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Uni RV - UNIVERSIDADE DE RIO VERDE

EXTENSÃO CRISTALINA

BIOLOGIA CELULAR
DIFERENCIAÇÃO CELULAR
APOSTILA

Disciplina: BIOLOGIA CELULAR


Prof. Solange M. Furuya Rezende
Curso de Enfermagem
1º Período

Cristalina – 2013
2º semestre
DIFERENCIAÇÃO, EXPRESSÃO GENICA E CICLO CELULAR
INTRODUÇÃO
O estudo do controle da expressão gênica em células eucarióticas fornece os principais subsídios para se
compreender os passos que levam ao desenvolvimento de um organismo inteiro. As descobertas nessa área têm
sido obtidas através de métodos de genética molecular e de genética clássica.
O seu principal objetivo é compreender os mistérios que conduzem um ovo fertilizado a um complexo
organismo multicelular, com diferentes tipos celulares especializados, de forma ordenada.
A embriologia, por sua vez, é uma ciência cujos principais problemas, teorias, e frequentemente as
técnicas que despertam o nosso interesse atualmente, são essencialmente os mesmos de algumas décadas atrás.
Portanto, esses problemas já foram definidos há algum tempo pelos pesquisadores, e até hoje ainda
existem muitas dúvidas a respeito da diferenciação celular.
Segundo Ashworth (1973), existem dois caminhos para se tentar compreender, experimentalmente, um
fenômeno tão complexo quanto à diferenciação celular. O primeiro caminho, o qual pode ser chamado de
abordagem reducionista, inicialmente consiste em subdividir o problema em vários problemas menores, e,
posteriormente, encontrar um sistema biológico suficientemente simples, o qual possa nos mostrar apenas as
características necessárias à compreensão da cada um dos problemas menores, já que o problema central foi
dividido. Por exemplo, um bacteriófago (tomado como um dos mais simples sistemas vivos) seria interessante
para estudos de mutações no material genético.
O segundo caminho pode ser chamado de abordagem clássica, assume que como resultado de intensa
pressão evolutiva, cada característica existente em um organismo pode, de alguma forma, estar presente de
maneira mais intensa em um outro organismo, e a compreensão de seu papel naquele organismo, também pode
ser alcançada com exemplos em outro organismo. Exemplo: Os cromossomos politênicos, que ocorrem em
glândulas salivares de um grande número de insetos, podem se tornar modelos interessantes para a
compreensão do comportamento das moléculas de DNA, mesmo em organismos que não os apresentam. Esses
métodos de estudo foram bastante úteis durante um longo período de tempo, e, atualmente, existe uma grande
quantidade de métodos auxiliares para o estudo da diferenciação celular.
Esta revisão consta de uma breve síntese sobre o assunto diferenciação celular, sob os aspectos da
expressão gênica e do ciclo celular.

DIFERENCIAÇÃO E CONTROLE DA EXPRESSÃO GÊNICA


Descobriu-se que, desde as primeiras divisões celulares, o organismo já se apresenta sujeito a alguns
mecanismos de controle para a formação dos eixos do corpo. Normalmente, a célula-ovo é assimétrica, e essa
característica, por si só, pode definir os três eixos do corpo do indivíduo adulto, uma vez que materiais diferentes,
distribuídos assimetricamente nessa célula, poderão facilitar ou limitar as divisões celulares (e seus respectivos
planos de divisão) em determinadas regiões, bem como os movimentos morfogenéticos. Com isso, o material
citoplasmático também é redistribuído assimetricamente entre as células filhas. Através do processo de clivagem,
são produzidas várias células filhas por divisões mitóticas, até o estágio chamado de blástula ou blastocisto (em
alguns casos), caracterizado pela existência de uma cavidade ou lacuna no interior de um epitélio circundante.
O blastóporo é a porção representada pela linha de invaginação, através da qual ocorre em seguida o
movimento de gastrulação. Essa invaginação (em direção à cavidade interior da blástula) formará o intestino
primitivo do embrião, e também possibilitará o surgimento dos primeiros tecidos: ectoderma, mesoderma e
endoderma, os quais seguirão diferentes caminhos de especialização, até o final deste processo, com os
indivíduos adultos.
As informações necessárias para o desenvolvimento de um indivíduo e/ou a especialização celular, estão
contidas primordialmente no seu genoma. Ao mesmo tempo, um único indivíduo deve possuir diferentes tipos
celulares especializados, contendo o mesmo genoma, que diferem entre si na expressão de determinados genes,
característicos do tipo celular em questão.
Devido à assimetria da célula-ovo, a clivagem também é assimétrica. Dessa forma, um determinado
conjunto de blastômeros pode possuir diferentes mRNAs e produtos gênicos diferentes de outro conjunto, o que
acarretará também em diferentes destinos de especialização para essas células.
As primeiras clivagens, que geram os blastômeros iniciais, não podem definir um grande número de tipos
celulares. Através da interação entre essas células, ainda podem ser formados novos tipos de células, desde que
as células que interagem entre si tenham algum contato. Foi descoberto em Xenopus, que, quando blastômeros
comprometidos a se diferenciarem em ectoderma, eram de alguma forma separados uns dos outros, não havia a
diferenciação destes tecidos em mesoderma. Portanto, descobriu-se que era necessário o contato entre esses
dois tecidos primordiais para que o mesoderma se desenvolvesse. À esse fenômeno, dá-se o nome de indução, e
através dele, as células podem induzir as células vizinhas a se diferenciarem em outro tipo. Um fato importante é
que muitos tipos celulares podem ser gerados a partir de interações indutivas, e as células geradas dessa maneira
também podem induzir as células vizinhas, e vice-versa, sofrendo também indução. Existem sinais químicos
responsáveis por esse fenômeno de indução, os quais são proteínas sinalizadoras secretadas pelas células e
induzem a diferenciação de células vizinhas.
Há um grande número de moléculas sinalizadoras atuando no embrião de um animal superior, as quais
contribuirão conjuntamente para a formação dos padrões do corpo do animal adulto.
No embrião de Xenopus, existe uma região diferenciada do mesoderma chamada "organizador de
Spemann", e esse organizador, por sua vez, secreta uma molécula sinalizadora específica, que atuará em células
vizinhas. Esse sinal é uma molécula que se difunde entre as células próximas, e supõe-se que essa molécula seja
lentamente degradada, na medida em que ela se afasta da célula fonte do sinal. Com isso, essa molécula estará
em maior concentração próxima à fonte, e em concentrações cada vez menores na medida em que ela se
distancia da célula que a secretou, ou seja, forma-se um gradiente de concentração dessa substância. Como
resultado, desse gradiente, as células, dependendo da sua distância da célula fonte do sinal, estarão sujeitas à
uma maior ou menor concentração dessa molécula, e, dependendo dessa concentração do sinal, essas células
podem se tornar diferentes. Tal substância, de concentração variável (dependendo da sua localização), é
denominada morfógeno.
Os gradientes de morfógenos podem controlar o posicionamento ou a diferenciação das células. Existe
um limiar de resposta aos morfógenos, através do qual uma célula necessita de uma concentração mínima desta
molécula para responder ao sinal de determinada forma. Através desse limiar de resposta, células expostas a
diferenças mínimas de concentração de um morfógeno podem assumir caminhos completamente diferentes.
Outro fato interessante é que, além da concentração de morfógeno que as células recebem, também é muito
importante o momento em que as células recebem o sinal, uma vez que as células estão constantemente
sofrendo mudanças no seu estado interno, e, dessa forma, também podem responder diferentemente ao
morfógeno. Um exemplo disso ocorre na formação do eixo central do corpo de Xenopus, durante o processo de
gastrulação. Nesse processo, o eixo do corpo do animal vai sendo formado gradativamente, de acordo com o
estágio de desenvolvimento das células que recebem o estímulo.
No caso das células ovo simétricas dos mamíferos, não há grande acúmulo de material citoplasmático,
porque esse embrião será nutrido através da placenta materna. Esses ovos são cerca de 2000 vezes menores em
relação aos ovos de anfíbios, e a transcrição gênica já começa no estágio de duas células. Juntamente com o
embrião, há o desenvolvimento das estruturas anexas, tais como o saco amniótico e a placenta, esta última
responsável pela comunicação do embrião com o corpo materno. Portanto, o ambiente onde o embrião se
desenvolve, nesses casos, é bem diferente em relação aos outros grupos animais, e, como consequência, o
desenvolvimento inicial do embrião se dá concomitantemente ao desenvolvimento das estruturas anexas, que
serão importantes no auxílio de seu desenvolvimento.
O desenvolvimento inicial em mamíferos é altamente regulatório, e há uma frequente interação entre
células próximas. Além disso, existem também a influência ambiental no início do desenvolvimento. Como não há
assimetria entre os blastômeros iniciais, apenas a interação entre as células e o ambiente onde elas se encontram
será responsável pelo processo de diferenciação inicial. Dessa forma, sinais químicos protéicos serão enviados
para as células vizinhas, e determinados genes poderão ser ou não ativados nesse estágio.
De algum modo, após as divisões celulares, as células filhas devem conservar as características da célula-
mãe, a fim de que essas características sejam herdáveis pelas gerações subsequentes. A partir disto, cria-se o
conceito de memória celular, isto é, as células "lembram-se" das influências das células que as originaram, e as
passam adiante para as suas descendentes. Por exemplo, quando uma célula de pigmento sofre mitose, as suas
células filhas continuam a ser pigmentadas, quando um queratinócito se divide, as características dessa célula são
conservadas nas células filhas.
Há um estágio, no início do desenvolvimento, em que a célula assume um certo comprometimento com
uma determinada via de diferenciação, antes mesmo que essa diferenciação comece a se manifestar, a partir de
um complexo conjunto de estímulos, ou seja, a célula está determinada a se diferenciar em um tipo particular de
célula, mesmo que as características finais da célula diferenciada ainda não sejam identificáveis.
A partir desses dados, têm-se os conceitos de determinação e diferenciação distintos. Para ilustrar
melhor, somente através do processo de diferenciação, a célula assume as características intrínsecas ao seu tipo
celular final, as quais são pré-programadas já no estágio de determinação.
Todos esses processos parecem ser severamente controlados por genes regulatórios. Existem diversos
fatores citoplasmáticos protéicos que atuam como elementos regulatórios, e, essas proteínas, por sua vez,
controlam a expressão de determinados conjuntos de genes relacionados à diferenciação celular.
No caso da diferenciação das células musculares, uma parte essencial deste processo de sinalização é
efetuada pela família MyoD e de proteínas miogênicas proximamente relacionadas. Essas proteínas possuem
sítios de ligação ao DNA, e, assim como o nome sugere, atuam na determinação das células musculares,
desencadeando a produção de proteínas músculo-específicas. Quando essas proteínas são inseridas em
fibroblastos, por exemplo, elas podem diferenciá-los em células musculares, através da expressão desses genes.
Um mecanismo de diferenciação, diferentemente do que ocorre no processo de determinação, depende de uma
interação entre essas proteínas miogênicas e algumas outras protéinas. Estas últimas pertencem à família de
proteínas do tipo hélice-volta-hélice. Uma vez que essas protéinas miogênicas possuem estrutura semelhante a
essas últimas, esses dois conjuntos de proteínas podem frequentemente formar dímeros para ativar a expressão
de certos genes. De acordo com a proteína escolhida para formar o dímero, diferentes genes podem ser ativados
ou ligados, e a célula entra em uma determinada via de diferenciação.
Antes que as células se diferenciem, elas migram para sua localização no corpo, através da aquisição de
sinais, chamados valores posicionais, que recebem esse nome pelo fato deles caracterizarem a posição final da
célula no organismo, e também há interação entre as células, com respeito a esses valores posicionais, da mesma
forma como ocorre com as demais moléculas sinalizadoras, a fim de que os padrões espaciais do corpo sejam
mantidos de geração em geração.
A partir dos dados acima, pode-se concluir que o processo de diferenciação celular em organismos
superiores é bastante complexo, podendo envolver diferentes vias de sinalização intercelulares, e é dependente
do ambiente em que a célula se encontra. Os mecanismos de expressão gênica que envolvem esse processo de
diferenciação, em diferentes organismos, ainda não estão totalmente esclarecidos, principalmente devido a
dificuldades experimentais, e também à própria complexidade desse assunto. O exemplo mais bem conhecido de
determinação genética da estrutura do corpo é o da mosca da fruta Drosophila melanogaster, o qual é descrito a
seguir.

O DESENVOLVIMENTO DE Drosophila melanogaster E A EXPRESSÃO DOS GENES


A mosca da fruta D. melanogaster se revelou um ótimo objeto de estudo de como os genes do controle
do desenvolvimento atuam em um organismo.
Vários genes regulatórios do desenvolvimento desse organismo já foram catalogados, e suas funções
foram estabelecidas. Isso pôde ser obtido através de técnicas de hibridização in situ, usando-se sondas de DNA e
RNA, e através do estudo de genes mutantes.
O ovo de D. melanogaster tem uma polaridade claramente definida, e logo no início do desenvolvimento
ocorrem divisões nucleares, as quais resultam na formação de um sincício, e logo os núcleos migram para a
superfície do ovo. Após esse estágio, as membranas celulares crescem em direção a esses núcleos, e dessa forma
é formado o blastoderma celular. Os ciclos de clivagem iniciais são bastante rápidos, dependendo principalmente
do material de RNA e de proteínas estocados nas células, e a síntese de proteína ainda é baixa nesse momento. O
blastoderma formado deve ter suas posições definidas, e, para isso, há a atuação dos genes de polaridade do ovo,
que definem os dois principais eixos do corpo do embrião: o eixo dorso-ventral e o eixo ântero-posterior. Através
da análise de mutantes para o plano do corpo, descobriu-se a existência de 12 genes pertencentes ao sistema de
organização dorso-ventral. Quanto ao sistema ântero-posterior, foram descobertos quatro genes que definem a
parte anterior do corpo, onze para a parte posterior, e seis genes que governam as extremidades do embrião.
Cada um desses três sistemas é baseado em um gradiente de morfógeno, como foi descrito
anteriormente.
Os genes responsáveis pela assimetria do ovo são transcritos a partir do genoma materno durante a
ovogênese, de forma que o fenótipo do embrião está determinado por genes maternos. Isso é chamado de efeito
materno, e foram descritos alguns genes responsáveis por esse efeito em Drosophila.
Quanto à expressão da forma do corpo em Drosophila, existem três classes de genes reguladores: os
genes maternos (citados acima), os genes de segmentação, os quais atuam no número e na polaridade dos
segmentos, e os genes homeóticos, os quais controlam a identidade dos segmentos. Esses três conjuntos de
genes interagem para formar o padrão corporal do inseto, em conjunto, e são regulados por morfógenos
específicos. Esses morfógenos podem ser proteínas reguladoras da transcrição ou mesmo proteínas ativadoras de
algum fator transcricional.
O eixo dorso-ventral do embrião já é estabelecido pelas células foliculares que nutrem o óvulo, as quais
secretam uma molécula sinalizadora. Essa molécula possui receptores na superfície do ovo, que podem,
dependendo da concentração dessa molécula, ativar protéinas reguladoras de alguns genes. Um gene do sistema
dorso-ventral, chamado Toll, codifica esse receptor (transmembrana) para essa molécula sinalizadora. Essa
molécula, produzida pelas células foliculares, é gerada somente na superfície ventral do ovo. A proteína chamada
dorsal é uma proteína reguladora da transcrição, que atua nos núcleos das células do blastoderma, ativando
determinados genes. Como essa proteína é distribuída assimetricamente no embrião (região dorsal), ela forma
gradientes de concentração neste. Mais ventralmente, onde a sua concentração é mais alta, o chamado
genetwist é ativado, que é específico para a diferenciação do mesoderma. Dorsalmente, onde a concentração da
proteína dorsal é mais baixa, o gene dpp pode ser ligado, especificando estruturas dorsais. Já numa região
intermediária, onde a concentração desta proteína é alta o suficiente para reprimir dpp, mas baixa o bastante
para ativar o gene twist, as células se diferenciam em ectoderma neurogênico. A proteína dorsal é muito
importante porque regula genes responsáveis pela determinação das estruturas dorso-ventrais do embrião, bem
como a manutenção do próprio eixo dorso-ventral.
O sistema terminal, da mesma forma como o sistema dorso-ventral, se utiliza de sinais extracelulares
provenientes das células foliculares, e de receptores transmembrana para esses sinais. Essa sinalização gera
gradientes de proteínas reguladoras no embrião, e esses gradientes irão especificar endoderma intestinal e
estruturas especializadas terminais.
Quanto aos sistemas anterior e posterior, eles estabelecem gradientes dependentes de mRNAs
específicos do ovo, e não de sinais extracelulares das células foliculares. O sistema posterior especifica a linhagem
de células germinativas. O sistema anterior, dependerá do mRNA localizado no pólo anterior do embrião. Esse
mRNA traduz uma protéina reguladora que forma um gradiente, na porção anterior do ovo, de uma proteína
chamada "bicoid" . Essa proteína possui capacidade de se ligar ao DNA e regular a expressão gênica.
GENES DE SEGMENTAÇÃO
Os genes de segmentação agem em estágios mais tardios em relação aos genes de polaridade, descritos
anteriormente. No estágio onde esses genes se expressam, já há uma considerável taxa de transcrição e síntese
de proteínas do embrião. Esses genes se dividem em três grupos, conforme seus fenótipos mutantes e estágios
de ação?
 Os genes "gap" controlam as subdivisões grosseiras do embrião. Mutações em algum gene "gap" podem
eliminar grupos de segmentos adjacentes ou provocar outros defeitos.
 Os genes "pair-rule" controlam segmentos alternados (ao invés de segmentos adjacentes). Mutações
nesses genes podem implicar na ausência de segmentos pares, como no caso do mutante "pair-rule even-
skipped" , ou ausência de segmentos ímpares (mutante "pair-rule fushi-tarazu").
 Os genes "segment-polarity", como o próprio nome sugere, regulam a polaridade dos segmentos, e
mutações nesses genes usualmente provocam a deleção de parte de cada segmento, e a sua substituição
por uma imagem em espelho da mesma parte do segmento.
Além desses grupos de genes, os genes seletores homeóticos ainda servem para definir as diferenças
entre um segmento e outro. Esses conjuntos de genes de segmentação frequentemente atuam sobre outros
genes, já que codificam proteínas regulatórias de genes. Portanto, um gene de segmentação pode agir sobre a
ação de outro. Por exemplo, o morfógeno "bicoid" ativa os genes gapé hunchbacké kruppelé kirps, criando uma
cascata de ativação gênica. Com isso, determinados genes tornam-se expressos em algumas regiões, mas não em
outras, dividindo o corpo em uma série de unidades segmentares e subsegmentares. Esse padrão de controle da
expressão gênica em cascata pode ser verificado através da análise de mutantes para seus genes
correspondentes. Com isso, pode-se estabelecer relações entre a expressão de diferentes genes.
GENES SELETORES HOMEÓTICOS
Os genes seletores homeóticos são responsáveis pela diferenciação do padrão de cada segmento do
corpo. Esses genes impõem o programa para determinar a diferenciação única de cada segmento. As mutações
nesses genes fazem com que as células de uma região específica do embrião desenvolvam o fenótipo de células
de outra parte do corpo. O modo de atuação dos genes homeóticos ainda não está claramente definido. Parte
deles atuam produzindo fatores de transcrição, que ativarão outros genes homeóticos, e, dessa forma, pode
haver uma série de consequências fenotípicas provocadas por uma mutação em alguns destes genes. No caso das
mutações, pode haver o desenvolvimento de um segmento do abdome idêntico a outro, formação de uma pata
no lugar das antenas, e formação de asas no lugar dos olhos.
Os dois principais complexos de genes homeóticos são o complexo "antennapedia" e o complexo bitórax.
Cada complexo, da mesma forma como aqueles citados anteriormente, é formado por um conjunto de
genes com funções semelhantes. Enquanto o complexo bitórax atua diferenciando os segmentos do tórax com os
do abdome, o complexo "antennapedia" diferencia os segmentos torácicos com os da cabeça. Em alguns insetos,
há apenas um complexo, o complexo HOX.
Cada gene homeótico age de uma forma característica, e define uma região do corpo, sendo que
mutações em diferentes genes homeóticos implicam em anomalias em diferentes locais no adulto. Os genes de
segmentação auxiliam na ativação dos genes homeóticos (também os genes de segmentação são ativados antes),
de forma que o resultado da diferenciação de cada tecido do corpo seja o resultado de uma combinação bem
definida de genes homeóticos e segmentares.
As proteínas reguladoras de genes, produzidas pelos genes homeóticos seletores, contém uma sequência
chamada homeobox, que por sua vez codifica um homeodomínio que se liga ao DNA, de 60 resíduos de
aminoácidos. O complexo bitórax possui três genes homeóticos com homeoboxes, e o complexo "antennapedia"
cinco genes. Frequentemente aplica-se a denominação HOM à esses dois complexos, porque acredita-se que eles
tenham se separado à partir de um complexo comum, único, como ocorre em outros insetos. O complexo
"antennapedia" contém os genes homeóticos labial, "proboscipedia", "deformed", "sex combs reduced" e
"antennapedia", enquanto que o complexo bitórax apresenta os genes ultrabitorácico (que regula o terceiro
segmento torácico) e os genes Abd A e Abd B, referentes aos segmentos abdominais.
As sequências de DNA regulatórias dos genes homeóticos contém sítios de ligação para as proteínas de
polaridade do ovo e de segmentação (bicoid, hunchback e even-skipped). O DNA regulatório interpreta todas as
informações vindas desses fatores, e em resposta causa a ativação de genes específicos para a diferenciação das
partes do corpo em cada segmento.
Existe uma alta homologia de sequência entre os homeoboxes de D. melanogaster com regiões
homeobox presentes em rãs e mamíferos. Estes dados podem sugerir que estes genes estejam envolvidos na
regulação da embriogênese de muitas espécies, inclusive no homem. Acredita-se que a ordem dos genes no
cromossomo em cada parte do complexo ordene o domínio de sua expressão no corpo. O mecanismo molecular
que controla o fenômeno de memória não é bem conhecido, mas deve depender de mudanças de
autoperpetuação de estado nas regiões de controle no complexo HOM.
O CICLO CELULAR E O DESENVOLVIMENTO
O período entre duas divisões mitóticas define o ciclo celular somático. O tempo do final de uma divisão
mitótica ao início de outra é chamado intérfase, e o período real de divisão, correspondendo à mitose visível, é
chamado fase M.
Para se dividir, a célula somática eucariótica deve duplicar a sua massa e dividir seus componentes entre
duas células filhas. a duplicação do tamanho é um processo contínuo, resultado da transcrição e da tradução dos
genes que codificam as proteínas que constituem o fenótipo celular. Em contrapartida, a reprodução do genoma
ocorre apenas durante um período específico na intérfase.
A mitose de uma célula somática gera duas células filhas idênticas, cada uma delas comportando um
conjunto diplóide de cromossomos. A intérfase é dividida em períodos definidos com referência ao tempo de
síntese de DNA. As células saem da divisão mitótica para a fase G1, durante a qual RNAs e proteínas são
sintetizados, mas não o DNA.
O início da replicação do DNA deifne a transcrição da fase G1 para o período S. O período S é estabelecido
até que todo o DNA tenha sido replicado. Durante essa fase S, o conteúdo total de DNA é aumentado a seu valor
tetraplóide (4n). O período que parte da fase S até a mitose é denominado período G2, durante o qual a célula
apresenta dois conjuntos diplóides de cromossomos.
Durante a intérfase, não há praticamente mudanças visíveis na célula. O núcleo aumenta de tamanho
durante a fase S, justamente no momento em que a maquinaria de replicação do DNA é mobilizada, e o estado da
cromatina parece ser o mesmo durante todo esse período. A mitose segrega um conjunto diplóide de
cromossomos para cada célula-filha, e os cromossomos individuais podem ser visualizados nessa fase, quando o
envelope nuclear se desorganiza, e forma-se o fuso mitótico. Em uma célula animal somática em ciclo celular,
essa sequência de eventos é repetida a cada 18-24 horas.
Existem dois pontos de controle fundamentais no ciclo celular, os quais determinam a ordem da sua
progressão:
 Os cromossomos são comprometidos a se replicarem na fase G1. Se as condições para esse "ponto de
comprometimento" são satisfeitas, a célula entrará na fase S. Em leveduras esse ponto do ciclo é
chamado de START, e em células animais é chamado de ponto de restrição.
 A célula é comprometida a sofrer a divisão mitótica no final da fase G2. Se a célula não se dividir nesse
ponto ela permanecerá na condição tetraplóide.
Para células animais em cultura, o controle em G1 é o principal ponto de decisão do ciclo, e o controle em
G2 é secundário. As células passam a grande maioria do seu tempo do ciclo na fase G1, e o comprimento dessa
fase é ajustado em resposta às condições de crescimento.
Algumas células não se dividem totalmente, e são consideradas como tendo saído do ciclo celular para
um outro estado, semelhante a G1, mas incapazes de entrarem na fase S. Esse estado é chamado de G0, e as
células muito diferenciadas, com pouca ou nenhuma capacidade de diferenciação subsequente, geralmente
permanecem nesse estado. Algumas células em G0 ainda podem ser reestimuladas para entrarem novamente no
ciclo.
Os núcleos, em alguns estados da embriogênese de insetos, se dividem e permanecem em repouso no
estado tetraplóide.
Existem ainda os pontos de checagem do ciclo celular, que verificam se a célula está pronta para seguir
para a próxima fase do ciclo. Cada ponto de checagem representa um "loop" de controle que marca o início de
um evento no ciclo celular que é dependente do evento anterior, de forma que um ponto de checagem atua
diretamente sobre os fatores que controlam a progressão do ciclo.
Nesses pontos de checagem, devem ser verificados: se todo o DNA está duplicado, ou se o ambiente é
favorável, se a célula está grande o bastante para se dividir, ou se todos os cromossomos estão presos no fuso
mitótico.
O sistema de controle central do ciclo celular se dá por meio de proteínas que foram altamente
conservadas durante a evolução. Muitas delas, quando retiradas de humanos, funcionam perfeitamente em
leveduras, ou seja, à partir de estudos sobre o ciclo celular em leveduras, pode-se realizar inferências para o ciclo
das células de outros organismos.
Alguns ciclos de células embrionárias parecem "pular" alguns dos pontos de controle, e estarem
submetidas à um timer ou oscilador. Assim, o sistema de controle do ciclo celular pode se combinar com uma
unidade de tempo, com a taxa de crescimento da célula, com a massa celular ou com a própria replicação do
DNA.
A existência dos reguladores do ciclo celular em diferentes estágios foi revelada através de experimentos
de fusão de células em diferentes estágios do ciclo celular. Com os resultados obtidos, descobriu-se a presença de
proteínas indutoras da fase M (mitose) e da fase S (replicação), e, ao mesmo tempo, que esses indutores estão
presentes apenas transitoriamente. Durante o período G1, a célula, de alguma forma, se compromete a entrar no
período de START, mas a natureza do intervalo anterior à fase S ainda é desconhecida.
Descobriu-se também que o ativador da fase S é uma proteíno-quinase, e está relacionado com a quinase
responsável pela ativação da mitose.
A mitose depende da ativação da protéina quinase da fase M, uma proteína com duas subunidades. Uma
delas é uma subunidade catalítica com modo de ação de quinase, que é ativada por modificação de sua estrutura,
no início da mitose. A outra subunidade é uma ciclina, uma proteína que se acumula devido à uma síntese
contínua durante a intérfase, e que é destruída na mitose. A destruição dessa proteína inativa a quinase da fase
M, e libera as células filhas da mitose.
Essa atividade de controle é altamente conservada, e parece estar presente em todos os sistemas
eucarióticos! Alguns desses sistemas têm ciclos que se desviam um pouco dos padrões normais do ciclo somático.
Isto ocorre particularmente em muitos dos processos de embriogênese.
No ovo de Xenopus, por exemplo, ocorrem divisões muito rápidas, nas quais a fase S se alterna
diretamente com a fase M (mitose). Nos blastômeros, e entrada na mitose é controlada pela quinase da fase M, o
mesmo fator de todas as células somáticas, da mesma forma como ocorre em leveduras.
O desenvolvimento inicial dos ovos de Xenopus revelou um sistema bastante útil para se analisar as
características que levam uma célula à divisão. O ovócito de Xenopus é interrompido em seu primeiro ciclo de
divisão meiótica, no início da condensação cromossômica, e a correspondência mais íntima com o ciclo somático
está no estágio G2. A ovulação ocorre quando os hormônios desencadeiam o progresso do ciclo até a segunda
divisão da meiose e, quando o ovo é posto, o progresso é interrompido até o final da segunda meiose, numa
condição de mitose somática.
O ovo de anfíbios, bem como o das aves, é uma estrutura grande, que contém grande quantidade de
material citoplasmático para as primeiras divisões. A fertilização desencadeia ciclos de divisões muito rápidos,
que alternam os períodos S com a fase M, como citado anteriormente. O maior período de atividade sintética das
células nesse estágio corresponde, portanto, à fase S, de replicação do DNA, e isso ocorre porque não há a fase
G1 da intérfase, representada por intensa transcrição gênica e síntese de protéinas. Estudos realizados com
ovócitos e também com ovos de Xenopus possibilitaram a descoberta do fator promotor de maturação (MPF),
que induzia a maturação dos ovócitos e, portanto, preparava a célula para a divisão meiótica.
O MPF torna-se inativo quando as ciclinas são degradadas, para que a célula encerre a divisão, e a anáfase
se inicie. Essa molécula consiste de duas subunidades, a p34 e a p45. O dímero tem atividade de quinase, e pode
fosforilar uma grande variedade de proteínas. É através da fosforilação das proteínas alvo em um ponto
específico do ciclo que o MPF exerce sua função.
A subunidade p34 é catalítica, com atividade de quinase. Fosforila resíduos de serina e treonina nas
proteínas alvo. A subunidade p45 é uma ciclina, uma subunidade regulatória, necessária ao funcionamento da
atividade de quinase do MPF. Quando a ciclina está presente, ela confere ao MPF uma mudança conformacional
para ativação de sua subunidade catalítica.
Uma protéina homóloga à subunidade catalítica p34 do MPF encontrada em leveduras é chamada cdc2.
Essa proteína interage com as ciclinas da mesma forma como a p34. Essa proteína é fosforilada e desfosforilada
por outras enzimas. A sua fosforilação impede a sua atividade catalítica, mesmo que cdc2 esteja complexada com
alguma ciclina.
Existem as ciclinas mitóticas, as quais se complexam com cdc2 para permitir que a célula atinja a fase M, e
as ciclinas do período G1, que fazem com que a célula duplique seu DNA, entrando na fase S. Com o
desaparecimento das ciclinas nas fases S e M, a subunidade catalítica torna-se inativa novamente, e, somente
quando a célula tiver condições de atingir as fases S e M novamente (satisfeitas as condições dos pontos de
checagem), genes específicos serão ativados por proteínas reguladoras controlarão esses mecanismos de
fosforilação e desfosforilação na célula, enquanto que as ciclinas serão produzidas quase que continuamente
durante a intérfase.
Muitos fatores externos podem atuar no controle do ciclo celular, incluíndo hormônios e fatores de
crescimento de tecidos específicos, no processo de proliferação celular, para a organização, ou mesmo para a
manutenção dos tecidos. Existem diferentes controles externos que podem atuar no ciclo celular, e as células
dependerão, fundamentalmente de sinais em seu material citoplasmático (no início da embriogênese), bem como
de sinais do ambiente externo. Nos processos de proliferação celular e senescência, outros sinais de controle
externos do ciclo desencadearão de maneira diferente esse sistema citado aqui.
DIFERENCIAÇÃO CELULAR DAS LINHAGENS SOMÁTICA E GERMINATIVA
1.INTRODUÇÃO
Após a fecundação, a partir de uma única célula, um novo indivíduo é formado. Das primeiras divisões
celulares, com a formação do embrião até a morte, o organismo passa por vários processos em seu
desenvolvimento; dentre eles, a diferenciação celular, que está presente todo o tempo de sua vida.
A diferenciação celular é o processo pelo qual as células de um organismo começam a se tornar diferentes
em sua forma, composição e função. A partir de então, surgem no indivíduo populações de células distintas,
formando estruturas, órgãos e sistemas que interagem entre si e desempenham as diversas funções necessárias à
sua sobrevivência.
Todas as células possuem um número de características fundamentais em comum; a diversidade das
células pode ser vista como "variações sobre um único tema" da organização da matéria viva. Estas variações
ocorrem em diferentes intensidades, de acordo com o tipo celular formado, sua função e seu grau de
especialização.
As células possuem um potencial de diferenciação e um destino final; células com maior potencial são,
portanto, menos diferenciadas e apresentam maiores possibilidades de diferenciação ao longo do processo. Já
aquelas mais diferenciadas, ou completamente diferenciadas, perderam em grande parte ou totalmente o seu
potencial.
Podemos falar de diferenciação celular em dois níveis: intracelular e intercelular.
A diferenciação intracelular refere-se às progressivas mudanças que acontecem na estrutura celular.
A diferenciação intercelular refere-se ao aparecimento de vários tipos celulares em uma população de
células. É o processo pelo qual duas ou mais células tornam-se diferentes umas das outras.
Antes que a diferenciação aconteça, ocorre a chamada determinação, que decide o destino da célula.
Pode acontecer de duas maneiras: Primeiro, pela segregação citoplasmática de moléculas determinantes no
momento da clivagem do ovo, separando componentes citoplasmáticos diferentes que tornarão o citoplasma das
células formadas qualitativamente diferentes. Segundo, pela indução embrionária, que envolve a interação entre
células ou tecidos, condicionando células próximas a se especializarem em uma determinada direção.
Estudos feitos em embriões de tunicados mostraram que à medida que o embrião se divide, diferentes
blastômeros incorporam diferentes regiões do citoplasma, que acredita-se, contenham determinantes
morfogenéticos que controlam o destino da célula. Este tipo de desenvolvimento embrionário é classificado como
"em mosaico", pelo fato de que as células se desenvolvem, de certa forma, de maneira independente, dividindo o
embrião em regiões que darão origem a tecidos e estruturas diversas.
Também em tunicados, foi feito o isolamento de blastômeros, demonstrando a auto-diferenciação dos
blastômeros isolados. No entanto, algumas interações indutivas também foram observadas; alguns tecidos como
o nervoso, por exemplo, sofrem uma determinação progressiva por interação célula-célula.
Os componentes citoplasmáticos responsáveis pela determinação das células precursoras das células
germinativas são os mais freqüentemente estudados. Mesmo nos embriões que apresentam outros fatores de
regulação que não só os componentes citoplasmáticos, uma determinada região do citoplasma do ovo entrará na
constituição de algumas células do embrião que certamente formarão as células germinativas.
Uma vez ocorrida a determinação, o desenvolvimento embrionário continua sendo guiado por dois
fatores: a) pelos diferentes componentes do citoplasma herdados do ovo, que foram segregados anteriormente.
O comportamento na diferenciação das células é, por exemplo, em vários aspectos controlado pela sua posição
no embrião. Em ovos de rã e salamandra, com a entrada do espermatozóide no óvulo, iniciam-se movimentos
citoplasmáticos, resultando no aparecimento de uma região oposta ao ponto de inserção do espermatozóide,
"crescente cinzento", com propriedades especiais, sendo as células formadas nesta área importantes para o
desenvolvimento e diferenciação celular; b) pela resposta a diferentes microambientes onde a célula se encontra,
ou seja, as próprias células que a circundam, como já previsto na determinação.
Teoricamente, ainda poderíamos pensar em um terceiro caminho, os diferentes tipos de genes herdados
pelo indivíduo. A influência dos dois primeiros fatores (em maior ou menor grau), é que determinará como duas
ou mais células fazem diferente uso da mesma informação herdada. No entanto, se estudamos o processo de
diferenciação isoladamente dentro de uma mesma espécie, espera-se encontrar um padrão geral para a
participação dos genes, uma vez que as células contêm o mesmo conjunto de informações herdadas.
De qualquer forma sabemos que os genes contidos no material nuclear herdado dos progenitores,
expressam boa parte das características apresentadas pelos indivíduos em seu fenótipo, e que, portanto,
participam ativamente da diferenciação celular.
Experimentos feitos com salamandras demonstraram a importância da presença do núcleo na clivagem
do ovo. O isolamento, por constrição, de parte do citoplasma de um ovo não clivado resulta em um retardo
temporário à clivagem na metade que não contém o núcleo. Entre os estágios de oito e dezesseis blastômeros,
um dos núcleos da metade clivada, se passado para o outro lado, pode seguir a clivagem, dando origem também
a um embrião normal.
Devido às várias modificações sofridas pelo núcleo no desenvolvimento embrionário, relacionadas à
diferenciação celular, alguns autores utilizam o termo diferenciação nuclear ou diferenciação cromossômica para
descrever alguns mecanismos peculiares observados em determinadas espécies estudadas.
Outros experimentos foram feitos com embriões de rã, removendo-se o núcleo de uma célula do teto de
uma blástula ou gástrula, que ainda conservam boa parte do seu potencial, e injentando-o no citoplasma de um
ovo anucleado, artificialmente ativado, o ovo pôde clivar-se normalmente e desenvolver-se em um girino normal.
O embrião já contém, no entanto, populações distintas de células; tanto que o mesmo experimento feito com
núcleos de células de outras regiões do embrião não resultou no desenvolvimento de embriões normais.
Em ovos de galinha e pato, ao se isolarem células de blastoderme, seus núcleos ainda são capazes de
comandar novas clivagens, formando embriões completos, porém menores.
Em plantas esta capacidade é mais expressiva, onde a maioria (senão todas) são capazes de, a partir de
um pequeno grupo de células retiradas de um indivíduo adulto, formar uma nova planta completa, com todos os
seus tipos celulares.
Em alguns Diptera ocorre a formação de "puffs" nos cromossomos durante a ovogênese, que são
espessamentos de alguns loci específicos. Por estarem ativamente ligados à síntese de RNA, indiretamente estão
relacionados com a síntese de um grupo específico de proteínas que presumivelmente caracterizam um
específico tipo celular.
Estes estudos indicam que a diferenciação nuclear pode ocorrer em nível de loci gênicos e pode envolver
a ativação diferencial ou inibição desses loci pelos constituintes do microambiente onde a célula se encontra em
última instância.
A diferenciação nuclear também pode sofrer influência do citoplasma. Em Ascaris, um blastômero que
normalmente iria sofrer diminuição cromossômica, pode ser levado experimentalmente por alterações
citoplasmáticas a formar células germinativas em vez de somáticas. Existem também casos onde o núcleo tem
mais autonomia e não sofre influência dos componentes citoplasmáticos.
Tendo em vista o exposto, o objetivo deste trabalho é descrever suscintamente os mecanismos de
diferenciação celular das linhagens somática e germinativa nas espécies utilizadas como modelo para ajudar no
entendimento do processo de diferenciação.

2.DIFERENCIAÇÃO DA LINHAGEM SOMÁTICA


2.1- Diferenciação em Drosophila melanogaster- formação do corpo
No início do desenvolvimento, já se pode notar uma certa compartimentalização celular (padrão que se
origina da assimetria do ovo), ou seja, grupos de células já começam a se posicionar, de acordo com a função que
deverão desempenhar mais tarde.
A informação posicional é dada por quatro gradientes estabelecidos pelos produtos de quatro grupos de
genes, chamados genes de polaridade o ovo. Eles controlam quatro distinções fundamentais para o plano do
corpo dos animais: dorso-ventral, endoderma-mesoderma-ectoderma, células germinativas-células somáticas e
antero-posterior.
Depois de definidos os eixos do corpo, o desenvolvimento segue-se até a formação da mosca adulta, onde
um conjunto de genes chamados homeóticos seletores passam a atuar, determinando o caráter antero-posterior
do segmentos da mosca
Os genes homeóticos seletores mais estudados constituem dois grupos em Drosophila: o complexo
Bitórax e o complexo Antennapedia; que receberam estes nomes por terem sido estudados em indivíduos
mutantes. Na mutação Bitórax, porções de um par extra de asas aparecem normalmente onde deveriam estar os
balancins; e na mutação Antennapedia, as patas desenvolvem-se na cabeça, no lugar das antenas.
O complexo Bitórax controla as diferenças entre os segmentos abdominais e torácicos do corpo e o
complexo Antennapedia controla as diferenças entre os segmentos do tórax e da cabeça.
Cada gene homeótico tem uma região de ação definida como a região do corpo que é transformada na
ocorrência de mutação do gene. Esta região de ação vai, aproximadamente, da metade de um segmento até a
metade do outro, formando os chamados parassegmentos.
Os produtos dos genes homeóticos são proteínas reguladoras, que se ligam a um DNA regulatório. Este
DNA então responde a estas ligações, transcrevendo ou não um conjunto particular de genes homeóticos
seletores, deixando nestas células um traço de memória. Como este sistema é organizado e opera, ainda não se
sabe ao certo.
Este traço de memória fica armazenado nas células imaginais, que são células que se distribuem pelo
corpo da larva e formam principalmente as estruturas epidérmicas da mosca adulta. As células imaginais para a
cabeça, tórax e genitália são organizadas em discos imaginais; e outros agrupamentos de células imaginais
formam o abdomem e os órgãos internos.
Os discos imaginais têm sido os mais estudados. São bolsas de epitélio que evaginam, estendem-se e se
diferenciam na metamorfose. Assim, dão origem às estruturas externas: olhos, antenas asas, etc.
Apesar do aspecto indiferenciado, experimentos mostraram que os discos imaginais diferenciam-se com
uma certa autonomia; ou seja, quando um disco é transplantado para outro local no corpo da larva, ele se
diferencia na estrutura apropriada à sua origem, provando que são governados por uma memória de sua posição
original.
Esta memória é herdável por várias gerações e os genes homeóticos seletores são componentes deste
mecanismo de memória. Se estes genes forem excluídos das células dos discos imaginais, a diferenciação ocorre
de maneira completamente irregular.
3- DIFERENCIAÇÃO DA LINHAGEM GERMINATIVA
3.1- Diferenciação no nematódeo Caenorhabditis elegans
O C. elegans possui uma linhagem de células somáticas praticamente invariável de um indivíduo para
outro, como conseqüência da ordenação espacial das áreas de segregação do citoplasma e do pequeno número
de genes que possui.
Quanto aos componentes citoplasmáticos, os grânulos P, que estão envolvidos na formação da linhagem
germinativa, encontram-se distribuídos no zigoto, ficando posteriormente restritos às células capazes de formar
gametas, originadas a partir dos blastômeros da região posterior do ovo.
Assim, a cada nova divisão durante a clivagem, os grânulos P migram para os blastômeros posteriores, até
que finalmente ficam situados na célula P4, cuja progênie se transforma nos espermatozóides e nos óvulos do
adulto.
3.2- Diferenciação em Parascaris aequorum (Ascaris megalocephala)
A primeira divisão do embrião ocorre no plano equatorial, separando os pólos animal e vegetativo.
O blastômero do pólo animal sofre, então, uma diminuição cromossômica, onde vários segmentos das
extremidades dos cromossomos são perdidos. O blastômero do pólo vegetativo (que formará a maioria dos
tecidos somáticos), passa normalmente pela segunda divisão e em seguida um dos novos blastômeros formados
também sofre uma diminuição cromossômica.
Ao final da segunda divisão tem-se, portanto, três blastômeros alterados e um normal, contendo
cromossomos intactos. Até o estágio de dezesseis blastômeros, o fenômeno vai se repetindo, resultando em
apenas uma célula com cromossomos íntegros. Esta dá origem à linhagem germinativa e as demais darão origem
às células somáticas.

3.3- Diferenciação em Insetos


O ovo do insetos possui uma região de citoplasma, chamada citoplasma germinativo ou plasma polar
constituído por grânulos polares, envolvidos na determinação das células germinativas.
No mosquito-pólvora, Wachtiella persicariae, de maneira semelhante à Parascaris, ocorre redução no
número de cromossomos nas células que darão origem à linhagem somática. No entanto duas células mantém-se
intactas, passam um período sem se dividir e migram para o pólo posterior do ovo, onde provavelmente dão
origem às células germinativas.
Em Drosophila, nas primeiras duas horas após a fecundação o embrião se desenvolve sob a forma de um
sincício, formando uma camada blastodérmica. Em seguida as membranas celulares são formadas, envolvendo
cada núcleo, constituindo agora a blastoderme celular, e suas células já têm destino determinado.
Os núcleos do embrião não sofrem diminuição cromossômica e a linhagem germinativa se forma a partir das
células que migrarem para o plasma polar.
Ainda não se sabe bem a constituição dos grânulos polares e como eles atuam na diferenciação das
células germinativas. Os grânulos polares em Drosophila foram isolados e constatou-se que são constituídos
basicamente de proteínas e RNA. Sabe-se que eles sofrem algumas modificações durante o desenvolvimento.
Antes da fecundação encontram-se densos e membranosos, agrupados ao redor das mitocôndrias, e se dispersam
antes que os núcleos alcancem o pólo. As células polares então absorvem estes grânulos, que se descondensam
em filamentos "nuage", ao redor do envoltório nuclear, com a aproximação das células polares da crista gonadal.
Este fenômeno ocorre em todo o reino animal e é provável que tenha importância na gametogênese.
3.4- Determinação em Anfíbios
As evidências indicam que também em anfíbios exista a participação de componentes citoplasmáticos na
formação das células germinativas; localizados no pólo vegetativo.
Assim, as células que migram para o pólo vegetativo e entram em contato com estes componentes (semelhantes
ao plasma polar de Drosophila), quando chegam à crista gonadal, formam as células germinativas.
4- CONCLUSÃO
O processo de diferenciação celular reúne uma série de mecanismos, que variam amplamente entre as
espécies, embora existam algumas semelhanças que tenham sido preservadas durante a evolução (ALBERTS et al,
1997).
Existem algumas dificuldades em se estudar o processo, uma vez que, o ideal seria acompanhá-lo no
organismo vivo; e as vias mais convenientes são muitas vezes culturas de células que não retratam exatamente as
características e não respondem aos tratamentos da mesma forma que as células dos tecidos vivos.
Alguns modelos têm sido usados com sucesso, como o nematódeo C. elegans e a mosca Drosophila
melanogaster, por exemplo.
Apesar dos grandes avanços dos últimos anos, existem ainda muitas perguntas sem respostas e vários
pontos obscuros, que, se esclarecidos, poderão servir para o entendimento dos processos evolutivos bem como a
formação dos diversos indivíduos viventes, do mais simples ao mais complexo, a partir de uma única célula.

DIFERENCIAÇÃO CELULAR
As Células do Corpo dos Vertebrados exibem mais de 200 Modos Diferentes de Especialização a riqueza
de diferentes tipos de especialização encontrada em células de um animal superior é de longe maior do que a
observada em seres procarióticos. Num vertebrado, mais de 200 tipos distintos de células são identificáveis, e
muitos desses tipos de células incluem, sob um único nome, um número grande de subtipos e variedades. A
tabela abaixo mostra uma pequena seleção. Nessa profusão de comportamentos especializados, poderá ser vista
num organismo simples, a maravilhosa versatilidade da célula eucariótica. Muitos dos conhecimentos atuais
sobre as propriedades gerais das células eucarióticas surgiram pelo estudo dos tipos especializados, devido à
existência de características excepcionais das quais todas as células dependem de algum modo.
Como exemplo arbitrário, considere se a junção neuromuscular, em que apenas três
tipos de células estão envolvidas: uma célula muscular, uma célula nervosa e uma
célula de Schwann. Cada uma delas tem um papel diferente (Figure ao lado):
1. A célula muscular fez da contração a sua especialidade. Seu citoplasma é
acondicionado com feixes de filamentos protéicos, incluindo um grande número de
filamentos de ADNA. Existem muitas mitocôndrias espalhadas entre os filamentos
protéicos que suprem o ATP necessário para a contração.
2. A célula nervosa estimula a contração muscular, transportando um sinal de
excitação do cérebro ou da medula espinhal. A célula nervosa é extraordinariamente
alongada: seu corpo principal, contendo o núcleo, poderá se localizar um metro ou
mais da junção · com o músculo. O citoesqueleto é, conseqüentemente, bem
desenvolvido para manter a forma característica da célula e também para
transportar, com eficiência, substancias de um fim ao outro da célula. A
especialização crucial, no entanto, reside na membrana plasmática da célula, que
contém proteínas que atuam como bombas e canais de íons, causando um
movimento de íons que é o equivalente a um fluxo de eletricidade. A maioria das
células mantém seus canais e bombas na membrana plasmática, mas a célula nervosa
chegou a tal ponto de especialização que um pulso de eletricidade pode se propagar
em uma fração de um segundo de uma extremidade à outra da célula, transportando
um sinal para a ação.
3. Por último, as células de Schwann são especializadas na produção em massa de
membrana plasmática, que eles enrolam na volta da porção alongada da célula
nervosa, como um rolo de fita adesiva, camada por camada, com a finalidade de
formar a camada de mielina, que serve de isolante.
Genes podem ser ligados e desligados: Os vários tipos especializados de células, em uma planta ou em
um animal, parecem diferentes uns dos outros. Tal fato parece um paradoxo, pois as células, num organismo
multicelular, são muito relacionadas e descendem de uma única célula precursora - o ovo fertilizado.
Linhagens comuns denotam genes similares; como aparecem então as diferenças? Em alguns poucos casos,
a especialização celular envolve a perda de material genético. Um exemplo extremo é a célula sangüínea
vermelha de mamíferos, que perde o núcleo por inteiro durante a diferenciação. A grande maioria das células de
animais e plantas, no entanto, retém toda a informação genética contida num ovo fertilizado.
Especialização depende da mudança da expressão gênica e não na perda ou aquisição de genes. Mesmo as
bactérias não fabricam todos os seus tipos de proteínas todo o tempo, mas o seu nível de síntese é ajustado de
acordo com as condições externas. Proteínas, que são necessárias para o metabolismo de lactose, por exemplo,
são sintetizadas por muitas bactérias somente quando o açúcar está presente para o uso; também quando as
condições não são favoráveis para a proliferação celular, algumas bactérias suspendem a maioria de seus
processos metabólicos e formam esporos, que possuem um citoplasma com composição alterada protegido por
rígidas e impermeáveis paredes externas.
As células eucarióticas desenvolveram mecanismos mais sofisticados de controle da expressão gênica, e
isto afeta sistemas inteiros de produtos gênicos interativos. Grupos de genes são ativados ou reprimidos em
resposta a sinais externos e internos. Composição de membrana, citoesqueleto, produtos de secreção e mesmo
metabolismo - todas essas e outras características - devem mudar de maneira coordenada à medida que as
células se diferenciam.
A diferença radical de caráter entre tipos celulares reflete a mudança estável de expressão gênica. Os
controles que trazem tais mudanças evoluíram em células eucarióticas a um grau incomparável com células
procarióticas, definindo as regras complexas do comportamento celular que pode gerar um organismo
multicelular organizado a partir de um simples ovo.
Sob o ponto de vista da aparência exterior, a evolução transformou o universo das coisas vivas em tal
grau que eles não são mais reconhecidos como parentes. O ser humano, uma mosca, uma margarida, uma
levedura, uma bactéria parecem tão diferentes que é quase loucura compará-los. Ainda assim, todos descendem
de um ancestral comum, e quanto mais fundo investigamos encontramos mais e mais evidências de uma origem
comum.
Sabemos que maquina básica da vida foi conservada num grau tão impressionante que deixaria surpresos
os postuladores da teoria da evolução. Como foi visto sobre as formas de vida possuem essencialmente a mesma
química, baseada em aminoácidos, açúcares, ácidos graxos e nucleotídeos; todos sintetizam seus constituintes
químicos de maneira essencialmente semelhante; todos estocam suas informações genéticas no DNA e as
expressam através de RNA e proteínas. O grau de conservação evolucionária, no entanto, torna-se mais
pronunciado quando examinamos os detalhes das seqüências nucleotídicas, em genes específicos, e as
seqüências de aminoácidos, nas proteínas. As chances são de que uma enzima bacteriana que catalisa qualquer
reação comum, como, por exemplo, a cisão de um açúcar de seis carbonos em duas moléculas de três carbonos
na glicólise, terá uma seqüência de aminoácidos (e uma estrutura tridimensional) sem sombra de dúvidas
semelhante à mesma enzima que catalisa a reação no ser humano. As duas enzimas - e, equivalentemente, os
genes que as codificam - não somente possuem funções semelhantes, mas também uma origem evolucionária
comum. Tais semelhanças podem ser exploradas para traçar caminhos evolucionários comuns; e por comparação
de seqüências gênicas e pelo reconhecimento de homologia, podem-se descobrir paralelos escondidos e
similaridades entre diferentes organismos.
Semelhanças familiares são também encontradas entre genes que codificam proteínas que executam
funções relacionadas num organismo. Tais genes são evolucionariamente relacionados, e sue existência revela
uma estratégia básica pela quais organismos mais complexos surgiram: genes ou porções de genes tornaram-se
duplicados, e as novas cópias, então, divergiram das originais por mutações e recombinações para se ajustar a
novas tarefas adicionais. Assim, começando com um punhado, de genes nas células primitivas, a forma de vida
mais complexas foram capazes de desenvolver mais de 50.000 genes hoje presentes em uma célula de um animal
ou de uma planta superior. A partir do entendimento de um gene ou proteína, se ganha conseqüentemente
introspecção de famílias inteiras de genes homólogos a ele. Assim, a biologia molecular revela a unidade do
mundo vivo e providencia as ferramentas para a descoberta dos mecanismos gerais que governam uma variedade
sem fim de invenções.
TIPOS DE CÉLULAS:
Existem mais de 200 tipos de células no corpo humano. Elas estão reunidas numa variedade de tipos de
tecidos como:
 epitélio
 tecido conjuntivo
 músculo
 tecido nervoso
A maioria dos tecidos contém uma mistura de tipos celulares.

Tabela com alguns tipos de células do organismo humano e suas descrições:


Sangue: os eritrócitos (células sangüíneas
vermelhas) são células pequenas, possuem a forma
de um disco bicôncavo, de maneira geral sem núcleo
ou membranas internas, completamente cheias da
proteína ligadora de oxigênio - hemoglobina. Um ml
de sangue contém 5 bilhões de eritrócitos.
Os leucócitos (células brancas do sangue) protegem
o organismo contra infecções. O sangue contém um
leucócito para cada 100 eritrócitos. Os leucócitos
circulam através da circulação e atravessam as
paredes dos vasos sangüíneos para realizarem suas
tarefas nos tecidos circunvizinhos. Existem
diferentes tipos de leucócitos que incluem os
linfócitos (responsáveis pela resposta imune na
parte de produção de anticorpos) e os macrófagos e
neutrófilos (movem-se para o local da infecção onde
ingerem bactérias).

Tecido conjuntivo: os espaços entre órgãos e tecidos


são preenchidos por tecido conjuntivo formado,
principalmente, por uma rede firme de fibras
protéicas embebidas em um gel de polissacarídeo.
Essa matriz extracelular é secretada principalmente
por fibroblastos. Os dois principais tipos de fibras
protéicas extracelulares são o colágeno e a elastina.

Os ossos são formados por células chamadas


osteoblastos. Elas secretam uma matriz extracelular,
na qual cristais de fosfato de cálcio são mais tarde
depositados.

Células adiposas estão entre as maiores células do


corpo e são responsáveis pela produção e
estocagem de produtos. O núcleo e o citoplasma
estão espremidos por uma grande gota de gordura.
As células epiteliais secretórias são frequentemente
reunidas para formar uma glândula especializada na
secreção de uma determinada substância. Como
ilustrado, glândulas exócrinas secretam seus
produtos ( lágrimas, muco e suco gástrico) em dutos.
As glândulas endócrinas secretam os hormônios na
corrente sangüínea.

Células germinativas: o espermatozóide e o óvulo,


são haplóides, isto é, transportam apenas um
conjunto de cromossomos. Um espermatozóide de
um macho se funde ao óvulo de uma fêmea para
formar o novo organismo diplóide por divisões
celulares sucessivas.

Músculo: as células musculares produzem força


mecânica por contração. Nos vertebrados existem
três tipos principais:
Músculo do esqueleto - que move as juntas pelas
suas fortes e rápidas contrações. Cada músculo é
formado por um feixe de fibras, cada fibra é uma
enorme célula multinucleada.

Músculo liso - presente no trato digestivo, bexiga,


artérias e veias. É composto de células alongadas e
delgadas (não estritas) cada qual possui um núcleo.
Músculo cardíaco - tipo intermediário entre músculo
do esqueleto e músculo liso. Produz os batimentos
cardíacos. As células adjacentes são conectadas por
junções condutoras de eletricidade que fazem as
células se contraírem em sintonia.
Células sensoriais: entre as células diferenciadas e
especializadas do corpo vertebrado estão aquelas
que detectam estímulos externos. Células em forma
de bastonetes na retina do olho são especializadas
para responder aos estímulos luminosos. A região
fotossensível contém muitos discos membranosos
(em vermelho) em cujas membranas estão
embebidas o pigmento fotossensível, a rodopsina. A
luz evoca um sinal elétrico que é transmitido às
células nervosas do olho, que passa o sinal ao
cérebro.

Células pilosas do ouvido são as detectoras primárias


de som, São as células epiteliais modificadas que
transportam microvilosidades especiais
(estereocílios) nas suas superfícies. Os movimentos
dos cílios, em resposta a um estímulo sonoro, gera
um sinal que é passado ao cérebro.

As células nervosas ou neurônios são especializadas em comunicação. O cérebro e a medula espinhal, por
exemplo, são compostos de uma rede de neurônios entre células de suporte.
O axônio conduz os sinais elétricos para longe do corpo celular. Os sinais são produzidos por um fluxo de íons
através da membrana celular.
A sinapse é onde um neurônio forma uma junção especializada com outro neurônio (ou com uma célula
muscular).
Nas sinapses sinais passam de um neurônio para outro (ou de um neurônio para uma célula muscular).
Células especializadas, chamadas células de Schwann ou oligodendrócitos, enrolam-se em volta do axônio para
formar um tapete de múltiplas camadas membranosas.

A diferenciação celular é o processo em que as células de um organismo sofrem transformações em sua forma,
função e composição, tornando-se tipos celulares especializados.
FECUNDAÇÃO
A vida inicia-se pela fecundação de um óvulo por um espermatozóide. Essa primeira célula formada inicia
o processo de divisão até chegar à fase de oito células, na qual recebem a denominação de células –
tronco totipotentes.
Todas essas células, se colocadas no útero, apresentam potencial de desenvolver um ser completo.
Quando o embrião possui aproximadamente 100 células (o blastocisto – cinco dias após a fecundação), ocorre
a primeira diferenciação: as células que encontram-se na parte externa se diferenciam e tornam-se responsáveis
pela formação dos anexos embrionários, já a massa interna é composta por células-tronco pluripotentes –
capazes de formar todos os tecidos, no entanto, não possui mais a capacidade de formar um ser completo.
A figura a seguir, ilustra a diferenciação das células pluripotentes.

DIFERENCIAÇÃO CELULAR DE CÉLULAS PLURIPOTENTES


O comando recebido pelas células que determina sua especificidade e como elas compreendem o seu
destino dentro do organismo ainda são mistérios para a Ciência. O que é conhecido é que, de acordo, com o
crescimento do embrião, as células iniciam a diferenciação nos vários tecidos: nervoso, sanguíneo, adiposo,
muscular e ósseo. E depois que se diferenciam, todas as células-filhas tem as mesmas características, por
exemplo, células do fígado só dão origem a células hepáticas. Essas células estão diferenciadas de modo terminal.
Durante a diferenciação, alguns genes são ativos enquanto outros são silenciados e essa definição
depende de cada tecido. Essa especificidade também é outro objeto de pesquisa para a Ciência.

RESUMINDO
A maior parte das células do corpo humano são diferenciadas. Passaram por um processo de
diferenciação que permitiu a transformação de uma célula indiferenciada numa célula que se diferencia por
importantes características moleculares e estruturais que refletem uma função especializada. Por exemplo, as
células que ativamente sintetizam proteínas, como as células do plasma, apresentam grande quantidade de
ribossomas e um retículo endoplasmático rugoso; as células que necessitam de grande quantidade de energia,
como as células do músculo cardíaco, possuem numerosas mitocôndrias. Contudo, algumas células mantêm-se
indiferenciadas.
Não apresentam qualquer especialização para realizar uma função específica. Tais células, na maior parte
das vezes, continuam com a capacidade de divisão, produzindo novas células. Estas novas células geralmente
substituem células que são lesadas ou morrem. Depois disso, as novas células iniciam elas próprias a
diferenciação.
Algumas funções específicas das células diferenciadas incluem o transporte de impulsos eletroquímicos,
formação de tecido ósseo, captação e digestão de bactérias que invadem o corpo, secreção de hormônios,
transporte de oxigênio, formação de gametas e armazenamento de gordura, etc.

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