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CQobe~toCBueno

ISBN &5&b9&177-X

ffiWOJffi[JUJ
ANO 2011 9 7&&5&b
I
9&1777
Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida ou transmitida
sejam quais forem os meios: eletrônico, fotográfico, gravação ou
quaisquer outros sem a permissão explícita por escrito do autor.
Roberto Bueno

~UENO,ROBERTO.
'edagogia da Música - Volume 1. Jundiaí: Keyboard Editora Musical
.tda. 2011, p. 248.
SBN: 978-85-86981-77-7

Copyright©2011 by Roberto Bueno / IMPRESSO NO BRASIL


Todos os direitos reservados

Editor: Marcelo Dantas Fagundes


Editoração, Projeto Gráfico, Pesquisas: Heloísa Carolina Codoy
Fagundes
Revisão Ortográfica: Viviane Bersou
Capa: Lucas Femandes
Fotografias do Grupo Paula Teclados: professores Ailton Ângelo de
Britto, Paula Regina Curi de Britto e Tarsila Curi Sanfins
Impresso e Editado: Keyboard Editora Musical Ltda.

Registro na Fundação BIBLIOTECA NACIONAL


N2: 978-85-86981-77-7
Autor: Roberto Bueno
Título da Obra: Pedagogia da Música - Volume 1

KEYBOARD EDITORA MUSICAL LTDA. À minha filha Alessandra Antolino Bueno, peàagoga e
CAIXA POSTAL 300 - CEP 13201-970 - Jundiaí - SP
professora de música.
E-mail: contato@mboard.art.br. Site: www.keybQA..r:9 .... br
art •...
o AUTOR AO~L~ITOR~
o Diplomado pelo Cousenmtário de Música Alberto Nepomuceno.
o Professor pela The American Accordionists Association of Neto York.
o Professor pela União Brasileira de AcordeonistasProfessor A. Franccschini.
o Di plomado pelo Insti tu to de Música do Canadá. o amor eterno e minha dedicação à arte musical exercendo a
o Diploma de Honra ao Mérito pela Escola de J e II Graus Professor João Borgcs. profissão de um simples professor de música, animou-me a escrever
o Certificado de alta interpretação pianística realizado na Traço Cultural. este modesto trabalho, fruto de longos anos de experiências e
o Contenda pela Ordem Civil dos Cavaleiros do Templo pelos serviços prestados à sacrifícios.
comunidade.
Não tenho a pretensão de seguir as áreas literárias e científicas,
o Conselheiro federal da Ordem dos Músicos do Brasil.
porém tenho o intuito de ensinar as regras básicas para que se exerça o
o Acordeonista da AACO (Associação das crianças defeituosas).
magistério com o mínimo de conhecimentos na área da pedagogia
o Troféu Ordem dos Músicos do Brasil em 1988.
o Placa de Prata pela Associación de Música de Espana, Madrid. musical.
o Embaixador do Tango no Brasil com certificado da República de San Cristouau, A aplicação do ensino da arte musical exige, no mínimo, um
Argentina. plano de curso a ser traçado pelo professor e o principal objetivo de um
o Certificado de Honra ao Mérito pelo LiOl1SClub de São Paulo. professor, no que se refere aos alunos iniciantes, deve consistir em
o Diploma e medalha de mérito profissional em música pela Academia Brasileira de impedir erros que comumente, só darão provas de falta de
Arte, Cultura e História.
conhecimentos.
o Diploma e medalha pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Medalhística.
Necessita pois, o professor de música, da maior soma possível de
• Medalha de José Bonifãcio de Andrade e Silva (O Patriarca).
conhecimentos musicais, literários, científicos e de todas as artes. Só
• Diploma de membro titular e Medalha da República conferidos pela Academia
Brasileira de Arte, Cultura e História. assim poderá aproximar-se daquela perfeição caracterizada pela
• Certificado da empresa jornalística Metropolitana S. A. verdadeira obra do ensino musical.
• Membro dos Amigos de Lamas, da Argentina. O professor dignifica o magistério desempenhando seu trabalho
Troféu VIP's, os melhores de 1993. com responsabilidade, pontualidade às aulas, exemplo e interesse. Ou
Atual diretor administrador da Associação dos Acordeonistas do Brasil. seja, a educação do professor é a base para guiar o aluno.
, Diretor do Conseroatório Nacional de Cultura Musical. Neste primeiro volume, abordaremos alguns itens como a
Regente do coral da ICAB -Igre]« Católica Apostólica do Brnsil.
Pedagogia no contexto geral, sua origem, os ramos da Pedagogia, um
Regente da American Catho/ic Ortodox Church,
breve histórico no Brasil, os grandes pedagogos/pensadores da
Regente do grupo Robert lniernationol Music.
humanidade. Falaremos sobre a música e sua origem, a importância da
Professor de melodia, harmonia e bateria para o curso de jurados do Grupo Especial e
;rupo de Acesso da Liga das Escolas de Samba e União de Escolas de Samba de São Paulo. música na infância, a atividade musical para os portadores de
Atual Presidente da Ordem dos Músicos do Brasil- Conselho Regional do Estado de necessidades especiais, o que é musicalização e seus objetivos, as
iãoPaulo.
tentativas de se ter urna educação musical no Brasil desde a época do
descobrimento, enfim, ternas de extrema importância para nós,
professores de música.
PR~~ÁCfO
Por se tratar de um assunto vasto, esta obra foi dividida em três
volumes. Nos próximos serão abordados ternas corno o planejamento
de aulas de música desde a Educação Infantil, passando pelo Ensino
Fundamental e o Ensino Médio e um apanhado sobre os casos de Mais uma vez estou aqui firmando parceria entre a Keyboard
sucesso noBrasile no exterior. Logo, um volumecomplementa o outro. Editora e o professor Roberto Bueno, a quem admiro corno profission: I
Exercer o magistério é corno exercer ó sacerdócio, ou seja, é e como amIgo.
necessário entregar-se de corpo e alma. A música é, sem dúvida Nesses anos todos respirando música, o professor Roberto
nenhuma, o único e verdadeiro idioma universal entre os povos. Bueno pôde aventurar-se, de maneira sábia, no mundo das letras '
Acompanho com toda a atenção e carinho a evolução da arte de assim escrever seu segundo livro (nessa parceria) entitulado Pedagogia
ensinar música no Brasil e no exterior. É corno se fosse uma viagem da Música. Ao escrevê-lo. o professor demonstrou não apenas sua
através do mundo, sentindo a música de cada povo.
satisfação em ensinar a admirar o universo musical, como também 11 S
a professor de música é um ser humano criado por Deus que
incitou a explorar, a descobrir, a escutar tudo o que se relaciona a s
dedica anos e anos de sua existência à divina arte da música. E
universo.
professor bem esclarecido será o alicerce do ensino da arte musical!
A literatura escrita no Brasil sobre o terna proposto p 10
Dedico esta obra ao meu inesquecível amigo José Manoel Ros
Garcia, que se encontra no plano espiritual. professor é mínima. Não existem muitos livros que exploram esse tema
A todos desejo uma agradável leitura! tão importante e admirado desde a Grécia Clássica pelos pensador s
Aristóteles, Pia tão e afins. Muitos são os pesquisadores mundialmente
conhecidos que estudaram e comprovaram os benefícios e s
necessidades de se incluir a música na vida dos seres humanos, desde
uma iniciação musical até como terapia de cura em hospitais.
necessário respirar música, assim como nós, músicos, o fazemos.
Na trajetória desse universo tão importante que é a música,
Roberto Bueno, o autor. caminha, junto com o professor, a pesquisadora Heloísa Fagundes, qu
(Professor, Músico e atual Presidente da Ordem
dedicou meses de estudos sobre o tema e o transformou em três
dos Músicos do Brasil - Conselho Regional do
volumes, não deixando que o livro se transformasse em uma leitur -
Estado de São Paulo).
contato:www.cncmtatuape.com cansativa.
/

Além da pesquisa dos textos em fontes diversas, teve também


em seu trabalho, todo o cuidado ao transformar o livro num design
~UMARrO
arrojado, totalmente ilustrado, letra apropriada, dizeres importantes
dispostos nos devidos lugares. Enfim, podemos dizer que o livro CONT[ÚDO DO VOLUM[ 1
Pedagogia da Música tornou-se um instrumento que deve soar, ou seja,
CAPÍTULO 1 - A Pl!dagogia num ContQXto Qgtal - 15
deve ser lido e que o leitor, ansioso por boa leitura faça espalhar seu som
aos apreciadores e aos que respiram música na profissão ou somente Origem -16
pelo simples prazer em aprender algo novo, interessante e importante O Início da Arte de ~n!:inat - 17
queéa MÚSICA! Objeto de Istudo - 1<;?
Boaleitura! DMenvolvimento da ~ducação Intelectual - 19
Método!: Didático!: - 22
Motivação - 24
Didática Geral - Principal !;Iemento da Pedagogia - 25
- Divi!:ão da Didática - 26
- A Didática entte os anos 20 e 50 - 27
- A Didática entte os anos 60 e ~O - 27
- A Didática dos anos 90 até a Atualidade - 27
Ramos da Pedagogia - 29
- P!:icologia - 29
- ~ociologia - g 1
- l=i1o!:ofia- g g
- A I=ilo!:ofiae a Mú!:ica - g5
[tica -?'7
Bteve I-li!:tótia da Pedagogia no Bta!:iI- 41
- Petíodo Je!:uítico (1549-1759) - 41
- Petíodo Pombalino (1760-1~07) -4g
- Período Joanlno (1~0~-1~21)- 46
Marcelo Dantas Fagundes, o editor.
- Petíodo Imperial (1~22-1~~~) -47
(Professor, maestro, músico e diretor da Keyboard Editora
- Petíodo da Primeira República (1~~9-1929) - 50
Musical).
- Período da ~egunda República (19g0-19g6) - 52
contato: www.keyboard.art.br
- Petíodo do ~stado Novo (19g7 -1945) - 54
- Petíodo da Nova República (1946-196g) - 56 Definições -144-
- Petíodo do Regime Militat (1964-19~5) - 5~ Gênetos Musicais -146
- Petíodo da absrtura Política (19~6-Atualidade) - 60 ~ducação Musical-14<6
Bteve l-list6tia da Pedagogill MUl!ical Attavél! dos ~éculos -149
A Pedagogill na Música -155
CAPfTUlO 2 - Ds alilndeg PgcJagogou1>QlJgado~da Humanldado - ôg O Papel do Aluno -157
O Papel do PtOfel!l!ot- 157
~6crlltel! (469ll.C. - g99 a.C.) - 66 Quaüdadas de um Professor de Música - 15<6
Platão (427 a.C. - g47ll.C.) - 69 A Infância e a Música -160
Atist6telel! (g<64a.C. - g 22ll.C.) - 7g A ~ducllção MUl!iclllPlltll Ctillnçlls com Necessidadel! ~specillil! -162
Jsan Jaequos Roussaau (1712 - 177<6) - 77 Possíveis Benefícios que al! Aulas de MÚl!ica podem prnporelonar aos Indivíduol! com
.lohann I-leinrich Pestalozzi (1746-1<627) - <60 Necel!l!idadel! ~l!peciais - 167
Johann r:tiedrich l-lerbart(1776 -1<641) - <6g O Pllpel da MÚl!icllnll ~ducllção -174
r:riedtich Wi/helm Augul!t r:rõebel (17<62 -1<652) - <67 O porquê da ValotizllÇão da Música nas ~colal! -176
r:riedtich Nietzscne (1<644 -1900) - 9g O que é Musicalização? - 177
tmile Dutkheim (1<65<6-1917) - 96 As Janalas de Opottunidadel! -1<64
John Dewey (1<659 -1952) - 9<6 - As Janelas de Oportunldadas e o Papel da ~ducação Infantil no~éculo XXI -1~5

tmileJacques Dalctoze (1<669 -1950) -102 - A Música e as Janelas de Oporfuntdadas - 1~6

Matia Montel!l!oti (1<670 -1952) -106 - Pesquisas - 1~7


tdoulltd C/llpatede (1<67g -1940) -109 -ligllÇÕes entra a Música e o desenvolvimento do Cérebta -1~7
Alexandet ~uthetland Neill (1<6<6g-197g) -11 g - Atividades Musicais Melnotam as Hllbilidades Intelectuais Vitais nas Crillnçlls-
Jean Williarn r:ritz Piaget (1<696 - 19<60) - 116 1~9
~dgat Willeml! (1<690-197<6) -120 - A Música Desenvolvendo o Raciocínio Lógico-Mllfemático - 190
lev ~emyomovich Vygotsky (1<696 -19g4) -127 - A Música e o Rllciocínio ~spacilll e ~ amporal- 190
Paulo Regius Neves r:teire (1921 -1997) -1 g1 - Conclusões -190
Mienel r:oucault (19 26- 19<64) - 1g5 Musicotetapia -192
Howard Gatdllet (194g -l -1 g<6 - Definições - 192
- Hístórill-19g
-Indicações - 19~
CONT~ÚDODO~ VOLUM~ 2 ~ s
- Processo- 199
- O musicotetapeuta- 199
- {;stilosMusicais Ttabalhados - 201
o Mundo des ~ong (O ~orn - Qualídadas do ~orn - O Ouvido - O Ouvido Absoluto o
Ouvido Rellltivo) - Ca~acidad~ Auditiva!: (Os Uernisfétios Cetebtllis - Ullbi/ldad
Associlldlls à lspecilllizllÇão dos Ul!rnisfétios) - A~tendizag9fn Mugical (TI!otla d
CAPÍTULO Lt - A Uim-6tiada Pedagogia Mu!:i~1 no Bta!:i1- 20g Aptl!ndizllgl!rn Musiclll) - Mugi~t - ~ducaçlJo Mugical - A Múgica no Ambl nt
~colat (Os lnvolvidos no PtOCI!SSOde lnsino I!Aptendizllgern - A Jingullgern Musical n
Pl!tíodoJeguítico (154-9-1759) - 204-
lducação de Ctillnçlls, Jovens e Adultos) - A Múgicaa gaugk~actog (A!:Pl!ctos Mu I ai
Pl!tíodoJollnino (H?0'i?-1'i?21) - 206
- Aspectos Cultutllis - Aspsetos ~OCillis - Música nas [scolas = Inclusão ~ocial - A 1)0 to
Pl!tíodo Irnpetilll (I 'i?2 2 -I 'i?'i?'i?)- 20'i?
lducllcionais) - ~ágiog do D~anvolvimanto Mugical - Contaúdog qua ~odQlTl
Pl!tíodo Rl!publicllno (I 'i?'i?9-19g 6) - 211
Déclldlldl! 1990/194-0- 21g Ttabalhadog (O Jogo I!a Ctillnçll- A hplotação ~OnOtll - Cllncioneito J:olcl6tlco Infan ".

- O Canto Otfl!õnicoImplantado POtViJla-lobos- 21g Plltll!ndllS - Canto - Bllndinhll Rítrnicll - Pareussão - lnstrurnantos Musicais - J:lauta Do •
- J:ihlllidadedo Canto Otfeônico - 219 [spineta - Pífano - Violão) - Plano da Aula - Dafiniçõ~ - O PotquÂdo Plano da Aul •
- POtque o canto Otfl!ônicosaiu da Gtade Cutticulat'? - 222 ~ducaçlio Infantil (O II 05 anos] - ~ngino J:undamantal (06 II 14- anos) - tn~'no
- O problemaPolítico - 222 Médio - CagOgda ~UC~gO no Btagil - CagOgda ~UC~gO no txtatiot (China •
-O Problama da Capacitação Docente - 22 g (;:stados Unidos da Arnética -Japão - Venazuala] - RafetÂnciagBibliogtáfi~g
- O Ptoblema Metodológico- 224
De 194-5 à Década de 1960- 226
Déclld~l!:de 1970, 19'i?0 e 1990 - 227
AVoltll: 2012 - 229
- Obtigatotiedade do {;Minoda Música no Btasilflei - 229

R~J:~R[fJCI~ BIBUOGRÁJ:IOO - 2 s s
CAPíTULO 1
A P~DAGOGrA NUM CONT~XTO G~RAL
somente generalizou-se na acepção de elaboração consciente do
processo educativo a partir do século XVIII, na Europa Ocidental.
OR'G~M
"Atualmente, denomina-se pedagogo o profissional cuja
"A hfgf6tfQ levou s:éeulos:f»QHIeonf9tlt o gfQfqs: de efentffiefdQdeê QffvfdQde formação é a pedagogia. Aqui no Brasil é uma graduação e, por parte do
dos: IJedQgogos:, QJNWIt dQ ptOblem4tfeq IJedQg6gfeq e!hIt pregente em todQS:QS: MEC - Ministério da Educação e Cultura - é um curso que cuida dos
ehlPQS:hfgf6tfeqs:, Q f»Qttft dQ QntfgufdQde". assuntos relacionados à educação por excelência. Portanto, trata-se de
uma Licenciatura, cuja grade horária curricular atual estipulada pelo
MEC confere ao pedagogo, de uma só vez, as habilitações em Educação
Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos,
A palavra pedagogia tem origem na Crécic Antiga (paidós:
Coordenação Educacional, Gestão Escolar, Orientação Pedagógica,
criança e agogé: condução, direção). No decurso da história do Ocidente,
Pedagogia Social e Supervisão Educacional, sendo que o pedagogo
a pedagogia firmou-se como correlato da educação, e assim significa a
também pode, na falta de professores, lecionar as disciplinas que fazem
ciência do ensino. Entretanto, a prática educativa é um fato social, cuja
parte do Ensino Fundamental e Médio, além de se dedicar à área técnica
origem está ligada à da própria humanidade. A compreensão do
e científica da Educação, como por exemplo, prestar assessoria
fenômeno educativo e sua intervenção intencional fez surgir um saber
educacional. Devido a sua abrangência, a pedagogia engloba diversas
específico que modernamente associa-se ao termo pedagogia. Assim, a
disciplinas, que podem ser reunidas em três g~pos básicos: disciplinas
indissociabilidade entre a prática educativa e a sua teorização elevou o
filosóficas, disciplinas científicas e disciplinas técnico-pedagógicas.
saber pedagógico ao nível científico. Com este caráter, o pedagogo
passa a ser, de fato e de direito, investido de uma função reflexiva,
investigativa e, portanto, científica do processo educativo. Autoridade o INíCIO DA ART~ D~ ~N~INAR
que não pode ser delegada a outro profissional, pois o seu campo de
"~ns:fnQté uma dQS:Qtfeg rnQ'S:QntfgQS:dQ efvilizQçllo".
estudos possui identidade e problemática próprias.

O termo pedagogo surgiu na Grécia Clássica, da palavra A educação foi iniciada sem regras. A capacidade do professor
71cublXy(uyÓÇ, cujo significado etimológico é preceptor, mestre, guia, em transmitir conhecimentos era decisiva. Depois surgiram regras para
transmissão e confrarias de mestres, onde já se falava na arte de /I
aquele que conduz. Era o escravo que conduzia com sua lanterna, os
ensinar". A educação possuía o caráter de ação pessoal, artística, e o
meninos - entre 7 e 14 anos - até o paedagogium (faixa etária que
educador modelava o caráter com atividades artísticas e educativas
corresponde hoje aos alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental
como a música, considerada instrumento precioso para formar a
com duração de 9 anos no Brasil). No entanto, o termo pedago~ia personalidade humana.
No plano das ideias, o grego Platão (427-347a.C) foi de fato o
primeiro pedagogo, não só por ter concebido um sistema educacional
OBJ~TOD~ ~TUDO para o seu tempo mas, principalmente, por tê-lo integrado a uma
dimensão ética e política. Para ele, o objeto da educação era a formação
o pedagogo não possui, quanto ao seu objeto de estudo, um do homem moral, vivendo em um Estado justo.
conteúdo intrínseco, específico, mas um domínio próprio (a educação),
e um enfoque próprio (o educacional), que lhe assegura seu caráter
científico. Como todo cientista da área sócio-humana, o pedagogo se "Uma dag finalidadgg da Pedagogia é a conftlbufçlo ~ata a educaçlo mOtal,
apoia na reflexão e na prática para conhecer o seu objeto de estudo e dggenvolvendoa beJozado gg~ítito nes alunOgie a finalidade da educaçlo
produzir algo novo na sistemática da Pedagogia. Tem ele como intuito motal é fomat o Indivíduobom e dotado de ~onalidade e catáfet".
primordial, a reflexão acerca das finalidades principais do fenômeno
educativo e fazer a análise objetiva das condições existenciais e
funcionais desse mesmo fenômeno. Apesar do campo educativo ser A Pedagogia desenvolve as qualidades intelectuais do aluno,
vasto em sua abrangência, estritas são as práticas escolares que porém, depende da boa vontade deste para que haja progresso.
constituem seu enfoque principal no seu olhar epistêrnico.
A atividade intelectual está ligada à atividade espiritual. A
O objeto de estudo do pedagogo compreende os processos
educação para ser completa tem de abranger o físico, a inteligência, o
formativos que atuam por meio da comunicação e intercâmbio da
sentimento e a vontade. Aeducação não nasce com o homem.
experiência humana acumulada. Estuda a educação corno prática
humana e social naquilo que modifica os indivíduos e os grupos em
seus estados físicos, mentais, espirituais e culturais. Portanto, o
D~~tJVOLvrM~tJTO DA ~DUCACÃO'tJT~L~CTUAL
pedagogo estuda o processo de transmissão do conteúdo da mediação
cultural que se torna o patrimônio da humanidade e sua plena
A educação intelectual é outro processo de ensino que se refere
realização no ser humano.
ao procedimento do ser humano, cujos elementos são:
a.)Emoções (que alguns autores chamam de sentimentos): apenas
sentimos, entretanto pode-se aperfeiçoar para o que é bom e útil. Na
"A mlggljodo educadot modemo é tepengat Ogfing da sua atuaçlo e tectfat música, emoções agradáveis ou desagradáveis, causadas às vezes
~tO~Og ~edag6gfco~que Ot atualizem" pelo horror ou pela beleza, são transmitidas conforme a capacidade
(MARIA JUNQU~IRA gCUUIDT). do executante. Só a música é capaz de exprimir emoções, da mesma
forma que a emoção é transmitida pela música.
c.)Concepção: formação de ideias, fantasia, imaginação, ato de criar,
b.Jvontade: pode ser querer, pensar ou agir. O propósito é a primeira
ideia do objeto, função mental que pode ser exercida na ausência
função da vontade e submete-se à moral, como as paixões submetem-
da sensação e da percepção. Conceber, formar ideias de cor ou so~
se ao entendimento, que por sua vez submete-se à verdade e à
(a imaginação não é suficiente para uma inteligência musical. E
religião. Se querer é poder, a vontade é uma faculdade psíquica. Por
preciso ter inteligência, ela sim é capaz de formar ideias e
meio dela pode ser realizado tudo o que se quer verdadeiramente.
compreender).
c.)Caráter: define as qualidades individuais, a personalidade, a maneira
d.)Juízo: o juízo é o pensamento. Ensinar o aluno a pensar, depois de
de querer, pensar e agir. É o retrato moral do ser humano. As pessoas
compreender. Du·as ou mais ideias formam o juízo. Isto é a relação
de caráter agem, pensam, sentem corretament~ e têm uma conduta
entre uma ideia e ou tra.
irrepreensível. Ser bom é ser inteligente; ser virtuoso é ser sábio. O
e.)Raciocínio: combinação de juízos, dois ou mais juízos fazem o
homem inteligente pode ter os mesmos impulsos violentos do
raciocínio.
ignorante, mas os refreará melhor, corno homem educado.

OP~RA~Õ~INTRt(!TU~: são as que nos fazem compreender:


a.)Análise: exame detalhado, observação minuciosa e crítica, das
"[du~t nlio é dat ao~oufl'o~no~a~ tiqueza~.~ d~JN!tfatalguém 1»8H1 partes de um objeto, estudado separadamente.
alguma coi~a" (J[AN RIUAUD).
b.)Síntese: ao contrário da análise, quando das partes se chega ao
topo.
c.)Abstração: consiste ·em separar as qualidades do objeto
considerando-as à parte desse objeto. Não se formam imagens
A inteligência recebe as impressões: é o conjunto das faculdades
nem ideias sem abstração; é a lembrança de alguém ou de alguma
que fazem conhecer, compreender e reter os fatos e as ideias. Destacam-
coisa.
se na educação intelectual:

PROPRI~DAD~INrrl~CTUA~: são as que nos fazem guardar o que


r:UN~Õ~INrrl~CTU~: são as que chegam ao cérebro pelos sentidos:
aprendemos:
a.)Sensação: produz impressões recebidas nos sentidos, isto é,
a.)Atenção: propriedade tão necessária que é preferível parar com a
sensibilidade (sensação de angústia, cansaço).
aula quando o aluno não está prestando a atenção devida, pois é
b.)Percepção: conhecimento do que se passa no nosso EU, faculdade este o único meio de reter os conhecimentos, concentrando-se.
de perceber, de adquirir conhecimentos. Aula compreendida = aula aprendida.
onuuCÃo: método quer dizer: estudo para determinada matéria. É o
b.)Memória: fundamental em Pedagogia, em música pode ser: visual, plano de trabalho. Há autores que definem o método como uma
auditiva ou física. A memória pode ser educada com a prática da reunião organizada", conjunto de regras onde predomina o aspecto
/I

repetição, feita naturalmente, com a máxima atenção. A memória criador e o da instrução.


conserva os conhecimentos, repete mecanicamente, é a associação O método é uma necessidade lógica e psicológica, urna
deideias. organização racional. É o conjunto de experiências e ensina os
Segundo Aristóteles, boa memória significa juízo pobre. É conhecimentos de forma ordenada. A metodologia compreende
preciso distinguir memória e inteligência. Saber responder questões, também o estudo dos sistemas, modos, formas e procedimentos no
eis a memória. A inteligência, porém, sabe relacionar os fatos entre si, ensino. Meios intelectuais estabelecem princípios de ordem, adaptação,
comparar. Pode haver memória sem inteligência e cultura. economia de tempo e orientação. Os meios didáticos, em geral,
dividem-se em:

c.Ilmaginação: qualidade artística que ao professor compete guiar e


1.) UrrODO ANALmeo OUINDUTIVO:induz à pesquisa. Esse método ajuda
desenvolver.
a exercitar as faculdades intelectuais. O método analítico consiste em
É necessária a presença do objeto à vista e ao espírito. Educar a analisar as partes, ou seja, quando a mente parte de um objeto para o
imaginação do aluno com passagens interessantes de histórias, todo, dividindo as partes que constituem o objeto, analisando cada
anedotas, imagens. Um professor capaz, que tenha facilidade de parte separadamente.
expressão e imaginação, desenvolverá facilmente essa propriedade no
aluno. 2.) UrrODO gl~l1tTICO OUD[DUTlVO: quando a mente vai das partes para
A educação, qualquer que seja o nível de progresso e as o todo. É o contrário do analítico; o resumo enquanto análise significa
possibilidades de que disponha, tem valor somente com o decomposição, separação e reunião. Procura explicar a razão das coisas.
desenvolvimento intelectual, moral e físico do educando. Havendo Baseia-se este método pedagógico na dedução das coisas procurando a
unidade em educação, a formação do homem não sofrerá desajustes. razão.

g.) U[TODO UrgTO: é compreender e deduzir a um tempo. É analisar e


resumir. Em música, principalmente nas matérias elementares, é
M~TODO~ D'DÁT'CO~
preciso usar esse método mais do que os outros, separadamente.
"Motodo o o ~Iaho u~ado polo ~~t, lMJdew ~ihtotfco e ahalítlco".
4.) U[TODOg OUPROC~og [QUIVAL[Nlli AO UODO~P[CIAL o[ [~INAR:
A metodologia é a maneira inteligente de conduzir o cada professor tem uma personalidade. Há diversos tipos de métodos.
aprendizado. Meta: fim / Hodo: caminho, o que significa que método é o A pedagogia só tem proveito técnico com a colaboração dos métodos; às
caminho para se chegar a um fim. vezes há fracassos por falta dos mesmos.
MorlVACÃO DIDÁTICA G~RAL
"O OOUCJldotdQVQ~mvllt o ptirm!lto lugllt 110 lnf~~Q". PRINCIPAL ~l~M~NTO DA P~DAGOGIA
Motivação é o método de distribuir em períodos a necessidade
de preparar com segurança a compreensão do aluno.
Motivação dá resultado na aprendizagem. A motivação tem
limite e exige condições variáveis para que seu uso seja acertado. Em
geral, quanto mais baixo o nível de desenvolvimento da criança, mais
necessário se toma o auxílio da motivação para ajudar no trabalho que
ela deve executar. Basta criar. Isso vale não somente para as crianças,
mas também para os adolescentes e os ad':lltos. Urna forte motivação e
atitudes favoráveis para o estudo são as primeiras condições para se
-
obter bons resultados. Sem motivação não há estímulo, ela quase
sempre serve para incentivar a criança e para estabelecer a confiança.
Uma boa motivação tem que seguir a direção do pensamento, da
experiência e do sentimento. A palavra didática vem da expressão grega TEXV1í ~lLbC<K'HK~
(techné didaktiké), que se pode traduzir corno arte ou técnica de ensinar. A
~ATOR~: o interesse desperta a atenção. Somente o professor poderá
didática é a parte da pedagogia que se ocupa dos métodos e técnicas de
despertá-lo através de debates, curiosidades. Deduzimos então que
ensino, destinados a colocar em prática as diretrizes da teoria
somente a utilização do método não basta, mas aliando a motivação, o
pedagógica. A didática estuda os diferentes processos de ensino e
estímulo faz com que o aluno passe a se interessar.
aprendizagem. O educador [an Amos Komensky, mais conhecido por
Nada é impossível ao poder da vontade, mas é preciso estimular
Comenius, é reconhecido corno o pai da didática moderna, e um dos
essa vontade e escolher os melhores caminhos para apreender.
maiores educadores do século XVII.
A atenção, aplicação do espírito, também definida corno
concentração, esclarece, desperta a curiosidade. Esta última estimula a Os elementos da ação didática são:
criança a estudar. Logo, a motivação vira um fim. • o professor;

~IMIMtDIATO: quanto maior a ligação entre o fim e a atividade, melhor a • o aluno;


aprendizagem. • a disciplina (matéria ou conteúdo);
~IM RtMOTO: insistir com o aluno, evitar críticas, exageros, o • o contexto da aprendizagem;
aproveitamento se verificará com o tempo. • as estratégias metodológicas.
"A moflvllçJIo ~ Mlllclonlldll com o ptQzQt obtldo na IIflvldlldQ".
A DIDÁTICA ~tJTR~O~ AtJO~ 20 ê 50
Didática é a ciência do ensino. Para alguns pedagogos da escola
tradicional, ensinar significa instruir. Nesse período, a didática praticada era a da Escola Nova, que
Didática faz parte da metodologia e tem por objetivo instruir, buscou superar os postulados da escola tradicional, trazendo assim
educar. É ciência, porque se baseia em métodos científicos; é arte, uma reforma interna para o ensino. O movimento da Escola Nova
porque precisa de ação prática; é técnica, porque sistematiza as regras defendia a necessidade de partir dos interesses das crianças,
da arte, tornando-se indispensável ao professor. abandonando a visão delas como "adultos em miniatura" e passando a
Em 1657,Comenius publicou sua grande obra "Didática Magna ", considerá-las capazes de se adaptar a cada fase de seu
onde ele afirma o fim absoluto da educação, c~jo ideal e felicidade desenvolvimento. Foi a fase do "aprender fazendo", momento em que
eterna, consistem na contemplação de Deus e os meios para esse ideal os jogos educativos passaram a ter um papel importante no dia a dia das
são os conhecimentos. escolas. Entre seus principais defensores encontram-se Anísio Teixeira,
Fernando de Azevedo, Lourenço Filho e Cecília Meireles.
Didática foi o nome dado por Taylor no século XVII a um dos
aspectos fundamentais do processo educacional. Desenvolver a
didática significa conhecer para ensinar da melhor maneira. A DIDÁTICA ~tJTR~O~ AtJO~60 ~ <60

Nesse período, a didática assumiu o enfoque teórico numa


dimensão denominada tecnicista, e deixou o enfoque humanista
OBJrnVO DA DIDÁTICA: Desenvolver e prover a inteligência de centrado no processo interpessoal, para urna dimensão técnica do
elementos úteis para as funções intelectuais, despertar interesse com processo ensino-aprendizagem.
fim pedagógico. Diz Claparede que lia Didática desenvolve a inteligência e A era industrial fez-se presente na escola, e a didática era vista
a cultura em funções mentais e tem três objetivos: comunicar conhecimentos, como urna estratégia objetiva, racional e neutra do processo. O
desenvolver aptidões eformar hábitos". referenda I principal do ensino era a fábrica, e sobre ela se construíram
as práticas educativas e as conceitualizações referentes à educação.
DIVI~ÃO DA DIDÁTICA
A DIDÁTICADO~AtJO~90 ATt A ATUAUDAD~
DIDÁTICA T[ÓRICA: oferece conhecimentos limitados, noções gerais da
arte musical. É preciso conhecer a teoria, porém ensinar música não é A didática tornou-se um instrumento para a cooperação entre
cultivar o intelecto, não é garantir a divulgação da música, não é docente e discente, para que realmente ocorresse a evolução dos
moralizar ou civilizar. processos de ensino e aprendizagem. Para isso é importante o
comprometimento, o esfoço e o exercício de suas técnicas em ambos os
DIDÁTICA PRÁTICA: é a aplicação dos conhecimentos teóricos à prática do lados, para que o conhecimento realmente seja transmitido do
ensino. professor para o aluno.
RAMO~ DA P~DAGOG'A
Atualmente, a didática é uma área da pedagogia, uma das
p~rCOLOGrA
matérias fundamentais na formação dos professores, denominada por
Libâneo (1990)como "teoria do ensino" por investigar os fundamentos,
as condições e as formas de realização do ensino.
A disciplina de didática deve desenvolver a capacidade crítica
dos professores em formação para que os mesmos analisem de forma
clara a realidade do ensino. Articular os conhecimentos adquiridos
sobre o "como" ensinar e refletir sobre "para q~~m" ensinar, "o quê"
ensinar e o "por que" ensinar é um dos desafios da didática. Segundo
Libâneo (1990),a didática é:
"Uma das disciplinas da Pedagogia que estuda o processo de ensino
atraués de seus componentes -os conteúdos escolares, o ensino e aprendizagem
- para, com o embasamento numa teoria da educação formular diretrizes
orientadoras da atividade profissional dos professores". Há milhares de anos, o homem (desde que se percebeu como um
Esse mesmo autor indica que a didática "investiga as condições e ser pensante, inserido em um complexo que chamou de Natureza) vem
formas que vigoram no ensino e, ao mesmo tempo, os fatores reais (sociais, buscando respostas para suas dúvidas e fatos que comprovem e
políticos, culturais e psicossociais) condicionantes das relações entre docência e expliquem a origem, as causas e as transformações do mundo. No
aprendizagem" .
entanto, o comportamento e a conduta humana são assuntos que
sempre nos fascinaram e estão registrados historicamente ao longo
desses anos. Isso faz com que a Psicologia seja uma das mais antigas e
uma das mais novas disciplinas acadêmicas, criando assim esse
"Articulat os conhecirnentog adquitidog gobte O "corno" enginat e tefletit
paradoxo.
gobte "~atQ quern" enginat, "o qua" enginat e o "l>Otque" englnat é um dog
degafiog da did4tiCtl" (UBÂN~O, 1990). Psicologia (do grego \lfvxoi\oyíu, transl. psykhologuía, de \fJvxrí,
psykhé, "psique, "alma", "mente" e i\óyoç, lógos, "palavra", "razão" ou
"estudo") é a ciência que estuda o comportamento (tudo o que o
organismo faz) e os processos mentais (experiências subjetivas
inferidas através do comportamento). O principal foco da Psicologia se
encontra no indivíduo, em geral humano, mas o estudo do
~omportamento animal para fins de pesquisa e correlação, na área da
psicologia comparada, também desempenha um papel importante.
Psicologia pOSSI/i um longo passado, mas uma história curta Com
fiA fi.

essa frase descreveu Hermann Ebbinghaus', um dos primeiros


~OCIOLoaIA
psicólogos experimentais, a situação da Psicologia - tanto em 1908,
quando ele a escreveu, como hoje: desde a Antiguidade, pensadores,
filósofos e teólogos de várias regiões e culturas dedicaram-se a questões "A ~ociologia oduda o~fen6meno~~ociai~tentando ex~licá-Io~,
relativas à natureza humana - a percepção, a consciência, a loucura. analigando Oghorneng em suas telaçÕQg de intetde~dêncÍlI".
Apesar de teorias "psicológicas" fazerem parte de muitas tradições
orientais, a Psicologia enquanto ciência tem suas,primeiras raízes nos
filósofos gregos, mas só se separou da Filosofia no final do século XIX.
A Sociologia é uma das ciências humanas que estuda as
A palavra Psicologia surgiu no século XVI, sendo usada pela unidades que formam a sociedade, ou seja, estuda o comportamento
primeira vez em 1590 numa obra de R. Goéckel. A Psicologia estuda as humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos
ideias, sentimentos do ser humano; trata dos fenômenos da vida em associações, gru pos e instituições.
mental.
Enquanto o indivíduo na sua singularidade é estudado pela
A Psicologia pode ser racional e empírica. Ela estuda os Psicologia, a Sociologia tem uma base teórico-metodológica, ~ue serve
fenômenos da alma, ou seja, os pensamentos, além de suas faculdades para estudar os fenômenos sociais, tentando explicá-Ios, analisando os
que são a inteligência, a sensibilidade e a vontade. Compete ao homens em suas relações de interdependência. Compreender as
professor estudar as condições psicológicas do aluno, a fim de ajudá-lo diferentes sociedades e culturas é um dos obje~ivosda Sociologia.
a afastar os obstáculos, temores e complexos. É preciso haver uma certa
A Sociologia surgiu como uma disciplina no século XVIII, na
liberdade entre o professor e o aluno, principalmente com as crianças,
forma de resposta acadêmica para um desafio de modernidade: se o
pois não é concebível que a criança chegue até o professor, este é que
mundo está ficando mais integrado, a experiência de pessoas do mundo
deve chegar até ela, compreendê-Ia, estudar sua capacidade e ter urna
é crescentemente atomizada e dispersada. Sociólogos não só esperavam
visão suficiente para impor-se quando necessário.
entender o que unia os grupos sociais, mas também desenvolver um
"antídoto" para a desintegração social.
Embora o termo Sociologie tenha sido criado por Auguste Comte'

1 Hermann Ebbinghaus: (Barmen/ Alemanha, 24 de janeiro de 1850 - 26 de fevereiro de


(em 1838), que esperava unificar todos 'os estudos relativos ao ho~en:
1909) foi o primeiro autor na Psicologia a desenvolver testes de inteligência: Iniciou as _ inclusive a História, a Psicologia e a Economia, Montesquieu
primeiras investigações sobre a memória; aplicou nestes estudos sílabas "non sense" também pode ser encarado corno um dos fundadores da Sociologia -
°
para avaliar a capacidade e tempo de arrnazenarnento, assim como a facilidade de
recuperação do material armazenado. Enunciou princípios sobre o armazenamento da
talvez como o último pensador clássico ou o primeiro pensador
'memória e demonstrou que as memórias têm diferentes tempos de duração. Foi um moderno.
autor muito influente para cientistas como Ivan Pavlov e Edward Thorndike.
o estudo da Sociologia e do meio ambiente ajuda a traçar as
normas da boa conduta, que estabelece ordem e harmonia na vida
social. É uma necessidade porque, além da aprendizagem que dá ao
aluno, oferece a completa capacidade de ajustamento a qualquer
r:ILO~Or:IA
ambiente.
Estudar Sociologia, o que é, como se divide, seu objetivo nos
problemas de desajustamento como a superpopulação das cidades é Pitágoras,
parte da Pedagogia Educacional. . por Raffaello Sanzio (1509).

Pode a educação produzir profundas transformações sociais, Filosofia (do grego <l>u\oaocpLa, literalmente «amor à
isto é, transformar urna classe social, uma vez que sociedade é um sabedoria») é o estudo de problemas fundamentais relacionados à
grupo de pessoas que tem idênticos ideais; interesses e aspirações, mas existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à
a ação só é possível quando existe a cooperação voluntária do sujeito. mente e à linguagem.
PIatão assinalava como fim da educação: 'formar guardiões do A palavra Filosofia é grega. É composta por duas outras: philo e
Estado que saibam obedecer segundo a justiça". Para ele, a justiça era o sophia. Philo deriva-se de phiLia, que significa amizade, amor fraterno,
trabalho imposto dentro das respectivas classes sociais. A finalidade era respeito entre os iguais. Sophia quer dizer sabedoria e dela vem a
perpetuá-Ias, mantendo a divisão de amos e escravos. Aristóteles, palavrasophos, sábio.
embora tendo o mesmo modo de pensar, achava que a escravidão Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e
estava na natureza das coisas. No Feudalismo, o amo é o senhor, o dono respeito pelo saber. Filósofo: o que ama a sabedoria, tem amizade pelo
das terras. O servo, que tem origem no colono romano, já não é saber, deseja saber.
propriedade do senhor, é o que cultiva as terras que arrenda. As novas Assim, Filosofia indica um estado de espírito, o da pessoa que
classes sociais tiveram origem econômica; a escola as consolidou. ama, isto é, deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita.
Atribui-se ao filósofo grego Pitá goras de Sarnos (que viveu no
século V antes de Cristo) a invenção da palavra Filosofia. Pitágoras teria
afirmado que a sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas
que os homens podem desejá-Ia ou amá-Ia, tornando-se filósofos.
Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (Montpellier, 19 de janeiro de
1
Durante muito tempo procuraram-se explicações para as
1798 - Paris, 5 de setembro de 1857) foi um filósofo francês, fundador da
Sociologia e do Positivismo. questões naturais e humanas através de personagens Mitológicos. Para
2Charles de Montesquieu ou Barão de Montesquieu: (Paris, 18 de Janeiro de
os Gregos, os Mitos eram narrativas sagradas sobre a origem de tudo;
1689 - Paris, 10 de Fevereiro de 1755) foi um político, filósofo do I1uminismo eram tudo em que acreditavam corno verdadeiro. Os poetas videntes,
e escritor francês. Ficou famoso pela sua Teoria da Separação dos Poderes
(Executivo, Legislativo e Judiciário). que narravam os Mitos, possuíam urna autoridade mística sobre os
·. A r:rlo~or:IA ~ A MÚ~rCA
demais, pois eram os "escolhidos dos deuses", que lhes mostravam os
acontecimentos passados através de revelações e sonhos, para que
esses fossem transmitidos aos ouvintes. Com o passar do tempo, a
Mitologia parecia não satisfazer mais, pois notava-se insuficientemente
eficaz para a quantidade cada vez maior de questões, e no início do
século VI antes de Cristo, nasce a Filosofia, que significa "amizade pelo
saber" e define uma forma característica de pensar (pensamento
racional). Com ela vários filósofos se destacaram, cada um com sua
,
forma particular de pensar e de procurar a sabedoria.
A Filosofia é um dos ramos da Pedagogia cuja origem provém da Sócrates rodeado por
especulação, da investigação. A lógica dirige a razão, pois é o estudo do seus amigos, recebendo
a taça de cicuta.
raciocínio e do pensamento. Este provém de uma ideia para elaborar os
métodos do ensino e da filosofia, para orientar o ideal educativo, para o
descobrimento e exposição da verdade. "O quo a Mú~ica~om~t9ftQz - o oNO Á o Mo mai~ doci~ivo- ao cam~o do
Em suma, a Filosofia surge quando se descobriu que a verdade vi!:lo do fil6!:ofo Á a sua ~tOximidadoda 9Xi!:fência humana, uma
do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso, que catQctorf!:lica 9!:lM!cífica quo totha a mú!:ica ho~atiam9hto obloto 9!:~9hcial
~tQ todo!: o!: quo teflotgm ~obt9a t9Qlizaǧo humana",
precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos, mas que, ao
contrário, podia ser conhecida por todos, através da razão, que é a
mesma em todos; quando se descobriu que tal conhecimento depende A Filosofia e a Música estão intimamente ligadas. O fato de que
do uso correto da razão ou do pensamento e que, além da verdade quem filosofa - sobretudo quando se ocupa da dinâmica da formação e
poder ser conhecida por todos, podia, pelo mesmo motivo, ser ensinada da realização do ser humano - dedica especial atenção a meditar sobre a
ou transmitida a todos.
essência da Música, não é casual nem movido por "interesses musicais"
pessoais. Essa atenção especial remete, antes, a urna grande tradição
que remonta quase à origem dos tempos, a Pia tão, a Pitágoras e às
"I=ilo~ofia~ighiflca, ~Ottahto,amizado IH!la~abodotia, doutrinas de sabedoria do Extremo Orie~te.
amOt o tMlH!fto fH!Io~abor". E isto não se deve somente ao fato de a Filosofia ter por objeto
coisas "espantosas" (para as quais, como afirmam Aristóteles e Tomás
de Aquino, deve especificamente voltar-se a quem filosofa) - não é
somente porque a Música é urna das coisas mais maravilhosas e
~isteriosas do mundo. Não é só, tampouco, pelo fato de que "musicar"
Ao lado: O pensador de Auguste Rodin.
é uma atividade da qual se poderia dizer que é um exercício oculto da ~TICA
alma que, sem saber, filosofa.

"A ~gÔhcia da MúgiCJJfoi vim da rnuitag rnanmrag na ftadiçlo ocidanta':


corno urn digcu~o gQfn pa'avrag do Dbarna do rna,Di corno urn rnanlh!ml,...ga
sem pa'avrag daquQla ptO~gO da rnaig íntirna autotMalizaçloi corno o davft
da ~goa rnora'i corno o qUQl1!tarn todag ag guag fotrnagi corno o arnOt a
ate".

o que a Música sempre traz e este é o fato mais decisivo ao


campo de visão do filósofo, é a sua proximidade da existência humana,
uma característica específica que torna a Música necessariamente
objeto essencial para todos os que refletem sobre a realização humana. Ética é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos
morais. A palavra "ética" é derivada do grego lJ8LKÓÇ, e significa aquilo
A essência da Música foi vista de muitas maneiras na tradição
que pertence ao ryeoç, ao caráter.
ocidental: como um discurso sem palavras do "bem e do mal"; como um
Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em
manifestar-se sem palavras daquele processo da mais íntima autor-
sociedade. É uma ciência que tem objeto próprio, bens próprios e
realização; como o devir da pessoa moral; como o querer em todas as
método próprio. A Ética é assunto para todas as idades. O o b j e to
suas formas; como o amor e etc ... Foi isto talvez que Platão quis dizer
da Ética é a moral, porém enquanto a moral se fundamenta na
com a frase: "a Músic« imita o movimento da alma"; e Aristóteles: "a
obediência às normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais,
Música é ordenada ao ético e semelhante a ele". Na sua esteira, acham-se as
hierárquicos ou religiosos recebidos, a Ética, ao contrário, busca
exposições de Kierkergaard, de Schopenhauer e de Nietsche - quando
fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano.
dizem que a Música "expressa continuamente o imediato através do seu
intediatismo "(Kierkergaard), ou: "de todas as artes, somente a Música Na Filosofia clássica, a Ética não se resumia à moral (entendida
representa propriamente a vontade" (Schopenhauer); ou: "na Música, soa a como "costume", ou "hábito", do latim mos, mores), mas buscava a
natureza transformada em amor" (Nietsche, interpretando Wagner). fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver e
conviver, isto é, a busca do melhor estilo de vida, tanto na vida privada
Depende de nós percebermos o caráter da Música; experimen-
quanto em público. A Ética incluía a maioria do~ .campo~ .de
tarmos este caráter na imediação de nossa alma, como resposta a cordas
conhecimento que não eram abrangidos na Física, Metafísica, Estética,
que vibram por sintonia - numa energia nova, clara, fresca e de
exigência interior. ria Lógica, na Dialética e nem na Retórica. Assim, a ética abrangia os
onverter e praticar a solidariedade, haverá pouca esperança de um
campos que atualmente são denominados Antropologia, Psicologia,
padrão preservador da dignidade. ,
Sociologia, Economia, Pedagogia, às vezes Política, e até mesmo
O estudante tem a responsabilidade de conhecer o que e
Educação Física e Dietética, em suma, campos direta ou indiretamente
moralmente certo e eticamente reprovável. O momento de pensar em
ligados ao que influi na maneira de viver ou estilo de vida.
Ética foi ontem, não será amanhã, pois o futuro irá cobrar do
Nosso estudo, feito de um ponto de vista didático e bastante
profissional, posturas cujo fundamento ele não entenderá, pois nada
elementar, ficará restrito a urna parte da ética profissional, ou mais
lhe foi transmitido ou cobrado. Ao se propor a estudar, o estudante
precisamente, à ética profissional do professor.
assume um compromisso: o compromisso óbvio de, realmente, estudar.
Estando o professor, juntamente com os pais, encarregado da
Deve manter-se lúcido e consciente. A pessoa lúcida sabe que poderá,
obra educativa, a sua ação é de alta relevância. Cumpre ao professor
no seu universo, transformar o mundo. O estudante deve procurar agir
esforçar-se no sentido de obter para a sociedade:
- progresso moral; ticamente e ser virtuoso sempre. A prática da virtude não significa
- progresso intelectual; perder a alegria ou renunciar aos prazeres próprios de sua idade. ~er
- progresso material. virtuoso não equivale a ser arredio e mal humorado. Seus desejos
devem estar num justo meio termo, no equilíbrio que deriva da
prudência. Buda, o iluminado, dizia que a virtude .e~tá no meio.
Eistein, o maior pensador da ciência do século XX,assim falou:
Aristóteles, na sua "Ética Nicõmaco", que eram cartas redigidas para seu
/IA ênfase excessiva dada pela educação atual ao puramente intelectual,
filho, dizia que a virtude consistia em fazer o que se deve, quando se
determinou uma atrofia dos valores éticos, pesando uma geada mortífera sobre
deve, nas devidas circunstâncias. O justo meio, não é ou tra coisa senão o
as relações humanas. A carência de uma cultura moral: eis o grande pecado de
dever. Frequentar aulas, estudar, fazer trabalhos, pesquisa r e se
omissão de nossa civilização. Sem cultura moral não haverá salvação para a
humanidade" . submeter a avaliações é o mínimo ético que se pede ao educando.

As crianças recebem noções de postura compatíveis com as


"AindQ Á torn(Ml do ~~Ot ~gQfQt Q~qUQlidQd~de uma CGtteitQ que I'
necessidades da convivência. É difícil treinar para a verdade, para a
lealdade, a fraternidade, companheirismo e solidariedade, quem nasce teve conctetarnente teCOnhecfdQ Q ~UQnobtezQ nQ hfetQtquiQ dQ~~tOfi~õ~
numa era competitiva, onde se quer levar vantagem em tudo. Estamos IfbetQi~".
em uma sociedade enferma a conviver, tranquilamente, com a
marginalização. Não há preocupação com o idoso; a agressão à
Tornar-se um professor cada vez melhor não é impossível.
natureza e ao patrimônio alheio é constante, o que pode vir a ser uma
Precisamos nos deter no ensino da didática, da pedagogia, da
escola cruel para as futuras gerações. Temos que partir para novos
psicologia educacional e das modernas técnicas de transmissão do
paradigmas, desobstruindo canais pouco utilizados como os
conhecimento, Precisamos também nos propor à reciclagem ou à
sentimentos, as sensações e a intuição. Se a humanidade não ,se
BR[V[ I:-II~TÓRIA DA P[DAGOGIA NO BR~IL
aprendizagem de tais saberes. Também um pouco de técnica de ensino
auxiliaria muito a obter um pacto qualitativo no desempenho docente,
p~RíODO J~UíTICO (154-9 - 1759)
com reflexos favoráveis no processo formativo das novas gerações de
educandos.
Quem gosta de ensinar ou apreciar o convívio com a juventude
não encontrará dificuldades em desobstruir caminhos para urna
eficiente transmissão de conhecimento. O professor deve ter coragem
de dizer aos jovens em que acreditar, redescobrindo a singeleza das
coisas, o valor da família, da vida, a solidariedads'o a lealdade. Ainda é
tempo do professor resgatar as qualidades de urna carreira que já teve
=:
concretamente reconhecida a sua nobreza na hierarquia das profissões
liberais. - squerd~as de São Miguel das Missões no sul do país. ., nte na
Direita: O jesuíta José de Anchieta que represen.tou um papel muito Importa
Do autêntico mestre se espera que transmita, além das lições, a História do Brasil, catequizandoos índios aqui eXIstentes.
prática do respeito, da moral, da amizade, da tolerância e da
compreensão.
"Quando os I~uíta~ ch(!galilm nGo ftoUXl!Hlm ~omgnt(!a mOHl!, o~
Para desincumbir-se de um caminho de tamanha abrangência, codum~, a mú~ica (!a I1!lfgio~idad(!(!uto~a; ftoUX(!liIm tamb(!m o~
não basta conhecer a ética, é preciso acreditar e viver eticamente, m6todo~rmdag6gico~qU(!funcionalilm muito bem dUHlnt(! 210 anes, d(!
preocupando-se com a formação de cidadãos conscientes. Não se é 1;4.9 a 1759 ".
professor compulsivamente. O educador poderá transformar o mundo
se iniciar urna conversão da sua própria consciência, colocando-a a
A educação indígena foi interrompida com a chegada dos
serviço da formação integral do jovem, pois não há verdadeiro
. 'tas . Os primeiros chegaram ao território brasileiro. em março de
progresso, se não hou ver progresso moral. jeSUl . ,
1549.Comandados pelo Padre Manoel de Nóbrega, quinze dias apos a
Só a título de recordação: eis alguns homens famosos julgados
erroneamente incapazes por seus professores: Isaac Newton, Albert chegada edificaram a primeira escola elementar brasileira, em
Eistein, Evaristo Galois, Victor Hugo, Georges Cabanis, Adolphe Salvador, tendo corno mestre o Irmão Vicente Rodrigues, com apenas
Thiers, Charles Darwin, Honoré de Balzac, Alexandre Dumas (pai), 21 anos. Irmão Vicente tomou-se o primeiro professor nos moldes
WaIterScotte Gustave Flaubert. europeus, em terras brasileiras, e durante mais de 50 anos d~dicou-se a~
ensino e à propagação da fé. No Brasil, os jesuítas dedlcaram-se_ a
pregação do Catolicismo e ao trabalho educativo. Perceberam que nao
"PaHl d~lncumbit-~(! d(! um caminho d(! tamanha abHlngôncia, nGo basta
seria possível converter os índios à fé católica sem que soubessem ler e
conh(!C(!t a 6tfca, 6 ~l1!cf~oaCl1!difat (! vfv(!t (!Hcamgnt(!, ~l1!OCu~ndo-~(!
com
a fotmaçJIo d(! cldadGo~con~cignt~". escrever.
p~RíODOPOMBAUNO (1760 - 1~07)
Com a chegada de José de Anchieta em 1553, os jesuítas criaram
diversos colégios em várias cidades. E assim, a obra jesuítica estendeu
-se de norte a sul do país. Havia algumas escolas de instrução elementar
em Porto Seguro, Ilhéus, São Vicente, Espírito Santo e São Paulo e
diversos colégios em Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.
Todas as escolas jesuítas eram regulamentadas por um
documento, escrito por Ignácio de Loyola, o Ratio Siudiorum. Elas não se
limitaram ao ensino das primeiras letras. Além .do curso elementar,
mantinham cursos de Letras e Filosofia, considerados secundários e o
Marquês de Pombal
curso de Teologia e Ciências Sagradas de nível superior, para formação
de sacerdotes. No curso de Letras estudava-se Gramática Latina,
"O~ I~uíta~ foHJm expul~o~das colônia~ pelo Matqu~ de Pombal em funçlio
Humanidades e Retórica; no curso de Filosofia estudava-se Lógica,
Metafísica, Moral, Matemática e Ciências Físicas e Naturais.
",t de HJdicai~dffeMnçu de obletivo~com o~ do~ fnt~~~ da Cotte. Com ~~a
expul~Go,~e exi~ia alguma coi~a muito bem ~ftututada em tetmo~ dI!
Em 1759 os jesuítas foram expulsos pelo Marquês de Pombal. Se ooucaçlio, o qUI!~I!viu a ~eguft foi o maís ab~oluto caos, Tentou-~e a~ aulas
existia algo muito bem estruturado, em termos de educação, o que se ffigfQ~,o ~ub~ídiolitetátfo, mas o caos continuou até qUI!a l=amílfQ RI!QI,
viu a seguir foi o mais absoluto caos. No momento da expulsão, os
fugindo dI! Napoll!Go na ~utopa, tMolVI!Uftanmr-'t o Rl!ino pata o Novo
jesuítas tinham 25 residências, 36 missões e 17 colégios e seminários,
Mundo".
além de seminários menores e escolas de primeiras letras instaladas em
todas as cidades onde havia casas da Companhia de Jesus. A educação Com a expulsão saíram do Brasil 124 jesuítas da Bahia, 53 de
brasileira, com isso, vivenciou uma grande ruptura histórica num Pernambuco, 199 do Rio de Janeiro e 133 do Pará. Com eles levaram
processo já implantado e consolidado como modelo educacional. também a organização monolítica baseada no Ratio Studiorum.
Desta ruptura, pouca coisa restou da prática educativa no Brasil.
Continuaram a funcionar o Seminário Episcospal, no Pará, e os
Ao lado: uma das insta- Seminários de São José e São Pedro, que não se encontravam sob a
lações criadas pelos
jurisdição jesuítica; a Escola de Artes e Edificações Militares, na Bahia, e
jesuítas no sul do Brasil,
através das lentes da a Escola de Artilharia, no Rio de Janeiro.
fotógrafa Márcia Mitsi
:j Os jesuítas foram expulsos das colônias em função de radicais

"':J/~'~:-: ,=.:_(:-~.- 1
diferenças de objetivos com os dos interesses da Corte. Enquanto os

-
",,..
,-- .....""'" .",JIIIIII""
,..
... jesuítas preocupavam-se com o proselitismo e o noviciado, Pombal
v
i
Os professores geralmente não tinham preparo para a função, já
pensava em reerguer Portugal da decadência que se encontrava diante
que eram improvisados e mal pagos. Eram nomeados por indicação ou
de outras potências europeias da época. Além disso, Lisboa passou por
sob concordância de bispos e se tomavam "proprietários" vitalícios de
um terremoto que destruiu parte significativa da cidade e precisava ser
suas aulas régias.
reerguida. A educação jesuítica não convinha aos interesses comerciais
emanados por Pombal. Ou seja, se as escolas da Companhia de Jesus O resultado da decisão de Pombal foi que, no principio do século
tinham por objetivo servir aos interesses da fé, Pombal pensou em XIX, a educação brasileira estava reduzida a praticamente nada. O
organizar a escola para servir aos interesses do Estado. sistema jesuítico foi desmantelado e nada que pudesse chegar próximo
deles foi organizado para dar continuidade a um trabalho de educação.
Através do alvará de 28 de junho de 1759, fia mesmo tempo em
que suprimia as escolas jesuíticas de Portugal e de todas as colônias,
Pombal criava as aulas régias' de Latim, Grego e Retórica. Criou
também a Diretoria de Estudos que só passou a funcionar após o
afastamento de Pombal. Cada aula régia era autônoma e isolada, com
professor único e uma não se articulava com as ou tras.
Portugal logo percebeu que a educação no Brasil estava
estagnada e era preciso oferecer uma solução. Para isso instituiu o
"subsídio literário", para manutenção dos ensinos primário e médio.
Criado em 1772, o "subsídio" era uma taxa ou um imposto, que incidia
sobre a carne verde, o vinho, o vinagre e a aguardente. Além de exíguo,
nunca foi cobrado com regularidade e os professores ficavam longos 1Aulas Régias: Compreendiam o estudo das humanidades, sendo pertencentes ao Estado e não
períodos sem receber vencimentos à espera de uma solução vinda de mais restritas à Igreja - foi a primeira forma do sistema de ensino público no Brasil. Apesar da
Portugal. novidade imposta pela Reforma de Estudos realizada pelo Marquês de Pombal em 1759, o
primeiro concurso para professores somente foi realizado em 1760 e as primeiras aulas
efetivamente implantadas em 1774 (de Filosofia Racional e Moral). Em 1772 foi criado o
Subsídio Literário, um imposto que incidia sobre a produção do vinho e da carne, destinado à
manutenção dessas aulas isoladas. Na prática, o sistema das Aulas Régias pouco alterou a
realidade educacional no Brasil, tampouco se constituiu numa oferta de educação popular,
ficando restrita às elites locais. Ao rei cabia a criação dessas aulas isoladas e a nomeação dos
professores, que levavam quase um ano para a percepção de seus ordenados, arcando eles
"O!: p~!:o~ gOHllment@ nfto tinham pMpQro paNl a funçfto, f4 qUê OHIm
próprios com a sua manutenção. A permanência praticamente inalterada do sistema das Aulas
improvi!:ado!: @mal pago!:. tNlm nomudO!: pot fndicaçfto ou !:ob Régias no Brasil da virada do século XVIlI para o seguinte, estendendo-se ainda durante o
eeneerdâneía d@bi!:po!: @!:@tothavam 'proptf@t4tfo!:' vitalício!: d@!:ua!: aula!: primeiro reinado, deveu-se à continuidade dos modelos de pensamento em nossa elite cultural.
Existiu um grande descompasso entre o pretendido pelo governo monárquico - tanto o
l'ágfa!:". português quanto o brasileiro, após a independência - e aquilo que as condições sociais e
econômicas viriam permitir, dentro de um modelo produtivo excludente, escravista e pautado
numa mentalidade que contribuía parase perpetrar tal situação. (CARDOSO, 2004).
p~RíODOJOAfJlfJO(1~O~ - 1~21) p~RíODOIMP~RIAL(1~22 - 1~~~)
"A Inmuçlio pt'rn,,.'a Ó gtatuH1l pata todog OgcidadAog".
Ao lado:
D. João e
Carlota [oaquina

"A edU(!8ǧO,no entanto, continuou a tet urna irnpo,.ffincia


gAcund,,.fa ".

A vinda da Família Real, em 1808,permitiu uma nova ruptura


com a situação anterior. Para atender as necessidades de sua estadia no
Brasil, D. João VI abriu Academias Militares, Escolas de Direito e
Medicina, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico, além de impulsionar a D. João VI voltou a Portugal em 1821.Em 1822,seu filho D..Pe~ro
tímida vida cultural da colônia, transformando a Ordem do Carmo em I proclamou a Independência do Brasil e em 1824,outorgou. a.prImelra
palco clássico, estimulando compositores nacionais e trazendo os Constituição brasileira. O Art. 179 desta Lei Magna dizia que a
estrangeiros, além de construir o Real Theatro de São João - o maior "instrução primária é gratuita para todos os cidadãos".
palco lírico das Américas - e sua iniciativa mais marcante em termos de Em 1823,na tentativa de suprir a falta de professores, instituiu-se
mudança, a Imprensa Régia. Segundo alguns autores, o Brasil foi o Método Lancaster' (ou do "ensino mútuo").
finalmente "descoberto" e a nossa História passou a ter uma
Em 1826, um Decreto instituiu quatro graus de instrução:
complexidade maior. O surgimento da imprensa permitiu que os fatos e
Pedagogias (escolas primárias), Liceus, Ginásios e Aca~emias. Em 1827
as ideias fossem divulgados e discutidos no meio da população letrada,
um projeto de lei propunha a criação de pedagogias em todas as
preparando terreno propício para as questões políticas que permearam
o período seguinte da História do Brasil. --------d
1Método Lancaster: Data o d e 1789, o método foi in~tituído para suprir a falta _de professores
A educação, no entanto, continuou a ter uma importância
secundária. Basta ver que, enquanto nas colônias espanholas já existiam . .
.
~~:~i~t~~~Z::::~~o;~~r:;
escnta e do catecismo.
:~:~ ::~~'\S
de suas falhas Em termos de educação, era o que o
tinham um p~uco de noção, da leitu~a,.de cálculo,. da
O Método Lancaster foi o primeiro método oficial de ensino
d . . . - d Estado
.. d ' e marcou o início da descolonização e a instrtuiçao o
muitas universidades, sendo que em 1538já existia a Universidade de implementa o no paIS qu . . I :i TI aluno
. . bé nhecid orno método de ensino mútuo ou rnorutoriat, oru e UI
São Domingos e em 1551, a do México e a de Lima, a nossa primeira ~aclOnal. TaIn (ed~CUcOr"ão
mais avança od ••
e)c~n:i~ava um grupo de dez alunos (decúria) sob a rígida vigilância de
Jniversidade só surgiu em 1934,em São Paulo. um inspetor.
pessoal pela tarefa educativa, pouco foi feito em sua gestão para que se
criasse, no Brasil, um sistema educacional.
A primeira constituição promulgada, datada de 1891, enfatizava
a expansão, ou seja, a quantidade, e assim, a partir daquela data, as
faculdades começaram a ser fundadas.
Era atribuída aos Estados a tarefa de organizar o sistema
·
Primeira Escola Normal brasileira Caetano de Campos: ontem e hoje. educacional e tornar sob sua responsabilidade, os ensinos primários e o
normal (pedagógico), ficando o ensino secundário sob competência
cidades e vilas, além de prever o exame na seleção de professores, para
exclusiva do Governo Federal. Porém, ninguém levou a sério tais
nomeação. Propunha ainda a abertura de escolas para meninas.
decisões governamentais. Essa separação viria a irritar a Igreja, aliada
Em 1834 o Ato Adicional à Constituição dispunha que as de última hora dos republicanos e que só se reconciliaria com o Governo
províncias passariam a ser responsáveis pela administração do ensino
durante o Estado Novo.
primário e secundário. Graças a isso, em 1835, surgiu a primeira Escola A constituição experimental tinha muitas falhas, que foram
Normal do país' em Niterói. Se houve intenção de bons resultados, não descobertas posteriormente, o que fez com que sofresse várias
foi o que aconteceu, já que, pelas dimensões do pais, a educação modificações em: 1933, 1934, 1937, 1946, 1967, 1969, 1988eem 1993.
brasileira perdeu-se mais uma vez, obtendo resultados pífios.
Em 1837, onde funcionava o Seminário de São Joaquim, na
cidade do Rio de Janeiro, criou-se o Colégio Pedro li, com o objetivo de
se tornar um modelo pedagógico para o curso secundário.
Efetivamente, o Colégio Pedro 11não conseguiu se organizar até o fim
do 1mpério para atingir tal objeti vo.
Até a Proclamação da República em 1889, praticamente nada se
fez de concreto pela educação brasileira. O Imperador D. Pedro 11,
quando perguntado que profissão escolheria caso não fosse Imperador,
afirmou que gostaria de ser "mestre-escola". Apesar de sua afeição

'primeira Escola Normal do país: Em 1835 foi criada em Niterói (RJ), a Escola Caetano de
Campos, a primeira Escola ormal brasileira. O Curso Normal, criado em 1835, tinha o objetivo
de formar professores para atuarem no magistério do ensino primário e era oferecido em cursos
públicos de nível secundário (hoje Ensino Médio). A partir da criação da escola no Município da
Corte, várias Províncias criaram Escolas Normais a fim de formar o quadro docente para suas
escolas de ensino primário. Ao longo de sua trajetória, a escola Caetano de Campos passou por
vários nomes, tais como: Escola ormal Primária da Capital, Instituto de Educação, ormal
Modelo o Caetano de Campos.
Uma das intenções desta Reforma era fazer com que o ensino
'P~RíODO DA PR'M~'RAR~PÚBUCA(1~~9 - 1929)
preparasse os alunos para os cursos superiores. Outro objetivo era
substituir a predominânciahumanística pela científica.
Esta Reforma foi bastante criticada pelos positivistas, já que não
respeitava os princípios pedagógicos de Comte e pelos que defendiam a
predominância humanística, já que o que ocorreu foi o acréscimo de
matérias científicas às tradicionais, tornando o ensino enciclopédico.
O Código Epitácio Pessoa, de 1901, incluiu a Lógica entre as
matérias e retirou a Biologia, a Sociologia e a Moral, acentuando assim, a
parte literária em detrimento da científica.
A Reforma Rivadávia Correa, de 1911, pretendeu que o curso
secundário se tomasse formador do cidadão e não apenas o promovesse
a um nível seguinte. Retomando a orientação positivista, pregava a
A educação no Período da
liberdade de ensino, entendendo-se como a possibilidade de sua oferta
Primeira República.
não apenas por escolas oficiais, e de frequência. Além disso, pregava
ainda a abolição do diploma em troca de um certificado de assistência e
"POt todo OfrnpBtio, incluindo D. João VI, D. Pedto I e D. Psdro li, pouco ~e aproveitamento e transferia os exames de admissão ao ensino superior
fez pela educação bta~ileita e multos raelamavam de ~ua qualidade ruim. para as faculdades. Os resultados desta Reforma foram desastrosos
Com a PtOclamação da República, tantou-sa vátia~ tefotma~ que pudasssm para a educação brasileira.
dar uma nova guinada, mas ~e observarmos bem, a educação bta~ileita não
Num período complexo da História do Brasil, surgiu a Reforma
~ofteu um ptOce!:!:ode evolução que pude~~e ~et cOMidetado mareanta ou
João Luiz Alves, que introduzia a cadeira de Moral e Cívica com a
~ignificativo em tarmos de modelo".
intenção de tentar combater os protestos estudantis contra o governo do
presidente Arthur Bernardes.
A República proclamada adotou o modelo político americano, Além disso, no que se refere à educação, foram realizadas
baseado no sistema presidencialista. Na organização escolar, percebeu- diversas reformas de abrangência estadual, como as de Lourenço Filho,
se influência da filosofia positivista. A Reforma de Benjamin Constant no Ceará (1923), a de Anísio Teixeira, na Bahia (1925), a de Francisco
tinha como princípios orientadores a liberdade e laicidade do ensino, Campos e Mário Casassanta, em Minas (1927), a de Fernando de
como também a gratuidade da escola primária. Estes princípios Azevedo, no Distrito Federal- atual Rio de Janeiro (1928) e a de Carneiro
segu~am a orientação do que estava estipulado na Constituição Leão, em Pemambuco (1928).
brasileira.
Ao ser lançado, em meio ao processo de reordenação política
p~RfoDO DA ~~QUfJDAR~PÚBlICA(19gQ - 199&}
resultante da Revolução de 3D, o documento tornou-se o marco
inaugural do projeto de renovação educacional do país. Além de
constatar a desorganização do sistema escolar, um dos objetivos
fundamentais traçados pelo manifesto seria a superação do caráter
discriminatório e antidemocrático do ensino brasileiro, que destinava a
escola profissional para os pobres e o ensino acadêmico para as elites.
Para isso, caberia ao Estado prover as condições de desenvolvimento
integral dos indivíduos e estabelecer um plano geral orgânico de
educação que tornasse a escola acessível em todos os graus, para todos
os cidadãos. Assim, o movimento defendia a bandeira de uma escola
Fernando de Azevedo ao centro, reformador do ensino público, com norma listas
da Escola Caetano de Campos: Manifesto da Escola Nova, em dois momentos. única, pública,laica, obrigatória e gratuita.
O movimento reformador foi alvo da crítica forte e continuada
A Revolução de 30 foi o marco referencial para a entrada do da Igreja Católica, que naquela conjuntura era forte concorrente do
Bra~ilno mundo capitalista de produção. A acumulação de capital, do Estado na expectativa de educar a população, e tinha sob seu controle a
penodo anterior, permitiu ao Brasil investir no mercado interno e na propriedade e a orientação de parcela expressiva das escolas da rede
pr~dução industrial. A nova realidade brasileira passou a exigir uma
privada.
mao de obra especializada e para tal era preciso investir na educação. Em 1934, a nova Constituição (a segunda da República) dispôs,
Sendo assim, em 1930, foi criado o Ministério da Educação e Saúde
pela primeira vez, a educação como um direito de todos, devendo ser
Pública e, em 1931, o governo provisório sancionou decretos
ministrada pela família e pelos Poderes Públicos.
organizando o ensino secundário e as universidades brasileiras ainda
Ainda em 1934, por iniciativa do governador Armando Salles
inexistentes. Estes Decretos ficaram conhecidos como "Reforma
Oliveira, foi criada a Universidade de São Paulo. A primeira a ser criada
Francisco Campos".
e organizada segundo as normas do Estatuto das Universidades
Em 1932,um grupo de educadores lançou à nação o Manifesto
Brasileiras de 1931.
dos Pioneiros da Educação Nova 1, redigido por Fernando de Azevedo
Em 1935, o Secretário de Educação do Distrito Federal, Anísio
e assinado por outros conceitua dos ed ucadores da época.
Teixeira, criou a Universidade do Distrito Federal, no atual município
_Mani~esto do~ :ioneiros da Educação Nova: Publicado e assinado em março de 1932. do Rio de Janeiro, com uma Faculdade de Educação na qual se situava o
_ons~ll~iava~ visao de um seg~~nto da eli~eintelectual que, embora com diferentes posições
deologlca~,Vislumbrava a possibilidade de Interferir na organização da sociedade brasileira do Instituto de Educação.
-onto de vista da educação. Redigido por Antônio Ferreira de Almeida júnior, Femando de
~zevedo,
'ilh dentre 26 intelectuais, entre os quais Anísio Teixeira' Afrânio Pei t Lourenço
eIXOo,
1 o, Roquette Pinto, Delgado de Carvalho, Hennes Lima e Cecilia Meireles.
Em 1942, por iniciativa do Ministro Gustavo Capanema, foram
reformados alguns ramos do ensino. Essas Reformas receberam o nome
p~RfoDO DO ~TADO NOVO (19g7 - 1945) de Leis Orgânicas do Ensino, e foram compostas por Decretos-lei que
criaram o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAf
valorizando o ensino profissionalizante.
"O ~m~inoficou corn~om-o,negg~flm'íodo, ~Otcinco anog dê eurse
O ensino ficou composto, nesse período, por cinco anos de curso
~tirnátfo, quatro d~curso ginagiaJ ê ~ dê coJ~gfal,r»odêhdo g~t nas
primário, quatro de curso ginasial e três de colegial, podendo ser nas
rnodalldadeg clágglco ou cf~ntíffco".
modalidades clássico ou científico. O ensino colegial perdeu o seu
caráter preparatório para o ensino superior, e passou a se preocupar
mais com a formação geral. Apesar da di visão do ensino secundário em
clássico e científico, a predominância recaiu sobre o científico, reunindo
Refletindo tendências fascistas, foi outorgada uma nova
cerca de 90% dos alunos do colegial.
Constituição em 1937. A orientação político-educacional para o mundo
capitalista ficou bem explícita em seu texto, sugerindo a preparação de
um maior contingente de mão de obra para as novas atividades abertas
pelo mercado. Nesse sentido a nova Constituição enfatizou o ensino
pré-vocacional e profissional.

Por outro lado, propôs que a arte, a ciência e o ensino fossem


livres à iniciativa individual e às associações públicas e particulares,
tirando do Estado o dever da educação. Manteve ainda a gratuidade e a
obrigatoriedade do ensino primário. Também dispôs como obrigatório
o ensino de trabalhos manuais em todas as escolas normais, primárias e
secundárias.

No contexto político, o estabelecimento do Estado Novo fez com


que as discussões sobre as questões da educação, profundamente ricas
no período anterior, entrassem em declínio. As conquistas do
movimento renovador, influenciando a Constituição de 1934, foram
enfraquecidas nessa nova Constituição de 1937. Marcava-se assim, uma
distinção entre o trabalho intelectual, para as classes mais favorecidas, e 1SENAI: uma das mais importantes instituições de educação profissional do
) trabalho manual, enfatizando o ensino profissional para as classes SENAI país, atuando na geração e difusão de conhecimento aplicado ao
desenvolvimento industrial.
neno favorecidas.
as discussões mais marcantes relacionaram-se à questão da
p~RíODO DA NOVA R~PÚBUCA (194-6 -196g) responsabilidade do Estado quanto à educação, inspiradas nos
ducadores da velha geração de 1930, e quanto à participação das
o fim do Estado Novo consubstanciou-se na adoção de uma instituições privadas de ensino.
nova Constituição de cunho liberal e democrático. Esta nova Depois de 13 anos de acirradas discussões foi promulgada a Lei
Constituição, na área da Educação, determinava a obrigatoriedade de 4.024, em 20 de dezembro de 1961. Sem a pujança do anteprojeto
se cumprir o ensino primário dando competência à União para legislar original, prevaleceram as reivindicações da Igreja Católica e dos donos
sobre diretrizes e bases da educação nacional. Além disso, a nova de estabelecimentos particulares de ensino, no confronto com os que
Constituição fez voltar o preceito de que a educação é direito de todos, defendiam o monopólio estatal para a oferta da educação aos
inspirada nos princípios proclamados pelos Pioneiros, no Manifesto
brasileiros.
dos Pioneiros da Educação Nova, nos primeiros anos da década de 30.
Se as discussões sobre a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação
Ainda em 1946,o então Ministro Raul Leitão da Cunha criou o Nacional foi o fato marcante, por outro lado muitas iniciativas
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial- SENAC1 , atendendo marcaram este período como, talvez, o mais fértil da História da
as mudanças exigidas pela sociedade após a Revolução de 1930 e Educação no Brasil: em 1950,em Salvador (no Estado da Bahia), Anísio
regulamentou o Ensino Primário e o Ensino ormal.
Teixeira inaugurava o Centro Popular de Educação (Centro
Baseado nas doutrinas emanadas pela Carta Magna de 1946, o Educacional Carneiro Ribeiro), dando início a sua ideia de escola-classe e
Ministro Clemente Mariani criou uma comissão com o objetivo de escola-parque; em 1952, em Fortaleza (Estado do Ceará), o educador
elaborar um anteprojeto de reforma geral da educação nacional. Esta Lauro de Oliveira Lima iniciava uma didática baseada nas teorias
comissão, presidida pelo educador Lourenço Filho, era organizada em científicas de [ean Piaget: o Método Psicogenético; em 1953,a educação
três subcomissões: uma para o Ensino Primário, uma para o Ensino passava a ser administrada por um Ministério próprio: o Ministério da
Médio e outra para o Ensino Superior. Em novembro de 1948, este Educação e Cultura; em 1961, iniciava-se uma campanha de
anteprojeto foi encaminhado à Câmara Federal, dando início a uma luta alfabetização, cuja didática, criada pelo pernambucano Paulo Freire,
ideológica em torno das propostas apresentadas. Num primeiro I propunha alfabetizar em 40 horas adultos analfabetos; em 1962,criava-
momento, as discussões estavam voltadas às interpretações se o Conselho Federal de Educação, que substituía o Conselho Nacional
contraditórias das propostas constitucionais. um momento posterior, de Educação e os Conselhos Estaduais de Educação e, ainda em 1962,
após a apresentação de um substituto do Deputado Carlos Lacerda, surgiram o Plano Nacional de Educação e o Programa Nacional de
Alfabetização, pelo Ministério da Educação e Cultura, inspirado no
Método Paulo Freire .
•••• ' SENAC: criado em 10 de janeiro de 1946 pela Confederação Nacional do
senac Comércio de Bens, Serviços e Turi mo (CNC), por meio do decreto-lei 8.621, o
Senac desenvolve um trabalho oferecendo, em larga escala, educação
profissional destinada à formação e preparação de trabalhadores para o
.•• comércio que perdura atéos dias de hoje.
este período deu-se a grande expansão das universidades no
P@íODO DO RWIM~ MILITAR (1964- - 19'6'5) Brasil. Para acabar com os "excedentes" (aqueles que tiravam notas
suficientes para serem aprovados, mas não conseguiam vaga para
U .,'"
--
_ela
o-o ••• _-- •• rI _..
Ao lado: Capa da Revista Veja de 196
Abaixo: Proi to Mobralra luta J>!!Ia
alfabetizaç o d dultos em 1970.
estudar) foi criado o vestibular c1assificatório.
Para erradicar o analfabetismo foi criado o Movimento
Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL', aproveitando-se, em sua
didática, do Método Paulo Freire. Porém, entre denúncias de corrupção,
acabou por ser extinto e, no seu lugar criou-se, em 1985, o Projeto
Educar.
Em 1971, foi insti tuída a Lei 5.692, a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, no período mais cruel da ditadura militar, quando
qualquer expressão popular contrária aos interesses do governo era
TODOS PRESOS
SSIM ACABOU O CONGRESS
abafada, muitas vezes pela violência física. A característica mais
DA ex-UNE marcante desta Lei era tentar dar à formação educacional um cunho
profissionalizante.
"NQl:S:1!
r>etíodo,~~o/'Ql: fot8m ~/'Ql:os:I!demitidos:; unlvenldadQl:
fot8m Invadidas:;em.dantQl: fot8m ~/'Ql:os:,fetfdos:I!alguns: mortos: nos:
confrontos: com a ~lícla; e ~t fim a UN[ (Unlllo Nacional do~ ~dantQl:)
foi ~tOlbldadI!funclonat ~t8 que o~ em.danw flClWem ClIlados:". I Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização): Programa criado em 1970 pelo gov~mo
federal com objetivo dc erradicar o analfabetismo do Bras.il cm dCL anos. O Mobral propunha e
alfabetização funcional de jovens e adultos, visando "conduzir i' pt.."SSOi' humana a adquirir
técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-Ia à sua comunidade, permitindo
Em 1964, um golpe militar abortava todas as iniciativas de se melhores condições de vida". O Movimento iniciou suas atividades com o compromisso de
dedicar-se à alfabetização de adultos, mas tomou-se uma superestrutura, expandindo-se por
'evolucionar a educação brasileira, sob o pretexto de que as propostas todo o pais no final da década de 70 e ampliando o seu campo de atuação às quatro primeiras
irarn "comunizantes f subversivas". séries do Ensino Fundamental. As metas iniciais previstas, no entanto, ficaram longe de serem
atingidas. Isso porque o Mobral não alterou as bases do analfabetismo. calcadas
o Regime Militar espelhou na educação o caráter anti- fundamentalmente na estrutura organizacional da educação no país. Além disso. o seu modelo
foi bastante condenodo como proposta pedagógica, por ter como preocupação principal apenas
íemocrático de sua proposta ideológica de governo: professores foram
o ensinar a ler c a escrever, sem nenhuma relação com a formação do homem. A Idéia do Mobral
iresos e demitidos; universidades foram invadidas; estudantes foram encontra-se no contexto do n.. "gime militar no Brasil. iniciado em 1964. cujo governo passa a
iresos, feridos e alguns mortos nos confrontos com a polícia; e por fim a controlar os programas de alfabetização de forma centralizada. Os programas de alfabetização
orientados neste sentido foram interrompidos pelo golpe militar. porque eram considerados
JNE (União Nacional dos Estudantes) foi proibida de funcionar para lima ameaça ao regime. e substituídos pelo Mobral. OL'Ssaforma, muitos dos procedimentos

[ue os estudantes ficassem calados. Pelo Decreto-Lei 477 alunos e «dotados no início da década de 60 foram reproduzidos mas esvaziados de todo senso crítico e
. ' problematizadnr.
irofessores foram obrigados a calarem-se.
Ministro da Educação Paulo Renato de Souza. Logo no início de sua
p[RíODO DA AB[RTURA POLíTICA (19~e - Atualidad(l) gestão, através de uma Medida Provisória extinguiu o Conselho
Federal de Educação e criou o Conselho Nacional de Educação,
vinculado ao Ministério da Educação e Cultura. Esta mudança tomou o
Conselho menos burocrático e mais político.
Mesmo que pos amos não cone rdar com a forma como foram
executados alguns programas, temos que reconhecer que, em toda a
História da Educação no Brasil, contada a partir do descobrimento,
jamais houve execução de tantos projeto na área da educação numa só
administração.
Propaganda para a educação datada de 2000.
O mais contestado deles foi o Exame Nacional de Cursos e o seu
"Provão", onde os alunos das universidades passaram a realizar uma
o fim do Regime Militar, a discussão sobre as questões
prova ao final do curso para receber seus diplomas e é levada em
educacionais já havia perdido o seu sentido pedagógico e assumido um
consideração como avaliação das instituições.
caráter político. Para isso, contribuiu a participação mais ativa de
pensadores de outras áreas do conhecimento que passaram a falar de Até os dias de hoje muitas alterações ocorreram no planejamento
educação num sentido mais amplo do que as questões pertinentes à educacional, mas a educação continua a ter as mesmas características
escola, à sala de aula, à didática, à relação direta entre professor e impostas em todos os países do mundo, com enfoque mais em manter o
estudante e à dinâmica escolar em si mesma. Impedidos de atuar em "status quo" para aqueles que frequentam os bancos escolares, e menos
suas funções por questões políticas, durante o Regime Militar, em oferecer conhecimentos básicos, para serem aproveitados pelos
profissionais de outras áreas, distantes do conhecimento pedagógico, estudantes em suas vidas práticas.
oassararn a assumir postos na área da educação e a concretizar A bem da verdade, apesar de toda essa evolução e rupturas
iiscursos em nome do saber pedagógico. inseridas no processo, a educação brasileira não evoluiu muito no que
Em 1988,um Projeto de Lei para uma nova LDBfoi encaminhado se refere à questão da qualidade. As avaliações, de todos os níveis, estão
I Câmara Federal pelo Deputado Octávio Elísio. o ano seguinte, o priorizadas na aprendizagem dos estudantes, embora existam outros
)eputado Jorge Hage enviou à Câmara um substitutivo ao Projeto e, critérios. O que podemos notar, por dados oferecidos pelo próprio
m 1992, o Senador Darcy Ribeiro apresentou um novo Projeto que Ministério da Educação, é que os estudantes não aprendem o que as
cabou por ser aprovado em dezembro de 1996, oito anos após o escolas se propõem a ensinar. Somente uma avaliação realizada em
ncaminhamento do Deputado Octávio Elísio. 2002 mostrou que 59% dos estudantes que concluíam a 4í! série do
esse período, do fim do Regime Militar aos dias de hoje, a fase Ensino Fundamental não sabiam ler e escrever.
oliticamente marcante na educação foi o trabalho do economista e
Embora os Parârnetros Curriculares Nacionais estejam sendo
usados como norma de ação, nossa educação só teve caráter nacional no
período da educação jesuítica. Após isso, o que se presenciou foi o caos
CAPíTULO 2
e muitas propostas desencontradas que pouco contribuíram para o
desenvolvimento da qualidade da educação oferecida. O~ GRAND~
Na evolução da História da Educação brasileira, aproxIma P~DAGOGO~/P~N~ADOR~
ruptura precisaria implantar um modelo que fosse único, que
atendesse às necessidades de nossa população e q}J-efosse eficaz. DA J-IUMANIDAD~
de expressão e criação, além de ser um poderoso instrumento que
desenvolve fatores como a concentração, a memória, a coordenação
motora, a socialização, a acuidade auditiva e a disciplina.
Assim foi com Montessori, Declory, Dalton e Pankhurst
(formando a Nova Escola); Êmile Jacques Dalcroze (com seu Método
Eurrítmico ou Rítmica); Maurice Martenot; Carl Orff; Zoltán Kodály;
Shinichi (Método Suzuki); Edgar Willems (filósofo e psicopedagogo
"O ~M~arnMto QduCQcional~QdMdobHl em vátia~ COtf1!htM,mas suas musical) e muito outros.
HlíZMMtljo finCQda~na (Jtécia Antiga". A seguir falaremos de alguns deles:

Por trás do trabalho de cada professor, em qualquer sala de aula • Sócrates (469 a.c. - 399 a.C)
do mundo, estão séculos de reflexões sobre o ofício de educar. Mesmo • Platão (427 a.c. - 347 a.C)
os profissionais de ensino que não conhecem a obra de Aristóteles (384- • Aristóteles (384 a.c. - 322 a.C)
322 a.C), Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) ou Émile Durkheim • Rousseau (1712 -1778)
(1858-1917) trabalham sob a influência desses pensadores, na forma • [ohann Heinrich Pestalozzi (1746-1827)
como suas ideias foram incorporadas à prática pedagógica, à • Herbart (1776 -1841)
organização do sistema escolar, ao conteúdo dos livros didáticos e ao • Friedrich Wilhelm August Frõbel (1782 - 1852)
currículo docente. • Friedrich Nietzsche (1844 - 1900)
Antes mesmo de existirem escolas, a educação já era assunto de • Émile Durkheim (1858 -1917)
pensadores. Um dos primeiros foi o grego Sócrates (469-399 a.c.), para • [ohn Dewey (1859 -1952)
quem os jovens deveriam ser ensinados a conhecer o mundo e a si • Émile J acques Dalcroze (1869 - 1950)
mesmos. Para seu discípulo Platão (427-347 a.C). o conhecimento só • Maria Montessori (1870 -1952)
ooderia ser alcançado num plano ideal e nem todos estariam • Édouard Claparede (1873 - 1940)
oreparados para esse esforço. Aristóteles, discípulo de Platão, inverteu • Alexander S. Neill (1883 -1973)
1S prioridades e defendeu o estudo das coisas reais como um meio de
• Edgar Willems (1890 - 1978)
idquirir sabedoria e virtude. O sistema de ensino que ele preconizou • Lev Semyomovich Vygotsky (1896 - 1934)
-ra acessível a um número maior de pessoas. • [ean Piaget (1896 - 1980)
• Paulo Freire (1921 - 1997)
Muitos pensadores outorgaram a Música como um dos
• Michel Foucault (1926 -1984)
irincípaís recursos didáticos para o sistema educacional, reconhecendo
• Howard Gardner (1943-)
I ritmo como um elemento ativo da Música, favorecendo as atividades
homem piedoso que foi executado por impiedade. Sócrates não
~ÓCRAT~
valorizava os prazeres dos sentidos, todavia considerava a beleza urna
das maiores virtudes, ao lado da justiça e da bondade. Dedicava-se ao
parto das ideias (Maiêutica) dos cidadãos de Atenas, mas era
indiferente em relação a seus próprios filhos.
O julgamento e a execução de Sócrates são eventos centrais da
obra de Pia tão (Apologia e Críton). Sócrates admitiu que poderia ter
evitado sua condenação (beber o veneno chamado cicuta) se tivesse
desistido da vida justa. Mesmo depois de sua condenação, ele poderia
ter evi tado sua morte se tivesse escapado com a ajuda de amigos.

Sócrates ~oj m dos fundadores


ALGUMM! CURIO~IDAD~:
da atual Filosofia ocidental.
Sócrates costumava caminhar descalço e não tinha o hábito de
tomar banho. Em certas ocasiões, parava o que quer que estivesse
"Há na alma dqa~cofu~: a COtagAlne a ubedorfa e fota dela dqa~oufta~:a
fazendo, ficando imóvel por horas, medi tando sobre algum problema.
mú~feae a glnágffea" (~ÓCRAlli).

Sócrates (em grego antigo: LCvKQáTllÇ, transl. Sõkrátes) nasceu IDflM! ~ILO~Ó~ICM!
em 469 a.c. em Atenas, e faleceu em 399 a.c. Filho de Sofrônico
escultor, e de Fenáreta, parteira. Aprendeu a arte paterna, mas dedicou- Se algo pode ser dito sobre Sócrates, é que ele foi moralmente,
se inteiramente à meditação e ao ensino filosófico, sem recompensa intelectualmente e filosoficamente diferente de seus contemporâneos
:üg~l~a, nã~ obstante sua pobreza. Desempenhou alguns cargos atenienses. Sócrates acreditava na imortalidade da alma e que teria
oolíticos e fOIsempre modelo irrepreensível de bom cidadão. recebido, em um certo momento de sua vida, uma missão especial do
deus Apelo.
Filósofo ateniense, foi um dos mais importantes ícones da
radição filosófica ocidental, e um dos fundadores da atual Filosofia Sócrates também duvidava da ideia sofista de que a virtude
)cidental. As fontes mais importantes de informações sobre Sócrates podia ser ensinada para as pessoas. Acreditava que a excelência moral é
.ão Platão, Xenofonte e Aristóteles (alguns historiadores afirmam só se uma questão de inspiração e não de parentesco, pois pais moralmente
)Odel~falar de Sócrates corno um personagem de Pia tão, por ele nunca perfeitos não tinham filhos semelhantes a eles. Isso talvez tenha sido a
er deixado nada escrito de sua própria autoria). Os diálogos de PIatão causa de não ter se importado muito com o futuro de seus próprios
etratam Sócrates como mestre que se recusa a ter discípulos e um filhos.
PLATAO
-
RUPTURA ~ l~GADO
Sócrates provocou uma ruptura sem precendentes na história da
Fil6sofia grega, por isso ela passou a considerar os filósofos entre pré-
socráticos e pós-socráticos. Os sofistas, grupo de filósofos (título negado
por Platão) originários de várias cidades, viajavam pelas pólis, onde
discursavam em público e ensinavam suas artes, como a Retórica, em
troca de pagamento. Sócrates se assemelhava éxteriormente a eles,
excetono pensamento.

Pia tão afirma que Sócrates não recebia pagamento por suas
aulas. Sua pobreza era prova de que não era um sofista. Para os sofistas Platão, por Rafael Sanzio (1510).
Palácio Apostólico, Vaticano.
tudo deveria ser avaliado segundo os interesses do homem e da forma
como este vê a realidade social (subjetividade). Os sofistas usavam, de
fato, complicados jogos de palavras no discurso para demonstrar a
verdade daquilo que se pretendia alcançar; esse tipo de argumento Platão (em grego: TIAcX,(úJV, transliteração Plátõn, "amplo").
ganhou o nome de sofisma. Em resumo, a Sofística destruía os Nasceu em Atenas, provavelmente em 427 a.c. e faleceu também em
fundamentos de todo conhecimento, já que tudo seria relativo Atenas, por volta de 347 a.c. Foi um filósofo e matemático do período
(relativismo) e os valores seriam subjetivos, assim como impedia o clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e
estabelecimento de um conjunto de normas de comportamento que fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação
garantissem os mesmos direitos para todos os cidadãos da pólis. Tanto su perior do mundo ocidental.
quanto os sofistas, Sócrates abandonou a preocupação em explicar e se Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles,
concentrou no problema do homem. No entanto, contrariamente aos Pia tão ajudou a construir os alicerces da Filosofia natural, da Ciência e
sofistas, Sócrates travou uma polêmica profunda com estes, pois da Filosofia ocidental. Acredita-se que seu nome verdadeiro tenha sido
procurava um fundamento último para as interrogações humanas (o Arístocles; Pia tão era um apelido que, provavelmente, fazia referência ~
que é o bem? o que é a virtude? o que é a justiça?), enquanto os sofistas sua característica física, tal como o porte atlético ou os ombros largos, ou
situavam as suas reflexões a partir dos dados empíricos, o sensório ainda a sua ampla capacidade intelectual de tratar de diferentes temas,
imediato, sem se preocupar com a investigação de uma essência da entre eles a ética, a política, a metafísica e a teoria do conhecimento.
virtude, da justiça, do bem e etc., a partir da qual a própria realidade A sofisticação de Pia tão, como escritor, é especialmente evidente
empírica pudesse ser avaliada. .em seus diálogos socráticos.
ocorre porque esse objeto não é uma Ideia, mas uma incompleta
'Embora não exista qualquer dúvida de que Pia tão lecionou na
Academia fundada por ele, a função pedagógica de seus diálogos - se é representação da ldeia desse objeto.
;ue alguma existia - não é conhecida com certeza. as diálogos, desde a PIa tão também elaborou uma teoria gnosiológica, ou seja, uma
epoca do próprio Platão, eram usados como ferramenta de ensino nos teoria que explica como se pode conhecer as coisas, ou ainda, uma
tópicos mais variados, como Filosofia, Lógica, Retórica, Matemática, teoria do conhecimento. Segundo ele, ao ver um objeto repetidas vezes,
entre outros. uma pessoa se lembra, aos poucos, da Ideia daquele objeto que viu no
mundo das ldeias. Para explicar como se dá isso, Platão recorre a um
, Em linhas gerais, PIatão desenvolveu a noção de que o homem
mito (ou uma metáfora) segundo a qual, antes de nascer, a alma de cada
esta ,em contato permanente com dois tipos de realidade: a inteligível e a
pessoa vivia em uma estrela, onde se localizam as Ideias. Quando uma
ser~slVel. A primeira é a realidade imutável. A segunda são todas as
pessoa nasce, sua alma é "jogada" para a Terra e o impacto que ocorre faz
COIS~s:ue _n~s afetam os sentidos, são realidades dependentes,
mutáveis e sao Imagens da realidade inteligível. com que se esqueça do que viu na estrela. Mas, ao ver um objeto
aparecer de diferentes formas, a alma se recorda da Ideia daquele objeto
Tal concepção de Pia tão também é conhecida por Teoria das Ideias
que foi visto anteriormente. Tal recordação chama-se anamneeis.
ou Teoria das Formas e constitui uma maneira de garantir a possibilidade
do conhecimento e fornecer uma inteligibilidade relativa aos
fenômenos.
Sob a influência de Sócrates, Pia tão buscava a verdade essencial
Para Platão, o mundo concreto percebido pelos sentidos é uma
pá.lida reprodução do mundo das ideias. Cada objeto concreto que das coisas. Porém, Platão não poderia buscar a essência do
existe participa, junto com todos os outros objetos de sua categoria, de conhecimento nas coisas, pois estas são corruptíveis, ou seja, variam,
uma. Ideia perfeita. A ontologia de Platão diz, então, que algo é na mudam. Como o filósofo busca a verdade plena, deve buscá-Ia em algo
medida em que participa da Ideia desse objeto. O foco de Pia tão são estável, nas verdadeiras causas, pois logicamente a verdade não pode
coisas corno o ser humano, o bem ou a justiça, por exemplo. variar e, se há uma verdade essencial para os homens, esta verdade
deve valer para todas as pessoas. Logo, a verdade deve ser buscada em
O problema que Platão propõe-se a resolver é a tensão entre
algo superior.
Heráclito e Parmênides: para o primeiro, o ser é a mudança, tudo está
a conhecimento era o do próprio homem, mas sempre
em constante movimento e é uma ilusão a estaticidade, ou a
ressaltando o homem não enquanto corpo, mas enquanto alma. a
per~anê~cia ~e qualquer coisa; para o segundo, o movimento é que é
conhecimento contido na alma era a essência daquilo que existia no
LImailusão, pOISalgo que é não pode deixar de ser e algo que não é, não
mundo sensível.
oode passar a ser; assim, não há mudança.
Também o conhecimento tinha fins morais, isto é, levar o homem
Platão resolve esse problema com sua Teoria das Ideias. a que há
à bondade e à felicidade. Porém, para se obter o autoconhecimento, o
ie permanente em um objeto é a Ideia; mais precisamente, a
caminho era árduo e metódico.
Jarticipação desse objeto na sua Ideia correspondente. E a mudança
Quanto ao mundo material, o homem poderia ter somente a
opinião e técnica, que permitiam a sua sobrevivência, ao passo que, no
mundo das Ideias, o homem poderia ter o conhecimento verdadeiro
filosófico. '

Platão não defendia que todas as pessoas tivessem igual acesso à


razão. Apesar de todos terem a alma perfeita, nem todos chegavam à
contemplação absoluta do mundo das Ideias,

o J.lOM~M ~ A ALMA
"PaHl Platao, ~aHl ~9 obt9l' O autoconhacirnMto, O carninho 9HIárduo 9
rn9t6dico". Juntamente com Pia tão e Sócrates,
Aristóteles é visto como uma das
figuras mais importantes, e um dos
fundadores da filosofia ocidental.
o homem, para Platão, era dividido em corpo e alma. O corpo
era a matéria e a alma era o imaterial e o divino. Enquanto o corpo está "A cultura @O rnelhot confotto ~atQ a v9lhice" (ARI~TÓT[L~).
em constante mudança de aparência, a alma não muda nunca.
Aristóteles (em grego: ÀQLO,,(O"(ÉÀllÇ, transl. Aristotélês; nasceu
Platão acreditava que a alma depois da morte, reencamava em
outro corpo, mas a alma que se ocupava com a Filosofia e com o Bem , em Estagira, no ano de 384 a.c. e faleceu em Atenas, em 322 a.C}. Foi
esta era privilegiada com a morte do corpo. A ela era concedido o um filósofo grego, aluno de Pia tão e professor de Alexandre, o Grande.
pri vilégio de passar o resto dos seus tempos em companhia dos deuses. Seus escritos abrangem diversos assuntos, corno a Física, a Metafísica,
..• a
Por meio da relação de sua alma com a alma do mundo, o homem Poesia, o Teatro, a Música, a Lógica, a Retórica, o Governo, a Ética, a
tem acesso ao mundo das Ideias e aspira ao conhecimento. A ação do Biologia, a Psicologia e a Zoologia.
homem se restringe ao mundo material; no mundo das ldeias o homem Aristóteles foi essencialmente um homem de cultura, de estudo,
não pode transformar nada, pois o que é perfeito não pode ser mais de pesquisas, de pensamento, que foi se isolando da vida prática, social
perfeito. e política, para se dedicar à investigação científica. A atividade literária
de Aristóteles foi vasta e intensa.
Juntamente com Platão e Sócrates, Aristóteles é visto como uma
das figuras mais importantes, e um dos fundadores da Filosofia
ocidental. Seu ponto de vista sobre as ciências físicas influenciou
o P~N~AM~NTOARI~TOTtUCO
profundamente o cenário intelectual medieval, e esteve presente até o A tradição representa um elemento vital para a compreensão da
Renascimento - embora eventualmente tenha vindo a ser substituído filosofia aristotélica. A filosofia pretendia não apenas rever como
pela física newtoniana. Nas ciências biológicas, a precisão de algumas também corrigir as falhas e imperfeições das filosofias anteriores. Ao
de suas observações foi confirmada apenas no século XIX. Suas obras mesmo tempo, trilhou novos caminhos para fundamentar as críticas,
contém o primeiro estudo formal conhecido da lógica, que foi revisões e novas proposições.
incorporado posteriormente à lógica formal. Na metafísica, o Aluno de Pia tão, Aristóteles discordava de uma parte
aristotelismo teve uma influência profunda no pe~samento filosófico e fundamental da filosofia. Pia tão concebia dois mundos existentes: o
teológico nas tradições judaico-islâmicas duranr« a Idade Média, e inundo concreto, aquele que é apreendido por nossos sentidos e está em
continua a influenciar a teologia cristã, especialmente a ortodoxa constante mutação; e o mundo abstrato, o das Ideias, acessível somente
oriental, e a tradição escolástica da Igreja Católica. Seu estudo da Ética, pelo intelecto, imutável e independente do tempo e do espaço material.
embora sempre tenha continuado a ser influente, conquistou um Aristóteles, ao contrário, defendia a existência de um único mundo: este
interesse renovado com o advento moderno da ética da virtude. Todos em que vivemos. O que está além de nossa experiência sensível não pode
os aspectos da filosofia de Aristóteles continuam a ser objeto de um ser nada para nós.
ati vo estudo acadêmico nos dias de hoje.

Aristóteles fundou em Atenas o Lykeion, origem da palavra


P~ICOLOGIA
Liceu - cujos alunos ficaram conhecidos como peripatéticos (os que O objeto geral da psicologia aristotélica é o mundo animado, isto
passeiam), nome decorrente do hábito de Aristóteles de ensinar ao ar é, vivente, que tem por princípio a alma e se distingue essencialmente
livre, muitas vezes sob as árvores que cercavam o Liceu. Ao contrário da do mundo inorgânico, pois o ser vivo, ao contrário do ser inorgânico,
Academia de Pia tão, o Liceu privilegiava as ciências naturais. Ao Liceu, possui internamente o princípio da sua atividade, que é a alma, forma
Alexandre, o Grande, enviava exemplares da fauna e flora das regiões do corpo. A característica essencial e diferencial da vida da planta, que
conquistadas. O trabalho cobria os campos do conhecimento clássico tem por princípio a alma vegetativa, é a nutrição e a reprodu~~o. ~
de então, Filosofia, Metafísica, Lógica, Ética, Política, Retórica, Poesia, característica da vida animal, que tem por princípio a alma sensiitoa, e
Biologia, Zoologia, Medicina e estabeleceu as bases de tais disciplinas precisamente a sensibilidade e a locomoção. Enfim, a característica a
quanto à metodologia científica. Aristóteles dirigiu a escola até 324 a.c., vida do homem, que tem por princípio, a alma racional, é o pensamento.
pouco depois da morte de Alexandre, deixando a escola aos cuidados Todas estas três almas são objeto da psicologia aristotélica. Segundo
do principal discípulo, Teofrasto (372 a.c. - 288 a.C). Aristóteles, todo ser vivo tem uma só alma, ainda que haja nele funções
diversas, faculdades diversas, porquanto se dão atos diversos, E assim,
"Atid"6tAl~ deft!hdia a C!Xid"Âhcia
de um úhico mUhdo: me em que conforme Aristóteles, o corpo humano não é obstáculo, mas
vfvemog". .instrumento da alma racional, que é a forma do corpo.
J~AN JACQU~ ROU~~~AU
MÚ~'CA

NA música é um prazer. Nada imita melhor os verdadeiros sentimentos


que o ritmo e a melodia, seja na cólera, na meiguice, na coragem, na temperança
ou afeições e outros estados d' alma. A música desperta em noss' alma todas as
paixões. A música é a imitação das afeições morais, e isso é evidente, porque
existem diferenças essenciais na natureza dos diversos acordes. O tom mixolidio
predispõe à melancolia; outros inspiram abandono; só o dó rico traz paz e
repouso; ofrigio excita o entusiasmo. Não é difícil compreender que a influência
moral da música difere bastante e, é difícil ser bom juiz numa arte que não se
pratique. É preciso porém que as crianças tenham uma ocupação. Considera-se __
como uma bela invenção de Arquitas, a matraca, que se dá às crianças para que, ~~ . Rousseau:.
- ~
~ • .,,--- - dedicad
enquanto brincam nada quebrem, porque as crianças não podem ficar um só »>
instante quietas. Aos jovens, deve-se ensinar a música e obrigá-Ias a cultivá-Ia. "Rou~goau congid9l'8vQ CQdQfQgOdQ vidQ (infânciQ, Qdol~cênciQ, luvontudo
É preciso que o estudo da música em nada prejudique as coisas que se tiver de o mQtutidQdo) como tondo CQract9l'ígfiCQ~pt6pl'iQg, I'MpoitQndo Q
fazer em seguida; ela não deve ser a princípio um obstáculo à prática das forças individuQUdQdo do cada um".
do corpo e mais tarde aos trabalhos do espírito".

Para Aristóteles, muito se poderia dizer sobre a importância da Jean Jacques Rousseau nasceu em Genebra, Suíça, e~ ~8 ~e
educação musical. Além de aguçar a sensibilidade, a música é uma junho de 1712 e faleceu em 2 de julho de 17?8. Seus 66 anos de axístência
distração para o espírito. Ouvir boa música descansa a mente com o tiveram uma enorme influência na educaçao.
encanto de sua sonoridade. É necessária a educação musical, sem a qual Rousseau trouxe novas ideias para combater aquelas que
o ser humano cresce com capacidade incompleta. É pela música que a prevaleciam há muito tempo em sua época, principalmente a de que a
sociedade renova as condições da própria existência. Ela também educação da criança deveria ser voltada aos interes~e~ do ad,ult~ e da
promove a socialização, porque desenvolve a personalidade, Os vida adulta. Assim, a criança era um ser com características propnas em
sentimentos e os hábitos bons. suas ideias e interesses, e desse modo não mais podia ser vista como um
adulto em miniatura.
- . t que
Com suas 1.dei elas, derrubou as concepçoes vlgen es . .
"O hemsm oxtol'iol'iza sau pon~amonto por moio da müsíea, polo canto, pregavam ser a educação o processo pelo qual a criança ~a~s.aa a_dqUlnr
~ondo obfoto da mú~ica 9Xpl'M~al'~ontlmontog, além do ~91'complomonto da conhecimentos, atitudes e hábitos armazenados pela civilização. sem
cultura" (ARr~TÓT[l~J. transformações.
Considerava cada fase da vida (infância, adolescência,
"Com suas idei~~,dettubou as cOhcepçõ~ vfgeht~ que ptegllvllm ~et 11
juventude e maturidade) como tendo características próprias,
eduCllção o ptOC~~opelo qual 11 Cti~hÇQPQ~~II 11 IIdquitit cOhhecimehto~,
respeitando a individualidade de cada um. Tanto o homem como a
~titud~ e hábito~IItmllzehlldo~pelll cfvilizllÇllo, ~em ft~hgfotmllçõ~".
sociedade se modificam, e a educação é o elemento fundamental para a
necessária adaptação a essas modificações. Se cada fase da vida tem
suas características próprias, a educação inicial não poderia mais ser Para compreender a infância, o homem precisa olhar a vida com
considerada uma preparação para a vida, da maneira como era simplicidade. Enquanto o mundo físico é harmonioso, o mun~o
concebida pelos educadores na época. humano é egoísta e cheio de conflitos. Os males sociais e a educaçao
oferecida aos jovens são os responsáveis por esses conflitos.
A educação naturalista, preconizada por Rousseau, não
"A CtiahÇIIhão podill ~et mlli~ehtendfdll como um adulto em mihillfutll, poi~ significava retomar a uma vida selvagem, primitiva, isolada, mas sim
po~~uíaCllHlctetídiCII~pr6ptill~.Não ~6 suas ideia~e ~eu~ihte~~~ tínham afastar-se dos costumes da aristocracia da época, da vida artificial que
de ~et difuteht~ do~IIdulto~,como tllmbém o telllCiohllmehto tígido mantido girava em torno das convenções sociais. A educação deveria levar o
pelo~~dulto~em tel~ção a elll~pteci~v~ ~et modifiClldo". homem a agir por interesses naturais e não por imposição de regras
exteriores e artificiais, pois só assim, o homem poderia ser dono de si
Rousseau afirmou que a educação não vem de fora, é a expressão próprio.
livre da criança no seu contato com a natureza. Ao contrário da rígida Outro aspecto da educação natural está na não aceitação, por
disciplina e excessivo uso da memória vigentes então, propôs Rousseau, de uma educação intelectualista.? homem não se constitui
desenvolver com a criança: atividades lúdicas, esportes, agricultura e o apenas de intelecto, pois as emoções, os sentidos, os instintos e ~s
uso de instrumentos de variados ofícios, linguagem, canto, aritmética e sentimentos, existem antes do pensamento elaborado que para ele, sao
geometria. Através dessas atividades a criança estaria medindo, mais dignas de confiança do que os hábitos de pensamento que foram
contando, pesando; portanto, estariam sendo desenvolvidas atividades forjados pela sociedade e impostos ao indivíduo.
relacionadas à vida e aos seus interesses. Se Rousseau for analisado no contexto da sua época, teremos de
Rousseau, no contexto de sua época, formulou princípios concordar que ele formulou, com raro brilho, princípios educacionais
educacionais que permanecem até nossos dias, principalmente que permanecem até os nossos dias.
enquanto afirmava que a verdadeira finalidade da educação era
ensinar a criança a viver e a aprender a exercer a liberdade. Para ele, a
"PIIHIcompteendet 11 ihffihCill, Ohomem pteci~aolhllt Q vidll com
criança não é educada para Deus, nem para a vida em sociedade, mas
~implicidllde.[hqullhtO o mUhdo fí~ico Á harmenloso, o mundo humano Á
sim, para si mesma: " Viver é o que eu desejo ensinar-lhe. Quando sair das
egoí~ta e cheio de conflito~. O~malas ~ocilli~e a educação omecidll IIO~
minhas mãos, ele não será magistrado, soldado ou sacerdote, ele será, antes de
tudo/um homem ",
foveh~sãe o~ ~poh~ávei~ pOt~~~ cOhflito~"(ROU~[AU).
JOJ-lANN J-I~rNRrCJ-lP~TAlOZZr "Pata Pggtalozzi, o aptendizado !:etia, am grando patto, conduzido polo
pt6ptio aluno, com basa na mcpetimontaçJlo"ptática o na vivÔhcia intAloctual,
!:on!:otial o omocional do conhoclmonto. [ a idoia do g~tendet fazondo".

AMOR
o afeto teve papel central na obra de pensadores que lançaram
os fundamentos da pedagogia moderna. Nenhum deles deu mais
importância ao amor, em particular ao amor matemo, do que o suíço
Pestalozzi.
Antecipando concepções do movimento da Escola Nova, que só
surgiria na virada do século XIXpara o XX,Pestalozzi afirmava que a
função principal do ensino é levar as crianças a desenvolver suas
habilidades naturais e inatas.
Para o educador suíço, os sentimentos tinham o A escola idealizada por Pestalozzi deveria ser não só uma
poder de despertar o processo de aprendizagem
autônoma na criança. extensão do lar corno inspirar-se no ambiente familiar, para oferecer
uma atmosfera de segurança e afeto. Ao contrário de muitos de seus
Johann Heinrich Pestalozzi (Zurique, 12 de janeiro de 1746 - contemporâneos, o pensador suíço não concordava totalmente com o
Brugg, 17 de fevereiro de 1827) foi um pedagogo suíço e educador elogio da razão humana. Para ele, só o amor tinha força salvadora,
pioneiro da reforma educacional. capaz de levar o homem à plena realização moral - isto é, encontrar
Sua família empobreceu logo após o falecimento de seu pai, conscientemente, dentro de si, a essência divina que lhe dá liberdade.
quando ainda era criança. Pestalozzi conheceu de perto o preconceito
social e teve de lutar muito para se tornar conhecido numa sociedade
IN~PIRAÇÃO NA NATUR~ZA
dividida entre nobres e plebeus e entre ricos e pobres. Durante esse A criança, na visão de Pestalozzi, se desenvolve de dentro para
período recebeu orientação religiosa protestante, mas considerava-se fora - ideia oposta à concepção de que a função do ensino é preenchê-Ia
sempre um cristão, sem defender qualquer religião. de informação. Para o pensador suíço,.um dos cuidados principais do
Pestalozzi foi um dos pioneiros da pedagogia moderna, professor deveria ser respeitar os estágios de desenvolvimento pelos
influenciando profundamente todas as correntes educacionais, e longe quais a criança passa. Dar atenção à sua evolução, às suas aptidões e
está de deixar de ser urna referência. necessidades, de acordo com as diferentes idades, era, para Pestalozzi,
parte de urna missão maior do educador: a de saber ler e imitar a
. Dentre seus discípulos incluem-se Denizard Rivail, Ramsauer,
natureza na qual o método pedagógico deveria se inspirar.
Delbrück, Blochmann, CarI Ritter, Frõebel e Zeller.
Tanto a defesa de urna volta à natureza quanto a construção de JOI-lAtJtJ r:RI~DRICI-lI-l~RBART
novos conceitos de criança, família e instrução aos quais Pestalozzi se
dedicou devem muito a leitura do filósofo franco-suíço jean-jacques
Rousseau (1712-1778), nome central do pensamento iluminista. Ambos
consideravam o ser humano de seu tempo excessivamente cerceado por
convenções sociais e influências do meio, distanciado de sua índole
original- que seria essencialmente boa para Rousseau e potencialmen te
fértil, mas egoísta e submissa aos sentidos, para Pestalozzi.
Para Pestalozzi, o aprendizado seria, em grande parte,
conduzido pelo próprio aluno, com base na experimentação prática e
na vivência intelectual, sensorial e emocional do conhecimento. É a
ideia do "aprender fazendo", amplamente incorporada pela maioria
das escolas pedagógicas posteriores a Pestalozzi. O método deveria
"O fil6~ofo al(!m!lodo ~áculo XIX inaugurou a análi~(! ~Í!:t(!máti~ da .
partir do conhecido para o novo e do concreto para o abstrato, com
_..I na. mostrou a imlJOttincia da P~icologia na taotizaçlio do (!h~IhO(!foI
ênfase na ação e na percepção dos objetos, mais do que nas palavras. O equca~o, iA ."
o organizadot da Pedagogia como c (!hera.
que importava não era tanto o conteúdo, mas o desenvolvimento das
habilidades e dos valores.
Johann Friedrich Herbart (Oldemburgo, 4 de .~aio de 177~ -
.., 11 d agosto de 1841) foi um filósofo e psícólogo alemao,
Gottingen, e
S!~M NOTAS!, CAS!TrGOS!OU PR~M'OS!
A •

fundador da pedagogia como uma disci plina academlca.


Ao contrário de Rousseau, cuja teoria é idealizada, Pestalozzi
O filósofo e psicólogo co nh eceu a Igun s dos mais importantes
.
experimentava sua teoria e tirava a teoria da prática. Seu método de . Iec t uais
. de
inte ce seu tempo Foi aluno do filósofo [ohann Fichte
seu ieuu-v- . I
(1762-
estudo deveria reduzir-se a seus três elementos mais simples: som,
1814) na Universidade de Iena. C orno professor partícu ar. em . h
fonna e número. Só depois da percepção viria a linguagem. Com os
Interlaken, na Suíça, ficou amigo do educador Johann He~~~
instrumentos adquiridos desse modo, o estudante teria condições de ·· . b g , fundou um semmano
encontrar em si mesmo liberdade e autonomia moral. Segundo ele, o Pesta 1OZZl. (1746-.1827) Em K0111gSer
'. d
eda ógico com urna escola de aplicação e um mtemato. Os estu o~
objetivo final do aprendizado deveria ser uma formação tripla:
:ais :mportantes de Herbart foram no campo da filosofia da men.te, a
ntelectual, física e moral. Corno alcançar esse objetivo dependia de ,. A 1.nfl u ência de sua teona, .se
qual subordinou suas obras pedagoglcas.
rrna trajetória íntima, Pestalozzi não acreditava em julgamento externo.
estendeu a uma Ie81.-ao de pensadores, dando origem a vanas
"or isso, em suas escolas não havia notas ou provas, castigos ou
. interpretações, até entrar em declínio no início do século XX.
ecompensas.
MORAL COMO OBJ[TIVO
N a teoria herbartiana, memória, sentimentos e desejos são
apenas modificações das representações mentais. Agir sobre elas,
portanto, significa influenciar em todas as esferas da vida de uma
Com o filósofo alemão Johann F ' d .
formulada pela pri . ne rich Herbart, a Pedagogia foi pessoa. Desse modo, Herbart criou uma teoria da educação que
ImeIra vez como um '~ ,
organizada ab . a ClenCla, sobriamente pretendia interferir diretamente nos processos mentais do estudante,
" r rangente e SIstemática, com fins claro . como meio de orientar ,sua formação. A instrução é o elemento central
definidos. A estrutura teonca
' " construída p H b s e meIOS
filosofia do f . or er art se baseia numa dos três procedimentos que, para Herbart, constituem a ação
uncionamenro da mente o
pedagógica. O primeiro é o que chamou de governo, ou seja, a
pioneira: não só por seu caráter cientí~co ;~e a' tor~a duplamente
psicologia aplicada como . ' s tambem por adotar a manutenção da ordem pelo controle do comportamento da criança,
eIXOcentral da ed -
os dias de hoi ucaçao. Desde então, e até uma atribuição inicialmente dos pais e depois dos professores. Trata-se
1e, o pensamento peda ' . .
teorias de aprendizagem e à . gO.gIcose vmcula fortemente às de um conjunto de regras, constituindo um processo externo do aluno,
exem 10' , psicologia do desenvolvimento - um com o objetivo de manter a criança ocupada. O segundo procedimento é
p e a obra do SUlÇO Jean Piaget (1896-1980). a instrução educativa propriamente dita e seu motor é o interesse, que
Uma das contribuições mais durad deve ser múltiplo, variado e harmonicamente repartido. O terceiro é a
educação é o princípio d .ouras de Herbart para a
e que a doutrma d ,. disciplina, que tem a função de preservar a vontade no caminho da
realmente científica p , pe agogica, para ser
, reClsa comprova . virtude. Nessa etapa se fortalece a autodeterminação como pré-
ideia do filósofo I l
r-se expenmentalmente - uma
mmanueI Kant (1724-1804) requisito da formação do caráter. Ao contrári~ do)governo, consiste em
Surgiram daí as I d que ele desenvolveu
<A..l esco as e apli - .
respondem à necessidade de rcaçao, que cOI~ecemos até hoje. Elas um processo interno do aluno.
a imentar a teona com a rática e ' Muitas das contribuições de Herbart para a Psicologia e a
/ersa, num processo de atualiz _ . p e vice-
açao e aperfeiçoamento constantes. Pedagogia continuam valiosas, mas seu pensamento e a prática que
dele se originou no século XIX se tornaram ultrapassados, sobretudo
com o aparecimento do movimento da escola ativa. Seu principal
representante, o norte-americano John Dewey (1859-1952), fez duras
críticas à doutrina herbartiana. A Pedagogia contemporânea tomou o
aluno sujeito do ensino e substituiu o 'individualismo do século XVIII
por uma visão mais complexa dos fatores envolvidos no trabalho de
ensinar, Atualmente, no Brasil, ainda se costuma despejar
'Immanuel Kant: (Kõnigsberg, 22 de abril de] 724 _ '" ,
de 1804) foi um filósofo prussi , Komgsberg, 12 de fevereiro conhecimento sobre o aluno, como queria Herbart, mesmo admitindo
russiano, considerado c 'I '
dos princípios da era moderna indi orno o li tirno grande filósofo
infl
I uentes. ' in iscutivelrnente um d os pensadores mais no plano teórico que a mente humana é originalmente ativa.
~Rr~DRfC~ WfL~~LM AUGU~T ~RO~B~L

,
'/

Friedrich '0 bel: o formador


"fJao ga poda nagat qua Hntbatt foi um des pangadotQgqua malg ~a das crianças pequenas,
int~gatam pala pgicologiado nducando a o modo como ala influi em !:au
aptnndizado".
"O ctiadot dm~latdin!:da lnffincia damndia um nngino gam obtigaçõM potqua
o apMndizado dapnnda dog int~gM da cada um a ga faz flOtmaio da
o herbartianismo resultou num ensino que hoje qualificamos
ptática".
de tradicional. As escolas herbartianas transmitiam um ensino
totalmente receptivo, sem diálogo entre professor e aluno e com aulas
Friedrich Wilhelm August Frõebel (Oberweibach, 21 de abril de
que obedeciam a esquemas rígidos e pré-estabelecidos.
1782 - Schweina, 21 de junho de 1852) foi um pedagogo (escola
Herbart previa cinco etapas para o ato de ensinar. A primeira, Pestalozzi) alemão.
preparação, é o processo de relacionar o novo conteúdo a
Filho de um pastor protestante, Friedrich Fróebel foi adotado
conhecimentos ou lembranças que o aluno já possua, para que ele
por um tio depois do falecimento de sua mãe. Viveu uma infância
adquira interesse na matéria. Em seguida vem a apresentação ou
solitária, em que se empenhou em aprender matemática e linguagem e
demonstração do conteúdo. A terceira fase é a associação, na qual a
a explorar as florestas perto de onde morava. Após cursar
assimilação do assunto se completa por meio de comparações
informalmente algumas matérias na Universidade de [ena, tomou-se
minuciosas com conteúdos prévios. A generalização, quarto passo do
professor.
processo, parte do conteúdo recém-aprendido para a formulação de
regras globais; é especialmente importante para desenvolver a mente Trabalhou com o pedagogo [ohann Heinrich Pestalozzi (1746-

além. da percepção imediata. A quinta etapa é a da aplicação, que tem ~827), e embora influenciado por ele, foi totalmente independente e
como objetivo mostrar utilidade para o que se aprendeu. crítico, formulando seus próprios princípios educacionais.
"POt mmo da ooucaçIJo, a ctiança vai ga MconhacAt como mambtO vivodo A ~VOLU~ÃODO P~N~AM~NTO P~DAGÓGrCO
todo" (r:RI~DRICH r:RÕ~B~l).
"r:tõAbAlvia a ooucaçIJo como uma ativldada am que agcola a família
caminham luntag".
Fundou sua primeira escola em 1816, na cidade alemã de
Griesheim. Dois anos depois, a escola foi transferida para Keilhau, onde Friedrich Frôebel foi um dos primeiros educadores a considerar
Frôebel pôs em prática suas teorias pedagógicas. Em seguida, foi morar o início da infância como uma fase de importância decisiva na formação
na Suíça, onde treinou professores e dirigiu um orfanato. das pessoas - ideia hoje consagrada pela Psicologia, ciência da qual foi
Paralelamente, administrou uma gráfica que imp.rimiu instruções de precursor. Frõebel viveu em uma época de mudança de concepções
brincadeiras e canções para serem aplicadas em escolas e em casa. sobre as crianças e esteve à frente desse processo na área pedagógica,
Todas essas experiências serviram de inspiração para que ele como fundador dos jardins de infância, destinados aos menores de 8
fundasse o primeiro jardim de infância, em 1837, na cidade alemã de anos. O nome reflete um princípio que Frõebel compartilhava com
Blankenburg, onde as crianças eram consideradas como plantinhas de outros pensadores de seu tempo: o de que a criança é como uma planta em
um jardim, do qual o professor seria o jardineiro. A criança se sua fase deformação, exigindo cuidados periódicos para que cresça de maneira
expressaria através das atividades de percepção sensorial, da saudável.
linguagem e do brinquedo. A linguagem oral se associaria à natureza e à
vida.
O D~~NVOLVrM~NTO ~~U~ ~TAP~
Em 1851, o governo da Prússia o confundiu com um sobrinho
esquerdista e proibiu as atividades dos jardins de infância, porém, os
mesmos rapidamente espalharam-se pela Europa e nos Estados
Unidos, onde foram incorporados aos preceitos educacionais do
filósofo Iohn Dewey (1859-1952).
As técnicas utilizadas até hoje em Educação Infantil devem
muito a Frõebel. Para ele, as brincadeiras são o primeiro recurso no r
caminho da aprendizagem. Não são apenas diversão, mas um modo de ••
criar representações do mundo concreto com a finalidade de entendê-
10. Com base na observação das atividades dos pequenos com jogos e
" etapas:
brinquedos, Frõebel foi um dos primeiros pedagogos a falar em auto- . a infância a meninice . a puberdade . a mocidade . a maturidade
educação, um conceito que só se difundiria no início do século XX, Todas estas fases eram igualmente importantes. Observava,
graç~s ao movimento da Escola Nova, de Maria Montessori (1870- "portanto, a gradação e a continuidade do desenvolvimento, bem como
"1952)e Célestin Freinet (1896-1966), entre outros. a unidade das fases de crescimento.
.o caminho certo para Frôebel seria deixar a criança livre para BRINCAD~IR~ CRIATIV~
expressar seu interior e perseguir seus interesses, adotando a ideia Para o pedagogo, a educação da infância se realiza através de três
contemporânea do "aprender a aprender". Para ele, a educação se
tipos de operações:
desenvolve espontaneamente. Quanto mais ativa é a mente da criança,
ação jogo· trabalho
mais ela é receptiva a novos conhecimentos.
O ponto de partida do ensino seriam os sentidos e o contato que Frôebel foi o primeiro educador a enfatizar o brinquedo~ a
eles criam com o mundo. Portanto, a educação teria como fundamento a atividade lúdica, a apreender o significado da família nas relações
percepção, da maneira como ela ocorre naturalmente nos pequenos. humanas.
Isso não quer dizer que ele descartasse totalmente o ensino diretivo, " . d os P ara as crianças. se
Idealizou recursos SlstematIza
visto como um recurso legítimo caso o aluno não apresentasse o
expressarem: blocos de construção que eram_utiliza~OS pelas cnanç~
desenvolvimento esperado. De modo geral, no entanto, a pedagogia de
em suas atividades criadoras, papel, papelao, argila e serragem.
Frõebel pode ser considerada como defensora da liberdade.
desenho e as atividades que envolvem o movimento e os ritmos era~1
O educador acreditava que as crianças trazem consigo uma .
mui to importantes. Para a criança se co nh ecer, o primeiro passo seria.
metodologia natural que as leva a aprender de acordo com seus chamar a atenção para os membros de seu próprio corpo, para d~POIS
int r es e por meio de atividade prática. Ele combatia, na educação de chegar aos mOVI imentos das partes do corpo. Valorizava tambem . a
u tempo, o excesso de abstração, argumentando que ele afastava os utilização de histórias, mitos, lendas, contos de fadas e fábulas, aSSIm
alunos do aprendizado. Na primeira infância, dizia, o importante é como as excursões e o contato com a natureza.
trabalhar a percepção e a aquisição da linguagem. No período
propriamente escolar, seria a vez de trabalhar religião, ciências "O hornl!rn é urna fotÇa autog9t8dotQ I! não urna ~~onla qUI! ab~otvl!
naturais, matemática, linguagem e artes. conhl!cirnQhto do I!XfQtiot" (I=RltDRICI-II=RÕtBtl).
Antecipando as ideias do suíço Jean Piaget (1896-1980), Frõebel
detectou três estágios: primeira infância, infância e idade escolar.
Uma das melhores contribuições de Frõebel para a Pedagogia
nodema foi a ideia de que o ser humano é essencialmente dinâmico e
orodu tivo, e não meramente receptivo.

"A ~Qncia dI! sua ~I!dagogia~§oas ideia!l de atividade e IibQtdade".


~Rr~DRrcuNr~lECU~
PRINCípIO~

Seus princípios e sua crença determinaram alguns de seus


postulados, tais como:
o educando tem que ser tratado de acordo com sua dignidade de
filho de Deus, dentro de um clima de compreensão e liberdade;
o educador é obrigado a respeitar o discípulo em toda sua
integridade; "
o educador deve manifestar-se como um guia experimentado e
amigo fiel que com mão flexível, mas firme, exija e oriente. Não é
somente um guia, mas também sujeito ativo da educação: dá e
recebe, orienta, mas deixa em liberdade, é firme, mas concede;
o educador deve conhecer os diversos graus de desenvol-
vimento do homem para realizar sua tarefa com êxito.

"Reboldo O provocador, Niomcho ~o propô~ SId~rnSl~caHlt SI~fuhdSl~ dSl


PRfNCfPAf~ CONC~PÇÕ~ ~DUCACIONAI~ cultuHl ocid9htsd".

a educação deve basear-se na evolução natural das atividades da


criança; Friedrich Wilhelm Nietzsche (Rôcken, 15 de Outubro ~e ,1844
.
- Welmar, 25 de Agosto de 1900) foi um filólogo e influente filosofo
o objetivo do ensino é sempre extrair mais do homem do que
colocar mais e mais dentro dele. A criança não deve ser iniciada alemão do século XIX.
em nenhum novo assunto enquanto não estiver madura para ele; Filho e neto de protestantes, Friedrich Wilhelm Nie~s~he
o verdadeiro desenvolvimento advém de atividades estudou Filologia, Filosofia Clássica e Teologia Evang~hca.
espontâneas; Apaixonado por música, Nietzsche cheg~u a compor peças para plano.
na educação inicial da criança, o brinquedo é um processo Aluno brilhante, dotado de sólida formação clássica, Nietzsche
essencial;
tornou-se amigo de [acob Burckhardt e Richard Wagner.
os currículos das escolas devem basear-se nas atividades e
Quase cego, com frequentes crises de enxaqueca, aposentou-se
interesses de cada fase da vida da criança.
em 1879. Sua voz inaudível o afastou de seus alunos. Nietzsche morreu
e~ 1900, após uma crise de loucura que durou cerca de vinte anos.
A J-lAB'UDAD~ D~ TRAN~I=ORMAR
A MÚ~'CA PARA N'~~CH~
Se Nietzsche combatia a vulgarização dos conteúdos escolares,
lI~ornrnú~ica, a vida ~9tia urn 9tron (~RI[DRICH
NlrrZ~CH[J. também criticava o saber voltado para a erudição. Para ele, havia em
sua época um excesso de cultura histórica. Com isso, sufocava-se a força
do agora e impedia-se o surgimento do novo. Mais ainda: a tendência
Na adolescência, Nietzsche formou uma sociedade literária e histórico-cientificista impossibilitava a presença efetiva da Arte e da
musical com dois amigos, a "Germânia", onde se familiarizou com a Filosofia no ensino, por se tratarem de campos de conhecimento
música de Richard Wagner, que mais tarde seria considerado por muito instáveis e desafiadores, que estimulam a crítica.
tempo seu melhor amigo e benfeitor de sua vida. "
Nietzsche lamentava que uma espécie de ditadura da
A música foi para Nietzsche um incentivo à vida, chegando a
praticidade tivesse causado a perda da importância da leitura e do
dizer que sem ela não teria suportado sua juventude. Para ele, a música
estudo de língua nas escolas, levando à degeneração da cultura.
deveria ser alegre e profunda, pois rindo dizia coisas severas.
Naquele momento, dizia ele, ou se via o idioma como um organismo
No final de sua vida, quando já não conseguia mais fazer
morto a ser dissecado, ou se encaminhavam a escrita e a leitura para os
praticamente nada, Nietzsche passou seus últimos dias ao piano.
usos meramente comunicativos, reduzindo os textos a um padrão
simplificado, supostamente ágil e moderno.

o ~I~T~MA ~COlAR PARA NI~~CJ-l~ Um dos primeiros pensadores a conceber a leitura como uma
atividade que não se limita à assimilação passiva de informações,
o filósofo criticava o sistemaescolar por ser um reforço da moral Nietzsche achava que ler era uma experiência transformadora,
de rebanho: ao uniformizar o conhecimento e os próprios alunos, a inclusive no sentido físico. Isso porque, para se formar leitor, é
instituição se curva às exigências externas do mercado e do Estado. Na necessário educar a postura, treinar a concentração e perseverar.
Educação de seu país, ele via o avanço do ensino técnico sobre todos os Cabe à escola, de acordo com o filósofo, produzir nos alunos a
níveis escolares com a finalidade de preparar profissionais e servidores capacidade de dar novos sentidos às coisas e aos valores. Nietzsche
competentes. Em lugar da massificação e do utilitarismo, Nietzsche dizia que só os jovens poderiam entender suas contestações. É, então,
propunha o aprimoramento individual e uma "educação para a de supor que a idade escolar seja a melhor para levar o ser humano a
cultura". pensar criticamente a respeito do mundo a sua volta. Mas, para isso, a
sala de aula precisa valorizar "uma cultura da exceção, da experimentação,
do risco, do matiz ", nas palavras do filósofo.
"No ease do indivíduo, a tat9fa da oducaçJIo é a ~oguinto: tomá-Io tãe
fitrno o ~oguro quo, corno urn todo, 010 lá nlio 1>O~~a
~9t dggviado do sua Finalmente, ao educador cabe o papel de modelo, alguém que
rota" (~RI[DRICH NI~CH[J. demonstra como se educar com disciplina e paciência.
"
I;MJll; DURKI-lI;JM Durkheim não repartiu o seu tempo nem o pensamento entre
duas atividades distintas por mero acaso. Abordou a educação como
um fato social. "Estou convicto de que não há método mais apropriado para
pôr em evidência a verdadeira natureza da educação", declarou. A partir de
1902, foi auxiliar de Ferdinand Buisson na cadeira de ciência da
educação na Sorbonne e o sucedeu em 1906. Estava plenamente
preparado para o posto, pois não parara de dedicar-se aos problemas
do ensino. Dentro da educação moral, psicologia da criança ou história
das doutrinas pedagógicas, não há campos que ele não tenha
explorado. Morreu em 1917, supostamente pela tristeza de ter perdido
o filho na Primeira Guerra Mundial, no ano anterior.
Em cada aluno há dois seres inseparáveis, porém distintos. Um
deles seria o que Durkheim chamou de individual. Tal porção do sujeito
_ o jovem bruto -, segundo ele, é formada pelos estados mentais de cada
pessoa. O desenvolvimento dessa metade do homem foi o principal
"PQHI O ~ocf6logoftqn~, Q~tincf~QIfunçlJo do ~~Ot objetivo da educação até o século XIX. Principalmente por meio da
é fotrnQt cidQdllo~
psicologia, entendida então como a ciência do indivíduo, os professores
CQ~QZeg
de conftibuft ~QHIQ hQtrnonfQ ~ociQI".
tentavam incutir nos estudantes os valores e ,a moral. A caracterização
do segundo ser foi o que deu projeção ao sociólogo.
Émile Durk~eim (Épinal, 15 de abril de 1858 - Paris, 15 de
Dessa forma, Durkheim acreditava que a sociedade seria mais
novem~ro d~ 1917) e considerado um dos pais da sociologia moderna.
beneficiada pelo processo educativo. Para ele, lia educação é uma
~~:~elm fOIo ~undador da escola francesa de sociologia, posterior a
socialização da jovem geração pela geração adulta". E quanto mais eficiente
, que combinava a pesquisa empírica com a teoria sociológica É
for o processo, melhor será o desenvolvimento da comunidade em que
:mpla~ente ~econhecido como um dos melhores teóricos do conce~to
aa coesao SOCIal. a escola esteja inserida.

, Filho de judeus ' o p tou por nao- segUlr


. o caminho do rabinato
.omo
F era costume na sua f arru'li a. Lecionou
. pedagogia e ciências sociais'
~,~ ~culda~e. de ~etras. de Bordeaux, de 1887 a 1902. A cátedra de "A eduCQçllo tem ~t obletivo ~u~citQte degenvolvet nQ criQnÇQ egtqdo~
lenCla~ s~Clals fOI a pnmeira em uma universidade francesa e foi
fí~icos e rnoHli~que do tequetido~ IK!IQ ~ociedQde~lítiCQ no seu conlunto"
:oncedlda Justamente àquele que criaria a Escola Sociológica Francesa
(tMllt DURKUtIM).
-eus alunos eram, sobretudo, professores do ensino primário. .
JOJ.lN D~W~Y Depois de problemas graves na política interna do
Departamento de Educação da Universidade de Chicago, Dewey
abandonou a instituição para se ligar à Universidade de Columbia, em
Nova Iorque, onde permaneceu até ao fim da sua carreira no ensino, em
1930. Continuou, no entanto, a ensinar como Professor Emérito até
1939, e continuou a escrever e a intervir socialmente até às vésperas de
sua morte em 1952, aos 93 anos.

~COLA I=ILO~ÓI=ICAD~ PRAGMATr~MO

[ohn Dewey é reconhecido como um dos fundadores da escola


Dewey é o rtom~ mais célebre
da corrente filosófica que ficou filosófica de Pragmatismo (juntamente com Charles Sanders Peirce e
conhecida como Pragmatismo. William [ames), um pioneiro em psicologia funcional, e representante
principal do movimento da educação progressiva norte-americana
o fil6~ofonOtte-amm-iC8nodefendia a democtacia
e a libetdade de
durante a primeira metade do século XX.
como inmumento~~aHla manutençllo emocional e intelectual
~en~Qmento
da~ctiança~. Quantas vezes você já ouviu falar na necessidade de valorizar a
capacidade de pensar dos alunos? De prepará-los para questionar a
. John Dewey (Burlington, Vermont, 20 de Outubro de 1859 - 1 realidade? De unir teoria e prática? De problematizar? Essas são
de Junho de 1952) foi um filósofo e pedagogo norte-americano. algumas das concepções de [ohn Dewey, que influenciou educadores
Na infância, [ohn Dewey teve uma educação desinteressante e de várias partes do mundo. No Brasil inspirou o movimento da Escola
desestimulante, o que foi compensado pela formação que recebeu em Nova, liderado por Anísio Teixeira, ao colocar a atividade prática e a
casa. democracia como importantes ingredientes da educação.

Seu interesse por pedagogia nasceu da observação de que a Via em Rousseau uma visão que se centrava no indivíduo,
~sco~a.de s~u tempo continuava, em grande parte, orientada por valores enquanto Platão acentuava a influência da sociedade na qual o
.radicionais, e não havia incorporado as descobertas da psicologia, nem indivíduo se inseria. Dewey contestou esta distinção - e tal como
tcornpanhara os avanços políticos e sociais. Fiel à causa democrática Vygotsky, concebia o conhecimento e o seu desenvolvimento como um
oarticipou de vários movimentos sociais. ' processo social- integrando os conceitos de "sociedade" e "indivíduo" .
Para ele, o indivíduo somente passa a ser um conceito significante
..No final da década de 1890, Dewey adotou uma nova posição,
[ue vero a ser conhecida mais tarde como pragmatismo. 'quando considerado parte inerente de sua sociedade.
~TíMULO À eOOP~RA~ÃO
"PJlffi DQWQy, QHI dQ vitJlI irnl>Ot1"finciJl qUQ JI OOUCJlçllo nGo ~Qtemingi~~QJlO
M~ino do conhQcirnQnto corno Jllgo JlCJlbJldo". Em sua teoria, o conhecimento é construí do de consensos, que
por sua vez resultam de discussões coletivas. Por isso, a escola deve
proporcionar práticas conjuntas e promover situações de cooperação,
Segundo Dewey, os alunos aprendem melhor realizando tarefas em vez de lidar com as crianças de forma isolada.
associadas aos conteúdos ensinados. Atividades manuais e criativas
Seu grande mél~ito foi ter sido um dos primeiros a chamar a
ganharam destaque no currículo e as crianças passaram a ser
atenção para a capacidade de pensar dos alunos. Dewey acreditava que,
estimuladas a experimentar e pensar por si mesmas. Nesse contexto, a
para o sucesso do processo educativo, bastava um grupo de pessoas se
democracia ganha peso, por ser a ordem política que permite o maíor
comunicando e trocando ideias, sentimentos e experiências sobre as
desenvolvimento dos indivíduos, no papel de decidir em conjunto o '
situações práticas do dia a dia. Ao mesmo tempo, reconhecia que, à
destino do grupo a que pertencem.
medida que as sociedades foram ficando complexas, a distância entre
Para Dewey, era de vital importância que a educação não se . adultos e crianças se ampliou demais. Daí a necessidade da escola, um
restringisse ao ensino do conhecimento como algo acabado. espaço onde as pessoas se encontram para educar e ser educadas,
Suas ideias, embora bastante populares, nunca foram ampla e reproduzindo uma comunidade em miniatura. Em outras palavras, o
profundamente integradas nas escolas públicas norte-americanas, objetivo da escola deveria ser ensinar a criança a viver no mundo.
embora alguns dos valores e premissas tenham se difundido. Suas
ideias de "Educação Progressiva" foram duramente perseguidas no
UB~RDAD~ ItJT~L~eTUAL PARA O~ AlUtJO~
período da Guerra Fria, quando a preocupação dominante era criar e
manter uma elite intelectual científica e tecnológica, para fins militares. A filosofia deweyana remete a urna prática docente baseada na
Após a Guerra Fria, entretanto, os preceitos da Educação Progressiva liberdade do aluno para elaborar as próprias certezas, os próprios
têm ressurgido na reforma de muitas escolas, e o sistema teórico de conhecimentos, as próprias regras morais. Isso não significa reduzir a
educação tem evoluído em suas pesquisas. importância do currículo ou dos saberes do educador, mas sim, fazer o
professor apresentar os conteúdos escolares na forma de questões ou
problemas, jamais dando respostas ou soluções prontas. Em lugar de
D~W~Y ~ A ~DUeA~ÃO PROGR~~fVA começar com definições ou conceitos já elaborados, deve usar
A ideia básica do pensamento de [ohn Dewey sobre a educação, procedimentos que façam o aluno raciocinar e elaborar os próprios
está centrada no desenvolvimento da capacidade de raciocínio e conceitos para depois confrontar com o conhecimento sistematizado.
espírito crítico do aluno. Enquanto suas ideias gozam de grande Pode-se afirmar que as teorias mais modernas da didática, como o
popularidade durante sua vida e postumamente, sua adequação à construtivismo e as bases teóricas dos Parâmetros Curriculares
prática sempre foi problemática. Nacionais, têm inspiração nas ideias do educador.
~M'L~ JACQU~ DALCROZ~ "Pata DalctOze, o movimento cot~otal é o fatOt M~encial~ata o
dMl!hvolvimento títrnico do ~et humano e conttibui ~ata o dMenvolvimento
da mu~icalidade".

Em 1892,foi nomeado professor da cadeira de Harmonia Teórica


do Conservatório de Genebra, onde lecionou durante 18 anos.
Consternava-se, então, ao notar que o Conservatório formava
excelentes executantes que não eram, infelizmente, "músicos
completos". Dedicou os primeiros 10 anos de trabalho à elaboração da
Rítmica, inicialmente conhecida como Ginástica Rítmica, por tratar-se
de um sistema de educação musical inteiramente fundamentado nos
~Dalar.õze:CnaaoT"tlomé~odo eurrítmíco. exercícios corporais. Seu empenho em elaborar e aplicar exercícios do
"método integral de rítmica" nasceu de sua convicção de que nosso
intelecto, nossa sensibilidade e nosso corpo, que Montaigne
"rmile JacquM DalctOze foi o ctiadot de um ~istema de l!h~inotítmico
considerava como intimamente "costurados", apresentam-se, muitas
musíeal aftavM de passos de dança, que ~e tomou mundialmente difundido a
vezes, fragmentados e até mesmo em desacordo, "desafinados". A
~attit da década de 1990".
proposta de Dalcroze buscava criar uma inter-relação entre o cérebro, o
ouvido e a laringe, para transformar o organismo inteiro no que ele
Emile Jacques Dalcroze (Viena, 6 de julho de 1869 - Genebra, 1
próprio denominava de "ouvido interno".
de julho de 1950)foi um pedagogo da área musical suíço.
Criador do método eurrítmico que utiliza a resposta do aluno ao Entretanto, muitas foram as dificuldades encontradas na
ritmo proposto através de movimentos rítmico-corporais. Para tentativa de ter seu sistema aceito pelos colegas e pelos diretores do
Dalcroze, o movimento corporal é o fator essencial para o Conservatório. Uma delas assim se revelou: nessa cidade, de forte
desenvolvimento rítmico do ser humano e contribui para o tradição calvinista, causava escândalo, no início do século XX, que 'as
desen volvimento da musicalidade. moças de boa família retirassem' os sapatos durante as aulas, o que era
proposto por Dalcroze com a intenção de proporcionar aos seus alunos
Formou-se em piano e composição no Conservatório de
um maior conforto durante os exercícios corporais e as marchas.
Gen bra, sob orientação de Hugo de Senger; depois disso, buscou
consolidar sua carreira como artista, realizando estágios em Paris e Diante das resistências de um Conservatório que lhe recusou
Viena, onde recebeu orientações de Gabriel Fauré, Albert Lavignac, autorização para abrir uma turma especial para o ensino desse método
Vicent d'lndy, Léo Delibes, Hermann Graedener, AdoIf Prosnitz, então nascente, Dalcroze mudou-se para a Alemanha, em 1910,a fim de

Robert "ucks e Anton Bruckner. dirigir o Instituto de Hellerau, inteiramente destinado à pesquisa da
consciente das condições em que se encontrava a sociedade a qual
Rítmica, onde, através de todos os recursos disponíveis naquele
pertencia, e das transformações pelas quais passavam os valores e
período, ele pôde reunir suas três paixões: a música, a dança e o teatro.
sentimentos de seus alunos.
Com o advento da Primeira Guerra Mundial, as atividades do
Instituto de Hellerau foram suspensas. De volta para casa, graças à Dalcroze dedicou sua vida ao ideal de que as novas propostas de
campanha para angariar fundos, dirigida por amigos e compatriotas ensino da música permitiriam o pleno desenvolvimento das
influentes, entre os quais, [acques Cheneviere, Auguste de Morsier e capacidades sensório-motoras, sensíveis, mentais e espirituais da
Edouard Claparéde, foi possível inaugurar, no dia 14 de outubro de criança e, em consequência, de toda a população.
1915, o Ins titut [aques Dalcroze, em Genebra. Concluindo, os fundamentos da Escola Dalcroze são: a audição
musical, que consiste em desenvolver a percepção auditiva da altura
Cabe assinalar que Edouard Claparede já' era, no princípio do
dos sons; senso rítmico, que consiste em fazer e sentir o ritmo pela
século XX,um eminente professor e pesquisador reconhecido por seus
recriação motora; despertar o aluno através de atividades concretas e
trabalhos em Psicologia e pela fundação, em 1912, do Instituto [ean-
físicas, adequadas à faixa etária; e fundamentos rítmicos, ou seja,
[acques Rousseau, destinado à formação de educadores com ênfase na
alcançar o domínio dos ritmos através de sua mobilidade natural.
educação infantil. Os dois institutos colaboraram estreitamente para
[aques Dalcroze faleceu em Genebra, no ano de 1950, às vésperas
implementar a educação de crianças pequenas, uma vez que a escola
de celebrar o seu 85º aniversário, deixando-nos uma vasta produção
"Maison des Petits" funcionava corno anexo do Instituto J.J. Rousseau.
teórica: artigos, livros didáticos e ensaios autobiográficos, além de uma
Além disso, Dalcroze voltou-se, ele próprio, a partir da década de 1920,
obra musical completa que ultrapassa duas mil composições, entre
ao ensino de atividades de Rítmica para crianças com necessidades
concertos, óperas, idílios, cantatas, quartetos de cordas, peças para
especiais, ou seja, crianças surdas, cegas e outras que apresentavam
piano, sonatas para violino, peças para coral e canções traduzidas em
atrasos intelectuais.
várias línguas, que lhe garantiram a notoriedade como compositor.
Para Dalcroze, qualquer fenômeno musical é objeto de uma
Mas, certamente, não poderia imaginar que seu trabalho, iniciado em
representação corporal. Ele apela continuamente à atenção, à memória
meio a tão árduas dificuldades, fosse expandir-se em todo o mundo, de
auditiva e à capacidade de livre expressão do aluno, mediante a criação
forma a ocupar um lugar de grande destaque entre as propostas de
de exercícios rítmicos e melodias com ritmo, de movimentos simples e
educação musical e artística.
coreografad os.
O momento parece ser bastante propício para discutir a Rítmica,
O diferencial de Dalcroze para o ensino da música, consistia no
uma vez que as aulas de música voltaram a habitar o currículo pleno
acolhimento da cultura popular, ou seja, na tradição das grandes festas
das escolas em todo o país. O sistema criado por [aques Dalcroze pode
populares de seu país, uma revolução para a Educação Musical, hoje,
ser pensado corno resposta para três questões que instigam os
bastante comum nas escolas.
educadores: Para que ensinar música na escola? O que ensinar sobre
. As conclusões das teorias de Dalcroze são baseadas música na escola? Como ensinar música na escola?
principalmente em sua intuição. Um homem observador, atualizado,
educação. Após sua formatura, iniciou um trabalho com crianças com
MARIA MONT~~OR'
necessidades especiais na clínica da universidade, vindo
posteriormente dedicar-se a experimentar em crianças sem
comprometimento algum, os procedimentos usados na educação dos
que tinham comprometimento. Observou também, crianças que
ficavam brincando nas ruas e criou para elas um espaço educacional.
Percebeu que os meninos e meninas proscritos da sociedade por serem
considerados ineducáveis, respondiam com rapidez e entusiasmo aos
estímulos para realizar trabalhos domésticos, exercitando as
habilidades motoras e experimentando autonomia. Em pouco tempo, a
atividade combinada de observação prática e pesquisa acadêmica,
levou a médica a experiências com as crianças ditas normais.
Montessori graduou-se em Pedagogia, Antropologia e
Segundo a visão pedagógica da
pesquisadora italiana, o potencial de Psicologia e pôs suas ideias em prática na primeira Casa dei Bambini
aprender está em cada um denós. (Casa das Crianças), aberta numa região pobre no centro de Roma.
Depois dessa, foram fundadas outras em diversos lugares da Itália. O
sucesso das "casas" tornou Montessori uma celebridade nacional. Em
"Matia MOht~~Oti ~tiOtizava O~anos ihiciai~ da a~ffihdizado". 1922,o govelTIOa nomeou inspetora geral das escolas da Itália. Com a
ascensão do regime fascista, porém, ela decidiu deixar o país em 1934.
Maria Montessori (Chiaravalle, 31 de agosto de 1870 - Continuou trabalhando na Espanha, no Ceilão (hoje Sri Lanka), na
Noordwijk aan Zee, Países Baixos, 6 de maio de 1952) foi uma Índia e na Holanda, onde morreu aos 81anos, em 1952.
educadora italiana, médica e feminista.
Filha única de um casal de classe média, desde menina
manifestava interesse pelas matérias científicas, principalmente
Matemática e Biologia, resultando em conflito com seus pais, que
possuíam o desejo que ela seguisse a carreira de professora.
Indo contra as expectativas familiares, foi a primeira mulher a se
formar em medicina na Itália.
Direcionou sua carreira para a Psiquiatria e logo se interessou
por crianças com retardo mental, o que mudaria sua vida e a história da
~DOUARD CLAPAR~D~
o M~TODO MONT~~OR'
o Método Montessori relaciona-se à normatização (que consiste
em harmonizar a interação de forças corporais e espirituais: corpo,
inteligência e vontade). Os princípios fundamentais do sistema!
Montessori são: a atividade, a individualidade e a liberdade; enfatizando os
aspectos biológicos, pois, considerando que a vida é desenvolvimento,
achava que era função da educação favorecer esse desenvolvimento.
Os estímulos externos formariam o espírito da criança,
precisando, portanto, serem determinados. Assim, na sala de aula, a
I

criança era livre para agir sobre os objetos sujeitos à sua ação, mas estes . Édouard Claparede: um
já estavam pré-estabelecidos, como os conjuntos de jogos e outros pioneiro da psicologia infantil.

materiais que desenvolveu.


A pedagogia de Montessori insere-se no movimento das Escolas "~douatd Cla~atMefoi um cientid"a !:uíço que defendia a nece!:!:idade de
Novas pelas novas técnicas que apresentou para os jardins de infância e e!:fudat o funcionamento da mente Infantil e de mlmulat na ctiança um
para as primeiras séries do ensino formal, numa oposição aos métodos intete!:!:e ativo ~Io conhecimento".
tradicionais que não respeitavam as necessidades e os mecanismos
evolutivos do desenvolvimento da criança. Édouard Claparêde (Genebra, 24 de Março de 1873 - Genebra,
29 de Setembro de 1940) foi um neurologista e psicólogo do
Ao defender o respeito às necessidades e aos interesses de cada '
desenvolvimento infantil, que se destacou pelos estudos nas áreas da
estudante, de acordo com os estágios de desenvolvimento
Psicologia Infantil, da Pedagogia e da formação da memória.
correspondentes às faixas etárias, Montessori argumentava que seu
Nasceu numa tradicional família calvinista. Logo depois de
método não contrariava a natureza humana e, por isso, era mais
formar-se em medicina, direcionou sua carreira para o campo da
eficiente do que os tradicionais.
Psicologia Experimental. Alguns de seus.estudos influenciaram a teoria
Para Montessori, a criança não é um pretendente a adulto e, psicanalítica de Sigmund Freud (1856-1939). Em 1912, criou o Instituto
como tal, um ser incompleto. [ean-jacques Rousseau (ou Academia de Genebra), uma academia
Não foi por acaso que as escolas que fundou chamavam-se Casa voltada para a investigação e o ensino da Psicologia e da
dei Bambini (Casa das Crianças), evidenciando a prevalência do aluno. Psicopedagogia, hoje integrada na Universidade de Genebra. Seu
trabalho foi continuado pelo discípulo Jean Piaget, que, como chefe do
instituto, reformulou-o e integrou-o à Universidade de Genebra. Em centralizadora e tentar atrair o interesse do educando para os ternas
1924,Claparede foi um dos redatores do primeiro esboço de uma carta abordados, trazendo para o ambiente escolar, os jogos e outra técnicas
internacional dos direitos da criança e, no ano seguinte, foi cofundador lúdicas através das quais as crianças se sentiriam motivadas, induzindo
do Escritório Internacional de Educação, hoje órgão da Organização das por essa via uma necessidade de conhecer para resolver problemas. Daí
Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O o incentivo à atitude participante do educando em detrimento das aulas
psicólogo esteve no Brasil, em 1930, a convite de uma ex-aluna, a' expositivas e com fraca interação entre docente e aluno.
educadora Helena Antipoff, de Minas Gerais, e aqui terminou de
AD~QUA~ÃO AO AMBI~NT~
escrever um de seus principais livros, A Educação Funcional. Morreu em
Genebra, em 1940. ,- Claparede defendia urna abordagem funciona lista da
psicologia, pela qual o ser humano é, acima de tudo, um organismo que
O trabalho fundamental de Claparede foi de enorme'
"funciona". Os fenômenos psicológicos, para ele, deviam ser abordados
importância para a Pedagogia, porque pretendeu construir urna teoria
"do ponto de pista do papel que exercem na vida, do seu lugar no padrão gemi de
científica da infância, baseada na ideia de que se deveria levar em conta
comportamento 111/111 determinado momento". Com base nisso, o
o estado de desenvolvimento da criança e dos processos mentais, dando
pensamento é tido corno urna atividade biológica a serviço do
devida importância ao ensino baseado no conhecimento das crianças.
organismo humano, que é acionado diante de situações com as quais
Embora já vários estudiosos o tivessem apontado, Claparede foi o
primeiro a tornar o assunto objeto de estudo científico. não se pode lidar por meio de comportamento reflexo.

A ~VOlU~ÃO DO P~N~AM~NTO P~DAGÓG1CO APR~tJ DIZADO ATIVO


Sua obra favoreceu o desenvolvimento de duas das mais Claparede criticava a escola de seu tempo com os mesmos
importantes linhas do pensamento educacional do século XX,a Escola I
argumentos do filósofo norte-americano John Dewey (1859-1952) -
Nova, cuja representante mais conhecida foi Maria Montessori (1870- com quem compartilhava a pregação por urna escola que chamavam de
1952), e o cognitivismo de Jean Piaget (1896-1980), que foi seu "ativa", na qual a aprendizagem se dá pela resolução de problemas - e
discípulo. dos pedagogos do movimento da Escola Nova. Todos eles condenavam
a escola tradicional por considerar o aluno como receptáculo de
Muitos pensadores antes de Claparede pregaram a importância
informações e defendiam a prioridade da educação sobre a instrução.
de, na prática pedagógica, se levar em conta os processos mentais e a
"0 saber não tem nenhum vaLor [uncioruii e não é 11mfim em si mesmo",
evolução das crianças, mas o faziam de um ponto de vista
defendia Claparede.
eminentemente intuitivo. Claparede, ao contrário, tinha formação em
medicina e pretendeu construir urna teoria científica da infância. Surge com esses pensadores a noção de que a atividade, e não a
memorização, é o vetor do aprendizado. Daí a importância que
A sua visão sobre a origem do interesse, fez com que se
Claparede conferia à brincadeira e ao jogo. Eles seriam recursos na
acreditasse que os professores deveriam mudar sua postlJI"a
AL~XAND~R ~UTJ.l~RLAND N~ILL
estratégia de despertar, no ambiente da escola, as necessidades e os
interesses do aluno.

Como os demais defensores da escola ativa, Claparede


condenava o ensino de seu tempo por não dar suficiente infra-estrutura
aos educadores para uma prática profissional metódica, amparada pela
ciência e que permitisse a atualização constante. Claparede acreditava
que a escola deveria priorizar o "rendimento" do aluno, ou seja,
justificar os recursos fartos que, naquela época, o,~governos europeus
começavam a canalizar para a educação. A escola, segundo Claparede,
deveria formar bons quadros profissionais para servir a uma sociedade
que investia nessa formação. O cientista defendia até uma atenção
diferenciada para os estudantes que se revelassem mais aptos, de tal
forma que pudessem ser submetidos a exigências maiores em classes
"DigpOdO a condl'uil' um mundo malhol' paI' maio da ~cola, Naill torneu-sa um
constituídas apenas de "bons alunos".
dos maís impal'tant~ aducsdo~ das décsdag da 1980 a 1970. ~au ~peito
pala inffincia a eua col'8gam arn mantal' uma pogiçlio da indapandência f8zam
o CR~CIM~NTO COMO ADAPTAÇÃO CONTíNUA com qua até hora ala mQl'QÇ8gQl'l'evido a adudado".
A infância estava em alta corno objeto de investigação científica
na últimas décadas do século XIX. De um lado, a urbanização, a Alexander Sutherland Neill (Forfar, Escócia, 17 de outubro de
s fisticação dos processos industriais e a disseminação das redes 1883 - 23 de setembro de 1973) foi educador, escritor e jornalista. Ficou
públicas de ensino criavam um interesse inédito pelas crianças. De famoso por defender a liberdade das crianças na educação escolar.
outro, as ciências da natureza viviam uma fase de euforia sob o impacto Fundou a International School, que mais tarde passou a se
das descobertas de Charles Darwin (1809-1882). chamar Escola Summerhill. Seus princípios se opunham até às
Claparede faz parte dessa linhagem e é um típico representante propostas da Escola Nova, considerada de vanguarda. Segundo Neill,
da Psicologia (influenciada pela Biologia e pelo Evolucionismo), para a ela propunha mudanças didáticas, mas não fazia referência a
qual o conceito de vida corresponde a um processo de adaptação modificações na sociedade.
contínuo, guiado pela lógica da utilidade e da eficiência. Para
Claparede, assim como para os demais representantes do movimento ~DUCAÇÃO UB~RT ÁRIA
da Escola Nova, o desenvolvimento de cada ser humano e de toda a Homem prático e pouco afeito a teorias, Neill desenvolveu suas
espécie significa uma luta ou uma procura pela conservação da vida, o ideias pedagógicas baseando-se no filósofo iluminista [ean-Iacques
que ocorre pela interação com o ambiente. Rousseau (1712- 1778), que acreditava na bondade inata do homem. As
~UMM[RHILL
descobertas no campo da Psicologia no início do século XX, também
exerceram forte influência sobre ele, com destaque para os estudos dos "~urnrnothfll ~chool, na IhgIQtorI'Q,tOthOU-~OíCOhOdQ~~agogiQ~
psicanalistas austríacos Sigmund Freud (1856-1939)e Wilhelm Reich altQthativa~ QOCOhCl1!tizat urn ~i~ornQoduCQtivo sm quo O irn~ttQhto Q Q
(1897-1957),com quem fazia terapia. De acordo com Neill, a educação CtiahÇQtor libOtdado ~aI'Qegcolhor o docidit O quo a~l1!hdoro, corn ba~o níseo,
deveria trabalhar basicamente com a dimensão emocional do aluno, degQhvolvQt-~ohO ~t6~tio titmo".
para que a sensibilidade ultrapassasse sempre a racionalidade. Ele
acreditava que a convivência com os pais, com sua natural'
superproteção, impedia os filhos de desenvolver a segurança suficiente:
para reconhecer o mundo, seja de forma intelectual, emocional ou
artística. Por isso, os alunos tinham de morar em Summerhill e recebiam
a visita dos pais esporadicamente.

.., -.- . ~Nei1lna esco a, nos JlOS


----
60: re ação aberta
"(!tiQdo~ Q~l1!IJderno quo degolQrn Q~l1!IJdor.Nao ~Qborno~qUQhtQ Y' •..." entre professores e alunos.
,/
IibordQdo do ctiQçlio Q rnOttQnas ~Qla~do aula" (Alg(AND~R~. N~Ill).
A fundação de Summerhill deu formato às propostas
pedagógicas de Neill, distintas da linha hegemônica da época.
~[LlCIDAD[ [ ~UC~~O Sustentava que os jovens devem ser estimulados a aprender em um
ambiente de liberdade e de responsabilidade. .
Neill queria que seu método fosse utilizado como remédio para a
infelicidade causada pela repressão e pelo sistema de modelos Em Summerhill, as crianças não são obrigadas a assistir as aulas
impostos pela sociedade de consumo, pela família e pela educação e as decisões da escola são tomadas em assembleias onde todos votam,
tradicional. Ter sucesso era, em sua opinião, ser capaz de trabalhar com incluindo professores, alunos e funcionários. Na escola, nenhum
alegria e viver positivamente. Neill acreditava que as crianças eram adulto tem mais direitos que uma criança; todos têm direitos iguais.
naturalmente sensatas, realistas, boas e criativas. Quando educadas Destaca-se também a diferença entre os conceitos de liberdade e
sem interferências dos mais velhos, seriam capazes de se desenvolver licença. Para Neill, todos devem ser livres, porém a liberdade não
de acordo com sua capacidade, seus limites e seus interesses, sem significa ter o direito de fazer o que bem quiser, quando quiser.
nenhum tipo de trauma. "Toda e qualquer interferência por parte dos adultos Neill criticava a escola tradicional também por enfatizar demais
só as torna robôs", afirmava. As intervenções, segundo ele, roubavam a o lado racional das pessoas, em detrimento do lado emocional. Nesse
alegria da descoberta e a autoconfiança necessária para a superação de sentido, em sua escola, o teatro, a dança e os trabalhos manuais,
obstáculos, causando sentimentos de inferioridade e dependência, ganham um destaque grande frente às disciplinas tradicionais. As aulas
duasfortes barreiras para a felicidade completa. das matérias convencionais existem, mas não são o centro da escola.
Convém esclarecer que as teorias de Piaget têm comprovação em
J~AN WILUAM ~RITZ PIAG~T bases científicas. Ou seja, ele não somente descreveu o processo de
desenvolvimento da inteligência mas, experimentalmente, comprovou
suas teses.
Desde que se interessou por desvendar o desenvolvimento da
inteligência humana, Piaget trabalhou compulsivamente em seu
objetivo, até às vésperas de sua morte, em 1980, aos oitenta e quatro
anos.
A seguir, os períodos em que ocorrem os desenvolvimentos

-1- motor, verbal e mental (segundo Piaget):


A. Período ~cm~6tio-UotOt (do na~eimcmtoaos 2 anes, a~tOximadamcmta):
A ausência da função semiótica é a principal característica deste
As teoria ae
Piaget têm
período. A inteligência trabalha através das percepções (simbólico) e
comprovação em bases científicas.
das ações (motor) através dos deslocamentos do próprio corpo. É uma
"Pfagat nllo slOmcmta d~etQvau O~tOe~JO da d~anvolvfmcmto da inteligência predominantemente prática. Sua linguagem vai da ecolalia
fnf:9 11gane f a maJ, 9XfH!tfmcmtalmcmta, eom~tOvou~uaJ t~~".
A
(repetição de sílabas) à palavra-frase ("água" para dizer que quer beber
água) já que não representa mentalmente o objeto e as ações. Sua
conduta social, neste período, é de isolamento e indiferenciação (o
G Sir Jean William Fritz Piaget (Neuchâtel, 9 de agosto de 1896 -
n .dbra, d16 de setembro de 1980) f01. um epistemólogo
., mundo é ele) .
suíço
~ons~ .era o o maior expoente do estudo do desenvolviment~
cogrutivo. B. Período ~imb6lieo (do~ 2 anos aos 4- anes, a~tOximadamcmta):
Neste período surge a função semiótica que permite o
. ES~l~OU inicialmente biologia, na Suíça, e posteriormente se
surgimento da linguagem, do desenho, da imitação, da dramatização,
iedlc~u a area de Psicologia, Epistemologia e Educação. Tornou-se
etc. ..Podendo criar imagens mentais na.ausência do objeto ou da ação. É
nundialmente reconhecido pela sua revolução epistemológica.
o período da fantasia, do faz de conta, do jogo simbólico. Com a
b D~sde muito cedo [ean Piaget demonstrou sua capacidade de capacidade de formar imagens mentais pode transformar o objeto
) se~v~ça~. Suas teorias tentam nos explicar como se desenvolve a numa satisfação de seu prazer (uma caixa de fósforo em carrinho, por
nteligência
. . nos
. seres humanos. Daí o nome d a d o a sua ClenCla
. de A •

exemplo). É também o período em que o indivíduo "dá alma"


~plste~olOgIa Genética, que é entendida como o estudo dos
(animismo) aos objetos ("o carro do papai foi 'dormir' na garagem"). A
1ecanlsmos do aumento dos conhecimentos.
de forma lógica ou operatória. Sua organização social é a de bando,
linguagem é determinada como monólogo coletivo, ou seja, todos,
podendo participar de grupos maiores, chefiando e admitindo a chefia.
falam ao mesmo tempo sem que respondam as argumentações dos
Já pode compreender regras, sendo fiel a elas, e estabelecer
ou tros. Duas crianças" conversando" dizem frases que não têm relação
compromissos. A conversação torna-se possível (já é uma linguagem
com a frase que o outro está dizendo. Sua socialização é vivida de forma
isolada, mas dentro do coletivo. Não há liderança e os pares são socializada) sem que discutam diferentes pontos de vista para se chegar
constantemente trocados. a uma conclusão comum.
Existem outras características do pensamento simbólico que não
estão sendo mencionadas aqui, urna vez que a proposta é de sintetizar [. POl'íodo OpetQt6tio-AbdtQto (dog 11 QhOgarn dIQhte):
as ideias de Jean Piaget, corno por exemplo, o norriinalismo (dar nomes É o ápice do desenvolvimento da inteligência e corresponde ao
às coisas das quais não sabe o nome ainda), super determinação nível de pensamento hipotético-dedutivo ou lógico-matemático. É
("teimosia"), egocentrismo (tudo é "meu") e etc. quando o indivíduo está apto para calcular urna probabilidade,
libertando-se do concreto em proveito de interesses orientados para o
futuro. É, finalmente, a "abertura para todos os possíveis". A partir
c. POl'íodo 'htuHivo (dog 4 anes QOg7snes, QPl'OxlrnQdQrm!hte):
desta estrutura de pensamento é possível a dialética, que permite que a
Neste período, já existe um desejo de explicação dos fenômenos.
linguagem parta de urna discussão para se chegar a urna conclusão. Sua
É a "idade dos porquês", pois o indivíduo pergunta o tempo
organização grupal pode estabelecer relações de cooperação e
todo. Distingue a fantasia do real, podendo dramatizar a fantasia sem
reciprocidade.
que acredite nela. Seu pensamento continua centrado no seu próprio
ponto de vista. Já é capaz de organizar coleções e conjuntos sem, no
entanto, incluir conjuntos menores em conjuntos maiores (rosas no A obra de [ean Piaget não oferece aos educadores urna didática
conjunto de flores, por exemplo). Quanto à linguagem, não mantém específica sobre corno desenvolver a inteligência do aluno ou da
uma conversação longa, mas já é capaz de adaptar sua resposta às criança. Piaget nos mostra que cada fase de desenvolvimento apresenta
palavras do companheiro. características e possibilidades de crescimento da maturação ou de
aquisições. O conhecimento destas possibilidades faz com que os
Os Períodos Simbólico e Intuitivo são também comumente professores possam oferecer estímulos adequados a um maior
apresentados como Período Pré-Operatório. desenvolvimento do indivíduo.

D. POl'íodo O(H!l1lt6rlo-CohCf1!to (dog 7 Qnog aog 11QnQg, QPl'OxlrnQdarnonte):


É o período em que o indivíduo consolida as noções de número,
substância, volume e peso. Já é capaz de ordenar elementos por seu
tamanho (grandeza), incluindo conjuntos, organizando o mundo
Em 1934, deu início às suas primeiras conferências conduzindo
~DGARDW'LL~M~ os estudiosos a um novo olhar sobre a Música.
Segundo o psicopedagogo, os objetivos da iniciação musical
foram definidos do seguinte modo:
1.Desenvolver na criança o amor pela música e a alegria em praticá-la;
Edgar Willems desta-
cou-se por possuir uma 2. Administrar todas as possibilidades para a criança aprender música;
perspectiva musical
mais moderna, baseada 3. Favorecer, mediante a prática musical, o desenvolvimento da criança,
~as relações psicoló- seja no campo afetivo, sensorial, mental, físico ou espiritual, pois a
gicas existentes entre a
Música, o ser humano e
iniciação musical contribui para o crescimento de todas essas
o mundo que envolve faculdades e, ao harmonizá-Ias entre si, proporciona-se o
os seres. desenvolvimento da personalidade humana.
Edgar Willems destacou-se por possuir uma perspectiva
. -_ ..•.
musical mais moderna, baseada nas relações psicológicas existentes
entre a Música, o ser humano e o mundo que envolve os seres.
Para as crianças, o sucesso da iniciação musical dependerá do
dom que, sendo adquirido, pode converter-se numa autêntica e
~Todag as ~eggOagnaseam com ma;ot ou menot ~entidomu~iC8l. [aI o genuína sensibilidade musical. Por outro lado, não devemos esquecer
inato" (~DGARWfll~ug). ~ que a Música constitui um importante recurso para o desenvolvimento
das capacidades cognitivas, motoras, morais e afetivas na infância.

~ Edgar Willems (Lanaken/Bélgica, 13 de outubro de 1890 - Edgar Willems, percebendo a importância da educação musical
..lenebra, 18 de junho de 1978),foi um filósofo e psicopedagogo musical. para crianças, dedicou todos os seus esforços para desenvolver um
método progressivo, capaz de permitir que qualquer criança, mesmo
. Interessou-se pela Música ainda jovem. Recebeu algumas aulas
le plano e tocou na fanfarra de sua cidade. Em meados de 1920 d . sem habilidades especiais, pudesse descobrir o seu potencial criativo.
[3 ' d ' epOls
.e um peno o ~nuito rico em experiências humanas e artísticas, deixou Os princípios pedagógicos subjacentes à metodologia Willems,
,ruxelas e segUIUpara Paris. têm como base mais de 50 anos de experiência e de estudos com
Sua incessante busca pela "flexibilidade orgamca acerca da
A'"
crianças de todas as idades e países, utilizando a Música como um
ponto de partida e um rigoroso estudo do desenvolvimento psicológico
sc~ta e da. se~sibilidade auditiva, aliada ao desacordo total com o
nSI~o.musI~al mt~lectualizado, levou-o a desenvolver uma educação das crianças.
iusical destinada as crianças.
Iniciação musical- 2º grau (dos 3 aos 5 anos):
Para isso, o psicopedagogo não utilizou material nem
instrumentos, mas sim os princípios da vida, dando grande Continuidade mais consciente do lº grau: certos fenômenos
importância ao que a natureza nos proporcionou: o movimento e a voz. musicais auditivos e rítmicos conhecendo as transcrições gráficas, com
maior exigência, maior memória e maior consciência relativa (os
A música é uma linguagem e, corno a nossa própria língua
grupos constituídos para trabalhar esta fase, não podem ter mais de
materna, é baseada na escuta (desenvolvimento sensorial), que envolve
cinco pessoas).
uma retenção (desenvolvimento emocional), para a conscientização
através da imitação (desenvolvimento mental). Nesta fase, Willems dá grande importância ao canto e ao
movimento corporal natural. O ouvido trabalhará com a ajuda dos
[TAP~ [VOlUTrV~ DOM~TODO[)[ wnuus instrumentos sonoros e com a entoação das pequenas canções afinadas,
adquirindo uma boa postura.
"llms bOIleducllçao mueleal deve corneÇllt IIht~ rnasrnn do hll~c;rnehto
dll ctillhÇIl" (J;D~ARDW'LLJ;~). Iniciação pré-solfejo e pré-instrumental- 32 grau (dos 5 aos 8 anos):
Período no qual são organizados todos os fenômenos vividos,
"A vida precede a consciência e deve portanto, ter a primazia sobre as realizando de modo homogêneo, a passagem do concreto para o
formas ". por isso o professor deve realizar momentos na aula, utilizando abstrato: diversas ordenações, lateralidade do corpo, aplicações
diferentes qualidades de som, de ritmo, de melodia, de harmonia instrumentais, entre outras com o carrilhão cromático.
primitiva, clássica ou moderna, de canto, de canções e de movimentos Nesta fase, inicia-se o marcar do compasso e o desenho de
corporais. Esta progressão compreende 4 graus: algumas figuras musicais.
Iniciação musical-1 º grau (antes dos 3 anos): Solfejo vivo e a educação instrumental- 42 grau (9anos em diante):
É a introdução, onde a vivência oral e concreta, a revelação dos O solfejo vivo é urna alfabetização considerada corno um dos
fenômenos musicais, o despertar do interesse, da adesão, da pontos culminantes da educação musical, onde, ao lado da leitura e da
participação ativa e das iniciativas, a ligação com o funcionamento escrita rítmica, melódica e harmônica, a improvisação se faz presente.
global, em direção ao surgimento de atitudes justas e de constante
A linguagem musical continua a ser considerada na sua
beleza são primazia. O plano geral de uma aula de iniciação musical
totalidade através de todos os estilos e épocas. As organizações modais
desenvolve-se em quatro partes: 1. o desenvolvimento auditivo e vocal;
e tonais são desenvolvidas de acordo coJ!lo papel que o homem lhe deu
2. os batimentos rítmicos; 3. as canções; 4. os movimentos corporais
na evolução da linguagem expressiva.
naturais.
Tocar um instrumento intervém em 4 domínios diferentes e
Nesta iniciação musical, é muito importante o papel da família e
complementares: 1. tocar de ouvido, reproduzindo canções ou músicas
especialmente o da mãe, que é a base mais importante para o
ouvidas e memorizadas sem o apoio da escrita; 2. tocar através da
desenvolvimento musical do pequenino. As pequenas cantigas passam
leitura, orientada pela leitura à primeira vista; 3. tocar de cor" tendo
1/
a ter urna grande importância nesta fase.
como princípio, a interiorização e a interpretação da literatura musical ~CANCÕ~
artística; 4. a improvisação que deve ser praticada desde o início, As canções representam, no método de Willems, uma
durante o qual realizamos estados de alma, jogos musicais utilizando o, ferramenta global de aprendizagem.
instrumento ou ainda invenções partindo da própria música (rítmicas.:
melódicas e harmônicas). 1. CANÇÕ~ POPUlAR~ TRADICIONAI~: Os pequeninos geralmente
aprendem estas canções na sua terra natal, com os avós, os pais, os
vizinhos. Nestas pequenas canções, as palavras são muito importantes,
O~OM mais do que a própria entoação ou afinação.
Willems acreditava que escutar sons aliados ao tato"
despertavam na criança uma excelente memorização audi tiva. 2. CANÇÕ~ ~"..4Pl~ PARA CRIANÇ~: Apesar das canções tradicionais já
reportarem a criança para um trabalho auditivo, as canções simples
A AUDICÃO ajudam a identificar os sons mais sensíveis, pois são caracterizadas por
1. Movimentos do som: descidas e subidas do som; facilitarem a entoação e terem poucas notas.
2. Identificação de sons: duração; intensidade; altura; timbre; recriação
de timbres (dois alunos cantando a mesma nota); invenção melódica, s. CANÇÕ~~ QU~ PR~PARAM A CRIANÇA PARAA PRÁTICA IN~TRUM~NTAl:
coletiva ou individual. 1. Canções simples: têm intervalos distintos entre a tônica e a
dominante e servem para a criança tocar piano já com os cinco dedos.
2. Canções de intervalo: servem para estudar os intervalos. Costumam
MAT~RIAl AUDITIVO:
começar pela 2ª menor, 3ª menor ou maior.
O material para o método de Willems, tem como base o nosso
cotidiano: sons de garrafas, de metais, de pequenos objetos existentes,
por exemplo, nas casas de cada um. Com eles estabelecem-se bases A VOZ
rítmicas e auditivas bem harmoniosas. Quando as crianças são muito pequeninas, a voz tem pouca
importância. O mais importante é a correta posição do corpo ao cantar.
o RITMO
Caracteriza-se pelo movimento ordenado, também conhecido O OUVIDO
por choque sonoro (chocar com algo fazendo-se um som, por exemplo, Para Willems, a audição interior é a base da inteligência audi tiva.
o bater das palmas, onde as mãos chocam-se uma com a outra). Tentar Trata-se de um ato sensorial e não mental. Escutar é reconhecer; é
fazer choques de som livremente, permitindo à criança entrar em reproduzir sons; é ter o sentido da altura; timbre e intensidade.
contato com diversos materiais tentando, conhecer ao mesmo tempo, as
potencialidades do seu próprio corpo. "A música não deve ser tomada como um meio de I1!Cteaçlo,lKJisela é a
Com o ritmo podemos trabalhar a repetição, a alternância, a ex~tm:são daquilo que o ser humano tem dentro de si de mais ~tOfundo"
intensidade (contraste), a velocidade, entre outros.
(~D~ARWlll~~).
~DUCACÃOMU~'CAl_~ífJT~~ L~V ~~MYOMOV'CJ-l VYGOT~KY
É incontestável o valor da Música no processo do desenvolvi-
mento da criança, uma vez que promove a participação total do ser
humano: o dinâmico e o espiritual.
Quando realizada dentro do verdadeiro espírito, a Música'
colabora em todas as faculdades humanas, daí a necessidade da
educação musical ao alcance de todos.
De acordo com os princípios do professor Edgar Willens, a
educação musical propõe-se a: 1. Desenvolver nascrianças o amor pela
música e prepará-los com alegria para a prática vocal ou instrumental; 2.
Dar às crianças, por meios apropriados e vivos, um máximo de
,'1
possibilidades de aprender música, ainda que não sejam especialmente - - ==-_!!:iii)l •
dotadas para isso; 3. Favorecer, por meio da música viva, o desabrochar ..:paraY;;gotsky, a apT dizagem relaciona-se ao
desenvolvimento desde o nascimento, sendo a
da criança; 4. Dotar a educação musical, desde o começo, de raízes
principal causa para o desabrochar do desenvol-
profundamente humanas, ou seja, não apenas ensinar "rudimentos da vimento do ser.
mú ica" mas sobretudo, de estabelecer as bases da arte musicaL
E como condições básicas e indispensáveis ao educador, ele "Um des concAito~mals impOttantM dll Vygot~ky é a Zona dll
ap nta: 1. Amar a criança e a Música; 2. Conhecer as bases psicológicas DMMvolvimMto Ptoximal, ou ~llla,tudo o qUll a ctiança podll adquitit -
d ducação Musical e a Psicologia Infantil; 3. Encarar a Música como nm tMmo~ intlllllctuai~- quando Ihll é dado o ~upottllllducacional dllvido".
meio de cultura humana.
Além disso, o professor deve ser dinâmico, receptivo à vida e
possuidor de imaginação criadora. Lev Semyomovich Vygotsky (Orsha, 05 de novembro de 1896 -
Moscou, 11 de Junho de 1934), foi um psicólogo bielorrusso .
. 'I
./ Pensador importante em sua área, foi pioneiro na noção de que o
-- ----
desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das
interações sociais e condições de vida. Seu interesse pela Psicologia
levou-o a uma leitura crítica de toda produção teórica de sua época,
nomeadamente as teorias da "Gestalt", da Psicanálise e o
"Behaviorismo'', além das ideias do educador suíço Jean Piaget. Veio a
ser descoberto pelos meios acadêmicos ocidentais muitos anos após a
sua morte, que ocorreu em 1934, por tuberculose, aos 37 anos.
VYGOT~KYr; A pr;DAGOGIA desenvolvimento, o primeiro vem antes. É a isso que se refere um de
seus principais conceitos, o de Zona de Desenvolvimento Proximal,
"A obHl do ~sic6logo ressalta o ~alH!fda escola no desQhvolvimQhto mental que seria a distância entre o desenvolvimento real de uma criança e o
das ctianÇ8s o Á uma das mais estudadas lH!falJ9dagogia contom~tân98". seu potencial de aprender - potencial que é demonstrado pela
capacidade de desenvolver uma competência com a ajuda de um
A parte mais conhecida da extensa obra produzida por Vygotsky adulto. Em outras palavras, a zona de desenvolvimento proximal é o
em seu curto tempo de vida, converge para o tema da aquisição da caminho entre o que a criança consegue fazer sozinha e aquilo que,
cultura. Aos educadores interessa, em particular, os estudos sobre o embora não consiga fazê-Io, é capaz de aprender e fazer com a ajuda de
desenvolvimento intelectual. Vygotsky atribuía um papel uma pessoa mais experiente (adulto, criança mais velha ou com maior
preponderante às relações sociais nesse processo, tanto que a corrente facilidade de aprendizado, etc.). A Zona de Desenvolvimento Proximal
pedagógica que se originou de seu pensamento é chamada de é, portanto, tudo o que a criança pode adquirir em termos intelectuais
socioconstrutivismo ou sociointeracionismo. quando lhe é dado o suporte educacional devido. Este conceito será
posteriormente desenvolvido por [erorne Bruner, sendo hoje
vulgarmente designado por" etapa de desenvol vimento" .
o PAPr;l DO ADULTO r; A ZONA Dr; D~r;NVOl VUv1r;NTO
PROXIMAl r;XPAfJ~ÃODO~ HORIZOfJT~ Mr;NTAI~
Como Piaget, Vygotsky não formulou uma teoria pedagógica,
Todo aprendizado é necessariamente mediado - e isso torna o
embora o pensamento do psicólogo bielorrusso, com sua ênfase no
papel do ensino e do professor mais ativo e determinante do que o
aprendizado, ressalte a importância da instituição escolar na formação
previsto por Piaget e outros pensadores da educação, para os quais cabe
do conhecimento. Ao formular o conceito de zona proximal, Vygotsky
à escola facilitar um processo que só pode ser conduzido pelo próprio
mostrou que o bom ensino é aquele que estimula a criança a atingir um
aluno.
nível de compreensão e habilidade que ainda não domina
Segundo Vygotsky, ao contrário, o primeiro contato da criança completamente, "puxando" dela um novo conhecimento. Assim,
com novas atividades, habilidades ou informações deve ter a ensinar o que a criança já sabe desmotiva o aluno e ir além de sua
participação de um adulto. Ao internalizar um procedimento, a criança capacidade é inútil. O psicólogo considerava ainda que todo
"se apropria" dele, tomando-o voluntário e independente. Desse modo, aprendizado amplia o universo mental do aluno, ou seja, amplia as
o aprendizado não se subordina totalmente ao desenvolvimento das estruturas cognitivas da criança.
estruturas intelectuais da criança, mas um se alimenta do outro,
provocando saltos de nível de conhecimento. O ensino, para Vygotsky, "O bom Qhsino Á aquolo quo estimula a ctianÇ8 a aHngft um nív9f do
deve se antecipar ao que o aluno ainda não sabe nem é capaz de com~tQQhslioo habilidado quo ainda não domina com~lotamQhto, ·~uxando·
aprender sozinho, porque, na relação entre aprendizad<? e doIa um novo eenh ocimonto " .
PAULO R~GIU~tJ~V~ ~R~IR~
PARA P~N~AR

Vygotsky atribuiu muita importância ao papel do professor,


como impulsionador do desenvolvimento psíquico das crianças. A.
ideia de um maior desenvolvimento conforme um maior aprendizado
não quer dizer, porém, que se deva apresentar uma quantidade
enciclopédica de conteúdos aos alunos. O importante, para o pensador,
é apresentar às crianças formas de pensamento, não sem antes detectar
que condições elas têm de absorvê-Ias.
~- _--_.
do ser.
Para Vygotsky, ao nascer a criança inicia a aprendizagem, a qual é
considerada a principal causa para o desabrochar do desenvolvimento
. .//'
.•••....
.--
-~-
.•..",......,
Par --a-P-a-u-\-o
Freire, a ducação sozinha
transforma a sociedade.
não

Vygotsky particulariza o processo de ensino e aprendizagem na


Paulo Regius Neves Freire (Recife, 19 de setembro ~e ~921 -
expressão obuchenie, uma expressão própria da língua russa que coloca
São Paulo, 2 de maio de 1997) foi um educador e filósofo brasileiro, Sua
aquele que aprende e aquele que ensina numa relação interligada. A
família fazia parte da classe média, mas Freire1vivenciou a .~ob~eza e a
ênfase em situar quem aprende e aquele que ensina como participes de
fome na infância durante a Depressão de 1929, uma expenencia ~ue o
um mesmo processo, corrobora com outro conceito chave na teoria de
levaria a se preocupar com os mais pobres e o ajudaria a constrUir seu
Vygotsky, a mediação, corno um pressuposto da relação eu-outro social.
revolucionário método de alfabetização.
A relação mediatizada não se dá necessariamente pelo outro corpóreo,
mas pela possibilidade de interação com signos, símbolos culturais e 1D - d 1929' Foi uma grande depressão econômica ocorrida nos Estados
epressao e . .. 1 o da década de
Unidos da América que teve início em 1929, e que persistiu ao ong _ r
objetos. Um dos pressupostos básicos desse autor é que o ser humano ,
1930, terminando apenas com a Segunda Guerra M un diIa:I A. G Te,
ande Depressao

e
constitui-se enquanto tal na sua relação com o outro. considerada o pior e o mais longo período de recessão economlca do século XXe o de
foi sentido no mundo inteiro. A quebra na bolsa de valores de Nova lorque no.ano e
1929 iorou drasticamente os efeitos da recessão já existente nos Estados umdos~:
América, causando grande inflação e queda nas taxas de venda de ~r~dut.o~ que.p.,
.
sua vez o b ngaram o fc'chamento de inúmeras empresas comerciais e 111 ustríais,
elevando as taxas de desem prego. di _
Dois momentos registrados: Acima: família desempregada vivendo em con IÇO~
mi:erávcis em Ehn Grove, Califórnia (Estados Unidos). ~o lado: a 3footOgraitla
, . f s da decada de 19 ,mos ra
estadunidense Migrnl!t Mother, uma das mais amosa . 1936 na
Florence Owens Thompson (mãe de sete crianças e de 32 anos de Idade) em , .
._~'c.,_ Califórnia, em busca de emprego ou de ajuda social para sustentar sua família. Em
t 1931, seu marido havia perdido o emprego e acabou falecendo no mesmo ano.
Agricultura e a Alimentação. Depois de um ano em Cambridge, Freire
h'
"Pqtdo J:l1!lte g 'n ~r til dOt dê um rnêtodo
' teyofuc'on4tio qUê qffabêtfZqyq ern
mudou-se para Genebra, na Suíça, trabalhando como consultor
40 hotll~t ~ CQttffhq OU rnqt@t'qf did4tfco". educacional do Conselho Mundial de Igrejas. Durante esse tempo,
Por seu empenho e o
atuou como consultor em reforma educacional em colônias
tornou-se uma ins ira ão m ensm~r os mais pobres, Paulo Freire
na Amé L o P ç, para geraçoes de professores, especialmente
o
portuguesas na África, particularmente na Guiné-Bissau e em
enca atinae na Africa.
Moçambique. ,
Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, Com a Anistia em 1979, Freire pôde retornar ao Brasil, mas só o
voltada tanto para a escolarização como para a formação da
fez em 1980. Em 1988, Freire foi nomeado secretário de Educação da
consciência.
cidade de São Paulo, onde criou o MOVA - Movimento de
A partir de su as pnmeiras
. experiências no Rio Grande d N
o

Alfabetização, um modelo de programa público de apoio às salas


?
em 96 3,quando ensinou 300 adultos a ler e a escrever em 45 dia: p:UrtleO', comunitárias de Educação de Jovens e Adultos que até hoje é adotado
Frelre d esenvolveu um metodo
' .
movador de alfabetiz - '
primeiramente em P b açao, adotado por numerosas prefeituras.
ernam uco.
Para Paulo Freire: "Ninguém nega o valor da educação e que um bom
alfabetiPaulo Freire é inspirador de um metodo
' revolucionário que o

professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus
zava em 40 horas, sem cartilha ou material didáti S d filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o
Paulo Freire, o homem que deté . co. egun o
domi m a crença em SI mesmo é ca az d reconhecimento que o trabalho de educar é duro, dificil e necessário, mas que
ommarC os mstrumentos de ação à sua díisposiçao, p
. _ mcluindo a leitura
o e
permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados Apesar de
o

:'0
Ih dom o golpe militar de 1964, a experiência de Paulo Freire j~
:u: por todo o país, foi abortada sob alegações inconsiste:tes
versrva, propagadora da desordem e do co
mal remunerados, com baixo prestígio social e respons~bilizados pelo fracasso
da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
cartilha foi da di mumsmo. A
o

Repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o


, o rasga a diante das câmeras de televisão, no Pro rama compromisso com a educação que queremos. Aos professores, peço para que não
~lavlO~avalcante, depois de ter sido proibida, no extinto Esta~o da descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem
al~aabnati'
ara~ pelo e~tão Covernador Carlos Lacerda. As campanhas de deixem de educar as pessoas para serem "águias" e não apenas "galinhas "o
e zaçao que tinham b ti O

Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a


o

alfabetização chega o Je vos ~als abrangentes do que a própria


va ao seu fim, Alguns trabalhos di
continuaram a ser levados a feit Ispersos sociedade muda". .
humana estava prejudicada. e eito, mas a proposta de renovação Em 1991 foi fundado em São Paulo, o Instituto Paulo Freire, para
divulgar e pôr em prática as ideias de Freire. O instituto mantém até
o ENãOdemorou e Paulo Freire foi encarcerado como traido~ por 70 hoje os arquivos do educador, além de realizar numerosas atividades
dIas. m .seguida ' passou por um breve exílio na Bolívia e trabalhou
relacionadas com o legado do pensador e a atuação em temas da
durante
.. CInCOanos no Ch 101e, para o Movimento de Reforma Agrária
' da
Democraaa Cristã e para a O rganização das Nações Unidas para a educação brasileira e mundial.
o
MrCI-1~Lr:OUCAUL T
'. Freire morreu de um ataque cardíaco em 2 de maio de 1997, em
São Paulo, devido a complicações em uma operação de desobstrução de
artérias.

A P~DAGOG'A NA vr~ÃO D~ PAULO rR~rR~


"gorn a boa vontado do oducando, nlio há ~o~~ibilidadodo ~o O~OHU1!rn
as .'.'",
,-
ttanmotrnaçõ~ alrnofada~. Boa~ I1!Jaçõ~ humanas onm oducando a
9ducado~ ~lio a gatantia da autottealizaçlio" (~AUlO~RJ]R~).

Para Paulo Freire, o diálogo é o elemento chave onde professor e


aluno são sujei tos atuantes. Sendo estabelecido o diálogo processar-se-à . , ,

a conscientização porque: Michel Foucault: um crítico da


a. É horizontalidade, igualdade em que todos procuram pensar e agir instituição escolar.
criticamente;
"POt rnafo do urna análi~o hf~6tfca a fnovadota, o fil6!:ofo ftancê!: vfu na
b. Parte da linguagem comum que exprime o pensamento que é sempre 9ducaçlio rnod9tha atitud~ do vfgiUincia a ad~rnonto do COt~Oo da
um pensar a partir de urna realidade concreta. A linguagem comum é manta",
captada no próprio meio onde vai ser execu tada a sua ação pedagógica;
c. Funda-se no amor que busca a síntese das reflexões e das ações de Michel Foucault (Poitiers, 15 de outubro de 1926 - Paris, 25 de
elite versus povo e não a conquista, a dominação de um pelo outro; junho de 1984). Foi um importante filósofo e professor francês. Todo o
seu trabalho foi desenvolvido em uma arqueologia do saber filosófico,
d. Exige humildade, colocando-se elite em igualdade com o povo para
da experiência literária e da análise do discurso. Seu trabalho também
aprender e ensinar, porque percebe que todos os sujeitos do diálogo
se concentrou sobre a relação entre poder e goven1amentabilidade, e
sabem e ignoram sempre, sem nunca chegar ao ponto do saber
das práticas de subjetivação.
absoluto, corno jamais se encontram na absolu ta ignorância;
Michel FoucauIt nasceu numa rica família de médicos. Estudou
e. Traduz a fé na historicidade de todos os homens corno construtores
psicologia, psicopatologia e filosofia. FoucauIt morreu de Aids, em
do mundo;
1984.
f. Implica na esperança de que nesse encontro pedagógico sejam
vislumbrados meios de tornar o amanhã melhor para todos;
A ~VOLU~ÃO DO P~N~AM~NTO P~DAGÓGrCO
Poucos pensadores da segunda metade do século xx
g. Supõe paciência de amadurecer com o povo, de modo que a reflexão
e a ação sejam realmente sínteses elaboradas com o povo. alcançaram repercussão tão rápida e ampla quanto o francês Michel
definidor da modemidade, segundo o francês, é a disciplina - um
~ou.ca~l= Por ter proposto abordagens inovadoras para entender a instrumento de dominação e controle destinado a suprimir ou
mSht~llç~ese os sistemas de pensamento, a obra de Foucault tornou-s i domesticar os comportamentos divergentes. Portanto, ao mesmo
referência em uma grande abrangência de campos do conhecimento '
tempo que o Iluminismo consolidou um grande número de instituições
Em seus estudos de investigação histórica, o filósofo tratou diretamente de assistência e proteção aos cidadãos - como família, hospitais, prisões
vdas escolas
. . e das ideias pedagógicas na Idade Moderna . AI'enl diISSO, e escolas =, também inseriu nelas mecanismos que os controlam e os
em .mspIrand~ uma grande variedade de pesquisas sobre educação mantém na iminência da punição. Esses mecanismos formariam o que
em diversos países.
Focault chamou de tecnologia política, com poderes de manejar espaço,
Foucault desenvolveu critérios de questionamento e crítica ao tempo e registro de informações - tendo como elemento unificador a
m~do. de como as questões filosóficas tradicionais são encaradas. A hierarquia.
primeira~onse:uênci~ de~se procedimento foi mostrar que categorias
como razao, metodo científico e até mesmo a noção de homem não são ARQU~OLOGIA DO ~AB~R
etern~s, m,as vinculadas a sistemas circunscritos historicamente. Para
Três fases se sucederam em sua obra: a da arqueologia do
1_,na~ há universalidade nem unidade nessas categorias e também
conhecimento é marcada pela análise dos discursos ao longo do tempo,
ne . ~lste uma evolução histórica linear. O peso das circunstâncias não
de acordo com as circunstâncias históricas, em busca de um saber que
sí mfJc~, no entanto, que o pensador identificasse mecanismos que
não foi sistematizado. A genealógica corresponde a um conjunto de
:l t rmI~am o curso dos fatos e os acontecimentos, como o positivismo
~ m rXIsmo. pesquisas das correlações de forças que permitem a emergência de um
discurso, com ênfase na passagem do que é interditado para o que se
." . Investigando o conceito de homem no qual se sustentavam as torna legítimo ou tolerado. Finalmente, a fase ética centra o foco nas
:1 n ~asnaturais e humanas desde o Iiuminismo, Foucault observou práticas por meio das quais os seres humanos exercem a dominação e a
im discurso em que coexistem o papel de objeto, submetido à ação da subjetivação, conceito que corresponde, aproximadamente, a assumir
~a:urezae de sujeito, capaz de apreender o mundo e modificá-lo. Mas o
um papel histórico.
ilósofo negou a possibilidade dessa convivência. Segundo ele há
Ipenas SUJeI
ieitos, que vanam
. ' Para Foucault, a escola é uma das "instituições de sequestro",
de uma época para outra ou de um lugar
iara outro, dependendo de suas interações. como o hospital, o quartel e a prisão, ou seja, são aquelas instituições

.
que retiram compulsoriamente os indivíduos do espaço familiar ou
DI~CIPUfJA ~ MOD~RfJIDAD~ social e os internam, durante um período longo, para moldar suas
condutas, seus pensamentos e disciplinar seus comportamentos.
. F~ucault concluiu, no entanto, que a concepção do homem como
bjeto fOInecessária na emergência e manutenção da Idade Moderna
orqu~ dá às instituições, a possibilidade de modificar o corpo e ~
lente. Entre essas instituições se inclui a educação. O conceito
J-lOWARD GARDN~R Formado no campo da Psicologia e da Neurologia, o cientista
norte-americano Howard Gardner causou forte impacto na área
educacional com sua teoria das inteligências múltiplas, divulgada no
início da década de 1980. Seu interesse pelos processos de aprendizado
já estava presente nos primeiros estudos de pós-graduação, quando
pesquisou as descobertas do suíço Jean Piaget (1896-1980). Por outro
lado, a dedicação à música e às artes, que começou na infância, o levou a
supor que as noções consagradas a respeito das aptidões intelectuais
humanas eram parciais e insuficientes.

T[ORfA DM! fNT[UG~NCfM!MÚLTIPLM!


"Taotiª dSI~ rhtali~êhcfª~ MÚlti~Iª~:Potahcial ~atSl~olv9t ~tobl9fna~a ~atSl
ctiat aquilo qua é valotizado sm dat9trnihado COht9xtO ~ociala hi~6tico".
,. Para Howard Gardner todo indivíduo
tem potencial para ser criativo, mas só A teoria das inteligências múltiplas foi proposta por Howard
será se quiser". Gardner em 1983, para analisar e descrever melhor o conceito de
inteligência.
"A Tootia da~ rhtaligêhcia~Múlti~la~foi ~to~o~a (>OtHowatd (Jatdh9t arn Sob a influência do norte-americano Robert Stemberg, que
19~9 ~ata ahali~at 9 dMCMV9t rn91hot o COhCMOda iht9Iigêhcia". estudou as variações dos conceitos de inteligência em diferentes
culturas, Gardner foi levado a conceituá-la como o potencial para
Howard Gardner (Scranton, Pennsylvania, 11 de julho de 1943) é resolver problemas e para criar aquilo que é valorizado em
um psicólogo cognitivo e educacional estadunidense. Professor de determinado contexto social e histórico. Na elaboração de sua teoria,
Cognição e Educação na Universidade de Harvard, e professor adjunto ele partiu da observação do trabalho dos gênios. Gardner foi buscar
de neurologia na Universidade de Boston. É conhecido em especial pela evidências também no estudo de pessoas com lesões e disfunções
sua teoria das inteligências múltiplas. cerebrais, que o ajudou a formular hipóteses sobre a relação entre as
Fundou um grupo de pesquisa em educação pela arte conhecido habilidades individuais e determinadas regiões do órgão. Finalmente,
como Projeto Zero, em 1967. Este projeto se concentra no estudo o psicólogo se valeu do mapeamento encefálico mediante técnicas
sistemático do pensamento artístico e da criatividade em arte, assim surgi das nas décadas recentes. Suas conclusões, como a maioria das
como em disciplinas da área humana e científica em nível individual e que se referem ao funcionamento do cérebro, são eminentemente
institúcional. empíricas.
7. Interpessoal - é a capacidade de entender as intenções e os
Howard Gardner concluiu que há nove tipos de inteligência:
desejos dos outros e consequentemente de se relacionar bem em
1. Lógico-matemática - é a capacidade de realizar operações
sociedade. Encontra-se mais desenvolvida em políticos,
numéricas e de fazer deduções. Possuem esta caracaterÍstica
religiosos e professores, como por exemplo Mahatma Gandhi e o
matemáticos, cientistas e filósofos como Stanislaw Ulam, Alfred
Papa.
North Whitehead, Henri Poincaré, Albert Einstein, Marie Curie,·
8. Naturalista - traduz-se na sensibilidade para reconhecer e
entre outros.
classificar os objetos, fenômenos e padrões da natureza, como
2. Linguística (Verbal) - é a habilidade de aprender idiomas e de' I
plantas, animais, minerais, incluindo rochas e gramíneas e toda
usar a fala e a escrita para atingir objetivos: É predominante em
a variedade de fauna, flora, meio-ambiente e seus componentes.
escritores e linguistas, como T. S. Eliot, Noam Chomsky e W. H.
É característica de biólogos, geólogos e mateiros
Auden.
(moradores/exploradores da zona da mata). São exemplos deste
3. MUSICAL - é a aptidão para tocar, apreciar e compor padrões
tipo de inteligência Charles Darwin, RacheI Carson, [ohn [ames
musicais. Pode estar associada a outras inteligências, como a
Audubon e Thomas Henry Huxley.
linguística, espacial ou corporal-cinestésica. É predominante
9. Existencial- Abrange a capacidade de refletir e ponderar sobre
em compositores, maestros, músicos, críticos de música como
questões fundamentais da vida humana. Seria característica de
por exemplo, Ludwig van Beethoven, Leonard Bemstein,
líderes espirituais e de pensadores filosóficos, como por
Midori, John Coltrane e Mozart.
exemplo [ean-Paul Sartre, Maya Angelou, Paul Erdõs, Frida
4. Espacial (Visual) - é a disposição para reconhecer e manipular
Kahlo, Alvin Ailey, Margaret Mead, Dalai Lama, Charles
situações que envolvam apreensões visuais. É predominante em
Darwin e [oni Mitchell.
arquitetos, artistas, escultores, cartógrafos, navegadores e
jogadores de xadrez, como por exemplo Michelangelo, Frank
Lloyd Wright, Garry Kasparov, Louise Nevelson e Helen A primeira implicação da Teoria das Inteligências Múltiplas é
Frankenthaler. que existem talentos diferenciados para atividades específicas. O físico
5. Físico-cinestésica (corporal-cinestésica) - é o potencial para Albert Einstein tinha excepcional aptidão lógico-matemática, mas
usar o corpo com o fim de resolver problemas ou fabricar provavelmente não dispunha do mesmo pendor para outros tipos de
produtos. É predominante entre atores e aqueles que praticam a habilidade. O mesmo pode ser dito da veia musical de Wolfgang
dança ou os esportes, como por exemplo Marcel Marceau, Amadeus Mozart ou da inteligência físico-cinestésica de Pelé. Por outro
Martha Graham, Michael J ordan e Pelé. lado, embora essas capacidades sejam independentes, raramente
6. Intrapessoal - é a inclinação para se conhecer e usar o funcionam de forma isolada.
entendimento de si mesmo para alcançar certos fins, estando O que leva as pessoas a d s nvolver capacidades inatas são a
mais desenvolvida em escritores, psicoterapeutas e educação que recebem e as oportunidades que encontram. Para
conselheiros, como por exemplo, Sigmund Freud.
s
Cardner, cada indivíduo nasce com um vasto potencial de talentos
ainda não moldado pela cultura, o que só começa a ocorrer por volta
dos 5 anos. Segundo ele, a educação costuma errar ao não levar em
CAPíTULO
conta os vários potenciais de cada um. Além disso, é comum que essas
aptidões sejam sufocadas pelo hábito nivelador de grande parte das
A MÚ~rCA
escolas. Preservá-Ias já seria um grande serviço ao aluno. "O escritor
imita a criança que brinca: cria li f11 mundo defantasia que leoa a sério, embora o
separe da realidade", diz Gardner.

~Nr=OQU~ VARrADO~f UABrUDAD~ DrV~R~~:


Muitas escolas, inclusive no Brasil, se esforçaram para mudar
seus procedimentos em função das descobertas de Howard Gardner. A
maneira mais difundida de aplicar a teoria das inteligências múltiplas é
tentar estimular todas as habilidades potenciais dos alunos quando se
está ensinando um mesmo conteúdo. As melhores estratégias partem
da resolução de problemas. Segundo Gardner, não é possível
compensar totalmente a desvantagem genética com um ambiente
estimulador da habilidade correspondente, mas condições adequadas
de aprendizado sempre suscitam alguma resposta positiva do aluno-
desde que elas despertem o prazer do aprendizado.

O psicólogo norte-americano atribui à escola duas funções


essenciais: modelar papéis sociais e transmitir valores.
Pela própria natureza de suas descobertas, o trabalho de Gardner
favorece uma visão integral de cada indivíduo e a valorização da
multiplicidade e da diversidade na sala de aula.

"O obfl!tivo dQ l!duCQçGo dl!vl! cOhtihUQt Q ~At O cohfrohto com Q vl!tdQdl!, Q


bQlgza Q a bOhdadl!, sam hQgat a~ faCQta~~tObIQmática~ dM~a~CQtl!gotia~OU
as di~cotdljhCiQ~I!hm difutAntM cultut8~" (GARDNtR).
de linguagem que se utiliza da voz, dos instrumentos musicais e de
outros artifícios para expressar algo para alguém.
Atualmente existem diversas definições para Música. Mas, de
um modo geral, ela é considerada ciência e arte, na medida em que as
~
relações entre os elementos musicais são relações matemáticas e físicas;
À. esquerda: ~tura num vaso grego antigo que representa uma lição de música (5lO a. ci a arte manifesta-se pela escolha dos arranjos e combinações.
À. direita: recreação, desenho em mural, porCharlesSprague Pearce (sem data).
A Música é composta basicamente por:
~om: é a propagação das vibrações audíveis e regulares de corpos
elásticos, que se repetem com a mesma velocidade, como as do pêndulo
do relógio. Os ruídos são as vibrações irregulares;
Ritmo: é o efeito que se origina da duração de diferentes sons, longos ou
"A MÚ$:ica,~Otmat filo ~itamonfo vinculada Q$:omoçõ(!$:o ao mundo ~té-
curtos;
votbal, congfifqi urna finguagom ~tivjfogiada, aftavÓ$:da qual O$:$:(!tO$:
humanos
$:(!comunicam onm $:i". M{!lodi~:é a sucessão rítmica e bem ordenada dos sons;
I-l~tmonia: é a combinação simultânea, melódica e harmoniosa dos sons.
Cada um dos aspectos ou elementos da música, corresponde a
Música (do grego I-10LJalK~ 'tÉxvq - musiké téchne, a arte das li m aspecto humano específico, ao qual mobiliza com exclusividade ou
musas) é uma forma de arte que se constitui basicamente em combinar
mais intensamente: o ritmo musical induz ao movimento corporal; a
sons e silêncio seguindo, ou não, urna pré-organização ao longo do
melodia estimula a afetividade: a ordem ou a estrutura musical (na
tempo.
harmonia ou na forma musical) contribui ativamente para a afirmação
Definir a Música não é tarefa fácil porque apesar de ser ou para a restauração da ordem mental no homem.
intuitivamente conhecida por qualquer pessoa, é difícil encontrar um
conceito que envolva todos os significados dessa prática. Mais do que
qualquer outra manifestação humana, a Música contém e manipula o Cariocas brincam o entrudo durante o carnaval no
Rio de [aneiro em 1822, por Augustus Ear e.
som e o organiza no tempo. Talvez por essa razão ela esteja sempre
fugindo a qualquer definição, pois ao buscá-Ia, a Música já se
modificou, já evoluiu. E esse jogo do tempo é simultaneamente físico e
emocional. Corno "arte do efêmero", a Música não pode ser
completamente conhecida e por isso é tão difícil enquadrá-Ia em um
conceito simples. A Música também pode ser definida corno uma forma
A
do século XX.Apresenta-se atualmente, como a música do dia a
Gr;Nr;RO~MU~ICA1~ dia, sendo tocada em shows, festas e usada para dança e
socialização. Segue tendências e modismos e muitas vezes é
J associada a valores puramente comerciais, porém, ao longo do
tempo, incorporou di versas tendências vanguardistas e inclui
estilos de grande sofisticação. É um tipo musical frequentemente
associado a elementos extramusicais, como textos (letra de
canção), padrões de comportamento e ideologias. É subdividida
em incontáveis gêneros distintos, de acordo com a
Uma das divisões mais frequentes classifica a música em grandes instrumentação, características musicais predominantes e o
grupos: comportamento do grupo que a pratica ou ouve.

MÚ~rCA [RUDITA - é a música tradicionalmente dita como Mú~rCA r:OLCLÓRICA OU MÚ~ICANACIONAU~TA - é associada
"eu lta"
a e no geral, mais elaborada. É erroneamente conhecida a fortes elementos culturais de cada glUpO social. Tem caráter
como "música clássica", pois a música clássica real é a música predominantemente rural ou pré-urbano. Normalmente
produ~ida levando em conta os padrões do período musical relaciona-se a festas folclóricas ou rituais específicos. Pode ser
c~nhecldo, como Classicismo (Pré-c1ássico - Rococó). Pode ser funcional (como canções de plantio e colheita ou a música das
dito tambem de música clássica, obras que são bem familiares e rendeiras e lavadeiras). Normalmente é transmitida por
co~hecidas, ao p~nto de serem assoviadas pelas pessoas, algo imitação e costuma durar décadas ou séculos. Incluem-se neste
maIS,p(~pular aSSImcomo a literatura. Seus adeptos consideram gênero, as cantigas de roda e de ninar.
que e feita para durar muito tempo e resistir à moda e tendências.
MÚ~ICA R[UGIO~A - é a utilizada em liturgias, tais como missas
Em geral, exige uma atitude contemplativa e uma audição
e funerais. Também pode ser usada para adoração e oração ou
concentrada. Alguns consideram que seja uma forma de música
em diversas festividades religiosas como o Natal e a Páscoa,
superior a ,todas as outras e que seja a real arte musical. Porém,
entre outras. Cada religião possui formas específicas de música
d~~e também ser lembrado que mesmo os compositores eruditos
religiosa, tais como a música sacra católica, o gospel das igrejas
var~:s vezes utilizaram melodias folclóricas (determinada
evangélicas, a música judaica, os tambores do candomblé ou
região) para que em cima delas fossem compostas variações.
outros cultos africanos, o canto do muezirn, no Islamismo entre
Algu,n~ compositores chegaram até a colocar apenas melodias
folc1oncas como o segundo sujeito de suas músicas (como Villa- outras.
Lobos fez extensamente). Os gêneros eruditos são classificados
sobretudo, de acordo com o períodos em que foram compostos
ou pelas características predominantes. Cada uma dessas di visões possui centenas de subdivisões,
gêneros, subgêneros e estilos que são usados numa tentativa de
MÚ~ICA POPULAR - é associada a movimentos culturais
classificar cada música. Porém, a cada dia são criados novos subgêneros
popula:es: Co~seguiu se consolidar apenas após a urbanização e
mdustnahzaçao da sociedade e se tornou o tipo musical icônico e fusões, logo, a música está sempre em constante desenvolvimento.
l;DUCACÃO MU~'CAl BRl;Vl; I-II~TÓRIA DA Pl;DAGOGIA MU~ICAL
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h~ "Na hid6tia da müsíea oeidental, Quido d'AHrzzo(990-1050) foI o
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~. ~timeitO mú!:ieo e te6tieo que !:e dedaeou ~ela!: suas ~tQoeu~açõQ!:e vfttudu
Educação musical é o conjunto de práticas destinadas a ~edag6giea!:".
transmitir, através da vivência musical, a teoria e prática da música nas
atuais gerações. Inclui:
A música faz parte da história da humanidade desd
· Mugica!ização - conjunto de métodos destinados à iniciação
primeiras civilizações. Conforme dados antropológicos, as prim ir s
musical para estudantes de prática vocal ou instrumental, e também
iniciação musical básica para crianças em idade escolar. músicas seriam usadas em rituais, como: nascimento, casam nto,
morte, recuperação de doenças e fertilidade. Com o descnvolvímei te
· Ptática ensino e treinamento de técnicas especificas
Instrumsntal -
das sociedades, a música também passou a ser utilizada em 1 uv r
de cada instrumento de forma grupal e/ou individual, voltados à
líderes, como a executada nas procissões reais do antigo Egito e n
audição, prática, treinamento auditivo, percepção e etc.
Suméria.
· Ptática vocal - ensino e treinamento de técnicas vocais. Inclui o
Todavia, a preocupação com os processos de uma pedagc
canto coral e o canto orfeônico.
musical, com uma aprendizagem adequada a diferentes necessidad s
· Teotia mugica/ - ensino da teoria musical, escalas, rítmica, características humanas teve urna trajetória lenta e tortuosa, perm ada
harmonia e notação musical.
por preconcei tos e crendices.
· I-ligtótia da música - estudo das origens e evolução da música ao
longo do tempo. Corno disciplina histórica, insere-se na história da arte
Da esquerda para a direita: Dança de Cogul (imagem encontrada em Cogul, 11<1
e no estudo da evolução cultural dos povos. Como disciplina musical,
Espanha, mostra a dança das mulheres em t~r~o de um I~omem n,u!: ConceTt~).(14~5.
normalmente é uma divisão da musicologia e da teoria musical. Seu 95) quadro a óleo de Lorenzo Costa (01. 1~3j); Alegona da Música, por Filippino
estudo, corno qualquer área da história, é trabalho dos historiadores, Lippi.
porém também é frequentemente realizado pelos musicÓlogos.
. Petc!!pção auditiva - treinamento da percepção melódica (alturas e
intervalos, harmônica e rítmica).

. Compo~ição!! t!!gência - curso voltado para pessoas que gostariam


de ser compositores ou regentes, também um curso superior destinado
à formação de regentes.
1
Era profunda a preocupação pedagógica demonstrada pelos musical, alcançando equilíbrio e até m sm p rfeição numa relação
filósofos gregos. Para eles, a Música estava no mesmo nível hierárquico cósmica (Bosanquet, 1900).
da Filosofia e da Matemática. Consequenternente, o ensino da Música Para os gregos a Música educa, apr .funda e refina as ideias, os
na Grécia Clássica era obrigatório, e há indícios de que já havia sentimentos e as expressões do ser humano. Por essa razão, ela tem
orquestras naquela época. A educação se constituía no estudo de. presença marcante na formação do jovem, na sua preparação para
Música e Ginástica (Monroe, 1902). Com o desenvolvimento do exercer a cidadania. Está presente no que poderia ser considerada a
pensamento grego, a disciplina de Música foi ampliada passando a estrutura curricular nos seus diferentes níveis de formação para uma
incluir Letras e Poesia. O esquema proposto por PIatão como a participação responsável na sociedade, para a capacitação do in~ivíd~o
educação ideal para aqueles que seriam os guardi6es do conhecimento' como uma contribuição à sociedade da qual faz parte. Esta filosofia
e portanto, da sociedade, contemplava um curso completo compatível pedagógica se perdeu através dos séculos, pontilhando de modo tênue
com os níveis que poderiam ser considerados como elementar, e às vezes de maneira quase herética, a lenta e tortuosa trajetória da
secundário e superior. No nível elementar havia Ginástica, Música e . educação musical no ocidente.
Letras (Gramática). O estudo desses conteúdos se mantinha até os vinte Na história da música ocidental, Guido d' Arezzo (990-1050)foi o
anos de idade. No nioel secundário, cuja duração ia dos vinte aos trinta' primeiro músico e teórico que se destacou pelas suas preocupações e
anos, o estudo abarcava uma visão de Ciência, havia Aritmética,
virtudes pedagógicas. Criou vários recursos para o ensino da leitura e
Geometria, Astronomia e Música (estudo da proporção dos intervalos
da escrita musical. Entre eles o mais conhecido é a mão guidoniana,
do monocórdio em relação aos corpos celestes). O ninel superior, dos'
espécie de pauta com claves móveis para facilitar a leitura dos
trinta aos trinta e cinco anos, consistia no estudo de Filosofia como uma
intervalos.
preparação final para a prática da cidadania na sociedade (Bosanquet,
Durante a Idade Média, o ensino de música cresceu em
1900).
importância e alcançou proeminência nas universidades ao lado de
Pitágoras de Samos, filósofo ·grego da Antiguidade, ensinava
disciplinas como aritmética, geometria e astronomia, constituindo
como determinados acordes musicais e certas melodias criavam
com elas, a estrutura curricular do Quadrivium. A Igreja Católica
reações definidas no organismo humano, demonstrando que a
demonstrava interesse no estudo de três disciplinas do Quadrivium: a
sequência correta de sons, se tocada musicalmente num instrumento,
aritmética, a astronomia e a música. O interesse da Igreja foi decisivo no
poderia mudar padrões de comportamento e acelerar o processo de
sentido de encorajar o ensino e o estudo da música como uma disciplina
cura.
teórica no domínio das ciências matemáticas (Günther, 1887).
De acordo com Aristóteles, a Música tem o poder de influenciar
O advento da Renascença possibilitou o surgimento de outra
o indivíduo podendo modificar os estados da alma (Davidson, 1892).
face da música: a face da expressão, da performance. Esse renascimento
Segundo Platão, a Música pode introduzir no espírito do ser recuperou progressivamente o equilíbrio entre a visão teórica e a visão
.humano o sentido de ritmo e de harmonia, transcendendo o domínio prática, restaurando no ideal grego a dialética da música como ciência e
corno-arte. Alemanha na forma de Tonika-do-Lehre, urna adaptação do método de
Curwen realizada por Agnes Hundoegger, representando urna
o espírito da Reforma se alargou a ponto de insistir n .
importante renovação dos processos metodológicos na prática do canto
importância e necessidade de se popularizar o ensino da Música. Tal
insistência teve corno resultado, a criação de escolas públicas;' coral alemão.
estendendo assim os benefícios da educação a um número muito maior Nos Estados Unidos, durante a primeira parte do século XIX,
de indivíduos. Luteranos e Calvinistas tiveram participação decisiva Horace Mann desenvolveu a grande cruzada em favor da escola
~esse processo ao exigir uma educação musical para todas as crianças e . pública, enfatizando o ensino da Música e o Canto como fundamentos
Jovens, retomando assim o espírito da Grécia Antiga. Lutero, na sua de urna educação sem perder de vista seu conteúdo humano. Mann,
Carta aos Conselheiros dos Estados Alemães, ;~comendava que se com o apoio de Lowel Mason, intensificou os esforços, e
colocasse num mesmo nível, as Humanidades, as Ciências e o estudo da Massachussetts passou a ser o primeiro Estado americano a adotar o
Mú ica, com ênfase especial para o canto nas escolas (Gainza, 1964). ensino da Música nas escolas públicas. Os princípios de Joahnn
Pestalozzi nortearam a pedagogia musical de Mason que teve como
As ideias pedagógicas de Comenius, publicadas na sua Didática
referência básica três pontos simples e objetivos: 1.) Os sons antes dos
na, em 1657, ocasionaram grande impulso na educação, no
símbolos; 2.) Os princípios antes das regras; e 3.) A prática antes da
rr r d século XVII.
teoria (Chosky, 1986).
urante o século XVIII, esta preocupação e inquietação
Na Europa, Friedrich Frõebel também realçou o valor da música
d gé gica no campo da música estavam centradas na pessoa de
na educação. Frôebel sustentava que a Música ajudava a criança a
ou seau, que compôs canções para crianças com o objetivo de realizar
realizar todo o seu potencial. A ligação entre a Música e os movimentos
u grande aspiração: difundir e popularizar o ensino da música.
corporais, bem como a sua contribuição conjunta para uma educação
No século XIX, es seguidores
-
de Rousseau - Wilhem ' Galin , equilibrada, constituíram a base do Sistema Eurrítmico, desenvolvido
heve - deram à França a liderança europeia da pedagogia musical,
pelo suíço Emile Jacques Dalcroze. As ideias de Montessori se
exercendo influência sobre outros países, impulsionando uma geração
propagaram gerando fortes críticas. Para muitos, era inaceitável a
de pedagogos - Hubert, Hortense, Parent, etc . Wilhem foi o fundador
ênfase em material didático adequado ou dirigido para as necessidades
dos orfeões nas escolas francesas e seu método para ensino do canto foi
específicas e para as expectativas do aluno, em detrimento da
adotado nos principais países da Europa (Chevais, 1937).
autossuficiência do professor. As ideias pedagógicas de Montessori se
Na Inglaterra, Sara Glover desenvolveu o Tonic sol-Ia, intensificaram, sendo aliadas ao conceito de Escola Nova.
posteriormente aperfeiçoado por [ohn Curwen (1816-1880), que
Dewey, o seguidor da Escola Nova nos Estados Unidos,
empregou recursos fonomímicos. A utilização do Tonic sol-fa, também
desenvolveu o método pedagógico que tinha como foco a ação, o
conhecido como Dó-Móvel, representou importante contribuição ao
aprender fazendo. A Pedagogia centrada na ação se contrapunha ao
desen.volvimento do canto coral, caracterizando um significativo
formalismo de um ensino impositivo e às vezes quase tirânico, onde os
impulso à pedagogia musical de Curwen. O Tonic sol-fa chegou à
interesses da criança jamais eram considerados e as suas iniciativas
A P~DAGOG'A NA MÚ~'CA
eram sempre cerceadas. Na visão de Dewey, a escola era um laboratório
onde a criança vi vencia va experiências reais e de interesse,
caracterizando-se corno o embrião de experiências futuras. Como
laboratório, enfatizava o equilíbrio responsável entre inicia tiva e
liberdade, mas repudiava o caos e o anarquismo educativo.
No século XX,o alemão Carl Orff, o húngaro Zoltán Kodály e o
violinista japonês Shinichi Suzuki estavam entr~,os que contribuíram
para o desenvolvimento de uma pedagogia musical orientada para as
crianças mais jovens.
A noção de Psicologia começou a permear algumas escolas de
música fora do sistema oficial de ensino. Preocupações com o "~ uma nac~~idada organfzat o an~fnomu~fcal nas ~cola~; é um davQt
desenvolvimento da percepção, com aspectos da inteligência musical e ~afti6tfco,cultutal a attí~co, a comaÇ8t d~da a ~cola ~tfm'tfa, ~obdfva~a~
om os estágios do desenvolvimento do indivíduo, começaram a surgir fotrna~ da tQCtaaçlo " .
c mo tímidas referências de caráter informativo. Falava-se sobre ou
mencionava-se Piaget e Gardner. A noção de educação musical São poucas as pesquisas sobre educação musical no Brasil, se
começava então a se reerguer baseando-se nos estudos feitos durante comparadas às que se desenvolvem em outros domínios artísticos, por
anos e anos, desde os processos de aprendizagem em Música, até a ser a Música uma arte auditiva, interiorizada, que exige mais esforço, ao
função da Música, 'tanto para o conhecimento, como para o contrário das artes visuais, cuja captação é mais imediata.
desenvolvimento cerebral, para a melhora das habilidades intelectuais, A Música nas escolas estimula o sentimento do belo, fortalece o
para o raciocínio lógico-matemático e para o raciocínio espacial e espírito, acalma os nervos, desenvolve a sensibilidade, oferece senso
temporal, entre outros, num processo rico e complexo. rítmico, educa o ouvido (é preciso saber ouvir para compreender),
Atualmente, a Música é utilizada não só na área educacional, contribui para o desenvolvimento integral da educação, do caráter e
como também na área militar, nas artes e na área terapêutica para o sentido da solidariedade
(Musicoterapia). Além disso, tem presença .central em diversas A finalidade do ensino de Música no Ensino Fundamental e,
atividades coletivas, como os rituais religiosos, festas e funerais. mais ainda na fase pré-escolar, não é tanto transmitir uma técnica
Podemos assim dizer que o ser humano não vive sem a Música.. particular, mas sim desenvolver no aluno o gosto pela Música e a
aptidão para captar a linguagem musical e expressar-se através dela,
além de possibilitar o acesso do educando ao imenso patrimônio
musical que a humanidade vem construindo.
o PAP~LDO ALUNO
.. Na criança, cada idade reserva um aspecto particular com
O estudante é como o inspirador da vida escolar. O professor eo
relação à Música. A atividade sensório-motora do bebê, por exemplo, é
aluno devem compreender-se mutuamente. Se o mestre é o guia, os
o embrião de um gesto musical. Já na fase do jogo simbólico, o som tem
alunos devem aproveitar o exemplo e a experiência do mestre. O aluno
função de ilustração, de sonoplastia. Posteriormente, o gosto pelos
deve aproveitar o estímulo que o mestre lhe oferece.
jogos de regra e a socialização preparam a expressão musical coletiva.
É no transcorrer dessas atividades que se poderão transmitir os O PAP~LDO PROr:~~OR
conhecimentos musicais e iniciar as técnicas particulares que levarão à ' A função do professor é estimular, orientar e dirigir o pr<?cesso
execução e à composição musical. de aprendizagem.
A conduta do professor é essencial em 'todo o processo de O escritor e sociólogo inglês Herbert George Wells (1866-1946)
aprendizagem. Embora seja mais cômodo impor silêncio, o educador dizia que "sobre os ombros do professor pesa lima grave e transcendente
deve esforçar-se para respeitar os ruídos que as crianças produzem na ' responsabilidade: o reerguimento moral da sociedade". O professor d~ve ser
classe, bem como encontrar nessa massa sonora um embrião de' antes de tudo, um educador e não há outra forma de educar senao pe!o
exemplo, como disse Santo Agostinho: "A palavra é pouco, o exemplo e o
expressão musical coletiva; ele deve ainda procurar compreender o
aluno que incansavelmente repete uma mesma fórmula rítmica. ara nde meio de nção ".
Ó O ensino da Música, apesar da aparente facilidade, é bastante
d ver da escola transmitir os conhecimentos produzidos pelo
complexo. A Música é a mais vaga e emotiva de tod~s as art:s;.pela sua
hom m, tanto os científicos como os artísticos.
fluidez transforma a natureza em sentimento, nao se limitando a
Nem todas as crianças nascem com dotes artísticos, mas todas
interpretar. A educação musical tem duas tarefas que se completam:
têm o direito ao conhecimento da arte e a serem despertadas e
uma consiste no estímulo e acompanhamento do educando, suas
ncaminhadas por cuidados especiais, nesse sentido.
aspirações e interesses; a outra, prepara para a vida futura. O professor
Mas não basta falar de estética e de beleza às crianças, se não as
deve ter entusiasmo e trabalhar pelo ideal.
vi venciamos. Daí o grande papel do educador que sente, percebe, vive e
A personalidade do professor não é o bastante, é preciso saber e
que necessariamente deve desenvolver qualidades auditivas e ter gosto
sentir. O que é nobre sugestiona. Sem a educação music~l, o ser hu~a~o
pela Música e contato com ela.
cresce com a capacidade incompleta porque o ensino da MUSIca
A grande qualidade do educador é saber sugerir, e não há dom promove mudanças positivas, em benefício da coletividade. .
nais precioso que sugerir com entusiasmo. Se o educador ama sua Existem alguns requisitos básicos para que o educador musical
écnica, ele será entusiasmado e a transmitirá com confiança e estímulo. desen volva um bom trabalho: o professor de Música não precisa ser um
Além da competência técnica, o professor deve ser criativo. A virtuoso musical, porém deve ser um crítico sensível; também deve
iecessidade de criar é comum a todas as crianças que, ao interagirem possuir boa leitura musical, ter noções de harm~nia e saber to~ar um
om o mundo, constroem seu conhecimento. O educador não deve instrumento; ter noções de Psicologia, Pedagogia e desenvolvimento
ierder a oportunidade de aproveitar essa disposição. infantil; sentir-se à vontade entre crianças e adultos; a Música que as
crianças tocam, cantam e escutam devem ser variadas e não apenas
,músicas de escola'. Ao professor compete o dever de estimular e desenvolver no
Conscientes de que a habilidade para fazer, apreciar ou conhecer aluno o gosto pelo estudo. Entre as qualidades de um professor de
Música pode ser adquirida e aprendida, aos educadores musicais cabe a música destacam-se:
tarefa de possibilitar tal aprendizagem. Agindo dessa forma, eles
MORA/~:
fatalmente estarão proporcionando o acesso às tradições, ao
desenvolvimento do potencial imaginativo e criativo e abrindo espaços 1.}~P.MOdp.te!:pom:abilidadp.: o professor dignifica o Magistério afirmando
para o entendimento com outras culturas. seu trabalho e responsabilidade. Pontualidade às aulas, exemplo e
Swanwick (1988) afirma: "os educadores musicais não são caixas interesse. A educação do professor é a base para guiar o aluno.
postais, jardineiros ou agentes culiurnis, eles abrem porta» dando acesso ao
pensamento musical. Respeitam e desfrutam do som. Reconhecem e estimulam 2.} Conduta Inatacávp.l: a formação do caráter constitui parte da missão do
ideias expressivas. A história da Música e a Música de várias culturas só são
professor, bem como a grandeza da alma e a constância ao dever. Ética.
acessíveis através das janelas e portas de encontros especiais. "
Ao trabalhar com os alunos, o professor aprecia o
proveitamento de seu trabalho. Eis os valiosos meios de apreciação, g.} Amot pslo (;Mino: tudo se consegue quando se trabalha com amor.
t rido-se em conta que está a serviço da cultura musical, com sentido Disse Goethe "O aluno só aprende com a pessoa a quem ama". A paciência,
80 ial, trabalhando para verificar a obra educativa e não apenas com dedicação, abnegação e renúncia são indispensáveis. Responder às
fins mon tários. O professor interessado em melhorar seu trabalho, ucrcuntas com firmeza, energia e carinho, sem nunca descarregar no
t b
deve continuamente desenvolver suas necessidades intelectuais, aluno seus sofrimentos físicos ou morais; e ser imparcial, eis o que
mesmo porque, caso contrário, torna-se-á rotineiro.
caracteriza o professor. As qualidades morais influem para o êxito da
A pedagogia musical prepara o espírito para sentir e
profissão. Urna pessoa honrada, cumpridora de seus deveres, impõe
compreender o belo, e várias são as formas de arte, todas concorrendo
respeito.
para desenvolver o sentimento do belo.

/NT~L~CTUA/~:

1.) l=aci/idadp. de (;xpte!:!:ão: Explicar com clareza, pois o modo de dizer


.,
deve ser claro e preciso. O professor precisa ser compreendido, não só
"p'
c, ~SlOt ·apto 9 ptOfeSlSlPt
admirado.
,coníclente".
2.) Cu/tuta: Na vida dos povos, a cultura é o canal onde deslizam as
riquezas, o poder e a alegria. Como bem disse Dewey: "SÓ tem
autoridade, o professor que possui conhecimentos suficientes para acompanhar
A professora Paula Regina Curi
de Britto, do Grupo Paula o processo do alu no ".
Tcelados, da cidade de Itatiba
(SP) ladeada por seus alunos.
conhecimento sobre a música, percorrendo o mesmo caminho do
A 'N~ÂMCIA ~ A MÚ~'CA homem primitivo na exploração e na descoberta dos sons.
Segundo Aaron Copland' "todos nós ouvimos a música de acordo
COJ/l nossas aptidões, variáveis, sob certo aspecto, em três planos distintos:
eensioel, expressioo e puramente niusical, o que corresponde a ouuir, escutar e
compreender". Essa é a razão pela qual o professor deve respeitar o nível
A professora Paula Regina Curi de desenvolvimento em que a criança se encontra, adaptando as
de Britto, do Grupo Paula
atividades de acordo com suas aptidões e seu estágio auditivo.
Teclados, da cidade de ltatiba
(SP), em aula de flauta doce. Além de desenvolver a escuta sensível e ativa, a educação
musical visa ainda incentivar a escuta crítica.
"A MÚ~fCA c! pata a ctlanÇQ, algo que ela enconfta dentro dela mesma e Se a escuta requer concentração, a escuta crítica, por sua vez,
êXp~!:a aftavm: do!: movimento!: que con!:egue ft!zet. ~!:a ~pontaneidade envolve distanciamento em relação àquilo que se observa. É ouvindo
títmica que ela d~cobte e a fK!tCePÇIoauditiva e gmual (que a conduz ã analiticamente sua própria música e a de outros compositores que a
ft!la) c! que devem !:ete!:tfmu'ada!:". criança constrói seu espírito crítico.
A música desenvolve as partes espirituais do indivíduo porque o
A música é um fenômeno corporal. Ao nascer, a criança entra em ser humano é composto de corpo e alma, e a música é o seu melhor meio
contato com o universo sonoro que a cerca: sons produzidos pelos seres de expressão.
vivos e pelos objetos. Em todas as civilizações costuma-se acalentar os
Na sociedade ocidental. uma abordagem
bebês com cantos e movimentos. O ritmo - um dos elementos
acadêmica da aprendizagem musical pode
fundamentais da música - já é apresentado ao bebê ainda no útero começar na mais tenra idade. Aqui, as meninas
materno, através das pulsações do coração de sua mãe. tocam uma peça para piano a quatro mãos, a
partir da música escrita.
Observando uma criança pequena, podemos vê-Ia cantarolando
um versinho, uma melodia, balançando-se de uma perna para a outra,
ou ainda para frente e para h-ás, como que reproduzindo o movimento
do acalanto. Essa movimentação bilateral desempenha papel
importante em todos os meios de expressão que se utilizam do ritmo,
seja a música, a linguagem verbal, a dança e etc.
As crianças gostam de acompanhar as músicas com movimentos
do corpo, tais como palmas, sapateados, danças, volteios de cabeça, 'Aaron Copland: Nasceu em 14 denovernbrode 1900efaleceu em 02 de dezembro
de 1990. Foi um compositor norte-americano de música para filme e concerto e
mas inicialmente, é esse movimento bilateral que ela irá realizar. E é talentoso pianista, nascido no Brooklyn. no Estado de Nova York. Conhecido nos
essa relação entre o gesto e o som que a criança constrói seu E U A co mo o rlCCtlno dos com posi iores m nerica ntK
A ~DUCACÃO MU5!ICAl PARA CRIANCA5! COM cuidados específicos com estes alunos por parte de professores, pais,
escolas e próprios alunos.
N~C~5!'DAD~ ~P~C'A'5! Em alguns casos, a educação musical realizada com indivíduos
que possuem necessidades especiais, é desenvolvida por educadores
sem formação especializada na área musical, faltando-lhes _princípios
básicos sobre a educação musical. Isso pode acarretar ao aluno um
prejuízo na aprendizagem, a qual ficará limitada, muitas vezes, à mera
repetição de canções.
Tal comportamento pode ser visto na falta de capacitação de
professores que se propõem a este tipo de trabalho, em oposição
àqueles que se destinam a atuar nesta classe especial, daí então a
importância de se pesquisar meios sobre corno agir musicalmente com
crianças tão especiais.
A responsabilidade de capacitar professores para o ensino
inclusivo é do Ministério da Educação, que tem feito isto por meio de
Com a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de programas especificos. Contudo, parece ser das universidades a
1996(Lei 9394/96)a inclusão de alunos com necessidades especiais em responsabilidade em desenvolver pesquisas que solucionem
escolas de ensino regular passou a ser uma realidade e um grande. problemas sociais, como os relacionados aos indivíduos com
desafio para os professores, para os conteúdos aplicados, para os necessidades especiais.
espaços físicos, entre outros. Dessa forma, é preciso investir mais na formação de educadores
Junto com a lei federal n". 11.769, de 18/08/2008 que inclui a interessados em projetos especiais com crianças, idosos, jovens em
música no currículo escolar, esta realidade também passou a situação de risco, ete., de forma que a música faça parte, cada vez mais,
influenciar na organização do conteúdo musical. dos projetos educacionais nas mais diferentes escolas e instituições.
Assim, vivemos em uma época de mudanças radicais no âmbito O educador musical que queira atuar integrado a este modelo
escolar que afetam o setor educacional e também a educação musical. inclusivo, deverá aprender a conviver e a trabalhar com a heterogenei-
Faz-se necessário, então, pensar sobre a formação e o espaço de dade, tanto no âmbito curricular quanto no extracurricular.
atuação do educador musical que se propõe à educação especial.
Não basta que tais preocupações sejam levantadas apenas por "t imfJOttantA Avftat O~ conCAito~~tá-ffxado~~obtAO qUA a~ ctiança~
órgãos responsáveis diretamente pela educação. É preciso que a OU indivíduo~fJOttado~ dA
nA~idad~ ~~ciai~ fJOdAm OU nllo faZAt"
sociedade em geral se preocupe com questões educacion~is que (BIRK~N~HAW-r:l~MIN~,1999).
abranjam este ensino, como a conscientização das necessidades de
, O modelo social ou de inclusão requer que se pense na Toda metodologia de ensino, calcada na busca de classes
het~rogeneidade do aluno como uma situação normal do grupo/classe, homogêneas, provoca e provocou o fracasso e a evasão escolar. Um
delineando um plano educativo que permita ao docente utilizar os exemplo disso foi a utilização, já superada, dos testes psicométricos
~iferentes niveis instrumentais e atitudes como recursos intrapessoaise para determinar coeficientes de inteligências. Estes testes,
fundamentados na medicina, deslocavam a atenção de determinantes
l~terp~ssoais que beneficiem a todos os alunos. No trabalho em grupo,
e preCISOatentar para o desenvolvimento individual articulado ao propriamente escolares do fracasso escolar, para o aprendiz e suas
de~envolvi~ento social, em que os desafios decorrentes de qualquer supostas deficiências, retirando-o da escola.
açao educativa sejam enfrentados com a ajuda de todos, esperando-se As classes cada vez mais heterogêneas, consequência do modelo
que cada um colabore com suas conclusõ~s individuais, sua inclusivo, podem trazer muitos desafios e problemas para o docente e a
personalidade, seus movimentos, seu jeito. instituição escolar, mas também trazem um momento de transformação
O modelo social de inclusão requer convivência entre os alunos, no âmbito escolar, elucidando conceitos ainda imbricados no ensino
de modo que estas duas dimensões - social e individual - possam, que são pertencentes a um paradigma positivista.
mutuamente, enfrentar os desafios surgidos, promovendo um Como nos lembra Aquino: "Para nos aproximarmos efetivamente
ambiente sociocultural de descobertas e ajudas mútuas. dos dilenuts que entrecortam as uioências inianiis e adolescentes atualmente,
Segundo Andretta et. aI. (2000),a arte pode ser facilitadora no faz-se necessário recusar as insustentáveis noções de "personalidade",
momento da inclusão e as propostas de criatividade através do "identidade ", "padrão de desenrcluimento ". "déficit", "supenioits ", e afins".
estímulo devem ser adaptadas às necessidades específicas de cada A situação do ensino atual é adversa, e os problemas advindos
aluno. dela são insolúveis quando o educador se mantém em uma perspectiva
fechada sobre maneiras de abordar o assunto.
Outro grande problema encontrado pelos professores de
"A ooucaçJIo I!a attl! corn~attflharn o~ mssmes fd9Qi~,buseam o hemem
educação musical quando atuam com crianças com necessidades
cHativo, qUI!d'antl! do conhl!cirn9hto dI! ~I!U~lirnit~ I! do~ outto~,
especiais, está ligado à concepção de algumas pessoas, que por si
corn~l1H!hdl!I!ftandotrna, bu~ca vfv9t am hatrnonia I! agI! arn ~I!Urnundo
próprias e às vezes até transparecendo isto para os alunos com
int9t'ot I! ~ocial" (ANDR~TTA & NARDtS, 2000).
necessidades especiais, é a de que a aula de música nem sempre é vista
Freire dizia que: "O homem deve ser o sujeito de eua educação e não como área de conhecimento e sim como recreação
objeto e deve empreender uma busca que se traduz por um "ser mais", a busca E assim fazemos as seguintes perguntas: há diferenças
solitária poderia traduzir-se em IInI "ter mais ", que é uma forma de ser menos. significati vas no processo ensino-aprendizagem de música para
Portanto, esta busca deve ser feita com outros seres que também procuram ser crianças com necessidades especiais? Temos princípios, olhares,
mais e em comunhão com outras consciências, caso contrário sefaria de unias sensações e percepções específicos para esse contexto educacional?
consc!ências, objetos de outras. Deste modo, seria "coisificar" as Corno fica a aula de música? De que maneira nos envolvemos?
consciências". Segundo Birkenshaw-Fleming (1993) há diferentes princípios e
formas de observação que podem ajudar no ensino de crianças PO~~fVl;'~Bl;Nl;rfc,o~ QUl; ~ AUL~ Dl;
especiais. Quanto mais conhecimento o professor tem acerca do:
MÚ~'CAPODl;M PROPORCIONAR AO~ IND,víDUO~
estudante, maior é a adequação de suas propostas de ensino e maior é a
sua segurança para promover o desenvolvimento dos alunos. Diz a
COM Nl;C~~'DAD~ ~Pl;CfAI~
autora que o professor deve pesquisar sobre as possibilidades de,
desenvolvimento de seus alunos e deve conhecer muito bem as
"A atfo, do uma mahoita gotal, fHlssibflita uma am~liaçllo nas dimohsfios
limi tações e dificuldades de cada um deles.
dos oblofivos os~otados hOgnSihO-a~tehdizaggmos~cial. Isso fHltquoso
Esse conhecimento pode ser consequência de um processo
ovidgncia a ~atficulatidado do cada um".
constante de observação profunda dos alunos e 'de uma interação de
afeto e respeito, considerando sempre as possibilidades de cada um e
também de um processo constante de leituras específicas sobre as
·Reforçar a autoestima: o professor obtém a autoestima,
características dos alunos, entrevistas e conversas com pais,
respei tando as limitações e possibilidades de cada aluno, encorajando-o
professores, coordenadores, diretores e outros profissionais que
a agir por sua própria conta. Competição ,com outras crianças é
componham as equipes de trabalho das escolas que as crianças
usualmente contraproducente e prejudicial. E importante, por outro
frequentam.
lado, fazer com que o aluno participe de todos os procedimentos da
Para Birkenshaw-Fleming (1993) é importante evitar os
aula, de maneira que suas realizações se transformem numa
conceitos pre-fixados sobre o que as crianças ou indivíduos portadores
experiência válida. Todos devem ser encorajados á dar o melhor de si e
de necessidades especiais podem ou não fazer. O excesso de proteção
serem independen tes, tanto nas atividades musicais como em qualquer
por parte de pessoas que convivem com a criança nem sempre
outra atividade do seu dia a dia.
corresponde com aquilo que ela realmente necessita.
-Estimular a interação social por meio de atividades musicais e um
É importante manter a mente aberta para perceber as
bom relacionamento social possibilitam ao indivíduo sair de um
potencialidades de cada um. A autora encoraja o professor a manter
possí vel isolamento.
uma atitude positiva e animadora frente ao aluno, incentivando-o a
-Estimular o desenvolvimento do tônus muscular e da
transpor suas próprias barreiras e possibilidades.
coordenação psicomotora através de atividades que envolvam
Todo o trabalho, diz ela, deve ser feito com paciência e carinho,
lembrando-se de que é preciso valorizar a autoestima de cada aprendiz, movimento associado à música.
motivando-o a reconhecer sua contribuição frente ao grupo em que está -Desenvolver a linguagem por meio de atividades musicais tais
inserido. corno parlendas, trava-línguas e pequenas canções.
-Desenvolver a capacidade auditiva, intelectual e o desenvolvi-
mento da memória, utilizando p qu nas canções e exercícios de
acuidade rítmica e melódica.
. Através de desenhos e símbolos, as crianças com necessidades
·É possível promover o desenvolvimento físico, intelectual e' especiais podem aprender a notação musical com ma~sfacilidade.
afetivo da criança com necessidades especiais através de um programa Se o educador considerar esses aspectos nas diferentes etapas de
de educação musical bem estruturado e com objetivos bem definidos. sua prática pedagógica, com certeza estará criando um ambiente
·0 ambiente deve ser aconchegante, seguro e motivador, mas não propício para atingir objetivos musicais que promovam o
deve desviar a atenção do aluno. Às vezes, muitas cores, desenhos e , desenvolvimento geral do aluno. .
diferentes objetos fazem com que o aluno se distraia facilmente do foco , É importante notar que a área de educação musical no Brasil
de ensino-aprendizagem. vem, cada vez mais, se estabelecendo como uma área de grande
·A rotina propicia segurança. Os indivíduo>, com algum tipo de ' potencial de contribuição para os projetos multidisciplinares _e
dificuldade emocional, mental ou de aprendizagem conseguem se interdisciplinares trazendo novas e boas perspectivas para a educaçao
organizar e responder bem às exigências do ambiente quando lhes é
de maneira geral. .
assegurado senso de ordem e uma rotina previsível. Dessa forma, o Há um número significativo de profiSSionais/edItoras
caos não se instala em suas vidas. Da mesma forma, as atividades de envolvidas em estudos e produção de materiais didáticos voltados para
relaxamento são muito importantes para construir um ambiente bem um ensino mais efetivo e abrangente da música, como é o caso do
tranquilo e sem ansiedade. Planejar alguns exercícios de relaxamento maestro Marcelo Fagundes e sua editora Keyboard, porém, pouca
n início ou no final da aula, ou ainda entre outras atividades musicais, relação é feita com seu uso e aplicabilidade na educação especial, de
pode diminuir consideravelmen te as tensões do ambiente. maneira que poderia trazer uma grande contribuição para diversos
·0 movimento é outro aspecto importante, pois faz parte do
setores da educação e da saúde.
processo de desenvolvimento natural de qualquer criança, auxiliando Alvin (1966),no seu livro "Música paraei niiio disminuido", afirma
também nas tensões do corpo e levando a criança a efetuar contatos que a música pode representar, para as crianças portadoras ~e
sociais. Muitas crianças com algum tipo de limitação física ficam
necessidades especiais, um mundo não ameaçador que lhes permita
privadas do prazer proporcionado por atividades de movimento,
comunicar-se, integrar-se e identificar-se. Ainda de acordo com a
portanto incluir danças, jogos de movimento e expressão corporal,
autora, a música pode oferecer oportunidades para a criança deficiente
como parte da aula de música, pode ser muito importante para esses
ampliar os limites físicos ou mentais que pOSSUl.
alunos.
As atividades musicais podem contribuir também para
despertar a consciência perceptiva, o desenvolvimento da
discriminação auditiva e do controle motor. Além disso, podem
"[ rnat8vflhoJ:o vet que a rnúJ:iea corno ed'írnulo, no rnornento cetto e favorecer a integração social e emocional da criança, influindo
adequado, tem a eal»8cidade de tetftat ed'ag ~oaJ: ded'e rnundo de positivamente sobre sua atitude com relação ao jogo, ao trabalho, a si
IneapacfdadeJ: onde eleJ: eJ:fQotOfuladog" (UR'CO[CUtA, 200g). mesma e ao meio em que vive.
Durante a 2ª Guerra Mundial, Jeandot trabalhou na recuperação
No livro "Enirenamiento rítmico y auditivo para el dieminuido
mental", Penovi (1971), descreve a função da música na educação de
de crianças prematuras e de outras que viviam assustadas e incapazes
de fixar sua atenção nas aulas. Atingiu seus objetivos por meio da
crianças com necessidades especiais. A autora apresenta uma série de .
música. No Brasil, a autora trabalhou no serviço social da Casa da
propostas para a adequação do movimento ao estímulo sonoro,
discriminação auditiva, percepção de estruturas rítmicas. relação I
Infância, colocando seus conhecimentos musicais a serviço de crianças
espacial e relação grupal por meio de atividades instrumentais e oferece abandonadas pela família e, da mesma forma, ajudou essas crianças a
algumas orientações sobre alguns aspectos que devem ser considerados' reencontrarem o equilíbrio emocional através de atividades musicais.
em trabalhos da área. Entre eles estão: Para Fonterrada (1991), os estudos, livros e pesquisas de Jeandot
mostram todo o potencial da música na promoção de meios eficientes
-Enterider e considerar a música corno um elemento
de comunicação entre o ser humano e o ambiente onde está inserido.
fundamental no rol de aspectos que contribuem para o
desenvolvimento de indi víduos; Como afirma Birkenshaw-Fleming (1993), é perfeitamente
possível usar a música em programas de educação especial,
-Agrupar as crianças de acordo com as suas dificuldades motoras
e suas reações frente ao ensino musical; principalmente se o professor considerar as reais possibilidades de seus
-Manter um espírito investigativo e pesquisar o material. alunos e planejar atividades adequadas aos limites, interesses e
adequado às características e necessidades de cada criança. motivações.
É importante ressaltar que a capacidade do professor, aliada à
Para Penovi (1971), a base da música é o som e este produz
diferentes mudanças psíquicas na pessoa, atuando sobre seu estado. flexibilidade do procedimento, são fatores fundamentais que permitem
mental, emocional e físico. A música está estreitamente ligada à vida da chegar a bons resultados no uso da música em situações de educação
criança, sendo que esta sofre uma influência notável do ritmo e da . especial. Um professor musicalmente bem preparado, tendo em mãos
melodia. A música parece provocar mudanças na conduta de crianças uma programação de ensino variada e flexível, que permite adaptações
com necessidades especiais fazendo com que se adaptem melhor à vida e modificações nos procedimentos planejados, é capaz de adequar os
escolar, contribuindo para suainteração social e melhor rendimento nas' cri térios de avaliação em função das características de seus alunos e
atividades de aprendizagem. adaptar os procedimentos ideais para o desenvolvimento de cada
[eandot (1990) relata que, durante seus primeiros cinco anos de tópico da aula, fazendo com que cada situação de ensino se transforme
vida, foi uma criança apática a tudo que acontecia ao seu redor, apatia em um degrau, possível de ser transposto.
esta decorrente de um trauma de nascimento. Sua mãe, que era uma . Desde que o professor consiga planejar adequadamente, a
excelente violinista, conseguiu sensibilizá-Ia e quebrar sua apatia por aprendizagem de comportamentos musicais se dá de maneira gradual
meio da música. O contato sistemático de [eandot com a música e crescente, tanto em termos quantitativos (a criança aprende mais de
estabeleceu um meio seguro para que ela se comunicasse com o seu , aula para aula) como em termos qualitativos, isto é, a criança aprende
mei(~ambiente. Esse elo foi tão forte que, ao tornar-se adulta, Jeandot comportamentos cada vez mais complexos.
dedicou-se à pesquisa e ensino de música.
Da mesma forma é possível aplicar ideias de outros educadores
Ao analisar as concepções e propostas de vários educadores
musicais tais como Willems, Kodály, Dalcroze, Gainza, Schafer e
musicais da atualidade é possível concluir que, embora a maioria deles
Koellreuter para citar apenas aqueles educadores mais conhecidos,
não te~1h~d,irigido suas ideias para o desenvolvimento de programas
cujas propostas serviram de base para muitas das metodologias
com indivíduos portadores de necessidades especiais, toda a
utilizadas por educadores musicais brasileiros a estabelecer um bom
metodologia sugerida por eles é perfeitamente aplicável para qualquer
programa de ensino para crianças com necessidades especiais. A
tipo de criança.
A eed ucaçao
- musicai,
. 1 tal como propõe educadores como Carl relação de interface entre principios de educação, educação musical e
educação especial parece ampliar ainda mais a área de atuação do
Orff, faz com que música, movimento e linguagemsejam apresentados
de fo rma h'u diica e dimarruca, .de tal maneira que a criança se sente
A • '
educador musical.
No entanto, é preciso estar atento para o fato de que a música tem
envolvida e motivada para executar os exercícios propostos pelo
sido reconhecida como elemento importante em processos educa tivos,
professor. Se uma criança, por exemplo, tem um problema de
profiláticos e terapêuticos, mostrando aos poucos como é fundamental
desenvolvimento da linguagem e não consegue falar corretamente, a
no processo de desenvolvimento de crianças, sejam elas especiais ou
música, o gesto, o movimento e o ritmo organizado de uma canção
não, enquanto que há poucos profissionais que se dedicam a essa
f . ilitam a ~alade pequenos fragmentos de frase, oque permite que essa
prática e há também pouco conhecimento produzido na área em forma
cn nça se integre no contexto da aula. A repetição criativa de vários
de artigos e livros de orientação. Essa pouca inserção do educador
n eitos conduz à aprendizagem sem medo e inibições e,
musical nessa fatia do mercado de trabalho e a quase ausência de
onsequentemente, desenvolve a autoestima da criança,
publicações, faz com que o professor de música seja pouco considerado
. As concepções de Carl Orff são perfeitamente adaptáveis às
como elemento importante para compor equipes de trabalho.
crianças com dificuldades de linguagem e/ou dificuldades motoras e
O educador musical deve entender que trabalhar com crianças
são também importantes para desencadear o desenvolvimento dessas
portadoras de necessidades especiais cria oportunidades para trilhar
áreas. O jogo musicallúdico e prazeroso impulsiona a criança a falar,
cantar , tocar. e se movimentar.
. O instrumental
. caminhos interessantes, produtivos, sensíveis e inesquecíveis. Ocupar
proposto por esse
esse espaço na organização social das comunidades é um chamamento
educador é muito interessante para o trabalho com crianças com
imperativo que precisa ser atendido, nem que seja para descobrir que
dificuldades motoras, o que pode ser extremamente prazeroso e
compensador. todos somos especiais e que o trabalho musical é igual e extremamente
prazeroso para qualquer tipo de indivíduo.

'Carl O~ff: (Mt1I~ique, 10 de julho de '1895 - Munique, 29 de março de 1982),


C(~mposltor alemão, tamoso sobretudo por sua cantara Carmina BW'OILn. Contudo, sua "A mú~ica Q um mccel9f1teQuxfliQt nos ptOC~~o~ de d~9f1volvfm9f1tode
principal
,
co, 1lin ib uiçao
. -, situa-se na area
, da pedagogia musical, com o Método Orff de
enSl~omuslcal, b~seado na p,ercussào e no canto, Orff criou um centro de educação
CtiQhÇQ~t~elQmelQ~pottQdotQ~de hec~~idQd~ ~pecfQi~ ou não",
mus~caJ para crianças e leigos em 1925, no qual trabalhou até a data do seu
falecimento.
o PAP~L DA MÚ~'CA NA ~DUCACÃO J
Além disso, corno já foi citado anteriormente, o trabalho com
musicalização i.nfantil na escola é um poderoso instrumento que
"Contribuir pSU"iJtOthiJl'o iJmblonta ggcoliJl' miJ'g iJlagt9 a hlvol'ával â desenvolve, além da sensibilidade à música, fatores como:
iJprand'ziJgam Á iJ d'mandlo gggoncfiJl diJ psdiJgogliJ". concentração, memória, coordenação motora, socialização, acuidade
auditiva e disciplina.
A música na educação funciona não apenas como experiência ,
estética, mas também como facilitadora do processo de aprendizagem, Ligar a música e o movimento utilizando a dança ou a expressão
como instrumento para tornar a escola um lugar mais alegre e corporal, pode contribuir para que algumas crianças, em situação difícil
receptivo, e também ampliando o conhecimento musical do aluno; na escola, possam se adaptar (inibição psicomotora, debilidade
Afinal, a música é um bem cultural e seu conhe~imento não deve ser psicornotora, instabilidade psicomotora, etc.). Por isso é tão importante
privilégio de poucos. A escola deve oportunizar a convivência com os a escol a se tornar um ambiente alegre, favorável ao desen volvimento.
diferentes gêneros, apresentando novos estilos, proporcionando urna Estudos afirmam que as atividades musicais nas escolas podem
análise reflexiva do que lhe é mostrado, permitindo que o aluno se torne ter objetivos profiláticos, nos seguintes aspectos:
mais crítico. Para isso, é preciso que os esforços dos alunos sejam
estimulados, compensados e recompensados por urna alegria que
possa ser vivida no momento presente. r:-í.~fCO: oferecendo atividades capazes de promover o alívio de tensões
Além de contribuir para deixar o ambiente escolar mais alegre, devidas à instabilidade emocional e fadiga;
pode ser usada para proporcionar urna atmosfera mais receptiva à p~íQUlco: promovendo processos de expressão, comunicação e
chegada dos alunos, oferecendo um efeito calmante após períodos de descarga emocional através do estímulo musical e sonoro;
atividade física e reduzindo a tensão em momentos de avaliação. A M{]JTAL: proporcionando situações que possam contribuir para
música também pode ser usada como um recurso no aprendizado de estimular e desenvolver o sentido da ordem, harmonia, organização e
diversas disciplinas. O educador pode selecionar músicas que falem do ' compreensão.
conteúdo a ser trabalhado em sua área; isso vai tornar a aula dinâmica,
atrativa, e vai ajudar a recordar as informações. Mas a música também
deve ser estudada como matéria em si, como linguagem artística, forma
de expressão e um bem cultural, de forma a ampliar o conhecimento
musical do aluno.
"Teda criiJnÇiJdava t9l' aeasso â múgiCiJ a OOUCiJl'·gamugiCiJlmonta,
As atividades musicais realizadas na escola não visam a
qUiJlqu9l' qua galiJ o iJmbianta gociocultul'iJ1 da qua pl'OvanhiJ".
formação de músicos, e sim, através da vivência e compreensão da
linguagem musical, propiciar a abertura de canais sensoriais,
facilitando a expressão de emoções, ampliando a cultura geral e '
'contribuindo para a formação integral do ser.
o PORQUt. DA VAlORIZACÃO DA MÚ~'CAN~ ~COlM
o QU~ ~ MU~'CAUZACÃO '?
."

"O dM~(!ttat rnu!:fcal na hI!:f! ~ffi-Mcolat dMdf! o bf!tÇ4tio Q urna tiquf!Za


incalculávf!1 ~ata a fotmaçljo f!ducacional da ctfanÇ1l".

Musicalização, em termos específicos, consiste em tornar um


A professora Tarsila Curi Sanfins, do Grupo Paula indivíduo sensível e receptivo ao fenômeno sonoro, promovendo nele,
Tecladoe. da cidade de Itatiba (SP) e seus alunos.
ao mesmo tempo, respostas de índole musical. Em termos práticos, é a
Aprender música nas escolas é importante porque: pré-escola da música. É a música agindo pela música.

LEla transmite nossa herança cultural. É tão importante conhecer A musicalização é um processo de construção do conhecimento,
Becthoven e Louis Armstrong quanto conhecer Newton e Einstein. que tem como objetivo despertar e desenvolver o gosto musical,
favorecendo qualidades preciosas tais como: a destreza do raciocínio, o
2.É uma aptidão inerente a todas as pessoas e merece ser desenvolvida.
desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade, do senso rítmico,
3.É criativa e autoexpressiva, permitindo a manifestação de nossos do prazer de ouvir música, da imaginação, da memória, da
pensamentos e sentimentos mais nobres. concentração, da atenção, do respeito a si próprio e ao grupo, da
4.Ensina os alunos sobre seus relacionamentos com os outros, tanto em disciplina pessoal, do equilíbrio, da socialização e afetividade, e
sua própria cultura, quanto em culturas estrangeiras. também contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de
5.0ferece aos alunos rotas de sucesso que eles podem não encontrar em movimentação.
parte alguma do currículo. Com a reunião e o desenvolvimento dos métodos é que
6.Melhora a aprendizagem de todas as matérias. buscamos atender musicalmente as vivências das crianças, através de
sua, participação criadora. Pelo aproveitamento desse dom é que se
7.Ajuda os alunos a aprender que nem tudo na vida é quantificáveI.
consegue ingressá-Ias não só na atividade musical e na forma de
8.Exa.ltao espírito humano. expressão, mas também na aprendizagem musical de aquisição de
conhecimentos básicos. Efetua-se de .
da atividade intuitiv . - ssa forma, a musicalização através
à aquisição d h~' que cna um estado mental intelectual favorável
e con ecimentos musicais.
Todo esse universo explorad 1 .
facilitar
o . o pe a cnança na pré-escola vem'
processo de alfabetização e o estud ( .
línguas estran eiras P' , . o conhecimento) de,
ib _ g . orem, a musica deve ser transmitida com ale .
VI raçao, através de uma m t di' ,. . gna, Sala de música da década de 50.
mundo d . e o o ogIa lúdica e dinâmica, própria do'
a criança,
Através dessa vivência estare f " Entre estes, citamos:
talentosos artistas ou sim I mos orma~do futuros ouvintes,
p esmente pessoas sensíveis e equilibradas.
1. Dm:QnvolvimQnto da manifQdação attí!!tica QQxptQ!!!!ivada criança:
Musícalizar brincando e' um processo que' I
desenvolvimento da cri .. comp eta o A educação musical pretende desenvolver na criança urna
a criança, que var de encontr
proporciona benefí . , o aos seus interesses e atitude positiva para este tipo de manifestação artística, capacitando-a
'r ..
b . 1CIOSque ela próprí
. -
Ia nao consegue avaliar mas
senti , e esse rm car e,,. mdiiscutivelmente a m . - ' . para expressar seus sentimentos de beleza e captar outros sentimentos,
riança. É vivenciando som e ritmo at 'd" aior atraçao para a
di raves e Jogos e recreações q inerentes a toda criação artística.
apr n izado musical chega hoiJe as crianças.. ' ue o Assim como se utiliza da palavra ou gestos para manifestar suas
A musicalização , alé m d e tr ans f ormar as crianças em indivíd ideias, terá como meio de expressão mais uma forte ferramenta na
qu u am, fazem" , cnam e aprecIam os sons " uos construção de seus argumentos: a música. A$ crianças tendem a pensar
p t d d musicais, engloba vários
c os o esenvolvimento e aperfeiçoamento humano, tais como: na música corno sendo sobre "coisas", isto é, como contando histórias,
expressando ideias, vivendo situações.
- Socialização;
- Capacidade inventiva' , 2. DQ!!BnVolvirrwnto do !!Qntido B!!tético Qético:
- Coordenação motora e tato fino; Durante o processo de criação e depuração dos elementos
- Raciocínio lógico e matemático' musicais, ou mesmo no processo de expressão, busca-se o equilíbrio ea
- Estética; , crítica sobre o conceito do belo, do pleno, do satisfatório. As campanhas
- Percepção sonora' , publicitárias veiculadas nos dias de hoje, influenciam fortemente nosso
- Percepção espacial; poder de julgamento e decisão. Muitas vezes não ponderamos se algo é
· Alfabetização; realmente bom, bonito ou dispensável. Simplesmente o aceitamos. A
· Inteligência; criança tem sido um grande alv da mídia e também sofre essa
· Expressi vidade. influência.
"1 I

A criati vidade é ilimitada no ser humano. Atualmente, com o


Através da música, com seus valores estéticos intrínsecos e d
crescimento tecnológico e a busca de soluções cada vez mais
atividades voltadas especialmente para o desenvolvimento do 'valor
aprimoradas para os problemas vividos pelo homem atual, busca-se
es~ético, pretende-se resgatar o sentido do belo e do justo em relação à
incansavelmente o desenvolvimento da imaginação humana, semente
COIsasque nos rodeiam e também às nossas atitudes. O poder d~
de toda a evolução.
escolha intermedeia a busca da estética, e esta exteriorização é a base da
ética.
5. Busca do equilíbtio etnocional:
g. De!!envolvitnento da congciQncia social e coletiva: Para os gregos, a educação musical aprimorava o caráter e
,
tornava úteis os homens em palavras e ações, e os estudos de música
. Quando a criança canta ou está envolvida com papéis de
começavam na infância e se estendiam por toda a vida.
mterpr~tação sonora em coletividade, sente-se integrada em um grupo
~ adquire a consciência de que seus componentes são igualmente Também o jogo musical, que não se liga a interesses materiais ou
Importantes. Compreende a necessidade de cooperação frente aos competitivos, estabelece limites próprios de tempo e espaço, cria a
outros, pois da conjunção de esforços dependerá o alcance do objetivo ordem e equilibra ritmo com harmonia.
comum.
6. De~envolvitnento !!ocioafetivo:
Quando estuda música em conjunto, torna-se mais
co~unicativa e convive o tempo inteiro com regras de socialização. A criança aos poucos vai formando sua identidade, percebendo-
EXIstea possibilidade de respeitar o tempo e a vontade do outro, criticar se diferente dos outros e ao mesmo tempo buscando integrar-se com os
de forma construtiva, ter disciplina, ouvir e interagir com o grupo. . outros. Nesse processo, a autoestima e a autorrealização desempenham
um papel muito importante. Através do desenvolvimento da
4.. Degerwolvitnento da a~tidão inventiva e ctiadOta: autoestima ela aprende a se aceitar como é, com suas capacidades e
limitações. As atividades musicais coletivas favorecem o
A educação através das artes proporciona à criança a descoberta
desenvolvimento da socialização, estimulando a compreensão, a
das linguagens sensitivas e do seu próprio potencial criati vo, tornando-
participação e a cooperação. Dessa forma a criança vai desenvolvendo o
a mais capaz de criar, inventar e reinventar o mundo que a circunda. A
conceito de grupo. Além disso, ao expressar-se musicalmente em
criatividade é essencial em todas as situações. Uma criança criativa
atividades que lhe dêem prazer, ela demonstra seus sentimentos,libera
raciocina melhor e inventa meios de resolver suas próprias
suas emoções, desenvolvendo um sentimento de segurança e
dificuldades.
autorrealização.
A criança se envolve integralmente com a música e a modifica É preciso salientar a importância de se desenvolver a escuta
cons~antemente, exercitando sua criatividade e transformando-a pouco sensível e ativa nas crianças. Porém, atualmente as possibilidades de
a pouco numa resposta estruturada de acordo com seus objetivos. desenvolvimento auditivo se tornam cada vez mais reduzidas,
principalmente pelo excesso de ruídos com que estamos habituados a: musicais que permitem uma participação ativa (vendo, ouvindo e
conviver. Por isso, é fundamental fazer uso de atividades de tocando) favorecem o desenvolvimento dos sentidos das crianças. Ao
musicalização que explorem o universo sonoro, levando as crianças a trabalhar com os sons, ela desenvolve sua acuidade auditiva; ao
ouvir com atenção, analisando, comparando os sons e buscando acompanhar gestos ou dançar ela está trabalhando a coordenação
identificar as diferentes fontes sonoras. Isso irá desenvolver sua motora e a atenção; ao cantar ou imitar sons, ela está descobrindo suas
capacidade auditiva, exercitar a atenção, concentração e a capacidade' capacidades e estabelecendo relações com o ambiente em que vive.
de análise e seleção de sons.

Durante o período pré-escolar a criança é mais receptiva a esse <6. De~envolvimento peíeomotor:
desenvolvimento musical, podendo-se obter ex'celentes· resultados As atividades musicais oferecem inúmeras oportunidades para
com a aplicação sistemática de práticas musicais (são as chamadas que a criança aprimore sua habilidade motora, aprenda a controlar seus
Janelas de Oportunidades).
músculos e se mova com desenvoltura. O ritmo tem um papel
Para Piaget, o afeto é o principal impulso motivador dos importante na formação e equilíbrio do sistema nervoso. Isto porque
processos de desenvolvimento mental da criança e, para Celso toda expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga
Antunes, a afetividade pode ser construída através de estímulos emocional, a reação motora e aliviando as tensões. Qualquer
adequados e medidos. Através da música e de seu processo de criação, movimento adaptado a um ritmo é resultado de um conjunto completo
a criança torna-se um indivíduo criador, gerador, formando um eterno (e complexo) de atividades coordenadas. Por isso, atividades corno
vínculo com sua produção e autoria. "Fui eu quem fiz!" Este é um fator cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas e bater pés são experiências
positivo para o desenvolvimento de sua autoestima e identificação de importantes para a criança, pois elas permitem que se desenvolva o
suas motivações. senso rítmico e a coordenação motora, fatores importantes também
Durante a adolescência, a música torna-se uma companhia com para o processo de aquisição da leitura e da escrita.
a qual o adolescente pode contar e dividir suas alegrias e tristezas,
ocupando-se de uma maneira sadia. E quando atingir a idade adulta,
ela estará ao seu lado, até como lazer. Uma válvula para descarregar o .1

"stress" do dia a dia.

7. De~envolvimento cognitivo/linguígtico:
A fonte de conhecimento da criança são as situações que ela tem
iportunidade de experimentar em seu dia a dia. Dessa forma, quanto
naior a riqueza de estímulos recebidos, melhor será seu
lesenvolvimento intelectual. Nesse sentido, as experiências rítmico-
~ JAN~l~ D~ OPORTUNfDAD~ ~ PAP~l DA o
~DUCACÃOINrANTll NO ~~CUlO XXI
ss JAN~l~ D~ OPORTUNIDAD~
"A ~attit da d~cobotta da extrema ~Iagficidadedo cárebto, que até Og 4 anog
"r~
~lIrnulat nllo gignffica hlzot ag ctiançu queirnarern eta~ag, mas girn dat a' alcança urna atividade que larnaig ge re~etft4, Ogcientigfag fotrnarn o conceito
elag condiça~ de alHllfelçoat ag habilfdad~ que demensnam tot". de Jgnelag de OkOttunidad~ - irn~ttantíggirno ~ata o Muto da ~ducaçlio".

Recentes descobertas a respeito da formação do cérebro e da


Existem 100 bilhões de neurônios no cérebro de um recém-. inteligência prenunciam enormes avanços e dão à Educação Infantil,
nascido, e 5 trilhões de conexões nervosas, que chegarão a 1 quatrilhão em todo o mundo, um papel cada vez mais importante.
nos primeiros meses de vida. Os cientistas dizem que não há tantos' O que se descobriu? Em síntese, abrindo novas frentes de
genes na espécie para determinar um número tão grande de ligações.. pesquisa com equipamentos de última geração, a Ciência está
Elas são formadas pela experiência, a partir dos estímulos recebidos e conseguindo mapear o que se teorizava ou intuía no campo da
d s hipóteses formuladas pelo indivíduo diante de uma nova situação. Educação e da Psicologia: como - e quando - se dá o aprendizado de
O que são as Janelas de Oportunidade? Tal termo denomina os certos conhecimentos fundamentais para o homem, como as
momentos mais propícios de estimulação do cérebro para que assimile habilidades matemáticas, musicais e 1inguístícas, ou as respostas
informações de determinada natureza, ou seja, cada contato, cada emocionais. Em linhas gerais, os pesquisadores descobriram que, sim, é
experiência nova, cada estímulo na época certa, faz realizar ligações verdade que o número de neurônios não aumenta durante a vida. Ao
entre as células nervosas abrindo assim possibilidades de contrário, sofrem uma gradual redução. Mas são as conexões entre eles
desenvolvimento para as crianças, que podem ou não ser mais que realmente darão conta da incalculável quantidade de informações
desenvolvidas, mas não por falta de recursos ou inteligência. que começam a ser assimiladas pelos bebês, tão logo abrem seus olhos
Mas entenda: estimular não significa fazer as. crianças pela primeira vez.
queimarem etapas, mas sim dar a elas condições de aperfeiçoar as A partir da descoberta da extrema plasticidade do cérebro, que
habilidades que demonstram ter. Embora se iniciem em idades até os 4 anos alcança uma atividade que jamais se repetirá, os cientistas
diferentes, a maior parte das habilidades pode ser trabalhada com formam o conceito de Janelas de Oportunidade - importantíssimo para
maior eficiência até os 10 anos. o futuro da Educação.
Assim, musicalidade, raciocínio lógico-matemático, inteligência Fundamentalmente, precisamos reconhecer que o papel dos
espacial, são capacidades que se consolidam na primeira infância, pais e das escolas não deve mais se limitar a cuidados, a proporcionar
quando a criança está aprendendo a aprender. Após esta idade, as diversão ou carinho. É preciso que leve em conta as oportunidades
dificuldades aumentam. abertas pela formação biológica do cérebro, dentro de um projeto
equilibrado.
p~Qur~AS! ,~ .•
A MÚ~'CA t; ~ JANt;l~ Dt; OPORTUN'DAD~ UGAÇÕ~ t:NTRJ; A MÚ~ICA J;O D~J;NVOLVIMt:NTU.DO··QfRt:BRO:

"t funda manta I J»atQ a ctlaçlo


da~ JgnAla~ dA O~ottynldgd~ qUA a~ ctiança~
ouçam CQntiga~dA tOda A CQntiga~dA ninat, qUA ~A comuniquAm com ouftO~
bobM, qUA ouçam a~ ontonaçõ~ dlh!tont~ n~a~ convma~, qUA ~;ntam o
colo du mll~, t;a~ Aav6~, qUA ftoquontAm urna sseela, um clubA, qUA vAiam
~~~OQ~A, ~tfncf~almAntA,~atticf~m du btfnCQdA;tQ~ fnhlnti~".
Professor Ailton Ângelo de Brito,
do Grupo Pnula Tectados, da
r-lABfUDADJ;: a criança torna-se apta a relacionar notas e sons e a cidade de ltatiba (SP) em aula
de violão.
distinguir instrumentos musicais diferentes. Um estudo feito com
músicos de uma orquestra sinfônica alemã mostrou que os mais hábeis Para que o cérebro desenvolva todo o seu potencial., são
eram aqueles que haviam se iniciado mais cedo no estudo formal de necessários estímulos agindo diretamente em suas centrais de
música.
comunicação. ,
Na infância, em especial, esse conjunto de estirnu los
~TrMUlO: basta ligar o equipamento de som, ou deixar a criança
proporciona o desenvolvimento das fibras nervosas capazes de ativar o
brincar com uma flauta doce, por exemplo. Se os pais percebem um
interesse especial do filho pela matéria, podem matriculá-Ia numa cérebro e dotá-lo de habilidades.
Uma equipe de estudiosos que pe~quisa a ligação ,entre a
escola que reforce o ensino musical. Acredita-se que essa habilidade
pode ser adquirida principalmente até os 10anos. MÚSICA e a inteligência informa que o treinamento em MU~ICA-
especificamente o ensino de piano - é muito ~~perior ao ens~no, ~e
A música é, de fato, um dos estímulos mais potentes para ativar
informática para aumentar sobremaneira as habilidades de raC1~~mlO
os circuitos do cérebro, pois a janela de oportunidade musical abre-se
abstrato nas crianças, necessárias para o aprendizado de matemática e
aos 3 anos e fecha-se aos 10.
ciências.
A música também demonstrou que é capaz de imprimir no As novas descobertas são resultados de dois anos de
cérebro, a compreensão da melodia das próprias palavras. experiências com crianças em idade pré-escolar, com os .quais os
Portanto, é fundamental para a criação das "janelas de . d Ole
pesqUIsa . 'S dedicaram-se a comparar os efeitos do treinamento
oportunidades" que as crianças ouçam cantigas de roda e cantigas de MUSICAL e não-musical no desenvolvimento intelectual.
ninar, que se comuniquem com outros bebês, que ouçam as entonações
diferentes nestas conversas, que sintam o colo das mães, tias e avós, que "AqUAra~ctiança~ qUA tAcobAtam trAfno am teelado dA ~.ianoob~AtQm
frequentem uma escola, um clube, que vejam pessoas e, ~urtado~ g4% ~u~Atfo~ nos tm~ qUA mAdiam as habllid!d~ tAml»OtO-
princÍpalmente, participem das brincadeiras infantis. ~~acial~, arn com~atQçlo com os ouftO~gtu~o~ •
A experiência inclui três grupos de crianças em idade pré- AT'V'DAD[;~ MU~'CA'~M[;U-IORAM ~ I-lAB'UDAD~
escolar; um grupo recebeu lições particulares de teclado de piano e INT[;L[;CTUAI~V'TA'~ N~ CRIANC~:
aulas de canto; um segundo grupo recebeu lições particulares de
A participação em atividades musicais aumenta a habilidade da
informática; o terceiro grupo não recebeu treinamento algum. Aquelas'
criança para aprender Matemática básica e Leitura. Também
crianças que receberam o treino em teclado de piano obtiveram
desenvolve habilidades cruciais para ter uma vida bem sucedida, como
resultados 34% mais altos nos testes que mediam as habilidades'
têmporo-espaciaís em comparação com os outros grupos. por exemplo, a autodisciplina, trabalho em grupo e habilidades para a

É interessante observar que as crianças que aprenderam resolução de problemas.


Os estudantes envolvidos com a MÚSICA também têm menos
computação não tiveram notas mais altas do que aquelas que não
haviam recebido nenhuma instrução especial. possibilidades de relacionar-se com quadrilhas, consumir drogas ou
O termo "têmporo-espacíal" significa basicamente raciocínio abusar do álcool e têm melhores índices de comparecimento às aulas.
proporcional - proporções, frações e pensamento no espaço e no Depois de aprender as figuras de notas musicais, colcheia,
tempo. Esse conceito, por muito tempo, foi considerado o maior semínima, mínima e a semibreve, os alunos da segunda e terceira séries
obstáculo para o ensino fundamental de matemática e ciências. tiveram notas lOO°!t) mais altas que as de seus companheiros que
Estas descobertas indicam que a MÚSICA, por si mesma, tiveram aulas de frações utilizando os métodos tradicionais.
aumenta as funções cerebrais superiores exigidas para matemática, Um grupo de pesquisadores da Universidade de Munster, nos
xadrez e engenharia. Estados Unidos, informou que o fato de ter aulas de MÚSICA na
Os resultados reforçam a ligação casual entre a MÚSICA e a infância, na realidade aumenta o tamanho do cérebro. A área cerebral
inteligência. A pesquisa se baseia em alguns conceitos notáveis que que se utiliza para analisar o tom de uma nota musical é 25% maior nos
estão começando a aparecer nos laboratórios de neurologia espalhados músicos, em comparação com as pessoas que nunca tocaram um
por todos os Estados Unidos. Estes estudos mostram que as primeiras instrumento. As descobertas sugerem que a área aumenta com a prática
experiências determinam que as células cerebrais (neurônios) se ligam e a experiência. Quanto mais jovem eram os músicos quando iniciaram
a outras células cerebrais que já morreram. seu aprendizado musical, maior parece ser esta área do cérebro.
Considerando que as conexões nervosas são as responsáveis por
todos os tipos de inteligência, o cérebro de uma criança desenvolve
todo o seu potencial somente quando se expõe à experiências "Aulsu: do MÚ~ICA na infância t9IIlrnonto ffizorn o cát9bro c~C9t.
enriquecedoras necessárias desde a primeira fase da infância. P~qui~ado~ alornl~ d~cobtiHlrn quo a át911do cÓl'9broutilizada ~aHl
Essa pesquisa sustenta o que grandes professores e pensadores anali~at tons rnu~iCQi~é, sm rnédia, 25% rnaiot nes rnú~ico~.Quanto rnai~
já sabiam desde Platão que "o treinamento musical é parte de lima educação cAdo cornoÇQt o mino rnu~ICQI,rnaiot a át911do cÓl'9bro".
completa",
ser considerada um agente facilitador do processo educacional. Nesse
A MÚ~ICA D~~NVOlV~NDO O RACIOcfNIO lÓGICO-MAT~MÁTICO: sentido , faz-se necessária a sensibilização dos educadores para
S , .

Platão disse urna vez que "a MÚSICA é o instrumento educacional despertar a conscientização quanto às possibilidades da musica para
mais potente do que qualquer outro". Agora os cientistas sabem por quê. A favorecer o bem-estar e o crescimento das potencialidades dos alunos,
música, eles acreditam, treina o cérebro para formas superiores de pois ela fala diretamente ao corpo, à mente e às emoções.
raciocínio. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Irvine, Corno já foi dito, a presença da música na ed~cação ~lém de
estudaram o poder da MÚSICA observando dois grupos de crianças e~ auxiliar a percepção, estimular a memória e a inteligência, relaCionar-se
idade pré-escolar, Um gmpo teve lições de piano e cantava diariamente com as habilidades linguísticas e lógico-matemáticas, desen.volve
no coro. Após oito meses, as crianças de 3 anos de idade eram experts n procedimentos que ajudam o educando a se reconhecer e a se onentar
domínio de quebra-cabeças, atingindo desempenho 80% superior ao melhor no mundo.
que seus colegas conseguiram em inteligência espacial- a habilidade de,
As atividades de musicalização também favorecem a inclusão de
visualizar o mundo acuradamente, e esta habilidade mais tarde se:
crianças portadoras de necessidades especiais. Pelo seu carát r lúdico
traduz em complexas habilidades matemáticas e de engenharia.
de livre expressão, não apresentam pressões nem cob~a.nças de
resultados. São uma forma de aliviar e relaxar a criança, auxiliando na
A MÚ~ICA ~ O RACIOcíNIO ~PACIAl ~ T~MPORAl: desinibição, contribuindo para o envolvimento social, despertando
Em fevereiro de 1997, foi publicado na revista Neurological noções de respeito e consideração pelo outro e abrindo espaço para
Research que pré-escolares que estudaram piano apresentavam 34% outras aprendizagens.
melhores resultados em habilidade no uso de raciocínio espacial e
t mporal do que os alunos que não tiveram estudo de música, mas
gastaram a mesma quantidade de tempo estudando computação.

CONClU~Õ~
Evidenciou-se através destes estudos que as diversas áreas do
:onhecimento podem ser estimuladas com a prática da musicalização.
De acordo com esta perspectiva, a música é concebida como um
miverso que conjuga expressão de sentimentos, ideias, valores
:ulturais e facilita a comunicação do indivíduo consigo mesmo e com o -. tos ublicados nu livreto A Importância da Música para as Crianças, da ABEMÚSICA,
Estude p. ' .. d M' sica) Julhode?OO2 presidenteSynésio Batista da Costa, tendo a
neio em que vive. Ao atender diferentes aspectos do desenvolvimento (Associação Brasileira c, uSlca em .- . '
. N AMM (1nternational M usic Prod ucts A..'lSOaatlOn) como fonte.
iumano - físico, mental, social, emocional e espiritual- a música pode
I-HS!TÓRIA
MU~ICOT~RAPIA
Entre os povos egípcios, assírios. babilônicos, persas e outros da
antiguidade oriental, a música servia como recurso de encantamento e
magia, suscetível de acarretar os efeitos mais diversos, inclusive a cura
dos transtornos do corpo e do espírito. As primeiras referências sobre a
influência da música sobre o organismo humano são, provavelmente,
as encontradas num papi.ro médico egípcio datado de 2.500 a.c.,
descoberto em Kahum por Petrie, em 1889.
Conforme a leitura da Bíblia, entre os hebreus, a música
investida de poderes sobrenaturais - desempenhava um papel de
relevo nas práticas religiosas. Assim, conforme célebre episódio bíblico
azendo o rei Saul recobrar o equilíbrio
ocorrido dez séculos antes de Jesus Cristo, o rei Saul seria vítima de
mental graças à música da sua harpa, segundo
Rernbrandt. Museu Mauritshuis " "'n', H ala.
< . crises periódicas de excitação psicomotora, nas quais, de acordo com a
crença da época, estaria possuído por um mau espírito. Então, o jovem
Davi dedilhava a sua harpa junto ao rei e, expulsando o mau espírito
"A Uus'cotetQ~ill Ó Um1Jfnema de tratarnanto que utiliz1J1Jmúsica ~1JtQ por meio da música, fazia Saul voltar à calma. Em vista da sua
aluda,. no hatamento de ~tOblemas, tanto de ordem física quanto de o,.dern significação transcendental, a música atingiu extraordinário
omocion1J' ou monta'''. desenvolvimento no tempo de Davi, cantor e harpista, fundador de

À esquerda: Santa Cecília, padroeira da música, tocando órgão, Museu de


D~~INICÕ~ Bolonha. À direita: Anjo músico. Museu do Vaticano .
. . Se~undo a World Federation of Music Therapy, Musicotera " ,
a utilizaçã d ' .: pIa e
: o a musica e/ou de seus elementos constituintes: ritmo
melodia
. e harmon··Ia, por um muslcoterapeuta qualificado com um'
.Iiente
- .ou ~rupo, em um processo destinado a facilitar e 'promover
-.omuruca
. çao,
_ re 1·
acionamento ' aprendizado ,1mobiliIzaçao,
- expressa- o
irgaruzaçao. e ou t ros o bieti
jetivos terapêuticas relevantes, a fim de atende '
rs n~cessIda~es físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. ~
vlusicoterapia busca desenvolver norenr-í . e/ou restaurar f
esenvo ver potenciais - d
di íd unçoes o
11 IVI uo ~ara que ele alcance uma melhor qualidade de vida através
leprevençao, reabilitação ou tratamento.
uma escola de .canto orfeônico ,.onde 4 000'can t ores entoavam louvores tristeza, arrependimento, contrição. O eolio, amor. O dórico, gravidade,
recolhimento, concentração. Da mesma maneira, uns gêneros e ritmos
a ?eus. Depoís, Salomão também incentivou o cultivo da música no
eram enervantes, outros sensuais, outros virilizantes, etc. Certa música,
seio de Israel e se celebrizou como autor de cânticos.
em determinado modo, gênero e ritmo, despertava voluptuosidade, ou
~os textos mitológicos, os heróis exerciam muitas vezes funçóe
r

religiosidade, ou agressividade, etc.


de I~e~lcos e, na cura das doenças, recorriam à música, velha aliada da
m~d~cma. Apolo era o deus da medicina e, ao mesmo tempo, o deus da'
n1l1Slca.Em virtude da crença
.. d e que a música
' . serra
. capaz de afastar "Corno ~recutsot das conce~çõ~ de Platão, l-lornetO a~~inalou:a rnúgica
doenças, deixando os homens a salvo de todosos males, SófocIes nQo foi concedida ao~ horneng ~elo~deu~~ irnottai~ corn o firn ~ornente de
relatou certa vez, que a cidade de Tebas, quando dizimada pela peste, alegtat e de recreat ~eu~~entfdo~,mas Qinda ~QtaQ~aziguat as IWtutbaç~
entoou cantos fervorosos a ApoIo. . de sua alma e o~ mevímenros tumultuosos que exlWirnentQ um COt~O cheio
Na civilização helênica, a música era executada de acordo com de irn~etfufçõ~".
~s .cham.ado~ ~odos: ~ue eram em número de sete: o dárico, o frigio, o
lz~lO, ~ '~lpodonco 011 eôlio. o hipofrígio 011 jõnico, o hipolid ia e o hiperdôrico ou Na Idade Média, considerou-se a música uma linguagem não só
mixollâio. De acordo com a doutrina ética musical dos gregos, cada um capaz de pôr o crente em comunicação com Deus, mas ainda de agir
dos modos,•
assim como dos gêneros e dos fI.tm os, encerrava sobre o comportamento das criaturas. Daí se patenteou a necessidade
deter~lU~ado poder moral. Esses caracteres morais atribuídos à música de ser utilizada em obediência a um critério ético, a exemplo do que
constituíram o ethos
. . O mo d o fri.IlgLO, mcitava
. , furor e coragem. O lidio, aconselha va a sabedoria grega.
No século XVIII, por ocasião das Cruzadas, mais de cem crianças
~ e~querd~: Os meninos can~ores, por Lucca Della Robbia. Museu de Santa foram acometidas de loucura de dança ou coreonumia, abandonando os
arra d~1 :lOre, em Florença. A direita: Orfeu que atraía os animais do bosque lares e desatando a dançar pelas estradas até caírem de exaustão, muitas
com a musica de sua lira.
morrendo e outras tornando-se predispostas às manifestações
convulsivas. Essa epidemia também ocorreu na Alemanha, nos Países
Baixos, na Holanda e na Itália. Neste último país, admitiu-se que as
contorções dos indivíduos dançarinos fossem causadas pela picada de
urna aranha, a tarântula, cujo veneno determinaria transtornos tão
bizarros e espetaculosos. Por isso, a epidemia de dança, na Itália,
recebeu o nome de tarantismo. Nessa época, o padre jesuíta Atanásio
Kircher, no livro "Ars Magnética", propôs curar as pessoas picadas pela
tarântula e, portanto, vítimas de tarantismo, por meio da música.
Aconselhou os doentes a dançar compassos de música bastante
estimulante. Essa musica então foi denominada de tamntela. Os seus auxiliares, dizia que "mais vale a candura do que a uiolência, 110
movimentos violentos da dança, ao mesmo tempo que determinariam a trntumenio dos doeu tes". E então, entre os processos de tratamento
sudorese e a fadiga dos pacientes, deveriam facilitar-lhes a eliminação adotados por PineI, a música se impôs como um dos mais eficientes.
do veneno da tarântula do organismo e reconduzí-los à tranquilidade Enfim, a música desde os tempos mais remotos vem se destacando
normal. também no campo da medicina.

O taruntismo, a exemplo de outras epidemias coreiforrnes da ' E assim, a Musicotcrapia como disciplina teve início no século
época - a dos quakers, na Inglaterra de 1647; a dos camisardos, na França XX, após as duas guerras mundiais, quando músicos amadores e
de 1700; a das Ursulinas de Loudun, em 1632; a.do Cemitério da São profissionais passaram a tocar nos hospitais de vários países da Europa
Medardo de Paris, em 1731 - constituiu uma expressão de histeria e Estados Unidos, para os soldados veteranos. Logo os médicos e
coletiva e, o método musicoterápico de Kircher, depois estudado e enfermeiros puderam notar melhoras no bem-estar dos pacientes.
defendido por Giorgio Bogivi e Richard Mead, deveria proporcionar Nos Estados Unidos, o primeiro curso universitário de
bons resultados apenas às custas de mecanismo psicoterápico. Mais musicoterapia foi criado em 1944, na Michigan State University, Em
tarde, no século XIX, ainda ocorreram epidemias coreifonnes no 1972, foi criado o primeiro curso de graduação no Conservatório
território do Tigré, na Abissínia e em 1822, no norte do Brasil, onde Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro. Hoje, no mundo, existem mais
v 'ri ficou-se a abasia coreiforme, ou seja, a presença de movimentos de 127 cursos, que vão da graduação ao doutorado. De lá para cá, a
desordenados em individuos da raça negra e só se dissipou depois de música vem sendo cada vez mais incorporada às práticas alternativas e
alguns anos. terapêuticas.
Ao sopro das novas idéias extraídas da Revolução Francesa e em
obra de reivindicação dos Direitos Humanos, Felipe Pinel, médico do
Hospício da Bicêtre e depois da Salpêtriere, em Paris, juntamente com
Abaixo: Duas telas de reter Breuqhel, o Velho, onde vítimas de loucura dançante são
contidas a fim de que ouçam músicas e se entreguem a danças com objetivo
À esquerda: A melancolia do ~)intor Van der Coes tratada por um coro de meninos, terapêutico, ao mesmo tempo que se dirigem em peregrinação à Igreja de Saint-
segundo uma tela de Wanter. A direita: Bedlam, segundo Hogarth. Entre os doentes, Willibrod.
um está tocando violino. .
PROC~~O
'ND'CACÕ~ o processo da Musicoterapia pode se desenvolver de acordo
Sendo inerente ao ser humano, a música é capaz de estimular e com vários métodos. Alguns são receptivos, quando o musicoterapeu ta
despertar emoções, reações, sensações e sentimentos. A Musicoterapia toca música para o paciente. Este tipo de sessão normalmente limita-se
reside na modificação dos problemas psíquicos, atitudes e energia a pacientes com grandes dificuldades motoras ou aplica-se em apenas
dinâmica, esforçando-se para modificar qualquer patologia física ou uma parte do tratamento, com objetivos específicos.
psíquica, atuando fundamentalmente como técnica psicológica. Pode
Na maior parte dos casos a Musicoterapia é ativa, ou seja, o
ser também coadjuvante de outras técnicas terapêuticas, abrindo canais
próprio paciente toca os instrumentos musicais, canta, dança ou realiza
de comunicação para que estas possam atuar eficazmente.
outras atividades com o terapeuta. A forma como o musicoterapeuta
Qualquer pessoa é suscetível de ser tratada com Musicoterapia. interage com os pacientes depende dos objetivos do trabalho e dos
Não há restrição de idade: desde bebês com menos de um ano, até métodos que ele utiliza. Em alguns casos, as sessões são gravadas e o
crianças, adultos, gestantes e idosos, todos podem ser beneficiados. A terapeuta realiza improvisações ou composições sobre os temas
Musicoterapia pode ajudar os portadores de deficiência mental, os apresentados pelo paciente. Alguns musicoterapeutas procuram
pacientes com problemas motores, autistas, os portadores de interpretar a música produzida durante a sessão. Outros preferem
esquizofrenia, os portadores de paralisia cerebral, aqueles que tiveram métodos que utilizem apenas a improvisação sem a necessidade de
derrame, pessoas com dificuldades emocionais, pacientes interpretação. Os objetivos da produção durante uma sessão de
psiquiátricos, os psicóticos, ou ainda pessoas com depressão, Musicoterapia são não-musicais, por isso não é necessário que o
estressadas ou tensas. Tem servido também para cuidar de aidéticos e .
paciente possua nenhum treinamento . I par a que possa
musica
indivíduos com câncer.
participar deste tratamento.
O musicoterapeuta, por outro lado, devido às habilidades
Abaixo o padre jesuíta Atanásio Kircher. necessárias à condução do processo terapêutico, precisa ter proficiência
em diversos instrumentos musicais. Os mais usados são o violão, o
piano (ou outros instrumentos com teclado) e instrumentos de
percussão.

o MU~'COT~RAP~UTA
O profissional responsável por conduzir o processo
musicoterápíco é chamado musicoterapeuta. A formação desse
profissional é feita fi cursos de graduação em musicoterapia ou em
especialização para profissionais da área de música ou saúde (músicos, Os musicoterapeutas, na sua for 01 maçaão , estudam os efeitos
, .
professores de música, médicos ou psicólogos). Em alguns países, a hipnóticos dos ritmos repetidos, associados ao transe e.êxtase místico
musicoterapia também pode fazer parte de uma formação em e/ou o seu efeito sobre as emoções humanas, relativamente b~m
arteterapia, que envolve, além da música, técnicas de artes plásticas e conhecidos por produtores da música de filmes (suspense, açao,
dança. sensualidade, etc) e peças teatrais incluindo a ópera. Recentement~,
uma das maiores aplicações de sucesso reconhecido da musicoterapia
O trabalho musicoterápico pode ser desenvolvido dentro de
tem sido o tratamento da dor crônica e stress pós-traumático.
equipes de saúde multidisciplinares, em conjunto com médicos,
psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacior;ais, fisioterapeutas e O dia do musicoterapeuta é comemorado no Brasil em 15 de
educadores. Também pode ser um processo autônomo realizado em setembro.
consultório.

O musicoterapeuta pode utilizar apenas um som, recorrer a


apenas um ritmo, escolher uma música conhecida e até mesmo fazer ~TILO~ MU~ICAI~TRABALJ.lADO~
com que o paciente crie sua própria música. Tudo depende da A música trabalha os hemisférios cerebrais, promovendo o
disponibilidade e da vontade do paciente e dos objetivos do
equilíbrio entre o pensar e o sentir, resgatando a "afinação" d.o
musicoterapeuta. A música ajuda porque é um elemento com o qual indivíduo, de maneira coerente com seu diapasão interno. A melodia
todos têm contato. Através dos tempos, cada um de nós já teve, e ainda
trabalha o emocional, a harmonia, o racional e a inteligência. A força
tem, a música em sua vida.
organizadora do ritmo provoca respostas motoras :ue, através da
O profissional é preparado para atuar na área terapêutica, tendo pulsação, dá suporte para a improvisação de movimentos para a
a música como matéria-prima de seu trabalho. São oferecidos ao aluno expressão corporal.
de Musicoterapia, conhecimentos musicais específicos, incluindo teoria
Músicas com ritmo muito marcante e constante, como por
musical, canto, prática em ao menos um instrumento harmônico (piano
exemplo o rock, não servem para o relaxamento, po~s o _objetivo do
ou violão), instrumentos melódicos (principalmente flauta) e
relaxamento é a diminuição do pulso e do ritmo da respiraçao.
percussão. São oferecidas também vivências na área de sensibilização,
em relação aos efeitos do som e da música no próprio corpo. Cada ritmo musical produz um trabalho e um resultado
diferente no corpo. Assim, há músicas ~ue provocam nostalgia, alegria,
Também faz parte da formação do musicoterapeuta,
tristeza, melancolia e etc.
conhecimentos de áreas da saúde e das ciências humanas,
conhecimento da anatomia e fisiologia humana, psicologia, filosofia, Alguns tipos de música podem servir de .guia pa~'a as
noções de expressão artística, expressão corporal, dança, técnicas necessidades de cada pessoa. Bach, por exemplo, pode ajudar muito no
grupais e métodos de educação musical como o Método 011! ou o Método aprendizado e na m mória, Rossini, com Guilherme TeUe W~gner, com
KodálÍj. . as Walkirias, ajudam especialmente no tratamento de pacientes com
depressão. As valsas de Strauss podem contribuir e muito, para o
momentos
indicadas
em que se necessita um maior relaxamento,
para salas de parto. As marchas
estando
são um tipo de música qu
bem, CAPíTULO 4-
transmite energia, tão importante
pacientes em convalescença.
e escassa em áreas hospitalares de
I-"~TÓRIA DA P~DAGOGIA
Um bom exemplo disso tem sido o uso da musicoterapia, no MU~ICAL NO BR~IL
auxílio do tratamento da doença de Alzheimer. Doença de caráter
progressivo e degenerativo tem, entre seus yrimeiros sinais, o
esquecimento, a dificuldade de estabelecer diálogos, as mudanças de
atitude e a diminuição da concentração e da atenção. A Musicoterapia
ajuda a estimular a memória, a atenção e a concentração, o contato com
a realidade e a recuperação da identidade. Trabalha-se ainda a
estimulação sensorial, a autoestima e a expressão dos sentimentos e
emoções.

A melhor ajuda que a música pode proporcionar aos pacientes é


que, como terapia, a música torna os obstáculos das doenças mais
amenos e mais fáceis de serem ultrapassados.

A in tervenção terapêutica da música pode vir associada à outras


técnicas como relaxamento progressivo, treinamento autógcno. rciki,
yoga ou acupuntura. Apesar de haver um subentendido consenso sobre
05 benefícios da música clássica ou da música psicodélica eletrônica de
sons contínuos ou, no caso de acupuntura e yoga indiana associada à
meditação, assim como a música da China, é sabido que o efeito da
música sobre o paciente depende de sua história de convivência com os
diversos estilos musicais, através de um processo de condicionamento
estético e/ou vivência associados.
havia escolas de música onde os índios aprendiam noções de música
- p~RíODO J[S!UíTICO (1549-1759) -
religiosa e também aprendiam a tocar alguns instrumentos e assim, em
vários pontos do país, começaram a aparecer pessoas interessadas em
_ ~..-.-~ ~ ":--'!!!ii.

-
GR ])11 'd F
t~OMA~;l.~.'- .I
E?fj-~~;:;..~~:~~~ música, que aprendiam nos colégios e depois ensinavam a outros
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1kOL>b V,~l •J. ,••,1.
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/00,1,,,-, ,,/l,"'" grupos populares nos engenhos e nas cidades .


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•••••••••• 11I'1

A:~~~
, , fi , ••(,." _ ,$I';'
Em 1560, os jesuítas fundaram as chamadas Reduções ou
..~~~~~~
~~:.:-::::~:
,s' Svu t·;";" ,.-:u.
Missões (aldeamentos para os índios com uma estrutura educativa
.,-==-:.:~
"1"111<..

i-lIIii'~~_~-~::;:-'-
fi y. ",.Ii
C:II! , •• H.i, un/,Iu ('<1_ . musical religiosa). Os jesuítas ensinavam aos índios o Canto Gregoriano
ou Cantochão e traduziam tudo para o tupi-guarani, português e
~ e~q~erd~: AntígoMosteiro dos Jesuítas, no Maciço de Baturité. '
castelhano. Também introduziram os Autos! e faziam com que os
A direita: LI vro de cântí 1c os em no t açao
- gregonana,
. Museu da Música de Mariana, MG. índios e colonos portugueses os representassem, sempre com muita
música.
Os primeiros a usar e ensinar a escala diatônica de sete graus nas
aulas de música foram José de Anchieta, Azpilcueta Navarro, Álvaro
\\~~ rnoad(o~do 1560, o~ ~ad~ ,eguíta~ haviarn fundado a'dnarnnnto~ ~ata
O~ hdlo~ ag charnadag Rnduçl)M ou MIggl)M)corn urna egttufutSfnducativa
Lobo e Euzébio de Mattos.
rnugiea'''. Os jesuítas foram expulsos do Brasil por motivos políticos, em
1759. E assim, as técnicas efetivas de musicalização para aculturar
. . O desenvolvimento da educação musical brasileira está ligado à índios e negros e a formalização do ensino de música para os escravos
hi tória da pré ropna cu 1tura e a da Europa. Desde 1500, ano da tiveram seu fim decretado.
desc~bel~ta do Brasil, portugueses e espanhóis, ameríndios e africanos
contribuíram para a formação da cultura das novas terras descobertas
N trê . cro ,
, os _ es pnmeiros séculos eles trouxeram suas línguas e culturas suas
can. ç~es e suas danças. Durante esse período, a música esteve '
pnncIp~lm~nte associada com o trabalho da conversão dos índios pelos
padres jesuítas.

. Com a chegada de José de Anchieta em 1553, os jesuítas criaram


1 Autos (latim: actu = ação, ato) é um subgênero da literatura dramática do teatro que envolve
~,lversos,colégios e~ várias cidades. E na busca de novas alma; para a persunagens alegóricos como: pecados e virtudes e entidades como santos e demônios. Tem sua
,e, tambem.descobnram que a música era um atrativo para os índios de origem na Idade Média, na E panha. por volta do século XII. Em Portugal, no século XVI, Gil
Vicente foi a grande expre são deste gênero dramático. Camôes e Dom Francisco Manuel de
.odas. as Idades que aderiam ao canto e à interpretação dos " Meio também adotaram esta forma. O auto era escrito em redondilhas e visava satirizar pessoas
.nstrumentos com grande habilidade. Por isso, dentro desses colégios, deixando perceber duramente qlll' a moral era um iícmcnto decisivo nesse subgênero.
Juntamente com a Corte, Dom João VI trouxe alguns artistas
como o cantor Bento das Mercês e o cravista Bachicha, além da vasta
biblioteca musical dos Bragança, uma das melhores da Europa na
época.
D. João revelou-se grande amante da música. Designou a Igreja
do Carmo como a nova Capela Real, tomando-a o centro de realizações
artísticas e religiosas, estimulou compositores nacionais, trouxe outros
compositores estrangeiros, além de construir o Real Theatro de São João
(atual Teatro João Caetano) - o maior palco lírico das Américas.
Para trabalhar na Capela Real, D. João VI trouxe da Europa
Marcos Portugal, em 1811; e Sigismund von Neuckomm, em 1816.
Discípulo de Haydn, von Neuckomm ficou surpreso com o trabalho
musical do padre José Maurício. Quando voltou para Portugal,
publicou um livro de "modinhas" compostas por Francisco Manuel,
um mulato brasileiro que estudou com ele.
o pa~re !osé ~a~rÍC'io impressionou a Corte vinda de Portugal e
o propno pnnclpe regente, com o alto nível de sua cultura
musical. Neste quadro a óleo de Henrique Bernadelli, com data
desconhecida, o padre José Maurício toca cravo diante de D. João
VIno Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, RJ. "1=0' cattSlmcmto uma gut~~ ~SltQSIhlmíliSl t9Q1, d~ombSltcQt no
BtQgil o onconftSlt um 51mb'cmto mug,cql do qUSllidSldo".

Foi certamente urna surpresa para a família real, desembarcar no


Brasil e encontrar um ambiente musical de qualidade. Urna das
primeiras festas comemorativas para a chegada de D. João VI teria sido
a missa cantada pelos alunos da Escola dos Jesuítas na Capela de Santo
Ignácio de Loyola, da Fazenda Santa Cruz, sob a direção do padre José
Maurício Nunes Garcia, um excelente músico, compositor brasileiro e
provavelmente educado por professores treinados nesta escola. A
música vocal e instrumental era ali execu tada com perfeição por negros
e negras.
- p~RíODO IMP~R'AL (1<622.1<6<6<6) - porém dando ordens expressas para que o encarregado do cerimonial
arrumasse os melhores aposentos para os músicos, pois para ele "para
se tornar músico é preciso 11 ma (lida toda de dedicação e para os condes, barões,
comendadores e oiscondes em preciso apenas uma canetada":
O apoio de D. Pedro I à música foi imprescindível para o
surgimento de novas bandas de música, tendo em vista sua habilidade
como compositor, pianista, clarinetista e fagotista. Assim, ocorreu no
Segundo Império, o apogeu das bandas e fanfarras.
Com a decadência do ciclo do ouro no século XIX,toda a pompa
e o brilho do cerimonial viram-se diminuídos, como em todos os setores
da sociedade. Já não havia tanto dinheiro para o pagamento dos
D. Pedra I em 1822 compondo o Hino da lndepen-
serviços de música, o que contribuiu para a redução do número de
dência, tela deAugusto Braga. músicos e refletiu diretamente na diminuição do número das
orquestras, fator que deu origem às bandas civis. Essas bandas
"A ~QtdQ~QtividQdM IigQdQ~â IgtelQ, o t9Qtto o Q rnú~iCQ9t8rn o gtQndo assumiram, como herança, o serviço eclesiástico que era executado
~Q~~Qtorn~ cultutal do rrn~gtio, ~9hdo Q ~QrníliQrrn~otiQIQ ~tOtotota dQ pelas orquestras.
rnú~iCQ,des Qtti~Q!: o do!: intoloctuQi!: da g~oCQ".
Também no fim do século XIX,usando uniformes que lembram o
dos militares, surgiram as associações líricas e filarmônicas, que logo se
A par das atividades ligadas à Igreja, o teatro e a música eram o
espalharam pelas diversas cidades do Brasil. As bandas de música
grande passatempo cultural do Império, sendo a Família Imperial a
evoluíram e transformaram-se em uma das mais populares
protetora da música, dos artistas e dos intelectuais da época.
manifestações da cultura nacional: onde havia um coreto, existia uma
Por ser D. Pedro I um apaixonado por música e autor do Hino da
bandinha, orgulho da cidade.
Independência do Brasil, durante sua regência o país dispunha de
diversas companhias de óperas. Surgiram então, os primeiros anúncios No seio das bandas de música, formaram-se notáveis músicos
nos jornais para o ensino particular de piano, canto e guitarra, pois profissionais e amadores, eruditos e populares, dentre os quais
ainda não existiam Conservatórios. Nos jornais também via-se destacam-se renomados maestros e instrumentistas como Patápio
anúncios de afinadores de instrumentos musicais. Silva,Anacleto de Medeiros, Carlos Gomes e seu irmão Santana Gomes,
entre outros. As bandas também foram um centro gerador de novos
À sabsr, como cutio!!id3de: gêneros musicais e de um vasto repertório de chorinhos, marchas e
Certa vez em seu palácio de Petrópolis, D. Pedro I realizou um dobrados.
evento para homenagear barões, condes, viscondes e cornendadores,
. . . Durante
_ ,"'.
a regenera d e D. Pedra Il, surgiram
. as primeiras
- p~RíODO R~PUBUCANO (1<?<?9-19g6) -
mSh~Ulçoese sociedades de música, como o Conservatório de Música
do RIO Com a República, a educação musical voltou a ser considerada
. de Janeiro em 1841,Clla
" d o por um grupo de músicos,
' entre os
quais, Francisco Manuel da Silva e Fortunatto Mazziotti. estratégica e o antigo Conservatório foi reformado, dando lugar, em
1890, ao Instituto Nacional de Música (INM), tendo à frente o
Ao contrário
. de o u tras iruciatívas
.... 'd a época,
' o Conservatório de
M' . - compositor Leopoldo Miguez. Como instituição independente, o INM
usica nasceu nao como ato do governo imperial, mas da vontade dos
atravessou a República Velha,
~r~~iSSi(~naiS~~e se preocupavam com a continuidade de sua arte pel~
ensino sistemático. Ao mesmo tempo representou um dos marcos do Passaram pelo Insti tuto Nacional de Música, antigo
processo de construção da nação brasileira, onde a música tinha papel Conservatório de Música do Rio de Janeiro, importantes músicos
de destaque, porém a educação musical era para poucos, Antônio brasileiros além de Leopoldo Miguez. Entre eles Francisco Braga, autor
Carlos Go~es foi aluno do Conservatório e, muito estimado por D. do Hino à Bandeira, Antonio Carlos Gomes (compositor e maestro) e
Pedro Il, fOIpresenteado com uma bolsa de estudos para a Itália. Joaquim Antônio da Silva Calado (flautista). Entre os professores, estão
respeitados nomes do meio musical como Alberto Nepomuceno,
Ess~s ideais não foram suficientes, entretanto, para garantir o
Francisco Braga, Hcnrique Oswald, Lorenzo Fernández, Burle-Marx,
pleno funcIOnamento do Conservatório, Sem sede própria e atuando de
Paulo Silva, José Siqueira, Iberê Gomes Grosso, Tomás Terán, Paulina
forma precária em seus primeiros anos, foi anexado à Academia de
D'Ambrosio, Guilherme Fontainha, Heitor Alimonda, Aldo Parisot e
Belas Artes, ficando a partir de então, sob a tutela do governo imperial.
Arnaldo Estrela, alguns deles, também ex-alunos. Também passaram
pela Escola Nacional de Música inúmeros outros artistas, como Eleazar
de Carvalho, Cleofe Person de Matos, Vieira Brandão. Lidia Alimonda,
À, esquerda:' . Pelas
,. bandas de mUSlla
. ' i .; passaram renomados maestros e instrumentistas Mário Tavares, Bernardo Federowski, Altea Alimonda, Nathan
como Pata
' f piO Silva, Anacleto de
. Medeiros, Carlos Comes c ''-.
S"U irrnâo Santan: C . .
F ' ,c, co .. ,omes. Schwartzman, Ary de [ácomo Bisaglia, Silvio Barbatto, Laís de Souza
OtO?1a Ia de~utor de.sconhcCJdo. A direita: Escola de Música (Universidade Federal
do RIO de Janeiro), antigo Conservatório do Rio de Janeiro. Brasil e outros.

Nesta página: Francisco Manuel da Silva (autor do "Hino Nacional Brasileiro" e um


dos fundadores do Conservatório de Música do Rio de Janeiro), Joaquim Antônio da
Silva Calado. AntôníoCarlosComese Henrique Oswald.
- D~CADA DI; 1990/1940 -
As ideias da Escola Nova chegaram ao Brasil por volta da'
- O CANTO ORr=~ÔNICOIMPLANTADO POR VILLA-LOBO~ -
primeira década do século XIX,de maneira lenta e quase que sorrateira.
Todavia, tornaram-se claras, através do trabalho, da liderança e das Com a queda do sistema Republicano em 1930, Getúlio Vargas
publicações de Anísio Teixeira. Tiveram grande impacto na área mudou profundamente o estilo político nacional, dominando o Brasil
musical, mas entraram em choque com o ensino de música baseado no nos anos de 1930-1945. Instalou-se assim, uma política educacional
modelo de conservatório, já bem estabelecido e arraigado no país. Esse nacionalista e autoritária utilizando a música para desenvolver a
modelo, que tinha como matriz o Conservatório de Paris, oferecia num "coletividade", a "disciplina" e o "patriotismo".
primeiro momento, classes de composição, canto e instrumentos. Um modelo francês, importado e implantado por Villa-Lobos - o
Posteriormente, com muita discussão e luta, se conseguiu introduzir o orfeão - foi imposto (por Decreto nQ 19891, de 11 de abril de 1931) pela
curso de História da Música. O exemplo mais contundente da rigidez ditadura de Vargas e pelo Estado Novo. O carisma do compositor,
desse modelo é a própria matriz. O Conservatório de Paris atravessou aliado ao espírito cívico-patriótico da época, colocaram no currículo da
quase um século sem nenhuma alteração na sua estru tura de Cursos. escolas primárias e secundárias, a obrigatoriedade do ensino da música,
De 1889 até 1930, o período republicano foi patrocinado estabelecendo durante mais de uma década, um modelo musical para
fortemente pelos militares e fazendeiros donos de muitas terras, e nessa as escolas de todo o Brasil. A esse respeito, cita-se o pensamento de
época, 70% dos brasileiros (das áreas rurais) eram excluídos totalmente Souza (1992): "A ideia sobre a educação musical na literatura dos nnos trinta é
das votações por serem analfabetos. muito difetenciaâa e por ve.:es contraditória. Especialmen te são colocndos
objeti'Uos sociopolíticos muito gerais como educação musical a serviço da
coleiitndctíe e unidtide nacioncl, o despertar do sentimento de brasilidade ou
ainda disciplina socinl que, no entanto, não são em lugnr algum clnramente
defin idos mas npenas uagamen te descritos ".
"Com li Re~úbIiCll, SIeduClIçlIo mu~fCllI voltou SI~et con~fdetQdSl
emat6gICll". \~

.baixo: Alberto Nepomuceno, Oscar Lorenzo Fernández, WaIter Burle-Marx (irmão


o paisagista Burle-Marx) e o maestro Eleazar de Carvalho.

Heitor Villa-Lobos
considerava o canto orfeônico
um caminho adequado para a
educação musical.
Villa-Lobos acreditava que, se to d o s estudassem música nas ,A '

"O movimento do canto orrnônico OCOtN!Uno BtQ~fInas décadll~de gO e , ind o pala't r ansforrná-la ,,_numa vivencia
escolas, estar-se-ia contribuiu
40, ~ob11otientllçlJo de HeItot Vfllll-lobo~". tidi e formando um público sensibilizado as marufestaç~e,s
co lana , de ser útil
artísticas, E sendo o compositor um entusiasta patnota, capaz, ,

o ideal do canto or.feônico tem suas raizes na França. No início' para seu país através de sua arte, seu maior argumento para atingir seu

do século XIX, o canto coletivo era uma atividade obrigatória nas objetivo era a elevação nacionalista, ,
escolas municipais de Paris e o seu desenvolvimento propiciou o E assl.imr com o apoio do presidente Getúlio Vargas, nas decadas
A' . B 'I
aparecimento de grandes concentrações orfeônicas que provocavam o de 1930 e 1940, as festas escolares e concen trações orfeomcas no rast
entusiasmo geral. Na época, o sucesso desse empreendimento foi tal atingiram o ápice,
que surgiu até mesmo uma imprensa orfeônica.
Em 1931, recém chegado ao Brasi'I depois de alguns anos n _)
O canto orfeônico tem características próprias que o distinguem E Vílla-Lobos foi convidado pelo interventor f deral Jo.
uropa, _ evento r umu
r •

do canto coral dos conjuntos eruditos, Trata-se de urna prática da Alberto Lins e Barros a organizar um orfeao CIVICO, ~ , . ,.
coletividade em que se organizam conjuntos heterogêneos de vozes e if -
mais de 11,000 vozes, numa maru estaçao d eIimpacto inédita no País e
tamanho muito variável. Nesses grupos não se exige conhecimento com grande participação popular.
nusical ou treinamento vocal dos seus participantes. Por outro lado, o
.anto coral erudito exige não só conhecimento musical e habilidade
..•.
"A elevlIǧo nae 1onll 1,Slq0 n~
t:aq
O mlllot IIt",.
trumento que VilllI-lobo~utilizlIVII
local, como também vozes rigorosamente distribuídas e um rigor
~lItQlltingit ~eu obletivo".
écnico-interpretativo mais elevado,

Antes de Villa-Lobos, porém, o movimento do canto orfeônico Abaixo: Villa-Lobos e o canto orfeônico.
o Brasil já havia sido defIagrado no início do século por João Gomes
inior com orfeões compostos de norma listas na Escola Normal de São
aulo, futuro "Instituto Caetano de Campos". Foi seguido por Fabiano
ozano, com as normalistas na cidade de Piracicaba, e por João Batista
lião, que teve um papel expressivo no movimento com a criação do
rfeão dos Presidiários na Penitenciária Modelo de São Paulo,

A partir de 1921, a posição do governo de São Paulo era


mcamente favorável ao ensino de música nas escolas públicas. Na
cada de 30, a iniciativa alastrou-se por todo o país, e o movimento
la implantação do canto orfeônico tomou grande impulso com a
esão de Villa-Lobos.
1959, era composto de cinco seções curriculares: Didática do Canto
Em 1932,Villa-Lobos assumiu a direção da Superintendência da
Orfeônico, Formação Musical, Estética Musical e Cultura Pedagógica.
Educação Musical e Artística (SEMA) das Escolas Públicas do Rio de
Durante todos esses anos, o compositor preocupou-se não só em criar e
Janeiro, fundada pelo educador Anísio Teixeira. A SEMA1, b asea d a na
difundir uma metodologia de educação musical própria, como também
reforma que instituiu o ensino obrigatório de Canto Orfeônico no
visar a formação de um repertório adequado ao Brasil, além de
M.unicípio do Rio de Janeiro (Decreto 19.890 de 18 de abril de 1931),
promover a capacitação de um corpo docente especializado.
cnou o Curso de Orientação e Aperfeiçoamento do Ensino de Música e .
Canto Orfeônico. As atividades eram subdivididas em Cursos de
"Villa-lobog ~atticilJOu ativam9f1tAdo ~tOlAtodA d~9f1volvim9f1to do canto
Declamação Rítmica e de Preparação ao Ensino do Canto Orfeônico
omônico Atinha como oblAtivO~timotdialt auxillat o d~9hvolvimento
destinados aos professores das escolas primá~ias; também fora~
attígtico da ctiQnça e ~tOduzit Qdultog mugicalm9hte QlfabetizQdog".
criados o Curso Especializado de Música e Canto Orfeônico e de Prática
de Canto Orfeônico, destinados à formação de professores A escolha do repertório utilizado no canto orfeônico foi baseada
especializados. principalmente no folclore nacional e teve como intuito básico, a
. . O Curso Especializado de Música e Canto Orfeônico tinha por preservação dos valores culturais do povo. Nesse sentido, dentre a vasta
obj tívo estudar a música nos seus aspectos técnicos, sociais e artísticos obra de Vílla-Lobos. destaca-se o "Guia Prático", pequena obra-prima

e ~~ha um, ~urrículo extenso: canto orfeônico, regência, orientaçã~ contendo 138 versões de cantigas infantis populares, editado pela
pratica, análise harmônica, teoria aplicada, soIfejo e ditado rítmico primeira vez em.1938.
técnica vocal, fisiologia da voz, história da música, estética musical e' Ao contrário do que frequentemente se pensa, Villa-Lobos não
p Ia primeira vez no Brasil, etnografia e folclore. Paralelamente, criou- definiu uma metodologia própria. Limitou-se a expressar as suas ideias
se o famoso Orfeão dos Professores, com aproximadamente 250 vozes a respeito do estado da educação musical no Brasil e de suas
que estimulou o processo educativo e ofereceu uma importante possibilidades futuras.
contribuição ao panorama cultural através de diversas apresentações O compositor estabeleceu uma filosofia educacional baseada nos
altamente qualificadas.
seguintes princípios:
O sucesso da SEMAe das atividades decorrentes, resultaram na
1. A música é um direito de todos. "A todo o povo assiste o direito de ter,
formação do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, em 1942.
Se/1 rir e apreciar a sua arte, oriu nda da expressão populur ... ", Villa-Lobos.
Tratava-se de uma instituição modelar, no âmbito do Ministério da
Educação e Saúde, que se propunha a criar um centro de estudos de 2. A educação musical é necessária para o desenvolvimento pleno do
educadores musicais de alto nível. O Conservatório teria incumbência ser humano. liA música, eu a considero, em princípio, como um indispensável
não só de formar professores, como também orientar e fiscalizar todas alimento da alma humana. Por conseguinte, um elemento e fator
as iniciativas do canto orfeônicono país inteiro. imprescindioel à educação da juventude", Villa-Lobos .
. O Conservatório, dirigido por Villa-Lobos até a sua morte em
A I=INAUDAD~ DO CANTO ORI=~ÔNICO
~. A v~z é o melhor instrumento de ensino porque é acessível a todos.
O ensino e a prática do canto orfeõnico nas escolas impõem-se como lima
"O canto otfeônico foi assim denominado sm homenaggm a Orfc!u, o deu~ da
ioluçõo Lógica", Villa-Lobos. Mú~icana Mitologia ~tega".
l. ~úSi~~ folclórica de alta qualidade deve ser utilizada no ensino
~USIC~l. ~ f~lclore é hoje considerado lima disciplina fundamenml para a
ducaçaodaznfanciaeparaacu/tl/radellJ1/povo" , ViII a-L ob os.
o canto coral - canto entoado simultaneamente por muitas
i. O aprendizado musical é mais significativo quando realizado em um
vozes _tem sido, desde os primórdios da humanidade, um dos recursos
.ontexto
, ...de experimentação . "A n tes d O a 1uno ser atrapalhado com regras,
mais fáceis e utilizados de recreação popular e, não raro, com finalidade
ev~ [annliarizar-se com os sons. Deve-se ensinar-lhe a conhecer os SOI1S, a
educativa.
Ul11-Los,a apreciar suas cores e individualidade", Villa-Lobos.
Na antiguidade, egípcios, assírios, hindus e chineses praticavam
'. ~s professores de música devem ser especialmente preparados para
largamente o canto em conjunto. Entre os hebreus, as escolas do
ardua ,tarefa ..da educaçã ao mtrstcat,
. I " Onde encontrar unt corpo de
profetas de Israel recorriam ao canto para memorização das leis.
1u~adore~ especializaâoe, perfeitamente aptos a ministrar à infância os
rzSlnnlllentosdanrúsicaedocnnloor{eo"nl'co
J' .... 7" , V'II
1 a- Lo b os.
Na antiga Grécia, aprendia-se o canto desde a infância, como
algo capaz de educar e de civilizar os homens, conforme aquelas
palavras de Platão "o homem que se exercita na ginástica, ganhará força e
ousadia; se, porém, não se ocupa também da música, será como um animal
'Vllla-lobo~Qcteditava que ~e todo~ ~da~~gm mú~ica nas aeeolas, ~at- feroz, que emprega a todo momento a força e a violência. As musas deram ao
o-Ia conftfbuindo ~aHl ttan~tm'-Ia numa vfvÔllciacotidiana e fotmando homem a harmonia musical, para que regl/le por ela os movimentos d'alnta e,
um ~úblico~en~fbflizQdo ê~manffemçõ~ attímca~". CO/11 o auxi! io do ritmo, reforme as maneiras desgraciosas e desmedidas".
Na Idade Média, a scllOla-calltorum, criada por São Gregorio
Magno (canto gregoriano), incrementou o ensino do canto como

Cruzada do Canto Orfeônico na cidade do R'IO d e J anerro,


'c '\. no recurso para incentivar o ardor religioso.
Estádio Vasco da Gama, 1942. A Reforma de Lutero também eJlalteceu o canto, como um dos
caminhos abertos ao homem para se aproximar de Deus. Entretanto,
nos séculos seguintes, apesar de Comenius, Rousseau, Pestalozzi e
outros precursores da Escola Nova proclamarem o valor educativo da
música, o canto não s difundiu nas escolas e se confinou em círculos de
especialistas.
e)Despertar o amor pela música e o interesse pelas realizações artísticas.
Com o advento da Escola Nova no século XX, reconheceu-se
f) Promover a confraternização entre os escolares.
praticamente que o canto, longe de ser apenas divertimento sem:
consequências, constituía recurso de desenvolvimento psicológico do .
indivíduo e de reforço da coesão social. Então, alcançou maior Nota-se que de todos os tópicos encontrados nas .fi~alidades do
incremento o canto, sobretudo o chamado canto orfeônico, sob cujo Canto Orfeônico, apenas dois (item b; e) têm como objetivo ressaltar
rótulo ficaram sendo designados "coniuntos corais escolares Oll de as ectos sobre estética musical. Os outros itens estão voltado~ apenas
associações formadas por professores, militares, operários ou amadores de p .,. tai mo' estimular o
para objetivos externos à disciplina de musica. ais co ,'. .
música, os quais sem uisar propriamente 11m fim p~'ofissionaL de corista, convívio coletivo; proporcionar a educação do carater; incutir o
,
interpretam de preferência, composições musicais acessíveis e 1/1 forma, gênero e sentimento CÍvico e promover a confraternização entre os eS"colares.
contextura". Tal canto orfeônico, assim denominado em homenagem a .,
Desta forma, os objetivos do C anto O r feoruico na escola
A
. , pouco ,_tem a ver
Orfeu, o deus da Música na Mitologia Grega, tornou-se mesmo com a sensiibilidade
l'
musical Isto leva a uma certa banalização da _

obrigatório em mui tas escolas da Europa e das Américas, sobretudo nos música na escola, já que esta teria como objetivos maiores, a promoçao
Estados Unidos, desde que se comprovou ser, não apenas divertimento dos objetivos cívicos e sociais,
fútil e mundano, mas meio de educação cívico-artistico-social das Assim, pode-se concluir que a disciplina de Canto Or~eônico
massas humanas, escola de disciplina, de patriotismo e de arte das estava cercada de um forte apelo político-nacionalista, em detnmento
coletividades. E assim, o Brasil dos anos 30/40, tornou o canto orfeônico ao engrandecimento artístico nacional. A música era ~tilizada como
obrigatório em todas as escolas. forma de propagandear o Estado Novo e a política Getuhsta, tomando-
Na portaria Ministerial n'' 300, de 7 de maio de 1946, referente ao se um poderoso instrumento nas mãos dos ideólogos do Estado Novo,
ensino de canto orfeônico nas escolas primárias, secundárias e
profissionais de todo o país, lê-se o seguinte:
, - O ansíno de Canto Otfeônico tem as seguintes finalidades:
a) Estimular o hábito de perfeito convívio coletivo, aperfeiçoando o
senso de apuração do bom gosto.
,
Villa-Lobos ao lado de Getúlio Vargas (sorrindo de óculos),

») Desenvolver os fatores essenciais da sensibilidade musical, baseados


10 ritmo, no som e na palavra.
!) Proporcionar
a educação do caráter em relação à vida social por
ntermédio da música viva.
I) Incutir o sentimento cívico, de disciplina, o senso de solidariedade e
le responsabilidade no ambiente escola r,
indiscutíveis de sólida realização ... Mas para que esse ensino seja proveitoso e
POR'QU~ O CANTO OR~~ÔNICO ~AIU DA GRAD~ CURRICULAR? penha completar, e não periu rbar, a evolução natu ral em que se deve processar a
educação da criança, é preciso qlle seja ministrado simultaneamente com os
. Uma retomada dos valores da teoria tradicional de educação· conhecimentos de múeica nacional. Encarado, pois, o problema da educação
musical no Brasil implica, necessariamente, na identificação dos fatores . musical da infância sob esse aspecto, o ensino e a prática do canto orfeônico nas
que determinaram o fim do canto orfeônico. escolas impõem-se como uma souiçã» lógica, não só à formação de uma
A análise crítica do sistema mostra a presença de pelo menos três consciência musical. mas também como um fator de civismo e disciplina social
fatores que contribuíram para o seu fracasso: 1) conotações de caráter coletiva", (Villa-Lobos).
político; 2) a falta de capacitação pedagógica adequada: 3) a falta de Do ponto de vista do governo de Getúlio Vargas era uma .J

uma metodologia de ensino suficientemente estruturada. excelente forma de propaganda, pois a música exercia um pod r
arrebatador sobre as massas. Dessa forma, é frequente a crítica d qu
o PROBl~MA POLfTICO trabalho pedagógico de Villa-Lobos estava a serviço de um u
política enão educacional.
"t ftaqu9hte Q ctítiCQ de que o ftQbQlho pedQg6gico de ViIIQ-lobos: mQVQ Q
s:erviço de uma CQUS:Qf>OlítiCQe nlio eduCQcionQI". O comprometimento do compositor com a ditadura Vargas foi
apenas uma circunstância favorável aos seus objetivos musicais, e que o
aspecto propagandístico e cívico não mereceria maior importância.
A dé cadas de 30 e 40 foram marcadas por intensa atividade
du tiv. Ao mesmo tempo, Villa-Lobos promoveu grandes
if ta - es orfeônicas nas datas cívicas, sob o argumento de o PROBL~MA DA CAPACITAÇÃO DOC[tJT~
minar o método. Entretanto, a vinculação que se fez com o
governo totalitário da época tomou-se evidente devido à forte "J;:m s:e ftQtQndo de um ~Qís:com QS:dim9hs:fies: tettitotiQis: do Btas:iI, o
associação que se fez entre música, disciplina e civismo. ~tOblernQ eta im9hS:o e nlio foi tel:olvido Q cont9hto".

Quanto a essa questão, Villa-lobos SQrnanlfustou da sQguintQ forma:


Um outro aspecto que foi determinante no desenvolvimento do
"Era preciso pôr toda a nossa energia a serviço da Pátria e da coletividade
canto orfeônico foi a necessidade de .se promover uma capacitação
ttilizando a música como um meio de formação e de renovação moral, cívica ~
docente adequada e em grande escala. Nesse sentido, o Ministério da
sriistica de um povo. Sentimos qlle era preciso dirigir o pensamento às crianças
Educação e Saúde estabeleceu, em 1945, que as escolas no Distrito
. ao povo. E resolvemos iniciar uma campanha pelo ensino popuLar da música
Federal e nas capitais dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo não
l~ B~asil, crentes de que hoje, o canto orfeõnico é uma fonte de energia civica
poderiam contratar professores de canto orfeônico que não possuíssem
-italizadora e um poderoso fator educacional. C0111 o auxilio do Governo, essa
especialização na disciplina, seja pelo Conservatório Nacional ou
ampahha lançou raizes profundas, cresceu, fm tificou e hoje apresenta aspectos
"
. sao
vantagens desse sistema no ensino do solfejo - o'b' VIas.. u ma mesma
.
estabelecimento equivalente. Dessa forma, o Governo Federal
.
canção básica, composta apenas de 50 l e mt e a mesma
r em qualquer
c
propunha-se a garantir um padrão de qualidade mínimo sobre o ensino
do canto orfeônico. tonalidade. A partir do momento em que a criança ~onhec~ ~penas
essas duas notas, ela já pode identificá-Ias em várias posiçoes do
Entretanto, essa medida logo se mostrou inadequada. Para
pentagrama.
suprir a crescente demanda de professores, criaram-se cursos
Ainda que comprovada a e fiicacia
,. d o SI.stema móvel de
emergenciais e de férias de formação qualitativa duvidosa, aos quais se'
somaram os de estabelecimentos "equiparados ao Conservatório solmização . básica,
na educação musical , . a sua ap ricaçao - n~ Brasil
Nacional" que nunca chegaram aos níveis desejados. Em se tratando de envolve grandes complicações. Ao contrário de ~utro~ pa~~es, a~
. ;

um país com as dimensões territoriais do Brasil, o problema era imenso mesmas SI.ílabas de solmização usadas no sistema movel sao utilizadas
, I
e não foi resolvido a contento. para indicar frequências musicais fixas. Nesse ~aso, u~a po~sIve,
solução seria a adoção de um novo conjunto de sílabas diferenciadas
o PROBl[MA M[TODOlÓGICO para indicar as funções e os graus melódicos da escala.
Mesmo que Villa-Lobos tenha se manifestado a resp ito da
"O in~uc~o dg ~USlgm~teitSldSlna áteSl dSl l!ducaçlio mu~ical dgvg-~g muito importância de urna metodologia de ensino. que lev.asse em
mSlI~SI~tOblgmSl~dg otdgm o~gtSlcfohQl do qua SI~tOblgmSl~dg otdgm
consideração as particularidades do aprendizado da. ~nança: ~s
conc(!ituSlI".
iniciativas no sentido de definir objetivos e adequar materiais musicais
aos fins propostos foram praticamente inexistentes.
o ensino musical nos moldes propostos por Vi lla-Lobos implica
A despeito de qualquer controvérsia, não há co~o negar a
em algumas decisões de caráter metodológico que não foram
importância do canto orfeônico no-Brasil. Villa-Lobos acreditava ~u.eas
observadas. A ênfase na leitura vocal e no aprendizado de elementos
escolas deveriam oferecer muito mais que os elementos baSICOS
musicais requer uma estratégia bem determinada que permita um
.
necessanos para a VIid a prática . Dessa forma, o seu trabalho
aprendizado consistente. Dessa forma, a definição e padronização de
educacional tinha como intenção ensinar a apreciar, compreender e
técnicas de ensino específicas é vital para a sobrevida de qualquer
criticar de forma discriminada os produtos da mente, da voz e do corpo
método ou sistema educacional.
que dão dignidade ao homem e lhe exaltam o espírito.
A escolha de técnicas de ensino bastante específicas, como a
O insucesso de sua empreitada na área da educação musical
adoção do solfejo relativo ou "dó móvel" e de uma seqüência cuidadosa
deve-se muito mais a problemas de ordem operacional do que a
de apresentação do material pedagógico, foi fundamental para o
problemas de ordem conceitual. Como consequencI~,~. ~ p rojeto ,de
,
sucesso do sistema.
disseminação da cultura musical através do canto orfeomco em noss~
No soIfejo relativo, a tônica de urna tonalidade é sempre "dó" em país, ainda que tenha sido bem sucedido a princípio, estagnou e fOI
naior- e "lá" em menor, independentemente da tonalidade. As
praticamente esquecido.
_D~CAD~ D~ 1970, 19<t?0
e 1990 -
- D[ 194-5À D~CADAD[ 1960 -
Em 1971, a música passou a fazer parte de um ensino
. .Após a Segunda Grande Guerra, surgiu o movimento Música
interdisciplinar, com base no artigo 72 da Lei 5692, de 1971. Com esta
VIV~, liderado por Hans-Ioachim Koellreuter, o qual defendia "unta arte
reforma, a Educação Artística foi introduzida nos currículos escolares
musical que seja a expressão real da época e da sociedade". Este mo' t
foi . VImen o de r~e 2Q Graus (atualmente Ensino Fundamental e Ensino Médio),
OI~pOIa~o p.or Importantes compositores brasileiros da época, entre os
trazendo problemas para o ensino da música, bem como para as outras
qu~s Cláudio Santoro, César Guerra Peixe, Edino Krieger, Heitor
Alimonda e Eunice Katunga. artes (artes plásticas e artes cênicas). A partir de 1971, o professor de
Educação Artística ficou responsável por urna prática pedagógica
~ mo~mento Música Viva teve também Sua participação na polivalente. Consequentemente, aqueles profissionais que tinham
educ~~a~ ~1usIcal brasileira. Ressaltam-se aqui os pontos essenciais: a. formação na área da música davam aulas de música
O.pnvIlegIO da criação musical; b. A importância da função social do
esporadicamente, pincelavam tentativas com atividades d rt
cnador contemporâneo; c. A questão do coletivo; d. A contemporanei-
plásticas e artes cênicas. Entretanto, aqueles professor s qu não
dadeeren vação(Kater, 1992).
tinham formação em música acabavam ministrando aulas ap nas nas
,. Do .Manif
ru sto de 1945, extrai-se
. parte do pensamento do Grupo outras áreas.
M~~lca VIV r ferente ao ensino de música: "1. educar a coleiiuidnde Por outro lado, os cursos de Licenciatura em Educação Artística
~tzlzzando as inovações técnicas afim de que ela se torne capaz de selecionar e
=: ofereciam disciplinas nas três áreas, disto resultando uma

~ecesSldcu:e~da =r=
que de melhor se adapta à personalidade de cada um dentro das
2.. combater o ensino baseado em opiniões pré-
:tnb~LeClda~ e preconcelto.s aceitos como dogmas; 3. reorganizar os meios de
aprendizagem rápida e superficial. Vale ressaltar que a maioria dos
alunos que ingressava nesses cursos não possuía nenhuma formação
prévia em qualquer das áreas, criando-se assim um "exemplo típico de um
ifusão CIIlt~~al. (...) Conszderamos essencial a substituição do individualismo
círculo »icioeo: o aluno não possui ed/lcação musical de III e 2!! Gra/ls,
do .excluszV1smo pelo coletivismo em música, preconizamos para o ensino
cOllsequentelllente chega nas grad/lações sem muito conhecimento prévio, e
iusical as formas coletivas de ensino: canto orfeõnico •. e conjunto
retoma como professor sem muitas condições de deeenuoluer um ensino
1stmmental"(Kater, 1992).
apropriado de música" (Hentschke, 1993). Depois de formado, o professor
~ep~is de diversas práticas influenciadas por "movimentos 2
procurava fazer o concurso público que, de acordo com a Lei n 5692/71,
9
duc~cI~naIs e estéticos, demonstrando práticas rígidas e flexíveis Q
lhe permitia ministrar aulas apenas da.S" à 8ª série do 1 Grau ou no 2
specializadas e integradas, unimetódicas e ecléticas, tradicionais e Grau. Dessa forma, as séries primárias foram as primeiras a ficar sem
iovado ras " (Orrveira,
. 1992), a educação musical brasileira nos anos 60
professor especializado.
o

iveu ~en~ênci.as que ressaltavam a sensibilidade, criação e


A educação musical tornou-se, então, privilégio de uns poucos,
aprovrsaçao. DIscute-se o que é sensibilizar e musicalizar e afirmam-
pois a maioria das escolas brasileiras aboliu o ensino de música dos
o pal~vras-chave como Iniciação Musical, Musicalização, Arte-
currículos escolares devido a fatores como a não-obrigatoriedade da
íucação, Sensibilizaçãoe Métodos.
- A VOLTA: 2012 -
aula de música na grade curricular e a falta de profissionais da área, OBRIGATORI~DAD~ DO ~NS!INO DA MÚS!ICA NO BRAS!IULH
somando-se a isso os valores culturais e sociais que regiam a sociedade
brasileira.
As raras instituições de ensino que preservavam a música no
rl
programa curricular, ofereciam uma carga horária mínima e, ainda
encontravam a problemática da prática pedagógica da educação
musical (Beyer,1993).
Segundo Santos (1994), na grande maioria das vezes, as aulas
restringiam-se ao trabalho de "eventos culturais que vinham em nome
de um produto, sacrificando um processo. Os professores aceitavam a
~unção de "[esteiro, preparador de hinos; encaravam o trabalho artístico e
nusical como auxiliar pedagógico para fixação de conhecimentos de outras
f isciplinas; justificavam o trabalho artístico e musical COIIIO ntomen to de
ibemção emocional elou relaxamento para o desenvolvimento em processos
'ognítiuos desenvolvidos em outras disciplinas do currículo" .
Ness sentido, era pertinente o pensamento de Tourinho (1993):
'a música não em tratada como 11m tipo de conhecimento a ser ensinado, Letícia e Sophia Fagundes serão beneficiadas pela nova Lei.
siudaáo. otnpreendido e recriado, mesmo a mesma estando sempre presente
"O en~ino de mú~fCil,tAo im~ottante ~ata o ~ímulo da ctiatividade
o rituais do ambiente escolar, como nas festas e celebrações".
infs!ntil, totnou-~e novamente obtigat6tio nas ~cola~".
Esta situação, sem dúvida, refletia os valores ideológicos c
losóficos que a educação musical possuía para a sociedade. Educação,
.iltura e arte tornaram-se superficialidades, e apenas aqueles com O ensino de musica. tão importante para o estímulo da
mdições financeiras para pagar professores particulares de música criatividade infantil, tornou-se novamente obrigatório nas escolas.
nais especificamente de um instrumento musical) tinham acesso a Sancionada no dia 18 de agosto de 2008, pelo então presidente Luiz
.ses conhecimentos e assim, segundo Hentschke (1993),essa atitude Inácio Lula da Silva, a lei n!.?11.769 passará a valer para o Ensino
re privilegiava uma pequena parte da população brasileira, Fundamental e Médio de todas as escolas brasileiras no ano de 2012.
'ontradizia todo e qualquer princípio educacional" . Corno dito anteriormente, o ensino de música já fez parte dos
currículos escolares, mas foi retirado na década de 1970.O projeto de lei
para o retorno dessa disciplina foi proposto pela senadora Roseana
(Conselho Nacional de Educação) afirma que, "certamente será exigido da
Samey e surgiu com a mobilização do Grupo de Articulação União, dos Estados e dos Municípios um esforço conjunto para que se promova
Pa~lam~ntar Pró-Música (GAP), formado por 86 entidades, como aformação adequada dos professores de música".
ulUversld~d~s, associações e cooperativas de músicos. O objetivo não é O ensino de música não é corno antigamente, quando se
formar ~USICOS profissionais, mas sim, reconhecer os benefícios que aprendia as notas musicais e canto orfeônico. Anialmente, o MEC
es~e ensino pode trazer para o desenvolvimento e a sociabilidade das recomenda que, além das noções básicas de música, dos cantos cívicos
crianças. nacionais e dos sons de insh'umentos de orquestra, os alunos aprendam
Lula vetou o artigo que previa a formação específica de cantos, ritmos, danças e sons de instrumentos regionais e folclóricos
professores na área musical para ministrar a disciplina. A justificativa é para, assim, conhecer a diversidade cultural do Brasil. Porém, a lei não
que a música é uma prática social e, no Brasil, há diversos profissionais especifica conteúdos, portanto as escolas terão autonomia para decidir
sem fo~ação a~adêmica específica ou oficial na área e que são o que será trabalhado de acordo com seu projeto político-pedagógico. A
reconhecidos nacionalmente. O importante é que o professor saiba princípio, o ensino de música deve envolver o capital simbólic
passar conhecimentos teóricos e práticos para os alunos. E no momento cultural da região da escola. Deve-se também trabalhar c m um
de ~ontratá-Io, cabe à escola verificar se ele se adapta à proposta perspectiva antropológica, envolvendo os pais, os alunos e o context
curncular.
sociocultural.
Encarar uma sala de aula e ministrar um ensino musical de Seria de grande valia se as faculdades de pedagogia
qualidad .e nao
- , f'.acn.
'1 Afimal, nao
- basta ser músico, é preciso ter didática, contemplassem a disciplina música, ensinando, por exemplo, como
para 1 existem os cursos de capacitação. A contratação de usar a música em sala de aula, além de explicar o que é a educação
p~ f um problema ainda não resolvido nas escolas, pois é musical e como ela pode ser parceira no ensino-aprendizagem, pois há
1 r nt dar aula em um conservatório, para apenas urna pessoa e dar falta de conhecimento de alguns professores, que acham que aula de
ula numa escola para 40 alunos. Não há profissionais suficientes para
Música é só can tar, é brincadeira .
~tuar co~ música nas salas de aula. Medidas são necessárias para Há várias formas de se trabalhar a música na escola, por
.esolver ISSO. Uma delas é a correção devida de editais publicados exemplo, de forma lúdica e coletiva, utilizando jogos, brincadeiras de
erroneamente para o ingresso na área; outra é o oferecimento de cursos
roda e confecção de iristrurnentos. A imaginação é uma grande aliada
ie capaCl
. 't-açao para os professores, cursos de extensão universitária e
nesse quesito, lembrando que a musicalidade está dentro de cada
nitros.
? .MEe (Ministério da Educação) propõe cursos de formação
pessoa.
As crianças não só ouvem música, como a produzem, fazendo
iara rrumstrar o conteúdo de música e o ensino de cultura regional. Até
pequenos arranjos e tocando instrumentos como a flauta doce e alguns
nesmo recursos de educação à distância estão sendo usados nesse
de percussão. Elas também vivenciam a música, por meio de trabalhos
Irocesso. A lei teve impacto para os profissionais de música, e teve
corporais que desenvolvem a atenção e a coordenação motora. A
npac~o para a discussão de acesso à música na sociedade.
finalidade das aulas de música nas escolas não é a de formar músicos,
Em depoimento oficial, a Câmara de Educação Básica do CNE
mas desenvolver o espírito crítico, conhecer as raizes da música
brasileira, despertar go to musical, pre er ar nos 'o patrimônio E:.'
aumentar o repertório musical nacional e internacional.
Mas para que a aulas d Música não virem "hora do recreio", é
preciso que os pais fiquem de olho, é prcci o checar se esse ensino será
contínuo com uma m todologia capaz de desenvolver a capacidad
musical dos estudantes de forma gradual, 'em truncarncntos
interrupçõe .
Ao profi ionai de música, e preci o que 'e trabalhe para
nstituir gradualmente um Ensino Musical de qualidade, com meta
ocdagógicas precisas e contínuas. Devemos cuidar para que essa nova
i tenha um destino melhor d que as ou tra .
Concluindo: há que se ter um trabalho com responsabilidade
mindo a associações de ela ,os coordenadore pedagógi os e
rrofcssore da área junto ao MEC às delegacias de ensino para a
mplantaçã de um nsino musical de qualidade, além é claro, do
n ntiv d: pr feitura que investe no projeto. Sem cs cs quesitos, de
i nu rá a nova lei.

"Ao~ ~tOfi~~ionai~d(! mú~ica, é ~ffici~oque ~(! ttabalh(! ~ata indifuit


gtadualm(!nt(! um ~n~ino Mu~ical d(! qualidad(!, com matas p(!dagógica~
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