You are on page 1of 14

O PAPEL EDUCATIVO DOS MEIOS

DE COMUNICAÇÃO

Claudia Guerra Monteiro

Aluna do doutorado em Ciências da Universidade de São Paulo

e pesquisadora do Núcleo de Comunicação e Educação daquela universidade.

1 INTRODUÇÃO

É cada vez maior o uso dos meios de comunicação com objetivos


educacionais e de integração do cidadão à sociedade. Embora possua o direito
de votar, o analfabeto sente dificuldades de integração e de exercer
plenamente seus direitos de cidadão, em face de não saber ler nem escrever.
Como a escrita é um dos meios de se comunicar mais populares na era
moderna, a falta dela faz com que o processo de comunicação do analfabeto,
por exemplo, seja prejudicado.

Modernamente, há novas categorias de analfabetos: os que não sabem usar os


computadores, os que não possuem endereço eletrônico. Nos meios
acadêmicos e, principalmente, no mercado de trabalho, a incorporação das
novas tecnologias ocorre numa velocidade tão intensa que se torna difícil
acompanhá-las. Porém, o homem moderno vive um paradoxo de quem não
sabe ler nem escrever: goza dos direitos de cidadão mas sente-se, cada vez
mais isolado pela falta do domínio das novas tecnologias de comunicação.

O que este trabalho se propõe é, através de uma pesquisa bibliográfica,


analisar as possíveis contribuições de alguns meios de comunicação para o
processo educativo e verificar como o homem moderno está enfrentando o
contato com as novas tecnologias de comunicação. Para tanto, apresenta-se,
um histórico da evolução do processo de comunicação, principalmente no que
tange à incorporação de novas tecnologias da comunicação. Em seguida, faz-
se uma análise propriamente dita sobre o papel educativo dos meios de
comunicação para se concluir, entre outras coisas, que a velocidade com que
as novas tecnologias estão sendo incorporadas ao processo da comunicação
humana aponta um futuro cada vez mais incerto. No entanto, o uso das novas
tecnologias na sala de aula pode auxiliar o homem a absorver o impacto da
velocidade com que as novas tecnologias passam a fazer parte do dia-a-dia das
pessoas.

1.2 O processo da comunicação humana

A necessidade de uma nova forma de comunicação se deu a partir de uma


mudança radical no tipo de mensagem a ser transmitida. A tradição oral dava
sinais de cansaço e necessitava de um outro tipo de linguagem, para que
ficasse registrada à disposição daqueles que necessitassem ler posteriormente
o que havia sido dito.

A nova técnica deveria ter, pelo menos, três características; durabilidade,


profundidade e clareza. Com isso, daria àqueles que a possuíssem a
capacidade de ler, reler, meditar e analisar o que fosse produzido e registrado.
A partir dessa necessidade, foi criada a escrita.

A escrita fonética foi se desenvolvendo muito rapidamente, mais precisamente


na Grécia. A partir daí, houve necessidade de se facilitar a comunicação,
dando nomes às letras, como as consoantes e vogais. No século XV, os
indivíduos já se preocupavam em preparar e reproduzir os livros através da
técnica de copiar, a mão, os livros já existentes. Infelizmente, porém, esses
livros ficavam restritos à pessoas que possuíam recursos financeiros
suficientes para ter em mãos tal reprodução.

Com o advento da impressão, no entanto, milhares de livros poderiam ser


impressos. Tal invento espantou o mundo. Logo depois veio a prensa, sabe-se
que o papel foi inventado bem antes, provavelmente na China em VII. Os
"possuidores "do poder na época, isto é os escribas, os padres, as elites
políticas, os eruditos etc., começaram a se preocupar, pois começavam a
perder o monopólio da escrita e da leitura.

Sabe-se que, com a quebra deste monopólio, a alfabetização disseminou-se em


todas as direções. A descoberta da impressão conforme se conhece hoje se deu
graças à invenção de Gutemberg, que conseguiu, depois de muitas
experiências, uma impressão nítida e perfeita. Com o tempo chegou até os
dias atuais, a prensa móvel, que conseguiam produzir milhares de livros em
pouco tempo. Tal disponibilidade levou um número muito grande de pessoas a
se interessar pela leitura e conseqüentemente, por aprender mais e melhor.
Em 1870, Thomas Edison consegue gravar e conservar a voz humana em um
fonógrafo. Esse instrumento conseguia levar às casas um novo som, capaz, de
se tornar uma alternativa de comunicação. Só mais tarde, precisamente em
1906, Reginald A. Fessenden conseguiria tal intento, pois construiria uma
aparelhagem capaz de irradiar sinais. Pessoas falavam através de um
transmissor e as vozes eram recebidas em um aparelho receptor, dando origem
à radiotelefonia. No mesmo ano, foram descobertas substâncias capazes de
melhorar a transmissão e com um preço bastante acessível. Entre 1923 e 1926,
muitos países dão início às transmissões no rádio.

Em 1843, Bain e Backwell imaginaram poder realizar uma transmissão de


imagens à distância. Entretanto esta idéia só veio a realizar-se muito tempo
depois. Com a deflagração da Segunda Grande Guerra, houve uma interrupção
no processo de desenvolvimento da produção durante o período que durou o
conflito. Segundo Ball-Rokeach, DeFleur (1997) a televisão herdou as
tradições do rádio e promoveu, conseqüentemente uma grande mudança
social. Sua tecnologia, já bem avançada, passou a ajudar a fabricação em série
e a servir um público que ansiava por novas tecnologias.

Modernamente, o homem vive a febre da internet, a rede mundial de


computadores que interliga pessoas de todos os continentes. Para tanto, basta
que se tenha uma linha telefônica, um computador com fax-modem e um
programação de navegação na rede. Vive-se a expectativa da união texto-
imagem-som em um aparelho mais sofisticado que o computador, a TV de
alta definição (HDTV), que será capaz de inserir o homem moderno na era da
telemática através de uma mero aparelho eletrodoméstico.

2 O PAPEL EDUCATIVO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Quando o homem primitivo caçava, com o intuito de garantir a sobrevivência,


seus métodos eram baseados em respostas herdadas por seus ancestrais ou por
seu próprio instinto. O comportamento adquirido através do processo
comunicacional era quase nenhum, pois os grupos não sentiam falta desse tipo
de comunicação. À medida que as transformações foram ocorrendo e a
capacidade cerebral dos primitivos foi se desenvolvendo, tornou-se necessário
que novos instrumentos auxiliares ao processo de comunicação humana
fossem desenvolvidos.
Muito tempo depois, o homem passou a adotar grunhidos, muita gesticulação
e alguns outros sinais para se comunicar. Os sinais foram apreendidos pelos
grupos, compartilhados por todos, dando a eles o sentido de participação, pois
já sentiam necessidade de se comunicar, mas precisavam de um método de
comunicação que desse às futuras gerações mecanismos capazes de indicar
como havia sido o processo de comunicação de seus ancestrais, ou seja,
necessitavam descobrir uma forma de registrar os símbolos e os sinais usados
na comunicação.

Nessa época já se buscava maneiras de simplificar a vida em grupo. Um


desses avanços foi a instauração da troca de mercadorias. A troca era
necessária para se ter uma vida equilibrada. Usavam os gritos quando o perigo
era eminente. Alguns gestos significavam que havia comida na área, sinais
específicos significavam acasalamento e outros uma grande caçada. As
pinturas e desenhos tinham uma relação muito grande com o dia-a-dia.
Pintavam nos muros das cavernas, figuras de caça. Em relação aos grunhidos
e gritos, a técnica da pintura já dava sinais de que as novas tecnologias não
eram apenas formas de registrar a modo de vida daqueles povos. Eram,
também, os primeiros indícios do processo evolutivo de educação e
comunicação dos seres humanos.

Aproximadamente 1 milhão de anos depois, se deu o advento do fogo,


provavelmente na China, uma das grandes descobertas que deu origem a
evolução das técnicas de sobrevivência do ser humano e por volta de 1.6
milhão de anos o homem já adotava um sistema de linguagem pleno de
desenvolvimento, tendo a partir daí grandes progressos.

Sabe-se que a civilização suméria foi a primeira a usar a escrita, entretanto


eram somente os sacerdotes que detinham o domínio das técnicas de escrever.
Logo depois vieram os egípcios, que foram os inovadores do sistema
hieróglifos ou como um sistema de símbolos. No início, eram gravados em
pedras, e, com o tempo, foram pintados e desenhados com grande habilidade.
Cada desenho tinha um significado a ser descoberto, cada símbolo uma idéia,
coisa ou conceito. Para se descobrir o que significava cada mensagem, tinha
que se ter conhecimentos de um enorme número de símbolos. Em princípio,
os que obtinham tal conhecimento restringiam-se aos grandes especialistas. os
antigos escribas estudavam durante muito tempo para poderem dominar tais
informações. Com isso, passaram a exercer um poder quase absoluto.

Os sumérios foram os responsáveis pelo início de uma escrita mais estilizada.


Descobriram, com isso, que não eram necessários desenhos para produzir
imagens e sim caracteres distinguíveis, com significados determinados.
Depois de tudo isso, a escrita fonética foi se desenvolvendo muito
rapidamente. Disseminando-se em toda a Grécia. A partir daí houve uma
grande necessidade de facilitar a comunicação, dando nomes às letras, como
as consoantes e vogais.

A escrita foi, sem dúvida, uma das tecnologias de comunicação mais


importantes para o progresso da humanidade e para o desenvolvimento do
conceito de comunicação de massa. Sem ela, provavelmente, a história das
grandes civilizações do mundo estaria perdida. Gutemberg proporcionou as
condições técnicas para que o jornal se transformasse no primeiro veículo de
comunicação de massa. Por isso, a análise do papel educativo dos meios de
comunicação será iniciada pelo jornal, ou seja, a forma de comunicação de
massa escrita, a mais tradicional e mais importante tecnologia de comunicação
descoberta pelo homem.

2.1 O jornal e a revista na escola

O jornal como meio de comunicação de massa é fruto da convergência de


vários fatores históricos dentre os quais se pode citar o surgimento do papel,
dos correios, da tipografia, da carta, do livro e da gazeta manuscrita. Esses
eventos marcavam, historicamente, o processo evolutivo, das técnicas de
comunicação humana e de trocas de mercadorias. Inicialmente, portanto, o
jornal não tinha papel educativo nenhum. Sua função era apenas a de
transmissão de informações (geralmente informações econômicas e fofocas)
através de um meio impresso. Aos poucos, ao longo do tempo, os meios
impressos de comunicação, mais como uma estratégia de vendas do que outra
coisa, foram se dando conta da importância de estimular os professores a
utilizarem esses meios como forma de apoio didático-pedagógico.

Com apoio da Associação Nacional de Jornais (ANJ) vários jornais filiados


passam a implementar programas e convênios com as escolas de vários
estados para incentivar o uso do jornal como material didático. As escolas
passam a receber, diariamente, os jornais e a utilizá-los como material de
apoio em todas as disciplinas possíveis. As empresas jornalísticas, em sua
maioria, possuem um especialista em educação que funciona como consultor e
como ponte entre os professores, as escolas conveniadas e a empresa
jornalística.

Além de funcionar como fonte de consulta mais atualizada e servir, ao mesmo


tempo, como uma forma de aproximar os alunos da realidade, esse tipo de
projeto tem uma função de vendas a longo prazo. Ao pôr o aluno em contato
com o meio jornal, as empresas esperam estar formando leitores cada vez
mais leais, no futuro.

Projeto semelhante vem sendo desenvolvido pela Editora Abril, que edita a
revista Veja. As escolas que querem participar do projeto "Veja na Escola"
recebem toda a orientação pedagógica sobre o uso da revista na sala de aula.
Além disso, recebem, semanalmente, quantos exemplares forem necessário
para o desenvolvimento das atividades didáticas propostas.

2.2 O Rádio, a TV e a educação à distância

O rádio, inventado por Thomas Edison, conseguia levar a casa de todas as


pessoas uma nova forma de transmitir informações, que foi capaz de se tornar
uma alternativa de comunicação, principalmente se comparado ao jornal
impresso.

Muitos cientistas, trabalharam nessa nova forma de receber as irradiações dos


sinais emitidos e, em 1911, é transmitido o primeiro programa ao vivo, do
Metropolitan Opera, de New York. Mais tarde, o povo passa a comprar,
inclusive os receptores para, mantê-los em casa. Havia, entretanto, grande
necessidade e ânsia do povo por novos canais. As indústrias e o comércio
começavam a verificar a necessidade de seu produto ser anunciado no rádio,
já que precisavam do grande "filão", que eram esses novos consumidores.
Entretanto, inicialmente o número de ouvintes era pequeno e não havia um
número suficiente de emissoras para suprir um número maior de ouvintes, que
por ventura viesse a aparecer.

Nessa época, o Rádio estava longe de exercer qualquer papel de cunho


didático ou educativo. Essa visão do uso do Rádio como meio de difusão da
educação, surgiu através de projetos ligados ao Rádio e à TV, geralmente,
num trabalho em conjunto. A tentativa era fazer com que os dois meios,
efetivamente, fosse capaz de vencer as distâncias territoriais gigantescas do
Brasil e exercessem um papel verdadeiramente educativo.

No Brasil, há ou houveram vários projetos que tentam ou tentaram


incrementar a educação à distância. O Instituto de Radiodifusão da Bahia, que
teve sua origem no setor de Rádio e TV Educação, tinha como finalidade
oferecer à população cursos nos níveis pré-primário, médio e universitário,
através do ensino por correspondência. Os serviços educativos do governo
estadual eram prestados através do rádio e da televisão.
A Fundação Padre Landell de Moura foi criada em 1967 com o objetivo de
difundir a educação por vários meios de comunicação. Na época, o
departamento pedagógico da FEPLAN assessorava seus setores na
fundamentação educacional, planejamento e análise de recursos educativos
pelo rádio e televisão, supervisionando a adequação dos roteiros e confecção
do material que acompanhava os cursos. Aos poucos sua rede de recepção foi
aumentando e sua rede de supervisão foi diversificando os meios de
comunicação utilizados. Trabalhava com o rádio, material impresso e
televisão.

A Fundação Padre Anchieta também foi criada em 1967, pelo Estado de São
Paulo, e, através de equipamentos de Rádio e TV, a Fundação preparou e
formou equipes que se responsabilizaram pela instalação, operação e
manutenção técnica. Formou pessoal especializado para realizar pesquisas que
elaboravam e adaptavam textos para as linguagens televisivas e radiofônicas,
incluindo aí, produção e gravação de programas que não visavam fins
lucrativos. Em 1992, a Rádio Cultura FM integrou-se no Sistema Radiosat
(Embratel) o que possibilitou, uma melhor recepção de qualidade superior à
anterior, para todo o território nacional.

Atualmente, o Centro Paulista de Rádio e Televisão Educativa/Fundação


Padre Anchieta veiculam a programação educativa através da Rádio Cultura
AM e FM. tanto a programação AM e FM são veiculadas de segunda a
domingo, só que a primeira das cinco da manhã à meia noite.

Projeto Minerva, criado em 1970, veio atender aos anseios do governo militar
brasileiro que, desde 1964, propunha mudança radical no processo educativo
com a utilização do Rádio e da Televisão. Na concepção governamental, os
meios eletrônicos ( Rádio/Televisão) solucionariam imediatamente os
problemas educacionais existentes. Cogitou-se, então, a implantação de uma
cadeia de Rádio e Televisão educativas para a educação de massa por meios
de métodos e instrumentos não convencionais de ensino.

O Ministério de Educação e Cultura, através do serviço da Radiodifusão


Educativa, desenvolveu um projeto rádio-educativo nacional. O Projeto
propiciava quatro formas básicas de utilização dos programas educativos
pelos alunos: 1) Recepção Organizada; 2) Recepção Controlada; 3) Recepção
Isolada; 4) Recepção Integrada.

Alem de usar o rádio como meio de comunicação de massa para fins


educativos e culturais, o Projeto Minerva visava atingir a pessoa onde ela
estivesse para desenvolver suas potencialidades. Era voltado ainda, à
divulgação e orientação educacional, pedagógica e profissional, inclusive à
programação cultural de interesse das audiências. Seus programas se
concentraram nas áreas do ensino supletivo e de educação de base.

Modernamente, a Fundação Padre Anchieta e a Fundação Roberto Marinho,


com o apoio a Federação Nacional das Indústrias, levam ao ar o Telecurso
2000, um projeto de educação que oferece a 33 milhões de jovens
trabalhadores a oportunidade de retornarem à escola e concluírem o Ensino
Médio (1º e 2º graus), além de fazerem um curso profissionalizante. O
Telecurso 2000 é voltado para jovens trabalhadores de 15 a 30 anos. Trabalha
também com a reciclagem de professores. Funciona seguindo cenas
quotidianas como base para as aulas, e com uma linguagem bastante familiar
para o trabalhador, que se sente bem mais motivado.

Por seu turno, o Ministério da Educação implantou o Projeto TV Escola, que


tem por objetivo principal formar, capacitar e valorizar os professores, na
tentativa de melhorar consideravelmente a qualidade de ensino nas escolas
públicas de todo o País. É uma nova tentativa de se utilizar os meios de
comunicação a serviço da Educação.

A programação da TV Escola é composta de programas oriundos de várias


partes do mundo. A programação é transmitida para todo o país através do
satélite Brasilsat, e é captada por uma antena parabólica, que deve ser
instalada nas escolas, para melhorar a recepção das imagens e do som. De
acordo com a orientação do MEC, os programas da TV Escola devem ser
gravados em fitas de vídeo, que deverão estar disponíveis para o professor ou
técnico, treinado, que estiver gravando os programas. Esses programas, ainda
de acordo com a orientação do MEC, deverão ser, posteriormente, utilizados
em sala de aula, pelos professores das diferentes matérias.

Para participar do Projeto TV Escola, as escolas públicas necessitariam ter no


mínimo 100 alunos. Os equipamentos que compõem o kit tecnológico e que
possibilitarão a gravação dos programas da TV Escola, são: uma antena
parabólica, um televisor, um aparelho de videocassete, um receptor de satélite
e uma caixa com 10 fitas de vídeo. A verba para a compra desses pacotes vem
do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Outra tentativa de uso dos meios de comunicação na Educação vem da


iniciativa privada. A TV Futura é o primeiro Canal de Educação da televisão
brasileira totalmente regido e financiado pela iniciativa privada. É resultado
de uma parceria entre as Organizações Globo, grandes empresas e entidades
de expressiva participação na sociedade.
O Futura fica no ar 16 horas por dia. Seu público-alvo são as crianças,
estudantes do Ensino Fundamental e Médio, professores e trabalhadores. Um
dos seus pontos fortes são o noticiário nacional e internacional adaptado para
utilização em sala de aula, com informações atualizadas para professores.
Escolas, museus, fábricas, empresas, hospitais, centros comunitários e outras
entidades recebem, gratuitamente, o sinal, disponível em todo o país em
sistemas de TV a cabo e através de antenas parabólicas.

Esses projetos, independentemente dos resultados obtidos, revelam uma


disposição do Governo e da sociedade civil em demonstrar, efetivamente, que
os meios de comunicação podem exercer um papel importante no processo de
educação formal. Se, não atingirem esse objetivo, pelo menos, servem para
mudar o panorama dentro da sala de aula. Moran (1991), por exemplo, analisa
e alerta sobre a importância do vídeo em sala de aula. Diz ele:

"O vídeo com temas geradores de discussão, é um


poderoso instrumento de dinamização e enriquecimento
da aula, tanto do ponto de vista de conteúdo como da
dinâmica participativa e interesse. Se não há tempo na
aula para um debate imediato, pede-se aos alunos que
façam em casa uma ficha de análise a ser apresentada e
debatida na aula seguinte".

Já Paulo Freire apresenta a Televisão é uma coisa fantástica, mas é preciso


que as pessoas se ponham diante dela, como diante de tudo, criticamente. Não
se deve esquecer que muito se diz a respeito desses instrumentos serem usados
de maneira a confundir o ouvinte com mensagens pré-fabricadas, reduzindo a
ação desses meios junto a àqueles que querem aprender, fazendo com que os
alunos sejam os depositários de idéias pré-fabricadas e pré-estabelecidas. Isso
limita o aluno à simples tarefa do consumo.

O mesmo Paulo Freire previa que, se o professor assistisse a um programa em


determinada hora, em determinado lugar com seus alunos,
a práxis pedagógica seria muito ampla se logo depois os alunos discutissem o
assunto. Não apenas o conteúdo que estivesse sendo e que foi vivido, mas
também a compreender a importância da Televisão enquanto instrumento de
comunicação e educação. O aluno teria assim seu primeiro contato com
o pensamento científico.

Moran (1991), analisa os meios de comunicação como um instrumento


didático-pedagógico:
"Os meios podem ser utilizados também como instrução,
informação, formas de passar conteúdos organizados,
claros e seqüênciados. Principalmente o vídeo
instrucional, educativo, é útil para o professor, porque lhe
dá chance de completar as informações, reforçar os
dador passador pelo vídeo. Eles não eliminam o papel do
professor. Antes ajudam-no a desenvolver sua tarefa
principal que é a de educar para uma visão mais crítica
da sociedade".

No ano passado foi realizado um debate, em São Paulo, intitulado "Violência


na TV e Educação", promovido pelo jornal Folha de São Paulo e pela
Associação de Escolas Particulares, que representava 56 escolas de ensino do
Estado de São Paulo. O debate analisou o tipo de TV que os alunos estão
assistindo em casa. Segundo a Professora Heloísa Dupas Penteado, professora
de Teoria e Prática Educacional na pós-graduação da USP, a TV brasileira que
leva até nós, incluindo professor e o aluno, uma programação de baixa
qualidade . A professora Heloísa cita o programa do Ratinho e faz uma
advertência: "É essa TV que o aluno vê, é essa TV que o professor vê, e é em
relação a essa TV que o aluno e o professor tem que reagir, têm que construir
valores, têm que pensar, têm que se posicionar".

2.3 A era da telemática

O desafio moderno é enfrentar a chamada "era da telemática", na qual se


unem as telecomunicações e a informática. Não se sabe ainda, ao certo, se um
novo meio de comunicação irá surgir ou se haverá apenas a união do
computador, do televisor, do telefone, do Rádio e da TV em um único
aparelho eletrodoméstico. O que se sabe é que, a informática, com todas as
suas possibilidades técnicas, fortalece o sistema educacional e aponta para
uma nova sociedade.

Giovannini (1987, p. 228), já naquela época, previa:

"O computador realiza hoje o momento de síntese entre


as extremidades mais avançadas das tecnologias e a
matemática, que pela própria natureza, permite exprimir
conceitos de grande complexidade através de equações
sintéticas.

O computador, apesar de ser um dos últimos rebentos da


família dos produtos eletrônicos, transformou-se numa
realidade característica das sociedades industriais
evoluídas, a ponto de hoje ser possível medir o grau de
desenvolvimento de uma sociedade em termos do número
de computadores utilizados".

Pierre Lévi (1998) diz que "(...) emerge, neste final de século XX,
um conhecimento por simulação que os epistemologistas ainda não
inventariam". Esse conhecimento por simulação talvez seja a base da nova
escola, da nova educação, do novo papel educativo dos meios de
comunicação. As escolas, tanto as particulares quanto as públicas, começam a
incluir o computador no seu dia, muito embora, muitas delas ainda não
saibam, ao certo, o que fazer com ele.

A chamada universidade virtual, ou ensino superior à distância, mostrou-se


mais frágil que realizadora na Conferência Mundial sobre Ensino Superior, da
UNESCO. Os maiores problemas apontados foram preços elevados, qualidade
reduzida, pequena disseminação, fragilidade das formas de avaliação,
capacitação de professores e adequação dos conteúdos.

Esse último é um problema enfrentado por programas de TV do tipo TV


Escola e TV Futura. No entanto, não se pode subdimensionar a capacidade
dos computadores de ser usada no processo educativo, tanto presencial quanto
à distância. Na Conferência da UNESCO, verificou-se que essas novas
tecnologias deverão demorar décadas para serem implantadas com
efetividade. Como suporte técnico, porém, já se configuram em uma realidade
promissora.

3 CONCLUSÃO

A escrita foi, sem dúvida, uma das tecnologias de comunicação mais


importantes para o progresso da humanidade. Sem ela, provavelmente, a
história das grandes civilizações do mundo estaria perdida. Talvez, sem a
escrita, o cidadão ainda vivesse sobre o domínio dos antigos monarcas.

Há aproximadamente 3.000 anos, os escribas eram considerados uma das


classes mais poderosas porque dominavam a técnica da escrita. Na Grécia
Antiga, só eram considerados cidadãos e aptos a votar, aqueles que soubessem
ler e escrever. Esses dois exemplos apontam indícios da estreita relação entre
o uso das novas tecnologias, na educação e a participação dos cidadãos.

Não se espera da escola apenas o papel de transmitir conhecimentos. Além


disso, ela deve ser uma difusora de novas tecnologias, a fim de permitir que
seus alunos tenham chances de participar da concorrência de mercado de
trabalho. Portanto o uso das novas tecnologias é uma necessidade que se
mostra cada vez mais evidente.

Qualquer iniciativa que venha a estimular a participação do indivíduo, quer na


sala de aula, quer na sociedade, deve ser estimulada. A implantação de vários
projetos de uso das novas tecnologias na sala de aula precisa ser acompanhada
de um estudo mais aprofundado de viabilidade técnica e operacionalização
desses projetos a fim de que boas idéias não se transformem em novos
projetos fracassados.

O que se questiona é se todo esse avanço promovido pelas novas tecnologias


de comunicação será capaz de contribuir para que o homem se torne um "ser"
mais participante na sociedade em que vive. Historicamente, o processo de
evolução dos meios através dos quais os homens se comunicam tem
demonstrado que esses meios tanto podem contribuir para a participação e
"libertação" do cidadão quanto para seu aprisionamento. Depende da forma
como os meios de comunicação estão sendo utilizados: se numa sociedade
democrática ou numa sociedade totalitária.

Ao que se sabe, Jornal, Rádio e Televisão começam a se apresentar como


efetivos meios a serem usados no processo educacional. Uma das inferências
que se pode fazer é que, com a concorrência surgida a partir da rede mundial
de computadores, esses meios procuram firmar posição e se apresentar como
formas efetivas e necessárias, dentro da sociedade. Do ponto de vista da
educação, porém, o computador, via internet, abre caminho para a união do
texto, do áudio e da imagem, com a possibilidade de interação em tempo real.
Assim, não se sabe qual papel poderá ser exercido pelos outros meios de
comunicação de massa.

É certo, porém, que a internet abre novos horizontes para o processo educativo
e põe em cheque todo o processo formal que vigorava até então. A união do
texto, do áudio e da imagem faz com que o papel do professor comece a ser
repensado e aponta para um futuro no qual só há uma certeza: a mudança
constante.

BIBLIOGRAFIA

BALL-ROKEACH, Sandra, DeFLEUR, Melvin L. Teorias da comunicação


de massa. Rio de Janeiro:

Zahar, 1997.

BARROS FILHO, Clóvis de. Ética na comunicação - da informação ao


receptor. São Paulo: Moderna,

1995.

BODERNAVE, Juan Diaz. Além dos meios e mensagens. 4. ed. Petrópolis:


Vozes, 1987.

COSTELLA, Antonio. Comunicação: do grito ao satélite. 3. ed. São Paulo:


Mantiqueira, 1984.

CUNHA, Montanari. Evolução do Bicho-homem [Desafios]. São Paulo:


Moderna, 1996.

GIACOMANTONIO, Marcelo. O ensino através dos audiovisuais. São Paulo:


Summus/Edusp, 1987.

GIOVANNINI, Giovanni (coord.). Evolução na comunicação: do sílex ao


silício. Rio de Janeiro: Nova

Fronteira, 1987.

GUERRA, Rosana. A TV na Escola. Revista da TV Escola. Brasília, v. 1, n. 1,


set/out., 1995.

GUIMARÃES DE CASTRO, Maria Helena. O que você precisa saber sobre a


TV Escola. Revista da

TV Escola. Brasília, v. 1, n. 1, set/out. 1995.

KRAMER, Sonia. Por entre as pedras: arma e sonho na escola. São Paulo:
Ática, 1993.
LEAL FILHO, Laurindo. Atrás das câmeras - relações entre cultura, estado e
televisão. São Paulo:

Summus, 1988.

LÉVY, Pierre. As tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era


da informática. 7. reimp.

Rio de Janeiro: Ed. 34, 1998.

MARCONDES FILHO, Ciro. Quem manipula quem? poder e massas na


indústria da cultura e da

comunicação no Brasil. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1987.

MORAN, José Manuel. Como ver televisão. São Paulo: Paulinas, 1991.

SKINNER, B.F. Tecnologia do Ensino. São Paulo: Herder, 1972.

VAN TILBURG, João Luis. A televisão e o mundo do trabalho. São Paulo:


Paulinas, 1990.

WITKOWSKI, Nicolas (coordenador). Ciência e tecnologia hoje. São Paulo:


Ensaio/Unicamp 1995.