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Supremo Tribunal Federal

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 937.373 ALAGOAS

RELATORA : MIN. CÁRMEN LÚCIA


RECTE.(S) : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL FEDERAL
RECDO.(A/S) : JOSE BARBOSA DA SILVA
ADV.(A/S) : ANNE CAROLINNE BARBOSA DE BRITO

DECISÃO

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM


AGRAVO. PREVIDENCIÁRIO.
APOSENTADORIA ESPECIAL. NATUREZA
DA ATIVIDADE: AUSÊNCIA DE
REPERCUSSÃO GERAL. ARE N. 906.569.
AGRAVO AO QUAL SE NEGA
SEGUIMENTO.

Relatório

1. Agravo nos autos principais contra inadmissão de recurso


extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, al. a, da
Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional
Federal da Terceira Região:
“PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL.
SOLDADOR/CALDEIREIRO. PERÍODO ANTERIOR À LEI
9.032/95. INSALUBRE POR PRESUNÇÃO LEGAL. DECRETOS
53.831/64 e 83.080/79. CONTAGEM DO TEMPO DE SERVIÇO
PRESTADO EM CONDIÇÕES PREJUDICIAIS À SAÚDE.
POSSIBILIDADE. AGENTE NOCIVO RUÍDO ACIMA DOS
LIMITES LEGAIS. EPI EFICAZ. NÃO COMPROVAÇÃO. JUROS
DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. HONORÁRIOS.
CRITÉRIOS.
1. Versa a matéria dos presentes autos acerca da possibilidade
(ou não) do reconhecimento do tempo de serviço exercido em condições
especiais pelo autor nos períodos de e de , objetivando-se a concessão
16.02.1981 a 12.02.1987 14.04.89 a 25.10.2013 de aposentadoria

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especial.
2. O tempo de serviço é regido sempre pela lei da época em que
foi prestado. Dessa forma, em respeito ao direito adquirido, se o
Trabalhador laborou em condições adversas e a lei da época permitia a
contagem de forma mais vantajosa, o tempo de serviço assim deve ser
contado e lhe assegurado.
3. Sabe-se que a profissão de Soldador/Caldeireiro era tida como
insalubre nos anexos dos Decretos 53.831/64 e 83.080/79, permitindo
a concessão de aposentadoria especial aos 25 anos de tempo de serviço;
dessa forma, impõe-se reconhecer como insalubre por presunção legal,
o tempo de serviço prestado pelo autor no período de 16.02.81 a
12.02.87, na condição de Soldador/ Caldeireiro, não se cogitando de
necessidade de efetiva demonstração dos agentes nocivos, por se cuidar
de interstício anterior à Lei 9.032/95.
4. Com relação aos períodos compreendidos entre 14.04.89 a
25.10.2013, laborados na empresa Braskem S/A, o demandante
comprovou os requisitos necessários à averbação do tempo de serviço
em condições especiais, ou seja, demonstrou, através do conjunto
probatório (CTPS e Perfil Prosissiográfico Previdenciário - PPP e
laudo técnico de condições ambientais de trabalho), que efetivamente
exerceu suas funções, sujeito a condições especiais de modo habitual e
permanente, expondo-se ao agente nocivo ruído acima do limite de
tolerância (86 a 90 db), fazendo jus, portanto, ao cômputo de serviço
especial de forma majorada.
5. Quanto ao uso de Equipamento de Proteção Individual, em
recente decisão, o Supremo Tribunal Federal assentou a tese de que, se
o equipamento (EPI) for realmente capaz de neutralizar a nocividade,
não haverá respaldo constitucional à aposentadoria especial, salvo se o
agente nocivo for ruído.
6. De acordo com o entendimento do STF, se o trabalhador for
submetido a ruídos acima dos limites legais, como no caso dos autos,
ainda que conste a informação de que o EPI é eficaz, não restará
descaracterizado o tempo de serviço especial prestado. Ademais,
observa-se que o PPP simplesmente informa que garantiu o
fornecimento e uso do equipamento de Proteção Individual (EPI),
reputando-se como eficazes, não havendo prova inequívoca de que o

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equipamento fornecido realmente neutraliza a nocividade do risco


causado pelo contato com o agente ruído acima dos limites legais.
7. Verificando-se que o equipamento fornecido ao segurado não
neutraliza a nocividade do risco causado pelo contato com o agente
nocivo e restando comprovado que o autor exerceu por mais de 25
anos as suas atividades sob condições especiais, é de se lhe conceder o
benefício de aposentadoria especial, a partir do requerimento
administrativo.
8. Atendidos os pressupostos do art. 273 do CPC - a
verossimilhança do direito alegado e o fundado receio de dano
irreparável -, é de ser mantida a antecipação da tutela concedida.
9. Honorários advocatícios mantidos em 10% sobre o valor da
condenação, observando-se os limites da Súmula 111 do STJ.
10. Remessa Oficial e à Apelação do INSS parcialmente
providas, apenas para determinar a aplicação da Súmula 111 do STJ”
(fls. 162-163, Vol. 1, e-STJ).

Os embargos de declaração opostos foram rejeitados.

2. O Agravante alega contrariados os arts. 2º, 5º, caput, incs. LIV e LV,
37, caput, 93, inc. IX, 195, § 5º, e 201, caput e § 1º, da Constituição da
República.

Argumenta ser “necessário buscar maneira de realizar direitos, mas que


isso não signifique necessariamente tornar o ordenamento pátrio em prisioneiro
do universo jurisdicional. Não é possível aceitar a realização de direitos por
instrumentos diversos daqueles intrinsecamente relacionados à democracia
participativa. O fundamento de validade da atividade do Poder Judiciário, bem
como os limites que lhe são afetos, encontra-se no Princípio da Separação dos
Poderes, previsto constitucionalmente. Isto porque, no Estado Democrático de
Direito, existem limitações a todos os poderes constituídos, e, como não podia ser
diferente, também se aplicam ao Judiciário, mesmo enquanto instância
garantidora dos direitos fundamentais.
(…) Conforme já dito alhures, o decisum recorrido ao deferir o
reconhecimento de especialidade e o direito de conversão do referido tempo de

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contribuição, ausente a contribuição adicional pela empresa empregadora em


razão do fornecimento e uso de EPI/EPC eficaz, defere benefício diverso daquele
previsto em lei.
(…) o TF-5ª Região, ao julgar procedente a ação, extrapolou os limites
constitucionais acerca da vedação da criação de novo benefício sem a respectiva
fonte de custeio. E mais, invadiu a esfera de livre discricionariedade do legislador
- seu espaço de conformação, emprestando à norma palavras que não estão
presentes em seu texto, e dando-lhe aplicação e abrangência diferentes daquelas
previstas no próprio texto constitucional e legal.
No caso em exame, é forçoso concluir que não existe lacuna ou omissão da
lei a ser suprida por analogia, a norma é de clareza solar quando afirma que a
especialidade da atividade é afastada pelo fornecimento e utilização de
equipamento de proteção eficaz. Não há brechas a serem supridas pelo intérprete”
(fls. 208-234, Vol. 2, e-STJ ).

3. O recurso extraordinário foi inadmitido ao fundamento de


ausência de ofensa constitucional direta.

Apreciada a matéria trazida na espécie, DECIDO.

4. Razão jurídica não assiste ao Agravante.

5. No julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo n. 906.569,


Relator o Ministro Edson Fachin, este Supremo Tribunal assentou
inexistir repercussão geral da matéria trazida na espécie:

“RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO


GERAL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA
ESPECIAL. CONVERSÃO DO TEMPO DE SERVIÇO.
CARACTERIZAÇÃO DA ESPECIALIDADE DO LABOR.
ARTIGOS 57 E 58 DA LEI 8.213/91. 1. A avaliação judicial de
critérios para a caracterização da especialidade do labor, para fins de
reconhecimento de aposentadoria especial ou de conversão de tempo de
serviço, conforme previsão dos artigos 57 e 58 da Lei 8.213/91, é

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controvérsia que não apresenta repercussão geral, o que inviabiliza o


processamento do recurso extraordinário, nos termos do art. 543-A,
§5º, do Código de Processo Civil. 2. O juízo acerca da especialidade do
labor depende necessariamente da análise fático-probatória, em
concreto, de diversos fatores, tais como o reconhecimento de atividades
e agentes nocivos à saúde ou à integridade física do segurado; a
comprovação de efetiva exposição aos referidos agentes e atividades;
apreciação jurisdicional de laudos periciais e demais elementos
probatórios; e a permanência, não ocasional nem intermitente, do
exercício de trabalho em condições especiais. Logo, eventual
divergência ao entendimento adotado pelo Tribunal de origem, em
relação à caracterização da especialidade do trabalho, demandaria o
reexame de fatos e provas e o da legislação infraconstitucional
aplicável à espécie. INEXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL”
(DJe 25.9.2015).

Declarada a ausência de repercussão geral, os recursos


extraordinários e agravos nos quais suscitada a mesma questão
constitucional devem ter o seguimento negado pelos respectivos
relatores, conforme o art. 327, § 1º, do Regimento Interno do Supremo
Tribunal Federal.

Nada há a prover quanto às alegações do Agravante.

6. Pelo exposto, nego seguimento ao agravo (art. 327, § 1º, do


Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal).
Publique-se.

Brasília, 28 de junho de 2016.

Ministra CÁRMEN LÚCIA


Relatora

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