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Projeto de Leitura

Projeto de Leitura

Ficha de leitura 3

Texto dramático
No teatro, a verdade é sempre esquiva. Nunca a encontramos por completo, mas procu-
ramo-la compulsivamente. Essa procura é claramente aquilo que guia os nossos esforços. A
procura é a nossa tarefa. Geralmente, é no escuro que tropeçamos na verdade, esbarramos nela,
ou vislumbramos uma imagem ou uma forma que parece corresponder à verdade, muitas vezes
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sem nos darmos conta disso. Mas a verdade verdadeira é que, na arte do teatro, não há nunca
uma verdade única que possamos encontrar. Há muitas. Estas verdades desafiam-se mutua-
mente, fogem, refletem-se, ignoram-se, espicaçam-se, são insensíveis umas às outras. Às vezes
pensamos que temos a verdade de um momento na mão, e depois ela escapa-se-nos por entre os
dedos e desaparece.
PINTER, Harold, 2005. “Discurso de aceitação do Prémio Nobel”. in nobelprize.org, http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/
literature/laureates/2005/pinter-lecture-e.pdf (tradução dos autores) [Consult. 2015-02-16]

Texto dramático
O primeiro contacto que temos com uma obra escrita é de carácter físico. Como alguém
referia, uma viagem das mãos e dos olhos, que nos deixa uma primeira impressão, quantas
vezes determinante para a sua leitura. Se acreditarmos que um texto significa não só pelo seu
conteúdo, mas também pela forma que o objetiva, consideraremos importante esta vertente
5 icónica.

A mancha gráfica que delimita o texto dramático revela-nos um dispositivo enunciativo


próprio, formalmente marcado por dois tipos de discurso: dialógico, ou texto principal, e
não dialógico, ou texto segundo ou secundário, como lhe chamam alguns teorizadores. Op-
tando por este modo de representação escrita, o autor materializa determinada construção
10 ficcional, que irá desejavelmente funcionar como real construído, uma unidade autónoma,

então estruturada e fora das mãos do seu criador. É nessa estrutura que notamos, desde logo,
a ausência explícita de narrador que conduza e explique o fio da ação. […]
Podemos desta forma afirmar que o texto dramático é, por excelência, o tipo de texto em
que se alargam os níveis de ambiguidade desse real. O leitor encontra-se em situação privile-
15 giada devido à possibilidade de tomar contacto com as diversas conceções da realidade, con-

soante o ponto de vista da personagem, aprofundando a sua perceção dos conflitos huma-
nos. É o real filtrado, mas com filtros diferentes, que proporciona diferentes ângulos de visão,
diferentes versões, e não o real como reflexo de verdades objetivas e eternas.

VASCONCELOS, Ana Isabel, e BASTOS, Glória, 1997.


“O texto dramático na disciplina de Português”. Discursos, n.º 14, abril de 1997 (pp. 177-178)

Pré-leitura
1. Distingue brevemente teatro de texto dramático.
2. Explicita os motivos que te levaram a ler um texto dramático.
3. Antecipa uma interpretação do título da obra que vais ler.

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4. Elabora uma breve pesquisa acerca da obra que selecionaste, destacando o contexto
histórico em que foi redigida e as circunstâncias em que foi representada pela primeira vez.

Leitura
1. Durante a leitura da obra, toma notas sobre:
 a estrutura externa do texto;
 os diferentes momentos da estrutura interna da peça (exposição, conflito e desenlace);
 a organização dos acontecimentos que constituem a ação;
 as relações entre as personagens;
 as informações fornecidas pelas didascálias;
 as referências ao tempo da história e ao tempo histórico;
 o(s) espaço(s) onde decorre a ação;
 a existência e importância de apartes.

Pós-leitura
1. Identifica o género em que se integra o texto dramático que leste.
tragédia tragicomédia melodrama
comédia drama farsa
Outros: ___________________________________________________________

1.1. Justifica a integração da obra no género que assinalaste.


2. Redige um texto no qual apresentes a tua experiência de leitura da obra a partir da análise
dos elementos que registaste nas fases de leitura anteriores.
3. Imagina-te “na pele” do encenador responsável por levar à cena a obra dramática que leste.
3.1. Aponta, fundamentadamente, as maiores dificuldades que a encenação poderia levantar.
3.2. Explica como organizarias o cenário, referindo algumas das orientações que darias ao
cenógrafo.
3.2.1. Enumera os adereços referidos no texto dramático e indica todos os outros que, na
tua opinião, seriam necessários ou significativos numa encenação da obra.
3.3. Menciona os/as atores/atrizes que escolherias para os papéis principais da peça,
apresentando as razões da tua escolha.
3.4. Descreve o guarda-roupa necessário durante a representação.
3.5. Comenta a importância da iluminação e do(s) som(ns) na construção de sentidos do
espetáculo. Destaca, em particular, os momentos em que, para ti, a luz e o som
constituiriam elementos da linguagem não verbal decisivos para a total configuração da
mensagem.

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