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JOSEVAL MARTINS VIANA

If);I fosPODIVM
EDITORA
www.editorajuspodivm.com.br

fbJ<) Mata Grosso, 164, Ed.·_MarJína,J<>'Andar ., Pitttb~,ÇE_P~4183o-15J.:-:sidVC)dor-- Bahia


Tel:.(71}3045.9051 ·
·Contato: https://www.etfltorajuspodivm.com.~/sac

Copyright: Ediç&:!s JusPODIVM

Conselh~ Editorial: ~irley da Cunha Jr., leon:ardo de MedeirÓS Garoa. ·fredie Oidier Jr., José Henrique Mouta, José
Marcelo Vigliar, Marcos Ehrhardt Júnior, Nestor Tâvora, Robério-Nunes-;Filho, Roberva! Rocha Ferreira Filho, Rodolfo
Pamptona Filho, Rodrigo Reis Mazzei e Rogério 'Sanches Cunha~.:·

capa: Marcelo S. Brandão (santibrondD@gmaiJ.com)

Viana, Josevat Martins


V614p Prática forense em processo civil/.3oseval Martins Viana.- 2. ed'. rev e ampl.
- Salvador:: Ed JusPodivm, 20 18.
528p.

Bibliografia.
ISBN 978-85-442~ 1861~ 7.

1. Direito processual civil. 2. Pr-ática forense. I. Viàn.a;"JosevafMartins.. ll.


Titulo. · .~ · ·
j.;
<;DD342.1
I
Todos os direitos desta edjção reservados à Edições: 3UsPODIVM. ·
É temünantemeirte pro'ibidà a reproduÇão total >C'U oparclal desta obra, por qualquer meio ou processo, sem a expressa
autorização do autor e da EdiçõesJusPODIVM.A violação dos direitos ·autorais caracteriza crime descrito na legislação em
vigor. sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
·Dedico este livro à minha esposa, Zuleica,
e aos meus filhos, Lucas e Daniella.
APRESENTAÇÃO

O Direito Processual Civil sofreu profundas modifica-


ções nos últimos anos, exigindo constantes atualizações
para o exercício da advocacia. Essa nova realidade insta o
profissional do direito a buscar frequentemente atualiza-
ção e aperfeiçoamento. Trata-se de uma necessidade que
deve ser atendida, mormente para aquele que deseja atuar
com exC:éJ.ênéiá; eficiêDcia e sucesso no Direito:
Dessa fonna, conjugando minha experiência no campo
profissional com aquela auferida nas salas de aula (mais
de duas décadas de prática na Advocacia e docência ei:n
Direito), venho produzindo obras com o objetivo de atuali-
zar, orientar e aperfeiçoar os profissionais e estud'antes de
Direito, procurando tornar o ensino do Direito Processual
Civil mais dinâmico e prático.
Constatei também a necessidade de elaborar esta re-
levante obra que conduz o profissional da área jurídica a
atuar com maior destreza, segurança e capacidade. Prática
Forense em Processo Civil tem uma caracteristica ímpar:
conjuga a explanação dos temas de que trata - com obje-
tividade; .síntese e clareza - ao exemplo prático, utilizando
peças processuais e modelos jurídicos diversos, resultando
numa fácil compreensão e aplicação na prática juridica.
··················----pe:AT-JG-A-mRENSE EM PROCESSO -C-P/I L o Joseval Martins Viana
- --~---~--------~- ---

Esta obra é útil para os profissionais e estudantes de


Direito, porque traz de forma teórii~ e prática as mudan-
ças do Direito Processual CiviUPaf-a c advogado e para
a advogada, a obra indica os no~d~-'conceitos e os novos
procedimentos das açôes judiciais:e as peças totalmente
atualizadas, fornecendo uma visi'Í~- geral das mudanças.
Para o estudante e para a estud<Ípte
·-·,:-
de Direito, o livro
torna-se um instrumento eficaz d~;'aprendizagem, porque
apresenta a teoria e a prática por'fueio das peças proces- .. i

suais, proporcionando o conhecirfJento do novo sistema


processual civiL
Trata-se de obra imprescindívefeimperdível para todos
. eis profi.ssionáis da área do Direito, seja para atualizar, arri- -
pliar ou aperfeiçoar o conhecimento utilizado na prática
jurídica diária.
O Autor

'.(

Q
" 2 81 EDIÇAO
NOTA DO AUTOR A -

Fiquei muito surpreso com a aceitação da obra pelos


advogados, advogadas, estudantes e demais profissionais
do direito. Nesta 2" edição, aproveitei para acrescentar o
processo de execução, abrangendo a execução para entrega
de coisa certa e incerta, obrigação de fazer e não fazer,
execução por quantia Certa e embargos à execução. Segui
os passos do projeto da l" edição, ou. seja, explicações . I~
objetivas sobre cada tema e modelos. I
!
Uma vez que a 1" edição esgotou rapidamente, já come-
cei um novo projeto para este livro. Minha intenção é tratar
de todos os pontos relevantes do Direito Processual CiVil,
abrangendo o tema desde a intervenção de terceiro até os
procedimentos especiais, A ideia é manter uma al'lordagem
simples e compreensível, mas sempre técnica, parà que o
leitor e a leitora possam tirar rapidamente as dúvidas proces-
suais, além de consultar os modelos. É importante salientar
também que os modelos servem como diretrizes, devendo
os leitores e as leitoras adaptá-los aos casos concretos.
Por firri, quero agraQ.ecer a todos pela credibilidade, o
que aumenta minha responsabilidade de trazer ao público
obras da excelente qualidade a fim de auxiliar os profis-
sionais de direito no exercício da advocacia.
O Autor
_,
SUMÁRIO

Capítulo I- PROCURAÇÃO AD JUDICIA .............................. 21


1. Conceito .................................................... . .. ........... 21
2. Extensão dos poderes conferidos pelo outorgante ao
advogado .............................. ,........... ........ ..................... ..... .. 23
3. Modelo da procuração ad judicia com poderes para o
foro em geral ...................... ................................................. 26
4. Modelo da procuração ad judiciil tom poderes para ·O'
foro em geral e poderes especiais ......... .... ....................... 27
5. Modelo da procuração ad judicia et extra .. ....................... 29
6. Modelo de procuração ad judicia para integrantes de
sociedade de advogados .....................................................· 31
.,
Capítulo li - SUBSTABELECIMENTO ................................... 33
1. Conceito ............................................. ,................................. 33
2. Modelos de substabelecimento ..... ............ .................. ...... 35
2.1. Modelo de substabelecimento com reserva de
poderes ...................................................................... 35
2.2. Modelo de substabelecimento sem reserva de
poderes ...................................................................... 36

Capítulo HI- DA ASSISTÊNCIA ....... :.................................. ·37


1. Conceito ............................................................................... 37
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o )6"$eval Martins Viana
----

2. Finalidade ···················· 39
3. Cabimento . . .................. .... ~#A'!~·.:• . .. 40
4. Atuação do assistente no proceg.i0h••································ 40
5. Procedimento ........................... }i[{~~{~:................... .c,:•........... 43
• - • A .\:,\·~;·:::.--~ :::- -.

6. Modelo da pettçao de asststene<;;t!;Z.i-················: ............... 45


·.,,,._.; '·'·. '!•-·.
~~~-:·

:::~;<'·.\;;_'_
Capítulo IV - DENUNCIAÇÃO DA .t:Jp~
.. _... ,., !-..
.............................. 49
. "> :~-~ ,.
1. Conceito ..................... ... ······';;i:i:{o'································· 49
.._.; . . .•......._, .................... .. 49
2. Finalidade .................................. ~\·-Yf:~)t;·,_:-.-
,:;> ',·\}<
3. Cabimento ...................................;;:": .. :................................. 50
4. Não obrigatoriedade da denunci~~~b da lide ................. 52
5. Legitimação .: .. :: .. :..... :............. :...... ,.r:__..:.. :: ..................... :...... 52.
6. Tipos de denunciação e procedifr\~nto ... ......................... 53
7. Recursos da denunciação da lidi; ;_.:_.; ................................. 55
2
8. Modelo de petição (denunciaçãÓ:'(l"il. lide pelo réu) ........ 56

Capítulo V - CHAMAMENTO AO P~~~tSSO


,.· .. ,;
...................... 61
1. Conceito .................................. ,..._;. .:..:;;;.................................... 61
.:;-:- .
2. Finalidade ••••••••••••••••••••••..••••••••. i·, •• _;.:;.;; ................................. 62
·,.";..">c;·"
3. Cabimento ...................................::...~·," .. :................................ 62
4. Procedimento ............. --··············rW\;t· .......................... 64
5. Modelo de chamamento ao proç"1$;>\5 ............ :................. 66
. ·,:. ·.:>.:;:,;.:-·.-

Capítulo VI - DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA


J
PERSONALIDADE. JURÍDICA· ........;; ... :,:::.: .............................. 69
1. Introdução ............................................................................ 69 l
I
12
SUMÁRIO

2. Do incidente de desc'ol")sideração da personalidade ju-


ridica ......................... :_.,................ ............................. 74
3. Do procedimento ... ,.,_............... . ....................................... 75
3.1. Incidente de de$_consideração da personalidade
juridica no curs;b. do processo .......................... 75
'· ;..:·

3.2. DesconsideraçãÓ da personalidade juridica re-


querida na inici~l ... ... ................................... 79
3.3. Modelo de petiÇão do incidente de desconside-
ração da perso,lalidade juridica ............................ 81

Capítulo VII - DO "AMICUS CURIAE" ................................. 89


1. Conceito ...................: ........................................................... 89
2. Requisitos ..._.............. :._. .... :....... ,.. _.... ,... ,............................ ,.... 92
3. Requerimento ....................................................................... 93
4. Procedimento ........... :........................................................... 94
5. Modelo da petição "a_nücus curiae" ..................... ............. 96
. :· .. ,:.::·:'

Capítulo VIII - DAS EXCEÇÕES DE IMPEDIMENTO J;t SUS-


PEIÇÃO ······················•····::...................................................... 99
1. Introdução ................ ):......................................................... 99
2. Exceção de impedimento e de suspeição ...................... 100
3. Procedimento das exceÇões de impedimento e suspeição .. 109
4. Modelo de petições de impedimento e suspeição ....... 111
4.1. Modelo de peBç~o de exceção de impedimento 111
4.2. Modelo de petiÇão de exceção de suspeição ..... 113

Capítulo IX - PETIÇÃO INICIAL ........................................ 11S


1. Petição inicial ............................................... ~ .................... 115.

13
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseval Martins Viana

2. Requisitos da petição inicüil. ..•... 116


' .
3. Dó indeferimento da petiÇ~~ inicial 139
4. Improcedência Úmina{cl.'6 pedido da petição inicial ... 143
, , .~ . . .. '·r··· •.
5. Mo de1o de peb;(;~o rm~ra,; .,.,......................................... .. 147
5.1. Petiçãoir\:kial d~a~ãb.rescisão contratual cumu-
lada com restituiÇiJ.!J. de parcelas pagas e com
perdas e danos .,:~·';... :......................................... . 147
5.2. Mod<;>lo (\é petiçâ~:J;nki;:ll pleiteando indenização
por dalJpS morais',{erro médico) ....... :.......... . 156
' • ~ • _'I~ '

5.3. Modelo dEJpetic;~o.~rÜcial de ação estimatória ou


"quanti· mifi-qiü(·-,':1'.. :0~ •. -.· ....... ~---·····················-··········· 170
S:A. Modelo cteperlç~6 1ínici~l de ação de alimentos .. 176
.. ' < ·;. . .

5.5. Ação·de obrigaçãodefazer com pedido de tutela


provisória· de urgêpc~a · cumulada com ação de
.. indenizaç~<() po> ,qii'nos morais por erro médico ... 179
s'6 Modelo ~e ·ação tgivi~dicatÓria - retrovenda .... 199
---.·:_·'
: : ·:· · _ .-i\·>·~~;<--' _:_>--·:( : -:_·,..
capítU!d .X - coN'fll::'stAÇÃÕ .· .; ................. :...............,......... 2os
~. ·. . :-: /--·'
' ' : _·""" '; ': ,',- .•

1. Conceito ....... :,.;,., .. ,, ...·,.:.c .. ,................................................ 205


2. As~ectos fé>rrn~i$ da ~ií6testação .................................. 207
3. lmpugnaçãoparii:~ a•ponto dos pedidos formulados
pêlo autor na imdal · .: ... >.................................................
208
4. Defesa prelimín~r .... ,....:............. .......... .......................... 211
5. Defesa materiálÓ~ de. rrférito ..................................... 216
6. Modelos de.con~staç?o ,.: .. ,............................... :.............. 218
6.1. Estrutura.~ modeW de contestação com preliminar
(ilegitirnidill@é passiva, do réu e inépcia da inici;:ll) .. 218
· 6.2> Modelo de contestação ............................... :... .'..... 221
6.3. Modelo de rnntest;:lção tom pedido de preliminar .. 224

14
SUMÁRIO

Capítulo XI- RECONVENÇÃO NA CONTESTAÇÃO E RECON-


VENÇÃO AUTÔNOMA ............................ .............. ............... 235
1. Conceito ··----------··-- ......... ____________ , __ ............... _·-- __ ....... ... ..... 235
2: Finalidade ------··- .. ·----·--·--·----·--·-·· .. ··- ·--··-····-------·- ____ ............ 237
3. Requisitos ·------·-·---·-------·-·-·--··-····--···-- ................................. 237
4. Procedimento da reconvenção na contestação e de
forma autônoma ........................................................ _, _____ 239
4.1. Reconvenção em peça autônoma ·----------------------- 241
5. Modelos de Contestação com reconvenção --------·--·------ 243
6. Modelo de reconvenção 248

. Capítulo XII - RÉPLICA ......................·................................. 251

L Conceito ....................... -----------------·--·--· .. ··-·------·--····-······· ... 251


2. Ocorrência da réplica ....................................................... 252
3. Modelo de réplica ................................................ _, ___________ 255

Capítulo XIII - DA PRODUÇÃO ANTECIPADA DA PROVA .. 257


1. Conceito .... ·--. _. ___________ --·--· ------- .. _........ _. __________ .... _... __ .__ ._____ . 257
2. Requisitos ........................................................................... 258
3. Modelo de petição - Produção antecipada da prova
antecedente à ação principal .......................................... 263
4. Modelo de petição - Produção antecipada da prova
antecedente incidental ---------------------- .. ·----·--·---·----- ........... 267

Capítulo XIV - DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA ... 271


-, ,··.. . ''!•, ., .
; ;,'

1. -Introdução -----,-·-···-·-· .. ·-·-·----·---:·---------------···-·· ... :: ............... 271


2. Exibição de documento ou coisa em poder de terceiro __ 274

15
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL " Josevaf Martins Viana

3. Modelo de exibição de documento:ou coisa ................. 276


3.1. Modelo de exibição de documento-contra a parte .. 276
. '
3.2. Modelo de exibição de documéttto
. '
contra terceiro .. 279
~.

Capítulo XV- DA ARGUIÇÃO DE FALSipADE 283


1. Conceito ......................................... ,: .................................. 283
2. Do procedimento ........................... ,' .., .............................. 284
3. Modelo da arguição do incidentect~falsidade
·-·,'·-,·
286
. ~~

Capítulo XVI - LIQUIDAÇÃO DE SEN;iENÇA 289

1. Introdução ········································'·····'··········'················ 289


2. Liquidação de sentença por arbitramento .................... 291
3. Procedimento da liquidação da sentença por arbitra-
mento ..................................... :.......... :, ................................. 292
4. Liquidação da pelo procedimento·dbtnum .................... 294
5. Procedimento da liquidação de septença pelo procedi-
mento comum ...............................,...,................................. 295
6. Modelo de liquidação de sentença por arbitramento . 297
7. Modelo de liquidação de sentença pelo procedimento
comum ............................................•. :................................ 299

Capítulo .XVII - DO CUMPRIMENTO D~ SENTENÇA ... , ... 303


1. Introdução ..................................... :, ................................... 303
2. Cumprimento da sentença que reconhece a exigibili- ·
dade de obrigação de pagar quantia certa : .................• : 305
3. Modelo de impugnação à execução .......... -................... .. 309

16
SUMARIO
----

Capítulo XVIII - DA AÇÃO RESCISÓRIA ........................... 313


L Introdução .......................................................................... 313
2. Requisitos da ação rescisória ......................................... 317
3. Legitimidade de partes ............. .............. :,;................... . 323
4. Procedimento da ação rescisória ........... '·.............. 323
5. Modelo de ação rescisória ..................................... 326

Capítulo XIX - RECURSOS ................................................. 331


1. Conceito .................................................... ,........................ 331
2. Classificação ........... ,.......................................................... 332
3. Pressupostos de admissibilidade .................................... 333
4. Desistência e renúncia ........................... ,......................... 336

Capítulo XX - ESPÉCIES DE RECURSO .............................. 337


1. Recurso adesivo ................................................................ 337
1.1. Processamento.do recurso adesivo ..................... 341
1.2. Efeitos 343
1.3. Pedido ..............................................................:"...... . 344
1.4. Sustentação oral do recurso adesivo nos
tribunais ..... :..... ;.......................... :................................ 344
1.5. Modelo do recurso adesivo ................................... 346
1.5.1. Modelo da folha de rosto ....................... 346
1.5.2. Modelo do Recurso Adesivo em Recurso
de Apelação ............................................. : 347
2. Recurso de apelação ..................................................... ,... 353
2.1. Introdução ............................................................... 353
2.2. lnterposiçãodo recurso de apelação .................. 355
2.3. Efeitos do recurso de apelação ............................ 357

17
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

2.4. Algumas considerações importantes sobre a


nova sistemática do recurso de apelação .......... 358
2.4.1. Questões resolvidas na fase de c:onhe-
ciinento qúe não comportam agravo de
instrumento ............................ ,.: ............':. 359
2.4.2. Alegação de fatos novos no recurso de
apelação .. ,................ . ......... .. ................ 360
2.4.3. Pedido ou defesa com mais de um fun-
damento no recurso de apelação ......... 360
2.4.4. Extinção do processo sem resolução de
mérito ........................................... ,........... 362
2.4.5. Nulidade sanável no curso do processo,
quando da interposição do recurso de
.. apelação .................................................... 363
2.5. Procedimento do recurso de apelação ................ 363
2. 6. Preparo ............................. ,.. .. ... .. ... .. .. ... .. .. .. .. .. .. .. .. ... 368
2.7. Modelo de petição de interposição de recurso de
apelação ............................... ,.................................. 373
2.8. Modelo das Razões do Recurso de Apelação ..... 374
3. Agravo de instrumento ..................................... ,.............. 377
3.1. Introdução ............................................................... 377
3.2. · Modelo de agravo de instrumento ...................... 386
4. Embargos de declaração .................................................. 392
4.1. Conceito ................................................................... 392
J. 4.2. Procediménto .......................................................... 396 ·
i. 4.3. Embargos de declaração com efeito infringente ... 399
4.4, Modelo de embargos de declaração para o juiz
de direito da causa .... .... .... .... .. .. ...... .. .. ....... ..... .... .. 402
5. Recurso ordinário ...................................................... :....... 405
5.1. Introdução ............................................................... 405

18
SUMÁRIO

5.2. Cabimento . ·······································'······················· 406


5.3. Processamento 407
5.4. Modelo do recurso ordinárió ................................. 408
6. Recursos especial e extraordinário ........ ,......................... 413
6.1. Processamento ......................................................... 418
6.2. Modelo de recurso especial ................................... 425
6.3. Modelo de recurso extraordinário ........................ 435
7. Agravo em Recurso Especial e em Recurso Extraordi-
nário ..................................................................................... 445
8. Embargos de divergência ............ .. ... ... ... .......... ... ............... 446
8.1. Procedimento ........................................................... 448
8.2. Modelo dos embargos de divergência .................. 450
9. Outros modelos ....................................................... :..'........ 456 ·
9.1. Agravo interno em recurso especial ..................... 456
9.2. Modelo de agravo interno em recurso especial .. 458
9.3. Modelo de agravo interposto contra decisão que
não admitiu recurso extraordinário ..................... 462
9.4. Modelo de embargos de divergência ............~ ....... 464
9.5. Modelo de Agravo Interno ao Tribunal de Justiça
que negou seguimento ao Recurso Especial ao
Superior Tribunal de Justiça ............................. 467 >. . . . .

9.6. Diferença entre Agravo Interno endereçado ao


Desembargador do Tribunal de Justiça e Agravo·
Interno endereçado ao Ministro do Superior Tri-
bunal de Justiça ....................................................... 470

Capítulo XXI - PROCESSO DE EXECUÇÃO ........................ 471


1. Introdução .................... ,, ....... :......................... ." ....... :. ....... .. 471
2. Das partes na execução .............................. ! .................... 472

19
PRArtCA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseva! Martins Viana
---

3. Competência .. .................... .................... ...... ... ...... ............. 473


4. Requisitos para a realização da execução .................... 474
5. Títulos executivos extrajudiciais .................................... 475
6. Responsabilidade.patrimonial do devedor .................... 476
7. Fraude à execução ............................................................ 478
8. Das diversas espécies de execução ..... :.......................... 478
9. Nulidade da execução .... .. .. ...... .. .... .. .. .. .. .. ... .. .. .. .. .. .... ... 480
10. Execução para entrega de coisa .................................. .. 480
10.1. Entrega de coisa certa ............ :.............................. 481
10.2. Entrega de coisa incerta ..................................... :. 482
11. Execução das obrigações de fazer ou de não fazer ... .. 484
12. Execução por quantia certa ............................................ 487
12.1. Citaç.ã.o no processo de execução ~ .......... :............ 489
12.2. Penhora ................................................................... 491
12.3. Avaliação .........................,........................................ 491
12.4. Expropriação de bens .... ::...................................... 492
12.5. Satisfação do crédito e extinção da ·execução ... 493
13. Modelos de petição inicial no processo de execução .. 494
13.1. Modelo de petição inicial de entrega de coisa
certa ......................................................................... 494
13.2. Modelo de execução para entrega de coisa incerta 498
13.3. Modelo de execução de obrigação de fazer ....... 501
13.4. Modelo di execução de obrigação de n\'i.o fazer 504
13.5. Modelo de execução por quantia certa ............. . 507
14. Embargos à execução ......... :............................................ . 510
14.1. Modelo de embargos à execução .................. ,;,, __ , 514

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 517

20
PROCURAÇÃO AD]UDIGIA

1. CONCEITO

Autor e réu devem ser representados em JUIZO por


· advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados
do Brasil. Quando os litigantes contratam um advogado,
assinam um documento chamado de procuração ad j.u-
dicia. É o instrumento do mandato judicial. utilizado por
ele (outorgado) para representar seu cliente (outorgante)
nas ações judiciais.
A procuração ad judicia é o instrumento de mandato.
Pode ser conferida por instrumento público ou por ins-
trumento particular assinado pela parte. A procuração ad
judicia por instrumento público é elaborada pelo tabelião. A
procuração ad judicia por instrumento particular é aquela
produzida pelo próprio advogado .
. É licito à parte que for advogado postular em causa
própria. A ação pode ser de qualquer natUreza. Não se
PRÂTICA FORENSE EM PROCESSO ·CIVIL. G JOseval Martins Viana

esqueça de que, nesse caso;'o advogado não assina pro-


curação adjudicia, porqu_é.}lãó.se outorga procuração para
si mesmo. Deverá, na qJdaJificação, informar ao juiz de
di'reito que é advógado e'~st<i atuando em causa própria.
Terá ainda de declarar, . na. p'étição inicial ou na contesta-
ção, o endereço, seu mimero de inscrição na Ordem dos
Advogados do Brasi.J.. e o iwme dél sociedade de advogados
•da qjl]ll participa, para .o ·fe~ebimento de intimações.
Precisa também infonttar o juízo sobre. qualquer mu-
dança de endereço. Se ó advogado não registrar essas
informações, o juiz de dfreito mandará que supra essas
omissões, no prazo de OS (Cinco) dias, antes de determinar
a citação do réu, sob pena de indeferimento da petição .
inicial. Por fim, se o advogado não informar ao juiz sobre
qualquer mudança de endereço, e as intimações dos ter-
mos e atos processuais forem enviadas ao endereço antigo,
serão·.tonsideradas válidas.
O advogado não poderâ postular em juÍzo sem procura-
ção, exceto para evitar preclusão, decadência ou prescrição,
ou para: praticar ato considerado urgente; no entanto, de-
verá exibir a proruração ad judicia no prazo de 15 (quinze)
dias, prorrogável por igual período por despacho do juiz.
É importante salientar que. .o .advogado deve protocolar a
procuração para J!:atificar. os atos processuais praticados
sem a procuração. Se não o fizer, os atos serão ineficazes
e o advogado responderá pelas despesas, perdas e danos.

22
Capítulo I
PROCURAÇÃO AD JUDICIA
-------

2. EXTENSÃO DOS PODERES CONFERIDOS PELO


OUTORGANTE AO ADVOGADO

De acordo com o tipo de procuração ad judicia, ela pode


ser geral ou com poderes especiais. A procuração ad judicia
com poder geral abrange todos os negócios do mandante.
Nesse caso, segundo o art. 105 do CPC, habilita o advogado
a praticar todos os atos do processo. Por exemplo: distribuir
a petição inicial, apresentar contestação, interpor agravo
de instrumento etc. A procuração ad judicia com poderes
especiais confere ao advogado o direito de receber citação,
confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir,
desistir, renunciar ao cl.ireito sobre o qual se funda a ação,
receber, dar quitação, firmar compromisso e assinar decla-
ração de hipossuficiência econômica, que devem constar
de cláusula específica.
Quando o advogado requerer justiça gratuita a favor de
seu cliente, deverá incluir na procuração ad judicia cláusu-
la específica para assinar declaração de hipossuficiência
a favor de seu cliente. Se o cliente não for efetivamente
hipossuficiente, o advogado responderá civil, criminal e
administrativamente, uma vez que tem o dever de atuar
com idoneidade e ética cl.urante o andamento processual.
No dia a dia forense, o advogado não precisa firmar
declaração de hipossuficiência, podendo requerer a gra-
tuida_de da justiça na petição inicial; :na cqntestação, J1a ·· ·
petição para o ingresso de terceiro no processo
, ou em
recurso, de acordo com o art. 99 do CPC.
PRÁ-TiCA FORENSE Ef·1 PROCESSO C!V!L ~ _!os aval Martins Viana

A procuração pode ser assinada digitalmente, na for-


ma da lei. Deverá conter ainda o nome do advogado, seu
número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil e
endereço completo. Cvnvérrt acrescentar âinda .o número
do RG e do CPF/MF.
Se o advogado integrar sociedade de advogados, a pro-
curação também deverá conter o nome da sociedade, seu
número de registro na Ordem dos Advogados dei Brasil e
endereço completo.
Dispõe o art. 107 do CPC que o advogado tem direito a:
I- examinar, em cartório de fórum e secretaria de tribu-
nal; mesmo sem procuração, autos-de qualquer. processo,··
independentemente da fase de tramitação, assegurados
a obtenção de cópias e o registro de anotações, salvo na
hipótese de segredo de justiça, nas quais apenas o advo-
gado constituído terá acesso aos autos;
II- requerer; como procurador, vista dÔs autos de qual-
quer processo, pelo prazo de OS (cinco) dias;
III - retirar os autos do cartório ou da secretaria, pelo
prazo legal, sempre que neles couber falar por determi-
nação do juiz, nos casos previstos em lei:
Ao receber os autos, o advogado assinará c!'lrga em livro
ou documento próprio. Se o prazo for comum. às partes,
os procuradores poderão retirar os autos somente em·
conjunto ou. medianteprévio
. ajuste,
,
porpetição nos autos.
' ' . ' ' '

24
Capitulo I
PROCURAÇÃO .~D JUDICIA
-----··---···--·---· -------

É lícito ao advogado, quando o prazo for comum, retirar


os autos para obtenção de cópias, pelo prazo de 2 (duas)
horas a 6 (seis) horas, independentemente de ajuste e sem
prejuízo da continuidade do prazo. O procurador perderá
no mesmo processo o direito a fazer carga dos autos do
processo se não devolvê-los tempestivamente, exceto se
o prazo for prorrogado pelo juiz.
Não é necessário reconhecer firma da procuração ad
judicia. No entanto, se a procuração for ad judicia et extra,
deverá ter firma reconhecida. Isso porque essa procura-
ção pode ser utilizada tanto nos autos do processo como
fora dele, com todos os poderes que foram conferidos ao
procurador. Se a procuraçã(:l ad judicia et extra for utilizada.
apenas nos autos do processo, então não há necessidade
do reconhecimento de firma.

25
PRÂTICA 'FORENSE EM P!ROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

3~ MODELO DA PROCURAÇÃO AD JUDICIA COM


PODERES PARA O FORO EM GERAL

26
Capítulo I
PROCURAÇÃO AD JUDICIA
··-----~------·------~---

4. MODELO DA PROCURAÇÃO AD ]UDICIA COM


PODERES PARA O FORO EM GERAL E PODERES
ESPECIAIS

?7
PRATlCt\ FORENSE EM PROCESSO CiViL Joscval t-1artio::.. Víana
--------~------------

i
I
I
í

!
l
i
I

28
Capitulo I
PROCURft.()i._o AO JUD!C!.A.

5. MODELO DA PROCURAÇÃO AD JUDICIA ET


EXTRA

29
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL .. Joseval Martins Viana

'

on
Capítulo I
PROCURAÇÂO AD JUDICIA

6. MODELO DE PROCURAÇÃO AD JUDICIA PARA


INTEGRANTES DE SOCIEDADE DE ADVOGADOS

31
PRATICA FORENSE EM PROCESSO C I V! L • Joseval Ma.rtins Viana

32
SUBSTABELECIMENTO

1. CONCEITO

O substabelecimento é o meio pelo qual o mandatário


transfere para outro advogado os poderes que lhe foram
outorgados pelo mandante. Pode ser substabelecido com
ou sem reserva de poderes. Com reserva de poderes, o ad-
vogado que substabeleceu para o outro fica representando

o mandante na demanda. Sem reserva, o advogado deixa
definitivamente de representar o outorgante.
A procuração ad judicia tem de registrar a autorização
para substabelecer. Se o mandante proibir o substabele-
cimento, o mandatário deverá excluir da procuração ad
judicia os poderes para o substabelecimento. Se mesmo
assim o mandatário se fizer substituir no cumprimento
. do mandato, ele resp<;mderá ao seu constituinte .pelos
prejuízos ocorridqs no processo, ainda que tenham sido
provenientes de caso fortuito, exceto se o mándante provar
PRÁTICA FORENSE EM P!ROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

que o prejuízo teria acontecido mesmo que não tivesse


havido substabelecimento.
O cliente do advogado deve estar ciente do substabele-
Cimento com ou sem reserva de poderes, porque este ato +·
envolve duas questões relevantes: confiabilidade e ética.
Quando o cliente contrata o advogado, existe confiabilidade
entre eles. A escolha pode ter sido realizada por indicaÇão,
por especialização ou mesmo porque advogado é clientes
são amigos. Por isso, o substabeleCimento do mandato
exige prévio conhecimento do cliente.
A ética está relacionada exatamente com o prevw
conhecimento do cliente. Ora, este outorgou manda.to ao
advogádo de sua confianÇa, exige-sé que o mandatário
esclareça ao cliente que o substabelecimento outorga po-
deres a outro advogado. Por isso, é importante informar o
cliente sobre a possibilidade de substabelecer os poderes
da procuração "ad judicia" a outro advogado. Esclarecer o
cliente sobre o substabelecimento é importante, porque
ele tem o direito de não autorizar o advogado a fazê-lo,
pois a prestação de serviços advocatícios envolve confiança
mútua e mandatário e mandante. No caso do substabeleci-
mento sem reserva de poderes, o outorgante tem o direito
de escolher outro advogado de sua confiança.

34
Capítulo 11'
SU.BSTABELECIMENTO

2. MODELOS DE SUBSTABELECIMENTO

2.1. Modelo de substabelecimento com reserva de


poderes

35
PRÁTiCA f-ORENSE El-'1 PROCESSO CiViL ~ Jos&;/ai t.IJ;;u·tins \/iana
-------------------------- - - -

2.2. Modelo de substabelecimento sem reseNa de


poderes

1_

36
~ ' ·.. :- ·-·~-' ,:_' ... -.
. .DA ASSISTENCIA

1. CONCEITO

Assistência é o meio pelo qual um terceiro (assistente)


que tem interesse jurídico numa determinada demanda
ingresse nela para auxiliar autor ou réu (assistido), visto
que os efeitos da sentença da ação atingirão tanto o ass.is-
tido quanto o assistente. Esse instituto jurídico encontra-se
previsto nos arts. 119 a 124 do CPC. •
Convém salientar que sendo revel ou, de qualquer outro
modo, omisso o assistido, o assistente será considerado
seu substituto processual. A posição do assistente é de
terceiro que tenta auxiliar uma das partes e obter vitória
no processo. O assistente não defende direito próprio,. mas
direito alheio.
O conceito de assistência apresenta pelo menos dois
requisitos essenciais para o cabimento desse instituto
jurídico, a saber: ,
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL " Joseval Martins Víana

a) ação judicial em andamento;


b) terceiro que tenha interesse juridico na demanda.
Ora, como o terceiro intervirá na lide, isso somente será
possível com a existência de uma demanda. Além disso.:'
a assistência é ação judicial acessória, uma vez que se a
ação principal for extinta, ocorrerá o mesmo com a assis-
tência. Um "terceiro" não é considerado parte no processo.
Em razão disso, ele deve demonstrar o interesse juridico
da demanda, ou seja, deverá demonstrar por meio de um
raciocínio convincente que se o assistido perder a causa, a
sentença irá causar-lhe prejuízo juridicamente relevante.
··.O grau de intensidade do interesse jurídiéo do assistente-
indicará o seu enquadramento na assistência, porque há
duas espécies, a saber:
a) assistência simples ou adesiva: o assistente inter-
vém no processo para auxiliar autor ou réu, sem
defender direito próprio;
b) assistência litisconsorcial ou qualificada: o assis-
tente defende direito próprio em face de uma das
partes.
Assim, passa a,ser litisconsorte no processo e não um
mero assistente. b assistente litisconsorcial inàntém re-
lação juridica própria com o litigante da parte assistida.
Exemplo de as~j~te~te ~imples: sublocatário, em ação de
despejo movida contra o locatário, cuja sentençá d~sfa­
vorável ao locatário certamente atingirá o sublocatário.

38
Capítulo 111
... DA ASSISTÊNCIA .

Exemplo de assistente litisconsorcial: o herdeiro que as-


siste o espólio em ação judicial.
A assistência pode ser proposta em qualquer tipo de
procedimento e em todos os graus de jurisdição, dando,
portanto, ao terceiro a oportunidade de requerer o seu
ingresso no processo, como assistente, tanto em primeiro
quanto em segundo grau, em qualquer tipo de procedi-
mento, ou seja, proceqimento comum, especial e jurisdição
voluntária, exceto no processo de execução. É possível
propor a assistência até mesmo nos casos de embargos
do devedor, uma vez que ele tem natureza de ação de
.conhecimento.
Devemos observar que, ao ingressar no processo, o
assistente o receberá no estado em que se encontra, isto
é, não poderá praticar quaisquer atos ou requerer proyàs
que foram praticadas ou requeridas em atos processuais
anteriores à sua entrada. Portanto, se o assistente Ingressa
no processo depois de já decorrido o prazo para oferecer
a contestação, não poderá mais contestá-la e assim por
diante.

2. FINAÍ..IDADE

O assistente não protege direito próprio, mas defende


direito de um dos demandantes, embora tenha interesse a
ser protegido indiretamente em virtude da, sentença, cujo
efeito poderá atingi-lo.
-·-....,------.- - - - - · ·~-. -·

3. CABiMENTO

O assistente poderá interferir na relação jurídica pro~


cessual de outrem som<t:nte se tiver interesse. Ressaltamos
que o interesse do assistente não tem o escopo de prote~
ger seu direito subjetivo, uma vez que não formarelação
jurídica processual com os litigantes. Esse interesse há
de ser jurídico, por isso o art. 119 do CPCprelecíona que
o assistente deve ter interesse jurídiCo para interferir no
processá no qual não é parte.
A assistência é cabível no processo de conhecimento,
por.isso~brgnge.g,pmcedimento~comu:r.n,e~decjurisdiç.ã()t'
. .. ..·, ·.... . .· ... .
• .
' . '··. '.'
'"''•'• '•,

voluntária. Também não há impedimento legal para propor


a assistência nos processos de procedimento especial, nas
ações monitórias e nos embargos do devedor.

4. ATUAÇÃO DO ASSISTENTE NO PROCESSO

A atuação do assistente no processo será delimitada


de acordo com a espécie de assistência, ou seja, simples
ou litisconsorcial. Em sendo admitido, o assistente poderá
exercer os seguintes atos:
a) será admitido como auxiliar da parte principal;
b) exercerá os mesmas poderes que o assistido; ·
c) deverá sujeitar-se aos mesmos ônus proéessuais
que o assistido.
40
CapituDo UI
DA ASS!STÉ?NC1A

Devemos observar, em primeiro lugar, que o artigo 121


do Código de Processo Civil utiliza a expressão "auxiliar da
parte principal". Nesse caso, trata-se do assistente simples
e não litisconsm;cial. O assistente simples é mero auxí-
liador do assistido. Ainda que o assistente não seja parte
na causa, exerce os mesmos poderes do que o assistido,
tais como, produzir provas, contestar, opor-se a atos da
parte contrária, recorrer etc. Não poderá praticar nenhum
ato contrário à defesa do assistido, visto que o direito em
discussão é do assistido e não de ambos. Alguns atos pro-
cessuais praticados pelo assistente estão sujeitos aos atos
realizados pelo assistido. Exemplos: o assistente só pode
I
.·.arrolar testemunh<!SS.e o assistido não desi:;;tir da produção.
de provas; pode recorrer da sentença, se o assistido não
tiver renunciado ao direito de fazê-lo etc.
O assistente também fica sujeito aos mesmos ônus q;tie
forem atribuídos ao assistido, como, por exemplo, paga-
mento proporcional das despesas processuais. No"caso de
honorários advocatícios, o assistente não será condenado·
neles nem os receberá, caso o assistido seja o vencedor.
Por sua vez, o artigo '124 do Código de Processo Civil
ensina que: "Considera-se litisconsorte da parte principal
o assistente sempre que a sentença influir na relação juri-
dica entre ele e o adversário do assistido." Esse artigo trata
do assistente litisconsorcial, visto que ele é praticamente
. parte
. no processo. A. redação
' ' -..' ·.- da
. lei não deixa dúvida. sobre,
- .
o assunto: "... tocl,a vez que a sentença .influirria relação
juridica entre ele e o adversário do assistido." O verbo "in-
41
PRÁTICA FORENSE EM PíROCESSO CIVIL " Joseval Martins Viana
-------------

fluir" significa "produzir certos efeitos". Quando a sentença


produzir efeitos jurídicos entre o assistente e o adversário
do assistido, trata-se de assistente litisconsorcial. Como se
sabe,
.
esse tipo de assistente defende direito próprio contra
o adversário do assistido.
.
Podemos exemplificar da seguinte forma: um determi-
nado condômino propõe demanda reivindicatória contra
quem indevidamente se apossou do condomínio. Os de-
mais condôminos poderiam propor separadamente a mes-
ma ação judicial, porém optaram por ingressar naquela
demanda já em curso e o fazem na qualidade de assis-
tentes do condômino que já havia ajuizado a demanda,
"' .>. . . tomando,::;e;,.•as:;;Hn., assistentes litisconsorciais; porque a . ··
sentença proferida na ação reivindicatória atingirá todos
os demais condôminos.
O procedimento aplicado para o assistente simples in-
gressar na causa é o mesmo para o litisconsorcial. O pedido
de intervenção se<guirá os mesmos passos enumerados no
artigo 120 do CPC, a saber: elaboração de petição inicial,
intimação das partes, impugnação no prazo de quinze dias,
provas e decisão, cujo recurso é o agravo de instrumento
(art. 1.015, IX, do CPC). Tudo isso sem a suspensão do pro-
cesso principal. EIJ:!i. sumaf.o-.quese aplica no procedimento
do assistente sir:qpllies, aplica-se no litisconsorcial.
Notemos, aind:a, que não se aplica o disposto no artigo
122 do Código de Pmcesso Civil para o assistente litiscon-
sorcial: "A assistência simples' não ·obsta a que !a parte
principal reconheça a procedência do pedido, desista da

42
DA

ação, renuncie ao direito sobre o que se funda a ação ou


transija sobre direitos controvertidos."
O assistente litisconsorcial não pode desistir da ação,
reconhecer o pedido ou renunciar ao direito em que se
funda a ação. Salientemos que o assistente litisconsor-
cial é aquele que mantém relação jurídica própria com o
adversário da parte assistida e que poderia desde o início
ingressar na demanda como litisconsorte facultativo.

5. PROCEDIMENTO

<.lpiçiglmeptf::,
.' ' . ' "-
faz-se necessário. reforçar
- '.
' - ·.·'
" -
a ideia
--
'"'-.,
.de. que.,
" .
.
"·.'

o instituto da assistência pode ocorrer em qualquer tipo


de procedimento e em qualquer grau de jurisdição, entre-
tanto, o assistente recebe o processo no estado em que
se encontra.
A petição é elaborada com base no art. 319 ~ 320 do
CPC. Essa petição apresenta duas exceções: requercse a
intimação das partes e não se dá valor à causa:. A petição
é endereçada ao juiz de direito que tomou conhecimento
da ação entre os demandantes. Devemos qualificar o as-
sistente, bem como as partes que serão ouvidas e poderão
impugnar o pedido do assistente no prazo de cinco dias,.
contados da intimação. Essa intimação é feita nas pessoas
dos advogados dos litigantes..
Se não houver,impugnação, o juiz poderá ou não admi-
ti-la em seus respectivos termos, deferindo' ou indeferindo

43
PRÂTICA FORENSE EM PROCESSO C!VlL o Joseval Martins Viana

o pedido. Em havendo impugnação de qualquer das partes,


alegando falta de interesse jurídico para intervir a favor
do assistido, o juiz decidirá o pedido incidentalmente nos
próprios autos. Umq,. vez que o julgamento do incidente
será por meio de decisão interlocutória, o recurso será
agravo de instrumento (art. 1.015, IX, do CPC).
Capítulo m I
DA ASSISTÊNCIA ;,

6. MODELO DA PETIÇÃO DE ASSISTÊNCIA


PRÁTICA FORENSE EM P.RQCESSO CIVIL Josevaf Martins Viana

sentenç;J seja fa\/oráVel

46
Capitulo 111
DA ASSIST~NCIA ,

47
1. CON_CEITO

.. · ~--
-~- ···Denunciação d'aiide é Ci instrumento jurídico que petc
mite o autor ou o réu chamar a juízo terceira pessoa, que
seja garante do seu direito, a fim de resguardá-lo no caso
de ser vencido na demanda em que encontram.
A denunciação da lide tem previsão legal a partir do
art. 125 do CPC até o art. 129 do CPC. Pode ser prômovida
tanto pelo autor quanto pelo réu. Aquele que denuncia a
lide ao terceiro é chamado de "denunciante" ou ''litisde-
nunciante"; o terceiro chamado ao processo recebe o nome
técnico de "denunciado" ou "litisdenunciado".

2; FINALIDADE

• No processo já existente, a denunciação da lide tem


pbr finalidade iniçiar uma nova demanda, que vai obrigar .
o denunciado a garantir o direito do denunciante na ação
PRÃTICA FORENSE EM CIVIL ~ Joseva/ Martins Viana

de regresso, caso venha a perder a ação. A sentença deci-


dirá não apenas a lide entre autor e réu, mas também a
nova demanda que se criou entre a parte denunciante e
o terceiro denunciado. Notemos que o réu recebe o nome
. ~·

de denunciante e o terceiro, de denunçiado.

3. CABIMENTO

A denunciação da lide tem em mira chamar o denun-


ciado, que mantém vínculo de direito com o denunciante,
para responder pela garantia do negócio jurídico, se o denun-
ciante sucumbir à ação judicial que lhe foi proposta. É um
instituto facultativo, isto é, se a parte deixar.de denunciar à
lide;·O terceiro não perde seüdíreitb màte:riàÍ de regresso. 0
direito regressivo será exercido por ação autônoma quando
a denunciação for indeferida, deixar de ser promovida ou
não for permitida, de acordo com o art. 125, § 1°, do CPC.
Convém consignar que o réu, ao ser citado, apresente,
além da contestação, a denunciação da lide cujo pedido
deverá estar inserido na contestação, conforme demons-
tra o modelo da peça. Se o réu não denunciar à lide, só
poderá exercer seu direito em ação autônoma, causando-
-lhe desperdício de tempo, p()iS poderia ter aproveitado a
demanda para denunciar à Úél.~ ...
A denunciação d:a lide é obrigatória nos seguintes casos:
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa
cujo domfui~ foi transferid~ a:o denu~cia!lte, a fim de
que possa exercer os direitos que da evicção lhe resul-

50
Capitulo IV
DENUNCIAÇÃO DA LIDE
----------------------------------------------
tam: para melhor compreender esse inciso, tomemos o
seguinte exemplo: "N' vende um terreno para "B". Por sua
vez, "C" propõe ação judicial éontra "B", a fim de reivindi-
car a propriedade do terreno vendido por "N'. Nesse caso
juridico, "B" é réu na ação principal e, ao ser citado, indica
"X' (alienante e denunciado) para compor o polo passivo
da demanda para que o denunciado ("N') garanta ao de-
nunciante ("B") o exercício do direito deste proveniente da
evicção. Assim, na transferência de propriedade, posse ou
uso, o alienante é responsabilizado por lei pela evicção
e deve garantir o direito do adquirente. Se o adquirente
não lançar mão da denunciação da lide e vier a sucumbir
perante areivindicação da outra parte, não poderá exigir
contra o transmitente o direito que a evicção lhe possibili-
ta por meio da denunciação. A evicção é a perda da coisa
adquirida em virtude de uma sentença judicial para outta
pessoa que melhor exerça o direito sobre a mesma coisa .
n - àquele que estiver obrigado, pela lei •ou pelo
contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo do
que perder a demanda: a denunciação da lide pode ser
ajuizada em face daquele que estiver obrigado por lei ou
por contrato a indenizar alguém, em ação regressiva, o
prejuízo do que perder a demanda. O exemplo clássico é
o da companhia de seguros que, acionada por aquele que
sofreu o prejuízo, denuncia à lide o causador do dano. Há
de se observar, ainda, que a aplicação deste inciso resc .
tringe-se à ação regressiva de garantia, isto é, apenas nas
situações em que a responsabilidade do garántidororigina-

51
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

-se da lei ou do contrato, ;;;em que haja necessidade de se


discutir qualquer fato novo ou outro fundamento jurídico.
Convém lembrar, ainda, que se não houver denunciação
da lid~.' o juiz de direito não apreciará a pretensão do réu
a qu~ este teria direito no mesmo processo. Embora isso
ocorra, o réu poderá propor ação judicial para que seu
pedido seja apreciado. Observação: A denunciação da lide
não tem cabimento no Código de Defesa do Consumidor
e nos embargos à execução.

4. NÃO OBRIGATORIEDADE DA DENUNCIAÇÃO DA


LIDE

É importante salientar que a denunciação da lide não


é obrigatória. O caput do art. 125 do CPC dispõe de forma
explícita que é "admissivel a denunciação da lide" no curso
da demanda que trata de questões envolvendo o alienante
imediato e aquele que estiver obrigado a indenizar, por lei
ou contrato, terceiro. Se autor ou réu não denunciarem
à lide, terão direito regressivo em ação autônoma, sobre-
tudo quando ela for indeferida ou não for permitida.

5. LEGITIMAÇÃO

A denunciação da lide pode ser requerida pelo autor


ou pelo·réu,. No polo passivo, podem,figurar o aUenante.
a títlilô oneroso, o proprietário ou possuidor illdireto e o
responsável pela indenização regressiva.
52
Capítulo IV
DENUNCIAÇÃO DA LIDE

6. TIPOS DE DENUNCIAÇÃO E PROCEDKMENTO

Existem dois tipos de denunciação da lide: a promovida


pelo autor ou aquela promovida pelo réu.

6.1 Denunciação da lide pelo autor: se a denunctação


da lide foi requerida pelo autor, a petição inicial deverá
comer os requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC. Na inicial,
o denunciado e o réu serão devidamente qualificados, re-
querendo-se a citação de ambos, a fim de que componham
a lide. O juiz fixará prazo de resposta ao denunciado. Em
regra, o juiz de direito determinárá o prazo de 15 (quinze)
dias para o denunciado se manifestar. O denunciado será .
··citado antes do réu, pois se o denunciado aceitar· a denl1n~ ·
ciação, poderá aditar a inicial, trazendo novos argumentos,
juntando documentos. Depois disso, o réu será citado para
contestar a ação. Assim, possibilita-se ao réu a oportuni-
dade de defender-se por meio de uma única contestação.

Se houver diligência para promover a citação do denun-
ciado, a lei processual fixa o prazo de 30 (trinta} dias para
o residente na Comarca, e dois meses para o residente em
outra Comarca, ou em lugar incerto, conforme dispõem os
artigos 126 e 131 do Código de Processo Civil. ..
Durante o curso processual, o denunciado poderá sim-
plesmente aceitar a denunciação da lide e permanecer
. inerte. Assim, exauridoo prazo de comparecimento, o juiz.
détermiriará a cit~ção do réu, aplicando ao denunciado a
pena de revelia, prosseguindo-se a ação júdicial sem in-

53
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

timações pessoas para o denunciado reveL Poderá, ainda,


comparecer a juízo e assumir a posição de litisconsorte do
denunciante, podendo aditar a petição inicial, para, depois,
citar o réu, conforme dito anteriormente. O denunciado
pode, por fim, negar sua qualidade. Nesse caso, o autor
poderá continuar, normalmente, a ação judicial contra o
réu, porque a sentença final indicará se há ou não direito
decorrente da evicção, ou da responsabilidade pór perdas
e danos a cargo do denunciado.

6.2 Denunciação da lide promovida pelo réu: o réu


deverá denunciar à lide no prazo da contestação, ou seja,
nos .15 dias.A denunciação daJide cleyerá ser feita no bojo
da contestação. O mesmo procedimento aplicado aos pra-
zos da citação da denunciação da lide pelo autor deverá
ser obedecido pelo réu, quando for denunciante~

A denunciação da lide tem o condão de suspender


provisoriamente o andamento processual. Note-se que a
denunciação da li.de é um instrumento processual que
beneficia a parte contrária ao denunciante, e não a do
denunciado. Se a denunciação da lide for indeferida, não
for promovida ou não fo:r permitida, o direito regressivo
será exercido po~i ação autônoma.
O juiz marcará para o denunciado o prazo de resposta
(15 dias), e, após sua citação, poderá ocorrer o seguinte:
a) se o denunciado aceitara defninciação, poderá con-
testar o pedido em 15 dias, cujo prazo começará a

54
Capítulo IV
DENUNCIAÇÃO DA LIDE
--------·-

fluir a partir da aceitação da denunciação da lide.


O processo prosseguirá entre o autor, de um lado,
e de outro, como litisconsortes, o denunciante e o
denunciado;
b) se o denunciado deixar de responder à denuncia-
ção, isto é, se for revel ou comparecer apenas para
negar a qualidade que lhe for atribuída, cumprirá
ao denunciante prosseguir na defesa até o final. O
prazo de contestação obedece ao mesmo princípio
do item anterior;
c) se o· denunCiado confessar os fatos alegados pelo
autor, o denunciante poderá prosseguir na defesa,
sempre com a devolução do prazo da contestação.

7. RECURSOS DA DENUNCIAÇÃO DA LIDE

Se o juiz rejeitar a denunciação da lide no curso do


processo sem obstar o prosseguimento da ação p:çi.ncipal,
ter-se-á configurada a decisão interlocutória, cabendo, por-
tanto, agravo de instrumento, conforme preleciona o artigo
1.0515, inciso IX, do Código de Processo Civil.
Caso o juiz julgue, na sentença, improcedente a denun-
ciação, compete ao denunciante o direito de interpor re-
curso de apelação. Ao julgar procedente a ação, a sentença
deverá declarar o direito do evicto ou a responsabilidade
por perdas e danos, valendo como título executivo.

55
PR..Õ..TiC/\ FORSNSf FM PRGCFSSO C:IVII " .Josevlif fvlnrtins Viçmç

8. MODELO DE PETIÇÃO (DENUNCIAÇÃO DA LIDE


PELO RÉU)

56
Capíi:ulo IV
CJE,"-~UNC ,t\Ç/\.,C) D.ó. ! !DF

57
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseva/ Martins Viana
capitulo IV
DENUNCIAÇÃO DA LIDE

59
PRÁTiCA FORENSE Eivi PROCESSO CIVIL " josevai iviart1ns Viana

nn
' ..

cf.í.AMAMENTo Ao p··~~O{Jf.:S
. ' '

1. CONCEITO

· Chamamento ao processo é o ato pelo qual o devedor


demandado chama os coobrigados pela dívida para inte-
grar a lide, a fim de que sejam também responsáveis pelo
resultado da ação. É previsto nos arts. 130 a 132 do CI;e.
Esse instituto jurídico não implica substituição processual
das partes, porque, ainda que deferida pelo magistrado,
não exclui o réu primitivo da causa, para ser incluído o
terceiro. Opera-se, na verdade, lima extensão na relação
processual, com a inclusão do terceiro no processo sem a
exclusão do réu primitivo. Devemos também ter em vista
que o chamamento ao processo é uma "faculdade" e não
uma obrigação do devedor demandado. Por isso, somente
pode ser promovido pelo réu.
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana
·--:-;-,.--~--~---,--

I
'I 2. FINALIDADE
'i Trata-se de u.m instituto que tem em mira favorecer
I
:! o devedor acionado judicialmente, porque amplia a de-
manda para autorizar a condenaÇão também dos demais
devedores, além de lhe fornecer, na mesma ação, titulo
executivo judiciaL a fim de cobrar deles aquilo que o .de-
I
,-1
vedor tiver de pagar. O chamamento ao processo é uma
I faculdade.
l
'
3. CABIMENTO

É admissível o cchamameilto ao processo:

3.1. do afiançado, na ação em que o fiador for réu: é


facultado ao credor pleitear o pagamento de dívida direta-
mente contra o devedor principal ou contra seu fiador. Pode
ainda propor a ação contra ambos. Se o credor propuser
diretamente a demanda em face do fiador, este pode cha-
mar ao processo o devedor principal, a fim de que conserve
o direito à ação de regresso contra o afiançado. Quando o
fiador for citado corno réu para pagamento do débito, cha-
mará o devedor, no prazo da contestação, a fim de formar
litisconsórcio passivo. Dessa forma, o devedor responderá,
no mesmo processo, pela obrigação que originariamente era
sua e não do fiador. Assim, a sentença decidirá os litigios
estabelecidos entre.o credor contra o fjador e este contra ,
o afiançado. Este in.stituto perÍ:nite ao fiador chámar ao
processo o devedor principal quando da citação daquele

62
Capítulo V
CHAMAMENTO PROCESSO

já no processo de conhecimento e o afiançado não pode-


rá insurgir-se contra o chamamento que lhe faz o fiador.
Trazido o devedor principal ao processo, em sendo o fiador
condenado, ao ser instaurada a fase de execução, aplica-se o
benefício de ordem na execução. O chamamento ao processo
é incabível no processo de execução, visto que o proéesso
de execução não tem por objetivo prolatar sentença para
se transformar em título executivo judicial.

3.2. dos demais fiadores, na ação proposta contra um


ou alguns deles: pode acontecer também que o credor
ajuíze a demanda apenas contra um dos fiadores, excluin-
" '. '_.....da '.relação
do os ·:demais. .
jurídico"processual.
. -·
' - -
.Em virtude
..... -· -.
" .'.
dessa situação jurídica, o fiador citado na demanda poderá,
no prazo da contestação, requerer que sejam trazidos ao
processo os demais fiadores. É possível também a seguinte
hipótese: o fiador citado chama ao processo apenas outro
cofiador. Por sua vez, este poderá chamar os delllJlis.

3.3. de todos os devedores solidários, quando o credor


exigir de um ou de alguns deles, parcial ou totalmente,
a dívida comum: No chamamento ao processo, o réu da
ação chama para integrar o polo passivo da lide aquele
que tem, com ele, uma obrigação perante o autor da de-
manda principal, seja como fiador, seja .como coobrigado
solidário. Assim, se o credor propuser a demanda contra
. um só devedor, este. pode .chamar ao processo os demais .
devedores, a fim de que todos aqueles que assumiram a
dívida respondam solidariamente pelo débito.
63 .
PRAT1CA FORENSE _EM PROCESSO C!V!L ~ Joseva! Martins Viana
----c-e·

Há uma discussão sobre o cabimento do chamamento


ao. pro.cesso na execução e no cumprimento da sentença.
Os dispositivos da parte geral do processo de conhecimento
.também são aplicados à execução e ao cumprimento da
i''
.. sentença se ali :1ão se dispuser de maneira diversa, ou se
o instituto não for incompatível com o processo executivo.
Neste caso, o Supremo Tribunal Federal admitiu o chama-
mento ao processo na execução por título executivo extra-
judicial, como, por exemplo, do avalista para o emitente
de uma nota promissória. Todavia, salienta o jurista que
decisões judiciais explicam que é razoável a interpretação
em sentido contrário, isto é, que o chamamento ao pro-
.·· cesso não sejustifica quando se trata de titulo executivo
cambial desvinculado de qualquer contrato.
O chamamento ao processo tem sua admissibilidade
restrita ao processo de conhecimento, póis sua finalidade
é provocar a condenação dos coobrigados no mesmo pro-
cesso. Se objetivar uma condenação, perde o caráter de
execução e de cautela.

4. PROCEDIMENTO

O réu deve requerer o chamamento ao processo na


própria contesta{;ão. O réu deverá promover a citação do
chamado no prazo de trinta dias, se ele residirna mesma
Comarca, ou no prazo de dois meses, se residir em outra, .
Comarca. Depois de ~itado, o' ~hamadó tem quinze dias
para apresentar sua defesa.
64
Capítulo V
CHAMAM~NTO AO PROCESSO

Havendo ou não aceitação do chamamento pelo tercei-


ro (chamado), ficará este vinculado ao processo, de modo
que a sentença que condenar o réu terá, também, força
de coisa julgada contra o chamado.
Existindo sucumbência dos devedores em conjunto,
valerá como título executivo, em favor do que satisfizer a
díVida para exigi-la, por inteiro, do devedor principal ou
de cada um dos codevedores na proporção de sua quota.
Embora o chamamento ao processo não seja obrigató-
rio, como a denunciação da lide, quando o réu lança mão
do incidente, para obter título executivo· contra o devedor
principal ou Ol1trQs devedores sqlidáriqs, não .~ permitido
ao juiz denegai tal pretensão.
O réu formula petição de acordo com os requisitos dos
artigos 319 e 320 do Código de Processo CiVil, sem mencio-
nar o valor da causa, requerendo a citação do chamado; a
fim de que venha a integrar o polo passivo da ação.
Aqueles que são chamados ao processo Vinculam-se à
relação processual, ampliando-se, serri deixar de ser uma
única ação judicial. A sentença decidirá as várias relações
de direito tratadas pelo credor, como autor, e. pelos réus,
em litiscqnsórcio passivo.
· Se a ação judicial for julgada procedente contra todos os
litisconsortes passivos, ou apenas contra algum ou alguns,
em relação a eles a sentença é de. natureza condenatória, .
valendo como títu,lo executivo contra os condenados. Da
sentença cabe, portanto, o recurso de apeláção.
65
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

5. MODELO DE CHAMAMENTO AO PROCESSO

66
Capitulo V
CHAMAMENTO AO PROCESSO
--------~---

67
PRÁTiCA FORENSE E~/! PROCESSO ClVlL

68
,DQ INCIDENTE DÊ .
. ·. I)F,:$CONSIDERA(;Ão. DA
PERS(JNALIDA.DE JlJRÍDICA

1. INTRODUÇÃO .

O incidente de desconsideração da personalidade ju-


rídica está previsto nos arts. 133 a 137 do CPC e pode ser
assim conceituado: é o meio pelo qual o credor despersoni-
fica ou desconsidera a pessoa jurídica que não possui bens
para quitar seus débitos a fim de trazer ao polo passivo
da execução os seus sócios.
Há de se considerar que a pessoa jurídica não se con-
funde com a pessoa natural (ou pessoa física), pois ambas
as pessoas são diferentes. Isso significa que o patrimônio
de uma não se confunde com a da outra. De uma forma
simples, pode-se afirmar que há autonomia patrimonial
. entre elas. Diante dessa realidade jurídica, o credor utili~.
za-se desse incidente para exigir dos sócios o pagamento
de débitos realizados pela empresa. '
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL .. Joseval Martins Viana

O patrimônio da pessoa juridica responde pelas obri-


gações assumidas perante seus credores; entretanto, se
houver fraude ou abuso praticados pelos sócios em nome
' '

da pessoa juridica em detrimento dos c:çedores e o patrimô-


nio da pessoa juridica não for suficiente para cumprir as
obrigações, o patrimônio de seus sócios responderá diante
dos credores a fim de quitar quaisquer dívidas.
Para que o patrimônio dos sócios responda pelas obri-
gações financeiras assumidas pela pessoa juridica, deve-se
requerer a desconsideração da pessoa juridica, mediante
o preenchimento de requisitos que serão estudados Jogo
mais, a fim de que o juiz de direito desconsidere, desperso-
nifique a pessoajuridica e estenda aos sócios a obrigação.
A desconsideração da personalidade juridica tem ori-
gem na teoria que autoriza o magistrado a incluir os
sócios no polo passivo da demanda a fim de serem eles
responsáveis patrimonialmente pelos débitos da empresa.
Trata-se do "disregard doctrine", ou seja, da doutrina da
desconsideração.
É interessante observar que essa teoria teve acolhida
no direito brasileim desde o final do ano de 1960, sobretu-
do a partir do estudo realizado por Rubens Requião. Uma
vez que não havia previsão legal do incidente de descon-
sideração da personalidade juridica no direito brasileiro,
houve por bem aplic~r os arts. 134, inc. yr, e135, inc. I,
do Código Tributário Nacional éom o objetivo de trazer ao
polo passivo da demanda os sócios da empresa.

70
Capítulo VI
DO INCIDENTE DE DESCONSIDERACÃO DA PERSONALiDADE JURÍDICA

A aplicabilidade dessa teoria dava-se da seguinte for-


ma: o art. 134, inc. VII, do CTN dispõe que: "Nos casos de
impossibilidade de exigência do cumprimento da obriga-
ção principal pelo contribuinte, respondem solidariamente
com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões
de que forem responsáveis: VII - os sócios, no caso de li-
quidação de sociedade de pessoas." Se o contribuinte não
pudesse cumprir com a obrigação principal (nesse caso, a
empresa), poder-se-ia exigir dos sócios a obrigação. Então,
o mesmo poderia dar-se com a empresa. Já que esta não
pode pagar o débito, que paguem os seus sócios.
Seguindo esse mesmo raciocínio, aplicava-se também
o art. 135, i;,c. I, do CTN: "São pessoalmente responsáveis
pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias
resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou
infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas
referidas no artigo anterior". Veja-se que a aplicabilidade
desse artigo de forma adaptadapermitia a descomtideração
da personalidade jurídica da empresa. Fazia-se a seguinte
interpretação: os sócios das empresas são pessoalmente
responsáveis pelos débitos correspondentes às obrigações
financeiras assumidas pela empresa cujos atos eram re-
sultantes daqueles praticados com excesso de poderes ou
infração de lei, contrato social ou estatutos.
Com a vigência do Código de Defesa do Consumidor
(Lei n. 8.078; de 11 de setembJ:'O de. 1990), confirmou-se a
teoria da descon:;;ideração da personalidade jurídica com
fundamento legal no art. 28: "O juiz poderã desconsiderar

71
PR...6..TJC.L\.. FORE\'.iSE EM PROCESSO C! Vi! " .ios.Bva! jvJartins Vi.:;ma
·~---

a personalidade jurídica da sociedade quando, em detri-


mento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de
poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos
esta,pJtos ou contrato sociaL A desconsideração também
será efetivada quando houver falência, estado de insol-
vência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica
provocados por má administração."
Éimportante salientar que o art. 28, § 5°, ·do CDC
permite desconsiderar a pessoa jurídica sempre que sua
personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos
causados aos consumidores. A aplicabilidade da teoria é
a mesma: na relação de consumo, a empresa gera dano
ao consumidor. Este propõe ação indenizatória e o pedido
é julgado procedente. No momento processual oportuno
para executar a sentença, a empresa não possui bens livres
e desembargados para responder pelos débitos, Requer-se,
portanto, a desconsideração da personalidade jurídica,
para que seja cumprida a obrigação pelos sócios.
O art. 58 do CC também seguiu a teoria da desconsi-
deração da personalidade jurídica: "Em caso de abuso da
personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de fina-
lidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir,
a requerimento da, parte, ou do Ministério Público quando ·
lhe couber interVir no processo, que os efeitos de certas
e determinadas relações de obrigações sejam estendidos
. aos bens p::gtic.u111:rel! gos .admirüstradorE:s ou .sócios . da
pessoa jurídica." Em 1inh~s ge'rais, esse artigo permite a ·
apreensão judicial dos bens· dos sócios que utilizarem a
72
Capítulo Vi
DO !NC:!D!:,::P.JTF DF DESCQP.JSJDFR.<\Çli..O Q.b.. PERSOi\!.L\l.!D.6.UE JURfD!C/\

pessoa juridica para praticar fraudes, promover desvios de


patrimônio e de finalidade social.
A pessoa jurídica que desviar dos objetivos estabele-
cidos no ato constitutivo para prejudicar alguém poderá
ter desconsiderada sua personalidade juridica. Quando há
fraude ou abuso de poder, há confusão patrimonial, ou
seja, o patrimônio da empresa e o patrimônio dos sócios
transformam-se em um único patrimônio. Com base na
prova material do dano, ou mesmo na prova da indicação
de fraudes e abusos dos sócios, o órgão judicante poderá
desconsiderar a personalidade jurídica da empresa.
Note-se que compete ao direito material estabelecer os
"-requisitm;-,ssenciais para: que se possa aplicar a descon- I
sideração da personalidade jurídica. Dentre os requisitos,
indicam-se alguns: abuso de direito, desvio ou excesso de I
poder, lesando o consumidor; infração legal ou estatuta-
ria, por ação ou omissão, em detrimento do consumidor;
abuso da personalidade jurídica, caracterizado peio desvio
da finalidade, ou mesmo pela confusão patrimonial (em-
presa e sócios); outros atos praticados pela empresa com
o objetivo de prejudicar o credor.
Ê importante salientar que o débito é uma obrigação
assumida pelo devedor. Como regra geral, esse devedor
responde diretamente pelo cumprimento da obrigação.
Se não tiver como fazê-lo, os bens passíveis de penhora
responderão pelo pagamento do débito. Quem tem o.déo
bito, em regra, tem a responsabilidade de cumprir corri o ·
adimplemento da obrigação.
73
PRÃTJCA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

No caso da desconsideração da personalidade juridica, o


devedor direto é a empresa. Ela deve responder pelo cum-
primento da obrigação, devendo figurar no polo passivo da
demanda. Entretanto, se a empresa comportar-se de forma
a caracterizar quaisquer requisitos exigidos para a descon-
sideração da pessoa juridica, conforme preconiza o direito
material, o juiz poderá estender a responsabilidade patrimo-
nial aos sócios, autorizando que os bens destes respondam
pela obrigação. Note-se que os bens pessoais dos sócios são
alcançados. No casn da chamada "desconsideração inversa",
o devedor é o sócio, mas a empresa passa a ser responsável,
com seus bens, para o pagamento do débito.
Ao desconsiderar a personalidadejuridica, o magistrac
do não transforma o sócio em codevedor, mas estende a
responsabilidade patrimonial a ele, permitindo que seus
bens sejam atingidos para fazer frente ao débito, que con-
tinua sendo de responsabilidade da empresa.

2. DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA

Este incidente pressupõe que já esteja em andamento


ação ajuizada pelo credor Cóhtra ó devedor, isto é, em face
da empresa. Pode ser postulada em caráter incidental,
segundo o art. 133 do CPC: "O incidente de desconsidera-
ção da persopalidade juridicq .será.in,sta,u:raçl.o a,peçl.iqo da
parte ou do Ministério Público, 'quando lhe couber'intervir
no processo."

74
z:

Capítulo VI
DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

O caráter incidental diz respeito ao requerimento dian-


te de um processo de cobrança ou de execução em an-
damento. No entanto, é possível requerê-la na inicial,
figuraJ:,JdO desde já os sócios como devedores. Isso é o
que se infere do art. 133, § 2°, do CPC: "O incidente de
desconsideração da personalidade jurídica será instaurado
a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe
couber intervir no processo. § 2° Dispensa -se a instauração
incidente se a desconsideração da_ personalidade jurídica
for requerida ria petição inicial, hipótese em que será ci-
tado o sóeio ou a pessoa jurídica."
A c_onclusão a que se chega é a de que tanto a inci-
dental quanto a principal são verdadeiras ações, pois os .
sócios serão citados para apresentar defesa, de acordo
com o art. 134, § 2° e art. 135, ambos do CPC. Saliente-
-se ainda que o pedido de incidente de desconsideraç-ão
da personalidade jurídica é cabível em todas as fases' do
processo de conhecimento, no cumprimento da .sentença
e na execução fundada em título executivo extrajudicial,
consoante o art. 134 do CPC.

3. DO PROCEDIMENTO

3.1. Incidente de desconsideração da personalidade


jurídica no curso do processo

O incidente . de. desconsideração da personalidade ju-


rídica será instawado a requerimento da parte ou do Mi-
nistério Público, quando lhe couber intervír no processo. A

75
PRÁT!CA FORENSE EM PROCESSO C!V!L ~ Josevaf Martins Viana

parte é o credor, ou seja, é aquele para quem a empresa


precisa cumprir com as obrigações financeiras assumidas.
No caso do Ministério Público, quando este intervier no
processo como "custos legis" ou como parte <t.\ltora.
Deverá o pedido observar os pressupostos previstos em
lei, ou seja, os requisitos indicados pelo direito material.
Como regra geral, o pedido deverá observar o art. 28 do
CDC e o art. 50 do CC. Se o peticionário não lograr êxito
em demonstrar qualquer requisito indicado no direito ma-
terial, o juiz de direito não concederá a despersonificação
da pessoa jurídica.
Note-se. ainda que o art. 133, § 2°, do CPC explícita-se
que se àplica :3. hipótese de descôiisideraçãoTnversa da
personalidade jurídica. Nesse caso, a empresa responde
pela dívida do sócio, e não o sócio pela da empresa.
· No incidente, o credor deve elaborar uma petição (não
é petição inicial) que demonstre o preenchimento dos
pressupostos legais específicos para a desconsideração
da personalidade jurídica (arts. 50 do CC ou 28 do CDC).
É possível requerer, no incidente de desconsideração da
personalidade jurídica, a tutela provisória de urgência
com base no art. 300 do CPC com o objetivo de garantir
resultado útil ao processo.
A instauração do incidente será imediatamente co-
municado ao distribuidor para as anotações devidas e
haverá suspensão da ação pnncipal. O juiz dé' direito
determinará a citação do sócio ou da pessoa jurídica
76
caPítulo VI
DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO OA PERSONALIDADE JURÍDICA

para manifestar-se e requerer as provas cabíveis no prazo


de 15 (quinze) dias. O incidente garante o contraditório
e a ampla defesa, possibilitando ao sócio ou à pessoa
jurídica a apresentação das suas alegações, procurando
demonstrar que não estão presentes os requisitos do di-
reito material para a desconsideração. Se o incidente for
proposto contra o sócio, a pessoa jurídica pode impugnar
o pedido e vice-versa.
O magist;rado poderá determinar as provas que en-
tender necessárias a fim de permitir ao requerente e ao
requerido que comprovem suas alegações. Concluída a
instrução, se necessário, o incidente será resolvido por
· decisão interlocutória. Dessa: decisão, cabe agravo deins-
trumento com fundamento no art. 1.015, inc. IV, do CPC.
Decidido o pedido, o processo retoma ao andamen!o
normal, ainda que venha a ser interposto recurso p1:lo
prejudicado, exceto sé o relator do 1hbunal CO\}Ceder a
suspensão do andamento processual que deverá ser re-
querido pelo agravante.
É importante salientar que o .incidente pode ser ins-
taurado em qualquer fase do processo de conhecimento.
Pode ser que o processo se encontre em grau de recurso,
caso em que caberá ao relator processar o incidente, cujo
procedimento será igual ao daquele suscitado em primeiro
grau ..
Apenas da deçisão interlocutória unilateral do relator
que o decidir, o recurso cabível não será ó agravo de ins-

77 I
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana
·-------

trumento, mas o agravo interno, de acordo com art. 136,


parágrafo único, do CPC.
Reafirma-se que o incidente é resolvido por meio de
decisão interlocutória. Se o juiz de direito desacolher o
pedido, este não mais poderá ser formulado em outra fase
do processo, a não ser que ocorram fatos novos. Por esse
motivo, o recurso é o agravo de instrumento, conforme
indica o art. 1.015, inc. IV, do CPC.
Julgado procedente o pedido da desconsideração, na
fase de execução, o credor solicitará a penhora de bens
dos sócios, uma vez que eles passam a ser responsáveis
pelas obrigações da empresa, devendo responder os sócios
com seus•ben's p~ssoai~. Realizada a penhora desses bens,
o sócio poderá valer-se da impugnação (cumprimento da
sentença) ou dos embargos do devedor.
Se o sócio exigir que primeiro sejam excutidos os bens
da sociedade, mesmo depois da desconsideração da per-
sonalidade juridica da empresa, deverá indicar bens livres
e desembargados. Esses bens devem estar situados na
mesma comarca. (Cf. art. 795, §§ 1° e 2° do CPC). Note-se
ainda que o sócio que saldar a dívida da empresa poderá
executar a sociedade nos autos do mesmo processo.
Finalmente, jp1gado procedente o pedido de desconsi-
deração da personalidade jurídica, a alienação ou a one-
ração de bens obtida em fraude de execução será ineficaz
em relação ao requerente, segundo o art. 137 do CPC.

78
Capítulo VI
DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURiDICA

3.2. Desconsideração da personalidade jurídica


requerida na inicial

O art. 133, § 2°, do CPC registra que se dispensa a ins~


tauração do incidente, se a desconsideração da personali-
dade jurídica for requerida na petição inicial, hipótese em
que será citado o sócio ou a pessoa jurídica. Nesse caso,
o credor poderá requerer a desconsideração já na inicial,
incluindo-se o sócio ou a pessoa jurídica como devedora
na petição inicial, figurando desde já como parte na rela-
ção jurídica processual. A petição deve deixar claro que o
débito é da empresa e que a pretensão de cobrança está
direcionada contra ela.
Note-se que se pretende o reconhecimento de que o
sócio é responsável patrimonialmente pelas obrigações
assumidas pela empresa, uma vez que estão preenchi?os
os requisitos de direito material para a desconsideração da
personalidade jurídica. Embora não se pleiteia a Gondena-
ção do sócio ao pagamento do débito realizado pela pessoa
jurídica, impõe-se a ele a responsabilidade patrimonial,
incidindo a obrigação de pagá-la. Essa é a consequência
jurídica para o sócio da desconsideração da personalidade
jurídica.
Dois pedidos serão elaborados na petição inicial: o
condenatório de cobrança, dirigido contra o devedor (a
· empresa), e o de extensão da responsabilidade patrimoniaJ,
direCionado contra o sócio, fundamentando o pedido nos
'
art. 50 do CC ou no art. 28 do CDC.

79
PR.Ã.T!CA FORENSE EM PROCESSO Ç1V!L " Josevai Martins Vii"JnA
------

O sócio será citado para manifestar-se no prazo de 15


(quinze) dias. Na sua defesa, deverá defender-se do pedi-
do contra ele direcionado, ou seja, opor-se-á ao pedido de
extensão da responsabilidade patrimonial pelas obrigações
da empresa. Nesse caso, o processo não ficará suspenso,
visto que o pedido da desconsideração da personalidade
jurídica não é incidente e, sim, inicial com a petição de
cobrança dos débitos da empresa. O juiz decidirá se cabe
ou não a desconsideração da personalidade juiidica na
própria sentença, cabendo, portanto, dessa decisão o re-
curso de apelação.
Se o magistrado acolher o pedido de cobrança, con-
. denará a sociedade :ao pagamento do débito. Se acolher.
o pedido de desconsideração da personalidade jurídica,
estender-se-á a responsabilidade patrimonial aos sócios
cujos bens poderão ser penhorados na mesma fase exe-
cudva. A penhora deverá observar as restrições do art. 795
f
do CPC, inclusive o benefício de ordem. !
I
r
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I.
l
I
80 l
Capitulo Vi
DO !NC\DCNTC: DE DA PERSONALiDADE JURÍDiCA

3"3" Modelo de petição do incidente de


desconsideração da personalidade juridica

81
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval MarUns Viana

82
Capítulo VI
DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURiDICA

83
pR,á.T1C.A. FORE;NSE EM PROCESSO C!V!i .Joseval f\1arf"ins Viana
---

84
Capítulo VI
DO lf\JC!DENTE DE DESCONSJDER/\C,Õ,O DA PERSONALIDADE JURÍD1CA

85
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseva/ Martins Viana

86
capítulo VI
DO INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

87
PR.f.TtC.b. FOREl\!SE 21vi PROCESSO Ç!Vi!

88
1. CONCEITO

O "amicus curiae" é considerado·um terceiro que pode


ser admitido.em uma ação judicial em andamento, embora .
não tenha interesse jurídico próprio para ser tutelado. A
decisão da demanda não o afetará, como acontece com o
assistente simples. Enquanto o interesse deste é chamad?
de interesse jurídico, o daquele recebe o nome de interesse
institucional.

Permite o interesse institucional o ingresso do "amicus
curiae" em demanda alheia, a fim de que a decisão pro-
latada pelo juiz de direito considere todas as informações
disponíveis sobre os impactos e os contornos do que lhe
foi apresentado para discussão.
Dispõe o art. 138 do CPC que o juiz ou o relator deve-
rá considerar a relevância da matéria em juízo, indicar a
especificidade do tema objeto da demanda ou mesmo a
. repercussão sóch1l da contróv'érsia.;

I
PRÁTICA FORENSE Ezv.l PROCESSO CIVIL o Joseva/ Martins Viana
-------------- --~ ----

A relevância da matéria em juízo diz respeito à impor-


tância dela não só para os demandantes, mas também para
a sociedade. Essa relevância dar-se-á com a especificidade
..qo tema- objeto da demanda- visto que a controvérsia te-
,nha repercussão social. Ora, repercussão social refere-se ao
interesse que a aç.ão judicial despertará na sociedade a fim
de dirimir a controvérsia. Esses elementos são essenciais
para que o magistrado admita o "amícus curiae''. Por quê?
Porque o "amicus curiae", amigo da corte, é uma interven-
ção assistencial em processos de controle constitucional
por parte de entidades que tenham representatividade
adequada para se manifestar nos autos sobre questões de
direit() peftinei1te à cof!tr,mrér:;;iaÇQI1Stitucional.
O "amicus curiae" atua como um auxiliar do juízo, visto
que, nas causas de maior relevância social ou de reper-
cussão social, permitirá que o juiz de direito tenha mais
informações e, assim, melhores condiçqes para decidir a
demanda, considerando a manifestação dele que figura
como um representante de interesses institucionais e não
apenas interesses sociais das partes.
Ele poderá ser uma pessoa natural ou jurídica, órgão ou
entidade especializada, com representatividade adequada,
repise-se, não a1;uandoetn iriterêsse próprio na causa, to-
davia defendendo interesses institucionais que poderão ser
afetados. É interessante que seja o "amicus curiae" ouvido,
a fim de que a decisão, proferida num .litígio determir1a-.
do, não acabe afetando int~~es;e~ sociais relevántes que
possam passar despercebidos pelo julgador.

90
Capítulo VIl
DO "AMICUS CURIAE"

Cabe salientar que a representatividade adequada é


a demonstração da capacidade de fornecer subsídios ao
julgamento da lide. Em outras palavras, deve ter conhe-
cimento do tema que envolve o objeto da lide. Convém
salientar também que o "amicus curiae" é parcial, pois
tem interesse no objeto da lide a ser tutelado.
Como exemplo, tem-se a ação direta de inconstitucio-
nalidade em que se discutiu a inconstitucionalidade da
realização de pesquisas científicas com emprego de células-
-tronco embrionárias (ADI 3510) no STF cuja decisão foi fa-
vorável às pesquisas com células-tronco. Nessa ação, foram
admitidos como "amicus curiae" a Conferência Nacional
dos Bispos-do. BrasiL(CNBB), o ANIS Instituto de Bioética; . ·
Direitos Humanos e Gênero e o MOVITAE - Movimento em
prol da Vida. Cada um deles defendendo seu interesse na
demanda sob a rubrica do "interesse institucional"
É preciso que haja interesse na controvérsia, mas, salien-
te-se, não interesse jurídico, mas interesse institucibnal. Se
houver interesse jurídico, tratar-se-á de assistência simples
e não de "amicus curiae". O papel deste é ser representante
de um interesse institucional, de natureza geral, para que
seja ouvido e fornecer mais subsídios ao julgamento.
Outro aspecto importante é que o ingresso no "amicus
curiae" no processo pode ser ou não de natureza voluntária,
porque o art. 138 do CPC dispõe que aquele que quiser
. manifE:star-se no. proç~s:3q coii1o ~arnicus curiae" pode re-.
querer seu ingress,o ou ~irÍipÍ~smente ingressar nele para
se manifestar.

91
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO Cl\/IL • )oseva.f Martins \ljantJ
-------------------------

A intervenção do "amicus curiae" não altera a compe-


tência. É importante fazer essa consideraçáo, porque se,
por ex,emplo, a União ingressar na demanda como "amicus
-curiae", a açáo náo será remetida ao juízo federaL

2. REQUISITOS

De uma forma mais ampla, sáo requisitos desse ins-


tituto jurídico:
a) Relevância da matéria: assemelha-se à repercussão
geraL A relevância pode abranger os aspectos eco-
nômicos, polítiçqs e s.(lciais. Note-se que a discussão-
trazida-" aos
àutÓ~ do processo deve tr'anscendér ; -""
mero interesse particular e impactar a sociedade.
b) Especificidade do tema objeto da demanda: às
vezes, o objeto da demanda exige conhecimentos
específicos. Esses conhecimentos podem ser tão
particulares que não sejam conhecidos na sua to-
talidade pelo magistrado. Assim, o "amicus curiae"
entra no processo para fornecer mais subsídios para
o julgamento da lide.
c) Repercussão social da controvérsia: a discussão
jurídica e~tabelecida no processo, ou seja, o objeto
-da demaiÍ.da deve extrapolar os limites do processo
e alcançar aesfera jurídica -da sociedade e do indi-
víduo. Note-se quea.dernanda é de interesse social -
e não apenas entre os' litigantes; a fim de que se
caracterize a repercussão social da controvérsia.

92
Capitulo VU
00 "AMICUS CURIAE"

3. REQUERIMENTO

O art. 138 do CPC explícita que caracterizado a re-


levância da matéria, a especificidade
.
do. tema objeto da . ~.

demanda ou a repercussão social da controversa, pode-,


rá, por decisão irrecorrível, de oficio ou a requerimento
das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar
ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica,
órgão ou entidade especializada, com representatividade
adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação.
Podemos retirar desse artigo quem pode solicitar ou reque-
rer sua admissão no processo como "amicus curiae". Pode ser
de oficio, atequerirriénto das partes ou inserção voluntária. A
solicitação de oficio pode partir do próprio judiciário, quando
precisar de melhores esclarecimentos. sobre o objeto da ação.
Pode ser pessoa natural ou entidade especializada no assUJ;to
como, por exemplo, no caso da discussão da utilização de cé-
lulas-tronco em pesquisas científicas a fim de tratal' pessoas
enfermas. Também a requerimentO da parte, isto é, qualquer
um daqueles que figure no polo ativo ou passivo pode requerer
a admissão do "amicus curiae" a fim de ajudá-lo da mesma
forma que o faria para o Poder Judiciário. Por fim, inserção
voluntária. A própria pessoa natural ou entidade especializada
podem requerer sua admissão na demanda.
Podemos observar que o "amicus curiae" tem a finali-
d;:!de de auxiliaras. demandantes ou o próprio Poder Judk
· ciário ho se:ritido,de prestar melhores inforrriaÇões para o
deslinde da causa, quando a matéria for éspecializada e

93
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Q Joseval Martins Viana

exigir melhor compreensão, a fim de que se obtenha uma


sentença justa diante do objeto do litígio.
Quem pode ser "amicus curiae"? Pode ser a pessoa. na-
tural, a pessoa jurídica, o órgão especializado ou entidade
especializada. A pessoa natural é aquela que tenha conhe-
cimento do assunto debatido em juízo. O mesmo acontece
com pessoa juridica, órgão especializado ou entidade espe-
cializada. Como se pode observar, todos eles devem ter co-
nhecimento especializado a fim de auxiliar o Poder Judiciário
nas informações necessárias para o deslinde da demanda.
É importante observar que o "amicus curiae" irá figurar no
polo ativo ou passivo daquele que estiver defendendo a
posição mais adequada do "arniéus c:Uríae::;,saliente-se por ·
fim que a característica essencial é a especialidade com
representatividade adequada. Essa representatividade ade-
quada significa que se trata de uma qualidade do sujeito de
capacidade reconhecida para defender de forma eficiente os
interesses daquele de quem representa em juízo.

~ .i
·' 4. PROCEDIMENTO

O "amicus curiae" elaborará petição para ser admitido


no processo a fim de auxiliar-autor ou réu. Deverá
expor na petição'' os motivos que o levam a ingressar na
ação judicial, bem como provar sua especialidade na ma-
téria. Uma vez qure o . "amicus curiae" é considerado. um i
i
terceiro noprocesso, mesmo qúe terceiro atípico,. defendec
mos o posicionamento de que o recurso que indeferir seja

94
Capítulo VIl
DO "AMICUS .CURIAE"

o agravo de instrumento, previsto no art. 1.015, inc. IX, do


CPC, ainda que o art. 138 do CPC indique que se trata de
uma decisão irrecorrível. Como a matéria é nova, caberá
à jurisprudência defini-la.
É importante ressaltar que essa intervenção não altera
a competência nem autoriza a interposição de recursos,
ressalvadas a oposição de embargos de declaração e o re-
curso sobre a decisão que julgar o incidente de resolução de
demandas repetitivas. Ao admitir o "amicus curiae", caberá
ao juiz ou aó r~lator definir os poderes do interveniente.
Essa atuação será registrada na decisão interlocutória que
admitir o "amicus curiae" .
. . . É.imp~rtante destacar aiTl.t~nrenÇãod.ô.;'arriicus ~uriae;,
na demanda para extensão do contraditório, o que é rele-
vante nas demandas repetitivas, visto que a decisão terá
eficácia vinculante. Por esse motivo, o próprio Código ,de
Processo Civil prevê a admissão do "amicus curiae" no in-
cidente de assunção de competência (art. 947 do CPC), no
incidente de resoluções de demandas repetitivas (art. 980
do CPC) e nos recursos especiais e extraordinários repeti-
tivos (art. 1.035, § 2°, do CPC). Alguns dos textos indicados
apresentam as expressões "repercussão geral" ou "repercus-
são social", possibilitando a admissão do "arnicus. curiae".
Observemos ainda que em todos esses casos, a de-
cisão proferida terá efeito vinculante, o que exige como
requisit(). d<;t legitimação constitucional çl,e ~ais decisões. E;
eficácia, um debate amplo, envolvendo todos os setores
da sociedade. '

95
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO C!V!L ~ .Joseve! Martins Viana

5. MODELO DA PE!IÇÃO "AMICUS CU!UAE"

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96
Capitulo VU
DO ",ô,f·iiCUS CURiAE"

97
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PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL G Joseval Martins Viana

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. · ·.· . DAS EXÇEÇQE~. DE


. Il\IIPEDIMENTO.E SUSPEIÇÃO

1. IN'fRODUÇÃO

A exceção é defesa indireta contra o processo, pois é


exceção processual de causa impeditiva ou excludente da
relação processuaL As exceções processuais têm caráter
dilatório ou peremptório, A de caráter dilatório visa a es-

tender o andamento processuaL Exemplos: as exceções
de suspeição e de impedimento, A de caráter peremptório
objetiva encerrar o processo, Exemplos: coisa julgada, litis-
pendência, perempção etc. As exceções de impedimento e
de suspeição estão nos arts. 144 e 145 do CPC As defesas
arguidas por meio das exceções de impedimento e de
suspeição do juiz são chamadas de defesas processuais
dilatórias, visto que não têm o condão de encerrar o an-
dall).ento_ d_o processo. ..... ·. , .· . :.,.-":·"
Há dois tipos de pressupostos processuais: o de exis-
tência e o de validade. Os pressupostos processuais de
existência são cléissificados como: existência da demanda,
·existência da jurisdição, existência de citação e capacidade
processuaL Estes pressupostos são considerados requisi-
tos que têm em vista tomar existente a relação jurídica
processual, a fim de que o processo atinja sua finalidade.
Os pressupostos processuais de validade são requisitos
próprios do processo, ou seja, se não forem observados,
ensejarão a nulidade absoluta do processo. Tais requisitos
são: petição inicial apta, competência do juízo, imparcia-
lidade do juiz e capacidade postulatória.
A competência€ opodêr que possui o Úgão]urlsdi-
cional de fazer atuar a jurisdição diante de um caso con-
creto. Por sua vez, a imparcialidade diz respeito ao fato de
o juiz de direito ser neutro ou equidistante da demanda
que lhe é submetida a julgamento. Se o juiz de direito for
imparcial, a parte prejudicada poderá oferecer exceção de
impedimento ou de suspeição, confórmeo caso.

2. EXCEÇÃO DE IMPEDIMENTO E DE SUSPEIÇÃO

Os motivos tle iillpedimehto são de caráter objetivo,


enquanto a suspeição abrange questões subjetivas. Os
. motivos geradores de impedimento estão previstosno
. artigo 144 do Códlg~ de Process~ Ci~il e os de ~ú.;~peiçãd,
no artigo 145 do Código de Processo CiviL
100
Capítulo vm
DAS DE !ivJPEDii'-'iENTO E SUSPE!Ç.4\0
------··--·----------·

Dispõe o artigo 144 do Código de Processo Civil que:


"Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas
funções no processo" nos segUintes casos:
I - em que interveio como mandatário da parte, ofi-
ciou como perito, funcionou como membro do Ministé-
rio Público ou prestou depoimento como testemunha:
as restrições aqui impostas .estão relacionadas com a
intervenção do juiz de direito no processo depois de sua
investidura. Observemos que, num primeiro momento, ele
interveio no processo como advogado, como perito, como
promotor de justiça e mesmo como testemunha. Logo
depois, passou no concurso público para a magistratura ...
·e, após sua investidura, coube-lhe julgar demanda em que
atuou como uma dessas pessoas relacionadas neste inciso.
Novamente, pelo princípio da imparcialidade, o magistrado
deve considerar-se suspeito e determinar a remessa dos
autos do processo para outro juiz, visto que não poderá
julgar a causa; •
II- de que conheceu em outro grau de jurisdição, ten-
do proferido decisão: este inciso refere-se ao juiz de direito
que está rio órgão recursal. É corrium o magistrado julgar
uma ação judicial às vésperas de ser promovido para um
órgão hierarquicamente superior. Se isso ocorrer, .ele não
poderá participar do julgamento recursal do processo que
proferiu sentença ou decisão interlocutória. Neste caso,
. o juiz. monocrático, ao proferir sentença ou decisão, está
vinculado áo proçesso e à própria decisão., Por exemplo,
se a parte perdedora da demanda interpuser recurso de
101
PRÁTICA .FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

apelação ao Tribunal e o desembargador relator ou revisor


for aquele que proferiu a sentença em primeira instância,
manterá a decisão. Podemos, inclusive, afirmar que, neste
caso, não houve duplo grau de jurisdição, pois não houve
apreciação do recurso por outros juízes;
IH - quando nele estiver postulando, como defensor
público, advogado ou membro do Ministério Público, seu
cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consan-
guíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o segundo
grau:
a) o conJuge ou companheiro: conJuge é cada uma
das pessoas unidas pelos laços matrimoniais. Nome .
. ql.lé se Já. aos esposos e às ésposas. Quando b ad'
vogado for esposo ou esposa, o juiz ou juíza estão
impedidos de julgar a demanda. Aplica-se também
o impedimento à união estável;
b) parente: quando o advogado ou advogada for pa-
rente, o juiz de direito também estará impedido
de julgar a demanda. Parentesco é a relação que
vincula as pessoas que descendem de um mesmo
tronco ances.tral. O impedimento estende-se ao pa-
rente consanguíneo ou afim, em linha reta; ou na
linha colateral até o-segun:do,grau.
Preleciona o a'rtigo 1.594 do Código Civil que: "Contam-
-se, na linha reta, os graus de parentesco pelo número
de gerações,
~. .
e, na
- colateral,
' ' .
- '
taro..bérn
'' '
peJo número
' .' '
dela~,
'. ' '' '

subindo de um dos parentes até ao ascendente ·'comum,


e descendo até encontrar o outro parente".

102
Capítulo VIII
DAS EXCEÇÕES DE IMPEDIMENTO E SUSPEIC:AO

Pode-se simplificar assim:


A é pai de B e de C (1° grau- linha reta)
A é avô de D e de E (2° grau - linha .reta)
B é pai de D (1° grau -linha reta)
B é tio de E (3° grau - linha colateral)
Observação: de B até A existe um grau de parentesco,
e entre A e E existem dois graus. Portanto, de B até E há
três graus de parentesco.
Assim, se um desses parentes atuar no processo como
advogado, o juiz de direito estará impedido de julgar a
demandá. Terá de remeter os autos do processo ao seu
substituto legal.
IV - quando for parte no processo ele próprio, se.u
cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo bu
afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau,

inclusive: o juiz de direito não pode processar e julgar
demanda em que for parte. Não importa se na qualidade .
de autor ou de réu. Não pode julgar o processo no qual
é assistente, opoente, nomeado à autoria etc. Trata-se do
princípio da imparcialidade do juiz. Não há lógica autorizar
um juiz a processar e julgar a demanda em que for, por
exemplo, autor. Haveria um desequilíbrio na balança da
justiça. A parte contrária sentir-se-ia totalmente desfavo-
·.j1:
. recida e Q.esprotegida pela situação inusitada: o autor da·
T'
demanda é a pessoa que sentenciará a causa, , na qual a ''
parte contrária figura como réu. Há de se considerar, por-
PRÁT!C/\ FORENSC EJvi PROCESSO CiViL ~ Joseval Martins Viana

tanto, que ninguém pode ser juiz da própria causa nem


em causa própria. Da mesma forma, o juiz não poderá
julgar demanda . quando . for parte seu cônjuge, compa-
nheiro, parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou
colateral, até o terceiro grau.
V - quando for sócio ou membro de direção ou de
administração de pessoa jurídica parte no processo:
Pessoa jurídica é a associação de pessoas naturais que
têm o desejo de conseguir um objetivo em comum e é
reconhecida pela ordem jurídica como sujeito de ação.
Com fundamento nessa definição, percebemos que o in-
ciso trata da pessoa jurídica propriamente dita, contudo a
·. composição da pessóà jurídica éréalizada ·pela· forriràçãb .·. ····· -·
de pessoas naturais. Em razão disso, se figurar na de-
manda como autor ou réu o sócio ou membro de direção
ou de administração de pessoa jurídica nas quais o juiz
cie direito faça parte, .não poderá julgar. a demanda. Até
mesmo porque a sentença irá atingir as pessoas naturais
que formam a pessoa jurídica.
VI - quando for ·herdeiro presuntivo, donatário ou
empregador de qualquer das partes: haverá suspeição
de parcialidade do juiz, vedando-lhe julgar a demanda
quando alguma ·das partes for seu herdeiro presuntivo,
seu donatário oÚ seu empregador. No herdeiro presuntivo,
o vínculo encontra~se na sucessão. Trata-se do herdeiro
pressuposto ou provável. É. tida como pro:váyel herdeiro do
juiz. 6·donatário é à pessoa faVorecida por uma doaÇão. Se
o donatário já é favorecido pelo juiz de direito, não resta
104
Capitulo VIII
---·-----~-o_."-_:S_:F_.X_:C_:EC.:_/~.1
FS OF IMPEDIMENTO F' SUSPEIÇÃO

dúvida de que ele julgará a demanda a favor de seu do-


natário. O empregador é aquele que contrata determinada
pessoa para desenvolver atividades na sua empresa. É mais
difícil acontecer isso, PfÚS o juiz de direito está impedido
de exercer certas atividades profissionais durante a ma-
gistratura. No entanto, o legislador deve prever algumas
hipóteses e esta é uma delas.
VII - em que figure como parte instituição de ensino
com a qual tenha relação de emprego ou decorrente de
contrato de prestação de serviços: se o juiz de direito for
professor, coordenador ou exercer qualquer outra atividade
profissional na instituição de ensino, não poderá julgar a
demanda em virtude da. relação de emprego que mantém
com a empregadora. O mesmo acontece se o juiz de direito
tiver qualquer tipo de contrato de prestação de serviço.
VIII - em que figure como parte cliente do escritório
de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta .ou colat~ral, até
o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado P()r
advogado de outro escritório: podemos perceber que o
legislador quis evitar que o juiz julgasse uma ação em
que figure como parte cliente do escritório de seu cônjuge,
parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral,
até o terceiro grau, ainda que o patrocínio seja feito por
advogado de outro escritório. A extensão do impedimento
é . o mesmo dos incisosiii e IV. Nesses casos,o juiz está,.
impedido de julg51r a demanda, porque terá interesse ho
resultado da ação judicial, ainda que seja de'forma indireta;

105
PRÁTICA FORENSE EM !PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

IX - quando promover ação contra a parte ou seu


advogado: se o juiz de direito propuser demanda judicial
contra a parte ou seu advogado, não poderá julgar a de-
manda. Pode acontecer de a parte ou seu advogado, por
exemplo, ofender o juiz de direito na audiência. Se o ma-
gistrado resolver processar a parte ou o advogado, a ação
deverá ser julgada por outro juiz.
Preleciona o artigo 145 do Código de Processo Civil que
"Há suspeição do juiz", nos seguintes casos:
I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes
ou de seus advogados: haverá fundada suspeição de par-
cialidade do juiz, quando uma das partes (autor ou réu)
.. ou seus advogados forem seu amigo íntimo oú inimigo.
Para a suspeição não importa se o amigo seja íntimo ou
não. Basta ser amigo. O mesmo acontece com o inimigo.
A prova é que deve ser robusta neste sentido. A lógica ju-
rídica permite concluir que o magistrado será tendencioso
ao julgar uma demanda, cuja parte ou seu advogado seja
seu amigo ou seu inimigo. Haverá, portanto, desrespeito
ao princípio da imparcialidade.
II - que receber presentes de pessoas que tiverem in-
teresse na causa antes ou depois de iniciado o processo,
que aconselhar alguma aas partês=aceri:a do objeto da
causa ou que subministrar meios para atender às despe-
sas do litígio: o juiz de direito não pode receber presentes
de pessoas que tenham interesse. r;ta causa antes ou depois
deiniciado ~ processo, à fim de infl~enciar o ~agistrado a ·
julgar a demanda, conforme seus interesses. O juiz deve ser

106
Capftulo VIII
DAS EXCEÇÕES DE IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO
----

imparcial. Da mesma forma, é vedado ao juiz aconselhar as


partes sobre o objeto da demanda. Ele deve simplesmente
julgar a causa. O magistrado pode aconselhar as partes
para compor a lide, a fim de estimular
.
a conciliação, mas
·~·

não poderá dar conselhos sobre o objeto da causa.,.Acon-


sélhar aqui significa orientar uma das. partes a produzir
.esta ou aquela prova para obter êxito na demanda. Por
fim, o juiz não pode subsidiar financeiramente as custas
e despesas processuais. As custas e despesas processuais
são de responsabilidade das partes, exceto se forem be-
neficiários da justiça gratuita.
IH - quando qualquer das partes for sua credora ou
devedora, de seu cônjuge ou compánheii:o ou de parentes··
destes, em linha reta ou na colateral até o terceiro grau:
dar-se-á a suspeição, quando autor ou réu for credora ou
devedora do:
a) magistrado: haverá desrespeito ao princípio da
imparcialidade. Observemos que o legislador quer
obstar o julgamento da lide pelo juiz que mantém
relação de negócio com uma das partes. É impossível
afirmar que, neste caso, o magistrado julgará a lide
isento de qualquer influência do negócio jurídico
estabelecido entre ele e a outra parte;
b) cônjuge ou companheiro: é óbvio que, neste caso,
também haverá parcialidade no julgamento. O vin-
.. culo matrimo!1ialiJJ1plic?t cumplicidade e o juiz ser?.
tendencioyo quando uma das partes for credora ou
devedora de sua esposa ou de seu esposo ou seu

107
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana
----

companheiro ou sua companheira. Assim, o magis-


trado será suspeito e não poderá julgar a causa;
·c) parentes em linha reta ou na colateral até o terceiro
grau: o vínculo de parentesco impede a imparciali-
dade do juiz no julgamento da lide. Tanto é verdade
que a suspeição atinge desde o parente em linha reta
até o de terceiro grau. Para melhor esclarecimento,
solicitamos ao leitor que se reporte ao inciso III do
artigo 144 do Código de Processo Civil. O legislador
não quer que o fato de os parentes do juiz serem
credores ou devedores das partes influencie no
julgamento da lide. Dessa forma, fica preservada a
imparcialidade no julgamento d~ causa.
IV - intÉ!ress~d.ó no julgamento d~ c~~sa em favor de
uma das partes: o magistrado que tiver interesse no julga-
mento da causa em favor de uma das partes é considerado
suspeito de parcialidade.lnteressado denota dedicação, de-
voção. Esse interesse há de ser verificado com objetividade,
inclusive com a. apresentação de provas robustas. É uma
dedicação dispensada à parte com o objetivo de tomá-la
vitoriosa na ação judicial. Qualquer comportamento do
juiz de direito que se enquadre nos incisos anteriores ou
qualquer outro que demonstre interesse no julgamento
da càusa, toma-lo-á suspeito de parcialidade.
Finalmente, dispõe o § 1°, do artigo 145 do Código de
Processo Civil: "Poderá ainda o juiz declarar-se suspeito por
motivo íntiroo, sem necessidade de
declarar sua~;~azõ~~:" .
Notemos que é impossível ao legislador prever todos os
108
Capittdo VIII
fJA.S EXCEÇÕES DF !HPED!i'-'1Ef\!"!'O E SUSPE!Ç):\0

comportamentos impeditivos ou suspeitos de parcialidade


do magistrado. Contudo, espera-se do juiz um comporta-
mento ético e imparcial diante da ação judicial, pois é ele
quem vai julgar a detnanda. O cidadão também espera
do magistrado um comportamento probo ao conhecer e
julgar uma ação judicial. Espera que a justiça seja feita.
Por esses motivos, o juiz poderá declarar-se suspeito sem
a necessidade de esclarecer o porquê.

3. PROCEDIMENTO DAS EXCEÇÕES DE


IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO

Aparte que quiser arguiroimpedimentooua suspeição


do juiz terá 15 (quinze) dias a contar do conhecimento do
fato, para fazê-lo, por meio de petição autônoma, endere-
çada ao juiz da causa. A inicial indicará o fundamento dà
recusa, podendo o excipiente (aquele que suscita o inci-
dente) instruí-la com Os documentos em que se ffmdar a
alegação dos fatos. Além disso, o excipiente indicará o rol
de testemunhas. Podem ser ajuizadas em qualquer tempo,
ou grau de jurisdição.
Ao receber a petição de impedímento ou suspeição,
o magistrado examinará os fundame)1tos da exceção e
se aceitar o impedimento ou a suspeição, determinará a
remessa da ação principal e da exceção ao seu substituto
. legal. .Se não reconheser o impedimento ou a suspensão, .
de.temtinatá a autuàção em apartado da petição e, no
prazo de 15 (quinze) dias, acompanhadas dé documentos
109
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

e de rol de testemunhas, se houver, ordenará a remessa


do incidente ao tribunal.
Distribuído o incidente, no tribunal, o relator declarará
. os efeitos do incidente, isto é, se o receberá sem efeito
suspensivo ou com efeito suspensivo. Sem efeito suspen-
sivo, o processo, em primeira instância, voltará a tramitar
normalmente; com efeito suspensivo, o processo perma-
necerá suspenso até o julgamento do incidente:
O Tribunal julgará procedente ou improcedente a alega-
ção do impedimento ou suspeição. Caso o Tribunal acolha
o impedimento ou a suspeição, condenará o juiZ nas custas
e remeterá os autos ao seu substituto legal, podendo o
juiL; recorrer da. decisão .. O Tribunal também estabelecerá
a partir de que momento processual o juiz não poderia
ter atuado, declarando nulos os atos do juiz.

-·.-,;,-.

110
Capitulo VIU
DAS EXCEÇÕES DE IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO
-------

4. MODELO DE PETIÇÕES DE IMPEDIMENTO E


SUSPEIÇÃO

4.1. Modelo de petição de exceção de impedimento

111
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO C!V!L " Joseva! Martins Viana

112
capitulo VIII
0/\S EXCECÕES DE !MPED!MFNTO E SUSPC1CÃO

4.2. Modelo de petição de exceção de suspeição

I
!
"I'

113
PRÁTICA FORENSE EM PiROCESSO CIVIL " Joseval Martins Viana

Diante do exposto,
seja recebida
iJ remessa "U'> <>UilV>

reconht=ç~ a ,sy•spe~ç~o, -~"-'~,,~_-,,<<JLttQs ~~m~@·~p.$ Z1pÊg1r~~:ip,C'•


Trib!lnal-corrulE~te;ri~e J:lal"a
d~ cistild.,-

114
PETIÇÃO INICIAL

1. PETIÇÃO INICIAL

A petição inicial é o ato formal do autor que dá início


à causa. É um requerimento que contém a exposição .do .
fato e dos fundamentos júfídicos do pedido sobre o g:;~i ...
incidirá a tutela jurisdicional. A palavra petição origina-
-se do latim petitione e significa ato de pedir, rogo, reque~
rimento. Lato sensu, petição inicial é o primeiro pedido
formulado pelo autor ao juiz de direito. Stricto sensu, é

um requerimento endereçado ao Estado-juiz para que se
inicie a ação judicial. Pode ser digitada, datilografada ou
até mesmo manuscrita.
Traz em seu conteúdo a pretensão do autor. Deve ser
redigida de forma clara, objetiva e circunstanciada, para
que o juiz compreenda com exatidão o que o autor plei-
teia. Além disso, precisa também ser bem fundamentada
do ponto de vista legal e jurisprudencial para convencer o
magistrado de que as alegações aduzidas na peça exordial ·'·
~correrarri efetivamente no mundo fático.
PR..6.,T!CA FORENSE EM PROCESSO C!V!L " )oseva! Martins Viana

Como regra geral, determina-se a competência no mo-


mento do registro ou da distribuição da petição inicial.
Dá-se, portanto, início à causa. Antes disso, a petiç§.o inicial
.é um mero requerimento. Um mero trabalho intelectual.
Depois de registrada ou distribuída, a inicial transforma-se
em um importante instrumento jurídico para pleitear a
tutela jurisdicional. Não há demanda sem a petição inicial.
A petição inicial delimita o âmbito de defesa e os limites
do qual atuará o órgão jurisdicional (princípio da congru-
ência). Percebe-se então a importância da petição inicial
para o processo, exigindo que o magistrado examine-a
com rigor antes
..
de determinar a citação
-·· "-
do
..'
réu, visto
•.. ,_
que" "' "'· '

poderá déterminar ao autor que a emende ou complete-a ·


no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de indeferi-la se o
autor não cumprir a determinação judicial.

2. REQUISITOS DA PETIÇÃO INICIAL


\

A petição inicial é ·um requerimento formal e deve


preencher determinados requisitos para que seja aceita
pelo Poder Judiciário. Essa exigência tem por objetivo
estabelecer um modelo padrão a fim de uniformizar as
iniciais. Assim, guardadas as devida.s proporções, as ações
cíveis terão uma petição inicial padrão, havendo poucas
mudanças na sua estrutura.
o art, 319 do CPC indica ós requisito~ da p~tição irii~
cial. São eles:

116
Capítulo IX
PETiÇÃO iNICiAL

I - O juizo a que é dirigida: a petição inicial é endere-


çada ao juízo de primeira instância e ao juízo de. segunda
instância, porque as ações judiciais podem ter início no
juízo singular ou nos L.ribunais, de acordo com a compe-
tência de cada um. O endereçamento deve obedecer à
competência interna jurisdicional. O autor distribuirá a
ação, observando a competência, ou seja, o lugar onde
deverá ser distribuída a demanda. Não poderá fazê-lo em
qualquer foro. A competência jurisdicional está expressa
nos arts. 46 seguintes do CPC.
É importante observar ainda que o endereçamento não
diz respeito à autoridade judiciária, mas sim ao c:otrgo gue.
ele exerce. Por esse motivo, o cabeçalho da petição inicial
não deve contemplar o nome do juiz de direito, mesmo
que haja apenas um magistrado na comarca, já que a,
inicial é endereçada ao órgão judicial e não à pessoa do
juiz de direito. •
Ao elaborar o endereçamento, deve-se considerar a
competência do juízo ou do tribunal para evitar que a
inicial seja registrada ou distribuída no juízo incompetente.
O endereçamento errôneo não enseja extinção do
processo sem resolução de mérito. Trata-se de um erro
material escusável, havendo possibilidac[e de correção,
respeitando o princípio da instrumentalidade das formas.
No
. entanto, não. é porisso
. ·-·-
que se deve ser
' -....
desidioso. O
.
zelo com a petiçãq. inicial desde seu endereçamento há
de ser respeitado.

117
PRÁTICA FORENSE EM P:ROCESSO C I V! L Q Joseval Martins Viana

Se o JUlZ de direito for absolutamente incompetente


para conhecer e julgar a demanda em razão da matéria e
da função, deverá remetê-la ao juízo competente, contudo,
se for relativamente incompetente em razão do valor da
causa e do território, precisa aguardar que o réu, no praz9'
de defesa, argua exceção de incompetência relativa em
razão do valor da causa ou do território em preliminar
de contestação.
Deve-se explicitar que o juiz de direito somente poderá
remeter a demanda ao juiz competente se se tratar de
incompetência absoluta. Se não o fizer, o réu poderá em
preliminar de contestação arguir a exceção de incompetên-
,_.
ciaabsoluta. Definido que o juiz é absolutamenteincompe- .
' ·-· • - ' ' •• > • •• • "' ,. -, ' - • • ' <' '·' ' •

tente, deverá remeter o processo ao juiz competente com


a invalidação dos atos decisórios pretéritos, incluindo-se a
sentença judicial por ventura prolatada no processo.
Por outro lado, há de se ressaltar que a Súmula 33 do
Superior Tribunal de Justiça veda a remessa dos autos a
outro juízo, quando se trata de incompetência relativa: "A
incompetência relativa não pode ser declarada de ofício."
Assim, deve-se ter em mente o seguinte: se, porventura,
a petição inicial for endereçada a juízo incompetente em
razão da matéria ou da funÇão (competência absoluta), o
magistrado, ex ófjicio, deverá remeter a ação ao juízo com-
petente. Caso isso não aconteça, o réu poderá fazê-lo em
preliminar de contestação, uma VEiZ que a incompetência
absoluta não se convalida; entretanto, se a incompetência
deu-se em razão do valor da causa ou do território (com-

118
I
l
Capitulo IX
PETIÇÃO INIÇIAL

petência relativa), o juiz de direito deverá aguardar que


o réu indique a incompetência relativa em preliminar de
contestação. Se não o fizer, o juiz de direito tomar-se-á
competente.
II - Os nomes, os prenomes, o estado civil, a existên-
cia de união estável, a profissão, o número de inscrição
no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional
da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e
a residência do autor e do réu: os litigantes devem ser
devidamente identificados na petição inicial. Essa identi-
ficação tem como objetivo individualizar os demandantes,
porque são partes na relação processual. O autor é quem
propõe a ação judícül.l e, como regra geral, deve ser o de"
tentar desse direito. O réu é aquele contra quem se propõe
a demanda.
A identificação dos litigantes está diretamente vincula:
da ao interesse da parte e à legitimidade. O art. 17 do CPC
dispõe o seguinte: "Para postular em juízo é necessiirio ter
interesse e legitimidade:' O autor é aquele que conserva
consigo o direito a ser tutelado. O réu é a pessoa que efe-
tivamente transgrediu o direito do autor. Daí a importância
do interesse e da legitimidade no processo judicial.
A petição inicial exige que sejam declinados os nomes
e prenomes dos litigantes. O nome é um dos elementos
que individualiza a pessoa. É o meio indicativo da pessoa
de se apresentar na sociedade e integra sua personalidade,
pois a partir do nqme se conhece as origens farriili<ires. ··
Dois elementos integram o nome:

119
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

a) prenome: é o nome próprio de cada pessoa e serve


para distinguir indivíduos da mesma família;_
b) sobrenome ou patronímico: é o sinal que identifica
a procedência da pessoa, indicando sua filiação.
Uma vez que o nome individualiza a pessoa, exige-se
a indicação dos nomes dos demandantes na inicial. Os
nomes não podem vir abreviados. Além dos nomes, a qua-
lificação deve conter o estado civil, a existência de união
estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro
de Pessoas Físicas ou no Cadas'tro Nacional da Pessoa
Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência
do autor. Cada um desses elementos qualificadores tem
· importãneia.
O estado civil é exigido, porque, dependendo da natu-
reza da ação, exige-se a outorga uxória. Este é o caso das
ações que versem sobre direito real imobiliário. Esta é a
orientação do art. 73 do CPC: "O cônjuge necessitará do
consentimento do outro para propor ação que verse sobre
direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime
de separação absoluta de bens."
É interessante ~bservar também que se deve informar
ao juiz de direito a existência de união estável. Sabe-se
que a união est~irel é a relação de convivênCia duradoura.
entre duas pessoas e estabelecida com o objetivo de for-
mar urna família. A união estável não é obstáculo para a
propositura da· demanda.. Sen!e apenas· para ihfórmar ao
magistrado o estado civil das pessoas: casadas; solteiras,
120
Capitulo IX
PETiÇJ.i.O INICIAL

viúvas, conviventes em união estável etc. Mas para a ação


é importante, porque se o réu for casado e figu.rar no polo
passivo de uma ação judicial que versa sobre dívidas origi-
nárias de fiança, a esposa também deverá figurar no polo
passivo da causa por se tratar de litisconsórcio necessário.
A inicial deve indicartambém a profissão do autor e do
réu. A profissão é a atividade remunerada de uma pessoa.
Dois fatores importantes envolvem a indicação da profis-
são na exordial. Primeiro, se o autor ou o réu estiverem
desempregados, ainda que tenham profissão, podem ser
beneficiários da justiça gratuita. Assim, estarão isentos
de recolher as custas do processo e de arcarem com os .
honorários advocatícios. O segundo fator importante é
que, dependendo da profissão do réu, como, por exemplo,
policial militar, ele pode ser citado no próprio Batalhão.
Faz parte da inicial a indicação do número de inscriçãó
no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional

da Pessoa Jurídica quando o réu for pessoa jurídica. A exi-
gência é imposta pelo art. 15 da Lei n ..11.419/2006 a fim
de facilitar a identificação de ações anteriores idênticas ou
semelhantes entre as mesmas partes: "Salvo impossibili-
dade que comprometa o acesso à justiça, a parte deverá
informar, ao distribuir a petição inicial de qualquer ação
judi.cial, o numero no cadastro de pessoas físicas ou ju-
rídicas, conforme o caso, perante a Secretaria da Receita
Federal."
Émbor~ não haja dete~i~ação legal, pode-se indicar
'
o Registro Geral (RG) das partes.
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana
----

Finalmente, a petição inicial exige que haja 1 indicação


do domicílio e da residência do autor e do réu. O domicílio
é a sede jurídica da pessoa. Este é um conceito puramente
· jurídico por ser o local onde a pessoa responde pelos seus
2t-:.s ern ····"T•tirlo ;:;,mplo, Gu seja, onde se presume presente
. para os efeitos de direito. Diverso é o conceito de resi-
dência. Trata-se do lugar onde a pessoa habita ou tem o
centro de suas ocupações. Ambos são importantes porque
se relacionam com a competência, ou seja, em que foro
deverá ser ajuizada a demanda. Por exemplo, nas ações
em que o incapaz for réu, a ação será processada no foro
do domicílio de seu representante legal. Outro exemplo:
a ação júdicial fundada em direito pessoal.se:tá proposta,
em regra, no foro do domicílio do réu.
Convém ressaltar que o autor talvez não tenha a
qualificação completa do réu. Se ele não dispuser des-
sas informações, pÓderá requerer ao júiz, na inicial, as
diligências necessárias. para a obtenção de tais dados.
No entanto, a petição não será indeferida caso não seja
atendido o art. 319, inc. li, do CPC (qualificação das par-
tes), se a obtenção de tais informações tornar impossível
ou excessivamente oneroso o acesso à justiça, segundo
o art. 319, § 3°,tdo CPC.
A inicial também não será indeferida se, a despeito
da falta dessas informações, for possível a citação do réu.
Note-se, portánto,q1.le se o ~utortiver poucosdados re-
\ :
ferentes à qualificação do réu, mas sejam eles suficientes

122
Capítulo IX
PETIÇÃO INICIAL

para individualizar o réu, possibilitando sua citação, a


inicial não será indeferida.
III - O fato e os fundamentos jurídicos do pedido:
' ··-~-.
são requisitos relacionados com o mérito da causa. Fato
]ürídico é todo acontecimento, natural ou humano, susce-
tível de prod~..<ú1 efeitos jurídicos. Fundamento Jurídico é
o motivo que justifica a existência da ação, baseado nos
princípios de ordem jurídica.
Trata-se da exposição dos motivos que justificaram o
ajuizamento da ação pelo autor contra o réu. Assim, devem
ser redigidos com clareza e precisão de modo que o réu
possa entender a pretensão jurídica do autor.
Fato jurídico tem sentido técnico de fato constitutivo
de direito que justifica o ajuizamento da demanda. Vale
dizer que o autor deve expor o fato que gerou seu direit0
e que resultará no dever de o réu cumprir a determinação
judicial. •
Fundamentos jurídicos não são normas de direito em
que respaldam o pedido do autor, mas a lesão do direito
do autor. Assim, fato e fundamentos jurídicos do pedido
são a narração dos acontecimentos que fizeram nascer a
demanda entre autor e réu. Por sua vez, fundamento legal
é aindicação da lei em que se apoia a pretensão do autor.
Deixar de indicar o fundamento legal não enseja a
. extinção da.qção; contudo, a ausência de fundamento ju-.
com
rídico fáz que á inicial seja indeferida caso não seja
corrigida em 15 (quinze) dias. '

123
PRÁTICA FORF:NSF FM PROCESSO C!V!L " _!oseva! Martins Viana

O Código de Processo Civil adotou a "Teoria da Subs-


tanciação", opondo-se à "Teoria da Individuação". Na teoria
r'la
....... ................ .................... ':s' ·-':'' a pt::)+ira-
Sl1hQt~nriara-,.., Ll.~ '- r. 1-nl"cial
..... ........
.L
r'lafina a "ausa rla padiY
... .................
'- ,_ '-4'- ...... J.J.

(fato + fundamentos jurídicos z;, causa de pedir), de ma-


neira que o fato e os fundamentos jurídicos pfecisam ser
-··N,~...,_._._,~-~· jn.d~rar]Qs:;:··$&ÜX"" pú-;r.),.-.ic ãO Obseb\Er$f3'.:~tli€t:·:@?.~;1:~~iq@3·-~1ât
define a causa.
Por sua vez, a teoria da individuação, que não é adota-
da pelo Código de Processo Civil, afirma que é suficiente a
indicação de um fundamento geral para o pedido (Exemplo:
"sou credor, logo, peço.. :'), incidindo, nesse caso, a prestação
jurisdicionalsobre o rróprio. fa to. da natureza subjacE!nte
.. àquela ~i~cÚ~à"Çãó g~~érica. Para e~sa teoria, a petiçao ini-
cial tem apenas a função de indicar a causa, abrangendo
a decisão de todos os aspectos de fatos relevantes.
Pela teoria da substanciação, o auto~ deve indicar que
ele é credor, com base em um determinado negócio jurídico,
que O torna detentor do direito. A teoria da individuação
exige apenas que haja um credor e seu direito sem expli-.
citar o motivo que o torna detentor desse direito. Por que
adotamos a teoria da substanciação? Porque o direito do
autor deve fundamentar-se em negócio lícito. Caso cone
trário, um creddr de dívida de jogo de azar poderia propor
ação de cobrança. Da mesma forma, um agiota poderia
propor também ação de ç:obrança. Como a petição inicial
é:xigeque se explüíue o negódojuridico estabelecido entre·.
autor e réu, não se pode cobrar dívida de negócio ilícito.
124
Capítulo iX
PETIÇÃO INICIAL

Ao redigir a petição inicial, deve-se ter cuidado de


indicar com clareza e precisão o fato e os fundamentos
jurídicos do pedido. Se a petição não preencher esses
requisitos será considerada inepta e não produzirá seus
efeitos jurídicos.,A,prete~t~pcio-
-~-'"-:,ma:a pe"!ó"'Poder JuâH:íárío nem incidirá sobre o pedido do
autor a tutela jurisdicional.
É importante salientar que o juiz, ao verificar que a
petição inicial não preenche os requisitos legais ou que
apresenta defeitos ou irregularidades capazes de dificultar
o julgamento do mérito,. determinará que o autor, no prazo
de 15 (quinze) dias, emende-a ou complete-a, indicando
com .precisão o que deve ser corrigido ou completado. Se .·.
o autor não cumprir a determinação judicial, o juiz inde-
ferirá a petição inicial.
Não resta dúvida, portanto, que a petição inicial exige
apenas o fato e os fundamentos jurídicos do pedido, sem
fazer menção da fundamentação legal. Entretanto, faz-se
necessário considerar que o Recurso Especial e o Recurso
Extraordinário somente serão processados no Superior
Tribunal de Justiça ou no Supremo Tribunal Federal se
houver prequestionamento da matéria sub judice. O pre-
questionamento consiste na necessidade de a questão
constitucional ou federal ter sido analisada nas instâncias
inferiores. Por isso, é importante que 6 autor indique .a
fundamentação legal.
·. · Assirn, o pteqvestionamento é requerer aos Tribunais
Superiores que se manifestem precisamenté sobre os arti-
125
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL G Josevaf Martins, Viana
-------- ---~---------------

gos da lei constitucional e infraconstitucional que serviram


de fundamento legal para apoiar a pretensão do autor na
petição inicial no sentido de que se tais artigos aplicam~
_-se efetivamente ao caso concreto e se tanto a primeira
instância quanto a segunda deram a devida interpretação
aos referidos artigos.
N - O pedido, com suas especificações: o pedido é
a pretensão do autor. Sobre o pedido incidirá a prestação
jurisdicional. Trata-se, portanto, da essência da petição
inicial. Da exposição do fato e dos fundamentos, o autor
deve formular o pedido de forma lógica, clara e precisa.
Sobre o pedido inddirá a decisãq judici<J.l e formará a coisa
julgada: Define a lide e o objeto do procésso.
O pedido depende da espécie da ação judicial ajuiza-
da no Poder Judiciário e mantém relação com o fato e os
fundamentos jurídicos apresentados pelo autor. Por isso,
algumas ações judiciais comportam mais de um pedido.
Entre outros exemplos, o pedido pode ser de indenização
por danos morais e materiais, de declaração da existência
ou inexistência de uma relação jurídica, de cobrança etc.
O pedido dividecse em pedido imediato e mediato. O
pedido imediato ·determimr-a"proVidênria- jurisdicional a
que se pretendei alcançar- em juízo (condenação, declara-
ção, constituição ou extinção da relação jurídica). O pedido
mediato é o bem. jurídico de direito material que se visa a
tutelar (pagamento, desocUpação do imóvel, nulidade do
contrato etc.). Note-se que o pedido imediato apresenta

126
Capitulo IX
PETIÇÃO INICIAL

conteúdo processual, e o pedido mediato refere-se ao di-


reito material.
Ensina o art. 322 do CPC que o pedido deve ser certo.
Pedido certo é o pedido claro, mantendo relação lógica com
a causa de pedir. Pedido certo é pedido explícito. Não pode
ser obscuro nem estar implícito, ou seja, o juiz de direito
não pode deduzir a pretensão do aut:or. O art. 324 do CPC
afirma que o pedido deve ser determinado. Pedido deter-
mimJ.do é aquele que se refere aos limites da pretensão
do autor. Exemplo: O autor pleiteia uma indenização por
danos morais no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) .
. É lícito formular pedido genéric(), cont~do hárestrição
legal. Essa limitação encontra-se no art. 324, § 1°, ines. I
a lll, do CPC:
I - Nas ações universais, se o autor não puder indi~­
duar os bens demandados: as ações universais são aquelas
demandas que apresentam um conjunto de bens materiais
demandados, tratando-se, portanto, de uma "universalidade
de bens", como acontece no caso do espólio. Numa ação
de petição de herança, por exemplo, o pedido é genérico,
porque se refere a todos os bens que couberem ao quinhão.
II - Quando não for possível determinar, desde logo, as
consequências do ato ou do fato: pode ser que os efeitos
juridicos do ato ou do fato ilícito não foram efetivamente
. determinados e, em razão disso, o autor não pode .deli-.
mitar o quantum debeatúr. Nas ações de indenização por
ato ou fato ilícito, muitas vezes, não é possível indicar, no

127
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO C!V!L ~ Joseva! Martins Viana

momento da propositura da demanda, com precisão todas


as consequências juridicas que a vítima terá sofrido. Não
se sabe, por exemplo, se ela está incapacitada temporária
. ou permanentemente.l\fesse caso, admite-se que o autor
formule pedido genérico.
Jir.:. Quando a determinação do objeto ou do valor
da condenação depender de ato que deva ser praticado
pelo réu: existem situações que, dependendo do compor-
tamento do réu, a extensão do pedido pode variar, como
por exemplo, acontece na ação de prestação de· contas
ajuizada por quem tem o direito de exigi-las. A constatação
do saldo credor depende das contas a serem apresentadas,
é aci autor é i:rripossível preeisar, já na p'etlc;ão inicial; o
montante desse saldo.
Os pedidos podem ser classificados em:
a) pedido cominatório: ocorre quando o autor preten-
de que o réu se abstenha de praticar algum ato,
ou que tolere alguma atividade, ou deva praticar
algum ato personalíssimo que não possa ser prati-
cado por terceiro. Nesse caso, o autor requererá ao
juiz que fixe uma multa (astreintes) ao réu, caso ele
descumpra a sentença;
b) pedido alternativo: é aquele em que o devedor pode
cumprir ~ prestação de mais de um modo em vir-
tude da natureza da obrigação. O pedido alternativo
élassifiça~se como prestação disjuntiva, isto é, ou
uma prestação ou outra. O direito materiál exige a
. formulação de uma delas alternativamente. Essa al-

128
Capítulo IX
Pf::.: fiÇ,f.O lf'.!1CU-.L

tematividade deve ser oferecida e assegurada ao réu


se estiver expressa no contrato. Se a escolha for do
credor, este deverá requerer o pedido na petição inicial,
optando por um dos pedidos. Se a .escolha competir
ao réu, este o fará por ocasião da contestação;
c) pedido subsidiário ou sucessivo: caracteriza-se
quando o autor formular um pedido principal e
outro secundário, requerendo ao juiz da causa que
conheça do pedido secundário, se não puder acolher
o pedido principal;
d) pedido cumulado: trata-se de cumulação plena e
simultânea, representando a soma de várias pre-
. ténsões jurídicas a serem satisfeitas cumulativa-
mente num só processo. As espécies de cumulação
de pedido são: simples, sucessiva e incidental. Na
simples, o acolhimento ou não de um pedido nãç
prejudica o outro. Na sucessiva, o acolhimento de
um pedido pressupõe
.
o do pedido anterior; e por
fim, na incidental, ela ocorre após a propositura da
.
ação, por meio do pedido de declaração incidental.
e) pedido de prestação periódicas: são possíveis nas
ações judiciais que objetivam ao cumprimento de
obrigações dé trato sucessivo,· como, por exemplo,
aluguéis vencidos e vincendos. Note-se que, mes-
mo que não haja expressa indicação do pedido, as
prestações. periódicas, ou seja, de trato sucessivo
serão incluídas na sentença.
o art: :327 do cpc preleciona que é lícita a cumulação,
em um único processo, contra o mesmo réu, de vários

129
PRÁTICA FORENSE EM P-ROCESSO CIVil " Joseval Martins Viana
---

pedidos, ainda que entre eles não haja conexão. São re-
quisitos de admissibilidade da cumulação que:
I - Os pedidos sejam-compatíveis entre si: É possível
ao credor cumular dois ou mais pedidos de cobrança contrá"
o mesmo réu no mesmo processo, ainda que as dívidas
sejam independentes entre si e não guardem nenhuma
relação umas com as outras, o que se justifica. pela eco-
nomia processual.
II- Seja competente para conhecer deles o mesmo
juízo: o autor pode cumular dois ou mais pedidos contra
o mesmo réu no processo somente se o juízo for com-
petent<; pa.ra cqnhecer d~les. Embora não haja restrição ·
legal, a competência deve abranger a relativa e a abso-
luta. Em caso de incompetência absoluta, o magistrado
indeferirá o pedido, cabendo à parte postulá-la perante o
juízo competente. Caso a incompetência seja relativa, se
houver modificação, por prorrogação, conexão, continência
ou derrogação, o juiz poderá examinar todos os pedidos.
III - Seja adequado para todos os pedidos o tipo de
procedimento: os pedidos precisam obedecer ao mesmo
procedimento. Não é possível requerer um pedido de cum-
primento de contrato e,'•na·tnesma···sção, requerer ação
de exigir contas: pois ambas as ações têm procedimentos
diferentes.
Ob:servação: Na cumulaç~o de pedidos, afirmou-s<; que
eles devem corresponder ao mesmo tipo de proc·~dimento,
contudo essa regRCa comporta exceção. O art. 327, § 2°,
1~0.
Capitulo IX
PETIÇAO INICIAL

do CPC, esclarece que, quando, para cada pedido, cor-


responder tipo diverso de procedimento, será admitida a
cumulação se o autor empregar o procedimento comum,
sem prejuízo do emprego das técnicas processuais dife-
renciadas previstas nos procedimentos especiais a que se
sujeitam um ou mais pedidos cumulados, que não forem
incompatíveis com as disposições sobre o procedimento
comum.
Por fim, os pedidos sempre serão interpretados res-
tritivamente, abrangendo no principal os juros legais, a
correção monetária e as verbas de sucumbência, inclusive
os honorários advocatício, ainda que não estejam formuc.
lados na inicial. Acr~scentacse ao pedido aquáoqu~ dele
for decorrência imediata e necessária e não puder ser
pleiteado separadamente.
V - o valor da causa: o art. 291 do CPC registra qúe
"A toda causa será atribuído valor certo, ainda q,ue não
tenha conteúdo econômico imediatamente aferível." As
ações judiciais, de qualquer natureza, devem ter um valor
econômico, ainda que não se possa indicá-lo imediata-
mente, mas que, para fins de alçada, deve ser atribuído
valor econômico.
O valor da causa indica a competência do juízo. Além
disso, determina o tipo de procedimento a seguir-se e
serve para a fixação da taxa judiciária e de base para a
distribuição das custas e das despesas do process(), bem ·
I
como para a condenação em honorários adv9catícios. Não
f precisa corresponder necessariamente ao valor do objeto

'"
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO ClV!L " JosevaJ Martins Viana
-----

da ação. Determina-se o valor pela expressão econômica


da relação jurídica material que o autor pretende exigir
do réu. Mesmo aquela ação que não tenha conteúdo eco-
nômico imediato aferível ou mesmo aquelas demandas
classificadas como de "valor inestimável devem ter valor
da causa atribuído. O valor da causa deverá constar da
petição inicial ou da reconvenção.
De acordo com o art. 292 do CPC, o valor da causa será
atribuído da seguinte forma:
· I - na ação de oobrança de dívida: a soma monetaria-
mente corrigida do principal, dos juros de mora vencidos
e iie outras penalidades, se houver, até a data da propo-
situra da ação;
li- na ação que tiver por objeto a existência, a valida-
de, o cumprimento, a modificação, a resolução, a resilição
ou a rescisão de ato jurídico, o valor do ato ou o de sua
parte controvertida: nas ações envolvendo contratos, o
valor é do próprio contrato ou da diferença em que haja
discussão de valores, ou seja, da parte controvertida;
III- na ação lie alimentos: a soma de 12 (doze) pres-
tações mensais pedidas pelo autor;
IV - na aç~o de divisão, de demarcação e de reivin-
dicação, o valor de avaliação da área ou do bem objeto
do pedido: na prática forense, nessas ações dá-se o valor
venal nas ações que ver::;er:nsobre ten:enos, irnóyeis etc.;
. - : ''· : .- - i, ·::_.::-., .. -. :<--· :'' - . :·-~·::.-... t '-. _: -__.: ·. ·----
v-na ação indenizatória, inclusive a fúndada em
dano moral, o valor pretendido: nas ações indenizatórias,
Capítulo tX:
PETIÇÃO INICIAL
--------'------- - - - - - - - - - - - - -

inclusive aquelas fundadas em dano moral, compete ao


autor fixar o valor da causa de acordo com o valor inde-
nizatório pleiteado;
VI - na ação em que há cumulação de pedidos: a
quantia correspondente à soma dos valores de todos eles;
VII - na ação em que os pedidos são alternativos: o
de maior valor;
VIII - na ação em que houver pedido subsidiário: o
valor do pedido principal.
O magistrado poderá corrigir, de ofício e por arbitra-
mento, o valor da causa quando verificar que· não cor-
responde ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao
proveito econômico perseguido pelo autor, caso em que
se procederá ao recolhimento das custas correspondentes.
Poderá o réu impugnar, em preliminar da contestação:o-
valor atribuído à causa pelo autor, sob pena de preclusão,
e o juiz de direito decidirá a respeito, impondo, ·se for o
caso, a complementação das custas; _
VII - As provas com que o autor pretende demons-
trar a verdade dos fatos alegados: entende-se por prova
o conjunto de elementos moralmente legítimos que tem
por objetivo convencer o magistrado sobre a existência ou
não de um fato. A palavra prova origina-se do latim probatio
que significa examinar, persuadir, demonstrar.
O juiz de direito não é persuadidoapenas com alegações ·
ou com afirmações de fato. A parte que afirr;na a existência
ou não de um fato jurídico deve demonstrar cabalmente
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

o que alega. Como7 Mediante a apresentação de provas


convincentes. Note-se que o brocardo jurídico allegatio et
non probatio quase non allegatio continua em vigor. Aquele
que alegar um fato deve prová-lo, porque não o provando
é a mesma coisa de não alegá-lo. O juiz de direito tem
em vista elucidar a verdade sobre a existência ou não de
fatos afirmados pelos demandantes no curso do processo.
Toda prova possui um objeto, uma finalidade e um
destinatário. O objeto da prova são os fatos da causa, ou
seja, os fatos afirmados pelos litigantes como fundamento
da ação judiciaL A finalidade da prova é formar a convic-
ção do juiz de direit() sobre .'! existência ou inexistência
de fatos que envolvem a demanda judicial. O destinatário
da prova é o próprio juiz de direito. Tenta-se convencê-lo
mediante a demonstração de provas. Observe-se que as
afirmações dos fatos articulados pelos demandantes diri-
gem-se diretamente ao juiz de direito. Por isso, na relação
processual, a prova recebe o nome de prova judiciária. É
a prova idônea que faz parte da demanda judicial.
As provas judiciárias classificam-se, por sua vez, em
objeto, sujeito e forma. O objeto da prova, como se obser-
vou, é o fato que deve ser provado em juízo. No que se
refere, ainda, ao:objeto, as provas podem se.subdividir em
provas diretas é indiretas. A prova direta é aquela que se
relaciona com o próprio fato probando, ou seja, refere-se
diretamente à.e'lristência ou ir,existência do fato. Por exem-
plo, as testemunhas que viram o fato, os documentos que
comprovam a existência do fato etc. São provas indiretas
1'M.
capitulo IX
PETIÇAO

aquelas que não se referem ao próprio fato probando, mas


por meio da demonstração, pode-se afirmar que o fato é
existente ou não. Por exemplo, as perícias, os indícios etc.
Em linhas gerais, pode-se afirmar que o objeto de pro-
va são os fatos controvertidos, relevantes e determinados.
Os fatos controvertidos são aqueles que exigem produ-
ção de prova, porque foram contestados ou impugnados
pela parte contrária. Os fatos relevantes são aqueles que
mantêm relação ou conexão com a ação ajuizada. Os
fatos determinados são aqueles apresentados com carac-
terísticas suficientes que os distingam de outros que são
semelhantes a eles.
Ó sujeito da prOva é a pessoa ou coisa de q~em ou de
onde se origina a prova. A pessoa ou a coisa podem afir-
mar a existência ou inexistência de um determinado fato.
'
Por fim, considera-se forma da prova a maneira pela
qual a própria prova se apresenta perante o juí11:o. Clas-
I sifica-se em:
t
l a) testemunhal: é o esclarecimento dos fatos de forma
r
oral;
II b) documental: é a afirmação do fato por me10 da
escrita ou gravada;
f
i c) material: materialidade que sirva de prova do fato
a ser demonstrado em juízo.
j-
Há; ainda; três sistemas que podem orientara cônvicção ·

l! do magistrado na-' avaliação das provas, a s?-ber: o sistema


da prova legal, o sistema da livre apreciação ou da livre
l
'
PRÁTJCP. FORENSE Eivi PROCESSO C!VJL ' Joseva! fvfartfns Viana

convicção e o sistema da persuasão racional. Sabe-se que


o critério legal já é considerado obsoleto, ou seja, está to-
talmente superado. Nele, o magistrado é considerado um
verdadeiro autômato, pois .avalia as provas seguindo uma
hierarquia legal e o resultado surge automaticamente. O
sistema da livre apreciação ou livre convicção do juiz é
aquele em que o magistrado tem ampla liberdade para de-
cidir sobre a verdade dos fatos de acordo com os critérios
de valoração íntima sem se ater ao que consta dos autos
do processo nem mesmo apresentar as argumentações
que formaram seu convencimento.
O sistema da persuasão racional é o resultado do mais
moderno processo de cõmpréensão dáé\tividade jurisdi-
cional. Enquanto no livre convencimento o juiz de direito
pode julgar sem considerar as provas dos autos, no sis-
tema da persuasão racional, o julgamento deve ser fruto
de uma operação lógica firmada com ba:'?e nos elementos
de convicção existentes no processo. Uma vez que se deve
logicizar a aplicação do sistema de provas na relação
processual, faz-se necessário estudar com afinco a lógica
jurídica para aproveitamento da melhor forma possível o
estudo das provas e do sistema argumentativo.
De tudo aquilo que foi dito, conclui-se, então, que se
devem trazer ao~· autos do processo as provas necessárias
com as quais se pretende provar a verdade dos fatos, ou
mesmo trazep.dq.tais prov<).s, se não houver administração
competente da apresentação de tais provas com'o instru-
mento de convencimento do juízo, sem sombra de dúvida,
136 .
Capitulo IX
PET!CÁO INICIAL

não se terá sucesso na demanda, pois de forma alguma


o juiz de direito irá aceitar o ponto de vista apresentado
como verdadeiro.
O Código de Processo Civil enumera os meios de prova
legalmente admitidos, a saber:
a) Ata notarial (art. 384 do CPC)
b) Depoimento pessoal (arts. 385 a 388 do CPC)
c) Confissão (art. 389 a 395 do CPC)
d) Prova documental (arts. 405 a429 do CPC)
e) Prova testemunhal (arts. 442 a 449 do CP)
e) Prova pericial (arts. 464 a 479 do CPC) iI
f) Inspeção judicial (arts. 481 a 484 do CPC)
VII - A opção do autor pela realização ou não de
audiência de conciliação ou mediação: ao redigir a pe-
tição inicial, o autor deve esclarecer se opta ou não pela
audiência de conciliação ou mediação. Essa cfudiência
visa à autocomposição a fim de prestigiar o princípio da
economia processual. A audiência não será realizada se
uma das partes não tiver interesse na composição con-
sensual ou quando a matéria discutida em juízo não se
admitir ~ autocomposição como acontece com os direitos
indisponíveis.
Na atU:al sistemática do Código de Processo Civil, não
se fa:;: mais necessá,Jiorequ~rer a citação do réu, visto ql1e
esta passou a ser realizada automaticamente pelo Poder
Judiciário. Não se trata mais de requisito dá petição inicial,

137
H
L1: PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

porque não se encontra no rol indicado pelo art. 319 da lei


processual. Além desses requisitos, a petição inicial deverá
ser instruída com todos os documentos indispensáveis à
propositura da ação.
:.. :· Ratifique-se que antes de o juiz determinar a citação
do réu, verificará, nos termos do art. 321, caput, e parágrafo
único do CPC, se apresenta defeitos ou irregularidades ca-
pazes de dificultar o julgamento de mérito, determinando
que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, emende-a ou
complete-a. No entanto, o juiz deverá indicar com precisão
o que deve ser corrigido ou completado. Se o autor não
cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.
Por fim, depois de registrada ou distribíJída a. p~tição
inicial, o autor poderá emendá-la ou alterar o pedido ou
a causa de pedir:
a) até a citação;
b) até o despacho saneador com o consentimento do
réu, assegurado o direito do contraditório mediante
possibilidade de manifestação do réu no prazo mí-
nimo de 15 (quinze) dias, facultando requerimento
de prova suplementar;
c) depois do despacho saneador, o autor, mesmo com o
consentimento do réu, não poderá emendar, alterar
ou aditar'o pedido ou a causa de pedir.

138
Co3pitulo IX
PETIÇÃO INIÇIAL

3. DO INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL

Afirmou-se que a petição .inicial deve preencher os re-


quisitos do art. 319 do CPC a fim de ser admitida pelo juiz
de direito como meio eficaz para tutelar o direito do autor
e compelir o réu a cumprir determinada ordem judicial
inserida na sentença. Além disso, a inicial será indeferida
quando apresentar determinados defeitos em sua elabo-
ração. O art. 330 do CPC indica quais são esses defeitos
a fim de evitar o indeferimento da petição inicial. Dispõe
que a petição inicial será indeferida quando:
I -for inepta: petição inicial inepta é aquela que não
éstáapta.para produzir os efeitos juridicós pleiteados pelo·
autor. O § 1°, inc. I, do art. 330, do CPC explícita o que é
inépcia da petição inicial, nos seguintes termos: "Conside-
ra-se inepta a petição inicial, quando:"
a) Faltar-lhe pedido ou causa de pedir: O pedido é
a essência da ação judicial, portanto, se' faltar, o
juiz de direito não saberá o que pleiteia o autor.
A causa de pedir é o motivo que levou o autor a
ajuizar a demanda. Trata-se da soma do fato e dos
fundamentos jurídicos do pedido.
b) O pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóte-
ses legais em que se permite o pedido genérico: o
pedido não pode ser indefinido, vago. O réu precisa
saber exatamente ql!al é o pedido do autor. pg.ra .. s.E'!..
defender. 9 autor não pode formular pedido genérico,
como, por exemplo, requerer a condenação do réu

139
PRÂT!CA FORENSE EM PROCESSO CJVJL o Joseval Martins Viana

em "obrigação específica em lei". Só poderá formular


pedido genérico nos termos do art. 324 do CPC.
· ·.c) Da narração dos fatos não decorrer logicamente
a conclusão: a petição inicial é um texto jurídico
e como tal deve apresentar coerência na exposição
dos fatos, baseada sempre na sequência lógica tra-
dicional: introdução, desenvolvimento e conclusão.
Além disso, ao narrar os fatos, deve-se apresentar
uma redação clara e objetiva, tornando o pedido
compreensível ao juiz de direito, dando-lhe todos
os elementos possíveis para entender os aconteci-
mentos que envolvem a ação judicial. Esta relação
harmoniosa entre a narração dos fatos e a conclusão
.fornece subsídios aó mil.gistrãd6 para julgar a Íide;
d) Contiver pedidos incompatíveis entre si: são aque-
les pedidos que não podem coexistir ou concordar
entre eles mesmos. Os pedidos formulados pelo
autor devem ser coerentes e harmoniosos entre si,
mantendo uma relação lógica com o nexo causal.
li -A parte for manifestamente ilegítima: O juiz de direito
indeferirá a petição inicial quando não existir legitimidade
ad causam. Para postular em juízo é necessário ter interesse
e legitimidade. Interesse é à necessidade de se recorrer ao
Poder Judiciário para a obtenção de determinado direito.
Isso quer di'zer que não há possibilidade de o autor obter
extrajudici~lmente esse direito. Por exemplo, a nulidade do
casamento só pode ser obtida por meio judicial. A legitimi-
dade é a capacidade da parte para litigar sobre seu direito.
Explidta o art. is do cpc;' qué "Ninguém pOderá pleitear
direito alheio em nome próprio, salvo quando autori-

140
Capitulo IX
PETIÇÃO INICIAL

zado pelo ordenamento juridico." A exceção contida na


lei processual refere-se à legitimação extraordinária, ou
substituição processual. Em virtude de lei, uma pessoa
tem qualidade para litigar, em nome próprio, direito
alheio. Exemplo: a mãe, representando o filho,. pleiteia
pensão alimentícia. '

III- O autor carecer de interesse processual: o autor deve


ter interesse e legitimidade para propor ação judicial em
face do réu para proteger seu direito. É direito subjetivo
que confere ao autor esses requisitos. Eles consistem na
necessidade e na utilidade de recorrer ao Judiciário me-
diante ajuizamento de ação adequada para o provimento
do direito do autor.
IV - Não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321 do
CPC: a parte deve ser representada em juízo por adv9gado
regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil.
Trata-se de capacidade postulatória do advogado para atuar
em juízo em nome de seu representante. Somando a essa
exigência, o juiz deverá analisar a petição inicial e verificar
se ela preenche os requisitos legais do art. 319 do CPC. c'aso
contrário, o art. 321 do CPC explica que o magi~trado de-
terminará que o autor corrija 0u emende a inicial no prazo
de 15 (quinze) dias sob pena de indeferimento.

As ações judiciais que versam sobre revisão contratual


decorrente de empréstimo, de financiamento ou de aliena-
ção de bens exigem do autor a discriminação na inicial, ·
dentre as obrigações contratuais, aquelas que pretende
questionar, além de quantificar o valor incontroverso do
dépito.
'' '
Esse valor incontroverso deverá continuar a ser pago.
' '

no tempo e no Ill;Odo contratados. Exemplo: se o autor es-


tiver pagando uma quantia de R$ 2.000,0(} (dois mil reais)

141
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

e entender que se trata de valor abusivo. ao propor a ação,


deverá demonstrar na inicial. por meio de cálculos, o valor
que entende correto. Suponha-se que o valor seja de R$
. 800,00 (oitocentos reais). Demonstrado esse valor, deverá
continuar o pagamento no tempo e no modo contratados
sob pena de indeferimento da iniciaL
O pedido pode ser realizado por mew de tutela de
urgência, mE;9iante emissão de boleto bancário ou outra
forma de pagamento, ou mesmo depósito nos autos do
processo que discute a cláusula abusiva.
O juiz de direito não pode indeferir de plano a petição
inicial. Se ela não preencher os arts. 319 e 320 do CPC ou
apreseritâr.déféitos e irregularidades· capazes dé diíi:cl.:Ütât o
julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de
15 (quinze) dias. emende-a ou complete-a, indicando com
precisão o que deve ser corrigido ou completado. Emendar
significa corrigir. Completar indica que falta alguma infor-
mação importante na petição inicial.
Depois disso, se o autor não cumprir a determinação
judicial, o juiz indeferirá a petição inicial. Indeferida a ini- ·
cial, o autor poderá interpor recurso de apelação no prazo
de 15 (quinze) dias, possibilitando ao juiz a oportunidade
de se retratar no prazo de 5 (cinco dias).

142
Capitulo IX
PETIÇAO INICIAL
--~----

4. IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO DA


PETIÇÃO INICIAL

O juiz de direito pode indeferir de plano a petição inicial


somente nos casos indicados no art. 332, inc. I a IV, do CPC.
É importante destacar que há dois tipos de indeferimento
da petição inicial: o primeiro indeferimento não poderá
ser de plarw, ou seja, no ato da distribuição da petição
inicial, porque os defeitos apresentados na inicial podem
ser corrigidos e não impedem o andamento processual. Só
haverá indeferimento, se o autor não a corrigir no prazo
de 15 (quinze) dias por determinação judicial. Dar-se-á o
ins:le;:ferimento nos termos do art. 330.do Ç!'C.
A improcedência liminar do pedido da petição inicial é
a segunda espécie de indeferimento da inicial, contudo o
juiz poderá indeferi-la de plano, isto é, no ato da distribui-
ção da petição inicial. Há de se ressaltar que neste caso a
improcedência liminar do pedido só poderá ser admitida
quando se caracterizarem os incisos de I a IV, do art. 332,
do CPC. São duas situações jurídicas diferentes para o in-
deferimento da inicial: o primeiro opera-se depois que o
juiz de direito determinar a correção da inicial; a segunda,
de plano, no ato da distribuição da petição inicial. Nesse
caso, não cabe emenda nem correção à inicial.
Nas causas que dispensam a fase instrutória, ou seja,
. aquelas ações cujo objeto tratam de ques~ões de direito
(por exemplo, int~rpretação de cláusula contratual), o juiz
de direito, antes mesmo de determinar a 'citação do réu,

143
PR/\TlCA FORENSE E~!l PROCESSO CIVIL ~ Josevaf Nartin~ Viana
-----

julgará, no ato da distribuição da petição inicial, improce-


dente o pedido formulado pelo autor na inicial. Para que
isso ocorra, o pedido formulado pelo autor deve contrariar:
I- Enunciado de súmula do Supremo Tribunal Fedex:al
ou do Superior 'Ih"bunal de Justiça: o autor não poderá
formular pedido que seja contrário a enunciado de sú-
mula do STF ou do ST}. A exigência não abrange apenas
enunciado de súmula vinculante, podendo ser apenas
súmula. Assim, qualquer pedido formulado contra decisão
já sumulada pelo Poder Judiciário enseja o indeferimento
liminar do pedido do autor.
II - Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal
o ri· pelei superior Tii:bunal de JustiÇa em julgilmeritÓ de
recursos repetitivos: o autor também não poderá formular
pedido que contrarie decisão proferida em acórdão nos
recursos repetitivos. O recurso repetitivo é um dispositivo
jurídico que representa um grupo de açõe.s em fase recursal
que possuem teses jurídicas idênticas. Esse requisito exige
conhecimento das matérias jurídicas que foram julgadas
em rec1.1rso repetitivo.
III - Entendimento firmado em incidente de resolução
de demandas repetitivas ou de assunção de competên-
cia: esse procedimento é admitido quando for identificada
controvérsia corh potencial de originar diversâs ações ju-
diciais fundamentadas na mesma questão de direito. Com
o objetivo de evitar insegurança jurídica, uma vez que
demandas que versem sobre ·a mesma questão ·tie direito
não podem ter decisões diferentes, o incidente de resolução

144
Capítulo IX
PFT!(,Ã,() !N!Ci/\!
-,::-----------------

de demandas repetitivas define a matéria. Dessa fom1a,


o autor não pode propor ação que contrarie as decisões
firmadas nesses incidentes. Além disso, não pode o autor
formular pedido que contrarie assunção de cQmpetência.
Acmsunção de competência consiste no deslocamento da
competência funcional de órgão fracionário que serià ori-
ginariamentet:empetente para apreéiar o recurso, processo
de competência originário ou ren"íessa necessária, para
um órgão colegiado de maior composição, devendo a lide
ser isolada e envolver situação de questão de direito com
repercussão social. O acórdão proferido pelo órgão cole-
giado consubstanciará em um precedente que vinculará
todos :os órgãos daq1.1e]e tribunal,· q1.1e diante de· outto càs6
igual não poderão decidir de maneira diversa. Ora, se já
houve. incidente de ass1.1nção de competência definindo
a matéria, o autor não poderá formular pedido na inic~al
que contrarie a decisão de assunção de competência.
IV - Enunciado de súmula de tribunal de jus"tiça so-
bre direito local: os tribunais de justiça de cada Estado
têm súmulas proferidas em decisões judiciais tiradas dos.
julgamentos de matérias submetidas a julgamento recur-
sal. São súm1.1las dos trib1.1nais de justiça que tratam de
questões referentes a direito local. Por essa razão, o autor
não pode form1.1lar na inicial pedido q1.1e contrarie súml.l-
las do tribunal de j1.1stiça sobre direito local sob pena de
improcedência liminar do pedido.
Observação: o juiz também poderá julgar liminarmente
improcedente o pedido formulado pelo autor se verificar,

145
PRÁTICA FORENSE El'-1. PROCESSO CIVIL " Joseval Martins Viana

desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição.


Decadência é a perda de um direito potestativo pela inércia
de seu titular que deixa fluir o prazo legal ou voluntaria-
. mente fixado para seu exercício. Prescrição é a extinção de
uma pretensão em razão da inércia de seu titular durante
certo lapsJ de tempo.
Quando o juiz julgar improcedente de forma liminar
o pedido formulado pelo autor, e se este não interpuser
recurso de apelação no prazo de 15 (quinze) dias, o réu
será intimado do trânsito em julgado da sentença a fim
de informá-lo sobre o resultado do julgamento. Por outro
lado, se o réu ape1ar da sentença, o magistrado poderá re-
.. tr.él~ar-se;€.1)1 ~ (c::j.l:JW) . dias. Se I1}á() }l~:n:.Jy:er retrata~?ç>. ojuiz •.
determinará o prosseguimento do processo, determinando
a citação do réu, e, se não houver retratação, determinará
a citação do réu para apresentar contrarrazões, no prazo
de 15 (quinze) dias.

. .
146
Capítulo IX
PETIÇÃO INICIAL

5. MODELO DE PETIÇÃO INICIAL

5.1. Petição inicial de ação rescisão contratual


cumulada com restituição de parcelas pagas e
com perdas e danos

i
I

I
I
II

147
PRÁTiCA FORENSE E~-'1 PROCESSO C!\!!l Josev;;:;! fYiartins Viana

148
Capítulo ·IX
PET!ÇÃO !N!C!P.,L

149
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana

1.50
Capitulo IX
PETIÇÃO INIOAL
---------

151
PR.f.T!CA FOf·!ENSE EM PROCESSO ClV!! )Qsev.e.i Mar!·fns Vú:ma
-~-·--------.-. -----

152
Capítulo IX
_ _ _P_ET1Ç.Ã.O !N!C!A.L

153
PRÂTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseval Martins Viana

154.
Capítulo IX
PETIÇÃO INICIAL
---. .. -----
~.-.-

r
I

155
PRÁTiCA FORENSE dvi PROCESSO CiViL ,. Josevai fviartins Viana

5.2. Modelo de petição inicial pleiteando


indenização por danos morais (erro médico}

1!\H.
Capitulo IX
PFT!Ç.D..O !!\JlC1A.L

'

I'
157
PRÁTICA FORENSE EM P.ROCESSO CJVJL " Joseva/ Martins Viana

158.
Ii
Capítulo IX
PETIÇÃO INICIAL
.~--··-·····-······

P'Li~r!''!l. '~'? s9'P9'Fc<Jo.W,>~·~YJ!Ja Beatriz. Tavares da Silva,


p. 100-01}.

159
PRÁ.TlCA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

160
Capitulo IX
~-~~~-P_E.T!Ç.l\0 ~~l!C~~L

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161
I.
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PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Josevaf Martins Viana

f:
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' provocado por atuação
prepo,;to,rrié<Jico(e!;pons;ivel pelo procedi-
933, do

162
Capitulo IX

Ir: PETIÇÃO INICIAL

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PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO C\flL Joseva! Martins Viana

164
Capitulo IX
PETiÇÃO INiCIAL

165
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CJVJL • Joseval Martins Viana

166.
Capítulo rx
PETIÇÃO INICIAL
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leque de opções para a propositura de

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167
PRÁTICA FORENSE Ei'-'1 PROCESSO Cl\/!L Jcscvaf P.1artins Viana
------------~-------

168
Capítulo IX
PET!Ç.Ã.O IN!C!.A.L

169
I
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

5.3. MODELO DE PETIÇÃO INICIAL DE AÇÃO


ESTIMATÓRIA OU "QUANTI MINORIS"

170
Capitulo IX
PETIÇÃO INICIAL

·.·.··.··'•l:iDOSFATOS

1.'Erh ' / _:) ········o requ~rente e orequerido firmaram


c!C>cÚm~f!t~ ~e compra•e. vend~ cld~~ícúlo da· marca-,..--,-~
i ârib cl~ f~b~lc~Çãoi> ... ftJÓcJ~IÓ --=.:"-'-~
chassi n.
•"+"+"""+7·"'·•.,.·:7·····.·+'*-'·' Fi~rl~~~rn •n; ·c-··"+"+-'--:7"""'----c::-' placa
"+·"'·""·"'··="+2C'A ..(), . -v~li:N aé ""•'R$""
-, . '--··--:;---- " .. 2 -::7"........,+'-'+-·' cte acordo
'.<:

· · : ~~n1;6J!edhó ~iri ~'i"léiia;..· · · '· • · · •· · · ·•· · ·.·

··vwá~~jji1~i~~\~~~i~~.~~~~t
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1!
~?t9~;;~~~~\&~ !~~~~sBfi~~ (cJpi~ WrS'dG~,:cJÓ!~·a~tbf~l~nf~i.é'. ·
f~r9ls cJiant!"\r~{ cJe projeçã~). ··.. . . . ..
\-;·2i·} . ,_,_. ;:·. \·-.:<~::··. ·._ . -. . . .~ -· :. _.. _ · _'· (~._-_:;~ ._._. >-
,~;,:(_: :j,:·~<I\ /~}t:.~~/,:::<M::;·:;:<_>. ---;-.·~-:.:::\-Y< .::;:'.';,··_:>._;~.: ---~- . , -: ·"·.: . _. --
>. $. j,i.b~~dfiÇ~Çpji~fi;ulp, ôf.êqu~r!"nte cc)nstªtou que àpa'.
\'·i21~~~~gh~~1~t:t~[~;fJf~f~~~~~J~ v1i~&~f~~d~~:n~t;~
5

. > JWdi~~~~q[~4é',j~'(hiJvi~C~F~ll1~1i!r1d9•••·~i.b~i~n'Ja.~·.m!"câniC:os'

; _ .i~[If~~~~~~1~:~~\\&~~,~~~~~~~~;~:d~t~;;b:;egf~:i~
· .·. ·•; a!Jt9f~lí!nW$·•E'!'Ps-f;:@is d.ianteirp?··.de;p~ç>jeção,·····
· · · .·• ; k0~~·6i~·~i~~~~~~Ii~J~~~()1&r~~~~réWi~~r~~Jroóo réqo~·fi-···.
,. <r ~~~~fR~~~~l~lli~~·ª~'~li#,i#~~:~;;;~ ~&t~ç§fri~8~iÇ~(),vj~i&.iJ~.~
·<••.W't~~R~f~~f~. :r.~~\·9~~~·;r;~~§ip~I~.(l ~~~H~ti' r?fgil~"?aes.ej~·•· ·
per~.~nec.sn,ç~~,P'yjlc41o. P?ri[~o, .s~li;it()ü·•.~.~aptr1~"PtP!l.R...
:.•·.'J p'r~~ª~?~~~;~p;p~~rp,\~ft.(l1~7 ~~.~~i~llif~~<!:i~st<J.f?.ção cl~·-flpyp•·• ·
i}'i ffiól:óhéi:ilriíihJiFó tàibl"dó Verc!Uibem·tàzãb da.àusênCia.dos .
• .

.i Li ~:~~~$~rlg~;~~~H~~~i&,& r~§~~W~b n@~i:~itpiJ a prpkpst~,··.····· . ·-~-' .

171
PRÂTJC,.t:.., FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseva! Martins VianD

172
CaPítulO IX
PFTIÇÃO lN!ClAl

173
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana

disso, o relatório mecânico indica


(dois airbags, dois
um. decrésc

'i
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174
Capitulo IX
PETIÇÃO INICIAL
--

I
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I
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i 175
PR.á.TiCA FORF:NSE EM PRO.C:ESSO CIVIL ". .Josevaf Martins Viana

5.4. Modelo de petição inicial de ação de alimentos

176
Capitulo IX
PFTIÇÃO INIClAL

II

1Tl
I'
'
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Josevaf Martins Viana

i
1':.

a Vossa Excelência
~4êá~Wghêcjeft~»0P0infHt~,oscali~leDtOSPI~Vi!>Óri<)sno

:,'

178
·~,;,;·-·
-:.1---

Capítulo IX
PeTIÇÃO INICIAL

5.5. Ação de obrigação de fazer com pedido de


tutela provisória de urgência cumulada com
ação de indenização por danos morais por
erro médico

179
PRÁTlCA. FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseva! Martins Víana

180
Capitulo IX
PET!Ç.Ã.O !N!CLA.L
-----·----------···--··

181
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseval Martíns Viana
-----

182
Capitulo IX
PETIÇÃO INICIAL
-··--~--~--

ArL S32!São
- >
também
'' ._ -.. ' ,, '
respórisaveis
'' ·-
pela repáração
._- ,_ -- :_- ' ' ', '
.civi.l: .

i
r'

183
PR.Õ.TiC.L>. FORENSE EM PROCESSO CV!L " )oseva! Martins Viana

184
Capítulo IX
PETiÇÃO iNiCiAL

185
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

22 da Resolução
l.,<:J,E;.5'eiE~rn~~ro v~ ~,.,.,~ (NovO Código de

lHB
Capitulo iX
PETIÇÃO INICIAL
-- -----~~---------------

187
PRP-.T1C:..t\ FORENSE E!Vl PROCESSO C!V!L .Jose-..-·ai t-1artins Viana

188
Capitulo IX
Ot:.'T!t-íi.r-. !l>.!lf"! .~.!
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189
PRÁTICA FORENSE E/\-1 PROCESSO CIVIL " Josevaf Martíns Viana

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Capítulo IX
PETIÇAO INICIAL

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I
I

191
PR/\T!Ci'. FOREi'JSF E!Vl PROCESSO C!VlL ~ )oscvaf Martins Viana

192
Capitulo IX
PETiÇÃO iNiCIAL

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193
PRÁTICA FORENSE EM P·ROCESSO CIVIL • Joseval i'1artíns Viéma

ultrapassam

194
Capítulo IX
PETIÇÃO INIOAL

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PRÁTICÁ FORENS~ Ei"'i PROCESSO CiVIL Josevai ;VJartins Viana

19~
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Capit~lo D< I
PETIÇAO INICIAL
--~-----------

197
PRÁTICA FORENSE EM :PPOCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

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I'

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Capítulo IX
PETIÇÃO INICIAL

5.6. Modelo de ação reivindicatória - retrovenda


PRÃTiCA FORENSE Ei"1 PROCi:SSO CiVIL ~ .Josevai t1artins Víana

200
Ca'pítuiO iX
PETIÇ~O INICIAL

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201
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martíns Víana

CONHECID.O E IM PROVI-
ij,
ij ini'óV.é_l no PraZ()
!I e as despes~s

, L

202
capítulo IX ·
PETIÇÃO INICIAL

legal, .sob pena de se sujeitar aos .!Ofeítos .da .revelia quanto·~

m~téría.defato,bem comoparaac~n1pa~há-laatédecísão final'·


que, certamente, julgará proc!Odenteo P<=dído do requerente.
'·_·('·.-.. -_·._-·_·,,<,.·:'::'·,:<._-_--:-::'::">_:_, - ,:; ' _-:-:-·.··:::*::;._-.'\.:·::·~:-._ . . · __--: . :-:- .: _ - _____ ·-.. __ ._. ·: " -..
Prot00sta provar
.. o alegàdo por tàdos os meios de prova
--·-;· ----···· ----, ..... -- ...... -.-, . . . . -.
" ·"-•,-

ad rnií:í.dós• <=IÍJ)lit~ito,. e}iPecíàlr.nenWpeló depóil"l)ento. pessoa!


··do r~C1G~rid6,is~b· !J~n~· .~e çd~fi~sã;, ó itítad~s. l:~ste rriú~has,
. ·juptad~
.. ·.- .....
d~·~c>~~~···do(;unT~ntos, ~lab8raçãbde.I<JÚdb•··.pericial··
-·.;--·.-,,,,-.,_·.-.-.·....... , .... _,. ,-,. ;·'
-._".',-,-;-.- :-·-"- ,_- "-·-.... .. : ' .
· '-'" · ,"'.

·.·.e· putrasiBf<Jv~sq~e ···~e..• fizer.ef!i hée~~á[i~spara •ô ~eil.indÉ(········


. da den1a~da. · .. . . .. . . .. . .

·. /Dá-kl•··~·. 2~uia o·valor·•Je R{[.•..]J<Jra efei~b~de alç~da.

203
CONTESTAÇÃO

1. CONCEITO

A contestação é a peç:'-\ de çlefesa do réu que se opõe


ao pedido do autor, formulado na petição inicial. É uma
peça processual que apresenta várias teses jurídicas. O
réu oferece a contestação em petição escrita no prazo de
quinze dias, contados, de acordo com o art. 335, ines. I a
III, do CPC: •
I da audiência de conciliação ou de mediação, ou da
última sessão de conciliação, quando· qualquer parte não
comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição;
II - do protocolo do pedido de cancelamento da au-
diência de conciliação ou de mediação apresentado pelo
réu, quando este não quiser realizar audiência para au-
tocomposição;
III - prevista. no art. 231 do CPC, de acordo com o modq
como foi feita a citação, nos demais casos.
'
PRÃT!CA FORENSE EM P-ROCESSO C! VIL ~ Joseva/ Martins Viana

A defesa do réu pode atacar diretamente o processo


(preliminares) ou o mérito. A defesa contra o processo
está no art. 337, ines. I a XIII, do CPC A defesa de mérito
:; I
I':
li i
refuta diretamente o pedido do autor, atacando o fato e
li: os fundamentos jurídicos expostos na petição iniciaL As
t!'
,,
ii
i! preliminares classificam-se em peremptórias e dilatórias.
\l
ll,, As peremptórias, quando acolhidas, põem fim ao processo,
li e as dilatórias suspendem ou ampliam o curso do processo,
1:
!i
mas não o extinguem, de maneira que, corrigido o vício, a
relação processual seguirá seu curso normaL No mérito, o
réu formula pretensão inversa ao do autor. Enquanto este
pleiteia a procedência do pedido, aquele resiste ao pedido -l
!
formulado pelo <:tutor. A contestação é sempre decl.aratória .
. . negativa; ou sejil, visa a declarar que o autor rião t~ml:â~
zão, requerendo o julgamento improcedente da demanda.
O princípio da eventualidade exige que o réu apresente
na contestação toda a matéria de defesa sob pena de pre-
clusão. Esse princípio também é conhecido como princípio
da concentração de defesa. Exige-se, portanto, do réu que
ele alegue toda a matéria de defesa, expondo as razões
de fato e de direito com que impugna o pedido do autor,
indicando as provas que pretende produzir.
I'
As defesas do réu podemserclassificadas da seguinte
forma:
a) Defesas processuais: são aquelas enumeradas no
art. 337, ines. I a XIII, do CPC Trata-se de defesa
que ataca a formação'do processo e, se foraceita, ·
extingue-o sem resolução de mérito.

206
Capitulo X
CONTESTAÇÃO

b) Defesas processuais que não extinguem o processo


sem resolução de mérito: basta que o autor emende
ou complete a petição inicial a fim de continuar
com o andamento processual. Por.exemplo, incom-
petência do juízo. Acolhida a exceÇão de incompe-
tência, o juiz da causa remeterá o processo ao juiz
competente.
c) Defesas substanciais ou de mérito: são aquelas
defesas de mérito. Depois de analisadas as defesas
processuais (preliminares), o magistrado analisará
as defesas substanciais, ou seja, as de mérito da
demanda.

2. ASPECTOS FORMAIS DA CONTESTAÇÃO

Basicamente, o aspecto formal da contestação é .o


mesmo da petição inicial: endereçamento e qualificaç'ão
completa das partes com a indicação do endereço. O texto
jurídico da contestação deve ser muito bem elaborado, pois
o advogado precisa impugnar todos os pontos apresentados
pelo autor na petição inicial. Impugna-se ponto por ponto
até refutar integralmente o pedido do autor. Essa impug-
I
I
nação deve revestir-se de fortes argumentos jurídicos.
I · A contestação concentra todos os meios de defesa do
réu, abrangendo as defesas processuais e as de mérito.
. Esse. meio de defesa ....
. ., '-··· ... '..
' -
permite impugnar em
' ' ' ·-·-
'
uma
.
só peça .· .·
' , ' .--~"' --- ' "

quaisquer matéri'!-s processuais como incorreção do valor


à causa, convenção de arbitragem, ausênéia de legitimi-
207
PRÂT!CA FORFNSF FM PROCESSO CIViL • )OS<?.li?JI MC~rtins Vian.:t

d<kàe ou interesse processual etc. É possível também na


contestação reconvir. A reconvenção pode ser elaborada
na'; própria contestação, segundo o art. 343 do CPC: "Na
contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para ma-
nifestar pretensão própria, conexa com a ação principal
ou com o fundamento da defesa."
Quando o réu reconvir na contestação, dará valor à
causa na contestação. É necessário dar valor à causa na
contestação, porque a reconvenção tem por objetivo plei-
tear pedido contra o autor, e todo pedido tem valor eco-
nômico. Ao contestar a ação, formulando pedido contra o
. autor,oréudar~yalo;r à ca11sa nareconve11ção, d~ éi.Cordo
corn o art. 291 do CPC.
Por fim, o art. 337 não é taxativo. Outras defesas
processuais podem ser alegadas, ainda que não estejam
indicadas no artigo supramencionado. Por exemplo, falta
do recolhimento de custas.

3. IMPUGNAÇÃO PONTO A PONTO DOS PEDIDOS


FORMULADOS PELO AUTOR NA INICIAL

A impugnação deve ser,elaborada de forma a resistir


ponto a ponto as afirmações do autor sob pena de o réu
tomar-se revel, além de precluir o seu direito de defesa.
o ônus de arguirna contestação toda a mat~ria de defesa
chama-se prinCípio d~ evenfualidade oü aa.
content~ação
que consiste exatamente no fato de precluir o direito de

208
Capítulo X
COi'-JTEST,A,Ç,i\,0

o réu invocar em fases posteriores do processo qualquer


matéria de defesa não realizada na contestaçào.
O réu não pode defender-se por meio de negativa geral.
Em outras-palavras, não pode afirmar na contestação que
"o autor não tem direito ao pedido formulado na petição
inicial." Ele tem de negar ponto a ponto as afirmações do
autor. Não pode também defender-se alegando que "o autor
não tem razão, e que os fatos alegados na inicial não são
verdadeiros." A defesa do réu precisa opor-se diretamente
à pretensão do autor.
Apesar dessas considerações, o art. 341 do CPC elucida
que é obrigaçãoprocessual deoréu manifestar-se sobre
os fatos jurídicos apontados ha inicial, presumindo~se
verdadeiras as alegações não impugnadas, exceto nos
seguintes casos:
a) são os casos de direitos indisponíveis como, por
exemplo, aqueles referentes à personalidaqe. Uma
pessoa não pode vender um órgão do seu corpo, em-
bora ele lhe pertença. Aplica-se também o caso de
direito indisponível nas ações de alimentos. (Outros
exemplos: divórcio, reconheCimento de paternidade
etc.);
b) se a petição inicial não estiver acompanhada de
instrumento que a lei considerar.da substância do
ato: a norma está de conformidade com aquela
indicada no artigo .406 do Código Processo Civil que.
registra ó s~guinte:"Qual1d0alei exigir instrumento
público como da substância do ato, ríenhuma outra

209
1(.

PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana


-----

prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe


a falta". Demanda que versa sobre propriedade do
terreno (ação reivindicatória) a petição inicial de-
verá vir com instrumento público que comprove a
propriedade do terreno; ,..
c) se estiverem em contradição com a defesa, consi-
derada em seu conjunto: acontece essa situação
jurídica, quando o autor desenvolve uma série de
fatos na petição inicial e o réu impugna diretamente
apenas alguns, porém da impugnação destes surge,
ainda que implicitamente, a rejeição dos demais, por
incompatloilidade lógica entre o que foi arguido e
os aconteçimentos não apreciados pelo ré11.
Podem, ainda, contestar por negativa geral:
a) o advogado dativo;
b) o curador especial;
c) o órgão do Ministério Público.
Depois da contestação, o réu somente poderá deduzir
novas alegações quando:
a) relativas a direito superveniente: pelo termo "su-
perveniente" entende-se o surgimento de um novo
direito para o autor·que·ocorre-posteriorrnente à
contestáção;
b) competir ao juiz conhecer delas de ofício: as ob-
jeções processuais, defesas que digam respeito à
·maténa de ordem pliblica. ·Exemplo: prescriÇão e
decadência;

210
Capitulo X
CONTESTAÇÃO
--------

c) por expressa autorização legal, puderem ser formu-


ladas em qualquer tempo e grau de jurisdição: essa
hipótese coincide com a anterior, em parte, porque
a matéria que o réu pode alegar, por autorização
legal, são as de ordem pública, não sujeitas à pre-
clusão.

4. DEFESA PRELIMINAR

O art. 337 dó CPC indica as preliminares arguidas na


contestaçãó. O juiz de direito irá .apreciá -las antes de ex a-
minar o mérito da defesa apresentado também na con-
testação. São arguições de natureza process1,1a! -.~ poqem.
ensejar a extinção do processo ou apenas sua dilação.
Dispõe o artigo supramencionado: Incumbe ao réu, antes
de discutir o mérito, alegar:
I - inexistência ou nulidade da citação: a relação
I processual forma-se com a citação válida do réu.• Enten-
1 demos por citação o ato que tem por objetivo informar o
I réu de que há uma ação judicial proposta contra ele e que
deve comparecer à audiência de conciliação ou apresentar
defesa, caso não queria optar pela conciliação, sob pena
de revelia. Na contestação, o advogado pode indicar que
não houve citação ou mesmo afirmar que ela não existiu.
Trata-se de umà defesa dilatória, já que o comparecimento
espontâneo do réu regulariza o vício da citação e permite
.-·..
o prosseguimento çlo pro~es~o. A alegação queversa sobre ·
,,-:··,.··.

a ausência de algum pressuposto processúal não enseja

211
PR/>.TJC..D.. FORENSE EM PROCESSO C!V!L , Jose'.1a! MarUns \liana
-------

a imediata extinção do processo, porque o juiz de direito


concederá prazo para sua regularização. Decorrido o prazo,
a defesa dilatória pode transformar-se em peremptória;
Il - incompetência absoluta e relativa: dá-se a in-
competência ãbsolc;ta em razão da matéria e da função.
Pode ser alegada a qualquer tempo e grau de jurisdição e,
também, de ofício. A relativa opera-se em razão do lugar
e do valor da causa. A incompetência absoluta e relativa
é arguida em preliminar da contestação (art. 337, li, do
CPC). Se não houver arguição de exceção, convalida-se a
incompetência relativa (transforma-se em competência
para julgamento da lide). Isso não ocorre com a incom-
. petência absoluta, pois esta não se convalida. Esta deferra
também é de natureza dilatória, visto que compete ao juiz
absolutamente incompetente reconhecer o vício e determi- .
nar a remessa dos autos do processo ao juiz competente;
UI- incorreção do valor da causa: ·o autor deve indi-.
car o valor da causa na inicial, no entanto, se a indicação
houver incorreção, o réu deve impugná-lo sob pena de se
convalidar o valor dado à causa; trata-se de uma defesa
dilatória;
N - inépcia da petição inicial: dar-se-á a inépcia da
inicial, quanddela não preencher os requisitos doàrt. 330,.
§ 1°, I a rv; do CPC, ou apresentar os defeitos indicados no
art. 330 do CPC. Esta preliminar é de natureza peremptória
. e extingue o processo sem resolver o mérito; caso o autor .
não emende nem a complete;
212
Capitulo X
CONTEST,.D...Ç)i.O
--------

V - perempção: entende-se por perempção a extinção


do processo sem que o juiz tenha resolvido o mérito, por
culpa do autor, porque deixou de praticar ato processual
que lhe competia, durante período de tempo superior a 30
(trinta) dias, caracterizando abandono da causa (extinção
do processo sem resolução de mérito); ou, porque abando-
nou a causa, deixando-a extinguir por três vezes. Assim, o
autor estará impedido de ajuizar a mesma demanda pela
quarta vez;
VI - litispendência: esta palavra origina-se do latim
litis que significa litígio, e a palavra pendência. Inferimos,
portanto, que litispendência é litígio em andamento. Ocor-
re a litispendência quando houver. duas ou mais ações
judiciais propostas que apresentam as mesmas partes, o
mesmo pedido e a mesma causa de pedir. A consequência
jurídica do acolhimento da litispendência é a extinção d,o
processo sem resolução de mérito;
VII - coisa julgada: trata-se da reprodução cfe ação
anteriormente ajuizada e decidida por sentença; a coisa
julgada ocorre quando o autor repete ação que )á foi de-
cidida por sentença da qual não caiba mais recursO. O art.
502 do CPC explica que a coisa julgada material a sentença
que tomajmutável e indiscutível a decisão de mérito de
uma ação não mais sujeita a recurso. Neste caso o juiz
não resolverá o mérito do processo, extinguindo-o sem
r(:solução de mérito;
VIII·.:: conexão: vata cse da éxistêriêia de dois processOs ..
que apresentam o mesmo pedido ou a mesma causa de
213
PRATICA FORENSE EíM PROCESSO CIVIL • Joseval Martins Viana

pedir. As partes são diferentes. É uma defesa dilatória e


visa à reunião de dois ou mais processos para julgá-los
em conjunto, diante do juízo prevento, evitando decisões
conflitantes entre si; i.

IX - incapacidade da parte, defeito de representação


ou falta de autorização: quando alguém ingressa com
uma ação ordinária, precisa ter capacidade para ser parte,
isto é, aptidão para ingressar pessoalmente em juízo. O
:.j
mesmo ocorre no caso da representação ou autorização.
i,,i Para o autor iniciar uma demanda judicial, ele precisa es-
11
I' tar representado por procurador ou advogado legalmente
li habilitado, ou deve ter autorização do cônjuge nos casos
lk
li'•· exigidos por lei. Estes•trêsihstitutos referem"se aos pres"
lj
I,, supostos de desenvolvimento válido e regular do processo
í
e ensejam a extinção do feito sem resolução de mérito se
tais vicios não forem sanados no prazo fixado pelo juiz.
Faz coisa julgada formal e é uma defesa peremptória;
X - convenção de arbitragem: foi instituída pela Lei
n°. 9.307/96. A arbitragem permite solucionar conflito de
interesses estabelecido entre as partes sem que a questão
seja submetida ao Poder Judiciário. As pessoas têm liber-
dade de estabelecer que pmblemas ..originários da inter-
pretação e descumprimento contratual serão levados ao
conhecimento de um árbitro e por ele decididos. O árbitro
pode ser designàdo desde já ou escolhido futuramente. A
, . convenção de aurbitragem é'incluídá em cláúsula denomi-
nada cláusula arbitral. Se a convenção de arbitragem for

214
Capítulo X
CONTESTAÇÃO
---------------

aceita, o processo será extinto sem resolução de mérito.


É defesa peremptória;
XI -ausência de legitimidade ou de interesse proces-
sual: para figurar nos polos ativo ou passivo da demanda,
faz-se necessário ser parte legítima e ter interesse pro,ces-
sual. Parte legítima é aquela que é titular de um direito
ou possui autorização judicial para tutelar o direito de ou-
trem. Nesse mesmo sentido, tem-se o interesse processual
quando a parte precisa do Poder Judiciário para solucionar
um determinado litígio. Podemos verificar que ambos os
conceitos (legitimidade e interesse) compõem institutos
jurídicos que se integram. A parte legítima também tem . _
-interesse pràcessuaL.Assimi se o autor ou o réu da de>
manda não forem os legitimas detentores do direito, via de
consequência, não têm interesse processual, impondo-se
a extinção da ação sem resolução de mérito;
XII - falta de caução ou outra prestação qulii a lei
exige como preliminar: em princípio, é considerada uma
defesa dilatória, mas que poderá transformar-se em pe-
remptória se o autor não regularizar a demanda no prazo
fixado pelo juiz. Neste caso, a caução ou outra prestação
funcionam como um meio idôneo para a existência do
processo. Se não houver a prestação da caução ou outra
prestação, o feito será extinto sem resolução do mérito.
Para que algumas ações judiciais possam ser ajuizadas, a
lei exige a prestação de caução ou outra prestação quE:: él
lei exige como p:i'Eili!riinar. Câso ô autor não preste caução '
ou não ofereça a prestação exigida, o advogado do réu,

I 215
PR.Ã.TlCA FORFNSF FM PROCESSO CIV!\ .lçseval !"1?rtin;. Vian.e

ao contestar, suscitará esta preliminar com o objetivo de


extinguir o feito;
XIII -indevida concessão do benefício de justiça gra-
tuita: o autor que não pode arcar com as despesas e cus-
tas processuais faz jus aos benefícios da justiça gratuita.
Deverá comprovar por meio de documento que é pessoa
pobre na acepção jurídica do termo. Se o juiz conceder a
justiça gratuita, e o réu souber que o autor tem condições
de suportar o ônus das custas e despesas processuais po-.
derá, em sede de preliminar da contestação, demonstrar
que a concessão do benefício de justiça gratuita é indevida .
. No que se .refere à defesa de mérito, o réu pode deduzir
defesa êori:trá os fatos narrados na iniC:iai.Em linhas gerais,
existe a impugnação específica e a eventual, conforme
tratado anteriormente.

S. DEFESA MATERIAL OU DE MÉRITO

A defesa material ou de mérito ataca o cerne do pro-


cesso, ou seja, o litígio propriamente dito. Neste ponto, o
réu contestará ci direito material do autor, utilizando-se
da argumentação jurídic.<;!, ·<Jcc,fi.m, de convepcer o juiz de
direito que o ,autor não tem amparo jurídico nem legal
para obter sucesso na demanda.
Observe-se que, em sede de preliminar, o réu ataca
o processo, isto é, deverá indicar que o processo contém ·
vícios processuais e que isso o toma nulo, impedindo que
216
Capítulo X
COi\lTESTAÇÃO

produza seus efeitos legais, ou seja, que seja utilizado para


obter a tutela jurisdicional.
A defesa material ou de mérito classifica-se em:
a) defesa de mérito de forma direta: o réu resiste di-
retamente ao fato constitutivo ou ao direito alegado
pelo autor. Este deve comprovar a veracidade dos
fatos alegados;
b) defesa de mérito de forma indireta: reconhecimen-
to pelo réu da existência de fato juridico alegado
pelo autor, mas com a apresentação de um fato
novo que modifica, impede ou extingue o direito
do autor.

217
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

6. MODELOS DE CONTESTAÇÃO

6.1. Estrutura de modelo de contestação com


preliminar (ilegitimidade passiva do réu e
inépcia da inicial) . ,

218
r.r;;::::.'
'
Capitulo X
CONTESTAÇÃO
------------~----------~--------··

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219
PR..!i.TJC.t>.. FORENSE E!v! PROCESSO ClV!L

220
6.2. Modelo de contestação

I
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221
'
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseval Martins Viana

I
I
I

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II 222.
I Capitulo X

rI CONTESTAÇÃO

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223
PRÁTIC!l.. FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseva/ Martins Vinna

6.3. Modelo de contestação com pedido de


preliminar

224
Ca!Pitulo X
COf\!TESTAÇ.'A.O

i'
;f'

225
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

.1-\Jeg,aaa. a incpmpetência nos


-~·:--·,~- da audiência de

226
227
PRÁTiCA FDRENSE Et-.1 P80CESSO C!V!L )oseva! Martins Viana

228
Capítulo X
CONTESTAÇf..-.0

229
PRÁTICA FORENSE EM :PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Víana

atoilfcito praticado

230
Capitulo X
CONTESTAÇÃO

231
PRÁTlCt\ FORENS[ E}1i PROCESSO C!\flL ~ Joscvaf t'v}arUns Vi.::wn
-----

232
Capítulo X
CCNTEST/\Ç/\0

' ~I
PRÁTICA FORENSE EM P.ROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana

234
RECONVENÇÃO NA
CONTESTAÇÃO E RECONVENÇÃO
AUTÔNOMA

1. CONCEITO

O réu utiliza a contestação para se defender das implJ-


tações feitas pelo autor. Pode acontecer que o réu necessite
de pleitear, no mesmo processo, pedido que m<!l.ntenha
conexão com a ação principal ou com o fundamento de
defesa. Para tanto, pode lançar mão da reconvenção na
própria contestação. Desta maneira, ele fará sua defesa ao
mesmo tempo em que requerer a condenação do autor
em pedido que mantenha relação juridica com a causa
principal. É, portanto, contestação e reconvenção em uma
só peça.
A reconvençiio é a forma autônoma empregada pelo.
réu na c~~testação. para manifestar pretensão própria,
conexa com a ação principal ou com o fundamento de
PR/\TICP·. FORENSE EM PR-OCESSO C": i V!! • joseva! Martins Viana

defesa, de acordo com o art. 343 do CPC. A natureza jurí-


dica da reconvenção é ação judicial ajuizada pelo réu em
face do autor no mesmo processo em que é demandado .
. Nela, ocorre a 1nversão· da relação jurídica processual,
.~ ..
uma vez que o autor da causa principal toma-se réu na
reconvenção, enquanto o réu da demanda principal passa
a ser o autor da reconvenção.
Ao ser citado, o réu deve oferecer a contestação no
prazo de quinze dias, podendo abrir um tópico na própria
contestação sobre a reconvenção. A contestação é uma
peça de defesa e não tem o objetivo de acolher pedido
condenatório formulado pelo réu contra o autor. Para que
préu formule pedido contra o autor no mesmo processo, .
valer-se-á da reconvenção. Ao ser citado, o réu elabora a
contestação e a reconvenção na mesma peça processual.
Proposta a reconvenção, o autor será
.
intimado,
. . na pessoa
de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de
quinze dias. O juiz de direito julgará a· reconvenção e a
ação principal na mesma sentença.
O réu é chamado de reconvinte, e o autor, reconvindo.
Uma vez que a reconvenção será redigida na contestação,
essa designação servirá para diferenciar tanto a defesa do
réu quanto à reconvençãG:ePrimeiro, o réu redige a con-
testaçã-o e, na r,ilesma peça, no final dela, abre urn novo
tópico para a reconvenção, expondoo fato e os fundamen-
tos jurídicos,.Jormu!ando o pedido.
· Ó réu também pdd~ p~opor ~econvenção independen-
temente de oferecer a contestação. Há de se observar que,

236
Capítulo XI
!<.ECON\1Ei'-1ÇÃ.O N.il. COf"•.ffEST/\Ç)'i.O F RECONVENÇ.Ã.O .A.UTÓNOMA
----,-
....... ··~~·.,

nesse caso, poderá ocorrer a revelia do réu quanto à ma-


téria de fato. Recomendamos que o réu sempre conteste à
demanda e, se for o caso, reconvenha, na mesma peça, mas
nunca deixe de apresentar a contestação. Se o réu desejar ·~··.

apenas reconvir, deverá elaborar uma petição autônoma.


Há de se considerar que a reconvenção na contestação
ou a reconvenção em peça autônoma seguirão seu curso
normal. Se o autor desistir da ação ou ocoirer alguma
causa extintiva que impeça o exame do mérito da ação
principal, a reconvenção terá seu prosseguimento normal.

. 2. FINALIDADE

A finalidade da reconvenção é modificar ou excluir o


pedido formulado pelo autor na ação. Reúne em um úni-
co processo a ação do réu contra o autor, quando ambàs
apresentam conexão ou com o fundamento da defesa .

3. REQUISITOS

São requisitos da reconvenção:


a) existência de uma ação em andamento: a re-
convenção é autônoma em relação à ação prin-
cipal, contudo, somente é possível o ajuizamento
da reconvenção, se houver uma ação judicial em
andamento. A reconvenção depende da ação prin~
cipal para, existir, entretanto, não para sobreviver,
ou seja, se o autor desistir da açãó, ou se houver
237
PRÁTICA FORENSE EM .PROCESSO CIVIL • Joseva/ Nartins Viana

a existência de qualquer causa que provoque a


extinção da demanda, esses fatores não impedirão
o prosseguimento da reconvenção. É exatamente o
que dispõe o artigo 343, § 2°, do CPC;
b) o prazo da contestação não pode estar precluso: o
réu deve oferecer a contestação no prazo de quin-
ze dias. Esse prazo não pode estar precluso para o
oferecimento da reconvenção autônoma. Convém
ratificar que a reconvenção autônoma é proposta no
prazo da contestação, ou seja, no prazo de quinze
dias; se o réu perdeu o prazo da contestação, não
será possível reconvir de forma autônoma;
· · c) · a .reconvenção precisa ser conexa com a ação
principal ou com o fundamento da defesa: a re-
convenção deve ser conexa com a ação principal
i! ou fundamento da defesa. A conexão refere-se ao
'
:; objeto da demanda ou à causa de pedir. Opera-se o
I'· objeto da demanda quando o pedido dos litigantes
.,.,
,J

apresenta a mesma finalidade. Exemplo: o esposo


propõe ação de separação pqr adultério da esposa
e ela reconvém requerendo a mesma separação, no
entanto por injúria grave perpetrada pelo esposo.
No que se refere à. causa de pedir, a ação princi-
pal e a rli'convenção fundamentam-se no mesmo
ato jurídiCo, ou seja, elas têm como fundamento o
mesmo documento. Exemplo: em ação declaratória
de inexigibilidade de título de crédito, o réu pode
a
. reconVir requerendo êondenação do autór ao pa-
gamento daquele débito;

238
Capitulo XI
RECONVENÇÃO NA CONTESTAÇÃO E RECONVENÇÃO AUTÓNOMA

e) o juiz deve ser competente para conhecer e jul-


gar tanto a ação principal como a reconvenção:
a competência aqui mencionada refere-se à abso-
luta. O juiz da ação principal deve ser competente
..._.,
.. para conhecer e julgar a reconvenção. Trata-se de
competência absoluta que diz respeito à função e à
matéria. Se o juiz de direito for incompetente, não
poderá admitir a reconvenção, podendo rejeitá-la
de ofício. Se não o fizer, o. autor reconvindo poderá
fazê-lo na resposta da reconvenção.

4. PROCEDIMENTO DA RECONVENÇÃO NA
CONTESTAÇÃO E DE FORMA AUTÔNOMA

Se o réu não quiser se conciliar com o autor ou se


não houver conciliação na audiência, deverá apresentar a
contestação no prazo de 15 dias (dias). A contagem desse
prazo deve seguir as orientações indicadas no art. 335 do
CPC. Contestando e reconvindo na mesma peça: o autor
será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresen-
tar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. Note-se que o
autor apresentará a réplica e, nessa mesma peça, deverá
manifestar-se sobre a reconvenção.
Dispõe o art. 343 do CPC que: "Na contestação, é lícito
ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão pró-
I pria, conexa com a ação principal ou com o fundamento
da defesa." A conexão com a ação principal .diz respeito.
I ao objeto ou à c;ausa de pedir. O objeto ê o pedido for-
mulado pelo autor na ação principal. Por súa vez, a causa

l 239
PR.b..T!C:A FORENSE EH PROCESSO C!V!L ·· _ioseva! MFJ!'tins Viane.

de pedir é a soma do fato e dos fundamentos jurídicos


do pedido, ou seja, o motivo que levou o autor a propor
a açã.o judicial. Para compreender melhor a possibilidade
jurídica da reconvenção, segue como exemp)o a ação de
busca e apreensão e a ação de consignação em pagamen-
to, na qual o autor da busca e apreensão visa a buscar
e apreender o bem objeto do litígio, e o réu ao contestar,
reconvém requerendo o depósito das parcelas de adim-
plemento perseguido na ação principal. Tem-se também
a ação de cobrança em que o réu alega que há cobrança
de juros abusivos e, na reconvenção, requer revisão de
cláusula abusiva. Saliente-se que além desses exemplos
demonstrarem que as· ações são conexas, elas também
apres~ntam o mesmo fund~mento •de defesa com a ação
principal.
Há então dois tipos de reconvenção: aquela elaborada
na própria contestação e aquela elaborq,da em peça au-
tônoma. A elaborada na própria contestação deverá ser
redigida no próprio corpo da contestação. Deve-se abrir um
subtópico antes do término da contestação. O réu (recon-
vindo) formulará pedido na contestação por intermédio da
reconvenção requerendo que o reconvindo seja intimado.
para se defender. Em havend.0·teconvenção na contesta-
ção, o réu-reconVinte deverá atribuir valor à contestação
em virtude da contestação erecolher as custas. O juiz de
direito abrirá prazo para o autor se manifestar. Nesse caso,
entendemos que o autor recorívind.~ poderá. se mániféstar ··
na réplica, no prazo de 15 dias, havendo inclusive possi-
240
I
Capítulo XI I
R.E:CCNVENÇÃO NA CONTESTAÇÃO E RECONVI::NC,..:Aü AiJTÔNOiViA

bilidade de audiência de conciliação. Se nessa audiência


houver conciliação da ação principal e da reconvenção, o
juiz extinguirá o processo com resolução de mérito (ainda
que não analise o mérito), cuja sentença servirá de título
executivo judicial em caso de descumprimento do acordo.
Se o réu quiser apresentar apenas a reconvenção (isso
não o livra de ser condenado à revelia quanto à matéria
de fato), terá de fazer em peça autônoma, respeitando os
arts. 319 e 320 do CPC. Deverá dar valor à causa e recolher
as respectivas custas processuais. Será requerida também
a intimação e não a citação do réconvindo(autor da ação
principal).

4.1. Reconvenção em peça autônoma


.
A reconvenção em peça autônoma será dirigida ao juiz
de direito da ação principal. Ao recebê-la,
. .
ele verificará se
a petição inicial da reconvenção preenche os requisitos
legais - inclusive as condições da ação e os pressupostos
processuais - a fim de determinar a "intimação" do re-
convindo. Se a petição inicial não preencher os requisitos
dos artigos 319 e 320 do Novo Código de Processo Civil, o
magistrado deverá conceder ao reconvinte oportunidade
para emendá-la ou corrigi-la no prazo de quinze. Se o
reconvinte não o fizer, a petição será indeferida.
Estando em termos a petição inicial, o juiz de direito
determinará a intimação do reconvindo por intern:1édio de
seu advogado, para que se manifeste sobre a'reconvenção. ·l
241
PRÁTICA FORENSE E~ PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

A reconvenção nao suspende o andamento do processo


principal_ Entendemos também que nada impede o recon-
vinte de optar pela audiência de conciliação indicada no
art. 319, inc. VH, do CPC.
I
I É possível propor reconvenção em reconvenção. O art.
343 do CPC não menciona qualquer norma impeditiva
I de se ajuizar a reconvenção em reconvenção. DO pon-
to de vista processual, não há qualquer problema, pois
não causará demora na obtenção da sentença, visto que
em havendo reconvenção sobre reconvenção, cada parte
manifestar-se-á sobre a reconvenção da parte contrária,
:
dando-se seguimento ao processo. Por sua vez, o juiz de
di;eitoj:Lllgar~ ng. mesma sentença aação e gsreconvt';n-

I
I'
ções. O que não é viável é obstar a reconvenção do autor
reconvindo, quando ele preenche todos os requisitos for-
mais e materiais para reconvir. Outro aspecto importante
da reconvenção é que se o autor reconvindo desistir da
ação principal, ou se a ação for extinta, a reconvenção
desenvolverá seu trâmite normal.
O magistrado poderá marcar audiência preliminar para
tentativa de conciliação. Se for possível, o juiz de direito
poderá marcar audiência preliminar da ação principal e
da reconvenção para a mesma. audiêEtcia, .Por economia
processual, nacia impedetambém que o juiz marque audi-
ência de instrução, debates e julgamento da ação principal
e da reconvenção para o mesmo dia. Da sentença caberá
· recurso de apelação no prazo de quipze dias,
------- Capítulo XI
RECONVENÇÃO NA CONTESTAÇÃO E RECONVENÇÃO AUTÓNOMA

5. MODELOS DE CONTESTAÇÃO COM


RECONVENÇÃO

243
PRÁTiCA FORENSE t:fv! PROCESSO CiViL

244
Capitulo XI
RECQf'.J\IENÇ.ii.O Ni\ CCNTESTAÇA.C E RECON\/U·~ÇAO A\JTÓí'-lOivlA

245
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana
-----

246
Capítulo XI
RECONVENÇÃO NA CONTESTAÇÃO E RECONVENÇÃO AlJTÓNOMA

247
PRÁTiCA FORt::NSE EH PROCESSO CIVIL v .Josevai i'·1artins \/íana
·---

6. MODELO DE RECONVENÇÃO

248
Ca<>ítuilo XI
RECONVEf\JÇ.'-,0 N-6. CONTEST/\Ç)\0 [ RE::CüNVENÇ/.0

249 I
,,
PRÂTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Josevaf Martins Viana

efetivamente, deu causa


e nã'o o aútor recon-

.i
:.í

~
!I
I:
'

250
RÉPLICA

1. CONCEITO
•:·."·
A palávra "réplica'; ongma·se d() latirn replicare qué
significa "dobrar" ou "reclamar". Trata-se, portanto, dares-
posta do autor às alegações do réu apresentadas na con-
testação. Para que haja a réplica, essas alegações devem
versar sobre as preliminares enumeradas no art. 337 do

CPC e aquelas indicadas no art. 350 do CPC.
Nesta oportunidade, além de refutar as preliminares
e a matéria relativa ao mérito arguidas pelo réu, o autor
deverá também se manifestar sobre os documentos que
acompanharam a contestação. A tese de defesa apresen-
tada na réplica ficará restrita às preliminares e aos fatos
extintivos, impeditivos ou modificativos do direito do autor
arguidos na contestação.
A réplica é uma peÇa pfocessual importante porque
permite ao autor impugnar as questões processuais e
PRÁTlC;~·. FORENSE EH PROCESSO Cl\/lL ~ Joseval i'-1artfns Viana

as de mérito apresentadas pelo réu na contestação. O


conteúdo da réplica deve limitar-se às preliminares e aos
fatos extintivos, modificativos ou impeditivos. Nada obsta
que o autor junte documentos novos na réplica, desde
que faça prova de que tais documentos não puderam :;er
acostados à ação à época do ajuizamento da demanda,
ou documentos novos que servem para impugnar as
alegações do réu.
Não há que se falar em "tréplica" no processo civiL .
Pode acontecer que, ao apresentar a réplica, o autor tra-
ga documentos novos ou suscite matéria processual que
exigem a manifestação do réu, no entanto, essa petição
.. não recebe o nome de •:tréplica"; mas cl.e ''manifestação';_
Convém ressaltar que após a contestação o juiz intima
o autor para apresentar a réplica, tomando providências
para sanear o feito.

2. OCORRÊNCIA DA RÉPLICA

·A réplica está prevista nos arts. 350 e 351 do CPC.


Observe-se que há duas hipóteses ensejadoras da réplica:
.a) se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou
extintivo do direito do autor (art. 350 do CPC);
b) se o réu alegar qualquer das matérias enumeradas
no art. 377 do CPC (art. 351 do CPC) .
•• < , ' • • •••

Apalavra "fato'' indica d-á no art. 3so do CFC significa


todo acontecimento oriundo ou não da vontade humana

252
Capítulo XII
RéPUCi\

que interessa ao direito. Trata-se, portanto, do fato jurí-


dico. O "fato" que apoia a pretensão do autor engloba o
fato e os fundamentos jurídicos do pedido, ou seja, aquele
que justifica o ajuizamento da causa. Se esses elementos
forem impugnados na contestação, o autor terá o prazo
de 15 (quinze) dias a partir da intimação da contestação
para apresentar a réplica. O que são fatos impeditivos,
modificativos e extintivos do direito do autor:
a) fato impeditivo: trata-se de um fato que possa
obstruir o exercício de um direito. Exemplos: com-
pensação, incapacidade absoluta, nulidade do ato
jurídico etc.;
· ·b} fató ínoc1ificativ6: é a alteràçãÓ do direitO existente.. ··.
Exemplos: novação, pagamento parcial da dívida,
alteração contratual etc.;
c) fato extintivo: são aqueles fatos que fazem perecer'o
direito do autor. Exemplos: decadência, pagªmento
da dívida, desaparecimento da coisa etc.
A segunda hipótese de apresentação da réplica está no
artigo 337 do Código de Processo Civil. Se o réu alegar na
contestação um ou mais incisos mencionados no àitigo
supraindicado, o autor também apresentará a réplica.
Em ambos os casos, o juiz de direito mandará ouvir o
autor no prazo de quinze dias a partir da intimação da
contestação. Deverá o autorapreser1tar a réplica, prot(JCO- .
1a!lá.O"a ernjuízo. Ser-lhecá permitido que produza prova
documental ou outras provas necessárias para impugnar
253
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL & Joseval Martins Viana

as alegações do réu articuladas na contestação relativas


às preliminares e ao mérito da demanda.
Apresentada ou não a réplica, decorridos os quinze dias,
o juiz de direito decidirá sobre as preliminares arguidas
pelo réu. Cmfirmada a existência de irregularidades ou
de nulidades sanáveis, o juiz mandará supri-las no prazo
máximo de trinta dias. Trata-se de atos relativamente nu-
los. Todavia, se as irregularidades ou nulidades não forem
sanáveis (atos absolutamente nulos), o magistrado extin-
guirá o processo sem resolução de mérito. Por fim, se as
irregularidades ou nulidades processuais forem supridas
pelo autor, o processo tomará seu curso normal.

254
Capítulo XII
RÉPLICA
-------~-

3. MODELO DE RÉPLICA

DE DIREITO DA

255
PR.Á.T!CA. FORENSE EM PROCESSO C!V!L Joseva! Martins Viana

256
DA :PRODUÇÃOANTECIPADA
DA PROVA

1. CONCEITO

A produção antecipada de provas é uma ação autô-


noma de natureza preparatória ou incidental que, como
o próprio nome indica, pretende antecipar realização da
prova em juízo, deslocando-a de seu momento a(\t=quado
para outro momento anterior ao oportuno.
As provas que podem ser antecipadas são: o interro-
gatório da parte, a inquirição de testemunhas, o exame
pericial e outras que se fizerem necessárias para o deslinde
da demanda. Por exemplo: a antecipação da prova oral
acontece toda vez que a parte ou a testemunha tenham
de ausentar-se por motivo de idade ou doença e houver
justo receito de que, no momento oportuno, elas não mais .
. existam ou estejam iri1possíbiÜtadàs de depor. No caso
da prova pericial, seu deferimento pode cíar-se quando
PRÁTICA FORENSE EM P:ROCESSO CIVIL ~ Joseval fvlartins Viana

houver fundado receio de que venha a ser muito difícil a


verificação de certos fatos na pendência da ação judicial.

' 2. REQUISITOS

O art. 381 do CPC indica os requisitos da produção


antecipada de provas:
I - haja fundado receio de que venha a tornar-se
impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos
na pendência da ação: dependendo da prova a ser pro-
duzida, aguardar o momento processual oportuno a fim
de realizá-la poderá inviabilizar a realização da prova. É o
' •• • ·~·'->-• .-,·,·· • • ' --·

caso dos exernplos dados: testemunha que se mudará para


outro país ou pmva pericial que não poderá ser realizada,
porque o local da perícia será, por exemplo, modificado
em razão de reforma;
II - a prova a ser produzida seja suscetível de via-
bilizar a autocomposição ou outro meio adequado da
solução de conflito: o Código de Processo Civil privilegia
a autocomposição como um instrumento eficaz para so-
lucionar o conflito de interesses. Muitas vezes, as partes
necessitam analisar docurnentos·5pertinentes-à lide a fim
de viabilizar a autocomposição ou proporcionar outro meio
adequado para solucionar o conflito. A produção anteci-
pada da prova permite às partes analisarem documentos
indispensáveis à autocomposição, inclusive dando maior .
segurança jurídica na conciliação.

258
Capítulo XIII
DA PRODUÇÃO ANTECIPADA DA PROVA

lli - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar


ou evitar o ajuizamento de ação: a ação da produção
antecipada da prova possui duas finalidades: ao tomar
conhecimento prévio de determinados fatos pode justifi-
car o ajuizamento de ação judicial. Por exemplo, o autor
entende que determinada cláusula contratual seja ilegal
e pretende discuti-la, no entanto, não tem o contrato e
solicita o contrato para o prestador de serviço e este se
recusa a entregar cópia do contrato. Então, o autor pode
utilizar esta ação para obter inicialmente o contrato e
verificar se a cláusula é efetivamente leonina ou não. Ao
tomar conhecimento da cláusula, p,o.derá.propor a deman- ...
da ou mesmo evitar o ajuizamento de ação, se verificar
que a Cláusula não contém nenhuma ilegalidade. Outros
exemplos: pericia em apartamento para verificar a origem
do vazamento em apartamento vizinho, arrolamento d'e
bens etc. •
A produção antecipada de provas é ação autônoma de
caráter antecipatório, quando ainda não foi distribuída a
ação principal. Ela também pode ter caráter incidental, se
houver ação principal em andamento e precisa ser ajuizada
antes de alcançar a fase instrutória.
Pode ser que, no curso da ação principal, uma testemu-
nha importante irá viajar e não estará presente na ocasião
da audiência de instrução, debates
.,,
e julgamento.
.
Portanto,
não poderá será ouvida em juízo. O autor deve usar da
'
produção antecipada da prova, a fim de ouvi-la antes da
PRÂTl(:A FORENSE EM PROCESSO C!V!L • Joseva! Martins Viana

" .. -· ~ .
-----

~viagem. Trata-se da produção antecipada de provas inci-


dental, visto que já existe uma ação em andamento.
Outro aspecto importante a ser considerado é a compe-
' tência da produção antecipada de prova. Essa ação deverá
ser distribuída no foro onde ela deve ser produzida ou no
foro do domicílio do réu. A produção antecipada da prova
não previne a competência do juízo para a ação que venha
ser proposta. O autor pode distribuir a ação no foro onde
a produção antecipada da prova será produzida, contudo,
deverá distribuir a ação principal no foro do domicílio
do réu. Muitas vezes, o foro para a produção antecipada
da prova não ê o foro competente para a distribuição da
ação principal.
O juízo estadual tem competência para a produção
antecipada de prova requerida em face da União, entidade
autárquica ou de empresa pública federal se, na localidade
não houver vara federal. No entanto, is~o não autoriza o
autor a propor a ação principal na Justiça Estadual, visto
que só haverá competência subsidiária nos casos previs-
tos na Constituição Federal. Em outras palavras, o autor
deverá propor ação na Justiça Federal se ela existir na co-
marca, ainda que tenha distribuída a produção antecipada
da prova na Justiça EstaduaL,;Qo,,.pqnto de vista prático,
não hajustifica,tiva para o advogado distribuir a ação de
produção antecipada da prova na Justiça Estadual, se há
Justiça Federal na mesma comarca.
A produção ãirtedpada dá prova podei:-a ser' proposta·
também apenas para quem pretenda justificar a existência
260
Capitulo xm
DA PRODUÇÃO ANTECIPADA DA PROVA

de algum fato ou relação jurídica para simples documento


e sem caráter contencioso, que exporá, em petição circuns-
tanciada, a sua intenção. Não havendo caráter contencioso,
o juiz deixará de citar interessados na produção da prova
ou no fato a ser provado.
A petição da produção antecipada de prova exige os
requisitos dos arts. 319 e 382 do CPC, inclusive opção da
audiência de conciliação ou mediação. O requerente apre-
sentará as razões que justifique a necessidade de antecipa-
ção da prova e mencionará com precisão os fatos sobre os
quais a prova há de recair. O juiz de direito determinará,
de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interes-
sados na produção da prova ou no fato a ser produzido a
se provado, salvo se inexistir caráter contencioso.
Ao ser citado, o requerido terá 15 (quinze) dias par~
contestar a ação. Poderá haver réplica, audiência de in~­
trução, debates e julgamento, razões finais e sentença. Se

a matéria for unicamente de direito, haverá contestação,
réplica e julgamento conforme o estado do processo. O
magistrado proferirá a sentença, limitando-se apenas na
pertinência da antecipação da prova. Não poderá se pro-
nunciar sobre a ocorrência ou inocorrência do fato, nem
sobre as respectivas consequências jurídicas. Só irá fazer
isso na açãoprineipal no momento oportuno.
Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso,
.salvo contradecisão que indeferir totalmente a produção ·
da prova ph'!iteada pelo requerente oríginárlo. Mas obser~ r
'
ve: quando o Código de Processo Civil, artigo 382, § 4°,
261
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Josevaf Martins Vjana

dispõe que não haverá "defesa ou recurso", refere-se que


este não é o momento oportuno para discutir questões
de mérito que deverão ser realizadas na ação principal.
Como se afirmou, esta ação serve apenas para antecipar a
prova e não discutir o mérito desta prova. Isso será feito,
repise-se, na ação principal. O que se. discute· nesta ação
é a pertinência ou não da produção antecipada da prova.
Finalizada a produção antecipada da prova, os autos
do processo permanecerão em cartório durante um mês
para extração de cópias e certidão pelos interessados. De-
pois desse prazo, os autos serão entregues ao requerente.

' ';- . :'j. . ., / ;

262.
Capítulo XIII
DA PRODUÇÃO ANTECIPADA DA PROVA

3. MODELO DE PETIÇAO PRODUÇÃO


ANTECIPADA DA PROVA ANTECEDENTE À AÇÃO
PRINCIPAL

II

263
264
Capítulo XIII
D,·\ PROD!JÇ)\0 ,6,1'JTEClP..0..0.b.. D.!\ f'RO\l.ô.
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

.. ...
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i 266
Capitulo XIII
DA PRODUÇÃO ANTEOPADA DA PROVA

4. MODELO DE PETIÇÃO - PRODUÇÃO


ANTECIPADA DA PROVA ANTECEDENTE
INCIDENTAL

267
PRii.TJCL>. FORENSE EM PROCESSO C!V!L v jo_s.evaf M-artins ViBtiB

268
Capítulo XIII
PRODUÇ,3,Q /\NT.EClP/~.D,L\ Di~-. PROV.ll,

269
/o
DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO
OU COISA

1. INTRODUÇÃO

Muitas vezes, na relação jurídica processual, pode acon-


tecer que a parte ou mesmo um terceiro sejam obrigadqs
a exibir determinado documento ou coisa que esteja ém
seu poder. Nesse caso, exige-se a exibição desse doçumento
ou dessa coisa, segundo os artigos 396 a 404 do CPC.
A exibição de documento ou coisa tem por objetivo
compelir a parte ou um terceiro a apresentar documento
ou coisa, a fim de que se exerça o direito do demandante
sobre o conteúdo do documento ou sobre a própria coisa.
Nesse caso, objetiva-se conhecer as qualidades do docu-
mento ou da coisa para que a parte interessada exerça
seu direito .
. Assiste tarnbérn ád rnil.~~trado ó 'direito d~ ordéna{
a exibição ou a coisa que se encontre errÍ poder dessas
:;·<

PR.h..T!C.t:>. FORENSE EM PROCESS() C!V!L ~ J.-:.:sr:Naf ;h1attfns Viana


--~·

pessoas todas as vezes que o exame desses elementos for


necessário à instrução processual.
O documento ou a coisa que devem ser exibidos têm
de manter relação com o litígio a fim de justificar a de-
terminação judicial em face da parte ou do terceiro pos-
suidor. O juiz de direito poderá indeferir o pedido se ele
verificar que o documento ou a coisa não mantêm relação
com a demanda ou não influenciarão no julgamento da
causa. A parte interessada poderá requerer a exibição do
documento ou da coisa na petição inicial ou no curso do
processo. Na petição inicial, não poderá ser documento
. essencial à propositura da ação. No curso do processo,
será um incidente processual.
Como se afirmou anteriormente, a exibição, no processo
de conhecimento, desenvolve-se apenas como incidente
durante a fase probatória. Pode o juiz ordená-la de ofício
ou a requerimento de uma das partes, tomo também os
intervenientes na relação processual.
O objetivo da exibitória é provar um fato numa ação
judicial em C:urso. Se a parte não cumprir a determinação
judicial no que diz respeito à exibição do documento ou
da coisa requerida nos autos do processo, os fatos alega-
dos pelo autor pu pelo réu (dependendo de quem requer
a exibição) serão considerados como verdadeiros.
I ·A parte contrária na exibição será aqu.ela que tem o
docufnêhto óü a coisa. Pode ser o autor, o réu oú o tercei-
I ro. Observe-se que a parte contrária será intimada para
I
I
272
Capítulo XIV
DA EXiBiÇÃO DE DOCUMENTO OU CO!SA

apresentar o documento ou a coisa. Se for terceiro, uma


vez que ele não está no processo, deverá ser citado.
Há de se considerar que a lei processual fuca os limites
obrigacionais da parte contrária ou de terceiro sobre a exi-'.
bição do documento ou da coisa. A determinação-judicial
estará sempre amparada na lei, pois, em linhas gerais,
ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo.
O pedido de exibição pode ser formulado na contesta-
ção também. Pode ser formulado em qualquer fase pro-
cessual, enquanto for permitida a juntáda de documentos.
Se o pedido for feito na fase instrutória, deverá ser feito
em petição simples endereçada ao juiz da causa,
O pedido formulado deverá conter os seguintes requi-
sitos:
a) individuação, tão completa quanto possível, do dQ!
cumento ou da coisa;
b) a finalidade da prova, indicando os fatos "que se
relacionam com o documento ou com a coisa;
c) as circunstâncias em que se funda o requerimento
para afirmar que o documento ou a coisa existe e
se acha em poder da parte contrária.
Ao verificar que o pedido preenche os requisitos legais,
o juiz de direito determinará a intimação da parte contrária
a fim de que, no prazo de 5 (cinco) dias, responda ou exiba
o documento ou a coisa. Se exibir, encerra-se o incidente,
porque à tingiu ·seu objetivo. ó requerido também pode
afirmar que não possui o documento ou a' coisa. Neste
273
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

caso, o juiz permitirá que o requerente prove, por qualquer


meio, que a declaração não corresponde à verdade.
Quando o requerido manifestar-se sobre a exibição, pode-
'tá alegar que o documento ou a coisa não existam, ou pode
•· afirmar que não tem o dever legal de exibi-lo. O juiz deverá
analisar detidamente o caso, examinando os argumentos
apresentados. Ele não admitirá a recusa se o requerido tiver
obrigação legal de exibir, tiver aludido ao documento ou à
coisa, no processo, com o intuito de constituir prova e o do-
cumento, por seu conteúdo, for comum às partes. Se o juiz
decidir que a parte deve exibir o documento ou a coisa e
ela não o fizer, admitirá como verdadeiros os fatos que, por
meio db d.6cuméhto ou da coisa, a parte pretendia provar.

2. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA EM


PODER DE TERCEIRO

O pedido de exibição ou de documento em poder de


terceiro instaura um verdadeiro processo, visto que o art.
401 do CPC dispõe de forma explícita que o terceiro será
citado para responder no prazo de 15 (quinze) dias a exi-
bição. Note-se que a palavra "citado" refere-se a processo.
Nesse caso, d~-se-á a instauração de um novo processo
em que figuram como partes o requerente que postula a
exibição e o terceiro detentor do documento ou da coisa.
Trata-se .de um pedido for:nulado por meio de petição
inicfal que deverá preencher· os requisitos de/ arC 319 e
320 do CPC.

274
. Cap(iulo XIV
DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA

O terceiro será o réu da ação e poderá apresentar sua


defesa nos termos do art. 404 do CPC, inclusive negando a
obrigação de exibir o documento ou a coisa. Diante dessa
alegação, o juiz designará audiência especial, tomçndo-lhe
o depoimento, bem como o das partes e, se necessário, o
de testemunhas, e em seguida proferirá decisão. Trata-se
de urna decisão interlocutória. Dela cabe agravo de ins-
trumento, conforme o art. 1.015, inc. VI, do CPC.
Se o terceiro~ sem justo motivo, recusar-se a efetuar
a exibição, o juiz ordenar-lhe-á que faça o depósito em
cartório ou em outro lugar designado, no prazo de cinco
dias, impondo ao requerente que o ressarça pelas despe-
.. ·. sas que tiver.
Caso o terceiro descumpra a determinação judicial,
o juiz expedirá mandado de apreensão, requisitando, se
necessário, força policial, sem prejuízo da responsabili'-
dade por crime de desobediência, pagamento de multa e
outras medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou
sub-rogatórias necessárias para assegurar a efetivação da
decisão.

275
PRÁTiCA FORENSE Ef.1 PROCESSO CJVJL Joseva! P1artfns

3. MODELO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU


COISA .

3.1. Modelo de exibição de documento contra a


parte

276
Capitulo XIV
D/~ EXiBiÇAO DE DOCUi"ib>.JYO OU COiSA

277
!:

PRÃT!CA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana

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!1 278
Capítulo XIV
DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA

3.2. Modelo de exibição de documento contra


terceiro

?7A
PRÂriCA FOREi-.JSi:: t:i'-'i ?K:OCESSü CiViL Josevai Mari:ins Viana

280.
Capítulo XIV
Dr\ .CXl8JÇ)5.,Q DE DOCUMENTO CU CC!S,c,
--------~-------~--------~

281
- .-. ~---;

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i:
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... ~· .. ·'

[)A ARGUIÇÃO DE FALSIQADE

1. CONCEITO

AatgúíÇão de fi:rlsida:d.e é 0 meiopelo qual a pafté' piei~


teia ao juiz a declaração de falsidade documental juntado
aos autos no curso da ação judicial. Está disciplinado nos
arts. 430 a 433 do CPC. Trata-se ainda de um incidente de·
falsidade de natureza declaratória que pode ser suscitado
na contestação, na réplica ou no prazo de 15 (quinze) dias,
contado a partir da intimação da juntada do documento
aos autos. Ajuizado o incidente, haverá uma nova ação,
entretanto de natureza incidente, que não implica na for-
mação de um novo processo. Por fim, o art. 19, inc. li, do
CPC admite ação judicial autônoma apenas para requerer
ao juiz a autenticidade ou a falsidade documental.
A parte pode arguir a falsidade documental sem o in-
cidente. Isso acontece, por exemplo, quando o réu argui
a falsidade do documento na contestação. Se a arguição
for importante, o juiz determinará as provas'cabíveis para
PR.<i.T!C.ll-. FORENSE EM PROCESSO C!V!t , .Josevai 1"1artfns Viana
----

apurar a falsidade do documento, porém, a questão será


~··
decidida sem força de coisa julgada. Além disso, será deci-
.;t~:;:'
-·:
dida na fundamentação da sentença e não no dispositivo.
Assim, o ideal é arguir ã falsidade por meio de incidente
processual.
Pode-se arguir a falsidade de documentos particulares
e públicos acostados aos autos do processo. O art. 427
do CPC dispõe que: "Cessa a fé do documento público ou
particular sendo-lhe declarada judicialmente a falsidade."
Essa falsidade, consoante o parágrafo único e incisos do
artigo supramencionado, consiste em formar documento
não verdadeiro, ou alterar documento verdadeiro.

2. DO PROCEDIMENTO

0 incidente de falsidade pode ser arguido na contes-


tação, na réplica ou no prazo de quinz.e dias, contado a
partir da intimação da juntada do documento aos autos. A
parte deve elaborar uma petição, arguindo a falsidade, que
será resolvida como incidental, exceto se a parte requerer
que o juiz decida como questão principal, nos termos do
art. 19, inc. li, do CPC.
O prazo de quinze dias :.-p~ra a<àrgúição da falsidade
documental é preclu$ivo, Não pod.eráarguir o incidente,
entretanto, nada impede que suscite a questão por meio
de ação autônoma de deçlaração de falsidade.

284
Capítulo XV
DA ARGUIÇÃO DF F.ll.i SIDADC
"-~------

Esse incidente tramitará nos mesmos autos do processo


da ação principaL Ao elaborar a petição, a parte arguirá
a falsidade, expondo os motivos em que funda a sua pre-
tensão e os meios com que provará o alegado. Estando em
~· .
termos a pf;'tição, o juiz determinará a intimação da parte
contrária no prazo de quinze dias. Se a parte contrária afir-
mar que o documento é verdadeiro, o juiz determinará a
realização do exame periciaL Entretanto, não se procederá
ao exame pericial se a parte que produziu o documento
concordar em retirá -lo.
Finalmente, se a declaração sobre a falsidade do docu-
mento for suscitada como questão principal, constará da
" parte dispositiv<t da sentença e sobre ele incidir"átambém "
a autoridade da coisa julgada. Caso contrário, se for, por
exemplo, arguida na contestação, constará da fundamen-
tação e não incidirá a coisa julgada sobre ela.

285
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Josevaf Nartfns Viana

3. MODELO DA ARGUIÇÃO DO INCIDENTE DE


FALSIDADE

286
Capitulo XV
DA ARGUIÇÃO DE FALSIDADE
----

jamais teria ajuizado ação de cobrança. O requerido quer levar


a erro .o juízo quando do julgamento da demanda, visto que
desejafazer crer que quitou o débito.
. .

3 .• O art. 430.do CPC dispõe défqrma cristalina que: "A


falsid~de deve ser suscitada na contist~~ãÓ; h a ré~liça Oú no
prazo de 15 (~!Jinze)
partir da intirTl~~ãJ da
dias, contado a
.·juntada dq_documento aos âutos:'.O.~~~.ojs~pra(n~nqonad~
' .·.·_.-, ..... '•','' ,,--··->.----:--·(i~
explicita que a falsidade pode serárgtiidâ' ~râzÓcd~ quinze
._.;-..
-: .... ·-.,· .. -. .. '"-.'--,>... -.. -"·,·-->-· ... _,_.. ____ , __ ,,_

dias,· c6ntâdq a partir~a intltn<lçã6 d~Jliôtád~(:!t)d62lJ(llM1:ó


<JOS autos. Diante" de~s~ previsã6·.i~~al,· b rJq~~reht~ ~~~Oi ·.~
falsidade. docu(ne~tal. · · •. ·.. . · •.·.··•········ < >/.
Isto posto, requer a Vossa que Excel~ncia sed~~~~ J~ •
· iqtirr\~·r ó._re.ú.fia+àse.márijfestarsobré·o dc;i~d.rnento·jÍlntádó·:·· ·
aos.autos. e, depqis, ·deterrni.nar.-.a realizaç~o d() exa(lle>@ri·-···
cial rio documento, para, ao fiQaJ, ser deClarada a falsidade •
do· d()curT1eh1:o de •fls._:_, julgando-se esl:e indd~nt~ 8orli() --~ _,

. . -.
•"
···- ...-:":·..···
çla. coisa Julgada .. :_\-;-:··

Protesta provar ·o.· alegado· pqr tocl~s os rheiqs dé ~rqva .·


admitidCJS em direito ..

'pede deferirriéhto, ·.

LoÉal ~ data.
' ; ·-_-_-''·:··:·._·;·' >_·--:·.-· ' .·. ,'

·Assinatura, nome e OAB •.

287
,·,.·,. _/.
LIQUIDAÇÃO DE_.SENTENÇÁ-

1. INTRODUÇÃO

O exequente .só pode executar título líquido; certo e


exigível. A liquidez refere-se à determinação exata da
importância da prestação devida. A certeza diz respeito a
espancar qualquer dúvida quanto à existência da dívida ~· i
por fim, a exigibilidade refere-se ao efetivo cumprimento
da obrigação no prazo fixado. •
Pode ser que um titulo executivo judicial, ou seja, uma
sentença condenatória condene a parte a pagar quantia
ilíquida. No entanto, para iniciar a fase de execução, faz-se
necessário liquidar esse título a requerimento do credor i
ou do devedor, consoante o art. 509 do CPC.
Da leitura desse artigo, infere-se também que há dois
tipos de sentença: a líquida e a ilíquida. A sentença líquida
é aquela que indica o valor da condenação a ser executado _
ou indica a quantiqadeo de bens que constituem o valor da
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana
----

obrigação. A sentença ilíquida não determina o valor exato


da condenação. O art. 509, ines. I e li, do CPC explícita que
a liquidação da sentença pode ser feito por arbitramento
ou pelo procedimento copum, quando houver necessidade
de alegar e provar fato ,novo.
A sentença pode apresentar uma condenação .líquida e
ilíquida, por isso o credor pode promover simultaneamen-
te a execução da sentença líquida e, em autos apartados,
realizar a liquidação da sentença ilíquida, a fim de pro-
mover-lhe posteriormente a execução da quantia indicada
nessa liquidação de sentença.
Os simples cálculos aritméticos não são considerados
2:6m6litjuidaÇã.0cda sentença por Contador. Essa modali-
dade de execução de sentença deixou de existir há muitos
anos. Tratava-se do contador judiciaL Ele era um funcio-
nário público. Para ingressar no cargo, tinha de prestar
concurso público. Com o passar dos tempos, a figura do
contador judicial deixou de exigir, dando lugar ao perito
judiciaL O perito judicial de hoje não é funcionário pú-
blico. É um profissional que se inscreve nas varas cíveis
para atuar corno perito judiciaL Tem ele de preencher
uma série de requisitos. O perito será escolhido entre
profissionais de nível universitário, inscrito em seu órgão
de classe, comprovar sua especialidade na matéria sobre
a qual deverá opinar etc. O atual Código de Processo Civil
extinguiu esse cargo. Agora quando a apuração dos valores
· depender apenas de cálculo· aritmético,· o credor poderá
fazer os cií.lculos, atualizando-os, promovendo desde logo

290
Capítulo XVI
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA

o cumprimento da sentença. O Conselho Nacional de Jus-


tiça desenvolverá e colocará à disposição dos interessados
programa de atualização financeira. Por fim, na liquidação
de sentença, não se discute novamente a lide nem se mo-
difica a sentença que a julgou.
Convém salientar também que atualmente não se fala
mais em processo de execução para os títulos executi-
vos judiciais, exceto para a sentença penal condenatória
transitada em julgado, a séntença arbitral e a sentença
estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça.
Para o restante dos títulos executivos que se encontram
enumerados no art. 515 do CPC, é fase de execução, ou
· sejà, é a quiritá'fâse i:lo'processo de cónheeirnento.
Liquidação de sentença é a fase que se segue à prolação
da sentença ilíquida, por meio do qual o credor ou o de,-
vedor fixarão o quantum debeatur da obrigação reconhecida
no título executivo judicial (sentença), a fim de viabilizar o

início da fase de execução para o cumprimento definitivo
da sentença.

2. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA POR


ARBITRAMENTO

Liquida-se a sentença por arbitramento nomeando um


perito (arbitrador) para fixar o valor ou individuar o objeto
.da condenação. Nesse caso, liquidar-se-á a prestação de·
·um bem ou de urn sérViÇo. A liquidaçãó por arbitrarrient~ ·
refere-se à execução por quantia certa, entrega de coisa

291
PRi,TJC,.':\ FORENSE .EfvJ !')ROCESSO C!V!L ..loseva! Martins Viana
',, ..

certa e obrigação de fazer. Na liquidação por arbitramento,


o juiz determinará que as partes sejam intimadas para a
apresentação de pareceres ou documentos elucidativos, no
prazo que fixar. Se o juiz não puder decidir de plano, no-
meará perito, observando, no que couber, o pro('edimento
da prova pericial.
Realizar-se-á a liquidação por arbitramento nós se-
guintes casos:
a) determinado pela sentença: a sentença pode de-
terminar que o quantum debeatur seja apurado me-
diante liquidação por arbitramento;
b) convencionado pelas partes: as partes ajustam
·.entre si m:e'diant:etláusulà contratual; ou·depoíSda
sentença condenatória, assumindo caracteristicas
de transação;
c) a natureza do objeto exige este tipo de liquidação:
neste caso, não haverá necessidade de provar fato
novo para liquidar a sentença, pois se assim for
necessário, tratar-se-á da liquidação por artigos e
não por arbitramento.

3. :PROCEDIMENTO DA,.LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA


. POR ARBITRAMENTO
'
O credor ou o devedor elabora uma petição, requeren-
I do ao jui;;: da causa a nomeação de perito para arbitrar
l os bens, coisas ou serviÇos ~ue devem ser en\lrheradosna
petição. Requer-se a intimação do devedor, na pessoa de
,,
292
Capitulo XVI
LiQUiDAÇÃO DE SENTEI~ÇA
-------

seu advogado, para acompanhar o arbitramento. Se a liqui-


dação foi requerida pelo devedor, o credor é intimado para
acompanhar a fase de liquidação da sentença. São exemplos
de arbitramento: estimativa de desvalorização de veículos
acidentados, de lucros cessantes por inatividade de pessoa
ou serviço, de perda parcial da capacidade laborativa etc.
Ao receber a petição, o juiz de direito determinará que
o devedor seja intimado. As partes deverão juntar pare-
ceres e documentos. Caso não possa decidir de plano, ele
nomeará perito. As partes têm quinze dias contados da
intimação do despacho da nomeação do perito para arguir
o impedimento ou suspeição dele, se for o caso, indica,r
· ·assistentes técnicos e "apresentar quesitos.
Por sua vez, o perito apresentará em cinco dias proposta
de honorários, currículo com a prova de sua especialização,
contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico,
para onde serão dirigidas as intimações pessoais .•
As partes serão intimadas da proposta de honorários para,
querendo, manifestar-se no prazo comum de cinco dias, após
o que o juiz arbitrará o valor, intimando a parte responsável
pelo pagamento do perito judicial para fazê-lo. O juiz poderá
autorizar o pagamento de até cinquenta por cento dos ho-
norários arbitrados a favor do perito no início dos trabalhos,
devendo o remanescente ser pago apenas ao final, depois de
entregue o laudo e prestados todos os esclarecimentos.
As partes podem indicar o perito,· se ·estiverém dé co~ ··
mum acordo, mediante requerimento desde que sejam
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseva! Martins Viana

plenamente capazes e que a causa possa ser resolvida por


autocomposição. Ao escolher o perito, as partes devem,
se for o caso, indicar os. respectivos assistentes técnicos
·para acompanhar a realiz;ação da perícia. O perito e os
assistentes técnicos devem entregar, respectivamente, o
laudo e pareceres em prazo fixado pelo juiz. É impor-
tante salientar que o juiz poderá dispensar prova pericial
quando as partes, na inicial e na contestação, apresen-
tarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou
documentos eluddativos que considerar suficientes.
Protocolado o laudo em juízo, as partes serão intimadas
par-a, querendo, manifestar-se sobre o laudo do perito do
juízo noprazo comum de quinze dias, podendo o assistente .· .
técnico de cada uma das partes, em igual prazo, apresen-
tar seu respectivo parecer. O juiz de direito apreciárá a
prova pericial independentemente do sujeito que a tiver
promovido, e indicará na decisão as razões da formação
de seu convencimento.

4. LIQUIDAÇÃO DA PELO PROCEDIMENTO COMUM

É possível realizar a liquidação de sentençà pelo pro-


cedimento com}l-m. Este procedimento está previsto nos
arts. 318 a 512 'do CPC. A liquidação pelo procedimento
comum é aquela em que se faz necessário comprovar
fatos novos relativos ao quantum debeatur. O art. 509, inc.
II, doCPC::'dispõeque se faz a· 'liquidação de sentença pelo
procedimento comum, quando houver necessidade de ale-

294 .
Capitulo XVI
LIQUIDAÇÃO OE SENTENÇA

gar e provar fato novo. Fato novo é aquele que se refere


ao valor que não foi considerado na sentença exatamente
porque a sentença não o fixou:, ou seja, há necessidade de
se comprovar fatos novos referentes ao quantum debeatur.
Deve-se, ainda, esclarecer que a condenação pode ser
tão genérica e abrangente que obriga o vencedor a provar
fato novo para que se chegue à liquidez da condenação.
Por exemplo, numa ação de indenização por redução da
capacidade laborista, o autor deve provar a existência dos
danos. A apuração do quantum debeatur exige a demons-
tração de fatos novos relacionados à extensão dos danos
e dos cuidados exigidos pela vítima. Na liquidação da
sentença pelopro.cedimentocomum,apurarcse-á apenas o
valor desses danos reconhecidos na sentença. Não se faz
necessário provar os danos, visto que foram devidamente
provados no processo de conhecimento.
Repise-se que o procedimento da liquidação é comum

mesmo que a fase de conhecimento tenha observado rito
especial. Isso significa que a liquidação obedece a rito es-
pecífico não se vinculando ao procedimento processual. A
liquidação será decidida por meio de decisão interlocutória.

5. PROCEDIMENTO DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA


PELO PROCEDIMENTO COMUM

Na liquidação pelo procedimento comum; o requerente-


·. ,.,
elaborará u:rna petiÇão. é indíéará 6s fatos no;ôsa serem "•

apurados, isto é, deduzindo a pretensão da' maneira mais

295
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ joseval Martins Vfqnq

--.
clara possível, salientando-se os fatos nO'IJS (mn em cada
artigo) com que se pretende fixar o quantum debeatur_
Estando em termos a petição, o juiz determinará a
~ntimação do requerido, na pessoa de seu advogado ou
da sociedade de advogados a que estiver vinculado, para,
querendo, apresentar contestação no prazo de 15 (quinze)
dias_
Se o requerido não contestar, os fatos alegados na
petição serão tidos como verdadeiros_ No caso, os fatos
relacionados com o quantum debeatur_ Ao final, o juiz pro-
ferirá decisão interlocutória, julgando a liquidação_ Nesse
caso, caberá agravo de instrumento como recurso_ Depois
dg.liquidada a-sentença, inicia,se a fase do cumprimento>
da sentença.

296
Capitulo XVI
UC./0\DAÇÃO DE SENTENÇA

6. MODELO DE LIQUIDAÇAO DE SENTENÇA POR


ARBITRl\MENTO

,i
r··

297
· ~.i
·~
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO ClVJL Joseva/ Martins Viana

· 3. O jurista
Moacyr Amaral Santos explica que a liquidação
· por arbitramento exige a colaboração de um perito que deve
. S\'!é .(2ntendi<:Jo na matéria a ser .arbitrada. Explica, ainda, que
J ligÚida~ão por 3rbitrarl1énto da r.-se-á qu;3pdo deterrninada
p~lâ s~ntenç~ ou ~onvericionada pelas parf~s:
''l\i~;ópria sentença, na ação conder1atória, podera deter-
.:0.imif__9 quant~-~ :de!Jeatur seja. ~pur~_;~~~-;em _nq_urdação por
•.•~rbitramento; Ou. essa modalida.de de·li~uidaç~ppode ter
·. ·. ···~id~ torívencionadiJ . JÍela~.parte~; J()~~ qÚándd C:~~st~r d~
·.·•dáusul~ !J~~i:fátu<'ll, dJ ~i~i!~i>6§ieri6fine~Í:éà 'i~r\t€;,çâ · •
C~?d_~_-?:~t?-f:I~~-;<"c~::~~-':·:~::~.:·--~q ~,~- .~t~~á::.::~:a:rà·~·fê:r~:~--~--~~::::t~~-h~~:·Ç~:o"..
{PrirneirasJin~asÍJediWtoprocessüal civil. 21i ed:?ãd Paulo:.
• saraiv~, ioo3, v: ~' ·P• 267) · . .. . ·· · · · ·· . ·· .

· ·•·•·.:•. :·;Lírcilihlt!defi&~~66§rofVáhi~~si~{eaô•al1tâtâWeitôil~Ii~uia'ar'; .•.•. .•.•


·.· ·.·• i~eHt~n~ pdr~r~~r~iTJ~~tCi cô~ qesc()p6de;e nxat6 qbJnt~}n
···<·• dt~e[Jtuça fi~cte)~ipi9i~\ aJast (]q cy~~rim~ntq d~ s~nt~~ç<l:
. . · !sl:ój,ôstp feqúér ~ Vo~sà E~cel~(l(;lá q!Jê ;;e. djgh~ de aq- ·.

·•· ·[~~~Z2;~1~~~~~~{r!~~'Y!w~~un~~r;tf~~~~·àlt::f:~~,R~tz·i•••·.··
.··.··.·;f'itiiDâ~a dti rét{iJ~r~·~t:()iQ]JãJ1qà(a i:>res~iite.c·•. . ···

.•/.. •Réqü~r, ~o~fi~)~t~~~ja,~xado.o~libaiCfí/deb~dtur~b~de'


· ·.•.·•·•· · · ~~t6ti()] .•p~t~)q~é JJ}~ti~à8r0·r2iêJ•a 8cÜfT)pri.~~f1i8 Hª i~~ter!Ç~:. ·.
·'· ·(,-,,., .". -'\F.'._-,.... ;•.. ·_-.

•·. · .· · •· · .· \' > Ne~t~s: i~t1116s 'i ·


...· ;.!\<,{~, p~d;def~r~~~~t6!
· • •i . ~()i:a[~'çi~t3.

298
Capítulo XVI
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA

7. MODELO DE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA PELO


PROCEDIMENTO COMUM

DIREITO DA

299
PRÃT!CA FORFNSF FM PROCESSO C1V!l " .losP.vn! MarVns Viana

300
Capitulo XVI
!....!QU![),L.\..Ç)\ü DE SENTE.f'-JÇ.<l.

,
1 Exemplos retirados do livro do jurista Humberto Theodoro Júnior, ob. cit., p. 113.

301
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DO CUMPRIMENTO.·DA
SENTENÇA

) .. Il\TT~ODUÇÃO

A fase do cumprimento da sentença tem início depois


da fase de conhecimento. Dá-se a fase do cumpriment?
da sentença, como regra geral, depois do trânsito em jt!l-
gado da sentença. O cumprimento da sentença reconhece
,,
o dever de pagar quantia, provisório ou definitivo. Tem-se
início por meio de requerimento do exequente.
O requerente será intimado para cumprir a sentença:
a) pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado
constituído nos autos;
b) por carta com aviso de recebimento, quando repre-
sentado por Defensoria Pública ou quando não tiver
procurador constituído nos autos;
c) por meio eletrônico, quando, no caso do § 1° dO árt.
246, não tiver procurador constituído nos autos;
PRÁTJCA FORENSE EM PROCESSO CJV!l " Joseva! fVJartin$ Vlan.a

d) por edital, quando citado na forma do art. 256, "i ver


sido revel na fase de conhecimento.
:-. Observação: Nada impede que o requerido seja intim:c<.
do nos autos por meio de advogado constituído nos autos.
o cumprimento da sentença fundamenta-se em títulos
executivos judiciais. Esses títulos têm origem em uma sen-
tença, resultado do processo de conhecimento. São títulos
executivos judiciais:
a) as decisões proferidas no processo civil que re-
conheçam a exigibilidade de obrigação de pagar
quantia, de fazer, de não fazer 0\1 de_ entregar coisa;
b) a decisão homologatória de autocomposição judi-
cial;
c) a decisão homologatória de autocomposição extra-
judicial de qualquer natureza;
d) o formal e a certidão de partilha, exclusivamente
em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos
sucessores a titulo singular ou universal;
e) o crédito de. auxiliar da justiça, quando as custas,
emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados
por decisão
.
judicia]; -

f) sentença penal condenatória transitada em julgado;


g) · a sentença arbitral;
h) a sentença. estrangeira' homologada pelo /Superior
Tribl!nal de Justiça;
304
Capitulo XVII
DO CUJ·""!PRiHENTO DA SENTENÇA

i) a decisão interlocutória estrangeira, após a conces-


são do exequatur, à carta rogatória pelo Superior
Tribunal de Justiça.
Observação: Nos casos da sentença penal condenatória
transitada em julgado, da sentença arbitral, da sentença
estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça
e da decisão interlocutória estrangeira, após a concessão
do exequatur à carta rogatória pelo,5_uperior TribunC[l de
Justiça, o devedor: será executado por meio do processo de
execução e será citado no juízo cível para o cumprimento
da sentença no prazo de quinze dias.

2. CUMPRIMENTO DA SENTENÇA QUE RECONHECE


A EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR
QUANTIA CERTA

A sentença pode condenar em quantia certa, ou Ja


fixada em liquidação de sentença. O exequente fafá uma
petição indicando o débito, requerendo a intimação do
executado, para que pague a quantia devida no prazo de
quinze dias, acrescido de custas, multa e honorários ad-
vocatícios, se houver.
Não ocorrendo o pagamento voluntário no prazo de
quinze dias, o débito será acrescido de multa de dez por
cento e, também, mais dez por cento a título de honorários
advocatícios referentes à fase da execução. Pode ser que o
executado não concorde com o valor. Ao ser intimado, poderá
depositar a parte controvertida, ou seja, depositará o paga- ·
305
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

mento parcial. Se houver multa e honorários advocatícios,


no final da execução, estas incidirão sobre o restante, isto
é, sobre a diferença e não sobre o montante total do débito.
Se o executado nãv efetuar o pagamento de forma vo-
luntária, o juiz mandará expedir, desde logo, mandado de
penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação
de bens do devedor.
A petição que der início à fase de execução será ins-
truída com o demonstrativo discriminado e atualizado do
crédito, devendo conter ainda:
a) nome completo, o número de inscrição no Cadas-
tro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional de
Pessoa JunàiCa do exequente e do exeC:utadô;
b) o índice de correção monetária adotado;
c) os juros aplicados e as respectivas taxas;
d) o termo inicial e o termo final dos juros e da cor-
reção monetária utilizados;
e) a periodicidade da capitalização dos juros, se for o
caso;
f) especificação dos eventuais descontos obrigatórios
realizados;
g) indicação dos bens passíveis de penhora, sempre
que possível.
Transcorrido o prazo de quinze dias após a intimação do
devedorsem que ele faça o pagamento, inicia-se'o prazo de ··
quinze dias para que o executado, independentemente de

30q
Capítulo XVII
DO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA

penhora ou nova inümação, apresente, nos próprios autos,


sua impugnação. Na impugnação, o executado poderá alegar:
a) falta ou nulidade de citação se, na fase de conhe-
cimento, o processo correu à revelia;
b) ilegitimidade de parte;
c) inexequibilidade do título ou inexigibilidade da
obrigação;
d) penhora incorreta ou avaliação errônea;
e) excesso de execução ou cumulação indevida de
execuções;
f) incompetência absoluta ou relativa do juízo da
· · · execução; · ·
g) qualquer causa modificativa ou extintiva da obri-
gação, como pagamento, novação, compensação.,
transação ou prescrição, desde que supervenientes
à sentença.
A nova sistemática do Código de Processo Civil aboliu
definitivamente a oposição dos embargos à execução como
defesa nos casos de execução fundada em títulos executi-
vos judiciais. Os embargos à execução serão opostos apenas
no processo de execução (títulos execuüvos extrajudiciais)
e não na fase de execução.
Na fase de execução, o instrumento de defesa do exe-
cutado chama-se "impugnação à execução", Trata-se de
· uma peça proé:essf.!al cjue deverá ser ertdêrêç'ada: aoju!z · · ·
da fase de execução, cuja matéria de def~sa é restrita,

307
descrito anteriormente com base no art. 525, § 1°, ines.
I a VII, do CPC.
A impugnação não tem efeito suspensivo, ou seja, não
impede a prática dos atos executivos, inclusive as expro-
priações dos bens do executado, no entanto, o executado
poderá conseguir a suspensão da execução se garantir o
juízo cem penhora, caução ou depósito suficiente. Além
disso, o fundamento deve ser relevante e provar que o
prosseguimento da execução poderá causar-lhe grave dano .
de difícil ou incerta reparação.
Mesmo que o juiz tenha atribuído efeito suspensivo à
impugnação, o exequente pode requerer o prosseguimento
·da execução, ófetecertdo . e. prestarído,,rH)S. própríos.autos,.
caução suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz.
É lícito ao réu, antes de ser intimado para o cumpri-·.
mento da sentença, comparecer em juízo e oferecer em
pagamento o valor que entender devido, apresentando
memorial de cálculo discriminado. O autor será ouvido no
prazo de cinco dias, podendo impugnar o valor deposita-
do, sem prejuízo do levantamento do depósito a título de
parcela incontroversa.
·. Se o juiz de direito concluir pela insuficiência do de-
pósito, sobre a ,diferença incidirão multa de dez por cento
e honorários ádvocatícios, também fixados em dez por
cento, seguindo-se a execução com penhora e atos sub-
sequentes. Por outro lado, caso o autor não impugne o
· valor do depósito; Q jui~ de'clarará satisfeita a:' obrigação ·
e extinguirá o processo.

30~
CapítulO. XVII
DO CUHPR\~-'\CNTO Di\ SENTENÇ.t,

3. MODELO DE IMPUGNAÇÃO À EXECUÇÃO

309
,,
'
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseval Martins Viana

I
I
!

310
Capítulo XVII
DO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA

I
I
I.
r
I

311
;:.
DA AÇÃO RESCISÓRIA

1. INTRODUÇÃO

Aq.ção tescisó.ria ê uhiàa,Çãojudicial,.por meio da qual;


requer-se a desconstituição de uma sentença transitada
em julgado. Trata-se de rescindir uma sentença de mérito
que não pode ser considerada nula ou anulável, mas de
sentença que, embora válida e plenamente eficaz, porque
está recoberta da coisa julgada, pode ser rescindid'a.
Convém ratificar que esta ação rescinde sentença de
mérito e que já tenha transitado em julgado. É sentença
de mérito aquela que enfrenta o objeto da demanda, extin-
guindo a ação com resolução de mérito, ou seja, decidindo
se o autor tem ou não razão.
Incide ainda a rescisória sobre sentença de mérito, não
sendo possível manejá-la contra as decisões terminativas,
. ou seja, sobre a s~ntença que extingue o processo sem
resolução de mérito.
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

Deve o autor demonstrar que precisa de novo pro-


nunciamento judicial na tentativa de impedir os efeitos
jurídicos da sentença contra si prolatada. Precisará, por-
tanto, demonstrar que preenche os requisitos legais para
rescindir a sentença transitada em julgado.
O autor tem o prazo de dois anos para propor a ação
rescisória, cujo prazo decadencial começa a fluir a partir
do trânsito em julgado da decisão. Observe-se, portanto, se
não houver trânsito em julgado da sentença não é possível
ajuizar a ação rescisória.
Por fim, há de se esclarecer que as matérias pertinentes
à rescisória são taxativas, isto é, restritas aos dispositivos
legais erú:Ünerados nó art. 966 dó cPé. b áut~tnão podei-á
propor ação rescisória, se não demonstrar efetivamente
que a sentença a ser rescindida preenche os requisitos
legais.
Há outros dois institutos jurídicos que permitem im-
pugnar uma sentença transitada em julgado: ação anu-
latória ou declaratória de nulidade, conforme o art. 966,
§ 4°, do CPC. As partes podem praticar atos de disposição
de direitos, bem como outros participantes do processo,
requerendo a homologação pelojuiz. Os atos homologató-
rios podem ser praticados também no curso da execução.
Ora, esses atos homologatórios estão sujeitos à anulação.
A sentença pode ser homologatória de atos de disposi-
ção de direito, quando as partes realiz.amautocoinposíção
no curso do processo de conhecimento ou de execução.

314
Capitulo XVIII
DA AÇÀO RESCISÓRIA

Pode ser que esses atos de disposição de direito sejam


anuláveis. Por exemplo, pode ter havido vício de consenti-
mento. Nesse caso, as ações adequadas são as anulatórias
j.
ou dec~aratórias de nulidades e não a rescisória.
Nessas ações a rescisão não é da sentença, .mas do
acordo realizado pelas partes, ou seja, o ato de disposição
de direito homologado em juízo. O objeto da rescisão é
a transação e não a sentença. Essa rescisão opera-se na
forma da lei civil que prevê a nulidade ou anulabilidade
dos atos jurídicos em geral. Assim, em caso de nulidade,
a ação será declaratória; em caso de anulabilidade, a ação
competente é a anulatória.
Sabe-se que o jUiz de direito pódejuTgar'pareihlmE'nte · · ··
o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados
ou parcela deles mostrarem-se incontroversos, ou se eles
estiverem em condições de imediato julgamento. Trata-se'
de uma decisão interlocutória, visto que outros pedidos
serão julgados pelo juiz somente no final da demanda por
meio de sentença.
Com relação à decisão interlocutória que julga parcial-
mente o mérito, o recurso cabível é o agravo de instru-
mento, nos termos do art. 1.015, inc. 11, do CPC. Do trânsito
em julgado da decisão do agravo de instrumento, cabe
ação rescisória, porque o "caput" do art. 9.66 do CPC é bem
explícito ao afirmar que: "A decisão de mérito, transitada
em julgado, pode ser rescindida quando (... )".Note~se que
areséi~ória cabe em face da ''decisão dê mérito". Ora; se
a decisão interlocutória julgou parcialmenté o mérito, em
315
PR.ATiC!\ FORENSE Ei"i PROCESSO Cl\!JL ~ Joscvai i'1artins Viana

havendo agravo de instrumento, dessa decisão que julgar


. 1
parCla.mente ' .
o mento, . l ga d o, cab e a
ao tranSl"t.ar em JU
ação rescisória.
}~,

Afirmou-se que cabe ação rescisória apenas das deci-


sões de mérito, contudo essa afirmação comporta exceção.
O art. 966, § 2°, do CPC dispõe o seguinte: "Nas hipóteses
previstas nos incisos do caput, será rescindível a decisão
transitada em julgado que, embora não seja de mérito: I
-impeça propositura da demanda; ou I! - admissibilidade .
do recurso correspondente."
O juiz pode proferir sentença com o objetivo de ex-
tinguir o processo sem resolução de mérito, ou seja, sem
força\ de cóisajulgada:material,· contudo essá. ·deCisão pode ·
impedir a propositura da mesma ação. Por exemplo, no
caso de perempção, o autor não pode propor novamen-
te a mesma ação, ainda que a extinção tenha sido sem
resolução de mérito. Nesse caso, caber$, a ação rescisória
desde que preenchidos os requisitos do art. 966 do CPC.
No caso de admissibilidade do recurso correspondente,
caberá ação rescisória se a sentença contiver também um
dos vícios indicp.dos no art. 966 do CPC. ci vício nesse caso
estará na decisão que não~dmiti~ o recurso. Por exemplo,
um recurso de :;rpel:ação nã6.i6iproéessado, porque o rela-
tor entendeu que o recurso era intempestivo; Nesse caso,
trata-se de erro de fato e permite a ação rescisória .

·~ ... .· .,
' .... ·
.(" ~-.

316.
I
Capitulo XVUI
Q,~ AÇÃO RESCISÓRIA
li

2. REQUISITOS DA AÇÃO RESCISÓRIA

O art. 966 do CPC enumera os requisitos para a propo-


situra da ação rescisória. Esses requisitos são taxativos. Se
o autor não conseguir prová-los, a rescisória será julgada
improcedente. Os requisitos são:

2.1. Sentença proferida por força de prevaricação,


concussão ou corrupção do juiz: prevaricação é o crime
praticado pelo servidor público que, a fim de satisfazer
sentimento. ou interesse pessoal, retarda ato de ofício,
deixa indevidamente de praticá-lo, ou o pratica contra
disposição expressa de lei. Concussão é o crime praticado
por servidor público em razão de sua função- ainda que
fora dela ou antes de assumi-la - consistente em exigir
vantagem indevida para si ou para outrem, direta ou in-
diretamente. Corrupção é ato ou efeito de corromper, q1.1e
é decompor ou persuadir. É o ato de solicitar ou receber,
para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão
dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal van-
tagem". Qualquer um desses comportamentos assumidos
pelo magistrado enseja ação rescisória. Deve-se ressaltar
que não há necessidade de que haja condenação crimi-
nal do juiz de direito para que a rescisória seja julgada
procedente, Basta que a prova dessa conduta ilícita seja
caracterizada no curso da ação rescisória, ou seja, que o
comportamento d~:r magistrado corresponda a um desses·
ilícitos penais. Note-se que a análise dessas condutas
317
l
! PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL " Josevaf Martins Viana

J criminais tem um tom diferente diante do processo civil,


I não sendo necessário ater-se rigidamente ao princípio da
!

tipicidade dos delitos, como ocorre no campo do Direito


. PenaL O efeito jurídico da rescisória julgada procedente
é a anulação do processo a partir da instrução da causa.
Melhor seria a anulação do processo desde a citação do
réu, pois é neste momento processual que o processo se
convalida.

2.2. Sentença prolatada por juiz impedido ou absolu-


tamente incompetente: o magistrado impedido é aquele
que mantém relação de interesse subjetivo com a deman-
da, pendendo para o autor ou para o réu. Afirma-se que
o interesse. do juiz frente adeinànda é· subjetivo porque.·· '
o impedimento e a suspeição são comportamentos intrín-
secos à conduta do magistrado. A suspeição (art. 145 do
CPC) não enseja ação rescisória, mas o impedimento do
juiz, que ocorre nas hipóteses enumeradas no art. 144 do
CPC, uma vez que nestes casos é intenso o vínculo entre o
juiz e uma das partes da demanda, impedindo a prolação
da sentença judicial com traços de imparcialidade, permite
a ação rescisória .. Note-se, portanto, que o impedimento
obsta o magistrado conhecer e julgar a causa, invalidando
os atos praticados no processo'·No·que se refere à incompe-
tência, o legislador indica que é a incompetência absoluta,
ou seja, incompetência em razão da matéria ou da função
do magistrado. Não há que se falar em incompetência
relativa (território e valor da'causa), porque se•ó réu não ·
arguir no prazo dia defesa, convalidar-se-á a incompetência

318
Capítulo XVIII
DA AÇÃO RESCISÓRIA
--------·· ------

relativa, transformando o juiz de direito incompetente em


competente para julgar a demanda. Por fim, observe-se que
a incompetência absoluta é inderrogável, por isso nunca
se convalida ..,mesmo depois de proferida a sentença.

2.3. Sentença proferida resultante de dolo da parte


vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colu-
são entre as partes, a fim de fraudar a lei: dolo e colusão
ensejam rescisória. O dolo caracteriza-se quando um dos
demandantes· utiliza do processo de forma desleal para
vencer a causa, ludibriando o outro para fraudar a lei. O
dolo da parte vencedora abrange o dolo do representante
legal.etambém o de seu ac:jy()g<td().aip.da,CJ,1.l~.s~!D.,O.'l,s.sen:. , ....
tírri~nto ou a 2iênóa do litigante. Há c!e seprova.:r· one~o
de causalidade entre o dolo e o resultado a que se chegou
a sentença. O dolo é, portanto, a vontade consciente de
causar dano a outrem. Por isso, o vencedor da causa, o'u
seja, aquele que agiu com dolo precisa empregai; meios
concretos para inviabilizar a produção de prova pelo ven-
cido. Infere-se dessa afirmação que o dolo é processual. É
aquele praticado no curso do processo em detrimento da
parte perdedora.
Por sua vez, ocorre a colusão quando duas ou mais
pessoas combinam entre si a prática de um determina-
do ato ou a realização de um negócio juridico, a fim de
causar ambos causarem prejuízo a um terceiro. O juiz de .
direito conduz o· processo para solucionar o conflito de
interesses entre as .partes. Busca o magistrádo ser o mais

319
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseval Martins Viana

justo possível em seu julgamento. Se o julgador perceber


q~e os litigantes estão manipulando a relação processual
CÓJD o escopo de prejudicar um terceiro, a sentença deve
irhpedir que as partes alcancem o intento almejado.
" ··x··-
O dolo e a co:c1são fraudam à lei, isto é, ambos os ins-
titutos ensejam o descumprimento da lei, por isso aquele
que foi prejudicado com o decisum, e que mantém interesse
jurídico no processo pode utilizar a ação rescisória para
rescindir a sentença.

2.4. Ofender a ooisa julgada: diz-se que a coisa julgada


é o pedido formulado pelo autor cuja sentença judicial já
incidiu sobre esse mesmo pedido, impedindo-o que seja·
rediscutido elil jiliicl,:Ma:tdrêf6 cdm o' art. $02 do CPC que
dispõe o seguinte: "Denomina-se coisa julgada material a
autoridade que toma imutável e indiscutível a decisão de .
mérito não mais sujeita a recurso." Quando a causa é jul-
gada pelo juiz de direito, após o trânsito em julgado da
sentença, é vedado à parte perdedor~ propor a mesma
ação. Se ela conseguir fazê-lo, qualquer nova sentença .
a que se refira às mesmas partes e ao mesmo pedido é
suscetível de ser rescindida por meio da ação rescisória.
Convém salientar que se houver divergência entre duas
. coisas julgadas; rn:antém~se a sentença da 'última ação
proposta, enquanto não houver rescisão com o objetivo
de restabelecer a primeira decisão judicial.

2;.5.Violação manifesta, de n()~a, jurídica: tratacse de .


ofender alei, ou seja, prolatar uma sentença contraria a

320
Capitulo XVIII
DA AÇÃO RESCiSÓRIA
I

lei (errar in judicando), desrespeitando o modo e a forma


estabelecidos em lei. Em síntese, a sentença ofende o dis-
positivo legal. Note-se, portanto, que a sentença proferida
pelo magistrado, suscetível de ação rescisória, é aquela
que expressa um conceito inadequado dos fatos jurídicos,
enquadrando-os incorretamente num determinado tipo
jurídico. Isso significa que a ação rescisória não poderá
ser proposta contra sentença que interpreta a norma de
modo injusto ou lhe dê interpretação controvertida nos
tribunais. Esta é, inclusive, a orientação registrada na Sú-
mula 343 do Supremo Tribunal Federal: "Não cabe ação
rescisória por ofensa à literal disposição de lei, quando
. da decisão rescindenda se tiver baseado ein texto fegal ·.
de interpretação controvertida nos tribunais:'

2.6, Sentença que se funda em prova, cuja falsida-·


de tenha sido apurada em processo criminal, ou seja,
provada na própria ação rescisória: prova é o elemento
concreto que demonstra a existência ou inexistência de
um fato jurídico no mundo do direito. Ela tem por objetivo
convencer o magistrado de que determinado fato jurídico
é verdadeiro ou não. Ora, se o juiz de direito sentenciou
uma causa baseado em prova falsa que, por exemplo,
demonstrara a existência de um fato jurídico, a senten-
ça deve ser resCindida, principalmente porque induziu o
magistrado a decidir de forma injusta e equivocada, cuja
decisão teria sido di" forma oposta se não fosse a e~i~têl1.~ ·
cia da prova falsa. '

321
PRÃTICA FORENSE EM :PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

2.7. Depois da sentença transitada em julgado, o au-


tor obtiver prova nova cuja existência ignorava ou de que
não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar
pronunciamento favorável: a sentença é a decisão final
do juiz de direito sobre o pedido formulado pelo autor na
petição inicial. Esta sentença judicial extingue o processo
com resolução de mérito ou sem resolução de mérito.
Pode ocorrer que, depois de o juiz de direito proferir a
sentença, o autor obtenha uma prova nova, ·como, por
exemplo, um documento importante que o faria ganhar
a demanda, ou mesmo, um documento cuja existência o
autor desconhecesse. Nos casos de prova nova, é possível
a açãorescisóri<l.Outro aspect;> importanteé demonstrar
,, .
'
' éin juízd' que a'àl:Ít'oí: igiior\i\ra á 'é:ldstêntia dessa' prová . '
nova ou que naquele momento não poderia usá-la. Não
se esqueça de que o ônus da prova é do autor.

l
I
2.8. Sentença fundada em erro de fato verificável do
exame dos autos: há erro de fato quando a decisão res-
1 cindenda admitir fato inexistente ou quando considerar
I inexistente fato que efetivamente ocorreu, sendo indis-
pensável, em ambos os casos, que o fato não represente
t-
ponto controvertido sobre o qual o juiz deveria ter se
pronunciado.

322
Capitulo xvm
DA AÇÃO RESCISÓRIA

3. LEGITIMIDADE DE PARTES

São consideradas partes legítimàs para propor a ação


rescisória:
a) quem foi parte no processo ou o seu sucessor a
título universal ou singular;
b) o terceiro juridicamente interessado;
c) o Ministério Público, quando ele não for ouvido no
processo eu que lhe era obrigatória a intervenção;
quando a decisão rescindenda é o efeito de simu-
lação ou de colusão das partes, a fim de fraudar a
lei; em outros casos em que imponha sua atuação;
,, ,d) )'l,quele que .não foi ouvido o pmcesso em qiie'lhe···' ': ·:,.::
era obrigatória a intervenção.

4. PROCEDIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA



A petição inicial deve obedecer aos requisitos do art.
319 do CPC e será endereçada ao Tribunal. Deve, ainda,
o autor:
. a) cumular ao pedido de rescisão, se for o caso, o de
novo julgamento da causa;
b) depositar a importância de cinco por cento sobre o
valor da causa, a título de multa, caso a ação seja,
por unanimidade de votos, declarada inadmissível,
ou improcedente. A União, o Estado, o Município e o_· ..._. .
Mi:ilistérib Público não precísaiD. recolher à\~f~ricia'''·
importância. '

323
PR..d.TJC,ti. FORENSE EM PR-OCESSO C1Vl1 o .Josevaf Martins Viana
----

A açao rescisóna não suspende a execução da sen-


tença rescindenda_ Se o autor tiver esse objetivo, precisa
ajuizar tutela cautelar incidente, ou seja, sobre o processo
de execução ou mesmo na fase de execução, requerendo
a suspensão do feito até julgamento final da rescisória.
A petição inicial será indeferida se não preencher os
requisitos indicados nos arts. 319, 320 e 332 do CPC e
também se a parte não efetuar o depósito de 5% (cinco
por cento) sobre o valor da causa. O depósito para a ação
rescisória não será superior a 1.000 (mil) salários-mínimos.
Ressalta-se que o valor dado à causa refere-se à vantagem
patrimonial estabelecida na decisão atacada.
Apetiçãoiniêial será enderéçada.ao presidente do.Tric.
bunal e este, de acordo com o regimento interno, indicará
a Câmara Julgadora e o respectivo relator.
O relator determinará a citação do réu, assinando-lhe
um prazo mínimo de 15 (quinze dias). para contestar a
demanda. O prazo da contestação não pode ultrapassar 30
(trinta) dias. Assim, o prazo mínimo é de quinze e o má-
ximo é de trinta dias. Findo o prazo da contestação, com
·ou sem ela, o relator devolverá os autos à secretaria do
tribunal que expedirá cópias do relatório e as distribuirá
. entre os juízes que compuserem o órgão competente para
o julgamento. éoncluída a instrução, será aberta vista ao
autor e ao réu para razões finais, sucessivamente, pelo
prazo de dez dias. Em seguida, os ~:utos do processo serão
conclusos -ao relator, procedendocse' ao julgamento pelo ·
órgão competente.

324
Capitulo XVIII
D.L1. /;;.. Ç.Ã.O RESCJSÓF~!..6.,
-------------------------
Se o pedido for julgado procedente, o tribunal rescin-
dirá a decisão, proferirá, se for o caso, novo julgamento e
determinará a restituição do depósito ao autor. Por outro
lado, se a rescisória for considerada, por pnanimidade,
inadmissível ou improcedente, o tribunal determinará a
reversão, em favor do réu, a importância do depósito, sem
prejuízo da condenação nos honorários sucumbenciais.
O direito à rescisão se extingue em dois anos contados
do trânsito em julgado da última decisão proferida no pro-
cesso. Esse prazo poderá ser prorrogado até o primeiro dia
útil imediatamente subsequente, quando expirar durante
férias forenses, recesso, feriados ou em dia 12m que não
· hm,Jvf2r f2XPI2<iiente forense.
No caso do art. 966, inc. VII, do CPC, o termo inicial do
prazo será a data de descoberta da prova nova, observando
o prazo máximo de cinco anos, contado do trânsito ein
julgado da última decisão proferida no processo .

Por fim, nas hipóteses de simulação ou de colusão das
partes, o prazo começa a contar para o terceiro prejudicado
e para o Ministério Público, que não int12rveio no processo
a partir do momento em que teve ciência da simulação
ou da colusão.

325
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Q Joseval Martins Viana

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5. MODELO DE AÇÃO RESCISÓRIA

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326
Capítulo XV H!
DA AÇÃO RESCISÓRIA
--

327
PRAfiCA FORENSE tí-··J PROCESSO CIVIL ~ Josevai t1artins Viana
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328
Capitulo XVIII
DA AÇÃO RFSC:!SÔRIA
-------------

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329
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ., Joseval Martins Viana

330
1. CONCEITO

· Rt=CJ.{rsgcé um·instrurrieritqvoll:lntário usadó.parâ pro" --,,.---·-·-·


vocar o reexame de uma decisão no processo com o ob-
jetivo de reformá-la, esclarecê-la e invalidá-la. O recurso
pode ser endereçado ao próprio juiz da causa (exemp,lb:
embargos declaratórios), ou ao órgão hierarquicamente
superior (exemplo: apelação), e seu objetivo é reformar,
modificar ou invalidar a decisão de grau inferior. É veda-
do ao juiz de direito recorrer de ofíeio, salvo nos casos
expressos em lei.
O recurso possui duas finalidades básicas:
a) reforma da decisão: o recurso interposto pela parte
vencida tem o objetivo de reformar a decisão que
considera injusta; por isso, pleiteia ao órgão superior
que reveja a decisão para posterior reforma.
'6) inwlidaÇão dad:edsão: neste caso, requer-se ~o
órgão julgador que a decisão seja considera inválida,
PR.4TJC.A. FORENSE EM PROCESSO ClV1L. ~ .Josev.a! Mari;ins Vi.ene
---

pois ela não teria preenchido os requisitos legais.


Trata-se de um ataque contra a própria sentença
em razão de um vício processual. Se um ato pra-
ticado no processei for considerado absolutamente
nulo, todos os demais também o serão, inclusive a
sentença que se originou de atos processuais ab-
solutamente nulos.

2. CLASSIFICAÇÃO

O artigo 994 do CPC dispõe sobre os recursos prevístos


no Direito Processual Civíl, a saber:
e
a) Apelação(arts.1009 a 1.014} RecürsbAdesivo (art.
997) .
b). Agravo de Instrumento (arts. 1.015 a 1.020).
c) Agravo Interno (art. 1.021).
d) Embargos de Declaração (arts. 1.022 a 1.026).
e) Recurso Ordinário (arts. 102 e 105,II, da CF e 1.027
e 1.028).
f) Recurso Especial (art. 105 da CF, arts. 1.029 a 1.035).
g) Recurso Extraordinário<{art.•J.02, !II CF, arts. 1.029 a
1.035).
h) Agravo em RecuTso Especial e em Recurso Extraor-
dinário (art. 1.042).
i) Embargos de Divergência em RetursoEspetíal e 'errl
Recurso Extraordinário (1.043 do CPC)

332
Capitulo XIX
RECURSOS
I

Observação: Ainda que o art. 994 do CPC não mencione


o Recurso Adesivo, há previsão legal no art. 997, § 2°, do
CPC. Ao tratar dos recursos em espécie, iremos começar
com esqe recurso e, depois, seguiremos o estudo dos re-
cursos, :segundo o art. 994 do CPC.

3. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE

Como regra geral, o recurso tem por objetivo propor-


cionar o exÇtme da matéria refutada pelo juiz singular, ou
seja, do juízo a quo para o tribunal ad quem, no entanto,
repise-se a seguinte ideia: para que o tribunal enfrente a
matéria impugriada, faz-semistera presença dosp:r-essué
postos de admissibilidade recursais.
Os pressupostos de admissibilidade do recurso refe-
rem-se ao cabimento ou não do recurso interposto, bem
como ao cumprimento de requisitos formais. Trata-se de

verificar, por exemplo, a adequação do recurso, a tempes-
tividade, o preparo etc.
Podem ser os pressupostos do recurso divididos em
subjetivos e objetivos. Os primeiros se relacionam áo su-
jeito que recorre e o segundo, ao recurso em si mesmo.
Pode-se, então, fazer a seguinte divisão:

a) PRESSUPOSTOS SUBJETIVOS
a.l - Lêgitiinidade: quem participou da relação pro~
cessual tem legitimidade para recorrer, ou seja, as partes,
!

PRÃTICA FORENSE EM .P.ROCESSO CIVIL " Joseval Martins Viana

os intervenientes e o Ministério Público, se for o caso.


Devemos nos lembrar de que o terceiro prejudicado tem
legitimidade para recorrer, quando os efeitos da sentença
atingi-lo. Neste sentido, é o teor do artigo 996 do Código
de Processo Civil: "O recurso pode ser interposto pela parte
vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público,
como parte ou como fiscal da ordem jurídica:'
a.2- Interesse: não é apenas suficiente a legitimidade
I' para recorrer, isto é, ter sido parte ou interveniente na
relação processual, mas é preciso também ter interesse,

I i
visto que é indispensável que a decisão tenha causado ou
possa causar prejuízo (princípio da sucumbência).
:._;.':' .-,' ;

b) PRESSUPOSTOS OBJETIVOS

b.1 - Recorribilidade da decisão: faz-se necessário que a


decisão seja recorrível, para que seja possível dela recorrer.
Preleciona o art. 203 do CPC que: "Os pronunciamentos do juiz
I consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos:'
O recurso guerreia os dois primeiros (exemplos: apelação e
I agravo de instrumento); dos despachos não há recurso, pois
não têm conteúdo decisório, já que servem apenas para dar
impulso à marcha processual. Esse é o entendimento registrado
no art. 1.001 do çPC: "Dos despachos não cabe recurso:'
b.2 -Tempestividade: não é suficiente que a decisão
seja recorrível, mas que possa ser objeto do recurso em face
dá ausênciadô·dec:ursódoptazo recursal. A-lei éstabelec:e
prazo para a interposição dos recursos e uma vez exaurido

334 .
Capítulo XIX
RECURSOS

o prazo recursal esse direito tornar-se-á precluso. Trata-se


de prazo peremptório, ou seja, não admite prorrogação
nem por convenção das partes. O prazo para recorrer é de
quinze dias para a interposição dos recu~sos, exceto para
interposição dos embargos de declaração que é de cinco
dias, conforme arts. 1.003, § 5° e 1.023 do CPC.
b.3- Singularidade do recurso: cada decisão comporta
um recurso específico. Existem, porém, exceções como no
caso dos recursos extraordinário e especial, os quais serão
interpostos contra uma mesma decisão, de acordo com o
art. 1.029 do CPC.
b.4 - Adequação: o princípio da adequação exige do
· ·recofrentel â· éléiÇãó óorréta o"tipb de'Tecurso ·para irri~ ·"''· "......,., .,.,.
pugnar determinada decisão prejudicial. Quando surgirem
dúvidas sobre qual a decisão que se está guerreando e se
interpuser recurso inadequado, o Tribunal poderá recebê:
-lo como se fosse correto, em homenagem ao princípio
da fungibilidade recursal, no entanto, se lhe for athbuído
erro grosseiro, não se aplicará este princípio.
b.5- Preparo: alguns recursos estão sujeitos a preparo,
isto é, a despesas processuais correspondentes ao recurso
interposto. Devemos entender que o Código de Processo
Civil não disciplina a obrigatoriedade do preparo, mas o
regimento de custas de cada Estado. Em São Paulo, apenas
a apelação, o agravo de instrumento, o agravo para o TRF,
.o recurso especial e o recurso extraordinário estão sujeitos
ao prepá:to,·QUando a parte interpuser· o recUrso, deverá
comprovar, quando exigidos pela legislação' pertinente, o

335
PRÂT!CA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Josevaf Martins Viena

respectivo preparo, inclusive o porte de. remessa e retor-


no - quando for o caso - sob pená de d~serção, conforme
está registrado no art. 1.007 do CPC.
Salientamos que se o valor do recurso e do porte de
remessa e de retorno for insuficiente, somente implicará
em deserção se o recorrente, intimado na pessoa de seu
advogado, não vier a depositar a diferença no prazo de
cinco dias (art. 1.007, § 2°, do CPC).
o Ministério Público e as Fazendas não recolhem pre-
paro, porque têm isenção legal, assim como as pessoas
beneficiárias da assistência judiciária.

4. DESISTÊNCIA E RENÚNCIA

Opera-se a desistência depois que o recorrente interpôs o


recurso, porque expressou a vontade de que não deseja pros-
seguir com o julgamento recursal. A renú_ncia ocorre antes
da interposição do recurso. A parte expressa a vontade de
que não quer recorrer da decisão, registrando, inclusive, na
petição, que abre mão do prazo recursal. Por isso, afirmamos
que renúncia opera-se anteriormente à interposição do re-
curso. Existem duas espécies de renúncia ao direito recursal:
a) renúncia tácita: décorté'·dà.'s1rhples decadência do
prazo recursal, ou seja, a parte deixa fluir o prazo
recursal sem interpor recurso;
b) renúncia expressa: a parte peticiona, consignando
seu desejo de que não 'irá interpor :re'cursb. · ·•· ··

336
1. RECURSO ADESIVO

Recurso adesivo é aquele interposto pela parte pare


cialmente sucumbente que havia se conformado com a
condenação, no entanto, foi surpreendida com o recurso
da outra parte também sucumbente que não concordara
com a condenação. Este recurso tem, como os demais re-
cursos, por finalidade a reformar da decisão. Nes1;,e caso,
reformar a decisão significa tornar a dar uma forma melhor
à decisão, aperfeiçoando-a a favor da parte sucumbente.
Infere-se desse conceito que só é possível a interposição
do recurso adesivo se houver sucumbência recíproca. Ora,
sucumbência recíproca é aquela em que o autor tem seu
pedido julgado procedente em parte. Nesse caso, autor e
réu serão vencidos e vencedores no mesmo processo em
razão da decisão judicial.
. Imaginecse. que. o autor proponha ação indenizatóc
ria por danos morais pleiteando uma cond~nação de R$
:_,I
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL " Joseval Martins Viana

20.000,00 (vinte mil reais), e o juiz de direito condena


o réu em R$ 10.000,00 (dez mil reais). Embora o autor
não tenha concordado com o valor da condenação, não
.interpôs recurso dt apelação, porque entendeu que o re-
curso de apelaçã-o poderia estender o prazo do trânsito
em julgado da sentença. Nesse ínterim, é surpreendido
com o recurso de apelação da parte contrária que visa a
reformar a decisão. Ao ser intimado para apresentar as
contrarrazões recursais, é lícito ao autor interpor também
o recurso adesivo.
f.
Nesse mesmo sentido com o escopo de fundamentar
o exemplo:
. Ap~laçãóââpârte ré;nà qual al~ganãocorifigutaâo 6'dari()
moral e, subsidiariamente, pugna pela redução do quan-
tum indenizatório arbitrado na sentença. Recurso adesivo

ll
'
interposto pelo autor, voltado à majoração da retrocitada
quantia. Thl:mnal estadual que não provê o recurso do réu
e acolhe parcialmente a insurgência adesiva, de modo a
!'. majorar a indenização para R$ 18.000,00 (dezoito mil reais).
1. Para fins do artigo 543-C do CPC [art. 1.036 do NCPCJ: O
recurso adesivo pode ser interposto pelo autor da deman-
da indenizatória, julgada procedente, quando arbitrado, a
I título de danos morais, valor inferior ao que era almejado,
uma vez configurado o interesse recursal do demandante
em ver majorada a condenação,:-hipót-ese caracterizadora
de sucumbência material. (REsp 1102479/RJ. Rel. Ministro
MARCO BUZZI, CORTE ESPECIAL, julgado em 04/03/15, D]e
25/03/15)

É importante salientar qué a natureza do recúrso ade· . •


s1vo como o próprio nome indica - é a de recurso, visto

338
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

que tem asfunções de um recurso e os requisitos de ad-


missibilidade. O único requisito de admissibilidade que não
se aplica ao recurso adesivo é que não se trata de recurso
independente, mas recurso subordinado ao principal.
O recurso adesivo, repise-se, é interposto acessoriamen-
te ao recurso da parte adversa, conforme registra o art.
997, §§ 1° e 2°, do CPC.
As partes litigantes poderã.:o interpor, independente-
mente, seus recUrsos. Se forem vencidos autor e réu, ao
recurso interposto por qualquer. um deles poderá a outra
parte aderi-lo. O recurso adesivo fica subordinado ao re-
curso principal e. se este ,não for aceito P()rq:qt;,nãp pre7 ,
'erí'chJl.I ~~requisitos de admissibilidade, o recurso ~d~;i;~,
mesmo preenchendo os requisitos legais, também não será
admitido. É exatamente o que está disposto no texto da l~i,
art. 997, § 2°, do CPC: "O recurso adesivo fica subordinado
independente, sendo-lhe aplicáveis as mesmas regras deste
quanto ao recurso de admissibilidade ...".
O não seguimento ao recurso interposto pela parte
contrária que também nega seguímento ao recurso ade-
sivo refere-se aos pressupostos objetivos e subjetivos de
admissibilidade e não no que diz respeito ao mérito. Pode
acontecer de o recurso de apelação serjulgado improce-
dente quanto ao mérito, e ocorrer o acolhimento do re-
. curso adesivo. Isso significa que o recurso adesivo só será .
. admitidó''se ó':tédirsd ao qual ele se adere tarn'bérrffof '
admitido, porque preencheu todos os pressupostos.

339
PRÁTiCA FORENSE EM PROCESSO C!VlL " Joseva! fvlartins Viana

O recurso adesivo será interposto por meio de petição


endereçada à autoridade judiciária competente para julgar
o recurso principal, no prazo que a parte dispuser para
· apresentar as contrarrazões do recurso (art. 997, § 2°, inc.
I, CPC).

A parte recorrente fará a petição de juntada, reque-


rendo o acostamento aos autos do processo das razões do
recurso adesivo. A petição do recurso adesivo tem a mes-
ma estrutura formal do recurso de apelação e dos demais
recursos. No caso da apelação, o recurso adesivo deverá
conter: os nomes e a qualificação das partes, os funda-
mentos de fato e de direito e o pedido da nova decisão.
'Em se t;atarld~ d()s recurso~\~x:fra~rdinárl~ ê espeCial," a
petição deve conter a exposição do fato e do direito, a de-
monstração do cabimento do recurso interposto, as razões
do pedido de reforma ou invalidação da decisão recorrida,
além dos requisitos de admissibilidade recursal, quando o
recurso estiver fundamentado em dissídio jurisprudencial,
conforme art. 1.010 e seguintes do CPC.
É importante ressaltar que os recursos independentes
e o recurso adesivo devem apresentar o fundamento de
.direito (apelação) e a expõsiÇao><iõ'•dirêitc··(recursos extra-
ordinário e espekial), porque se faz necessário demonstrar
quais são os artigos prequestionados. Não basta para esses
recursos haver apenas a exposição do fato, mas a obriga-
toriedade de apresentar a furldâmentaÇão legal ido ·pedido· ·
para a reforma ou invalidação da decisão recorrida.
340.
Capitulo XX
ESPÊC!ES DE RECURSO
---·-,----

1.1. Pmcessamento do rectuso adesivo

A parte que tiver a intenção de interpor o recurso


adesivo deverá fazê-lo no prazo das contrarrazões do
recurso principal. Em uma petição, a parte elaborará as
contrarrazões do recurso principal .e, em outra petição, o
n:curso adesivo.
Fará a petição de rosto endereçada à autoridade judici-
ária que julgou a demanda principal, requerendo a juntada
das razões do recurso adesivo. Em anexo a esta petição,
juntará as razões de recurso adesivo. Observemos que o
protocolo será feito no juízo que julgou a demanda prin-
cipal, masp recurso éJ.d~;;ivo ser~ julgado pela éJ.1ltoridage····
competente para julgar o recurso principal.
O recurso adesivo deve ser protocolado no mesmo dia
do protocolo das contrarrazões do recurso. Por exemplo',
se for contrarrazões do recurso de apelação cujo prazo é
de 15 (quinze) dias, a "apelação adesiva" deverá s"er pro-
tocolada no prazo de 15 (quinze) dias simultaneamente
com as contrarrazões do recurso de apélação. Se o apelado
protocolar as contrarrazões no décimo dia, não terá mais
cinco dias para protocolar o recurso adesivo.
Deverá o recurso adesivo preencher os pressupostos
de admissibilidade. Depois de realizado o preparo neces-
sário, nos termos do art. 1.007 do CPC, o recurso adesivo
.será submetido ao juizo de admissibilidade no :nibunal .
de JustiÇa. Inadmitido o recurso adesivo, caberá da d.e: ·•·
cisão agravo interno da decisão do relàtor. 'É importante

341
f :
'

PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseva/ Martins Viana

salientar também que se não houver reforma da decisão


interlocutória que negou seguimento ao recurso princtpal,
o recurso adesiyo, ainda que preencha todos os requisitos
legais, também não será admitido, visto que este é subor-
dinado àquele~
O novo Código de Processo Civil trouxe mudanças
importantes sobre o recurso interposto contra decisão
do relator que negar seguimento ao recurso adesivo. O
juízo de admissibilidade não será feito pelo juiz que jul-
gou a causa principal. Ao receber o recurso principal e o
recurso adesivo, o juízo de primeira instância remeterá o
recurso diretamente à autoridade judiciária que julgará
' ós retütsbs, fieste caso, o Tribunal de ]í.lstiçác G relator da
instância superior ficará responsável pela análise do juízo
de admissibilidade. Caso indefira o recurso adesivo, caberá
agravo interno, conforme o art. 1.021 do CPC.
É importante salientar que o recursô adesivo é restrito
apenas na apelação, no recurso extraordinário e no recurso
especial, de acordo com o art. 997, § 2°, li, do CPC.
Ao ser admitido o recurso adesivo, o procedimento para
julgá-lo será regido pelas mesmas normas que regem o
recurso independente, ou··seja;··pelas normas procedimen~
tais referentes'à apelação, aos embargos infringentes, aos
recursos extraordinários ou ao recurso especial, conforme
o caso.
·No tribunal;· ó'jülgameritei ·.·.dó recurso' adesivo·. segue
as mesmas regras do recurso independente, conforme se

342
':p.·
!

CapitUlo XX
\ ESPÉCIES DE RECURSO
.II
I
I.

i afirmou anteriormente. Nesse sentido são as orientações


registradas no art. 997, § 2°, do CPC
O recurso principal será juígado primeiro e, depois, o
recurso adesivo. Ambos serão julgados na mesma sessão.
Essa ordem se impõe porque o recurso adesivo é subor-
dinado ao recurso principal. e se este não for conhecido,
I ou se houver desistência do recurso principal, ou se for
ele declarado inadmissível .ou deserto, o recurso adesivo
não será conhecido.
Se o recurso principal for admitido, ainda que quanto ao
mérito, for negado provimento, passar-se-á ao julgamento
do recurso adesivo. Sendo admitido o recurso adesivo, por-
que preencheu os requisit6s ele adrriissibilidade, sér-ihê~a. .•
julgado o mérito, cabendo ser provido ou não.

1.2. Efeitos
o
O efeito do recurso adesivo acompanha o mesmo efeito
do recurso principal. O recurso de apelação possui dois
efeitos: devolutivo e suspensivo. O efeito devolutivo devolve .
ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. Este
recurso visa a um novo pronunciamento sobre a causa.
O efeito suspensivo refere-se à suspensão da eficácia dos
efeitos jurídicos da sentença. Os recursos extraordinário
e especial serão recebidos no efeito devolutivo. O novo
Código de Processo Civil explícita que é possível requerer
. ,,-. .... , . .·:-·'·
.·efeito suspensivo a;os· recursos ·extrabrdináritr e espéciât;· ·
conforme dispõe o art. 1.029, § 5°.

343
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Josevaf Martins Viana

1.3. Pedido

O pedido formulado no recurso adesivo acompanhará o


recurso de apelàção, os embargos infringentes e os recursos
extraordinã9o e especial. No recurso de apelação, o pedido
é para reformar ou invalidar a decisão. O mesmo acontece
no pedido dos recursos extraordinário e especial, ou seja,
requer-se a reforma ou invalidação da sentença recorrida.
A reforma diz respeito ao mérito, e a invalidação refere-se
ao processo. A diferença é que nos embargos infringentes
e nos recursos extraordinário e especial requer-se a refor-
ma ou invalidação do acórdão. Na apelação, reforma ou
invalidação da sentença.

1.4. Sustentação oral do recurso adesivo nos


tribunais

O art. 937 do CIPC dispõe que: "Na sessão de julgamen-


to, depois da exposição da causa pelo relator, o presidente
dará a palavra, sucessivamente, ao recorrente, ao recorrido .
e, nos casos de sua intervenção, ao membro do Ministério
Público, pelo prazo improrrogável de 15 (quinze) minutos
para cada um, a fim de sustentarem suas razões, nas
. seguintes hipóteses, ncis teril1\:is dà'pa:h:efinal do 'caput' ·
do. art. 1.021: F- no recurso de apelação; II :_ no recurso
ordinário; III- no recurso especial; IV- no recurso extra-
ordinário; V -'- nos embargos de divergência; VI - na ação
lescisória, no mandado de ·segurança e na reclamação;
VII - (VETADO) VIII -no agravo de instrumento interposto

344
Capita.llq XX
ESPÊCIES DE RECURSO

contra decisões interlocutórias que versem sobre tutelas


provisórias de urgência ou da evid~ncia; IX - em outras
hipóteses previstas em lei ou no regimento interno do
tribunal."
O artigo supramencionado traz a relação dos r€cu:rsos
que admitem sustentação oral e, entre eles, está o recurso
de apelação. Embora o recurso adesivo não apareça nessa
relação, o art. 997, § 2°, do CPC explícita que: "O recurso
adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-
-lhe aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requi-
sitos de admissibilidade e julgamento no tribunal, salvo
disposição legal diversa, observando, ainda, o seguinte".
Notemos que o artigo sób análise é claro ao explicar
que se aplicam ao recurso adesivo as mesmas regras do
recurso de apelação quanto aos requisitos de admissi-.
bilidade e julgamento no tribunal. Ora, se é admissível
realizar sustentação oral no recurso de apelação também
é possível fazê-lo no adesivo.

Então, quando do julgamento do recurso principal e do
recurso adesivo, depois de realizada. a sustentação oral do
recurso independente pelos seus patronos, o relator dará
a palavra ao advogado da parte que interpôs o recurso
adesivo parafazer a sustentação oral pelo prazo improrro~
gável de 15 (quinze) minutos. Dará também oportunidade
de sustentação oral pelo mesmo prazo ao advogado da
parte contrária.
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL G Joseval Martins Viana

1.5. Modelo do recurso adesivo

1.5.1. Modelo da folha de rosto

.. ,.-I ' ,

346.
'.'11''.'

r I
I
-------- .
· Capitulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO
--------

1.5.2. Modelo do Recurso Adesivo em Recurso de


I Apelação
I

..
· .'• .

347
PR.Ã.TJCA FORENSE EM PROCESSO C!\/! L .)oseval Martins Viana

348.
Capíi:ulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

349
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIV!L ~ Joseval Martins Viana

que, este .paga. pela rei)lização d.a

350
capítulo XX
ESPECIES DE RECURSO

351
PRÁT!CA FORENSE EM PROCESSO C!V!L , )oseva! Martins Viana

·_/

352
Capitulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

2. RECURSO DE APELAÇÃO

2.1. Introdução

O recurso de ':Pelação é interposto contra as sentenças


proferidas pelos juízes de primeiro grau de jurisdição, a
fim de possibilitar o reexame da causa pelos tribunais de
segundo grau para reformar a sentença ou mesmo inva-
lidá-la.
Infere-se do conceito dado que o recurso de apelação
pode reformar ou invalidar a sentença. Na reforma, o ape-
lante busca uma nova decisão a ser proferida pelo tribunal.
Nesse caso, o juiz de direito não ar1alisou detidamente. as
·provas carreadas aos autos do processo. Po:f isso, repisa-se,
o apelante deseja uma nova decisão sobre a demanda. É
a aplicação do duplo grau de Jurisdição.
No caso da invalidação da sentença, o apelante visa a
obter do tribunal que declare que a sentença seja il'lválida,
porque houve um ato absolutamente nulo no curso do pro-
cesso que tenha sido refeito e, por esse motivo, invalidou
os atos processuais que se sucederam, atingindo, inclusive,
a sentença de nulidade absoluta. Assim, o apelante pleiteia
ao tribunal que declare aquele ato absolutamente nulo,
determinando que seja: :refeíto e que o processo sé féiriic:ie
a partir daquele momento processual.
Dispõe o art. 1.009 do CPC·. que o recurso contra a .
sentença é a: ape!açâo: "ba sentença caberá apelaÇão". · ·
Tanto faz ser uma sentença definitiva ou terminativa. A
353
PRÁTICA FORENSE EM :PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

sentença definitiva ou de mérito é aquela que põe fim ao


procedimento de primeiro grau julgando o mérito, ou seja,
indicando quem tem razão na demanda: autor ou réu. A
i'.·'
sentença terminativa ou processual é aquela que ençerra
lli
1 a demanda sem-julgar o mérito, porque houve uma nuli-
dade processual. Nesse caso, a ação poderá ser ajuizada
I. novamente, uma vez que não houve julgamento do mérito.
l•,;i
h"
' Quando o juiz de direito extingue o processo sem reso-
1'1
i!
<i lução de mérito, o autor da causa tem duas opções: apelar
ou distribuir novamente a demanda depois de corrigir o
vicio processual que ocasionou a extinção do processo.
Í; .
No
.
caso
..... ·.' da
""· - ' -. .
""
extinção
- . "·'
-~-
do
·- . .processo
. ·-·'.
com resolução
.. . . . .
de méri-
j···,· '' '

1 '· to, o autor tem apenas umà opção: interpor o recurso de


I'
l; apelação.
I;
H
Lembre-se de que a sentença definitiva julga o mérito ·
da causa e esta sentença faz coisa julgada material, en-
quanto a sentença terminativa não enfrenta o mérito da
causa. Ela indica um vicio processual insanável, ensejando
a extinção do processo sem resolução de mérito, não o ·
transformando em coisa julgada material e, sim, formal.
Contra todo tipo de sentença (mérito ou terminativa). A
sentença de mérito visa à rêforma ou anulação da sentença
por interrnédi6 de um órgão superior àquele que proferiu
a sentença. Mal:'cus Vinicius Rios Gonçalves (2007, p. 91)
afirma que a apelação também pode indicar na sentença
errot in procedendo e 6 error in judiciando. Afirma' ainda que
a sentença tem em vista se opor às sentenças proferidas

354
r··
!
I Capítulo XX
ll ESPÉCIES DE RECURSO

I
em quaisquer tipos de processo, tais como, nos de conhe-
I cimento, de execução etc.
Das explicações dadas, conclui-se que o recurso de
i apelação é interposto contra a sentença que extingue o
processo com ou sem resolução de mérito, não se esque-
cendo de que a sentença é o pronunciamento que extingue
o processo com ou sem resolução de mérito.

2.2. Interposição do recurso de apelação

O apelante, que é a parte sucumbente, elabora a petição


do recurso denominada "Razões do Recurso de Apelação",
com f;_.;nd.~rrient; n()" a;t. 1.010 do CPt: · .. .

I - os nomes e a qualificação das partes;


li - a exposição do fato e do direito;
!li - as razões do pedido de reforma ou de dec..retação
de nulidade;
IV - o pedido de nova decisão.
A petição do recurso de apelàção deverá conter, de
acordo com o artigo supramencionado:
a) os nomes e a qualificação das partes: é interessan-
te observar que o recurso de apelação é encartado
nos autos do processo e, por isso, a qualificação das
partes seria desnecessária, uma vez que os dados .
dos âêm:tú:íqantes estão na procuração adjudicia,11a
petição inicial e na contestação. Alias, na prática

355
PRÁ.TiÇA FORENSt: Er-1 PROCESSO CiViL , Josevaf Martins Viana
----

forense, não é costume qualificar as partes, no en-


tanto, o art. 1.010, inc. I, do CPC exige a indicação
dos nomes e a respectiva qualificação das partes.
Para que o+recurso preencha os requisitos técmcos,
devemos qualificaras partes, ressaltando que a au-
sência da qualificação não implica vício processual
capaz de impedir o processamento do recurso de
apelação;
b) a exposição do fato e do direito: o fato é o acon-
tecimento na vída do indivíduo que gera conse-
quências jurídicas ensejadoras do ajuizamento da
ação. Em outras palavras, é o motivo que levou o
apelante a recorrer da sentença. O fundamento de
direito COrlSi~fena apreséntàçã() das normas légàis
em que se fundamenta o recurso do apelante, isto é,
a indicação legal nas normas fundamentadoras da: .
apelação. Esses dois elementos (fato e direito) são
importantes na elaboração do recurso de apelação.
Devem estar presentes na petição recursal sob pena
de indeferimento;
c) as razões do pedido e da reforma ou de decre-
tação de nulidade: o apelante requer ao tribunàl
o reexame da c<;tJ.A$a,..a.firn. dereformar parcial ou
totalmE)Ílte a sentença ot1que à invalide, isto é, q11e
decrete' sua nulidade. No primeiro caso, dar-se-á o
julgamento com resolução de mérito, No segundo,
sem resolução de IJ0érito. A reforma exige que o
· · tribtiriafptolate ·outra sentença. A sentenÇa do tri" ·
bunal recebe o nome de acórdão. A decretação da
356
Capítulo XX
ESP~C!ES DE RECURSO
---~·

nulidade da sentença determina o reinício do pro-


cesso a partir do ato tido como absolutamente nulo
e que tornou nulo os demais atos processuais que
culminaram em fulminar a sentença de nulidade.
A reforma da. sentença substitui aquela proferida
na instância inferior;
d) o pedido de nova decisão: ao término da elaboração
do recurso de apelação, o apelante formulará o pe-
dido da nova decisão, ou seja, requererá a reforma
propriamente dita ou a decretação de nulidade da
sentença. Dissemos que na reforma da decisão, o
acórdão substitui a sentença, prolatando uma nova
decisão. Na decretação de nulidade das~ntença, .
· o processo terá início a partir daquele ato que foi
considerado nulo.

2.3. Efeitos do recurso de apelação


O recurso de apelação tem efeito suspensivo~ confor-
me o art. 1.012 do CPC O efeito suspensivo impede que a
sentença seja executada, enquanto o recurso de apelação
for julgado pelo tribunal.
Algumas sentenças têm efeito devolutivo, ou seja, co-
meçam a produzir efeitos imediatamente após a sua pu-
blicação, podendo ser executada. Essas sentenças estão
enumeradas no art. 1.012, § 1°, ines. I a VI, do CPC. Por
exemplo: condenaçãoem pensão alimentícia, julgamento
procedente do peô.ido de~i:Ústituição de arbitragem, decre-
tação da interdição etc. '

357
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL e Joseval Martins Viana

Pode ser que o apelante, nos casos das sentenças que


produzam efeitos imediatos, entenda que a execução
dessa sentença poderá causar-lhe risco de dano grave ou
de difícil reparação. Se realmente a tese for relev;ante,
poderá requerer a suspensão dos efeitos da sentença ao
!
ij relator.
! i
' Existe uma expressão forense, a qual é indicada no
,I art. 1.013 do CPC que: "A apelação devolverá ao tribunal
o conhecimento da matéria impugnada", chamada de
ti sentença com efeito devolutivo e suspensivo.
i
As sentenças que não estão enumeradas no art. 1.012 e
ines. do CPC são recebidas no efeito devolutivo e.suspensi:
vo, ou seja, devolve-se a matéria ao tribunal e suspende-se
a execução da sentença. As sentenças enumeradas no art.
1012 e ines. do CPC são recebidas no efeito devolutivo. Não
se fala aqui efeito devolutivo e devolutivo. Apenas se a
sentença for recebida no efeito suspensivo, fala-se então
em efeito devolutivo e suspensivo.

2.4. Algumas considerações importantes sobre a


nova sistemática do ·recu-rSO de··rapelação

O Código de Processo Civil trouxe algumas alterações


substanciais no recurso de apelação. Para melhor indicar
essas modificações, passam á .ser..analisadas.

358
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

2.4.1. Questões resolvidas na fase de conhecimento que


não comportam agravo de instrumento

Sabe-se que não existe mais o agravo retido no pro-


cesso civil. Quando a decisão interlocutória do juiz de
direito não puder ser guerreada por meio de agravo de
instrumento, a matéria não será coberta pela preclusão
e deverá ser suscitada em preliminar de apelação ou nas
contrarrazões da apelação.
Se as questões resolvidas na fase de conhecimento que
não comportam agravo de instrumento forem suscitadas
nas contrarrazões do recurso de apelação, o recorre.nte será
intimado para; e~ quinz~ dias, manifest'ar-se sobre elas.
Essa manifestação é feita por meio de petição endereçada
ao próprio juiz da causa que, juntamente com o recurso
de apelação e das contrarrazões recursais, remetê-las~ão
ao tribunal de justiça. •
Por exemplo, se na audiência de instrução e julgamento
o juiz indeferir a oitiva de testemunha, o advogado não
poderá mais fazer interpor agravo retido na forma oral.
No entanto, a matéria não ficará preclusa, e o advogado
poderá, em sede de preliminar, sob pena de preclusão,
suscitar o cerceamento de defesa, requerendo não somente
a decretação da nulidade da decisão, mas também nova
audiência de instrução e julgamento para oitiva da testec
. munha cuja oitiv,a foi indeferida:
PRÁTiCA FORENSE E~_,.~ PROCESSO C!V!L , .Joseva! tvfartins \lfana
----

2.4.2. Alegação de fatos novos no recurso de apelação

Ensina o aq, 1.014 do CPC que: "As questões de fato


nã•1 proposta no juízo inférior poderão ser suscitadas na
apelação, se a parte,provar que deixou de fazê-la por mo-
tivo de força maior." Notemos que somente "as questões
de fato" que não foram propostas no juízo inferior poderão
ser provocadas no recurso de apelação. As questões de fato
são aquelas que envolvem discussões sobre situaÇões jurí-
dicas originárias de atos ou fatos da pessoa que geraram
direitos e obrigações.
Mesmo assim, a parte (apelante ou apelado) deve pro-
··· var qúe.nãbpôdefa.Zê~lo,ouseja, não pôde alegar aquele
. fato n~ mornell.to ~~~rtuno, poique ocor;eu u'rn rnotivo
de força maior. Força maior é circunstância que exime o
obrigado de ser civilmente responsabilizado.

2.4.3. Pedido ou defesa com mais de um fundamento no


recurso de apelação

Dispõe o art. 1.013, § 2°, do .CPC que: "A apelação de-


volverá ao tribunal·o conhecimento da matéria impugna-
da. § 2° Quando o pedidO.A\J··aé.(i,efel>ª tiyer mais de um
fundamento e o juiz acolher ~pena~ um deles, a apelação
devolvérá ao tribunal o conhecimento dos demais."
O efeito devolutivo da apelação permite ao apelante
submeterao tribuna1toda a matéria proposta no juízo in-
ferior sem infringir o princípio do duplo grau de jurisdição.

360
Capitulo XX
i::SPt:CiES DE RECURSO
-·-------- ---

Pode o pedido ou a defesa apresentar mais de um


fundamento. O fundamento diz respeito ao "fundamento
jurídico do pedido", como, por exemplo, fraude contra
credores, simulação no negócio jurídico, rescisão contra-
tual etc. No que tange à defesa, pode ocorrer nulidade
contratual, pagamento do débito, prescrição do direito
do autor etc.
Explica, portanto, o § 2°, do artigo 1.013 do CPC que
se o autor pleitear rescisão contratual, porque o bem ad-
quirido não possui as qualidades indicadas pelo vendedor
nem houve cumprimento da promessa de manutenção
da coisa, o magistrado pode entender que efetivamente .
houve descumprimento do .contrato, declarando-o res-
cindido em razão da primeira causa, sem se pronunciar
sobre a segunda. O réu apela ao tribunal e este pode, sem
qualquer requerimento do autor, manifestar-se sobre ,à
segunda causa.
' .
O mesmo pode ocorrer com a defesa. O reu alega que
houve prescrição da dívida, no entanto, mesmo assim,
quitou-a.
Pode o magistrado aceitar a tese da prescrição e não
se referir ao pagamento do débito. Se houver recurso de
apelação interposto, o tribunal pode conhecer e julgar a
matéria, tratando da prescrição e da quitação do débito,
mesmo que não se tenha tratado da do pagamento do
débito no recurso de apelação.

361
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

2.4.4. Extinção do processo sem resolução de mérito

O juiz de direito pode extinguir o processo sem reso-


lução de mérito apoiado ho artigo 317 do Código de Pro-
. 'L
cesso Civil. Nesse caso, o autor tem duas opçoes: apelar
ou ajuizar novamente a ação judicial depois de corrigir o
ato juridico que causou a extinção do processo. Se o autor
apelar da sentença, o tribunal pode julgar desde logo a
lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito
e estiver em condições de imediato julgamento. Note-se
que há algumas restrições ao tribunal para julgar a causa.
Primeiro, o tribunal deve reformar a sentença, ou seja,
. . ju,lgar proçedente o recurso do apelgnte. $egl,lnpp, a, ma):é:
ria deduzhià nos autos dó processo deve tr'a:tar ~penas de
questões de direito. Questão de direito é aquela em que
são discutidos conceitos juridicos independentemente de
fatos ou circunstâncias. Trata-se de controvérsia relativa
a direito. Por exemplo, a discussão sobre' cláusula leonina
é de direito e não de fato.
Em terceiro e último, a causa deve estar em condições
de imediato julgamento. A ação deve estar pronta para o
julgamento, ou seja, o processo deve estar maduro para
ser julgado. Há de se constandos·:autos,do processo todos
os elementos in,dispensáveis para o julgamento do litígio.
Note-se, portanto, que se houver extinção do processo
sem resolução de mérito, o tribunal poderá julgar o mérito
da demánda,.quando esta tratar de matéria·.exclusivamen- ·
te de direito.

362
Capitulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

2.4.5. Nulidade sanável no curso do processo, quando


da interposição do recurso de apelação

Ao reexaminar a causa, o tribunal pode constatar que


no curso do processo ocorreu uma nulidade sanáveL Ora,
a nulidade sanável é aquele ato que pode ser refeito, por-
. que não invalidou o processo. Trata-se de uma nulidade de
somenos importância, como, por exemplo, irregularidade
na procuração "ad )udicia". O advogado, em uma ação
de alimentos em favor do menor impúbere, escreve "...
assistido por sua genitora" em vez de "representado por
sua genitora". Em vez de o tribunal negar seguimento ao
req~rso, poçlerá determinar :3. realizaçãg,dg atp pr()c.essual : ·.· ...
eiT11l.ómeri~gem ao prin-dpíci da econ~mia processu~l e .
mesmo em respeito ao direito da parte de recorrer. Trata-
-se, portanto, de um ato sanável que não atinge nenh~m
requisito de admissibilidade recursaL

2.5. Procedimento do recurso de apelação

O recurso de apelação é interposto no prazo de quinze


dias. O prazo para a interposição do recurso de apelação
conta-se da data em que os advogados são intimados da
decisão.
Se a sentença for proferida na própria audiência, os
advogados já saem intimados da decisão. Acontagemdos
prazos abrange soméhte os
dias úteis: excluihdd cí dia' do
,
começo e incluindo o último.
363
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO C!V!L e Joseva! Martins Viana
----

A parte sucumbente recebe o nome de "apelante" e a


parte vencedora, "apelado". O apelante elabora uma peti-
ção de rosto endereçada ao juiz de direito que prolatou a
.sentença, afrr,Pando que não se conformou com o decisum
e dela querrecorrer. Em anexo a esta petição de rosto en-
contram-se as razões do recurso de apelação. O apelante
pode requerer, no recurso de apelação, a reforma da de-
cisão ou a decretação de nulidade de um ato processual,
tomando-se nulos os atos subsequentes ao ato impugnado.
Tanto a petição de rosto quanto as razões do recurso
de apelação são endereçadas ao juiz de direito prolator da
sentença. Ao receber estas peças processuais, o magistrado
·. intimárá o apeladp para apresentar as çprif:raij:a;;:õ~s d.e .
apelação no prazo de quinze dias. Se o apelado interpuser
apelação adesiva, o juiz intimará o apelante para apre-
sentar as contrarrazões do recurso adesivo. Após essas
formalidades, os autos serão remetidos. ao tribunal pelo
juiz, independentemente de juízo de admissibilidade.
É importante ressaltar que no ato da interposição do
recurso de apelação (e do recurso adesivo, se for o caso), os
apelantes deverão comprovar o respectivo preparo, inclusive
o porte de remessa e de retomo (quando o processo for físico),
sob pena de deserção. Se o apelante não comprovar o reco-
lhimento, será ere intimado na pessoa de seu advogado, para
realizar o pagamento em dobro, sob pena de deserção. Se o
requerente comprovar justo motivo pelo não recolhimento, o
relatorreleva:rá a pêna: deidesérção; por decisão iriecorrivel, ·
fixando-lhe prazo de cinco dias para efetuar o preparo.
364
Capitulo XX
ESPÉC!ES DE RECURSO
---

Quem verifica a admissibilidade do recurso de apelação


é o relator. Ao receber o recurso, poderá decidi-lo mono-
craticamente apenas nestas hipóteses:
a) Não conhecer de recurso inadmissível, prejudica-
do ou que não tenha imp~ooo:espeEi:fu::a.mente
os fundamentos da decisão irrecorrível: o recurso
inadmissível é aquele que não contém um ou mais
pressupostos, subjetivos ou objetivos, como a legiti-
midade, o interesse recursal etc. São exatamente os
elementos que compõe o juízo de admissibilidade
recursal. O recurso prejudicado é aquele que não
pode ir a julgamento, porque houve um problema
no procedimento que impede seú julgamento. Por .. ·
exemplo, a sentença é nula porque o magistrado
julgou "extra petita". O relator constatou que o juiz
julgou além do pedido do autor e a anulou. Ess<>
anulabilidade não foi questionada no recurso de

apelação, no entanto, o recurso restou prejudica-
do em razão da nulidade da sentença. O relator
também não conhecerá do recurso se o apelante
não impugnar especificamente os fundamentos da
decisão irrecorrível, ou seja, se houver impugnação
genérica. Sabemos que a impugnação recursal deve
ser específica, incidir sobre determinado ponto
ou sobre determinados pontos. Não se pode, por
exemplo, dizer que determinada cláusula é nula.
I
se não hoúyef iridítaçãbexata da ciâusül;{ que 's~ .
entende nula.
.:--·
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL .. Joseval Martins Viana

b) Negar provimento a recurso que for contrário à


Súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior
Tribunal de Justiça ou do próprio tribunal, acórdão
proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo
Superior rribunal de Justiça em julgamento de re-
cursos repetitivos e, por fim, entendimento firmado
em incidente de resolução de demandas repej_tivas
ou de assunção de competência. Observemos que
se trata de um verdadeiro limitador recursal posto
ao apelante sob justificativa de que se devem evitar
recursos protelatórios que atravancam as Cortes
Superiores. t verdade que há muitos recursos que
procrastinam o cumprimento das sentenças judi-
. dais; 'tatlsándo descrédito ao'>I'oder Judíciário em ·
razão da demora do julgamento das demandas.
Muitos réus apelam de decisões judiciais que estão
fundamentadas na lei, decididas pelos Tribunais
Superiores, mas, mesmo assim, interpõem recursos
mesmo sabendo que não obterão êxito no recurso.
I'or esse motivo, não será admitido qualquer recurso
que contrariar súmulas, acórdãos e entendimentos
firmados nos Tribunais e nas Cortes Superiores.
Assim, se a sentença estiver de acordo com a súmula
. (e não se trata. de súmula'•vinculante), o relator negará
seguimento à ,•apelação. Trata-se da chamada "súmula
impeditiva". O objetivo é obstar recursos que não têm
possibilidade de obter êxito.
Alérri da·sumula impediti~â;ternbs agora o atâ"rdãoiirl"
peditivo. A ideia é a mesma: se o Supremo Tribunal Federal

366.
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

e o Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram sobre


determinada matéria de direito, sedimentando a decisão,
não cabe recurso de apelação. Notemos também que isso
se estende aos entendimentos f1rmados em incidentes de
resolução de demanda repetitivas. Como podemos obser-
var é um meio para obstar recursos de apelação como
instrumento protelatório das sentenças. No caso de assun··
!I .
ção de competência, o recurso de apeJação será enviado
I para o Tribunal que.o relator entenda ser competente para

lI julgar o recurso. A assunção de competência, nesse caso,


é a proposta do relator de deslocamento do recurso para
órgão colegiado que ele entenda ser competente .
.L . ç) Depois de fàcultadà a apresentaçãd de c6ntà1r.: ·.· ·
r· razões, dar provimento ao recurso se a decisão
recorrida for contrária a súmula do Supremo Tribu-
nal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou çlb
próprio tribunal, acórdão proferido pelo Supremo
Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça
em julgamento de recursos repetitivos e, por fim,
entendimento firmado em incidente de resolução de
demandas repetitivas ou de assunção de competên-
cia. Trata-se de uma repetição contida no art. 932,
inc. IV, alíneas "a" a "c" e inc. V. alíneas de "a" a "c",
do CPC. Do ponto de vista prático, a diferença entre
eles é que no primeiro é o relator quem indica os
motivos que o levou a negar seguimento ao recurso
e, no segundo caso, a indicação desses elementos foi·
· ·f~ito na apresentaÇão dás contratrazÕês do téciir'~6" '· · ··
de apelação.

367
PRATiCA FORENSE EÍ"'l PROCESSO C!V!L ~ )csc•lai f'1artins Viana

Se não for o caso de decisão monocrática, o relator ela- ·


borará o seu voto para julgamento do recurso pelo órgão
colegiado. Nesse. caso, o recurso de apelação preencheu
todos os requisitos legais.

2.6. Preparo

Como dissemos anteriormente, o preparo refere-se ao


recolhimento das custas processuais. O apelante deve
comprovar que recolheu as custas processuais no· ato da
interposição do recurso. Deve, portanto, elaborar a peça
recursal, recolher as custas e juntar o comprovante, quan-
'do protoéoll:íro recurso ..
Protocolo do recurso e comprovante do preparo devem
ser juntados simultaneamente sob pena de deserção. Se o
apelante recolher as custas e deixar de acostar o comprovan-
te no recurso, este será considerado deserto, isto é, o relator
poderá negar seguimento o recurso por falta do preparo.
Note-se, portanto, que os dois atos têm de ser praticados
simultaneamente, :isto é, no mesmo momento processual.
Caso isto não ocorra, a parte que praticou apenas um deles
. ficará impedida de praticar o outro, por haver ocorrido a
preclusão consúmativa.
Neste mesmo sentido, encontracse registrada, no ares-
to abaixo colacionado, a lição de que o comprovante do
recolhimento reéursàl·deve acoritpanha.r orectn'so no ato
de sua interposição:

368.
capitulo X:X
ESPÉClCS DC RCCURSC

"COMPROVAÇÃO DO PREPARO. RECURSO. DESERÇÃO. Se-


gundo a nova disciplina, introduzida pela Lei n. 0 8.950/94,
o preparo deve ser comprovado rto ato da interposição do
recurso. Decreto de deserção que não contrariou os arts. 511
e 512 do CPC [art. 1.007, §2°, do NG:PC]. Questões atinentes
à alegação de justo impedimento têm contornos fáticos.
Como não foi sequer apreciada, na origem, fazia-se rriister
a oposição de declaratórios. (STJ, REsp 79.982/MG, Rei. Min.
Costa Leite, Terceira Turma, jul. 25.03.1996).

A deserção r:ecursal quer dizer que o apelante não


recolheu as custas devidas e, por isso, o relator negou
seguimento à apelação.
Assim, ao interpor o recurso, devemos comprovar o.
recolhimento do preparo sob pena de indeferimento d.o
recurso por não ter preenchido um dos requisitos objetivos
d.e admissibilidade recursal.
No entanto, a lei processual pode flexibilizar esse rigor
legal se o apelante qúe não comprovou, no ato de inter-
posição do recurso, o recolhimento do preparo, inclusive
do porte de remessa e retomo para os processos físicos,
será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o
recolhimento em dobro, sob pena de deserção.
Mesmo assim, o art. 1.007, § 4°, do CPC não relativiza
. ~- '
a exigência da comprovação do recolhimento do preparo
e do porte de remessa e retomo no ato da imposição do
recurso, porque deverá fazê-lo agora em dobro. Ora, de-.
pendendo do valor do recolhimento, recc\Ihê-lo erh dobro
poderá inviabilizar o seguimento do recursÓ.
369
PRÁTICA FORENSE EN .PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

Aplica-se também o mesmo rigorismo legal ao porte


de remessa e retorno. Somente iremos recolhê-lo se o
processo for físico. No caso de processo eletrônico não
. há necessidade. O art. 1.007, § 3°, do CP.C explicita que:
"É dispensado o recolhimento do porte de remessa e de
retomo no processo em autos eletrônicos."
É importante ressaltarmos que, no caso de autos físicos, se
o apelante não recolher o porte de remessa e retomo, o recurso
também será considerado deserto.
A fim de evitar que o recurso seja deserto, deverá o ape-
lante, no ato da interposição, recolher o preparo e o porte
de remessa e de retorno. Se fiz~ra interposição e, poste-
riormente: COIIlpTOVar Órec&lnimeiit8',fic~:áÓ-apéânte SÔb .···
a apreciação do relator que, por sua vez, poderá optar pela
deserção, negando seguimento ao recurso. Nesse sentido:
"PREPARO .FEITO APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO.
Uniforrnizou~se a jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça no sentido de que 'o recurso preparado após a in-
terposição, ainda que dentro do prazo recursal, deve ser
considerado deserto, eis que assim impõe a parte final do
mesmo artigo.' Recurso Especial no 105.669-RS, julgado pela
eg. Corte Especial em 16.04.1997. (STJ, REsp. 132.719-RS,
ReL Min. Gosta Leite, :rer~e;ira TUrma, julg. 27-04-1998, DJ
01.06.1998,.p. 85)."

Portanto, o apelante deve recolher o preparo e, quando


exigido pela legis1ação pertinente, o porte de remessa e
. retomo (somente nos autos eletrônicos), juntando-ambos- . ·
os comprovantes no ato da interposição recursal.

370
Capitulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

.vi
j
Notemos, ainda, que o art. 1.007, §5°, do CPC esclarece
o seguinte: "É vedada a complementação se houver insu-
ficiência parcial do preparo, inclusive porte de remessa e
de retorno, no recolhimento realizado na forma do § 4°."
I Isso significa que se o apelante não comprovar no ato da
interposição do recurso de apelação o recolhimento do
I preparo e do porte de remessa e de retomo não poderá
I
complementar o depósito se houver insuficiência parcial
do preparo.
O equívoco no preenchimento da guia de custas não
implicará a aplicação da pena de deserção, cabendo ao
relator; na. hipótese, .. 4e. c:lliviqél quar;tt9;a,.ç> 0 J;ecoll:fimento,
intimar o recorrente para sanar o vício no prazo de cinco
dias.
Quando o relator receber os autos do processo, verifi-
cará os requisitos de admissibilidade do recurso, inclusive

o preenchimento da guia de custas. Esse preenchimento
deve ser feito de forma correta, no entanto, pode acontecer
de haver equívocos quanto ao nome dado ao recurso, ou
mesmo ao nome dado ao preparo.
Observe-se que o processo civil é extremamente formal.
Qualquer erro processual pode prejudicar a parte recor-
rente. Muitas vezes, coloca-se a formalidade na frente do
direito do próprio cidadão. Essa formalidade é tão presente.
no procésso •civil ,que o legislador tevé •de •càrrsiderar• àté ·· ··· · · > ·. •·
mesmo o erro de preenchimento em guias' de custas.

371
PRÂTlCA FORENSE EM PROCESSO C!VI! ., josevaf Nrirtins Viana

s~ for constatado qualquer equívoco no preenchimento


da guia de custas, o relator concederá o prazo de cinco
dias.,. a fim de que o apelante sane o vício. Se não o fizer,
ai sün o recurso de apelação não será admitido.
Por fim, o julgamento proferido pelo tribunal substituirá
a decisão impugnada naquilo que tiver sido objeto de re-
curso. O julgamento proferido pelo tribunal recebe o nbme
de acórdão. A partir da prolação do acórdão, dependendo
do seu conteúdo, caberão embargos declaratórios no caso
de omissão, obscuridade ou contradição, interpondo-se,
posteriormente, se for o caso, Recurso Especial e Recurso
Extraordinário. Adiante trataremos desses recursos.

•,.. <.:"" 'c,,', ... , .. ,,,,.-~- ,... -· .

372
Capítulo XX
ESPÊCiES DE RECURSO

2.7, Modelo de petição de interposição de recurso


de apelação

.r

373
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana

2.8. Modelo das Razões do Recurso de Apelação

374
Capitulo XX
ESPÉCIES DE RECUf,SO

375
PRÁTiCA FORENSE Eiv1 PROCESSO C\V!L ..losevai fvJartfns Vfan8

II
i

376
Capitulo x·x·
ESPtCJES DE RECURSO

3. AGRAVO DE INSTRUMENTO

3.1. Introdução

O agravo de instrumento é o recurso interposto. contra


as decisões interlocutórias. Decisão interlocutória é o ato
pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão
incidente. Questão incidente é uma controvérsia que surge
no curso do processo que mantém relação de forma direta
ou indireta com a matéria discutida em juízo, cuja solução
é pressuposto necessário para o julgamento da demanda.
O art. 1.015 no CPC enumera quais são as decisões
que comportam agravo de instrumento: I tutelas provi-
sórias; I! ~ mérito do processo; TIL~ rejeiçãO da alegação
de convenção de arbitragem; IV- incidente de desconsi-
deração da personalidade jurídica; V- rejeição do pedido.
de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de
sua
.
revogação; VI - exibição ou posse de documento ou .
coisa; VII ...: exClusão de litisconsorte; VIII ~ rejeição do
pedido de limitação do litisconsórcio; IX - admissão ou
inadmissão de intervenção de terceiros; X - concessão,
modificação ou revogação do efeito suspensivo aos em-
bargos à execução; XI - redistribuição do ônus da prova
nos termos do art. 373, § 1°; XIII- outros casos expres•
sa.mente referidos e:rn lei.
Como pOdemos observar, não se trata de enumera-
ção taxativa, comportando outras decisões interlocutórias
güerreâdas por mejo do agravo de instrumentO: Tantb é
assim que o art. 1.015, inc. XIII, do CPC afirma' que o agravo
i
377 I
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

i!

de instrumento cabe contra decisões interlocutórias que


versem sobre "outros casos expressamente referidos em
lei." O próprio parágrafo único do art. 1.015 do CPC afirma
que: "Caberá agravo de instrumento contra decisões inter-
locutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou
de cumprimento de sentença, no processo de execução e
no processo de inventário."
Comportam explicações os incisos I e 11 do artigo 1.015
do Código de Processo Civil: "Cabe agravo de instrumento
contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I -
tutelas provisórias; 11- mérito do processo".
Qin<::ü;g I penrlite. a int<;rposiç§,o do recurso de agravo
de instrumento é:ontr':i Ú d~cisões inte~lÓcütórias ql!ev~r'­
sarem sobre tutela provisória, ou seja, qualquer decisão
que conceder, negar, modificar ou revogar a tutela dessa
natureza (antecipada, cautelar e de evidência).
Observe-se que a decisão interlocutória sobre a qual
incide o agravo de instrumento deve ser autônoma, ou
seja, no curso do processo, pois se houver decisão de
tutela antecipada na sentença, o recurso cabível é o de
apelação, conforme dispõe o artigo 1.013, § 3°, do CPC: "O
capítulo da sentença que"'éonfirmac;,•concede ou revoga a
tutela provisória é impugnável na apelação."
No inciso H, tem-se que cabe agravo de instrumento
contra decisão interlocutória que versar sobre o mérito do
protess6.· Cuidado·· para nãÓ confundir decisãÓ de mérito
da sentença e decisão demérito do agravo de instrumento.

318
Capitulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

A decisão de mérito da sentença é aquela que julga o


processo com resolução de mérito, isto é, julga o pedido
articulado pelo autor. Sabemos então que da sentença
cabe recurso de apelação. Em outras palavras, a decisão .,.
de mérito que comporta sentença põe fim ao processo.
Tem-se também de considerar que, muitas vezes, ao
ajuizarmos a ação, precisamos de imediato resguardar o
direito do autor, porque a demora processual pode fazer
com que a sentença procedente não seja mais eficaz em
razão da perda do objeto. Por exemplo, o cliente precisa
de uma cirurgia de caráter emergencial e o plano nega
autorização da cirurgia. Propomos a ação, mas mesmo
que'/ o juiz de. direito
'. '~ ' . '
' - ..
'
julgue
..
'•'"
procedente a demanda, s,té a.
' ~ ' ,• ' ' '

sentença transitar em julgado e exigir-se o cumprimento


dessa sentença o cliente já pode ter falecido. Nesse caso,
temos de requerer a tutela provisória fundamentada na·
evidência, ou seja, a tutela de evidência.
Note-se que a ação tem em vista obrigar o plano de
saúde a autorizar a cirurgia cuja decisão será dada pelo
juiz de direito quando for proferir a sentença. Entretanto,
podemos requerer a tutela da evidência, com base no art.
311 do CPC para requerer que o plano autorize a cirurgia.
O juiz de direito antecipará os efeitos da sentença que ele
irá proferir, ou seja, obrigar o plano de saúde a autorizar
a cirurgia.
· Nesse caso, temos uma decisão interlocutória de méri-
. to, a qual será ou nãp confirmad'l na sentença. Então cabe'
contra essa decisão interlocutória agravo de Ínstrumento.

379
I
PRÁTiCA FORENSE EJvj PROCESSO CíViL ~ Josevai i•la,-tfns Viana I
-------

Considera-se ainda que a decisão interlocutória que


antecipa o mérito não põe fim ao processo. Apesar de
ser concedida a tL tela provisória, o juiz de direito jul-
gará procedente ou não o pedido qo autor, confirmando
ou revogando a tutela antecipada cõncedida no início do
processo por meio de sentença, pondo fim à demanda por
meio da sentença.
Deferida ou não a decisão de mérito na tutela de evi-
dência, o magistrado determinará a citação do réu. Neste ·
ínterim, o autor deverá interpor agravado de instrumento,
endereçado ao Tiibunal.
Devemos interpor agravo de instrumento contra o jul-.
gamento antecipado parcial do mêrito (art. 356 do CPC),
visto que se aplica também o art. 1.015, inc. li, do CPC.
Nesse caso, não é o recurso de apelação, porque.·houve jul- ·.
gamento antecipado parcial do mérito. Isso significa que o
juiz não pôs fim ao processo, visto que existe a outra parte
do mérito que deverá ser julgada. Em outras palavras, o
processo continuará até a sentença definitiva. É impor- ·
tante salientarmos que não cabe recurso contra despachos
(art. 1.001 do CPC). O despacho são decisões puramente
administrativaS; e que nãô'iietdi:l:em·incident-eprocessual.
São chamadôs! de despachos de mero expediente.
O agravo de instrumento é um recurso que existe exa-
tamente para provocar reapreciação da decisão que tenha
"agravad()" a situação da parte. Caso não haja interpôsição
desse recurso, a matéria estará preclusa.

380
Capítldo :XX
ESPÊCiES DE RECURSO

Há decisões interlocutórias que não admitem recurso,


principalmente o agravo de instrumento. Se o advogado
estiver na audiência de instrução e julgamento, e o juiz
de direito indeferir a oitiva de uma testemunha, registrará
o ocorrido na ata. Não há previsão legal para interposição
do agravo de instrumento, embora se esteja diante de uma
decisão interlocutória.

381
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana
---
a) Os nomes das partes: as partes devem ser indicadas
no agravo de instrumento. Quem interpõe o agravo
recebe o nome de agravante. Contra quem se in-
terpõe o agravo recebe o nome de agrava,,<;[o. Como
esse recurso será endereçado ao tribunal., devemos
qualificar o agravante e o agravado.
b) A exposição do fato e do direito: o agravante deve
apresentar os fatos jurídicos, isto é, narrar o que
aconteceu nos autos do processo, explicar se o pe-
dido de tutela foi concedido ou não e fundamentar
a tese com a indicação dos artigos da lei. O deferi-
mento ou indeferimento da tutela são guerreados
pqr J!l(:io i.lg agravo de instrumento.]or exei!lplo,
se o autor requerer a tutela de urgênéia o juiz e
de direito concedê-la, o réu poderá interpor agravo
de instrumento. Se o autor requerer a tutela de
urgência e o juiz de direito não concedê-la, poderá
também interpor o agravo de ins-trumento.
c) As razões do pedido de reforma ou de invalidação .
da decisão e o próprio pedido: neste caso, o agra-
vante apresentará as suas razões para reformar a
decisão interlocutória que concedeu ou não a tutela
antecipada. Poderá n:querer também a invalidação
da decisj'í.o. Essa invalidação da decisão pode fun-
damentar-se, por exemplo, no caso de a concessão
da tutela de evidência não preencher os requisitos
do art. 311 do CPC. O _agravado pode requerer a in-
validação·do pedido do agravante, quando também.
não preencher os requisitos legais ou extrapolar os

382.
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

limites do próprio objeto da demanda. Esse requeri-


mento será formulado nas contrarrazões do agravo
de instrumento.
d) Nome e endereço completo dos advogados cons-
tantes do processo: o agravante deverá indicar na
petição do agravo de instrumento o nome comple-
to dos advogados do autor (inclusive o seu) e dos
patronos da parte contrária. Entretanto, pode ser
que o agravante não tenha o nome dos advogados
do réu, porque ele ainda não foi citado. Nesse caso,
deverá explicar ao relator que deixou de indicar a
qualificação dos advogados do réu, porque ausência
da citação e, -eonsequentemente, da apresentação.
da contestação, sobretudo, porque há ocasiões em
que o autor saberá quem é o advogado do réu na
audiência de tentativa de conciliação ou, se .nãG
houver audiência de tentativa de conciliação, p~r
meio do oferecimento da contestação. •
A petição do agravo de instrumento será instruída:
a) obrigatoriamente, com cópias da petição inicial,
da contestação, da petição que ensejou a decisão
agravada, da própria decisão agravada, da certidão
da respectiva intimação ou outro documento oficial
que comprove a tempestividade e. das procurações
outorgadas aos advogados do agravante e do agra-
vado;
· b) com declar9-ção de inexistêntía de;qu~lquef·i:i.os ··
documentos referidos no item suprámencionado,

383
PR ..li..TJÇ,-l>. FOREi'-lSE EM PROCESSO C!V!L " Joseva! MarUns Viana

feita pelo advogado do agravante, sob pena de sua


responsabilidade pessoal;
c) facultativp.mente, com outras peças que o agravante
reputakÚteis.
A juntada das cópias da petição inicial e da contestação
pemiite ao relator conhecer de forma ampla qual é o objeto
da lide. Podemos também verificar que a tutela provisória
pode ser requerida depois da contestação. Nesse caso, o
autor deverá juntar a petição inicial e a contestação. Se
não tiver a contestação, porque a outra parte não foi cita-
da, deverá justificar o porquê de não ter acostada a peça
de defesa. Deverá també'm juntar a petição que ensejou
· a deeisãó interlocutória. Muitas vezes, essa petição não é
a inicial. Se for a petição inicial, esta deverá ser juntada.
É importante juntar a petição inicial mesmo que a pe-
tição que ensejou a decisão interlocutória não tenha sido a
inicial. O advogado deve oferecer ao relator conhecimento
amplo da demanda.
A cópia da certidão da respectiva intimação ou outro
documento oficial que comprove a ciência da decisão in-
terlocutória serve para provar a tempestividade do agravo
de instrumento.,O prazop.ar<Pa.:interposição do agravo de
instrumento é c:i.e quinze dias.
Já se discorreu sobre as procurações. Como foi afir-
mado, se houver contestação, o advogado do agravante
·deverájuntara cópia da proé:uraçãodos patronbs do réu.·
Se não houve citação, o advogado do agravante deverá

384
Capitulo XX
ESPL::C!CS DE RECURSO

justificar o porquê de não haver juntado a procuração dos


advogados do réu. Se for o réu quem interpôs o agravo
de instrumento em razão da concessão da tutela, deverá
juntar a procuração outorgada ao cliente e a procuração
da parte contrária.
Se o advogado não conseguir obter os documentos
obrigatórios para interpor o agravo de instrumento, deverá
declarar o motivo sob pena de responsabilidade pessoal. O
advogado deve comporta-se de modo idôneo no andamento
do processo. Ser sempre zeloso com os atos processuais.
Se assim não proceder, deverá ser responsabilizado pes-
soalmente.
No prazo do recurso do agravo de instrumento, o agravo
de instrumento poderá ser interposto por:
a) protocolo realizado diretamente no tribunal com.:
petente para julgá-lo: a petição e os documentos
do agravo de instrumento serão protocola•dos no
tribunal. Podemos observar que se trata de um
recurso que não é endereçado· ao juiz da causa.
Cabe, portanto, ao advogado"' protocolar o agravo de .I
I
instrumento no tribunal competente sob pena de
preclusão;
b) protocolo realizado na própria co.marca, seção ou
subseção judiciárias: entendemos que essa orienta-
ção é praticamente a mesma do item anterior, visto .
que. o· agrav9 de· instrumento pode ser protocolado
na própria comarca, seção ou subseção judiciárias. ;;
I
.'
385 i.1
"
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL .. Joseva/ Martins Viana

3.2. Modelo de agravo de instrumento

PRESIDENTE

I
·.
1 '

I'

386.
Capítulo XX
ESPtCIES DE I"ECURSO
-------------------------------------

I 387
PRÁTICA FORENS~ . Eivi PRôC:ESSO CIVIL Jvseva! P.1artins Viana

388
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECDRSO

389
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL " Joseval Martins Viana

390
Capitulo XX
ESP~CIES DE RECURSO

391
PRÁTiCA FORENSE Et.,.i PF?OCE.SSO C!V!L • Josevaf Martins \li;;Jna

4. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

471.. Conceito

· Os embargos de declaração cabem contra decisão inter-


locutória, sentença e acórdão que apresentam obscurida-
de, contradição, omissão ou erro material. A obscuridade
é a ausência de clareza no texto da sentença Impede a
compreensão exata daquilo que foi decidido.
A contradição se caracterizana decisão judícial,.quan-
do há incoerência entre uma afirmação anterior e uma
posterior registrada no mesmo texto. A decisão contradi-
tória é aquela que afir:rn:a algo e.decide contra a. própria
afirmação, tornando o texto incoerente.
Omissão significa lacuna, deixar de mencionar. Neste
caso, a decisão não fez referência a algum pedido ou a
alguma questão jurídica importante para o julgamento
da causa.
A obscuridade é falta de clareza no desenvolvimen-
to das ideias que fundamentam- a decisão. Representa a
hipótese em .que a· concatenação do raciocínio está com-
prometida. A ideia está co~usav~~rque é lacônica. Além
disso; a fundamE?iltaç.ãopode ter erros gramatic(!is capazes
de prejudicar a interpretação da motivação. A contradição
também gera dúvida, quanto ao raciocínio do magistrado.
Por:fim, ó ·erro material é aquele que registra' uma in-
formação incorreta na decisão em decorrência de erro na
392
·Capitulo XX
ESP~C!ES DE RECURSO

digitação. Por exemplo, erro na escrita do nome do autor,


erro na indicação do número do processo etc.
Cabe salientar que os embargos de declaração podem
ser interpostos contra decisões interlocutórias, pois se
forem contaminadas pelo vício da obscuridade, omissão,
contradição ou erro material, poderão ser aclàradas ou
integradas.
Os embargos declaratórios não podem ser opostos
contra despachos porque eles não apresentam conteúdo
decisório. Quando o ato judicial causar prejuízos proces-
suais ou mesmo materiais a qualquer uma das partes,
ou houver lesão ou ameaça de lesão a direito de alguma
das partes, 'oU. triesrnojulgar parcialmente o pedido, o ai:ci
judicial é uma decisão interlocutória.
O art. 1.022 do CPC dispõe que: "Cabem embargos çl:e
declaração contra qualquer decisão judicial para: I - es-
clarecer obscuridade ou eliminar contradição; II "- suprir
omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronun-
ciar o juiz de ofício ou a requerimento; III- cO:rrigir erro
materiaL" Aqui se tem o conceito de embargos declaratório.
Com o escopo de ampliar o conceito de omissão, o
parágrafo. único do art.1.022 explicita o seguinte: "Consi-
dera-se omissa a decisão que: I- deixe. de se manifestar
sobre tese fumada em julgamento de casos repetitivos, ou
. em incidente de assunção de competência aplicável ao caso.
sob julgamerí.tc{ rr- incôrra em qualquer da~ condutas .
descritas no art. 489, § 1°." '

393
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

O Código de Processo Civil ressalta a tese firmada em


julgamento de casos repetitivos, ou em incidente de as-
sunção de competência aplicável ao caso sob julgamento.
A tese firmada em julgamento de casos repetitivos
indica que o juiz deverá apontar a tese defendida pelo
Tribunal, pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo
Tribunal Federal. Se houver súmula vinculante, súmula ou
mesmo enunciado, o juiz deverá indicá-los com à objetivo
de explicitar o posicionamento dos Tribunais. Se não o
fizer, caberão embargos declaratórios.
A assunção de competência é o deslocamento da com-
petência funcional de órgãos fracionários que seriam origi-
nariamente competentes para julgat o recurso; no entanto'!.
se a matéria do recurso envolver situação relevante de
direito com repercussão social, o relator proporá, de ofício
ou a requerimento da parte, do Ministério Público ou da
Defensoria Pública, que seja o recurso, q remessa neces-
sária ou o processo de competência originária, julgado
pelo órgão colegiado que o regime indicar. Essa decisão
vinculará os casos com a mesma matéria. Nesse caso, o
juiz de direito, ao prolatar sua decisão, deverá informar
i
a existência de incidente de assunção de competência
!: aplicável à demanda.
No caso do art. 489, § 1°, do CPC, o juiz deverá funda-
mentar qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória,
sentença ou acórdão. Não se considera fundamentada essa
I
·;j
. decisão se:e]a; a)limitar-se:à\rtdicação; aTeprodução OU· ·. '" ··
! paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a

394
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

causa ou a questão decidida; b) empregar conceitos jurídi-


cos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua
incidência no caso; c) invocar motivos que se prestariam
a justificar qualquer outra decisão; d) limitar-se a invocar
precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus
fundamentos determinantes nem demonstrar que caso o
sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e) deixar
de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou prece-
dente invocado pela parte, sem demonstrar a existência
de distinção no caso em julgamento ou a superação do
entendimento.
Assim, se a decisão deixar de se manifestar sobre
tese firmada em julgamento ·de casqs repetitivos ·oú êm
incidente de assunção de competência aplicável ao caso
sob julgamento e/ou incorrer em qualquer das condutas
descritas no art. 489, 1°, do CPC, será considerada omissà,
recorrível por meio dos embargos declaratórios.
Qualquer das partes, os intervenientes, o Ministério

Público e terceiros prejudicados podem opor os embargos
de declaração.
O prazo para a interposição é.de cinco dias, a contar
da data em que as partes são intimadas da decisão (ex-
clui-se o primeiro dia e inclui-se o último). A interposição
dos embargos de declaração interrompe o prazo para a
interposição de outros recursos. Isso significa que o juiz
. de direito restituirá o pra~o integral para a interposiçã(J d~ ·.
qU'<'ilquer outro recur~o apó~ 'o'júlgàmerito do~ emb"argos
declaratórios. '

395
PRÃTICA FORENSE Ejvi PROCCSSO CIVIL ~ Jo::;e·~al Martins Viana

4.2. Procedimento

O embargante tem o prazo de cinco dias para opor


embargos declaratórios ,contra decisão interlocutória,
sentença ou acórdão. Deve-se redigir petição que será
dirigida ao juiz de direito da causa ou ao relator, nos
tribunais, conforme o caso. Os embargos de declaração
devem indicar o erro, a con cradição, a omissão ou o erro
material. Não há preparo, ou seja, não há recolhimento
de custas.
O juiz intimará o embargado para, querendo, manifes-
tar-se, no prazo de cinco dias, sobre os embargos opostos.
Se o embargado. não se. manifestar, não inci.Pirá a revelia, .
uma vez que o recurso se opõe à decisão judiciaL Essa
intimação tem por objetivo informar o embargado sobre
os embargos declaratórios que podem modificar a decisão
embargada. O juiz julgará os embargos e_m cinco dias.
Se os embargos declaratórios forem opostos contra de-
cisão de relator ou outra decisão unipessoalproferida em
tnbunal, o relator decidirá monocraticamente. Saliente-se
ainda que o órgão julgador poderá conhecer os embargos
de declaração como agravo interno se entender ser este
o recurso cabívEOl. Nesse 2~so, aéteciii11ará previamente
a int:iinação do embargante para, no prazo de cinco dias,
complementar as razões recursais, de modo a preencher
os requisitos do a~ 1.021,§. 1°, do CPC: "Na petição de
agrilvo fut~mô;cr recôfrénte 'impügnará especifica:'damente
os fundamentos da decisão agravada."
396
Capítulo XX
t:SPt:CiES DE RECURSO

Pode acontecer que, em razão da oposição dos embar-


gos declaratórios, a decisão seja modificada. O embargado
pode também já ter interposto outro recurso contra a deci-
são originária. Por exemplo, o embargado interpôs recurso
de apelação. Nesse caso, o embargado tem o direito de
complementar ou alterar suas razões, nos exatos limites·
da modificação, no prazo de quinze dias, contado da data
da intimação da decisão dos embargos de declaração.
Caso os embargos declaratórios forem rejeitados ou
não modificarem a conclusão do julgamento anterior, o
recurso interposto pela outra parte antes da publicação do
julgamento dos embargos de. declaração será processado .
e julgado independentemente de ratificação.
Toda a matéria que o embargante suscitou estará in-.
cluída no acórdão, para fins de prequestionamento, aindà
que os embargos de declaração tenham sido inadDJ.itidos
ou rejeitados.
Os embargos de declaração não têrri efeito suspensivo,
mas interrompem o prazo para interposição de qualquer
outro recurso. Depois do julgamentó dos embargos, conta-
-se o prazo para a interposição do recurso desde o início:
Por exemplo, o prazo de apelação é de quinze dias. No
entanto, houve a interposição dos embargos declaratórios
no quinto dia. Ao julgar os embargos declaratórios, o prazo
· . para a contagem d,o recurso de apelaçãO voltará
,
pilni o
início, isto é, quinze dias novamente.
397
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Q Joseval Martins Viana

Embora os embargos declaratórios não tenham efeito


suspensivo, a eficácia da decisão monocrática ou colegiada
poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se o
embargante demonstrar a probabilidade de provimento do
recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver
risco de dano grave ou de difícil reparação. Note-se que
o juiz ou o próprio relator poderá suspender a eficácia da
decisão de ofício.
Convém que seja considerada ainda a hipótese de em-
bargos meramente protelatórios. Se os embargos forem
meramente protelatórios, o juiz ou tribunal, em decisão
fundamentada, condenará o embargante a pagar ao em-
b~rgad~ iTiúlta naó. e:X:ê:~denté' â' Ô.6is'<pbi êéil\:6' dob:r'e b.
valor atualizado da causa.
Depois da decisão dos embargos declaratórios, se o
embargante entender cabível, poderá opor novamente os
embargos de declaração sobre a decisão proferida nos em-
bargos anteriores. No entanto, a reiteração de embargos
de declaração manifestamente protelatórios, a multa será
elevada a até dezpor cento sobre o valor atualizado da
causa, e a interpvsição de qualquer recurso ficará condi-
cionada ao depósito prévio• 'do valonda·.•multa, à exceção
da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da
justiça, que a recolherão ao final.
É importante salientar qu~ não serão admitidos novos
embargos de declaraÇão se os dois àhtériores tiveremsido
considerados protelatórios. Essa medida é utilizada para

398.
Capítulo XX
DE RECURSO

impedir que o embargante empregue os embargos de de-


claração como meio para impedir o andamento do feito.

4.3. Embargos de declaração com efeitcY infringente

Os embargos de declaração têm por objetivo corrigir


uma decisão obscura, contraditória ou omissa. Ao receber
os embargos declaratórios, o juiz de direito pode julgá-los
procedentes e pode corrigir a decisão. Esta correção, por
sua vez, pode incidir sobre a decisão, modificando-a. Por
exemplo, o réu alega, na contestação, que o direito do
autor prescreveu. Afirma, ainda, que as provas carreadas
·.·.··aos aUtos do processO esê1ãreêém ôil:fá.tdti, derriSnstrai:idü .c

que o autor não tem direito daquilo que pleiteia.


Julga o magistrado a ação procedente e condena o réu,
contudo, na sentença, omite o julgamento sobre a prescri-
ção. O réu embargada decisão, requerendo ao julga..!or que
se manifeste sobre a prescrição. Diante dos embargos de
declaração, o juiz de direito julga procedente os embargos
de declaração e reconhece que efetivamente se operou a
prescrição, julgando, agora, improcedente o pedido formu-
lado pelo autor.
Houve, portanto, uma reversão na sentença. Por isso,
afirma-se que os embargos de declaração podem modificar
. a decisão embargada, como resultado dos esclarecimentos .
ou. complementos, que ·adveriham do julgàrnerrto desse ·
recurso.
399
PRÁTICA FORENSE Ei'~l PROCESSO Cl\/JL • Josevaf f'1artfns Vi.ena

Deve-se ressaltar que a procedência dos embargos de-


claratórios não reverte necessariamente a decisão. A regra
geral é que os embargos de declaração não têm o objetivo
de modificar a decisão, principalmente a sentença. Servem
apenas para sanar obscuridade, contradição ou omissão,
contudo, repise-se, pode ser que, ao sanar a obscuridade,
contradição ou omissão, o magistrado modifique a decisão.
Um erro processual que se observa atualmente é a
oposição dos embargos de declaração com efeito infringen-
te, ou seja, com o objetivo de modificar a sentença. Este
recurso não pode ser utilizado para modificar sentença,
visto que é o recurso de apelação que possui esta finali-
sJ.ade. Embora ()juiz de çlir;eitopossa modificar a sentença .
ao sanar a obscuridade de uma decisão, há de se verificar
que a mudança da sentença é um efeito jurídico secun-
dário. As vezes, ao sanar a obscuridade, o juiz de direito
modifica a decisão.
Na verdade, ocorre na prática a utilização dos embar-
gos com efeito infringente para rediscutir questões que
já foram objeto de julgamento no curso do processo, ou
mesmo na própria sentença. Com esta finalidade, os em-
bargos de declaração devem ser julgados improcedentes.
Neste sentido: ···· ":"···· •·•:
"Os embargos de declaração têm os seus contornos defi-
nidos no art. 535 do CPC, prestando-se para expungir do
julgamento omissão, obscuridade ou contradições, ou ainda
para, s11prir .Omissão sobre ponto acerca do qual impunhHe
. proimnciamento pelótÔ.bunal, sendo, por isso, m'adrriissível
que se lhe confira efeito infringente. Tal recurso não se

400
Capítulo XX
ESPÊCiES DE RECURSO

presta para modificar o julgamento, salvo se tal modificação


decorrer do suprimento da omissão ou da supressão da
omissão, obscuridade ou contradição". (Ac. da 1a Thrrna do
STJ de 20.3.95, nos EDcl. no REsp. n.• 57.013-1-RJ, rei. Min.
Ce:;;ar Asfor Rocha; DJU, 24.4.95, p. 10.389.

· Assim, deve-se ter em mente que os embargos de


declaração não são utilizados para mudar a convicção
do magistrado sobre as "alegações das partes", ou para
que "reexamine a prova", ou "analise novamente o direito
aplicado". Severr:i para "corrigir equívocos materiais ou de
fato, verificáveis de plano".

' .
1

4111 1
'
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseval Martins Viana

4.4. MODELO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO


I
PARA O JUIZ DE DIREITO DA CAUSA

Ii
[I· .
'l:'

402 .
Capitulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

I
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Josevai fv/artins Viana
----
o
Capitulo XX
ESPÉC!ES DE RECURSO

5. RECURSO ORDINÁRIO

5.1. Introdução

O Recutso Ordinário está previsto na Constituição Fe-


deral, no ~rt. 102, inc. I! e art. 105, inc. I!. É endereçado
ao Superior Tribunal de Justiça ou ao Supremo Tribunal
Federal, conforme a matéria discutida.
Dispõe o art. 102, inc. II, da Constituição Federal que
"Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a
guarda da Constituição cabendo-lhe: II- julgar, em recurso
ordinário: a) os habeas corpus decididos em única ou última
. instância p;:los Tribunais Regionais FecJ.enlcis ou pelostribu-
nais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando
a decisão for denegatória; b) os mandados de segurança
decididos em única instância pelos Tribunais Regionais
'
Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal
e Territórios, quando denegatória a decisão; c) as <eausas
em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo in-
ternacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa
residente ou domiciliada no País." :
Por sua vez, o art. 105, inc. II, da CF explícita que:
"Compete ao Superior Tribunal de Justiça: II - julgar, em
recurso ordináno: a) os habeas corpus decidi<;l.os em única
ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou
pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territó- .
rios, quando a deci;;ão for denegatória; b) os :ÍU<Í.ndados de · ··
segurança decididos em única instância pélos Tribunais

405
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martíns Víana
-----

Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Dis-


trito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão;
c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou
organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município
ou pessoa residente ou domiciliada no País." O art. 1.027
do CPC reproduz os termos da Constituição Federal sobre
o cabimento do Recurso Ordinário.
O recurso ordinário serve para que o recorrente possa
obter o reexame das decisões que são de competência ori-
ginária dos tribunais. Essas ações são, portanto, distribuídas
originariamente nos Tribunais em razão da competência.
Algumas ações judiciais são de competência originária dos
~Jtib)lr;tais,
,. - '. ' "
não ppl)!do. ser distribvídas
- ' ' ,_ ., - .' ' '
JHl; .pljmeira instância:.·.;
, - ' '"
-' .
-: - ,. ..
'' ' ' ' ' '· -' ' ' ' "

Daí dizer que o recurso ordinário faz as vezes do recurso


de apelação (quando em primeira instância) para deter-
minadas causas de competência originária dos tribunais.

5.2. Cabimento

O cabimento do recurso ordinário está previsto nos


arts. 103, inc. li, e 105, inc. 11, da Constituição Federal e
arts. 1.027 e 1.028 do CPC. Repise-se que esses recursos
são endereçados ao Superiôf.Tiibunal de Justiça e ao Su-
premo Tribunal Federal.

406.
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

5.3. Processamento

O recurso ordinário é interpostO no prazo de qumze


dias perante o relator do acórdão recorrido.. De acordqx··com
o art. 1.028 do CPC, aplicam-se, quanto aos requisitos de
admissibilidade e ao processamento, as normas referentes
ao recurso de apelação, observando-se ainda os Regimen-
tos Internos do STF e do STJ.
Distribuído o recurso, o recorrido será intimado para,
no prazo de 15 dias, oferecer as contrarrazões recursais e,
em seguida, o recurso será remetido ao respectivo tribunal
superior, independentemente de prévio juízo de admissi-
..• l:Jil,idad,~,l,iT\lBortaptesalientar, CJ..\-1~(), JZ;i~Yr??.(?F':lir,::~.ri~1 ,.,,,
não exige () prequestionameríto.

. ; ... ,,.

407
PRÁTICA FORENSE Elvl PROCESSO CiViL Josevaf P.1artins Viana

5 A Modelo do recurso ordinário

408
Capítulo XX
CSPÊC!ES DE RECURSO
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana

co~_~urs·~-~ __u_rpa Vff.Z. ·que_ compete à. Comissão do_ referido


. C6nç_~rso· ·~nalí53~ :as- ql!estões que ·deVem ou não serem
(.âriLIÚidaS>Ad€i"nais, :trata'ridci~se de- cohcUrso, cabe ·ao Poder
.
_ ,;-_,-_j'LJd·J·2iári~'--:~k-~-rh-ina~.:a -iégâlidade
daS -hàrmas instituída·s·: no_
_ :::'i --:· :·. _ :::<::--:-:·<'i-". ·_, _ :...:':·\>-.·::_:::,·:·:>-:.'-·. ';-..:-
·:<.-':-;.":--:':"·.,~ '-·.-.· -.-·_-::.-: '•
~>:-~Pl.~-~-1,-. ~-_:;q~-/~_t()s-.-~-~ati~_~tj_()~:.na_ real_)-~ação ·do certam~~ sef'l-
.·''dôAh~.<:~;~/~Qadó,\,·Q·á -.en_iá:Oto~·--:.:-o ~xame das·_ questões _:e ·das
·-';:;;·f1~t~~-:?~~'~:'..i}dr.~·;;\· ~.:attúiUf~~-~::_::;p-~i~ ·,:·banca -:·_'::-éxarn.in·ador·~~ _>f, o
.. ._ . .·. ::·~·:;~.-~~f2_íCi9.-·:g~:(:~pai:·(~t:rl·~-~-i:~~:*d/_;:~:C)·~~-' _se -~.~ '_::pP-fõ.:~s-.~ :::a~pt~:d~_s_
.·.. )pr;Í~ 1~.,~~ fofà8~~igi~~~J~. !od~~(?SS?ndi~atos i s.e .todos·
· ··.·········•···JC)f~ifí'trfliad9i';iiúalriiécít~iriilo M qú€,5~ fà.Jú.efl1 c:C>iré- .
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i~~fué~te ~~ g~~i~H!~ 15~1ígaa~.no ~ropàr;hi;ntÇJ, ·· · ·
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·····••·i .. 4i;At~~8r~~ht~~~ 6bôe ~8 bbiiçi8[)~1Jlentódo .reçórrido,

ifllii,llfijiíl~~i~fi~·
.,
·
:~7s'.!'[1ncí~t?r.~ll~?t~~r;fielmeote ó:~ontet)dó.·•progra.mátiw
~iiiJ,iÇ;;aa,,~ési~
:ji_.,,._.,,_, . _,,: ,-.. ;-, .-,'._,,.,
;"o_'.:-:;_·~\~
~ehtic\c:i: ·

·~~~~i~k~~~~:g~~~g.itRt~~i~t~~t~E~~~bG~;
.· · •·· •· · · ,,p>;;· .•~ ;~):t@{N!s~~~ÇÃô'~0slf2%Ab'Ebil"tit6o{:óiJ2ÚRtÓ.ENÚN-
. ' '·"' ''·".' ·'·---·"'' .. ,,,_., '-- ,- '' ' . ' '·'•

410 .
.....
'.·1·'.·.·

I Capii:Ufo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

CIA[)Op!õ Ql!ESTÃ().QUEVEICl!Lf·ÇoNTEÚDO.NÃO PREVI$~


··rs.ArUAt;ÃQJ(JHISDICI()N;LcLIMITADAÀ VERIFICAÇÃO DE··
. ·.·.·..•... •·. •·.•· ÍLEGAU[)ADE Ql!Ei IN CklU, FÀZ:SE pRESENTE. NULIDADE c!
····•····•. ·•.· .·. .•. ·.·. ·.·.·. [)Ec~ET;\.0À:1fdt~:~'Cdklv1~~<!ad4d(segyranç?
ém q~·~ · ·
····i·.·. •.>.ii·.•···•·········· ü.;i\JY,iêti'âilte•~.Põi\iâ ..~·~~;,~~•~~a~a~ri~s i]Uesíõ~sif6 .e··.s4··do ·•·•.·
r·.·············•.: . . .i.•.••.••.•. :•..·•·.i . •:........
.
PkKt~~~~--·~fra,<f[oyJ~~p\~;ctp sf~(!prl#··.·on,9i~I··E>crey~pt~; ... :;
realiz~~?···.pelo TrJ.by~~l.del~stjç~;<J0;Es.tailo doR i~ (JranrJ"' . •!'•

. >o;fGi!i;; ":.1';

'. -::.\:·:::::,::-};~]ij-;;:;::''

sGbjêtjyi{ijlia0tD áô Í1)et~d§ de•i~soiuÇã 0 da prova que ô · . .•.•


••.·c~hdi~~(9 P.o.d!'ri~. t~t. aq9taªo>~~i~ -~hc~Qtt~r.iil te.$pósia~) •;: .
'-?.<:. )" ~--~~_g.;~. ;_iy.-;::,U:":_\ _:<.i>iJc:,;< :·.•::·'::7'.:-_:·:-:/J~'\ ··,·:>··.·-·:.:_>~:-' ?:Y.-'i'~<-''· ;· \·;;~.'::.:-:·-":::<::-~, :\: >:·,:.::.<·,·:-<:::·.-·..: _: ·.-·. ·::-·':;·:-::·-'i'·':':,:.:::'. ·
-~,: .·:· :_~'::;·Ç9,rr~t~:X9,:.·;~g~:· ;i_~p:l_i;~~.~ip··_:_.-·~-~-~.ótrti·r:;:.D\:·::_~,~1~:rr1.~::--._~P~. :c~.it~rio_~:-. _
.··: ct,-~oiref;~~ ~" ~rq~a/$: int~s~ioconteúdo programáti~o···
·. •·· ..·. .·_•••d<êt~lhi>~Yil~ri;túlarí~~<l?friéri~; 6~'~rBi<6siJe••i~i 4Ue, ~eri~.~·..
· :_·--i.::·.,:::_:2-·?j,~~o_:--~-~---~~n_tr~~~-r~i~_·_h:~--:pr§_y·a,~,::·:~,8t·.~~\R.~;'q_G.~_-i$_-. ~~ó:-::ésta;y~.~- :,
.··•··cohteiT!PJii<Jpsps aití~<?s3~3 dó PPi4/17 doÇPP,cujo conhe-•·.·. ·.
·.. éiirl~rít6ê ~.ohji~_iq;erâ>êiiigictb>~),;;, ~ i6!LÇão'·das qu~;!Õd~
4$ .{·_ ~4,' r~sf,ê<:t]va r!l~ríté:. E~s~. dé~t<?.m p~ssp·_vi<?l a•.. ();. pri h-.· •.
· • cípi6~ à~'vipi:~J!.Çil(,d~-.A8midistia%W pilblità' ~() edital da
-:c~hC.~i~~/-'_d~s:·,06~\i'Ó~·:qkte .rhi_in~hfé-.s;_:~·::_·da:.(;rôt~ção ·cfa:cbri~-
fiança, de qrdemaa~arreter a nulidade daquelas questões,
ret()nheêid~mel1te ilegais.. ).ft.Hegálídacje. ~o ato·impugnado .
··e~iste Pdl~ siiT!plesc()ntr?Ô~P~Pe. ao . ordenamento.jurídito,
·. d~ mod6,qJ<) seu reconheci;,ento.não depend~.dp .Pro~e lt~
•c:~h~r~t~~Ue p()dé sérbptidÓ ,Pm a·.-~nul_;.~ãod~ questaó··
·iá~.rírov?i:A!ri~~ 'lu$ a rl1<êf66rà ria clás;i!Ítâ~iÍ() do caridictàio ·
n~ólí,e g~ri.nta
... · ,_.-,-.._-·: .. - posiÇãópad,j;,ediaia
--.-.,,,·,- .____ ... _-.-,,._·... ,..
__ ._ _,._n~rhea\:ão,
..,,-,,._, ..
;--. ,._;,'.
é-- legítlrha a ...
',•-'. ___ ,.-, -, ·•

..•.. r)~~i~n~~()<)~ .-ecl~m~rá~;tJyaii<)a~õe~ ~ieite~<l~s.s ..Recurs9··


,., ., , ' ora1d~rio'1rfP>Jiâa' iikiis'3~5'i6 ') •Rs 'Wêl!Rsó.;cíRoiNARIQ
;..:_'-<;·:> '' ·_;-:,
·.: .•:___!:·. ·_, · :·:,c...:..::c.,cc,.·_,, -;

411
r
PRÁTiCA FORENSE EM PROCESSO CIViL ~ Josevai ~·.-ta,-tfns Viana I
·----
I

Ç'

412
CapiWio XX
ESPÉCiES DE RECURSO
---

6. RECURSOS ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO

O Recurso Especial e interposto contra acórdão que


desrespeitou matéria infra constitucional. O Recurso Extra-
ordinário, contra acórdão que violar a Constituição Federal.
O Recurso Especial tem previsão no artigo 105, inciso III,
aHneas "a" a "c", da Constituição Federal. O Recurso Ex-
traordinário está no artigo 102, inciso Ill, alíneas "a" a "d".
Ambos os recurso estão previstos no artigo 1.029 do CPC.
O Recurso Especial é endereçado ao Superior Tribunal
de Justiça e o Recurso Extraordinário ao Supremo Tribunal
Federal. Em princípio, cabe a esses recursos interpretar a
. lei. Por isso, não têm a :finalidade de examinarfatos contra.~ ·
vertidos nem provas existentes no processo. Esses recursos
são interpostos perante o presidente ou vice-presidente
do tribunal recorrido, em petições distintas, no prazo de·
quinze dias, O teor do recurso deve:
a) indicar a repercussão geral pertinente ao caso• con-
creto (art. 102, § 3°, da CF);
b) expor tanto o fato quanto o. direito (art. 1.029 do
CPC);
c) demonstrar o cabimento do recurso interposto; (art.
1.029 do CPC);
d) apresentar as razões do pedido de· reforma da de-
cisão recorrida (art. 1.029 do CPC).
Repise-se que o Recurso Extraordinário tem como fi~
' .
nalidade demonstrar que o acórdão transgí"ediu algum
413
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martíns Viana

preceito cJnstitucional. uma vez que a ft.:nção principal


do Supremo Tribunal Federal (órgão competente para co- L

nhecer e julgar o recurso extraordinário) é interpretar e


guardar a Constituição Federal.
Por sua vez, o órgão responsável por conhecer e julgar
o Recurso Especial é o Superior Tribunal de Justiça. Esse re-
curso tem como função manter a autoridade e a unidade da
.!
,( lei federal, ou seja, a norma infraconstitucional. Tem. ainda,
como finalidade dar a correta interpretação à lei federal.
O Recurso Extraordinário exige os seguintes requisitos
de admissibilidade:
. ~) . o julgamento
'. ' '';.
da causa.
.: --: ..
- - ·-·
'•
em
"·:
(lltima
":---
_, '·'
ou
'
(lnicainstf;nçia;
,. ,';'."
,' : .. .. ,.....-.
'·- '- "'' /. ., -, ·.. " ' ' ';" "

b) existência de questão federal constitucional, isto é,


uma controvérsia em tomo da aplicação da Consti-
tuição Federal da República. Trata-se de "questão de
direito". isto é, um ponto controvertido que envolva
diretamente a interpretação e a apÍicação da lei. Se
o que se debate são fatos e sua veracidade, tem-se a
questão de fato que é prejudicial à questão de direito
e que não pode ser renovada por meio extraordinário;
c) demonstração da repercussão geral das questões
constitucionais discutidas·nocaso: a questão consti-
tucional qeve ter sido objeto de debate e apreciação
na instância originária.
Repercussão geral: a lei entende que repercussão geral
é aquela que se origina de questões que ultrapassem o.s. ·
interesses subjetiVtOs da causa, por envolver controvérsias

414
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO
---- --------

que vão além do direito individual das partes. É preciso


que as questões repercutam fora do processo e se mostrem
relevantes do ponto de vista economico, político, social ou
jurídico. i\ reper::ussão geral deve ser demonstrada em
preliminar do recurso extraordinário.
Em alguns casos, a lei indica de forma taxativa quais
são as matérias de repercussão geral. Por exemplo: decisão
recorrida que contraria súmula ou jurisprudência domi-
nante no Supremo Tiibunal Federal. A súmula não precisa
ser vinculante, mas apenas que retrate jurisprudência as-
sentada, pois, mesmo sem a súmula, a repercussão geral
estará configurada em qualquer julgamento que afronte
jurisprudência. dominante do -Supremo Tribunal Federal. . ·
Por jurisprudência dominante, deve-se ter a que resulta
de posição pacífica, porque não há acórdão divergente.
Um ponto jurídico importante a ser observado é que
se o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o re-
corrente deverá provar a divergência mediante certidão,
cópia autenticada ou pela citação do repertório jurispru-
dencial que deve ser oficial ou credenciado. A biblioteca
dos tribunais tem a relação do repertório jurisprudencial
oficial ou credenciado.
O dissídio jurisprudencial pode ser obtido por mídia
eletrônica, em que tiver sido publicada a decisão divergen-
te, ou ainda pela reprodução de julgamento disponível na
Internet, com indicação da respectiva fonte, mencionando,
em qualquer caso, a.s circunstânCias quê identifiquérnóu
assemelhem os casos confrontados. '

415
T

PRÁTiCA FORENSE EM PROCESSO C!\!!L .,. Joseva/ Martins Viana I


I
i
Deve-se juntar a íntegra do dissídio jurisprudencial
para demonstrar as circunstâncias que identifiquem ou
assemelhem os casos confrontados. Por esse motivo, ape- !
nas a ementa do acórdão não preenche os requisitos de
admissibilidade do recurso.
bs Recursos. Especial e Extraordinário serão recebidos
I
se preencherem os requisitos estabelecidos na Consti-
tuição Federal. Devem estar relacionados à proteção e
unidade de interpretação das leis federais e da própria
Constituição Federal.
Os recursos são divididos em:
a) . recursos comuns ou ordinários;
.. .. ':
" -~ :· ,...

b) recursos extraordinários.
São Recursos Extraordinários aqueles que possuem uma
forma mais rígida, são endereçados a tribunais superiores,
não admitem apenas a discussão de questões fáticas, exis-
tem para, imediatamente, tutelar o direito e não apenas o
interesse subjetivo do recorrente, não podem ser interpos-
tos apenas em face de sucumbência, possuindo pressupos-
tos de admissibilidade específicos. Ainda pode ser dito que
os recursos extraordinários levam a um terceiro reexame.
Os recursos Extraordiri~rlo e Espétiâl serão'ret:ebidos no
efeito devolutivb. Trata-se de reexaminar apenas a maté-
ria de direito constitucional. e infraconstitucional. Os seus
efeitos podem ser analisados sob dois aspectos: extensão
e profundidade: A•êxtensão 'refem~se· à· matéria•jüridica
impugnada: se for de ori~em constitucional, o recurso é
416
Capitulo XX
ESPÊCiES DE RECURSO

extraordinário. Caso seja de natureza infraconstitucional,


o recurso cabível é o especial.
A profundidade diz respeito ao reconhecimento do
errar in procedendo ou errar in iudicando. No primeiro, ha-
verá prolação de outro julgado. No segundo caso, haverá
julgamento da causa.
O Recurso especial e o recurso Extraordinário são clas-
sificados como "recursos excepcionais" porque cabem em
hipóteses específicas, e devem preencher requisitos de
admissibilidades muito mais rigorosos. Tànto o recurso
especial quanto o extraordinário são utilizados, quando
.. todos os. demais recursos foram ordin.ariamente esgotados,·
Outro aspecto importante a ser analisado é que esses
recursos não produzem efeito suspensivo. Isso significa que
a parte vencedora pode iniciar o processo de execução;
embora a parte perdedora tenha interposto os recursos

e estes estejam pendentes de julgamento. Assim, o efeito
destes recursos é devolutivo.
É possível obter efeito suspensivo nestes recursos por
meio de medida cautelar inominada proposta de forma
incidental. Deve-se, portanto, provar o periculum in mora e
o fumus bani iuris.
O prequestionamento também é requisito imprescin-
dível para a admissibilidade desses recursos. Consiste no
fato de a questão cô;nstitudohalou infraconstitueiohal ter
sido tratada nas instâncias inferiores.
417
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

6.1. Processamento

É importante ressaltar que esses recursos podem ser


interpostos contra acórdão,proferido não só no julgamento
de apelação, mas também de agravo de instrumento ou
agravo interno.
São requisitos comuns aos Recursos Especial e Extra-
ordinário:
a) Tempestividade: devem ser apresentados no prazo
de quinze dias, sendo aplicáveis as regras dós arts.
180, 183 e 229 do CPC.
Q'QS!'!ryatçã,o: . ?- jpt'"rpo~ição dos recursos deve ser si-
multânea sob pena de haver preclu~ão consurriativa:
b) Preparo: ambos os recursos exigem preparo e porte
de remessa e retorno. Este último se o processo for
físico.
Outros requisiil!os de admissibilidade são:
a) Legitimidade
b) Interesse
c) Regularidade formal
d) Inexistência de fato' impeditivo rou· extintivo de o
direito de recorrer
O recurso Extraordinário e o Recurso Especial serão
interpostos perante o presidente ou vice-presidente do
· i:ribúnalré:6i:Ti.do rio "pfàzo ·ae
quinze ·aias: As petições··
são distintas, pois uma versará sobre questão constitucio-

418 .
Capítulo XX
ESPÉÇIES DE RECURSO

nal (recurso extraordinário) e a outra, infraconstitucional


(recurso especial). Ambos os recursos deverão ser proto-
colados ao mesmo tempo. Essas petições deverão conter:
a) a exposição do fato e do direito;
b) a demonstração do cabimento do recurso interposto;
c) as razões do pedido de reforma ou invalidação da
decisão recorrida.
Deve-se demonstrar ainda a repercussão geraL
Observação: Se o recurso fundar-se em dissídio juris-
prudencial, o recorrente fará prova da divergência median-
te certidão, cópia autenticada ou pela citação do repositório
de jurisprudência, oficial ou . credenciado, .~ndusive em
mídia eletrônica, em que tiver sido publicada a decisão
divergente, ou ainda pela reprodução de julgado disponível
na internet, com indicação da respectiva fonte, mencionan~·
do, em qualquer caso, as circunstâncias que identifiquem
ou assemelhem os casos confrontados. •
O Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de
Justiça poderá considerar vício formal de recurso tempes-
tivo ou determinar sua correção, desde que não o repute
grave.
Convém salientar que o Recurso Especial pode fundare
-se em acórdão que deu interpretação divergente da que
lhe haja atribuído outro tribunaL Por esse motivo, se o
tribunal recorrido deu interpretação divergente à lei fede-
ral, .o·acórdão.paraqigma deve.,pertencer'a outro tribunaL
Recomenda-se, portanto, que o advogado fáça a indica-

419
i
fJRJ\TJC.L>. FORENSE EM PROCESSO C!V!L o Joseval Martins 'Viana I

ção jurisprudencial, na petição inicial ou na contestação,


I
de acórdãos de outros Estados qu§ defendam as teses
argumentativas. Não é recomendável, por exemplo, um
advogado de São Paulo citar jurisprudência do Tribunal de
Justiça de São Paulo para defender sua tese jurídica. Deve
apresentar jurisprudência de outros Estados para, futura-
mente, utilizá-las como paradigma em Recurso Especial.
Deve-se juntar a integra do dissídio jurispmdencial
para demonstrar as circunstâncias ·que identifiquem ou
assemelhem os casos confrontados. Dessa forma, a ementa
do acórdão não preenche os requisitos de admissibilidade
recursal.
O advogadO élaborará as petições do Recurso Extra-
ordinári.o e do Recurso Especial em petições distintas,
protocolando-as no tribunal de origem.
A secretaria do mbunal de Justiça receberá as petições.
Depois disso, intimar-se-á o recorrido para apresentar as
contrarrazões do recurso no prazo de quinze dias. Findo
esse prazo, os autos serão remetidos ao Superior Tribunal
de Justiça, inclusive o Recurso Extraordinário.·.
É importante saJientar que o Recurso Especial será
julgado primeiro,, e o Recurso>Extn:;~ordinário, •.depois, se
houver necessid9-de. Se o Superior Tribunal de Justiça não
der provimento ao recurso éspecial, então, enviará o Re-
curso Extraordinário ao Supremo Tribunal Federal. ·
Em havendo incidente de.i:-esolução.de dema'ndas re-
petitivas, o presidente do Supremo Tribunal Federal ou o

420
Capitulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

do Superior Tribunal de Justiça determinará a suspensão


de processos em que se discuta questão federal constitu-
cional ou infraconstitucional, poderá, ainda, considerando
razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse
social, estender a suspensão a todo o território nacional,
até ulterior decisão do recurso Extraordinário ou do Re-
curso Especial interposto.
O pedido de concessão de efeito suspensivo a Recurso
Extraordinário ou a Recurso Especial poderá ser formulado
por requerimento dirigido:
a) ao tribunal superior respectivo, no período com-
preendido entre a interposição do recurso e sua
distribuição, ficando o relator designado para seu
exame prevento para julgá-lo; i
b) ao relator, se já distribuído o recurso;
c) ao presidente ou vice-presidente do tribunal local,
no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos ~rmos
do art. 1.037 do CPC.·
Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribu- .!
nal, o recorrido será intimado para àpresentar as cóntrar-
razões no prazo de quinze dias, findÓ o qual os autos serão
remetidos ao respectivo tribunal superior. O desembargador
pode negar seguimento aos recursos em decorrência do ju-
ízo de admissibilidade, segundo o art. 1.030, inc. V. do CPC.
Na hipótese de interposição conjunta dos -recursos, a
parte contrária será .intimada para apresentàtas coil.trarra~
zões recursais. Ambos seguirão para o Superior' Tribunal de
421
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Josevaf Martins Viana

Justiça, mesmo havendo Recurso Extraordinário. Concluído


o julgamento do Recurso Especial, se não houver provi-
mento ao recurso, os autos serão remetidos ao Supremo
Tribunal Federal para apr;eciação do recurso extraordinário,
se este não estiver prejudicado.
Caso o relator do Recurso Especial considere prejudicial
o Recurso Extraordinário, em decisão irrecorrível, sobies-
tará o julgamento e remeterá os autos ao Supremo Tri-
bunal Federal. Se o relator do Recurso Extraordinário, em
decisão irrecorrível, rejeitar a prejudicialidade, devolverá
i i
os autos ao Superior Tribunal de Justiça para julgamento
do Recurso Especial.
'se Ó relator, ÍJ.oSuperiór Tribunal de justiça, entender
que o Recurso Especial versa sobre questão constitucional,
deverá conceder prazo de quinze dias para que o recorrente
demonstre a existência de repercussão geral e se manifeste
sobre a questão constitucional. Cumprida a diligência, o
relator remeterá o recurso ao Supremo Tribunal Federal
que, em juízo de admissibilidade, poderá devolvê-lo ao
Superior Tribunal de Justiça.
Se o Supremo Tribunal Federal considerar como reflexa
a ofensa à Constituição afirmadacJlo Recurso Extraordiná-
rio, por pressupor a revisão da interpretação de lei federal
ou de tratado, remetê-lo-á ao Superior Tribunal de Justiça
para julgamento como Recurso Especial.
· Admitido o. Recurso Extraordinário ou o Req1tso E::;pe~ ... ·. ·
cial, o Supremo Tn.l:Junal Federal ou o Superior Tribunal de

422
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

Justiça julgará o processo, aplicando o direito ao caso. con-


creto. Admitido um ou outro recurso por um fundamento,
devolve-se ao tribunal superior o conhecimento dos demais
fundamentos para a solução do capítulo impugnado.
O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrivel,
não conhecerá do Recurso Extraordinário quando a ques-
tão constitucional nele versada não tiver repercussão ge-
ral. Para efeito de repercussão geral, será considerada a
existência ou não de questões relevantes do ponto de
vista econômico, político ou jurídico que ultrapassem os
interesses subjetivos do processo. Por isso, o recorrente
deverá demonst~ar <J. existência de repercussão gera]_para .
.. apieciaÇão exclusiv~· do. Supre~o- Tribunal Federal. .
Haverá repercussão geral sempre que o recurso Im-
pugnar acórdão que:
a) contrarie súmula ou jurisprudência dominante do

Supremo Tribunal Federal;
b) tenha sido proferido em julgamento de casos re-
petitivos;
c) tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tra-
tado ou de lei federal, nos termos do art. 97 da
Constituição Federal.
Na análise da repercussão geral, o relator poderá admi-
. tir a manifestação de terceiros, subscrita por procurador.
· · habilitad6, nns tertn6s d.o Regimento InfernO cià SÜ.prérrlô ' ···
Tribunal Federal. '

423
I
PR}·,T!C.il. FORENSE Efv1 PROCESSO C!V!L ~ Joscvaf Martins \lian2
I

Reconhecida a repercussão geral, o rel?tor no Supremo


Tribunal Federal determinará a suspensão do processa- i
mento de todos os processos pendentes, individuais ou
coletivos, que versem sobre a questão e t<amitem no ter-
ritório nacional. I
O interessado poderá requerer, ao presidente ou ao vi-
ce-presidente do tribunal de origem, que exclua da decisã,)
de sobrestamento e inadmita o Recurso Extraordinário in-
tempestivo, tendo o recorrente o prazo de cinco dias para
manifestar-se sobre o requerimento_
Negada a repercussão geral, o presidente ou vice-pre-
sidente do tribunal de origem negará seguimento aos re-
.cursos. Extraotdináries sobrestados._ná. origerrí!q úe·versem-
sobre matéria idêntica.
O recurso que tiver a repercussão geral reconhecida
deverá ser julgado no prazo de um ano e terá preferência
sobre os demais feitos, ressalvados os que· envolvam réu
preso e os pedidos de habeas corpus.
Não ocorrendo o julgamento no prazo de um ano a
contar do reconhecimento da repercussão geral, cessa, em
todo o território nacional, a suspensão dos processos, que
retomarão
. seu curso. normaLA.ssim,
.-... ,_,,. -· ,-.
'
-a .súmula.. da....decisão
": ' ' ' ' - "

sobre a repercussãçi geral constará de ata, que será publi-


cada no diário oficial e valerá como acórdão.

424
Capítulo XX
ESPt:CIES DE RECURSO

6.2. Modelo de recurso especial

425
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseval Martins Viana
:i
li

I
II
il
I

426
Capítulo XX
ESPECIES DE RECURSO

COJ)tuçlo,

D?7
PR.Â.T1CA FORENSE EM PROCESSO CiViL Josevai .Niartins Viana

428
Capitulo XX
ESPÉCiES DE RECURSO
·---

429
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana

d
1.1'
il
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Íl'
I.
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:I,
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I!:i

430
Capitulo XX
ESPf'CIES DE RECURSO

431
PR,6,TtC.i·\ FORENSE EJv1 PROCESSO C!\I!L n JOSBVi:!l MarUns Viana
----------------

432
!
capitulo XX
ESPÉC!CS DE RECURSO I
----------
l::i
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana

434
Capítulo XX
ESPECIES DE RECURSO

6.3. Modelo de recurso extraordinário

435
PRÁTiCA FORENSE E~-1 PROCESSO C!V!L Joseva! Martins Viana

436
CapiW!o XX
ESPÉCIES DE RECURSO
--~-------

437
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana
Capítulo XX
ESPECIES DE RECURSO

7, Em 82d~ ..a r('corrente.foiacometi<ja tlr=.utl1a. c::!oc


. ..('nç~prof~?9aT~ritégr~~~·.e.te~e.dede'rsubmetlclaàci;~rgia,
·•~pre~ent~ndd llfrl quagrppós-operatóriotardio de IÍJ<:'!nirigid-
~~~J:~~f~~::~c~~g:rl~:tf~W;~}Ô~~·d~n:&àtá:se~a:a,~:~J
'\:..·-'·:::\:-::·.;::
.,...

439
PRÁTiCA FORENSE Ei"'l PROCESSO C!VlL ~ Joseval fvfartfns Viana

440
Capitulo XX
ESPtCIES DE RECURSO

441
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO C!V!L Joseva/ Martins Viana

. f·
Capítulo XX
ESPECIES DE RECURSO
PR.Á.TlCi'. FORENSE Etvl PROCESSO C!V!L Joseva! MarUns Viana

444
capíti.do )()(
ESPÉCIES DE RECURSO

l. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL E EM RECURSO


EXTRAORDINÁRJrO

O art. 1.042 do CPC dispõe que: ."Cabe. agravo' contra


'1:'
decisão do presidente ou vice-presidente do tribuna! re-
corrido que inadmitir recurso extraordinário ou recurso
especial, salvo quando fundada na aplicação de enten-
dimento firmado em regime de repercussão geral ou em
julgamento de recursos repetitivos."
A petição de agravo será dirigida ao presidente ou ao
vice-presidente do tnbunal de origem e independe do pa-
gamento de custas e despesas postais, aplicando-se a ela
o regime de repercussão geral e de recursos repetitivos, . '
'·. -.·:~
· indusive quanto à possibilidade de sobrestamento e do
I
juízo de retratação.
O prazo para interposição do agravo será de quinze dias; ·
O agravado será intimado para oferecer resposta também
no prazo de quinze dias. Após o prazo de resposta, não
havendo retratação, o agravo será remetido ao tribunal
superior competente.
Será o agravo julgado, conforme b. caso, conjuntamen-
te com o Recurso Especial ou Extraordinário, assegurada,
neste caso,. sustentação· oral, observando-se a orientação
do Regimento Interno do Tribunal respectivo.
Na hipótese de interposição conjunta de Recursos Ex-
traordinário e Especial, o agravante deverá interpor um
agravo para êa:da·reçúrso·nãoi:ldmitido. Se houver·ap~nas
um agravo, o recurso será remetido ao tribÚnal compe-
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Josevaf Martins Viana
I
I
tente, e, havendo, interposição conjunta, os autos serão
remetidos ao Superior Tribunal de Justiça.
Concluído o julgamento do agravo pelo Superior Tri-
bunal de Justiça e, se Íor o caso, do recurso especial, in-
dependentemente de pedido, os autos serão remetidos ao
Supremo Tribunal Federal para apreciação do agravo a ele
dirigido, salvo se estiver prejudicado.

8. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA

Os embargos de divergência são admissíveis perante o


Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça.
; .~·· ,.
Este recJrsÓ inexiste nás instânCias inferiores. Têrn pOr fi- ·. · . ·
nalidadE; extinguir a divergência interna sobre determinada
questão jurídica existente na própria Suprema Corte. As
questões jurídicas controvertidas dizem respeito à inter-
pretação de norma constitucional e infracemstitucional.
Já que é de competência do Supremo Tribunal Federal l
interpretar a norma ·constitucional e do Superior Tribunal
de Justiça, a norma infraconstitucional, não pode haver
divergência de intexpretação entre as turmas julgadoras
sob pena de causar profunda·instabilidade jurídica.
A interpretaçãb da norma pela Suprema Corte há de
ser única, a fim de direcionar com exatidão a aplicação
das normas constitucionais e infraconstitucionais ao caso
. concreto. Os·exnbargos de divergência têm a.funçãó predc
pua de manter uma única interpretação normativa.

446
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

Dessa forma, poder-se-á realizar uma pesquisa juris-


prudencial sobre determinado tema e se terá condições de
avaliar se a demanda é ou não viável, tendo como auferir
o risco de eventual insucesso.
Admitem-se os embargos de divergência nos seguintes
casos:
a) em Recurso Extraordinário ou em Recurso Especial
que divergir do julgamer;:tto de qualquer outro órgão
do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado
e paradigma, de mérito;
b) em Recurso Extraordinário ou em Recurso Especial,
div~:í?: ~o j~lg~m~I1to 9:. .
qu~lquer outr() ?r~~() r:lg .•...... ·.•·• :. ·, •..·
mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e
paradigma, relativos ao juízo de admissibilidade;
c) em Recurso Extraordinário ou em Recurso Especial, '
divergir do julgamento de qualquer outro órgão do
mesmo tribunal, sendo um acórdão de mél'ito e
outro que não tenha conhecido do recurso, embora
tenha apreciado a controvérsia;
d) nos processos de competêncià originária, divergir
do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo
tribunal.
Teses jurídicas poderão ser confrontadas em julgamen-
tos de recursos e de ações de competência originária. A
. divergência que autoriza a interrosição dos embargos de
divergência pode vetificar-se na aplicação do direito ma- ·
'
terial ou do direito processual.

447
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO C!V!L o Joseva! Marths Viana

Cabem embargos de divergência quando o acórdão


paradigma for da mesma turma que proferiu a decisão
embargada, desde que sua composição tenha sofrido al-
teração em mais da metade de seus membros.
O embargante provará a divergência com certidão,
cópia ou citação de repositório oficial ou credenciado de
jurisprudência, inclusive em mídia eletrônica, em que foi
publicado o acórdão divergente, ou com a reprodução de
julgado disponível na rede mundial de computadores, in-
dicando a respectiva fonte, e mencionará as circunstâncias
que identificam ou assemelham os casos confrontados.
No recurso de embargos de divergência, será observa-
. do o procedirnerito estabelecido rio regiirlenco interno d()
respectivo tribunal superior. A interposição de embargos
de divergência no Superior Tribunal de Justiça interrompe
o prazo para interposição de recurso extraordinário por
qualquer das partes.
Se os embargos de divergência forem desprovidos ou
não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recur-
so extraordinário intei_posto pela outra parte antesdapu-
blicação do julgamento dos embargos de divergência será
processado e julgado indepel':ràentemente:de ·:ratificação.

8.1. Procedimento

O embargante elaborará a·petição dos embargos de


divergência no prazo de 15 (quinze) dias. Deve-se demons-

448
Capitl!ªo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

trar precisamente a divergência por meio de certidão ou


cópia autenticada do acórdão utilizado como paradigma,
ou ainda pela indicação do repositório de jurisprudência
oficial ou autorizado, apontando as passagens que são
divergentes.
Admitidos os embargos, será dada vista do recurso ao
embargado, para impugná-los. O Ministério Público tam-
bém será ouvido, se for o caso.
Depois disso, o relator redigirá o relatório e requererá
dia para o julgamento, seguindo-se os passos processuais
de acordo com as regras comuns atinentes ao julgamento
dos recursos nos tribunais.

449
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseval Martins Viana

8.2. Modelo dos embargos de divergência

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I

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I
I
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450
Capítulo XX
ESPECIES DE RECURSO
----"---~-----"

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PRÁTiCA FORENSE E~·1 PROCESSO C!VlL n Joseva! tviartins Viana

452
Capítulo XX
DE ReCURSO
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana

e daS'·ndtas

J.,
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454
Capítulo XX

-----=-=---
ESPECIES DE RECURSO

::-,_·. «,,·,,

455
PRÁTiCA FORENSE EM PROCESSO CiViL ,. Josevaf Martins Viana

9. OUTROS MODELOS

9.1. Agro;J.vo interno em recurso especial

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I


I

456
Capitulo XX
ESPÉC!ES DE RECURSO
-------

457
PRÁTiCA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viar'

9.2. Modelo de agravo interno em recurso especial

458
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

459
PRATICA FORENSE Ei"-i PROCESSO C!VlL JOSi-!'1.-J; iviartins Viand

460
Capitulo XX
CSP[C!ES DE RECURSO
---"~~"---""~~---

461
PRÂTICA FORENSE E1VJ PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

9.3. Modelo de agravo interposto contra decisão


que não admitiu recurso extraordinário

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462 I
Capitulo XX
ESPECIES DE RECURSO

463
PR.Õ,T!CA FOREl',1SE EM PROCESSO CJVIL Josevai .111iartins Viana

9.4. Modelo de embargos de divergência

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464
Capii:ulo )(){
ESPÊC!ES DE RECURSO
----

465
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL Joseval Martins Viana

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466
Capítulo XX
ESPÉCIES DE RECURSO

9.5. Modelo de Agravo Interno ao Tribunal de


Justiça que negou seguimento ao Recurso
Especial ao Superior Tribunal de Justiça

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PRÃTiCA FORENSE EN PROCESSO CiViL ~ ../osevai t-1aFtins Viana I


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468
Capít:lll10 XX
ESPÉCIES DE RECURSO

469
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

9.6. Diferença entre Agravo Interno endereçado


ao Desembargador do Tribunal de Justiça e
Agravo Interno endereçado ao Ministro do
Superior Tribunal de Justiça

Ao interpor Recurso Especial ou Recurso Extraordinário,


o endereçamento é feito ao Presidente do Ttibunal de Justiça
que remeterá os Recursos aos Tribunais Superiores, contudo
ele pode negar seguimento desses recursos, conforme dispõe
o art. 1.030, inciso V, do CPC. Nesse caso, o recorrente inter-
porá Agravo Interno em Recurso Especial (art. 1.042 do CPC)
que será endereçado ao Relator do Ttibunal de Justiça que
negou seguimento ao recurso a fim de desbloqueá-lo. Ima- I
gine-se que.o recorrente interpôs apenas aoRe.cmso J::;;peciaL j
O relator do Tribumll de Justiça nega seguimento ao recurso, l
porque entende que a tese está em desconformidade com
o posicionamento do STJ. Nesse caso, cabe agravo interno,
conforme dispõe o art. 1.030, § 2°, do CPC.
Imagine-se que o recorrente interpôs apenas o Recurso
Especial. O relator do Ttibunal de Justiça entendeu que o re-
curso preencheu os requisitos legais e remeteu-o ao Superior
Tribunal de Justiça. Ao ser distribuído para o Ministro Relator,
este 11ega seguimento ao Recurso EspeciaL Nesse caso, para
desbloquear o recwrso, o recorrente .deverá interpor o Agravo
Interno em Recursp Especial, com base no art. 1.042 do CPC.
O mesmo acontece com Recurso Extraordinário.
Não se esqueça de que se o Relator do Ttibunal de
Justiçai1e~arseguimento ao Recurso. E~pecial e aoRecur-
so ExtràJrdinârio, o recorrente dev~:t~ iritérpoÍ:' úrri Agravo . j
Interno para cada recurso com base no art. 1.021 do CPC.
470
PRbCESSO DE EXECUÇÃO

':,

1. INTRODUÇÃO

... O pmc:esso de e:x:ecução é UIJ1 conj~!lto d~ atos,.~of!ft;:-"


ridos·ao juiz de direito para obrigar o devedor a cumprir
uma obrigação apontada num título executivo extrajudi-
cial. Essa obrigação pode ser a de entregar coisa, de fazer
ou de não fazer e de quantia certa.
No Direito Processual Civil. há basicamente dua~ es-
pécies de execução: execução fundada em título execu-
tivo judicial e título executivo extrajudicial. Os títulos
executivos judiciais encontram-se listados no art. 515 do
CPC, e os títulos executivos extrajudiciais estão no art.
784 do CPC.
Além dessas espécies de execução, existe a execução
mediata e imediata. A execução mediata surge com o
ajuizamento de um processo judicial autônomo no qual o
execütiú:lô sérácitado,para cúrri.pnta ôbnga3:;ãô Eisti.Pliüíâ!J.'
no título executivo judicial. A execução imediata é aquela
PR.li,T!CP.. FORENSE EM PROCESSO C1V!L. ~ Josevaí Martins Vianç

que ocorre depois da fase de conhecimento, ou seja, na


fase, de cumprimento da sentença.
q objeto de estudo deste capítulo será, portanto, o pro-
cesso de execução, ou seja, um processo judicial autônomo
que visa a compelir o executado a cumprir as obrigações
contidas nos títulos executivos extrajudiciais.

2, DAS PARTES NA EXECUÇÃO

O processo de execução é uma ação judicial, por isso


devem figurar nos polos ativo e passivo partes legítimas.

~=~:: ;;:b;;p;e ~~;'~ !:;~;~;~:n;;~~o::e~~~:~~~ã~ . I


forçad~. No ~~tanto, pod~m pr~mover ·à' ~X:~cuÇão forçacl.a' ·· •.· · 1
ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente originário,
conforme dispõe o art. 778 do CPC:
I - o Ministério Público, nos casos previs~os em lei;
li - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor,
sempre que, por morte deste, lhes for transmitido o direito
resultante do título executivo;
III - o cessionário, quando o direito resultante do título
executivo lhe for transferido por ato entre vivos;
N.- o sub-rogado, nos casos de sub-rogaÇão legal ou con-
. vencional.

Dispõe o art. 779 do CPC que a execução pode ser


promovida. contra: í

I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo;

472
Cap!tu!o XX!
PROCESSO D.E EXECUCÁO

li - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor;

lli - o novo devedor que assumiu, com o consentimento do


credor, a obrigação resultante do título executivo;

IV - o fiador do débito constante em título extrajudicial;

V - o responsável titular do bem vinculado por garantia


real ao pagamento do débito;
VI - o responsável tributário, assim definido em lei.

3. COMPETÊNCIA

Uma vez que o processo de execução autônomo é uma


veniadeira àÇ.ãO judicial corn atos específicos da execução: .
o credor precisa obedecer aos critérios de competência,
conforme dispõe o art. 781 do CPC. A regra geral explícita
que o exequente deverá distribuir o processo de execução .
no domicílio do executado. No entanto, existem outras
regras sobre competência que devem ser observadas~
Se o titulo executivo extrajudicial indicar foro de elei-
ção, a ação executiva deverá ser propo~ta no lugar indicado
no titulo. Há títulos executivos extrajudiciais que podem
também indicar que o processo deva ser distribuído no
lugar onde se encontram os bens do devedor.
Caso o devedor tenha rnais de um domicílio, o exe-
cutado poderá. ser demandado em qualquer um deles.
Se tiver em lugar incerto oudesconhecido, o exequepte
poderá ajUizar a áçãô dê execução no foro dq domicílio
do exequente, ou no lugar onde for encontrado.
A1:l
PRÂTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

Havendo mais de um devedor, o exequente pode esco-


lher o domicílio de qualquer um deles. O exequente poderá
propor a execução no foro do lugar em que se praticou o
ato ou em que ocorreu o fato que originou o título, mesmo
que nele não mais resida o executado.
Então, pode-se estabelecer o seguinte sobre a matéria
de competência: se não houver, no título executivo extra-
judicial, indicação de onde será ajuizada a demanda, o
exequente distribui-la-á no domicílio do executado.

4. REQUISITOS PARA A REALIZAÇÃO DA EXECUÇÃO

A 'exeêúÇãd' forç'àdá é uma Vetdâdéil"~\~2!io jud.iC:iaÍ, .


inclusive considerado um processo autônomo, com proce-
dimento e atos processuais próprios. Já que é considerada
l
uma ação judicial, deve preencher os requisitos da ação e i
dos pressupostos processuais.
No caso da execução forçada, são condições da ação
ou pressupostos processuais:
a) formal: existência do título. É dele que se verifica
a existência da certeza e a liquidez do débito;
b) prático: é o comportamento ilícito do executado
no que se refere ao cumprimento da obrigação, ou
seja, ao seu inadimplemento. Nesse caso, trata-se
da exigibilidade da dívida.
o título ex~cutivo é' prova do ina'dimplémento do exe- ·
cutado. Se não houver o título executivo, não haverá exe-

474
Capftulo XXI
PROCESSO DE EXECUÇÃO

cução: nulla executio sine titulo. Este título tem de preencher


três requisitos: liquidez, certeza e exigibilidade. A liquidez
refere-se à determinação da importância da prestação
devida. A certeza di~ respeito a espancar qualquer dúvida
quanto à existência da dívida e, por fim, a exigibilidade,
quanto ao efetivo cumprimento da obrigação no prazo
fixado.
Constatado o inadimplemento do devedor, o credor
poderá promover a execução. Lembre-se de que inadim-
plente é o devedor que não satisfaz a obrigação na data
indicada no título executivo.

-. 1--. ·.·.:.... ··.

O art. 784 do CPC explícita que os títulos executivos


extrajudiciais são:
a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a
debênture e o cheque;

li - a escritura pública ou outro documento público assi-


nado pelo devedor;

li! - o documento particular assinado pelo devedor e por 2


(duas) testemunhas;

IV- o instrumento de transação referendado pel.o Ministério


Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública,
pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou
mediador credenciado por tribunal;

V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, ~nticrese ou


outro direito real de garantia e aquele garantido por caução;

475
PR.Á.TJC!\ FORENSE EM PROCESSO C!\!! L " Josovai Martins Vieno

VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte;


VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio;
, VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente
de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios>
tats como taxas e despesas de condomínio;
IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, corres-
pondente aos créditos inscritos na forma da lei;
X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extra-
ordinárias de condomínio edilíéio, previstas na respectiva
convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que
documentalmente comprovadas;
:XI - a certidã.o Eili1Jedida por serveptiól notari<?J, ói,i de regis, .
vàíotes de efuolÜhlentos e dehlais despesas .
trÕ re!Í:ltiva a
devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas
estabelecidas em lei;
XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição ex-
pressa, a lei atribuir força executiva.

Para exigir o cumprimento desses títulos executivos


extrajudiciais, o credor deverá ajuizar processo de execução
para compelir o devedor a cumprir a obrigação inserida no
título. No processo de execução, não se esqueça de que o
credor é chamado de :·exequentê~·'etí:mev'êdor,·cle·executado.

6. RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL DO DEVEDOR

O art. 789.doCPC.disp6e;que:-''O devedorrespondécom


todos os seus bens presentes e futuros, para o cumpri-

476
Capitulo XXI
PF:OCESSO DE EXECUÇ,Ó.O

mento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas


em lei." Depreendem-se desse artigo duas lições importan-
tes. A primeira é que o devedor responde com seus bens
(presentes e futuros) pelo cumprimento das obrigações.
Isso significa que a execução incide sobre o patrimônio
do devedor e não sobre sua pessoa, exceto no caso de
pensão alimentícia. A segunda lição é que nem todos os
bens do devedor respondem pelas dívidas contraídas por
ele, protegendo, desta forma, sua dígnidade. 'I
Respondem . os bens do devedor pela dívida que ele 1.·1'
i
;·.,
contraiu e não cumpriu. No entanto, outras pessoas que
não figuram no título executivo podem voluntariamente
assumir .a çlívida par;3_ cumprir .a· obrigação. Elas. ~e tor-
nam partes legítimas no processo de execução, embora
não tenham o nome no título, respondendo pela dívida e
se não a quitarem, seus patrimônios serão penhorados e
arrematados ..
.
Os terceiros não respondem pelas obrigações de outros
. (
i
I
devedores, quando eles não houver relação jurídica com '
terceiro, contudo, existem alguns casos excepcionais que
obrigam uma pessoa a pagar a dívida· de outra e, se não
o fizer, seus bens respondem por essas dívidas. Dispõe o
art. 790 do CPC que são sujeitos à execução os bens: I- do
sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada
em direito real ou obrigação reipersecutória; li - do sócio,
nos termos da lei; III- do devedor, ainda que em. poder de
terceiros; IV - dcl cônj11ge ou companheiro, nos casos em
que seus bens próprios ou de sua meação respondem pela

4Tl
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO C1V1L " Joseval Martins Viana

dívida; V- alienados c>u gravados com ônus real err fraude


à execução; VI - cuja alienação ou gravação com ônus real
tenha sido anulada em razão do reconhecimento, em ação
a(ltônoma, de fraude contra· credores; VII - do responsável,
' casos de desconsideração da personalidade jurídica.
:qos

7. FRAUDE À EXECUÇÃO

Fraude à execução é a alienação de bens pelo devedor, na


pendência de um processo capaz de reduzi-lo à insolvência,
sem a reserva em seu patrimônio de bens suficientes para
garantir o débito que é o objeto de cobrança. A alienação
ou oneração do bem é considerada fraude à execução, nos
~egliil1tes câ~d~: qiJ~D.ci.o sobr'Éi obem pehdêi â.Çãó. furí.d~cia· .
em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que
a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo
registro público, se houver; quando tiver sido averbada, no
registro do bem, a pendência do processo de execução, na
forma do art. 828; quando tiver sido averbado, no registro
do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de constrição
judicial originário do processo onde foi arguida a fraude;
quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava
contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência; nos
demais casos expressos em1ei.·

8. DAS DIVERSAS ESPÉCIES DE EXECUÇÃO

Existem ,três tipos.-de.-exe.cuçao: execução para entrega ..·.


de. coisa, execução das obrigações de fazer ou de não fazer

478
Capítulo XXI
PROCESSO DE EXECUCÃO
~---

e execução por quantia ce•-" Ao propor qualquer uma


dessas execuções, ao redigir a petição inicial, o exequente
deverá cumprir determinados requisitos. Precisa instruir a
inicial com o título executivo extrajudicial, digitalizando-o e
aguardando a determinação do juiz de direito para entregar
o título no respectivo cartório. Se for processo físico, juntá-
-lo-á com a petição inicial. O exequente precisa elaborar o
demonstrativo do débito atuali:z;ado até a data da propositura
da ação, quando se tratar de execução por quantia certa. Se
for entrega de coisa ou obrigação de fazer, acostar à inicial
prova de que ·se verificou a condição ou ocorreu o termo,
caso seja necessário. Finalmente, se for o caso, deverá juntar
a proyaqe.q!le adimplip a contmprestação qtle lhe corresé ....
· ponde ~uque lhe assegu;a o cumprimento, se o e:X:ecl.ltad.o
não for obrigado a satisfazer a sua prestação senão me-
diante a contraprestação do exequente. Deve indicar ainda
na petição inicial a espécie de execução de sua preferência,
quando por mais de um modo puder ser realizada e oS> bens
suscetíveis de penhora, sempre que possível.
Com relação ao demonstrativo do débÍto, nas execuções
de quantia certa, ele deverá ser discriminado. Deve conter
o índice de correção monetária adotado, a taxa de juros
aplicada, os termos inicial e final de incidência de correção
monetária e da taxa de juros utilizados, a periodicidade
da capitalização dos juros, se for o caso e a especificação
. de desconto obrigatório realizado.
.· 0 JliOCêSSO"de execução destinacse à satisfaÇãb do<(:ii~ •
reito do credor que possui titulo executivo extrajudicial.
479
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO ClVJL • JosevQ! Martins Viana

Caso o Ôc'vedor não cumpra voluntariamente a obrigação,


o credor cé'm direito de iniciar a execução forçada, utili-
zando-se do Estado para compelir o devedor a cumprir a
obrigação inserida no título.

9. NULIDADE DA EXECUÇÃO

Dá-se a nulidade da execução nos seguintes casos: o


título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação
certa líquido e exigível, o executado não for regularmente
citado ou se a execução for proposta antes de se verificar
a condição ou de ocorrer o termo. A nulidade pode será
pronun.ciada,de ofício. pelo jl).iz ou arguidapelq E;xecutaçlo, , ..
. independente1Tiente da oposição dos embargos à execução.

10. EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA

A execução para a entrega de coisa refere-se à obriga-


ção de dar coisa certa e incerta. Esta espécie de execução
forçada abrange as obrigações de dar, prestar e restituir.
A prestação de dar exige do devedor a entrega daquilo
que não é seu, ainda que estivesse agindo como se fosse
o dono; No caso de prestar, -o~de:v:e.dorA:em,a<GJbrigação de
devolver a coisa q1,1e recebeu do credor a título de posse
ou detenção temporária.
O objeto da prestaç.ão nem sempre está individualiza-
do. O Código de.Processo Civil dí'vidiu em seções . distintas
a execução da entrega Ge coisa certa (arts. 806 a 810) e

480
Capítulo XXI
PROCESSO DE EXECUÇÃO

de coisa incerta (arts. 811 a 813). Neste último caso, de-


ve-se passar, primeiro, por uma fase de individualização
da coisa que está indicada no título apenas pelo gênero
e pela quantidade. Por exemplo, entrega .de cinquen~a
computadores.

10.1. Entrega de coisa certa

A execução para entrega de coisa certa deverá ser


ajuizada com o competente título executivo extrajudicial.
O devedor será citado para satisfazer a obrigação em 15
(quinze) dias. Ao despachar a petição inicial, o juiz poderá
fixar m11ltapor dia de atraso no cumprimentodaobrigaçã<J:
Esse vaiar e~tá sujeito à alteração, caso se mostre insufi-
ciente ou excessivo. A multa diária também é conhecida
como "astreintes". Essa multa funciona como instrumento
de coação frente ao devedor, por isso o valor da multa
aplicado deve ser compatível com a obrigação. •
Observando o princípio da economia processual, cons-
tará do mandado de citação ordem de imissão mi posse
(coisa imóvel) ou busca e apreensãd (coisa móvel) cujo
cumprimento se dará de imediato se o executado não
satisfizer a obrigação no prazo que lhe foi designado.
Quando for citado, o executado poderá:. fazer a entre-
ga da coisa, satisfazendo a obrigação, prosseguindócse a
execução para o pagamento de frutos ou o ressarcimento
de prejuízos, se houv~r; o devedor pode depositar 'a cólsa ·
para embargar ou não entregar a coisa.
481
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

Se o devedor entregar a coisa, será lavrado o termo


respectivo e considerada satisfeita a obrigação, prosse-
guindo-se a execução para o pagamento de frutos ou o
ressarcimento de prejuízos, se houver.
Ao depositar a coisa, o executado poderá opor embargos
à execução, nos termos do art. 914 do CPC: "O executado,
independentemente de penhora, depósito ou caução, pode-
rá se opor à execução por meio de embargos." Os embar-
gos podem ser rejeitados liminarmente, determinando-se
a entrega imediata da coisa ao embargado (exequente).
Se os embargos forem recebidos, podendo ser concedido
o efeito suspensivo, o exequente será ouvido no prazo de
15 (quinze). çl.ias,. podendo. haver. audi&ncia (art.. 920, U. do ..
CPC). Se os embargos forem rejeitados, a coisa serâ en-
tregue ao exequente. Se a sentença acolher os embargos,
haverá a devolução da coisa ao executado.
Finalmente, se o devedor não entregar. a coisa e ela
não for encontrada, haverá conversão de perdas e danos
e liquidação (art. 809 do CPC). Converte-se então em exe-
cução por quantia certa.

10.2. Entrega de coisa incerta

A execução para entrega de coisa incerta é tratada nos


arts. 811 a 813 do CPC. As disposições do processo de exe- i
cução para entrega de coisa incerta só se referem àquelas j
' que estejam fundai:nentadas ·errúítulo executivo ,extraju- . ··.. ·. · ·. l
dicial. Coisa incerta é aquela que não está determinada I
482
Capítulo XXI
PROCESSO DE EXECUÇÃO

pelo gênero e quantidade, como, por exemplo, sacas de


arroz, 20 impressoras etc. No cumprimento de obrigações
dessa natureza, como as coisas não estão individualizadas,
deve-se, em primeiro lugar, individualizá-las por meio da
escolha realizada pelo devedor, ou, quando indicar o títu-
lo da obrigação, pelo credor. Assim explícita o art. 811 do
CPC: "Quando a execução recair sobre coisa determinada
pelo gênero e pela quantidade, o executado será citado
para entregá-la individualizada, se lh~ couber a escolha.
Parágrafo único. Se a escolha couber ao exequente, esse
deverá indicácla na petição inicial.'.'
Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade,
.·a escolh;;l.pertc;Dce ap dey:edor, se o contrário não resultar··
do títUÍo da obrigáção. Quando a escolha competir ao de-
vedor, este não poderá dar coisa pior nem será obrigado
(sendo a escolha do credor) a prestar a melhor.
A individualização não é absoluta e comporta impug-
nação, conforme dispõe o art. 812 do CPC: "Qualque'l: das
partes poderá, no prazo de 15 (quinze) dias, impugnar a
escolha feita pela outra, e o juiz decidirá de plano ou, se
necessário, ouvindo perito de sua nomeação."
A petição inicial de execução para a entrega de coisa
incerta deverá indicar se a escolha cabe ao exequente ou
ao executado. Quando a execução recair sobre coisas deter-
minadas pelo gênero e quantidade, o executado será citado
. para entregá-las individualizadas no prazo de 15 (quinze)
dias, se lhe couber a escolha> Caso a escolha caiba âo ctec · ".·
dor, é ele quem individualizará a coisa na petição inicial.

483
i
PRÁTiCA i=ORENSE B.IJ PROCESSO C!V!L " Joseva! Martins Vi-ana I
I
Será a citação realizada para individualizar a coisa e
entregá-la. No entanto, ao ser citado, o devedor poderá opor
embargos no mesmo prazo. Feita a escolha, o prazo para a
impugnação é de 15 (quinze) dias.,A parte pode impugnar
a escolha feita pela outra. Realizada a impugnação, o juiz
decidirá de plano, ou nomeará perito. A decisão de plano ·
fundamenta-se na própria impugnação e nos elementos
necessários para a CONVICÇÃO do juiz, de acordo com as
provas carreadas aos autos do processo. Essa decisão é
interlocutória, e o recurso e o agravo de instrumento com
base no art. 1.015, parágrafo único, do CPC.

· . 1:!_. EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES. DE. FAZER OU DE ·

I
NÃO FAZER

A obrigação de fazer impõe ao devedor a realização


de praticar um ato e a de não fazer, a de não praticá-lo •·
ou deixar de praticá-lo. A obrigação de fazer é positiva e .•
a de não fazer, negativa. Ambas exigem um determinado
"procedimento" do devedor.
Há dois tipos de obrigação de fazer: fungível e infun-
gível. A obrigação de fazer fungível é um ato que pode
ser realizado por terceiro. A'irífungf(rel'é·realizada apenas
pelo devedor em Virtude. de sua aptidão ou qualificação
pessoaL
Se a obrigação for fungível, o credor poderá executá ela
à cl.lsta do'devedor, ü:tilizarídocs~··de terceiros parã ·'o éumc . ·
primento da obrigação. Caso a obrigação seja infungível,

484
Capíti!.!!O XXI
PROCESSO DE EXECUCÃO
------

e o devedor recusar-se ou demorar a realizá-la, o credor


pode converter a obrigação em perdas e danos.
Nas obrigações de fazer e não fazer, o credor pode exigir
as astreintes, isto é, a multa diária pelo inadimplemento
da obrigação. É um meio de coação que visa a compelir o
devedor a realizar a prestação de fazer e não fazer. O cre-
dor pode exigir o pagamento da multa diária na execução
da obrigação por quantia certa, no mesmo processo, ainda
que a obrigação seja de fazer ou não fazer.
A obrigação de não fazer é a abstenção de um ato que
não deve praticá-lo por lei ou pelo contrato. Se descum-
pri'r a obrigação, .o credor exigirá que deixe de praticá-lo.·
o devedor também assumirá todas as despesas pelo des-
fazimento do ato, além de responder por perdas e danos.
A obrigação de fazer ou não fazer deve constar do título,·
executivo extrajudicial, para que possa ser executada.
Essa ação também recebe o nome de preceito comina-
tório. Pode ser que o devedor não consiga desfazer o ato.
Nesse caso, repise-se, responderá por perdas e danos, e a
quantia indenizatória será liquidada e' exigida em execução
por quantia certa nos próprios autos do processo.
O procedimento da obrigação de fazer e não fazer
origina-se sempre em título executivo. Na petição inicial,
o exequente indicará se a obrigação é de fazer ou não
fazer, requerendo a citação do executÇldo para cumprir
.
a obrigaÇão no prazo. que 6 jÚiz lhé designar, se o prazo
não estiver determinado no título executivo, ou mesmo
4llS
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

será citado para deixar de realizar o ato, de acordo com


a espécie da obrigação. É importante também, na inicial,
indicar se a obrigaçào é fungível ou infungível, uma vez
que o procedimento é diferente para cada tipo de ação.
O início da execução da obrigação fungível opera-se
por meio do requerimento da citação do devedor, a fim de
que ele cumpra a prestação no prazo determinado pelo
juiz ou inserido no título executivo. Não se esqueça de
que o prazo para o cumprimento da obrigação é flexível
de acordo com o contrato, a lei ou o título, considerando
cada caso apresentado ao juiz de direito .
. . . Ao receb~r apetição inicif}l, ()magístrado determinará o
prazo para o21..úrq)rl~ento dà obnga(;ão. Poderá fixar multa
diária que pode ser requerida pelo credor. Se o executado
cumprir voluntariamente a obrigação no prazo fixado pelo
juiz, extinguir-se-á o processo de execução, constando do
competente termo, declarando .o fato em sentença. Caso
o executado se recuse a cumprir a obrigação infungível, o
credor poderá requerer a conversão em perdas e danos. O
processo terá prosseguimento como execução de quantia
certa. O valor das perdas e danos será apurado em liqui-
dação de sentença.
Na obrigação .o-'e fazer fungível, se o executado não
cumprir a obrigação no prazo designado, o exequente,
nos próprios autos do processo, requererá que a obrigação
sejaJeit;:t por terceiro à custa do executado. Esse terceiro
. · pocl.erásei- indiéado p~lo próprio exeqÍiente. O ex~qUente
adiantará o valor das despesas, conforme a apresentação
Capítulo XXI
PROCESSO DE EXECUCÃO

da proposta feita pelo terceiro, ouvidas as partes, o juiz


houver aprovada. Realizada a presta_ção, o juiz ouvirá as
partes no prazo de 10 (dez) dias e, não havendo impugna-
ção, a obrigação será considerada cumprida. Não havendo +
impugnação, o juiz sentenciará.
Caso o terceiro contratado não realizar a prestação no
prazo ou se o fizer de modo incompleto ou defeituoso, o
exequente poderá requerer ao juiz, no prazo de 15 (quinze)
dias, que o autorize a concluí-la ou repará-la à custa do
contratante..
Na obrigação de não fazer, o executado que praticou o
ato que se comprometeu emnãofazê-lo porlei ou coptra-
. ·to,·s~Hi 'éfad() pàrà d~sfazê-16. s~· o .exec~dd~ ie2tisaf~s~·'
a desfazer o ato ou demorar em desfazê-lo, o exequente
requererá ao juiz que mande desfazer o ato à custa do exe-.
cutado, respondendo ainda por perdas e danos. Se não for
possível desfazer o ato, a obrigação resolve-se em perdas e

danos, caso em que, após a fase de liquidação de sentença,
observar-se-á o procedimento de execução por quantia certa.

12. EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA

A execução por quantia certa é o meio pelo qual o exe-


quente exige do executado o pagamento de certa quantia
em dinheiro, sob pena de penhorar tantos bens quantos
forem necessários do devedor a fim de satisfazer o.débi-
tó.CàsÔ o 'âe'\7ecl6r rião ·drnpra C:c\m a obrig~Çao,
, Js b~ns "•'
penhorados serão alienados para quitação do débito.
487
PR.Ó,TiC.8, FORENSE EM PROCESSO CiViL • Joseva! Martins Vianç
----

-_-__ Expropriar significa retirar a posse ou a propriedade


de alguém. Essa expropriação consiste em: a) adjudicação;
b) alienação, c) apropriação de frutos e rendimentos de
e.mpresa ou de estabelecimentos e de outros bens, segund,o
o teor do art. 825 do CPC.
O executado pode, a qualquer momento, remir a execu-
ção, pagando ou consignando, em juízo, a importância da
dívida, acrescida de jurcos, custa e honorários advocatícios,
antes de adjudicados ou alienados os bens.
Nem todos os bens do executado podem ser penho-
rados. Trata-se de proteger o devedor de uma execução
que possa levá-lo à miséria. O art. 833 do CPC explícita
que são impenhoráveis os seguintes beil~: ··-·

I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário,


não sujeitos à execução;

I! - os móveis, os pertences e as utilidades domesticas que


guarnecem a residência do executado, salvo os de eleva-
do valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns
correspondentes a um médio padrão de vida; ·

III - os vestuáric;>s, bem como os pertences de uso pessoal


do executado, salvo se de elevado valor; .
. . .,.,
IV - os venci:qientos, os subsídios, os soldos, os salários, as
remuneraçõe~, os proventos de aposentadoria, as pensões,
os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebi-
das por liberalidade de terceiro e desti!).adas ao sustento
do devedor e de sua família., os ganhos de trab.alhador
·autôi1omo·e os ho.n.oráriosde profissional liberal,ressal"
vado o§ 2°;

488
Capítulo XXI
PROCESSO DE EXECUÇÃO

V- os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os


instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis
ao exercício da profissao do executado;
VI - o seguro de vid'l,;
VII - os materiais necessários para obras em andamento,
salvo se essas forem penhoradas;
Vlll - a pequena propriedade rural, assim definida em lei,
desde que trabalhada pela fanu1ia;
IX - os recursos públicos recebidos por instituições priva-
das para aplicação compulsória em educação, saúde ou
assistência social;
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o
limite de 40 (quarenta) salários-mínimos;
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por
partido político, nos termos da lei;
XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobi-, '
liárias, sob regime de incorporação imobiliária, vinculados
à execução da obra. •

Os bens que foram adquiridos por meio de financia-


mento são penhoráveis, porque a ÍI!fpenhorabilidade não
é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem,
inclusive àquela contraída para sua aquisição, conforme
preleciona o art. 833, § 1°, do CPC.

12.1. Citação no processo de e:x;ecução

Ao despachar a petição inicial, b juiz dedireitbfixará


,
os honorários advocatícios em dez por cento, e determi-
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO C!Vll. ~ Josevaf Martins Viana

nará ao executado que pague os honorários e o débito


atualizado no prazo de três dias. Se o executado pagar
integralmente o débito, o juiz reduzirá os honorários para
cinco por çento. Depois de distribuída a petição inicial, o
exequente poderá requerer certidão de que a execução foi
admitida pelo juiz, para fins de averbação no regístro de
imóveis, de veículos ou de outros bens sujeitos a penhora;
arresto ou indisponibilidade. Concretizadas as averbações,
o exequente deverá comunicar o juiz no prazo de dez dias.
O executado será citado para pagar o débito no prazo
de três dias. Constará do mandado de citação a ordem de
penhora e avaliação. Se o executado não pagar ao exe- f

quente o débit(l; realizarcse-ão ·a: .penhora ·•e····,ª' .avaliaçào . · I


por meio do oficial de justiça. Incidirá a penhora sobre os
bens indicados pelo exequente na petição inicial, exceto se
l
outros bens forem indicados pelo executado e aceitos pelo
juiz, mediante demonstração de que a const~ção proposta
lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente.
Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arres-
tar-lhe-á quantos bens forem necessários para o pagamento
do débito. Nos dez dias seguintes à realização do arresto,
o oficial de justiça procurará o executado por duas vezes
em dias distintos. Se. houver suspeita de que o executado
esteja se ocultado, o oficial de justiça realizará a citação
com hora certa. Sendo frustrada a citação pessoal e com
hora certa, o exequente deverá requerer a citação por edital. I
Aperfeiçoada a citaçãe e transcorrido o prazo para a reali- I
zação do pagamento, o arresto converter-se-á em penhora.

490 I
Capitulo XXI
PROCESSO DE EXECUÇÃO

12.2. Penhojfa

O art. 831 do C?C dispõe que: "A penhora deverá recair


sobre tantos bens quanto bastarem para o pagamento do
principal atualizado, dos juros, das custas e dos honorários
advocatícios.".
Penhora é o ato de apreensão de tantos bens quantos
bastarem a fim de responderem pelo débito. A penhora dá
início à expropriação de bens do devedór para pagamento
do credor. Repise-se que não estão sujeitos à execução os
bens que a lei considera impenhoráveis ou inalienáveis.
O art. 833 do CPC indica os bens que não podem ser pe-
nhoráveis
. '
... Poxs.ljavez;
--·- ,--'. '-. ,___. '
' .
o art:835 do CPCreladortaos·béns' ;,, . · ._ lj

passíveis de penhora.
A penhora em dinheiro é preferencial. Nas demais
hipóteses, o juiz de direito poderá modificar a ordem pre-
vista no art. 835 do CPC, conforme as circunstância-f do
caso concreto. Ao ser penhorado um determinado bem, o
devedor poderá requerer a substituição da penhora pela
fiança bancária e o seguro garantia Ndicial, acrescido de
trinta por cento.

12.3. Avaliação

A avaliação será realizada pelo oficial de justiça, nos ter-


mos do art. 870 do CPC . Não se esqueça de que a avaliação .
· · é ato stibsequenté à penh.üia: a8 bi:::m: A avaliáçãpdos.be;~ ·
penhorados é realizada pelo oficial de justiça, no entanto,
ll.Q1
PR.<\TlCJ.\ FORENSE EM PROCESSO C! V! L ~. Joseva! ,~1artins Viana

.. se forem necessários conhecimentos especializados e o


, ·, valor da execução o comportar, o juiz nomeará avaliador,
' ·fixando-lhe prazo não superior a dez dias para a entrega
do laudo. Essa ava::ação tem por objetivo fixar um valor
mínimo para a futura arrematação ou adjudicação dos bens.
Depois de realizada a avaliação, esta não se repetirá
nos seguintes casos a) uma das partes aceitar a estimativa
feita pela outra; b) tratar-se de títulos ou de mercadorias
que tenham cotação em bolsa, comprovada por certidão ou
publicação no órgão oficial; c) tratar-se de títulos da dívi-
da pública, de ações de sociedades e de títulos de crédito
negociáveis em bolsa, cujo valor será o da cotação oficial
do dia, cprnp:rpvada por q;rtidãq qu pul:íliçaçãq no.órg~q
oficial; d) tr~tar-s~ d~ veículo~ autorr1~tores ou de outr~s
bens cujo preço médio de mercado possa ser conhecido
por meio de pesquisas realizadas por órgãos oficiais ou de
anúncios de venda divulgados em meios de comunicação,
caso em que caberá a quem fizer a nomeação o encargo
de comprovar a cotação de mercado.
Finalizadas a penhora e a avaliação, o juiz de direito
iniciará os atos de expropriação do bem penhorado com
o objetivo quitar o débito .

. 12.4. Expropriação de bens

A expropriaçãodos bens do devedqr permite ao cre-


.. dor alcançar a'' satisfaçao de seus créditos na execúção
por quantia certa. Em primeiro lugar, deve-se verificar se

492
Capítulo XXI
P!-~OCESSO DE EXECUÇÃO
----------

há interessados na adjudicação do bem_ Se não houver,


inicia-se a alienação, que poderá ser realizada por inicia-
tiva particular, se o credor preferir, ou em leilão judicial,
eletrônico ou presencial.
O artigo 879, incisos I e li, do Código do Processo Civil
explícita que se fará a alienação por iniciativa particular,
por meio de leilão eletrônico ou presencial. Se o bem
não for adjudicado, o exequente poderá requerer que a
alienação seja realizada por sua própria iniciativa ou por
meio de corretor ou leiloeiro público credenciado perante
o órgão judiciário.
A alienação será formalizada por termo nos autos,
contendo a assinatura do j.uiz de direito, do exequente,
do adquirente e, se estiver presente, do executado, expe-
dindo-se a carta de alienação e o mandado de imissão na
posse, tratando-se de bem imóvel, e ordem de entrega ao ·
adquirente, quando se tratar de bem móvel.

12.5. Satisfação do crédito e extinção da execução


A satisfação do crédito do exequente é feita pela entre-
ga do dinheiro ou pela adjudicação dos bens penhorados,
conforme dispõe o art. 904 do CPC. Ao receber o mandado
para levantamento do crédito, o exequente dará ao exe-
cutado, por termo nos autos, quitação da quantia paga .
. Dada a quitação ao credor, extingue-se a execução. Essa
extinção somente prpduzirá efeitos, quando for declatádà
por sentença.
493
PRÂTJCA FORENSE EM PROCESSO CIVIL o Joseval Martins Viana

13. MODELOS DE PETIÇÃO INICIAL NO PROCESSO


DE EXECUÇÃO

13.1. Modelo de petição inicial de entrega de coisa


certa

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA


VARA CÍVIEI. DA COMARCA DE '----'--'--~-'---

{lócmí ·

NOME COMPlETO, nacionalidade, estado civil/união está- i

. w=l,. portaqor . qj3 Çédul?:•de .ldel}tida.de


i
•',' '•
.''.'-',o,
'
,•' ' i--
. ',•,
f)G.n.[..:], devidamente .
', ' ' ,
-- .
n•".',- ",

inscrito noCf'F/MF ~: [.. .]; e'mail [... ], residente e domiciliado


. na[rl.la],[núMero],[i:Jakro],[CEP], [ÇidadE>],[Estado], por inter-
' ' ;, o, ,"•' c'''<" '•' :>,' • '' ' ' -,, • '-." " ,-; ' ", • " ,, ", '•
.
''I' i

médio de seu <;~dvdgadoe [Jastante procurador infra-assinado


i)

{Procuração "adjudicia"em anem),vem, mui respeitosamente,


j
·à presença. de Vossa Excelência, propor AÇÃO DE ÉXECUÇÃO
. PARA.ENTREGA.D.E.COISACERTA cornfulcro.nos artigos S06
~ ~iQ Jo <;ócligod~ p~~~~sd êivii' ~~nt~~·· i\!OIIIiE toMPLETO,
naÇi9na\ícjade, éstado,:ivil/yni~o estável,pqrta(jorda Cédljla
. J~l.de~tidad~iG n.. [.•:.J; de;idarn.enteinsçrito no ÇPF/MF ,n .
.···(..i ~Jin~i! !.:i
ieslct~ht~ é domiciliado na.{rqa], . ·[número]•..
· · . [balrro].[CEI'], [Ôpad~J,íEstado], belos tnotiv()~;de·fato e de..

..... \l .. E~ Il······ . 0 exequent~ádquiriu..doexecutado,·. I


. "• ·>r9ti~~i~:ªé·~~c~itGi<J~~blicà;'dêÚenCJà\e,<:()inPr~,o. aparta~· •··•· .· . ·. j "
.••.•. ·. ~ent~n.[. ..],!otalii~dóna·Av, [ .. ],do. Edifício[.,.], pagando

494 I
Capitulo .XXI
PROCESSO DE EXECUÇ)\O
- - - · ·--·-···-·- ····-

à vista o valor de R$ [ ... ]. A cláusula [. ] do contrato informa


que o executado deveria entregar o apartamento 30 (trinta)
dias depois da aquisição do bem: No entanto, 60 (sessenta)
dias ..se passaram e o executado não quer deixaro imóvel.
~· . • - . '< .

2. O exequente tentou amigavelmente exigir do executa'


do o cumprimento qa c:láusula [... ], entretanto, o executado
mantém-se irredUtív~l, e se nega a entregar-lhe o imóvel, e li-
. minando qualqueresperançàde
.
,,.- .. ·-
',
cumprir. a.c:láusula contratual.
-~ ' .,

. 3. Dispõ~O artigo 784, inciso 11, do Código de Processo


. Civil que a. escritura pública é titulo executivo· extrajudicial. É
considerado,
.- "
po~arito;· um
' '.,
títuloextrajudicial líquido, certo
e exigível. O título é uma prova que indica o inadimplemen-
•to. do .d ev<;>dor~ e• enseja• o 'rYroçessó 'de. execuç~ó. 'A ··liqdidez ··• ·· ·'··'

r~fere~se exatam<;>nd à obrigação que deva. ser. cumprida,


semqUalq1,1er dúÍrida.sobre ela:A certeza. indica a existência
do descurnpdrner\to d~ obrigação ê, ·por fim, a exigibilidade
réferNe aoefetiyo descumprimento da obrigação no. prazo
fiXado-ho.título.- ~

4. Ora,ExCeiElllcia, \Jma vez ~ue o executado riilo cumBriu


. cóma obri~aÇão estampada nO (;()ntratü de venda e compra,
negando-sé ~ deixá r {) i(l]6ve(hão Festciu bpção ao exeque~te · .
.••. arião s~~Pf!?PÓrest~ ação a fi+de exigiG rnedi~nte d<;>terrnic
·. naçãO judiçi~l, o CUrnprirn<;>nto diJ <entr~:ga _do •imóvel:
bi<Jn~e elo $xpostc{r~q\J~r·~ Vodsá Excelênci.~ ·que sedighe .
d~dété~h)ih~~i ~i~Bãci,ào ~*é26t~~opa~a· curn~rir,nó.praio
· · • i~e .;t~ (quin~<;>);di~s(a;pbrigaçã.~, qu~ ta f'n~regadoim~veF
·····fJxijndÔúriu.l1:<l"•PíÍt'atr'1-s<:>:iid-ciJÍribdiliéntô da
8tlrig~tãb;7~6tf''···
·. pénad~iirni~~~<:liha pÔ~?~.cÕnt(jrrné•di~ppeO.artigo'8o6,§§ ·.

495
PRÍ\TlCA FORENSE FM PROCESSO 'CIVIL ~ Joseval Martins VianD
---

1º e 2º, do Código de Processo Civil, cujo cumpfirnentódeve


operar-se de imediato, se o.exec\itad() ~ão entregill'\f;)iur)t,iri~H <

l
1

ll
496 1
Capitulo XXI
PROCESSO DE EXECUÇÃO

de Processo Civil, seja estaaçãoémbargaqa óu não,pat~ariclc:J


ainda, o exetutMo, as despesas proce~sÚéJi'i.
Por fim, rPrno.>r

497
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseva/ Martíns Viana

13.2. Modelo de execução para entrega de coisa


incerta

EXCHENTÍSSIMO SEMHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA


VARA chrh PÂ tól\li,i\~cfo.•. bE·_····.·. :.· '---__,.,'---'-'-,...---'

i
I
vel,·t~j~~~~~i~t~;·f~~~~~~~f~:·t~t~~(.fJi:~~~J:::s::~·
·
insêriid f16 <=kflr\IIFA•. [.:;],•'dJ~~~~ [. ..],.•r~iiddr1t~•.·.e <J()rn.icil.iado ·
I
I

•. : ra.rnM;•Inylj'l~ig):lp~1fr()l,Jf.~·pJ,[Çid•a~.~J~f~.~t.<Jg8),• P8r,i9terc . ·
.···. ·. fí1é~.ia\<1Jsél1 ~$v~giiJo ~ b<lé~~nt~ •pr~c~ r~fi9C. Ínf,ra,assi nado··.

"iltZI~rarAi~lfi1~~!
· ·•·f1ii®~liii.~.s·i&<ái> :<=d<l'igiffiá~'kf~2~1d~ti\lii·•2~W~;~··.•·r:~~np~~~A
.•
;Í~~~;~~~.í~~m~~f~?~éscr1 t~fn(),9N.g~ Q; k·dr;i~~~a:ctair~.••R~.a··.·r...]..
. • .••···•nH
. .. <=EP'[: ..], riácidade.de[; ..];no.Estado de[.,.],
:J;•baitro'[:.;],
· · •8~~~~ til§~~()~ ~d.'i~~~d·~~·~·.•dit~if()~.b~i~b··~·rt]cu.lagos: ·
·.·. )•••'.·(é•;l,~J~&j<.. ){XY\/ T\i.,c)·'~~~qq~ht~ felE"~rqu·',copt~atbdE"

l~iwt~r~§k~~~~~~i;s~~~~~~rf~~;,~itn1';~~ obj'~Eu 8> I


. •. . • c()ritr~~ô~[!i\~!lq~f!tr~~~~s'ih~!ça>qüeçbr\lp~té,~.oé~et!ltado
·.·a esc\>ih<'.! dos cO(TlplltadÔres: · I
· • ·.~;·.~~;~~a~$··~fazg,fi~·êhh~i~;.:6· exêqü~nte····tentbu ·. •··· · •. I
~C>rt<Íf,ia~.V~~~~bl)ri~~~~ ~l<etUt~dóa .cumprir.· a.obrigação j
498
CapH:uio XXI
PROCESSO DE EXECUCÃO
--- --·~------·---··

.
assu~ída no contrato, no entanto, todos os esforços em-
.
pregàdos p;lra a.pbtenção .do cumprírnento contratual não
logram.éxit 0 . ·
3. 2o~o~$ç~bo d~··ratffi2ar<lí~adímplement6 coritratu'
. ~~·do ex~d~t~clb/6
-,'' __
exe~tier1te'notificoJ~o
,_. ... -.--..... -.·------·.·,,-.' --·-·- '·... ,,-. -.-,.. ,- --- .. '.-.-
.. · ·;.: ·.·
~xtrajudidalmente.
'· ._:_- ·-·--- .

.• • Mesmq a~~iir\;.o exêêl.Jtadd recÜsacie ~ntregafosSQ.{cínqL!Em-.


• ia) cb;;\~J~~Hbred.. f •·· . . · . ·. ·. ·.· / <···.·.··········,·.•. ··.,·.······•··.··•···.·•.·•·. ···.. · • ·

·s~g,f;ijjjiJt~~~~~~NU~~~~~:,
•··}éit$i~B~·~bGtríh~ 4~1\1~fi·~·•. í-J e)~r1~ &ir\ii;·•·u(;6f\siit~·r1a r~là~~o·••··· · • ·
. ·. dbpigil~Jdhal ~,y;<à~~ ci'Óbj~1:b}ihcli ~aBb 8e f()r*~·· fi~néríta ~b i
•·.·,····ir\Ícib··da• r~laçã<lr.véTf4ser~et~t.rr;.i,n~r19 ~ediante.ufl] ato'. dp·········•··.;
.•·.· · · ~~~~~h;;~Br'o~6~i~o1o~~u aaí;;;plirn:ntci.:,. {~ui~Ó.c~e ~ireit~ •·.· ....
·· . · ~illil;b~~sil~if~~.iegfia:g~;~~~a~;J~~i~~ÇÕ~s .• d2.écJ·.··s~6·pauio:··.
~araília, 2B6±;6: Ú,v,).). •···· ·
•· .· · ( •i~-;Por)s:â: ~~z/4.C~r~i6i243doCódígo.• Cíviliafirma que:
• '~ coisa íll.~~rt9 s~~ in9í7~da, ?o.·rn e~~.s, pelo gênero ··e .pela
. · qqantlçl~dfi!' Oopj~to qe~ta demanda trata da 'êntrega de 50 ..
· · (dJf1qu.~~.~~·.c:;;rl)[lJiaâ6f.=s), ~s 8u~issiloíEicJitad()~flelo gêf]ero ·
.{d()O]flut~clof~Ú ~ ~~~~~J~ Eltid~cl~{cí nqÜ~nta) c~~a i:terizançl~, i

Lclg~t$fi~)ili'ci'b~g~ç~ÓdeenÚ~!l~··a~•c()isa···í~c~~a;··.·.·•••··.

ê9rnpytaêf6!~s; cppsoanl:ê àartig9'244 do Códígo.Óvíl:. "Nas


..' .c~isâs ~.et~rll)if1aqas fl~lo~êf1~rqép~lâ,q\J~fle~ad~, a, essolha
.•. -''pêftkh~~i~(l'~i!v~dªE ~e o ~6;;tfári6 não' résultar ·~0·. trtGIÓ á~
· ·. i,p~ri~ação;rri<ls llão•póderá dar acoísa ·pklr, nêm será obrigado
499
PRÁT!C;'\ FORENSE H·1 PROCE:SSO C!V!L Joseva! Martins Viana
--------

a prestar a melhor_" Ainda que a escolha


deverá ele primar pela qualid~de

EOO
Capitulo XX!
PROCESSO DE EXECUÇÂO

13.3. Modelo de execu.ção de obrigação d.e fazer


PRÂTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL • Joseval Martins Viana

curnpripdo SU<J obrigação na avença. Hoje, o exequent!ô rece-


beu um e-mail. do exec<Jtado, afirmando que não. irá compor
á.(l)ú~ica, .tónfqm1e p<Jctuado, ·sem indicar o motivo,

·i 3. Óêxéqúênte tentbil pórv~rias ve:çes· entrarem contato


•. .·co~ () €X~fUt;3dO a.firnd~:sabérp ·motiV() elO descÚmprlrlientO
c. ·.o.ht.~.at&~l}fri~i ·-· ()b~~Q~nennUnl
niJJ
. ,.-.·' .... ,·----···-
,., ;... ,·,--. ....·.· .. , ·.·.-· ..r~t()rno.Por
; -" ", _, .• essê rn.ó.ti~o,.
· •· rJ~~6á·&~~()aP7~~qJ;nt7.se~~oipr()To\fêr.• esta···exe;.u.~â?a
··•·•fi [TI d~ct:iwkeu/~ .,~ê;ttaqÓa.ct;~prir ~.oprigaçãú,ç~~forni~•··•···
N~ó0 k~6fci<Íct6.. . ·.... ·
· •.· • •· ~-~;@~r1~~~~~êi~JJ~Ledqa··$-~tr~~sá~w?n~~nfes.~çhaê······
·in adá d~i:lbrie~~ã&d~ fili~rini~dli,iJ~,. 5~gl.l~d6drlós Rriliêh:ó
• <?(JQc;?IVfõ~X~C\~~;~PP ~1=. oPr.iww~oi.e~<?neFl /? 9\'Ye9or se e'·~' •··
.·. ,;(0.,) Ç4(TlW·ir'~ pr~;tá~&;•.~iê2JÚ\\i6J·.8 at!:ió~ sêfyiÇg·.J:lró(n~- . .
.. tido, rilisfóí •tóhtrát~c~.&.·.~rrí· rafão d~;eus atrJbutos J:l~ssqais,
.·. ·incbgitá~~~ . •.~• sUa ko.bstlt!)içãq • por ()utra·. pêss0 <J,···.P~e.p 0st()·•. ou .
.jePr7sentant~.'' (Direitfjchtil brasiif!i~~: teoria ger<JJ das•.oPr.i-
gaÇões. 9. e~. S~o Paulo .: Sar<Jivil, 2012, p, 86). ..

····5, L~k Vez~u~ o~~ê~Jtaddrecébeu. pag<Jrnento··a Vista


. . para cóm~~-f ü0a···.:an~~o rnusic?l, deverá···· cumprfrsua obd- ·.
· g<Jçiíosohr:Jena·de ..gagar.ao exequente às perdas •., d~nos
·· ••·.· •• ·~ l1~ *i~t,~i$oft~r, ~bnt~ini~ \lii~5g 9aàf à1s •••db••cp(:•·•r~~ p•• .
·. •·,. ·ex~~ú~{Íg····.riãd<sàtisft~lot.a····Óbrigat~ti,,Fio.>prazó He~ig~ji8o,····é·
.·•lí~it~~~~#k!Jyê.~~~...n~s ~r?~~~bsáGt~dido.rrb•c:s;o,.re<Ju~t~r
•·.a •s~fi$fàtã~ tla.· Obri~a~~{)•it CWstidq ~~eCrJt<ltJo•bu ·•·per~9s.~· .
.. d~flgs{'hi~~t~~~ ~~ ~~~- se• con~ert~ráe.rn in.de,niz~ç~d,:'· .
,.-,-
······>pi~~~kt'lô•~í<!Jd~d; h{)~·•·•·túrrí.úsHo••·arrc
áis do cPc,·· ~
· . e~e~ye~~~;~~~ü~~- ~~~C .ifi~igne de .determif)ar .acitaÇãq dÓ
502
Capftuio XXI
PROCESSO DE EXECUCÃO
... _j

executado a fimde..satisfazer a obrigação no prazo que. Vossa


Excelênda designar il partir da citação._

seja. cumprida.,requ~r ai~S~~~r~ão


en) 'irldÉ,hi;~~i;:.ão, a fim de coil1pelir () executado ao
PRÁTiCA FORENSE Ei'ti PROCESSO CiViL ~ .Josevai Martins Viana
~----

13.4. Modelo de execução de obrigação de não fazer

I
I
I
504
Capítulo XXI
PROCESSO DE EXECUCÃO

505
PRÃTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL ~ Joseval Martins Viana

Diante do exposto, o exequente r~quer, nos termos do.


art. 822 do CPC, a citaÇão do executado, pari:! .que Jeche 'o
restaurante no prazo .assinalado
multa diária em caso d~

Protesta prov<Jrp alE•gado oc>rr!leio ilb,-nr•t~;>tn ri


ção de serviço
.
firn'laclô ' ' .
segundo o art. 784, inc, lill, do
admitidas em dire.itô. •

. Termqs ~fl1 que

pede deferimento.
'-_,-·. ' ;,

LÔcal e data.
- '•' ".

Assinatura, nome é OAB

506
Capitulo XXI
PROCESSO DE EXECUÇÂO

13.5. Modeio de execução por quantia certa

,; '

507
PRi\TiCi-. FORENSE EM PROCESSO C!V!L Josevai Martins Vi.:;na

3l. Dispõe o ardgo 784,

508
Capii:ado )00
PROCESSO DE EXECUÇÃO

"càput", do Código de Processo Ci)!il, os quai~ poderã() ser


reduzidos pel~ metade, no caso de
prazo de.3 (três)dias, consôanté
de Pro<;~ssp Ci\i.i

509
PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL " Joseval Martins Viana

14. EMBARGOS À EXECUÇÃO

Dispõe o art. 914 do CPC que: "O executado, indepen-


dentemente de penhora, depósito ou caução, poderá se
y-

opor execução por meio de embargos." Estes embargos à


execução são o instrumento de defesa do executado a fim
de livrá-lo do processo de execução. Serão eles distribuí- .
dos por dependência, autuados em apartado e instruídos
com cópias das peças processuais relevantes, que poderão
ser declaradas autênticas pelo próprio advogado, sob sua
responsabilidade pessoal.
Ainda que os embargos do devedor sejam a sua de-
. fesa , ao opôJos, o embargante instaura urr1a _nova ação .
;'•',''"' ' ··- '. " . _. -.• ... " ' .-. -. :-.., '. _., - '· ·- . ' ' _. . .- - .. ". -' . '_ .. _ é " .

judicial, um novo procedimento comum que tem por ob-


jetivo obter. uma sentença que impeça a exigibilidade do
título de crédito extrajudicial, desconstituindo sua eficácia.
Trata-se, portanto, de uma ação judicial e nela o devedor
formula seu pedido que é a anulação da exécução ou a
desconsideração do título executivo.
à execução o
É parte legítima para opor os embargos
próprio devedor. O credor figurará no polo passivo. O de-
vedor é o embargante, e o devedor, o embargado. O juiz
de direito competente. para conhecer dos embargos é o do
processo da execuçãó do título extrajudicial, por isso os
embargos à execução serão distribuídos por dependência
à ação principal.
Os embargos· serão oferecidos no prazo de quinze
dias, contato, conforme o caso, na forma do art. 231

510
Capítulo XXI
PROCESSO DE EXECUÇÃO

do CPC. Quando houver mais de um executado, o pra-


zo para cada um deles embargar é contado a partir da
juntada do respectivo comprovante de citação nos autos
do processo de execução. Lembre-se de que se .exclui o
primeiro dia e inclui-se o último dia na contagem dos
prazos processua1s.
No prazo para oposição dos embargos, o embargante,
ao invés de fazê-lo, reconhecendo o crédito do embargado,
poderá depositar trinta por cento do valor da execução,
acrescido de custas e de honorários de advogado, reque-
rendo, ainda ao juiz da execução, que lhe seja permitido
pagar o restante em até seis parcelas mensais, acrescidas
.de correção monetária e de jums de um porcento ~b fuê~:· ·
O exequente será intimado para manifestar-se sobre o
depósito, e o juiz decidirá em cinco dias.
Nos embargos à execução, o executado poderá alegar,
de acordo com o art. 917 do CPC, o seguinte:

I - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;

li - penhora incorreta ou avaliação errônea;

lii - excesso de execução ou cumulação indevida de exe-


cuções;

IV- retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos


de execução para entrega de coisa certa;

V- incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução;


' . ;.~
· VI : qualquer matéria que lhê séri.a lí~ito ciéd.u~ií- ~~~o
defesa em processo de conhecimento. '

511
PR.Ã.T!C..Do.. FORENSE EM PROCESSO OV!L o Joseval Martins ·vfena
------------------ ----

,_ A penl10ra incorreta ou a avaliação do bem penhorado


W-"' .
~oderão ser impugnadas por s1mples petição, no prazo de
.15 (quinze) dias, contatos da ciência do ato.
i·. Dar-se-á o excesso de execução nos seguintes casos,
conforme enumeração do art 917, § 2°, do CPC:
I - o exequente pleiteia quantia superior à do título;

li ela recai sobre coisa diversa daquela declarada no título;

III - ela se processa de modo diferente do que foi determi-


nado no título;
IV - o exequente, sem cumprir a prestação que lhe corres-
ponde, exige o adimplemento da prestação do execu-
tado;
V - o exequente não prova que a condição se realizou.

Se o embargante alegar que o.embargado está pleitean-


do quantia superior à do título, o embargante ~eclarará na
petição inicial o valor· que entende correto, apresentando
demonstrativo detalhado e atualizado de seu cálculo. Caso
não aponte o valor correto ou não apresente o demonstrati-
vo detalhado, os embargos à execução serão liminarmente
rejeitados, sem resolução de mérito, se o excesso for o seu
único fundamento, contudo, sehouvercoutrofundamento,
serão processados, rryas o juiz de direto não examinará a
alegação de excesso de execução.
O juiz de direito rejeitará liminarmente os embargos,
quando forem opostos. fora do prazo, ou seja, depois>'dos
quinze dias. Serão ainda rejeitados nos casos de indefe-

512
Capitulo XXI
PROCESSO DE EXECUÇÃO

rimento da petição inicial e de improcedência liminar do


pedido ou se forem manifestamenteprotelatórios.
Como regra geral, os embargos à execução não terão
efeitos suspensivos, porém, o juiz de direito poderá atri- .,
buir-lhe efeito suspensivo quando verificados os requis\tos
para a concessão da tutela provisória e desde que a exe-
cução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução
suficientes.

' .

513
PRÂTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL , Joseval Martins Viana

14.1. Modelo de embargos à execução

EXCElENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA


.·. ·'vÁkÂtfvEtoAc6MARcÂ[)E
. . •;.~·: ~-,-,---,-~---.-----

·. (HJ crn)

_·._.Nb~~jd?~PL~fo,na~i~naliçlade,
·· . ·. .·.
Ci.ls~],portàd~r Q~dula
•·•·. távet se té?ró ela
•.;.estadp _ _ civil [união·_ esc
de Identidade RG n.
[.. CJ, devj~~rnepté)nsÇrito ~o CPF/~ F n. ( ...], _·e-mail, residente
. e,domiciliado na Rua[ •.. ]
i• '-_-.- '•' > ~': ·;' ' -.
~. [:o.], no bairro de [... ], CEP. [... ],
·nesta Capital, por intermédio de seu advogado e bastante
próêiJi~doFin'fYac~$~ir1~dô (procuração· ~'ad judicià" em ariexo), ··
· ·velfl) {!lúl)ré~p~Itq.{arri~nte, à Pres~Dça_ de. Vossa •Excelência,
~()~f!lnda.rnett()nosar~gos 9~!··-~-;se~ui.n.tes âo Código de
f'rocessc{Çiyil ' prÓpdr EMBÃR(iOS AEX~CUÇÃO, em face de
·;_; N?~E'fQ~~l.~ô, •~aC,i9n~lid~de; .e~tâdÔdvil Tuni~(). estjvel, 1

··se fbr•o ça~o], ~~ti:<Jdorda. Cédula de .ldentic]ade RG.n. [ ...],


d~vi~~rn~rite iQ~ffito; no' êrF/~F h. [.:.•], e-mail, residente e.· .·
· çid~icili~~(lrj<J ~Ú [...1 n.[... J, no b<Jirro ·de [.. .];. CEP [... ], .·
•· ! <hesj,?•·ê~kif~l~·~~~~iisio.gGihf~~kr~~Õe.s>ci~ fatti;• e••• c]e·.di r~ito·-· ~.
, /§~i~\fikB~~~t~~:.L>;
.... ,. _,.,,,, ,·:·.
'. . . ;,'"<\:-·.'L ·
> i,Á'é#~<l·f*a?t~~táS~zd?'t~~~ut~iJ~ ~~í~~rT16a[gâdano
,\!~~~b,~~(ft$ g99:pqq;~8,t~~~~9I2~Til r~~~~rçuj" dívipa·· tem..·.
. . :········.···'
·- . . . . ,'ªrJg~ffi,~,ffi Mm.lfmW~~~m.ii.P:~~#()~~r·#~~~.iil?.; ém•·•--··•-·•-·•x•.·-·. ··-·~--
'\~iilliilf~'~iir{~~;çw;f;~,
514
Capitulo XXI
PROCESSO DE EXECUÇÃO

2.lniciaram,se os pag<Jmentos mensais, conforme o pactu-


ado, no entant8, a ern&~igànte ficou desempregada e atrasou
opagâmeritod<Jsduasllltjmas preitações, ficando devedora de
·R$ :Zo.oo(),oo(vinte mil re~id):oépqis de três meses.encontrou
nóv0 e~~regpg procu~oÚ a ~:rnbar~ada para qui•ti)r odibito,
n~ entaqto, o~ébito er<J d~. RS 3g,pqo,oo.(trinta mil r~ ais).
3)EriqÚ~nfb•~• emba;iJr\'f~ ~stava . tehtandb ·begodiaro
· · .• i·t~g~~ento,. \Í;~fp ql!~· qi~~6M~·~b5.Jai()réJ;~pr~~~Ht~d~~bei~
·. . •eillb~rga~a, •.~.sta' bi8h\8V.éJc.Jj]~ .,.?çãB ctéiéiéiú'0â$í::8;{j. b~se··
~~g~W~at!~~~~d~t~~g~~&qJ~QG~~u&h~~;~~~~,\ex;giq~B .• o.· .•..

. . •.·.. · · .· .· ~~:•..1\Jo~~-s~··q~.~. ht.~)(C(>~sp 912. ex<cc9çro,


yistq que a.. ~rn­
•·.b~rgàd~ >rn~Jor6u.~sh.;~;():i. rnór~tóri8s acim;l.·.·dô. ~a2tui]Bo, •
· •· p6;d; i~g0~a()•~ .<:laÚsJi~ Wir)J: ()sj0~()~ rríbr~fórios•~~o dê
· · 4~.·.r~Ú~tro·p()~cénfSJ .~6.rn~~;··••···•
·. ~-s~oiJJ~~[l~tcél~t~{rk~~êà{ géhm~ó, [JéJ~~Atóf ~rn d~t>ic
. tó d~ ~s 2i:ciôo,bo{J;ôté V'Girlrnii··~· 5ei;~eritôs ,~~i~), aférri ·~;~· ..
·. ··i Júr()~ ~ d~l:~rr~'ç~~ ~()H~Í~d~ a'tJà~éf)()ê~dci·~féÜ!p ~~g~rneritó, .·
·. ··lmp>igrÍiJ, p~~<J~t~:q;~ilJdr indí~a~on() ~;()ê~sso ô~éx~ÇuÇk.
·····•····'····}~}~;rfif'6r.t~fft~s~li~@iHiJ4€ie~i-r\~a'r'l5~ntê~J0izqG~Bã0.8~···

~;~~::~t~t~,~~~~;~~~\~fj~M~~~~~~~~it~~ ~t~~~~~~ittt:
8

. · · .· q qe .•a·· ~ihb~r'gar:lte(]liitouCsu<l ol:idgaÇão::A.ssim;:.•osiem pétgC):S' . .· .


'··: .•. ,,-"•.C,'.• •.. ,:;, :·'·/,·,.·.;.·,";.::-;''•""•,'0,• "-·"- ·."-- ',',•'-:"F,. ,•.,',O:'_',,,·.·,,:, •» .• j,•, _',•'•,•,'·>· ... :;,.,:.'::·, ..•.·..·,.,;,.,"v·' ,·.:,',•,

fi1fi
PRÁTiCA FORENSE EH PROCESSO ClV!L ..Joseva! Martins Viana

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PRÁTICA FORENSE EM PROCESSO CIVIL $ Joseval Martins Viana

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518