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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL


ANTROPOLOGIA DAS EMOÇÕES
PROF.DRA. CERES VICTORA

DISCENTE: Ana Rita da Silva Rodrigues DATA: 09/05/2017

LUTZ.C. Engendered Emotions: gender, power, and the rhetoric of emotional control in
American discourse

• Artigo gira em torno da associação entre o conceito de emoção e o feminino, de uma forma
que as características que definem a emoção/emocional também definem a mulher. Dessa
forma, qualquer discurso sobre emoção é, ao menos implicitamente, também um discurso
sobre gênero. Afinal, emoção, assim como o feminino, tipicamente tem sido visto como algo
natural ao invés de cultural, irracional ao invés de racional, caótico ao invés de ordenado,
físico ao invés de mental/intelectual, incontrolável e por vezes até perigoso.

• Através da análise de entrevistas sobre emoções, é demonstrado que uma das principais
metáforas utilizadas nesse discurso é como algo controla, lida, maneja tanto as emoções
quanto a situação que parece criar a emoção. As pessoas tipicamente falam sobre controlar
emoções, manipular/lidar com situações emocionais e com pessoas.

• O noção de controle opera nesse caso de forma muito similar com os discursos ociedentais
sobre sexualidade, a partir de Foucault. Ambos são domínios cujo entendimento é dominado
por um modelo biomédico, ambos são vistos como universais e como impulsos naturais e
ambos existem em suas formas “saudáveis” e “patológica” - além de estarem sob controle de
profissionais médicos. Um discurso popular sobre o controle das emoções opera de forma
funcional e paralela ao discurso do controle da sexualidade – a retórica do controle
emocional requer a ideia de uma essência psíquica e física que é manipulada e/ou
combatida, desviando a atenção de uma percepção socialmente construída sobre emoções.
Portanto, falar sobre o controle das emoções é replicar a visão de emoções como algo
natural, perigoso, irracional e físico. Um fato notável é que as mulheres, nas entrevistas,
falaram sobre o controle das emoções mais que o dobro que os homens.
• 3 coisas sobre a retórica do controle emocional: (1) reproduz de forma significativa a visão
cultural sobre emoções como algo irracional, fraco e perigoso e ligando de forma implícita a
mulher como o gênero mais emocional/emotivo; (2) eleva o status social de quem reivindica
a necessidade de auto controle das emoções; (3) visão do self feminino como perigoso
quando negada a possibilidade de controle emocional. - tal retórica portanto, pode ser vista
como uma reprodução da ideia da mulher como mais emocional e, consequentemente, com
uma necessidade maior de controle.

• Uma das principais bases do discurso psicológico ocidental: uma fronteira bem limitada do
que seria o “dentro” e o “fora” - porém, a retórica sobre o controle emocional vai além do
definir e defender fronteiras: ela hierarquiza e cria um vínculo com os papéis hegemônicos
de gênero. Dessa forma, quando as mulheres se utilizam dessa retórica, tais papéis de gênero
são replicados no sentido de se identificar a si mesmo como indisciplinadas, baseando seu
discurso no controle das emoções. E, a partir disso, então, nota-se como a construção do self
feminino inclui um processo de controle emocional de si e, consequentemente, de um maior
controle coercivo externo.
ENTREVISTAS:
• Muitas vezes as pessoas não falavam de si mesmas, mas lembravam da necessidade de
outras, especialmente mulheres, da necessidade de controlar a si mesmas – algo que
colabora com a visão de mulheres serem perigosas emocionalmente. (ex. luto do filho)
• Frustração de uma mulher com seu marido por ele não ajudá-la a lidar com seu sentimento
de remorso/ressentimento. Neste caso, o controle é algo a ser compartilhado com o outro.
Tal estratégia, portanto, tanto controlar as próprias emoções quanto a atenção e ajuda do
outro.
• Ideia de controle como “deixar passar no seu devido tempo e no seu devido lugar” - negação
da necessidade e capacidade de controlar suas emoções – visão (minoritária) que desvia da
noção dominante da emotividade e, assim, de mulher. Porém, importante notar que tais
formas retóricas alternativas encontram-se dentro de um sistema retórico hegemônico e a
visão da negação do auto controle emocional é tomada pela maioria do público como uma
falha e confirma a ideia sobre a irracionalidade da mulher.

• Paralelos entre a retórica do controle emocional e colonialismo: espelho colonial X espelho


patriarcal: a classe trabalhadora descrevia os indígenas por um lado como bravos e forte e
por outro lado como nojentos e denegridos por sua fraqueza e por falta de civilização – o
espelho colonial reflete para o civilizador a barbárie de seu próprio processo social –
paralelo com a mulher que é produzida como emocional, perigosa, fraca e eruptiva.

• Idealizar alguém como ideologicamente fraco - e que precise de proteção e de disciplina – e


que pode periodicamente quebrar as fronteiras ideológicas em raiva e histeria. Nas
entrevistas, fica evidente as mesmas contradições de controle, fraqueza e força. Dado essas
definições como naturais, ao menos no ocidente, discursos sobre emoções pode ser uma das
mais poderosas formas que a dominação atua.

EMOÇÃO NA CIÊNCIA:
• A ciência da emoção tem sido, em termos significantes, um produto do contexto social, em
especial, a literatura acadêmica sobre emoções acabou se transformando num campo de
poder para a definição sobre feminilidade – política de gênero por outros meios.

• Pesquisas em biologia, psicobiologia, psicologia, sociologia, sociolinguística tem sido


implicitamente baseados nos modelos que ligam mulher e emoção. Exemplos: tensão pré-
mestrual (relação entre gênero, emoção e hormônios) – trabalhos normativos em clínica
buscam cura para sintomas de tpm – processos biológicos e hormonais que produzem
emoção. A lógica cultural que conecta mulher e emoção surge da visão da mulher como
inferior devido ao fato de mestruar e de ser menor, mais fraca e por lhe faltar um pênis –
fatores que geral um “caos” psíquico e emocional, uma espécie de fraqueza biológica.
Emoção e mulher como fator da evolução – ligação entre mulher, maternidade, crianças e
amor. Ao contrário da tpm, tais características são valorizadas e celebradas.

• O argumento da autora é que as relações entre as ideias cotidianas e científicas sobre mulher
e emoção é dialética ao invés de um sistema de ideias hegemônicas impostas. A relação
interpessoal com o outro é o que cria as emoções. Espera-se que as mulheres sejam experts
em notar as necessidades emocionais dos outros e não as suas próprias e que raramente são
objeto de preocupação já que são definidas como perigosas. Emoção como recurso
(explorado nas esferas públicas e privadas, de forma remunerada ou não.)

PERSONALIZAÇÃO
• Como noções culturais sobre emocionalidade da mulher, articulados com discursos
científicos, são relatados na vida cotidiana.
• Poucas diferenças nas conversas de homens e mulheres no que se refere a emoções
(questões linguísticas, tempos verbais, generalizações).

CONCLUSÂO
• Segundo Foucault, o poder cria a sexualidade e seus disciplinamentos – e, de forma similar,
pode ser dito que também cria emoção. Devido a emoção ser construída relativamente
caótica e irracional, sua existência clama por autoridade e legitima a necessidade de
controle. Pela associação com o feminino, há a distinção da hierarquia entre homem e
mulher.
• O contemporâneo e hegemônico discursos sobre emoções e particularmente que as emoções
são irracionais e devem ser controladas, ajuda a construir, mas não determina totalmente o
discursos das mulheres