Вы находитесь на странице: 1из 6

1

Universidade de Brasília
Instituto de Ciências Humanas
Departamento de Filosofia
Programa de Pós-graduação em Filosofia - UnB

TEORIA DAS CIÊNCIAS HUMANAS


Sextas – 14:00 às 18:00
Prof. Dr. Erick Lima
callima_er@hotmail.com
Horário de Atendimento: Terças, 16:00 às 18:00, FIL-UnB (sala da chefia)

Dialética, Pragmática e Genealogia – uma discussão


introdutória sobre os pressupostos metodológicos da
crítica social

1. Introdução Geral ao Curso


As discussões epistemológicas e metodológicas em ciências humanas envolvem
uma vasta gama de aspectos e orientações teóricas. Se pensarmos apenas na interface com
a filosofia, não é exagero sustentar que tais discussões se conectam intimamente com as
principais correntes de pensamento desenvolvidas desde a passagem do século XVIII para
o século XIX: idealismo pós-kantiano, tradição dialética, positivismo, existencialismo,
estruturalismo, fenomenologia, filosofia analítica, hermenêutica, pragmática linguística,
genealogia, pós-estruturalismo e pragmatismo são certamente orientações filosóficas que
ou surgiram de reflexões relacionadas às ciências humanas, ou acabaram por ter enorme
influência na autocompreensão epistemológica dessas ciências.
Diante dessa considerável envergadura temática, uma disciplina semestral, de
forte orientação exegética como essa pretende ser, mesmo em nível de pós-graduação,
jamais poderia fazer justiça à imensa miríade de aspectos necessários à formação, mesmo
generalista, em “teoria das ciências humanas”. Eis por que o curso que ora proponho
pretende oferecer um recorte que, embora bastante mais circunscrito, poderá atender à
demanda por uma introdução geral às reflexões metodológicas e epistemológicas
relacionadas às ciências humanas.
O horizonte mais geral a ser percorrido pelo curso pretende aprofundar a
compreensão acerca do diálogo que vem sendo construído nas últimas décadas, sob a
perspectiva de uma teoria materialista da sociedade, entre uma orientação dialética para
a crítica social, e propostas mais relacionadas à hermenêutica, ao pragmatismo, à
genealogia e à pragmática linguística. E o fio condutor que vamos adotar tem a pretensão
de esclarecer as transformações a que foi submetida a concepção contemporânea de
dialética, tal como desdobrada no ambiente marcado pelo marxismo ocidental e pela
teoria crítica, sob a influência do debate a que essa foi conduzida com outras orientações
metodológicas dentro da crítica da modernidade social e política.
A primeira parte do curso, depois de propor uma concepção abrangente da visada
materialista contida na crítica social, se dedica a fazer uma retrospectiva do caminho que
conduz da dialética hegeliana ao desenvolvimento do marxismo ocidental. Nessa parte,
interessarão sobretudo os diálogos estabelecidos entre a dialética materialista, o conceito
2

lukacsiano de reificação, a teoria weberiana da racionalização e a dívida do projeto de


autocrítica totalizante da razão em relação à concepção nietzschiana de genealogia (1).
Em seguida, propõe-se uma análise dessa que pode bem ser considerada o ponto
culminante da interseção das tradições dialética e genealógica: a Dialética Negativa de
Adorno. Procuraremos aqui reconstruir o arcabouço fundamental da compreensão de
dialética em Adorno, suas noções específicas de mediação e experiência, a partir da
reformulação crítica proposta por ele de diretrizes teóricas estabelecidas, sobretudo, por
Kant e Hegel, Marx e Nietzsche. Mais especificamente, a partir da interpretação da
Introdução e da Parte II da Dialética Negativa, importa entender a necessidade percebida
por Adorno de reposicionar a dialética materialista no debate entre Kant e Hegel. Com
efeito, considerando algumas das mais célebres noções adornianas à luz de suas
contundentes críticas a Hegel e a Kant – noções tais como “mediação”, “primado do
objeto”, “não-idêntico”, “relação sintética entre o conceitual e o não-conceitual” – deseja-
se entender melhor a relação entre a Dialética Negativa e sua pretensão de oferecer uma
reestruturação da racionalidade crítica. Essa parte de nosso trajeto termina com a
interpretação habermasiana das aporias de uma crítica da razão instrumental, mesmo
quando pensada sob a égide da reformulação do paradigma crítico de racionalidade
oferecida pela Dialética Negativa. O objetivo é compreender a interpretação pragmático-
hermenêutica proposta por Habermas para a noção adorniana de não-idêntico (2).
Finalmente, na última parte, o objetivo é investigar, à luz do debate entre
Habermas e Adorno, questões metodológicas que se tornaram diretivas para as reflexões
atuais. Tais questões serão examinadas a partir da contraposição entre duas concepções,
metodologicamente galvanizadas, de linguagem. Por um lado, trata-se da ligação,
estabelecida por Adorno, entre a apropriação materialista da dialética de Hegel e diretrizes
para reflexões em filosofia da linguagem, sobretudo acerca do problema da articulação
entre as funções expressiva e comunicativa da linguagem no quadro de uma teoria
dialética da mediação conceitual da experiência. Por outro lado, vamos considerar a
noção, defendida por Habermas como o resultado geral dos efeitos da guinada linguística
sobre a teoria social, de um mundo da vida linguística e simbolicamente mediado, bem
como sua conexão com a teoria da ação social e a linguistificação do sagrado (3).

1. Olhar retrospectivo sobre uma tradição

a) Materialismo e Crítica social (Honneth – “Uma patologia social da razão:


sobre o legado intelectual da teoria crítica”)
b) Dialética, Filosofia da Práxis e Paradigma Produtivista (Habermas – “Três
Perspectivas: Hegelianos de Esquerda, Hegelianos de Direita e Nietzsche”)
c) Pressupostos metodológicos da crítica da ideologia e a autocrítica totalizante
da razão (Habermas – “O Entrelaçamento entre Mito e Esclarecimento:
Adorno e Horkheimer”)
d) Sobre a Divisão Cooperativa de Trabalho entre Filosofia e Teoria da
Sociedade (Habermas – “Concepções de Modernidade: um olhar retrospectivo
sobre duas tradições”)
e) Reificação e Racionalização Social (Habermas – “Max Weber e a Tradição do
Marxismo Ocidental”)
3

2. Modelos de Crítica da Razão Instrumental

a) Materialismo, Experiência e Crítica: reformulação do paradigma dialético em


Adorno (Adorno – “Introdução à Dialética Negativa”)
b) Dialética Negativa e Genealogia do Idealismo (Adorno – “Dialética Negativa:
Conceito e Categorias”)
c) Aporias da Crítica ao modelo estratégico-instrumental de racionalidade
(Habermas – “Crítica da Razão Instrumental”)

3. Algumas Consequências Metodológicas

a) Articulação dialética entre as funções expressiva e comunicativa de linguagem


(Adorno – “Skoteinos ou como se ler”, “Ensaio como Forma”)
b) Estruturação simbólica/linguística do mundo da vida: (Habermas – “Acessos
à Problemática da Racionalidade” e “Mudança de Paradigma em Mead e
Durkheim: da atividade orientada por fins ao agir comunicativo”)

2. Cronograma do Curso

Aula Dia Conteúdo Texto


1 15/03 Reflexões Fundamentais Programa da Disciplina e Introdução ao
sobre a Epistemologia Curso
das Ciências Humanas
2 22/03 Unidade 1: Olhar Habermas – “Concepções de
Retrospectivo sobre uma Modernidade: um olhar retrospectivo
Tradição sobre duas tradições”
3 29/03 Unidade 1: Olhar Honneth – “Uma patologia social da razão:
Retrospectivo sobre uma sobre o legado intelectual da teoria crítica”
Tradição
4 05/04 Unidade 1: Olhar Habermas – “Três Perspectivas:
Retrospectivo sobre uma Hegelianos de Esquerda, Hegelianos de
Tradição Direita e Nietzsche” Habermas – “Max
Weber e a Tradição do Marxismo
Ocidental”
5 12/04 Unidade 1: Olhar Habermas – “Max Weber e a Tradição do
Retrospectivo sobre uma Marxismo Ocidental”
Tradição
6 26/04 Unidade 2: Modelos de Adorno – “Introdução à Dialética
Crítica da Razão Negativa”
Instrumental
7 03/05 Unidade 2: Modelos de Adorno – “Introdução à Dialética
Crítica da Razão Negativa”
Instrumental
8 10/05 Unidade 2: Modelos de Adorno – “Dialética Negativa: Conceito e
Crítica da Razão Categorias”
Instrumental
4

9 17/05 Unidade 2: Modelos de Adorno – “Dialética Negativa: Conceito e


Crítica da Razão Categorias”
Instrumental
10 24/05 Unidade 2: Modelos de Adorno – “Dialética Negativa: Conceito e
Crítica da Razão Categorias”
Instrumental
11 31/05 Unidade 2: Modelos de Habermas – “Crítica da Razão
Crítica da Razão Instrumental”
Instrumental
12 07/06 Unidade 2: Modelos de Habermas – “Crítica da Razão
Crítica da Razão Instrumental”
Instrumental
13 14/06 Unidade 3: Algumas Habermas – “A Problemática da
Consequências Compreensão do Sentido nas Ciências
Metodológicas Sociais”
14 28/06 Unidade 3: Algumas Habermas – “Sobre a Possibilidade de
Consequências Fundamentar as Ciências Sociais numa
Metodológicas Teoria da Comunicação”
15 05/07 Unidade 3: Algumas Habermas – “A Autoridade do Sagrado e o
Consequências Pano de Fundo Normativo do Agir
Metodológicas Comunicativo”
16 12/07 Unidade 3: Algumas Habermas – “A Estrutura Racional da
Consequências Linguistificação do Sagrado”
Metodológicas

3. Forma e critérios de avaliação do desempenho discente

Vale mencionar, como indicação geral, que se trata de um curso com


considerável carga de leitura, dotado também de uma bibliografia com certo grau
de complexidade. Para além da quantidade de textos, há ainda a necessidade de uma
leitura reflexiva e interpretativa, o que pode acabar dificultando o
acompanhamento. Nesse sentido, recomenda-se veementemente aos alunos a leitura
constante, rigorosa e metódica. Além disso, recomenda-se também a leitura prévia
dos textos, a fim de que as discussões em sala sejam mais dinâmicas.
A avaliação do desempenho discente será feita fundamentalmente através de um
ensaio final a ser entregue impreterivelmente até o dia 16/07/2019. Aconselha-se que os
estudantes discutam o fio condutor do ensaio final com o professor até um mês antes da
entrega. Acerca das avaliações escritas há ainda que se considerar o seguinte:

a) Não serão tolerados “plágios” ou a reprodução sem referência de material


disponível em meio digital, virtual ou impresso. Caso seja comprovado tal
recurso indevido, o aluno terá nota zero em sua avaliação.
b) As provas deverão obrigatoriamente ser entregues impressas e digitadas,
com uma cópia em Word enviada ao e-mail do professor.
c) Alunos que tenham excedido limite de faltas e que não tenham
justificativa institucionalmente reconhecida para abono das mesmas não
terão suas provas avaliadas.
5

Além das avaliações, serão observados, como critérios de aproveitamento do


conteúdo tratado nas aulas, também os seguintes quesitos:

1. Interesse demonstrado pelo estudante em cumprir o roteiro de leituras indicado


pelo professor;
2. Interesse demonstrado pelo estudante em seguir as discussões temáticas realizadas
em sala de aula;
3. Disposição do estudante em participar ativamente das discussões em sala;
4. Assiduidade do estudante;
5. Pontualidade do estudante;
6. Muito embora o tema da disciplina seja consideravelmente complexo, atentar-se-
á, pela observação do esforço e dedicação no acompanhamento, ao grau de importância
conferido pelo estudante à disciplina.
7. Motivação do estudante para esclarecer as dúvidas que porventura possua nos
horários de atendimento estabelecidos no início do semestre.

4. Bibliografia Básica

Toda a bibliografia básica do curso (textos a serem utilizados em sala e textos


auxiliares para tópicos específicos) já se encontra disponível para fotocópia na pasta
53 do “Xerox do DCE”. Os textos de bibliografia avançada não são de leitura
obrigatória, mas poderão vir a ser considerados durante o curso.

5. Bibliografia Avançada
ADORNO, T. e HORKHEIMER, M. 1985. Dialética do Esclarecimento: Fragmentos Filosóficos. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar Editora.
ADORNO, T. 1995. Progresso. In: ADORNO, T.W. Palavras e sinais. Modelos críticos 2. Petrópolis/RJ:
Vozes.
ADORNO, T. 2003. Zu Subjekt und Objekt. Kulturkritik und Gesellschaft II. Suhrkamp: Frankfurt.
ADORNO, T. 2007. Três Estudos sobre Hegel. Editora da Unesp: São Paulo.
ADORNO, T. 2009. Dialética Negativa. Zahar: São Paulo.
ADORNO, T. 2010. Einführung in die Dialektik. Suhrkamp: Frankfurt.
ADORNO, T. 2010. Kierkegaard. Editora da Unesp: São Paulo
BERNSTEIN, J. 2001. Adorno. Disenchantment and Ethics. Cambridge University Press. Cambridge.
BERNSTEIN, J. 2004. “Negative Dialektik. Begriff und Kategorien III. Adorno zwischen Kant und Hegel”.
In: HONNETH, A. 2006. Negative Dialektik. Akademie Verlag: Berlin.
BERNSTEIN, J. Negative Dialectic as Fate: Adorno and Hegel. The Cambridge Companion to Adorno.
Cambridge University Press: Cambridge.
BOWIE, A. 2013. Adorno and the Ends of Philosophy. Polity Press: Cambridge.
BRANDOM, R. 2002. Tales of the Mighty Dead: Historical Essays in the Metaphysics of Intentionality.
Cambridge: Harvard University Press.
BRISTOW, W. Hegel and the Transformation of Philosophical Critique. Clarendon Press: Oxford, 2007.
Harvard University Press: London, 2003.
BUCK-MORSS, S. The Origin of Negative Dialectics. Theodor W. Adorno, Walter Benjamin, and the
Frankfurt Institute. The Free Press: New York, 1977.
DEWS, P. Logics of Disintegration: Post-structuralist Thought and the Claims of Critical Theory. Verso:
London, 1987.
FORSTER, R. 2007. Adorno. The Recovery of Experience. SUNY: Albany.
GADAMER, H.G. 1999a.Verdade e Método I: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica.
Petrópolis: Editora Vozes.
______. 1999b. Verdade e Método II: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Petrópolis:
EditoraVozes.
HABERMAS, J. 1999. Wahrheit und Rechtfertigung: philosophische Aufsätze, Frankfurt am Main:
Suhrkamp
6

______. 2001. Discurso Filosófico da Modernidade. São Paulo: Martins Fontes.


______. 2012. Teoria do Agir Comunicativo (volume 1: Racionalidade da ação e racionalização social).
São Paulo, Martins Fontes.
HEGEL, G.W.F. 1970. Werke in 20 Bände. Frankfurt am Main: Suhrkamp.
HONNETH, A. Negative Dialektik. Akademie Verlag: Berlin, 2006.
HONNETH, A. Pathologien der Vernunft: Geschichte und Gegenwart der kritischen Theorie. Suhrkamp:
Frankfurt am Main, 2007.
HOULGATE, S. 1986. Hegel, Nietzsche and the Criticism of Metaphysics. Cambridge University Press:
New York.
JAMESON, F. Late Marxism: Adorno or the Persistence of the Dialectic. Verso: London, 1990.
JAMESON, F. Postmodernism or, the Cultural Logic of Late Capitalism. Duke University Press: Durham,
1991.
KANT, I. 1968. Kants Werke – Akademie Textausgabe. Berlin: Walter de Gruyter.
KLEIN, R. Adorno-Handbuch: Leben - Werk – Wirkung. Metzler, 2011. (568)
LÖWITH, K. From Hegel to Nietzsche: The Revolution in Nineteenth-Century Thought. Columbia
University Press: New York, 1991.
MARX, K. 2004. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Boitempo Editorial.
MÜLLER-DOOHM, S. 2005. Adorno – a Biography. Polity Press: Cambridge.
MURPHY, P. ; ROBERTS, D. Dialectic of Romanticism: a Critique of Modernism. Continuum: New York,
2006.
NIETZSCHE, F. Werke: Kritische Gesamtausgabe. hg. G. Colli u. M. Montinari. Berlin/New York: DTV
& Walter de Gruyter, 1975.
______. Sämtliche Werke: Kritische Studienausgabe in 15 Bänden. Hg. G. Colli und M. Montinari.
Berlin/New York: Walter de Gruyter/DTV, 1999.
O’CONNOR, B. Adorno’s Negative Dialectic: Philosophy and Possibility of Critical Rationality. The MIT
Press: London, 2004.
O’CONNOR, B. 2013. Adorno. Routledge: London.
OTTMANN, H. Nietzsche Handbuch. J.B. Metzler Verlag: Stuttgart, 2000.
RUSH, F. 2004. “Conceptual Foundations of Early Critical Theory”. In: RUSH, F. Cambridge Companion
to Critical Theory. Cambridge University Press: Cambridge
SAAR, M. Genealogie als Kritik: Geschichte und Theorie des Subjekts nach Nietzsche und Foucault.
Campus Verlag: Frankfurt, 2007.
SCHWEPPENHÄUSER, G. 2009. Theodor W. Adorno. An Introduction. Duke University Press: London.
SHERRATT, Y. Adorno´s Positive Dialectic. Cambridge University Press: Cambridge, 2002.
SHERRATT, Y. Continental Philosophy of Social Science. Hermeneutics, Genealogy and Critical Theory
from Greece to the Twenty-First Century. Cambridge University Press: Cambridge, 2006.
STEGMAIER, W. Nietzsches Genealogie der Moral. WissenschaftlicheBuchgesellschaft: Darmstadt,
1994.
STEWART, J. 2011. “Kierkegaard and Hegel on Faith and Knowledge”. In: HOULGATE, S. A
Companion To Hegel. Wiley-Blackwell: Oxford
STRYDOM, P. 2011. Contemporary Critical Theory and Methodology. Routledge: London.
VERNON, J. 2007. Hegel´s Philosophy of Language. Continuum: New York.
WITTGENSTEIN, L. 1984. Werkausgabe in 8 Bänden. Frankfurt: Suhrkamp.