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Redes de Computadores

Apostila do Professor
1º/2º Bim. – Semestre 5 – PCRP 2

PLANEJAMENTO DE CAPACIDADE E
RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS EM REDES 5 PCRP 1T 1
Autores: Ronaldo Gama Silva
Alexandro A. Paulino
Prezado aluno,

Este material compreende apenas o


conteúdo da disciplina. Assim, não
deve ser a única fonte de consultas
em seus estudos. O conteúdo deve
ser complementado com outras obras,
indicadas por seu professor ou
encontradas em suas pesquisas.

Revisões:

1ª Edição – 1ª Impressão – 1º Semestre de 2007


Copyright Faculdade IBTA
IBTA 3011
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Planej. de Capac. e Resolução
de Problemas em Redes
Semestre V

Ìndice

1. Introdução ...................................................................................................................................1
1.1. O que é Network Capacity Planning?...................................................................................1

2. Etapas do planejamento de capacidade de sistemas computacionais .................................3


2.1. Processos de gerenciamento de capacidade .......................................................................4
2.1.1. Os três processos do capacity planning ....................................................................4

3. Fundamentação matemática ...................................................................................................14


3.1. Estatística ...........................................................................................................................14
3.1.1. Média móvel ............................................................................................................15
3.1.2. Tendência exponencial ............................................................................................16
3.1.3. Regressão linear......................................................................................................18
3.2. Teoria das filas ...................................................................................................................18
3.2.1. Notação de Kendall para descrição de uma fila ......................................................20

4. Análise de desempenho...........................................................................................................21
4.1. Processos de baseline .......................................................................................................22
4.1.1. O que é um baseline?..............................................................................................23
4.1.2. Diagrama principal de um baseline .........................................................................24

5. Monitoramento e coleta de dados em redes de computadores ...........................................28


5.1. Métricas de desempenho ...................................................................................................28
5.1.1. Latência ...................................................................................................................28
5.1.2. Taxa de serviço .......................................................................................................28
5.1.3. Disponibilidade e confiabilidade ..............................................................................29
5.1.4. Utilização .................................................................................................................29
5.2. Monitoramento e coleta de dados ......................................................................................29
5.2.1. Ferramentas de monitoração...................................................................................30
5.3. Identificação de gargalos....................................................................................................33

6. Particionamento e modelagem de carga de trabalho ...........................................................35

7. Modelagem de desempenho....................................................................................................39
7.1. Modelo de baseline e análise de modificação ....................................................................40
7.2. Tipos de modelos ...............................................................................................................40

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Glossário ...................................................................................................................................42

Exercícios ...................................................................................................................................44

Bibliografia ...................................................................................................................................49

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1. Introdução

Uma das tarefas mais difíceis e ignoradas pelos projetistas de redes é o planejamento de
capacidade.
Uma rede bem-planejada deve levar em consideração a real necessidade de banda e
equipamentos para o fim a que se destina. Com isso é possível racionar os custos e acompanhar
periodicamente a tendência de utilização, bem como planejar investimentos de forma que um
possível gargalo seja identificado antes de se tornar real.
Além disso, a tarefa de identificação, isolamento e resolução de problemas torna-se mais eficiente
e o “negócio” da empresa não fica prejudicado por paradas não planejadas.
Antes de entrar no escopo da matéria Planejamento de Capacidade e Resolução de
Problemas em Redes, devemos conceituar o termo capacity planning.

1.1. O que é Network Capacity Planning?

Capacity planning é uma das mais cruciais responsabilidades no gerenciamento de um sistema, e


quando realizado corretamente, pode ter um profundo impacto nos custos e confiabilidade dos
sistemas e serviços disponibilizados.
A maneira mais usual e incorreta de emprego do capacity planning é tratá-lo como simples
modelo de utilização de banda.
Um modelo de capacity planning eficiente é um processo de negócios que analisa os
equipamentos, facilidades e custos individuais necessários para prover um serviço (demanda
corrente e futura) para seus clientes.
Pela análise da situação atual e projetada (futura), novos serviços, métodos alternativos para
prover um serviço e outros requisitos de negócios, um capacity planning identifica o método de
maior custo-benefício para servir o cliente final aumentando a eficiência da rede.
Para competir mais eficientemente na economia global, as empresas necessitam prever o
crescimento de sua infra-estrutura de rede e serviços.
A infra-estrutura necessita ser hábil o suficiente para disponibilizar serviços de qualidade, dentro
de SLAs acordados, sem impactar a dinâmica dos planos de negócio da empresa.
Dessa forma, um funcionamento transparente da infra-estrutura é um componente integral que
facilita o crescimento da organização.
Um capacity planning efetivo fornece as seguintes fontes de informação:
• Uma visão da infra-estrutura para o futuro.
• Roadmap para escolha de infra-estrutura.
• Simplifica e diminui o ciclo de orçamento da área de TI.
• Reduz TCO (Total Cost of Ownership).
• Aperfeiçoa a utilização da infra-estrutura.
• Aumenta o desempenho, disponibilidade, confiabilidade e escalabilidade;

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• Padroniza processos para coleta e análise de dados.

Uma rede inteligente (ou “application-aware”) introduz novas demandas para os gerentes de
redes. Eles agora têm maiores responsabilidades por aplicações que são prejudicadas por um
problema de rede (falha ou desempenho).
De acordo com o Yankee Group 2005 Enterprise Network Management Survey, aproximadamente
70% dos gerentes de redes dizem ser responsáveis por isolar a causa de problemas de
desempenho de aplicações (ver gráfico abaixo).

What is your responsibility for managing application performance?

Determine whether or not


the network is causing 73,2
the problem

Use performance management


tools to isolate cause of 68,5
application performance issues

Test the network prior to


new application deployment 64,6

No responsibility for
application performance 3,2

0 10 20 30 40 50 60 70 80
Percent of Respondents

Figura 1. Fonte: Group 2005 Enterprise Network Management Survey.

Atualmente as aplicações são real-time e mais complexas, e usuários requerem desempenho dos
acessos WAN semelhantes ao das LANs.
Isso tudo coloca mais pressão sobre os gerentes de rede para assegurar o desempenho
adequado para suas redes.

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2. Etapas do planejamento de capacidade de sistemas


computacionais

O IT Infrastructure Library (ITIL) descreve um conjunto padrão de processos pelo qual uma área
de tecnologia da informação pode atingir eficiência operacional e agregar valor para uma
organização.
ITIL provê um framework de best-practicess que pode ser usado praticamente sem custos, o que
o faz crescer em popularidade, como um meio de gerenciar serviços de tecnologia da informação
em organizações comerciais e governamentais.
Como mostrado no diagrama abaixo, gerenciamento de capacidade é parte da área Service
Delivery do ITIL. capacity planning é parte do processo ITIL Capacity Management.

Figura 2. Processos ITIL.

ITIL define três subprocessos no processo de gerenciamento de capacidade:


• Gerenciamento de capacidade de negócios – Esse subprocesso é responsável por garantir
que requisitos de negócio futuros para serviços de tecnologia da informação sejam
considerados, planejados e implementados da melhor maneira possível.
• Gerenciamento de capacidade de serviços – O foco desse subprocesso é o gerenciamento
do desempenho da operação dos serviços de tecnologia da informação.
• Gerenciamento de capacidade de recursos – O foco nesse subprocesso é o gerenciamento
de componentes individuais da infra-estrutura de tecnologia da informação.

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2.1. Processos de gerenciamento de capacidade

É muito comum nas organizações o gerenciamento reativo do desempenho do sistema, onde os


problemas são analisados e corrigidos quando os usuários os reportam.
Quando problemas ocorrem, geralmente os administradores do sistema possuem as ferramentas
necessárias para rapidamente analisar e mitigar a situação.
Num mundo perfeito, os administradores se antecipam de maneira a evitar gargalos de
desempenho, usando ferramentas de capacity planning para predizer como servers; dispositivos
de rede e acessos LAN/WAN deverão ser configurados para adequadamente manusear futuras
cargas de trabalho.
O objetivo do capacity planning é prover níveis de serviço satisfatórios para usuários com
custo-benefício também satisfatório.
Descreveremos os passos fundamentais para efetuar o planejamento de um capacity planning.

2.1.1. Os três processos do capacity planning

Abaixo seguem os três passos básicos para desenvolvimento do capacity planning:


1. Determinar requisitos de nível de serviço
O primeiro passo no processo do capacity planning é categorizar o trabalho feito pelos
sistemas e quantificar as expectativas dos usuários sobre “como” esse trabalho deve ser
atingido.
2. Analisar a capacidade atual
Em seguida, a capacidade atual dos sistemas precisa ser analisada para determinar como eles
interferem nas necessidades dos usuários (se atingem as necessidades ou não).
3. Planejar visando ao futuro
Finalmente, usando análise das atividades de negócios futuras, futuros requisitos de sistemas
são determinados. Programar as mudanças necessárias na configuração do sistema irá
garantir que a capacidade suficiente estará disponível para manter os níveis de serviço
projetados.

Processos de Capacity Planning

Determinar requisitos de
Requisitos de nível de serviço
serviço com cliente

Analisar a capacidade atual Verificar a situação atual do


sistema

Verificar necessidades futuras


Planejar para o futuro alinhadas com os objetivos de
crescimento

Figura 3. Processos capacity planning.

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q Determinar requisitos de nível de serviço

O processo de determinar os requisitos de nível de serviço é dividido em três fases:


• Definir workloads.
• Determinar as unidades de trabalho.
• Identificar níveis de serviço para cada workload

Definir workloads

Da perspectiva do capacity planning, um sistema de computação processa workloads (as quais


fornecem a demanda) e disponibiliza serviços para usuários. Durante o primeiro passo no
processo do capacity planning, essas workloads precisam ser identificadas e uma definição de
nível de serviço satisfatório precisa ser criada.
Uma workload é uma classificação lógica do trabalho realizado em um sistema de computação.
Se considerarmos todo o trabalho realizado em um sistema como o gráfico abaixo, uma workload
será um pedaço deste gráfico.

Work e Workloads

Banda CPU

Memória

Figura 4. Workload.

Exemplificando a determinação de workloads:


• considerando o gráfico abaixo, determinamos um sistema (servidor) que roda uma determinada
aplicação.
• o gráfico mostra a utilização de CPU desse servidor durante 24 horas.
• podemos considerar essas informações como o trabalho desse sistema.

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100

90

80

70

60
Percent

50

40

30

20

10

0
01/02
00:00 05:20 06:40 08:00 09:20 10:40 12:00 13:20 14:40 16:00 17:20 18:40 20:00 21:20 22:40

Utilização de CPU de um servidor durante 24 horas

Figura 5. Gráfico de utilização de CPU.

• considerando a tabela abaixo, determinamos a divisão da carga total de CPU desse servidor
por processos.

Processo apptslot1
Processo tqweb
Processo aptRTout
Processo gil
Processo xcustom2
Processo syncd
Processo Multi

Tabela de processos

% de cada processo

Figura 6. Tabela de utilização de CPU por processo.

• se associarmos cada processo a um usuário (ou área usuária) desse processo, poderemos
determinar quais usuários (ou áreas) mais utilizam o servidor.
Por exemplo:
° Processo apptslot1 = área Finanças.
° Processo tqweb = área Desenvolvimento WEB.

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° Processo aptRTout = área Suprimentos.


° Processo gil = usuário X.
° Processo xcustom2 = usuário Y.
° Processo syncd = sistema.
° Processo Multi = sistema.

• podemos definir cada processo como uma workload, onde a soma de todas as workloads
resulta na utilização total de CPU do servidor.

100
90
Percent

80
70
60
50
40
30
20
10
0
01/02
00:00 05:20 06:40 08:00 09:20 10:40 12:00 13:20 14:40 16:00 17:20 18:40 20:00 21:20 22:40

Finanças Des. Web Sistema Suprimento Usuário X Usuário Y Outros


Workloads

Figura 7. Gráfico de utilização de CPU por workload.

Determinar as unidades de trabalho

Para o objetivo do capacity planning é indispensável associar uma unidade de trabalho com uma
workload.
Isso é uma medida de quantidade de trabalho realizada, diferente da quantidade de recursos do
sistema necessários para realizar esse trabalho.
Para entender a diferença, vamos considerar a medida de trabalho feita em um restaurante fast
foad. Quando decidimos sobre uma unidade de trabalho, podemos considerar a quantidade de
clientes atendidos, o número de sanduíches vendidos ou o dinheiro ganho nas vendas.
Isso é diferente dos recursos usados para completar esse trabalho (a quantidade de pães,
hambúrgueres, etc.).
Quando traduzimos esse exemplo para o mundo de tecnologia da informação, ao invés de pães e
hambúrgueres, falamos em utilizar recursos como disco, I/O channels, CPU e conexões de rede.
Medir a utilização desses recursos é importante para o capacity planning, mas não é relevante
para determinar a quantidade de trabalho feita ou a unidade de trabalho.
Ao invés disso, para uma workload online, a unidade de trabalho pode ser uma transação. Para
uma workload interativa ou batch, a unidade de trabalho pode ser um processo.

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Identificar níveis de serviço para cada workload

O próximo passo é estabelecer um SLA (Service Level Agreement).


Um SLA é um acordo entre o provedor do serviço e o usuário que define um nível de serviço
aceitável.
O SLA é geralmente definido pela perspectiva do usuário, tipicamente em termos de tempo de
resposta ou throughput.
Usar workloads ajuda no processo de desenvolver SLAs, pois workloads podem ser usadas para
medir a performance do sistema de maneira mais compreensível para clientes/usuários.
Essas possibilidades são análogas ao restaurante fast food requisitando que certo número de
clientes sejam servidos por hora durante o horário de pico, ou que cada cliente aguarde no
máximo três minutos para ser atendido.
Idealmente, requisitos de nível de serviço são determinados por requisitos de negócios.
Se o SLA for baseado no atual nível de serviço, então será razoável analisar a atual capacidade
dos sistemas antes de configurar e acordar os níveis de serviço.

q Analisar a capacidade atual

O processo de analisar a capacidade atual é dividido em quatro fases:


• Medir níveis de serviço e comparar com os objetivos.
• Medir a utilização de recursos.
• Medir a utilização de recursos por workload.
• Identificar componentes de tempo de resposta.

Medir níveis de serviço e comparar com os objetivos

Após a identificação dos níveis de serviço para cada workload, é necessário medir essas
workloads na rede e comparar com os objetivos determinados para cada uma deles.
Comparar as medidas de qualquer item referenciado no SLA com seus objetivos fornece uma
indicação básica sobre a adequação de capacidade do sistema.
Por exemplo, vamos tomar como base um router rodando o protocolo de roteamento BGP.
Para que a rede possa convergir de maneira eficiente, é acordado com a operadora de serviços
que a utilização média de CPU do router em um minuto não deve superar 30%, pois isso
acarretaria um aumento do tempo de convergência.
Considerando que os processos de roteamento em um router rodando BGP sejam os
identificados abaixo:

Router# show process cpu


CPU utilization for five seconds: 81%/3%; one minute: 36%; five minutes: 28%
PID Runtime(ms) Invoked uSecs 5Sec 1Min 5Min TTY Process
... <omitido>

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178 398019564 115310529 3451 12.99% 9.26% 8.91% 0 BGP Router


179 17615348 44401545 396 0.23% 0.50% 0.48% 0 BGP I/O
180 832115500 5236207 158922 0.00% 10.52% 9.62% 0 BGP Scanner
... <omitido>

Considerando os três processos como a workload BGP no router e assumindo o valor de


utilização média de CPU de um minuto (1min) teremos um total de 20,28% de utilização para essa
workload (dentro do esperado).

Medir a utilização de recursos

É importante observar cada recurso dentro dos sistemas para verificar se nenhum se encontra
saturado.
Vale lembrar que um mesmo recurso pode fazer parte de várias workloads, portanto se for
encontrado um recurso que está rodando em 100% de utilização, então as workloads que utilizam
esse recurso terão um desempenho ruim.
Essa fase do processo de capacity planning tenta identificar recursos dentro do sistema que
possam onerar várias workloads que possuem esse recurso em comum.
Por exemplo, vamos tomar como base um router rodando o protocolo de encapsulamento PPP,
autenticação PPP, roteamento OSPF, gerenciamento SNMP, etc.
Considerando cada item citado como uma workload, teremos a workload PPP, a workload OSPF,
a workload SNMP, etc.
O processo IP Input (recurso que faz o encaminhamento de pacotes IP) é um recurso comum a
todas essas workloads, visto que o aumento no tráfego IP no router causará impacto nesses
protocolos.

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Workload OSPF
OSPF Hello 5%
IP Input 30%

Workload PPP
PPP IP Add Route 3%
IP Input 30%
PPP HA 10%
IP Input 30%
TACACS+ 20%

Workload SNMP
SNMP Timers 3%
IP Input 30%
SNMP ConfcopyPro 10%
SNMP Engine 5%
SNMP Traps 1%

Figura 8. Utilização de recursos comuns.

Medir a utilização de recursos por workload

Outra fase importante dentro da análise da capacidade atual é a mensuração de recursos de cada
workload.
Quando definimos cada unidade de trabalho de cada workload (por exemplo, a workload
RouterInternet deverá conter os recursos Utilização de CPU, Utilização de Memória e Utilização
de Banda), devemos medir cada recurso individualmente para observarmos o que mais impacta a
workload.
Essa fase visa mostrar onde deverão ser focados esforços por parte do gerente de planejamento
de capacidade.

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Workload RouterInternet
% CPU 3%
% Memória 30%
% Banda 10%

Pontos de observação

Workload SwitchInternet
% CPU 60%
% Memória 10%
% Backplane 10%

Figura 9. Utilização de recursos por workload.

Identificar componentes de tempo de resposta

A última fase do processo de análise da capacidade atual será determinar quais recursos são
responsáveis pela quantidade de tempo necessária para processar uma unidade de trabalho.
Os recursos que são responsáveis pelo maior compartilhamento do tempo de resposta são
indicadores de onde concentrar esforços de otimização de desempenho.

0.4
Workload
Memória
0.3 Workload
segundos

CPU

0.2

Maior impactante no
Workload tempo de resposta
0.1 AcessoDisco

Figura 10. Componentes de tempo de resposta.

q Planejar visando ao futuro

Nesse processo deve-se planejar futuras configurações e/ou implementações que suportem as
demandas projetadas pela empresa.
O processo de planejar para a capacidade futura é dividido em duas fases:
• Determinar requisitos futuros de processamento.
• Planejar futuras configurações do sistema.

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Determinar requisitos futuros

Sistemas podem satisfazer níveis de serviço atuais, mas estarão preparados para atingir esse
objetivo com novas necessidades da empresa?
Requisitos futuros de processamento podem surgir de uma variedade de fontes:
• Crescimento esperado de negócios.
• Requisitos para implementar novas aplicações ou serviços.
• Aquisições planejadas de empresas ou unidades de negócio.
• Limitações de orçamento.
• Requisitos para consolidação de recursos (servidores, gerenciamento, etc.).

Adicionalmente, requisitos futuros de processamento podem ser identificados por tendências nas
medidas históricas (baseline).

Planejar futuras configurações do sistema

Após o requisito futuro de capacidade ter sido devidamente identificado, um plano deverá ser
desenvolvido para execução das adequações necessárias.
O primeiro passo para desenvolver esse plano é criar um modelo da configuração atual.
A partir dele, o modelo poderá ser modificado para refletir os requisitos futuros de capacidade
pretendidos.
Se os resultados do modelo indicarem que a atual configuração não provê capacidade suficiente
para os requisitos futuros, então o modelo poderá ser usado para avaliar configurações
alternativas de maneira a encontrar uma forma otimizada para prover a capacidade suficiente.
Para esse tipo de análise são usadas ferramentas como curvas de tendência, análise preditiva,
probabilidades, etc.
Por exemplo, consideremos a tabela a seguir que possui os dados de utilização de banda de um
acesso Internet até Dez/05 (os dados de 2006 serão projetados):

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Mês % Utilização
Jan/05 20
Fev/05 20
Mar/05 23
Abr/05 25
Mai/05 25
Jun/05 26
Jul/05 26
Ago/05 24
Set/05 25
Out/05 30
Nov/05 33
Dez/05 33
Jan/06
Fev/06
Mar/06
Abr/06
Mai/06
Jun/06

Tabela 1.

% Utilização de Banda
45
40
35
30
25
%

20
15
10
5
0
5

6
05
5

de 5
05

6
05

05

06

06
5

m 6
5
m 5

m 6
ag 5
/0

/0
/0

/0
r/0

r/0
t/0
0

t/0

0
l/0
o/

v/

z/
n/

n/

n/

n/
ar

ar
v/

ai

v/

ai
ab

ou

no

ab
se
ja

ju

ju

ja

ju
fe

fe

Figura 11.

A linha de tendência aponta para um aumento na utilização de banda que, se comparada a


Jan-05, representa 100% de acréscimo.

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3. Fundamentação matemática

A atividade de capacity planning engloba o cálculo de diversas variáveis de um sistema.


Esses cálculos compreendem o uso de estatística (média móvel, regressão linear, curvas de
tendência, etc.) e também o uso de teoria das filas.

3.1. Estatística

A literatura descreve várias técnicas de previsibilidade que fazem uso da estatística.


Na seleção de uma dessas técnicas, alguns fatores precisam ser considerados.
A disponibilidade e confiabilidade do baseline (dados históricos), o grau de exatidão e o padrão
encontrado no baseline têm forte influência sobre a técnica a ser empregada.
O padrão dos dados do baseline pode ser determinado através da inspeção visual dos dados em
um gráfico.
Existem quatro tipos de padrão encontrados em baselines:
• Padrão de tendência.
• Padrão cíclico.
• Padrão sazonal.
• Padrão estacionário.

A figura abaixo mostra os tipos de padrão de dados:

Variável Variável

Tendência Cíclico

Tempo Tempo

Variável Variável

Sazonal Estacionário

Tempo Tempo

Figura 12. Tipos de padrão de dados.

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Enquanto o padrão de tendência reflete uma workload que tende a crescer (ou decrescer em
alguns casos), o padrão estacionário não mostra qualquer sinal de acréscimo ou decréscimo na
série de dados (valores praticamente constantes ou com variação mínima).
Padrões cíclicos ou sazonais são similares com respeito à presença de flutuações. A diferença é
a periodicidade das flutuações que no caso do padrão sazonal são mais constantes.
As técnicas de previsibilidade mais comumente utilizadas são:
• Média móvel;
• Tendência exponencial;
• Regressão linear.

3.1.1. Média móvel

Essa é uma técnica simples de previsibilidade que faz com que o valor a ser previsto para o
próximo período ser igual à média do número de observações anteriores.
Quando aplicada para dados com pouca variação (padrão estacionário), a exatidão conseguida
por essa técnica é geralmente alta.
A maior desvantagem da média móvel é que somente uma única previsão pode ser calculada, o
que a torna apropriada para previsões de poucos termos.
Segue a expressão da média móvel:

y t + y t-1+...+y t-n+1
f t+1 =
n

Onde Ft+1 é o valor previsto para o período t+1, yt é o valor atual (observado no tempo t) e n é o
número de observações usadas para calcular ft+1.
Como pode ser notada na expressão, uma previsão para o período t+2 não pode ser feita até que
o valor atual para t+1 seja conhecido.
Um problema com essa técnica é a determinação da variável n (o número de períodos incluído na
média). Uma saída é tentar determinar o valor de n que minimize o erro de previsão, que é
definido pela média da diferença entre o valor previsto e o valor atual (MSE – mean squared
error). A expressão é dada por:

å (y - ft )
n 2
t=1 t
MSE =
n

Exemplo

Há interesse em analisar o padrão de crescimento de uma aplicação que roda em um mainframe.


O consumo de CPU é a métrica escolhida para indicar o nível de atividade da aplicação. Dessa
forma, o consumo de CPU foi medido mensalmente, conforme a tabela a seguir:

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Mês % Utilização CPU


Observado Previsão
Abril 38.0 -
Maio 35.0 -
Junho 41.0 -
Julho 44.0 38.0
Agosto 39.0 40.0
Setembro 46.0 41.3
Outubro 42.0 43.0
Novembro 40.0 42.3
Dezembro - 42.7

Tabela 2.

O objetivo da análise é determinar qual a previsão de utilização e CPU para o mês de dezembro.
Aplicando a expressão para determinar o menor erro de previsão (MSE), obtemos o valor de n =
3.
Dessa forma, o valor de utilização de CPU para dezembro é dado por:

f = (40 + 42 + 46 /3) = 42.7

3.1.2. Tendência exponencial

Tendência exponencial é similar à média móvel no que diz respeito à forma como ambas as
técnicas calculam os valores previstos.
A diferença é que a tendência exponencial aplica mais peso para os dados históricos mais
recentes.
A motivação para utilizar diferentes pesos vem da hipótese que as últimas observações dão uma
melhor indicação do futuro.
Como na média móvel, essa técnica é apropriada para dados que apresentam pouca variação.
O valor previsto é calculado pela expressão:
f t+1 = f t + a( y t - f t )

Onde ft+1 é o valor previsto para o período t+1, yt é o valor atual (observação) no tempo t e á é o
peso (0 < á < 1).

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Exemplo

Há interesse em analisar o padrão de crescimento de uma aplicação que roda em um mainframe.


O consumo de CPU é a métrica escolhida para indicar o nível de atividade da aplicação. Dessa
forma, o consumo de CPU foi medido mensalmente, conforma a tabela abaixo:

Mês % Utilização CPU


Observado a = 0.25 a = 0.60
Abril 38.0 - -
Maio 35.0 38.00 38.00
Junho 41.0 37.25 36.20
Julho 44.0 38.19 39.08
Agosto 39.0 39.64 42.02
Setembro 46.0 39.48 40.21
Outubro 42.0 41.58 43.68
Novembro 40.0 41.33 42.67
Dezembro - 40.99 41.07

Tabela 3.

São mostrados os resultados usando dois valores de a (0.25 e 0.60) para calcular o valor previsto.
O valor estimado para dezembro é f = 41.33 + 0.25(40 – 41.33) = 40.99 ou
f = 42.67 + 0.60(40 – 42.67) = 41.07

% Utilização CPU
50

40

30

20

10

0
o

to

ro

o
ril

ai

nh

lh

br

br

br
os

ub
Ab

Ju

m
Ju

Ag

ut
te

ve

ze
O
Se

No

De

Observado Média Móvel Exponencial

Figura 13. Exemplo de média móvel e exponencial.

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3.1.3. Regressão linear

Modelos de regressão são usados para estimar o valor de uma variável como função de outras
variáveis.
A variável prevista é chamada variável dependente e aquelas usadas para prever o valor são
conhecidas como variáveis independentes.
A relação matemática estabelecida entre variáveis pode tomar várias formas. A relação mais
comumente utilizada assume que a variável dependente é uma função linear das variáveis
independentes.
A regressão linear é usada para determinar a relação linear entre duas variáveis. A equação para
a regressão linear é:
y = a + bx

Onde y é a variável dependente, x é a variável independente, a é o ponto de intersecção do eixo y


e b é a inclinação da linha que representa a relação linear entre as duas variáveis.
O método do menor quadrado determina os valores de a e b que minimizam a soma dos
quadrados do erro de previsão. Portanto:

a=
å n
i=1 xi yi -n x y
å n
i-1 ( )
x 2i - n x 2
b = y -b x
1 1
Onde y =
n
å n
i=1 y i, x =
n
å n
i=1 x i , e n é o número de observações.

3.2. Teoria das filas

A teoria das filas é a área da pesquisa operacional que trata de sistemas de filas (atrasos ou
congestionamentos).
Um sistema de filas é formado por uma demanda de elementos, uma fila e um ou mais canais de
atendimento.
Uma rede de filas é formada por vários subsistemas de filas interligados.
Parâmetros fundamentais de um sistema de filas (genérico):
• Taxa de chegadas.
• Capacidade (taxa de atendimento).
• Tempo entre chegadas sucessivas.
• Tempos de atendimento.
• Capacidade da fila ("finito" x "infinita").
• Disciplina:
° First in First Out (FIFO);
° Last in First Out (LIFO);

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° Prioridades.
O estudo da teoria das filas trata do fenômeno de aguardar em fila usando medidas
representativas de desempenho do sistema, tais como comprimento médio da fila, tempo médio
de espera na fila, utilização média do sistema, entre outros.

Servidores

Ponto de entrada C Ponto de saída


no sistema do sistema
C
Fila C
Origem dos
usuários ou C C C C C C C
clientes
C
C
C

Processo de
chegadas
Magnitude da Disciplina e Processo de Número de
fonte de usuários capacidade da fila atendimento servidores

Figura 14. Representação de uma fila.

Modelo para:
• clientes em fila de espera;
• linha de montagem;
• pacotes em uma rede (linha de transmissão).

Deseja-se saber:
• número médio de clientes no sistema;
• atraso médio experimentado por um cliente (ou pacote).

Quantidades obtidas em termos de:


• taxa de chegada dos clientes (número médio de clientes por unidade de tempo);
• taxa de serviço do servidor (número médio de clientes que o servidor pode servir por unidade
de tempo).

No âmbito de sistemas computacionais (servers e/ou redes), o conceito de filas é amplamente


utilizado.
Por exemplo, consideremos um servidor web. Os recursos (memória, buffers, CPU, disco, I/O de
rede, etc.) nessa máquina são finitos.
Digamos que o servidor receba três requisições simultaneamente, mas ele só possua capacidade
(nesse dado momento) de processar duas requisições.

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A terceira requisição deverá ser armazenada em buffer (uma fila lógica) até que os recursos
necessários estejam disponíveis para processá-la.
Outro exemplo seria a transmissão de pacotes em um router.

Tratamento através de filas

Figura 15. Exemplo de uma fila.

Os modelos de filas sempre envolvem aproximações e simplificações do sistema real.


Os resultados podem ser úteis para:
• estimativas a respeito da grandeza de medidas de desempenho do sistema;
• análises de sensibilidade a respeito do impacto de mudanças operacionais;
• tomada de decisão sobre melhorias no sistema.
Os resultados são limitados a "condições de equilíbrio", e derivados principalmente a partir de
suposições estabelecidas para processos de renovação e sistemas de "fases".

3.2.1. Notação de Kendall para descrição de uma fila

A notação de Kendall para descrição de filas é a apresentada abaixo:


A/B/C/K/m/Z

Onde:
• A = distribuição do tempo entre chegadas (A pode ser: M, D, EK, G, GI);
• B = distribuição do tempo de serviço (B pode ser: M, D, EK, G, GI);
• C = número de servidores;
• K = número máximo de clientes permitidos no sistema;
• m = tamanho da população (omite-se quando m = infinito);

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• Z = disciplina de serviço (tipo de fila; pode ser: FIFO, FCFS, LIFO, Randômica, Prioridade, etc.;
omite-se quando Z = FIFO).

Onde:
• M = tempo exponencial (M de Markoviano);
• D = tempo determinístico;
• EK = distribuição de Erlang;
• G = distribuição geral quando não se sabe nada sobre os tempos de chegada;
• GI = distribuição geral quando os tempos de chegada são idênticos.

4. Análise de desempenho

O acompanhamento do desempenho é tarefa fundamental para a gerência de um sistema,


provendo informações sobre o desempenho do conjunto de sistemas e a sua utilização.
Pode também fornecer subsídios para decisões relacionadas a atualização, ampliação e
dimensionamento do sistema, em função do crescimento da carga, do seu comportamento
temporal e da otimização do uso dos recursos disponíveis.
Essa sistemática traz melhores resultados quando se faz um acompanhamento de longo prazo,
de forma contínua, pois com base em um histórico de dados relativos à utilização do sistema
(baseline), podem-se fazer projeções de crescimento de demanda, favorecendo o planejamento
de investimentos em expansão dos recursos atuais, de forma a manter ou elevar o nível de
qualidade do sistema.
A avaliação de desempenho de sistemas computacionais consiste em um conjunto de técnicas e
metodologias que permitem responder à questão de como se obter o melhor desempenho de um
sistema computacional a um dado custo. A atividade de avaliação de desempenho compreende:
• seleção de técnicas de avaliação, métricas de desempenho e cargas de trabalho;
• correta condução das medidas de desempenho e das simulações;
• utilização de técnicas estatísticas apropriadas para comparar as diversas alternativas;
• desenvolvimento dos experimentos de medição e simulação visando prover a maior quantidade
de informação com o menor esforço;
• utilização de modelos de filas para analisar o desempenho dos sistemas.

Contrário ao pensamento comum, a avaliação de desempenho não pode ser realizada de forma
automatizada.
Cada avaliação exige um conhecimento profundo dos sistemas a serem modelados e uma
cuidadosa seleção da metodologia, carga de trabalho e ferramentas.
Dessa forma, a criação de um baseline da situação atual do sistema que será analisado ( server
farm, backbone de redes, mainframe, banco de dados, etc.) é fundamental para podermos avaliar
a performance do mesmo.

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Definir o problema real e convertê-lo em uma forma em que ferramentas e técnicas usuais podem
ser utilizadas é a parte subjetiva do trabalho.
A análise de desempenho de um sistema computacional pode ser considerada uma arte, pois há
necessidade do domínio de algumas técnicas e também de um senso apurado e vivência por
parte do analista de desempenho para obter respostas a partir das informações coletadas e de
como coletá-las.
Não devemos procurar por respostas imediatas, em uma única operação. A análise de
desempenho é baseada no conceito de prever o futuro de um sistema, observando-se seu
comportamento passado e presente. Logo, deve-se considerar a formação de uma base de
conhecimentos relativos às diversas situações em que o sistema foi submetido e, a partir desta,
subsidiar as tomadas de decisão envolvidas.
Com a metodologia e conceitos apresentados nos capítulos anteriores e as ferramentas e
técnicas apresentadas nos próximos capítulos, podemos efetuar a análise de desempenho em
qualquer sistema computacional (redes ou servidores).

4.1. Processos de baseline

Um processo de baseline ajuda a identificar e planejar aspectos de recursos críticos e limitações


no sistema (redes ou servidores).
Esses aspectos podem ser descritos como recursos do plano de controle (control plane
resources) ou recursos do plano de dados (data plane resources).
Recursos do plano de controle são únicos para uma plataforma e módulos específicos dentro de
um dispositivo e podem ser impactados por uma série de fatores:
• Utilização de dados.
• Features habilitadas.
• Projeto do sistema.

Recursos do plano de controle incluem parâmetros como:


• Utilização de CPU.
• Utilização de memória.
• Utilização de buffers.

Recursos do plano de dados são impactados somente pelo tipo e quantidade de tráfego e incluem
utilização de link e utilização de backplane.
Com a introdução de aplicações sensíveis a atraso como voz e vídeo, o processo de baseline é
mais importante do que nunca.
Devido ao novo conjunto de aplicações, os processos de baseline nos ajudam a entender
aspectos relacionados à utilização do plano de controle e do plano de dados e, pró-ativamente,
planejar mudanças e upgrades para garantir o desempenho desejado.
Para gerenciar um sistema (redes ou servers) é importante ter conhecimento de como esse
sistema está se comportando.
Para fazer isso, é necessário um processo chamado baseline.

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4.1.1. O que é um baseline?

Um baseline é um processo de estudar o sistema em intervalos regulares para garantir que esse
sistema esteja trabalhando conforme o desejado.
É mais que um simples relatório detalhando a saúde do sistema em um determinado intervalo de
tempo.
Com um processo de baseline pode-se obter as seguintes informações:
• Obter informações sobre a saúde do sistema (hardware e software).
• Determinar a atual utilização dos recursos desse sistema (CPU, memória, disco, rede, etc.).
• Efetuar decisões precisas sobre alarmes e thresholds.
• Identificar atuais problemas no sistema.
• Predizer problemas futuros.

Outra forma de olhar para um processo de baseline é ilustrado na figura:


Parada do sistema

Ponto de “quebra” do sistema

a
m
te
s is
no
r ga
Ca

Tempo

Figura 16. Baseline.

A linha vermelha (ponto de "quebra" do sistema) é o ponto no qual o sistema irá apresentar
problemas ou até mesmo deixar de funcionar, e é determinado do conhecimento das atividades
de hardware e software.
A linha verde é a carga no sistema. É a progressão natural da carga no sistema quando novas
aplicações e/ou usuários são adicionados ao sistema, ou outros fatores.
O propósito do baseline é determinar:
• onde o sistema se encontra (linha verde);
• quão rápida a carga no sistema está crescendo (ângulo da linha verde);
• em que ponto as linhas verde e vermelha irão se intersectar.

Executando um processo de baseline regularmente pode-se encontrar o estado atual e extrapolar


quando falhas irão ocorrer e preparar-se para essas falhas.

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Isso ajuda a efetuar decisões mais precisas sobre quando, onde e como utilizar o orçamento em
upgrades e acréscimos ao sistema.
O objetivo de um processo de baseline é:
• determinar o atual estado do sistema;
• comparar esse estado com um guideline padrão de desempenho;
• configurar thresholds para alertar quando o estado do sistema excede esse guideline.

Devido ao grande volume de dados e quantidade de tempo dispensado para a análise, é


necessário limitar o escopo do processo de baseline para tornar mais fácil o entendimento
mesmo.
O mais lógico é iniciar o processo pelo core (centro) do sistema. Essa parte do sistema
geralmente é a menos e requer maior estabilidade.

4.1.2. Diagrama principal de um baseline

O seguinte diagrama mostra os conceitos básicos de um processo de baseline.


Enquanto muitas ferramentas estão disponíveis para executar alguns desses processos, elas
tendem a apresentar lacunas na flexibilidade de uso.

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Inventário do
sistema
1 (hardware e
software)

Verificar
Gerência Não alternativa
2 suporta (manual ou
a coleta? automática)

Sim
Coletar, armazenar
3 (SNMP, CMIP, manual,
etc.) e analisar os dados.
Identificar problemas
4 imediatos, tendências e
thresholds.

Determine a
Identificou causa e efetue
Sim
problemas as alterações
imediatos? necessárias para
mitigar o problema

Não
Teste os thresholds
5 em laboratório ou
ambiente controlado

Os testes Corrija erros,


Não bugs, upgrades,
6 são
satisfatórios etc.

Sim
Implemente
7 monitoração de
thresholds

Figura 17.

Tomemos como base, um processo de baseline de uma rede consistindo de diversos routers e
utilizando uma estação de gerenciamento através de SNMP.

Passo 1 - Inventário do sistema


É extremamente importante compilar um inventário do hardware, software e configurações.
O inventário de hardware é importante, pois os thresholds necessários após o inicial baseline são
dependentes do tipo de CPU, quantidade de memória, etc.
O inventário de software também é importante, pois dependendo das features disponibilizadas
pelo software, os thresholds deverão ser ajustados.

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O inventário de configuração é importante para conhecermos a implementação atual. Pode ser


necessário alterar configurações, após o baseline, para ajustar buffers, quantidade de memória,
etc.

Passo 2 - Suporte da estação de gerência para os dados a serem coletados


Após o inventário do sistema é necessário estipular as variáveis que se deseja coletar (no caso
de coleta SNMP, as OIDs necessárias).
Nessa etapa é necessário verificar se o sistema a ser analisado possui as MIB´s necessárias para
a coleta de dados.

Passo 3 - Coletar, armazenar (SNMP, CMIP, manual, etc.) e analisar os dados


Existem várias formas de coletar e armazenar variáveis.
Várias ferramentas utilizam o processo GET do SNMP para obter essas informações.
A diferença principal é a flexibilidade de configuração e a forma na qual os dados são
armazenados em um banco de dados.
É recomendado que a coleta seja feita em intervalos de cinco minutos, pois um intervalo menor
pode aumentar a carga no sistema.
Também é recomendável que o baseline contenha dados de pelo menos duas semanas para que
seja possível, pelo menos, um ciclo quinzenal.

Passo 4 - Analisar os dados. Identificar problemas imediatos, tendências e thresholds


O próximo passo consiste em analisar os dados.
Essa fase do processo de baseline determina os limites de threshold que se pode utilizar para
obter uma medida exata do desempenho ou falha (e que não irá gerar uma quantidade muito
grande de alarmes).
Para se estabelecer os thresholds, é necessário conhecer os limites que o fabricante do sistema
em análise estipula.
Por exemplo, a Cisco Systems estipula que um router não exceda 60% de utilização de CPU.
Esse valor foi escolhido, pois é necessário considerar um overhead de processamento no caso de
falhas na rede (nesse caso o router precisará recalcular as tabelas de roteamento).
Obviamente, não é interessante que se deixe chegar ao valor de 60% para que se tome uma ação
(nesse exemplo, o valor de 60% não pode ser considerado um threshold).
É necessário estipular valores intermediários que sirvam como alerta, antes que o limite máximo
seja atingido.
Se considerarmos a figura 16, podemos determinar o seguinte (conforme nosso exemplo):

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Parada do sistema Semestre V

Ponto de “quebra” do sistema


60%

Ponto de alarme do sistema


50%

Ponto de investigação do sistema


40%
m a
s iste
no
ga
Car

Tempo

Figura 18. Thresholds.

O ponto de investigação do sistema (40% em nosso exemplo) atua como um limite para início de
uma análise das causas que afetam o sistema (causas para que ele permaneça nesse patamar
de utilização).
O ponto de alarme do sistema (50% em nosso exemplo) atua como um limite para que se
formulem planos de ação para corrigir o problema, antes que o sistema alcance o ponto de
"quebra".

Passo 5 - Corrigir problemas identificados (imediatos)


Uma vez que tenham sido identificadas quais partes do sistema excederam os thresholds, é
necessário executar um plano de ação para estabilizar esses componentes e fazer com que eles
permaneçam abaixo dos limites de utilização.

Passo 6 - Testar a monitoração dos thresholds


Esse passo envolve testar os thresholds em laboratório utilizando ferramentas que serão
empregadas no ambiente de produção.
Existem duas práticas comuns para monitorar thresholds:
• Coletar e comparar utilizando uma plataforma SNMP. Esse método utiliza mais recursos de
rede para obter as informações e utiliza mais processamento da estação de gerenciamento.
• Utilizar Remote Monitoring (RMON) Alarm and Event configurado nos sistemas para que eles
transmitam um alarme quando um threshold for excedido. Esse método reduz a utilização de
recursos na estação de gerenciamento, mas aumenta a utilização de CPU e memória no
sistema gerenciado.

Passo 7 - Implementar a monitoração dos thresholds


Uma vez que tenha sido testada a monitoração dos thresholds em laboratório ou em ambiente
controlado, é necessário implementá-los no sistema.
Pode-se, sistematicamente, adicionar ao processo de baseline outras variáveis importantes como
utilização de memória, buffers, erros de CRC, perda de pacotes, I/O de disco, etc.

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5. Monitoramento e coleta de dados em redes de


computadores

Antes de falar do tema, devemos definir as principais métricas de desempenho de um sistema


(servidores ou rede).

5.1. Métricas de desempenho

Todas as métricas de desempenho baseiam-se no comportamento do sistema ao longo do tempo.


Existem quatro classes principais de métricas:
• Latência ou tempo de resposta -Mede o atraso entre a requisição de alguma ação e a obtenção
do resultado;
• Taxa de serviço -Mede quantidade de trabalho realizado por unidade de tempo ou a taxa em
que novos resultados são obtidos (por exemplo, throughput);
• Disponibilidade -Mede quanto tempo o sistema está disponível para operação normal;
• Utilização - Fração de tempo em que um componente do sistema realizou o serviço.

É importante ressaltar que há dezenas de métricas, dependendo do ambiente. Por exemplo,


perda de pacotes em redes ou tempo de consulta em um banco de dados.

5.1.1. Latência

A latência ou tempo de resposta é medida em unidades de tempo decorrido.


Por definição, a métrica de latência deve especificar um evento de início e um evento de término,
ou seja, quando começar a medição do atraso e quando terminá-la. Por exemplo:
• O tempo decorrido entre digitar um novo endereço em um navegador Web e a página ser
completamente exibida.
• O tempo que um pacote é mantido por um router até que seja retransmitido.
• O tempo decorrido entre receber o pedido de um item em uma loja online e a atualização da
"quantidade em estoque" que é reportado ao cliente.

Na maioria dos casos, a latência é relatada ou especificada como uma distribuição estatística. Por
exemplo, pode-se exigir que uma estação base de telefonia celular complete 99,5% de todas as
chamadas em um segundo.

5.1.2. Taxa de serviço

A taxa de serviço é medida em unidades de tarefas executadas em um intervalo de tempo, e é


inversamente proporcional ao tempo de resposta por tarefa.

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Por exemplo, número de transações completas por minuto, gigabytes de dados escritos em fita
por hora, número de acessos à memória por segundo, quantidade de megabits transmitidos por
segundo.
O termo largura de banda é normalmente usado para descrever a vazão máxima teórica de um
fluxo de dados ou de outro componente. Por exemplo, o barramento de dados de 32 bits de
largura, operando a um clock de 100 MHz, tem uma largura aproximada de banda de 3,2 bilhões
de bits por segundo.
Uma vez que os componentes impõem uma sobrecarga em termos de cabeçalhos de pacotes,
nos atrasos entre transporte dos blocos de dados, ou ainda nos protocolos de controle, a vazão
útil é sempre menor que a largura de banda. A eficiência é definida como a razão entre a vazão
útil e a largura de banda.
Para algumas aplicações, a métrica de vazão pode ser normalizada sobre alguma outra
característica do sistema como, por exemplo, custo ou consumo de energia. É prática comum
especificar a vazão considerando as restrições de latência, e vice-versa.

5.1.3. Disponibilidade e confiabilidade

Disponibilidade é a fração de tempo em que o sistema está disponível. Por exemplo, se um banco
de dados deixa de operar uma hora por dia, a sua disponibilidade é próxima a 0,96.
Entretanto, sozinha, a métrica disponibilidade não é completa. Por exemplo, se o mesmo banco
de dados deixa de operar por 10 milissegundos a cada segundo, a sua disponibilidade é de 0,99,
mas provavelmente será inútil para propósitos práticos.
Por isso, a métrica confiabilidade é usada para relatar o tempo médio entre falhas (Mean Time
Between Failures ou MTBF), que indica na média o período em que um sistema é utilizável. Uma
outra métrica relacionada é o tempo médio para reparos (Mean Time To Repair ou MTTR), que
quantifica o tempo necessário para recuperar o sistema de uma falha.

5.1.4. Utilização

Utilização é a fração de tempo em que um componente do sistema (por exemplo, a CPU, o disco
ou a rede) realizou serviço, em relação a um período de tempo observado.
Segue dessa definição que os valores de utilização estão entre zero e um (zero e 100%).
Teoricamente, a vazão máxima de um sistema é atingida quando o mais utilizado dos dispositivos
atinge a utilização igual a um (100%).
Na prática, o tempo de resposta aumenta rapidamente quando a utilização atinge o máximo.
Dessa forma, muitos sistemas são projetados para manter uma utilização abaixo da capacidade
máxima, em geral entre 60% e 80%.

5.2. Monitoramento e coleta de dados

Monitoramento, medição e coleta de dados de um sistema computacional (servers ou redes)


podem ser vistos como processos que observam a operação de um sistema sobre um

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determinado período de tempo e armazenam os valores das variáveis que são relevantes para um
entendimento quantitativo desse sistema.
Como demonstrado na figura, um processo de medição envolve três atividades:
• Especificar medidas - Nessa fase deverão ser decididas as variáveis de desempenho a serem
medidas. Por exemplo, supondo que se deseje analisar o comportamento de encaminhamento
de pacotes de um router, variáveis como utilização de CPU e utilização de memória seriam
aspectos importantes a medir.
• Equipamentos e coleta de dados - Após selecionar as variáveis a serem observadas, deverão
ser instaladas ferramentas de medição no sistema. Isso envolve configurar ferramentas para
que as variáveis selecionadas sejam medidas durante o período de observação estipulado e as
informações armazenadas.
• Analisar e transformar dados - As ferramentas de medição obtêm grande quantidade de
dados que correspondem a uma observação detalhada da operação do sistema. Geralmente,
essa massa de dados especifica intervalos de tempo, contadores de eventos, porcentagens e,
por fim, tem uma relação com funções lógicas do sistema. Para ser utilizável, essa massa de
dados precisa ser analisada e transformada em informação significativa.

Aplicação
Aplicaç
Banco de Dados
Sistema
Sistema
Operacional
Hardware

Equipamentos Analisar e
Especificar
e coleta de transformar
medidas
dados dados

Figura 19. Processo de medição.

Em qualquer processo de medição, monitoração e coleta de dados de desempenho de um


sistema, o ponto principal é entender o que está sendo medido e como precisar e tornar confiável
essa medida. Portanto, é essencial conhecer as ferramentas de medição, suas capacidades e
limitações.

5.2.1. Ferramentas de monitoração

Ferramentas de monitoração são ferramentas usadas para medir o nível de atividade de um


sistema computacional.
A função principal da ferramenta de monitoração é coletar dados a respeito do funcionamento de
um sistema.
Idealmente, essa ferramenta pode apenas observar o sistema a ser analisado e de forma alguma,
interagir com ele. A monitoração deve ser feita de tal forma, que não afete a operação do sistema

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que está sendo monitorado. Isso significa que o processo de monitoração deverá degradar ao
mínimo o desempenho do sistema.
É importante chamar a atenção para dois aspectos que caracterizam uma ferramenta de
monitoração: o modo e o tipo de monitor.
Ferramentas de monitoração efetuam a coleta de dados de dois modos: trace de eventos e
amostragem.
Existem três tipos de implementação para ferramentas de monitoração: hardware, software e
híbridas.

q Tipo hardware monitor

Um hardware monitor é uma ferramenta de medição que detecta eventos em um sistema


computacional observando sinais predefinidos.
Um hardware monitor examina o estado de um sistema em estudo via probes que são conectadas
a esse sistema e armazena as medidas observadas.
As probes podem observar o estado dos componentes de hardware e tráfego dos sistemas como
registradores, ponteiros de memória, canais de I/O, pacotes de dados, etc.
Existem diversas vantagens em hardware monitors (probes). Como eles são externos ao sistema
de medida, não consomem recursos desse sistema. Isso significa que o hardware monitor não
gera overhead no sistema monitorado.
Outra vantagem importante é a portabilidade. Geralmente é possível mover o hardware monitor
para diferentes tipos de sistemas (não há dependência com o sistema).
Uma das maiores desvantagens dos hardwares monitors é o expertise necessário para
manuseá-los. Geralmente eles demandam um grande esforço de configuração.
Outra desvantagem é que os hardware monitors não têm acesso a informações do software dos
sistemas analisados (como a informação do processo que gerou determinado evento coletado),
dificultando análises mais completas.

q Tipo software monitor

Um software monitor consiste de rotinas inseridas no software de um sistema que ajudam a


armazenar status e eventos do sistema.
Ele obtém dados de desempenho sobre a execução de um ou mais programas e sobre os
componentes da configuração de hardware. As rotinas podem ser ativadas pela ocorrência de
eventos específicos ou por interrupções, dependendo do modo do monitor.
Softwares monitors podem basicamente armazenar qualquer informação que está disponível em
programas e sistemas operacionais.
A desvantagem de softwares monitors é que eles utilizam recursos do sistema para medir suas
rotinas, ou seja, eles interferem na utilização do sistema.
Como vantagens, os softwares monitors podem ser facilmente instalados e são fáceis de usar.
Existem dois modos de softwares monitors:

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• Accounting systems - Ferramentas primariamente destinadas a contabilizar usuários de um


sistema, porém podem ser usadas como fonte de dados para o propósito de capacity planning.
Geralmente, podem coletar dados em três grupos de informação:
° identificação: especifica usuários, programas, projetos, etc.
° uso de recursos: indica a utilização de determinado recurso consumido pelo programa
como CPU, operações de I/O, rede e memória.
° tempo de execução: mostra o início e fim da execução de um programa.
• Program analyzers - Ao invés de monitorar o sistema todo, program analyzers são ferramentas
que coletam informações de programas específicos.

q Tipo hybrid monitor

É a combinação de hardwares e softwares monitors e combina o melhor dos dois tipos.


Basicamente, rotinas de software são responsáveis por observar eventos e mover informação
para registradores especiais de monitoração. O componente de hardware executa o
armazenamento de dados (evitando interferência nas atividades de I/O do sistema monitorado).
Um problema associado com hybrid monitor é a necessidade de hardware especial no sistema
sendo analisado.

q Modo trace de eventos

Um monitor no modo trace de eventos coleta informações na ocorrência de eventos específicos.


Geralmente, um monitor no modo trace de eventos consiste de codificação especial inserida em
pontos específicos do sistema operacional.
Após a detecção de um evento, o código especial chama uma rotina apropriada que gera um
registro contendo informações como data, tipo de evento, recurso utilizado, utilização de CPU,
memória, disco, etc.

q Modo amostragem

Um monitor no modo amostragem coleta informações sobre um sistema em intervalos de tempo.


Ao invés de ser acionada na ocorrência de um evento, a coleta de dados é ativada em períodos
de tempo predeterminados que são estabelecidos no início da sessão de monitoração.
O overhead introduzido pelo monitor depende de dois fatores:
• O número de variáveis medidas em cada amostragem.
• O intervalo de amostragens.

É necessário determinar o ponto de equilíbrio desses dois fatores de maneira que não haja
prejuízo na qualidade das amostras, mas também que não ocorra overhead da ferramenta na
utilização do sistema.
Esse tipo de monitor tipicamente fornece informações que podem ser classificadas como
estatísticas.
É o modo de operação básico de ferramentas SNMP na coleta de dados de dispositivos.

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Gerenciamento de Performance
Fim-a-Fim

Gerenciamento
Centralizado
Estação de
gerenciamento
Gerenciamento de Gerenciamento de Gerenciamento de
Aplicação Redes Servers

Rede IP

Server Farm

Figura 20. Modelo básico de coleta de informações.

5.3. Identificação de gargalos

Quando se projeta um sistema (servidores ou redes), utiliza-se de modelos estatísticos para o


projeto.
Dessa forma, considera-se que durante a maior parte do tempo nem todos os usuários desse
sistema estarão fazendo uso de seus recursos.
Como exemplo, podemos citar a topologia da figura:

100Mbps 100Mbps
. .
1Gbps 2Mbps 1Gbps
. .
. .
100Mbps 100Mbps

Gargalo caso todas as Gargalo caso todas as


estações transmitam em Gargalo estações transmitam em
100% de capacidade 100% de capacidade

Figura 21. Exemplo de gargalos em uma rede.

Digamos que o switch que atende os usuários desse exemplo seja um equipamento de 48 portas
de 100Mbps.
Caso todos os usuários trafeguem em 100% de capacidade simultaneamente, o uplink
representará um ponto de gargalo no sistema.
O link WAN também é um ponto de gargalo natural desse ambiente.
O que torna essa implementação viável é que, estatisticamente, nem todos os usuários irão
trafegar ao mesmo tempo, e nem todos irão utilizar 100% de capacidade de seus acessos locais.

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Dessa forma, concluímos que pontos de gargalo são aspectos naturais em projetos de sistemas,
pois caso eliminássemos qualquer ponto de gargalo, o custo desses projetos seria inviável.
Quando monitoramos um sistema, precisamos identificar que pontos nesse sistema podem gerar
gargalos que não estavam contemplados no início do projeto.
Esses pontos de gargalo podem ser originados de variáveis que não estavam presentes no início
do projeto, por aumento de demanda ou por problemas em hardware ou software.
Como exemplo, vamos trabalhar no seguinte cenário:
• Uma operadora de telecomunicações solicitou a análise de capacidade de um de seus
backbones. Existem indícios de perda de desempenho e a operadora deseja saber onde
investir para sanar o problema.
• Foram coletadas e monitoradas as seguintes variáveis:
° utilização de CPU de cada router;
° utilização de memória de cada router;
° utilização dos links conectados a esses routers.
• A topologia desse backbone é a que se segue:

20% Utilização CPU


40% Utilização Memória
30% Utilização nos Links

80% Utilização CPU


5% Utilização CPU
90% Utilização Memória
20% Utilização Memória
Rtr1 70% Utilização nos Links Rtr3 Rtr6
30% Utilização nos Links
2,5Gbps 2,5Gbps

2,5Gbps 2,5Gbps
2,5Gbps 2,5Gbps
10% Utilização CPU Rtr2 Rtr5 20% Utilização CPU
40% Utilização Memória 40% Utilização Memória
70% Utilização nos Links 55% Utilização nos Links
Rtr4

15% Utilização CPU


30% Utilização Memória
25% Utilização nos Links

Figura 22. Cenário de rede.

Como se pode observar, o router Rtr2 apresenta alta utilização de CPU e memória.
Isso vai acarretar num desempenho na comutação de pacotes inferior, causando prejuízo à rede
como um todo, ou seja, caracteriza um ponto de gargalo na rede.
Portanto, a operadora deverá dirigir esforços nesse ponto da rede para minimizar eventuais
problemas.
Um ponto fundamental na identificação de gargalos no sistema é achar dispositivos, meios de
acesso, recursos ou programas que, de alguma forma, causem prejuízo à operação do sistema
como um todo.
Essa identificação é efetuada através dos sistemas de monitoração e coleta de dados.

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6. Particionamento e modelagem de carga de trabalho

Como já definido anteriormente, workload é uma classificação lógica do trabalho realizado em um


sistema de computação, ou seja, uma workload pode ser vista como uma coleção de
componentes heterogêneos.
Com relação à utilização de recursos, por exemplo, um job batch que realiza o backup de um
banco de dados difere totalmente de uma transação online, que por sua vez é totalmente diferente
da utilização de um link Internet.
Devido a essa heterogeneidade, a representação de uma workload somente por uma classe de
parâmetros é deficiente de precisão.
Dessa maneira, faz-se uso do particionamento de características do sistema criando workloads
que aumentem a eficácia da representação da medida a ser analisada e, também, incrementem a
exatidão do modelo de predição adotado.
Particionar significa dividir o sistema e agrupar características similares e que objetivem o estudo
a ser realizado, modelando a carga de trabalho nesse sistema.
As técnicas de particionamento dividem a workload em uma série de classes que são agrupadas
por componentes homogêneos.
Segue a descrição de alguns atributos utilizados para particionar uma workload em classes de
componentes similares:
• Utilização de recursos - O consumo de recursos pode ser utilizado para quebrar a workload
em classes (ou clusters). Por exemplo, segue tabela que ilustra classes de comandos em um
servidor. Nesse exemplo, a utilização de CPU e I/O é considerada elemento crítico do sistema.
Os atributos que dividem (particionam) a workload são a máxima utilização de tempo de CPU e
o número de operações de I/O requisitadas pelo comando.

Tipo de comando Freqüência (%) CPU Time (msec) Operações de I/O


Trivial 50 20 5
Ligth 25 60 15
Medium 18 160 100
Heavy 7 500 250

Tabela 4.

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• Aplicações - Uma workload que tenha seus componentes agrupados de acordo com a
aplicação à qual ela pertença. Por exemplo, segue tabela que ilustra classes de protocolos em
um router e sua utilização de CPU.

Aplicação Processos % Utilização CPU % Utilização CPU


por processo da aplicação
OSPF OSPF Router 5 7
OSPF Hello 2
BGP BGP Router 4 15
BGP I/O 2
BGP Scanner 9
QoS QOS_MODULE_MAIN 8 8
Outros 15 15 15
CPU Idle 55 55 55

Tabela 5.

Um problema com a escolha desse atributo é a existência de vários componentes


heterogêneos dentro da mesma aplicação. Por exemplo, um job batch que atualiza um
banco de dados e transações que efetuam uma consulta simples para o mesmo banco de
dados. Esses dois tipos de componentes são completamente diferentes em termos de
utilização dos recursos.
• Orientação geográfica - Uma workload pode ser dividida por localização geográfica. A
localização na qual os componentes estão definem a classe. Por exemplo, segue tabela que
ilustra um sistema de transações online do tipo ponto-de-venda. As classes são definidas em
função da quantidade de transações que cada região do país efetuou num determinado período
de tempo.

Região % Transações
Norte 10
Nordeste 15
Centro-oeste 10
Sudeste 40
Sul 25

Tabela 6.

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• Classe funcional - Os componentes de uma workload podem ser agrupados em classes de


acordo com as funções que eles exercem. Por exemplo, segue tabela que ilustra um ambiente
computacional dividido em classes que representam funções de determinados aplicativos.

Função Aplicações % Utilização CPU % Utilização CPU


por aplicação da função
Serviços Login 2 3
Básicos
Logout 1
E-mail Outlook 10 21
Lotus Notes 8
Outlook Express 3
Científico MathLab 8 8
Outros 25 25
CPU Idle 43 43 43

Tabela 7.

Via de regra, é interessante manter o menor número de classes necessário para o estudo de
planejamento de capacidade. Se o número inicial de classes for muito grande será
aconselhável agregar as mesmas. Uma dica importante nesse sentido é particionar as
classes de interesse do estudo e agregar as demais classes em uma única classe.
• Unidades organizacionais - Uma workload pode ser particionada baseada nas unidades
organizacionais de uma companhia. Esse atributo pode ser interessante para companhias que
tenham seu planejamento estratégico e previsão de crescimento baseado nas unidades da
empresa. Por exemplo, segue tabela que ilustra a utilização do acesso Internet por diversas
unidades da empresa.

Unidade % Utilização
Organizacional Link Internet
Recursos Humanos 10
Marketing 25
Operação 18
Diretoria 5
Comercial 42

Tabela 8.

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• Tipo - Uma workload pode ser particionada pelo tipo de processamento, tipo de tráfego, tipo de
parâmetros escolhidos, etc. O atributo tipo está mais relacionado à natureza do estudo de
capacidade, podendo assumir várias formas. Por exemplo, segue tabela que ilustra a utilização
do acesso Internet por tipo de tráfego.

Tipo % Utilização
Link Internet
Peer-to-Peer 5
Interativo 25
Streaming 18
VoIP 10
Navegação 42

Tabela 9.

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7. Modelagem de desempenho

Um modelo é a representação de um sistema.


No caso de sistemas computacionais, modelos podem ser utilizados para dois propósitos:
• representar a operação do sistema - modelo funcional;
• representar o comportamento do sistema em termos de desempenho - modelo de desempenho.

Modelos de desempenho são utilizados para predizer os valores das medidas de desempenho de
um sistema dados um conjunto de valores de workload, sistema operacional (software) e
parâmetros de hardware.
A figura abaixo mostra uma representação de um modelo de desempenho:

Parâmetros Parâmetros Parâmetros


de de de
Workload Software Hardware

Modelo de Desempenho

Medidas de Desempenho
(tempo de resposta, utilização, throughput, etc.)

Figura 23. Representação de um modelo de desempenho.

Os parâmetros de entrada são:


• parâmetros de workload;
• parâmetros de software;
• parâmetros de hardware.

Os parâmetros de workloads descrevem a carga imposta no sistema (tráfego, jobs ou


transações). Exemplos: tempo médio de uma transação, utilização de CPU, utilização de banda,
número de terminais ativos no sistema, etc.
Os parâmetros de software descrevem características do software básico (sistema operacional)
que afetam o desempenho. Exemplos: grau de multiprogramação, prioridade de dispatching da
CPU, variáveis do kernel do sistema, etc.
Os parâmetros de hardware descrevem características do hardware do sistema que afetam o
desempenho. Exemplos: velocidade do processador, velocidade de transferência do disco,
velocidade da rede, etc.

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A saída do modelo de desempenho é um conjunto de medidas de desempenho. Exemplos: tempo


de resposta, throughput e utilização de recursos.

7.1. Modelo de baseline e análise de modificação

Modelos de desempenho podem ser utilizados em pelo menos duas situações:


• Para modelar um sistema existente.
• Para modelar um sistema sendo desenvolvido.

No primeiro modelo, os parâmetros precisam ser obtidos através de medidas feitas no sistema
existente.
No segundo modelo os valores dos parâmetros precisam ser estimados.
O propósito de construir um modelo de desempenho é utilizá-lo para análise do efeito das
variações das medidas de desempenho de vários parâmetros dos sistemas.
Isso é chamado de análise de modificação.
Antes de a análise de modificação ser efetuada, é necessário construir um modelo de
desempenho que reflita as ações das workloads no sistema atual (modelo de baseline).
O modelo de baseline precisa ser validado e calibrado para garantir que ele reflita com exatidão o
sistema sendo modelado.
Validar e calibrar um modelo de baseline é realizado comparando valores previstos (métricas de
desempenho) com os atuais valores obtidos através de medidas efetuadas no sistema atual.

7.2. Tipos de modelos

Existem basicamente dois tipos de modelos para uma solução de modelagem de desempenho:
• Modelo de simulação.
• Modelo analítico.

Modelo de simulação é baseado em programas de computador especialmente desenvolvidos, que


emulam os diferentes e dinâmicos aspectos de um sistema bem como sua estrutura estática.
A parte cliente (transações, jobs, comandos, etc.) é gerada através de processos probabilísticos
utilizando geradores de números aleatórios, e seu fluxo através do sistema gera eventos como a
chegada de um processo na fila de espera do servidor, início de um processo, término do
processo, etc.
Os eventos são processados de acordo com sua ordem de ocorrência no tempo.
Contadores acumulam estatísticas que serão utilizadas no fim da simulação para estimar as
diversas medidas de desempenho.
Por exemplo, podemos citar o software Chariot de simulação de ambientes computacionais.
Devido ao nível de detalhe geralmente necessário em modelos de simulação, esse tipo de modelo
é muito caro para desenvolver, customizar e validar.

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Por outro lado, ele permite investigar fenômenos em qualquer nível de detalhe provido pelo
software.
Modelos analíticos são compostos de um conjunto de fórmulas e/ou algoritmos que fornecem as
medidas de desempenho necessárias, como função do conjunto de valores dos parâmetros de
desempenho.
Para modelos analíticos serem matematicamente tratáveis, eles são geralmente menos
detalhados que modelos de simulação.
Dessa forma, eles são geralmente menos exatos, porém mais eficientes para executar.
Podemos sumarizar as vantagens e desvantagens dos modelos de simulação e analíticos:
• Modelos analíticos tendem a ser computacionalmente mais eficientes para executar do que os
modelos de simulação;
• Devido ao seu alto grau de abstração, obter os valores dos parâmetros de entrada em modelos
analíticos é mais simples do que em modelos de simulação;
• Modelos de simulação podem ser mais detalhados (dependendo da necessidade) e podem ser
mais exatos do que modelos analíticos.

Em algumas situações, modelos analíticos acurados não estão disponíveis ou são ineficientes.
Nesses casos, podemos utilizar aproximações que podem tornar o modelo mais simples para
resolver o problema, tornando-o mais eficiente.
Os modelos de simulação são poderosos nesse sentido, uma vez que eles podem comparar os
resultados obtidos de um modelo detalhado de simulação com os resultados aproximados do
modelo analítico.
Caso os resultados sejam muito próximos, pode-se abandonar o modelo de simulação (mais
complexo e dispendioso) e utilizar o modelo analítico (mais simples e eficiente).
Em planejamento de capacidade, geralmente estamos interessados em ser rápidos para
comparar e avaliar diferentes cenários.
Aproximações na casa de 10 a 20% são aceitáveis para esse propósito. Dessa forma, por causa
da eficiência e flexibilidade dos modelos analíticos, eles são preferíveis para os objetivos do
capacity planning.

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Glossário

• B
BGP – Border Gateway Protocol
Baseline – Histórico de dados relativos à utilização do sistema.

• C
CMIP – Common Management Information Protocol

• F
FIFO – First In First Out

• I
ITIL – Information Technology Infrastructure Library

• L
LIFO – Last In First Out

• M
MTBF – Mean Time Between Failures
MTTR – Mean Time To Repair
MIPS – Millions of Instructions Per Second

• O
OSPF – Open Shortest Path First
OID – Object Identifiers
Overhead – Informações adicionais de um protocolo (controle) que não compõem a parte de
dados.

• P
PPP – Point-to-point Protocol

• R
RMON – Remote Monitoring

• S
SLA – Service Level Agreement
SNMP – Simple Network Management Protocol
Server Farm – Conjunto de servidores.

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• T
TCO – Total cost of ownership
TACACS+ - Terminal Access Controller Access-Control System
Threshold – Limite entre duas variáveis
Throughput – Vazão de dados em um determinado meio de acesso.

• W
Workload – Classificação lógica do trabalho realizado em um sistema de computação.

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Exercícios

Exercício capítulos 1 e 2

01. O que é capacity planning?


R: É uma das mais cruciais responsabilidades no gerenciamento de um sistema, que pela
análise da situação atual e projetada (futura), identifica o método de maior custo-benefício
para servir o cliente final aumentando a eficiência da rede.

02. O que um capacity planning efetivo fornece como resultado?


R:
• uma visão da infra-estrutura para o futuro;
• roadmap para escolha de infra-estrutura;
• simplifica e diminui o ciclo de orçamento da área de TI;
• reduz TCO (Total Cost of Ownership);
• aperfeiçoa a utilização da infra-estrutura;
• aumenta o desempenho, disponibilidade, confiabilidade e escalabilidade;
• padroniza processos para coleta e análise de dados.

03. Quais são os três subprocessos definidos pelo ITIL no processo de gerenciamento de
capacidade?
R:
• Gerenciamento de Capacidade de Negócios
• Gerenciamento de Capacidade de Serviços
• Gerenciamento de Capacidade de Recursos

04. Quais são os três processo do capacity planning?


R:
1. Determinar Requisitos de Nível de Serviço:
2. Analisar a Capacidade Atual:
3. Planejar visando o Futuro
4. O que é uma workload?

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05. O que é uma workload?


Uma workload é uma classificação lógica do trabalho realizado em um sistema de
computação.

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Exercício capítulo 3

01. Quais os tipos de padrão encontrados em baselines?


R:
• Padrão de tendência;
• Padrão cíclico;
• Padrão sazonal;
• Padrão estacionário.

02. Defina média móvel:


R: Esta é uma técnica simples de previsibilidade que faz com que o valor a ser previsto
para o próximo período, ser igual à média do número de observações anteriores.

03. Dada a tabela abaixo, calcule as previsões (utilize a média móvel):


R:

Mês % Utilização CPU


Observado Previsão
Abril 58.0 -
Maio 85.0 58.0
Junho 61.0 71.5
Julho 65.0 68.0
Agosto 70.0 70.3
Setembro 72.0 65.3
Outubro 80.0 69.0
Novembro 87.0 74.0
Dezembro - 79.7

04. Qual a diferença entre média móvel e tendência exponencial?


R: A tendência exponencial aplica mais peso para os dados históricos mais recentes.

05. Cite os parâmetros de uma fila:


• Taxa de chegadas
• Capacidade (taxa de atendimento)
• Tempo entre chegadas sucessivas

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• Tempos de atendimento
• Capacidade da fila (“finito” x “infinita”)
• Disciplina
° First in First Out (FIFO),
° Last in First Out (LIFO),
° Prioridades

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Exercício capítulo 4

01. O que é baseline?


R: É o histórico de dados relativos à utilização do sistema.

02. O passo 1 do processo de baseline é o inventário do sistema. Defina:


R: É extremamente importante compilar um inventário do hardware, software e
configurações.
O inventário de hardware é importante, pois os thresholds necessários após o inicial
baseline são dependentes do tipo de CPU, quantidade de memória, etc.
O inventário de software também é importante, pois dependendo das features
disponibilizadas pelo software, os thresholds deverão ser ajustados.
O inventário de configuração é importante para conhecermos a implementação atual. Pode
ser necessário alterar configurações, após o baseline, para ajustar buffers, quantidade de
memória, etc.

03. O passo 3 do processo de baseline é coletar, armazenar e analisar os dados. Defina:


R: Existem várias formas de coletar e armazenar variáveis.
Várias ferramentas utilizam o processo GET do SNMP para obter essas Informações.
A diferença principal é a flexibilidade de configuração e a forma na qual os dados são
armazenados em um banco de dados.
É recomendado que a coleta seja feita em intervalos de cinco minutos, pois um intervalo
menos pode aumentar a carga no sistema.
Também é recomendável que o baseline contenha dados de pelo menos duas semanas
para que seja possível, pelo menos, um ciclo quinzenal.

04. O passo 6 do processo de baseline é testar a monitoração dos thresholds. Defina:


R: Este passo envolve testar os thresholds em laboratório utilizando ferramentas que serão
empregadas no ambiente de produção.
Existem duas práticas comuns para monitorar thresholds:
• Coletar e comparar utilizando uma plataforma SNMP. Este método utilize mais recursos
de rede para obter as informações e utilize mais processamento da estação de
gerenciamento.
• Utilizar Remote Monitoring (RMON) Alarm and Event configurado nos sistemas para que
eles transmitam um alarme quando um threshold for excedido. Este método reduz a
utilização de recursos na estação de gerenciamento, mas aumenta a utilização de CPU e
memória no sistema gerenciado.

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05. O passo 7 do processo de baseline é implementar a monitoração dos thresholds. Defina:


R: Uma vez que tenha sido testada a monitoração dos thresholds em laboratório ou em
ambiente controlado, é necessário implementá-los no sistema.
Pode-se, sistematicamente, adicionar ao processo de baseline outras variáveis importantes
como utilização de memória, buffers, erros de CRC, perda de pacotes, I/O de disco, etc.

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Exercício capítulo 5

01. Quais são as principais classes de métricas de desempenho?


R:
• Latência ou Tempo de Resposta
• Taxa de serviço
• Disponibilidade
• Utilização

02. Quais são os processos de medição?


R:
• Especificar medidas
• Equipamentos e coleta de dados
• Analisar e transformar dados

03. Quais os tipos de ferramentas de monitoração?


R: Hardware, software e híbridas.

04. O que é fundamental na identificação de gargalos na rede?


R: Identificar dispositivos, meios de acesso, recursos ou programas que, de alguma forma,
causam prejuízo à operação do sistema como um todo.

05. Como pode ser efetuada a identificação de gargalos?


R: Essa identificação pode ser efetuada através dos sistemas de monitoração e coleta de
dados.

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Exercício capítulo 6 e 7

01. Defina particionamento:


R: Particionar significa dividir o sistema e agrupar características similares e que objetivem
o estudo a ser realizado, modelando a carga de trabalho nesse sistema.

02. Quais são as classes de componentes em um particionamento?


R:
• Utilização de recursos
• Aplicações
• Orientação geográfica
• Classe Funcional
• Unidades organizacionais
• Tipo

03. O que é um modelo?


R:
É a representação de um sistema.

04. Quais são os parâmetros de entrada em um modelo de desempenho?


R:
• Parâmetros de workload;
• Parâmetros de software;
• Parâmetros de hardware.

05. Quais os tipos de modelo de desempenho?


R:
• Modelo de simulação;
• Modelo analítico.

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Bibliografia

Capacity Planning and Performance Modeling: From Mainframes to Client-Server Systems


Autores Harcourt Brace Publishing, Daniel A. Menasce, Virgilio A. F. Almeida, Larry W. Dowdy
ISBN: 0137895461

Computer Systems Performance and Capacity Planning


Autores John Cady, Bruce Howarth
ISBN: 0131684930

Performance by Design: Computer Capacity Planning By Example


Autores Daniel A. Menasce, Lawrence W. Dowdy, Virgilio A.F. Almeida
ISBN: 0130906735

Capacity Planning for Computer Systems


Autor Tim Browning
ISBN: 0121364909

Sites
www.cisco.com
www.opnet.com
www.itilsurvival.com

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Redes de Computadores

Apostila do Professor
2º Bim. – Semestre 5 – PCRP 2

PLANEJAMENTO DE CAPACIDADE E
RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS EM REDES 5 PCRP 2T 1
Autores: Ronaldo Gama Silva
Alexandro A. Paulino
Prezado aluno,

Este material compreende apenas o


conteúdo da disciplina. Assim, não
deve ser a única fonte de consultas
em seus estudos. O conteúdo deve
ser complementado com outras obras,
indicadas por seu professor ou
encontradas em suas pesquisas.

Revisões:

1ª Edição – 1ª Impressão – 1º Semestre de 2007


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Índice

8. Predição de desempenho ..........................................................................................................1


8.1. Rules of Thumb ....................................................................................................................3
8.2. Análise de tendência ............................................................................................................4
8.3. Benchmarks..........................................................................................................................5

9. Ferramentas de geração de cargas sintéticas .........................................................................6


9.1. Algumas ferramentas de geração de carga..........................................................................7

10. Ferramentas de simulação de redes de computadores........................................................9


10.1. Algumas ferramentas de simulação de redes ..................................................................10

11. Estudo de caso – Capacity planning ....................................................................................13

12. Resolução de problemas .......................................................................................................16


12.1. Modelo de resolução de problemas.................................................................................17
12.1.1. Definir o problema .................................................................................................17
12.1.2. Obter fatos e características ..................................................................................18
12.1.3. Considerar as possibilidades .................................................................................19
12.1.4. Criar um plano de ação .........................................................................................19
12.1.5. Implementar um plano de ação .............................................................................19
12.1.6. Observar os resultados..........................................................................................20
12.1.7. Rever os processos ...............................................................................................20
12.1.8. Resolução ..............................................................................................................21
12.2. Modelo de baseline da rede .............................................................................................21
12.3. Ferramentas .....................................................................................................................21
12.3.1. Equipamentos de testes de meio físico .................................................................22
12.3.2. Monitores de rede ..................................................................................................23
12.3.3. Analisadores de protocolo .....................................................................................24
12.3.4. Sistemas de gerenciamento de rede .....................................................................25

Glossário ...................................................................................................................................27

Exercícios ...................................................................................................................................29

Bibliografia ...................................................................................................................................31

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8. Predição de desempenho

Qual é a workload esperada para o próximo ano?


Essa é um pergunta típica que surge durante o curso de um projeto de capacity planning.
Antes de tentar respondê-la, vamos examinar por que as mudanças em uma workload precisam
ser previstas.
Workloads mudam, sua utilização pode aumentar ou pode diminuir, dependendo do
comportamento dos negócios da empresa.
Uma empresa que fechou uma linha de negócios e eliminou as aplicações associadas a essa
linha é um exemplo de diminuição da utilização da workload. Porém, a situação mais comum é
que a utilização de uma workload aumente.
A utilização de uma workload pode aumentar pelos seguintes motivos:
• Novas aplicações.
• Aumento no número de usuários.
• Aumento no volume processado.
• Troca de tecnologia.
• Modificações no ambiente.
• Novos negócios.
• Etc.

Três problemas são geralmente encontrados em um processo de capacity planning quando se


executa a fase de previsão de utilização:
1. É difícil obter informações confiáveis dos usuários, pois essas informações não são de fácil
entendimento pelos mesmos.
2. É difícil obter informações de utilização para novos sistemas que ainda não tenham sido
desenvolvidos completamente.
3. Por fim, é difícil obter informações sobre a demanda reprimida, ou seja, a porção de workload
não submetida ao sistema por qualquer motivo (por exemplo, um usuário que não submete
uma consulta a um banco de dados quando ele está saturado e o tempo de resposta será
muito alto).

O coração de um processo de capacity planning é a habilidade para prever adequadamente o


desempenho de um sistema executando uma determinada workload.
Será necessário analisar várias configurações, pois muitas opções existem para construir uma
solução. Workstations, servidores, mainframes, aplicações e redes podem ser combinados em
diferentes topologias.
Como previsões sempre carregam um grau de incerteza, vários cenários de workloads deverão
ser considerados para tornar a previsão mais acurada.
O que é necessário nessa fase do processo de capacity planning é uma técnica que preveja o
desempenho do sistema.

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Obtendo as alternativas de configuração e a previsão de workload como dados de entrada,


pode-se calcular as medidas de desempenho para o sistema em questão.
O gráfico abaixo mostra o tempo de resposta de uma transação como função da intensidade da
workload para várias configurações do sistema.

Configuração A

Configuração B
Tempo de resposta

Configuração C

Limite aceitável

Intensidade da Workload

Cenário 1 Cenário 2 Cenário 3


9 tps 15 tps 20 tps

Figura 1. Cenário de técnica de previsão.

Cada cenário corresponde a uma previsão específica.


Vamos assumir que o cenário 2 (15 tps – transações por segundo) é o mais provável.
Duas alternativas para a workload prevista devem ser consideradas. O cenário 1 corresponde a
uma estimativa de crescimento pessimista (9 tps). O cenário 3 considera uma estimativa otimista
de 20 tps.
A linha pontilhada indica o nível aceitável de tempo de resposta para as transações, que é
considerado no acordo de nível de serviço (SLA).
Nota-se que a configuração C tem o melhor desempenho das três alternativas de configuração,
provendo um tempo de resposta dentro dos limites aceitáveis e com alto índice de carga.
Mas como podemos afirmar que a configuração C é a melhor opção?
Obviamente que a configuração A está fora de questão, pois não satisfaz o nível de serviço
desejado para os cenários futuros.
Uma comparação de custo entre as configurações B e C irá determinar a decisão final.
Quando consideramos vários cenários futuros, criamos diferentes alternativas para o sistema em
análise, com diferentes níveis de serviço e diferentes custos.
Esse tipo de análise encoraja os usuários a executarem melhores previsões de crescimento de
maneira a obter o melhor custo-benefício de seus serviços.
Várias técnicas são utilizadas para a previsão de desempenho.
Basicamente elas diferem em três aspectos:
• Complexidade.

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• Exatidão.
• Custo.

A figura abaixo ilustra o espectro das técnicas de previsão mais utilizadas em função da
complexidade e custos.

Baixo Complexidade e Custo Alto

Modelos de Desempenho
Rules Análise
of de Benchmarks
Thumb Tendência Analítico Simulação

Figura 2. Técnicas de previsão de desempenho.

8.1. Rules of Thumb

A técnica “Rules of Thumb” é utilizada para determinar a capacidade total de um sistema em


função da utilização de componentes principais nesse sistema.
Focando os elementos principais, essa técnica tenta prevenir atrasos excessivos que podem
degradar o tempo de resposta do sistema.
De maneira geral, essa técnica define limites que serão utilizados como guia para a análise.
Geralmente essas informações são extraídas dos fabricantes, experiência de campo, benchmarks
e relatórios de empresas de pesquisa.
Exemplo de algumas regras comuns:
• Utilização média de CPU de um router não deve ser superior a 60%.
• Utilização média de um link WAN não deve ser superior a 70%.
• Utilização de um segmento compartilhado Ethernet não deve ser superior a 40%.
• Memória livre de um router não deve ser inferior a 30%.
• Etc.

Os componentes mais utilizados são:


• CPU;
• memória;
• velocidade do acesso LAN;
• velocidade do acesso WAN;
• disco rígido ou storage;
• capacidade de comutação de pacotes;
• etc.

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Essa técnica oferece a vantagem da simplicidade, baixo custo e facilidade de utilização.


Apesar de ser eficaz em alguns casos, existem alguns problemas em seu uso.
Primeiro, essa técnica não endereça o aspecto importante dos níveis de serviço. Mesmo que os
níveis de utilização dos componentes estejam abaixo dos limites especificados, não é certeza que
as medidas de desempenho satisfaçam o nível de serviço desejado.
Por exemplo, o tempo de resposta de uma transação depende do tempo gasto em cada
componente do sistema (servidores, banco de dados, aplicações, redes, etc.). Se o gargalo nesse
sistema não coincidir com os recursos estipulados como principais na análise, o resultado não
contemplará esse aspecto.
Na verdade, essa é uma séria restrição ao uso dessa técnica. Ela não leva em consideração a
interação entre os componentes do sistema.
A aplicabilidade dessa técnica nas redes atuais é limitada, pois os componentes das mesmas são
extremamente dependentes e interligados, tornando difícil encontrar os elementos principais para
a análise.

8.2. Análise de tendência

Análise de tendência pode ser vista como uma técnica que prevê o que irá acontecer a um
sistema baseado em dados históricos.
No caso de capacity planning, dados históricos armazenados (logs, coleta SNMP, CMIP, etc.) são
utilizados para analisar a relação entre desempenho e as workloads.
Desses dados tenta-se identificar uma tendência no comportamento de desempenho.
O processo de predição consiste em extrapolar a tendência para o nível de carga de serviço
desejado.
Predição é realizada usando extrapolação linear dos dados coletados. Da intensidade de carga
esperada, tenta-se obter o ponto correspondente ao valor de desempenho predito.

Limite predito

cia
ên
nd
Te
Desempenho

Intensidade da Workload

Atual Esperado

Figura 3. Análise de tendência.

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Existe um problema com esse tipo de técnica.


Primeiro, ela assume uma relação linear entre o desempenho e a intensidade da carga.
Essa afirmativa pode ser uma aproximação válida para sistemas com pouca carga, onde a
contenção de recursos é mínima.
Conforme a carga no sistema aumenta, gargalos irão aparecer, o congestionamento irá aumentar
e o desempenho irá decrescer de forma exponencial.
Aproximação linear não mantém qualquer relação com o comportamento real de um sistema.
Sistemas reais executam diferentes classes de workloads. Geralmente, a análise de tendência
prediz desempenho para cada classe separadamente.
Nessa situação, surgem efeitos negativos sobre o desempenho, pois não é levada em
consideração a interação entre essas classes, tornando a análise de tendência excessivamente
otimista.

8.3. Benchmarks

Benchmarking tem sido uma importante ferramenta para predizer a capacidade de sistemas
computacionais.
Um estudo dirigido para prever o desempenho de um sistema será tido como corretamente
implementado se tanto as workloads e os recursos do sistema forem adequadamente
representados no benchmark.
Na predição de desempenho, a questão-chave é como a configuração de um sistema particular
irá se comportar dada uma determinada carga de utilização.
Para responder a essa questão utilizando a técnica de benchmark, simplesmente é efetuada a
carga de trabalho desejada no sistema e é medido o desempenho dela.
Como podemos observar, essa técnica só é aplicável em sistemas que estejam em operação.
Dessa forma, uma análise das várias configurações possíveis não é possível na prática, pois
implicaria um alto custo para implementação.
Sistemas distribuídos e de múltiplos fornecedores tornam o problema ainda maior.
Outro ponto negativo do benchmarking é impossibilidade de avaliar o impacto de novas
aplicações (que ainda não tenham sido completamente desenvolvidas).
Quando conduzido apropriadamente, benchmarks irão produzir resultados extremamente
acurados e confiáveis.
Benchmarks geralmente são vistos como uma técnica para comparar sistemas, tornando sua
utilização em processos de capacity planning bastante limitada.

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9. Ferramentas de geração de cargas sintéticas

O desempenho de um sistema pode ser medido em qualquer tempo com qualquer carga de
trabalho.
Alguns administradores de sistemas coletam regularmente dados de desempenho como parte do
monitoramento do estado geral do sistema.
As medidas de desempenho e análises baseadas em sistemas e cargas reais parecem atrativas
num primeiro momento, mas possuem diversas limitações. A carga aplicada a um sistema pode
variar muito de dia para dia ou até mesmo de minuto a minuto, e existe a dificuldade, senão a
impossibilidade, de executar a carga de um dia em particular em uma data posterior.
Entretanto, a maioria das medidas de desempenho baseia-se em uma carga sintética, que possui
características similares a uma carga real, mas é definida e implementada de maneira a ser
reproduzida.
Em muitos casos, a carga é descrita através de alguns parâmetros-chave, e o objetivo da
medição é avaliar como as mudanças nos parâmetros de carga afetam o desempenho do
sistema.
Todos os experimentos sobre medição de desempenho requerem três elementos básicos:
• O sistema a ser testado.
• Geradores de carga (que aplicam uma carga de trabalho ao sistema).
• Ferramentas para coleta de dados.

Dependendo do experimento, geradores de carga podem ser implementados por hardwares


específicos para geração de carga, softwares rodando em servidores separados ou por um
processo rodando no próprio sistema sob teste (não recomendado, pois a geração da carga de
trabalho irá afetar o desempenho do próprio sistema).
Existem duas técnicas básicas para geração de carga de trabalho sintéticas:
• Geração de carga de trabalho estocástica.
• Geração de carga de trabalho trace-driven.

Técnicas estocásticas descrevem os padrões de entrada de clientes e outros aspectos da carga


de trabalho por amostragem de uma distribuição probabilística.
Muitas cargas de trabalho podem ser descritas precisamente utilizando a distribuição apropriada.
Cargas de trabalho estocásticas são uma boa escolha quando informações detalhadas da carga
de trabalho não estão disponíveis ou onde há necessidade de variar características da carga de
trabalho.
A geração da carga de trabalho é eficiente e não requer grandes arquivos de dados.
Na carga de trabalho trace-driven, os geradores de carga repetem uma seqüência de requisições
de um arquivo de log. Por exemplo, uma seqüência de pacotes de leitura/escrita foi capturada de
um file server e será utilizada para gerar a carga de trabalho no sistema a ser testado.
Dependendo da fonte do trace, esse método pode prover uma carga de trabalho bem realística, à
custa de certa perda de flexibilidade da técnica.

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De maneira geral, os geradores de carga sintética efetuam testes que podem nos ajudar a
determinar o seguinte:
• Até que ponto de stress, um sistema pode chegar.
• Validação do projeto do sistema.
• Verificação da capacidade da rede sobre diferentes condições de carga.

Abaixo segue uma figura que ilustra possíveis utilizações de um gerador de carga sintética:

Geração de carga para testar link WAN e


processamento dos routers e switches Geração de carga para testar
links LAN e processamento
dos servidores

Figura 4. Geradores de carga sintética.

9.1. Algumas ferramentas de geração de carga

Existem várias ferramentas de geração de carga no mercado.


Desde ferramentas simples baseadas geralmente em software, até ferramentas completas de
geração de carga, simulação, coleta de dados e relatórios, geralmente baseadas em hardware e
software.
Existe também uma grande variedade de ferramentas free, geralmente baseadas em distribuições
Linux.

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Segue uma tabela com algumas ferramentas de geração de carga de trabalho sintéticas:

Ferramenta Baseada em Sistema Comercial ou Descrição


hardware operacional distribuição
ou software open source

Hammerhead Software Linux Open Source Ferramenta de geração de carga projetada para testar a
capacidade de um web server ou web site.

ISIC Software Linux Open Source Ferramenta de geração de carga projetada para testes
em redes. Ela transmite pacotes pseudo-aleatórios para
testar a estabilidade dos drivers de rede e para checar
falhas em firewalls.

LMBench Software Linux Open Source Benchmark sintético, composto de uma série de
micro-benchmarks, utilizado para mensurar vários
aspectos de desempenho do kernel.

SPEC Software Unix Comercial O SPEC SDET é um benchmark sintético que tenta
modelar um ambiente de desenvolvimento de um
software real. Esse modelo de tarefas é implementado
através de um script montado aleatoriamente por um
conjunto de comandos básicos predefinidos.

Netperf Software Unix, Linux, Open Source Esse é um gerador de carga que pode ser usado para
Windows medir o desempenho de diferentes tipos de operações
de rede. Seu principal foco é o volume de transferência
de arquivos e o desempenho de requisição/resposta
usando tanto TCP quanto UDP.

Visual Studio Software Windows Comercial Simula múltiplos usuáriossimultaneamente transmitindo


2005 Team requisições para o sistema em teste.
System

IxChariot Software + Windows + Comercial IxChariot é líder em ferramentas de teste para emulação
Hardware clientes em de ambientes e aplicações para predizer desempenho de
qquer SO devices e sistemas sob condições de alta carga.

Tabela 1.

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10. Ferramentas de simulação de redes de computadores

Simulação é uma técnica fundamental para a avaliação de desempenho de redes de


computadores, tanto na área de pesquisa, quanto no ambiente corporativo.
Conceitualmente, a simulação modela um sistema do mundo real como um programa de
computador.
A simulação permite que um sistema seja modelado em qualquer nível de detalhe, de uma
tradução direta de um modelo de redes de filas à captura de todo aspecto do comportamento do
sistema.
A simulação suporta qualquer coleção de métricas de desempenho que possam ser definidas.
Simulações de sistemas de computadores escritas para o propósito de análise de desempenho
são, em geral, simulações de eventos discretos, isto é, a representação do tempo é discretizada e
ocorrem mudanças de estado somente quando ocorre um evento.
Por comparação, uma simulação contínua modela o tempo como uma progressão contínua.
A simulação de eventos discretos pode ser classificada em dirigida por eventos ou baseada em
ciclo.
Uma simulação dirigida por eventos modela a atividade do sistema como uma série de eventos
que ocorrem assincronamente e em intervalos irregulares. Por exemplo, a simulação de um
servidor de arquivos de rede deve incluir eventos como a chegada de um pacote ethernet ou a
finalização da escrita em disco. Esse tipo de simulação modela uma grande variedade de
sistemas.
Na simulação baseada em ciclos, todas as mudanças no sistema são síncronas, isto é, a
simulação é, em essência, uma grande máquina de estados que muda de estado a cada ciclo.
Este tipo de simulação é tipicamente utilizado para modelar núcleos de processador ou outra
lógica digital com uma única freqüência de clock.
Note, porém, que as duas abordagens podem ser combinadas em uma simulação que inclua
eventos síncronos e assíncronos.
Existem três técnicas básicas para gerar cargas de trabalho para realizar simulações:
• Estocástica.
• Rastreamento.
• Baseada em execução.

A simulação estocástica descreve a chegada de padrões de clientes e outros aspectos da carga


por amostragem a partir de uma distribuição probabilística.
Muitas cargas podem ser descritas precisamente pelo uso de uma distribuição apropriada. As
cargas estocásticas são uma boa escolha quando a informação detalhada sobre a carga não está
disponível ou quando existe necessidade de variar as características da carga. A geração de
carga é eficiente e não necessita de grandes arquivos de dados.
A simulação por rastreamento representa a carga como uma seqüência de operações ou
requisições. Por exemplo, para a simulação de um servidor Web, uma seqüência de requisições
http deve ser rastreada, enquanto na simulação de uma CPU, as operações do microcódigo
devem ser rastreadas.

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Se dados de rastreamento que representam corretamente a carga estiverem disponíveis, serão


obtidos bons resultados de simulação, sendo desnecessário escrever o código que modela a
carga.
A desvantagem dessa técnica é que montar uma coleção de rastreamentos é um esforço não
trivial e o tamanho dos arquivos de dados é muito grande.
A simulação baseada em execução é utilizada para modelar processadores em detalhes.
A entrada de uma simulação baseada em execução é o mesmo código executável que seria
processado no sistema real.
A principal desvantagem de utilizar qualquer técnica de simulação é o esforço necessário para
escrever e validar o programa de simulação e os consideráveis requisitos de processamento
(tempo de CPU para todas as simulações e espaço em disco para rastreamentos).
A principal aplicação de um simulador de redes é validar um design de rede antes de,
efetivamente, executar o projeto dela.
Dessa forma, é possível prever determinadas características e comportamentos da rede e evitar
possíveis desvios no projeto que podem gerar aumento de custos, desvio de prazos ou
inviabilidade do mesmo.

10.1. Algumas ferramentas de simulação de redes

As ferramentas de simulação de redes encontradas no mercado geralmente são baseadas em


software e, muitas vezes, agregam geradores de carga e coletores de medidas de desempenho.
Basicamente, essas ferramentas possuem uma interface gráfica para a construção do modelo a
ser testado e um gerador de relatórios para posterior análise do sistema simulado.

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Segue um exemplo de software de simulação de redes:

Network model

Node model

Process model

Open model
source code

Figura 5. Exemplo de simulador de redes - produto da empresa OPNET.

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Segue uma tabela com algumas ferramentas de simulação de redes:

Característica Plataforma de Plataforma de Plataforma de Plataforma de simulação


da plataforma simulação NS2 simulação simulação OPNET Modeler
GloMoSim NCTUns 1.0

Origem Univ. of California, Univ. of Nacional Chiao Empresa OPNET


principal de sua Berkeley – UCB California, Los Tung University of
concepção Angeles - UCLA Taiwan (NCTU)

Padronização Ferramenta padrão NASA, MIT, Desde seu Utilizado pela maioria dos
para simulação de Cisco Systems. lançamento em fabricantes de
redes 11/01/2002, o equipamentos de rede
NCTUns foi para simulação de novos
testado e utilizado produtos.
por mais de 750
organizações

Escalabilidade Alta Alta Limitada Alta

Nível de HTTP, FTP, Telnet CBR, FTP, FTP, HTTP, Multi-Tier Applications,
aplicação HTTP and Telnet. Tcpdump, Voice, HTTP, TCP, IPv4,
Telnet Traceroute BGP, EIGRP, RIP, VoIP,
OSPFv3, RSVP, Frame
Relay, FDDI, Ethernet,
ATM, IPv6, MPLS, PNNI,
DOCSIS, IP Multicast,
Circuit Switch, IS-IS,

Nível de TCP e UDP TCP e UDP TCP e UDP TCP e UDP


transporte

Ferramenta GUI Sim (NAM – VT (Visual Tool) Embutida Embutida


Network Animator) com Java

Aplicação livre Sim Sim Sim Comercial

Freeware Sim Sim Sim Comercial

Sistema Todos Windows, FreeBSD Todos


operacional GNU/Linux,
FreeBSD

Site oficial [1] [2] [3] [4]

Tabela 2.

[1] http://www.isi.edu/nsnam/ns/
[2] http://pcl.cs.ucla.edu/projects/glomosim/
[3] http://nsl.csie.nctu.edu.tw/nctuns.html
[4] http://www.opnet.com

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11. Estudo de caso – Capacity planning

Vamos exemplificar a modelagem de desempenho de um sistema cliente-servidor (a topologia


mais encontrada atualmente).
Consideremos o seguinte cenário:
Uma rede local é composta de vinte workstations diskless e um servidor de banco de dados que
contém um único database em um único disco rígido. As workstations e o banco de dados estão
conectados a 10Mbps numa rede Ethernet, como indicado na figura.

...

10Mbps

Figura 6.

O modo de operação do sistema é realizado da seguinte forma:


• O servidor SQL recebe comandos de todas as workstations, submete-os ao gerenciador do
banco de dados e transmite o resultado de volta às workstations;
• As características das máquinas são:
° servidor SQL é implementado com uma CPU de 25 MIPS;
° cada workstation tem um processador de 1 MIPS.
• As características das mensagens (comandos e respostas) é:
° comandos para o banco de dados com média de 110 bytes;
° respostas do banco de dados com média de 960 bytes.
• As características de pré-processamento dos comandos é:
° as workstations processam aproximadamente 10.000 instruções de máquina;
° a execução do comando no banco de dados processa aproximadamente 100.000 instruções
de máquina.
• As características do disco são:
° 16 msec de tempo médio de rotação;
° 20 msec de tempo médio de busca;
° 5 Mbyte/sec de taxa de transferência;
° cada acesso ao disco lê ou escreve 4 Kbytes de dados.
• Um comando no banco de dados significa uma média de 15 operações de I/O.

Construiremos um modelo de desempenho para responder às seguintes questões:


• Qual o impacto no tempo de resposta dos comandos ao banco de dados se o número de
workstations dobrar?

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• Qual o impacto sobre a performance se o poder de processamento da CPU do servidor for


aumentada em 50%?
• Qual o impacto sobre o tempo de resposta se um disco adicional for instalado no servidor de
banco de dados?

Para construir o modelo de desempenho, vamos examinar os tipos de atrasos sofridos por um
comando do banco de dados desde que ele é submetido na workstation até que o resultado seja
recebido de volta a ela.
• A mensagem contendo o comando é transmitida para o servidor. Essa mensagem sofre um
delay de transmissão (tempo necessário para transmitir a mensagem na rede local) e um delay
de acesso à rede (tempo necessário para se obter acesso à rede, visto que é uma rede
Ethernet com protocolo CSMA-CD). O delay de transmissão é constante e o delay de acesso ao
meio é variável em função da carga na rede:
° delay de transmissão = tamanho do comando/velocidade da rede
° delay de transmissão = 110*8/10.000.000 = 88ìsec
° delay de acesso ao meio = consideraremos igual a zero
• O comando é recebido pelo servidor processado e o resultado enviado à workstation:
• O resultado é transmitido para a workstation:
° delay de transmissão = tamanho do comando/velocidade da rede
° delay de transmissão = 960*8/10.000.000 = 768ìsec
° delay de acesso ao meio = consideraremos igual a zero
A figura abaixo demonstra o modelo de desempenho do cenário mostrado.

WS

Fila de
Tempo
I/O
de Rede

Disco

CPU

Fila de Fila de
Memória CPU Servidor de
Banco de Dados

Figura 7.

A figura representada por WS é a workstation. O serviço demandado por esse componente é a


soma de todos os tempos desde a solicitação do comando até sua resposta pelo servidor de
banco de dados.
A figura de um círculo cruzado por uma seta representa o atraso total imposto pela rede (atraso
de propagação, queuing, etc.).

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Agora vamos calcular os valores dos parâmetros numéricos do modelo de desempenho.


Tomemos as seguintes variáveis:
• DWS = delay da workstation WS;
• Dserv = delay do servidor de banco de dados;
• Ddisk = delay do disco do servidor;
• Dnet = delay da rede.

A carga de trabalho (workload) da workstation pode ser calculada como o número médio de
instruções executadas pela workstation dividida pela velocidade do processador:
DWS = nº instruções de CPU / veloc. CPU
DWS = 10.000 / 1.000.000
DWS = 0,01 segundos

A carga de trabalho (workload) do servidor pode ser obtida da mesma forma:


Dserv = nº instruções de CPU / veloc. CPU
Dserv = 100.000 / 25.000.000
Dserv = 0,004 segundos

A carga de trabalho (workload) do disco do servidor pode ser estimada multiplicando o número
médio de operações de I/O por comando, pelo tempo médio para executar uma operação de I/O:
Ddisk = nº operações I/O * tempo médio operação I/O
Ddisk = nº operações I/O * (delay de rotação + delay de busca + tempo de transferência)
Ddisk = 15 * [(0,016 / 2) + 0,020 + (4 / 5.000)]
Ddisk = 0,432 segundos

A carga de trabalho (workload) da rede pode ser computada como o tempo médio gasto para
transmitir um comando ao servidor mais o tempo necessário para transmitir o resultado de volta à
workstation, multiplicado por duas vezes o tempo médio de acesso à rede (um para a workstation
e outra para o servidor, como o tempo de acesso à rede é variável, utilizaremos a variável D para
representá-la):
Dnet = (atraso rede comando + atraso rede resposta) * 2D
Dnet = (0,000088 + 0,000768) * 2D
Dnet = (0,000856 * 2D) segundos

Parâmetro Valor
DWS 0,01 segundos
Dserv 0,004 segundos
Ddisk 0,432 segundos
Dnet (0,000856 * 2D) segundos

Tabela 3.

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Como podemos observar pelos resultados, o tempo de atraso no sistema de disco é o gargalo
desse sistema.
Modelos de desempenho podem ser utilizados para, por exemplo, avaliar o impacto de utilizar
uma configuração de cache no servidor para reduzir a quantidade de acesso ao disco.
Respondendo às questões anteriormente levantadas:
• Qual o impacto no tempo de resposta dos comandos ao banco de dados se o número de
workstations dobrar?
° Uma vez que o gargalo se encontra no sistema de disco, o tempo de resposta aos comandos
não vai variar em função da quantidade de usuários. Uma vez que o usuário digite o
comando e submeta-o ao servidor, o tempo de resposta será praticamente igual com 20 ou
40 usuários.
• Qual o impacto sobre a performance se o poder de processamento da CPU do servidor for
aumentada em 50%?
° Da mesma forma, o gargalo se encontra no sistema de disco, efetuar um upgrade na CPU
melhorará muito pouco o tempo de resposta como um todo (diminuirá o atraso na CPU de
0,004 segundos para 0,0026 segundos).
• Qual o impacto sobre o tempo de resposta se um disco adicional for instalado no servidor de
banco de dados?
° Se o disco adicional tiver tempos de rotação, de busca e de leitura/escrita melhores e o
banco de dados for instalado nele, o tempo de resposta será melhorado.

12. Resolução de problemas

As redes e sistemas atualmente têm um papel altamente estratégico nas companhias.


Isso significa que indisponibilidade resulta em perda de dinheiro.
Dessa forma, as equipes de suporte das empresas estão sob constante pressão para descobrir e
resolver problemas na rede o mais rápido possível.
Por outro lado, a complexidade das redes e sistemas aumentou exponencialmente, tornando a
resolução de problemas muito mais complexa e demorada.
Sendo assim, é extremamente aconselhável empregar uma técnica (ou metodologia) que possa
eliminar diferentes possibilidades e que irá guiá-lo passo a passo até a causa real do problema.
Outro ponto a observar é que um problema resolvido com uma metodologia eficiente aumenta a
base de conhecimento sobre a rede, fazendo com que problemas futuros sejam sanados com
mais rapidez e, até mesmo, correções na rede sejam feitas de maneira a corrigir definitivamente
possíveis causas de interrupção.

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12.1. Modelo de resolução de problemas

Um modelo de resolução de problemas que abrange tanto técnicas para descobrir a causa de um
problema, como ações para mitigá-lo ou resolvê-lo e aspectos de documentação desse problema
é apresentado na forma de diagrama abaixo:

Início

Definir o
problema Término

Obter fatos e
Documentar fatos
características

Considerar as
possibilidades Problema resolvido

Criar um plano
de ação

Implementar o
plano de ação Sim

Os sintomas do
Observar os problema
resultados pararam?

Reveja o processo Não

Figura 8. Metodologia de resolução de problemas.

Vamos detalhar cada etapa dessa metodologia de resolução de problemas.

12.1.1. Definir o problema

Definir o que realmente está acontecendo de errado é uma tarefa de extrema importância.
A definição do problema é uma etapa clara da metodologia de resolução de problemas em termos
dos sintomas associados e possíveis causas.

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Essa etapa também é importante para se formar uma referência entre uma situação normal da
rede e o que a está afetando.
Se existe um baseline da rede fica mais claro definir o que está errado e em que ponto está
errado.
A definição do problema também pode mencionar que falhas e/ou desconfigurações poderão ser
possíveis causas desses sintomas.
A etapa de definição do problema e a de obtenção de fatos do problema caminham muito juntas,
quase se confundindo. Quando você define o problema, inevitavelmente está obtendo fatos
preliminares sobre esse problema.
Analise o que é reportado pelos usuários e tente observar o problema pessoalmente.
A seguir, algumas questões efetuadas aos usuários que podem ajudar a obter a definição precisa
do problema:
• Você está autorizado a realizar essa ação?
• Quando foi a última vez que você realizou essa operação com sucesso?
• Quando você notou o problema pela primeira vez?
• Você conhece alguma mudança no ambiente recentemente?
• O problema é constante ou intermitente?
• Você sabe se mais alguém está com o mesmo problema?

Essas questões não fazem parte da fase de obtenção de fatos.


Durante essa fase será necessário obter dados mais técnicos e específicos do problema.

12.1.2. Obter fatos e características

É possível obter fatos de diversas fontes. Pode-se falar com os administradores da rede,
engenheiros de suporte, gerentes ou qualquer profissional que possa prover informações
relevantes sobre o problema.
Em muitos casos, uma mudança em uma parte da rede não é reportada, pois se acredita que não
irá gerar problemas.
A etapa de obter fatos pode envolver algumas ferramentas de teste básicas (como ping,
traceroute, etc.) ou envolver ferramentas mais sofisticadas (como debugging, analisadores de
protocolos e sistemas de gerenciamento).
Pode-se exigir a comparação das configurações atuais de outros equipamentos da rede ( routers,
switches, servidores, etc.) com o equipamento ou sistema com problema.
O mais importante nessa fase é que muitas possibilidades ou hipóteses são geralmente
eliminadas baseadas nos fatos obtidos.

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12.1.3. Considerar as possibilidades

O foco principal dessa etapa é usar o conhecimento da rede, dispositivos e softwares obtidos na
etapa de obtenção de fatos para eliminar possibilidades improváveis e determinar o perímetro do
problema.
É usual terminar essa etapa com umas poucas hipóteses sobre uma pequena porção da rede.
Dessa forma, será dado foco no que realmente interessa cercado por umas poucas
possibilidades.
É importante também, priorizar as possibilidades restantes.
Essas possibilidades serão testadas e corrigidas de acordo com essa prioridade definida.

12.1.4. Criar um plano de ação

Para cada possibilidade (definida anteriormente), é necessário tomar uma ou mais ações que
serão implementadas de maneira a resolver o problema.
É crucial que as ações não sejam misturadas, evitando que sejam modificadas muitas coisas ao
mesmo tempo.
Se essas ações misturadas corrigirem o problema, não será possível identificar a causa do
mesmo e que ação realmente o corrigiu.
Sendo assim, é possível que uma ação que não precisava ser tomada tenha sido implementada e
possa, muitas vezes, gerar outros problemas.
Por outro lado, se o problema persistir, pode-se perder o controle do que está causando essa
permanência.
Quando se tem um conjunto de possibilidades que se acredita ser a causa do problema, é
necessário primeiro priorizar a ordem de correção dessas possibilidades baseado na
probabilidade de ocorrência.
Então é necessário planejar uma ou mais ações para cada possibilidade.
É uma boa prática particionar o problema em pequenas seções e planejar a correção para cada
seção.
Uma vez que é dado foco a uma seção do problema é interessante preparar alguns testes para
determinar precisamente o que funciona e o que não funciona.
Esses testes irão confirmar a validade do seu plano de ação ou fazer com que ele tenha de ser
revisto.

12.1.5. Implementar um plano de ação

Nessa etapa são tomadas as mais prováveis possibilidades (em ordem de prioridade), e o
correspondente plano de ação será implementado para tentar corrigir o problema.
Esse plano pode ser composto somente por uma ação, ou por várias.
Se existirem várias ações, será importante ter certeza que cada ação será implementada
individualmente. De outra forma, a correção do problema poderá ser afetada.

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Por exemplo, seu plano pode ser iniciar um processo OSPF em uma determinada interface de um
router e redistribuir rotas RIP nesse processo. Nesse caso, se você não esperar muito resultado
de somente iniciar o processo OSPF e não implementar a redistribuição, então você poderá
realizar as duas ações de uma vez. Mas se implementar a redistribuição servir para um segundo
propósito, você poderá iniciar o processo OSPF, observar os resultados e, aguardar a ação de
redistribuição do protocolo RIP até que você tenha confirmado a correta operação do processo
OSPF.
Durante o período que foi implementado o plano de ação, é preciso manter as etapas anteriores
em mente. Cada ação e mudança precisam ser documentadas. É preciso poder reverter essas
ações rapidamente.
Preste atenção para as implicações de segurança e desempenho dessas ações e tenha certeza
de que elas são aceitáveis.
Sempre que possível, tente evitar ações invasivas, como um router reload.

12.1.6. Observar os resultados

Após implementar cada ação do plano de ação, os resultados precisam ser observados.
Você não pode somente observar se os problemas e/ou sintomas foram eliminados, mas é
preciso ter certeza de que outras operações normais da rede não foram afetadas.
Se os sintomas desapareceram e se tiver certeza de que o problema foi resolvido (sem criar
outros problemas), poderá proceder com a próxima etapa: reportar a solução do problema e
documentar os resultados.
Se existirem aspectos não resolvidos, porém, será necessária outra iteração das ações
implementadas e deverá observar os resultados.
Como discutido anteriormente, para cada possibilidade é criado um plano de ação.
Se não foram obtidos os resultados desejados desse plano de ação, antes de avançar para a
próxima possibilidade será necessário tomar uma decisão importante: manter as alterações
implementadas ou reverter para o estado anterior?
Dependendo da situação, pode ser necessário manter as implementações independente de ter
resolvido o problema ou não. A razão para isso é que o problema pode ser tão complexo que são
necessárias múltiplas correções e/ou mudanças.
Por outro lado, se suas ações mascararem sua hipótese do problema, então será mandatário
reverter as ações e retornar à configuração inicial.

12.1.7. Rever os processos

Assumindo que, após implementar o plano de ação, o problema persiste, é necessário considerar
a próxima possibilidade e implementar as ações correspondentes.
Caso não existam mais possibilidades e o problema ainda persistir, é inevitável rever o processo e
determinar novas possibilidades.
Isso pode acontecer caso nem todos os fatos tenham sido obtidos, os resultados não tenham sido
devidamente observados ou haja desconhecimento de algum protocolo ou tecnologia em uso.

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12.1.8. Resolução

Depois que tiver certeza que todos os sintomas do problema desapareceram, que nenhuma ação
foi implementada desnecessariamente e que não houve ocorrência de anormalidades, a última
etapa será documentar o trabalho.
Essa etapa irá ajudar a resolução de problemas semelhantes, criando uma base de conhecimento
da rede.
É interessante documentar o motivo das alterações para que qualquer pessoa possa entender o
problema, a causa e a solução.
Também pode ser necessário documentar alguma recomendação relativa a aspectos de
desempenho, segurança e operacionalidade da rede.
É importante frisar que pode ser necessário salvar as configurações anteriores e modificá-las para
se montar um baseline da rede

12.2. Modelo de baseline da rede

De maneira a tornar possível o suporte, resolução de problemas ou modificações na rede, é


necessário obter e manter uma certa quantidade de informações sobre ela.
A lista seguinte inclui algumas informações recomendadas para que se insira na documentação
de rede:
• Topologia física e lógica da rede.
• Protocolos ativos.
• Esquema de endereçamento.
• Baseline do tráfego de rede e estatísticas de desempenho (em situação normal de operação).
• Dispositivos, configurações, sistemas operacionais e softwares na rede.
• Casos históricos de resolução de problemas.
• Etc.

12.3. Ferramentas

Existem diversas ferramentas para auxiliar o processo de resolução de problemas em redes.


Basicamente escolhemos a ferramenta de acordo com o problema, porém em muitos casos é
necessário utilizar mais que uma ferramenta para se determinar e corrigir um problema no
ambiente de redes.
As ferramentas podem ser classificadas de acordo com a camada do modelo OSI em que elas
operam:

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Aplicação

Apresentação

Analisadores de
Sessão
protocolos
Sistemas de
Transporte Gerenciamento de
Redes

Rede

Enlace Monitores de rede

Equipamentos de
Física
teste do meio físico

Figura 9. Ferramentas de resolução de problemas.

12.3.1. Equipamentos de testes de meio físico

Existem três classes de equipamentos para teste do meio físico:


• Multímetros (digitais ou analógicos) – Os parâmetros testados por esse equipamento são
voltagem, corrente, resistência e capacitância. De fato, o propósito de utilizar esse equipamento
é verificar conectividade e continuidade dos cabos. Esses dispositivos são simples de usar,
mas é necessário estar habituado com as especificações do meio sendo testado. Por exemplo,
se for usado um multímetro para testar um segmento 10Base2 e for observada uma resistência
de 50 Ohms, será necessário interpretar esse valor como normal ou aceitável para este tipo de
meio.
• Cable testers – Também chamados scanners, essas ferramentas que também testam a
conectividade dos cabos são mais sofisticadas que os multímetros. A diferença entre eles é que
cable testers podem avaliar vários outros parâmetros como atenuação, near-end-crosstalk
(NEXT), ruído e impedância.
• TDRs e OTDRs – No topo dos equipamentos de teste de meio físico, esses dispositivos
disponibilizam time domain reflectometer (TDR), mapeamento de fios (wire-map) e
funcionalidades de monitoramento de tráfego. Um TDR para meios ópticos é chamado OTDR.
TDRs atuam como “sonares” para cabos e podem localizar rupturas no cabo e problemas de
impedância.

Obviamente, os produtos disponíveis no mercado evoluem rapidamente e fornecem features que


podem tornar difícil encaixá-los em qualquer uma dessas categorias.

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Figura 10. Cable tester.

12.3.2. Monitores de rede

Monitores de rede foram inicialmente construídos para capturar, mostrar e gravar tráfego de um
meio físico. Uma vez que os frames são capturados e a informação obtida refere-se à camada de
enlace, essa ferramenta é considerada de Camada 2. A feature mais comum de monitores de
rede é sua habilidade para sumarizar estatísticas para o usuário. Informações como tamanho dos
frames, quantidade de frames com erro, endereços MAC observados, quantidade de broadcasts,
etc. são informações disponibilizadas por esses equipamentos. Monitores de rede são
considerados aptos a executar as seguintes tarefas:
• Estabelecer um baseline da rede – Armazenando coletas regulares da atividade da rede por um
período de tempo.
• Observar padrões consistentes de mudança de utilização da rede.
• Descobrir sobrecargas de tráfego e gargalos.

A opção de configurar filtros (baseado nos endereços origem e/ou destino, tipo de protocolo, etc.)
faz dos monitores de rede uma boa ferramenta de resolução de problemas.
Alguns tipos de monitores de rede implementam SNMP (Simple Network Management Protocol) e
RMON (Remote Monitoring) MIBs (Management Information Bases) para sistemas de
gerenciamento de redes.

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Figura 11. Monitores de rede.

12.3.3. Analisadores de protocolo

Analisadores de protocolo capturam (armazenam), mostram (interpretam), analisam (decodificam)


e guardam tráfego de rede.
A diferença entre analisadores de protocolo e monitores de rede é que os analisadores podem
interpretar além da Camada 2 (Camada de Enlace), podendo mostrar dados até a Camada 7
(Camada de Aplicação).
Mostrar o conteúdo do tráfego capturado em um formato estruturado e compreensível é a
funcionalidade mais básica dos analisadores de protocolo.
Opções de filtro para os pacotes capturados permitindo flags para iniciar ou parar a captura,
geração de tráfego, timestamp de cada frame, etc. são outras opções dos analisadores de
protocolo.
As áreas de aplicação dos analisadores de protocolos são diversas. Pode-se utilizá-los para
estudar o formato ou comportamento de certos protocolos.
Outra utilização é verificar o delay entre requisições e respostas, utilizando as diferenças de
timestamp.
A opção para gerar e transmitir frames com o conteúdo desejado permite utilizá-lo para efetivar
diagnóstico e /ou teste de stress da rede.

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Figura 12. Analisador de Protocolos.

12.3.4. Sistemas de gerenciamento de rede

Redes de computadores têm se tornado extremamente complexas. Existem várias topologias,


diferentes tipos de dispositivos e protocolos.
Redes locais, de longa distância, acesso remoto, VPNs e diversas tecnologias foram
desenvolvidas.
Fazer todos esses componentes trabalharem juntos de forma confiável e com o máximo de
disponibilidade não é uma tarefa trivial.
Sistemas de gerenciamento de redes são ferramentas para ajudar-nos a entender, monitorar,
resolver problemas, modificar e deixar seguras as redes.
As cinco áreas funcionais do gerenciamento de redes definidos pela ISO (International
Organization for Standardization) são:
• Gerenciamento de falhas.
• Gerenciamento de contabilidade.
• Gerenciamento de configuração.
• Gerenciamento de desempenho.
• Gerenciamento de segurança.

Gerenciamento de falhas, o maior tópico de resolução de problemas, define as técnicas para


descobrir comportamentos anormais antes ou tão logo eles ocorram.
Uma vez que um problema é detectado, as seguintes tarefas devem ser efetuadas:
• Determinar a área de problema.

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• Isolar a área de problema e utilizar rotas alternativas (caso elas existam).


• Tentar minimizar o impacto das falhas.
• Descobrir dispositivos específicos que estejam causando as falhas.
• Identificar o componente/subsistema que não estão funcionando apropriadamente e que
necessitam ser substituídos ou reconfigurados.
• Implementar a solução do problema e restaurar a operação normal da rede.

Figura 13. Sistema de gerenciamento de redes.

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Glossário

• B
BGP – Border Gateway Protocol
Baseline – Histórico de dados relativos à utilização do sistema.

• C
CMIP – Common Management Information Protocol

• F
FIFO – First In First Out

• I
ITIL – Information Technology Infrastructure Library

• L
LIFO – Last In First Out

• M
MTBF – Mean Time Between Failures
MTTR – Mean Time To Repair
MIPS – Millions of Instructions Per Second

• O
OSPF – Open Shortest Path First
OID – Object Identifiers
Overhead – Informações adicionais de um protocolo (controle) que não compõe a parte de dados.

• P
PPP – Point-to-point Protocol

• R
RMON – Remote Monitoring

• S
SLA – Service Level Agreement
SNMP – Simple Network Management Protocol
Server Farm – Conjunto de servidores.

• T
TCO – Total cost of ownership

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TACACS+ - Terminal Access Controller Access-Control System


Threshold – limite entre duas variáveis
Throughput – Vazão de dados em um determinado meio de acesso.

• W
Workload – Classificação lógica do trabalho realizado em um sistema de computação.

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Exercícios

Exercício capítulo 8

01. Defina a técnica Rules of Thumb:


R: Essa técnica é utilizada para determinar a capacidade total de um sistema como função
da utilização de componentes principais nesse sistema.

02. Defina análise de tendência:


R: Análise de tendência pode ser vista como uma técnica que prevê o que irá acontecer a
um sistema baseado em dados históricos sobre esse sistema.

03. Em relação à complexidade e custo, Benchmark é alto ou baixo?


R: Alto.

04. Quais os pontos negativos da análise de tendência?


R: Ela assume uma relação linear entre o desempenho e a intensidade da carga.
Não é levada em consideração a interação entre as classes, tornando a análise de
tendência excessivamente otimista.

05. Quais os pontos negativos do benchmarking?


R: Essa técnica só é aplicável em sistemas que estejam em operação.
Impossibilidade de avaliar o impacto de novas aplicações (que ainda não tenham sido
completamente desenvolvidas).

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Exercício capítulos 9 e 10

01. Defina um gerador de carga sintética:


R: É uma ferramenta que gera uma carga de trabalho (tráfego de rede, requisições HTPP,
FTP, etc., requisições de CPU, etc.) para testar um determinado sistema.

02. Quais são as duas técnicas básicas para geração de carga de trabalho sintéticas?
R:
• Geração de carga de trabalho estocástica;
• Geração de carga de trabalho trace-driven.

03. Defina um gerador de carga sintética que utiliza a técnica estocástica:


R: Técnicas estocásticas descrevem os padrões de entrada de clientes e outros aspectos
da carga de trabalho por amostragem de uma distribuição probabilística.

04. Defina simulação de redes:


R: Conceitualmente, a simulação modela um sistema do mundo real como um programa de
computador.

05. Defina simulação dirigida por eventos:


R: Uma simulação dirigida por eventos modela a atividade do sistema como uma série de
eventos que ocorrem assincronamente e em intervalos irregulares. Por exemplo, a
simulação de um servidor de arquivos de rede deve incluir eventos como a chegada de um
pacote ethernet ou a finalização da escrita em disco.

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Bibliografia

Capacity Planning and Performance Modeling: From Mainframes to Client-Server Systems


Autores Harcourt Brace Publishing, Daniel A. Menasce, Virgilio A. F. Almeida, Larry W. Dowdy
ISBN: 0137895461

Computer Systems Performance and Capacity Planning


Autores John Cady, Bruce Howarth
ISBN: 0131684930

Performance by Design: Computer Capacity Planning By Example


Autores Daniel A. Menasce, Lawrence W. Dowdy, Virgilio A.F. Almeida
ISBN: 0130906735

Capacity Planning for Computer Systems


Autor Tim Browning
ISBN: 0121364909

Sites:

www.cisco.com
www.opnet.com
www.itilsurvival.com

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