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Eric Alves Antunha

Com o governo Temer decretando a segunda intervenção federal em um período


de menos de um ano, agora em Rondônia, vimos exatamente a escalada do estado de
exceção de que nos fala o texto. Essa atitude está progressivamente e cada vez mais
rápido, assumindo a posição de paradigma de governo, enquanto que a ruína quase
completa de nossas estruturas partidárias tradicionais pressiona cada vez mais o
Judiciário. Além disso, os três poderes parecem incapazes de resolver a situação e
instalar o Estado de Direito. Ao contrário, evidencia-se a intenção de aprofundar esse
paradigma, ao mesmo tempo que se instala toda uma negação dos valores democráticos
no povo, que é apenas evocado como ícone nos atos políticos. Nesse contexto, proponho
a seguinte questão: pode o direito privado resistir a esse paradigma?
Enquanto que na Rocinha, no Alemão, ou em tantas outras comunidades, milhares
de pessoas tiveram seus direitos restringidos por questão do decreto pós-carnaval de
intervenção federal no estado do Rio de Janeiro na área de segurança pública, os
moradores da Barra da Tijuca imaginavam que teriam sua sensação de segurança
aumentada, o que não parece ter se configurado.
Não obstante a isso, a política que deveria ter sido excepcionalíssima já foi
repetida antes mesmo do fim da primeira intervenção. Mesmo assim, os contratos e
garantias comerciais que sustentam a riqueza da Zona Sul carioca em quase nada se
alteraram com essa mudança. Mas, isso não parece ser uma perspectiva de longo prazo.
Afinal, o direito tanto altera a sociedade quanto é produto dela, o que consequentemente
o torna um tanto quanto vítima de si mesmo em muitos casos, como foi, por exemplo, com
o positivismo e mesmo depois, assim também com suas superações, ou tentativas de que
hoje também são criticadas.
Mas é inevitável que as distorções na forma como o direito é aplicado através
dessa desigualdade geográfica e financeiramente distribuída gerem também ainda mais
problemas, numa espécie de efeito “bola de neve”. É o paradigma lentamente se
instalando. Conquanto nunca tenhamos tido um elevado grau de garantia de direitos
nesse país, em comparação com os mais desenvolvidos em mesma época, é notável uma
mudança de paradigma enquanto se estrutura o neoliberalismo, no poder de fato e
ideologicamente também, na mente das massas, pela propaganda desse modo de pensar
que é feita em especial nas redes sociais virtuais.
Assim, se é crescente a aplicação da exceção, parece-me lógico que ela logo
chegará a afetar não só a economia, mas as próprias regulações do direito privado, pois
não são estanques as áreas do direito, tampouco há comportas eficientes para a
contenção da avalanche de desmonte do Estado que parece se configurar.
A esperança é de que a frágil Constituição do nosso país de fato resista à briga de
elites nefastas por sua dominação e consiga inverter o pêndulo histórico, para que se
voltem a erguer e não destruir as garantias do Estado de Direito, antes de seu completo
colapso, o que significaria claro, a ruína da ordem social e econômica e um estado de
caos e violência, nocivo mesmo às elites, que hoje em sua desleal disputa jogam nosso
país nesse caos.