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Samuel Pessôa (/colunas/samuelpessoa/)

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PREVIDÊNCIA (HTTPS://WWW1.FOLHA.UOL.COM.BR/MERCADO/PREVIDENCIA)
GOVERNO BOLSONARO (HTTPS://WWW1.FOLHA.UOL.COM.BR/ESPECIAL/2018/GOVERNO-BOLSONARO)

Entre 2016 e 2018, despesa, incluindo benefícios assistenciais, foi de 14,4% do PIB
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17.fev.2019 às 2h00

EDIÇÃO IMPRESSA (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/fac-simile/2019/02/17/)

O Congresso Nacional receberá nas próximas semanas a proposta de reforma


da Previdência (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/previdencia/) do governo de Jair
(https://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/governo-bolsonaro/)Bolsonaro

(https://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/governo-bolsonaro/).

Uma correção: na coluna da semana passada


(https://www1.folha.uol.com.br/colunas/samuelpessoa/2019/02/o-problema-previdenciario.shtml),
afirmei que o
RGPS (Regime Geral de Previdência Social) urbano foi deficitário de 2002 até
hoje. Não é verdade. De 2009 a 2015, foi superavitário. Agradeço ao leitor
Ricardo Knudsen por apontar-me a incorreção.

Entre 2016 e 2018 esse déficit, mesmo incluindo na receita as renúncias fiscais,
foi de, respectivamente, R$ 107 bilhões, R$ 139 bilhões e R$ 149 bilhões.

Em 2017, o RGPS pagou 30,3 milhões de benefícios, sendo 20,7 milhões para
trabalhadores urbanos e 9,5 milhões para trabalhadores rurais. O gasto no ano
foi de R$ 435 bilhões para os benefícios do sistema urbano e R$ 120 bilhões do
sistema rural, totalizando R$ 555 bilhões. Esse gasto corresponde a 8,5% do
PIB (Produto Interno Bruto).

Os RPPS (Regimes Próprios de Previdência Social) dos servidores civis e


militares da União, estados e municípios custaram R$ 333 bilhões ou 5,1% do
PIB.

Assim, chega-se a 13,6% do PIB quando somamos os dois sistemas


previdenciários. Se adicionarmos os R$ 56 bilhões do BPC (Benefício de
Prestação Continuada), de caráter assistencial, resulta 
despesa total de 14,4% do PIB.

Se o Regime Geral inclui 30 milhões de pessoas, os Regimes Próprios


atenderam, em 2017, 4 milhões de pessoas, sendo 1 milhão na União, 2,3
milhões nos estados e 662 mil nos municípios. Em geral, 30% dos
benefícios são pagos para pensionistas.

O leitor pode encontrar essas e outras informações nos links goo.gl/YPxT1m


(http://goo.gl/YPxT1m) e goo.gl/s47Vj2 (http://goo.gl/s47Vj2).

Vale lembrar algumas diretrizes. Primeiro, é importante haver alguma


vantagem no critério de concessão do benefício do piso do sistema
contributivo, em comparação ao benefício assistencial.

Uma segunda diretriz refere-se à diferenciação de gênero na idade mínima. O


argumento é que as mulheres arcam com a maior parte dos custos da criação
dos filhos, incluindo a gravidez e todo o período de amamentação, além da
educação.

O erro desse argumento é que muitas mulheres não têm filhos e algumas têm
mais filhos do que outras, além da maior expectativa de vida aos 65 anos. 

Assim, o ideal é que a diferenciação de gênero considere o número efetivo de


filhos de cada mulher e, para mulheres que não tiveram filhos, não deveria
haver a diferenciação.

Uma possibilidade é reduzir os anos de contribuição requeridos das mulheres


de acordo com o número de filhos.
Outra possibilidade, como defendeu o estudioso da educação João Batista
Araujo e Oliveira em recente coluna no jornal O Estado de S. Paulo, é aumentar
a licença-maternidade.

A terceira diretriz é a atual reforma manter o dispositivo que havia na anterior,


de requerer idade mínima ao servidor que ingressou no sistema antes de 2003
para ser elegível ao princípio da integralidade e da paridade.

Finalmente, há o tema da necessidade de a idade mínima ser distinta em


diferentes estados da Federação pois a expectativa de vida é menor nos
estados mais pobres.

Em sua coluna de quarta feira da semana passada (13), meu colega Alexandre
Schwartsman documentou que a expectativa de vida aos 65 anos não é
distinta entre os estados. 

Além disso, a idade em que as pessoas requerem o benefício é maior nos


estados pobres do que nos estados ricos, pois estes concentram a concessão
de benefícios por tempo de contribuição, enquanto aqueles, os benefício por
idade.

A coluna deste domingo (17)  está chatíssima, mas é muito importante que
toda a sociedade se engaje neste debate.

Samuel Pessôa
Pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV) e sócio da consultoria Reliance. É doutor
em economia pela USP.

ENDEREÇO DA PÁGINA

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/samuelpessoa/2019/02/a-previdencia-
em-numeros.shtml