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TREINAMENTO PARA CRIANÇAS

I – INTRODUÇÃO

Como em qualquer treinamento, o objetivo de um trabalho com crianças é


obter um desempenho ideal, de acordo com sua idade e considerando suas
características psíquicas e físicas (SCHIMDT, citado por WEINECK, 1999)
Portanto é necessário ter-se conhecimento sobre alterações que o corpo da
criança sofre durante o crescimento, bem como, de que maneira estas alterações
influenciam na capacidade física e na resposta ao exercício.
Este trabalho tem como objetivo, dar subsídios para que o professor de
Educação Física saiba como proceder no treinamento de uma criança.
Segundo Campos (2000) as crianças se diferenciam dos adultos nas
respostas metabólicas, cardiovasculares, respiratórias, termorregulatória e
perceptiva ao exercício.
A falta de conhecimento dos aspectos relacionados ao crescimento da
criança por parte do educador físico faz com que ele elabore um treinamento falho
em vários aspectos e que pode ser prejudicial à criança.
“O treinamento infantil e juvenil não é um treinamento de adulto reduzido
(WEINECK, 1999), uma vez que crianças e jovens ainda encontram-se em
crescimento e desenvolvimento de uma série de alterações físicas, psíquicas,
sociais muito significativas”. Por isso um treinamento de crianças e jovens consiste
de um processo sistemático e a longo prazo, com objetivos, programas e
procedimentos diferentes de um treinamento de adultos, onde o crescimento e o
desenvolvimento têm prioridade.
Por está razão é importante uma avaliação específica individual das
características anatômicas e fisiológicas da criança ou do jovem condicionados
pela idade.
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II - FASES DO CRESCIMENTO

Vários termos são utilizados para descrever as mudanças que ocorrem no


corpo desde a concepção até a maturidade, como:
Ø Crescimento: refere-se ao aumento, em tamanho, do corpo ou de qualquer
uma de suas partes;
Ø Desenvolvimento: refere-se às mudanças funcionais que ocorrem com o
crescimento;
Ø Maturação: refere-se ao processo de aquisição da forma adulta e torna-se
totalmente funcional.
(CAMPOS - 2000)
WEINECK (1991), distribui os graus desenvolvimento da seguinte forma:
Ø Lactante – até um ano
Ø Bebê - de 1 a 3 anos
Ø Pré-escolar – de 3 a 6/7 anos
Ø Primeira infância escolar – 6/7 a 10 anos
Ø Infância escolar tardia – aproximadamente 10 anos
Ø Pubescência - entre 11 a 14 anos para meninas
e entre 12 a 15 anos para meninos
Ø Adolescência – entre 13 a 18 anos para meninas
e entre 14 a 19 anos para meninos
Na idade pré-escolar a criança apresenta uma acentuada alegria de
movimentos e prontidão para o aprendizado, portanto, deve-se possibilitar as
crianças diversidades de movimentos que estimulem, de forma fantasiosa e
variável, o correr, saltar, subir, balançar, empurrar, etc.
Na primeira infância as condições psicofísicas são extremantes favoráveis
para aquisição de habilidades motoras, sendo assim, deveriam ser utilizadas no
sentido de aprender um grande número de técnicas básicas da coordenação
grosseira, para que sejam depois aperfeiçoadas.
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A infância escolar tardia é a melhor idade para prender, deve-se então,


utiliza-la para uma aprendizagem motora exata.
Na pubescência são melhoradas principalmente as capacidades
condicionadas; as coordenativas, ao contrário, só são estabilizadas e, só quando
possível gradualmente formadas.
A adolescência pode ser considerada a “segunda idade de ouro da
aprendizagem” deve ser aproveitada, portanto, para o aperfeiçoamento de
técnicas específicas da modalidade esportiva escolhida pela criança.

III – O CRESCIMENTO E O DESENVOLVIMENTO DOS TECIDOS

Segundo CAMPOS (2000) a altura aumenta rapidamente durante os


primeiros dois anos de vida. Do segundo ano em frente, o crescimento já é mais
lento e progressivo, com um novo aumento na fase de pré-puberdade, seguido de
um decréscimo até que a altura total é adquirida por volta dos dezoito anos para
os meninos e dezesseis - dezoito para as meninas.
O peso, como a altura, é mais alterado por volta de doze - treze anos para
as meninas e quatorze para os meninos.
A maioria dos ossos começa a se desenvolver no começo do
desenvolvimento fetal, a partir da cartilagem hilíaca. Durante o período fetal e
também por total a fase de crescimento, membranas e cartilagens são
transformadas em osso, através da ossificação.
A cartilagem articular é imatura, tem a aparência em pouco diferente do
tecido adulto. Ela apresenta coloração diferente e é comparativamente mais
espessa que a do adulto. Além das diferenças morfológicas, há uma diferença
bioquímica, o conteúdo de água na cartilagem articular imatura é maior do que no
adulto e a concentração de colágeno aumenta com a maturidade,
Os tendões têm suas propriedades mecânicas e sua composição muito
influenciada pela idade. Antes da maturidade do esqueleto, os tendões e
ligamentos são mais viscosos e mais complacentes.
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O tipo de fibra muscular típica no feto é uma fibra de contração rápida e


primitiva. Depois do primeiro ano de vida há uma distribuição específica e
individual de fibras de contração rápida e fibras de contração lenta.
Desde o nascimento até a adolescência, o tecido muscular está em
continuo aumento. A fase de pico do desenvolvimento muscular é a puberdade.
As meninas não têm a mesma aceleração no desenvolvimento muscular na
puberdade porque apresentam secreção hormonal menor que os meninos. Ma
elas continuam desenvolvendo massa muscular progressivamente, e por volta dos
dezesseis – vinte anos atingem o ápice da massa muscular, os meninos atingem o
ápice um pouco mais tarde, aos dezoito – vinte e cinco anos.
O aumento da massa muscular com a idade é devido ao aumento dos
miofilamentos e miofibrilas. O aumento do comprimento do músculo é resultado do
aumento no número de sarcômeros e aumento do comprimento dos sarcômeros já
existentes.
A deposição de gordura nas células adiposas começa no desenvolvimento
fetal. Cada célula adiposa pode aumentar em tamanho – hipertrofia - e também
em número de células adiposas – hiperplasia. Se uma criança é obesa, ela está
mais suscetível a ser obesa na fase adulta, por possuir mais células adiposas que
uma pessoa adulta, que não teve hiperplasia na infância.
A quantidade de gordura que é acumulada durante o crescimento e idade
depende de três fatores principais: dieta alimentar; prática de exercícios; e
hereditariedade.
O desenvolvimento do sistema nervoso proporciona, durante as fases do
crescimento da criança, o desenvolvimento de várias qualidades físicas, como a
coordenação, equilíbrio e agilidade. Portanto, o completo desenvolvimento de uma
habilidade, só acontece depois de completa maturação do sistema nervoso.
O sistema nervoso endócrino apresenta uma estreita relação com o
crescimento, o desempenho motor e também com a composição corporal. Os três
grupos principais de hormônios que participam destas funções são os hormônios
adrenais; hormônios tireoideanos e hormônios gonadais. Estes grupos de
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hormônios administram o crescimento e desenvolvimento por estímulos de


anabolismos protéico, o que resulta na retenção de substâncias necessárias à
construção dos tecidos.

IV - AS FUNÇÕES FISIOLÓGICAS E AS QUALIDADES FÍSICAS NA CRIANÇA

Segundo CAMPOS (2000) as funções de praticamente todos os sistemas


fisiológicos e a maioria das qualidades físicas melhoram até o completo
amadurecimento, depois disso permanecem estáveis por um período de tempo e
começam a declinar com o avanço da idade.
Ø A habilidade motora: aumenta com a idade e atinge um platô na puberdade
e está relacionada a fatores endócrinos, neuromusculares e também pelo
aumento das atividades da criança. (CAMPOS-2002)
Ø A força: A força muscular aumenta conforme o aumento da massa muscular
e adaptação do sistema nervoso.Altos níveis de força são impossíveis
antes do sistema nervoso amadurecer.
Durante a infância, o tamanho do corpo e composição corporal são
modestamente relacionados com a força muscular.No entanto, da
puberdade a força está relacionada ao tamanho corporal, à massa
muscular e ao somatotipo.
Nas crianças a taxa de ganho de força durante a maturação varia
muito e a força medida na infância não é um bom indicador de força na fase
adulta. (CAMPOS, 2000)
Ø A capacidade anaeróbica: De acordo com CAMPOS (2000) embora a
capacidade anaeróbica aumente através de toda a infância ela é muito
menor e limitada na criança em comparação com o adulto. WEINECK
(1999) ressalta que durante a execução de um treinamento de resistência
durante a infância os métodos e programas bem como a dosagem da
intensidade e duração do estímulo devem se adequar às condições
fisiológicas desta idade.
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Ø A capacidade aeróbica: Crianças e jovens apresentam, sob o ponto de vista


metabólico e cardiopulmonar, grande capacidade de resposta a estímulos
da resistência com mobilização aeróbica de energia (WEINECK, 1999).
Segundo CAMPOS (2000) a capacidade máxima de consumo de
oxigênio (VO2 Max.) é muito menor na criança que no adulto e aumenta
proporcionalmente com o crescimento.
DANIELS & COLS citados por WEINECK (1999) colocam que a
proporção do aumento do VO2 Max e com isto da capacidade resistência
aeróbica relaciona-se igualmente ao crescimento e ao treinamento.
Ø A resposta termorregulatória ao exercício: Crianças produzem mais calor
metabólico durante o exercício do que os adultos e tem uma precária
habilidade de remover este calor via suor.Isto faz com que a criança seja
menos tolerante a exercícios prolongados, principalmente em ambientes
quentes, e também requer um maior período de tempo para aclimatação
quando pratica exercícios em lugares quentes.(CAMPOS, 2000)
Ø A flexibilidade: segundo CAMPOS (2000) tende a diminuir no período de
seis a oito anos e depois volta a aumentar até os dezoito anos .O exercício
afeta positivamente os níveis de flexibilidade, mantendo-os ou até
aumentando-os .A musculação , quando bem programada e orientada para
as crianças, ajuda a manter e até mesmo aumentar esta qualidade física
imprescindível para a eficiência dos movimentos,para a diminuição dos
riscos de lesões e para melhorias de postura articular.
O Nível de atividade física diminui continuamente durante a infância e
adolescência e as meninas tendem a ser menos fisicamente ativas do que os
meninos.
O comportamento de atividade física em crianças e jovem é associado a
complexos fatores demográficos, ambientais, fisiológicos e psicológicos.
O sexo e a idade estão entre os mais fortes determinantes da participação
em atividades físicas.
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A atividade física em que as crianças experimentam a melhoria da auto-


eficácia sobre o exercício parecem ser as mais produtivas e procuradas durante o
período de crescimento.

V – CARACTERÍSTICAS DETERMINANTES PELO CRESCIMENTO

A velocidade de crescimento reduz-se a partir do crescimento até a idade


adulta. Contudo, durante a puberdade, há uma aceleração do crescimento. O
problema no crescimento de crianças e jovens é que ele não se dá de modo
contínuo, mas em saltos. Assim, verifica-se que segmentos isolados do esqueleto
sofrem surtos de crescimento em diversas faixas etárias. (WEINECK, 1999)
O inicio da puberdade consiste me um período de desenvolvimento
psicofísico, que com suas grandes alterações não tem uma fase equivalente na
vida adulta.
Um problema para o treinamento em grupos de jovens é obter um grupo de
pessoas que se encontrem dentro da mesma faixa de crescimento da puberdade.
Em crianças com desenvolvimento normal há uma coincidência entre idade
biológica e física. Em crianças precoces o desenvolvimento físico precede o
biológico; e em crianças de crescimento tardio ocorre o contrário, o crescimento
biológico precede o físico.
Contudo, nestes três tipos de desenvolvimento há um crescimento
harmônico do ponto de vista de desempenho, funcionamento orgânico e
esquelético.
A idade esquelética influência nitidamente na estatura. Os jovens que
apresentam desenvolvimento acelerado atingem , maior estatura do que aqueles
com desenvolvimento normal; e estes superam os jovens de desenvolvimentos
tardio. E da mesma forma acontece com a massa corporal. (WEINECK, 1999)
A resistência, a força, a estatura e o peso estão intimamente
correlacionados com a idade biológica. Considerando que jovens precoces, em
função de sua estatura e peso, apresentam maior potencial para o desempenho
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em todas as áreas do condicionamento e permitem a intensificação do


treinamento, a idade física não é o melhor parâmetro para a divisão de equipes
jovens.
O estágio de transição da infância / juventude para a idade adulta apresenta
uma série de características de grande importância na definição de um
treinamento.

VI – CRESCIMENTO E METABOLISMO

Em razão do intenso processo de crescimento e diferenciação crianças


apresentam um metabolismo basal de 20 a 30% maior do que o de adultos. Uma
estimulação adicional aumenta ainda mais esta demanda.

VII – CRESCIMENTOS E APARELHO MOTOR PASSIVO – OSSOS,


CARTILAGENS, ARTICULAÇÕES E LIGAMENTOS

Crianças e jovens estão muito mais suscetíveis aos possíveis danos


causados por um treinamento muito intenso que adultos. Por esta razão deve-se
estar atento, pois a tolerância a estímulos é muito variável entre crianças de
mesma idade cronológica e biológica, por isto, um mesmo estimulo pode ter
efeitos positivos ou negativos.
Em razão da continua sedimentação, os ossos não são compactos, mas
muito sensíveis. Os tendões e ligamentos não se apresentam suficientemente
tensos. O tecido cartilaginoso, pouco calcificado e em elevada taxa de
multiplicação, é muito suscetível a lesões por excesso de pressão ou força.
O aparelho motor passivo requer u longo período de adaptação precisando,
por isso, de uma progressão lenta dos estímulos, para que haja tempo suficiente
para adaptação, e para evitar uma carga excessiva dentro do treinamento.
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O período de recuperação do aparelho passivo é mais longo, portanto, um


estímulo muito alto no inicio do treinamento pode resultar em uma recuperação
incompleta, deixando este aparelho mais suscetíveis a lesões.
Sob o ponto de vista ortopédico deve-se atentar para os seguintes
cuidados:
Ø Tempos de recuperação suficiente após um treinamento intenso;
Ø Não submeter o organismo a mudanças muito fortes de estímulos;
Ø Evitar exercícios com halteres durante a puberdade, para não causar danos
à coluna;
Ø O organismo não deve se submeter a esforços unilaterais, para não lesar o
aparelho motor;
Ø Evitar estimulação estática prolongada, para não comprometer a irrigação
das estruturas trabalhadas.
(WEINECK, 1999)

VIII – CRESCIEMNTO E APARELHO MOTOR ATIVO – SISTEMA MUSCULAR

Até o inicio da puberdade meninos e meninas pouco diferem quanto à força


muscular e sistema hormonal. Após a primeira fase puberal eleva-se o nível de
testosterona aproximadamente 10 vezes nos meninos e em meninas uma discreta
elevação, acarretando um dimorfismo sexual. (WEINECK, 1999)
Nos meninos o ganho de massa muscular é visível e melhora da
capacidade muscular sob anaerobiose.
Em crianças pequenas e lactantes a capacidade para atividade anaeróbica
é muito restrita, pó isso estímulos que promovam uma grande descarga de lactato
não devem ser enfatizados durante a infância.
Em oposição, as crianças apresentam uma grande capacidade para o
metabolismo oxidativo, possibilitando a utilização dos ácidos graxos livres mais
rapidamente, poupando suas reservas de glicose.
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IX – PERIODIZAÇÃO NA INFÂNCIA E JUVENTUDE

Para o treinamento de crianças e jovens deve-se levar em conta suas


características peculiares, como o calendário escolar. Portanto a periodização
dupla não constitui uma boa opção, pois seria inevitável a colisão entre os
incentivos excessivos para o esporte e as obrigações escolares. O treinamento
deve ser dividido em curtos períodos para garantir as fases de recuperação e
regeneração, que são muito importantes ao organismo infantil.
Incluir no ciclo anual de treinamento a competição é interessante por atribuir
uma finalidade ao treinamento e também por permitir uma avaliação da eficácia do
mesmo, permitindo melhor direcionamento. As competições são de grande
utilidade para motivação e descontração em um processo de treinamento
prolongado, sem a necessidade de serem exaustivamente preparadas.
(WEINECK, 1999)
De acordo com OLIVEIRA (1999) o trabalho com crianças requer paciência,
incentivo, motivação e criatividade constante, pois se sabe que existe uma
preferência por esportes com bola e coletivos, sendo o trabalho do personal trainer
é individualizado. Portanto, este trabalho deve ser:
Ø Avaliação física:
exame médico;
avaliaç ão e orientação nutricional caso a criança seja obesa;
avaliaç ão dos hábitos de saúde e do condicionamento atlético,
medidas de circunferência, diâmetros, índices esqueléticos, condição
postural, acompanhamento de estatura, peso e testes físicos específicos.
Ø Freqüência semanal de 2 a 3 vezes por semana, dependendo das outras
atividades físicas que já faz.
Ø Duração do treinamento de 45 a 60 minutos diário.
Ø Intensidade leve a moderada de treinamento.
Ø Modalidade de atividades: após ter detectado que a fase de aprendizagem
motora na qual a criança se encontra, determinar quais serão as atividades
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mais recomendadas. De uma maneira geral temos que descobrir quais as
atividades físicas que a criança mais gosta e se for obesa tentar junto com os
pais reduzir as atividades sedentárias que realiza, trabalhar a auto-estima e a
imagem corporal:
6 a 10 anos: atividades que envolvam as qualidades físicas
básicas – coordenação, equilíbrio, agilidade e ritmo;
11 a 14 anos: experi ência e iniciação com várias modalidades
esportivas;
acima de 15 anos: atividades esportivas, musculaç ão, trabalhos
cardiovasculares, exercícios corretivos, alongamentos, atividades na
piscina.
Ø Reavaliação física:
dependerá do objetivo principal. Deve -se reavaliar todas as
variáveis bimestralmente;
avaliar a assiduidade do aluno.

X - TREINAMENTO DE FORÇA NA INFÂNCIA

De acordo com FLECK & KRAEMER (1999) o treinamento de meninos e


meninas pré-púberes pode causar aumentos significativos em força muscular.
Embora este tema seja controverso, ultimamente, graças a vários estudos e
pesquisas tem-se deixado de lado a idéia de que não ocorrem ganhos em força
muscular a partir do treinamento de força em crianças devido à imaturidade do
sistema hormonal. Esta idéia tem sido refugada, pois se acredita que não há
ganho em força ou hipertrofia muscular quando os programas de treinamento de
força são mal planejados. Já com um bom treinamento, além de ocorrer ganhos
em força, muitos estudos confirmam que não ocorrem lesões devido ao programa
de treinamento com crianças.
Segundo WEINECK (1999) o treinamento de forças desempenha um
importante papel na formação corporal geral e especifica de crianças e jovens.
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DORDEL, citado por WEINECK (1999), coloca que 50 a 65% dos
estudantes de primeiro grau apresentam deficiência posturais. Seria necessário
um treinamento de forças adequado a idade no sentido de proporcionar uma
profilaxia postural.
Outra importância do treinamento de força em crianças segundo WEINECK
(1999) é a complementação do treinamento esportivo, já que pode haver um
desequilíbrio funcional prejudicando o desempenho e ocasionando lesões
musculares em um treinamento esportivo muito especifico.
Paralelamente ao aumento do nível de força, com um bom programa de
força para crianças, há uma melhoria da movimentação em todas as modalidades
esportivas. O aumento da força torna o movimento mais dinâmico, fluentes e
precisos. (WEINECK,1999)
CAMPOS (2000) cita inúmeros benefícios de um programa adequado a
crianças, supervisionado por um profissional competente e com uso correto de
técnicas de execução, a saber:
Ø Aumento da força muscular que não só melhora a capacidade funcional da
criança como também protege as articulações pelas quais estes músculos
passam protegendo-os de lesões.
Ø Aumento da resistência muscular
Ø Diminuição das lesões relacionadas com o esporte e atividades
recreacionais
Ø Melhoria da performance no esporte e atividades recreacionais
Ø Melhoria da coordenação muscular
Ø Manutenção de aumento da flexibilidade
Ø Melhor controle postural
Ø Aumento da densidade óssea
Ø Aumento do condicionamento físico
Ø Melhoria da composição corporal
Ø Aumento das condições bioquímicas
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Embora haja inúmeros benefícios, há também perigos relacionados ao
treinamento de força na infância. WEINECK (1999) cita alguns como a menor
tolerância do aparelho motor de crianças em relação aos adultos e o enrijecimento
de tecidos conectivos. FLECK & KRAEMER (1999) também destacam
preocupações relacionadas a lesões, distensões musculares, fraturas na placa
epifisária e lordose da coluna lombar. Porém, CAMPOS (2000) deixa claro que a
maioria dos problemas estão ligados à técnica precária de execução dos
exercícios, a intensidade dos exercícios, incompatível com a idade da criança, à
falta de orientação e acompanhamento de um profissional competente entre
outros.
As lesões mais comuns relacionadas à musculação segundo CAMPOS
(2000) são:
Ø Fraturas no disco epifisário esta fratura é mais comum de acontecer pela
execução de movimentos acima da cabeça e com cargas próximas da
capacidade máxima da criança. Na fase de crescimento o disco epifisário
não é ossificado e assim não possui a mesma capacidade de suportar os
estresses mecânicos que o osso. A melhor maneira de prevenir estas
lesões seria não utilizar os exercícios com movimentos acima da cabeça
durante a fase de crescimento e não elevar demais as sobrecargas.
Ø Fraturas ósseas na fase do crescimento, há maior suscetibilidade de
fraturas entre 12 a 14 anos em meninos e 10 a 13 anos para meninas. As
sobrecargas altas nesta fase aumentam o risco de fraturas.
Ø Distensões musculares é o tipo de les ão mais comum entre crianças que
praticam musculação. Para preveni-las deve-se sempre fazer alongamento
e aquecimento prévio e não tentar levantar uma sobrecarga muito alta para
um dado número de repetições.
Ø Lesões causadas por desequilíbrio muscular o desequilíbrio de forças
entre os pares de músculos antagônicos de um articulação afeta sua
integridade, principalmente na fase de crescimento. Um programa de
musculação equilibrado, com a mesma proporção de estímulos entre os
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músculos antagônicos e agônicos e a execução de alongamentos, é a
melhor maneira de evitar o problema.
De acordo com JUNIOR (1998) o fator negativo da musculação para
crianças são os traumas – tanto o agudo quanto o crônico – que podem prejudicar
as articulações e ossos. Mas, ele ressalta que estes traumas aparecem com maior
freqüência em outras modalidades esportivas que na musculação. Segundo ele o
número de traumas ocorridos em sala de musculação, quando o programa é bem
orientado são insignificantes.

XI – MÉTODOS E PROGRAMAS DE TREINAMENTO DE FORÇA NA CRIANÇA

WEINECK (1999) utiliza uma separação por faixa etária no programa de


treinamento de força na infância:
Ø Idade pré-escolar nesta fase do treinamento de força empregado é
diferente do comumente utilizado. Basta a compulsão das crianças se
movimentarem todo o tempo, para que haja um desenvolvimento do
aparelho motor ativo e passivo, e para que haja estímulo suficiente para o
crescimento ósseo e desenvolvimento muscular.
Ø Primeira idade escolar nesta fase utiliza -se o treinamento dinâmico, em
função da baixa capacidade anaeróbia apresentada pelo organismo infantil
e das condições desfavoráveis destes organismo para o trabalho estático.
Em primeiro plano deve estar o treinamento para força rápida.
Ø Idade escolar tardia nesta fase há um fortalecimento de diversos grupos
musculares através de exercícios com cargas que superam o peso dos
próprio corpo.
Ø Pubescência devido a um grande crescimento longitudinal segui do de
uma fase desarmônica das proporções corporais, nesta fase, a
possibilidade de executar exercícios de alavanca é sempre desproporcional
ao potencial de desempenho da musculatura. Nesta faixa etária, a força
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geral deve ser paralelamente desenvolvida com a força específica e os
seus requisitos próprios do condicionamento. Sendo que a força
básica geral é treinada.
Ø através de circuitos, de lutar de empurrar e puxar e de exercícios com bola,
corda, etc.
Ø Adolescência esta é a fase de maior resposta ao treinamento de força
onde se observam os maiores aumentos de força.
De acordo com JUNIOR (1998) a montagem de um programa de
musculação para crianças deve ter os seguintes aspectos: na montagem da série,
deve-se optar por exercícios globais, evitando-se exercícios unilaterais,
respeitando intervalos e períodos de recuperação mais prolongados do que para
os adultos. O tipo de força a ser treinado é a RML.
FLECK & KRAEMER (1999) colocam que um programa básico de
treinamento para crianças bem organizado e bem supervisionando deve durar
entre 20 a 60 minutos por sessão, três vezes por semana. Conforme a criança fica
mais velha, programas mais avançados podem ser desenvolvidos. deve envolver
todos os componentes do condicionamento físico, escolher exercícios para
desenvolver equilíbrio das partes superiores e inferiores do corpo e para os
músculos dos dois lados de cada articulação.
Segundo CAMPOS (2000) as características gerais do programa de
musculação para crianças são:
Ø Os exercícios devem ser escolhidos de acordo com a faixa etária da
criança, com o nível de condicionamento, com o nível de conhecimento e
coordenação, assim como a experiência previa.
Ø O programa deve conter alongamentos e exercícios de aquecimentos no
começo da sessão. Na parte principal da aula os exercícios que envolvem
grandes grupos musculares devem preceder os que envolvem menores
músculos. Ao final da aula exercícios de volta aa calma.
Ø A sobrecarga após o processo de adaptação, deve ser tal que permita a
criança realizar uma média de 10 a 15 repetições por série.
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Ø A freqüência deve ser em média de 3 a 4 vezes por semana para ganhos
gerais de condicionamento.
Ø O número de séries pode variar entre 1 e 2 na fase de adaptação e entre 2
e 3 nas crianças já adaptadas.
Ø O número de repetições é em média de 15 a 20 repetições na fase de
adaptação e de 10 a 15 em crianças mais adaptadas.
Ø O descanso entre as séries não precisa ser muito grande, em torno de 30
segundos a 1 minuto.
Ø A amplitude deve ser a máxima que a articulação permita, sem diminuir a
segurança do exercício.
Ø Deve ter exercícios aeróbicos como complementos do programa de
musculação.
Ø De acordo com CAMPOS (2000) a periodização é uma boa forma de
efetivar os benefícios de treinamento resistido e evitar o excesso de
treinamento. Nas crianças, além da alternância de volume e intensidade, a
periodização deveria incluir mudanças também de exercícios. Para se
periodizar um programa de musculação CAMPOS (2000) sugere várias
maneiras:
Ø Alterar a sobrecarga
Ø Alterar o número de séries
Ø Alterar o número de repetições
Ø Alterar os exercícios utilizados
Ø Alterar a ordem dos exercícios
Ø Alterar o intervalo entre as séries
Ø Alterar as técnicas de treinamento
Ø Alterar o número de exercícios para determinado grupo muscular.
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XII – HIPERTROFIA MUSCULAR

Através dos programas de treinamento de força as crianças conseguem


ganhos na força muscular, entretanto, a hipertrofia é mais difícil de se alcançar em
crianças do que em adultos. (FLECK & KRAEMER, 1999).
Parece que o crescimento acentuado do músculo em resposta ao
treinamento de força pode começar depois da adolescência. Pesquisas feitas com
estudantes de 1º, 3º e 5ª séries submetidos a treinamento de força mostrou um
aumento significativo na sessão transversa de músculos e ossos. Outro estudo
porém, mostrou ganhos no tamanho do músculo em crianças mais novas.
Embora os aumentos na quantidade de músculos, isto é, hipertrofia,
possam não ocorrer em crianças de todas as idades, muitas outras mudanças nos
músculos, nervos e tecidos conjuntivos sugerem um aumento na qualidade do
tecido muscular e da unidade neuromuscular.

XIII – TOLERÂNCIA AO EXERCÍCIO

De acordo com FLECK & KRAEMER (1999) para favorecer o crescimento e


o desenvolvimento adequado, a importância da capacidade da criança em tolerar
o stress do exercício não pode ser super enfatizada. O treinamento tem que usar o
bom senso e providenciar variações de exercícios, períodos de recuperação ativos
e descanso do treinamento.
As crianças devem começar com um programa que seja individualmente
tolerável mas que se torne mais agressivo conforme elas ficam mais velhas. É
importante não superestimar a capacidade da criança de tolerar um programa de
exercícios ou esporte.
As necessidades de cada criança são individuais. Elas precisam
desenvolver condicionamento cardiovascular, flexibilidade e habilidades motoras
assim como força, portanto, o treinamento de força não deve consumir tanto
tempo que chegue a ignorar estes outros aspectos de condicionamento no
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desenvolvimento de uma criança e interferir com o seu tempo de brincar. As
determinações individuais de objetivos, aceitabilidade e tolerância física e
psicológica são componentes essenciais do programa de treinamento.

BIBLIOGRAFIA

CAMPOS, Mauricio de Arruda. Musculação: Diabéticos, Osteoporóticos, Idosos,


Crianças, Obesos. Rio de Janeiro: Ed. Sprint, 2000.
FLECK, Steven J. & KRAEMER, William J. Fundamentos do Treinamento de
Força Muscular, 2ª ed. Porto Alegre: Ed. Artemed, 1999.
GUEDES, Dilmar. - Personal Training na Musculação.1ª ed. Rio de Janeiro: Ed.
Sprint, 2000.
OLIVEIRA, Roberto César de - Personal Training – Uma Abordagem
Metodológica. – Ed Atheneu, 1998.
WEINECK, Jürgen. – Treinamento Ideal. 9ª Ed. São Paulo: Ed. Manole, 1999.
WEINECK, Jürgen. – Biologia do Esporte 9ª Ed. São Paulo: Ed. Manole, 1991.