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SASKIA SASSEN

As Cidades na
MEGALÓPOLlS

Economia Mundial
E ste livro nos mostra corno determinadas características da eco-
nomia mundial conduziram à formação das cidades globais.
Enquanto vários planejadores urbanos afirmavam que as cida-
des estavam se tornando obsoletas, marginalizadas devido ao processo
de telecomunicação global e à mobilidade de pessoas e do capital, "As
cidades na economia mundial" revela como acontecimentos da última
década apontam para outra direção.
A obra demonstra como certas cidades - Nova York, Tóquio, Lon-
dres, São Paulo, Hong Kong e Sidney,dentre outras - transformaram-se
em espaços transacionais imprimindo um novo significado a conceitos
da sociologia como "centralídade", "lugar", e à importãncia da geografia
em nosso mundo social.
A autora examina ainda o impacto dos processos globais na es-
trutura social das cidades, mostrando como as transformações na
organização social do trabalho, na redístríbuíçào da renda e na
reestruturação do consumo contribuem para novas desigualdades
nas cidades no mundo todo.

Saskia Sassen é professora de Planejamento Urba.no na Columbia University.


Publicou diversos artigos e livros, dentre os quaís se destacam: "The Mobility of
Labor and Capital: a study in international ínvestment and labor flow" e "The
Global City: New York, London, Tokyo".

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ISBN 858544554-8
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Sumário

Agradecimentos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 9

Prefácio 11

o lugar e a produção na economia global . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

2 O impacto urbano da globalização econômica · 23


A economia global na atualidade. · 24
Lugares estratégicos . .34
Conclusão: após a Pax Americana .44

3 As novas desigualdades entre as cidades. .47

Impactos sobre os sistemas primaciais: o exemplo da América Latina


e do Caribe . .48
Impactos sobre os sistemas urbanos equilibrados: o exemplo da Europa · 58
Sistemas urbanos transnacionais . .66
Conclusão: o crescimento urbano e seus múltiplos significados . : . 71

7
4 A nova economia urbana:. .
a interseção dos processos globais com a localidade . · 75
Prestação de serviços . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . · 78
A formação de um novo complexo de produção . · 88
O impacto da crise financeira do final da década de 1980 sobre as
funções da cidade global: o exemplo de Nova York . · 98
Conclusão: as cidades como locais de produção pós-industrial tOO Agradecimentos
5 Questões e estudos de caso na nova economia urbana . . . . t03
O desenvolvimento das funções da cidade global: o exemplo de Miarni 104
O adensamento crescente e o aumento da especialização nos distritos
financeiros: Toronto. . . . . . . . . . . . . . J 09
A concentração de funções e a escala geográfica: Syclney . . . . . . . 113
Globalização e concentração: o exemplo dos principais centros financeiros 117
A economia espacial cio centro . . . . . . . . . . 122
Conclusão: concentração e redefinição do centro 124 Quero agradecer a várias pessoas e instituições que tornaram possível escre-
ver este livro em um período um tanto breve. O Wissenschaftszentrum, em Ber-
6 As novas desigualdades nas cidades . . . . . 129 lim, foi para mim um lar generoso e intelectualmente estimulante. O mesmo devo
dizer do Instituto de Estudos Avançados de Viena, muito especialmente devido à
Transformações na organização do processo de trabalho 130
presença de Rainer Baubock e dos estudantes em meu curso. Essas instituições
A distribuição dos ganhos em uma economia de serviços 139
foram de imensa valia em 1991-1992, ano que passei licenciada na Europa. A
Conclusão: um hiato que se alarga . . . . . . . . . . . . 149
Fundação Russel Sage, da qual fui professora visitante em 1992-1993, é muito
conhecida pejo apoio que presta aos pesquisadores e a seu trabalho. Quero agra-
7 Uma nova geografia dos centros e das margens: resumo e implicações 153
decer a seus dirigentes e funcionários e, muito particularmente, a Vivian Kauff-
O locus da peri feria . 154 rnan, por sua assistência precisa e inteligente. O Departamento de Ciência
O espaço contestado 156 Política e a Faculdade de Estudos Ambientais da Universidade de Nova York em
Toronto patrocinaram um seminário internacional de verão sobre a cidade global,
Apêndice .. 161 o que me permitiu trabalhar com alunos de vários países e de diferentes forma-
ções. Sou particularmente grata a Roger Keil e a Leo Panic. Finalmente, um
Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173 convite do Centro Internacional para Pesquisadores Woodrow Wilson, a fim de
que eu passasse o verão de 1993 em Washington, D.C., proporcionou-me os
meios para completar este livro. Especialmente agradeço a Blair Ruble, Joseph
Tulchin e os membros do Grupo de Trabalho Urbano: Paul Singer, Richard Sen-
nett e Wilbur Zelinsky. Quero agradecer a excelente assistência proporcionada à
pesquisa por Laura Bosco e Mark Williamson, no Centro Woodrow Wilson, e a
Brian Sahd, Kam Wong e Luc Nadal na Universidade Columbia. Finalmente,
Wendy Griswold, Charles Ragin e Larry Griffin, organizadores da série Sociology
for a New Century, tiveram a oportuna idéia de a publicar. Alegro-me por terem
me convencido a participar de seu projeto.

8 9
6
As novas desigualdades nas cidades

Qual é o impacto exercido pela ascendência das finanças e do setor de


prestação de serviço sobre a estrutura social e econômica mais ampla das grandes
cidades? Quais são as decorrências da nova economia urbana em relação à distri-
buição dos rendimentos obtidos pela massa trabalhadora de uma cidade? Sabe-
mos que quando liderava a economia, o setor manufatureiro criou condições para
a expansão de uma ampla classe média porque (I) facilitou a sindicalização; (2)
baseava-se em boa parte no consumo doméstico e, em conseqüência, os níveis
salariais importavam, na medida em que criavam uma demanda efetiva; (3) o
nível salarial e os benefícios sociais típicos dos setores dominantes tornaram-se
um modelo para setores mais amplos da economia.
Queremos saber qual é o lugar ocupado pelos trabalhadores que não pos-
suem aqueles altos níveis de educação exibidos pelos setores avançados da econo-
mia nessas grandes cidades. Esses trabalhadores teriam se tornado supérfluos?
Queremos também saber qual é o lugar que ocupam, em uma economia urbana
avançada, as empresas e setores que parecem ser atrasados ou que não detêm o
capital tecnológico e humano avançado, base dos novos setores dominantes. Eles
também se teriam tornado supérfluos? Ou esses trabalhadores, empresas e setores
são articulados com o centro da economia, porém sujeitos à grande segmentação
das características sociais, econômicas, raciais e organizacionais dessas mesmas
empresas e trabalhadores? Queremos saber finalmente até que ponto essa seg-
mentação é produzida ou fortalecida pela existência de uma segmentação étni-
ca/racial, em combinação com o racismo e a discriminação.

129
Podemos observar tendências que se manifestam no nível social, do mesmo utilizado para realizar o trabalho desempenhado por uma secretária ou pelo em-
modo que as podemos observar no nível econômico. Pesquisas recentes mostram pregado do setor manufatureiro. Componentes de processos de trabalho que há
grandes aumentos das desigualdades socioeconômicas e espaciais nas grandes dez anos eram executados de maneira menos complexa e classificados como
cidades do mundo desenvolvido. Essa constatação pode ser Interpretada apenas empregos no setor de produção foram substituídos por uma combinação de má-
como um aumento quantitativo do grau de desigualdade, que não está associado à qUllla/trabal~ador no setor de serviços ou trabalhador/engenheiro. A máquina,
emerzência
o
de novas formas sociais ou de realinhamento de classes. Pode
.
ser neste caso, e computadonzada. Por exemplo, certas operações que exigem uma
também interpretada como uma reestruturação social e econômica e o surgirnento pessoa altamente especializada podem ser agora realizadas através de um projeto
de novas formas sociais: o crescimento de uma economia informal nas grandes e de uma callbragem auxiliados por um computador. Atividades que outrora se
cidades dos países altamente desenvolvidos; o aburguesamento dos indivíduos consolidavam em um estabelecimento varejista de um único serviço foram dividi-
dos setores comerciais e residenciais que apresentam renda elevada; o grande das entre um posto de prestação de serviços e as sedes centrais. Finalmente boa
aumento dos sem-teto nos países ricos. parte do trabalho que no passado se caracterizava como produção em massa,
Nossa preocupação, neste capítulo, é descrever os aspectos gerais dessa padronizada hoje se caracteriza cada vez mais pela especialização flexível, por
transformação. A natureza do tema é de tal monta que um relato adequado neces- trabalhos realizados mediante encomenda, por redes de subempreiteiros e pela
sitaria apresentar as condições específicas de cada cidade, tarefa que escapa aos informalização que, em determinados momentos, inclui até mesmo o trabalho
limites deste livro. Por esse motivo, boa parte dos antecedentes empíricos que industrial realizado no próprio domicílio e em pequenas lojas. Em resumo, as
ernbasarn algumas das declarações específicas que faremos se referem ao exem- mudanças ocorridas no suprimento de empregos, evidentes nas grandes cidades,
plo dos Estados Unidos. O motivo pelo qual se focaliza sobretudo nesse país são função dos novos setores e da reorganização do trabalho nos novos e antigos
reside no fato de dispormos de mais análises sobre ele e as questões a serem setores.
discutidas são ali mais aguçadas. A~ fO,rmas históricas assumidas pelo crescimento econômico que na era que
A primeira metade do capítulo discute a transformação ocorrida na organi- se seguiu a Segunda Guerra Mundial contribuíram para a enorme expansão de
zação do processo do trabalho, particularmente como ele se materializa nas gran- uma classe média - sobretudo a intensidade do capital, a produção padronizada
des cidades. A segunda metade focaliza a distribuição dos rendimentos em uma e o crescimento voltado para elevados padrões de vida - detiveram e reduziram
economia dominada pelos serviços. Essa discussão inclui relatos um tanto mais as tendências sistêrnicas em direção à desigualdade através da constituição de um
detalhados sobre a economia informal e a reestruturação do consumo urbano, dOIs regime econômico cerurado na produção e no consumo de massa (o mesmo
processos fundamentais que fazem parte da modificada distribuição de renda. fizeram as formas culturais que acompanhavam esses processos, principalmente
quando moldavam as estruturas da vida cotidiana, na medida em que uma classe
média expandida contribui para o consumo de massa e, assim, para a padroniza-
ção da produção). Esses fatos conduziram a maiores níveis de sindicalização e a
outras formas de fortalecimento dos trabalhadores que podem ser derivadas ele
Transformações na organização do processo de trabalho grandes escalas de produção e da central idade da produção e do consumo de
massa no que se refere ao crescimento econômico e aos lucros no nível interno.
Essa forma de crescimento econômico, juntamente com os programas do gover-
no, contribuíram para reduzir o número de pobres nos Estados Unidos (ver figu-
A consolidação de um novo núcleo econômico de atividades profissionais e ra 6.1) e na maior parte das economias desenvol vidas.
do setor de prestação de serviços precisa ser abordada no contexto de um direcio- Foi também nesse período pós-guerra, que se estendeu ao fi nal dos anos
namento geral a uma economia baseada nos serviços e de um declínio do setor sessenta e início dos anos setenta, que a incorporação dos trabalhadores às rela-
manufatureiro. Novos setores econômicos estão dando novos contornos ao forne- ções do mercado formal de trabalho atingiu seu mais alto nível nas economias
cimento de empregos. O mesmo ocorre corri as novas maneiras de organizar o mais avançadas. A forrnalização das relações de emprego traz consigo a irnple-
trabalho nos novos e velhos setores da economia. Hoje, o computador pode ser mentação, ainda que freqüentemente precária, de um conjunto de regulamenta-

130
131
uma década em muitas cidades de grande porte, o que alterou notavelmente a
ções que tiveram o efeito de proteger os trabalhadores e garantir os resultados posição de negociação dos empregadores e a insegurança ou marginalização dos
obtidos graças a conflitos trabalhistas constantemente violentos (no entant~, essa grupos menos favorecidos no mercado de trabalho. Trabalhadores, desesperados
formalização também acarretou a exclusão de segmentos distintos da mão-de- por empregos, têm se mostrado dispostos a assumir empregos cada vez menos
obra, particularmente em certas indústrias onde havia grande sindica.lização). atraentes. Esses fatos, que ocorrem nas duas esferas do mercado de trabalho e
As transformações econômicas e sociais ocorridas na economia desde mea- com maior intensidade nos núcleos urbanos, parecem ter induzido, por um lado, a
dos da década de 1970 assumem formas específicas nos mercados urbanos de uma crescente desestabilização do emprego, fazendo com que seja cada vez mais
trabalho. Mudanças no funcionamento desses mercados, a partir de meados dos ocasional e informal. Por outro lado, deu-se uma polarização cada vez maior de
anos setenta, têm inúmeras origens possíveis. A mais evidente entre elas se deve a oportunidades de emprego, com novos tipos de divisão social.
mudanças de longo prazo no equilíbrio ocupacional e industrial dos empreg?s, .0 Os mercados de trabalho metropolitanos tenderão a refletir vários fatores de
que afeta diretamente o mix das características do emprego, i~clui~do. os ruveis origem que se situam além de determinados efeitos reestruturantes. Os mais
salariais e a estabilidade, bem como os tipos de carreiras disponíveis para os importantes incluem seu tamanho e sua densidade, o determinado mix industrial e
trabalhadores locais. Do lado da demanda, essas mudanças incluem a nova fl~~l- ocupacional de sua base de empregos, o estado de tensão e relaxamento quanto à
bilidade que os empregadores tendem a procurar, pressionados pela compeuçao demanda de mão-de-obra e, em muitas cidades, a presença e as características dos
internacional, pelos mercados instáveis de produtos e pelo enfraqueclme~to .do grupos de imigrantes. Hoje, assim como há um século, duas características do
apoio político a programas setoriais oficiais. Essa nova flexibilidade pode SlgmfI- mercado de trabalho, nas grandes cidades, são a fluidez e a abertura que influen-
car mais empregos temporários e em turno parcial. Do lado da oferta, um fator ciam os tipos de atividade que nelas prosperam, bem como as experiências que
fundamental tem sido a persistência de altos níveis de desemprego por mais de seus habitantes têm com o mercado de trabalho. Igualmente importante é o fato
de que os mercados de trabalho, nas cidades e em seus arredores, são estrutura-
dos a partir da associação por determinados setores de empregos desses mercados
a uma combinação de recompensas, segurança e condições de acesso (ver Gordon
Figura 6.1 & Sassen, 1992).
Número de pessoas pobres nos Estados Unidos, 1959-1989
As características do mercado de trabalho de muitas indústrias importantes
nas grandes cidades evidenciam tendências a relacionamentos de menor prazo no
40
que se refere aos empregos. Sejam aquelas indústrias voltadas para o comércio de
vestuário ou os serviços voltados para o consumidor, seja aquele tipo de comércio
35
historicamente associado à produção de massa ou os atuais serviços financeiros
especulativos, um número significativo de empresas opera em mercados competi-
Milhões de tivos e, com freqüência, altamente instáveis. As taxas de rotatividade, nessas
pessoas em atividades, são muito mais elevadas do que nas' grandes empresas e nas organiza-
situação de
30
ções monopolísticas e burocráticas. Uma das atrações das cidades, em relação a
pobreza
essas atividades mais instáveis, deve ser a facilidade com que os níveis de empre-
25 go podem ser ajustados para cima e para baixo, devido à fluidez de seus mercados
de trabalho.
Altas taxas de rotatividade também têm implicações do lado da oferta, au-
mentando as atrações que a cidade exerce sobre os migrantes especuladores,
principalmente sobre aquelas minorias que têm dificuldade de obter acesso a
Fonte: Bureau of the Census, Money lncome and Pov~rty Status in the United States, /989 setores mais fechados dos empregos e sobre os trabalhadores jovens e solteiros,
(Washington, DC: U.S. Government Printing Office, 1989), Series P-60, nº 168, Tabela 19. para quem a segurança pode ser uma prioridade menor. A disponibilidade dessa

133
132
determinada mão-de-obra pode, portanto, apresentar outras implicações no que Tabela 6.1
diz respeito às estratégias dos empregadores. A atual estrutura dos mercados de Desemprego em cidades européias selecionadas, 1980 e 1990
trabalho urbano tem se revelado mais complexa e mutável do que as economias
da aglomeração e a "seleção natural" que atua sobre as atividades e grupos de
Cidade Desemprega em 1980
trabalhadores. O rápido crescimento dos níveis de desemprego em muitas cidades Desemprego em /990
(porcentagem)
européias indica qual será o desfecho desses vários processos. O exemplo euro- (porcentagem)
Amsterdã
peu é particularmente interessante, pois encerra uma tradição mais forte de prote- 8,2 19,5(1988)
ção governamental aos trabalhadores (ver tabela 6.1). Barcelona
15,5 (1981) 14,6(1988)
A importância potencial da presença ou ausência de uma numerosa mão-de- Birmingham
15,0 10,3
obra constituída por imigrantes abrange várias questões, incluindo o nível dos Bruxelas
salários na camada mais baixa do mercado de trabalho e suas implicações para o 6,0 16,7(1989)
custo de vida e a competitividade das atividades locais, bem como os padrões de Copenhague
7,8 11,3 (1988)
r segmentação e as oportunidades de avanço para os trabalhadores nativos. Além Dortmund
5,7
disso, dada a concentração dos novo migrantes nas grandes cidades, a imigração 11,9
Dublin
também contribuiu para promover mudanças nos padrões espaciais no que se 9,9 18,4 (1987)
refere à oferta da mão-de-obra. Nos Estados Unidos houve também uma nítida Glasgow
8,0 15,0
descentralização da população branca nas áreas periféricas das regiões metropoli- Hamburgo
3,2
tanas. Nas grandes cidades o deslocamento dos brancos para os elegantes subúr- Liverpool " ,2
bios re idenciais foi contrabalançado pela imigração, proveniente sobretudo do 16,0 20,0
Terceiro Mundo, para os centros urbanos, a partir de meados da década de 1970. Lyon
6,1 8,3
A tendência à concentração de imigrantes e de populações étnicas no centro Madri
12,0 12,5
também é evidente em outras grandes cidades do mundo desenvolvido, desde o Marselha
12,2 18,I
exemplo bem conhecido ele Londres até o menos conhecido ele Tóquio. A, im, em Milão
1991, a Grande Londres tinha 1,35 milhões de residentes, ou 20%, da população 5,5(1981) 5,0(1989)
classificada como minorias étnicas. Tais minorias representavam 25,7% da popu- Montpellier
6,8 10,3
lação da capital e cerca de 17% de seus arredores. Alguns dos bairros ele Londres Nápoles 14,5 23,0
têm concentrações extremamente elevadas: 45% em Brent, mais de 42% em Paris
Newham, mais de 35% em Tower Harnlets. Vemos, neste exemplo, um grau muito 7,0 8,4
elevado ele segregação espacial e de grande concentração em áreas urbanas cen- Reno
8,1 10,1
trais. Roterdã
8,8 17,1 (1988)
Em Tóquio foram registrados oficialmente 250 mil estrangeiros. Essa cifra é Sevilha
18,7 25,2
subestimada, pois exclui a crescente imigração ilegal (ver Morita, 1993; Sassen,
Valência
1993). Vemos também em Tóquio um padrão de concentração espacial no centro 9,9 17,5
da cidade. Assim, 85% dos estrangeiros registrados viviam no centro da capital, Fonte: Baseada em A Repon I 11, C ... .r
ral for Regional Palie)' (XVI), ~b:eI9~~:'~I.l:~~~;J lhe Europenn COlI/lI/lIIlilies, Directorate Gene-
mas uma parcela desproporcional deles, sobretudo os de origem asiática, se con-
centra em algumas pequenas áreas no centro da cidade. Embora a população
estrangeira registrada represente apenas 2,;3% da população total dos bairros cen-
trais de Tóquio, sua participação chega a 5% no centro da cidade. A exemplo do
que acontece em Londres, essa concentração ocorre próximo àquela região que

134
135
. d de importantes empresas japonesas e mação, sobretudo as secretárias, os trabalhadores que se ocupam com a manuten-
abriza as instituições financeiras e as se es _. ção e os faxineiros. Estes últimos empregos citados são componentes fundamen-
b . E zião é o coraçao financeiro e comer-
estrangeiras (Sassen 1991 capo 9). ssa regi . tais da economia dos serviços. Assim, independentemente de quão elevado seja o
" . . Além do maiS em algumas
cial, nacional e internacional da economia Japonesa. e , d lugar ocupado por uma cidade nas novas hierarquias transnacionais, haverá uma
das ,áreas das reziões . centrais"'dda CI a d e on d e os asiáticos
c
se- concentram •e ond e,
participação significativa de empregos de baixa remuneração, julgados um tanto
b .
seaundo se sabe vivem rnuitos dos novoS Imlor . . <rantes que nao _.foram rezistra os
b .
b , . d uma proporçao muito maior de irrelevantes em uma economia avançada da informação embora sejam um compo-
ou documentados, os estrangeiros respon em por . . nente integral dessa economia.
moradores. No distrito de Shinjuku, onde atualmente se. localiza a prefeitura,
rem ocorrido transformações objetivas nas formas de organizar o setor
zrande centro comercial existem bairros onde os estrangeiros representam de 15
manufatureiro, com a presença cada vez maior de uma produção em pequenas
~ 20% de todos os m;radores: Kabukicho e Ohkubo são exemplos (Sonobe~
quantidades, de pequenas escalas, de elevada diferenciação do produto e de rápi-
1993). Cerca de dois terços desses estrangeiros são coreanos: chllle~es, ~as há das mudanças do produto final. Esses elementos promoveram a subcontratação e
um crescente número de estrangeiros provenientes de outros pats:s asiauco ~ . o recurso a maneiras flexíveis de organizar a produção. As formas flexíveis de
A expansão dos empregos de baixa remuneração,em fL~nçao das tend~ncws produção, que vão do altamente sofisticado ao muito primitivo, podem ser igual-
ao crescimento, implica a reorganização da relação capltal/mao-de-obra. Pal~ q~e mente encontradas em indústrias adiantadas ou atrasadas. Tais modos de organi-
seja possível perceber esse efeito com clareza, precisamos fazer uma distinção zar a produção assumem formas distintas no mercado de trabalho, nos
. as características dos empregos e sua localização
entre . - setonat. . I A ssirn, os setores
. componentes da demanda da mão-de-obra e nas condições mediante as quais a
que cresceram altamente dinâmicos, tecnologicamente adiantados, podem muito mão-de-obra é empregada. Os fatos que indicam essas mudanças são o declínio
bem conter empregos com baixos níveis de remu_neração e que não apresentam dos sindicatos no setor manufatureiro, a perda de várias proteções contratuais e o
perspectivas de melhoria. Além disso, a distinção entre categonas setonais e aumento de trabalho involuntário, em turno parcial ou temporário, além de outras
padrões de crescimento setorial é crucial. Setores atrasados, tais como certos formas de trabalho condicional. Uma indicação extrema desse rebaixamento é o
manufaturados ou ocupações mal remuneradas no setor de serviç.os, podem fazer crescimento das oficinas de fundo de quintal e o trabalho industrial realizado em
parte das principais tendências ao crescimento em uma economia altamente ~e- domicílio.
senvolvida. Presume-se, com freqüência, que setores atras~do.s expressam tenden- A expansão de um setor manufatureiro rebaixado envolve em parte aquelas
eias ao declínio. Do mesmo modo, existe uma tendência a pressupor que mesmas indústrias que costumavam contar com grandes fábricas organizadas e
indústrias avançadas, tais como as finanças, oferece~ e~senclalmente bons ee<r:~ empregos razoavelmente remunerados, mas que os substituíram por diferentes
pregos, quando na verdade, encerram uma particrpaçao significativa de empr o formas de produção e organização do processo de trabalho, tais como o trabalho
mal remuneracÍos, que vão dos faxineiros aos escriturários das conetoras que industrial realizado em domicílio e o trabalho por tarefa. Essa expansão envolve
operam com acões. . também novas espécies de atividade associadas às novas tendências de crescimen-
Tendem;s a pensar nas finanças e nos serviços especiali~ados mais c?mo to. A possibilidade de os fabricantes de manufaturas desenvolverem alternativas à
r uma questão de perícia do que de produção. Os servIç~s cOI~erc~als de alto nível, fábrica organizada torna-se particularmente significativa em setores em cresci-
da contabilidade à consultoria para a tomada de decisões, nao sao habltualmen.!e mento. A consolidação de um setor manufatureiro rebaixado, mediante uma trans-
analisados em termos de seu processo de produção. Prestou-se, portanto, atençao formação social ou técnica, pode ser vista como uma resposta político-econômica
insuficiente ao atual conjunto de empregos, dos bem aos mal remuner~dos, que à necessidade de expansão da produção, em uma situação na qual crescem a
estão envolvidos na produção desses serviços. Na verd~de, ~ e,la.boraçao d: "" rnilitância e os salários médios, conforme ocorreu nos anos sessenta e início dos
instrumento financeiro, por exemplo, requer contribuições jurídicas, contabel~, anos setenta.
bem como do setor de publicidade e de outros serviços espectallzaAdos. Os servl-.
ços avançados se beneficiam da aglomeração e mostram uma tendência a forma!
um complexo de produção, conforme discutido no capítulo 4. Adicionalmente. o
próprio complexo de produção inclui uma variedade de trabalhadores e de e~pre~
sas que, de modo geral, não são considerados integrantes da econorrua da infor

137
136
A economia informal A transformação do consumo final e intermediário e a crescente desí ld
d d . di 'd
e as empresas tl 111 IVI uos, no que se refere a seu poder de neo-ocl'a' . drgua a-'
inf r - o 1,lnuzema
in orma rzaçao ~m um amplo espectro de atividades e esferas da economia Por
Boa parte do setor manufatureiro reb.aixado constitui um exempl? da infor- sua vez, a existência de uma economia informal desponta como um :
malização ou um componente do setor informal. Embora se acredite q.ue os . mecanIsmo
que propo~clona a redução dos cust.os, até mesmo no caso de empresas e residên-
setores informais surjam apenas nas cidades do Terceiro Mundo, presenciamos clas~que nao precI~am ~esse mecarusrno para sobreviver, e flexibilidade, naquelas
atualmente um rápido crescimento do trabalho informal na maioria das grandes rnstãncias em que ISSOe essencial ou vantajoso.
cidades em países altamente desenvolvidos, de Nova York eLos Angeles a Paris e
Amsterdã (Portes, Castells & Benton, 1989; Renooy, 1984; WIACT, 1993).
Precisamos distinguir duas esferas no que se refere à circulação de bens e
serviços produzidos pela economia informal. Uma delas circula internamente e
atende sobretudo às demandas de seus membros, tais como pequenas lojas de A distribuição dos ganhos em
propriedade de imigrantes, situadas naquelas comunidades de imigrantes que uma economia de serviços
prestam serviço a esses membros. A outra esfera circula através do setor "formal"
da economia. Nesta segunda esfera a inforrnalização representa uma estratégia
direta de rnaxirnização dos lucros, que opera através da subcontratação, do recur-
so a pequenas lojas e a trabalho realizado no próprio domicílio ou através da
aquisição direta de bens e serviços. Estamos presenciando não apenas manufatu-
o que ~ueremos saber agora é o impacto que essas mudanças exerceram
sobr~ a distribuição dos ganhos e sobre a estrutura da renda em uma economia
ras cada vez mais rebaixadas, mas também uma prestação de serviços em grande
domlllada. pe!a prestação de serviços. Um conjunto cada vez maior de estudos
escala igualmente rebaixada, sejam esses serviços públicos ou particulares, junta-
sobre ~ dlstnbUlç~o dos lucros e a distribuição ocupacional, nas indústrias de
mente com um rebaixamento cada vez maior da prestação de serviços que não se
prestação de ~ervlços, v~rifica que os_ serviços apresentam uma participação
realiza em grande escala.
maIO~ de emplegos de ba.lxa remuneraçao do que o setor manufatureiro, embora
Essas condições sugerem que a combinação de várias tendências, particular- e~t~ ultl~o, cada v,ez mars, esteja emparelhando com os primeiros. Além disso,
mente evidentes nas grandes cidades, apresenta uma indução à forrnalização: (1) varras grandes "~dustnas do setor de prestação de serviços também apresentam
maior demanda, por parte de uma população de elevada renda e em expansão, de rnaror parncipação de empregos nas ocupações mais bem remuneradas (Golds-
serviços e produtos feitos sob encomenda, de alto custo; (2) o aumento da deman- mith & Blakely, [992; Harrison & Bluestone, 1988; Nelson & Lorence, 1985-
da de serviços e produtos com custo extremamente baixo por parte de uma popu- Sheets, Nord & Phelps, 1987; Silver, 1984; Stanback & Noyelle, 1982). '
lação de baixa renda e em expansão; (3) a demanda de serviços e bens feitos sob
Boa parte d~ atenção dos meios acadêmicos se dirigiu para a importância do
encomenda ou de uma produção limitada por parte de empresas que são as com- setor rnanufaturenn na redução da desigualdade da renda nos anos cinqüenta e
pradoras finais ou intermediárias, acompanhada por um correspondente cresci-
ses~enta (BIL~n:berg, 191; Stanback et al., 1981). Os principais motivos são a
mento das subcontratações; (4) a crescente desigualdade do poder das empresas rnaror produtividade e os níveis mais elevados de sindicalização encontrados no
no que se refere à capacidade de negociar melhores condições, em um contexto setor manufaturejrn ~o entanto, esses estudos tendem a cobrir um período em
de zrandes pressões sobre a terra devido ao rápido crescimento e ao forte padrão g~ande parte caracterIZado por tais condições e, desde aquela época, a organiza-
aglornerador das grandes indústrias; (5) a contínua demanda, por parte de várias
çao dos empre~os no setor ~a~ufatu,reiro sofreu pronunciadas transformações.
empresas e setores da população - incluindo a demanda por parte das grandes Naquela que, ate agora, constrtu: a análise mais detalhada de certos dados Harri-
indústrias e dos trabalhadores com alta renda - em relação a bens e serviços son e Bluestone (1988) verificaram que os ganhos nesse setor declinar~m em
produzidos por empresas que apresentam baixas taxas de lucro e que enfrentam muitas indústrias e ocupações. Glickman e Glasrneier (1989) descobriram que a
dificuldades cada vez maiores de sobreviver acima de um certo nível devido ao maiona dos empregos, no setor manufatureiro da Califórnia, recebem baixa re-
aumento dos aluguéis e dos custos da produção. muneração e Fernandez-Kelly e Sassen (1992) verificaram o crescimento das

[38
139
pequenas lojas e do trabalho realizado no próprio domicílio em vários ramos da visto que o aumento de 1% das admissões no setor varejista resultou em um
indústria, em Nova York eLos Angeles. aumento de 0,88% desses empregos.
Existe um número considerável de estudos com forte conteúdo teórico (Hill, Mas o que dizer do impacto dos serviços sobre a expansão dos empregos de
1989; Lipietz, 1988; Massey, 1984; Sassen, 1988; Scott & Storper, 1986), segun- alta remuneração? Nelson e Lorence (1985) examinaram essa questão recorrendo
do o~ quais o declínio da centralidade da produção em massa, no contexto do a dados do censo relativos às 125 maiores áreas urbanas. Para determinar por que
cresclm~nto nacional, e o fato de que os serviços passaram a ser o setor econ?mi- os salários dos homens são mais desiguais nas metrópoles que apresentam altos
níveis de emprego no setor de prestação de serviços, eles mediram a razão entre
co dominante contribuíram para a afirmação de um novo conjunto de arranjos e
os rendimentos médios e o quinto percentil de menor ganho, a fim de identificar a
acomo?a!õ~s. No período do pós-guerra, a economia funcionava de acordo. com
uma dinâmica que transmitia àqueles setores mais periféricos da economia os
benefícios resultantes das atividades das indústrias manufatureiras. Os benefícios
re~resentados pelo preço, pela estabilidade do mercado e pelo aumento da produ-
tividade podiam ser transferidos para um conjunto secundário de empresas, in- Figura 6.2
cluindo fornecedores e subempreiteiros, mas também para indústrias menos Taxa de mudança na renda real da família, quintis, 1973-1989
diretamente relacionadas. Embora ainda houvesse um vasto conjunto de empresas
e trabalhadores que não recebiam tais benefícios, sua quantidade provavelmente 1,65%
era mínima no período do pós-Guerra. No início dos anos oitenta o poder de • 1973-79
e~ta~elecer salários, por parte da; indústrias manufatureiras, havia se deteriorado O 1979-88
significativarnenj- (ver figuras 6.2 e 6.3).
1,22%
Os est~ldos sobre o impacto exercido pelo setor de serviços na estrutura da
1,06%
renda das Cidades só agora começam a surgir na maioria dos países. Dispomos
atualmente de várias análises detalhadas sobre o impacto social do crescimento
dos serviços nas grandes áreas metropolitanas dos Estados Unidos (Fainstein et
al., 1986: Nelson & Lorence, 1985; Ross & Trachte, 1983; Sheets, Nord & Phelps,
1987_; Silver, 1984; Stanback & Noyelle, 1982). Sheets, Nord e Phelps (1987)
verificaram que de 1970 a 1980 várias indústrias do setor de serviços exerciam
um efeito significativo sobre o crescimento do subemprego, algo que eles definem
como um emprego que paga salários que se situam abaixo do nível da pobreza
nas 199 maiores áreas metropolitanas. O efeito.mais forte se associava ao cresci-
men~o do s~tor de prestação de serviços e do comércio varejista. A contribuição
relativa n;,als alta era resultado daquilo que os autores denominam "serviços c?r-
po:atlvos (servIços no setor do comércio, no setor jurídico, serviços profissio- 20° 40° 60° 80U 95Q

percentil percentil percentil percentil


nais, organIzações que se apóiam em quadros de sócios), de tal modo que o percentil
aumento de 1% de admissões, nesse setor de serviços, resultou em 0,37% de au-
mento dos empregos em turno completo, com baixa remuneração. Em contraste, o
aumento de 1% nos serviços pessoais resultou em um aumento de 0,13% em em- Fonte: Goldsmith e Blakely, 1992, p. 22. Baseada no Bureau of the Census, Money lncome and Po-
verty Status in the United States (Washington, D.C.: U.S. Government Printing Office, 1989), Se-
preg?s em turno completo e em uma participação maior de empregos em turno ries P-60, nO 168, Tabela 5; nO 129, Tabela 14; n 97, Tabela 22; e Gary Burtless, ''Trends in the Dis-
Q

parcial e com baixa remuneração. A indústria varejista exerceu o efeito mais im- tribution on Earnings and Family Income", testemunho prestado ao Comitê de Orçamento do Sena-
portante sobre a criação de empregos em turno parcial e com baixa remuneração, do, 22 fev. 1991.

140 141
As condições que possibilitam essa permanente desigualdade também po-
Figura 6.3 dem ser observadas em projeções relativas a requisitos educacionais. Nos Estados
Mudanças no salário médio real (por hora e por semana), 1970-1990 Unidos, os dados relativos a 1988 mostram que 17% dos empregos requeriam
(em dólares vigentes em 1990) menos do que um diploma do curso colegial e mais de 40% requeriam apenas um
diploma desse curso. Apenas cerca de 22% dos empregos exigiam pelo menos o
-- Salário por hora diploma do curso pré-universitário. A expectativa, em relação ao ano 2000, é que
400
_____ Salário por semana haverá pouquíssimas mudanças quanto a esses níveis e 16,5% dos empregos
exigirão menos do que o curso colegial. Apenas 22,9% exigirão pelo menos o
10,80
390 diploma do curso pré-universitário. Isso quer dizer que, no ano 2000, mais da
metade de todos os empregos exigirão apenas um diploma do curso colegial ou
menos. A mudança será um tanto mais radical quando levamos em consideração
380
10,60 Salário apenas novos empregos. Nesse caso, apenas 13% dos empregos exigirão menos
Salário por do que o curso colegial e quase 30% exigirão pelo menos o diploma do curso
por semana pré-universitário (Bailey, 1990). A expansão dos empregos de baixa remuneração
hora 370
no setor de serviços das grandes cidades e o rebaixamento de muitos empregos no
10,40
setor manufatureiro sugerem que uma boa parte dos empregos nas cidades exigirá
360 apenas um diploma do curso colegial ou menos ainda.
À sua maneira essas tendências se fazem evidentes em muitos países alta-
10,20 mente desenvolvidos (Brosnan & Wilkinson, 1987; Cheshire & Hay, 1989; Min-
350
gione, 1991). Interessa-nos examinar o exemplo do Japão, pois, segundo parece,
pouco se sabe ou pouco se transmite quando se fazem comentários gerais sobre o
+-~-r.-,,-,.-,,-.,-.,,-.-r,-,,-r340 aumento dos empregos com baixa remuneração. Faremos agora uma breve descri-
10,00 1990 ção do crescimento dos empregos no setor de serviços neste país.
1970 1975 1980 1985

. O . li of Entillement Proararns:
Fonte: U.S. Congress, Housc Cnrnrnittee on Ways and Means, verviev
Grccn Book,1991, AnexoF,Tabela 34.
'"
o crescimento dos empregos com baixa remuneração no Japão

o Japão também testemunhou um considerável crescimento dos empregos


com baixa remuneração no setor de serviços, bem como a substituição de traba-
diferenca de vencimentos entre os homens metropolitanos m~nos dotado~ e os h~~ lhadores do sexo masculino em turno completo por trabalhadoras do sexo femini-
mens que recebiam salários médios; e mediram a mesma razao para ~5- p~;c:;~~_ ? no em turno parcial, e o crescimento de formas de subcontratação que
mais alto , para determinar o intervalo que separava
.
os assalanados médios d ~ ,
desi ld de nas i?) areas
enfraquecem as reivindicações dos trabalhadores em suas empresas. Mais da
lariados bem remunerados. Em suma, descobriram que a esigua ~ ~ metade dos novos empregos criados em Tóquio, na década de 1980, eram tempo-
parece ser o resultado da maior disparidade de ganhos entre os mais bem re~uner~ rários ou obedeciam ao turno parcial.
dos e os médios, do que entre os médios e os mais mal remun~ra~os. (Ne son . Há outras indicações de mudanças estruturais no Japão nesse período. Des-
L.Olence, 1985 ' p. 115). Além disso, descobriram que o efeito mais vlgoroso.ocorna de os meados de 1980 os salários médios reais vêm diminuindo e o setor rnanufa-
b .. t uito rnais
no setor de produção de serviços e que o imediatamente su sequen e era m tureiro vem perdendo sua influência no que diz respeito a estabelecer níveis
fraco (serviços sociais em 1970 e serviços pessoais em 1980).
143
142
salariais adequados. Além disso, com poucas exceções, a maior parte das indús- adicionais, estejam passando por um processo de erosão. As cifras oficiais d _
,· d . . escre
trias de serviços que estão crescendo apresenta uma média significativamente vem um d ec_.I11110 a participação dos trabalhadores em seu domicílio , mas pOSSI._
mais baixa de salários do que o setor de manufaturados, de transporte e de ve Imente
_ nao registram um ..aumento absoluto de .trabalhadores
. dessa cate geria.
comunicações. A hotelaria e os restaurantes se incluem entre aqueles setores que que nao. contam . com garantias. EXistem algumas indicações de que esta últiIma
apresentam os salários mais baixos, juntamente com os serviços voltados para a categona esteja aumentando (Sassen, 1991, capo 9).
saúde e o setor varejista. Muitas das indústrias que estão crescendo ou pagam O cresc.imento dos em~regos em turno parcial e com baixos salários prova-
salários acima da média - a exemplo do que ocorre com as finanças, os seguros velmen~e facill~a a contrataçao de Imigrantes ilegais. No Japão, onde a imigração
e o setor imobiliário - ou abaixo da média. As mesmas tendências encontradas le~al e ilegal nao faz parte da herança cultural, como se dá nos Estados Unidos
em muitas cidades ocidentais estão se tornando evidentes em Tóquio (para uma eXI~t~ hoje uma imigração ~le~al cada. vez .maior proveniente de vários paíse~
ampla discussão, ver Sassen, 1991, capo 8 e 9). as IatIC.OS.Os dados sobre os Imigrantes Ilegais, obtidos pelo Ministério da Justiça
Dados da Inspeção da Mão-de-obra, no Japão, demonstram que a participa- e analisados por Monta (1992), demonstram que mais de 80% dos homens deti-
ção dos trabalhadores em turno parcial aumentou de 7% de todos os trabalhado- d?s,. entre 1987 e .1990, trabalhavam em fábricas e no setor da construção. As
res, em 1970, para 12% em 1987, o que significa 5 milhões de trabalhadores. fábricas e os canteiros de obras eram locais mais expostos à apreensão de traba-
Entre as mulheres, a participação qua e dobrou, passando de cerca de 12%, em lhadores ilegais, ao contrário das pequenas atividades realizadas no setor de servi-
1970, para 22% em 1985 e para mais de 23% em 1987, ou um total de cerca de ços no centro de Tóquio ou Osaka. Assim, não podemos presumir que esse nível
3.650 mil mulheres. I Quase 24% das mulheres que trabalhavam em turno parcial seja uma representação adequada da distribuição ocupacional dos imizranres ile-
se encontravam no setor manufatureiro, uma indicação do crescimento das rela- gais. Indicam, porém, que as fábricas os estão empregando. o

ções de emprego menos satisfatórias naquele setor. De acordo com um estudo sobre a contratação de irniarantes ilegais nas
No final dos anos oitenta, 58% de todas as empresas contavam com traba- grande~ á~e~s urbanas do Ja~ão~ levado a efeito pelo Departa:ento de Imigração
lhadores em turno parcial. O trabalho em turno parcial, no Japão, é definido pelo do Ministério da Justiça, as fábricas que empregam esses imigrantes exercem uma
Ministério do Trabalho como uma atividade que é exercida determinadas horas ampla gama de atividades: processamento de metais, de plásticos, indústrias grá-
por semana, "substancialmente mais curta do que o trabalho executado por traba- ficas, encadernação, chapearncnto e revestimento de metais. Muito recentemente
lhadores regulares". O trabalho em turno parcial é uma atividade que ocupa um número cada vez maior de mulheres foi detectado em fábricas que trabalha-
menos de trinta e cinco horas por semana. Essa definição exclui os empregos va~ com o processamento de metais. e d~ plásticos e com autopeças (Morira,
sazonais e temporários e, assim, significa uma diminuição a mais em relação a 1990); A rnaiona dos. Imigrantes ilegais fOI descoberta em fábricas pequenas ou
todos os empregos que não se exercem em turno completo ao longo do ano de_ médio porte. As Cifras relativas a 1991 indicam uma continuação desses pa-
inteiro. O que os distingue é a falta de vários benefícios e garantias. droes. Quase a metade dos Imigrantes ilegais trabalhavam no setor da construção,
seguidos por 14% no setor manufatureiro e em certos empregos na indústria
A situação dos que exercem um trabalho em suas residências também mere-
varejista, sobretudo determinados empregos em restaurantes (faxina, copa, cozi-
ce ser abordada. Trata-se de uma categoria erncrescimento em muitos países nha, etc.).
desenvolvidos. Os dados oficiais sobre os trabalhadores em seu domicílio, no
Japão, demonstram um declínio gradual durante a última década. Em 1987 havia As estimativas sobre a evolução dos imigrantes ilegais que executam um
mais de I milhão desses trabalhadores, quase todos mulheres (Ministério do trabalho que não exige qualificação variam consideravelmente, mas evidenciam
Trabalho do Japão, 1987). A maior participação do trabalho em casa - 34% - uma demanda cada vez maior. O Ministério do Trabalho avalia que a escassez da
se refere ao vestuário e a artigos com ele relacionados, seguido por 18,6% em mão-de-obra chegará a meio milhão no final desta década. Segundo cálculos da
equipamentos elétrico-eletrônicos, incluindo a montagem de componentes eletrô- Keidaren, a mais poderosa organização comercial do Japão, a escassez atingirá a
nicos, e quase 16% nos têxteis. O que sobra inclui um espectro muito grande de cifra de 5 milhões de trabalhadores. Os especialistas estimam que se situará entre
atividades, que vão da fabricação de brinquedos e objetos de laca a impressos e 1 e 2 milhões de trabalhadores, no final da década. Atualmente a escassez maior
trabalhos com eles relacionados. É muito possível que os regulamentos existentes, se encontra no setor manufatureiro, sobretudo em empresas pequenas e de porte
que protegem os que trabalham em seu domicílio e Ihes proporcionam benefícios médio. Existe, porém, um consenso no sentido de que o setor de serviços será

144 145
uma grande fonte de escassez. À medida que se aposentar a atual geração de dores profissionais altamente qualificados e trabalhadores de nível baixo morem
tra.balhadores japoneses que executam atividades no setor de serviços - que nas principais cidades. Sonobe (1993) verificou que a participação dos primciros
eXI.ge pouca qualificação _ poderá haver uma aceitação gradual de trabalhadores passou de 20% de todos os trabalhadores, em 1975, a 23% em 1985 e, embora
nnrgrantes. Embora com maior atraso do que em outras economias avançadas, o seja difícil mensurar, sabemos que o número de imigrantes que recebem baixos
Japão exibe agora uma demanda cada vez maior de trabalhadores com baixa salários, não só os legais como os que não têm documentos, também cresceu e,
remuneração e sem qualificação em um contexto no qual a juventude japonesa com toda a certeza, tem crescido bastante desde então. A participação dos traba-
rejeita esse tipo de emprego.
lhadores de nível médio, por outro lado, caiu. Por exemplo, a participação dos
trabalhadores qualificados baixou de 16%, em 1975, para 12% em 1985. Padrões
semelhantes também se verificam em outras áreas da cidade (Sonobe, 1993). O
tamanho total da força de trabalho dos moradores da capital permaneceu o mes-
A reestruturação do consumo urbano
mo, cerca de 4,300 rni Ihões em 1975 e em 1985. Sabemos que hou vc grande
crescimento de empregos com alta remuneração no setor profissional e no setor
de gerenciamento na segunda metade dos anos oitenta, o que só teria reforçado
o rápido crescimento das indústrias com elevada concentração de empregos essa tendência.
de alta e baixa remuneração assumiu formas distintas, em se tratando da estrutura
O crescimento de uma população de alta renda, no que se refere à mão-de-
de consumo, o que, por sua vez, exerce um efeito de realimentação sobre a
obra residente nas cidades c em suas elegantes periferias, contribui para mudan-
orgamzação do trabalho e sobre os tipos de empregos que estão sendo criados.
ças da organização da produção e do consumo de bens e serviços. Por detrás das
Nos. Estados Unidos a expansão da força de trabalho que ganha altos salários, em
conjunto com o surgimento de novas formas culturais, levou a um processo de confeitarias, casas de frios e butiques especializadas que substituíram muitos
sofisticação do estilo de vida que se apóia, em última análise, na disponibilidade supermercados c lojas de departamentos, oculta-se uma organização de trabalho
de lima vasta oferta de trabalhadores de baixa renda. Conforme já expus em muito diferente daquela que prevalecia em grandes estabelecimentos padroniza-
outros escntos, esse processo de sofisticação se apóia intensivamente no trabalho, dos. Essa diferença na organização do trabalho se faz evidente no comércio
em contraste com aqueles bairros periféricos, típicos da classe média alta, repre- . varejista e na fase da produção (Gershuny & Miles, 1983; Sassen-Koob, 1984). A
sentativos de Um processo que se alicerça intensivamente no capital, caracteriza- sofisticação, por parte dos que contam com altos rendimentos, gera uma demanda
dos po~ belos projetos arquitetõnicos, construção de estradas e auto-estradas, por bens e serviços que, frequentemente, não são produzidos em massa ou veneli-
dependência em relação aos automóveis e trens que servem a periferia, uso inten- dos através de cadeias de lojas ou supermercados. A produção sob medida, em
SIVO de aparelhos c equipamentos domésticos de todo tipo e grandes centros de pequena quantidade, de mercadorias especiais e de alimentos requintados se faz
compras·1 Direta e indiretamente, a sofisticação a que nos referimos substitui por I em geral por meio de métodos que recorrem à mão-de-obra de maneira intensiva,
trabalhadorsg boa parte dessa intensidade do emprego do capital. Do mesmo sendo tais produtos postos à disposição dos consumidores através de pequenos
modo, os. moradores da cidade que dispõem de alta renda dependem em grau
I pontos de venda. É comum terccirizar essa produção empregando-se operações ele
muito maior de empregados encarreaados da manutenção do que os moradores de I baixo custo, de oficinas de fundo de quintal e de trabalho realizado no próprio
u,:: bairro periférico de classe média, que recorrem, de maneira concentrada, à I domicílio. O resultado final, no que diz respeito à oferta de empregos e à quanti-
mao-de-obra fam·llac r e ao maquinano.
.
I
»Ó»

dade de empresas envolvidas nessa produção e nesse fornecimento, é um tanto


Embora de forma muito menos evidente do que nas grandes cidades dos diferente daquele que caracteriza as grandes lojas ele departamento e os supermer-
Estados UnIdos, elementos desses padrões também estão presentes em muitas das 1 cados. Neles prevalece a produção em massa e, em conseqüência, as grandes
grandes Cidades da Europa ocidental e, até certo ponto, em Tóquio. Por exemplo, fábricas padronizadas, localizadas fora da região, constituem a norma. A proximi-
tem oco~ndo considerável mudança na composição ocupacional dos moradores I dade das lojas é de importância muito maior, no tocante aos produtores de bens
das regloes centrais de Tóquio. Semelhanternente ao que observamos em outras
grandes Cidades, há uma tendência a que um número cada vez maior de trabalha-

146
I sob encomenda. A produção em massa e sua distribuição, feita através de postos
de venda, facilita a sindicalização (ver Sayer & Walker, 1992).

147
A maznitude da expansão dos trabalhadores de alta renda e os altos níveis
de consumo contribuem para esse resultado. Todas as grandes cidades sempre
Conclusão: um hiato que se alarga
tiveram um núcleo de moradores ricos. No entanto, esse núcleo, por si só, não
poderia ter criado em uma cidade a sofisticação comercial e residencial em gran-
de escala. Enquanto estrato, os novos trabalhadores de alta renda devem ser
distintos desse núcleo de classe alta ou superior. A renda disponível desses traba- o desenvolvimento das cidades não pode ser entendido isoladamente em
lhadores em zeral não é suficiente para fazer deles grandes investidores. E, entre- relação às mudanças fundamentais que ocorreram na organização das economias
b .

tanto, suficiente para uma significativa expansão da demanda por bens e serviços avançadas. A combinação de forças econômicas, políticas e técnicas, elementos
de elevado preço, isto é, para criar uma demanda suficientemente grande que propulsores centrais da economia que contribuíram para o declínio da produção
possibilite garantir viabilidade econômica aos produtores e fornecedores desses em massa, acarretou um declínio do quadro institucional mais amplo que moldou
bens e serviços. Além disso, o nível da renda disponível também é uma questão as relações de emprego. O grupo de indústrias de prestação de serviços que
do esti 10 de vida e dos padrões demográficos, tais como adiar ter filhos e o grande constitui a força propulsora da economia nos anos oitenta e na década de 1990 é
número de casais que exerce uma atividade fora do lar. caracterizado por maiores ganhos e pela dispersão ocupacional, por sindicatos
A expansão da população de baixa renda também contribuiu para a prolife- fracos e por uma participação cada vez maior de empregos informais naqueles
ração de pequenas operações e o afastamento em relação às fábricas padroniza- escalões onde os salários são baixos, juntamente com uma crescente partipação
das, em larga escala, e às grandes cadeias de lojas que vendem produtos baratos. de empregos bem remunerados. O quadro institucional que molda as relações de
As necessidades de consumo da população de baixa renda são em boa parte emprego diverge do quadro anterior. Este novo quadro contribui para uma refor-
atendidas por pequenos estabelecimentos manufatureiros e varejistas, que se mulação da esfera da reprodução e do consumo social que, por sua vez, exerce
apóiam na mão-de-obra da família e, freqüentemente, deixam de corresponder a um efeito de retroalimentação sobre a organização econômica e os salários. En-
padrões mínimos de segurança e sanitários. Roupas baratas, confeccionadas em quanto no período anterior esse efeito de retroalimentação contribuiu para a re-
casa, por exemplo, podem competir com artigos importados da Asia, de baixo produção da classe média, atualmente ele reproduz uma crescente disparidade
custo. Um número cada vez maior de produtos e serviços, que vão de móveis quanto aos salários, à reestruturação do consumo e ao rebaixamento do mercado
baratos, feitos em oficinas montadas em porões, passando por táxis que fazem de trabalho.
lotação e o atendimento das necessidades diárias de uma família são disponíveis e Todas essas tendências se dão nas grandes cidades e, em muitos exemplos,
satisfazem a demanda de uma população de baixa renda que cresce cada vez mais com maior intensidade do que em cidades de porte médio. Essa intensidade maior
(ver Renooy, 1984). pode se firmar mediante pelo menos três condições. A primeira delas é a concen-
Exi tem numerosos exemplos de como a maior desigualdade dos ganhos tração locacional dos grandes setores de crescimento que apresentam ou grande
reformula a estrutura do consumo e de como essa reformulação, por sua vez, dispersão dos salários ou de empregos com alta ou baixa remuneração. Em segun-
exerce efeitos de realimentação sobre a organização do trabalho. Alguns desses do lugar existe uma proliferação de operações, no setor de serviços, que apresen-
exemplos são a criação de uma linha especial de táxis para Wall Street que serve tam um baixo custo, o que se tornou possível devido à maciça concentração das
apenas o distrito financeiro e o aumento dos táxis que fazem lotação em bairros pessoas naquelas cidades e à grande afluência diária de trabalhadores e turistas
de baixa renda que não são servidos por linhas regulares de táxi; o aumento das que não residem nelas. Provavelmente, a proporção entre o número dessas opera-
encomendas de trabalhos de marcenaria nas áreas comerciais e residenciais sofis- ções, no setor de serviços, e a população residente é significativamente maior em
ticadas e o baixo custo das reformas em bairros pobres; o aumento do número de uma cidade grande do que em uma cidade média. Ademais, a grande concentra-
pessoas que trabalham em casa e em pequenas lojas e oficinas, fabricando ou ção das pessoas nas cidades maiores tende a criar fortes induções à abertura de
produtos muito caros, com desenho exclusivo, para butiques, ou então produtos tais operações, bem como uma competição intensa e retornos muito marginais.
muito baratos. Nessas condições, o custo da mão-de-obra é fundamental e aumenta a possibilida-
de de uma elevada concentração de empregos com baixa remuneração. Em tercei-
ro lugar, pelos mesmos motivos, além de outros componentes da demanda, o
tamanho relativo do setor manufatureiro rebaixado e a economia informal tende-

148 149
riam a ser maiores em grandes cidades como Nova York eLos Angeles do que em Nota
cidades de porte médio,
O resultado global é uma tendência a um aumento da polarização econômi-
ca, Quando nos referimos à polarização no uso da terra, na organização dos 1 Todas essas cifras excluem as pessoas empregadas na agricultura e na indústria rnadei-
mercados de trabalho, no mercado imobiliário e na estrutura do consumo, não rerra. Das 3,600 milhões de mulheres que trabalhavam em turno parcial, cerca de O 8 mi-
queremos afirmar necessariamente que a classe média está desaparecendo, Esta- lhões dedicam-se ao setor manufatureiro; 1,300 milhão ao comércio atacadista e varejista;
mos nos referindo, antes, a uma dinâmica por meio da qual o crescimento contri- 170 mil a serviços no setor do comércio e quase 1 milhão às indústrias de prestação de
bui mais para a desigualdade do que para a expansão da classe média, conforme serviços (ver Sassen, 1991),
ocorreu nos Estados Unidos e no Reino Unido nas duas décadas que se seguiram
à Segunda Guerra Mundial, e no Japão ao longo dos anos setenta, Em muitas
dessas cidades a classe média representa uma parcela significativa da população e
acaba por constituir um canal através do qual a renda e o estilo de vida se unem
em uma forma social.
A classe média, nos Estados Unidos, constitui uma categoria muito ampla,
Ela contém prósperos segmentos de várias populações étnicas nas grandes cida-
des, bem como seus moradores mais antigos, O que podemos detectar nos anos
oitenta é que alguns de seus segmentos, no que se refere a rendimentos e salários,
se tornaram mais ricos, enquanto outros empobreceram, Em resumo, presencia-
mos uma segrnentação da classe média que apresenta maior movimentação, para
cima e para baixo, do que foi o caso em outros períodos, Nossa argumentação é
que, embora os estratos médios ainda constituam a maioria, as condições que
contribuíram para sua expansão e para seu poder político e econômico - a
central idade da produção em massa e o consumo maciço, no que diz respeito ao
crescimento econômico e à realização dos lucros - foram postas de lado por
novas fontes de crescimento, Não se trata simplesmente de uma transformação
quantitativa, O que vemos aqui são os elementos de um novo regime econômico,
O crescimento dos empregos no setor de serviços nas cidades e a evidência de
um crescimento correlato da desigualdade levantam questões sobre quão fundamen-
tais são as transformações que essa modificação acarreta. várias dessas indagações
são relativas à natureza das economias urbanas baseadas na prestação de serviços, As
transformações observadas na distribuição das ocupações e dos salários representam
não apenas o desfecho das mudanças industriais, como também das modificações na
organização das empresas e dos mercados de trabalho, Uma análise detalhada das
economias urbanas baseadas nos serviços demonstra que existe considerável articula-
ção das empresas, setores e trabalhadores, que pode parecer ter pouca conexão com
uma economia urbana dominada pelas finanças e pelos serviços especializados mas
que, na verdade, preenche uma série de funções que são parte integral da economia,
Elas, no entanto, assim o fazem sob condições de profunda segmentação social,
muitas vezes racial/étnica e de segmentação dos salários,

ISO
151
7
Uma nova geografia dos centros e
das margens: resumo e implicações

Três fatos importantes, ocorridos nos últimos vinte anos, estabeleceram as


bases para a análise das cidades em uma economia mundial apresentada neste
livro. Eles se encerram nas três amplas análises que organizaram os capítulos
precedentes.

I. A dispersão territorial das atividades econômicas, das quais a globalizaçâo


é uma das formas, contribui para o crescimento das funções e operações
centralizadas. Encontramos aqui uma nova lógica que explica a aglomeração
e as condições fundamentais para a renovada central idade das cidades, nas
economias avançadas. As tecnologias da informação, freqüentemente consi-
deradas uma geografia neutralizadora, contribuem, na verdade, para a concen-
tração espacial. Elas tornam possível a dispersão geográfica e a integração
simultânea de muitas atividades. No entanto, as condições determinantes que
possibilitam tais recursos promoveram a centralização dos mais avançados
usuários nos centros de telecomunicações mais avançados. Notamos fatos
paralelos nas cidades que funcionam como eixos regionais, isto é, em escalas
geográficas menores e em níveis mais baixos de complexidade do que nas
cidades globais.
2. O gerenciamento e o controle centralizados sobre um conjunto geografica-
mente disperso de operações econômicas não ocorrem inevitavelmente como
parte de um "sistema mundial". Requerem a produção de um vasto conjunto

153
peri feria estão ocorrendo em áreas anteriormente consideradas "nucleares", seja
. . d d uma infra-estrutura no setor das
de serviços altamente especIal ~za os,. e a des cidades são os centros em nível global, regional ou urbano, e que.juntamente com o aguçarnento daque-
ra n
telecomunicações e de serviços mdustnats; A.s t b cional dos investimen- les processos, a central idade também tornou-se maior em todos os três níveis.
. d fi 'as e do comerCIO in erna , A condição de ser periférico instala-se em diferentes terrenos geográficos,
do setor de serviços, as mançr .zes. Neste sentido elas são locais
tos e das operaçoes realizadas pelas rnatn ~ . S dominantes da atual ida- dependendo da dinâmica econômica que' prevalece. Presenciamos agora novas
, . d - . os setores economlco formas de "periferização" do centro das grandes cidades, em países desenvolvi-
estratégicos ~e pro uçao par a ~. de tais atividades na economia dessas
de. Essa função se rerlete na ascendencta t s resionais que mostram dos, não muito distantes de alguns dos terrenos comerciais mais caros do mundo.
id d A id d . to servem como cen ro to ..
As "cidades interiores" são evidentes não apenas nos Estados Unidos e nas gran-
CI a es. s CI a es, repi " I I os efeitos espaciars da
if t - Eo modo peoqua , . des cidades européias, como também o são em Tóquio (Nakabayashi, J 987; Ko-
semelhantes maru es açoes. . . ção de todas as industnas
. . d d
crescente intensida e o se 01 e tor d sel'vlCOS
>
na organIza
~ mori, 1983; KUPI, 1981; Sassen, 1991, capo 9). Além disso, podemos ver a
se material izam nas cidades. I' "periferização" operando também no centro em termos organizacionais (Sassen-
. . . ova geografia da centra L-
3. A giobaiiração econômica contnbulLl par~lfllma 11 le muitas formas e opera Koob, 1980; Wilson, 1987). Há muito tempo conhecemos os mercados segmenta-
. /. I I Esta nova seozra ta assun dos de mão-de-obra, porém o declínio do setor manufatureiro e o tipo de
dade e da inargina u ac e. . . . b_ '" . . I t lecomunicações à
. 'd d a clIstnbUlçao dos Iecut sos c as e . desvalorização dos trabalhadores não-profissionais nas indústrias dominantes, que
em muitos campos, es e c 'a As cidades Globais tornam-se locais de
~strutura da econol~la e do emprego. õrnico en ~anto aquelas cidades que hoje presenciamos naquela cidades, vão além da segmentação e, na real idade,
Imensa concentraçao do poder econo .' q líni I -; representam uma instância da "periferização".
outrora foram crandcs cen tros manu fatu re Iros passam por um dec ll110 (~SOI Adicionalmente, as novas formas de crescimento evidentes no perímetro
L to . I' d ~ , -enda atmzu nlvels
denado Trabalhadores altamente especia iza os veern SUdI b I' urbano também significam crise: violência no gueto dos imigrantes das banlieues
inu~itaciamente altos, enquanto trabalhadores medlanamente OL~pouco qua I.~ (termo francês, sinônimo de subúrbio), ex-rnoradores das regiões centrais da cida-
- ~ -end af d ' Os serviços fInanceIro propolclonam eno:
ficado veem sua 1 en a a un ar. . de empenhando-se para que haja controle do crescimento, a fim de proteger o
mes lucros, enquanto os .in d us t ri,iais malc
sobrevIvem. ambiente em que vivem, novas formas de administração urbana (Body-Gendrot,
1993; Pickvance & Prcteceille, 1991). O modo regional de regulamentação, em
.' 'lI' e mais abranzente afIrmação. muitas dessas cidades, se baseia no antigo modelo centro/subúrbio e, em conse-
Examinemos mais dettdamente a u una Lto

qüência, pode tornar-se cada vez mais inadequado para lidar com conflitos intra-
periféricos - conflitos que se dão entre diferentes tipos de interesses no
perímetro urbano ou na região urbana. Frankfurt, por exemplo, é uma cidade que
não pode funcionar sem as cidades de pequeno porte situadas em torno dela. No
o locus da periferia entanto, essa região urbana não teria surgido sem formas específicas de cresci-
mento no centro de Frankfurt. Keil e Ronnenberger (1993) notam a motivação
ideológica presente na iniciativa dos políticos com vistas à obtenção de um reco-
nhecimento oficial da região, de tal modo a fortalecer a posição de Frankfurt no
A notável distância entre os extremos, evide~te embtodas as preilntoCi[d)aeiSp~lií~:~ contexto da competição interurbana global. Essa ação proporciona também um
.d .t . terroGaçoes so re o conc c
des dos países desenvol VI os SUSCIa in o . d . fundamento lógico para que haja coerência e um conceito de interesses comuns,
". " id d "ricas" Ela 'suGere que a Geografia da centraltdade e a rnargi- entre os muitos outros interesses objetivamente disparatado, existentes na região.
flCOS e CI a es ncas . to b d lid d t e aíses altamente
nalidade, que no passado era vista em termos da bU~I a efen rV'ldPentenos países Desloca os conflitos entre setores que contam com vantagens desiguais para um
.
desenvolvidos e menos d esenvo lvid
VI os, aGora
to
tarn. em se az e t:
projeto de competição regional com outras regiões. Surge então o regional isrno
desenvolvidos e especialmente em suas grandes cIdades. desi Id d s como um conceito que permite ligar o conceito de orientação global dos setores
. - . t 'ficadas eSlaua a e
Sezundo uma das correntes de teonzaçao, as In ensi I _ o 'fi d dominantes com a programação do eleitorado local que representa os múltiplos
to . t transformaçao da geogra Ia o
descritas nos capítulos anteriores represen am a, d d I arnento para a interesses da região.
. . Elas assina
centro e da periferia. . Iarn que os processos e es oc L

155 '
154
incidência de empregos nas duas extremidades da escala - altas e baixas remu-
Em contraste o discurso da cidade, mais do que a ideologia do regionalis- nerações - do que indústrias mais antigas, agora em processo de declínio. Quase
mo, domina em cidades como Nova York ou São Paulo (ver Toulo~se, 1992). O a metade dos empregos, no setor de prestação de serviços, é de baixa remunera-
desafio está em como liaar a cidade interior ou os favelados do penmetro urbano ção e a outra metade se situa entre as duas mais altas faixas salariais. Por outro
ao centro. Nas cidades ~ultirraciais o multiculturalismo surgi~ como ~ma.forn;? lado, uma grande parcela dos trabalhadores do setor manufatureiro se situava na
de se efetuar essa ligação. Talvez comece a despontar um discurso regional, faixa que recebia salários médios, durante o período pós-guerra, quando houve
mas até asora ele está totalmente submerso pela proposta do deslocamento para elevado crescimento dessas indústrias nos Estados Unidos e no Reino Unido.
aquela periferia que apresenta elevada qualidade de vida,. um conceit.o que su~ere Uma de nossas preocupações foi entender como novas formas de desigual-
ao mesmo tempo fuza e dependência da cidade. O conceito de confltto na perife- dade se constituem em novas formas sociais, tais como os bairros que se sofistica-
ria urbana que se dã entre diversos interesses, não tem sido um fator de grande ram, as economias informais, o rebaixamento do setor manufatureiro. É difícil
peso nos Estados Unidos. O ponto delicado, no nível da região, é antes de tudo a dizer até que ponto tais fatos estão ligados à consolidação de um complexo
articulação entre os subúrbios residenciais e a cidade. econômico orientado para o mercado global. Uma documentação empírica preci-
sa sobre as ligações ou os impactos ocorridos é impossível. Nosso esforço se
direciona, portanto, para uma tentativa mais geral de compreender as conseqüên-
cias da predominância de um complexo econômico internacional como esse e um
movimento geral em direção a uma economia baseada na prestação de serviços.
o espaço contestado Em segundo lugar; a cidade concentra a diversidade. Seus espaços estão
inscritos na cultura corporativa dominante, mas também na multiplicidade de
outras culturas e identidades, sobretudo através da imigração. Um fato se torna
evidente: a cultura dominante pode abranger apenas parte da cidade. Embora o
As zrandes cidades surziram como territórios estratégicos para essas ques- poder corporativo possa modificar culturas e identidades não-corporativas e, com
b b - t d isso, desvalorizá-Ias, elas estão presentes em toda parte. As comunidades de imi-
tões. Em primeiro lugar; as cidades são os locais das .operaçoes concre as a
economia. Tendo em vista nossos objetivos, podemos dlst1l1gUlr duas formas de grantes e a economia informal descrita no capítulo 6 constituem dois exemplos.
operações concretas: (1) em termos de lugar e de globalização econômica, as Culturas e etnias diversas são especialmente vigorosas nas grandes cidades dos
cidades são lugares estratégicos que concentram funções ?e comando,_mercados Estados Unidos e da Europa ocidental. Elas também apresentam as maiores con-
globais el conforme demonstrado no capítulo 4, são locais de produçao para ~s centrações de poder corporativo.
indústrias corporativas de prestação de serviços. (2) Em termos do trabalho coti- Presenciamos aqui uma interessante correspondência entre uma grande con-
diano exercido no complexo industrial dominante, das finanças e dos ser;'lços centração de poder corporativo e uma grande concentração de "outros" poderes.
especializados, vimos no capítulo 6 que uma grande parcela dos empregos e mal Isso nos convida a concluir que a globalização não se constitui apenas em termos
remunerada e manual e muitos desses empregos são executados por mulheres e
b . . .
do capital e da nova cultura corporativa internacional (finanças internacionais,
imigrantes. Embora trabalhadores e empregos dessa natureza jamais sejam re- telecomunicações, fluxo de informações), mas também em termos das pessoas e
presentados como parte da economia global, eles, na verdade, .fazem tanto 'parte das culturas não-corporativas. Existe também uma estrutura composta de baixos
da globalização quanto as finanças internacionais. Vemos funcionando aqui uma salários, empregos e atividades não-profissionais que constituem parte fundamen-
dinâmica da valorização que aumentou profundamente a ~istância entre os setor.es tal da chamada economia corporativa.
desvalorizados e valorizados _ na verdade, supervalonzados - da economIa. Focalizar o trabalho que está por detrás das funções de comando, a produ-
l Essa presença conjunta tornou as cidades um território contestado. ção no complexo das finanças e da prestação de serviços e os mercados tem o
A estrutura da atividade econômica acarretou mudanças na organização do efeito de incorporar os recursos materiais subjacentes à globalização e toda a
trabalho, as quais se refletem em pronuncfada modificação da oferta d.os empl~- infra-estrutura de empregos e de trabalhadores que não são vistos como perten-
gos, pois ocorre forte polarização entre a distribuição da renda e a distribuição centes ao setor corporativo da economia: secretárias e faxineiros, caminhoneiros
ocupacional dos trabalhadores. As grandes indústrias que crescem mostram maior
157
156
Se as cidades fo~sem irrelevantes para a globalização da atividade econôrni-
que entregam software, a variedade de técnicos e de empregados que trabalham ~a, o centro pode~1a SImplesmente abandoná-Ias e não ser incomodado or tud:
em consertos e todos os empregos que têm que ver com a manutenção, pintura e lSSO.Com efelt~, ~ precisamente o que alguns políticos pregam. As cidad~s torna~
reforma das construções onde aquele setor se localiza. ram-~e ~s.ervatonos desesperançados que abrigam todas as espécies de desespe;o
A expansão de nosso enfoque pode levar-nos a reconhecer que uma multi- SOCIa. interessante notar novamente como a narrativa econômica dom' t
plicidade de economias está envolvida na constituição da denominada economia argumenta que o Iugai a . " _ .' lllan e
ja nao Importa mars, que as empresas podem local iza - se
da informação global. Esse enfoque reconhece tipos de atividades, trabalhadores e em.qfua!quer_lugar graças à telemática, que as grandes indústrias azora se baser'Ia
empresas que jamais estiveram instalados no "centro" da economia ou que foram na l Il ormaçao
. e ' e m consequencia,
A •.. _ o
nao se prendem mais a um determinado c m
luzar
desalojados desse centro por ocasião da reestruturação ocorrida nos anos oitenta EIssa linha de argumentação desvaloriza as cidades numa época em que elas o~ .
ocais de gra n.dee iirnportãncia para as novas políticas culturais. Permite também sao
e, em conseqüência, foram desvalorizados em um sistema que dá um peso exces-
A' '

sivo a uma concepção estreita do que é o centro da economia. A globalização qude~ economia corporativa obtenha grandes concessões das administrações das
pode, portanto, ser encarada como um processo que envolve múltiplas economias ~I .a es, apoiando-se no conceito de que as empresas podem simplesmente ~e
retrrar e estabelecer-se em outro lugar, o que não é exatamente o caso de todo
e culturas relativas ao trabalho. complexo d e empresas, . con forrne li
orme este livro tentou demonstrar. (um
Nos capítulos precedentes tentei demonstrar que as cidades são de grande
_ Ao procu~ar evidenciar como (1) as cidades são estratégicas para a zlobal i-
importância para os setores econômicos dominantes. As grandes cidades, no mun-
zaçao porque suo pontos_de comando, mercados globais e locais de produção para
do altamente desenvolvido, são os lugares onde os processos de globalização
a .ia urbana da informação; (2) corno muitos dos setores desvalorizados da econo
assumem formas concretas, localizadas. Tais formas são, em grande parte, aquilo
mI~ ur a~a preeAncl~emfunções fundamentais para o centro, este livro tenta recu~
de que trata a globalização. Podemos então pensar nas cidades como um lugar
perar a Importa~cla da: c.ldades especificamente em um sistema econômico
onde as contradições da internacionalização do capital ou se acomodam, ou en- globa~Izado e a Im?Ortancla daqueles setores aos quais não se preste. devida
tram em conflito. Se considerarmos, além do mais, que as grandes cidades tam- ~tençao e que se apoiarn em grande parte no trabalho das mulheres, dos imigran-
bém concentram uma parcela cada vez maior de populações que se encontram em es e, no exemplo das gran~es Cidades americanas, no trabalho dos afro-arnerica-
situação de desvantagem - os imigrantes na Europa e nos Estados Unidos, os nos e latinos. Na.verdade sao este~ setores intermediários da economia (tais como
afro-americanos e os latinos nos Estados Unidos - então podemos perceber que o trabalho rotll1elr? em um escntono, matrizes que não estão engrenadas com os
as cidades se tornaram um terreno estratégico para uma série de conflitos e mercados mundiais, a. variedade de serviços solicitados por uma classe média
contradições. urba em grandes ~o~tlngentes, se deslocou para as periferias) e a população
Por um lado, elas concentram uma parcela desproporcional de poder corpo- ur ana (a classe media) que podem e que têm deixado as cidades. Os dois setores
rativo e são um dos principais locais para a supervalorização ela economia corpo- que n:las permaneceram, o centro e o "outro", encontram na cidade o terreno
rativa. Por outro lado, concentram uma participação desproporcional de estratégico para suas operações.
contingentes humanos em situação de desvantagem e são um dos principais locais
para a desvalorização desses contingentes. Essa presença conjunta ocorre em um
contexto no qual (I) a internacionaização da economia cresceu enormemente e as
cidades tornaram-se cada vez mais estratégicas para o capital global; (2) as pes-
soas marginalizadas passaram a ter voz e também fazem reivindicações em rela-
ção à cidade. A presença conjunta passa a ter um enfoque ainda maior devido ao
aguçamento das distâncias entre os dois fatores que acabamos de apontar. O
centro concentra agora imenso poder, um poder que se apóia na capacidade de
exercer um controle global c de produzir jmensos lucros. A marginal idade, não
obstantes uma economia fraca e o poder riolítico, tornou-se uma presença cada
L vez mais forte por meio das novas pol íticas da cultura e da identidade.
159
158
Apêndice

As tabelas que se seguem contêm dados referentes a inúmeras vanaveis


relativas às cidades selecionadas. Tais variáveis vão do tamanho da população e
de cifras sobre os moradores estrangeiros a indicadores básicos sobre a qualidade
de vida. O objetivo é proporcionar uma informação adicional sobre aquilo que foi
discutido no texto principal deste livro e, sobretudo, em relação a aspectos abor-
dados com brevidade no texto e que podem oferecer certo interesse. Algumas
dessas variáveis podem vir a despertar, em um futuro próximo, interesse em um
modo que não ocorre necessariamente hoje. Outras proporcionam aquilo que é
considerado uma informação importante, como as taxas de desemprego.

161
TabelaA.1 Tabela A.I (continuação)
Populações residentes e não-residentes de algumas grandes cidades Populações residentes e não-residentes de algumas grandes cidades

População Residentes Turistas População Residentes Turistas


Cidade Cidade
( 1980) estrangeiros (total anual) (1980) estrangeiros (total anual)
Abidjã 2.500.00 750.000 183.675 Lima 6.414.500 4.000 355.895
(est. 1990) (32% da população) ( 1986) (projeção p/ 1990) (não-imigrantes) (para o Peru)
1.724.170
Londres 6.735.000 23.700
(1985) 10,6 milhões
(Grande) (1988) rede internacional de do exterior (1989)
Bangcoc 5.775.000 589.099 4.809.508 migração (1988) 7,8 milhões do
(1989) (1989) 10% população Reino Unido
étnica
Bucareste 2.045.534 800 residentes 1.195.268
2.325037 3.068 estudantes (registrados Madri 3.108.463 61024 3.590.400
(incluindo subúrbios, estrangei ros em hotéis) (1989) (1987) (1988)
1987) (1989)
Montreal 1015.000 n/d 6.000.000
Buenos Aires 2.902.000 n/d 722.626 (censo 1986) (1989)
cidade ( 1985) Nairóbi 827.775 183.818 400.000
8.852.000
(censo 1989) (sem nacionalidade (média)
subúrbio
qucniana)
(1990)
Nova York 7.263.000 n/d 25.320.000
Cairo 6.406.000 161.357 1.969.000 (área metropolitana) (1986) (1989)
(17 dez., 1989) (1989)
Paris 2.152.333 361.572 20.000.000
Cidade do México 8.236.960 n/d 813.000 (1990) ( 1982)
( 1990) (1987)
Pequim 10.819.407 15.000 645.000
Délhi 6.220.406 n/d 1.163.744
W julho 1990) (incluindo (1989)
(censo 1981) (excluindo Paquistão e
estudantes, 1990)
Bangladesh, 1987)
Roma 2.811.646 110.359 4.626.000
Estocolmo 672.000 48.107 3.800.000 (1989) 173.229 na província (1988)
(est. 1989) nascidos no exterior (1988) de Roma (1989)
(1988)
São Paulo 17.941096 924.389 n/d
Istambul 7.600.000 n/d 711258 (área metropolitana) (est. 1990)
(1990) (por ar e por mar, 1986)
Seul 10.576.794 10.195 2.664.281
(IQ nov., 1989) ( 1989) (1989)
Jacarta 8.682.100 32.739 522.079
Tóquio 11.854.987 181815 1.498.691
(1989) residentes ( 1988)
17.983 (out. 1990) (jun. 1988) (est, 1989)
residentes não- 14.438 estudantes
permanentes (1988) Viena 1.531648 209.815 6.920.845
Kuala Lumpur 1.127.000 n/d 3.673.024 (1988) (1989) (pernoites, j 989)
(1990) ( 1989)
• Fonte: Governor of Tokyo and Summit Conference of Major Cities in the World, mar. 1991. Major
Cities of tlie World (Tokyo; Tokyo Metropolitan Government).

162 163
TabelaA.2 Tabela A.2 (continuação)
Dados sobre consumo e emprego Dados sobre consumo e emprego

Consumo diário de Consumo diário de


Desemprego Renda per capita Desemprego Renda per capita
Cidade calorias Cidade calorias
(/990) (dólares) (/990) (dólares)
(CAL por dia) (CAL por dia)
Abdijã 35% 1.208 2.038 Nairóbi \9,9% total n/d n/d
(27,3% de mulheres
Bangcoc 145.400 pessoas 3.235 2.500-2.800 necessitam de
( \988) (1989) empregos)
Bucareste n/d 1.793 2.462 Nova York 5,8% 11.\88 n/d
Buenos Aires 8,8%-5,7% 7.85\ 2.450 (\989)
( \988) Paris 10,4% 23.597 2.053,8
Cairo 2.3%17,5% n/d 2381 Pequim 0,5% 337 n/d
(potencialmente (semana de 48 horas)
desempregados)
Roma 7,3% 17.309 n/d
Cidade do México 3,7% n/d n/d (1989)
(1989)
Délhi 8,2% / 8,7%
794.000 391 1.900 São Paulo 3.860 n/d
cidade/região
(candidaturas nos metropolitana
postos de emprego) (relação entre os
Estocolmo desempregados e os
0,6% 17.085 n/d
economicamente
(1989) ativos)
Istambul n/d n/d 2.500
Seul 5,5% n/d n/d
Jacarta 121.325 1.709 (\989)
816,7
8,6%
(à procura de
emprego) (1985)
(semana de 59 horas)
Kuala Lumpur n/d n/d n/d
Tóquio n/d 27.2\\ 1.999
Lima 7,9% Viena
n/d n/d 5,4% 24.23\ 2.500 - 3.600
(apenas 18,3%
( 1988)
adequadamente
empregados)
Londres 4,5% \6.839,9 2.190 Fonte: Governar ofTokyo and Summit Conference of Major Cities in the World, mar. 1991. Major
( \987) Cities of the World (Tokyo, Tokyo Metropolitan Government).
Madri 10,3% 13.000 2.800
Montreal (Quebec) 9,3% 14.823 2.163
(1989) (
,

]64 165
Tabela A.3 Tabela A.3 (continuação)
Preços ao consumidor Preços ao consumidor

Índice de Índice de ÍI/dice de Índice de


AI/o preços ao Cidade Ano preços ao Cidade Ano preços ao Cidade Ano preços ao
Cidade
consumidor consumidor consumidor consumidor
1983 100 Délhi 1980 100 Montreal 1981 100 Roma 1980 100
Abdijã
1984 104,3 1985 196 1985 128,1 1985 190,6
1985 106,2 1986 211 1986 134,3 1986 202,3
1986 113,2 1987 232 1987 140,4 1987 216
1987 119,3 1988 145,8 1988 222,1
Estocolmo 1980 100
1989 152,3 1989 236,8
Bangcoc 1986 100 1985 153,8
1980 76,5 1986 160,3 Nairóbi 1980 100 São Paulo Mar 1986 100
1985 98,3 1987 167,0 1985 187,3 Dez 1988 130,5
1987 102,6 1988 176,7 1986 195,9 1987 609,8
1988 106,5 1987 212,7 1988 6.047,5
Istambul 1978/79 100
1989 113,2 1989 254,4 1989 104.976, I
1985 1.309,3
Bucareste 1985 100 1986 1.765, I Nova York 1982/84 100 Seul 1980 100
1986 100,7 1987 2A90, I 1985 108,7 1985 141,2
101,9 1988 4.347 1986 112,3 1986 145,1
1987
1988 104,5 1989 7 AOS, 1 1987 118,0 1987 149,9
1989 105,4 1988 123,7 1988 160,2
Jacarta 1977/78 100
1989 130,6 1989 169,1
Buenos Aires 1986 100 1985 233,16
1987 213,4 1986 252,82 Paris 1980 100 Tóquio 1985 100
1988 473,4 1987 276,46 1985 156,9 1986 100,9
1989 6.012,1 1988 288,91 1986 160,7 1987 101,3
1987 166,0 1988 102,3
Cairo 1985 100 Lima 1980 100 1988 170,4 1989 105,1
1986 122,6 1987 114,5
1989 176,5 Viena
1987 146,7 1988 1.722,3 1986 100
1988 173,7 1989 2.775,3 Pequim 1980 100 1987 101,4
1989 205,6 1985 111,2 1988 103,4
Madri 1983 100
1986 100
Cidade do México 1980 100 1985 119,9
1987 101,9
1985 1.027,2 1986 129,9 1988 114,3
1986 1.899,6 1987 135,5 1989 111, I
1987 4.360,8 1988 143,1
1988 9.271,7 1989 153,7 Fonte: Governor of Tokyo and Summit Conference of Major Cities in the World, mar. 1991. Major
1989 11. 161 Cities of the World (Tokyo, Tokyo Metropolitan Government).

166 167
•......•
0\
oo
Informação
TabelaA.4
sobre a qualidade de vida, 1987-1991 a 1
Mortes em aci-
N2 de N" de leitos dentes de trãn-
Crimes N2 de creches N2 de médicos
Cidade unidades por ano hospitalares sito (anuais)
residenciais
2.091 n/d 1.019
n/d 49.000 n/d
Abidjã
n/d 4.861 917
1.084.583 23.021 n/d
Bangcoc (1988) (1988)
(1988)
27.352 3.599 ]80
Bucareste n/d 5.087 348
Uan.-jun., 1990)
Uan.-jun., 1990)
n/d 24.807 n/d 3.750
Buenos Aires 1.216.325 110.243
(1988) (1988)
(1988)
24.901 3.132 n/d
1.734.100 n/d 184
Cairo
21.551 22.488 n/d
Cidade do 2.017.972 71.598 191
(públicas)
México 1.581
n/d 50 19.000 n/d
Délhi n/d
(1984-85)
1.610 21.580 4.200 24
Estocolmo 382.000 n/d
24.173 13.534 n/d
n/d n/d n/d
Istambul
15.377 n/d 451
Jacarta 1.783.194 35.270 1.785
(1988-89) (1987)
(1988) (1988-89)
4.226 3.608 62
Kuala Lampur n/d 7.000 273
14.873 13.114 832
872.550 86.530 n/d
Lima
n/d 7.553 742
Londres 2.782.000 620.000 9.100
(1986) (1988)

Tabela A.4 (continuação)


J nformação sobre a qualidade de vida, 1987-1991 a

tyQ de Mortes em aci-


Crimes N" de leitos
Cidade unidades N? de creches fv'" de médicos dentes de trân-
por ano hospitalares
residenciais sito (anuais)
Madri 308.733 99.394 4.619 13.937 19.984 454
Montreal 443.560 209.193 358 39.421 6.136 67
Nairóbi n/d n/d 23 5.696 n/d n/d
NovaYork 2.992. ]69 626.182 3.000 34.863 24.279 566
(1992) (1992) (1992)
Paris 1.094.000 298.287 465 88.972 35.352 104
(1990)
Pequim 3.225 9.241 4.846 56.000 41.916 262
(1989) (1989) (1988)
Roma 1.015.769 379.320 137 38.773 n/d n/d
São Paulo 1.312.107 n/d 564 239.504 18.544 8.863
Seul 1.506.167 324.529 1.857 26.697 15.618 1.365
Tóquio 4.8] 8.000 221.431 1.603 136.759 26.670 488
Viena n/d 34.460 14.996 21.720 8.221 81
a A menos que sejam especificadas, as cifras se referem a 1991.
Fonte: Governor of Tokyo and Summit Conference of Major Cities of the World, mar. 1991. Major Cities of The World (Tokyo,
Tokyo Metropo1itan Government) .

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Tabela A.5 (continuação)


TabelaA.5 As maiores cidades do mundo
As maiores cidades do mundo
População População
População Cidade Cidade
População Cidade (em milhares) (em milhares) (em milhares)
Cidade (em milhares) Londres 6.794,4 Salvador (Brasil) 2.050,1
2.763,0
1.912,5 Cingapura
AdisAbeba LosAngeles 3.485,4 San Diego 1.110,5
505,6
3.295,0 Cleveland (14.531,5) (2.498,0)
Alexandria (2.759,8)
2.541,9 1.006,8 Madri 2.991,2 Santa Fé de Bogotá (4.176,8)
Ancara Dallas
2.833,5 (3.885,4) Madurai (5.361,5) Santiago 4.385,5
Atlanta
1.984,1 (8.375,2) Manila 1.876,2 São Paulo 11.128,9
Bagdá Délhi
2.382, I 1.027,9 Melbourne 3.080,1 São Petesburgo 4.468,0
Baltimore Detroit
(4086,6) (4.665,2) Miami 358 Shanghai 6.293,0
Bangalore
5.876,0 983,4 (3.192,5) Shenyang 3.944,2
Bangcoc Fênix
(2.122,1) Minneapolis 370
2.415,9 St. Louis 397
Belo Horizonte 1.585,6 (2.464, I)
3.433,7 Filadélfia (2.444,1)
Berlirn (5.899,3) Monterrey (2.001,5)
(12.571,7) Suncheon 9.639,1
Bombaim 1.825,0 Montreal (3.021,3)
Fortaleza Surabja 2.027,9
4.171,6
Boston 2.096,0 Moscou 8.801,0
(574,3) Giza Sydney 3.656,5
Guadalajara (2.264,6) Nagasaki 2.154,8
1.803,8 Taego 2.029,8
Brasília 3.181,5
2.127,2 Guangzhou Nanjiang 2.091,4 Tashkent 2.094,0
Bucareste 2.519,1
2.017,4 Harbin Nova York 7.322,6 Teerã 6.042,6
Budapeste 2.700,9 (18.087,2)
2.901,2 Ho Chi Minh Tianjin 5.152,2
Buenos Aires Osaka 2.623,8
Houston 1.630,5
6.663,0 Tóquio 8.278,1
Cairo (3.711,0) Paris 2.189,0
(10.916,3) Toronto (3.666,6)
Calcutá (4.280,3) Pequim 5.531,5
Hydera~ad
1824,8 Wuhan 3.287,7
Caracas 6.293,4 369,9
Istambul Pittsburgh
(2.784,0) Xi'an 2.185,0
2.319,2 (2.242,8)
Izmir
Casablanca 2.263 3.514,8 Yangon 2.513,0
(5.180,6) Pusan
Karachi
2.499,0 6.042,4 Yokohoma 3.220,3
Chengdu 2.616,0 Rio de Janeiro
Kiev
2.783,7 2.664 Roma 2.828,7 Zibo 2.197,7
Chicago Kinshasa
(8.065,6)
La Habana (Cuba) 2.096
Chongging 2.673,1 (6.414,5) Nota: Cifras entre parênteses indicam populações do núcleo urbano/suburbano (em comparação
Lima
Cidade do Cabo 1.911,5 ( com o distrito metropolitano).
2.107,1 Fonte: Demographic Yearbook (New York: Department of Economic and Social Affairs, Statistical
'Liupanshui
Cidade do México ( 13.878,9)
Officc, United Nations, 1991).

171
170
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