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Epiderme

A epiderme é constituída por epitélio pavimentoso estratificado, separado da camada papilar da derme
por uma membrana basal. A epiderme não é tão espessa como a derme, não contém vasos sanguíneos e
é alimentada pela difusão a partir dos capilares da camada papilar (veja as figuras 5.1 e 5.2). A maior
parte das células da epiderme são designadas por queratinócitos, pois produzem uma mistura proteica
denominada queratina. Os queratinócitos são responsáveis pela resistência estrutural e pelas
características de permeabilidade da epiderme. As outras células da epiderme incluem os melanócitos,
que contribuem para a cor da pele, as células de Langerhans, que fazem parte do sistema imunitário, e
as células de Merkel, que são células epidérmicas especializadas associadas a terminações nervosas,
responsáveis por detetar o tato superficial e a pressão superficial.

As células são produzidas nas camadas mais profundas da epiderme por mitose. À medida que se
formam novas células, estas empurram as células mais velhas para a superfície, onde descamam (são
perdidas para o exterior). As células mais exteriores deste conjunto estratificado protegem as células
subjacentes e as células mais profundas em divisão vão substituindo as células perdidas à superfície. À
medida que se deslocam das camadas epidérmicas mais profundas para a superfície, as células mudam
de forma e composição química. Esse processo é denominado queratinização, uma vez que as células se
vão enchendo de queratina. Durante a queratinização estas células acabam por morrer e formar uma
camada externa de células que resiste à abrasão e forma uma barreira de permeabilidade.

Apesar de a queratinização ser um processo contínuo, é possível reconhecer fases de transição distintas
à medida que as células se modificam. Com base nestas fases, as muitas camadas de células da
epiderme são divididas em estratos ou camadas (ver figura 5.2 e figura 5.4). Da camada mais profunda à
mais superficial, distinguem-se as cinco camadas seguintes: camada basal, camada espinhosa, camada
granulosa, camada translúcida e camada córnea. O número de células em cada camada e o número de
camadas na pele variam, dependendo da sua localização no corpo.

Camada Basal

A camada mais profunda da epiderme, a camada ou estrato basal é constituída por uma única fiada de
de células cúbicas ou cilíndricas (ver figuras 5.2 e 5.4). A força estrutural é-lhe conferida pelos
hemidesmossomas, que fixam a epiderme à membrana basal, e pelos desmossomos, que mantêm os
queratinócitos unidos. Os queratinócitos são reforçados no seu interior pelas fibras de queratina
(filamentos intermediários) que se inserem nos desmossomos. Os queratinócitos sofrem divisão mitótica
cada 19 dias, aproximadamente. Uma das células filhas torna-se uma célula nova da camada basal e
dividir-se-á novamente, enquanto que a outra é empurrada em direção à superfície e será queratinizada.
Dura cerca de 40 a 50 dias o tempo que uma célula leva a atingir a superfície da epiderme e descamar.

Estrato Espinhoso

Superficialmente em relação à camada basal encontram-se a camada espinhosa, que consiste em oito a
dez camadas de células poligonais ou multifacetadas (ver figuras 5.2 e 5.4). À medida que as células
desta camada vão sendo empurradas para a superfície vão se achatando; os seus desmossomas
quebram-se e em seguida formam-se novos desmossomos. Durante a preparação para a observação
microscópica, as células geralmente encolhem e separam-se umas das outras, exceto onde estão unidas
pelos desmossomos, o que lhes confere um aspeto espiculado - daí o nome de camada espinhosa.
Dentro dos queratinócitos formam-se fibras de queratina, e novos organelos contendo membranas e
cheios de lipídios, que se chamam corpos lamelares. Nesta camada efetua-se uma quantidade limitada
de divisões celulares e, por esta razão, a camada basal e a camada espinhosa são por vezes consideradas
uma camada única chamada camada germinativa. Não ocorrem mitoses nas camadas mais superficiais.

Camada granulosa

A camada granulosa é constituída por duas a cinco camadas de células aplanadas, em forma de losango,
que apresentam os seus eixos orientados paralelamente à superfície da pele (ver figuras 5.2 e 5.4). Esta
camada deve o seu nome aos grânulos proteicos dispersos não associados a membrana de
queratohialina, que se acumulam no citoplasma da célula. Os corpos lamelares destas células deslocam-
se para a membrana plasmática e libertam o seu conteúdo lipídico no espaço intercelular. Dentro da
célula forma-se um invólucro proteico sob a membrana plasmática. Nas camadas mais superficiais da
camada granulosa, o núcleo e outros organelos degeneram e a célula morre. Pelo contrário, as fibras de
queratina e os grânulos de queratohialina não degeneram.