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PME CRESCIMENTO 2015é a maior referência no apoio às empresas portuguesas. LINHA DE CRÉDITO NB EMPRESAS PRIME NB

LINHA DE CRÉDITO NB EMPRESAS PRIMEno apoio às empresas portuguesas. PME CRESCIMENTO 2015 NB FEI (Fundo Europeu de Investimento) INOVAÇÃO P

NB FEI (Fundo Europeu de Investimento) INOVAÇÃOPME CRESCIMENTO 2015 LINHA DE CRÉDITO NB EMPRESAS PRIME P M E L Í D E

PRIME NB FEI (Fundo Europeu de Investimento) INOVAÇÃO P M E L Í D E R
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Europeu de Investimento) INOVAÇÃO P M E L Í D E R 2 0 1 5
Esta revista faz parte integrante do Diário Económico n.º 6196 e não pode ser vendida
Esta revista faz parte integrante do Diário Económico n.º 6196 e não pode ser vendida separadamente

ÍNDICE

04 a 11 Tome nota: as regras para aceder ao Portugal 2020 e os erros
04 a 11
Tome nota: as regras para aceder ao Portugal 2020
e os erros que não deve cometer
Paula Nunes
Portugal 2020 e os erros que não deve cometer Paula Nunes Director Raul Vaz Subdirectores Bruno

Director

Raul Vaz

Subdirectores Bruno Faria Lopes, Francisco Ferreira da Silva e Tiago Freire

Editora

Irina Marcelino

Textos Dírcia Lopes, Irina Marcelino, Mónica Silvares, Nuno Miguel Silva, Raquel Carvalho, Sónia Santos Pereira

Fotografia Paulo Figueiredo (editor), Paula Nunes, Paulo Alexadre Coelho e agências

Infografia Susana Lopes (coordenadora), Mário Malhão

Departamento Gráfico Dário Rodrigues (editor) e Ana Almeida

Produção Ana Marques (chefia), Artur Camarão, Carlos Martins, João Santos

Tratamento de Imagem Samuel Rainho (coordenação), Paulo Garcia e Tiago Maia

Impressão e Acabamento Lisgráfica

Garcia e Tiago Maia Impressão e Acabamento Lisgráfica ADMINISTRAÇÃO Nuno Vasconcellos (Presidente) Gonçalo

ADMINISTRAÇÃO

Nuno Vasconcellos (Presidente) Gonçalo Faria de Carvalho (Administrador)

Director Geral Comercial Bruno Vasconcelos

Redacção Rua Vieira da Silva, n.º 45, 1350-342 Lisboa Tel.: 213 236 700/213 236 800 Fax: 213 236 801

14 António Pires de Lima

Ministro da Economia: “PME vão procurar cada vez mais reforçar competências e parcerias estratégicas”

17 PME Crescimento

A linha que ajuda em várias frentes. Saiba quais

20 Miguel Cruz

Presidente do IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação: “O programa Portugal 2020 é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada”

32 João Cotrim de Figueiredo

Presidente do Turismo de Portugal: “Há empenho dos promotores em assegurar elevados níveis de qualidade”

30 PME Líder

As etapas rigorosas até se tornar numa PME de referência

Os sectores, os casos de sucesso e as listas das maiores PME Líder

36

Turismo

50

Agricultura

58

Comércio e Serviços

66

Construção

74

Indústria

82

Opinião

Paulo Deus, Ignios: “O peso das PME no aumento das exportações portuguesas”

3

EDITORIAL

Raul Vaz

Director

exportações portuguesas” 3 EDITORIAL Raul Vaz Director Uma questão de reputação S aber onde e o

Uma questão de reputação

S aber onde e o que procurar no Portugal 2020 é meio cami- nho andado para quem quer obter financiamento para os

seus projectos.

As PME podem e devem estar aten-

tas aos apoios vindos do quadro que vem substituir o QREN. Apesar do seu nível de exigência quer às empresas quer à máquina do Estado ter aumen- tado, as PME são bastante beneficiadas

pelo Portugal 2020. Dos 25,23 mil mi- lhões de euros que se espera que che- guem à economia portuguesa, 25% vão directamente para as PME.

O novo quadro de financiamento

até 2020 privilegia a inovação, o em- preendedorismo e a aposta nas ac- tividades transaccionáveis, explica Pires de Lima a esta revista. Mas não chega apenas exportar. A intenção é capacitar as empresas para aborda- rem de forma mais eficaz os mercados internacionais. Para as empresas que apostam no mercado interno, diz o ministro, haverá outros instrumentos de financiamento. Ser PME Líder, internacional e ino- vador é caminho feito para ter acesso aos fundos europeus (o outro passo é ter paciência para a burocracia que envolve) porque junta boa reputação aos objectivos do Portugal 2020. E ter boa reputação significa acesso mais fácil a financiamento, quer seja priva- do quer público. Mas se o financiamento é funda- mental para o sucesso das empresas, a capacidade que elas têm de o utilizar bem é ainda mais importante. A bem do sucesso da economia portuguesa.

PME LÍDER 2015

PME LÍDER 2015 4

PME LÍDER 2015

4

Paulo Figueiredo

Portugal 2020 As regras para conseguir financiamento europeu

EMPRESAS JÁ TÊM AS NOVAS REGRAS PARA ACEDEREM A MAIS DE OITO MIL MILHÕES DE EUROS. CONHEÇA-AS.

Mónica Silvares

O novo quadro comuni- tário de apoio já está no terreno e as em- presas até já começa- ram a apresentar can- didaturas ao Portugal

2020. As novas regras determinam que as PME poderão contar em média com um apoio de 60% para os seus projec- tos e terão benefícios ao nível dos re- embolsos caso superem as metas con- tratualizadas. Uma das características do Portugal 2020 é privilegiar a lógica de mérito e os resultados. Isto traduz- se num maior nível de exigência às empresas, mas também à própria má- quina do Estado. Além disso, os fundos

pretendem ser mais transparentes e de mais fácil acesso.

1.

PME VÃO TER EM MÉDIA INCENTIVOS DE 60% As empresas poderão contar, no má- ximo, com um incentivo comunitário para os seus projectos de 75% do va- lor global do investimento elegível. De acordo com as novas regras do Portu- gal 2020, em geral as empresas pode- rão contar com um apoio de 60%. As regras determinam que o apoio má- ximo é de 35%, mas há a possibilida- de de acrescentar diferentes tipos de majorações que poderão elevar este incentivo até um limite máximo de 75%. Os projectos serão majorados de acordo com o tipo de empresa. Assim, as empresas médias e pequenas com projectos superiores a cinco milhões de euros recebem uma majoração de 15 pontos percentuais. Já as pequenas empresas com projectos inferiores a cinco milhões de euros – a esmagado- ra maioria dos casos – recebem uma majoração de 25 pontos percentuais. Finalmente, os projectos que se en- quadram na tipologia de empreende- dorismo qualificado e criativo podem receber uma majoração de dez pontos percentuais.

5

2.

SUPERAR METAS EM 25% PAGA METADE DO REEMBOLSO As empresas terão oito anos para pa- gar os apoios que receberam de Bru- xelas, sendo que têm um período de carência nos dois primeiros, ou seja, não pagam nada. Por outro lado, se as empresas superarem os resultados estipulados no contrato assinado com a entidade de gestão poderão ter isen- ções parciais do montante a reembol- sar, que no limite poderá ser de 50%. Para obter esta isenção máxima, a em- presa tem de superar as metas contra- tadas em mais de 25%. Mais uma vez estes valores são ainda preliminares.

PME LÍDER 2015

>

Paulo Figueiredo

> Grandes números

>

O

Portugal 2020 tem uma dotação

de 25,23 mil milhões de euros

>

O

Governo quer executar 5% do novo

quadro em 2015, ou seja, 1.060 milhões de euros

>

O

Governo inscreveu no Orçamento

do Estado para 2015 uma antecipação de fundos estruturais de 1,8 mil milhões. Estas verbas servirão para compensar os 5% do QREN que Bruxelas retém até o quadro estar todo concluído e as despesas certificadas, mas também para antecipar dinheiro do Portugal 2020

>

Portugal conseguiu reservar

200

milhões de euros para

financiar pequenos troços de estradas, desde que assegurem uma ligação a parques industriais, plataformas logísticas ou portos.

>

Executivo conseguiu reservar

300

milhões para renovar escolas,

uma prioridade negativa para Bruxelas. O

dinheiro será alocado através das autarquias

e

do Ministério da Educação

>

Portugal garantiu mil milhões de euros para o sistema científico. Um montante superior aos cerca de 400 milhões que o QREN tinha reservados inicialmente, mas que depois foram aumentados para 900 milhões

>

Apoios às PME valem cerca de 25% dos 25,2 mil milhões que o país vai receber no Portugal 2020, ou seja 2,5 milhões de euros por dia, ao longo dos próximos sete anos

>

Empresas vão ter 8,5 mil milhões em apoios directos de Bruxelas

PME LÍDER 2015

milhões em apoios directos de Bruxelas PME LÍDER 2015 3. INCENTIVOS PARA QUEM INVESTIR ATÉ 2016

3.

INCENTIVOS PARA QUEM INVESTIR ATÉ 2016 Os projectos cujo investimento for realizado em 2015 e 2016 vão ser be- neficiados em termos de isenções dos reembolsos dos incentivos. Ou seja, quem superar os resultados contra- tados terá uma isenção do reembolso numa percentagem que é o dobro da percentagem de superação dos resul- tados. Isto é, um promotor que supe- rou em 10% as metas acordadas tem 20% de isenção do reembolso. Este be- nefício tem como limite máximo 50% de isenção das verbas comunitárias recebidas. Estas isenções diminuem a partir de 2017.

6

4.

EMPRESAS PENALIZADAS POR FALHAREM PRAZOS DOS INVESTIMENTOS Se por um lado as empresas têm in- centivos para acelerarem os seus in-

vestimentos, por outro vai existir um estímulo negativo para as PME que ve- jam os seus investimentos aprovados

e não os executem dentro dos prazos

estipulados vão ser penalizadas. As despesas realizadas com um atraso até seis meses terão uma redução de 20% do incentivo relativamente às despesas que são passíveis de obter financia- mento comunitário. Quando o atraso na realização das despesas elegíveis os- cila entre seis e 12 meses, então a pena-

lização ascende a 40% dos incentivos. Finalmente, se as verbas comunitárias não forem executadas há um corte no financiamento. O objectivo é combater uma situação que se repetiu ao longo do anterior quadro comunitário. Com o QREN houve milhões de euros compro- metidos que não eram depois executa- dos, em grande medida pelas dificulda-

des de acesso das empresas - que ainda têm - ao financiamento bancário, que as impedia de investir a parte que cabia

à empresa nos projectos com financia- mento de Bruxelas.

Bruno Barbosa

Bruno Barbosa 5. ELEGIBILIDADE DAS FACTURAS As facturas são elegíveis a partir do momento em que

5.

ELEGIBILIDADE DAS FACTURAS As facturas são elegíveis a partir do momento em que a empresa apresen- tar a sua candidatura aos fundos co- munitários.

6.

PAGAMENTOS A 45 DIAS Os pagamentos têm obrigatoriamente de ser feitos, no máximo, num prazo de 45 dias. Mas pode ser menos. A meta será fixada pelos gestores de cada Pro- grama Operacional nos contratos de desempenho que vão assinar. Actual- mente, a Agência para o Desenvolvi- mento e Coesão faz os pagamentos em 48 horas. Mas a média era de 22 dias.

7.

EMPRESAS COM SALÁRIOS EM ATRASO SEM ACESSO As empresas que têm salários em atraso não vão poder aceder aos no- vos fundos comunitários. Quando apresentarem a sua candidatura, as empresas terão de declarar que têm a situação salarial regularizada. A em- presa permanecerá impedida de se candidatar ao Portugal 2020 enquanto tiver salários em atraso. Só depois de regularizada a situação será possível concorrer.

7

8.

CANDIDATURAS ESCOLHIDAS PELO MÉRITO DO PROJECTO

O mérito do projecto é o critério pri-

mordial na avaliação das candidaturas das empresas. Para avaliar o mérito de cada projecto será tida em conta

a qualidade, ou seja, a natureza ino- vadora do investimento na produção

de bens e serviços transaccionáveis e destinados à exportação. Mas também

o impacto que o projecto tem na com-

petitividade da empresa, que é medi-

do através do valor acrescentado que o investimento vai gerar, mas também pelo aumento da capacidade de pene- tração no mercado internacional.

PME LÍDER 2015

>

>

9.

DECLARAÇÕES FALSAS IMPEDEM ACESSO AOS FUNDOS POR TRÊS ANOS Para simplificar as candidaturas deixa de ser necessário juntar comprovati- vos às declarações. A verificação dos documentos é feita aleatoriamente, quando são detectadas anomalias, em caso de suspeitas ou ainda em caso de denúncias. A lógica é de confiança, mas aumentam as sanções para quem

violar as regras. Por isso, se os bene- ficiários prestem declarações falsas os seus contratos serão anulados e serão obrigados a devolver o dinheiro que

já pago. Além disso ficam proibidos

de apresentar novas candidaturas nos três anos seguintes. Quando a audito- ria dos fundos detecta anomalias ou há uma denúncia do Ministério Públi-

co é feita uma participação criminal.

E quando um beneficiário obrigado

a devolver dinheiro fica a dever, só

pode voltar a ter acesso aos fundos se apresentar uma garantia idónea por

cada pagamento a efectuar.

PME LÍDER 2015

10.

DINHEIRO VAI CHEGAR ÀS EMPRESAS NO PRIMEIRO SEMESTRE

Portugal está entre os primeiros países da União Europeia a abrir concursos neste período de programação. Com o primeiro concurso para investimen-

to produtivo aberto a 20 de Março, as

empresas vão aceder ainda no primei-

ro

semestre do ano a pagamentos.

11.

CANDIDATURAS COM PRÉ- PREENCHIMENTO

O

as empresas possam no momento da candidatura, ao introduzir o NIF no formulário, terem parte da candida- tura pré-preenchida à semelhança do que já acontece no IRS. Mas para tal ainda há algum caminho a percor- rer. A criação de uma base única dos promotores, com toda a informação disponível na Administração Públi- ca sobre o beneficiário ajudará a este pré-preenchimento. Este projecto será também ele financiado por ver- bas comunitárias. Por outro lado, é intenção do Executivo aperfeiçoar os actuais formulários electrónicos para facilitar a elaboração das candidatu- ras, disponibilizando guias de apoio e reforçando os mecanismos de valida-

ção da informação existente.

8

Governo está a trabalhar para que

informação existente. 8 Governo está a trabalhar para que 12 ESTADO NÃO PODE PEDIR DOCUMENTOS QUE

12

ESTADO NÃO PODE PEDIR DOCUMENTOS QUE JÁ TEM

As informações necessárias nomeada-

mente de caracterização do candidato,

como a sua situação perante o Fisco e

a Segurança Social, licenciamentos

feitos por serviços da Administração Pública, etc, não têm de ser remetidos pelos candidatos. Os órgãos de gover-

nação dos fundos estão proibidos de exigirem aos particulares documentos que existam no interior da Adminis- tração Pública.

15 TUDO NO PORTAL PORTUGAL 2020 Neste portal www.pt-2020.pt estarão concentrados os regulamentos de to-

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TUDO NO PORTAL PORTUGAL

2020

Neste portal www.pt-2020.pt estarão concentrados os regulamentos de to- dos os fundos actualizados, pondo fim à dispersão de documentos, muitos de difícil acesso. No portal serão publi- citados os diversos concursos, permi- tindo aos interessados aceder direc- tamente aos respectivos formulários para apresentar a sua candidatura. A resposta ao processo de candidatura também pode ser dada através do por- tal - numa área reservada ao benefici- ário e protegida por uma password.

Paulo Figueiredo
Paulo Figueiredo

13

INFORMAÇÃO PEDIDA DE UMA SÓ VEZ Os serviços têm de pedir a informação toda de uma só vez em cada fase do processo: na preparação da candida- tura, no pagamento ou numa situação de recurso. O objectivo é evitar que os processos se arrastem com infindáveis pedidos de documentos.

14

AVALIAÇÃO DAS CANDIDATURAS EM 60 DIAS A avaliação das candidaturas terá de ser feita em 60 dias. No entanto, quan- do é necessário pedir pareceres a enti- dades externas aos serviços, esse pra- zo é suspenso.

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BENEFICIÁRIOS VÃO TER UM CURADOR A pensar nos clientes - os utilizado- res dos fundos – foi criada a figura do curador, uma espécie de provedor que receberá as queixas e as reclamações das pessoas que se confrontaram com problemas na sua candidatura, mas não querem ir a tribunal. A escolha do Executivo recaiu sobre José Soeiro, o anterior presidente da Agência da Co- esão. A decisão é das autoridades de gestão, mas o curador pode recomen- dar que um membro do Governo da área revogue essa decisão.

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PME LÍDER 2015

Os erros a evitar na apresentação da candidatura aos fundos

> comunitários

APRESENTAR UMA CANDIDATURA A FUNDOS COMUNITÁRIOS EXIGE ALGUNS CUIDADOS DE FORMA A NÃO COMETER ERROS QUE ACABEM POR INVIABILIZAR O PEDIDO DE FINANCIAMENTO OU QUE PROVOQUEM ATRASOS PENALIZADORES DO INVESTIMENTO.

A ntes mesmo de se candida- tar deve avaliar primeiro se a sua empresa é verdadeira- mente uma PME (Pequena e

Média Empresa). À luz das regras co- munitárias “basta uma participação ac- cionista superior a 25%” de uma gran- de empresa para perder este estatuto, alerta João Aranha, ‘partner’ da Baker Tilly. E o Portugal 2020 está, sobretu- do, orientado para PME. Depois, há que pensar a qual dos fundos deve concor- rer: se ao Compete 2020 se ao Programa de Desenvolvimento Regional (PDR). Por exemplo, um projecto de turismo rural enquadra-se melhor no primeiro ou no segundo?

Entrando no capítulo financeiro, as empresas têm de “garantir uma auto- nomia financeira de 15% ou 20%, con- soante se trate de PME ou Não PME, respectivamente”, alerta Ana Olivei- ra, consultora de inovação da Inova+, acrescentando que “é importante nunca esquecer que os financiamentos nunca são no montante total do inves- timento a realizar, o que significa que as empresas têm sempre que investir

PME LÍDER 2015

parte dos seus recursos”. Mas também, lembra João Aranha, garantir que dis- põe do capital próprio mínimo exigível para financiamento do projecto. “Se não cumprir o rácio (capitais próprios sobre activos) a candidatura é automa- ticamente excluída”. Por outro lado, já no momento do preenchimento da candidatura, “é ne- cessário ser cauteloso nas projecções financeiras para o ano pós-projecto”. Ana Oliveira frisa que “a orientação para os resultados faz com que o incum- primento relativamente às metas esta- belecidas em sede de candidatura possa conduzir a penalizações que, em última instância, podem passar pela devolução de parte ou da totalidade do incentivo”. João Aranha complementa a ideia. “Os candidatos podem sentir-se tentados em apresentar projecções financeiras, seja em termos de ambição do projecto, elegibilidade do mesmo e cumprimento das metas, mais ambiciosas para que a candidatura tenha uma melhor classifi- cação em termos de mérito, mas depois corre o risco de, no final não atingir os objectivos propostos e ter de devolver parte do incentivo”, afirma. Outro conselho que os especialistas deixam às empresas é apenas concor- rer quando, à partida, “já se pretendia investir independentemente de ter ou não financiamento público”. É preciso primeiro ter a ideia do investimento e “só depois aferir se há incentivos para apoiar esse investimento”, sublinha Ana Oliveira. “O meu perfil tipo de cliente é o empresário que tem uma ideia de negócio, sabe como o fazer, tem uma estratégia e sabe como cres-

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Dicas

> Registar-se, atempadamente,

no Balcão 2020 (ver portal www.

portugal2020.pt)

> Não submeter a candidatura no último dia

> Caso não haja alternativa

à submissão no último dia,

submeter uma versão próxima da final no penúltimo dia

> Reunir atempadamente informação financeira

e administrativa

> Garantir uma autonomia financeira de 15% ou 20%

> Ser cauteloso nas projeções financeiras

> Submeter uma candidatura só quando a empresa já pretende investir

cer, caso tivesse dinheiro”, já assumiu publicamente o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional. Para Ma- nuel Castro Almeida são esses empre- sários que se devem candidatar e não “ir ao cardápio dos fundos e ver onde há dinheiro”. Há ainda uma questão relativa à argumentação a utilizar nas candida- turas. Os formulários são padronizados

– de forma a abranger a larga maioria

dos sectores de atividade – e, por isso,

“as solicitações são bastante vagas”,

diz João Aranha. Por outro lado, “para

o promotor, o projecto parece óbvio e

está completamente estruturado ‘na sua mente’, no entanto, quem irá anali- sar a candidatura terá à sua frente um formulário padrão com a descrição de “mais um projecto”, por isso, é neces- sário ser claro e estruturado na apre- sentação, mas também “captar a aten- ção de quem avalia as candidaturas”.

É por isso que ambos os especialistas defendem, naturalmente, a vantagem de usar empresas especializadas para ajudar as candidaturas. A maior exigên- cia de uma análise estratégica face ao quadro comunitário anterior também ajuda este argumento, dizem. “Face ao QREN existe uma parte substancial mais relevante de análise estratégica do pro- jeto em sede de candidatura, embora acessível a pessoas com ‘backgrounds’ de gestão ou economia, um engenheiro, por exemplo, poderá ter dificuldades, uma vez que a análise está estruturada numa base académica forte”, sublinha João Aranha. Além destes aspectos mais técnicos há recomendações, aparentemente ób- vias, que é necessário não descurar, diz Ana Oliveira. “Registar-se, atempada- mente, no Balcão 2020, já que sem este registo não é possível a nenhuma em- presa submeter uma candidatura, não submeter a candidatura no último dia e caso não haja alternativa, submeter uma versão próxima da final no penúltimo dia para garantir que uma das versões da candidatura é sempre submetida, in- dependentemente de qualquer percal- ço, já que é possível submeter quantas versões se quiser até ao momento exac- to do ‘deadline’”. Depois há também que “reunir atempadamente informação fi- nanceira e administrativa relativamen- te ao ano pós-projecto”, lembra a con- sultora da Inova+, ou seja, o ano fiscal anterior ao da submissão da candidatu- ra, caso esta seja submetida após Junho, ou o ano anterior ao ano anterior ao da candidatura, caso esta seja submetida entre Janeiro e Junho. M.S.

Paulo Figueiredo
Paulo Figueiredo

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PME LÍDER 2015

CASOS DE SUCESSO NA APLICAÇÃO DE FUNDOS

CASOS DE SUCESSO NA APLICAÇÃO DE FUNDOS Fotos: Neves António UCASUL Proder e Pediza permitiram aumentar
Fotos: Neves António
Fotos: Neves António

UCASUL Proder e Pediza permitiram aumentar capacidade de produção

COM O ACESSO A FUNDOS COMUNITÁRIOS, A UCASUL CONSEGUIU MANTER UM CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL.

Raquel Carvalho

E m 1999, a União de Coopera- tivas do Sul (Ucasul), recor- reu ao Pediza - Desenvolvi- mento Integrado da Zona de

Alqueva. Recebeu 187 mil euros para aumentar a capacidade de secagem de bagaço. Em 2013, candidatou-se ao Proder (Programa de Desenvolvimen- to Rural) com vista à ampliação da capacidade de recepção de bagaço de azeitona, tendo recebido 91 mil euros. “De 30/35 milhões de quilos de maté- ria-prima transformada em 1999, evo- luímos para 205 milhões de quilos em

2014”, diz Aníbal Martins, gerente.

PME LÍDER 2015

Em qualquer dos projectos, a Uca- sul não teve dificuldade em obter o dinheiro necessário. “Tivemos apenas que garantir os recursos financeiros necessários à execução do projecto, através de financiamento bancário de médio/longo prazo e capitais pró- prios”, informa. O estatuto PME Líder pesou na hora de se decidir o empréstimo e o responsável garante que o dinhei- ro “foi sempre atribuído de forma faseada, tendo em conta a evolução da execução física e financeira dos projectos”, afirma, realçando não ter dúvidas que os apoios conseguidos foram determinantes não só para o crescimento sustentável da Ucasul do ponto de vista económico e finan- ceiro “mas também para a sustenta- bilidade ambiental de toda a fileira oleícola nacional”. Sobre o processo, Aníbal Martins diz não terem sido cometidos erros,

12

mas aponta o dedo ao excesso de bu- rocracia que, garante, “consome por vezes grande parte da nossa energia empresarial”. É nos apoios, defen- de, que reside muitas vezes o êxito das candidaturas e da execução dos projectos. “O apoio de uma boa em- presa na elaboração, apresentação e acompanhamento de candidaturas dos projectos aos vários programas é importantíssimo”, frisa, em jeito de conselho a outras empresas que quei- ram candidatar-se. Voltar a candidatar-se a novos fundos está nos horizontes da Ucasul. “Estamos a preparar uma nova can- didatura com um projecto de investi- mento de cerca de 1,5 milhões de eu- ros”, informa, revelando mais planos de expansão através de uma partici- pada que implicará um investimento de 4,5 milhões de euros, numa nova unidade de secagem de bagaços de azeitona.

Fotos cedidas por Martinhal Beach Resort Hotel

Martinhal Beach Resort Hotel Investiu 2.500 mil euros através do QREN

EMPREENDIMENTO RECEBEU INCENTIVOS DE 789 MIL EUROS. APROVAÇÃO DO PROJECTO, A EXECUÇÃO É RÁPIDA.

São três os administradores do Martinhal, cada um com o seu pelouro: Roman Stern, Chitra
São três os
administradores
do Martinhal, cada um
com o seu pelouro:
Roman Stern,
Chitra Stern
e João Cascão
(da esquerda para
a direita).

adaptar às novas circunstâncias, nem sempre é fácil ou possível adaptar o projecto”. Mas para PME que alia ao estatuto de Líder o estatuto Excelência, o acesso ao crédito torna-se mais fácil, assume João Cascão, que destaca a “estrutura bastante profissional” e os “indicado- res de elevada qualidade” dos projec- tos desenvolvidos. O administrador informa ainda que “cada projecto tem um calendário de concretização bem definido e períodos pré-definidos para solicitar o pagamento dos incentivos, normalmente, de seis em seis meses”. Garantida está nova candidatura a fundos comunitários “porque ainda há muito onde investir e os apoios fi- nanceiros são sempre bem-vindos”,, afirma João Cascão, que da próxima vez tentará fazer uma “supervisão mais cuidada da equipa que preparou

13

os projectos de candidatura” para po- der “reduzir os problemas sentidos na sua implementação”. O Martinhal é considerado o ho- tel ideal para a família, pois tudo está pensado para casais com filhos. Com cerca de mil camas, aumentou em 16% a facturação em 2014, para 15,5 mil euros, podendo chegar aos 17 mil em 2015. R.C.

PME LÍDER 2015

A Four Gold Winds Resorts SA

(FGW), que explora o Marti-

nhal Beach Resort & Hotel,

em Sagres, recorreu pela

primeira vez ao QREN em 2011, no âm-

bito do Sistema de Incentivos à Quali- ficação e Internacionalização de PME.

O investimento global foi de 828 mil

euros e o incentivo de 265 mil euros. Em 2013, voltou a recorrer duas vezes mas para inovação. No total, o investi- mento dos vários programas superou 2,5 milhões de euros e os incentivos 789 mil euros. De acordo com João Cascão, ad- ministrador do Martinhal com o pe- louro financeiro, todos os processos “decorreram dentro da normalidade

expectável”. A partir do momento em que o projecto está aprovado, a sua concretização em termos administra- tivos “não é complicada”, diz. Por nor- ma, “o pagamento do incentivo é feito num prazo razoável, após a apresenta- ção da documentação”, esclarece. No entanto, admite que até ao aval final

a burocracia é grande. “Os processos

de candidatura são algo burocráticos e um pouco herméticos”. Em algumas

situações é preciso uma “precisão quase milimétrica na preparação do

projecto o que, por vezes, não é fácil de cumprir, uma vez que o mercado e

o negócio em que nos inserimos não

é imutável e, quando nos tentamos

Paula Nunes
Paula Nunes

PME LÍDER 2015

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ENTREVISTA

António Pires de Lima Ministro da Economia

“PME vão procurar cada vez mais reforçar competências e parcerias estratégicas”

O TRABALHO EM REDE TRAZ VANTAGENS CONSIDERÁVEIS E AS EMPRESAS ESTÃO A APERCEBER-SE CADA VEZ MAIS DESTA REALIDADE E A INVESTIR NESTE DOMÍNIO.

Mónica Silvares

Ser PME Líder ou Excelência pode fa- zer a diferença para que as empresas possam aceder mais facilmente a cré- dito e a concorrer a fundos comuni- tários? Quando falamos de estatutos que são atribuídos pelo IAPMEI às melhores PME, como forma de fazer reconhecer publicamente a qualidade superior dos seus desempenhos económico-finan- ceiros e dos seus perfis de risco, esta- mos a falar da criação de mecanismos de reputação, que necessariamente ajudam a credibilizar as empresas no mercado e a valorizar o seu posiciona- mento junto de financiadores. Este foi, aliás, o principal propósito da criação destes instrumentos: facilitar o acesso

a financiamento, valorizando estraté-

gias de crescimento e internacionali- zação de um segmento de empresas

que tem contributos relevantes para

a dinâmica económica do país. Alguns

produtos financeiros conferem-lhes automaticamente condições prefe- renciais, como o caso das linhas de crédito PME Crescimento, garantidas pelo Estado. Noutros casos, as empre- sas serão avaliadas em função dos re- quisitos específicos, mas os níveis de solidez financeira trazem-lhes obvia- mente vantagens na negociação com instituições financeiras de melho-

res condições para créditos comple- mentares. Recordo que a seleção dos projectos é feita pelo seu contributo para a competitividade da empresa e do país, sendo o histórico e solidez da empresa importantes para a tomada de boas decisões.

O Portugal 2020 dá demasiada impor-

tância à I&D e à internacionalização

As PME de sucesso, mas voltadas para

o mercado interno, estão condena-

das?

O novo quadro de financiamento até

2020 privilegia de facto a inovação - e não exclusivamente o I&D - o empre- endedorismo e a aposta nas activida- des transaccionáveis, que não exclusi- vamente exportação. Mas o destaque é claramente dado à capacitação para uma abordagem mais eficaz das em- presas a mercados internacionais, como alavancas para um quadro de crescimento sustentado. Há muitas PME e microempresas que têm a sua vocação essencialmente voltada para

o mercado interno e que têm sabido

inovar, interpretar as necessidades dos clientes e adaptar-se aos vários contextos, acrescentando valor à sua oferta e actuando numa lógica de pro- ximidade que as diferencia e lhes traz capacidade competitiva nos mais va-

15

riados sectores de actividade. Muitas estão motivadas para a redução de im- portações, quando é possível valorizar redes de fornecimento nacionais, ou- tras apostam nos serviços de proximi- dade, mas todas têm uma importância enorme nas dinâmicas de desenvolvi- mento e de emprego locais. Para este segmento em particular, existem fora da lógica do Portugal 2020 vários ins- trumentos de financiamento de apoio à criação e modernização da activida- de, que integram desde soluções de microcrédito, crédito com garantia, passando por incentivos a fundo per- dido, no caso do comércio tradicional.

Os gestores de PME estão suficiente- mente preparados para responder às novas exigências em termos de em- preendedorismo, I&D, acesso a fun- dos, capitalização? O universo das PME é dominante na estrutura empresarial do país, sen- do neste grupo muito significativo o número de microempresas. Esta pre- valência não é apenas característica dos sectores ditos mais tradicionais, estendendo-se também a áreas de negócio ou sectores emergentes com fortes conteúdos tecnológicos, como o sector das TIC ou das Indústrias Cria- tivas, mas também em sectores onde

PME LÍDER 2015

>

> Infografia: Susana Lopes | susana.lopes@economico.pt PME LÍDER 2015 16 “Há muito boas PME em
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> Infografia: Susana Lopes | susana.lopes@economico.pt PME LÍDER 2015 16 “Há muito boas PME em Portugal,
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Infografia: Susana Lopes | susana.lopes@economico.pt
Infografia: Susana Lopes | susana.lopes@economico.pt

PME LÍDER 2015

16

“Há muito boas PME em Portugal, com lideranças fortes e estratégias claras. Acreditamos que saberão aproveitar os recursos disponíveis para valorizar as suas actividades”.

são exploradas novas aplicações que

fazem recurso às chamadas tecnolo-

gias-chave. Há muito boas PME em Portugal, com lideranças fortes e estratégias claras baseadas num sólido conhecimento do mercado e da concorrência inter- nacional. Acreditamos que estas em- presas saberão aproveitar os recursos disponíveis para valorizar as suas ac- tividades. Mas também acreditamos que sempre que necessário procurarão reforçar competências e parcerias estratégicas com centros de investigação, ‘clusters’ competitivos, empresas e outros agen- tes económicos, visando ganhar massa crítica, inovar, valorizar resultados e explorar novos mercados.

O trabalho em rede traz vantagens

consideráveis e as empresas estão a

aperceber-se cada vez mais desta rea- lidade e a investir neste domínio. Quanto a apoios públicos, há várias so- luções. O importante é que as empre- sas seleccionem os mais adequados e

os utilizem da melhor forma para in-

crementar resultados. A procura ve-

rificada nos primeiros concursos do Portugal 2020 vem comprovar (ver infografia) que existe uma enorme apetência das empresas para estes do- mínios de actuação, principalmente porque eles são variáveis chave do de- senvolvimento de estratégias empre- sariais de sucesso.

PME Crescimento A linha que ajuda em várias frentes Paulo Alexandre Coelho
PME Crescimento
A linha que ajuda
em várias frentes
Paulo Alexandre Coelho

17

LINHA PME CRESCIMENTO 2015 TEM DOTAÇÃO GLOBAL DE 1.400 MILHÕES DE EUROS.

Raquel Carvalho

A Linha de Crédito PME Cres-

cimento existe desde 16

de Janeiro de 2012 e está

pensada para ajudar as em-

presas nacionais nos seus projectos.

O seu acesso pode ter como objectivo

operações destinadas a investimento novo em activos fixos corpóreos ou incorpóreos, para reforço de fundo de maneio ou dos capitais permanentes ou exportações. Pode ainda alegar-se necessidade de receber até 30% de um empréstimo

para liquidar dívidas contraídas junto do sistema financeiro nos três meses anteriores à contratação da operação

e destinadas, exclusivamente, à regu-

larização de dívidas em atraso à admi-

nistração fiscal e segurança social. Esta linha está dividida em várias linhas específicas. O valor global da PME Crescimento 2015, cujas candi- daturas começaram a 1 de Abril, é de 1.400 milhões de euros, dos quais 300 milhões estão alocados a micro e pe- quenas empresas, 800 milhões a fundo de maneio e investimento, com 400 milhões a ser de dotação de médio prazo e outros 400 dotação de longo prazo. As empresas de elevado cresci- mento têm disponíveis 100 milhões de euros, e os exportadores contam com

PME LÍDER 2015

>

Paulo Figueiredo

> 200 milhões para os seus projectos no exterior. Os valores são reavaliados perio- dicamente, podendo ou não ser feitas reafectações de verbas entre linhas específicas e dotações. Os empréstimos são de médio e longo prazo, com as operações de cré- dito a beneficiarem de uma garantia mútua sobre 50% do valor de cada fi- nanciamento. A excepção à regra dá- se no caso de operações enquadradas na linha específica, que beneficiam de uma majoração de garantia mútua de 75% do capital em dívida. Até hoje, o IAPMEI conseguiu apoiar 75 mil empresas em 148 mil operações através da PME Crescimen- to. O valor total de financiamento foi de 13 mil milhões de euros. Só este ano foram realizadas mais de mil opera- ções, envolvendo financiamentos na ordem dos 37 milhões de euros.

Critérios para aceder

Dos valores globais das dotações, até 10% é destinado exclusivamente a em- presas do sector primário.

É preciso reunir alguns critérios para

poder ter sucesso no acesso a esta li- nha de crédito. As empresas têm que

ter sede em território nacional, não ter dívidas perante o Fundo de Apoio ao Financiamento e Inovação (FINO-

VA), junto da banca, da administração fiscal e da segurança social. Outro critério de selecção é o bom desempenho empresarial. Os resulta- dos líquidos têm que ser positivos. No caso de micro ou pequenas empresas,

o volume de negócios tem que ser in-

ferior a 10 milhões de euros. Mas se o

empréstimo for para fundo de maneio

e investimento, ou para empresas de

elevado crescimento, independen- temente da dimensão, as empresas devem ser industriais, comerciais ou

PME LÍDER 2015

de serviços e com um volume de ne- gócios igual ou inferior a 150 milhões de euros. As empresas integradas em grupos empresariais com facturação superior a 200 milhões de euros não são admitidas. Se for considerada de elevado crescimento, só recebe o dinheiro se nos últimos três anos de actividade completa tiver atingido um volume de negócios superior a 500 mil euros e crescimento acumulado do volume de negócios nos últimos dois anos supe- rior a 20%. Os critérios são idênticos para as empresas exportadoras. Mas estas só têm direito ao empréstimo se expor- tarem pelo menos 10% do seu volume de negócios ou um valor superior a 100 mil euros. Se o dinheiro for alocado para inves- timento em novos activos, a data limite para a sua utilização são 12 meses.

Processo de candidatura O primeiro passo para se candidatar é contactar um dos bancos protocolados com vista a apresentar a candidatura. Após aprovação da operação, o banco envia à Sociedade de Garantia Mútua (SGM) da actividade ou área geográfica da sede da empresa os ele- mentos necessários à análise do en- quadramento da operação. A decisão dura entre três a 15 dias. No prazo de dez dias úteis após a aprovação o banco apresenta a can- didatura para enquadramento da operação à PME Investimentos, acom- panhada de cópia do pedido de finan- ciamento. Em cinco dias deve haver uma decisão. De frisar que a garantia das opera- ções enquadradas na linha específica das micro e pequenas empresas con- sidera-se automaticamente aprovada pelas SGM.

18

enquadradas na linha específica das micro e pequenas empresas con- sidera-se automaticamente aprovada pelas SGM. 18
Os valores por linha de financiamento Linha específica Micro e Pequenas Empresas > As micro

Os valores por linha de financiamento

Linha específica Micro e Pequenas Empresas

> As micro empresas podem receber até 25 mil euros

> As pequenas empresas têm direito a receber

até 50 mil euros

Fundo de Maneio e Investimento e Empresas de Elevado Crescimento

> As PME Líder garantem 1.500 euros de financiamento

> As empresas sem estatuto Líder podem receber até 1.000 euros

Crédito Comercial a Exportadoras

> Qualquer empresa tem destinados 1.000 euros

Prazos máximos de amortização e carência

> Micro e pequenas empresas têm um prazo de amortização até seis anos e de carência até 12 meses

> No fundo de maneio e investimento o prazo de amortização é de quatro anos e o de carência até seis meses, no caso de dotação médio prazo

> Na dotação longo prazo, a amortização varia entre quatro anos

e dez anos e o prazo de carência vai até 24 meses

Empresas de elevado crescimento

>

A amortização varia entre os quatro e os oito anos e o prazo de carência pode ir até aos 60 meses

Crédito Comercial a exportadoras

>

O período para amortizar o empréstimo varia entre um a três anos

Taxas de juro

> As operações financeiras para micro e pequenas empresas

têm um ‘spread’ de 3,865% e garantia mútua de 70%

> ‘spread’ varia entre os 2,875% e os 4,3% no fundo maneio

O

e

investimento, com dotação médio prazo

>As PME Líder são beneficiadas com o ‘spread’ mais baixo. Aqui, a garantia mútua é de 50%

> As PME Líder que peçam crédito comercial a exportadores beneficiam do ‘spread’ menor nesta categoria, 3%. Os restantes valores variam entre os 3,1% e os 4,3%.

A

garantia mútua é de 60%

> linha específica ‘Fundo de Maneio e Investimento’

A

e

‘Empresas de Elevado Crescimento’ com dotação longo prazo,

implica ‘spreads’ que variam entre os 2,7% para as PME

Líder e os 4,25% para as que não são. A garantia mútua

é de 70%.

19

CASO: ENERMETER

600 mil euros para consolidar crescimento

Fundada em 2001 e natural de Braga, a Ener- meter é uma empresa de base tecnológica que se dedica ao desenvolvimento de soluções inovadoras para as áreas de medição e visão artificial, tendo nesta última desenvolvido,

em 2014, novas soluções para o sector auto- móvel.

A Enermeter soube aproveitar bem os

apoios financeiros disponíveis. Neste caso, a linha PME Crescimento, à qual recorreu em Agosto de 2008. Foi-lhe concedida a totalida- de do dinheiro solicitado: 600 mil euros, sendo disponibilizado logo após assinatura do con- trato, e depois de uma análise aos documentos contabilísticos da empresa. Manuel Machado, director, diz que “o processo decorreu dentro da normalidade, sem quaisquer dificuldades ou entraves e foi muito célere a sua aprova-

ção”, destacando que a última prestação foi liquidada em Agosto de 2013. Quanto ao dinheiro, serviu para reforçar os

recursos humanos e dotar a empresa de novos meios laboratoriais que “permitiram o desen- volvimento de novos projectos dentro dos sis- temas automáticos de inspecção baseados em visão artificial e no ‘smart metering’”, explica, garantindo que ajudou ainda a “consolidar uma estratégia de crescimento sustentada”. O facto da empresa acumular os estatutos de Líder e de Excelência facilitou a concessão de crédito, mas o responsável lembra ser im- portante ter consciência de que o programa PME Crescimento “em si mesmo, não cria va- lor, apenas permite, quando bem gerido, pro- porcionar o desenvolvido de produtos inova- dores e que criem mais-valias para empresa”. Revela ainda estar prevista a candidatura a mais fundos, visando “o desenvolvimento de novos produtos e sistemas com parceiros internacionais”.

De frisar que este ano a Enermeter preten-

de ainda lançar o primeiro produto na área da

imagem médica. R.C.

PME LÍDER 2015

ENTREVISTA

Miguel Cruz Presidente do IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação)

“O programa Portugal 2020 é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada”

SÓ EM 2014, O IAPMEI PASSOU PARA AS EMPRESAS ATRAVÉS DOS VÁRIOS SISTEMAS DE INCENTIVO MAIS DE 360 MILHÕES DE EUROS, MAIS 36% QUE EM 2013.

Raquel Carvalho

PME LÍDER 2015

Qual a importância do estatuto PME Líder para as empresas que o detêm? A principal vantagem é o capital de re- putação e notoriedade que o estatuto confere e a importância deste capital para a criação de relações de confian- ça no mercado, cada vez mais neces- sárias no mundo dos negócios. Poder ostentar um selo de qualidade que lhe dá credibilidade junto de clientes ou potenciais clientes, de fornecedores, do Estado ou do sistema financeiro, e poder usufruir de condições preferen- ciais no acesso a financiamento ban- cário, a fundos comunitários e a um conjunto de produtos financeiros, é uma grande vantagem.

Que retrato faz do tecido empresarial português? Os sinais de crescimento da economia para este primeiro trimestre relati- vamente ao mesmo período de 2014, ancorados no crescimento das expor- tações, traduzem bem o esforço com- petitivo que tem vindo a ser feito pe- las nossas empresas. Só no ano passado, o IAPMEI passou para as empresas através dos vários sistemas de incentivo, desde o QREN ao Comércio Investe, mais de 360 mi- lhões de euros, um valor superior a 36% ao verificado em 2013 e que re- flecte a postura das empresas na pro- cura de soluções que as ajudem a sus-

20

tentar a sua capacidade competitiva não só no mercado interno, mas prin- cipalmente no mercado internacional. Ao todo, no âmbito do último quadro de financiamento, o IAPMEI apoiou investimentos empresariais em ino- vação, I&DT e qualificação de PME na ordem dos cinco mil milhões de eu- ros e o que esperamos é que o actual quadro permita continuar o caminho já iniciado, criando condições para o alargamento do número de empresas de base exportadora. O programa Por- tugal 2020 é uma oportunidade que não

deve ser desperdiçada, até porque este

é o momento do investimento. O inves-

timento tem de crescer como forma de

aumentar a capacidade diferenciadora

e competitiva das empresas em merca-

do global. E nesse sentido, é essencial alargar a base de empresas com capaci- dade de inovação e exportadoras. O ní- vel de procura nos primeiros concursos do Portugal 2020 e particularmente no SI Inovação constituem um bom sinal,

e o facto de 80% de candidaturas serem

de empresas que acedem pela primeira vez ao sistema é um número muito in- teressante.

O que espera concrectamente deste programa?

O novo programa tem uma prioridade

clara no apoio directo às empresas e em particular às PME e vai permitir dar

>

IAPMEI com novas competências Miguel Cruz é presidente do IAPMEI há pouco mais de um
IAPMEI com novas
competências
Miguel Cruz é presidente do IAPMEI
há pouco mais de um ano e diz
ter vivido um ano de “actividade
intensa”. Houve uma reorganização
da estrutura interna do Instituto,
preparando-a para a integração
de novas competências que
transitaram para o IAPMEI,
designadamente nas áreas
da política de empresa
e
do licenciamento industrial. Teve
em mãos a nova versão do SIR-
Sistema de Indústria Responsável,
o
fecho do ciclo de financiamento
QREN e a preparação do novo
quadro de apoios, a vigorar até
2020. Tem ainda vindo a fazer um
esforço de promoção
do empreendedorismo
e
desenvolveu o programa ‘Portugal
Sou Eu’, num consórcio com a AEP,
AIP e CAP.
Paulo Alexandre Coelho

21

PME LÍDER 2015

> continuidade ao caminho de reforço

competitivo, mas com um foco especial na abordagem a mercados externos e no incentivo às exportações, havendo

à disposição dos empresários mais de oito mil milhões de euros.

Já foram lançados os primeiros con- cursos. Candidataram-se cerca de três mil empresas, entre projectos conjuntos de qualificação e interna- cionalização. Nos concursos indivi- duais de apoio à inovação produtiva

e ao empreendedorismo qualificado,

encerrados em Abril, deram entrada 736 candidaturas de PME, 82% das quais caem na esfera de actuação do IAPMEI. No global estamos a falar de intenções de investimento que ron- dam os 1,8 mil milhões de euros. O investimento em bens transaccioná- veis é a grande aposta neste quadro de financiamento e esperamos que as empresas saibam aproveitar bem os recursos. Acredito que há margem para crescimento, mas que este se fará de uma forma gradual, ancorado no investimento em inovação, capa- citação, e num bom conhecimento do mercado. O nosso compromisso é

PME LÍDER 2015

do mercado. O nosso compromisso é PME LÍDER 2015 com o reforço da capacidade compe- titiva

com o reforço da capacidade compe- titiva no exterior. Uma das grandes vantagens no Portu- gal 2020 é o conhecimento antecipado do calendário dos concursos, permi- tindo um planeamento mais adequado dos investimentos. Há ainda algumas diferenças importantes face ao quadro anterior, não só a nível da simplifica- ção de procedimentos, mas também das fórmulas de cálculo e atribuição dos incentivos e das suas majorações.

As PME estão preparadas para utili- zar estes fundos da melhor maneira?

É fundamental que o façam, para as-

segurar a sustentabilidade dos seus negócios e a capacidade de reforçarem

a sua actuação em mercados interna-

cionais. A concorrência acrescida de uma economia aberta impõe um inves- timento forte em inovação e capacita- ção em factores competitivos, quer na área de recursos, quer nas áreas orga-

nizacional e de gestão, na investigação

e desenvolvimento de produto, na mo-

dernização produtiva e de processos,

na criação de novas formas de negócio

e de comercialização, na aposta nas

22

“O IAPMEI pode ajudar

a fazer a ponte para os vários instrumentos

comunitários disponíveis, esclarecendo dúvidas

e abrindo portas a

parcerias estratégicas que contribuam para

o desenvolvimento

dos negócios e internacionalização”.

TIC, e no conhecimento aprofundado do mercado e das suas mutações e es- pecificidades.

E os fundos comunitários, também

vão ajudar a aumentar a competitivi- dade das PME?

O foco está nas PME, com grande par-

te dos instrumentos direccionados

para a actividade empresarial e isso

é bom. O Horizonte 2020, o SME Ins-

trument, o Cosme são instrumentos com apostas claras em factores que se afiguram estratégicos nas prioridades

definidas para o crescimento europeu até 2020, e é importante que as em-

Fotos: Paulo Alexandre Coelho
Fotos: Paulo Alexandre Coelho

presas, centros de investigação e ino- vação, entidades financeiras e outras estruturas da envolvente empresarial saibam organizar-se para tirar o me- lhor partido dos apoios comunitários disponíveis. A inovação, a investiga- ção, o desenvolvimento e industriali- zação do conhecimento, a promoção do empreendedorismo, a facilitação do financiamento, o apoio à interna- cionalização e acesso a mercados e a estratégias que reforcem a competiti- vidade das empresas são as principais bandeiras. O IAPMEI pode ajudar a fazer a pon- te para os vários instrumentos co- munitários disponíveis, esclarecendo dúvidas e abrindo portas a parcerias estratégicas que contribuam para o desenvolvimento dos negócios e in- ternacionalização. Ao abrigo do SME Instrument, seis empresas já viram as suas candidaturas aprovadas para financiamento e estão já a ser acom- panhadas pelas nossas equipas técni- cas. Devo referir que ao nível dos in- centivos ao comércio de proximidade, lançámos a segunda fase do programa Comércio Investe, com uma dotação

de 20 milhões de euros, que vai ter as- sociada uma linha de crédito especial de igual montante.

Que desafios têm actualmente as PME de enfrentar? Conseguirem manter-se competiti- vas num contexto de concorrência

internacional, e isso implica saber in- terpretar as tendências de mercado

e antecipá-las, apostar na inovação e

na diferenciação de produtos ou ser- viços, arranjar parcerias ou investir em estratégias colaborativas, que lhes permitam ganhar dimensão, subir na

cadeia de valor, e consolidar e diver- sificar a sua presença em mercados internacionais. E isso só se consegue com uma liderança estratégica forte

e um esforço de capacitação e qualifi-

cação contínuo que se reflicta na me- lhoria da gestão, na qualidade e indivi-

dualidade da oferta, na transferência e industrialização do conhecimento, no reforço do marketing internacional e das redes de distribuição e logística.

O incumprimento nos prazos de pa- gamento é ainda uma realidade?

23

Infelizmente há ainda muito essa cul- tura, que se agudiza e se propaga em situações de crise, mas acreditamos que gradualmente os valores, asso- ciados a uma gestão responsável, pre- valecerão. É também uma questão de sustentabilidade e as PME são, pela sua dimensão, as mais afectadas por este fenómeno, o que nos preocupa.

Como está a articulação entre o IAP- MEI e a PME Investimentos? Trabalhamos em estreita parceria e colaboração com todas as nossas par- ticipadas, mas a PME Investimentos e a Garantia Mútua têm sido eixos funda- mentais na implementação de instru- mentos de financiamento alternativos para cobrir as necessidades de crédito das PME.

Que expectativas tem em relação ao banco de fomento (IFD)? As de continuarmos a participar e co- laborar activamente no desenho de soluções que sustentem a capacidade competitiva das empresas, especial- mente das PME, através de mecanis- mos complementares de apoio.

PME LÍDER 2015

ENTREVISTA

Eduardo Stock da Cunha Presidente do Conselho de Administração do Novo Banco

“Os nossos clientes continuam a ver-nos como parceiros de referência”

PERDA DE CLIENTES EMPRESARIAIS FOI “MUITO POUCO EXPRESSIVA”, AFIRMA EDUARDO STOCK DA CUNHA, GARANTINDO QUE O NOVO BANCO CONTINUA A TER UMA QUOTA DE MERCADO SUPERIOR A 20% NO FINANCIAMENTO A EMPRESAS.

Marta Marques da Silva

Um ano após o fim do programa de

mais bem preparadas para o futuro?

A

falta de autonomia financeira

um factor relevante na sua capacidade

ajustamento, pode dizer-se que as

foi

uma das principais fragilidades

de acesso ao crédito.

empresas portuguesas estão hoje

apontadas às empresas portuguesas nos últimos anos. A crise obrigou ao

Apenas as melhores empresas con-

O

programa de ajustamento obrigou

reforço de capitais próprios ou essa

tinuam a ter acesso ao crédito ou o

as

modelo de negócio e contribuiu para

empresas a reflectirem sobre o seu

debilidade continua por resolver? A questão dos baixos níveis de auto-

acesso ao financiamento já se tornou menos restritivo nos últimos meses?

abrir novos horizontes de crescimen-

nomia financeira está directamente

É

uma evidência que o processo de con-

to e sustentabilidade. A contracção

relacionada com os elevados níveis

cessão de crédito se tornou mais exi-

da procura interna obrigou as em- presas a intensificar o seu esforço de

de endividamento das empresas. Em Portugal o nível de endividamento

gente. Os efeitos da crise económica no aumento dos rácios de crédito vencido

internacionalização, facto comprova-

das empresas privadas face ao PIB ex-

e

a regulamentação do sector bancário

do pelo bom desempenho das expor- tações, quer em taxa de crescimento, quer na diversificação dos mercados de destino. Este é um aspecto inequí- voco. Num contexto muito competitivo, a

cede os 150%, situação que nos coloca numa desvantagem competitiva face a outras economias onde o indicador é bastante mais favorável. Não restam dúvidas de que a capitalização das em- presas deve ser encarada como um de-

com exigências acrescidas em termos de capital fazem com que os bancos te- nham que manter uma política de con- cessão de crédito ainda mais rigorosa. Para as empresas de bom risco, que se internacionalizaram e modernizaram,

sustentabilidade do nosso tecido eco-

sígnio nacional que se encontra muito

existe uma oferta de crédito suficiente

nómico passou a assentar bastante na

longe de estar resolvido. Nesta maté-

e

bastante competitiva. Ainda assim,

capacidade de inovar. As empresas que venceram neste período difícil foram as que se conseguiram dife- renciar pela inovação e qualidade dos seus produtos. O período de contração económica que se viveu contribuiu também para um ajustamento da es- trutura das empresas, procurando maximizar a eficiência e sustentabili- dade dos negócios. Em termos globais, podemos afirmar que as empresas saídas da crise estão mais preparadas para encarar o futuro.

ria, algumas medidas são amplamente discutidas, tais como a criação de in- centivos fiscais ao reforço dos capitais próprios, a promoção de incentivos a processos de fusão que favoreçam a escala e competitividade das empre- sas e o desenvolvimento de soluções de ‘quasi-capital/mezzanine ‘para re- equilíbrio da estrutura financeira das empresas. O rácio de autonomia finan- ceira é um dos factores com significa- tiva ponderação na atribuição de ‘ra- ting’ às empresas e, em consequência,

não se podem descurar as oportunida- des de apoiar as empresas que estejam num patamar intermédio de risco de crédito e com perspectivas favoráveis de evolução. Os mecanismos de par- tilha de risco que têm crescido, por exemplo, com as Sociedades de Garan- tia Mútua e os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, pelo impacto que têm na mitigação do consumo de capi- tal, têm contribuído de forma decisiva para que o crédito chegue a um uni- verso mais alargado de empresas. >

PME LÍDER 2015

24

Fotos: Paula Nunes
Fotos: Paula Nunes

25

PME LÍDER 2015

> Quais os principais constrangimen- tos que as PME portuguesas enfren- tam hoje no desenvolvimento

> Quais os principais constrangimen- tos que as PME portuguesas enfren- tam hoje no desenvolvimento do seu negócio? Os dados que se conhecem referentes ao Inquérito do INE (Instituto Nacio- nal de Estatística) às empresas portu- guesas (Índice de Conjuntura ao Inves- timento 2014) apontam para alguns factores que limitam as expectativas em termos de Investimento e Procu- ra de Crédito. Assumem particular relevo aspetos como a “Deterioração das perspetivas de vendas” (52,6%) e a “Rentabilidade dos Investimentos” (18,4%). O “Acesso ao Crédito” tem um peso de apenas 9,9%. Ou seja, são maioritariamente os factores rela- cionados com a limitada expectativa relativamente ao crescimento econó- mico que mais ponderam. Esta análise só confere valor às PME portuguesas que cresceram em contraciclo, com a capacidade para inovar e explorar no- vos mercados.

Mas há previsões económicas que apontam para uma recuperação eco- nómica As mais recentes previsões apontam no sentido de estarmos num momen-

PME LÍDER 2015

to de viragem, com boas perspectivas em termos de taxa de crescimento do PIB para valores mais próximos de 2% a.a., bem como do nível de inves- timento e redução da taxa de desem- prego. A conjugação destes factores será determinante na criação de um ambiente favorável à sustentabilidade dos negócios. Acreditamos estar numa fase de recuperação cíclica, benefi- ciando das melhorias na Zona Euro, da queda do preço do petróleo, da depre- ciação do euro e de um maior suporte das políticas orçamental e monetária, nomeadamente com um nível de taxas de juro historicamente baixo.

E quais são as dificuldades a enfrentar mesmo em tempo de recuperação? Persistem as dificuldades estruturais como os elevados níveis de endivida- mento das empresas privadas e a bai- xa autonomia financeira.

O Novo Banco pretende continuar a ser o banco de referência em Portu- gal na relação com as empresas? O Novo Banco continua e continuará a ser o banco de referência em Portugal na relação com as empresas, aprovei- tando tudo o que de bom advém da

26

longa história de parceria com o te- cido empresarial português, que con- tinua a ser reconhecida pelos nossos clientes. É neste enquadramento que foi concretizado um trabalho excep- cional de recuperação da base de re- cursos que havia sofrido uma erosão significativa.

O banco apresenta também uma forte

dinâmica de apoio às empresas portu- guesas, sendo hoje o líder de mercado destacado na Linha PME Crescimento 2015 com uma quota superior a 30%.

O Novo Banco conseguiu manter a confiança dos clientes empresariais? Qual a quota de mercado perdida neste segmento?

É muito pouco expressivo o número de

clientes perdidos. Os nossos clientes continuam a ver-nos como parceiros de referência. A quota global de mer- cado do Novo Banco no segmento de empresas continua a situar-se acima dos 20%, sendo, inquestionavelmente, uma quota de mercado de referência. Cabe-nos a nós, com o nosso esforço diário, continuar a subir patamares de excelência na qualidade de serviço ao cliente. Só dessa forma alcançaremos indicadores ainda mais distintivos.

Fotos: Paula Nunes

ENTREVISTA

José João Guilherme Administrador responsável pela área comercial do Novo Banco

“O banco está acima dos 30% na originação de novo crédito”

O ADMINISTRADOR ASSUME QUE O NOVO BANCO PRIVILEGIA O APOIO A PME COM CAPACIDADE COMPETITIVA, QUE CONSIGAM PRODUZIR A PREÇOS COMPETITIVOS, VENDENDO COM SUCESSO EM QUALQUER MERCADO ONDE OPERE.

Raquel Carvalho

Qual o peso das PME no financia- mento que o Novo Banco dá às em- presas? O NOVO BANCO é o banco de referên- cia das empresas em Portugal. Na sua carteira de crédito, os segmentos de empresas têm um peso relativo supe- rior ao dos seus pares em Portugal. Nós assumimos relações de verdadeira par- ceria com o tecido empresarial portu- guês e essa é a razão do nosso sucesso. Assumir parcerias é ter uma relação ‘win-win’ em que os nossos parceiros também têm de ganhar. Não espanta que a esmagadora maioria das PME em Portugal sejam nossas clientes. Não há nenhuma pequena empresa que não aspire a ser média e uma média que não queira ser grande. E quando uma empresa não pensar em crescer está condenada. As PME são as grandes cria- doras de emprego e têm sido as mais dinâmicas na procura de novos merca- dos, por isso as apoiamos. Mas estamos focalizados no apoio, não tanto num critério de dimensão, mas mais num critério de risco.

Qual é esse critério? Estamos focados em financiar empre- sas que tenham capacidade competi- tiva, que consigam produzir a preços competitivos, vendendo com sucesso tanto no mercado nacional como nos

>

produzir a preços competitivos, vendendo com sucesso tanto no mercado nacional como nos > 27 PME

27

PME LÍDER 2015

> mercados internacionais. Queremos apoiar empresas eficientes, que pro- duzam a melhores preços e tenham os melhores produtos.

Mais do que financiadores, o Novo Banco diz-se parceiro das empresas. Em que se baseia essa parceria? Uma das mais-valias do NOVOBANCO

é a relação muito próxima das equipas

com as empresas. No mesmo distrito e no mesmo sector, as necessidades são diferentes. E um gestor de conta bem preparado sabe ver essas diferenças. É isso que justifica a aposta que o banco fez nas empresas nos bons e maus mo- mentos, mas também o apoio que as empresas deram ao banco nesta fase de

transição.

Sentiram que as empresas se manti- veram fiéis? Não escondo que houve um período de abrandamento na actividade duran-

te alguns meses no ano passado. Mas quando o banco estabilizou em Outu- bro, os clientes retomaram a actividade connosco. Só isto justifica que na ori- ginação de novo crédito, ao abrigo da linha PME Crescimento, o banco tenha uma quota acima dos 30%, mais do que

a sua quota de mercado natural.

Que balanço faz do último ano em termos de financiamento? Há um primeiro momento em que o banco reajustou de alguma forma o volume de crédito. Mas a partir do mo- mento em que definimos as métricas de risco em que queremos apostar, fomos para a rua e estamos a originar negó- cios a uma taxa e em padrões bastante acima do nosso passado histórico.

Que métricas são essas? Apostar em empresas de risco adequa- do. Estamos interessados em empresas

PME LÍDER 2015

do. Estamos interessados em empresas PME LÍDER 2015 que tenham capacidade competitiva, tanto no mercado

que tenham capacidade competitiva, tanto no mercado doméstico como no internacional. Podem também expor- tar, mas têm que ser competitivas em Portugal. Não podemos ter empresas extraordinárias apenas em mercados emergentes. Queremos empresas que procuram os seus mercados e que se- jam competitivas em todos os merca- dos onde operam.

Que tipo de apoio dão efectivamente às empresas? São três os níveis de necessidade e de apoio. Há necessidade de apoio corren- te de tesouraria. As empresas vendem

e têm que receber dos clientes e no do-

mínio dos recebíveis temos uma oferta muito abrangente. As empresas têm necessidade de se financiar para fazer face à compra de matérias-primas, para compra de equi- pamentos, ou para investir em produ- ção externa. E também aqui as apoia- mos. E muitas vezes fazemos com o apoio de entidades públicas ou através de mecanismos de garantia mútua em

que o risco é bastante mitigado desig- nadamente em necessidades de médio

e longo prazo.

Saliento ainda que há tradicionalmente uma insuficiência de capitais próprios

em muitas empresas portuguesas pelo

28

que, sendo legítimo que queiram ter acesso a taxas de juro competitivas, também têm que ir encontrando so- luções de capital para satisfazer essas necessidades. E aí também as podemos ajudar.

O acesso ao crédito é ainda um pro- blema das PME? Está mais facilitado mas a minha pre- ocupação é que haja uma exigência in- suficiente por parte dos bancos nos cri- térios de risco. Um deles é que as PME tenham uma boa notação de risco e que estejam devidamente capitalizadas para o tipo de negócios que operam.

Acredita que nos próximos tempos vai haver mais recurso ao crédito? Neste momento os indicadores são po- sitivos, as empresas olham para o fu- turo com mais otimismo e vão querer investir mais. Por isso é normal que os pedidos de acesso ao crédito aumen- tem.

E o estatuto de PME líder ainda é uma vantagem no acesso ao crédito? É uma excelente classificação e isso pressupõe a satisfação em alguns crité- rios de risco. Para o banco, mais do que uma garantia é um excelente cartão- de-visita.

De que serviços financeiros precisam as empresas?

AS NECESSIDADES MUDARAM E OS BANCOS ADAPTAM-SE. TRÊS ESPECIALISTAS DO NOVO BANCO EXPLICAM COMO.

Eduardo Moradas,

Assessor do Conselho de Administração

A crise levou muitas

empresas a não aumentar os seus colaboradores ou

a cortar salários.

Em contrapartida têm aumentado be- nefícios como seguros

de saúde, cartões de refeições e outros serviços que também são vantajosos fis- calmente para as empresas. Qual a expe- riência do Novo Banco nesta área?

O processo de ajustamento pelo qual temos

vindo a passar traduziu-se num conside- rável aumento da carga fiscal e desafios às medidas públicas de âmbito social. É neste quadro que estes benefícios sociais assu- mem uma importância crescente para as empresas e para os colaboradores. Neste domínio o banco foi pioneiro quando em 2004 lançou o primeiro cartão vale refeição

em Portugal, o cartão ‘à la card’, permitindo às empresas o pagamento do subsídio de al- moço através de um cartão electrónico pré- pago, com benefício fiscal para a empresa e colaboradores. Mais recentemente, em Junho de 2013 de- senvolvemos uma parceria com a filial por- tuguesa da Edenred, líder mundial no mer- cado de serviços pré-pagos. Pretendemos assim continuar a estimular o desenvolvi- mento deste sector, abrindo em simultâneo

o leque de novas soluções ao alcance dos

nossos Clientes. A este nível quero destacar

o Cheque Creche, destinado ao pagamento

de despesas com creches, jardins de infân- cia e lactários para filhos dos colaboradores

até aos seis anos de idade, e o Cheque Estu- dante, destinado ao pagamento de despesas com escolas, estabelecimentos de ensino e compra de livros escolares para os filhos dos colaboradores.

O mais interessante é que as empresas que

atribuam este benefício, além de estarem isentas de TSU, podem apresentá-la como

um custo fiscal com uma majoração de 40%.

O trabalhador também fica isento de IRS e

de descontos para a Segurança Social.

fica isento de IRS e de descontos para a Segurança Social. Duarte Pupo Correia, Director do

Duarte Pupo Correia,

Director do Departamento de Inovação e Canais

A internacionaliza- ção das empresas e a mobilidade tem lançado desafios, por exemplo, nas plataformas de Internet banking. Qual é a evolução que

antevê nas soluções financeiras?

A rápida evolução do mercado coloca às

empresas e seus bancos desafios que obri-

gam a um acelerado processo de adaptação

e de constante inovação.

Todos os ‘players’ de mercado têm de ser rá- pidos na identificação de novos ‘standards’

e oportunidades para dar resposta às neces- sidades de uma economia orientada para a exportação, para acompanhar e incorporar as possibilidades trazidas pela revolução tecnológica e para procurar a liderança

num mercado fortemente concorrencial. Temos investido na disponibilização de uma oferta de qualidade nos canais de Internet e ‘mobile’. Nesse contexto, destaca-se o ser- viço de Internet Banking “NBnetwork2, que tem várias opções de apoio à actividade internacional. Por exemplo, as opções de transaccionalidade de e para o estrangeiro,

as ofertas de Trade Finance, o cada vez mais

internacional serviço NB Express Bill e a so-

lução Finetrade. Na área da mobilidade, é de destacar a in- tegração entre as soluções de Internet PC, Mobile e Tablet, que permite que um gestor, ausente do seu local de trabalho, autorize em simultâneo operações de todas as suas empresas, a qualquer hora e em qualquer parte do mundo, ou que tenha uma visão integrada dos recursos da empresa junto do banco. No futuro será disponibilizado um amplo lote de inovações, aptas a dar ainda melhor resposta às formas de interacção que os dispositivos ‘mobile’ potenciam, incorpo- rando melhores práticas internacionais de ‘design’ e de experiência de utilização. Será de referir que a NBapp ‘mobile’ de em- presas já por duas vezes recebeu o prémio de melhor serviço de Mobile Banking de Empresas da Europa da revista internacio- nal Global Finance Magazine.

29

da revista internacio- nal Global Finance Magazine. 29 Luis Carvalho, Director Coordenador de Marketing de

Luis Carvalho,

Director Coordenador de Marketing de Empresas

Em Portugal o ní- vel de atraso nos pagamentos às empresas e pelas empresas é eleva- do. Que soluções financeiras podem as PME ter para col- matar este grave problema?

Todos os estudos de mercado sobre este tema convergem na mesma conclusão: Por- tugal é o país da Europa onde se paga mais tarde além do prazo contratado. Só por si o tema é preocupante, mas na re- alidade o impacto é devastador pelo efeito contágio que gera: insolvências, desempre- go e limitação do crescimento.

O tema não é novo, é uma questão cultural,

estrutural, que se agravou consideravel- mente nos últimos anos. O processo de pro- pagação é simples: Pago mais tarde porque recebo mais tarde e assim sucessivamente.

É um ciclo vicioso.

Tendo em conta o nível de endividamento das empresas portuguesas a solução não é mais crédito, mas sim soluções que assegu- rem a fluidez dos pagamentos e recebimen-

tos. Conscientes desta necessidade, criámos

o serviço NB Express Bill que se traduz na

Garantia de Recebimento aos Fornecedores com opção de antecipação automática dos fundos. Sendo o bloqueio de Pagamentos e Recebi- mentos um problema de todos, tivemos a preocupação de desenvolver uma solução simples e eficaz que satisfaz todas as em- presas (micro, pequenas, médias e grandes empresas) de todos os setores de atividade. Funcionando na nossa plataforma de inter- net banking (NBnetwork), asseguramos os processos totalmente desmaterializados, online e com baixos custos. Temos o serviço a funcionar em Espanha, principal parceiro comercial português, pelo que oferecemos uma Solução Ibérica Integrada.

Espanha, principal parceiro comercial português, pelo que oferecemos uma Solução Ibérica Integrada. PME LÍDER 2015

PME LÍDER 2015

Estatuto As etapas rigorosas até chegar a PME Líder

MAIS DE 7.700 PME CONSEGUIRAM PASSAR NO CRIVO EM 2014.

Raquel Carvalho

F oram 7.732 as empresas dis- tinguidas com o estatuto de PME Líder em 2014, mais 14% que em 2013. Mas para se

merecer este estatuto é preciso pas- sar por um crivo apertado de selec- ção. É que ser-se PME Líder significa ser uma empresa que se distingue das outras pelo seu perfil de desempenho superior. E é isso mesmo que o IAP- MEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimen- to) quis distinguir quando lançou este estatuto, no âmbito do programa FIN- CRESCE, um programa que tem como objectivo conferir notoriedade e opti- mizar as condições de financiamento das empresas com superior perfil de risco e que prossigam estratégias de crescimento e de reforço da sua base competitiva. Mas o estatuto é atribuído por outra entidade além do IAPMEI: o Turismo de Portugal (TP), no caso das empresas de turismo. Ambos têm parcerias com dez bancos a operar no país. São vários os critérios para a designa- ção de uma PME Líder. Ser PME é naturalmente uma obriga- ção e a certificação deve ser renovada anualmente. Depois, claro está, nada de dívidas à administração fiscal, à Segu- rança Social, ao IAPMEI e ao TP. Uma PME de sucesso é obviamente uma empresa que vai mais além. Que não limita a sua actuação ao mercado nacional, estando de olhos postos no

PME LÍDER 2015

exterior. E para se conseguir o estatu-

to de Líder, é preciso prosseguir estra- tégias de expansão e de aumento da competitividade, tendo sucesso dentro

e fora de portas, com resultados líqui-

dos positivos, pelo menos nos últimos

três anos completos de actividade, EBI- DTA positivo nos últimos dois anos em análise e com autonomia financeira su- perior a 30%. Já o volume de negócios deve ser igual ou superior a um milhão de euros.

O perfil de risco tem que estar posicio-

nado nos mais elevados níveis, estando também a escrutínio o perfil de ‘rating’, que deve ser superior. Reunidos estes critérios, cabe aos ban- cos parceiros convidar as empresas e propô-las. Depois de aceite é o IAPMEI ou o Turismo de Portugal que comuni- cam à empresa, com conhecimento do banco proponente. Importante referir que em 2014 as PME que obtiveram o estatuto regista- ram uma autonomia financeira média de 48%. As rendibilidades dos capitais próprios, do activo e das vendas destas empresas, tiveram taxas de crescimen- to na ordem dos 30%.

Estatuto pode caducar

O estatuto de PME Líder é um selo de

reputação na relação das empresas com o mercado e é factor de sucesso

imediato no acesso ao crédito bancário

e às várias fontes de financiamento dis- poníveis no mercado. É também uma

30 30

porta aberta para um melhor relacio- namento com a administração pública

e acesso a melhores condições de fi- nanciamento.

O estatuto PME Líder é validado até fi-

nal de Agosto do ano seguinte, devendo ser renovado até essa data sob pena de caducidade.

E se há empresas que vão renovando

este estatuto com os anos, outras há que o podem perder. Basta que deixem de cumprir um dos critérios. O estatu- to pode também caducar em qualquer momento pela existência de um facto que possa pôr em causa a qualidade de desempenho que se pretende associa- da ao estatuto. É o caso do registo de processos de insolvência em empresas participadas pelos sócios/accionistas nos últimos 12 meses; o incumprimen- to com instituições financeiras ou re- sultante de informação da central de risco de Crédito do Banco de Portugal; processos fiscais, judiciais e situações litigiosas, cujas repercussões futuras possam afectar significativamente a situação económico-financeira da em- presa ou de avalistas; conhecimento de ocorrências de incidentes, como che- ques devolvidos, apontes e protestos de letras. Ao verificar-se qualquer um destes epi- sódios, IAPMEI ou Turismo de Portugal são responsáveis pela comunicação à empresa da suspensão do estatuto PME Líder. Importante mencionar que entidades como SGPS, IPSS, associações e outras instituições que não tenham lucro como objectivo e sem contabilidade organizada são automaticamente ex- cluídas do acesso ao estatuto de PME

Líder.

Infografia: Mário Malhão | mario.malhao@economico.pt PME LÍDER 2015 31

Infografia: Mário Malhão | mario.malhao@economico.pt

PME LÍDER 2015

ENTREVISTA

João Cotrim de Figueiredo Presidente do Turismo de Portugal (TdP)

“Há empenho dos promotores em assegurar elevados níveis de qualidade”

O PRESIDENTE DO TdP REVELA QUE O ORGANISMO DEFINIU UMA REDE DE PARCEIROS NO MERCADO FINANCEIRO PARA IMPLEMENTAR LINHAS DE CRÉDITO PARA O SECTOR. POR EXEMPLO, PARA A QUALIFICAÇÃO DA OFERTA ESTÁ NO TERRENO UM ORÇAMENTO DE 120 MILHÕES DE EUROS.

Dírcia Lopes

PME LÍDER 2015

O facto da maioria das empresas do sector turístico serem de pequena e média dimensão reduz a sua compe- titividade? Uma empresa pode ser de pequena ou média dimensão e ser altamente competitiva. Em algumas situações, a dimensão pode ajudar, mas não é fac- tor determinante da permanência no mercado a médio e longo prazo. Sec- tores de actividade económica em que se inserem, estrutura de custos, noção das oportunidades de negócio, visão estratégica do negócio são alguns dos aspectos que contribuirão para que uma pequena ou média empresa (PME) possa ser ou se torne competi- tiva. E, depois, os critérios de elegibili- dade para a sua potencial candidatura ao estatuto de PME Líder estão clara- mente definidos no diploma legal que institui esse perfil. E também obriga a que a empresa, uma vez alcançado esse objectivo, procure assegurar que se mantenha nesse patamar. Ou seja, respeitando os critérios aí definidos, assegurar que a manutenção da com- petitividade alcançada perdure no tempo. Não é fácil, mas traz benefícios claros às empresas que atinjam esse patamar.

As empresas do turismo têm ganho relevância no âmbito dos estatutos PME Líder e PME Excelência. Isso sig-

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nifica que tem havido um esforço das empresas no sentido de oferecer um serviço de excelência? As empresas do sector do turismo te- rão de cumprir a generalidade dos cri- térios exigidos às restantes PME, com a excepção dos indicadores volume de negócios e número de trabalhado- res. Mas mesmo com esta ressalva, a atribuição do estatuto de PME Líder a microempresas deste sector de activi- dade só é possível em situações muito peculiares. As empresas candidatas terão de demonstrar que possuem empreendimentos ou actividades ino- vadoras ou que se inserem em imóveis de reconhecido valor patrimonial. O facto de o número de empresas liga- das ao turismo estar a ganhar peso relativo no âmbito das chamadas PME Excelência mostra o empenho dos seus promotores em assegurar eleva- dos níveis de qualidade nos produtos e serviços que disponibilizam aos seus clientes e ao mercado.

As empresas têm feito uma aposta na qualidade… No fundo, trata-se do reconhecimento do esforço desenvolvido no dia-a-dia pelos empreendedores privados, co- nhecido que é o quadro legal em que poderão desenvolver a sua activida- de. Se é verdade que o turista, seja ele nacional ou não, está cada vez mais

>

Paula Nunes

“A própria exploração de nichos de mercado é um sinal da evolução no sentido de uma oferta mais elaborada, de maior excelência. Portugal há muito que deixou de ser apenas “sol e praia” enquanto destino turístico”.

33

PME LÍDER 2015

> exigente quanto à melhor satisfação das suas necessidades, também não é menos verdade que

> exigente quanto à melhor satisfação das suas necessidades, também não é menos verdade que as empresas pri- vadas do sector têm correspondido

a essa evolução. A diversificação da

oferta turística é real e não apenas em termos da quantidade dos produtos

e serviços disponibilizados mas tam-

bém, e sobretudo, no que diz respei-

to à elevada qualidade dos mesmos.

A própria exploração de nichos de

mercado é um sinal da evolução no

sentido de uma oferta mais elaborada,

o que equivale a dizer, de maior exce- lência. Portugal há muito que deixou

de ser apenas “sol e praia” enquanto

destino turístico. Temos muito mais, e

de grande qualidade, para oferecer a

quem nos procura.

Um dos constrangimentos das em-

presas do sector tem sido o acesso ao crédito e problemas de tesouraria. Nesta fase, há apoios para que consi- gam dinamizar o seu negócio? No domínio do apoio às empresas

a actuação do Turismo de Portugal

(TdP) tem sido particularmente acti- va. Além da definição das prioridades de actuação que resultaram da ela- boração, em diálogo com os agentes

do sector, do Plano de Acção Turismo

2020, o TdP tem desenvolvido uma rede de parceiros com o mercado fi- nanceiro, que permitiu a criação de

PME LÍDER 2015

linhas de crédito específicas para o sector do turismo. Para apoio ao in- vestimento, sobretudo nas áreas da requalificação de unidades de aloja- mento turístico e no desenvolvimen- to de actividades de animação e de restauração com interesse para o tu- rismo, encontra-se em vigor a Linha de Apoio à Qualificação da Oferta, com um orçamento de 120 milhões de

euros, criada em parceria entre o TdP

e com a maior parte das instituições

de crédito que operam em Portugal.

E na componente do endividamento? No sentido de criar condições para a reestruturação dos serviços de dívi- da das empresas do sector, tendo em vista ajustá-los aos meios libertos, o TdP criou, igualmente em parceria com as instituições de crédito, a Li- nha de Apoio à Consolidação Finan- ceira, com um orçamento global de 80 milhões de euros. Por outro lado, para apoio à tesouraria das empresas,

a nova Linha PME Crescimento 2015,

na parte relativa ao crédito às empre-

sas exportadoras, veio prever especi- ficamente a concessão de crédito a empresas do sector do turismo, cujos prazos de utilização/reembolso po- dem ser ajustados ao seu ciclo de te- souraria, em função da sazonalidade que a respectiva actividade registar.

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No âmbito do Programa 2020 tam- bém estão previstos incentivos… Sem prejuízo do acesso a esses meca- nismos, importa salientar que também já está no terreno o Portugal 2020,

cujos sistemas de incentivos permitem

a concessão de apoios com uma inten-

sidade de auxílio muito significativa e

que constituirão, neste período 2014- 2020, uma forte alavanca ao desenvol- vimento de projectos diferenciadores

e orientados para os mercados exter-

nos, cobrindo, em grande medida, as preocupações reflectidas no plano de Acção Turismo 2020. Deste modo, en- contra-se assegurado um quadro inte- grado de apoio às empresas do sector, que deve ser utilizado pelas empresas em função das suas necessidades e da estratégia que pretende desenvolver para o crescimento do seu negócio.

Qual é o peso actual do turismo em termos de criação de riqueza do País? Já há sinais quanto ao crescimento dos indicadores em 2015?

O peso do sector na economia nacional

tem crescido nos últimos anos. Como é do domínio público, 2014 viu a gene- ralidade dos indicadores de actividade do sector a atingir valores nunca an- tes alcançados e a tendência é da sua melhoria durante o ano em curso. As receitas globais de 2014 ultrapassaram os 10,4 mil milhões de euros, mais 1,1

Fotos: Paula Nunes mil milhões que em 2013. Se projec- tarmos um crescimento da ordem
Fotos: Paula Nunes mil milhões que em 2013. Se projec- tarmos um crescimento da ordem
Fotos: Paula Nunes
Fotos: Paula Nunes

mil milhões que em 2013. Se projec- tarmos um crescimento da ordem dos dois dígitos, difícil mas possível, pode- remos fechar o ano com uma receita da ordem dos 11 mil milhões de euros. Mas temos de ser realistas e reconhe- cer que se trata de um objectivo am- bicioso e que há imponderáveis que poderão condicionar fortemente tal desiderato, se não o condicionaram já.

Nesta fase, quais são as principais apostas do Turismo de Portugal? As apostas definidas para o sector fo- ram apresentadas recentemente por ocasião da divulgação do Plano de Ac- ção Turismo 2020, um plano que pre- tende afirmar Portugal como o desti- no de maior crescimento turístico da Europa, suportado na sustentabilida- de e competitividade de uma oferta diversificada, autêntica e inovadora. Com isso o turismo consolidar-se-á

Critérios de escolha do Turismo de Portugal

É

o IAPMEI que decide e entrega

o

estatuto de Líder às PME.

Mas às empresas de turismo

a decisão é tomada pelo Turismo de

Portugal (TdP). Além das regras que têm de cumprir e que são idênticas à PME Líder, têm de ter os respectivos empreendimentos e actividades

turísticas licenciados, um perfil de risco posicionado nos níveis mais elevados dos sistemas internos de notação de risco dos bancos protocolados, pelo menos três exercícios de actividade completos com contas fechadas de 2014

e que apresentem resultados líquidos

positivos em 2014; EBITDA positivos em

dois anos e autonomia financeira em 2014 maior ou igual a 30%.

A atribuição do estatuto a micro

empresas do sector do Turismo só será possível se estas tiverem empreendimentos ou actividades inovadoras ou que se encontrem inseridos em imóveis de reconhecido valor patrimonial.

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como actividade central para o de- senvolvimento económico do país e para a sua coesão territorial. Trata-se de um plano transversal, desenhado conjuntamente com as diferentes re- giões do país e com os seus múltiplos interlocutores, com uma perspetiva prática e inclusiva, que viabiliza medi- das e projetos reais e o envolvimento das centenas de entidades e empresas que querem, efectivamente, contri- buir para a sustentabilidade, competi- tividade e consolidação do turismo em Portugal. É um objectivo ambicioso, em que Portugal terá de continuar a assegurar um crescimento médio anu- al superior à média mundial, mas é um objetivo que está ao nosso alcance se aplicarmos este plano como aquilo que realmente é: uma estratégia de eficiência colectiva para o ‘cluster’ do turismo, um dos ‘clusters’ estratégicos que o Portugal 2020 necessariamente terá de concretizar.

PME LÍDER 2015

SECTOR: TURISMO TOP 5 1 Travel Store 2 Nortravel 3 Lusanova 4 Dom Pedro -

SECTOR:

TURISMO

TOP 5

1 Travel Store

2 Nortravel

3 Lusanova

4 Dom Pedro - Investimentos Turísticos

5 Club Tour

VEJA AS 494 PME LÍDER páginas 42-49
VEJA AS
494
PME
LÍDER
páginas
42-49

Portugal ganhou o estatuto de destino ‘sexy’

CRESCIMENTOS RECORDE DOS INDICADORES TURÍSTICOS CONFEREM AO SECTOR O PAPEL DE MOTOR DA ECONOMIA.

Dírcia Lopes

E m declarações ao Diário Económico, o presidente do Tu- rismo de Portugal

(TdP), João Cotrim de Figueiredo, real- ça a importância crescente que o sec- tor tem assumido no desenvolvimento económico nacional e lembra que no ambiente de “reconhecida austerida- de económica, foi o sector que mais contribuiu para a recuperação e cujos resultados mais recentes evidenciam uma evolução francamente positiva”. João Cotrim de Figueiredo sublinha que

esta realidade “resulta do esforço con- tinuado de todos os agentes do sector,

PME LÍDER 2015

públicos e privados” e não tem dúvidas que “as expectativas são francamente favoráveis quanto à manutenção desse papel de motor do desenvolvimento económico nacional”. O responsável acredita que “se 2014 foi um ano de todos os recordes, 2015 tem dado bons indicadores” de se con- tinuar nesta tendência positiva. E so- corre-se dos números para provar este cenário: “Em Janeiro registaram-se 788 mil hóspedes e quase dois milhões de dormidas, o que representa um cres- cimento de 12,8% e de 13,4%, respec- tivamente, face ao mês homólogo de 2014”. No primeiro mês deste ano, os proveitos ascenderam a 91 milhões de euros, mais 18,1% face ao mês homólo- go do ano passado, “o que significa que os hóspedes não só ficam mais tempo como gastam mais por cada noite”, refere a mesma fonte. João Cotrim de Figueiredo destaca ainda “a relevância crescente do sector na balança comer- cial e na economia nacional” ao lem- brar que em Janeiro as receitas globais ultrapassaram os 593 milhões de euros,

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um crescimento de 15% face ao período homólogo de 2014. Os últimos dados do Instituto Na- cional de Estatística (INE) sobre a actividade concluem que os estabe- lecimentos hoteleiros portugueses re- gistaram mais de sete milhões de dor- midas entre Janeiro e Março deste ano. No primeiro trimestre os proveitos da hotelaria cresceram 15% para 330 mi- lhões, face a um aumento de 13% do rendimento médio por quarto dispo- nível (RevPAR). Ainda de acordo com o INE, entre os principais mercados que contribuíram para este desempenho está o aumento do número de dormi- das de turistas espanhóis e franceses (mais 20%). O destaque vai também para as subidas de mercados como Itália (37%) e Bélgica (28%). De acordo com uma nota da secretaria de Estado do Turismo a que o Diário Económico teve acesso, em comparação com a ac- tividade turística de Espanha, Portugal “continua a crescer o triplo de Espanha em termos de dormidas totais, o dobro em dormidas de residentes e 30 vezes

Paula Nunes

Paula Nunes mais em dormidas de estrangeiros”. Até Março, segundo o INE, a ho- telaria nacional
Paula Nunes mais em dormidas de estrangeiros”. Até Março, segundo o INE, a ho- telaria nacional

mais em dormidas de estrangeiros”. Até Março, segundo o INE, a ho- telaria nacional registou mais de três milhões de dormidas, uma subida de 11,5%, onde se destaca o aumento das dormidas de turistas nacionais de 17,9% e o aumento de 9% das dormidas de tu- ristas estrangeiros. O INE justifica esta evolução com o “efeito do calendário associado às férias escolares da Páscoa, que se iniciaram na segunda quinzena daquele mês”. Ainda assim, a Confederação do Tu- rismo de Portugal lembra que várias empresas do sector mostram sérias dificuldades (ver entrevista ao lado). “Não pode o País, por um lado, aplau- dir a resiliência de um sector crucial e estratégico para a recuperação econó- mica, e depois, por outro lado, castigá-

lo com condições pouco competitivas e

custos de contexto desajustados à rea- lidade, ainda mais quando competimos contra os melhores do mundo”, afirma

o recém eleito Francisco Calheiros.

“Aqui voltamos a tocar em assuntos sensíveis, como o IVA da restauração e

Os vencedores no turismo

Com um volume de negócios de 40 milhões de euros o grupo

Travelstore lidera o ranking do sector ao operar plataformas multicanais de serviço ao cliente na Península Ibérica e em África, onde iniciou a expansão através da entrada em Angola

e Moçambique. No ranking das empresas PME Líder a empresa liderada por

Frédéric Frère ocupa a 47ª posição, sendo que obteve lucros na ordem dos 220 mil euros.

A Nortravel surge em segunda posição

numa altura em que apostou na apresentação de novos destinos no

catálogo de 2015. As vendas da empresa cresceram 4,72% em 2013 para cerca de 24 milhões de euros.

A Lusanova que opera desde 1959 surge

em terceiro lugar na listagem do sector.

O operador turístico trabalha tanto no

segmento de grupos, como em viagens individuais e de incentivo pelos cinco Continentes.

do golfe”. Se 2013 foi o ano da reforma do IRC, 2014 o ano da reforma do IRS, “então esperemos que 2015 seja o ano da reforma do IVA”, defende.

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2 PERGUINTAS A

Francisco Calheiros Presidente da Confederação do Turismo Português

O turismo tem sido apontado como um motor de desenvolvimento eco- nómico. O sector tem conseguido dar resposta a este desafio? Os números falam por si. Dos cerca de 100 mil novos postos de emprego cria- dos em 2014, cerca de 30% devem-se ao turismo. É o “campeão” das expor- tações, pois sem o impacto da Balança Turística a Balança Corrente seria ne- gativa. O turismo tem sido, na verdade, “O” motor de desenvolvimento eco- nómico de Portugal e o sucesso desta estratégia deve-se essencialmente aos empresários, gestores e quadros deste sector. Há que dizer, porém, que estas mesmas empresas que estão na base deste sucesso enfrentam sérias difi- culdades, vendo o seu contributo ser recompensado com estrangulamentos de difícil compreensão.

Hoje qual é o peso do turismo em termos de criação de riqueza do País? É o sector com maior valor acrescen- tado para a economia e criação de riqueza do País, aliás, é importante relembrar, porque muitas vezes é es- quecido e subvalorizado, o facto de que o maior beneficiário desta perfor- mance turística recorde não é apenas as empresas do sector mas, dada a sua transversalidade, toda a economia no geral. O turismo está em todo o lado, e as suas ramificações estendem-se mui- to além das suas actividades tradicio- nais, como a aviação, a distribuição, o alojamento ou a restauração. Em 2014 registou-se um impacto indirecto de 27,3 mil milhões de euros (15,7% do PIB) muito superior ao impacto direc- to, de 10,4 mil milhões de euros (6% do PIB). Prognósticos, como alguém dizia, deixo para o “fim do jogo”, mas posso dizer que o crescimento não só não parou como não dá sinais de abranda- mento.

CASOS DE SUCESSO

Dado Galdieri/Bloomberg
Dado Galdieri/Bloomberg
CASOS DE SUCESSO Dado Galdieri/Bloomberg Club-Tour Personalizar o serviço por cada tipo de clientes NA CLUB-TOUR,

Club-Tour Personalizar o serviço por cada tipo de clientes

NA CLUB-TOUR, OS CLIENTES ESTÃO NO CENTRO DO NEGÓCIO E SÃO CONSIDERADOS COMO ÚNICOS.

Raquel Carvalho

O turismo é um sector muito

competitivo e onde a con-

corrência é feroz. É por isso

preciso marcar claramente

a diferença. Carlos Costa, administra-

dor da Club-Tour, PME Líder, diz que

a empresa se distingue pelo “tipo de

atendimento. Tentamos personalizar ao máximo a relação com cada clien-

te, porque no fundo o que pretende- mos é a fidelização de todos os que nos procuram”, assume. O objectivo

é claro: “queremos que o cliente se

sinta tão apoiado e tão bem atendido,

que quando pense em viajar, pense imediatamente em nós. Não enquanto

PME LÍDER 2015

PME LÍDER 2015

uma agência de viagens, mas enquan-

to a sua agência de viagens”.

A forma de actuação está associada

ao lema da empresa desde há 26 anos, “Um Cliente, Uma Excepção’” Carlos Costa explica: “para nós o essencial vai ser sempre servir bem. Personali-

zar as nossas ofertas. Acautelar os im- previstos. Garantir o acompanhamen-

to dos nossos clientes desde a reserva

até ao destino final”, sublinha. “É esse compromisso que trazemos connosco para o futuro. Hoje em dia, qualquer pessoa pode marcar uma viagem pela Internet, mas poucos poderão dar um acompanhamento semelhante ao que

a Club-Tour oferece aos seus clien- tes”.

E são muitos os clientes que esco-

lhem a empresa desde que foi criada.

A fidelização é mesmo um dos seus

factores de sucesso. “Temos clien- tes com tantos anos quantos os que temos de existência. E isto aplica-se

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quer a particulares quer a empresas. Depois também temos outros com

menos anos, mas com um peso igual- mente importante no nosso negócio”, informa. Nos últimos anos, ressalva o ad- ministrador, têm sido abordados “por um segmento mais jovem, extrema- mente bem informado, que nos obriga

a estarmos constantemente em evolu-

ção, para podermos estar sempre um

passo à frente”. Este segmento procu- ra “a segurança de uma viagem plane- ada por uma agência de viagem, mas

à medida das expectativas que trazem

consigo”. Até agora, a empresa tem respon- dido a essas expectativas, o que se re-

flecte nos números. “O ano de 2014 foi bom. Vendemos mais e o nosso lucro cresceu”. As perspectivas para 2015 são igualmente de crescimento. Em Março abriram uma nova loja bem

no centro de Lisboa, no Marquês de

Pombal, com o retorno a “ser muito positivo”. As consequências da crise parecem, por isso,

Pombal, com o retorno a “ser muito positivo”. As consequências da crise parecem, por isso, estar dissipadas. A facturação cresceu de 18,4 milhões de euros em 2013, para 20,2 milhões de euros em 2014 e a previsão é que cresça 5% em 2015, com o segmento ‘corporate’ a ter maior peso no volume de negó- cios total. Um desempenho que vem quebrar a ligeira quebra que a empre- sa tinha sentido em 2011 e em 2012, especialmente no lazer. “Os clientes tornaram-se mais cautelosos nas esco- lhas de destino de férias e o mercado nacional acabou por beneficiar dessa cautela”, explica, reforçando que 2013 “trouxe uma outra abordagem, mais natural e semelhante à que estávamos habituados, e conseguimos crescer nesse ano”. De frisar o peso do mercado nacio- nal no volume de negócios é de 90%, estando a actividade internacional

Kiyoshi Ota/Bloomberg Paulo Alexandre Coelho
Kiyoshi Ota/Bloomberg
Paulo Alexandre Coelho

Imagem de solidez financeira

Carlos Costa acredita que a Club-Tour conseguiu o estatuto de PME Líder pelo “empenho de uma equipa de trabalho competente, a solidez da carteira de clientes, a confiança dos fornecedores e as parcerias estratégicas”.

E como PME Líder há sete anos

consecutivos, tem sentido na pele as vantagens do estatuto. “A maior vantagem é a imagem de solidez financeira e empresarial que passa para os nossos clientes, especialmente para o segmento empresarial, e para os

nossos fornecedores”, diz. Ser PME Líder “funciona como um aval dado por uma entidade supervisora, neutra

e completamente descomprometida, pelo

nosso bom desempenho e tem sido um elemento precioso na aquisição de bons negócios”, conclui.

“a crescer progressivamente”. Ainda não superou os 10%, mas essa é uma realidade que pode mudar, uma vez que a Club-Tour está a apostar mais na promoção. “Como compradores te- mos estado presentes anualmente em diversas feiras internacionais. Como expositores, este ano foi a primeira vez que estivemos presentes, enquan- to agência, na Bolsa de Turismo de Lis- boa (BTL)”, revela. São vários os factores que podem marcar a diferença no sector do turis- mo. E a escolha dos melhores parceiros é essencial numa agência de viagens.

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“Para nós um parceiro de excelência é aquele que partilha a mesma visão que nós, que tem objectivos claros de cres- cimento, e que se empenha no sentido de conseguir sempre os melhores ne- gócios, quer ao nível da oferta para o nosso cliente, quer ao nível das con- dições de fornecimento para nós pró- prios”, afirma Carlos Costa. Marcar a diferença na inovação é também fulcral. Sobre isto, o admi- nistrador da Club-Tour garante que a empresa está “tecnologicamente bem preparada” e com as ferramentas ne- cessárias para servir os seus clientes nas melhores condições. “Também estamos sempre à procura de novos mercados e de ofertas inovadoras para os nossos clientes”. Outro factor determinante é a qualidade de quem dá a cara pela em- presa. “Os recursos humanos, numa empresa que fornece serviços, são re- almente importantes. Na nossa em es- pecial, pelos critérios pelos quais nos pautamos ao nível do atendimento, são verdadeiramente fundamentais”, reforça, frisando características que considera de ouro. “Temos pessoas muito empenhadas, que souberam encarar com responsabilidade o facto de serem a face desta empresa”. Fala ainda de um “compromisso com a for- mação contínua de todos os funcioná- rios”, que, garante, “é uma mais-valia que pretendemos manter e reforçar sempre que possível”.

PME LÍDER 2015

PME LÍDER 2015

CASOS DE SUCESSO

CASOS DE SUCESSO Lusanova Crescimento de 2,5% em 2015 PME LÍDER DO TURISMO APOSTA NA DIVERSIFICAÇÃO

Lusanova Crescimento de 2,5% em 2015

PME LÍDER DO TURISMO APOSTA NA DIVERSIFICAÇÃO DE SEGMENTOS E MERCADOS

tem seguido estratégias de diversifi- cação, seja através da diversificação

constantes dos seus programas e ser- viços seja através da diversificação para outros mercados. Exemplo disso

é o lançamento, em 2014, de um ca-

tálogo de cruzeiros e da entrada no Brasil. “Acreditamos que a aposta na

O ano de 2014 foi de cresci- mento nas vendas para a Lusanova Travel Group. A facturação passou de 21,8

milhões de euros para 23,9 milhões. No primeiro trimestre de 2015 a empresa aumentou as vendas em 37% face ao

diversificação horizontal, aliada à in- ternacionalização da nossa actividade tem sido uma estratégia de sucesso que deverá continuar no futuro”, frisa Luis Lourenço, gerente. O crescimento previsto para este ano estará também associado ao facto

período homólogo anterior, tendo por

da

Lusanova ser uma empresa que res-

isso a perspectiva de crescer mais de

ponde a vários segmentos de clientes.

2,5% até final do ano.

A

sua experiência em Circuitos Eu-

Este bom desempenho deverá

ropeus e em Grande Viagens como a

estar em parte associado à entrada

América do Sul, a Índia e a China leva

desta PME Líder em novos destinos,

a

que este segmento tenha um peso

à

expansão para o mercado asiático

superior aos restantes na facturação

e

também à consolidação de negócios

total do grupo. No entanto, o merca-

realizados em 2014. É que a empresa

PME LÍDER 2015

PME LÍDER 2015

do ‘corporate’ tem vindo a ganhar um

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peso significativo, tendo representan- do um terço das vendas atingidas em

2014.

O mercado português represen- ta 45% da facturação da empresa e a

internacionalização tem sido a estra- tégia seguida para contornar a que- bra acentuada do consumo interno

e conseguir manter bons índices de

crescimento. “À quebra acentuada do consumo interno dos últimos anos, a Lusanova conseguiu responder a este contraciclo reforçando a sua estra- tégia de internacionalização a uma constante inovação dos seus produtos

e serviços”, sublinha. O sucesso desta

estratégia resultou num crescimento das vendas e numa estabilidade e so- lidez dos rácios económico-financei- ros que tem apresentado nos últimos anos. Mas muitos outros factores mar- cam o sucesso desta PME Líder. O

sector do turismo é bastante compe-

titivo e, perante a concorrência, Luis Lourenço acredita haver três pontos distintivos. A começar, a

titivo e, perante a concorrência, Luis Lourenço acredita haver três pontos distintivos. A começar, a marca Lusa- nova que, pela sua longevidade, dá ga- rantias de experiência e é conhecida pela qualidade da sua vasta gama de produtos e destinos. De seguida vêm duas premissas fundamentais: Pro- fissionalismo e experiência dos seus colaboradores. Sobre isto, assegura que a empresa “apresenta um quadro técnico estável, constituído por pro- fissionais muito experientes, tendo investido sempre na qualificação pro- fissional dos seus recursos humanos”. Depois destaca-se a solidez financeira do grupo, que é sempre um ponto pri- vilegiado pelos clientes. Com o lema “Viagens com Garan- tia”, a Lusanova dá sempre, qualquer que seja os programas ou destinos es- colhidos, uma garantia de valor para o cliente. Ou seja, “cada programa e des- tino é desenvolvido para um determi-

Paula Nunes
Paula Nunes

A importância de ser PME Líder

Ser uma PME líder contribui em primeiro lugar para aumentar a notoriedade da marca Lusanova, o que, “num mercado competitivo como o nosso, é uma grande vantagem”, garante Luis Lourenço. Para

o responsável, a atribuição do certificado de PME líder “é uma forma de promoção activa da marca, confirmando junto dos

clientes a qualidade dos nossos produtos

e serviços”. A outra vantagem, que diz

ser tão importante como a primeira, está relacionada com “a motivação interna”.

A atribuição deste prémio é

“a confirmação do sucesso das estratégias seguidas e a valorização do trabalho de todos os nossos colaboradores”, assegura.

nado segmento no sentido de garantir que o cliente aproveite ao máximo a sua viagem, seja em conforto, em se- gurança ou em enriquecimento pesso- al”, explica. Todos estes factores fazem com

41

que a empresa consiga fidelizar clien-

tes, que, diz Luis Lourenço, continuam

a viajar através da Lusanova pela “re- lação de confiança com a marca”. Num mercado concorrencial como

o turismo, a inovação e a procura de

novos programas e destinos, que res- pondam aos anseios dos clientes é fundamental. E a aposta na inovação pode ser feita através dos recursos humanos, ou de novas tecnologias. É isso mesmo que faz a Lusanova Tra- vel Group. Como empresa de turismo

e prestadora de serviços, a inovação

está muito relacionada com a quali- dade dos recursos humanos. Nesse

sentido, “a formação e a experiência profissional dos nossos colaboradores

é talvez a melhor estratégia de inova-

ção”, afirma Luis Lourenço, que frisa ainda a aposta na evolução das novas tecnologia que, diz, “exige um esfor- ço contante de investimento”. A empresa faz ainda forte investi- mento em marketing e comunicação, onde se inclui a presença em feiras e promoções, representando aproxima- damente 2% da facturação. Segundo o responsável, a presença em feiras “é importante para a divulgação da marca e das novidades dos nossos programas e serviço”. Mas apesar da empresa querer continuar a marcar presença nas principais feiras do sec- tor, tem vindo a ser feito um reforço do investimento de marketing e co- municação em novos canais.

PME LÍDER 2015

PME LÍDER 2015

LISTAGEM SECTORIAL

As 494 PME Líder do Turismo

 

Posição

Empresa

Volume

EBITDA

Valor de exportação em 2013 ()

Produtividade em 2013 ()

Concelho

na lista

de negócios

2013 ()

geral

2013 ()

 

1

41

TRAVEL STORE - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - VIAGENS, S.A

40.091.790,00

841.190,00

37.026.445,00

413.317,42

Lisboa

2

162

NORTRAVEL - AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO S.A.

23.975.013,00

478.231,00

2.615.420,00

614.743,92

Porto

3

188

LUSANOVA - EXCURSÕES E TURISMO, LDA

21.873.629,00

47.397,00

12.118.011,00

520.800,69

Lisboa

4

222

DOM PEDRO - INVESTIMENTOS TURÍSTICOS, S.A.

19.890.378,00

-89.186,00

 

51.344,79

Lisboa

5

258

CLUB TOUR-VIAGENS E TURISMO S.A.

18.435.211,00

136.150,00

2.313.666,00

768.133,79

Porto

6

412

WIDE TRAVEL - VIAGENS E TURISMO, LDA

13.987.598,00

163.383,00

 

559.503,92

Lisboa

7

429

ELISEU CORREIA TRAVEL - VIAGENS E TURISMO, UNIPESSOAL, LDA.

13.577.750,00

971.631,00

13.535.518,00

1.697.218,75

Olhão

8

436

CLUBE VIAJAR - VIAGENS E TURISMO, LDA

13.498.009,00

313.617,00

2.331.695,00

374.944,69

Porto

9

442

FOUR GOLD WINDS RESORTS - EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS, S.A.

13.391.249,00

1.184.522,00

12.512.073,00

13.391.249,00

Vila do Bispo

10

573

CIF - CLUBE INTERNACIONAL DE FÉRIAS, S.A.

11.513.200,00

5.177.934,00

 

69.356,63

Lisboa

11

663

AVIC - AUTOCARROS E VIAGENS IRMÃOS CUNHA, S.A.

10.577.851,00

204.519,00

 

264.446,28

Viana do Castelo

12

708

OÁSIS - VIAGENS E TURISMO, S.A

10.206.705,00

170.926,00

6.401.623,00

408.268,20

Lisboa

13

866

REALVITUR - VIAGENS E TURISMO, LDA.

8.888.419,00

486.502,00

4.434.007,00

555.526,19

Vila Real

14

902

PINTO LOPES VIAGENS, S.A

8.561.286,00

354.209,00

 

389.149,36

Porto

15

965

MARHOTEL - SOC. EXPLOR.RESTAURANTES,BARES E SIMILARES DE HOTELARIA LDA

8.237.843,00

268.467,00

 

45.765,79

Faro

16

1073

TURILIMA - EMPREENDIMENTOS TURISTICOS DO VALE DO LIMA S.A.

7.618.435,00

1.324.241,00

 

61.940,53

Ponte de Lima

17

1094

SOUSA & TAVARES, S.A

7.477.468,00

92.696,00

 

186.936,70

Funchal

18

1284

TEAM QUATRO, LDA

6.672.249,00

1.185.283,00

5.429.175,00

370.680,50

Oeiras

19

1320

ALGAROSA-SOCIEDADE GESTORA DE HOTEIS, LDA.

6.514.707,00

1.146.555,00

 

90.482,04

Albufeira

20

1333

FH3 - GESTÃO DE RESTAURANTES, S.A

6.460.052,00

1.233.430,00

 

43.945,93

Lisboa

21

1483

CELOLI - ACTIVIDADES TURÍSTICAS, LDA

5.896.964,00

2.139.642,00

 

122.853,42

Loulé

22

1654

LUCULLUMAR - SOCIEDADE HOTELEIRA E TURISMO, S.A.

5.407.065,00

862.786,00

2.641.498,00

50.533,32

Santa Cruz

23

1681

REGO, COSTA & TAVARES, LDA.

5.330.569,00

2.292.199,00

 

72.034,72

Ponta Delgada

24

1714

CORREIA & SANTINHA, LDA.

5.248.477,00

1.614.605,00

 

51.455,66

Lagoa (Algarve)

25

1750

PASSE PARTOUT - VIAGENS E TURISMO, LDA.

5.129.147,00

71.494,00

589.142,00

512.914,70

Coimbra

26

1781

CAEL - CONSÓRCIO DE AUTOMÓVEIS EXCELSIOR, LDA

5.031.043,00

2.987.232,00

 

173.484,24

Lisboa

27

1886

HOTI ORIENTE - HOTÉIS, S.A

4.789.664,00

1.572.805,00

 

87.084,80

Lisboa

28

1919

GO BIZ - VIAGENS E TURISMO, S.A

4.705.594,00

326.148,00

4.492.377,00

196.066,42

Alcácer do Sal

29

1980

A TROPICAL - AGENCIA DE VIAGENS E TURISMO, LDA.

4.574.407,00

117.568,00

 

415.855,18

Paços de Ferreira

30

1982

VERDE PINO - AGENCIA VIAGENS E TURISMO, LDA.

4.573.091,00

206.452,00

 

326.649,36

Ourém

31

2029

M16 - RESTAURANTES RAPIDOS, LDA.

4.486.109,00

554.367,00

 

65.016,07

Lisboa

32

2033

ECO VIAGENS E TURISMO, LDA.

4.473.571,00

61.769,00

729,00

344.120,85

Portimão

33

2058

NÓBREGA E HIPÓLITO, S.A

4.412.694,00

1.399.216,00

 

49.029,93

Santa Cruz

34

2106

SOCIEDADE TERMAL UNHAIS DA SERRA, S.A

4.328.319,00

1.373.172,00

 

77.291,41

Covilhã

35

2138

CERRO MAR II, LDA

4.265.082,00

1.478.782,00

 

61.812,78

Caldas da Rainha

36

2166

SENTIDO INVERSO - VIAGENS E TURISMO, LDA

4.196.677,00

384.491,00

 

699.446,17

Odivelas

37

2179

EVORAHOTEL - INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS E TURÍSTICOS, S.A

4.168.812,00

568.417,00

 

68.451,87

Évora

38

2209

HIPOLITO FRANCO & ANTONIO NOBREGA, S.A

4.090.036,00

1.015.974,00

 

41.735,06

Funchal

39

2235

MELO, LDA.

4.040.599,00

182.009,00

3.058.734,00

237.682,29

Ponta Delgada

40

2248

HOTI STAR - PORTUGAL HOTÉIS, S.A.

4.022.624,00

1.522.048,00

 

82.094,37

Lisboa

41

2375

RESTIN, LDA.

3.832.787,00

320.523,00

 

51.794,42

Castelo Branco

42

2410

HOTTI - BRAGA HOTÉIS, S.A.

3.760.669,00

1.048.137,00

 

65.976,65

Braga

43

2413

VEGA - AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO INTERNACIONAL, LDA

3.754.655,00

57.302,00

2.501.212,00

312.887,92

Lisboa

44

2511

BRABURGER - GESTÃO DE UNIDADES HOTELEIRAS, LDA

3.602.016,00

537.807,00

 

50.732,62

Braga

45

2513

MOGAL - INVESTIMENTOS HOTELEIROS E TURÍSTICOS, S.A

3.600.514,00

970.264,00

 

48.655,59

V. Real Sto António

46

2579

SOCIEDADE HOTELEIRA DO AREZ, S.A.

3.496.819,00

240.303,00

 

39.290,10

Évora

47

2580

GOMES & MARINHO, LDA.

3.496.654,00

928.080,00

 

79.469,41

Póvoa de Varzim

48

2597

GRACER - SOCIEDADE DE TURISMO DO ALGARVE, S.A.

3.470.998,00

1.014.367,00

1.890.321,00

51.805,94

Lisboa

49

2617

MULTIFOOD - REPRESENTAÇÃO DE MARCAS DE RESTAURANTES, S.A.

3.434.422,00

323.443,00

 

49.774,23

Lisboa

50

2642

SOPORTEL - SOCIEDADE PORTUGUESA HOTELEIRA, LDA

3.399.786,00

917.168,00

 

44.734,03

Lisboa

51

2644

BCÉVORA - GESTÃO DE RESTAURANTES, S.A

3.396.637,00

454.480,00

 

66.600,73

Évora

52

2648

AUGUSTO VIRGILIO SOUSA & FILHOS, LDA.

3.392.984,00

187.393,00

 

86.999,59

Anadia

53

2721

MANIA DAS VIAGENS - AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO, LDA

3.306.576,00

97.750,00

 

661.315,20