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FACULDADE SÃO BASÍLIO MAGNO


BACHARELADO EM FILOSOFIA
DISCIPLINA DE FILOSOFIA POLÍTICA
PROF. DR. ALESSANDRO CAVASSIN ALVES
MARCO ANTÔNIO PENSAK

FICHAMENTO MAQUIAVEL

MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe; Escritos políticos. São Paulo: Abril Cultural, 1973,
p. 7-116.

A obra O Príncipe de Nicolau Maquiavel é dividida em vinte e seis capítulos.


Por isso, desta mesma maneira dividiremos o nosso fichamento.
No Capítulo I, Maquiavel classifica o Estado em dois tipos: repúblicas e
principados. Os principados podem ser hereditários ou fundados recentemente, que
podem ser de todo novos ou anexações. A república não é objeto de discussão na
obra.
No Capítulo II, podemos destacar a menor dificuldade em manter Estados
herdados, visto que os súditos estão acostumados à família reinante; e, por sua vez,
a maior dificuldade se encontra em manter monarquias novas. Devemos evitar
transgredir os costumes tradicionais e adaptarmos a circunstâncias imprevistas.
No Capítulo III, Maquiavel aborda sobre a dificuldade em manter os Estados
novos, já que a facilidade com que os homens mudam de governantes, e, a esperança
de melhoria acaba os levando a levantar em armas contra os atuais. Para que se
estabeleça num Estado novo, devemos observar alguns pontos: primeiramente, é
necessário o apoio dos habitantes do território para poder dominá-lo. Notamos que
um território nunca volta a ser perdido com a mesma facilidade. A rebelião pode até
trazer resultados positivos como o fortalecimento de sua posição. De preferência o
soberano deve estar presente, pois desta maneira os distúrbios são rapidamente
percebidos e corrigidos.
Ao lermos o Capítulo IV, destacamos que não haverá rebelião se a linha
política for mantida. No que diz respeito a conquistas, o Estado dirigido por um único
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soberano é difícil de conquistar e fácil de manter. Já o Estado governado por muitas


pessoas é fácil de conquistar e difícil de conservar. No primeiro tipo citado, para
conquistar o Estado, basta aniquilar o príncipe e sua família, ao passo que no outro
não basta apenas estes, mas também os nobres.
No Capítulo V, Maquiavel diz que ao conquistar um Estado regido por leis
próprias, há três modos de mantê-lo: arruiná-lo, habitá-lo, ou permitir que continuem
vivendo com suas próprias leis, mas pagando tributos e organizando um governo
composto por pessoas amigas. No entanto, o método mais seguro é a destruição, pois
os habitantes sempre terão motivos para lutar em nome da liberdade.
No Capítulo VI, aqueles que se tornam príncipe por seu valor conquistam seus
domínios com maior dificuldade, todavia os mantêm mais facilmente; as dificuldades,
então, surgiriam na introdução de inovações. No caso de introduzir inovações, porém,
é mais seguro e prudente que as faça por meios próprios, pois aqueles que dependem
da ajuda de outrem sempre falham, não chegando a lugar algum. Introduzidas as
mudanças, as dificuldades residirão, agora, em mantê-las.
No Capítulo VII, os que se tornam príncipes têm dificuldade para manter o
poder, embora tenham-no conseguido sem grandes dificuldades. A manutenção do
poder ficará na dependência da mesma sorte que o levou a ele. Evidentemente que
os Estados criados subitamente não têm raízes sólidas, de modo que são facilmente
derrubados, a menos que o príncipe tenha virtudes. A solução é preparar os alicerces
do poder antes de alcançá-lo, pois depois representará grande esforço e perigo.
Ao nos debruçarmos sobre o Capítulo VIII, percebemos que se pode chegar
ao poder a partir ou a favor de atos criminosos. No entanto, é preciso tomar cuidado,
pois atos criminosos podem conduzir ao poder e não à glória. A crueldade pode ser
usada de duas formas: na primeira, usamos bem quando utilizada toda sorte de
crueldade de uma só vez, para garantir o poder e para que as pessoas se satisfaçam
com as inovações; de outra maneira, utilizamos mal quando no começo é pouca, mas
aumenta com o tempo.
No Capítulo IX, Maquiavel apresenta o governo civil como aquele em que o
cidadão se torna soberano por favor de seus concidadãos; neste caso não dependerá
apenas do valor ou da sorte, mas da astúcia afortunada. Este governo é instituído pelo
povo ou pela aristocracia, sendo que aqueles que são ajudados pelos ricos têm maior
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dificuldade, uma vez que estes ficam ao lado de quem oferecer maiores vantagens,
não sendo de todo fiéis.É mais difícil satisfazer a nobreza através da conduta justa,
sem causar prejuízo aos outros, uma vez que esta só quer oprimir, ao passo que o
povo somente deseja evitar a opressão. Por isso é mais prudente confiar no povo
neste caso; no entanto, nesta hipótese, deve-se manter a estima do povo, o que se
faz unicamente protegendo e não oprimindo.
No Capítulo X, ao examinar as qualidades e avaliar a força dos Estados,
Maquiavel diz que é preciso considerar se os príncipes podem se manter no poder por
si mesmos ou se só podem se manter no poder com auxílio alheio. O príncipe, que é
senhor de uma cidade poderosa, e não se faz odiar, não poderá ser atacado; e mesmo
se o for, o assaltante não sairia glorioso, mesmo porque um príncipe corajoso e
poderoso saberá sobrepor-se a tais dificuldades.
O Capítulo XI aborda os Estados eclesiásticos como aqueles conquistados por
mérito ou sorte, mas que não precisa de nada para mantê-lo, já que são sustentados
por antigos costumes religiosos. Somente estes Estados são seguros e felizes.
No Capítulo XII, Maquiavel diz que a base principal de todos os Estados devem
ser as boas leis e os bons exércitos. As tropas mercenárias, neste contexto, não
oferecem posição firme e segura, pois os soldados são desunidos, ambiciosos,
indisciplinados e infiéis. Portanto, só os príncipes e as repúblicas armadas, em que
respectivamente o príncipe pessoalmente ou um cidadão da república comandam as
forças armadas, obtêm grandes progressos, pois as forças mercenárias só sabem
causar danos.
O Capítulo XIII nos é apresentado que as tropas auxiliares podem ser em si
mesmas eficazes, mas são sempre perigosas para os que dela se valem. Isto ocorre
porque, apesar de unidas, são obedientes a outrem, por isso não proporcionam
conquistas. Assim, é preferível perder com tropas próprias a vencer com tropas
alheias.
No Capítulo XIV, temos que a guerra deve ser o objetivo ou o pensamento
principal do príncipe, pois através dela um príncipe pode perder sua posição de
soberano e também ela torna possível a homens comuns galgar a posição de
soberanos. Estar desarmado, assim, significa perder a consideração, principalmente
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por parte dos soldados. Mesmo em tempos de paz não deve se afastar dos exercícios
bélicos.
O Capítulo XV trata sobre como o príncipe deve se ater ao que se faz e não
ao que deveria ter sido feito. Ainda que se deve usar a bondade, mas apenas quando
for necessário. O príncipe deve também ter prudência necessária para evitar
escândalo provocado por vícios que poderiam abalar seu reinado e saber quais os
que trazem como resultado o aumento da segurança e o bem-estar.
No Capítulo XVI, Maquiavel trata da liberalidade, quando praticada de modo a
ser vista por todos, prejudica o príncipe. Quem quiser ganhar reputação de
liberalidade, despenderá de muita riqueza; no entanto, não deverá esbanjar de seus
próprios recursos, pois isso trará prejuízo, o que não acontecerá se esbanjar a riqueza
dos outros. Deve cuidar, ainda, para não ser tido como miserável. Para os que já são
príncipes a liberalidade pode ser prejudicial, ao passo que para os que ainda não são
e para os que vivem de roubo, ela se faz necessária.
O Capítulo XVII aborda sobre ser considerado clemente a ser considerado
cruel, porém a reputação de cruel não deve incomodar se o objetivo for manter o povo
unido e leal. Os mais novos no poder devem ter reputação de cruel, visto que os novos
Estados oferecem muitos perigos. Não devemos ter medo, devemos ter prudência,
equilíbrio e humanidade, porém na opção entre ser amado e temido, o príncipe deve
optar por ser temido; fazer-se temer, porém sem ganhar o ódio. O príncipe deve ainda
manter tropas unidas e dispostas com fama de crueldade.
No Capítulo XVIII, os príncipes que não respeitam a palavra podem superar os
que respeitam; assim, o príncipe não deve agir de boa-fé se isso for contra seus
interesses, por isso além de forte deve ser astuto. Não se faz necessário que o
príncipe tenha qualidades, mas deve aparentar ter, principalmente a aparência de
religiosidade. O príncipe deve evitar se desviar do bem e praticar o mal se necessário.
O Capítulo XIX tratado por Maquiavel de maneira a nos dizer que o príncipe
deve evitar ser odiado e desprezado. O que mais faz o príncipe ser odiado é a
usurpação dos bens e mulheres do súdito. Um homem esquece mais rápido uma
morte do que a perda de um bem. Deve-se acautelar quanto aos súditos e as
potências estrangeiras. A situação interna permanecerá tranquila se não for
perturbada por conspirações e um dos mais poderosos remédios contra as
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conspirações é não ser odiado pela massa popular; o conspirador acredita sempre
que a morte do soberano satisfará o povo. Assim, o príncipe, embora não possa evitar
de ser odiado por algumas pessoas, deve buscar em primeiro lugar evitar o ódio das
massas e se não conseguir, evitar o ódio dos poderosos.
No Capítulo XX, o príncipe não pode desarmar seus súditos, pelo contrário,
estando eles desarmados, deve armá-los, pois esses braços armados pertencerão ao
monarca. Além do mais, desarmar os súditos pode ofendê-los. O desarmamento deve
ocorrer apenas no caso de anexação. Quando o inimigo se aproxima, a fração mais
fraca aderirá a ele. Superar oposições e inimizades gera e incrementa a grandeza.
Maquiavel destaca que o príncipe que temer aos seus súditos deve construir
fortalezas, no entanto, mais vale a amizade e a estima dos cidadãos, que fortalezas.
O Capítulo XXI é tratado por Maquiavel a questão de que o príncipe deve ser
estimado, dar grandes exemplos e prometer grandes empreendimentos. Deve
procurar em todas as suas ações conquistar fama, grandeza e excelência, ser amigo
ou inimigo declarado, evitando a neutralidade. Devem, também, demonstrar apreço
pelas virtudes, dar oportunidade aos mais capazes e honrar os excelentes em cada
arte, além de incentivar os cidadãos a praticar pacificamente sua atividade.
No Capítulo XXII, Maquiavel trata da escolha dos ministros por parte do
príncipe é de grande importância. Deve escolher homens eficientes e fiéis, que
compreendam as coisas por si só. Evitar os ministros ruins, ou seja, aqueles que se
preocupam mais consigo mesmo.
No Capítulo XXIII, Maquiavel destaca que se deve evitar aduladores. Os
conselheiros escolhidos devem ser sábios que dizem com plena liberdade a verdade,
quando forem e sobre o que forem consultados; os aduladores fazem com que o
príncipe aja precipitadamente. Note-se que o príncipe que não é sábio por si só, não
poderá ser bem aconselhado.
O Capítulo XXIV, por sua vez, apresenta como os príncipes novos têm sua
conduta observada muito mais que um antigo; por isso devem fortalecer o Estado com
boas leis, boas armas e bons exemplos, além de serem simpáticos ao povo e garantir-
se contra os nobres. Só são boas, seguras e duráveis aquelas defesas que dependem
exclusivamente de nós, e do nosso próprio valor.
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No Capítulo XXV, Maquiavel diz que o príncipe não se deve deixar que o acaso
decida; basear-se apenas na sorte pode trazer a ruína quando esta mudar. Ele deve
agir de acordo com as circunstâncias. Cada época e cada lugar requerem um caminho
diferente a seguir para alcançar determinados objetivos; assim, mudança de
circunstâncias e tempos requer uma adequação para não trazer a ruína.
Por fim, no Capítulo XXVI, Maquiavel destaca que não há nada melhor do que
erguer-se das ruínas para mostrar sua força e seu valor, pois “a virtude tomará armas
contra o furor e será breve o combate, pois o antigo valor ainda não está morto nos
corações italianos”.