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CADERNO

DIDÁTICO I
1 período
ARTES VISUAIS
UAB

UNIVERSIDADE
ABERTA DO BRASIL

Ministro da Educação
Fernando Haddad

Secretário de Educação a Distância


Carlos Eduardo Bielschowsky

Coordenador Geral da Universidade Aberta do Brasil


Celso José da Costa

Governador do Estado de Minas Gerais


Aécio Neves da Cunha

Vice-Governador do Estado de Minas Gerais


Antônio Augusto Junho Anastasia

Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior


Alberto Duque Portugal

Reitor da Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes


Paulo César Gonçalves de Almeida

Vice-Reitor da Unimontes
João dos Reis Canela

Pró-Reitora de Ensino
Maria Ivete Soares de Almeida

Coordenadora da UAB/Unimontes
Fábia Magali Santos Vieira

Coordenadora Adjunta da UAB/Unimontes


Ramony Maria da Silva Reis Oliveira
CADERNO DIDÁTICO I UAB/UNIMONTES

Projeto Gráfico e Editoração


Andréia Santos Dias
Alcino Franco de Moura Júnior
Wendell Brito Mineiro

Impressão, Montagem e Acabamento


Gráfica e Editora Sigma Ltda.

Revisão
Alcino Franco de Moura Júnior
Danielle F. Souza
Fábia Magali Santos Vieira
Ivanise Melo de Sousa
José França Neto
Karen Tôrres Corrêa Lafetá de Almeida
Wane Elayne Eulálio dos Anjos
Wanessa Pereira Fróes Quadros
Ramony Maria da Silva Reis Oliveira
SUMÁRIO

Apresentação do Caderno Didático.................................................. 05


Introdução à Educação a Distância................................................... 11
Referências..................................................................................... 35
Iniciação Científica......................................................................... 37
Unidade 1..................................................................................... 43
Unidade 2..................................................................................... 55
Referências.................................................................................. 96
Atividades de Aprendizagem - AA................................................... 98
Filosofia da Educação.................................................................... 100
Apresentação............................................................................ 104
Unidade 1: A Filosofia e suas Origens........................................... 108
Unidade 2: Ontologia................................................................. 120
Unidade 3: O Racionalismo Moderno.......................................... 130
Unidade 4: A Ação na Filosofia Contemporânea........................... 152
Unidade 5: A Contribuição do Projeto Filosófico para a Teoria e
Prática da Educação na Atualidade.............................................. 172
Atividades de Aprendizagem - AA................................................ 189
Referências Básica, Complementar e Suplementar........................ 192
Agenda do Acadêmico.................................................................... 194
APRESENTAÇÃO
DO CADERNO
DIDÁTICO

Caro Acadêmico,

Inicialmente, cumpre-nos registrar nossos cumprimentos pelo seu


êxito no Processo Seletivo da Universidade Aberta do Brasil. Que este
triunfo, que coloca você entre os privilegiados da sociedade, possa
efetivamente contribuir para seu crescimento pessoal, sua auto-realização
e, conseqüentemente, para desenvolvimento da sociedade, através de sua
resposta, em ações, aos que contribuíram para sua formação.
Você está ingressando em um curso de Licenciatura. Este fato
amplia, em muito, a sua responsabilidade social. A formação adequada de
professores se coloca, hoje, como a mais significativa esperança para o
desenvolvimento humano. E é nesta perspectiva que apresentamos o seu
primeiro Caderno Didático de Disciplinas.
Cada Caderno Didático tem o objetivo de orientar as atividades
que você realizará nas disciplinas nele contidas. Na forma como foi
organizado, dialogando com o acadêmico, este material permite a
construção gradativa e processual dos conhecimentos relevantes,
deixando à responsabilidade do acadêmico o seu aprofundamento através
das indicações de referência, sugeridas para estudo. Aí, também, foram
colocadas Atividades de Aprendizagem – AA, através das quais você
poderá acompanhar seu desempenho e promover o seu próprio
desenvolvimento. Esta atividade terá um valor de 20 pontos. O objetivo
deste trabalho é que o conhecimento adquirido ultrapasse o âmbito da
teoria e permita o estabelecimento de relações em todas as atividades de
sua vida, extrapolando as relações sociais em que você se insere.
Os Cadernos Didáticos do primeiro período terão as seguintes
disciplinas:

Iniciação Científica, com uma carga horária de 40 horas;


?
Arte e Cultura Popular, com uma carga horária de 90 horas;
?
Filosofia, com uma carga horária de 75 horas;
?
Desenho I, com uma carga horária de 75 horas;
?
? Oficina de Artes Plásticas I, com uma carga horária de 90
horas; e
História da Educação, com uma carga horária de 30 horas.
?

05
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Na disciplina Iniciação Científica, você terá oportunidade de


construir e/ou aprofundar conhecimentos acerca da relação entre ciência e
conhecimento, desvelando, assim, o processo de produção e de
transmissão, reconhecendo e empregando as mais diversas técnicas de
estudo e de pesquisa, de sistematização e de registro dos conhecimentos
produzidos. Colocadas estrategicamente, no início do curso, o trabalho
com esta disciplina prepara você para todas as demais e para a realização
das tarefas de estudo a que se propuser.
A disciplina Arte e Cultura Popular insere o acadêmico nos
processos de investigação sobre as manifestações populares, na busca da
compreensão sobre o folclore e suas diversas manifestações regionais,
promovendo a reflexão sobre: a arte, o povo e a cultura de massa.
Com a disciplina Filosofia da Educação, você conhecerá as
origens e a evolução da Filosofia, numa perspectiva educacional. A
problemática do ser, o realismo e o idealismo na concepção dos principais
teóricos clássicos que os fundamentaram, as concepções históricas do
homem e do conhecimento, a ética, a estética e a política. Com esta
disciplina, você perceberá um claro convite à reflexão radical, rigorosa e
profunda sobre temas de absoluta relevância ao desenvolvimento do
homem, enquanto ser racional, co-responsável pela edificação da
humanidade no caminho de sua evolução.
A disciplina Desenho I possibilita a iniciação, propriamente dita,
na compreensão dos conceitos básicos, instrumentos e técnicas do
desenho geométrico, elaboração de desenho projetivo, em perspectiva,
bem como a experimentação da técnica de observação e registro gráfico,
através da análise dos objetos e da utilização de materiais e técnicas
específicas do desenho.
A disciplina Oficina de Artes Plásticas permite o conhecimento, a
exploração e aplicação de técnicas e temas em Artes Visuais,
experimentando e desenvolvendo uma linguagem plástica e visual, bem
como exercitando a compreensão dos aspectos da criatividade na Arte-
Educação. Neste período, você, como acadêmico, iniciará a produção de
exercícios e atividades criadoras, aplicados no ensino fundamental e
médio.
Na disciplina História da Educação, você terá oportunidade de
discutir e analisar a evolução sócio-histórica da educação, enfatizando os
diversos paradigmas educacionais na realidade tempo/espaço, com
atenção especial para a Historia da Educação no Brasil, conforme a
realidade educacional no contexto sócio-político específico de cada época.
Este primeiro Caderno Didático refere-se às disciplinas Iniciação
Científica e Filosofia da Educação.
Além das atividades a distância, que incluem, entre outras, o
estudo do Caderno Didático, você, acadêmico, deverá, obrigatoriamente,
participar de atividades presenciais intensivas no pólo de apoio presencial,
onde serão ministradas as aulas com o Professor Formador de cada

06
Apresentação Unimontes/UAB

disciplina. Nessa oportunidade, o professor desencadeará o processo de


reflexão, apresentando o conteúdo básico da disciplina. É, nesse
momento, que o acadêmico, juntamente com o restante da turma, terá
oportunidade de manifestar-se, de expor suas expectativas em relação ao
trabalho com a disciplina. Estas atividades acontecerão no pólo de apoio
presencial em finais de semana, conforme cronograma apresentado.
Assim como as Atividades Presenciais, acontecerão, também, os
Seminários Temáticos – três por período, em finais de semana, ocasião em
que devem ocorrer as discussões conclusivas sobre os trabalhos realizados
nas disciplinas, incluindo nestes momentos, as Avaliações On-line – AO,
que serão avaliadas com valor de 30 pontos.
Ao final do último Seminário Temático, no pólo de apoio
presencial, serão aplicadas as Avaliações Semestrais - AS. Estas
avaliações terão o valor de 50 pontos.
Iniciando a primeira Fase Presencial Intensiva, como abertura
oficial do curso, serão realizadas, no pólo de apoio presencial, as seguintes
atividades de freqüência obrigatória:
Palestra identificada como Introdução a
? Educação a
Distância;
Apresentação das disciplinas Iniciação Científica e Filosofia da
?
Educação; e
Capacitação Tecnológica para uso do Ambiente Virtual para
?
os acadêmicos.

Após a realização da primeira fase presencial intensiva, haverá um


período de Atividades de Inserção do Acadêmico no Curso. Nesta fase, o
acadêmico poderá usar de todos os meios disponibilizados para colher
informações sobre o curso e sobre o Sistema UAB/Unimontes. Todas as
instâncias abaixo descritas estarão disponibilizadas para responder aos
seus questionamentos e manifestações.
Esgotado o período determinado para inserção do acadêmico,
será dado início às atividades de estudo das disciplinas e os seminários de
acordo com o cronograma abaixo.

07
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES DA EAD NO 1º


PERÍODO DO CURSO DE ARTES VISUAIS

Tabela 1: Cronograma das atividades


PERÍODO DISCIPLINA/ATIVIDADE CURSO CH
31/10, 1º Inicio do 1º período (Fase Todos os Cursos - Todos os 20
02/11//08 Presencial Intensiva) pólos
03 a 15/11/08 Atividades de inserção do Todos os Cursos - Todos os
acadêmico no curso pólos
17 a 29/11/08 Iniciação Científica Todos os Cursos - Todos os 40/45
pólos
1º a 19/12/08 Filosofia da Educação Todos os Cursos - Todos os 75/90/60
pólos
20/12/08 1º Seminário Temático/AO Todos os Cursos - Todos os 8
(Iniciação Científica e Filosofia) pólos
21/12/08 a Recesso Todos os Cursos - Todo s os
08/01/09 pólos
09, 10 e 11/01/09 (Fase Presencial Intensiva) Todos os Cursos - Todos os 20
pólos
12 a 31/01/09 História da Educação Artes 30
– 18 dias
02/02 a 27/02/09 Desenho I Artes 75
– 21 dias
28/02/09 2º seminário Temático/AO Todos os Cursos - Todos os 8
(História da Educação e Desenho pólos
I)
02 a 31/03/09 Oficina de Artes Plásticas I Artes 90
– 24 dias
30/03 a 17/04/09 Arte e Cultura Popular Artes 90
– 17 dias
18/04/09 3º Seminário Temático/AO Todos os Cursos - Todos os 8
(Oficina de Artes Plásticas I e pólos
Arte e Cultura Popular)
19/04/09 Avaliação Semestral AS – Todos os Cursos - Todos os 8
Conclusão do 1º Período Letivo pólos
25/04/09 Prova Final Todos os Cursos - Todos os -
pólos
20 a 30/04/09 Recesso Todos os Cursos - Todos os -
pólos
01, 02 e 03/05/09 Início do 2º Período Letivo (Fase Todos os Cursos - Todos os 20
Presencial Intensiva) pólos

INSTÂNCIAS DE APOIO AO ACADÊMICO

Virtualmontes

O Sistema UAB foi idealizado para permitir a inclusão de todos


aqueles que, tendo concluído o Ensino Médio, demonstrarem capacidade
de realizar um curso superior, mesmo que não disponham de
computadores com acesso à Internet em suas residências ou na localidade
onde residem. Por esse motivo, as atividades a serem realizadas no
ambiente virtual a distância não são obrigatórias. Entretanto, é de grande
importância a participação do acadêmico no ambiente Virtualmontes. Esta
atividade ampliará, em muito, as possibilidades de discussão interativa
com todos os demais integrantes do curso, acadêmicos, tutores,
professores, coordenadores, o que, por si só, já caracteriza uma enorme
possibilidade de aprendizagem.

08
Apresentação Unimontes/UAB

Pólo de Apoio Presencial

Para facilitar as atividades a serem realizadas no Virtualmontes, o


Pólo de Apoio Presencial estará aberto todos os dias, durante um período
de quatro horas, onde os tutores presencias estarão realizando plantões de DICAS
atendimento aos acadêmicos. Neste espaço, no qual o acadêmico poderá
permanecer durante todo o tempo em que estiverem sendo realizados os
plantões, os computadores estarão disponibilizados para seu uso.
O Virtualmontes encontra-
se hospedado na Internet –
Coordenador de Pólo
Portal da Unimontes:
www.unimontes.br. Ao
É, também, no pólo de apoio presencial, que o acadêmico acessar este site, dê um
encontrará o Coordenador de Pólo, que é o responsável, clique no link: ambiente de
administrativamente, pelo bom andamento das atividades realizadas. Sem aprendizagem, localizado
dúvidas, este é mais um apoio que o acadêmico contará em suas no canto esquerdo da
atividades no curso. página na web (ou da tela
do computador). Logo, em
Tutor Presencial seguida, clique no link
acesse, no canto superior
Responsável pelo acompanhamento direto ao acadêmico, este direito da tela, entrando,
profissional tem a função de acompanhar e orientar os acadêmicos do posteriormente, com seu
curso, no pólo de apoio presencial; planejar as atividades para login e sua senha pessoal.
recuperação das atividades; realizar, juntamente com os professores
formadores, os seminários introdutórios e seminários temáticos; colaborar
com a realização das atividades da Fase Presencial Intensiva; aplicar as
Avaliações On-line (AO) e as avaliações semestrais (AS); orientar e
acompanhar as atividades de estágio, o Trabalho de Conclusão do Curso –
TCC e as Atividades Acadêmico-Científico Culturais - AACC.

Tutor a Distância

Tem a função de prestar assistência aos


professores/formadores, de acordo com as disciplinas ministradas no
período; orientar os tutores presenciais e os acadêmicos e corrigir as
Avaliações On-line (AO), realizadas pelos acadêmicos.
Estes profissionais permanecerão na Unimontes e darão suporte
remoto (ou seja: por telefone, fax, e-mail) aos tutores presenciais e aos
acadêmicos.

Professor Formador

Responsável pelo planejamento, pela realização e pela avaliação


da disciplina, sob sua responsabilidade, este profissional que deverá ser
mestre ou doutor, terá as seguintes atribuições: planejar, ministrar e avaliar

09
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

a disciplina; planejar as atividades da fase presencial intensiva; planejar,


coordenar e avaliar os seminários introdutórios e seminários temáticos;
planejar e acompanhar as atividades a distância; orientar os tutores a
distância e presencial; planejar e orientar as atividades de nova
oportunidade da aprendizagem; colaborar na organização para aplicação
das Avaliações Presenciais Semestrais (AS); corrigir as Avaliações
Presenciais Semestrais (AS); registrar o conteúdo, a freqüência e o
aproveitamento dos alunos nas avaliações, no Diário Eletrônico;

Coordenador de Curso

Responsável pela organização didática do curso e pelo


cumprimento das atividades constantes do Projeto Político-Pedagógico,
este profissional estará na retaguarda dando todo o suporte institucional
para o curso e acompanhando a adequada execução o Projeto.
Todas estas instâncias de apoio estarão à disposição dos
acadêmicos, através do ambiente Virtualmontes, na Internet, e de
seus respectivos e-mails disponibilizados no Guia do Acadêmico.
O Caderno Didático pretende estimular e ajudar você em todas as
etapas do processo. O Nosso maior interesse é o seu pleno sucesso no
curso.
Estamos à sua disposição.
Observe as orientações, extrapole-as, mas responda a todas as
questões propostas. Isto é imprescindível para o pleno êxito do Sistema
UAB/Unimontes.

Vá em frente!
Agora é com você.

Professora Maria Elvira Curty Romero Christoff

10
1º PERÍODO

INTRODUÇÃO À
EDUCAÇÃO
A DISTÂNCIA
AUTORAS

Fábia Magali Santos Vieira


Doutoranda em Educação (Universidade de Brasília - UnB), mestre em Educação (UnB),
especialista em Alfabetização (Pontíficia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC-MG),
especialista em Informática Educativa (Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG),
especialista em Educação a Distância (UnB) e graduada em Pedagogia (Universidade
Estadual de Montes Claros - Unimontes). Professora de Tecnologias Educacionais e,
atualmente, coordenadora de Ensino Superior e da UAB na Unimontes.

Karen Tôrres C. Lafetá de Almeida


Mestre em Desenvolvimento Social (Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes),
especialista em Metodologia Científica e Epistemologia das Ciências Humanas e Sociais
(Unimontes), cursando especialização em Educação Continuada e a Distância (Universidade
de Brasília - UnB) e graduada em Turismo e Hotelaria (Faculdades Integradas Pitágoras de
Montes Claros - FIP-MOC). Professora do Departamento de Métodos e Técnicas Educacionais
da Unimontes, professora das Faculdades Santo Agostinho, professora conteudista da
UAB/Unimontes, professora orientadora e tutora do Programa de Formação Continuada
Mídias na Educação.

Liliane Campos Machado


Doutoranda em Educação (Universidade Federal de Uberlândia - UFU), mestre em Educação
Tecnológica (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais - Cefet-MG), e
graduada em Pedagogia (Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes). Professora
adjunta da Unimontes e supervisora eduacional da Secretaria de Estado da Educação de
Minas Gerais.

Mônica Prates Queiroz


Especialista em Saúde Mental (Faculdade de Saúde Ibituruna - Fasi), graduada em
Fonoaudiologia (Universidade Católica de Petrópolis - UCP). Atualmente, é responsável pelo
setor de Pós-Graduação e pela Educação a Distância da Fasi/Santa Casa.

Ramony Maria da Silva Reis Oliveira


Mestranda em Educação (Faculdade de Itaúna), especialista em Supervisão Escolar
(Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes) e graduada em Pedagogia,
Letras/Português e Letras/Inglês (Unimontes). Professora de Fundamentos da Alfabetização e
Metodologia das Ciências na Educação Infantil e, atualmente, coordenadora adjunta da
UAB.

Francely Aparecida dos Santos


Doutoranda em Educação (Universidade Metodista de Piracicaba - Unimep), mestre em
Educação (Universidade de Uberaba - Uniube), especialista em Psicopedagogia e em Teoria e
Prática em Supervisão Educacional (ambas pela Universidade Estadual de Montes Claros -
Unimontes) e graduada em Pedagogia (Unimontes) e Matemática (Pontíficia Universidade
Católica de Minas Gerais - PUC-MG). Professora da Unimontes.
SUMÁRIO
DA DISCIPLINA

1 Carta de Apresentação................................................................. 15
2. EAD na Unimontes ..................................................................... 16
3. Conceito e Histórico da Educação a Distância............................... 16
3.1. O Perfil do Acadêmico e do Professor na Educação a
Distância................................................................................... 17
3.2. Profissionais de Suporte ao Estudo na EAD............................ 18
4. Comparação: Cursos Presenciais e Cursos a Distância .................. 19
4.1. Tabela Comparativa entre uma aula Presencial e sua
Dinâmica e a Educação a Distância............................................. 20
5. Importância da Educação a Distância........................................... 20
5.1. Vantagens da Educação a Distância.................................... 22
6 Hábitos de Estudos em Cursos Superiores, Principalmente em
Cursos a Distância ..................................................................... 23
7. Avaliação................................................................................... 24
7.1. Atividades De Aprendizagem (AA)........................................ 24
7.2. Avaliações On-line (AO)....................................................... 24
7.3. Avaliações Presenciais Semestrais (AS)................................. 25
7.4. Síntese da Avaliação de cada Período.................................... 25
8. Virtualmontes - Ambiente Virtual de Aprendizagem da
Unimontes................................................................................ 26
8.1. Utilizando o Virtualmontes - Ambiente Virtual de
Aprendizagem da Unimontes...................................................... 26
8.2 Conhecendo as Ferramentas................................................. 28
8.3 Como Enviar ou Receber as Mensagens ................................. 32
9 Referências.................................................................................. 35
INTRODUÇÃO
À EAD

1 CARTA DE APRESENTAÇÃO

Caro acadêmico,
A Unimontes tem a satisfação de recebê-lo como acadêmico em
um de seus cursos oferecidos pela Universidade Aberta do Brasil - UAB, em
nível de graduação. Este Caderno tem o objetivo de orientá-lo quanto às
suas atividades no Virtualmontes, dar-lhe noções de informática, além de
esclarecer alguns pontos importantes sobre a Educação a Distância.
Ele o orientará em situações em que será necessário o seu acesso
à Internet para fazer suas atividades on-line, participar de conversas
(chats), dar sua opinião em Fóruns,bem como a possibilidade de navegar
no nosso Ambiente de Aprendizagem, para enviar e receber mensagens,
conversar com os colegas e com os professores e toda a equipe da EAD do
curso que está fazendo. Queremos que ele possa ter uma utilização
verdadeira, para você, nos momentos de auto-estudo e também quando
estiver com o grupo de estudo.
A graduação é um grande passo em sua vida e se você conseguiu
chegar até esse espaço, então é merecedor dele. Queremos, nessa
oportunidade, apresentar-lhe a organização da vida acadêmica que
passará a ter a partir deste momento, e nela não poderemos dizer que tudo
será “fácil”, ou que tudo cairá do céu em suas mãos, mas poderemos
afirmar, com certeza, que é um grande prazer tê-lo em nosso grupo de
acadêmicos da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes, que
na parceria construída e firmada com a Universidade Aberta do Brasil e o
Ministério da Educação foi possível tornar real a sua entrada.
Serão quatro anos de muito estudo, mas você não estará sozinho
nessa caminhada, pois junto com você estarão os professores formadores,
os tutores presenciais e a distância e, também os coordenadores. A
caminhada que será trilhada terá, ainda, amparo dos profissionais que
fazem parte do curso, mas, é importante afirmar que a pessoa mais
importante, nesse processo é você, pois de nada adianta todos desejarem
que tudo dê certo, se o acadêmico, também, não pensar dessa forma.
Por isso, queremos dar-lhe as boas vindas e dizer-lhe que deve se
sentir à vontade para iniciar o curso. Você receberá o material que fará
parte da trajetória estudantil na Unimontes. São eles: este caderno, o
caderno do acadêmico, o caderno do módulo e os cadernos Didáticos de
cada disciplina deste módulo.
As autoras

15
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

2 EAD NA UNIMONTES

A primeira experiência da Unimontes com a Educação a Distância


foi o Programa de Capacitação de Professores - Procap, realizado no
período de julho de 1997 a janeiro de 2005. O Programa de Capacitação
de Professores (PROCAP) teve a finalidade de contribuir para a melhoria
da qualidade do ensino, nas séries iniciais do ensino fundamental, em todo
o Estado de Minas Gerais. O PROCAP foi o resultado de uma ação
conjunta, efetivada pelos poderes Público Estadual e Municipal, através
das Secretarias de Educação e pelas Instituições de Ensino Superior do
Estado de Minas Gerais. Foram atendidos 14.391 professores da rede
pública das regiões, dos municípios-sede de Curvelo, Januária, Pirapora,
Sete Lagoas e Montes Claros.
A segunda experiência foi realizada no período de 2000 a 2006,
com o Projeto Unimontes Virtual, que teve como objetivo criar na
comunidade acadêmica da Universidade Estadual de Montes Claros -
Unimontes, uma cultura dinâmica de aprendizado e colaboração em rede,
permitindo a interação entre todos os envolvidos. O Unimontes virtual
ministrou os cursos de extensão em Uso Pedagógico da Internet,
Metodologia Científica, Iniciação a leitura em Inglês, Iniciação a Língua
Espanhola. Para atingir o objetivo proposto, a equipe de professores
responsáveis pela coordenação deste projeto desenvolveu um ambiente de
aprendizagem, denominado Virtualmontes, para disponibilizar os cursos
de extensão virtuais.
Outra experiência relevante aconteceu no período de 2002- 2005,
quando a Unimontes participou, com outras Universidades, do Projeto
Veredas, promovido pela Secretaria de Estado da Educação de Minas
Gerais – SEE/MG, com objetivo de capacitar os 1.299 professores das
séries iniciais do ensino fundamental, da rede pública de Minas Gerais, que
estavam em efetivo exercício e ainda não possuíam habilitação em curso
superior.

3 CONCEITO E HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

O que é a Educação a Distância?


Segundo Vieira (2003, p. 21),

(...) a Educação Aberta e a Distância é um processo pelo


qual professores e estudantes, buscam a informação,
visando a construção do conhecimento, a partir das
experiências e dos interesses de ambos, em espaços e
tempos síncronos e assíncronos, através de um sistema de
aprendizagem mediado por diferentes meios e formas de
comunicação. Assim, na EAD a interatividade entre os
atores envolvidos é indireta e mediatizada por uma
combinação de meios tecnológicos e linguagens de
comunicação.

16
Introdução à Educação a Distância Unimontes/UAB

Nesta modalidade, o acadêmico é co-responsável pelo seu


processo de aprendizagem, construindo conhecimentos e desenvolvendo
competências, habilidades, atitudes e hábitos relativos ao estudo, à
profissão e à sua própria vida, no tempo e no local que lhe são adequados,
sem a participação, em tempo integral, de um professor.
Você perceberá que existem muitas diferenças entre a educação a
Distância e o Ensino Presencial. Vamos apresentar, aqui, algumas dessas
peculiaridades. Na aprendizagem a distância, você terá que substituir a
oralidade das aulas presenciais pela aprendizagem via leitura e escrita. Em
outras palavras,

(...) a possibilidade de diálogo simultâneo e dinâmico em


ambientes de comunicação coletiva, potencializando a
participação, a exposição e a autoria de cada aluno no
processo de construção do grupo; a acessibilidade, por
meio de computador pessoal, potencializando o auto-
estudo, a autonomia do saber e, principalmente, a
flexibilidade para a participação do acadêmico ( LIMA,
2008, s. p.).

3.1 O Perfil do Acadêmico e do Professor na Educação a Distância

Nem acadêmico, nem professor na Educação a Distância tem as


mesmas características do ensino presencial. As diferenças de aplicação
das modalidades implicam diferenças nos perfis desejados de cada
participante do processo. Você, agora, vai conhecer qual é o seu papel na
educação a Distância, bem como o dos profissionais que o orientarão.
Você deve estar pronto para planejar e organizar sua aprendizagem de
forma independente dos professores. De acordo com Peters (2004), os
estudantes dessa modalidade de ensino devem ter cinco habilidades para
serem capazes de estudar em um ambiente informatizado de
aprendizagem, quais sejam: autodeterminação e orientação, seleção e
capacidade de tomar decisões e habilidade de aprender e organizar-se.
Essas habilidades também são necessárias no ensino presencial, mas na
EAD, elas são fundamentais.
Assim, para concluir o seu curso com sucesso, você terá que:
conhecer as ferramentas básicas de Internet;
?
dispor de um tempo para estudo e disciplinar-se para que este
?
tempo seja proveitoso;
organizar-se para integrar trabalho, vida pessoal e estudo;
?
acessar com freqüência o Ambiente de Aprendizagem
?
Virtualmontes;
participar das atividades solicitadas – fóruns e chats e outras; e
?
conscientizar-se
? da necessidade de atuar de modo

17
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

colaborativo, objetivando a formação de uma comunidade acadêmica em


ATIVIDADES rede.

Vá até o fórum: Introdução 3.2 Profissionais de Suporte ao Estudo na EAD


a Educação a Distância e
clique no tópico: Professor Formador
Concepção de EAD.
Responda a seguinte Responsável pelo planejamento, realização e avaliação da
questão: Como acadêmico disciplina sob sua responsabilidade, com as seguintes atribuições:
que acabou de se
ministrar e avaliar a disciplina;
?
matricular em um curso de
planejar as Atividades da Fase Presencial Intensiva;
?
Educação a Distância
planejar os seminários introdutórios e seminários temáticos;
?
como você compreende a
orientar os tutores a distância e presenciais;
?
educação a distância?
planejar e orientar as atividades para recuperação da
?
aprendizagem; e
? coordenar diretamente as Avaliações Presenciais Semestrais
(AS) e reponsabilizar-se pelo registro dos resultados, na Secretaria Geral, e
ATIVIDADES
também, as Avaliações On-line (AO) e Atividades de Aprendizagem (AA).

Vá até o fórum: Introdução


Atribuições do Tutor Presencial
a Educação a Distância e
clique no tópico:
Experiência em EAD. Os encontros presenciais representarão momentos para todo tipo
Responda a seguinte de acompanhamento dos cursistas e, ainda, para:
questão: Você já fez ou discussões sobre os conteúdos de cada área do conhecimento;
?
conhece alguém que já fez elaboração de planejamentos;
?
um curso a distância? O ? orientações e sugestões quanto às leituras que deverão ser
que esta pessoa achou? A feitas, auxiliando-os em suas dúvidas (resolvendo ou encaminhando-os
partir de quando você ouviu para resoluções);
falar em EAD? acompanhamento e avaliação da aprendizagem dos cursistas,
?
bem como:
elaboração do TCC, de Relatórios, e outros procedimentos;
?
indicação de recursos, bibliografias e materiais adicionais para
?
ATIVIDADES o estudo;
proposição de formas auxiliares de estudo;
?
Vá até o fórum: Introdução orientação aos cursistas sobre a importância da pesquisa
?
a Educação a Distância e científica;
clique no tópico: Dados alimentação de um esforço positivo na superação de
?
estatísticos da EAD e dificuldades;
compartilhe sua opinião ? favorecimento de troca de experiências e conhecimentos em
sobre o crescimento da atividades de grupos;
educação a distância. incentivo de debates e produções individuais e coletivas; e
?
? promoção de conferências, colóquios, palestras, seminários,
mesas redondas, painéis, aulas inovadoras.

18
Introdução à Educação a Distância Unimontes/UAB

Para tanto, o tutor presencial contará com uma carga horária de


20 horas semanais e permanecerá no Pólo de Apoio Presencial por, no
mínimo, 5 dias na semana ou 15 horas semanais para atendimento
individual, em pequenos grupos, ou coletivo. As demais horas serão usadas
para acompanhamento das atividades de estágio. Esta última atividade
deverá ser combinada com os cursistas, para agendamento de datas e
horários de afastamento do Pólo de Apoio Presencial.

Atribuições do Tutor a Distância

O trabalho do tutor é determinar o diálogo permanente e


fundamental entre o curso e seus cursistas, desfazendo a idéia cultural da
impessoalidade dos cursos a distância.
É ao tutor que você deverá encaminhar as suas dúvidas. Ele é
quem poderá responder com exatidão sobre as características, as
dificuldades, desafios e progressos de cada um dos seus acadêmicos.
Os tutores a distância farão o acompanhamento das suas
atividades, utilizando o laboratório de informática, a biblioteca virtual,
através da criação de grupos virtuais de comunicação para tirar dúvidas e
dar outras informações. Além disso, as salas virtuais serão, também, um
espaço onde você terá acesso a programas de TV, vídeos educativos e DVD
relacionados a cada área de atuação.
O tutor a distância escolherá e disponibilizará o Instrumento mais
adequado, simples e de melhor acesso, para tratar dos pontos de interesse
que originaram a sua solicitação e este tutor o responderá assim que tiver
conhecimento da sua demanda.

4 COMPARAÇÃO: CURSOS PRESENCIAIS E CURSOS A DISTÂNCIA

A modalidade de estudos a distância é ainda uma modalidade de


estudo que está tomando forma no Brasil e nas suas várias regiões, no
sentido de alcançar o respeito e aprovação da sociedade.
Sabemos que esse tipo de estudo requer do acadêmico uma
disciplina muito grande, assim como a modalidade presencial. No entanto,
podemos afirmar que a EAD exige do acadêmico maior
comprometimento, organização e autonomia, porque ele mesmo estará
gerenciando seus estudos.
Por um lado tem-se as vantagens de não ter que sair de casa todos
os dias, enfrentar estradas, ônibus e outras situações, você terá, por outro
lado, que assumir o compromisso de realizar as atividades e assim, cumprir
o cronograma do curso. Em EAD você não poderá contar com o professor,
todos os dias dizendo o que você tem que fazer ou não.

19
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

4.1 Tabela Comparativa entre uma Aula Presencial e sua Dinâmica e a


Educação a Distância

Tabela 1: Comparação aula presencial


Numa aula presencial, você... Numa aula a distância, você...
1. Recebe a ementa, bibliografia e 1. Receberá a ementa, a bibliografia e
o Plano de Ensino da disciplina. o Plano de Ensino da disciplina na
sala do Ambiente de Aprendizagem, e
isso tudo ficará sua disposição para
que você consulte quando quiser.
2. Dialoga com o professor e 2. Responsabiliza-se por estudar o
colegas, utilizando quadro de giz, material previamente, e depois
slides e materiais escritos de apoio. interage com o professor, tutor e
Interage com suas perguntas e colegas.
comentários imediatamente.
3. Recebe atividades para que 3. As suas respostas serão postadas
copie e resolva em sala, entregando no ambiente de aprendizagem, sem
os resultados ao professor, no montes de papéis. As correções
mesmo dia. podem ser feitas e inseridas numa
pasta no portfólio do professor ou
enviadas aos acadêmicos pelo
Ambiente de Aprendizagem.
4. Tem o tempo de aula limitado 4. Tem a possibilidade de comunicar-
para o contato com o professor e se com o professor, tutor e colegas a
colegas e tem oportunidade de qualquer momento pelo Ambiente,
realizar possíveis correções no que pelo fórum de discussões ou pela sala
foi dito ou pedido que fizesse. de bate-papo, em momentos
agendados, ou não.
5. Tem tarefas complementares a 5. Encontra as tarefas solicitadas no
serem feitas fora de sala e Ambiente de Aprendizagem, com
entregues posteriormente. Essas todos os dados e documentos
tarefas podem ser individuais ou em necessários para sua resolução.
grupo. Quando solicitado você pode formar
livremente grupos para trabalho. A
entrega será feita pelos portfólios
individuais, ou dos grupos, ou pelo
Ambiente de Aprendizagem.
6. Participa imediatamente, realiza 6. Participa remota, mas ativamente,
pesquisas e busca a melhor por meio do Ambiente, dos fóruns de
integração com o grupo. discussão e dos momentos de
encontro presenciais.

5 IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Enfocar a questão da Educação a Distância, significa vê-la de


frente e apontar sua importância em uma sociedade moderna, como a
nossa. Isto significa reconhecer que o conhecimento tecnológico e
científico produziu, ao longo dos anos, várias mudanças em nossos hábitos
sociais e nos hábitos educacionais também.
Podemos, por exemplo, apontar algumas dessas mudanças, para
que você perceba como estamos inseridos nelas, de forma consciente ou
inconsciente.
O trabalhador atual lida com dados computacionais, sendo ele,
por exemplo, operário de uma fábrica, que não trabalha mais diretamente
com as mãos no produto, pois ele se transformou em um trabalhador que

20
Introdução à Educação a Distância Unimontes/UAB

opera com a informação, ou seja, ele recebe os dados via “máquinas”.


Nessas “máquinas”, ele insere os dados daquilo que precisa, podendo ser
uma peça ou uma engrenagem e, o resto, a referida máquina faz. Esse
trabalhador se transformou em um operador de um computador, pois seu
trabalho não é mais físico, ao contrário, é uma seqüência de padrões de
informações que são manuseadas, e assim poderemos dizer que esse
trabalhador é o antigo torneiro mecânico. Hoje, pode-se afirmar que a
grande maioria deles não se “sujam de graxa”, pois operam outra
máquina: o computador.
Nas lojas podemos apontar as mesmas questões, quando vemos
os vendedores, ao realizarem seu trabalho, operarem as máquinas para
organizar, verificar estoques de mercadorias e finalizar uma compra. Além
disso, usam delas para verificar se o nosso nome está “limpo” no cadastro
de pessoas físicas. Caso contrário, não poderemos realizar as compras se
elas forem a prazo, e só aceitam pagamentos à vista, se for em moeda
corrente, nada de cheques ou de cartões.
Em cada passo desses exemplos podemos observar como as
informações andam em velocidades altíssimas, e quando não
acompanhamos essas mudanças somos facilmente chamados de
“analfabetos tecnológicos”. Em alguns casos ficamos com receio, de não
encontrarmos emprego, pelo motivo dessa mais nova necessidade:
dominar os aparelhos tecnológicos.
E então, um dia descobrimos que essas mudanças tecnológicas
não estão presentes somente na sociedade do trabalho, também estão
presentes na sociedade educacional, e por isso estamos aqui hoje falando
para você sobre um curso superior que será feito a distância, e que tem
amparo legal, inclusive pela Lei de Diretrizes e Bases Educacionais
Brasileira, nº 9.394/96 de 20 de Dezembro de 1996, e também pelo Plano
Nacional de Educação Brasileiro.
Sabemos que o desenvolvimento dos meios de comunicação
lançou às escolas “o grande desafio de ter que mudar para continuar
existindo, não só pelo poder de sedução que a mídia oferece, mas também
pelos perigos que ela traz consigo” (TEVES, 2000).
A comunicação oral, desde o seu inicio, quando somente era
realizada pessoa-a-pessoa, passando pelo rádio e pela televisão e
chegando até a Internet, “acabou fazendo do homem comum, um
habitante do mundo” (TEVES, 2000). Esse homem está conectado não
somente em sua casa, seu bairro ou sua cidade, mas sim com o mundo
todo. Do quarto, ou da sala de casa ele vê e sabe tudo que acontece ao
redor do mundo, em questão de segundos. É o que podemos chamar de
avanço planetário.
Neste sentido, não poderemos pensar que a escola, a educação
brasileira poderia ficar de fora desses avanços tecnológicos, inclusive no
aspecto relativo à formação de professores e de outros profissionais da
sociedade. Por isso, esse material tem também a pretensão de

21
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

conscientizá-lo do papel, que nesse momento, você está começando a


ATIVIDADES
ocupar. É um papel que aponta para uma formação intelectual muito
ampla e aprofundada, contemplando os problemas e complexidades
Vá até o fórum: Introdução
presentes em nosso cotidiano, sendo necessário que, nós, professores e os
a Educação a Distância e
clique no tópico: Educação futuros professores apropriem-se dos recursos tecnológicos disponíveis nos
presencial X EAD. dias atuais, e que consigamos transformá-los em nossos instrumentos de
Responda qual a diferença trabalho, utilizando-os de forma inteligente, discutindo, completando os
entre EAD e a educação assuntos que foram discutidos e estudados nas salas de aula.
presencial.
A Educação a Distância poderá nos ajudar a ser
mais íntimos desses materiais e equipamentos tecnológicos produzidos
pela ciência e disponibilizados para o homem, para a busca de nossa
ATIVIDADES autonomia e busca da construção de uma sociedade mais humana, sem
perder de vista que a Educação a Distância não é de forma alguma, um
vislumbre para ficarmos trancados em quatro paredes, “ligados” vinte e
Vá até o fórum: Introdução
a Educação a Distância e quatro horas em um computador, ou em frente à televisão.
clique no tópico: Limites e
possibilidades da EAD e Podemos, então, perceber que ela veio para melhorar as
compartilhe sua impressão relações humanas e que nesse caso, dentro da escola, para
essas questões. melhorar o processo ensino-aprendizagem, e que por isso
“é um dever da escola mostrar a seu acadêmico que ele, por
si mesmo é um ser de carências e necessidades. Que sua
existência depende dos outros e que é por causa dos outros
que a sua ação é sempre transação com as coisas e
pessoas...” ( TEVES, 2000).

5.1 Vantagens da Educação a Distância

Flexibilidade de tempo e espaço: você estuda no tempo e local


?
adequados à sua disponibilidade. É um fator de democratização do ensino,
porque insere todas as pessoas que têm dificuldades para ingressarem
numa universidade.
Flexibilidade de ritmo: você produz o conhecimento de acordo
?
com o seu ritmo e velocidade de aprendizagem.
? Acompanhamento individual: você terá um tutor a distância e o
tutor presencial para orientá-lo.
Minimização de custos: você não terá despesas, tais como:
?
deslocamentos todos os dias, material impresso, etc.
? Desempenho pessoal: você terá oportunidade de desenvolver-
se autonomamente, além de estimular sua iniciativa na resolução de
problemas e desenvolver atitudes e hábitos educativos.
Respeito à individualidade: você verá respeitado seu ritmo de
?
estudo.

22
Introdução à Educação a Distância Unimontes/UAB

6 HÁBITOS DE ESTUDOS EM CURSOS SUPERIORES,


PRINCIPALMENTE EM CURSOS A DISTÂNCIA

Todo estudo requer uma organização e cuidados de ordem


individual e social, pois ninguém nasce sabendo estudar; nós aprendemos
na medida em que vamos nos conscientizando dessa necessidade.
Para isso, é preciso entender que, ao entrar em um curso superior,
a nossa vida muda em vários pontos, como por exemplo, se assistíamos
novelas todos os dias, ou qualquer outro programa de televisão (ou mesmo
ouvir programas de rádio), já teremos que reorganizar e fazer algumas
mudanças, escolhendo algumas programações para o lazer, e tenha
certeza de que serão bem menos do que o costume.
É necessário romper com o pensamento de que o fato de não
sabermos estudar é um grande problema, ele será grande se não
mudarmos nossos hábitos.
Aquela velha ida ao “boteco” nos finais de tarde, todos os dias,
serão passadas para os finais de semana. O hábito de dormir tarde e
levantar tarde, também poderá ser mudado, e, assim você reorganizará os
horários de deitar e levantar.
Outra questão importante e que necessita de readaptação é a que
se refere aos familiares que são pessoas importantes em nossa vida. Por
isso, precisamos torná-los nossos parceiros, tanto os pequenininhos (filhos
pequenos) quanto os maiores (filhos adolescentes ou jovens,
maridos/esposas, namorados/namoradas) para que eles possam nos
ajudar nos momentos de estudo, contribuindo com sugestões na
organização do seu estudo, que é a distância, ou seja, cada um estudará
muito em casa, com a utilização de seu próprio material de apoio. Por isso,
explique a eles o que está acontecendo, mostre o material e diga-lhes que
eles podem ajudá-lo nesse processo.
Tudo deverá ser feito com equilíbrio e moderação, não será
necessário ser muito radical, mas será necessário tomar cuidado com os
estudos. Observar o cronograma de tarefas, ficar atento às atividades
enviadas pelo computador, à troca de informações entre os colegas e ATIVIDADES
demais profissionais que darão suporte ao curso a todos os acadêmicos,
às orientações de cada professor formadores. É preciso ler com atenção o Vá até o fórum: Introdução
material a as instruções nele contidas, além de utilizar os meios de a Educação a Distância e
comunicação para tirar as dúvidas. clique no tópico:
Listaremos, abaixo, alguns itens que podem favorecer a sua Tutor na EAD.
Explane o que você
leitura, reflexões e aumentar o nível de argumentação:
entende por tutor.
utilize meia hora por dia para estudar, no mínimo, mas todos os
?
dias, impreterivelmente;
estabeleça uma meta pensando que o curso que está fazendo é
?
a distância e que você será um auto-didata. Pense que está investindo em
seu futuro;
valorize seu tempo e o tempo de sua família. Além de tudo,
?

23
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

valorize o investimento que está fazendo em sua vida;


fazer um cronograma semanal de estudos, indicando as
?
disciplinas que serão estudadas e os horários, por dia, que serão
estipulados;
separar o material diário que deverá ser estudado e deixar
?
próximo de você;
selecionar as disciplinas que serão estudadas naquele dia;
?
procurar um ambiente tranqüilo e arejado, sem computador,
?
rádio ou televisão ligados, e se tiver som ligado que seja em altura
considerada “ambiente”, pois som muito alto não ajuda nos estudos;
sentar-se de forma confortável e não deitar-se, pois você pode
?
dormir;
ler um texto por vez e duas vezes cada texto;
?
marcar em cada texto, na segunda leitura, os itens que são
?
importantes;
anotar, resumir, elaborar esquemas e fazer fichamentos;
?
anotar as dúvidas e perguntar ao seu tutor. Lembre-se de que
?
nenhuma dúvida é “boba”;
? se você tiver colegas que morem próximo a você, procure-os
para organizarem um grupo de estudos e, juntos, leiam, discutam,
elaborem documentação de estudo pessoal (resumos, resenhas,
esquemas, fichamentos), problematizem e anotem as dúvidas; e
enviem as dúvidas ao ambiente de aprendizagem e solicite
?
discussão.

7 AVALIAÇÃO

No Sistema UAB, as avaliações realizadas, em cada disciplina,


serão ministradas conforme abaixo descrito.

7.1 Atividades de Aprendizagem (AA)

Conjunto de Atividades de Aprendizagem constantes nos


Cadernos Didáticos trabalhados no período ao término do conteúdo de
cada disciplina. As AAs terão o valor de 20 pontos.

7.2 Avaliações On-Line (AO)

Após o seminário temático, cada acadêmico receberá uma senha


para que possa ter acesso à prova que será visualizada e respondida, em
sua integralidade no Virtualmontes. As Avaliações On-line terão o valor de
30 pontos. O acadêmico que não alcançar 21 pontos na avaliação On-Line
- AO, terá oportunidade de reavaliação em que serão usados estudos
individuais orientados pelo professor formador e pelo tutor a distância,

24
Introdução à Educação a Distância Unimontes/UAB

tendo direito a uma nova AO, em data a ser agendada pelo tutor
presencial. Esta nova avaliação terá o valor de 30 pontos. Neste caso, o
resultado a ser registrado será o maior, observada a 1ª e a 2ª AO.

7.3 Avaliações Presenciais Semestrais (AS)

Realizadas nos Pólos de Apoio Presencial, ocorrerão no final de


cada período, em dias e horários preestabelecidos, incluídos no
cronograma do período.
As Avaliações Presenciais terão o valor de 50 pontos.

7.4 Síntese da Avaliação de cada Período

Tabela 1: Síntese da avaliação


Rendimento previsto em
Forma de Rendimento Mínimo aceitável
cada período
organização Período de Características gerais de cada Pontos % Pontos %
das atividades realização modalidade de avaliação
Em cada
avaliativas Total Em cada disciplina
disciplina
- Atividades pertinentes às
Final de cada unidades didáticas trabalhadas
no período. No caderno didático,
Atividade de disciplina
ao término do conteúdo de cada
Aprendizagem (Caderno 20 100% 70%
disciplina, há um conjunto de
(AA) Didático das
Atividades de Aprendizagem que
disciplinas do
serão corrigidas pelo tutores a
período)
distancia.
- Avaliações essencialmente de
caráter formativo, realizadas no
No 1º ambiente de aprendizagem. A
Seminário equipe de tutoriapresencial
realizado no organizará um cronograma
Pólo durante o 1º seminário, após o
Avaliação On-
presencial, término de cada disciplina, e os 30 100% 70%
line (AO)
após o tutores presenciais conduzirão a
término de turma em grupo para o
cada laboratório de informática onde
disciplina. serão realizadas as at
ividades on-
line.
-Avaliações realizadas nos Pólos
Presenciais ocorrerão no final de
Final de cada
Avaliação cada período , em dias e horários
semestre no
Presencial preestabelecidos, dentro dos 50 100% 70%
Pólo-
Semestral (AS) períodos de avaliações presenciais
Presencial
planejadas e incluídos no
calendário escolar.

Prova Final 100 70

Avaliação do
A partir do 5º
Estágio 100% 70%
Supervisionado Período

Trabalho de
A partir do 6º
Conclusão do
Período 100% 70%
Curso

O acadêmico que, no final do período, obtiver pontuação igual ou


superior a 50 (cinqüenta) pontos e inferior a 70 (setenta), deverá
submeter-se a uma avaliação final, cujo valor será 100 (cem) pontos.
Será considerado aprovado na avaliação final, o aluno que
alcançar a média ponderada – igual ou superior a 70 (setenta) pontos –
entre a nota semestral e a nota da avaliação final.
A base de cálculo da média ponderada levará em conta o PESO
1 para a nota semestral e o PESO 2 para a nota da avaliação final,
sendo utilizada a seguinte fórmula matemática:

NF = (TPSL x 1) + (TPPF x 2)
3

25
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Sendo que: NF=Nota Final


TPSL=Total de Pontos obtidos no Semestre Letivo
TPPF=Total de Pontos obtidos na Prova Final

Para diplomação, o acadêmico deve ter obtido desempenho


satisfatório em todas as disciplinas de todos os períodos, de acordo com os
critérios estabelecidos pela Unimontes e ter sido aprovado em seu relatório
final do Estágio Curricular Supervisionado, na apresentação do TCC, bem
como no cumprimento da carga horária de Atividades Acadêmico-
Científico Culturais - AACC (ver página 27).
Ao final do período letivo, o acadêmico que obtiver pontuação
inferior a 50 pontos deverá cursar, novamente, a disciplina, em regime de
Dependência.

8 VIRTUALMONTES - AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM DA


UNIMONTES

O Virtualmontes - Ambiente Virtual de Aprendizagem da


UNIMONTES utiliza a plataforma MOODLE (Modular Object-Oriented
Dynamic Learning Environment) que é um software livre de apoio à
aprendizagem, permitindo que a sala de aula seja (re)significada em um
espaço virtual, a Internet. Este programa possibilita ao estudante e ao
professor uma integração, estudando ou ministrando num curso on-line à
sua escolha, facilitando a interação entre todos. Usando o MOODLE o
acadêmico tem acesso a anúncios e notícias, envia e recebe mensagens,
conversa em tempo real com os participantes, realiza trabalhos e tarefas,
vê as matérias disponibilizadas pelo professor e muito mais. Esta
explicação objetiva descrever e explicar o funcionamento das ferramentas
desse programa.

8.1 Utilizando o Virtualmontes - Ambiente Virtual de Aprendizagem da


UNIMONTES

Para começar o seu aprendizado no Virtualmontes, você deverá,


primeiramente, acessar o site www.unimontes.br.

Figura 1: Portal da Unimontes na Internet

26
Introdução à Educação a Distância Unimontes/UAB

E clicar do lado esquerdo da tela em Ambiente de Aprendizagem.


Você sempre deve lembrar do seu Nome de usuário e da sua senha, pois
são com essas informações que terá acesso ao Virtualmontes – Ambiente
Virtual de Aprendizagem da UNIMONTES.
O seu Nome de usuário é o número da sua matrícula e sua Senha
é a data do seu nascimento. Exemplo, se você nasceu no dia 3 de fevereiro
de 1979 você irá digitar na senha: 321979 (despreze o zero à esquerda e
coloque o ano com os 4 dígitos).

DICAS

Verifique se o seu nome


aparece no canto direito
superior da tela.

Figura 2: Virtualmontes - Ambiente Virtual de aprendizagem da Unimontes

O que iremos fazer agora será uma capacitação!


Vamos utilizar as ferramentas do Virtualmontes, e para isso –
clique na disciplina: Introdução à EAD.

Esta página é semelhante às que aparecerão para todas as demais


disciplinas, semelhante porque o professor tem autonomia de melhor
adequá-la para o seu usufruto. Ela é composta de informações pertinentes
à matéria disponibilizada e as configurações dos usuários inscritos. Mas
você aprendendo a utilizá-la, agora, não terá dificuldades em outras salas.

27
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

8.2 Conhecendo as Ferramentas


ATIVIDADES
Lado esquerdo
No módulo Introdução à
EAD, vá até o link
Participantes
PARTICIPANTES e veja
todos os inscritos, escolha
um colega e clique em seu Aqui você encontra todos os
nome. colegas cadastrados na disciplina
Introdução à EAD, o tutor e o professor.
Conheça o seu perfil e
Através deste recurso, você tem a
envie uma mensagem.
possibilidade de observar o perfil do Figura 3: Link participantes

colega, as mensagens que a pessoa postou em fóruns e pode enviar


mensagem mesmo a pessoa estando off-line.

perfil
foto

e-mail

para enviar mensagens


Figura 4: Identificação do perfil de participantes e como enviar mensagem

Atividades
ATIVIDADES
É um BOX que serve para
Na sala Introdução à EAD,
facilitar a localização das funções que
clique em cada um dos
itens em ATIVIDADES e estão na parte central da página. Todas
verifique o que está as atribuições desses ícones serão
disponível para você! discutidas mais adiante.
Figura 5: Link Atividades

Buscar nos Fóruns

É uma fer ramenta auto -


explicativa que possibilita localizar, com
rapidez e precisão, mensagens enviadas
aos fóruns.
Figura 6: Link Buscar nos Fóruns

28
Introdução à Educação a Distância Unimontes/UAB

Administração
ATIVIDADES
Para facilitar o seu manuseio
com o Virtualmontes, acompanhe cada Na sala Introdução à EAD,
ícone descrito abaixo e faça as alterações vá até o BOX
necessárias: ADMINISTRAÇÃO e clique
em NOTAS.
Figura 6: Link Administração Observe se há alguma
atividade corrigida e nota
Notas lançada.

Todos os trabalhos enviados ao


professor, fóruns ou qualquer outra atividade
avaliativa é aqui, neste lugar, que você vai Figura 7: Link Notas
consultar a nota que tirou.

Modificar Perfil

A qualquer hora você poderá mudar seu


perfil. Essa ferramenta permite aos acadêmicos e
aos docentes se apresentarem e incluírem uma
Figura 8: Link Perfil
foto pessoal.
Clique em Modificar perfil e faça as modificações citadas abaixo:

Insira seu nome


E aqui seu sobrenome
Deixe o seu e-mail

Escreva a sua cidade

Figura 9: Campos para inserção e alteração do perfil

29
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

ATIVIDADES

Vá até descrição e escreva


um pouquinho sobre você.
Faça uma mensagem de
apresentação
Figura 10: editor de textos

DICAS

Para inserir sua imagem é


preciso que você tenha
uma foto salva para que
ela possa ser anexada.
Clique em procurar, localize Figura 11: Campos para inserção e alterações de imagem
a foto desejada, anexe e
pronto! Sua imagem atual
está modificada. Formato
do arquivo: JPG ou PNG.

DICAS
Figura 12: Link para atualizar perfil

Agora é só clicar em
Categorias de Curso
Atualizar perfil e as
alterações ficam salvas
São listadas todas as disciplinas nas
quais você está inscrito até agora,
facilitando o seu acesso aos mesmos.

ATIVIDADES Parte Central


Programação Figura 13: Link para Menu Cursos
Queremos conhecer você!
No módulo Introdução à Fóruns
EAD, clique no Fórum de
Apresentação e no tópico:
Faça sua apresentação O Fórum permite acesso a uma página que contém tópicos que estão em
pessoal aqui. discussão naquele momento do curso. O acompanhamento da discussão
Fale de você, suas se dá por meio da visualização de forma estruturada das mensagens já
experiências, expectativas e
enviadas e a participação também por envio de mensagens.
sonhos...

30
Introdução à Educação a Distância Unimontes/UAB

Chat
ATIVIDADES
A seguir você encontrará a sala de bate-papo – CHAT da
disciplina.
Na sala Introdução à EAD,
O Bate-papo é uma atividade em que, acadêmicos, tutores e
clique em CHAT e comece
professores estabelecem uma comunicação por escrito, on-line, com dia e um bate papo com os
hora previamente determinados. colegas on-line. É muito
É recomendável que, antes divertido, você vai gostar!
de iniciar um bate-papo real
observe à direita, no box Usuários
on-line se há algum colega on-line.
Se houver, vocês poderão realizar
um bate-papo em tempo real sobre
as atividades que estiverem
Figura 14: Link para informar
executando. usuário on-line
A configuração de um Bate-papo é auto-explicativa.

Link

Sempre que estiver disponível para você o ícone LINK, significa que
o professor já especificou a página que você irá pesquisar.

Material Arquivado

Para você conhecer as funcionalidades no ícone ARQUIVOS,


entre no ícone – Plano de Ensino e Dicas do acadêmico on-line e observe
todas as sugestões que deixamos disponíveis para você.

Tarefa
DICAS
A tarefa consiste na descrição ou elaboração de uma atividade a
ser desenvolvida pelo participante, que pode ser enviada ao servidor do
curso, utilizando a plataforma. Fiquem sempre atentos
quanto a data de entrega
Alguns exemplos de tarefas que podem ser solicitados pelo
das tarefas, pois não
professor: redações, questionários, projetos, relatórios entre outros. poderão ser enviadas após
a data marcada.
Lado direito

Últimas Notícias

Aqui somente os professores,


tutores ou coordenador do curso
poderão postar mensagens para a
Figura 15: Link para Últimas Notícias

31
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

ATIVIDADES turma, tais como avisos, lembretes e novidades.

No módulo Introdução à Próximos Eventos


EAD, vá até a Unidade I e
clique em Tarefa. Leia o
texto e responda as As atividades relevantes com datas
questões seguindo os a serem entregues aparecem neste
passos para confecção da BOX, deixando você sempre a par
atividade e envie para
de tudo que o professor está
serem corrigidas.
cobrando.

Figura 16: Link para Próximos Eventos


PARA REFLETIR

Quer ficar por dentro de


todas as novidades que o
professor compartilha com Calendário
você?
Então sempre que acessar
Disponível para você se organizar
o Virtualmontes, observe
esses links importantes à com a vantagem de terem os dias
direita: com atividades marcadas em
? Últimas notícias, destaque.
? Próximos Eventos e;
? Mensagens.
E se mantenha atualizado!

Figura 17: Calendário e Atividades


UAB/Unimontes

8.3 Como Enviar e Receber Mensagens?

Através do Virtualmontes – Ambiente Virtual de Aprendizagem da


Unimontes você tem a possibilidade de enviar mensagens para os seus
ATIVIDADES colegas, tutores e professores, mesmo esses estando on-line ou off-line.

Verifique se há algum Enviando mensagem para os colegas on-line


colega on-line. Se houver
escolha um e escreva uma Utilize o BOX Usuários on-line, à direita no canto inferior da tela. Observe
mensagem para ele, que na frente do nome do seu colega tem o ícone (envelope), clique neste
clicando no envelope em envelope e perceba que abrirá uma nova tela com uma caixa de texto para
frente ao seu nome. você redigir.

Enviando mensagem para os colegas off-line

32
Introdução à Educação a Distância Unimontes/UAB

Esta é uma possibilidade que a plataforma nos permite que é o


envio de mensagem para os participantes que não estão on-line na sala, ou ATIVIDADES
seja, mesmo a pessoa não estando presente naquele momento, logo que
ele acessar o Virtualmontes estará depositado em sua caixa de mensagens Vá até o Fórum
o material enviado pelo remetente. Neste caso, deveremos ir ao BOX Virtualmontes e clique no
PARTICIPANTES, no lado esquerdo da página e escolher o colega para o tópico: Ambiente Virtual de
Aprendizagem.
envio da mensagem, assim como foi solicitado na Atividade da página11.
Compartilhe sua opinião
sobre o Virtualmontes, as
E como ler as mensagens recebidas? suas dificuldades, suas
dúvidas...
É no BOX Mensagens que aparecerá as mensagens recebidas.
Para visualizar, basta clicar no envelope, na frente do nome da pessoa que
enviou a você e depois ler o conteúdo. Você tem a possibilidade de
responder, digitando na caixa de texto abaixo da mensagem recebida. Esta
é uma ótima maneira de interação entre você e seus colegas, entre os
tutores, professores e coordenadores de curso.
E para finalizar essa capacitação, a nossa sugestão é que você
experimente e não tenha medo de
clicar!!!
Bom trabalho!

9 CARTA DE DESPEDIDA
Figura 18: Link para
informar sobre mensagens
Prezados acadêmicos,

Depois desta nossa conversa “introdutória”, desejamos enfatizar


que um pais como o nosso, que é regido por um regime político
democrático, o fato de freqüentar um curso superior faz parte de uma
conquista de muitos brasileiros, alguns, inclusive, morreram nessa luta.
Portanto, queremos aqui discutir o que significa democracia. Para Souza
(1996) falar em democracia é falar primeiramente em cinco princípios
básicos que a compõem, e que segundo ele, cada princípio já é por si só a
formulação de uma grande teoria: liberdade, participação, diversidade, ATIVIDADES
solidariedade e igualdade.
Vejam, então, como realmente, cada um desses princípios poderia Vá até o Fórum Introdução
ser discutido por toda uma vida; mas eles estão diretamente ligados à à EAD e clique no tópico –
democracia. E nesse caso, a democracia está ligada ao direito que cada Opinião sobre Introdução a
um tem de usufruir desse estudo. Por isso, não perca a oportunidade de EAD. Compartilhe com os
colegas suas impressões
participar ativamente de seus estudos, e faça desse momento uma grande
sobre este módulo.
oportunidade de aprimorar, a cada dia, mais e mais os seus conhecimentos
acadêmicos, para que possam, através dele, tornar-se pessoas melhores e
futuros profissionais responsáveis pela parte que lhes couber nessa grande
diversidade que é o nosso mundo e nosso estudo, ainda mais no que se
refere à Educação a Distância, conforme o nome já diz, no que possamos
tornar solidários uns com os outros, estejam eles próximos ou distantes,
sabendo, como já falamos no início deste caderno, que com a Internet e

33
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

todos os meios de comunicação tornamo-nos cidadãos do mundo e por fim


em uma busca contínua de igualdade e oportunidades, que nem todos têm
a chance de vivenciar.
Observem caros acadêmicos, ao mesmo tempo que é tão simples
discutir democracia, torna-se tão complexo, pois esse não é somente um
conceito político, mas uma atitude de cada um de nós, no espaço que é de
cada um.
Portanto, usufruam com total direito e total dever a oportunidade
que lhes é oferecida e boa sorte nesse momento e em todos os quatro anos
que terão pela frente.

Abraços carinhosos!
As autoras.

34
3 REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação: Secretaria de Educação a Distância.


Referenciais de Qualidade para Cursos a Distância. Brasília, 02 de abril
de 2003.

LIMA, Valéria Sperduti. As Raízes e singularidades da Educação a


Distancia. Disponível em: <http://www.educacaoadistancia.org.br>
2008. Acesso em 07 de setembro de 2008.

MORAN, J.M. O que é educação a distância. Disponível em:


<http://www.eca.usp.br/prof/moran/dist.htm> Acesso em 18 de janeiro
de 2007.

PETERS, Otto. Didática do ensino a distância: experiências e estágio da


discussão numa visão internacional. Tradução Ilson Kayser, RS: Editora
UNISINOS, 2003.

SOUZA, Herbert. Democracia e Cidadania. In: RODRIGUES, Carla (org.)


Democracia: cinco princípios e um fim. São Paulo: Moderna, 1996.

TEVES, Nilda. Palestra proferida na Associação Brasileira de Educação.


Rio de Janeiro, 2000.

Universidade Estadual de Montes Claros. Pró-reitoria de ensino -


Coordenadoria de ensino Superior da Unimontes. Projetos político-
pedagógicos dos cursos da licenciatura UAB/Unimontes. Montes Claros,
2008.

VIEIRA, Fábia Magali Santos. Ciberespaço e educação: possibilidades e


limites da interação dialógica nos cursos a distancia, 2003. 129 f.
Dissertação de Mestrado em Educação Faculdade de Educação da
Universidade de Brasília – UnB. Brasília, 2003.

35
1º PERÍODO

INICIAÇÃO
CIENTÍFICA
Alex Fabiano Correia Jardim
Doutor em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, mestre em
Fundamentos da Educação pela UFSCar e graduado em Filosofia pela Universidade Estadual
de Montes Claros – Unimontes. Professor do Departamento de Filosofia da Universidade
Estadual de Montes Claros - Unimontes e do Programa de Pós-graduação em Letras/Estudos
literários desta mesma Universidade.

Cláudia de Jesus Maia


Doutora em História pela Universidade de Brasília – UnB, com período sanduíche na École des
Hautes Études en Sciences Sociales – EHES, em Paris. É líder do Grupo de Pesquisa Gênero e
Violência, professora do Departamento de História da Universidade Estadual de Montes
Claros - Unimontes e do Programa de Pós-graduação em Letras/Estudos literários desta
mesma Universidade.

Emília Murta Moraes


Mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, pós-graduada em
Alfabetização pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC/Minas e graduada
em Pedagogia pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. É professora e
coordenadora de Projetos Especiais da Pró-Reitoria de Extensão da Unimontes.

Jussara Maria de Carvalho Guimarães


Doutora em Geografia - Percepção Ambiental Infantil pela Universidade Federal de
Uberlândia - UFU, mestre em Geografia - Educação Ambiental pela UFU e graduada em
Pedagogia pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. Professora do curso de
Pedagogia da Unimontes. Coordenadora Pedagógica do Curso de Capacitação de Gerentes
Sociais do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS); Coordenadora de
Projetos Especiais da Pró-Reitoria de Extensão.
SUMÁRIO DA
DISCIPLINA

Apresentação................................................................................... 41
Unidade I: Conhecimento e Ciência ................................................... 43
1.1 Introdução............................................................................. 43
1.2 Introdução à Ciência e ao Conhecimento.................................. 43
1.2.1 O Problema da Verdade e o Conceito de Ciência.................. 45
1.2.2 Conhecimento Científico e Senso Comum........................... 46
1.3 O Nascimento da Ciência Moderna.......................................... 50
1.4 A Emergência das Ciências Humanas.......................................53
1.4.1 A Neutralidade Científica................................................... 55
Unidade II: Técnicas de Estudo .......................................................... 55
2.1 Introdução.................................................................................. 55
2.2. O Método de Estudo............................................................... 55
2.2.1 O Ato de Estudar............................................................... 56
2.2.2 Como Estudar................................................................... 57
2.2.3 Etapas do Estudo.............................................................. 58
2.3 Leitura, Análise e Interpretação de Texto................................... 59
2.3.1 A Leitura.......................................................................... 59
2.3.2 Sublinhar um Texto........................................................... 60
2.3.3 Como Elaborar um Esquema............................................. 62
2.3.4 Resumo........................................................................... 65
2.3.4.1 Tipos de Resumos....................................................... 65
2.4 A Prática de Documentação Pessoal......................................... 67
2.4.1 Formas de Documentação................................................ 68
2.4.2 Conteúdo das Fichas......................................................... 69
2.4.3 Confecção das Fichas e Materiais Diversos.......................... 71
2.5 O Seminário como Técnica de Estudo....................................... 72
2.5.1 Definição......................................................................... 72
2.5.2 Objetivos.......................................................................... 72
2.5.3 Estrutura e Organização.................................................... 73
2.5.4 O Texto-roteiro..................................................................74
2.5.5 O Texto-base.................................................................... 76
2.5.6 Apresentação e Duração................................................... 77
2.5.7 Avaliação......................................................................... 78
2.6. A Internet como Fonte de Estudo e Pesquisa............................. 78
2.6.1 Acesso à Internet.............................................................. 79
2.6.2 A Pesquisa Científica na Internet............................................. 81
2.6.3 Atividades............................................................................. 87
2.6.4 Relação de Sites Importantes para sua Pesquisa Científica por
Área.............................................................................................. 89
2.7 Formatação de Texto e Capa de Trabalho Acadêmico..................... 93
2.7.1 Formatação de Texto.............................................................. 93
2.7.2 Formatação de Capa de Trabalhos..........................................94
3 Referências......................................................................................... 96
4 Atividades de Aprendizagem - AA......................................................... 98
APRESENTAÇÃO

Você começa agora o seu curso universitário! Isto significa uma


grande mudança na sua postura de estudante, pois o curso superior exigirá
de você um conjunto de atividades intelectuais e acadêmicas. Por isso, é
preciso instrumentos e técnicas operacionais de estudo a fim de torná-lo
cientificamente organizado para assegurar maior eficiência e desenvolver
seus trabalhos científicos. De maneira geral, podemos entender o trabalho
científico como “o conjunto de processos de estudo, de pesquisa e de
reflexão que caracterizam a vida intelectual do universitário”, conforme
definição de Severino (2000, p.19).
Na disciplina de Iniciação Científica tem por objetivo iniciar você
na vida científica universitária, oferecendo alguns subsídios para as várias
B GC
GLOSSÁRIO E
tarefas que você terá de desenvolver durante o seu trabalho acadêmico e
A F
intelectual.
Iniciação científica: é
A universidade contemporânea tem perseguido, dentre seus também a denominação de
objetivos, a indissociabilidade do ensino-pesquisa e extensão, visando um programa que visa
formar profissionais de qualidade, não somente capazes de executar iniciar o/a estudante da
tarefas, aprender e transmitir conhecimento, mas, sobretudo, capazes de graduação à pesquisa por
um professor/a
produzir novos conhecimentos. Isso significa, que ser aluno/a
orientador/a,
universitário/a não é apenas se matricular em um curso superior para preferencialmente com
aprender o que lhe é transmitido, mas ser sujeito ativo do seu processo de uma bolsa de pesquisa
ensino-aprendizagem para conhecer e dominar conceitos, procedimentos fornecida por agências de
de pesquisa e de realização de trabalhos acadêmicos e, finalmente, ser fomento. No âmbito da
Unimontes a iniciação
atuante na produção e divulgação de conhecimentos científicos.
científica com bolsas se
Pensando nestes objetivos da formação do profissional de nível desenvolve através de dois
superior, tendo em vista as dimensões prática e conceitual, é que programas: o PROBIC –
organizamos a disciplina em duas unidades: Programa de Bolsas de
Iniciação Científica – da
Fundação de Amparo à
Unidade I: conhecimento e ciência Pesquisa do Estado de
1Introdução à ciência e ao conhecimento: conceituações Minas Gerais (FAPEMIG), e
1.1 O problema da verdade e o conceito de ciência o PIBIC – Programa
Institucional de Bolsas de
1.2 O conhecimento científico e o senso comum Iniciação Científica – do
2 O nascimento da ciência moderna Conselho Nacional do
3 A emergência das ciências humanas Desenvolvimento Científico
e Tecnolóico - CNPq. Além
3.1 A neutralidade científica
desses dois programas, a
Unidade II: técnicas de estudo Unimontes também
1 O método de estudo desenvolve o programa de
Iniciação Científica

41
Iniciação Científica Unimontes/UAB

2 Leitura, análise e interpretação de texto


3 A prática de documentação pessoal
4 Seminário como técnica de estudo
5 A Internet como fonte de estudo e pesquisa

Após cada capítulo, preparamos uma atividade para você realizar.


As atividades são muito importantes, porque fazem parte do processo de
aprendizagem, sobretudo as atividades práticas da segunda unidade, pois
você aprenderá como fazer, fazendo. Além das atividades, indicamos ao
longo dos textos, dicas de estudos com sugestões de bibliografia para
consultar e aprofundar determinados temas, questões para reflexão e
significados de termos e palavras desconhecidas, que você identificará
através dos ícones seguintes:

DICAS

PARA REFLETIR

B GC
GLOSSÁRIO E
A F

ATIVIDADES

Agora que você já conhece os objetivos da disciplina “Iniciação


Científica”, os conteúdos que vai estudar e a forma como está organizado
este caderno, vamos começar!

42
1
UNIDADE 1
CONHECIMENTO E CIÊNCIA

1.1 INTRODUÇÃO

Esta primeira unidade visa introduzir você ao universo da ciência.


Para tanto, apresentaremos o conceito de ciência, a noção de verdade e a
concepção de atitude científica. Assinalamos a diferença entre o
conhecimento científico e o conhecimento oriundo senso comum que, não
obstante, não se apresentam de forma hierárquica. Apresentaremos o
surgimento da ciência moderna no século XVII com os filósofos Bacon e
Descartes, que lançaram fundamentos ainda aceitos no modelo de ciência
que praticamos hoje, e a emergência das ciências humanas no século XIX.
O desenvolvimento desta última, ao longo do século XX, trouxe
questionamentos aos principais pressupostos científicos da modernidade,
como a noção de neutralidade científica.
Ao longo do texto, apresentaremos dicas e estudos, bem como
sugestões de alguns filmes para você, juntamente com seus colegas,
aprofunde os temas apresentados e reflita sobre as questões suscitadas.
Não deixe de esclarecer todas as suas dúvidas com seu/sua professor/a
formador/a e com os tutores.

Boa aula!
Os autores.

1.2 INTRODUÇÃO À CIÊNCIA E AO CONHECIMENTO:


CONCEITUAÇÒES

1.2.1 O Problema da Verdade e o Conceito de Ciência

Para tratarmos de ciência, precisamos antes de qualquer coisa,


entender o problema da verdade e de como a ciência trata essa questão.
Para isso, nos deparamos, antes da verdade, com um tipo de “estado”,
chamado pela filosofia, de ignorância. E muitas vezes nem percebemos a
profundidade de nossa ignorância. A ignorância é causada pela crença em
opiniões que nos foram passadas, sem nenhum questionamento de nossa
parte. A “ignorância” permeia a nossa vida, sendo que todo nosso
conhecimento é aceito como útil e correto. Achamos que possuímos
conhecimento e que não há razão para colocá-lo em dúvida. A ignorância
nos deixa cegos.
O que move a ciência é a dúvida. A busca pela verdade. E um dos
passos para a ciência chegar à verdade é afirmar a incerteza sobre as
coisas. É a incerteza que nos faz enxergar o quanto somos ignorantes

43
Iniciação Científica Unimontes/UAB

diante da realidade, pois não a conhecemos de fato e que as nossas


crenças e opiniões são falhas e não podem servir mais como fundamento
para o nosso pensamento. A incerteza como passo essencial para a busca
da verdade, nos faz caminhar, mesmo sem saber direito o que pensar, o que
fazer diante dos acontecimentos, de certas situações.
A incerteza traz a insegurança, mas junto dela, alcançamos a
possibilidade de criarmos problemas e interrogações sobre o mundo e
sobre o homem. Sendo assim, tanto a incerteza quanto a insegurança
fazem nascer em nós o espírito do pesquisador e a disposição para a busca
do conhecimento verdadeiro. Claro que, de alguma forma, a ciência
quebra um pouco o encanto do mundo, isso porque, até então, todas as
“minhas verdades” não estavam condicionadas a um questionamento,
DICAS
mas a uma simples aceitação.
Mas, afinal de contas, o que significa buscar a verdade como
critério para o estabelecimento da ciência?
O filme “O Nome da Em primeiro lugar, significa romper com o dogmatismo, isto é, a
Rosa”, crença indiscriminada em algo. Acreditar sem perguntar. Todas as vezes
baseado no romance de
que eu desconfio de algo, de opiniões, eu estou tendo uma atitude anti-
Umberto Eco, ilustra bem
as questões apresentadas dogmática. Eu estou me afastando do dogmatismo. O dogmatismo é toda
aqui. O filme “mostra atitude espontânea, que inclusive adquirimos ainda criança, como se o
vários assassinatos em que mundo fosse tal como ele nos é apresentado. Como eu o percebo
os mortos apresentam um imediatamente. Na atitude dogmática, acreditamos no mundo como algo
sinal: a língua escura,
dado, pronto e pensado. Nós fazemos parte da realidade desse mundo
juntamente com dois dedos
da mão esquerda – o onde tudo acontece naturalmente, por isso não merece ser questionado:
polegar e o indicador . O por exemplo, a realidade política, social e cultural. O dogmatismo tem por
monge Guilherme de princípio, ser conservador e foge de tudo que é novo, porque qualquer
Baskerville descobre que procedimento que não seja o da plena aceitação espontânea, pode
todos os assassinatos eram
colocar em risco tudo o que já está constituído, sua organização, opiniões,
frades encarregados de
copiar e ilustrar os etc.
manuscritos de uma Em segundo lugar, como se chegar ao conhecimento verdadeiro?
biblioteca”; tinham ainda Teremos na resposta a esta questão algumas posições:
em comum o fato de terem
Alethéia: do grego, significa a verdade revelada nas próprias
?
manuseado uma obra
perdida do filósofo grego coisas ou quando se percebe intelectualmente e racionalmente essa
Aristóteles. verdade nas coisas a partir da evidência. Se se tem uma idéia de alguma
(CHAUI, M., 1995, p. 98). coisa, deve haver necessariamente uma correspondência entre essa idéia e
a própria coisa (conteúdo da idéia); e
Veritas: do latim, é a coerência lógica da coisa que aparece à
?
idéia. É o conjunto de idéias que organizam a razão, levando-se em
consideração as regras, as leis, a validade lógica e os argumentos para
organização dessas idéias.
O conhecimento científico e a busca pela verdade avança um
pouco mais as duas fases anteriores, da alethéia e da Veritas, para
alcançar o conhecimento pragmático. Nesse caso, todo conhecimento só
é considerado verdadeiro se tiver resultados práticos e for possível aplicá-
los a partir da experiência. Na perspectiva da pragmática, só pode ser

44
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

considerado, verdadeiro o conhecimento que for verificado e constituir


resultados. É diferente de um conhecimento assistemático, que pode ser
adquirido ao acaso, indiferente dos caminhos ou métodos e se seus
respectivos planejamentos. Esse conhecimento assistemático se aproxima
de um conhecimento sem crítica ou dogmático, pois nesse caso, não
importa um exame, uma atenção à validade ou à verdade do
conhecimento.
Porque a ciência precisa do conhecimento pragmático e
abandonar o conhecimento assistematico?
Etimologicamente, ciência vem do verbo “Scire” que significa
conhecer. Isso quer dizer que tudo o que existe no universo, pode ser um
objeto de preocupação da ciência e dos cientistas, desde os processos da
mente, até a origem e extinção das galáxias, passando pela migração dos
pássaros ou pelo aumento da temperatura na terra. Isso nos indica que o
universo pode ser observado sistematicamente e objetivamente.
A ciência quando observa, sistematiza e elabora leis, pois ela
precisa buscar a verdade de forma pragmática, ou seja, que tenha um
valor prático e útil,como já foi falado anteriormente. Sendo assim, ciência
pode ser considerada um meio ou maneira de pensar o mundo dos fatos, e
dos aspectos que podem ser conhecidos pela humanidade.
A ciência constata, por isso ela é uma atividade de pesquisa, e é
somente com a pesquisa e suas técnicas que o cientista entra em contato
com a realidade de maneira específica: ações determinadas pelo método
científico e que se transformarão futuramente em teoria porque ela
constata e explica o objeto estudado. A ciência teria como finalidade:
fazer com que a maioria dos aspectos do universo possam ser
?
conhecidos de maneira rigorosa e precisa; e
dar ao homem uma capacidade de agir sobre a natureza.
?
Se a ciência abandonar a necessidade da teoria (e do
conhecimento, pragmático), não poderia existir absolutamente nenhuma
prática cientiíica. Não se pode construir conhecimento distante da teoria.
Sabemos que os conceitos científicos são abstrações, mas eles têm como
referência o mundo concreto-empírico (proveniente da experiência). Isso
significa dizer que toda abstração nos leva à realidade e à existência. Daí, o
conhecimento científico ser diferente do “senso comum”, pois este tem
uma relação direta com o conhecimento dogmático.

1.2.2 Conhecimento Científico e Senso comum

O conhecimento oriundo do senso comum é meramente


subjetivo, depende dos sentimentos e opiniões, sem se importar com a
regularidade, e a repetição própria do mundo e das coisas, além de se
surpreender assustarem quando se depara com o imponderável, o
desconhecido, que segundo a filósofa Marilena Chauí, “por serem
subjetivos, generalizadores, expressões de sentimentos de medo e angústia

45
Iniciação Científica Unimontes/UAB

quanto ao trabalho científico, o senso comum de nossa sociedade


cristalizam-se em preconceitos com os quais passamos a interpretar toda a
realidade que nos cerca e todos os acontecimentos.” (CHAUI, 1995, p.
248).
Diferentemente, a atitude científica exige desconfiança. Por isso,
vamos aprofundar mais um pouco nos conceitos já apontados acima, em
relação à idéia de incerteza e insegurança.
Ao contrário do senso comum, o conhecimento científico elabora
problemas e não aceita as aparências como explicação da realidade. Se o
senso comum é subjetivo, o conhecimento científico seria objetivo, isto é,
com a ajuda do método científico (caminho para se chegar ao verdadeiro
PARA REFLETIR
conhecimento), procura-se a universalidade do conhecimento. E essa
universalidade do conhecimento só é possível em razão dos padrões,
Copérnico (1473-1543, critérios e avaliação das coisas, para uniformizá-las, torná-las
Polônia), dedicou-se à homogêneas. Tudo passa a ser explicado segundo um critério na medida,
Astronomia, escrevendo em que se consiste em: Teremos então: rigorosa observação, identificação de
1530 sua grande obra, De
um problema, planejamento, método, hipóteses, verificação de resultados
revolutionibus orbium
coelestium (sobre as e elaboração de teoria.
revoluções das esferas
celestes), que afirma que a 1.3 O NASCIMENTO DA CIÊNCIA MODERNA
Terra gira em torno de seu
próprio eixo uma vez por
dia e viaja ao redor do Sol Esse processo em que esta nova concepção de ciência avança no
uma vez por ano. Esta ficou mundo, iniciou-se no século XVII e é conhecido como o século do
conhecida como a teoria nascimento da ciência moderna (a elaboração de um método, a
de Copérnico.
organização e levantamento de hipóteses e edificação de uma teoria). Essa
Galileu Galilei (1564-1642,
Itália) fez a descoberta da mudança significou uma nova maneira de ver o mundo, uma nova
lei dos corpos e enunciou o concepção de saber. Surgem várias teorias científicas que modificaram
princípio da Inércia. Foi um completamente a maneira do homem viver.
dos principais Uma delas foi o heliocentrismo, ou seja, a idéia de que a terra gira
representantes do
Renascimento Científico em torno do sol e o sol está no centro do sistema. Esta idéia foi elaborada
dos séculos XVI e XVII. por Copérnico, astrônomo. A matemática e a física, pensadas por Galileu,
Devido à sua visão passam a representar um novo modelo de entendimento das coisas.
heliocêntrica, foi julgado Mas como já ressaltamos acima, a grande descoberta do século
pelo Tribunal da Inquisição
XVII foi mesmo o método científico, que significa um caminho para o
e condenado a assinar um
termo onde declarava que saber. Temos dois nomes (filósofos/pensadores) em especial, que
o sistema heliocêntrico era contribuíram muito para a discussão a respeito da ciência e do método
apenas uma hipótese. científico: Francis Bacon (1561-1626) e René Descartes (1596-1658).
Morreu cego e condenado Francis Bacon enfatizou a importância de uma observação
pela Igreja Católica por
suas convicções científicas criteriosa do mundo dos fatos, afirmando a importância em organizá-los a
partir da lógica. Descartes, tratou da necessidade dos critérios de
evidência, da análise das coisas até elas se tornarem claras e distintas.
René Descartes a partir de sua obra “Discurso do Método”,
elabora a teoria segundo a qual o cogito (o pensamento) é autoconsciente,
evidente por si mesmo e estruturado segundo a evidência da razão. Neste
caso, Descartes faz duas distinções: de um lado, teremos o que ele

46
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Fonte: www.art-prints-on-demand.com

chamava de rés cogito (aquilo


que pensa) e do outro, o
mundo material, rés extensa, B GC
que pode ser medido, GLOSSÁRIO E
calculado e será objeto da A F
ciência.
Razão: na concepção de
Para Descartes, ao
Descartes, é a faculdade de
fazer ciência, o homem tem bem julgar, de distinguir o
que se afastar do bem do mal e o verdadeiro
conhecimento sensível, das do falso; considerada
paixões e das emoções, pois absoluta e imutável. Em
nossos dias a razão está
elas perturbam o caminho,
Figura 1: René Descartes (1596-1658)
relativizada; “designa
para se chegar ao agora um centro ativo que
em pintura de Frans Hals (1649),
Museu do Louvre conhecimento. E o cogito (o trava um diálogo com as
pensamento) para Descartes coisas sem que, por isso, as
não é influenciado pelas possa reger” (Russ,1994,
p.244)
paixões. A mente então ou o rés cogito é o fundamento para todas as
ciências, pois ela estabelece os critérios analíticos para o conhecimento, O racionalismo na
sem se deixar contaminar pelo mundo sensível. Descartes criticava todo o perspectiva cartesiana, é
conhecimento determinado pelas sensações, por isso o termo doutrina “segundo a qual o
conhecimento sensível. espírito humano possuiria
os princípios ou
Para Descartes, não podemos fazer ciência através das idéias conhecimentos a priori,
adventícias e nem pelas idéias fictícias. As idéias adventícias são aquelas independentes da
vindas do exterior, originadas nas sensações. São todas as idéias que nos experiência, que
vêm pela experiência sensível. Por exemplo, se eu olho para o sol, vejo que comandariam o
conhecimento”. Já o
ele é menor do que a terra, mas todos nós sabemos que o Sol é muito maior
racionalismo
do que a Terra. Sendo assim, os sentidos nos enganam. Já as idéias contemporâneo,
fictícias, são todas as idéias provenientes da fantasia, da imaginação. Por abandonou “a idéia de um
exemplo, um cavalo alado, fadas, bruxas, duendes. Não podem ser conteúdo permanente e
consideradas verdadeiras porque não correspondem à realidade. absoluto da razão, para ver
nesta última, uma atividade
Mas Descartes destaca a importância das idéias inatas. Essas sim,
de construção e um
são legítimas. Elas não dependem da experiência. As idéias inatas são dinamismo em obra nos
aquelas da própria razão e existem porque já nascemos com elas. A idéia fenômenos.
de infinito por exemplo ou as idéias matemáticas. É por causa dessa razão (Russ, op.cit. p.243)
inata, como luz natural, que podemos conhecer a verdade. Para Descartes,
essas idéias são colocadas pelo Criador, por Deus, logo, são verdadeiras ou
corresponderão com a verdade. Nós só podemos conhecer a verdade,
porque possuímos as idéias inatas, porque temos em nosso espírito a razão
que nos garante separar o conhecimento verdadeiro do falso. Ela é o único
critério seguro.
Descartes contribuiu decisivamente para a ciência , em especial
ao levantar o problema da dúvida. A pretensão de Descartes é elevar o
nosso espírito à mais alta perfeição. A idéia parte da seguinte perspectiva:
não acolher jamais alguma coisa como verdadeiro de forma mediata

47
Iniciação Científica Unimontes/UAB

DICAS (atitude dogmática). Forma mediata significa aquele conhecimento que


antecede ao uso da razão, como por exemplo, quando conheço algo
primeiramente pelos sentidos. Essa prática evita qualquer atitude
Para saber mais sobre o precipitada em direção ao conhecimento. Assim, nos prevenimos contra
nascimento da ciência qualquer engano ou erro. Deve-se colocar em dúvida tudo que
moderna, consulte o percebemos, até que “as coisas” se apresentem com clareza e distinção.
volume II da obra Historia
Posteriormente, Descartes afirma a necessidade em dividir todas
da Filosofia, de Giovanni
Reale. Editora Paulus:1991. as partes de um problema, identificar cada uma das dificuldades
Consulte também o livro da encontradas para examiná-las e posteriormente resolvê-las. E por fim,
filosófa Marilena Chauí, organizar o pensamento. Inicialmente, pelos objetos mais simples e mais
Convite à Filosofia. Altas, fáceis de ser conhecidos, para, degrau por degrau, alcançar o
1995. Este livro completo
conhecimento mais totalizante possível, sabendo-se que o conhecimento
esta disponível para fazer
download em acontece de maneira gradual e organizada, passo a passo. Segundo
http://geocities.yahoo.com. Descartes, precisamos de uma ordem para atingirmos o conhecimento
br/mcrost02 preciso e claro das coisas. Então teremos: primeiro a dúvida; segundo a
divisão do problema em partes simples e; terceiro enumerar, organizar e
revisar, nada omitindo. Na
Fonte: fotografia do Arquivo pessoal profa. Cláudia Maia oportunidade, uma abordagem
um pouco mais sistemática do
pensamento de René Descartes
será abordado na disciplina
DICAS Filosofia da Educação.
A dúvida corrige os
preconceitos e a falsidade do
Para uma leitura mais conhecimento. Ela nos livra do
aprofundada sobre o erro e do engano. A dúvida é o
assunto, indicamos a
leitura da obra “Meditações passo inicial e fundamental para
Metafísicas”, de René a conquista da verdade final e
Descartes, da Coleção Os da certeza incondicionada. É a
pensadores. Abril Cultural: dúvida que fará com que
São Paulo. São seis cheguemos à primeira certeza
meditações, onde ele
apresenta todo o percurso em Descartes: o cogito ou o
de descoberta da pensamento/consciência de si.
consciência, do Figura 2: Escultura “O Pensador” de Se eu duvido, existe
pensamento e sua A. Rodin, exposta no
Museu Rodin – Paris necessariamente alguém que
validade. coloca as coisas em dúvida,
logo, eu penso. E se penso, eu existo.
Esse método da dúvida em Descartes no século XVII (abertura
para o que chamamos de modernidade), é o passo essencial para que o
homem domine e controle a natureza, pois ele passa a estudá-la, conhecê-
la. Definitivamente, o homem se coloca “um pouco mais distante” da
natureza, para explorá-la e entender o seu funcionamento. O mundo passa
a ser pensado como uma máquina e precisa ser conhecido. Assim, a busca
pela verdade se transforma também na busca por um método seguro que
leve ao conhecimento das coisas. Descartes então, contribui muito para a

48
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

conquista de um fundamento seguro a partir da afirmação da capacidade


humana em desvendar os segredos da natureza, do mundo e tudo aquilo
que, até então, se apresenta como desconhecido. O homem, a partir do
século XVII, conquista a sua autonomia na modernidade. Se “navegar é
preciso” ou seguir adiante é necessário, então, que seja com segurança,
com método, ordem e organização. Assim é a ciência de Descartes.
Afastando-se de todo e qualquer subjetivismo ou evitando acreditar em
crenças e opiniões.
Diferentemente das preocupações de René Descartes, mas
contribuindo fortemente para o avanço da ciência moderna temos o
Fonte: www.art-prints-on-demand.com
empirismo de Francis Bacon (1561-
1626). Diferente do racionalismo de
Descartes, o empirismo pretende
explicar a realidade a partir da
experiência, abandonando e criticando a
noção de idéia inata, considerada
inadequada para se chegar ao
conhecimento. Para os empiristas, toda a
verdade e todo conhecimento é
proveniente da percepção que temos das
coisas, do mundo que esta fora de nós, o
mundo externo.
O pensador inglês Francis Bacon
(1561-1626), em pintura de O empirismo inicia-se na
William Larkin pertencente a Inglaterra e tem em Francis Bacon um
coleção particular dos mais fortes influentes. Ele defende a
tese de que a ciência deve basear-se no
método experimental, levando-se em consideração a observação e a
aplicação da ciência. O método empírico pretende que as leis científicas
sejam o resultado da observação pela repetição dos fenômenos. A isso,
denominamos de indução, ou seja, todo conhecimento de fenômenos
particulares para se chegar aos fenômenos generalizados.
Para os empiristas, diferente dos racionalistas (representados por
Descartes), as idéias surgem a partir de um processo de abstração, que tem
no seu principio, a percepção das coisas através dos sentidos ou sensações.
Nada, absolutamente nada, se apresenta na mente sem antes ser
percebido pelos sentidos. Só podemos ter qualquer compreensão ou
entendimento do mundo através dos sentidos. As idéias simples, que vêm
das impressões sensíveis, originam as idéias mais complexas. A idéia é
mais nítida quando se aproxima das impressões sensíveis, que é
responsável pela idéia. Daí, a importância da verificação empírica para dar
validade ao conhecimento.
O conhecimento (ou a ciência) será o resultado da certeza do que
foi verificado. É o mesmo que afirmarmos que somos uma folha em
branco, nossa mente é aberta e vazia e que vamos preenchendo essa

49
Iniciação Científica Unimontes/UAB

forma em branco com as nossas experiências. Esse preenchimento é feito


quando os nossos órgãos dos sentidos são excitados e estimulados;
quando vemos cores, provamos sabores, ouvimos sons ou diferenciamos o
quente e o frio, o listo e o áspero. A medida que experimentamos, se forma
a percepção.
A nossa percepção se dá por associação e esta se apresenta de
três maneiras: semelhança, proximidade e sucessão temporal. Primeiro
associo minha percepção por repetição ou por semelhança, isto é, as
coisas vão se repetindo de tal forma, próximas umas das outras. E de tanto
repetirem e se sucederem, se forma em nós o hábito. Nós constituímos o
hábito por associação da repetição e sucessão. De tanto repetir e formar o
hábito, a memória vai se formando e, posteriormente, a razão forma e
organiza o pensamento.
É importante que fique claro que, também para a ciência
empírica, conhecer é ter idéias. Mas é preciso estabelecer uma diferença
entre a realidade (o mundo das coisas, dos fatos) e a sua representação (o
ato de apresentar um objeto em minha mente, na consciência).
Francis Bacon consolida a significação da ciência no mundo
PARA REFLETIR moderno e o papel que ela tem para a humanidade. Seu lema maior é
“saber é poder”, por isso todo conhecimento não deve ser desinteressado
Na obra Novo Organum ou meramente proveniente da contemplação. Diferentemente, a ciência
Bacon afirma: “Aqueles que pretende ser um saber que sirva de instrumento que possibilite ao homem
trataram das ciências dominar a natureza. Em sua obra chamada “Novo Organum” (Novo
foram ou empíricos ou
Instrumento/Órgão como instrumento do pensamento), Bacon critica
dogmáticos. Os empíricos,
à maneira das formigas, todas as formas de preconceito que impedem o conhecimento. Nessa
contestam-se em amontoar obra, Bacon fala que a ciência deve ser livre e aberta para receber as novas
e suar; os racionais, à idéias. Para ele, a ciência deve ter como preocupação a melhoraria da
maneira das aranhas, humanidade e o avanço do comércio através da avaliação dos fatos, na
tecem teias a partir de sua
experiência. Segundo Bacon, toda a educação deveria ser investida na
própria substância”.
busca por novos conhecimentos, deixando-se de lado o antigo. Bacon foi
um ardoroso defensor da melhoria das condições de toda a humanidade,
pelo progresso da ciência do século XVII.
A partir de Descartes e Bacon, a ciência se transforma no grande
modelo que inspirará todo o movimento da sociedade moderna, por ser
sistemático e visar o progresso. A verdade passa a ser àquela determinada
pela ciência e torna-se imprescindível abandonar qualquer tipo de dogma
ou crença supersticiosa. Só com a razão e a experiência, respectivamente
representados por René Descartes e Francis Bacon, a verdade poderá ser
bem conduzida e direcionar todo o mundo para um destino melhor.

1.4 A EMERGÊNCIA DAS CIÊNCIAS HUMANAS

Dando um salto na história do pensamento, trataremos um pouco


do problema do conhecimento no século XIX e XX. O século XIX tem
dentre suas características a herança de importantes acontecimentos do

50
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

final do século XVIII: a Revolução Industrial, que começou na Inglaterra, e


a Revolução Francesa, com ambições especialmente políticas. Estas duas
grandes mudanças refletiram no século XIX de maneira bastante forte.
Observamos as mudanças no processo de produção de mercadorias com a
industrialização do mundo; o Estado se fortalece, desde a sua economia,
até a força dos exércitos; o consumo dos produtos é crescente e o
capitalismo se consolida enquanto sistema econômico hegemônico.
Diante de todos esses acontecimentos, surgem as Ciências Humanas,
como uma maneira de pensar esse “novo mundo” do século XIX e XX.
As Ciências Humanas têm como objeto o homem. Sendo assim, é
importante ressaltarmos que o homem como objeto do conhecimento
científico, só aparece no século XIX. A filosofia não tem objeto definido, DICAS
por isso, não é uma ciência; passa a conviver com as ciências humanas,
que tem o homem como objeto específico e que se organiza na tarefa de
pensar o homem em suas mais variáveis relações.
Um bom filme para refletir
Inicialmente, para se pensar o homem, as ciências humanas e discutir a distância entre
utilizaram os mesmos critérios que as outras ciências: as ciências as duas áreas do
matemáticas e naturais, para com isso, serem respeitadas. Elas então conhecimento abordadas
utilizaram métodos e técnicas das ciências naturais para serem aqui (ciências da natureza
e a ciências humanas) é o
compreendidas como ciência. Mas, esse procedimento foi perdendo força,
filme “Ponto de Mutação”,
devido à dado a complexidade do objeto, o próprio homem e suas relações. baseado no livro de mesmo
Então, não bastava apenas utilizar os mesmos recursos metodológicos das nome, de Fritjof Capra. O
outras ciências naturais, mas era preciso buscar outras formas para filme é um diálogo,
entender esse novo objeto: o homem. Por exemplo, se a ciência trabalha aparentemente impossível,
mas bem sucedido, entre
com observação, colocando um determinado objeto numa certa situação,
uma física, um político mal
para experimentá-lo e elaborar teorias sobre eles, como fazer isso com o ser sucedido e um poeta. “Os
humano? Como criar critérios de observação em relação à consciência? três se encontram em um
(no caso da Psicologia), ou das relações do homem no tecido social (a castelo Medieval de Mont
sociologia)? Se a partir da observação, as demais ciências buscam Saint Michel, no litoral da
França, onde começam a
universalizar o conhecimento sobre um determinado objeto, como fazer
dialogar, a respeito dos
isso em relação ao objeto humano? Como criar leis objetivas para pensar o objetos antigos do castelo e
ser humano? Como universalizar essas leis ou teorias sobre o humano, a fazer relações da ciência
sabendo-se que se trata de um objeto complexo, isto é, variável, que muda com a política, economia,
de acordo com a história, as relações sociais e a cultura? ecologia e doses de poesia.
Na conversa tratam de
Se as demais ciências querem construir uma ordem sistemática temas que, nos dias de
das coisas, como isso é possível em se tratando da mente humana, da sua hoje, fazem parte dos
consciência ou da subjetividade? O homem possui elementos importantes encontros ambientalistas e
que o diferenciam, como a razão, a vontade, a liberdade. O ser humano dos movimentos anti-
inventa práticas, noções, valores. O ser humano é constituído de opções, nuclear e ecológico”.
(Lucena, 2007)
de escolhas. As ciências humanas inicialmente lutam por dar objetividade
à subjetividade, principal característica do humano.
O período de transformação do humano como objeto e
preocupação da ciência (psicologia, antropologia, sociologia, história,
etnografia, lingüística) recebeu uma série de contribuições, sendo o
positivismo uma delas. Corrente filosófica do início do século XIX, cujo

51
Iniciação Científica Unimontes/UAB

fundador foi Augusto Comte, defendia a idéia de que a humanidade tem


necessariamente que passar por três estágios: a superstição religiosa, a
metafísica ou teológia e por fim, a ciência positiva. Assim se concretiza o
ideal da humanidade, do progresso e avanço do homem. Augusto Comte é
considerado o fundador da Sociologia (uma das ciências humanas).
Segundo ele, a sociedade pode ser pensada como física social, ou seja, é
possível investigar as ações humanas e os fatos utilizando-se dos mesmos
procedimentos das ciências da natureza (como a física, a biologia).
Temos também a psicologia, que propôs o estudo do
desenvolvimento da mente humana, da consciência, da linguagem, da
imaginação e das emoções. Propôs estudar também, as relações
intersubjetivas (entre os homens e suas subjetividades), juntamente com
todos os problemas que perturbam o humano, as doenças mentais e os
comportamentos das pessoas. O nome que aparece nesse período inicial
da psicologia é Wilhem Wundt (1852-1920), fundador do primeiro
laboratório de psicologia. Em seu livro “Elementos de Psicologia
Fisiológica”, ele desenvolve um método que aproxima a psicologia com a
fisiologia (estudo do funcionamento do corpo humano). Posteriormente,
teremos Ivan Pavlov (1849-1936). Pavlov tratou de explicar o reflexo
condicionado a partir do estímulo e da resposta, como por exemplo,
estímulos não-condicionados, no caso, do alimento e do som, que geram
um reflexo simples. Isto significa que diante do alimento salivamos
automaticamente. Ou toda vez que um cão escuta uma determinada
campainha, ele se coloca em estado de atenção. Segundo Pavlov, se
associarmos esses dois eventos, ou seja, juntarmos alimento e som, todas
as vezes que se aparecer o alimento e tocar um determinado som, a saliva
será produzida como resposta de um estímulo determinado. Num
determinado momento, por repetição, bastará tocar a campainha, sem a
presença do alimento, que haverá salivação. A isso, denominamos, reflexo
condicionado.
Não aprofundaremos essas questões, pois elas serão tratadas
pelas disciplinas específicas no decorrer do curso. A proposta deste
capítulo é apenas apresentar os princípios das duas principais áreas das
ciências humanas no início do século XIX: a sociologia e a psicologia. Mas
é importante lembrar que se consolida também neste período a
antropologia, estudando as manifestações culturais, a religião, a
comunicação, a organização da vida econômica, as artes, costumes e
crenças de uma comunidade ou povo. A História, com o estudo da origem
da formação da sociedade em seus aspectos mais variáveis, levando-se em
consideração seus conflitos, as relações de poder própria das relações
humanas e da organização da sociedade, assim como as revoluções,
conquistas, descobertas, exploração, as mudanças e rupturas,
movimentos sociais e culturais do ser humano. Neste caso, cada ciência se
encaminha para diversos campos do saber, definindo sua especificidade,
objeto e método. Teremos, então, psicologia social, psicologia do

52
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

desenvolvimento, sociologia política, do trabalho rural e econômica;


história social, econômica e política. A antropologia, etnologia, sem contar
a lingüística, com a fonologia, fonética, semântica, etc. As ciências
humanas têm também a interdisciplinaridade (o dialogo dos vários
campos que têm como objeto o fenômeno humano e sua complexidade).

1.4.1 A neutralidade científica

Finalizando a apresentação do conceito de ciência e um breve


esboço do que vem a ser as Ciências Humanas, é importante discutir um
pouco a respeito do que habitualmente chamamos de “neutralidade
científica”.
Acreditamos que um cientista, quando faz uma pesquisa, quando
alcança uma descoberta ou afirma uma tese, ele estaria isento de qualquer
relação parcial com o seu trabalho. Ou seja, ele se coloca neutro diante da
sua pesquisa. Isso é um grande engano. A simples escolha de um método
Fonte: www.imdb.com
específico em
relação a outro, no
intuito de obter os
melhores resultados
possíveis, já indica
uma posição que o
pesquisador toma
em relação ao
ATIVIDADES
objeto. Se ele
escolhe, ele não
Nesta unidade,
pode ser neutro, isso
discutimos sobre a
é impossível.
diferença entre um
Todo saber conhecimento dogmático e
científico é o conhecimento científico,
interessado, se tendo como referência a
Figura 4: Imagem do filme alemão de
ficção científica “Metropolis” filmado em 1927 pretende algo com busca pela verdade. O que
pelo cineasta austríaco Fritz Lang ele e o pesquisador significa a saída do senso
ou cientista é comum para uma atitude
movido por uma vontade e desejo. Nós temos hoje, pesquisas financiadas crítica propiciada pela
por grandes grupos industriais, por empresas farmacêuticas, pela indústria atitude científica na
de armas, pelo Estado, em especial, no interior das Universidades Públicas. universidade e em nosso
Essas pesquisas precisam de recursos financeiros, e quem investe, espera cotidiano ou dia-a-dia?
resultados. Por isso não podemos falar de neutralidade, como se uma Discuta esta questão com
pesquisa, uma descoberta científica fosse irrelevante para a humanidade. seu/sua professor(a)
Um exemplo disso é que vários produtos que hoje utilizamos é o resultado formador(a) e seus colegas
de pesquisas, de uma disputa pela qualificação de produtos, pois os no Fórum.
mesmos precisam alcançar o mercado, serem consumidos.
A imagem que temos do cientista solitário, envolvido num mundo
Bom trabalho!

53
Iniciação Científica Unimontes/UAB

bastante particular, isento das influências do meio, da história, da


sociedade deve ser esquecida. O cientista é alguém que age em seu tempo,
que se interessa pelos problemas do ser humano e, por outro lado, também
está envolvido positivamente ou negativamente na criação de invenções,
que podem ajudar o homem ou prejudicá-lo. Para isso, a ciência nunca
poderá abandonar enquanto fundamento de sua prática, a ética ou os
valores que devem nortear a pesquisa científica, isto é, o respeito à
natureza e jamais colocar em risco a dignidade da vida humana ou
qualquer forma de vida.

54
2
UNIDADE 2
TÉCNICAS DE ESTUDO

2.1 INTRODUÇÃO

Esta segunda unidade é menos histórico-conceitual e mais


prática, ou seja, nos voltaremos agora para os procedimentos científicos.
Ela está dividida em cinco capítulos, nos quais procuramos oferecer alguns
instrumentos e orientações para você organizar os seus estudos e realizar
atividades que fazem parte do cotidiano acadêmico, como a leitura
analítica, a prática de documentação pessoal e a realização de seminários.
Para facilitar os estudos e a realização de pesquisas, oferecemos, ainda
algumas dicas de utilização da rede mundial de computadores - a Internet,
como fonte de pesquisa e listamos vários endereços de sites de revistas
científicas, arquivos, bibliotecas virtuais, dentre outros.
Ao final, também apresentamos a estrutura de formatação de
textos e de capa de trabalhos acadêmicos, pois a partir de agora você os
utilizará muito, como exigência de avaliação das disciplinas que você
cursará.

Boa aula!
Os autores

2.2 O MÉTODO DE ESTUDO

Na graduação serão cursadas diversas disciplinas, que compõem


o quadro curricular do seu curso. Você precisará de algumas orientações
básicas para a compreensão das leituras, elaboração de atividades dentre
outras tantas tarefas a serem realizadas. Esperamos, pois, que esta
unidade possa lhe oferecer subsídios para o sucesso dos seus estudos.
Para algumas pessoas, estudar consiste em estar matriculado em
algum curso e assistir às aulas, sejam elas presenciais ou a distância.
Porém, estudar é muito mais que isso: é aprender exercitando a
inteligência, a memória, a vontade, a capacidade de análise, de síntese, de
relacionar, etc.
Neste capítulo, orientaremos você, para maior eficiência na
organização dos seus estudos no curso de graduação, sugerindo caminhos
que propiciarão um estudo mais eficiente, por meio de diferentes técnicas e
métodos.
Não se esqueça: não aprendemos sozinhos; a aprendizagem
acontece através de mediações constantes. Como disse o grande educador
brasileiro, Paulo Freire (1985), “estudar não é um ato de consumir idéias,
mas criá-las e recriá-las”.

55
Iniciação Científica Unimontes/UAB

Vamos começar?

2.2.1 O ato de estudar

Estudar requer compreender quatro fatores: poder estudar, querer


estudar, saber estudar, ter disciplina para estudar. Estes são fatores
importantes para a aquisição e produção do conhecimento.
Encontraremos acadêmicos que dedicam um tempo razoável para os
estudos, utilizam os instrumentos adequados, e ainda assim, têm um
resultado não satisfatório. Possivelmente, isto se deve ao fato de utilizar
técnicas inadequadas de estudo.
Além destes fatores, há também outros que são significativos,
como o horário dedicado aos estudos. É preciso que este seja estabelecido
e cumprido rigorosamente, para a execução das atividades, das revisões de
conteúdo, para as leituras prévias e complementares, etc. Assim,
elencamos algumas dicas para que você possa otimizar melhor o seu
tempo:
preparar um local que seja apropriado à concentração dos
?
estudos. Esse deve ser agradável, com pouco ou nenhum ruído;
evitar passar de um conteúdo para outro sem a compreensão
?
do que foi revisto anteriormente;
evitar estudar os conteúdos de última hora, somente próximo
?
às avaliações e exercícios;
definir um horário fixo para começar os estudos;
?
elaborar uma lista de dificuldades que poderão ser esclarecidas
?

PARA REFLETIR pelo professor ou tutor e solicitar ajuda;


? fazer um descanso de cinco minutos a cada uma hora de
estudo concentrado. Isso evita o cansaço mental;
“Ato de estudar significa a cada dia terminar as atividades programadas. Não acumular
?
aquilo que se faz para
conteúdos;
estudar. Estudar é um ato
que deve ser assumido e ? evite decorar os conteúdos. Decorar sem compreensão não
direcionado por você” produz retenção; e
(JOHANN, 2002) procure dormir adequadamente. Não invada a madrugada
?
estudando, pois assim você estará prejudicando várias funções
importantes do seu organismo.

Vamos agora partir do seguinte pressuposto: são comuns


observações de que um grande número de acadêmicos que chega às
universidades não sabe avaliar a dimensão e a importância do que é o ato
de estudar. Muitas vezes até se diz que alguns nem sabem estudar. Muitos,
ainda, fixaram a sua prática estudantil em hábitos tradicionais,
desenvolvendo um estudo meramente mecânico, memorizador e
reprodutivo.
Organizar a sua própria vida estudantil de maneira a ser mais

56
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

eficiente e eficaz é condição para o sucesso da sua vida acadêmica.


Estudar é uma atividade que se aprende, da mesma forma como
aprendemos a andar, nadar, jogar bola, brincadeiras, andar de bicicleta, PARA REFLETIR
etc.
O ato de estudar é uma ação transformadora e construtora de
uma nova realidade. Você não deve fixar-se apenas no aprender a repetir e O que é estudar?
reproduzir o que os outros já disseram sobre o mundo, mas ir além, pois Qual a importância da
estudar é ação, é criação e recriação. Um texto escrito é apenas um leitura no ato de estudar?
instrumento mediador entre dois mundos – o mundo do leitor e o mundo do Você estuda só para fazer
avaliações?
autor. Você estuda só no dia
É preciso, pois, ao ler, estabelecer um diálogo e este deverá ser anterior às avaliações?
direcionado pelos interesses e intenções do leitor. É você, que deverá Onde você estuda?
estabelecer questionamentos e buscar respostas; problematizar o texto e Como você estuda?
Como é que você costuma
formular juízos próprios.
ler?
Em outras palavras, ao ler um texto, você precisa produzir o seu Qual a relação entre Ler e
próprio texto. Assim, você será um sujeito e não objeto da leitura. É Estudar?
necessário ainda, ao iniciar uma leitura:
estudar os componentes desconhecidos do texto – utilizar
?
sempre o dicionário; e
? verificar a referência bibliográfica do texto - quem é o autor do
texto ou do livro; o título do texto ou da obra; ano da publicação e outras
questões percebidas por você identificar o tipo do texto – se é científico, ou
filosófico ou literário, ou teológico, etc. Isto facilita o entendimento das
idéias que o autor quer transmitir.

2.2.2 Como estudar

Um dos fatores que afeta a atenção e concentração no estudo é o


ambiente. O ideal seria você reservar um local apropriado para os estudos
DICAS
e que este tenha uma boa iluminação, ventilação, todo o material
necessário aos estudos, além de desligar tudo aquilo que possa desviar a
sua atenção como televisão, rádio, som, jogos de computador, etc. Evitar
ainda, ser interrompido por outras pessoas. Antes de prosseguir...
Uma outra questão a ser observada refere-se à postura, quando Pesquise sobre o que é um
texto científico – o que é
for estudar. Escolha uma cadeira confortável e uma mesa com uma altura
um texto filosófico – o que
adequada, para que você não fique encurvado(a). Nunca estude deitado, é um texto literário – o que
pois o sono logo virá. é um texto teológico
A alimentação também é fator relevante para os estudos.
Logicamente que, após uma feijoada ou outra comida pesada, você não
terá tanta disposição para os estudos. Evite, portanto, estudar após certas
refeições, pois o seu rendimento será menor. Não deixe que as sessões de
estudo perturbem a sua alimentação. Respeite os horários destinados às
refeições, pois a fome poderá atrapalhar o seu rendimento.
E a música? Será uma boa idéia estudar ouvindo música? Bem,

57
Iniciação Científica Unimontes/UAB

existem músicas mais suaves e músicas com letras e sons bem agitados. A
instrumental é suave, não rouba muito a atenção do estudante. O silêncio
ajuda, mas não é todo barulho que atrapalha. A concentração nos estudos
é importante, pois mais vale uma hora de estudo concentrado do que várias
horas de estudo dispersivo. Nada atrapalha mais os estudos do que
começar e parar, começar e parar...
Mesmo que você possua uma memória fantástica, ela pode falhar
com o passar do tempo. Por isso, não podemos atribuir absoluta confiança
a ela, imaginando que ela manterá arquivados eternamente os
conhecimentos adquiridos. Um texto, um livro lido hoje poderá ser muito
útil em outros tempos. Para isso você deverá criar hábitos, aprender
técnicas e métodos de estudo, fazer anotações, fichamentos, resumos,
resenhas das leituras que você realiza.

2.2.3 Etapas do estudo

O estudo sintetiza quatro passos: Ler, Sublinhar, Esquematizar e


Revisar. A seguir, uma síntese destes passos e na unidade seguinte alguns
serão melhor explicitados:
A leitura é o primeiro passo a ser seguido para uma boa
?
compreensão dos conteúdos. Antes você poderá fazer uma leitura rápida
do assunto, verificar que questões poderão ser levantadas acerca do tema,
explorar os desenhos, imagens ou gráficos existentes. Depois faça algumas
perguntas para si mesmo, a fim de levantar o que você já sabe sobre o
tema a ser tratado. Com isso, você estará relacionando os conhecimentos
anteriores com os novos e aumentado a motivação, ao dar-se conta dos
conteúdos que ainda faltam para serem apreendidos. Na seqüência, ler
todo o texto para ter uma visão geral ou síntese inicial da lição;
? Sublinhar é o segundo passo. Sublinhe as idéias principais, as
idéias secundárias, os exemplos dados, etc. Você poderá, se preferir, utilizar
diferentes cores para tal procedimento;
Esquematizar é o terceiro passo. Depois de sublinhar é preciso
?
ordenar as idéias principais e classificá-las segundo algum critério.
Esquema não é resumo, é a parte menor do resumo;
Revisar consiste em repetir mentalmente todas as idéias
?
sublinhadas e/ou esquematizadas. Faça isto quantas vezes for necessário,
até ter a certeza que está dominando satisfatoriamente os conteúdos;

Agora você está preparado para começar seus estudos!

Bom estudo!

58
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

2.3 LEITURA, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

2.3.1 A Leitura

A leitura é de importância fundamental para a compreensão dos


conteúdos das diversas disciplinas. Quem não sabe ler adequadamente ATIVIDADES
não saberá resumir, esquematizar, fazer os apontamentos, e finalmente,
não saberá estudar.
O grande educador
Já fizemos uma reflexão sobre o ato de estudar; agora nosso brasileiro Paulo Freire
desafio é pensar um pouco sobre a importância da leitura no ato de (1979, p. 9) ressalta que:
estudar.
Para criar o hábito de leitura, reserve um tempo do seu dia para “estudar seriamente um
texto é estudar o estudo de
praticar. Para que isto dê certo, é preciso ser rigoroso, nada de dizer “ah, eu quem, estudando, o
leio amanhã”. Lendo todos os dias, o ato passará a ser corriqueiro e com o escreveu. É perceber o
tempo se tornará um hábito inadiável. condicionamento histórico-
Preocupe-se em manter um dicionário por perto, para poder sociológico do
conhecimento. É buscar as
consultar todas as palavras que não fazem sentido para você.
relações entre o conteúdo
Escreve bem quem lê muito e escreve melhor quem lê e escreve em estudo e outras
muito. Por isso é importante ao fazer qualquer tipo de leitura, você se dimensões afins do
pergunta: O que é ? Quem? Quando? Onde? Quais? conhecimento. Estudar é
uma forma de reinventar,
Almeida (2002, p. 34) nos apresenta algumas vantagens do
de recriar, de reescrever –
processo de leitura: tarefa de sujeito e não de
enriquece o vocabulário;
? objeto. Desta maneira não
clareia as idéias;
? é possível a quem estuda,
numa tal perspectiva,
amplia o conhecimento da língua;
?
alienar-se ao texto,
facilita a aquisição de experiências;
? renunciando assim à sua
melhora a nossa redação; e
? atitude crítica em face
dele”.
fornece-nos soluções de problemas já resolvidos por outras
?
pessoas. Você concorda com o
desperta a inteligência;
? educador? Vá ao Fórum de
ativa a imaginação; e
? Discussão e comente com
seus colegas.
aperfeiçoa a cultura.
?
A leitura é um processo que se constitui da:
?
identificação das palavras;
?
interpretação do pensamento do autor;
?
compreensão do texto;
?
fixação das idéias;
?
reprodução das idéias; e
?
construção de novas idéias.

O Almeida identifica ainda algumas características dos bons e


maus leitores.
Mau leitor - concentra-se nas palavras.
?

59
Iniciação Científica Unimontes/UAB

Bom leitor- concentra-se nas idéias.


?
Mau leitor- acompanha a leitura com o movimento dos lábios.
?
Bom leitor - não move os lábios.
?
B GC Mau leitor - move a cabeça à medida que lê.
?
GLOSSÁRIO E Bom leitor- só move os olhos.
?
A F Mau leitor- lê com o corpo em posição desconfortável;
?
Bom leitor - lê com o corpo na posição correta.
?
Ler: para Lakatos e
Marconi (2001, p. 19) Mau leitor - não tem expectativa quanto à leitura.
?
significa conhecer, Bom leitor - pensa no que espera do livro.
?
interpretar, decifrar, Mau leitor - volta com freqüência ao início do livro, da leitura.
?
distinguir os elementos
mais importantes dos Bom leitor - lê sempre para frente.
?
secundários e, optando Mau leitor - não faz leitura de reconhecimento.
?
pelos mais representativos Bom leitor- folheia o livro para decidir se vale a pena lê-lo.
?
e sugestivos, utilizá-los
? Mau leitor- não se importa com as palavras cujo significado
como fonte de novas idéias
e do saber, através dos desconhece.
processos de busca, crítica, Bom leitor - procura no dicionário o significado das palavras
?
assimilação, retenção, que desconhece.
verificação e integração do
Mau leitor - o objetivo é chegar ao final do livro rapidamente.
?
conhecimento.
Bom leitor - o objetivo é tirar proveito da leitura.
?
Mau leitor- lê apressadamente.
?
Bom leitor - lê com calma.
?
Mau leitor - não examina o livro.
?
Bom leitor – examina o prefácio do livro, o índice e a orelha do
?
livro. Lê com calma.

2.3.2 Sublinhar um texto

Ao ler um texto, você deverá fazer


apontamentos e grifos das idéias principais e
das palavras-chave de cada parágrafo. Isto
pode ser feito sublinhando o texto ou fazendo
anotações nas margens. Esta prática se torna
produtiva, porque se separam as
argumentações principais das secundárias e,
com isto, você registrará suas próprias
observações.
Sublinhar é uma técnica muito utilizada pelos leitores. No entanto
recomenda-se nunca sublinhar um texto na primeira leitura, pois a
primeira leitura servirá para tomar conhecimento geral sobre o texto. A
segunda leitura deverá ser mais apurada em busca de sinalizar as idéias
principais e secundárias.
Quanto às anotações de margem, é importante que você crie um
código de sinais, que indique a sua maneira pessoal de realizar o

60
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

entendimento e questionamento do texto. Indicamos no quadro abaixo


algumas sugestões de sinais que você poderá utilizar.

Sinais para Anotações de Margem

Tabela 1: Sinais para anotações de margem


SINAL SIGNIFICADO
quando a argumentação do autor não ficou
? clara para você.
= Quando a argumentação do autor coincidir
com a sua
Quando você perceber que poderá acrescentar
+ observações de outras leituras sobre o mesmo
tema por autores diferentes
Quando se tratar de uma citação importante que
* você deseja transcrever em algum trabalho.

É importante sublinhar as idéias principais, as idéias secundárias,


os exemplos dados, etc. Você poderá, se preferir, utilizar diferentes cores
para tal procedimento.
Sabemos que sublinhar um texto requer algumas habilidades,
algumas técnicas que nem sempre são bem compreendidas. Temos
percebido a existência de acadêmicos que sublinham seus livros e textos na
íntegra e se orgulham disso. Existe o sublinhar correto e o sublinhar
incorreto.
Antes de sublinhar qualquer texto é necessário ter um primeiro
contato com a leitura e questioná-la, procurando decifrar as principais
idéias. Utilize sinais e códigos pessoais para “conversar com a leitura”,
sempre à margem do texto, correspondendo a um apontamento
provisório. Só depois de bem entendido o texto, é que você deverá
sublinhá-lo, evitando assim, o preenchimento de traçados em todo o texto
ou mesmo parágrafo. Isto porque, ao sublinhar uma frase inteira ou um
parágrafo inteiro, além de sobrecarregar a memória e o aspecto visual,
corre-se o risco de, ao resumir, reproduzir as frases do autor, sem evidenciar
as idéias principais, visto que o resumo deve ser a condensação de idéias,
não de frases ou palavras.
segundo Andrade (2001, p. 26), a técnica de sublinhar pode
?
ser desenvolvida a partir dos seguintes procedimentos:
leitura integral do texto, para tomada de contato;
?
esclarecimento de dúvidas de vocabulário, termos técnicos e
?
outras;
releitura do texto, para identificar as idéias principais;
?
grifo, em cada parágrafo, as palavras que contêm a idéia-
?
núcleo e os detalhes mais importantes;
sinalização com uma linha vertical, à margem do texto, os
?
tópicos mais importantes;

61
Iniciação Científica Unimontes/UAB

colocação, à margem do texto, de um ponto de interrogação,


?
para os casos de discordância, as passagens obscuras, os argumentos
discutíveis;
leitura do que foi sublinhado, para verificar se há sentido; e
?
reconstrução do texto, em forma de esquema ou de resumo,
?
tomando as palavras sublinhadas como base.

2.3.3 Como elaborar um esquema

Um esquema bem elaborado requer algumas orientações, para


que este corresponda realmente a um “esqueleto” do texto, ou seja,
contenha palavras-chave, sem a necessidade de apresentar frases prontas
retiradas do texto. Corresponde a parte inicial de um resumo, onde estarão
contempladas determinadas idéias, com o objetivo de melhor
memorização do conteúdo integral do texto. Para isto, deve-se utilizar:
setas, chaves, linhas retas ou curvas colchetes, símbolos diversos,
dependendo da sua própria escolha. As setas, por exemplo, são utilizadas
quando há uma relação entre a palavra (idéia) do ponto de partida e as
palavras (idéias) que são apontadas. As chaves são utilizadas para ordenar
diversos itens.
Salomon (1991, p. 85) ressalta que um esquema é considerado
realmente útil, quando apresenta as seguintes características:
a) Fidelidade ao texto original – deve conter as idéias do autor,
sem alterações, mesmo quando se usar as próprias palavras para
reproduzir as do autor. Por isso, em alguns momentos, é preciso transcrever
e citar a página;
b) estrutura lógica do assunto – após levantamento da idéia
principal, e dos detalhes importantes, é possível elaborar uma organização
dessas idéias a partir das mais importantes para as conseqüentes. No
esquema, haverá lugar para os devidos destaques.
c) adequação ao assunto estudado e funcionalidade – o esquema
útil é flexível. Adapta-se ao tipo de conteúdo que se estuda. Um assunto
mais profundo, mais rico de informações e detalhes importantes
possibilitará uma forma de esquema com maiores indicações. Assunto
menos profundo, mais simples, terá no esquema apenas indicações-chave.
É diferente um esquema em função de revisão para exame e outro em
função de uma aula a ser dada.
d) utilidade de seu emprego – conseqüência da característica
anterior: o esquema deve ajudar e não atrapalhar. Tratando-se de
esquema em função de revisão, para o estudo para as avaliações, é
diferente daquele que elaboramos a partir de uma aula assistida.
e) cunho pessoal – cada um faz o esquema de acordo com suas
tendências, hábitos, recursos e experiências pessoais. Por isso, é que um
esquema de uma pessoa raramente é útil para outra. Uns preferem o

62
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

esquema rigidamente lógico, outros o cronológico ou na disposição das


idéias. Alguns usam recursos gráficos, de visualização da imagem mental
(tinta de cor, desenhos, símbolos, etc.), outros já preferem empregar só
palavras.
Veja o modelo abaixo:

Na psicanálise freudiana muito comportamento criador,


especialmente nas artes, é substituto e continuação do
folguedo da infância. Como a criança se exprime em jogos
e fantasias, o adulto criativo o faz escrevendo ou, conforme
o caso, pintando. Além disso, muito do material de que ele
se vale para resolver seu conflito inconsciente, material que
se torna substância de sua produção criadora, tende a ser
obtido das experiências da infância. Assim, um evento
comum pode impressioná-lo de tal modo que desperte a
lembrança de alguma experiência anterior. Essa lembrança
por sua vez promove um desejo, que se realiza no escrever e
no pintar. A relação da criatividade com o folguedo infantil
atinge máxima clareza, talvez, no prazer que a pessoa
criativa manifesta em jogar com idéias, livremente, em seu
hábito de explorar idéias e situações pela simples alegria de
ver aonde elas podem levar” (Kneller, 1976 apud Andrade,
2001, p. 32).

Observe um possível esquema do texto apresentado:

63
Iniciação Científica Unimontes/UAB

Psicanálise Freudiana

Comportamento Criador do adulto

Continuação do folguedo da infância

A criança exprime em jogos e fantasias

O adulto na escrita, no desenho e/ou na pintura

O adulto utiliza, para solucionar seus conflitos, experiências da infância

As lembranças da infância promovem desejos de escrever ou pintar

O adulto, então, brinca com as idéias, cria livremente

Observe outras possibilidades de elaboração de esquemas.


Escolha uma destas possibilidades e faça o seu esquema a partir do texto
apresentado.

64
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

2.3.4 O Resumo

Assim como o esquema, o resumo também possui algumas


especificidades. Você deverá ter o cuidado para não copiar simplesmente
partes do texto e considerá-lo como um resumo. A técnica de resumir
difere, no modo de redigir, por exemplo, de um livro, de um texto, de um
parágrafo ou de um capítulo. Um resumo bem elaborado deve conter
apresentação clara do assunto da obra; não apresentar juízos críticos ou
comentários pessoais; respeitar a ordem das idéias e fatos apresentados;
empregar linguagem clara e objetiva; evitar a transcrição de frases do
original; apontar as conclusões do autor; dispensar a consulta ao original
para a compreensão do assunto.

2.3.4.1 Tipos de Resumo

Segundo Andrade (2001, p. 29-30), os resumos podem ser


classificados da seguinte maneira:
? resumo descritivo ou indicativo: nesse tipo de resumo,
descrevem-se os principais tópicos do texto original, e indicam-se
sucintamente seus conteúdos. Portanto, não dispensa a leitura do texto
original para a compreensão do assunto. Quanto a extensão, não deve
ultrapassar quinze ou vinte linhas; utilizam-se frases curtas que,

65
Iniciação Científica Unimontes/UAB

geralmente, correspondem a cada elemento fundamental do texto;


porém, o resumo descritivo não deve limitar-se à enumeração pura e
simples das partes do trabalho;
resumo informativo ou analítico: é o tipo de resumo que reduz o
?
texto a 1/3 ou 1/4 do original, abolindo-se gráficos, citações,
exemplificações abundantes, mantendo-se, porém, as idéias principais.
Não são permitidas as opiniões pessoais do autor do resumo. O resumo
informativo, que é o mais solicitado nos cursos de graduação, deve
dispensar a leitura do texto original para o conhecimento do assunto;
resumo crítico: consiste na condensação do texto original a 1/3
?
ou 1/4 de sua extensão, mantendo as idéias fundamentais, mas permite
opiniões e comentários do autor do resumo. Tal como o resumo
informativo, dispensa a leitura do original para a compreensão do assunto;
e
sinopse: (em inglês, synopsis ou summary); em francês,
?
resume d'auteur) neste tipo de resumo indica-se o tema ou assunto da obra
e suas partes principais. Trata-se de um resumo bem curto, elaborado
DICAS apenas pelo autor da obra ou por seus editores.
Evidentemente, que você irá deparar com diferentes tipos de
resumos na universidade e em conseqüência necessitará de
conhecimentos específicos de como fazê-los. A técnica de resumir difere,
Um bom resumo deve ter: no modo de redigir, quando se trata de um texto menor ou de um capítulo
a) Brevidade – um bom
ou mesmo de um livro inteiro.
resumo não deve
ultrapassar um quarto do Para cada um destes tipos existem regras específicas que
original. facilitarão o seu trabalho.
b) Clareza – idéias
apresentadas sem confusão
ou ambigüidade. Resumos de Parágrafos e Capítulos
c) Rigor – reprodução das
idéias sem erros ou Para estes dois tipos você poderá utilizar a técnica de sublinhar e
deformações.
redigir o seu resumo pela organização das frases, baseando-se nas
d) Originalidade –
utilização de linguagem palavras sublinhadas e mantendo sempre a ordem dos fatos e idéias
original, própria de cada apresentadas pelo autor. Quando o parágrafo ou capítulo do livro for mais
leitor, mas transmitindo o complexo e você sentir dificuldade em resumí-los, sugerimos que faça
ponto de vista do autor – primeiro um esquema com as palavras sublinhadas. É importante salientar
resumir não é comentar.
que se você exercitar bastante a técnica de resumir parágrafos,
e) Aprender a resumir é
fundamental para desenvolverá habilidades para resumir capítulos e obras inteiras.
comunicar o que sabemos, Veja um exemplo de como sublinhar um parágrafo:
com rapidez e eficiência.
Na psicanálise freudiana muito comportamento criador,
especialmente nas artes, é substituto e continuação do
folguedo da infância. Como a criança se exprime em jogos
e fantasias, o adulto criativo o faz escrevendo ou,
conforme o caso, pintando. Além disso, muito do material
de que ele se vale para resolver seu conflito inconsciente,
material que se torna substância de sua produção
criadora, tende a ser obtido das experiências da infância.

66
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Assim, um evento comum pode impressioná-lo de tal modo


que desperte a lembrança de alguma experiência anterior.
Essa lembrança por sua vez promove um desejo, que se
realiza no escrever e no pintar. A relação da criatividade
com o folguedo infantil atinge máxima clareza, talvez, no
prazer que a pessoa criativa manifesta em jogar com
idéias, livremente, em seu hábito de explorar idéias e ATIVIDADES
situações pela simples alegria de ver aonde elas podem
levar (Kneller, 1976 apud Andrade,2001, p. 32).
Agora você irá
Agora, de posse deste parágrafo já sublinhado você pode fazer o praticar o que aprendeu.
resumo do mesmo. Utilizando as orientações
apresentadas nesse texto,
leia, sublinhe e analise o
2.4 A PRÁTICA DE DOCUMENTAÇÃO PESSOAL artigo “Michel Foucault e a
educação: o investimento
Temos presenciado a crescente expansão da era da informação, político do corpo”. Este
que atinge uma velocidade surpreendente, principalmente a partir da artigo de autoria de Alex
informática e da Internet. Cresce também, a necessidade da informação Fabiano Correia Jardim, foi
precisa no lugar e no momento adequados. Daí a importância cada vez publicado na revista
maior das práticas de documentação pessoal, que além de armazenar Unimontes Científica, v.8,
informações que estarão disponíveis sempre que precisar, constituem n.2 e está disponível no site
também uma forma de estudar, apreender e fixar conteúdos. Tais práticas www.ruc.unimontes.br. A
são essenciais, sobretudo para vocês, acadêmicos de graduação, em revista também se encontra
especial para os que irão desenvolver monografias, trabalhos de conclusão em todas as bibliotecas da
de curso ou relatórios de iniciação científica. São muitos os livros e textos Unimontes. Após a
lidos, idéias e autores estudados, que necessitam serem revistos para compreensão do artigo,
utilização em trabalhos ou em atividades posteriores. Portanto, a elabore um esquema do
documentação deve ser uma prática constante em sua vida acadêmica. mesmo e envie para o
Segundo Salomon, “a documentação pessoal é uma conseqüência das professor formador.
atividades intelectuais de quem determinou sua especialização e de todo
aquele que, mesmo sem a intenção de ser enciclopédico, procura estar em
dia com as produções do pensamento humano” (SALOMON,1999, p.
123).
Constitui material para documentação, tudo o que você julgar
importante em função dos seus estudos ou da sua futura vida profissional.
Assim, aconselhamos documentar as leituras (de livros, artigos, apostilas,
dentre outras), as aulas, os trabalhos de grupos de estudos, seminários,
conferências etc. É fundamental que você se convença da necessidade e
da utilidade da prática de documentação pessoal, tornando-a uma rotina
em sua vida de estudos. Para tanto, é preciso criar um conjunto de técnicas
para organizá-la. Por se tratar de um método pessoal de estudos e de
arquivar informações, leve em consideração a forma mais funcional e
conveniente para você. Neste sentido, apresentamos a seguir algumas
orientações gerais de procedimentos para organização da documentação.

67
Iniciação Científica Unimontes/UAB

2.4.1 Formas de documentação

Uma das técnicas mais eficazes de documentação pessoal é o


fichamento. Ele permite não apenas fixar conteúdos, armazenar
informações e localizar fontes, como também dispensar a releitura de um
texto ou livro anteriormente estudado. Os fichamentos podem ser por
temática de interesse do aluno, por disciplinas, por autor, dentre outros
tipos.
O fichamento temático objetiva coletar e arquivar informações
importantes para o estudo em geral ou para o desenvolvimento, dentro de
uma determinada área, de um trabalho específico como a monografia, o
trabalho de conclusão de curso e a realização de um seminário (sobre este
assunto conferir o texto seguinte deste caderno). As informações a serem
transcritas não se restringem àquelas retiradas de leituras de textos e livros,
mas também de palestras, conferências, aulas, seminários, filmes, fontes
primárias, etc., ou seja, toda informação pertinente ao desenvolvimento do
trabalho ou de projetos futuros, inclusive suas idéias pessoais, para que
essas não se percam com o passar do tempo.
Esse tipo de fichamento é feito seguindo um plano sistemático que
deve conter o tema e os subtemas do trabalho. As fichas devem ter um
cabeçalho contendo o título geral (que corresponde ao tema), o subtítulo
(que corresponde ao subtema), a referência bibliográfica, e, se forem mais
de uma do mesmo tema, devem ser numeradas (ex. 1, 2, 3 ou A, B, C).
Aconselhamos separar o cabeçalho com um traço, conforme o exemplo da
tabela 2.

Tabela 2: Modelo de cabeçalho para fichamento temático

I- TÉCNICAS DE ESTUDO

1- A prática de documentação pessoal A

MARCONI, A M. e LAKATOS, E.M. Fichas. In: ___


Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Atlas,
2001, p. 51-67.

O fichamento bibliográfico também deve ser organizado dentro


de uma área temática, a diferença é que a ficha se restringirá à uma obra
específica, seja um livro, um texto, um artigo, capítulo de livro, etc. Ele se
constitui, dessa forma, em um acervo bibliográfico e de informações sobre
um determinado assunto dentro de uma área do conhecimento.
Aconselhamos que você crie o hábito de fazer esse tipo de ficha
cotidianamente, à medida que você tenha contato com as leituras relativas
ao seu curso. O conteúdo desta ficha pode ser um resumo geral do texto,
uma síntese dos principais argumentos do autor – indicando

68
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

preferencialmente o número das páginas onde se encontram – ou ainda


pode ser por tópicos e citações. Este mesmo procedimento você pode
utilizar no fichamento por autor, no entanto, neste último, a organização
não seguirá uma temática, mas as obras do autor. Veja o exemplo na
tabela 3.

Tabela 3: Modelo de Fichas por autor

I- MICHEL FOUCAULT
1- História da Sexualidade A

FOUCAULT, M. História da sexualidade, v.1 . Rio de


Janeiro: Graal, 1998.

Outra forma de organização da sua documentação é seguindo a


estrutura curricular do seu curso. Neste caso, você deve organizar suas
fichas conforme as disciplinas. Por exemplo, todos os textos da disciplina
“Iniciação Científica” constituirão um subtema da ficha, que terá como
tema geral o título desta disciplina, conforme a figura 6.

Tabela 4: Modelo de fichas por disciplina

I- INICIAÇÃO CIENTÍFICA
1- Tipos de conhecimentos A

CADERNO DIDÁTICO da disciplina Iniciação Científica. Montes


Claros: UAB/Unimontes, 2008.

2.4.2 Conteúdo das Fichas

Conforme já sugerimos, o conteúdo das fichas pode ser: um


resumo geral do texto, palestra, aula, etc.; uma transcrição dos principais
argumentos desenvolvidos pelo autor; um comentário ou interpretação
crítica pessoal sobre as idéias do texto; ou de citações. Este último, consiste
na reprodução literal de frases ou sentenças que você considere relevante
para seu estudo. Neste caso, utilize os procedimentos para citação como a
utilização de aspas e reticências quando suprimido alguma palavra ou
frase.
Délcio Salomon (1999) sugere um modelo de conteúdo de fichas,
que consideramos o mais adequado, uma vez que permite utilizar-se de
resumo, transcrições, anotações e pontos de vista do leitor, que não são do
autor. Para isso, ele sugere a utilização de códigos a fim de identificar a
natureza desse material todo. Ex.:

69
Iniciação Científica Unimontes/UAB

(“...”) para citação


( * ) para designar resumo
( // ) para indicar que se trata de idéias pessoais e não do livro, etc.

Apresentamos na figura 4, um modelo de ficha, utilizando as


indicações de Salomon. Neste modelo, sugerimos utilizar somente os
códigos para idéias pessoais (//) e para citação (“...”), pois consideramos
não ser necessário a utilização de código para resumo uma vez que o
fichamento já indica isso. Sugerimos que você adote este modelo para a
sua documentação pessoal.

Tabela 5: Modelo de conteúdo de fichas lado A e lado B

I – TÉCNICAS DE ESTUDOS
1- A Prática de documentação pessoal A
1.1- Conteúdo das fichas

MARCONI, A M. e LAKATOS, E.M. Fichas. In: ___


Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Atlas,
2001, p. 51-67.

FICHA BIBLIOGRÁFICA: Refere-se: campo do saber que


é abordado, problemas, conclusões alcançadas,
contribuições em relação ao assunto, as fontes dos
dados, métodos de abordagem, procedimentos utilizados
modalidade empregada , recursos ilustrativos.
FICHA DE CITAÇÕES: Reprodução fiel de frases ou
sentenças consideradas relevantes ao estudo em pauta.
DICAS FICHA DE RESUMO OU DE CONTEÚDO: “Apresenta
uma síntese bem clara e concisa das idéias principais do
autor ou um resumo dos aspectos essenciais da obra”
(p.60).
Se você deseja ver outros
exemplos e formas de
elaboração de fichamento I – TÉCNICAS DE ESTUDOS
consulte as seguintes 1- A Prática de documentação pessoal
obras: SEVERINO, A. J. B
1.1- Conteúdo das fichas
Metodologia do Trabalho
Científico. 21 ed. São
FICHA DE ESBOÇO: Refere-se a apresentação de forma
Paulo: Cortez, 2000.
mais detalhada da principais idéias expressas pelo autor é
MARCONI, A M. e
a mais extensa e detalhada das fichas, a síntese das
LAKATOS, E.M. Fichas. In:
idéias é realizada quase que de página a página exige
___ Metodologia do
indicação das páginas à esquerda da ficha.
Trabalho Científico. São
FICHA DE COMENTÁRIO OU ANALÍTICA: “Consiste na
Paulo: Atlas, 2001, p. 51-
explicação ou interpretação crítica pessoal das idéias
67.
expressas pelo autor” (p.61). Pode apresentar:
Comentário sobre aspectos metodológicos, análise crítica
do conteúdo, interpretação de um texto, comparação da
obra com outros trabalhos sobre o mesmo tema,
explicação da importância da obra para o estudo em
pauta.
// estes modelos de fichas são mais indicados para
acadêmicos em fase de elaboração de monografia//

70
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Ao fazer um fichamento você deve ainda:


ser breve;
?
? evitar expressões tais como: “segundo o autor”, “o autor
disse”, “a seguir”, “este livro”, etc;
transcrever com fidelidade nome do autor, título da obra,
?
página, o texto, et;.
utilizar verbos ativos (critica, define, etc.);
?
evitar repetições desnecessárias; e
?
padronizar o tamanho das fichas.
?

2.4.3 Confecção das fichas e materiais diversos

O tamanho do papel para o fichamento fica a critério de cada um.


Pode-se utilizar fichas, encontradas nas papelarias ou confeccionadas, nos
tamanhos 20 X 12,5 cm, 20 X 25 cm ou 25 X 15 cm, podendo utilizar seus
dois lados (ver figura 5). Neste caso as fichas podem ser guardadas em
fichários organizados por assuntos, áreas de interesse, por autores ou por
ordem alfabética também fica a critério de cada um. Podem também
serem feitas em papel de diversos tamanhos como o A4, mais comum,
utilizando-se somente um lado do papel. Neste caso, as fichas podem ser
guardadas em pastas-arquivos, classificadores ou caixas de arquivos. Se
você possui um computador de uso pessoal, principalmente um leptop, B GC
você tem a opção também de fazer o seu fichamento diretamente em um GLOSSÁRIO E
editor de textos e arquivá-los conforme o sistema de pastas e diretórios. A F
Neste caso, basta você fazer um arquivo para cada fichamento e salva-lo Seminário: vem do latim,
em uma pasta que pode ser uma temática, uma disciplina ou um autor, seminariu, que significa
veja o exemplo da figura 8. “viveiro de plantas onde se
fazem sementeiras. Nesse
sentido o seminário
constitui na ocasião de
semear e germinar idéias.
Seminário significa também
um congresso científico e
cultural mais amplo que
reúne um grande número
de especialista de uma
determinada área
(Dicionário Aurélio – Século
XXI)

Figura 5: Modelo de ficha encontrada em papelarias

71
Iniciação Científica Unimontes/UAB

2.5 O SEMINÁRIO COMO TÉCNICA DE ESTUDO

ATIVIDADES 2.5.1 Definição

No capítulo anterior você Outra técnica de estudo que fará parte do seu cotidiano
aprendeu técnicas para acadêmico é o seminário. Em sentido geral, o seminário é definido como
leitura, análise e um grupo de estudos em que se expõe e debate um ou mais temas
interpretação de texto. apresentados por um aluno ou grupo de acadêmicos sob a orientação e
Utilizando as orientações coordenação do professor responsável pela disciplina. Essa é uma técnica
sobre a prática de de estudos que envolve a pesquisa, a análise e exposição sistemática dos
documentação pessoal, conteúdos estudados e o debate aprofundado sobre um tema. Neste
faça um fichamento do sentido, o seminário objetiva muito mais a formação do aluno do que a
texto “Michel Foucault e a mera informação.
educação: o investimento Ilma Passos Alencastro Veiga também entende o seminário como
político do corpo” que você uma técnica de ensino socializado, já que
já leu, analisou e
interpretou. Este texto de “o conhecimento a ser assimilado, reelaborado e até
mesmo produzido, não é 'transmitido pelo professor', mas é
autoria de Alex Fabiano
estudado e investigado pelo próprio aluno, pois este é visto
Correia Jardim, foi como sujeito de seu processo de aprender” (Veiga, 1991, p.
publicado na revista 110).
Unimontes Científica, v.8.
n.2, e está disponível no Não se trata, portanto, de uma aula expositiva dada pelos
site www.ruc.unimontes.br acadêmicos. O professor deve ser parte ativa do processo, cabendo a ele
ou em todas as bibliotecas sugerir o tema, indicar bibliografias, aprofundar o assunto, estabelecer
da Unimontes. Você poderá relações, provocar o debate, encaminhar as conclusões e fazer a síntese
fazer seu fichamento em final.
papel A4, ou na ficha que O seminário, como uma técnica de estudo, foi criado
você adquire em qualquer originalmente para ser desenvolvido em sala de aula presencial,
papelaria. Se preferir, você estimulando o ambiente crítico e participativo. Acreditamos, no entanto,
pode também confeccionar ser possível adaptar tal técnica para ambientes de aprendizagem virtual,
sua própria ficha, assim como, para vídeo-conferência. Nos ambientes virtuais, a exposição –
utilizando-se de uma texto verbalizado – pode ser substituída pelo texto escrito. Nesse sentido, o
cartolina. sucesso do seminário dependerá do envolvimento e comprometimento de
todos os participantes na leitura do texto – construído de forma coletiva por
Bom trabalho! cada grupo – e no debate, que pode ser feito no chat ou fórum de
discussão.

2.5.2 Objetivos

Dentre os objetivos do seminário, podemos destacar:


? aprofundamento da discussão de um tema ou problema dentro
de uma área do conhecimento;
estudo e debate em profundidade de um texto específico da
?
disciplina;

72
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

trabalho cooperativo em sala de aula ou no ambiente virtual;


?
diálogo crítico sobre um ou mais temas;
?
? incentivo a ter participação no processo de ensino-
aprendizagem; trabalho em grupo e com autonomia; e
estimulo a pesquisa.
?
A apresentação do seminário, constitui-se também um excelente
momento para você aprender a sistematizar informações e a expor idéias.
No caso de ser realizado em ambiente virtual de aprendizagem, podemos
utilizar a mesma estrutura de organização do seminário presencial. No
entanto, os resultados da pesquisa e discussão do grupo não será exposto
verbalmente, mas através de um texto construído coletivamente pelo
grupo, a partir da pesquisa realizada, análise e interpretação das leituras
feitas. O fórum de discussão permite que, após a leitura, todos possam
interagir dialogicamente e participar do debate, apresentando as questões
e problemas suscitados pelo texto-base.

2.5.3 Estrutura e organização

O seminário é composto por um coordenador, geralmente o


professor da disciplina e o/os expositor/es, que pode ser um ou todos os
membros do seu grupo. No caso de um seminário em ambiente virtual, os
expositores são todos os membros do grupo, responsáveis pela elaboração
do texto-base, a partir do qual, se desenvolverá o debate. Um secretário,
que é o/a estudante responsável pela anotação ou relatório das conclusões
parciais e finais do seminário; um comentador, escolhido pelo professor
entre os colegas da turma para comentar criticamente a discussão e
resultados apresentados pelos expositores, antes do debate dos demais
participantes. O comentador poderá ser também, preferencialmente, um
especialista do tema, externo à turma, especialmente convidado para esta
função. Se o seminário for realizado através de vídeo-conferência,
podemos utilizar os mesmos procedimentos de uma sala de aula
presencial.
O professor coordenador tem como função:
explicitar os objetivos e finalidades do seminário;
?
auxiliar na formação dos grupos;
?
? indicar o texto ou tema objeto do estudo, pesquisa e
apresentação de cada grupo;
recomendar, no caso de um seminário temático, a bibliografia
?
básica e complementar a ser estudada pelo grupo;
? orientar o grupo na busca das fontes de consulta, na
elaboração do texto-roteiro ou do texto-base – a ser disponibilizado nos
casos em que o seminário for realizado em ambiente virtual;
?elaborar o calendário de apresentação dos trabalhos e o
cronograma das atividades que precedem a apresentação;

73
Iniciação Científica Unimontes/UAB

escolher ou convidar o comentador/a; e


?
coordenar e estimular o debate.
?
A vocês acadêmicos, divididos em grupo, cabe:
? selecionar os subtemas dentro do tema indicado pelo professor
e pesquisá-los. No caso de um seminário sobre um texto específico, vocês
deverão fazer o levantamento de dados que facilitem a compreensão do
texto, como informações sobre o autor, as circunstâncias de escrita do
texto, as filiações em correntes de pensamento do autor, dentre outros
dados;
? ler, fichar e estudar em profundidade a bibliografia ou texto
indicado pelo professor;
elaborar o texto-roteiro da exposição do trabalho ou o texto-
?
base a ser apresentado e que deverá ser lido pelos demais colegas da
turma;
escolher, entre vocês, os membros, o/os expositor/es e o/a
?
secretário/a; e
? providenciar os recursos didáticos que desejam utilizar na
apresentação, tais como retroprojetor, data-show, etc.

2.5.4 O texto-roteiro

O texto-roteiro é utilizado nos seminários presenciais. Ele é seu


instrumento de trabalho e conforme ressaltam Lakatos e Marconi (2001,
p. 34), “deve expressar o apreendido, isto é, aquilo que se presta à
aprendizagem ou se apresenta como um apontamento didático para a
consulta” e auxílio na exposição. O texto-roteiro não é um resumo ou
síntese da pesquisa e estudo realizado, nem a transposição do sumário do
texto ou livro estudado, mas tópicos que indiquem, numa seqüência, os
assuntos que serão abordados na apresentação. O texto-roteiro deve
conter:
título do trabalho;
?
introdução: apresentação da temática e objetivo do trabalho, a
?
metodologia utilizada na sua preparação; apresentação dos/as
expositores/as e do/a secretário/a, por ordem de fala, estrutura geral da
apresentação;
desenvolvimento: através de tópicos ou pequenas citações que
?
indiquem os assuntos a serem abordados na apresentação e o
planejamento do grupo. Os tópicos auxiliam o expositor e permite que os
demais participantes acompanhem o caminho percorrido pela exposição;
? conclusão: síntese, fechamento das exposições, estabelecendo
as relações entre uma fala e outra – pode ser apenas indicada no roteiro e
feita verbalmente;
? Bibliografia: relação completa das obras utilizadas na pesquisa
e elaboração do trabalho apresentado;

74
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Nome dos integrantes do grupo; e


?
DICAS
Data de realização do seminário.
?
Cada participante do seminário deverá receber uma cópia
impressa do roteiro.
Antônio Joaquim Severino
(2001), por sua vez, sugere
Fonte: Arquivo pessoal Luana Balieiro um texto-roteiro mais
detalhado e que deve ser
disponibilizado previamente
aos participantes para que
estes possam estudá-lo
mais profundamente a fim
de participar da discussão.
Sobre esta discussão
consulte:
SEVERINO, A. J.
Metodologia do Trabalho
Científico. 21. ed. São
Paulo: Cortez, 2000, p. 63-
72.

Figura 6: Seminário Patrimônio Histórico de Montes


Claros realizado pelos acadêmicos do 1º período de
História/ 2006, como atividade da prática de
articulação das disciplinas História da Arte e
Metodologia Científica.

75
Iniciação Científica Unimontes/UAB

Fonte: Arquivo pessoal Cláudia Maia

Figura 7: Modelo de roteiro de seminário

2.5.5 O texto-base

O texto-base pode ser utilizado em seminários realizados nos


ambientes virtuais. Sugerimos a utilização da ferramenta constante na
Plataforma Moodle – o WIKI, que é a produção coletiva de textos, atividade
muito interessante e que conduzirá você e seu grupo a participar de forma
ativa. O texto-base é o principal material do seminário, pois será a partir
dele, que se desenvolverá a discussão e o debate. Ele se constitui no
resultado escrito da pesquisa sistemática, estudo e preparação prolongada

76
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

realizado pelo seu grupo, por isto, deverá ser construído coletivamente.
Sua estrutura poderá seguir a mesma seqüência do texto-roteiro, a
diferença está no desenvolvimento. Vocês não apenas indicarão tópicos,
mas deverão dissertar sobre eles. Ou seja, o que seria falado no seminário
presencial, será escrito no seminário virtual:
título;
?
introdução: apresentação do objetivo e da temática do
?
seminário; breve visão de conjunto dos resultados da pesquisa e estudo
realizado; esquema geral do texto, ora apresentado, ou seja, sua estrutura
redacional;
desenvolvimento: subdivide-se em tópicos ou títulos, seguido
?
da apresentação/dissertação aprofundada sobre o assunto escolhido,
indicando com quais autores estão dialogando, ou seja, os autores
consultados para elaboração do trabalho, e apontando para
problematizações que podem levantar questões importantes no debate
que seguirá;
? conclusão: síntese, fechamento das exposições, estabelecendo
as relações entre uma fala e outra;
bibliografia: relação completa das obras utilizadas na pesquisa
?
e na elaboração do trabalho apresentado;
Nome dos integrantes do grupo; e
?
Data de realização do seminário.
?
O texto-base deverá ser disponibilizado previamente aos demais
participantes, conforme o cronograma estabelecido pelo professor
coordenador, para que todos possam lê-lo, estudá-lo e formular suas
questões, dúvidas e apontamentos. No cronograma, o coordenador
também deverá estipular o prazo para a leitura de todos os participantes,
para a postagem das observações do comentador e questões, dúvidas e
comentários dos demais participantes. O debate também, poderá ser feito
por chat. Nesse caso, o coordenador deverá estabelecer no cronograma o
dia e o horário. O papel do coordenador será fundamental, pois ele deverá
instalar o diálogo crítico, procurando coletivizar as questões suscitadas,
estimular a participação de todos na leitura e no debate. É importante que
você se coloque em uma postura ativa e não de mero ouvinte, pois você
juntamente com seus colegas terão uma parcela de contribuição no
decorrer das atividades.

2.5.6 Apresentação e duração

No dia da apresentação do seminário, o coordenador convida os


expositores para compor a mesa dos trabalhos, situada à frente da sala ou
auditório, informa a dinâmica das apresentações e o tempo de cada
exposição.
O tempo de duração do seminário presencial em geral é o mesmo

77
Iniciação Científica Unimontes/UAB

tempo das aulas, cerca de 2 horários ou 4 horários, dependendo do tema a


ser abordado e da quantidade de grupos. O coordenador deverá estipular e
controlar o tempo de cada expositor, o tempo do comentador, o tempo total
para o debate, que em geral, é feito após todas as exposições. Ao final, o
coordenador fará a síntese das discussões e encaminhará a avaliação.
No seminário realizado em ambiente virtual, sugerimos que o
tempo total para a disponibilização e leitura do texto, os comentários e
realização do debate não dure mais do que uma semana.
ATIVIDADES

2.5.7 Avaliação
Agora, vamos ver se você
entendeu as orientações e
a dinâmica do seminário. Ao final do seminário é fundamental uma avaliação de todo o
Reúna com mais quatro processo. Nessa avaliação, deverão ser observados aspectos como:
colegas de curso e a partir
envolvimento e participação de todos; planejamento e cronograma das
do texto que você já fichou
no capítulo anterior (Michel atividades, qualidade da pesquisa realizada pelos grupos e a exposição,
Foucault e a educação: o participação no debate e os resultados dos estudos realizados. A avaliação
investimento político do é sempre importante para verificar os avanços do grupo, assim como para
corpo”; disponível no site melhorar os aspectos deficitários e levantar sugestões para o próximo
www.ruc.unimontes.br ou
seminário.
em todas as bibliotecas da
Unimontes), faça um texto-
roteiro do mesmo. Imagine 2.6 A INTERNET COMO FONTE PARA ESTUDO E PESQUISA
que você e seus colegas ACADÊMICA
irão apresentá-lo em um
seminário do curso. Envie
para seu/sua professor/a Os avanços tecnológicos têm promovido uma verdadeira
formador/a. democratização da informação ao facilitar seu acesso com rapidez a um
número cada vez maior de pessoas, particularmente, a pessoas como nós,
Bom trabalho!
que vivemos distantes dos grandes centros produtores de conhecimento,
dos locais de realização de importantes eventos científicos, de bibliotecas e
grandes livrarias, e em alguns casos, até mesmo dos centros universitários.
A rede mundial de computadores, a Internet, representa em nossos dias,
um extraordinário acervo de dados à disposição de qualquer um, que pode
acessá-los com certa facilidade, dado a sofisticação e expansão dos atuais
recursos informacionais e do barateamento no custeio dos computadores
e das formas de conexão à rede. A Internet tornou-se assim, uma valiosa e
indispensável fonte de pesquisa para as diversas áreas de conhecimento.
Tendo isso em vista, elaboramos algumas dicas e orientações para
você usar e abusar desta tecnologia, que não será apenas um dos meios de
comunicação com seus professores, tutores e colegas, de realizar
atividades do seu curso e participar de debates, mas sobretudo, lhe
fornecerá muitas e variadas opções de pesquisa na sua área de formação.
Apresentamos aqui, somente indicações operacionais para um usuário
comum, não entrando em questões técnicas, nem mesmo em formas de
utilização do ambiente de aprendizagem virtual do curso. Nosso objetivo é
oferecer algumas indicações gerais e ferramentas, que servirão de
subsídios para você realizar pesquisas e aprofundar seus estudos.

78
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Hoje, muitos acadêmicos e pesquisadores são capazes de realizar


seus trabalhos de monografia, dissertações, teses e outras pesquisas sem
B GC
GLOSSÁRIO E
sair de casa ou do laboratório de informática, dada a possibilidade de
A F
acesso aos bancos de dados, arquivos, bibliotecas virtuais, sites de revistas
científicas, além da facilidade de fazer download ou comprar livros, tudo Download: é o ato de
pela Internet. transferir o arquivo de um
computador remoto (na
Internet) para o seu próprio
2.6.1 O acesso à Internet computador, usando
qualquer protocolo de
A Internet é um conjunto de redes de computadores interligados comunicações.
em todo mundo, permitindo que cada vez mais outros computadores se
conectem e o acesso dos usuários a milhares de informações que estão
armazenados em seus web sites. A analogia mais comumente utilizada
para definir esta rede é a de uma malha viária por onde trafegam bytes sob
a forma de pacotes TCP/IP. As informações contidas em textos, som e
imagens trafegam em velocidade surpreendente entre qualquer
computador conectado a essa rede, permitindo ao usuário navegar por
essa malha de computadores para consultar e recolher elementos B GC
informativos de todo tipo, aí disponibilizado. Permite também eliminar as GLOSSÁRIO E
barreiras do tempo e do espaço, possibilitando a comunicação, a troca de A F
mensagens e de informação entre acadêmicos e pesquisados de todos os
TCP/IP: é a “sigla
lugares do mundo.
proveniente de Transmission
Conforme Ferreira (2002), a Internet evoluiu da ARPANET, rede Control Protocol / Internet
desenvolvida nos Estados Unidos no final dos anos de 1960, no contexto da Protocol. Apesar de TCP e
guerra fria, com objetivo de sobrevivência do sistema de comunicação em IP serem dois protocolos
eventuais ataques nucleares em 1986. Em 1987, a rede foi liberada para distintos, os protocolos
mais importantes da
uso comercial e sua vasta expansão ocorreu a partir da criação da web em
Internet, o termo TCP/IP
1993. No Brasil, as primeiras conexões ocorreram através da FAPESP designa geralmente aquilo
(Fundação de Amaparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do que se conhece como o
Laboratório Nacional de Computação Científica no Rio de Janeiro em conjunto de protocolos
1988. O acesso comercial se deu a partir de 1995 através de provedores. TCP/IP que pode englobar
outros protocolos menos
Web é o diminutivo de World Wide Web (rede mundial de utilizados e/ou
computadores) ou apenas www, que designa o conjunto de servidores na importantes”.
Internet que transferem informações através do protocolo http (protocolo (Ferreira, 2002)
de transporte de hipertexto). Os usuários interligam-se à rede mediante
Web site, que estão alocadas em provedores. Os provedores (a exemplo do
UAI, UOL, Terra, etc.) são empresas ou instituições responsáveis por
articular as redes de computadores, os servidores, os computadores
pessoais dos usuários. Os servidores são responsáveis por fornecer o
suporte de conexão que pode ser via telefônica, tv, rádio, celular, algumas
de alta velocidade, denominadas banda larga.
Assim, para você navegar na Internet em busca de informações ou
serviços, é necessário que seu computador esteja conectado através de um
servidor, que tenha disponível o serviço de um provedor, e que tenha
instalado em seu micro um programa de navegação (browsers). Os

79
Iniciação Científica Unimontes/UAB

programas de
navegação mais
utilizados no Brasil são o
Internet Explorer da
Microsoft e o Mozilla
firefox que podem ser
acessados através de
atalho na área de
trabalho ou no menu
iniciar.
O sites são
acessados através de
endereços, que são
também os nomes das
páginas. Eles são
Figura 8: Acesso ao programa de navegação constituídos por
pelo menu Iniciar
números ou protocolos
de Internet (IP) que
codificam as páginas. Em geral, os endereços possuem a seguinte
estrutura:
www.nome.tipodeogranização.br.

DICAS

Para conhecer o significado


de termos e palavras
usadas na linguagem da
Internet, consulte o Figura 9: Navegador Internet Explorer
Dicionário de Internetês de
Antônio M. Ferreira,
disponível em Os endereços dos sites são atribuídos por um sistema específico de
http://dicio.net/ nome de Domínio que permite também identificar o tipo de site. No Brasil,
o domínio global de primeiro nível é representado por “br”; dentro dele há
os subdomínios de uso coletivo, definidos de acordo com a natureza
organizacional do site, conforme o quadro de exemplos abaixo. Em
terceiro nível, os nomes específicos que identificam instituições, entidades
ou pessoas do mundo real.

80
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Figura 10: Navegador Mozilla Firefox

Tabela 2: Exemplos de domínios


GEOGRÁFICOS ORGANIZACIONAIS
br Brasil com comercial
ar Argentina edu Organizações educacionais
Organizações
us Estados Unidos gov
governamentais
fr França Net redes
pt Portugal mil Organizações militares
Organizações que não se
es Espanha Org.
enquadra nas anteriores

2.6.2 A pesquisa científica na Internet

A rede mundial de computadores coloca à disposição dos


internautas um volume excessivo de informações, sobre os mais variados
assuntos e temas. Alguns, no entanto, são pouco confiáveis. É preciso
garimpar e selecionar as informações a serem utilizadas, e uma das formas
é dirigir-se diretamente aos endereços certos, principalmente se forem de
instituições e órgãos de reconhecida credibilidade. Não dispondo destes
endereços, ou no caso de uma pesquisa mais ampla, tendo apenas um
tema, você pode começar seu trabalho utilizando um site de busca. Estes
sites se ocupam de localizar os endereços em toda a rede, a partir da
indicação de palavras-chave, nomes, temas, etc. Entre os mais utilizados
estão:
www.google.com
www.yahoo.com
www.cade.com.br/
www.altavista.com/
busca.uol.com.br/
busca.igbusca.com.br/app/

Após indicar as palavras-chave e clicar em buscar/pesquisar, serão

81
Iniciação Científica Unimontes/UAB

exibidas várias páginas nas quais você poderá encontrar a informação


procurada. Ao fazer uma busca, sugerimos restringir as palavras-chave e,
quando possível, utilizar aspas, pois evitará um número enorme de sites

Figura 11: Pesquisa no Google

que não interessam à sua pesquisa. Veja abaixo o exemplo:


Ao localizar um arquivo de seu interesse, é aconselhável que você
salve em seu computador; caso não possua um, você pode salvar o arquivo
ou página em um disco flexível – CD, disquete ou pendrive, ou ainda,
enviar para e-mail e HD virtuais – para que a informação esteja disponível
quando você precisar, sem necessariamente ter que realizar uma nova
busca.
Se você já conhece alguns sites de entidades, instituições de
pesquisa, bibliotecas virtuais, revistas científicas, portais de periódicos,
arquivos, dentre outros, isso facilita sua busca além de você ter acesso às
informações que são resultados de reflexões teóricas, pesquisas científicas
empreendidas, bancos de dados construídos, dentre outros, voltados
especificamente para o público acadêmico. Atualmente, muitas revistas
científicas têm disponibilizado os artigos completos na rede, além de
impressos, como é o caso da revista Unimontes Científica
(www.ruc.unimontes.br), ou têm substituído totalmente as edições
impressas pelo meio digital. As revistas digitais, disponíveis na rede, além
de serem mais econômicas e de maior rapidez na editoração, atingem um
público muito maior, ampliando consideravelmente sua divulgação. Além
desses sites, importantes fontes de pesquisa são, sem dúvida, os portais de
periódicos, que reúnem revistas de grande credibilidade na academia e
com melhores avaliações, como é o caso do Scielo – Scientific Electronic
Library Online. O portal do Scielo (www.scielo.br) disponibiliza revistas
nacionais e internacionais de todas as áreas do conhecimento. Você pode

82
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

acessá-las por área, por assuntos, por lista alfabética, dentre outras

Figura 12: Resultado de pesquisa no Google

formas. Veja o exemplo nas figuras abaixo:


No site da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior – você encontrará duas fontes valiosíssimas para sua
pesquisa científica: o Portal de Periódicos, que reúne inúmeras revistas com
artigos completos disponíveis, e o Portal Domínio Público, uma biblioteca
digital com um imenso acervo de texto (em forma de livros, revistas,
dicionários, etc.) imagens, som e vídeo. Além destes dois portais, você
encontrará também no site da Capes um banco de teses, com resumos e
informaçõ
es de teses

Figura 13: Pesquisa no Portal do Scielo

83
Iniciação Científica Unimontes/UAB

Figura 14: Site da Capes com o Portal de Periódicos e o Portal Domínio Público

Figura 15: Pesquisa no Portal de Periódicos da Capes

84
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Figura 16: Pesquisa no Portal Domínio Público

Figura 17: Banco de Teses de Capes

85
Iniciação Científica Unimontes/UAB

e dissertações defendidas em todo país a partir de 1987


Para auxiliar você nos seus trabalhos e pesquisas, listamos ao final
deste capítulo, endereços de sites importantes por área de conhecimento,
onde você encontrar artigos, textos, dados, etc.
Você pode, ainda, utilizar a Internet para acessar o acervo
bibliográfico de várias bibliotecas do país, a fim de identificar alguma obra
para consulta. Atualmente, a Unimontes está testando um sistema
integrado de bibliotecas que permitirá aos acadêmicos encontrar o livro
desejado em qualquer uma de suas bibliotecas e saber se ele está
disponível para consulta. Da mesma forma, dado a ausência de livrarias
especializadas em nossa região, você poderá utilizar a rede para consultar
catálogos de editoras e adquirir livros, importantes para seus estudos e que
lhe permitirá aprofundar determinados assuntos, que não se encontram
nas bibliotecas dos pólos da UAB/Unimontes. Ao procurar um site para
comprar livros, verifique se são confiáveis e de credibilidade; prefira os sites
das grandes livrarias já reconhecidas no Brasil. Vale a pena consultar
também, os sites de sebos virtuais que oferecem livros usados com baixos
preços e que são entregues em sua casa pelos correios.
Por fim, ao utilizar dados, comentários, idéias, imagens, etc.
retirados de um arquivo ou página da Internet, você deve fazer o registro
bibliográfico de acordo com as normas específicas de referenciação da
ABNT, que você estudará em maiores detalhes na disciplina de
Metodologia Científica. De maneira geral, você deve indicar:
a) o autor: começando pelo último sobrenome em letras
maiúsculas;
b) o título do artigo, texto ou obra;
c) o título da revista, livro, ou site em itálico;
d) o endereço onde está disponível; e
e) data de acesso ao documento.

EXEMPLO

MAIA, Cláudia de J. As Desigualdades de Gênero no Contexto


do Desenvolvimento Humano. Unimontes Científica,
v. 1, n.1, jan. jun/2001. Disponível em <www.ruc.unimontes.br>
acesso em: 28/set./2008.
Agora, você já tem dicas e sugestões de onde e como utilizar a
rede mundial de computadores, a serviço de seus estudos e pesquisas. É só
começar, bom trabalho!

86
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

2.6.3 Atividades

Orientações:

a) Abra um novo documento no Word;


b) Registre o título “Atividade- Internet”, o seu nome e a data;
c) Complete o máximo dos itens abaixo que você puder. Em cada
caso, comece digitando o URL (endereço do site) designada. Assim que
você tiver conseguido acessar um “site”, pesquise as informações
solicitadas. Se um “site” que você esteja tentando alcançar, tiver levando
tempo demais, cancele a conexão e retorne a ele mais tarde;
d) Registre todas as respostas no documento “Atividade- Internet”;
e) Salve todas as alterações realizadas;
f) Ao terminar sua atividade, envie um e-mail para o/a professor/a
formador/a, anexando.

1. Utilizando um site de busca de sua preferência, procure o site da


FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) e
identifique:
endereço do site;
?
objetivo da FAPEMIG;
?
? modalidades de bolsas de pesquisa para acadêmicos de
graduação;
critérios para solicitação bolsas de iniciação científica;
?
entre na revista Minas Faz Ciência e identifique seu endereço; e
?
escolha uma reportagem de qualquer um dos números da
?
revista Minas Faz Ciência cole e copie.

2. Utilizando o site de busca, procure uma revista científica da sua


área, disponível no Portal do Scielo ou no Portal de periódicos da CAPES e
identifique:
endereço do site;
?
nome da revista;
?
título, autor e resumo de 2 (dois) artigos de seu interesse; e
?
informações importantes para seu curso.
?

3. Na Internet existem sites das diferentes Sociedades ou


Associações Brasileiras das várias áreas de atuação, como a Associação
Nacional dos Professores de História (ANPUH); Associação Brasileira de
Antropologia (ABA); etc. Utilizando o site de busca, procure o portal ou site
de uma sociedade ou associação da área de formação do seu curso e
identifique:
endereço dos sites;
?

87
Iniciação Científica Unimontes/UAB

objetivo desta sociedade ou associação;


?
como torna-se sócio;
?
eventos realizados; e
?
links importantes.
?

4. Visite o site da Catho Online - Empregos, vagas, cursos,


currículo... e verifique como anda o mercado para o profissional da sua
área e estagiários (Título da vaga, descrição, ramo de atuação, Estado)

5. Visite o site de uma Universidade, que possui o também seu


curso de graduação e analise a estrutura do mesmo e compare-a com a
do curso de vocês. Identifique as semelhanças e diferenças, e identifique,
também:
nome da instituição;
?
duração;
?
o perfil do egresso; e
?
área de atuação
?

6. No site da Universia Brasil, disponível em


<www.universia.com.br> são publicadas diversas matérias sobre
universidades e os diversos cursos universitários. Acesse esse site, escolha
uma matéria relacionada ao seu curso, leia a matéria e registre as
informações interessantes

7. Procure na Internet o símbolo do seu Curso, copie e cole aqui.

88
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

2.6.4 Relação de Sites Importantes para sua Pesquisa Científica por


Área

A- ARTES

ENDEREÇO DESCRIÇÃO
http://www.cultura.gov.br/site/cate Ministério da Cultura – Artigos do
goria/o-dia-a-dia-da- Governo
cultura/artigos/
http://www.cultura.gov.br/brasil_art ARCO - Revista Brasil Arte
e_contemporanea/?page_id=433 Contemporânea
http://www.artcultura.inhis.ufu.br/a ArtCultura: Revista de História,
tual.php Cultura e Arte é uma publicação
semestral da Universidade Federal
de Uberlândia
http://www.revista.art.br/site - Revista Digital Art &
numero-09/apresentacao.htm
http://www.revistamuseu.com.br/de Revista Museu - O portal definitivo
fault.asp que mostra os bastidores dos
museus, a criatividade dos
profissionais
da área e seus projetos
inovadores, divulgando a cultura
no Brasil e no mundo.

B- BIOLOGIA

ENDEREÇO DESCRIÇÃO
http://www.bireme.br/php/index.ph Biblioteca Virtual em Saúde
p

http://www.ipas.org.br/biblioteca.ht Biblioteca Virtual do Ipas (ONG do


ml Brasil que lida a saúde reprodutiva
da mulher)
http://www.fesbe.org.br/v3/index.p Federação de Sociedades de
hp Biologia Experimental
http://www.editora.ufla.br/Periodic Periódicos da UFLA sobre
os.htm Biologia, foco em Agronomia.
http://www.bvsalutz.coc.fiocruz.br/ Biblioteca Virtual em Saúde
php/index.php Adolpho Lutz

89
Iniciação Científica Unimontes/UAB

C- CIÊNCIAS SOCIAIS
Tabela 4
ENDEREÇO DESCRIÇÃO
http://www.cchla.ufpb.br/caos/ CAOS – Revista Eletrônica de
Ciências Sociais - UFPB
http://www.enfoques.ifcs.ufrj.br/ ENFOQUES – Revista Eletrônica
dos Acadêmicos do Programa de Pós
Graduação da UFRJ
http://www.ifcs.ufrj.br/ IFCS – Instituto de Filosofia e
Ciências Socais
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ci Civitas - Revista de Ciências
vitas/ojs/index.php/civitas Sociais PUCRS
http://www.ceu.org.br/novo/ Instituto Internacional de Ciências
Sociais
www.unb.br/ics/dan Departamento de Antropologia da
UNB, estão disponíveis aí a Série
Antropologia, publicação dos
professores do departamento,
textos completos e o Anuário
Antropológico, revista da
Associação Brasileira de
Antropologia.

D- HISTÓRIA
Tabela 5
ENDEREÇO DESCRIÇÃO
http://www.revista.iphan.gov.br/ Patrimônio - Revista Eletrônica do
IPHAN
http://www.orbis.ufba.br/index1.ht Revista Orbis – Ciência, Cultura e
m Humanidades - UFBA
http://www.locus.ufjf.br/ LOCUS - Revista de História, é
uma publicação do Departamento
de História e do Programa de Pós-
Graduação em História da
Universidade Federal de Juiz de
Fora
http://www.cpdoc.fgv.br/comum/ht FVG/CPDOC – Centro de Pesquisa
m/ e Documentação de História
Contemporânea
http://www.ifcs.ufrj.br/~gaia/ Gaîa - Revista ligada a UFRJ -
Artigos e resenhas
www.bn.br/portal Biblioteca Nacional – estão
disponível documentos históricos
para consulta
www.revistadehistoria.com.br Revista de História da Biblioteca
Nacional, encontra-se disponível
todos os artigos completos
publicados. É uma revista mensal
e comercializada em bancas de
jornal, excelente para trabalhar
nas aulas de história com acadêmicos
do ensino médio e fundamental.
http://www.unb.br/ih/novo_portal/p Revista “Em Tempo de História ”,
ortal_his/periodicos_revistas_temp dos acadêmicos do programa de- pós
o_historias.html graduação em História da UnB,
artigos completos disponíveis.
www.anpuh.org Site da Associação Nacional dos
Professores de História, contem
anais dos Encontros e links para
revista, arquivos e outros.
http://www.siaapm.cultura.mg.gov. Sistema Integrado de Acesso do
br/ Arquivo Público Mineiro, estão
disponíveis, documentos da
administração colonial e imperial
do Brasil, jornais, acervos de
fotografia, dentre outros
documentos digitalizados.

90
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

E- GEOGRAFIA
Tabela 6
ENDEREÇO DESCRIÇÃO
http://www.ibge.gov.br/ INTITUTO BRASILEIRO DE
GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA
http://www.inpe.br/ INSTITUTO NACIONAL DE
PESQUISAS ESPACIAIS
http://www2.petrobras.com.br/port Petrobras Magazine – Empresa –
al/frame.asp?pagina=/AtuacaoInt Meio Ambiente - Geopolítica
ernacional/PetrobrasMagazine/ind
ex_port.html&lang=pt&area=mag
azine
http://viajeaqui.abril.com.br/ng/ind Revista National Geographic Brasil
ex.shtml
http://www.geocities.com/geografi Geog@fiaonline - Este foi um
aonline/ projeto de extensão do
Departamento de Geociências da
Universidade Estadual de Londrina

F- LETRAS

Tabela 7

ENDEREÇO DESCRIÇÃO
http://www.biblio.com.br/ Biblioteca virtual de clássicos da
Literatura
http://www.bibvirt.futuro.usp.br/ BibVirt (desde 1997 disponibiliza
gratuitamente vasta quantidade de
informação)
http://proxy.furb.br/ojs/index.php/li Linguagens - Revista de Letras,
nguagens Artes e Comunicação
http://www.ceart.udesc.br/Revistas Portal sobre Artes da UDESCO
_do_Ceart/index.php?dir1=Revista
%20Arte-
Online&index=Revista%20Arte -
Online
http://www.academia.org.br/ Academia Brasileira de Letras
http://www.letras.ufrj.br/litcult/revist Revista on-line Mulher e Literatura
a_mulheres/revistamulheres_vol9.p
hp?id=13

91
Iniciação Científica Unimontes/UAB

G- PEDAGOGIA
Tabela 8
ENDEREÇO DESCRIÇÃO
http://www.revistaconecta.com/ Conect@ - Revista on-line de
Educação a Distância
www.pedagogia.pro.br Pedagogia On-line

www.educacaoonline.pro.br Educação On-line

www.pedagogia.com Pedagogia.com

www.escolanet.com.br Escolanet

www.correioescola.com.br Correio Escola

www.futura.org.br Futura

http://www.revista.inf.br/pedagogia Revista Científica Eletrônica de


/ Pedagogia

http://www.fe.unb.br/revistadepeda Revista de Pedagogia da Unb


gogia/
http://www.futuro.usp.br/ Escola do Futuro da Universidade
de São Paulo – Projeto sobre
novas tecnologias para
aprendizado
http://revistaescola.abril.com.br/ho Revista Escola
me/
http://portal.mec.gov.br/ Ministério da Educação –
Regulamentos e Informações
sobre Educação

H-INTERDISCIPLINAR
Tabela 9
ENDEREÇO DESCRIÇÃO
http://www.usp.br/sibi/ Banco de Teses da USP
http://scholar.google.com.br/ Google Acadêmico
http://www.pucrs.br/biblioteca/rec Acervo online da PUCRS
ursos.htm
http://br.monografias.com/ Portal que disponibiliza várias
monografias
http://books.google.com.br/bkshp Google Livros
?hl=pt-BR&tab=wp
http://biblioteca.uol.com.br/ Acervo do portal UOL
http://www.unb.br/ih/his/gefem Revista Labrys, publica artigos da
área de gênero e estudos feministas
www.ruc.unimontes.br Revista Unimontes científica,
publica artigos de todas as áreas do
conhecimento.
www.bn.br/portal Site da Biblioteca Nacional
http://br.geocities.com/mcrost02/ Neste site pode-se fazer download
de vários livros.

92
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

2.7 FORMATAÇÃO DE TEXTO E CAPA DE TRABALHOS ACADÊMICOS

Durante todo o desenvolvimento do seu curso, provavelmente,


todos os/as professores/as exigirão trabalhos como parte do processo de
avaliação da aprendizagem da disciplina. Indicamos aqui, normas para
formatação e apresentação de textos e de capas dos trabalhos que você
entregará aos seus/suas professores/as.

2.7.1 Formatação do texto

a) Papel: deve ser em formato A-4 (210 X 297 mm), branco.


b) Margem:
Superior: 3 cm
Inferior: 2 cm
Esquerda: 3 cm
Direita: 2 cm

Para formar o texto no computador siga os passos seguintes,


conforme o exemplo:

Menu> Arquivo> Configurar Página

Figura 20: Formatação de margens de um texto

93
Iniciação Científica Unimontes/UAB

c) Tipo de letra: utilize sempre fontes arredondadas, é obrigatório


a Times News Romam ou a Arial, que são as mais utilizadas, tamanho 12.
Veja no exemplo abaixo, como selecionar a fonte ou tipo de letra:

Menu> Formatar> Estilos e Formatação

Figura 21: Formatação de fonte

d) É recomendável utilizar o espaço 1,5 ou duplo entrelinhas para


o texto, e simples para citações recuadas, títulos e capa. Veja como
formatar o espaço entre linhas em seu computador:

Menu> Formatar> Parágrafo

Figura 22: Formatação de espaçamento

2.7.2 Formatação de capa de trabalhos

A capa de um trabalho científico deve conter, acima e centralizado


o nome da instituição onde o trabalho foi realizado, neste caso, o nome da
sua universidade, seguido dos outros órgãos ou centros ao qual seu curso
pertence. No centro da folha, o título do trabalho centralizado. À direita, o
objetivo do trabalho e a quem ou a qual disciplina ele está direcionada(o).
Abaixo, o nome do autor ou da equipe que realizou trabalho e na última

94
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

linha, também centralizado, o local e a data. As margens da folha segue as


indicações anteriores. Veja abaixo um modelo de capa.

UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL – UAB


UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS – Unimontes
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS – CCH
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
(fonte Times New Roman, tamanho 14, centralizado, digitado após a margem superior)

[dois espaços simples]

Andréa Batista Azevedo


(nome completo do acadêmico, só as primeiras letras maiúsculas, negrito, centralizado, fonte 14)

RESUMO DE TEXTO
(título, fonte 16, Caixa Alta/maiúsculo, centralizado)

Montes Claros - MG
novembro/ 2008
(fonte 14, maiúsculo e minúsculo, centralizado)

Figura 23: Modelo de capa de trabalhos acadêmicos

95
3 REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Marcos Antônio Chaves de . Projeto de Pesquisa. Guia Prático


para Monografia. Rio de Janeiro:Wak, 2002

ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à Metodologia do Trabalho


Científico: elaboração de trabalhos na graduação. 5.ed..São Paulo: Atlas,
2001

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da Língua


Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.1 CD-ROM

CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Altas, 1995.

FREIRE, Paulo. Importância do ato de ler. 11 ed. São Paulo: Cortez, 1979
e 1985.

GALLIANO, A.G.(ed) O Método Científico: teoria e prática. São


Paulo:Harbra, 1986.

LAKATOS; Eva Marina; MARCONI, M. A. Metodologia do Trabalho


Científico. 5 ed. São Paulo: Altas, 2001.

JOHANN, Jorge Renato (coord) Introdução ao Método Científico.2.ed.


Canoas: Ed.da ULBRA, 2002, p 43.

LUCENA, R. Pontos de Mutação. In: Orion. 2007. Disponível em:


<http://www.orion.med.br/filme12.htm>. Acesso em: 29/set./2008.

MARCONI, A M. e LAKATOS, E.M. Fichas. In: ___ Metodologia do


Trabalho Científico. São Paulo: Atlas, 2001, p. 51-67.

RUSS, J. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Scipione, 1994.

SALOMON, D. V. A prática da documentação pessoal. In: ___ Como fazer


uma monografia. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 124-143.

SEVERINO, A.J. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez,


2000.
VEIGA, I. P. A. O seminário como técnica de ensino socializado. In:___.
Técnicas de ensino: por que não? Campinas: Papirus, 1991.

Sites

<http://www.art-prints-on-demand.com/a/larkin-william/portrait-of-
francis-bacon-1.html> acesso em 29/ set./2008.

96
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

,<http://www.art-prints-on-demand.com/a/hals-frans/portrait-of-rene-
descarte-1.html> acesso em 29/set./2008.

<http://www.imdb.com/title/tt0017136/mediaindex?page=2> acesso
em 29/set./2008.

97
Iniciação Científica Unimontes/UAB

4 ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM - AA

QUESTÃO 1: Diferencie senso comum e ciência.


______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

QUESTÃO 2: Qual a importância do método científico?


______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

QUESTÃO 3 : Todas as afirmações estão corretas, exceto:


a- ( ) Francis Bacon desenvolveu seu pensamento na direção contrária
a de René Descartes.
b- ( ) Todas as vezes que buscamos a verdade pela ciência, temos que
contar com a sorte e o acaso.
c- ( ) As ciências humanas têm na psicologia uma de sua áreas.
d- ( ) As ciências humanas têm preocupação em estabelecer uma
verdade acerca do homem.

QUESTÃO 4: Sobre a emergência das ciências humanas, marque F para


Falso ou V para Verdadeiro:
a- ( ) As ciências humanas surgiram no século XIX
b- ( ) A psicologia é uma das ciências humanas que procura estudar os
fenômenos econômicos da sociedade.
c- ( ) A sociologia busca compreender as transformações ocorridas
independente da história.
d- ( ) Para que haja verdade científica, não precisa uma relação entre
sujeito e objeto. Posso somente imaginar a verdade, sem nenhum
recurso metodológico.

QUESTÃO 5- Qual a diferença entre atitude dogmática e atitude crítica?


______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________

98
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

QUESTÃO 6: Elabore um esquema destacando as principais idéias sobre


“Como Estudar”.
______________________________________________________________
______________________________________________________________

QUESTÃO 7: Escolha um dos textos apresentados no material da


disciplina Iniciação Científica, faça um resumo, seguindo as orientações
propostas cientificamente.

QUESTÃO 8: Um esquema para ser considerado útil, apresenta as


seguintes características, exceto duas alternativas. Marque-as.
a- ( ) Estruturação lógica do assunto
b- ( ) Inexistência da característica pessoal.
c- ( ) Utilidade de seu emprego.
d- ( ) Fidelidade ao texto original
e- ( ) Utilização de idéias pessoais.

QUESTÃO 9- Todos os elementos abaixo são necessários num fichamento,


exceto:
a- ( ) O conteúdo deve ser composto por um texto detalhado da obra,
texto ou aula fichada.
b- ( ) Cabeçalho contendo o título geral que pode ser uma disciplina,
um tema de estudo, ou um autor
c- ( ) Um sub-título no cabeçalho que indica o plano sistemático dos
fichamentos
d- ( ) A referência completa da obra, aula ou texto que será fichado
e- ( ) Uma numeração se forem mais de uma do mesmo tema para
facilitar a organização do fichário ou pasta-arquivo.

QUESTÃO 10: Sobre os objetivos de um Seminário marque V para as


alternativas verdadeiras e F para as alternativas falsas.
a- ( ) Substituir a aula expositiva uma vez que estas são monótonas e
não envolve a participação do aluno;
b- ( ) Aprofundar a discussão de um tema ou problema dentro de uma
área do conhecimento;
c- ( ) Estudar e debater em profundidade um texto específico da
disciplina;
d- ( ) Trabalhar de forma cooperativa em sala de aula ou no ambiente
virtual;
e- ( ) Instaurar o diálogo crítico sobre um ou mais temas;
f- ( ) Informar e transmitir conhecimentos pelos acadêmicos;
g- ( ) Estimular a pesquisa;

99
1º PERÍODO

FILOSOFIA
DA EDUCAÇÃO
AUTORES

Alex Fabiano Correa Jardim


Doutor em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, mestre em
Fundamentos da Educação pela UFSCar, graduado em Filosofia pela Universidade Estadual
de Montes Claros – Unimontes. Professor do Departamento de Filosofia e do Programa de
Pós-Graduação em Letras/Estudos Literários da Unimontes.

Ângela Christina Borges


Mestre em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP
e graduada em Filosofia pela Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes.
Coordenadora do curso de Ciências da Religião da Unimontes.

Antônio Wagner Veloso Rocha


Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ e
graduado em Filosofia e em Letras pela Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes.
É professor e coordenador didático do curso de graduação em Filosofia da Unimontes, onde
também leciona no curso de pós-graduação lato sensu em Tópicos Especiais de História da
Filosofia Moderna e Contemporânea. Desenvolve pesquisas sobre as relações entre filosofia e
literatura. É também autor do livro Heidegger: a caminho da poesia (Editora Unimontes,
2008).

Gildete dos Santos Freitas


Mestre em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu - USJT, especialista em Ciências
Sociais pela Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes, especialista em Filosofia
pela Unimontes e graduada em Filosofia pela Unimontes. Professora do Departamento de
Filosofia da Unimontes.

Ildenilson Meireles Barbosa


Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, mestre em
Filosofia pela Universidade Federal do Paraná - UFPR e graduado em Filosofia pela
Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes. Professor do Departamento de
Filosofia da Unimontes.

José dos Santos Filho


Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás - UFG, especialista em Sociologia
pela Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes e graduado em Filosofia pela
Unimontes. Professor do Departamento de Filosofia da Unimontes.

Márcio Antônio Silva


Doutor em Fundamentos da Educação pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar,
mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e graduado em
Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Formiga. Atualmente, é professor
efetivo da Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes. Tem experiência na área de
Educação, com ênfase em Fundamentos da Educação. É também líder do Grupo de Pesquisa
em Educaçao da Unimontes.

Péricles Pereira de Sousa


Doutor e mestre em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar e graduado
em História pela Universidade Estadual Paulista - Unesp/Assis. Professor do Departamento de
Filosofia da Universidade estadual de Montes Claros - Unimontes. Possui experiência na área
de Filosofia, com ênfase em História da Filosofia.
SUMÁRIO DA
DISCIPLINA

Apresentação................................................................................. 104
Unidade 1: A Filosofia e suas Origens Gregas.................................... 108
1.1 Introdução........................................................................... 108
1.2 A Natureza da Filosofia........................................................ 108
1.3 A Experiência Mítica............................................................ 113
1.4 Logos e Realidade............................................................... 115
1.5 A Influência dos Gregos no Pensamento Medieval.................. 118
1.6 Referências.......................................................................... 120
Unidade 2: Ontologia...................................................................... 122
2.1 Introdução.......................................................................... 122
2.2 Platão e o Conhecimento..................................................... 123
2.3 Aristóteles: Conhecimento, Educação e Ontologia................. 125
2.4 Considerações Finais........................................................... 127
2.5 Referências.......................................................................... 129
Unidade 3: O Racionalismo Moderno............................................... 130
3.1 Introdução........................................................................... 130
3.2 A Problemática do Conhecimento e o Projeto Filosófico da
Modernidade. Empirismo e Racionalismo na Epistemologia
Moderna. A Construção do Iluminismo criticista........................... 130
3.2.1 A Problemática do Conhecimento e o Projeto Filosófico da
Modernidade............................................................................ 130
3.2.2 O Racionalismo: René Descartes e o Problema da
Subjetividade ............................................................................ 135
3.2.3 O empirismo: o Conhecimento pela Experiência .................. 140
3.2.4 Kant e o Iluminismo Criticista............................................. 145
3.3 Referências.......................................................................... 150
Unidade 4: A Ação na Filosofia Contemporânea................................ 152
4.1 Introdução........................................................................... 152
4.2 As Origens do Pragmatismo: Peirce e James........................... 153
4.3 O Pragmatismo de John Dewey: Principais Caraterísticas e
Contribuições ........................................................................... 155
4.4 Os Desafios da Filosofia Contemporânea: Jürgen Habermas e
Richard Rorty ............................................................................ 160
4.4.1 Habermas e a Modernidade............................................... 160
4.4.2 Habermas e a Ação Comunicativa...................................... 163
4.4.3 A Teoria da Ação Comunicativa e a Educação.................... 164
4.4.4 O Neo-pragmatismo de Richard Rorty............................... 167
4.5 Referências........................................................................ 169
4.6 Vídeos Sugeridos para Debate............................................. 171
Unidade 5: A Contribuição do Projeto Filosófico para a Teoria e
Prática da Educação na Atualidade................................................. 172
5.1 Introdução......................................................................... 172
5.2 A Educação no Século XXI.................................................. 172
5.3 Estética.............................................................................. 179
5.4 Educação Estética............................................................... 180
5.5 Política............................................................................... 182
5.6 Referências........................................................................ 186
5.7 Resumo............................................................................. 187
6 Atividades de Aprendizagem........................................................ 189
7 Referências................................................................................ 192
APRESENTAÇÃO

Olá pessoal! Vamos iniciar alguns debates sobre muitas coisas


desconhecidas, mas muito interessantes. É justamente pelo fato de
problemas difíceis e interessantes fazerem parte do nosso cotidiano, que a
filosofia se dispõe a dialogar. Em primeiro lugar, vamos começar
complicando um pouco, falando de algumas coisas que parecem muito
estranhas, mas que podem ser entendidas se tivermos um pouco de
paciência e dedicação. Depois, faremos uma série de atividades para
avaliar o nosso conhecimento e o nosso desempenho na disciplina. Não
vamos estudar uma filosofia pura, que trata de conceitos abstratos, mas a
filosofia da educação. O que nos interessa é estabelecer algumas ligações
entre o pensamento e a ação; a reflexão e a práxis; a teoria e o cotidiano
das diversas abordagens educacionais, desde os pensadores mais antigos,
como Platão e Aristóteles, até pensadores de nossa época que ainda estão
vivos, nos ajudando a pensar a educação numa dimensão crítica e
construtiva.
Se você observar a ementa da disciplina, verá que ela pretende
mostrar várias correntes filosóficas iniciadas com os filósofos gregos,
passando pelos padres da igreja na Idade Média, por filósofos como
Descartes, Hume, Kant e tantos outros da época moderna, até chegar aos
filósofos mais próximos do nosso tempo, como Habermas, Rorty, Paulo
Freire, Dermeval Saviani e outros. Como é uma ementa muito longa, com
muito assunto para tratar, selecionamos alguns que nos ajudarão a pensar
criticamente os processos educacionais.
O objetivo geral da disciplina de filosofia da educação, cuja carga
horária é de 75 h/a, é desenvolver a capacidade crítica do aluno em relação
aos vários processos educacionais ocorridos na história da cultura
ocidental, levando em consideração todo o contexto em que esses
processos se deram. Mesmo com algumas dificuldades que são próprias da
disciplina, não podemos deixar de considerar a importância que tem a
filosofia para pensarmos a educação de modo mais crítico, mais radical,
mais engajado e mais livre de preconceitos. Nesse sentido, a filosofia nos
oferece os elementos necessários para compreendermos a nossa
educação e a nossa realidade. Para isso, estabelecemos os seguintes
objetivos:
apresentar as idéias fundamentais de Platão e Aristóteles para
?
uma compreensão do mundo grego, principalmente a relação entre
educação e política;

104
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

discutir a relação entre conhecimento e ontologia;


?
? compreender o contexto da modernidade a partir de duas
correntes filosóficas: o racionalismo e o empirismo e sua relação com a
pedagogia moderna; e
? discutir as várias correntes filosóficas que investigam a
educação sob um ponto de vista crítico, social, libertário e político.
A partir desses tópicos, você verá que estudar filosofia e relacioná-
la à educação é muito interessante e não tão complicada como pode
parecer. Só é preciso um pouco de paciência e dedicação no estudo dos
textos e nas atividades.

Dividimos a disciplina em cinco unidades. Cada uma está dividida


em tópicos ou subunidades.

Unidade 1: A Filosofia e suas Origens Gregas


1.1. A Natureza da Filosofia;
1.2. A Experiência Mítica;
1.3. Logos e Realidade; e
1.4. A Influência dos Gregos no Pensamento Medieval.

Unidade 2: Ontologia
2.1. Introdução;
2.2. Platão e o Conhecimento;
2.3. Aristóteles: Conhecimento, Educação e Ontologia; e
2.4. Considerações Finais.

Unidade 3: O Racionalismo Moderno


3.1. A problemática do Conhecimento e o Projeto Filosófico da
Modernidade;
3.2. O Racionalismo: René Descartes e o Problema da Subjetividade;
3.3. O empirismo: o Conhecimento pela Experiência; e
3.4. Kant e o Iluminismo Criticista.

Unidade 4: A Ação na Filosofia Contemporânea


4.1. As origens do Pragmatismo: Peirce e James;
4.2. O Pragmatismo de John Dewey: principais caraterísticas e
contribuições;
4.3. Os desafios da filosofia contemporânea: Jürgen Habermas e Richard
Rorty;
4.3.1. Habermas e a modernidade;
4.3.2. Habermas e a Ação Comunicativa; e
4.3.3. O neo-pragmatismo de Richard Rorty.

105
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

Unidade 5: A Contribuição do Projeto Filosófico para a Teoria e Prática da


Educação na Atualidade

5.1. A Educação no Século XXI;


5.2. Estética;
5.3. Educação Estética; e
5.4. Política.

Os autores.

106
1
UNIDADE 1
A FILOSOFIA E AS SUAS ORIGENS GREGAS

1.1 INTRODUÇÃO

Para compreendermos melhor o que é a filosofia faz-se necessário


distingui-la daquilo que se encontra na concepção popular quando esta
entende possuir uma “filosofia de vida”. A chamada “filosofia de vida” está
relacionada à mera opinião, cujo termo grego é doxa, ou seja, a uma
especulação rasa e simplista sobre as coisas, sem nenhum conteúdo
rigorosamente reflexivo. O que temos na “filosofia de vida” é uma
concepção de mundo que o homem acaba desenvolvendo para uso
pessoal. Trata-se, portanto, da “filosofia de cada indivíduo”, da maneira
como cada um procede diante dos fatos vivenciados no cotidiano, e nada
além disso. Neste sentido, todos nós temos uma “filosofia de vida”, um
jeito de viver e um comportamento próprio, um modo de ser. Na nossa
primeira unidade, trataremos de um tipo de filosofia que nos coloca
questões cotidianas, mas que exige de nós uma capacidade mais reflexiva
e mais crítica sobre as coisas. Por isso, vamos estudar as origens do
pensamento filosófico na Grécia e sua influência sobre o modo de pensar
da idade média.

1.2 A NATUREZA DA FILOSOFIA


Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
A pergunta é o
ponto de partida do ato de
f i l o s o f a r. To d o s n ó s
sentimos instigados a
perguntar sobre as coisas,
o mundo, a vida, a
realidade. Todos nós
fazemos perguntas.
Somos constantemente
provocados a questionar,
Figura1: Escola de Atenas -
a nos inquietarmos, a nos
Afresco de Rafael de Sânzio
movermos sempre guiados
por nossas curiosidades, nossas dúvidas, nossas incertezas. Portanto, o
surgimento da filosofia é algo tipicamente antropológico. Só o homem
pergunta, só o homem responde. Um cachorro, um gato, uma pedra, não
fazem perguntas e nem respondem sobre as coisas. A filosofia é uma
invenção do homem. Somente o homem se angustia diante dos mistérios
da vida, diante da busca de profundidade para os problemas que envolvem
a sua existência.
Os primeiros filósofos aparecem justamente quando estavam
diante de perguntas complexas sobre a origem do mundo, do universo, ou

108
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

seja, de onde tudo teria começado a existir. E assim eles foram em busca de
respostas precisas. Ao se deparar com o desconhecido, esses filósofos
colocam o pensamento em exercício a fim de abstrair significativas
reflexões atinentes a ordem do cosmos, esmiuçando, assim, toda a
realidade que os cerca. Tal tarefa só se torna possível graças às suas
faculdades racionais. Isto mesmo: o homem faz perguntas e anseia por
respostas porque é dotado de razão, de capacidade cognitiva, de intelecto.
Um animal qualquer não pergunta e nem responde nada porque não é
racional.
A filosofia é, portanto, uma atitude reflexiva. Em um dos seus
escritos, o filósofo grego Platão diz que Sócrates teria afirmado certa vez
que “uma vida sem reflexão não merece ser vivida”. Mas o que quer dizer
mesmo a palavra “reflexão”? Reflexão, conforme nos ensina Chauí, em
seu livro Convite à filosofia, é “o movimento pelo qual o pensamento volta-
se para si mesmo, interrogando a si mesmo”. Quando falamos em
pensamento estamos mencionando aquilo que é produzido pela própria
razão, entendida pelos gregos como logos, aquilo que nos faz colocar em
xeque a ordem das coisas. Daí usamos o termo “reflexão filosófica” para
designar de forma específica o campo de domínio da filosofia: a
“radicalidade”, ou seja, a compreensão dos problemas relacionados ao
PARA REFLETIR homem e ao mundo. A reflexão filosófica coloca questões para o homem a
partir da sua raiz, da sua origem, quando o pensamento busca conhecer-se
como pensamento.
O pensamento produzido Foi com Pitágoras de Samos, um filósofo grego do século V antes
pela filosofia se difere de de Cristo, que surgiu o termo filosofia, cujo significado quer dizer “amizade
uma opinião qualquer. A pela sabedoria”. [Philos vem de philia, ou seja, amizade; e sophia
filosofia não é um mero
corresponde à sabedoria]. Daí podemos perceber que o filósofo é aquele
“achismo”, não é um
casuísmo, não é uma que ama o saber, que deseja o conhecimento. É aquele que se entrega à
especulação ingênua e sem difícil tarefa de formular conceitos sobre os dados da realidade,
fundamentos. Ao contrário, procurando compreendê-la.
ela possui uma estrutura
Consta que o surgimento dessa forma de compreensão da
lógica capaz de produzir
conceitos e idéias, realidade, ou seja, da filosofia, dá-se no final do século VII e início do século
ultrapassando as nossas VI antes de Cristo numa cidade grega chamada Mileto, tendo sido Tales -
experiências cotidianas, as um dos seus habitantes - o primeiro dos filósofos, ou seja, o primeiro a
nossas crenças, atingindo buscar uma explicação racional sobre o mundo e o seu ordenamento
assim um grau significativo
(cosmos), a sua Natureza. É Tales o primeiro a se perguntar: “o que é isto?”
de profundidade com
relação aos problemas do ao se deparar com o cosmos, o que nos leva a constatar que a filosofia,
mundo. Através deste inicialmente, é marcada pela cosmologia. Trata-se de um conteúdo
caráter rigoroso e filosófico que indica formulação racional, portanto, reflexão,
marcadamente racional, a conhecimento sistemático, sobre a ordem do mundo.
filosofia nos possibilita
Assim, podemos concluir que a filosofia nasce da pergunta: “o que
tratar de maneira crítica
aquilo que se encontra no é isto?”, cabendo ao filósofo a missão de questionar o que são as coisas e
cotidiano, ou até mesmo de procurar problematizar tal pergunta. É importante lembrar que essa
aquilo que aceitamos forma de questionamento surge a partir do instante em que alguns gregos
espontaneamente como – como é o caso de Tales – sentem-se admirados diante da realidade e
verdadeiro.

109
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

inconformados com o fato de que, segundo a tradição, somente os deuses


e alguns eleitos eram capazes de desvendá-la. Os gregos perceberam que
por meio do uso da razão – atributo inerente a todos os homens – era
possível atingir um conhecimento pleno sobre a verdade do mundo.
É, sem dúvida, a descoberta da razão, que vai impulsionar o
ATIVIDADES
nascimento do saber filosófico na Grécia antiga, gerando assim um novo
procedimento de assimilação e de compreensão do mundo real, um novo
Movido por um tom
caminho para se buscar explicações plausíveis sobre o mundo e as coisas. inquiridor, o poema abaixo
Desta forma, torna-se necessário afirmar que a atividade filosófica exige apresenta uma seqüência
argumentos racionais e lógicos, sendo, portanto, o ato de filosofar de interrogações
caracterizado pelo rigor e pela sistematização. O filósofo não aceita expressando a busca de
sentido para a vida
qualquer constatação imediata como verdade instituída. Ele busca
humana em sua relação
analisar, problematizar, para depois chegar a determinadas conclusões. O com a realidade das coisas,
exercício do pensamento é algo muito valioso para o filósofo, pois significa sendo que tudo se volta
esforço intelectual para interpretar e compreender os mais diversos para o campo das
fenômenos da vida. Uma das perguntas feita pelos primeiros filósofos hipóteses e conjecturas
acerca do existir. Leia,
gregos era como podem todas as coisas se transformarem e até
reflita e elabore um
desaparecerem e, mesmo assim, a Natureza continuar a mesma. pequeno texto apontando
Para compreender melhor o que é a filosofia, faz-se necessário, quais os elementos do
então, distingui-la daquilo que se encontra na concepção popular quando poema que nos permitem
esta entende possuir uma “filosofia de vida”. A chamada “filosofia de vida” pensar a realidade do
homem e a sua condição
está relacionada à mera opinião, cujo termo grego é doxa, ou seja, a uma no mundo.
especulação rasa sobre as coisas, sem nenhum conteúdo rigorosamente
reflexivo. O que temos na “filosofia de vida” é uma concepção de mundo
que o homem acaba desenvolvendo para uso pessoal. Trata-se, portanto,
da “filosofia de cada indivíduo”, da maneira como cada um procede diante
dos fatos vivenciados no cotidiano. E nada mais além disso. Neste sentido,
todos nós temos uma “filosofia de vida”, um jeito de viver e um
comportamento próprio, um modo de ser.
Concluímos, então, que não é preciso ser filósofo para adotar uma
“filosofia de vida”. Qualquer pessoa pode criar seu estilo de vida, sendo
que a “filosofia de vida” possibilita ao homem se orientar no meio em que
vive. Porém, por seu caráter espontâneo, assistemático, ela não tem nada a
ver com a filosofia enquanto sistema organizado de pensamento. Apesar
disso, a “filosofia de vida” também parte da realidade com o intuito de
operar sobre ela: a realidade da vida. Este fato curioso nos oferece a
oportunidade de perceber que ambas partem da realidade para se
constituírem como tais, mesmo sendo duas coisas totalmente distintas. O
que se constata, com isso, é que a realidade é um convite ao homem para
que este estabeleça possíveis diálogos com ela. Mas a “filosofia de vida”
jamais pode ser confundida com a filosofia da qual estamos tratando nesta
Unidade.
Por ter se originado no solo grego e se estendido a todo o mundo
ocidental, atravessando épocas e lugares diferentes, a filosofia tornou-se
para nós, ocidentais, a principal referência como fundadora de toda a

110
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

nossa cultura. Aprendemos a pensar com os gregos. Aprendemos a olhar


as coisas e analisá-las com profundidade mediante as acepções filosóficas
que fomos adquirindo através do contato inicial com o pensamento grego.
Apesar de toda a sua contribuição para a vida humana, a filosofia
é vítima de muitos preconceitos. Nem todos valorizam a atividade
filosófica. Em todos os tempos, ela sempre fora marginalizada e criticada,
vista como algo inútil e sem nenhum vínculo com o mundo em que
vivemos. Em nossos dias, as preocupações do homem estão relacionadas
com poder e dinheiro, com os resultados imediatos, com a busca de bens
materiais, o que gera, de certa forma, a crise das relações humanas. Assim,
ele vai se distanciando daquilo que é fundamental em sua vida, vai se
PARA REFLETIR desligando da possibilidade de refletir sobre a sua própria essência. O que
é útil para o homem é apenas o que se encontra no campo das
banalidades, pois ele perde a noção do que é bom para si mesmo.
“A filosofia é uma maneira Assim, o homem se engana ao deixar que outros pensem e tomem
de reaprender a ver o decisões por ele. O homem se engana ao deixar que as propagandas
mundo”. (Merleau-Ponty, consumistas da televisão ganhem um espaço importantíssimo em sua vida,
filósofo francês) às vezes muito mais do que os seus familiares e entes queridos. O homem
se robotiza cada vez mais e se recusa a ser solidário, fraterno e ser sujeito
pensante da sua história. Ele não mais se vê, não se encontra, não dá valor
às coisas essenciais da sua existência. Ele não mais pensa e nem se ocupa
com questões relacionadas à sua origem, à sua natureza e ao seu destino.
O homem torna-se um mistério para si mesmo, vivendo apenas em busca
de riquezas e prestígio.
Esse processo mercantilista e desumanizador gerado pela
sociedade considera útil aquilo que produz os bens de consumo, o poder, a
riqueza, as vantagens, desprezando, assim, o valor da reflexão filosófica,
concebendo-a como algo estéril e sem utilidade. A filosofia é útil à medida
em que nos faz distanciar das impressões ingênuas que temos das coisas
para nos dar condições de agir criticamente. Ela nos permite deixar de lado
os preconceitos para dar vazão a uma reflexão fértil e necessária sobre
tudo o que nos diz respeito.
Não há dúvida de que a filosofia dá sentido à vida humana, não
sendo, portanto, necessária apenas para o indivíduo, mas para toda a
sociedade. É dela que se depreende o conhecimento e os seus reflexos na
realidade social. Desde o princípio de tudo, o conhecimento sempre esteve
presente nas ações do homem. O desejo de conhecer faz parte da
condição humana como algo vital e extremamente imprescindível para o
homem sentir-se sujeito da sua história e da história de outras pessoas, ou
seja, da própria sociedade a que pertence.

Da Suposta Existência

Como é o lugar
quando ninguém passa por ele?

111
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

Existem as coisas
sem ser vistas?

O interior do apartamento desabitado,


a pinça esquecida na gaveta,
os eucaliptos à noite no caminho
três vezes deserto,
a formiga sob a terra no domingo,
os mortos, um minuto
depois de sepultados,
nós, sozinhos
no quarto sem espelho?

Que fazem, que são


as coisas não testadas como coisas,
minerais não descobertos – e algum dia
o serão?

Estrela não pensada,


palavra rascunhada no papel
que nunca ninguém leu?
Existe, existe o mundo
apenas pelo olhar
que o cria e lhe confere
espacialidade?
Concretude das coisas: falácia
de olho enganador, ouvido falso,
mão que brinca de pegar o não
e pegando-o concede-lhe
a ilusão de forma
e, ilusão maior, a de sentido?

Ou tudo vige
planturosamente, à revelia
de nossa judicial inquirição
e esta apenas existe consentida
pelos elementos inquiridos?
Será tudo talvez hipermercado
de possíveis e impossíveis possibilíssimos
que geram minha fantasia de consciência
enquanto

112
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

exercito a mentira de passear


mas passeado sou pelo passeio
que é o sumo real, a divertir-se
com esta bruma-sonho do sentir-me
e fruir peripécias de passagem?

Eis se delineia
espantosa batalha
entre o ser inventado
e o mundo inventor.
Sou ficção rebelada
contra a mente universa
e tento construir-me
de novo a cada instante, a cada cólica,
na faina de traçar
meu início só meu
e distender um arco de vontade
para cobrir todo o depósito
de circunstantes coisas soberanas.

PARA REFLETIR
A guerra sem mercê, indefinida
prossegue,
Um aspecto importante a feita de negação, armas de dúvida,
ser lembrado é o fato de
táticas a se voltarem contra mim,
que a experiência mítica,
sobretudo do homem teima interrogante de saber
primitivo, só se desenvolve se existe o inimigo, se existimos
dentro de um espírito
ou somos todos uma hipótese
comunitário. Toda e
qualquer experiência só é de luta
possível através da ao sol do dia curto em que lutamos.
comunidade, das ações
coletivas que se sobrepõem
às individuais. (ANDRADE, Carlos Drummond de. A paixão medida. 8. ed. Rio
de Janeiro: Record, 2002.)

1.3 A EXPERIÊNCIA MÍTICA

Agora que já traçamos em linhas gerais de que se ocupa a filosofia


e quais as suas principais características, achamos por bem discorrer sobre
a questão do mito, o que ele significa e representa no âmbito da cultura
ocidental como algo que antecede o saber filosófico. Muitos estudiosos
afirmam que o mito é a primeira forma de explicação da realidade, seja ela
natural ou social. Trata-se de uma narrativa, concebida pela língua grega
como mythos. Mas, afinal, que espécie de narrativa é o mito? Na Grécia

113
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

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antiga cultivava-se a tradição oral, ou


seja, a palavra falada. O mito nasce dessa
oralidade através da cultura popular,
configurando-se como um discurso
destinado a um público ouvinte, sendo
que este toma aquilo como verdade
absoluta por confiar plenamente em
Figura 2: Chronos -
quem está narrando.
o deus do tempo
Assim, observamos que a atitude
mítica é, antes de tudo, uma atitude de crença. Além de procurar uma
explicação para a realidade, o mito também propõe apaziguar os temores
do homem diante do mundo em que vive. As narrativas descrevem a
relação do homem com os deuses – pois se trata de uma cultura politeísta –
de forma poética e metafórica, utilizando-se de recursos figurativos.
O mito expressa, através do seu poder criativo, como as coisas
passaram a existir, a sua origem. Apesar de se constituir como uma criação,
ele não pode ser interpretado como uma simples invenção, uma ficção,
uma fábula ou algo parecido. A sua finalidade é representar, por meio de
uma linguagem simbólica, a realidade do mundo humano. Assim,
podemos observar que, diferentemente da filosofia - que se utiliza de
sistemas e conceitos -, o mito é marcado por um forte simbolismo, por uma
forma de expressão até mesmo literária. Desprovido de qualquer caráter
lógico e racional, o mito nem sempre possui sentido, ficando às vezes no
plano da sugestão. Por isso está sujeito às mais variadas interpretações.
São os poetas gregos os grandes responsáveis pela realização
dessas narrativas, uma vez que são considerados escolhidos pelos deuses,
eleitos pelas divindades. Os deuses apresentam-lhes os fatos do passado
e a origem de tudo, cabendo a eles transmitir às demais pessoas. Desta
forma, é possível perceber que o mito tem um caráter sagrado. Para Reale,

Antes do nascimento da filosofia, os educadores


incontrastados dos gregos foram os poetas, sobretudo
Homero, cujos poemas foram, como se disse com justiça,
quase a Bíblia dos gregos, no sentido de que a primitiva
grecidade buscou alimento espiritual essencial e
prioritariamente nos poemas homéricos, dos quais extraiu
modelos de vida, matéria de reflexão, estímulo à fantasia e,
portanto, todos os elementos essenciais à própria educação
e formação espiritual. (REALE, 1993, p.19).

Muitos mitos são transmitidos através das epopéias cuja poesia


expressa o mundo poético do povo grego. O poeta mais importante desse
período foi Homero – conforme mencionando na citação acima -, autor
das famosas obras Ilíada e Odisséia, que relatam o tema da luta entre
gregos e troianos e as façanhas de Ulisses, respectivamente.

114
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

1.4 LOGOS E REALIDADE

Os Pré-socráticos

Os filósofos pré-socráticos – assim


denominados porque viveram antes de Sócrates –
são os primeiros filosóficos surgidos no Ocidente.
Rompendo com a concepção mítica, a filosofia

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pré-socrática coloca a razão (logos em grego)
acima de tudo, despr ezando qualquer
possibilidade sobrenatural. A sua preocupação é
puramente cosmológica, desvendar a realidade
do cosmos. Os escritos filosóficos desses
pensadores foram elaborados em forma de
fragmentos, o que dificulta obter uma
Figura 3: Sócrates
compreensão clara do seu conteúdo. Os principais
filósofos pré-socráticos são: Tales de Mileto (624 a.C. – 545 a.C.),
Anaximandro (610 a.C. – 547 a. C.), Anaxímenes (585 a.C. – 525 a.C.),
Pitágoras (582 – 497 a.C.), Heráclito (540 a.C. – 480 a.C.), Demócrito
(460 – 370 a. C.).

Sócrates (470 – 399 a.C.)

Vamos conhecer agora o filósofo Sócrates. Certamente todos


vocês já ouviram falar dele. Trata-se do mais importante pensador grego,
responsável por mudar completamente os rumos da civilização ocidental.
Ele exerceu, também, uma considerável influência na política de Atenas.
Apesar de toda a sua sabedoria, Sócrates não deixou nenhum
texto escrito. Tudo o que sabemos sobre a sua vida e o seu pensamento foi
escrito por seus discípulos, dentre eles Platão e Xenofonte. Defensor da
Razão como única via de acesso ao conhecimento, Sócrates desenvolve
um método próprio de análise filosófica. Este método é denominado de
“maiêutica” (em grego “parto das idéias”), cujo
objetivo é possibilitar ao homem o conhecimento
de si mesmo.
Mas, afinal, em que consiste a
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“maiêutica”? Consiste em “fazer perguntas e


analisar as respostas de maneira sucessiva até
chegar à verdade ou contradição do enunciado”
(TELES, 1995, p. 31).
Desta forma, este método faz com que as
pessoas comecem a pensar a partir daquilo que
Figura 4: Platão não conhecem, ou seja, pela ignorância. Daí a sua
famosa frase: “eu só sei que nada sei”.

115
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

O mito da caverna

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância,


geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e
seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a
permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não
podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da
caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa,
na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior. A luz que ali
entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os
prisioneiros – no exterior, portanto – há um caminho ascendente ao longo
do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um
palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam
estatuetas de todo tipo, com de seres humanos, animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os
prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das
estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas,
nem os homens que as transportam. Como jamais viram outra coisa, os
prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou
seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são
imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais
fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a
fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é
que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os
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Figura 5: O mito da caverna

prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia


toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a
fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a

116
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho


ATIVIDADES ascendente, nele adentraria. Num primeiro momento, ficaria
completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol e ele ficaria
Filme: O show de Truman inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade,
(The Truman Show, EUA,
veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no
1998). Diretor: Peter Weir.
Duração: 103 min. caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua
Sinopse: Trata-se da vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas
história de um jovem que projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando
tem a sua vida filmada a a própria realidade.
todo tempo e mostrada
para o mundo inteiro num Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à
programa de TV, porém ele caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e
não sabe disso, pois tudo tentaria libertá-los. Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais
lhe parece normal e prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não
verdadeiro. Alguns
conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo
acontecimentos acabam
lhe mostrando que tudo o espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os
que vive é uma grande convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas,
ilusão, uma mentira. quem sabe, alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais,
SUGESTÃO: Assista a este também decidissem sair da caverna rumo à realidade.
filme comparando-o com o
O que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as
Mito da Caverna, de
Platão. sombras das estatuetas? As coisas materiais e sensoriais que percebemos.
Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a
luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo exterior? O mundo
das idéias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Qual o instrumento que
liberta o filósofo e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A
dialética. O que é a visão do mundo real iluminado? A Filosofia.
(CHAUÍ,1996).

Aristóteles (384-322 a.C)

Aristóteles freqüentou a Academia de Platão,


tornando-se seu discípulo. Mais tarde contraria o
seu próprio mestre, sobretudo ao desprezar a
teoria do mundo das idéias, fazendo a síntese do
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mundo sensível e do inteligível a partir do conceito


de “substância”, ou seja, “aquilo que é em si
mesmo”. Um dos seus grandes feitos filosóficos foi
sistematizar a Lógica através do seu tratado
intitulado Organon. Além disso, escreveu vários
trabalhos científicos, a saber, A física, História
Figura 6: Aristóteles natural, As partes dos animais, etc. Sobre estética
produziu duas grandes obras, intituladas Retórica
e Poética. É autor também de Ética a Nicômaco, Política e Metafísica, esta
última exerceu uma grande influência nas concepções filosóficas e
teológicas da Idade Média.

117
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

1.5 A INFLUÊNCIA DOS GREGOS NO PENSAMENTO MEDIEVAL B GC


GLOSSÁRIO E
A divisão da história em períodos como método para seu estudo tem A F
colocado a Europa como centro de referência da história mundial. Tal Patrística: Inicia-se durante
método colabora na indução, ainda presente na educação, em estabelecer a decadência do Império
a cultura européia como modelo a ser seguido ignorando outras culturas, Romano no século III. Teve
histórias e pensamentos. Desta forma, quando nos referimos ao como ponto fundamental a
apresentação racional da
pensamento desenvolvido na Idade Média, devemos nos lembrar que o
doutrina religiosa. Sua
pensar filosófico não se restringe aos filósofos europeus, mas se estende a principal preocupação era
pensadores judeus e árabes. No entanto, podemos apontar como ponto esclarecer a relação entre
fundamental nesse pensamento as influências de Platão e Aristóteles. fé e ciência.
Apesar do quase desaparecimento da cultura greco-romana durante o
estabelecimento do modo de produção feudal, pensadores da Idade Escolástica: Filosofia e
teologia ensinadas nas
Média como Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Avicena e Averróis
escolas medievais. Também
traduziram em suas filosofias – em contextos diferentes – o pensamento pode ser compreendida
grego. como um período de
A fim de entendermos melhor, vejamos um pouco do pensamento grande efervescência tanto
de idéias filosóficas quanto
de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, respectivamente, os
teológicas.
expoentes da Patrística e da Escolástica.

Santo Agostinho (Século IV)


Santo Agostinho foi o principal
representante da Patrística, tendência
filosófica que introduziu como preocupação
humana as idéias de criação, pecado, juízo
final, ressurreição, natureza trina de Deus, etc.
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Para tanto, Santo Agostinho retoma a


dicotomia platônica (“mundo sensível e
mundo das idéias”), substituindo o mundo das
idéias pelas idéias divinas. Para ele, o
conhecimento não é uma reminiscência, um
conteúdo passado, mas a conseqüência da
irradiação divina que atua a todo o momento
Figura 7: Santo Agostinho
possibilitando ao homem a capacidade de
pensar corretamente.
A teoria agostiniana defende o princípio de que Deus é, foi e será o
Ser. Deus é imutável, eterno, perfeito, o bem absoluto. O mundo, criado
por ele, é a manifestação da sua bondade e sabedoria. Ele, então, deve ser
o objetivo humano, pois a procura por ele é a procura pela verdade. Assim,
a razão humana torna-se serva da fé e, conseqüentemente, a filosofia
torna-se serva da teologia. Suas principais obras são: Confissões, Cidade
de Deus, De beata vita, De magistro.

São Tomás de Aquino (Século XIII)

São Tomás de Aquino é o mais importante filósofo da Escolástica.

118
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

A questão debatida pelos escolásticos, em


geral, teólogos e clérigos, era se a filosofia

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tinha autonomia frente à teologia, isto é, se a
razão é autônoma em relação à fé. Assim,
Tomás de Aquino procurou realizar uma
síntese perfeita, elaborando um novo sistema
de pensamento que acolhe a verdade
existente nesses dois opostos: fé e razão. Para
Figura 8: São Tomás ele, o homem é capaz de chegar ao
de Aquino conhecimento da verdade, porém nos mostra
que há verdades reveladas e verdades racionais.
As primeiras alcançadas mediante a fé, e as segundas a partir da razão
humana. Desta forma, ele chega ao entendimento de que apesar da sua
dependência de Deus, o homem gozaria de uma relativa autonomia e esta
se manifesta através do uso da razão. O ente e a essência é uma das suas
principais obras. Seu pensamento recebeu uma profunda influência da
filosofia aristotélica.

119
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1996.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da filosofia.


Trad. João Azenha Jr.. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

OSBORNE, Richard. Filosofia para principiantes. Trad. Adalgisa Campos


da Silva. Rio de Janeiro: Objetiva, 1992.

REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. vol. I e II. Trad. Marcelo


Perine. São Paulo: Edições Loyola, 1993.

RUSS, Jacqueline. Dicionário de filosofia. Trad. Alberto Alonso Muñoz.


São Paulo: Scipione, 1994.

TELES, Antônio Xavier. Introdução ao estudo da filosofia. São Paulo:


Ática, 1995.

Disponível na Internet:
www.mundodosfilosofos.com.br

Obs.: Todas as imagens exibidas nesta Unidade foram extraídas do site


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120
2
UNIDADE 2
ONTOLOGIA

2.1 INTRODUÇÃO

O pensamento grego é indiscutivelmente um marco fundamental


no modo como hoje concebemos o mundo, a vida e a nós mesmos. De
todos os pensadores gregos, Platão e Aristóteles são os que mais nos
influenciaram. A partir deles, temos as bases necessárias para a discussão
GLOSSÁRIO
B GC
A
Paidéia: processo de
formação do homem grego
equivalente ao que hoje
chamamos de pedagogia.
E
F

filosófica sobre a educação, ou seja, algumas questões pensadas por eles Ou seja, para que ensinar e
há muito tempo ainda servem para pensarmos o papel da educação e sua o que ensinar diante
relação com a sociedade como um todo. Pensemos, por exemplo, que: a daquilo que se pretende
educação visava à virtude e tinha uma relação direta com a política. alcançar? Qual é o melhor
caminho para chegarmos
Por que? Porque a virtude era considerada um modo de o homem ao conhecimento do
mostrar sua superioridade em todos os sentidos, inclusive na vida pública, mundo e ao conhecimento
nos negócios da cidade em prol da coletividade. A tentativa de qualificar o de nós mesmos, do nosso
homem pela virtude no universo grego tinha como meta a construção de ser. A primeira conquista da
humanidade ou da
homens capazes de viver numa sociedade boa e justa. Sabemos também
civilização ocidental,
que os gregos nos deixaram um modelo de ensino que ainda estimula as fundada na idéia de ensino
nossas discussões sobre ensino-aprendizagem e, de muitas formas, e aprendizagem de modo
influencia o nosso cotidiano. sistemático, vem da
A importância de Platão e Aristóteles não reside somente no que Filosofia inaugurada pelos
gregos. Esse novo modo de
p o d e m o s e n t e n d e r Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
entender o conhecimento,
como pioneirismo e como pressuposto para a
exclusividade na construção do ser, foi
abordagem do assunto, buscar na educação um
pois na cultura grega processo relacional de
construção da verdade, e
arcaica já havia indícios
não apenas execução da
de uma visão imposição da verdade que
educacional que nos consiste nos códigos
serviria como ponto de religiosos ou culturais,
Figura 9: Imagem da Acrópoles na Grécia como nas demais culturas
partida para a
existentes na época,
compreensão do problema do conhecimento e da ontologia. A proposta
anterior à Grécia, e até
dos filósofos gregos, que entendiam o saber como um cuidado da vida mesmo posterior à mesma.
interior, a disseminação do conceito de psyché e sua relação com o soma
(corpo), e o empreendimento pitagórico são alguns exemplos apenas. A
DICAS
Paidéia grega não representava apenas uma mudança na forma de
conceber a educação e produzir o conhecimento, mas significou toda a
perspectiva da concepção ocidental do que podemos nominar como sendo
o objetivo maior do ensino e da aprendizagem. O livro VII da República de
Platão retrata muito bem a
As questões colocadas até aqui servem para nos situar diante da relação da educação com
percepção e compreensão da verdade como fruto da relação do homem a virtude e a política. Leia o
com os outros, com a realidade e com o transcendente, na busca de livro VII e relacione os três
sentido para sua existência, tudo isso como uma conquista do pensamento temas: educação, virtude e
política.

122
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

B GC
GLOSSÁRIO E e da reflexão filosófica. O legado grego, portanto, é essa insistência que o
A F ser humano possui de construir-se como senhor de si, e não apenas dobrar-
se aos mecanismos de poder presentes no seu contexto.
Psyché: Alma, Mente.
Essa perspectiva de construção está vinculada ao dinamismo da
Pitagórico: Segundo o razão humana como uma projeção para fora de si, no sentido de
pitagorismo, a essência, o transcendência.
princípio essencial de que Que significa isso? Significa que um modo específico de
são compostas todas as
compreender a nós mesmos no mundo se dá pela compreensão do nosso
coisas, é o número, ou
seja, as relações s e r, d a n o s s a Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
matemáticas. Os essência, daquilo
pitagóricos, não que somos
distinguindo bem forma, lei verdadeiramente.
e matéria, substância das
O conhecimento
coisas, consideraram o
número como sendo a que trata do nosso
união de um e outro ser chama-se
elemento. Da racional ONTOLOGIA
concepção de que tudo é O termo
regulado segundo relações
ontologia é
numéricas, passa-se à visão
fantástica de que o número originário da Figura 10: A morte de Sócrates
seja a essência das coisas. filosofia grega.
Ontologia é um ramo da filosofia que lida com a nossa constituição mais
íntima, isto é, com o nosso ser. Esse termo foi introduzido por Aristóteles
para desenvolver um conhecimento, uma ciência do Ser, da Essência
B GC humana. Por isso, o termo significa: Ontós = Ser, e Logos =
GLOSSÁRIO E
Conhecimento: Conhecimento sobre o Ser. Antes de passarmos para esse
A F ramo do conhecimento que se chama Ontologia, trilharemos um caminho
Ontologia: Estudo do Ser.
pelo problema do conhecimento desde Platão. Lembre-se: o
Ramo da filosofia que
procura elaborar um conhecimento não está desvinculado da ontologia.
pensamento sobre o Ser,
sobre o que as coisas são
em sua essência e não 2.2 PLATÃO E O CONHECIMENTO
segundo sua aparência.

Platão, seguindo as trilhas de seu mestre (Sócrates), propõe nos


Diálogos, especialmente na República, que a verdade pode estar no
B GC enunciado, na linguagem, mais do que isso, é preciso muito diálogo para
GLOSSÁRIO E encontrá-la. Faz parte da visão platônica de verdade que devemos
A F desconfiar daquilo que aparece, ou mais ainda, o mais importante pode e
Inatismo: De Inato, próprio quase sempre está para além do que estamos vendo ou percebendo. O
ao homem, que já nasce conceito de EIDOS (idéia), chamado mais convencionalmente de ‘mundo
com ele
das idéias’, ou como no Diálogo Parmênides: Teoria das Formas, tem um
Plotino:
Santo Agostinho: propósito interessante. Afinal, a proposição na República de uma espécie
de teoria da iluminação, podendo ser entendida, inclusive, como inatismo,
vai alimentar todo o pensamento medieval e, de modo especial, Plotino,
Santo Agostinho e outros filósofos.

123
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

O conhecimento como relação com o código indica a submissão


do indivíduo à tirania, monarquia, mitologia, oligarquia e outras formas
PARA REFLETIR
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br que consideravam o conhecimento
como determinação do status quo.
Ou seja, os papéis sociais e Vá ao ambiente de
aprendizagem e deixe sua
religiosos estavam definidos,
opinião sobre a seguinte
conhecer significava submeter-se a questão: como a educação
isso. No caso de Platão, um legado pode levar os homens a
do mundo das idéias; no caso dos uma dimensão crítica em
pensadores medievais, é uma relação a si mesmos?
iluminação direta de Deus que dá a
garantia de que estamos intuindo a
verdade, ou mesmo dizendo-a. DICAS
A proposta educacional e
política de Platão não é absurda.
Figura 11: Robbia, Luca (1400-1482)
Aliás, ele apresenta de forma muito O filme O Nome da Rosa
evidente que há uma estreita e necessária relação entre Política, retrata muito bem a
Conhecimento e Educação. Quando sugere o sentido da Educação como relação entre o
conhecimento herdado dos
Paidéia (Educação integral – corpo e alma), como um meio de construção
gregos e o problema da
de uma república ideal, sedimentada no Bem, no Justo e no Belo, ele dá verdade religiosa. Assista
um caráter muito parecido com o que entendemos por educação hoje. ao filme e faça uma
Não são apenas informações ou dados; os conteúdos propostos relação entre
conhecimento e verdade
no senso platônico de Educação são pressupostos para a formação
revelada na idade média.
daquele cidadão que vai dar sentido e garantia para a cidade. Nela, a
justiça deve ser o princípio fundante. Embora legitimando a escravidão e
algumas injustiças de seu tempo, como a desvalorização das mulheres, dos
escravos e das crianças, Platão aponta uma perspectiva que ainda
alimenta a mística da educação como promoção e qualificação do ser. Ou
seja, uma coletividade justa e voltada para o bem nasce de um processo PARA REFLETIR
em que os indivíduos são educados para a construção da justiça, embora
ela nem sempre seja fácil de ser conceituada, fundamentada ou mesmo Como se trata de temas
justificada pela argumentação. Platão vê, na Justiça, o fundamento pelo muito atuais, tente definir o
qual o Bem pode se configurar. A verdade é que, como ele admite, se que é a Justiça, o que é o
Bem e o que é o Belo.
alguém puder demonstrar que é mentira o que dissemos, e estiver seguro
Lembre-se: não se trata de
de saber bem que a justiça é o maior dos bens, tem sempre uma larga uma mera opinião, mas de
compreensão, e não se encoleriza com as pessoas injustas, mas sabe que, uma definição rigorosa!
a menos que alguém, por instinto divino, tenha aversão à injustiça ou dela
se abstenha devido ao saber que alcançou, ninguém mais é justo
voluntariamente, mas que devido à covardia, à velhice ou a qualquer outra
B GC
GLOSSÁRIO E
fraqueza, censurará a injustiça, por estar incapacitado de a cometer.
Nessa combinação entre Bem e Justiça, mas sobretudo de uma
A F
Transcendente: Aquilo que vai
subjetividade que consiga projetar-se para a relação com a coletividade além da experiência, que
dentro e a partir daquilo que Platão chama de virtude, convém ressaltar ultrapassa os dados materiais,
que a Justiça em Platão é um misto de utopia e realidade. que diz respeito à essência das
coisas, ao fundamento e ao
E a utopia ainda está presente na nossa ânsia educativa. O ser das coisas.

124
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

B GC
GLOSSÁRIO E processo educativo não tem sentido se não tiver um aspecto consciente ou
A F inconsciente de projeção de sujeitos que, embora envolvidos e fixados
Utopia: Topos significa lugar; numa realidade racional, conceitualmente almejem uma realidade melhor
U é negação. Utopia é a no sentido ontológico e social. Podemos até não concordar com o
condição daquilo que ainda
propósito platônico, mas educar sempre vai significar uma transição, uma
não está realizado. Tem o
sentido de irrealizável, transcendência, uma auto-superação ou, pelo menos, a busca disso. A
impossível de se concretizar. utopia platônica entendida na Politéia como um conceito comum a todas
as formas de governo de seu tempo, pois examinando e avaliando os
B GC regimes e modelos circunvizinhos, mostra a necessidade de projetar para
GLOSSÁRIO E
fora da realidade um lugar que ainda não existia (república ideal), para
A F servir de arché (estrutura modelo) para todas as repúblicas, mas não se
Politéia: Conjunto de todas as
ações praticadas na polis pelos esqueceu de propor que essa finalidade só se efetivaria quando houvesse
indivíduos. um processo educativo que conduzisse para tal.

O curioso é que Platão não apresenta apenas o contentamento


PARA REFLETIR quando acontece a conceituação sobre o propósito da Justiça, mas,
fundamentando-se na busca de um Bem maior, tende a propor algo que
Em que medida é possível vai além do enunciado lingüístico.
haver justiça como um todo a Certamente que as repúblicas que se fundariam a partir do
partir da educação? Em que o horizonte utópico da república modelo se construiriam em perspectivas
pensamento educacional de
Platão pode ser útil para os diferentes, em que a justiça, o bem e o belo seriam os fios condutores da
nossos dias? Apesar de serem permanência desse estado perfeito de organização da Pólis, garantidos
contextos diferentes, reflita pela educação integral do ser humano. É, nesse sentido, que o
sobre a relação entre a
educação platônica e a pensamento educacional de Platão fixou-se nessa necessidade e
educação atual. possibilidade de qualificação do ser para a vida coletiva. Definitivamente,
não há senso coletivo sem o empreendimento educacional.

DICAS
2.3 ARISTÓTELES: CONHECIMENTO, EDUCAÇÃO E ONTOLOGIA

Veja os filmes ‘Posseidon’ e Já na Politéia, de Homero,


‘Odisséia’ em que são há uma proposta educacional
retratados os aspectos muito curiosa, pois os deuses têm
humanos das divindades
gregas. características humanas.
Não só for mas, mas
atitudes humanas como ciúme,
B GC
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

GLOSSÁRIO E raiva, amor etc. Isso já dá uma


A F perspectiva interessante, ou seja, se
investirmos na qualificação do
Delfos: Oráculo grego onde
nosso ser, através da educação,
os indivíduos iam consultar
os deuses sobre seu destino podemos alcançar um nível mais
e sobre as ações a serem elevado de nossa existência, muito
praticadas em benefício da embora não tenhamos o dom da
Figura 12: Aristóteles
cidade. imortalidade, podemos nos

125
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

assemelhar aos deuses na busca do conhecimento. Dito de outra forma,


podemos ser parecidos com os deuses pelo menos no aspecto do saber. PARA REFLETIR
Nesse sentido, a grandeza humana consiste no duplo movimento: não
aceitar mais a determinação do destino, mas também renegar que
Como você relaciona
precisamos ser igual aos deuses. O velho preceito de Delfos “conhece-te a política, discurso e ética? A
ti mesmo” significa que devemos investir mais no nosso aperfeiçoamento partir do seu contexto, da
do que ficar invejando os deuses ou investindo em alguma coisa referente sua realidade, faça uma
aos deuses. relação entre esses três
temas.
A proposta socrática de implantação da temática antropológica
supera a discussão do período arcaico em que o foco era a investigação
teológica e cosmológica. Embora na mitologia a função pedagógica do
próprio mito era chantagear e/ou seduzir as novas gerações para manter e
respeitar a tradição, ela carrega implicitamente uma proposta de reação
revolucionária às determinações impostas pela tradição cultural. Nesse
sentido é que nasce aquilo que chamamos de estética da existência. Cada
ser humano assume a sua autoconstrução como se fosse uma obra de arte.
Com isso, a educação vai perdendo herança divina para assumir um
caráter de finalidade humana. O conhecimento na ótica aristotélica
representa uma nova etapa. Nele encontramos um modo de pensar sobre
a prática. Uma teoria que nasce da contemplação, mas que é aplicação,
práxis. A proposta da virtude reiterada e que já vinha pautada nas
proposições platônicas e socráticas. Em Aristóteles, temos uma
compreensão dialética da educação e, ao mesmo tempo, uma espécie de
sistemática de tudo o que foi dito e entendido sobre o assunto na Grécia
Antiga e Clássica. Para ele, não há problema com a política (Platão) ou
com o discurso (Sócrates), desde que esses sejam acompanhados pela
ética.
Na Ética a Nicômaco fica bem evidente que o entendimento de
Aristóteles aponta para a necessidade de um investimento em sentimentos
e atitudes que sejam alternativos ao caráter tirânico. A inserção nas
discussões filosóficas de temas como a amizade, por exemplo, mostra a
efetiva preocupação com a questão política. Por que os tiranos e os
malfeitores não investem nesse tipo de virtude? Somente uma sociedade
livre e democrática é capaz de estimular a amizade e as relações que
tendem para a valorização da pessoa e o respeito por ela. Para o discípulo
de Platão, o conhecimento nasce da experiência dos sentidos. Ele funda,
com isso, o Realismo em contraposição ao Inatismo ou ao Idealismo de
Platão. Nele, a gestão do conhecimento é necessária porque incide na
questão do poder político. Há uma grande confiança no papel dos sentidos
captarem, através da Intuição, a essência das coisas. Essa compreensão
realista do conhecimento parece que resolve o problema da educação,
mas possivelmente aqui é que começam os empecilhos do ensinar e do
aprender. A busca da arte de interpretar nos remete ao sentido do educar,
como um exame mais suspensivo sobre a realidade, para podermos captar
a essência.
Ao remontar todo o edifício filosófico já apresentado por

126
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

Parmênides, Heráclito, Platão e


Sócrates, Aristóteles lança mão do
argumento de que o problema
filosófico da Pólis não está ancorado
na Linguagem, no plano das Idéias,
ou mesmo na questão do discurso
e/ou da política, ou mesmo no
problema do movimento ou não. Ele
apresenta algo diferente, que é a
necessidade de cada integrante da
coletividade ter um esforço ético.
Figura 13:
Cada um deve fazer sua parte a partir
do horizonte do exercício virtuoso da cidadania. E é nesse sentido que no
ocidente, pela primeira vez, falou-se em ética como Ciência. Dentro do
postulado aristotélico, para gerir uma instituição, família ou a si mesmo, é
preciso ter solidez de caráter e isso se consegue pelo conhecimento: o
orthós logos (bom uso da razão) e pela vivência da virtude do equilíbrio.
Esse caminho apontado por Aristóteles mostra que ele insistiu no fato de
que a educação, ou o processo do conhecimento leva o ser humano a
buscar o meio termo, a temperança, nem muita festa nem de menos.
Percorrido pelo bom uso do conhecimento, isso só acontece pela virtude
obtida pela educação das novas gerações, numa perspectiva de
construção interior da pessoa.

2.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos dois grandes filósofos clássicos, a compreensão do papel


filosófico da educação reside nessa tentativa de nos remetermos para fora
de nós mesmos, sem deixar de ser o que somos, mas justamente fazendo
desse movimento uma construção perene dos conceitos que orientam e
direcionam o nosso agir. Isso vai balizando um novo jeito de ser do humano
no mundo e vai recriando um ambiente em que o coletivo se efetiva pela
qualificação das pessoas. Esse salto só pode ser alcançado pela educação.
Nesse caso, o ensino não é meramente uma transmissão de conceitos ou
conteúdos, mas um treinamento ontológico, uma forma de lapidar os seres
para que possam conviver de forma mais harmônica na sociedade. A
metafísica grega, principalmente a proposta em Aristóteles, orienta os
nossos conceitos educacionais, como referência ou como paradoxo, e é
ainda questionada pelos mais diferentes autores de nosso tempo. Ela está
ligada de alguma forma à própria investigação de Parmênides sobre o ser e
a busca que sempre fazemos de algo que fundamente não só a educação,
mas toda a realidade: a essência. A questão do ser como arché (origem)
desencadeou e acelerou todo o processo filosófico no ocidente. Não
precisamos aceitá-la, mas tampouco conseguiremos negar que o saber

127
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

como ontologia, como construção do ser, tornou-se a marca registrada


daqueles que ainda se encontram nos diferentes níveis de ensino para
aprender e ensinar.
O conceito de ser como medida de todas as coisas, na
compreensão de Parmênides, suscitou todo o alavancar filosófico. Depois,
Heráclito, ao debruçar-se sobre isso, propondo o Devir como horizonte
primordial, suscita nos pensadores seguintes a tentativa de resolver os
problemas que ambos criaram. Essa necessidade de encontrar, definir a
verdade, dizê-la e comprová-la aos outros tornou-se o marco central da
filosofia grega, mas também é o ponto de partida de todas as ciências no
mundo. Ou seja, conhecer é um misto de contemplar, concluir e discorrer,
mas sempre num processo contínuo de construção, desconstrução e
reconstrução dos conceitos. Sócrates, quando remonta à maiêutica como
arte filosófica, não apenas cria um problema posterior, como encontra
sérias dificuldades em seu tempo para contrapor o propósito sofista da
verdade alcançada pela retórica, então sugere que a verdade está no
interior do homem. Quando lemos algo sobre Sócrates, ou mesmo nos
diálogos de Platão, sempre como o mais sábio dos sábios, podemos nos
encantar e nem perceber o problema maior que ele causou. Mas, sem
dúvida, o seu propósito é inovador. A verdade está no ser. A verdade está
em nós e não escondida nos deuses, no cosmos e no universo exterior. O
problema é muito simples: a verdade está dentro de nós? Nascemos com
ela? Se a resposta for positiva, então só cabe ao indivíduo buscar nele
mesmo a verdade.
Nesse caso, conhecer seria somente ensinar as novas gerações a
dar-se conta de que alguém a depositou lá dentro de nosso ser e nós só
precisamos buscá-la. Do contrário, se a adquirimos sozinhos, no contato
com a realidade, como se dá esse processo? Mesmo assim, alguém tem
que ensinar o caminho para chegarmos até lá, ou buscamos juntos na
realidade. Eis o grande paradoxo que ainda movimenta os eventos sobre
educação e que vai movimentar todo o pensamento ocidental por muito
tempo. Basta lembrarmos o que consta no artigo 35 da LDB, em seu inciso
III, quando alude sobre a necessidade da Filosofia hoje nas escolas: “o
aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a
formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do
pensamento crítico”, advém de certa forma do “domínio dos
conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da
Cidadania” (LDB, art. 36, inciso III). Respondendo a nossa pergunta
inicial: há o que ensinar em Filosofia? Sim. Ensinarmos o valor da
responsabilidade de cada um na construção do seu ser individual para que,
através disso, se alcance a capacidade de conviver em sociedade de forma
justa, pacífica e crítica.

128
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1996.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da filosofia.


Trad. João Azenha Jr.. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. Vol. I e II. Trad. Marcelo


Perine. São Paulo: Edições Loyola, 1993.

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129
3
UNIDADE 3
O RACIONALISMO MODERNO

3.1 INTRODUÇÃO

Nesta unidade, iremos discutir Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br


uma temática interessante e pertinente
para entendermos alguns conceitos
importantes acerca da Filosofia da
Educação e do pensamento na
modernidade. Faremos uma viagem
através do pensamento de Descartes,
Hume e Kant. Dividimos o curso, para
um melhor entendimento, em três
tópicos, e esperamos que vocês possam
aproveitar a discussão não só fazendo
as atividades, mas também
participando do programa de discussão Figura 14: O Geográfo
disponibilizado para todos. Sempre
depois de cada aula, vamos deixar uma questão para suscitar o debate no
fórum e para reflexão dos assuntos tratados. É importante salientar que a
participação no fórum é fundamental para que todos possam compartilhar
as idéias, pensamentos, etc. Estaremos aguardando vocês.

3.2 A PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO E O PROJETO


FILOSÓFICO DA MODERNIDADE. EMPIRISMO E RACIONALISMO
NA EPISTEMOLOGIA MODERNA. A CONSTRUÇÃO DO ILUMINISMO
CRITICISTA.

3.2.1 A Problemática do Conhecimento e o Projeto Filosófico da


Modernidade

Neste tópico, discutiremos algumas questões importantes acerca


da modernidade:
Caracterização da modernidade;
?
A ruptura científica;
?
O predomínio da razão.
?
Os objetivos deste tópico são:
Discutir pressupostos epistemológicos da racionalidade;
?
Proporcionar o entendimento da modernidade como período
?
de afirmação da razão.
Orientação: Faça a leitura do texto abaixo e em seguida resolva as
questões indicadas.
A modernidade é um momento que podemos conceituar, de

130
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

antemão, como o período da razão. Muito mais que uma simples


transformação, ela se instala como uma
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
grande ruptura científica: a
concretização da racionalidade onde o
homem utilizará métodos científicos
para conhecer o mundo e as coisas. Esse
período é denominado secularização,
isto é, conhecimento caracterizado
principalmente, pelos valores da ciência,
substituindo os valores sagrados que
foram anteriormente dados pela
religião. E tais valores científicos passam
a ser centrados na idéia de progresso, de
sociedade racional e técnica. Isso
significa que o mundo não estará mais Figura 15: Galileu
submetido às verdades da fé. A ciência,
agora, diagnostica os problemas do mundo e passa a buscar no próprio
mundo, e não mais na religião, como era na Idade Média, os caminhos
para a solução dos problemas. O homem da modernidade anseia por
significados que estavam protegidos pelo saber religioso.
A sociedade moderna passa a ser administrada pela razão – leia-
se ciência – e a função da razão é de proteger a sociedade de qualquer
meio ou artifício que venha pôr em risco o saber científico. A racionalização
B GC se estende em todas as situações, significando a destruição de tudo que
GLOSSÁRIO E impeça o homem de ver com clareza e nitidez os movimentos da história.
A F Isso significa que o pensamento do homem deve voltar-se para dar fim a
Razão: Faculdade ou poder todo olhar limitado e que não seja crítico, ou seja, toda a educação
de bem julgar e de discernir baseada em crenças e superstições, vinculadas a antigas formas de
o verdadeiro do falso. Para organizações sociais.
Descartes, isso é possível A razão moderna coloca o homem em um mundo agora aberto à
pela razão inata e natural a participação coletiva, rompendo definitivamente com as práticas sociais e
todos os homens. políticas que serviam simplesmente para deixá-lo no terreno da ignorância.
Traduz-se, então, a modernidade, como o acontecimento maior na
tentativa de se construir uma sociedade ideal, perfeita e alicerçada pela
ciência. Acreditar nessa positividade da razão é o mesmo que esperar
necessariamente por uma libertação do homem – da humanidade – livres
de todo perigo que possa servir de obstáculo e que venha escurecer o
caminho para o conhecimento.
A forma das pessoas viverem produzidas na modernidade tirou os
homens de todos os tipos tradicionais de ordem social, de uma maneira
que nunca houve: revolução geográfica, revolução econômica, revolução
política, revolução social. Um exemplo claro disso é a idéia de progresso da
humanidade. Libertado da força da religião que dominava o mundo, o
homem moderno é direcionado pelo surgimento de uma recente ordem
econômica – o capitalismo – e pela produção de novas e modificadas

131
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

instituições sociais. Mostrando-se com um enorme dinamismo, a


modernidade se consolida como o momento da inter-relação coletiva entre
as pessoas, forçando a elaboração de sistemas políticos baseados na
reformulação da idéia de Estado, na urbanização crescente para a
facilitação e expansão de uma rede de comércio cada vez mais forte e
organizada. Logo, a modernidade é marcada pela implementação de uma
sociedade mercantil, baseada no acúmulo e no lucro de mercadorias, que
reivindica novas exigências como a melhoria das forças de trabalho para o
desenvolvimento das atividades produtoras. Além do mais, e talvez seja um
dos aspectos mais relevantes e importantes: a modernidade se constitui
enquanto período de criação de Estados-nações, que se estruturam e
espalham uma técnica de governar a vida das pessoas. A reflexão de
Cambi nesse sentido é importante:

O mundo moderno é atravessado por uma profunda


ambigüidade: deixa-se guiar pela idéia de liberdade, mas
efetua também uma exata e constante ação de governo;
pretende libertar o homem, a sociedade e a cultura de
vínculos, ordens e limites, fazendo viver de maneira
completa esta liberdade, mas, ao mesmo tempo, tende a
moldar profundamente o indivíduo segundo modelos
sociais de comportamento, tornando-o produtivo e
integrado. Trata-se de uma antinomia, de uma oposição
fundamental que marca a história da modernidade, faz
dela um processo dramático e inconcluso, dilacerado e
dinâmico em seu próprio interior, e portanto problemático e
aberto (CAMBI, 1999, pp. 199-200).

O pensamento desenvolvido na modernidade surge em suas


bases conceituais na Renascença: de certa forma, ocorreu uma vitória da
crítica à religião, (domínio especial da Igreja Católica Apostólica Romana),
dos valores do mundo, do individualismo. Mas ainda não podemos
considerar o Renascimento como uma contraposição radical à Idade
Média. Fica claro somente que tal período foi importante na realização de
grandes mudanças na civilização, de ordem política, social e cultural. E tais
transformações influenciaram decisivamente os séculos seguintes, ou o
período denominado propriamente de modernidade.
Epistemologicamente (o mesmo que conhecimento científico), a
Renascença é marcada pela ausência de um espírito totalmente crítico e
purificado pela razão.

O renascimento é uma renascença do homem neste


mesmo sentido de renovação; esta renovação, porém, não
consiste já numa transcendência dos limites da natureza
humana, numa existência pura e exclusiva ligação com
Deus, mas sim numa verdadeira renovação do homem nos
seus poderes humanos, nas suas relações com os outros
homens, com o mundo e com Deus”. (ABBAGNANO,
1984, pp.15-16).

132
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

O período denominado de Renascimento estava ainda cheio de


superstições e crenças. Principalmente porque depois da crítica ao domínio
exclusivo da religião, o que se mostra é a ausência da crença que antes
vigorava, ficando apenas um certo deslumbramento em relação à
presença do homem e sua relação com a natureza. Mas, temos uma
grande dívida para com o Renascimento e o espírito aventureiro do homem
renascentista. Os Renascentistas acreditavam na idéia de que tudo é
possível. A curiosidade é aguçada e ilimitada, então ele parte para
B GC conhecer novos horizontes, o que ocasionou, como já sabemos, as grandes
GLOSSÁRIO E navegações e expedições. Esse reconhecimento tem de ser expressado.
A F Segundo Abbagnano, o Renascimento se mostrou como um período em
Conhecimento: Na que um novo tipo de homem e de sociedade se organizou, ressaltando que:
concepção empirista, todo
conhecimento provém da O renascer do homem, que é o anúncio e a esperança do
Renascimento, é o renascer do homem no mundo. A
experiência, bem como é a
relação com o mundo é reconhecida como parte
experiência que fornece o integrante, constitutiva do homem. A clareza que o homem
critério de verificação que alcança no Renascimento no que respeita à própria
confirma ou não a verdade natureza, é também ao mesmo tempo, clareza no que
respeita à solidariedade que o liga ao mundo: homem
da ciência.
compreende-se como parte do mundo, distingue-se dele
por reivindicar a originalidade própria, mas ao mesmo
tempo por reivindicar-se nele e reconhece-o como o seu
próprio domínio (ABBAGNANO, 1984, p.163).

Apesar das limitações renascentistas, a ciência moderna fundava


suas bases cada vez mais sólidas. Uma das mudanças proporcionadas pela
ciência moderna foi uma crítica muito grande à todo pensamento que
acreditava num mundo bem ordenado e calmo e na terra como o centro do
universo. A ciência moderna encontra as possibilidades de se pensar
diferentemente do que se pensava anteriormente, e acredita realmente na
condição de organizar um mundo verdadeiro, lançando mão, para isso, de
uma grande ruptura na ciência: a introdução da geometria pelo filósofo e
matemático Galileu Galilei. Isso significava que, para Galileu, os corpos
estão em constante movimento, independentemente da vontade dos
homens.
Antes de Galileu, as inovações na concepção de mundo já tinham
sido iniciadas por Giordano Bruno, Nicolau de Cusa e Copérnico. Esses
pensadores desarticularam a imagem de um mundo tradicionalmente
aceito. Com a ajuda da astronomia, começaram a “cair por terra” os
antigos pensamentos a respeito do universo que foram sustentados até o
século XIV. Mas, podemos dizer claramente que foi com Galileu que pela
primeira vez se racionalizou o cosmos, articulando-o pela linguagem
matemática. Isso significa que o universo pode ser pensado e calculado
pela matemática. E quando falamos em racionalização do cosmos, é no
sentido de sua completa desmistificação: fim de qualquer crença mágica

133
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

ou religiosa dominante na implementação das leis do universo – questão


que ainda era comum como característica do renascimento (período que
antecede a modernidade).
Galileu, pensador do final do século XVI e primeiras décadas do
século XVII, parte das bases mecanicistas para se pensar o mundo:
movimento, força, repouso. O mundo visto como uma grande máquina
que não necessitava de nenhuma lei ou determinação, tanto para mantê-
lo em movimento, quanto em repouso.
Não vamos aprofundar as questões da física de Galileu, não
sentimos necessidade disso. A referência é simplesmente para mostrar a
importância na História de seu pensamento e sua contribuição para a
modernidade a partir do século XVII. A tese de Galileu foi de extrema
importância, apesar das sanções da Igreja Católica. Em junho de 1633,
Galileu Galilei, com setenta anos, foi obrigado a ajoelhar-se ante o Tribunal
Inquisitorial, em Roma, e negar e abandonar as suas teses que
futuramente tornaram possíveis a física moderna. O homem da razão,
segundo Galileu, passou a ocupar um novo espaço no mundo: o daquele
que se torna responsável pela produção do conhecimento. Cabe ao
homem desvendar as leis que regem o cosmos, os mistérios que fazem
funcionar essa “grande máquina” que denominamos de universo. O
homem então, tem que decidir a cada instante o que vai fazer, o que vai ser
nos momentos seguintes. Partindo de suas convicções, Galileu mostra que
é possível conhecermos o mundo através da matemática. A experiência e a
interpretação são o caminho para essa tarefa. Não basta simplesmente ao
homem observar e admirar o movimento dos corpos, é preciso que ele
saiba colocar as questões certas para encontrar as verdades que tanto
procura.
Segundo o pensamento de Galileu, o universo não é mais um
espaço fechado, organizado hierarquicamente e nem cheio de poderes
mítico-religiosos. O universo agora é um espaço infinito, contínuo, físico e
matematicamente calculado. Sendo assim, o conhecimento científico só
pode ser proporcionado pelo saber racional. Dessa forma, o homem se
separa da natureza, e toda relação homem / mundo é estabelecida através
da razão. As certezas e coerências da fé religiosa não respondem mais às
interrogações, cabendo ao homem intervir sobre o mundo, explorando-o e
construindo um novo edifício científico.
Torna-se importante, não deixarmos escapar que a ruptura com a
idade média deixa ao homem a possibilidade de planejar seu próprio
destino, isto é, a sua historicidade. Desvinculando-se das verdades
religiosas, o homem passa a considerar a sua diferença, a sua localização
na sociedade e seu individualismo. Seguindo as pistas do humanismo
renascentista, a modernidade, a partir do século XVII, começa a trilhar
verdadeiramente os caminhos da liberdade, e isto significa uma nova
postura da figura-homem.

134
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Quando se diz que o humanismo renascentista descobriu


ou redescobriu o “valor do homem”, quer-se com isso dizer
que reconheceu o valor do homem como ser terreno ou
mundano, inserido no mundo da natureza e da história,
capaz de forjar o próprio destino. O homem a quem se
reconhece um tal valor é um ser racional e finito, cuja
integração na natureza e na sociedade não constitui exílio,
mas antes um instrumento de liberdade e que por essa
razão pode obter na natureza e entre os homens a sua
formação e a sua felicidade (ABBAGNANO, 1984 , p. 12).

Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
Com a instauração da
racionalidade crítico-científica, o homem
olha para o mundo e enxerga nele as
condições para se chegar `a felicidade e à
B GC verdade. A liberdade proporcionada pela
GLOSSÁRIO E razão – espírito aberto a curiosidade
A F científica – faz da experiência humana,
enquanto mergulho na natureza e na
Idéia: Para os empiristas, história, valores imprescindíveis que
as idéias originam sempre ocasionarão em novas vivências no campo
da percepção. Idéias são da arte, da economia, da política, da
objetos mentais, resultado Figura 16: Descartes
geografia e da filosofia. Desde Galileu e sua
de um processo de idéia de ciência, o homem passa a ocupar um papel de destaque.
abstração, que representa
objetos externos percebidos
3.2.2 O Racionalismo: René Descartes e o Problema da Subjetividade
pelos sentidos.

Neste texto discutiremos:


A importância de Descartes na história do pensamento;
?
A descoberta do “cogito” ou da idéia de “consciência” em
?
Descartes;
Descartes e a edificação de uma subjetividade moderna.
?

A presença de Descartes no cenário moderno vai marcar


decididamente toda a história do pensamento filosófico. Ele vai servir de
marco para delimitar a modernidade: o surgimento do subjetivismo como
apelo ao homem criador, dominador e conquistador da natureza – o
homem pensante.
Diferentemente de Galileu que via a verdade como instalada no
mundo, Descartes afirma um certo “reposicionamento” do homem,
explicando melhor a constituição de uma racionalidade moderna. A
importância de Galileu é indiscutível, pois pensou um novo tipo de
homem, que se tornara livre para conhecer a realidade que o cercava. Mas
o pensamento de Galileu limitava o homem a mero espectador, não
determinante do conhecimento sobre a natureza, cabendo a ele

135
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

simplesmente a tarefa de reconhecimento das leis matemáticas e


mecânicas do universo.
Podemos dizer que Descartes, comumente chamado de principal
pensador da racionalidade moderna, iniciou seu projeto perguntando
sobre: como é possível conhecer a realidade? E a sua resposta é clara: só
podemos conhecer a realidade pela razão. A isso chamamos de
RACIONALISMO. E juntamente a esta questão, a problematização da
verdade não mais como dada pelo mundo externo, físico, natural (como
em Galileu), mas sim como uma qualidade própria do homem como ser
pensante, ou seja, a partir de Descartes, a verdade é representada
subjetivamente, isto é, na consciência do homem e não no mundo.
O pensamento moderno é caracterizado por uma discussão em
torno da subjetividade, isto é, tudo aquilo que se articula como
pensamento ou com a noção de consciência de si. E o pensar ou
consciência de si mesmo, segundo Descartes, é condição para que exista o
sujeito – res cogito (que significa consciência pensante). Em Descartes, a
idéia de sujeito é o mesmo que: substância pensante, descobrindo com isso B GC
a posição do cogito (do pensamento), definindo-o como substância do GLOSSÁRIO E
sujeito, (leia-se metafísica da subjetividade). A F
Para podermos pensar o sujeito em Descartes, é necessário antes
de tudo, que saibamos a metodologia usada por ele para se chegar à Método: Modo de
iluminação do cogito (do pensamento). Descartes, em seu trabalho conhecimento graças ao
filosófico, consolida de maneira diferenciada o que já vinha desenhando- qual o homem pode atingir
se desde o século XVI: a valorização positiva do indivíduo e de sua diretamente seu objeto. O
subjetividade como espelho do governo da razão. Para Descartes, a método pode ser racional
verdade está no interior do próprio sujeito: a certeza da consciência de si. ou experimental.
Eu penso, logo existo, ou seja, o pensamento como condição para a
existência. Não vamos fazer neste trabalho uma reprodução sistematizada
da trajetória cartesiana. O mais importante é deixarmos claro que foi com
Descartes que pela primeira vez se pensou o fundamento “do que é o
homem” a partir da presença do cogito.
Fica claro que, para Galileu, o conhecimento (enquanto leis que
fazem funcionar a natureza e/ou o cosmos ou universo) existe e independe
do homem. Mas, para Descartes, o primeiro passo para o conhecimento é
o surgimento de um sujeito pensante, de um sujeito que se separa do
mundo, se reconhecendo e se bastando a si mesmo. Na verdade, em
Descartes, o mundo torna-se dependente do sujeito que conhece.
A partir de Descartes, o conhecimento não está mais gravado no
mundo, mas seu lugar é na consciência do sujeito pensante enquanto
representação e/ou adequação entre a “coisa” (o mundo) e o pensamento
(o cogito). É a consciência que demarca e dá validade para o que é
conhecido. O cogito, segundo Descartes, cobre toda a realidade de uma
experiência, sendo resultado de um processo que coloca em cena uma
questão: a verdade como um projeto de fundação da consciência. A
proposição: Eu penso, logo existo põe o pensar como aspecto essencial do

136
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

sujeito. E isso em Descartes acaba por transformar a filosofia posterior a ele


em exercício obrigatório, de se concordar ou discordar de suas idéias. A
existência do mundo é devedora da realidade do pensamento.
O sujeito em Descartes alcança a posição daquele que vai produzir
uma verdade sobre o mundo, e que esta verdade atingirá o caráter de
evidência, clareza distinta do mundo das coisas porque é o resultado de um
rigor metodológico nunca visto. Isso significa que para chegar ao
conhecimento das coisas é preciso conhecer e avaliar as causas, a
falsidade e a verdade de cada saber para abandonar qualquer
possibilidade de engano ou de erro. Deve-se afastar de tudo que é duvidoso
no pensamento. É necessário oferecer ao método científico um conjunto
de regras que conduzirá a ciência em direção à verdade. Para isso,
segundo Descartes, precisamos nos afastar do conhecimento sensível, isto
é, todo conhecimento proporcionado pelas sensações não nos serve de
fundamento para o conhecimento. O único conhecimento possível deve
ser aquele dado pelo intelecto, pela razão, por meio de regras, método e
investigação.
A necessidade de estabelecer um método que tenha como
resultado final a clareza dos princípios absolutos, exige de Descartes uma
filosofia primeira, que ilumine as regras para a direção do espírito, isto é, de
princípios que signifiquem a constatação da presença eficiente do cogito
(do pensamento) no mundo e que só através do sujeito pensante é que o
mundo pode ser tratado como certeza científica.
Descartes, ao afirmar a necessidade e a importância primordial do
cogito – do puro pensamento – rejeita a condição dos sentidos como fontes
claras do conhecimento. O mundo, que em Galileu era portador de uma
verdade própria, passará a ser, em Descartes, nada mais que um imenso
campo ou espaço de onde provêm os enganos, as ilusões e as mentiras. Do
mundo sensível (tudo que é material, concreto, que eu posso conhecer
pelas sensações) nada se pode esperar e concluir, a não ser que ele é falso e
motivo de erros de percepção. Dessa forma, Descartes separa o sujeito
pensante ou como consciência de um mundo carregado de
particularidades e sombras, e que nunca tem em si mesmo, as condições
verdadeiras de se conhecer. Muito pelo contrário, estas condições estão,
verdadeiramente, na essência do sujeito, em sua consciência, possuidora
de uma verdade sobre o mundo. Sendo assim, Descartes surge na
modernidade como o filósofo criador do sujeito individual, totalmente
separado da res extensa (significa o mundo, as coisas). O sujeito em
Descartes é visto como consciência, mas não uma simples consciência de
vontades e imaginação, mas como força do cogito que encontra sua
verdade a partir do processo da dúvida: jamais admitir coisa alguma como
verdadeira se não tenho certeza sobre ela, ou seja, se não consigo torná-la
evidente. A evidência é o remédio contra a dúvida. Importante também
como método é ordenar meus pensamentos, dos objetos mais simples aos
mais complexos e, posteriormente, realizar as enumerações necessárias e

137
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

mais exatas possíveis. Só assim seria possível alcançar a verdade das


coisas, do mundo.
A substancialização do sujeito, em Descartes, alcança
proposições que vão percorrer toda a história do pensamento,
principalmente no que trata à redução do corpo como simplesmente uma
extensão física e que em nada vai contribuir positivamente na busca da
verdade. O Sujeito em Descartes se fecha num tipo de circularidade que
vai da consciência do existir a uma existência garantida por uma
consciência, cuja única natureza, verdade primeira e indubitável, é o
pensamento, e este é inato. Segundo Chauí:

Idéias inatas são aquelas que não poderiam vir de nossa


experiência sensorial porque não há objetos sensoriais ou
sensíveis para elas, nem poderiam vir de nossa fantasia,
pois não tivemos experiência sensorial para compô-las a
partir de nossa memória. As idéias inatas são inteiramente
racionais e só podem existir porque já nascemos com elas.
(CHAUI, 1995, p. 71).

A garantia da existência das coisas, do mundo, nos é dada pela


substância pensante que se reconhece através dos seus modos e de suas
ações como sendo a afirmação do próprio pensar, ou seja, os modos de
vida do indivíduo ou a sua ética, é a correspondência direta e imediata da
força de sua razão, expressando, com isso, o itinerário da construção da
subjetividade – se o sujeito existe, é porque ele se constitui enquanto res
cogito ou como alguém que pensa.
No caminho da construção da subjetividade, Descartes parte para
um tipo de radicalização do “eu”, através de um distanciamento do
mundo. Esse distanciamento é marcado principalmente pelo princípio da
dúvida metódica, que propicia a Descartes a oportunidade de vivenciar
uma experiência de crítica a todo e qualquer tipo de conhecimento
adquirido. Fundando o princípio da dúvida metódica, Descartes dá ao
homem a qualidade de “ser que duvida”, colocando-o numa posição
central: de negação à afirmação da existência, tanto sua, como do resto
das demais coisas. Em Descartes, o fato de duvidar é condição para o
pensamento e o pensamento é também, segundo uma mesma ordem,
condição para a existência, notoriamente inscrita na frase que afirma:
Penso, logo existo.
Segundo Descartes, a subjetividade é constituída justamente em
sua autonomia para com o mundo pelo processo de afirmação da
consciência, do pensamento. A ambição cartesiana que surge é a sua
pretensão em solidificar metodologicamente o caminho que conduzirá à
evidência da verdade por regras claras e distintas. Uma verdade sobre o
mundo das coisas e sobre o homem principalmente, livre dos enganos.
A questão mais imediata é visualizar que o sujeito em Descartes é
portador de uma verdade universal (penso, logo existo), já que ele possui

138
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

B GC um método que lhe dá clareza, segurança e objetividade rumo ao


GLOSSÁRIO E conhecimento (análise, síntese e enumeração). Pelas mãos de Descartes, a
A F modernidade se consolida, acentuando suas bases no poder da razão,
Crítica: Atitude ou caracterizando o sujeito moderno cartesiano (referente a Descartes =
capacidade de distinguir cartesiano), fundador do conhecimento, já que a verdade se encontra no
entre o verdadeiro e o interior de si mesmo enquanto certeza da consciência de si (eu me conheço
falso. enquanto alguém que pensa). É o ponto importante na modernidade,
onde o homem se separa radicalmente do mundo, se recolhendo e se
bastando.
Descartes abre na modernidade o instante pelo qual insurge uma
nova noção de sujeito. A dúvida, trazendo consigo a verdade do pensar,
acaba comprovando a idéia cartesiana de consciência como modo pelo
B GC qual se chegará à verdade. Com isso, o pensamento cartesiano estabelece
GLOSSÁRIO E a verdade do sujeito enquanto consciência pensante. Nesse momento,
A F Descartes deixa clara sua pretensão em apontar o sujeito, tratando-o a
Dúvida metódica:
partir da noção de subjetividade. Quando considera o sujeito enquanto
Denominação dada ao
substância pensante, Descartes afirma que os sentidos se tornam um
método filosófico de
obstáculo e um limite à certeza garantida pela ciência. A construção da
Descartes. A dúvida
dúvida metódica vem justificar tal postura, já que não se deve confiar
metódica tem por objetivo
naquilo que é dado de forma mediata pela sensação. A percepção não nos
fundar a certeza de modo
dá segurança, e nos tornamos vítimas das ilusões provenientes do mundo
inquebrantável, rejeitando
ou das nossas fantasias fruto da imaginação. Esse tipo de questão para a
sistematicamente tudo
modernidade, até então, nunca tinha sido feita. O homem cartesiano
aquilo que não é certo.
coloca sob suspeita tudo aquilo que lhe foi dado como certo e indubitável.
Assim, “duvido, logo existo”
Descartes afirma a superioridade do intelecto sobre o sensível,
é a mesma coisa que
partindo para um novo fazer científico, iniciando com um entendimento do
“penso, logo existo”.
próprio homem, que ainda se encontrava desconhecido. Descartes
descobre o homem como portador de uma consciência, e essa forma de
ver o homem desvinculado da natureza torna-se essencial para que o
mesmo possa pensar sobre a natureza.
O sujeito pensante é, então, um sujeito individual. E o que isso
significa? Que o sujeito visto como essência universal, unitária e pensante,
descolada do mundo sensível, nada mais é que algo vago e confuso. É um
sujeito que se caracteriza simplesmente por ter de forma inata o puro
pensar. O pensamento cartesiano nos remete e nos faz admitir um
dualismo, um momento de divisão de dois mundos: de um lado, o mundo
dos corpos sensíveis e extensos, que possuem grandeza espacial e que
podem se tornar conhecido através da matemática pura (da ciência); do
outro lado, o mundo racional, cuja essência é o próprio pensar. O mundo
físico e extenso, visto pelo dualismo cartesiano, se transforma em uma
grande máquina entendida, unicamente, pelas leis matemáticas
atribuídas ao pensamento como possuidor de idéias claras e distintas.
Jamais a verdade sobre o mundo das coisas poderá ser dada pela
percepção como fonte de verdade, já que as impressões (a sensação)
recaem constantemente no erro e na falsidade.

139
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

Contrariamente a essa idéia, o conhecimento racional marcado


por possuir como instrumento metodológico as qualidades imutáveis da
geometria analítica se qualifica como possibilidade de aplicação dos
conceitos matemáticos no mundo material, isto é, no mundo físico.
Descartes avança seu pensamento obstinadamente, na tentativa de
distinguir os objetos materiais e se os mesmos podem ser compreendidos.
Realiza uma profunda reflexão sobre os atos do imaginar, cuja existência é
possível graças ao papel das impressões (das sensações, ou seja, eu só
imagino porque posso sentir o mundo), que não se mostram como meio
confiável para se chegar à verdade, já que ela se manifesta como diferente
da natureza do pensar, concordando com processos cuja elaboração volta-
se completamente para espelhar as sensações do mundo físico que são
apreendidas pelos sentidos. Não se pode ter no cogito (no pensamento)
algo que me aparece como falso e ilusório, como os processos que
consolidam os atos do imaginar, que acabam se transformando num tipo
de verdade apropriada particularmente – subjetivismo – e que se define
como efeito do mundo corporal, subordinando o homem ao mundo das
sensações.
Em nenhum momento, Descartes nega a ocorrência no homem
de sensações, mas essas são independentes de uma relação com a
consciência ou substância pensante. As operações corpóreas são
simplesmente disposições dos órgãos dos sentidos, e não se pode concluir
que elas não sejam reais. As operações sensitivas ocorrem para o bom
funcionamento da máquina corporal, o que não significa que elas sejam
respectivamente da ordem do poder da razão, do cogito. O mais
importante em Descartes é mostrar como se dá o distanciamento na
constituição da subjetividade (do pensamento, da consciência) entre o
pensar e a realidade corpórea. Nesse caso, o homem é então
compreendido como sujeito-essência.
Entender a noção de homem em Descartes é o primeiro passo
estratégico para se compreender o período inaugurado como
modernidade, correspondendo esse momento ou acontecimento que se ATIVIDADES
apresenta historicamente ao princípio de uma nova filosofia, entendida
como compreensão do homem-sujeito: possuidor de um cogito em si
Após a leitura enumere os
mesmo, reafirmando uma nova abordagem antropológica que
pontos importantes e
possibilitará posteriormente novas problematizações e críticas. Descartes
relevantes.
funda o homem a partir do sujeito pensante, que duvida de tudo que lhe é
dado como certeza, para metodicamente construir um mundo de verdades
claras e indubitáveis. A subjetividade em Descartes alcança um status, um
grau de autonomia e liberdade para com a realidade exterior tornando-se,
então, o modo privilegiado para pensar o sujeito e também o mundo.

3.2.3 O Empirismo: o Conhecimento pela Experiência

Neste tópico, discutiremos algumas questões importantes acerca

140
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

do pensamento de David Hume e o empirismo:


O conceito de empirismo;
?
A crítica ao racionalismo;
?
Os objetivos deste tópico são:
?
Discutir alguns pressupostos epistemológicos do empirismo;
?
? Proporcionar o entendimento da modernidade como período
de afirmação não só do racionalismo, mas também do empirismo.
Orientação: Faca a leitura do texto abaixo e em seguida resolva as
questões.
O ponto de partida da reflexão
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
humeana está em considerar que todo
conhecimento que se refere ao mundo
começaria com a experiência, fundando-
se na percepção. Contudo, o autor
considera a percepção de duas maneiras:
impressões e idéias. As impressões seriam
as percepções mais vivas sentidas pelo
sujeito, como as sensações que se tem das
cores, dos sons, de uma paisagem, de uma
dor, de estados de tristeza e de alegria. As
idéias, de modo diferente, seriam cópias Figura 17: David Hume
das impressões, imagens mais pálidas que
resultariam da forma como o sujeito refletiria sobre as impressões ao usar a
memória ou a imaginação. Uma criança, ao colocar o dedo numa tomada,
poderia ser vítima de uma descarga elétrica capaz de produzir-lhe uma
impressão, porém; todas as vezes que lembrar ou imaginar essa
experiência, ela tomará contato com uma idéia, com uma cópia
modificada dessa mesma vivência. Assim, se as idéias seriam aquilo que
expressaria um pensamento, então seria impossível existir pensamento ou
idéia que não tivesse por origem uma ou mais impressões. Levando em
consideração esse tipo de raciocínio, os cegos ou surdos de nascença
jamais seriam capazes de desfrutar de uma idéia, pois alguém que tivesse o
seu aparelho perceptivo danificado seria incapaz de conhecer alguma
coisa.

A percepção dividi-se em impressões e idéias. As


impressões são nossas percepções mais vivas, [...] são as
nossas sensações quando experimentamos algo. As idéias
são os nossos pensamentos e, para Hume, não é, portanto,
possível supor pensamentos ou idéias cuja origem não
esteja numa ou num conjunto de impressões. (ANDERY, p.
312.)

Embora tais dados sejam fundamentais para se compreender


como Hume entende a estrutura mental de um sujeito, a situação que se

141
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

coloca agora seria descobrir como o autor apresenta a produção do


conhecimento a partir das impressões e das idéias. O primeiro passo dado
pelo filósofo seria dividir o conhecimento em dois tipos de raciocínios: os
raciocínios demonstrativos, que se referem às relações de idéias; e os
raciocínios morais, que se referem às questões de fato e de existência. O
que seriam os raciocínios demonstrativos? Por que esse tipo de raciocínio se
referiria às relações de idéias? O exemplo que o pensador apresenta seria
bastante simples. Que três vezes cinco seria a metade de trinta expressaria
a relação existente entre as idéias desses números. Que um triângulo seja
uma figura de três lados expressaria a relação existente entre as idéias de
linhas. Em poucas palavras, esse tipo de conhecimento se limitaria às
operações lógicas do pensamento e não dependeriam, absolutamente, de
que tais objetos existissem em parte alguma do universo. Esse modelo de
conhecimento seria produzido pela geometria, aritmética e álgebra. Isso
significa que ainda que não existam na natureza triângulos, círculos,
quadrados, ou mesmo que a natureza não dependa de qualquer tipo de
cálculo para dar os seus passos, as verdades produzidas pela matemática
conservarão sempre a certeza obtida pelos seus raciocínios.

Há, para Hume, dois tipos possíveis de conhecimento. De


um lado, o conhecimento obtido pela aplicação do
raciocínio, pela construção de relações lógicas; o
conhecimento das matemáticas, geometria e da própria
lógica. [...] De outro lado, há o conhecimento que diz
respeito a questões de fato, que busca expressar conexões e
relações que descrevem ou explicam fenômenos concretos.
(ANDERY, pp. 315-316)

O que seriam os raciocínios morais? Por que esse tipo de raciocínio


se referiria às questões de fato e de existência? Aqui a resposta será um
pouco mais complexa que a apresentada acerca dos raciocínios
demonstrativos. Isso porque o conhecimento que se refere às questões de
fato lidariam com as conexões e relações capazes de descrever os
fenômenos naturais. Assim, a experiência passará a exercer uma função
especial, por se preocupar com os acontecimentos do mundo, o que faz
com que a verdade de uma afirmação não possa ser demonstrada, pois
todo o conhecimento conquistado dependerá da relação existente entre
aquilo que se passa na mente humana e aquilo que se coloca junto à
experiência. De qualquer forma, Hume considera esse modelo de
conhecimento muito mais importante, uma vez que seria o conhecimento
empírico que melhor poderia explicar ou traduzir as leis que fariam parte da
natureza. O problema seria saber como idéias individuais, produto de
experiências particulares, poderiam ser transformadas em leis gerais.
Embora possa parecer surpreendente, o autor acredita que as leis, as
regularidades descobertas junto à natureza, não passariam de regras
naturais da imaginação humana. O pensador chama tais regras de

142
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

B GC associação de idéias, onde as idéias seriam associadas por contigüidade,


GLOSSÁRIO E semelhança e causalidade, transformando a relação de causalidade como
A F o principal elemento de todo conhecimento que se refere às questões de
Fenômeno: Objeto do fato.
conhecimento sensível. O
modo como a realidade Para Hume, as afirmações gerais, as leis, as regularidades
nos aparece e é conhecida. que supomos descobrir com o conhecimento que
reproduzimos sobre o mundo derivam de regras naturais
que operam na imaginação dos homens. (ANDERY, p.
316)

Para o filósofo escocês, a relação de causa e efeito seria a única


maneira de se produzir conhecimento sobre as questões de fatos, não
existindo outra forma de se tomar contato com essa relação que não seja
tornando a experiência como critério de conhecimento. É que o
conhecimento sobre os acontecimentos abriria uma possibilidade para que
o homem pudesse confiar na previsão dos eventos no mundo, dependeria
da crença de que a experiência passada se tornasse o padrão de juízos
futuros. Isso quer dizer que para haver conhecimento sobre as coisas, a
natureza humana deverá criar uma expectativa de que aquilo que ocorrerá
no futuro repetirá aquilo que se deu no passado, de tal modo que a
natureza possa apresentar sempre um mesmo padrão para o surgimento
dos acontecimentos. Em poucas palavras, se todas as afirmações sobre a
existência devem se basear na relação de causa e efeito, se o
conhecimento dessa relação deriva da experiência, então toda conclusão
sobre a natureza deve supor que o futuro estará de acordo com o passado.
Percebe-se que os raciocínios demonstrativos diferem dos raciocínios
morais, indicando que o conhecimento sobre os fatos nunca conseguirá
demonstrar matematicamente seja o que for sobre o mundo. Porém, ainda
que o homem seja impedido de demonstrar a verdade de suas afirmações
sobre a experiência, seria o conhecimento empírico que possibilitaria a
confiança objetiva acerca das coisas, construindo uma abertura para que a
natureza humana possa explicar e transformar os fenômenos naturais. Se
não seria a razão, num modelo lógico-matemático, aquilo que permitiria
ao homem conquistar a confiança objetiva diante dos acontecimentos, o
que seria então? A resposta humeana é, novamente, surpreendente, pois
seria o hábito e não a razão que possibilitaria ao homem adquirir toda essa
confiança.
É essa relação, a de causalidade, que é o traço
fundamental, a primeira característica de todo
conhecimento sobre questões de fato. (...) Para Hume, não
há como estabelecer tais relações causais e, portanto, não
há como construir conhecimento sobre questões de fato, a
não ser a partir da experiência, que se torna, assim, a
segunda característica desse tipo de conhecimento. (...)
Para Hume, o conhecimento relativo a questões de fato
também está na dependência de se confiar na experiência

143
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

passada e fazer dela o padrão de nossos juízos futuros. B GC


(ANDERY, pp. 317-318) GLOSSÁRIO E
A F
Enganar-se-ia quem achasse que o problema encontraria seu final
Experiência: O termo
com o conceito de hábito. Embora esse tema seja indispensável para se
“empirismo” se traduz por
entender como seria possível o conhecimento sobre as questões de fato,
experiência e significa,
Hume aponta ainda um outro conceito que complementa toda a sua
literalmente, contato com
reflexão: a crença. A crença possui um papel especial dentro do edifício
algo. A experiência seria
apresentado pelo pensador escocês, pois é a crença que possibilita ao
assim, uma apreensão da
sujeito fortalecer as conexões derivadas do hábito, permitindo-lhe
realidade externa através
diferenciar as ficções produzidas pela imaginação do conhecimento, dos
dos sentidos que forma a
fatos. Se as idéias não passam de cópias das impressões, tendo a
base necessária de todo
imaginação o poder de separar ou unir as idéias à vontade, então nada
conhecimento.
impediria que a imaginação preenchesse a mente humana de seres
fictícios. Como reprodutora da percepção humana, a imaginação poderia
juntar de uma nova maneira imagens de coisas percebidas: um cavalo
alado, por exemplo, seria a junção da imagem de um cavalo percebido
com a imagem de asas percebidas; uma sereia, a junção de uma imagem
de mulher percebida com a imagem de um peixe percebido; uma
montanha de ouro, a junção de uma imagem de uma montanha percebida
com a imagem de uma pedra de ouro percebida. Entretanto, como a
crença estaria ligada ao hábito, à relação de causa e efeito e às
observações da experiência, sendo a crença uma maneira de conceber
objetos de modo mais firme, a mente humana seria forçada a não
acreditar em cavalos alados, sereias, montanhas de ouro, uma vez que
seria impossível encontrar na experiência a existência de tais objetos. Por
outro lado, seria a crença que ajudaria o homem a tentar antecipar a
ocorrência de um evento no futuro ligando-o ao número de ocorrência
mais freqüentes no passado. Assim, será o número de ocorrência no
passado que fortalecerá a crença de que esse evento poderá se repetir no
futuro. Um time de futebol que venceu oito partidas e perdeu duas
fortalece a crença humana de que será mais provável que venha vencer e
não perder a próxima partida.
A concepção de hábito como um princípio que leva ao
conhecimento de questões de fato conduz a um outro
conceito de Hume: o conceito de crença. A crença fortalece
as conexões que foram derivadas do hábito e permite ao
homem optar por determinadas conexões causais e por
determinadas expectativas quando, diante de um fato, lhe
permite diferenciar aquilo que é considerado uma ficção da
imaginação daquilo que é conhecimento de fato. [...] Para
Hume, a crença está associada à noção de probabilidade.
A ocorrência mais provável de um evento no futuro está
associada à sua ocorrência mais freqüente no passado.
Essa ocorrência passada fortalece a crença na ocorrência
futura do evento, dado que a ele se associa uma maior
probabilidade de que venha a acontecer. (ANDERY, pp.
319 e 320)

144
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Como se pode notar, Hume acredita que o problema do


B GC conhecimento teria por fundamento princípios que fariam parte da mente:
GLOSSÁRIO E
impressões, idéias, imaginação, hábito e crença. Ao se perguntar como
A F seria possível ao homem conhecer algo, o filósofo mostra que o sujeito
Causalidade: Para Hume,
associaria impressões, idéias, recebidas pelos órgãos dos sentidos e retidas
causalidade reflete nossa
na memória. Ao indicar que a relação causal é o que possibilitaria o
forma habitual de perceber
conhecimento sobre a existência de fatos no mundo, o autor afirma que a
as relações entre
relação causal não passa de um simples hábito que a mente do homem
fenômenos. Causalidade
conquistaria ao estabelecer relações de causa e efeito entre percepções e
não expressa assim uma lei
impressões sucessivas. Seria a repetição constante e regular de impressões
natural, de caráter
sucessivas que leva a natureza humana à crença de que existe uma
necessário, mas uma
causalidade real que faria parte das próprias coisas, quando na verdade
projeção sobre a natureza
tudo isso estaria presente na mente do sujeito. Assim, a produção de
de nossa forma de
conhecimento dependeria não apenas da experiência, mas de princípios
perceber o real.
psicológicos da natureza humana. Embora tais idéias tenham trazido
muita polêmica para a história do pensamento, não deixaram de se colocar
como uma marca capaz de reconhecer o pensador escocês como um dos
mais importantes da era moderna.
ATIVIDADES
3.2.4 Kant e o Iluminismo Criticista
Como o autor descreve a
mente humana? Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
Neste tópico, discutiremos
algumas questões importantes acerca do
pensamento de Immanuel Kant:
O problema da intuição;
?
? O problema da faculdade da
sensibilidade, do entendimento e da
PARA REFLETIR
razão.
Os objetivos deste tópico são:
?
A partir do texto, qual é o ? Discutir alguns conceitos
papel da imaginação em tratados por Immanuel Kant e sua
David Hume? Figura 18: Kant
contribuição para a filosofia moderna.
Orientação: Faça uma leitura do texto abaixo e em seguida
resolva as questões após a unidade.
O contexto da reflexão kantiana seria o século
XVIII, marcado por duas ciências que apresentavam resultados
indiscutíveis para a humanidade: matemática e física. Ao lado dessas duas
ciências existia ainda a metafísica que, ao contrário das duas ciências, não
só procurava tratar da realidade última das coisas como não conseguia
convencer ninguém sobre os seus resultados. O grande interesse do autor
alemão seria desenvolver uma reflexão sobre essas três disciplinas,
tentando descobrir o motivo do descompasso existente entre a
matemática, a física e a metafísica. Esse problema poderia ser formulado

145
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

da seguinte maneira: Como foi possível à matemática e à física


conquistarem um caminho seguro de ciência? Por que a metafísica não B GC
trilhou o mesmo caminho? O problema da matemática será resolvido na GLOSSÁRIO E
Estética transcendental; o da física, na Analítica transcendental; e o da A F
metafísica, na Dialética transcendental. Estética, Analítica e Dialética são A posteriori: Tudo aquilo
as três partes que constituem a Crítica da Razão Pura. Assim, o que filósofo que é proveniente da
define como crítica da razão consistirá numa reflexão feita pela razão experiência.
procurando saber quais os limites daquilo que o homem poderia conhecer.
Na Estética, o autor mostra como seria composta a estrutura sensível do
sujeito do conhecimento. A intuição, faculdade da sensibilidade, seria
responsável pelo modo como os objetos lhe seriam dados: fenômenos.
Porém, a sensibilidade seria dividida de duas maneiras: matéria e forma.
Se a matéria seria as impressões que o sujeito recebe dos objetos, a forma B GC
GLOSSÁRIO E
exprime a ordem na qual as impressões são colocadas. Na verdade, a
matéria seria a posteriori, derivando da experiência, a forma seria a priori,
A F
A priori: Representação
anterior e independente da experiência. Ao analisar a estrutura sensível,
necessária e universal,
Kant descobre duas formas da sensibilidade responsáveis por ordenar as
independente da
sensações ou impressões no sujeito: espaço e tempo.
experiência, logo, condição
da experiência.
A nossa capacidade de sermos afetados pelo
objeto está a priori no ser humano, ou seja,
precede qualquer experiência, sendo, portanto,
necessária e igual em todos os seres humanos.
Ela é denominada intuição pura. Ela permite
que as impressões fornecidas pelas sensações,
que são diversas, múltiplas e dispersas, sejam
ordenadas a partir de uma capacidade da
mente. (...) Se retiramos da sensibilidade tudo o
que provém da sensação (cor, dureza, etc.),
portanto tudo o que a matéria lhe fornece,
restarão somente as formas da sensibilidade,
ou seja, a intuição pura, a única coisa que a
sensibilidade nos fornece a priori como
condição de captação – o espaço e o tempo.
(Para Compreender a Ciência, pp. 347 e 348).

Para o filósofo, o espaço e o tempo não são extraídos da


experiência, mas se constituem como intuições a priori, por existir na mente
do sujeito como as condições pelas quais os fenômenos seriam percebidos:
o espaço teria a função de apreender os objetos fora do sujeito; o tempo
seria responsável pelo modo como o sujeito tem acesso às suas mudanças
no tempo. Se a matemática obteve sucesso nos seus resultados, isso se deu
em função dela tomar como base uma intuição pura, dotada de espaço e
tempo, enquanto formas a priori. Assim, espaço e tempo seriam as duas
condições necessárias para que o conhecimento matemático tivesse

146
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

resultados de caráter universal e necessário. Por necessário e universal


deve-se entender aquilo que seria inquestionável, que seria aceito sem
qualquer discussão: por exemplo, ninguém duvida que os ângulos internos
de um triângulo correspondam a dois ângulos retos. No entanto, resta
ainda saber como a física teria conquistado essa condição. Tal idéia supõe
acompanhar como Kant apresenta, na Analítica, os elementos a priori da
faculdade do entendimento. Isso, porque o entendimento seria a sede
onde se encontram as categorias, também chamadas conceitos, que
organizariam os conteúdos enviados pela sensibilidade. Assim como
através da sensibilidade os objetos são dados, através do entendimento
eles seriam conhecidos. Para que o sujeito conheça alguma coisa, será
necessário estabelecer uma relação entre as faculdades da sensibilidade e
do entendimento, senão a produção de conhecimento seria
impossibilitada.

Assim, entendimento e sensibilidade não têm, cada qual,


seu objeto próprio; conceitos e intuições são necessários
para a elaboração do conhecimento, não tendo, nenhum
desses elementos, preponderância sobre o outro.
(ANDERY, p. 347).

Para alcançar os conceitos que se referem a priori aos objetos, o


filósofo alemão partiu dos diferentes tipos de juízos classificados pela
lógica aristotélica (384-322). Essa classificação seria a seguinte:
quantidade (universais, particulares, singulares); qualidade (afirmativos,
negativos, indefinidos); relação (categóricos, hipotéticos, disjuntivos);
modalidade (problemáticos, assertórios, apodíticos). Ao tomar como base
a classificação desses juízos, Kant conseguiu estabelecer a seguinte tábua
das categorias: categoria de quantidade (unidade, pluralidade,
totalidade); categoria de qualidade (realidade, negação e limitação);
categoria de relação (substância e acidente, causa e efeito, ação
recíproca); categoria de modalidade (possibilidade, existência e
necessidade). Como se pode notar, nenhum desses elementos foram
retirados da experiência. O autor denomina dedução transcendental o
modo pelo qual os conceitos a priori se referem aos objetos da experiência,
embora não tenham sido extraídos da experiência.

Para determinar quais seriam os conceitos que se referem a


priori aos objetos, Kant partiu dos juízos que os lógicos
propunham até então. Estabeleceu, assim, uma tábua de
categorias. (ANDERY, p. 351).

Se a física conseguiu obter sucesso nos seus resultados, isso se deu


em função dela tomar como base a existência de conceitos ou categoria,
que teriam por referência a faculdade do entendimento.
Conseqüentemente, na medida em que o entendimento dispõe da
capacidade de aplicar os seus conceitos junto à sensibilidade, o

147
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

conhecimento produzido pela física não só terá um caráter necessário e


universal como atingirá total êxito nas descobertas das leis que envolvem os
fenômenos naturais: por exemplo, ninguém duvida que toda mudança no
mundo tem uma causa. Na verdade, todo esse sucesso obtido pelas
ciências seria fruto de uma revolução. O filósofo alemão a chamou de B GC
revolução copernicana. O que seria isso? Sabe-se que a tradição antiga e GLOSSÁRIO E
medieval concebia o universo como Geocêntrico, acreditando que a terra A F
era imóvel, se encontrava no centro do universo, tendo os demais planetas Categoria: representação
girando ao seu redor. Porém, as descobertas elaboradas por Copérnico geral do entendimento,
mostraram que essa concepção seria falsa. Para o astrônomo, a terra não destinada a dar unidade às
seria imóvel, não representava o centro do universo, girando em torno do sínteses sensíveis.
sol. Essa nova forma de conceber o universo é chamada de
Heliocentrismo. Isso significa que, a partir de Copérnico, ocorre uma
completa inversão na forma como o universo é compreendido. Que
importância isso teria nas reflexões apresentadas por Kant? O que o autor
alemão critica na tradição da filosofia é a iniciativa dos filósofos em colocar
a realidade objetiva como prioridade sem se perguntarem pela natureza da
própria razão. Para o filósofo, não é a razão que deveria se curvar a uma
realidade objetiva qualquer, mas toda e qualquer realidade objetiva é que
deveria se submeter às exigências da razão.

A razão, portanto, não estaria subordinada à


experiência, mas determinaria, segundo suas
exigências, o que deveria ser observado; a
razão projetaria a partir de conceitos a priori o
que buscar na natureza, objetivando descobrir
leis da própria natureza. Tal associação, da
razão com a experiência como forma de
produzir conhecimento, Kant considera uma
revolução pela matemática e pela ciência da
natureza (física), dois conhecimentos teóricos,
ou especulativos, da razão. (ANDERY, p. 344.)

Porque a metafísica não teria conquistado o mesmo sucesso da


matemática e da física? A solução do problema fora tratado pelo autor
alemão na Dialética, onde seriam apresentados os elementos a priori da
faculdade da razão: idéias. Ao contrário da matemática e da física, que
buscavam conhecer os seus objetos junto à experiência, a metafísica
tentaria conhecer algo que ultrapassa a experiência. A metafísica seria um
domínio que sempre se viu na tentativa de conhecer a alma, Deus e o
mundo. Na verdade, Deus, alma e mundo são idéias da razão. O problema
é que embora o homem busque o conhecimento de tais idéias, parece
pouco provável que isso aconteça. Por qual motivo? É que tais idéias não
podem ser conhecidas, por ultrapassar os limites daquilo que a natureza

148
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

B GC humana poderia conhecer. O filósofo afirma que a alma, Deus e o mundo


GLOSSÁRIO E são não só idéias, mas númenos, aquilo que pode ser pensado mas não
A F conhecido. Em poucas palavras, a razão humana seria limitada a conhecer
Coisa-em-si (noumenon): apenas o que se daria à sua sensibilidade, aquilo que se dá na experiência:
Corresponderia como fenômenos. Conseqüentemente, fora da experiência, os númenos,
aquilo que pode ser chamados coisas em si, não seriam conhecidos pelo homem.
pensado, embora não
A terceira parte da Crítica da Razão Pura – Dialética
possa ser conhecido.
transcendental – refere-se à ilusão da razão ao pretender
obter conhecimentos da existência de Deus, da alma e do
mundo. (...) Conclui pela impossibilidade de se resolver tais
questões, pois essas idéias da razão não são passíveis de ser
objetos da experiência. (...) Portanto, sobre tais idéias,
objeto da metafísica, não se pode produzir nenhum
conhecimento objetivo. (ANDERY, p. 355)

Observa-se que o sujeito, formulado por Kant, seria constituído de


uma estrutura racional dotada de formas a priori da sensibilidade, do
entendimento e da razão que indicaria aquilo que o homem poderia ou não
conhecer. O filósofo alemão chama essa estrutura de transcendental. Isso
em função dela corresponder às diversas maneiras pelas quais o sujeito
pode conhecer os objetos. Ainda que outros filósofos venham a discordar
da interpretação kantiana, não se pode falar de conhecimento sem que
tais questões sejam discutidas, o que faz de Kant um dos autores mais
importantes que já surgiu na história da civilização humana.
ATIVIDADES

Após a leitura, quais os


pontos importantes e
relevantes acerca do texto?

PARA REFLETIR

A partir do texto, o que


você entendeu por
Revolução Copernicana?

149
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 6. ed. São Paulo: Ática, 1995.


REALE, Giovanni e ANTISERI, Dário. História da filosofia. 4.ed. v. III
Trad. Álvaro Cunha. São Paulo: Paulus, 1991.

150
4
UNIDADE 4
UNIDADE 5
A AÇÃO NA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

A AÇÃO NA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA


4.1 INTRODUÇÃO
Nesta unidade estudaremos um movimento filosófico muito
importante. Ele surgiu nos Estados Unidos na primeria metade do séc.
XIX, mais precisamente na década de 1830, e até os dias de hoje
influencia o pensamento dos filósofos contemporâneos. Estamos falando
do Pragmatismo. O que é Pragmatismo? Você deve estar perguntando
GLOSSÁRIO
B GC
A
E
F
agora. Antes de respondermos a esta questão falaremos brevemente de Pragmatismo: vem do
alguns aspectos que foram relevantes para o desenvolvimento do vocábulo inglês
Pragmatismo. pragmatism, que deriva do
A preocupação do homem em relação ao modo como ele deve termo grego pragma, que
agir no mundo é tão antiga quanto a consciência humana de que não significa ação. (ver
existe possiblidade para viver fora de uma sociedade qualquer. Então, JAPIASSU e MARCONDES,
desde que o homem tomou consciência de que ninguém poderia viver 2005, p. 223) .
completamente isolado da presença dos outros, o modo como se deve agir
também passou a fazer parte de suas reflexões.
Temos, já no séc. V a.C, o filósofo Aristóteles afirmando que o
homem é um “animal político” por natureza e, portanto, não pode
prescindir, ou seja, não pode abrir mão da presença de outros homens para B GC
GLOSSÁRIO E
viver. Pensando assim, o mesmo Aristóteles dedica parte de sua obra à
reflexão sobre a Ética. Ele pensa e escreve exatamente sobre o modo como
A F
os homens agem em comunidade, sobre os seus costumes e os seus Práxis: ação na qual se
hábitos. Ele chamou esse tipo de ação como práxis. A práxis é aplica conhecimenos
compreendida como o oposto da theoría. Apesar disso, um não pode ser adquiridos teoricamente;
compreendido totalmente separado do outro e, portanto, há uma certa “prática”.
relação de interdependência entre os conceitos. Pois era impensável para o
filósofo Aristóteles que a ação (práxis) não fosse precedida e, até certo
ponto, regulada pela teoria (theoría).
A partir daí, dezenas de filósofos passaram grande parte de suas
vidas comprometidos com o estudo e a investigação da ação humana e de
suas conseqüências para a sociedade. Entretanto, o que se seguiu foi uma
separação nítida entre o modo como os homens agem e a regra pela qual
deveriam agir. E, uma das conseqüências mais importantes dessa relação B GC
GLOSSÁRIO E
homem - sociedade foi exatamente a separação radical entre a teoria e a
prática. Então, já podemos voltar a questão: O que é Pragmatismo? A F
Falando de uma maneira bem simplificada, o Pragmatismo é um Teoria do conhecimento:
movimento filosófico que tem como característica principal a valorização área da Filosofia que
da 'prática' em oposição à “teoria”. Os principais filósofos que representam estuda os diversos modos
o Pragmatismo são os norte-americanos Charles Sanders Peirce (1839- do conhecimento humano,
19140), William James (1842-1910) e John Dewey (1859-1952). As tais como: conhecimento
pesquisas dos filósofos pragmáticos estavam centradas basicamente em científico, conhecimento
dois campos de reflexão. Um deles é o campo da teoria do conhecimento e filosófico. (Ver CHAUÍ,
o outro o campo da moral. Veremos a seguir como os filósofos pragmáticos 1995, p. 55).

152
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

se ocuparam desses problemas.

4.2 AS ORIGENS DO PRAGMATISMO: PEIRCE E JAMES

O primeiro pensador a usar o termo Pragmatismo foi o norte-


americano Charles Sanders Peirce que nasceu em Cambridge, nos Estados
Unidos, em 1839. Além de se formar em Física, Química e Matemática, ele
foi um estudioso da Filosofia. Segundo Peirce, o Pragmatismo é como um
método utilizado para compreender o verdadeiro significado das idéias.
Mas, para isso, é necessário refletir sobre os efeitos práticos causados pelas
idéias quando as mesmas são aplicadas na realidade concreta.
Nas palavras do próprio Peirce está o resumo do que ele
considerou como 'regra pragmática'. Vejamos: segundo Peirce, para
apurar o significado de um concepção intelectual deve-se considerar quais
as conseqüências práticas poderiam, concebivelmente, resultar por
necessecidade dessa verdade ou dessa concepção; e a soma dessas
conseqüências constituirá todo o significado da concepção. Para dar um
exemplo de como a teoria de Peirce pode ser analisada na realidade,
vamos observar o comentário do Professor Olavo de Carvalho em seu texto
Notas sobre Charles S. Peirce: por exemplo, do marxismo pode-se inferir
logicamente a revolução proletária e o estado sem classes, como
conseqüências pretendidas. Mas, na prática, suas conseqüências reais
foram um golpe militar e a instauração da
ditadura de uma nova classe.
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

Como vimos no exemplo dado pelo


professor Olavo de Carvalho, uma das teses
centrais da teoria comunista do filósofo Karl Marx
(1818-1883), ou o chamado marxismo, era
exatamente a que previa a revolução dos
trabalhadores e a extinção das classes. E quando
os socialistas tentaram colocar em prática tais
Figura 19: Charles S.
Peirce idéias, o resultado não foi de modo algum aquilo
que se esperava. A tomada do poder não se deu
através de uma verdadeira revolução do proletariado (como pretendiam os
socialistas), pois uma nova classe surgiu como dominadora desses
mesmos trabalhadores.
Willian James, também considerado um dos fundadores do
Pragmatismo, nasceu em 1842, na cidade de Nova York nos Estados
Unidos, onde estudou Medicina. Estudou Filosofia na Alemanha mas
dedicou-se principalmente à pesquisa no campo da Psicologia. Para James
a 'utilidade' é o critério pelo qual devemos julgar o valor das idéias. Por isso,
ele considera que a verdade só pode ser necessariamente aquilo que é útil.
Portanto o valor de qualquer idéia está na sua eficácia, ou seja, uma idéia
só tem valor se tiver êxito.

153
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

Segundo Giovanni Reale e Dário Antiseri, foi James quem tornou o


Pragmatismo conhecido no mundo. James concebia o Pragmatismo como
uma Filosofia que estava mais presente na vida dos homens. Para James, a
filosofia é como um instrumento útil aos homens. É o próprio James quem
afirma que o Pragmatismo foge da abstração, das soluções verbais e se
volta para o concreto e o adequado, para os fatos, para a ação. (JAMES
apud REALE e ANTISERI, 1991, p. 493)
É interessante observar como o filósofo William James
compreende a idéia de Deus a partir de sua visão pragamática. O que a
prática dessa filosofia [poderíamos dizer a crença em Deus, por exemplo]
significa para nossas vidas e nossos ineresses? Portanto, a crença em Deus

Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

B GC
GLOSSÁRIO E
A F
Incidentalmente:
Figura 20: John Dewey dedicou parte de sua pesquisa ao campo da Educação conseqüentemente; de
modo acidental.
pode ser uma idéia valida se, de fato, ela trouxer
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

algum benefício para quem crê. E isto parece


claro na seguinte tese de James. Observe: se
houver qualquer vida que seja realmente melhor
levarmos, e qualquer idéia que, aceita por nós,
nos ajude a vivê-la, será realmente melhor para
nós acreditar em tal idéia, a menos que isso se
Figura 21: William James choque incidentalmente com outros benefícios
vitais maiores.
Você já deve ter percebido que para James a validade e
importância de uma idéia está associada a sua utilidade prática na vida de
cada um. Leia abaixo o que o próprio James escreveu sobre o que é a
verdade:

O verdadeiro [...] é apenas o conveniente no


caminho do nosso pensamento [...] A verdade é
uma das espécies de bem, e não, como e, geral
se supõe, uma categoria distinta do bem e
coordenada com ele. Verdadeiro é o nome de
tudo aquilo que se mostrar bom no caminho da
crença. (JAMES apud DURANT, 1991, p. 464)

Agora, leia e observe abaixo no poema de Carlos Drumond de


Andrade que tem como título: Verdade.

154
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Verdade

A porta da verdade estava aberta,


mas só deixa passar meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia
verdade.
PARA REFLETIR
E sua segunda metade volta igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Será que os homens, de Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
fato, devem acreditar Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus
somente naquilo que pode fogos.
ser útil em suas vidas, Era divida em metades diferentes uma da outra.
conforme pensou o filósofo Chegou-se a discutir qual metade era mais bela.
William James? Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme seu capricho, sua
B GC ilusão, sua miopia.
GLOSSÁRIO E
A F Agora é com você. Reflita e procure estabelecer uma relação entre
Esplendia: resplandecia; o texto de James e o poema de Drumond.
brilhava intensamente.

4.3 O PRAGMATISMO DE JOHN DEWEY: PRINCIPAIS


CARATERÍSTICAS E CONTRIBUIÇÕES

Apesar de ter sido Peirce quem primeiro desenvolveu a teoria


DICAS pragmática e de ter sido James o responsável pela sua divulgação, quem
mais se destacou entre os filósofos ligados ao Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
Pragmatismo foi Dewey. John Dewey nasceu
Assistam o filme Julian Pó: em 1859 em Burlington, cidade situada
o contador de mentiras. O também nos Estado Unidos. Ele é até hoje
filme mostra de um modo muito conhecido por seus trabalhos na área da
interessante como a crença Filosofia política e, sobretudo, na área da
ingênua pode levar os Filosofia da Educação. Entretanto, a sua vasta
homens ao absurdo. O site obra busca uma interação entre a filosofia e
www.portal.filosofia.pro.br todos os campos dos saberes humanos.
do professor da Paulo Se de um lado o pragmatismo de
Ghiraldelli Jr., contém Peirce está centrado na avaliação exclusiva Figura 22: John Dewey
ótimos artigos sobre o das idéias, a partir das suas conseqüências
Pragmatismo. práticas, em James, o que interessa é apenas a utilidade da verdade na
vida dos indivíduos; em Dewey, o que é mais importante é a aplicação
social das idéias. Daí ele próprio chamar a sua filosofia de
instrumentalismo. E é exatamente disso que vamos tratar agora de modo

155
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

mais detalhado.
Dewey acredita que a experiência e o pensamento só têm sentido
se entendidos a partir de uma interação entre o homem e o seu meio
ambiente. Sendo assim, pensamento e ação, necessariamente, não são
opostos, e qualquer separação entre o conheciemnto teórico e o
conhecimento prático significa negar a natureza integrada do verdadeiro
conhecimento. Isso porque nenhuma idéia pode ser verdadeira apenas
teoricamente, pois toda teoria que se queira verdadeira deve se apresentar
de tal modo que os homens sejam capazes de encontrar, a partir dessa
mesma teoria, algo correspondente na experiência, ou seja, é necessário
aplicá-la na prática.
Para Dewey, o papel da Filosofia pragmática
enquanto instrumentalismo é o de contribuir
para o desenvolvimento científico e moral dos
homens. E não há como pensar esses dois
campos de modo separado. A experiência, os
hábitos, o modo de vida são tão importante
para o desenvolvimento da ciência, quanto os
saberes científicos são importantes para o
aprimoramento moral do homem. Dewey
afirma que o homem vive em um mundo
aleatório e que a sua existência implica o acaso.
O mundo é o palco do risco: é incerto, instável,
terrivelmente instável. Para Dewey a
experiência do homem neste mundo revela tais
incertezas, na medida em que nela estão
presentes “os sonhos, a loucura, a doença, a
morte, a guerra, a confusão, a ambigüidade, a
mentira e o horror. A experiência humana inclui
os sistemas transcendentais como também os
sistemas empíricos, inclui tanto a magia e a
superstição como a ciência” (DEWEY apud
REALE e ANTISERI, 1991, pp. 505-506).

Se não fosse a capacidade humana de ordenar e tentar


compreender as suas experiências, a vida do homem não teria sentido. O
desafio da filosofia deweyana é tornar-se um instrumento de
desenvolvimento das possibilidades intelectuais do homem e, sobretudo,
das suas habilidades morais. Para ele:

A meta da vida não é a perfeição, mas o eterno


processo de aperfeiçoamento,
amadurecimento, refinamento. O homem mau
é o homem que, não importa o quanto tenha
sido bom, está começando a deteriorar-se, a

156
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

ficar menos bom. O homem bom é o que não


importa o quanto tenha sido moralmente
indigno, está agindo para tornar-se melhor.
(DEWEY apud DURANT,1991, pp. 474-475)

Partindo de um caminho diferente daquele seguido por Peirce e


James, que foram seus precursores do Pragmatismo, Dewey encontra na
formação humana o ponto de referência para sua filosofia. Para ele, todas
as idéias desenvolvidas pela investigação científica, na tentativa de
solucionar os problemas reais, deveriam ser colocadas em prática para
B GC
GLOSSÁRIO E testar os seus resultados na sociedade. Assim, as idéias funcionariam
A F como instrumentos auxiliares na vida prática dos homens.
A Educação constitui, então, o campo onde todas as
Detrimento: perda, dano, preocupações humanas estão presentes. Por essa razão, Dewey estava
prejuízo; em prejuízo de. convicto de que sua própria filosofia pode ser definida como uma teoria
geral da educação. A preocupação de Dewey em relação à educação
levou-o a romper com o modelo educacional tradicional, bem como
questionar as novas tendências educacionais. Isso porque a educação
tradicional estava preocupada com uma formação essencialmente
conteudista e negligenciava a experiência dos próprios educandos. As
novas tendências educacionais, por sua vez, apontavam para uma
alorização extrema da técnica em detrimento do conhecimento teórico.
Da crítica de Dewey a esses modelos, surge um novo projeto
pedagógico progressista que busca conciliar os extremos. A chamada
ATIVIDADES escola ativa deveria convergir para um mesmo instante de formação,
saberes que até então estavam totalmente dissociados. Dewey via nessa
Assistam ao filme Escola da separação entre teoria e prática, uma desastrosa conseqüência para a
vida. Depois, discuta no formação humana. Por isso, ele propõe uma educação progressista que
fórum uma possível relação resulta num processo dinâmico entre o pensamento e a experiência, entre
entre a proposta deweyana o planejamento e a execução dos projetos planejados; levando sempre em
de uma escola ativa e o conta as conseqüências de tal educação na sociedade.
filme. Uma importante
Ora, se para Dewey a vida implica desenvolvimento, e se a
fonte das idéias deweyanas
Educação era de fato necessária para que os seres humanos se
é o seu livro Vida e
desenvovlvessem planamente, então a própria Educação não pode ser
Educação, uma obra prima
considerada apenas como uma preparação para a vida. Ela deve ser
traduzida por Anísio
contínua. A Educação é um processo, e como tal, deve acompanhar o
Teixeira.
homem enquanto dure sua vida, conforme as palavras do próprio Dewey,
que diz: “uma pessoa educada é aquela que tem a virtude de continuar a
adquirir mais educação”. ( DEWEY, apud STROH, 1968, p. 330)
Podemos destacar dois pontos muito importantes da concepção
deweyana de educação. Trata-se dos problemas ligados à moral e à
política. As questões morais ocupam um lugar muito importante na teoria
pragmática instrumentalista de Dewey. A pergunta central colocada por
ele é a de saber que tipo de pessoas queremos ser e, conseqüentemente,
que tipo de mundo se constrói. E a escolha diante dessas questões

157
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

perpassa pelo velho conceito de deliberação (escolha) com novas


implicações. Então, para Dewey “todos os bens que têm verdadeiro valor
são sociais, e é por isso que as pessoas boas visam ao bem comum”.
(DEWEY apud PUTNAM, 2003, p. 377)
Há aqui, portanto, uma estreita ligação entre o indivíduo e a
sociedade. A questão da formação moral está, portanto, intimamente
relacionada à questão da formação política. Sendo assim, diz Anna
Putnam, a maior preocupação do filósofo John Dewey era exatamente a
formação das crianças. Todas as crianças deveriam ser educadas para se
tornarem “cidadãos inteligentes de uma democracia, seres humanos que
continuassem a crescer intelectual e moralmente durante a vida toda.”
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br (PUTNAM, 2003: p.
378)
Dewey chama
a atenção para uma
questão muito
complexa. Como
conciliar o ilimitado
poder humano de
p r o d u ç ã o d e
conhecimento
Figura 23: Manolito defendendo o ideal científico com a
democrático deliberdade de expressão
utilização desses
saberes na vida cotidiana dos homens? De fato, o avanço do
conhecimento científico é um dos pilares não só para o crescimento
individual, mas também para o desenvolvimento da sociedade em geral.
Porém, não há um padrão moral para balizar a produção científica. Por isso
Dewey alerta para o uso das descobertas científicas. Para ele, “a ciência é
indiferente ao fato de suas descobertas serem utilizadas para curar as
doenças ou difundí-las, para acrescer os meios para a promoção da vida ou
para fabricar material bélico para aniquilá-la.” (DEWEY apud REALE e
ANTISERI, 1991, p. 512). Aqui nos deparamos com uma questão moral
que ganha claros contornos políticos.
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br

Figura 24: Democracia

A compreensão e possível solução dos problemas morais e


políticos exige um esforço filosófico capaz de conciliar os saberes científicos

158
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

com a vida humana. Essa é a expectativa de Dewey, que se procupava


muito com seguinte fato: Nós conseguimos desenvolver ao máximo nossa
capacidade intelectual no conhecimento prático da Física, da Química.
Mas quando se trata dos valores políticos e morais, não conseguimos
avançar do mesmo modo e, consequentemente ficamos para trás.
A maior tarefa que se impõe à filosofia de Dewey é, portanto, a de
ser um instrumento capaz de reconstruir os meios e os fins científicos com a
intenção de aperfeiçoar a construção das ciências e sua utilização.
Associada à ética e à política, a ciência tem o dever de rever os seus fins
últimos, isto é, analisar de que modo os seus resultados influenciam a vida
humana. A partir daí, a conduta moral e a tomada de decisões, também
B GC devem ser concebidas como assunto da ciência. Se tais juizos não podem
GLOSSÁRIO E
ser feitos pela ciência, ela não pode levar a cabo sua tarefa.
A F No entanto, essa tarefa pedagógica depende plenamente de uma
Material bélico: materiais sociedade cuja principal bandeira é a liberdade. Mas nenhuma sociedade
relativos à guerra; armas e é livre no sentido pleno da palavra. A liberdade exigida por Dewey não é
munição. algo pronto e muito menos algo apenas institucional. A liberdade, assim
como a vida, só pode significar um processo.

Dewey afirma que não pode haver nenhuma liberdade


efetiva sem organização e planejamento social inteligente.
[...] A liberdade é inseparavel da cultura; envolve
essencialmente toda uma série contínua de transações
entre as pessoas e grupos, politicamente, moralmente [...].
(STROH, 1968, p. 337)

Uma sociedade que se quer livre, conforme Dewey, é aquela onde


todas as pessoas maduras participam da formação dos valores que servem
para vida de todas aqueles que nela habitam. Portanto, não resta dúvidas
para o filósofo Dewey, que tal modo de vida só é possível numa sociedade
democrática. Somente numa Democracia é possível desenvolver
plenamente o aspecto moral e intelectual dos homens.
Dewey associa a liberdade com o pleno desenvolvimento
humano. E essa liberdade defendida com tanta insistência não diz respeito
somente à vida individual de cada um. Contrariamente do que se poderia
imaginar, a liberdade implica necessariamente responsabilidade moral e
política. Por isso, mesmo sendo livre para agir como queira, o indivíduo não
pode deixar de examinar quais são as conseqüências de suas ações para a
sociedade. Por isso, ele afirma que:
“A pessoa autenticamente moral (...) faz seus planos, orienta seus
desejos e depois executa seus atos, pensando no efeito que eles terão sobre
os grupos sociais dos quais ele faz parte” (DEWEY apud PUTNAM, 2003,
p. 378). Por isso o seu interesse moral é a realização de bens que
conduzam a um bem comum.
Como vimos, a filosofia pragmática Instrumentalista do filósofo
norte-americano John Dewey possui uma importância significativa para a

159
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

compreesão do homem e de sua atuação na sociedade. Não há como


dissociar, na filosofia deweyana, a teoria da prática. Assim, não é possível
conceber um tipo de conhecimento que não esteja a serviço da vida.
B GC
GLOSSÁRIO E
4.4 OS DESAFIOS DA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA: JURGEN A F
HABERMAS E RICHARD RORTY
Escola de Frankfurt: o
termo escola de Frankfurt
4.4.1. Habermas e a Modernidade
refere-se a um grupo de
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br intelectuais que
Jürgen Habermas é um filósofo
desenvolveram uma
e sociólogo alemão representante da
concepção crítica das
segunda geração da Escola de
sociedades modernas
Frankfurt.
guiadas pela ideologia
O objetivo central de seu
científica, mais conhecido
pensamento consiste na caracterização
como cientificismo. O
das sociedades contemporâneas como
cientificismo fundamenta-
Figura 25: Habermas aos 75 anos sociedades racionalizadas herdeiras da se na crença de que a
razão instr umental oriunda do
ciência possui plenos
Iluminismo. Ao tratar da razão instrumental, Habermas tem em mente a
poderes de conhecer tudo,
razão técnico-científica que direciona as ciências e as técnicas para o
e de fato conhece tudo, e é
alcance de resultados, apresentados como espetaculares e miraculosos,
a explicação causal das leis
isto é, ao invés de fazer das ciências e das técnicas um meio para a
da realidade tal como esta
emancipação dos seres humanos, a razão instrumental as utiliza como
é em si mesma. Esses
meio de dominação.
intelectuais estavam
O sistema político que favoreceu o fortalecimento dessa forma de associados ao Instituto de
racionalidade é o capitalista. Com o predomínio do capitalismo, o Pesquisa Social vinculado à
crescimento da produtividade do trabalho exigiu o recurso a novas técnicas Universidade de Frankfurt,
e tecnologias, de modo que as sociedades contemporâneas se encontram criado em 1923. Seus
cada vez mais submetidas às regras da racionalidade instrumental. representantes foram Max
Nesse contexto, a intenção de Habermas, seguindo a crítica de Horkheim, Theodor
seus antecessores da Escola de Frankfurt, é tentar denunciar as Adorno, Walter Benjamin,
contradições inerentes ao núcleo das sociedades modernas. Em particular, Herbert Marcuse e Jürgem
Habermas queria explicar a contradição entre o que eles prometiam (como Habermas que pode ser
vida, liberdade e felicidade) e o que, na realidade, ofereciam (o controle do considerado o herdeiro
pensamento humano.) intelectual da Escola de
Para Habermas, o mundo tecnicizado, dominado basicamente Frankfurt na atualidade.
pelas preocupações relativas ao desenvolvimento descontrolado da
economia, favorece para que a política deixe de ser entendida como o
conjunto das atividades relacionadas à vida prática para se constituir como
o lugar da mera administração de questões que envolvem a técnica. A
conseqüência disso, conforme a crítica de Habermas, é que o mundo
contemporâneo se encontra num processo crescente de despolitização.

160
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Na medida em que a atividade do Estado é


DICAS
dirigida para a estabilidade e o crescimento do
sistema econômico, a política assume um
caráter negativo peculiar: ela visa eliminar as
Para saber mais sobre a disfunções e evitar os riscos que ameacem o
razão instrumental e a sistema, portanto não para a realização de
ideologia científica, objetivos práticos, mas para a solução de
consultar Marilena Chauí, questões técnicas. (HABERMAS, 1980, p.325).
Convite à filosofia, p. 278-
286.
Do ponto de vista político, o contexto do capitalismo avançado é
caracterizado pela necessidade do Estado ser legitimado mediante um
sistema de democracia formal, no qual é difundida a lealdade das massas
que não percebe sua submissão a uma ideologia tecnocrata que comanda
ideologicamente os meios de comunicações para atender seus próprios
interesses, mascarados de pretensos interesses universais. Contudo, o
capitalismo, hoje, não necessita mais exclusivamente da força do trabalho;
a velha relação entre capitalista e proletário cede lugar a um Estado que
equilibra o jogo de interesses e privilégios adotando uma política de
PARA REFLETIR
distribuição compensatória. Assim,

Observem a política ...a ideologia também mudou: a ciência passou


brasileira , que mediante a a ter um uso ideológico praticamente imbatível,
distribuição de bolsa pois em sua extensão a ideologia técnico-
família e bolsa escola tenta científica não é só justificadora de interesses e
compensar os efeitos opressora, como também impede a própria
gerados pelo sistema espécie de se emancipar. (ARAÚJO, 1998, p.
capitalista, e como diz 190.).
Plínio de Arruda Sampaio
Jr, professor do Instituto de Um dos grandes empecilhos para a emancipação humana,
economia da Universidade segundo Habermas, consiste no enfraquecimento da Ação Comunicativa,
de Campinas – UNICAMP uma das principais teorias desenvolvidas em seu pensamento. Introduzida
– SP, quando as causas dos pela primeira vez na obra Teoria da ação comunicativa, publicada em
problemas sociais não são 1981. A teoria da Ação Comunicativa compreende a comunicação livre,
atacadas temos apenas racional e crítica entre os indivíduos. Para Habermas a linguagem serve
uma política como garantia da democracia, uma vez que a própria democracia
compensatória. Nesse pressupõe a compreensão de interesses mútuos e o alcance de um
sentido, os planos da consenso. A Ação Comunicativa é apontada por Habermas como uma
política compensatória ao alternativa à razão instrumental e superação da razão iluminista que,
invés de ser temporária, aprisionada na lógica instrumental, não conseguiu levar adiante o projeto
mantêm as pessoas emancipatório da modernidade. Assim, para Habermas, o esgotamento
dependentes desse tipo de da racionalidade livre está relacionado à grande limitação dos espaços
política. (Cf. entrevista do comunicativos que as sociedades modernas desenvolveram, nos quais se
professor Plínio no site privilegiou o agir estratégico e instrumental em detrimento do espaço
www.pucrs/mj/entrevista- dialógico, onde os planos de ação são discutidos por diversos atores,
09-2005.php) visando chegar a um entendimento razoável após intensas argumentações

161
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

compreensíveis a todos.
Com o enfraquecimento do agir comunicativo, as relações DICAS
políticas tornam-se meras questões de cunho administrativo. As relações
sociais são legitimadas mediante a ideologia da civilização técnica que
controla a massa despolitizada.
Em relação ao tema da
No entanto, a massa despolitizada necessita de algo que legitime
massa despolitizada,
de forma visível essa despolitização, aí entram a ciência e a técnica que
procure ler o texto de
atuam como ideologia, utilizando o argumento do positivismo, que muito
Bertolt Brecht intitulado “O
contribuiu para a supervalorização da tecnologia, como ilustra a tirinha
analfabeto político”,
abaixo:
acessando o endereço
A personagem Susanita é um exemplo de uma postura guiada eletrônico
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
www.apgunspfranca.hpg.co
m.br/anafalbeto.htm.

B GC
GLOSSÁRIO E
A F
Figura 26: Tirinha da Mafalda/ Ciência e Tecnologia
Positivismo: o positivismo é
pela ideologia da ciência, pois não questiona a validade do progresso uma corrente filosófica que
científico e técnico. Ela faz parte de uma grande massa que acredita na teve como precursor o
ação técnico-científica como um benefício, pois produz crescimento filósofo francês Auguste
econômico e o sistema social depende desse crescimento. O crescimento Comte. A principal
econômico passa a ser encarado como um fator essencial no característica do positivismo
direcionamento do sistema social e a política passa a focalizar as é a romantização da
necessidades funcionais provenientes de questões que se restringem ao ciência, sua devoção como
nível econômico. único guia da vida
Desse modo, o agir comunicativo fica cada vez mais reduzido ao individual e social do
agir racional dos sistemas guiados pela máquina e pela tecnocracia. Ao homem, único
invés dos indivíduos exercerem a interatividade e a capacidade de discutir conhecimento, única moral,
criticamente o sistema de normas que vigora na sociedade, aparecem os capaz de assegurar o
comportamentos condicionados cujo guia são as ideologias da civilização progresso da humanidade.
técnica que “...subtrai a autocompreensão da sociedade tanto do sistema
de referências do agir comunicativo como dos conceitos de interação
simbolicamente mediatizadas, substituindo-as por um modelo científico”
(HABERMAS, 1980, p. 330) pautado na crença do progresso e na
evolução do conhecimento que, um dia, explicarão totalmente a realidade
e permitirão manipulá-la tecnicamente, sem limites para a ação humana.
O problema que Habermas percebe nesse modelo científico é que
grande parte dos cientistas modernos concebem o conhecimento como
crença verdadeira justificada e assim a transmite para a sociedade que a
recebe sem questioná-la.

162
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

4.4.2 Habermas e a Ação Comunicativa

Refletindo um pouco mais acerca da crítica de Habermas a


respeito da razão instrumental, é importante salientar que ele não está
criticando a razão instrumental como tal, o que ele propõe é a
compreensão de como os indivíduos se apropriam dela. Nesse sentido, a
Teoria da Ação Comunicativa construída por Habermas pressupõe a
linguagem como meio dos sujeitos trocarem atos da fala entre si e
compreenderem o atual contexto em que vivem. A partir da Teoria da Ação
Comunicativa pode-se desenvolver uma nova possibilidade de
transformação social que, para o autor, deverá vir da construção de novos
discursos sobre os conceitos conservadores, como por exemplo, o de
cunho positivista – que via no progresso e na ciência uma evolução
permanente. Trata-se de uma nova racionalidade, entendida como
disposição dos sujeitos capazes de linguagem e de ação, de trocas
lingüísticas intersubjetivas que proporcionem a integração entre o mundo
visado objetivamente (o mundo social das normas) e o mundo das
vivências pessoais. Temos nessa proposta, a presença do paradigma da
B GC intersubjetividade que possibilita a liberdade comunicativa guiada por
GLOSSÁRIO E
razões e argumentações justificadas, legitimadas e, acima de tudo,
A F criticáveis, que permitem aos participantes da comunicação entenderem
Intersubjetividade: entende- entre si acerca de algo sobre o mundo.
se a comunicação das A Teoria da Ação comunicativa de Habermas pode ser entendida
consciências individuais, como uma contribuição às sugestões do pragmatismo, que reivindica uma
umas com outras, discussão filosófica voltada para ações sociais concretas. No encalço da
efetuando-se sob o fundo virada pragmática, em que a linguagem passa a ser considerada atos da
da reciprocidade. fala, Habermas enfatiza a linguagem não só como o instrumento mais
apropriado para mediar as relações entre o mundo social das normas e as
vivências pessoais, mas também como ela própria sendo ação. Em outras
palavras, a comunicação lingüística, o diálogo sem coações externas
favorece, portanto, uma perspectiva de construção de novas relações a
partir de sujeitos autônomos e competentes, que são capazes de discutir e
avaliar as regras sociais e, com isso, revitalizar a própria sociedade.
Podemos dizer que a questão mais relevante na teoria da ação
comunicativa habermasiana é o pressuposto de que, todos os membros da
sociedade têm condições e direito de participar do diálogo necessário para
repensar e reconstruir as leis que regem a sociedade, através da busca
argumentativa, e isto implica processos de comunicação através dos quais
se questiona o mundo envolvido pelo sistema técnico-instrumental .
Na obra Teoria da ação comunicativa, Habermas enfatiza os
propósitos ideais da comunicação, argumentando suas expectativas
consensuais em relação à filosofia. De acordo com seus pressupostos, a
filosofia deve ser posicionada numa base democratizadora de
entendimentos per formativos, engendrados por deliberações
argumentativas, de forma a nivelar os conceitos racionais às ações

163
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

cotidianas.
Nessa perspectiva, Habermas não está propondo uma nova
elaboração de uma ciência e de uma técnica e, sim, de um agir
comunicativo resultante do próprio contexto do sistema técnico-
instrumental. Contudo, é preciso haver uma fundamentação guiada pela
racionalidade explicativa da filosofia, com o propósito de combater todas
as formas de dominação ilegítimas, completando, assim, a tarefa que a DICAS
razão iluminista começou e não deu conta de prosseguir. Tarefa de
proporcionar ao homem a emancipação que, no projeto inicial do
iluminismo, denominava-se a maioridade da razão, o esclarecimento. Para Para refletir mais sobre as
Habermas, a filosofia deve ser a principal intérprete da tradição e da críticas de Habermas à
cultura, permitindo, por meio da comunicação, o entendimento mútuo e modernidade, assista ao
necessário voltado aos interesses da vida em sua totalidade e não para filme Tempos Modernos, de
apoiar um conjunto doutrinário de verdades intemporais, absolutas e Charlie Chaplin.
inquestionáveis.
Enfim, o que Habermas sinaliza é a urgência de libertar o
conhecimento de seu papel meramente reprodutor de decisões técnicas e
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
monitoradas. Nesse sentido, com
Habermas podemos aprender que o
sistema técnico-científico é o
paradigma de nossa época, mas é
preciso, antes de tudo, compreendê-
lo pela crítica histórica e filosófica que
analisa de que modo e por quais
meios esse paradigma se legitimou e
desenvolveu suas forças. Assim, a
Figura 27: Cena dos Filme
Tempos Modernos ação comunicativa ou interação
social, além de contribuir para um diagnóstico de nosso tempo, pode ser
também um caminho interessante e produtivo. Mas para que isso
aconteça, como observa Rezende, a ação comunicativa “...precisaria ser
'descomprimida' para que pudesse instaurar-se uma situação de fala não-
deformada entre os homens” ( 1992, p. 218).

4.4.3 A Teoria da Ação Comunicativa e a Educação

Diante do que foi exposto, podemos perguntar: de que forma a


Teoria da Ação Comunicativa proposta por Habermas pode contribuir para
uma educação voltada para a emancipação dos sujeitos?
Antes de respondermos essa pergunta, é preciso enfatizar que o
modelo de conhecimento baseado na perspectiva da razão instrumental
promoveu uma educação com estilo “pedagogizador”, que se resume a
instruir, reproduzir um tipo de conhecimento que não é relevante para as
reais necessidades do aluno, como questiona a personagem Mafalda:
Essa postura de educação está a serviço de uma sociedade

164
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

mercadológica e tecnocrática. Daí as propostas pedagógicas estarem


direcionadas a uma aplicação de técnicas a um sujeito, o aluno, tratado
meramente como um objeto a ser conhecido e treinado para atender as
exigências do mercado. Esse modelo de educação tem sido pensado
como um dos maiores desafios da contemporaneidade, que vem tentando
superar o estilo “pedagogizador” da educação.
Partindo daquele pressuposto de Habermas de que
potencialmente todos os membros de uma sociedade têm condições de
exercitar sua capacidade comunicativa, faz-se necessário perguntar se a
educação tem estimulado essa capacidade. Digamos que, lentamente, ela
vem se constituindo sob um novo discurso pautado pela transformação.
Fonte: www.clubedamafalda.blogspot.com

Figura 28: Tirinha da Mafalda / Professora

Mas ainda caminha sob a sombra do modelo “pedagogizador”, uma vez


que não basta somente mudar o discurso, é preciso efetivar os discursos
mediante a ação comunicativa. No Brasil, os desafios são ainda maiores,
porém contornáveis se forem adotados políticas educacionais adequadas.
Para inverter o modelo de educação pautado pelo estilo
“pedagogizador”, torna-se necessário fazermos propostas para uma
educação mais consistente e comprometida com uma efetiva
emancipação do sujeito. Dessa forma, acreditamos que uma prática
pedagógica associada à Teoria da Ação Comunicativa proposta por
Habermas pode contribuir para um pensar crítico em prol de uma
educação voltada para a formação do sujeito emancipado, sensível e ético.
Embora Habermas não tenha elaborado uma Filosofia da
Educação, podemos identificar em seu pensamento uma visão a respeito
da educação. As idéias habermasianas a respeito da linguagem, do
conhecimento e da ética podem abrir novas perspectivas para a educação
em termos de uma filosofia da educação que possa suscitar nos sujeitos
dotados de competência interativa a capacidade de questionar o sistema
de normas que vigora na sociedade.
A partir da Teoria da Ação Comunicativa, pode-se conceber o
espaço da escola, como o lugar de exercitar a intersubjetividade entre
aluno/professor/escola/família e comunidade, com o intuito de discutir os
rumos da sociedade, isto é, a partir do momento em que os indivíduos se
perceberem como sujeitos e atores sociais, poderão pensar que a
sociedade pode ser de outra maneira, e agir de outra maneira, refletindo

165
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

sobre os problemas da sociedade, interpretando, participando,


dialogando, enfim, buscando o consenso em torno dos interesses comuns.
A prática da intersubjetividade segundo a proposta da Teoria da
Ação Comunicativa permite a conciliação de dois mundos: o mundo do
sistema e o mundo da vida, onde a teoria e a prática estão interligadas
através de ações concretas, numa dinâmica comunicativa entre os atores
envolvidos visando novas racionalidades. Nesse sentido, um modelo de
educação calcado na intersubjetividade é o mais apto para a construção
de pessoas realmente esclarecidas, criativas e autônomas. Entretanto,
como observa Araújo,

...não consideramos que diálogo, intersubjetividade,


modelo comunicativo, etc, bastem. Será preciso mostrar
seus pressupostos teóricos, as implicações decorrentes e,
principalmente, como ele pode ser aplicado , aliviando as
dificuldades pelas quais passa nossa sociedade,
sendo o papel da educação central para compreender
essas dificuldades e propor mudanças. Esse papel é
complexo, e, evidentemente, a própria e d u c a ç ã o ,
especialmente a educação formal, escolar, precisa ser
revista com urgência (ARAÚJO, 2002, p. 76) .

Ao falarmos de uma educação guiada pela intersubjetividade,


temos em vista a valorização social, política, econômica e ética de uma
reflexão sobre os rumos da educação na complexidade das sociedades
contemporâneas. Nesse sentido, a tarefa da educação é desafiar essas
complexidades mediante o agir comunicativo, A educação deve contribuir
significativamente com o processo de desenvolvimento do aluno a partir da
interpretação e análise crítica dos fenômenos culturais do seu cotidiano.
Levando-os ao exercício de uma prática de saber construtivo à sua vida.
Nesse processo interpretativo crítico, o educador e os educandos devem
discutir aquilo que é pré-estabelecido como certo, errado, bom, ruim,
melhor, pior. Nesse sentido, a filosofia passa a ser requisitada pelo seu
papel crítico e cultural de reconstrução permanente da realidade, uma vez
que não faz mais sentido a busca por certezas permanentes. A escola deve
levar em consideração as mudanças que ocorrem na sociedade, discutindo
inclusive, o modelo técnico-científico pautado pela razão instrumental, no
sentido de preparar o educando para lidar com os fenômenos que dele
surgem, como por exemplo, a globalização, a crise econômica e a política
de mercado.
Assim, a prática da intersubjetividade no campo da educação
supera o modelo “pedagogizador” ao produzir indivíduos mais livres,
autônomos, capazes de avaliar seus atos à luz dos acontecimentos, à luz
das normas sociais legítimas e legitimadas pelos processos jurídicos e
políticos, usando suas próprias cabeças, e tendo propósitos lúcidos e
sinceros, abertos à crítica.

166
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

4.4.4 O Neo-pragmatismo de Richard Rorty

Que nada nos defina.


Que nada nos sujeite.
Que a liberdade seja.
a nossa própria substância.
(Simone Beauvoir)

Richard Rorty, falecido recentemente em 08 de junho de 2007, foi


um filósofo norte-americano que se intitulou neo-pragmatista. A questão
da liberdade como critério essencial para o agir humano no mundo foi a
questão central de seu pensamento. Engajado na virada lingüística que
pressupõe uma linguagem pragmática, Rorty compreende a linguagem
inserida na contingência do mundo. A continência, segundo o filósofo
americano, é um elemento primordial para o conhecimento produtivo,
DICAS sujeito à transformação em detrimento de toda tentativa em controlar o
futuro a partir de certezas que a teoria busca em suas escavações do
passado.
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
É no pragmatismo de Jonh
Richard Rorty é um dos
maiores pensadores da Dewey e Willam James que Rorty buscou
atualidade. Seu inspiração para se opor à filosofia de
compromisso com os ideais cunho sistemático, isto é, Rorty procura
humanitários das sublinhar que a busca epistemológica
democracias liberais é
da essência da ciência é um trabalho
inequívoco e uma fonte de
inspiração para a invenção infrutífero. Toda investigação científica
de mundos futuros. ou moral, segundo ele, deve consistir em
uma deliberação a respeito das
Fgura 29: Richard Rorty
vantagens relativas das múltiplas
alternativas disponíveis no momento. Para Rorty, a filosofia sistemática, à
medida que tenta encontrar uma verdade absoluta fora da história e fora
da linguagem, procurando constituir-se como uma disciplina fundacional
do saber, capaz de atingir a essência da realidade, não contribui para um
saber realmente construtivo que atenda às necessidades humanas.
No campo da epistemologia, Rorty considerou que o problema
mente/corpo é um falso problema que deve ser revisto e transformado
mediante a crítica do poderoso edifício do cogito de Descartes.
Desde Descartes, o que se almeja é obter certezas. Posso ter
certeza de meu conhecimento de 'azul' ou de 'substância', de
'pensamento'? O modelo prevalecente em filosofia passou a ser a busca de
certeza, um problema epistemológico, e não mais a busca de sabedoria
(ARAÚJO, 1998).
Nessa busca por certeza, Descartes recria o dualismo platônico.
Na versão cartesiana, o dualismo é o sistema filosófico ou doutrina que
admite como explicação primeira do mundo e da vida, a existência de dois

167
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

princípios, de duas substâncias ou duas realidades irredutíveis entre si,


irreconciliáveis, incapazes de uma síntese final. Como mostra a figura B GC
abaixo: GLOSSÁRIO E
Na contramão dessa tendência, Rorty (assim como já havia A F
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
defendido Dewey) entende que a Virada lingüística: A virada
filosofia e a ciência devem estar lingüística foi um
desobrigadas da busca da certeza, uma movimento que ocorreu no
vez que o pragmatismo nada deveria começo do séc. XX, a qual
dizer sobre a natureza da verdade. se seguiu a virada
Desse modo, Rorty compreende o pragmática da linguagem
conhecimento não como uma relação poucas décadas depois.
entre mentes e objetos e sim como Nesse contexto, a
conhecimento pautado pela linguagem linguagem é entendida
que requer conversação entre os como uma ferramenta e
interlocutores. Nessa conversação, ao não mais como imagem do
invés de uma certeza advinda de uma mundo ou representação
relação ou acesso privilegiado da mente Figura 30: Dualismo, apresentado de uma realidade a priori
com o objeto, tem-se uma vitória em obra de Descartes
do mundo. Desse modo,
argumentativa, isto é, o conhecimento se pela virada pragmática, a
dá entre interlocutores trocando atos lingüísticos, num exercício de prática certeza cedeu lugar a
social. asserções sujeitas à revisão
A filosofia de cunho sistemático, argumenta Rorty, é incapaz de permanente.
atingir o conhecimento absoluto da realidade. Segundo suas reflexões, a
filosofia sistemática deve ser substituída por um novo paradigma de
Contingente: Continente
filosofia. O pensamento filosófico deve levar as pessoas a questionar os
designa o que se pode
motivos de se filosofar, ao invés de levar à aceitação de um programa
conceber como podendo
filosófico pré-estabelecido nos moldes do pensamento sistemático.
ser ou não ser. Essa
Adotando o pragmatismo como instrumento teórico e maneira de pensar o
programático, Rorty, assim como Habermas, acredita que se não conhecimento se afasta da
soubermos o que fazer com as verdades que surgem de nossas metafísica, cuja visão de
experiências, não estaremos preparados para a vida produtiva em conhecimento é de cunho
comunidade, não poderemos nem mesmo produzir atos de fala validáveis essencialista em que se
que correspondam às nossas vivências. pretende atingir o ser
Nesse sentido, pode-se dizer que o pragmatismo de Rorty propõe o imutável e eterno. Essa
abandono de uma filosofia que já não cumpre os objetivos a que se propôs forma de conhecimento
em favor de uma pós-filosofia em que a preocupação pela objetividade dê pretende elevar-se acima
lugar à preocupação pela solidariedade. O tema da solidariedade em Rorty da experiência humana no
está associado ao da esperança social, uma espécie de otimismo quanto mundo.
ao nosso destino comum. A filosofia desprendida da tendência sistemática
(herdeira da metafísica, defensora de uma verdade que habita um lugar
desconhecido, pronta para ser descoberta) permite ao filósofo abandonar
o improdutivo trabalho de fundamentar metafisicamente ou
epistemologicamente sua crença. Dessa maneira, o filósofo pode gastar
sua energia na busca de transformar seu comportamento com relação ao

168
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Inês Lacerda. Introdução à filosofia da ciência. 2. ed.


Curitiba/PR: Editora da UFPR, 1998.

ARAÚJO, Inês Lacerda. Da “pedagogização” à educação: acerca de


algumas contribuições de Foucault e Habermas para a filosofia da
educação. In. Revista Educacional, Curitiba, v. 3, n 7, p. 75-88/dez 2002.

BUZZI, Arcângelo R. Filosofia para principiantes: a existência humana no


mundo. 9ª ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 1998.

DURANT, Will. A história da filosofia. São Paulo: Nova Cultural, 1996.

DEWEY, John. Vida e Educação. Trad. Anísio Teixeira. São


Paulo:Companhia Editora Nacional, 1959.

HABERMAS, Jürgen. O futuro da natureza humana. Trad. Karina Jannini.


São Paulo: Martins Fontes, 2004.

HABERMAS, Jürgen. A inclusão do outro. Trad. George Sperber e Paulo


Astor Soethe. São Paulo: Loyola, 2002.

HABERMAS, Jürgen. Consciência moral e agir comunicativo. Trad. Guido


A. de Almeida. Rio de janeiro: Tempo brasileiro, 2003.

HABERMAS, Jürgen. Técnica e ciência enquanto ideologia. Trad. José


Lino Grünewal. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Col.Os pensadores.)

JAPIASSU, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia.


4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

PUTNAM, Ruth Anna. 'Pragmatismo'. In: CANTO-SPERBER (ORG.)


Dicionário de ética e filosofia moral. São Leopoldo/RS: Ed. Unisinos,
2003.
ed. Trad. Álvaro Cunha. São Paulo: Paulus, 1991.

REZENDE, Antônio. (org. ) Curso de Filsofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.

RORTY, Richard. Contingência, Ironia e Solidariedade. Trad. Nuno


Ferreira da Fonseca. Lisboa: Presença, 1992.

RORTY, Richard. Ensaios sobre Heidegger e outros. Trad. Marco Antônio


Casanova. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999.

STROH, Guy W. A filosofia americana: uma introdução (de Edwards a


Dewey). Trad. de Jamir Martins. São Paulo: Editora Cultrix, 1968.

169
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

Sites Consultados

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http://www.memoriaviva.com.br
/drumond/index2.htm.>

BRECHT, Bertold. O analfabeto político. Disponível em


<http://www.apgunspfranca.hpg.com.br>

CARVALHO, Olavo de. O imbecil coletivo: atualidades inculturais


b r a s i l e i r a s . D i s p o n í v e l e m
<http://www.olavodecarvalho.org/livros/peirce.htm>.

SAMPAIO JR., Plínio de Arruda. Entrevista. Disponível em


<www.pucrs/mj/entrevista-09-2005.php>

170
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

VÍDEOS SUGERIDOS PARA DEBATE

Filme: Escola da vida. O ator Ryan Reynolds interpreta o professor


D'Angelo. Conhecido entre os alunos pelo nome de Sr. D. , o jovem mestre,
nas aulas de História, sempre recria o cenário da experiência dos
acontecimentos históricos.
Filme: Julian Pó: o contador de mentiras. O filme mostra de um
modo interessante como a crença ingênua pode levar os homens ao
absurdo.
Filme: Tempos modernos Trata-se do último filme mudo de
Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30,
imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda
sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao
desemprego e à fome. A figura central do filme é Carlitos, o personagem
clássico de Chaplin, que ao conseguir emprego numa grande indústria,
transforma-se em líder grevista conhecendo uma jovem, por quem se
apaixona. O filme focaliza a vida do homem na sociedade industrial
caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e
especialização do trabalho. É uma crítica à "modernidade" e ao capitalismo
representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido
pelo poder do capital e perseguido por suas idéias "subversivas".
Filme: Sociedade dos poetas mortos o filme mostra as relações de
um professor e ex-aluno de Welton Academy, vivido pelo ator Robin
Willams, com uma turma de adolescentes cheios de sonhos e vontade de
viver intensamente. Entretanto, encontram-se inseridos em um sistema
acadêmico rígido e autoritário que não permite outras formas de expressão
como a poesia, o teatro e a música.

Sites pesquisados

Site do professor da Paulo Ghiraldelli Jr. que contém ótimos artigos sobre o
Pragmatismo.

http://www.olavodecarvalho.org/livros/peirce.htm
Site do Prof. Olavo de Carvalho que discute vários tópicos da Filosofia
associados à realidade brasileira.

171
5
UNIDADE 5
A CONTRIBUIÇÃO DO PROJETO FILOSÓFICO PARA A
TEORIA E A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO NA ATUALIDADE

5.1 INTRODUÇÃO
Afinal, em que consiste o estudo da Filosofia da Educação? Antes
de tudo, vale lembrar que a Filosofia tem como objeto de estudo o homem.
Assim, em tudo o que diz respeito à existência humana, aí se encontra a
Filosofia. Há que se considerar, todavia, que a vida do homem submete-se
a múltiplos aspectos, que nela interferem e a influenciam: o cultural, o
social, o político, o econômico – somente para ficar com as evidências. É
nesses espaços ocupados pelo homem que a educação se realiza,
traduzida em práticas educativas. E o que é educação? Não existe “uma
educação”, mas “várias educações”, que ocorrem em diferentes
contextos: nas ruas, nas escolas, nos hospitais, nas favelas, enfim, em cada
ambiente do convívio humano. É a partir desses vários contextos
educacionais que vamos estudar, na quinta unidade, os problemas
impostos pela educação e o modo como o homem, através de um
pensamento crítico-filosófico, procura resolver as diversas situações e
melhorar o seu contexto social.

5.2 A EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI


Fonte:http://falalivre.files.wordpress.com

O século XXI,
que se iniciou em 2001,
trouxe, dentre muitas,
mudanças como as
inovações tecnológicas
e as novas formas de PARA REFLETIR
comunicação,
encurtando o tempo,
Quais são os valores que
espaço e lugares entre você prega? Um valor pode
os indivíduos inseridos ser mais importante do que
Figura 31: Tempos Modernos na aldeia global. sua próprio vida! Muitos
preferem morrer a perder a
A mídia, representada por jornais, rádios, televisão, a todo
própria honra. E você?
momento constrói um novo jeito de ser, pensar e agir. As ciências, em suas
várias tendências, a cada momento produz conhecimento novo, exigindo
de cada um de nós que adaptemos aos novos tempos na família, na escola,
na universidade, nas relações de trabalho. Nesse sentido, os valores que
alicerçam a vida na sociedade são modificados a todo instante, a toda
hora. Valores que antes eram transmitidos de geração a geração e que iam
sendo modificados de maneira lenta, progressiva, processual, já não têm
mais lugar na vida social, nestes novos tempos.
Tudo fica velho, obsoleto. Perdemos nosso eixo, nosso lugar, nosso
tempo, nosso espaço. Estamos sem rumo, sem direção e não sabemos
como e a quem recorrer. Pressionado pelas novas exigências e mudanças

172
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

na sociedade e nas instituições que a sustentam, o homem não tem mais


tempo para seus filhos, amigos e para si próprio.
É nesse ambiente de perda de sentido nas instituições e nas
organizaçoes sociais que recorremos às contribuições da Filosofia da
Educação.
Mas, afinal, em que consiste o estudo da Filosofia da Educação?
Antes de mais nada, vale lembrar que a Filosofia tem como objeto
de estudo o homem. Assim, em tudo o que diz respeito a existência
humana, aí se encontra a Filosofia. Há que se considerar, todavia, que a
vida do homem submete-se a múltiplos aspectos, que nela interferem e a
influenciam: o cultural, o social, o político, o econômico – somente para
ficar com as evidências. É nesses
espaços ocupados pelo homem que Fonte: www.geat.com.br
se realiza a Educação, traduzida em
práticas educativas.
E o que é educação? Para
Brandão (1980), não existe “uma
educação”, mas “várias educações”,
que ocorrem em diferentes contextos:
nas ruas, nas escolas, nos hospitais,
nas favelas, enfim, em cada ambiente
do convívio humano.
Eis, assim, um panorama
que remete à questão supra: em que Figura 32: Catapulta
consiste, pois, o estudo da Filosofia da
Educação?
Na verdade, ela preocupa-se com a
problemática educacional que ocorre em todos
os segmentos da sociedade pois trata-se, com
efeito, de Filosofia da Educação e não
simplesmente de Filosofia [porque neste caso a
filosofia se esvaziaria]; não também da
Educação sem postura reflexiva [porque neste
caso a Educação não seria um processo
intencionalmente conduzido] (SAVIANI, 1984,
p. 35).

Sendo assim, ambas estão relacionadas. A Filosofia oferece a


reflexão para auxiliar nos problemas educacionais que desafiam
educadores, políticos, pais e a sociedade, como um todo. De outro lado, a
Educação é entendida num conceito amplo, oferece à Filosofia problemas
que se tornam cada vez mais complexos, inesperados e incertos como a
miséria, a fome, a violência, a corrupção, o individualismo, a concorrência,
a perda dos valores, a exclusão social e o analfabetismo. Conforme

173
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

discussão anterior, apesar dos avanços da ciência, das novas tecnologias,


exigindo o novo “perfil” da sociedade de um modo geral, persistem os
velhos problemas acima citados, orientando e/desorientando a conduta e
a educação do cidadão. Para esses problemas, que na verdade são
históricos e desafiam a atualidade, a Filosofia da Educação contribui com
um projeto filosófico. A palavra “projeto” vem do termo latim “projectu”,
que significa lançar adiante, plano, intento, designo (FERREIRA, 1976,
p.144). B GC
GLOSSÁRIO E
Nesse sentido, o projeto filosófico para a educação da atualidade
visa tentar recuperar a falta de rumo e direção que a sociedade vem
A F
sofrendo, dadas as exigências dos OVERNIGHT:
Indica as aplicações
novos tempos, em que tudo se torna
financeiras feitas no open-
mer cadoria, ou seja, pr oduto market em um dia para ser
descartável e com prazo de validade. A resgatado no dia seguinte
título de ilustração, os produtos (dia útil seguinte). São
eletrônicos, a TV, o celular, o vídeo, também conhecidas
simplesmente como Over
tudo vira produto descartável. É contra
Fonte: www.colegiosaofrancisco.com.br

essa lógica que persiste e insiste em


fazer da própria vida do homem um
produto descartável que a Filosofia da
Educação procura problematizar e dar
outro sentido, outra finalidade.
Mas, antes, tendo em vista
Figura 33: Revolução Francesa
que a idéia de Educação que vimos
discutindo até o momento é bastante
ampla e abrangente, torna-se necessário entender que ela se realiza em
três modalidades diferentes na sociedade:
a) Educação informal – é o tipo de educação assistemática
que não tem uma intenção, uma finalidade. Ela ocorre de forma
espontânea na família, nos bairros, na rua, através da mídia etc.
b) Educação formal – é o tipo de educação sistematizada
que tem uma intenção, uma finalidade. Ela ocorre nas
instituições: escola, universidade.
c) Educação não-formal – é aquela que tem uma intenção
de educar, porém em outros ambientes educativos.
No caso específico deste estudo, tratar-se-á de forma específica a
educação formal, pois ela tem uma intenção, um rumo e orienta uma ou
várias práticas educativas nas instituições educacionais. Contudo, não se
desconsideramos as influências e intercâmbios que exercem umas nas
outras.
Nessa perspectiva, a Filosofia da Educação contribui com alguns
questionamentos: considerando as exigências do século XXI, que tipo de
homem a sociedade está educando – o homem “overnigth”, que muda
seus valores, seus comportamentos da noite para o dia? Quem educa

174
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

quem e com qual finalidade? Quem pode / deve ser educado? A quem
interessa que a educação seja de tal tipo e não de outro?
Este último questionamento é, de certa forma, crucial para um
projeto filosófico. Na verdade, podem-se antecipar várias interpretações
que a seguinte afirmação nos reservaria: o quê, a quem e como ensinar
dependem do “perfil” de cada ser humano que se pretende formar, que
modelo de ser humano se tem em mente.
Entretanto, é preciso lembrar o que já foi afirmado e concebido
pelos pedagogos em diferentes épocas e contextos: todo processo, ou
fenômeno, ou modelo educacional é determinado e condicionado pelos
aspectos sociais, políticos, econômicos e históricos nos quais se
desenvolve.
Isso quer dizer que, em cada período histórico da humanidade,
alguns perfis foram estabelecidos e pensados, para serem alcançados por
meio da educação.
A título de ilustração, veja-se como a imagem ideal de homem foi
criada em diferentes momentos históricos.
? Na Revolução Francesa, a imagem ideal foi a formação do
homem livre, igual e
Fonte: http://i6.photobucket.com
fraterno.
? Pa r a o e d u c a d o r
Froebel, a imagem ideal
do homem consiste em
sua imagem criadora.
Para Hebart, a imagem
?
ideal é a do homem moral.
A
? é p o c a
contemporânea,
Figura 34: Horizonte
prevalece a pluralidade de
imagem ideal.
Como se pode perceber, a cada momento histórico, de acordo
com as necessidades da época, pedagogos tentaram dar respostas aos
problemas educacionais para o contexto que viveram. Por isso, criaram
imagens ideais ou “perfis” que deveriam ser conquistados (pelo menos no
plano ideal) para aquele momento.
Reflita: Qual é a imagem ideal que a sociedade global quer
construir/desconstruir no século XXI? Qual é o papel e/ou função da
educação nesse contexto?
Retomando o que foi dito acima, são essas imagens ideais que a
Teoria da Educação procurou sustentar, representando diferentes épocas
em que surgiram, e, como se pode observar no dia-a-dia, ainda se sentem
os seus reflexos, com mais intensidade de umas, de outras menos. Advêm
daí, duas idéias relevantes para a presente discussão: a primeira é a de que
toda prática educativa tem uma dimensão social; a segunda é que, mesmo

175
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

sendo reflexo das imagens ideais de épocas anteriores, elas não deixam de
existir, ou seja, não perdem sua validade, não podem ser superadas
totalmente pelas teorias que chegam depois.
O fato que aqui interessa destacar é que o momento atual
alimenta a impressão de que tudo fica velho, obsoleto, descartável, daí a
necessidade de se amparar na Filosofia da Educação.
Diferentemente das descobertas científicas que vão tornando tudo
antigo, as teorias educacionais, de uma certa forma, no todo ou em parte,
continuam atuais – mesmo
Fonte: www.cdcc.sc.usp.br
que em deter minados
momentos históricos se
tenha a sensação de
descontinuidade. Elas
continuam presentes, mas
tentando responder: o que é
o ser humano? É dessa
pergunta que surgem as
imagens ideais da
educação, historicamente
situada.
Entretanto, a idéia
que perpassa todo ambiente
educativo na sociedade de
Figura 35: Platão
um modo geral é a de que
estamos atrasados e ou ultrapassados. Na universidade, na comunidade e
na comunidade escolar, a idéia comum é a de considerar tradicional o
profissional que não acompanha as “novidades” dos novos tempos. Mas,
afinal, se perdemos a referência/experiência de nossos pais, a
referência/teoria de pedagogos que deixaram experiências/vivências ainda
válidas nos tempos atuais, o que fazer, então? Temos saída? Qual é o
caminho e rumo a seguir?
Tentando responder as questões colocadas, vale lembrar que é
perigoso afirmar, a princípio, que toda organização educativa foi ou é
autoritária, artificial ou falsa.
E, com esse olhar para trás, na história, naquilo que foi dito e
pensado em diferentes contextos deve-se resgatar algumas concepções de
mundo e sociedade, ainda válidas para os dias atuais.
Acrescenta-se, ainda, que a educação também é sempre um
projeto, é um horizonte, algo sempre à frente, enquanto a “realidade” é
variável e cheia de contradições e interesses, os mais diversos. É por isso
que a realidade caminha devagar, de forma lenta, posto que a educação é
um conceito mais ou menos abstrato. O que se tem de concreto são as
pessoas (nossos avós, nossos pais, você, eu e nós) com seu jeito de ser, seus
sonhos, alegrias e tristezas. São os seres humanos que herdam do meio

176
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

O esquema abaixo elucida as três concepções

Tabela 1:
Concepção Teoria do Modelo de
Homem Conhecimento Escolas

Concepção Tradicional,
Empirismo
essencialista tecnicista

Humanismo,
Concepção anti-autoritário,
Racionalismo
Naturalista nova,
espontânea
Escola
progressista,
Concepção sócio-política,
Interacionismo
Histórico-Social modelos
dinâmicos de
participação
B GC
GLOSSÁRIO E Segue-se o que cada uma dessas concepções propõem.
A F Na concepção essencialista, que compreende o período da
Dialética: Antiguidade até a Idade Média, o homem tem uma natureza fixa, imutável,
Método de conhecimento,
que orienta os valores e suas ações, e a busca da perfeição é um ideal a ser
arte de discutir, modo de
conceber a realidade como atingido. A base de toda teoria educacional encontra-se em Platão,
processo dinâmico e Aristóteles e Santo Agostinho. A teoria e/ou corrente filosófica de
evolutivo conhecimento é o empirismo. O
sujeito recebe as influências do Fonte: www.unicamp.br
mundo externo. Para ilustrar como
esse processo ocorre, vale lembrar
que é muito comum ouvirmos de
nossos pais: É de pequeno que se
torce o pepino, ou seja, os adultos vão
moldando as crianças desde
pequenas através do processo
educativo. Pois bem, essa corrente
filosófica influencia diretamente a
Escola Tradicional. Na verdade, o
Figura 36: Dermeval Saviani
professor é o centro e o modelo a ser
seguido pelos alunos. É através da transmissão de valores, signos,
comportamentos que os alunos vão aprender um tipo de comportamento
para adaptar à vida adulta, na organização social. Daí, a imitação, a cópia,
a memorização e o modelo a ser seguido.
Com relação à concepção naturalista, ocorre uma revolução na
forma de compreender o conhecimento. Esse processo ocorre com as
grandes revoluções científicas, e o homem passa a ser o centro de toda
essa mudança; pode, doravante, interferir no mundo externo, já que faz
parte da natureza. A teoria do conhecimento deste período é o
racionalismo, ou seja, é a razão que orienta as ações do homem. A título de

177
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

exemplo, também é muito comum ouvirmos de nossos pais: Pau que nasce
torto morre torto. Esse tipo de
Fonte: www.planetaeducacao.com.br conhecimento, calcado numa
visão naturalista de homem,
vai influenciar o modelo de
Escola Nova. Nesse caso, o
aluno é o centro do processo
ensino, e o professor é um
orientador. É através do
aprender-a-aprender, ou seja,
agindo no ambiente educativo,
que as crianças aprendem. É
também neste tipo de escola
Figura 37: Escola Tradicional
que a ênfase recai nas
diferenças individuais das crianças. Os testes de inteligência também são
utilizados para descobrir quem são alunos mais inteligentes, e serviram,
durante muito tempo, para classificar os alunos na organização das turmas
nas escolas.
Você conhece alguma escola que utiliza esses testes ou outras
formas para organizar as turmas boas e as turmas fracas?
Continuando, tem-se a terceira concepção, denominada
Histórico-Social. Essa concepção avança em relação às duas anteriores.
Nela a concepção de homem não é fixa, imutável, nem se orienta na sua
natureza individual. Na concepção Histórico-Social, a visão de homem é a
de um ser integral em sua capacidade individual, espiritual e em suas
necessidades concretas de existência/sobrevivência. É o modo dialético de
viver e pensar num contexto político, social e econômico. O tipo de
conhecimento é o interacionista, ou seja, a vida do homem está
relacionada com suas condições materiais de existência e o processo
produtivo vigente. Essa teoria foi desenvolvida a partir do século XIX, com a
filosofia de Hegel (1770-1831) e Karl Marx (1818-1883). Ela vai
influenciar a escola progressista. Nesse modelo de escola, a relação aluno
e professor é de construção do conhecimento. Ambos podem aprender e
ensinar. A construção do conhecimento parte da realidade dos alunos da
escola, da sociedade, para voltar a ela modificada (SAVIANI, 1980). Esse
processo caracteriza-se pela participação coletiva dos sujeitos envolvidos.
Nessa direção, é importante destacar alguns teóricos da
educação brasileira que contribuíram e vêm contribuindo para a Filosofia
da Educação, na perspectiva Histórico-Crítica: Paulo Freire, Demerval
Saviani, Marilena Chauí, dentre outros.
Cabe, ainda, ressaltar que o momento atual é considerado, por
alguns autores, como pós-moderno. Nesse caso, estaríamos vivenciando
uma quarta revolução na área do conhecimento e das teorias
educacionais, na perspectiva dos filósofos americanos Richard Rorty e

178
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

Donald Davidson (GIRALDELLI JR., 2006, p.2).


Entretanto, não se propõe, aqui, aprofundar essa nova revolução
colocada pelo autor, devido a seu caráter polêmico e controverso no meio
acadêmico e intelectual. Alguns autores pós-modernos consideram que o
modelo de conhecimento da modernidade ainda não se esgotou, e outros
acreditam que sim. No entanto, já se percebe algo de “novo” exigindo
mudanças radicais no jeito de ser e de pensar das pessoas.
Entretanto, é preciso cautela. O discurso da mudança está
presente em todas as áreas onde ocorre o processo educativo: nas
empresas, nos hospitais, nas universidades, nas escolas, nos meios de
comunicação; mas, que tipo de mudança? A favor de quem ou contra
quem se deve mudar?
Como se registrou na introdução, nós, seres humanos, estamos
sem rumo, sem eixo, sem direção. Acreditamos que tudo o que foi
construído historicamente pela ação concreta dos homens deve ser jogado
no eixo da história. No entanto, o método dialético é um instrumento que
pode ajudar-nos a contrapor-nos ao pensamento único de concepção de
vida baseado no presentismo, onde o “antes” e o “depois” pouco
importam. Apenas o “agora” é provisoriamente “real” e logo se desfaz.
É nessa perspectiva de um projeto filosófico de emancipação do
homem que discutiremos a questão da política e da estética como um
processo de libertação criadora do homem na sociedade.

5.3 ESTÉTICA

Desde as sociedades primais , o homem tem buscado formas de se


fazer ver e sentir pelo espaço que habita. Independente do processo sócio-
histórico-cultural vivenciado, procurou formas de compreender e dar
sentido à sua existência. A arte foi e é um dos contornos desenvolvidos e
utilizadas pelo homem para se ver e se fazer visto, para sentir e externar
PARA REFLETIR suas emoções e sentimentos. Em diferentes épocas, a arte foi um canal de
expressão humana, seja numa pintura no interior de uma caverna no
Paleolítico ou por meio de uma intervenção imagética urbana, a arte
Os homens sempre fizeram
arte preocupando-se com expressa a busca humana em traçar relações consigo mesmo, com os
algo mais que seu valor seus, com a natureza e com o que se apresenta como mistério. Desta
pragmático; por exemplo, forma, ocupa um lugar privilegiado na experiência humana.
pelo prazer que Quando a segregação racial e cultural ou mesmo a desigualdade
proporciona, porque seduz
econômica separa povos e modos distintos de percepção, esta expressão
ou comunica algo de nós.
Nestor Garcia Canclini humana tem o poder de alcançar o homem em sua intimidade e unificá-lo
pelo sentimento ao aproximar os “diferentes” a exemplo da união entre
brancos e negros pelo samba brasileiro, pelo blues, ou o rock'roll
americano. Através da arte, o homem atribui sentido à realidade e
transforma o vivido em objeto de conhecimento, realizando uma
transformação simbólica do mundo.
O artista, através da sua obra, cria um mundo outro – mais

179
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

intenso, mais significativo - por cima da realidade imediata. É claro que


esse mundo outro criado pelo artista nasce da sua cultura, da sua
experiência de vida, das suas idéias, da visão de mundo que possui e que
são expressos em objetos concretos. Pela arte, a visão de mundo é dita de
outro modo, através de símbolos e da criação - a partir de informações e
elementos retirados do mundo – de signos especiais. Por meio destes, a
realidade é vislumbrada de outra maneira, pois tais signos, compostos pelo
artista, fogem à convenção dos conceitos e operam uma transfiguração do
mundo ante nossa sensibilidade sendo, então, capazes de liberar nossas
emoções. É o que promove a poesia, a dança, a música, a pintura e outras
expressões artísticas que ao serem captadas pela intuição do homem
violam a obrigatoriedade racional de compreender o mundo.
A possibilidade de conhecer a realidade pela arte torna-a
atraente, encantadora e fascinante, disponível a novas des-cobertas e
possível de re-significações. Neste sentido, é eterna e estimulante, pois
instiga a dúvida, a curiosidade e a admiração, sensações essenciais para a
busca do conhecimento. Ao transformar experiências de vida em objetos
de conhecimento, o artista cria linguagens que fogem à lógica racional
desafiando a inteligência e provocando sensibilidades. O conhecimento
presente na obra de arte não se des-vela pela razão, mas pelo sentir
humano, pelas emoções que habitualmente encontram-se presas na vida
prática e imediata.
Considerando que o ser humano não é apenas razão, isto é, que
possui dimensões nem sempre viabilizadas pelo pragmatismo do
capitalismo, podemos afirmar que a arte, se valorizada e incentivada pode
colaborar na construção de um homem crítico e reflexivo. Um homem apto
a desenvolver ações éticas e a rejeitar atitudes contrárias à vida. Se uma
obra de arte é capaz de provocar sensações sublimes também é capaz de
gerar sentimentos de ódio e crueldade além, é claro, de também retratá-
los.
No entanto, neste texto, priorizaremos a função reveladora da
arte, a possibilidade de pela obra artística obter a apreensão do mundo e
adquirir conhecimentos. Mas, como conhecer através de uma obra de
arte? Como chegar ao conhecimento que ela domina? Esse exercício não é
fácil, exige disponibilidade e treino da sensibilidade, melhor, exige
educação: a educação estética.

5.4 EDUCAÇÃO ESTÉTICA

Tradução da palavra grega aesthesis, que significa conhecimento


sensorial, experiência, sensibilidade, Estética é toda busca filosófica que
tem como objeto a arte e o belo. Na filosofia moderna e contemporânea,
as investigações em torno desses objetos coincidem diferentemente da
filosofia grega onde eram considerados distintos e independentes.

180
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

A partir do século XVIII, as noções de arte e belo mostram-se


atreladas, como objetos de uma única investigação em função do conceito
de gosto, compreendido como capacidade de discernir o belo, tanto dentro
quanto fora da arte. A noção de estética nos séculos XVIII e XIX
pressupunha que a arte é produto da sensibilidade, da imaginação e
inspiração do artista e que sua finalidade é a contemplação, isto é, a busca
do belo pelo artista e, o julgamento do valor de beleza por aquele que a
contempla. Entretanto, o gosto deixa de ser critério de apreciação da arte.
Esta passa a ser vista como expressão de emoções e desejos, experiência
vivida e simbólica, atividade criadora, transformação simbólica do mundo,
interpretação e crítica da realidade social.
A educação estética se
Fonte: www.mundodosfilosofos.com.br
a p r e s e n t a , n a
contemporaneidade, como uma
necessidade, sobretudo, em
sociedades onde a violência se
encerra no padrão de
normalidade. No entanto, deve-se
esclarecer que a educação estética
não significa educar para o belo,
pois este quase sempre está ligado
a gostos relativos aos padrões de
beleza vigentes e dominantes. A
palavra estética refere-se ao
sensível, ao perceptível, ao
Figura 38: O “Abaporu” de Tarsila de
sensual; falar em educação Amaral, artista brasileira que pela sua
estética, portanto, é falar em imaginação procurava representar as
educação da sensibilidade. lendas e o folclore brasileiro.

Na cultura ocidental,
onde os processos de
conhecimentos estão cada vez mais racionalizados pela mecanização, a
sensibilidade é tratada como uma dimensão secundária e pouco relevante
não sendo reconhecida como uma dimensão humana natural que
caracteriza a espécie humana. No mundo globalizado, marcado pela
racionalidade tecnocientífica, a sensibilidade é tida como serva da razão,
como matéria prima para realizações cognitivas como: ir à lua, controlar e
dominar as máquinas, fazer guerra.
Por natureza, somos seres estéticos, portanto, a educação estética
não se limita a regular nosso comportamento segundo os padrões
estabelecidos e dominantes de gosto e, sim, ao desenvolvimento e
aperfeiçoamento de uma dimensão essencial à existência efetiva e afetiva.
Neste sentido, o estético não é desnecessário e fugaz, é o campo onde a
experiência humana alcança seu supremo grau de realização pois tudo o
que vemos e percebemos é naturalmente sensível e o nosso ser não
somente percebe, mas também sente.

181
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

Para uma educação da sensibilidade que valorize a ética, deve-se


inicialmente reconhecer a multiplicidade da espécie humana, em todas as
suas dimensões e universos culturais. Assim, não há como afirmar um
modelo de beleza como universal. Cada ser humano é uma singularidade e
são infinitas as formas de dizer e sentir o mundo. Não é tolerável, para o
bem viver, o estabelecimento de hegemonias axiológicas. Qualquer que
seja a hegemonia, ela só retrata dominação, prepotência e arrogância de
uns sobre outros. Uma educação estética, portanto, deve ter como
elemento fundante a diversidade, pois toda forma de ser no mundo é um
modo de ser sensível.
Em consonância com a diversidade humana, a educação estética
se torna também educação ética e uma vez priorizada na escola pode
combater a violência cada vez mais forte neste espaço social. Existem
indivíduos que não aceitam a Cidadania, não conseguem perceber a
relação direta entre os deveres e os direitos. A ausência desta percepção
resulta no não-compromisso, no não-envolvimento com a família, com o
trabalho, com o outro levando a um estado de “inadaptação” social. A não
acomodação social produz reações violentas e situações de conflito, gera
um mal estar social imenso onde a inverdade reina soberana. São
situações que a escola tem dificuldades para lidar. Como, então, incitar o
desenvolvimento de um ser estético e, conseqüentemente, ético, num
espaço cada vez mais violento como o espaço escolar? Primeiramente é
preciso conscientizar o docente da sua importância como mediador no
processo ensino-aprendizagem no sentido de que ele ultrapasse as
limitações mercadológicas vigentes e desenvolva em si mesmo a
sensibilidade e a autonomia. Porque somos seres sensíveis e singulares,
precisamos aprender a ser além das imposições do mercado se queremos
cultivar em nossos alunos valores humanos que não dependem das
oscilações do mesmo, mas valores ligados à vontade de viver bem com os
outros.
Conscientizado, o docente terá condições psico-afetivas para
estimular vivências necessárias ao desenvolvimento da Cidadania bem
como poderá motivar os educandos e a comunidade a participar da
resolução de problemas. Tais ações, entre outras questões, requer
suscetibilidade, criatividade e uma consciência educada esteticamente.

5.5 POLÍTICA

A epígrafe acima indica a relevância da política como atividade


que diz respeito à vida pública e nos convida a refletir sobre ela. No dia-a-
dia empregamos a palavra política em formas que não dizem respeito ao
seu sentido fundamental. Uma delas é a sua identificação com a
politicagem, identificação esta que retrata o desalento social frente às
“ações políticas” dos homens públicos, aqueles escolhidos pelo voto direto.

182
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

A desconfiança gerada pelos atos dos políticos - em sua maioria


desprovidos de compromisso social – se transforma em repúdio e,
conseqüentemente, no não exercício da Cidadania, e as conseqüências de
tais atitudes são, para o povo, desastrosas e duradouras. É justamente o
desinteresse político que reforça e legitima as ações imorais praticadas por
homens públicos tão largamente anunciadas nos meios de comunicação.
Faz-se necessário estar atento à política desenvolvida pelos representantes
do povo, faz-se necessário participar das decisões que comprometem a
vida de todos. Para tanto, é imprescindível o despertar para a política a fim
de que a cobrança pelo exercício ético seja mais efetiva.
PARA REFLETIR
Mas o que é política? É uma atividade do governo? Uma
profissão? É ação coletiva? Na verdade, podemos tomar a política como a
Os homens nascem e arte de governar, de gerir os destinos da cidade. Etimologicamente,
permanecem livres e iguais política vem de pólis, (“cidade”, em grego). A teoria política grega está
em direitos. A finalidade de voltada para a busca de elementos que tornem possível o bom governo. A
toda associação política é a associação entre ética e política é evidente na teoria grega, pois para a
conservação dos direitos
naturais e imprescritíveis do efetivação de um bom governo, isto é, de um governo é necessário um bom
homem. Esses direitos são: governante.
a liberdade, a Os gregos da época clássica se organizaram em comunidades
prosperidade, a segurança autônomas compostas de homens livres e iguais em poderes e
e a resistência à opressão.
responsabilidades. O espaço da pólis era comum e público, incluía os
Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão costumes, as leis, os templos, os deuses, a administração, o comércio e a
(1789 – França) ágora, praça onde se debatia e se deliberava sobre todos os assuntos. Na
pólis grega existiu, talvez, a única democracia direta da história, seus
habitantes exerciam funções públicas em rodízio e em suas assembléias;
na ágora, decidiam livremente os destinos coletivos. A finalidade de tudo
era o cumprimento do Bem, entendido como princípio de harmonia do
Kósmos. Entretanto, a democracia grega teve suas lacunas. Os gregos
eram possuidores de escravos, geralmente não gregos vencidos em
guerras. E em relação a estes, não se comportavam do mesmo modo que
se comportavam com os homens livres. Com os escravos, o grego procedia
como despotés (senhor de escravos). Isso significa que, fora dos negócios
da pólis, as relações entre os gregos eram marcadas pela desigualdade
entre quem tem poder e quem está privado dele. Com a decadência da
civilização grega e a consolidação do Império Romano, a idéia de que o
homem se realiza como tal na pólis foi substituída pela idéia de que as
relações sociais são constituídas por relações de poder.
Organizar e gerir uma instituição, seja ela qual for, envolve
questões de poder, e discutir política quase sempre é referir-se ao poder.
Outra questão, então, se apresenta como imprescindível para uma melhor
compreensão sobre política. O que é poder? Qual é a sua legitimidade?
Qual o seu fundamento?
O poder não é um ser, mas uma relação, é a capacidade de agir,
de produzir efeitos sobre indivíduos ou grupos humanos. Envolve Potência
(possibilidade não atualizada de mandar e se fazer obedecer), Força

183
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

(meios adequados que garantem o exercício da Potência) e Dominação( o


exercício atualizado da ordem que impõe a obediência consentida ou não).
Nesse sentido, pode-se considerar o exemplo das relações de poder entre
um sindicato e o governo. Um sindicato tem poder em potência de obrigar
o governo a atender uma exigência, uma vez que pode movimentar seus
membros para uma greve. Mas, somente quando a greve está organizada
é que o sindicato irá contar com esse meio de força para obter o
acolhimento de sua reivindicação. O poder, então, se configura em ordem
– obediência. Se alguém manda, alguém deve obedecer. Se alguém é
instituído de poder, é porque alguém investiu poder, portanto, deixou de tê-
lo.
Neste sentido, são várias as formas de poder, e uma delas é o
poder do Estado que desde a modernidade se configurou como instância
do poder político, do administrativo e, como instância de monopólio
legítimo da força. Mas, a força física não é uma condição suficiente para a
manutenção da ordem, pois o poder precisa ser legítimo e, na nossa
história, encontramos várias formas de legitimação. No Estado teocrático,
o poder é convalidado pela vontade divina, nas monarquias, a legitimação
vem da tradição, na aristocracia vem dos melhores (ricos, nobres, elite do
saber) e na democracia, vem do consenso, da vontade do povo.
Historicamente, o ideal democrático se destacou como algo que
deve ser obrigatoriamente realizado. A democracia é uma das mais
importantes ideologias européias, estreitamente atrelada aos ideais
utópicos concebidos pela filosofia de Rousseau e proclamados pela
Revolução Francesa de 1789. Nessa utopia rousseauniana a liberdade é
concebida como ato da razão, é universal e moral não visando a satisfação
particular. A partir do século XVIII , a utopia democrática esteve presente
em todos os movimentos políticos, ou como ideal verdadeiro ou como um
discurso de sedução. Os que defendem um programa político liberal o
justificam como meio para alcançar a democracia, e os que defendem um
programa político socialista também o justificam como meio para alcançar
a democracia. Isso demonstra que o ideal democrático aparece na história
com roupas diferentes e como algo que deve ser efetivamente
concretizado. Assim, é colocado como um valor eterno e como patrimônio
da humanidade. O princípio de valor que toda sociedade democrática
deve ter é que todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Esse
princípio tem sido reconhecido em todas as constituições políticas dos
Estados modernos, a própria idéia de constituição política é
essencialmente democrática. Mas será que a idéia democrática é uma
realidade?
Segundo Chauí (1980, p.156), no conceito de democracia deve
estar implícito as idéias de conflito, abertura e rotatividade. Democracia
supõe heterogeneidade, divergências, dissensos e, a partir dos conflitos –
não no sentido pejorativo - uma sociedade democrática cresce, pois
aprender a conviver e coexistir com os diferentes é um grande exercício

184
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

ético. Democracia indica abertura no sentido de que as informações


devem circular livremente para que todos tenham acesso à cultura e à sua
compreensão. Numa democracia é imprescindível a rotatividade, no
Estado democrático o lugar do poder é vazio, sem donos, e todos os setores
sociais devem ser legitimamente representados.
Ora, para que realmente uma democracia exista é relevante a
criação de mecanismos que a efetive, e um mecanismo essencial na
construção de seres democráticos certamente é a educação. A consciência
democrática é formada mediante um trabalho de politização contrário ao
vício da passividade. A passividade espelha o exagerado individualismo
cultivado pelo modo de produção capitalista que dissemina a idéia de
felicidade como um projeto somente alcançável pelo consumo excessivo.
Uma educação política, portanto, seria a des-construção de ideologias que
re-afirmam o consumismo como projeto de vida. É preciso vislumbrar a
educação como formação para a cidadania e da cidadania. A educação
em seu sentido mais profundo se realiza não apenas no acesso de
informações, mas, primordialmente, na produção do conhecimento:
pensar o que ainda não foi pensado, dizer o que ainda não foi dito. O
trabalho do pensamento des-constrói no imaginário social idéias de
violência social, econômica, política e cultural, uma vez que traduz
criatividade. Orientando-se nesta perspectiva, a atividade educacional se
realiza como negação da realidade dada, pois estimula o senso crítico,
estético e ético.

185
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. São Paulo: Brasiliense,


1981.

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática,2001.


______. Cultura e Democracia. O Discurso Competente e Outras Falas.
São Paulo: Cortez,1980.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário de Língua


Portuguesa. 5. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,

GIRALDELLI JR., Paulo. A teoria educacional no Ocidente: entre


modernidade e pós-modernidade. Disponível em: <http://www.scielo.br/
scielo.php?pid=S0102-88392000000200005&script=sci_arttext>.
Acesso em: 08/09/2008.

SAVIANI, Dermeval. Educação: do senso comum à consciência filosófica.


São Paulo: Cortez, 1980.

______. Escola e democracia. São Paulo: Cortez, 1985.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Filosofia da Educação: construindo a


cidadania. São Paulo: FTD, 1994.

Sites de imagens

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186
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

RESUMO

1- A pergunta é o ponto de partida do ato de filosofar


2- O surgimento da filosofia é algo tipicamente antropológico. Só
o homem pergunta, só o homem responde.
3- Quando falamos em pensamento, estamos mencionando
aquilo que é produzido pela própria razão, entendida pelos gregos como
logos, aquilo que nos faz colocar em xeque a ordem das coisas.
4- A virtude era considerada um modo de o homem mostrar sua
superioridade em todos os sentidos, inclusive na vida pública, nos negócios
da cidade em prol da coletividade.
5- A importância de Platão e Aristóteles não reside somente no
que podemos entender como pioneirismo e exclusividade na abordagem
do assunto, pois na cultura grega arcaica já havia indícios de uma visão
educacional que nos servirá como ponto de partida para a compreensão
do problema do conhecimento e da ontologia.
6- O ponto de partida da reflexão humeana está em considerar
que todo conhecimento que se refere ao mundo começaria com a
experiência fundando-se na percepção
7- A subjetividade em Descartes alcança um status, um grau de
autonomia e liberdade para com a realidade exterior tornando-se, então, o
modo privilegiado para pensar o sujeito e também o mundo.
8- O contexto da reflexão kantiana seria o século XVIII, marcado
por duas ciências que apresentavam resultados indiscutíveis para a
humanidade: matemática e física.
9- Ao contrário da matemática e da física, que buscavam
conhecer os seus objetos junto à experiência, a metafísica tentaria
conhecer algo que ultrapassa a experiência.
10- Temos, já no séc. V a.C, o filósofo Aristóteles afirmando que o
homem é um “animal político” por natureza e, portanto, não pode
prescindir, ou seja, não pode abrir mão da presença de outros homens para
viver
11- o Pragmatismo é um movimento filosófico que tem como
característica principal a valorização da 'prática' em oposição à 'teoria'
12- Para Dewey o papel da Filosofia pragmática enquanto
instrumentalismo é o de contribuir para o desenvolvimento científico e
moral dos homens. E não há como pensar esses dois campos de modo
separado.
13- Do ponto de vista político, o contexto do capitalismo avançado
é caracterizado pela necessidade do Estado ser legitimado mediante um

187
Filosofia da Educação Unimontes/UAB

sistema de democracia formal, no qual é difundida a lealdade das massas


que não percebe sua submissão a uma ideologia tecnocrata que comanda
ideologicamente os meios de comunicações para atender seus próprios
interesses mascarados de pretensos interesses universais
14- Antes de tudo, vale lembrar que a Filosofia tem como objeto de
estudo o homem. Assim, em tudo o que diz respeito à existência humana,
aí se encontra a Filosofia.
15- Diferentemente das descobertas científicas que vão tornando
tudo antigo, as teorias educacionais, de certa forma, no todo ou em parte,
continuam atuais – mesmo que em determinados momentos históricos se
tenha a sensação de descontinuidade. Elas continuam presentes, mas
tentando responder: O que é o ser humano?
16- Na concepção essencialista, que compreende o período da
Antiguidade até a Idade Média, o homem tem uma natureza fixa, imutável,
que orienta os valores e suas ações, e a busca da perfeição é um ideal a ser
atingido.
17- A educação estética se apresenta, na contemporaneidade,
como uma necessidade, sobretudo, em sociedades onde a violência se
encerra no padrão de normalidade.
18- Na cultura ocidental, onde os processos de conhecimentos
estão cada vez mais racionalizados pela mecanização, a sensibilidade é
tratada como uma dimensão secundária e pouco relevante não sendo
reconhecida como uma dimensão humana natural que caracteriza a
espécie humana.

188
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM

1– Faça uma interpretação do Mito da Caverna, de Platão, levando em


consideração sobretudo o dualismo “mundo sensível e mundo inteligível” e
a relação entre conhecimento e ignorância.

2– Aprendemos que a filosofia nasce do ato de perguntar, de questionar


sobre as coisas. Sendo assim, descreva sobre a ocupação dos primeiros
filósofos e suas preocupações.

3- A partir da visão grega de educação, explique a diferença entre as


concepções de Platão e Aristóteles sobre a Educação.

4- Explique a frase do texto: “um modo específico de compreender a nós


mesmos no mundo se dá pela compreensão do nosso ser, da nossa
essência, daquilo que somos verdadeiramente”.

5- Marque somente a alternativa correta. Para Descartes, o conhecimento


não está mais gravado no mundo. Isso significa que:

a) ( ) está dado na consciência do sujeito pensante.


b) ( ) está dado nas verdades determinadas pela Igreja.
c) ( ) está dado na experiência.
d) ( ) está dado nas verdades mitológicas.

6- O filósofo Charles Sanders Peirce foi o primeiro a utilizar o termo


Pragmatismo. Sua teoria está resumida na chamada “regra pragmática”.
Marque a alternativa que explica a “regra pragmática.

a) ( ) Para compreender o verdadeiro significado das idéias será preciso


refletir sobre os efeitos práticos causados pelas idéias quando as mesmas
são aplicadas na realidade concreta.
b) ( ) Para compreender o verdadeiro significado das idéias será
necessário comparar essas idéias com outras teorias de outros filósofos.
c) ( ) Para compreender o verdadeiro significado das idéias é necessário
comprová-la matematicamente, ou seja, através de cálculos matemáticos.
d) ( ) Para compreender o verdadeiro significado das idéias será preciso
analisar quais as intenções do autor de tais idéias.
e) ( ) Para compreender o verdadeiro significado das idéias é necessário
refletir sobre o período da história em que tais idéias se inseriam.

7- A respeito do pensamento de Habermas e Rorty marque V para as

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Filosofia da Educação Unimontes/UAB

questões verdadeiras e F para as questões falsas.

a) ( ) Habermas e Rorty entendem que a linguagem filosófica deve ser


eleita como a linguagem mais preferencial para os indivíduos exercitar
sua autonomia e sua criatividade.
b) ( ) A Teoria da Ação Comunicativa de Habermas está relacionada com
virada lingüística ao reivindicar uma linguagem pragmática constituída a
partir de ações sociais concretas.
c) ( ) Podemos dizer que Habermas, assim como Rorty concebe a
metáfora como imprescindível para a ampliação e multiplicação dos
conceitos
d) ( ) A intersubjetividade é indicada por Habermas como um possível
paradigma para constituir uma educação pedagogizadora , que
proporcione uma relação interativa entre professor/aluno/família/
comunidade.
e) ( ) Evidentemente, a Teoria da Ação comunicativa de Habermas visa
o ensino profissionalizante, o qual prepara o educando para argumentar ,
criticar e agir na sociedade .

8- Marque somente a alternativa correta: O filósofo William James afirma


que as idéias devem ser avaliadas a partir de sua:
a) ( ) UTILIDADE. Ele acredita que as idéias são válidas apenas se forem
úteis na vida dos indivíduos.
b) ( ) BELEZA. Ele acredita que as idéias são válidas apenas se tornarem a
vida mais bela.
c) ( ) CLAREZA. Ele acredita que as idéias são válidas apenas se os
homens compreenderem totalmente o seu significado.
d) ( ) ETICIDADE. Ele acredita que as idéias são válidas apenas se
apresentarem conteúdos éticos.
e) ( ) JUDICIDADE. Ele acredita que as idéias são válidas apenas se forem
idéias justas.

9-Com relação à filosofia de John Dewey, marque V para as questões


verdadeiras e F para as questões falsas.

a) ( ) A filosofia deweyana foi chamada de instrumentalista porque o


próprio Dewey acreditava que as idéias eram como instrumentos para
serem utilizados em auxílio dos homens em suas experiências de vida
b) ( ) Dewey não acredita que a educação possa contribuir para a
qualidade de vida dos homens. Isso porque os homens já nascem com um
destino traçado e nada pode ser mudado em suas vidas.
c) ( ) A filosofia de Dewey propõe que a Educação não leve em conta os
aspectos morais e éticos dos indivíduos e desenvolva apenas o
conhecimento científico que é mais importante.

190
Artes Visuais Caderno Didático I - 1º Período

d) ( ) Os indivíduos devem ser educados para buscar apenas os bens que


eles consideram úteis para si mesmos.
e) ( ) Dewey acredita que o desenvolvimento do conhecimento científico
deve promover o desenvolvimento dos valores morais e éticos de uma
sociedade.

10-“Um artista só pode exprimir a experiência daquilo que seu tempo e


suas condições sociais tem para oferecer” ( Fischer). Por essa razão...
a- ( ) o artista nem sempre trabalha em favor da sociedade.
b- ( ) a subjetividade de um artista consiste em que sua experiência não
seja igual a dos homens do seu tempo.
c- ( ) a arte capacita o homem a compreender a realidade, o ajuda a
suportá-la e a transformá-la.
d- ( ) a arte é apenas uma realidade subjetiva e nunca uma realidade
social.

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REFERÊNCIAS

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

ABBAGNANO, N. História da Filosofia. 14v. Lisboa: Presença, 1978.

ANDERY, M. A. et al. Para compreender a ciência: uma perspectiva


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EPU/EDUSP, 1975.

BIBLIOGRARIA COMPLEMENTAR

ARAÚJO, Inês Lacerda. da “pedagogização” à educação: acerca de


algumas contribuições de Foucault e Habermas para a filosofia da
educação. In. Revista Educacional, Curitiba, v. 3, n 7, p. 75-88/dez 2002.

BUZZI, Arcângelo R. Filosofia para principiantes: a existência humana no


mundo. 9. ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 1998.

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 6. ed. São Paulo: Ática, 1995.

DEWEY, John. Vida e Educação. Trad. Anísio Teixeira. São


Paulo:Companhia Editora Nacional, 1959.

HABERMAS, Jürgen. A inclusão do outro. Trad. George Sperber e Paulo


Astor Soethe. São Paulo: Loyola, 2002.

JAPIASSU, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia.


4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

REALE, Giovanni e ANTISERI, Dário. História da filosofia. 4.ed. v. III Trad.


Álvaro Cunha. São Paulo: Paulus, 1991.

REZENDE, Antônio. (org.) Curso de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.

192
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RORTY, Richard. Contingência, ironia e solidariedade. Trad. Nuno


Ferreira da Fonseca. Lisboa: Presença, 1992.

STROH, Guy W. A filosofia americana: uma introdução (de Edwards a


Dewey). Trad. de Jamir Martins. São Paulo: Editora Cultrix, 1968.

BIBLIOGRAFIA SUPLEMENTAR

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da filosofia.


Trad. João Azenha Jr.. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

OSBORNE, Richard. Filosofia para principiantes. Trad. Adalgisa Campos


da Silva. Rio de Janeiro: Objetiva, 1992.

RUSS, Jacqueline. Dicionário de filosofia. Trad. Alberto Alonso Muñoz.


São Paulo: Scipione, 1994.

TELES, Antônio Xavier. Introdução ao estudo da filosofia. São Paulo:


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Sites

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<http://www.memoriaviva.com.br/drumond/index2.htm.>

BRECHT, Bertold. O analfabeto político. Disponível em


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CARVALHO, Olavo de. O imbecil coletivo: atualidades inculturais


b r a s i l e i r a s . D i s p o n í v e l e m
<http://www.olavodecarvalho.org/livros/peirce.htm>.

SAMPAIO JR., Plínio de Arruda. Entrevista. Disponível em


<www.pucrs/mj/entrevista-09-2005.php
www.mundodosfilosofos.com.br

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Filosofia da Educação Unimontes/UAB

AGENDA DO ACADÊMICO
COORDENADOR
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1º PERÍODO
Introdução à Educação a Distância
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Iniciação Científica
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Filosofia da Educação
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TUTOR A DISTÂNCIA.
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TUTOR PRESENCIAL
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