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Matriciamento: Uma união essencial

entre atenção básica e saúde mental


PIETRO NAVARRO PORTELA 4 DE ABRIL DE 2019 COMENTE!ATENÇÃO
BÁSICA NA SAÚDE MENTAL

Voltando um pouco no tempo, temos para a atenção básica a elaboração da


Estratégia de Saúde da Família, que enquanto estratégia de reorientação do
modelo assistencial à saúde, afastava-se do modelo biomédico e
hospitalocêntrico para configurar-se como porta de entrada do sistema de
saúde para uma amplitude muito maior de casos e contextos.

Para a saúde mental não seria diferente, visto que, com as mudanças
conquistadas pelo movimento da reforma psiquiátrica, desde a década de 70,
novos olhares seriam lançados à situação das pessoas em dificuldade
psicológica e, com isso, uma nova necessidade surgiria: a de integrar saúde
mental e atenção básica por meio
de novas estratégias e
abordagens em saúde.

É nesse contexto, de mudanças


e de desenvolvimento da saúde,
que surgem as estratégias de
Apoio Matricial, ou de
matriciamento; medidas tomadas
pelo Ministério da Saúde para
promover a articulação entre
atenção básica, saúde mental e
os aparelhos de auxílio
integrados a ambas.

O matriciamento faz parte de avanços em políticas dos dois setores, ajudou a


consolidar necessidades expressas pelas pautas da reforma psiquiátrica e, ao
mesmo tempo, a auxiliar na formação de profissionais da saúde, na ampliação
de suas capacidades de articulação, no trato ao próximo, dentre outras tantas
mudanças positivas.

Vale a pena entender o que é e como funcionam as práticas de matriciamento


na saúde brasileira..

Matriciamento: integrando atenção básica e


saúde mental por meio de cuidados
colaborativos
De maneira simples, o matriciamento pode ser definido como um modo de
produzir saúde em que equipes complementam suas atividades, num processo
de construção compartilhada, com o fim último de tratar das dificuldades de

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uma pessoa por meio de uma proposta de intervenção pedagógica e
terapêutica conjunta.

Historicamente, a verticalidade dava o tom aos atendimentos em saúde e


saúde mental, quando a lógica baseava-se na transferência de
responsabilidade entre setores ou profissionais de diferentes áreas do cuidado.
Não existia, até então, uma união em saúde que desse sentido ao tratamento
como uma coisa única e inseparável.

Com o tempo, percebeu-se que os efeitos negativos dessa estrutura de


atendimento poderiam ser atenuados por meio de ações horizontais, que
integrassem os componentes, por exemplo, da saúde mental e da atenção
básica, e seus saberes, em diferentes níveis de assistência, melhorando o
apoio a pessoa passando por dificuldades.

Nesse sentido, o sistema de saúde


reestrutura-se e, por meio das estratégias de
matriciamento, surgem as “equipes de
referência” e as “equipes de apoio matricial”,
cada uma correspondendo a um setor
diferente de cuidados em saúde, mas criadas
para complementarem-se entre si.

Sendo assim, no Sistema Único de Saúde


(SUS), as equipes da Estratégia de Saúde da
Família (ESF) passam a funcionar como
equipes de referência interdisciplinares,
proporcionando cuidados longitudinais, enquanto que, concomitantemente, as
equipes de apoio matricial, proporcionando cuidados psicossociais, passam a
funcionar como equipes de saúde mental.

Afim de ampliar os cuidados das equipes interdisciplinares que compõem as


estratégias de saúde da atenção básica – e vice versa, na medida em que as
equipes da saúde mental também se beneficiam com esse contato – o apoio
matricial se constitui como um suporte técnico especializado.

Dividindo-se entre núcleos e campos, sendo um


núcleo, um setor do saber e de prática profissional, e
um campo, um espaço de limites indefinidos em que
cada disciplina buscaria no trabalho de outras o apoio
para cumprir suas tarefas práticas e teóricas,
estrutura-se o matriciamento.

O matriciamento é, por natureza, estratégias e


práticas multidisciplinares, envolvendo a troca de
conhecimentos, tendo como meio a elaboração
reflexiva de atividades e abordagens, dentro do
contexto interdisciplinar. É um elemento capaz de

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ampliar a capacidade do atendimento e, consequentemente, das equipes de
atenção básica e saúde mental.

Alguns instrumentos do processo de


matriciamento
Para que as estratégias de matriciamento fossem colocadas em prática, alguns
instrumentos foram criados visando facilitar esse processo e a consequente
união entre os trabalhos realizados tanto no âmbito da atenção básica quanto
no âmbito da saúde mental. Em forma de tópicos, falaremos um pouco a
respeito delas.

Projeto Terapêutico Singular

Em união de esforços, as equipes ficam responsáveis por criar para cada


pessoa em dificuldade psicológica um Projeto Terapêutico Singular (PTS), com
o objetivo de estruturar o cuidado a ela através de metas, caminhos e
adequações a serem feitas em relação a sua vida e rotina.

Ainda que o centro de um PTS seja o indivíduo, sua elaboração conta com a
análise e valorização dos contextos familiares e territoriais de cada um. Torna-
se muito importante nesses casos o conhecimento dos ambientes, da estrutura
da família e dos lugares frequentados pelas pessoas para a construção plena
do quadro.

São diversas as observações feitas, as ações tomadas em conjunto pelas


equipes e suas reuniões, sejam somente de profissionais ou contando com a
presença da pessoa e sua família, para o desempenho de um cuidado pleno e
especializado em saúde e saúde mental.

Interconsulta

Como dito acima, a reunião entre especialistas faz parte do leque de atividades
propostas pelas práticas de matriciamento e são de extrema importância para o
desempenho de cuidados integrais em saúde e saúde mental.

A interconsulta é exatamente isso:

Um encontro de profissionais de distintas áreas, saberes e visões que permite


que se construa uma compreensão integral do processo de saúde e doença,
ampliando e estruturando a abordagem psicossocial e a construção de projetos
terapêuticos, além de facilitar a troca de conhecimentos, sendo assim um
instrumento potente de educação permanente (Ministério da Saúde, 2011).

São realizadas quando há a necessidade de serem discutidos casos, formas de


intervenção, entre outras necessidades. São espaços de aprendizado e
compartilhamento visando o desenvolvimento dos serviços e dos quadros de
atendimento em andamento e a serem realizados.

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Consulta Conjunta

A consulta conjunta acontece quando se faz necessária a resolução de dúvidas


a respeito da assistência ou da própria situação da pessoa atendida. A
demanda pode partir da pessoa ou mesmo de um familiar próximo.

Nesse contexto, reúnem-se profissionais membros das equipes de saúde, seja


da família ou da saúde mental, para complementar ou elucidar aspectos desse
cuidado prestado e outras questões. A consulta serve como um meio
importante na criação de vínculos e confiança entre todas as partes.

Visita Domiciliar Conjunta

O recurso da visita domiciliar faz parte do arsenal terapêutico dos serviços de


saúde de base territorial. Supõe-se que centros de atenção psicossocial e
equipes de saúde da família competentes realizem, com regularidade, visitas
domiciliares a usuários que, por diversas razões – em especial, dificuldade de
deambulação ou recusa –, não podem ser atendidos nas unidades de saúde
(Ministério da Saúde, 2011).

Genograma e Ecomapa

Dada a importância do
estudo sobre o território e a
origem familiar da pessoa a
ser tratada, genograma e
ecomapa são técnicas
complementares que
permitem o mapeamento da
família, das relações e
padrões familiares e do
território no qual essas
relações ocorrem.

Com esses recursos, os


profissionais das equipes
podem avaliar os recursos
e necessidades de cada
pessoa, família e região
para que o melhor modelo
de atendimento possa ser
aplicado. São recursos
fundamentais e permitem o
olhar de um panorama
repleto de características,
positivas e negativas, da
vida do indivíduo.

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O matriciamento como organizador,
potencializador e facilitador da rede
assistencial
Historicamente, os serviços de saúde da atenção básica viviam um
relacionamento bastante superficial com outros serviços de saúde, mais
especializados, como os dos CAPS na saúde mental, por exemplo. Os
atendimentos não tinham o respaldo que possuem hoje e eram apenas
passados para frente.

Atualmente, de acordo com as estratégias de matriciamento, equipes diferentes


trabalham unidas, pensando juntas projetos terapêuticos, num apoio que gera
novas possibilidades e funções, além de permitir a reunião de seus
conhecimentos a respeito dos diferentes casos que surgem nesses ambientes.

Dessa forma, a equipe da ESF revela seu conhecimento sobre os hábitos do


indivíduo, sua família, sua comunidade, sua rede de apoio social e/ou pessoal.
E a equipe de matriciadores, por outro lado, traz seus conhecimentos sobre a
saúde mental e a repercussão desse setor na vida dessa pessoa (Ministério da
Saúde, 2011).

Essa rede de saberes, seguindo essa relação que se cria, gera a primeira
possibilidade de rede que vincula, que corresponsabiliza e que permite a
estruturação de atendimentos integrais àqueles que necessitam, baseando-se
em um novo modelo de cuidados.

São, por exemplo, atendimentos realizados dentro dos princípios de uma nova
abordagem centrada na pessoa, fazendo dos espaços de conversa entre ela e
seu(s) especialista(s), espaços de manifestação e participação, em que
conversas sobre a vida e suas dificuldades, assim como sobre realizações,
alegrias e outras temáticas, são incentivadas e permitidas.

Os relacionamentos, seguindo a lista de exemplos, tendo como meio os


serviços prestados, passam a ser relacionamentos criadores de consciência
mútua, em que o incentivo ao autocuidado, ao resgate da autoestima e a busca
pelo exercício da cidadania, começam a estar presentes ao mesmo tempo em
que ajudam no rompimento de preconceitos e estigmas.

Dentro da nova lógica de acolhimento, como mais um exemplo, que prioriza a


segurança e a liberdade de exposição das dificuldades, dúvidas e angústias
vividas por quem busca o atendimento, inicia-se um processo de educação
compartilhada não existente antes, entre a pessoa, o profissional e seus
familiares, que passam a aprender entre si por meio do contato frequente.

E o acompanhamento, que surge como forma de organizar o atendimento e de


possibilitar com que o profissional esteja junto ao indivíduo durante o processo
de tratamento e recuperação, acaba por entrar nessa lista como promotor de
algo pouco presente no modelo de cuidados do passado, algo tão importante
como o interesse real pela situação e vida da pessoa.

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Sendo assim, nesse sentido, o matriciamento passa a permitir, se não a
criação dessas ações (e sentimentos), seu desenvolvimento, de forma a
abarcar um número maior de pessoas e de conceder tratamentos mais amplos,
estruturados, integrais e eficientes. As mudanças feitas afetam a vida de
milhares de pessoas e ajudam na recuperação da maioria delas nos dias de
hoje.

Intervenções de saúde mental na atenção


básica
Em conjunto com o desenvolvimento das equipes, de seus relacionamentos e
de suas ferramentas de trabalho comuns, também desenvolveram-se tipos
diretos de intervenções da saúde mental na atenção básica em forma de
atividades e afins que valem a pena ser destacadas.

A seguir listamos algumas delas a fim de conhecimento:

 Grupos de atenção à saúde (e saúde mental)


 Educação permanente em saúde e transtornos mentais (voltada para
especialistas e profissionais)
 Intervenções terapêuticas na atenção básica
 Intervenções baseadas em atividades
 Uso de psicofármacos nas clínicas da atenção primária
 Abordagem familiar

Os desafios da prática do matriciamento


Mesmo com a expansão da saúde mental como um elemento a ser observado
mais de perto pela saúde em geral e sua aproximação com a atenção básica
como forma, também, de inclusão social, estigmas e preconceitos ainda
existem acerca de transtornos e dificuldades mentais e a necessidade de
conversa-las enquanto desafios tornou-se ainda mais evidente nesse contexto.

Infelizmente, ainda são comuns reações adversas em relação a pessoas com


transtornos mentais, como as de medo e receio, que acabam resultando em
comportamentos de evitação e fazem diminuir as possibilidades de iniciativas
de ajuda.

As situações de preconceito contra si mesmo também existem, e se alimentam


desses comportamentos externos, criando uma outra situação de preocupação
e debilidade.

Além das pessoas buscando apoio e de outros em seu contexto social, alguns
dos próprios profissionais da rede acabam reproduzindo também alguns
desses comportamentos, e são nesses momentos em que se observa a
necessidade de estratégias de matriciamento para ambientes e certas
mentalidades compartilhadas na rede de serviços.

Falemos um pouco sobre esses desafios:


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Estigma e preconceitos

O estigma se manifesta por meio de palavras e expressões, de atitudes


condizentes com quem reproduz esse tipo de discurso dotado de preconceitos,
ou mesmo com atitudes vindas da própria pessoa (profissional, amigo ou
familiar), que emitam sensações de menosprezo, pena e outras representando
elementos de segregação e desprezo.

A educação e conscientização
em relação aos transtornos
mentais e seus mitos, o contato
com outros portadores de
transtornos e ações voltadas
para o aumento da autoestima
daquele em dificuldades, afim de
que ele possa enfrenta-las,
podem se tornar boas
ferramentas de apoio dentro do
processo no qual se constitui
uma recuperação.

Dificuldade de adesão ao
tratamento

A dificuldade de adesão aos


tratamento é outro dos desafios
enfrentados nessa relação entre
atenção básica e saúde mental. Elementos como a falta de uma rede social de
cuidado, a dificuldade em mudar estilos de vida, condições socioeconômicas e
fatores culturais podem estar por trás dessa problemática.

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Por esses motivos, faz-se importante ajudar a pessoa a dar sentido as


mudanças de vida que estão sendo propostas, ter o apoio matricial em
conjunto com os trabalhos da atenção básica, construir um PTS com ela
valorizando a presença da família nesse planejamento e usar de uma
linguagem acessível que permita a conscientização dessa pessoa sobre o que
acontece e os porquês do que será feito.

A comunicação entre profissional e usuário

Embora seja clara a necessidade de uma boa comunicação em qualquer tipo


de relacionamento, quando ela não existe no relacionamento entre profissional
e usuário, dificuldades surgem e a falta de proximidade pode agrava-las ao
longo do processo de recuperação.

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A efetividade da comunicação na saúde tem implicações para ambos os lados.
Entre os exemplos, a falta de adesão ao tratamento por parte da pessoa e a
falta de empenho em querer conhecer a vida desse indivíduo como forma de
melhorar e aprofundar os tratamentos por parte do profissional, são latentes.

Nesse sentido, tanto para membros da equipe de referência quanto para


membros da equipe de apoio matricial, a boa comunicação e a criação de
vínculos por meio dela deve ser algo considerado essencial para qualquer bom
tratamento, integral e desconstrutor de barreiras.

Cuidados ao cuidador

Entre as tarefas de apoio das equipes de matriciamento, está os cuidados aos


cuidadores da atenção básica, que acabam sofrendo pela carga de pressão e
exigência colocada sobre eles em decorrência da multiplicidade de seus
trabalhos.

O alto grau de estresse em lidar com diferentes demandas, a necessidade de


planejar atividades fora dos seus escopos de formação, as dificuldades
inerentes ao entendimento de questões subjetivas da psicologia, dentre outros
desafios, fazem desse mais um desafio da relação saúde mental e atenção
básica por meio do matriciamento.

Conversas, grupos de trabalho e outras medidas são necessárias para facilitar,


quando os atendimentos não caminham como se espera, a vida desses
profissionais que se dedicam e lidam constantemente com demandas,
problemas e a necessidade de encontrar soluções.

Referência Bibliográfica: “Guia prático de matriciamento em saúde


mental / Dulce Helena Chiaverini (Organizadora) … [et al.].
[Brasília, DF]: Ministério da Saúde: Centro de Estudo e Pesquisa em
Saúde Coletiva, 2011.”