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AULA
Medindo as atividades econômicas
Meta da aula
Apresentar o conceito de Produto Interno
Bruto, suas aplicações, suas variáveis e
seus desdobramentos.
objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1 definir produto interno bruto (PIB);

2
verificar a utilidade do PIB como indicador
das atividades econômicas;
diferenciar PIB real, PIB nominal, deflator
3
do PIB e PIB per capita.
Análise Macroeconômica | Medindo as atividades econômicas

Erik Jaspers (www.sxc.hu)


INTRODUÇÃO

Figura 2.1: Carregamento embarcado em


contêineres, rumo a mercados externos.

Quem nunca se viu, mesmo quando bem jovem, diante de um lampejo de


curiosidade sobre algum fato econômico? Ainda que nunca tenha estudado
uma única linha sobre economia, quem nunca se perguntou, por exemplo,
algo tão esdrúxulo quanto “qual seria o valor somado de todos os salários ou
rendas do Brasil”? E se existisse um megamilionário tão afortunado quanto
excêntrico que desejasse comprar tudo o que o Brasil produziu em um ano?
Como você poderia chegar a esse valor?
Por trás dessas inusitadas perguntas estão outras um pouco mais técnicas:
como se avalia o crescimento econômico de um país? Por que a renda de um
país é exatamente igual à despesa? Qual o peso da produção industrial ou
agropecuária na produção total do país?
O elemento básico para responder a tais perguntas está na sigla econômica
mais popular de todos os tempos: de uma forma ou de outra, não há quem
nunca tenha ouvido falar do PIB.

O QUE É O PIB?

O produto interno bruto (PIB) representa a estimativa do valor


de tudo que foi produzido por um país em determinado período. Este
valor é calculado com base nos preços de mercado, leva em conta apenas
os bens e serviços finais (aqueles destinados diretamente ao consumidor
final); o período tomado como base pode ser anual, semestral etc.

COMO SE CALCULA O PIB?

Tudo se passa como se contratássemos alguém para, desde o


primeiro até o último dia de um ano, anotar os preços de todos os
bens e serviços finais gerados dentro do território nacional. Nesse caso,
teríamos o PIB anual do país.

36 CEDERJ
Para efeito ilustrativo, suponha que, no ano X, um país tenha

2
produzido apenas três produtos (a, b, c), da seguinte forma:

AULA
Produto Quantidade Preço de
produzida (q) mercado (p) R$
A 2 2
B 4 3

C 1 5

Assim, o pib desse país seria:


PIB = (2 x 2) + (4 x 3) + (1 x 5) = R$ 21

Lembre-se de que o PIB se refere à soma de tudo o que foi produ-


zido em um país.
Assim, poderíamos dizer que o valor de tudo que foi produzido
naquele país, durante o ano, foi de R$ 21,00.

O CONCEITO EM DETALHES

Vamos esmiuçar um pouco alguns dos termos que definem o que


seja PIB.
Para começo de conversa, é importante guardar que o PIB é
avaliado em termos do valor de mercado, ou seja, a partir dos preços
que são praticados no mercado de bens e serviços. Os preços que você
vê nos supermercados, feiras, lojas etc.
Quando falamos em bens e serviços finais, queremos mostrar
que nossa conta não inclui os bens intermediários, já que estes já estão
inseridos nos preços dos bens finais.
Por exemplo: o valor do trigo, que serve de matéria-prima à
produção do pão, não é contabilizado no cálculo do PIB. Como no
valor do pão já está embutido o valor do trigo, o trigo acaba sendo
considerado indiretamente.
Perceba: se somássemos o valor do trigo (insumo do pão) ao do
pão, estaríamos contando o trigo duas vezes. Isso acarretaria o que se
chama de erro de dupla contagem no cálculo do PIB.

CEDERJ 37
Análise Macroeconômica | Medindo as atividades econômicas

Atividade 1
Com quantos pneus se faz um carro 1

Uma montadora de automóveis compra de outra empresa os pneus para a produção


de seus veículos. Cada carro, é importante lembrar, chega ao consumidor final com
cinco pneus: um em cada roda, mais um estepe. O conjunto de cinco pneus é vendido
à montadora por R$ 500. Os carros, depois de prontos, são cotados por R$ 5 mil. Agora
responda: para o cálculo do PIB, qual será o montante a ser considerado na produção
de dois automóveis?

Resposta Comentada
No cálculo do PIB, o valor a ser considerado para a produção de dois automóveis é de R$ 10
mil. Se o preço final de cada carro é de 5 mil e se os pneus são bens intermediários à produção
dos carros, então os pneus já estão incorporados ao preço final dos carros. Caso somássemos
a esses R$ 10 mil os bens intermediários (ou dez pneus, cinco para cada carro), teríamos para
o cálculo do PIB o valor de R$ 11 mil, o que causaria certa discrepância na soma final. Este é
um exemplo do erro da dupla contagem. Ou seja: neste caso, os pneus teriam sido contados
duas vezes: na venda para a montadora e na venda para o consumidor final.

QUAL O EFEITO DOS PREÇOS SOBRE O PIB?

A essa altura, você já guardou que o PIB é uma medida da atividade


econômica ligada à produção de bens e serviços finais. Pois como este
indicador é calculado com base nos preços dos bens e serviços, é coerente
pensar que seu valor será influenciado pela variação de preços.
Então note que, por ser um índice relacionado à produção e ao
nível dos preços no mercado, a elevação dos preços irá afetar o valor
do PIB, mesmo que a quantidade produzida permaneça a mesma de um
ano para o outro.

Voltemos à primeira tabela:

Suponhamos novamente que, no ano x, um país tenha produzido


apenas três produtos (a, b, c), da seguinte forma:

Produto Quantidade Preço no


produzida (q) mercado (p) R$
A 2 2
B 4 3

C 1 5

38 CEDERJ
Assim, o PIB desse país seria:

2
PIB = 2 x 2 + 4 x 3 + 1 x 5 = R$ 21,00

AULA
Agora suponha que todos os preços tenham dobrado,
mas que a quantidade produzida tenha permanecido a
mesma. Observe que, neste caso, o PIB terá dobrado (PIB
= R$ 42). Essa discrepância causará uma grave distorção
para um indicador com a função de informar a variação
da produção total (agregada).

COMO ISOLAR O PIB DO NÍVEL DE PREÇOS?

Uma forma de evitar a influência da variação de preços sobre o


cálculo do produto interno bruto consiste em medir o PIB em termos
reais. Daí, surgem dois conceitos de PIB: um seria o PIB nominal,
que representa o PIB a preços correntes, ou o PIB baseado nos preços
praticados pelos mercados. O outro, que denominamos PIB real, consiste
no valor do produto interno bruto em termos de preços constantes, a
partir de um ano considerado como base de referência.
Guarde então: suponha que, em 2003, a produção brasileira de
bananas tenha chegado ao patamar recorde de x toneladas. Se em 2004
o preço das bananas tiver dobrado no mercado, ainda que a produção
tenha se mantido a mesma do ano anterior, nossa soma de todo o dinheiro
gerado pela produção de bananas vai dobrar junto com os preços. Uma
pessoa desavisada poderia olhar esse novo valor do PIB e concluir que
o país alcançou novo recorde produtivo, mas, na verdade, o patamar
da produção de bananas é exatamente o mesmo, o que se alterou foi o
valor do PIB nominal.
Se quisermos avaliar apenas o nível de produção de bananas
brasileiras, precisaremos comparar pelo menos dois anos. Então
contabilizamos a produção de 2003 e, em 2004, consideramos os preços
de 2003. Assim se calcula o PIB real.

!
Aumento na produção ou
nos preços?
Se o PIB aumentou de um ano para o outro, pelo
menos uma das duas coisas ocorreu: ou o país elevou
a quantidade produzida em sua economia ou os
bens e serviços sofreram aumentos
de preços.

CEDERJ 39
Análise Macroeconômica | Medindo as atividades econômicas

PIB REAL: UM EXEMPLO SIMPLES

Suponha que, ao longo de três anos, um país tenha produzido


apenas dois bens (bananas e veículos). A quantidade produzida, os
preços e, por conseguinte, o PIB nominal em cada um desses anos estão
relacionados a seguir:

Ano Bananas(QB) Preço (PB) Veículos Preço (Pv) PIB= (PBQB+PVQV)


R$ (Qv) R$ R$
2002 100 1 20 50 1.100
2003 120 2 30 60 2.040

2004 140 3 40 70 3.220

Sendo:
QB a quantidade de bananas produzidas;
PB o preço das bananas;
QV a quantidade de veículos produzidos;
PV o preço dos veículos no mercado.

Inicialmente, observe que o PIB nominal aumenta de um ano para


o outro. Essa elevação deve-se ao crescimento da produção, mas também
à elevação de preços. Se o nosso interesse for calcular o aumento real
da produção, ou seja, aquele não-afetado pelo crescimento dos preços,
temos que utilizar o conceito de PIB real.
O primeiro passo será escolher um ano-base, ou de referência.
Os preços dos produtos naquele ano é que serão utilizados como
referência para o cálculo do PIB real nos anos subseqüentes. Para o
cálculo do PIB real, portanto, não utilizamos os preços do ano vigente,
mas sim os preços do ano de referência. De resto, procedemos da mesma
maneira que procedíamos para o cálculo do PIB nominal (preço do
produto x quantidade do produto).

40 CEDERJ
Atividade 2

2
AULA
A partir da tabela abaixo, tome o ano de 2002 como seu ano-base. A partir daí, 2
como você calcularia o PIB real em cada um dos períodos seguintes?

Ano Bananas Preço Veículos Preço PIB


R$ R$ Real*(PBQB+PVQV)
R$
2002 100 1 20 50
2003 120 2 30 60
2004 140 3 40 70
* Ano-Base 2002

Resposta Comentada
Em 2002, o PIB real é 1.100. Como? (100 x 1) + (20 x 50) = 1.100; em 2003, é 1.620. Como?
(120 x 1) + (30 x 50) = 1.620; e em 2004, o PIB real é 2.140, já que (140 x 1) + (40 x 50) =
2.140. Como você já viu, o PIB nominal utiliza os preços vigentes em cada ano, enquanto o PIB
real fixa os preços de um ano como base para calcular apenas as variações nas quantidades
produzidas a cada período. Assim, o PIB real torna-se uma medida mais adequada para estimar
a produção total de bens e serviços finais de um país.

O DEFLATOR DO PIB

Como vimos até aqui, variações nos preços dos produtos


representam um importante fator a ser considerado no cálculo do PIB
de um país. Agora perceba que, quando comparamos um período a
outro, somos capazes de identificar comportamentos e tendências dos
mercados. Para que tenhamos uma medida da elevação média do nível
de preços do final de um ano para o outro, basta que calculemos o que
se denomina deflator do PIB.
Na aula anterior, você viu que o conceito de inflação se refere
a uma gradual perda de valor do dinheiro, diante de um aumento
generalizado de preços. Agora note que o deflator do PIB é o índice
destinado a isolar o fator inflação do cálculo do produto interno bruto
de um país, em um determinado período. O deflator nos dirá qual parte
do aumento do PIB nominal cabe somente ao crescimento dos preços e
nos ajudará a perceber quanto do aumento do PIB se deve a uma elevação
real no nível de produção.

CEDERJ 41
Análise Macroeconômica | Medindo as atividades econômicas

Note que, a partir do deflator do PIB, é possível inferir a taxa de


inflação de um período.

A fórmula de cálculo do deflator é:

DEFLATOR DO PIB = PIB nominal x 100


PIB real
Veja como obter o deflator do PIB a partir dos valores já
apresentados nas tabelas anteriores desta aula:

Deflator do PIB

Ano deflator = (PIB nominal / PIB real) x 100

2002 deflator = R$ 1.100 / R$ 1.100 x 100 = 100

2003 deflator = R$ 2.040 / R$ 1.620 x 100 = 125,92

2004 deflator = R$ 3.220 / R$ 2.140 x 100 = 150,46

Por esses valores, no ano-base do PIB real (2002), o deflator do


PIB é igual a 100. Por definição, em todo ano-base, o deflator será sempre
100 (os preços do ano corrente são os preços do ano-base).
Em 2003, o deflator do PIB é 125,92. Em 2004, é 150,46.
Agora veja: de 2002 a 2003, o deflator passou de 100 para 125,92.
Logo, pode-se inferir que os preços aumentaram, em média, 25,92%.
Da mesma forma, em 2004, como o nível de preços passou de
125,92 para 150,46, o nível médio de preços aumentou 19,48% em
relação a 2003.
Fica claro então que o deflator do PIB pode ser interpretado como
um indicador da variação do nível médio de preços de um país. Isto é
nada mais nada menos do que dizer que o deflator do PIB consiste em
uma indicação da taxa de inflação do período.

42 CEDERJ
! d
O que calcula cada PIB?
O PIB real calcula o crescimento econômico, a partir
do aumento ou da diminuição do nível real de produção
de um país. O deflator do PIB faz referência ao crescimento
médio dos preços da economia. O PIB nominal capta
tanto o crescimento do volume da produção
quanto a variação de seus preços.
O PRODUTO NACIONAL BRUTO

2
AULA
Já vimos que o PIB expressa o total da produção, a soma de toda
a renda criada dentro dos limites geográficos de um país. Pois parte dessa
renda gerada dentro do país pode ser enviada ao exterior. Isso acontece
quando parte da renda pertence a empresas estrangeiras que estejam
produzindo no país. Nesse caso, essas empresas podem enviar parte de
seu lucro para o exterior.
O produto nacional bruto (PNB), por sua vez, representa a
produção cuja renda correspondente é de propriedade dos indivíduos
residentes no país de forma definitiva. Ou seja: o PNB é a soma de tudo
o que é produzido aqui e fica aqui.
Portanto, a diferença entre PIB e PNB é a renda líquida enviada
ao exterior (RLEE ou a renda que é mandada para o exterior menos
aquela procedente do exterior).
Um exemplo: um país sul-americano cuja indústria seja exclusivamente
dedicada à siderurgia tem um PIB de R$ 1 milhão. No entanto, suponha
que, ao longo do ano, esse país tenha importado R$ 200 mil em minério
de ferro e exportado R$ 300 mil em aço. Quando calcularmos o Produto
Nacional Bruto, chegaremos ao valor de R$ 900 mil.

Veja:
PNB = 1 milhão – 300 mil + 200 mil = 900 mil

Ou ainda:
PNB = PIB – RLEE

O PRODUTO INTERNO LÍQUIDO

Parte do valor dos bens e dos serviços gerados em um determinado


período pode ser perdida, seja pelo desgaste, pela perda de utilidade
por uso, ação da natureza ou ainda por obsolescência. Pois o produto
interno líquido é precisamente o produto interno bruto decrescido
dessa depreciação. Assim, nem toda produção acrescenta uma maior
quantidade de bens ou serviços à economia ou faz ela crescer. Com um
aumento na produção, pode-se apenas estar repondo o que foi depreciado
no período.

Ou ainda:

PIL = PIB – depreciações.

CEDERJ 43
Análise Macroeconômica | Medindo as atividades econômicas

EXISTE PIB NEGATIVO?

Você já viu que o PIB é o somatório de todas as riquezas produzidas


por um país em um determinado período. Compreendeu também que
há uma sigla destinada a medir apenas o que é produzido e fica no país
(PNB) e outra que considera ainda o que é perdido ou se torna obsoleto
(PIL). Quando a taxa de crescimento do PIB é negativa – o PIB real de
um ano é menor do que o do ano anterior, diz-se que houve recessão.
Isto equivale a dizer que a atividade econômica diminuiu entre um ano
e outro. Agora veja: se isso ocorreu, devem ter ocorrido também menor
produção, mais baixo nível de empregos, falências de empresas etc.
Este quadro de baixa atividade econômica recebe também o nome
de depressão. Não há uma determinada taxa de crescimento negativa
que caracterize o processo de depressão. Para efeito de curiosidade, uma
“piada econômica” define a expressão assim: “Recessão ocorre quando
pessoas estão sendo desempregadas. Depressão é quando eu também
perco o meu emprego”.

Figura 2.2: Em 1929, com a quebra da


Bolsa de Nova York, os Estados Unidos
mergulharam no que ficou conhecido
como “A Grande Depressão”, cujos
efeitos foram sentidos ao redor de
todo o mundo. O Brasil soube minimi-
zar os males da crise através de políti-
cas estatais que visavam a defender os
preços do café no mercado interna-
cional. O governo brasileiro chegou a
comprar e a queimar grandes volumes
de grãos, a fim de reduzir a oferta
do produto no mercado. Saiba mais
no site www.culturabrasil.pro.br/
estadonovo.htm.

O QUE O PIB NÃO MEDE?

Como já foi mencionado, o PIB mede o valor da produção de


bens e serviços finais de uma economia. Todavia, há toda uma parcela
da produção nacional que não é incluída no cálculo do produto interno
bruto: é o que se convencionou chamar de economia informal. Drogas,
jogos de azar e contrabando são atividades desconsideradas pelo PIB,
como seria coerente supor, mas a produção informal não se refere

44 CEDERJ
somente à ilegalidade. Pensemos, por exemplo, nas donas de casa ou nos

2
vendedores ambulantes, que mantêm seus negócios à parte dos impostos

AULA
e das contribuções. Esses não são contados quando se calcula o PIB.
Hoje, estimativas apontam para uma equação assustadora: cerca
de 50% da economia brasileira podem estar ligados à informalidade.
Repare que as dimensões de uma economia informal podem significar
a divisão de um país em dois: um real e um oficial. O crescimento da
informalidade pode representar um verdadeiro problema administrativo
no âmbito governamental, já que apenas uma parcela da população
contribui com impostos, por exemplo, mas é a totalidade das pessoas
que precisa ser beneficiada pelas políticas públicas.

Atividade 3
A senhora do lar
1 2
Explique a razão da frase: “Se um patrão demitir sua empregada doméstica,
que tinha carteira assinada, e casar-se com ela, reduz-se o valor do PIB”.

________________________________________________________
_________________________________________________________
_______________________________________________________

Resposta Comentada
O serviço de empregada doméstica é uma atividade profissional com valor de mercado.
Logo, entra no cálculo do PIB. Demitida, passada à informalidade e casada com o patrão, a
empregada passa a ser dona de casa e deixa de ser assalariada. Assim, o PIB cai de valor
pelo cancelamento da despesa que o ex-patrão deixa de ter com a nova esposa.

O PIB DESMEMBRADO

O PIB também pode ser desmembrado por setores de atividade.


Na Tabela 2.1, você encontra o crescimento do PIB brasileiro por setores,
em 2003 e 2004.
Os dados mostram, por exemplo, que o PIB agropecuário – o
valor da produção total de bens e serviços finais do setor agropecuário
– cresceu 4,5% em 2003 e 5,3% em 2004.
A tabela revela ainda que o PIB brasileiro cresceu 0,5% e 5,2%
em 2003 e 2004, respectivamente.

CEDERJ 45
Análise Macroeconômica | Medindo as atividades econômicas

Tabela 2.1: Crescimento do PIB brasileiro total e por setores nos anos de 2003
e 2004 (%)

Setores 2003 2004


agropecuária 4,5 5,3
indústria 0,2 6,2
serviços 0,6 3,7
comércio -1,9 7,9
transporte 1,4 4,9
demais 1,0 2,9
PIB Total 0,5 5,2

Fonte: IPEA

O VALOR DA RENDA É IGUAL AO VALOR DO PRODUTO

Além do valor dos bens e dos serviços produzidos na economia,


o PIB também mede a renda total gerada no processo da produção. Na
verdade, o valor da renda é exatamente igual ao valor do produto.
Como assim?
Observe que tudo o que se gasta para produzir um bem encontra
sempre contrapartida em alguém que está recebendo exatamente tal valor.
Vamos a um exemplo: suponha que um refrigerante custe
R$ 1,00. Nesse preço, estão embutidos o custo e o lucro. Se o custo de
sua produção for de 80 centavos, o restante (20 centavos) será a renda
do empresário. Os 80 centavos de custos são divididos em pagamento de
funcionários (renda) e pagamento das matérias-primas. Essas matérias-
primas têm o mesmo aspecto do refrigerante, isto é, seu preço é composto
de custo e lucro, que representarão futuras rendas, e assim por diante. Já
os 20 centavos de lucro do comerciante serão pagos por você.
Vamos explicar o mesmo fenômeno (valor da renda igual ao
O MERCADO valor do produto) de uma maneira “macro”: em um sistema econômico
DE FATORES DE
simplificado, os consumidores compram bens e serviços nos mercados.
PRODUÇÃO
O valor das vendas, que é recebido pelas empresas, é destinado ao
Representa os locais
onde se negociam a pagamento dos seus funcionários, à remuneração dos indivíduos que
oferta e a procura
por fatores de alugaram o espaço físico das empresas e aos lucros dos empresários.
produção. São as
agências de emprego,
Essas somas são transferidas para os chamados M E R C A D O S DOS FATORES

as imobiliárias, que DE PRODUÇÃO – as imobiliárias, as agências de emprego etc.


vendem ou alugam
imóveis comerciais etc.

46 CEDERJ
Por outro caminho: o total da renda gerada nesse sistema

2
econômico é reutilizado pelas famílias, por meio da compra de bens e

AULA
serviços no mercado de produtos – os supermercados, as lojas etc. Estes,
por sua vez, irão fluir novamente para o mercado de fatores de produção.
Como num fluxo circular.
O PIB pode ser medido de duas formas: somando as rendas pagas
pelas empresas dentro do mercado de fatores (de produção), ou pelo total
dos gastos dos consumidores no mercado de bens e serviços.
Ainda que na prática haja mais complexidade (há impostos, as
famílias não gastam tudo o que ganham, nem tudo o que é produzido é
vendido etc.), cada transação tem uma espécie de comprador e vendedor, de
forma que o valor do bem ou do serviço coincida com o valor da renda.
A seguir, vê-se um diagrama do fluxo circular da renda e dos
bens e serviços de um sistema econômico. As setas externas ilustram o
fluxo circular da renda. As setas internas representam o fluxo de bens
e serviços.

Fluxo Circular da Renda e do Produto

Mercado de
Produtos

Despesa Bens e Bens e Receita


Serviços Serviços = PIB

Despesa =
PIB Empresas
Famílias
(Unidades
(consumidores)
Produtivas)
Salário,
lucro e
Trabalho aluguel
Capital
Renda Insumos
Terra
= PIB

Mercado de
fatores de
produção

CEDERJ 47
Análise Macroeconômica | Medindo as atividades econômicas

AS MAIORES ECONOMIAS DO PLANETA

Através do PIB, podemos relacionar os países de maior produção


no mundo. Ou seja, as maiores economias do mundo. A Tabela 2.2,
embora incompleta, dá o rankingg para o ano de 2004.

Tabela 2.2: Os países de maior atividade econômica em 2004

Valores em US$

País Produto Interno


Bruto (US$
trilhões)
1 Estados Unidos 11,757
2 Japão 4,780
3 Alemanha *
4 Reino Unido *
5 França *
6 Itália *
7 China 1,543
8 Espanha *
9 Canadá *
10 México *
11 Austrália *
12 Brasil 0,605

Fontes: IBGE; FMI; GRC Visão Consultoria


* Dados não disponibilizados.

!
Entre 2003 e 2004, o
Brasil passou de 15º colocado
no ranking mundial do PIB para 12º,
ultrapassando a Índia, a Coréia do Sul e
a Holanda. No entanto, em 1998, o Brasil
estava em 8º lugar. Ou seja: mais próximo
dos países de maior atividade
econômica no mundo.

48 CEDERJ
A RENDA PER CAPITA

2
AULA
A renda per capita é a quantia em reais que cada habitante
receberia caso o PIB fosse dividido igualmente entre toda a população.
Note que a renda per capita é uma média, uma estimativa, uma vez que
desconsidera o fator distribuição de renda.
Abaixo, os números da renda per capita no Brasil, durante a
década de 1990.

Período PIB Per


Capita US$
1990 3.243
1991 2.771
1992 2.605
1993 2.847
1994 3.546
1995 4.542
1996 4.924
1997 5.022
1998 4.793

Fonte: www.ipea.gov.br

CONCLUSÃO

A partir do conceito de PIB, podemos medir o nível de atividade


econômica de um país, ou o “tamanho” de uma economia.
A partir do cálculo do PIB anual e de comparação com períodos
anteriores, é possível monitorar a evolução da capacidade produtiva de
um país, assim como a influência do comportamento dos preços sobre
os mais variados setores da economia.
Do produto interno bruto depreendem-se indicadores diversos,
capazes de informar até sobre nosso balanço de pagamentos ou sobre
o estado geral da população. É o caso do produto nacional bruto, que
desconsidera toda a produção enviada ao exterior; é o caso da noção
de renda per capita, que estima a média de remuneração dos habitantes
de um país.
O cálculo do somatório das riquezas produzidas em um país é
um bom caminho para traçar a trajetória de um sistema econômico, o
que, já aprendemos, é algo dinâmico e marcadamente identificável em
nosso dia-a-dia.

CEDERJ 49
Análise Macroeconômica | Medindo as atividades econômicas

Atividades Finais
O PIB e as metrópoles nacionais 1 2 3

A tabela a seguir informa dados oficiais para os estados de São Paulo e Rio de Janeiro
(2002).

Estado PIB (milhões) Renda Per População


Capita
Rio de 170.114 11.459 14.761.862
Janeiro
São 438.148 11.353 38.306.233
Paulo

Fonte: www.ibge.gov.br

Agora, a partir dos dados fornecidos, responda:

1. Como foram obtidos os valores da renda per capita nesses estados?

______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________

2. Seria possível ocorrer um aumento do PIB nominal ao mesmo tempo que houvesse
diminuição do PIB real?

______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________

3. Por que razão quanto mais inflacionária for a economia de um país mais correto
será utilizar o PIB real (ao invés do nominal) para medir seu crescimento?

_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

50 CEDERJ
2
Resposta Comentada

AULA
1. Os valores da renda total são obtidos dividindo o PIB do estado por sua respectiva população.
Os resultados diferem um pouco dos apresentados na tabela, posto que os dados do PIB estão
arredondados.

2. Sim, basta que o efeito da elevação dos preços seja maior do que a queda na quantidade de bens
e serviços gerados no período. Lembre-se de que dois elementos afetam o PIB nominal: os preços e
as quantidades. No PIB real, só as quantidades se alteram, pois os preços são mantidos constantes,
dado o ano-base. Quer um exemplo? Veja a tabela a seguir, com os dados sobre os anos de 1991
e 1992. Apesar do enorme salto no PIB nominal entre 1991 e 1992, a taxa de crescimento real do
PIB foi negativa. Ou seja, houve recessão. Observe o ritmo do crescimento médio dos preços através
da variação do deflator do PIB: naquela época, a inflação era extremamente alta.

Ano Crescimento do Variação (%) PIB nominal


PIB % do deflator
PIB
1991 1,0 416,7 165.786.498
1992 -0,5 969,0 1.762.636.611

Fonte: www.ibge.gov.br
3. Quanto mais alta a inflação, mais os preços estarão influenciando os valores do PIB nominal.
Sendo assim, o mais adequado é utilizar o PIB real, pelo mesmo motivo citado na resposta
anterior.

RESUMO

O produto interno bruto (PIB) expressa o valor de mercado de todos os bens


e serviços finais realizados em um território (ou país), em um determinado
período.
Como em toda transação há um comprador e um vendedor, o PIB mede a
despesa total da economia na produção de bens e de serviços, além da renda
total gerada com a produção de tais bens e serviços em um dado período.
O PIB nominal utiliza os preços correntes, enquanto o PIB real usa preços
constantes de um ano-base para medir os bens e serviços realizados.
A razão entre o PIB nominal e o PIB real avalia o crescimento médio de
preços de um período. É denominado deflator do PIB.
A partir dos conceitos de PIB real e nominal, é possível calcular ainda o deflator
do PIB, que mede a alteração no nível dos preços e podemos ainda calcular
também a renda per capita, uma estimativa da renda média da população.

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Análise Macroeconômica | Medindo as atividades econômicas

INFORMAÇÕES SOBRE A PRÓXIMA AULA

Na próxima aula, você vai estudar os principais elementos que constituem


o PIB. A partir deles poderemos reconhecer os fatores que podem fazer a
atividade econômica aumentar de forma vigorosa.

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