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Fluxo de Carga Linearizado de um Sistema Elétrico

com Simulação Computadorizada


Faculdades Ponta Grossa
Bacharelado em Engenharia Elétrica
Disciplina de Operação do Sistema Elétrico
Professor: Itamar Szuvovivski
Alunos: Giuliano VaraschinCruz Paulo e Joelmer Stadler

Resumo – Indispensável na determinação do estado da rede de Ward e H. W. Hale e surgiu em junho de 1956.
energia elétrica, o cálculo do fluxo de carga (ou fluxo de potência), Entre os métodos mais utilizados, o de fluxo de potência
é apresentado neste trabalho pelo método de solução linearizado, linearizado é considerado um método aproximado de
demonstrando através de um conjunto de equações e inequações solução que analisa somente o fluxo de potência ativa,
algébricas, as variáveis e análises submetidas ao sistema em um
também chamado de fluxo DC (Borges, 2005).
ambiente computacional simulado.
O modelo linearizado é bastante empregado na análise
Palavras – Chave – Fluxo de Potência Linearizado, simulação de de sistemas elétricos de potência, tanto em planejamento
fluxo de carga, modelagem de sistema de energia elétrica. como na operação do sistema, no entanto não é aplicável
para sistemas de distribuição em baixa tensão, pois os
I. INTRODUÇÃO fluxos de potência ativa nesses sistemas dependem de
maneira significativa das quedas de tensão.
A modelagem de um sistema elétrico de potência, conforme O trabalho aqui apresentado propõem através de
citado por Monticelli (1983), é representado por um conjunto simulações computacionais, a comprovação das equações e
de equações e inequações algébricas, onde podem ser levados modelos apresentadas nas principais literaturas,
em consideração os efeitos transitórios. Em geral, o cálculo de interagindo e comparando os resultados com o propósito do
fluxo de carga é realizado utilizando-se métodos entendimento das formulações e variáveis utilizadas.
computacionais desenvolvidos especificamente para a
resolução do sistema de equações que constituem o modelo da II. O MÉTODO DO FLUXO DE CARGA
rede. LINEARIZADO OU FLUXO DE POTÊNCIA CC
De acordo com a classificação do componente de um sistema
elétrico, para Monticelli (1983), as equações básicas do fluxo O fluxo de carga linearizado é baseado no acoplamento
de carga são obtidas impondo-se a conservação das potências entre as variáveis P (potência ativa) e ϴ (ângulo) e
ativa e reativa em cada nó da rede, isso é possível pela aplicação apresenta resultados melhores quanto mais elevado o nível
da Primeira Lei de Kirchhoff, já os fluxos de potência nos de tensão. Esta relação desenvolveu-se do fato do fluxo de
componentes internos de seus nós terminais são expressas pela potência ativa em uma linha de transmissão ser
Segunda Lei de Kirchhoff. proporcional à abertura angular na linha.
No cálculo do fluxo de carga, o sistema de equações e
P ≈ ϴ(barra)k (barra)m
inequações que correspondem às leis de Kirchhoff e a um
conjunto de restrições operacionais da rede elétrica e seus O deslocamento dos ângulos na linha segue do sentido
componentes, a cada barra da rede são associadas a seus nós, maior para o menor.
variáveis como magnitude da tensão, ângulo, geração de
Pkm >0, se ϴk > ϴm
potência ativa e reativa, compondo a formulação básica que irá
interagir com os diversos modelos existentes num sistema É importante considerar que o modelo linearizado não
elétrico como definido por Monticelli (1983). leva em consideração as magnitudes das tensões nodais, as
O método apresentado neste trabalho, permite estimar, com potências reativas e os taps dos transformadores. Esses
baixo custo computacional, a precisão aceitável para a motivos implicam na razão da não substituição por
distribuição dos fluxos de potência ativa em uma rede de completo dos métodos não lineares de fluxo de carga, a
transmissão, utilizando para tanto, a simulação de circuitos em eficiência do método aplica-se no cálculo do fluxo de
um modelo pré configurado que permite a análise e potência ativa, que conforme Monticelli, impõe grande
comparações do comportamento do sistema de acordo com a utilidade em fases preliminares de estudos que exigem a
manipulação das suas varáveis. análise de um grande número de casos, e que dificilmente
No sistema elétrico de potência, calcular-se o fluxo de poderiam ser feitos pelos métodos convencionais.
potência pode ser considerado o mais comum e essencial estudo Na formulação básica de um problema de fluxo de carga,
no fornecimento da solução para uma rede elétrica, em regime quatro variáveis são associadas a cada barra, são elas:
permanente, para uma dada condição de carga e geração, Vk – magnitude da tensão nodal (barra k)
sujeitas a restrições operativas e a ação de dispositivos de ϴk – ângulo da tensão nodal
controle. Pk – geração líquida de potência ativa
O primeiro método computacional utilizado para a solução Qk – injeção líquida de potência reativa
do fluxo de potência, segundo Borges (2005), foi o de J. B.
Com a associação de uma outra barra (m), necessário para a III. FORMULAÇÃO MATRICIAL DO MÉTODO
existência do fluxo, e os parâmetros condutância gkm e LINEARIZADO
susceptância bkm, definidas na modelagem de uma linha de
transmissão, é definida a corrente Ikm que, correspondente ao Formulado o fluxo de potência linearizado, a questão
fluxo de potência complexa permite identificar as partes reais e seguinte é como equacionar o fluxo entre diversas barras
imaginárias dessa equação, resultando na formulação do fluxo interligadas, basicamente utiliza-se a 1ª Lei de Kirchhoff,
de potência ativa no ramo km: ou Lei dos Nós, onde a soma das correntes que chegam em
um nó é igual a soma das correntes que saem.
Pkm = Vk2 gkm – Vk Vm gkm cosϴkm – Vk Vm bkm senϴkm (1) Cada linha que sai de uma determinada barra, possui
Pmk = Vm2 gkm – Vk Vm gkm cosϴkm + Vk Vm bkm senϴkm (2) uma equação, e a soma dessas equações será igual ao valor
da equação da linha que chega nesta mesma barra. Essas
As perdas de potência ativa no trecho km são dadas por:
equações podem então ser dispostas em uma matriz, que
Pperdas = Pkm + Pmk = gkm (Vk2 + Vm2 – 2Vk Vm cosϴkm) (3) terá seu tamanho definido pelo número de linhas que estão
interligadas em determinada barra. Para uma barra, por
Sendo desprezadas as perdas nas expressões de cada barra
exemplo, onde chega uma linha e saem outras três pode ser
obtém-se a equação:
desenvolvida a seguinte matriz:
Pkm = -Vm Vk bkm senϴmk = Vk Vm bkm senϴkm (4)
Devido a magnitude do fasor de tensão não variar para barras
vizinhas, é possível a introdução da aproximação:
Vk ≈ Vm ≈ 1 pu
Considerando ainda a abertura angular pequena, ou seja ϴkm (7)
pequeno, logo: Esse é o sistema de equações na forma matricial do fluxo
sen ϴkm ≈ ϴkm de potência linearizado, onde a matriz da primeira coluna
representa a Potência de cada linha, a matriz principal é
Essas simplificações aplicadas nas equações (1) e (2), e formada pela admitância nodal de cada equação e a matriz
desprezando-se as perdas, permite a seguinte equação do fluxo representada na terceira coluna refere-se ao ângulo
de potência linearizado: apresentado em cada linha.
Pkm = xkm-1ϴkm = xkm-1 (ϴk - ϴm) (5) Todo esse sistema de equações admite sua representação
matricial do tipo:
Pmk = xkm-1ϴmk = xkm-1 (ϴm - ϴk) (6)
[ϴ] = [B-1] [P] (8)
Onde:
Xkm – reatância da linha km Onde:
ϴ – vetor dos ângulos das tensões nodais ϴk
Se analisarmos essas equações, veremos que tem a mesma P – vetor das injeções líquidas de potência ativa
forma que a Lei de Ohm quando aplicada a um resistor B – matriz tipo admitância nodal
percorrido por corrente contínua, sendo Pkm análogo à
intensidade de corrente; ϴk e ϴm análogos às tensões terminais; No cálculo desse sistema, Monticelli (1983) explica que
e xkm análogo à resistência. Por esta razão, o modelo da rede de a matriz B, representada na equação (8), é considerada
transmissão baseado nas equações (5) e (6) é também conhecido singular, pois, como as perdas de transmissão foram
como Modelo CC (Corrente Contínua). desprezadas, a soma dos componentes de P é nula, ou seja,
É possível ainda, constatar que o fluxo de potência ativa é a injeção de potência em uma barra qualquer pode ser
proporcional ao ângulo, e esse motivo é quem dá o nome ao obtida a partir da soma algébrica das demais. Para resolver
método. este problema, elimina-se uma das equações do sistema
Citado por Borges (2005), A equação (5) e (6) nos mostra matricial e adota-se a barra correspondente como referência
uma importante diferença entre o fluxo de potência AC angular (ϴk = 0). Desta forma, esse sistema passa a ser não-
(Corrente Alternada) e o fluxo de potência CC, o método AC singular com dimensão NB – 1 e os ângulos das NB – 1
limita a potência máxima transmitida pelo ramo, ao contrário restantes podem ser determinados a partir das injeções de
do método CC. A figura 1 pode melhor representar essa potência especificadas nessas NB – 1 barras.
afirmação. Esse equacionamento matricial nos permite então,
determinar o fluxo de potência ativa nas linhas aplicando
Figura 1 - Potência máxima transmitida pelo ramo
os valores resultantes nas equações (5) e (6).
Monticelli (1983) também defende que uma
característica importante do modelo linearizado é o fato de
se obter uma solução, mesmo para problemas que nos
métodos convencionais de fluxo de carga o cálculo não é
possível.

Fonte - Borges (2005)


IV. O PROBLEMA V. RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com o problema proposto, deve-se obter os Caso fosse utilizado o método manual para resolução do
valores referentes aos fluxos de carga num circuito elétrico fluxo de potência, seria necessário
formado por 14 barras e 20 linhas. São disponibilizados os Como o algoritmo do programa foi disponibilizado já
dados: tensão, potência ativa e reativa de geração e potência pronto, não entraremos nos detalhes da sua construção e
ativa e reativa de distribuição, isto para cada barra. Contudo, é sim nos resultados obtidos.
fornecido também, script, já compilado, para o tratamento dos Analisando a Figura 3 do tópico anterior, podemos
valores do sistema em questão e entrega da simulação. desenvolver o esquema de barras conforme a Figura 4, nela
Este trabalho objetiva, principalmente, instigar a análise e é possível compreender a disposição de cada barra e as
interpretação dos dados gerados pela simulação, afim de, interligações entre elas, é representado ainda a potência
comprovar a eficiência do método linearizado para o cálculo do ativa presente em cada barra.
fluxo de potência em sistemas elétricos e fornece também a Figura 4 - Esquema do Sistema de barras proposto
condição para comparação da teoria apresentada em sala de
aula.
A figura dois exibe os valores de entrada para o a execução
do script, ou seja, são os dados do sistema elétrico, sendo
informados ao aplicativo para sua simulação. São estes objetos
de análise: Barra (enumeração das barras), tensão (em pu), “Pd”
(potência ativa de distribuição), “Qd” (potência reativa de
distribuição), “Pg” (potência ativa de geração) e “Qg” (potência
reativa de geração).
Figura 2 - Valores de referência para a execução da simulação

Fonte - Os autores

Inicialmente adotou-se a barra 5 como referência,


informando essa variável ao arquivo executável do
software gerando duas tabelas como resultado.
O software realizou então, utilizando a Equação (8)
como solução, os valores gerados na Figura 5.
Fonte – Autoria própria Figura 5 - Cálculo dos ângulos das tensões de cada barra

A figura três, assim como a figura dois, exibe os dados de


referência para simulação, discriminando a origem e destino de
cada uma das linhas (“na” para a “nb”), assim como a
resistência ôhmica (“r”) e impedância reativa (“x”)
Figura 3 - Origem e destino das linhas.

Fonte - Os autores

É possível observar que a barra 5, definida como


referência, apresenta o valor do ângulo igual a zero, ou seja,
todas as outras barras mediram o seu valor de deslocamento
angular da tensão tendo como ponto inicial do ângulo a
barra 5.
A Figura 6 traz, com o software utilizando a Equação (6)
Fonte – Autoria própria como forma de resolução, os cálculos em pu (por unidade)
e em MW (mega watts) das potências ativas do fluxo das linhas Figura 8 - Potência ativa nas linhas com a barra 12 de referência
que interligam as barras.
Figura 6 - Potência ativa nas linhas que interligam as barras

Fonte - Os autores Fonte - Os autores

Tomando agora a Barra 12 como referência, o software gerou No caso das potências, comparando os resultados da
outras duas tabelas. Figura 6 onde a barra 5 é a referência, não ocorreu nenhuma
A Figura 7 reproduz o cálculo dos valores angulares, sendo a alteração, são exatamente os mesmos valores de potência.
barra 12 como referência e por consequência apresentando um Pode-se concluir que a potência não se altera tomando outra
valor angular de zero graus. barra como referência, tal fato se deve por haver existido
somente um deslocamento angular no momento em que se
Figura 7 - Cálculo dos ângulos com a barra 12 de referência
definiu outra barra como referência, como esses ângulos
deslocaram-se simetricamente, e nenhuma outra grandeza
elétrica se alterou, a potência também não irá mudar o seu
valor.
Com os valores das potências entre as linhas calculadas,
elaborou-se um esquema do sistema, como mostra a Figura
9, com os valores dessas potências representadas.
Figura 9 - Esquema do sistema interligado com as potências nas linhas

Fonte - Os autores

Se compararmos os valores gerados pela Figura 7, onde a


barra 12 é a referência, com a tabela gerada na Figura 5 onde a
referência é a barra 5, pode-se observar que existiu apenas um
deslocamento entre os ângulos de cada barra, a diferença
angular entre elas não se alterou, realizando uma operação de
diferença entre duas barras qualquer e nos dois casos, irá se
perceber tal resultado. Fonte - Os autores
A Figura 8 apresenta os valores das potências com a barra 12
Analisando o esquema da Figura 9, pode-se observar a
sendo a referência.
perfeita relação com a 1ª Lei de Kirchhoff, onde a potência
que chega é igual a soma das que saem.
Nas barras onde foi apresentado um valor de potência
igual a zero, como pode ser visto na Figura 2, o fluxo de
potência que chega é igual ao fluxo que sai, porém, no
sentido contrário, mantendo nesta barra, um valor de potência utilidade e referência na convergência do fluxo de carga,
igual a zero, no detalhe da Figura 10 é possível observar isto. oferecendo assim dados para os métodos não –linearizados
Figura 10 - Detalhe do esquema do sistema interligado
nos cálculos que irão contemplar a parte reativa do
problema.

VII. REFERÊNCIAS

BORGES, C. L. T. Análise de Sistema de Potência. E. E.


UFRJ – Departamento de Eletrotécnica. 1983. Apostila.

MONTICELLI, A. Fluxo de Carga em Redes de Energia


Fonte - Os autores Elétrica. CEPEL/ELETROBRÁS, São Paulo, SP.
Já nas barras onde existe um valor de potência, se calcular-
se os valores dos fluxos de potência que chegam, é igual ao Notas de Aula.
valor do fluxo de potência que saem mais o valor de potência
da barra, a Figura 11 pode melhor ilustrar a observação.
Figura 11 - Detalhe do esquema do sistema interligado com potência na barra

Fonte - Os autores

VI. CONCLUSÃO

O método linearizado, conforme descrito neste trabalho, se


mostrou uma eficiente ferramenta no indicativo do que está
ocorrendo com a rede, ela comprova que, mesmo sendo
aproximada, a solução é mais útil que a informação dada por
um programa convencional de fluxo de carga que diz
simplesmente que a convergência não foi obtida.
Os resultados obtidos nas simulações realizadas, ainda que
aproximado, nos dá uma perfeita ideia que quanto está sendo
excedida a capacidade de transmissão da linha, resultados estes
que, segundo a teoria, se simulados em modelos não
linearizados simplesmente dirão que não há solução viável.
O modelo estudado, teve sua formulação comprovada através
da simulação utilizada, fornecendo as incógnitas necessárias
para uma análise do comportamento do sistema.
A simulação realizada demonstrou que a alternância de
barras como referência, requisito necessário para o cálculo no
modelo, causa apenas um deslocamento angular entre as barras
que compõem o sistema, não alterando as diferenças angulares
entre si e consequentemente a potência ativa de cada uma.
Concluiu-se ainda que as potências ativas entre as linhas que
interligam as barras, seguem o pressuposto da 1ª Lei de
Kirchhoff, permitindo assim uma comprovação simples e
objetiva dos corretos valores de potência ativa atribuídos a uma
determinada barra.
Tantas conclusões nos remetem a considerar o método de
cálculo de fluxo de carga linearizado, um modelo de grande