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APOSTILA DE FUNDAMENTOS DA TERMODINÂMICA PARA USO ENERGÉTICO DO BIOGÁS E LODO 2012

DESA-CEEFE

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS


Escola de Engenharia
Programa de Pós-Graduação em Saneamento, Meio Ambiente e
Recursos Hídricos.

APOSTILA
DE FUNDAMENTOS DA

TERMODINÂMICA PARA
USO ENERGÉTICO DO
BIOGÁS E LODO

Depto. de Engenharia Sanitária e Ambiental


Universidade Federal de Minas de Gerais
Prof. Dr. Angel Amado Recio Recio
Professor Visitante Centro de Pesquisa para a Eficiência Energética
Faculdade de Engenharia Mecânica.
Universidade de Oriente. Cuba
Revisado por: Eng. Sabrina Rubinger. Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e
Recursos Hídricos.

Belo Horizonte, 2012.


APOSTILA DE FUNDAMENTOS DA TERMODINÂMICA PARA USO ENERGÉTICO DO BIOGÁS E LODO 2012
DESA-CEEFE

“O universo foi criado para a educação, alimento, prazer e educação do homem.”


“Educar é preparar o homem para a vida.”
“Ensinar, o que se sabe, é acima de tudo uma obra de amor infinito.”
“A educação começa com a vida e só termina com a morte.”
José Martí.

IMPORTANTE.

Esta Apostila não abrange toda a Termodinâmica, apenas o suficiente para pós-
graduados adquirirem conhecimento para aplicação em suas pesquisas.
A apostila é baseada em notas de aulas, que apresentam resumidamente o conteúdo de
vários livros e artigos relacionados ao assunto.
Em momento algum o aluno deve supor que apostila substitui ou torna desnecessária a
leitura de livros. Ao contrário, a função desta é somente facilitar ao aluno o uso dos
referidos livros, continuando seu emprego imprescindível a uma compreensão
equilibrada e abrangente da disciplina.

Prof. Dr. Angel Amado Recio Recio


Centro de Pesquisa para a Eficiência Energética
Faculdade de Engenharia Mecânica.
Universidade de Oriente. Cuba
Agosto de 2012
APOSTILA DE FUNDAMENTOS DA TERMODINÂMICA PARA USO ENERGÉTICO DO BIOGÁS E LODO 2012
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Índice
Introdução ......................................................................................................................... 1
Tema 1 – Conceitos básicos. ............................................................................................ 2
1.1 – Sistemas Termodinâmicos.................................................................................... 2
1.2 – Estado e Propriedades de uma Substância. .......................................................... 3
1.3 – Processo ................................................................................................................ 4
1.4 – Ciclo Termodinâmico ........................................................................................... 5
1.5 – Densidade, peso específico, pressão .................................................................... 6
1.6 – Lei Zero da Termodinâmica ............................................................................... 10
1.7 – Exercícios ........................................................................................................... 13
Tema 2 – Propriedades de uma substância pura ............................................................. 14
2.1 – Substância Pura .................................................................................................. 14
2.2 – Equilíbrio de Fase Líquido - Vapor ................................................................... 14
2.3 – Considerações importantes. ................................................................................ 16
2.4 – Propriedades de estado da fase de vapor ............................................................ 17
2.5 – Propriedades Independentes das Substâncias Puras ........................................... 18
2.6 – Equações de Estado ............................................................................................ 19
2.7 – Tabelas de Propriedades Termodinâmicas. ........................................................ 19
Tema 3 – Primeira Lei da Termodinâmica ..................................................................... 21
3.1 – Trabalho e calor .................................................................................................. 21
3.2 – Primeira lei da termodinâmica ........................................................................... 27
3.3 – Exercícios ........................................................................................................... 38
Tema 4 – Gás Ideal ......................................................................................................... 40
4.1 – Introdução........................................................................................................... 40
4.2 – Tipos de gases ideais .......................................................................................... 40
4.3 – Leis que regem os gases ideais termodinâmicos clássicos ................................. 41
4.3.1 – Lei de Boyle-Mariotte (T = const.) .............................................................. 41

4.3.2 – Lei de Charles (P = const.) .......................................................................... 41


4.3.3 – Lei de Gay-Lussac (V = const.) ................................................................... 42
4.4 – Equação de estado dos gases ideais.................................................................... 43
4.5 – Misturas Gasosas ................................................................................................ 45
4.6 – Exercícios ........................................................................................................... 47
Tema 5 – Processos termodinâmicos.............................................................................. 48
5.1 – Introdução........................................................................................................... 48
5.2 – O Processo Isobárico (P = C) ............................................................................. 49

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5.3 – O Processo Isocórico (ou isovolumétrico. V = C) ............................................. 51


5.4 – Capacidade calórica e Calor específico .............................................................. 54
5.5 – A relação entre 𝒄𝒑 e 𝒄𝒗 ..................................................................................... 54
5.6 – O Processo Isotérmico (T = C). .......................................................................... 55
5.7 – Processo adiabático reversível, isentrópico (s = constante ) .............................. 57
5.8 – Processo politrópico ........................................................................................... 60
5.9 – Exercícios ........................................................................................................... 62
Tema 6 – Segunda lei da termodinâmica........................................................................ 64
6.1 – Introdução........................................................................................................... 64
6.2 – A Segunda Lei: sua necessidade. ....................................................................... 64
6.3 – Enunciados ......................................................................................................... 65
6.4 – Ciclo de Carnot (ou Motor de Carnot). (Engenheiro Francês Nicolas Leonard
Sadi Carnot, 1796-1832) ............................................................................................. 67
6.5 – Entropia e Segunda Lei da Termodinâmica ....................................................... 68
6.6 – Exercícios ........................................................................................................... 70
Tema 7 – Processos e tecnologias de conversão energia de biogás e lodo: Pirólise,
Gaseificacão e Combustão de lodo ................................................................................. 71
7.1 – Introdução........................................................................................................... 71
7.2 – Conceito de biomassa ......................................................................................... 71
7.3 – Utilização da biomassa como combustível ........................................................ 72
7.4 – Processos de conversão energética da biomassa. ............................................... 73
7.4.1 – Processos Termoquímicos. .......................................................................... 73
7.4.1.1 – Combustão ............................................................................................. 73
7.4.1.2 – Formas de combustão ............................................................................ 77
7.4.1.3 – Reações estequiométricas de combustão ............................................... 77
7.4.1.4 – Balanço de Massa e Energia nos Processos de Combustão................... 78
7.4.1.5 – Cálculo de composição de produtos de combustão ............................... 80
7.4.1.6 – Temperaturas de combustão .................................................................. 85
7.4.1.7 – Pirólise ................................................................................................... 86
7.4.1.8 – Gaseificação........................................................................................... 93
7.4.1.8.1 – Gaseificação do lodo ..................................................................... 100
Tema 8 – Conceitos Secagem. Secagem enérgico de lodo. Desenho de secadores .... 104
8.1 – Conceito de secagem ........................................................................................ 104
8.2 – Umidade de um sólido...................................................................................... 105
8.3 – Umidade Absoluta. ........................................................................................... 106
8.4 – Umidade Relativa. ............................................................................................ 107
8.5 – Umidade de Equilíbrio. .................................................................................... 107

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8.6 – Grau de Saturação ............................................................................................ 109


8.7 – Temperatura de Orvalho ou Ponto de Orvalho. ............................................... 109
8.8 – Cinética da secagem. ........................................................................................ 111
8.9 – Sistemas de Secagem. ...................................................................................... 114
8.10 – Tipos de Secadores ......................................................................................... 116
8.11 – Projeto de secadores ....................................................................................... 121
8.12 – Os secadores rotativo contínuo. ..................................................................... 121
8.13 – Formas de secagem ........................................................................................ 122
8.14 – Secagem térmica de Lodo .............................................................................. 125
8.15 – Cálculo do secador rotativo para lodo ............................................................ 127
8.15.1 – Balanço Energético. ................................................................................. 127
8.15.2 – Calculando a temperatura do gás de exaustão ......................................... 130
8.15.3 – Calculando a umidade do gás à saída ...................................................... 130
8.15.4 – Cálculo do comprimento do secador........................................................ 131
8.15.5 – Cálculo do tempo de retenção. ................................................................. 131
8.16 – Secado de Lodo .............................................................................................. 133
Bibliografia. .................................................................................................................. 135

Lista de Figuras

Figura 1.1 – Sistema termodinâmico. ............................................................................... 2


Figura 1.2 – Sistema Fechado........................................................................................... 2
Figura 1.3 – Máquinas de Sistemas Abertos .................................................................... 3
Figura 1.4 – Sistema Isolado ............................................................................................ 3
Figura 1.5 – Processo entre dois estados .......................................................................... 5
Figura 1.6 – Processo quase estático ................................................................................ 5
Figura 1.7 – Ciclo de potência .......................................................................................... 6
Figura 1.8 – Pressão ......................................................................................................... 7
Figura 1.9 – Pressão absoluta ........................................................................................... 8
Figura 1.10 – Manômetro e tubo de Bourdon .................................................................. 8
Figura 1.11 – Manômetro diferencial ............................................................................... 9
Figura 1.12 – Barômetro ................................................................................................... 9
Figura 1.13 – Escalas de temperatura ............................................................................. 11
Figura 2.1 – Equilíbrio de Fase Líquido - Vapor. .......................................................... 14
Figura 2.2.a – Líquido sub-resfriado .............................................................................. 15

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Figura 2.2.b – Líquido saturado...................................................................................... 15


Figura 2.2.c – Vapor úmido ............................................................................................ 16
Figura 2.3 – Mudança de fase de líquido-vapor à pressão constante ............................. 16
Figura 2.4 – Diagrama de fases, pressão-temperatura .................................................... 17
Figura 2.5 – Diagrama de Mollier para a água ............................................................... 20
Figura 3.1 – Trabalho ..................................................................................................... 21
Figura 3.2 – Trabalho em um diagrama(p-V)................................................................. 22
Figura 3.3 – Ciclo no sentido horário e anti-horário ...................................................... 23
Figura 3.4 – Experiência de Joule .................................................................................. 23
Figura 3.5 – Condução de calor ...................................................................................... 26
Figura 3.6 – Calor por convecção ................................................................................... 27
Figura 3.7 – Ciclo de Carnot .......................................................................................... 30
Figura 3.8 – Sistema fechado ......................................................................................... 31
Figura 3.9 – Trabalho é numa fronteira móvel ............................................................... 31
Figura 3.10 – Sistema aberto .......................................................................................... 32
Figura 3.11 – Bicos e difusor.......................................................................................... 34
Figura 3.12 – Turbina e do compressor .......................................................................... 35
Figura 3.12 – Válvula (dispositivos de estrangulamento) .............................................. 36
Figura 3.13 – Câmara de mistura.................................................................................... 36
Figura 3.14 – Permutador de calor ................................................................................. 37
Figura 3.15 – Fluxo em tubos ou condutas..................................................................... 37
Figura 3.16 – Dispositivos que operam não-permanente ............................................... 38
Figura 4.1 – Fator de compressibilidade ........................................................................ 45
Figura 4.2 – Fator de compressibilidade do gás metano ................................................ 45
Figura 5.1 – Processo Isobárico ...................................................................................... 50
Figura 5.2 – Processo Isocórico ...................................................................................... 52
Figura 5.3 – Processo Isotérmico ................................................................................... 56
Figura 5.4 – Processo adiabático reversível, isentrópico................................................ 57
Figura 5.5 – Exemplo de diversos processos politrópicos ............................................. 60
Figura 6.1 – Esquema da troca espontânea de calor ....................................................... 65
Figura 6.2 – Máquina térmica......................................................................................... 66
Figura 6.3 – O Ciclo de Carnot e o esquema de uma máquina térmica ......................... 67
Figura 6.4 – Ciclo de Carnot .......................................................................................... 67
Figura 6.5 – Processo irreversível .................................................................................. 69
Figura 7.1 – Combustão ................................................................................................. 77
Figura 7.2 – Temperaturas de combustão ....................................................................... 86
Tabela 7.6 – Composição dos gases da pirólise de lodo de esgoto a 500°C .................. 93

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Figura 7.3 – Fluxo Contra Corrente................................................................................ 96


Figura 7.4 – Fluxo co-corrente ....................................................................................... 97
Figura 7.5 – Leito Fluidizado borbulhante ..................................................................... 98
Figura 7.6 – Leito Fluidizado circulante ........................................................................ 98
Figura 7.7 – Leito Fluidizado do transporte ................................................................... 98
Figura 7.8 – De queima cruzada ou lateral ..................................................................... 99
Figura 7.9 – Co-injeção (Simple etapa). ....................................................................... 100
Figura 7.10 – Co-injeção (Dois estágios) ..................................................................... 100
Figura 8.1 – Diagrama do processo de secagem .......................................................... 104
Figura 8.2 – Diagrama da migração de sólido no interior de um sólido ...................... 105
Figura 8.3 – Relação entre base úmida e seca .............................................................. 105
Figura 8.4 – Umidade Absoluta.................................................................................... 107
Figura 8.5 – Exemplo de isoterma de equilíbrio .......................................................... 108
Figura 8.6 – Carta psicrométrica .................................................................................. 111
Figura 8.7 – Diagrama esquemático P-T das fases estáveis da água (sistema unário) . 112
Figura 8.8 – Curva que representa a umidade livre em função do tempo de secagem . 113
Figura 8.9 – Curva da Taxa de secagem em função do teor de umidade. .................... 113
Figura 8.10 – Secador de bandeja ................................................................................. 117
Figura 8.11 – Secador rotatório .................................................................................... 118
Figura 8.12 – Secador de rosca transportadora ............................................................ 118
Figura 8.13 – Secador de túnel ..................................................................................... 119
Figura 8.14 – Secador de esteira ................................................................................... 119
Figura 8.15 – Secador de leito fluidizado ..................................................................... 120
Figura 8.16 – Classificação dos secadores baseada no método de operação ............... 120
Figura 8.17 – Secador rotativo contínuo ...................................................................... 122
Figura 8.18 – Rotatório ................................................................................................. 122
Figura 8.19 – Secador de fluxo paralela ....................................................................... 123
Figura 8.20 – Esquema do sistema de secagem térmica............................................... 124
Figura 8.21 – Secadores em contracorrente ................................................................. 125
Figura 8.22 – Fotografia do sistema de secagem térmica ............................................ 134
Figura 8.23 – Fluxograma do aparelho experimental ................................................... 134

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Lista de Tabelas

Tabela 2.1 – Propriedades da água saturada ................................................................... 20


Tabela 2.2 – Propriedades da água superaquecida ......................................................... 20
Tabela 7.1. Dados indicativos sobre a eficiência de diferentes processos de conversão de
biomassa. ........................................................................................................................ 73
Tabela 7.2 – Variantes de processo de pirólise .............................................................. 88
Tabela 7.3 – Tipo de reator de pirólise utilizado em função do produto principal
desejado .......................................................................................................................... 90
Tabela 7.4 – Rendimentos das frações orgânicas, carvão, água e gás resultante de
processos de pirólise de lodos de esgotos doméstico e industrial .................................. 91
Tabela 7.5 – Rendimento das fases de pirólise de lodo .................................................. 92
Tabela 7.8 - Classificação dos gaseificadores ................................................................ 95
Tabela 8.1 – Cálculo do ponto de orvalho .................................................................... 109
Tabela 8.2 – Sistemas de secagem................................................................................ 115
Tabela 8.3 – Critérios para a classificação de secadores .............................................. 116
Tabela 8.4 – Métodos de transporte na secagem .......................................................... 117
Tabela 8.5 – Principais etapas do gerenciamento do lodo (GONÇALVES, 2001; VON
SPERLING, 2001) ........................................................................................................ 126

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INTRODUÇÃO
Cada ciência tem um vocabulário próprio e a Termodinâmica não é exceção.
Definições precisas dos conceitos básicos no desenvolvimento da ciência evitam mal
entendidos. Nesta apostila iremos estudar os sistemas de unidades e serão explicados os
conceitos básicos da Termodinâmica tais como estado, equilíbrio, propriedades,
pressão, temperatura e volume específico. Outros temas abordados serão: Definição da
termodinâmica; Sistema de trabalho fechados em repouso e de fluxo aberto e constante.
O calor.
Dados históricos
A Termodinâmica surgiu com aparecimento da primeira máquina a vapor. As primeiras
referências a esta ciência surgem associadas aos trabalhos de Thomas Savery (1697,
Inglaterra) e Thomas Newcomen (1742, Inglaterra). No ano de 1850, através de
trabalhos de William Rankine, Rudolph Clausius e Lord Kelvin (William Thomson),
surgem, simultaneamente, as primeiras y segunda lei da Termodinâmica. O termo
Termodinâmica foi pela primeira vez utilizada numa publicação de Lord Kelvin em
1879. O primeiro livra de Termodinâmica foi escrito em 1850 por William Rankine
professor da Universidade de Glasgnow.
Tendo sido desenvolvida primeira, a mecânica serviu como ponto de partida para a
formulação da termodinâmica, que estendeu as poderosas técnicas de minimização a
sistemas sob efeito da temperatura. A estrutura matemática da termodinâmica é
fascinante, mas teríamos que dedicar um semestre inteiro ao assunto para poder apreciá-
lo devidamente.

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TEMA 1 – CONCEITOS BÁSICOS.


1.1 – Sistemas Termodinâmicos.

Para realizar uma análise de engenharia é necessário definir o que você quer estudar em
termodinâmica para a região limitada, que é definido de forma arbitrária, e em que
ocorre um fenômeno estudo que pode ser qualquer quantidade de matéria, qualquer
objeto, qualquer região do espaço, etc., é conhecido como Sistema termodinâmico.
Sistema termodinâmico consiste em uma quantidade de matéria ou região para a qual
nossa atenção está voltada. Demarcamos um sistema termodinâmico em função daquilo
que desejamos calcular. Tudo que se situa fora do sistema termodinâmico é chamado
MEIO ou VIZINHAN.

Figura 1.1 – Sistema termodinâmico.

O sistema termodinâmico a ser estudado é demarcado através de um a FRONTEIRA ou


SUPERFÍCIE DE CONTROLE a qual pode ser móvel, fixa, real ou imaginária. Existem
basicamente dois tipos de sistemas termodinâmicos, sistema fechado e sistema aberto
(controlo de volume), mais um caso especial identificado como um isolado, veja a
Figura 1.4. Cada uma é descrita como se segue:
Sistema Fechado - É o sistema termodinâmico no qual não há fluxo de massa através
das fronteiras que definem o sistema. Não é assim com energia, que pode ser troca entre
o sistema e seus arredores.

Figura 1.2 – Sistema Fechado

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Sistema Aberto (Volume de Controle). Ao contrário do sistema fechado, é o sistema


termodinâmico no qual ocorre fluxo de massa através da superfície de controle que
define o sistema.
Um sistema aberto é definido como uma região no espaço onde as entradas e saídas de
massa e interação de energia entre sistema e seus arredores, são exemplos de sistemas
abertos: turbina a vapor, bomba, aquecedores, etc.

Figura 1.3 – Máquinas de Sistemas Abertos

Sistema Isolado. Dizemos que um sistema termodinâmico é isolado quando não existe
qualquer interação entre o sistema termodinâmico e a sua vizinhança. (ou seja, através
das fronteiras não ocorre fluxo de calor, massa, trabalho etc.)

Figura 1.4 – Sistema Isolado

1.2 – Estado e Propriedades de uma Substância.

Propriedades Termodinâmicas. Para descrever um sistema e prever o seu


comportamento é necessário conhecer propriedades e como se relacionam entre si, uma
propriedade é uma característica de um sistema, exemplos de propriedades são as
seguintes: massa, volume, entalpia, entropia, pressão, e temperatura, que pode ser
atribuído um valor sem um conhecimento da história sistema, isto é, é independente do
processo. As propriedades termodinâmicas podem ser divididas em duas classes gerais,
as intensivas e as extensivas.
Propriedade Extensiva. Chamamos de propriedade extensiva àquela que depende do
tamanho (extensão) do sistema ou volume de controle. Assim, se subdividirmos um
sistema em várias partes (reais ou imaginárias) e se o valor de uma dada propriedade for
igual à soma das propriedades das partes, esta é uma variável extensiva. Por exemplo:
Volume, Massa, etc.
Propriedade Intensiva. Ao contrário da propriedade extensiva, a propriedade intensiva,
independe do tamanho e extensão do sistema. Propriedades intensivas podem ser função

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do tempo e da posição. Podem variar de um lugar para outro dentro do sistema em


qualquer momento. Exemplo: temperatura, pressão, densidade e velocidade.
Propriedade Específica. Uma propriedade específica de uma dada substância é obtida
dividindo-se uma propriedade extensiva pela massa da respectiva substância contida no
sistema. Uma propriedade específica é também uma propriedade intensiva do sistema.
Exemplo de propriedade específica:

 Volume específico:
𝑉
𝑣= (1.1)
𝑀
 Energia interna específica:
𝑈
𝑢= (1.2)
𝑀
Onde:
M é a massa do sistema,
V o respectivo volume e
U é a energia interna total do sistema
Estado de uma substância. Se considerarmos uma massa de água, reconhecemos que
ela pode existir sob várias formas. Se é inicialmente líquida pode-se tornar vapor depois
de aquecida ou sólida quando resfriada. Assim nos referimos às diferentes fases de uma
substância: uma fase é definida como uma quantidade de matéria totalmente
homogênea; quando mais de uma fase está presente, as fases se acham separadas entre
si por meio dos contornos das fases.
Em cada fase a substância pode existir a várias pressões e temperaturas ou, usando a
terminologia da termodinâmica, em vários estados.
O estado de um sistema é totalmente definido por duas propriedades intensivas
independente. Quando qualquer propriedade do sistema é alterada, por exemplo;
Pressão, Temperatura, Massa, Volume, etc. dizem que houve uma mudança de estado
no sistema termodinâmico. Las propiedades son funciones del estado del sistema y no
del proceso que el sistema pueda sufrir.
Estado de Equilíbrio. Um sistema isolado não tem tendência para sofrer uma mudança
de estado é um estado de equilíbrio. Um sistema está em equilíbrio termodinâmico
quando não há alteração nas suas propriedades termodinâmicas ao longo do tempo. Os
estados de equilíbrio são, por definição, tempo de estados independentes. O estado de
equilíbrio termodinâmico é caracterizado pelo cancelamento de compensação dos fluxos
de troca e a homogeneidade espacial dos parâmetros que caracterizam o sistema não
mais dependente do tempo.

1.3 – Processo

Qualquer mudança que um sistema sofre um estado estacionário para o outro é


conhecido como processo. Se o processo é realizado de modo a que o sistema
permanece infinitesimalmente próximo ao estado de equilíbrio o tempo todo, é

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identificado como um quase-estática processo ou quase-equilíbrio. Por exemplo, este


pode ser um processo de compressão com um movimento muito lento.

Figura 1.5 – Processo entre dois estados

Figura 1.6 – Processo quase estático

Exemplos de processos:
 Processo Isobárico (pressão constante)
 Processo Isotérmico (temperatura constante)
 Processo Isocórico (isométrico) (volume constante)
 Processo Isoentálpico (entalpia constante)
 Processo Isoentrópico (entropia constante)
 Processo Adiabático (sem transferência de calor)

1.4 – Ciclo Termodinâmico

Quando um sistema (substância), em um dado estado inicial, passa por certo número de
mudança de estados ou processos e finalmente retorna ao estado inicial, o sistema
executa um ciclo termodinâmico.
Geralmente, o estudo dos ciclos termodinâmicos é realizada assumindo que o sistema é
um fluido perfeito, que opera em uma máquina igualmente perfeita, isto é, assumindo
que o ciclo compreende uma série de transformações termodinâmicas ideais, tais como
adiabática (ausência de fluxo de calor para ou a partir do sistema), isobárica (pressão
constante), Isocoros (volume constante) e isotérmica (temperatura constante)

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Figura 1.7 – Ciclo de potência

1.5 – Densidade, peso específico, pressão

Três propriedades são particularmente importantes na termodinâmica são a densidade,


peso específico e pressão.
Densidade (ρ): É definida como a massa local por unidade de volume, é uma
propriedade intensiva e pode variar de um ponto para outro dentro de um sistema.
Assim, a massa associado com um dado volume, V, é determinada por:

o recíproco da densidade é conhecido como o volume específico ν, isto é, o volume por


unidade de massa:
1
𝑣= (1.4)
𝜌

Peso Específico (É a relação entre o peso de um fluido e volume ocupado, seu valor
pode ser obtido pela aplicação da equação a seguir;
𝑤
𝛾= (1.5)
𝑉

Como o peso é definido pelo princípio fundamental da dinâmica (2ª Lei de Newton)
por, a equação pode ser reescrita do seguinte modo:

𝑚.𝑔
𝛾= (1.6)
𝑉

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A partir da análise das equações é possível verificar que existe uma relação entre a
massa específica de um fluido e o seu peso específico, e assim, pode-se escrever que:

𝛾 = 𝜌. 𝑔 (1.7)

Onde:
 é o peso específico do fluido,
W é o peso do fluido e
g representa a aceleração da gravidade.

Em unidades do (SI), o peso é dado em N, a aceleração da gravidade em m/s² e o peso


específico em N/m³.
Peso Específico Relativo (r): Representa a relação entre o peso específico do fluido em
estudo e o peso específico da água. _ Em condições de atmosfera padrão o peso
específico da água é 10000N/m³, e como o peso específico relativo é a relação entre
dois pesos específicos, o mesmo é um número adimensional, ou seja não contempla
unidades.

γ
𝛾𝑟 = (1.8)
γH2 O

Pressão(P): Pressão, uma propriedade termodinâmica, é definida como sendo a relação


entre uma força e a área normal onde está sendo aplicada a força. S Figura (1.8) ilustra a
definição dada pela equação.

Figura 1.8 – Pressão

𝐹𝑛
𝑝= (1.9)
𝑆

Apesar de a pressão absoluta é para ser usado nas relações termodinâmicas, dispositivos
de medição de pressão indicado, muitas vezes, a diferença entre a pressão um sistema
absoluto e a pressão absoluta da atmosfera na qualidade do lado de fora equipamentos
de medição. A pressão manométrica é um termo usado quando a pressão medida no
sistema é superior à pressão atmosférica local, Patm.

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𝑃(𝑚𝑎𝑛𝑜𝑚é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎) = 𝑃(𝑎𝑏𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑎) − 𝑃𝑎𝑡𝑚 (𝑎𝑏𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑎) (1.10)

Quando a pressão atmosférica local é maior do que a pressão do sistema, é usado


terminar a pressão de vácuo.

𝑃(𝑣𝑎𝑧𝑖𝑜) = 𝑃𝑎𝑡𝑚 (𝑎𝑏𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑎) − 𝑃(𝑎𝑏𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑎) (1.11)

Figura 1.9 – Pressão absoluta

O manômetro e tubo de Bourdon são dois dispositivos comumente usados para medição
de pressão.
O tubo de Bourdon é um medidor que opera devido ao efeito da pressão de um gás
contido num tubo de metal, tende a dar um movimento circular com o mecanismo que
regula o indicador, dando assim uma leitura direta no mostrador graduado, com que
qualquer a pressão pode ser medido nas unidades desejadas, dependendo da calibração
da mesma.

Figura 1.10 – Manômetro e tubo de Bourdon

No manômetro, mostrado na Figura 1.11, a diferença de pressão é medida em termos do


comprimento de uma coluna de um líquido tal como água, mercúrio ou óleo. Este
medidor tem uma extremidade aberta para a atmosfera e a outra ligada ao recipiente

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fechado contendo um uniforme de gás pressurizado. A diferença entre a pressão do gás


e da atmosfera é:

𝑃 − 𝑃𝑎𝑡𝑚 = 𝜌𝑔𝐿 (1.12)

Figura 1.11 – Manômetro diferencial

Para medir a pressão atmosférica utiliza-se um barômetro que pode ser um tubo
invertido contendo mercúrio, como mostrado na Figura 1.12.

Figura 1.12 – Barômetro

Unidades de Pressão

𝑁
𝑃𝑎𝑠𝑐𝑎𝑙, 𝑃𝑎 = (1.13)
𝑚2
𝑘𝑔𝑓
𝑄𝑢𝑖𝑙𝑜𝑔𝑟𝑎𝑚𝑎 − 𝑓𝑜𝑟ç𝑎 𝑝𝑜𝑟 𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑞𝑢𝑎𝑑𝑟𝑎𝑑𝑜, =
𝑚2
𝑙𝑏𝑓 𝑙𝑏𝑓
𝑃𝑠𝑖𝑔 = 2
, (𝑚𝑎𝑛𝑜𝑚é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎) 𝑃𝑠𝑖𝑎 = 2 (𝑎𝑏𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑎)
𝑖𝑛 𝑖𝑛
5
𝑏𝑎𝑟 = 10 𝑃𝑎𝑠𝑐𝑎𝑙

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1.6 – Lei Zero da Termodinâmica

Temperatura: o conceito de temperatura surge a partir da percepção do sentido do tato


para distinguir os corpos quentes dos mais quentes, baseados principalmente na noção
de calor ou o frio de um corpo (energia interna), portanto, somos capazes de detectar se
o ferro funciona, se a cerveja está fria ou se alguém está com febre.
Para a maior parte das pessoas a temperatura é um conceito intuitivo baseado nas
sensações de "quente" e "frio" proveniente do tato. De acordo com a segunda lei da
termodinâmica, a temperatura está relacionada com o calor, ficando estabelecido que

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este, na ausência de outros efeitos, flui do corpo de temperatura mais alta para o de
temperatura mais baixa, espontaneamente.
Mas não importa como os corpos são sensíveis, não são capazes de medir a temperatura
por si só, portanto surgem equipamentos ou instrumentos de medição conhecidos como
termômetros, que são baseados em equilíbrio térmico, onde a temperatura é o único
parâmetro para obter , de acordo com as disposições da Lei Zero da termodinâmica:
Se dois corpos estão em equilíbrio térmico com um terceiro corpo, então existe um
equilíbrio térmico entre eles.
Assim como todas as propriedades, a temperatura tem unidades, as quais dependem da
escala de temperatura e de uma temperatura de referência.
O funcionamento dos termômetros está baseado na lei zero da termodinâmica, pois são
colocados em contato com um corpo ou fluido do qual se deseja conhecer a temperatura
até que entrem em equilíbrio térmico com o respectivo corpo. A escala do aparelho foi
construída comparando-a com um termômetro padrão ou com pontos físicos fixos de
determinadas substâncias.
Quatro escalas são hoje usadas para se referir à temperatura, duas escalas absolutas e
duas escalas relativas. São elas respectivamente: Escala KELVIN (K) e RANKINE (°R)
e escala Celsius (°C) e Fahrenheit (°F). A Figura 1.13 mostra as quatro escalas de
temperatura e a relação entre elas.

Figura 1.13 – Escalas de temperatura

Escala de temperatura Celsius (também chamado escala centígrados), utilizando a


unidade de um grau Celsius (° C), que tem a mesma magnitude que o Kelvin. Assim, a
diferença de temperatura é idêntica em ambas as escalas. No entanto, o ponto zero da
escala Celsius corresponde 273,15 K, em seguida, uma relação entre a temperatura e a
temperatura Celsius Kelvin, é definido como:

𝑇(℃) = 𝑇(𝐾) − 273.15 (1.14)

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Duas escalas de temperatura utilizadas com diferentes sistemas de unidades (sistema


Inglês) que são comumente usados nos Estados Unidos, são a Fahrenheit e a Rankine,
cuja relação é definida como:

𝑇(℉) = 𝑇(𝑅) − 459.67 (1.15)

A escala de Rankine, cuja unidade é o grau de Rankine (R), é proporcional à Kelvin, de


acordo com a relação:

𝑇(𝑅) = 1.8 𝑇(𝐾) (1.16)

A relação entre a escala Celsius e Fahrenheit é definida como:

𝑇(℉) = 1.8 𝑇(℃) + 32 (1.17)

Tipos de Termômetros:
- Termômetro de Mercúrio em vidro (expansão volumétrica)
- Termômetro de Álcool em vidro (expansão volumétrica)
- Termômetro de Par Bi metálico (dilatação linear diferenciada)
- Termômetro de Termistores (variação da resistividade)
- Termômetro de Gás Perfeito (expansão volumétrica)
- Termômetro de Termopar (força eletromotriz)
- Pirômetro Ótico (cor da chama)

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1.7 – Exercícios

1. Um manômetro montado em um recipiente indica uma pressão de 1,25 MPa e um


barômetro local indica 96kPa. Determinar a pressão interna absoluta do recipiente
em: a) MPa , b) kgf/cm2, c) Psia e d) em milímetros de coluna de mercúrio.
OBS.: Adote para o mercúrio a densidade de 13,6 g/cm3

2. Um termômetro, de liquido em vidro, indica uma temperatura de 30 0C. Determine a


respectiva temperatura nas seguintes escalas: a) em graus Fahrenheit (0F), b) em
graus Rankine (0R) e c) em Kelvin (K).

3. Um manômetro contém um fluido com densidade de 816 kg/m3. A diferença de altura


entre as duas colunas é 50 cm. Que diferença de pressão é indicada em kgf/cm 2?
Qual seria a diferença de altura se a mesma diferença de pressão fosse medida por
um manômetro contendo mercúrio (adote densidade do mercúrio de 13,60 g/cm3)

4. Um manômetro de mercúrio, usado para medir um vácuo, registra 731mm Hg e o


barômetro local registra 750 mm Hg. Determinar a pressão em kgf/cm2 e em mícron.

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TEMA 2 – PROPRIEDADES DE UMA SUBSTÂNCIA PURA


2.1 – Substância Pura

Substância pura é aquela que tem composição química invariável e homogênea. Pode
existir em mais de uma fase, mas a sua composição química é a mesma em todas as
fases. Assim, água líquida e vapor d'água ou uma mistura de gelo e água líquida são
todas substância puras, pois cada fase tem a mesma composição química. Por outro lado
uma mistura de ar líquido e gasoso não é uma substância pura, pois a composição
química da fase líquida é diferente daquela da fase gasosa.

2.2 – Equilíbrio de Fase Líquido - Vapor

Para aplicar balanços de massa e energia para um sistema é necessário para entender
suas propriedades e como eles se relacionam entre si, considerando a hipótese de estado:
em caso de estado termodinâmico é completamente definida se e somente se você tem 2
propriedades independentes. O fluido de trabalho em sistemas termodinâmicos pode ser
um gás (ar) ou líquido (água), o último também tratada sob a forma de vapor a
diferentes condições.
Considere-se como sistema 1 kg de água contida no conjunto êmbolo-cilindro como
mostra a figura. Suponha que o peso do êmbolo e a pressão atmosférica local
mantenham a pressão do sistema em 1,014 bar e que a temperatura inicial da água seja
de 15 OC. À medida que se transfere calor para a água a temperatura aumenta
consideravelmente e o volume específico aumenta ligeiramente (Figura b) enquanto a
pressão permanece constante.

Figura 2.1 – Equilíbrio de Fase Líquido - Vapor.

Quando a água atinge 100 OC uma transferência adicional de calor implica em uma
mudança de fase como mostrado na (Figura 2.1.b) para a (Figura 2.1.c), isto é, uma
parte do líquido torna-se vapor e, durante este processo, a pressão permanecendo
constante, a temperatura também permanecerá constante, mas a quantidade de vapor
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gerada aumenta consideravelmente (aumentado o volume específico), como mostra a


(Figura 2.1.c).
Quando a última porção de líquido tiver vaporizado (Figura 2.1.d) uma adicional
transferência de calor resulta em um aumento da temperatura e do volume específico
como mostrado na (Figura 2.1.e) e (Figura 2.1.f).
Fluidos de trabalho para utilização em sistemas termodinâmicos são considerados como
uma substância pura, caracterizado por ter uma composição química fixa.
Temperatura de saturação - O termo designa a temperatura na qual se dá a vaporização
de uma substância pura a uma dada pressão. Essa pressão é chamada “pressão de
saturação” para a temperatura dada. Assim, para a água (estamos usando como
exemplo a água para facilitar o entendimento da definição dada acima) a 100oC, a
pressão de saturação é de 1,014 bar, e para a água a 1,014 bar de pressão, a temperatura
de saturação é de 100oC. Para uma substância pura há uma relação definida entre a
pressão de saturação e a temperatura de saturação correspondente.
Em muitas situações práticas as duas fases de uma substância pura podem coexistir em
equilíbrio, por exemplo, água existe como uma mistura de líquido + vapor em
equipamentos tais como uma caldeira ou um condensador numa central eléctrica. Para
uma substância pura as diferentes fases são identificadas pelas suas propriedades, alguns
estados definida como:
Líquido Subresfriado - Se a temperatura do líquido é menor que a temperatura de
saturação para a pressão existente, o líquido é chamado de líquido sub-resfriado
(significa que a temperatura é mais baixa que a temperatura de saturação para a pressão
dada), ou líquido comprimido, Figura 2.1.a, (significando ser a pressão maior que a
pressão de saturação para a temperatura dada).

Figura 2.2.a – Líquido sub-resfriado

Líquido Saturado - Se uma substância se encontra como líquido à temperatura e pressão


de saturação diz-se que ela está no estado de líquido saturado, (Figura 2.1.b).

Figura 2.2.b – Líquido saturado

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Título(x) - Quando uma substância se encontra parte líquida e parte vapor, vapor úmido,
(Figura 2.1.c), a relação entre a massa de vapor pela massa total, isto é, massa de líquido
mais a massa de vapor, são chamadas título. Matematicamente:

𝑚𝑣 𝑚𝑣
𝑥= = (2.1)
𝑚𝑙 +𝑚𝑣 𝑚𝑡

Figura 2.2.c – Vapor úmido

2.3 – Considerações importantes.

1) Durante a mudança de fase de líquido-vapor à pressão constante, a temperatura se


mantém constante; observamos assim a formação de patamares de mudança de fase em
um diagrama de propriedades no plano T x v ou P x v, como mostrado na Figura
Quanto maior a pressão na qual ocorre a mudança de Fase líquido-vapor maior será a
temperatura.

Figura 2.3 – Mudança de fase de líquido-vapor à pressão constante

2) Aumentando-se a pressão observa-se no diagrama que as linhas de líquido saturado e


vapor saturado se encontram. O ponto de encontro dessas duas linhas define o chamado
"Ponto Crítico". Pressões mais elevadas que as pressões do ponto crítico resultam em
mudança de fase de líquido para vapor superaquecido sem a formação de vapor úmido.
3) A linha de líquido saturado é levemente inclinada em relação à vertical pelo efeito da
dilatação volumétrica (quanto maior a temperatura maior o volume ocupado pelo
líquido), enquanto a linha de vapor saturado é fortemente inclinada em sentido contrário
devido à compressibilidade do vapor. A Figura b mostra o diagrama P -V no qual é
fácil visualizar as linhas de temperatura constante e o ponto de inflexão da isoterma
crítica.

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Ponto Triplo - Corresponde ao estado no qual as três fases (sólido, líquida e gasosa) se
encontram em equilíbrio. A (fig. 2.4) mostra um diagrama de fases (P x T). Para
qualquer outra substância o formato do diagrama é o mesmo.

Figura 2.4 – Diagrama de fases, pressão-temperatura

Uma substância na fase vapor com pressão acima da pressão do ponto triplo muda de
fase (torna-se líquido) ao ser resfriada até a temperatura correspondente na curva de
pressão de vapor. Resfriando o sistema ainda mais será atingida uma temperatura na
qual o líquido irá se solidificar. Este processo está indicado pela linha horizontal 1 2 3
na Figura 2.3.
Para uma substância na fase sólida com pressão abaixo da pressão do ponto triplo ao ser
aquecido observe que, mantendo a pressão constante, será atingida uma temperatura na
qual ela passa da fase sólida diretamente para a fase vapor, sem passar pela fase líquida,
como mostrado na Figura 2.3 no processo 4 - 5.
Como exemplo a pressão e a temperatura do ponto triplo para a água corresponde a
0,6113 kPa e 0,010C respectivamente.

2.4 – Propriedades de estado da fase de vapor

Quando há uma mudança (líquido para vapor ou vice-versa) a pressão ea temperatura


são dependente, por conseguinte, é necessário definir terceira propriedade para
determinar o estado termodinâmico do sistema, a qualidade de vapor por exemplo,
definida por:

𝑚𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟
𝑥= (2.2)
𝑚𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 +𝑚𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟

Para as propriedades de saturação aplica uma equação que compreende duas fases, a
saber:

𝑦 = 𝑦𝑓 + 𝑥𝑦𝑓𝑔 (2.2)

Onde:
𝑦𝑓𝑔 = 𝑦𝑔 − 𝑦𝑓 (2.3)

e representa a diferença entre o gás e a fase líquida.


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Os valores das propriedades termodinâmicas para o uso de engenharia são apresentados


em várias formas, incluindo tabelas, equações e diagramas de fase em que a temperatura
e volume específico são considerados como propriedades independentes a pressão é
uma função de ambos. Outra maneira de obter as propriedades do vapor é usando
software especializado, tais como a EES (Engineering Equation Solver.)

2.5 – Propriedades Independentes das Substâncias Puras

Uma propriedade de uma substância é qualquer característica observável dessa


substância. Uns números suficientes de propriedades termodinâmicas independentes
constituem uma definição completa do estado da substância.
As propriedades termodinâmicas mais comuns são: temperatura (T), pressão (P), e
volume específico (v) ou massa específica (r). Além destas propriedades
termodinâmicas mais familiares, e que são diretamente mensuráveis, existem outras
propriedades termodinâmicas fundamentais usadas na análise de transferência de
energia (calor e trabalho), não mensuráveis diretamente, que são: energia interna
específica (u), entalpia específica (h) e entropia específica (s).
Energia Interna (U). - São a energia possuída pela matéria devido ao movimento e/ou
forças intermoleculares. Esta forma de energia pode ser decomposta em duas partes:
a – Emergia cinética interna, a qual é devida à velocidade das moléculas e,
b – Energia potencial interna, a qual é devida às forças de atração que existem entre
as moléculas. As mudanças na velocidade das moléculas são identificadas
macroscopicamente pela alteração da temperatura da substância (sistema),
enquanto que as variações na posição são identificadas pela mudança de fase da
substância (sólido, liquido ou vapor).
Entalpia (H).- Na análise térmica de alguns processos específicos, freqüentemente
encontramos certas combinações de propriedades termodinâmicas. Uma dessas
combinações ocorre quando temos um processo a pressão constante, resultando sempre
uma combinação (U + PV). Assim considerou-se conveniente definir uma nova
propriedade termodinâmica chamada “ENTALPIA”, representada pela letra H,
determinada matematicamente pela relação:

𝐻 = 𝑈 + 𝑃𝑉 (2.4)

Ou a entalpia específica,

ℎ = 𝑢 + 𝑃𝑣 (2.5)

Entropia (S). Esta propriedade termodinâmica representa segundo alguns autores, uma
medida da desordem molecular da substância ou, segundo outros, a medida da
probabilidade de ocorrência de um dado estado da substância. Matematicamente a
definição de entropia é:

𝛿𝑄
𝑑𝑆 = ( ) reversível (2.6)
𝑇

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2.6 – Equações de Estado

Equação de estado de uma substância pura é uma relação matemática que correlaciona
pressão temperatura e volume específico para um sistema em equilíbrio termodinâmico.
De uma maneira geral podemos expressar de forma genérica essa relação na forma da:

𝑓(𝑃, 𝑣, 𝑇) = 0 (2.7)

Existem inúmeras equações de estado, muitas delas desenvolvidas para relacionar as


propriedades termodinâmicas para uma única substância, outras mais genéricas, por
vezes bastante complexas, com objetivo de relacionar as propriedades termodinâmicas
de várias substâncias.
Uma das equações de estado mais conhecida e mais simples é aquela que relaciona as
propriedades termodinâmicas de pressão, volume específico e temperatura absoluta do
gás ideal, que é:

𝑃𝑣 =RT (2.8)

Onde:
P é a pressão absoluta (manométrica + barométrica), em Pascal,
 , o volume molar específico, em m3/kmol,
R a constante universal do gás, que vale, R =8,314 kJ/kmol-K, e T a temperatura
absoluta, em Kelvin.
A também pode ser escrita de várias outras formas. Uma forma interessante é escrevê-la
usando o volume específico e a constante particular do gás, como na:

𝑃𝑣 = 𝑅𝑇 (2.9)

Onde:
 é o volume específico do gás, em m3/kg,
R é a constante particular do gás. O valor de R está relacionado à constante universal
dos gases pela massa molecular da substância (M). Isto é:

R= R/M (2.10)

2.7 – Tabelas de Propriedades Termodinâmicas.

Existem tabelas de propriedades termodinâmicas para todas as substâncias de interesse


em engenharia. Essas tabelas são obtidas através das equações de estado, do tipo
mostrado anteriormente.
As tabelas de propriedades termodinâmicas estão divididas em três categorias de
tabelas, uma que relaciona as propriedades do líquido comprimido (ou líquido
subarrefecido), outra que relaciona as propriedades de saturação (líquido saturado e

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vapor saturado) e as tabelas de vapor superaquecido. Em todas as tabelas as


propriedades estão tabeladas em função da temperatura ou pressão e em função de
ambas como pode ser visto nas tabelas a seguir.
Tabela 2.1 – Propriedades da água saturada

Tabela 2.2 – Propriedades da água superaquecida

Figura 2.5 – Diagrama de Mollier para a água

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TEMA 3 – PRIMEIRA LEI DA TERMODINÂMICA


A conservação da energia em sistemas termodinâmicos e expressa por meio da 1ª lei da
Termodinâmica. Antes de apresentá-la na sua forma matemática, iremos apontar alguns
conceitos importantes.

3.1 – Trabalho e calor

Trabalho e calor é a essência da termodinâmica. Assim, é fundamental que o estudante


de termodinâmica entenda claramente as duas definições tendo em vista que as análises
corretas de muitos problemas térmicos dependem da distinção entre elas. Geralmente,
os sistemas de interesse na indústria tipicamente interajam com os seus arredores
essencialmente de duas maneiras: transferência de energia em trabalho e transferência
de energia na forma de calor.
Trabalho(W). O trabalho é a quantidade de energia transferida de um sistema para outro
através de uma força quando ocorre um deslocamento. Vamos particularizar a expressão
geral de trabalho para um sistema termodinâmico particular, um gás encerrado num
recipiente por um pistão que pode mover-se sem atrito.
Por efeito da pressão (p) exercida pelo gás, o pistão sofre uma força F, desloca a partir
de uma posição inicial (A) para uma posição final (B), enquanto que cobre uma
distância dx.

Figura 3.1 – Trabalho

A partir da definição de pressão, pode ser expressa F e do vetor de deslocamento de


acordo com uma dl em termos de uma unidade vetor u , perpendicular à superfície como
se segue:

𝐹
𝑝= → ⃗⃗⃗
𝐹 = 𝐹𝑢
⃗ = 𝑝𝑆𝑢
⃗ (3.1)
𝑆

𝑑𝑙 = 𝑑𝑥𝑢

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Nós calculamos o trabalho realizado pelo gás do estado A para B Estado neste processo:

𝐵 𝐵 𝐵
𝑊𝐴𝐵 = ∫𝐴 𝐹 𝑑𝑙 = ∫𝐴 𝐹 𝑑𝑙 cos 00 = ∫𝐴 𝑝𝑆 𝑑𝑥 (3.2)

O Sdx produto é a mudança de volume (Vd) experimentada pelo gás, em seguida,


finalmente, pode ser expresso:

𝑉
𝑊𝐴𝐵 = ∫𝑉 𝐵 𝑝 𝑑𝑉 (3.3)
𝐴

No trabalho Sistema Internacional é medida em Joules (J). Estes trabalhos são


considerados do ponto de vista do sistema termodinâmico, portanto:
O trabalho é positivo quando realizado pelo gás (expansão) e negativo quando o é feito
contra a gás externo (compressão).
Trabalho em um diagrama(p-V) – Para calcular o trabalho feito por um gás a partir do
integral acima é necessário conhecer a pressão função relativo ao volume, isto é, p (V),
e esta função dependem do processo seguido pelo gás. Se representam num diagrama
p-V estado inicial (A) e final (B), o trabalho é a área fechada baixo a curva que
representa a transformação experimentada pelo gás para ir desde o estado inicial, no
final. Como mostrado na figura, o trabalho depende de como esta transformação.

Figura 3.2 – Trabalho em um diagrama(p-V)

Isto é, pode concluir-se que: O trabalho trocado por um gás depende da transformação
que leva para passar do estado inicial para o estado final. Quando um gás sofre mais de
uma transformação, o trabalho total é a soma da trabalho (com o respectivo sinal) feito
pelo gás em cada um deles.
Um tipo particularmente interessante de transformação é chamado o ciclo, em que o
gás, depois de passar por várias transformações, retorna ao seu estado inicial (ver figura
abaixo). O interesse de tais transformações é que todos os motores térmicos e
refrigeradores operar ciclicamente.
Quando um ciclo é percorrido no sentido horário (ver lado esquerdo da figura), o
trabalho total realizado pelo gás no ciclo é positivo, uma vez que o trabalho AB
(positivo) é maior, em valor absoluto do que o BA (negativo) de modo que a sua soma

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será positiva. Inversamente, se o ciclo é percorrido no sentido anti-horário o trabalho


total é negativo.

Figura 3.3 – Ciclo no sentido horário e anti-horário


Ciclos que representam o funcionamento de máquinas térmicas andará sempre no
sentido horário (a uma máquina trabalho positivo), ao passo que os ciclos que
representam o desempenho dos frigoríficos são percorridos sentido anti-horário (para
um refrigerador funciona, proporcionar trabalho a partir de no exterior).
Calor(Q). - A definição termodinâmica de calor é um tanto diferente da interpretação
comum da palavra. Portanto, é importante compreender claramente a definição de
calor dada aqui, porque ela se envolve em muitos problemas térmicos da engenharia.
Calor representa a quantidade de energia transferida para outro organismo como um
resultado de uma diferença de temperatura entre eles. O tipo de energia que você põe
em jogo em fenômenos de aquecimento é chamado de energia térmica.
Experiências de Joule. Equivalência trabalho-calor. Joule levou então a cabo
experiências com o propósito de demonstrar esta equivalência, as experiências das
palhetas girando dentro de um líquido, como a água. Deixavam-se cair dois corpos, de
massas M1 e M2, de uma altura h, ligados por fios inextensíveis e de massas
desprezáveis a um eixo que fazia girar várias palhetas dentro de água de um
calorímetro, que possui um termômetro a ele ligado, devido à diminuição da energia
mecânica dos corpos, produzindo-se o aquecimento desta.

Figura 3.4 – Experiência de Joule

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O aquecimento da água era equivalente a ter sido transferida, para ela, a energia , sendo
a capacidade calorífica específica da água, ou capacidade térmica mássica da água, a
sua massa e a elevação da sua temperatura. A fim de conseguir uma elevação de
temperatura apreciável, Joule fez cair os corpos dezenas de vezes seguidas.
Para simplificar o raciocínio vamos supor no que se segue, que cada corpo só caiu uma
vez e vamos supor também que só a água aquece. (Não podemos esquecer, todavia que
o calorímetro que a contém, o termômetro e as palhetas também aquecem. Só que o
elevado valor da capacidade térmica mássica da água justifica essa aproximação).
Para conseguir o movimento das palhetas dentro da água era necessário vencer a
resistência desta e, assim, realizar trabalho sobre ela. Esse trabalho, W , mede a
diminuição da energia mecânica dos corpos que chegam ao fim da queda com energia
cinética, Ec , de valor inferior ao da energia potencial gravídica, Ep , que os corpos
possuíam inicialmente em repouso a uma certa altura h, antes de se iniciar a queda.
Temos então:
1
𝑊 = 𝐸𝑝 − 𝐸𝑐 ↔ 𝑊 = (𝑀1 − 𝑀2 ). 𝑔. ℎ − (𝑀1 + 𝑀2 ). 𝑣 2 (3.4)
2

Em que  é a velocidade dos corpos de massa M1 e M2, no fim da queda, e h a altura


desta.
Joule realizou várias experiências substituindo a água por mercúrio e óleo, mantendo as
palhetas a moverem-se dentro destes líquidos, como realizou outras experiências com
motores elétricos e dínamos. Posteriormente, e por processos diferentes, outras
determinações foram feitas, todas elas concordantes com a de Joule.
A conclusão a que chegou foi de que se podia considerar constante a razão entre e ,
ou seja de que é constante a razão entre trabalho e calor, tal que:

𝑊
= 𝐽 (3.5)
𝑄

em que: J ,é uma constante (a letra foi usada para homenagear Joule) cujo valor é
4,1855 J cal-1.
Esta constante, muitas vezes designada por "equivalente mecânico de calor", mais não
é do que um fator de conversão de unidades. (Não confundir, equivalente mecânico de
calor, com J (joule), símbolo da unidade SI de energia, assim também escolhida em
homenagem a Joule). A idéia de que a energia não pode ser criada nem destruída (Lei
da Conservação da Energia) também se impôs nesta altura.
Os máquinas a vapor eram tão espetacular desenvolvimento nos séculos XVIII e XIX
foram bons exemplos disso. Desde então, os conceitos de calor e energia estavam
unidos eo progresso da física permitiram a meados do século passado, uma explicação
detalhada para a natureza dessa nova forma de energia que é refletida nos fenômenos de
aquecimento.
Unidades de Calor. - Conforme já discutimos, o calor, como o trabalho, é uma forma de
transferência de energia para ou de um sistema. Portanto, as unidades de calor, ou sendo
mais geral, para qualquer outra forma de energia, são as mesmas do trabalho, ou pelo
menos, são diretamente proporcionais a ela. No sistema Internacional, SI, a unidade de
calor (e de qualquer outra forma de energia ) é o Joule. Calor transferido para um

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sistema é considerado positivo e transferido de um sistema é negativo. O calor é


normalmente representado pelo símbolo Q.
Um processo em que não há troca de calor (Q = 0 ), é chamado de processo adiabático.
Do ponto de vista matemático o calor, como o trabalho, é uma função de linha e é
reconhecido como tendo uma diferencial inexata. Isto é, a quantidade de calor
transferida quando o sistema sofre uma mudança, do estado 1 para o estado 2, depende
do caminho que o sistema percorre durante a mudança de estado.Como o calor é uma
função de linha, a sua diferencial é escrita como dQ. Na integração escrevemos:

2
∫1 𝛿𝑄 =1Q2 (3.6)

Em outras palavras, 1Q2 é o calor transferido durante um dado processo entre o estado 1
e o estado 2. O calor transferido para um sistema na unidade de tempo, é chamado taxa
de calor, e designado pelo símbolo Q , a respectiva unidade é o Watt ( W ).

𝛿𝑄
𝑄̇ ≡ (3.7)
𝑑𝑡

Comparação entre Calor e Trabalho


a) O calor e o trabalho são ambos, fenômenos "transitórios". Os sistemas nunca
possuem calor ou trabalho, porem qualquer um deles ou, ambos, atravessam a fronteira
do sistema, quando o sistema sofre uma mudança de estado.
b) Tanto o calor como o trabalho são fenômenos de fronteira. Ambos são observados
somente nas fronteiras do sistema, e ambos representam energia atravessando a fronteira
do sistema.
c) Tanto o calor como o trabalho são funções de linha e têm diferenciais inexatas.

Formas de interação de Calor. - As formas mais comuns de interação de calor são:


1. Condução,
2. Convecção e
3. Radiação.
Condução (Lei de Fourier). A condução de calor pode ser considerada como a
transferência de energia das partículas mais energéticas de uma substância para
partículas menos energéticas, graças às interações entre partículas. A condução de calor
ocorre principalmente em sólido ou no estado líquido e de gás sem movimento. A
relação matemática é:

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APOSTILA DE FUNDAMENTOS DA TERMODINÂMICA PARA USO ENERGÉTICO DO BIOGÁS E LODO 2012
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Figura 3.5 – Condução de calor


Onde:
k = condutividade térmica
A = área da parede perpendicular à direção x
x = posição onde está sendo calculada a taxa de calor.

O sinal negativo na equação é para assegurar que a transferência de calor é dada na alta
para a baixa temperatura.
Radiação térmica (lei de Stefan – Boltzmann). - A radiação térmica é a energia emitida
pela matéria que estiver em uma temperatura finita. A energia do campo de radiação é
transportada pelas ondas eletromagnéticas (ou fótons numa outra linguagem).
Enquanto a transferência de calor por condução precisa de um meio material, a radiação
não necessita de qualquer meio. Na realidade, a transferência de energia por radiação
ocorre com maior eficiência no vácuo. A relação matemática para essa forma de calor é:

𝑄𝑒̇ = 𝜀𝜎𝐴𝑇𝑏4 (3.9)

Sendo:
 = emissividade, propriedade radiativa da superfície, 0 <  < 1,0

= Constante de Stefan - Boltzmann,


Tb= Temperatura termodinâmica da superfície emitente,
A = área emitente da superfície.

Convecção - Lei de resfriamento de Newton. - Calor por convecção, é um outro


mecanismo de transferência de calor é um dos mais importantes e em estudo por sua
vez, complexo. A convecção de calor ocorre no estado líquido ou movimento do gás em
superfícies ou vice-versa.
O modo de transferência convectiva de calor é sustentado pelo movimento molecular
aleatório e pelo movimento macroscópico do fluido no interior da camada limite.

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A transferência convectiva de calor pode ser classificada de acordo com a natureza do


escoamento. Convecção forçada, convecção livre, ou convecção combinada,
dependendo da característica do movimento do meio que está em contato com a
superfície. Independentemente da natureza particular do processo de transferência de
calor por convecção, a equação da taxa apropriada tem a forma:

𝑄̇ = ℎ𝐴(𝑇𝑏 − 𝑇𝑓 ) (3.10)
Onde:
A = Área de troca de calor
h = Coeficiente de convecção de calor ou coeficiente de película
Tb, Tf = Respectivamente as temperaturas da superfície e do fluido.
A complexidade da equação de arrefecimento, é principalmente a conhecer o coeficiente
de transferência de calor (h), porque é um factor dependente de um grande número de
característica de fluidos, tais como condutividade térmica, velocidade e da densidade de
fluida entre outros.

Figura 3.6 – Calor por convecção

3.2 – Primeira lei da termodinâmica

Consideramos várias formas de energia tais como o trabalho, W, e calor, Q, mais


energia total E de um sistema. No entanto, é necessário estabelecer uma relação entre
eles durante um processo. A Primeira Lei da Termodinâmica, também conhecido como
o Princípio da Conservação da Energia, proporciona uma base sólida para o estudo da
relação entre diferentes formas de energia e suas interações. Este princípio é o seguinte:
“A variação net (aumento ou diminuição) na energia total do sistema, um processo é
igual à diferença entre a energia total entrando no total de energia e saem do sistema
durante o processo”.

𝐸𝑒𝑛𝑡 − 𝐸𝑠𝑎í = ∆𝐸𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 (3.11)

esta relação é estabelecida como um balanço de energia e se aplica a qualquer sistema


em qualquer processo.
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Para o sistema, a energia é uma propriedade que não muda a menos que as mudanças de
estado do sistema. Em um sistema único compressível, a energia total depende
principalmente da energia interna, cinética e potencial, isto é,

∆𝐸 = ∆𝑈 + ∆𝐾𝐸 + ∆𝑃𝐸 (3.12)

Considerando que as interações de energia estão relacionados com o trabalho e de calor


que ocorre através da fronteira de um sistema, o balanço de energia pode ser definida
como:

𝐸𝑒𝑛𝑡 − 𝐸𝑠𝑎í = (𝑄𝑒𝑛𝑡 − 𝑄𝑠𝑎í ) + (𝑊𝑒𝑛𝑡 − 𝑊𝑠𝑎í ) = ∆𝐸𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 (3.13)

Para um sistema recebe calor e trabalho de entrega, o balanço é reduzida para a forma:

𝑄𝑒𝑛𝑡 − 𝑊𝑠𝑎í = ∆𝐸𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 (3.14)

e considerando que a mudança de energia no sistema é somente devido à variação da


energia interna, então:

𝑄𝑒𝑛𝑡 − 𝑊𝑠𝑎í = ∆𝑈𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 (3.15)

de acordo com uma quantidade por unidade de tempo, a expressão é:

̇ = (𝑑𝑈)sistema
𝑄̇𝑒𝑛𝑡 − 𝑊𝑠𝑎í (3.16)
𝑑𝑡

A energia pode tomar diversas formas, térmica, mecânica, cinética, potencial, elétrica,
química, magnética e nuclear, têm em comum a capacidade de produzir efeitos
dinâmicos, que são vistos em atividades cotidianas, como consumo de alimentos que
contendo energia ou movimento de massa, vento, projéteis e veículos, o calor recebido
do Sol, bem como o calor gerado pelo combustível e outras fontes.
A partir da descrição dada por Newton, em objetos sob a influência de forças aplicadas
sobre eles, fornecem a base da Mecânica Clássica e levar a um conceito de energia.
Dentro de um sistema, existem três formas principais de transformação de energia:
 A energia cinética;
 A energia potencial;
 A energia interna.

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A energia cinética. Depende da massa do corpo (ou sistema) e da velocidade


instantânea, não importa o quão alcançada esta velocidade. Por conseguinte, a energia
cinética é uma propriedade extensa, porque ela varia com a massa do corpo. A energia
cinética é matematicamente definido como o produto de metade da massa e do quadrado
da velocidade, isto é:

1
𝐸𝐶1 = 𝑚 𝑉12 (3.17)
2
Onde:
EC1: Energia cinética,
m: Massa corpo,
V12: Velocidade instantânea

Uma variação da energia cinética definida como:

1
∆𝐸𝐶 = 𝑚(𝑉22 − 𝑉12 ) (3.18)
2

A energia potencial. Está associada com a força da gravidade e, portanto, é uma


propriedade de um sistema que contém o corpo a terra juntos. No entanto, o cálculo da
força da gravidade, como o produto da gravidade massa vezes (mg), para determinar a
energia potencial gravitacional, sabendo apenas a massa do corpo e da sua elevação em
relação a um nível de referência, normalmente pode ser a superfície da Terra. A energia
potencial é também identificado como uma propriedade extensa do corpo, definida
matematicamente como:

𝐸𝑃1 = 𝑚. 𝑔. 𝑧1 (3.19)
Onde:
EP1: Energia Potencial,
m: Massa corpo,
g: Constante gravitacional
z1 : Elevação

uma variação da energia potencial definida como:

∆𝐸𝑃 = 𝑚𝑔 (𝑧2 − 𝑧1 ) (3.20)

Energía interna (U). É uma propriedade extensa que é independentemente da


existência ou não-movimento e está associada com toda a energia formas microscópica
da estrutura molecular de um sistema, que são independentes dos molduras de
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referência externo. Não é possível medir o seu valor absoluto, só pode ser medido
incrementos de Energia interna, de modo a atribuir valores de tomar um estado de
referência que dá o valor relativo igual a zero, geralmente levado a 0°C e 1 atm pressão.
A alteração na energia interna de um sistema é definida apenas pelos termos dos estados
termodinâmicos inicial e final, para um sistema executa um processo de indo no final do
estado inicial, isto é, um ciclo, o aumento da energia interna do sistema é zero.
Primeira lei para um sistema em um ciclo. A maioria dos sistemas de produção de
potência, operando em um ciclo termodinâmico.O ciclo termodinâmico ideal é o ciclo
de Carnot,

Figura 3.7 – Ciclo de Carnot

De acordo com o balanço energético em um ciclo termodinâmico é obtido:

∑ 𝑄 − ∑ 𝑊 = ∆𝐸𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 = 0 (3.21)

onde:
Eent = Esaí

Portanto, a interações trabalho e calor que ocorrem em um ciclo de potência é obtido:

𝑄𝑒𝑛𝑡 − 𝑄𝑜𝑢𝑡 = 𝑊𝑛𝑒𝑡 (3.22)

Para um sistema fechado. Este sistema não envolvem fluxos de massa através da
fronteira e considera apenas o balanço energético de trabalho e interações de calor,
aplicando a equação:

𝑄𝑒𝑛𝑡 − 𝑊𝑠𝑎í = 𝑊𝑛𝑒𝑡 (3.23)

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Figura 3.8 – Sistema fechado

Se a interação de trabalho é numa fronteira móvel, onde o trabalho de fronteira em


movimento é expresso de acordo com a equação:

𝑉
𝑊𝑏 = ∫𝑉 2 𝑝 𝑑𝑉 (3.24)
1

Figura 3.9 – Trabalho é numa fronteira móvel

No caso em que há uma expansão a pressão constante e considerando a definição de


entalpia (outra forma de energia) como:

𝐻 = 𝑈 + 𝑝𝑉 (3.25)

O balanço de energia é expresso como:

𝑄 = ∆𝐻𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 (3.26)

Aplicando a equação de equilíbrio de energia para um sistema em que há uma


substância compressível simples, é necessário conhecer as propriedades da substância
em função das propriedades termodinâmicas, isto é:

𝑄𝑒𝑛𝑡 − 𝑊𝑠𝑎í = ∆𝑈𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 = 𝑈𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 − 𝑈𝑖𝑛𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 (3.27)

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onde a energia interna, U, são determinados de acordo com as propriedades


termodinâmicas de estados iniciais e finais, respectivamente.
Para um sistema aberto (volume de controle): Este sistema envolve os fluxos de massa,
através das suas fronteiras além das iterações de trabalho e de calor. Para determinar as
equações que representam o princípio da conservação de massa e energia, é considerada
um sistema aberto com a possibilidade de ter um número n de entradas e saídas de
massa, mais o sistema pode dar ou receber trabalho em torno e também pode ganhar ou
perder energia como calor através das suas fronteiras, como mostrado na Figura a
seguir:

Figura 3.10 – Sistema aberto

Lei da conservação de massa.- A Lei da Conservação da Massa, para um volume de


controle, diz que a transferência net de massa ou de um volume de controle durante um
intervalo de tempo t é igual à variação net (aumento ou diminuição) da massa volume
total de controlo durante o intervalo t, isto é:

𝑚𝑒 − 𝑚𝑠 = ∆𝑚𝑉𝐶 (3.28)

Para uma taxa de fluxo temos:


𝑑𝑚
𝑚̇ 𝑒 − 𝑚̇ 𝑠 = ( )VC (3.29)
𝑑𝑡

Considerando que pode existir mais do que uma entrada e de saída de fluxo, a equação
para a conservação da massa pode ser expresso como:

𝑑𝑚
∑ 𝑚̇𝑒 − ∑ 𝑚̇𝑠 = ( )VC (3.30)
𝑑𝑡

Quando nenhuma das propriedades do sistema varia com o tempo, é dito ser estão em
estado estacionário, que é válido para muitos sistemas idealizar empregados em
engenharia, para um sistema aberto no estado estacionário o termo do lado direito da
equação anterior é igual a zero, então a equação reduz-se a equação de continuidade:

∑ 𝑚̇𝑒 = ∑ 𝑚̇𝑠 (3.31)

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Quando o fluxo de matéria ou de fluxo de massa que entra ou sai um sistema


unidimensional (apenas ocorre numa direção), e também as propriedades são uniformes,
o fluxo de massa é definida como:

𝑚̇ = 𝜌𝑣𝐴 (3.32)

Lei da conservação da energia. A primeira lei da termodinâmica é, talvez, o


princípio mais importante da clássica termodinâmica e afirma que a mudança de energia
em um volume de controle está relacionado com interações de trabalho e calor, para
além de considerar a transferência de massa através das fronteiras, o que requer a
consideração de trabalho necessário para empurrar, à entrada e saída de volume de
controle de, a quantidade de massa. Este trabalho é identificado como um trabalho de
fluxo ou energia de fluxo, definido como:

𝑊𝑓 = 𝑝𝑉 (3.33)

Além disso, considerando um sistema compressível simples onde a energia é


relacionada com a energia interna, cinética e potencial, que é definida:

𝑣
𝐸 = 𝑈 + 𝐾𝐸 + 𝑃𝐸 = 𝑚(𝑢 + + 𝑔𝑧) (3.34)
2

De acordo com o balanço de energia aplicado a um volume de controle, onde há fluxos


de massa gerando fluxos de energia através das suas fronteiras, define-se a seguinte
expressão:

dEVC v2 v2
= Q̇ VC − Ẇ + ∑ent ṁ (h + gz) − ∑saí ṁ (h + + gz) (3.35)
dt 2 2

onde o trabalho total, 𝑊̇ , representa a soma de fluxo de trabalho e outros trabalhos,


então:

𝑊̇ = 𝑊̇𝑉𝐶 + 𝑚̇𝑠 (𝑝𝑠 𝑣𝑠 ) − 𝑚̇𝑒 (𝑝𝑒 𝑣𝑒 ) (3.36)

𝑾̇𝑽𝑪 , representa todas as interações de trabalho através da fronteira do volume de


controle.

Substituindo a equação (2.46) na equação (2.45), obtemos a expressão final de princípio


da conservação da energia:

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𝑑𝐸𝑉𝐶 𝑣2 𝑣2
= 𝑄̇𝑉𝐶 − 𝑊̇𝑉𝐶 + ∑ 𝑚̇ (ℎ + + 𝑔𝑧) − ∑ 𝑚̇ (ℎ + + 𝑔𝑧) (3.37)
𝑑𝑡 2 2
𝑒𝑛𝑡 𝑠𝑎í

Para um fluxo de processo em estado estacionário e um fluxo uniforme em estado


uniforme, a equação reduz-se a formar:

𝑣2 𝑣2
𝑄̇𝑉𝐶 − 𝑊̇𝑉𝐶 = ∑ 𝑚̇ (ℎ + + 𝑔𝑧) − ∑ 𝑚̇ (ℎ + + 𝑔𝑧) (3.38)
2 2
𝑠𝑎í 𝑒𝑛𝑡

Dispositivos que operam em fluxo permanente ou constante.- Em muitos dispositivos de


engenharia e equipamentos que operam sob as mesmas condições de operação por
longos períodos de tempo (estado estacionário), como é o caso, bicos e difusores,
turbinas e compressores, válvulas ou dispositivos estrangulamento, câmaras de mistura,
trocadores fluxo de calor através de tubos ou dutos.
 Bicos e difusor: estes dispositivos são geralmente em máquinas injetoras, turbinas,
foguetes, etc. A função do bocal é aumentada a velocidade de diminuição da pressão,
e o difusor é o efeito oposto.

Figura 3.11 – Bicos e difusor

Para este volume de controle, a equação de equilíbrio de energia é expressa como:

𝑣2 𝑣2
(ℎ + ) = (ℎ + ) (3.39)
2 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 2 𝑠𝑎í𝑑𝑎

Isto significa que não existem interações de trabalho e do calor sobre a fronteira, o fluxo
de massa de entrada e saída é o mesmo e da energia potencial é desprezível.

 Turbina e do compressor: este equipamento tem uma interação de trabalho através


de suas fronteiras. No caso da turbina, seta trabalho desenvolve ao receber um fluxo

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de fluido que impacte com as palhetas que o compõem. Por outro lado, o compressor
exige um trabalho para executar a sua função.

Figura 3.12 – Turbina e do compressor

Para essas equipes da equação do balanço de energia pode ser reduzida ou simplificada
baseada em suposições e aproximações, por exemplo, o esquema do compressor terá:

𝑣2 𝑣2
𝑄̇𝑉𝐶 − 𝑊̇𝑉𝐶 = 𝑚̇ [ (ℎ + ) − (ℎ + ) ] (3.40)
2 𝑠𝑎í 2 𝑒𝑛𝑡

É desprezada, neste caso, a mudança na energia potencial e o calor por unidade de


massa sair do volume de controle é multiplicado pela taxa de fluxo de massa para
determinar a transferência de calor (kW).
Para a turbina, a equação é representada por:

𝑣2 𝑣2
𝑊̇𝑉𝐶 = ∑ 𝑚̇ (ℎ + + 𝑔𝑧) − ∑ 𝑚̇ (ℎ + + 𝑔𝑧) (3.41)
2 2
𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑠𝑎í𝑑𝑎

Neste caso, não há transferência de calor através a fronteira da turbina, mas


considerando a mudança de energia potencial.

 Válvula (dispositivo de estrangulamento): o principal efeito no presente dispositivo é


a redução da pressão, que é acompanhado por uma redução significativa na
temperatura.

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Figura 3.12 – Válvula (dispositivos de estrangulamento)

Expressão do balanço de energia é reduzida para a forma:

ℎ𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 = ℎ𝑠𝑎í𝑑𝑎 (3.42)

O que significa que nenhum interações de trabalho e calor são negligenciados e


mudanças na energia cinética e potencial.

 Câmara de mistura: não precisa ser uma câmera, é simplesmente um dispositivo na


confluência de várias correntes de fluidos e ter contato físico. Neste dispositivo é
importante para identificar o número de fluxos para dentro e para fora para um bom
balanço de massa e energia.

Figura 3.13 – Câmara de mistura

No processo de mistura são aplicadas as seguintes expressões para balanços de massa e


energia:

∑ 𝑚̇𝑒 = ∑ 𝑚̇𝑠

onde as interações de trabalho e calor são ausentes e são negligenciadas mudanças na


energia cinética e potencial.

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 Permutador de calor: neste dispositivo, os fluidos de troca de calor não se misturam.

Figura 3.14 – Permutador de calor

As equações de balanço de massa e energia são:

∑ 𝑚̇𝑒 = ∑ 𝑚̇𝑠

∑ 𝑚̇(ℎ) = ∑ 𝑚̇(ℎ) (3.43)


𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑠𝑎í𝑑𝑎

 Fluxo em tubos ou condutos: o estudo de fluidos transportados por tubos ou


condutos é importante em alguns casos.

Figura 3.15 – Fluxo em tubos ou condutas

Como visto em regimes anteriores, casos diferentes são utilizados para aplicar as
equações de balanço de massa e energia. Geralmente, no caso da massa, a equação da
continuidade aplicada é:
∑ 𝑚̇𝑒 = ∑ 𝑚̇𝑠
e ao balanço de energia se aplica:

𝑄̇𝑉𝐶 − 𝑊̇𝑉𝐶 = 𝑚̇[(ℎ)𝑠𝑎í𝑑𝑎 − (ℎ)𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 ] (3.44)

Processo de fluxo em fluxo uniforme. Quando há um fluxo não permanente (fluxo


uniforme em estado estacionário), isto é, há mudanças de energia dentro do volume de
controle, o processo é realizado num intervalo de tempo em que as interações de

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trabalho e do calor sobre as fronteiras são levadas a cabo, então a expressão é definida
como:

(𝑚2 𝑒2 − 𝑚1 𝑒1 )𝑉𝐶 =
𝑣2 𝑣2
= 𝑄𝑉𝐶 − 𝑊𝑉𝐶 + ∑ 𝑚 (ℎ + + 𝑔𝑧) − ∑ 𝑚 (ℎ + + 𝑔𝑧) (3.45)
2 2
𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑠𝑎í𝑑𝑎

Onde os subscritos 1 e 2 representam os estados iniciais e finais, respectivamente,


dentro do volume de controle.
Dispositivos que operam não-permanente. Tais processos são geralmente apresentados
em casos de carga e descarga dos recipientes.

Figura 3.16 – Dispositivos que operam não-permanente

Para esses casos, as equações de balanço de massa e energia são representadas como:

𝑚𝑒 − 𝑚𝑠 = (𝑚2 − 𝑚1 )𝑉𝐶 (3.46)

(𝑚2 𝑒2 − 𝑚1 𝑒1 )𝑉𝐶 = 𝑄𝑉𝐶 − 𝑊𝑉𝐶 + ∑ 𝑚(ℎ) − ∑ 𝑚 (ℎ) (3.47)


𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑠𝑎í𝑑𝑎

3.3 – Exercícios

1. Defina trabalho, calor e energia interna.


2. Explique a primeira lei da termodinâmica em termos do enunciado matemático.
3. Explique os tipos de trabalho de expansão e suas condições de aplicabilidade.
4. Explique em termos de capacidade calorífica porque para elevar a temperatura de 1
g de H2O precisa de 9 vezes mais calor que com ferro.
5. Explique como você obteria a variação de energia interna e a entalpia de uma
reação, pela calorimetria. Qual condição deveria ser mantida constante em cada
caso? Por quê?

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6. Deduza H = qp; Considere um processo em que P não seja constante, mas para o
qual as pressões final e inicial sejam iguais. H precisa ser igual a “q” neste caso?
7. Defina capacidade calorífica em termos da variação de energia interna e entalpia
com a temperatura sob condições de volume ou pressão constante. Demonstre por
gráficos e formulações matemáticas.
8. Explique a lei de Kirchhoff.
9. Explique a experiência de Joule e o efeito Joule-Thomson. Que função de estado
deve permanecer constante no experimento de Joule e no experimento de Joule-
Thomson?
10. Diga se as seguintes afirmações são verdadeiras ou falsas: (a) Para todos processo
ESIS = -EVIZ; (b) Para todo processo cíclico, o estado final do sistema é o mesmo
que o estado inicial. (c) Para todo processo cíclico, o estado final da vizinhança é o
mesmo que o estado inicial da vizinhança. (d) Para um sistema fechado em repouso
sem quaisquer campos presentes, a soma q+w tem o mesmo valor para todo o
processo que vai de um dado estado 1 até um dado estado 2. (e) Se os sistemas A e
B consistem, cada qual, em água líquida pura a 1 bar de pressão, e se TA>TB,
então a energia interna do sistema A deve ser maior que a de B. (f) As grandezas H,
U, PV, H e PV têm todas as mesmas dimensões. (g) Um processo
termodinâmico é definido pelo estado final e o estado inicial. (h) T=0 para todo
processo isotérmico.
11. Às vezes vê-se a notação q e w para o fluxo de calor para um sistema e o
trabalho realizado durante o processo. Explique por que essa notação é enganosa.
12. Explique como a água líquida pode ir de 25°C e 1 atm para 30°C e 1 atm em um
processo para o qual q<0.
13. Para cada um dos seguintes processos deduza se cada uma das grandezas, q, w, U
e H é positiva, zero ou negativa. (a) Fusão reversível do benzeno sólido a 1 atm e
no ponto de fusão normal. (b) Fusão reversível do gelo a 1 atm a 0°C. (c) Expansão
adiabática reversível de um gás perfeito. (d) Expansão isotérmica reversível de um
gás perfeito. (e) Expansão adiabática de um gás perfeito para um vácuo
(experimento de Joule). (f) Processo Joule-Thomson em um gás perfeito. (g)
Aquecimento reversível de um gás perfeito a P constante. (h) Resfriamento
reversível de um gás perfeito a V constante.
14. Uma amostra de 2,00 mol de He se expande isotermicamente, a 22°C, de 22,8 dm3
até 31,7 dm3, (a) reversivelmente; (b) contra uma pressão externa constante igual à
pressão final do gás; (c) livremente (contra pressão externa nula). Em cada
processo, calcule q, w, U e H.
15. Uma amostra de 2,00 mol de um gás perfeito, aço CV,m = 5R/2, inicialmente a
p1=111 kPa e T1=277K, é aquecida reversivelmente até 356 K, a volume
constante. Calcule a pressão final, U, q e w.
16. Uma amostra de 6,56 g de argônio gasoso ocupa o volume de 18,5 dm3 a 305 K.
(a) Calcule o trabalho feito quando o gás se expande isotermicamente contra a
pressão externa constante de 7,7 kPa até o seu volume aumentar de 2,5 dm3. (b)
Calcule o trabalho realizado se a mesma expansão fosse reversível.

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TEMA 4 – GÁS IDEAL


4.1 – Introdução

Um gás ideal ou perfeito é um modelo idealizado, para o comportamento de um gás. É


um gás teórico composto de um conjunto de partículas pontuais movendo-se
aleatoriamente e não interagindo. O conceito de gás ideal é útil porque obedece a lei dos
gases ideais, uma equação de estado simplificada, e é passível de análise pela mecânica
estatística. Em condições ambientais normais tais como as temperatura e pressão
padrão, a maioria dos gases reais comportam-se qualitativamente como um gás ideal[1].
Geralmente, desvios de um gás ideal tendem a diminuir com altas temperaturas e
menores densidades, como o trabalho realizado por forças intermoleculares, tornando-se
menos significativas comparadas com a energia cinética das partículas e o tamanho das
moléculas torna-se menos significativo comparado ao espaço vazio entre elas.
O modelo do gás ideal tende a falhar a baixas temperaturas ou altas pressões, quando
forças intermoleculares e o tamanho molecular tornam-se importantes. Em algum ponto
de baixa temperatura e alta pressão, gases reais atravessam uma transição de fase, tais
como um líquido ou um sólido. O modelo de um gás ideal, entretanto, não descreve ou
permite transições de fases. Estes devem ser modelados por equações de estado mais
complexas.
O modelo do gás ideal tem sido explorado tanto na dinâmica Newtoniana (como na
"teoria cinética") e em mecânica quântica (como um "gás em uma caixa"). O modelo de
gás ideal tem sido usado, também, para modelar o comportamento de elétrons em um
metal (no modelo de Drude e no modelo do elétron livre) e é um dos mais importantes
modelos em mecânica estatística.

4.2 – Tipos de gases ideais

Existem três classes básicas de gases ideais:


 O clássico ou gás ideal de Maxwell-Boltzmann;
 O gás de Bose quântico ideal, composto de bósons; e
 O gás de Fermi quântico ideal, composto de férmions.
O gás ideal clássico pode ser separado em dois tipos: o gás ideal termodinâmico
clássico e o gás ideal quântico de Boltzmann. Ambos são essencialmente o mesmo,
exceto que o gás ideal termodinâmico é baseado na mecânica estatística clássica, e
certos parâmetros, tais como a entropia, são somente especificados dentro de uma
constante aditiva indeterminada. O gás ideal quântico de Boltzmann supera esta
limitação, tomando o limite do gás quântico de Bose e o gás quântico de Fermi no limite
de alta temperatura para especificar estas constantes aditivas. O comportamento de um
gás quântico de Boltzmann é o mesmo que de um gás ideal clássico, exceto para a
especificação destas constantes. Os resultados do gás quântico de Boltzmann são
utilizados num certo número de casos, incluindo a equação de Sackur-Tetrode para a
entropia de um gás ideal e a equação de ionização Saha para um plasma fracamente
ionizado.

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4.3 – Leis que regem os gases ideais termodinâmicos clássicos

4.3.1 – Lei de Boyle-Mariotte T = constante


Os estudos mais pormenorizados do comportamento dos gases ideais remontam ao
século dezessete. Em 1662 Robert Boyle descobriu uma lei que relaciona linearmente a
pressão e o inverso do volume se a temperatura se mantiver constante. Em alguns países
da Europa a descoberta desta lei é atribuída a Edme Mariotte que, no entanto, só
publicou os seus trabalhos em 1676. Em grande parte da literatura, a lei é conhecida
como Lei de Boyle-Mariotte e tem o seguinte aspecto descrito a seguir. Quando uma
massa constante de certo gás, mantida a temperatura constante, é comprimida, nota-se
o seguinte:
a) dobrando-se a pressão, o volume se reduz à metade;
b) triplicando-se a pressão, o volume se reduz a um terço do valor inicial; e assim por
diante.
A partir dessas constatações experimentais podemos expressar:
"Sob temperatura constante, o volume ocupado por determinada massa gasosa é
inversamente proporcional à sua pressão".
Desse enunciado resultam as seguintes representações matemática:

𝑃1 . 𝑉1 = 𝑃2 . 𝑉2 = 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 (4.1)

𝑃𝑉 = 𝑘𝑇 (4.2)

Se o volume do recipiente que contém o gás aumenta, a pressão decresce e vice-versa.


Por quê? Suponha que o volume aumenta. Isto significa que as moléculas têm mais
espaço livre para percorrer e, portanto, a freqüência dos choques com as paredes do
recipiente diminui. Sendo assim, a pressão será menor. O processo inverso também se
verifica. De que depende o valor de kT? Experimentalmente foi determinado que kT é
diretamente proporcional à temperatura, T, e ao número de moles de gás, n=m/M (m-
massa do gás, M - massa molar),

𝑘 𝑇 = 𝑛𝑅𝑇 𝑇 (4.3)

onde RT é uma constante de proporcionalidade.

4.3.2 – Lei de Charles P = constante


O comportamento de expansão dos gases com o aumento da temperatura foi descoberto
em 1787 por Jacques Charles, um matemático, inventor e balonista francês. Em rigor, os
princípios que conduziram Charles a esta descoberta foram descritos um século antes
pelo científico e físico francês Guillaume Amontons, inventor de instrumentos. A
experiência de Charles consistiu no enchimento de 5 balões com igual volume de
diferentes gases. Posteriormente, aumentou a temperatura de cada balão até 353 K (80

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ºC) e constatou que todos eles tinham aumentado o seu volume em igual quantidade, o
que induzia uma relação de proporcionalidade entre o volume e a temperatura dos gases
estudados. No entanto, foi o químico e físico francês Joseph Louis Gay-Lussac quem,
em 1802, publicou, pela primeira vez, a ocorrência deste fenômeno. Baseou-se no
trabalho de Charles, a quem faz referência e atribui a autoria da descoberta, tendo
descrito a relação matemática precisa entre as referidas variáveis e demonstrado que o
conceito é aplicável a todos os gases. Por isso, esta relação tem vários nomes,
nomeadamente Lei de Charles, Lei de Charles e Gay-Lussac e, mais raramente, Lei de
Gay-Lussac, embora a designação mais comum aceite hoje pela comunidade científica
seja Lei de Charles. A designação “Lei de Gay-Lussac” é, normalmente, utilizada para a
relação entre outras propriedades dos gases (temperatura e pressão). A relação entre o
volume e a temperatura absoluta de um gás, à pressão constante, permitiu a
personalidades como Gay-Lussac e, principalmente, William Thomson, conhecido
também como Lord Kelvin, estabelecerem um valor mínimo absoluto de temperatura (0
K ou -273,15ºC), o que deu origem a uma nova escala de temperatura: a escala de
temperatura absoluta ou escala Kelvin que descreve a relação linear existente entre o
volume e a temperatura de um gás ideal quando a pressão se mantém constante.
A partir dessas constatações experimentais podemos expressar:
"O volume de determinada massa de gás é diretamente proporcional à temperatura
absoluta em condições de pressão constante".

𝑉𝑖 𝑉𝑓 𝑉𝑖 𝑇𝑖
= ↔ = ↔ 𝑉𝑖 𝑇𝑓 = 𝑉𝑓 𝑇𝑖 (4.4)
𝑇𝑖 𝑇𝑓 𝑉𝑓 𝑇𝑓

𝑉 = 𝑘𝑝 𝑇 (4.5)

Suponha que a temperatura aumenta. Isto significa que as moléculas dentro do


recipiente movem-se mais depressa (a energia cinética aumenta) e, portanto, a
frequência dos choques com as paredes do recipiente também aumenta. Sendo assim, a
pressão será maior. Este aumento de pressão provocará um aumento de volume do
recipiente (para este fim concebido), o que, por sua vez, pelas razões antes explicadas,
se refletirá numa diminuição da pressão até esta atingir o seu valor constante. Assim, se
a temperatura aumenta, o mesmo acontece com o volume e vice-versa.
Experimentalmente foi determinado que kP é inversamente proporcional à pressão, P, e
diretamente proporcional ao número de moles de gás, n:

𝑘𝑝 = 𝑛𝑅𝑝 /𝑃𝑜 (4.6)

onde RP é a constante de proporcionalidade.

4.3.3 – Lei de Gay-Lussac (V = const.)


Esta lei, descoberta por Joseph Louis Gay-Lussac nos princípios do século XIX,
relaciona linearmente a pressão e a temperatura de um gás ideal, se o volume se
mantiver constante, a lei de Gay-Lussac representa um caso particular da lei dos gases
ideais. Refere-se à forma como a pressão e a temperatura de uma dada massa de gás

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variam, mantendo-se o volume constante. Assim, a lei de Gay-Lussac pode ser


enunciada da seguinte forma:

“A volume constante, a pressão exercida por uma massa fixa de gás é diretamente
proporcional à sua temperatura absoluta”.
Do enunciado da lei, depreende-se que, em linguagem matemática, p/T = k p T, a
volume constante (k é uma constante; no caso de se tratar de um gás ideal, k = nR/V). É
possível estabelecer uma relação entre os valores iniciais de pressão (pi) e temperatura
(Ti) de uma dada massa de gás com os correspondentes valores finais (pf e Tf,
respectivamente) após pressurização/despressurizarão ou aquecimento/arrefecimento, a
volume constante. Atendendo ao fato que pi/Ti = k = pf/Tf, facilmente se conclui que:

𝑝𝑖 𝑝𝑓 𝑝𝑖 𝑇𝑖
= ↔ = ↔ 𝑝𝑖 𝑇𝑓 = 𝑝𝑓 𝑇𝑖 (4.7))
𝑇𝑖 𝑇𝑓 𝑝𝑓 𝑇𝑓

𝑃 = 𝑘𝑣 𝑇 (4.8)

Se a temperatura aumenta o mesmo acontece com a pressão e vice-versa. Suponha que a


temperatura aumenta. Como o volume é mantido constante, o aumento de T provocará,
elas razões antes expostas, um aumento da pressão. Experimentalmente foi determinado
que kV é inversamente proporcional ao volume, V, e diretamente proporcional ao
número de moles de gás n e a uma constante de proporcionalidade RV, i.e.,

𝑘𝑃 = 𝑛𝑅𝑉 /𝑉 (4.9)

4.4 – Equação de estado dos gases ideais

Em geral, a equação que relaciona as grandezas termodinâmicas P,T e V denomina-se


equação de estado e pode ser escrita como:

𝑓(𝑃, 𝑉, 𝑇) = 0 (4.10)

Para os gases reais a equação (7) é geralmente bastante complexa, no entanto, para os
gases ideais as grandezas, P, T e V, como já vimos, estão relacionadas de forma bastante
mais simples. Experimentalmente verificou-se que RT=RP=RV=R (ver equações (2),
(4) e (6)). Sendo assim, as leis de Boyle-Mariotte, de Gay-Lussac e de Charles, podem
ser combinadas numa só equação, denominada equação de estado dos gases ideais:

𝑃𝑉 = 𝑛𝑅𝑇 (4.11)

Onde:

P é a pressão absoluta,
V o volume,

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n o número de mols,
T a temperatura absoluta (Kelvin),
R denomina-se constante universal dos gases, R=8.314 J.mol-1 K-1.
Constante Universal dos Gases

Observação: para gases reais a equação de estado toma a seguinte forma:

𝑃. 𝑉 = 𝑍. 𝑛. 𝑅. 𝑇 (4.12)

Onde Z é denominado fator de compressibilidade dos gases reais. O fator de


compressibilidade Z pode ser definido como sendo a relação entre o volume que uma
dada massa de gás ocupa em certas condições de pressão e temperatura e o volume que
essa massa ocuparia nas mesmas condições de temperatura e pressão se fosse um gás
ideal. O fator de compressibilidade funciona, portanto, como uma espécie de fator de
correção entre o comportamento de gás ideal e o comportamento de gás real, isto é,

𝑉𝑚
𝑍= 𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 (4.13)
𝑉𝑚

Onde:
Vm = V/n é o volume molar do gás em questão e Vmideal =Videal/n; V é o volume que o
gás ocupa na verdade e Videal = nRT/p é o volume previsto pela Lei dos Gases Ideais.
Com isto, podemos escrever que:

𝑉𝑚 𝑉𝑚 𝑉𝑚 𝑝𝑉𝑚
𝑍= 𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 = 𝑉𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙
= 𝑛𝑅𝑇 = (4.14)
𝑉𝑚 𝑅𝑇
𝑛 𝑛𝑝

O fator de compressibilidade não é constante, varia com a composição do gás, com a


temperatura e com a pressão.
É fácil notar que, com esta definição, o fator de compressibilidade de um gás ideal é
sempre igual a 1, sob quaisquer condições. Além disso, perceba que os desvios da
idealidade são levados em conta medindo o volume real que o gás ocupa e comparando-
o àquele que um gás ideal ocuparia nas mesmas condições. Se Z for muito perto de 1, é
porque a equação de estado do gás ideal pode ser usada para explicar o comportamento
do gás nas condições em que o gás está. Se Z começar a divergir da unidade, significa
que a Lei dos Gases Ideais já não explica tão bem o comportamento do gás nestas novas
condições.
Note que a expressão 4.14 nos diz que o fator de compressibilidade depende das
condições em que está o gás, ou seja, Z = Z(T, p) é uma função tanto da pressão quanto

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da temperatura em que está o gás. Podemos averiguar esta dependência plotagem Z


contra a pressão a uma dada temperatura. Um exemplo é dado na Figura 4.1.
Note que a pressões muito baixas, todos os gases tem um fator de compressibilidade
perto de 1, Z ≈ 1, comportando-se praticamente como um gás ideal. As pressões altas,
todos eles tem Z > 1, o que indica que ocupam um volume molar maior do que ocuparia
um gás ideal. As pressões intermediárias, alguns gases têm Z > 1 e outros têm Z < 1.
Além disso, quanto mais perto do ponto de liquefação estiver o gás, maior o desvio da
idealidade.
Conforme comentamos acima, Z depende também da temperatura em que está o gás.
Um exemplo é dado na Figura 4.2, que mostra como o fator de compressibilidade do
gás metano varia com a pressão para algumas temperaturas.

Figura 4.1 – Fator de compressibilidade

Figura 4.2 – Fator de compressibilidade do gás metano

4.5 – Misturas Gasosas

As misturas gasosas podem ser estudadas de acordo com as Leis de Dalton a Amagat
que serão explicadas a seguir.
Lei de Dalton (Pressão Parcial). Em uma mistura gasosa, chama-se pressão parcial de
um gás a pressão que ele iria exercer se estivesse sozinho, ocupando o volume total da
mistura e na mesma temperatura em que a mistura se encontra.

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Indicando por p1 a pressão parcial do gás 1 e aplicando-se de uma mistura gasosa


qualquer composta por vários gases (2, 3, 4 , ... , n) teríamos o seguinte:

𝑃𝑡 = 𝑝1 + 𝑝2 +. . +𝑝𝑛 (4.15)

É evidente que o mesmo raciocínio pode ser aplicado a todos os demais gases da
mistura. No estudo das misturas gasosas, uma lei muito importante é a Lei de Dalton,
que diz o seguinte:
"A pressão parcial de uma mistura gasosa é a soma das pressões parciais de todos os
gases que fazem parte da mistura".
Outra conclusão importante pode obter comparando a situação de cada gás com a
situação final da mistura. De fato, considerando, por exemplo, o caso particular do gás
A, temos:
Para o gás A: 𝑝𝐴 . 𝑉 = 𝑛𝐴 . 𝑅. 𝑇
Para a mistura: 𝑃𝑡 . 𝑉 = (∑ 𝑛). 𝑅. 𝑇
Dividindo membro a membro e cancelando os fatores comuns, resulta:

𝑝𝐴 𝑛𝐴
=
𝑃𝑡 ∑ 𝑛
𝑛𝐴
A fração ∑𝑛
chamada de fração molar do gás A, e costuma ser indicada por xA.

Consequentemente, as fórmulas anteriores ficam:


A expressão matemática da lei de Dalton é:

𝑝𝐴 = 𝑃𝑡 𝑥𝐴 (4.16)

Sendo pA a pressão parcial de A, Pt a pressão total da mistura e xA a fração molar de A.


Evidentemente, o mesmo raciocínio pode ser aplicado a cada um dos demais gases da
mistura.
Lei de Amagat (Volume Parcial). - Em uma mistura gasosa, chama-se volume parcial de
um gás o volume que ele iria ocupar se estivesse sozinho, exercendo a pressão da
mistura e na mesma temperatura em que a mistura se encontra.
Indicando por v1 o volume parcial do gás 1 e aplicando-se de uma mistura gasosa
qualquer composta por vários gases (2, 3, 4 , ... , n) teríamos o seguinte:

𝑉𝑡 = 𝑣1 + 𝑣2 +. . +𝑣𝑛 (4.17)

A partir daí poderemos mencionar a Lei de Amagat:


"O volume total de uma mistura gasosa é a soma dos volumes parciais de todos os
gases componentes da mistura".
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Valem também as relações:


𝑣𝐴 𝑛𝐴
= = 𝑥𝐴
𝑉𝑡 ∑ 𝑛

𝑣𝐴 = 𝑉𝑡 𝑥𝐴 (4.18)

4.6 – Exercícios

1. Qual é o volume ocupado por 1 mol de gás atmosférico quando a pressão é 105 Pa
e a temperatura 27 °C?
2. Uma bolha de ar de 20 cm³ está num lago a 40m de profundidade e a 4°C. Supondo
que a temperatura da bolha seja sempre igual a da água na sua vizinhança, obtenha
o seu volume imediatamente antes de atingir a superfície, que está a 20°C.
3. No início de uma viagem, os pneus dianteiros de um automóvel foram calibrados
com uma pressão de 28 libras por polegada ao quadrado a temperatura ambiente de
20 ºC. Depois da viagem, a temperatura dos pneus era de 30 ºC. Calcule a nova
pressão dos pneus.
4. Um cilindro contém uma amostra de oxigênio a 200C e 15 atm num volume de 100
litros. Com um êmbolo, o volume da amostra do gás é reduzido para 80 litros,
aumentando sua temperatura para 250C. Supondo que a amostra de oxigênio se
comporte como gás ideal, calcule sua pressão final.
5. Considere uma dada amostra de um gás ideal. (a) Represente os processos
isobáricos, isocórico e isotérmico nos diagramas PV, PT e VT. (b) Discuta como as
curvas dependem da quantidade de gás da amostra.
6. O recipiente A contém uma amostra de gás ideal com temperatura de 300 K e
pressão de 5,0 x 105 Pa. O recipiente B contém uma amostra do mesmo gás com
temperatura de 400 K e pressão de 1,0 x 105 Pa. O volume do recipiente B é quatro
vezes maior do que o volume do recipiente A. Calcule a pressão de equilíbrio
quando os recipientes são ligados por um tubo estreito e suas temperaturas são
mantidas fixas.
7. Certa quantidade de gás ocupa um volume de e sua temperatura é de 450 K. Sem
que a pressão mude, sua temperatura é baixada para 300 K. Determine o volume do
gás nessa nova situação.
8. A que temperatura se deveria elevar certa quantidade de um gás ideal, inicialmente
a 300 K, para que tanto a pressão como o volume se dupliquem.
9. Analise as afirmações abaixo:
a) Uma amostra de um gás ideal que ocupa um volume de 0,5 litro a 20ºC
ocupará um volume de 1,0 litro a 40ºC se a pressão permanecer constante.
b) Um pedaço de metal a 100ºC é mergulhado na água contida em uma panela a
0º C. Quando atingido o equilíbrio térmico, e desprezado perdas de calor para
o ambiente, a temperatura do sistema será necessariamente 50ºC.
c) Calor é energia que flui entre duas regiões quando entre elas há uma diferença
de temperatura.

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TEMA 5 – PROCESSOS TERMODINÂMICOS


5.1 – Introdução

Quando um sistema não sofre qualquer tipo de influência de sua vizinhança, dizemos que
ele é um sistema isolado, e dessa maneira ele tenderá a permanecer numa mesma situação
estável. Existem diversos processos termodinâmicos simples de serem visualizados, tais
como os processos que mantenham uma função de estado constante. Entendemos por
função de estado às grandezas que definem um estado termodinâmico, tais como pressão,
volume e temperatura.
Definimos equilíbrio termodinâmico como a situação onde não acontecem mudanças em
suas funções de estado.
As possíveis mudanças podem ser de três tipos: mecânica, química e térmica.
1. Quando o meio ambiente exerce uma força sobre o sistema, essa força irá interferir no
estado seu estado de equilíbrio existente, por causa de uma perturbação mecânica. Essa
força poderá fazer que o sistema diminua o seu volume (como um êmbolo quando
pressionado). Além disso, pode associar um aumento de pressão do gás, caso o sistema
esteja em contato com um banho térmico e perca calor. Após retornar ao isolamento, e
depois de algum tempo de relaxação, o sistema alcança um novo estado de equilíbrio
mecânico.
2. Quando o sistema troca matéria com o meio que o circunda, acontece uma perturbação
química. Essa perturbação pode provocar uma alteração na composição química do sistema.
Após retornar ao isolamento, e depois de algum tempo, acontecerá novamente uma
uniformização na composição do sistema e ele alcançará um novo estado de equilíbrio
químico.
3. Quando o sistema entra em contato térmico com as vizinhanças, acontecerá uma troca de
calor, e essa perturbação afastará o sistema de seu estado de equilíbrio. Após retornar ao
isolamento, e depois de algum tempo de relaxação, o sistema alcança um novo estado de
equilíbrio térmico.
Quando o sistema se encontra em equilíbrio em relação às três condições mencionadas,
dizemos que ele está em equilíbrio termodinâmico, e nessa situação ele pode ser descrito
por suas funções de estado, que se referem ao sistema como um todo. O que seria uma
grandeza termodinâmica?
Considere um gás composto de pequenas partículas contido em um recipiente, e esse
recipiente pode apresentar-se de modos diversos. Um modelo para representar essas
partículas seria considerá-las como pequenas bolas rígidas.
Podemos variar o volume do recipiente aumentando ou diminuindo a região disponível para
as partículas do gás.
Poderemos ainda envolver o recipiente com um material isolante de maneira a impedir um
fluxo de calor entre o gás e o meio que circunda o recipiente.
E finalmente poderemos colocar o recipiente em contato com um banho térmico, de modo a
ceder ou absorver calor do gás. O banho térmico é entendido como um aparato capaz de
fornecer ou ceder qualquer quantidade de calor ao gás; variando a temperatura do gás, mas
mantendo sua própria temperatura constante. Um exemplo dessa situação seria colocar um

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copo de água a temperatura ambiente num grande balde de gelo; a grande balde de gelo irá
esfriar a água praticamente sem variar a sua própria temperatura.
A temperatura T do gás é uma função de estado. Também são funções de estado o volume
V do recipiente que confina o gás e a sua pressão p. Quando um sistema está em equilíbrio
termodinâmico, as funções p, V e T são bem definidas, e estão inter-relacionadas e definem
o estado em que o sistema se encontra. Basta que conheçamos duas e poderemos determinar
a terceira grandeza. A equação que define essa relação é conhecida como equação de
estado. No modelo do gás ideal, a equação de estado é dada por:

p𝑉 = 𝑛𝑅𝑇 (5.1)

Onde η é u número de moles do gás e R é a constante universal dos gases.


Um processo termodinâmico é um evento caracterizado pela variação de uma ou várias
funções de estado de determinado sistema.
Quando um sistema se encontra em equilíbrio termodinâmico e sofre uma pequena
variação (infinitesimal) em algumas de suas funções de estado, se deixado isolado, ele
encontrará naturalmente outra situação de equilíbrio, como novos valores de suas
funções de estado. Chama-se a essa mudança infinitesimal de processo quase estático.
Um processo reversível é necessariamente uma sequencia de processos quase estáticos.
Para que um processo seja reversível é necessário que conheçamos todas as micro-
transformações que aconteceram entre o estado inicial e o estado final.

5.2 – O Processo Isobárico (P = C)

Uma grande gama de processos ao nosso redor ocorre sem limitação de volume e,
portanto, a pressão durante esses processos se mantém constante, igual à pressão
atmosférica. Esse tipo de processo, no qual a pressão não varia, é chamado processo
isobárico, que é internamente reversível (processos quase estáticos, na ausência de
fluxo).
A primeira lei da termodinâmica nada mais é do que uma interpretação termodinâmica
do princípio de conservação de energia: a soma do calor e do trabalho definirá a
variação da energia interna do sistema:

∆𝑈 = 𝑄 + 𝑊
Agora, numa expansão, ΔV será positivo e o sistema perde energia para o meio. Numa
compressão, ΔV será negativo e o sistema ganha energia do meio. A fim de
convencionar o sinal do trabalho, definimos que, para uma expansão contra uma
pressão externa maior do que 0, o trabalho é negativo (o sistema perde energia), e para
uma compressão ele é positivo (o sistema ganha energia). Assim, acrescentamos à
equação o sinal negativo:

𝑊 = −𝑝𝑑𝑉 (5.2)

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É claro que a equação 5.2 pode ser aplicada apenas para situações em que a pressão
externa se mantém constante ao longo do processo.

𝑊 = ∫ 𝑝𝑑𝑣 = 𝑝 ∫ 𝑑𝑣 = 𝑝∆𝑣 = 𝑝2 𝑣2 − 𝑝1 𝑣1 = ∆(𝑝𝑣)


e

− ∫ 𝑣𝑑𝑝 = 0

Figura 5.1 – Processo Isobárico

Verificamos, para esses processos, se o sistema é fechado, a partir da equação:

∆𝑈 = 𝑄 − 𝑃𝑑𝑉

𝑈2 − 𝑈1 = 𝑄 − 𝑃(𝑉2 − 𝑉1 )

onde também:

∆𝑄 = ∆𝑈 + ∆𝑊

𝑄 = (𝑈2 + 𝑃𝑉2 ) − (𝑈1 + 𝑃𝑉1 ) (5.4)

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Onde Q é o calor do processo isobárico. A quantidade U + PV que aparece na equação


5.4 é denominada em termodinâmica de entalpia (H), isto é, define-se, na
termodinâmica, uma função chamada entalpia como a soma da energia interna e o
produto de pressão e volume:

𝐻 = 𝑈 + 𝑃𝑉 (5.5)
Combinando a equação 5.4 com a 5.5 temos, para um processo isobárico:

𝑄 = 𝐻2 − 𝐻1 = ∆𝐻 (5.6)

Em palavras: o calor de um processo isobárico é igual à variação da entalpia. Daí a


razão de ter-se definido a entalpia conforme a equação 5.8. Entendemos agora porque
utilizamos, tabelas com a entalpia de combustão, de formação, de ionização, de
hidratação etc. É porque esses processos ocorrem, normalmente, a pressão constante e
os valores da entalpia indicam, portanto, o calor liberado, ou consumido, pelo processo.
Em resumo temos que, para um processo isobárico (ΔP = 0):

∆𝑈 = 𝑄 + 𝑊 = 𝑄 − 𝑃𝑑𝑉

∆𝐻 = ∆𝑈 + ∆𝑃𝑉 = 𝑄 − 𝑃∆𝑉 + 𝑃∆𝑉 = 𝑄

A equação integrada (plano TS, Figura 5.1.b) é:

𝑐𝑝 𝑇
𝑑𝑆 =
𝑇

e é determinada para cp constante.

𝑆 = 𝑐𝑝 log 𝑇 + 𝐶

onde C é uma constante de integração.

5.3 – O Processo Isocórico (ou isovolumétrico. V = C)

Alguns processos, principalmente aqueles que se realizam dentro de recipientes rígidos,


ocorrem sem que haja alteração de volume. Um processo assim é chamado processo

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isocórico ou isovolumétrico, que é internamente reversível (processos quase estáticos,


na ausência de fluxo).
Para um processo isocórico, no caso de um sistema fechado, sem fluxo, Figura 5.2.c:

ΔV = 0, e:
𝑑𝑄 = 𝑑𝑈 + 𝑑𝑊 (5.7)
Como:
𝑑𝑊 = 𝑝𝑑𝑣 = 0

𝑄 = 𝑈 = 𝑚 ∫ 𝑐𝑣 𝑑𝑡

∆𝑈 = 𝑄 (5.8)

Onde Q é o calor do processo isocórico. Como não há trabalho envolvido (ΔV = 0), a
variação da energia interna é igual ao calor.

Figura 5.2 – Processo Isocórico

Na figura (5.2.b), variação de entropia, integrando:

2 𝑑𝑄 2 𝑐𝑣 𝑑𝑇 𝑇2
∆𝑆 = ∫1 = ∫1 = 𝑐𝑣 ln (5.10)
𝑇 𝑇 𝑇1

∆𝑆
𝑇2 = 𝑇1 𝑒 𝑐𝑣 (5.11)

Em resumo temos que, para um processo isocórico:

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∆𝑈 = 𝑄 + 𝑊 = 𝑄 − 𝑃∆𝑉 = 𝑄

∆𝐻 = ∆𝑈 + ∆𝑃𝑉 = 𝑄 + 𝑉∆𝑃

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5.4 – Capacidade calórica e Calor específico

Definimos uma grandeza extensiva chamada capacidade calórica (C, J K-1) como
sendo o calor por unidade de variação da temperatura de um sistema:
𝑄
𝐶= (5.12)
∆𝑇
Em outras palavras, a capacidade calórica indica quanto calor será necessário para
elevar a temperatura de um sistema de um grau Celsius ou Kelvin. Podemos transformar
a capacidade calórica numa grandeza intensiva, dividindo seu valor ou pelo volume, ou
pela massa ou pelo número de moles do sistema. Nesse caso, a grandeza é chamada de
calor específico a base de volume (c, J K-1 m-3), a base de massa (c, J K-1 kg-1) ou a base
molar (c, J K-1 mol-1):

𝐶 𝐶 𝐶
𝑐̅ = 𝑜𝑢 𝑐̅ 𝑜𝑢 𝑐̅ = (5.13)
𝑉 𝑚 𝑛

No item anterior verificamos que o calor para um processo isobárico (equação 5.6) é
diferente do de um processo isocórico (equação 5.8). Dessa forma, a capacidade
calórica e o calor específico também serão diferentes, em função do tipo de processo.
Assim, a capacidade calórica isocórica (Cv, J K-1) é igual a:

𝑄𝑣 ∆𝑈
𝐶𝑣 = = (5.14)
∆𝑇 ∆𝑇

E a capacidade calórica isobárica (Cp, J K-1) é igual a:

𝑄𝑝 ∆𝐻
𝐶𝑝 = = (5.15)
∆𝑇 ∆𝑇

Da mesma forma que definimos 𝑐̅ em função de C (equação 5.13), definimos ̅𝑐𝑣 em


função de Cv e 𝑐̅𝑝 em função de Cp.

5.5 – A relação entre 𝒄̅𝒑 e ̅𝒄𝒗

É fácil entender que para sistemas gasosos 𝑐̅𝑝 será sempre maior que ̅𝑐𝑣 pois, ao
aquecer um gás isobaricamente o seu volume aumenta, resultando em perda de energia
do sistema por trabalho. Assim, a mesma quantidade de calor resultará num ΔT menor
e, consequentemente, um c maior. No caso de um processo isocórico o trabalho será
nulo. Deduzimos, a seguir, uma relação quantitativa para essa diferença.
A partir da definição de entalpia (equação 5.5) verificamos que:

∆𝐻 = ∆𝑈 + ∆𝑃𝑉 (5.16)

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Das equações 5.14 e 5.15 segue que:

∆𝑈 = 𝐶𝑣 ∆𝑇 (5.17)

∆𝐻 = 𝐶𝑝 ∆𝑇 (5.18)

e da equação universal de gases:


∆𝑃𝑉 = ∆𝑛𝑅𝑇 = 𝑛𝑅∆𝑇 (5.19)

Substituindo as equações 5.17, 5.18 e 5.19 nas 5.16 obtêm:

𝐶𝑝 ∆𝑇 = 𝐶𝑣 ∆𝑇 + 𝑛𝑅∆𝑇 → 𝐶𝑝 = 𝐶𝑣 + 𝑛𝑅 (5.20)

Como o calor específico molar (𝑐̅) é a capacidade calórica © dividida pelo número de
moles (n), podemos escrever a equação 5.20 como:

𝑐̅𝑝 = 𝑐̅𝑣 + 𝑅 (5.21)

Verificamos que a diferença entre 𝑐̅𝑣 e 𝑐̅𝑝 é exatamente a constante universal de gases R,
ou seja, 8.314 J mol-1 K-1.
O valor do calor específico de gases ideais pode ser deduzido teoricamente. Não
detalhamos, aqui, essa dedução, mas apresentaremos apenas o resultado final:
3 5
Para gases ideais monoatômicos: 𝑐̅𝑣 = 2 𝑅 e, pela equação ∆𝑈 = 𝑄 + 𝑊, 𝑐̅𝑝 = 2 𝑅,
5 7
Para gases ideais diatômicos: 𝑐̅𝑣 = 2 𝑅 e, pela equação ∆𝑈 = 𝑄 + 𝑊, 𝑐̅𝑝 = 2 𝑅.

5.6 – O Processo Isotérmico (T = C).

Num processo isotérmico, temperatura constante, que é internamente reversível


(processos quase estáticos, na ausência de fluxo), poderá acontecer troca de energia
tanto em forma de calor como em forma de trabalho. As funções de estado p e V podem
variar. Por exemplo, absorve calor e recebe trabalho do ambiente, e acontece um
aumento da pressão e volume, sem que aconteça variação da temperatura.
Portanto, para um processo isotérmico (ΔT = 0) resulta que ΔU = 0.

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Figura 5.3 – Processo Isotérmico

Consequentemente, em resumo:

∆𝑈 = 𝑄 + 𝑊 = 0 → 𝑄 = −𝑊 (5.22)

Se o sistema é considerado um lei dos gases ideais de Boyle:

(5.23)

Onde:
pV=Constante (5.24)

então:

𝑑(𝑝𝑉) = 𝑝. 𝑑𝑉 + 𝑉. 𝑑𝑝=0 (5.25)

∫ 𝑝 𝑑𝑉 = − ∫ 𝑉 𝑑𝑝

Como: pV=Constante, então:

𝐶 𝐶
𝑝= ou: 𝑉=
𝑉 𝑝

2 𝑑𝑉 𝑉2 𝑝1
∫ 𝑝 𝑑𝑉 = − ∫ 𝑉 𝑑𝑝 = 𝐶 ∫1 𝑉
= 𝑝1 𝑉1 ln
𝑉1
= 𝑅𝑇 ln
𝑝2
=Q=W (5.26)

e:

2 𝑑𝑄 1 𝑄 𝑉 𝑝1 𝑉1 𝑝
∆𝑆 = ∫1 = ∫ 𝑑 𝑄 = = 𝑅 ln ( 2 ) = ln ( 1) (5.27)
𝑇 𝑇 𝑇 𝑉 1 𝑇1 𝑝
2

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5.7 – Processo adiabático reversível, isentrópico (s = constante )

Além dos processos ideais tratados (isotérmico, isobárico e isocórico), um quarto tipo
de processo tem grande importância na termodinâmica e, notadamente, na
termodinâmica da atmosfera: o processo adiabático. Um processo adiabático é definido
como aquele em que não há troca de calor entre o sistema e o meio, ou seja:
𝑄=0 (5.28)

Nesse caso, a primeira lei, se reduz para:

∆𝑈 = 𝑊 = −𝑃∆𝑉 (5.29)

Ou seja, a energia interna é alterada apenas por troca de energia na forma de trabalho.
Como, numa expansão, o trabalho é negativo (o sistema perde energia), a sua energia
interna diminui e conseqüentemente a sua temperatura. Numa compressão, por outro
lado, a temperatura aumenta.
Pela definição, um processo adiabático não envolve nenhum fluxo de calor, ou seja, não
ocorre troca de energia nem por radiação, nem por condução, nem por convecção. A
única forma de realizar um processo adiabático perfeito seria com um corpo branco (não
absorve nem emite radiação) no vácuo, eliminando a condução e a convecção. No
entanto, diversos processos mais comuns ao nosso redor são considerados adiabáticos.
Eles podem ser considerados adiabáticos quando:
1. São tão rápidos que não há, praticamente, tempo para a troca de calor.
Isso ocorre, por exemplo, quando o ar se comprime (num compressor, numa bomba
manual) e, como consequência, é aquecida. Contrariamente, um botijão de gás que é
esvaziado rapidamente, congela; o ar numa garrafa de refrigerante apresenta uma névoa
logo após abertura: o ar expandiu, esfriou e vapor de água condensou em consequência.

2. Envolvem volumes de matéria tão grandes que a interface com o meio é


relativamente pequena, não dando, praticamente, oportunidade para troca de calor.
Esse é o caso, por exemplo, quando grandes massas de ar sobem ou descem na
atmosfera terrestre, resultando em variações de pressão e de temperatura. Quando o ar
sobe, a pressão diminui, ocorrendo uma expansão adiabática com conseqüente redução
de temperatura.

Figura 5.4 – Processo adiabático reversível, isentrópico

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A seguir deduziremos algumas relações de interesse para uma expansão ou compressão


gasosa reversível adiabática, isto é, durante a qual não ocorre troca de calor e que é tão
lento que podemos considerar que a pressão externa é igual à interna durante todo o
processo, a exemplo do que vimos para o processo isotérmico reversível, sabemos que:

𝑃𝑉 = 𝑛𝑅𝑇

e, substituindo essa relação na 5.29 temos:

𝑛𝑅𝑇 𝑑𝑈 𝑅
𝑑𝑈 = 𝑑𝑉 → = − 𝑑𝑉 (5.30)
𝑉 𝑛𝑇 𝑉

Na relação 5.30 substituímos os símbolos Δ da equação 5.29 por d, indicando


matematicamente que, no processo reversível, se trata de diferenças infinitamente
pequenas.

Da mesma forma verificamos pela relação 5.17 que:

𝑑𝑈 = 𝐶𝑣 𝑑𝑇 (5.31)

e a substituição da equação 5.31 na 5.30 resulta em:

𝑛𝑅𝑇 𝐶𝑣 𝑐̅𝑣 𝑅
𝑑𝑈 = − 𝑑𝑉 → 𝑑𝑇 = 𝑑𝑇 = − 𝑑𝑉 (5.32)
𝑉 𝑛𝑇 𝑇 𝑇

A equação 5.32 é uma equação diferencial de fácil resolução, pois, integrando entre o
estado inicial (T1, V1) e o final (T2, V2) obtemos:

𝑇2 𝑐̅𝑣 𝑉 𝑅
∫𝑇 𝑑𝑇 = − ∫𝑉 2 𝑑𝑉 (5.33)
1 𝑇 1 𝑉

Cuja solução é:

𝑇2 𝑉2
𝑐̅𝑣 ln = −𝑅 ln (5.34)
𝑇1 𝑉1

Como 𝑐̅𝑝 = 𝑐̅𝑣 + 𝑅 equação 5.31) temos:

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𝑇2 𝑉2 𝑇2 𝑐̅𝑝 𝑉2
𝑐̅𝑣 ln = (−𝑐̅𝑝 − 𝑐̅𝑣 ) ln → ln = − ( − 1) ln (5.35)
𝑇1 𝑉1 𝑇1 𝑐̅𝑣 𝑉1

𝑐̅𝑝
O quociente é, tradicionalmente, representado pela letra grega γ e, dessa forma:
𝑐̅𝑣

𝑇2 𝑉2 𝑇2 𝑉 1−𝛾 𝑉 𝛾−1
ln = (1 − 𝛾) ln → = ( 2) = ( 1) (5.36)
𝑇1 𝑉1 𝑇1 𝑉 1 𝑉2

Sabemos também que:

𝑃2 𝑉2 𝑇2
= (5.37)
𝑃1 𝑉1 𝑇1

e, combinando 5.37 com 5.36:

𝑃2 𝑉2 𝑉1 𝛾−1 𝑃2 𝑉1 𝛾
=( ) → =( ) (5.38)
𝑃1 𝑉1 𝑉2 𝑃1 𝑉2

Da relação 5.36 extraímos que, para um processo adiabático reversível:

𝛾−1 𝛾−1
𝑇1 𝑉1 = 𝑇2 𝑉2 → 𝑇𝑉 𝛾−1 =constante (5.39)

e, da equação 5.38 deduzimos a relação entre P e V para o mesmo processo:

𝛾 𝛾
𝑃1 𝑉1 = 𝑃2 𝑉2 = 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 (5.40)

Podemos ainda deduzir que a relação entre P e T será:

1 1 1
−1 −1 −1
𝛾 𝛾
𝑃1 𝑇1 = 𝑃2 𝑇2 = 𝑃 𝛾 𝑇 = 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 (5.41)

O coeficiente γ, que aparece em todas essas equações é, como já vimos:

𝑐̅𝑝 𝑐̅𝑣 +𝑅 𝑅
𝛾= = =1+ (5.42)
𝑐̅𝑣 𝑐̅𝑣 𝑐̅𝑣

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O trabalho de um processo adiabático, Pela relação: ∆𝑈 = 𝑄 + 𝑊 verificamos que, para


um processo adiabático:

𝑊 = ∆𝑈

Vimos também que:

∆𝑈 = 𝐶𝑉 ∆𝑇

Combinando as duas relações acima obtemos a expressão que permite calcular o


trabalho de um processo adiabático:

𝑊 = 𝐶𝑉 ∆𝑇 (5.43)

5.8 – Processo politrópico

Os processos politrópicos são aqueles em que um gás realiza um processo interiormente


reversível com transferência de calor, durante o qual:

𝑝𝑉 𝑛 = 𝐶 𝑦 𝑝1 𝑉1𝑛 = 𝑝2 𝑉2𝑛 = 𝑝𝑖 𝑉𝑖𝑛 (5.44)

onde n é uma constante.

Figura 5.5 – Exemplo de diversos processos politrópicos

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Processos descritos pela equação 5.44, são chamados de politrópicos e é uma constante
que deve ser obtida, em princípio, experimentalmente. A Figura 5.5 mostra o esquema
de vários processos politrópicos representados pelos diagramas p-v e T-s com n válido
para diversos processos conhecidos como. No entanto, para alguns processos familiares
o valor de n pode ser obtido imediatamente:

Processo isobárico n=0 (pressão constante)


Processo isotérmico n=1 (temperatura constante)
Processo isentrópico n=k (entropia constante)
Processo isocórico n=∞ (volume constante)

A partir da equação 5.44 podem-se obter as seguintes relações:

𝑝2 𝑉 𝑛
= ( 1) (5.45)
𝑝1 𝑉 2

n−1
T2 p2 V n−1
n
=( ) = ( 1) (5.46)
T1 p 1 V 2

O trabalho realizado na fronteira móvel durante um processo politrópico reversível por


um gás perfeito pode ser calculado como:

2 2 𝑑𝑉 𝑝2 𝑉2 −𝑝1 𝑉1 𝑚𝑅(𝑇2 −𝑇1 )


𝑊12 = ∫1 𝑝𝑑𝑉 = 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 ∫1 = = (5.47)
𝑉 1−𝑛 1−𝑛

No caso de um sistema de massa constante, sem fluxo e reversibilidade interna, o


calor pode ser obtido pela equação:

𝑑𝑄 = 𝑑𝑈 + 𝑝𝑑𝑉

A partir da equação (5.17) segue-se que:

𝑝𝑑𝑣 = 𝑅𝑑𝑇/(1 − 𝑛)

também conhecido que 𝑑𝑈 = 𝑐𝑣 𝑑𝑇 para um gás ideal. Substituindo:

𝑅𝑑𝑇 𝑐𝑣 +𝑅−𝑛𝑐𝑣
𝑑𝑄 = 𝑐𝑣 𝑑𝑇 + = 𝑑𝑇 (5.48)
1−𝑛 1−𝑛

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Como:

𝑐𝑝 = 𝑐𝑣 + 𝑅 = 𝑘𝑐𝑣 ,

Obtemos:

𝑘−𝑛
𝑄 = [𝑐𝑣 (
1−𝑛
)] (𝑇2 − 𝑇1 ) = 𝑐𝑛 ∆𝑇 (5.49)

Onde 𝑐𝑛 : calor específico politrópico.


Note também que 𝑐𝑛 é negativo quando k> n> 1. Um calor específico negativo significa
que a substância perde calor, mas que a temperatura sobe, ou que absorve o calor
enquanto a temperatura diminui.

5.9 – Exercícios

1. Um mol de um gás ideal, sob pressão de 5.105 Pa e ocupando um volume de 5 litros,


expande-se isotermicamente até o estado final, quando P é de 1.105 Pa. Em seguida,
o gás é comprimido, isotermicamente, de volta ao estado inicial.
a) Qual é o valor da temperatura durante o processo?
b) Representar, em diagrama PV, o processo de expansão e o trabalho realizado
quando (i) a expansão se dá com redução abrupta de P de 5.105 Pa a 1.105 Pa e (ii)
quando a expansão se dá em duas etapas: na primeira P reduzindo de 5.105 Pa a
3.105 Pa; na segunda, de 3.105 Pa a 1.105 Pa.
c) Calcular o trabalho realizado em ambos os casos do item b. Comparar os valores
com o valor do trabalho do processo isotérmico reversível entre o estado inicial e
final considerado.
d) Representar, no mesmo diagrama PV, o processo de compressão e o trabalho
realizado quando (i) a compressão se dá com aumento abrupto de P de 1.105 Pa a
5.105 Pa e (ii) quando a compressão se dá em duas etapas: na primeira P aumentando
de 1.105 Pa a 3.105 Pa e, na segunda, de 3.105 Pa a 5.105 Pa.
e) Calcular o trabalho realizado em ambos os casos do item d. Comparar os valores
com o valor do trabalho do processo isotérmico reversível entre o estado inicial e
final considerado.
f) Qual é o trabalho total realizado (a soma do trabalho da expansão e o da
compressão) para o ciclo com expansão e compressão em uma etapa, em duas etapas
e seguindo o caminho reversível?
g) Você acha que é possível executar o processo pelo caminho reversível? Por quê?

2. O ar atmosférico pode ser considerado um gás diatômico.


a) Calcule o calor específico a base molar, a base de massa e a base de volume, do ar
atmosférica à pressão de 105 Pa (≈ 1 atm) e à temperatura de 300 K.

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b) Faça uma estimativa da quantidade de ar presente na sala de aula, e calcule sua


capacidade calórica.
c) Quanto tempo um aquecedor de ar de 1000 W deveria ficar ligado para aumentar a
temperatura do ar na sala em 10 °C?
d) Quanto tempo um ebullidor com a mesma potência gasta para aumentar a
temperatura de 1 m3 de água (𝑐̅𝑝 á𝑔𝑢𝑎 = 4180 J K-1 kg-1) em 10 °C?

3. Um gás ideal sofre uma transformação isobárica. Qual dos gráficos abaixo, onde V
representa volume e T representa temperatura absoluta, melhor representa essa
transformação?

4. Um gás ideal, a uma pressão de 100 atm e temperatura de 50k, sofre uma
transformação isovolumétrica, atingindo uma temperatura de 10k. A sua pressão
final será:
a) 0,20 atm; b) 20 atm; c) 500 atm; d) 0,5 atm; e) 5 atm.

5. 15 litros de determinada massa gasosa encontra-se a uma pressão de 8 atm e a


temperatura de 30ºC. Ao sofrer uma expansão isotérmica, seu volume passa a 20
litros. Qual será a nova pressão?
a)1 atm ;b) 6atm; c) 8atm; d) 5 atm; e) É impossível determinar.

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TEMA 6 – SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA


6.1 – Introdução

Este tema tem como objetivo a apresentação do porque (ou talvez, dos porquês) da
necessidade e da existência de outra lei para a Termodinâmica, e das suas
conseqüências. De uma maneira simplista, pode-se argumentar que cada uma das leis
(ou princípios) da Termodinâmica esta associada a uma propriedade: a Lei Zero (aquela
que trata do equilíbrio térmico) esta associada à temperatura; e a Primeira Lei, a energia.
Assim, seria natural que a Segunda Lei se associasse a outra propriedade e esta, como e
sabido, a entropia.
A segunda lei da termodinâmica trata dos conceitos de "ordem" e "desordem" da
matéria, estabelecendo de forma precisa como a energia térmica e a transferência de
calor está relacionada com estes conceitos. A formulação desta Lei além de fornecer
um critério para a "direção" com que é feita a transferência de calor entre dois corpos,
estabelece a diferença entre processos Reversíveis e Irreversíveis e define o que se
entende por Equilíbrio Termodinâmico. Para a formulação desta Lei é necessário
introduzir uma nova função termodinâmica denominada Entropia. Esta função é uma
quantidade extensiva que exprime quantitativamente a "desordem" de um sistema.
"Processo reversível para um sistema é aquele que tendo ocorrido pode ser invertido
sem deixar vestígios no sistema e no meio".
As causas mais comuns da irreversibilidade (contrário de reversível) nos processos reais
são: atrito, expansão não resistiva, troca de calor com diferença finita de temperatura,
mistura de substâncias diferentes, efeito de histerese, perdas elétricas do tipo,
combustão, etc.
Assim, para que um processo real se aproxime de um processo "Ideal reversível", ele
deve ser lento, sofrer transformações infinitesimais, equilíbrio contínuo, trocar calor
com diferenças mínimas de temperatura, mínimo de atrito, etc. Todos os processos reais
são "irreversíveis".

6.2 – A Segunda Lei: sua necessidade.

Num sentido geral, a segunda lei da termodinâmica afirma que as diferenças entre
sistemas em contato tendem a igualar-se. As diferenças de pressão, densidade e,
particularmente, as diferenças de temperatura tendem a equalizar-se. Isto significa que
um sistema isolado chegará a alcançar uma temperatura uniforme. Uma máquina
térmica é aquela que provêm de trabalho eficaz graças à diferença de temperatura de
dois corpos. Dado que qualquer máquina termodinâmica requer uma diferença de
temperatura, se deriva, pois que nenhum trabalho útil pode extrair-se de um sistema
isolado em equilíbrio térmico, isto é, requer irá de alimentação de energia do exterior. A
segunda lei se usa normalmente como a razão por a qual não se pode criar uma máquina
de movimento perpétuo (moto contínuo).
Máquinas térmicas. -Chamamos, genericamente, de máquina a qualquer dispositivo que
tenha por finalidade transferir ou transformar energia. As máquinas térmicas são
dispositivas em que há troca de energia na forma de calor e também há troca de energia
com o meio externo na forma de trabalho, em um processo cíclico. Esses dispositivos
têm a finalidade de obter energia mecânica a partir de trocas de calor, ou obter troca de

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calor a partir do fornecimento de energia mecânica. Os motores dos automóveis, as


geladeiras e os aparelhos de ar condicionado são exemplos de máquinas térmicas.

6.3 – Enunciados

A segunda lei da termodinâmica tem sido expressada de muitas maneiras diferentes.


Sucintamente, se pode expressar assim:
 “É impossível construir um dispositivo que opere, segundo um ciclo, e que não
produza outros efeitos, além da transferência de calor de um corpo frio para um
corpo quente”.
Em outras palavras:
 “É impossível a construção de um dispositivo que, por si só, isto é, sem intervenção
do meio exterior, consiga transferir calor de um corpo para outro de temperatura
mais elevada”. Enunciado de Clausius.
Deste enunciado, pode-se estabelecer a impossibilidade do "refrigerador ideal". Assim,
todo aparato refrigerador, para retirar calor de um ambiente, produzirá mais calor
externamente.
 É impossível construir um dispositivo que opere num ciclo termodinâmico e que não
produza outros efeitos além do levantamento de um peso e troca de calor com um
único reservatório térmico.
Em outras palavras:
É impossível a construção de um dispositivo que, por si só, isto é, sem intervenção do
meio exterior, consiga transformar integralmente em trabalho o calor absorvido de
uma fonte a uma dada temperatura uniforme.
Enunciado de Kelvin - Planck.

Figura 6.1 – Esquema da troca espontânea de calor

Deste enunciado, tem-se como consequência a impossibilidade do "motor ideal".


Toda a máquina produzirá energia a ser utilizada com desperdício de parte desta em
calor a ser perdido. Disto, já era citado por Carnot (Nicolas Léonard Sadi Carnot - físico
francês 1796 - 1832): Para transformar calor em energia cinética, utiliza-se uma
máquina térmica, porém esta não é 100% eficiente na conversão.

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Alguns autores chamam tal enunciado como "postulado" de Kelvin e assim o


descrevem: Nenhum processo é possível onde o único resultado é a absorção de calor
de um reservatório e sua conversão completa em trabalho.
Destas definições pode-se associar também o enunciado de Carnot: Para que uma
máquina térmica realize trabalho são necessárias duas fontes térmicas de diferentes
temperaturas.

Figura 6.2 – Máquina térmica

Visualizações da segunda lei. Graficamente se pode expressar imaginando uma caldeira


de um barco a vapor. Esta não poderia produzir trabalho se não fosse porque o vapor
se encontra a temperaturas e pressão elevadas comparados com o meio que a rodeia.
Outra maneira de ver a segunda lei é pela observação da sua relevância. A primeira lei é
na verdade, um princípio de contabilidade de energia: as parcelas de energia devem ser
somadas. Ou seja, a primeira lei trata das quantidades de energia. A segunda lei,
entretanto, ao dizer que energia cinética (por exemplo) pode ser integralmente
transformada em energia térmica (calor), mas não ao contrário, indica uma qualidade
para a energia:
Exemplarmente, pode-se imaginar um automóvel a 50 km/h. Ele é subitamente freado.
Toda a sua energia cinética será eventualmente transformada em energia interna das
pastilhas de freio (e outras fontes de atrito) que se aquecerão. Finalmente, certa
quantidade de calor será transferida para o meio ambiente. Entretanto, se eu ceder esta
mesma quantidade de calor ao automóvel (ou ao freio), ele não sairá do lugar.
Tais questões de eficiência têm profundas implicações no projeto de máquinas,
equipamentos e diversos processos industriais.
A segunda lei da termodinâmica tem sido enunciada como a impossibilidade de
construção de um "Motor-Perpétuo de Segunda Espécie".
Motor- perpétuo de 1a espécie - Produziria trabalho do nada ou criaria massa e energia -
violaria a 1a lei da termodinâmica.
Motor- perpétuo de 2a espécie - Violaria a segunda lei da termodinâmica (rendimento
100%)
Motor- perpétuo de 3a espécie - Motor sem atrito, consequentemente se moveria
indefinidamente, mas não produziria trabalho.
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A pergunta que logicamente aparece é a seguinte:


1. Sendo impossível um motor térmico com rendimento 100% qual o máximo
rendimento possível?
2. Qual seria a eficiência máxima que uma dada máquina pode ter a partir de um
reservatório quente a uma temperatura T1 e de um reservatório frio a uma
temperatura T2?
Máquina hipotética idealizada que fornece a eficiência máxima permitida pela
segunda lei. Seu ciclo é denominado Ciclo de Carnot.

6.4 – Ciclo de Carnot (ou Motor de Carnot). (Engenheiro Francês Nicolas Leonard
Sadi Carnot, 1796-1832)

O ciclo de Carnot (ou motor de Carnot) é um ciclo ideal reversível (Motor Térmico
Ideal), composto de dois processos adiabáticos reversíveis e de dois processos
isotérmicos reversíveis. O ciclo de Carnot independe da substância de trabalho, e
qualquer que seja ela, tem sempre os mesmos quatro processos reversíveis.

Figura 6.3 – O Ciclo de Carnot e o esquema de uma máquina térmica

Funcionando entre duas transformações isotérmicas e duas adiabáticas alternadamente,


permite menor perda de energia (Calor) para o meio externo (fonte fria).

Figura 6.4 – Ciclo de Carnot

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O rendimento da Máquina de Carnot é o máximo que uma máquina térmica trabalhando


entre dadas temperaturas da fonte quente e da fonte fria pode ter (Mas o rendimento
nunca chega a 100%).
A máquina operante no Ciclo de Carnot independe da substância com que trabalhe. Ou
seja, o rendimento de uma máquina térmica é função exclusiva das temperaturas que
formam os corpos quentes e frios. Logo, duas máquinas térmicas diferentes que operem
sob mesma temperatura (no Ciclo de Carnot) possuem rendimentos iguais.
Observação: um rendimento igual a 100% , como idealizavam os inventores, é
fisicamente impossível: para o rendimento máximo, todo calor que vem da fonte quente
deveria ser convertido em trabalho. Isto só ocorreria se a temperatura da fonte fria fosse
zero absoluto.
Aplicando-se o Princípio da Conservação, matematicamente podemos dizer que:

𝑄1 = 𝑊 + 𝑄2 𝑜𝑢 𝑊 = 𝑄1 − 𝑄2 (6.1)

Pode-se mostrar que o rendimento térmico do ciclo de Carnot é função somente da


Temperatura, isto é:

𝑊 𝑄1 −𝑄2 𝑄2
η= = =1− (6.2)
𝑄1 𝑄1 𝑄1

𝑄 𝑇2
(𝑄2) =
𝑇1
(6.3)
1 𝑟𝑒𝑣𝑒𝑟𝑠í𝑣𝑒𝑙

𝑻𝟐
η= 1 − (6.4)
𝑻𝟏

6.5 – Entropia e Segunda Lei da Termodinâmica

Os processos que ocorrem num único sentido são chamados de irreversíveis. A chave
para a compreensão de por que processos unidirecionais não podem ser invertidos
envolve uma grandeza conhecida como entropia.
O caráter unidimensional dos processos irreversíveis é tão evidente que o tomamos
como certo. Se tais processos ocorressem no sentido “errado”, ficaríamos abismados. A
entropia é diferente da energia no sentido de que a entropia não obedece a uma lei de
conservação.
“Se um processo irreversível ocorre num sistema fechado, a entropia S do sistema
sempre aumenta, ela nunca diminui”
Existem duas maneiras equivalentes para se definir a variação na entropia de um
sistema:

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1) Em termos da temperatura do sistema e da energia que ele ganha ou perde na forma


de calor e;
2) Contando as maneiras nas quais os átomos ou moléculas que compõem o sistema
podem ser arranjados.
Considerando a expansão livre de um gás ideal, a figura 6.5 mostra este gás na situação
(a) inicial i. Depois de aberta a válvula, o gás rapidamente ocupa todo o recipiente,
atingindo seu estado final f.

Figura 6.5 – Processo irreversível

O diagrama p-V do processo mostra a pressão e o volume do gás no seu estado inicial i
e final f. a pressão e o volume são propriedades de estado, ou seja, dependem apenas do
estado do gás e não da forma como ele atingiu este estado. Outras propriedades de
estado são a temperatura e a energia. Supomos agora que o gás possui ainda outra
propriedade de estado – sua entropia. Além disso, definimos a variação da entropia
𝑆𝑓 − 𝑆𝑖 do sistema durante um processo que leva o sistema de um estado inicial para um
estado final como:

𝑓 𝑑𝑄
∆𝑆 = 𝑆𝑓 − 𝑆𝑖 = ∫𝑖 (6.5)
𝑇

Q é a energia transferida na forma de calor para o sistema, ou dele retirada durante o


processo. T é a temperatura em kelvins. Como T é sempre positiva, o sinal de ΔS é o
mesmo do de Q. A unidade é J / K.
No caso da expansão livre do gás ideal, os estados intermediários não podem ser
mostrados porque eles não são estados de equilíbrio. O gás preenche rapidamente todo o
volume, a pressão, o volume e a temperatura variam de forma imprevisível. Desta
forma, não é possível traçar uma trajetória pressão-volume para a expansão livre.

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Se a entropia é uma função de estado, ela irá depender apenas do estado inicial e final
do gás e não da forma com que o sistema evoluiu de um estado a outro.
Ao substituirmos a expansão livre irreversível por um processo reversível que conecta
os mesmos estados i e f, será possível traçar uma trajetória entre estes estados e
encontrar uma relação entre T e Q, que nos permita usar a equação posta inicialmente.

Vimos acima que a temperatura de um gás ideal não varia durante uma expansão livre
Tf= Ti= T . Assim os pontos i e f devem estar sobre a mesma isoterma. Assim:

1 𝑓
∆𝑆 = 𝑆𝑓 − 𝑆𝑖 = ∫𝑖 𝑑𝑄 (6.6)
𝑇

𝑄
∆𝑆 = 𝑆𝑓 − 𝑆𝑖 = (6.7)
𝑇

6.6 – Exercícios

1. Calcular o rendimento térmico de um motor de Carnot que opera entre 5000C e 400C.
2. Propõe-se construir um motor térmico para operar no oceano, num local onde a
temperatura na superfície é de 200C e a grande profundidade é de 50C. Qual é o
rendimento térmico máximo possível de tal motor.
3. Um determinado coletor solar produz uma temperatura máxima de 100oC, a energia
coletada deve ser usada como fonte térmica num motor térmico. Qual é o máximo
rendimento do motor se ele opera num meio à temperatura de 100C? O que
aconteceria se o coletor fosse projetado para focalizar e concentrar a energia solar de
modo a produzir uma temperatura máxima de 300 0C.
4. Suponha que 4 moles de um gás ideal sofrem uma expansão isotérmica reversível do
volume V1 para o volume V2 = 2V1 em uma temperatura T=400K . Encontre (a) o
trabalho realizado pelo gás e (b) a variação de entropia do gás. (c) Se a expansão
fosse reversível e adiabática em vez de isotérmica, qual seria a variação de entropia
do gás?
5. Quanta energia deve ser transferida na forma de calor para uma expansão isotérmica
reversível de um gás ideal a 132 0C se a entropia do gás aumenta por 46,0 J/K?
6. Encontre (a) a energia absorvida na forma de calor e (b) a variação de entropia de um
bloco de cobre de 2,00Kg cuja temperatura é aumentada reversivelmente de 25,0C
para 100 0C. O calor específico do cobre é 386 J/kg.K.
7. Uma máquina de Carnot opera entre 235 0C e 115 0C, absorvendo 6,3x104J por ciclo
na temperatura mais alta. (a) Qual é a eficiência da máquina? (b) Quanto trabalho por
ciclo esta máquina é capaz de realizar?
8. Uma máquina de Carnot possui uma eficiência de 22%. Ela opera entre reservatórios
de temperaturas constantes diferindo em temperatura por 750C. Quais são as
temperaturas dos reservatórios (a) quente e (b) frio?

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TEMA 7 – PROCESSOS E TECNOLOGIAS DE


CONVERSÃO ENERGIA DE BIOGÁS E LODO:
PIRÓLISE, GASEIFICACÃO E COMBUSTÃO DE LODO
7.1 – Introdução.

O controle da poluição das águas é essencial para a saúde da população humana assim
como para o meio em que essa se insere. O processo de tratamento de efluentes líquidos
remete a uma importante questão ambiental: a correta disposição final para o lodo
gerado.
Como alternativas, podem ser citadas o uso na agricultura, disposição em aterro
sanitário e incineração. Este resíduo pode ser transformado em combustível como uma
fonte de energia alternativa. Ainda, as cinzas resultantes da queima podem ser utilizadas
como fonte de material cerâmico devido à similaridade dos mesmos. Estudos recentes
reportam a fabricação de telhas, tijolos e cimentos com as cinzas de lodo de esgoto.

A gestão dos resíduos sólidos provenientes de processos industriais e de tratamento de


efluentes industriais e sanitários é uma das questões de maior relevância na agenda
ambiental da maioria dos países. Particularmente, em determinadas regiões, vem se
agravando em conseqüência do acelerado processo de industrialização, em função da
diversificação do parque industrial e da geração de ampla gama de tipos de resíduos,
aliados à elevação do crescimento demográfico (DE SENA, 2005).
A produção de energia elétrica e térmica, a partir de biomassas, atualmente é muito
defendida como uma alternativa importante para países em desenvolvimento (ANEEL,
2006). Sistemas de co-geração, que permitem produzir, simultaneamente, energia
elétrica e calor útil, configuram uma das tecnologias mais racionais para a utilização de
combustíveis.
As biomassas mais comuns para uso em co-geração de energia são os resíduos
agrícolas, madeira e plantas como a cana-de-açúcar, que são cultivadas e colhidas com o
objetivo de produzir combustível e gerar energia (BOTÃO e LACAVA, 2004). O uso
de lodos de estações de tratamento de efluentes como combustível alternativo na co-
geração de energia vem sendo estudado por diversos autores, porém seu emprego ainda
não é bem difundido (DE SENA et al, 2007; SÄNGER et al, 2001).
Em condições favoráveis, a biomassa pode contribuir de maneira significativa na
produção de energia elétrica e térmica. A aplicação de resíduos sólidos como biomassa
e alternativa como combustível estão intimamente ligadas às suas características físicas
e químicas e ao seu comportamento frente a condições de combustão e pirólise.
O conhecimento dos possíveis eventos térmicos que ocorrem nestas condições é
importante devido, principalmente, ao controle do processo visando obter produtos
aceitáveis e reutilizáveis na geração de energia. Técnicas termo analíticas
particularmente análises térmicas diferenciais (ATD) e análise termogravimétrica
(ATG) fornecem estas informações de maneira rápida e simples.

7.2 – Conceito de biomassa

71
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Do ponto de vista da geração de energia, o termo biomassa abrange os derivados


recentes de organismos vivos utilizados como combustíveis ou para a sua produção. Do
ponto de vista da ecologia, biomassa é a quantidade total de matéria viva existente num
ecossistema ou numa população animal ou vegetal. Os dois conceitos estão, portanto,
interligados, embora sejam diferentes.
Na definição de biomassa para a geração de energia excluem-se os tradicionais
combustíveis fósseis, embora estes também sejam derivados da vida vegetal (carvão
mineral) ou animal (petróleo e gás natural), mas são resultado de várias transformações
que requerem milhões de anos para acontecerem. A biomassa pode considerar-se um
recurso natural renovável, enquanto que os combustíveis fósseis não se renovam em
curto prazo.
A biomassa é utilizada na produção de energia a partir de processos como a combustão
de material orgânico produzida e acumulada em um ecossistema, porém nem toda a
produção primária passa a incrementar a biomassa vegetal do ecossistema. Parte dessa
energia acumulada é empregada pelo ecossistema para sua própria manutenção. Suas
vantagens são o baixo custo, é renovável, permite o reaproveitamento de resíduos e é
menos poluente que outras formas de energias como aquela obtida a partir de
combustíveis fósseis.
A queima de biomassa provoca a liberação de dióxido de carbono na atmosfera, mas
como este composto havia sido previamente absorvido pelas plantas que deram origem
ao combustível, o balanço de emissões de CO2 é nulo.

7.3 – Utilização da biomassa como combustível

Um dos primeiros empregos da biomassa pelo ser humano para adquirir energia teve
início com a utilização do fogo como fonte de calor e luz. O domínio desse recurso
natural trouxe à humanidade a possibilidade de exploração dos minerais, minérios e
metais, marcando novo período antropológico. A madeira do mesmo modo foi por um
longo período de tempo a principal fonte energética. Com ela, a cocção, a siderurgia e a
cerâmica foram empreendidas. Óleos de fontes diversas eram utilizados em menor
escala. O grande salto da biomassa deu-se com o advento da lenha na siderurgia, no
período da Revolução Industrial.
Nos anos que compreenderam o século XIX, com a revelação da tecnologia a vapor, a
biomassa passou a ter papel primordial também para obtenção de energia mecânica com
aplicações em setores na indústria e nos transportes. A despeito do início da exploração
dos combustíveis fósseis, como o carvão mineral e o petróleo, a lenha continuou
desempenhando importante papel energético, principalmente nos países tropicais. No
Brasil, foi aproveitada em larga escala, atingindo a marca de 40% da produção
energética primária, porém, para o meio-ambiente um valor como esse não é motivo
para comemorações, afinal, o desmatamento das florestas brasileiras aumentou nos
últimos anos.
Durante os colapsos de fornecimento de petróleo que ocorreram durante a década de
1970, essa importância se tornou evidente pela ampla utilização de artigos procedentes
da biomassa como álcool, gás de madeira, biogás e óleos vegetais nos motores de
combustão interna. Não obstante, os motores de combustão interna foram
primeiramente testados com derivados de biomassa, sendo praticamente unânime a
declaração de que os combustíveis fósseis só obtiveram primazia por fatores
econômicos, como oferta e procura, nunca por questões técnicas de adequação.
72
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Para obtenção das mais variadas fontes de energia, a biomassa pode ser utilizada de
maneira vasta, direta ou indiretamente. O menor percentual de poluição atmosférica
global e localizada, a estabilidade do ciclo do carbono e o maior emprego de mão-de-
obra, podem ser mencionados como alguns dos benefícios de sua utilização.
Igualmente, em relação a outras formas de energias renováveis, a biomassa, como
energia química, tem posição de destaque devido à alta densidade energética e pelas
facilidades de armazenamento, câmbio e transporte. A semelhança entre os motores e
sistemas de produção de energia de biomassa e de energia fóssil é outra vantagem, dessa
forma a substituição não teria um efeito tão impactante nem na indústria de produção de
equipamentos nem nas bases instituídas para transporte e fabricação de energia elétrica.

7.4 – Processos de conversão energética da biomassa.

7.4.1 – Processos Termoquímicos.


Os processos termoquímicos baseiam-se na utilização de calor como fonte de transformação
da biomassa. São métodos que têm vindo a ser desenvolvidos para a conversão da biomassa
residual obtida a partir das atividades agrícolas e florestais e das indústrias de transformação
agro - alimentar e da madeira. Estes processos são:
 Combustão
 Pirólise
 Gaseificação

Tabela 7.1. Dados indicativos sobre a eficiência de diferentes processos de conversão de


biomassa.

7.4.1.1 – Combustão
A reação de combustão é baseado na reação química exotérmica de uma substância ou
mistura de substâncias denominadas combustível com o oxigênio. Característica desta
reação é a formação de uma chama, que é o gás de massa incandescente emite luz e
calor, que está em contacto com substâncias combustíveis.
Combustíveis.- Combustível é toda substância (sólida, líquida ou gasosa) que ao reagir
com oxigênio libera energia térmica (calor).Os combustíveis, compostos por substâncias
formadas de carbono e hidrogênio, são chamados também de hidrocarbonetos. Podem
ser classificados de acordo com sua origem:
 Origem vegetal: madeira, resíduos vegetais, carvão vegetal, metanol,
 Origem mineral: carvão mineral, petróleo e seus derivados (gasolina, diesel,
querosene),

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 Origem bioquímica: álcool etílico (obtido por fermentação alcoólica e posterior


destilação), gás metano (obtido por fermentação anaeróbica de esterco e resíduos
vegetais).

Composição dos combustíveis. - Os combustíveis sólidos e líquidos apresentam em


sua composição alguns dos seguintes elementos ou compostos:
 Carbono C---------------combustível
 Hidrogênio H------------combustível
 Oxigênio O--------------- comburente
 Enxofre S----------------- combustível
 Nitrogênio N------------- inerte
 Umidade H2O----------- lastro (Balastro)
 Cinzas (Z)----------------- lastro

Massa de trabalho

C t  H t  O t  S t  N t  At  W t  100% (7.1)

Massa seca

C S  H S  O S  S S  N S  AS  100% (7.2)

Massa Combustível

C C  H C  O C  S C  N C  100% (7.3)

Composição técnica:

 K = Carvão(Coque)
 V = Volátil
 A = Cinza
 W = Umidade

K  V  A  W  100% (7.4)

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Os combustíveis gasosos são uma mistura de gases combustíveis e inertes. Por


exemplo:
 CO, H2, CH4 (metano), C2H6 (etano), C3H8 (propano), C4H10 (butano) ⇒ gases
combustíveis.
 CO2, O2, N2 ⇒ gases inertes (não reagem com o O2 e não geram calor).

𝐶𝐻4 + 𝐶𝑂 + 𝐻2 + 𝐶2 𝐻6 + 𝐶𝑂2 + 𝐶3 𝐻8 + ⋯ ∑ 𝑚 𝐶𝑚 𝐻𝑛 (7.5)

Propriedades gerais dos combustíveis


Poder calorífico
O poder calorífico é a quantidade de energia que a unidade de massa de matéria pode
desprender uma reação química à oxidação (excluindo as reações nucleares, não fissão,
química nuclear ou fusão, e que esta vai utilizar a fórmula E = mc ²).
O poder calorífico expressa a energia máxima que pode libertar a ligação química entre
um combustível e oxidante e é igual à energia que manteve os átomos das moléculas de
combustível menos a energia utilizada na formação de novas moléculas nos materiais (
geralmente gás) formado durante a combustão. A magnitude do valor calorífico pode
variar dependendo da forma como medir.
Portanto, foi utilizado o poder calorífico nome para o calor realmente produzida na
reação de combustão e poder calorífico para o calor realmente utilizável, e desperdício
de energia produzida a partir da condensação da água e outros processos de pequena
impo
Poder calorífico superior (Pcs): quantidade de calor liberada por 1 kg de combustível
quando todos os produtos da combustão são resfriados até a temperatura ambiente.
Neste caso o vapor de água está condensado, na fase líquida.
Poder calorífico inferior (Pci): quantidade de calor liberada por 1 kg de combustível
resultando vapor d’água saturado como um dos produtos da combustão.
Em todos os casos, o poder calorífico inferior pode ser calculada para combustíveis
líquidos e sólidos a partir de:

𝑄𝑐𝑖 = 𝑄𝑐𝑠 − 25(9𝐻 + 𝑊) 𝑘𝐽/𝑘𝑔 (7.6)

Existem fórmulas empíricas que permitem o cálculo do valor calorífico a partir de


análise elementar e do seu conteúdo de umidade, e incluem:
Fórmula de Mendeleyev:

𝑄𝑐𝑖 = 0.34𝐶 + 1.03𝐻 − 0.11(𝑂 − 𝑆) − 0.025𝑊, 𝑀𝐽/𝑘𝑔 (7.7)

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Fórmula de Dulong:

𝑂
𝑄𝑐𝑖 = 0.330𝐶 + 1.421 (𝐻 − 8 ) + 0.092𝑆 − 0.229(9𝐻 + 𝑊), 𝑀𝐽/𝑘𝑔 (7.8)

Para combustíveis Gasosos, a fórmula de Dulong para combustíveis gasosos se baseia


na composição do gás. Por exemplo, para um combustível gasoso composto de CO
(monóxido de carbono), H2 (gás hidrogênio), CH4 (metano), C2H2 (acetileno ou etino) e
C2H4 (etileno ou eteno), pode-se calcular o poder calorífico através do percentual e do
poder calorífico de cada composto presente no gás:

𝑃𝑐𝑠 = 12.76𝐶𝑂 + 12.85𝐻2 + 39.776𝐶𝐻4 + 58.41𝐶2 𝐻2 + 62.802𝐶2 𝐻4 , 𝑀𝐽/𝑘𝑔 (7.9)

𝑃𝑐𝑖 = 12.76𝐶𝑂 + 10.81𝐻2 + 37.7134𝐶𝐻4 + 56.52𝐶2 𝐻2 + 58.83𝐶2 𝐻4 , 𝑀𝐽/𝑘𝑔 (7.10)

Os combustíveis líquidos:
 Ponto de fulgor: é a temperatura do combustível na qual, sob a ação de uma chama
sobre a superfície líquida do mesmo, provoca uma ignição e combustão transitória.
Importante propriedade para a segurança de armazenamento.
 Ponto de ignição: temperatura do combustível na qual a chama provoca uma
combustão continuada sobre a superfície do mesmo.
 Temperatura de auto-ignição: temperatura mínima de uma mistura ar/combustível na
qual a combustão é iniciada e se mantém, sem a presença de uma chama.
 Ponto de fluidez: temperatura mínima necessária para que o combustível se torne um
fluido.
 Viscosidade: importante propriedade que vai determinar as temperaturas de
armazenamento, bombeamento econômico e pulverização (atomização) para
combustão.
Outras propriedades de combustíveis líquidos são aplicáveis apenas a combustíveis
automotivos (gasolina, óleo diesel), tais como a octanagem, o período de indução e a
cetano. Todas as propriedades têm normas e métodos de medição e algumas podem
variar em resultado conforme o método utilizado.
Os combustíveis gasosos tem aumentado sua aplicabilidade na Indústria, respondendo a
demanda por fontes de energia mais limpas e eficientes. Algumas propriedades
importantes necessitam ser conhecidas para os combustíveis gasosos. A composição
química pode ser facilmente determinada através da análise laboratorial, em
cromatógrafos químicos.
O poder calorífico é normalmente dado em termos de energia/volume, relativa a
determinada condição de Temperatura e Pressão. Em alguns casos pode ser fornecido
em termos de energia/massa.
 Densidade relativa: é a densidade do gás relativa ao ar nas mesmas condições e
temperatura e pressão.

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 Número de Wobbe: é uma relação entre poder calorífico e densidade relativa dada
pela equação:

𝑃𝐶𝑖
𝑊= (7.11)
√𝑑𝑟

A importância do número de Wobbe está ligada a intercambialidade de gases para uma


mesma aplicação ou queima dor. Observe que a relação de Poder Calorífico e a raiz
quadrada da densidade relativa têm a ver com a quantidade de energia (por volume) que
é possível passar por determinado orifício com a queda de pressão correspondente. Em
outras palavras, no que se refere à potencia de um dado queima dor, gases com o mesmo
número de Wobbe vão apresentar o mesmo desempenho energético.

7.4.1.2 – Formas de combustão


Combustão Completa: É aquela em que a queima produz calor e chamas e se processa
em ambiente rico em comburente.
Combustão Incompleta: É aquela em que a queima produz calor e pouca ou nenhuma
chama e se processa em ambiente pobre em comburente.
Combustão Espontânea: É aquela gerada de maneira natural, podendo ser pela ação de
bactérias que fermentam materiais orgânicos, produzindo calor e liberando gases.
Alguns materiais entram em combustão sem fonte externa de calor. Ocorre, também, na
mistura de determinadas substâncias químicas, quando a combinação gera calor e libera
gases.
Explosão: É a queima de gases ou partículas sólidas em altíssima velocidade, em locais
confinados.

Figura 7.1 – Combustão

7.4.1.3 – Reações estequiométricas de combustão


Reação de combustão de sólidos e líquidos:

Combustão completa:

𝐶 + 𝑂2 → 𝐶𝑂2 ∆𝐻1 = −33900𝑘𝐽/𝑘𝑔

𝐻2 + 1⁄2 𝑂2 → 𝐻2 𝑂 ∆𝐻2 = −141800𝑘𝐽/𝑘𝑔

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𝑆 + 𝑂2 → 𝑆𝑂2 ∆𝐻3 = −9200𝑘𝐽/𝑘𝑔


Combustão incompleta:

𝐶 + 1⁄2 𝑂2 → 𝐶𝑂 ∆𝐻4 = −23906𝑘𝐽/𝑘𝑔

Reações de base:

12,01 kg do C + 32 kg do O2 = 44,01 kg do CO2;

4,032 kg do H2 + 32 kg do O2 = 36,032 kg do H2O;

32,06 kg do S + 32 kg do O2 = 64,06 kg do SO2.


Da reação de combustão do carbono temos que:
Para queimar 1 kg de carbono C é necessário 32/ 12,01 = 2,664 kg de oxigênio;
Para queimar 1 kg do hidrogênio H é necessário 32/ 4,032 = 7,937 kg de oxigênio;
Para queimar 1 kg do enxofre S é necessário 32/ 32,06 = 0,998 kg de oxigênio.

Exemplos de reações básicas de combustão para gases são:

CO + ½ O2 → CO2

CH4 + 2 O2 → CO2 + 2 H2O

C2H6 + 7/2 O2 → 2CO2 + 3 H2O

H2 + ½ O2 → H2O

7.4.1.4 – Balanço de Massa e Energia nos Processos de Combustão


O balanço de massa e energia nos processos de combustão é o primeiro passo para
proceder-se ao dimensionamento ou avaliação de eficiência de uma câmara de
combustão.
Para controlar funcionamento ótimo de um motor térmico em vários regimes de
funcionamento, é necessário saber calcular a quantidade do ar necessária para a
combustão do combustível, a composição e a quantidade de produtos de combustão.
Estes valores podem ser obtidos a partir da análise das reações químicas dos elementos
combustíveis do combustível.
Cálculo de quantidade teórica de ar necessária para a Combustão. Para controlar
funcionamento ótimo de um motor em vários regimes de funcionamento, é necessário
saber calcular a quantidade do ar necessária para a combustão do combustível, a
composição e a quantidade de produtos de combustão. Estes valores podem ser obtidos
a partir da análise das reações químicas dos elementos combustíveis do combustível.

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Sabendo a composição elementar do combustível e coeficientes numéricos , podemos


calcular a quantidade necessária de oxigênio para a combustão completa dos elementos
químicos combustíveis do combustível líquido e sólido:

𝐶𝑡 𝐻𝑡 𝑆𝑡 𝑘𝑔 𝑑𝑜 𝑂2
2.664 100 + 7.937 100 + 0.998 100 , ( ⁄𝑘𝑔 𝑑𝑜 𝑐𝑜𝑚𝑏𝑢𝑠𝑡í𝑣𝑒𝑙 ) (7.7)

Se no combustível exista o oxigênio próprio, então a necessidade do oxigênio do ar para


a combustão diminui e na fórmula acima aparece o oxigênio do combustível com sinal
negativo.
Tomando em consideração que a porcentagem volumétrica do oxigênio no ar é de 21%
(a parte restante é o nitrogênio) podemos calcular o volume do ar teoricamente
necessário para combustão de um kg do combustível líquido e sólido:

100 1 𝐶𝑡 𝐻𝑡 𝑆𝑡 𝑂𝑡 3
𝑜
𝑉𝑎𝑟 = .𝜌 (2.664 100 + 7.937 100 + 0.998 100 − 100) , 𝑁𝑚 ⁄𝑘𝑔 (7.8)
21 𝑂2

Onde:
𝜌𝑂2 − Densidade do oxigênio em condições normais
101325∗32 𝑘𝑔⁄
𝜌𝑂2 = = 1.428
8314∗273.15 𝑁𝑚3

Substituindo o valor da densidade do oxigênio na fórmula acima, teremos para um


combustível líquido e solido:

3
𝑜
𝑉𝑎𝑟 = 0.0888(𝐶 𝑡 + 0.375𝑆 𝑡 ) + 0.265𝐻 𝑡 − 0.0333𝑂𝑡 , 𝑁𝑚 ⁄𝑘𝑔 (7.9)
Para calcular a quantidade do ar estequiométrico para a combustão do combustível
gasoso voltamos para. Os componentes: N2,, CO2 e H2O (nitrogênio, dióxido de
carbono e vapor de água) são componentes incombustíveis, pois eles não participam de
reações de combustão. A combustão do metano - CH4 ocorre pela reação seguinte:

𝐶𝐻4 + 2𝑂2 = 𝐶𝑂2 + 2𝐻2 𝑂

Para a combustão de um mole do metano são precisos dois moles do oxigênio, para
etano -C2H6 é necessário 3,5 moles do oxigênio etc. As reações de hidrocarbonetos
gasosos - Cm Hn na forma geral podem ser unidas:

𝑛 𝑛
𝐶𝑚 𝐻𝑛 + (𝑚 + ) 𝑂2 = 𝑚𝐶𝑂2 + 𝐻2 𝑂 (7.10)
4 2

𝑛
Pois para a combustão de um mole de hidrocarboneto 𝐶𝑚 𝐻𝑛 são necessários (𝑚 + 4)
moles do oxigênio.
Outras reações de combustão de componentes combustíveis são seguintes:

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𝐻2 𝑆 + 1.5𝑂2 = 𝐻2 𝑂 + 𝑆𝑂2 (7.11)

Para combustão de um mole de gás sulfúrico são necessários 1,5 moles do oxigênio. A
reação de combustão de monóxido do carbono:

𝐶𝑂 + 0.5𝑂2 = 𝐶𝑂2 (7.12)

Para a combustão de um mole do monóxido do carbono é necessário metade de mole do


oxigênio. A reação de combustão do hidrogênio – H2:

𝐻2 + 0.5𝑂2 = 𝐻2 𝑂 (7.13)

Para a combustão de um mole do hidrogênio é necessário metade de mole do oxigênio.


Juntando as reações de combustão de todos componentes podemos determinar o volume
estequiométrico do oxigênio necessário para a combustão de um metro cúbico do
combustível gasoso apresentado pela equação seguinte:

1 3
𝑉𝑂𝑜2 = 100 (0.5𝐶𝑂 + 0.5𝐻2 + 1.5𝐻2 𝑆 + ∑(𝑚 + 𝑛⁄4)𝐶𝑚 𝐻𝑛 − 𝑂2 ) 𝑁𝑚 ⁄𝑁𝑚3 (7.14)

Tomando em conta que a porcentagem volumétrica do oxigênio no ar é de 21%


podemos calcular o volume do ar necessário para a combustão de um metro cúbico do
combustível gasoso. Para isto a equação anterior é multiplicada por coeficiente 100/21.
Ao final temos:

3
𝑜
𝑉𝑎𝑟 = 0.0476(0.5𝐶𝑂 + 0.5𝐻2 + 1.5𝐻2 𝑆 + ∑(𝑚 + 𝑛⁄4)𝐶𝑚 𝐻𝑛 − 𝑂2 ), 𝑁𝑚 ⁄ (7.15)
𝑁𝑚3

7.4.1.5 – Cálculo de composição de produtos de combustão

No caso da combustão completa com excesso de ar (λ >1), a composição de principais


produtos de combustão será a seguinte:

CO2, SO2, H2O, N2, O2

Nos produtos de combustão aparece o oxigênio do ar em excesso.

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Para calcular o volume de dióxido do carbono – CO2 gerado na combustão de


combustíveis líquidos e sólidos temos que:

12.01𝑘𝑔 𝑑𝑜 𝐶 + 32𝑘𝑔 𝑑𝑜 𝑂2 = 44.01𝑘𝑔 𝑑𝑜 𝐶𝑂2 (7.16)


44.1
Um kg do carbono vai gerar 12.01 = 3.664 kg do dióxido do carbono, onde 44,01 é a
massa molecular do dióxido do carbono:

(𝜇𝐶𝑂2 = 𝜇𝑐 + 2𝜇𝑜 = 12.01 + 2 ∗ 16 = 44.01𝑗𝑔/𝑘𝑚𝑜𝑙)

Onde:
𝜇𝐶𝑂2 - Massa molecular do CO2
𝜇𝑐 - Massa atômica do C
𝜇𝑜 - Massa atômica do O

A densidade do dióxido do carbono em condições de referência é calculada:

101325 ∗ 44.01 𝑘𝑔
𝜌𝐶𝑂2 = = 1.964 ⁄
8314 ∗ 273.15 𝑁𝑚3

Logo podemos calcular o volume do dióxido de carbono gerado da combustão de um kg


do combustível líquido e sólido:

3
𝐶𝑡 𝑁𝑚𝐶𝑂2⁄𝑡
𝑉𝐶𝑂2 = 3.664 = 0.01866𝐶 𝑘𝑔 (7.17)
100𝜌𝐶𝑂2

Onde:
Ct - porcentagem do carbono na massa de trabalho do combustível.

Para calcular o volume do vapor de água 𝑉𝐻2𝑂 nos produtos de combustão, segundo a
reação:

4,032 kg do H2 + 32 kg do O2 = 36,032 kg do H2O


Temos que a combustão de um kg do hidrogênio vai gerar:

2𝜇𝐻2 𝑂 2 ∗ 1.008 + 16
= = 8.937𝑘𝑔
4𝜇𝐻 4 ∗ 1.008
Onde:
𝜇𝐻2 𝑂 - Massa molecular de vapor de água
𝜇𝐻 - Massa atômica do H

81
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A densidade do vapor da água em condições de referência é calculada:

101325 ∗ 18.016 𝑘𝑔
𝜌𝐻2 𝑂 = = 0.804 ⁄
8314 ∗ 273.15 𝑁𝑚3

O volume do vapor de água em produtos de combustão devido à queima do hidrogênio:

𝐻𝑡 3
𝑉𝐻2 𝑂,𝐻2 = 8.937 = 0.111𝐻𝑡 , 𝑁𝑚 ⁄𝑘𝑔 (7.18)
100𝜌𝐻2 𝑂

O vapor de água aparece em produtos de combustão devido à umidade do combustível


Wt:

𝑊𝑡 3
𝑉𝐻2 𝑂,𝑊 𝑡 = = 0.0124𝑊 𝑡 , 𝑁𝑚 ⁄𝑘𝑔 (7.19)
100𝜌𝐻2 𝑂

Certa quantidade do vapor da água existe no ar atmosférico usado na combustão. A


quantidade da água no ar pode ser calculada a partir de umidade reativa do ar. No caso
geral, a umidade relativa do ar varia. Ela depende de teor da água no ar e de temperatura
do ar.
Em cálculos de combustão é considerado que o ar usado na combustão tem e a umidade
relativa média de φ =70%. Nestas condições o ar contem ~ 10 gramas da água em um
kg do ar, pois teor da água no ar d =0,01 kg do vapor em um kg do ar.
O volume do vapor contido em um metro cúbico do ar em condições de referência será:

𝑑 ∗ 𝜌𝑎𝑟 0.01 ∗ 1.294 3


= = 0.0161 𝑁𝑚 ⁄
𝜌𝐻2 𝑂 0.804 𝑁𝑚3

Agora, basta multiplicar o valor de 0,0161 vezes o volume real do ar na combustão de


um kg do combustível e logo recebemos o volume do vapor de água do ar em produtos
de combustão, referente um kg do combustível:

𝑂 𝑁𝑚 3
𝑉(𝐻2 𝑂)𝑎𝑟 = 0.0161λ𝑉𝑎𝑟 , ⁄𝑘𝑔 (7.20)

Onde: λ - coeficiente do excesso de ar

O volume total do vapor de água em produtos de combustão será determinado como


soma de equações de acima:

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𝑂 𝑁𝑚 3
𝑉𝐻2 𝑂 = 0.111𝐻𝑡 + 0.0124𝑊 𝑡 + 0.0161λ𝑉𝑎𝑟 , ⁄𝑘𝑔 (7.21)

Para calcular o volume de dióxido de enxofre gerado na combustão voltemos pela


analogia temos que a combustão de um kg do enxofre vai gerar:

32,06 kg do S + 32 kg do O2 = 64,06 kg do SO2

𝜇𝑆𝑂2 64.06
= = 1.998 𝑘𝑔
𝜇𝑆 32.06
Onde:
𝜇𝑆𝑂2 - Massa molecular do SO2
𝜇𝑆 - Massa atômica do S

A densidade de dióxido de enxofre em condições de referência é:

𝑘𝑔⁄
𝜌𝑆𝑂2 = 2.858
𝑁𝑚3
Logo podemos calcular o volume de dióxido de enxofre gerado da combustão de um kg
do combustível líquido e sólido:

3
𝑆𝑡 𝑁𝑚𝑆𝑂
𝑡2⁄
𝑉𝑆𝑂2 = 1.998 = 0.00699𝑆 𝑘𝑔 (7.22)
100𝜌𝑆𝑂2

O nitrogênio é considerado como o gás inerte, ele não participa de reações de


combustão. No caso geral, o nitrogênio está presente no combustível e no ar. A massa
molecular do nitrogênio é:

𝑘𝑔⁄
𝜇𝑁2 = 28.014 𝑘𝑚𝑜𝑙
𝑘𝑔⁄
A densidade do nitrogênio em condições de referência: 𝜌𝑁2 = 1.25 𝑁𝑚3

O volume de nitrogênio nos produtos de combustão devido ao nitrogênio do


combustível é calculado:

3
1 𝑁𝑡 𝑁𝑚𝑁 2⁄
𝑉𝑁2 = = 0.008 𝑘𝑔 (7.23)
𝜌𝑁2 100

O volume de nitrogênio devido ao nitrogênio do ar (porcentagem do nitrogênio do ar é


de 79%):

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3
𝑂 𝑁𝑚𝑁2⁄
𝑉(𝑁2)𝑎𝑟 = 0.79λ𝑉𝑎𝑟 , 𝑘𝑔 (7.24)
O volume total do nitrogênio é calculado como soma de equações 7.23 e 7.24:

3
𝑡 𝑂 𝑁𝑚𝑁2⁄
𝑉𝑁2 = 0.008𝑁 + 0.79λ𝑉𝑎𝑟 , 𝑘𝑔 (7.25)
O volume de oxigênio aparece nos produtos de combustão devido ao excesso do ar
usado na combustão. O excesso do ar é determinado como:

𝑂
(λ − 1)𝑉𝑎𝑟
Sabendo que a porcentagem volumétrica do oxigênio no ar é de 21% temos:

𝑂 𝑁𝑚𝑂3 2
𝑉𝑂2 = 0.21(λ − 1)𝑉𝑎𝑟 , ⁄
𝑘𝑔
O volume total dos produtos de combustão Vg de combustíveis tanto líquidos, como,
também sólidos, é calculado como soma de todos os componentes:

3
𝑉𝑔 = 𝑉𝐶𝑂2 + 𝑉𝑆𝑂2 + 𝑉𝐻2 𝑂 + 𝑉𝑁2 + 𝑉𝑂2 , 𝑁𝑚 ⁄𝑘𝑔 (7.26)

Nos cálculos do balanço material os componentes de combustíveis gasosos, o ar e,


também, os componentes de produtos de combustão são considerados gases ideais. Da
termodinâmica sabe-se que um quilomol de quaisquer gases ideal em condições igual
ocupa volumes iguais. Para condições normais:

3
𝑝 = 1.01325 𝑃𝑎 𝑒 𝑡 = 25℃ , 𝑉 = 22.4 𝑁𝑚 ⁄𝑘𝑚𝑜𝑙

Para calcular o volume de dióxido do carbono em produtos de combustão temos:

3
𝑉𝐶𝑂2 = 0.01(𝐶𝑂2 + 𝐶𝑂 + ∑ 𝑚𝐶𝑚 𝐻𝑛 ), 𝑁𝑚 ⁄ (7.27)
𝑁𝑚3

Para o gás sulfúrico H2S temos que um volume de gás sulfúrico vai gerar o mesmo
volume de dióxido do enxofre SO2, então:

3
𝑉𝑆𝑂2 = 0.01𝐻2 𝑆, 𝑁𝑚 ⁄𝑁𝑚3 (7.28)

O vapor de água H2O aparece em produtos de combustão de quatro fontes: o vapor de


água do próprio combustível gasoso; de combustão de hidrogênio e de hidrocarbonetos;
de combustão de gás sulfúrico e de umidade do ar. O volume de vapor de água do
combustível passa diretamente para os produtos de combustão:

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3
𝑉𝐻2 𝑂 = 0.01𝐻2 𝑂, 𝑁𝑚 ⁄𝑁𝑚3 (7.29)

O volume de vapor de água gerado da combustão de hidrogênio H2 é calculado tomando


em conta que cada kmol de H2 gera um kmol de H2O:

3
𝑉𝐻2 𝑂 = 0.01𝐻2 , 𝑁𝑚 ⁄𝑁𝑚3 (7.30)

No cálculo de vapor de água gerado da combustão de hidrocarbonetos devemos tomar


𝑛
em conta que cada dois átomos de hidrogênio de um hidrocarboneto 𝐶𝑚 𝐻𝑛 gera 2
𝑛
moles de vapor de água. Ou um kmol de um hidrocarboneto gera 𝑘𝑚𝑜𝑙 𝑑𝑒 𝐻2 𝑂.
2
Logo:

𝑛 3
𝑉𝐻2 𝑂 = 0.01 (∑ 2 𝐶𝑚 𝐻𝑛 ) , 𝑁𝑚 ⁄𝑁𝑚3 (7.31)

Para calcular o volume do vapor de água formado de combustão do gás sulfúrico temos
que um mol de H2S forma um mol de vapor de água, logo:

3
𝑉𝐻2 𝑂 = 0.01𝐻2 𝑆, 𝑁𝑚 ⁄𝑁𝑚3

A umidade de ar contribui em produtos de combustão de mesma maneira como no caso


de combustíveis líquidos. Todo o volume de vapor de água é calculado como soma de
equações de acima:

𝑛 𝑂 𝑁𝑚 ⁄ 3
𝑉𝐻2 𝑂 = 0.01 (𝐻2 𝑂 + 𝐻2 + 𝐻2 𝑆 + ∑ 2 𝐶𝑚 𝐻𝑛 ) + 0.0161λ𝑉𝑎𝑟 , 𝑁𝑚3 (7.32)

O volume de nitrogênio em produtos de combustão é formado do nitrogênio do


combustível gasoso e de nitrogênio do ar. Tomando em conta que parte do nitrogênio no
ar é de 0,79 temos:

𝑂 𝑁𝑚 3⁄
𝑉𝑁2 = 0.01𝑁2 + 0.79λ𝑉𝑎𝑟 , 𝑁𝑚3 (7.33)
O volume de oxigênio em produtos de combustão aparece devido ao excesso do ar na
combustão. Tomando em conta que parte volumétrica do oxigênio no ar é de 0,21,
temos:

𝑂 𝑁𝑚 ⁄ 3
𝑉𝑂2 = 0.21(λ − 1)𝑉𝑎𝑟 , (7.34)
𝑁𝑚3

7.4.1.6 – Temperaturas de combustão


Em cálculos de combustão diferenciam temperaturas seguintes: teórica, adiabática e
real. A temperatura teórica é calculada sem tomar em conta reações de dissociação e
troca de calor na câmara de combustão. A temperatura adiabática já toma em
consideração as reações de dissociação que ocorrem consumindo calor (endotérmicas)
dos produtos de combustão. A temperatura real é a temperatura verdadeira que é difícil

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ser calculada por causa de processos complexos de transferência de calor na câmara de


combustão.

A temperatura teórica de combustão é um parâmetro muito importante. Ela demonstra


qual poderia ser no limite a temperatura na câmara de combustão, caso ali não existam
reações de dissociação, a troca de calor e a combustão química incompleta.
A temperatura teórica de combustão pode ser calculada a partir do balanço térmico pela
fórmula:

𝑡
𝑡 𝐻𝑖𝑛 +𝑞𝑐 +𝑞𝑎𝑟
𝑡 = (7.35)
𝑐𝑣𝑔 𝑉𝑔

Geralmente a temperatura teórica de combustão é de ~20% maior que a temperatura real


na câmara de combustão.

Figura 7.2 – Temperaturas de combustão

7.4.1.7 – Pirólise
É a decomposição térmica da matéria orgânica na ausência de oxigênio ou de outros
agentes de fermentação, gerando quantidades variáveis de gases (gás de síntese), os
líquidos (alcatrão e óleos) e os resíduos do carvão . A gama de temperatura entre 150 e
900 °C.
A pirólise é uma prática que pode ser empregada para o aproveitamento do lodo de
esgoto como biomassa. Na pirólise do lodo de esgoto sanitário os gases, os líquidos e os
sólidos são gerados em diferentes proporções, dependendo dos parâmetros de operação,
que podem ser otimizados para a maximização de um produto, por exemplo, a produção
de gases (que é maior em temperaturas elevadas)
Os produtos da pirólise dependem do tipo de material a tratar e dos parâmetros do
processo, tais como a pressão e temperatura. Em geral, os produtos da pirólise podem
ser:
 Gás – são hidrocarbonetos de baixo peso molecular e não condensáveis a pressão e
temperatura ambiente.

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 Líquidos – são na sua maioria hidrocarbonetos de peso molecular mais elevado na


forma líquida a temperatura e pressão ambiente, e em quantidade menor água e
outros condensados.
 Carbono – o carbono é o resíduo da pirólise dos hidrocarbonetos.
 Material inerte – o material inerte depende do conteúdo de material inerte no material
a tratar com a pirólise, podendo ser vidro, metal, fibra, etc.

Tipos de pirólise processos.- A complicação dos processos de pirólise é causada pela


necessidade de produzir um aquecimento indireto e pela condensação de alcatroes.
1. Processos de baixa temperatura (<5500C) - (produção de óleos e alcatrões)
2. Processos de média temperatura (550-8000C) - (produção de metano e
hidrocarbonetos superiores)
3. Processos de alta temperatura (>8000C) - (produção de gás poder calorífico baixo)

A pirólise é um processo de termo-conversão de biomassa que antecede à gaseificação.


De modo geral as etapas do processo são:

Biomassa ---calor-----> Pirólise --------> Gaseificação -------> Combustão

Independentemente do tipo de matéria-prima empregada, os processos de pirólise pode


ser:
 Devagar: baixas velocidades de aquecimento e tempos de residência longos que
podem ser ainda vários dias. Maximização do desempenho carvão a temperaturas
inferiores a 400 ° C.
 Convencional: baixas velocidades de aquecimento e tempos de residência de entre
meio minuto e cinco minutos. Tem lugar a temperaturas abaixo de 500 ° C e são
obtidos quantidades semelhantes de sólidos, líquidos e gases.
 Rápida ou "flash" em temperaturas moderadas:altas velocidades de aquecimento e
os tempos de residência curto. Ela maximiza o desempenho do líquido a
temperaturas de cerca de 500 ° C
 Rápida ou "flash" em altas temperaturas: com velocidades de aquecimento elevadas
e tempos de residência curto. Os resultados são maximizados de gás a temperaturas
elevadas (superiores a 700 ° C).

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Tabela 7.2 – Variantes de processo de pirólise

Variáveis do processo de pirólise


Partindo de um tamanho de partícula para a biomassa, podem-se identificar três dos
mais importantes fatores em qualquer processo de pirólise:
- Tempo de residência do sólido a ser pirolisado, assim como de seus produtos de
decomposição.
- Velocidade de aquecimento
- Temperatura final do processo

As proporções relativas dos diferentes produtos obtidos em qualquer processo de


pirólise estão estreitamente vinculadas com as condições nas quais se efetua a
transformação assim como as características químicas e físicas da matéria-prima.
Devido a este fato devem-se levar em conta diversos fatores relativos ao sólido
(biomassa) e também aos produtos obtidos. Fatores que afetam o sólido para ser
pirolisado:
- Composição química
- Temperatura
- Tamanho de Partícula
- Impurezas e Catalisadores
- Teor de Umidade
- Tempo de Residência

Fatores relativos aos produtos de pirólise:


- Composição
- Temperatura
- Tempo de Residência
- Pressão.

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Vantagens e desvantagens de Pirólise:


1. Quando o processo de baixa temperatura reduz a manutenção (vida da refratários).
2. É um processo controlado por definição uma vez que as reações são endotérmicas
3. Certos compostos são recuperáveis a partir de resíduos de carvão
4. O volume de resíduos é significativamente reduzido
5. Vapores condensáveis de valor econômico, podem ser recuperados.
6. O gás, volátil, é frequentemente utilizado como combustível.

As principais desvantagens são:


1. Parte da energia dos resíduos é retida no resíduo carvão.
2. Grande quantidade de coque de difícil valorização.

Classificação dos reatores de pirólise


De acordo com o movimento dos sólidos pode ser:
 Leito Fixo
 Leitos Gravitacionais Empacotados
 Leitos movidos Mecanicamente
 Leitos Fluidizados
 Leitos Pneumáticos

De acordo com o caráter da operação pode ser:


 Descontínuos (fornos de alvenaria)
 Contínuos (retortas metálicas)
 Semi contínuos (fornos tipo túnel)

De acordo com a forma de fornecimento da energia:


 Aquecimento Direto
 Aquecimento Indireto

De acordo com o tamanho de partícula empregada:


 Fornos de alvenaria: Produção de carvão vegetal a partir de madeira
 Retortas: Produção de carvão vegetal e eventualmente efluente. Utilizam-se pedaços
de 30 cm de largura e aproximadamente 20 cm de comprimento.
 Converte dores: Pirólise de partículas pequenas

O tipo de reator a ser utilizado depende em grande parte do tamanho de partícula do


material. Os chamados leitos gravitacionais são movidos por à ação de gravidade e com
ajuda de um dispositivo mecânico, assim como os leitos movidos mecanicamente
utilizam-se para grandes partículas e em regime de pirólise lenta (taxa de aquecimento
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na faixa de 5 e 20 C/m). Para a utilização de reatores de leito fluidizado e para os de


transporte pneumáticos são requeridas partículas pequenas.
A seguir, na Tabela 7.3, mostra-se o tipo de reator de pirólise utilizado em função do
produto principal desejado.

Tabela 7.3 – Tipo de reator de pirólise utilizado em função do produto principal


desejado

Aplicações dos produtos da pirólise


O principal objetivo no processo de pirólise é a obtenção de produtos com densidade
energética mais alta e melhores propriedades do que aquelas da biomassa inicial. Esses
produtos podem ser usados para abastecer energeticamente o próprio processo ou serem
comercializados como produtos químicos ou combustíveis.
Os principais produtos obtidos durante a pirólise de biomassa são o bio-óleo (líquido), o
carvão (sólido) e a fração gasosa. Devido a seus poderes energéticos, esses materiais
obtidos possuem utilizações potenciais diversas:
 Carvão em pó para pelotização de mineiro de ferro, carvão compactado para
substituição do carvão e da lenha e também para auto-fornos da Indústria
Siderúrgica.
 Bio-óleo, natural para substituição de óleo diesel em caldeiras, fornos, etc , Ligante
na fabricação do briquete siderúrgico, Destilado para creosoto na preservação de
madeiras, defumar alimentos, aditivo para Transporte de petróleo de alta viscosidade,
Emulsões para queima, Emulsões para Asfalto.
 Diluído em água para extrato ácido, Inseticida natural, adubo orgânico, fungicida, (
In Natura)Matéria prima para produção de bicombustíveis

Experiências da pirólise de lodo de esgoto

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Shen e Zhang (2004) realizaram a pirólise de uma mistura de lodo de esgoto (80%) com
lixo urbano (20%) a 500°C e obtiveram 17% de óleo pirolítico com poder calorífico de
33 MJ/kg e propriedades similares às do óleo diesel. O lodo da estação de tratamento de
esgoto - Belém (SANEPAR), aeróbio, não calado com uma porcentagem de 49% de
matéria orgânica e 51% de cinzas foi pirolisado em temperaturas e tempos que variaram
350-700°C e 30-120 minutos. Foram produzidos até 17% de óleos combustíveis, com
4,5% de hidrocarbonetos alifáticos e poder calorífico de 34,54 kJ/g e também 60 - 80%
de sólidos com características adsorventes que, posteriormente, foram ativados com
dióxido de carbono, apresentando índices de Iodo e azul de metileno de até 676 mg/g e
14 mg/g, respectivamente. Tais resultados mostram as potencialidades do emprego do
lodo de esgoto sanitário, na produção de óleo combustível e de adsorventes de baixo
custo. Esses adsorventes podem ser (Mocelin, 2007).
A empresa ENERSLUDGE, da Austrália, produz óleo pirolítico de lodo. A planta tem a
capacidade de processar 20 toneladas de lodo por dia, produzindo 200-300 litros de óleo
pirolítico por tonelada de lodo seco (Doshi; Vuthaluru ; Bastow , 2003).
Fonts et al. (2009) determinaram que o conteúdo de cinzas tem grande influência na
pirólise de lodos de esgoto do tipo anaeróbio. Segundo dados da pesquisa, o teor de
cinzas da biomassa favoreceu um aumento do rendimento da fração gasosa e a
diminuição do percentual da fração líquida nas condições operacionais estudadas (reator
de leito fluidizado, temperatura do leito de 550°C, gás de arraste nitrogênio). A
concentração de gás H2 na fração gasosa era bem maior nas amostras que possuíam
maiores teores de cinzas. Este fato pode ser atribuído às reações de desidrogenarão,
favorecidas pelo efeito catalítico das cinzas na pirólise dessa biomassa.
Dominguez, Menéndez e Pis (2006) trabalharam com dois tipos de lodos de esgotos e
também observaram que a produção de H2 era maior, quando se empregava um lodo
com maior teor de cinzas.
Lutz et al. (2000) pirolisaram três tipos de lodos: (1) lodo doméstico do sistema de
lodos ativados; (2) lodo doméstico de digestor anaeróbio; (3) lodo de uma indústria de
verniz. O reator pirolítico funcionava em sistema de batelada, a 380°C, com um tempo
de retenção de 3 horas em atmosfera de nitrogênio. O lodo ativado apresentou o maior
rendimento na obtenção de óleo (31,4%), seguido do lodo industrial (14,2%) e do lodo
digerido (11%), conforme tabela 4. O óleo obtido no experimento possuía uma
concentração de 26% de ácidos graxos para o lodo ativado e de apenas 3% para o lodo
digerido.

Tabela 7.4 – Rendimentos das frações orgânicas, carvão, água e gás resultante de
processos de pirólise de lodos de esgotos doméstico e industrial

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Karayildirim, Yanik e Yuksel (2006) estudaram os produtos de pirólise de lodo de


esgoto em duas situações: (1) usando um lodo misto (lodo químico + lodo aeróbio) de
uma indústria petroquímica (LM) e (2) óleo flotado de um decanta dor primário de uma
refinaria (OL).
O experimento de pirólise se deu em reator a pressão atmosférica e a uma vazão de
nitrogênio gasoso de 25 ml/min. O reator era aquecido a uma taxa de 7 °C/min. até
atingir 500°C, sendo mantida essa temperatura por 1 hora. Os rendimentos dos produtos
obtidos nessa pesquisa são apresentados na Tabela 7.5.

Tabela 7.5 – Rendimento das fases de pirólise de lodo

Os principais produtos gasosos obtidos foram CO, hidrogênio e metano para o lodo OL;
já no lodo LM eram os gases CO, CO2 e C3, e o fato do lodo LM possuir maior
quantidade de COx pode estar relacionado com a maior concentração de grupos
carboxílicos em sua composição, tabela 6. Os gases da pirólise de LM e OL têm poder
calorífico de 29,9 e 35,8 MJ/Nm3, respectivamente (Kara Yildirim ; Yanik ; Yuksel ,
2006). Esse calor pode ser usado como parte da energia requerida para a planta de
pirólise. Chang et al. (2000) afirmaram, através de estudos, que a fase gasosa de pirólise
de lodo de esgoto, contendo uma concentração de gases de 19%, possuía um poder
calorífico de 2,55 MJ/Nm3. Menedez et al. (2004), estudando pirólise convencional e de
forno micro-ondas com quatro tipos de lodos, obtiveram uma fase gasosa com alto teor
de CO e H2 (48 – 62%) para micro-ondas, enquanto que na pirólise em forno
convencional, os gases possuíam uma alta concentração de hidrocarbonetos de alto
poder calorífico (25%). O poder calorífico dos gases na pirólise convencional variou
entre 13,0 a 14,0 MJ/Nm3, enquanto que na pirólise em forno micro-ondas, o valor
oscilou entre 6,0 a 8,6 MJ/Nm3.
Werle e Wilk (2010) relatam que a fração gasosa do processo de pirólise é constituída
de hidrogênio, metano, monóxido carbono e dióxido de carbono. O poder calorífico
dessa mistura gasosa é cerca de 15MJ/m3.
Hossain; Strezov e Nelson (2009) pirolisaram amostras de lodos de diferentes origens,
incluindo lodos doméstico, comercial e industrial. Todas as amostras foram pirolisadas
em reator de leito fixo, com taxa de aquecimento de 10 °C/min. Os principais gases
formados durante a decomposição dos lodos foram: CH4, C2H4, C2H6, CO, CO2 e H2. O
escape do material volátil, neste trabalho, foi monitorado através de cromatografia
gasosa. O CO2 foi o principal produto formado em temperaturas mais baixas, enquanto
o CO era formado em temperaturas em torno de 500°C. Os hidrocarbonetos foram
determinados na faixa de temperatura entre 300 e 600°C, ao passo que hidrogênio
começou a ser liberado a partir de 300°C e mostrou uma taxa constante de liberação até
a temperatura final do processo.

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Tabela 7.6 – Composição dos gases da pirólise de lodo de esgoto a 500°C

Inguanzo et al. (2002) pesquisaram a pirólise de lodo de esgoto e descobriram que o


poder calorífico dos gases era influenciado pela presença de hidrocarbonetos nessa fase.
Segundo dados da pesquisa, foi obtido um poder calorífico de 25,0 MJ/Nm3 à
temperatura de 455°C em reator pirolítico operado com uma taxa de aquecimento de 5
°C/min. Esse calor liberado está relacionado com a liberação máxima de C2H4 e C2H6.
A uma taxa de aquecimento de 60°C/min., a liberação dos gases aconteceu em
temperaturas mais elevadas e os compostos CH4, H2 e CO possuíam as mais altas
concentrações. No caso do aquecimento à taxa de 60°C/min., o poder calorífico máximo
observado foi de 20 MJ/Nm3 e ocorreu à temperatura de 600°C.

7.4.1.8 – Gaseificação
Ao longo das últimas duas décadas, a gaseificação de biomassa vem sendo
intensivamente estudada como processo alternativo de conversão da energia química
contida em materiais de origem orgânica em gases para aproveitamento como
combustível, ou como matéria-prima para processos químicos.
Os projetos são conduzidos em instituições de pesquisa ao redor do mundo, e focam o
aproveitamento de materiais residuais tais como cascas, palhas, e outros resíduos
gerados durante o processo de beneficiamento e industrialização de madeira como
cavacos, serragem, restos de podas, folhas, ou de resíduos agroindustriais como bagaço
de cana, casca de arroz, casca de sementes de algodão, etc.
O mérito destes projetos encontra-se principalmente no fato que objetivam investigar o
aproveitamento de resíduos que normalmente constituem em estorvo para o ambiente e
a sociedade onde são gerados, e, que demandam recursos financeiros e materiais para
sua correta disposição. Deste modo, permite-se ao mesmo tempo, agregar valor a estes
materiais residuais, e tratá-los, fazendo com que seja diminuído o potencial impactante
ao meio ambiente, oferecendo a estes materiais um novo caráter: o de combustível
renovável.
Os gases combustíveis advindos do processo de gaseificação, tendo como matéria prima
o carvão mineral ou a biomassa, podem apresentar um poder calorífico relativamente
baixo (entre 3,8 – 5,6 MJ/m³) ou até comparáveis com o gás natural (aproximadamente
38,0 MJ/Nm³) (GASNET, 2008). Isto se deve à composição do gás formado. O gás
natural, por possuir grande quantidade de metano, tem um elevado poder calorífico. Já o
gás advindo do processo de gaseificação possui uma mistura de gases que nem sempre é
composta de gases com poder calorífico elevado. Esta composição varia por diversos
fatores, incluindo a matéria prima utilizada e as condições operacionais. Por esta razão
existe uma faixa de poder calorífico na qual o gás advindo da gaseificação pode se
encaixar.

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A utilização deste gás pelo setor elétrico pode dar-se via queima em caldeira, motores
de combustão interna (ex. ciclo diesel), turbinas de combustão ou por combinações
entre tais opções. A utilização com base na queima do gás em turbinas de combustão
poderá estar associada à utilização de ciclos combinados que permitem alcançar maior
eficiência energética global.
A gaseificação é um processo que, como a combustão, é realizada a temperaturas
elevadas (700°C e 1200°C) e na presença de ar, mas, ao contrário da combustão, a
quantidade de ar utilizada é inferior à quantidade de ar estequiométrica ou à necessária
para produzir a oxidação total da biomassa tratada. Desta maneira, a gaseificação pode
ser definida como um processo de combustão incompleta. Como produto principal, é
obtido um gás combustível (gás de síntese), constituído por nitrogênio, hidrogênio,
metano e monóxido de carbono como produtos principais, bem como óleo leve e
alcatrão.
A escolha do método para a realização do processo de gaseificação depende de vários
fatores tais como o tamanho e a forma do resíduo, a eficiência energética do gás
produzido e de ser feito, é claro, as condições econômicas.
Uma característica comum à maioria dos projetos de pesquisa sobre a gaseificação é que
os equipamentos são construídos e avaliados para operar segundo as características de
um único tipo de combustível.
Processo de gaseificação. Este processo é realizado numa câmara fechada e selada, que
opera um pouco abaixo da pressão atmosférica. Este processo ocorre nas seguintes fases
sucessivas:
 Secagem: neste processo, a água contida na biomassa é removida a uma temperatura
acima de 100 ° C.
 Pirólise: é o processo em que a biomassa sofre decomposição térmica, na ausência de
oxigênio. A pirólise é normalmente dividida em pirólise lenta e pirólise rápida.
 Oxidação: o ar é introduzido no processo. Além do oxigênio e do vapor de água,
gases inertes são também adicionados. Este procedimento é realizado entre 700 -
2000°C.
 Redução: na zona de redução, numerosas reações químicas à alta temperatura são
apresentados.

Classificação dos gaseificadores

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Tabela 7.8 - Classificação dos gaseificadores

Tecnologias e processos de gaseificação de resíduos (Gaseificadores)


Os Gaseificadores são classificados por suas características construtivas e operacionais. As
classificações mais usuais são:
1. Leito Fixo
Fluxo Contra Corrente. É o tipo de gaseificador mais antigo e simples. A entrada de ar
está localizada na parte inferior e o gás sai na parte superior. Próximo à grelha ocorre às
reações de oxidação, no sentido ascendente. Em seguida ocorrem as reações de redução,
sempre no sentido ascendente. Na parte superior do gaseificador, ocorre a pirólise e, por
último, o aquecimento do combustível (biomassa) como resultado da transferência de
calor por transmissão forçada e radiação das zonas mais baixas. O piche e substâncias
voláteis produzidas durante este processo serão levados no fluxo de gás. As cinzas caem
pela grelha, depositam-se no fundo do gaseificador e são removidas posteriormente.
As vantagens principais deste tipo de gaseificador são sua simplicidade, grande
capacidade de transformação de biomassa em gás, troca de calor interna produzindo gás
com temperaturas de saída mais baixas aumentando a eficiência do equipamento e a
possibilidade de operação com muitos tipos de combustível (biomassa) como serragem,
casca de cereais, etc.
As desvantagens principais resultam da possibilidade de queima no formato de canais
dentro do equipamento, o que pode conduzir a um aquecimento excessivo e rompimento
do gaseificador e a situações perigosas, explosivas até.
A produção de gás “Frio” (425-6500C) resulta em elevados teores de alcatrão nos gases,
cinza seca ou sinterizada (slag), e, portanto, impossibilita a geração contínua de gás,
resultando em restrições de uso em motores de combustão interna.
Por isso, há a necessidade de instalação de dispositivos como grelha móvel automática,
como também filtros para a retirada do piche e das substâncias condensáveis do gás. Em

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caso de utilização do gás na queima direta, em determinados casos, os filtros podem ser
dispensados, porque alcatrão é queimado.

Figura 7.3 – Fluxo contra corrente

Fluxo co-corrente. Esse modelo de gaseificador produz gás quente (7000C) e foi a
solução encontrada para o problema causado pelo alcatrão que entra no fluxo do gás.
Nesse novo sistema o ar é introduzido diretamente sobre a zona de oxidação do
gaseificador. Assim, alcatrão produzido, ao atravessar o carvão incandescente (zona de
oxidação), que é a parte mais quente do gaseificador, é destruído pelo calor.
Da destruição do alcatrão resultam gases como hidrogênio, dióxido de carbono,
monóxido de carbono e metano. O gás é retirado na parte inferior do gaseificador. A
grande vantagem desse tipo de gaseificador é que a qualidade do gás permite sua
aplicação em motores de combustão interna (diesel e gasolina). Por causa do mais baixo
nível de componentes orgânicos nas substâncias condensáveis, o gaseificador co-
corrente sofre menos interferência do ambiente (temperatura, umidade do ar, etc.) do
que o gaseificador contra corrente.
Talvez a maior desvantagem do gaseificador co-corrente seja sua incapacidade para
operar com vários tipos de combustível, em particular materiais com baixo peso
específico. Esses tipos de combustíveis geram uma pressão negativa muito elevada
dentro do gaseificador causando problemas de fluxo de gás, como se o gaseificador
estivesse entupido. Esses combustíveis precisam ser compactados e transformados em
pelets ou briquetes. Os gaseificadores co-corrente também apresentam a desvantagem
de produzir uma grande quantidade de cinzas, maior que o gaseificador contra corrente.
Outra desvantagem do gaseificador co-corrente é sua menor eficiência quando
comparado ao gaseificador contra corrente, pois a troca de calor interna é bem menor e
temperatura de funcionamento é mais elevada.
Além disso, a necessidade de manter temperaturas altas uniformes na área de
estrangulamento da caixa de fogo faz com que o uso de gaseificador co-corrente não
seja prático acima 350 kW de potência de saída.

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Figura 7.4 – Fluxo co-corrente

2. Leito Fluidizado
A operação dos gaseificadores mencionados anteriormente é influenciada pelas
propriedades físicas, morfológicas e químicas do combustível. Problemas comumente
encontrados são: a formação de alcatrão nas tubulações, formação de moinho de cinzas
e aumento extremo da pressão de trabalho do gaseificador. Para contornar as
dificuldades citadas acima, é usado o gaseificador de leito fluidizado.
O ar é assoprado através de um ‘leito’ de partículas sólidas a uma velocidade suficiente
para mantê-las em suspensão. O leito é aquecido externamente e o combustível é
introduzido assim que atinja a temperatura necessária. As partículas de combustível são
introduzidas pela abertura do reator, instantaneamente são misturadas ao material do
leito e imediatamente aquecidas à temperatura do leito. O resultado disso é a pirólise
muito rapidamente, resultando em uma mistura com grande quantidade de gás. Mais
adiante as reações de conversão do piche ocorrem na fase gasosa.
Muitos sistemas estão equipados com um ciclone interno para minimizar perdas de
partículas de combustível mal queimado. As partículas de cinza também são levadas
para fora do reator juntamente com o fluxo de gás, do qual precisam ser separadas, caso
o gás seja usado em motores diesel ou gasolina.
A principal vantagem do gaseificador de leito fluidizado se origina da flexibilidade de
alimentação de combustível resultando no fácil controle da temperatura, mantida abaixo
do ponto de fusão das cinzas (casca de arroz) e a aceitação de partículas pequenas de
combustível (serragem) sem necessidade de processar a biomassa.
Problemas com a alimentação, instabilidade no leito fluidizado e partículas de cinza
dentro do fluxo de gás podem ocorrer com algum tipo de combustível de biomassa.
As desvantagens do gaseificador de leito fluidizado são: o conteúdo de alcatrão do gás é
elevado, até 500mg/m³ de gás; a queima incompleta do carbono; e resposta limitada à
mudança de regulagem. Por isso, não se constroem geradores a gás de leito fluidizado
de potência de saída inferior a 500KW.

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Figura 7.5 – Leito fluidizado borbulhante

Figura 7.6 – Leito fluidizado circulante

Figura 7.7 – Leito fluidizado do transporte

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Gaseificador de queima cruzada ou lateral. Esse modelo de gaseificador é uma


adaptação para o uso de carvão. A gaseificação do carvão vegetal resulta em
temperaturas muito altas, 1500 °C e até mais, na zona de oxidação o que pode levar a
problemas de materiais. Temperaturas tão elevadas se devem ao tipo de combustível
utilizado, carvão.
As vantagens desse sistema é que ele pode ser operado em instalações pequenas, com
potência de saída abaixo de 10KW e que pode, em certas condições, ser
economicamente interessante. O sistema de limpeza do gás é muito simples, só um
ciclone e um filtro quente.
Este gaseificador tem vantagens significativas sobre o gaseificadores updraft e
downdraft. O tempo de partida é aproximamente de 5 minutos, é capaz de operar com
combustíveis molhados ou secos e a temperatura do gás produzido é relativamente
elevada. Daí resulta que a composição do gás produzido é baixa em hidrogénio e
metano.
Uma desvantagem do gaseificador de queima cruzada é a mínima capacidade de
converter alcatrão. Por isso é imprescindível a utilização de carvão de boa qualidade
para não comprometer o sistema. Outra desvantagem é a necessidade de se utilizar
combustível baixo teor de cinzas, como madeira e carvão.

Figura 7.8 – De queima cruzada ou lateral

Gaseificador: Co-injeção.
O gaseificador co-injeção apresenta dois tipos: etapa simples e dois estágios. O
primeiro, apresentado na Figura 7.9, apresenta alta temperatura (>12500C), maior
quantidade de cinza removida sinterizada (slag), alta taxa de conversão de C, teores de
alcatrão desprezíveis e alto consumo de oxigênio.

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Figura 7.9 – Co-injeção (etapa simples)

O gaseificador, mostrado na Figura 7.10, possui alta temperatura no 1º estagio


(>1,250oC), no segundo estágio usa o calor do primeiro, reduz o consumo de oxigênio e
reduz a temperatura do gás na saída.

Figura 7.10 – Co-injeção (Dois estágios)

7.4.1.8.1 – Gaseificação do lodo


É necessário destacar que o lodo não é um material produzido exclusivamente no
tratamento do esgoto. Este material também é produzido em grande quantidade durante
o processo de tratamento e purificação de água. Tal destaque assume uma grande
importância se atentarmos para o seguinte fato. As maiorias dos municípios brasileiros
apresentam redes de coleta e tratamento de esgotos que não abrangem a totalidade de
residências, e estabelecimentos comerciais, mas por outro lado, quase todos apresentam
estações de tratamento de água. Deste modo, se o problema de disposição deste material
não for causado pelos grandes volumes de lodo gerados a partir do tratamento dos
esgotos, ele pode existir para o material gerado nas estações de tratamento de água.
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O lodo é um material que apresenta características físicas, químicas e biológicas que


tornam a sua disposição problemática, pois incorre em perigo de contaminação do meio
ambiente por microorganismos patogênicos e metais pesados.
Nos últimos anos, em particular nos países mais desenvolvidos, políticas tarifárias, leis
e acordos internacionais têm procurado restringir, limitar, ou mesmo proibir o emprego
de algumas tecnologias e processos tradicionais de disposição de resíduos tais como o
aterramento, a reciclagem agrícola e o lançamento em oceanos. Além destas medidas, a
falta de áreas disponíveis para a realização destas práticas devido à expansão urbana
têm tornado os custos de disposição dos grandes volumes de lodo gerados em estações
de tratamento de água e esgoto, bem como os dos resíduos sólidos municipais (RSM)
têm tornado cada vez mais competitivos a construção de grandes instalações para
destruição térmica dos mesmos.
WERTHER & OGADA (1999) afirmam que os processos de destruição térmica, tais
como a incineração e a gaseificação, são métodos eficientes de tratamento e destruição
de resíduos de uma forma geral. Nos Estados Unidos, Japão e em diversos países da
Comunidade Européia, é comum o emprego de plantas de incineração e de gaseificação
de grande porte para tratamento de lixo, lodo e outros resíduos. Estas instalações podem
ou não envolver a recuperação de energia, produzindo vapor e eletricidade a partir da
energia térmica liberada pelo tratamento dos materiais em questão.
As plantas de incineração, entretanto, têm enfrentado grandes obstáculos para instalação
e expansão de suas atividades devido aos impactos ambientais que causam junto às
áreas em que são construídas. Entre os principais impactos destacam-se: geração de
odores fortes, de NOx, e de uma grande quantidade de gases e cinzas contaminadas com
metais pesados. Além disto, o lodo e o lixo apresentam teores elevados de umidade, o
que implica na formação de grandes volumes de vapor de água durante o processo de
destruição térmica. Esta característica é um aspecto que não deve ser subestimado, pois
no caso específico das plantas de incineração, o maior volume de umidade implica na
geração correspondente de um grande volume de vapor, impondo a necessidade de se
projetar equipamentos de exaustão e limpeza de gases de grandes dimensões.
Este problema em particular não ocorre com os gaseificadores, que consomem volumes
muito menores de ar e oxigênio em seus processos, sendo, portanto uma vantagem
competitiva sobre os métodos incineradores. Este é um dos principais motivos pelo qual
a gaseificação tem sido apontada como o meio seguro de redução dos grandes volumes
iniciais de resíduos a um pequeno volume de cinzas.
A gaseificação quando realizada em sistemas pressurizados e em temperaturas
superiores à de fusão de cinzas, formam aglomerados vitrificados inertes ao meio
ambiente, que podem ser empregados como matérias-primas na fabricação de outros
materiais como cimento, tijolos e cerâmica ou serem empregados como substrato de
fundações de obras civis prediais ou de estradas de rodagem.
O lodo de esgoto, em comparação com outras biomassas, apresenta características
físico-químicas muito particulares, que certamente influem significativamente na
eficiência de combustão e gaseificação deste material.
As principais tecnologias de tratamento térmico do lodo e demais resíduos orgânicos,
em particular a gaseificação, envolvem etapas ou processos preliminares como a
desumidificação e a secagem. Estes métodos são necessários ao pré-condicionamento
físico do lodo para que o processo de destruição do material possa realizar-se sem
problemas.

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A gaseificação, entretanto oferece uma perspectiva inteiramente diferente. Os resíduos,


enquanto fontes de energia, precisam ser avaliados em termos do teor de matéria
orgânica como componente de principal interesse. A umidade e as cinzas desempenham
papéis negativos no processo de gaseificação, pois uma porção considerável da energia
do combustível é consumida para a sua evaporação, e na geração do carbono residual
(char) presente nas partículas em suspensão e nas cinzas produzidas.
A umidade, principalmente no caso do lodo, pode atingir volumes consideráveis, influi
não apenas no desempenho e na eficiência do processo de gaseificação, mas também
nos parâmetros físicos de projeto dos equipamentos. Deste modo, recomenda-se a
adoção de pré-processamento dos resíduos para que sejam condicionados antes de sua
introdução no gaseificador. Por exemplo, o uso de dispositivos, como secadores
aquecidos indiretamente, para o pré-condicionamento dos resíduos, como o lixo e o
lodo, devido a estes materiais apresentarem teores elevados de umidade. Alguns autores
destacam as seguintes vantagens de se realizar a secagem prévia do material residual a
ser gaseificado:
1. Volume mais compacto do material na condição seca, reduzindo espaço, potência,
dimensões de equipamentos, e tubulações necessárias;
2. Aumento da eficiência global da instalação através do uso conveniente de
recuperação de calor do gaseificador;
3. Redução do volume de gases a ser gerado, pois um volume maior de gases exige
mais equipamentos, e de maior capacidade de tratamento adequado.
Também recomendam a moagem e peneiração do material para que apresente
granulometria variando entre 0,1 mm a 0,5 mm, para garantir uma boa eficiência de
gaseificação. Uma das principais vantagens da pirólise e da gaseificação sobre os
tradicionais processos de incineração, é que estes processos empregam sistemas para
limpeza de gases com equipamentos de dimensões menores, e com operações mais
simples, devido à emissão menor de resíduos.
O teor de cinza, principalmente o do lodo de esgoto, depende não apenas de sua fonte,
mas também de como ele foi manejado ao longo do processo de tratamento dos
efluentes. Para efeitos de disposição de resíduos, é importante destacar que as cinzas
geradas através do processo de gaseificação deixam o gaseificador em uma forma
relativamente inerte, embora a quantidade ser disposta possa ser significativa.
Os metais pesados são provavelmente o segundo aspecto mais importante dos possíveis
impactos ambientais a serem considerados na gaseificação de materiais residuais como
o lixo e o lodo. A explicação está no fato de que a qualidade do lodo varia em função de
sua fonte (residencial, comercial, institucional, industrial), e época do ano.
Estes dois aspectos combinados são determinantes para a variação das concentrações de
elementos potencialmente tóxicos em sua composição. Alguns dos metais pesados
presentes em materiais residuais são voláteis como, por exemplo, o mercúrio, cádmio,
chumbo, cobre e zinco. Dependendo da temperatura e pressão com que o gás gerado
durante a gaseificação deixa o freeboard, os metais pesados podem ser volatilizados
assumindo a forma gasosa. Isto torna, portanto, necessária a adoção de sistemas e
equipamentos para o tratamento do gás de exaustão, para que o mesmo atenda às
restrições de emissões ambientais previstas pela regulamentação aplicável. Além de
beneficiar o meio ambiente, estes sistemas podem permitir o tratamento necessário para
que o gás seja fornecido aos sistemas de geração de energia na condição de operação.

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Conseqüentemente, a qualidade da composição química do resíduo dita o grau de


tratamento necessário.
As altas temperaturas, e/ou meios redutores característicos dos sistemas de gaseificação
geralmente levam à simplificação dos equipamentos do sistema de limpeza de gases de
exaustão. Deste modo, proporciona redução de custos de investimentos para a aquisição
destes dispositivos, quando comparados com os métodos tradicionais de incineração.
Além do mais, os resíduos sólidos calcinados produzidos durante a gaseificação,
apresentam menor toxicidade, e, portanto, podem ser dispostos na maioria dos aterros
de resíduos industriais disponíveis. Outro ponto a favor da gaseificação é que as
descargas dos equipamentos do sistema de lavagem dos gases de exaustão podem ser
retornadas, isto é reciclado, no início do processo de tratamento.
Ensaios em laboratório têm demonstrado que, aquecendo-se rapidamente o lodo seco à
temperatura de 850°C, a maior parte do material orgânico presente no lodo pode ser
convertida à fase gasosa.

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TEMA 8 – CONCEITOS SECAGEM. SECAGEM


ENÉRGICO DE LODO. DESENHO DE SECADORES
8.1 – Conceito de secagem

A operação de secagem é uma operação de transferência de massa de gás-sólido de


contacto, onde a umidade contida no sólido é transferido por meio de evaporação em
fase gasosa, com base na diferença entre a pressão de vapor exercida pelo sólido úmido
ia pressão de vapor parcial da corrente de gás. Quando estas duas pressões são
equalizadas, diz-se que o sólido e de gás estão em equilíbrio e pára o processo de
secagem.
A qualidade do produto seco, a quantidade de energia gasta e o tempo utilizado neste
processo são parâmetros primordiais para a rentabilidade do bem submetido a esta
operação.
O mecanismo do processo de secagem depende consideravelmente a forma de umidade
de ligação para o material: quanto mais forte é a ligação, as execuções mais difíceis de
secagem. Durante a secagem da ligação de umidade com o material é alterada.
O secagem sólidos pode ser definida de diferentes formas, de acordo com a abordagem
quer adotar. Em estudos teóricos colocam ênfase sobre os mecanismos de transferência
de energia e matéria. Assim, a secagem pode ser definida como um processo no qual a
troca simultânea de calor e de massa, entre o agente de secagem eu sólido. Dois
processos ocorrem simultaneamente.

Figura 8.1 – Diagrama do processo de secagem

1. A transferência das energia (calor) a partir dos ambiente para evaporar a umidade da
superfície. Esta transferência depende de condições externas de temperatura, umidade
do ar, fluxo e direção de ar, área de exposição do sólido (forma física) e pressão.
2. A transferência das umidade interna para a superfície e sua subseqüente evaporação
devido ao primeiro processo. O movimento interno da umidade no material sólido é
função da natureza física do sólido, sua temperatura e conteúdo de umidade. O
movimento de água do interior do material até à superfície é analisado pelos
mecanismos de transferência de massa, que indicará a dificuldade de secagem nos
materiais.

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Figura 8.2 – Diagrama da migração de sólido no interior de um sólido

8.2 – Umidade de um sólido

Quando lemos um valor para a umidade de um sólido devemos ficar alerta se o número
se refere à base seca ou úmida. A negligência deste fato pode levar a se receber um
produto ou matéria prima com mais água do que se supõe.
Define-se umidade de um sólido na base seca (Wd) como o quociente entre a massa de
umidade (Ma) e a massa do sólido isenta desta umidade (Md):

𝑀𝑎
𝑊𝑑 = (8.1)
𝑀𝑑

Wd – pode ser expresso, por exemplo, em kg de água por kg de sólido seco.

Define-se umidade de um sólido na base úmida (Ww) como o quociente entre a massa de
umidade (Ma) e a massa do sólido úmido (Md+Ma):

𝑀𝑎
𝑊𝑤 = (8.2)
𝑀𝑑 +𝑀𝑎

A transformação da umidade de uma base para outra pode ser obtida pelas seguintes
expressões e pela Figura:

Figura 8.3 – Relação entre base úmida e seca

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𝑊𝑑
𝑊𝑤 = (8.3)
1+𝑊𝑑

𝑊𝑤
𝑊𝑑 = (8.4)
1−𝑊𝑊

8.3 – Umidade Absoluta.

É a relação entre a massa de vapor de água e a massa de ar seco num mesmo volume de
mistura. Alguns autores referem-se a esta umidade absoluta como sendo a razão de
umidade ou umidade específica. A determinação da umidade absoluta pode ser feita
com a equação dos gases perfeitos:

𝑃.𝑉
𝑚= (8.5)
𝑅.𝑇

𝑚𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟 𝑑𝑒 á𝑔𝑢𝑎 𝑃𝑠 𝑉 ⁄𝑅𝑠 𝑇 𝑃𝑠 ⁄𝑅𝑠


𝑊= = = (8.6)
𝑚𝑎𝑟 𝑠𝑒𝑐𝑜 𝑃𝑎 𝑉 ⁄𝑅𝑎 𝑇 𝑃𝑎 ⁄𝑅𝑎

Como: 𝑃𝑡 = 𝑃𝑎 + 𝑃𝑣

𝑃𝑠 ⁄𝑅𝑠
𝑊 = (𝑃 (8.7)
𝑡 −𝑃𝑠 )⁄𝑅𝑎

Onde:
W = Umidade Absoluta (kg de vapor/ kg de ar)
V = Volume da mistura (m3)
Pt = Pressão atmosférica (Pa)
Pa = Pressão parcial do ar seco (Pa)
Ps = Pressão parcial do vapor (Pa)
Ra = Constante de gás do ar seco (287 J/kg.K)
Rs = Constante de gás do vapor (461.5 J/kg.K)
T = temperatura absoluta (K)

Introduzindo os valores teremos:

287 𝑃𝑠 𝑃𝑠
𝑊= = 0.621 (𝑃 (8.8)
461.5 (𝑃𝑡 −𝑃𝑠 ) 𝑡 −𝑃𝑠 )

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Figura 8.4 – Umidade Absoluta

Quando a pressão parcial de vapor de água numa dada temperatura, for igual a pressão
de vapor de equilíbrio (Psat), o ar está saturado e a umidade nestas condições
denomina-se de umidade de saturação (Wsat).

8.4 – Umidade Relativa.

Define-se como sendo a relação entre a fração molar do vapor de água na mistura e a
fração de vapor de água numa mistura saturada à mesma pressão e temperatura.
Como sabemos que a mistura ar-vapor de água à pressão atmosférica (considerada de
baixa pressão) pode ser considerada um gás perfeito, definimos a umidade relativa
como sendo a razão entre a pressão parcial do vapor na mistura (Pv) e a pressão do
vapor saturado (Psat) à mesma temperatura.

𝑃𝑣
𝑈𝑅% = = 𝑊𝑟 (8.9)
𝑃𝑠𝑎𝑡

A umidade relativa mostra a capacidade que o ar possui de absorver a umidade. Isto é,


quanto menor a umidade relativa, maior a capacidade do ar em absorver a umidade. O
ar está saturado quando sua umidade relativa é de 1 (ou 100%). A umidade relativa é
um dos parâmetros que influem no conforto das pessoas e, além disso, é um parâmetro
importante no ar de secagem.

8.5 – Umidade de Equilíbrio.

Um sólido com certa umidade (W) colocada no interior do meio de seca composto por
ar a uma temperatura T pressão P e umidade relativa (Wr). A experiência mostra que,
mantendo-se constantes as condições do ar, o sistema evolui ao longo do tempo para
uma condição de equilíbrio térmico com o sólido apresentando uma umidade (We)
maior ou menor do que a W inicial, denominada Umidade de Equilíbrio do sólido para
aquelas condições do meio de seca.

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A existência de uma umidade de equilíbrio pode ser explicada a partir da regra das fases de
Gibbs representada pela expressão:
𝑉 =𝐶+2−𝐹
onde:
V - é a variância do sistema, isto é, o número de propriedades que podem ser adotadas
de maneira independente;
C - é o número de componentes presentes no sistema, no caso 3, a saber: o sólido, a
água, o ar;
F- é o número de fases presentes no sistema, no caso 2, a saber: o sólido úmido (não
possuindo água líquida) e o ar úmido.
Nestas condições, a regra das fases de Gibbs nos mostra que a Variância do fenômeno
de secagem é 3. Portando, fixada a pressão, a temperatura e a umidade relativa do ar,
todas as demais propriedades do sistema estarão determinadas, inclusive a umidade que
o sólido apresentará nesta condição de equilíbrio.
A umidade de equilíbrio é a umidade limite a que um sólido pode ser seco para uma
determinada condição de temperatura e umidade do ar.
Mantida a temperatura do sistema e variando-se a umidade relativa do ar de seca
(existem câmaras próprias para este experimento) obter-se-ão valores diferentes para a
umidade de equilíbrio. O conjunto dos pontos de umidades de equilíbrio em diferentes
umidades relativas do ar é denominado isoterma de equilíbrio.
O conhecimento da umidade de equilíbrio tem uma importância prática muito grande.
Como exemplo imagine que o sólido em processamento deixe o secador com uma
umidade abaixo da umidade de equilíbrio do recinto em que será armazenado. Durante
sua permanência no estoque ele iria incorporar água até atingir o valor da umidade de
equilíbrio para as condições do ar de armazenagem. Neste caso, teríamos gasto no
secador mais energia e tempo de permanência do que o necessário, o que só aumentaria
os custos além de reduzir a capacidade de produção.
A Figura 8.5 representa uma isoterma de equilíbrio e dela pode-se aprender uma série
de conceitos fundamentais.

Figura 8.5 – Exemplo de isoterma de equilíbrio

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8.6 – Grau de Saturação

É a relação entre a umidade absoluta real do ar e a umidade absoluta do ar saturado à


mesma temperatura. Isto é: Grau de saturação:

𝑃𝑣
𝑊𝑟𝑒𝑎𝑙 0.62 𝑃𝑣 𝑃𝑡 −𝑃𝑠 𝑃𝑡 −𝑃𝑠
𝑃𝑡 −𝑃𝑣
𝛹= = 𝑃 = = 𝑊𝑟 (8.10)
𝑊𝑠𝑎𝑡 0.62 𝑠 𝑃𝑠 𝑃𝑡 −𝑃𝑣 𝑃𝑡 −𝑃𝑣
𝑃𝑡 −𝑃𝑠

Onde:
Pv - Pressão parcial do vapor na mistura.(Pa)
Ps - Pressão do vapor saturado à mesma temperatura.(Pa)
Pt - Pressão atmosférica (Pa)

8.7 – Temperatura de Orvalho ou Ponto de Orvalho.

É a temperatura na qual uma dada mistura de ar-vapor de água é saturada, isto é, a


temperatura na qual a pressão parcial real do vapor de água corresponde ao valor de
pressão de saturação, temperatura à qual o vapor de água presente no ar ambiente passa
ao estado líquido em forma de pequenas gotas.
Como é a temperatura na qual ocorre condensação do vapor de água existente no ar, ela
representa a temperatura mínima que a mistura pode sofrer de resfriamento sem haver a
precipitação (condensação) de umidade.
Nos produtos de combustão, a água condensada frequentemente apresenta alguns gases
dissolvidos e isto atribui à mesma uma propriedade corrosiva. Para evitar tal fato,
geralmente se procuram manter, os produtos de combustão acima do ponto de orvalho,
até que os mesmos possam ser descarregados para a atmosfera.

Tabela 8.1 – Cálculo do ponto de orvalho

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As propriedades de misturas ar-vapor de água podem ser apresentadas de forma gráfica


através das cartas psicrométricas. As cartas psicrométricas são muito usadas nas
aplicações de condicionamento de ar. Deve-se lembrar que são necessárias três
propriedades termodinâmicas independentes para descrever o estado de uma mistura
binária (ex. pressão, temperatura e composição da mistura).
Uma versão da carta psicrométrica é mostrada na figura 8.6. As temperaturas de bulbo
seco são mostradas no eixo horizontal e a umidade absoluta (umidade específica), no
eixo vertical. A temperatura de bulbo úmido (°C), umidade relativa (%) e entalpia
(kJ/kg ar seco) são as variáveis dependentes na carta.
A carta é construída para uma a pressão total determinada (usualmente 101,325 kPa).
Para uma dada temperatura de bulbo seco, pressão total e umidade absoluta, podem-se
traçar linhas de umidade relativa e temperatura de bulbo úmido constantes, uma vez que
aqueles valores são fixos. Também podem ser encontradas cartas psicrométricas a
outras pressões (para utilização a acima do nível do mar).
Pode ser construída uma segunda escala no eixo vertical, indicando a pressão parcial do
vapor d'água, uma vez que a uma pressão total fixa P existe uma correspondência
unitária entre a umidade absoluta ω e a pressão de vapor Pv, bem como linhas referentes
aos valores constantes de volume específico da mistura e de entropia da mistura.
No lado esquerdo do diagrama, está situada a curva chamada linha de saturação, onde a
umidade relativa é 100% Todos os estados de ar saturado estão localizados nessa curva.
Outras curvas de umidade relativa constante têm a mesma forma geral.
As linhas da temperatura constante de bulbo úmido aparentam inclinação para a direita.
As linhas do volume específico constante (m3/kg de ar seco) são semelhantes, exceto
que são mais inclinadas. As linhas da entalpia constante (kJ/kg de ar seco) são bem
paralelas às linhas da temperatura de bulbo úmido constantes. Assim, as linhas de
temperaturas de bulbo úmido constante são usadas como linhas de entalpia constante
em alguns diagramas.
Para o ar saturado, as temperaturas de bulbo seco, bulbo úmido e ponto de orvalho são
idênticas Assim, a temperatura de ponto de orvalho do ar em um estado representado
em um ponto do diagrama pode ser determinada por uma linha horizontal (linha de W =
constante ou Pv = constante) deste ponto até a curva de saturação. O valor da
temperatura no ponto de intersecção é a temperatura do ponto de orvalho.
A maioria das cartas psicrométricas fornece a entalpia da mistura ar-vapor por
quilograma de ar seco e elas são construídas admitindo que a entalpia do ar seco é nula
a -20 °C e que a entalpia do vapor seja obtida nas tabelas de vapor (as quais são
baseadas na hipótese de que a entalpia do líquido saturado é nula a 0°C).
Assim, o valor da entalpia fornecido pela carta psicrométrica é:

ℎ = ℎ𝑎 − ℎ𝑎 (−20℃) + 𝑊ℎ𝑣 (8.11)

Essa simplificação é satisfatória uma vez que normalmente só é necessário conhecer as


diferenças de entalpia. Como a temperatura de bulbo úmido é praticamente igual à
temperatura de saturação adiabática, as linhas de entalpia constante são essencialmente
paralelas às de temperatura de bulbo úmido constate.
A figura 8.6 é um diagrama psicrométrico simplificado, e mostra as direções de vários
processos que podem ocorrer numa mistura vapor de água-ar. Exemplo: um processo de

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resfriamento a pressão constante que parte do estado 1. A mistura apresenta umidade


absoluta constante até que o ponto de orvalho (2) seja atingido. Se o resfriamento
continuar, a coincide com a linha de saturação (umidade relativa igual a 100%) até que
o ponto 3 seja atingido. Note que a temperatura do ponto 3 é inferior à do ponto 2.

Figura 8.6 – Carta psicrométrica

8.8 – Cinética da secagem.

As secagens de um sólido úmido por meio de gás a uma temperatura e uma umidade
estabelecida manifestam-se sob certo tipo de comportamento cinético. Durante a
secagem do sólido ocorre simultaneamente transferência de calor e massa. Como dito
anteriormente os processos de secagem sofrem influência considerável de agentes
externos e da estrutura interna do material secante.
Sempre que a pressão parcial da água em equilíbrio no sistema superar a pressão do
ambiente (do reator, ou total), a taxa de transferência da água, do estado líquido para o
gasoso, aumenta consideravelmente, tornando-se violenta; diz-se, neste caso, que a água
entra em ebulição. À temperatura de 100ºC, o valor da pressão do vapor d’água é de 1
atmosfera; por esta razão, 105ºC é uma temperatura muito empregada na secagem.
Pode-se ver – com a ajuda da figura 8.7 – que é possível fazer a água entrar em ebulição
em qualquer temperatura – basta mantê-la num reator cuja pressão total seja menor do
que aquela preconizada pelo equilíbrio água–vapor d’água na temperatura da secagem
tecnicamente, no entanto, essa técnica exige a utilização de bombas de vácuo.
Conforme foi sugerido, a força motriz da secagem depende do gradiente de
concentração da água na atmosfera: entre aquela que envolve o material a ser secado e a
atmosfera do ambiente (trata-se, na realidade, de uma diferença no potencial químico da
água entre os dois pontos).
A secagem, portanto, para ser eficiente, exige o uso de gases com baixa pressão parcial
de água (gases secos) ou gases quentes (onde o valor da pressão parcial da água no
equilíbrio é elevado). Isto sugere um cuidado especial na escolha do combustível; gases
quentes gerados pela combustão de hidrocarbonetos, por exemplo, contêm água!

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A fase gasosa normalmente é responsável tanto pelo transporte do calor até o ponto
onde está o material, quanto pelo arraste do vapor d’água desprendido por ele durante a
secagem. Logo, a taxa de renovação da atmosfera pode ser de vital importância na
secagem (é importante lembrar, contudo, que o arraste de substâncias pulverulentas
pode ser um grande empecilho na otimização dessa variável).
Como as taxas de transferência são proporcionais à área de troca, é importante contar
com uma grande área de contato entre a substância úmida e a fase gasosa.

Figura 8.7 – Diagrama esquemático P-T das fases estáveis da água (sistema unário)

O objetivo da análise da secagem é sempre relatado à predição de tempo de secagem.


As taxas de secagem devem ser relacionadas para um determinado produto e para uma
determinada operação (processo e equipamento).
Os estudos da transferência de calor e massa, além do estabelecimento de possíveis
mecanismos de migração interna de umidade possibilitarão o estabelecimento da taxa de
secagem.
Com o conhecimento das limitações dos processos para um determinado produto
podemos avaliar, projetar e/ou otimizar o processo de secagem permitindo a avaliação
do tempo de secagem. A predição do tempo de secagem é o dado fundamental para o
dimensionamento e a otimização de uma planta industrial de secagem.

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Figura 8.8 – Curva que representa a umidade livre em função do tempo de secagem

Figura 8.9 – Curva da Taxa de secagem em função do teor de umidade.

Com as figuras 8.8 e 8.9 podemos visualizar diferentes períodos durante o processo. A
secagem de materiais é analisada através das curvas de secagem nas formas:
 Umidade adimensional (𝑊 ⁄𝑊0 ) em função do tempo;
 Taxa de secagem (N) em função da umidade absoluta (W) e
 O adimensional de água remanescente no sólido (𝑊 − 𝑊𝑒 )⁄(𝑊0 − 𝑊𝑒 ) em função
do tempo.
A curva de taxa de secagem, mostrada na figura 8.9, serve para evidenciar o término do
período de taxa constante e, consequentemente o valor da umidade crítica (Wc), bem

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como, para determinar os valores médios da taxa constante por unidade de massa de
sólido seco (N).
O período inicial de secagem corresponde ao segmento AB ou A'B. Imediatamente
depois do contato entre a amostra e o meio secante, a temperatura do sólido ajusta-se até
atingir um regime permanente. Na figura 8.9, o teor de umidade livre inicia em tempo
zero e é mostrado no ponto A. No início o sólido está normalmente numa temperatura
mais fria à temperatura de equilíbrio, que normalmente é igual à temperatura de bulbo
úmido do ar. Neste caso a taxa de evaporação aumenta. Eventualmente, se o sólido tiver
uma temperatura superior à de equilíbrio, o que dificilmente ocorre, o período inicial de
secagem é representado pela linha tracejada A'B da figura 8.9.
O período de taxa constante, segmento BC, é considerado importante quando o
potencial do ar de secagem é baixo ou a umidade do material é alta. Neste período a
secagem ocorre como se fosse a evaporação de uma massa de líquido sem haver
influência direta do sólido na taxa de secagem. Ou seja, a taxa de secagem independe do
teor de umidade do sólido. A curva se secagem na figura 8.9 evidencia o término do
período de taxa constante, este término é alcançado quando a migração interna de água
para a superfície não consegue mais suprir a taxa de evaporação da água livre da
superfície, então o sólido alcança o teor de umidade crítico (ponto C) a partir deste
ponto a temperatura da superfície eleva-se e a taxa de secagem cai. O valor de umidade
crítica é específico de cada material, além de serem função de outros fatores que
controlam a migração de umidade, tais como espessura do sólido e condições do ar
(velocidade, temperatura de bulbo seco, umidade absoluta).
O período de taxa decrescente começa quando o período de taxa constante termina. Se a
umidade inicial está abaixo da umidade crítica, todo o processo de secagem ocorre no
período de taxa decrescente.
A primeira fase do período de taxa decrescente, segmento CD nas figuras 8.8 e 8.9,
parte da superfície evaporante se mantém insaturada, uma vez que a velocidade do
movimento do liquido para a superfície é menor que a velocidade com que a massa é
transferida da superfície. No segundo período de taxa decrescente, segmente DE, que é
mostrado nas figuras 8.8 e 8.9, a evaporação da água no interior do sólido se dá através
do movimento de sua umidade interna. A secagem cessa quando a pressão de vapor do
líquido contido no sólido é igual à pressão parcial do vapor no ar seco. Nestas condições
a umidade do sólido atinge a umidade de equilíbrio,We , umidade que permanece no
sólido independente do tempo de secagem, desde que as condições de operação não se
modifiquem.
Na segunda fase do período de velocidade decrescente, segmento DE, (figuras 8.8 e
8.9), a difusão de vapor é provavelmente o mecanismo predominante. Nesta fase toda a
evaporação ocorre no interior do sólido, pois toda a superfície evaporante está
insaturada e o plano de evaporação desloca-se para seu interior. Na secagem de
produtos com baixos teores de umidade este período usualmente predomina na
determinação do tempo de secagem global.

8.9 – Sistemas de Secagem.

Devido á inexistência de uma classificação oficial e apenas por questões didáticas, os


métodos de secagem serão classificados e estudados segundo a sequencia a seguir:

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Tabela 8.2 – Sistemas de secagem

A secagem natural é caracterizada pela secagem dos produtos no campo própria planta,
sim interferência do homem.
A secagem artificial é caracterizada pela utilização de processos manuais ou mecânicos
tanto no manejo do produto quanto na passagem do ar através da massa de biomassa.
No caso de terreiro e do paiol, a secagem ocorre pela ventilação natural (ação dos
ventos), mas na maioria dos casos o ar é forçado por meio de ventiladores. Em alguns
secadores o ar de secagem é movimentado por meio de correntes convectivas.
Na secagem com ventilação forçada, podem-se empregar baixa temperatura, alta
temperatura, secagem combinada e outros.
Secagem em baixas temperaturas é um método artificial de secagem em que se utiliza ar
natural ou ar levemente aquecido (até 100C acima da temperatura ambiente).
A secagem com alta temperatura é aquela em que o ar de secagem é aquecido a uma
temperatura superior a 100C acima da temperatura ambiente. Naturalmente, este limite
não é rígido, mas esta é a diferença que caracteriza o processo como não sendo mais de
baixa temperatura.
A secagem combinada consiste em utilizar secadores em altas temperaturas na fase em
que o produto apresenta alto teor de umidade. A partir de um teor de umidade
preestabelecido, que é função das condições ambientais, o produto é transferido ainda
quente para um sistema de baixa temperatura, onde a secagem será completada.
A secagem por convecção natural utiliza alta temperatura, sendo necessários trocadores
de calor entre o ar de combustão e o ar de secagem. Nos secadores por convecção não
são usados ventiladores. O ar atravessa a massa de biomassa por diferença de densidade.

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8.10 – Tipos de Secadores

Os equipamentos para secagem podem ser classificados de diferentes formas, as mais


úteis são quanto ao modo de transferência de calor para os sólidos úmidos, e quanto às
características de manipulação e às propriedades físicas do material úmido. Quanto à
forma de transferência de calor, os secadores podem ser classificados em diretos e
indiretos.
Nos secadores diretos o material entra em contato direto com o meio de secagem, ar
quente, gases de combustão e vapor superaquecido, que serve como fonte de calor para
conduzir o processo de secagem.
Nos secadores indiretos o material permanece separado do fluído de transferência de
calor, que pode ser vapor saturado ou óleo térmico, ou seja, não há contato do fluído
quente com o material diretamente. Isso constitui uma vantagem quanto à geração de
gases e odores.
Devido à grande variedade de tipos de produtos que devem ser secos por diferentes
métodos, existe também uma variedade de projeto de secadores. Os critérios para se
classificar os secadores são muitos, e segundo STRUMILLO e KUDRA (1986) podem
ser assim divididos:

Tabela 8.3 – Critérios para a classificação de secadores

Além deste critério, devem-se considerar também o método de aquecimento do agente


de secagem, a forma física da alimentação, se o produto seco é requerido em uma forma
especial, se o material é tóxico ou termo lábil, etc. O mesmo autor também afirma que
usualmente os tipos de secadores podem ser divididos, basicamente, segundo o regime
hidrodinâmico e o fluxo de material. KEEY (1978) divide os secadores segundo o meio
de transporte do material (Tabela 8.4).

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Tabela 8.4 – Métodos de transporte na secagem

Figura 8.10 – Secador de bandeja

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Figura 8.11 – Secador rotatório

Figura 8.12 – Secador de rosca transportadora

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Figura 8.13 – Secador de túnel

Figura 8.14 – Secador de esteira

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Figura 8.15 – Secador de leito fluidizado

Figura 8.16 – Classificação dos secadores baseada no método de operação

A seguir estão discriminados os materiais específicos para cada secador da classificação


anterior:
1. Pastas, pré-moldados, dura, granulares, fibrosos e folhas;
2. Líquidos, lama, pastas e granulares;

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3. Pastas, pré-moldado, dura, granulares, fibrosos e folhas;


4. Pré-moldado, granulares e fibrosos;
5. Pré-moldado, granulares e fibrosos;
6. Lama e pastas;
7. Líquidos, lama, pastas e folhas;
8. Dura, granulares e fibrosos;
9. Líquidos, lama e pastas;
10. Pastas, pré-moldado, dura, granulares e fibrosos;
11. Pastas, pré-moldado, dura, granulares e fibrosos;
12. Granulares e fibrosos;
13. Pastas, pré-moldado, duras e folhas;
14. Pastas, pré-moldado, dura, granulares, fibrosos e folhas;
15. Pré-moldado, granulares e fibrosos.

8.11 – Projeto de secadores

Como pode ser observado existem mais de um tipo de secador adequado para um
determinado produto, assim o engenheiro tem que escolher um secador que seja capaz
de atingir as propriedades desejadas no produto final. Deste modo, a utilização de
secadores em escala pequena ou laboratoriais é sempre uma boa alternativa para a
escolha final do secador industrial, pois esses possibilitam à determinação das
características de secagem do material que são requeridas para que seja definido o modo
como a matéria prima irá secar em escala industrial.

8.12 – Os secadores rotativo contínuo

Secadores rotativos são amplamente utilizados para a secagem de grânulos ou pós,


porque os seus benefícios são maiores quando comparados a outros
secadores, no que diz respeito aos custos operacionais, versatilidade e facilidade de
manuseio.
O secador é constituído por um tambor que roda em torno do seu eixo central através da
qual circula o material a ser secado. Dentro do tambor se introduz uma corrente de ar
quente que é utilizada como meio de transferência de calor.
Dentro do cilindro podem ser circulados gases do ar ou de combustão,
em paralelo ou em contracorrente, com o fluxo do material a ser secado.
O sólido é transportado a partir de uma extremidade à outra do tambor usando uma
pequena irregularidade do cilindro que se move produto por deslizamento sobre a
superfície dentro do tambor.
Existem alguns tipos, nos quais o aquecimento é realizado através de uma conduta
exterior do tambor , através da qual o vapor é circulado ou outros meios aquecimento. O
último favorecendo os secadores de superaquecimento

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pode afetar o material a ser seco, se esta não é estável a temperaturas superiores a
secagem.

Figura 8.17 – Secador rotativo contínuo

Os secadores também são fornecidos com aletas internas para mover o material , com a
gravidade e a rotação do tambor. Algum do material, a fina, são arrastadas pela corrente
de ar que é removido por um separador ciclone que está fora.

Figura 8.18 – Rotatório

8.13 – Formas de secagem

Os secadores de fluxo-paralelo são mais amplamente utilizados e são particularmente


adequados para a secagem de materiais que contenham um elevado teor de umidade que
são sensíveis ao calor ou têm uma tendência bolas aformar .

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Figura 8.19 – Secador de fluxo-paralelo

O material úmido está em contato com o gás à sua temperatura mais elevada, que
rapidamente evapora a umidade da superfície.
A Taxa de transferência de calor inicial é elevada, provocando uma queda imediata e
acentuada da temperatura do gás, o que impede um sobreaquecimento do material e do
alojamento do secador.

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Figura 8.20 – Esquema do sistema de secagem térmica


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O produto final está em contacto com o gás, na sua temperatura mais baixa, permitindo
que o teor de umidade que é facilmente controlada, normalmente através da manutenção
da temperatura dos gases de escape secador a um valor pré-estabelecido.
Os secadores em contracorrente são mais adequados para os materiais que devem ser
secados a níveis muito baixos de umidade, em que os últimos vestígios de umidade são
difíceis de eliminar, ou onde uma temperatura elevada do produto é desejável.
No entanto, uma vez que o produto final em o contacto com o gás, na sua maior
temperatura no secador de contracorrente é frequentemente inadequada para materiais
sensíveis ao calor. Embora este sistema possa ser mais eficiente, a umidade que
permanece no produto não é tão facilmente controlada.

Figura 8.21 – Secadores em contracorrente

8.14 – Secagem térmica de Lodo

O termo lodo tem sido utilizado para designar os subprodutos sólidos no tratamento de
esgotos (VON SPERLING et al., 2001). Nos processos biológicos de tratamento, parte
da matéria orgânica é absorvida e convertida, fazendo parte da biomassa microbiana,
denominada genericamente de lodo biológico ou secundário, composto principalmente
de sólidos biológicos e, por essa razão, também denominados biossólidos.
De acordo com Gonçalves et al. (2001), de maneira geral, são os seguintes subprodutos
sólidos gerados no tratamento de esgotos: material agregado; areia; escuma; lodo
primário; lodo secundário; lodo químico (se houver a etapa físico-química). O
tratamento de subprodutos sólidos gerados nas diversas unidades é uma etapa essencial
do tratamento dos esgotos. Ainda que o lodo possa, na maior parte das etapas do seu
manuseio, ser constituído de mais de 95% de água, apenas por convenção é designado
por fase sólida, visando distingui-lo do fluxo do líquido sendo tratada, a fase líquida.
Ao se planejar o gerenciamento do lodo, os seguintes aspectos necessitam ser levados
em consideração e quantificados:
- Produção de Lodo na fase líquida.
- Descarte de Lodo na fase líquida.
- Descarte de Lodo na fase sólida.

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O lodo de esgoto, conforme abordado anteriormente, necessita da correta gestão para


que todo o sistema de tratamento de efluentes seja considerado adequado. Na Tabela 8.5
são demonstrados etapas de gerenciamento do lodo e seus objetivos.

Tabela 8.5 – Principais etapas do gerenciamento do lodo (GONÇALVES, 2001; VON


SPERLING, 2001)
Etapa Descrição
Adensamento Remoção de umidade (redução de volume)
Estabilização Redução de matéria orgânica (redução de sólidos voláteis)
Condicionamento Preparação para a desidratação (principalmente mecânica)
Desaguamento Remoção de umidade (redução de volume)
Higienização Remoção de organismos patogênicos
Disposição Final Destinação final dos subprodutos

De acordo com Gonçalves (1998), a incorporação de cada uma das etapas do


processamento do lodo depende das características do lodo tratado, ou seja, do sistema
de tratamento utilizado para a fase líquida, bem como da etapa de tratamento do lodo
subsequente e da disposição final.
De acordo com Von Sperling (2001), o processo de secagem térmica do lodo é uma das
mais eficientes e flexíveis formas de redução do teor de umidade de “tortas” oriundas do
desaguamento de lodos orgânicos domésticos e industriais disponíveis atualmente em
uso. A redução da umidade a ser atingida pode ser controlada e o teor de sólidos do
produto final depende da rota de disposição escolhida, citando-se como exemplos:
- Lodos destinados à incineração: necessitam de teores de sólidos entre 30 e 35% para
garantir a operação autotérmica do incinerador;
- Lodos para disposição em aterros sanitários: aconselhável teor de sólidos em torno
de 65%;
- Biossólidos destinados ao mercado agrícola com venda no varejo (utilização
irrestrita): necessitam de teores de sólidos acima de 90%.

Em condições ideais, a entalpia de vaporização da água contida no lodo é da ordem de


2744 kJ. Em condições operacionais normais, este valor costuma ser acrescido em até
100% (VON SPERLING, 2001). A demanda total de energia dependerá da eficiência do
equipamento escolhido e do tipo de lodo processado.
Parte desta energia deverá vir de fontes externas, como óleo combustível, gás natural,
etc. Para o caso de lodos anaeróbios, pode-se utilizar o biogás gerado no digestor como
fonte auxiliar de energia. Os principais benefícios da secagem térmica do lodo são:
- Redução significativa do volume de lodo.
- Redução no custo de transporte e estocagem (quando for o caso).
- Produto estabilizado facilmente estocado, manuseado e transportado.
- Produto final praticamente livre de patógenos.
- Preservação das propriedades agrícolas do lodo.
- Não necessita equipamento especial para ser utilizado na agricultura.

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- Pode ser incinerado ou disposto em aterro sanitário.


- Produto pode ser ensacado e distribuído pelo comércio varejista.

8.15 – Cálculo do secador rotativo para lodo

8.15.1 – Balanço Energético.

A caracterização dos secadores rotativos é determinada de acordo com:


1. Material de transporte através da zona de secagem.
2. Troca de calor e de massa entre ar o gás eu produto
Devido à relação complexa entre o produto eu fluxo de ar, a previsão de coeficientes de
transferência de calor e massa deve necessariamente ser conhecido empiricamente.
Conhecido coeficiente de transferência de calor de volumétrico Ua, pode-se calcular o
volume V do secador da expressão:

𝑞𝑇
𝑉= (8.12)
𝑈𝑎 ∆𝑇𝑚

Onde:
qT = calor total transferido (W = J/s).
Ua = coeficiente global volumétrico de transmissão de calor (W/m3 K).
∆Tm = média logarítmica das diferença de temperatura (0C)

𝑞𝑇
= 𝑐𝑝𝑠 (𝑇𝑠𝑓 − 𝑇𝑜 ) + (𝑊𝑜 − 𝑊𝑓 )λ (8.13)
𝑚̇

Onde:
qT: quantidade de calor necessária para evaporar a umidade do lodo (kcal/h);
To: temperatura inicial do lodo (0C);
Tsf : temperatura final do lodo(0C);
λ: calor de vaporização da umidade do lodo (kcal/kg);
cps : calor específico do lodo(kcal/kg 0C).
𝑚̇ : massa de biomassa úmida por unidade de tempo (kg/h)

Para efeito de cálculo a temperatura final de lodo (Tsf) é razoavelmente ajustada à


temperatura máxima permitida.
A média logarítmica das diferenças de temperatura é calculada, através da expressão:

(𝑇𝑔𝑖 −𝑇𝑤𝑏 )− (𝑇𝑔𝑓 −𝑇𝑤𝑎 )


∆𝑇 = ∆𝑇𝑚 = (𝑇𝑔𝑖 −𝑇𝑤𝑏 )
(8.14)
𝑙𝑛
(𝑇𝑔𝑓 −𝑇𝑤𝑎 )

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Onde:
ΔTm : média logarítmica das diferença de temperatura (0C);
Tgi : temperatura inicial dos gases da combustão(0C);
Tgf : temperatura final dos gases de combustão(0C);
Twa : temperatura de bulbo úmido na entrada do secador(0C);
Twb : temperatura de bulbo úmido da saída do secador(0C);

As temperaturas do bulbo úmido dos gases, na entrada e na saída, são determinadas por
um diagrama psicrométrico para a mistura de ar-água, dependendo da temperatura do
bulbo seco e umidade relativa dos gases.
Então, balanço de energia no secador:

𝑄𝑔𝑒 = (𝐻𝑔𝑒 − 𝐻𝑔𝑠 )η=(𝑚𝑔𝑒 ∗ 𝑐𝑔𝑒 ∗ 𝛥𝑇)η= 𝑈𝑎 ∗ 𝑉 ∗ 𝛥𝑇𝑚 (8.15)

Onde:
Hge : entalpia de gases de produtos de combustão na entrada(kcal/kg)
Hgs : entalpia de gases de produtos de combustão da saída(kcal/kg)
η : rendimento do processo de transferência calor e de massa.
mge : massa de gases produtos da combustão(kg)
cge : calor específico de gases produtos da combustão.(kcal/kg K)
η, leva em conta as perdas de calor por radiação no secador.

Como têm o comprimento eu diâmetro do secador, e também massa de gases produzida


por unidade de tempo, pode ser calculada G velocidade mássica dos gases (kg/m2h) é
calcular o coeficiente de transferência de calor.

𝑚̇𝑔𝑒
𝐺= (8.16)
𝐴

Onde:
G: velocidade mássica dos gases (kg/m2h)
A:área da seção transversal do secador(m2)
𝑚̇𝑔𝑒 : massa de gases produzida por unidade de tempo(kg/h)

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A relação empírica para o coeficiente de transferência de calor e:

𝑈𝑎 = 𝐾𝐺 𝑛 /𝐷 ; (8.17)

Onde:
K, n: Constante.
G: velocidade da massa de ar, (kg/m2h) .
D: Diâmetro da carcaça , m

Pode ser estimado através de modelos existentes na literatura, testando-se os seguintes:

Equação de Friedman e Marshall (1949):

Equação de Myklestad (1963):

Equação de Friedman e Marshall (1949):

Equação de Myklestad (1963):

Equação de McCormick (1962):

Equação de Molstad, Farevaag e Farrell (1938):

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Equação de Jongeneelen (1976):

O Manual do Engenheiro Químico de (5 ª edição) recomenda a seguinte expressão:

q  0.4 LGD0.67 Tm

8.15.2 – Calculando a temperatura do gás de exaustão


Normalmente secadores adiabáticos são convenientemente avaliados em termos do
número de unidades de transferência. Foi determinado empiricamente que secadores
rotatórios operam mais economicamente quando o número unitário de transferência
direta de calor secadores, NT, está entre 1,5 e 2,0 para uma operação eficiente. O número
de transferência de calor é dado por:

𝑇𝑒𝑛𝑡 −𝑇𝑠𝑎í
𝑁𝑇 = (8.18)
∆𝑇𝑚

No caso de um material com um elevado teor de umidade pode ser  Tm definida como
a temperatura média logarítmica do gás à saída e entrada para a temperatura do bulbo
úmido, TW assim:

𝑇𝑒𝑛𝑡 −𝑇𝑤
𝑁𝑇 = ln (8.19)
𝑇𝑠𝑎𝑙 −𝑇𝑤

Por conseguinte:

𝑇𝑠𝑎𝑙 = 𝑇𝑤 + (𝑇𝑒𝑛𝑡 − 𝑇𝑤 )𝑒 −𝑁𝑇 (8.20)

A temperatura do bulbo úmido dos gases na entrada e de saída foram determinados


utilizando um gráfico de psicrométrica para a mistura ar-água, dependendo da
temperatura do bulbo seco e umidade relativa dos gases.

8.15.3 – Calculando a umidade do gás à saída


Assumindo que a umidade de saída não excede à saturação, em seguida, a umidade de
saída, Xsal, é dada por:

𝐸
𝑋𝑠𝑎𝑙 = 𝑋𝑒𝑛𝑡 + (8.21)
𝐺
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Onde:
E / G: umidade recolhidos pelo gás,
E: velocidade de evaporação, (kg de água / h).

Assim, depois de ter calculado a umidade e a temperatura do gás de combustão, está


determinado completamente o estado termodinâmico.

8.15.4 – Cálculo do comprimento do secador

A razão L / D, com base no cálculo anterior deve estar dentro do intervalo de 4 a 10. Se
não, outro valor de NT deve ser escolhido de forma a obter um valor dentro do intervalo
desejado.

8.15.5 – Cálculo do tempo de retenção.


Tempo de retenção θ é definido como H / S em que H é o material no secador e S é a
velocidade de produção (kg sólido seco / h). Para um bom desenho, a quantidade de
material deve ser de cerca de 7 a 8% em volume do secador. Assim,

0.075𝑉𝜌𝑠
𝜃= (8.22)
𝑆

Onde:
ρs: densidade volumétrica do produto seco.

Sabem-se a temperatura de entrada dos gases de produtos de combustão do motor pode


determinar a temperatura de saída, tendo em conta a temperatura de ponto de orvalho de
vapor de água nos gases resultantes da combustão. Exemplo:

Temperatura de condensação de vapor de água


Determine se vapor de água conteúdo no gás de combustão é condenariam a 250 C,
calcular a temperatura do ponto de orvalho:

Para saber se o conteúdo de vapor de água na mistura de gás vai condensar ou não, é
necessária para calcular a pressão de vapor da água a esta temperatura e compará-la com
a pressão parcial exercida pelo vapor na mistura.

Da equação de Antoine:

𝑙𝑜𝑔𝑝𝑣 = 𝐴 − 𝐵/(𝐶 + 𝑇) (8.23)

Onde:
pv , -é a pressão de vapor, em mmHg

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T- é a temperatura, em 0C.

As constantes para a água são:

Temperatura 0C A B C
0-60 8.10765 1750.286 235
60-150 7.96681 1668.21 228

De forma que, a 250C.

𝑝𝑣 = 23.756 𝑚𝑚𝐻𝑔 = 0.0313 𝑎𝑡𝑚

Embora a pressão parcial é o produto da fração molar no gás pela pressão da mistura:

𝑝̅𝐻2 𝑂 = 𝑦𝑝𝑡 (8.24)

Fração molar de vapor de água = y = 0.1107(760mmHg)


A pressão total = pt = 1 atm

𝑝̅ H2O = (0.1107)(760) = 84.132mmHg = 0.1107 atm

Desde a sua pressão de vapor é menor do que a pressão parcial do gás, se ocorrer de
condensação de vapor a água na mistura de gás.

Pra determinar a temperatura à qual a condensação começa a ocorrer (temperatura de


orvalho) é também usado o Antoine equação:

𝑙𝑜𝑔𝑝𝑣 = 𝐴 − 𝐵/(𝐶 + 𝑇)

Despejando T:

𝑇 = 𝐵/(𝐴 − 𝑙𝑜𝑔𝑝𝑣 )-C

Para a condensação começa a ocorrer, deve ocorrer que a pressão de vapor de água é
igual à pressão parcial de vapor de água no gás.

T= 48.10C
A temperatura do ponto de orvalho do gás de combustão é de 48. Isto significa que a
temperaturas inferiores a 48 o conteúdo de vapor de água no gás vai condensar.

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Conhecendo a umidade e temperatura de entrada de lodo, sabendo também a


temperatura de entrada dos gases e definindo a sua temperatura de saída acima da sua
temperatura de ponto de orvalho.

8.16 – Secado de Lodo

A secagem térmica de lodos promove a redução da umidade da evaporação da água e a


destruição dos organismos patogênicos. Apenas a água é removida, os sólidos totais são
mantidos praticamente inalterados. a Preservação da matéria orgânica, associada á
eliminação dos organismos patogênicos, constitui-se em um aspecto de importância
fundamental quando o biossólido vai utilizado como fertilizante na agricultura.
Outro objetivo principal de secagem térmica é a redução da quantidade de água presente
na massa do lodo, com o propósito de diminuir o custo de transporte caso esse material
necessite ser transportado para outro local. Com secagem térmica pode-se obter teores
de sólido da ordem de 90a 95%, com isso, reduzir significativamente a massa final dos
lodos gerados.
O custo operacional da secagem térmica é bastante alto quando comparado com outras
operações de tratamento de esgotos. O fator de maior relevância é o consumo de
combustível para a geração de calor. a busca de eficiência torna-se obrigatória para
otimização dos custos operacionais.
Um fator muito importante na busca de eficiência operacional de secagem é o
conhecimento da umidade de equilíbrio do material. Trata-se da umidade contida no
sólido que está em equilíbrio com a umidade do ar ambiente. Um material muito seco,
com teor de sólidos superior aquele corresponde á sua umidade de equilíbrio, ao ser
exposto ás condições ambientais, pode absorver a umidade do ar, tornado a operação
ineficiente.

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Figura 8.22 – Fotografia do sistema de secagem térmica

A fim de economizar energia na secagem de lodo da ETE, o biogás utilizado para a


secagem de lodo e também a produção de energia elétrica em motores de combustão
interna e secagem de lodo com os gases produzidos pela combustão em secadores
rotativos.
Lobato, Chernicharo, Pujatti, Martins, Melo e Recio desenvolveram o trabalho: "O uso
de biogás para a cogeração de calor e eletricidade para aplicação local: avaliação de
desempenho de um motor de combustão e um secador de lodo térmica". Uma pequena
unidade de cogeração de energia e calor foi testada no Centro de Investigação e
Formação sobre Saneamento UFMG / COPASA - conceitos, localizado na Estação de
Tratamento de Esgoto Arrudas, em Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil. A unidade
consistia de um motor de combustão interna (ICE) adaptado para rodar em biogás, um
protótipo secador térmico e outros periféricos (compressor, tanque de armazenamento
de biogás, o soprador de ar, etc.) O calor dos gases de escape da ICE foi dirigida para o
protótipo secador térmico, para secar o lodo e desinfetar. Os resultados mostraram que o
aparato experimental é auto-suficiente em energia elétrica, e até mesmo produzir um
excedente, disponível para outros usos. Os testes de secagem e de desinfecção de lodo
duraram sete horas, levando a um aumento no teor de sólidos de 4 a 8% (redução de
50% em volume de lamas). Embora a secagem de lodo não tenha sido possível
(espessamento só foi atingido), o processo de desinfecção provou ser muito eficaz,
permitindo que a inativação completa de ovos de helmintos.

Figura 8.23 – Fluxograma do aparelho experimental

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