristo. A nenhum outro deves
Sua primeira reação foi um choque e seguir. lI. De adoração. J es'.
um protesto. u]'n lugar, ma.s de ure,:,....
Domingo Oeuli - Jo 4.5-1;"; de UlTI ritual, mas de
Este é o meu Filho amado Não de comemoração. T
O evangelho de João é uma histó- ção. A habilidade de a ~...
1. Ele é mais do que aparenta ser )'ia singular de Cristo, o Filho de Deus espíl'ito e em verdade
ou do que nós queremos que ele seja. e o Salvador do mundo, com muitas lutamente nada a velO
O povo hebreu, condicionado pela alusões sacramentais e escatológicas. O de cultuar em igrejas ,~",
Ü'adição ou pelo nacionalismo. não es- texto do quarto capitulo não forma ex- fora na natureza, ou nD :'-'.:__
perava naja novo, mas UlIla repetição ceção. Do mesmo modo que Cristo é o sos corações. Antes a C(.: e=::'.
do antigo e de seu passado. pão que satisfaz nossa fome tanto na uma. vida espiritual e a '.'=: ':
ceia como no banquete celestial, assim partilhar. se há um e':'.::::-'--
De bom grado teriam recebido um também nosso Senhor, como água da
novo legislador. Nisto não diferem mui- vida, é a resposta para a nossa sede.
to do mundo de hoje. Multidões hoje Os versículos 5 a 15 referem-se espe-
não vêem em Jesus nada nlais que um cialmente à vinda e ao cumprimento da
modelo ou um guia. Há a ilusão dos nova era, quando então
que não chegam nem perto da imagem
que têm dele. Os idealistas encontra- Você pode obter a satisfação total.
ram um herói, os pessimistas um tolo.
Há ainda o Jesus domesticado,des- Certa propaganda de cerveja sugere
gastado pelo costume e pela rotina. que você deve tomar mIl copo de uma
Não há nada de assombro em. sua be- vez, assim é dito, para ter a satisfa-
leza, nada de juizo em suas exigências, ção total de seu sabor. A cerveja po-
nenhuma consagração em seu padrão. de gabar-se de seu sabor, e todos sa-
Tornou-se antiquado. bemos que não pode satisfazer nossa
Quando, porém, percebemos quem sede vital. No entanto, porque nós de-
ele realmente é, ficamos embaraça.dos. sejamos satisfações imediatas na vida
Fala de arrependimento. Realiza obras e porque não desejamos explorar o que
de misericordia. Não evita o sofrimen- é de valor perene na vida, nós nos
to. Nem procura fugir da cruz. Não ocupamos com o superficial : trabalho.
permite que Deus ocupe um lugar pe- riqueza, família, etc. Nossa separação
riférico em sua vida. Nem se importa de Deus é tão grande, nossa busca na
quando as pessoas o tomaram por al- vida tão desorientada que dispomo-nos
guém outro do que pretendia ser. simplesmente a buscar ninharias ou

80
pI'ocuramos a poção mágica que sem bral'. Onde quer que Jesus nos encon-
esforço providencie prazeres. Assim co- tre com sua palavra, estamos aptos a
,~~:o que mo a mulher disse: «Senhor, dá-me responder com nosso culto. Ai está a
.. :.:.entan-
:: ~-:..lS con- dessa água para qUe eu não mais te- maior satisfação que você pode obter.
nha sede. nem precise vir aqui bus- lI!. De fé. João relata que «muitos
.' ,5:0 que cá-Ia". outros creranl por causa da sua pa-
no eil-
Estes que se querem satisfazer de lavnu· (v. 41). Se a água satisfaz a
es que- l1ma vez e que precisanl obter o maiol' sede. então beber é o meio de conse-
-:-le ofe-
prazer que podem conseguir, são pes- gui-io. Igualmente. tomar um gole de
"'.10S do soas sedentas. Isto é importante, mas cerveja pode ser um ato de fé, se lhe
'Je hu- não é a questão. Jesus expÔs a neces- atribuimos um valor. Contudo. isto não
~- _lCO in- si(Jade, ma·s é ele que em primeiro lu- é fé que salva ou satisfaz, visto que
gar vem para satisfazê-Ia. Esta é a a cerveja não pode produzir a fé por
~:::i=;el'anl0S lição do evangelho, e assim existem ne- não ter vida. A fé é criada pelo seu
'=rJe ele cessidades humanas básicas que ele sa- objeto. A falsa fé tenta criar seu pró-
" ~ada. Ê tisfaz. como nossa necessidade:
~lê é, o
prio objeto, estando conseqÜentemente
I De Deus. Jesus falou sobre «o aí a falha. Não é assim com nosso Se-
:>~", oca-
dom de Deus" (v. 10), uma presença nhor que disse: «a água que eu lhe
snca.rgo viva na sua própria pessoa. A experi- der será nele uma fonte a jorrar para
~:'..~. e que ência do amor e do perdão de Deus a vida etel'na~, ('\T. 14). Aí está a maior
~loSer- em nossa vida é nossa primeira neces- satisfação que você pode obter.
identi- sidade. Ai está a maior satisfaçào que O evangelho conclui com as pala-
deves
você pode obter. vras: <<nóssabemos que este é verda-
deiramente o Salvador do mundo». Pois
lI. De adoração. Jesus não fala de aquele que veio uma vez e por todos,
um lugar, mas de uma postura. Não e que não no:, alimentou com cousas
de um ritual, mas de uma resposta. sem valor, mas deu satisfaçào total,
.,3. histó- Não de comemoração, mas de celebra- aquele que no oferecimento de sua vi-
ção. A habilidade de «adorar o Pai em da na cruz supriu-nos com uma água
:ie Deus espírito e em verdade» nào tem abso-
muitas viva, pode agora dizer: «quem beber
lutamente nada a ver com a maneira da água que eu lhe c1er~ nunca terá
·l':·icas. O sede" (v. 14).
~=.-::'Tna ex-
de cultuar em igrejas oU catedrais, ou
- _-~sto é o
fora na natureza, ou no íntimo de nos- Você pode obter satisfação plena.
-~_Dto na
sos corações. Antes a questão é se há
assim uma. vida espiritual e a verdade a com- Traduzido e adaptado de CTWr
partilhar. se há um evangelho a cele- por A. J. Schmidt
cg'.la da
,".'s. sede.
-32 espe-
_=-_-_::-TIto da

"s. sugere
:c" uma
5aÜsfa-
- "':'-;8. po-
:::'~;;:;
sa- ---: O :--_ ..
nossa
- "Ós de-
.. 8. vida
o que
~-,"5 nos
"~balho,
.:.:=?.!'acão
.:"·2a na
: :':':o-nos
ou

hl
nos do que
de Deus ;1:".:'2
VAsas DE BARRO 1e que c::ê
---------'--,----~~_._-_._-------------------------- Agora, c",_
gelho ü tesouro,
IUlscenl0S crist.?.~~-~
Iludi Zimmer
sernpre no pel'igc:
ciosidade de E\'a,,'i "':::
parte de nós cel·tan-~2~-_".':'
«'l'emo.s, porém, este tesouro em 1'0. ( A conjunção «porém» estabeleee experiência consciel-~:~
vasos de barro, para que a excelência o contraste entre o <desoure)/- e os q1!e nos tenha clel·c:c.õ,'
do po:1er seja de Deus e não de nós.» ,.vasos de barro». dramática a pl'CC'c',.:
2 Co 4.7, De que tesouro estará o apóstolo gelho,
Paulo falando? «Este tesouro». diz Lutero. porém.
Muito estimados irmãos em Cristo: ele; portanto. ele Se refere ao versi- Paulo. sofria sob o p~--
Uma das verdades fundamentais culo anterior onde o tesouro está des- e das tradições hum2",c-
proclamada na Escritura Sagrada é a crito. Diz o ver. 6: «Porque Deus que entrar em completo d",c'c:"
manifestação do poder de Deus em disse: De trevas re~plandeeerá luz -. uma tal experiência
contrastes. ele nlBsmo re •.•
plandeceu em nossos poucos~ sentiu o pc;::1>:-~
Um exemplo clássico disso encon- eoraçõe~, para iluminaç,ão do conheci- Evangelho. Isto fez
tramos na vida de Moisés. Quando mento da glória de Deus na face de eSCI'evesse nUTI1R- de :c,_,

Moisés sentiu-se forte e plenamente Cristo.)} O tesouro. portanto. é <<R ilu- Yf';l'dadeiro tesouro da !g;~1-_
capacitado pal'a dirigir o povo de Is- minação do conhecimento da glória de ti.ssimo Evangelho da gló!"'i~
rael, Deus o desqualifieou. Depois de Deus na face ele Cristo.:\· dp Deus.}) (Tese 62).
40 anos como pastor de ovelhas, quan- Estrr expressão é muito rica. Em Embora não tenhac:c'c
do Moisés não sentia-se mais habilita- primcil'o lugar, ao contrário do que periência dramática con-:.:
do. Deus o chamou para a grande ta- Deus fez na criação, onde falou e das Deus nos assegura .. c1e-s::~-
J'efa de liderar o seu povo, dando-lhe tre-'-~ias l"esplandeceu luz, agora ele nles- diariamente da precio~i.:'?
poder para realizal' grandes sina's e mo l'esplancleceu enl nOSS03 CO;.'3.ções. gelho, concedendo-nos r·~·'
pl'Odígios. Eis o contraste: De um Isto é. Deus mesnlO resplandeceu em perc1ã,Q dos nossos r
Moisés inapto surge um lideI' gigante nossos corações através daquele que é a salvação.
e um profeta que é o modelo e ponto «a luz elo mundo>" e «o resplendor da l"_cima de tudo,
de referência de todos os profetas. glória e a expressão exata do seu Ser::· da,ele do Evangelho
Esta manifestação do poder ele iHb 1.3), a saber, Jesus Cristo. Este seu preço: O sangue
Deus em contrastes já está presente, resplandecer é que nos deu o «conhe- de Deus, Jesus Cristo.
muito antes de Moisés. na vida de cimento =la glória de Deus na face de E Lutero corretaJ:ne~-
.José. De uma posição em que sofre Cristo.:- decorrência da precio,Vc - :
gozação, mau trato e perseguição da Por outro la~o. esta «iluminação do gelho, ta.lnbén1 os il1eios. :i<~ .;-~
parte ele seus irmãos. José é exaltado conhecimento ela glória de Deus"' nos tituem tesouros para DÓ,-
de tal forma que se torna o salvador faz participantes da glória a ser reve- municam o EvangelLc.
dos pi'óprios irmãos e pai, quando es- lada no mundo por vir. Pois, quando F:Üando do Batismo, L:'o:c,
tes estão ao ponto de morrer de fome. em nós resplandeceu a luz e nos foi ploJ diz: « ... o hatisnlC;
No entanto, o clímax e cumprimen- dado o conhecimento da glória de realizada por nós, e ~im
to desta manifestação do poder de Deus. ocorreu perdão, remissão ele to- que Deus nos eonee-de f' _
Deus em contrastes ocorre na cruz, dos os nossos pecados. Com isto esta- tOlHa ~)osse e se apode]';:;'
Ali, onde tudo parecia acabar na des- beleceu-se em nós o Espírito Santifi- Cristo sobre a cruz ni'k, .~
graça, no desespero para toda a hu- caelor e nos foi imputada a justiça de m.a8 Uil1 tesouro C.OillpTPpn:-5t -=: J.:

manidade, na realidade. a morte de Cristo. Que é isto senão termos sido ('Ido a nós na Pala'Ta e T---"e~~
Cristo deu lugar à vida; a morte ge- feitos participantes. pela fé. da glória fé ... ~. (Tappert, (The E,~:c.
r0l1 vida, vida eterna. por vil' a ser revela4a, que, porém, já co1'd, 441, 37). O meSl::'
E o mesmo contraste ocon e agora se manifestou <<Da face de Cristo», velnos dizer da Pale,v:'?
na pregação da Palavra da cruz. Pois. isto é, transpm'ecendo através de sua Santa Ceia que tam1;~:'.
enquanto ela é lOucura para o sábio. humanidade? ! C1W1 este inestimável >,~:
o inquirij or deste século, na realidade, Este é o tesouro do qual nos fala santíssimo Evangelh:
a Palavra da cruz é poder de Deus o texto. Como poderiamos resumir graça de Deus.~
panl nós que somos salvos. este tesouro em uma só palavra? Sem E agora. eis o .....
O nosso texto também nos fala de dÚvida, «a iluminação do conhecimento porénl, este teso1.u·c,
um contraste, como lemos: ({Telnos. da glória do Deus na face de Cristo». 1'0.>'> Ao contrál"io.
porém, este tesouro em vasos de bal'- o tesouro. não é nada mais e nada 111e- rnaImente entre r>~:.s

82
nos elo que o Evangelho, «que é o pode!' local' um tesoUl'o em algo que reflita
de Deus para a salvação de tojo aque- o seu valor, Deus lnais uma vez atua
le que crb (Rm 1.16), por lYleio de um contraste, Em vez de
Agora, em que sentido é o Evan- colocar o inestimável tesouro do Evan-
gelho ü tesouro? Nós, que na maioria gelho em vasos de ouro, ele o coloca
Zimmer nascemos cristãos luteranos, estamos em vasos de barro, isto ê, ele confia
sempre no perigo de minimizar a pre- o seu Evangelho a Paulo, aos apósto-
ciosidade de Evangelho, Pois, grande los. a nós, 05 ministros, os vasos de
parte de nós certamente não teve uma barro,
"2,ece experiência consciente de vida adulta Por que somos chamados :1e vasos
os que nos tenha demonstrado de fonna de barro? Sonlos vasos de balTo, por-
dramática a pl'eciosidade do Evan- que, embora ministros, somos da lues-
~~":;:~,3tolo gelho. ma matéria que todos os homens. Todos
diz Lutero, porém, que, a exemplo de somos vasos de barro, E SOl110S ta111.-
',-eTsl- Paulo, sofria sob o peso da lei de Deus bêm, por natureza, filhos da ira como
des- e das tradições humanas ao ponto de os demais,
- D~~i_i •••• que entl'3,r en1 c.oil'lpleto desespero .. ele teve Somos vasos de barro, porque em
lUZ -, urna tal experiêne-ia enl que, eomo nossas condições exteriores somos mui-
nossos poucos, sentiu o poder libertador do tas vezes hOElens shnples, fracos, ou
f-!nhe-ci- Evangelho, Isto fez com que Lutero de posição baixa.
Í::lt'P de escrevesse numa de suas teses: «O Sonl0s vasos de barro. porque es-
liu- vel'dadeirQ tesouro da Igreja. é o san- tamos suj-eitü§ a uluitas dehilidades;
~~a ce tissimo Evangelho da glória e da graça estamos sujeitos a enfermIdades, a fal-
lIt' Deus.» (Tese 62), tas, a fraquezas, e mesmo a. fraquezas
Em Embora não tenhamos tido uma ex- morais, sendo obrigados a confessar
que u81'iência dramática como a de Lutero, C 0111 o apóstolo Paulo: (,(0 que não
~ das Dens nos assegura, desde o Batismo, quero, isto é que faço,)'
;-.o rne:-;.- diariamente da preciosidade do Evan- Somos vasos de barro, porque so-
c~ocs. gelho, concedendo-nos por meio dele o mos feitos de diversos tipos de barro.
em perdão dos nossos pecados, a vida e Uns são mais eorajosOs, e possuem um
a salvação, caráter firme; outros já sào mais
-;-,1' da Acima de tudo, porém, a preciosi- temerosos. J\fas mesmo os vasos finos
Ser~> da.de do Evangelho é evijenciada pelo não devem esquecer que sào apenas
Este seu preço: O sangue do próprio Filho vasos de bano,
nnhe- de Deus, Jesus Cristo, Somos vasos de barro, porque so-
E Lutero corretamente vê que, em 1110S de tanlanho e forrnas diferentesl
decorrência da preciosidade do Evan- e cada um hà de ministrar o tesouro
c~âo do gelho~ tanlbém os lueios da graça cons- de acor:'o com as suas capacidades,
<5 nos tituem tesouros para nós, pois eles co- Finalmente, somos vasos de barro,
]'eve- municam o Evangelho aos homens, pOl'que, apesar da hom-a que Deus nos
- ';ando Falando do Batismo, Lute1'o, por exem- confere, san10S nluitas vezes despreza-
_C,1S foi plo, diz: «'" o batismo não é. obra dos e perseguidos, assim como se atira
~._:.:" de reoalizada por nós, e sim 1m1. tesouro ao lixo um vaso que não agra.ja,
,:1e to- que Deus nos concede e do qual a fé. Deus, porém, tem um objetivo em
_::-.:;:'
esta- tom.a r;osse e se apo(lera; assim como confia!' o tesouro do Evangelho a va-
Santifi- Cristo sobre a cruz não é uma. obra, sos ele barro, Se Deus transforma ho-
.otiça de ma" um tesouro compreendido e ofere- mens fracos em vasos de sua graça,
:')5 sido cido a nós na Pala.vru e rec.ebido pela ele o faz para que o poder de Deus
~ glória fé., , , » (Tappert, (The Book Df Con- de fato se manifeste em sua. origem
>:3111, já cOl'd, 441, 37), O mesmo podemos e de- como pml>er de Deus, e não seja con-
':l'isto». venl0S dizer da Pa.lavra de Deus e da fundido COln fm'ça humana. Conto diz
:.12 sua Santa Ceia que também nos comuni- o nosso texto: «Temos, porém, este
cam este inestimável tesoUl'O Que ê '«0 tesouro en1 vasos ele barro, para que a
fala santíssimo Evangelho da glória e da exceiêneia. do podeI' seja de Deus e
. 2sumir gTaça de Deus,j' não de nós.))
'? Senl E agora, eis o conÜ'aste: "Temos, Disse alguém: Se Deus mandasse
j':mento porém, este tesouro em vasos de bar- pregar o Evangelho por anjos, ou por
Cl'istOl', ro.;' Ao contrário, do qUe se faz no1'- pessoas que já entraram no estado da
-:-,21 me- n1aIn1ente entre nós, isto é, àe se co- glória, o poder do Evangelho facilmente

83
poderia ser atribuido a estas criaturas viando a atenção dos ouvintes do te-
(Starke.) Em vista disso, Deus, mais SOUl'O para o vaso de ba1'1'0. A 1108Sa
uma vez, manifestou o seu poder em tarefa está muito bem expl'essa num A GR
um contra.ste. famoso quadro. Neste quadro está re-
E, prezados irmãos, há. neste con- tratado João Batista de braço erguido
traste uma mensagem de conforto tan- e o dedo apontando para Cristo. Nisto
to para nós, os ministros, como para é que consiste Única e exclusivamente
os leigos. a nossa tarefa, pregar: ó:!Ciso COi'- A Graça de Deus C0nt,-,.-,.~ ~
Para nós ministros, é um conforto deiro de Deus que tira o pecado do Humana
saber qUe a eficácia ela nossa prega- mundo;>: ;<Queele cresça e eu diminua.>
ção não depende de nós frágeis vasos Aos leigos a mensagem de admoes-
de barro, mas depende exclusivamente tação é a de que jamais esperem ::,) o conceito ele g',
do tesouro que nos foi confiado. Quan- ministl'o alguém qUe já esteja no es- contrá.rio à expe::ciêr:c:
tas veZes sentimo-nos indignos, ou tado ela glória. :Mas vejam os minis- humanas. Tudo tem ,) ,~
completamente incapacitados para esta tros como vasos de barro, a exemplo é 5e graça. Um meL' ..
obra de Deus! É nestes momentos que deles mesmos, a quem, no entanto, anos de idade entl'occ
podemos confortal'-nos com o fato que Deus confiou o seu precioso Evange- Ele havia chorado. p0:~ c,
Deus realiza a sua obra apesar de nós, lho. Portanto, honrem os ministro~ da estavan'l vermelhes. ?
Ê também um conforto para os lei- não pela sua constituição, mas pelo conista e pediu um p~:'c:
gos saberem que Deus confiou o te- tesouro que eles contém. uns trinta centimetros ..-
souro do Evangelho a ministros que Finalmente, sem dÚvida, todos te- Alguma coisa tinha
são apenas vasos de barro como eles, mos que confessar que não mantemos cisava consertar. O
pois assim o tesouro está próximo, ao em perfeita compreensão e vivência ao lnenino que não pc.:::'~='--
seu alcance. Por outro lado. é um con- este contraste. Busquemos, pois, o te lhe dar aquele pe:},,:
forto para os leigos saberem que, mes- per5ão no Salvador Jesus, Especial- mp.s que aquilo custaY2, :-.::-.:-.'
mo que o vaso se quebre, o tesouro mente também busquemos nele a for- eu não tenho dinheirc, .. ,
celestial não está perdido: pastores ça para a vivência deste contl'aste. diz o menino com tristez;
1110rren1,n1as o Evangelho pern1anece. Nesta vivência teremos a grata surpre- ta replica laconicament,c
No entanto, há. neste contl'aste tam- sa ele descobri!' com o apóstolo Paulo filho, com essa ida::e \..:)~~
bém uma séria mensagem de admoesta- que, "quando somos fracos é que so- aprendido que, hoje e::'.
ção, Para nós ministros é importante mos fortes, pois o poder se aperfe;.;'.);,' consegue nada de gl·aç2.
estarmos sempl'e cientes de que não na fraqueza." Amén1. gUTI1a. coisa».
passamos de vasos de barro, Como
vasos de bano não cabe pregarmos so- (Esta mensagem foi clirigida aos O conceito da gn"v
bre aquilo que cavocamos em nosso convencionais na 46" Convenção Na- m.aneira- nenhulna, se 2.:::,-_,
interim', ou sobre as 110ssas expe1'iêll- eional da IELB, realizada em janeiro to de pesos e medid?,2
eias. Fazendo assim. estaremos eles- de 1978.) apesar disso, esse COLce:~
bem no centro do ey,,'-';ô::-.'
de Deus em Cristo J ,03:-3.
tenhan10s amado a De'__ ,,, -"
nos amou e deu o se'_' ::
Não que nós tenhame,,,
bom, mas ele nos ó'aJ'\'C'
sua misericórdia. "Pel?_
vos, e isto não vem de
Deus, para que ning',:~::.
Versiculo após ver8J8'_::-
---:0:--- prova se amontoam 2'2 .
para deixar claro um .:c-'
_

eiro da graça de De--"


Exemplo de Graça
Existe no Antigo
tória de um marido.
esposa do mesmo
ama, Depois de esc?,'
casados, Oséias de;o(
mulher Gônler o e3L',':c
A GRAÇA DE DEUS
(QUe o Senhor disse a Oséias)

A. Graça de Deus Contradiz a Razão


(lu Humana do, por fim, ele se confrontou conl sua
u_.' a,,'
esposa, ela zombou dele por ele seI
tão c:bonzinho» e, ainda por cima, in-
o conceito de graça é totalmente sinuou que os filhos, que ele julgava
contrário à experiência e compreensão serem dele, foram concebidos por seus
humana.s. Tudo tem o seu preço. Nada amantes. Com estas palavra's ela o dei-
é :le graça. Um menino de uns seis xou. A tristeza e a solidão o amar-
anos de idade entrou num armazém. guravam muito. Meses transfol'maram-
3:1g'e- Ele havia chorado, pois seus olhos ain- se e11"1anos, lnas ele jamais Se esque-
:-.~2tl·Ü;;': da estavam vermelhos. Foi até o bal- ceu dela, e continuava a sua espera
Delo conista e pediu um pedaço de cordão, com todas assnas forças.
uns Ü'inta centimetros Inais ou menos.
Neste meio tempo. ela ia de um ho-
Alguma coisa tinha quebrado, e ele pre- mem para outro. Mas com o tempo a
cisava consertar. O balconista explicou sua beleza se desgastou, vieram os pro-
":"ncia ao menino que não podia simplesmen-
- :s, ., o
c...'peclal-
te lhe dar aquele pedaço de cordão,
mas que aquilo custava dinheiro. «Mas
blemas econômicos e, por fim, veio o
desprezo. A situação estava tão cala-
- c 2 for- mitosa que ela se tornou propriedade
eu não tenho dinheiro para p\agal',J' de seus credores, e pal'a que eles pu-
~-_
·_~·aste.
diz o menino com tristeza. O balconis-
:~'~t~'pl'e- dessem recuperar o seu dinheiro, a co-
ta replica laconicamente: «Bem, meu locaram à venda. Quando Oséias ficou
Paulo filho. com esSa. ida:le você já devia. ter
e 50- sabendo disso, ele imediatamente roi à
apl'endido que, hoje em dia. não se praça e a comprou, mas o seu coração
'--~fC':'(,O;_l
consegue nada de graça. tudo custa al- estava quebrantado.
glnna coisa>-'>.
Subiu ao telhado de sua casa, sen-
aos O conceito da graça de Deus. de tou-se embaixo dos vinhedos e contem-
Na- maneira nenhuma, se ajusta ao concei- plando a cidade de Jerusalém, lamen-
~·aneiro to de pesos e medidas do homem. E. tava: "Oh! meu Deus, eu amei a mi-
apesar disso, esse conceito se encontra nha esposa durante todos estes anos,
ben"l no centro do evangelho. A graça mas ela não retribuiu o meu amor. Eu
de Deus em Cristo Jesus. Não que nós lhe fui fiel, mas ela me foi infiel.)'
tenhamos amado a Deus, «mas que ele
nos amou e deu o seu Filho por nós.)' Com os olhos cheios de lágrimas,
Não que nós tenhamos feito algo ,de contemplava a cidade, e gradativamen-
bom. mas ele nos salvou por causa da te, da sua auto-piedade, desprendia uma
sua misericórdia. «Pela graça sois sal- grande verdade.
vos. e isto não vem de vós, é dom de
Deus, para que ninguém se glorie.» Repentinamente gritou: «Meu Deus,
meu Deus, tu também sofres como eu!
Versiculo após versículo, prova após Eu nunca havia pensado nisso antes.
prova se am.ontoam na nossa frente Tu amaste o teu povo de Israel, mas
para deixar claro um quadro .-- o qua- ele retribuiu com falsidade o teu amor.
dro da graça de Deus. ° povo seguiu outros deuses. Em vez
de tu receberes a devoção deste povo,
Exemplo ,de Graça estes deuses a receberam. O teu povo
te iludiu e zombou de ti, assim como
Existe no Antigo Testamento a his- a minha mulher fez comigo. Como não
tória de um marido. que amava a sua deve estar doendo o teu coração, meu
esposa do mesmo modo como Deus nos Deus!»
ama. Depois de estarem vários anos
casados, Oséias descobriu que a sua Lentamente o conceito da graça e
mulher Gômer o estava traindo. E quan- do amor de Deus começou a penetrar
85
na vida do pl'Ofeta, e deveria também r leste, ~<se;;\ tOd2;·:~::-~
penetrar na nossa vida! dos vestidos e ui'k. ",,,,
A NUDEZ NOS SEPARARA 5.;';)·. Na pa~·.é,':::c
A Nossa Mensagem é Graça conta que
A mensagem de Deus pal'a homens
DE CRISTO? que esta VEI:"c
hon1en1 qu.e ;:§-
e mulheres carregados de pecados e de ela e perguntc:;_:-~:::~
culpas, para todas as épocas, é a sua «QuelTI nos separará do amor de tl'aste aqui se:n: -;-=-.s.-_7
graça e o seu amor, Mensagem que ele Cristo? Será tribulação, ou angústia., bre homem simplê~":~:,,_-, -
demonstrou tão nitidamente na morte ou perseguiç,ão, ou fonle, ou nude7e, ou obrigaclo a se 1'e",,,,
de seu Filho na cruz. Ele cal'l'egou os perigo, ou espada '? (Romanos 8.35)
pecados de toda a humanida:1e, para Se o primeiro li-,-,
resgatar todos do poder de Satanás. E É assaz curioso que Paulo tenha in- dona a nudez de _'l..j~:
esta também é a nossa mensagem! cluido a palavra nudez na relação de da coletânea sagracis
causas que poderiam separar-nos do vezes as vestiduras
Oséias aprendeu a graça de Deus amor de Cristo, Ele mesmo passou pOl que estão em Cristo,
vários anos antes que qualquer pessoa esta provação. como se vê em 1 Co- pega-se o fio da me2.::
pudesse apontar para a cruz do Calvá- rintios 4.11 (<<Até à presente hora so- que as vestes são 0,'2.:::
rio e dizer: «Cl'isto morreu por todos. fren105 fon18. e sede, e nudez» í e em ram alvejadas no sa;:g'
o Justo, pelos injustos». Sim. vários 2 Corintios 11.27 (Estive «em frio e 17.14í. A figura da ex:-,
anos antes que ele fosse ferido pelas nudez~,). Naturalmente foi por esta 1'3.- da morte de Jesus r:s
nossas transgressões e moido pelas nos- zão que o apóstolo colocou nudez ao se patente e bela qus:',"
sas iniqüidades. Vários anos antes que lado de fome, perigo, espada, persegui- viu o céu aberto e s8..i~-_
nós entrássemos em cena. Cl'isto n10r- (;ão. angústia e tribulação, A privação valo branco, montado :: ,:_
reu por ti. e por mim, e por todos os je vestuário pode causar frio, acanha- Deus, seguido por to~:~
homens. Ele nos re:1imiu. e ao mundo mento, vergonha e humilhação, mas não que há no céu. com ',-e~-'
todo. ,mão com ouro ou pl'ata. mas consegue afastar-nos de Deus. nho finissÜno, branco e ::'
C0111 seu precioso sangue. e con1 sua
Há distinção entre nudez física e tão impecavelmente de
inocente paixão e morte."
nudez espirituaL O sentir-se nu diante ° Verbo: Ele «está
Nós. simplesmente, não conseguimos de Deus é a experiência mais embara- manto tinto de sangue
entender a graça e o amOl' de Deus çosa e trágica que o homem pode ter. fácil compreender po:
para todos os homens. mas isto não Não é sem razão que o livro de Gê- max da revelação e c12
nesis mostra em detalhes a situação ele não está com '<as ves':e~
muda a sua graça. Não importa quão
Adão e Eva logo apó~, a desobediência, tes e sobremodo branc2,".
dificil seja compreender esta velClade.
o importante é que esta verdade é a F.Jles perceberam «que estavam. nus, co- Iavandeiro na t.erra 8.S .,-,- --:-",--

mensagem principal de Deus para nós. seram folhas de figueira e fizeram cin- IMarcos 9.31 e. sim.
Este é o evangelho que precisa ser pre- tas para si», Não obstante as vestes tinto de sangue>',
gado em todo o mundo, para todas as de emergência. quando Deus se apro-
criaturas. para que todos possam ser ximou. o casal se escondeu por entre Do exemplo da ig;-,,; ê
salvos. as árvores do jal'dim. Adão não con- tira-se que há pessoa~
seguiu ocultar o que estava atrás:'a- aos olhos de Deus e
A mensagem da graça é para tojos quela estl'anha sensação de nudez Porque não há autoc~i:~_c_
0,'1 homens. o pecado. Desde então, o ser humano se, ou tenlpO, ou corag2:·~:' "~
tem necessitado de alguma cousa que liareln ou para se er,xe, ~
Graça são as portas do céu abertas. cubra a sua vergonha moral e espiri- mesmas. A e'3tas se diz
tual. O caso de Gênesis é típico e al- que de mim compl'es ,:~, ..
As portas estão abertas! Não im- tamente reveléldor deste fenômeno ex- cas para te vestires, " :'-
porta a nacionalidade ou raça, homem, traordinário, seja manifesta a vel'g,,:- c',
mulher ou criança, ricos ou pobres. sá- dez» (Apocalípse 3. 1.J.
bios ou ignorantes, prostitutas ou bê- Se a nudez física não pode sepa-
bados-- AS PORTAS ESTÃO ABER- rar ninguém elo amor de Cristo, o Ai está uma plc":i~:_
TAS ! Até para nós. Mas não Se as- mesmo não se pode dizer da nudez :le para este final de a,:·:' ~
sustem, isto é a GRAÇA DE DEUS. fundo espiritual. Muito ao contrário, o veniente o ano-no\'o :::"
homem nu não tem permissão Inem ti :'os e não nus. ':' ~
coragem) para comparecer perante o vem chegando o dis.
E. H, Zímmermann Senhor. O próprio Paulo afirma isto as obras das tre',: o 2.

quando diz que todos nós gememos das armas da luz


Trad, :Uário Leheubaut'r neste corpo atual, aspirando por ser-
mos revestidos da nossa habitação ce-

110
r
leste, ,",se>" todavia,
dos vestidos
fornlos encontra-
e nã{) nus» (2 Corintios A POlíTICA ARABE t
5,:'3), Na parábola das bodas, Jesus
conta que ° rei entrou para ver os A ESCATOLOGiA
que estavam à mesa e notou alí um
homem que não trazia veste apropria- Ã'UrUI
/"1\ \- ,t J _
•.•MANA
da e perguntou-lhe: «Am.igo, como en-
':....
tia,
de
traste aqui sem veste nupcial?»
bre homem simplesmente
°po-
emudeceu, Foi
WiUem C. vau Hatten
-7 ou Nestes dias Anwar Sadat é o gran-
obrigado a se l'eti1"ar, (Mateus 22,1-14),
de homem de paz, e poucos entendem
Se o primeiro lívro da Biblía men- o ódio contra ele nos vários outros
:n- países árabes, Os únicos motivos para
de ciona a nu.jez de Adão, o último livro
ela coletânea sagrada menciona várias esta atitude negativa a respeito dele
:10
vezes as vestiduras brancas daqueles são -- por isso procurados no caln-
:-~:J 1
que estão em Cristo. No Apocalípse, po político, I5S0, contudo, é um dos
Co- erros mais graves que podemos come-
pega-se o fio da meada e verifica-se
que as vestes são brancas porque fo- ter, visto que no mundo muçulmano
e-n...• a religião e a política não são dois
:; e ram alvejadas no sangue do Cordeiro
(7.14), A figura da expiação por meio campos diferentes, mas apenas dois la-
"a- dos da rnesrna coisa: o sonho n1uçul-
.:..:::ao da morte de J esu.s roa cruz apl'esenta-
se patente e bela quando J oâo diz que mano. O sonho da supremacia muçul-
Ç-22-l.Ü-
viu o céu abel'to e saindo dele 11111ca- mana no mundo. Por isso a atitude
:::.~~ão ","alo branco~ lTIontado pelo \~el iJQ de do presidente Sadat é algo incompre-
~~~·_~1a- ensível para os muçulmanos, e do pon-
,_, '1ão
Deus, seguido por todos os ex21'ci.tos
que há no céu, c.orD vesti:~uI'as ele li- to de vista deles, não é que ele seja
nho finÍssimo, branco e puro. Todos es- eonsic1erado tra_idor'.
e tão impecavelmente de branco, excetn Par.:J., rf1€lhol' enter:del' tudo isso pl'e-
":,,e o \lerbo: Ele «está vestido COID llnl {~i:;arno5 conhecel' a escatologia D1Uçul-
_: ,,:-a- manto tinto de sangue» (19.11-16 \. E mana. No iníeio ela foi D1Uito influen-
- :er. fácil compreender por que, neste clí- ciada pelo cristianismo. AI Gazzali
c t}ê- max da revelação e da redenção, Jesus (1058 - 1111) ensinava que nos Últi-
não está com ,;as vestes resplandecen- r110S dias chegará o Anti-Cristo. o dia-
tes e sobremodo brancas. como nenhum bo (al-Dacljdjal), l'aas 'lsa (Jesus) vol-
lavandeiro na terra as poderia alvejan- tará dos céus e matará al-Dadjdjal1).
.:~n- (1\Iarc.os 9.3) e,siln, corü «Uni rnanto Alguns sábios islamitas ligam a vin-
tinto de sangue~>, da de Cristo para matar al-Dadjdal à
espera,nça àe um milênio de paz antes
Do exemplo da igreja de Laodicéia, do juizo final. Uma outra esperança é
tira-se que há pessoas que estão nuas qUe al-Mahdi, um lí:1er guiado por Allah,
aos olhos de Deus e não o sabem. como o califa perfeito, terminará a lu-
Porque não há auto critica, ou interes- ta entre os kafirs (incrédulos) e mll-
--:,ano se, ou tempo, ou coragem para se ava- çulnlanos e estabelecerá uni reino mu-
que liarem ou para se enxergarem a si çulmano perfeitissimo, As duas esperan-
il'i.. mesrnas. A estas se diz: «Aconselho-te ças primeiramente opostas, depois
c al- que de mim compres vestiduras bran- existindo juntas -- mais tarde mistu-
F"X- cas para te vestires, a fim de que não radas. levaram à idéia que primeira-
seja manifesta a vergonha da tua nu- mente aparecerá o Mahdi e sete anos
dez_» (Apocalipse 3.14). depois disso chegará Cristo.
'27)a- Apesar de qUe o «Profeta>, (Maomé)
o
Ai está uma providência oportuna avisou que ninguénl poderia calcular a-
::e data exata 'ela «HORA", também no
o para este final de ano! E de todo con-
veniente o ano-novo nos encontrar ves- Islão -- como no cristianismo - havia
::en1 pessoas que pensavam que isso não era
ti "os e não nus. "Vai alta a noite e
_-_:~ o impossível. Ao lado destes cálculos «sec-
'5to vem chegando o dia. Deixemos, pois,
as obras das trevas, e revistamo-nos tários:;>, encontramos tambérn a tradi-
das armas da luz)) (Romanos 13.12). ção que o Mahdi chegaria depois do
reino de 40 califas. Uma outra tradi-
(ULTIMATO, Dezembro 77 p, 9) ção de grande importância diz que o

87
Profeta prometeu um Mahdi ao fim de Hidjra). O Mahdi estabelecerá o reino
cada século, um homem que daria uma islamita, destruirá os kafirs e limpará da a c0111unida(.::-
nova vida ao Ilsão, exortaria os cren- os lugares sagrados, um destes lugal'es a guerra santa, ai j::-
tes a. não negligenciar seus deveres, um é Jerusalém ou al-Quds (= o Santo!), ele Deus) éi), Vimo" :-.é_o _,
homem reformador. um renovador ,da Especialmente em dias de tensão e/ou das a quase-extel-r(.:.i::2.;;~_
fé "). Nos anos oitenta do século pas- guerra a esperança é mais forte. Isso lbo na Nigéria; na T_-;'",::-,~c.
sado esta esperança deu origem aos vá- nos leva aos pontos seguintes: com sua pequena 1,:"i,",:':
rios Mahdi's e consequentemente a mo- 1) Estamos nos aproximando do ano çulmanos, conseguiu 12~"-"
vimentos revolucionários nas colônias de 1400 da era muçulmana. Isso ilumina ta.gem de cristãos de .§;~,
dos paises ocidentais. No ano de 1881 vários fatos políticos no mundo muçul- até menos de 50S'< "'="
Muhammad bin Ahmad proclamou-se mano, como o antagonisn"lo entre vários nu sonho da Síria
Mahdi no Sudão ocidental. e até sua estados. o papel novo da Arábia 8au- CC'llla P.L.O. a quase-a.:-,~:':'"c
morte no ano de 1885 foi venerado co- dita (o homem ::'e Medina!!), ° papel ':,",1"0' nas Filipinas 0" :::.-
mo «O ]1,1ahdi»no Sudão ocidental. de Idi Amim de Uganda (8udão'!), :'a vez se revoltam. O :
Na expectação do Mal1di encontra- etc, Podemos dizer também que o dividido em Paquistão
mos muitas tradições, muitas vezes con- mundo nluçulmano parece uma casa di- na Indonésia o fogo Te"
traditórias, mas todas atribuídas ao vidida. lnas se vier unl homem forte, latente, no Sudão os ~"
Profeta. São entre outras as seguintes: respeitado e a:;orado pelo povo muçul- l'am quase tudo, etc .. e'c'
a) o Sudão (palavra geral para as 111anO, ele facilnlente poderá unir as 5) O que vemos n!'""
tribos africanas e os negros) levantar- forças muçulmanas. Um destes ho- conflito entre o Estaclo,:é -
se-á para defender a fé; mens fortes poderia ser Yasha Arafat estados árabes, é unia L~-=:
b) do Maghrib (o ocidente = =Vlar.. (nOlT18 verdadeiro ou pl'ogl'ama poiíti- muçulmano contra os ;:2,:':,
rocos. Tunísia e ~-\lgérial virão esqua- co-religioso? Arafat, ou Djebel al- que se renova cada
l'ahma = montanha de graça, tem um
CêT:-_ :: - -

dl'ões para saI-val' o 1s1ão; tenha sido isso um elos "00


C) o IvIahdi ,rirá do Oriente (U111a papel na festa de peregrinação); sitivos da víagem de 3 o c
das tradições mais antigas!) 2) Na luz da esperança de Mahdi que ficou ben1 clal·a q~::.~
d) o IvIahdi será um descendente não poderno.s expectar vontade ou ho- çulmano fora de Egito "~,é,
do Profeta. através ,je Ali e Fatimah, nestidade no mundo muçulmano pm'a condenando Sadat ::'-'::,
a filha de Maomé; chegar a uma solução dos problemas causa árabe, Viven,'C'~
e) os Shi'ites (Pérsia) têm a espe- do Oriente Médio. Todos serão unifi- dias ~ segundo a Cl~",:~ -,
l'ança que o Imam escondido retornará ca:'os na visão pan-islâmica dos Últi- ~--- nos dias nos quaL:::
como Mahd! (o mesmo motivo que en- mos dias e ~ no mesmo tempo zer grandes coisas,
contramos na lenda de Fredel'ico Bar- todos serão divididos, cada um espe- Mahdi? Há muitos
barossa') ; rando receber o papel de lVIahdi. Mas. Pél'sia até MalTocos.
f) os Sunnites esperan"l um ]\;1 a1"1
di como já apontamos, esta divisão pode çuln1ano, contudo. é '.:':<
vindo dos céus. mandado por Allah; facilmente Sei' superada com a, ascen- virá. Os seus lid",:'c,o
g) o Mahdi cheg'ará numa época de sào de um homem forte; 111uitos d.eles tar:::~:'~:
tensão e de guerras e uma voz dos 3) Enigmático fica o papel de Sa- vinda do lVIahdi. '" ~c
céus p1'oclamará: 'w seu Emir é ele!»; I dat e do rei de Marrocos. Mas não vinda eles. nào c;b~>-,,:c
h) um homem de Medina ir'á para podemos excluir a possibilidade que rã,o sem I'estl'içÔe~
Mecca, será incitado a fazer uma revolta ambos ajam com a idéia de Mahdi e influenciarào c;
e atuar como Mahji. ele estabelecerá na mente. Especialmente o rei de conhecidos COL-::> 3"-,
o reino árabe e salvará os fiéis, TvIanocos, que segundo a tradição é da fé.
Apesar de muitas divergências. to- descendente do Profeta através de Ali
das as esperanças têm em comum a e Fatimah, Pode ser que no caso de Referências Bibli<Jgráfie; .•.
idéia que o Mahdi virá e que ele apa- Sadat precisamos falar de seculariza-
recerá no fim de um século. ção ou da divisão da Igreja e do Es- I} Ghazza1i: Ihja T

Segundo alguns teólogos muçulma- tado (uma noví:1ade no mundo mu-


nos a crença no Mahdi é muito mais çulmano 11), mas é melhor esperar com
importante que a crença no diabo (al- nossas avaliações até termos uma
Dadjdjal): «quem nega aI TvIahdi é um maior nitidez sobre as intenções de
kafil' (incrédulo) quem nega o diabo é Sadat:
apenas um mentiroso» I). 4) Não apenas a situação no Orien-
A espel'ança da vinda do Mshdi é te Médio exige nossa atenção, mas em
uma parte firme do credo muçulmano. todos os países muçulmanos, ou nos
apesar das fornlas diversas, No firl1 de quais se e:lcontl'am minoriclades mu-
cada século esta esperança se revivi- çulmanas. As idéias da revolução mun-
fica e estam os vivendo no fim de um dial que enconLl'amos no nazismo e nD
século muçulmano (ano 1398 depois da eonlunislTlo~ tanlbé111 perteneenl ao 18-

88
iI
"'l!

I;
I
~·eino
I
Jamismo. Uma das obl'igações pal'a to- 2) 8ojoeti: Citado em Zm' Charakte-
da a comunidade muçulmana aiu:'a é l·i.stik etc. de Goldziher (vida lit"
a guerra santa, al-djihad (lit. caminho geral I
dê' Deus) !'i). Vin10s nas última.s déca- ,-)! Ihn Khaldun: p. 162
, ou 4, Ibll Khaldun: p. 164
das a quase-exterminação do::: cristãos
I:;:so 5! Handworterbuch Islam, ed.
lbo na Nigél"ia; na l....
ganda Icli _À_111i.rn. 'ues
com sua pequena r.ninoric1acle de rnu- Buli, Leiden, Holanda, S. 112a
" ~1O
Gulmanos, conseg·uiu l'ectuzil' a percen- 6 j Snouek Hurgronje: Laatste Ver-
::cicIa maning etc. p. 8.
tagem de ccl'istãos de 80(( (em 1965)
___-'(;ul- até menos de 50'·( (em 1976). Siria, Literatura Geral:
'·L::'ios n·) 30nho da Siria Maior. conseguiu
Sa.u- Igll. Goldziher: Zur Charakteristik Gel-
C'Xli a P.L.O. a quase-anexação do Lí- al ud-din us Slljllti's, em Sitzungs-
bC1rlO. nas Filipinas os muçulmanos ca- bericht.e Akk. Wien LXIX, LXXX .
... '
rJ ~
o
--li vez se revoltam. O Paquistão foi
dividido em Paquistão e Bangladesh,
Streitschrift., S. 52. Anm. 1.
Vorlesungen S. 231, 268, 291.
I
'...-I.t-
na Indonésia o fogo muçulmano está
=~I:·te, latente, no Sudão os cristãos perde- Snouck HUl'gronje: Der IvIahdi. em
l'am quase tudo, etc., etc. <;Verspreide Geschriften, I. 155
as De Goeje: Frag. Hist. Arab., lI, 526.
110-
5) O que vemos não é apenas um Van Vloten: Récherches SUl' Ia Domin.
conflito entre o Estado de Israel e os
estados árabes. é uma luta do mundo Ar., p. 61
-:::liti- mllçulmano contra os kafirs, uma luta La.InIn!'lls: Le califat
de Yazid, I, 17.
aj- lVloawiya 11. ou le dernier des 80-
que se renova cada cem anos. Talvez
:1111
tenha sido isso um dos resultados po- fianides.
sitivos da viagem de Sadat à Israel, Wensinek: Handbook aí Tradition. p.
:':2.hdi
que ficou bem clara qUe o mundo mu- 100b
il0~ çulmano fora de Egito não quer a paz.
aTa condenando Sadat como traidor da I\'Iargoliouth: Art. im Hastings Enc. of
ReI. and Ethics. VIII, 336-40
~ =ll"l8-S causa árabe. Vivemos nos últimos
dias - segundo a crença muçulmana Artigo «Der lHahdi»: em Handworter-
- nos dias nos quais o Mahdi vai fa- buch des Islam, S. 393-397.
zer grandes coisas. Quem será o Artigos; Snouck Hurgronje, Indische
Mahdi? Há muitos candidatos da Gids: Laatste Vel'maning etc., 1884
Pérsia até lvl:arrocos. Para o povo mu- Juynboll: Het Imâmaat, e van den
çulmano, contudo, é certo que o Mahdi Bel'g: het Panislamisme.
virá. Os seus líderes sabem disso,
muitos deles também acreditam na (Este artigo é uma adaptação de
Sa- vinda do Mahdi, e se não creram nesta um artigo, escrito no início de outubro
::12...0
vinda eles, não obstante disso, assumi- de 1977 para alguns amigos. Um deles.
que rão sem restrições o papel do Mahdi o Embaixador de Israel, mandou a
: '.chdí e influenciarão o povo para serem re- cópia para o Ministério do Exterior de
ele conhecidos con10 salvador do mundo e Israel. The Jewish Publication 80-
da fé. ciety of Amel'ica - da qual sou mem-
_= Ali bro - escreveu: «It certainly is a
~) de Referêndas Bibliográficas: very informative and reveaJing account
c ;;za- of happenings in the Near East and
Es- 1) Gha7;zaii: Ihja I~ 207-208 Arab world>-'.)

_~lna
,Je

~en-
em
:--~os
-:0:-
:;;ü-
l!l-
T~_
pág_ 12!, co;~',

A IGREJA NO MUNDO l'ior, aCl'escen:a


siderações que
E.... __

sua integra:
alguns está chegaT.(,.::
a J)oucos_ Uma eCo:-?
Como uma das prineipaís ra-zôl-'s <10 taêar: a Bíblia diz ,---
terrorismo nospaises da Europa Oci- tempos finais que_
dental -- (Alemanha Ocidental, Itália, de.sobedientes aos pa,~
França, Bélgica, etc,), a socióloga e cÍit, ou seja, educaçã'
psicoterapeuta evangélica de jovens, tern conseqüências L--,~,,~
Clllista l\ieves, aponta para a «crise de sobediência aos pai:::
educação do Ocidente». No congresso leva à desobediência 2_

dos pe:1iatras alemães em Kiel, a sra_ à rebeldia contra oual


Meves declal'Ou que já no final da dé- Os ataques terrorista"
cada de 60 se previa, devido à;;artifi- advertência, principalr:--:~:_-
ejalização>,' da e5ucaçào, a tendência crentes, para que echw::,o:-,_
para a formaçào de bandos e da crimi- na disciplina e admoests.:e,
nalidade com conotações ideológicas_ Esta não é uma tan;fü f~,::l
Também devido à grande participação l'3VÜhosa, Isto ficou :'_:":_:-
das mulheres num ,meurótico estado de
para rnin1 quando, COl.Te -"~,:;-;:--
abandono», ao qual as crlanças hoje ~,;clho e sua fan1.íli8" n.-: __
estão sujeitas_ Christa Meves considera descanso. escalanlos
os 111ais graves erros da educação mo- tão Graubünden
derna ,a ausência da mãe" durante a conseguiam subir
primeira fase "a vida, por exemplo, não então os levamos EC'
amamentando o bebê ou não permane- tão: assim tenlos cr:,e
cendo em casa por exigência do tI'aba- lhos até ao céu, ao 2[,>--
lho: e a -,coletivização do homem" nas na fé todas as l'eBcE:?~
instituições de ensino, Acrescenta-se Nós_ como pais cre,,~i"
que as crlanças são ,(mal acostumadas>" sá"\reis por nossos fil?--,-:--~
substituindo-se exigências pOI' cômodo C'ontp?111 ,Jesus. Istc ~--
«apresentar pronto>:, O ,(estado de 111ente após o nascil~~:e;.-
abandono neurótico», em conseqüência do sucesso consiste >:-;-
desta «artificia1ização», mostra-se tam- , '
as erlanças, e rna~8
bém no aumento do nÚmero de alcoóla-
sã,o capazes de ~~_;.~_..:.
tras jovens, Enquanto em 1969 somente c1iência e desobe':li~
4Sj dos jovens tomavam bebidas alcoóli- mal. discipliná-lo,
cas diariamente, em 1976 eram 49(;' tão os pais
dos jovens entl'e 15 e 18 anos. Segundo profunda
a opinião da psicoterapeuta, até agora realnlente an-:'2_:','_
Se percebem S01llente as primeiras con- 3,20_ -- Nào hz~ -~'
seqüências da crise, porque os erros ho- filhos, deixando di' i'-
je cometidos só terão conseqüências do Senhor, ComD&:':=' F
após 1990, quando as crianças tiverem 22,15; 23,13-14: 2'8.::.:_
crescido_ Até então, segundo opinião, que aparentementeL:- ")'
os problemas crescel'ão ao ponto de l'orismo ainda não se ::-z
'<ameaçarem a vida do povo e o estado das nossas família", ~c;3
de direitm" Esta é somente a ponta de e conselhos certame~~c
um terrivel :dceberg», diSSe ela_ oportunos_ -- H.R.
Consternador é a relativamente a1ta O crescimento e f) 3.\.,,,,'
percentagem de jovens filhos de pasto- mismo durante as Úl:::-,>,'
res entre os terroristas na Alemanha.
H.R. alg:o de fazer pasmal_ ::-
movimentos anticristã,:'~
:0:-
,coje, destacam-se )02::'
"Nós n~esn~oseducamos os terroris- especialrnente dois, Pel:
no. ateu. temos o con' .--
tas» --- Sob este título, a revista ",Cha- que se espalha com
mada da Meia Noite» (marco 1978, por mais de 60 ano~
90
pág. 12), com respeito ao tópico ante- do que um terço da população do mun-
dor. aCl'escenta ainda as seguintes con- elo. Este movimento nega a Deus Pai,
siderações que podemos subscrever em como ao Filho. Por outro lado temos
sua íntegra: «Este reconhecimento de os anticristos que neg'am a Cristo como
alguns está chegando tarde e se limita Filho. Ambos os l1'lovimentos já foram
• dfi a poucos. Uma coisa preCiSalTIOS des- cal'acterizados pOi' João elYl sua prin1ei-
;)('1-
tRcar: a Bíblia diz sobre os filhos dos l'a carta: ~<Queln é o 111ent.iro.so senão
tempos finais que, entre outros, serão aquele que nega que Jesus é Cristo '!
desobedientes aos pais. Tal desobediên- Este é o anticristo. qUe nega o Pai e o
cia., ou seja, educação sem autoridade. Filho. To:lo aquele que nega o Filho,
tem conseqüências funestas. Pois, de- esse não tem o Pai.. (1 Jo 2.22,23),
sobediência aos pais obrigatoriamente ---- Sobre o comunismo marxista já se
leva à desobediência a Deus, e assim escreveu muito nesta :revista. Ê o se-
à rebeldia contra qualquer autorida:::e. gundo Dlovilnento anticl'istão. o islal11is-
Os ataques terroristas são llma leve nlO, que nos Últinl0S anos avança assus-
acivertência. principalmente para pais tadoramente política, econômica e reli-
crentes, para que eduquem seus «filhos giosamente e com incrível veemência,
na disciplina e admoestação do Senhor.» Política e economicamente pelo poder
Bsta não é uma tarefa fácil, mas é ma- do petr'óleo, religiosa e militarmente com
ravi1hosa. rO'to ficou novamente claro grandes avanços territoriais especial-
para minl qEanc1o, C01n nosso filho mais mente na ~4...frica)porérn tambérn reli-
velho e .sua farnilio_, chll'ante unl breve giosamente na própria Europa. Qua-
descanso. escala21J.os L;_111nlcnte no can- se enl todos os lugares) onde o cristia.-
tªtO GraubÜn~len i S·~lÍCCl'I, os netos n[io nismo e o islamismo se encontram, hou-
conseguian1. subir sozinhos o nl01TO~ nós ve c1esentendin1.entos sangrentos nos
então os levan10S no colo, Pensei en- últimos tempos, Durante a crise de
tão: assim temos leY9-l>nOSS03 fi- Biafl'a) lutavam na Nigéria do sul cris-
lhos at.é ao céu, ao 1:encendo tá,os contra o norte rnuçuln1ano, A
na fé todas as l'e::H~ões e ernpeC'i1hos, nl€Sn1R situação se encontra no Sudão
Nós, como pai.s crentes, 50n:o:;; respor:- (?:8111 Chipl'e, l'\To sul do Líbano. recen-
sá~.,Teispor nossos filhos) pa!'a que en.- :~e!nente, a rnilicia cristã bornbarcleou
contren1 Jesus_ Isto cOD1eç;a irnecliata- cc;nl artilharia seus adv-ers8x1_oSnluçul-
rnente após o nascimento .. - O segr€dc; rn.ancs. Enl Ug-anda, sob o sangrento re-
cl0 sucesso consiste en-l orar pOl' e conl ginle de _;\.n1in, ocorren1 conversões for-
3S crianças, e rna.is ta:rc1e. quando já çaclEts de cristã.os a.o íslamismo. No pe-
sâ-o capazes de ~istinguir entre obe- riodo de uma semana 27.300 uganden-
cliência e desobediência, entre bem e ses passaram do cristianismo, sob tre-
mal. discipliná-Ios quando preciso, En- mendas ameaças da parte elo regime,
tão os pais experimentam uma grande, para. o islamismo. Na Etiópia. onde
profunda alegl'ia, vendo que seus filhos existe o cristianismo desde mais ou
realmente andam com eles segundo Fp menos 34 d.C, l1eia At 8,26ss, ~ Filipe
3.20_ Não faze terroristas dos teus e o eunuco e ministro das finanças de
filhos, deixando de educá-Ios no temor Etiópia), ele já está sendo combatido e
:10 Senhor, compare Provérbios 13,24; ultimamente também perseguido por
22.15; 23.13-14; 29.15,17, ~ Mesmo rebeldes muçulmanos e o próprio regime
que aparentemente no momento o ter- comunista-mal'Xista, N o ano passado,
rorismo ainda não se faz sentir no meio assim como na época foi anotado nesta
elas nossas famílias, tais advertências revista, o governo simplesmente desa-
e conselhos certamente sempre são propriou a estação radiofônica (Voz do
oportunos. n_ H.R. Evangelho) em Acldis Abeba, usando-a.
O crescimento e o avanç.o do lS18..- agora C-01110 voz potente do cOD1unisn1o
rnismo dUl>ante as ÚltÜn8.S décadas é marxi"ta. Da Somália a penetração do
fi n. s.lg'c de fazer' pasn18_~' Se olhal>n1os os islamismo extende-se profundamente pa-
l~!l:.::.:~\-ÜneT:to2 anticl'lstâos rto lTIundo de ra dentro da Etiópia. ~ E na própria
hoje, de3tacan1-se logo, entl'e outl'OS Europa, ultimamente, vem notícias alar-
especialrúente dois, Pelo lado antidivi- mantes sobre o avanço do i.slan1ismo
no, ateu, temos o comUniS1110 marxista como religião, Diz-se que na França.
que se espalha CO:::l rapidez já agora já existem mais muçulmanos do que
por mais de 60 anos subjugando mais cristãos evangélicos, Em Bruxelas. ca-

91
pital da Bélgica, recentemente foi inau- da América Latina está aumentando no entanto. ~.~~,;.~~: _
gurado o grandioso centro do islamismo, consideravelmente. O Seminário Evan- cente opos~:;:ã'=-\ '_~::-_:_
com uma mesquita das mais pomposas, gélicode Porto Rico, fundado em 1919. pito. Na c1iocesê '~.:::::>:::
financiado por Saudi-Arábia, a mais começou em setembro de 1977 um no· cornitê perrúa.ne:--_:.7 --
rica de todas as nações arábes, com Vo curso com 120 estudantes índice gos que debstern .':':: ~
6.000.000 dos assim denominados "pe- maiol' de sua história. O Instituto Su- unI movimento e:l'C::"2;<::-.=-
tl'o-dolares». -.- Não esqueçam: O i81a- perior de Estudos Teológícos de Bue- que visa. até a sep2,-::-2.:~f:.._
mismo é anticristão, pois nega o Filho nos Aires, Argentina, conta com 136 tatal, se essa não :'~::
e com a negação do Filho também estudantes regulares de Teologia, com cipios bíblicos que ·;·ejc.'~·.
nega o Pai, apesar de que eles afirmam idade média de 28 anos, sendo que exei'cicío pÚblico do ,-
terem o Deus de Israel e dos cristãos. 53(Í<; dos seminaristas são casados. Os -c"" Xo outro lado ,-l'~':'
~- Certamente o avanço do islamismo estudantes procedem de oito países. A que favorecen:
-~ :1:3
pertence aos sinais dos '<Últimos tem- Comunida:'!e Teológica do México, um ofícios da. igrec~::
~~_~·3 -::-:5
pos.» - H.R. conglomerado de vários seminários teo- _~-_::-:-::.;;:
~-\ssim a Faculc1s -:7
lógicos, tem 37 estudantes em diferen- c_ "Cn:versidade de 1..";:;:.' é
-----:0:-- tes níveis. O Seminário Bíblico Lati- '-"'''l. nlulherpara doce:~~c
no Americano de São José, Costa Rica, pregar. Trata-se da ".
A mais antiga igreja luterana no conta com 184 estudantes de 19 países
continente mnel'Ícano é a Igreja Lute- Berglund, que atencL8.
da América Latina, A Faculdade de Gão perto de Uppsal.c.
rana do Suriname, que foi fundada já Teologia da IECLB em São Leopolelo.
no ano de 1741. Sendo Suriname uma fazer preleções sobe :-..
RS, tem matriculados esse ano em tor- ferida Faculdade. - _:..,~
espécie de colônia da Holanda, essa igre- no de 150 estudantes. O nosso próprio
ja, durante a maior parte de sua his- mulheres-pastoras 5:'~.::-_
Seminário Concórdia em. Porto Alegre, carta ao Ministro ~~-
tória, recebeu seus pastores da Holan- RS, conta neste ano com. 89 estudan- suntas eclesiástic:>~
da. Nos Últimos 50 anos, no entanto, tes ele Teologia e, como se po::le con-
mais e mais se fez sentir uma falta de citando ao go,'e:lê': :.
cluir do nÚmero de estudantes no Ins- mulher-bispo, qU2,~. :',:
obreiros, visto que vários dos pastores tituto Concórdia, São Leopoldo, RS, que A discussão e 8,
surinameses foram à Holanda para lá tem número bastante elevado de alu- DOS os lados ine~·:it_s:n~,_-":'
exercerem seu n1inistério. Isto foi gran- nos que se preparam para o estudo de
de elnpecilho para o crescilnento e a ex- xin1ando a. igl'e]8
Teologia em nosso Seminário, o núme- dum cisnla. o que. ::-~u__
pansão desta igreja. Desde que o Suri- 1'0 de estudantes de Teologia em nos- tecendo n03 Estadc'~ "'_-~'u__
name obteve sua independência política, so meio tende a crescer consideravel-
no ano de 1975, a Igreja Luterana do Episcopal, onde "\'2.:ê..5
mente nos próximos anos. - H. R. l'óquias e pastores c:::·.:
Suriname depende mais e mais de pas-
tro bispos. fornlal-8:1'
tores obreiros leigos do seu próprio ---:0:---- por causa desta que~-?-:
meio. Várias congregações procuravam
seus pastores também na Igreja Refor- igrejas luteranas t?.;.:-
De uma pesquisa computada no Ja- rno ja .A•..mérica t?~~- 4-:-
mada. A Igreja Luterana do Suriname pão: o cristão normal japonês gasta 25
tem atualmente mais ou menos 5.000 ordenação de m1'1}:~_ ~o

membros. Durante centenas de anos minutos por dia lendo a Bíblia, dá 10,* tera.na - Sinodo,:'C- .,
ele sua renda para sua igreja e assiste de princípios neo-tes~c..:-:-_~:' ~
esta igreja vivia completamente isola- a duas ou três reuniões por sem_ana.
da, sem quaisquer contatos com igrejas abre o púlpito à m..:~L ~,'C-
c
Uma igreja típica colabora com 2,8 por ra. elas no entanto. c':'~..
luteranas nos países vizinhos. Apesar cento de seu orçamento para missões
do Suriname ser vizinho direto do Bra- vo Testamento, todos ':'.0
sil, certamente haverá dificuldades lin- no estrangeiro e 6,5 por cento para rios dentro da igreja. H
missões nacionais, Os pastores japone-
güísticas para um intercâmbio de obrei-
ros. Seria mais fácil se fosse ajudada
ses que pregam os sermões mais lon- --:0:--
gos são também os religiosos mais mal
pela igreja luterana de Venezuela ou pagos (Ultimato),
de um outro país da América Central. Portas abertas para n
Seria uma lástima se a mais antiga :0:--- Irã. - A antiga Pérsia, ::.~:,
igreja luterana no continente perdesse rias vezes nos livros de 2:0_
sua caracteristica e sua confissão lute- e Daniel, desde 1935 c: ~..._c,
rana por falta de auxílio da parte de
o ministério de mulheres na igreja T'·ã. com 32 milhões de ~,:_.
luterana da Suécia está, ultimamente, ~'sdominantemente is18.c-.:-c
outras igrejas luteranas na América suscitando fortes controvérsias entre os
Latina. - H. R. . 'C-("entesreformas socia:s :.
pastores e os membros leigos do pro >2ndo o país, vem se to:·:-~E.~.
----:0:--- e elo C;Ontra. A primeira pastora na ção aberta à pregação .'C:
Suécia foi ordenada já em 1960 e hoje Pelo menos esta é a
o número de estudantes dos princi- existem entre os 4,500 pastOl'es da igre-
pais seminários teológicos evangélicos ja luterana sueca 238 mulheres. Há.

92
no entanto, nos últimos anos, uma cres- T. Miachaelian, diretor da Sociedade Bi-
cente oposição contra mulheres no púl- blica no Irã. Ele tem se dirigido aos
pito. Na diocese de Skara formou-se um cristãos do mundo inteiro em busca de
comitê permanente de pastores e lei- auxílio em termos de literatura, estu-
gos que debatem sobre o assunto. RÉ, dos bíblicos. assistência teológíea e pro-
>Ç:-
U11'1 movimento entre pastores e leigos gramas de treinamento para leigos. Ao
que visa até a separação da igreja es- mesmo tempo, Michaelian teme a di-
tatal se essa não l'etol'nar aos p1'1n- fusâo de «um cristianismo deformado.
ci])ios biblicos que ,'edam às mulhel'es sofisticado e filosófico. com uma men-
o eXGl'cicio público do ',Oficio das Cha- sagem sincretista». Tal pregação não
ves No outro lado cresce a militân- encontraria resposta no contexto da cul-
ela (os que favorecem a abertura de tura iraniana. diz ele. Além do is]amis-
todos os ofícios da igreja para as mu- mo, outras religiões Se fazem presentes
lheres. Assim a Faculdade de Teologia no Irã: j adaísmo (68 mil confessos).
da Universidade de Uppsala convocou Baha'i (60 mil). catolicismo (30 mil),
uma mulher para docente da arte de zoroastrismo (25 mil) e protestantismo
pregar. Trata-se da pastol'a Kerstin :9 mil) (Ultimato).
Berglund, que atendia uma congrega-
ção perto de Uppsala. e que agora vai :0:-
fazer preleções sobi'e homilétíca na re-
ferida Faculdade. -- Além disso, cinco «Os eseândalos de uma nação cristã"
mulheres-pastoras suecas enviaran1 uma Com este título, «Ultimato» (Dez.
carta ao Ministro encarregado dos as- 771 transmite números estatísticos dos
suntos eclesiásticos daquele país, soli- Estados Unidos que causam arrepios.
citando ao governo a nomeação de uma Reproduzindo os dados, fazêmo-lo sob
mulher-bispo, quando houver vacância. a reserva de nào poderm.os considerar
A discussão e a radicalização de am- apesar de tudo - os Estados Uni-
bos os lados inevitavelmente está apro- dos de «uma nação cristã», visto que
ximando a igreja luterana da Suécia mais ou menos a metade do povo não
dum cisma, o que, aliás, já está acon- pertencer a uma igreja cristã. Sem dú-
tecendo nos Estados Unidos na Igrej::t vida faz-se sentir nas leis dos EEUU,
Episcopal, onde várias dezenas de pa- em geral, uma influência da ética cris-
I'óquias e pastores como também qua- tã como. alias. é o caso da maioria dos
tl'O bispos, formaram uma nova igreja povo", do mundo ocidental. No entanto
por causa desta questão. A maioria das a estatística que segue nlostra plena-
,Ja- igrejas luteranas tanto da Europa co- mente que tal influência na vida prá-
>=. 25 mo da América também permitem a tíca dilui-se bastante. Eis o texto da
ordenação de mulheres. A Igreja Lu- revista «Ultimato;,: «Das 9.635 crianças
terana - Sínodo de Missouri, à base nascidas em Washington no ano passa-
de princípios neo-testamentários, não do, 5.065 (52,6%) procedem de mães
abre o púlpito à mulheres. abrindo pa- solteiras e 4.570 (47,4S'~') vem de lares
ra elas no entanto, como ensina o No- legalmente organizados. A porcentagem
;,a
vo Testamento, todos os outros minist.é- de filhos fora do matrimônio foi maior
:.e- rios dentro da igreja. - H. R. em 1976 do que em 1975 (51,2%). Mais
grave ainda é e a questão do aborto. Em
~al
--:0:---- 1976 o número de abortos excedeu o
número de nascimentos em cerca de um
Portas abertas para o evang'elho no terço: 12.945 abortos contra 9.635 nas-
Irã. - A antiga Pérsia, mencionada vá- cimentos. Ao mesmo tempo em que tais
rias vezes nos livros de Esdras. Ester cousas acontecem na maior nação do
e D,wiel. desde i9:35 conhecida como globo. este país, com 5% da popula-
~:-~ja
:e, Irã, corri 32 Tllilhões de habitantes e ção mundial. tem mais ministros orde-
=-:--_

::1l'scloTI1inHr1ten-:ente isla.111ita. graças a nados. mais estações de rádio cristãs e


mais estudantes de institutos bíblicos
~'ecen te~ ~'efol'n1as sociais que estão yar-
::.8.
~'endo o país. vem se torna-ndo UIna na- do que todos os países juntos.;~ - Com
ção abel'ta à pregação do cristianismo, que astúcia o diabo está em atividade!
Pelo menos esta é a opinião do Rev. - H. R.
também aos
tem uma vez,
LIVROS várias vezes I

voção diária. Em'~'


Ll.s;:.~~·

nossos conhecinlêY',:, ~
fundas reveladas T'e,"? -=-

Carta aos Romanos por Martin te da carta original, se bem que o úl- lavras com as quals :':,
H. Franzmann traduzido por Mário timo capítulo constitui a extenso pós- conclui seu liVl'O ;":::c:"
L. Rehfeldt e Gládis K. Rehfeldt - escrito conl várias partes, bem também a nós, 2.~~~,
Título original «Romans» da série Con- A obra de Ma,rtin Frazmann é uma sam a firme convicç,,-':, ::
cOl'dia Commentary. A tradução foi fei- ver::adeira jóia entre os muitos comen- elo autor: «Os I'On18LC'
ta da primeira edição publicada em tário