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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA

CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS – CCT


PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA E ENGENHARIA DE MATERIAIS

TRABALHO

ANÁLISE DE ERRO APLICADO À UM PROBLEMA DE ELASTICIDADE 2D

MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS

DAVID ROZA JOSÉ

Joinville
2010

DAVID ROZA JOSÉ


ANÁLISE DE ERRO APLICADO
A À UM PROBLEMA DE ELASTIICIDADE 2D

Trabalho apresentado à disciplina


de Elementos F
Finitos, do
programa de Pós-Grraduação em
Ciência e Engennharia dos
Materiais da Universidade do
Estado de Santa Catarina.
Catar

Professor: Renato Barbieri

Joinville
2010

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Sumário
1. Introdução.............................................................................................. 5
2. Apresentação do problema .................................................................. 5
3. Embasamento teórico ........................................................................... 6
4. Procedimento de resolução................................................................... 7
5. Malhas utilizadas .................................................................................. 9
6. Resultados ............................................................................................ 12
7. Considerações finais............................................................................ 21

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1. Introdução
Um problema muito comum no estudo da mecânica dos sólidos é o estudo de
concentrações de tensão. Muitas considerações são feitas a respeito de furos, rebaixos,
mudanças de geometria e outros elementos presentes em peças para que se chegue a
bons fatores Kt de concentração de tensão. De maneira geral, diversos ensaios são
realizados a fim de obter curvas, com base em elementos geométricos, destes fatores de
concentração de tensão.
Neste contexto, a análise numérica é muito bem-vinda. Através do método dos
elementos finitos, pode-se obter boas soluções da equação diferencial que rege o
fenômeno. Utilizando-se de boas malhas, resultados satisfatórios podem ser produzidos.
É interessante que, após se obter um resultado numérico, tenha-se uma idéia do
quão confiável é este resultado. Assim, foram desenvolvidos métodos para estimativas
de erro sem que seja necessária a comparação com a solução analítica, permitindo uma
análise crítica – através da visão do engenheiro – da confiabilidade do resultado.

2. Apresentação do problema
O problema consiste numa placa com um furo submetida a tração, conforme a
Fig. (1).

Figura 1. Geometria Utilizada

Deve-se resolver o problema, através de um programa fornecido de elasticidade


2D que se utiliza de elementos quadrilaterais, e implantar uma rotina de análise de erros.

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Este erro deve ser calculado através da norma da energia, e deve fornecer qual o
elemento da malha contém o maior erro.
3. Embasamento teórico
A natureza aproximada do método dos elementos finitos é muito capaz, e para se
comprovar sua eficácia costuma-se comparar com soluções exatas de métodos
analíticos. Neste contexto, a comprovação da eficácia pode ser medida através do erro.
É necessário definir o que se entende por erro. Erro é considerado a diferença
entre a solução exata e a aproximada. Este conceito pode ser aplicado a uma função

    
básica, como deslocamento, e pode ser dado por:
Eq. (1)
De uma maneira similar, pode-se trabalhar com os erros nas deformações, como

  ε  ε
ε ou nas tensões σ, e descrever o erro nestas quantidades como:

  σ  σ

Eq. (2)
Eq. (3)
A especificação de erro local da maneira dada nas equações acima costuma não
ser conveniente e ocasionalmente leva a conclusões errôneas. Por exemplo, sob uma
carga concentrada, ambos os erros em deslocamento e tensão serão localmente infinitos,
mas a solução geral poderá ser aceitável. Situações similares existirão em cantos re-
entrantes onde, como é bem conhecido, singularidades de tensão existem na análise
elástica e gradientes de singularidades desenvolvem-se em problemas de campo. Por
esta razão, várias ‘normas’ representando quantidades de integrais escalares são
introduzidas para que se meça o erro.

  0
Se, por exemplo, a preocupação for com uma equação linear geral da forma:
Eq. (4)

 
Pode-se definir a norma da energia escrita para o erro como
 
         

  

 
 
Eq. (5)


Para problemas de elasticidade, a norma de energia é identicamente definida:

      Eq. (6)


Onde  é dado pela Eq. (1), e o operador define as deformações como:


 !" e   !"

e $ é a matriz constitutiva, dando as tensões como:


%! e%
 !


A norma da energia da Eq. (6) pode ser alternativamente escrita como:

      &    Eq. (7)



      %  %

  Eq. (8)


6


   %  %

 &'( %  %

  Eq. (9)


4. Procedimento de resolução
O programa de elasticidade 2D fornece os dados necessários para que se
implemente a rotina de análise de erros. De posse das tensões nos nós calculadas pela
média, e das tensões suavizadas com mínimos quadrados, o procedimento torna-se

relativamente simples. Toma-se por base para comparação as tensões suavizadas.

   %  %

 &'( %  %

  Eq. (10)


A Eq. (10) pode ser reescrita na forma de um somatório, utilizando-se de dois


 
pontos de Gauss, de forma que:

) )*%+,-  %
+,- .. |1|. 23. 24

+,- . &'( *%+,-  %

Eq. (11)
76 56

Onde σ representa as três componentes de tensão calculadas nos pontos de


integração de Gauss, &'( é a inversa da matriz constitutiva, |1|é o determinante da
matriz Jacobiana da transformação e 2 são os pesos de integração.
Faz-se um loop que passa por todos os elementos. Em cada elemento, é feito o
seu mapeamento para as coordenadas r e s, conforme a Fig. (2).

Figura 2. Mapeamento

1
As funções de interpolação:
8  1  ;1 <
4
1
8  1  ;1  <
4
1
8=  1 ;1 <
4
1
8>  1 ;1  <
4

7
São então utilizadas para calcular as tensões não suavizadas e suavizadas nos
pontos de integração de Gauss (pg), segundo a Eq. (12)

σ+,-  8 ?@7,5 A 8 ?@7,5 A 8= ?@7,5 A= 8> ?@7,5 A> Eq. (12)

O determinante da matriz Jacobiana da transformação é dada por:

CD CE
1  BC; C; B
CD CE
C< C<

E as derivadas que a compõem são calculadas da seguinte forma, também nos


pontos de integração de Gauss:

J J
FG F8I FK F8I
) G ) K
FH FH I FH FH I
I6( I6(

>
CD C87 >
) D CE C87
C< C< 7 ) E
76 C< C< 7
76

Onde os D7 e E7 são as coordenadas globais dos nós do elemento.


O erro para cada elemento é computado e armazenado num vetor, para depois
ser analisado.
As tensões que serão utilizadas para análise dos resultados é apresentada na
forma da tensão equivalente de von Mises, cujo cálculo é apresentado na Eq. (13).
σLM  NσOO  σOO σPP σPP 3τOP
S
Eq. (13)
Para efeito de comparação, segundo Norton, R.L; em seu livro MACHINE
DESIGN, 3rd Edition, é fornecida a seguinte equação para o fator Kt de concentração de

TU V 3.0039  3.753Z\[ ] 7.9735Z\[ ]



tensão:

 9.2659Z\[ ] 1.8145Z\[ ]
= >
Eq. (14)

2.9684Z\[ ]
a

onde d é o diâmetro do furo e W é a largura da placa. Este efeito de concentração de


tensão deve ser calculado sobre a área efetiva da placa. A tensão teórica máxima será
utilizada para verificar a tensão máxima encontrada pelo programa.

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5. Malhas utilizadas
A geometria utilizada na simulação utilizou-se da simetria do problema, onde as
características e restrições de movimento são demonstradas na Fig. (3).

Figura 3. Geometria simulada

Quatro malhas foram geradas e testadas. Duas são estruturas e duas não
estruturadas, com diferentes quantidades de elementos. Elas estão a seguir
discriminadas.

Figura 4. Malha #1, não estruturada, com 629 elementos.

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Figura 5. Malha #2, não estruturada, com 1717 elementos.

Figura 6. Malha #3, estruturada, com 500 elementos.

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Figura 7. Malha #4, estruturada, com 1600 elementos.

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6. Resultados
Os resultados obtidos que serão apresentados resumem-se basicamente a:
tensões suavizadas no domínio em questão e a discriminação do erro ao longo dos
elementos da malha.

valor de Kt=2.287. A tensão nominal sobre a área efetiva da placa é de A  3200 <3.
O fator de concentração de tensão, calculado segundo a Eq. (14), fornece um

Com o fator de concentração de tensão, a tensão máxima esperada é cerca de A 


7320 <3.
Serão apresentados os campos de tensão equivalente de von Mises das tensões
suavizadas. Num estado uniaxial de tensões - que é aquele previsto pela teoria onde,
num caso real, o coeficiente de Poisson seria zero – não há tensões induzidas. No caso
de se trabalhar com elasticidade 2D, devido à matriz constitutiva, o carregamento em
uma dimensão cria tensões nas outras dimensões.
Desta forma, as tensões equivalentes de von Mises representam de maneira mais
fidedigna os esforços internos, privilegiando a comparação com os resultados analíticos
de um estado uniaxial de tensão.

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Figura 8. Malha #1, tensões suavizadas.

Esta malha não estruturada, apresentada na Fig. (8), apresenta um campo de


tensões não muito satisfatório. Descontinuidades dentro do domínio demonstram a

Abc  8560,3 <3, o que representa uma defasagem de aproximadamente 17% em


fragilidade desta malha dentro de uma análise mais séria. Sua tensão máxima é de

relação a predição teórica.


A Fig. (9) apresenta o erro por elemento da malha. Espera-se que o erro fique
concentrado em torno do orifício da placa, onde há a concentração de tensão. Porém,
nesta malha, não foi este o ocorrido. Na quantificação do erro, são fortes contribuintes o
tamanho do elemento e a sua distorção. Quanto maior o tamanho do elemento, maior
será o erro dele; assim como sua distorção. Cabe lembrar que os pontos onde há
carregamento, há também um erro maior.

13
Na malha #1, em particular, é este o observado. Apesar de termos um erro
diferenciado do resto do domínio nos elementos em torno do furo, devido ao seu
tamanho e distorção, o elemento com o maior erro foi o do canto superior direito, com
um valor de 0.022358 in-lbf.

Figura 9. Malha #1, erro por elemento.

Sendo agora a análise na malha #2, também não estruturada, mas com cerca de
1000 elementos a mais do que a malha #1. Temos um campo de tensões mais suave e

analítica, a tensão máxima é de Abc  8750,7 <3, apresentando um erro 20% em


com menos descontinuidades, conforme Fig. (10). Em comparação com a solução

comparação com a solução analítica.

14
Figura 10. Malha #2, tensões suavizadas.

O erro máximo apresentado pela malha #2, segundo a Fig. (11), foi de 0.014054
in-lbf. Apesar do erro em comparação com a solução analítica ter sido maior, o erro
segundo a norma da energia foi menor que o da malha #1.
Isto deve-se ao fato de que este erro é calculado com base na diferença entre as
tensões não suavizadas e suavizadas. Quanto maior o número de elementos de uma
malha, mais o campo de tensão não suavizado aproximar-se-á do campo de tensão
suavizado – que é precisamente este caso.

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Figura 11. Malha #2, erro por elemento.

As malhas estruturadas fornecem, de maneira geral, resultados mais apurados do


que malhas não estruturadas. Como pode ser observado na Fig. (12), o campo de
tensões na peça é bem suave e distribuído, não havendo descontinuidades ou mudanças

apenas 500 – a tensão máxima é de Abc  7547,2 <3, o que representa um erro
abruptas de tensão. Para a malha #3, a que possui a menor quantidade de elementos –

porcentual de apenas 3%.

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Figura 12. Malha #3, tensões suavizadas.

A análise de erro da malha #3, na Fig. (13), apresenta um resultado muito mais
coerente do que o das malhas #1 e #2. Por ser uma malha estruturada, a contribuição da
distorção e do tamanho dos elementos no valor do erro é muito menor e menos
significativo. Pode-se observar que alguns elementos da borda exterior, devido à
elevada razão de aspecto, possuem um erro mais elevado (8.2E-5 in-lbf) em relação ao
restante do domínio (4.23E-5 in-lbf). Como era esperado, os erros mais altos (7.04E-3
in-lbf) ficam em torno do furo na placa, onde há a concentração de tensão.
Cabe notar que o maior erro, segundo a norma da energia, aqui presente é 78%
menor que o da malha #1 e 50% menor que o da malha #2.

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Figura 13. Malha #3, erro por elemento.

A Fig. (14) mostra o campo de tensões suavizado na malha #4. Assim como o
campo de tensões da malha #3, ele não possui descontinuidades ou mudanças abruptas

Abc  7562,9 <3; apresentando o mesmo erro de 3% em relação à solução analítica.


de tensão. Seus resultados são bem coerentes, apresentando uma tensão máxima de

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Figura 14. Malha #4, tensões suavizadas.

Os erros desta malha estão presentes na Fig. (15). Assim como a malha #3, os
erros da malha #4 são bem condizentes com a previsão: os maiores erros concentrados
na região em torno do furo. Observa-se alguns erros discrepantes nas bordas externas da
malha, devidos provavelmente à elevada razão de aspecto do elemento. Cabe salientar
que o erro máximo aqui presente é de 2.32E-3 in-lbf.

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Figura 15. Malha #4, erro por elemento.

Esperava-se que os erros da malha #4 fossem menores que os erros da malha #3,
pelo motivo anteriormente falado: maior quantidade de elementos. Quanto maior a
quantidade de elementos de uma malha, mais a distribuição de tensões não suavizadas
nesta aproxima-se das tensões suavizadas.

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7. Considerações finais
A análise de erros por elemento é uma ferramenta muito útil dentro dos métodos
de solução por elementos finitos. Ela serve como base para o refino adaptativo, onde só
se refinaria a malha nos elementos que – através da análise de erros – necessitarem
deste. Isso permite começar a resolver um problema com uma malha grosseira, e deixar
que se refine a malha – conforme necessário – até que todo o domínio esteja dentro de
um valor pré-estipulado de erro.
Ressalta-se a importância que o tamanho e distorção do elemento tem sobre o
valor numérico do erro. Malhas não estruturadas incorrem nisso facilmente, o que
privilegia a utilização – quando possível – de malhas estruturadas na solução de
problemas. Além de contribuírem menos com este tipo de erro, seus resultados
costumam fornecer uma qualidade superior – com menor quantidade de elementos – em
relação às malhas não estruturadas.

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