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PARECER Nº , de 2001

Da COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E
JUSTIÇA sobre o Projeto de Lei nº 1.765/2000, que
“institui o passe escolar unificado no Distrito
Federal”.

AUTOR DO PROJETO: Deputado Wilson Lima


RELATOR: Deputado Renato Rainha

I – RELATÓRIO

Vem a esta Comissão de Constituição e Justiça, para exame e parecer, o


Projeto de Lei Nº 1.765/2000, de autoria do Deputado Wilson Lima, cuja finalidade é
expressa na epígrafe aqui reproduzida.
Para tanto, o projeto estabelece, em seu artigo 1º, a instituição do passe escolar
unificado no âmbito do Sistema de Transporte Coletivo do Distrito Federal e, ainda,
em parágrafo único, que a emissão do passe ficará a cargo da Secretaria de Transporte
do Governo do Distrito Federal.
Institui também a proposição - art. 2º- a obrigação de o Sistema de Transporte
Alternativo transportar até dois passageiros portadores do passe por viagem, sempre
que houver demanda.
O artigo 3º da proposição estabelece antecedência mínima, com relação ao
mês de sua validade, para entrega do passe e o dispositivo seguinte que o não
cumprimento do disposto no artigo 1º sujeita a instituição a sanções administrativas.
O antepenúltimo artigo, certamente grafado de modo equivocado como 4º,
determina que o Poder Executivo regulamente a Lei no prazo de noventa dias e os
dois últimos dispositivos tratam da vigência e da revogação das disposições
contrárias.
Na justificação do projeto, o autor argumenta que a unificação dos passes
escolares é uma velha reivindicação dos alunos das escolas públicas e privadas do
Distrito Federal, pois o sistema atual não permite que um mesmo passe possa ser
usado em empresas diferentes, o que limita em muito as alternativas de transporte
para os estudantes.
Segundo o autor, além de beneficiar os estudantes, a proposição não trará
prejuízos às empresas de ônibus, já que não haverá aumento no número de passes
distribuídos, mas tão somente pequenos remanejamentos de usuários entre as
empresas.
O autor conclui que o principal efeito da adoção do projeto será a organização
do sistema de emissão e distribuição de passes escolares no Distrito Federal,
esclarecendo, ainda, que o termo instituição, utilizado no art. 4º da proposição, aplica-
se à empresa eventualmente descumpridora do disposto na futura lei.

II – VOTO

Nos termos do artigo 63, inciso I, do Regimento Interno da Casa, cabe a esta
Comissão “examinar a admissibilidade das proposições em geral, quanto à
constitucionalidade, juridicidade, legalidade, regimentalidade, técnica legislativa e
redação”. É o que passamos a fazer.
A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 32, § 1º, que ao Distrito
Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e
Municípios, e no artigo 30 que:
“Art. 30. Compete aos Municípios:
.....................................................................................................................
.
V – organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou
permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de
transporte coletivo, que tem caráter essencial;”
Dispositivo idêntico é acolhido na Lei Orgânica do Distrito Federal (art. 15,
VI).

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Daí se conclui que a proposição atende aos requisitos de admissibilidade
estampados nos incisos I e II do artigo 130 do mencionado Regimento Interno, que
assim determina:
“Art. 130. A proposição, para ser admitida, deverá:
I – tratar de matéria da competência do Distrito Federal sujeita à
deliberação da Câmara Legislativa;
II – estar em conformidade com os preceitos da Constituição Federal e
da Lei Orgânica;
....................................................................................................................

Entretanto, o parágrafo único desse mesmo artigo estabelece:
“Parágrafo único. É vedado admitir proposição:
.....................................................................................................................
.
II – cujo autor não tenha o poder de iniciativa;
III – que disponha sobre matéria não apropriada à proposição
apresentada”
É precisamente o que acontece no caso presente.
O aspecto central da proposição sob exame é a universalização da validade
dos passes escolares no âmbito do Sistema de Transporte Coletivo do Distrito Federal.
Vale registrar que a proposição perfila-se com antiga proposta do
Departamento Metropolitano de Transportes Urbanos do Distrito Federal – DMTU,
que previa, justamente, a implantação de um sistema informatizado, em rede, sob a
supervisão do próprio órgão. (Ver o “Estudo sobre Passe Estudantil no Distrito
Federal”, de abril de 1994, dessa Assessoria Legislativa).
Para atingir tal propósito, o projeto estabelece que a emissão do passe escolar
unificado é atribuição da Secretaria de Transporte do GDF, o que representa evidente
invasão de competência e de iniciativa do Poder Executivo, conforme o disposto no
art. 71, § 1º, IV, e no art. 100, IV, da Lei Orgânica do Distrito Federal, que assim
dispõem:
“Art. 71........................................................................................................

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§ 1º Compete privativamente ao Governador do Distrito Federal a
iniciativa das leis que disponham sobre:
.....................................................................................................................
.
IV – criação, estruturação, reestruturação, desmembramento,
extinção, incorporação, fusão e atribuições das Secretarias de
Governo, Órgãos e entidades da administração pública;”
Art. 100. Compete privativamente ao Governador do Distrito Federal:
.....................................................................................................................
.
IV – exercer, com auxílio dos Secretários de Governo, a direção
superior do Distrito Federal;” (grifos do Relator).
Por outro lado, já existe legislação do Distrito Federal referente aos passes
estudantis. Ela está contida, basicamente, na Lei Nº 239/92, com as alterações
introduzidas pelas Leis Nºs 2.351/99 e 2.462/99. Destaca-se o disposto no inciso V do
art. 22 da Lei Nº 239/92, com a redação dada pela Lei Nº 2.462/99, que estabelece:
“Art. 22. O benefício de que trata o inciso II do artigo anterior será
efetivado da seguinte forma:
.....................................................................................................................
.
V - os passes estudantis adquiridos poderão ser utilizados em qualquer
empresa que atenda ao deslocamento residência - estabelecimento de
ensino e vice-versa;”
Veja–se, também, o disposto no parágrafo único do mesmo art. 22, com a
redação dada pela Lei Nº 2.351/99:
“Parágrafo único. Os passes estudantis, agrupados pelos valores
tarifários, podem ser utilizados indistintamente em todas as linhas, das
diversas empresas, cujas tarifas sejam iguais.”
Conclui-se, facilmente, da análise dos dispositivos acima, que o objetivo
principal almejado pelo projeto sob exame encontra-se já devidamente assentado, não
havendo, portanto, razão para legiferar sobre a matéria. Insistir nisso, seria incorrer
em hipótese expressamente vedada pelo art. 84, III, da Lei Complementar Nº 13/96,

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que “regulamenta o art. 69 da Lei Orgânica, dispondo sobre a elaboração, redação,
alteração e consolidação das leis do Distrito Federal.”. Assim dispõe a norma:
“Art. 84. Para a sistematização externa, serão observados os princípios
seguintes:
.....................................................................................................................
.
III – o mesmo assunto não será disciplinado por mais de uma lei,
salvo:
a) se lei posterior alterar lei anterior;
b) no caso de lei geral e lei especial;”
Como a proposição examinada não se enquadra, evidentemente, em nenhuma
das alíneas acima, fica caracterizada a impossibilidade da admissão de sua tramitação
na Casa.
De outra parte, aquilo que da proposição poderia resultar em ação inovadora
para a sociedade, restringe-se, basicamente, a aspectos regulamentares. Com relação a
isso, ensina Oswaldo Aranha Bandeira de Mello, em seu livro “Princípios Gerais de
Direito Administrativo”, ao mostrar que a diferença entre lei e regulamento “está em
que a lei inova originariamente na ordem jurídica, enquanto o regulamento não a
altera” (citado por Celso Antônio Bandeira de Mello, no “Curso de Direito
Administrativo”, 8ª edição, página 184).
Sendo pois de natureza regulamentar o que resta por fazer na matéria, temos
que é tarefa do Poder Executivo, nos termos dos já citados arts. 71, § 1º, IV, e 100, IV,
da Lei Orgânica do Distrito Federal.
Também o previsto nos arts. 3º e 4º do projeto de lei encontra-se já
disciplinado nos arts. 3º e 4º da Lei Nº 2.370/99 com a redação dada pelo art. 2º da
Lei Nº 2.462/99, conforme reproduz-se a seguir:
“Art. 3° O Departamento Metropolitano de Transportes Urbanos do
Distrito Federal - DMTU-DF fixará e aplicará multas às empresas
concessionárias de transporte coletivo que descumprirem esta Lei.
Art. 4° As empresas concessionárias de transporte coletivo do Distrito
Federal efetuarão a venda do passe estudantil, em seus postos de
venda, aos alunos devidamente habilitados, mediante a apresentação

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de identificação pessoal, nos dias e horários previstos em Portaria do
DMTU.
Parágrafo único. A venda de que trata este artigo será efetuada
diretamente ao aluno, pais ou responsável.”
Também sobre isso dispõe o inciso VI do art. 22 da Lei Nº 239/92, com a
redação dada pela Lei Nº 2.462/99, que determina:
“Art. 22. O benefício de que trata o inciso II do artigo anterior será
efetivado da seguinte forma:
.....................................................................................................................
.VI - os passes poderão ter a data de validade impressa na face dos
mesmos e poderão ser trocados nos postos de venda das empresas onde
foram adquiridos, exclusivamente pelo aluno, seus pais ou responsável,
sem a necessidade de complementação, mesmo após a ocorrência de
alteração tarifária.”
Finalmente, com relação ao previsto no art. 2º do projeto, há também
legislação em vigor contemplando a preocupação do autor. Trata-se da Lei Nº 194/91
que “institui o Transporte Público Alternativo do Distrito Federal e dá outras
providências”, com as alterações feitas pelas Leis Nºs 953/95 e 1.964/98. Os
parágrafos 5º e 6º do art. 13 da norma assim estabelecem:
“§ 5º Os permissionários do STPA ficam obrigados a transportar até
dois passageiros com direito a gratuidade.
§ 6º Adesivo informativo sobre a gratuidade será fixado em local de
fácil visibilidade”
De todo o exposto, resta evidenciado que a nobre intenção do autor da
proposição examinada carece de outro instrumento, que não o projeto de lei, para
viabilizar a conclusão de sua tramitação na Casa. Esse instrumento é, num primeiro
momento, a apresentação de um requerimento de informações ao Secretário de
Transportes do Governo do Distrito Federal, solicitando esclarecimentos quanto ao
cumprimento, por parte das empresas operadoras do sistema de transporte público
coletivo e dos operadores do sistema de transporte público alternativo do DF, das
disposições legais referentes à utilização dos passes estudantis e das punições já
aplicadas aos infratores dessas disposições.

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Num segundo momento, a depender do que vier a ser informado pelo Sr.
Secretário, o autor poderá recorrer à apresentação de uma indicação ao Poder
Executivo sugerindo medidas que tornem eficazes as disposições legais sobre a
matéria e concorram para seu efetivo cumprimento.
Assim, somos pela INADMISSIBILIDADE do projeto de lei, nos termos da
argumentação acima, ao tempo em que apresentamos, no mesmo sentido da
justificação do projeto, um requerimento de informações ao Sr. Secretário de
Transportes do Distrito Federal, na forma do anexo.

Deputado Rajão
Presidente

Deputado Renato Rainha


Relator

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REQUERIMENTO Nº , de / /2001
(Do Sr. Deputado Renato Rainha)

Requer esclarecimentos ao Sr. Secretário


de Transportes do Governo do Distrito
Federal sobre o cumprimento das
disposições legais referentes à utilização
dos passes estudantis no âmbito dos
sistemas de transportes públicos do DF.

Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Legislativa do Distrito


Federal:

Nos termos do art. 145 do Regimento Interno desta Casa, bem como do
disposto nos artigos 60, XIV, e 107, § 1º, da Lei Orgânica do Distrito Federal, solicito
que seja enviado ao Sr. Secretário de Transportes do Governo do Distrito Federal
requerimento de informações sobre:
a) a situação atual, com balanço quantitativo, do cumprimento, por parte das
empresas operadoras do sistema de transporte público coletivo e dos
operadores do sistema de transporte público alternativo do DF, das
disposições legais referentes à utilização dos passes estudantis no âmbito
daqueles sistemas;
b) levantamento quantitativo das punições já aplicadas aos infratores daquelas
disposições legais, nos termos do art. 3º da Lei Nº 2.370/99 com a redação
dada pelo art. 2º da Lei Nº 2.462/99.

JUSTIFICAÇÃO

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O presente requerimento tem por objetivo levantar os dados oficiais a respeito
da utilização dos passes estudantis no âmbito dos sistemas de transporte público
coletivo e de transporte público alternativo do DF, especialmente no tocante à
utilização de passes indistintamente, em todas as linhas, das diversas empresas, cujas
tarifas sejam iguais, nos termos do parágrafo único do art. 22 da Lei Nº 239/92, com a
redação dada pela Lei Nº 2.351/99.
Objetiva também colher informações precisas que concorram para possíveis
aperfeiçoamentos do ordenamento jurídico vigente.

Sala das Sessões, em / / .

Deputado Renato Rainha