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Licenciatura em Teatro

Componente Curricular: LEAT IV


Professor: Manuela Nogueira
Aluno: Erwin Wagner Filho

Teatro e Comunidade: um diálogo com Paulo Freire

Uma abordagem que pretenda dialogar com o método Paulo Freire,


antes de tudo, há de se reconhecer que o próprio Freire considerava seus
pressupostos teóricos muito mais uma “Teoria do Conhecimento”, do que uma
“Metodologia de Ensino”, ou ainda, muito mais um “método de aprender” do
que um “método de ensinar”.
Dessa forma, o pensamento freireano constitui uma ruptura com a
história pedagógica do país, cujo modelo se encontra subordinado à lógica
econômica, em que impera o individualismo, como também com o ensino
pragmático e sectário, com o autoritarismo na relação professor e estudante e
com a ideia de neutralidade científica.
A proposta pedagógica de Paulo Freire é veemente na abordagem de
desvelamento da realidade, entendendo que ainda que a alfabetização seja um
processo essencial, a recuperação da humanidade do oprimido é imperativa.
Tal pensamento consolidaria uma pedagogia disposta a enfrentar a
educação elitista, massificada e excludente, atravessando de forma incisiva
seus paradigmas na direção de uma educação popular, para uma formação
democrática, em consonância com um projeto educacional libertador.
Para tanto, Freire considera o estudo da realidade, o lugar de fala do
educando e a organização de dados, o lugar de fala do educador, e nesse
diálogo é que surgem os “Temas Geradores”, os quais sempre extraídos da
problematização da vida cotidiana dos educandos, a partir dos quais serão
construídos e abordados os conteúdos. Esse aspecto é defendido por Freire no
sentido de salvaguardar o educando de ocupar o lugar de recipiente de
informações fora do seu contexto social e cultural.
Dessa forma, um novo relacionamento entre educador e educando é
construído, numa perspectiva horizontal, no qual, ambos são sujeitos do ato do
conhecimento, eliminando, assim, a relação de autoridade, a exclusão do
contexto sociocultural e o individualismo. (FREIRE, 1987)
Dentro dessa perspectiva, a escola Spectaculu que atua desde 1999 no
Cais do Porto do Rio de Janeiro, sem fins lucrativos, ao desenvolver uma
educação voltada para a capacitação profissional nas áreas de Arte e
Tecnologia para jovens de 17 a 21 anos, oriundos da rede pública de ensino e
moradores de regiões de vulnerabilidade social do Rio de Janeiro, imerge do
universo da educação básica e profissional consolidada no Brasil dentro dos
parâmetros condicionantes de um conhecimento fragmentado, estanque e
unidirecional, para constituir uma nova abordagem didático-metodológica que
insere o jovem no mercado de trabalho, oportunizando sua autonomia como
cidadão, sem desconsiderar a formação técnica e humana necessárias à
condição de um profissional com perspectivas de ampliar seus horizontes
quanto à educação e o trabalho. (SPETACULU,
A interação dos formadores com os educandos implica numa
abordagem, cujo processo de criação envolve, em termos metodológicos, o
enfrentamento de questões, tais como, evitar uma relação de invasão cultural;
garantir um processo democrático; a interação de culturas diferentes.
O papel do educador dentro dos princípios abordados por Paulo Freire
são reconhecidos na proposta educacional da Spectaculu, principalmente, no
que se refere ao diálogo como fundante da relação educador/educando,
respeito pelo diferente, no trabalho que envolve conhecimento mútuo, em que
ambos, comunidade e educadores, pesquisam a comunidade na busca de
temas significativos que podem estar na base de processos de formação
profissional e humanística.
No entanto, não se pode deixar de refletir no quanto o processo artístico
materializado pela indústria do entretenimento pode ser capaz de inverter tais
prioridades, colocando-se como protagonista das decisões e escolhas dos
educadores e educandos, voltando-se para a submissão à lógica do capital, na
busca por empreendimentos em consonância com os ditames do mercado
econômico (MÉSZÁROS, 2005).
Sem desconsiderar a importância que a formação profissional exerce
dentro de comunidades que carecem de uma formação mais competitiva, o
caminho a ser trilhado envolve vigilância, maturidade e bom senso, a fim de
que sejam criadas perspectivas que acompanhem a dinâmica econômica do
país, em, portanto, desumanizar o processo educacional desses jovens.
O desafio está colocado, para educadores e educandos, que necessitam
enfrentar este debate de forma consciente, buscando uma possibilidade de
transformação e elevação do homem social e emancipação econômica, o que,
com certeza, não representa um caminho fácil de ser trilhado.

Referência Bibliográfica:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17ª. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra
3 (1987): 343-348.

MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. São Paulo 2. 2005.

SPETACULU. Spetaculu – Escola de Arte e Tecnologia. 2017.


Disponível em: <https://www.spectaculu.org.br>. Acesso em: 24
mar. 2019