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Gerenciamento de Energia

Prof. Giovanilton Ferreira da Silva


Demanda é a média das potências ativas instantâneas
solicitadas à concessionária de energia pela unidade
consumidora e integradas num determinado intervalo
de tempo (período de integração), e, portanto, só existe
quando findo este intervalo (Figura 1). Em outras
palavras, é o consumo de energia da sua instalação
(kWh) dividido pelo tempo no qual se verificou tal
consumo. É importante salientar que não existe
demanda instantânea, o que existe é potência
instantânea sendo integrada.
Figura 1 Cálculo da demanda “D” (kW).
Para faturamento de energia pelas concessionárias
nacionais, se utilizam intervalos de integração de 15
minutos (em outros países este período varia de 5 a 30
minutos). Assim, a sua demanda de energia (medida
em kW ou MW), é igual ao valor do consumo
registrado a cada intervalo de 15 minutos (medido em
kWh ou MWh) dividido por 1/4 (15 minutos são iguais
a 1/4 de hora).
Além da demanda há ainda a fatura do consumo, que
nada mais é do que a energia consumida no mês,
medida em kWh. Em outras palavras, é a energia
elétrica despendida para realizar trabalho num
determinado período de tempo considerado (potência
x tempo). Fazendo uma analogia com a mecânica de
movimento é como se o consumo fosse o espaço
percorrido e a demanda fosse a velocidade média em
15 minutos.
Matematicamente, a energia (consumo) é a integral de
tempo da potência instantânea. Graficamente,
representa a área sob a curva potência x tempo
(Figura 2).

Figura 2 Cálculo do consumo “C” (kWh).


Tomando-se como exemplo a curva da figura 6.9,
pode-se calcular o consumo “C” (energia) através do
cálculo da área indicada, ou seja:
Na prática, a unidade de medida do consumo (energia)
é o kWh, devendo-se, portanto, dividir o resultado
obtido por 60 (60 minutos = 1h):

Observe que a demanda (potência média),


conforme definida pela expressão (1.1), é igual
ao consumo (energia) dividido pelo intervalo de
integração (15 minutos = ¼ hora):
Para o faturamento de energia, o fator de potência
(que, como já visto, é o índice de eficiência da
instalação que mede a capacidade de converter a
potência total fornecida à instalação – kVA – em
potência que possa realizar trabalho - kW) é
registrado de hora em hora.

Desta maneira, como no caso da demanda, os


mecanismos de tarifação levarão em conta o pior valor
de fator de potência registrado ao longo do mês, dentre
os mais de 700 valores registrados (30 dias x 24h = 720
medições).
É importante lembrar que, como já apresentado, cada
um dos valores do fator de potência medidos são
identificados como indutivos ou capacitivos (Figura 3).

Figura 3 Representação gráfica do fator de potência indutivo e capacitivo.


A Resolução Nº 456 da Aneel (Agência Nacional
de Energia Elétrica), de Novembro de 2000,
estabelece as regras e condições para medição e
faturamento da energia reativa excedente.
O fator de potência de referência estabelecido
como limite para cobrança de energia reativa
excedente por parte da concessionária é de 0,92,
independente do sistema tarifário.
O controle da potência reativa deve ser tal que o
fator de potência da unidade consumidora seja
no mínimo 0,92 (média horária), permanecendo
sempre dentro da faixa que se estende do fator
de potência 0,92 indutivo até 0,92 capacitivo
(figura 6.15). Isto significa que, para cada kWh
de energia ativa consumida, a concessionária
permite a utilização de 0,425 kVAr de energia
reativa indutiva ou capacitiva, sem acréscimo
no faturamento.
É importante introduzir os conceitos de posto
capacitivo e posto indutivo.
Posto Capacitivo é um período de 6 horas
consecutivas de segunda a domingo,
compreendidas, a critério da concessionária,
entre 23:30h e 06:30, onde ocorre a medição da
energia reativa capacitiva.
Em linhas gerais, para consumidores do grupo
A, a medição do fator de potência é compulsória
e, para evitar multas, deverá ser mantido acima
de 0,92 indutivo (durante os horários fora de
ponta indutivo e de ponta), e acima de 0,92
capacitivo no horário capacitivo. Para unidades
consumidoras do Grupo B, a medição do fator
de potência é facultativa, sendo admitida a
medição transitória, desde que por um período
mínimo de 7 (sete) dias consecutivos.
A determinação do fator de potência poderá ser
feita através de duas formas distintas:
a) Avaliação horária
O fator de potência será calculado através dos
valores de energia ativa e reativa medidos a
cada intervalo de 1 hora, durante o ciclo de
faturamento.
b) Avaliação mensal
Neste caso, o fator de potência será calculado
através de valores de energia ativa e reativa
medidos durante o ciclo de faturamento.
A resolução 456 estabelece que o fator de
potência de referência "fr", indutivo ou
capacitivo, terá como limite mínimo permitido,
para as instalações elétricas das unidades
consumidoras, o valor de fr = 0,92.
A correção do fator de potência deve ser considerada
em virtude dos seguintes resultados positivos que
podem ser obtidos:
1. Redução das perdas por aquecimento;
2. Redução dos custos decorrentes da utilização de
energia elétrica;
3. Aumento na capacidade de condução dos cabos e
da capacidade disponível em transformadores,
permitindo a ligação de cargas adicionais;
4. Aumento dos níveis de tensão, podendo corrigir
eventuais distorções.
A potência absorvida por um
carga é o produto da corrente
pela tensão

P =VxI
Em corrente alternada encontramos
três tipos de potência.

◦Potência aparente;
◦Potência ativa;
◦Potência reativa.
Nas cargas resistivas, toda a potência
absorvida da rede é transformada em
trabalho. Ela é chamada de potência
ativa, sendo expressa em W ou kW.
O produto da tensão pela corrente é
sempre um valor positivo, ou seja
maior que zero.
As cargas constituídas por
componentes com comportamento
reativo, seja indutivo ou capacitivos,
necessitam de uma corrente e,
consequentemente, de uma potência
chamada reativa.
Essa potência absorvida da rede, a
qual não realiza trabalho, é expressa
em Var ou kVAr
A grande maioria das cargas
existentes nas unidades
consumidoras consome energia
reativa indutiva, tais como motores,
transformadores, reatores de para
lâmpadas de descarga.
As cargas indutivas necessitam de
campo eletromagnético para seu
funcionamento, por isso sua operação
requer dois tipos de potência.
Potência ativa (P): a potência que
efetivamente realiza trabalho
produzindo calor, luz, movimento.
Potência reativa (Q): usada apenas
para criar e manter os campos
eletromagnéticos das cagar indutivas.
Por definição, fator de potência é
razão entre a potência ativa e a
potência aparente. Do ponto de vista
da eficiência energética, um alto valor
do fator de potência indica uma
eficiência alta; ao contrário, um fator
de potência baixo indica baixa
eficiência energética.
É a relação entre a PAt E A PAp

PAt
FP =
PAp
Para interpretar o fator de
potência, utilizamos um triângulo
retângulo para representar as
potências e as relações existentes
entre elas, como mostrado na
Figura a seguir.
Representa o quanto da potência
total é transformada em trabalho

FP MÍNIMO = 0,92 OU 92 %
O fator de potência indutivo
representa a forma de onda de
corrente atrasada em relação à
onda de tensão; caso contrário, o
fator de potência é chamado de
capacitivo.
Quanto menos cargas reativas
estiverem presentes na instalação,
menor o ângulo . Caso a potência
reativa seja muito pequena, o
ângulo tenderá a 0 grau. O cosseno
de 0 é um, portanto quanto menos
carga reativas, mais próximo a 1
será o fator de potência.
VAr
Cap.
VAr
Ind.

W
Causas de um baixo fator de
potência:

Motores de indução operando em


vazio, com pequenas cargas ou
superdimensionados;

Transformadores operando em
vazio, ou com pequena cargas;
Causas de um baixo fator de
potência:

Grande quantidade de motores em


operação durante um longo
período;

Cargas especiais com elevado


consumo reativo.
Motores de indução possuem a
característica de consumir
praticamente em vazio ou em plena
carga. A energia ativa, entretanto, é
diretamente proporcional à carga
mecânica aplicada ao eixo do
motor. Quando menor a carga,
menor a energia ativa consumida e,
consequentemente, menor o fator
de potência
Exemplo 1: Um estabelecimento
comercial está com um fator de
potência de 0,8 e possui
equipamentos que totalizam 500
kW de potência real. Qual é
potência aparente que a
concessionária deve fornecer para
esse estabelecimento? Qual o valor
da potência reativa?
Exemplo 2: Qual a potência
aparente e a potência reativa
quando se reduz a potência de
carga de um motor de 100 HP em
50 %?
O método normalmente empregado
na adequação ou correção do fator
de potência é a instalação de
capacitores próximos das cargas. A
associação de capacitores, banco
de capacitores, fornece energia
reativa consumida pela cargas
indutivas.
O capacitor diminui a potência reativa
conservando a potência ativa

Com isso diminui a potência total


(Aparente)
O capacitor fornece a potência reativa
Qc, a qual não será absorvida da
rede. A potência ativa (P) é mantida
constante.
Quando menor o ângulo entre P e S,
mais potência aparente é
transformada em potência ativa e
menores as perdas provocadas por
cargas reativas.
Qc.

VAr
Ind.

W
Uma empresa possui instalada uma
carga de 1.200 kW. Verificou-se que
o fator de potência é igual a 0.8
(indutivo). Qual a potência reativa
(kVAr) do banco de capacitores que,
quando instalado, corrija o fator de
potência para o valor de 0.92?