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capítulo 7 7.

HIDROLOGIA FISICA
CIRCULAÇÂO ATMOSFÉRICA

Circulação das massas atmosféricas

Antes de expor as causas dos movimentos atmosféricos, vamos ver um pouco sobre as escalas
dos movimentos atmosféricos:
Microescala: A menor escala com importância meteorológica abrange fenômenos que ocorrem
em dimensões de até poucos quilômetros, com duração de até cerca de 1 hora. Falamos de
formação de gotas de chuva, dispersão de poluentes e interação solo-plantas-atmosfera.
Mesoescala: A escala mediana tem fenômenos com dimensões de até 100 km, com duração de
horas. Falamos de linhas de instabilidade, tempestades isoladas, sistemas de nuvens, ilhas de
calor etc.
Macroescala: A grande escala abrange os fenômenos com dimensões de centenas de
quilômetros e com duração de semana e mês. Falamos de frentes, ciclones e anticiclones, que
acabam tendo importante papel nas características climáticas e sazonais das regiões do globo.

A Circulação Atmosférica é o processo de movimentação das massas de ar, ocasionado pelas


diferenças de pressão e temperatura existentes na atmosfera. O ar mais frio é mais pesado e
desce, o ar quente é mais leve e sobe, o que propicia a formação dos ventos, correndo das zonas
de alta pressão (onde acumulou uma maior quantidade de ar) para as de baixa pressão.

Olhando de longe a Terra é possível perceber a dinâmica da movimentação das massas de ar a


nível global, gerada pelo desequilíbrio do saldo energético da radiação recebida pela superfície
terrestre. Vemos a formação das células atmosféricas, que se dividem em três: a célula Tropical,
a célula de Ferrel e a célula Polar.

Célula
Hadley
Célula
Ferrel
Célula
Polar

Polo Circulo Polar Trópico Equador

A célula tropical (célula de Hadley) ocorre nas regiões localizadas entre os trópicos. Pelo
aquecimento da região, o ar sobe e se desloca para os trópicos, onde ele vai se resfriando e
descendo... retornando ao equador. Como vizinha, vem a célula das latitudes médias (célula de
Ferrel), onde ventos próximos à superfície correm em direção aos polos, retornando depois para
o seu local de origem. Depois vem a célula Polar nas zonas próximas aos polos. Com a chegada
das massas de ar, oriundas das outras células, carregadas de umidade, elas sofrem brusca queda
de temperatura, dispersando-se para as regiões tropicais. Note que há uma macro célula que liga
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os polos ao equador... Tudo isso provocando uma circulação primária (circulação global); uma
circulação secundária (sistemas alta/baixa pressão) e uma circulação terciária (sistemas locais).

Na macro circulação inferior (junto à superfície), o ar desce dos pólos para o Equador. Na
macro circulação superior ele volta do Equador para os pólos. Convivendo com esse percurso
entre o polo ao Equador há, na verdade, os dois “curtos-circuitos” entre as circulações superior e
inferior, formando as células intermediárias mencionadas. Como esses curto-circuitos não são
perfeitamente definidos ao longo do tempo, esses centros barimétricos flutuam, consideravelmente,
de intensidade.

Os Centros de Alta Pressão caracterizam-se por ventos convergentes na superfície da Terra,


enquanto que os Centros de Baixa Pressão caracterizam-se por ventos divergentes junto à superfície
da Terra. O mais conhecido dentre os Centros de Alta é o centro perene chamado CIT-
Convergência Inter Tropical. E os dois Centros de Baixa Pressão mais conhecidos são os Pólos.
A CIT flutua em torno da linha do paralelo Equador, e flutua porque o hemisfério de verão
avança pelo de inverno, deslocando a CIT. Esta flutuação está na Zona de Convergência
Intertropical (ZCIT).

Tais circulações ajudam a promover um melhor equilíbrio térmico em toda a superfície. Veja
que se não existissem trocas de calor entre a região tropical e a polar, os trópicos ficariam cada
vez mais quentes e os pólos cada vez mais frios. 60% do calor é redistribuído pela circulação
atmosférica (calor sensível e calor latente) e 40% pelas correntes oceânicas.

Circulação Global Idealizada

O conhecimento atual dos ventos globais advém de: regimes observados de pressão/vento; e
estudos teóricos dos movimentos. Alguns desses estudos teóricos são feitos sob hipóteses, nem
sempre muito próximo da realidade. Um dos importantes estudos é de George Hadley que
idealizou uma circulação térmica (similar à brisa marítima) devido ao grande contraste de calor
entre o Pólo e o Equador. O aquecimento desigual da Terra faria o ar se mover para equilibrar
as desigualdades. Hadley sugeriu que sobre a Terra sem rotação o movimento do ar teria a
forma de uma grande célula de convecção em cada hemisfério, conforme abaixo. O ar equatorial
mais aquecido subiria e se deslocaria para os pólos.

Nos polos, o ar desceria e se espalharia com retorno para o equador. No equador, se aqueceria e
subiria novamente. Portanto, a circulação ideal proposta por Hadley para uma Terra sem rotação
tem uma camada ar superior indo aos pólos e uma camada na superfície indo para o equador.

Um novo modelo com três células de circulação


em cada hemisfério foi proposto, com intuito de
melhor representar a natureza, conforme figura
abaixo. Note que estes ventos tem componente
zonal maior que o componente meridional. Na
zona entre zero e 30° de latitude a circulação se
dirige para o equador na superfície e para os pólos
em nível superior, formando a chamada célula de
Hadley. Acredita-se que o ar quente ascendente no
equador libere calor latente na formação de e
forneça a energia para alimentar esta célula.
Quando a circulação em alto nível se dirige para os
pólos, ela começa a subsidir numa zona entre 20° e
35° de latitude.
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centro
Os ventos superficiais gerados pela hipótese de alta

acima mostram-se um tanto diferentes dos


ventos reais. Veja o par de globos abaixo, frente
polar
anticiclone
subtropical

zona de
calmaria

onde na esquerda está o globo com os ventos


idealizados; e na direita com os ventos atualmente observados. A diferença é explicada pelo fato
de a superfície terrestre não ser uniforme (como quer o modelo); pelo fato de o aquecimento
real ser mais irregular que o modelado; pelo fato de os ventos criarem vórtices; e pelo fato de a
culminação zenital solar não ficar estável no plano equatorial, mas se mover na faixa +23 e -23.

As Massas de ar As massas de ar tropical (zonas dos ventos alísios) cobrem uma região
ocupada principalmente por oceanos, com temperatura e umidade elevadas. Tais massas
costumam ser razoavelmente homogêneas. Assim como são as massas polares, sendo essas, no
entanto, bem secas e muito frias. Já as massas que cobrem as latitudes médias (região dos
ventos de oeste) são as menos homogêneas.

Todas essas massas tem seu deslocamento provocado pela diferença de pressão e temperatura
entre as diversas áreas da superfície. Isto é, elas são associadas aos sistemas de baixa/alta pressão.

Como classificação, costuma-se distingui-las pelas suas características térmicas: [TROPICAL (T)
e POLAR (P)] e pelas suas características de umidade: [CONTINENTAIS (C), MARÍTIMAS
QUENTES (MQ) e MARÍTIMAS FRIAS (MF)].

As massas de ar também se classificam pela gênese das precipitações: Sistemas Frontais (SF é
encontro de massas de ar com temperaturas distintas); Sistemas Convectivos de Mesoescala
(SCM são aglomerados de nuvens que apresentam área de continua precipitação, podendo ser
convectiva ou estratiforme); Alta da Bolívia (AB alta pressão - anticiclone que ocorre na alta
troposfera, no verão, sobre a América do Sul); Zonas de Convergência.

Os Sistemas Frontais (SF) advém do encontro de grandes massas,


onde a massa fria vai entrando por debaixo da massa quente, elevando-a
para uma descompressão adiabática e formação de chuvas frontais.
Os SF na américa do sul são responsáveis por grande parte da
precipitação no norte da Argentina, Uruguai, Paraguai, sul/sudo- direção para o H. Norte

este/oeste-central brasileiro, Bolívia e sul peruano.

Zonas de convergência: Alíseos


Existem quatro zonas de ZCIT
Alíseos
convergências principais: Equador

1- A (ZCAS) Zona de
Convergência do Atlântico
Sul é faixa de nebulosidade TAITI
ZCPS
persistente (do Atlântico Sul Ilha de
Páscoa
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a Amazônia sul) associada a uma zona de convergência na baixa troposfera, orientada no


sentido noroeste-sudeste, ficando bem caracterizada no verão. É a responsável por enchentes no
sudeste brasileiro e veranicos -estiagem quente de inverno- no sul.

2- A (ZCIT) Zona de Convergência Intertropical é a zona de baixa pressão na faixa equatorial


formada pela confluência dos alísios norte e sul, elevando o ar quente e úmido.

3- A (ZCPS) Zona de Convergência do Pacífico Sul é a zona de baixa no oeste do Pacífico


(Indonésia) com alta temperatura da superfície oceânica. Ela intensifica entre dezembro e março
e freia as frentes frias antarticas nas latitudes de 20oS.

4- A (ZCIS) Zona de Convergência do Índico Sul é a menos marcante das zonas de


convergência e é caracterizada por acontecer em baixas altitudes. Ocorre entre dezembro e
março, perto da Ásia, entre o equador e a latitude de 15oS. É uma região de convecção intensa e
com a superfície do mar aquecia em relação ao seu padrão.

A Distribuição Espacial das Chuvas A distribuição da precipitação no globo acaba


sendo uma consequência da circulação atmosférica e das cadeias de montanhas/planaltos. Pode-
se observar que a chuva na região equatorial está muito ligada à ZCIT, enquanto que nas regiões
de médias latitudes, a precipitação está muito associada às frentes frias e ciclones extratropicais.
Há que se considerar também a circulação zonal de larga escala observada na região tropical
(célula de Walker), devido ao aquecimento diferencial oceano/continente. A célula de Walker
ocorre no plano oeste-leste.

Em 1924, Sir Walker identificou uma ligação de baixa e alta pressão


entre a Indonésia e o Taiti, gerando ventos capazes de fazer variar
1metro o nível do mar numa extensão de 12mil Km (do Peru à
Austrália). Na Austrália o mar sobe 0,50 m e no Peru desce 0,5m.

Relacionados à célula de Walker estão os fenômenos cíclicos do El


Niño e La Niña, cuja ocorrência tem ciclo de cerca de 2-7 anos. Eles são
resultados do aquecimento/resfriamento acentuado do ambiente
marinho do Oceano Pacífico na costa do Peru.

O El Niño, no Brasil, tende a alterar a orientação de massas de ar, provocando uma diminuição das chuvas no extremo norte do
país e intensificando a seca em algumas regiões do Nordeste. Esse distúrbio na orientação das massas de ar acaba
enfraquecendo o movimento da massa equatorial continental, que é responsável pela fluidez dos rios voadores. A região
Sudeste fica mais quente e intensifica o regime de chuvas com ocorrência de enchentes. O La Niña, de ocorrência é menos
frequente, provoca os efeitos relativamente inversos e o norte/nordeste brasileiro passam a ser mais chuvoso do que o comum.

Na Amazônia temos precipitações anuais da ordem de: (1) Amazônia leste 1500 mm/ano; (2)
Amazônia oeste/nordeste 3500 mm/ano; (3) Amazônia central 2800 mm/ano.

Enquanto o norte brasileiro tem o maior índice pluviométrico, o nordeste apresenta regimes de
precipitação variados, complexos e pouco previsíveis. O sul do Brasil tem distribuição anual de
precipitação uniforme os SF são responsáveis pela maior parte das chuvas. O sudeste e centro-
oeste brasileiro mostram transição entre os climas quentes (de latitudes baixas) e os climas
temperados (de latitudes médias). Suas chuvas são muito influenciadas pela (ZCAS) Zona de
Convergência do Atlântico Sul.

Efeitos da Força de Coriolis


As forças de pressão e de Coriolis formam um conjunto importantíssimo na circulação
atmosférica. A taxa de variação vertical da pressão, isto é, o gradiente vertical da pressão é bem
maior que os gradientes horizontais normalmente observados. Entretanto, são esses pequenos
gradientes horizontais uma das principais força que provoca o movimento do ar. Quanto maior o
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gradiente horizontal de pressão, maior será a força do gradiente de pressão e, por conseguinte, a
aceleração.

A força de Coriolis só aparece após a parcela de ar entrar em movimento e é devido ao fato de


que os ventos (movimento do ar em relação à Terra) são observados em um referencial fixo na
superfície. Para um observador na superfície tudo se passa como o surgimento de uma “força
fictícia”, que é a Força de Coriolis.

Podemos perceber Coriolis imaginando um experimento em um carrossel, onde uma bola é


lançada do centro do carrossel para a borda do carrossel. Conforme a bola avança para a borda,
o alvo vai se movendo também no sentido da rotação do carrossel. Para um observador fora do
carrossel, a bola descreverá uma trajetória perfeitamente retilínea. Enquanto que para um
observador no carrossel, a bola desviará lateralmente como se uma força estivesse agindo sobre
a bola. Repare que quanto maior for a velocidade da bola, maior será a força que a empurrará
lateralmente.

Analogamente, como a Terra gira de oeste para este, o deslocamento das massas de ar sofrem
um desvio de trajetória devido à força de Coriolis. Sendo a velocidade angular da Terra uma
constante, os vários pontos de um meridiano possuem velocidades linear distintas. Assim,
quando uma massa-de-ar se movimenta ele está sujeito a uma potencial variação da velocidade
linear, que modifica sua trajetória. Esse efeito é sentido como se o movimento recebesse
continuamente a ação de uma força lateral, perpendicular à direção do movimento.

A Força de Coriolis, no hemisfério Norte, empurra para direita, promovendo um giro anti-
horário. No hemisfério Sul, a força de Coriolis desviará o movimento para a esquerda.

O Efeito Estufa e as mudanças climáticas globais

Sabemos que a atmosfera terrestre é constituída de gases que são relativamente transparentes à
radiação solar mas eles absorvem grande parte da radiação emitida pela superfície aquecida da
Terra. Isso faz com que a sua superfície tenha uma temperatura maior do que teria se não
houvesse a atmosfera. Tal processo é a base lógica do conhecido Efeito Estufa.

Naturalmente, há uma grande preocupação quanto aos riscos da intensificação do Efeito Estufa
e de seus reflexos sobre o clima do planeta, pois avalia-se que as alterações no Efeito Estufa
estejam causando Mudanças Climáticas Globais.

Construir um modelo para as mudanças climáticas compreende o conhecimento do comportamento


atmosférico por um longo período nas diversas regiões do planeta. No entanto, as muitas
grandezas envolvidas, a complexidade de seu adequado equacionamento e a necessidade das
muitas e longas séries de medições, fazem com que as incertezas em simular mudanças climáticas
sejam muito grandes.

A breve discussão a seguir mostra a progressiva inclusão dos efeitos que interferem nas
variações de temperatura, e nas outras alterações ambientais associadas à temperatura. Partindo
das primeiras abordagens que consideravam apenas a interferência da atmosfera no balanço
radioativo Terra-Sol, foi-se gradativamente incluindo a influência da superfície terrestre, do
oceano, da geleira (que afetam o albedo terrestre) e a presença e ação dos aerossóis atmosféricos.

O espectro do Sol é parecido com o de um corpo negro a uma temperatura de 6000oK que emite,
principalmente, radiação na faixa de 0,2 a 4 µm (ondas curtas), com máximo na região da luz
visível. Já a Terra tem espectro de corpo negro na temperatura de 300 oK e emite radiação na
faixa de 4 a 100 µm (ondas longas), com máximo na faixa do infravermelho.
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A potência irradiada por metro quadrado para um corpo negro é dada pela relação: E1 = σT4. A
Terra absorve a radiação solar a uma taxa de: E2 = S (1 - α)/4 , onde: S varia entre 1365 a 1372
W/m2; α é albedo; e o fator 1/4 deve-se à distribuição dessa energia sobre a superfície terrestre.
(Veja que o disco da Terra que intercepta a radiação solar tem área πR² e a energia distribui-
se pela superfície esférica da Terra (4πR²). Portanto, πR²/4πR² =¼).

Considerando-se que, em um ciclo onde a Terra tem uma temperatura média constante (ela está
em equilíbrio térmico - o que ocorre em um ciclo anual -), pode-se igualar as eqs; S (1 - α)/4 =
σT4. Como o albedo terrestre é aproximadamente 0,30, a temperatura calculada é de 255 oK, ou
seja, 18ºC negativos... ????? valor ~ 33 oC menor que o observado (~15ºC) ?????... o que mostra
que apenas o equilíbrio radioativo Terra-Sol não basta para explicar a temperatura média da
superfície terrestre.

Incluindo-se na análise do balanço de transferência de energia a presença da atmosfera e os


processos que nela ocorrem é que se consegue explicar a energia adicional retida pela terra e,
consequentemente, sua maior temperatura superficial média. Lembre-se que na atmosfera
acontecem processos de troca de energia térmica importantes para o clima terrestre... a
condução de calor, a convecção e a interação da radiação eletromagnética com os gases e
partículas que compõem a atmosfera. As partículas determinam a ocorrência da absorção e de
espalhamento que dependem do onda da radiação, da composição química e do tamanho das
partículas. O resultado final dessa interação é um aquecimento adicional da superfície terrestre,
possibilitando que a sua temperatura média global seja cerca de 15ºC ao invés dos 18ºC
negativos.

As moléculas de vapor de água, o dióxido de carbono e alguns outros gases que absorvem
radiação eletromagnética apresentam eficiência de absorção menor para a radiação solar (ondas
curtas), do que para a radiação vinda da superfície da Terra (ondas longas). E esses gases
atmosféricos aquecidos também emitem radiação, para a terra e para o espaço. O aquecimento
adicional da superfície terrestre por esse processo é chamado de “Efeito Estufa”. Gases
atmosféricos que retêm relativamente pouca radiação solar, enquanto absorvem com maior
eficiência a radiação emitida pela superfície da Terra, são chamados de gases estufa. Os mais
importantes são o vapor de água, dióxido de carbono, ozônio, metano e o óxido nitroso.

A curva de emissão de corpo negro a 6000oK (espectro do Sol) mostra maior parte da emissão
no comprimento de onda de luz visível e uma parte menor em ultravioleta. Lembre que, na
camada de ozônio, ocorre uma grande absorção da ultravioleta pelo O3 e O2 e que a luz visível
atravessa fácil a atmosfera. Mas analisando-se igualmente o espectro de corpo negro a 255oK
(espectro terrestre), grande parte da radiação é em comprimento de infravermelho e, nessa faixa,
a absorção por gases como vapor de água e dióxido de carbono é grande. Sabemos que o vapor
de água participa com ~65% do efeito, o CO2 com ~32% e os demais gases com ~3%. Portanto,
o vapor de água é o principal gás estufa com uma contribuição que é o dobro do CO2.

No entanto, quando se trata de mudanças globais, a maior preocupação tem sido com mudanças
devido a atividades antropogênicas, após a revolução industrial, pois avalia-se que a
temperatura média da Terra esteja subindo pelo aumento da concentração dos gases estufa. Para
fins de deslocamentos de tendências climáticas, o que pesa mais são os correspondentes
deslocamentos nas concentrações e nos diferentes fatores climáticos. A absorção pelo vapor de
água e CO2 é tão forte que outros gases que absorvem em comprimentos de onda similares
contribuirão muito pouco com o Efeito Estufa. Mas não há dúvida que isto produza uma
importante e maior retenção de radiação na atmosfera.

O balanço energético global do planeta é complexo e a concentração dos gases é apenas um dos
componentes que o influenciam.
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Os Modelos Climáticos Globais têm estimado que as emissões antropogênicas estão causando
uma intensificação do Efeito Estufa e que, como consequência, de 1861 até hoje a temperatura
média da Terra subiu (0,6 ± 0,2)ºC. As possíveis consequências desse aquecimento seriam: o
derretimento da água congelada em montanhas e geleiras, a elevação dos oceanos devido a esse
derretimento e à expansão térmica da água, o aumento da quantidade de nuvens, vapor de água
e, consequentemente, da quantidade de chuvas, alteração das características do ambiente em
diferentes regiões etc. Vale ressaltar que essas são as tendências avaliadas como as mais
prováveis e não são certezas absolutas. Além disso, mesmo que provável, não é absolutamente
certo que as mudanças climáticas sejam de origem antropogênica e não oscilações naturais do
clima. Veja também que a variação detectada para a temperatura média da superfície terrestre
(0,6ºC) é um valor razoavelmente próximo das incertezas de medida e poderia ser (ainda que
parcialmente) relacionado ao “ruído” de medida. Finalmente, no balanço radioativo Sol-Terra,
vimos que, num ciclo anual, a energia solar que chega é balanceada pela radiação terrestre que
sai. Por outro lado, sabemos que a maior incidência de radiação na faixa equatorial gera uma
circulação atmosférica e marinha, que redistribui parte da energia em direção aos pólos.
Qualquer alteração na radiação recebida do Sol ou perdida para o espaço, ou mudanças na
redistribuição dentro da atmosfera ou entre esta, a terra e os oceanos, pode afetar o clima.

Chama-se forçante uma mudança na energia líquida disponível no sistema Terra-atmosfera. Ela
será positiva (ou negativa) na medida em que propiciar aquecimento (ou resfriamento) do
sistema, respectivamente.

Os gases estufa, portanto, têm representado uma forçante positiva. No entanto, veja que o uso de
combustíveis fósseis que gera esses gases também propicia a formação de partículas que podem
espalhar a radiação solar, e esta é uma forçante negativa. A fuligem absorve radiação com alta
eficiência e é forçante positiva.

Coisas similares podem ser dito dos aerossóis na troposfera. Eles aumentam a capacidade de a
atmosfera espalhar a radiação solar antes que ela possa atingir a superfície terrestre e também
influem na formação de nuvens, alterando a área de cobertura e o tipo de nuvens. Sendo que as
nuvens representam um dos principais fatores de incerteza nos modelos climáticos. Alterações
nos padrões das nuvens tanto poderão produzir um efeito de aquecimento quanto resfriamento,
dependendo das características que prevaleçam. Por exemplo, o albedo é uma forçante negativa,
enquanto o calor liberado na condensação do vapor de água é uma forçante positiva. Outros
forçantes podem ser fortes, mas sem grande abrangência na atmosfera... só intensos efeitos
localizados. Como é o caso das erupções vulcânicas ocasionais que são intensas forçantes
negativas, localizadas, mas cujos efeitos podem persistir por anos.

Há, ainda, uma série de efeitos de realimentação positiva (ou negativa), que podem intensificar
(ou atenuar) mudanças de temperatura. No entanto, maiores temperaturas, por exemplo,
provocam mais vapor de água na atmosfera, intensificando o Efeito Estufa (forçante positiva)...
mas, por outro lado, também alteram o padrão das nuvens, gerando uma realimentação negativa.

Já comentamos que a resposta do clima às forçantes tem várias escalas de tempo. A grande
capacidade térmica dos oceanos e o ajuste dinâmico das placas de gelo, por exemplo,
determinam, hoje, um fator de inércia que pode chegar a milhares de anos até que se observe a
resposta às forçantes (positivas ou negativas). Ou seja, qualquer fator que interfira no balanço
radioativo terrestre acaba introduzindo alterações nos padrões do clima, em escala global ou
regional. Para distinguir mudanças climáticas antropogênicas de variações naturais, é necessário
identificar o ‘sinal’ antropogênico contra o ‘ruído’ de fundo da variabilidade climática natural.

Portanto, qualquer mudança climática causada por ações antropogênicas estará embutida nas
variações climáticas naturais que ocorrem em uma série de escalas de tempo e de espaço. A
variabilidade climática pode acontecer como um resultado de alterações naturais nas forçantes
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do sistema climático, por exemplo, variações na radiação solar recebida e mudanças na


concentração de aerossóis provenientes de erupções vulcânicas.

Os modelos climáticos em seu estágio atual estimam que haverá um aquecimento global com
suas presumíveis consequências. Mas esta não é uma evolução inexoravelmente definida e com
incertezas não desprezíveis nessas previsões. Independentemente da racionalidade científica
com que analisamos o problema, a possibilidade de que venham catástrofes é algo muito
presente no imaginário popular. Isso é resultado da percepção que as pessoas têm das profundas
alterações que a humanidade tem introduzido sobre a face da Terra. Algumas ações antrópicas
contribuem muitíssimo para esta percepção: Impermeabilização do solo e os alagamentos
urbanos; Ilha de calor/poiluição e consequente desconforto atmosférico.

Se os modelos estiverem corretos é imprescindível uma ação rápida para controle das emissões
dos gases estufa e esta ação envolveria uma intervenção radical na principal base energética de
nossa sociedade, com consequências nos interesses imediatistas de lucro de todo sistema
capitalista de produção/comércio. Mas, independente das incertezas quanto às mudanças
climáticas e seus efeitos, não há dúvidas quanto aos danos (pelo menos locais) advindos das
ações antropogênicas que geram os gases estufa. Vale lembrar que ~700 mil mortes anuais são
relacionadas à poluição atmosférica.

Os textos mais usuais sobre o Efeito Estufa colocam o dióxido de carbono como principal
causador do Efeito Estufa, ao invés do vapor de água. Na verdade, o que a ciência tem
estabelecido é que o mais importante gás estufa é o vapor de água; que o maior perturbador do
Efeito Estufa é o dióxido de carbono; e que os gases pouco significativos na composição
atmosférica também tem grande importância na mudança climática.