Вы находитесь на странице: 1из 24

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA

Curso de Especialização “Gestão Pública com ênfase em: Sistema Único da Assistência Social –
Residência Técnica” na modalidade à distância – 2ª edição.

O SUICÍDIO NA POPULAÇÃO IDOSA:


ASPECTOS SOCIAIS E POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO

Bruno Daniel Capriles Bianchi1


Rosmeri Ap.Dalazoana Gebeluka2

RESUMO

O presente trabalho explora os fatores sociais do processo de envelhecimento, associados com


a ideação e a tentativa de suicídio. A partir de revisão de literatura nas principais bases de
dados, de artigos, dissertações e teses, foram sistematizados quatro complexos principais que
se desmembram em diversas situações: 1) abandono, conflito e violência familiar; 2) acúmulo
de perdas e luto; 3) doenças crônicas e transtornos psicológicos; 4) aposentadoria e perda da
atividade central. Em um segundo momento, foi discutido a partir do escopo da psicologia
histórico-cultural, como estas mudanças, no lugar que a pessoa idosa ocupa socialmente,
impacta no seu psiquismo. Foram apresentadas ainda, políticas públicas e instituições
socioassistenciais que contribuem para gerar mais autonomia e bem-estar da pessoa idosa,
compreendendo que o Estado possui papel central na reorganização necessária e na oferta de
serviços públicos, diante do aumento da referida população, indicado pelas pesquisas.

Palavras-chaves: Assistência Social; Pessoa idosa; Política Pública; Suicídio.

1. INTRODUÇÃO
Conceituar a população idosa não é um trabalho fácil, e isto por dois motivos.
Primeiro, pois o envelhecimento da população é um fenômeno ainda bastante recente (visto
que a expectativa de vida em 1960 era de 48 anos e, em 2010, passou a ser de 74 anos).
Segundo, pois a população idosa não é homogênea, passando por histórias de vida bastante
diversas, o que torna impossível conceituar uma velhice, sendo o correto dizer que existem

1
-Possui Graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná. Pós-Graduando em Gestão Pública pela
Universidade Estadual de Ponta Grossa.
2
-Possui Graduação em Serviço Social, Pós graduação na área da Educação e Mestrado em Ciências Sociais
Aplicadas. É tutora online do curso de Pós graduação em Gestão Pública e orientadora deste Trabalho de
Conclusão de Curso.
2

várias velhices. A velhice deixou de ser considerada o fim da vida, adquirindo um novo
sentido social e um novo campo de possibilidades pessoais (REIS, 2011). Até o século XX, a
população idosa era escassa, o que garantia certo status ao idoso que sobrevivia por muito
tempo, principalmente no seio da família. Entretanto, praticamente não participavam da vida
pública e só participavam da vida produtiva idosos de famílias pobres que precisavam
trabalhar no campo ou em indústrias (MUSCARO, 1998).
Durante toda a Antiguidade e a Idade Média, não haviam instituições sociais que se
responsabilizassem pelos cuidados com a pessoa idosa. O crescimento da Igreja enquanto
instituição social central permitia que esta se responsabilizasse pelos idosos e enfermos,
abrigando-os em mosteiros onde podiam “esperar a morte” (MUSCARO, 1998). Em suma,
era comum historicamente que o indivíduo mantivesse-se ocupado em cargos produtivos até
que não tivesse mais condições físicas, sendo a próxima etapa a espera pela morte.
O desenvolvimento social, a promoção de novas medidas de saúde e higiene, etc.,
foram fatores importantes tanto para o aumento da população quanto para o aumento da
expectativa de vida. É a partir de tais avanços que no século XX surgem corpos teóricos e
científicos a respeito da população idosa, no caso a geriatria e a gerontologia (REIS, 2011).
Entretanto, viver mais não necessariamente significa viver melhor. Um dos fatores que
evidenciam esta contradição é a alta taxa de suicídio entre a população idosa:
O suicídio entre pessoas idosas constitui hoje um grave problema para as sociedades
das mais diversas partes do mundo. Estudo realizado pela WHO/Euro Multicentre
Study of Suicidal Behaviour em treze países europeus mostra que as taxas médias de
suicídio entre pessoas com mais de 65 anos nessas sociedades chega a 29/3/100.000
e as tentativas de suicídio, a 61,4/100.000 (MINAYO & CAVALCANTE, 2010, p. 1)

No Brasil, a situação não é muito diferente. Segundo o Boletim Epidemiológico de


Tentativas e Óbitos por Suicídio no Brasil, publicado em 2017, foram registrados 8,9 suicídios
a cada cem mil habitantes entre a população idosa, sendo que a média nacional é de 5,5 por
100 mil. Logo, a população idosa é, junto com a população indígena, o grupo com as maiores
taxas de suicídio no país. Ainda, supõe-se que haja uma subnotificação dos óbitos por
suicídio, por motivos religiosos ou pela estigmatização do ato (PINTO & ASSIS, 2015).
Um elemento importante de destaque é que o suicídio entre a população idosa não é
uma novidade nas relações sociais3. Não era incomum a prática do suicídio na antiguidade,
devido à perda do papel comunitário que a pessoa desempenhava (NETTO, 2007). A cisão
3
- Não cabe aqui um estudo detalhado sobre a forma como o suicídio era interpretado socialmente, as mudanças
na sua aceitação ou rejeição dentro das diversas formas de organização social. Para um estudo mais completo,
ver Netto, 2007.
3

entre a comunidade e o lugar que o indivíduo (especificamente no nosso caso, a pessoa idosa)
como fonte de sofrimento ou perda de sentido foi percebida por Émile Durkheim na sua obra
O Suicídio (1897/2000), especialmente no que o autor francês definiu por suicídio anômico,
no qual há uma desestabilização na vida do indivíduo, resultando na necessidade de uma
adaptação rápida que o sujeito não consegue acompanhar, decorrendo no ato do suicídio.
É evidente que a existência do suicídio como fenômeno social não é recente, seja
especificamente na população idosa, seja na população em geral. No entanto, não podemos
ignorar que a organização social modificou-se muito ao longo das últimas décadas
(evidenciado, por exemplo, pelo aumento da expectativa de vida nacional e mundial). Entre
estas mudanças, podemos destacar o cuidado com a própria pessoa idosa. Enquanto
antigamente era comum que as famílias e as instituições asilares (principalmente de cunho
religioso) se responsabilizassem pelos cuidados daqueles que atingissem a velhice, hoje os
deveres para com a pessoa idosa foram ampliados. Contudo, estas mudanças aconteceram de
forma gradual, com avanços e retrocessos.
A aposentadoria durante boa parte do século XX não era um direito de todos os
trabalhadores, privilegiando trabalhadores urbanos do setor privado e funcionários públicos
(SIMÕES, 2000), principalmente do setor ferroviário, bancário, etc. Um passo importante foi
a promulgação da Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS), que uniformizou os benefícios
previdenciários – porém ainda excluindo trabalhadores urais, domésticas e outras categorias
(REIS, 2011). A LOPS sofreria alterações durante o período da ditadura militar, como no
artigo que se referia à aposentadoria por velhice, e foram finalmente incluídas as categorias
profissionais ainda não cobertas (autônomos, domésticos, profissionais liberais, trabalhadores
rurais, etc.).
As mudanças na estrutura da sociedade e do Estado, que desde a promulgação da
Constituição Federal de 1988 – especificamente em seu artigo 203 –, responsabiliza não só a
família, mas as instituições públicas pelos cuidados da assistência social, fornecem
instrumentos para que possamos pensar em alternativas que produzam um bem-estar social
para a população idosa.
Outro documento de suma importância é o Estatuto do Idoso, aprovado em 2003.
Este declara como responsabilidade sobre o idoso não só a família, mas a comunidade, a
sociedade civil como um todo e o Poder Público. O Estatuto do Idoso não deve ser visto como
uma demanda que veio do Estado sobre a população, mas sim uma demanda desta própria
4

população, das suas transformações nas últimas décadas, requerendo uma reorganização da
sociedade para lidar com esta nova situação.
Portanto, mesmo que o suicídio entre a população idosa não seja um fenômeno novo,
sua existência nos dias atuais revela uma problemática da organização social. Enquanto no
passado o ato de suicídio ou o “esperar a morte” era condizente com o desenvolvimento e as
relações sociais daqueles períodos, existem atualmente condições científicas e sociais para
promover uma nova forma de experienciar esta etapa da vida.
É por isto que compreender o fenômeno do suicídio na população idosa atualmente
significa compreender os aspectos sociais, econômicos e psicológicos que fazem despontar
tais tendências, assim como as possibilidades de intervenção pela sociedade e pelo Estado. É
através da percepção do suicídio como um comportamento social complexo, percebendo a
totalidade das relações que envolvem a pessoa idosa e o processo de adoecimento, que pode-
se atuar de forma mais eficiente sobre o contexto.
Este trabalho, portanto, visa compreender quais os fatores associados ao
comportamento suicida em pessoas idosas e quais as principais formas de intervenção e
políticas públicas encontradas que possam ampliar a qualidade de vida e a autonomia da
pessoa idosa. Para tanto, em um primeiro momento foi realizada uma pesquisa bibliográfica
dos principais trabalhos referentes ao tema nos últimos cinco anos para sintetizar a realidade
da pessoa idosa atualmente. Posteriormente, foi investigada a relação entre esta realidade e a
produção da subjetividade da pessoa idosa, a partir do referencial da Psicologia Histórico-
Cultural. Por último, se buscou conhecer quais as principais formas de intervenção estatal ou
socioassistencial que poderiam impactar positivamente na realidade da pessoa idosa.

2. ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DA IDEAÇÃO SUICIDA NA POPULAÇÃO IDOSA


Em um primeiro momento, é importante desconstruir e desmistificar duas ideias. A
primeira é a de que a ideação suicida ou a tentativa de suicídio tem como causa única o
transtorno depressivo ou outro tipo de transtorno. A segunda é a de que o transtorno
depressivo, ou o transtorno psicológico no geral, é consequência de disposições individuais,
biológicas ou psicofísicas. Como aponta M. Almeida (2018) e Viapiana (2017), o transtorno
psicológico possui determinantes sociais que podem ser identificados e sobre os quais se
devem atuar para além da intervenção individual com o sujeito em sofrimento.
5

Desta forma, um primeiro passo é entender o lugar que a pessoa idosa ocupa na
sociedade atualmente. Isto significa compreender suas relações profissionais, comunitárias,
familiares, etc. Entre as diversas pesquisas, os principais fatores associados à ideação ou
tentativa de suicídio são a presença de doenças físicas ou degenerativas, a presença de
transtornos mentais (principalmente depressão), histórico de violência e abusos, fatores
socioeconômicos, histórico de perdas (emprego, morte do cônjuge ou de filhos, etc.),
abandono e conflitos familiares, entre outros (ALMEIDA, B, 2018).
É importante ressaltar que estes fatores não atuam isoladamente, mas possuem uma
influência mútua que torna a ideação e a tentativa de suicídio um fenômeno complexo de
múltiplas causas. Por exemplo, uma mudança profissional (aposentadoria) – que pode ser
resultado da degeneração física –, requer uma ressignificação do papel do sujeito na
organização familiar e comunitária, altera fatores econômicos, pode produzir tédio ou a perda
de sentido pessoal, desenvolvendo um transtorno depressivo, etc.
Outro fator importante é em relação às perspectivas de futuro que os idosos possuem.
No geral, existe uma preocupação constante com novas perdas, como perder outras funções e
habilidades físicas, de morrerem sozinhos, de problemas financeiros, etc. Entretanto, um dos
medos mais constantes em relação ao futuro é o de dar trabalho, ou seja, de depender cada
vez mais do cuidado de outra pessoa, de aos poucos perder sua autonomia (GIACOMIN &
FIRMO, 2015).
Independente das especificidades é comum a entrada nesta fase da vida humana
acarretar mudanças significativas no lugar que o idoso ocupa socialmente. As transformações
nos diversos aspectos da vida da pessoa idosa requerem também uma reorganização
psicológica que produza um sentido pessoal novo – elemento que será trabalhado no próximo
ponto.
Neste sentido, podemos sistematizar os determinantes sociais do suicídio nas
seguintes categorias: acúmulo de perdas; doenças degenerativas e transtornos psicológicos;
conflitos familiares, violência e abandono; aposentadoria e perda da atividade principal.

2.1. Conflitos Familiares, Violência e Abandono/Negligência


Uma das mudanças mais comuns que ocorre na posição social da pessoa idosa se
encontra nas relações mais próximas ou familiares. Onde antes a pessoa poderia ser vista
como quem “cuidava” da família (seja financeiramente ou afetivamente), agora é o idoso que
6

é cuidado. Os membros familiares possuem maior autonomia financeira e social,


“dependendo” em menor intensidade do idoso, desencadeando sentimentos de inutilidade.

Para Silva et al. (2015), ainda há situações de conflito tais como a dificuldade de
convivência, o uso de substâncias por parte de algum membro, a desunião afetiva entre os
familiares, etc., o que pode resultar em um sentimento de angústia, pois “o idoso não sabe
lidar com essas novas situações, sente-se tolhido em seus desejos e modo de pensar” (p.
1707). Assim, os conflitos familiares criam sentimentos de não-pertencimento, com que se
sinta um “estorvo”, como se suas opiniões, valores e desejos não tivessem espaço na
organização familiar.
Esse sentimento de deslocamento é intensificado pelas mudanças na convivência
diária, como a mudança de residência. Não é incomum a pessoa idosa passar a residir mais
perto dos filhos, ou com um dos filhos, ou até mesmo em uma instituição de longa
permanência (ILPI) após a perda do cônjuge ou o avanço da degeneração física. Tal mudança
pode ser necessária para o idoso, devido às novas demandas de cuidado que surgem com o
envelhecimento. Entretanto, é um processo que requer atenção especial, pois pode intensificar
sentimentos de que o idoso é apenas um “objeto” a ser cuidado (SILVA et al.,2015).
Segundo Evangelista et al. (2014), os motivos que levam à institucionalização do
idoso variam. De acordo com a autora, em apenas 46% dos casos a decisão de mudar-se para
uma ILPI foi do próprio idoso, sendo os principais motivos a solidão, os problemas
financeiros e problemas de saúde. Nos casos em que a decisão foi tomada por filhos ou
parentes próximos, há possibilidade da decisão ser mal compreendida pelo idoso. A autora
relata que muitos idosos se sentiram abandonados e revoltados, percebendo nos filhos um
sentimento de “ingratidão”.
Os conflitos familiares podem escalar para situações de violência, seja ela física,
verbal ou patrimonial. Cavalcante et al. (2015) aponta que são registradas cerca de oito
queixas por dia de algum tipo de violência cometida contra o idoso, sendo que em 80% dos
casos o agressor é um familiar ou alguém próximo. Essa violência pode ocorrer tanto em
forma de ameaça ou insultos (psicológica), de agressões, empurrões, tapas (física) ou através
do uso da aposentadoria/benefício da pessoa idosa (financeira/patrimonial). A escalada de
uma situação de conflito para uma violência mais grave fragiliza ainda mais a vítima,
podendo incorrer no surgimento de transtornos depressivos e de ideações suicidas, como
opção para “interromper o sofrimento vivido” (CAVALCANTE et al., 2015, p. 82).
7

As autoras também relatam a maior predisposição dessas violências ocorrerem em


idosos que já possuam algum tipo de dependência física ou mental, principalmente deficit
cognitivo ou dificuldade de locomoção, necessitando de cuidados intensivos. A violência
contra o idoso é usualmente resultado da dificuldade ou inabilidade dos parentes para lidar
com as necessidades e limitações da pessoa idosa, que exigiriam alterações na dinâmica
familiar como um todo (CAVALCANTE et al., 2015).

2.2. Acúmulo de Perdas e Luto


Um dos fatores mais comuns no processo de envelhecimento e que podem impactar
negativamente o psiquismo dos sujeitos é o acúmulo de perdas e a inabilidade da pessoa idosa
de lidar com o luto e as diversas mudanças que ocorrem em sua vida. Isto pode se dar tanto
pela perda real de algum parente (filho, cônjuge, pais), pela perda de uma posição social
ocupada (provedor da família, “chefe” da casa, emprego), ou pelas perdas físicas e cognitivas
comuns ao processo de envelhecimento (GUTIERREZ, SOUSA & GRUBITS, 2015).
O luto não significa necessariamente que a perda é nova. Antigas decepções ou
mágoas podem ressurgir em uma nova luz, arrependimentos por ter feito ou deixado de fazer
algo que poderia ser significativo na vida da pessoa, parentes que faleceram há muitos anos e
cuja ausência é novamente sentida. O processo de luto também passa pela reavaliação da vida,
o que foi conquistado e perdido ao longo dos anos. O sujeito, ao reavaliar as perdas ao longo
da vida, entra em contato com a própria mortalidade, o que pode levar a uma interpretação de
que a vida já está acabando, que só lhe resta esperar, ou até mesmo apressar esse processo
(GUTIERREZ, SOUSA & GRUBITS, 2015).
As autoras também comentam sobre o não-lugar do sujeito, a “perda da capacidade
de prover a família de cuidados ou financeiramente” (GUTIERREZ, SOUSA & GRUBITS,
2015, p. 1734). Esse deslocamento para um novo papel pode desencadear no idoso,
sentimentos de não-pertencimento, o que se manifesta especialmente em homens em processo
de aposentadoria, devido ao imaginário social que geralmente ocupavam como provedor e
cuidador da família (MINAYO, MENEGHEL & CAVALCANTE, 2012). Essa mudança no
papel ocupado pelo idoso, de sujeito cuidador para sujeito cuidado ou dependente, intensifica
a ideia de que este passou a ser um estorvo para a família.
Esta sensação de dependência pode ser intensificada pelas perdas físicas e cognitivas
referentes ao processo de envelhecimento. Uma das características do processo de
envelhecimento é o declínio da capacidade funcional, como a flexibilidade, agilidade,
8

coordenação motora, além da capacidade cognitiva, como memória, atenção, raciocínio, etc.
(PEREIRA et. al., 2016). É evidente que nem todo declínio das funções motoras e cognitivas
significa uma perda de autonomia para o idoso, ou que estes declínios funcionais são
irreversíveis. Entretanto, a perda destas funções pode acarretar uma maior dependência do
idoso em relação a pessoas próximas.

2.3. Doenças Degenerativas e Transtornos Psicológicos


As doenças e transtornos de caráter crônico são um dos principais fatores associados
à ideação e tentativa de suicídio na população idosa. Minayo & Cavalcante (2014) ressaltam
que a presença de doenças degenerativas ou crônicas leva à perda de autonomia, o que pode
causar severo impacto na autoimagem da pessoa idosa. A dependência dos cuidados de outro
revela não só uma queda na qualidade de vida do idoso, mas também contribui para um olhar
pejorativo sobre o próprio envelhecimento:
A falta de condições d realizar tarefas diárias desencadeia em muitos idosos uma
forte sensação de inutilidade, além de deturpar sua autoimagem, levando-o a se
autodepreciar e internalizar a possibilidade de ser incapaz de responder por si […] A
experiência de uma enfermidade física na velhice é um fator desencadeante de
intenso sofrimento psíquico e negatividade, que em casos mais graves, poderá ter
como desfecho o desenvolvimento da depressão em idosos (SÉRVIO, 2015, p. 174).

As limitações impostas pela perda de algumas capacidades físicas, poderá resultar


em um processo – intencional ou não – de afastamento por parte do idoso. Em alguns casos, o
idoso pode escolher o isolamento por sentir-se um incômodo. Em outros casos, esse
isolamento é devido à limitação dos espaços sociais, que não possuem estrutura para atender
às necessidades do idoso com dificuldades de locomoção, o que poderia ocasionar situações
constrangedoras para o idoso (SÉRVIO, 2015).
Vale destacar que não é o avançar da idade que, por si só, leva a um enfraquecimento
das capacidades físicas ou ao surgimento de doenças degenerativas. Muitas vezes, a perda das
capacidades físicas é resultado de um tratamento indevido de doenças crônicas ao longo da
vida, com o caso da diabetes e hipertensão (SÉRVIO, 2015). As chamadas Doenças Crônicas
Não-Transmissíveis (DCNT) são facilmente evitáveis quando há estratégias de prevenção e de
promoção de saúde, e quando há um olhar mais atento para fatores como tabagismo,
alimentação não-saudável, falta de atividade física e etilismo, o que impediria o
desenvolvimento de casos de hipertensão, excesso de peso, etc. (SILVA et al., 2015).
9

Em casos de diagnóstico de câncer, é relevante destacar que os índices de suicídio


são maiores nos primeiros meses após o recebimento do diagnóstico (ZENDRON, 2016).
Ainda, um aspecto importante é que pacientes que fizeram uso de radioterapia ou
quimioterapia possuíam chances maiores de desenvolverem depressão. É importante, no
entanto, não identificar o surgimento de um transtorno como a depressão com sentimentos de
tristeza frente ao diagnóstico, cuidando para “não patologizar sentimentos” (ZENDRON,
2016, p. 85).
Tudo isto se atrela à própria percepção sobre a velhice e o envelhecimento. O
surgimento ou agravamento de condições crônicas como diabetes ou hipertensão, o
diagnóstico de um câncer ou o processo natural de declínio de algumas capacidades físicas ou
cognitivas é percebida como uma deterioração da própria vida:
Mediante essa realidade estigmatizante os idosos deturpam a autoimagem,
internalizando conteúdos depreciativos e, sobretudo, a possibilidade de ser incapaz
de experienciar uma velhice livre de rótulos. Trata-se de uma incapacidade
aprendida pelo idoso, que repetidas vezes acessou que a velhice é apenas o fim da
vida, fase de decadência e fragilidades (SÉRVIO, 2015, p. 147).

No caso de transtornos psicológicos, existe uma vasta literatura evidenciando a


correlação entre a presença de algum sofrimento psíquico como depressão, ansiedade, ou
transtorno de personalidade e ideação suicida (OLIVEIRA et al., 2018). Também há forte
correlação entre a dependência de álcool ou outras substâncias psicoativas e ideação suicida.
Brasil (2017) aponta que depressão e ansiedade são os principais transtornos de humor
presentes em pessoas com idade avançada, podendo ter causas tanto internas quanto externas.
O contexto de surgimento de um transtorno não surge em um vácuo, mas estão
correlacionados com a história de vida destes idosos, sendo necessário não tratar a depressão,
o transtorno ou a dependência como algo puramente interno, que “brota” do indivíduo, mas
sim como resultante de um longo processo da maneira como o sujeito se inseriu nas suas
diversas atividades e relações.
Por exemplo, não podemos ignorar especificidades como gênero ao tratar destes
assuntos. Estatisticamente, depressão é mais comum em mulheres idosas, o que pode se
relacionar tanto com fatores internos quanto externos, como situações de violência, problemas
vinculados à dinâmica familiar, acúmulo de perdas, etc. (MINAYO & CAVALCANTE, 2013).
Apesar de muitas vezes o sofrimento psíquico e o transtorno psicológico ser
associado a características individuais, suas bases devem ser buscadas na história de vida da
10

pessoa idosa, nos contextos socioeconômicos em que este se desenvolveu ao longo de sua
existência, tal como aponta Almeida, M. (2018) e Viapiana (2017). Da mesma forma, a busca
por uma melhora não se encontra simplesmente no indivíduo, mas em toda a rede de apoio
psicossocial e socioassistencial, em instrumentos como o Centro de Atenção Psicossocial
(CAPS), o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), o Centro de Convivência, etc.,
assim como a partir de ações no âmbito da saúde de prevenção e promoção de saúde. Os
contextos de declínio de alguma função, ou do agravamento de alguma condição crônica é um
processo que se inicia muito antes da entrada nesta idade, sendo necessário esclarecer o que
são as mudanças inerentes ao processo de envelhecimento e o que são condições evitáveis ou
superáveis a partir do fortalecimento da rede de saúde e da assistência social.

2.4. Aposentadoria e Perda da Atividade Principal


O último aspecto central vinculado com a ideação suicida ou a tentativa de suicídio é
o processo de aposentadoria. Consideramos importante este aspecto visto que o trabalho é
uma atividade essencial na vida do indivíduo, constituindo não apenas uma fonte de renda,
mas um local de socialização, de criação de vínculos e produção de sentidos pessoais.
Segundo pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) em parceria
com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) no ano de 2016, 41,9% dos
idosos entrevistados que mantém uma atividade profissional (formal ou informal) afirmam
que a atividade produtiva ou ajuda a manter a mente ocupada, ou a realizam para se sentirem
produtivos, evidenciando uma necessidade de manter-se ativo.
O processo de aposentadoria é muitas vezes visto como um afastamento da vida
pública ou social, sendo um dos principais aspectos vinculados ao processo que pode levar à
ideação suicida ou a efetivação do ato, tal como apontado por diversos autores (CARMO,
2018; MENEGHEL et al., 2012, etc.). Como aponta Minayo, Meneghel e Cavalcante,
Embora se fale que na sociedade contemporânea o trabalho perdeu sentido, é
exatamente a falta dele, que reafirma sua importância. Isso é particularmente
verdadeiro para os idosos cujos hábitos de vida foram moldados pela construção
material, psíquica e moral da ética do trabalho (2012, p. 2670).

O processo de aposentadoria geralmente está associado com o processo de


envelhecimento, pesando sobre esta concepção da velhice como o “fim da vida”.
Aposentadoria – a retirada do sujeito para os aposentos – se insere aqui como mais um
processo para a pessoa idosa identificar sua morte social, assim como a retirada da autonomia
11

e da capacidade produtiva. Autores como França (1999) chegam a identificar a aposentadoria


como a perda mais significativa da vida social das pessoas, devido às alterações sociais,
econômicas, etc.
Isto porque a aposentadoria não é um momento único, mas sim um “processo de
rompimento com o ciclo de trabalho, com paralisação, progressiva ou repentina, de suas
obrigações produtivas” (COSTA, MORAES, COSTA & LOPES, 2016, p. 30). Seguindo esta
linha, é evidente que a preparação para a aposentadoria é um evento de extrema importância,
visto que exige a reflexão sobre a mudança da atividade principal do sujeito, o que
desencadeia processos internos críticos. Isto porque durante o período em que o sujeito
trabalha, o que muitas vezes acaba compreendendo quase a totalidade da sua vida, são criados
vínculos, afetos, sentidos pessoais, motivações, etc.
Associado com outras perdas, como viuvez, a saída dos filhos da residência, a perda
de colegas de trabalho, a aposentadoria deixa de ser um evento positivo, que simboliza a
possibilidade do sujeito de redescobrir interesses e produzir novas formas de se colocar no
mundo, acaba por ser um evento negativo, de paralisação total da vida social. A falta de
preparação para a aposentadoria, ou seja, a inabilidade do sujeito e do seu meio social de
preparar-se para este momento crítico, é fator central para a perda de sentido na velhice e a
produção de sentimentos que podem ser potencializadores da ideação suicida (MINAYO,
TEIXEIRA & MARTINS, 2016).
Esta relação entre o fim da atividade laborativa e a perda de sentido não é casual na
sociedade contemporânea. Tendo em mente que a valorização dos sujeitos é decidida a partir
da sua capacidade produtiva, a retirada do ambiente de trabalho significa uma desvalorização
do indivíduo. Visto unicamente como processo de produção de valor, o trabalho – considerada
a atividade central do ser humano – é reduzida ao emprego dentro da lógica econômica
capitalista. Portanto, a aposentadoria, neste processo, é vista não só como incapacidade do
sujeito de permanecer produtivo. De forma mais abrangente, é uma retirada da sua própria
humanidade.

3. METODOLOGIA
Trata-se de Pesquisa bibliográfica, qualitativa. Este estudo cobre a produção
científica referente à temática do suicídio na população idosa nos últimos cinco anos nos
principais bancos de artigos. Em um primeiro momento foi realizado busca bibliográfica na
12

SciELO, no Catálogo de Teses & Dissertações CAPES, e na Biblioteca Digital Brasileira de


Teses e Dissertações (BDTD), tendo como palavras-chaves 1) suicídio; 2) pessoa idosa; 3)
ideação suicida; 4) prevenção.
Foram selecionadas as produções que se encaixavam na temática proposta, ou seja,
que tratassem do tema do suicídio na população idosa, que dialogassem a prevenção do
suicídio com políticas públicas, ou que analisavam os determinantes físicos, psicológicos ou
sociais do comportamento suicida, com base na leitura de seus resumos.
No banco de dados da SciELO, dos últimos 5 anos foram encontrados 44 artigos, dos
quais 31 foram selecionados para leitura completa. No Catálogo de Teses & Dissertações
CAPES foram encontrados 224 trabalhos, dos quais 22 foram selecionados. Na Biblioteca
Digital Brasileira de Teses e Dissertações, foram encontrados 9 trabalhos, dos quais 6 foram
selecionados.
Após a leitura completa dos trabalhos, foram realizadas sínteses teóricas sobre os
principais fatores relacionados ao comportamento suicida na população idosa, tal como
elaborado no tópico anterior.

4. DISCUSSÃO
Com base na pesquisa bibliográfica, pudemos verificar que os fatores associados ao
comportamento suicida de pessoas idosas podem ser englobados em quatro grandes grupos,
discorridos acima. Desta forma, é perceptível que o surgimento da ideação ou do
comportamento suicida neste público está relacionado com as mudanças individuais,
familiares e sociais que a pessoa idosa atravessa no curso do envelhecimento.
Considerando isto, compreendemos a Psicologia Histórico-Cultural, tal como
proposta por autores como L.S. Vigotski, A.R. Luria e A.N. Leontiev, como o embasamento
teórico ideal para analisar a dinâmica entre as condições objetivas de vida e os processos
subjetivos decorrentes.

4.1. Atividade Social e Psiquismo


Em um sentido mais amplo, o trabalho como categoria ontológica possui
centralidade na formação não só do sujeito, mas da própria humanidade. Como afirmara Marx
(2013, p. 327), o trabalho é o ato de transformação da natureza, pois “agindo sobre a natureza
13

externa e modificando-a por meio desse movimento, ele modifica, ao mesmo tempo, sua
própria natureza”. Logo, o trabalho não é só uma atividade com a qual nos ocupamos durante
a vida adulta. A colocação do autor revele um intercâmbio constante entre a realidade objetiva
sobre a qual atuamos e os impactos dessa atuação sobre a nossa subjetividade.
Neste sentido, a Psicologia Histórico-Cultural traz à luz a dinâmica entre a atividade
e a consciência e a personalidade, explicitando como estas são resultados da atividade que
realizamos. Entretanto, isto não é um caminho de via única, visto que a consciência e a
personalidade direcionam a própria atividade. Desta forma, devemos compreender a dinâmica
entre atividade, consciência e personalidade de forma dialética4.
Um dos conceitos fundamentais para entender essa dinâmica é a Atividade Principal,
tal como formulada por Leontiev (1987) e Vigotski (1996). Segundo os autores, a vida do
indivíduo pode ser separada em diferentes períodos, com atividades próprias, necessidades
específicas, motivações, específicas, etc.
Não se trata da atividade que ocupa mais tempo na vida do indivíduo naquele
período, mas daquela no interior da qual surgem e se diferenciam outros tipos de
atividade, na qual os processos psíquicos particulares tomam forma ou são
reorganizados e da qual dependem, de forma mais íntima, as mudanças mais
importantes, os processos psíquicos e traços psicológicos do indivíduo naquele
estágio (LEONTIEV, 1987, p. 68).
Logo, podemos definir a atividade principal a partir de três características principais:
1) é a atividade em cuja forma surgem outros tipos de atividade; 2) é aquela na qual processos
psíquicos específicos tomam forma ou são reorganizados; 3) é a atividade da qual dependem
as principais mudanças psicológicas na personalidade (LEONTIEV, 2010). Para o autor, a
atividade principal está intimamente vinculada à posição social que a pessoa ocupa e que guia
o desenvolvimento do seu psiquismo5, como por exemplo a atividade escolar durante a
infância ou a atividade de trabalho na vida adulta.
É importante ressaltar que a transição para uma nova etapa da vida do sujeito não
significa o desaparecimento da atividade principal, mas sim sua realocação para um plano
secundário (FACCI, 2004). Por exemplo, enquanto a atividade de estudo é dominante na

4
-Foge do escopo deste trabalho discorrer sobre as especificidades da estrutura da atividade, da consciência e da
personalidade, tais como a relação entre sentido e significado, a relação entre interesses, necessidades e motivos,
etc. Para uma maior compreensão desta dinâmica, ver Martins (2004)
5
-Neste sentido, os autores discordam de autores que entendem o desenvolvimento psicológico como resultado
de uma maturação biológica, apesar de não negarem a importância da base física para o desenvolvimento do
psiquismo. O que autores como Leontiev e Vigotski defendem é que a base biológica não é suficiente para
promover este desenvolvimento, sendo necessário se atentar para a atividade social do sujeito e para sua relação
com o meio social em que este se insere, o que pode promover ou não o desenvolvimento de uma atenção
concentrada, do pensamento abstrato, do autocontrole da conduta, etc.
14

infância, cumprindo as características explicitadas acima, ela não desaparece em momentos


posteriores, visto que estudar pode ser uma atividade presente ao longo da vida do sujeito. Ela
só deixa de ser a atividade que desencadeia mudanças no psiquismo do sujeito.
Esta definição explicita o caráter unitário entre atividade e consciência, a
indissociabilidade desta em relação às ações do sujeito. Para os autores, toda atividade é
impulsionada por motivos, ou seja, possui um por quê para sua realização, e é esta motivação
que gera um sentido subjetivo para a atividade (por exemplo, trabalhar para sustentar os
filhos). Da mesma forma, é a atividade social e a posição que o sujeito ocupa no seu meio que
permite a este desenvolver e aprofundar vínculos afetivos, desenvolver novos interesses, etc.,
tendo como base e centro organizar a atividade principal.
Portanto, quando há a perda desta atividade principal, em vez de sua transição para
uma nova atividade organizadora do psiquismo, o que ocorre é o estabelecimento da crise,
marcada por mudanças bruscas na atividade e na personalidade do sujeito. Para Vigotski
(2006), existem etapas do desenvolvimento mais estáveis e etapas mais críticas, ditadas por
grandes mudanças no psiquismo do sujeito. Apesar de o autor focar-se somente nos períodos
críticos até o início da idade adulta, as características semelhantes das crises apontadas por
Vigotski e as alterações resultantes na terceira idade evidenciam que a passagem da vida
adulta para a terceira idade é acompanhada de um período crítico. Este não necessariamente
resulta em uma crise, somente quando não há condições internas e externas que possibilitem
um desenvolvimento saudável. Para o autor, os momentos críticos não são evitáveis, mas as
crises são.
As crises são resultados desta mudança na atividade principal do sujeito, da posição
social que o sujeito ocupa, o que requer a reorganização interna do indivíduo, a produção de
novos sentidos, novos motivos, novos interesses, etc. As crises “mostram a necessidade
interna das mudanças de estágios, da passagem de um estágio a outro” (FACCI, 2004, p. 74),
pois surgem contradições entre a posição que o sujeito ocupa no seu meio e suas reais
possibilidades. Por exemplo, pessoas idosas que são forçadas a se aposentarem, mesmo
capacitadas para exercer alguma atividade social, são relegadas a um lugar de inatividade. Ou
então idosos que possuem alguma limitação física que o impeça de realizar as mesmas tarefas,
mas que não o impedem de voltar-se para novas atividades, etc. As crises revelam esta
contradição entre as necessidades e interesses do idoso e sua nova posição social.
15

A importância da atividade principal para a formação do psiquismo, para o


surgimento do sentido pessoal, não significa somente uma intervenção no sentido de “manter
o idoso ocupado”. Voltar-se para a questão da atividade principal da pessoa idosa requer a
compreensão de que mesmo após os 60 anos, há um longo processo de desenvolvimento do
psiquismo, de produção de novos sentidos. Uma atividade desprovida de motivos geradores
de sentido pode produzir intenso sofrimento para o sujeito e a percepção de que suas ações
não são efetivas, não produzem efeitos reais e, portanto, o sujeito é “dispensável” ou não tem
mais motivos para continuar vivo.
Contudo, a produção de novas atividades, o desenvolvimento de novos interesses e
de novos sentidos pessoais não é uma ação isolada ao indivíduo. Toda ação humana é mediada
pelo meio social ao qual ele está inserido, e estas mediações são essenciais para o
desenvolvimento do sujeito. O mesmo ocorre ao envelhecer, e é função não só da família ou
da comunidade, mas do estado também promover mediações que promovam o
desenvolvimento e a melhora na qualidade de vida destes sujeitos.

4.2. Prevenção e Políticas Públicas


Até este ponto, foi abordada a inter-relação entre os principais fatores que podem
desencadear a ideação suicida em pessoas idosas. Em grande medida, foi visto que as
situações tratadas se relacionam com a totalidade da organização social. Isto significa que,
apesar da prioridade nos cuidados ser da família, o Estado não pode se eximir de cumprir com
sua função pública de promover uma melhora na qualidade de vida dos sujeitos. Isto é ainda
mais evidente ao considerarmos que uma das diretrizes da Política Nacional do Idoso (Lei
8.842/94) trata-se da “viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e
convívio do idoso, que proporcionem sua integração às demais gerações”.
O idoso não é um sujeito isolado do tecido social, e as causas de seu adoecimento
podem provir tanto da sua inabilidade de lidar com as mudanças no papel que este ocupa
dentro da família e da sociedade como um todo quanto da inabilidade do Estado e da
sociedade de adequar-se às suas novas demandas, fornecendo os instrumentos que
possibilitem a ele uma maior liberdade e autonomia. Neste sentido, é importante retomar a
conceituação que Kinoshita (2010, p. 57) faz em relação a dependência e autonomia:
Entendemos a autonomia como a capacidade de um indivíduo gerar normas, ordens
para a sua vida, conforme as diversas situações que enfrente. Assim não se trata de
confundir autonomia com auto-suficiência nem com independência. Dependentes
somos todos; a questão dos usuários é antes uma questão quantitativa: dependem
16

excessivamente de apenas poucas relações/coisas. Esta situação de dependência


restrita/restritiva é que diminui a sua autonomia. Somos mais autônomos quanto
mais dependentes de tantas mais coisas pudermos ser, pois isto amplia as nossas
possibilidades de estabelecer novas normas, novos ordenamentos para a vida.

A partir do texto Princípios das Nações Unidas em Favor da Pessoa Idosa (ONU,
1991), diversas diretrizes foram apontadas no sentido de promover a autonomia e
independência da pessoa idosa, tais como oportunidades de trabalho ou acesso a outras fontes
de renda, acesso a programas educativos e formação adequada, adaptação de ambientes
privados ou públicos às suas condições físicas, etc. Além disto, o documento reforça a
necessidade das pessoas idosas de permanecerem “integradas à sociedade, participando
ativamente na formulação e aplicação das políticas que afetam diretamente seu bem-estar, e
compartilhando seus conhecimentos e habilidades com gerações mais novas” (p. 1)
Neste sentido, é importante analisar e avaliar quais as instâncias socioassistenciais
voltadas para a pessoa idosa6 e de que forma esta pode ou não ser uma fonte de produção de
autonomia pro sujeito, ou se não é uma instância de dependência restritiva. A partir da
pesquisa bibliográfica, é possível vislumbrar quais as possibilidades de atuação e intervenção
junto à realidade da pessoa idosa.
As ILPIs e os Centros Dia são as principais instituições socioassistenciais voltadas
para este público. As Instituições de Longa Permanência são dispositivos para idosos em
situação de vulnerabilidade e que não possuem cuidados familiares – seja por
abandono/negligência, seja por dificuldade dos familiares de proverem os cuidados.
Geralmente são instituições filantrópicas, cujos residentes são idosos com algum grau de
dependência7.
Por serem instituições filantrópicas, sem muitos recursos ou equipe, as ILPIs acabam
sendo “lugares com pouca estimulação, rigidez nas regras e ambientes fechados com pouca
socialização” (ALCÂNTARA, 2018, p. 32), contribuindo para a perda de autonomia e
representação social destes idosos. Por um lado, pode resultar em retirada a autonomia dos
idosos de decidir por seus horários e atividades, tornando-se reféns das regras e da
disponibilidade da instituição. Por outro, a institucionalização e o contato mais direto com

6
- É evidente que não há espaço para analisar todas as organizações voltadas para a pessoa idosa. Para tanto,
recomendamos a leitura de Alcântara (2018),
7
- São definidos três graus de dependência: 1) idosos independentes, mas que usam equipamentos de autoajuda;
2) idosos com dependência em até três atividades de autocuidado, como alimentação, mobilidade, higiene, mas
sem comprometimento cognitivo; 3) idosos com dependência que requeiram assistência em todas as atividades
e/ou com comprometimento cognitivo severo.
17

cuidadores qualificados pode auxiliar no reestabelecimento da saúde física e mental dos


idosos, além de proporcionar novos laços e relações interpessoais (ALCÂNTARA, 2018).
Logo, não é possível estabelecer uma relação de simples causa-efeito entre a
institucionalização e os impactos na saúde física e mental dos idosos. É evidente que quando
o equipamento institucional é mais organizado, com profissionais capacitados e estimulação
constante, os efeitos podem ser positivos. Entretanto, as condições econômicas e
organizativas das ILPIs muitas vezes tornam a instituição um espaço apenas de acolhimento
institucional, fornecendo apenas os cuidados básicos como moradia, alimentação e higiene,
produzindo situações restritas e restritivas.
O Centro Dia do Idoso (CDI) tem se mostrado como uma alternativa para os idosos
que não possuem grau avançado de dependência. Segundo Alcântara (2018, p. 33), os CDI
Tem por objetivo promover a autonomia da pessoa idosa, bem como a inclusão
social e a melhoria da qualidade de vida. Prevenir as situações de risco pessoal e
social aos usuários, a institucionalização em ILPIs, reduzir o número de
hospitalizações e acidentes domésticos como quedas. O fortalecimento de vínculos
familiares através de orientações às famílias sobre os cuidados básicos aos idosos e
incentivar os familiares e a comunidade na promoção e atenção aos idosos.

Os CDI são dispositivos de cuidado e atenção à pessoa idosa durante o dia, sem a
institucionalização. Desta forma, os cuidados são providos durante o dia, assim como
realização de atividades com a pessoa idosa e com familiares, e o idoso retorna a sua própria
residência no fim do dia.
Outra possibilidade de atuação é junto às Universidades Abertas da Terceira Idade
(UNATI). Estas são espaços acadêmicos que desenvolvem atividades com a comunidade,
objetivando manter a pessoa idosa em contato com o meio social mais amplo. As atividades
possuem caráter educativo, científico e cultural, embora também as atividades sejam
desenvolvidas pensando na sociabilidade, a promoção da qualidade de vida, o autocuidado, a
atividade física, etc (FRANCO, 2017). Segundo a autora:
As atividades realizadas nas UNATIS contribuem para a socialização dos direitos do
idoso, geralmente são oferecidos cursos, oficinas que contribuem para vivência do
envelhecimento ativo e sustentável, com cargas horárias entre trinta e quarenta
horas; são desenvolvidas atividades de Arte e Cultura que objetivam a promoção da
consciência crítica, fortalecimento de identidades e do seu valor; os eventos são
pensados objetivando dinamizar a socialização, interação e lazer; os serviços
buscam oferecer cursos de cuidadores de idosos às comunidades e familiares. Os
cursos voltados à saúde da pessoa idosa, buscam, através de atividades motoras e de
lazer, estimular a aceitação das limitações motoras e superação de dificuldades
motoras através da consciência corporal (FRANCO, 2017, p. 78.
18

Como aponta a autora em seu estudo, as UNATIs são espaços de reflexão sobre a
posição social da pessoa idosa. Para além da divulgação de conhecimento científico, as
UNATIs são locais de sociabilidade e de contato intergeracional, podendo ter consequências
positivas sobre a qualidade de vida dos sujeitos.
Por último, ressaltamos os Centros de Convivência como espaço de participação
social e de criação de vínculos. Estes são locais com função tanto de lazer, promovendo
diversas atividades culturais, artísticas e de convivência, quanto política, discutindo sobre
“como deve ser vivida a velhice e como deve ser a experiência de ser idoso” (SILVA, 2017, p.
84). Segundo a autora, o Centro de Convivência pode vir a compor uma rede de solidariedade,
com função de promoção do cuidado mútuo entre os participantes, referente tanto a questões
de convivência e conflitos familiares quanto a problemas de saúde ou financeiros.
Como dito anteriormente, não é objetivo deste trabalho exaurir todas as
possibilidades de atividade social que incluem ou podem vir a incluir a pessoa idosa. Para
além das ILPI, dos Centros Dia, das Universidades Abertas da Terceira Idade e os Centros de
Convivência, existem diversos dispositivos sociais que podem ser desenvolvidos para
promover uma maior sociabilidade. Vale lembrar que estas instituições não podem ser
reduzidas à função de “manter o idoso ocupado”. Pelo contrário, são instrumentos de
produção de novas atividades e novos sentidos pessoais, de fomento de novos interesses,
novos vínculos (ou manutenção dos já estabelecidos). Da mesma forma, estes dispositivos são
apenas uma parte das possibilidades de intervenção junto à pessoa idosa. Há de se considerar
outras possibilidades de intervenção envolvendo a família, o ambiente de trabalho, as
instituições de saúde, etc.
Considerando que, como visto anteriormente, que a ideação e a tentativa de suicídio
é resultado não só de uma má adaptação da pessoa idosa às suas novas condições sociais, mas
também uma má adaptação do meio social às necessidades específicas das pessoas idosas,
pensar em como as instâncias e políticas públicas podem atuar para inserir os sujeitos nos
espaços sociais é um trabalho essencial no combate ao crescente número de suicídios na
população idosa.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A produção da autonomia e a ampliação dos espaços de convivência em que o idoso
pode se inserir é fundamental ao considerarmos as questões e conflitos que podem levar à
19

ideação suicida. É evidente que alguns destes espaços já existem na rede socioassistencial,
sendo necessário reforçar sua importância e capacitar seus profissionais a enfrentarem esta
situação.
Porém, isto não significa que ações específicas voltadas para a prevenção do suicídio
de pessoas idosas não devam ser desenvolvidas, sendo neste caso urgente a parceria entre as
políticas públicas da assistência social, de saúde e educação, etc. O suicídio é um fenômeno
complexo de múltiplas causas. Associá-lo simplesmente à “depressão” ou “falta de vontade de
viver” reduz essa complexidade a aspectos individuais, colocando sobre o sujeito portador do
sofrimento o início e fim do fenômeno.
Neste sentido, revisar a produção científica a respeito do tema se torna fundamental
para compreender quais ações e instituições podem produzir um impacto positivo ou negativo
na qualidade de vida e bem-estar da pessoa idosa, quais contextos são produtores de
autonomia, e quais limitam suas capacidades e possibilidades de atuação e desenvolvimento
pessoal e social.
O estudo apresentado aqui revela um panorama geral da situação da pessoa idosa
com ideação suicida. Importante desta apresentação, em primeiro lugar, é pontuar que o
contexto no qual a ideação ou a tentativa de suicídio surge não é simplesmente uma situação
atípica, mas a realidade de uma boa parcela da população idosa. Situações como
aposentadoria, abandono ou negligência familiar, isolamento social, surgimento ou
agravamento de condições físicas, são acontecimentos frequentes dentre essa parcela da
população, ressaltando por que a pessoa idosa tem uma das maiores taxas de suicídio
atualmente (BRASIL, 2017). A heterogeneidade da população idosa não significa que não
existam experiências e vivências comuns que devam ser avaliadas e, se possível, alterada para
proporcionar uma melhor qualidade de vida.
O fortalecimento da rede socioassistencial e das organizações do terceiro setor
(instituições de longa permanência, associações de aposentados, etc.) é um caminho com
diversas possibilidades. Isto também porque a política do idoso é ainda bastante recente.
Porém, sua efetivação é de extrema urgência, visto a aceleração do envelhecimento
populacional no país e a inabilidade da sociedade de adaptar-se a essa nova realidade.
Este trabalho tinha como objetivo compreender os principais fatores associados à
ideação ou tentativa de suicídio na pessoa idosa, assim como os principais dispositivos
socioassistenciais que podem ser usados na promoção do envelhecimento ativo, da melhora na
20

qualidade de vida e na produção da autonomia. Da mesma forma, o embasamento teórico


fornecido aqui almejou contribuir para entender como as mudanças na vida dos sujeitos pode
gerar um sentimento de falta de sentido e de não-pertencimento. Toda atividade é uma
atividade social, e são através das atividades que são produzidos novos sentidos, sendo
também papel do estado e das políticas públicas, fornecerem estes espaços e oportunidades
para a pessoa idosa. Espera-se que o panorama delineado aqui possa contribuir para se pensar
em ações estratégicas que possam contribuir com a melhora da qualidade de vida desta
parcela da população.
21

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALCÂNTARA, L. Suporte Social entre idosos frequentadores de Centro Dia e moradores


de ILPI. Mogi das Cruzes: Dissertação (mestrado) – Instituto Educatie de Ensino e Pesquisa,
2018, 77p.

ALMEIDA, B. Aspectos Psicossociais do suicídio em idosos e percepções de sobreviventes.


Revista de Psicologia do IMED, Passo Fundo, v. 10, n. 1, p. 21-36, Jan-Jun., 2018.

ALMEIDA, M. R. A Formação Social dos Transtornos de Humor. Botucatu: Tese


(Doutorado) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Programa de Pós-
Graduação em Saúde Coletiva, 2018, 415p.

BRASIL. Boletim Epidemiológico: suicídio. Saber, agir e prevenir. Brasília, 2017.

CARMO, E. A.; SANTOS, P. H. S.; RIBEIRO, B. S.; SOARES, C. J.; SANTANA, M. L. A.,
BOMFIM, E. S.; OLIVEIRA, B. G.; OLIVEIRA, J. S. Características sociodemográficas e
série temporal da mortalidade por suicídio em idosos no estado da Bahia, 1996-2013.
Epidemiol. Serv. Saúde. Brasília, vol. 27, n. 1, p. 1-8, 2018.

CAVALCANTE, A. C. S.; SÉRVIO, S. M. T.; FRANCO, F. R. A.; CUNHA, V. P;


CAVALCANTE, F. V.; NASCIMENTO, C. E. M. A clínica do idoso em situação de
vulnerabilidade e risco de suicídio. Revista Trivium Est. Interd., ano VII, Ed. 1, p. 74-87,
2015.

COSTA, A. M. M. R.; MORAES, P. F.; COSTA, J. L. R.; LOPES, R. G. C. Envelhecimento e


Trabalho. In: COSTA, J. L. R.; COSTA, A. M. M. R.; JUNIOR, G. F. (orgs.). O que vamos
fazer depois do trabalho? Reflexões sobre a preparação para aposentadoria. São Paulo:
Editora UNESP, p. 23-33, 2016.

DURKHEIM, E. O Suicídio. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

EVANGELISTA, R. A.; BUENO, A. A.; CASTRO, P. A.; NASCIMENTO, J. N.; ARAÚJO,


N. T.; AIRES, G. P. Percepções e vivências dos idosos residentes de uma instituição asilar.
Revista Esc. Enferm. USP, São Paulo, v. 48, p. 85-91, 2014.

FACCI, M. G. D. A Periodização do desenvolvimento psicológico individual na perspectiva


de Leontiev, Elkonin e Vigotski. Cad. Cedes, Campinas, v. 24, n. 62, p. 64-81, abr. 2004.

FRANÇA, L. H. Repensando aposentadoria com qualidade: um manual para facilitadores


de programas de educação para a aposentadoria. Rio de Janeiro: CRDE UERJ, 2002.

FRANCO, C. M. B. O Envelhecimento ativo e as universidades abertas da terceira idade


em Teresina: desafios contemporâneos. Teresina: Tese (Doutorado) – Universidade Federal
do Piauí, Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas, 2017, 236p.

GIACOMIN, K. C.; FIRMO, J. O. A. Velhice, incapacidade e cuidado na saúde pública.


Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 12, p. 3631-3640, 2015.
22

GUTIERREZ, D.; SOUSA, A. B. L; GRUBITS, S. Vivências subjetivas de idosos com


ideação e tentativa de suicídio. Revista Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 6, p. 1731-1740,
2015.

KINOSHITA, R. T. Contratualidade e Reabilitação Psicossocial. In: PITTA, A. (org.).


Reabilitação Psicossocial no Brasil. São Paulo: Editora Hucitec, p. 55-59, 2010.

LEONTIEV, A. N. El Desarrollo psiquico del niño em la edad preescolar. In: DAVIDOV, V. &
SHUARE, M. La psicologia evolutiva y pedagogia em la URSS. Moscú: Editorial Progreso,
p. 57-70, 1987.

LEONTIEV, A. N. Uma Contribuição à teoria do desenvolvimento da psique infantil. In:


VIGOTSKI, L. S.; LEONTIEV, A. N.; LURIA, A. R. Linguagem, Desenvolvimento e
Aprendizagem. São Paulo: Editora Ícone, p. 59-84, 2010.

MARTINS, L. M. A Natureza Histórico-Social da Personalidade. Cad. Cedes, Campinas, v.


24, n. 62, p. 82-99, abr. 2004.

MENEGHEL, S. N.; GUTIERREZ, D. M. D.; SILVA, R. M.; GRUBITS, S.; HESLER, L. Z.,
CECCON, R. F. Suicídio de idosos sob a perspectiva de gênero. Ciência & Saúde Coletiva,
v. 17, n. 8, p. 1983-1992, 2012.

MINAYO, M. C. S.; CAVALCANTE, F. G. Estudo compreensivo sobre suicídio de mulheres


idosas de sete cidades brasileiras. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 29, n. 12, p. 2405-
2415, Dez. 2013.

MINAYO, M. C. S.; CAVALCANTE, F. G. Suicídio entre pessoas idosas: revisão da


literatura. Revista Saúde Pública, São Paulo, v. 44, n. 5, p. 750-757, Ago. 2014.

MINAYO, M. C. S.; MENEGHEL, S. N.; CAVALCANTE, F. G. Suicídio de homens idosos


no Brasil. Revista Ciência & Saúde Coletiva, v. 17, n. 10, p. 2665-2674, 2012.

MINAYO, M. C. S.; TEIXEIRA, S. M. O.; MARTINS, J. C. O. Tédio enquanto circunstância


potencializadora de tentativas de suicídio na velhice. Estudos de Psicologia, vol. 21, n. 1, p.
36-45, jan./abr. 2016.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Orientações Técnicas para a implementação de linha de


cuidado para atenção integral à saúde da pessoa idosa no Sistema Único de Saúde (SUS).
Brasília, 2017.

MUSCARO, S. A. O que é velhice? Rio de Janeiro: Editora Brasiliense, 2004.

NETTO, N. B. Suicídio: Uma análise psicossocial a partir do materialismo histórico dialético.


São Paulo: Dissertação (mestrado) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Programa
de Pós-Graduação em Psicologia Social, 2007. 179 p.

OLIVEIRA, J. M. B.; VERA, I. LUCCHESE, R.; SILVA, G. C.; TOMÉ, E. M.; ELIAS, R. A.
Envelhecimento, saúde mental e suicídio. Revisão integrativa. Revista Brasileira de
Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, v. 21, n. 4, p. 503-515, 2018.
23

PAULA, M. F. Os idosos do nosso tempo e a impossibilidade da sabedoria no capitalismo


atual. Serv. Soc. Soc. São Paulo, n. 126, p. 262-280, mai./ago., 2016.

PEREIRA, J. R.; MORAES, P. F.; PEREIRA, U. V.; COSTA, J. L. R. Saúde, envelhecimento


e aposentadoria. In: COSTA, J. L. R.; COSTA, A. M. M. R.; JUNIOR, G. F. (orgs.). O que
vamos fazer depois do trabalho? Reflexões sobre a preparação para aposentadoria. São
Paulo: Editora UNESP, p. 45-62, 2016.

PINTO, L. W; ASSIS, S. G. Estudo descritivo das tentativas de suicídio na população idosa


brasileira, 2000-2014. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 6, p. 1681-1692, abr. 2015.

REIS, C. W. A Atividade Principal e a Velhice: Contribuições da Psicologia Histórico-


Cultural. Maringá: Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Maringá, Programa de
Pós-Graduação em Psicologia, 2011. 168 p.

SERVIÇO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO (SPC). Significados, vida profissional e


financeira da terceira idade no Brasil. 2016.

SÉRVIO, S. M. T. Velhices Fragilizadas na Contemporaneidade: uma investigação sobre as


circunstâncias potencializadoras de tentativas de suicídio em idosos de Teresina. Fortaleza:
Dissertação (mestrado) – Universidade de Fortaleza, Programa de Pós-Graduação em
Psicologia, 2015, 232p.

SILVA, J. V. F.; SILVA, E. C.; RODRIGUES, A. P. R. A.; MIYAZAWA, A. P. A Relação entre


o envelhecimento populacional e as doenças crônicas não-transmissíveis: sério desafio de
saúde pública. Cadernos de Graduação de Ciências Biológicas e da Saúde, Maceió, v. 2, n.
3, p. 91-100, mai. 2015.

SILVA, K. R. Senhores (as) de Si? Velhice, Políticas Públicas e Participação entre Idosos
Inseridos em Grupos e Associações? João Pessoa: Tese (doutorado) – Universidade Federal da
Paraíba, Programa de Pós-Graduação em Sociologia, 2017, 244p.

SILVA, R. M.; MANGAS, R. M. N.; FIGUEIREDO, A. E. B.; VIEIRA, L. J. E. S.; SOUSA,


G. S.; CAVALCANTI, A. M. T. S.; APOLINÁRIO, A. V. S. Influências dos problemas e
conflitos familiares nas ideações e tentativas de suicídio de pessoas idosas. Ciência e Saúde
Coletiva, v. 20, n. 6, p. 1703-1710, abr., 2015.

SIMÕES, J. A. Solidariedade em xeque. In: DEBERT, G. (org.) Políticas do corpo e o curso


da vida. São Paulo: Sumaré, 2000.

VIAPIANA, V. N. A Depressão na Sociedade Contemporânea: Contribuições da Teoria da


Determinação Social do Processo Saúde-Doença. Curitiba: Dissertação (mestrado) –
Universidade Federal do Paraná, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, 2017, 180p.

VIGOTSKI, L. S. Obras Escogidas II. Madrid: Centro de Publicaciones del M.E.C. y Visor
Distribuciones, 1996.
24

VIGOTSKI, L. S. Obras Escogidas IV. Madrid: Centro de Publicaciones del M.E.C. y Visor
Distribuciones, 2006.

ZENDRON, M. Câncer e Suicídio: Avaliação do risco de suicídio nos primeiros seis meses
após o diagnóstico do câncer de próstata em um centro oncológico da cidade de São Paulo.
São Paulo: Dissertação (mestrado) – Fundação Antônio Prudente, Curso de Pós-Graduação
em Oncologia, 2017, 107p.