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JFUNI

FLS________

Rub.________

PODER JUDICIÁRIO
SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE UNAÍ

SENTENÇA

Trata-se de pedido de repetição de indébito em dobro, cumulado


com reparação por danos morais, ajuizado por XXXXXX em face de
YYYYYYYY.
Sustenta a parte autora que em 07/08/2015 realizou com o banco
réu um contrato de mútuo no valor total de R$27.000,00, a ser pago em 48
parcelas de R$890,57, com desconto consignado em folha (fls. 52/58).
Entretanto, em 09/04/2018 o réu informou ao autor que o Estado de
Minas Gerais (órgão pagador) não repassou as parcelas referentes aos
meses de 01/2018 a 03/2018, o que o levou a realizar um acordo de
pagamento do saldo devedor remanescente, correspondente as 20 parcelas
vencidas e vincendas nos meses de 01/2018 a 08/2019, cujo valor total era
de R$17.811,40. Em razão da amortização antecipada, a obrigação
referente ao mútuo foi quitada com o pagamento de R$16.386,19 (fl. 14).
Não obstante, afirma o autor que o banco não procedeu à baixa da
obrigação junto ao órgão pagador, motivo pelo qual ele ainda sofreu o
desconto indevido de seis parcelas, correspondentes aos meses de 01/2018
a 06/2018 (fls. 45/50).
Por conta do acontecido, narra o autor que se dirigiu até a agência
do réu para tentar solucionar o problema, mas obteve a devolução de
apenas duas parcelas (nos meses de 05/2018 e 06/2018), restando-lhe ainda
quatro parcelas não devolvidas, no valor de R$3.562,28 (fls. 15/17).
Citado, o banco réu apresentou contestação alegando a não
comprovação da sua má-fé, o que impediria a sua condenação à devolução
em dobro. Ao final, de forma genérica e não especificada, alegou que não
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houve comprovação de dano material ou moral, e que o autor não sofreu


diminuição em seu patrimônio (fls. 61/63). À contestação, o réu anexou
apenas o demonstrativo de evolução contratual (fls. 64/66).
É o relatório. Decido.
Inicialmente, observo que o CPC adotou a teoria da substanciação,
pela qual a causa de pedir deve ser composta de razões de fato (causa de
pedir remota) e razões de direito (causa de pedir próxima), ou seja, dos
fatos jurídicos e da relação jurídica material que atribui ao autor o direito
subjetivo que ele afirma em Juízo (art. 319, III, do CPC).
No caso em tela, verifica-se da inicial que as razões de fato
consistem (a) no pagamento antecipado do valor de R$16.386,19,
correspondente ao saldo devedor das parcelas entre 01/2018 e 08/2019; (b)
no concomitante desconto em folha das parcelas referentes aos meses de
01/2018 a 06/2018; (c) na tentativa parcialmente fracassada de resolução
administrativa da lide, pois o réu só lhe restituiu duas das seis parcelas
pagas em duplicidade.
Tendo em vista os documentos juntados, observa-se que as razões
de fato já se encontram suficientemente provadas, e que o réu não as
impugnou especificamente (art. 341 do CPC), ficando a controvérsia
limitada às razões de direito, o que permite o julgamento antecipado do
mérito (art. 355, I, do CPC).
Com relação ao pedido de repetição em dobro, vale mencionar que
em julgamento submetido ao rito dos recursos repetitivos, o STJ afirmou o
entendimento que "[...] para se determinar a repetição do indébito em dobro
deve estar comprovada a má-fé, o abuso ou leviandade, como determinam
os artigos 940 do Código Civil e 42, parágrafo único, do Código de Defesa
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do Consumidor [...]”. 1
Contudo, há que se fazer a distinção entre o presente caso e o
julgado pela Colenda Corte Superior.
Em relação ao caso em tela, verifico que o autor compareceu à
agência do réu e informou o erro, inclusive demonstrando por meio dos
contracheques a incidência do desconto indevido, fato este sequer
impugnado pelo réu. Vejamos:

O Autor procurou por diversas vezes solucionar o conflito,


tendo comparecido por vários dias à sede da Ré nesta
cidade, mas não obteve êxito, sempre tentando resolver de
forma mansa e pacífica o problema, sentido-se impotente e
humilhado, diante da situação descrita foi tratado com desídia
pelos funcionários da Ré que relataram que o Estado não
repassou as parcelas de Janeiro a Março por isso foram cobradas
na totalidade do valor de quitação mesmo demonstrando os
descontos em folha.

Ocorre entretanto que além disso permaneceram descontando


até o mês de Junho/2018.

Nessa ótica, uma vez que o banco réu tomou conhecimento do


problema por vias amigáveis e, ainda assim, se manteve inerte, em
completo descaso, resta afastada a boa-fé e eventual erro justificável,
sendo devida ao autor a repetição em dobro dos valores indevidamente
cobrados (art. 42, parágrafo único, do CDC).
No que tange ao pedido de reparação por dano moral, observo que a
esfera de proteção jurídica contra o prejuízo moral decorre, inicialmente, da
própria cláusula geral de proteção à dignidade da pessoa humana (art. 1º,
III, CF), passando pelo reconhecimento dos direitos da personalidade (art.
12 e ss do CC) e pela definição legal de ato ilícito, prevista no art. 186 do
CC: “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou

1
REsp 1388972/SC, Rel. Ministro MARCO BUZZI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 08/02/2017, DJe
13/03/2017.
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imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que


exclusivamente moral, comete ato ilícito”.
Dessa forma, nas palavras de Danilo Doneda, “os direitos da
personalidade são um aspecto fundamental na estrutura do direito civil
contemporâneo, voltado à realização dos valores constitucionais. Poder-se-
ia até mesmo dizer que eles fortalecem a coerência e a democraticidade do
sistema de direito civil, por serem um instrumento que, em vários casos,
pode contrabalançar uma lógica patrimonialista que em épocas
anteriores poderia ser tomada como a lógica do inteiro sistema”. 2
É justamente esse o contexto subjacente à tutela ora requerida.
Como se lê da narrativa dos fatos, o banco é a parte absolutamente
hipersuficiente, que sozinho teve o poder de causar o prejuízo do autor,
sem que este nada pudesse fazer para evitá-lo. Logo, uma vez que o réu
tomou conhecimento do problema, mas, apesar disso, se omitiu e deixou o
autor suportar o prejuízo, fica configurada a omissão culposa, suficiente
a ensejar a sua responsabilização civil.
Por oportuno, também afasto desde logo eventual argumentação de
que os fatos narrados configuram mero aborrecimento ou dissabor
corriqueiro, pois este Juízo tem entendido que o âmbito do mero
aborrecimento se esgota quando o consumidor, já lesado pelo ato ilícito do
réu, consegue obter a solução do seu problema logo na primeira
oportunidade, seja junto à central de atendimento ou por comparecimento
pessoal na agência.
Qualquer arrastamento dessa situação de ilegalidade por culpa
exclusiva da ré configura constrangimento abusivo, que por atingir bem

2
DONEDA, Danilo. Os direitos da personalidade no Código Civil. In: TEPEDINO, Gustavo (coord.). A
parte geral do novo Código Civil: estudos na perspectiva civil-constitucional. 3ª ed. Rio de Janeiro:
Renovar, 2007, p. 58.
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jurídico de natureza imaterial, com existência abstrata, é indenizável


mediante reparação moral (art. 927 do CC).
Com relação à mensuração do dano moral, o juiz deve se pautar
pelos parâmetros da razoabilidade e proporcionalidade, para que o valor da
indenização se equilibre. Assim, entendo por fixar a indenização no valor
de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), que reputo ser suficiente para atenuar a
ofensa causada ao autor em sua esfera íntima e moral.
Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES
OS PEDIDOS para CONDENAR o banco YYYYYYY à repetição em
dobro das parcelas indébitas (01/2018 a 04/2018), bem como ao pagamento
de indenização por danos morais, que juntos somam o total de R$
12.124,56 (doze mil, cento e vinte e quatro reais e cinquenta e seis
centavos), monetariamente corrigidos, a partir da presente data (Súmula
362 do STJ), utilizando-se os índices previstos no Manual de Cálculos do
CJF, e acrescido de juros de mora de 1% ao mês.
Sem condenação em honorários sucumbenciais por força dos
artigos 54 e 55 da Lei 9.099/95.
Registre-se. Intime-se. Cumpra-se.
Unaí, data infra.
(assinatura)
JUIZ FEDERAL