Вы находитесь на странице: 1из 38

CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

1
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

GRIPE – INFLUENZA
QUAL A ORIGEM DO NOME? 2

A Gripe é também conhecida por influenza, palavra de origem italiana. Esta


designação surge no século XVIII, porque os Italianos atribuíam a sua causa à
influência dos astros, devido à associação que faziam dos surtos e epidemias da
doença com determinadas épocas do ano.

A primeira epidemia conhecida de influenza foi descrita por Hipócrates em 412 a.C..
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

O QUE É A “GRIPE”?
3

Os primeiros sintomas da doença surgem entre 1 a 4 dias após a infeção pelo vírus– é o chamado período de incubação –
e a sua severidade varia de acordo com a pessoa infetada.
O vírus Influenza pode afetar qualquer pessoa; no entanto, as pessoas com idade avançada ou doenças crónicas são mais
vulneráveis, apresentando sintomas mais severos e maior mortalidade.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

4
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

QUAIS SÃO AS COMPLICAÇÕES DA INFEÇÃO?

A complicação mais frequente da gripe é a sobreinfeção 5

bacteriana (por Streptococcus pneumoniæ,


Haemophilus influenzæ ou Staphylococcus aureus) e é
mais frequente nos grupos de risco, podendo justificar-
se ponderar, caso a caso, a administração da vacina
contra Streptococcus pneumoniæ.

A pneumonia por vírus influenza é menos frequente, mas tem uma elevada letalidade.

COMO SE DIAGNOSTICA A DOENÇA?


O diagnóstico definitivo da gripe baseia-se no isolamento do vírus e/ou na identificação do genoma viral.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

PROFILAXIA E COMBATE 6

Vigilância epidemiológica
Devido à grande variabilidade antigénica que este vírus apresenta, a
identificação das estirpes circulantes em cada ano é fundamental para
a vigilância epidemiológica da gripe e consequente conhecimento da
epidemiologia da doença.
Vacinação
A vacinação anual contra a gripe é a melhor forma de prevenir a doença
e reduzir o impacte das epidemias.
Terapêutica
Medicamentos antivirais.
Estes, porque não conferem imunidade, não substituem a vacinação
anual contra a gripe e, em geral, apenas têm indicação como adjuntos
da vacinação na prevenção e controlo da gripe em situações
particulares
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

PREVENIR O CONTÁGIO PREVENIR O CONTÁGIO


7
(conselhos básicos) (conselhos básicos)
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

QUEM É O AGENTE? 8

Existem três tipos de vírus Influenza – A, B e C.


Apenas os vírus A e B causam doença com impacto significativo na saúde humana, sendo os principais causadores das
epidemias anuais.
• O Influenza A é essencialmente um vírus das aves que se adapta ocasionalmente aos humanos, podendo causar
pandemias (epidemias que se propagam ao mundo todo).
Os vírus B e C infetam apenas humanos.
• O influenza B é responsável por surtos localizados em pequenas comunidades (por exemplo, em escolas).
• O tipo C causa uma gripe ligeira e está, por isso, menos estudado.

HISTÓRICO DA IDENTIFICAÇÃO DO AGENTE INFECIOSO


• O vírus influenza A foi isolado em 1933 por Wilson Smith e seus colaboradores Christopher Andrews e Patrick Laidlaw.
• O vírus influenza B foi isolado em 1939 por Francisco.
• O vírus influenza C por Taylor em 1950.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

ESTRUTURA DO VIRUS INFLUENZA


9
O vírus é uma partícula esférica com:
• diâmetro interno de aproximadamente 110 nm;
• um núcleo central de 70 nm, (figura 1)

A superfície é coberta por proteínas de aproximadamente


10 nm de comprimento com funções essenciais ao vírus:
• a hemaglutinina (H), responsável pela entrada do
vírus nas nossas células onde este se irá multiplicar;
a neuraminidase(N), permite a libertação dos novos
vírus que irão à conquista de novas células.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

ESTRUTURA DO VIRUS INFLUENZA


10

O vírus da gripe apresenta um genoma constituído


por segmentos de ácido ribonucleico (ARN), o qual
codifica, entre uma grande variedade de proteínas
virais.
A variabilidade das proteínas virais,
Hemaglutinina (H) e Neuraminidase (N), no vírus
da gripe A, está na base da sua classificação em
diferentes subtipos (por exemplo, H5N1 ou H1N1).

Atualmente conhecem-se 16 tipos diferentes de hemaglutinina (H1-H16) e 9 de neuraminidade (N1-N9). É a sua combinação
que define o subtipo de vírus da gripe A expresso, o qual apresentará uma resposta epidemiológica e clínica específica.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

H5N1 – GRIPE DAS AVES


A designação “gripe das aves” é, na verdade, um conjunto 11

muito variado de diferentes vírus que se encontram em


aves.

Os vírus humanos da gripe têm, muito provavelmente,


todos origem nesta diversidade de vírus presente nas aves
e que, ocasionalmente, produz um vírus capaz de se
transmitir aos humanos e até entre humanos.
O subtipo H5N1 tem sido responsável pela morte de
centenas de pessoas nas últimas décadas.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

H5N1 12

Segundo dados da Organização Mundial


de Saúde, entre 2003 e agosto de 2010,
este vírus foi responsável por um total de
505 casos confirmados e 300 mortes,
sendo a Indonésia o país mais afetado
(valores cumulativos).

Distribuição mundial das áreas onde foram registados casos de gripe das aves (H5N1) em humanos, desde 2003.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

(H1N1) – GRIPE A
13
Em 2009, surgiu esta nova estirpe do vírus da
gripe H1N1 (2009) que afeta humanos,
inicialmente designada como gripe suína e
em abril de 2009 como gripe A.

Por se tratar de um vírus novo para o qual a


população não tinha imunidade, foi
responsável pelas grandes pandemias que
afetaram a humanidade.

Entretanto, a designação de gripe suína foi


abandonada, pois o vírus não está
relacionado com os vírus dos suínos, nem o
contacto ou a ingestão de carne desta
espécie representa qualquer risco.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

(H1N1) – GRIPE A
Mapa por mortes confirmadas: 14

A designação “Gripe A” apenas foi aplicada em


2009/2010, não estando atualmente em vigor, pois a
partir dessa data, a circulação do vírus do subtipo
A(H1N1) tornou-se natural, passando a ser uma gripe
sazonal sem nenhuma especificidade, nomeadamente,
no que respeita a cuidados especiais de isolamento
com doentes/contactos.
O vírus influenza A (H1N1)2009 tornou-se um vírus
sazonal, em co-circulação com outros vírus influenza e
é o que infecta mais gente no mundo.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

(H1N1) – GRIPE A
15
Foi este mesmo vírus o responsável pela pandemia de 1918-1919, conhecida como a GRIPE ESPANHOLA, e que foi
responsável pela morte de 50-100 milhões de pessoas no mundo inteiro, no período imediatamente a seguir à 1ª Guerra
Mundial.

Ampliação da estirpe de gripe A H1N1,


responsável pela gripe espanhola em
1918 e pela gripe suína em 2009.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

A gripe mata dez vezes mais do que os acidentes de viação


16

Todos os anos, a nível mundial, o vírus atinge em média 5 a 10% dos adultos
e 20 a 30% das crianças. Na época de gripe de 2016-2017 estima-se que, em
Portugal, cerca de 4500 mortes estejam associadas à epidemia de gripe
sazonal. Esse cálculo é feito pelo número de mortes registadas em excesso
em relação ao esperado durante esses meses. Por comparação, em 2016
morreram em Portugal 445 pessoas vítimas de acidente de viação. Ou seja,
dez vezes menos do que as atribuídas à gripe.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

ALERTA 17

Um século depois da pneumónica, o risco de um novo surto de


infeções aumenta
O H5N1 permanece um forte candidato a uma nova pandemia
se em algum momento passar a barreira entre as espécies e
deixar de apenas se transmitir de aves para humanos, para
passar a transmitir-se entre humanos.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

18
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

PNEUMÓNICA – A GRIPE MAIS GRAVE E MORTÍFERA NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE


19
MATOU MAIS GENTE NUM ANO QUE UM SÉCULO DE PESTE NEGRA OU QUE OS 8 MILHÕES DE MORTES NA
I GUERRA MUNDIAL (1914-1918)

Aquela que é hoje considerada «a mais grave pandemia desde a Peste Negra de meados do século XIV», surgiu no
final da I Guerra Mundial e disseminou-se ampla e livremente, acompanhando as movimentações dos exércitos que
se defrontavam na Europa e na Ásia ocidental. Julga-se que terá tido a sua origem nos Estados Unidos da América,
na Ásia ou na própria Europa, mas sempre associada aos acampamentos militares e à guerra.

O rastilho da pandemia na Europa parece ter tido origem em Brest


CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

Altamente contagiosa, a gripe atacou em três vagas: a primeira, que se desenvolveu em março e abril de 1918, tendo
alastrado à África do Norte, à Ásia e à Austrália, foi relativamente benigna; a segunda, altamente mortífera, surgiu em 20

agosto e propagou-se com grande rapidez pelas Américas, África, Europa e Ásia.

maio de 1918 irrompe na China e na


maio de 1918 estende-se à Grécia India.

junho e julho de 1918 atinge a Grã-Bretanha, a Alemanha, a Em agosto de 1918 invade a Holanda e a
Dinamarca e a Noruega. Suécia.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

A terceira vaga, que se manifestou nos inícios de 1919, foi menos virulenta, registando-se taxas de mortalidade
substancialmente mais baixas. 21

Em setembro de 1918 está na Argélia, na Tunísia, no Egipto, na Austrália e na Em novembro de 1918 a pneumónica já dera a volta ao mundo e começa a
Nova Zelândia. retroceder.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

Tal como noutros pontos do mundo, em Portugal, a gripe de 1918-1919 desenrolou-se em três vagas. A primeira
corresponde à chegada da epidemia, em finais de maio, trazida por trabalhadores agrícolas regressados de Espanha, mais 22

concretamente de Badajoz e Olivença.


Em Guimarães, no final do mês de setembro, a imprensa local faz soar o alarme. A gripe broncopneumónica, que já
martirizava a população de Barcelos, Vila Real e Amarante, provocando inúmeras mortes, faz-se também presente na
cidade.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

A GRIPE PNEUMÓNICA ATRAVÉS DOS REGISTOS HOSPITALARES


23

HOSPITAL DA MISERICÓRDIA
MOVIMENTO DE DOENTES ENTRADAS NO HOSPITAL – 1917-1920

(1914 – 1921)

Ano Masculino Feminino Total


Doentes Óbitos Doentes Óbitos Doentes Óbitos
1914 764 45 1097 59 1861 104
1915 850 65 1164 76 2014 141
1916 816 58 1100 68 1916 126
1917 890 89 1050 93 1940 182
1918 986 105 1129 121 2115 226
1919 1045 129 1188 122 2233 251
1920 546 67 588 74 1134 141
1921 437 46 480 59 917 105
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

ENTRADA DE DOENTES NO HOSPITAL DA MISERICÓRDIA


Entradas de doentes entre 1914 e 1921
24
⎯ período de relativa regularidade até meados de
1918, a que corresponde uma média de 161 admissões
por mês.
⎯ sucedem-se dois picos de entradas de doentes:
⎯ o primeiro mais curto e mais intenso, entre
setembro e novembro de 1918;
⎯ o segundo, de menor intensidade, mas com maior
duração, entre fevereiro e outubro de 1919;
⎯ contínua descida das entradas no hospital, a partir de
1920;
⎯ a Santa Casa da Misericórdia de Guimarães enfrenta
enormes dificuldades financeiras.

A 27 de Agosto de 1919 a Santa Casa da Misericórdia faz saber que:“(…) «por causa da carência absoluta de recursos», se
limitasse a 100 o número de doentes hospitalizados ,(…) e depois, a 70 (20 de Fevereiro de 1920), embora podendo aceitar-
se mais 5 em caso de gravidade (…) e abreviar o tempo de internamento” (Conceição, 2016, p. 87).
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

ENTRADAS NO HOSPITAL
25

Principais doenças infeciosas que afetaram a população vimaranense neste período (as doenças estão subdivididas em
função do seu mecanismo de transmissão):
1.1 Doenças infeciosas transmitidas por água e alimentos;
1.2 Doenças infeciosas transmitidas pelo ar;
1.3 Doenças infeciosas transmitidas por vetores;
1.4 Outras doenças infeciosas.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

DOENTES INTERNADOS COM GRIPE NO HOSPITAL DA MISERICÓRDIA

26

Evolução da epidemia, identificando a sua eclosão explosiva e posterior enfraquecimento:


⎯ de janeiro de 1917 a dezembro de 1920, os valores de entradas no hospital não ultrapassam os 6,5 doentes/mês,
(90% da distribuição não ultrapassa o valor de 25 doentes/mês)
⎯ há somente cinco meses atípicos (outliers), com valores extremos: em 1918, setembro com 84 doentes, outubro
com 155 e novembro com 66; em 1919, junho com 27 doentes e julho com 35.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

DOENTES INTERNADOS COM GRIPE NO HOSPITAL DA MISERICÓRDIA - SETEMBRO A DEZEMBRO


(1918)
27

Durante 1919, em Guimarães, houve ainda alguns casos de pneumónica, mas sem a virulência do episódio de 1918.
O número médio de doentes internados por semana foi de quatro, tendo atingido o valor máximo de 12, na terceira
semana de julho.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

MOVIMENTO HOSPITALAR VS ENTERRAMENTOS NO CEMITÉRIO


28

O gráfico dá-nos uma perspetiva da evolução dos enterramentos no cemitério municipal, sendo evidente uma grande
semelhança com as tendências já assinaladas aquando da análise do movimento hospitalar. A representação da
mediana das duas variáveis, ao indicar-nos que em metade do período analisado os valores não ultrapassam os 15
óbitos/mês no hospital e os 52 enterramentos/mês no cemitério, permite-nos visualizar o que representou a
sobremortalidade nos meses de setembro a dezembro de 1918.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

ENTERRAMENTO NO CEMITÉRIO – GRUPOS DE IDADES


29

Podemos verificar que, em 1918, comparativamente com 1917 ou 1920, houve um grande aumento do número de óbitos,
que praticamente duplicou em todos os grupos de idades, à exceção dos adultos com mais de 50 anos, cujo aumento foi
mais ligeiro.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

ENTERRAMENTOS EM 1918 ENTRADAS NO HOSPITAL VS ENTERRAMENTOS (1917-1920) 30

(% DA POPULAÇÃO CIDADE (1911)

O ano de 1919, embora com valores inferiores, foi também um ano penalizador para a população vimaranense.
havendo, no mês de outubro, um aumento acentuado em quase todas as idades, com um destaque assinalável para
os indivíduos entre os 25 e os 50 anos. Continuam a afastar-se desta tendência o grupo dos idosos, com mais de 70
anos. Novembro e dezembro, comparados com os restantes anos, são meses praticamente normais.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL
O COMBATE
Ricardo de Almeida Jorge
31

⎯ Ricardo de Almeida Jorge nasceu na cidade do Porto, a 9 de Maio de 1858, e


faleceu em Lisboa, a 29 de Julho de 1939.
⎯ Em Outubro de 1899, é transferido para Lisboa, sendo nomeado Inspetor-geral
de Saúde e, depois, professor de Higiene da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.
⎯ Em 1903, é incumbido de organizar e dirigir o Instituto Central de Higiene, que
passaria a ter o seu nome a partir de 1929.
⎯ Nos anos de 1914 e 1915 preside à Sociedade das Ciências Médicas e nos anos
seguintes visita formações sanitárias na zona de guerra em França.
⎯ Organiza depois a luta contra a epidemia de gripe pneumónica, do tifo
exantemático, varíola e difteria, que surgiram como consequência das
deficientes condições sanitárias do pós-guerra.
⎯ Ricardo Jorge foi o fundador, entre nós, da Higiene e da Saúde Pública, facto
que nos é recordado pelo Instituto que, em Lisboa, foi construído e ao qual foi
dado o seu nome.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

A 31 de agosto de 1918, a Direção Geral de Saúde, chefiada por


Ricardo Jorge, anuncia oficialmente a existência de um novo surto 32

epidémico de gripe, classificando-o como influenza pneumónica. Não


obstante os estudos realizados após a epidemia de 1889-90, a doença
continua a surpreender e frustrar a comunidade científica com o seu
poder de contágio, mas, sobretudo, porque a variedade de sintomas,
graus de intensidade e durabilidade impossibilitam o diagnóstico
seguro e a fixação de um tratamento efetivo e eficaz.
Consequentemente, aposta-se na prevenção, centrada na higiene do
corpo e dos espaços, e na assistência aos atacados em hospitais de
isolamento.
Ricardo Jorge referia-se ao vírus — cujo agente na altura era
desconhecido — como algo que “quase instantaneamente se derrama
por uma cidade inteira e salta por cima de todas as barreiras”.
E perante tal adversidade, Ricardo Jorge vai mais longe, promovendo
o fim de contactos como os apertos de mão e os ósculos.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

33

Foto: DR/ Cláudio Garcia/TSF

"Na qualidade de diretor do Conselho Superior de Higiene e de diretor-geral de Saúde, a Ricardo Jorge deve-se, segundo
Helena Rebelo de Andrade, a coordenação do combate à epidemia de gripe em 1918 e 1919, tendo promovido medidas
sanitárias que passaram, entre outras, pela informação da população, a organização de serviços sanitários de emergência,
a imposição de medidas preventivas.”
"Ele fez da pneumónica uma bandeira política, viajou pelo país inteiro numa campanha de proximidade com a população
numa altura muito conturbada. Éramos um país maioritariamente rural, com sucessivas epidemias e as consequentes crises
sanitárias, a viver uma crise política e com a Primeira Guerra Mundial como pano de fundo."
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

GRIPE ESPANHOLA: CRUZ VERMELHA FOI FUNDAMENTAL NO APOIO AOS DOENTES


34

Em 1918, ano em que terminou a 1ª. Guerra Mundial, Portugal deparou-se com mais uma crise nacional: a Gripe
Pneumónica. Em quase todas as famílias há antepassados vitimados pela doença, que matou mais de 60 mil pessoas
no nosso país.
Deve ser destacado o papel relevante desempenhado pela Cruz Vermelha Portuguesa, fundada em 1865.
O transporte das vítimas, o apoio aos órfãos e os cuidados prestados pelas 'damas-enfermeiras', onde quer que
estivessem os doentes, foram algumas das ações dos voluntários da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) durante a "gripe
espanhola", em 1918.

Regulamento das Damas Enfermeiras da C. V. P.


Damas Enfermeiras
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

35

Outra tarefa das 'damas-enfermeiras' foi cuidar das crianças no orfanato improvisado na Ajuda, em Lisboa, onde viviam

os que tinham perdido os pais na pandemia.

Este Orfanato começou por ser temporário, e depois tornou-se definitivo. Ficava nas Instalações da Cruz Vermelha

Portuguesa, num edifício conhecido por Vila da Santo António, na Rua da Junqueira, em Lisboa.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

36

À CVP foi ainda atribuída por Sidónio Pais a tarefa de transportar os "epidemiados", como eram designadas as pessoas
atingidas pelo vírus da gripe, em ambulâncias criadas na época e que eram puxados por voluntários da instituição até
aos hospitais, nomeadamente os improvisados criados para esse fim.
Na sede da CVP, além de boletins clínicos dos doentes com "gripe espanhola" e fotografias dos hospitais e orfanatos
improvisados, consta ainda uma ambulância que transportou muitos dos "epidemiados".
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

O PAPEL DA CRUZ VERMELHA PORTUGUESA NOS CONCELHOS DO ALTO MINHO


37

Tendo a conta a data da fundação das várias Delegações da Cruz Vermelha Portuguesa, terão sido essas Delegações a
prestar o socorro que abaixo é narrado pela investigadora Alexandra Esteves.
Delegação de Braga – 1870;
Delegação de Viana do Castelo – 1911.
Em Viana do Castelo, a delegação local da CVP colocou-se à disposição das autoridades para o combate à epidemia.
CENTENÁRIO DA GRIPE PNEUMÓNICA EM PORTUGAL

Na região de Viana do Castelo, os médicos andavam exaustos e alguns acabaram mesmo por sucumbir ao flagelo. Em
38
Paredes de Coura, a situação tornou-se de tal modo complicada que a Cruz Vermelha teve que enviar dois enfermeiros e
um maqueiro. Neste concelho, algumas freguesias foram severamente afetadas pela gripe, dizimando famílias inteiras.

A situação revelou-se particularmente difícil em Melgaço,

https://www.minhodigital.com/sites/default/files/styles/panopoly_imag
sobretudo após a morte dos dois únicos médicos, vítimas da
pneumónica. Neste concelho, que entre os do Alto Minho foi o
que registou a maior mortalidade, os enfermeiros, receando o

e_original/public/1_45.png?itok=Bg2pdlIR
contágio, abandonaram o hospital da Misericórdia.
Mais uma vez, a intervenção da Cruz Vermelha foi crucial,
Na Vila de Melgaço, a rua Nova de Melo, na época montando um hospital de campanha em Melgaço, onde a
dificuldade em controlar a enfermidade era agravada pela sua
localização junto à fronteira espanhola.

Em Viana do Castelo uma das enfermeiras adoeceu e as restantes estavam esgotadas pelas horas de trabalho acumulado,
pelo que se tornava indispensável a intervenção da delegação da Cruz Vermelha.