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A importância das florestas em pé

Retirado de: http://ipam.org.br/cartilhas-ipam/a-importancia-das-florestas-em-pe/

A importância das florestas em pé na Amazônia

A floresta Amazônica representa um terço das florestas tropicais do mundo, além de conter
mais da metade da biodiversidade do planeta. O desmatamento na região representa hoje a
liberação de 200 milhões de toneladas de carbono por ano (2,2% do fluxo total global).
Conheça abaixo a importância de manter as florestas em pé, baseado na cartilha de mesmo
nome publicada pelo IPAM em 2001, com texto de Cláudia Azevedo (Professora da UFPA e
então Pesquisadora do IPAM) e fotos de Toby (IPAM) e Edivan Carvalho (IPAM). Com dados
atualizados em julho de 2010 por Simone Mazer (IPAM).

Serviços Ecológicos

A floresta Amazônica representa um terço das florestas tropicais do mundo, desempenhando


papel imprescindível na manutenção de serviços ecológicos, tais como, garantir a qualidade do
solo, dos estoques de água doce e proteger a biodiversidade. Processos como a evaporação e
a transpiração de florestas também ajudam a manter o equilíbrio climático fundamental para
outras atividades econômicas, como a agricultura.

Recursos Hídricos

A região Amazônica tem um papel preponderante no uso múltiplo dos recursos hídricos (água
potável, navegabilidade, aproveitamento energético, pesca, lazer, etc). A região Amazônica
concentra 20% da água doce do planeta. A manutenção de florestas nas margens de rios evita
erosões, assoreamentos e garante alimento para vários organismos aquáticos.

Proteção contra incêndios


As florestas da Amazônia funcionam como grandes barreiras contra incêndios, não
deixando que o fogo, que escapa de campos agrícolas e pastagens, se espalhe. A vegetação
alta e densa das florestas e sua capacidade de permanecer sempre verde e exuberante,
mesmo nos meses de seca, são o segredo deste importante serviço ecológico. O
sombreamento da floresta mantém sua umidade e a protege contra os incêndios. O fogo que
escapa da agricultura e da pecuária queima cercas, culturas perenes (como cupuaçu e a
laranja), plantações florestais e pastagens, causando um prejuízo de mais de U$ 107 milhões
por ano à sociedade brasileira. Quando ocorre a exploração madeireira sem os cuidados em
reduzir os impactos sobre o ambiente ou as florestas são desmatadas, as “barreiras” florestais
gigantes são substituídas por vegetação altamente inflamável e o risco de incêndio aumenta.
Biodiversidade e Biotecnologia

Embora cobrindo apenas 7% da superfície terrestre, a floresta Amazônica contém mais da


metade da biodiversidade do mundo, representando um tesouro inestimável para a
humanidade e um grande potencial para o desenvolvimento da biotecnologia. Na floresta
encontramos, por exemplo, essências variadas, substâncias para o combate às pragas e para
o desenvolvimento de produtos farmacológicos, além de conter um grande potencial para a
geração de novas fontes de recursos utilizáveis.

Extrativismo

Cinco milhões de pessoas (entre populações tradicionais e familiares) no Brasil vivem na ou da


floresta. Na Amazônia, a extração de produtos não-madeireiros (óleos, resinas, ervas,
frutos e borracha) contribui economicamente para a vida de 400 mil famílias de
extrativistas. Os recursos florestais, desde que racionalmente utilizados, trazem benefícios
econômicos às populações locais, fixam o homem no campo e melhoram sua qualidade de
vida.

Populações Indígenas

No Brasil, existem cerca de 460.000 índios divididos em 225 sociedades indígenas e 180
línguas. Apenas 12,41% das terras do país estão delimitdas aos índios. A Amazônia Legal
abriga 69% dessas terras e 55% das populações indígenas, as quais dependem da
floresta para perpetuarem seu modo de vida e sua cultura. Dos índios amazônicos, 63
referências de índios não contatados, indicando a existência de uma riqueza cultural ainda
desconhecida. A longa e acumulada experiência dos povos indígenas em relação ao uso dos
recursos da floresta é uma fonte de informação valiosa para a ciência e a tecnologia moderna.

Ecoturismo ou Etnoturismo

As belezas naturais e a variedade cultural dos povos da Amazônia podem ser convertidas em
benefícios econômicos através do ecoturismo ou do etnoturismo, gerando empregos diretos
e indiretos. Segundo a Organização Mundial de Turismo, o ecoturismo cresce 20% ao ano em
relação aos 7,5% do turismo convencional. No Brasil, embora essa atividade ainda esteja se
desenvolvendo, meio milhão de pessoas praticam ecoturismo, gerando 30.000 empregos
diretos, movimentando cerca de 500 milhões de reais por ano. Na Amazônia,
surpreendentemente, esta atividade ainda é incipiente e pouco explorada.

Exploração Madeireira

A região Amazônica é uma das maiores produtoras de madeira tropical do mundo, já


utilizando 350 espécies de árvores para fins comerciais. A falta de planejamento nas
atividades de exploração gera um desperdício de cerca de 60% nas serrarias. A
exploração racional não esgota o recurso, reduz desperdícios e, comparada a agropecuária
extensiva, gera o dobro de empregos e paga salário quatro vezes maior. A Certificação
Florestal, mecanismo que assegura ao consumidor que determinado produto provém de áreas
bem manejadas, incentiva a exploração madeireira de impacto reduzido, a qualificação da mão
de obra, traz benefícios sociais e aumento o retorno econômico da atividade.

Agricultura

O incentivo à atividade agrícola em certas regiões da Amazônia é questionável. O retorno


econômico da agricultura extensiva é de 10% contra 71% da exploração madeireira de manejo
sustentável. Grande parte da agricultura familiar na Amazônia, pobre em recursos e tecnologia,
persiste baseado nos nutrientes advindos da floresta convertidos através do secular sistema de
corte-e-queima. A intensificação da agricultura e a recuperação de áreas abandonadas em
certas regiões diminuiria a pressão sobre as florestas.

Pecuária

O retorno econômico da pecuária extensiva na Amazônia é de apenas 4% contra a


exploração madeireira de manejo sustentável com desempenho de 71%. Além disto, a
relação tributária potencial do setor madeireiro em relação a pecuária extensiva é de 8 para 1.
Se o caráter extensivo fosse substituído pelo intensivo, com manejo sustentável dos solos, a
pecuária poderia continuar crescendo e as pastagens atuais suportariam o dobro do rebanho,
sem a necessidade de aberturas de novas áreas.

Mudanças Climáticas

As florestas da Amazônia funcionam como grandes armazéns de carbono, o qual se


encontra estocado nos tecidos vegetais. Quando a floresta é derrubada e queimada, este
carbono é liberado para a atmosfera, o que contribui para o aumento da temperatura da Terra
devido ao efeito estufa (0,7ºC no último século). Os efeitos associados ao contínuo aumento
das emissões de CO² (9 bilhões de toneladas por ano) e de outros gases para a atmosfera, são
mudanças no clima, quebra de safras agrícolas e o aumento do nível do mar, o que poderia
inundar as cidades litorâneas. As emissões de carbono para a atmosfera provêm da queima
dos combustíveis fósseis (80%) e das mudanças no uso da terra (20%), principalmente o
desmatamento. O desmatamento na Amazônia libera 200 milhões de toneladas de carbono por
ano (2,2% do fluxo total global). Por outro lado, a Amazônia armazena em suas florestas o
equivalente a uma década de emissões globais de carbono.

Fontes:
A Importância das Florestas em Pé na Amazônia (2001. IPAM, Cláudia Azevedo-Ramos)
Evolução Histórica do Extrativismo (IBAMA, Rafael Pinzón Rueda. Disponível
em:http://www.ibama.gov.br/resex/textos/h2.htm)
Incêndios causam US$ 5 bilhões em prejuízo (2009. REVISTA DA MAEIRA, Ed.69.
Disponível
em:http://www.remade.com.br/br/revistadamadeira_materia.php?num=293&subject=Quei
madas&title=Inc%EAndios%20causam%20US$%205%20bilh%F5es%
20em%20preju%EDzo)
Ecoturismo: viagem sustentável (2004, INSTITUTO AQUALUNG. Disponível
em:http://www.institutoaqualung.com.br/info_ecoturismo_55.html)