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Artful Teaching: Ensino de Língua Estrangeira por Meio das Artes

Leticia Tiemi HATA


Pedro Augusto ZAMBON
Universidade Presbiteriana Mackenzie

Alunos: Leticia Tiemi Hata E-mail: leticia.tiemi@hotmail.com


Pedro Augusto Zambon E-mail: pedro.silveira@mackenzista.com.br
Orientador: Prof.ª Dr.ª Vera Lucia Harabagi Hanna
Dra. Vanessa Maria da Silva

Resumo

O presente ensaio apresenta um assunto delicado: quando pensamos em uma língua


estrangeira e em sua aquisição, o discente tem de lidar com vários desafios, entre eles as
questões gramatical e cultural. Embora a educação seja uma área que sofre bastante
mudanças nos últimos tempos, ainda existem problemas para unir a gramatica com a
cultura. A melhor forma de fazer isso é utilizando a arte em aulas, como dizem os
educadores Christison (2005) e Shier (1990). Seguindo essa linha, didática será discutida
a produção de materiais voltados para essa área.

Palavras-chave: multiculturalidade; educação; artes; identidade; língua.

Introdução

A aquisição de um idioma é um assunto delicado quando pensamos no português,


nossa língua materna, a qual, na teoria, é mais fácil de aprender e compreender. A situação
fica mais difícil e delicada quando pensamos em estudar uma língua estrangeira: sempre
há um certo receio, visto que programamos nossa mente para acreditar no quão difícil é
realizar esta tarefa.
O estudante de uma língua estrangeira (LE) enfrenta múltiplos desafios para
aprender o novo idioma, como o domínio linguístico e a troca de contexto cultural. Para
facilitar todo esse processo, podemos fazer uso das artes, tanto verbais quanto não-
verbais, como ao ministrar aulas envolvendo pintura, fotografia, grafite, música,
literatura, entre outros, utilizando a arte e, por meio dela, favorecendo a aprendizagem da
língua estrangeira (SILVA, 2015).
Desenvolvimento

A área da educação, embora tenha passado por diversas mudanças ao longo de sua
criação, continua mantendo como base o professor à frente de uma sala cheia de alunos,
que dificilmente estão interessados em aprender. Se pararmos para pensar, muitas vezes
uma escola utiliza o mesmo material durante um longo período; afinal, não é rentável a
contratação de empresas para produção de material didático para a troca anual.

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A produção de um conteúdo didático tende a girar em torno de assuntos que não
prendem a atenção de estudantes — principalmente na adolescência, quando os jovens
cursam alguma LE, majoritariamente, porque seus pais acreditam que será bom para seu
futuro. Além disso, o material é desenvolvido em massa, sem levar em conta os diferentes
tipos de estudantes, tornando as aulas entediantes e forçando professores a seguirem
programas que não irão resultar em aprendizado — nem gramatical e muito menos
cultural. Esse tipo de cronograma, que deve ser seguido aula após aula, é, segundo Alves,
Um cardápio de saberes organizados em sequência lógica, estabelecido
por uma autoridade superior invisível, que nunca está com as crianças.
Os saberes do cardápio não são ‘respostas’ às perguntas que as crianças
fazem. Por isso as crianças não entendem por que têm de aprender o
que lhes está sendo ensinado. (ALVES, 2011, p.54)
Trabalhar com os domínios afetivos e cognitivos do conhecimento, unindo-os à
arte, é de extrema importância, como os educadores Christison (2005) e Shier (1990)
defendem. O domínio afetivo é tudo aquilo que se refere às emoções, enquanto o domínio
cognitivo remete às formas racionais do pensamento. Ambas estão inseridas nas
interações sociais de cada indivíduo e devem ser aplicadas de forma constante numa sala
de aula, para que, dessa maneira, haja envolvimento eficaz entre professor e aluno,
gerando confiança e produtividade.
Ao trabalhar com um material autêntico e com o qual os alunos possam se
envolver mais ativamente, as aulas se tornam mais dinâmicas e o discente pode
desenvolver muito melhor suas habilidades, que são prezadas pela sociedade, como ouvir,
falar, ler e escrever, mas também podem ir além disso, potencializando seu pensamento
crítico e sua consciência multicultural.
A arte permite que os estudantes explorem novas experiências, afinal, não são
todos que possuem conhecimento sobre pintura, por exemplo; e, como os discentes atuais
nasceram numa era extremamente tecnológica, todos são muito visuais: as informações
começam e deixam de circular num curto período de tempo — tudo torna-se ultrapassado
muito mais rápido.
Devemos pensar, entretanto, no desenvolvimento dos alunos, já que esse tipo de
aula proporciona experiências ricas na língua alvo e também na cultura dos países
falantes, propagando, assim, o multiculturalismo. A produção de atividades artísticas por
parte dos alunos ajuda a concretizar o que lhes foi ensinado, utilizando da criatividade
para obter resultados proveitosos e muitas vezes divertidos, podendo, assim, ser

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compartilhados com outros estudantes. De uma maneira simples, os alunos conseguem
entender sobre respeito e compreensão, além de trabalharem com a questão da confiança.
A confiança, aliás, é uma habilidade que pode e deve ser melhorada dentro da sala de
aula. Muitos estudantes sentem-se desconfortáveis e desmotivados dentro do ambiente
escolar, onde o medo de errar, que não deveria existir, alastra-se sempre que o professor
começa a circular pela sala. Esse é um problema sério e que deve ser levado em
consideração, pois um aluno que não confia em si mesmo não tem motivação para estudar,
pois pode acreditar que não levará a lugar algum.
Algumas escolas adotam tipos de aula diferenciados, como mostra o documentário
‘Quando Sinto Que Já Sei’ (2014), no qual mostra-se a formação de grupos de estudos
específicos com alunos de todos os anos e um professor-mediador. O docente está
presente apenas para tirar dúvidas; no entanto, os assuntos abordados, assim como a
discussão e a dinâmica geradas em aula, ficam por conta dos próprios estudantes. Dessa
forma, caso alguém do grupo tenha dúvidas, seus colegas de estudo o ajudam, de modo
similar ao da Escola da Ponte, que é segundo Rubem Alves “a escola dos sonhos”.
Essa é outra forma de tentar evitar as aulas clássicas, cujo foco é chegar ao
vestibular e também nas quais os estudantes mantêm a eterna dúvida “onde usar isso? ”.
Alves, que era um grande educador, sempre dizia:
A memória é um escorredor de macarrão. O escorredor de macarrão
existe para deixar passar o que não vai ser usado: passa a água, fica o
macarrão. Essa é a razão por que os estudantes esquecem logo o que
são forçados a estudar. Não por falta de memória. Mas porque sua
memória funciona bem: não sei para que serve; deixo passar... (ALVES,
2012, p.56)
É importante notar também como o aprendizado fica idealizado— considerando
que, se os alunos não entendem onde utilizar algum conteúdo, simplesmente não o irão
utilizar. Existe um conceito, denominado por Paulo Freire () de educação bancária, que
diz que o saber é uma doação dos que julgam ser sábios aos que julgam nada saber, assim
depositando conhecimentos e valores que refletem a sociedade opressora por meio da
cultura do silêncio. É por esse motivo que devemos repensar, além do método de ensino
atual, nossas avaliações: se os discentes sabem quando será a prova, que define se eles
passam ou não, será simples estudar no dia anterior e decorar tudo para depois esquecer
e seguir em frente, passando níveis e séries.

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Considerações Finais

Segundo Silva (2015), a arte possui uma profunda capacidade de enriquecer todos
aqueles envolvidos por ela e pode ser uma ferramenta inestimável para os professores, a
fim de auxiliar e melhorar o ensino e a aprendizagem de língua estrangeira. Mantendo
sempre em mente, como diziam grandes autores e educandos brasileiros, que “Ensinar
não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua própria produção ou a
sua construção” (FREIRE, 2016) e “A inteligência é essencialmente prática” (ALVES,
2001), ou seja, o nosso aluno só irá aprender quando conseguir relacionar o que está sendo
estudado com suas experiências de vida. Todos os conhecimentos passados na escola
parecem abstratos, principalmente pela forma como estão sendo transmitidos. Fazendo
uso de situações mais próximas da realidade dos estudantes, ficará mais fácil a
compreensão e absorção dos saberes.

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Referências Bibliográficas

ALVES, Rubem. A Escola com que Sempre Sonhei sem imaginar que Pudesse Existir. 13.
ed. Campinas: Papirus, 2012.

CHRISTISON, M.A. Multiple Intelligences and Language Learning: A Guidebook Of


Theory, Activities, Inventories, And Resources. Alta Professional Series. São Francisco,
CA. 2005.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra. Pp.57-76. 1996

. Pedagogia do Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. 53. ed. Rio


de Janeiro: Paz e Terra, 2016.

SHIER, J.H. Integrating the Arts in the Foreign/Second Language Curriculum: Fusing
the Affective and the Cognitive. Foreign Language Annals, 23, No. 4, 1990, p.301-314

SILVA, Vanessa Maria da. Ensino de português como língua estrangeira e a perspectiva
intercultural: um estudo etnográfico nos Estados Unidos. 2016. 182 f. Tese (Letras) -
Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo.

Quando Sinto Que Já Sei. Direção de Antonio Sagrado, Raul Perez e Anderson Lima.
Produção de Antonio Sagrado, Raul Perez e Anielle Guedes. Roteiro: Antonio Sagrado,
Raul Perez e Tiago Marinho. 2014. (78 min.), son., color. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=HX6P6P3x1Qg>. Acesso em: 29 ago. 2017.

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