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RESUMO – APLICAÇÃO DA LEI PENAL

ELABORADO POR MARCUS VINICIUS BERNO NUNES DE OLIVEIRA

1. Tempo do crime (art. 4º do CP 1): o nosso CP adotou a chamada teoria da atividade, que define a prática
do crime no momento da conduta (ação ou omissão), mesmo que a consumação (o resultado) ocorra em
momento posterior. Isso é importante principalmente por dois motivos: é o tempo do crime que serve de
parâmetro para se avaliar a anterioridade da lei penal; é o tempo do crime que serve de parâmetro para a
imputabilidade penal do sujeito (maioridade penal).
2. Lei penal no tempo e retroatividade da lei penal benéfica (art. 2º do CP 2): tendo em vista o princípio da
legalidade, a lei penal incriminadora só será aplicada a fatos posteriores à sua vigência. Porém, em razão do
previsto no art. 2º do CP, para a correta aplicação da lei penal é necessário classifica-la em três tipos:
✓ A) lei penal gravosa (lex gravior): é aquela que incrimina condutas, aumenta penas ou revoga
benefícios. Nesse caso, quando a lei penal nova é mais gravosa (novatio legis in pejus) ela só poderá
ser aplicada a fatos ocorridos após a sua vigência, de modo que os crimes praticados antes da nova
lei permanecerão regulados pela lei antiga (ultra-atividade da lei penal mais benéfica). Cuidado! Em
se tratando de crime continuado ou de crime permanente, aplica-se a lei penal nova mais grave
(Súmula 711 do STF 3)
✓ B) lei penal benéfica (lex mitior): é aquela que diminui penas ou estabelece benefícios penais. Quando
a lei nova é mais favorável ao réu (novatio legis in mellius), ela deverá ser aplicada aos crimes
posteriores e também aos crimes praticados antes da sua vigência (retroatividade da lei penal
benéfica). Mesmo se o crime já tiver sido definitivamente julgado, se a lei nova estabelece algum
benefício ao condenado, ela deverá ser aplicada (Súmula 611 do STF 4).
✓ C) lei penal descriminalizadora (abolitio criminis): é aquela que deixa de criminalizar uma conduta,
ou seja, retira a tipicidade formal de uma conduta (que por isso deixa de ser crime). Nesse caso, a lei
nova deverá ser aplicada a todos os fatos anteriores e posteriores à sua vigência. Quando isso
ocorre, todos os efeitos penais do crime são apagados (imposição da pena, reincidência, antecedentes
etc.), mas podem permanecer válidos os efeitos civis, como a obrigação de reparar o dano causado à
vítima. Cuidado! A abolitio criminis somente ocorre quando a conduta em si deixa de ser prevista em
norma penal (descontinuidade normativo-típica), e não quando o artigo do CP é revogado, mas a
conduta passa a ser prevista em outro artigo (como no caso do atentado violento ao pudor, antigo
art. 214 5 do CP, que passou a ser previsto junto com o estupro no art. 213 6).
Obs. 1: em regra, o STJ e o STF não admitem a combinação de leis penais (lex tertia), devendo a
retroatividade ser analisada a apartir da incidência na integra das normas penais (Súmula 501 do STJ 7).
Em outras palavras, não pode o juiz combinar partes da lei antiga com partes da lei nova para beneficiar o
réu, pois assim estaria criando uma terceira lei sem a participação do Legislativo (viola a separação dos
poderes).

1 Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.
2 Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e
os efeitos penais da sentença condenatória. Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se
aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.
3 A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da
continuidade ou da permanência.
4 Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna.
5 Art. 214 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ele se pratique ato
libidinoso diverso da conjunção carnal: Pena - reclusão, de seis a dez anos.
6 Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com
ele se pratique outro ato libidinoso: Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
7 É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja
mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis. (Súmula 501,
TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 23/10/2013, DJe 28/10/2013).
Obs. 2: o art. 3º do CP 8 admite a ultra-atividade da lei penal mais gravosa quando se tratar de lei penal
excepcional (elaborada para regular situação extraordinária, como calamidade pública, inundação etc.) ou
de lei penal temporária (aquela cujo prazo de vigência já é determinado pela própria norma). Em outras
palavras, para essas leis não se aplica o efeito retroativo da abolitio criminis.
3. Aplicação da lei penal no espaço: em regra, aos crimes cometidos dentro do território nacional, aplicam-
se as leis penais brasileiras (art. 5º do CP 9). Porém, o CP admite algumas exceções, razão pela qual ele
adotou o princípio da territorialidade relativa (ou mitigada).
3.1. Lugar do crime (art. 6º do CP 10): para se definir o lugar do crime o CP adotou a chamada teoria da
ubiquidade (ou teoria mista), pela qual em regra será considerado o local do crime onde ocorrer o resultado.
Porém, nos casos em que o resultado ocorrer fora do território nacional, considera-se o local do crime onde
ocorrer a conduta. Assim, será aplicada a lei penal brasileira tanto se o resultado, quanto se a conduta
ocorrerem no território brasileiro.
3.2. Conceito de território nacional: território nacional é todo o espaço físico/geográfico sujeito à soberania
do Estado brasileiro. Num primeiro momento, o território significa a superfície terrestre interna às
fronteiras com outros Estados (solo, subsolo, espaço aéreo e águas interiores), e o chamado mar territorial
(12 milhas a partir do litoral). Porém, também se admite o chamado território por extensão (art. 5º, §1º, do
CP 11), que consiste nas embarcações e aeronaves oficiais do governo brasileiro, onde quer que se
encontrem, e nas embarcações e aeronaves privadas brasileiras que se encontrem em zona de alto-mar
(espaço aéreo ou águas internacionais). Pelo princípio da reciprocidade, as embarcações e aeronaves oficiais
de governo estrangeiro também são consideradas território estrangeiro.
Obs.: as embaixadas não são consideradas território nacional por extensão, mas os embaixadores possuem
imunidade diplomática, isto é, suas condutas são julgadas pelo país de origem, aplicando-se a lei do país de
orígem (Convenção de Viena).
3.3. Extraterritorialidade penal (art. 7º do CP 12): são situações em que o crime é cometido no estrangeiro,
mas a ele será aplicada a lei penal brasileira. Basicamente existem dois grupos de casos de
extraterritorialidades:
✓ A) extraterritorialidade incondicionada (art. 7º, I, do CP): são casos em que o crime praticado no
estrangeiro será punido no Brasil independentemente de o acusado ter sido julgado no estrangeiro
ou não. São os casos de crime contra a vida ou liberdade do Presidente; crime contra o patrimônio
ou fé pública da União, dos Estados ou dos Municípios brasileiros, bem como das suas autarquias,

8 Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a
determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.
9 Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no
território nacional.
10 Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se
produziu ou deveria produzir-se o resultado.
11 Art. 5º (...). § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves
brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente
ou em alto-mar.
12 Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: I - os crimes: a) contra a vida ou a liberdade do
Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de
Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; c) contra a
administração pública, por quem está a seu serviço; d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; II -
os crimes: a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; b) praticados por brasileiro; c) praticados em
aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam
julgados. § 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no
estrangeiro. § 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: a) entrar o
agente no território nacional; b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; c) estar o crime incluído entre aqueles
pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais
favorável. § 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas
as condições previstas no parágrafo anterior: a) não foi pedida ou foi negada a extradição; b) houve requisição do Ministro da
Justiça.
fundações, empresas públicas ou sociedade de economia mista; crime contra a administração pública
cometido por funcionário público em serviço no estrangeiro; crime de genocídio (massacre ou
extermínio de um povo, raça ou grupo étnico) cometido por brasileiro ou pessoa domiciliada no
Brasil.
✓ B) extraterritorialidade condicionada (art. 7, II, do CP): são casos de crimes que por tratado
internacional o Brasil se obrigou a punir, crimes cometidos por brasileiros no estrangeiro, e os
crimes cometidos em navios ou aeronaves brasileiras particulares que estejam no estrangeiro e não
tenham sido julgados naquele local. Nesses casos, a aplicação da lei penal brasileira dependerá das
seguintes condições: o agente entrar em território nacional; o fato for criminoso no Brasil e no
estrangeiro (dupla tipicidade); o crime for passível de extradição pela lei brasileira; o agente não ter
sido absolvido no estrangeiro ou, se condenado, não ter cumprido a pena; não ocorrer a extinção da
punibilidade.
Obs.: Art. 7º, §3º, do CP: estabelece mais um caso de extraterritorialidade condicionada, quando
um estrangeiro cometer crime contra brasileiro fora do Brasil. Nesse caso, além das condições
anteriores, haverá mais duas condições: requisição do Ministro da Justiça e ausência ou negativa de
pedido de extradição.
4. Conflito aparente de normas penais: surge quando um mesmo fato parece ser adequado a mais de uma
norma penal, o que acarretaria o chamado bis in idem ou dupla punição, vedada no nosso direito penal. Para
solucionar esse conflito temos quatro princípios: princípio da especialidade, princípio da subsidiariedade,
princípio da consunção e princípio da alternatividade.
a) princípio da especialidade: por esse princípio, a norma penal especial afasta a incidência da norma penal
geral, independentemente da gravidade das penas. Assim, por exemplo, geralmente o homicídio culposo é
punido na forma do art. 121, §3º, do CP 13. Porém, quando a conduta é praticada na direção de automóvel
(homicídio culposo no trânsito), afasta-se a incidência do código penal (norma geral) e aplica-se o art. 302
do CTB 14 (norma especial).
b) princípio da subsidiariedade: a norma penal subsidiária é aquela que criminaliza uma lesão em grau
inferior ao que é criminalizado pela norma penal primária. Por exemplo, o art. 146 do CP 15 criminaliza a
conduta de constrangimento ilegal (que pode ser cometida com violência com grave ameaça). Porém, o art.
147 do CP 16 também criminaliza a conduta de ameaça, mas nesse caso a norma penal do art. 147 é
subsidiária em relação ao art. 146. Assim, pelo princípio da subsidiariedade, a norma penal primária afasta a
incidência de norma penal subsidiária.
c) princípio da consunção: trata do caso em que um crime é cometido como meio para o cometimento de
outro crime, que é o fim (finalidade) do agente. Em outras palavras, no princípio da consunção um crime é
meio necessário ou fase normal de preparação ou de execução de outro crime, encontrando-se, portanto, o
fato previsto em uma lei inserido em outro de maior amplitude. Por exemplo, STF entende que o crime de
posse de maquinário destinado à fabricação de droga (art. 34 da Lei 11.343/06 17) é meio para o atingir o
fim que é o tráfico de droga, motivo pelo qual o autor só responde pelo tráfico 18. Outro exemplo é o delito
de falsidade ideológica em recibo médico (crime-meio) e sonegação fiscal (crime-fim).

13 Art. 121. Matar alguem: Pena - reclusão, de seis a vinte anos. (...). § 3º Se o homicídio é culposo: Pena - detenção, de um a três
anos.
14 Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor: Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou
proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.
15 Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro
meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda: Pena - detenção, de três meses a
um ano, ou multa.
16 Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
17 Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar ou
fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação, preparação,
produção ou transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena -
reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200 (mil e duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-multa.
18 Os arts. 33, § 1º, I, e 34 da Lei de Drogas — que visam proteger a saúde pública, com a ameaça de produção de drogas —
tipificam condutas que podem ser consideradas mero ato preparatório. Assim, evidenciado, no mesmo contexto fático, o intento
d) princípio da alternatividade: trata dos tipos penais mistos alternativos, que são aqueles em que preveem
várias ações para o mesmo crime (exemplo, tráfico de drogas). Nesse caso, mesmo praticando mais de uma
ação, dentro do mesmo contexto fático, o agente responderá por apenas um crime.

de traficância do agente (cocaína), utilizando aparelhos e insumos somente para esse fim, todo e qualquer ato relacionado a sua
produção deve ser considerado ato preparatório do delito de tráfico previsto no art. 33, caput, da Lei 11.343/2006. Aplica-se,
pois, o princípio da consunção, que se consubstancia na absorção do delito-meio (objetos ligados à fabricação) pelo delito-fim
(comercialização de drogas). [HC 109.708, rel. min. Teori Zavascki, j. 23-6-2015, 2ª T, DJE de 3-8-2015.]