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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS


Processo Nº. : 0005168-69.2014.8.05.0230

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : EMPRESA BAIANA DE AGUAS E SANEAMENTO S A
EMBASA

Recorrido(s) : IRENE OLIVEIRA DA CONCEICAO

Origem : VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - SANTO


ESTEVÃO
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

VOTO- E M E N T A

RECURSO INOMINADO. EMBASA. ALEGAÇÃO DE MÁ PRESTAÇÃO DO


SERVIÇO DE FORNECIMENTO DE ÁGUA NA LOCALIDADE EM QUE RESIDE A
PARTE AUTORA. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS. PEDIDO
GENÉRICO. AUSÊNCIA DE MÍNIMA PROVA DOS FATOS CONSTITUTIVOS DO
DIREITO DA PARTE AUTORA. FALTA DE ELEMENTOS IDENTIFICADORES DE
QUE O CONSUMIDOR PLEITEANTE TENHA SIDO ATINGIDO PELO EVENTO.
DANO MORAL INOCORRENTE. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO. SENTENÇA
REFORMADA.

1. Trata-se de recurso inominado interposto por EMPRESA BAIANA DE


ÁGUASE SANEAMENTO EMBASA contra sentença que julgou procedente em
parte a ação, nestes termos: “Isto posto, com base na fundamentação supra, JULGO
PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos, condenando a acionada Embasa-Empresa
Baiana de Abastecimento de Água S/A pagar a parte autora, a título de indenização por danos
morais, a importância de R$ 4.000,00 (quatro mil reais). .”

2. Alega a parte autora que sofrera com a má prestação de serviço prestada


pela ré, em virtude do fornecimento deficitário de água par a região em que reside,
que sofre com constantes suspensões indevidas, apesar de pagar em dia as
faturas. Requereu a devolução e dobro das faturas pagas indevidamente, bem
como indenização pelos danos morais sofridos.
3. A recorrente busca a reforma da sentença, aduzindo, em síntese, que não
constam provas do fato constitutivo do direito da parte autora, que não houve a
alegada falha na prestação dos serviços, eis que o fornecimento de água fora
devidamente registrado, sendo portanto mister o julgamento pela improcedência
dos pedidos. Assevera, ademais, que não foram comprovados os danos morais
alegados na espécie, requerendo em caráter eventual a redução do quantum.
4. A despeito das alegações da parte autora, com efeito, não constam
elementos de prova mínimos do alegado, sendo que incumbia à parte autora a
prova do fato constitutivo do seu direito, nos termos do art.373, inciso I do CPC.
Com efeito, faculta-se ao juiz excepcionar a regra geral, se, diante de uma relação
consumerista, as alegações do consumidor/autor, mesmo desacompanhadas da
prova desejável, quanto aos fatos constitutivos, mostra-se verossímil, isto é, tem a
aparência de verdade, segundo o que lhe informa a razoabilidade, o bom senso e
regras ordinárias de experiência. No entanto, esta não é a providencia que se
reclama in casu.
5. O princípio da inversão do ônus da prova não autoriza a dispensa de prova
possível de ser realizada pelo consumidor, mas, sim, aplica-se àqueles que
possuem provas mínimas de possibilidade de desenvolvimento regular do
processo.

6. Portanto, no caso dos autos, desprovidas de verossimilhança são as


alegações do autor de que houve má prestação do serviço, quando ausente lastro
probatório mínimo hábil a atestar que a Acionante também foi atingida pela conduta
da ré, tanto mais porque transcorrido grande lapso temporal desde a suposta
ocorrência do fato lesivo, o interessado não tomou qualquer providência, sequer
deu conhecimento as autoridades competentes e particularmente ao Ministério
Público, guardião da defesa dos direitos dos cidadãos.

7. Mister considerar também que, diante do grande alcance que os fatos tem
dado e perante as alegações de reiterada suspensão do fornecimento de água, na
mesma localidade, importante uma providência, razão pela qual exige-se seja o
representante do Ministério Público comunicado para que adote as providências
que entender de direito.
8. Por todo o exposto, não se pode concluir, com a necessária segurança e
imparcialidade, a presença de ato ilícito na conduta da acionada que tenha
ensejado prejuízo de ordem moral ao autor, o que afasta a aplicabilidade da
reparação de danos dessa natureza.
9. ISTO POSTO, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E DAR-
LHE PROVIMENTO, para reformar a sentneça, e julgar improcedentes os
pedidos. Sem custas processuais e honorarios advocatícios, pelo êxito da parte no
recurso.
Salvador, Sala das Sessões, 13 de Outubro de 2016.
BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Presidente e Relatora
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA

2ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS

Processo Nº. : 0005168-69.2014.8.05.0230

Classe : RECURSO INOMINADO


Recorrente(s) : EMPRESA BAIANA DE AGUAS E SANEAMENTO S A
EMBASA

Recorrido(s) : IRENE OLIVEIRA DA CONCEICAO

Origem : VARA DO SISTEMA DOS JUIZADOS - SANTO


ESTEVÃO
Relatora Juíza : MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE

ACÓRDÃO

Acordam as Senhoras Juízas da 2ª Turma Recursal dos Juizados


Especiais Cíveis e Criminais do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, MARIA
AUXILIADORA SOBRAL LEITE –Presidente e Relatora , ISABELA SANTOS LAGO e
ALBÊNIO LIMA DA SILVA HONÓRIO, em proferir a seguinte decisão: RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO . UNÂNIME, de acordo com a ata do julgamento. Sem custas
processuais e honorários advocatícios, pelo êxito da parte no recurso.
Salvador, Sala das Sessões, 13 de Outubro de 2016.
BELA. MARIA AUXILIADORA SOBRAL LEITE
Juíza Presidente e Relatora